Ontem à noite o portal UOL publicou:
“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou 7,47%, a 37.448,77 pontos, completando o terceiro dia consecutivo de alta. Neste período, o mercado de ações brasileiro acumulou valorização de 27,22%, mas, no ano, a queda ainda é de 41,38%.
O dólar comercial recuou 1,68%, cotado a R$ 2,106 na venda, após nova atuação do Banco Central no mercado de câmbio. Com a sessão desta quinta-feira, a moeda completou quatro dias consecutivos de baixa, período em que acumulou queda de 9,54% .”
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
FALIU DUAS VEZES
O veterano jornalista Lustosa da Costa escreveu a seguinte nota publicada ontem em sua coluna no “Diário do Nordeste”
“FHC, aquele que levou o Brasil duas vezes à falência, continua dando lições a Lula e torcendo pelo desastre de seu governo. Seu sonho e de muitos tucanos é que a crise econômica, nascida nos Estados Unidos, país que ele tanto ama, talvez na mesma intensidade de seu comparsa Carlos Menem, engula o País, arruinando o governo do PT.
O Brasil que se dane, desde que eles possam voltar ao governo e torrar as últimas estatais, a preço de banana, em doações a amigos do peito”.
“FHC, aquele que levou o Brasil duas vezes à falência, continua dando lições a Lula e torcendo pelo desastre de seu governo. Seu sonho e de muitos tucanos é que a crise econômica, nascida nos Estados Unidos, país que ele tanto ama, talvez na mesma intensidade de seu comparsa Carlos Menem, engula o País, arruinando o governo do PT.
O Brasil que se dane, desde que eles possam voltar ao governo e torrar as últimas estatais, a preço de banana, em doações a amigos do peito”.
BALANÇO DO PAC
Li ontem no blog do Noblat a seguinte reportagem do jornal “O Globo”:
BALANÇO DO PAC CALCULA QUE 9% DAS OBRAS DO PROGRAMA FORAM CONCLUÍDAS
“BRASÍLIA - Excluídas as ações de saneamento e habitação, que têm monitoramento separado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está com 9% de seus 2.198 empreendimentos concluídos, informou nesta quinta-feira o 5º balanço do programa, realizado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e outros ministros. No levantamento anterior, em abril, 5% das obras estavam finalizadas.
Ainda segundo o levantamento, 59% dos projetos já estão em fase de obras e 32% em fase de projeto, licenciamento ou licitação. De acordo com os dados, já foram empenhados (comprometido para pagamento de obras) R$ 10,4 bilhões dos 17,9 bilhões previstos, enquanto R$ 8,2 bilhões foram efetivamente pagos.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, considerou muito satisfatório o ritmo de execução, lembrando que os R$ 10,4 bilhões empenhados este ano até 23 de outubro representam 34,3% a mais do que havia sido empenhado no mesmo período do ano passado.
Levando-se em consideração a quantidade de projetos do PAC, 83% das obras foram classificados como em ritmo adequado, 7% estão classificados como "em atenção", porque enfrentam algum tipo de problema que pode vir a atrasar o cronograma, e 1% se encontra em situação preocupante, por estar totalmente fora do cronograma e correr o risco de não ser executada”.
BALANÇO DO PAC CALCULA QUE 9% DAS OBRAS DO PROGRAMA FORAM CONCLUÍDAS
“BRASÍLIA - Excluídas as ações de saneamento e habitação, que têm monitoramento separado, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está com 9% de seus 2.198 empreendimentos concluídos, informou nesta quinta-feira o 5º balanço do programa, realizado pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e outros ministros. No levantamento anterior, em abril, 5% das obras estavam finalizadas.
Ainda segundo o levantamento, 59% dos projetos já estão em fase de obras e 32% em fase de projeto, licenciamento ou licitação. De acordo com os dados, já foram empenhados (comprometido para pagamento de obras) R$ 10,4 bilhões dos 17,9 bilhões previstos, enquanto R$ 8,2 bilhões foram efetivamente pagos.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, considerou muito satisfatório o ritmo de execução, lembrando que os R$ 10,4 bilhões empenhados este ano até 23 de outubro representam 34,3% a mais do que havia sido empenhado no mesmo período do ano passado.
Levando-se em consideração a quantidade de projetos do PAC, 83% das obras foram classificados como em ritmo adequado, 7% estão classificados como "em atenção", porque enfrentam algum tipo de problema que pode vir a atrasar o cronograma, e 1% se encontra em situação preocupante, por estar totalmente fora do cronograma e correr o risco de não ser executada”.
PARA LULA, ESTADO É 'QUEM VAI SALVAR' MERCADOS DE CRISE
O site “vermelho” ontem publicou:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chamar os mercados de "cassino" nesta quinta-feira e disse que é o Estado quem vai salvá-los da crise financeira global. Durante discurso na 18ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em San Salvador, Lula chamou de "conservadores" aqueles que durante a década de 80 "achavam que o Estado gastava demais". "Agora quem vai salvá-los é o Estado, que eles diziam que não servia para nada", afirmou.
O presidente disse ainda que não permitirá que a crise nos mercados reduza os investimentos do governo.
O tema da cúpula deste ano são os jovens, mas praticamente todos os chefes de Estado presentes incluíram a crise financeira em seus discursos.
O presidente Lula foi um dos mais duros, com críticas ao sistema financeiro atual, que muitas vezes "tentou nos dizer por que e como fazer".
"É preciso redefinir o papel do Estado, pois eles (o mercado) não tomaram conta deles próprios", disse o presidente.
Lula sugeriu ao secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, que os líderes saiam do encontro com algum tipo de proposta conjunta sobre como reformular o sistema financeiro mundial.
"O tema da cúpula é a juventude, mas seria estranho sairmos daqui sem uma proposta conjunta sobre a crise", disse o presidente”.
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a chamar os mercados de "cassino" nesta quinta-feira e disse que é o Estado quem vai salvá-los da crise financeira global. Durante discurso na 18ª Cúpula Ibero-Americana, realizada em San Salvador, Lula chamou de "conservadores" aqueles que durante a década de 80 "achavam que o Estado gastava demais". "Agora quem vai salvá-los é o Estado, que eles diziam que não servia para nada", afirmou.
O presidente disse ainda que não permitirá que a crise nos mercados reduza os investimentos do governo.
O tema da cúpula deste ano são os jovens, mas praticamente todos os chefes de Estado presentes incluíram a crise financeira em seus discursos.
O presidente Lula foi um dos mais duros, com críticas ao sistema financeiro atual, que muitas vezes "tentou nos dizer por que e como fazer".
"É preciso redefinir o papel do Estado, pois eles (o mercado) não tomaram conta deles próprios", disse o presidente.
Lula sugeriu ao secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, que os líderes saiam do encontro com algum tipo de proposta conjunta sobre como reformular o sistema financeiro mundial.
"O tema da cúpula é a juventude, mas seria estranho sairmos daqui sem uma proposta conjunta sobre a crise", disse o presidente”.
FREI BETTO: CUBA, O FURACÃO CHAMADO BLOQUEIO
O site “vermelho” ontem publicou o artigo a seguir transcrito, de autoria de Frei Betto. O autor, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "Calendário do Poder", ''A mosca azul – reflexão sobre o poder'' (Rocco) entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004). O texto foi originalmente publicado no Boletim da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj):
“A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (29), pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os Estados Unidos pelo bloqueio imposto contra Cuba há 47 anos. Dias antes, o escritor Frei Betto escreveu um artigo no qual descreve essa ação imposta pelo governo norte-americano e mostra seus efeitos sobre a população cubana”.
CUBA, O FURACÃO CHAMADO BLOQUEIO
No próximo 29 de outubro, a Assembléia Geral da ONU, após ouvir o informe apresentado pelo secretário-geral, Ban Ki Moon, votará o projeto de Cuba visando à suspensão do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha do Caribe pelo governo dos EUA desde 1959.
Será a 17ª vez que a ONU tratará deste tema. Em 2007, dos 192 países-membros das Nações Unidas, 184 votaram a favor do projeto que pedia a suspensão. Infelizmente, suas resoluções não têm caráter obrigatório, exceto as do Conselho de Segurança.
O fato de a maioria dos países condenarem, por 16 vezes, o bloqueio representa um gesto de solidariedade à Ilha e uma derrota moral para a Casa Branca, cuja prepotência se evidencia por não ter a menor consideração para o que pensa a comunidade internacional, que repudia a hostilidade usamericana.
O bloqueio é o principal obstáculo ao desenvolvimento de Cuba. Ano passado, representou, para o país, prejuízo de US$3,775 bilhões. Ao longo dos 50 anos de Revolução, calcula-se que o total do prejuízo chegue a US$224,6 bilhões, levando em conta a desvalorização do dólar e suas flutuações no decorrer do tempo.
O bloqueio é um polvo com tentáculos extraterritoriais, violando o direito internacional, em especial a Convenção de Genebra, que o qualifica de genocídio. Empresas, bancos e cidadãos que mantêm relações econômicas, comerciais ou financeiras com Cuba sofrem perseguições. A exemplo do que fez a China durante as Olimpíadas, também o governo usamericano bloqueia sites da Internet relacionados com Cuba.
A muito custo o governo cubano tem conseguido abrir pequenas brechas no bloqueio, como ao comprar alimentos dos EUA. As empresas vendedoras enfrentam gigantesca burocracia, sobretudo porque a comercialização tem de passar pela intermediação de um terceiro país, já que o bloqueio proíbe relações diretas entre EUA e Cuba. O comprador é obrigado a pagar adiantado e não pode vender seus produtos aos usamericanos; os navios retornam vazios aos portos de origem.
Os recentes furacões Gustav e Ike provocaram muitos danos à Ilha. Áreas agrícolas foram devastadas, 444 mil moradias afetadas, das quais 67 mil totalmente destruídas.
Com a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional, Cuba só não está com a corda no pescoço graças à solidariedade internacional, inclusive da União Européia e do Brasil.
O governo cubano solicitou à Casa Branca uma trégua no bloqueio nos próximos seis meses, por razões humanitárias. Até agora, Bush mantém completo silêncio. Contudo, a máquina publicitária da Casa Branca trata de camuflar a omissão presidencial com uma série de mentiras, como a oferta de US$ 5 milhões aos cubanos vítimas dos furacões.
Ora, o que representa essa ninharia diante dos US$ 46 milhões que a Usaid recebeu este ano para financiar grupos mercenários dedicados ao terrorismo anticubano? E outros US$40 milhões foram liberados para manter as transmissões de rádio e TV contra o regime de Cuba.
Apesar de o bloqueio causar mais danos que todos os furacões que já afetaram Cuba, a nação resiste e, agora, se mobiliza em amplos mutirões para consertar os estragos causados pela natureza e aprimorar a produção agrícola, graças às recentes medidas que facilitam aos camponeses acesso às terras onde, outrora, se cultivava cana-de-açúcar. Além de ter no Estado um comprador seguro, os agricultores cubanos poderão vender diretamente ao consumidor.
Sem olhar para o próprio umbigo, Cuba reitera sua solidariedade internacional e envia médicos às vítimas dos furacões no Haiti, e mantêm médicos e professores em mais de 70 países, a maioria pobres.
A história é uma velha senhora que nos surpreende a cada dia: quem imaginaria, há um ano, que o socialismo cubano veria a crise financeira de Wall Street, e o Estado mais capitalista do mundo contradizer todos os seus discursos e intervir no mercado para tentar salvar bancos e empresas? Como fica o dogma da imaculada concepção de que fora do mercado não há salvação?"
“A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta quarta-feira (29), pela 17ª vez consecutiva, uma resolução que condena os Estados Unidos pelo bloqueio imposto contra Cuba há 47 anos. Dias antes, o escritor Frei Betto escreveu um artigo no qual descreve essa ação imposta pelo governo norte-americano e mostra seus efeitos sobre a população cubana”.
CUBA, O FURACÃO CHAMADO BLOQUEIO
No próximo 29 de outubro, a Assembléia Geral da ONU, após ouvir o informe apresentado pelo secretário-geral, Ban Ki Moon, votará o projeto de Cuba visando à suspensão do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto à ilha do Caribe pelo governo dos EUA desde 1959.
Será a 17ª vez que a ONU tratará deste tema. Em 2007, dos 192 países-membros das Nações Unidas, 184 votaram a favor do projeto que pedia a suspensão. Infelizmente, suas resoluções não têm caráter obrigatório, exceto as do Conselho de Segurança.
O fato de a maioria dos países condenarem, por 16 vezes, o bloqueio representa um gesto de solidariedade à Ilha e uma derrota moral para a Casa Branca, cuja prepotência se evidencia por não ter a menor consideração para o que pensa a comunidade internacional, que repudia a hostilidade usamericana.
O bloqueio é o principal obstáculo ao desenvolvimento de Cuba. Ano passado, representou, para o país, prejuízo de US$3,775 bilhões. Ao longo dos 50 anos de Revolução, calcula-se que o total do prejuízo chegue a US$224,6 bilhões, levando em conta a desvalorização do dólar e suas flutuações no decorrer do tempo.
O bloqueio é um polvo com tentáculos extraterritoriais, violando o direito internacional, em especial a Convenção de Genebra, que o qualifica de genocídio. Empresas, bancos e cidadãos que mantêm relações econômicas, comerciais ou financeiras com Cuba sofrem perseguições. A exemplo do que fez a China durante as Olimpíadas, também o governo usamericano bloqueia sites da Internet relacionados com Cuba.
A muito custo o governo cubano tem conseguido abrir pequenas brechas no bloqueio, como ao comprar alimentos dos EUA. As empresas vendedoras enfrentam gigantesca burocracia, sobretudo porque a comercialização tem de passar pela intermediação de um terceiro país, já que o bloqueio proíbe relações diretas entre EUA e Cuba. O comprador é obrigado a pagar adiantado e não pode vender seus produtos aos usamericanos; os navios retornam vazios aos portos de origem.
Os recentes furacões Gustav e Ike provocaram muitos danos à Ilha. Áreas agrícolas foram devastadas, 444 mil moradias afetadas, das quais 67 mil totalmente destruídas.
Com a alta dos preços dos alimentos no mercado internacional, Cuba só não está com a corda no pescoço graças à solidariedade internacional, inclusive da União Européia e do Brasil.
O governo cubano solicitou à Casa Branca uma trégua no bloqueio nos próximos seis meses, por razões humanitárias. Até agora, Bush mantém completo silêncio. Contudo, a máquina publicitária da Casa Branca trata de camuflar a omissão presidencial com uma série de mentiras, como a oferta de US$ 5 milhões aos cubanos vítimas dos furacões.
Ora, o que representa essa ninharia diante dos US$ 46 milhões que a Usaid recebeu este ano para financiar grupos mercenários dedicados ao terrorismo anticubano? E outros US$40 milhões foram liberados para manter as transmissões de rádio e TV contra o regime de Cuba.
Apesar de o bloqueio causar mais danos que todos os furacões que já afetaram Cuba, a nação resiste e, agora, se mobiliza em amplos mutirões para consertar os estragos causados pela natureza e aprimorar a produção agrícola, graças às recentes medidas que facilitam aos camponeses acesso às terras onde, outrora, se cultivava cana-de-açúcar. Além de ter no Estado um comprador seguro, os agricultores cubanos poderão vender diretamente ao consumidor.
Sem olhar para o próprio umbigo, Cuba reitera sua solidariedade internacional e envia médicos às vítimas dos furacões no Haiti, e mantêm médicos e professores em mais de 70 países, a maioria pobres.
A história é uma velha senhora que nos surpreende a cada dia: quem imaginaria, há um ano, que o socialismo cubano veria a crise financeira de Wall Street, e o Estado mais capitalista do mundo contradizer todos os seus discursos e intervir no mercado para tentar salvar bancos e empresas? Como fica o dogma da imaculada concepção de que fora do mercado não há salvação?"
QUEM GANHOU AS ELEIÇÕES DE 2008?
Li ontem no site “Vermelho” o seguinte artigo de Altamiro Borges. O autor é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).
“Com os olhos voltados para a sucessão presidencial, todas as forças políticas se proclamam como vitoriosas das eleições municipais. Mas quem, de fato, saiu mais fortalecido deste pleito?
Muitos colunistas da mídia burguesa, verdadeiros “jornalistas da boquinha” – tal sua intimidade com as elites –, alardeiam que Lula foi derrotado e que José Serra já é quase o novo presidente do Brasil. Pura mistificação ideologizada. Já alguns aliados do presidente Lula, mais realistas do que o rei, insistem em afirmar que está “tudo bem” e não enxergam qualquer perigo no horizonte”.
Nem uma coisa nem outra. Uma visão mais nuançada do pleito municipal, que é uma prévia da sucessão presidencial, mas não determina o resultado do jogo, indica que o seu resultado foi de certo equilíbrio. No geral, três blocos ganharam musculatura nesta eleição: as forças aliadas do governo Lula, incluindo seu núcleo mais a esquerda, cresceram bem; os setores mais centristas e pragmáticos, em especial o PMDB, aumentaram o seu poder de barganha; e, apesar da regressão eleitoral do PSDB, DEM e PPS, a oposição de direita consolidou a candidatura do tucano Serra.
MANIPULAÇÃO DA MÍDIA SERRISTA
Parte da mídia hegemônica tenta vender a imagem de que o governo Lula foi derrotado no pleito e sai fragilizado para a sucessão presidencial. Colunistas que fazem a cabeça de camadas médias entorpecidas, como Lucia Hippolito e Boris Casoy, nem sequer disfarçam a empolgação tucana. Reinaldo Azevedo, um serrista pedante paparicado pela revista Veja, ridiculariza quem fala em “equilíbrio do resultado” e garante que “Lula, o PT, Dilma Rousseff” e outros críticos do deus-Serra foram os derrotados. “Ah, sim. O Chico Buarque também perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver eleições diretas em Cuba”, esbraveja o anticomunista.
Embalado por esta cantilena midiática, o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, recobrou a sua arrogância de coronel. “A sucessão presidencial já começou” e Lula “não vai eleger qualquer poste”. O alvo do tucano, que não consegue unir sequer seu partido e foi escorraçado pelas urnas no seu estado, já é a ministra Dilma Rousseff. “Ela é uma candidata produto da assombração de Lula.
Não tem característica de líder popular, é autoritária e arrogante”. Até o moribundo FHC saiu da catacumba para posar ao lado do demo Gilberto Kassab – para a frustração do candidato oficial do seu partido, Geraldo Alckmin, que foi fritado e rifado na eleição da capital paulista.
A TRAJETÓRIA ASCENDENTE DAS ESQUERDAS
Mas há mais vontade do que realidade nestas avaliações. Basta analisar os números dos prefeitos eleitos e a própria simbologia política desta batalha. A base aliada do governo Lula, que reúne 16 partidos numa gelatinosa composição, irá governar 93,5 milhões de eleitores no país – 72,5% do eleitorado brasileiro. Já a oposição de direita, formada pelo PSDB, DEM e PPS, governará 35,4 milhões de eleitores. A difusa base aliada comandará 20 das 26 capitais no país. PT, PSB, PDT e PCdoB, que compõem o núcleo de esquerda do governo, foram os partidos que mais cresceram, mantendo a trajetória ascendente dos últimos pleitos. Já a oposição de direita encolheu.
Afora os números inquestionáveis, o cinismo da direita e da mídia fica patente quando se recorda como transcorreu a campanha eleitoral. Nenhum oposicionista agora arrogante atacou o governo. Preferiu se travestir de “amigo” do presidente, temendo a sua alta popularidade. O tucano eleito em São Luiz usou o bordão “sou Lula, voto Castelo”. Irônico, Lula desdenhou: “Parece que não existe oposição neste país”. Para Emir Sader, “se os tucanos consideram que Lula foi derrotado, deveriam tê-lo atacado na campanha. Se fosse fazer a lista dos que elogiaram o Lula – incluindo até o Kassab –, ele seria o vencedor praticamente unânime no Brasil inteiro”.
PARA ONDE CAMINHA O PMDB?
Além da trajetória ascendente das esquerdas, a novidade deste pleito foi o crescimento de forças centristas, em especial do PMDB. Este “partido-ônibus”, que reúne inúmeros caciques regionais, faz parte da base de sustentação do governo Lula, controlando importantes ministérios. Mas ele é movido pelo pragmatismo exacerbado. A maioria dos seus dirigentes defende a manutenção da base de apoio de Lula, inclusive com a indicação do vice na sucessão de 2010. Mas algumas de suas lideranças não escondem a vontade de desembarcar na oposição de direita, dependendo das suas condições de competitividade em 2010 e dos efeitos da crise econômica no país.
Orestes Quércia, agora absolvido pela mídia que antes o taxava de “fisiológico”, virou aliado de Serra, emplacando a vice do demo Kassab. O cacique paulista do PMDB prega uma guinada na política de alianças do seu partido. “Prefiro a composição com Serra para presidente para mudar essa administração do PT”. Dada a capilaridade da legenda, que elegeu mais de mil prefeitos, ela será alvo de intensa cobiça. Para o ex-ministro José Dirceu, que nunca pecou pela falta de visão estratégica, a experiência da capital paulista, manietada por Serra e que uniu o DEM e o PMDB, aponta para a possibilidade de um “perigoso bloco eleitoral” contra as esquerdas.
Para ele, o PT deve superar seus graves erros na política de alianças e priorizar a “conquista o centro político”.
FORÇA E FRAGILIDADE DE SERRA
Por último, as eleições de 2008 alavancaram José Serra. Sem escrúpulos, o grão-tucano fritou o candidato do seu próprio partido, num dos mais cruéis processos de “cristianização” da história política brasileira, bancou seu demo-laranja na capital e ainda atraiu parcelas do PMDB. Hoje, ele governa o maior estado da federação, manieta a prefeitura de uma das maiores metrópoles do mundo e mantém forte hegemonia no estado.
Além disso, conta com o apoio ativo da mídia, que não noticia nada sem pedir-lhe permissão, e do grosso da elite empresarial. Seria cegueira não enxergar os riscos no horizonte para a continuidade da experiência progressista do governo Lula.
Mas também não dá para exagerar na força do tucano, como induz sua mídia. Em primeiro lugar, porque a oposição de direita encolheu nas urnas. O demo só se safou do inferno devido à traição de Serra; o PPS definhou e já discute sua extinção; e o PSDB também recuou. Em segundo lugar, porque Serra sofrerá para recompor a unidade do seu partido.
Alckmin até pode deixar a legenda e Aécio Neves parece não se acovardar diante do sangrento “moto-Serra”. Em terceiro, porque a aliança com o PMDB é sempre uma aposta de risco. É bom lembrar a derrota do tucano-verde no Rio de Janeiro. Ou seja: Serra consolidou o seu bloco e venceu uma batalha, mas não a guerra”.
“Com os olhos voltados para a sucessão presidencial, todas as forças políticas se proclamam como vitoriosas das eleições municipais. Mas quem, de fato, saiu mais fortalecido deste pleito?
Muitos colunistas da mídia burguesa, verdadeiros “jornalistas da boquinha” – tal sua intimidade com as elites –, alardeiam que Lula foi derrotado e que José Serra já é quase o novo presidente do Brasil. Pura mistificação ideologizada. Já alguns aliados do presidente Lula, mais realistas do que o rei, insistem em afirmar que está “tudo bem” e não enxergam qualquer perigo no horizonte”.
Nem uma coisa nem outra. Uma visão mais nuançada do pleito municipal, que é uma prévia da sucessão presidencial, mas não determina o resultado do jogo, indica que o seu resultado foi de certo equilíbrio. No geral, três blocos ganharam musculatura nesta eleição: as forças aliadas do governo Lula, incluindo seu núcleo mais a esquerda, cresceram bem; os setores mais centristas e pragmáticos, em especial o PMDB, aumentaram o seu poder de barganha; e, apesar da regressão eleitoral do PSDB, DEM e PPS, a oposição de direita consolidou a candidatura do tucano Serra.
MANIPULAÇÃO DA MÍDIA SERRISTA
Parte da mídia hegemônica tenta vender a imagem de que o governo Lula foi derrotado no pleito e sai fragilizado para a sucessão presidencial. Colunistas que fazem a cabeça de camadas médias entorpecidas, como Lucia Hippolito e Boris Casoy, nem sequer disfarçam a empolgação tucana. Reinaldo Azevedo, um serrista pedante paparicado pela revista Veja, ridiculariza quem fala em “equilíbrio do resultado” e garante que “Lula, o PT, Dilma Rousseff” e outros críticos do deus-Serra foram os derrotados. “Ah, sim. O Chico Buarque também perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver eleições diretas em Cuba”, esbraveja o anticomunista.
Embalado por esta cantilena midiática, o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, recobrou a sua arrogância de coronel. “A sucessão presidencial já começou” e Lula “não vai eleger qualquer poste”. O alvo do tucano, que não consegue unir sequer seu partido e foi escorraçado pelas urnas no seu estado, já é a ministra Dilma Rousseff. “Ela é uma candidata produto da assombração de Lula.
Não tem característica de líder popular, é autoritária e arrogante”. Até o moribundo FHC saiu da catacumba para posar ao lado do demo Gilberto Kassab – para a frustração do candidato oficial do seu partido, Geraldo Alckmin, que foi fritado e rifado na eleição da capital paulista.
A TRAJETÓRIA ASCENDENTE DAS ESQUERDAS
Mas há mais vontade do que realidade nestas avaliações. Basta analisar os números dos prefeitos eleitos e a própria simbologia política desta batalha. A base aliada do governo Lula, que reúne 16 partidos numa gelatinosa composição, irá governar 93,5 milhões de eleitores no país – 72,5% do eleitorado brasileiro. Já a oposição de direita, formada pelo PSDB, DEM e PPS, governará 35,4 milhões de eleitores. A difusa base aliada comandará 20 das 26 capitais no país. PT, PSB, PDT e PCdoB, que compõem o núcleo de esquerda do governo, foram os partidos que mais cresceram, mantendo a trajetória ascendente dos últimos pleitos. Já a oposição de direita encolheu.
Afora os números inquestionáveis, o cinismo da direita e da mídia fica patente quando se recorda como transcorreu a campanha eleitoral. Nenhum oposicionista agora arrogante atacou o governo. Preferiu se travestir de “amigo” do presidente, temendo a sua alta popularidade. O tucano eleito em São Luiz usou o bordão “sou Lula, voto Castelo”. Irônico, Lula desdenhou: “Parece que não existe oposição neste país”. Para Emir Sader, “se os tucanos consideram que Lula foi derrotado, deveriam tê-lo atacado na campanha. Se fosse fazer a lista dos que elogiaram o Lula – incluindo até o Kassab –, ele seria o vencedor praticamente unânime no Brasil inteiro”.
PARA ONDE CAMINHA O PMDB?
Além da trajetória ascendente das esquerdas, a novidade deste pleito foi o crescimento de forças centristas, em especial do PMDB. Este “partido-ônibus”, que reúne inúmeros caciques regionais, faz parte da base de sustentação do governo Lula, controlando importantes ministérios. Mas ele é movido pelo pragmatismo exacerbado. A maioria dos seus dirigentes defende a manutenção da base de apoio de Lula, inclusive com a indicação do vice na sucessão de 2010. Mas algumas de suas lideranças não escondem a vontade de desembarcar na oposição de direita, dependendo das suas condições de competitividade em 2010 e dos efeitos da crise econômica no país.
Orestes Quércia, agora absolvido pela mídia que antes o taxava de “fisiológico”, virou aliado de Serra, emplacando a vice do demo Kassab. O cacique paulista do PMDB prega uma guinada na política de alianças do seu partido. “Prefiro a composição com Serra para presidente para mudar essa administração do PT”. Dada a capilaridade da legenda, que elegeu mais de mil prefeitos, ela será alvo de intensa cobiça. Para o ex-ministro José Dirceu, que nunca pecou pela falta de visão estratégica, a experiência da capital paulista, manietada por Serra e que uniu o DEM e o PMDB, aponta para a possibilidade de um “perigoso bloco eleitoral” contra as esquerdas.
Para ele, o PT deve superar seus graves erros na política de alianças e priorizar a “conquista o centro político”.
FORÇA E FRAGILIDADE DE SERRA
Por último, as eleições de 2008 alavancaram José Serra. Sem escrúpulos, o grão-tucano fritou o candidato do seu próprio partido, num dos mais cruéis processos de “cristianização” da história política brasileira, bancou seu demo-laranja na capital e ainda atraiu parcelas do PMDB. Hoje, ele governa o maior estado da federação, manieta a prefeitura de uma das maiores metrópoles do mundo e mantém forte hegemonia no estado.
Além disso, conta com o apoio ativo da mídia, que não noticia nada sem pedir-lhe permissão, e do grosso da elite empresarial. Seria cegueira não enxergar os riscos no horizonte para a continuidade da experiência progressista do governo Lula.
Mas também não dá para exagerar na força do tucano, como induz sua mídia. Em primeiro lugar, porque a oposição de direita encolheu nas urnas. O demo só se safou do inferno devido à traição de Serra; o PPS definhou e já discute sua extinção; e o PSDB também recuou. Em segundo lugar, porque Serra sofrerá para recompor a unidade do seu partido.
Alckmin até pode deixar a legenda e Aécio Neves parece não se acovardar diante do sangrento “moto-Serra”. Em terceiro, porque a aliança com o PMDB é sempre uma aposta de risco. É bom lembrar a derrota do tucano-verde no Rio de Janeiro. Ou seja: Serra consolidou o seu bloco e venceu uma batalha, mas não a guerra”.
AMÉRICA LATINA LIDERARÁ O CRESCIMENTO DO TRÁFEGO DE INTERNET ATÉ 2012
Li ontem no site “defesanet” a seguinte notícia:
O ÍNDICE INDICA QUE, ENTRE 2007 E 2012, O TRÁFEGO MUNDIAL EM PROTOCOLO DE INTERNET (IP) DOBRARÁ A CADA DOIS ANOS
A previsão é do estudo Visual Networking Index da Cisco, cuja meta é definir qual
será o impacto dos aplicativos de rede visuais no tráfego da Internet
“São Paulo, 28 de outubro de 2008 – A América Latina terá a maior taxa de crescimento de tráfego de Internet até o ano de 2012, com um aumento projetado de 61% em 5 anos. As previsões são do estudo Visual Networking Index (VNI) da Cisco, que faz parte dos esforços da multinacional em prever qual será o nível de desenvolvimento e utilização da conexão IP no mundo inteiro.
O tráfego em Protocolo de Internet (IP) está crescendo mais rápido na América Latina, seguida da Europa Oriental e Ásia-Pacífico, devido principalmente ao rápido aumento da penetração da Internet nos lares e a chegada das conexões de alta velocidade no âmbito educativo e empresarial.
De acordo com o relatório, baseado nas análises da Cisco e em cálculos de analistas independentes, espera-se que o tráfego IP no segmento de consumidores finais, na América Latina, ultrapasse os 32 exabytes mensais* até 2012. Embora a maior parte do consumo atual de tráfego em IP seja em dados, o tráfego vinculado à IPTV (televisão sobre Internet) e ao VoD (Vídeo sob Demanda) aumentará rapidamente, com uma taxa de crescimento na região de mais de 68%.
Já o tráfego de dados móveis será duplicado a cada ano, entre 2008 e 2012. Neste ponto, a América Latina voltará a ser a região com o maior crescimento, chegando a 199%, partindo de 0 (zero) petabytes a cada 30 dias em 2006 e chegando progressivamente a 271 petabytes mensais em 2012.
Outra área em que a América Latina liderará o crescimento é o de Web, E-mail e Dados, uma categoria geral que inclui navegação na Web, e-mail, mensagens instantâneas, transferência de arquivos de dados e outros aplicativos de Internet.
As projeções do Cisco VNI indicam que o tráfego global IP aumentará a uma taxa combinada anual (CAGR) de 46% entre os anos de 2007 e 2012, quase dobrando a cada dois anos. Isso terá como resultado uma demanda anual de banda larga sobre as redes mundiais de IP de aproximadamente 522 exabytes, ou mais da metade de um zettabyte.**
O desenvolvimento das comunicações de vídeo online e de entretenimento, assim como das redes sociais, aumentou significativamente o impacto sobre a rede em nível global. No ano de 2012, o tráfego de vídeo de Internet, sozinho, será 400 vezes o tráfego total dos Estados Unidos no ano 2000. Um exemplo dessa tendência é que o vídeo por Internet saltou de 12% do tráfego no ano de 2006 para 22% no ano de 2007. A previsão é que o Video on Demand, a IPTV, o Vídeo Peer-to-peer (P2P) e o vídeo por Internet contabilizem cerca de 90% de todo o tráfego IP de consumo até o ano 2012.
O tráfego global de IP corporativo aumentará fortemente a uma taxa CAGR de 35% de 2007 a 2012. O aumento na penetração da banda larga no segmento das pequenas empresas e a crescente adoção das comunicações avançadas de vídeo (tais como a TelePresença da Cisco) nas corporações são os impulsionadores mais fortes do crescimento de tráfego IP do tipo corporativo. Ele se desenvolverá mais rapidamente nos mercados em desenvolvimento e na Ásia Pacífico. Quanto ao volume, a América do Norte seguirá respondendo pela maior parte do tráfego IP das empresas até 2012, seguida da Ásia Pacífico e Europa Ocidental.
OUTROS DESTAQUES DO RELATÓRIO CISCO VNI:
• O tráfego global IP alcançará os 44 exabytes mensais no ano 2012, comparado a menos de 4 exabytes por mês utilizados em 2007;
• O tráfego global IP em 2002 foi de 5 exabytes, o que significa que o volume de tráfego IP em 2012 será 100 vezes mais intenso;
• O tráfego global IP em dezembro de 2012 será 11 exabytes maior que em dezembro de 2011. Esse aumento em um só ano ultrapassará o crescimento dos últimos oito anos, desde 2000.
SOBRE O VNI
O estudo Visual Networking Index da Cisco (VNI) para o período de 2007 a 2012 mostra resultados sobre diversas tendências de conectividade IP tanto para o mercado consumidor quanto para o corporativo, impulsionados fortemente pelo aumento do uso de vídeo, aplicativos de colaboração e redes sociais baseadas na Web 2.0. A combinação dessas tecnologias representa o que se conhece como rede visual.
“A ampla e crescente adoção das redes visuais está tendo um impacto significativo no desenvolvimento do tráfego IP, tanto para serviços aos consumidores quanto para serviços corporativos no mundo inteiro”, afirma Suraj Shetty, Vice-presidente de Marketing para Fornecedores de Serviços da Cisco. “Até poucos anos atrás, o termo 'exabyte’ era praticamente desconhecido. Apesar disso, e devido ao aumento maciço que estamos presenciando, no ano 2012 teremos que aumentar nosso vocabulário mais uma vez, a medida que a métrica necessária passe a ser o zettabyte”, conclui.
OBS: *Um exabyte é igual a 1 bilhão de gigabytes, 1.000 petabytes ou 250 milhões de DVDs.
** Um zettabyte é igual a 1 trilhão de gigabytes; 1.000 exabytes ou 250 bilhões de DVDs."
O ÍNDICE INDICA QUE, ENTRE 2007 E 2012, O TRÁFEGO MUNDIAL EM PROTOCOLO DE INTERNET (IP) DOBRARÁ A CADA DOIS ANOS
A previsão é do estudo Visual Networking Index da Cisco, cuja meta é definir qual
será o impacto dos aplicativos de rede visuais no tráfego da Internet
“São Paulo, 28 de outubro de 2008 – A América Latina terá a maior taxa de crescimento de tráfego de Internet até o ano de 2012, com um aumento projetado de 61% em 5 anos. As previsões são do estudo Visual Networking Index (VNI) da Cisco, que faz parte dos esforços da multinacional em prever qual será o nível de desenvolvimento e utilização da conexão IP no mundo inteiro.
O tráfego em Protocolo de Internet (IP) está crescendo mais rápido na América Latina, seguida da Europa Oriental e Ásia-Pacífico, devido principalmente ao rápido aumento da penetração da Internet nos lares e a chegada das conexões de alta velocidade no âmbito educativo e empresarial.
De acordo com o relatório, baseado nas análises da Cisco e em cálculos de analistas independentes, espera-se que o tráfego IP no segmento de consumidores finais, na América Latina, ultrapasse os 32 exabytes mensais* até 2012. Embora a maior parte do consumo atual de tráfego em IP seja em dados, o tráfego vinculado à IPTV (televisão sobre Internet) e ao VoD (Vídeo sob Demanda) aumentará rapidamente, com uma taxa de crescimento na região de mais de 68%.
Já o tráfego de dados móveis será duplicado a cada ano, entre 2008 e 2012. Neste ponto, a América Latina voltará a ser a região com o maior crescimento, chegando a 199%, partindo de 0 (zero) petabytes a cada 30 dias em 2006 e chegando progressivamente a 271 petabytes mensais em 2012.
Outra área em que a América Latina liderará o crescimento é o de Web, E-mail e Dados, uma categoria geral que inclui navegação na Web, e-mail, mensagens instantâneas, transferência de arquivos de dados e outros aplicativos de Internet.
As projeções do Cisco VNI indicam que o tráfego global IP aumentará a uma taxa combinada anual (CAGR) de 46% entre os anos de 2007 e 2012, quase dobrando a cada dois anos. Isso terá como resultado uma demanda anual de banda larga sobre as redes mundiais de IP de aproximadamente 522 exabytes, ou mais da metade de um zettabyte.**
O desenvolvimento das comunicações de vídeo online e de entretenimento, assim como das redes sociais, aumentou significativamente o impacto sobre a rede em nível global. No ano de 2012, o tráfego de vídeo de Internet, sozinho, será 400 vezes o tráfego total dos Estados Unidos no ano 2000. Um exemplo dessa tendência é que o vídeo por Internet saltou de 12% do tráfego no ano de 2006 para 22% no ano de 2007. A previsão é que o Video on Demand, a IPTV, o Vídeo Peer-to-peer (P2P) e o vídeo por Internet contabilizem cerca de 90% de todo o tráfego IP de consumo até o ano 2012.
O tráfego global de IP corporativo aumentará fortemente a uma taxa CAGR de 35% de 2007 a 2012. O aumento na penetração da banda larga no segmento das pequenas empresas e a crescente adoção das comunicações avançadas de vídeo (tais como a TelePresença da Cisco) nas corporações são os impulsionadores mais fortes do crescimento de tráfego IP do tipo corporativo. Ele se desenvolverá mais rapidamente nos mercados em desenvolvimento e na Ásia Pacífico. Quanto ao volume, a América do Norte seguirá respondendo pela maior parte do tráfego IP das empresas até 2012, seguida da Ásia Pacífico e Europa Ocidental.
OUTROS DESTAQUES DO RELATÓRIO CISCO VNI:
• O tráfego global IP alcançará os 44 exabytes mensais no ano 2012, comparado a menos de 4 exabytes por mês utilizados em 2007;
• O tráfego global IP em 2002 foi de 5 exabytes, o que significa que o volume de tráfego IP em 2012 será 100 vezes mais intenso;
• O tráfego global IP em dezembro de 2012 será 11 exabytes maior que em dezembro de 2011. Esse aumento em um só ano ultrapassará o crescimento dos últimos oito anos, desde 2000.
SOBRE O VNI
O estudo Visual Networking Index da Cisco (VNI) para o período de 2007 a 2012 mostra resultados sobre diversas tendências de conectividade IP tanto para o mercado consumidor quanto para o corporativo, impulsionados fortemente pelo aumento do uso de vídeo, aplicativos de colaboração e redes sociais baseadas na Web 2.0. A combinação dessas tecnologias representa o que se conhece como rede visual.
“A ampla e crescente adoção das redes visuais está tendo um impacto significativo no desenvolvimento do tráfego IP, tanto para serviços aos consumidores quanto para serviços corporativos no mundo inteiro”, afirma Suraj Shetty, Vice-presidente de Marketing para Fornecedores de Serviços da Cisco. “Até poucos anos atrás, o termo 'exabyte’ era praticamente desconhecido. Apesar disso, e devido ao aumento maciço que estamos presenciando, no ano 2012 teremos que aumentar nosso vocabulário mais uma vez, a medida que a métrica necessária passe a ser o zettabyte”, conclui.
OBS: *Um exabyte é igual a 1 bilhão de gigabytes, 1.000 petabytes ou 250 milhões de DVDs.
** Um zettabyte é igual a 1 trilhão de gigabytes; 1.000 exabytes ou 250 bilhões de DVDs."
ENTREVISTA COM O GENERAL HELENO, COMANDANTE MILITAR DA AMAZÔNIA
Li ontem no site “Defesanet” o seguinte texto de Kaiser Konrad:
“Manaus: É o maior comando militar em área de selva do mundo e o de maior extensão territorial da América Latina. Está situado numa região de constante tensão. No panorama externo é onde o Brasil faz fronteira com sete países, onde há forte presença de guerrilheiros, tráfico internacional de drogas, crimes ambientais, biopirataria e a cobiça internacional. No seu interior, a preocupação maior é com a agitação provocada pelos movimentos sociais e questão indigenista, que por vezes promovem ações e discussões que colocam em risco a segurança nacional e a soberania territorial.
O Comando Militar da Amazônia, sediado em Manaus, é hoje o comando de área com maior expressão no cenário nacional. Ele inclui seis estados e parte de outros dois numa área de responsabilidade operacional de 3 milhões e 600 mil km², reunindo um efetivo de 25 mil militares, podendo chegar a 28 mil com a instalação de três novos batalhões.
Seu comandante é General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Com um extenso e singular currículo militar, ele foi em 2004 o primeiro comandante da força militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Polêmico ao criticar abertamente a política indigenista do Brasil, ele é hoje um dos militares mais admirados e reconhecidos na caserna e, principalmente fora dela, já que colocou na agenda nacional a discussão de um tema que está relacionado ao futuro de todos os brasileiros.
Defesanet esteve no Comando Militar da Amazônia. Acompanhe uma entrevista exclusiva com o General Heleno:
TRANSFERÊNCIA DE UNIDADES DE OUTRAS REGIÕES DO PAÍS À AMAZÔNIA
GENERAL HELENO: Já tivemos três brigadas transferidas para o CMA. A mais antiga saiu de Petrópolis-RJ para Boa Vista, atualmente a 1ª Brigada de Infantaria de Selva. A 2º Brigada de Infantaria de Selva que saiu de Niterói-RJ está sediada em São Gabriel da Cachoeira, e a Brigada das Missões, que tinha sede em Santo Ângelo-RS foi para Teffé.
Essas brigadas foram resultado de um esforço enorme do Exército para transferi-las à área amazônica, devido à crescente importância da região e a diminuição da importância estratégica em outras regiões do país.
EM TERMOS DE EQUIPAMENTOS, QUAIS AS NECESSIDADES DO CMA?
GENERAL HELENO: Se nós verificarmos os nossos sistemas de armas, podemos começar pelo equipamento de uso individual, que precisa ser reformulado e aonde temos sérias deficiências. Usamos um fuzil que tem 43 anos. Existe a intenção de começar a raciocinar com o conceito de soldado do futuro, que usa uma equipagem leve e permite ao combatente acessar tecnologias sofisticadas. Se pensarmos em termos de artilharia antiaérea, nós temos muita coisa a acrescentar neste teatro de operações, assim como na artilharia de campanha.
Devemos buscar também uma melhora considerável no sistema de armamento anticarro.
EXISTE A NECESSIDADE DA AQUISIÇÃO DE HELICÓPTEROS DE ATAQUE?
GENERAL HELENO: É óbvio. No caso na Amazônia, raciocinando que na guerra moderna, além da Dissuasão, a estratégia mais importante é a da Projeção de Poder: a capacidade de colocar a força desejada no local escolhido dentro do menor tempo possível.
E quando se fala nisso, ainda que vulnerável, a plataforma de combate necessária é o helicóptero. E obviamente os helicópteros de ataque são prioritários e eu os quero aqui com urgência.
AERONAVES DE ASA FIXA?
GENERAL HELENO: Existe um estudo ao nível do Comando do Exército e Ministério da Defesa sobre a aquisição de aviões de Comando e Controle capazes de atender a determinados níveis de comando e que nos dariam uma mobilidade maior dentro de nossa área de atuação. Sobre outras aeronaves, entendo que o poder aeroespacial é responsabilidade da Força Aérea Brasileira e não queremos nada que possa interferir nas missões dela.
A POSSIBILIDADE DE ACONTECER UMA GUERRA NA REGIÃO
GENERAL HELENO: A possibilidade é remota embora eu acredite que temos que nos preparar para isso. Se fizermos uma análise do nosso relacionamento com as nações vizinhas veremos que não temos nenhum problema, somente aqueles que são comuns.
Eventualmente há alguma tensão, natural de países livres, independentes e soberanos, que podem ter interesses antagônicos mas que também podem ser resolvidos pelas vias diplomáticas. Com relação a outras potências que possam vir a se interessar num conflito com o Brasil, não vejo a curto-prazo esta possibilidade. Tenho dito que seria no mínimo imprudente achar que o Brasil não tenha que respaldar algumas decisões políticas num poder militar compatível com sua estatura estratégica.
COBIÇA INTERNACIONAL DA AMAZÔNIA
GENERAL HELENO: A cobiça internacional não é uma paranóia dos militares. Ela tem sido expressa nos discursos de autoridades de diferentes países, o que reflete uma cobiça que não é explícita e não tem endereço, ainda, mas é genérica. No momento que verificamos o potencial da Amazônia, tudo que ela já mostrou que tem e o que ainda não foi prospectado, mas sabemos existir, tudo isso faz com que devemos nos prevenir contra esta cobiça internacional. A conquista desses objetivos extraterritoriais poderá ser atingida sem guerra, sub-repticiamente, por ações políticas e de infiltração e, de repente, poderemos nos deparar com um cenário aonde já temos muita coisa usurpada sem que haja um conflito bélico. Esta é uma questão que nos traz muita preocupação. A presença do Estado brasileiro na região é fundamental para neutralizar quaisquer interesses escusos.
POLÍTICA INDIGENISTA
GENERAL HELENO: Tudo que tinha que falar eu já falei. Algumas providências foram tomadas e vamos caminhar para encontrar uma solução ideal. É um tema polêmico e que tem que ser discutido não por poucos indivíduos, mas por toda a sociedade brasileira.
O FUTURO DA PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS NA REGIÃO AMAZÔNICA
GENERAL HELENO: A presença militar na Amazônia tem um papel preponderante e sua importância pode ser sentida toda vez que nos afastamos das metrópoles regionais e vamos para as proximidades das fronteiras, onde a presença do Estado diminui, e a do Exército, com seu Braço Forte e Mão Amiga aumenta. A FAB realiza há décadas um papel fantástico em proveito das populações desassistidas da região, e a Marinha, que faz um trabalho essencial ao longo da calha dos rios navegáveis. Tenho certeza que esse papel não vai diminuir. O que queremos são parceiros e que eles se façam mais presentes, que é o caso da Polícia Federal, INCRA, IBAMA, Receita Federal e FUNAI, para que nos unamos no trabalho em prol da Amazônia.
CONSIDERAÇÕES
GENERAL HELENO: Quero registrar o orgulho e a honra que tenho por ser o Comandante Militar da Amazônia. Hoje, servir na Amazônia é questão de escolha e não castigo como outrora. Nossos melhores profissionais passam por aqui dando o máximo de si, pois sabem que esta área é importante para o futuro do Brasil”.
“Manaus: É o maior comando militar em área de selva do mundo e o de maior extensão territorial da América Latina. Está situado numa região de constante tensão. No panorama externo é onde o Brasil faz fronteira com sete países, onde há forte presença de guerrilheiros, tráfico internacional de drogas, crimes ambientais, biopirataria e a cobiça internacional. No seu interior, a preocupação maior é com a agitação provocada pelos movimentos sociais e questão indigenista, que por vezes promovem ações e discussões que colocam em risco a segurança nacional e a soberania territorial.
O Comando Militar da Amazônia, sediado em Manaus, é hoje o comando de área com maior expressão no cenário nacional. Ele inclui seis estados e parte de outros dois numa área de responsabilidade operacional de 3 milhões e 600 mil km², reunindo um efetivo de 25 mil militares, podendo chegar a 28 mil com a instalação de três novos batalhões.
Seu comandante é General-de-Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira. Com um extenso e singular currículo militar, ele foi em 2004 o primeiro comandante da força militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti. Polêmico ao criticar abertamente a política indigenista do Brasil, ele é hoje um dos militares mais admirados e reconhecidos na caserna e, principalmente fora dela, já que colocou na agenda nacional a discussão de um tema que está relacionado ao futuro de todos os brasileiros.
Defesanet esteve no Comando Militar da Amazônia. Acompanhe uma entrevista exclusiva com o General Heleno:
TRANSFERÊNCIA DE UNIDADES DE OUTRAS REGIÕES DO PAÍS À AMAZÔNIA
GENERAL HELENO: Já tivemos três brigadas transferidas para o CMA. A mais antiga saiu de Petrópolis-RJ para Boa Vista, atualmente a 1ª Brigada de Infantaria de Selva. A 2º Brigada de Infantaria de Selva que saiu de Niterói-RJ está sediada em São Gabriel da Cachoeira, e a Brigada das Missões, que tinha sede em Santo Ângelo-RS foi para Teffé.
Essas brigadas foram resultado de um esforço enorme do Exército para transferi-las à área amazônica, devido à crescente importância da região e a diminuição da importância estratégica em outras regiões do país.
EM TERMOS DE EQUIPAMENTOS, QUAIS AS NECESSIDADES DO CMA?
GENERAL HELENO: Se nós verificarmos os nossos sistemas de armas, podemos começar pelo equipamento de uso individual, que precisa ser reformulado e aonde temos sérias deficiências. Usamos um fuzil que tem 43 anos. Existe a intenção de começar a raciocinar com o conceito de soldado do futuro, que usa uma equipagem leve e permite ao combatente acessar tecnologias sofisticadas. Se pensarmos em termos de artilharia antiaérea, nós temos muita coisa a acrescentar neste teatro de operações, assim como na artilharia de campanha.
Devemos buscar também uma melhora considerável no sistema de armamento anticarro.
EXISTE A NECESSIDADE DA AQUISIÇÃO DE HELICÓPTEROS DE ATAQUE?
GENERAL HELENO: É óbvio. No caso na Amazônia, raciocinando que na guerra moderna, além da Dissuasão, a estratégia mais importante é a da Projeção de Poder: a capacidade de colocar a força desejada no local escolhido dentro do menor tempo possível.
E quando se fala nisso, ainda que vulnerável, a plataforma de combate necessária é o helicóptero. E obviamente os helicópteros de ataque são prioritários e eu os quero aqui com urgência.
AERONAVES DE ASA FIXA?
GENERAL HELENO: Existe um estudo ao nível do Comando do Exército e Ministério da Defesa sobre a aquisição de aviões de Comando e Controle capazes de atender a determinados níveis de comando e que nos dariam uma mobilidade maior dentro de nossa área de atuação. Sobre outras aeronaves, entendo que o poder aeroespacial é responsabilidade da Força Aérea Brasileira e não queremos nada que possa interferir nas missões dela.
A POSSIBILIDADE DE ACONTECER UMA GUERRA NA REGIÃO
GENERAL HELENO: A possibilidade é remota embora eu acredite que temos que nos preparar para isso. Se fizermos uma análise do nosso relacionamento com as nações vizinhas veremos que não temos nenhum problema, somente aqueles que são comuns.
Eventualmente há alguma tensão, natural de países livres, independentes e soberanos, que podem ter interesses antagônicos mas que também podem ser resolvidos pelas vias diplomáticas. Com relação a outras potências que possam vir a se interessar num conflito com o Brasil, não vejo a curto-prazo esta possibilidade. Tenho dito que seria no mínimo imprudente achar que o Brasil não tenha que respaldar algumas decisões políticas num poder militar compatível com sua estatura estratégica.
COBIÇA INTERNACIONAL DA AMAZÔNIA
GENERAL HELENO: A cobiça internacional não é uma paranóia dos militares. Ela tem sido expressa nos discursos de autoridades de diferentes países, o que reflete uma cobiça que não é explícita e não tem endereço, ainda, mas é genérica. No momento que verificamos o potencial da Amazônia, tudo que ela já mostrou que tem e o que ainda não foi prospectado, mas sabemos existir, tudo isso faz com que devemos nos prevenir contra esta cobiça internacional. A conquista desses objetivos extraterritoriais poderá ser atingida sem guerra, sub-repticiamente, por ações políticas e de infiltração e, de repente, poderemos nos deparar com um cenário aonde já temos muita coisa usurpada sem que haja um conflito bélico. Esta é uma questão que nos traz muita preocupação. A presença do Estado brasileiro na região é fundamental para neutralizar quaisquer interesses escusos.
POLÍTICA INDIGENISTA
GENERAL HELENO: Tudo que tinha que falar eu já falei. Algumas providências foram tomadas e vamos caminhar para encontrar uma solução ideal. É um tema polêmico e que tem que ser discutido não por poucos indivíduos, mas por toda a sociedade brasileira.
O FUTURO DA PRESENÇA DAS FORÇAS ARMADAS NA REGIÃO AMAZÔNICA
GENERAL HELENO: A presença militar na Amazônia tem um papel preponderante e sua importância pode ser sentida toda vez que nos afastamos das metrópoles regionais e vamos para as proximidades das fronteiras, onde a presença do Estado diminui, e a do Exército, com seu Braço Forte e Mão Amiga aumenta. A FAB realiza há décadas um papel fantástico em proveito das populações desassistidas da região, e a Marinha, que faz um trabalho essencial ao longo da calha dos rios navegáveis. Tenho certeza que esse papel não vai diminuir. O que queremos são parceiros e que eles se façam mais presentes, que é o caso da Polícia Federal, INCRA, IBAMA, Receita Federal e FUNAI, para que nos unamos no trabalho em prol da Amazônia.
CONSIDERAÇÕES
GENERAL HELENO: Quero registrar o orgulho e a honra que tenho por ser o Comandante Militar da Amazônia. Hoje, servir na Amazônia é questão de escolha e não castigo como outrora. Nossos melhores profissionais passam por aqui dando o máximo de si, pois sabem que esta área é importante para o futuro do Brasil”.
AMÉRICA LATINA É A EXCEÇÃO AO DESAQUECIMENTO NO TRÁFEGO AÉREO
O jornal” Valor Econômico” ontem publicou o seguinte artigo de Paulo Prada no jornal norte-americano “The Wall Street Journal”, com a colaboração de Susan Carey:
“Com o impacto da crise econômica se espalhando por todo o mundo, o tráfego aéreo internacional diminuiu em todos os lugares, menos numa região: a América Latina”.
“Mesmo com a queda dos mercados acionários e das moedas da região este mês, e com as exportações latino-americanas começando a sofrer, as companhias aéreas continuaram a ter bom desempenho na área. O crescimento das receitas na América Latina da American Airlines e da Continental Airlines Inc., duas das empresas com maior alcance na região, ultrapassou os de quaisquer outras rotas internacionais no terceiro trimestre.
No mês que vem, a American, que pertence à AMR Corp., vai lançar novos vôos para o Brasil, a maior e mais promissora economia da região, com um para Recife e Salvador outro para Belo Horizonte. A Delta Airlines Inc. planeja acrescentar em dezembro rotas para o Brasil, a Argentina, a Colômbia, o Equador e Honduras.
"A interação entre a América latina e outros mercados ainda está no começo", diz Peter J. Dolara, vice-presidente da American para Miami, Caribe e América Latina.
Há muito tempo a aérea americana com maiores laços com a região, o que conseguiu ao adquirir, em 1988, rotas da antiga Eastern Airlines, a American acredita "que as oportunidades lá estão começando a se desenvolver. O potencial para viagem nesses países é enorme", diz Dolara.
Na verdade, não há garantia de que a região vai se manter em alta, e fazer negócios na América Latina ainda é em geral difícil para as companhias aéreas americanas.
Executivos da American dizem que demora muito para se obter receita da venda de passagens na Venezuela, onde regras bancárias exigem muitos papéis antes que a empresa possa repatriar o dinheiro. E, apesar de toda a nova estabilidade latino-americana que se seguiu a uma década de reformas em várias de suas grandes economias, a região ainda depende de uma economia forte nos Estados Unidos para impulsionar o comércio internacional e o muito necessário investimento estrangeiro.
"Ela ainda tem uma história de expansões e retrações", alerta Brian Pierce, economista-chefe, em Genebra, da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), entidade do setor.
Algumas rotas para a região continuam direcionadas predominantemente para o lazer e as visitas a amigos e parentes - os primeiros vôos a sofrer quando as condições econômicas pioram.
No México, para onde acrescentou vôos com pequenos jatos regionais, a Delta cortou recentemente o serviço para Querétaro e Léon por causa do aumento do combustível. "Os jatos regionais são muito caros e o próximo tamanho de avião depois deles é muito grande", diz Glen Hauenstein, vice-presidente de planejamento de rede da Delta.
Mesmo assim, o contínuo crescimento na América Latina sublinha o quanto o tráfego internacional continua crítico para a recuperação das empresas aéreas americanas.
Reagindo à crise no setor depois do 11 de setembro de 2001, empresas como a American, a Delta e a Continental transferiram aviões para rotas para o exterior, onde têm menos concorrência de empresas aéreas barateiras e quase sempre podem cobrar tarifas mais altas. Mas a desaceleração das economias européias está agora pesando no lucrativo tráfego de passageiros de negócios. A Ásia, outro mercado que estava bastante aquecido, esfriou tão depressa que muitas empresas aéreas cortaram ou adiaram rotas na China.
Até agora, a América Latina vem desafiando esse padrão. Mesmo com a queda nos níveis de tráfego internacional em setembro em todas as outras regiões do mundo - baixando 7% na Ásia, por exemplo, em comparação a setembro do ano passado -, o tráfego na América Latina cresceu cerca de 2%, segundo a Iata. No ano, o tráfego internacional na América Latina aumentou 12,2% em relação a 2007, enquanto a média global foi de apenas 3,3%.
Até setembro, o rendimento do passageiro, ou o preço pago pelos passageiros para voar 1 quilômetro, subiu 23,2% em rotas entre os Estados Unidos e a América Latina em relação a um ano atrás - bem mais que através do Atlântico, do Pacífico ou dentro dos EUA, segundo a Associação de Transporte Aéreo dos EUA. Para o ano todo, analistas da FTN Midwest Securities Corp. prevêem crescimento em receita por assento disponível por quilômetro, um padrão do setor, de 10% nas rotas latino-americanas, em comparação a 6% nas rotas internacionais das empresas aéreas americanas”.
“Com o impacto da crise econômica se espalhando por todo o mundo, o tráfego aéreo internacional diminuiu em todos os lugares, menos numa região: a América Latina”.
“Mesmo com a queda dos mercados acionários e das moedas da região este mês, e com as exportações latino-americanas começando a sofrer, as companhias aéreas continuaram a ter bom desempenho na área. O crescimento das receitas na América Latina da American Airlines e da Continental Airlines Inc., duas das empresas com maior alcance na região, ultrapassou os de quaisquer outras rotas internacionais no terceiro trimestre.
No mês que vem, a American, que pertence à AMR Corp., vai lançar novos vôos para o Brasil, a maior e mais promissora economia da região, com um para Recife e Salvador outro para Belo Horizonte. A Delta Airlines Inc. planeja acrescentar em dezembro rotas para o Brasil, a Argentina, a Colômbia, o Equador e Honduras.
"A interação entre a América latina e outros mercados ainda está no começo", diz Peter J. Dolara, vice-presidente da American para Miami, Caribe e América Latina.
Há muito tempo a aérea americana com maiores laços com a região, o que conseguiu ao adquirir, em 1988, rotas da antiga Eastern Airlines, a American acredita "que as oportunidades lá estão começando a se desenvolver. O potencial para viagem nesses países é enorme", diz Dolara.
Na verdade, não há garantia de que a região vai se manter em alta, e fazer negócios na América Latina ainda é em geral difícil para as companhias aéreas americanas.
