Li no portal UOL, em tradução de George El Khouri Andolfato, o seguinte artigo de Julie Creswell e Ben White para o jornal The New York Times:
“Wall Street. Duas palavras simples que, assim como Hollywood e Washington, conjuram um mundo.
Um mundo de grandes egos. Um mundo onde pessoas adoram apostar com dinheiro emprestado. Um mundo de negócios realizados na corda-bamba, impulsionados por computadores.
Em busca de retornos cada vez maiores -e iates maiores, carros mais rápidos e coleções de arte mais caras para seus altos executivos- as firmas de Wall Street reforçaram suas mesas de negociação e contrataram gênios da física quântica para desenvolver programas à prova de falhas.
Os fundos hedge colocavam os mercadores no vermelho (a alta da coroa dinamarquesa) ou no preto (a queda do PIB da Tailândia). E firmas de private equity reuniam fundos gigantes e saíam em uma onda de compras, adquirindo empresas como se fossem uma segunda esposa comprando sapatos Jimmy Choo em liquidação.
Este mundo está em grande parte chegando ao fim.
O imenso pacote de resgate que está sendo debatido no Congresso poderá ter sucesso em estabilizar os mercados financeiros. Mas é tarde demais para ajudar firmas como Bear Stearns e Lehman Brothers, que já desapareceram. O Merrill Lynch, cujo touro de sua marca registrada simbolizava Wall Street para muitos americanos, está sendo absorvido pelo Bank of America, localizado a centenas de quilômetros de Nova York, em Charlotte, Carolina do Norte.
Para a maioria dos financistas que permanecem, com a exceção de alguns poucos superastros, os dias de dinheiro fácil e bônus gigantes são coisa do passado. O boom do crédito que levou ao crescimento explosivo de Wall Street secou. Os reguladores que ficaram de lado por muito tempo agora estão ávidos para refrear os bad boys de Wall Street e as práticas que se proliferaram nos últimos anos.
"Os dias aventureiros nos negócios das firmas de Wall Street, basicamente transformando a si mesmas em fundos hedge gigantes, acabaram. A verdade é que não eram tão bons", disse Andrew Kessler, um ex-administrador de fundo hedge. "Você não mais verá pessoal de nível médio ganhando um número de sete dígitos ou múltiplos números de sete dígitos que ninguém conseguia entender exatamente como conseguiram aquilo."
O início do fim é sentido mesmo nos corredores do elitista e conservador Goldman Sachs, que, entre seus pares de Wall Street, resumia e definia a cultura de alto risco, alto retorno.
O Goldman é uma firma que as outras firmas de Wall Street adoram odiar. Ele conta com alguns dos maiores fundos hedge e de private equity do mundo. Seus banqueiros de investimento são os mais inteligentes. Seus corretores, os melhores. São eles que ganham mais dinheiro em Wall Street, dando à firma o apelido de Goldmine (mina de ouro) Sachs. (Seus 30.522 funcionários ganharam em média US$ 600 mil no ano passado -uma média que inclui tanto secretárias quanto corretores.)
Apesar dos executivos de outras firmas torcerem secretamente para que o Goldman cometesse pelo menos um grande erro, ao mesmo tempo eles se esforçavam ao máximo para copiá-la.
Apesar do Goldman permanecer excelente na prestação de consultoria para fusões e na intermediação do lançamento de ações no mercado, o que ele faz melhor do que qualquer outra firma de Wall Street é negociar bens mobiliários. Isso envolve o uso de seus próprios fundos, assim como uma pilha de dinheiro emprestado, para fazer grandes apostas globais.
Outras firmas tentaram seguir seu exemplo, acumulando risco e mais risco, na tentativa de capturar uma pitada da mágica do Goldman e de seus lucros estelares trimestre após trimestre.
Ninguém chegou perto.
Enquanto a crise de crédito tomava Wall Street ao longo do ano passado, levando o Merrill, Citigroup e Lehman Brothers a sofrerem prejuízos pesados em grandes apostas em ativos ligados a hipotecas, o Goldman continuava navegando sem grandes problemas.
Em 2007, no mesmo ano em que o Citigroup e o Merrill demitiram seus presidentes-executivos, o Goldman registrou receita e lucros recordes e pagou a seu chefe, Lloyd C. Blankfein, US$ 68,7 milhões -o maior valor pago a um presidente-executivo de Wall Street.
Mas até mesmo o menino de ouro de Wall Street não conseguiu suportar a turbulência que sacudiu o sistema financeiro nas últimas semanas. Após os problemas no Lehman e no American International Group (AIG), e do Merrill ter acertado às pressas sua compra pelo Bank of America há duas semanas, as ações do Goldman sofreram um golpe.
A crise do AIG foi particularmente problemática. O Goldman era o maior parceiro de negócios do AIG, segundo várias pessoas ligadas à seguradora, que pediram anonimato por causa dos acordos de confidencialidade. O Goldman assegurou aos investidores que sua exposição ao AIG era imaterial, mas clientes e investidores nervosos abandonaram a firma, temerosos de que os bancos de investimento -mesmo um tão estimado quanto o Goldman- poderiam não sobreviver.
"O que aconteceu confirmou meu sentimento de que o Goldman Sachs, independente de quão bom fosse, não estava imune à sorte", disse John H. Gutfreund, o ex-presidente-executivo do Salomon Brothers.
Assim, no último fim de semana, diante de poucas opções, o Goldman Sachs engoliu a pílula amarga e se transformou, entre todas as coisas, em algo simples e ordinário: um banco de depósitos.
A ação não significa que o Goldman dará, tão cedo, torradeiras como brinde pela abertura de uma conta em uma agência em Wichita. Mas a mudança é um ataque à cultura do Goldman e ao âmago de seus lucros excepcionais nos últimos anos.
