sábado, 17 de março de 2012

DILMA E A FERROVIA NORTE-SUL

Presidenta Dilma Rousseff cumprimenta trabalhadores do canteiro de obras da ferrovia Norte-Sul (Foto de Roberto Stuckert Filho/PR)

FERROVIA NORTE-SUL É CRUCIAL PARA O CRESCIMENTO DO PAÍS, AFIRMA PRESIDENTA DILMA

“A presidenta Dilma Rousseff disse quinta-feira (15), em Goianira (GO), durante visita a trechos da Ferrovia Norte-Sul, que a conclusão da obra é crucial para o crescimento do país.

Eu quero alertar o Brasil que nós voltamos a investir em ferrovias, que essa ferrovia é crucial para este país crescer, que ela beneficia Estados importantes da federação e, quando beneficia Estados importantes como Goiás e Tocantins, beneficia o conjunto da federação”, afirmou Dilma.

Após percorrer seis quilômetros do trecho que liga Palmas (TO) a Anápolis (GO), e sobrevoar as obras da Extensão Sul da Ferrovia, a presidenta disse que optou por fazer uma reunião de trabalho no canteiro de obras do lote 1, ao invés de realizá-la em Brasília, pois dessa maneira é possível detectar rapidamente eventuais problemas e buscar as soluções. [O trecho Palmas-Anápolis, com 855 km, recebeu R$ 2,92 bilhões em investimentos e já tem 95% das obras concluídas; deverá estar pronto ainda este ano].

Presidenta Dilma percorre, em Anápolis, trecho de seis quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, uma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Poderíamos fazer [a reunião] em Brasília, mas o que percebemos é que ela não é tão real, tão efetiva. Quando nós chegamos aqui, falando com o governador, com o prefeito, mas, sobretudo, conversando com os empresários responsáveis por cada trecho, porque é esse o nosso objetivo aqui, ela não é uma visita política, é uma vista de trabalho, e descobrimos o que está faltando, o que pode ser solucionado”, afirmou a presidenta.



[De helicóptero, a presidenta também sobrevoou trechos da obra e se dirigiu ao município de Goianira (GO), onde está sendo construída a Extensão Sul da ferrovia, ligando Ouro Verde (GO) a Estrela do Oeste (SP). Com 681 quilômetros de extensão, o trecho tem 23% das obras concluídas. A previsão é que sejam investidos R$ 2,7 bilhões até a conclusão em 2014].

Com 2.255 quilômetros de extensão, Dilma disse que a ferrovia Norte-Sul será a coluna vertebral do país.

É como se fosse a coluna vertebral do Brasil que nós estamos construindo, daí a importância dela, de nós fazermos uma reunião de trabalho no lugar (…). Eu saio de Brasília e venho aqui porque eu acredito que essa é a forma de fazer com que isso se acelere, com que isso se realize, e com que isso se multiplique”.

Participaram da visita às obras da ferrovia Norte-Sul e da reunião de trabalho os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e do Planejamento, Miriam Belchior, além de representantes da VALEC – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes, responsável pela execução da obra.”

FONTE: Blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/ferrovia-norte-sul-e-crucial-para-o-crescimento-do-pais-afirma-presidenta-dilma/). Mapa do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’ extraídos também do blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/em-goias-presidenta-dilma-visita-as-obras-de-construcao-da-ferrovia-norte-sul/).

GRAÇA FOSTER: PETROBRAS PERSEGUE O CONTEÚDO NACIONAL

Graça Foster, presidente: “Não adianta sonhar, sonho não constrói sondas”, afirmou, referindo-se à crise no EAS
Por Cláudia Schüffner, Heloisa Magalhães e Francisco Góes, no jornal “Valor Econômico”

PETROBRAS PÕE FIM À TRÉGUA COM OS ESTALEIROS DO PAÍS

“A nova presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que assumiu o cargo há pouco mais de um mês, deixou claro em entrevista ao “Valor” que pôs um fim à sua trégua com os estaleiros, aos quais a estatal tem encomendas de navios, sondas e plataformas. O principal alvo da executiva à frente da empresa, onde está há 32 anos, é atingir a meta de produção de petróleo, em 2020, de 6 milhões de barris por dia. A entrevista de Graça Foster ao jornal foi feita antes da decisão da saída da companhia coreana “Samsung” da associação no “Estaleiro Atlântico Sul” (EAS) com Camargo Corrêa e Queiroz Galvão. A executiva teve reunião com a fabricante coreana na quarta-feira, na sede da companhia, e, na sua opinião, ou a Samsung teria participação expressiva no EAS ou não faria sentido ficar na associação com apenas 5%, 6% ou 10%.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Valor: A Petrobras é criticada por descumprir as próprias metas de produção. Porque esse atraso? 

Maria das Graças Foster: Nós estamos fazendo o que é previsível e, é fato, a revisão do plano de negócios todos os anos. O plano de negócios terminou e, em seguida, está sendo avaliado novamente. É nesse processo que nos encontramos. Na próxima semana, vamos terminar toda a análise de 2012. Estamos pegando o plano de E&P [exploração e produção], abrindo completamente, olhando o que é eficiência operacional e começando a abrir [os números] como se fosse uma cebola, em cascas.

Valor: Há alguma boa notícia na área de produção?

Graça Foster: O que tem de muito bom acontecendo em 2012 é que começamos o ano com 16 sondas de perfuração operando. Ao longo de 2011, chegaram 10 sondas. Ao todo, são 26 sondas. E, este ano, chegarão mais 14 sondas, totalizando 40 [encomendadas].

Valor: A senhora pode falar sobre a visita que fez ao estaleiro EAS?

