segunda-feira, 12 de março de 2012

FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO (GLOBO) INVESTIGADA POR ROMBO DE R$ 13,8 MILHÕES AOS COFRES PÚBLICOS


"CALOTE" DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO OBRIGA MINISTÉRIO DO TURISMO A REFAZER CURSOS

“O Ministério do Turismo lançará, até o final de março, o “Pronatec Copa”, programa gratuito de qualificação, com cursos de inglês e espanhol, voltado para 80 mil profissionais do turismo envolvidos com a Copa-2014.

A iniciativa é repetência da tentativa fracassada de fazer essa qualificação através da “Fundação Roberto Marinho”. Essa ONG, ligada à TV Globo, recebeu R$ 17 milhões do Ministério com o compromisso de qualificar esses 80 mil profissionais. Porém, investigação do TCU somente localizou 19.751 alunos, o que caracteriza "calote" de cerca 60 mil alunos.


Dessa vez, o Ministério do Turismo passou longe da ONG da Globo, e fez parceria com o Ministério da Educação, usando as escolas técnicas federais e o “Sistema S” [ver obs ao final].(*)

Essas 80 mil vagas serão abertas este ano de 2012. Outras 160 mil vagas serão abertas pelo "PRONATEC Copa" em 2013 e 2014.

Já que o governo será obrigado a pagar de novo por esses cursos, nós, cidadãos brasileiros, pedimos celeridade aos órgão de controle, inclusive ao Ministério Público que investiga as recentes fraudes no Ministério, para reaver aos cofres públicos a cifra milionária recebida pela Fundação Roberto Marinho.”

(*) [Obs deste blog ‘democracia&política’ (com fonte no “wikipedia”):

As entidades em questão são as seguintes:

Agricultura

SENAR - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural

Comércio

SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio
SESC - Serviço Social do Comércio

Cooperativismo

SESCOOP - Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo

Indústria

SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SESI - Serviço Social da Indústria

Transporte

SEST - Serviço Social de Transporte
SENAT - Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte

Outras áreas

DPC - Diretoria de Portos e Costas do Ministério da Marinha
INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Fundo Aeroviário - Fundo Vinculado ao Ministério da Aeronáutica

A maioria das instituições acima tem sua sigla iniciada pela letra "S", motivo do nome do “Sistema S”.]

Leia também:Fundação Roberto Marinho é investigada por rombo de até R$ 13,8 milhões no Ministério do Turismo”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/01/fundacao-roberto-marinho-e-investigada.html)

FONTE: do blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/03/calote-da-fundacao-roberto-marinho.html) [Título, imagens do google e observação entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]

domingo, 11 de março de 2012

Dilma: "VAMOS DEFENDER A INDÚSTRIA BRASILEIRA"

Presidenta Dilma Rousseff discursa durante cerimônia de abertura da Feira Internacional de Tecnologias da Informação e das Comunicações (CeBIT 2012). (Hannover - Alemanha, 05/03/2012)
Por Luis Nassif

“Quem imaginava uma presidente emocionalmente abalada, depois de chorar em público pela saída de um assessor, pode desistir. A Dilma Rousseff que entrou no salão do Palácio Alvorada para tomar café vinha lépida, feliz, rejuvenescida e entusiasmada pela visita a Hannover, Alemanha, para participar da Feira de Tecnologia.

Lá, conferiu os stands alemães, quase todos apenas como filiais de empresas coreanas.

Depois, os brasileiros, com sistemas criativos, inovadores. “Todo mundo tinha coisa bem legalzinha”, conta a mineira Dilma. Entusiasmou-se com o sistema de controle de voo da Embraer, com a apresentação de Marcos Stefanini de uma empresa brasileira de TI, que mostrou o grande diferencial brasileiro: jeitinho, criatividade.

Foram 90 minutos de entrevista, interrompida por um telefonema de Lula que mostrou ter recuperado a voz.

A seguir, os trechos principais da entrevista. Nela, diz que a preocupação número um do governo, daqui para diante, será com o tsunami monetário e os riscos que traz para a indústria brasileira. “As condições do mercado mudaram”, avisa ela. E analisa também as marolas em torno da suposta crise da base política.

COMO OS PAÍSES RICOS ESTÃO TRATANDO A CRISE

É importante analisar como os países ricos tratam a crise.

