quarta-feira, 7 de março de 2012

O PIOR DO PIB NOVO É MAIS QUE O MELHOR DO VELHO

Por Brizola Neto

“O IBGE confirmou os números do Banco Central sobre a evolução do PIB em 2011: expansão de 2,7%.

Pouco, de fato, diante das previsões de 4,5% feitas no início do ano.

Mais, porém, que a média dos oito anos de FHC/PSDB/DEM (2,3%) e um pouco mais que a média do primeiro período Lula (2,6%).

E muito, por dois fatores.

O primeiro, os efeitos devastadores da crise mundial, que jogaram no negativo as economias do mundo desenvolvido e, até mesmo, refrearam de forma inédita o expansionismo econômico da China que, com seu câmbio controlado, é quem passa por menos problemas ante a avalanche de US$ 8 trilhões que, desde o final de 2008, inflacionaram o mundo através das injeções do governo americano e da União Europeia [para os EUA, basta rodar a sua maquineta de fazer dólares, espalhá-los pelo mundo e azar dos outros].

O câmbio, atingido em cheio por esse “tsunami” foi, como você vê no gráfico acima, o responsável pelo item mais negativo para a expansão do PIB: as importações, que cresceram três vezes acima da expansão da economia.

O segundo fator – e os dois merecem ser considerados uma unidade – são as outras partes, além do câmbio, do tripé neoliberal do qual ainda não nos livramos completamente: inflação e juros.

O ano começou com uma ação forte – e mais importante que isso, crescente – de contenção da atividade econômica como antídoto à inflação. Óbvio que, àquela altura, não se poderia prever que a crise externa se tornaria também outro depressor da economia e, na prática, o resultado foi uma “overdose” que atirou a economia a partamares mais baixos do que se previa.

Agora, ao contrário, a queda contínua da inflação – que, para desespero dos “roda-presa”, vai chegar muito perto do centro da meta, de 4,5% ao ano – estimula recuperação progressiva do consumo e a redução mais ousada da taxa de juros.

Por isso, a questão cambial tem tomado o centro das atenções da área econômica e as constantes advertências de que se imporá controles ao fluxo de capitais.

Por isso, a reação dos países ricos, criticando o “protecionismo” brasileiro, que não é, nem de longe, suficiente para compensar o artificialismo que o câmbio induz às relações de troca e, portanto, à dinâmica interna da economia.

Seja como for, nenhuma medida será capaz de revitalizar sozinha o desequilíbrio amplamente favorável ao país em matéria de balança comercial. É urgente - e estratégico – prosseguir no fortalecimento do mercado interno, de um lado, e na seletividade das encomendas industriais do setor mais promissor da economia, sobre o qual remanesce o controle estatal: o petróleo do pré-sal, além da agroindústria e da mineração, onde o potencial brasileiro nos confere vantagens estratégicas.

E, de outro lado, via redução dos juros e, com isso, do serviço e dos encargos da dívida, aliviar o Estado brasileiro da sangria permanente que nos obriga a uma carga tributária paralisante sobre setores vitais da economia e apequena a capacidade pública de investimento – estatal e paraestatal – sem a qual jamais nos tornaremos um país desenvolvido.”

FONTE: escrito por Brizola Neto em seu blog “Tijolaço”  (http://www.tijolaco.com/o-pior-do-novo-e-mais-que-o-melhor-do-velho/). [Imagem do Google e trecho entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

terça-feira, 6 de março de 2012

LULA DEVE ARRISCAR A VIDA PELOS PAULISTANOS !?!