Maquete do EAS
Graça Foster: Posso falar daquilo que cabe à Petrobras. Não posso falar das empresas porque não seria ético. Na quarta-feira, a Samsung [acionista do EAS, com 6%] esteve aqui o dia inteiro reunida conosco.


Valor: A presidente Dilma pediu para a senhora auxiliar na negociação entre os sócios?


Graça Foster: Não recebi da presidenta nenhum pedido para tratar desse assunto. Como controlador desta empresa [Petrobras], o governo quer que a gente cumpra metas de produção, de refino, em relação ao etanol. Para produzir 6 milhões de barris de petróleo por dia [em 2020], tenho que resolver problemas de estaleiro. Nós contratamos a “Sete Brasil” e eu não vou ficar esperando a empresa resolver problemas que são muito maiores do que ela, pois sei de um problema, que é claro de desempenho, abaixo da expectativa do mercado, por parte do “Estaleiro Atlântico Sul”.

Valor: E por que aconteceu?


Graça Foster: Porque não adianta sonhar, sonho não constrói sonda. Tem duas empresas brasileiras que têm tradição, empresas de envergadura que são Camargo Corrêa e Queiroz Galvão e outra empresa espetacular, a Samsung, que produziu o maior número de sondas de perfuração do mundo. Não adianta vir com 5%, 6% ou 10% [de participação societária] para o Brasil. Isso não funciona, não prospera. Não será possível fazer [sondas] se a Samsung não crescer em participação societária. Não se pode imaginar que a Samsung, que tem mercado lá fora que é todo dela, vir para cá com 6%. Ou ela vem para cá gostando do Brasil, dos sócios e de fazer dinheiro aqui… Eu, como não sou a Samsung, só posso dizer que acho que não viria por 5% ou 10%.

Valor: Qual é a solução?


Graça Foster: Que venha e cresça em participação societária e é isso que a gente espera.

Valor: E já há acordo?

Graça Foster: Eles estão discutindo o acordo. Nessa discussão, a Graça só fica olhando e provocando para que eles discutam.

Valor: Mas o acordo seria para a Samsung assumir o controle acionário?


Graça Foster: Não é assumir o controle. Até onde eu sei, veja bem, eu não tenho os detalhes porque eu não sou parte desse jogo, nem a Petrobras nem a “Sete Brasil”. Então, o que eu faço é [perguntar] se já teve a reunião com a Samsung. Se não teve, chamo a Samsung. Eu esperava que o seu CEO [da Samsung] viesse. Não veio? Veio quem? O vice? Então vamos conversar. Chego, vejo reunião morna entre Petrobras e Samsung e aí digo: “não vai embora não, vou chamar a “Sete Brasil”, vou chamar as duas empresas para sentarem”. Aí, saio da sala porque não sou sócia. Depois da reunião, volto para saber quando vai ser o novo prazo.

Valor: Poderia ser um terço de participação cada um?


Graça Foster: Poderia, mas não sei se será assim. Só sei que, do jeito que está, não sai sonda.

Valor: Para a Petrobras há atraso no contrato das primeiras sete sondas com o EAS?

Graça Foster: Parece que não, porque a primeira sonda está prevista para 2015 e como a “Sete Brasil” tem estratégia de contratação já contratou outras sondas, então ela insiste e a gente não tem porque não acreditar, até agora, que vai nos entregar em 2015 a primeira sonda.

Valor: Quando a Petrobras assina contratos das sondas com a “Sete Brasil” e com a “Ocean Rig”?


Graça Foster: Aí é diferente. Quero ver onde vai construir, quem são os sócios que estarão lá. Eu vou assinar com a “Sete Brasil”, mas saberei o que estou assinando.

Valor: Como vai ficar isso?


Graça Foster: Terão de fazer.

Valor: Alguns dos estaleiros ainda não existem.


Graça Foster: Não tem problema não existir, não pode é não ficar existindo por muito tempo. Os projetos têm um tempo. Não há problema de o estaleiro ser virtual. Só vai ter assinatura de contrato na hora em que a “Sete Brasil” demonstrar, por A mais B mais C mais D mais E, que vai construir ali e que aquele estaleiro tem toda a condição de receber a encomenda porque tem um plano B, um plano C. Então, a pressão junto à “Sete” é verdadeira. Não fui nomeada pela presidente [neste assunto]. A presidente me cobra metas e segurança operacional.

Valor: As sondas no Brasil serão construídas com custo em bases internacionais?


Graça Foster: Não tem, no contrato com a “Sete Brasil”, nas sete primeiras [unidades], espaço para aumentar preço. Se aumentar, está na conta da “Sete”.

Valor: Qual é o tempo de atraso das sondas?


Graça Foster: Essas sondas atrasaram 36 meses no total e não tem nenhuma brasileira. São todas feitas no exterior. A Petrobras pode fazer um trabalho na frente, sabendo que essas sondas vão funcionar este ano. E vão trazer grandes resultados a partir de 2013 e 2014. Depois, vêm as unidades de produção. Começamos 2011 com 111 unidades e chegaram mais duas, depois chegaram mais cinco, e este ano, mais duas. Ao final de 2013, teremos 127 unidades de produção. Então, teremos as sondas de perfuração, as sondas de produção e o óleo descoberto. Não tem como dar errado.

Valor: Mas trata-se de um atraso de três anos.


Graça Foster: Não é atraso de três anos [em cada sonda]. É atraso somado de 36 meses. Uma sonda atrasou três meses, outra cinco meses, outra quatro. Quando soma, tem 36 meses no conjunto. Este ano, temos planejamento para fazer 42 poços e estão em harmonia com a chegada das sondas.