Nem todos acham que a máquina de fazer dinheiro do Goldman ficará totalmente restrita. Na semana passada, o Oráculo de Omaha, Warren E. Buffett, fez um investimento de US$ 5 bilhões no banco, e o Goldman levantou outros US$ 5 bilhões em uma oferta separada de ações.
Ainda assim, dizem muitas pessoas, diante de mudanças tão amplas, o Goldman Sachs poderá perder o que o tornava tão especial. Mas, até aí, poucas coisas permanecerão as mesmas em Wall Street”.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
LULA ANUNCIA 14 NOVAS UNIVERSIDADES FEDERAIS EM 2009
Li ontem no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o seguinte texto publicado no jornal “O Estado de São Paulo”:
“Presidente discursou para 10 mil pessoas durante evento em São José dos Campos, no interior do Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na tarde deste sábado em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior do Estado. Lula discursou para um público de 10 mil pessoas durante a campanha do deputado estadual Carlinhos Almeida (PT) a prefeito da cidade.
Abastecido com números sobre a educação no País - como o de 535 mil estudantes nas faculdades pelo ProUni - Lula dedicou a maior do tempo de um discurso de 33 minutos ao programa do governo que estimula as pessoas a cursarem faculdades e escolas técnicas.
O presidente criticou os tucanos e a gestão do PSDB na presidência, quando foi tirada a responsabilidade do governo federal de cuidar das escolas técnicas. "Nós revogamos essa lei. E por que eu, que não tenho diploma universitário, estou fazendo pelo Brasil o que os doutores fizeram?".
Lula ainda defendeu que o "pobre tem o direito de estar nas universidades federais", anunciando a criação de 14 novas unidades federais para o ano que vem. "Quando eu assumi eram 113 mil universitários nas faculdades federais. No ano que vem serão 227 mil. O pobre tem o direito de virar doutor", afirmou.
Ele enfatizou ainda a formação universitária da mulher, dizendo que "a mulher formada conquista algo sagrado, que é a independência".
“Presidente discursou para 10 mil pessoas durante evento em São José dos Campos, no interior do Estado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na tarde deste sábado em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior do Estado. Lula discursou para um público de 10 mil pessoas durante a campanha do deputado estadual Carlinhos Almeida (PT) a prefeito da cidade.
Abastecido com números sobre a educação no País - como o de 535 mil estudantes nas faculdades pelo ProUni - Lula dedicou a maior do tempo de um discurso de 33 minutos ao programa do governo que estimula as pessoas a cursarem faculdades e escolas técnicas.
O presidente criticou os tucanos e a gestão do PSDB na presidência, quando foi tirada a responsabilidade do governo federal de cuidar das escolas técnicas. "Nós revogamos essa lei. E por que eu, que não tenho diploma universitário, estou fazendo pelo Brasil o que os doutores fizeram?".
Lula ainda defendeu que o "pobre tem o direito de estar nas universidades federais", anunciando a criação de 14 novas unidades federais para o ano que vem. "Quando eu assumi eram 113 mil universitários nas faculdades federais. No ano que vem serão 227 mil. O pobre tem o direito de virar doutor", afirmou.
Ele enfatizou ainda a formação universitária da mulher, dizendo que "a mulher formada conquista algo sagrado, que é a independência".
A FARSA DAS CPIs
Li no blog “Por um novo Brasil” o seguinte texto de Jussara Seixas que bem caracteriza o comportamento da oposição, e da mídia que a pauta, durante os seis anos do governo Lula:
“O DEM o PSDB são os dois partidos da oposição, que querem CPI até para a cor da meia que presidente Lula está usando. Para desgastar o governo, eles ganham holofotes, entrevistas na mídia, armam um circo que parece hospício. Tem senador, como o Arthur Virgílio, que ameaça dar uma surra no presidente, copiado pelo deputado ACM Neto, que também diz que vai bater no presidente Lula. Tem ex-senadora que dá cadeirada, tapas, que grita histéricamente, como a Heloisa Helena. Isso tudo patrocinado pelo dinheiro do contribuinte.
Ocupam-se tanto com isso que deixam de criar leis, de aprovar projetos que beneficiariam todos os brasileiros. E ainda reclamam das MP que o presidente Lula envia para o Congresso, por conta dessa irresponsabilidade, desse desleixo dos parlamentares para com suas obrigações.
O presidente Lula não vai parar o país, prejudicar o povo, por conta desses trastes. Faz o que tem fazer, trata de beneficiar o povo e o país por meio de decretos e MPs. Mas quando os membros da oposição cometem atos ilícitos, roubalheiras, maracutaias, não deixam criar CPIs para que haja investigações.
E assumem que criam CPIs para ter os holofotes da mídia.
Leiam o que diz o líder do DEM na Câmara Municipal de SP. Está na Folha de São Paulo de hoje, 28/09.
LÍDER DO DEM DIZ QUE CPI É "FAZ-DE-CONTA"
Líder dos Democratas na Câmara Municipal, o vereador Carlos Apolinário afirma que nunca propôs uma Comissão Parlamentar de Inquérito e raramente assinou alguma, pois diz não acreditar que seus colegas possam conduzir investigações sérias contra o Executivo. "CPI é um faz-de-conta. É palanque político para a oposição em todas as gestões."
Entenderam? Não é preciso desenhar. O líder do DEM afirma com todas as letras qual é a principal função das CPIs por eles criadas”.
“O DEM o PSDB são os dois partidos da oposição, que querem CPI até para a cor da meia que presidente Lula está usando. Para desgastar o governo, eles ganham holofotes, entrevistas na mídia, armam um circo que parece hospício. Tem senador, como o Arthur Virgílio, que ameaça dar uma surra no presidente, copiado pelo deputado ACM Neto, que também diz que vai bater no presidente Lula. Tem ex-senadora que dá cadeirada, tapas, que grita histéricamente, como a Heloisa Helena. Isso tudo patrocinado pelo dinheiro do contribuinte.