Executivos da American dizem que demora muito para se obter receita da venda de passagens na Venezuela, onde regras bancárias exigem muitos papéis antes que a empresa possa repatriar o dinheiro. E, apesar de toda a nova estabilidade latino-americana que se seguiu a uma década de reformas em várias de suas grandes economias, a região ainda depende de uma economia forte nos Estados Unidos para impulsionar o comércio internacional e o muito necessário investimento estrangeiro.
"Ela ainda tem uma história de expansões e retrações", alerta Brian Pierce, economista-chefe, em Genebra, da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), entidade do setor.
Algumas rotas para a região continuam direcionadas predominantemente para o lazer e as visitas a amigos e parentes - os primeiros vôos a sofrer quando as condições econômicas pioram.
No México, para onde acrescentou vôos com pequenos jatos regionais, a Delta cortou recentemente o serviço para Querétaro e Léon por causa do aumento do combustível. "Os jatos regionais são muito caros e o próximo tamanho de avião depois deles é muito grande", diz Glen Hauenstein, vice-presidente de planejamento de rede da Delta.
Mesmo assim, o contínuo crescimento na América Latina sublinha o quanto o tráfego internacional continua crítico para a recuperação das empresas aéreas americanas.
Reagindo à crise no setor depois do 11 de setembro de 2001, empresas como a American, a Delta e a Continental transferiram aviões para rotas para o exterior, onde têm menos concorrência de empresas aéreas barateiras e quase sempre podem cobrar tarifas mais altas. Mas a desaceleração das economias européias está agora pesando no lucrativo tráfego de passageiros de negócios. A Ásia, outro mercado que estava bastante aquecido, esfriou tão depressa que muitas empresas aéreas cortaram ou adiaram rotas na China.
Até agora, a América Latina vem desafiando esse padrão. Mesmo com a queda nos níveis de tráfego internacional em setembro em todas as outras regiões do mundo - baixando 7% na Ásia, por exemplo, em comparação a setembro do ano passado -, o tráfego na América Latina cresceu cerca de 2%, segundo a Iata. No ano, o tráfego internacional na América Latina aumentou 12,2% em relação a 2007, enquanto a média global foi de apenas 3,3%.
Até setembro, o rendimento do passageiro, ou o preço pago pelos passageiros para voar 1 quilômetro, subiu 23,2% em rotas entre os Estados Unidos e a América Latina em relação a um ano atrás - bem mais que através do Atlântico, do Pacífico ou dentro dos EUA, segundo a Associação de Transporte Aéreo dos EUA. Para o ano todo, analistas da FTN Midwest Securities Corp. prevêem crescimento em receita por assento disponível por quilômetro, um padrão do setor, de 10% nas rotas latino-americanas, em comparação a 6% nas rotas internacionais das empresas aéreas americanas”.
COISAS DA POLÍTICA: O TERROR DO ESTADO E O DESGASTE DO MEDO
Li no Jornal do Brasil de ontem o seguinte artigo do veterano jornalista Mauro Santayana:
“O governo norte-americano, sob Bush, esmerou-se no uso do terrorismo. Valeu-se do medo trazido pelos ataques de 11 de Setembro para levar o desassossego e justificar medidas antidemocráticas internas, entre elas a espionagem de cunho macartista, a interferência no Poder Judiciário e na escolha de promotores, a chantagem sobre o Congresso. E intensificou a antiga prática de utilizar os serviços de espionagem e contra-espionagem, nas provocações, sabotagem e assassinato.
As operações de domingo contra a Síria foram, conforme as definiu o governo de Damasco, atos de terrorismo de Estado. O terrorismo não se exerce apenas nas sombras e com agentes embuçados: exerce-se também em operações militares abertas. Nesse sentido, todas as guerras de agressão, desde que o mundo é mundo, são a utilização do terror, para assegurar o saque e o domínio. A agressão ao Iraque, a partir do primeiro Bush, e mantida, mediante os bombardeios, pelo democrata Clinton, para ser transformada em invasão aberta pelo segundo Bush, tem sido, assim, ato permanente de terrorismo.
O ato contra a soberania da Síria, sem prévia declaração de guerra, levou o governo do Iraque a protestar. Bagdá exige mais autonomia em troca de acordo que permita a continuação das tropas ianques em seu território, a partir do dia 1º de janeiro – quando se encerra o mandato outorgado pelo Conselho de Segurança da ONU. A China, que faz fronteira com o Afeganistão e o norte do Paquistão, e a Rússia – golpeada na Ossétia por Washington – têm poder de veto no cimo da organização internacional e não permitiriam nova extensão do mandato. Daí a pressão direta sobre Bagdá, a fim de continuar com suas tropas na área.
O governo do Paquistão protestou novamente ontem, e de forma mais grave, contra os ataques norte-americanos a faixas de seu território na fronteira com o Afeganistão.
As repetidas operações na região – a pretexto de caçar talibãs – têm trazido a morte de numerosos civis paquistaneses. Sexta-feira passada uma escola religiosa foi alvejada por helicópteros, e morreram seis pessoas. Há três dias, 20 pessoas morreram na fronteira.
Houve, assim, clara violação da soberania do país.
O mundo está perdendo a paciência com os norte-americanos. Há apenas alguns meses, o Paquistão não protestaria com tanta ênfase. Ao mesmo tempo em que isso ocorre na Ásia, Moscou reata seus vínculos militares com Cuba, depois de os haver rompido, a partir da queda do Muro de Berlim. O general Maslov, da Força Aérea, visita Havana, a fim de discutir a troca de experiências militares e o fornecimento de peças de substituição dos aviões de caça russos. E o governo de Bagdá, depois do ataque à Síria, advertiu Washington de que não permitirá o uso do território iraquiano como base para ataque aos países vizinhos – e árabes.
Comentaristas internacionais encontram outra razão para o ato terrorista dos Estados Unidos em território sírio: ato de provocação, a fim de desviar a atenção do eleitorado de Obama e favorecer McCain. Por mais cauteloso seja o candidato democrata e mais sólida seja a opção conservadora da sociedade americana, os texanos de Bush temem que, a partir da posse do novo presidente – se ele for o democrata – o povo exija uma devassa que venha a apontar as verdadeiras razões da perseguição e morte de Saddam, e do conflito entre Bin Laden e os Bush, outrora amigos e sócios.
Outro sinal de que os "neocons" norte-americanos perdem seu poder: sob pressão internacional, Uribe foi obrigado a destituir altos comandantes militares, entre eles três generais, depois da descoberta dos corpos de dezenas de jovens, seqüestrados nas cidades e assassinados friamente na zona rural, a fim de que seus matadores recebessem a recompensa "por guerrilheiros mortos em combate". A opinião pública norte-americana tem exigido que Washington corte sua ajuda a Uribe, e retire do país seus instrutores militares. O presidente da Colômbia, conforme investigações internas, se associa a paramilitares e narcotraficantes que, entre outros crimes, assassinam impunemente jovens pobres, a fim de contabilizar os corpos como baixas guerrilheiras. A descoberta dos corpos de rapazes inocentes, executados a tiros de fuzil e sepultados em valas comuns, é mais um libelo contra o governo colombiano e seus protetores do Norte”.
“O governo norte-americano, sob Bush, esmerou-se no uso do terrorismo. Valeu-se do medo trazido pelos ataques de 11 de Setembro para levar o desassossego e justificar medidas antidemocráticas internas, entre elas a espionagem de cunho macartista, a interferência no Poder Judiciário e na escolha de promotores, a chantagem sobre o Congresso. E intensificou a antiga prática de utilizar os serviços de espionagem e contra-espionagem, nas provocações, sabotagem e assassinato.
As operações de domingo contra a Síria foram, conforme as definiu o governo de Damasco, atos de terrorismo de Estado. O terrorismo não se exerce apenas nas sombras e com agentes embuçados: exerce-se também em operações militares abertas. Nesse sentido, todas as guerras de agressão, desde que o mundo é mundo, são a utilização do terror, para assegurar o saque e o domínio. A agressão ao Iraque, a partir do primeiro Bush, e mantida, mediante os bombardeios, pelo democrata Clinton, para ser transformada em invasão aberta pelo segundo Bush, tem sido, assim, ato permanente de terrorismo.
O ato contra a soberania da Síria, sem prévia declaração de guerra, levou o governo do Iraque a protestar. Bagdá exige mais autonomia em troca de acordo que permita a continuação das tropas ianques em seu território, a partir do dia 1º de janeiro – quando se encerra o mandato outorgado pelo Conselho de Segurança da ONU. A China, que faz fronteira com o Afeganistão e o norte do Paquistão, e a Rússia – golpeada na Ossétia por Washington – têm poder de veto no cimo da organização internacional e não permitiriam nova extensão do mandato. Daí a pressão direta sobre Bagdá, a fim de continuar com suas tropas na área.
O governo do Paquistão protestou novamente ontem, e de forma mais grave, contra os ataques norte-americanos a faixas de seu território na fronteira com o Afeganistão.
As repetidas operações na região – a pretexto de caçar talibãs – têm trazido a morte de numerosos civis paquistaneses. Sexta-feira passada uma escola religiosa foi alvejada por helicópteros, e morreram seis pessoas. Há três dias, 20 pessoas morreram na fronteira.
Houve, assim, clara violação da soberania do país.
O mundo está perdendo a paciência com os norte-americanos. Há apenas alguns meses, o Paquistão não protestaria com tanta ênfase. Ao mesmo tempo em que isso ocorre na Ásia, Moscou reata seus vínculos militares com Cuba, depois de os haver rompido, a partir da queda do Muro de Berlim. O general Maslov, da Força Aérea, visita Havana, a fim de discutir a troca de experiências militares e o fornecimento de peças de substituição dos aviões de caça russos. E o governo de Bagdá, depois do ataque à Síria, advertiu Washington de que não permitirá o uso do território iraquiano como base para ataque aos países vizinhos – e árabes.
Comentaristas internacionais encontram outra razão para o ato terrorista dos Estados Unidos em território sírio: ato de provocação, a fim de desviar a atenção do eleitorado de Obama e favorecer McCain. Por mais cauteloso seja o candidato democrata e mais sólida seja a opção conservadora da sociedade americana, os texanos de Bush temem que, a partir da posse do novo presidente – se ele for o democrata – o povo exija uma devassa que venha a apontar as verdadeiras razões da perseguição e morte de Saddam, e do conflito entre Bin Laden e os Bush, outrora amigos e sócios.
Outro sinal de que os "neocons" norte-americanos perdem seu poder: sob pressão internacional, Uribe foi obrigado a destituir altos comandantes militares, entre eles três generais, depois da descoberta dos corpos de dezenas de jovens, seqüestrados nas cidades e assassinados friamente na zona rural, a fim de que seus matadores recebessem a recompensa "por guerrilheiros mortos em combate". A opinião pública norte-americana tem exigido que Washington corte sua ajuda a Uribe, e retire do país seus instrutores militares. O presidente da Colômbia, conforme investigações internas, se associa a paramilitares e narcotraficantes que, entre outros crimes, assassinam impunemente jovens pobres, a fim de contabilizar os corpos como baixas guerrilheiras. A descoberta dos corpos de rapazes inocentes, executados a tiros de fuzil e sepultados em valas comuns, é mais um libelo contra o governo colombiano e seus protetores do Norte”.
PORÉM, NÃO EXISTE O “VICE-VERSA”
Não há condenação à morte de soldados das tropas invasoras dos EUA quando eles matam iraquianos. O máximo que acontece é ganharem condecoração “por bravura”.
Imagino a situação sob o princípio internacional da reciprocidade. Se o Iraque invadisse militarmente os EUA para controlar as reservas de petróleo daquele país, sob o pretexto de que os norte-americanos têm armas atômicas? Se integrantes da resistência norte-americana matassem três soldados iraquianos ao sul de Washington? Será que um tribunal dos EUA condenaria os três resistentes à forca? Este mundo é tragicômico.
Vejamos a notícia publicada ontem pela agência norte-americana Reuters, que li no site do “Jornal do Brasil”:
IRAQUIANO É CONDENADO À MORTE POR ASSASSINAR SOLDADO DOS EUA
“BAGDÁ - Um tribunal iraquiano sentenciou à forca um dos responsáveis por um ataque de 2006 que matou três soldados norte-americanos, dois deles depois de torturas, disseram militares dos EUA na quarta-feira.
Dois outros iraquianos foram inocentados pelo tribunal de Bagdá na terça-feira, segundo nota dos militares.
Os soldados David Babineau, Kristian Menchaca e Thomas Tucker foram atacados a tiros em junho de 2006, depois de se separarem da sua patrulha para proteger uma ponte perto de Yusufiya, no "triângulo da morte", uma violenta área da zona sul de Bagdá.
Babineau foi morto no ataque inicial, enquanto Mechaca e Tucker foram seqüestrados.
Seus corpos foram achados dias depois, mutilados e envoltos com explosivos. Os sequestradores divulgaram pela Internet um vídeo em que apareciam profanando os corpos.
Os militares dos EUA disseram que Ibrahim Karim Mohammed Saleh Al Qaraghuli foi condenado pelos três homicídios e terá 30 dias para recorrer da pena de morte. Kazim Fadil Jassim Harbi Al Zowbai e Waleed Khaled Daydan Al Kartani foram inocentados.
Hugh Geoghegan, porta-voz da Força Tarefa da Lei e da Ordem dos EUA no Iraque, disse haver relatos de que várias outras pessoas além de Qaraghuli participaram das mortes, mas que isso não pôde ser provado.
- O testemunho juramentado parece indicar que houve outras pessoas que participaram nos fatos que levaram às mortes desses soldados, disse ele.
Testemunhas que haviam prestado informações sobre o caso não compareceram ao tribunal, segundo Geoghegan. Os depoimentos foram lidos à corte, e o militar não soube avaliar se isso afetou a decisão.
- Todos sentem que (a sentença) é um passo na direção certa. Foi muito satisfatório ver a corte iraquiana funcionando. Ela transcorreu muito tranqüilamente”.
Imagino a situação sob o princípio internacional da reciprocidade. Se o Iraque invadisse militarmente os EUA para controlar as reservas de petróleo daquele país, sob o pretexto de que os norte-americanos têm armas atômicas? Se integrantes da resistência norte-americana matassem três soldados iraquianos ao sul de Washington? Será que um tribunal dos EUA condenaria os três resistentes à forca? Este mundo é tragicômico.
Vejamos a notícia publicada ontem pela agência norte-americana Reuters, que li no site do “Jornal do Brasil”:
IRAQUIANO É CONDENADO À MORTE POR ASSASSINAR SOLDADO DOS EUA
“BAGDÁ - Um tribunal iraquiano sentenciou à forca um dos responsáveis por um ataque de 2006 que matou três soldados norte-americanos, dois deles depois de torturas, disseram militares dos EUA na quarta-feira.
Dois outros iraquianos foram inocentados pelo tribunal de Bagdá na terça-feira, segundo nota dos militares.
Os soldados David Babineau, Kristian Menchaca e Thomas Tucker foram atacados a tiros em junho de 2006, depois de se separarem da sua patrulha para proteger uma ponte perto de Yusufiya, no "triângulo da morte", uma violenta área da zona sul de Bagdá.
Babineau foi morto no ataque inicial, enquanto Mechaca e Tucker foram seqüestrados.
Seus corpos foram achados dias depois, mutilados e envoltos com explosivos. Os sequestradores divulgaram pela Internet um vídeo em que apareciam profanando os corpos.
Os militares dos EUA disseram que Ibrahim Karim Mohammed Saleh Al Qaraghuli foi condenado pelos três homicídios e terá 30 dias para recorrer da pena de morte. Kazim Fadil Jassim Harbi Al Zowbai e Waleed Khaled Daydan Al Kartani foram inocentados.
Hugh Geoghegan, porta-voz da Força Tarefa da Lei e da Ordem dos EUA no Iraque, disse haver relatos de que várias outras pessoas além de Qaraghuli participaram das mortes, mas que isso não pôde ser provado.
- O testemunho juramentado parece indicar que houve outras pessoas que participaram nos fatos que levaram às mortes desses soldados, disse ele.
Testemunhas que haviam prestado informações sobre o caso não compareceram ao tribunal, segundo Geoghegan. Os depoimentos foram lidos à corte, e o militar não soube avaliar se isso afetou a decisão.
- Todos sentem que (a sentença) é um passo na direção certa. Foi muito satisfatório ver a corte iraquiana funcionando. Ela transcorreu muito tranqüilamente”.
O KOSOVO DA AMAZÔNIA
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou ontem o artigo a seguir transcrito. O autor é Predrag Pancevski, mestre em Economia e Finanças, professor na Fundação Getúlio Vargas. Nasceu em Belgrado, na antiga Iugoslávia:
“Kosovo é uma região no sul da Sérvia, país que fazia parte da antiga Iugoslávia. É um lugar muito especial para os sérvios, que o consideram o berço da sua civilização, e é o local onde se desenrolaram os mais importantes eventos de seus 2 mil anos de história.
Para reforçar a sua política de integração o regime autoritário do presidente Tito deu muitos incentivos às diferentes minorias étnicas, entre outras, à albanesa, já que a Albânia faz fronteira com Kosovo.
Jornais de língua albanesa, noticiários, escolas... pouco a pouco, em razão dos incentivos governamentais, a população de Kosovo foi se tornando predominantemente albanesa. Quando do fim da União Soviética, seguido do desmembramento da Iugoslávia, os kosovares albaneses aproveitaram o momento oportuno para reivindicar a independência de Kosovo. Os sérvios, indignados, negaram qualquer possibilidade de acordo.
Criou-se uma polêmica entre os outros países. Juristas especializados em direito internacional consideravam a reivindicação improcedente. Por outro lado, muitos opinavam que a solicitação era justa dada a maioria esmagadora da atual população ser albanesa. Quem está com a razão?
É uma questão difícil de ser respondida e para cada argumento haverá um contra-argumento. Kosovo já proclamou unilateralmente a sua independência, apoiado pelas potências européias.
A Sérvia vive um impasse político: recusar e perder para sempre a fonte da sua identidade cultural ou concordar, comprando assim o seu ingresso na União Européia.
Recentemente, a Rússia invadiu a Geórgia para garantir a autoproclamada independência da Ossétia do Sul, baseada no fato de que a população dessa região é predominantemente russa.
Ante as críticas do Ocidente, a Rússia rebateu dizendo que a situação é idêntica à de Kosovo, em que os países ocidentais, liderados pelos EUA, reconheceram a proclamação unilateral da independência. No fundo, à margem de julgamentos éticos, cada país está apenas defendendo os seus interesses: os EUA minando a Sérvia, tradicional aliada dos russos e enclave estratégico nos Bálcãs, e a Rússia, em contrapartida, enfraquecendo a Geórgia, aliada dos norte-americanos.
O propósito deste artigo é alertar para a situação similar em que se encontra o Brasil em relação às reservas indígenas na Amazônia. Tomemos como exemplo a reserva ianomâmi, no extremo norte do Brasil. Não é de hoje que diversos países estrangeiros vêm questionando a soberania brasileira na Amazônia. Grande parcela da população no exterior considera a Amazônia patrimônio da humanidade e, portanto, defende a idéia de que o controle e a gestão desse "pulmão do mundo" não deveriam estar concentrados num único país. As notícias recorrentes de desmatamentos e queimadas monumentais, de descaso e corrupção das autoridades e da total falta de infra-estrutura do governo para fazer valer a lei não contribuem para melhorar a imagem do Brasil no exterior.
Junte-se a isso o fato de que os índios na reserva se autodenominam "nação ianomâmi", de etnia, cultura e língua totalmente distintas, detentora de um vasto território fronteiriço e bem demarcado, e teremos uma situação potencialmente explosiva.
Os "nossos" índios, em sua maioria, vivem num limbo socioeconômico-cultural, marginalizados como brasileiros e vivenciando o pior da civilização moderna. Eles percebem o governo como o grande obstáculo que os impede de explorar os imensos recursos minerais, biológicos e energéticos das terras herdadas de seus antepassados.
Vamos imaginar um agravamento drástico das relações internacionais e uma deterioração das relações Brasil-EUA, a exemplo do que já ocorre entre os EUA e a Venezuela. Somemos a isso um eventual aprofundamento da ainda longe de ser superada crise boliviana ou o reaquecimento do confronto Venezuela-Colômbia, polarizando a geopolítica sul-americana.
Vamos supor que a Rússia aumente ainda mais a sua presença militar no continente por meio de sua parceria com a Venezuela e com os outros aliados. Aproveitando a oportunidade, a "nação ianomâmi" declara a sua independência. Imediatamente, diversas entidades ambientais apóiam o ato, seguidas do reconhecimento diplomático dos EUA e dos países que estão na vizinhança do território. Outras reservas indígenas seguem o exemplo, desmembrando o Brasil.
A moeda de troca é fácil de encontrar: independência para os índios, dando-lhes o direito de usufruir os recursos minerais e ambientais de suas terras. Em contrapartida, ao mundo é feita a promessa de uma exploração racional dos recursos, implantação de lei e ordem na região, viabilizando a preservação do ecossistema. Aos EUA é dada exclusividade na produção e comercialização dos produtos e, principalmente, em acordos para a instalação de bases militares estrategicamente situadas no centro do continente, como contrapeso à expansão russa. A redução do poder brasileiro é vista com bons olhos pelos países vizinhos, ainda ressentidos das diversas disputas territoriais perdidas para o País no passado. Kosovo e Ossétia do Sul servem de jurisprudência e uma força internacional de "paz" é formada para garantir a independência dos novos países.
Imaginação fértil? Antes da crise balcânica, se dissessem a um sérvio que Kosovo seria anexado pela Albânia em poucos anos, ele certamente chamaria o interlocutor de insano. No entanto, é isso o que está acontecendo.
Num mundo cada vez mais dependente de espaços livres e recursos naturais, a pressão externa sobre a Amazônia será cada vez maior.
Agir preventivamente, com a adoção de políticas adequadas e investimentos condizentes com a amplitude do problema, é a única forma de garantir a soberania para as gerações futuras”
“Kosovo é uma região no sul da Sérvia, país que fazia parte da antiga Iugoslávia. É um lugar muito especial para os sérvios, que o consideram o berço da sua civilização, e é o local onde se desenrolaram os mais importantes eventos de seus 2 mil anos de história.
Para reforçar a sua política de integração o regime autoritário do presidente Tito deu muitos incentivos às diferentes minorias étnicas, entre outras, à albanesa, já que a Albânia faz fronteira com Kosovo.
Jornais de língua albanesa, noticiários, escolas... pouco a pouco, em razão dos incentivos governamentais, a população de Kosovo foi se tornando predominantemente albanesa. Quando do fim da União Soviética, seguido do desmembramento da Iugoslávia, os kosovares albaneses aproveitaram o momento oportuno para reivindicar a independência de Kosovo. Os sérvios, indignados, negaram qualquer possibilidade de acordo.
Criou-se uma polêmica entre os outros países. Juristas especializados em direito internacional consideravam a reivindicação improcedente. Por outro lado, muitos opinavam que a solicitação era justa dada a maioria esmagadora da atual população ser albanesa. Quem está com a razão?
É uma questão difícil de ser respondida e para cada argumento haverá um contra-argumento. Kosovo já proclamou unilateralmente a sua independência, apoiado pelas potências européias.
A Sérvia vive um impasse político: recusar e perder para sempre a fonte da sua identidade cultural ou concordar, comprando assim o seu ingresso na União Européia.
Recentemente, a Rússia invadiu a Geórgia para garantir a autoproclamada independência da Ossétia do Sul, baseada no fato de que a população dessa região é predominantemente russa.
Ante as críticas do Ocidente, a Rússia rebateu dizendo que a situação é idêntica à de Kosovo, em que os países ocidentais, liderados pelos EUA, reconheceram a proclamação unilateral da independência. No fundo, à margem de julgamentos éticos, cada país está apenas defendendo os seus interesses: os EUA minando a Sérvia, tradicional aliada dos russos e enclave estratégico nos Bálcãs, e a Rússia, em contrapartida, enfraquecendo a Geórgia, aliada dos norte-americanos.
O propósito deste artigo é alertar para a situação similar em que se encontra o Brasil em relação às reservas indígenas na Amazônia. Tomemos como exemplo a reserva ianomâmi, no extremo norte do Brasil. Não é de hoje que diversos países estrangeiros vêm questionando a soberania brasileira na Amazônia. Grande parcela da população no exterior considera a Amazônia patrimônio da humanidade e, portanto, defende a idéia de que o controle e a gestão desse "pulmão do mundo" não deveriam estar concentrados num único país. As notícias recorrentes de desmatamentos e queimadas monumentais, de descaso e corrupção das autoridades e da total falta de infra-estrutura do governo para fazer valer a lei não contribuem para melhorar a imagem do Brasil no exterior.
Junte-se a isso o fato de que os índios na reserva se autodenominam "nação ianomâmi", de etnia, cultura e língua totalmente distintas, detentora de um vasto território fronteiriço e bem demarcado, e teremos uma situação potencialmente explosiva.
Os "nossos" índios, em sua maioria, vivem num limbo socioeconômico-cultural, marginalizados como brasileiros e vivenciando o pior da civilização moderna. Eles percebem o governo como o grande obstáculo que os impede de explorar os imensos recursos minerais, biológicos e energéticos das terras herdadas de seus antepassados.
Vamos imaginar um agravamento drástico das relações internacionais e uma deterioração das relações Brasil-EUA, a exemplo do que já ocorre entre os EUA e a Venezuela. Somemos a isso um eventual aprofundamento da ainda longe de ser superada crise boliviana ou o reaquecimento do confronto Venezuela-Colômbia, polarizando a geopolítica sul-americana.
Vamos supor que a Rússia aumente ainda mais a sua presença militar no continente por meio de sua parceria com a Venezuela e com os outros aliados. Aproveitando a oportunidade, a "nação ianomâmi" declara a sua independência. Imediatamente, diversas entidades ambientais apóiam o ato, seguidas do reconhecimento diplomático dos EUA e dos países que estão na vizinhança do território. Outras reservas indígenas seguem o exemplo, desmembrando o Brasil.
A moeda de troca é fácil de encontrar: independência para os índios, dando-lhes o direito de usufruir os recursos minerais e ambientais de suas terras. Em contrapartida, ao mundo é feita a promessa de uma exploração racional dos recursos, implantação de lei e ordem na região, viabilizando a preservação do ecossistema. Aos EUA é dada exclusividade na produção e comercialização dos produtos e, principalmente, em acordos para a instalação de bases militares estrategicamente situadas no centro do continente, como contrapeso à expansão russa. A redução do poder brasileiro é vista com bons olhos pelos países vizinhos, ainda ressentidos das diversas disputas territoriais perdidas para o País no passado. Kosovo e Ossétia do Sul servem de jurisprudência e uma força internacional de "paz" é formada para garantir a independência dos novos países.
Imaginação fértil? Antes da crise balcânica, se dissessem a um sérvio que Kosovo seria anexado pela Albânia em poucos anos, ele certamente chamaria o interlocutor de insano. No entanto, é isso o que está acontecendo.
Num mundo cada vez mais dependente de espaços livres e recursos naturais, a pressão externa sobre a Amazônia será cada vez maior.
Agir preventivamente, com a adoção de políticas adequadas e investimentos condizentes com a amplitude do problema, é a única forma de garantir a soberania para as gerações futuras”
FMI AGORA EMPRESTA SEM EXIGIR “CONDICIONALIDADES”
Li ontem no jornal “Folha de São Paulo” o seguinte artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. O autor é Diretor-Executivo no Fundo Monetário Internacional (FMI),onde representa um grupo de nove países: Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago.
VOLTANDO ÀS ORIGENS
“A nova linha permite ao FMI fazer desembolsos rápidos, em volumes significativos, e sem as exigências habituais”
“A aceleração da crise financeira desde setembro criou oportunidades para introduzir mudanças aqui no FMI. Foi o que conseguimos ontem, depois de intenso processo de discussão. A Diretoria Executiva do Fundo aprovou, por larga maioria, a criação de um instrumento de financiamento, denominado "Short-Term Liquidity Facility-SLF" (Linha de Liquidez de Curto Prazo). A linha é bastante parecida com a proposta lançada originalmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em abril último, na reunião de primavera do FMI.
O grande arquiteto catalão Antoni Gaudí observou, certa vez, que "ser original é voltar às origens". De certa maneira, é o que estamos fazendo aqui no Fundo. A nova linha permite que o FMI volte a operar dentro de um modelo mais próximo daquele imaginado por John Maynard Keynes, efetuando desembolsos rápidos, automáticos, ou quase automáticos, em volumes significativos. Como se sabe, o modelo de FMI defendido por Keynes acabou sendo suplantado por outra concepção que privilegia empréstimos desembolsados em parcelas, vinculadas ao cumprimento de metas quantitativas e critérios de desempenho -as chamada "condicionalidades".
A SLF foge desse padrão. A linha poderá ser acessada apenas por países integrados aos mercados internacionais e que tenham histórico de políticas econômicas sólidas, comprovado pelas consultas anuais do Artigo IV a que são obrigados todos os membros do FMI. Esses países seriam aqueles que apresentam políticas fiscais disciplinadas, inflação baixa e relativamente estável, políticas monetárias adequadas, boa supervisão financeira, posições sustentáveis no balanço de pagamentos em conta corrente e controle sobre o endividamento público e externo.
A experiência mostra que mesmo países com essas características podem sofrer choques financeiros externos, isto é, algum tipo de contágio na conta de capitais. Com a SLF, esses países poderão ter acesso muito rápido a um volume expressivo de recursos do FMI e -aqui vem um ponto essencial- sem as "condicionalidades" tradicionais do Fundo, isto é, sem carta de intenções, critérios de desempenho e monitoramento de metas quantitativas.
É uma inovação considerável e que se aproxima bastante do desenho que vinha sendo defendido pela cadeira brasileira nas discussões internas. Apenas em dois pontos importantes a SLF diverge da proposta do Brasil: no volume de recursos e no prazo.
Nossa proposta não previa limite para o montante a ser desembolsado. Isso seria fixado caso a caso, com base nas necessidades do país atingido pelo contágio financeiro externo. A proposta brasileira também previa que a nova linha teria prazo de um ano a um ano e meio, prazo que nos parecia suficiente para superar crises de liquidez externa.
A SLF, tal como aprovada ontem, tem limite de 500% da cota do país no Fundo. No nosso entender, esse valor pode se revelar insuficiente para certas situações, uma vez que as cotas são pequenas em comparação com os fluxos de capital.
A SLF tem também um prazo curto. O país considerado apto pode sacar até 500% da sua cota em parcela única, mas tem de repagar em três meses. Pode repetir a operação por mais dois períodos de três meses, totalizando nove meses de cobertura para cada período de 12 meses.
Não é exatamente o que queríamos, mas foi dado um passo importante para modificar os procedimentos do Fundo. A instituição fica mais próxima do modelo idealizado por seu fundador mais ilustre”.
VOLTANDO ÀS ORIGENS
“A nova linha permite ao FMI fazer desembolsos rápidos, em volumes significativos, e sem as exigências habituais”
“A aceleração da crise financeira desde setembro criou oportunidades para introduzir mudanças aqui no FMI. Foi o que conseguimos ontem, depois de intenso processo de discussão. A Diretoria Executiva do Fundo aprovou, por larga maioria, a criação de um instrumento de financiamento, denominado "Short-Term Liquidity Facility-SLF" (Linha de Liquidez de Curto Prazo). A linha é bastante parecida com a proposta lançada originalmente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em abril último, na reunião de primavera do FMI.
O grande arquiteto catalão Antoni Gaudí observou, certa vez, que "ser original é voltar às origens". De certa maneira, é o que estamos fazendo aqui no Fundo. A nova linha permite que o FMI volte a operar dentro de um modelo mais próximo daquele imaginado por John Maynard Keynes, efetuando desembolsos rápidos, automáticos, ou quase automáticos, em volumes significativos. Como se sabe, o modelo de FMI defendido por Keynes acabou sendo suplantado por outra concepção que privilegia empréstimos desembolsados em parcelas, vinculadas ao cumprimento de metas quantitativas e critérios de desempenho -as chamada "condicionalidades".
A SLF foge desse padrão. A linha poderá ser acessada apenas por países integrados aos mercados internacionais e que tenham histórico de políticas econômicas sólidas, comprovado pelas consultas anuais do Artigo IV a que são obrigados todos os membros do FMI. Esses países seriam aqueles que apresentam políticas fiscais disciplinadas, inflação baixa e relativamente estável, políticas monetárias adequadas, boa supervisão financeira, posições sustentáveis no balanço de pagamentos em conta corrente e controle sobre o endividamento público e externo.
A experiência mostra que mesmo países com essas características podem sofrer choques financeiros externos, isto é, algum tipo de contágio na conta de capitais. Com a SLF, esses países poderão ter acesso muito rápido a um volume expressivo de recursos do FMI e -aqui vem um ponto essencial- sem as "condicionalidades" tradicionais do Fundo, isto é, sem carta de intenções, critérios de desempenho e monitoramento de metas quantitativas.
É uma inovação considerável e que se aproxima bastante do desenho que vinha sendo defendido pela cadeira brasileira nas discussões internas. Apenas em dois pontos importantes a SLF diverge da proposta do Brasil: no volume de recursos e no prazo.
Nossa proposta não previa limite para o montante a ser desembolsado. Isso seria fixado caso a caso, com base nas necessidades do país atingido pelo contágio financeiro externo. A proposta brasileira também previa que a nova linha teria prazo de um ano a um ano e meio, prazo que nos parecia suficiente para superar crises de liquidez externa.
A SLF, tal como aprovada ontem, tem limite de 500% da cota do país no Fundo. No nosso entender, esse valor pode se revelar insuficiente para certas situações, uma vez que as cotas são pequenas em comparação com os fluxos de capital.
A SLF tem também um prazo curto. O país considerado apto pode sacar até 500% da sua cota em parcela única, mas tem de repagar em três meses. Pode repetir a operação por mais dois períodos de três meses, totalizando nove meses de cobertura para cada período de 12 meses.
Não é exatamente o que queríamos, mas foi dado um passo importante para modificar os procedimentos do Fundo. A instituição fica mais próxima do modelo idealizado por seu fundador mais ilustre”.
PIB DO BRASIL DEVERÁ CRESCER 4% NO PRÓXIMO ANO
Li no portal UOL ontem à tarde o seguinte texto de Luciana Lima, da Agência Brasil em Brasília (DF):
PLANEJAMENTO REDUZ PARA 4% EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO PARA 2009
“O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, recuou hoje (29) nas projeções de crescimento da economia para 2009. Há duas semanas, ele apostava em 4,5% de expansão, mas hoje estimou crescimento de 4%, "ou um pouco menos".
"Acho que vamos ficar perto de 4%, ou um pouco menos", disse o ministro, no Palácio do Planalto, após apresentar o cenário macroeconômico do país, como parte do quinto balanço do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). "Os números são completamente diferenciados. Tem gente falando em 2,5%. Tem gente que fala em 3,8% e o próprio FMI já falou em 3,7%."
Paulo Bernardo defendeu, no entanto, que o crescimento em um ritmo menor não será motivo para que o governo freie os investimentos do PAC. "Isso não dá tanta diferença para que tenhamos que fazer grandes mudanças", afirmou.
O ministro reiterou que, mesmo o governo tendo que rever os parâmetros para 2009, as obras do PAC não sofrerão cortes. Os novos parâmetros para o orçamento para o próximo ano só serão definidos no final de novembro”.
PLANEJAMENTO REDUZ PARA 4% EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO PARA 2009
“O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, recuou hoje (29) nas projeções de crescimento da economia para 2009. Há duas semanas, ele apostava em 4,5% de expansão, mas hoje estimou crescimento de 4%, "ou um pouco menos".
"Acho que vamos ficar perto de 4%, ou um pouco menos", disse o ministro, no Palácio do Planalto, após apresentar o cenário macroeconômico do país, como parte do quinto balanço do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). "Os números são completamente diferenciados. Tem gente falando em 2,5%. Tem gente que fala em 3,8% e o próprio FMI já falou em 3,7%."
Paulo Bernardo defendeu, no entanto, que o crescimento em um ritmo menor não será motivo para que o governo freie os investimentos do PAC. "Isso não dá tanta diferença para que tenhamos que fazer grandes mudanças", afirmou.
O ministro reiterou que, mesmo o governo tendo que rever os parâmetros para 2009, as obras do PAC não sofrerão cortes. Os novos parâmetros para o orçamento para o próximo ano só serão definidos no final de novembro”.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
PARA MARIA DA CONCEIÇÃO, 2010 SERÁ O AUGE DA CRISE
Li ontem no site “Terra Magazine”, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte texto de Claudio Leal, sobre entrevista com Maria da Conceição Tavares:
“Sem cair em previsões catastrofistas, a economista e professora-emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria da Conceição Tavares, estima que, em 2010, o mundo viverá o auge da crise financeira. Por má coincidência, ano eleitoral no Brasil.
"Quando trocarmos de governo, devemos estar vivendo o auge da crise. Não é agora, é em 2010", diz Conceição. Espera que a gestão do presidente Lula não seja politicamente afetada, pois reconhece "que há realmente um avanço" no País.
DÍVIDA EXTERNA.
É a primeira vez que nós pegamos uma crise internacional e não estamos endividados até as orelhas. Em todas as demais, fomos à moratória.
Filiada ao PT, a professora participou ontem à noite de um seminário sobre a crise mundial na visão da esquerda, organizado pelo ex-deputado federal Vivaldo Barbosa, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Na mesa de debates, o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa e o economista Reinaldo Gonçalves. A platéia de cerca de 40 ouvintes reunia representantes do PSB, PSOL, PDT e PCdoB.
O agravamento da crise internacional tem feito a economista intensificar sua participação nos debates econômicos. Com a mesma paixão e voz rascante, ironiza na largada: "Não tenho saída de esquerda para a crise".
- Não sei o que a esquerda espera ouvir hoje. Não ouvi palpites da esquerda pra recessão brasileira no ano que vem. Agora, 2010 não dá pra prever. Porque tudo depende de como a gente consiga se safar em 2009. E de como se resolva ou não parte dos galhos mundiais - analisa.
Em sua avaliação, a "China é um país-dólares. Está suportando o dólar". Ao longo da palestra, Maria da Conceição Tavares fez uma análise histórica da crise e pontuou paralelos com outras precedentes. Pode se desenhar um mundo multipolarizado.
- Eu acho que esta crise é mais parecida com a de 1890. Quem investiu muito mais rápido e passou a ter muito mais poder depois da perda do poder econômico do mundo pelos ingleses? Os americanos, os alemães... É claro, os que eram potências. E hoje está acontecendo a mesma coisa. O que vai acontecer no mundo? Os chineses, os hindus... Lógico, todo mundo quebrando, "vamos poder crescer um pouquinho..."
Estamos caminhando para uma multipolaridade.
"KEYNESIANOS DE BOCA"
Na visão da economista, quem leva a pior, no momento, é o Leste Europeu. "Eles é que estão levando porrada. O pau canta dos dois lados (no Ocidente e na Rússia)." E faz uma radiografia dos convertidos, repentinamente, ao keynesianismo (de John Maynard Keynes, economista britânico, defensor do papel regulatório do Estado).
- Entre os que estão corrigindo, os que têm poder pra corrigir a situação, não houve uma troca de cabeças... Agora, eles são keynesianos de boca, e não só de boca, de interesse.
Conceição vê barreiras para "uma reformulação, uma refundação do capitalismo". Nesse debate, sente-se obrigada a rever uma antiga resistência ao presidente da França, Nicolas Sarkozy.
- Paradoxalmente, o mais à direita, que é o (Nicolas) Sarkozy, prega isso. Quando Sarkozy ganhou as eleições, eu odiava o Sarkozy. Um fascistão! Mas a verdade é que ele está nessa (de defender uma refundação). O que não é tão espantoso porque os partidos de centro defendem a intervenção do Estado. Em relação à crise (de 30), quem entrou com o Estado? Os nazistas e os fascistas. Não há tanta contradição. Os fascistas autoritários não têm nada contra o Estado intervencionista.
Segundo a professora, a atual crise não é mais complexa porque desregularam o mercado financeiro. Há outros tipos de complexidades na jogatina.
- Desregular, eles desregularam no século 19. Não é só por isso. É porque eles inventaram uma porrada de inovações que contaminam tudo. Esses derivativos de crédito, de câmbio...Tudo que se possa imaginar. Como isso contagia o sistema inteiro, nós temos que ser mais cuidadosos. Todos estão metidos.
Confira outros momentos da palestra de Maria da Conceição Tavares:
PETROBRAS E PAC
"A Petrobras não vai parar de investir. Ela pode dizer que não vai investir no pré-sal, de imediato; esperar um pouco pra ver o que vai dar o preço internacional. Mas os programas que já estavam postos não vão parar. O mesmo é a Eletrobras. E, dessa vez, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) vai ser pra valer, não tem brincadeira.
Agora é pau no lombo e superávit primário caindo. Sendo assim, a expectativa é que a gente não passe uma recessão. No ano que vem, uma recessão é praticamente impossível. Basta crescer um ponto, um ponto e meio, pra chegar a três, três e meio, que é mais ou menos o que o Fundo Monetário espera de todo mundo. Dos malucos, não, mas eu também não vou levar a sério malucos."
PROJETO PARA O BRASIL
"No meio dessa crise, era bom começarmos a pensar a sério, a sério não mais apenas na conjuntura, mas num projeto pro Brasil que não está nem de longe construído. Nem pela esquerda, que dirá pela centro-esquerda. Porque se nós não tivermos alguma... acho que há apenas um consenso, que a direita também aderiu: não se deve matar por fome os pobres. Parece que isso a direita encampou. Não há consenso nenhum sequer sobre o salário mínimo. Porque vem com o papo do déficit da previdência. Não há nenhum consenso sobre as reformas."
REFORMAS NEOLIBERAIS
"Fracassou o neoliberalismo, sim. Mas as reformas que estão em pauta são todas neoliberais. Essa reforma fiscal que foi enviada ao Congresso é uma reforma neoliberal.
Já assinei manifesto, eu e todo mundo que é medianamente interessado no assunto.
Porque ela é neoliberal. Ninguém aqui é pelo neoliberalismo, o que significa que ninguém acredita mais que o mercado se auto-regule.
Todo mundo agora é a favor da intervenção do Estado, para que o Estado salve. Agora, reformas. Continuam neoliberais. Não ouvi ninguém... Eu não conheço nenhum keynesiano no mundo que tenha proposto reformas neoliberais. E, no entanto, é óbvio que o capitalismo vai ter que se reformar. Não adianta dizer: "Vou refundar." Não adianta refundar. Já fizemos refundações. Mas não é essa questão. Tem que reformar."
“Sem cair em previsões catastrofistas, a economista e professora-emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Maria da Conceição Tavares, estima que, em 2010, o mundo viverá o auge da crise financeira. Por má coincidência, ano eleitoral no Brasil.
"Quando trocarmos de governo, devemos estar vivendo o auge da crise. Não é agora, é em 2010", diz Conceição. Espera que a gestão do presidente Lula não seja politicamente afetada, pois reconhece "que há realmente um avanço" no País.
DÍVIDA EXTERNA.
É a primeira vez que nós pegamos uma crise internacional e não estamos endividados até as orelhas. Em todas as demais, fomos à moratória.
Filiada ao PT, a professora participou ontem à noite de um seminário sobre a crise mundial na visão da esquerda, organizado pelo ex-deputado federal Vivaldo Barbosa, no Salão Nobre da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Na mesa de debates, o ex-presidente do BNDES Carlos Lessa e o economista Reinaldo Gonçalves. A platéia de cerca de 40 ouvintes reunia representantes do PSB, PSOL, PDT e PCdoB.
O agravamento da crise internacional tem feito a economista intensificar sua participação nos debates econômicos. Com a mesma paixão e voz rascante, ironiza na largada: "Não tenho saída de esquerda para a crise".
- Não sei o que a esquerda espera ouvir hoje. Não ouvi palpites da esquerda pra recessão brasileira no ano que vem. Agora, 2010 não dá pra prever. Porque tudo depende de como a gente consiga se safar em 2009. E de como se resolva ou não parte dos galhos mundiais - analisa.
Em sua avaliação, a "China é um país-dólares. Está suportando o dólar". Ao longo da palestra, Maria da Conceição Tavares fez uma análise histórica da crise e pontuou paralelos com outras precedentes. Pode se desenhar um mundo multipolarizado.
- Eu acho que esta crise é mais parecida com a de 1890. Quem investiu muito mais rápido e passou a ter muito mais poder depois da perda do poder econômico do mundo pelos ingleses? Os americanos, os alemães... É claro, os que eram potências. E hoje está acontecendo a mesma coisa. O que vai acontecer no mundo? Os chineses, os hindus... Lógico, todo mundo quebrando, "vamos poder crescer um pouquinho..."
Estamos caminhando para uma multipolaridade.
"KEYNESIANOS DE BOCA"
Na visão da economista, quem leva a pior, no momento, é o Leste Europeu. "Eles é que estão levando porrada. O pau canta dos dois lados (no Ocidente e na Rússia)." E faz uma radiografia dos convertidos, repentinamente, ao keynesianismo (de John Maynard Keynes, economista britânico, defensor do papel regulatório do Estado).
- Entre os que estão corrigindo, os que têm poder pra corrigir a situação, não houve uma troca de cabeças... Agora, eles são keynesianos de boca, e não só de boca, de interesse.
Conceição vê barreiras para "uma reformulação, uma refundação do capitalismo". Nesse debate, sente-se obrigada a rever uma antiga resistência ao presidente da França, Nicolas Sarkozy.
- Paradoxalmente, o mais à direita, que é o (Nicolas) Sarkozy, prega isso. Quando Sarkozy ganhou as eleições, eu odiava o Sarkozy. Um fascistão! Mas a verdade é que ele está nessa (de defender uma refundação). O que não é tão espantoso porque os partidos de centro defendem a intervenção do Estado. Em relação à crise (de 30), quem entrou com o Estado? Os nazistas e os fascistas. Não há tanta contradição. Os fascistas autoritários não têm nada contra o Estado intervencionista.
Segundo a professora, a atual crise não é mais complexa porque desregularam o mercado financeiro. Há outros tipos de complexidades na jogatina.
- Desregular, eles desregularam no século 19. Não é só por isso. É porque eles inventaram uma porrada de inovações que contaminam tudo. Esses derivativos de crédito, de câmbio...Tudo que se possa imaginar. Como isso contagia o sistema inteiro, nós temos que ser mais cuidadosos. Todos estão metidos.
Confira outros momentos da palestra de Maria da Conceição Tavares:
PETROBRAS E PAC
"A Petrobras não vai parar de investir. Ela pode dizer que não vai investir no pré-sal, de imediato; esperar um pouco pra ver o que vai dar o preço internacional. Mas os programas que já estavam postos não vão parar. O mesmo é a Eletrobras. E, dessa vez, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) vai ser pra valer, não tem brincadeira.
Agora é pau no lombo e superávit primário caindo. Sendo assim, a expectativa é que a gente não passe uma recessão. No ano que vem, uma recessão é praticamente impossível. Basta crescer um ponto, um ponto e meio, pra chegar a três, três e meio, que é mais ou menos o que o Fundo Monetário espera de todo mundo. Dos malucos, não, mas eu também não vou levar a sério malucos."
PROJETO PARA O BRASIL
"No meio dessa crise, era bom começarmos a pensar a sério, a sério não mais apenas na conjuntura, mas num projeto pro Brasil que não está nem de longe construído. Nem pela esquerda, que dirá pela centro-esquerda. Porque se nós não tivermos alguma... acho que há apenas um consenso, que a direita também aderiu: não se deve matar por fome os pobres. Parece que isso a direita encampou. Não há consenso nenhum sequer sobre o salário mínimo. Porque vem com o papo do déficit da previdência. Não há nenhum consenso sobre as reformas."
REFORMAS NEOLIBERAIS
"Fracassou o neoliberalismo, sim. Mas as reformas que estão em pauta são todas neoliberais. Essa reforma fiscal que foi enviada ao Congresso é uma reforma neoliberal.
Já assinei manifesto, eu e todo mundo que é medianamente interessado no assunto.
Porque ela é neoliberal. Ninguém aqui é pelo neoliberalismo, o que significa que ninguém acredita mais que o mercado se auto-regule.
Todo mundo agora é a favor da intervenção do Estado, para que o Estado salve. Agora, reformas. Continuam neoliberais. Não ouvi ninguém... Eu não conheço nenhum keynesiano no mundo que tenha proposto reformas neoliberais. E, no entanto, é óbvio que o capitalismo vai ter que se reformar. Não adianta dizer: "Vou refundar." Não adianta refundar. Já fizemos refundações. Mas não é essa questão. Tem que reformar."
DESEMPREGO É O MENOR PARA SETEMBRO DESDE 98, APONTA SEADE
Li no blog “Por um novo Brasil” o seguinte artigo postado por Jussara Seixas. Originalmente, o texto foi produzido e publicado ontem no jornal “O Estado de São Paulo”:
Taxa atinge 14,1% nas seis regiões abrangidas pela pesquisa, queda de 0,4 ponto na comparação com agosto
SÃO PAULO - O desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Seade, em convênio com o Dieese, atingiu 14,1% em setembro, a menor taxa para o mês desde 1998. A pesquisa foi realizada nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. Em agosto, a taxa havia sido de 14,5%.
O total de desempregados foi estimado em 2,839 milhões de pessoas. O nível de ocupação subiu 0,8% em setembro em relação a agosto e aumentou 5,6% em comparação a setembro de 2007. O movimento da taxa resultou de reduções na maioria das regiões pesquisadas: Recife e São Paulo e, em menor medida, Belo Horizonte e Salvador. Em Porto Alegre e no Distrito Federal essa taxa manteve-se relativamente estável.
O rendimento médio real dos ocupados nas seis regiões metropolitanas registrou um incremento de 1% em agosto ante julho e passou a R$ 1.171,00. Em comparação a agosto de 2007, ocorreu uma elevação de 4,8%. A massa do rendimento dos ocupados apresentou aumento de 1,6% em agosto ante julho e subiu 10% em comparação a agosto de 2007.
Considerando somente a região metropolitana de São Paulo, o desemprego atingiu 13,5% em setembro, a menor taxa para o mês desde 1996. O total de desempregados no mês passado atingiu o número de 1,425 milhão de pessoas nessa região, abaixo do nível de 1,476 milhão registrado em agosto.
De acordo com a PED, o rendimento médio real dos ocupados em São Paulo subiu 1,6% em agosto ante julho deste ano, de R$ 1.197,00 para R$ 1.216,00. Ao comparar o resultado com o resultado de R$ 1.183,00, em agosto do ano passado, o rendimento médio aumentou 2,7%.
A massa de rendimento dos ocupados, que é o resultado da multiplicação do valor dos rendimentos e nível de ocupação, aumentou 1,6% em agosto em relação a julho. Em comparação a agosto de 2007, a massa de rendimento dos ocupados subiu 6,7%.
O nível de ocupação registrou elevação de 0,7% em setembro em comparação a agosto.
Em relação a setembro do ano passado, o nível de ocupação aumentou 5,45%. “
Taxa atinge 14,1% nas seis regiões abrangidas pela pesquisa, queda de 0,4 ponto na comparação com agosto
SÃO PAULO - O desemprego nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Seade, em convênio com o Dieese, atingiu 14,1% em setembro, a menor taxa para o mês desde 1998. A pesquisa foi realizada nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. Em agosto, a taxa havia sido de 14,5%.
O total de desempregados foi estimado em 2,839 milhões de pessoas. O nível de ocupação subiu 0,8% em setembro em relação a agosto e aumentou 5,6% em comparação a setembro de 2007. O movimento da taxa resultou de reduções na maioria das regiões pesquisadas: Recife e São Paulo e, em menor medida, Belo Horizonte e Salvador. Em Porto Alegre e no Distrito Federal essa taxa manteve-se relativamente estável.
O rendimento médio real dos ocupados nas seis regiões metropolitanas registrou um incremento de 1% em agosto ante julho e passou a R$ 1.171,00. Em comparação a agosto de 2007, ocorreu uma elevação de 4,8%. A massa do rendimento dos ocupados apresentou aumento de 1,6% em agosto ante julho e subiu 10% em comparação a agosto de 2007.
Considerando somente a região metropolitana de São Paulo, o desemprego atingiu 13,5% em setembro, a menor taxa para o mês desde 1996. O total de desempregados no mês passado atingiu o número de 1,425 milhão de pessoas nessa região, abaixo do nível de 1,476 milhão registrado em agosto.
De acordo com a PED, o rendimento médio real dos ocupados em São Paulo subiu 1,6% em agosto ante julho deste ano, de R$ 1.197,00 para R$ 1.216,00. Ao comparar o resultado com o resultado de R$ 1.183,00, em agosto do ano passado, o rendimento médio aumentou 2,7%.
A massa de rendimento dos ocupados, que é o resultado da multiplicação do valor dos rendimentos e nível de ocupação, aumentou 1,6% em agosto em relação a julho. Em comparação a agosto de 2007, a massa de rendimento dos ocupados subiu 6,7%.
O nível de ocupação registrou elevação de 0,7% em setembro em comparação a agosto.
Em relação a setembro do ano passado, o nível de ocupação aumentou 5,45%. “
A DIMENSÃO POLÍTICA DA CRISE
No blog “Grupo Beatrice”, li ontem o seguinte artigo de Rui Falcão, advogado e jornalista, deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Foi deputado federal, presidente do PT e secretário de governo na gestão no governo Marta Suplicy.
“Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo (24/10/2008), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário geral da Unctad, observa, a propósito da crise financeira, que “as análises falam de tudo, menos de moral e de política. Dão a impressão de que o problema se limita a aspectos técnicos, sem vinculação com os valores éticos e independentes das relações de poder”.
De fato, não há como compreender o colapso sem remontar à mudança na correlação de forças na sociedade, ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990, entre grupos e classes dentro de cada país e entre estes e atores externos, mudança que acabou por conferir uma nova expressão institucional ao Estado. É dizer que a transferência de ativos e de capacidades de decisão do Estado para a iniciativa privada, a eliminação dos controles, a desregulamentação do trabalho, o desmantelamento da rede de proteção social, a contração do gasto público em políticas sociais, a redução de impostos sobre os ricos, a preeminência conferida à economia fictícia (financeira) sobre a economia real (da produção) – tudo isso se constitui em expressão de uma determinada modalidade de organização da vida econômica - agora em frangalhos geotectônicos -, somente compreensível à luz de uma nova relação entre Estado e mercado, resultante de um novo sistema de poder associado a ela.
Aí está a dimensão política da crise, de que fala Ricupero. Sem ela, não é possível compreender como nos Estados Unidos, por exemplo, a participação do setor financeiro no total dos lucros corporativos tenha saltado de 10% em 1980 para 40% em 2006, apesar de gerar apenas 5% dos empregos, enquanto a participação dos salários na renda nacional declinava. “Não se avança sobre quase metade dos lucros da economia sem contar com a cumplicidade do sistema político. A mudança de poder que abriu o caminho à hegemonia financeira foi, nesse período, a ‘revolução’ neoconservadora de Reagan e de Thatcher...”, acrescenta.
A nova configuração na distribuição e apropriação do excedente social somente se tornou possível mediante as profundas mudanças promovidas nas relações de poder na sociedade, e disso ela é expressão. O redesenho e o controle da rede institucional do Estado, que daí resultaram, postos a serviço do capital financeiro, expressam o que vem a ser o poder político em termos singelos – a capacidade de convencer ou obrigar os outros a fazer algo que não estava em sua intenção fazer, ou abster-se de algo que gostariam de fazer.
Isso se torna possível quando se concentram e mobilizam recursos de natureza variada, incluídos os de caráter econômico. Como resultado da mudança na distribuição e no uso dos recursos, mudam as relações entre indivíduos e grupos sociais, assim como mudam a sua posição relativa na hierarquia, a sua capacidade de ação e de imposição de objetivos e metas.
Eis a grande reestruturação, agora à beira do colapso, que gerou ganhadores e perdedores. Estes são fáceis de identificar na configuração política que resultou da redistribuição dos recursos em termos de eqüidade social e de poder sobre a máquina do Estado.
Em primeiro lugar, o maior peso atribuído ao mercado pelos reformadores neoliberais implicou transferência de poder, das instituições do Estado para os atores que dele se apropriaram, com vistas a impedir que a sociedade, por mediação do Estado, lhes impusesse cobro no exercício da liberdade individual, concebida pelos neoconservadores como incompatível com toda e qualquer modalidade de controle e responsabilidade social – selvageria ideológica travestida de “empreendedorismo”, “capacidade de iniciativa”, “criatividade”, “inovação”.
Em segundo lugar, como resultado da preeminência dos interesses do mercado sobre a sociedade e o Estado, enfraqueceram-se os mecanismos de negociação, de organização e de mobilização dos movimentos sociais, já debilitados politicamente pela crise do desemprego e da estagnação econômica, que se agravava desde a segunda metade da década de 1970.
Além de propiciar o aumento da concentração da renda e a distribuição desigual dos custos e benefícios das políticas de recomposição das finanças públicas, o debilitamento do controle social sobre o Estado, em favor das elites neoconservadoras, provocou o esvaziamento das políticas sociais, que até então haviam caracterizado e legitimado a gestão pública, ainda que de eficácia incerta.
O discurso neoconservador, que passou a inculpar o Estado de Bem-Estar social pelos excessos distributivos do Estado - o mesmo Estado que durante 30 anos havia assegurado a estabilidade e o crescimento econômico revigorado por políticas sociais -, alcançou notável aceitação, graças à cooptação dos grandes meios de comunicação, em especial no caso do Brasil. Uma vez derrubado o muro de Berlim, os direitos sociais e a organização do trabalho, anteriormente brandidos como apanágio do mundo livre, passaram a ser estigmatizados em nome da democracia, da eficácia econômica e do livre mercado.
Na estratégia dos reformadores, o papel do Estado deveria restringir-se ao nível mínimo de provisão de bens públicos, estes interpretados em sentido restritivo. E, para desmantelar os instrumentos de intervenção, que haviam servido ao Estado de Bem-Estar, foi necessária uma prévia concentração de poderes decisórios em seu aparato institucional, imprescindível para impor a desregulamentação, a abertura e a entrega de funções essenciais do Estado à iniciativa privada; vencer as resistências democráticas em defesa do diálogo e da negociação e alterar o equilíbrio preexistente.
Para tanto, impunha-se a retração da gestão pública no terreno da economia e das políticas sociais, para confiar a execução da justiça distributiva à mão invisível do mercado. Somente assim, a mão neoconservadora pôde exercitar-se, depois de ter imposto a sua hegemonia no controle do Estado e de se ter apropriado de suas funções coercitivas, para a realização dos novos objetivos anti-sociais. De então em diante, caberia ao mercado, de modo excludente, na sua suposta condição soberana de matriz da riqueza, da eficiência e da justiça, promover a alocação dos recursos, distribuir bens, serviços e rendas e remunerar empenhos e engenhos.
A manifestação mais freqüente da ampliação da soberania estatal sob domínio neoliberal – ou seja, da ampliação da capacidade do Estado de impor decisões com autoridade suprema sobre a população e o território – foi a concentração do poder no âmbito do governo central, em especial o Poder Executivo, que passou a absorver prerrogativas do Parlamento, legislar por instrumentos de exceção ou de emergência, e dos tribunais. Truculência quando necessário – é o que exigia o teor anti-social das reformas.
Não se pode esquecer de que, entre outros botins, estava em jogo a disputa pela apropriação e controle de ingentes fundos sociais, como as contribuições dos sistemas de pensões e aposentadorias, sob gestão estatal. Por isso, os promotores das reformas, ao mesmo tempo em que festejavam a falência do totalitarismo soviético, lançavam mão de recursos extremos de concentração de poder.
Assim é que, enquanto na Argentina o presidente Carlos Menem recorria a medidas de exceção, como decretos de emergência, para entregar os fundos públicos da previdência à iniciativa privada, no Chile o general Augusto Pinochet, ao suspender os direitos democráticos e impor uma ditadura sangrenta, promovia a privatização radical do sistema previdenciário, cujo controle confiou às finanças internacionais.