Valor: Dá para dizer que atrasou o pré-sal?


Graça Foster: Atraso do pré-sal não há. Mas essas sondas que atrasaram 36 meses causam impacto na carteira toda. Você tem recursos e movimenta esses recursos em direção ao que há de maior volume potencial de produzir. Não há correlação direta: “atrasou a sonda, atrasou o pré-sal”.

Valor: A queixa é que a empresa gasta demais e não produz. Aí vem outro tema, que é o preço cobrado dos combustíveis. O preço interno inferior ao internacional não é um problema?


Graça Foster: A Petrobras tem um plano de negócios, um pré-sal pela frente, um plano de refino, de novas refinarias, uma série de compromissos já iniciados no que se refere ao investimento e a construção dos ativos. A Petrobras investe US$ 225 bilhões [até 2015], olha para dez anos à frente e para 2020 com meta de produção de 6 milhões de barris de óleo equivalente [por dia] ou 4,67 milhões de barris de óleo líquido de gás [por dia]. O fato é que o nosso investimento é de longo prazo e a política de preços também é de longo prazo.

Valor: Qual o benefício?


Graça Foster: Entendemos que é bastante favorável que esse mercado novo vingue. Essas refinarias, no passado, eram todas para a exportação. E reverteu o quadro por conta da inclusão social, da fatia nova de consumidores nacionais. Temos noventa e tantos por cento do consumo de gasolina e de diesel no país. Produzimos e consumimos aqui. Temos a produção doméstica, as refinarias e o consumidor aqui. O custo de logística é mínimo comparado com o custo de colocar [os derivados ou petróleo] em um mercado que está a cinco mil milhas e que tem outros ofertantes.
  
Valor: E as perdas?


Graça Foster: O nosso investimento é de longo prazo, o resultado é de longo prazo e a política de preços também. Esse mercado novo, que cresce em torno de 40% a 50% – essa é a projeção para até 2020 -, é muito interessante. Estados Unidos, Japão e Coreia não ficam dependentes em mais do que 10% da importação de líquidos. No caso da Petrobras, se não tivéssemos esse parque de refino, estaríamos com 40% de importação de derivados e exportando mais petróleo com a volatilidade contra nós na exportação e na importação.
  
Valor: Mas, e as perdas?


Graça Foster: O que acontece são perdas reais em determinado mês, em determinado trimestre, como aconteceu no último trimestre de 2011, quando a gente importou muito mais derivados e não teve a paridade exata de preços com o mercado interno. Agora, esse mercado novo para nós é muito valioso. Então, neste mês perdemos, no [quarto] trimestre nós perdemos, mas no conjunto do ano tivemos o segundo melhor resultado da Petrobras – o melhor foi o de 2010 e o de 2011 foi R$ 3 bilhões menor no resultado líquido. Além do que, em 2008, 2009 e parte de 2010 estávamos vendendo mais caro aqui do que estava lá fora. O que queremos é que haja estabilidade econômica, que esse mercado cresça. Em determinado momento, vamos ter que ajustar, isso é inexorável. Estou dizendo com todas as letras que vai ter de ajustar em determinado momento.

Valor: Em que momento?


Graça Foster: O momento será aquele necessário para não perdermos a capacidade de investir. O mercado cresce e vai chegar certo momento em que vai aumentar o preço e ficar mais caro aqui do que lá fora. Não sei que momento será esse, se é em três anos ou daqui a dois ou um. Então, vamos estar com volume maior que é todo nosso e vou ganhar esse dinheiro de volta.

Valor: O conteúdo nacional é uma política do governo, mas há preocupações com aumentos de custos. Como a Sra. vê esse assunto, que é muito sensível, dado o tamanho das encomendas?

Graça Foster: O que me preocupa não é a questão do conteúdo nacional. Todos os números foram apresentados pela Petrobras ao governo. Então, não me venha chorar que não dá [para cumprir os compromissos], porque foi você [a empresa] que levou o número. Digo isso porque já estive do lado de lá. Eu montei, com a colaboração da Petrobras, o primeiro PROMINP [Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural]. José Eduardo Dutra [diretor da estatal] era presidente da Petrobras, a presidenta Dilma, ministra de Minas e Energia, e, eu, secretária de petróleo e gás [do Ministério de Minas e Energia]. Foi feita uma conta e foi apresentada ao governo 60%, por exemplo, para o conteúdo local de uma sonda de perfuração. O número que é fechado é de total e absoluta responsabilidade da Petrobras, foi a Petrobras que concordou.

Valor: E outras operadoras também.


Graça Foster: E outras tantas operadoras.

Valor: Há entre as empresas quem diga que achava que conseguiria cumprir o conteúdo local, mas não tinha certeza.


Graça Foster: O que havia talvez fosse a possibilidade de que o governo recuasse, mas o governo não vai abrir mão, é política de governo. Acontece na Noruega e em tantos outros países defender que a indústria de petróleo e gás passe também pelo desenvolvimento da indústria nacional de bens e serviços. Existe uma questão fundamental que cada empresa tem que cuidar que é documentar, porque o dia vai chegar. Vai chegar o dia em que [a empresa] terá que ir lá provar [na ANP] que fez o conteúdo local.

Valor: Mesmo que onere custos?

Graça Foster: As 40 sondas que comentei foram feitas fora e estão em valores de mercado. E a gente só assina o contrato [com “Sete Brasil” e com “Ocean Rig”] se o preço estiver dentro das métricas internacionais, porque não tem como contratar com valor maior.

Valor: E a questão dos minoritários no conselho de administração. Como a senhora vê a reclamação?