Ocupam-se tanto com isso que deixam de criar leis, de aprovar projetos que beneficiariam todos os brasileiros. E ainda reclamam das MP que o presidente Lula envia para o Congresso, por conta dessa irresponsabilidade, desse desleixo dos parlamentares para com suas obrigações.
O presidente Lula não vai parar o país, prejudicar o povo, por conta desses trastes. Faz o que tem fazer, trata de beneficiar o povo e o país por meio de decretos e MPs. Mas quando os membros da oposição cometem atos ilícitos, roubalheiras, maracutaias, não deixam criar CPIs para que haja investigações.
E assumem que criam CPIs para ter os holofotes da mídia.
Leiam o que diz o líder do DEM na Câmara Municipal de SP. Está na Folha de São Paulo de hoje, 28/09.
LÍDER DO DEM DIZ QUE CPI É "FAZ-DE-CONTA"
Líder dos Democratas na Câmara Municipal, o vereador Carlos Apolinário afirma que nunca propôs uma Comissão Parlamentar de Inquérito e raramente assinou alguma, pois diz não acreditar que seus colegas possam conduzir investigações sérias contra o Executivo. "CPI é um faz-de-conta. É palanque político para a oposição em todas as gestões."
Entenderam? Não é preciso desenhar. O líder do DEM afirma com todas as letras qual é a principal função das CPIs por eles criadas”.
BUSH QUER SOCORRER BANCOS, MAS NÃO VÍTIMAS DA CRISE, DIZ LULA
Li ontem no UOL o seguinte texto de Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo:
PRESIDENTE DIZ QUE PACOTE APRESENTADO PELO AMERICANO SOCORRE BANCOS E NÃO 'OS POBRES QUE PERDERAM AS CASAS'
OSASCO - Pela segunda vez no mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso crítico em relação à forma como o governo norte-americano tem administrado a crise financeira que estourou no país. Em Osasco, ao reforçar a campanha do prefeito Emídio de Souza (PT) à reeleição, o presidente disse que a polêmica que se formou em torno do pacote de socorro proposto pelo presidente George W. Bush é resultado da decisão do governo local de socorrer os bancos e não a população mais pobre prejudicada pela crise.
"Qual é a briga? É que ele só quer ajudar os bancos e não quer ajudar os pobres que perderam suas casas", afirmou Lula, que algumas horas antes já havia cobrado do governo Bush que assuma a responsabilidade pela crise e não deixe que ela se espalhe pelo resto do mundo. "Por que dar US$ 700 bilhões para os bancos e não dar o dinheiro para os coitados que perderam suas casas?", indagou.
No discurso, Lula voltou a dizer que a crise é resultado da decisão do mercado financeiro norte-americano de apostar na especulação imobiliária. "O sistema financeiro, em vez de aplicar dinheiro em coisas que pudessem gerar novos empregos, resolveu especular no setor imobiliário", afirmou.
Ele voltou a afirmar que seu governo conseguiu proteger o País das crises internacionais. Se a crise norte-americana ocorresse em outra época, disse ele, o Brasil já teria quebrado. "Sabe por que nós não quebramos? Porque eu aprendi uma lição dentro de casa", afirmou o presidente, acrescentando que não aprendeu teorias econômicas na universidade, mas sabe o que é ter que administrar o orçamento doméstico sem a certeza de que sobrará algo no final do mês.
Outro passo que ajudou a proteger a economia, disse o presidente, foi a diversificação das exportações. Antes, segundo ele, 30% das exportações brasileiras tinham como destino os Estados Unidos, número que agora está na casa de 15%. "Nós não podemos ficar comprometidos com um único país. Porque, se tiver uma crise naquele país, a gente quebra."
No embalo, Lula voltou a citar o fim da dívida com o Fundo Monetário Internacional, tema que há algum tempo não aparecia em seus discursos. "Eu sabia que o Brasil não poderia continuar com US$ 30 bilhões devendo para o FMI. Hoje, não devemos um centavo e o FMI não dá palpite aqui. Agora, quem decide nossas políticas econômicas somos nós."
PRESIDENTE DIZ QUE PACOTE APRESENTADO PELO AMERICANO SOCORRE BANCOS E NÃO 'OS POBRES QUE PERDERAM AS CASAS'
OSASCO - Pela segunda vez no mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso crítico em relação à forma como o governo norte-americano tem administrado a crise financeira que estourou no país. Em Osasco, ao reforçar a campanha do prefeito Emídio de Souza (PT) à reeleição, o presidente disse que a polêmica que se formou em torno do pacote de socorro proposto pelo presidente George W. Bush é resultado da decisão do governo local de socorrer os bancos e não a população mais pobre prejudicada pela crise.
"Qual é a briga? É que ele só quer ajudar os bancos e não quer ajudar os pobres que perderam suas casas", afirmou Lula, que algumas horas antes já havia cobrado do governo Bush que assuma a responsabilidade pela crise e não deixe que ela se espalhe pelo resto do mundo. "Por que dar US$ 700 bilhões para os bancos e não dar o dinheiro para os coitados que perderam suas casas?", indagou.
No discurso, Lula voltou a dizer que a crise é resultado da decisão do mercado financeiro norte-americano de apostar na especulação imobiliária. "O sistema financeiro, em vez de aplicar dinheiro em coisas que pudessem gerar novos empregos, resolveu especular no setor imobiliário", afirmou.
Ele voltou a afirmar que seu governo conseguiu proteger o País das crises internacionais. Se a crise norte-americana ocorresse em outra época, disse ele, o Brasil já teria quebrado. "Sabe por que nós não quebramos? Porque eu aprendi uma lição dentro de casa", afirmou o presidente, acrescentando que não aprendeu teorias econômicas na universidade, mas sabe o que é ter que administrar o orçamento doméstico sem a certeza de que sobrará algo no final do mês.