A previdência social brasileira teria tido o mesmo destino, não fossem os movimentos sociais a barrar o intento do governo FHC de privatizá-la, motivo por que a reforma, entre nós, limitou-se a restaurar as finanças públicas sem que a mão do mercado pudesse apropriar-se da poupança dos trabalhadores, como prescreviam, a mando das finanças globais, o FMI e o Banco Mundial.
A diferença na qualidade dos resultados referentes às reformas da previdência colhem-se agora, no calor da crise financeira atual. A variação dos impactos da crise sobre o sistema previdenciário dos países da América Latina, entre outros, reflete a variação na capacidade de luta dos trabalhadores de cada um deles na defesa de seus interesses contra a voracidade neoliberal dos governantes associados à “mão invisível”. Assim, por exemplo, as perdas no valor dos fundos de aposentadoria chilenos, sob controle das finanças internacionais, que haviam atingido 25% em setembro, estão na iminência de ultrapassar 40% em outubro, enquanto na Argentina as perdas atingiram mais de 40%, o que levou o governo Kirchner a reestatizá-lo. Para não falar da Islândia, país modelo das reformas neolilberais, onde as perdas dos aposentados já ultrapassam 70%. Já no Brasil, graças à resistência dos trabalhadores contra as investidas privatizantes de FHC, as perdas são nulas.
A crise financeira, como lembra Ricupero, é de natureza política, gera ganhadores e perdedores e convida a uma nova distribuição de poder, que queremos menos desigual e mais eqüitativa, como condição para a estabilidade econômica, a expansão do emprego e o fortalecimento da democracia. Isso somente se assegura mediante a vigilância e a defesa da sociedade organizada contra as ameaças recorrentes de retorno dos neoliberais ao poder”.
“Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo (24/10/2008), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário geral da Unctad, observa, a propósito da crise financeira, que “as análises falam de tudo, menos de moral e de política. Dão a impressão de que o problema se limita a aspectos técnicos, sem vinculação com os valores éticos e independentes das relações de poder”.
De fato, não há como compreender o colapso sem remontar à mudança na correlação de forças na sociedade, ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990, entre grupos e classes dentro de cada país e entre estes e atores externos, mudança que acabou por conferir uma nova expressão institucional ao Estado. É dizer que a transferência de ativos e de capacidades de decisão do Estado para a iniciativa privada, a eliminação dos controles, a desregulamentação do trabalho, o desmantelamento da rede de proteção social, a contração do gasto público em políticas sociais, a redução de impostos sobre os ricos, a preeminência conferida à economia fictícia (financeira) sobre a economia real (da produção) – tudo isso se constitui em expressão de uma determinada modalidade de organização da vida econômica - agora em frangalhos geotectônicos -, somente compreensível à luz de uma nova relação entre Estado e mercado, resultante de um novo sistema de poder associado a ela.
Aí está a dimensão política da crise, de que fala Ricupero. Sem ela, não é possível compreender como nos Estados Unidos, por exemplo, a participação do setor financeiro no total dos lucros corporativos tenha saltado de 10% em 1980 para 40% em 2006, apesar de gerar apenas 5% dos empregos, enquanto a participação dos salários na renda nacional declinava. “Não se avança sobre quase metade dos lucros da economia sem contar com a cumplicidade do sistema político. A mudança de poder que abriu o caminho à hegemonia financeira foi, nesse período, a ‘revolução’ neoconservadora de Reagan e de Thatcher...”, acrescenta.
A nova configuração na distribuição e apropriação do excedente social somente se tornou possível mediante as profundas mudanças promovidas nas relações de poder na sociedade, e disso ela é expressão. O redesenho e o controle da rede institucional do Estado, que daí resultaram, postos a serviço do capital financeiro, expressam o que vem a ser o poder político em termos singelos – a capacidade de convencer ou obrigar os outros a fazer algo que não estava em sua intenção fazer, ou abster-se de algo que gostariam de fazer.
Isso se torna possível quando se concentram e mobilizam recursos de natureza variada, incluídos os de caráter econômico. Como resultado da mudança na distribuição e no uso dos recursos, mudam as relações entre indivíduos e grupos sociais, assim como mudam a sua posição relativa na hierarquia, a sua capacidade de ação e de imposição de objetivos e metas.
Eis a grande reestruturação, agora à beira do colapso, que gerou ganhadores e perdedores. Estes são fáceis de identificar na configuração política que resultou da redistribuição dos recursos em termos de eqüidade social e de poder sobre a máquina do Estado.
Em primeiro lugar, o maior peso atribuído ao mercado pelos reformadores neoliberais implicou transferência de poder, das instituições do Estado para os atores que dele se apropriaram, com vistas a impedir que a sociedade, por mediação do Estado, lhes impusesse cobro no exercício da liberdade individual, concebida pelos neoconservadores como incompatível com toda e qualquer modalidade de controle e responsabilidade social – selvageria ideológica travestida de “empreendedorismo”, “capacidade de iniciativa”, “criatividade”, “inovação”.
Em segundo lugar, como resultado da preeminência dos interesses do mercado sobre a sociedade e o Estado, enfraqueceram-se os mecanismos de negociação, de organização e de mobilização dos movimentos sociais, já debilitados politicamente pela crise do desemprego e da estagnação econômica, que se agravava desde a segunda metade da década de 1970.
Além de propiciar o aumento da concentração da renda e a distribuição desigual dos custos e benefícios das políticas de recomposição das finanças públicas, o debilitamento do controle social sobre o Estado, em favor das elites neoconservadoras, provocou o esvaziamento das políticas sociais, que até então haviam caracterizado e legitimado a gestão pública, ainda que de eficácia incerta.
O discurso neoconservador, que passou a inculpar o Estado de Bem-Estar social pelos excessos distributivos do Estado - o mesmo Estado que durante 30 anos havia assegurado a estabilidade e o crescimento econômico revigorado por políticas sociais -, alcançou notável aceitação, graças à cooptação dos grandes meios de comunicação, em especial no caso do Brasil. Uma vez derrubado o muro de Berlim, os direitos sociais e a organização do trabalho, anteriormente brandidos como apanágio do mundo livre, passaram a ser estigmatizados em nome da democracia, da eficácia econômica e do livre mercado.
Na estratégia dos reformadores, o papel do Estado deveria restringir-se ao nível mínimo de provisão de bens públicos, estes interpretados em sentido restritivo. E, para desmantelar os instrumentos de intervenção, que haviam servido ao Estado de Bem-Estar, foi necessária uma prévia concentração de poderes decisórios em seu aparato institucional, imprescindível para impor a desregulamentação, a abertura e a entrega de funções essenciais do Estado à iniciativa privada; vencer as resistências democráticas em defesa do diálogo e da negociação e alterar o equilíbrio preexistente.
Para tanto, impunha-se a retração da gestão pública no terreno da economia e das políticas sociais, para confiar a execução da justiça distributiva à mão invisível do mercado. Somente assim, a mão neoconservadora pôde exercitar-se, depois de ter imposto a sua hegemonia no controle do Estado e de se ter apropriado de suas funções coercitivas, para a realização dos novos objetivos anti-sociais. De então em diante, caberia ao mercado, de modo excludente, na sua suposta condição soberana de matriz da riqueza, da eficiência e da justiça, promover a alocação dos recursos, distribuir bens, serviços e rendas e remunerar empenhos e engenhos.
A manifestação mais freqüente da ampliação da soberania estatal sob domínio neoliberal – ou seja, da ampliação da capacidade do Estado de impor decisões com autoridade suprema sobre a população e o território – foi a concentração do poder no âmbito do governo central, em especial o Poder Executivo, que passou a absorver prerrogativas do Parlamento, legislar por instrumentos de exceção ou de emergência, e dos tribunais. Truculência quando necessário – é o que exigia o teor anti-social das reformas.
Não se pode esquecer de que, entre outros botins, estava em jogo a disputa pela apropriação e controle de ingentes fundos sociais, como as contribuições dos sistemas de pensões e aposentadorias, sob gestão estatal. Por isso, os promotores das reformas, ao mesmo tempo em que festejavam a falência do totalitarismo soviético, lançavam mão de recursos extremos de concentração de poder.
Assim é que, enquanto na Argentina o presidente Carlos Menem recorria a medidas de exceção, como decretos de emergência, para entregar os fundos públicos da previdência à iniciativa privada, no Chile o general Augusto Pinochet, ao suspender os direitos democráticos e impor uma ditadura sangrenta, promovia a privatização radical do sistema previdenciário, cujo controle confiou às finanças internacionais.
A previdência social brasileira teria tido o mesmo destino, não fossem os movimentos sociais a barrar o intento do governo FHC de privatizá-la, motivo por que a reforma, entre nós, limitou-se a restaurar as finanças públicas sem que a mão do mercado pudesse apropriar-se da poupança dos trabalhadores, como prescreviam, a mando das finanças globais, o FMI e o Banco Mundial.
A diferença na qualidade dos resultados referentes às reformas da previdência colhem-se agora, no calor da crise financeira atual. A variação dos impactos da crise sobre o sistema previdenciário dos países da América Latina, entre outros, reflete a variação na capacidade de luta dos trabalhadores de cada um deles na defesa de seus interesses contra a voracidade neoliberal dos governantes associados à “mão invisível”. Assim, por exemplo, as perdas no valor dos fundos de aposentadoria chilenos, sob controle das finanças internacionais, que haviam atingido 25% em setembro, estão na iminência de ultrapassar 40% em outubro, enquanto na Argentina as perdas atingiram mais de 40%, o que levou o governo Kirchner a reestatizá-lo. Para não falar da Islândia, país modelo das reformas neolilberais, onde as perdas dos aposentados já ultrapassam 70%. Já no Brasil, graças à resistência dos trabalhadores contra as investidas privatizantes de FHC, as perdas são nulas.
A crise financeira, como lembra Ricupero, é de natureza política, gera ganhadores e perdedores e convida a uma nova distribuição de poder, que queremos menos desigual e mais eqüitativa, como condição para a estabilidade econômica, a expansão do emprego e o fortalecimento da democracia. Isso somente se assegura mediante a vigilância e a defesa da sociedade organizada contra as ameaças recorrentes de retorno dos neoliberais ao poder”.
LULA DEFENDE PAPEL DO ESTADO COMO REGULADOR DO SISTEMA FINANCEIRO
O site “Carta Maior” ontem postou o seguinte artigo de Luciana Lima, da Agência Brasil:
"O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade.
Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da 9ª Cúpula Brasil-Portugal, em Salvador.
SALVADOR - “Chegou a hora da política”, disse ontem (28) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao defender o papel do Estado como regulador do sistema financeiro.
Falando na 9ª Cúpula Brasil-Portugal, em Salvador, Lula se colocou contrário aos que defendiam o liberalismo econômico sem a interferência do poder público.
“Teve uma época, por muito tempo, em que os políticos andaram de cabeça baixa diante do neoliberalismo. O que estou defendendo não é o Estado se intrometer na economia, mas é o Estado que tenha força política para regular o sistema financeiro”, disse o presidente no pronunciamento que fez, ao lado do primeiro-ministro de Portugal, José Socrates.
“Fomos eleitos, assumimos compromissos com o povo, e o Estado, diante da crise mundial, volta a ter papel extraordinário, porque todas essas instituições que negaram o papel do Estado na hora da crise procuram o Estado para socorrê-las da crise que elas mesmo criaram”, afirmou Lula.
O presidente também voltou a criticar as empresas que especularam e tiveram prejuízos com a crise mundial.
“As empresas brasileiras têm grandes investimentos, rodovias, ferrovias, siderurgia, portos, agricultura. Trabalhamos honestamente por seis anos para por a economia num padrão respeitável no Brasil inteiro. É por isso que juntamos US$ 207 bilhões em reservas. É por isso que fizemos ajustes fiscais.
Entretanto, por que estamos vivendo sinais da crise? É porque alguns setores resolveram investir em derivativos, fazer um cassino.
Portanto quem foi para a jogatina perdeu. Portanto, ninguém tinha o direito de tentar, diria de forma ilícita, mais que aquilo que o próprio sistema produtivo oferecia ao país”, disse o presidente
Lula enfatizou que os setores da economia devem concentrar seus esforços em ganhar dinheiro com a produtividade. “O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade.
Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete”.
O primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, apoiou a colocação do presidente Lula e disse que em Portugal a ação do governo foi a mesma tomada no Brasil, com o objetivo de minimizar os efeitos da crise na economia interna: a de dar mais liquidez aos bancos.
“Concordo com o presidente Lula quando ele diz que chegou a vez da política.
Esse é um momento decisivo e Portugal e Brasil querem ação, não inação, fingir que nada aconteceu”, afirmou o chefe de Estado de Portugal, ao se referir às ações para o combate à crise econômica.
Para Socrates, a crise mundial funcionou como um divisor de águas. Ele ressaltou que não se trata de uma crise cíclica e sim de uma crise grave, “que acontece apenas uma vez na vida de cada pessoa”.
“Existe um antes e um depois da crise mundial. Antes, existia um pensamento único de que qualquer intervenção do Estado seria de forma burocrática, com finalidade de aumentar imposto. Hoje há o entendimento de que é necessária a ação da política para construir essa nova ordem mundial econômica de uma globalização mais justa”, ressaltou.
Lula e Socrates também se uniram na defesa do fortalecimento da União Européia e do Mercosul. “Se não estivéssemos na zona do euro eu não sei que seria de Portugal”, disse Socrates.”
"O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade.
Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura da 9ª Cúpula Brasil-Portugal, em Salvador.
SALVADOR - “Chegou a hora da política”, disse ontem (28) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao defender o papel do Estado como regulador do sistema financeiro.
Falando na 9ª Cúpula Brasil-Portugal, em Salvador, Lula se colocou contrário aos que defendiam o liberalismo econômico sem a interferência do poder público.
“Teve uma época, por muito tempo, em que os políticos andaram de cabeça baixa diante do neoliberalismo. O que estou defendendo não é o Estado se intrometer na economia, mas é o Estado que tenha força política para regular o sistema financeiro”, disse o presidente no pronunciamento que fez, ao lado do primeiro-ministro de Portugal, José Socrates.
“Fomos eleitos, assumimos compromissos com o povo, e o Estado, diante da crise mundial, volta a ter papel extraordinário, porque todas essas instituições que negaram o papel do Estado na hora da crise procuram o Estado para socorrê-las da crise que elas mesmo criaram”, afirmou Lula.
O presidente também voltou a criticar as empresas que especularam e tiveram prejuízos com a crise mundial.
“As empresas brasileiras têm grandes investimentos, rodovias, ferrovias, siderurgia, portos, agricultura. Trabalhamos honestamente por seis anos para por a economia num padrão respeitável no Brasil inteiro. É por isso que juntamos US$ 207 bilhões em reservas. É por isso que fizemos ajustes fiscais.
Entretanto, por que estamos vivendo sinais da crise? É porque alguns setores resolveram investir em derivativos, fazer um cassino.
Portanto quem foi para a jogatina perdeu. Portanto, ninguém tinha o direito de tentar, diria de forma ilícita, mais que aquilo que o próprio sistema produtivo oferecia ao país”, disse o presidente
Lula enfatizou que os setores da economia devem concentrar seus esforços em ganhar dinheiro com a produtividade. “O sistema financeiro tem obrigação de ganhar o seu dinheiro em coisas que gerarão empregos, produtos, riqueza. Não podemos permitir que o sistema financeiro mundial brinque com a sociedade.
Não podemos admitir que alguém fique rico apenas trocando papéis e poucas vezes se gerou um paletó, uma bota e um alfinete”.
O primeiro-ministro de Portugal, José Socrates, apoiou a colocação do presidente Lula e disse que em Portugal a ação do governo foi a mesma tomada no Brasil, com o objetivo de minimizar os efeitos da crise na economia interna: a de dar mais liquidez aos bancos.
“Concordo com o presidente Lula quando ele diz que chegou a vez da política.
Esse é um momento decisivo e Portugal e Brasil querem ação, não inação, fingir que nada aconteceu”, afirmou o chefe de Estado de Portugal, ao se referir às ações para o combate à crise econômica.
Para Socrates, a crise mundial funcionou como um divisor de águas. Ele ressaltou que não se trata de uma crise cíclica e sim de uma crise grave, “que acontece apenas uma vez na vida de cada pessoa”.
“Existe um antes e um depois da crise mundial. Antes, existia um pensamento único de que qualquer intervenção do Estado seria de forma burocrática, com finalidade de aumentar imposto. Hoje há o entendimento de que é necessária a ação da política para construir essa nova ordem mundial econômica de uma globalização mais justa”, ressaltou.
Lula e Socrates também se uniram na defesa do fortalecimento da União Européia e do Mercosul. “Se não estivéssemos na zona do euro eu não sei que seria de Portugal”, disse Socrates.”
AINDA O CASO VEJA-MENDES
Li ontem os seguintes artigos no blog de Luis Nassif:
“Um pouco tarde, mas vou opinar sobre o tema, considerando o acirramento da controvérsia.
A questão toda está no "timing" dos acontecimentos. Gilmar é estrela de Veja há várias edições, desde que se começou a impostura do "Estado Policial". O Ministro serve à veja capas e declarações bombásticas. Ganha dela a repercussão positiva de seus atos e o silêncio sobre as graves denúncias de a) exercício de administração empresária por magistrado; b) favorecimento em contratos sem licitação com órgãos públicos.
Mendes reuniu-se comprovadamente com a direção da editora Abril no auge dos acontecimentos da Satiagraha, na condição de presidente do STF e sabendo que há pelo menos colunistas da revista suspeitos de envolvimento com Dantas. E agora esse anúncio de alto valor do instituto do Supremo Presidente na Veja.
Sinceramente, é demais”.
SUPREMO ANULA LIMINAR DE MENDES QUE LIBERTOU EX-SENADOR ACUSADO DE FRAUDE
Texto elaborado por Tomás Rosa Bueno (li no blog de Luis Nassif):
O ex-senador Mario Calixto Filho (PMDB-RO) deverá retornar à prisão. A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) revogou, nesta terça-feira (28/10), liminar que havia libertado o ex-parlamentar, acusado pela Operação Titanic, da Polícia Federal, de participar de um esquema de importação fraudulenta de produtos de luxo, em que teria cometido tráfico de influência para conseguir benefícios.
Após ficar 95 dias preso preventivamente, Calixto conseguiu um habeas corpus com o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, durante o recesso forense. No entanto, a relatora do caso, a ministra Ellen Gracie, entendeu que houve equívoco na concessão da liminar, pois a jurisprudência do STF impede que se analise habeas corpus sobre decisão de ministro de tribunal superior (Súmula 691).”
“Um pouco tarde, mas vou opinar sobre o tema, considerando o acirramento da controvérsia.
A questão toda está no "timing" dos acontecimentos. Gilmar é estrela de Veja há várias edições, desde que se começou a impostura do "Estado Policial". O Ministro serve à veja capas e declarações bombásticas. Ganha dela a repercussão positiva de seus atos e o silêncio sobre as graves denúncias de a) exercício de administração empresária por magistrado; b) favorecimento em contratos sem licitação com órgãos públicos.
Mendes reuniu-se comprovadamente com a direção da editora Abril no auge dos acontecimentos da Satiagraha, na condição de presidente do STF e sabendo que há pelo menos colunistas da revista suspeitos de envolvimento com Dantas. E agora esse anúncio de alto valor do instituto do Supremo Presidente na Veja.
Sinceramente, é demais”.
SUPREMO ANULA LIMINAR DE MENDES QUE LIBERTOU EX-SENADOR ACUSADO DE FRAUDE
Texto elaborado por Tomás Rosa Bueno (li no blog de Luis Nassif):
O ex-senador Mario Calixto Filho (PMDB-RO) deverá retornar à prisão. A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) revogou, nesta terça-feira (28/10), liminar que havia libertado o ex-parlamentar, acusado pela Operação Titanic, da Polícia Federal, de participar de um esquema de importação fraudulenta de produtos de luxo, em que teria cometido tráfico de influência para conseguir benefícios.
Após ficar 95 dias preso preventivamente, Calixto conseguiu um habeas corpus com o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, durante o recesso forense. No entanto, a relatora do caso, a ministra Ellen Gracie, entendeu que houve equívoco na concessão da liminar, pois a jurisprudência do STF impede que se analise habeas corpus sobre decisão de ministro de tribunal superior (Súmula 691).”
UNIÃO CONTRA MARTA VISA 2010
Li ontem no blog de Luis Favre o seguinte texto de Conrado Corsalette e Ranier Bragon, do jornal “O Estado de São Paulo”, sobre entrevista com o deputado estadual Rui Falcão (PT):
“RUI FALCÃO MINIMIZA REJEIÇÃO A EX-PREFEITA E AFIRMA QUE FORÇAS POLÍTICAS SE UNIRAM “TENTANDO PROVOCAR REFLEXOS NACIONAIS’
Coordenador critica mídia e o uso da máquina municipal e diz que campanha petista valorizou suas propostas a ponto de Kassab copiá-las.
O deputado estadual Rui Falcão (PT), 64, diz que Marta Suplicy foi derrotada no domingo não pela rejeição que enfrenta, mas pela “união de forças políticas” com vistas às eleições de 2010. Vice na chapa reeleitoral de Marta e secretário de Governo de sua gestão (2001-2004), Falcão foi um dos coordenadores desta campanha, mas diz fazer uma avaliação pessoal. Para ele, o uso da máquina, a mídia e a Justiça Eleitoral também contribuíram para a derrota.
FOLHA - POR QUE MARTA PERDEU?
RUI FALCÃO - Duas grandes lideranças foram derrubadas nesta eleição: Marta e Geraldo Alckmin. O governador José Serra também, pois apoiou Alckmin.
FOLHA - SÓ FORMALMENTE.
FALCÃO - Ele gravou na TV, disse que apoiava o candidato do seu partido, o PSDB, então nós temos de acreditar na palavra dele. O aspecto principal é que houve, nacionalmente, a tendência de continuidade administrativa. A política econômica do governo Lula fez parte dos municípios reconduzirem seus prefeitos ao poder.
FOLHA - O MARKETING DA CAMPANHA DE MARTA ERROU?
FALCÃO - Não. Foi uma campanha competente, que valorizou propostas do PT. Elas foram explicitadas com clareza a tal ponto de Kassab copiá-las.
FOLHA - ENTÃO POR QUE MARTA PERDEU VOTOS EM RELAÇÃO A 2004?
FALCÃO - Se pegarmos a votação do primeiro turno, ganhamos em quase todos os lugares que tínhamos ganho na eleição passada. O que ocorreu agora é que se somaram as duas principais forças do outro lado, com votos de Maluf, contra Marta.
FOLHA - O PT TEM UMA REFLEXÃO SOBRE A REJEIÇÃO AO PARTIDO E A MARTA?
FALCÃO - O problema não é a rejeição. O que houve foi uma união de forças políticas para nos derrotar na cidade mais importante do país tentando provocar reflexos nacionais.
Acho que precisamos analisar o resultado, ver a própria inserção do PT na cidade. Falta uma compreensão maior da complexidade do eleitor paulistano.
FOLHA - PELA LÓGICA QUE O SR. APRESENTA, A DERROTA ERA INEVITÁVEL?
FALCÃO - Não. O que disse aqui foi que as forças poderosas se uniram contra nós, foram duas máquinas poderosas.
FOLHA - E A MÁQUINA FEDERAL?
FALCÃO - Não teve uso da máquina do governo federal em São Paulo. Teve uso da máquina municipal, que foi apontado várias vezes, nos episódios dos e-mails, na ação das subprefeituras, teve o peso do Estado com ações administrativas.
FOLHA - HÁ PREOCUPAÇÃO COM A PERDA DO ELEITORADO DA PERIFERIA?
FALCÃO - É preciso analisar todo o movimento eleitoral. Houve uma grande aliança para derrotar o PT. E houve um movimento de mídia, que foi favorável a Kassab. Isso, no caso da Folha, foi reconhecido pelo ombudsman do jornal. Houve diferença de tratamento da Justiça Eleitoral. São fatos reais e não interpretativos.
FOLHA - ATÉ AGORA O SR. NÃO CITOU UM ERRO DA CAMPANHA DE MARTA.
FALCÃO - [Longa pausa] Talvez ter subestimado a ação dos subprefeitos na eleição. Eles usaram bastante a máquina.
FOLHA - KASSAB FOI SUBESTIMADO?
FALCÃO - Nossas pesquisas indicavam que ele tinha potencial. O que não houve foi um esgarçamento tão grande da briga do Kassab com o Alckmin. Os projetos futuros fizeram as feridas se cicatrizarem rápido".
“RUI FALCÃO MINIMIZA REJEIÇÃO A EX-PREFEITA E AFIRMA QUE FORÇAS POLÍTICAS SE UNIRAM “TENTANDO PROVOCAR REFLEXOS NACIONAIS’
Coordenador critica mídia e o uso da máquina municipal e diz que campanha petista valorizou suas propostas a ponto de Kassab copiá-las.
O deputado estadual Rui Falcão (PT), 64, diz que Marta Suplicy foi derrotada no domingo não pela rejeição que enfrenta, mas pela “união de forças políticas” com vistas às eleições de 2010. Vice na chapa reeleitoral de Marta e secretário de Governo de sua gestão (2001-2004), Falcão foi um dos coordenadores desta campanha, mas diz fazer uma avaliação pessoal. Para ele, o uso da máquina, a mídia e a Justiça Eleitoral também contribuíram para a derrota.
FOLHA - POR QUE MARTA PERDEU?
RUI FALCÃO - Duas grandes lideranças foram derrubadas nesta eleição: Marta e Geraldo Alckmin. O governador José Serra também, pois apoiou Alckmin.
FOLHA - SÓ FORMALMENTE.
FALCÃO - Ele gravou na TV, disse que apoiava o candidato do seu partido, o PSDB, então nós temos de acreditar na palavra dele. O aspecto principal é que houve, nacionalmente, a tendência de continuidade administrativa. A política econômica do governo Lula fez parte dos municípios reconduzirem seus prefeitos ao poder.
FOLHA - O MARKETING DA CAMPANHA DE MARTA ERROU?
FALCÃO - Não. Foi uma campanha competente, que valorizou propostas do PT. Elas foram explicitadas com clareza a tal ponto de Kassab copiá-las.
FOLHA - ENTÃO POR QUE MARTA PERDEU VOTOS EM RELAÇÃO A 2004?
FALCÃO - Se pegarmos a votação do primeiro turno, ganhamos em quase todos os lugares que tínhamos ganho na eleição passada. O que ocorreu agora é que se somaram as duas principais forças do outro lado, com votos de Maluf, contra Marta.
FOLHA - O PT TEM UMA REFLEXÃO SOBRE A REJEIÇÃO AO PARTIDO E A MARTA?
FALCÃO - O problema não é a rejeição. O que houve foi uma união de forças políticas para nos derrotar na cidade mais importante do país tentando provocar reflexos nacionais.
Acho que precisamos analisar o resultado, ver a própria inserção do PT na cidade. Falta uma compreensão maior da complexidade do eleitor paulistano.
FOLHA - PELA LÓGICA QUE O SR. APRESENTA, A DERROTA ERA INEVITÁVEL?
FALCÃO - Não. O que disse aqui foi que as forças poderosas se uniram contra nós, foram duas máquinas poderosas.
FOLHA - E A MÁQUINA FEDERAL?
FALCÃO - Não teve uso da máquina do governo federal em São Paulo. Teve uso da máquina municipal, que foi apontado várias vezes, nos episódios dos e-mails, na ação das subprefeituras, teve o peso do Estado com ações administrativas.
FOLHA - HÁ PREOCUPAÇÃO COM A PERDA DO ELEITORADO DA PERIFERIA?
FALCÃO - É preciso analisar todo o movimento eleitoral. Houve uma grande aliança para derrotar o PT. E houve um movimento de mídia, que foi favorável a Kassab. Isso, no caso da Folha, foi reconhecido pelo ombudsman do jornal. Houve diferença de tratamento da Justiça Eleitoral. São fatos reais e não interpretativos.
FOLHA - ATÉ AGORA O SR. NÃO CITOU UM ERRO DA CAMPANHA DE MARTA.
FALCÃO - [Longa pausa] Talvez ter subestimado a ação dos subprefeitos na eleição. Eles usaram bastante a máquina.
FOLHA - KASSAB FOI SUBESTIMADO?
FALCÃO - Nossas pesquisas indicavam que ele tinha potencial. O que não houve foi um esgarçamento tão grande da briga do Kassab com o Alckmin. Os projetos futuros fizeram as feridas se cicatrizarem rápido".
COM LULA NO PODER, OPOSIÇÃO PERDE 910 PREFEITURAS
O blog de Luis Favre ontem postou o seguinte texto de Marcelo de Moraes, do jornal O Estado SP:
“DEM é partido mais ‘desidratado’ da era petista e deixou de controlar 532 municípios em relação a 2000, quando ainda se chamava PFL”
“O período de poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma desidratação municipal dos partidos de oposição. Em relação ao mapa eleitoral municipal de 2000, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso ainda era o presidente, PSDB, DEM e PPS, atualmente as principais legendas da oposição, já encolheram em 910 prefeituras. A maior redução aconteceu com o DEM, que deve comandar a partir do próximo ano 532 cidades a menos do que fazia em 2000, quando ainda se chamava PFL.
Esses números apontam claramente a volatilidade da política nacional, onde grande parte dos políticos se alia automaticamente aos principais núcleos de poder do País, independentemente de ideologia.
Assim, o PMDB, que se manteve na base de sustentação do governo federal durante as gestões de Fernando Henrique e de Lula, conseguiu preservar nos últimos anos sua condição de partido com o maior número de prefeituras. Enquanto era aliado de Fernando Henrique em 2000, os peemedebistas conquistaram a gestão de 1.257 cidades.
Na eleição seguinte, em 2004, houve uma queda por conta da demora do partido em aderir completamente ao novo governo petista. O PMDB perdeu 200 prefeituras, mas mesmo assim ainda venceu em 1.057 cidades. Agora, completamente afinado com o governo Lula, o partido voltou a se fortalecer, com vitórias em 1.203 municípios.
DECLÍNIO
Para a oposição, ao contrário, o afastamento do Palácio do Planalto significou a redução de sua capilaridade municipal. Em 2000, quando ocupava a Vice-Presidência da República e era o segundo partido mais forte do governo Fernando Henrique, o então PFL ganhou em 1.028 cidades. Quatro anos depois, caiu para 790. Desde então, já com o nome novo e um discurso muito forte de oposição ao governo federal, a queda foi mais drástica ainda, com a vitória em apenas 496 cidades, embora tenha vencido em São Paulo - a maior de todas. Um desempenho pior, por exemplo, que o modesto e governista PP, que ganhou em 549 municípios.
O comando nacional do DEM atribui também essa queda à suposta cooptação feita pelo governo federal sobre os quadros do partido. Segundo o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), somente a adoção do princípio da fidelidade partidária - que puniu os infiéis com a perda de mandato - foi capaz de frear a sangria nos quadros do partido.
Entre os tucanos, a queda foi menos sensível até por conta dos importantes governos regionais controlados pelo partido, como São Paulo e Minas Gerais, e pela expectativa de poder para a sucessão presidencial de 2010. Afinal, o partido tem hoje nos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, dois nomes com grande potencial político para disputar a sucessão de Lula. Mesmo assim, os tucanos perderam 204 cidades desde 2000.
PPS
Menor dos três partidos de oposição, o PPS também sentiu na pele os efeitos de ser ou não aliado do governo. Em 2000, tinha 166 prefeituras. Embora tivesse candidato à Presidência em 2002, com Ciro Gomes, sua direção mantinha boa relação com o governo Fernando Henrique.
Com a vitória de Lula, o PPS se juntou à base aliada, ganhando o Ministério da Integração Nacional, entregue justamente a Ciro, e outros cargos importantes. Assim, saltou em 2004 para 306 prefeituras.
Mas o PPS rompeu com o governo nesse mesmo ano e Ciro acabou se mudando para o governista PSB. Na oposição, o PPS voltou a encolher, caindo agora para 132 prefeituras.”
“DEM é partido mais ‘desidratado’ da era petista e deixou de controlar 532 municípios em relação a 2000, quando ainda se chamava PFL”
“O período de poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma desidratação municipal dos partidos de oposição. Em relação ao mapa eleitoral municipal de 2000, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso ainda era o presidente, PSDB, DEM e PPS, atualmente as principais legendas da oposição, já encolheram em 910 prefeituras. A maior redução aconteceu com o DEM, que deve comandar a partir do próximo ano 532 cidades a menos do que fazia em 2000, quando ainda se chamava PFL.
Esses números apontam claramente a volatilidade da política nacional, onde grande parte dos políticos se alia automaticamente aos principais núcleos de poder do País, independentemente de ideologia.
Assim, o PMDB, que se manteve na base de sustentação do governo federal durante as gestões de Fernando Henrique e de Lula, conseguiu preservar nos últimos anos sua condição de partido com o maior número de prefeituras. Enquanto era aliado de Fernando Henrique em 2000, os peemedebistas conquistaram a gestão de 1.257 cidades.
Na eleição seguinte, em 2004, houve uma queda por conta da demora do partido em aderir completamente ao novo governo petista. O PMDB perdeu 200 prefeituras, mas mesmo assim ainda venceu em 1.057 cidades. Agora, completamente afinado com o governo Lula, o partido voltou a se fortalecer, com vitórias em 1.203 municípios.
DECLÍNIO
Para a oposição, ao contrário, o afastamento do Palácio do Planalto significou a redução de sua capilaridade municipal. Em 2000, quando ocupava a Vice-Presidência da República e era o segundo partido mais forte do governo Fernando Henrique, o então PFL ganhou em 1.028 cidades. Quatro anos depois, caiu para 790. Desde então, já com o nome novo e um discurso muito forte de oposição ao governo federal, a queda foi mais drástica ainda, com a vitória em apenas 496 cidades, embora tenha vencido em São Paulo - a maior de todas. Um desempenho pior, por exemplo, que o modesto e governista PP, que ganhou em 549 municípios.
O comando nacional do DEM atribui também essa queda à suposta cooptação feita pelo governo federal sobre os quadros do partido. Segundo o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), somente a adoção do princípio da fidelidade partidária - que puniu os infiéis com a perda de mandato - foi capaz de frear a sangria nos quadros do partido.
Entre os tucanos, a queda foi menos sensível até por conta dos importantes governos regionais controlados pelo partido, como São Paulo e Minas Gerais, e pela expectativa de poder para a sucessão presidencial de 2010. Afinal, o partido tem hoje nos governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, dois nomes com grande potencial político para disputar a sucessão de Lula. Mesmo assim, os tucanos perderam 204 cidades desde 2000.
PPS
Menor dos três partidos de oposição, o PPS também sentiu na pele os efeitos de ser ou não aliado do governo. Em 2000, tinha 166 prefeituras. Embora tivesse candidato à Presidência em 2002, com Ciro Gomes, sua direção mantinha boa relação com o governo Fernando Henrique.
Com a vitória de Lula, o PPS se juntou à base aliada, ganhando o Ministério da Integração Nacional, entregue justamente a Ciro, e outros cargos importantes. Assim, saltou em 2004 para 306 prefeituras.
Mas o PPS rompeu com o governo nesse mesmo ano e Ciro acabou se mudando para o governista PSB. Na oposição, o PPS voltou a encolher, caindo agora para 132 prefeituras.”
JOSÉ SERRA É O “NOSSO GUIA”
O jornalista Paulo Henrique Amorim escreveu com fina ironia ontem em seu blog “Conversa Afiada”:
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”
A tenacidade e o sangue frio de José Serra fizeram dele o maior vencedor da eleição de domingo. Aliou-se ao PMDB, elegeu seu poste, derrotou os adversários internos e, num lance de SORTE CRONOLÓGICA (sic), habilitou-se para UMA LIDERANÇA POLITICA QUALIFICADA PARA TRATAR COM OS EFEITOS DA CRISE INTERNACIONAL SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA (sic).”
É assim que começa a colona (*) de Elio Gaspari, hoje, na Folha (da Tarde**) e no Globo, dois baluartes do PiG.
Gaspari, como se sabe, preside, na sombra da madrugada, a bancada de jornalistas que trabalha à luz do Sol para José Serra.
Ninguém tem mais ascendência sobre Serra do que Gaspari.
Nem a filha, Veronica Allende Serra, que mereceu da Istoé Dinheiro (onde pontifica Leonardo Attuch), na Web, um perfil encomiástico.
Veronica Serra, como se sabe, fez negócios com a irmã de Daniel Dantas na empresa Decidir.Com Inc.
É “a mulher mais importante da internet brasileira”, diz a IstoÉ de Leonardo Attuch ...
Nem ela, tão importante, tem sobre José Serra a ascendência que Gaspari tem.
Serra não dá um passo sem consultar Gaspari.
A recíproca não é verdadeira, porque Gaspari não leva Serra tão a sério quanto Serra leva Gaspari ...
Nesta colona de hoje, como sempre, é muito difícil entender o que diz Gaspari.
Mas, supõe-se que seja o seguinte:
Serra deu uma sorte danada: ganhou a eleição na hora em que a economia mundial (e brasileira) foi para o saco.
(Serra e Fernando Henrique co-presidem o movimento “Quanto Pior Melhor”.)
É o que Gaspari chama de “sorte cronológica” ...
E por que a “sorte cronológica” ?
Porque Serra “habilitou-se para uma liderança política”.
Se o amigo leitor prestar muita atenção e tiver acompanhado a carreira de Gaspari como ghost adviser de Serra, terá percebido que Gaspari quis dizer:
Só Serra está preparado para resolver a crise.
Serra, como se sabe, é muito “preparado”.
“Preparado” para quê, não se sabe.
Mas é o que seus bajuladores dizem.
Serra está “preparado” para tudo.
Essa conversa é velha.
Serra se vende como o ÚNICO capaz de resolver qualquer crise, há muito tempo.
Ele sempre teve “sorte cronológica”.
Quando o Governo do Farol de Alexandria ia à breca – e foi três vezes - , Serra tinha “sorte cronológica” e se apresentava – em off, no PiG - como o que poderia salvar o Brasil, desde que Fernando Henrique o colocasse no lugar do Pedro Malan.
Na sucessão de Fernando Henrique, quando Serra disse que o Brasil ia virar uma Argentina e a Regina Duarte morria de medo, Serra teve “sorte cronológica”, já que seria o ÚNICO capaz de resolver aquela crise, porque ele é “preparado”.
Quando estourou a crise financeira corrente, Serra voltou aos colonistas do PiG para “explicar” como administrar o câmbio.
E já se sabe como é que se resolve o câmbio, para Serra: o câmbio tem que ficar no ponto exato para ajudar as exportações paulistas e impedir a importação de produtos que venham a competir com os produtos paulistas.
Essa é a “política cambial” de Serra, a “política cambial paulista” do Serra.
Serra entende tanto de câmbio quanto de Polícia Civil ...
Mas, ele é “preparado”.
Na verdade, o Gaspari acaba de transformar o Serra no verdadeiro “Nosso Guia” !
(*) Se refere à “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais. Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem”.
“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”
A tenacidade e o sangue frio de José Serra fizeram dele o maior vencedor da eleição de domingo. Aliou-se ao PMDB, elegeu seu poste, derrotou os adversários internos e, num lance de SORTE CRONOLÓGICA (sic), habilitou-se para UMA LIDERANÇA POLITICA QUALIFICADA PARA TRATAR COM OS EFEITOS DA CRISE INTERNACIONAL SOBRE A ECONOMIA BRASILEIRA (sic).”
É assim que começa a colona (*) de Elio Gaspari, hoje, na Folha (da Tarde**) e no Globo, dois baluartes do PiG.
Gaspari, como se sabe, preside, na sombra da madrugada, a bancada de jornalistas que trabalha à luz do Sol para José Serra.
Ninguém tem mais ascendência sobre Serra do que Gaspari.
Nem a filha, Veronica Allende Serra, que mereceu da Istoé Dinheiro (onde pontifica Leonardo Attuch), na Web, um perfil encomiástico.
Veronica Serra, como se sabe, fez negócios com a irmã de Daniel Dantas na empresa Decidir.Com Inc.
É “a mulher mais importante da internet brasileira”, diz a IstoÉ de Leonardo Attuch ...
Nem ela, tão importante, tem sobre José Serra a ascendência que Gaspari tem.
Serra não dá um passo sem consultar Gaspari.
A recíproca não é verdadeira, porque Gaspari não leva Serra tão a sério quanto Serra leva Gaspari ...
Nesta colona de hoje, como sempre, é muito difícil entender o que diz Gaspari.
Mas, supõe-se que seja o seguinte:
Serra deu uma sorte danada: ganhou a eleição na hora em que a economia mundial (e brasileira) foi para o saco.
(Serra e Fernando Henrique co-presidem o movimento “Quanto Pior Melhor”.)
É o que Gaspari chama de “sorte cronológica” ...
E por que a “sorte cronológica” ?
Porque Serra “habilitou-se para uma liderança política”.
Se o amigo leitor prestar muita atenção e tiver acompanhado a carreira de Gaspari como ghost adviser de Serra, terá percebido que Gaspari quis dizer:
Só Serra está preparado para resolver a crise.
Serra, como se sabe, é muito “preparado”.
“Preparado” para quê, não se sabe.
Mas é o que seus bajuladores dizem.
Serra está “preparado” para tudo.
Essa conversa é velha.
Serra se vende como o ÚNICO capaz de resolver qualquer crise, há muito tempo.
Ele sempre teve “sorte cronológica”.
Quando o Governo do Farol de Alexandria ia à breca – e foi três vezes - , Serra tinha “sorte cronológica” e se apresentava – em off, no PiG - como o que poderia salvar o Brasil, desde que Fernando Henrique o colocasse no lugar do Pedro Malan.
Na sucessão de Fernando Henrique, quando Serra disse que o Brasil ia virar uma Argentina e a Regina Duarte morria de medo, Serra teve “sorte cronológica”, já que seria o ÚNICO capaz de resolver aquela crise, porque ele é “preparado”.
Quando estourou a crise financeira corrente, Serra voltou aos colonistas do PiG para “explicar” como administrar o câmbio.
E já se sabe como é que se resolve o câmbio, para Serra: o câmbio tem que ficar no ponto exato para ajudar as exportações paulistas e impedir a importação de produtos que venham a competir com os produtos paulistas.
Essa é a “política cambial” de Serra, a “política cambial paulista” do Serra.
Serra entende tanto de câmbio quanto de Polícia Civil ...
Mas, ele é “preparado”.
Na verdade, o Gaspari acaba de transformar o Serra no verdadeiro “Nosso Guia” !
(*) Se refere à “colônia”, dá a idéia de pessoa “colonizada”, submetida ao pensamento hegemônico que se originou na Metrópole e se fortaleceu nos epígonos coloniais. Epígonos esses que, na maioria dos casos, não têm a menor idéia de como a Metrópole funciona, mas a “copiam” como se a ela pertencessem”.
O INIMIGO (DO PAQUISTÃO) NÃO É A ÍNDIA
O site do jornal inglês International Herald Tribune publicou ontem o seguinte texto postado em Nova Déli (Índia), que li no UOL em tradução de Deborah Weinberg.
Os autores são Maharaja Krishna Rasgotra, presidente do Observer Research Foundation, grupo de estudos em Nova Déli, secretário de relações exteriores da Índia, e Stanley A. Weiss, diretor da organização Washington Business Executives for National Security.
“Agora ficou claro que o caminho para a estabilidade no Afeganistão passa pelo Paquistão - especificamente pelas áreas tribais que o Taleban e os combatentes da Al Qaeda usam como santuário. Menos compreendido é o caminho para a estabilidade das áreas tribais e pela região que também atravessa a Índia.
Temores antigos com relação à Índia, com a qual o Paquistão travou três guerras desde a partição de 1947, estão na base de grande parte do comportamento perigoso paquistanês de hoje. O objetivo antigo de Islamabad de alcançar "profundidade estratégica" com um Afeganistão complacente ainda resiste em partes de seu exército e da poderosa agência de espionagem, a Inter-Services Intelligence, que dão apoio aos militantes islâmicos que agem contra o Afeganistão.
Mesmo hoje, quando esses militantes voltam suas armas contra o governo paquistanês e as forças paquistanesas estão engajadas em uma ofensiva há muito devida nas áreas tribais, a maior parte do exército paquistanês continua empregada no Leste - na direção da Índia e da região disputada da Cachemira.
Resultado? Quando as autoridades americanas recentemente pressionaram o chefe das forças armadas paquistanesas, Ashfaq Kayani, para ser mais agressivo nas áreas tribais, ele alegou que não tinha capacidade militar para confrontar vários redutos de insurgentes ao mesmo tempo, de acordo com a "Newsweek".
Os temores de Islamabad em relação à Índia são superados apenas por seu medo diante da possibilidade de uma desintegração étnica. Muitas de suas etnias, reunidas em uma colcha de retalhos como em muitos outros Estados pós-coloniais, nunca aceitaram a dominação punjabi do governo e dos militares que, diferentemente da Índia, impediu a emergência de uma estrutura federal de unidades autônomas mais ou menos simétricas.
De fato, uma das maiores preocupações de Islamabad é que as dezenas de milhões de pashtuns dos dois lados da fronteira com o Afeganistão possam realizar seus sonhos antigos de um Pashtunistão independente.
Assim, Islamabad entende mal os esforços indianos para promover a segurança e o desenvolvimento econômico no Afeganistão, inclusive o programa de reconstrução de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2 bilhões) oferecido por Nova Déli como tentativa de isolar o Paquistão.
A resposta dos militantes paquistaneses? O atentado suicida mortal deste verão contra a embaixada indiana de Cabul.
Se os antigos temores paquistaneses em relação à Índia são a chave para compreender o comportamento paquistanês no Afeganistão, então remover esses temores é a chave para mudar esse comportamento.
Enquanto poder econômico e político dominante da região, a Índia deve tomar a dianteira. Nova Déli deve continuar a assegurar Islamabad de que o único objetivo da Índia é um Afeganistão verdadeiramente independente, unido, estável e livre de drogas.
Especificamente, a Índia pode oferecer garantias de segurança e explorar reduções mútuas de forças na fronteira Leste do Paquistão. A Índia pode abrir suas fronteiras unilateralmente, inclusive a Linha de Controle que divide a Caxemira, ao livre comércio.
De sua parte, Islamabad precisa reconhecer que um Afeganistão estável a Oeste e uma Índia amigável a Leste ajudarão a impedir uma implosão catastrófica no Paquistão.
Finalmente seguro em sua fronteira oriental com a Índia, o Paquistão deve reforçar sua recente ofensiva e empregar tropas suficientes no Oeste para garantir a fronteira com o Afeganistão, e depois investir extensivamente na educação e desenvolvimento das regiões tribais.
Islamabad deve colocar um fim ao financiamento, armamento, treinamento e infiltração de terroristas na Cachemira e em outras partes da Índia. Isso pavimentaria o caminho para outros passos de reforço da confiança - visitas de altos líderes militares, comércio livre e joint ventures.
Os EUA poderiam ajudar a aplacar os temores de Islamabad endossando as garantias indianas da integridade da fronteira Leste do Paquistão. Mais amplamente, Washington deveria apoiar a frágil democracia do Paquistão concentrando seu auxílio no desenvolvimento social e econômico em vez de militar.
Com o Paquistão finalmente seguro de que a Índia não é mais uma ameaça, a Índia poderia então considerar um passo verdadeiramente histórico, digno de um poder grande e em ascensão - contribuir com forças militares para estabilizar Afeganistão.
Tal emprego de tropas exigiria um pedido conjunto de Cabul, Washington e da ONU. As equipes de treinamento indianas poderiam ter um papel crítico no fortalecimento do exército e da polícia afegãos.
A reconciliação entre o Paquistão e a Índia e a presença de forças indianas no Afeganistão podem parecer fantasias. Mas a volta de um governo civil em Islamabad dá novas esperanças.
Se for possível concentrar a atenção na ameaça terrorista real e crescente na região - não nas imaginadas por Islamabad - então o temor e o ódio no Paquistão finalmente darão espaço para a confiança e a cooperação no Afeganistão.”
Os autores são Maharaja Krishna Rasgotra, presidente do Observer Research Foundation, grupo de estudos em Nova Déli, secretário de relações exteriores da Índia, e Stanley A. Weiss, diretor da organização Washington Business Executives for National Security.
“Agora ficou claro que o caminho para a estabilidade no Afeganistão passa pelo Paquistão - especificamente pelas áreas tribais que o Taleban e os combatentes da Al Qaeda usam como santuário. Menos compreendido é o caminho para a estabilidade das áreas tribais e pela região que também atravessa a Índia.
Temores antigos com relação à Índia, com a qual o Paquistão travou três guerras desde a partição de 1947, estão na base de grande parte do comportamento perigoso paquistanês de hoje. O objetivo antigo de Islamabad de alcançar "profundidade estratégica" com um Afeganistão complacente ainda resiste em partes de seu exército e da poderosa agência de espionagem, a Inter-Services Intelligence, que dão apoio aos militantes islâmicos que agem contra o Afeganistão.
Mesmo hoje, quando esses militantes voltam suas armas contra o governo paquistanês e as forças paquistanesas estão engajadas em uma ofensiva há muito devida nas áreas tribais, a maior parte do exército paquistanês continua empregada no Leste - na direção da Índia e da região disputada da Cachemira.
Resultado? Quando as autoridades americanas recentemente pressionaram o chefe das forças armadas paquistanesas, Ashfaq Kayani, para ser mais agressivo nas áreas tribais, ele alegou que não tinha capacidade militar para confrontar vários redutos de insurgentes ao mesmo tempo, de acordo com a "Newsweek".
Os temores de Islamabad em relação à Índia são superados apenas por seu medo diante da possibilidade de uma desintegração étnica. Muitas de suas etnias, reunidas em uma colcha de retalhos como em muitos outros Estados pós-coloniais, nunca aceitaram a dominação punjabi do governo e dos militares que, diferentemente da Índia, impediu a emergência de uma estrutura federal de unidades autônomas mais ou menos simétricas.
De fato, uma das maiores preocupações de Islamabad é que as dezenas de milhões de pashtuns dos dois lados da fronteira com o Afeganistão possam realizar seus sonhos antigos de um Pashtunistão independente.
Assim, Islamabad entende mal os esforços indianos para promover a segurança e o desenvolvimento econômico no Afeganistão, inclusive o programa de reconstrução de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 2 bilhões) oferecido por Nova Déli como tentativa de isolar o Paquistão.
A resposta dos militantes paquistaneses? O atentado suicida mortal deste verão contra a embaixada indiana de Cabul.
Se os antigos temores paquistaneses em relação à Índia são a chave para compreender o comportamento paquistanês no Afeganistão, então remover esses temores é a chave para mudar esse comportamento.
Enquanto poder econômico e político dominante da região, a Índia deve tomar a dianteira. Nova Déli deve continuar a assegurar Islamabad de que o único objetivo da Índia é um Afeganistão verdadeiramente independente, unido, estável e livre de drogas.
Especificamente, a Índia pode oferecer garantias de segurança e explorar reduções mútuas de forças na fronteira Leste do Paquistão. A Índia pode abrir suas fronteiras unilateralmente, inclusive a Linha de Controle que divide a Caxemira, ao livre comércio.
De sua parte, Islamabad precisa reconhecer que um Afeganistão estável a Oeste e uma Índia amigável a Leste ajudarão a impedir uma implosão catastrófica no Paquistão.
Finalmente seguro em sua fronteira oriental com a Índia, o Paquistão deve reforçar sua recente ofensiva e empregar tropas suficientes no Oeste para garantir a fronteira com o Afeganistão, e depois investir extensivamente na educação e desenvolvimento das regiões tribais.
Islamabad deve colocar um fim ao financiamento, armamento, treinamento e infiltração de terroristas na Cachemira e em outras partes da Índia. Isso pavimentaria o caminho para outros passos de reforço da confiança - visitas de altos líderes militares, comércio livre e joint ventures.
Os EUA poderiam ajudar a aplacar os temores de Islamabad endossando as garantias indianas da integridade da fronteira Leste do Paquistão. Mais amplamente, Washington deveria apoiar a frágil democracia do Paquistão concentrando seu auxílio no desenvolvimento social e econômico em vez de militar.
Com o Paquistão finalmente seguro de que a Índia não é mais uma ameaça, a Índia poderia então considerar um passo verdadeiramente histórico, digno de um poder grande e em ascensão - contribuir com forças militares para estabilizar Afeganistão.
Tal emprego de tropas exigiria um pedido conjunto de Cabul, Washington e da ONU. As equipes de treinamento indianas poderiam ter um papel crítico no fortalecimento do exército e da polícia afegãos.
A reconciliação entre o Paquistão e a Índia e a presença de forças indianas no Afeganistão podem parecer fantasias. Mas a volta de um governo civil em Islamabad dá novas esperanças.
Se for possível concentrar a atenção na ameaça terrorista real e crescente na região - não nas imaginadas por Islamabad - então o temor e o ódio no Paquistão finalmente darão espaço para a confiança e a cooperação no Afeganistão.”
RÚSSIA PROMOVE REFORMA RADICAL DAS FORÇAS ARMADAS
O PLANO PRETENDE AGILIZAR E MODERNIZAR UMA APARELHO MACIÇO MAS OBSOLETO
Rodrigo Fernández, em Moscou, escreveu para o jornal espanhol El Pais o seguinte texto que li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves:
“Os militares russos estão consternados. O governo decidiu realizar em passo acelerado uma reforma que tem como objetivo reduzir as forças armadas a um milhão de efetivos até 2012 e transformar seu exército em estruturas móveis e ágeis, dotadas de armas modernas. Motivo da pressa?
A guerra com a Geórgia deixou claro que o exército atual é um aparelho atrofiado, lento, e suas armas estão velhas não só no plano moral, mas também físico. A reforma anunciada pelo ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, é, segundo especialistas, a mais radical que houve na história russa desde a empreendida por Nikita Kruschev e prevê uma drástica diminuição da quantidade de oficiais, dos atuais 350 mil para 150 mil nos próximos quatro anos.
A guerra dos Cinco Dias, como chamam na Rússia o conflito armado com a Geórgia, mostrou que o sistema de direção do exército está completamente obsoleto e levou o Kremlin a abandonar o sistema de quatro escalões tradicional da época soviética - distrito militar, exército, divisão, regimento - e substituí-lo por um de três, mais moderno: distrito militar, comando operacional, brigada.
Tanto o armamento como a preparação estão no nível dos anos 1960, segundo o primeiro vice-ministro da Defesa, Alexandr Komakov. O mais novo que se pode encontrar no exército data dos anos 1980. E há uma quantidade excessiva de generais e coronéis, mas poucos tenentes.
Durante o recente conflito, os militares não tinham meios de comunicação modernos e os que possuíam eram inúteis contra os georgianos, que demonstraram uma excelente guerra radioeletrônica.
O jornal "Komsomolsakaya Pravda" conta que um correspondente teve de emprestar ao comandante do 58º Exército, quando este avançava para Tskhinvali, seu telefone via satélite porque o general não podia se comunicar com a artilharia e precisava que esta disparasse contra as colinas dominadas pelos georgianos. Os russos também careciam de meios de comunicação individuais, de dispositivos para enxergar à noite e muitos outros equipamentos.
O sistema russo Glonass - equivalente ao GPS americano - não funciona porque não há quantidade suficiente de satélites no espaço.
As unidades do distrito militar do Cáucaso do Norte "combateram como fazia o exército soviético há 20, 30 e até 50 anos", resume a situação o presidente do Instituto de Avaliações Estratégicas, Alexandr Konovalov.
Os planos de modernização das forças armadas russas prevêem até 2020 não só solucionar essas deficiências como também investir grandes somas na construção de novos porta-aviões, submarinos, aviões de quinta geração e no desenvolvimento da defesa aeroespacial. Para cumprir esses planos serão necessários no mínimo US$ 15 bilhões, segundo cálculos de Konovalov, o que exigirá aumentar substancialmente o orçamento destinado aos encargos estatais de armamento. Por enquanto, o orçamento militar aumentará no próximo ano 26%, chegando a cerca de US$ 47 bilhões (37 bilhões de euros): será o mais alto desde a queda da União Soviética, mas ainda menos de 3% do PIB e muito inferior ao dos EUA.
Especialistas independentes, como Pavel Felgengauer, afirmam que dar essas quantias ao complexo da indústria militar (CIM) russo é simplesmente gastar mal o dinheiro, e o que se deve fazer é comprar armamento moderno no estrangeiro, o que se fazia na época czarista e inclusive na soviética e hoje é proibido. O principal problema é que o CIM não tem mais capacidades que as atuais, e por isso simplesmente não pode produzir mais, por mais dinheiro que se injete.
Como injetar, em tempos de crise econômica, as enormes somas de que o exército precisa é algo que cada vez mais especialistas se perguntam. Mas, deixando de lado o problema do financiamento, os planos anunciados pelo presidente Dimitri Medvedev continuam difíceis de cumprir. Por exemplo, a Rússia não tem onde construir os porta-aviões. Na época soviética faziam isso em Nikolayevsk, hoje Ucrânia. Para cumprir os planos declarados seria preciso construir estaleiros especiais em outro lugar, e sem experiência nesse campo. Além disso, os construídos em Nikolayevsk não eram muito bons, segundo Felgengauer.
Não menos grave é o problema humano: a resistência que, segundo especialistas, haverá contra a reforma, sobretudo de parte dos oficiais que ficarão na rua. A verdade é que estes serão menos que a simples diferença entre 350 mil e 150 mil, já que há dezenas de milhares de postos que estão vagos, mas em todo caso serão mais de 100 mil homens”.
Rodrigo Fernández, em Moscou, escreveu para o jornal espanhol El Pais o seguinte texto que li no UOL em tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves:
“Os militares russos estão consternados. O governo decidiu realizar em passo acelerado uma reforma que tem como objetivo reduzir as forças armadas a um milhão de efetivos até 2012 e transformar seu exército em estruturas móveis e ágeis, dotadas de armas modernas. Motivo da pressa?
A guerra com a Geórgia deixou claro que o exército atual é um aparelho atrofiado, lento, e suas armas estão velhas não só no plano moral, mas também físico. A reforma anunciada pelo ministro da Defesa, Anatoli Serdiukov, é, segundo especialistas, a mais radical que houve na história russa desde a empreendida por Nikita Kruschev e prevê uma drástica diminuição da quantidade de oficiais, dos atuais 350 mil para 150 mil nos próximos quatro anos.
A guerra dos Cinco Dias, como chamam na Rússia o conflito armado com a Geórgia, mostrou que o sistema de direção do exército está completamente obsoleto e levou o Kremlin a abandonar o sistema de quatro escalões tradicional da época soviética - distrito militar, exército, divisão, regimento - e substituí-lo por um de três, mais moderno: distrito militar, comando operacional, brigada.
Tanto o armamento como a preparação estão no nível dos anos 1960, segundo o primeiro vice-ministro da Defesa, Alexandr Komakov. O mais novo que se pode encontrar no exército data dos anos 1980. E há uma quantidade excessiva de generais e coronéis, mas poucos tenentes.
Durante o recente conflito, os militares não tinham meios de comunicação modernos e os que possuíam eram inúteis contra os georgianos, que demonstraram uma excelente guerra radioeletrônica.
O jornal "Komsomolsakaya Pravda" conta que um correspondente teve de emprestar ao comandante do 58º Exército, quando este avançava para Tskhinvali, seu telefone via satélite porque o general não podia se comunicar com a artilharia e precisava que esta disparasse contra as colinas dominadas pelos georgianos. Os russos também careciam de meios de comunicação individuais, de dispositivos para enxergar à noite e muitos outros equipamentos.
O sistema russo Glonass - equivalente ao GPS americano - não funciona porque não há quantidade suficiente de satélites no espaço.
As unidades do distrito militar do Cáucaso do Norte "combateram como fazia o exército soviético há 20, 30 e até 50 anos", resume a situação o presidente do Instituto de Avaliações Estratégicas, Alexandr Konovalov.