[OBS deste blog ‘democracia&política’: Concordo plenamente com os pensamentos de Eduardo Guimarães expressos no artigo abaixo. A próxima campanha pela prefeitura de São Paulo não tem importância a ponto de arriscar a vida do ex-presidente Lula. Se os paulistanos preferirem Serra em vez de Haddad, problema de gosto. Se querem alimentar o sonho pessoal de Serra de (novamente!) ficar pouco tempo na Prefeitura apenas como seu trampolim, para largá-la e candidatar-se a Presidente em 2014, problema dos paulistanos. Se gostaram das soluções apregoadas (não implantou) por Serra para as frequentes e cada vez maiores enchentes, problema de quem o eleger. Lula não deve pôr sua vida em risco por conta de uma campanha que, com certeza, pelos antecedentes, será violenta, baixa, suja, e com todo o engajamento ardoroso da mídia direitista tucana desesperada por Serra. Lembremo-nos de Serra e sua esposa acusando Dilma de "assassina de criancinhas" porque Dilma é a favor de apoio público de saúde para mulheres que abortam (esconderam -ou tiveram amnésia?- o aborto da Sra. Serra no Chile). Não nego que Serra trouxe momentos de humor naquela campanha de 2010. Por exemplo, com a comédia da farsa de ele e sua comitiva correrem para o hospital, e com estardalhaço na mídia para todo o Brasil, por conta de uma bolinha de papel na cabeça. Infelizmente para eles, a leve e esvoaçante bolinha havia sido filmada e não pôde ser transformada em gigantesco e assassino rolo de papel. Enfim, para ele vale tudo para ser presidente. Lula, no estágio atual de convalescença, não deve entrar nessa. É muito mais valioso para o Brasil que tudo isso. Vejamos o artigo do "Cidadania.com":].

LULA NÃO PODE ARRISCAR A VIDA POR UMA CAMPANHA ELEITORAL

Por Eduardo Guimarães

“Na noite de 31 de outubro de 2010 fui com a família à avenida Paulista comemorar a vitória de Dilma Rousseff. Um grupo de amigos reunira-se em um dos bares do quarteirão da rua Joaquim Eugênio de Lima com a avenida, que ficou conhecido como “Prainha Paulistana”. Ali, encontrei Marcos Lula, um dos filhos do então presidente da República.

Conversa vai, conversa vem, Marcos me confidenciou a dificuldade instransponível para convencer seu pai a se afastar de atividade que tanta dor tem trazido à sua família nos últimos tempos, desde que o ex-presidente anunciou que estava sofrendo de câncer, em razão dos ataques políticos que não o poupam nem em momento de tanta dificuldade.

Segundo o filho de Lula, seu pai sempre prometeu à família que um dia deixaria a política, mas esse dia nunca chegou. E, assim, a família inteira vai tendo que conviver com os sucessivos ataques ao patriarca, os quais sempre conseguem ser mais rasteiros e desumanos do que os anteriores.

Na semana passada, reuni-me com amigos na inauguração da nova sede do Centro de Estudos Barão de Itararé, na rua Rego Freitas, no prédio em que fica o Intervozes. Entre sindicalistas, militantes, jornalistas, diplomatas e políticos, não encontrei uma só pessoa que não concordou com a tese de que Lula deve virar alvo de pesada artilharia, nos próximos meses.

Todos lembraram o quanto a direita midiática está assustada com a entrada dele no processo eleitoral de 2012 e de como, desse medo, têm emanado os ataques mais virulentos, baixos e covardes que se possa conceber. E de como aumentarão ainda mais se Lula voltar ao palco político.

No fim da tarde de domingo, os portais de internet anunciavam a nova internação de Lula, desta vez por conta de infecção pulmonar e febre. Há algumas semanas, fora internado por dores na garganta e dificuldade de deglutir.

Eu e minha família temos comentado que a aparência de Lula não nos está agradando. Em nossa opinião, o ex-presidente está claramente sentindo mais o tratamento do que a presidente Dilma. Talvez pela localização de seu tumor, talvez pelo fato de que mulher é mais forte, só sei que o fato é que Lula ficou impressionantemente abatido.

Qualquer pessoa comum, sofrendo do mal que acomete o ex-presidente, se afastaria por completo de atividades desgastantes tanto do ponto de vista emocional quanto físico, como sói ser uma campanha eleitoral – ainda mais em um país como o nosso, onde política é uma guerra em que abundam os golpes baixos.