Comecemos pelos Estados Unidos. O governo Barack Obama assumiu que queria política de crescimento imediato e correção de rumos fiscais no médio prazo. O problema foi a derrota no Congresso que o obrigou a optar pelo "quantitative easy" (programa de expansão monetária). Empurraram a crise com a barriga, aumentaram a quantidade de dinheiro nos bancos, mas não rolaram as dívidas das famílias, o que poderia ter destravado o mercado interno. Só agora, nas eleições, depois de quatro anos de crise, começam a rolar as dividas das famílias.

O "quantatitve easy" é um mix de política macro, com taxas de juros lá embaixo, expansão monetária acelerada e segurar o lado fiscal. É evidente que, por trás dela, há a intenção de desvalorizar o dólar e melhorar o emprego interno.

O governo Obama foi levado a isso politicamente.

No caso da Europa, não: optaram por isso. O último relatório do BIS (o banco central dos bancos centrais) mostra que a estratégia visa dois objetivos principais: impede a crise bancária e ganha tempo para dois mecanismos: desvalorizar o euro e jogar a conta sobre países emergentes que têm câmbio flutuante. Mas, por outro lado, pode estar criando uma enorme bolha monetária.

Não há unanimidade no governo alemão com respeito ao tamanho da liquidez. Para eles, foi importante para evitar um “Lehman Brothers” alemão, mas só isso. Não existe unanimidade na Alemanha nem sobre isso, nem em relação à Grécia.

Por trás da expansão da bolhas, há um medo da inflação, pelo histórico alemão com a hiperinflação. Medo que nós compartilhamos.

A ARBITRAGEM COM PAÍSES DE CÂMBIO FLUTUANTE

No filme "Muito Grande para Falir", na cena final o Secretário do Tesouro Paulson pergunta a Ben Bernanke se estava satisfeito com o fato de os grandes bancos terem absorvido os empréstimos para rolar dívidas. Bernanke, quieto, responde: não tenho certeza se eles vão emprestar. De fato, não emprestaram: uma parte ficou depositada no próprio FED, outra parte foi devolvida.

No caso da Europa, são um trilhão de euros emprestados a 1% ao ano, que, em breve, entrarão na ciranda financeira. Irão investir em títulos da Itália e Espanha, aumentando sua exposição? Não: virão fazer arbitragem aqui e em outros países. Tem uma enorme bolha a caminho.

O problema é que essa desvalorização cambial artificial é a forma de protecionismo mais feroz que se tem. Há um discurso dos países centrais, de que são defensores do “livre comércio”. Mas praticam o protecionismo mais feroz que se tem. E essa desvalorização artificial da moeda não está regulada pela “Organização Mundial do Comércio” (OMC). Então, não venham reclamar de algumas medidas absolutamente defensivas que o Brasil toma.

Hoje em dia, via tsunami monetária, está em curso no mundo a prática das desvalorizações competitivas, o que se chama de "empobreça seu vizinho".

É uma situação esquizofrênica na Europa, que não consegue uma solução de crescimento.

Muitos países estão com graus de desemprego do ponto de vista política incompatível com sistemas democráticos abertos. A dívida grega não é financiável, assim como a de Portugal. Como conviver com nível de desemprego que chega a atingir 45% dos jovens? Destrói o tecido social, tira das pessoas a esperança.

A ESTRATÉGIA BRASILEIRA

No Brasil, vamos ter que perceber duas coisas:

As condições do mercado internacional mudaram. Estamos vivendo situação diferenciada. Não se pode perder a consciência do tsunami monetário. Tem que fazer avaliação sobre as estratégias a serem tomadas, e não se faz de forma abrupta e apaixonada. Com muita cautela, frieza, tranquilidade, iremos acompanhar o desenrolar da situação e tomar as medidas cabíveis.

Não tenho como adiantar as medidas cabíveis, mas para o governo brasileiro essa é a questão principal.

Se perguntar hoje qual é o maior cuidado do governo, respondo: é acompanhar como o Brasil se defende dessas políticas que são abertamente protecionistas praticadas pelos governos desenvolvidos.

A NECESSIDADE DO INVESTIMENTO NO BRASIL

A própria China está promovendo uma transição do modelo de exportações para o mercado interno. Não vão parar de importar, mas irão se situar de forma diferente no mundo.

Por todas as manifestações que lemos: acho que os chineses se sentiram muito fragilizados diante da crise dos seus maiores mercados. Não podem mais confiar só no mercado externo.

Wen Jiabao disse que o modelo era desequilibrado, insustentável (usa quatro adjetivos): eminentemente desequilibrado: levará a impasses que terão que ser resolvidos.