Os planos de modernização das forças armadas russas prevêem até 2020 não só solucionar essas deficiências como também investir grandes somas na construção de novos porta-aviões, submarinos, aviões de quinta geração e no desenvolvimento da defesa aeroespacial. Para cumprir esses planos serão necessários no mínimo US$ 15 bilhões, segundo cálculos de Konovalov, o que exigirá aumentar substancialmente o orçamento destinado aos encargos estatais de armamento. Por enquanto, o orçamento militar aumentará no próximo ano 26%, chegando a cerca de US$ 47 bilhões (37 bilhões de euros): será o mais alto desde a queda da União Soviética, mas ainda menos de 3% do PIB e muito inferior ao dos EUA.
Especialistas independentes, como Pavel Felgengauer, afirmam que dar essas quantias ao complexo da indústria militar (CIM) russo é simplesmente gastar mal o dinheiro, e o que se deve fazer é comprar armamento moderno no estrangeiro, o que se fazia na época czarista e inclusive na soviética e hoje é proibido. O principal problema é que o CIM não tem mais capacidades que as atuais, e por isso simplesmente não pode produzir mais, por mais dinheiro que se injete.
Como injetar, em tempos de crise econômica, as enormes somas de que o exército precisa é algo que cada vez mais especialistas se perguntam. Mas, deixando de lado o problema do financiamento, os planos anunciados pelo presidente Dimitri Medvedev continuam difíceis de cumprir. Por exemplo, a Rússia não tem onde construir os porta-aviões. Na época soviética faziam isso em Nikolayevsk, hoje Ucrânia. Para cumprir os planos declarados seria preciso construir estaleiros especiais em outro lugar, e sem experiência nesse campo. Além disso, os construídos em Nikolayevsk não eram muito bons, segundo Felgengauer.
Não menos grave é o problema humano: a resistência que, segundo especialistas, haverá contra a reforma, sobretudo de parte dos oficiais que ficarão na rua. A verdade é que estes serão menos que a simples diferença entre 350 mil e 150 mil, já que há dezenas de milhares de postos que estão vagos, mas em todo caso serão mais de 100 mil homens”.
OS HISPÂNICOS NOS EUA SÃO UM ASSUNTO DA ESPANHA?
No portal UOL li o seguinte texto de Javier Valenzuela do jornal espanhol El País, traduzido por Luiz Roberto Mendes Gonçalves:
“A Espanha carece de uma política de Estado para os mais de 45 milhões de hispânicos dos EUA, uma comunidade chave nas próximas eleições e no futuro desse país. Uma relação mais estreita seria mutuamente vantajosa”
“Poucos compatriotas de Obama e McCain sabem que o primeiro europeu que pisou o solo do que hoje conhecemos como EUA foi um espanhol: Juan Ponce de León, em 1513, nas costas da Flórida. Ou que a cidade americana mais antiga é San Agustin, na Flórida, fundada em 1565. Ou que o nascimento de Santa Fe (Novo México) foi anterior à chegada a Massachusetts, em 1620, do navio inglês Mayflower com seus peregrinos.
Escritos a partir do anglocentrismo, os manuais americanos ignoram a história de um terço desse país. Mas quantos conhecem esses fatos na própria Espanha? Poucos, muito poucos.
O espanhol não é nenhuma novidade nos EUA, embora a maioria de seus habitantes, educados em uma mitologia estritamente branca, anglo-saxã e protestante (wasp), o desconheça. Os ancestrais de muitos hispânicos do Novo México, Texas ou Califórnia viviam ali muito antes da independência americana (1776). Como dizem achando graça, não é que eles atravessaram a fronteira, foi a fronteira que os atravessou quando em 1847 os jovens Estados Unidos anglos arrebataram ao México a metade setentrional de seu território.
Há pouco tempo soubemos que a valenciana Noelia Zanón tinha sido contratada para cantar os temas em castelhano da campanha de Obama.
Aqui houve alguns risos a respeito (quem é Noelia Zanón?) e nenhuma reflexão sobre o fundo do assunto: por que o Partido Democrata escolhe uma espanhola para se dirigir aos eleitores latinos? E, sobretudo, a Espanha pode desempenhar um papel no universo das comunidades hispânicas ao norte do rio Bravo?
Calcula-se que em 4 de novembro cerca de 10 milhões de latinos irão às urnas. A maioria deles, 3 em cada 5, parece inclinada por Obama; é o presidente poeta, como o chamou Ariel Dorfman. Mas essa é só a ponta de um grande iceberg. Os hispânicos, 45 milhões de pessoas no mínimo, já são a primeira minoria dos EUA, 15,1% da população, segundo o centro de pesquisas Pew. E o castelhano, usado por Obama e McCain para divulgar mensagens eleitorais, não é só a segunda língua dos EUA como esse país é o segundo de fala hispânica no mundo, depois do México e à frente da Espanha e da Colômbia.
É verdade que os hispânicos constituem um mosaico. Suas divisões são inúmeras: em função das cerca de 20 origens nacionais diferentes; da data de sua chegada aos EUA e de suas motivações (políticas para os exilados cubanos, econômicas para os mexicanos e quase todos os demais). Mas embora a grande maioria ganhe a vida em inglês já não existe como em tempos distantes a vontade de esquecer a língua de Cervantes e as raízes hispânicas.
Perderam o complexo, acaba de indicar Eduardo Lago, diretor do Instituto Cervantes em Nova York, na apresentação da Enciclopédia do Espanhol nos EUA. E acima da diversidade de suas procedências surge a consciência de uma identidade comum. Além disso, já não são só trabalhadores braçais - sua transformação em classe média é galopante.
O interesse do fenômeno para a Espanha deveria ser evidente. Para começar, os hispânicos (cerca de US$ 60 mil de renda média anual) são um mercado natural para produtos editoriais e culturais espanhóis, assim como uma via de entrada para outro tipo de bens e serviços no mercado americano em geral. Podem, é claro, desempenhar o papel de ponte política, econômica e cultural entre a Espanha e os EUA, sem esquecer as possibilidades de "triangulação" com a América Latina.
A maioria dos latinos dos EUA desconhece a Espanha; mal a localiza no mapa, e quando o faz não lhe dá mais importância que à Itália ou o Reino Unido. No entanto, uma estratégia espanhola de penetração e influência nesse mundo, da qual participassem os poderes públicos, empresas privadas e meios de comunicação, poderia lhes oferecer um pacote interessante:
1. Um elemento simbólico unificador das diferentes comunidades hispânicas. O que todas têm em comum - idioma, tradições, forma de vida, elementos culturais... - não se explica sem a Espanha. É o que disseram o rei Juan Carlos em Nova York (1997) e Washington (2001) e o príncipe de Astúrias em Washington (2003).
2. Uma raiz na própria história americana. O reino da Espanha teve uma ampla presença ao norte do rio Bravo tanto no tempo (1513-1822) como no espaço (do Caribe ao Pacífico). Os hispânicos não são recém-chegados aos EUA, estão em casa. Não tanto quanto os indígenas, mas tanto ou mais que os anglos.
PRESTÍGIO
3. A Espanha é um país europeu tão antigo ou mais que a Inglaterra e hoje constitui uma sociedade democrática, aberta, tolerante, com um nível razoável de proteção social e uma cultura atraente (Pedro Almodóvar, Antonio Banderas, Javier Bardem...), onde vivem amplas comunidades procedentes do outro lado do Atlântico e que renovou seus vínculos com a América Latina. Diante da superioridade política, econômica e cultural dos wasp, os hispânicos têm uma grande necessidade do que eles mesmos chamam de "respeito", e a Espanha pode lhes oferecer uma imagem de qualidade, suscetível de ser um patrimônio próprio.
4. Porta da Europa, o maior mercado do mundo. Como escreveu neste jornal Vicente Palacio, a Espanha deve se apresentar aos hispânicos dos EUA como "um parceiro europeu confiável, dinâmico e que vai ao encontro em seu mesmo idioma".
EDUCAÇÃO E FINANCIAMENTO
5.Em um congresso de empresários hispânicos e espanhóis realizado em 2004, na Casa América, os primeiros contaram que as duas grandes demandas de sua comunidade são educação e capital. Em relação à educação, salientaram que a contribuição espanhola poderia consistir na concessão de bolsas para universitários e uma maior presença editorial e cultural.
Em relação ao segundo, convidaram as entidades bancárias espanholas a se implantar em localidades com alta presença latina, coisa que o BBVA e o Santander Central Hispano já começaram a fazer.
INDÚSTRIAS DE PONTA
6. Jaime Malet e Paul Isbell lembraram aqui mesmo que a Espanha é vanguardista no setor de energias renováveis e que isso é muito atraente para os EUA, que já não podem continuar funcionando com o consumo ilimitado de petróleo barato. O setor espanhol das grandes infra-estruturas tem muitas possibilidades nesse país.
Na segunda metade dos anos 1990, coincidindo com o crescente peso latino nos EUA de Clinton - a moda Macarena - e com a maré de investimentos espanhóis na América Latina, começou-se a falar na Espanha sobre os hispânicos como um possível assunto de Estado. "Os espanhóis temos a obrigação de definir que papel podemos ter em uma nova dinâmica social que pode mudar os próprios EUA", disse Antonio Garrigues Walker na qualidade de presidente da Fundação Conselho Espanha-Estados Unidos. De fato, as primeiras análises sobre o fenômeno procederam dessa entidade, que definiu os hispânicos como um potencial aliado estratégico da Espanha.
Deve-se reconhecer que Aznar incorporou os hispânicos às prioridades de sua política externa, a ponto de ele mesmo ter feito várias viagens aos EUA destinadas exclusivamente a esse universo; em 2003 dirigiu-se em Austin (Texas) à assembléia anual do Conselho Nacional La Raza.
Lamentavelmente, tudo ficou na retórica, o apoio a Bush na guerra do Iraque e a um Aznar falando com um grotesco sotaque "tex-mex". Cabe igualmente lamentar que nem Zapatero nem Moratinos tenham evidenciado a menor preocupação por esse tema.
E se algum destinatário evidente tem o projeto de uma marca Espanha que vários organismos públicos e privados tentam promover, é essa comunidade de comunidades que são os hispânicos dos EUA. Segundo especialistas, seria preciso forjar uma política de Estado da qual participassem não só os governos, mas também as empresas e a sociedade civil. Seus primeiros destinatários teriam de ser os líderes e as organizações do mundo latino-americano, em particular os que transcendem suas origens nacionais e defendem o pan-hispanismo. E não se trata de que a Espanha pretenda substituir países como México, Cuba ou Brasil. A estratégia espanhola deve se inserir no âmbito ibero-americano.
Esperando Obama, há aqui o que María Jesús Criado, do Real Instituto Elcano, definiu uma vez como uma "relação por construir".
“A Espanha carece de uma política de Estado para os mais de 45 milhões de hispânicos dos EUA, uma comunidade chave nas próximas eleições e no futuro desse país. Uma relação mais estreita seria mutuamente vantajosa”
“Poucos compatriotas de Obama e McCain sabem que o primeiro europeu que pisou o solo do que hoje conhecemos como EUA foi um espanhol: Juan Ponce de León, em 1513, nas costas da Flórida. Ou que a cidade americana mais antiga é San Agustin, na Flórida, fundada em 1565. Ou que o nascimento de Santa Fe (Novo México) foi anterior à chegada a Massachusetts, em 1620, do navio inglês Mayflower com seus peregrinos.
Escritos a partir do anglocentrismo, os manuais americanos ignoram a história de um terço desse país. Mas quantos conhecem esses fatos na própria Espanha? Poucos, muito poucos.
O espanhol não é nenhuma novidade nos EUA, embora a maioria de seus habitantes, educados em uma mitologia estritamente branca, anglo-saxã e protestante (wasp), o desconheça. Os ancestrais de muitos hispânicos do Novo México, Texas ou Califórnia viviam ali muito antes da independência americana (1776). Como dizem achando graça, não é que eles atravessaram a fronteira, foi a fronteira que os atravessou quando em 1847 os jovens Estados Unidos anglos arrebataram ao México a metade setentrional de seu território.
Há pouco tempo soubemos que a valenciana Noelia Zanón tinha sido contratada para cantar os temas em castelhano da campanha de Obama.
Aqui houve alguns risos a respeito (quem é Noelia Zanón?) e nenhuma reflexão sobre o fundo do assunto: por que o Partido Democrata escolhe uma espanhola para se dirigir aos eleitores latinos? E, sobretudo, a Espanha pode desempenhar um papel no universo das comunidades hispânicas ao norte do rio Bravo?
Calcula-se que em 4 de novembro cerca de 10 milhões de latinos irão às urnas. A maioria deles, 3 em cada 5, parece inclinada por Obama; é o presidente poeta, como o chamou Ariel Dorfman. Mas essa é só a ponta de um grande iceberg. Os hispânicos, 45 milhões de pessoas no mínimo, já são a primeira minoria dos EUA, 15,1% da população, segundo o centro de pesquisas Pew. E o castelhano, usado por Obama e McCain para divulgar mensagens eleitorais, não é só a segunda língua dos EUA como esse país é o segundo de fala hispânica no mundo, depois do México e à frente da Espanha e da Colômbia.
É verdade que os hispânicos constituem um mosaico. Suas divisões são inúmeras: em função das cerca de 20 origens nacionais diferentes; da data de sua chegada aos EUA e de suas motivações (políticas para os exilados cubanos, econômicas para os mexicanos e quase todos os demais). Mas embora a grande maioria ganhe a vida em inglês já não existe como em tempos distantes a vontade de esquecer a língua de Cervantes e as raízes hispânicas.
Perderam o complexo, acaba de indicar Eduardo Lago, diretor do Instituto Cervantes em Nova York, na apresentação da Enciclopédia do Espanhol nos EUA. E acima da diversidade de suas procedências surge a consciência de uma identidade comum. Além disso, já não são só trabalhadores braçais - sua transformação em classe média é galopante.
O interesse do fenômeno para a Espanha deveria ser evidente. Para começar, os hispânicos (cerca de US$ 60 mil de renda média anual) são um mercado natural para produtos editoriais e culturais espanhóis, assim como uma via de entrada para outro tipo de bens e serviços no mercado americano em geral. Podem, é claro, desempenhar o papel de ponte política, econômica e cultural entre a Espanha e os EUA, sem esquecer as possibilidades de "triangulação" com a América Latina.
A maioria dos latinos dos EUA desconhece a Espanha; mal a localiza no mapa, e quando o faz não lhe dá mais importância que à Itália ou o Reino Unido. No entanto, uma estratégia espanhola de penetração e influência nesse mundo, da qual participassem os poderes públicos, empresas privadas e meios de comunicação, poderia lhes oferecer um pacote interessante:
1. Um elemento simbólico unificador das diferentes comunidades hispânicas. O que todas têm em comum - idioma, tradições, forma de vida, elementos culturais... - não se explica sem a Espanha. É o que disseram o rei Juan Carlos em Nova York (1997) e Washington (2001) e o príncipe de Astúrias em Washington (2003).
2. Uma raiz na própria história americana. O reino da Espanha teve uma ampla presença ao norte do rio Bravo tanto no tempo (1513-1822) como no espaço (do Caribe ao Pacífico). Os hispânicos não são recém-chegados aos EUA, estão em casa. Não tanto quanto os indígenas, mas tanto ou mais que os anglos.
PRESTÍGIO
3. A Espanha é um país europeu tão antigo ou mais que a Inglaterra e hoje constitui uma sociedade democrática, aberta, tolerante, com um nível razoável de proteção social e uma cultura atraente (Pedro Almodóvar, Antonio Banderas, Javier Bardem...), onde vivem amplas comunidades procedentes do outro lado do Atlântico e que renovou seus vínculos com a América Latina. Diante da superioridade política, econômica e cultural dos wasp, os hispânicos têm uma grande necessidade do que eles mesmos chamam de "respeito", e a Espanha pode lhes oferecer uma imagem de qualidade, suscetível de ser um patrimônio próprio.
4. Porta da Europa, o maior mercado do mundo. Como escreveu neste jornal Vicente Palacio, a Espanha deve se apresentar aos hispânicos dos EUA como "um parceiro europeu confiável, dinâmico e que vai ao encontro em seu mesmo idioma".
EDUCAÇÃO E FINANCIAMENTO
5.Em um congresso de empresários hispânicos e espanhóis realizado em 2004, na Casa América, os primeiros contaram que as duas grandes demandas de sua comunidade são educação e capital. Em relação à educação, salientaram que a contribuição espanhola poderia consistir na concessão de bolsas para universitários e uma maior presença editorial e cultural.
Em relação ao segundo, convidaram as entidades bancárias espanholas a se implantar em localidades com alta presença latina, coisa que o BBVA e o Santander Central Hispano já começaram a fazer.
INDÚSTRIAS DE PONTA
6. Jaime Malet e Paul Isbell lembraram aqui mesmo que a Espanha é vanguardista no setor de energias renováveis e que isso é muito atraente para os EUA, que já não podem continuar funcionando com o consumo ilimitado de petróleo barato. O setor espanhol das grandes infra-estruturas tem muitas possibilidades nesse país.
Na segunda metade dos anos 1990, coincidindo com o crescente peso latino nos EUA de Clinton - a moda Macarena - e com a maré de investimentos espanhóis na América Latina, começou-se a falar na Espanha sobre os hispânicos como um possível assunto de Estado. "Os espanhóis temos a obrigação de definir que papel podemos ter em uma nova dinâmica social que pode mudar os próprios EUA", disse Antonio Garrigues Walker na qualidade de presidente da Fundação Conselho Espanha-Estados Unidos. De fato, as primeiras análises sobre o fenômeno procederam dessa entidade, que definiu os hispânicos como um potencial aliado estratégico da Espanha.
Deve-se reconhecer que Aznar incorporou os hispânicos às prioridades de sua política externa, a ponto de ele mesmo ter feito várias viagens aos EUA destinadas exclusivamente a esse universo; em 2003 dirigiu-se em Austin (Texas) à assembléia anual do Conselho Nacional La Raza.
Lamentavelmente, tudo ficou na retórica, o apoio a Bush na guerra do Iraque e a um Aznar falando com um grotesco sotaque "tex-mex". Cabe igualmente lamentar que nem Zapatero nem Moratinos tenham evidenciado a menor preocupação por esse tema.
E se algum destinatário evidente tem o projeto de uma marca Espanha que vários organismos públicos e privados tentam promover, é essa comunidade de comunidades que são os hispânicos dos EUA. Segundo especialistas, seria preciso forjar uma política de Estado da qual participassem não só os governos, mas também as empresas e a sociedade civil. Seus primeiros destinatários teriam de ser os líderes e as organizações do mundo latino-americano, em particular os que transcendem suas origens nacionais e defendem o pan-hispanismo. E não se trata de que a Espanha pretenda substituir países como México, Cuba ou Brasil. A estratégia espanhola deve se inserir no âmbito ibero-americano.
Esperando Obama, há aqui o que María Jesús Criado, do Real Instituto Elcano, definiu uma vez como uma "relação por construir".
DESEMPREGO ATINGE MENOR TAXA PARA SETEMBRO DESDE 1998, SEGUNDO DIEESE
O portal UOL ontem publicou:
”O desemprego nas seis regiões metropolitanas do país analisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) caiu de 14,5% em agosto para 14,1% em setembro. É a menor taxa já registrada para o nono mês do ano desde 1998.
Em setembro do ano passado, o nível de desocupação estava em 15,5%.
A pesquisa constatou que existem 2,839 milhões de pessoas desempregadas nas regiões estudadas, 72 mil a menos que em agosto. O contingente de ocupados é de 17,347 milhões.
Foram criados em setembro 130 mil postos de trabalho, número superior ao de pessoas que ingressaram no mercado (58 mil). A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.
O desemprego caiu em todas as regiões analisadas, com exceção apenas de Recife (alta de 6,3%), quando se compara a taxa de setembro deste ano com a do mesmo mês do ano passado.
A maior queda foi em Belo Horizonte (redução de 16,7%). A taxa média das seis regiões caiu 9% nesse tipo de comparação (de 15,5% para 14,1%).
O nível de ocupação aumentou, de agosto para setembro, nos setores de serviços (171 mil novas vagas, alta de 1,9%), construção civil (18 mil postos, elevação também de 1,9%) e indústria (16 mil empregos, expansão de 0,6%). Houve diminuição no comércio (perda de 37 mil vagas, uma queda de 1,3%) e no que no conjunto dos demais setores (38 mil postos a menos, recuo de 2,5%).
O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados subiu 1% de agosto para setembro, atingindo R$ 1.171. Já o rendimento dos assalariados, especificamente, caiu 0,4%, para R$ 1.227”.
”O desemprego nas seis regiões metropolitanas do país analisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) caiu de 14,5% em agosto para 14,1% em setembro. É a menor taxa já registrada para o nono mês do ano desde 1998.
Em setembro do ano passado, o nível de desocupação estava em 15,5%.
A pesquisa constatou que existem 2,839 milhões de pessoas desempregadas nas regiões estudadas, 72 mil a menos que em agosto. O contingente de ocupados é de 17,347 milhões.
Foram criados em setembro 130 mil postos de trabalho, número superior ao de pessoas que ingressaram no mercado (58 mil). A pesquisa abrange as regiões metropolitanas de Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.
O desemprego caiu em todas as regiões analisadas, com exceção apenas de Recife (alta de 6,3%), quando se compara a taxa de setembro deste ano com a do mesmo mês do ano passado.
A maior queda foi em Belo Horizonte (redução de 16,7%). A taxa média das seis regiões caiu 9% nesse tipo de comparação (de 15,5% para 14,1%).
O nível de ocupação aumentou, de agosto para setembro, nos setores de serviços (171 mil novas vagas, alta de 1,9%), construção civil (18 mil postos, elevação também de 1,9%) e indústria (16 mil empregos, expansão de 0,6%). Houve diminuição no comércio (perda de 37 mil vagas, uma queda de 1,3%) e no que no conjunto dos demais setores (38 mil postos a menos, recuo de 2,5%).
O rendimento médio real dos trabalhadores ocupados subiu 1% de agosto para setembro, atingindo R$ 1.171. Já o rendimento dos assalariados, especificamente, caiu 0,4%, para R$ 1.227”.
DESMATAMENTO CAI 22% NA AMAZÔNIA EM SETEMBRO; ÁREA AFETADA É DE 587 KM²
Li ontem no portal UOL:
“O índice de desmatamento registrado na Amazônia no mês de setembro chegou a 587 km², o que representa uma queda de 22% em relação a agosto, segundo dados do sistema Deter - Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira. A área equivale a quase um terço da cidade de São Paulo.”
Em agosto, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) havia constatado o desmatamento de 750 km² na região. Em comparação com setembro de 2007, quando o Inpe registrou 603 km² de novos desmates, a queda foi de 2,7%.
No acumulado do ano, a Amazônia sofreu um desmatamento de 6.268 km², o equivalente a mais de quatro vezes a cidade de São Paulo.
O instituto avisa, em seu site, que os dados não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia, em função da resolução dos satélites e da cobertura de nuvens variável de um mês para outro, e, portanto, os números devem ser usados apenas como indicador de tendências do desmatamento.
Do total de alertas indicados pelo Deter em setembro, 216 km² foram registrados no Mato Grosso e 127 km² no Pará. Maranhão, Rondônia e Amazonas tiveram, respectivamente, 97 km², 91,5 km² e 46 km². Os demais estados da Amazônia Legal tiveram pouco ou nenhum desmatamento registrado pelo Deter.
Esses números, que consideram áreas que sofreram corte raso (desmate completo) ou degradação progressiva (floresta em processo de desmatamento), devem ser analisados em conjunto com os dados sobre a ocorrência de nuvens, que impedem o monitoramento por satélite.
No mês de setembro, enquanto Mato Grosso e Rondônia puderam ser livremente observados, 63% do território do Pará, por exemplo, esteve coberto pelas nuvens”.
“O índice de desmatamento registrado na Amazônia no mês de setembro chegou a 587 km², o que representa uma queda de 22% em relação a agosto, segundo dados do sistema Deter - Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta quarta-feira. A área equivale a quase um terço da cidade de São Paulo.”
Em agosto, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) havia constatado o desmatamento de 750 km² na região. Em comparação com setembro de 2007, quando o Inpe registrou 603 km² de novos desmates, a queda foi de 2,7%.
No acumulado do ano, a Amazônia sofreu um desmatamento de 6.268 km², o equivalente a mais de quatro vezes a cidade de São Paulo.
O instituto avisa, em seu site, que os dados não representam uma avaliação fiel do desmatamento mensal da Amazônia, em função da resolução dos satélites e da cobertura de nuvens variável de um mês para outro, e, portanto, os números devem ser usados apenas como indicador de tendências do desmatamento.
Do total de alertas indicados pelo Deter em setembro, 216 km² foram registrados no Mato Grosso e 127 km² no Pará. Maranhão, Rondônia e Amazonas tiveram, respectivamente, 97 km², 91,5 km² e 46 km². Os demais estados da Amazônia Legal tiveram pouco ou nenhum desmatamento registrado pelo Deter.
Esses números, que consideram áreas que sofreram corte raso (desmate completo) ou degradação progressiva (floresta em processo de desmatamento), devem ser analisados em conjunto com os dados sobre a ocorrência de nuvens, que impedem o monitoramento por satélite.
No mês de setembro, enquanto Mato Grosso e Rondônia puderam ser livremente observados, 63% do território do Pará, por exemplo, esteve coberto pelas nuvens”.
LULA VISITA HAVANA PELA 2ª VEZ EM 2008 PARA SER "SÓCIO Nº1" DE CUBA
A agência espanhola de notícias EFE ontem publicou (li no UOL):
“Havana, 29 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã a Havana para uma visita de menos de 24 horas, sua segunda em 2008, para ratificar seu desejo de tornar o Brasil "sócio número um" de Cuba.
Lula encontrará o presidente cubano, Raúl Castro, e lhe ratificará a solidariedade do Brasil após a passagem pela ilha de dois furacões entre agosto e setembro que causaram perdas superiores a US$ 5 bilhões.
Brasil enviou a Cuba no mês passado dois aviões com 28 toneladas de alimentos para os desabrigados e está em caminho um navio com mais mantimentos e materiais para a reconstrução de infra-estruturas e casas.
Além disso, o Brasil abriu uma linha de crédito de US$ 200 milhões para a compra de alimentos, tanto agropecuários como industrializados, a Cuba, que importa mais de 80% dos alimentos que consomem seus 11,2 milhões de habitantes.
Durante a visita, as estatais Petrobras e Cupet devem assinar um acordo para que a primeira faça prospecções em águas cubanas do Golfo do México, embora ainda estejam negociando detalhes finais, disseram à agência Efe diplomatas brasileiros em Havana.
Além disso, o presidente brasileiro convidará Raúl Castro a visitar o Brasil em dezembro, informou ontem seu porta-voz, Marcelo Baumbach.
O Governo cubano e os meios de comunicação da ilha -todos estatais- não informaram até agora da visita do líder brasileiro.
Lula esteve em Havana em 14 e 15 de janeiro, visitando o ditador Fidel Castro, de 83 anos, que devido à crise intestinal que sofre desde 2006, passou o poder a seu irmão, Raúl, de 77, em fevereiro.
Lula chegará a Havana acompanhado por empresários brasileiros, entre os quais promoveu pessoalmente oportunidades de negócios e investimentos na ilha.
Além disso, ele assistirá à inauguração em Havana de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
Desde janeiro se negociam acordos em torno de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões para infra-estruturas de estradas e compra de colheiteiras brasileiras de arroz e cana-de-açúcar.
Também há projetos de construção de hotéis, casas pré-fabricadas, lubrificantes petroquímicos, provisão de materiais para infra-estruturas elétricas, indústrias siderúrgicas e mecânicas, e montagem de ônibus e reboques”
“Havana, 29 out (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega amanhã a Havana para uma visita de menos de 24 horas, sua segunda em 2008, para ratificar seu desejo de tornar o Brasil "sócio número um" de Cuba.
Lula encontrará o presidente cubano, Raúl Castro, e lhe ratificará a solidariedade do Brasil após a passagem pela ilha de dois furacões entre agosto e setembro que causaram perdas superiores a US$ 5 bilhões.
Brasil enviou a Cuba no mês passado dois aviões com 28 toneladas de alimentos para os desabrigados e está em caminho um navio com mais mantimentos e materiais para a reconstrução de infra-estruturas e casas.
Além disso, o Brasil abriu uma linha de crédito de US$ 200 milhões para a compra de alimentos, tanto agropecuários como industrializados, a Cuba, que importa mais de 80% dos alimentos que consomem seus 11,2 milhões de habitantes.
Durante a visita, as estatais Petrobras e Cupet devem assinar um acordo para que a primeira faça prospecções em águas cubanas do Golfo do México, embora ainda estejam negociando detalhes finais, disseram à agência Efe diplomatas brasileiros em Havana.
Além disso, o presidente brasileiro convidará Raúl Castro a visitar o Brasil em dezembro, informou ontem seu porta-voz, Marcelo Baumbach.
O Governo cubano e os meios de comunicação da ilha -todos estatais- não informaram até agora da visita do líder brasileiro.
Lula esteve em Havana em 14 e 15 de janeiro, visitando o ditador Fidel Castro, de 83 anos, que devido à crise intestinal que sofre desde 2006, passou o poder a seu irmão, Raúl, de 77, em fevereiro.
Lula chegará a Havana acompanhado por empresários brasileiros, entre os quais promoveu pessoalmente oportunidades de negócios e investimentos na ilha.
Além disso, ele assistirá à inauguração em Havana de um escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
Desde janeiro se negociam acordos em torno de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões para infra-estruturas de estradas e compra de colheiteiras brasileiras de arroz e cana-de-açúcar.
Também há projetos de construção de hotéis, casas pré-fabricadas, lubrificantes petroquímicos, provisão de materiais para infra-estruturas elétricas, indústrias siderúrgicas e mecânicas, e montagem de ônibus e reboques”
ONU APROVA (PELA 17ª VEZ) PEDIDO DE SUSPENSÃO DE EMBARGO DOS EUA A CUBA
A agência espanhola de notícias EFE divulgou ontem, a partir da sede das Nações Unidas (li no UOL):
“A Assembléia Geral da ONU aprovou hoje uma resolução que pede o fim do embargo econômico e comercial declarado há quase meio século pelos Estados Unidos contra Cuba.
Dos 192 países que integram a ONU, 185 países votaram a favor, três (Estados Unidos, Israel e Palau) foram contra, dois se abstiveram (Ilhas Marshall e Micronésia) e dois países não votaram (El Salvador e Iraque)”.
Esta é a 17ª vez consecutiva que Cuba apresenta à Assembléia Geral uma resolução que critica os efeitos negativos destas sanções unilaterais dos Estados Unidos e pede sua revogação.
A resolução apresentada ao plenário pelo chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, recebeu, nesta ocasião, um apoio superior ao do ano passado, quando foi respaldada por 184 países e rejeitada por quatro.
"Vocês estão sozinhos, completamente isolados", disse pouco antes da votação Pérez Roque, dirigindo-se à delegação americana.
Em seu discurso, o chanceler cubano disse que "sete em cada dez cubanos passaram a vida sob esta política irracional e inútil".
"O bloqueio é mais velho que o senhor Barack Obama (o candidato democrata à Presidência dos EUA) e que toda minha geração", disse.
Pérez Roque destacou que o debate na ONU sobre o embargo dos EUA será realizado este ano com o cenário das eleições presidenciais americanas e a passagem, em agosto e setembro, de dois furacões pela ilha.
O chanceler disse que os Estados Unidos responderam aos furacões "com seu habitual cinismo e hipocrisia", e criticou que Washington não tenha concordado com o pedido de permitir a compra, por parte de Cuba, de produtos americanos através de créditos privados.
O ministro cubano justificou sua rejeição aos US$ 5 milhões em ajuda direta oferecida pelo Governo americano destacando que as autoridades de Cuba não podem "aceitar uma suposta ajuda daqueles que intensificaram o bloqueio, as sanções e a hostilidade" contra o povo cubano.
Pérez Roque disse ainda que os Estados Unidos aumentaram, no último ano, a perseguição a empresas cubanas em outros países, criaram obstáculos às transações internacionais da nação e bloquearam sites com vínculos a Cuba.
Por sua parte, o representante americano, Ronald Goddard, acusou o regime cubano de colocar seus interesses políticos à frente do bem-estar do povo americano, ao rejeitar, em quatro ocasiões, as "ofertas incondicionais" de ajuda de Washington após a passagem dos furacões.
Goddard afirmou que o Governo dos EUA considera que o embargo a Cuba é um assunto que não diz respeito à Assembléia Geral, porque faz parte da política comercial soberana do país.
Assim mesmo, ressaltou que o embargo foi "cuidadosamente elaborado" para permitir o acesso do povo cubano a alimentos e produtos humanitários.
Nesse sentido, lembrou que os Estados Unidos são o maior parceiro comercial de Cuba na venda de produtos agrícolas, que foram enviados US$ 40 milhões em remédios à ilha em 2007 e US$ 240 milhões em "assistência humanitária privada".
EMBARGO
O embargo econômico à ilha caribenha foi instituído pelos Estados Unidos em 1962, três anos após a queda do governo do ditador Fulgêncio Batista e tomada de poder pela Junta Militar Revolucionária cubana.
Antes, porém, o governo norte-americano já havia levado a cabo uma série de medidas retaliatórias às reformas e estatizações promovidas por Fidel Castro.
Em 1960, reduziram a cota de importação do açúcar cubano em 700 mil toneladas. Os EUA eram o principal comprador do produto.
Em 1961, a potência cortou as relações diplomáticas com Cuba e, segundo historiadores, financiou a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos.
A aliança de Cuba com a União Sovietica foi firmada a partir do embargo, que deixara a ilha isolada no comércio internacional e detentora de uma produção econômica majoritariamente agrícola. Ao aceitar o auxílio soviético, a ilha entrava também na área de influência política da potência comunista.
Este processo culminou na Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. O episódio é até hoje lembrado como um dos poucos momentos da segundo metade do século 20 em que o temor de ver a Guerra Fria transformar-se em uma grande guerra nuclear foi verossímil”.
“A Assembléia Geral da ONU aprovou hoje uma resolução que pede o fim do embargo econômico e comercial declarado há quase meio século pelos Estados Unidos contra Cuba.
Dos 192 países que integram a ONU, 185 países votaram a favor, três (Estados Unidos, Israel e Palau) foram contra, dois se abstiveram (Ilhas Marshall e Micronésia) e dois países não votaram (El Salvador e Iraque)”.
Esta é a 17ª vez consecutiva que Cuba apresenta à Assembléia Geral uma resolução que critica os efeitos negativos destas sanções unilaterais dos Estados Unidos e pede sua revogação.
A resolução apresentada ao plenário pelo chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, recebeu, nesta ocasião, um apoio superior ao do ano passado, quando foi respaldada por 184 países e rejeitada por quatro.
"Vocês estão sozinhos, completamente isolados", disse pouco antes da votação Pérez Roque, dirigindo-se à delegação americana.
Em seu discurso, o chanceler cubano disse que "sete em cada dez cubanos passaram a vida sob esta política irracional e inútil".
"O bloqueio é mais velho que o senhor Barack Obama (o candidato democrata à Presidência dos EUA) e que toda minha geração", disse.
Pérez Roque destacou que o debate na ONU sobre o embargo dos EUA será realizado este ano com o cenário das eleições presidenciais americanas e a passagem, em agosto e setembro, de dois furacões pela ilha.
O chanceler disse que os Estados Unidos responderam aos furacões "com seu habitual cinismo e hipocrisia", e criticou que Washington não tenha concordado com o pedido de permitir a compra, por parte de Cuba, de produtos americanos através de créditos privados.
O ministro cubano justificou sua rejeição aos US$ 5 milhões em ajuda direta oferecida pelo Governo americano destacando que as autoridades de Cuba não podem "aceitar uma suposta ajuda daqueles que intensificaram o bloqueio, as sanções e a hostilidade" contra o povo cubano.
Pérez Roque disse ainda que os Estados Unidos aumentaram, no último ano, a perseguição a empresas cubanas em outros países, criaram obstáculos às transações internacionais da nação e bloquearam sites com vínculos a Cuba.
Por sua parte, o representante americano, Ronald Goddard, acusou o regime cubano de colocar seus interesses políticos à frente do bem-estar do povo americano, ao rejeitar, em quatro ocasiões, as "ofertas incondicionais" de ajuda de Washington após a passagem dos furacões.
Goddard afirmou que o Governo dos EUA considera que o embargo a Cuba é um assunto que não diz respeito à Assembléia Geral, porque faz parte da política comercial soberana do país.
Assim mesmo, ressaltou que o embargo foi "cuidadosamente elaborado" para permitir o acesso do povo cubano a alimentos e produtos humanitários.
Nesse sentido, lembrou que os Estados Unidos são o maior parceiro comercial de Cuba na venda de produtos agrícolas, que foram enviados US$ 40 milhões em remédios à ilha em 2007 e US$ 240 milhões em "assistência humanitária privada".
EMBARGO
O embargo econômico à ilha caribenha foi instituído pelos Estados Unidos em 1962, três anos após a queda do governo do ditador Fulgêncio Batista e tomada de poder pela Junta Militar Revolucionária cubana.
Antes, porém, o governo norte-americano já havia levado a cabo uma série de medidas retaliatórias às reformas e estatizações promovidas por Fidel Castro.
Em 1960, reduziram a cota de importação do açúcar cubano em 700 mil toneladas. Os EUA eram o principal comprador do produto.
Em 1961, a potência cortou as relações diplomáticas com Cuba e, segundo historiadores, financiou a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos.
A aliança de Cuba com a União Sovietica foi firmada a partir do embargo, que deixara a ilha isolada no comércio internacional e detentora de uma produção econômica majoritariamente agrícola. Ao aceitar o auxílio soviético, a ilha entrava também na área de influência política da potência comunista.
Este processo culminou na Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962. O episódio é até hoje lembrado como um dos poucos momentos da segundo metade do século 20 em que o temor de ver a Guerra Fria transformar-se em uma grande guerra nuclear foi verossímil”.
MUDARÁ AINDA EM 2008 O ENDEREÇO FUNCIONAL DE LULA
LULA VAI PARA O CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (CCBB)
Li no jornal Correio Braziliense de ontem:
PREPARATIVOS DA MUDANÇA
“Será realizada entre dezembro e janeiro a mudança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de funcionários graduados da Presidência da República para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Soldados do Exército já trabalham na ampliação da estrutura do CCBB, que será a sede temporária do Poder Executivo enquanto o Palácio do Planalto passar por obras de restauração, destinadas a readequá-lo ao projeto original, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. O próprio escritório de Niemeyer foi contratado para planejar a reforma, que será concluída até o primeiro semestre de 2010.
Lula decidiu tocar a empreitada para acabar com as “gambiarras” que teriam descaracterizado o palácio. Tão logo a decisão veio a público, começou uma corrida entre auxiliares para garantir um lugar ao lado do presidente no CCBB. É certo, por exemplo, que os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social) compartilharão o novo endereço com o presidente”.
Li no jornal Correio Braziliense de ontem:
PREPARATIVOS DA MUDANÇA
“Será realizada entre dezembro e janeiro a mudança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de funcionários graduados da Presidência da República para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
Soldados do Exército já trabalham na ampliação da estrutura do CCBB, que será a sede temporária do Poder Executivo enquanto o Palácio do Planalto passar por obras de restauração, destinadas a readequá-lo ao projeto original, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. O próprio escritório de Niemeyer foi contratado para planejar a reforma, que será concluída até o primeiro semestre de 2010.
Lula decidiu tocar a empreitada para acabar com as “gambiarras” que teriam descaracterizado o palácio. Tão logo a decisão veio a público, começou uma corrida entre auxiliares para garantir um lugar ao lado do presidente no CCBB. É certo, por exemplo, que os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social) compartilharão o novo endereço com o presidente”.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
CÂMARA APROVA QUE BC COMPRE CARTEIRAS DE CRÉDITOS DE BANCOS
Li ontem, tarde da noite, a seguinte notícia postada no portal UOL:
“A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira a medida provisória Anticrise (422/08), que dá poderes ao Banco Central para aceitar as carteiras de crédito de bancos com dificuldades de liquidez como garantia de empréstimos. A informação foi divulgada pela Agência Câmara.
O BC também é autorizado a emprestar recursos da reserva internacional (cerca de US$ 200 bilhões) a bancos financiadores de empresas exportadoras.
A aprovação de outra medida provisóriaa, a 443, que permite ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comprarem instituições financeiras e construtoras em dificuldades, ainda será analisada.
Segundo a Agência Brasil, líderes do governo e da oposição acertaram nesta terça-feira a criação de uma comissão mista do Congresso Nacional para essa avaliação.
Segundo os líderes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o governo está aberto a negociações. O ministro se reuniu por mais de duas horas com os líderes.
"O ministro nos disse que o governo admite correções que aprimorem a MP. Ele não tem nenhuma objeção e aí reforça nossa posição de criar a comissão mista para analisar a medida", disse o líder do PSDB, deputado José Anibal (SP).
O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que está aberto ao diálogo com a oposição para aprimorar o texto da MP.
"A regra central do governo é preservar empregos, a renda da população e o crescimento da economia. Então, quaisquer medidas que aperfeiçoem a MP e preservem esses sentimentos para enfrentar os impactos da crise, o governo está totalmente aberto ao diálogo, à negociação", afirmou.
Fontana disse que não há objeção à sugestão de se instituir um prazo para que o BB e a CEF possam adquirir instituições financeiras e construtoras.
Em relação à possível estatização de bancos, o líder disse que o objetivo "é manter a estabilidade econômica, o crescimento, os empregos e a renda da população".
“A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira a medida provisória Anticrise (422/08), que dá poderes ao Banco Central para aceitar as carteiras de crédito de bancos com dificuldades de liquidez como garantia de empréstimos. A informação foi divulgada pela Agência Câmara.
O BC também é autorizado a emprestar recursos da reserva internacional (cerca de US$ 200 bilhões) a bancos financiadores de empresas exportadoras.
A aprovação de outra medida provisóriaa, a 443, que permite ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal comprarem instituições financeiras e construtoras em dificuldades, ainda será analisada.
Segundo a Agência Brasil, líderes do governo e da oposição acertaram nesta terça-feira a criação de uma comissão mista do Congresso Nacional para essa avaliação.
Segundo os líderes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que o governo está aberto a negociações. O ministro se reuniu por mais de duas horas com os líderes.
"O ministro nos disse que o governo admite correções que aprimorem a MP. Ele não tem nenhuma objeção e aí reforça nossa posição de criar a comissão mista para analisar a medida", disse o líder do PSDB, deputado José Anibal (SP).
O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que está aberto ao diálogo com a oposição para aprimorar o texto da MP.
"A regra central do governo é preservar empregos, a renda da população e o crescimento da economia. Então, quaisquer medidas que aperfeiçoem a MP e preservem esses sentimentos para enfrentar os impactos da crise, o governo está totalmente aberto ao diálogo, à negociação", afirmou.
Fontana disse que não há objeção à sugestão de se instituir um prazo para que o BB e a CEF possam adquirir instituições financeiras e construtoras.
Em relação à possível estatização de bancos, o líder disse que o objetivo "é manter a estabilidade econômica, o crescimento, os empregos e a renda da população".
A DERROTA DO PSDB/DEM
Li ontem no blog “Por um novo Brasil” o seguinte texto de Jussara Seixas:
“Dizem o PIG [Partido da Imprensa Golpista] e o PSDB que Serra é o grande vencedor da eleição. Que o presidente Lula perdeu para o Serra, que Lula foi humilhado.
Então vamos aos fatos.
O candidato do partido do Serra em SP, Alckmin, não chegou nem ao segundo turno.
Mesmo com toda a celeuma, grande parte dos eleitores não tinha conhecimento das brigas internas do PSDB, não sabia que Serra estava chutando Alckmin que nem bola murcha. Tanto que as pesquisas feitas davam Alckmin como candidato do Serra. Em Guarulhos, segundo maior colégio eleitoral de SP, o candidato do Serra, do PSDB, perdeu para o PT. E ele recebeu apoio formal do Serra.
Sebastião Almeida, do PT, recebeu apoio formal e pessoal do presidente Lula e ganhou.
Em São Bernardo do Campo, o candidato do Serra, do PSDB, recebeu apoio formal de Serra e perdeu para o PT, venceu Luiz Marinho, candidato do presidente Lula.
Em Bauru, o candidato do PSDB recebeu apoio formal do Serra e perdeu para o candidato da coligação PMDB/ PT.
Em Osasco o candidato do PSDB, Celso Giglio, que teve o apoio de Serra, perdeu para o atual prefeito, do PT.
Em Embu, o candidato do PSDB, com o apoio de Serra, perdeu para o do PT.
Em Mauá, o candidato do PSDB, do Serra, não foi nem para o segundo turno, venceu Osvaldo Dias, do PT.
Em Campinas, o candidato do PSDB, com apoio do Serra, Carlos Sampaio, teve 14% de votos, e o candidato apoiado pelo PT, Dr. Hélio venceu com 67%.
Tem outras cidades em SP nas quais o PSDB do Serra perdeu feio, só citei algumas.
Venceu o DEM em SP, o rabo do PSDB (agora não sei mais quem é rabo de quem). Venceu graças à mentira, à enganação, ao uso da máquina da prefeitura e do estado. Venceu com o apoio do PMDB de Quércia, que proporcionou mais tempo na TV, venceu com o apoio da mídia de SP, dos jornalões do PIG, que esconderam as mazelas da prefeitura de SP. Venceu o DEM graças aos votos da elite branca de SP, que diz que vota no bandido Marcola do PCC, e não vota na Marta e no PT. É o preconceito misturado com burrice e ignorância política, como sempre, que elegeu Kassab em SP. Não foi o apoio de Serra, como quer fazer crer a mídia de SP e a Globo.
Claro que essa vitória do DEM em SP vai ajudar Serra. Em 2010, Serra vai contar com a máquina da prefeitura e do estado, vai contar com o PMDB do Quércia, que quer ser senador, e com a FIESP, que abriga a liderança da elite branca e cansada de SP, sem falar nos jornalões, na Globo.
O PSDB, DEM e PPS, foram os grandes derrotados nas urnas nas eleições municipais, o PMDB só teve vitórias porque está na base apoio ao governo Lula. Tem vários ministros do PMDB no governo Lula, e os candidatos do PMDB tiveram apoio do presidente Lula.
No segundo turno, o PT foi o partido mais votado, com 5,1 milhões de votos. O PT disputou quinze segundos turnos e venceu oito. Fora as conquistas no primeiro turno.
Entre as cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT passou de 22 para 31, crescimento de 40,9%.
O PT obteve também a maior taxa de reeleição entre os partidos: 56% dos prefeitos e prefeitas do PT reelegeram-se ou fizeram o sucessor.
A base municipal do governo Lula cresceu fortemente e vai governar 72% do eleitorado brasileiro, incluindo 20 das 26 capitais.
O PT teve um crescimento de 36%, elegeu 559 prefeitos (em 2004 o PT tinha 411 prefeitos). O PSDB elegeu 786 prefeitos em 2008, e ele tinha 871 prefeitos em 2004, ou seja, perdeu eleitorado em 2008, perdeu 85 prefeituras. O PT teve ganho de 148 prefeituras. O DEM perdeu nada mais nada menos do que 290 prefeituras, ganhou apenas SP, onde os eleitores da elite branca elegeriam até Marcola do PCC.
Diz o Sergio Guerra, presidente do PSDB, que o presidente Lula foi humilhado nessa eleição, Que é isso senador, fugiu da escola, não sabe fazer contas? Humilhado saiu o PSDB com a derrota de Alckmin em SP, capital do estado que ele governou em dois mandatos.
Humilhado saiu o PSDB, com derrotas e mais derrotas em cidades de SP que tinham candidatos do PSDB apoiados por Serra.
Humilhado está FHC, que não pode aparecer nas campanhas dos candidatos do PSDB, tal a sua rejeição.
Os vitoriosos nessas eleições foram o PT e os partidos da base de apoio do governo Lula.
A oposição ao governo Lula foi a grande derrotada nas eleições de 2008.
É matemática, não dá para manipular, como costuma e quer o PSDB”.
“Dizem o PIG [Partido da Imprensa Golpista] e o PSDB que Serra é o grande vencedor da eleição. Que o presidente Lula perdeu para o Serra, que Lula foi humilhado.
Então vamos aos fatos.
O candidato do partido do Serra em SP, Alckmin, não chegou nem ao segundo turno.
Mesmo com toda a celeuma, grande parte dos eleitores não tinha conhecimento das brigas internas do PSDB, não sabia que Serra estava chutando Alckmin que nem bola murcha. Tanto que as pesquisas feitas davam Alckmin como candidato do Serra. Em Guarulhos, segundo maior colégio eleitoral de SP, o candidato do Serra, do PSDB, perdeu para o PT. E ele recebeu apoio formal do Serra.
Sebastião Almeida, do PT, recebeu apoio formal e pessoal do presidente Lula e ganhou.
Em São Bernardo do Campo, o candidato do Serra, do PSDB, recebeu apoio formal de Serra e perdeu para o PT, venceu Luiz Marinho, candidato do presidente Lula.
Em Bauru, o candidato do PSDB recebeu apoio formal do Serra e perdeu para o candidato da coligação PMDB/ PT.
Em Osasco o candidato do PSDB, Celso Giglio, que teve o apoio de Serra, perdeu para o atual prefeito, do PT.
Em Embu, o candidato do PSDB, com o apoio de Serra, perdeu para o do PT.
Em Mauá, o candidato do PSDB, do Serra, não foi nem para o segundo turno, venceu Osvaldo Dias, do PT.
Em Campinas, o candidato do PSDB, com apoio do Serra, Carlos Sampaio, teve 14% de votos, e o candidato apoiado pelo PT, Dr. Hélio venceu com 67%.
Tem outras cidades em SP nas quais o PSDB do Serra perdeu feio, só citei algumas.
Venceu o DEM em SP, o rabo do PSDB (agora não sei mais quem é rabo de quem). Venceu graças à mentira, à enganação, ao uso da máquina da prefeitura e do estado. Venceu com o apoio do PMDB de Quércia, que proporcionou mais tempo na TV, venceu com o apoio da mídia de SP, dos jornalões do PIG, que esconderam as mazelas da prefeitura de SP. Venceu o DEM graças aos votos da elite branca de SP, que diz que vota no bandido Marcola do PCC, e não vota na Marta e no PT. É o preconceito misturado com burrice e ignorância política, como sempre, que elegeu Kassab em SP. Não foi o apoio de Serra, como quer fazer crer a mídia de SP e a Globo.
Claro que essa vitória do DEM em SP vai ajudar Serra. Em 2010, Serra vai contar com a máquina da prefeitura e do estado, vai contar com o PMDB do Quércia, que quer ser senador, e com a FIESP, que abriga a liderança da elite branca e cansada de SP, sem falar nos jornalões, na Globo.
O PSDB, DEM e PPS, foram os grandes derrotados nas urnas nas eleições municipais, o PMDB só teve vitórias porque está na base apoio ao governo Lula. Tem vários ministros do PMDB no governo Lula, e os candidatos do PMDB tiveram apoio do presidente Lula.
No segundo turno, o PT foi o partido mais votado, com 5,1 milhões de votos. O PT disputou quinze segundos turnos e venceu oito. Fora as conquistas no primeiro turno.
Entre as cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT passou de 22 para 31, crescimento de 40,9%.
O PT obteve também a maior taxa de reeleição entre os partidos: 56% dos prefeitos e prefeitas do PT reelegeram-se ou fizeram o sucessor.
A base municipal do governo Lula cresceu fortemente e vai governar 72% do eleitorado brasileiro, incluindo 20 das 26 capitais.
O PT teve um crescimento de 36%, elegeu 559 prefeitos (em 2004 o PT tinha 411 prefeitos). O PSDB elegeu 786 prefeitos em 2008, e ele tinha 871 prefeitos em 2004, ou seja, perdeu eleitorado em 2008, perdeu 85 prefeituras. O PT teve ganho de 148 prefeituras. O DEM perdeu nada mais nada menos do que 290 prefeituras, ganhou apenas SP, onde os eleitores da elite branca elegeriam até Marcola do PCC.
Diz o Sergio Guerra, presidente do PSDB, que o presidente Lula foi humilhado nessa eleição, Que é isso senador, fugiu da escola, não sabe fazer contas? Humilhado saiu o PSDB com a derrota de Alckmin em SP, capital do estado que ele governou em dois mandatos.
Humilhado saiu o PSDB, com derrotas e mais derrotas em cidades de SP que tinham candidatos do PSDB apoiados por Serra.
Humilhado está FHC, que não pode aparecer nas campanhas dos candidatos do PSDB, tal a sua rejeição.
Os vitoriosos nessas eleições foram o PT e os partidos da base de apoio do governo Lula.
A oposição ao governo Lula foi a grande derrotada nas eleições de 2008.
É matemática, não dá para manipular, como costuma e quer o PSDB”.
“ENSAIO PARA UMA ANÁLISE ELEITORAL”
O jornalista e escritor Miguel do Rosário ontem postou em seu blog “Óleo do Diabo”:
“Rareiam análises objetivas sobre a nova configuração eleitoral. A ansiedade ideológica e partidária mancham jornais de azul e amarelo e a esquerda, encurralada nos recantos obscuros (ou nem tanto) da web, entoa hinos de vitória. Por outro lado, creio que as pessoas minimamente esclarecidas já desenvolveram um criticismo saudável para navegar neste nevoeiro.
O lingüista Noam Chomsky ensina que é possível se informar através da mídia corporativa, desde que se o faça de maneira crítica e até mesmo filosófica. Eu acrescentaria que deveria se ler inclusive com estoicismo, evitando paixões e úlceras.
Outra grande descoberta de Chomsky: ouça o que seus adversários têm a dizer.
Acredite neles. Deixe-os tropeçar em suas próprias contradições. Em se tratando de imprensa, não existe nada mais constrangedor do que entrar em contradição. Quer dizer, até pouco tempo atrás a imprensa tocava suas contradições tranquilamente. A internet surgiu como um dedo acusador, um gigantesco, ubíquo, onisciente e incansável umbudsman. A internet é o verdadeiro ‘ombudsman’ da imprensa, visto que por mais que os jornais contratem pessoas idôneas para desempenhar esse papel, todos os conceitos lógicos sobre o homem, sua psicologia e sua inexorável dependência de proteínas, apontam a dificuldade de ser independente perante quem lhe paga o salário.
Há um fato novo político que os analistas ainda não detectaram: a interpretação dos resultados eleitorais escorregou das mãos corporativas da mídia e caiu no colo de blogs e sites independentes.
Independência de opinião, lembre-se, não significa apartidarismo ou neutralidade e sim liberdade política, financeira e profissional.
Analistas políticos profissionais muitas vezes não são independentes porque dependem da mídia para sobreviverem e, por isso, sacrificam sua liberdade em troca de pão.
Os fatos são os seguintes: a oposição perdeu votos, perdeu cidades, e os partidos da base aliada ganharam eleitorado e ganharam mais cidades. Simples. Se Lula deu um banho em 2006 do jeito que as coisas estavam, agora terá um arsenal partidário e administrativo ainda mais vigoroso para vencer novamente em 2010.
As chances de Lula eleger um sucessor, portanto, fortaleceram-se.
A batalha pelo poder no Brasil já começou. A mídia tem seu lado, o que tornam as vitórias da esquerda ainda mais saborosas, com implicações sociológicas ainda mais profundas não apenas sobre a economia brasileira, mas também sobre o futuro dos meios de comunicação”.
“Rareiam análises objetivas sobre a nova configuração eleitoral. A ansiedade ideológica e partidária mancham jornais de azul e amarelo e a esquerda, encurralada nos recantos obscuros (ou nem tanto) da web, entoa hinos de vitória. Por outro lado, creio que as pessoas minimamente esclarecidas já desenvolveram um criticismo saudável para navegar neste nevoeiro.
O lingüista Noam Chomsky ensina que é possível se informar através da mídia corporativa, desde que se o faça de maneira crítica e até mesmo filosófica. Eu acrescentaria que deveria se ler inclusive com estoicismo, evitando paixões e úlceras.
Outra grande descoberta de Chomsky: ouça o que seus adversários têm a dizer.
Acredite neles. Deixe-os tropeçar em suas próprias contradições. Em se tratando de imprensa, não existe nada mais constrangedor do que entrar em contradição. Quer dizer, até pouco tempo atrás a imprensa tocava suas contradições tranquilamente. A internet surgiu como um dedo acusador, um gigantesco, ubíquo, onisciente e incansável umbudsman. A internet é o verdadeiro ‘ombudsman’ da imprensa, visto que por mais que os jornais contratem pessoas idôneas para desempenhar esse papel, todos os conceitos lógicos sobre o homem, sua psicologia e sua inexorável dependência de proteínas, apontam a dificuldade de ser independente perante quem lhe paga o salário.
Há um fato novo político que os analistas ainda não detectaram: a interpretação dos resultados eleitorais escorregou das mãos corporativas da mídia e caiu no colo de blogs e sites independentes.
Independência de opinião, lembre-se, não significa apartidarismo ou neutralidade e sim liberdade política, financeira e profissional.
Analistas políticos profissionais muitas vezes não são independentes porque dependem da mídia para sobreviverem e, por isso, sacrificam sua liberdade em troca de pão.
Os fatos são os seguintes: a oposição perdeu votos, perdeu cidades, e os partidos da base aliada ganharam eleitorado e ganharam mais cidades. Simples. Se Lula deu um banho em 2006 do jeito que as coisas estavam, agora terá um arsenal partidário e administrativo ainda mais vigoroso para vencer novamente em 2010.
As chances de Lula eleger um sucessor, portanto, fortaleceram-se.
A batalha pelo poder no Brasil já começou. A mídia tem seu lado, o que tornam as vitórias da esquerda ainda mais saborosas, com implicações sociológicas ainda mais profundas não apenas sobre a economia brasileira, mas também sobre o futuro dos meios de comunicação”.
POR QUE MESMO McCAIN É “HERÓI DE GUERRA”?
Li ontem no site “Carta Maior” o seguinte texto do filósofo e cientista político Emir Sader:
A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PRISÃO DE MCCAIN NO VIETNÃ
“O último livro de Michael Moore, publicado este ano nos EUA e que não chegou por aqui, tem como título original “O guia de Mike para as eleições”.
Reproduzo para vocês alguns dos melhores momentos do livro. O primeiro, a verdadeira história da prisão de McCain no Vietnã:
“John McCain participou como piloto de guerra de 23 bombardeios sobre o Vietnã do Norte...” Nessas ações, “as forças estadunidenses realizaram 307vôos de combate e jogaram 643.000 toneladas de bombas no território vietnamita (aproximadamente as mesmas toneladas que foram lançadas no Pacífico durante toda a Segunda Guerra Mundial).” “Isso representa mais de um 11 de setembro por mês. E isso durante 44 meses.”
“No seu livro 'Faith of our Fathers', McCain lamenta que só lhe deixaram bombardear instalações militares, estradas e centrais elétricas. Na sua opinião essas restrições eram “ilógicas” e “não tinham sentido”. “Em 26 de outubro de 1967, McCain, que pilotava seu Skyhawk A-4, foi atingido pela artilharia anti-aérea dos norte-vietnamitas no momento em que disparava um míssil não contra um objetivo militar, nem contra uma unidade do exército, nem contra um buque de guerra, mas contra uma estação geradora de eletricidade que abastecia a alguns bairros. O objetivo, segundo o próprio McCain, estava em uma “zona de Hanói densamente povoada”. Densamente povoada. Um avião aparece no céu e descarrega uma chuva de mísseis em uma zona muito povoada da capital de um país.”
“O avião de Mc Cain caiu em um lago não muito longe do palácio presidencial. Com três fraturas, ele estava se afogando e vários civis que estavam nas margens, se jogaram na água para salvá-lo. Mais ou menos o que faríamos nós com alguém que tivesse acabado de bombardear nosso povo, não?”