Luiz Inácio Lula da Silva já fez o que podia pelo país. Trabalhou como um cavalo durante seus 8 anos na Presidência. Jornadas de trabalho ocupavam dois terços dos seus dias, fins de semana inteiros eram dedicados à política. Ninguém pode exigir mais nada desse homem. Doente como está, participar de campanha suja como a que vem por aí, é loucura.”

FONTE: escrito por Eduardo Guimarães no seu blog “Cidadania.com”  (http://www.blogcidadania.com.br/2012/03/lula-nao-pode-arriscar-a-vida-por-uma-campanha-eleitoral/).

AVANÇAM POLÍTICAS DE VALORIZAÇÃO DA MULHER


GOVERNO AVANÇA NAS POLÍTICAS DE VALORIZAÇÃO DA MULHER, diz Presidenta Dilma

“Na semana em que é comemorado o ‘Dia Internacional da Mulher’, a presidenta Dilma Rousseff anunciou que, a partir de abril, as gestantes vão receber R$ 50 para pagar a passagem de ônibus e não perder as consultas do pré-natal no SUS. A iniciativa faz parte da “Rede Cegonha”, que já oferece tratamento humanizado para mais de 900 mil grávidas. No programa “Café com a Presidenta” transmitido ontem (5), Dilma Rousseff informou o objetivo de 1,7 mil municípios de 23 estados contarem com o atendimento da “Rede Cegonha”.

A mortalidade materna está ligada, na maioria das vezes, a complicações causadas por hipertensão, diabetes, hemorragias e infecções. Todas essas são doenças que podem ser tratadas e controladas com um pré-natal bem feito”, explicou a presidenta, citando a queda de 19% na mortalidade materna registrada no primeiro semestre de 2011 em relação a 2010.

A presidenta lembrou, ainda, as ações de prevenção e combate ao câncer, como a realização de 11,3 milhões de exames preventivos contra o câncer de colo de útero, no SUS, no ano passado.

Também, foram feitas mais de 3,4 milhões mamografias –aumento de 13% nesse tipo de exame em relação ao ano de 2010. É algo muito significativo.

Para a presidenta Dilma, o caminho para a conquista dos direitos das mulheres é longo, mas o governo reconhece o papel imprescindível e crescente das mulheres na sociedade. Ela alertou, ainda, que não pode ser ignorada a realidade de violência a que ainda são submetidas muitas brasileiras. E ressaltou que um país que respeita suas mulheres constroi uma nação desenvolvida.

Vamos continuar fortalecendo políticas de valorização da mulher, de afirmação da mulher. Políticas que aumentem as oportunidades de acesso ao emprego, com melhor capacitação profissional, buscando superar grande desigualdade que existe em nosso país, que é o fato de a mulher trabalhar o mesmo trabalho que o homem e ganhar menos. Eu tenho convicção que o século XXI é o século das mulheres. Não para as mulheres serem, de certa forma, contra os homens, mas para as mulheres terem participação na vida social, política, econômica e cultural do país ao lado dos homens, tendo o respeito dos homens.”

FONTE: blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/governo-avanca-nas-politicas-de-valorizacao-da-mulher-diz-presidenta-dilma/).

PORTUGAL TERÁ DE FAZER A MORATÓRIA DE SUA DÍVIDA


PORTUGAL SERVE DE PROFECIA

LISBOA PAGA PARA PROTEGER SUA REPUTAÇÃO

Por Landon Thomas Jr., no “The New York Times”

“LISBOA - Agora que a Grécia chegou a um acordo com a Europa para novo pacote de socorro, talvez valha a pena observar a lição de Portugal.

Ao contrário da Grécia, Portugal fez tudo o que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional lhe pediram, em troca do último pacote de ajuda de € 78 bilhões, em maio passado. No entanto, Portugal está afundando mais no buraco.

A proporção entre dívida e PIB do país era de 107% quando recebeu a ajuda. No próximo ano, poderá chegar a 118%.