A China caiu na armadilha do investimento elevado, o que cria rigidez econômica muito forte. Agora, tentam fazer a versão.

No Brasil, anda estamos na fase de acelerar investimento. Em breve, pretendo fazer uma reunião pessoal com os maiores empresários do país sobre a questão do investimento, Uma parte da decisão depende da expectativa, do que Delfim gosta de chamar de "espírito animal". O Brasil oferece todas as condições.

Em todos os lugares que vamos são as mesmas avaliações dos empresários internacionais. No último dia na Alemanha, tivermos reunião com Angela Merkel na ABDI (o equivalente à nossa Confederação Nacional da Indústria).

A reunião foi para que nos falassem como pretender investir no Brasil. Havia uma porção de setores, quase uma rodada de negócios. E todos eles vinham, diziam que tinham empresa tal, na área tal, e todo interesse em investir no Brasil. Hoje em dia, a maior parte da população alemã é de aposentados e crianças. E o Brasil tem o bônus demográfico. Eles olham para isso, para nosso mercado, para a estabilidade macroeconômica e política, para nossa tradição de respeitar contratos.

REVERTENDO A QUEDA NA INDÚSTRIA

Aqui, não temos dúvida de que a economia mundial caminha para recessão com excesso de liquidez. A China reduzirá crescimento para 7,5% com a clara intenção de reverter o modelo para dentro. Outros grandes países vão perseguir esse fortalecimento do mercado interno, com, a possível exceção da Índia, que tem déficit externo muito complicado.

Temos que ter consciência disso.

A situação atual não é a mesma de 2011. Nós tínhamos absorvido a expansão monetária dos Estados Unidos que, de uma forma ou outra, foi encaixada. Agora, é absolutamente diferente, é recessão com uma gigantesca expansão monetária acumulada e uma tendência a uma volta aos mercados domésticos.

Vamos ter uma política clara em relação ao Brasil, da qual o melhor exemplo é a revisão do acordo automotivo com o México. Foi feito em 2002 [por FHC], em outra conjuntura, na qual cabia o acordo. E está em vigor até agora, em condições não adequadas ao Brasil.

O Brasil vai institucionalmente tomar medidas para garantir que nosso mercado interno não seja canibalizado. Tem queda na indústria, mas dá para reverter. Não daria se deixássemos continuar por dois, três anos. Agora dá e vamos fazer o possível e o impossível para defender a indústria nacional.

O PAPEL DA REDUÇÃO DOS JUROS PELO BC

A redução dos juros, pelo Banco Central, não é só para esquentar a economia brasileira. Cumprimento o BC porque a intenção maior é equilibrar a taxa interna com a internacional. Hoje em dia, esse diferencial é responsável pela maior arbitragem que existe no mundo.

Iremos fazer isso sem comprometer a luta contra a inflação.

O FANTASMA DAS FALSAS CRISES POLÍTICAS

Existe uma forma quase fantasmagórica de cobrir a política. A imprensa vem falando em “crise” com a base aliada. Não existe crise. Os conflitos - que sempre existirão - têm a ver com os processos pelos quais exercemos o nosso presidencialismo. Tem que ser de coalizão, mas não deixa de ser presidencialismo.

No caso do Brasil, alcançamos grande maturidade nas relações executivo-legislativo e executivo-judiciário. Podemos nos vangloriar de ter certa estabilidade.

Por aqui, seria inconcebível uma relação Executivo-Congresso do tipo democrata-republicano. As diferentes opiniões que se estruturam dentro da sociedade brasileira não permitiriam isso.

Temos tradição de sermos obrigados, como políticos que somos, a olhar o interesse de todos: o que nos EUA às vezes me parece que não é o caso.

Ninguém aqui pode, durante muito tempo, só defender seus interesses específicos sem que haja reação da parte da sociedade.

É sempre bom que, tanto Executivo quanto Legislativo e Judiciário, saibam que essa é exigência de postura de todos: presidentes, ministros, deputados, senadores e juízes. Esse é aspecto importante da nossa democracia e explica também porque, mesmo tendo eleições bastante atritadas, em alguns casos até duras, logo depois da eleição há como uma pacificação geral

Ai do presidente que não falar em nome de todos os brasileiros e brasileiras. Em outros países do mundo, não se vê isso

Ao lado da coalizão há questão do interesse de todos, balanço do presidencialismo que fala em nome de todos e coalizão que são interesses partidários. É normal que se reivindique e se debata. É intrínseco a esse processo

E partidos não podem arcar com ônus de inviabilizar acordos: são partes do acordo. Quando votam contra governo, são pontos muito específicos. Não tem desvio, conduta inadequada: que eles façam assim é da regra do jogo, que façamos de outro é da regra do jogo.”