Graça Foster: É algo que a Petrobras não tem poder. Vejo os minoritários tomando posição a favor da companhia no entendimento deles, das melhores práticas [de gestão], das questões de mercado. Vejo com satisfação o movimento a favor da companhia no sentido de observá-la, de participar mais dedicadamente da gestão da companhia através de seus representantes de ações ordinárias e preferenciais. Mas deixo claro, conheço o Josué [Gomes da Silva, presidente da “Coteminas”, cuja indicação vem sendo criticada], ele é um excelente quadro técnico. Antes de vocês chegarem, eu estava usufruindo do conhecimento do conselheiro [Jorge] Gerdau. Conversamos sobre Petrobras, sobre a indústria. É fantástico ter o minoritário participando da minha vida, de minha gestão, dando ideias.

Valor: Mas há insatisfação dos minoritários em relação a sua representação…


Graça Foster: É algo que não tenho que opinar, é sobre o processo de eleição.

Valor: Quando vão anunciar o plano de desinvestimento?


Graça Foster: Esse ano tem programação relevante de desinvestimento. Não posso falar, mas posso dizer que inclui ‘farm-outs’ [venda de participações em campos de petróleo].

Valor: A Argentina está cobrando mais investimentos da Petrobras nas operações locais?


Graça Foster: A reunião [sobre isso] acho qu
e será na semana que vem. Eu ainda não sei qual é a agenda. Não vamos investir mais para perder, mas para ganhar. Então, tenho que conhecer as regras. A depender das regras, a gente pode se interessar mais ou menos pelo negócio.

COMPLEMENTAÇÃO:

SAMSUNG DEIXA DE SER SÓCIA DO EAS

Sansung, na Coreia do Sul
Por Ivo Ribeiro, do jornal “VALOR”

“Depois de fortes pressões, inclusive da direção da Petrobras, a maior cliente do “Estaleiro Atlântico Sul” (EAS), a companhia coreana “Samsung Haevy Industriais” deixou ontem, após frustradas negociações, a associação que tinha com Camargo Corrêa e Queiroz Galvão no estaleiro, localizado dentro da área do porto de Suape, em Pernambuco.

As duas sócias brasileiras do EAS, que exerceram o direito de preferência na compra da participação de 6% da coreana, já negociam com dois grupos estrangeiros novo parceiro tecnológico para o estaleiro. A escolha por um deles deverá sair logo, apurou o “Valor” com uma fonte que acompanha as negociações.

A avaliação de um dos sócios é que a “Samsung” trabalhava contra o EAS o tempo todo, querendo levar a produção para a Coreia e inviabilizar o EAS.

A “Samsung” foi escolhida desde o início do projeto, sete anos atrás, para ser a fornecedora de tecnologia ao EAS na construção de navios, sondas de perfuração de petróleo e plataformas. O EAS, o maior e um dos mais modernos do país, no entanto, vinha enfrentando uma série de problemas, como atraso nas entregas, problema na construção do primeiro navio, o “João Cândido”.

Petroleiro “João Cândido”

O navio é o primeiro petroleiro a ser lançado ao mar no âmbito do “Programa de Modernização da Frota da Transpetro” (PROMEF), mas até agora não foi entregue à subsidiária da Petrobras. Ao todo, as encomendas da Transpetro ao EAS somam 22 petroleiros e R$ 7 bilhões, dos quais cerca de 90% financiados pelo BNDES. Além de navios, há pedidos de sondas.

A saída repentina da “Samsung” vai na direção oposta do que desejava o governo. Nos últimos dias, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, seguindo orientação da presidente Dilma Rousseff, que está preocupada com atrasos na entrega de encomendas e com problemas tecnológicos do estaleiro, vinha negociando o aumento da fatia dos coreanos no EAS.”

FONTE: reportagem de Ivo Ribeiro, do jornal “Valor Econômico”. As duas reportagens acima foram postadas por Luis Favre em seu blog  (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/03/petrobras-poe-fim-a-tregua-com-os-estaleiros-do-pais/). [Título e imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

EMBRAER FECHA COMPRA DE PARTICIPAÇÃO EM EMPRESA PORTUGUESA


Instalações da OGMA em Portugal

Por Maria Cristina Frias, na “Folha de São Paulo”
“A Embraer concluiu na terça-feira (13) a compra da participação da EADS (European Aeronautic Defense and Space Company) na “Airholding, SGPS, S.A”. O investimento foi de € 13 milhões (cerca de R$ 31 milhões).

A Embraer passa a deter 100% do capital da “Airholding” e, por consequência, 65% do controle acionário da OGMA (Indústria Aeronáutica de Portugal S.A.).

A “Airholding” é um consórcio formado em 2005, pela Embraer e pela EADS, constituído em Portugal com o propósito específico de deter 65% de participação acionária na OGMA.

O governo português vai permanecer com 35% das ações da OGMA por meio da “Empordef” (Empresa Portuguesa de Defesa).

OGMA


A OGMA, uma empresa de mais de 90 anos, faz manutenção de aeronaves e fabrica segmentos de estruturas para aviões.

"Ampliamos o controle e faremos investimentos adicionais", diz Luiz Carlos Aguiar, presidente da “Embraer Defesa e Segurança”.

A fábrica em Alverca (30 km de Lisboa) será ampliada para produzir componentes do cargueiro KC-390.

KC-390

"Será um produto brasileiro. Os aviões serão produzidos aqui, com componentes que virão de lá para cá."

O governo de Portugal vai adquirir os cargueiros no futuro, de acordo com Aguiar.

"Há o compromisso de Portugal, mas ainda não sabemos quantos serão adquiridos. O contrato será fechado no médio prazo porque ainda estamos desenvolvendo a aeronave."