Isso não acontece necessariamente porque a dívida de Portugal está crescendo, mas porque sua economia está encolhendo. Economistas dizem que esse círculo poderá se repetir em outros lugares da Europa: Espanha e Itália têm proporções crescentes entre dívida e PIB, mesmo cortando orçamentos e aumentando impostos.

Sem crescimento, reduzir os níveis da dívida torna-se quase impossível. É como tentar pagar grande conta de cartão de crédito depois de receber corte no salário.

Vitor Gaspar, o ministro das Finanças de Portugal, é altamente respeitado pelas autoridades econômicas e financeiras da Europa. Ele reduziu o déficit orçamentário em mais de um terço através de medidas duras. Mas muitos economistas dizem que, por isso, também a economia portuguesa encolheu 1,5% em 2011 e poderá se contrair 3% este ano.

"A dívida de Portugal simplesmente não é sustentável", disse David Bencek, analista do “Instituto Kiel para a Economia Mundial”, na Alemanha. "A economia não tem estrutura para crescer no futuro e, portanto, não conseguirá repagar sua dívida em longo prazo."

O FMI prevê que Portugal crescerá o suficiente para cortar sua dívida. Porém, até o FMI adverte que, se o crescimento for decepcionante, a dívida de Portugal "não seria sustentável".

O FMI está ansioso para mostrar um bom exemplo de reestruturação econômica. Na verdade, Portugal é considerado tamanho modelo de reforma que a União Europeia e o FMI deverão lhe trazer mais dinheiro no ano que vem, se necessário -como foi sugerido em uma conversa ouvida entre Gaspar e o ministro das Finanças alemão em fevereiro.

Mas, como indica a proporção entre dívida e PIB de Portugal, em lento crescimento, ser o paciente de dívida modelo da Europa não facilita sair da dívida. Outros poderiam achar ainda mais duro.

A Espanha, cuja proporção de dívida sobre PIB era de 36% antes do início da crise, tem projeções de mais do que duplicar esse número, para 84%, até 2013. A Itália, cuja proporção já era de 105% em 2009, deverá alcançar 126% no ano que vem.

Se Portugal e outros devedores europeus acham cada vez mais difícil pagar a seus credores por causa do crescimento lento ou zero, alguns especialistas preveem que poderão precisar negociar descontos da dívida. Foi assim que aconteceu na América Latina nos anos 1980, quando ficou claro que as medidas de austeridade do FMI impediam o crescimento de que os países precisavam para pagar a dívida.

Charles Wyplosz, economista internacional, afirma que, até que a atividade econômica seja retomada nos países soterrados pela dívida, é inútil punir os cidadãos com políticas de contenção de crescimento.

"É tudo pseudociência", disse. "Por isso, eu acho que Portugal terá de fazer a moratória de sua dívida, e pode-se afirmar que a Itália terá de reestruturar também."

Crise na Itália

Gaspar, porém, insiste em que Portugal não tentará renegociar suas dívidas por causa dos danos permanentes que poderia causar à reputação de Lisboa como mutuário. "Essa possibilidade está completamente excluída", disse.

Gaspar não tem planos para facilitar. Este ano, ele pretende cortar os pagamentos de aposentadorias do governo em € 1,2 bilhão e cortar os pagamentos de bônus que os trabalhadores do setor público do país recebem há muito tempo.

Os economistas aceitam que, durante a fase inicial de um grande programa de ajuste de gastos, a proporção dívida-PIB aumente enquanto o crescimento econômico sofre. A aposta é que, com o tempo, a economia se recupere o suficiente para possibilitar superávit primário.

Mas Bencek disse que Portugal precisará de superávit primário de 10% do PIB nos próximos anos para reduzir sua dívida para nível administrável. E isso, ele disse, exigiria cortes de gastos muito além dos que Gaspar realizou.

Muitos portugueses se perguntam se não seria melhor que o governo negociasse condições mais fáceis com os credores.