A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PRISÃO DE MCCAIN NO VIETNÃ
“O último livro de Michael Moore, publicado este ano nos EUA e que não chegou por aqui, tem como título original “O guia de Mike para as eleições”.
Reproduzo para vocês alguns dos melhores momentos do livro. O primeiro, a verdadeira história da prisão de McCain no Vietnã:
“John McCain participou como piloto de guerra de 23 bombardeios sobre o Vietnã do Norte...” Nessas ações, “as forças estadunidenses realizaram 307vôos de combate e jogaram 643.000 toneladas de bombas no território vietnamita (aproximadamente as mesmas toneladas que foram lançadas no Pacífico durante toda a Segunda Guerra Mundial).” “Isso representa mais de um 11 de setembro por mês. E isso durante 44 meses.”
“No seu livro 'Faith of our Fathers', McCain lamenta que só lhe deixaram bombardear instalações militares, estradas e centrais elétricas. Na sua opinião essas restrições eram “ilógicas” e “não tinham sentido”. “Em 26 de outubro de 1967, McCain, que pilotava seu Skyhawk A-4, foi atingido pela artilharia anti-aérea dos norte-vietnamitas no momento em que disparava um míssil não contra um objetivo militar, nem contra uma unidade do exército, nem contra um buque de guerra, mas contra uma estação geradora de eletricidade que abastecia a alguns bairros. O objetivo, segundo o próprio McCain, estava em uma “zona de Hanói densamente povoada”. Densamente povoada. Um avião aparece no céu e descarrega uma chuva de mísseis em uma zona muito povoada da capital de um país.”
“O avião de Mc Cain caiu em um lago não muito longe do palácio presidencial. Com três fraturas, ele estava se afogando e vários civis que estavam nas margens, se jogaram na água para salvá-lo. Mais ou menos o que faríamos nós com alguém que tivesse acabado de bombardear nosso povo, não?”
AS TRÊS ONDAS DA CRISE
O blog do jornalista Luis Nassif ontem publicou:
O mundo passará por três grandes ondas no mercado financeiro, antes de assentar e começar a analisar as conseqüências sobre a economia real:
1. A crise bancária provocada pelo subprime. Bancos Centrais do mundo inteiro já encetaram ofensivas para contê-la.
2. Crise dos “hedge funds”, os fundos especulativos. A extraordinária desalavancagem (venda de ativos para resgate) ocorrida globalmente é a principal razão para essas quedas expressivas das bolsas, para as violentas oscilações cambiais (que não poupou nem o yen do Japão). É processo ainda em curso.
3. O default de países. Essa será a terceira onda. Na América Latina, são candidatos a Argentina (pelo conjunto da obra), Venezuela e Bolívia (pela queda do petróleo e pela falta de previsão quando os ventos iam a favor), e Chile (dependente do cobre).
Depois é que a recessão mundial entrará definitivamente nas análises.
Repare que, por conta do nervosismo atual, até notícias sem nenhuma novidade (como dados de recessão em países europeus ou nos EUA) caem como uma bomba sobre os mercados. Mas tudo por conta dos nervos expostos por essas ondas iniciais”
O mundo passará por três grandes ondas no mercado financeiro, antes de assentar e começar a analisar as conseqüências sobre a economia real:
1. A crise bancária provocada pelo subprime. Bancos Centrais do mundo inteiro já encetaram ofensivas para contê-la.
2. Crise dos “hedge funds”, os fundos especulativos. A extraordinária desalavancagem (venda de ativos para resgate) ocorrida globalmente é a principal razão para essas quedas expressivas das bolsas, para as violentas oscilações cambiais (que não poupou nem o yen do Japão). É processo ainda em curso.
3. O default de países. Essa será a terceira onda. Na América Latina, são candidatos a Argentina (pelo conjunto da obra), Venezuela e Bolívia (pela queda do petróleo e pela falta de previsão quando os ventos iam a favor), e Chile (dependente do cobre).
Depois é que a recessão mundial entrará definitivamente nas análises.
Repare que, por conta do nervosismo atual, até notícias sem nenhuma novidade (como dados de recessão em países europeus ou nos EUA) caem como uma bomba sobre os mercados. Mas tudo por conta dos nervos expostos por essas ondas iniciais”
EM DEFESA DO PT
O blog “Vi o Mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha postou ontem o seguinte comentário enviado para o blog pelo leitor Geraldo Mendes:
“Se o PT não ameaça, para que esse bombardeio cotidiano, da primeira á última página da Folha, Estadão, Globo e Veja?
Para que o Sérgio Guerra fica dando declarações e provocando os petistas?
Para que ficar repetindo que o grande perdedor foi Lula?
Para que esconder que o PT foi o mais votado das eleições municipais?
Para que esconder que o PT continua em ascensão e o PSDB em decadência em número de prefeituras?
Para que dizer que Paes é perdedor (??!!) no Rio, ou que Aécio é perdedor (??!!) em Minas?
Para que ficar repetindo que Serra é o grande vencedor, com um candidato que nem é o do seu partido?
Para que esconder que entre São Paulo, Rio, BH, Salvador e Porto Alegre, o PSDB não estava em nenhum segundo turno?
Para que esconder que Serra foi ao palanque de Gabeira, derrotado no Rio?
Para que esconder que o PT apoiou e Lula gravou programa de apoio a Paes?
Para que todo esse estardalhaço?
Tudo isso para desviar a atenção da Alston?
Uma CPI na assembléia legislativa paulista e Serra nem sai candidato”.
“Se o PT não ameaça, para que esse bombardeio cotidiano, da primeira á última página da Folha, Estadão, Globo e Veja?
Para que o Sérgio Guerra fica dando declarações e provocando os petistas?
Para que ficar repetindo que o grande perdedor foi Lula?
Para que esconder que o PT foi o mais votado das eleições municipais?
Para que esconder que o PT continua em ascensão e o PSDB em decadência em número de prefeituras?
Para que dizer que Paes é perdedor (??!!) no Rio, ou que Aécio é perdedor (??!!) em Minas?
Para que ficar repetindo que Serra é o grande vencedor, com um candidato que nem é o do seu partido?
Para que esconder que entre São Paulo, Rio, BH, Salvador e Porto Alegre, o PSDB não estava em nenhum segundo turno?
Para que esconder que Serra foi ao palanque de Gabeira, derrotado no Rio?
Para que esconder que o PT apoiou e Lula gravou programa de apoio a Paes?
Para que todo esse estardalhaço?
Tudo isso para desviar a atenção da Alston?
Uma CPI na assembléia legislativa paulista e Serra nem sai candidato”.
BELLUZZO: “ESPERO QUE O FMI NÃO FAÇA ESTUPIDEZ”
O blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim postou ontem:
“Primeiro, o FMI deixou o mercado aproveitar a festa e fazer estripulias, agora ele deve atuar para amenizar a saída de capital privado. Só espero que ele não faça a estupidez de colocar restrições”. Assim, Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de economia da Unicamp, falou ao Conversa Afiada sobre a criação de uma possível Linha de Liquidez de Curto Prazo, planejada pelo FMI para amenizar os efeitos da crise de crédito e de liquidez das balanças de pagamento.
A ausência de financiamento privado e a situação crônica vislumbrada pelo cenário mundial finalmente fizeram o FMI sair da crise existencial e voltar a desempenhar o seu papel principal.
Passada a época de calmaria (desde a crise dos anos 90), o FMI reencontra seus eixos impulsionado pelos países do leste europeu e pelos emergentes.
Sexta-feira (31/10), o fundo discutirá uma Linha de Liquidez de Curto Prazo, para amenizar os efeitos da crise de crédito e de liquidez das balanças de pagamento.
Em entrevista ao Conversa Afiada, Belluzzo explica que a futura discussão do fundo em relação aos países afetados pela crise se deu por conta do boom de capitalização do mercado privado. Belluzzo conta que o FMI está somente desempenhando o seu papel principal. “Não existe nenhuma outra instituição que esteja apta a fazer isso no momento. Eles são sucumbidos de amenizar a saída de capital e socorrer a crise das balanças de pagamentos”.
Questionado sobre uma alienação em relação à chegada da crise, o professor rebate: “o FMI, no World Economic Fórum soltou um relatório que já chamava a atenção para o boom imobiliário dos Estados Unidos. A questão é que ele (FMI) é sempre mais otimista que realista”.
Sem citar os possíveis tomadores de empréstimos, o FMI divulga que serão recursos da ordem de US$ 255 bilhões. O New York Times, porém, citou Coréia do Sul, México e Brasil. “O Brasil está, por enquanto, em uma situação confortável. Não acredito que deverá recorrer ao fundo. Talvez eventualmente para ajustes”, diz Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de economia da Unicamp, que aponta Coréia do Sul e países do leste europeu – como Hungria e Turquia, por exemplo – como possíveis radares do fundo.
Hoje, o FMI liberou uma linha de US$ 2 bilhões à Islândia. O país recentemente passou por um colapso bancário e acaba de aumentar os de juros da taxa básica (que passou de 12% para 18%).”
“Primeiro, o FMI deixou o mercado aproveitar a festa e fazer estripulias, agora ele deve atuar para amenizar a saída de capital privado. Só espero que ele não faça a estupidez de colocar restrições”. Assim, Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de economia da Unicamp, falou ao Conversa Afiada sobre a criação de uma possível Linha de Liquidez de Curto Prazo, planejada pelo FMI para amenizar os efeitos da crise de crédito e de liquidez das balanças de pagamento.
A ausência de financiamento privado e a situação crônica vislumbrada pelo cenário mundial finalmente fizeram o FMI sair da crise existencial e voltar a desempenhar o seu papel principal.
Passada a época de calmaria (desde a crise dos anos 90), o FMI reencontra seus eixos impulsionado pelos países do leste europeu e pelos emergentes.
Sexta-feira (31/10), o fundo discutirá uma Linha de Liquidez de Curto Prazo, para amenizar os efeitos da crise de crédito e de liquidez das balanças de pagamento.
Em entrevista ao Conversa Afiada, Belluzzo explica que a futura discussão do fundo em relação aos países afetados pela crise se deu por conta do boom de capitalização do mercado privado. Belluzzo conta que o FMI está somente desempenhando o seu papel principal. “Não existe nenhuma outra instituição que esteja apta a fazer isso no momento. Eles são sucumbidos de amenizar a saída de capital e socorrer a crise das balanças de pagamentos”.
Questionado sobre uma alienação em relação à chegada da crise, o professor rebate: “o FMI, no World Economic Fórum soltou um relatório que já chamava a atenção para o boom imobiliário dos Estados Unidos. A questão é que ele (FMI) é sempre mais otimista que realista”.
Sem citar os possíveis tomadores de empréstimos, o FMI divulga que serão recursos da ordem de US$ 255 bilhões. O New York Times, porém, citou Coréia do Sul, México e Brasil. “O Brasil está, por enquanto, em uma situação confortável. Não acredito que deverá recorrer ao fundo. Talvez eventualmente para ajustes”, diz Luiz Gonzaga Belluzzo, professor titular de economia da Unicamp, que aponta Coréia do Sul e países do leste europeu – como Hungria e Turquia, por exemplo – como possíveis radares do fundo.
Hoje, o FMI liberou uma linha de US$ 2 bilhões à Islândia. O país recentemente passou por um colapso bancário e acaba de aumentar os de juros da taxa básica (que passou de 12% para 18%).”
DIANTE DA CRISE, AMÉRICA LATINA PRECISA DE ORÇAMENTOS MELHORES, DIZ OCDE
A agência inglesa de notícias BBC publicou ontem o seguinte texto que li no portal UOL:
“Os países da América Latina precisam administrar melhor suas políticas orçamentárias, tanto em relação às despesas quanto na arrecadação de receitas, para estimular o crescimento econômico nesse período de grandes incertezas causadas pela crise financeira mundial, afirma um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira.
"As economias da América Latina devem enfrentar seu primeiro grande desafio dos últimos anos. Para navegar nas águas agitadas da desaceleração econômica mundial, elas precisam reforçar a ação pública para apoiar seu desenvolvimento", afirma o secretário-geral da organização, Angel Gurría, no documento Perspectivas Econômicas da América Latina 2009.
Em 200 páginas, o relatório 2009 da OCDE sobre a América Latina analisou em detalhes as políticas orçamentárias da região.
O documento recomenda que os países simplifiquem os sistemas de impostos, tornando-os mais racionais para melhorar a arrecadação, e também diversificar as fontes de receitas fiscais.
"A maioria dos países da América Latina tomou medidas para colocar suas contas em ordem. Eles melhoraram a gestão da dívida pública, reduziram os déficits, votaram leis de responsabilidade orçamentária e criaram fundos de estabilização", diz a OCDE.
Pobreza Mas o relatório também insiste no fato de que a política orçamentária deve representar um importante instrumento de desenvolvimento econômico para permitir o crescimento e a diminuição das desigualdades sociais.
"Os governos souberam utilizar a política orçamentária para estabilizar suas economias. No entanto, a questão fiscal, os gastos públicos e a gestão da dívida devem também permitir a redução da pobreza", afirma o documento.
O melhor uso do gasto público e dos impostos poderia combater melhor a desigualdade e a pobreza, problemas graves da região.
Segundo a OCDE, na Europa, os impostos e as transferências de renda reduzem em 19 pontos o índice Gini (que mede a desigualdade de renda nos países). Na América Latina, os mesmos mecanismos reduzem em apenas dois pontos o índice.
"É necessário privilegiar a qualidade nas despesas orçamentárias", diz o relatório.
Recursos da arrecadação também deveriam ser utilizados para melhorar a qualidade dos serviços públicos dos países da região, que são considerados "medíocres" pela OCDE.
O estudo afirma que graves problemas ainda persistem em relação aos sistemas tributários dos países latino-americanos: as receitas se baseiam em fontes não-fiscais e voláteis e arrecadação indireta. A participação do Imposto de Renda das pessoas físicas é pequena em relação à arrecadação.
Segundo o documento, apenas um em cada três latino-americanos paga o imposto.
O relatório ressalta ainda que simplificar a arrecadação permitiria reduzir o peso do setor informal nas economias dos países.
"Os trabalhadores sem carteira assinada não são fraudadores. São pessoas pobres, excluídas do mercado organizado do trabalho e privadas de seus direitos econômicos", diz a OCDE.
"Regimes simplificados, que equilibrariam os custos e benefícios da integração dessas pessoas à economia, como também serviços sociais que permitiriam tratar de uma maneira mais justa os trabalhadores informais, poderiam ajudar a resolver o problema da informalidade", afirma o documento.
Aposentadoria De acordo com o estudo da organização, quase a metade dos trabalhadores latino-americanos não têm direito à aposentadoria após o término de suas atividades.
O relatório também afirma que os progressos realizados na região nos últimos anos em termos de controle orçamentário e estabilização monetária permitem que os países resistam melhor aos choques externos, como os causados atualmente pela crise mundial.
"A América Latina vive um período apaixonante. Há somente uma década, uma desaceleração tão forte como a que abala atualmente o planeta teria derrubado as economias da região como simples dominós", diz o relatório.
"A região soube diversificar suas fontes externas de crescimento para se liberar de sua dependência em relação aos Estados Unidos e reforçar seus laços econômicos com a Ásia e a Europa", afirma a OCDE”.
“Os países da América Latina precisam administrar melhor suas políticas orçamentárias, tanto em relação às despesas quanto na arrecadação de receitas, para estimular o crescimento econômico nesse período de grandes incertezas causadas pela crise financeira mundial, afirma um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira.
"As economias da América Latina devem enfrentar seu primeiro grande desafio dos últimos anos. Para navegar nas águas agitadas da desaceleração econômica mundial, elas precisam reforçar a ação pública para apoiar seu desenvolvimento", afirma o secretário-geral da organização, Angel Gurría, no documento Perspectivas Econômicas da América Latina 2009.
Em 200 páginas, o relatório 2009 da OCDE sobre a América Latina analisou em detalhes as políticas orçamentárias da região.
O documento recomenda que os países simplifiquem os sistemas de impostos, tornando-os mais racionais para melhorar a arrecadação, e também diversificar as fontes de receitas fiscais.
"A maioria dos países da América Latina tomou medidas para colocar suas contas em ordem. Eles melhoraram a gestão da dívida pública, reduziram os déficits, votaram leis de responsabilidade orçamentária e criaram fundos de estabilização", diz a OCDE.
Pobreza Mas o relatório também insiste no fato de que a política orçamentária deve representar um importante instrumento de desenvolvimento econômico para permitir o crescimento e a diminuição das desigualdades sociais.
"Os governos souberam utilizar a política orçamentária para estabilizar suas economias. No entanto, a questão fiscal, os gastos públicos e a gestão da dívida devem também permitir a redução da pobreza", afirma o documento.
O melhor uso do gasto público e dos impostos poderia combater melhor a desigualdade e a pobreza, problemas graves da região.
Segundo a OCDE, na Europa, os impostos e as transferências de renda reduzem em 19 pontos o índice Gini (que mede a desigualdade de renda nos países). Na América Latina, os mesmos mecanismos reduzem em apenas dois pontos o índice.
"É necessário privilegiar a qualidade nas despesas orçamentárias", diz o relatório.
Recursos da arrecadação também deveriam ser utilizados para melhorar a qualidade dos serviços públicos dos países da região, que são considerados "medíocres" pela OCDE.
O estudo afirma que graves problemas ainda persistem em relação aos sistemas tributários dos países latino-americanos: as receitas se baseiam em fontes não-fiscais e voláteis e arrecadação indireta. A participação do Imposto de Renda das pessoas físicas é pequena em relação à arrecadação.
Segundo o documento, apenas um em cada três latino-americanos paga o imposto.
O relatório ressalta ainda que simplificar a arrecadação permitiria reduzir o peso do setor informal nas economias dos países.
"Os trabalhadores sem carteira assinada não são fraudadores. São pessoas pobres, excluídas do mercado organizado do trabalho e privadas de seus direitos econômicos", diz a OCDE.
"Regimes simplificados, que equilibrariam os custos e benefícios da integração dessas pessoas à economia, como também serviços sociais que permitiriam tratar de uma maneira mais justa os trabalhadores informais, poderiam ajudar a resolver o problema da informalidade", afirma o documento.
Aposentadoria De acordo com o estudo da organização, quase a metade dos trabalhadores latino-americanos não têm direito à aposentadoria após o término de suas atividades.
O relatório também afirma que os progressos realizados na região nos últimos anos em termos de controle orçamentário e estabilização monetária permitem que os países resistam melhor aos choques externos, como os causados atualmente pela crise mundial.
"A América Latina vive um período apaixonante. Há somente uma década, uma desaceleração tão forte como a que abala atualmente o planeta teria derrubado as economias da região como simples dominós", diz o relatório.
"A região soube diversificar suas fontes externas de crescimento para se liberar de sua dependência em relação aos Estados Unidos e reforçar seus laços econômicos com a Ásia e a Europa", afirma a OCDE”.
BRASIL VAI CRESCER 4,8%, NA MÉDIA, DE 2009 A 2012, DIZ PRESIDENTE DO BNDES
O site do jornal Valor Econômico publicou ontem a seguinte notícia, em texto de Sergio Lamucci:
“CAMPINAS - O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, mostrou ontem otimismo quanto à capacidade de o Brasil resistir à crise financeira global, apostando que o país não passará por uma forte desaceleração da atividade econômica em 2009.
Falando para uma platéia de executivos, durante o 19º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), realizado em Campinas, Coutinho tentou passar uma mensagem de confiança aos empresários, dizendo que, apesar do nervosismo das últimas semanas, os fundamentos da economia brasileira continuam muito robustos.
" O sistema bancário é ultra-sólido, a sociedade tem capacidade de consumo e o sistema empresarial é sólido e rentável, com condições para absorver essas perdas e continuar crescendo " , enumerou ele, para quem o país deve crescer 5,5% neste ano e 4,8% na média do período 2009-2012.
E em 2009, a expansão deve desacelerar para 3,5% ou menos, como prevêem analistas? "
Acho que o crescimento para o ano que vem está mais para 4% do que para 3,5%, mas o futuro dirá. O Brasil tem as condições de superar este momento mais difícil " , disse.
Coutinho destacou o fato de o Brasil " ter uma fronteira de projetos de infra-estrutura altamente rentáveis " .
" Além disso, há uma disposição muito firme do governo de sustentar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o investimento em infra-estrutura " , afirmou.
" Essa sustentação dos investimentos dará o suporte mínimo para o crescimento da economia " , argumentou. Coutinho também fez questão de ressaltar a importância do mercado interno, um trunfo num momento em que a economia global passará por uma forte desaceleração.
Ele deixou claro que, se houver travamento do mercado de crédito, o BNDES atuará com mais força para garantir que o ciclo de investimentos não seja interrompido. Não se trata de algo planejado pelo banco, mas uma necessidade criada pelas circunstâncias.
Coutinho insistiu que o BNDES não ajudará nenhuma empresa exportadora que perdeu dinheiro com derivativos. " O BNDES não está fazendo operações de socorro, o BNDES não é hospital. " Segundo ele, as empresas terão de arcar com os prejuízos, devendo negociar com os bancos privados.
Coutinho disse, porém, que, uma vez feito isso, o BNDES poderá conceder empréstimos a essas empresas para projetos de exportação e investimento, mas sempre com base nas condições oferecidas pelo banco a qualquer empresa.
" Isso significa um pouco mais de pressão sobre o nosso funding, mas nós temos condições de equacionar isso sem sacrificar o essencial, que é a sustentação do investimento " , disse ele, segundo quem a demanda por empréstimos no BNDES continua forte, mesmo com o crise financeira global.”
“CAMPINAS - O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, mostrou ontem otimismo quanto à capacidade de o Brasil resistir à crise financeira global, apostando que o país não passará por uma forte desaceleração da atividade econômica em 2009.
Falando para uma platéia de executivos, durante o 19º Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), realizado em Campinas, Coutinho tentou passar uma mensagem de confiança aos empresários, dizendo que, apesar do nervosismo das últimas semanas, os fundamentos da economia brasileira continuam muito robustos.
" O sistema bancário é ultra-sólido, a sociedade tem capacidade de consumo e o sistema empresarial é sólido e rentável, com condições para absorver essas perdas e continuar crescendo " , enumerou ele, para quem o país deve crescer 5,5% neste ano e 4,8% na média do período 2009-2012.
E em 2009, a expansão deve desacelerar para 3,5% ou menos, como prevêem analistas? "
Acho que o crescimento para o ano que vem está mais para 4% do que para 3,5%, mas o futuro dirá. O Brasil tem as condições de superar este momento mais difícil " , disse.
Coutinho destacou o fato de o Brasil " ter uma fronteira de projetos de infra-estrutura altamente rentáveis " .
" Além disso, há uma disposição muito firme do governo de sustentar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o investimento em infra-estrutura " , afirmou.
" Essa sustentação dos investimentos dará o suporte mínimo para o crescimento da economia " , argumentou. Coutinho também fez questão de ressaltar a importância do mercado interno, um trunfo num momento em que a economia global passará por uma forte desaceleração.
Ele deixou claro que, se houver travamento do mercado de crédito, o BNDES atuará com mais força para garantir que o ciclo de investimentos não seja interrompido. Não se trata de algo planejado pelo banco, mas uma necessidade criada pelas circunstâncias.
Coutinho insistiu que o BNDES não ajudará nenhuma empresa exportadora que perdeu dinheiro com derivativos. " O BNDES não está fazendo operações de socorro, o BNDES não é hospital. " Segundo ele, as empresas terão de arcar com os prejuízos, devendo negociar com os bancos privados.
Coutinho disse, porém, que, uma vez feito isso, o BNDES poderá conceder empréstimos a essas empresas para projetos de exportação e investimento, mas sempre com base nas condições oferecidas pelo banco a qualquer empresa.
" Isso significa um pouco mais de pressão sobre o nosso funding, mas nós temos condições de equacionar isso sem sacrificar o essencial, que é a sustentação do investimento " , disse ele, segundo quem a demanda por empréstimos no BNDES continua forte, mesmo com o crise financeira global.”
IMPACTO DA CRISE SOBRE PAÍSES EMERGENTES É MENOR, DIZ MANTEGA
O portal UOL ontem à tarde postou a seguinte notícia escrita pela Agência Brasil:
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar hoje (28) que a crise financeira tem menor impacto sobre os países em desenvolvimento.
"Não estou aqui defendendo a tese do não-contágio. Ela impacta também", disse.
Segundo Mantega os efeitos são menores porque as economias têm um dinamismo maior do que as chamadas economias avançadas. Ele lembrou que o mercado nesses países tem um potencial maior de crescimento.
Mantega lembrou que,em geral os fundamentos econômicos dos países emergentes são melhores, já que nos últimos dez, 15 anos, os países emergentes fizeram a lição de casa.
"Robusteceram suas contas públicas e acumularam reservas. Finalmente, os bancos mais comprometidos são dos países avançados e não dos emergentes".
Mantega deixou claro que existem alguns emergentes cujos bancos estão envolvidos na crise, como é o caso da Rússia, mas isso não é o que acontece com a maioria das instituições financeiras desses países.
O ministro participa do 3º Encontro Nacional da Indústria (Enai), promovido em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).”
“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar hoje (28) que a crise financeira tem menor impacto sobre os países em desenvolvimento.
"Não estou aqui defendendo a tese do não-contágio. Ela impacta também", disse.
Segundo Mantega os efeitos são menores porque as economias têm um dinamismo maior do que as chamadas economias avançadas. Ele lembrou que o mercado nesses países tem um potencial maior de crescimento.
Mantega lembrou que,em geral os fundamentos econômicos dos países emergentes são melhores, já que nos últimos dez, 15 anos, os países emergentes fizeram a lição de casa.
"Robusteceram suas contas públicas e acumularam reservas. Finalmente, os bancos mais comprometidos são dos países avançados e não dos emergentes".
Mantega deixou claro que existem alguns emergentes cujos bancos estão envolvidos na crise, como é o caso da Rússia, mas isso não é o que acontece com a maioria das instituições financeiras desses países.
O ministro participa do 3º Encontro Nacional da Indústria (Enai), promovido em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).”
EMBRAER MANTÉM AGENDA DE ENTREGA DE AVIÕES
Li no site do jornal “O Estado de São Paulo” a seguinte notícia em texto de Fábio Michel Machado, da Agência Estado:
“TÓQUIO - Apesar da turbulência financeira, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) planeja manter inalteradas suas projeções de entrega de aeronaves para 2008 e 2009, pelo menos até as perspectivas econômicas ficarem mais claras, disse Frederico Curado, presidente executivo da maior fabricante de jatos regionais do mundo. ?(O ambiente atual) é ainda mais imprevisível do que depois do 11 de setembro?, disse.
A Embraer considera a possibilidade de oferecer alguns meios para ajudar os clientes a financiar suas aeronaves. Mas não tem a intenção de ser avalista de operações financeiras, segundo o executivo. Até agora a empresa ainda não teve nenhum cancelamento de pedidos devido a problemas de liquidez por parte dos clientes. Em um recente exemplo de como as aflições financeiras afetaram a empresa, a Embraer declarou, no início do mês, que decidiu registrar uma perda não recorrente de R$ 178 milhões (cerca de US$ 77 milhões) em operações de derivativos cambiais no terceiro trimestre, devido à desvalorização do real.
A companhia projeta entregar de 195 a 200 aeronaves em 2008 e 2009, das quais 10 a 15 unidades do seu modelo Phenom 100 - um jato de configuração pequena - este ano e acima de 150 unidades no ano que vem. Enquanto as perspectivas do setor estiverem sombrias, a companhia terá de estar atenta ao risco de que alguns clientes possam ter dificuldade para financiar suas compras, por conta da escassez de crédito gerada pela atual crise financeira, lembrou Curado. As informações são da Dow Jones”.
“TÓQUIO - Apesar da turbulência financeira, a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) planeja manter inalteradas suas projeções de entrega de aeronaves para 2008 e 2009, pelo menos até as perspectivas econômicas ficarem mais claras, disse Frederico Curado, presidente executivo da maior fabricante de jatos regionais do mundo. ?(O ambiente atual) é ainda mais imprevisível do que depois do 11 de setembro?, disse.
A Embraer considera a possibilidade de oferecer alguns meios para ajudar os clientes a financiar suas aeronaves. Mas não tem a intenção de ser avalista de operações financeiras, segundo o executivo. Até agora a empresa ainda não teve nenhum cancelamento de pedidos devido a problemas de liquidez por parte dos clientes. Em um recente exemplo de como as aflições financeiras afetaram a empresa, a Embraer declarou, no início do mês, que decidiu registrar uma perda não recorrente de R$ 178 milhões (cerca de US$ 77 milhões) em operações de derivativos cambiais no terceiro trimestre, devido à desvalorização do real.
A companhia projeta entregar de 195 a 200 aeronaves em 2008 e 2009, das quais 10 a 15 unidades do seu modelo Phenom 100 - um jato de configuração pequena - este ano e acima de 150 unidades no ano que vem. Enquanto as perspectivas do setor estiverem sombrias, a companhia terá de estar atenta ao risco de que alguns clientes possam ter dificuldade para financiar suas compras, por conta da escassez de crédito gerada pela atual crise financeira, lembrou Curado. As informações são da Dow Jones”.
SISTEMA BANCÁRIO ESTABILIZARÁ, MAS RISCOS CONTINUAM, DIZ BC BRITÂNICO
A agência norte-americana de notícias Reuters ontem produziu a seguinte notícia, escrita por Matt Falloon, que li publicada no site do “Estadão”:
“LONDRES - A intervenção global deve estabilizar o sistema bancário, mas também colocará grandes restrições aos bancos, disse o Banco da Inglaterra nesta terça-feira, seis meses depois de afirmar que a confiança voltaria aos mercados financeiros.
Em seu relatório semestral Estabilidade Financeira, o banco central acrescentou que as perdas podem ser menores do que o mercado calcula, reiterando uma visão expressada no documento de abril, antes de a crise do crédito se aprofundar.
"Intervenções excepcionais pelos governos e bancos centrais devem ajudar a estabilizar o sistema bancário daqui para frente", disse o BC.
"Embora ainda haja riscos no sistema financeiro, a resposta imediata às medidas tem sido positiva."
Em abril, o BC fez uma avaliação otimista do impacto que a crise do crédito teria, mas no atual relatório ele é mais cauteloso.
"A instabilidade do sistema financeiro global nas últimas semanas tem sido a mais severa entre as que se pode lembrar", disse o vice-presidente do BC, John Gieve. "E com uma desaceleração econômica global a caminho, o sistema financeiro continua sob tensão."
"Precisamos repensar como administrar o risco sistêmico internacionalmente. Precisamos estabelecer obstáculos mais fortes contra os riscos no sistema financeiro durante o ciclo em razão dos perigos que eles levam à economia."
“LONDRES - A intervenção global deve estabilizar o sistema bancário, mas também colocará grandes restrições aos bancos, disse o Banco da Inglaterra nesta terça-feira, seis meses depois de afirmar que a confiança voltaria aos mercados financeiros.
Em seu relatório semestral Estabilidade Financeira, o banco central acrescentou que as perdas podem ser menores do que o mercado calcula, reiterando uma visão expressada no documento de abril, antes de a crise do crédito se aprofundar.
"Intervenções excepcionais pelos governos e bancos centrais devem ajudar a estabilizar o sistema bancário daqui para frente", disse o BC.
"Embora ainda haja riscos no sistema financeiro, a resposta imediata às medidas tem sido positiva."
Em abril, o BC fez uma avaliação otimista do impacto que a crise do crédito teria, mas no atual relatório ele é mais cauteloso.
"A instabilidade do sistema financeiro global nas últimas semanas tem sido a mais severa entre as que se pode lembrar", disse o vice-presidente do BC, John Gieve. "E com uma desaceleração econômica global a caminho, o sistema financeiro continua sob tensão."
"Precisamos repensar como administrar o risco sistêmico internacionalmente. Precisamos estabelecer obstáculos mais fortes contra os riscos no sistema financeiro durante o ciclo em razão dos perigos que eles levam à economia."
AGÊNCIA DE RISCO FITCH DOS EUA ELOGIA CONDUÇÃO DA CRISE NO BRASIL
O portal UOL ontem publicou a seguinte notícia, em texto de autoria de Daniel Bergamasco, de Nova York:
“Batendo várias vezes na madeira, Peter Shaw, analista responsável por bancos latino-americanos na agência de classificação de risco Fitch, disse ontem em Nova York que o Banco Central (BC) está tomando as atitudes corretas para proteger o sistema bancário brasileiro da crise mundial. Contudo, ressalvou que é preciso zelo sobre derivativos.
"Derivativos merecem atenção especial. O que o regulador (o BC) pode fazer a respeito é exigir o máximo de transparência dos bancos para evitar grandes problemas", disse, após palestra da Câmara de Comércio Brasil-EUA.
Derivativos são contratos de proteção contra perdas em ativos, como desvalorização cambial ou calote. São investimentos de soma zero: se o dólar cai e uma parte ganha, por exemplo, a outra perde.
Shaw elogiou a medida provisória que dá poderes à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil para a aquisição de instituições financeiras e empresas. "A idéia é boa.
O Brasil está agindo em medida correta, com cautela, mas com proatividade, colocando a ferramenta à frente para caso precise usá-la", disse à Folha. "O regulador brasileiro pode ser dar ao luxo de observar o que os outros bancos centrais estão fazendo e escolher seus caminhos [devido à situação favorável da economia brasileira, que exige menos pressa, segundo ele]."
O analista disse também que a Fitch não se guiará pela turbulência, mas por fundamentos, ao fazer a avaliação de risco dos bancos brasileiros, como também fará com outras empresas e países. "Não estamos avaliando volatilidade. Nossa preocupação não é o comportamento das empresas de um dia para o outro [mas a médio e longo prazo]".
"Os bancos [brasileiros] estão conduzindo rapidamente situações individuais -geralmente realistas em sua abordagem, priorizando liquidez sobre suas metas anteriores, e ativos estão sendo uma boa fonte de liquidez", disse texto distribuído na palestra”.
“Batendo várias vezes na madeira, Peter Shaw, analista responsável por bancos latino-americanos na agência de classificação de risco Fitch, disse ontem em Nova York que o Banco Central (BC) está tomando as atitudes corretas para proteger o sistema bancário brasileiro da crise mundial. Contudo, ressalvou que é preciso zelo sobre derivativos.
"Derivativos merecem atenção especial. O que o regulador (o BC) pode fazer a respeito é exigir o máximo de transparência dos bancos para evitar grandes problemas", disse, após palestra da Câmara de Comércio Brasil-EUA.
Derivativos são contratos de proteção contra perdas em ativos, como desvalorização cambial ou calote. São investimentos de soma zero: se o dólar cai e uma parte ganha, por exemplo, a outra perde.
Shaw elogiou a medida provisória que dá poderes à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil para a aquisição de instituições financeiras e empresas. "A idéia é boa.
O Brasil está agindo em medida correta, com cautela, mas com proatividade, colocando a ferramenta à frente para caso precise usá-la", disse à Folha. "O regulador brasileiro pode ser dar ao luxo de observar o que os outros bancos centrais estão fazendo e escolher seus caminhos [devido à situação favorável da economia brasileira, que exige menos pressa, segundo ele]."
O analista disse também que a Fitch não se guiará pela turbulência, mas por fundamentos, ao fazer a avaliação de risco dos bancos brasileiros, como também fará com outras empresas e países. "Não estamos avaliando volatilidade. Nossa preocupação não é o comportamento das empresas de um dia para o outro [mas a médio e longo prazo]".
"Os bancos [brasileiros] estão conduzindo rapidamente situações individuais -geralmente realistas em sua abordagem, priorizando liquidez sobre suas metas anteriores, e ativos estão sendo uma boa fonte de liquidez", disse texto distribuído na palestra”.
PREFEITO DO DEM DEMITE QUEM NÃO VOTOU EM GABEIRA
Li ontem essa notícia em texto de Diana Brito, postado especialmente para o UOL no Rio de Janeiro:
NO RIO, MAIA DEMITE FUNCIONÁRIOS QUE NÃO APOIARAM GABEIRA E DIZ QUE É "COINCIDÊNCIA"
“Na Prefeitura do Rio, Cesar Maia (DEM) iniciou uma reforma nos quadros da administração municipal, excluindo alguns funcionários não concursados, contratados por indicação. No pós-eleições, ficará fora do governo quem não apoiou Fernando Gabeira (PV), o candidato de Maia no segundo turno.
A ex-deputada federal Laura Carneiro foi dispensada da assessoria especial do gabinete do prefeito na segunda-feira (27), que não aderiu à campanha do PV.
Para ela, a demissão foi uma "surpresa".
O prefeito também demitiu algumas pessoas que haviam sido indicadas pelo ex-secretário municipal de Trabalho, Vanderlei Marinho, que decidiu apoiar o candidato Eduardo Paes (PMDB) ainda no primeiro turno”
NO RIO, MAIA DEMITE FUNCIONÁRIOS QUE NÃO APOIARAM GABEIRA E DIZ QUE É "COINCIDÊNCIA"
“Na Prefeitura do Rio, Cesar Maia (DEM) iniciou uma reforma nos quadros da administração municipal, excluindo alguns funcionários não concursados, contratados por indicação. No pós-eleições, ficará fora do governo quem não apoiou Fernando Gabeira (PV), o candidato de Maia no segundo turno.
A ex-deputada federal Laura Carneiro foi dispensada da assessoria especial do gabinete do prefeito na segunda-feira (27), que não aderiu à campanha do PV.
Para ela, a demissão foi uma "surpresa".
O prefeito também demitiu algumas pessoas que haviam sido indicadas pelo ex-secretário municipal de Trabalho, Vanderlei Marinho, que decidiu apoiar o candidato Eduardo Paes (PMDB) ainda no primeiro turno”
BOLSA BRASILEIRA FOI A 2ª DO MUNDO EM ALTA
A notícia abaixo foi postada ontem à noite pelo portal UOL, com informações das agências de notícias AFP (francesa), Reuters (norte-americana) e Valor Online (brasileira):
BOVESPA DISPARA 13,42%, COM INVESTIDORES ATRÁS DE 'PECHINCHAS'
“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou nesta terça-feira, fechando em forte alta de 13,42%, a 33.386,65 pontos. Apesar da alta no dia, no entanto, a perda no mês é de 32,61%, e, no ano, de 47,74%.
No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em baixa expressiva pelo segundo dia seguido. A queda nesta terça-feira foi de 3,19%, a R$ 2,183 na venda. Em apenas dois dias, a moeda americana acumula queda de 6,23%, mas no mês ainda tem uma alta de 14,53%.
Os investidores aproveitaram para comprar "pechinchas", ações cujo preço está sendo negociado abaixo do considerado justo por analistas.
A expectativa também girou em torno da decisão sobre a taxa de juros brasileira, a Selic, que será definida nesta quarta-feira pelo Copom (Comitê de Política Monetária).
A expectativa é de que haja corte na taxa, para amenizar os efeitos da crise financeira no Brasil, que devem reduzir o consumo e a produtividade por conta da restrição ao crédito. Quanto menores são os juros, maiores são as intenções de compra da sociedade.
"Por um lado, os investidores se preocupam com a possibilidade de uma recessão mundial, mas por outro se dão conta de que muitas ações estão subvalorizadas", disse Hugh Johnson, da Johnson Illington Advisors, em Nova York.
As empresas ligadas ao segmento de commodities contribuíram para alta da Bovespa. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras subiram 8,72%, cotados a R$ 23,92, enquanto as ações ON da Vale avançaram 13,57%, negociadas a R$ 25,10.
O Banco Central realizou um novo leilão swap, com a venda de US$ 497,6 milhões. Neste tipo de operação, o órgão põe à venda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) um papel que vale dólar e troca por variação dos juros.
A Espanha anunciou que garantirá empréstimos interbancários de até 100 bilhões de euros em 2009, a mesma quantia fixada para 2008.
O Grupo Santander divulgou seu balanço nesta terça-feira e disse que mantém sua previsão de lucro para 2008, de 10 bilhões de euros.
O banco central britânico divulgou um relatório estimando que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões.
O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).
A Aegon, companhia holandesa de seguros, recebeu uma injeção de 3 bilhões de euros do governo local.
"A situação geral é muito séria e até mesmo as companhias mais saudáveis podem ter dificuldades. Nós as ajudaremos a atravessar esses tempos difíceis", disse o ministro das Finanças da Holanda, Wouter Bos.
O banco central da Islândia decidiu ampliar em 6 pontos percentuais a taxa de juro do país, que foi de 12% para 18% ao ano. Alguns analistas avaliaram que a medida deve ter relação com demandas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 2 bi ao país para reativar o setor financeiro. Com os juros mais altos, a moeda da Islândia ficaria mais atraente.
O presidente do grupo francês Renault, Carlos Ghosn, declarou nesta terça-feira que a crise financeira mundial não será superada em várias semanas e que suas conseqüências para o setor automobilístico apenas começaram.
MERCADOS
Hoje o dia foi positivo para os mercados de ações. Os principais índices fecharam em alta, com destaque, além da Bovespa, para Hong Kong e Frankfurt
A Bolsa de Nova York registrou forte recuperação nesta terça-feira, impulsionada pelo movimento de busca de ofertas, apesar da queda de confiança dos consumidores americanos: o índice Dow Jones subiu 10,88% e o Nasdaq, 9,53%.
As Bolsas européias encerraram em alta, com exceção de Madri, que recuou 1,3%. O principal índice da Bolsa de Frankfurt, o Dax, disparou 11,28%, impulsionado pela escalada vertiginosa das ações da Volkswagen.
O índice CAC 40, de Paris, fechou em alta de 1,55%. Em Londres, o índice FTSE subiu 1,92%.
As Bolsas asiáticas fecharam o pregão em alta, recuperando parte das perdas que registraram nas últimas sessões. Tóquio subiu 6,4%, Hong Kong avançou 14,35% e Seul teve alta de 5,6%.”
BOVESPA DISPARA 13,42%, COM INVESTIDORES ATRÁS DE 'PECHINCHAS'
“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou nesta terça-feira, fechando em forte alta de 13,42%, a 33.386,65 pontos. Apesar da alta no dia, no entanto, a perda no mês é de 32,61%, e, no ano, de 47,74%.
No câmbio, a cotação do dólar comercial fechou em baixa expressiva pelo segundo dia seguido. A queda nesta terça-feira foi de 3,19%, a R$ 2,183 na venda. Em apenas dois dias, a moeda americana acumula queda de 6,23%, mas no mês ainda tem uma alta de 14,53%.
Os investidores aproveitaram para comprar "pechinchas", ações cujo preço está sendo negociado abaixo do considerado justo por analistas.
A expectativa também girou em torno da decisão sobre a taxa de juros brasileira, a Selic, que será definida nesta quarta-feira pelo Copom (Comitê de Política Monetária).
A expectativa é de que haja corte na taxa, para amenizar os efeitos da crise financeira no Brasil, que devem reduzir o consumo e a produtividade por conta da restrição ao crédito. Quanto menores são os juros, maiores são as intenções de compra da sociedade.
"Por um lado, os investidores se preocupam com a possibilidade de uma recessão mundial, mas por outro se dão conta de que muitas ações estão subvalorizadas", disse Hugh Johnson, da Johnson Illington Advisors, em Nova York.
As empresas ligadas ao segmento de commodities contribuíram para alta da Bovespa. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Petrobras subiram 8,72%, cotados a R$ 23,92, enquanto as ações ON da Vale avançaram 13,57%, negociadas a R$ 25,10.
O Banco Central realizou um novo leilão swap, com a venda de US$ 497,6 milhões. Neste tipo de operação, o órgão põe à venda na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) um papel que vale dólar e troca por variação dos juros.
A Espanha anunciou que garantirá empréstimos interbancários de até 100 bilhões de euros em 2009, a mesma quantia fixada para 2008.
O Grupo Santander divulgou seu balanço nesta terça-feira e disse que mantém sua previsão de lucro para 2008, de 10 bilhões de euros.
O banco central britânico divulgou um relatório estimando que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões.
O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).
A Aegon, companhia holandesa de seguros, recebeu uma injeção de 3 bilhões de euros do governo local.
"A situação geral é muito séria e até mesmo as companhias mais saudáveis podem ter dificuldades. Nós as ajudaremos a atravessar esses tempos difíceis", disse o ministro das Finanças da Holanda, Wouter Bos.
O banco central da Islândia decidiu ampliar em 6 pontos percentuais a taxa de juro do país, que foi de 12% para 18% ao ano. Alguns analistas avaliaram que a medida deve ter relação com demandas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 2 bi ao país para reativar o setor financeiro. Com os juros mais altos, a moeda da Islândia ficaria mais atraente.
O presidente do grupo francês Renault, Carlos Ghosn, declarou nesta terça-feira que a crise financeira mundial não será superada em várias semanas e que suas conseqüências para o setor automobilístico apenas começaram.
MERCADOS
Hoje o dia foi positivo para os mercados de ações. Os principais índices fecharam em alta, com destaque, além da Bovespa, para Hong Kong e Frankfurt
A Bolsa de Nova York registrou forte recuperação nesta terça-feira, impulsionada pelo movimento de busca de ofertas, apesar da queda de confiança dos consumidores americanos: o índice Dow Jones subiu 10,88% e o Nasdaq, 9,53%.
As Bolsas européias encerraram em alta, com exceção de Madri, que recuou 1,3%. O principal índice da Bolsa de Frankfurt, o Dax, disparou 11,28%, impulsionado pela escalada vertiginosa das ações da Volkswagen.
O índice CAC 40, de Paris, fechou em alta de 1,55%. Em Londres, o índice FTSE subiu 1,92%.
As Bolsas asiáticas fecharam o pregão em alta, recuperando parte das perdas que registraram nas últimas sessões. Tóquio subiu 6,4%, Hong Kong avançou 14,35% e Seul teve alta de 5,6%.”
terça-feira, 28 de outubro de 2008
LULA: "TEM GENTE PEDINDO PARA A CRISE CHEGAR LOGO AO BRASIL"
Li ontem no site “Vermelho” a seguinte entrevista concedida pelo Presidente Lula ao jornalista Ricardo Kotscho, originalmente publicada no Blog “Balaio do Kotscho”:
“Em entrevista ao jornalista Ricardo Kotscho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz aniversário nesta segunda-feira, criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
"Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros".
Apurados os votos, no dia seguinte à eleição cada um faz suas contas de quem ganhou e quem perdeu. Políticos e jornalistas de todas as latitudes fazem suas análises sobre os resultados.
Achei melhor para os leitores do Balaio ouvir a opinião de quem entende de política um pouco mais do que eu: o presidente da República, meu amigo Luiz Inácio Lula da Silva.
Logo cedo, ele me recebeu contente da vida, no escritório da Presidência da República em São Paulo, num prédio na esquina da rua Augusta com avenida Paulista. É que hoje Lula faz aniversário (63 anos) e, assim que saiu do elevador, encontrou amigos, assessores, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e um bolo de chocolate com morango.
De roupa esporte, com sua jaqueta predileta que tem o brasão da República, ele me levou até a sua sala. Enquanto o presidente comia um pedaço de bolo, falamos só de dois assuntos _ a eleição de domingo e a crise econômica sem data para acabar.
Em seguida, ele teria uma importante reunião com Meirelles para fazer um balanço dos efeitos da crise econômica no Brasil e no mundo. Falariam também sobre a importante reunião do G-8 ampliado, no próximo dia 15, em Washington, para a qual Lula foi convidado pelo presidente George Bush.
Os dois assuntos acabaram se misturando no meio da conversa, quando Lula criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
"Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros".
A seguir, a entrevista com o presidente Lula:
ESTÁ TODO MUNDO HOJE FAZENDO CONTAS E ANÁLISES SOBRE QUEM GANHOU AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS. PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, QUAL FOI O RESULTADO MAIS IMPORTANTE?
LULA: Quem ganhou estas eleições foi o processo democrático brasileiro. Foi mais uma eleição que transcorreu da forma mais tranquila possível. E foi uma eleição atípica porque todos os candidatos, do DEM ao PT, defenderam as parcerias com o governo federal. Como o povo está satisfeito, ganharam todos os prefeitos de capitais que disputaram a reeleição, menos o Serafim Corrêa, em Manaus.
O povo mostrou que sabia o que queria. Quer manter as obras que estão em andamento em cada cidade.
MAS, DO PONTO DE VISTA DOS PARTIDOS, QUEM CRESCEU E QUEM PERDEU VOTOS NESTAS ELEIÇÕES?
LULA: Três partidos perderam: DEM, PSDB e PPS. Os três partidos da oposição foram os que perderam mais prefeituras. E os partidos da base do governo todos eles cresceram: PT, PMDB, PSB, PCdoB, PP, PTB, todos.
EM NÚMERO DE VOTOS E DE PREFEITOS O GRANDE VENCEDOR FOI O PMDB, QUE AGORA ESTÁ SENDO APONTADO COMO O FIEL DA BALANÇA PARA A SUCESSÃO PRESIDENCIAL EM 2010.
LULA: Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões sobre os resultados de domingo. Eu não trabalho assim com esta antecedência porque em política as coisas não funcionam automaticamente, uma eleição definindo a próxima.
Eu me lembro do Mário Covas que teve uma grande votação para senador em São Paulo e foi apontado como futuro presidente da República, mas ficou em quarto lugar, em 1989. Quando o Quércia fez do Fleury seu sucessor em São Paulo, também saiu em capa de revista como futuro presidente, mas teve só 5% dos votos, em 1994. Não dá para fazer uma ligação robotizada entre 2008 e 2010. É incorrer num grande erro.
Cada eleição tem sua própria história, seus próprios candidatos, uma é diferente da outra. É como no futebol. Eleição presidencial é um clássico, e clássico não tem favorito…
VAMOS MUDAR DE ASSUNTO, PRESIDENTE. A ELEIÇÃO JÁ PASSOU E AGORA TODO MUNDO QUER SABER COMO FICARÁ SUA VIDA DIANTE DESTA CRISE ECONÔMICA GLOBALIZADA. O QUE VAI ACONTECER COM O MUNDO? O QUE VAI ACONTECER COM O BRASIL?
LULA: Com o mundo, eu não sei o que vai acontecer… A única coisa certa é que vamos ter esta importante reunião em Washington no dia 15 de novembro em que deverão ser tomadas medidas para controlar o sistema financeiro internacional.
Temos que fazer a regulação porque ninguém pode brincar com a economia, a ponto de causar prejuízos para todas as pessoas do mundo, sem produzir nada, apenas com especulação.
E COMO FICA O BRASIL NESTA HISTÓRIA?
LULA: Teoricamente, esta crise pode causar problemas ao Brasil, mas numa escala bem menor do que em outros países. No Brasil, temos um sistema financeiro mais sólido, não envolvido no sub-prime. Temos um mercado interno ascendente, com muitas obras financiadas pelo governo federal e por grandes empresas, como a Vale do Rio Doce e a Petrobras, que não vão diminuir seus investimentos. Temos uma exportação hoje muito diversificada, não dependendo apenas de um ou dois países. Agora, sabemos que está faltando crédito no mundo. Não há mais confiança entre os bancos, sequer para funcionar o interbancário (empréstimos de um banco a outro). Mas também neste aspecto o nosso governo, com suas reservas e o compulsório, com bancos públicos bastante sólidos, pode ajudar a combater os efeitos da crise. A Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES vão cuidar de irrigar de crédito a economia.
O QUE VOCÊ DIRIA PARA UM CIDADÃO BRASILEIRO QUE TE PERGUNTASSE SE DEVE FAZER UM INVESTIMENTO OU ESPERAR UM POUCO?
LULA: Falaria para ele investir. Outro dia, um sobrinho meu, o Rogério, que é caminhoneiro, veio me fazer esta pergunta. Ele estava na dúvida se deveria comprar um caminhão novo. Falei para ele: compra o caminhão.
MAS NEM TODO MUNDO PENSA ASSIM. ALGUNS POLÍTICOS E ANALISTAS ECONÔMICOS JÁ ESTÃO ANUNCIANDO QUE A CRISE DO FIM DO MUNDO ESTÁ CHEGANDO POR AQUI E VAI INFLUIR EM 2010 …
LULA: Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma imbecilidade, porque o Brasil não merece ser prejudicado. Nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros.
PARA TERMINAR A NOSSA CONVERSA, PRESIDENTE: O QUE VOCÊ GOSTARIA DE GANHAR DE PRESENTE DE ANIVERSÁRIO?
LULA: Já ganhei no sábado… O meu Coringão voltou pra primeira divisão…”
“Em entrevista ao jornalista Ricardo Kotscho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz aniversário nesta segunda-feira, criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
"Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros".
Apurados os votos, no dia seguinte à eleição cada um faz suas contas de quem ganhou e quem perdeu. Políticos e jornalistas de todas as latitudes fazem suas análises sobre os resultados.
Achei melhor para os leitores do Balaio ouvir a opinião de quem entende de política um pouco mais do que eu: o presidente da República, meu amigo Luiz Inácio Lula da Silva.
Logo cedo, ele me recebeu contente da vida, no escritório da Presidência da República em São Paulo, num prédio na esquina da rua Augusta com avenida Paulista. É que hoje Lula faz aniversário (63 anos) e, assim que saiu do elevador, encontrou amigos, assessores, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e um bolo de chocolate com morango.
De roupa esporte, com sua jaqueta predileta que tem o brasão da República, ele me levou até a sua sala. Enquanto o presidente comia um pedaço de bolo, falamos só de dois assuntos _ a eleição de domingo e a crise econômica sem data para acabar.
Em seguida, ele teria uma importante reunião com Meirelles para fazer um balanço dos efeitos da crise econômica no Brasil e no mundo. Falariam também sobre a importante reunião do G-8 ampliado, no próximo dia 15, em Washington, para a qual Lula foi convidado pelo presidente George Bush.
Os dois assuntos acabaram se misturando no meio da conversa, quando Lula criticou quem joga na crise para tirar dividendos políticos com vistas à eleição de 2010.
"Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma enorme imbecilidade. O Brasil não merece ser prejudicado porque nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros".
A seguir, a entrevista com o presidente Lula:
ESTÁ TODO MUNDO HOJE FAZENDO CONTAS E ANÁLISES SOBRE QUEM GANHOU AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS. PARA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, QUAL FOI O RESULTADO MAIS IMPORTANTE?
LULA: Quem ganhou estas eleições foi o processo democrático brasileiro. Foi mais uma eleição que transcorreu da forma mais tranquila possível. E foi uma eleição atípica porque todos os candidatos, do DEM ao PT, defenderam as parcerias com o governo federal. Como o povo está satisfeito, ganharam todos os prefeitos de capitais que disputaram a reeleição, menos o Serafim Corrêa, em Manaus.
O povo mostrou que sabia o que queria. Quer manter as obras que estão em andamento em cada cidade.
MAS, DO PONTO DE VISTA DOS PARTIDOS, QUEM CRESCEU E QUEM PERDEU VOTOS NESTAS ELEIÇÕES?
LULA: Três partidos perderam: DEM, PSDB e PPS. Os três partidos da oposição foram os que perderam mais prefeituras. E os partidos da base do governo todos eles cresceram: PT, PMDB, PSB, PCdoB, PP, PTB, todos.
EM NÚMERO DE VOTOS E DE PREFEITOS O GRANDE VENCEDOR FOI O PMDB, QUE AGORA ESTÁ SENDO APONTADO COMO O FIEL DA BALANÇA PARA A SUCESSÃO PRESIDENCIAL EM 2010.
LULA: Ainda é muito cedo para tirarmos conclusões sobre os resultados de domingo. Eu não trabalho assim com esta antecedência porque em política as coisas não funcionam automaticamente, uma eleição definindo a próxima.
Eu me lembro do Mário Covas que teve uma grande votação para senador em São Paulo e foi apontado como futuro presidente da República, mas ficou em quarto lugar, em 1989. Quando o Quércia fez do Fleury seu sucessor em São Paulo, também saiu em capa de revista como futuro presidente, mas teve só 5% dos votos, em 1994. Não dá para fazer uma ligação robotizada entre 2008 e 2010. É incorrer num grande erro.
Cada eleição tem sua própria história, seus próprios candidatos, uma é diferente da outra. É como no futebol. Eleição presidencial é um clássico, e clássico não tem favorito…
VAMOS MUDAR DE ASSUNTO, PRESIDENTE. A ELEIÇÃO JÁ PASSOU E AGORA TODO MUNDO QUER SABER COMO FICARÁ SUA VIDA DIANTE DESTA CRISE ECONÔMICA GLOBALIZADA. O QUE VAI ACONTECER COM O MUNDO? O QUE VAI ACONTECER COM O BRASIL?
LULA: Com o mundo, eu não sei o que vai acontecer… A única coisa certa é que vamos ter esta importante reunião em Washington no dia 15 de novembro em que deverão ser tomadas medidas para controlar o sistema financeiro internacional.
Temos que fazer a regulação porque ninguém pode brincar com a economia, a ponto de causar prejuízos para todas as pessoas do mundo, sem produzir nada, apenas com especulação.
E COMO FICA O BRASIL NESTA HISTÓRIA?
LULA: Teoricamente, esta crise pode causar problemas ao Brasil, mas numa escala bem menor do que em outros países. No Brasil, temos um sistema financeiro mais sólido, não envolvido no sub-prime. Temos um mercado interno ascendente, com muitas obras financiadas pelo governo federal e por grandes empresas, como a Vale do Rio Doce e a Petrobras, que não vão diminuir seus investimentos. Temos uma exportação hoje muito diversificada, não dependendo apenas de um ou dois países. Agora, sabemos que está faltando crédito no mundo. Não há mais confiança entre os bancos, sequer para funcionar o interbancário (empréstimos de um banco a outro). Mas também neste aspecto o nosso governo, com suas reservas e o compulsório, com bancos públicos bastante sólidos, pode ajudar a combater os efeitos da crise. A Caixa, o Banco do Brasil e o BNDES vão cuidar de irrigar de crédito a economia.
O QUE VOCÊ DIRIA PARA UM CIDADÃO BRASILEIRO QUE TE PERGUNTASSE SE DEVE FAZER UM INVESTIMENTO OU ESPERAR UM POUCO?
LULA: Falaria para ele investir. Outro dia, um sobrinho meu, o Rogério, que é caminhoneiro, veio me fazer esta pergunta. Ele estava na dúvida se deveria comprar um caminhão novo. Falei para ele: compra o caminhão.
MAS NEM TODO MUNDO PENSA ASSIM. ALGUNS POLÍTICOS E ANALISTAS ECONÔMICOS JÁ ESTÃO ANUNCIANDO QUE A CRISE DO FIM DO MUNDO ESTÁ CHEGANDO POR AQUI E VAI INFLUIR EM 2010 …
LULA: Lamentavelmente, temos um grupo de pessoas no país que está pedindo a Deus para que a crise chegue logo ao Brasil para desgastar o governo. O que é uma imbecilidade, porque o Brasil não merece ser prejudicado. Nós fizemos as coisas certas e não temos que pagar pelos erros dos outros.
PARA TERMINAR A NOSSA CONVERSA, PRESIDENTE: O QUE VOCÊ GOSTARIA DE GANHAR DE PRESENTE DE ANIVERSÁRIO?
LULA: Já ganhei no sábado… O meu Coringão voltou pra primeira divisão…”
SERÁ PREPARAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA MUNDIAL?
Li ontem no Blog do Noblat a notícia abaixo. Sabendo que nos EUA os conservadores republicanos e o lobby da indústria da guerra já foram os principais suspeitos das mortes de dirigentes democratas menos “falcões” (ex: os Kennedy ), pensei: Será que nos EUA inventaram e divulgaram no mundo todo essa história de matar Barack Obama já nos preparando para o evento trágico e para aceitarmos o resultado do inquérito que dirá que os assassinos “foram skinheads neonazistas”?
Vejamos a notícia:
PLANO PARA MATAR BARACK OBAMA
“Agentes americanos frustraram um plano para matar o candidato democrata à Presidência, Barack Obama, e para matar a tiros ou decapitar outros 102 negros em uma onda de assassinatos no Estado do Tennessee.