"O governo português não tem exigência de conteúdo nacional para a aquisição de aeronaves", afirma.

Apenas dois funcionários serão brasileiros.

"Ter um cliente europeu usando um cargueiro nosso é importante para nós. Criamos emprego lá, exportações e serviços. Em contrapartida, geramos dividendos e produzimos aqui também."

FONTE: reportagem de Maria Cristina Frias, na Folha de São Paulo  (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=16/03/2012&page=mostra_notimpol) [imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política].

IRÃ ACUSA EUA/OTAN DE ESTIMULAREM CULTIVO DE DROGAS NO AFEGANISTÃO


“As autoridades de controle de entorpecentes do Irã acusaram na sexta-feira (16 março) as tropas estrangeiras de ocupação no Afeganistão de terem favorecido o cultivo de drogas no país, o maior produtor de ópio do mundo, desde a ocupação em 2001 liderada pelos Estados Unidos, informou a agência oficial de notícias "IRNA".

Em reunião com Jan Kubis, representante especial das Nações Unidas para o Afeganistão, o subchefe do Departamento de Controle de Drogas do Irã, Taha Taheri, disse: "Os países ocupantes, com o pretexto de ajudar o Afeganistão, apoiaram o cultivo de drogas, com o resultado de um aumento da insegurança".

"Não há informações de qualquer operação de tropas estrangeiras contra a máfia da droga no Afeganistão, pelo menos nos dois últimos anos, e apenas no ano passado o cultivo de drogas cresceu 7%", disse Taheri, cujo país é uma das principais vias de passagem da heroína afegã com direção a Europa.

O Irã é o segundo país, depois do Afeganistão, mais prejudicado pela dependência ao ópio e à heroína, com 1,2 milhão de pessoas afetadas, e o que confisca a maior quantidade das matérias-primas para a fabricação dessas drogas no mundo, 41% do total, segundo dados do governo iraniano e da ONU.

Teerã solicitou diversas vezes ajuda internacional para combater o tráfico de drogas procedentes do Afeganistão e, em julho, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu a colaboração das tropas da OTAN para lutar contra as drogas no país.

Ahmadinejad afirmou então que o Irã estava disposto a cooperar no controle do cultivo de ópio no Afeganistão, em reunião em Teerã com o diretor do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov.

"Se 10% do custo da guerra no Afeganistão fosse dedicado a controlar o ópio no país, a maior parte dos cultivos de papoula (da qual o ópio é extraído) e o tráfico de drogas poderiam ser controlados", disse Ahmadinejad.

Segundo números da UNODC, 92% dos opiáceos produzidos no mundo que não possuem uso farmacêutico procedem do Afeganistão, que atualmente dedica mais espaço ao cultivo da papoula branca que a América do Sul ao cultivo da coca.

Além disso, o Afeganistão, segundo esse organismo, é agora o maior produtor de haxixe do mundo.

O país recebe, segundo a UNODC, cerca de US$ 4 bilhões anuais de drogas ilegais, dos quais uma quarta parte pertence aos cultivadores, e o restante são repartidos pelas autoridades locais, organizações rebeldes, grupos armados e traficantes que transportam o material ao exterior.”

COMPLEMENTAÇÃO deste blog ‘democracia&política:

A referida acusação do Irã tem sustentação. Desde o início da vida deste blog, já manifestamos nossa estranheza por fatos incoerentes sobre o Afeganistão. Em 22 de março de 2008, poucos dias após inaugurado o blog, assim externamos (http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/03/fatos-muito-estranhos-na-guerra-dos-eua.html). Há dois meses, em 3 de janeiro deste ano, na postagem intitulada “HEROIS NORTE-AMERICANOS E HEROÍNA AFEGÔ  (http://democraciapolitica.blogspot.com/2012/01/herois-norte-americanos-e-heroina-afega.html), novamente expressamos perplexidade por fatos surpreendentes. O enigma continua indecifrável se dele excluirmos a hipótese de diabólica política externa dos EUA.  

Plantações protegidas (?) pelos EUA/OTAN. Aparece um lavrador "terrorista" afegão

Nos EUA, no Brasil e em boa parte do mundo, são muito difundidas na mídia imagens e histórias de soldados norte-americanos que, "pela Humanidade", sacrificam suas vidas para levar a "liberdade" e a "democracia" ao Afeganistão. Os jornais e TVs mostram solenidades em que orgulhosas famílias recebem de volta os seus filhos “herois” em caixões cobertos com a “sagrada” bandeira dos EUA.

Porém, muitas coisas "não batem".

A GUERRA DOS EUA CONTRA O AFEGANISTÃO

Já era conjecturado pela imprensa, nos EUA e no exterior, muito antes do ataque terrorista de 11/09/2001 às torres gêmeas de Nova Iorque, que o Afeganistão seria invadido por tropas norte-americanas em futuro próximo.

O PETRÓLEO

Um dos motivos desse ataque prenunciado foi o fato de a região da Ásia Central abrangida pelos países Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Turcomenistão ter sido identificada como possuindo reservas de petróleo e gás maiores que as do Golfo Pérsico.

Por seu interesse no petróleo e gás da região, os EUA já haviam ajudado o regime Talibã e Osama Bin-Laden a combaterem a União Soviética no Afeganistão, país vizinho àquela rica região petrolífera e caminho natural para o melhor escoamento da planejada produção petrolífera.

O Afeganistão é importantíssimo como solução geográfica mais barata para o transporte daquelas riquezas. Será muito menos custoso passar oleodutos e gasodutos por seu território, até o porto na área marítima do Paquistão junto ao Oriente Médio, do que a solução manifestada pelos russos, de estendê-los até o Mar Negro.