"Portugal economizaria € 3 bilhões por ano se reestruturasse sua dívida", disse Pedro Lains, um historiador econômico na Universidade de Lisboa.

Ele afirmou que a contração dos salários estava levando mais portugueses a deixar o país, enquanto o governo tenta provar que vale a pena continuar na zona do euro. "Mas a culpa não é do povo português", disse. "A culpa é da estrutura do euro."

FONTE: escrito por Landon Thomas Jr., no “The New York Times”, e transcrito na “Folha de São Paulo”  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/29338-portugal-serve-de-profecia.shtml) [Título e imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’]

RÚSSIA: 64% DOS ELEITORES SERÃO IDIOTAS?

Vladmir Putin

“Durante os últimos meses, a mídia conservadora difundiu a idéia de que a Rússia vivia estágio terminal de descrédito em relação ao governo, sugerindo a iminência de levante popular contra os alicerces da corrupção e do autoritarismo.

Não se diga que esses não existiriam. De um sistema político planejado para sancionar a transferência do patrimônio público ao controle de bandos oligárquicos, não se deve esperar virtudes republicanas. Raramente, porém, a abordagem, ao menos no Brasil, contemplou a resistência e o ressentimento de amplas camadas da sociedade russa em relação aos valores dos livres mercados, o que explicaria a má vontade em sancionar a instauração de um Estado fraco sobre uma sociedade de joelhos, vencida e complacente com a espoliação de suas vísceras por apetites exacerbados pela crise neoliberal.

A população russa pode ser tudo, menos uma manada compacta de idiotas que, bovinamente, entregaria 64% dos votos a Putim, dando-lhe esmagadora 3ª eleição presidencial, sem a necessidade de ir a 2º turno, em troca de nada.

Como interpretar a colisão entre o vento de nacionalismo e Estado forte soprado das urnas e o prognóstico exatamente oposto, liberal privatista, martelado em manchetes categóricas?

A mesma sensação de perplexidade avulta quando se compara o que aconteceu nas eleições parlamentares do Irã com a estridência de uma cobertura jornalística antirregime, que já se notabilizou por ocultar dados essenciais da questão nuclear iraniana. Primeiro, ela desqualificaria o pleito, apostando na abstenção maciça contra o governo Ahmadinejad. Frustrada a diáspora eleitoral pelo comparecimento expressivo das camadas populares, agora destaca-se a derrota de Ahmadinejad, que teria perdido cadeiras no parlamento para a oposição.

Votação no Irã

Quer dizer, então, que a farsa transmudou-se automaticamente em marco democrático, na medida em que puniu o regime demonizado? Serão os iranianos tão maleáveis assim, a ponto de se transfigurarem de parvos em argutos eleitores, do dia para a noite? Ou seremos nós, leitores, na concepção da mídia dominante, um bando de Homer Simpsons manejáveis impunemente pela ração diária de idiotia, semi-informação e meias-verdades que ela nos propicia?”

FONTE: cabeçalho do site “Carta Maior” em 05/03/2012  (http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm). [Imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’]

segunda-feira, 5 de março de 2012

EUA ESCONDEM SEUS MILHARES DE MORTOS NO IRAQUE E AFEGANISTÃO


[OBS deste blog ‘democracia&política’:

Em várias postagens, já mencionamos o artifício utilizado pelo governo dos Estados Unidos para driblar as leis internacionais e agir abusivamente pelo mundo. Um desses artifícios é o Pentágono contratar, sem licitação e por centenas de milhões de dólares, empresas de mercenários militares/“civis” . Muita corrupção e súbitos enriquecimentos estratosféricos de altas autoridades acontecem nas esteiras desses contratos. Uma das principais é a “Blackwater”, ligada a Dick Cheney [Richard Bruce "Dick" Cheney], vice-presidente dos EUA no governo Bush e um dos principais promotores da invasão norte-americana no Iraque.