Em registros da Justiça divulgados nesta segunda-feira, agentes federais afirmaram ter frustrado os planos de dois skinheads neonazistas que pretendiam roubar uma loja de armas e atacar uma escola cuja maioria dos alunos é negra. Os agentes dizem que os skinheads não revelaram o nome da escola”.
Vejamos a notícia:
PLANO PARA MATAR BARACK OBAMA
“Agentes americanos frustraram um plano para matar o candidato democrata à Presidência, Barack Obama, e para matar a tiros ou decapitar outros 102 negros em uma onda de assassinatos no Estado do Tennessee.
Em registros da Justiça divulgados nesta segunda-feira, agentes federais afirmaram ter frustrado os planos de dois skinheads neonazistas que pretendiam roubar uma loja de armas e atacar uma escola cuja maioria dos alunos é negra. Os agentes dizem que os skinheads não revelaram o nome da escola”.
O JEITO AMERICANO DE SER
Li ontem no site “Direto da Redação” o seguinte artigo de John Hemingway:
OS SAPATOS VERMELHOS DE PALIN
"Montréal (Canadá) - Você tem que se render à mídia americana. Ninguém, mas ninguém, é tão capaz de amordaçar a opinião pública como ela. Com a economia do país à beira de uma catástrofe financeira, que poderá transformar a Grande Depressão da década de 1930 numa brincadeira, será que o New York Times, o Washington Post ou qualquer um dos outros filtros de notícias da elite tentam entrar na raiz dessa confusão e explicar aos seus leitores que eles foram enganados mais uma vez? Não, eles não fazem isso.
Eles também não escrevem sobre o buraco negro econômico e moral de nossas guerras de conquista no Oriente Médio. Este é um tema tabu na América e é uma vergonha, pois a estimativa é de um gasto de 1 trilhão de dólares todos os anos no complexo militar/industrial dos Estados Unidos, um dinheiro que pagaria facilmente as dívidas fora de controle de todos os estados, da Califórnia ao Maine, ou as hipotecas das casas que milhões de americanos já não podem se dar ao luxo de pagar , ou os programas de saúde pública que só funcionários públicos tinham e têm direito.
Existe, de fato, uma enorme e crescente lista de emergências na América que precisam ser tratadas e rápidamente, mas não espere que alguém da próxima administração vá se preocupar com isso. Esse dinheiro já foi decidido (por Wall Street e o Pentágono), e ninguém na mídia escreve sobre isto. Porque não é interessante nos EUA.
Em vez disso, eles falam de "Joe, o encanador", um trabalhador preocupado com a possibilidade de Obama aumentar seus impostos, ou sobre o “ex-pregador radical” de Obama, o reverendo Wright e suas "opiniões racistas" (ele foi aquele que cometeu o erro indesculpável de gritar em um de seus sermões, e deixando que sua ira fosse captada em vídeo, "América vai para o inferno, pelo que já fez”). Por outro lado, eles não falam muito sobre o avançado câncer de pele ou melanoma de McCain ou que muitos especialistas lhe dão menos de 25% de chance de viver até o fim de seu primeiro mandato, se ele for eleito.
No entanto, talvez a notícia mais bizarra da semana passada seja o gasto de US$150.000 para o guarda-roupa de Sarah Palin, pago pelo fundo de campanha do Partido Republicano. Ela não é, acabamos de descobrir, da classe trabalhadora, não é a mãe e dona de casa que pensávamos, porque ela veste roupas sofisticadas da Neiman Marcus, sapatos vermelho-rubi da Saks Fifth Avenue.
Sem dúvida, é para estarmos chocados com isso e com a incrível ingenuidade dos americanos, de fato muitas pessoas irão ver esta mudança de imagem como uma espécie de traição. Em outros países, eleitores tendem a entender que políticos são mentirosos profissionais e que praticamente tudo que diga respeito a imagem deles na mídia é artificial, mas não nos EUA.
Subterfúgios não serão tolerados nas eleições presidenciais americanas, porque um homem ou uma mulher, têm que ser do jeito que ele ou ela foi oferecido ao público. O importante é "ficar na mensagem", nunca desviando-se do script.
O sistema pode estar podre em seu núcleo, corrompido além do que se poderia imaginar, cheio de imagens distorcidas e expectativas irreais, mas a farsa destas eleições tem que ser mantida. As mentiras e os crimes na base de nosso íngreme declínio têm que ser ignorados, pelo menos até que o poder seja transferido com sucesso de uma facção do partido de negócios da nação para a outra.
É o jeito americano de ser”.
OS SAPATOS VERMELHOS DE PALIN
"Montréal (Canadá) - Você tem que se render à mídia americana. Ninguém, mas ninguém, é tão capaz de amordaçar a opinião pública como ela. Com a economia do país à beira de uma catástrofe financeira, que poderá transformar a Grande Depressão da década de 1930 numa brincadeira, será que o New York Times, o Washington Post ou qualquer um dos outros filtros de notícias da elite tentam entrar na raiz dessa confusão e explicar aos seus leitores que eles foram enganados mais uma vez? Não, eles não fazem isso.
Eles também não escrevem sobre o buraco negro econômico e moral de nossas guerras de conquista no Oriente Médio. Este é um tema tabu na América e é uma vergonha, pois a estimativa é de um gasto de 1 trilhão de dólares todos os anos no complexo militar/industrial dos Estados Unidos, um dinheiro que pagaria facilmente as dívidas fora de controle de todos os estados, da Califórnia ao Maine, ou as hipotecas das casas que milhões de americanos já não podem se dar ao luxo de pagar , ou os programas de saúde pública que só funcionários públicos tinham e têm direito.
Existe, de fato, uma enorme e crescente lista de emergências na América que precisam ser tratadas e rápidamente, mas não espere que alguém da próxima administração vá se preocupar com isso. Esse dinheiro já foi decidido (por Wall Street e o Pentágono), e ninguém na mídia escreve sobre isto. Porque não é interessante nos EUA.
Em vez disso, eles falam de "Joe, o encanador", um trabalhador preocupado com a possibilidade de Obama aumentar seus impostos, ou sobre o “ex-pregador radical” de Obama, o reverendo Wright e suas "opiniões racistas" (ele foi aquele que cometeu o erro indesculpável de gritar em um de seus sermões, e deixando que sua ira fosse captada em vídeo, "América vai para o inferno, pelo que já fez”). Por outro lado, eles não falam muito sobre o avançado câncer de pele ou melanoma de McCain ou que muitos especialistas lhe dão menos de 25% de chance de viver até o fim de seu primeiro mandato, se ele for eleito.
No entanto, talvez a notícia mais bizarra da semana passada seja o gasto de US$150.000 para o guarda-roupa de Sarah Palin, pago pelo fundo de campanha do Partido Republicano. Ela não é, acabamos de descobrir, da classe trabalhadora, não é a mãe e dona de casa que pensávamos, porque ela veste roupas sofisticadas da Neiman Marcus, sapatos vermelho-rubi da Saks Fifth Avenue.
Sem dúvida, é para estarmos chocados com isso e com a incrível ingenuidade dos americanos, de fato muitas pessoas irão ver esta mudança de imagem como uma espécie de traição. Em outros países, eleitores tendem a entender que políticos são mentirosos profissionais e que praticamente tudo que diga respeito a imagem deles na mídia é artificial, mas não nos EUA.
Subterfúgios não serão tolerados nas eleições presidenciais americanas, porque um homem ou uma mulher, têm que ser do jeito que ele ou ela foi oferecido ao público. O importante é "ficar na mensagem", nunca desviando-se do script.
O sistema pode estar podre em seu núcleo, corrompido além do que se poderia imaginar, cheio de imagens distorcidas e expectativas irreais, mas a farsa destas eleições tem que ser mantida. As mentiras e os crimes na base de nosso íngreme declínio têm que ser ignorados, pelo menos até que o poder seja transferido com sucesso de uma facção do partido de negócios da nação para a outra.
É o jeito americano de ser”.
ECONOMIA BRASILEIRA CONTINUA CRESCENDO
Li ontem no Jornal do Brasil Online a seguinte notícia produzida pela Redação de “InvestNews”:
LUCRO TRIMESTRAL DO BRADESCO É O 3º MAIOR DA HISTÓRIA
“O lucro líquido do Bradesco de R$ 1,91 bilhão, referente ao terceiro trimestre deste ano, é o terceiro maior já registrado por um banco de capital aberto brasileiro na história, segundo levantamento realizado pela Economática.
Já o valor de R$ 1,8 bilhão registrado pelo ITAÚ - de acordo com dados não auditados divulgados hoje - é o quarto maior da história.
A Economática comparou os números do ano de 2008 com os históricos, em valores constantes ajustados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até o dia 30 de setembro de 2008.
O maior lucro líquido registrado por um banco brasileiro de capital aberto, no terceiro trimestre deste ano, foi do Itaú em 2007. Na ocasião, a instituição havia reportado R$ 2,58 bilhões”.
LUCRO TRIMESTRAL DO BRADESCO É O 3º MAIOR DA HISTÓRIA
“O lucro líquido do Bradesco de R$ 1,91 bilhão, referente ao terceiro trimestre deste ano, é o terceiro maior já registrado por um banco de capital aberto brasileiro na história, segundo levantamento realizado pela Economática.
Já o valor de R$ 1,8 bilhão registrado pelo ITAÚ - de acordo com dados não auditados divulgados hoje - é o quarto maior da história.
A Economática comparou os números do ano de 2008 com os históricos, em valores constantes ajustados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até o dia 30 de setembro de 2008.
O maior lucro líquido registrado por um banco brasileiro de capital aberto, no terceiro trimestre deste ano, foi do Itaú em 2007. Na ocasião, a instituição havia reportado R$ 2,58 bilhões”.
LULA MINIMIZA DERROTA DE MARTA E AFIRMA TER SAÍDO ILESO DA ELEIÇÃO
Li na Folha de São Paulo, ontem, o seguinte texto de Lilian Christofoletti:
“Presidente diz que é preciso separar as coisas e que eleição municipal não tem influência automática na sucessão em 2010"
"Quando um cidadão vota para presidente, vota para presidente; quando vota para prefeito, vota para prefeito; não tem ligação"
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou ontem a derrota da candidata Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo. Pela manhã, antes mesmo do resultado das urnas, ele afirmou que não discutiria a campanha da petista, mas que considerava uma vitória o fato de a atual campanha ser marcada por uma ausência de críticas ao governo federal.
"É a primeira campanha na história do Brasil em que todos os candidatos a prefeito, do PT ao DEM, trabalharam favoravelmente ao governo. Ninguém falou mal do governo nem do presidente Lula. O candidato do PSDB, do DEM ou de qualquer partido trabalhou com as obras que o governo federal está realizando", declarou.
Lula votou ontem em São Bernardo do Campo, região do Grande ABC paulista, por volta das 10h. Foi acompanhado pela mulher, Marisa, e pelo neto Thiago, 12, filho de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O neto seguiu Lula até a urna e digitou o número do candidato Luiz Marinho (PT) -a Justiça Eleitoral paulista informou ontem que não recomenda a atitude do presidente, mas que só o mesário poderia se opor a isso, o que não ocorreu.
Para o presidente, o resultado da atual disputa municipal não passa pela eleição de 2010, quando será escolhido o novo presidente do Brasil.
"A eleição municipal não tem incidência automática na de 2010. É preciso que a gente separe cada eleição. Quando um cidadão vota para presidente da República, ele vota para presidente da República. Quando vota para prefeito, vota para prefeito. Não tem essa ligação direta", afirmou Lula, que disse não acreditar na transferência de votos -pelo menos, não sem uma estratégia prévia.
Não é uma aparição na TV ou um comício que conseguirá transferir um apoio: "É preciso se engajar na campanha", disse Lula, que evitou comentar as estratégias adotadas pela equipe petista em São Paulo.
"Não posso avaliar a campanha nem do Marinho nem da Marta porque só vim aqui duas vezes. Como vou avaliar a campanha se eles ficaram trabalhando durante todo dia, toda semana? Primeiro temos que esperar o resultado eleitoral, depois avaliamos", disse.
O presidente afirmou que, a partir de janeiro, irá se reunir com os novos prefeitos, independentemente das filiações partidárias, para orientá-los em relação à continuidade das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, e convidá-los a se engajar em um pacto de combate ao analfabetismo.
"O analfabetismo não será extinto nem pelo presidente nem pelos governadores, será pelos prefeitos das cidades que estão ali, com o pé na lama. É preciso compactuar com os prefeitos porque é inadmissível que o Brasil ainda tenha analfabetos", afirmou o presidente.
FHC
Lula afirmou lamentar a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que, em entrevista à revista "Época" desta semana, associou o presidente petista a uma política de "enganação".
"Eu lamento que ele esteja torcendo para que a crise cause aqui o estrago que está causando nos Estados Unidos", afirmou Lula, que entende não existir nenhuma razão para o Brasil ser vítima da crise: "Temos reservas e compulsório para irrigar o crédito do país. Obviamente que eu lamento profundamente que algumas pessoas estejam torcendo para o Brasil não dar certo".
CORINTHIANS
Depois de votar, Lula disse que estava triplamente feliz. Primeiro, pela vitória eleitoral do governo federal, depois pelo aniversário dele (hoje o presidente completa 63 anos) e, por fim, pelo retorno do Corinthians à série especial do Campeonato Brasileiro.
"Saudações corintianas", repetiu várias vezes Lula, que aproveitou para alfinetar os palmeirenses.
"A volta do Corinthians à divisão especial é a volta da alegria ao futebol brasileiro. Uma coisa importante é o seguinte: a gente foi para a segunda divisão porque era um título que o Palmeiras tinha e a gente não tinha. Então a gente foi lá buscar um igual e mais bonito ainda."
Na Escola Estadual João Firmino, em São Bernardo, onde votou, Lula ganhou uma camiseta do São Paulo e uma bermuda do Corinthians”.
“Presidente diz que é preciso separar as coisas e que eleição municipal não tem influência automática na sucessão em 2010"
"Quando um cidadão vota para presidente, vota para presidente; quando vota para prefeito, vota para prefeito; não tem ligação"
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou ontem a derrota da candidata Marta Suplicy (PT) à Prefeitura de São Paulo. Pela manhã, antes mesmo do resultado das urnas, ele afirmou que não discutiria a campanha da petista, mas que considerava uma vitória o fato de a atual campanha ser marcada por uma ausência de críticas ao governo federal.
"É a primeira campanha na história do Brasil em que todos os candidatos a prefeito, do PT ao DEM, trabalharam favoravelmente ao governo. Ninguém falou mal do governo nem do presidente Lula. O candidato do PSDB, do DEM ou de qualquer partido trabalhou com as obras que o governo federal está realizando", declarou.
Lula votou ontem em São Bernardo do Campo, região do Grande ABC paulista, por volta das 10h. Foi acompanhado pela mulher, Marisa, e pelo neto Thiago, 12, filho de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
O neto seguiu Lula até a urna e digitou o número do candidato Luiz Marinho (PT) -a Justiça Eleitoral paulista informou ontem que não recomenda a atitude do presidente, mas que só o mesário poderia se opor a isso, o que não ocorreu.
Para o presidente, o resultado da atual disputa municipal não passa pela eleição de 2010, quando será escolhido o novo presidente do Brasil.
"A eleição municipal não tem incidência automática na de 2010. É preciso que a gente separe cada eleição. Quando um cidadão vota para presidente da República, ele vota para presidente da República. Quando vota para prefeito, vota para prefeito. Não tem essa ligação direta", afirmou Lula, que disse não acreditar na transferência de votos -pelo menos, não sem uma estratégia prévia.
Não é uma aparição na TV ou um comício que conseguirá transferir um apoio: "É preciso se engajar na campanha", disse Lula, que evitou comentar as estratégias adotadas pela equipe petista em São Paulo.
"Não posso avaliar a campanha nem do Marinho nem da Marta porque só vim aqui duas vezes. Como vou avaliar a campanha se eles ficaram trabalhando durante todo dia, toda semana? Primeiro temos que esperar o resultado eleitoral, depois avaliamos", disse.
O presidente afirmou que, a partir de janeiro, irá se reunir com os novos prefeitos, independentemente das filiações partidárias, para orientá-los em relação à continuidade das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, e convidá-los a se engajar em um pacto de combate ao analfabetismo.
"O analfabetismo não será extinto nem pelo presidente nem pelos governadores, será pelos prefeitos das cidades que estão ali, com o pé na lama. É preciso compactuar com os prefeitos porque é inadmissível que o Brasil ainda tenha analfabetos", afirmou o presidente.
FHC
Lula afirmou lamentar a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que, em entrevista à revista "Época" desta semana, associou o presidente petista a uma política de "enganação".
"Eu lamento que ele esteja torcendo para que a crise cause aqui o estrago que está causando nos Estados Unidos", afirmou Lula, que entende não existir nenhuma razão para o Brasil ser vítima da crise: "Temos reservas e compulsório para irrigar o crédito do país. Obviamente que eu lamento profundamente que algumas pessoas estejam torcendo para o Brasil não dar certo".
CORINTHIANS
Depois de votar, Lula disse que estava triplamente feliz. Primeiro, pela vitória eleitoral do governo federal, depois pelo aniversário dele (hoje o presidente completa 63 anos) e, por fim, pelo retorno do Corinthians à série especial do Campeonato Brasileiro.
"Saudações corintianas", repetiu várias vezes Lula, que aproveitou para alfinetar os palmeirenses.
"A volta do Corinthians à divisão especial é a volta da alegria ao futebol brasileiro. Uma coisa importante é o seguinte: a gente foi para a segunda divisão porque era um título que o Palmeiras tinha e a gente não tinha. Então a gente foi lá buscar um igual e mais bonito ainda."
Na Escola Estadual João Firmino, em São Bernardo, onde votou, Lula ganhou uma camiseta do São Paulo e uma bermuda do Corinthians”.
BOLSA BRASILEIRA CAIU MENOS QUE AS DOS “BRICs”
Li na Folha de São Paulo ontem:
NUNCA NA HISTÓRIA
O "Financial Times" adiantou ontem que a semana pode fechar o "pior mês" nas Bolsas do mundo.
Wall Street caiu "pouco mais de 40%" no ano. Europa, 45%. Japão e Coréia, 50%.
E a "dor maior" nos Brics: Brasil, 50%; Índia, 57%; China, 65%; Rússia, 73%.
O editor de investimentos do jornal, John Authers, apelou até para a "teoria do caos" para tentar explicar o que acontece nos emergentes”.
NUNCA NA HISTÓRIA
O "Financial Times" adiantou ontem que a semana pode fechar o "pior mês" nas Bolsas do mundo.
Wall Street caiu "pouco mais de 40%" no ano. Europa, 45%. Japão e Coréia, 50%.
E a "dor maior" nos Brics: Brasil, 50%; Índia, 57%; China, 65%; Rússia, 73%.
O editor de investimentos do jornal, John Authers, apelou até para a "teoria do caos" para tentar explicar o que acontece nos emergentes”.
GOVERNO ALEMÃO PLANEJOU INVADIR A AMAZÔNIA EM 1935
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li no UOL):
1935
“Um livro alemão revela que, pouco antes da Segunda Guerra, militares nazistas planejavam estabelecer uma colônia no meio da selva amazônica”.
Cientistas alemães tiveram a idéia de criar "área nazista" na Amazônia. A área seria "perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana"
Segundo o livro Das Guayana-Projekt (O Projeto Guiana, na tradução livre) expedições de cientistas alemães à Amazônia entre 1935 e 1937 levaram à idéia de criar uma "área nazista" na região.
O autor Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel no Brasil, cita planos nazistas para invadir o Suriname e a Guiana Francesa com tropas que desembarcariam na Amazônia brasileira.
A área seria "perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana", disse o autor da idéia, o alemão Otto Schulz-Kampfhenkel, em uma carta ao então todo-poderoso general nazista Heinrich Himmler.
INFLUÊNCIA
Os nazistas chegaram a se interessar pelo plano mirabolante, já que segundo Schulz-Kampfhenkel "uma base no norte da América do Sul diminuiria a influência dos Estados Unidos na região".
"Se trata de um dos capítulos mais estranhos da era nazista", diz Glüsing, que para seu livro fez pesquisas na Alemanha e no Brasil.
A obra foi publicada na Alemanha este ano e está tendo bastante repercussão depois que a revista Der Spiegel pôs trechos do livro em seu portal de história na internet, einestages.de, nesta semana.
Segundo o autor, o plano não foi adiante porque os nazistas tinham outros projetos mais importantes a realizar e a Guiana Francesa estava sob o comando do regime de Vichy, na França, que era uma marionete dos nazistas.
Submarinos alemães usaram a Guiana Francesa como base para atacar navios que trafegavam na região, diz Glüsing.
O diretor do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o alemão Christoph Jaster, organizou uma expedição três anos atrás para localizar pistas das expedições nazistas.
Em seu livro, Jens Glüsing diz que "tudo que ele encontrou foi o túmulo de um colega de Schulz-Kampfhenkel." A cruz de madeira no meio da floresta ilustra a capa do livro.”
1935
“Um livro alemão revela que, pouco antes da Segunda Guerra, militares nazistas planejavam estabelecer uma colônia no meio da selva amazônica”.
Cientistas alemães tiveram a idéia de criar "área nazista" na Amazônia. A área seria "perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana"
Segundo o livro Das Guayana-Projekt (O Projeto Guiana, na tradução livre) expedições de cientistas alemães à Amazônia entre 1935 e 1937 levaram à idéia de criar uma "área nazista" na região.
O autor Jens Glüsing, correspondente da revista alemã Der Spiegel no Brasil, cita planos nazistas para invadir o Suriname e a Guiana Francesa com tropas que desembarcariam na Amazônia brasileira.
A área seria "perfeita para ser colonizada pela raça nórdica ariana", disse o autor da idéia, o alemão Otto Schulz-Kampfhenkel, em uma carta ao então todo-poderoso general nazista Heinrich Himmler.
INFLUÊNCIA
Os nazistas chegaram a se interessar pelo plano mirabolante, já que segundo Schulz-Kampfhenkel "uma base no norte da América do Sul diminuiria a influência dos Estados Unidos na região".
"Se trata de um dos capítulos mais estranhos da era nazista", diz Glüsing, que para seu livro fez pesquisas na Alemanha e no Brasil.
A obra foi publicada na Alemanha este ano e está tendo bastante repercussão depois que a revista Der Spiegel pôs trechos do livro em seu portal de história na internet, einestages.de, nesta semana.
Segundo o autor, o plano não foi adiante porque os nazistas tinham outros projetos mais importantes a realizar e a Guiana Francesa estava sob o comando do regime de Vichy, na França, que era uma marionete dos nazistas.
Submarinos alemães usaram a Guiana Francesa como base para atacar navios que trafegavam na região, diz Glüsing.
O diretor do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o alemão Christoph Jaster, organizou uma expedição três anos atrás para localizar pistas das expedições nazistas.
Em seu livro, Jens Glüsing diz que "tudo que ele encontrou foi o túmulo de um colega de Schulz-Kampfhenkel." A cruz de madeira no meio da floresta ilustra a capa do livro.”
ATAQUE TERRORISTA DOS EUA NA SÍRIA
A agência inglesa de notícias BBC ontem publicou (li na Folha Online):
SÍRIA FOI VÍTIMA DE TERRORISMO DOS EUA, DIZ CHANCELER
“O ministro do Exterior da Síria, Walid Muallem, disse nesta segunda-feira que o seu país foi vítima de um ato "terrorista" por parte dos Estados Unidos no domingo, quando oito pessoas foram mortas em um ataque na fronteira síria com o Iraque. "Nós consideramos isso uma agressão criminosa e terrorista", disse Muallem em Londres, após reunião com o chanceler britânico, David Miliband.
"Nós responsabilizamos o governo americano." "Matar civis, na lei internacional, significa uma agressão terrorista", acrescentou. "Se eles fizerem de novo, vamos defender nossos territórios."
Os EUA não comentaram oficialmente o ataque, que, se confirmado, terá sido a primeira ação militar americana dentro da Síria, após anos de relações difíceis entre os dois países. De acordo com a Síria, o ataque aconteceu no final da tarde de ontem, em Abu Kamal, fronteira com o Iraque. Quatro helicópteros se aproximaram de um edifício em construção e abriram fogo contra trabalhadores. Oito civis sírios mortos. O chanceler sírio disse que, entre os mortos, há um homem e seus três filhos, o segurança da fazenda e sua mulher e um pescador.
Muallem também pediu que os EUA e o Iraque investiguem o caso.
O Líbano fez coro com as acusações sírias, nesta segunda-feira. Rejeitamos qualquer agressão militar de um grande país contra um Estado árabe ou contra um Estado pequeno", afirmou o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, nesta segunda-feira.
Ele classificou o ataque como "perigoso" e "inaceitável quaisquer que sejam as justificativas" e disse tratar-se de uma "violação da soberania síria".
OUTRO LADO
Por outro lado, o governo iraquiano saiu em defesa do ataque dizendo que foi uma ofensiva contra terroristas e insurgentes. "O lugar era centro de atividades de organizações antiiraquianas que usavam a Síria de retaguarda para operações no Iraque", declarou o porta-voz do governo iraquiano, Ali Al Dabbagh, em comunicado.
Não são recentes as críticas do Iraque e dos EUA à Síria por não fortalecer suas fronteiras. Os dois países afirmam que rebeldes --inclusive da Al Qaeda de Osama bin Laden-- passam do Iraque para a Síria sem constrangimentos.
Segundo Muallem, a Síria tem feito o melhor que pode para impedir que os insurgentes usem o país como base.
Desde a invasão do Iraque, em 2003, houve alguns episódios nos quais as tropas americanas invadiram áreas de fronteira ou do espaço aéreo sírio em busca de rebeldes. O ataque deste domingo, porém, foi o primeiro realizado com aeronaves e em larga escala”.
SÍRIA FOI VÍTIMA DE TERRORISMO DOS EUA, DIZ CHANCELER
“O ministro do Exterior da Síria, Walid Muallem, disse nesta segunda-feira que o seu país foi vítima de um ato "terrorista" por parte dos Estados Unidos no domingo, quando oito pessoas foram mortas em um ataque na fronteira síria com o Iraque. "Nós consideramos isso uma agressão criminosa e terrorista", disse Muallem em Londres, após reunião com o chanceler britânico, David Miliband.
"Nós responsabilizamos o governo americano." "Matar civis, na lei internacional, significa uma agressão terrorista", acrescentou. "Se eles fizerem de novo, vamos defender nossos territórios."
Os EUA não comentaram oficialmente o ataque, que, se confirmado, terá sido a primeira ação militar americana dentro da Síria, após anos de relações difíceis entre os dois países. De acordo com a Síria, o ataque aconteceu no final da tarde de ontem, em Abu Kamal, fronteira com o Iraque. Quatro helicópteros se aproximaram de um edifício em construção e abriram fogo contra trabalhadores. Oito civis sírios mortos. O chanceler sírio disse que, entre os mortos, há um homem e seus três filhos, o segurança da fazenda e sua mulher e um pescador.
Muallem também pediu que os EUA e o Iraque investiguem o caso.
O Líbano fez coro com as acusações sírias, nesta segunda-feira. Rejeitamos qualquer agressão militar de um grande país contra um Estado árabe ou contra um Estado pequeno", afirmou o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, nesta segunda-feira.
Ele classificou o ataque como "perigoso" e "inaceitável quaisquer que sejam as justificativas" e disse tratar-se de uma "violação da soberania síria".
OUTRO LADO
Por outro lado, o governo iraquiano saiu em defesa do ataque dizendo que foi uma ofensiva contra terroristas e insurgentes. "O lugar era centro de atividades de organizações antiiraquianas que usavam a Síria de retaguarda para operações no Iraque", declarou o porta-voz do governo iraquiano, Ali Al Dabbagh, em comunicado.
Não são recentes as críticas do Iraque e dos EUA à Síria por não fortalecer suas fronteiras. Os dois países afirmam que rebeldes --inclusive da Al Qaeda de Osama bin Laden-- passam do Iraque para a Síria sem constrangimentos.
Segundo Muallem, a Síria tem feito o melhor que pode para impedir que os insurgentes usem o país como base.
Desde a invasão do Iraque, em 2003, houve alguns episódios nos quais as tropas americanas invadiram áreas de fronteira ou do espaço aéreo sírio em busca de rebeldes. O ataque deste domingo, porém, foi o primeiro realizado com aeronaves e em larga escala”.
ECONOMIA BRASILEIRA SEGUE AQUECIDA: 21% NO CRESCIMENTO DE CELULARES EM 2008
O portal UOL (Info Money) ontem publicou:
CELULARES: CRESCIMENTO ESTE ANO DEVE SE MANTER EM 21%, ESTIMA CONSULTORIA
“A média de crescimento das habilitações de celulares prevista para o ano de 2008 deve se manter na casa dos 21%, frente ao ano passado, segundo a Tendências Consultoria Integrada.
Isso representa um volume de 146,4 milhões de terminais móveis em uso, além de uma densidade de 76,2 celulares para cada 100 habitantes até o fim deste ano.
DADOS DE SETEMBRO
De acordo com dados da Anatel, as habilitações de celular seguem demonstrando forte desempenho.
O último dado disponível, referente ao mês de setembro, apontou para uma expansão de 25% sobre o mesmo mês de 2007, o que configurou um total de 140,8 milhões de terminais de acesso e uma densidade de 73,2 celulares a cada 100 habitante.
ALTA CONSERVADORA
Ainda que a atual densidade já se mostre relevante, a expectativa de crescimento para este ano pode ser considerada até mesmo um pouco conservadora.
Isso porque a penetração esperada para o Brasil, no ano, ainda seria menor que a apresentada por muitas outras nações que possuem hoje um PIB per capita próximo ao projetado para a economia doméstica, e a densidade do serviço ainda não dá mostras de saturação.
2009
Enquanto a previsão da Tendências é de que o mercado de habilitações de telefonia móvel cresça em torno de 16%, a Nokia revela uma expectativa contrária.
Segundo o presidente da empresa, Almir Narcizo, as vendas de telefones móveis terão acréscimo nulo tanto em volume quanto em valor. Isso porque o número de telefones comercializados em 2008 é o mesmo esperado para o próximo ano (52 milhões).
Ele acrescentou ainda que, perante a crise financeira mundial, esses números são positivos, pois o mercado poderia até ter um retrocesso”.
CELULARES: CRESCIMENTO ESTE ANO DEVE SE MANTER EM 21%, ESTIMA CONSULTORIA
“A média de crescimento das habilitações de celulares prevista para o ano de 2008 deve se manter na casa dos 21%, frente ao ano passado, segundo a Tendências Consultoria Integrada.
Isso representa um volume de 146,4 milhões de terminais móveis em uso, além de uma densidade de 76,2 celulares para cada 100 habitantes até o fim deste ano.
DADOS DE SETEMBRO
De acordo com dados da Anatel, as habilitações de celular seguem demonstrando forte desempenho.
O último dado disponível, referente ao mês de setembro, apontou para uma expansão de 25% sobre o mesmo mês de 2007, o que configurou um total de 140,8 milhões de terminais de acesso e uma densidade de 73,2 celulares a cada 100 habitante.
ALTA CONSERVADORA
Ainda que a atual densidade já se mostre relevante, a expectativa de crescimento para este ano pode ser considerada até mesmo um pouco conservadora.
Isso porque a penetração esperada para o Brasil, no ano, ainda seria menor que a apresentada por muitas outras nações que possuem hoje um PIB per capita próximo ao projetado para a economia doméstica, e a densidade do serviço ainda não dá mostras de saturação.
2009
Enquanto a previsão da Tendências é de que o mercado de habilitações de telefonia móvel cresça em torno de 16%, a Nokia revela uma expectativa contrária.
Segundo o presidente da empresa, Almir Narcizo, as vendas de telefones móveis terão acréscimo nulo tanto em volume quanto em valor. Isso porque o número de telefones comercializados em 2008 é o mesmo esperado para o próximo ano (52 milhões).
Ele acrescentou ainda que, perante a crise financeira mundial, esses números são positivos, pois o mercado poderia até ter um retrocesso”.
BASE DE APOIO A LULA VAI GOVERNAR 72% DO ELEITORADO BRASILEIRO
O portal UOL postou ontem pela manhã o seguinte texto de Maurício Reimberg:
“A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai governar 93,5 milhões de eleitores nos municípios em todo o país. A fatia representa 72,5% do eleitorado brasileiro. A oposição ficou com 35,4 milhões de pessoas. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 128,9 milhões estavam aptos a votar no pleito deste ano.
A base de apoio a Lula no Congresso Nacional reúne uma legião de 16 partidos. São: PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PRB, PR, PP, PTB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB. A oposição é formada por PSDB, DEM, PPS e PSOL, que faz uma crítica de "esquerda" ao governo.
O bom desempenho da base governista foi "puxado", sobretudo, por PMDB e PT, os dois primeiros colocados no ranking. Juntas, as duas siglas ficaram com 48,8 milhões de eleitores - PMDB com 28,8 milhões e o PT, 19,9 milhões. Em terceiro lugar aparece o PSDB, que se consolida como a principal força da oposição, com 17,5 milhões de eleitores. O DEM vem a seguir: 15,9 milhões.
2º TURNO
A base aliada a Lula vai comandar 20 das 26 capitais brasileiras. O PMDB é o grande vencedor nas principais metrópoles no segundo turno. O partido conquistou quatro delas neste domingo (26): Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis. No primeiro turno, a legenda já tinha vencido em Goiânia e Campo Grande. Com o resultado, o PMDB se tornou, ao lado do PT, o partido que mais elegeu prefeitos em capitais nestas eleições - seis cada um. Os petistas venceram em Recife, Fortaleza, Vitória, Rio Branco, Porto Velho e Palmas.
Os peemedebistas estiveram presentes em 12 disputas. O PT foi o partido com mais candidatos. Foram 15 concorrentes - 50% das cidades com segundo turno. Os petistas alcançaram oito vitórias, porém, nenhuma delas em capitais. O PSDB esteve em 10 pleitos. Ao todo, 31 municípios, entre eles 11 capitais, definiram o seu próximo prefeito neste domingo.
Na disputa mais acirrada destas eleições, o PMDB se consagrou no Rio de Janeiro. A sigla, que já administra o governo estadual com Sérgio Cabral, viu Eduardo Paes (PMDB) travar uma disputa voto a voto com Fernando Gabeira (PV). Paes teve 1.696.195 votos (50,83% dos votos válidos), contra 1.640.979 (49,17%) de Gabeira. Ele explorou a "proximidade" com o presidente Lula e teve o apoio do PT. Quando ainda era filiado ao PSDB, o candidato chegou a chamar Lula de "chefe da quadrilha" do "mensalão".[arrependeu-se. Lula soube perdoar e compreender que era a atitude típica do PSDB; obs deste blog]
“A base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai governar 93,5 milhões de eleitores nos municípios em todo o país. A fatia representa 72,5% do eleitorado brasileiro. A oposição ficou com 35,4 milhões de pessoas. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 128,9 milhões estavam aptos a votar no pleito deste ano.
A base de apoio a Lula no Congresso Nacional reúne uma legião de 16 partidos. São: PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B, PRB, PR, PP, PTB, PV, PSC, PMN, PHS, PT do B, PTC e PRTB. A oposição é formada por PSDB, DEM, PPS e PSOL, que faz uma crítica de "esquerda" ao governo.
O bom desempenho da base governista foi "puxado", sobretudo, por PMDB e PT, os dois primeiros colocados no ranking. Juntas, as duas siglas ficaram com 48,8 milhões de eleitores - PMDB com 28,8 milhões e o PT, 19,9 milhões. Em terceiro lugar aparece o PSDB, que se consolida como a principal força da oposição, com 17,5 milhões de eleitores. O DEM vem a seguir: 15,9 milhões.
2º TURNO
A base aliada a Lula vai comandar 20 das 26 capitais brasileiras. O PMDB é o grande vencedor nas principais metrópoles no segundo turno. O partido conquistou quatro delas neste domingo (26): Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e Florianópolis. No primeiro turno, a legenda já tinha vencido em Goiânia e Campo Grande. Com o resultado, o PMDB se tornou, ao lado do PT, o partido que mais elegeu prefeitos em capitais nestas eleições - seis cada um. Os petistas venceram em Recife, Fortaleza, Vitória, Rio Branco, Porto Velho e Palmas.
Os peemedebistas estiveram presentes em 12 disputas. O PT foi o partido com mais candidatos. Foram 15 concorrentes - 50% das cidades com segundo turno. Os petistas alcançaram oito vitórias, porém, nenhuma delas em capitais. O PSDB esteve em 10 pleitos. Ao todo, 31 municípios, entre eles 11 capitais, definiram o seu próximo prefeito neste domingo.
Na disputa mais acirrada destas eleições, o PMDB se consagrou no Rio de Janeiro. A sigla, que já administra o governo estadual com Sérgio Cabral, viu Eduardo Paes (PMDB) travar uma disputa voto a voto com Fernando Gabeira (PV). Paes teve 1.696.195 votos (50,83% dos votos válidos), contra 1.640.979 (49,17%) de Gabeira. Ele explorou a "proximidade" com o presidente Lula e teve o apoio do PT. Quando ainda era filiado ao PSDB, o candidato chegou a chamar Lula de "chefe da quadrilha" do "mensalão".[arrependeu-se. Lula soube perdoar e compreender que era a atitude típica do PSDB; obs deste blog]
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
CHUTANDO A PRÓPRIA ESCADA
O jornalista Luis Nassif escreveu ontem em seu blog:
“Artigo de Philllip Stephens, do Financial Times, na Folha de hoje (ver transcrição a seguir), apontando para o maior risco dessa crise: o fechamento dos países em defesa de suas posições.
Ele mostra como a ação coordenada dos governantes ajudou a segurar a peteca. Depois, vai listando as ações individuais, que induzem ao fechamento:
1. A posição do presidente francês Nicolas Sarkozy de montar o fundo soberano para impedir que as empresas estratégicas européias sejam adquiridas por árabes ou asiáticos.
2. A posição de sua colega alemã, Angela Merkel, de não utilizar dinheiro alemão para salvar bancos de outros países.
A velha lógica do “chutando a própria escada”. Como diz o jornalista, “eles todos (os países ricos) gostariam de uma nova ordem mundial mais inclusiva, desde que a adesão dos novos membros ao Clube, é claro, não diluísse em nada sua autoridade”.
Por isso mesmo, bati aqui na tecla de que as tentativas don Itamarati de salvar a rodada Doha não levava em conta o fato de que o mundo integrado daria lugar a um jogo pesado de interesses nacionais.
A seguir, o artigo de Philip Stephens do "Financial Times" de ontem, publicado na Folha de São Paulo:
GLOBALIZAÇÃO COLIDE COM "NEONACIONALISMO"
A ECONOMIA ATÉ PODE SER MUNDIAL, MAS A POLÍTICA CONTINUA LOCAL, COM OS PAÍSES DEFENDENDO SEUS PRÓPRIOS INTERESSES
“Estamos salvos. Em meio aos destroços dos mercados financeiros mundiais, é possível divisar as fundações de uma nova ordem internacional. A grande lição da crise foi aprendida: não é possível escapar à nossa dependência mútua. Mercados mundiais requerem regras multilaterais.
Por que estou otimista? Bem, ainda esta semana o presidente George W. Bush, aquele grande internacionalista, anunciou que estava convocando os líderes mundiais a Washington a fim de "promover a compreensão mútua" quanto às causas da crise. Nas palavras da Casa Branca, os líderes formularão "um conjunto comum de princípios para a reforma dos regimes regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais". É uma frase um tanto desajeitada, eu sei. Mas, afinal, multilateralismo também é uma palavra longa.
Alguns leitores, suspeito, talvez estejam um tanto céticos quanto ao desfecho do que líderes europeus definiram, de forma emotiva, como "um novo Bretton Woods". E como, outras pessoas podem perguntar, o francês Nicolas Sarkozy e o britânico Gordon Brown dividirão os aplausos? Não é possível dois heróis na mesma história ao menos não quando um deles é francês e o outro é britânico.
Eu também seria o primeiro a admitir que o momento da conferência de cúpula, que começará 10 dias depois da eleição presidencial norte-americana, não é ideal. Bush terá chegado à volta final de uma presidência fracassada. E seu sucessor presumivelmente comparecerá como observador.
Barack Obama aprovou a idéia da reunião. Mas não estou inteiramente certo de que o candidato democrata compartilhe da visão do presidente quanto a um novo sistema mundial. Obama, afinal, fez campanha prometendo consertar os imensos estragos que Bush causou à posição norte-americana no mundo.
Se pensarmos bem, aliás, dadas as declarações hostis de McCain sobre o histórico do governo Bush durante a campanha, seria duvidoso que sua presença fosse bem-vinda, antes do dia da posse.
Pouco importa. Ao menos a lista de convidados demonstra que os países ricos despertaram para o fato de que o mundo deixou de ser um clube privado. Crises financeiras costumavam ser coisas que aconteciam a países pobres. Agora, os velhos luminares do Grupo dos 7 (G7) países mais industrializados contarão com a presença não só do sempre carrancudo líder russo Vladimir Putin como de uma dúzia de líderes das potências emergentes.
O chamado Grupo dos 20 pode ser desconfortável como grupo, mas ao menos oferece um espelho no qual o mundo pode se contemplar. Muitos desses países emprestaram às nações ricas o dinheiro com o qual elas financiaram o boom. Merecem participar quando é hora de discutir as lições do colapso.
Caso Obama vença em 4 de novembro e as pesquisas de opinião parecem apontar para uma vitória esmagadora-, um de seus primeiros atos deveria ser cimentar essa mudança com um ato de multilateralismo unilateral. Ele deveria anunciar que, como presidente, deixará de lado a aconchegante presunção do G7 e do G8, mas estará disposto a participar das reuniões do G13 ou do G20.
Tenho de confessar que esse é o ponto em que meu otimismo começa a recuar. Isso nada tem a ver com Obama. Como presidente, ele teria melhor chance que qualquer de seus predecessores de liderar um esforço que reformule a ordem mundial. E ele também dá impressão de que compreende que essa pode ser a última chance de conferir valores norte-americanos ao novo sistema.
Não, é quando observamos de perto como a maioria dos líderes se comportou em resposta às tormentas nos mercados que surge a disparidade entre as elevadas expressões de solidariedade e as intenções mesquinhas. A visão de Bush quanto a uma nova ordem financeira é a de que os Estados Unidos ditam ordens e as demais nações as seguem. Aliás, Brown também tem opinião parecida sobre o papel britânico.
SOLUÇÃO GLOBALIZADA?
O lema, ao menos na Europa, vem sendo o de que problemas mundiais requerem soluções mundiais. Como declaração factual, não se pode contestá-la: o mundo recuou da beira do abismo financeiro apenas quando os governos das grandes economias enfim concordaram em agir de maneira coordenada.
Mas observe o que eles vêm dizendo desde então. Sarkozy deseja que a Europa estabeleça um fundo soberano a fim de adquirir participações em empresas européias durante a recessão. O objetivo, desnecessário dizer, é proteger os campeões da indústria européia, e francesa, contra tomadas de controle por estrangeiros. E estrangeiro no caso quer dizer árabe ou asiático.
O presidente francês propôs essa idéia, incidentalmente, logo depois de exigir que líderes estrangeiros fossem convidados para a conferência de cúpula. Já outros dos chefes de governo, como o italiano Silvio Berlusconi, perceberam uma oportunidade de construir um novo capitalismo de Estado que proteja as indústrias de seus países contra os estrangeiros. Não demorará muito para que Berlusconi esteja liderando a campanha para que a Europa impeça a entrada de imigrantes.
O governo de Angela Merkel na Alemanha criticou algumas dessas idéias. Mas, em termos gerais, Berlim vem relutando em contemplar qualquer coisa que vá além do mais estreito interesse nacional. Merkel insistiu, por exemplo, em que não seja usado um euro de dinheiro alemão para ajudar a resgatar bancos em outros países. É a isso que ela chama de solidariedade européia.
O problema subjacente aqui é a grande desconexão entre uma análise que vê todos esses governos concordando em que deveriam trabalhar juntos e uma situação política que os leva a preservar zelosamente suas prerrogativas nacionais. A economia e as finanças podem ser mundiais, mas a política continua local.
Se recuarmos para mais longe do vórtice, o que a crise financeira e suas conseqüências causaram (e não estou certo de que tenha acabado) foi iluminar as forças que dão forma ao mundo moderno. A globalização agora coexiste e ocasionalmente colide com os nacionalismos em ascensão.
Esses nacionalismos surgem em formas diferentes. De um lado temos as potências emergentes China, Índia e as demais-, que jamais se sentiram parte de uma ordem multilateral criada e dominada pelo Ocidente. Por que, no momento em que estão se tornando grandes potências, deveriam ceder soberania a terceiros?
Ao lado delas temos os países ricos que, embora falem a língua do interesse e dependência mútuos, zelam imensamente pelas posições privilegiadas que hoje detêm.
Eles todos gostariam de uma ordem mundial mais inclusiva desde que a adesão de novos membros ao clube, claro, não diluísse em nada a sua autoridade.
A essa altura, como vocês podem ter adivinhado, meu otimismo mais ou menos se esvaiu. A crise financeira descreveu uma colisão muito maior entre a dependência mútua da globalização e a ascensão dos nacionalismos. Até agora, ninguém admitiu o perigo. A conferência de cúpula seria um sucesso caso os líderes conseguissem no mínimo começar a compreender”.
“Artigo de Philllip Stephens, do Financial Times, na Folha de hoje (ver transcrição a seguir), apontando para o maior risco dessa crise: o fechamento dos países em defesa de suas posições.
Ele mostra como a ação coordenada dos governantes ajudou a segurar a peteca. Depois, vai listando as ações individuais, que induzem ao fechamento:
1. A posição do presidente francês Nicolas Sarkozy de montar o fundo soberano para impedir que as empresas estratégicas européias sejam adquiridas por árabes ou asiáticos.
2. A posição de sua colega alemã, Angela Merkel, de não utilizar dinheiro alemão para salvar bancos de outros países.
A velha lógica do “chutando a própria escada”. Como diz o jornalista, “eles todos (os países ricos) gostariam de uma nova ordem mundial mais inclusiva, desde que a adesão dos novos membros ao Clube, é claro, não diluísse em nada sua autoridade”.
Por isso mesmo, bati aqui na tecla de que as tentativas don Itamarati de salvar a rodada Doha não levava em conta o fato de que o mundo integrado daria lugar a um jogo pesado de interesses nacionais.
A seguir, o artigo de Philip Stephens do "Financial Times" de ontem, publicado na Folha de São Paulo:
GLOBALIZAÇÃO COLIDE COM "NEONACIONALISMO"
A ECONOMIA ATÉ PODE SER MUNDIAL, MAS A POLÍTICA CONTINUA LOCAL, COM OS PAÍSES DEFENDENDO SEUS PRÓPRIOS INTERESSES
“Estamos salvos. Em meio aos destroços dos mercados financeiros mundiais, é possível divisar as fundações de uma nova ordem internacional. A grande lição da crise foi aprendida: não é possível escapar à nossa dependência mútua. Mercados mundiais requerem regras multilaterais.
Por que estou otimista? Bem, ainda esta semana o presidente George W. Bush, aquele grande internacionalista, anunciou que estava convocando os líderes mundiais a Washington a fim de "promover a compreensão mútua" quanto às causas da crise. Nas palavras da Casa Branca, os líderes formularão "um conjunto comum de princípios para a reforma dos regimes regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais". É uma frase um tanto desajeitada, eu sei. Mas, afinal, multilateralismo também é uma palavra longa.
Alguns leitores, suspeito, talvez estejam um tanto céticos quanto ao desfecho do que líderes europeus definiram, de forma emotiva, como "um novo Bretton Woods". E como, outras pessoas podem perguntar, o francês Nicolas Sarkozy e o britânico Gordon Brown dividirão os aplausos? Não é possível dois heróis na mesma história ao menos não quando um deles é francês e o outro é britânico.
Eu também seria o primeiro a admitir que o momento da conferência de cúpula, que começará 10 dias depois da eleição presidencial norte-americana, não é ideal. Bush terá chegado à volta final de uma presidência fracassada. E seu sucessor presumivelmente comparecerá como observador.
Barack Obama aprovou a idéia da reunião. Mas não estou inteiramente certo de que o candidato democrata compartilhe da visão do presidente quanto a um novo sistema mundial. Obama, afinal, fez campanha prometendo consertar os imensos estragos que Bush causou à posição norte-americana no mundo.
Se pensarmos bem, aliás, dadas as declarações hostis de McCain sobre o histórico do governo Bush durante a campanha, seria duvidoso que sua presença fosse bem-vinda, antes do dia da posse.
Pouco importa. Ao menos a lista de convidados demonstra que os países ricos despertaram para o fato de que o mundo deixou de ser um clube privado. Crises financeiras costumavam ser coisas que aconteciam a países pobres. Agora, os velhos luminares do Grupo dos 7 (G7) países mais industrializados contarão com a presença não só do sempre carrancudo líder russo Vladimir Putin como de uma dúzia de líderes das potências emergentes.
O chamado Grupo dos 20 pode ser desconfortável como grupo, mas ao menos oferece um espelho no qual o mundo pode se contemplar. Muitos desses países emprestaram às nações ricas o dinheiro com o qual elas financiaram o boom. Merecem participar quando é hora de discutir as lições do colapso.
Caso Obama vença em 4 de novembro e as pesquisas de opinião parecem apontar para uma vitória esmagadora-, um de seus primeiros atos deveria ser cimentar essa mudança com um ato de multilateralismo unilateral. Ele deveria anunciar que, como presidente, deixará de lado a aconchegante presunção do G7 e do G8, mas estará disposto a participar das reuniões do G13 ou do G20.
Tenho de confessar que esse é o ponto em que meu otimismo começa a recuar. Isso nada tem a ver com Obama. Como presidente, ele teria melhor chance que qualquer de seus predecessores de liderar um esforço que reformule a ordem mundial. E ele também dá impressão de que compreende que essa pode ser a última chance de conferir valores norte-americanos ao novo sistema.
Não, é quando observamos de perto como a maioria dos líderes se comportou em resposta às tormentas nos mercados que surge a disparidade entre as elevadas expressões de solidariedade e as intenções mesquinhas. A visão de Bush quanto a uma nova ordem financeira é a de que os Estados Unidos ditam ordens e as demais nações as seguem. Aliás, Brown também tem opinião parecida sobre o papel britânico.
SOLUÇÃO GLOBALIZADA?
O lema, ao menos na Europa, vem sendo o de que problemas mundiais requerem soluções mundiais. Como declaração factual, não se pode contestá-la: o mundo recuou da beira do abismo financeiro apenas quando os governos das grandes economias enfim concordaram em agir de maneira coordenada.
Mas observe o que eles vêm dizendo desde então. Sarkozy deseja que a Europa estabeleça um fundo soberano a fim de adquirir participações em empresas européias durante a recessão. O objetivo, desnecessário dizer, é proteger os campeões da indústria européia, e francesa, contra tomadas de controle por estrangeiros. E estrangeiro no caso quer dizer árabe ou asiático.
O presidente francês propôs essa idéia, incidentalmente, logo depois de exigir que líderes estrangeiros fossem convidados para a conferência de cúpula. Já outros dos chefes de governo, como o italiano Silvio Berlusconi, perceberam uma oportunidade de construir um novo capitalismo de Estado que proteja as indústrias de seus países contra os estrangeiros. Não demorará muito para que Berlusconi esteja liderando a campanha para que a Europa impeça a entrada de imigrantes.
O governo de Angela Merkel na Alemanha criticou algumas dessas idéias. Mas, em termos gerais, Berlim vem relutando em contemplar qualquer coisa que vá além do mais estreito interesse nacional. Merkel insistiu, por exemplo, em que não seja usado um euro de dinheiro alemão para ajudar a resgatar bancos em outros países. É a isso que ela chama de solidariedade européia.
O problema subjacente aqui é a grande desconexão entre uma análise que vê todos esses governos concordando em que deveriam trabalhar juntos e uma situação política que os leva a preservar zelosamente suas prerrogativas nacionais. A economia e as finanças podem ser mundiais, mas a política continua local.
Se recuarmos para mais longe do vórtice, o que a crise financeira e suas conseqüências causaram (e não estou certo de que tenha acabado) foi iluminar as forças que dão forma ao mundo moderno. A globalização agora coexiste e ocasionalmente colide com os nacionalismos em ascensão.
Esses nacionalismos surgem em formas diferentes. De um lado temos as potências emergentes China, Índia e as demais-, que jamais se sentiram parte de uma ordem multilateral criada e dominada pelo Ocidente. Por que, no momento em que estão se tornando grandes potências, deveriam ceder soberania a terceiros?
Ao lado delas temos os países ricos que, embora falem a língua do interesse e dependência mútuos, zelam imensamente pelas posições privilegiadas que hoje detêm.
Eles todos gostariam de uma ordem mundial mais inclusiva desde que a adesão de novos membros ao clube, claro, não diluísse em nada a sua autoridade.
A essa altura, como vocês podem ter adivinhado, meu otimismo mais ou menos se esvaiu. A crise financeira descreveu uma colisão muito maior entre a dependência mútua da globalização e a ascensão dos nacionalismos. Até agora, ninguém admitiu o perigo. A conferência de cúpula seria um sucesso caso os líderes conseguissem no mínimo começar a compreender”.
AÉCIO 1 X 1 SERRA
Li ontem no blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim:
AÉCIO, CABRAL E SERRA GANHAM A ELEIÇÃO.
TUCANOS: AÉCIO 1 X 1 SERRA.
“A vitória de Serra na cidade de São Paulo não tem graça: Serra entra em campo com 14 – ele mais o estadão, a folha e a globo.
Aécio inventou uma aliança com o PT com um candidato desconhecido e teve vitória do mesmo tamanho da vitória de Serra.
Sérgio Cabral ganhou com o candidato difícil de carregar, porque Eduardo Paes é como aquelas badalhocas que camelô vende nos sinais de trânsito: serve para qualquer coisa.
Gabeira era o Obama do PIG [Partido da Imprensa Golpista].
Dessa vez não foi.
O PIG já disse que Serra era o grande vencedor.
Na coluna da Eliane Cantanhêde na FOLHA, ela que sempre considerou Serra o candidato “mais consistente” em qualquer eleição.
Serra ganhou na cidade de São Paulo, uma cidade onde os tucanos mandam, como o Coronel Chico Heráclito mandava em Limoeiro.
Mas, em torno da cidade de São Paulo, especialmente em São Bernardo, ele só entra no espaço aéreo.
O PIG tentou fazer a federalização da eleição municipal para dizer que Serra é imbatível.
Se isso foi verdade, para o PSDB o resultado da eleição é Aécio 1 x 1 Serra.
Em tempo: um carioca ilustre me lembra um aspecto da eleição no Rio de Janeiro que valoriza a vitória de Sérgio Cabral. As vitórias de Aécio e Serra, na verdade, são uma forma de reeleição. E reeleger no Brasil é mais fácil do que derrotar o poder. Que foi o que Cabral fez”.
AÉCIO, CABRAL E SERRA GANHAM A ELEIÇÃO.
TUCANOS: AÉCIO 1 X 1 SERRA.
“A vitória de Serra na cidade de São Paulo não tem graça: Serra entra em campo com 14 – ele mais o estadão, a folha e a globo.
Aécio inventou uma aliança com o PT com um candidato desconhecido e teve vitória do mesmo tamanho da vitória de Serra.
Sérgio Cabral ganhou com o candidato difícil de carregar, porque Eduardo Paes é como aquelas badalhocas que camelô vende nos sinais de trânsito: serve para qualquer coisa.
Gabeira era o Obama do PIG [Partido da Imprensa Golpista].
Dessa vez não foi.
O PIG já disse que Serra era o grande vencedor.
Na coluna da Eliane Cantanhêde na FOLHA, ela que sempre considerou Serra o candidato “mais consistente” em qualquer eleição.
Serra ganhou na cidade de São Paulo, uma cidade onde os tucanos mandam, como o Coronel Chico Heráclito mandava em Limoeiro.
Mas, em torno da cidade de São Paulo, especialmente em São Bernardo, ele só entra no espaço aéreo.
O PIG tentou fazer a federalização da eleição municipal para dizer que Serra é imbatível.
Se isso foi verdade, para o PSDB o resultado da eleição é Aécio 1 x 1 Serra.
Em tempo: um carioca ilustre me lembra um aspecto da eleição no Rio de Janeiro que valoriza a vitória de Sérgio Cabral. As vitórias de Aécio e Serra, na verdade, são uma forma de reeleição. E reeleger no Brasil é mais fácil do que derrotar o poder. Que foi o que Cabral fez”.
TOTAL DE VOTOS RECEBIDOS POR PARTIDO
Li no UOL ontem à noite:
PT - 5.167.773
DEM - 3.894.693
PV - 1.640.970
PSDB - 1.552.307
PSB - 1.486.265
PTB - 1.235.814
PP - 343.306
PR - 222.908
PC do B - 214.302
PDT - 205.196
PPS - 168.702
Zero votos receberam os partidos: PRTB, PCO, PSDC, PT do B, PSL, PTC, PSTU, PSOL, PMN, PSC, PHS, PCB, PRB, PRP e PTN.
PT - 5.167.773
DEM - 3.894.693
PV - 1.640.970
PSDB - 1.552.307
PSB - 1.486.265
PTB - 1.235.814
PP - 343.306
PR - 222.908
PC do B - 214.302
PDT - 205.196
PPS - 168.702
Zero votos receberam os partidos: PRTB, PCO, PSDC, PT do B, PSL, PTC, PSTU, PSOL, PMN, PSC, PHS, PCB, PRB, PRP e PTN.
A CHINA CRESCER É IMPORTANTE PARA O CRESCIMENTO BRASILEIRO
Li ontem no site “Vermelho” a seguinte notícia da agência inglesa BBC Brasil:
CHINA: ECONOMIA É SÓLIDA, MAS DESAFIOS CRESCEM, DIZ BC CHINÊS
“A China deve se preparar para os desafios que certamente virão sobre a crise financeira global, apesar da economia estar em boa forma de modo geral, disse o presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, neste domingo (26).
Em relatório para o comitê permanente do Congresso Nacional do Povo, ou parlamento, sobre as projeções chinesas frente à pior crise financeira em 80 anos, Zhou fez um balanço entre confiança e cautela.
"Nós não devemos subestimar o impacto na nossa economia", disse à emissora estatal de televisão. "O movimento básico da economia não mudou. Mas para confrontar os muitos fatores de desequilíbrio e incerteza que existem, é necessário aumentar nossa atenção aos perigos, enfrentar os desafios de maneira pró-ativa e realizar um trabalho sólido na preparação para encarar as dificuldades potenciais."
O controle de capital da China e o relativo conservadorismo de seus bancos limitou a exposição direta do país à crise financeira causada pela inadimplência generalizada de hipotecas nos Estados Unidos.
Zhou mencionou que as instituições financeiras do país cresceram de maneira forte, se comportando bem para a estabilidade do sistema financeiro, mesmo frente aos riscos externos.
Além disso, a grande necessidade de investimento em infra-estrutura e o potencial de expansão da demanda do consumidor podem ajudar a amortecer o impacto das exportações enfraquecidas, disse Zhou, de acordo com a transcrição de seus comentários divulgados pela China News Service.
O crescimento anual do PIB da China desacelerou para 9 por cento no terceiro trimestre, frente 10,1 por cento no segundo, e o governo anunciou várias medidas monetárias e fiscais nas últimas semanas para estimular o crescimento, incluindo duas reduções nas taxas de juros e nos depósitos compulsórios de bancos.
Zhou acrescentou que o banco central manterá vigilância sobre os preços ao consumidor, mesmo com a redução da inflação nos últimos meses, desacelerando para a taxa anual de 4,6 por cento em setembro, frente ao pico de 8,7 por cento em fevereiro.