Outro passo que ajudou a proteger a economia, disse o presidente, foi a diversificação das exportações. Antes, segundo ele, 30% das exportações brasileiras tinham como destino os Estados Unidos, número que agora está na casa de 15%. "Nós não podemos ficar comprometidos com um único país. Porque, se tiver uma crise naquele país, a gente quebra."
No embalo, Lula voltou a citar o fim da dívida com o Fundo Monetário Internacional, tema que há algum tempo não aparecia em seus discursos. "Eu sabia que o Brasil não poderia continuar com US$ 30 bilhões devendo para o FMI. Hoje, não devemos um centavo e o FMI não dá palpite aqui. Agora, quem decide nossas políticas econômicas somos nós."
domingo, 28 de setembro de 2008
CENTENÁRIO DA MORTE DE MACHADO DE ASSIS
Para relembrar o maior escritor brasileiro, escolhi o seguinte texto de Daniel Piza no jornal “O Estado de São Paulo” de ontem:
LEIA 'BONS DIAS!', CRÔNICA DE DANIEL PIZA PARA MACHADO DE ASSIS
“Bons dias!
Não há eleição, não há crise nas bolsas, não há nada nestes dias que possa chamar mais atenção do que o centenário de morte de Machado de Assis. Quando eu era adolescente, ouvia das pessoas que os clássicos são chatos; logo, Machado de Assis, sendo clássico, era um chato. Mas agora ouço de muitas delas que redescobriram o mestre, que relendo suas obras sem os antolhos escolares o que saltou foi seu estilo, seu humor, sua filosofia. O Bruxo do Cosme Velho em pessoa não se furtaria a notar a ironia da cena: comemoram-se cem anos de sua morte, não de sua vida. Para um homem que no final da existência esperava a morte como um livramento, nada mais apropriado. Hoje são seus leitores que estão livres para ler seus livros, nos quais a morte é tão presente.
Muitas efemérides são tristes como os aniversários. Tristes?, perguntará o leitor. Sim, tristes. Porque em todos os aniversários há aquela obrigação de dar festa e chamar amigos e familiares, mesmo os amigos que já não são tão familiares e os familiares que nunca foram amigos. Já quem decide não dar festa causa toda sorte de especulação: "Ah, mas ele não parece bem mesmo, faz muito tempo que ando percebendo isso". O leitor perdoe a digressão, mas pode pôr a culpa no próprio Machado. O que eu queria dizer é que este seu aniversário não tem nada de triste, apesar de tantas meias-verdades ainda ditas e escritas sobre ele; não tem nada de triste porque é um aniversário em que o aniversariante é quem dá os presentes - os seus textos, que tantas e tantas pessoas andam lendo e relendo. Pode ver como se lançaram mais reedições deles do que edições sobre ele.
Ninguém, afinal, sabia o que ele era quando escrevia. Machado seguramente escrevia melhor do que falava. Falar, sobretudo falar em público, é uma espécie de riacho, cheio de pedras e desvios, por onde a idéia corre com dificuldade. Escrevendo, Machado era profundo e amplo como o mar; suas idéias iam e vinham com a elevação das marés. Parece que há cada vez mais gente se banhando nessas águas, e isso é bom. Mesmo que tenha sido um crítico da religião, a tal ponto que recusou padre no leito de morte, Machado batizou a língua brasileira, e com seus Bentos e Cubas e Quincas criou um espelho onde os brasileiros podem enxergar a si próprios.
Outro dia, porém, dobrando uma esquina, vi dois pombos conversando sobre a data machadiana. Conheço bem os arrulhos dessas criaturas urbanas, alimentadas a migalhas de pão que algum mendigo atira ao chão sujo da praça, o que as deixou acostumadas ao ioiô emocional dos humanos, ora tão piedosos, ora tão mesquinhos. Fiquei inclinado e escutei:
- Eles falam do Machado como se comessem migalhas - disse o da esquerda.
- Como assim? - perguntou o da direita.
- Eles só leram um livro ou outro, ou no máximo algum conto, e vivem citando as mesmas frases, como "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria" ou "Matamos o tempo; o tempo nos enterra". Nem se dão conta de que as frases são do Brás Cubas, não do Machado...
- É verdade. Eles ainda acham que ele é o Machadinho, o escritor tímido que não participava de controvérsia, o sujeito frágil que ficava em casa o dia inteiro tomando remédio e escrevendo sobre a vida que não vivia...
- Aí fazem essa festa toda, como se fosse um gesto de patriotismo!
O pombo da esquerda entrou num bueiro e deu algumas bicadas:
- Ele gostava de catar o mínimo e o escondido, de enfiar o nariz onde ninguém enfiava. Mas todo mundo finge que ele era bonzinho, que escrevia bonitinho. É o Machado em diminutivo, apequenado como convém aos homens e aos gafanhotos. Mal sabem eles como é difícil não ser convencional.
O pombo da direita corre de um menino que tenta pisá-lo:
- E ele criticava o brasileiro, que "nasceu com a bossa da ilegalidade"... Morreria de rir dessa politicalha de hoje. E morreria de chorar ao ver como está o seu Rio de Janeiro.
- Pelo menos teria um blog para a gente ler, pois o homem gostava de uma conversa textual, de prosear ausente. Certamente não seriam migalhas. Machado era um banquete, não tinha tempo para esmolas. E ele criticava o ser humano em geral, não só o brasileiro.
- "Qualquer um de nós teria organizado o mundo melhor do que saiu."
- Essa é boa! Ei, cuidado!