De um texto da agência norte-americana de notícias “Associated Press” de janeiro de 2007, com o título “EUA renovam contrato com Blackwater”, extraímos a seguinte informação:

Blackwater is a subsidiary of Halliburton, on whose Board Lynne Cheney [esposa de Dick Cheney] sits, through whom the Vice President still profits from stock holdings and to whom he will probably return after his term in office”.

"Dick" Cheney foi “Chairman and Chief Executive Officer” da Halliburton Company de 1995 a 2000.

A Halliburton foi a principal articuladora da invasão militar norte-americana no Iraque e a principal beneficiada [mais de um bilhão de dólares] com aquela “guerra” pelo domínio das reservas de petróleo iraquiano. Invasão que, segundo instituição da Inglaterra, já causou a morte de mais de um milhão de iraquianos. Um crime de guerra. Um genocídio em prol do lucro particular de altos políticos-empresários. Além disso, muitos mercenários norte-americanos também continuam morrendo por conta dessa ganância.

Esses assuntos vieram-me à memória ao ler hoje (5) na “Folha de São Paulo” a transcrição do seguinte artigo do “The New York Times”]:

EUA TERCEIRIZAM OS RISCOS DA GUERRA

Por Rod Nordland, no “The New York Times”

CABUL, Afeganistão - ATÉ A MORTE É TERCEIRIZADA AQUI.

“Esta é uma guerra em que os empregos militares tradicionais, de cozinheiros a guardas de base e motoristas de comboios são cada vez mais transferidos para o setor privado. Muitos generais e diplomatas americanos têm guarda-costas empregados de empresas terceirizadas. E junto com os riscos vieram as consequências: no ano passado, pela primeira vez, mais funcionários civis de empresas americanas do que soldados morreram no Afeganistão.

Os empregadores americanos aqui não têm a obrigação de relatar publicamente a morte de seus funcionários e frequentemente não o fazem. Enquanto os militares anunciam os nomes de todos os seus mortos na guerra, as empresas privadas notificam apenas os membros da família. A maioria dos terceirizados morre sem anúncio e sem contagem -e em alguns casos deixam seus familiares sem indenização.

"Ao continuar terceirizando empregos de alto risco que antes eram ocupados por soldados, os militares na verdade estão privatizando o sacrifício máximo", disse Steven L. Schooner, um professor de direito na Universidade George Washington em Washington, que estudou a questão das baixas de civis.

No ano passado, pelo menos 430 empregados de empreiteiras americanas foram relatados mortos no Afeganistão: 386 que trabalhavam para o Departamento da Defesa, 43 para a Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA e 1 para o Departamento de Estado, segundo dados fornecidos pela embaixada americana em Cabul e disponíveis ao público no Departamento de Trabalho.

Em comparação, 418 soldados americanos morreram no Afeganistão no ano passado, segundo o Departamento da Defesa compiladas por “icasualties.org”, uma organização independente que monitora as mortes na guerra.

Essa tendência tem crescido nos últimos anos no Afeganistão e se equipara à semelhante no Iraque, onde as mortes de terceirizados superam as de militares desde 2009. No Iraque, porém, isso ocorreu enquanto o número de soldados americanos era drasticamente reduzido, até sua retirada completa no final do ano passado.

Especialistas que estudaram o fenômeno dizem que como muitas empreiteiras não cumprem as atuais exigências mínimas de informação, o verdadeiro número de mortes de funcionários privados pode ser ainda maior.

"Ninguém acredita que estamos relatando menos mortes de militares", disse Schooner. "Todo mundo acredita que estamos relatando menos mortes de terceirizados."

Sob a “Lei Básica de Defesa dos EUA”, as empreiteiras de defesa americanas são obrigadas a relatar as mortes e ferimentos em zona de guerra de seus empregados -incluindo terceirizados e trabalhadores estrangeiros- ao Departamento do Trabalho, e a ter seguros que forneçam cuidados médicos e indenização aos empregados.

No caso de empregados estrangeiros, como eram muitos dos mortos, os sobreviventes recebem um benefício equivalente à metade do salário do funcionário por toda a vida; os empregados americanos recebem ainda mais.