FONTE: escrito pelo jornalista Luis Nassif em seu portal  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dilma-exclusivo-vamos-defender-a-industria-brasileira#more) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

Grécia: “MERCADOS” FESTEJAM O FUNERAL DE UMA NAÇÃO


[Obs deste blog ‘democracia&política’: quando se fala “mercado”, significa “grandes conglomerados mundiais financeiros, econômicos e de mídia”]

“Mercados e bolsas festejam o acordo fechado na quinta-feira (8) entre a Grécia e os bancos credores, que concederam ao país desconto médio de 50% em troca de garantias e reformas que assegurem o pagamento do passivo restante.

Por Saul Leblon, em “Carta Maior”

Há razões para a banca comemorar: a adesão dos bancos ao desconto de 50% representa, no fundo, o oposto do que transparece e se alardeia. Trata-se de gigantesca transfusão, talvez a mais radical desde o Tratado de Versalhes, do sangue de um povo a credores pantagruélicos e interesses assemelhados. Uma derrota superlativa da democracia grega, que marcará a história do país por décadas; e provavelmente destruirá seu sistema representativo, marcado por traição nacional maiúscula.

As eleições parlamentares de abril agora podem funcionar como a espoleta dessa bancarrota. O processo consumado na quinta-feira compromete a vida da atual geração, a dos seus filhos e a dos netos que um dia eles terão. Em troca de um desconto sobre uma dívida impagável - contraída num intercurso entre governos irresponsáveis e banqueiros cúmplices- o Estado grego assinou uma espécie de testamento à favor dos mercados. Em seguida, consumou o suicídio político da democracia. A partir de agora, e por prazo indeterminado, a Grécia rende-se ao papel de protetorado das finanças internacionais. Um protetorado a ser alardeado como paradigma de bom comportamento.

Um diretório nomeado pelos mercados terá poderes legais para monitorar a tosquia do país, com direito a vetar orçamentos e redirecionar recursos prioritariamente ao pagamento de banqueiros. O que a coalizão socialdemocrata e conservadora fez foi municiar-se de um álibi internacional para sancionar um arrocho salarial indecente -o salário mínimo foi ineditamente reduzido; como ele, as pensões;demissões maciças da ordem de 150 mil funcionários públicos estão em marcha (15 mil já foram efetuadas este ano); privatizações e cortes na saúde e educação desencadearam surtos de suicídios e fome nas escolas. A entrega de crianças pobres a orfanatos é a tragédia mais recente protagonizada por famílias desesperadas.

ARGENTINA

Compare-se com o que fez a Argentina de Kirchner há nove anos para se ter a medida da regressividade acatada por Atenas. Em 2003, a Argentina era uma espécie de Grécia da América do Sul. Desacreditada aos olhos de seu próprio povo, balançava como um 'joão bobo' nas mãos do capital especulativo interno e externo. Nestor Kirchner herdou do extremismo neoliberal uma taxa de pobreza de 60% sobre uma população de 37 milhões de argentinos.

A dívida de US$ 145 bilhões, impagável, corroía seu sistema financeiro. Os credores sobrevoavam a nação argentina à espera do melhor momento para arrancar os seus olhos e o que lhe restasse ainda da carne, como fizeram na quinta-feira com a Grécia. O cerco internacional era avassalador.

A diferença é que Nestor Kirchner não se dobrou: impôs desconto unilateral e incondicional de 75% da dívida aos credores --ganhou margem de soberania, portanto, ao contrário da rendição grega espetada em sacrifícios brutais. Com independência, a Argentina desvalorizou o câmbio, congelou tarifas, destinou a receita crescente a programas sociais e de fomento; não ao pagamento à banca, como reza a rendição grega.

A taxa de pobreza recuou a 10% da população. A economia argentina foi a que mais cresceu no hemisfério ocidental na última década. Cristina foi reeleita em 2011 com apoio esmagador. Os desdobramentos virtuosos desse braço de ferro são espertamente omitidos pela crítica conservadora que tenta desmerecer os ganhos econômicos e sociais da soberania argentina, ao mesmo tempo em que edulcora o escalpo da sociedade grega. E o faz por uma razão compreensível: eles realçam as dimensões catastróficas dos desastres em marcha na Grécia, Espanha, Portugal e outros, submetidos à dose dupla de um purgante ortodoxo inútil, que o êxito da nação latino-americana derrotou e desmoralizou.”