Segundo a imprensa, vários grupos dos EUA (Chevron, Conoco, Texaco, Mobil Oil e Unocal) já estavam na década de noventa com investimentos adiantados no Afeganistão para aquela exploração.

O regime afegão Talibã, todavia, veio a se negar a autorizar a passagem pelo Afeganistão do oleoduto e do gasoduto, os quais já estavam iniciados pela empresa norte-americana Unocal. Essa negação causou a interrupção da obra em 1998. Naquele ano, em 20/08/1998, de surpresa, à noite, os EUA atacaram com mísseis de cruzeiro e aviões uma região daquele país “suspeita de abrigar possíveis terroristas”. (OBS: esse ataque já foi mencionado por este blog no artigo intitulado “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”, postado em 15 de março 2008: http://democraciapolitica.blogspot.com/2008/03/3-parte-da-srie-o-brasil-e-as-guerras.html).

Desde então, volta e meia surgiam artigos em jornais e revistas, em várias partes do mundo, abordando novo e iminente ataque militar dos EUA ao Afeganistão. Talvez, o ataque terrorista de 11/09/2001 em Nova Iorque tenha sido o valioso e oportuno pretexto (acidental?) para aquela já planejada ação militar norte-americana no Afeganistão.

COISAS MUITO ESTRANHAS - O NARCOTRÁFICO

Nem tudo, no entanto, era assim facilmente previsível ou imaginável. Além do atentado de 11/09/2001, sempre achei que havia no ar coisas muito mais estranhas, incoerentes.

Por exemplo: o regime Talibã banira do Afeganistão o cultivo do ópio, do qual é extraída a heroína. A produção caiu a zero em julho de 2001, dois meses antes do atentado às torres gêmeas de Nova Iorque. O comércio mundial daquele produto, que somente nos EUA já movia mais de dois bilhões de dólares por ano, ficou arrasado, com preços disparando, inviabilizando a sua comercialização e causando o desespero dos seus comerciantes, dos políticos por eles financiados e dos consumidores, principalmente os norte-americanos.

Alguns meses depois da invasão norte-americana, na caça ao terrorista Bin Laden, os EUA devastaram com poder impressionante o Afeganistão, com milhões de toneladas de bombas e mísseis moderníssimos. Até o seu subsolo, suas cavernas, suas montanhas foram explodidos por novas e poderosas bombas que tudo esfarinhavam como grande terremoto.

Aquele país atacado, cujos progresso e infraestrutura o assemelhavam ao interior do Piauí, e o seu centro comercial era semelhante a uma feira livre da periferia de Caruaru, foi completamente destroçado, com dezenas de milhares de civis afegãos mortos. Até hoje, está totalmente ocupado pelas numerosas, modernas e poderosíssimas Forças Armadas dos EUA e de seus aliados.

Contudo, o surpreendente e incompreensível para mim é o Afeganistão, mesmo policiado palmo a palmo por forças que se intitulam com o nobre direito de combater o terror e o narcotráfico no mundo, ter rapidamente recuperado, e gigantescamente aumentado, a lavoura, a produção e a exportação do ópio, hoje já respondendo por quase 100% da produção mundial. Os preços e o suprimento da heroína já baixaram e estão normalizados nos EUA e nos demais grandes mercados consumidores.

Em 2008, o comércio de narcotráfico (heroína e outros) movimentou 1,75 trilhões de euros no mundo.

Fico perplexa, nada entendendo.

Apenas para exemplificar mais ainda esse incongruente quadro, relembro trechos de um artigo da BBC Brasil, de 03/09/2006, que tratou desse surpreendente e exponencial crescimento da produção de papoula, ópio e heroína após a invasão norte-americana:

“CULTIVO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO AUMENTA 59% NO ANO” (2006)

Da BBC:

“O cultivo de papoulas no Afeganistão - matéria-prima para a produção de ópio - deverá aumentar 59% neste ano [2006], representando 92% da produção mundial da droga", de acordo com as Nações Unidas.

(...) “O narcotráfico no Afeganistão, estimado em US$ 2,7 bilhões, responde por cerca de um terço da economia do país.” (atualização deste blog: em 2008, 57% do PIB afegão proveio da heroína, segundo "UOL Mídia Global", 02/04/2008).

Vejamos outro artigo, da “Folha Online”, em 05/03/2007:

“ONU RELATA AUMENTO DO TRÁFICO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO” (2007)

“O cultivo de papoula –matéria-prima do ópio-- poderá se expandir no Afeganistão em 2007 após uma safra recorde em 2006, afirmou a agência da ONU que investiga drogas. O relatório da ONU destaca o fracasso de iniciativa internacional que luta contra o tráfico de narcóticos crescente no país.

A “Agência para Drogas e Crimes” da ONU (UNODC) prevê aumento da papoula em províncias afegãs, inclusive Helmand, no sul, onde há a mais extensa área de cultivo no país.”

(...) "A pesquisa deste inverno sugere que o cultivo de ópio no Afeganistão em 2007 poderá superar a colheita recorde de 165 mil hectares em 2006", afirmou o diretor executivo da UNODC”.

CULTIVO

(...) Segundo a ONU, o cultivo de papoula ocorre em 100% dos vilarejos visitados na Província de Helmand e em 93% das vilas da Província vizinha de Candahar (ex-bastião do Talibã).”