Os dois pombos saíram voando quando uma bicicleta passou e foram conversar num fio lá no alto. Segui meu caminho, meditando sobre aquela estranha conversa. Os pombos tinham razão: Machado pode estar sendo celebrado e lido como nunca antes, mas não combina com essa visão de mundo ingênua e otimista que domina a cena hoje em dia. Saber que 70% dos brasileiros acham que as escolas são boas o deixaria entre a galhofa e a melancolia. Essas mesmas escolas que ensinam que os clássicos são chatos e que Machado de Assis deve ser lido como uma modalidade de dever cívico. Mas, tudo bem, os adjetivos passam e os substantivos ficam. Machado é substantivo.
Boas noites!”
LEIA 'BONS DIAS!', CRÔNICA DE DANIEL PIZA PARA MACHADO DE ASSIS
“Bons dias!
Não há eleição, não há crise nas bolsas, não há nada nestes dias que possa chamar mais atenção do que o centenário de morte de Machado de Assis. Quando eu era adolescente, ouvia das pessoas que os clássicos são chatos; logo, Machado de Assis, sendo clássico, era um chato. Mas agora ouço de muitas delas que redescobriram o mestre, que relendo suas obras sem os antolhos escolares o que saltou foi seu estilo, seu humor, sua filosofia. O Bruxo do Cosme Velho em pessoa não se furtaria a notar a ironia da cena: comemoram-se cem anos de sua morte, não de sua vida. Para um homem que no final da existência esperava a morte como um livramento, nada mais apropriado. Hoje são seus leitores que estão livres para ler seus livros, nos quais a morte é tão presente.
Muitas efemérides são tristes como os aniversários. Tristes?, perguntará o leitor. Sim, tristes. Porque em todos os aniversários há aquela obrigação de dar festa e chamar amigos e familiares, mesmo os amigos que já não são tão familiares e os familiares que nunca foram amigos. Já quem decide não dar festa causa toda sorte de especulação: "Ah, mas ele não parece bem mesmo, faz muito tempo que ando percebendo isso". O leitor perdoe a digressão, mas pode pôr a culpa no próprio Machado. O que eu queria dizer é que este seu aniversário não tem nada de triste, apesar de tantas meias-verdades ainda ditas e escritas sobre ele; não tem nada de triste porque é um aniversário em que o aniversariante é quem dá os presentes - os seus textos, que tantas e tantas pessoas andam lendo e relendo. Pode ver como se lançaram mais reedições deles do que edições sobre ele.
Ninguém, afinal, sabia o que ele era quando escrevia. Machado seguramente escrevia melhor do que falava. Falar, sobretudo falar em público, é uma espécie de riacho, cheio de pedras e desvios, por onde a idéia corre com dificuldade. Escrevendo, Machado era profundo e amplo como o mar; suas idéias iam e vinham com a elevação das marés. Parece que há cada vez mais gente se banhando nessas águas, e isso é bom. Mesmo que tenha sido um crítico da religião, a tal ponto que recusou padre no leito de morte, Machado batizou a língua brasileira, e com seus Bentos e Cubas e Quincas criou um espelho onde os brasileiros podem enxergar a si próprios.
Outro dia, porém, dobrando uma esquina, vi dois pombos conversando sobre a data machadiana. Conheço bem os arrulhos dessas criaturas urbanas, alimentadas a migalhas de pão que algum mendigo atira ao chão sujo da praça, o que as deixou acostumadas ao ioiô emocional dos humanos, ora tão piedosos, ora tão mesquinhos. Fiquei inclinado e escutei:
- Eles falam do Machado como se comessem migalhas - disse o da esquerda.
- Como assim? - perguntou o da direita.
- Eles só leram um livro ou outro, ou no máximo algum conto, e vivem citando as mesmas frases, como "Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria" ou "Matamos o tempo; o tempo nos enterra". Nem se dão conta de que as frases são do Brás Cubas, não do Machado...
- É verdade. Eles ainda acham que ele é o Machadinho, o escritor tímido que não participava de controvérsia, o sujeito frágil que ficava em casa o dia inteiro tomando remédio e escrevendo sobre a vida que não vivia...
- Aí fazem essa festa toda, como se fosse um gesto de patriotismo!
O pombo da esquerda entrou num bueiro e deu algumas bicadas:
- Ele gostava de catar o mínimo e o escondido, de enfiar o nariz onde ninguém enfiava. Mas todo mundo finge que ele era bonzinho, que escrevia bonitinho. É o Machado em diminutivo, apequenado como convém aos homens e aos gafanhotos. Mal sabem eles como é difícil não ser convencional.
O pombo da direita corre de um menino que tenta pisá-lo:
- E ele criticava o brasileiro, que "nasceu com a bossa da ilegalidade"... Morreria de rir dessa politicalha de hoje. E morreria de chorar ao ver como está o seu Rio de Janeiro.
- Pelo menos teria um blog para a gente ler, pois o homem gostava de uma conversa textual, de prosear ausente. Certamente não seriam migalhas. Machado era um banquete, não tinha tempo para esmolas. E ele criticava o ser humano em geral, não só o brasileiro.
- "Qualquer um de nós teria organizado o mundo melhor do que saiu."
- Essa é boa! Ei, cuidado!
Os dois pombos saíram voando quando uma bicicleta passou e foram conversar num fio lá no alto. Segui meu caminho, meditando sobre aquela estranha conversa. Os pombos tinham razão: Machado pode estar sendo celebrado e lido como nunca antes, mas não combina com essa visão de mundo ingênua e otimista que domina a cena hoje em dia. Saber que 70% dos brasileiros acham que as escolas são boas o deixaria entre a galhofa e a melancolia. Essas mesmas escolas que ensinam que os clássicos são chatos e que Machado de Assis deve ser lido como uma modalidade de dever cívico. Mas, tudo bem, os adjetivos passam e os substantivos ficam. Machado é substantivo.