FONTE: escrito por Saul Leblon, no site “Carta Maior”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=177661&id_secao=9) [subtítulo, imagens do google e trecho inicial entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].

Graça Foster a Miriam Leitão: A PETROBRAS NÃO MUDA


Por Brizola Neto

“Disseram que ela era uma tecnocrata. Que não tinha jogo de cintura e paciência.

Que estourava por qualquer coisa.

Pois Graça Foster, a presidenta da Petrobras, saiu-se muito bem numa queda-de-braço com ninguém menos que Miriam Leitão, a quem concedeu entrevista quinta-feira (8) na “Globonews”. [...].

É verdade que a fama de Graça deixou Miriam Leitão mais “calminha” e evitando aquela postura de “eu sei tudo” que tão frequentemente adota.

Graça acolheu a boa-vontade na mesma moeda e mostrou o que tem de melhor: conhecimento pleno e detalhado da atividade petroleira e a disposição de exercer liderança extremamente presente e vigilante.

Não vacilou na questão do eventual reajuste de preços da gasolina, tão defendido pela colunista das organizações Globo. Não vai haver, no curto prazo.

Na questão ambiental, tão explorada contra a melhor empresa do mundo em práticas de segurança, Graça deixou claro: na hora de qualquer risco, cada chefe de produção tem o mesmo poder da presidenta da empresa para dizer: pare e evite acidentes.

Sobre a linha-de-ação e a política de conteúdo nacional da Petrobras, Graça igualmente deixou claro, não vão mudar. Mas as exigências de prazo e qualidade serão intensamente cobradas.

E deixou claro também que nenhuma petroleira no mundo tem, hoje, as perspectivas da estatal brasileira.

Assista a íntegra da entrevista, em duas partes:





FONTE: escrito por Brizola Neto em seu blog “Tijolaço”  (http://www.tijolaco.com/graca-a-miriam-a-petrobras-nao-muda/).

COMO O “GOLDMAN SACHS” AJUDOU A QUEBRAR A GRÉCIA


“O ‘Goldman Sachs’ encheu seus cofres com 600 milhões de euros quando ajudou a Grécia a maquiar suas contas a fim de que esse país preenchesse os requisitos para ingressar na zona do euro, a moeda única europeia.

O resultado da operação foi gigantesca fraude que fez do suposto salvador, no caso o “Goldman Sachs”, o operador da derrocada da Grécia e de boa parte da Europa. Mario Draghi, atual presidente do BC Europeu, na época, era vice-presidente do “Goldman Sachs” para a Europa.

Por Eduardo Febbro, de Paris

“Paris - Há empresas que roubam para o império para o qual trabalham. A ‘Goldman Sachs’ é uma delas. O banco de negócios norte-americano encheu seus cofres com um botim de 600 milhões de euros (800 milhões de dólares) quando ajudou a Grécia a maquiar suas contas a fim de que esse país preenchesse os requisitos para ingressar na zona do euro, a moeda única europeia.

A informação não é nova, mas, até agora, se desconheciam os detalhes mais profundos do mecanismo pelo qual o “Goldman Sachs” enganou todos os governos europeus que participavam da criação da moeda única. O porta-estandarte da oligarquia financeira operou protegido por sólidas cumplicidades no seio das instituições bancárias europeias e dentro do poder político, que fez tudo o que esteve ao seu alcance para impedir as investigações.

Dois dos protagonistas dessa megafraude falaram pela primeira vez sobre as transações encobertas mediante as quais Atenas escondeu o tamanho de sua dívida. Trata-se de Christoforos Sardelis, chefe do escritório de gestão da dívida grega entre 1999 e 2004, e de Spyros Papanicolaou, o homem que o substituiu até 2012.

O resultado da operação foi gigantesca fraude que fez do suposto salvador, no caso o “Goldman Sachs”, o operador da derrocada da Grécia e de boa parte da Europa. Levando-se em conta somente os bancos franceses, a aventura grega custou 7 bilhões de euros : o “BNP Paribas” perdeu 3,2 bilhões, o “Crédit Agricole”, 1,3 bilhões, a “Société Générale”, 892 milhões, o “BPCE”, 921 milhões e o “Crédit Mutuel”, 359 milhões. Esse foi o custo só para o sistema bancário francês : os povos pagaram e pagarão em sacrifícios e privações muito mais do que isso.