Por que relembrei essas postagens? Porque li (2 jan 2012), no site “DefesaNet”, que me parece ser porta-voz dos interesses judaico-americanos e do complexo industrial-militar dos EUA/Israel, o seguinte artigo, onde a OTAN faz afirmações inverossímeis totalmente incoerentes com as avaliações da ONU. Parece-me gozação, escárnio da OTAN:

OTAN: “LUTA CONTRA NARCOTRÁFICO NO AFEGANISTÃO FOI BEM-SUCEDIDA [sic!!!]

“A luta contra o narcotráfico no Afeganistão é um sucesso graças às "incríveis" apreensões realizadas em 2011, considerou em uma coletiva de imprensa na segunda-feira (2/1/12) Carsten Jacobson, porta-voz da ISAF, a coalizão militar estrangeira dirigida pela OTAN.

"O tráfico de entorpecentes tem sido um fator chave para o financiamento dos insurgentes, mas essa fonte de renda diminui. As forças de segurança afegãs, com seus associados da ISAF, capturaram “quantidades incríveis” de drogas ilícitas e de material vinculado, em 2011 em relação a 2010", comemorou Jacobson.

As apreensões de ópio aumentaram 13% e as de haxixe 59%, enquanto as de maconha e de morfina se multiplicaram por 12 e 10, respectivamente, segundo estatísticas da ISAF, que não comunicou as quantidades confiscadas.

"As operações antidrogas afetam com sucesso as capacidades dos insurgentes para transformar o ópio em heroína. Em 2012, continuaremos sufocando as rendas geradas pela venda de drogas ilícitas", afirmou o porta-voz da ISAF.

No entanto, o otimismo da OTAN deve ser relativizado, já que o Escritório das Nações Unidas contra a droga e o crime (UNODC) indicou, em outubro 2010, que a produção de ópio no Afeganistão aumentou de maneira importante (+61%) em 2011 em relação a 2010, quando havia diminuído devido à presença de um parasita.

Para 2011, a UNODC considera a produção potencial em 5.800 toneladas, contra 3.600 toneladas em 2010, com leve aumento das superfícies cultivadas (+7%) em relação a 2009 e 2010, para se estabelecer em 131 mil hectares em 2011.

Depois de leve queda da parte afegã na produção global de 2010, o Afeganistão deverá representar, mais uma vez, 90% da produção mundial de ópio, com o sul do país, principal região afetada pela insegurança, representando 78% deste total, segundo a UNODC.”

Tudo muito estranho...”

FONTE: a 1ª parte foi publicada ontem (15 março 2012) no portal UOL com informações da agência espanhola de notícias EFE  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=178318&id_secao=9). A complementação (em azul) foi elaborada por este blog ‘democracia&política’ e postada em 3 de janeiro deste ano, sob o título “HEROIS NORTE-AMERICANOS E HEROÍNA AFEGÔ  (http://democraciapolitica.blogspot.com/2012/01/herois-norte-americanos-e-heroina-afega.html)

sexta-feira, 16 de março de 2012

A PAZ É O MOMENTO DE SE PREPARAR PARA A GUERRA


Por Luis Nassif

“Os próximos dois anos serão decisivos para a viabilização do crescimento sustentado brasileiro. E não serão anos fáceis.

Dilma Rousseff terá que enfrentar interesses poderosos ao mexer nos juros e câmbio. Terá o desafio de reerguer uma indústria combalida. Não haverá o benefício de taxas de crescimento robustas. E ainda se terá pela frente o ‘tsunami monetário’.

Por tudo isso, a prudência não recomenda excesso de autossuficiência, muito menos no campo político.

Uma das características da gestora Dilma sempre foi o de mirar o objetivo final e tratar sem dogmatismo as ações necessárias para se chegar lá. E não perder tempo com aquilo que não fosse fundamental para se alcançar o resultado final.

Deveria aplicar os mesmos princípios agora, juntando à sua visão estratégica o componente político.

Neste exato momento, o Executivo pouco depende do Congresso. Já conseguiu o relevante, a aprovação da DRU (Desvinculação das Receitas da União). A presidente nada em popularidade, o Congresso em desgaste. Apesar do desempenho pífio do PIB no ano passado, o desemprego é baixo.

Mas a política obedece muito mais às regras da teoria do caos do que às ações programadas. Daqui a um ano, o cenário econômico poderá ser o seguinte:

* economia estagnada, enfrentando o tsunami monetário;
* base política fragmentada;
* velha mídia partindo para o terceiro tempo da guerra;
* uma multidão de políticos ressentidos, achando ter chegado o momento da forra.

Dilma entra na nova batalha com a energia de grande comandante. Esses momentos são cruciais para montar as estratégias para quando a guerra começar.

O pragmatismo político de FHC e de Lula são boas lições a serem seguidas.”

FONTE: escrito pelo jornaslista e economista Luis Nassif em seu portal  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-paz-e-o-momento-de-se-preparar-para-a-guerra#more) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

França: O PALANQUE DA CRISE MUNDIAL


Nicolas Sarkozy e François Hollande
Por Saul Leblon

“As eleições presidenciais de abril na França constituem bom mirante do debate político reaberto pelo esfarelamento da ordem neoliberal. Mal ou bem, a França continua a ser uma das fornalhas intelectuais da humanidade; cumpre agora o papel de palanque da crise mundial.

Três programas se entrecruzam na disputa francesa.

A 'Frente de Esquerda', liderada por Jean-Luc Mélenchon, procura dar coerência sistêmica às agendas amadurecidas em três décadas de lutas contra a supremacia das finanças desreguladas.

Jean-Luc Mélenchon
A 'França Forte', de Sarkozy, empresta o lema da república colaboracionista de Vichy para dobrar a aposta no mercadismo e não hesita em revestí-lo com camadas de xenofobia nacionalista - último recurso da direita antes de sacar os fuzis.