Boas noites!”
PRIMEIRO SUBMARINO NUCLEAR VAI SER FEITO NO RIO ATÉ 2021
O Jornal do Brasil de ontem publicou:
DEFESA DA COSTA BRASILEIRA GANHOU MAIS IMPORTÂNCIA COM O PRÉ-SAL
O primeiro submarino nuclear brasileiro deverá estar pronto até 2021. A afirmação foi feita, ontem, pelo comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto. Ele antecipou que o estaleiro dedicado ao submarino deve ser construído na área de Itaguaí, Região Metropolitana do Rio.
– Queremos fazer na área da Baía de Sepetiba, que fica perto dos pólos industriais de Rio e São Paulo, da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A.), das usinas de Angra 1 e 2 e do porto de Itaguaí – disse.
Moura Neto participou, no Rio de Janeiro, da posse do almirante José Alberto Accioly Fragelli como coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear.
ENRIQUECIMENTO
De acordo com Moura Neto, a primeira etapa do programa, que envolve o ciclo de enriquecimento do urânio no Centro Experimental de Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, já está concluída. A construção de uma planta nuclear de produção de energia elétrica está em fase final.
O comandante da Marinha assinalou que quatro submarinos de propulsão convencional começarão a ser fabricados – ainda no Arsenal da Marinha, na capital fluminense – a partir do ano que vem. Ao mesmo tempo, o projeto do nuclear terá início. Segundo este cronograma, em 2014 o primeiro convencional fica pronto e o nuclear entra em fabricação na área da baía de Sepetiba. O casco será desenvolvido em conjunto com a França. O primeiro submarino nuclear brasileiro deve ficar pronto seis ou sete anos depois disto.
PRÉ-SAL
Para o almirante, as descobertas de petróleo na camada pré-sal geram maior necessidade de modernização dos equipamentos da Marinha.
– O submarino nuclear reforça a capacidade dissuasória do país diante de qualquer país do mundo – explicou. – A Marinha tem que ter capacidade de tomar conta das nossas águas. A capacidade de Defesa é o que faz que os países nos respeitem.
A construção do submarino nuclear, equipado com torpedos e mísseis, está prevista na Estratégia Nacional de Defesa, desenvolvida pelos ministros de Assuntos Estratéicos, Roberto Mangabeira Unger e da Defesa, Nelson Jobim. O custo estimado é mais que o dobro do referente a um submarino de propulsão convencional (US$ 600 milhões).
O projeto não fará parte do orçamento da Marinha para 2009 (cerca de R$ 2,7 bilhões), pois deve ser feito com financiamento externo. A Marinha espera gerar pelo menos 600 empregos diretos no país durante o processo.
Precursor do projeto, iniciado em 1979, o atual presidente da Eletronuclerar, almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, também esteve presente no evento. Ele avaliou que, pelo tamanho da costa brasileira, o país precisa de pelo menos seis submarinos nucleares, apesar da "vocação para a paz" do país.
– Defesa tem que ter para não usar – comentou.”
DEFESA DA COSTA BRASILEIRA GANHOU MAIS IMPORTÂNCIA COM O PRÉ-SAL
O primeiro submarino nuclear brasileiro deverá estar pronto até 2021. A afirmação foi feita, ontem, pelo comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto. Ele antecipou que o estaleiro dedicado ao submarino deve ser construído na área de Itaguaí, Região Metropolitana do Rio.
– Queremos fazer na área da Baía de Sepetiba, que fica perto dos pólos industriais de Rio e São Paulo, da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A.), das usinas de Angra 1 e 2 e do porto de Itaguaí – disse.
Moura Neto participou, no Rio de Janeiro, da posse do almirante José Alberto Accioly Fragelli como coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear.
ENRIQUECIMENTO
De acordo com Moura Neto, a primeira etapa do programa, que envolve o ciclo de enriquecimento do urânio no Centro Experimental de Aramar, em Iperó, interior de São Paulo, já está concluída. A construção de uma planta nuclear de produção de energia elétrica está em fase final.
O comandante da Marinha assinalou que quatro submarinos de propulsão convencional começarão a ser fabricados – ainda no Arsenal da Marinha, na capital fluminense – a partir do ano que vem. Ao mesmo tempo, o projeto do nuclear terá início. Segundo este cronograma, em 2014 o primeiro convencional fica pronto e o nuclear entra em fabricação na área da baía de Sepetiba. O casco será desenvolvido em conjunto com a França. O primeiro submarino nuclear brasileiro deve ficar pronto seis ou sete anos depois disto.
PRÉ-SAL
Para o almirante, as descobertas de petróleo na camada pré-sal geram maior necessidade de modernização dos equipamentos da Marinha.
– O submarino nuclear reforça a capacidade dissuasória do país diante de qualquer país do mundo – explicou. – A Marinha tem que ter capacidade de tomar conta das nossas águas. A capacidade de Defesa é o que faz que os países nos respeitem.
A construção do submarino nuclear, equipado com torpedos e mísseis, está prevista na Estratégia Nacional de Defesa, desenvolvida pelos ministros de Assuntos Estratéicos, Roberto Mangabeira Unger e da Defesa, Nelson Jobim. O custo estimado é mais que o dobro do referente a um submarino de propulsão convencional (US$ 600 milhões).
O projeto não fará parte do orçamento da Marinha para 2009 (cerca de R$ 2,7 bilhões), pois deve ser feito com financiamento externo. A Marinha espera gerar pelo menos 600 empregos diretos no país durante o processo.
Precursor do projeto, iniciado em 1979, o atual presidente da Eletronuclerar, almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, também esteve presente no evento. Ele avaliou que, pelo tamanho da costa brasileira, o país precisa de pelo menos seis submarinos nucleares, apesar da "vocação para a paz" do país.
– Defesa tem que ter para não usar – comentou.”