A operação financeira foi astuta. O Tratado de Maastricht, da União Europeia, fixava requisitos rígidos para integrar o euro: nenhum membro da zona euro poderia ter dívida superior a 60% do PIB e os déficits públicos não poderiam superar os 3%. Em junho de 2000, para ocultar o peso gigantesco da dívida grega que era de 103% de seu PIB e obter assim a qualificação da Grécia para entrar no euro, o “Goldman Sachs” bolou um plano: transportou a dívida grega de uma moeda a outra.

A transação consistiu em mudar a dívida que estava cotizada em dólares e em yens para euros, mas com base em uma taxa de câmbio fictícia. Assim, se reduziu o endividamento grego e, com isso, a Grécia respeitou os critérios fixados pelo Tratado de Maastricht para ingressar no euro. Um detalhe complicou a maquiagem: o “Goldman Sachs” estabeleceu um contrato com a Grécia mediante o qual dissimulou o acerto sob a forma do que se conhece como um SWAP, um contrato de câmbio para os fluxos financeiros, que equivale a uma espécie de crédito.

Esse esquema fraudulento fez com que, na base dos chamados “produtos derivados” implicados na operação, em apenas quatro anos a dívida que a Grécia contraiu com o “Goldman Sachs” passasse de 2,8 bilhões de euros para 5,1 bilhões. Dois jornalistas da agência “Bloomberg”, Nick Dunbar e Elisa Martinuzii, realiazaram paciente investigação ao término da qual desnudaram esse obscuro mecanismo.

Segundo explicou aos jornalistas o chefe do escritório de gestão da dívida grega entre 1999 e 2004, Christoforos Sardelis, nesse momento a arquitetura da proposta do “Goldman Sachs” escapou de suas mãos. Logo em seguida, disse Sardelis, os atentados de 11 de setembro e uma má decisão dos bancos plantou a semente do desastre atual. A conclusão da investigação é contundente : Grécia e “Goldman Sachs” hipotecaram o futuro do povo grego e acionaram uma bomba relógio que, 10 anos mais tarde, explodiria nas mãos da sociedade.

Em matéria de grandes fraudes organizados por bancos de investimento, a impunidade é a regra. Ninguém foi, nem será condenado. Christoforos Sardelis afirmou que “o acordo com o ‘Goldman Sachs’ é uma história muito sexy dentre dois pecadores”. O ‘Goldman Sachs’ obteve apetitosos lucros nessa operação truculenta. No entanto, o banco de negócios norte-americano afirma em sua defesa que não fez nada de ilegal, que tudo o que foi realizado respeitava ao pé da letra as diretrizes do “Eurostat”, o organismo europeu de estatísticas.

O “Eurostat”, por sua vez, alega que só tomou conhecimento dos níveis de endividamento grego em 2010. A defesa parece pobre porque as primeiras denúncias sobre a maquiagem das contas gregas e o papel desempenhado pelo “Goldman Sachs” datam de 2003.

Em um informe de 2004, o “Eurostat” escreveu : “falsificação generalizada dos dados sobre o déficit e a dívida por parte das autoridades gregas”. Graças à cumplicidade do organismo financeiro norte-americano e de várias instâncias e personalidades europeias, a Grécia pôde dissimular durante vários anos o “pacote” escondido de sua dívida. Em 2010, Jean Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu (BCE), se negou a entregar os documentos requeridos para conhecer a amplitude da verdade.

Edifício sede (o mais alto) do Goldman Sachs, em Nova York

No meio a essa grande mentira, há um personagem que hoje é central: trata-se de Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu e grande partidário de terminar de uma vez por todas com o modelo social europeu. Draghi é um homem do “Goldman Sachs”. Entre 2002 e 2005, foi vice-presidente do “Goldman Sachs” para a Europa e, por conseguinte, estava a par da falsificação de dados sobre as finanças públicas da Grécia. Foi o seu próprio banco que estruturou a falsificação.

Mario Draghi
O liberalismo premia muito bem seus soldados. Durante dois anos, o Banco Central Europeu e os lobbies políticos usaram todos os truques possíveis para proteger Draghi e não permitir que fossem realizadas auditorias em torno das irregularidades cometidas na Grécia. As comissões do Parlamento europeu designadas para investigar essa megafraude se chocaram sistematicamente contra as redes que protegiam o segredo.