Havia 113.491 empregados de empreiteiras de defesa no Afeganistão em janeiro de 2012, comparados com cerca de 90 mil soldados americanos, segundo estatísticas do Departamento da Defesa. Destes, cerca de 22% dos empregados eram cidadãos americanos, 47% de afegãos e 31% de outros países.

Ao todo, segundo o Departamento do Trabalho, 64 companhias americanas perderam mais de sete empregados cada uma nos últimos dez anos.

A maior empreiteira em termos de mortes em zona de guerra é aparentemente a gigante da defesa “L-3 Communications”. Se a “L-3” fosse um país, teria a terceira maior perda de vidas no Afeganistão, assim como no Iraque; somente os EUA e o Reino Unido a superariam em baixas.

Para cada funcionário terceirizado morto, muitos outros são seriamente feridos. Segundo o Departamento do Trabalho, 1.777 americanos terceirizados no Afeganistão foram feridos ou seriamente feridos a ponto de perder mais de quatro dias de trabalho no ano passado.

Marcie Hascall Clark começou o blog “Indenização da Lei Básica de Defesa” ["Defense Base Act Compensation Blog"] depois que seu marido, Merlin, um ex-perito em explosivos da marinha, foi ferido em 2003 enquanto trabalhava para uma empreiteira americana. Ela e o marido passaram os últimos sete anos lutando por centenas de milhares de dólares em pagamentos por incapacidade e em indenização médica.

"Foi um choque saber como o corpo, a mente e o futuro de meu marido valiam pouco", disse.”

FONTE: artigo de Rod Nordland, no “The New York Times”. Transcrito na “Folha de São Paulo”  (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/29334-eua-terceirizam-os-riscos-da-guerra.shtml) [Título, imagens do Google e introdução em azul e entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

IRÃ LANÇARÁ SATÉLITES GEOESTACIONÁRIOS E PLANEJA MISSÃO TRIPULADA EM 2019


“Em meio às suspeitas da "comunidade internacional" [sic] [isto é, dos EUA/Israel, França e Inglaterra que se autodenominam "comunidade internacional"] sobre seu programa nuclear, o governo do Irã anunciou hoje (5) que enviará satélites geoestacionários que orbitarão a Terra. O diretor do Programa Aeroespacial do Irã, Mehdi Farahi, disse que a ideia é enviar satélites com o poder de alcance de 1.000 quilômetros. O envio dos satélites está dentro do plano aeroespacial até 2015.

Em junho de 2011, o Irã lançou um satélite de observação. O objetivo era fazer imagens da Terra e transmiti-las com as informações para as estações terrestres. Em 20 de junho do ano passado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o país obteve a tecnologia para desenvolver satélites. Segundo ele, o governo pretende em breve lançar satélites de alcance ainda maior – que atinjam altitude de cerca de 40 mil quilômetros.

De acordo com Farahi, o governo iraniano lançou seu primeiro satélite, “Omid” (cujo significado em português é Esperança), em 2009. Em 2019, o governo iraniano pretende lançar a primeira missão tripulada ao espaço. Pelos dados oficiais, o Irã é um dos 24 membros fundadores da “Comissão das Nações Unidas sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior”, que foi criada em 1959.

O lançamento de satélites ocorre no momento em que o Irã sofre severas sanções de parte da “comunidade internacional” devido ao programa nuclear desenvolvido no país [com objetivos até agora comprovadamente pacíficos, para a produção de energia elétrica e fins medicinais]. Para a “comunidade internacional”, o programa esconde a [eventual, futura] produção de armas atômicas. Mas Ahmadinejad e as demais autoridades do Irã negam as suspeitas.”

FONTE: reportagem de Renata Giraldi, repórter da Agência Brasil, com informações da emissora estatal de televisão do Irã, PressTV (edição de Graça Adjuto).   (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-03-05/ira-anuncia-lancamento-de-satelites-e-promete-que-missao-tripulada-ocorrera-em-2019) [Imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].