O presidente do banco central chinês alertou, porém, que a inflação pode voltar a subir, mas não especificou como isso poderia afetar a política monetária, que deslocou recentemente o foco para a sustentação do crescimento econômico”.
CHINA: ECONOMIA É SÓLIDA, MAS DESAFIOS CRESCEM, DIZ BC CHINÊS
“A China deve se preparar para os desafios que certamente virão sobre a crise financeira global, apesar da economia estar em boa forma de modo geral, disse o presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, neste domingo (26).
Em relatório para o comitê permanente do Congresso Nacional do Povo, ou parlamento, sobre as projeções chinesas frente à pior crise financeira em 80 anos, Zhou fez um balanço entre confiança e cautela.
"Nós não devemos subestimar o impacto na nossa economia", disse à emissora estatal de televisão. "O movimento básico da economia não mudou. Mas para confrontar os muitos fatores de desequilíbrio e incerteza que existem, é necessário aumentar nossa atenção aos perigos, enfrentar os desafios de maneira pró-ativa e realizar um trabalho sólido na preparação para encarar as dificuldades potenciais."
O controle de capital da China e o relativo conservadorismo de seus bancos limitou a exposição direta do país à crise financeira causada pela inadimplência generalizada de hipotecas nos Estados Unidos.
Zhou mencionou que as instituições financeiras do país cresceram de maneira forte, se comportando bem para a estabilidade do sistema financeiro, mesmo frente aos riscos externos.
Além disso, a grande necessidade de investimento em infra-estrutura e o potencial de expansão da demanda do consumidor podem ajudar a amortecer o impacto das exportações enfraquecidas, disse Zhou, de acordo com a transcrição de seus comentários divulgados pela China News Service.
O crescimento anual do PIB da China desacelerou para 9 por cento no terceiro trimestre, frente 10,1 por cento no segundo, e o governo anunciou várias medidas monetárias e fiscais nas últimas semanas para estimular o crescimento, incluindo duas reduções nas taxas de juros e nos depósitos compulsórios de bancos.
Zhou acrescentou que o banco central manterá vigilância sobre os preços ao consumidor, mesmo com a redução da inflação nos últimos meses, desacelerando para a taxa anual de 4,6 por cento em setembro, frente ao pico de 8,7 por cento em fevereiro.
O presidente do banco central chinês alertou, porém, que a inflação pode voltar a subir, mas não especificou como isso poderia afetar a política monetária, que deslocou recentemente o foco para a sustentação do crescimento econômico”.
EUA ATACARAM NAVIO INGLÊS POR CONTA DO BLOQUEIO À CUBA
O site “Vermelho” postou na noite de ontem a seguinte reportagem produzida pela agência espanhola de notícias EFE baseada em matéria do jornal inglês The Observer de ontem:
BLOQUEIO A CUBA FEZ CIA ATACAR BRITÂNICOS, DIZ HISTORIADOR
“Um historiador naval acredita que um navio de carga que levava 42 ônibus britânicos para Cuba foi atacado no rio Tâmisa em 1964 em um complô da CIA (agência central de inteligência americana) para fazer cumprir o embargo dos Estados Unidos, informou neste domingo (26) o jornal The Observer.
Segundo o periódico, o historiador John McGarry encontrou alguns documentos que reforçam as suspeitas de alguns acadêmicos no sentido de que o cargueiro, o MV Magdeburg, da Alemanha Oriental, foi sabotado a pedido dos serviços secretos dos EUA.
O MV Magdeburg havia deixado o porto de Dagenham, ao leste do rio Tâmisa, em uma fria e nublada noite de outubro de 1964 com 42 ônibus Leyland com destino a Cuba, uma exportação que fora apoiada pelos primeiros-ministros Alec Douglas-Home (1963-64) e Harold Wilson (1964-70 e 1974-76).
O jornal ressalta que a empresa Leyland Motors optou por um navio da Alemanha Oriental diante da ameaça dos EUA de adicionar a uma lista negra qualquer embarcação que violasse o bloqueio de transporte imposto nos anos 1960.
Ao navegar pelo Tâmisa, o MV Magdeburg foi atacado à noite pelo navio japonês Yamashiro Maru, mas ninguém morreu nem respondeu pelo acontecido, ressalta a reportagem do periódico, intitulado CIA acusada de sabotagem no Tâmisa.
"Foi um acidente", teria dito Keith Roms, um tripulante de uma embarcação de resgate que, naquela noite, trabalhava no Tâmisa. No entanto, McGarry encontrou nos arquivos marítimos da antiga República Democrática Alemã as provas apresentadas pelo capitão britânico do MV Magdeburg, Gordon Greenfield.
Segundo Greenfield, o navio japonês tinha violado o direito internacional ao navegar na direção contrária e dar sinais falsos.Ao ser localizado agora, 44 anos depois do possível acidente, Greenfield disse que a visibilidade era boa, apesar do nevoeiro, e que os dois navios podiam claramente ver um ao outro, acrescenta o jornal.
O diretor da Nova Fundação de Segurança de Berlim, Harold Elletson, disse ao periódico que "seria ingênuo pensar que a CIA não se atreveria a afundar um navio da Alemanha Oriental em um estuário vital de um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)".
"Estavam pressionados para obter resultados e tinham um grande orçamento de sabotagem", acrescentou. Já Anthony Glees, professor de estudos de espionagem da Universidade de Buckingham, disse que não parece totalmente falso o fato de ter se tratado de um afundamento deliberado”.
BLOQUEIO A CUBA FEZ CIA ATACAR BRITÂNICOS, DIZ HISTORIADOR
“Um historiador naval acredita que um navio de carga que levava 42 ônibus britânicos para Cuba foi atacado no rio Tâmisa em 1964 em um complô da CIA (agência central de inteligência americana) para fazer cumprir o embargo dos Estados Unidos, informou neste domingo (26) o jornal The Observer.
Segundo o periódico, o historiador John McGarry encontrou alguns documentos que reforçam as suspeitas de alguns acadêmicos no sentido de que o cargueiro, o MV Magdeburg, da Alemanha Oriental, foi sabotado a pedido dos serviços secretos dos EUA.
O MV Magdeburg havia deixado o porto de Dagenham, ao leste do rio Tâmisa, em uma fria e nublada noite de outubro de 1964 com 42 ônibus Leyland com destino a Cuba, uma exportação que fora apoiada pelos primeiros-ministros Alec Douglas-Home (1963-64) e Harold Wilson (1964-70 e 1974-76).
O jornal ressalta que a empresa Leyland Motors optou por um navio da Alemanha Oriental diante da ameaça dos EUA de adicionar a uma lista negra qualquer embarcação que violasse o bloqueio de transporte imposto nos anos 1960.
Ao navegar pelo Tâmisa, o MV Magdeburg foi atacado à noite pelo navio japonês Yamashiro Maru, mas ninguém morreu nem respondeu pelo acontecido, ressalta a reportagem do periódico, intitulado CIA acusada de sabotagem no Tâmisa.
"Foi um acidente", teria dito Keith Roms, um tripulante de uma embarcação de resgate que, naquela noite, trabalhava no Tâmisa. No entanto, McGarry encontrou nos arquivos marítimos da antiga República Democrática Alemã as provas apresentadas pelo capitão britânico do MV Magdeburg, Gordon Greenfield.
Segundo Greenfield, o navio japonês tinha violado o direito internacional ao navegar na direção contrária e dar sinais falsos.Ao ser localizado agora, 44 anos depois do possível acidente, Greenfield disse que a visibilidade era boa, apesar do nevoeiro, e que os dois navios podiam claramente ver um ao outro, acrescenta o jornal.
O diretor da Nova Fundação de Segurança de Berlim, Harold Elletson, disse ao periódico que "seria ingênuo pensar que a CIA não se atreveria a afundar um navio da Alemanha Oriental em um estuário vital de um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)".
"Estavam pressionados para obter resultados e tinham um grande orçamento de sabotagem", acrescentou. Já Anthony Glees, professor de estudos de espionagem da Universidade de Buckingham, disse que não parece totalmente falso o fato de ter se tratado de um afundamento deliberado”.
RENATO RABELO: "RESULTADO DESTA ELEIÇÃO FAVORECE O PC do B"
O site “Vermelho” postou no final da noite de domingo:
“Renato Rabelo, presidente do PCdoB, acompanhou a apuração do segundo turno na sede nacional do partido em São Paulo. Ele avaliou para o Vermelho os resultados, destacando os de São Paulo e do Rio de Janeiro e comentando também a campanha em São Luís, única das 30 prefeituras em disputa onde participava um candidato do PCdoB, Flávio Dino. Veja os trechos principais da entrevista”.
TENDÊNCIA À REELEIÇÃO
"O segundo turno aconteceu em 30 cidades, sendo 11 capitais; mas incluiu os maiores colégios eleitorais (São Paulo, Rio de Janeirop, Belo Horizonte e Salvador), assim com cidades-pólo importantes. O resultado, em primeiro lugar, mantém uma tendência do primeiro turno: a reeleição dos prefeitos. Nas capitais, só o prefeito de Manaus concorreu e não se reelegeu."
MAIOR GANHO FOI DO PMDB
"Em segundo lugar, podemos dizer que o partido que teve o maior ganho foi o PMDB, mantendo novamente a tendência: elegeu os prefeitos de duas capitais no primeiro turno e mais quatro no segundo.
A esquerda no seu conjunto sai das eleição de 2008 governando 11 capitais. Incluo aqui o PT, com seis capitais; o PSB com três, entre elas Belo Horizonte; o PCdoB com uma, Aracaju, e o PDT com uma, Macapá. Não deixa de ser um resultado muito importante: 11 capitais.
O PSDB elegeu quatro prefeitos de capitais (duas no dia 5 e duas no segundo turno). O DEM só um, mas o de São Paulo."
A MEIOR DERROTA DA ESQUERDA
"A derrota maior da esquerda foi em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do país. Essa derrota firma uma aliança da direita, PSDB e DEM, para 2010: é a sinalização que o resultado de São Paulo transmite."
GABEIRA, O TUCANO-VERDE
"No Rio de Janeiro é bom dizer que Fernando Gabeira, para nós, hoje, é uma pessoa que se coloca no campo da oposição ao governo Lula e da oposição à esquerda. Como candidato ele foi um elemento importante do campo tucano, embora procurando dar a idéia de que seria independente. Consideramos que a junção da esquerda no Rio no segundo turno – até que enfim! – foi importante para a derrota do tucano-verde Fernando Gabeira."
A CAMPANHA DO PCDOB EM SÃO LUÍS
"O PCdoB neste segundo turno só concorreu para prefeito em uma capital, São Luís (João Castelo, do PSDB, venceu com 55,8%; Flávio Dino, do PCdoB, teve 44,2%). Nós consideramos o resultado desta eleição como favorável ao PCdoB. Além de já termos vencido em uma capital já no primeiro turno (com a reeleição do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira), fomos ao segundo turno em São Luís e conseguimos essa votação.
Em São Luís a campanha foi nitidamente de esquerda, com a marca do PCdoB e do PT. Lembrou às vezes a campanha presidencial do Lula em 1989. Eu estive ,á, no último comício, com a Dilme (Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil), e vi as palavras de ordem: 'Vai avançar a unidade popular!'; 'O povo unido jamais será vencido!'.
Além disso, foi uma campanha muito desigual, com compra de votos pelo adversário. Hoje mesmo (26) foi apanhada uma pesso em São Luís com uma mala cheia de dinheiro para comprar votos."
AS MARAVILHAS DO VOTO ELETRÔNICO
"Em matéria de apuração este nosso país está na frente do mundo inteiro, com a melhor tecnologia. Imagine que nos Estados Unidos, em alguns estados eles ainda usam o método de furar as cédulas..."
“Renato Rabelo, presidente do PCdoB, acompanhou a apuração do segundo turno na sede nacional do partido em São Paulo. Ele avaliou para o Vermelho os resultados, destacando os de São Paulo e do Rio de Janeiro e comentando também a campanha em São Luís, única das 30 prefeituras em disputa onde participava um candidato do PCdoB, Flávio Dino. Veja os trechos principais da entrevista”.
TENDÊNCIA À REELEIÇÃO
"O segundo turno aconteceu em 30 cidades, sendo 11 capitais; mas incluiu os maiores colégios eleitorais (São Paulo, Rio de Janeirop, Belo Horizonte e Salvador), assim com cidades-pólo importantes. O resultado, em primeiro lugar, mantém uma tendência do primeiro turno: a reeleição dos prefeitos. Nas capitais, só o prefeito de Manaus concorreu e não se reelegeu."
MAIOR GANHO FOI DO PMDB
"Em segundo lugar, podemos dizer que o partido que teve o maior ganho foi o PMDB, mantendo novamente a tendência: elegeu os prefeitos de duas capitais no primeiro turno e mais quatro no segundo.
A esquerda no seu conjunto sai das eleição de 2008 governando 11 capitais. Incluo aqui o PT, com seis capitais; o PSB com três, entre elas Belo Horizonte; o PCdoB com uma, Aracaju, e o PDT com uma, Macapá. Não deixa de ser um resultado muito importante: 11 capitais.
O PSDB elegeu quatro prefeitos de capitais (duas no dia 5 e duas no segundo turno). O DEM só um, mas o de São Paulo."
A MEIOR DERROTA DA ESQUERDA
"A derrota maior da esquerda foi em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do país. Essa derrota firma uma aliança da direita, PSDB e DEM, para 2010: é a sinalização que o resultado de São Paulo transmite."
GABEIRA, O TUCANO-VERDE
"No Rio de Janeiro é bom dizer que Fernando Gabeira, para nós, hoje, é uma pessoa que se coloca no campo da oposição ao governo Lula e da oposição à esquerda. Como candidato ele foi um elemento importante do campo tucano, embora procurando dar a idéia de que seria independente. Consideramos que a junção da esquerda no Rio no segundo turno – até que enfim! – foi importante para a derrota do tucano-verde Fernando Gabeira."
A CAMPANHA DO PCDOB EM SÃO LUÍS
"O PCdoB neste segundo turno só concorreu para prefeito em uma capital, São Luís (João Castelo, do PSDB, venceu com 55,8%; Flávio Dino, do PCdoB, teve 44,2%). Nós consideramos o resultado desta eleição como favorável ao PCdoB. Além de já termos vencido em uma capital já no primeiro turno (com a reeleição do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira), fomos ao segundo turno em São Luís e conseguimos essa votação.
Em São Luís a campanha foi nitidamente de esquerda, com a marca do PCdoB e do PT. Lembrou às vezes a campanha presidencial do Lula em 1989. Eu estive ,á, no último comício, com a Dilme (Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil), e vi as palavras de ordem: 'Vai avançar a unidade popular!'; 'O povo unido jamais será vencido!'.
Além disso, foi uma campanha muito desigual, com compra de votos pelo adversário. Hoje mesmo (26) foi apanhada uma pesso em São Luís com uma mala cheia de dinheiro para comprar votos."
AS MARAVILHAS DO VOTO ELETRÔNICO
"Em matéria de apuração este nosso país está na frente do mundo inteiro, com a melhor tecnologia. Imagine que nos Estados Unidos, em alguns estados eles ainda usam o método de furar as cédulas..."
PT CONQUISTA OITO CIDADES E, AO LADO DO PMDB, É O MAIOR VITORIOSO DO 2º TURNO
Li no site do PT a seguinte notícia postada às 21h27 de domingo:
Os partidos da base aliada do governo Lula – com destaque para PT e PMDB – foram os grandes vitoriosos no segundo turno das eleições municipais, ocorrido neste domingo (26).
Das 30 cidades em disputa, os partidos da base levaram 25, ou 83%. PT e PMDB foram os que mais prefeituras fizeram: oito cada.
Com o resultado, o total de prefeituras conquistas pelo PT nas eleições de 2008 sobe de 548 para 556 – aumento de 35% em relação ao total ganho em 2004 (411).
Veja abaixo o desempenho de cada partido:
PT
São Bernardo (SP)
Luiz Marinho
Mauá (SP)
Oswaldo Dias
Guarulhos (SP)
Sebastião Almeida
Canoas (RS)
Jairo Jorge
Petrópolis (RJ)
Paulo Mustrangi
Anápolis (GO)
Antônio Gomide
Contagem (MG)
Marília Campos
Joinville (SC)
Carlito Merss
PMDB
Porto Alegre (RS)
José Fogaça
Salvador (BA)
João Henrique
Florianópolis (SC)
Dário Berger
Rio de Janeiro (RJ)
Eduardo Paes
Bauru (SP)
Rodrigo Agostinho
Campos (RJ)
Rosinha Garotinho
Campina Grande (PB)
Veneziano Vital
Montes Claros (MG)
Luiz Tadeu Leite
PSDB
Juiz de Fora
Custódio de Mattos
Ponta Grossa (PR)
Pedro Wosgrau
Cuiabá (MT)
Wilson Santos
São Luís (MA)
João Castelo
PTB
Santo André (SP)
Aidan Ravin
Belém (PA)
Duciomar Costa
Manaus (AM)
Amazonino Mendes
PSB
Belo Horizonte (MG)
Márcio Lacerda
Rio Preto (SP)
Valdomiro Lopes
PP
Pelotas (RS)
Fetter Jr.
Londrina (PR)
Antonio Belinati
PDT
Macapá (AP)
Roberto Góes
PR
Vila Velha (ES)
Neucimar Fraga
DEM
São Paulo (SP)
Gilberto Kassab
Os partidos da base aliada do governo Lula – com destaque para PT e PMDB – foram os grandes vitoriosos no segundo turno das eleições municipais, ocorrido neste domingo (26).
Das 30 cidades em disputa, os partidos da base levaram 25, ou 83%. PT e PMDB foram os que mais prefeituras fizeram: oito cada.
Com o resultado, o total de prefeituras conquistas pelo PT nas eleições de 2008 sobe de 548 para 556 – aumento de 35% em relação ao total ganho em 2004 (411).
Veja abaixo o desempenho de cada partido:
PT
São Bernardo (SP)
Luiz Marinho
Mauá (SP)
Oswaldo Dias
Guarulhos (SP)
Sebastião Almeida
Canoas (RS)
Jairo Jorge
Petrópolis (RJ)
Paulo Mustrangi
Anápolis (GO)
Antônio Gomide
Contagem (MG)
Marília Campos
Joinville (SC)
Carlito Merss
PMDB
Porto Alegre (RS)
José Fogaça
Salvador (BA)
João Henrique
Florianópolis (SC)
Dário Berger
Rio de Janeiro (RJ)
Eduardo Paes
Bauru (SP)
Rodrigo Agostinho
Campos (RJ)
Rosinha Garotinho
Campina Grande (PB)
Veneziano Vital
Montes Claros (MG)
Luiz Tadeu Leite
PSDB
Juiz de Fora
Custódio de Mattos
Ponta Grossa (PR)
Pedro Wosgrau
Cuiabá (MT)
Wilson Santos
São Luís (MA)
João Castelo
PTB
Santo André (SP)
Aidan Ravin
Belém (PA)
Duciomar Costa
Manaus (AM)
Amazonino Mendes
PSB
Belo Horizonte (MG)
Márcio Lacerda
Rio Preto (SP)
Valdomiro Lopes
PP
Pelotas (RS)
Fetter Jr.
Londrina (PR)
Antonio Belinati
PDT
Macapá (AP)
Roberto Góes
PR
Vila Velha (ES)
Neucimar Fraga
DEM
São Paulo (SP)
Gilberto Kassab
domingo, 26 de outubro de 2008
KASSAB, LACERDA E PAES SÃO ELEITOS; PMDB GANHA 4 CAPITAIS
Agência inglesa de notícias BBC (Brasil) publicou esta noite:
“O PMDB elegou quatro dos onze prefeitos de capitais onde houve segundo turno: Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; José Fogaça, em Porto Alegre; João Henrique, em Salvador e Dário Berger, em Florianópolis.
Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) confirmou as pesquisas e venceu a petista Marta Suplicy.
O candidato do PSB em Belo Horizonte, Marcio Lacerda, derrotou Leonardo Quintão (PMDB).
O PTB elegeu dois prefeitos: Duciomar Costa em Belém e Amazonoino Mendes, em Manaus.
O PSDB venceu a disputa pelas prefeituras de São Luís, com João Castelo, e de Cuiabá, com Wilson Santos.
Em Macapá, Roberto Góes do PDT bateu Camilo Capiberibe do PSB.
Com o resultado no segundo turno, o PMDB se igualou ao PT em número de prefeitos de capitais: seis.
O PT, porém, elegeu seus seis prefeitos no primeiro turno.
O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu derrotas nas três capitais em que disputou o segundo turno: São Paulo, Porto Alegre e Salvador.
Por outro lado, oito dos onze eleitos no segundo turno são de partidos da base aliada do governo federal.
As exceções são Cuaibá, São Paulo e São Luís.
Belo Horizonte, porém, é um caso a parte na disputa entre governo e oposição.
Apesar de pertencer ao PSB, Lacerda é apoiado tanto pelo prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, como pelo governador tucano, Aécio Neves.
O Tribunal Superior Eleitoral espera ter o resultado final em todas as cidades, com exceção de Manaus, até as 20h.”
“O PMDB elegou quatro dos onze prefeitos de capitais onde houve segundo turno: Eduardo Paes, no Rio de Janeiro; José Fogaça, em Porto Alegre; João Henrique, em Salvador e Dário Berger, em Florianópolis.
Em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) confirmou as pesquisas e venceu a petista Marta Suplicy.
O candidato do PSB em Belo Horizonte, Marcio Lacerda, derrotou Leonardo Quintão (PMDB).
O PTB elegeu dois prefeitos: Duciomar Costa em Belém e Amazonoino Mendes, em Manaus.
O PSDB venceu a disputa pelas prefeituras de São Luís, com João Castelo, e de Cuiabá, com Wilson Santos.
Em Macapá, Roberto Góes do PDT bateu Camilo Capiberibe do PSB.
Com o resultado no segundo turno, o PMDB se igualou ao PT em número de prefeitos de capitais: seis.
O PT, porém, elegeu seus seis prefeitos no primeiro turno.
O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu derrotas nas três capitais em que disputou o segundo turno: São Paulo, Porto Alegre e Salvador.
Por outro lado, oito dos onze eleitos no segundo turno são de partidos da base aliada do governo federal.
As exceções são Cuaibá, São Paulo e São Luís.
Belo Horizonte, porém, é um caso a parte na disputa entre governo e oposição.
Apesar de pertencer ao PSB, Lacerda é apoiado tanto pelo prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, como pelo governador tucano, Aécio Neves.
O Tribunal Superior Eleitoral espera ter o resultado final em todas as cidades, com exceção de Manaus, até as 20h.”
NAÇÃO, NACIONALISMO, ESTADO
Li há tempos, ótimo ensaio no site “Carta Maior”.
O autor, Samuel Pinheiro Guimarães, nascido no Rio de Janeiro em 1939, é o Secretário-Geral das Relações Exteriores do Brasil desde 9 de janeiro de 2003. Foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Rio Branco (IRBr/MRE). Escreveu os livros "Quinhentos anos de periferia" (UFRGS/Contraponto, 1999) e "Desafios brasileiros na era dos gigantes" (Contraponto, 2006). Foi eleito Intelectual do Ano em 2006 (Troféu Juca Pato) pela União Brasileira de Escritores.
Devido ao grande tamanho do ensaio, transcrevo somente trechos esparsos. Porém, corro o risco de assim aleijar o conteúdo. Vale à pena a leitura do texto completo:
“DEFINIÇÕES:
NAÇÃO E ESTADO
“NAÇÃO, em seu sentido político moderno, é uma comunidade de indivíduos vinculados social e economicamente, que compartilham um certo território, que reconhecem a existência de um passado comum, ainda que divirjam sobre aspectos desse passado; que têm uma visão de futuro em comum; e que acreditam que este futuro será melhor se se mantiverem unidos do que se separarem, ainda que alguns aspirem modificar a organização social da nação e seu sistema político, o ESTADO.
Nesse sentido, é possível falar de uma nação brasileira, de uma nação mexicana, de uma nação indiana, de uma nação americana e assim por diante ainda que grupos sociais dentro dessas nações possam ter interpretações diferentes de seu passado e aspirações distintas para seu futuro em comum, sem, todavia, que nenhum grupo significativo chegue a desejar e a lutar pela secessão.
NACIONALISMO
É o sentimento de considerar a nação a que se pertence, por uma razão ou por outra, melhor do que as demais nações e, portanto, com mais direitos, sendo manifestações extremadas desse sentimento a xenofobia, o racismo e a arrogância imperial.
NACIONALISMO é, também, o desejo de afirmação e de independência política diante de um Estado estrangeiro opressor ou, quando o Estado já se tornou independente, o desejo de assegurar em seu território um tratamento pelo Estado melhor, ou pelo menos igual, ao tratamento concedido ao estrangeiro, seja ele pessoa física ou jurídica.
Os movimentos nacionalistas significativos do ponto de vista político, cujas manifestações históricas mais simples decorrem de identidade étnica, lingüística ou de pertencimento, no passado, a uma organização política, tem como seu principal objetivo o estabelecimento de um Estado ou a modificação das políticas do Estado para defender ou privilegiar interesses dos que integram certo movimento.
NACIONALISMO AMERICANO
O caso dos ESTADOS UNIDOS, civilização mais recente do que a chinesa, a judaica e a japonesa (e mesmo a francesa, a alemã e a russa), é distinto, mas as raízes do NACIONALISMO AMERICANO podem ser encontradas na religião protestante. Esta considera que o sucesso material é um sinal de aprovação divina, da própria salvação, de uma predestinação.
De um ponto de vista coletivo, o sucesso material da sociedade americana significaria um sinal de aprovação divina, de que a sociedade americana seria eleita pelo Senhor e que, por esta razão, não só poderia como deveria assumir o papel de líder e de modelo para todas as sociedades e Estados.
Esta missão salvadora dos Estados Unidos se encontra claramente expressa nos documentos de política externa dos Estados Unidos. A declaração do Presidente George W. Bush de que teria, literalmente, falado com Deus, a presença crescente e a enorme influência do fundamentalismo religioso, extremamente conservador, belicoso e nacionalista são aspectos, fatos reveladores desta convicção de povo, de nação eleita e, portanto, de superioridade em relação às demais nações.
O NACIONALISMO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
O NACIONALISMO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS, em especial nas Grandes Potências, e sua pretensão de superioridade nacional redundou facilmente em políticas expansionistas e agressivas, tanto no continente europeu, mas também na formação dos impérios coloniais, com a noção explícita de inferioridade dos povos e das culturas locais e até, eventualmente, a idéia de que seriam seres humanos distintos e mesmo inferiores.
Em um exemplo chocante dessa pretensão, o General Westmoreland, então comandante em chefe das forças americanas no Vietnã, se referiu publicamente aos vietnamitas como seres diferentes “de nós”, para justificar certas ações das tropas americanas.
IMPERIALISMO - COLONIALISMO
Assim, a característica central do sistema internacional nos últimos quinhentos anos desde a descoberta das Américas tem sido o IMPERIALISMO e o COLONIALISMO, cujo fundamento de dominação, além da força, foi a ideologia de superioridade racial e civilizacional em relação às colônias e a seus povos e a agressão aos sistemas políticos, sociais e culturais de nações dominadas, pela força, pelas metrópoles européias (o que também ocorreu no processo de criação dos “impérios continentais” como na expansão territorial dos Estados Unidos rumo ao Oeste e da Rússia rumo ao Leste e ao Sul).
A ESCRAVIDÃO
A ESCRAVIDÃO foi a expressão máxima dessa dominação e os escravos eram considerados seres inferiores, sem alma, e portanto naturalmente sujeitos ao jugo e ao arbítrio de seus senhores. Lord Acton, em artigo publicado em 1862, afirmava que os Estados mais perfeitos são aqueles que, como o Império Britânico e o Império Austríaco, incluíam várias nacionalidades distintas sem as oprimir porque “as raças inferiores se elevam ao viver em união política com raças intelectualmente superiores”.
O CAPITALISMO E A CAMPANHA PELO FIM DO ESTADO
O CAPITALISMO MODERNO tem como fundamento a propriedade privada dos meios de produção e como objetivo principal o lucro. Este objetivo supremo torna indispensável a permanente expansão da produção a qual depende, por sua vez, da divisão do trabalho e, portanto, da extensão do mercado.
Quanto maior a extensão do mercado maior a possibilidade de divisão do trabalho, maior a produtividade, maior a produção, maior o consumo, maior o lucro e maior a felicidade humana, já que, conforme Jeremy Bentham argumentou, seria impossível medir o grau de felicidade humana e assim se poderia considerar que quanto mais bens o indivíduo (e a comunidade) puder consumir maior a sua “felicidade”.
A GLOBALIZAÇÃO
O processo de GLOBALIZAÇÃO, no início do século XXI, que corresponde à expansão do capitalismo e a sua permanente transformação tecnológica, para ser eficiente (maximizar o lucro) requer a uniformização das normas que regulamentam a atividade econômica nos distintos territórios soberanos.
Exige também, retirar da arena da política a questão econômica, estabelecendo como verdade absoluta e intocável a política neoliberal em seus preceitos fundamentais de propriedade privada e de livre jogo das forças de mercado que exigem, em conseqüência, programas de privatização (que chega até à segurança e aos presídios), de desregulamentação e de abertura comercial e financeira, de redução de impostos sobre o capital e de não-discriminação entre capital nacional e capital estrangeiro.
POLÍTICAS NEOLIBERAIS - O ESTADO-MÍNIMO
Para auxiliar de forma poderosa esta uniformização de normas nada mais útil do que a elaboração de teorias que advoguem o fim dos Estados nacionais (e dos nacionalismos), o fim das fronteiras, os benefícios do ESTADO-MÍNIMO, acompanhados da negociação de normas internacionais que levem à adoção pelos Estados soberanos (na impossibilidade de sua sujeição política pela força) daquelas POLÍTICAS NEOLIBERAIS, tornando ilegais, e até “absurdas”, quaisquer políticas diferentes.
GOVERNANÇA POLÍTICA GLOBAL
Finalmente, a idéia de que a globalização econômica para ser eficiente depende de uma GOVERNANÇA POLÍTICA GLOBAL que assegure seu funcionamento e impeça tentativas nacionais de reversão e de limitação dos direitos de ação das mega-empresas multinacionais. Todavia, paradoxalmente, o próprio processo de globalização na medida em que não existe um Estado mundial, necessita de Estados nacionais para internalizar as normas negociadas internacionalmente e garantir sua vigência.
Na periferia do sistema econômico e político mundial, onde se encontram os Estados que são ex-colônias, tais como o Brasil, as disparidades de renda e de poder são extraordinárias dentro de seus territórios assim como entre essas ex-colônias e os países que integram o centro desenvolvido e poderoso do sistema internacional.
OS ESTADOS, ÚNICA ENTIDADE NA PERIFERIA CAPAZ DE ENFRENTAR O PODER DAS MEGA-EMPRESAS MULTINACIONAIS
As crescentes disparidades de poder entre o centro e a periferia do sistema, que podem ser constatadas pelo crescente hiato de renda per capita e de acúmulo de capacidade militar entre Estados desenvolvidos e Estados em desenvolvimento, fazem com que os Estados, única entidade na periferia capaz de enfrentar o poder das mega-empresas multinacionais, das agências “internacionais” e dos Estados desenvolvidos, sejam obrigados, para manter a convivência pacífica entre os setores da população atingidos pelas políticas neoliberais dentro de seus territórios, a procurar executar políticas de desenvolvimento e de combate à pobreza que, muitas vezes, significam restrições ao processo de formação de mercados globais e ao livre jogo das forças de mercado.
NACIONALISTAS e “POPULISTAS”
Tais políticas são chamadas de NACIONALISTAS e “POPULISTAS” e seus defensores são acusados, criticados e ridicularizados pela imprensa a qual, hoje na prática, é constituída por empresas multinacionais de entretenimento e informação e se encontram intimamente vinculadas às megaempresas multinacionais e delas dependentes, em conseqüência não só de seus interesses ideológicos comuns, na qualidade de empresas privadas que são, como pelo sistema de anúncios”.
O autor, Samuel Pinheiro Guimarães, nascido no Rio de Janeiro em 1939, é o Secretário-Geral das Relações Exteriores do Brasil desde 9 de janeiro de 2003. Foi professor da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Rio Branco (IRBr/MRE). Escreveu os livros "Quinhentos anos de periferia" (UFRGS/Contraponto, 1999) e "Desafios brasileiros na era dos gigantes" (Contraponto, 2006). Foi eleito Intelectual do Ano em 2006 (Troféu Juca Pato) pela União Brasileira de Escritores.
Devido ao grande tamanho do ensaio, transcrevo somente trechos esparsos. Porém, corro o risco de assim aleijar o conteúdo. Vale à pena a leitura do texto completo:
“DEFINIÇÕES:
NAÇÃO E ESTADO
“NAÇÃO, em seu sentido político moderno, é uma comunidade de indivíduos vinculados social e economicamente, que compartilham um certo território, que reconhecem a existência de um passado comum, ainda que divirjam sobre aspectos desse passado; que têm uma visão de futuro em comum; e que acreditam que este futuro será melhor se se mantiverem unidos do que se separarem, ainda que alguns aspirem modificar a organização social da nação e seu sistema político, o ESTADO.
Nesse sentido, é possível falar de uma nação brasileira, de uma nação mexicana, de uma nação indiana, de uma nação americana e assim por diante ainda que grupos sociais dentro dessas nações possam ter interpretações diferentes de seu passado e aspirações distintas para seu futuro em comum, sem, todavia, que nenhum grupo significativo chegue a desejar e a lutar pela secessão.
NACIONALISMO
É o sentimento de considerar a nação a que se pertence, por uma razão ou por outra, melhor do que as demais nações e, portanto, com mais direitos, sendo manifestações extremadas desse sentimento a xenofobia, o racismo e a arrogância imperial.
NACIONALISMO é, também, o desejo de afirmação e de independência política diante de um Estado estrangeiro opressor ou, quando o Estado já se tornou independente, o desejo de assegurar em seu território um tratamento pelo Estado melhor, ou pelo menos igual, ao tratamento concedido ao estrangeiro, seja ele pessoa física ou jurídica.
Os movimentos nacionalistas significativos do ponto de vista político, cujas manifestações históricas mais simples decorrem de identidade étnica, lingüística ou de pertencimento, no passado, a uma organização política, tem como seu principal objetivo o estabelecimento de um Estado ou a modificação das políticas do Estado para defender ou privilegiar interesses dos que integram certo movimento.
NACIONALISMO AMERICANO
O caso dos ESTADOS UNIDOS, civilização mais recente do que a chinesa, a judaica e a japonesa (e mesmo a francesa, a alemã e a russa), é distinto, mas as raízes do NACIONALISMO AMERICANO podem ser encontradas na religião protestante. Esta considera que o sucesso material é um sinal de aprovação divina, da própria salvação, de uma predestinação.
De um ponto de vista coletivo, o sucesso material da sociedade americana significaria um sinal de aprovação divina, de que a sociedade americana seria eleita pelo Senhor e que, por esta razão, não só poderia como deveria assumir o papel de líder e de modelo para todas as sociedades e Estados.
Esta missão salvadora dos Estados Unidos se encontra claramente expressa nos documentos de política externa dos Estados Unidos. A declaração do Presidente George W. Bush de que teria, literalmente, falado com Deus, a presença crescente e a enorme influência do fundamentalismo religioso, extremamente conservador, belicoso e nacionalista são aspectos, fatos reveladores desta convicção de povo, de nação eleita e, portanto, de superioridade em relação às demais nações.
O NACIONALISMO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS
O NACIONALISMO NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS, em especial nas Grandes Potências, e sua pretensão de superioridade nacional redundou facilmente em políticas expansionistas e agressivas, tanto no continente europeu, mas também na formação dos impérios coloniais, com a noção explícita de inferioridade dos povos e das culturas locais e até, eventualmente, a idéia de que seriam seres humanos distintos e mesmo inferiores.
Em um exemplo chocante dessa pretensão, o General Westmoreland, então comandante em chefe das forças americanas no Vietnã, se referiu publicamente aos vietnamitas como seres diferentes “de nós”, para justificar certas ações das tropas americanas.
IMPERIALISMO - COLONIALISMO
Assim, a característica central do sistema internacional nos últimos quinhentos anos desde a descoberta das Américas tem sido o IMPERIALISMO e o COLONIALISMO, cujo fundamento de dominação, além da força, foi a ideologia de superioridade racial e civilizacional em relação às colônias e a seus povos e a agressão aos sistemas políticos, sociais e culturais de nações dominadas, pela força, pelas metrópoles européias (o que também ocorreu no processo de criação dos “impérios continentais” como na expansão territorial dos Estados Unidos rumo ao Oeste e da Rússia rumo ao Leste e ao Sul).
A ESCRAVIDÃO
A ESCRAVIDÃO foi a expressão máxima dessa dominação e os escravos eram considerados seres inferiores, sem alma, e portanto naturalmente sujeitos ao jugo e ao arbítrio de seus senhores. Lord Acton, em artigo publicado em 1862, afirmava que os Estados mais perfeitos são aqueles que, como o Império Britânico e o Império Austríaco, incluíam várias nacionalidades distintas sem as oprimir porque “as raças inferiores se elevam ao viver em união política com raças intelectualmente superiores”.
O CAPITALISMO E A CAMPANHA PELO FIM DO ESTADO
O CAPITALISMO MODERNO tem como fundamento a propriedade privada dos meios de produção e como objetivo principal o lucro. Este objetivo supremo torna indispensável a permanente expansão da produção a qual depende, por sua vez, da divisão do trabalho e, portanto, da extensão do mercado.
Quanto maior a extensão do mercado maior a possibilidade de divisão do trabalho, maior a produtividade, maior a produção, maior o consumo, maior o lucro e maior a felicidade humana, já que, conforme Jeremy Bentham argumentou, seria impossível medir o grau de felicidade humana e assim se poderia considerar que quanto mais bens o indivíduo (e a comunidade) puder consumir maior a sua “felicidade”.
A GLOBALIZAÇÃO
O processo de GLOBALIZAÇÃO, no início do século XXI, que corresponde à expansão do capitalismo e a sua permanente transformação tecnológica, para ser eficiente (maximizar o lucro) requer a uniformização das normas que regulamentam a atividade econômica nos distintos territórios soberanos.
Exige também, retirar da arena da política a questão econômica, estabelecendo como verdade absoluta e intocável a política neoliberal em seus preceitos fundamentais de propriedade privada e de livre jogo das forças de mercado que exigem, em conseqüência, programas de privatização (que chega até à segurança e aos presídios), de desregulamentação e de abertura comercial e financeira, de redução de impostos sobre o capital e de não-discriminação entre capital nacional e capital estrangeiro.
POLÍTICAS NEOLIBERAIS - O ESTADO-MÍNIMO
Para auxiliar de forma poderosa esta uniformização de normas nada mais útil do que a elaboração de teorias que advoguem o fim dos Estados nacionais (e dos nacionalismos), o fim das fronteiras, os benefícios do ESTADO-MÍNIMO, acompanhados da negociação de normas internacionais que levem à adoção pelos Estados soberanos (na impossibilidade de sua sujeição política pela força) daquelas POLÍTICAS NEOLIBERAIS, tornando ilegais, e até “absurdas”, quaisquer políticas diferentes.
GOVERNANÇA POLÍTICA GLOBAL
Finalmente, a idéia de que a globalização econômica para ser eficiente depende de uma GOVERNANÇA POLÍTICA GLOBAL que assegure seu funcionamento e impeça tentativas nacionais de reversão e de limitação dos direitos de ação das mega-empresas multinacionais. Todavia, paradoxalmente, o próprio processo de globalização na medida em que não existe um Estado mundial, necessita de Estados nacionais para internalizar as normas negociadas internacionalmente e garantir sua vigência.
Na periferia do sistema econômico e político mundial, onde se encontram os Estados que são ex-colônias, tais como o Brasil, as disparidades de renda e de poder são extraordinárias dentro de seus territórios assim como entre essas ex-colônias e os países que integram o centro desenvolvido e poderoso do sistema internacional.
OS ESTADOS, ÚNICA ENTIDADE NA PERIFERIA CAPAZ DE ENFRENTAR O PODER DAS MEGA-EMPRESAS MULTINACIONAIS
As crescentes disparidades de poder entre o centro e a periferia do sistema, que podem ser constatadas pelo crescente hiato de renda per capita e de acúmulo de capacidade militar entre Estados desenvolvidos e Estados em desenvolvimento, fazem com que os Estados, única entidade na periferia capaz de enfrentar o poder das mega-empresas multinacionais, das agências “internacionais” e dos Estados desenvolvidos, sejam obrigados, para manter a convivência pacífica entre os setores da população atingidos pelas políticas neoliberais dentro de seus territórios, a procurar executar políticas de desenvolvimento e de combate à pobreza que, muitas vezes, significam restrições ao processo de formação de mercados globais e ao livre jogo das forças de mercado.
NACIONALISTAS e “POPULISTAS”
Tais políticas são chamadas de NACIONALISTAS e “POPULISTAS” e seus defensores são acusados, criticados e ridicularizados pela imprensa a qual, hoje na prática, é constituída por empresas multinacionais de entretenimento e informação e se encontram intimamente vinculadas às megaempresas multinacionais e delas dependentes, em conseqüência não só de seus interesses ideológicos comuns, na qualidade de empresas privadas que são, como pelo sistema de anúncios”.
VALE TEM O MAIOR LUCRO LÍQUIDO DA HISTÓRIA AL
Trata-se do maior resultado até agora divulgado na América Latina.
O jornal Gazeta Mercantil publicou 6ª feira:
“A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) encerrou o terceiro trimestre com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões, um crescimento de 167% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do maior resultado até agora divulgado na América Latina. Em dólares, o lucro líquido da Vale alcançou US$ 4,8 bilhões, 64% maior. Com 95% das vendas atreladas ao dólar, o lucro da companhia em reais ganhou uma contribuição de R$ 2,8 bilhões provenientes da valorização da moeda americana.
Além da valorização do dólar, o recorde da Vale também refletiu marcas históricas da companhia em receita bruta, produção, geração de caixa e embarques, mas as taxas de crescimento ficaram bem aquém do salto no lucro.
A receita bruta alcançou R$ 21,4 bilhões valor 33,4% superior ao valor no primeiro trimestre de 2007. A geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em R$ 11,3 bilhões, num aumento de 41,9%. A Vale ressalta que possui “recursos em caixa da ordem de US$ 15,3 bilhões, disponibilidade de linhas de crédito de médio e longo prazos e perfil de dívida de baixo risco, com baixa alavancagem, baixo custo, elevada cobertura de juros e longo prazo médio de vencimento”.
A companhia reconhece, entretanto, que a crise vai afetar a demanda por minerais no mundo, inclusive na China, seu maior mercado. “Esperamos a continuação da desaceleração econômica global, com o ritmo de crescimento caindo no curto prazo ao nível observado na recessão de 2001”, prevê a empresa. Para a Vale, haverá recuperação gradual a partir do segundo semestre de 2009.”
O jornal Gazeta Mercantil publicou 6ª feira:
“A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) encerrou o terceiro trimestre com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões, um crescimento de 167% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do maior resultado até agora divulgado na América Latina. Em dólares, o lucro líquido da Vale alcançou US$ 4,8 bilhões, 64% maior. Com 95% das vendas atreladas ao dólar, o lucro da companhia em reais ganhou uma contribuição de R$ 2,8 bilhões provenientes da valorização da moeda americana.
Além da valorização do dólar, o recorde da Vale também refletiu marcas históricas da companhia em receita bruta, produção, geração de caixa e embarques, mas as taxas de crescimento ficaram bem aquém do salto no lucro.
A receita bruta alcançou R$ 21,4 bilhões valor 33,4% superior ao valor no primeiro trimestre de 2007. A geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em R$ 11,3 bilhões, num aumento de 41,9%. A Vale ressalta que possui “recursos em caixa da ordem de US$ 15,3 bilhões, disponibilidade de linhas de crédito de médio e longo prazos e perfil de dívida de baixo risco, com baixa alavancagem, baixo custo, elevada cobertura de juros e longo prazo médio de vencimento”.
A companhia reconhece, entretanto, que a crise vai afetar a demanda por minerais no mundo, inclusive na China, seu maior mercado. “Esperamos a continuação da desaceleração econômica global, com o ritmo de crescimento caindo no curto prazo ao nível observado na recessão de 2001”, prevê a empresa. Para a Vale, haverá recuperação gradual a partir do segundo semestre de 2009.”
AUMENTAM VÔOS DO EXTERIOR PARA O BRASIL
O jornal de Porto Alegre “Zero Hora” ontem publicou:
“Apesar da crise internacional, os desembarques internacionais nos aeroportos brasileiros mantiveram a tendência de alta dos últimos meses”.
“Em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), a Infraero registrou a entrada de 512.463 passageiros, 2,37% a mais se comparado a setembro do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2007, o aumento é de 3,66%. A variação dos desembarques em vôos regulares de 2007 para 2008 é mais expressiva, com alta de 6,19% nos primeiros nove meses do ano”.
“Apesar da crise internacional, os desembarques internacionais nos aeroportos brasileiros mantiveram a tendência de alta dos últimos meses”.
“Em setembro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), a Infraero registrou a entrada de 512.463 passageiros, 2,37% a mais se comparado a setembro do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período de 2007, o aumento é de 3,66%. A variação dos desembarques em vôos regulares de 2007 para 2008 é mais expressiva, com alta de 6,19% nos primeiros nove meses do ano”.
BRASIL PODE GANHAR PODER COM 'NOVA ORDEM MUNDIAL'
O UOL ontem postou o seguinte artigo produzido pela agência inglesa de notícias BBC:
BRASIL PODE GANHAR PODER COM 'NOVA ORDEM MUNDIAL', DIZEM ESPECIALISTAS
“A crise econômica mundial está provocando mudanças profundas na geopolítica e, nesse novo cenário, o Brasil pode assumir um papel de maior destaque, afirmaram especialistas reunidos nesta sexta-feira em São Paulo.
Segundo o historiador Paul Kennedy, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o "momento unipolar" (expressão cunhada pelo analista Charles Krauthammer) surgido após a Guerra Fria, em que os Estados Unidos assumiram uma posição de grande poder, dá mostras de estar chegando ao fim.
Diretor de Estudos de Segurança Internacional de Yale, Kennedy atraiu atenção mundial no final da década de 80, ao lançar o livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, em que discutia o declínio dos Estados Unidos. De acordo com o professor, se no aspecto militar os Estados Unidos continuam sendo uma grande potência, na área econômica e de finanças o cenário é diferente.
"Mesmo antes da crise dos mercados de subprime já era possível perceber uma mudança de poder, com a crescente influência de outras partes do mundo, como a Ásia", disse Kennedy, um dos palestrantes da conferência "Mudanças na balança de poder global: perspectivas econômicas e geopolíticas", promovida pelo Centro de Estudos Americanos da FAAP e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Kennedy, a atual crise deve marcar o início de um mundo multipolar, no qual os países são interdependentes e estão interconectados. "A crise mostrou que o Fed já não pode agir sozinho", disse. "Os países devem trabalhar juntos".
Com essa nova realidade, disse Kennedy, ganha cada vez mais importância o chamado "soft power" - termo criado pelo professor de Harvard Joseph Nye para definir o poder de uma nação de influenciar e persuadir, sem uso de força militar, mas pela diplomacia.
Entre os países que poderiam exercer esse tipo de influência, os especialistas citam o Brasil.
De acordo com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, que também participou da conferência, apesar de o Brasil não ter poder militar, tem relevância na área de cooperação econômica e pode exercer o "soft power".
CHINA
Nessa nova geografia política e econômica que se desenha, a China tem papel de destaque.
Para o especialista em teoria financeira Zhiwu Chen, professor de Finanças em Yale, a China poderá emergir mais forte da crise, em posição de liderança. Chen disse, porém, que o governo chinês não está preparado para assumir essa liderança no cenário internacional.
"Não acredito que a ascensão da China represente uma ameaça para os Estados Unidos", afirmou. "Os dois estão interligados." Segundo Chen, com reservas de quase US$ 2 trilhões, a China pode ajudar os países mais atingidos pela crise e também parceiros comerciais importantes, como o Brasil.
Chen disse que a crise deverá ter um forte impacto na economia da China no curto prazo, afetando especialmente o setor de exportações.
"No entanto, (a crise) poderá ser também uma grande oportunidade para a China", disse Chen. "Deverá forçar o governo a promover mais reformas fundamentais." O especialista afirmou ainda que, apesar das mudanças provocadas pela crise, "não se deve subestimar a habilidade da economia e da sociedade americana de corrigir erros".
"Eles conseguiram sair da Grande Depressão ainda mais fortes", disse.
MUDANÇAS
O consenso entre os especialistas que participaram da conferência é de que as relações entre os países não serão as mesmas depois da crise.
De acordo com embaixador Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, meio ambiente, terrorismo e energia serão algumas das preocupações conjuntas do mundo multipolar.
Para Amaral, há indícios de "fadiga" do processo de globalização. Além disso, na sua opinião, o mundo depois da crise tende a ser marcado pela "volta da regulação estatal, o fechamento das economias e muros contra a imigração".
O diretor de publicações do Centro para o Estudo da Globalização da Universidade de Yale, Nayan Chanda, disse que o mundo atual está baseado em quatro pilares: sistema capitalista, equilíbrio nuclear, manutenção da governança por meio da ONU e o sistema de comércio global.
"Os quatro estão abalados", afirmou.
De acordo com Chanda, o equilíbrio do poder nuclear foi quebrado com o surgimento de novos países nesse cenário, como Israel, Índia, Paquistão, Coréia do Norte e, possivelmente no futuro, Irã.
O comércio global também dá sinais de enfraquecimento, principalmente após o fracasso das negociações da Rodada Doha, afirmou Chanda.
Ele citou ainda o aumento do protecionismo e do sentimento contrário aos imigrantes como aspectos do novo cenário mundial.
Nessa nova realidade, Chanda destacou a rapidez com que os países reagiram à crise, a diáspora que faz com que a população mundial tenha se espalhado e pode ser uma barreira contra o nacionalismo, e o papel de destaque das comunicações no sentido de integrar o mundo”.
BRASIL PODE GANHAR PODER COM 'NOVA ORDEM MUNDIAL', DIZEM ESPECIALISTAS
“A crise econômica mundial está provocando mudanças profundas na geopolítica e, nesse novo cenário, o Brasil pode assumir um papel de maior destaque, afirmaram especialistas reunidos nesta sexta-feira em São Paulo.
Segundo o historiador Paul Kennedy, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, o "momento unipolar" (expressão cunhada pelo analista Charles Krauthammer) surgido após a Guerra Fria, em que os Estados Unidos assumiram uma posição de grande poder, dá mostras de estar chegando ao fim.
Diretor de Estudos de Segurança Internacional de Yale, Kennedy atraiu atenção mundial no final da década de 80, ao lançar o livro Ascensão e Queda das Grandes Potências, em que discutia o declínio dos Estados Unidos. De acordo com o professor, se no aspecto militar os Estados Unidos continuam sendo uma grande potência, na área econômica e de finanças o cenário é diferente.
"Mesmo antes da crise dos mercados de subprime já era possível perceber uma mudança de poder, com a crescente influência de outras partes do mundo, como a Ásia", disse Kennedy, um dos palestrantes da conferência "Mudanças na balança de poder global: perspectivas econômicas e geopolíticas", promovida pelo Centro de Estudos Americanos da FAAP e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Kennedy, a atual crise deve marcar o início de um mundo multipolar, no qual os países são interdependentes e estão interconectados. "A crise mostrou que o Fed já não pode agir sozinho", disse. "Os países devem trabalhar juntos".
Com essa nova realidade, disse Kennedy, ganha cada vez mais importância o chamado "soft power" - termo criado pelo professor de Harvard Joseph Nye para definir o poder de uma nação de influenciar e persuadir, sem uso de força militar, mas pela diplomacia.
Entre os países que poderiam exercer esse tipo de influência, os especialistas citam o Brasil.
De acordo com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, que também participou da conferência, apesar de o Brasil não ter poder militar, tem relevância na área de cooperação econômica e pode exercer o "soft power".
CHINA
Nessa nova geografia política e econômica que se desenha, a China tem papel de destaque.
Para o especialista em teoria financeira Zhiwu Chen, professor de Finanças em Yale, a China poderá emergir mais forte da crise, em posição de liderança. Chen disse, porém, que o governo chinês não está preparado para assumir essa liderança no cenário internacional.
"Não acredito que a ascensão da China represente uma ameaça para os Estados Unidos", afirmou. "Os dois estão interligados." Segundo Chen, com reservas de quase US$ 2 trilhões, a China pode ajudar os países mais atingidos pela crise e também parceiros comerciais importantes, como o Brasil.
Chen disse que a crise deverá ter um forte impacto na economia da China no curto prazo, afetando especialmente o setor de exportações.
"No entanto, (a crise) poderá ser também uma grande oportunidade para a China", disse Chen. "Deverá forçar o governo a promover mais reformas fundamentais." O especialista afirmou ainda que, apesar das mudanças provocadas pela crise, "não se deve subestimar a habilidade da economia e da sociedade americana de corrigir erros".
"Eles conseguiram sair da Grande Depressão ainda mais fortes", disse.
MUDANÇAS
O consenso entre os especialistas que participaram da conferência é de que as relações entre os países não serão as mesmas depois da crise.
De acordo com embaixador Sergio Amaral, diretor do Centro de Estudos Americanos da FAAP, meio ambiente, terrorismo e energia serão algumas das preocupações conjuntas do mundo multipolar.
Para Amaral, há indícios de "fadiga" do processo de globalização. Além disso, na sua opinião, o mundo depois da crise tende a ser marcado pela "volta da regulação estatal, o fechamento das economias e muros contra a imigração".
O diretor de publicações do Centro para o Estudo da Globalização da Universidade de Yale, Nayan Chanda, disse que o mundo atual está baseado em quatro pilares: sistema capitalista, equilíbrio nuclear, manutenção da governança por meio da ONU e o sistema de comércio global.
"Os quatro estão abalados", afirmou.
De acordo com Chanda, o equilíbrio do poder nuclear foi quebrado com o surgimento de novos países nesse cenário, como Israel, Índia, Paquistão, Coréia do Norte e, possivelmente no futuro, Irã.
O comércio global também dá sinais de enfraquecimento, principalmente após o fracasso das negociações da Rodada Doha, afirmou Chanda.
Ele citou ainda o aumento do protecionismo e do sentimento contrário aos imigrantes como aspectos do novo cenário mundial.
Nessa nova realidade, Chanda destacou a rapidez com que os países reagiram à crise, a diáspora que faz com que a população mundial tenha se espalhado e pode ser uma barreira contra o nacionalismo, e o papel de destaque das comunicações no sentido de integrar o mundo”.
OPOSIÇÃO DEVE AMARGAR PERDA DE 10 MILHÕES DE ELEITORES PELO PAÍS
Li ontem no portal UOL o seguinte texto produzido pela Folha Online:
Mesmo se confirmar a vitória em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a oposição deverá acordar segunda-feira com um patrimônio perdido de cerca de 10 milhões de eleitores, informa neste sábado reportagem de Alan Gripp, publicada pela Folha.
Segundo a reportagem, o número é maior do que o eleitorado de toda a região Norte (9,4 milhões), ou próximo da votação recebida por Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006, no Estado de São Paulo (11,6 milhões de votos), onde o tucano teve o seu melhor desempenho.
Hoje, desconsiderando o resultado das eleições, PSDB, DEM e PPS governam juntos 1.760 cidades onde vivem 44,6 milhões de eleitores. No primeiro turno, os três partidos elegeram 1.410 prefeitos, que representam 25,7 milhões de eleitores.
A Folha informa que, se confirmado o que dizem as pesquisas disponíveis até ontem, sairão do segundo turno com apenas mais três vitórias (em São Paulo, São Luís e Cuiabá) e passarão a governar 34,9 milhões de eleitores”.
Mesmo se confirmar a vitória em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, a oposição deverá acordar segunda-feira com um patrimônio perdido de cerca de 10 milhões de eleitores, informa neste sábado reportagem de Alan Gripp, publicada pela Folha.
Segundo a reportagem, o número é maior do que o eleitorado de toda a região Norte (9,4 milhões), ou próximo da votação recebida por Geraldo Alckmin (PSDB), em 2006, no Estado de São Paulo (11,6 milhões de votos), onde o tucano teve o seu melhor desempenho.
Hoje, desconsiderando o resultado das eleições, PSDB, DEM e PPS governam juntos 1.760 cidades onde vivem 44,6 milhões de eleitores. No primeiro turno, os três partidos elegeram 1.410 prefeitos, que representam 25,7 milhões de eleitores.
A Folha informa que, se confirmado o que dizem as pesquisas disponíveis até ontem, sairão do segundo turno com apenas mais três vitórias (em São Paulo, São Luís e Cuiabá) e passarão a governar 34,9 milhões de eleitores”.
CRISE ECONÔMICA NA ISLÂNDIA
Há dias, mais precisamente em 15 deste mês, li no “portalexame.abril.uol.com.br” o seguinte texto publicado no endereço http://www.vidanaislandia.com:
“Eu não sou economista, mas já que também não o são nem o ministro da economia islandês (um veterinário) e nem o presidente do banco central islandês (um advogado), vou seguir em frente e fazer minha análise da crise atual e, em minha opinião, dos erros que resultaram na ruína da economia islandesa.
O PANO DE FUNDO
A atual crise financeira mundial começou, como todos sabem, nos EUA com as chamadas subprime ‘mortgages’, hipotecas de imóveis de alto risco que eram re-empacotadas como produto de investimento e revendidas para o mercado mundial.
Quando ficou claro que esse grande volume de "dívidas tóxicas" não tinha nenhuma chance de ser pago pelos devedores originais, o pânico se espalhou e vários bancos americanos que investiram pesado nesse tipo de investimento caíram. Com isso, bancos no mundo todo passaram a re-avaliar suas linhas e crédito para outros bancos, em caso de risco de falência dos bancos devedores, e essas linhas de crédito entre bancos começaram a secar. Esse é o pano de fundo para a crise islandesa.
Vamos dar uma olhada rápida agora no panorama do mercado financeiro islandês há um mês. Os três bancos comerciais islandeses, sendo estes, Glitnr, Landsbanki e Kaupthing, representavam mais de 60% da economia do país, e juntos tinham em patrimônio de $150 bilhões de dólares, nove vezes, isso mesmo, nove vezes o PIB da Islândia. E até um mês atrás os três bancos estavam bem, não tinham investimentos em subprimes americanos ou "dívidas tóxicas" e estavam os três dando lucro e crescendo.
O que foi que aconteceu de errado com eles então? Ah, essa é uma história de pânico, erros e despreparo.
O PRIMEIRO GRANDE ERRO DO GOVERNO
A crise islandesa começou há duas semanas. Com a crise nos EUA, as linhas de crédito entre bancos ficaram mais restritas, e foi então que o terceiro maior banco islandês, Glitnir, começou a ter problemas para financiar suas operações. Glitnir então pediu um empréstimo para o banco central islandês. Foi aí que o governo islandês cometeu o primeiro grande erro. Ao invés de dar ao Glitnir o empréstimo que o banco pediu, o banco central islandês decidiu nacionalizar o Glitnir, declarando todas as ações do banco de valor zero e tomando 100% do banco em poder do governo.
A nacionalização forçada do Glitnir é unanimemente considerada pelos islandeses hoje como um tremendo erro de enorme conseqüências. E tem mais, os islandeses acreditam que Glitnir foi nacionalizado como uma vingança pessoal do diretor do banco central islandês, Davíð Oddsson, contra seu inimigo jurado, o multibilionário islandês Jón Ásgeir Jóhannesson, que era grande acionista do banco. Parece que, por causa de uma vingança pessoal, Oddsson desencadeou um processo que ia terminar na ruína econômica do país.
O setor financeiro da Islândia, e a economia islandesa de forma geral, é um verdadeiro castelo de cartas. A nacionalização do Glitnir significou que muitas empresas e bancos perderam muito dinheiro, e passaram a ficar numa situação delicada.