O desenlace final dessa cumplicidade entre as oligarquias financeiras é conhecido por todos: quase um continente submerso na crise da dívida, a Grécia, estropiada e de joelhos, recessão, demissões massivas, perda de poder aquisitivo para os trabalhadores, reestruturações, sacrifícios dos benefícios sociais, planos de ajuste e miséria. Enquanto isso, os 600 milhões que o “Goldman Sachs” ganhou com essa fraude seguiram dando frutos na aposta suicida que o capital faz em benefício próprio contra a humanidade.

FONTE: escrito por Eduardo Febbro, correspondente de “Carta Maior” em Paris. Traduzido por Katarina Peixoto  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19731) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

Mino Carta: PIG ENGORDA A CASA GRANDE

Mino: "no meu tempo, já tinha botado fogo nisso aqui"

“O portal ‘Conversa Afiada’ reproduz texto da revista ‘Carta Capital’:

MINO CARTA: ‘A MÍDIA ATUA EM FAVOR DA “CASA GRANDE”’

“Mino Carta, o diretor de redação de ‘CartaCapital’, palestrou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, na noite de sexta-feira (9). Em pauta: a leniência da mídia com a “casa grande” da sociedade brasileira, a regulamentação da mídia e os prós e contras do governo de Luiz Inácio Lula de Silva.

O diretor de redação da ‘Carta’ defende regulamentação dos meios de comunicação a fim de se evitar monopólios de mídia. “Deveria haver uma lei que impedisse que as grandes empresas fossem donas de tudo. Nos países democraticamente mais avançados, já existe essa regulação”, afirmou.

Mino enfatizava sua decepção com a população brasileira, uma vez que, mesmo sabendo de todos os problemas do governo, continua inerte. “O Brasil é um dos principais países em desigualdade social. Recentemente, outros seis brasileiros entraram na lista de pessoas mais ricas do mundo, enquanto a população de miseráveis é vasta”, contabilizou.

A mídia é uma das responsáveis por essa inércia, segundo ele. O jornalista declarou que o papel da imprensa seria o de ter uma disposição corajosa em enfrentar o governo, mas costuma fazer o oposto. “A imprensa nativa é parte integrante do poder, por isso está sempre a favor da ‘casa grande’.”

Carta lembrou o exemplo da campanha de reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, construída sobre a garantia da estabilidade do real. A mídia o considerava candidato ideal para o Brasil naquele momento, mas omitiu que 12 dias após assumir o poder, FHC mudou a moeda. “A imprensa se esforça para esconder os fatos, e a população vive na ignorância. E a minoria mais ou menos abastada acredita nas mentiras oferecidas pelos meios de comunicação”, comentou.

Quando questionado sobre a posição política de “CartaCapital”, Mino Carta admitiu a “simpatia desabusada” que a publicação sente em relação aos governos de Lula e Dilma. “Nós achamos fantástico o fato de um operário ter chegado à presidência da república, mas isso não fez com que deixássemos de criticar algumas medidas adotadas por ele”, ressalvou.

Mino cita o caso da Copa do Mundo de 2014. “Sediar o mundial de futebol foi uma medida populista adotada por Lula, e Dilma é quem está tendo que lidar com os problemas”, explicou. Para ele, o fato de ela ter feito a concessão aos aeroportos foi uma medida desesperada para evitar um desastre durante o campeonato. E teorizou: “Se a Copa for um fracasso, isso vai repercutir no mundo inteiro e, provavelmente, vai destruir a campanha de reeleição”.

Ele também recordou seus tempos de faculdade. Ele contou que, em 1952, quando cursava Direito no próprio Largo São Francisco, a faculdade fervilhava com o movimento estudantil. “Se tudo que acontece hoje em dia fosse naquele tempo, nós já teríamos incendiado esse prédio”, brincou.”

FONTE: portal “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim  (http://www.conversaafiada.com.br/pig/2012/03/10/mino-pig-engorda-a-casa-grande/).

SETE PRINCÍPIOS PARA LIBERTAR A SOCIEDADE DO DOMÍNIO DOS MERCADOS FINANCEIROS


“Para libertar as nossas sociedades do domínio dos mercados financeiros e coordenar políticas econômicas, monetárias, sociais e ecológicas progressivas, defendemos sete princípios básicos:

--retirar as finanças públicas dos mercados financeiros;
--sair da armadilha da dívida;
--aumentar os impostos sobre os ricos;
--colocar os bancos sob controle público;
--criar um setor bancário cooperativo e público;
--recuperar e expandir os serviços públicos; e
--democratizar os processos de decisão em todos os níveis.

O artígo é da "Rede Europeia da ATTAC" (Portugal).