QUEM VENCEU?
O blog “Cidadania.com”, de Eduardo Guimarães, ontem publicou:
“Todos estão perguntando quem venceu o debate de sexta-feira entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos. A lógica mandaria que o candidato do partido Democrata, Barack Obama, fosse declarado vencedor por nocaute, devido às razões que enumero abaixo:
1ª – O governo do Partido Republicano, presidido por George Walker Bush, é um desastre sob qualquer ângulo que se olhe, e John McCain, aliado de Bush, endossa suas políticas e é o candidato dele à própria sucessão na presidência dos Estados Unidos.
2ª – O governo Bush é um fracasso estratégico-militar e de credibilidade porque disse que havia armas de destruição em massa no Iraque e não havia.
3ª – O governo Bush é um fracasso porque gasta 10 bilhões de dólares por mês para controlar o Iraque, um pais que, depois de invadido, descobriu-se que não representava ameaça aos EUA.
4ª – O governo Bush é um fracasso porque os EUA tiveram que se converter em babás dos grupos radicais-religiosos que se digladiam desde sempre no Iraque. Se os americanos saírem de lá, só Deus sabe o que os tais grupos fanáticos farão com o país. Saddam Hussein ao menos mantinha a ordem no Iraque.
5ª – O governo Bush é um fracasso porque governa para as camadas mais altas da sociedade americana, porque corta impostos dos ricos e não faz programas sociais para os pobres, mantendo pobreza no país mais rico do mundo, o que constitui o definitivo atestado de óbito do capitalismo.
6ª – O governo Bush é um fracasso porque, sob ele, bancos seculares quebram o tempo todo e o país entra em crise econômica, levando insegurança e medo à sociedade americana, gerando prejuízos aos ricos e piorando as vidas dos pobres.
7 – O governo Bush é um fracasso porque os EUA perderam o respeito do mundo. Quando eu era criança, os americanos eram os mocinhos. Os meninos da minha geração queriam ser americanos. Hoje, os EUA são vistos como os vilões do mundo. Foi o que Obama apontou para um McCain que fazia “cara de parede”.
Para agravar a situação de McCain, ele declarou, pouco antes de explodir de vez a crise econômica nos EUA, que “os fundamentos da economia americana” seriam “sólidos”. Só por isso Obama já deveria ser considerado vencedor antecipado da eleição.
No entanto, estamos discutindo quem venceu um debate ao qual McCain tentou não comparecer, pois sabia de sua situação delicada devido aos fracassos do governo que apóia e do qual é visto como continuidade.
Mesmo que Obama tivesse grave retardo mental, demolir McCain deveria ser como tirar doce de criança devido à situação de fragilidade do pessimamente avaliado governo Bush. Isso só não acontece porque Obama é negro e grande parte da sociedade americana é patologicamente racista, só por isso.
Mas a inclinação do Partido Democrata de arriscar disputar a eleição com um negro num país em grande parte racista me diz que alguma coisa está mudando profundamente na maior potência mundial. E deve estar mudando para melhor.
A sorte dos americanos aumentou, pois essa crise deles pode ser que compense o racismo que persiste no país.
Obama, no debate, tocou num ponto vital: disse que uma de suas principais tarefas será mudar a imagem dos EUA perante o mundo, fazer os garotos de todas as partes voltarem a ter heróis americanos. Repito porque essa é a idéia-força da candidatura de Obama.
Não sei quem venceu o debate para o conjunto do eleitorado americano porque não consigo pensar como pensa essa fatia maluca e racista daquela sociedade. Mas se vocês quiserem saber como acho que os americanos mentalmente sadios viram o debate entre Obama e McCain, acho que deram vitória para o democrata. Resta saber, porém, quantos são os americanos mentalmente sadios. “
Dos leitores
Se aqui a gente critica a visão Fla X Flu da luta política, precisa ver lá, nos comentários dos blogs. Parece torcida de luta de boxe. Muita gente decepcionada porque o Obama não desferiu um "punch" decisivo, não ganhou por knock-out no primeiro round, só desferiu alguns jabs e levou outros.
A turma do Obama e a do McCain queriam ver o rival no solo. Mais pra rinha de galos do que pra uma luta memorável como a do Cassius Clay contra o George Foreman. A mesma incompreensão do tempo de maturação da política.
Se o Obama desferisse esse golpe fatal no primeiro round-debate - e olha que o McCain provocou! - perdia a luta, a eleição, num país racista e hipócrita: sobraria a imagem do "angry black man" [negro com raiva] judiando de um "herói de guerra" de 72 anos de idade, quatro vezes atacado por um melanoma, etc. etc.
Acho que o Obama se comportou de maneira serena, não caiu nas armadilhas,e dançou no ringue como o grande bailarino Cassius Clay,sem cair. Para o knock-out tem hora, talvez no último debate, quem sabe.
Obama e McCain estão disputando a eleição para presidente dos Estados Unidos da América do Norte, não da América Latina, nem do Brasil.
Evidente que o eleito tem o compromisso fundamental de defender os interesses do seu país e de proteger os cidadãos americanos, não de defender os interesses políticos e econômicos do Brasil.
Não sou cidadã estadunidense, não voto e minha opinião é irrelevante. Mas, como cidadã do mundo, permito-me preferir o candidato Obama porque, pelo menos, parece ser uma pessoa que se pauta pela racionalidade, um homem que pensa antes de agir, que tende a pesar os vários lados de uma questão antes de decidir, não é um xenófobo, tem boa formação intelectual e uma experiência de vida transcultural.
Só isso já me leva a crer que é mais acessível ao diálogo racional e, em conseqüência, parece-me ser mais confiável em política internacional, que é o que interessa a nós e ao mundo. O resto é problema interno dos americanos, eles lá que debatam.