Nicolas Sarkozy
E, finalmente, o PS, de Hollande. Este, talvez, enfrente o teste mais difícil de todos: ressuscitar a credibilidade na via eleitoral para o socialismo, em meio a um cenário de terra arrasada da ordem neoliberal, da qual a socialdemocracia européia foi cúmplice e parceira, restando como a sua principal vítima ideológica.

François Hollande
As idéias progressistas perderam hegemonia na França bem antes da crise de 2008 [...]. Nos últimos 30 anos, o projeto de construção do socialismo pela via eleitoral foi descaracterizado até se tornar um oxímoro com a rendição do governo Miterrand ao credo dos mercados. Eleito em 1981 - seria reeleito em 1988, falecendo em meio ao mandato, em 92 - Miterrand chegou ao palácio do Champs Elysées no contrapé da maré conservadora, a partir da crise do petróleo.

No mesmo ano, Reagan ascenderia à Casa Branca e Tatcher já empunhava o porrete neoliberal há três anos na Inglaterra. Assim emparedado, Miterrand cedeu ao torniquete conservador tornando-se o símbolo trágico da baldeação socialdemocrata aos imperativos dos “livres mercados” [sic]. As últimas pesquisas do pleito francês indicam que a extrema direita tem cedido votos à Sarkozy, em número suficiente para ombreá-lo a Hollande, mas Mélenchon conquistou preciosos 10% do eleitorado, o que lhe dá peso importante no 2º turno em eventual composição com o PS.

O programa socialista ergue pontes que permitem a pavimentação de uma frente de esquerda ampliada, capaz de fazer jus a esse nome. Entre outros ítens, prevê 75% de taxação sobre ganhos acima de um milhão de euros; defesa das empresas públicas e rigorosa subordinação das finanças aos interesses da economia e da sociedade.

Pode ser apenas o canto do cisne de um centro espremido pela radicalização da crise global. Mas a eventual aliança entre Hollande e Mélenchon em torno de alternativa consistente à farra mercadista tem peso para irradiar um “aggiornamento” socialista em outras latitudes partidárias. Inclusive nas fileiras do PT brasileiro.”

FONTE: escrito por Saul Leblon no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=917) [imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

“GOLDMAN SACHS” CONTRATA PRINCIPAL CRIADOR DO PÂNICO ANTILULA NO FIM DO GOVERNO FHC/PSDB

Na foto, FHC e seu chefe orientador, torcendo para a derrota de Lula e vitória de Serra em 2002

ECONOMISTA QUE CONTRIBUIU PARA CRIAR PÂNICO PARA ELEGER SERRA E EVITAR ELEIÇÃO DE LULA VAI PARA O “GOLDMAN SACHS”

Economista contribuiu [tucana e dolosamente] para criar pânico na economia brasileira antes da eleição de Lula.

“O economista Paulo Leme, 52 anos, assumiu ontem o posto de chairman do banco [norte-americano] ‘Goldman Sachs' no Brasil. Leme tornou- se conhecido por suas opiniões polêmicas e ficou marcado como criador do "lulômetro", índice criado na eleição de 2002 para, supostamente, medir o impacto da eleição de Lula na cotação do dólar, mas que serviu para fomentar o pânico na economia brasileira [no final do governo FHC/PSDB].

O nome do índice era referência a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, então oponente de José Serra, candidato do PSDB [desejado pelos EUA, pela direita, demotucanos e mídia]. Pelos cálculos, Paulo Leme e o ‘Goldman’ estimavam que o dólar atingiria R$ 3,00 se Lula assumisse a presidência. No comando de Serra, apostavam, chegaria a R$ 2,50.

Se o discurso tinha o objetivo de barrar o avanço de Lula nas pesquisas, o ‘Goldman’ foi frustrado, pois o candidato do PT foi eleito no segundo turno. Por outro lado, provocou efeito perverso sobre a economia. O dólar chegou [com FHC] a R$ 4,00, investidores correram da bolsa e o risco-país, indicador que serve como termômetro da confiança dos investidores globais em relação a economias de países emergentes, chegou ao pior patamar da história.

No auge da crise de desconfiança [então já gigantesca pela trágica política econômica neoliberal demotucana], em 27 de setembro de 2002, às vésperas das eleições, o risco-Brasil atingiu 2.441 pontos. Como base de comparação: na ocasião da crise asiática, em 1997, esse indicador bateu em 1.800. No ano [FHC] de 2002, o IBOVESPA, índice de referência da bolsa brasileira, caiu 17% - apenas em setembro daquele ano, despencou 16,9%.

"A situação econômica do Brasil não era boa nos anos 2000 [de FHC/PSDB] e o governo já tinha feito três [humilhantes e desesperados] socorros ao Fundo Monetário Internacional. A criação do “índice lulômetro” praticamente fomentou a desgraça nacional, ajudando a afugentar os investidores do país e ampliando a crise", diz um economista ao “Brasil Econômico”.

Paulo Leme fazia parte de um grupo de executivos de grandes bancos acostumados a fazer operações de alto retorno e alto risco, sobretudo em países emergentes, muitos em situações políticas instáveis, onde as instituições não funcionavam.

Hoje, à frente do “Goldman”, seu desafio é reanimar os negócios do banco americano e fazer a instituição, finalmente, deslanchar no Brasil para tentar ultrapassar rivais como o “Credit Suisse” e o “BTG Pactual”. A receita de intermediação do banco, que dá dimensão de seu tamanho no país, caiu de R$ 279,1 milhões, em 2008, para R$ 105,7 milhões, em 2011.”

FONTE: blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2012/03/economista-que-contribuiu-para-criar.html) [Título, imagens do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].