O Banco Central Europeu (BCE) e o Euro são os símbolos dessas políticas que estão entregando o controle da economia aos bancos privados e aos mercados financeiros, a pretexto de suposta crise das dívidas públicas.

Ao mesmo tempo, a “Troika” (BCE, Comissão Europeia e FMI) e os Governos da UE estão destruindo o bem-estar social e impondo medidas de austeridade destrutivas, obrigando as pessoas a pagar dívidas pelas quais não são responsáveis.

O modelo neoliberal da integração europeia agravou as diferenças entre os países periféricos e os do centro, e aumentou as desigualdades dentro e fora da Europa ao encorajar o dumping social, ambiental e fiscal.

Os Governos da UE deram mais um passo no sentido de destruir a democracia, ao impor aos seus povos e parlamentos processos tecnocráticos, chegando mesmo a instalar os seus próprios representantes (Grécia e Itália), de modo a colocar em prática processos destrutivos de redução de dívida. O funcionamento democrático da UE está também colocado em causa pela criação do ‘Grupo de Frankfurt’ – constituído pela chanceler da Alemanha, o presidente de França, o governador do BCE, o presidente do Eurogrupo, a directora-geral do FMI e os dois presidentes da UE -, que definem as linhas políticas estratégicas em nome da urgência da crise. Assim, a já frágil legitimidade da UE e os seus processos de decisão ficam cada vez mais debilitados.

A Rede Europeia da ATTAC opõe-se fortemente a esse método de integração europeia e aos moldes como o Euro existe, pois subordinam os interesses e necessidades dos povos aos interesses dos mercados financeiros.

A dicotomia entre sair do Euro ou aprofundar a presente forma de integração europeia não abarca os principais elementos da crise global. É urgente libertar a Europa e os povos da domínio dos mercados financeiros e promover, de forma coordenada, um conjunto de políticas econômicas, sociais, monetárias e ecológicas progressivas. Para isso, os cidadãos e os movimentos sociais devem esforçar-se em nível local e europeu para alterar as regras do sistema econômico e institucional vigente – e tornar outra Europa possível.

Para libertar as nossas sociedades do domínio dos mercados financeiros e coordenar políticas econômicas, monetárias, sociais e ecológicas progressivas, devemos defender os seguintes sete princípios:

--Retirar as finanças públicas dos mercados financeiros: permitir financiamentos públicos democráticos, através de um Banco Central controlado democraticamente, que financie diretamente os Estados;

--Sair da armadilha da dívida: acabar com as políticas de austeridade e avançar com processos de auditoria que levem a cancelamentos da dívida. Os bancos e os agentes financeiros privados devem também assumir perdas;

--Dar às finanças públicas uma base sustentável: aumentar os impostos sobre os ricos e os lucros das grandes empresas e harmonizar os impostos no nível europeu para erradicar o dumping fiscal;

--Desarmar os mercados financeiros e colocar os bancos sob controle público: proibir movimentos especulativos prejudiciais (por exemplo, vendas de curto prazo, especulação nos produtos derivados, movimentos ‘over-the-counter’, trocas de alta frequência), e impor taxa de pelo menos 0,1% a todas as transações financeiras. Regular de forma sólida os bancos (separar a banca comercial da banca de investimento, desmantelar os bancos ‘demasiado grandes para quebrarem’);

--Permitir o financiamento público e democrático da economia: criar um setor bancário cooperativo e público que esteja sob o controle democrático, para garantir o financiamento das necessidades sociais e econômicas, garantir os direitos sociais e financiar um transição ecológica. As políticas de comércio internacional devem ser revistas para cumprirem esses objetivos, em cooperação com os países em vias de desenvolvimento.

--Uma Europa para os povos, não para os lucros: promover políticas econômicas e sociais em nível europeu e recuperar e expandir os serviços públicos, para reduzir desequilíbrios, promover a transição ecológica das economias, garantir altas taxas de emprego, promover a igualdade de gênero e expandir os direitos econômicos e sociais básicos (saúde, educação, habitação, informação, cultura, bem-estar social etc) e garantir que são assegurados por uma rede 100% pública.

--Democracia Já: Iniciar um processo constituinte de modo a democratizar os processos de decisão em todos os níveis; elaborar democraticamente um novo tratado europeu ratificado em referendos realizados em todos os países e apoiar e promover um debate público e transparente sobre caminhos para a Europa e políticas alternativas para a UE.”

FONTE: artigo retirado do site da ATTAC Portugal. Transcrito no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19734) [Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].