Vera Pereira | Rio de janeiro, RJ, Brasil | professora aposentada |“
“Todos estão perguntando quem venceu o debate de sexta-feira entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos. A lógica mandaria que o candidato do partido Democrata, Barack Obama, fosse declarado vencedor por nocaute, devido às razões que enumero abaixo:
1ª – O governo do Partido Republicano, presidido por George Walker Bush, é um desastre sob qualquer ângulo que se olhe, e John McCain, aliado de Bush, endossa suas políticas e é o candidato dele à própria sucessão na presidência dos Estados Unidos.
2ª – O governo Bush é um fracasso estratégico-militar e de credibilidade porque disse que havia armas de destruição em massa no Iraque e não havia.
3ª – O governo Bush é um fracasso porque gasta 10 bilhões de dólares por mês para controlar o Iraque, um pais que, depois de invadido, descobriu-se que não representava ameaça aos EUA.
4ª – O governo Bush é um fracasso porque os EUA tiveram que se converter em babás dos grupos radicais-religiosos que se digladiam desde sempre no Iraque. Se os americanos saírem de lá, só Deus sabe o que os tais grupos fanáticos farão com o país. Saddam Hussein ao menos mantinha a ordem no Iraque.
5ª – O governo Bush é um fracasso porque governa para as camadas mais altas da sociedade americana, porque corta impostos dos ricos e não faz programas sociais para os pobres, mantendo pobreza no país mais rico do mundo, o que constitui o definitivo atestado de óbito do capitalismo.
6ª – O governo Bush é um fracasso porque, sob ele, bancos seculares quebram o tempo todo e o país entra em crise econômica, levando insegurança e medo à sociedade americana, gerando prejuízos aos ricos e piorando as vidas dos pobres.
7 – O governo Bush é um fracasso porque os EUA perderam o respeito do mundo. Quando eu era criança, os americanos eram os mocinhos. Os meninos da minha geração queriam ser americanos. Hoje, os EUA são vistos como os vilões do mundo. Foi o que Obama apontou para um McCain que fazia “cara de parede”.
Para agravar a situação de McCain, ele declarou, pouco antes de explodir de vez a crise econômica nos EUA, que “os fundamentos da economia americana” seriam “sólidos”. Só por isso Obama já deveria ser considerado vencedor antecipado da eleição.
No entanto, estamos discutindo quem venceu um debate ao qual McCain tentou não comparecer, pois sabia de sua situação delicada devido aos fracassos do governo que apóia e do qual é visto como continuidade.
Mesmo que Obama tivesse grave retardo mental, demolir McCain deveria ser como tirar doce de criança devido à situação de fragilidade do pessimamente avaliado governo Bush. Isso só não acontece porque Obama é negro e grande parte da sociedade americana é patologicamente racista, só por isso.
Mas a inclinação do Partido Democrata de arriscar disputar a eleição com um negro num país em grande parte racista me diz que alguma coisa está mudando profundamente na maior potência mundial. E deve estar mudando para melhor.
A sorte dos americanos aumentou, pois essa crise deles pode ser que compense o racismo que persiste no país.
Obama, no debate, tocou num ponto vital: disse que uma de suas principais tarefas será mudar a imagem dos EUA perante o mundo, fazer os garotos de todas as partes voltarem a ter heróis americanos. Repito porque essa é a idéia-força da candidatura de Obama.
Não sei quem venceu o debate para o conjunto do eleitorado americano porque não consigo pensar como pensa essa fatia maluca e racista daquela sociedade. Mas se vocês quiserem saber como acho que os americanos mentalmente sadios viram o debate entre Obama e McCain, acho que deram vitória para o democrata. Resta saber, porém, quantos são os americanos mentalmente sadios. “
Dos leitores
Se aqui a gente critica a visão Fla X Flu da luta política, precisa ver lá, nos comentários dos blogs. Parece torcida de luta de boxe. Muita gente decepcionada porque o Obama não desferiu um "punch" decisivo, não ganhou por knock-out no primeiro round, só desferiu alguns jabs e levou outros.
A turma do Obama e a do McCain queriam ver o rival no solo. Mais pra rinha de galos do que pra uma luta memorável como a do Cassius Clay contra o George Foreman. A mesma incompreensão do tempo de maturação da política.
Se o Obama desferisse esse golpe fatal no primeiro round-debate - e olha que o McCain provocou! - perdia a luta, a eleição, num país racista e hipócrita: sobraria a imagem do "angry black man" [negro com raiva] judiando de um "herói de guerra" de 72 anos de idade, quatro vezes atacado por um melanoma, etc. etc.
Acho que o Obama se comportou de maneira serena, não caiu nas armadilhas,e dançou no ringue como o grande bailarino Cassius Clay,sem cair. Para o knock-out tem hora, talvez no último debate, quem sabe.
Obama e McCain estão disputando a eleição para presidente dos Estados Unidos da América do Norte, não da América Latina, nem do Brasil.
Evidente que o eleito tem o compromisso fundamental de defender os interesses do seu país e de proteger os cidadãos americanos, não de defender os interesses políticos e econômicos do Brasil.
Não sou cidadã estadunidense, não voto e minha opinião é irrelevante. Mas, como cidadã do mundo, permito-me preferir o candidato Obama porque, pelo menos, parece ser uma pessoa que se pauta pela racionalidade, um homem que pensa antes de agir, que tende a pesar os vários lados de uma questão antes de decidir, não é um xenófobo, tem boa formação intelectual e uma experiência de vida transcultural.
Só isso já me leva a crer que é mais acessível ao diálogo racional e, em conseqüência, parece-me ser mais confiável em política internacional, que é o que interessa a nós e ao mundo. O resto é problema interno dos americanos, eles lá que debatam.
Vera Pereira | Rio de janeiro, RJ, Brasil | professora aposentada |“
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