No mercado financeiro internacional, com a notícia da nacionalização do Glitnir, a atenção dos bancos e investidores se voltou para a Islândia. Os investidores internacionais se assustaram com o fato dos bancos serem tão maiores do que o resto da economia islandesa, concluindo que assim seria impossível para o governo islandês socorrer qualquer outro banco que venha a falir - a conclusão foi de que qualquer dinheiro em bancos islandeses estaria correndo extremo risco.
O resultado foi que as linhas de crédito se fecharam, e nenhum bancos mais emprestava dinheiro para bancos islandeses. Assim, apenas quatro dias depois, tendo levado um enorme prejuízo com a queda do Glitnir e agora sem acesso à crédito para financiar seu funcionamento, essa foi a vez do segundo maior banco islandês, o Landsbanki, chegar à beira da falência e também ser nacionalizado.
No espaço de uma semana, dois dos três gigantes da economia islandesa caíram, mas ainda havia esperança de que o maior banco islandês e um dos maiores bancos da Europa, Kaupthing, ainda sobreviveria.
O SEGUNDO GRANDE ERRO DO GOVERNO E A RETALIAÇÃO (ANTI-?) TERRORISTA BRITÂNICA
Foi agora que o governo fez islandês fez seu segundo grande erro. Landsbanki era dono de um banco na Inglaterra chamado ‘Icesave’, que tinha mais de $5 bilhões de dólares em depósitos de clientes britânicos. Ao invés de negociar com cautela a situação desses clientes britânicos, o primeiro-ministro islandês declarou numa bravata que simplesmente o dinheiro havia sumido e que os clientes britânicos não veriam nem um centavo de seus depósitos. O governo do Reino Unido retaliou congelando todo o patrimônio de todos os bancos islandeses no Reino Unido, incluindo o patrimônio do banco Kaupthing que ainda estava de pé e não tinha nada a ver com o banco Icesave de propriedade do falido Landsbanki.
Esse bloqueio do patrimônio dos bancos islandeses foi um absurdo por si só, em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown, que vinha precisando de uma melhora de popularidade, se utilizou da lei antiterrorismo inglesa (isso mesmo!) para fazer o tal congelamento.
Sem acesso ao seu patrimônio de mais de $10 bilhões de dólares no Reino Unido, na forma do banco Kaupthing Edge que operava em Londres, a sorte do banco Kaupthing estava fadada, e o banco foi nacionalizado, falido, dois dias depois do congelamento (anti-?) terrorista de seu patrimônio pelo governo britânico.
CONCLUSÃO
Essa é a história de como um país chamado por muitos de "Tigre Ártico" teve sua economia arrasada em questão de duas semanas. Os três grandes bancos se foram, os ingleses ainda querem seu dinheiro de volta, várias empresas da real economia islandesa correm agora o risco de quebrar porque tinham investimentos nos bancos falidos, o dólar subiu 110% contra a krona, e a Islândia anda por esses dias de chapéu na mão pedindo dinheiro para qualquer um que possa emprestar.
Para fechar essa minha análise, eu tenho que dizer que mesmo com o terrível estado atual da economia da Islândia, em minha opinião os fundamentos da economia que ainda são sólidos. A Islândia tem uma população de altíssimo nível de educação e com um forte espírito empresarial, o país tem grande riqueza energética, e ainda tem a riqueza dos mares que foi a base da incrível ascensão desse país que ainda há 100 anos era um dos mais pobres do mundo e chegou a ser um dos mais ricos. Os próximos anos serão de recessão econômica, com certeza, mas a Islândia vai se recuperar, disso eu não tenho dúvida.
Repetindo a mensagem da faixa que vi hoje numa das rodovias de acesso à Reykjavík, colocada ali recentemente, com certeza com o intuito de animar os ânimos dos islandeses deprimidos com a crise atual - Áfram Ísland - Pra frente Islândia!”
“Eu não sou economista, mas já que também não o são nem o ministro da economia islandês (um veterinário) e nem o presidente do banco central islandês (um advogado), vou seguir em frente e fazer minha análise da crise atual e, em minha opinião, dos erros que resultaram na ruína da economia islandesa.
O PANO DE FUNDO
A atual crise financeira mundial começou, como todos sabem, nos EUA com as chamadas subprime ‘mortgages’, hipotecas de imóveis de alto risco que eram re-empacotadas como produto de investimento e revendidas para o mercado mundial.
Quando ficou claro que esse grande volume de "dívidas tóxicas" não tinha nenhuma chance de ser pago pelos devedores originais, o pânico se espalhou e vários bancos americanos que investiram pesado nesse tipo de investimento caíram. Com isso, bancos no mundo todo passaram a re-avaliar suas linhas e crédito para outros bancos, em caso de risco de falência dos bancos devedores, e essas linhas de crédito entre bancos começaram a secar. Esse é o pano de fundo para a crise islandesa.
Vamos dar uma olhada rápida agora no panorama do mercado financeiro islandês há um mês. Os três bancos comerciais islandeses, sendo estes, Glitnr, Landsbanki e Kaupthing, representavam mais de 60% da economia do país, e juntos tinham em patrimônio de $150 bilhões de dólares, nove vezes, isso mesmo, nove vezes o PIB da Islândia. E até um mês atrás os três bancos estavam bem, não tinham investimentos em subprimes americanos ou "dívidas tóxicas" e estavam os três dando lucro e crescendo.
O que foi que aconteceu de errado com eles então? Ah, essa é uma história de pânico, erros e despreparo.
O PRIMEIRO GRANDE ERRO DO GOVERNO
A crise islandesa começou há duas semanas. Com a crise nos EUA, as linhas de crédito entre bancos ficaram mais restritas, e foi então que o terceiro maior banco islandês, Glitnir, começou a ter problemas para financiar suas operações. Glitnir então pediu um empréstimo para o banco central islandês. Foi aí que o governo islandês cometeu o primeiro grande erro. Ao invés de dar ao Glitnir o empréstimo que o banco pediu, o banco central islandês decidiu nacionalizar o Glitnir, declarando todas as ações do banco de valor zero e tomando 100% do banco em poder do governo.
A nacionalização forçada do Glitnir é unanimemente considerada pelos islandeses hoje como um tremendo erro de enorme conseqüências. E tem mais, os islandeses acreditam que Glitnir foi nacionalizado como uma vingança pessoal do diretor do banco central islandês, Davíð Oddsson, contra seu inimigo jurado, o multibilionário islandês Jón Ásgeir Jóhannesson, que era grande acionista do banco. Parece que, por causa de uma vingança pessoal, Oddsson desencadeou um processo que ia terminar na ruína econômica do país.
O setor financeiro da Islândia, e a economia islandesa de forma geral, é um verdadeiro castelo de cartas. A nacionalização do Glitnir significou que muitas empresas e bancos perderam muito dinheiro, e passaram a ficar numa situação delicada.
No mercado financeiro internacional, com a notícia da nacionalização do Glitnir, a atenção dos bancos e investidores se voltou para a Islândia. Os investidores internacionais se assustaram com o fato dos bancos serem tão maiores do que o resto da economia islandesa, concluindo que assim seria impossível para o governo islandês socorrer qualquer outro banco que venha a falir - a conclusão foi de que qualquer dinheiro em bancos islandeses estaria correndo extremo risco.
O resultado foi que as linhas de crédito se fecharam, e nenhum bancos mais emprestava dinheiro para bancos islandeses. Assim, apenas quatro dias depois, tendo levado um enorme prejuízo com a queda do Glitnir e agora sem acesso à crédito para financiar seu funcionamento, essa foi a vez do segundo maior banco islandês, o Landsbanki, chegar à beira da falência e também ser nacionalizado.
No espaço de uma semana, dois dos três gigantes da economia islandesa caíram, mas ainda havia esperança de que o maior banco islandês e um dos maiores bancos da Europa, Kaupthing, ainda sobreviveria.
O SEGUNDO GRANDE ERRO DO GOVERNO E A RETALIAÇÃO (ANTI-?) TERRORISTA BRITÂNICA
Foi agora que o governo fez islandês fez seu segundo grande erro. Landsbanki era dono de um banco na Inglaterra chamado ‘Icesave’, que tinha mais de $5 bilhões de dólares em depósitos de clientes britânicos. Ao invés de negociar com cautela a situação desses clientes britânicos, o primeiro-ministro islandês declarou numa bravata que simplesmente o dinheiro havia sumido e que os clientes britânicos não veriam nem um centavo de seus depósitos. O governo do Reino Unido retaliou congelando todo o patrimônio de todos os bancos islandeses no Reino Unido, incluindo o patrimônio do banco Kaupthing que ainda estava de pé e não tinha nada a ver com o banco Icesave de propriedade do falido Landsbanki.
Esse bloqueio do patrimônio dos bancos islandeses foi um absurdo por si só, em que o primeiro ministro britânico Gordon Brown, que vinha precisando de uma melhora de popularidade, se utilizou da lei antiterrorismo inglesa (isso mesmo!) para fazer o tal congelamento.
Sem acesso ao seu patrimônio de mais de $10 bilhões de dólares no Reino Unido, na forma do banco Kaupthing Edge que operava em Londres, a sorte do banco Kaupthing estava fadada, e o banco foi nacionalizado, falido, dois dias depois do congelamento (anti-?) terrorista de seu patrimônio pelo governo britânico.
CONCLUSÃO
Essa é a história de como um país chamado por muitos de "Tigre Ártico" teve sua economia arrasada em questão de duas semanas. Os três grandes bancos se foram, os ingleses ainda querem seu dinheiro de volta, várias empresas da real economia islandesa correm agora o risco de quebrar porque tinham investimentos nos bancos falidos, o dólar subiu 110% contra a krona, e a Islândia anda por esses dias de chapéu na mão pedindo dinheiro para qualquer um que possa emprestar.
Para fechar essa minha análise, eu tenho que dizer que mesmo com o terrível estado atual da economia da Islândia, em minha opinião os fundamentos da economia que ainda são sólidos. A Islândia tem uma população de altíssimo nível de educação e com um forte espírito empresarial, o país tem grande riqueza energética, e ainda tem a riqueza dos mares que foi a base da incrível ascensão desse país que ainda há 100 anos era um dos mais pobres do mundo e chegou a ser um dos mais ricos. Os próximos anos serão de recessão econômica, com certeza, mas a Islândia vai se recuperar, disso eu não tenho dúvida.
Repetindo a mensagem da faixa que vi hoje numa das rodovias de acesso à Reykjavík, colocada ali recentemente, com certeza com o intuito de animar os ânimos dos islandeses deprimidos com a crise atual - Áfram Ísland - Pra frente Islândia!”
A LIBERDADE INTELECTUAL E A INOVAÇÃO CIENTÍFICA
Trago aos leitores artigo publicado há um mês e meio na Folha de São Paulo. Contudo, continua atualíssimo. Trata de liberdade intelectual, da liberdade de criação, e foi publicado coincidentemente no Dia da Independência do Brasil. O autor é Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo".
INDEPENDÊNCIA E INOVAÇÃO
“MATEMÁTICA PURA À PARTE, TODA PESQUISA É APLICADA”
“Já que calhou desta coluna cair no dia da Independência, me parece adequado juntar o conceito de independência com o de liberdade intelectual. Não a liberdade de imprensa; felizmente, hoje não há ameaça ao direito que as pessoas têm de receberem informação sem a censura tendenciosa do Estado. Falo da liberdade intelectual que vem do aprendizado dos fatos e modos do mundo, com a capacidade que temos de compreender a natureza e de aplicar esse conhecimento à melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Essa liberdade é o arcabouço do pensamento científico.
A ciência só é possível quando indivíduos têm a liberdade de pensar sobre o assunto que lhes interessa e de trocar idéias criticamente entre si. Mesmo que exista a importante pesquisa direcionada, voltada exclusivamente para um fim preestabelecido, como o desenvolvimento de um produto ou de uma tecnologia de interesse comercial ou militar, historicamente as grandes inovações científicas aconteceram quando os cientistas tinham liberdade para criar, independentemente dos compromissos de curto prazo impostos pela economia ou por interesses do Estado.
Falo, portanto, da chamada pesquisa básica, a ser distinguida da chamada pesquisa "aplicada". Ponho aspas porque a palavra aplicada pode ter muitas conotações. De certa forma, com exceção da matemática pura, toda a pesquisa é aplicada, já que busca novos conhecimentos sobre o mundo natural.
Mesmo os assuntos mais esdrúxulos -que vão de buracos negros, por exemplo, à matéria escura que gravita em torno das galáxias- podem um dia vir a ter um papel tecnológico.
É impossível prever. O que podemos dizer é que a história nos ensina que as descobertas de hoje são as tecnologias de amanhã. A distinção entre pesquisa aplicada e básica é, a meu ver, bastante sutil.
Como exemplo, cito o caso das ciências dos materiais. Milhares de cientistas buscam atualmente materiais que sejam supercondutores a altas temperaturas, isto é, materiais que não oferecem qualquer resistência à passagem de correntes elétricas.
Um fio comum esquenta quando passa uma corrente, o que acarreta num maior uso de energia.
É óbvio que a descoberta desses materiais teria uma série de aplicações industriais. Mas existe também o interesse em descobrir quais são as propriedades físicas de metais e cerâmicas que podem levar à supercondutividade à temperatura ambiente.
Muitos cientistas se contentam em entender isso, sem correr a um advogado de patentes apenas feita uma descoberta. Deveria haver uma aliança entre as universidades e a indústria, permitindo cientistas a dedicarem-se à pesquisa sem o pavio curto das necessidades do mercado.
Isso é praxe nas economias de ponta e começa timidamente no Brasil. É difícil para um investidor pensar nas vantagens de uma operação a longo prazo. Mas, no caso da pesquisa científica, a paciência vale ouro. Se um laboratório recebe financiamento sem atraso e em nível suficiente, é quase certo que os frutos venham. E que sejam inesperados. Com liberdade, a pesquisa traça caminhos que nem sempre são previsíveis.
O elemento surpresa, tão difícil de quantificar e de vender a um órgão de financiamento, tem um papel muito importante na ciência.
Fala-se muito em descobertas acidentais, como os raios X e a radioatividade. Prefiro dizer que a sorte ajuda aos bem preparados. A melhor garantia de qualquer investimento em pesquisa é dar aos cientistas de boa reputação as condições necessárias para que possam criar com liberdade”.
INDEPENDÊNCIA E INOVAÇÃO
“MATEMÁTICA PURA À PARTE, TODA PESQUISA É APLICADA”
“Já que calhou desta coluna cair no dia da Independência, me parece adequado juntar o conceito de independência com o de liberdade intelectual. Não a liberdade de imprensa; felizmente, hoje não há ameaça ao direito que as pessoas têm de receberem informação sem a censura tendenciosa do Estado. Falo da liberdade intelectual que vem do aprendizado dos fatos e modos do mundo, com a capacidade que temos de compreender a natureza e de aplicar esse conhecimento à melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Essa liberdade é o arcabouço do pensamento científico.
A ciência só é possível quando indivíduos têm a liberdade de pensar sobre o assunto que lhes interessa e de trocar idéias criticamente entre si. Mesmo que exista a importante pesquisa direcionada, voltada exclusivamente para um fim preestabelecido, como o desenvolvimento de um produto ou de uma tecnologia de interesse comercial ou militar, historicamente as grandes inovações científicas aconteceram quando os cientistas tinham liberdade para criar, independentemente dos compromissos de curto prazo impostos pela economia ou por interesses do Estado.
Falo, portanto, da chamada pesquisa básica, a ser distinguida da chamada pesquisa "aplicada". Ponho aspas porque a palavra aplicada pode ter muitas conotações. De certa forma, com exceção da matemática pura, toda a pesquisa é aplicada, já que busca novos conhecimentos sobre o mundo natural.
Mesmo os assuntos mais esdrúxulos -que vão de buracos negros, por exemplo, à matéria escura que gravita em torno das galáxias- podem um dia vir a ter um papel tecnológico.
É impossível prever. O que podemos dizer é que a história nos ensina que as descobertas de hoje são as tecnologias de amanhã. A distinção entre pesquisa aplicada e básica é, a meu ver, bastante sutil.
Como exemplo, cito o caso das ciências dos materiais. Milhares de cientistas buscam atualmente materiais que sejam supercondutores a altas temperaturas, isto é, materiais que não oferecem qualquer resistência à passagem de correntes elétricas.
Um fio comum esquenta quando passa uma corrente, o que acarreta num maior uso de energia.
É óbvio que a descoberta desses materiais teria uma série de aplicações industriais. Mas existe também o interesse em descobrir quais são as propriedades físicas de metais e cerâmicas que podem levar à supercondutividade à temperatura ambiente.
Muitos cientistas se contentam em entender isso, sem correr a um advogado de patentes apenas feita uma descoberta. Deveria haver uma aliança entre as universidades e a indústria, permitindo cientistas a dedicarem-se à pesquisa sem o pavio curto das necessidades do mercado.
Isso é praxe nas economias de ponta e começa timidamente no Brasil. É difícil para um investidor pensar nas vantagens de uma operação a longo prazo. Mas, no caso da pesquisa científica, a paciência vale ouro. Se um laboratório recebe financiamento sem atraso e em nível suficiente, é quase certo que os frutos venham. E que sejam inesperados. Com liberdade, a pesquisa traça caminhos que nem sempre são previsíveis.
O elemento surpresa, tão difícil de quantificar e de vender a um órgão de financiamento, tem um papel muito importante na ciência.
Fala-se muito em descobertas acidentais, como os raios X e a radioatividade. Prefiro dizer que a sorte ajuda aos bem preparados. A melhor garantia de qualquer investimento em pesquisa é dar aos cientistas de boa reputação as condições necessárias para que possam criar com liberdade”.
sábado, 25 de outubro de 2008
O "BRAZIL" DOS TUCANO-PEFELISTAS (II)
Anteontem, 23 de outubro, este blog postou o texto do filósofo e cientista político Emir Sader “O ‘BRAZIL’ DOS TUCANO-PEFELISTAS”, que eu lera no site “Carta Maior”.
Prometi postar a continuação tão logo publicada pelo autor. Ontem, o site “Carta Maior” indicou o “Blog do Emir” onde foi postada a continuação. Leiamos:
“Serra foi o candidato do bloco tucano-pefelista em 2002 para dar seqüência aos 9 anos do desastroso governo de FHC e aos 12 anos de neoliberalismo, se contamos seu início com o governo Collor, sua continuidade com o governo Itamar Franco (que levou FHC ao Ministério da Economia e lançou o Plano Real). Foi derrotado por Lula.
Mas se tivesse ganho, como pretendia a ditadura privada a mídia, a Fiesp e o grande empresariado, o que teria acontecido com o Brasil? Em que situação estaríamos?
Como estaríamos enfrentando a crise atual?
Serra tem uma ambição desmesurada de poder. Foi presidente do Grêmio da Politécnica de São Paulo, atropelou todo mundo para ser presidente da União Estadual dos Estudantes e presidente da UNE. Neste cargo, no comício do Jango, na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, foi o mais radical, mais até do que o Brizola.
Dezoito dias depois, com o golpe militar, decretou greve geral e fugiu do Brasil, no primeiro grupo que saiu do país, abandonando o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes universitários brasileiros (Pergunte-se a ele como terminou seu mandato de presidente da UNE, tem que ele nunca toca. Bem ao seu estilo, de declarações de um lado, comportamento de outro.)
Serra atropelou na campanha à Roseana Sarney e ao Ciro Gomes, utilizando todos os métodos – como é do seu feitio: não se surpreendam se começar a aparecer queimações do Aécio com notas plantadas na imprensa, especialmente no seu jornal, FSP, sobre a vida devassa do governador de Minas. Tentou se distanciar de FHC, de maneira oportunista, quando viu que a avaliação de FHC era a pior de um presidente no final do seu mandato, mas não conseguiu.
Não conseguiu, não apenas porque foi apoiado por FHC, ACM, Bornhausen, etc., mas também porque ele esteve durante todos os dois mandatos de FHC no governo, compactuando e, por tanto, sendo responsável por todas as calamidades que FHC fez.
Tem por isso que responder por todo o dossiê daquele governo: as privatizações, a tentativa de privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômicas, entre outros. O maior processo de precarização das relações de trabalho – cujas terceirizações, entres outros graves danos, entre eles o de deixar a maioria dos brasileiros sem carteira de trabalho, foi responsável pelo aumento exponencial de acidentes de trabalho na Petrobrás -, a compra de votos para mudar a Constituição em pleno mandato de FHC para que pudesse ser reeleito, entre outros.
Além disso, Serra foi grande propagandista do modelo chileno, especialmente da privatização da previdência nesse pais, que levou a que 95% das pessoas ficassem na previdência privada, tendo perdido, apenas até aqui, este ano, 20% das suas aposentadorias, tendo levado o próprio governo de Michele Bachelet ter confessado seu fracasso e tentado diminuir os danos que causa.
Serra teria mantido a equipe econômica, certamente teria levado de volta os irmãos Mendonça de Barros (que saíram do governo pelo flagrante dos telefones em que combinavam que deveria ganhar a privatização das telecomunicações), teria mantido Armenio Fraga no Banco Central e daria continuidade ao governo FHC.
Celso Lafer ou outro ministro favorável à subalternidade com os EUA, teria levado o Brasil a promover a Alca e inviabilizado o Mercosul e os outros processos de integração regional que vieram depois que o Brasil teve papel central na inviabilização da Alca – porque Serra perdeu as eleições para Lula.
Como o bloco das direções partidárias do PSDB, do PFL, do PPS, da Folha, da Veja, do Globo, do Estadão, perderam a batalha para derrubar Lula, que detêm 80% de apoio e apenas 8% de rejeição (10 vezes menos, que é o público desses partidos e desses órgãos da imprensa privada), Serra diz que não será candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Não é o que pensam os dirigentes daqueles partidos e órgãos da imprensa, que dariam a tônica no seu governo, mas estes sabem que tem que contar com Serra, porque seu objetivo maior é desalojar Lula e o PT do governo e voltar a apropriar-se dele, com seu apetite voraz, mal contido nestes 6 longos anos – para eles.
Para isso Serra dirá que vai manter os programas sociais de Lula, demagogicamente.
Se aproveitará da crise internacional e da nova onda, para dizer que o Estado terá um protagonismo maior, tentando apagar uma das frases do seu chefe, FHC: “Vou virar a página do getulismo”, isto é, do Estado regular, indutor do desenvolvimento, promotor de políticas sociais redistributivas, da ampliação do mercado interno de consumo popular, da indústria nacional, da geração de empregos. Contra tudo isso agiu o governo FHC e Serra tem que responder por isto.
Talvez faça como seu sucessor, igualmente derrotado por Lula, Alckmin, que assinou no segundo turno compromisso que não ia privatizar mais. Será difícil para Serra, que compactuou com todas as privatizações do governo FHC e ainda deu curso às privatizações tucanas em São Paulo. (Na sua breve passagem pela prefeitura paulistana, autorizou a colocação de publicidade privada nos uniformes das crianças de escolas públicas, uniformes que o governo de Marta havia dado gratuitamente. Mas como tem critérios, Serra decretou que essas publicidades, que faz com que os alunos pareçam miniaturas de corredores de Fórmula 1, não possam ser nem de cigarros, nem de bebidas alcoólicas – ainda bem!).
Serra é homem da Fiesp, da Folha de São Paulo, dos grandes bancos, da retomada das alianças privilegiadas com os EUA e os países do norte do mundo, homem do modelo chileno, que gostariam de tirar o Brasil dos projetos de integração regional, para fazê-lo associado privilegiado com o Chile, que assinou vergonhoso Tratado de Livre Comércio com os EUA.
Disfarçado de pós-Lula, Serra seria o continuador do que o governo tem de negativo – hegemonia do capital financeiro, manutenção da ditadura privada da mídia, privilégios do agronegócio de exportação trangênica, etc. – e o revogador do que o governo tem de melhor: política externa independente, políticas sociais, política cultura e educacional, incentivo – ainda que tímido – à mídia pública. Retomaria os processos de privatização – da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, dando seqüência às negociações que o Malan tinha iniciado com o FMI.
Hoje, se Serra tivesse sido eleito em 2002, o Brasil teria aprofundado a desigualdade social que continua a caracterizar-nos mas que, pela primeira vez, tem políticas que diminuem a injustiça social no país. A Alca teria sido implantada, o Brasil teria assinado seu Tratado de Livre Comércio com os EUA, seríamos incomensuravelmente mais frágeis na crise atual, que teria repetido o que aconteceu com o país nas três vezes que o governo a que Serra pertenceu levou o Brasil à falência.
“Brasil para alguns poucos” – esse seria o Brazil tucano-pefelista, se Serra tivesse ganhado – ou se chegar a ganhar, em 2010.
(No próximo artigo sobre o Brazil tucano-pefelista, de FHC e de Serra - Se Alckmin tivesse ganhado).
P.S. Este blog postará a continuação, tão logo publicada por Emir Sader.
Prometi postar a continuação tão logo publicada pelo autor. Ontem, o site “Carta Maior” indicou o “Blog do Emir” onde foi postada a continuação. Leiamos:
“Serra foi o candidato do bloco tucano-pefelista em 2002 para dar seqüência aos 9 anos do desastroso governo de FHC e aos 12 anos de neoliberalismo, se contamos seu início com o governo Collor, sua continuidade com o governo Itamar Franco (que levou FHC ao Ministério da Economia e lançou o Plano Real). Foi derrotado por Lula.
Mas se tivesse ganho, como pretendia a ditadura privada a mídia, a Fiesp e o grande empresariado, o que teria acontecido com o Brasil? Em que situação estaríamos?
Como estaríamos enfrentando a crise atual?
Serra tem uma ambição desmesurada de poder. Foi presidente do Grêmio da Politécnica de São Paulo, atropelou todo mundo para ser presidente da União Estadual dos Estudantes e presidente da UNE. Neste cargo, no comício do Jango, na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, foi o mais radical, mais até do que o Brizola.
Dezoito dias depois, com o golpe militar, decretou greve geral e fugiu do Brasil, no primeiro grupo que saiu do país, abandonando o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes universitários brasileiros (Pergunte-se a ele como terminou seu mandato de presidente da UNE, tem que ele nunca toca. Bem ao seu estilo, de declarações de um lado, comportamento de outro.)
Serra atropelou na campanha à Roseana Sarney e ao Ciro Gomes, utilizando todos os métodos – como é do seu feitio: não se surpreendam se começar a aparecer queimações do Aécio com notas plantadas na imprensa, especialmente no seu jornal, FSP, sobre a vida devassa do governador de Minas. Tentou se distanciar de FHC, de maneira oportunista, quando viu que a avaliação de FHC era a pior de um presidente no final do seu mandato, mas não conseguiu.
Não conseguiu, não apenas porque foi apoiado por FHC, ACM, Bornhausen, etc., mas também porque ele esteve durante todos os dois mandatos de FHC no governo, compactuando e, por tanto, sendo responsável por todas as calamidades que FHC fez.
Tem por isso que responder por todo o dossiê daquele governo: as privatizações, a tentativa de privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômicas, entre outros. O maior processo de precarização das relações de trabalho – cujas terceirizações, entres outros graves danos, entre eles o de deixar a maioria dos brasileiros sem carteira de trabalho, foi responsável pelo aumento exponencial de acidentes de trabalho na Petrobrás -, a compra de votos para mudar a Constituição em pleno mandato de FHC para que pudesse ser reeleito, entre outros.
Além disso, Serra foi grande propagandista do modelo chileno, especialmente da privatização da previdência nesse pais, que levou a que 95% das pessoas ficassem na previdência privada, tendo perdido, apenas até aqui, este ano, 20% das suas aposentadorias, tendo levado o próprio governo de Michele Bachelet ter confessado seu fracasso e tentado diminuir os danos que causa.
Serra teria mantido a equipe econômica, certamente teria levado de volta os irmãos Mendonça de Barros (que saíram do governo pelo flagrante dos telefones em que combinavam que deveria ganhar a privatização das telecomunicações), teria mantido Armenio Fraga no Banco Central e daria continuidade ao governo FHC.
Celso Lafer ou outro ministro favorável à subalternidade com os EUA, teria levado o Brasil a promover a Alca e inviabilizado o Mercosul e os outros processos de integração regional que vieram depois que o Brasil teve papel central na inviabilização da Alca – porque Serra perdeu as eleições para Lula.
Como o bloco das direções partidárias do PSDB, do PFL, do PPS, da Folha, da Veja, do Globo, do Estadão, perderam a batalha para derrubar Lula, que detêm 80% de apoio e apenas 8% de rejeição (10 vezes menos, que é o público desses partidos e desses órgãos da imprensa privada), Serra diz que não será candidato anti-Lula, mas pós-Lula. Não é o que pensam os dirigentes daqueles partidos e órgãos da imprensa, que dariam a tônica no seu governo, mas estes sabem que tem que contar com Serra, porque seu objetivo maior é desalojar Lula e o PT do governo e voltar a apropriar-se dele, com seu apetite voraz, mal contido nestes 6 longos anos – para eles.
Para isso Serra dirá que vai manter os programas sociais de Lula, demagogicamente.
Se aproveitará da crise internacional e da nova onda, para dizer que o Estado terá um protagonismo maior, tentando apagar uma das frases do seu chefe, FHC: “Vou virar a página do getulismo”, isto é, do Estado regular, indutor do desenvolvimento, promotor de políticas sociais redistributivas, da ampliação do mercado interno de consumo popular, da indústria nacional, da geração de empregos. Contra tudo isso agiu o governo FHC e Serra tem que responder por isto.
Talvez faça como seu sucessor, igualmente derrotado por Lula, Alckmin, que assinou no segundo turno compromisso que não ia privatizar mais. Será difícil para Serra, que compactuou com todas as privatizações do governo FHC e ainda deu curso às privatizações tucanas em São Paulo. (Na sua breve passagem pela prefeitura paulistana, autorizou a colocação de publicidade privada nos uniformes das crianças de escolas públicas, uniformes que o governo de Marta havia dado gratuitamente. Mas como tem critérios, Serra decretou que essas publicidades, que faz com que os alunos pareçam miniaturas de corredores de Fórmula 1, não possam ser nem de cigarros, nem de bebidas alcoólicas – ainda bem!).
Serra é homem da Fiesp, da Folha de São Paulo, dos grandes bancos, da retomada das alianças privilegiadas com os EUA e os países do norte do mundo, homem do modelo chileno, que gostariam de tirar o Brasil dos projetos de integração regional, para fazê-lo associado privilegiado com o Chile, que assinou vergonhoso Tratado de Livre Comércio com os EUA.
Disfarçado de pós-Lula, Serra seria o continuador do que o governo tem de negativo – hegemonia do capital financeiro, manutenção da ditadura privada da mídia, privilégios do agronegócio de exportação trangênica, etc. – e o revogador do que o governo tem de melhor: política externa independente, políticas sociais, política cultura e educacional, incentivo – ainda que tímido – à mídia pública. Retomaria os processos de privatização – da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, dando seqüência às negociações que o Malan tinha iniciado com o FMI.
Hoje, se Serra tivesse sido eleito em 2002, o Brasil teria aprofundado a desigualdade social que continua a caracterizar-nos mas que, pela primeira vez, tem políticas que diminuem a injustiça social no país. A Alca teria sido implantada, o Brasil teria assinado seu Tratado de Livre Comércio com os EUA, seríamos incomensuravelmente mais frágeis na crise atual, que teria repetido o que aconteceu com o país nas três vezes que o governo a que Serra pertenceu levou o Brasil à falência.
“Brasil para alguns poucos” – esse seria o Brazil tucano-pefelista, se Serra tivesse ganhado – ou se chegar a ganhar, em 2010.
(No próximo artigo sobre o Brazil tucano-pefelista, de FHC e de Serra - Se Alckmin tivesse ganhado).
P.S. Este blog postará a continuação, tão logo publicada por Emir Sader.
O ORÁCULO DE WASHINGTON
O site “Carta Maior” postou ontem o artigo a seguir transcrito de autoria de Rodrigo Vianna e publicado originalmente no blog Escrevinhador:
GREENSPAN EM CHOQUE. SEUS FILHOTES NO BRASIL TEMEM A ESTATIZAÇÃO
“O oráculo do mercado reconheceu publicamente que (durante o período em que comandou o Banco Central dos EUA) errou, "parcialmente", ao defender a auto-regulamentação do mercado como o caminho mais curto para o desenvolvimento. Ele, ao menos, reconheceu o erro "parcial". Mas, e os filhotes de Grenspan no Brasil? O que dizem os consultores e jornalistas econômicos que repetiam suas idéias aqui?
"Aqueles de nós, eu inclusive, que esperávamos que o interesse próprio das instituições de empréstimo protegesse os acionistas, estão em estado de descrença e choque" (Alan Greenspan, ex-presidente do FED, o Banco Central dos EUA)
Greenspan em estado de choque?
A frase foi dita por ele, durante depoimento ao Congresso estadounidense, na última quinta-feira.
O oráculo do mercado reconheceu publicamente que (durante o período em que comandou o Banco Central dos Estados Unidos) errou, "parcialmente", ao defender a auto-regulamentação do mercado como o caminho mais curto para o desenvolvimento.
Greenspan, ao menos, reconhece o erro "parcial". Mas, e os filhotes de Greenspan no Brasil?
Repare, leitor, que o ex-presidente do FED (fede?) fala também em "descrença", como se o neo-liberalismo fosse uma espécie de religião - hoje colocada em questão.
Durante 20 anos, como jornalista, fui obrigado a entrevistar "consultores" brasileiros que reproduziram por aqui as idéias do oráculo de Washington.
O Brasil precisa fazer a "lição de casa", repetiam os "especialistas" como se fosse uma oração.
Nenhum desses consultores parece estar em estado de choque...
"Lição de casa". Chego a sentir engulhos quando ouço esta expressão. É expressão sobretudo, de subserviência, como se o Brasil estivesse ainda na escola primária, e devesse aprender os ensinamentos de Greenspan e outros mestres.
A consultoria mais ouvida do Brasil (sintomaticamente, fica na rua Estados Unidos, em São Paulo) tem como um dos sócios um "especialista" que, quando esteve no governo Sarney, ajudou a levar a inflação a 80% ao mês.
Hoje, ganha dinheiro, pregando aos brasileiros: é preciso fazer a "lição de casa", desregulamentar, privatizar, liberalizar tudo...
Como jornalista, reconheço que errei ("parcialmente", é verdade) por entrevistar tantas vezes a turma da "lição de casa".
Digo "parcialmente" porque tentei equilibrar o jogo, eu juro, ouvindo também Paulo Nogueira Batista, Júlio Gomes (do IEDI) e outros poucos economistas que não se contaminaram pelas teses do professor Greenspan.
O Brasil, felizmente, não foi um bom aluno de Greenspan.
Apesar do esforço de nossos "consultores", fizemos só metade da lição de casa (principalmente, no governo FHC; Lula não teve coragem e/ou condições políticas de mudar o sistema, mas ao menos estancou o processo).
Do contrário, teríamos vendido tudo - como a Argentina de Menem. Não teríamos BNDES, Banco do Brasil e Caixa – instrumentos decisivos para enfrentar a crise que se agiganta.
O curioso é que o jornalismo (?) econômico brasileiro parece viver ainda na fase da "lição de casa".
A entrevista de Guilherme Barros com Paulo Setúbal (dono do Itaú) - na Folha de quinta-feira, 24/10 - chega a ser engraçada. Sobre a MP de Lula, que permite ao BB e à Caixa comprarem bancos à beira do colapso, o repórter pergunta:
"Não cheira a estatização?".
Estatização deve cheirar muito mal para quem passa o tempo ouvindo só os mesmos "consultores".
Estatização fede? Ou Fed?
Interessante que Paulo Setúbal não tenha dado a resposta que o jornalista esperava. Veja que ele disse:
"Ninguém é obrigado a vender banco. (...) o que [essa medida] mostra é que o governo está comprometido a manter a funcionalidade do setor".
O problema não é estatizar. O problema hoje é como estatizar. Lula não pode dar dnheiro pra banqueiro. O Estado precisa assumir o controle. Não pode estar preocupado apenas cm a "funcionalidade do setor".
Gostaria de lembrar que, se não fosse o Estado, se não fosse a luta de alguns bravos brasileiros em defesa do interesse nacional, se não fosse a existência de três ou quatro grandes estadistas ao longo de nossa história, o Brasi ainda seria uma grande Fazenda.
Certo jornalismo (?) econômico brasileiro talvez tenha saudade do tempo das fazendas. Aquele, sim, era um país livre da praga estatista. Cada proprietário podia dispor livremente de suas mecadorias, incluindo os trabalhadores escravos, sem prestar contas ao Estado.
No Brasil, liberalismo teve sempre um signifcado: liberdade para os proprietários.
Tanto que, durante o Império, havia quem se definsse como "liberal" e defendesse traquilamente a escravidão: abolir a escravidão era atacar o sacrossanto direito à propriedade privada.
Talvez, naquele época, abolicionismo significasse uma forma torpe de intervenção estatal.
Quando Vargas decidiu industrializar o país, houve também críticas de setores que viram nisso um atentado contra a "natural vocação agrária" brasileira, como uma intervenção "artificial" e inadequada.
E a campanha do "Petróleo é Nosso"? Quantos liberais não torceram o nariz...Gastar dinheiro público para procurar petróleo nesses trópicos?
Hoje, o odor da estatização se espalha pelo mundo. E não deveria espantar quem conhece a história do Capitalismo.
Volto a Immanuel Wallerstein (que eu saiba ele nunca foi "consultor"), citado em texto anterior.
Wallerstein lembra, no seu "Capitalismo Histórico & Civilização Capitalista" (no Brasil, pela ed. Contraponto):
"(..) dada a estrutura do capitalismo histórico, as alavancas mais efetivas de ajuste político têm sido as estruturas do Estado (grifo meu), cuja prórpia construção, como vimos, foi uma das realizaçõss do capitalismo histórico. Assim, não é por acaso que o controle do poder estatal, a conquista do poder de Estado, tenha sido o objetivo estratégico central de todos os principais atores da esfera politica ao longo da história do capitalismo moderno".
Por isso, nosso jornalismo (!) econômico está tão preocupado com o "estatismo" no Brasil.
Bem agora que a ideologia liberal afunda, e que as corporações já não são capazes (será?) de dar conta de seu futuro, bem agora que do Estado virá a arbitragem final, bem agora, veja só (que azar!) quem está no controle das alavancas no Brasil!
É por isso que editorais de jornais (?) paulistas tentam derrubar o Ministro da Fazenda. Eles querem as alavancas nas mãos certas! Nas mãos dos velhos liberais de araque. Eles ainda vivem como se o Brasil fosse uma grande fazenda.
Essa é a disputa!
Daí, sim, virá muito mau-cheiro”.
GREENSPAN EM CHOQUE. SEUS FILHOTES NO BRASIL TEMEM A ESTATIZAÇÃO
“O oráculo do mercado reconheceu publicamente que (durante o período em que comandou o Banco Central dos EUA) errou, "parcialmente", ao defender a auto-regulamentação do mercado como o caminho mais curto para o desenvolvimento. Ele, ao menos, reconheceu o erro "parcial". Mas, e os filhotes de Grenspan no Brasil? O que dizem os consultores e jornalistas econômicos que repetiam suas idéias aqui?
"Aqueles de nós, eu inclusive, que esperávamos que o interesse próprio das instituições de empréstimo protegesse os acionistas, estão em estado de descrença e choque" (Alan Greenspan, ex-presidente do FED, o Banco Central dos EUA)
Greenspan em estado de choque?
A frase foi dita por ele, durante depoimento ao Congresso estadounidense, na última quinta-feira.
O oráculo do mercado reconheceu publicamente que (durante o período em que comandou o Banco Central dos Estados Unidos) errou, "parcialmente", ao defender a auto-regulamentação do mercado como o caminho mais curto para o desenvolvimento.
Greenspan, ao menos, reconhece o erro "parcial". Mas, e os filhotes de Greenspan no Brasil?
Repare, leitor, que o ex-presidente do FED (fede?) fala também em "descrença", como se o neo-liberalismo fosse uma espécie de religião - hoje colocada em questão.
Durante 20 anos, como jornalista, fui obrigado a entrevistar "consultores" brasileiros que reproduziram por aqui as idéias do oráculo de Washington.
O Brasil precisa fazer a "lição de casa", repetiam os "especialistas" como se fosse uma oração.
Nenhum desses consultores parece estar em estado de choque...
"Lição de casa". Chego a sentir engulhos quando ouço esta expressão. É expressão sobretudo, de subserviência, como se o Brasil estivesse ainda na escola primária, e devesse aprender os ensinamentos de Greenspan e outros mestres.
A consultoria mais ouvida do Brasil (sintomaticamente, fica na rua Estados Unidos, em São Paulo) tem como um dos sócios um "especialista" que, quando esteve no governo Sarney, ajudou a levar a inflação a 80% ao mês.
Hoje, ganha dinheiro, pregando aos brasileiros: é preciso fazer a "lição de casa", desregulamentar, privatizar, liberalizar tudo...
Como jornalista, reconheço que errei ("parcialmente", é verdade) por entrevistar tantas vezes a turma da "lição de casa".
Digo "parcialmente" porque tentei equilibrar o jogo, eu juro, ouvindo também Paulo Nogueira Batista, Júlio Gomes (do IEDI) e outros poucos economistas que não se contaminaram pelas teses do professor Greenspan.
O Brasil, felizmente, não foi um bom aluno de Greenspan.
Apesar do esforço de nossos "consultores", fizemos só metade da lição de casa (principalmente, no governo FHC; Lula não teve coragem e/ou condições políticas de mudar o sistema, mas ao menos estancou o processo).
Do contrário, teríamos vendido tudo - como a Argentina de Menem. Não teríamos BNDES, Banco do Brasil e Caixa – instrumentos decisivos para enfrentar a crise que se agiganta.
O curioso é que o jornalismo (?) econômico brasileiro parece viver ainda na fase da "lição de casa".
A entrevista de Guilherme Barros com Paulo Setúbal (dono do Itaú) - na Folha de quinta-feira, 24/10 - chega a ser engraçada. Sobre a MP de Lula, que permite ao BB e à Caixa comprarem bancos à beira do colapso, o repórter pergunta:
"Não cheira a estatização?".
Estatização deve cheirar muito mal para quem passa o tempo ouvindo só os mesmos "consultores".
Estatização fede? Ou Fed?
Interessante que Paulo Setúbal não tenha dado a resposta que o jornalista esperava. Veja que ele disse:
"Ninguém é obrigado a vender banco. (...) o que [essa medida] mostra é que o governo está comprometido a manter a funcionalidade do setor".
O problema não é estatizar. O problema hoje é como estatizar. Lula não pode dar dnheiro pra banqueiro. O Estado precisa assumir o controle. Não pode estar preocupado apenas cm a "funcionalidade do setor".
Gostaria de lembrar que, se não fosse o Estado, se não fosse a luta de alguns bravos brasileiros em defesa do interesse nacional, se não fosse a existência de três ou quatro grandes estadistas ao longo de nossa história, o Brasi ainda seria uma grande Fazenda.
Certo jornalismo (?) econômico brasileiro talvez tenha saudade do tempo das fazendas. Aquele, sim, era um país livre da praga estatista. Cada proprietário podia dispor livremente de suas mecadorias, incluindo os trabalhadores escravos, sem prestar contas ao Estado.
No Brasil, liberalismo teve sempre um signifcado: liberdade para os proprietários.
Tanto que, durante o Império, havia quem se definsse como "liberal" e defendesse traquilamente a escravidão: abolir a escravidão era atacar o sacrossanto direito à propriedade privada.
Talvez, naquele época, abolicionismo significasse uma forma torpe de intervenção estatal.
Quando Vargas decidiu industrializar o país, houve também críticas de setores que viram nisso um atentado contra a "natural vocação agrária" brasileira, como uma intervenção "artificial" e inadequada.
E a campanha do "Petróleo é Nosso"? Quantos liberais não torceram o nariz...Gastar dinheiro público para procurar petróleo nesses trópicos?
Hoje, o odor da estatização se espalha pelo mundo. E não deveria espantar quem conhece a história do Capitalismo.
Volto a Immanuel Wallerstein (que eu saiba ele nunca foi "consultor"), citado em texto anterior.
Wallerstein lembra, no seu "Capitalismo Histórico & Civilização Capitalista" (no Brasil, pela ed. Contraponto):
"(..) dada a estrutura do capitalismo histórico, as alavancas mais efetivas de ajuste político têm sido as estruturas do Estado (grifo meu), cuja prórpia construção, como vimos, foi uma das realizaçõss do capitalismo histórico. Assim, não é por acaso que o controle do poder estatal, a conquista do poder de Estado, tenha sido o objetivo estratégico central de todos os principais atores da esfera politica ao longo da história do capitalismo moderno".
Por isso, nosso jornalismo (!) econômico está tão preocupado com o "estatismo" no Brasil.
Bem agora que a ideologia liberal afunda, e que as corporações já não são capazes (será?) de dar conta de seu futuro, bem agora que do Estado virá a arbitragem final, bem agora, veja só (que azar!) quem está no controle das alavancas no Brasil!
É por isso que editorais de jornais (?) paulistas tentam derrubar o Ministro da Fazenda. Eles querem as alavancas nas mãos certas! Nas mãos dos velhos liberais de araque. Eles ainda vivem como se o Brasil fosse uma grande fazenda.
Essa é a disputa!
Daí, sim, virá muito mau-cheiro”.
SERJÃO E FHC/PSDB/DEM
Li ontem no blog “Vi o Mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha o seguinte artigo do blog Diário Gauche:
A MONTAGEM DE UM MITO MODERNO
IMPRENSA LIVRE: A MONTAGEM DE UM MITO MODERNO
A ESCOLA SERJÃO
Sérgio Motta, o Serjão, ex-ministro das Comunicações de FHC (de janeiro de 1995 até o dia de sua morte, 19 de abril de 1998), era um sujeito extremamente pragmático e direto.
É dele a avaliação de que o tucanato inaugurava em 1995, com o professor Cardoso, "duas décadas de hegemonia e poder" no Brasil. Eles quiseram fundar um novo "getulismo com sinal trocado", sem Getúlio, com FHC, e com a famigerada inserção subalterna do Brasil na onda neoliberal de Reagan-Thachter. Exatamente o contrário do que Getúlio Vargas propugnou e construiu.
Serjão afirmava que, para isso acontecer a pleno, era preciso haver um total domínio da mídia, não apenas dos empresários donos de jornais, rádios e TV's, mas sobretudo dos jornalistas, dos que militavam e escreviam artigos e matérias de qualquer natureza no dia-a-dia das redações. Questionado sobre como era possível arregimentar tantos apoios naquilo que se constituiria uma verdadeira "revolução cultural tucana nas redações", mais uma vez aflorou o hiper-realismo e o ultra-objetivismo do homem que foi o braço direito e parte do cérebro do professor Cardoso, Serjão virou-se para o pálido interlocutor e disse:
- Jornalista come na mão, se farto for o grão!
Teorias e papers acadêmicos sobre a invencível tendência direitista e antidemocrática da mídia mundial da atualidade (por que não é um fenômeno exclusivo do Brasil, ao contrário) precisam, pois, levar em conta esse dado comezinho e quase vagabundo da realidade, qual seja, o aspecto subjetivo da canalhice e da sordidez humana na montagem do mito moderno da imprensa livre.
Serjão e seus epígonos não ficaram duas décadas no poder – felizmente – mas a infraestrutura midiática desse projeto de getulismo com sinal trocado ainda está intacta.
E com altas taxas de remuneração ao seu público interno. Hoje, ser um jornalista de direita dá muito dinheiro, e é um business como qualquer outro”.
A MONTAGEM DE UM MITO MODERNO
IMPRENSA LIVRE: A MONTAGEM DE UM MITO MODERNO
A ESCOLA SERJÃO
Sérgio Motta, o Serjão, ex-ministro das Comunicações de FHC (de janeiro de 1995 até o dia de sua morte, 19 de abril de 1998), era um sujeito extremamente pragmático e direto.
É dele a avaliação de que o tucanato inaugurava em 1995, com o professor Cardoso, "duas décadas de hegemonia e poder" no Brasil. Eles quiseram fundar um novo "getulismo com sinal trocado", sem Getúlio, com FHC, e com a famigerada inserção subalterna do Brasil na onda neoliberal de Reagan-Thachter. Exatamente o contrário do que Getúlio Vargas propugnou e construiu.
Serjão afirmava que, para isso acontecer a pleno, era preciso haver um total domínio da mídia, não apenas dos empresários donos de jornais, rádios e TV's, mas sobretudo dos jornalistas, dos que militavam e escreviam artigos e matérias de qualquer natureza no dia-a-dia das redações. Questionado sobre como era possível arregimentar tantos apoios naquilo que se constituiria uma verdadeira "revolução cultural tucana nas redações", mais uma vez aflorou o hiper-realismo e o ultra-objetivismo do homem que foi o braço direito e parte do cérebro do professor Cardoso, Serjão virou-se para o pálido interlocutor e disse:
- Jornalista come na mão, se farto for o grão!
Teorias e papers acadêmicos sobre a invencível tendência direitista e antidemocrática da mídia mundial da atualidade (por que não é um fenômeno exclusivo do Brasil, ao contrário) precisam, pois, levar em conta esse dado comezinho e quase vagabundo da realidade, qual seja, o aspecto subjetivo da canalhice e da sordidez humana na montagem do mito moderno da imprensa livre.
Serjão e seus epígonos não ficaram duas décadas no poder – felizmente – mas a infraestrutura midiática desse projeto de getulismo com sinal trocado ainda está intacta.
E com altas taxas de remuneração ao seu público interno. Hoje, ser um jornalista de direita dá muito dinheiro, e é um business como qualquer outro”.
KASSAB E A CEGUEIRA DA CLASSE MÉDIA
Li ontem no blog “Vi o Mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha o seguinte artigo de Altamiro Borges, originalmente postado no blog do autor:
“É um absurdo investir tanto dinheiro público em teatros luxuosos e em piscinas aquecidas nos CEUs do fundão da periferia. Aqueles nordestinos não têm cultura e vão destruir tudo”. Chilique de uma especialista na área de saúde e estética.
- “Eu fico puto com estes corredores de ônibus. Gastei uma fortuna no meu carro e ele anda mais devagar do que os ônibus. Parece que a prefeita privilegia quem não tem carro”. Desabafo de um ex-gerente de uma multinacional do setor de alimentação.
As duas declarações absurdas, mas verídicas, revelam bem a visão mesquinha da chamada classe média paulistana. Foram dadas, com a maior franqueza, por vizinhos do bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista, quando Marta Suplicy ainda era prefeita. Este comportamento tacanho talvez explique porque Gilberto Kassab, representante do que há de mais conservador na política, deu de goleada neste bairro, venceu o primeiro turno e, segundo as pesquisas, deverá se sagrar o vitorioso no pleito neste final de semana, salvando o oligárquico Demo da total falência.
AS FARSAS PAULISTANAS
O mapa de votação do primeiro turno mostra que Kassab venceu com folga nos bairros nobres e de classe média da cidade; Marta Suplicy só ganhou nos extremos da periferia.
Já as pesquisas de segundo turno revelam que o demo tem 73% da preferência entre eleitores que ganham acima de 10 salários mínimos. Estes dados corroboram a triste história do maior centro econômico do país, que sempre apostou em farsas conservadoras. É certo que a visão elitista da classe média paulista é antiga e não deveria gerar surpresas. Mesmo assim, ela causa asco e revolta.
Numa linguagem sarcástica, o jornalista Nirlando Beirão, editor da coluna Estilo da revista Carta Capital, lembra:
“São Paulo era contra Getúlio Vargas e a favor da oligarquia. Apoiou o populismo de Adhemar de Barros e inventou Jânio Quadros para a política. Vociferou contra Juscelino Kubitschek. Com as Marchas com Deus pela Família, preparou e apoiou o golpe militar de 1964. Revelou Maluf. Na eleição municipal de 1985, elegeu Jânio contra Fernando Henrique. Na primeira direta para presidente, elegeu clamorosamente Fernando Collor. FHC contra Lula? FHC duas vezes. Maluf contra Eduardo Suplicy? Maluf. Pitta contra Erundina? Pitta. Serra contra Lula? Serra. Alckmin contra Lula? Geraldinho. Serra contra Marta? Serra. Kassab contra Marta? Kassab... Quando Erundina venceu em 1988, não havia segundo turno. Em 2000, o eleitor correu para Marta só porque tinha se cansado da impagável dupla Maluf-Pitta. Exceções que confirmam a regra”.
COME MORTADELA E ARROTA CAVIAR
Já o sociólogo Emir Sader avalia que São Paulo se tornou “o núcleo mais conservador do país, o estado mais odiado pelos outros estados, porque assume a imagem da ‘vanguarda econômica’, de discriminação em relação aos outros, pretendendo, desde FHC, assumir o espírito reacionário de 1932. Não por acaso se constitui no estado o pior da imprensa nacional – FSP, Estadão, Veja –, instrumentos de propaganda da oligarquia paulista... O bloco sócio-político da direita representa o egoísmo de quem resiste às políticas de distribuição de renda e de incorporação dos excluídos”.
A chamada classe média, que reproduz acriticamente a ideologia dominante, teria ódio a Lula, a Marta Suplicy e ao conjunto da esquerda. Para esta camada, que come mortadela e arrota caviar, Lula representa “o nordestino chegado a São Paulo pela expulsão das secas do nordeste, operário que se forjou politicamente na oposição à oligarquia, discriminado por ela, odiado hoje porque promove políticas de redistribuição de renda que acusam as oligarquias pelo que não fez quando foi governo e pela sua responsabilidade em fazer do Brasil o país mais desigual do mundo. O oposto a FHC, ídolo dessa classe média conservadora e da elite branca paulista”, fustiga Sader.
DECIFRA-ME OU TE DEVORO
O livro Classe média: desenvolvimento e crise, organizado pelo economista Marcio Pochmann, ajuda a decifrar o enigma deste segmento social, alvo da cobiça dos conservadores. Ele usa como referência conceitual de classe média “o conjunto demográfico que, embora com relativamente pouca propriedade, destaca-se por posições altas e intermediárias na estrutura sócio-ocupacional e na distribuição pessoal de renda e riqueza. Por conseqüência, ela termina sendo compreendida como portadora de autoridade e status reconhecidos, bem como avantajado padrão de consumo”.
Ele subdivide a classe em média/alta (executivos, gerentes e administradores), em média/média (ocupações técnico-científicas, postos-chaves da burocracia pública e privada) e em média/baixa (professores, lojistas, entre outros). Indica que este estrato social teve forte expansão no país em decorrência das mudanças no capitalismo brasileiro, com o fortalecimento do papel do Estado e o aumento do trabalho assalariado. “Sem a propriedade e a posse de alguns meios de produção, a nova classe média assalariada encontrou a diferenciação em relação à classe trabalhadora não apenas pela extremidade do rendimento, mas também pelo padrão de consumo elevado”.
NEOLIBERALISMO E GUINADA À DIREITA
Após seus anos de glória, porém, ela também foi vítima do tsunami neoliberal. “A partir da crise da década de 1980, com a adoção de medidas recessivas e choques inflacionários, seguidos, nos anos 1990, por políticas neoliberais de abertura comercial e financeira, a classe média sofreu as conseqüências da semi-estagnação econômica, do desemprego e queda de renda. A conseqüente perda de status da classe e as dificuldades crescentes do mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente de novas qualificações impactaram diretamente as suas aspirações de ascensão social”. A ofensiva neoliberal rompe o padrão de reprodução da classe média.
“Ganha ênfase o conjunto de ocupações vinculadas à existência de algum meio de produção e à posse de propriedade privada, como no caso dos micro e pequenos negócios ou das atividades autônomas”. As mudanças objetivas se refletem na sua subjetividade. “Segmentos importantes da nova classe média repudiam o Estado e jogam o peso da crise sobre o excesso de direitos e de ‘encargos sociais’... A nova classe média proprietária volta-se para o consumo das elites, mostrando-se profundamente reticente a qualquer forma de nacionalismo... Enquanto encolhe a renda da baixa e média classe média, a alta classe média ‘cola’ no processo de financeirização”.
“De um lado, a classe média que depende da expansão econômica, da prestação dos serviços públicos e sociais e da diversificação produtiva vê seu espaço de ação cada vez mais minguado; enquanto, de outro, uma nova classe média, ostensiva em seu padrão de consumo, aproxima-se da elite dominante e revela profundo escárnio em relação às potencialidades do desenvolvimento nacional. O motivo é evidente: a efetivação destas potencialidades implica a contenção e controle do seu modo de vida transnacionalizado e essencialmente anti-republicano... Será que a atual classe média realmente deseja que o país avance se isso lhe custar ceder alguns privilégios?”.
ALIADA DAS ELITES DOMINANTES
O livro lembra ainda que a classe média se beneficia das injustiças sociais, com diversos tipos de serviços pessoais – empregada doméstica, faxineira, segurança particular, babá, motorista – que estão disponíveis devido à abundância de mão-de-obra barata no Brasil. “Naturalmente, qualquer variação no status quo modificaria essa relação da classe média com a mão-de-obra abundante, tirando-lhe o proveito dos serviços pessoais e reduzindo a sua posição social hoje privilegiada”. Como conclusão, a obra chegava ao veredicto que explica a tendência eleitoral deste segmento:
“Esse quadro reforça a posição tradicional conservadora do grupo em luta pela manutenção das suas regalias. E isso torna a classe média uma aliada dos grupos dominantes do país, da ‘elite do poder’. Sendo assim, não é difícil de entender o verdadeiro sentimento de contradição que parece atravessar esse heterogêneo grupo social: de um lado, o sonho de modernidade, de progresso, de competência e de sucesso; de outro, o contato, o apadrinhamento, os serviçais, a aparência. É quase como o mito da caverna: alia-se ao discurso conservador em detrimento da compreensão mais profunda do país concreto e, por isso mesmo, só observa sombras da realidade”.
CEGUEIRA BEIRA A BURRICE
Nesta cegueira preconceituosa, a chamada classe média beira a burrice. Repete acriticamente as manipulações da mídia venal. Gosta de ouvir e ecoar os comentários dos colunistas mais elitistas e rancorosos, como Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Boris Casoy, Lucia Hippolito, entre outros. Metida a esperta e informada, esquece facilmente que Celso Pitta devastou a capital e que tinha como seu principal secretário o atual candidato Gilberto Kassab. Sem memória, releva o sombrio período da ditadura, que hoje tem como herdeiros os oligarcas do demo (ex-PFL), escorraçados pelas urnas no país inteiro, mas salvos na “capital da modernidade”.
Egoísta e egocêntrica, ela não percebe que o país não se desenvolverá, inclusive alavancando as suas camadas médias, sem justiça social; que a miséria estimula a violência e criminalidade; que a barbárie acirra o apartheid social, com os presídios para os pobres e os condomínios fechados, cercados de segurança e câmeras, para os abastados. Ela se opõe às políticas públicas a serviço do conjunto da sociedade e depois reclama dos congestionamentos provocados pela “civilização do automóvel” privado.
Critica o Bolsa Família, mas sonha com sua bolsa de estudo no exterior. Diz não ser racista e preconceituosa, mas cada vez mais se parece com a elite fascista da Bolívia”.
“É um absurdo investir tanto dinheiro público em teatros luxuosos e em piscinas aquecidas nos CEUs do fundão da periferia. Aqueles nordestinos não têm cultura e vão destruir tudo”. Chilique de uma especialista na área de saúde e estética.
- “Eu fico puto com estes corredores de ônibus. Gastei uma fortuna no meu carro e ele anda mais devagar do que os ônibus. Parece que a prefeita privilegia quem não tem carro”. Desabafo de um ex-gerente de uma multinacional do setor de alimentação.
As duas declarações absurdas, mas verídicas, revelam bem a visão mesquinha da chamada classe média paulistana. Foram dadas, com a maior franqueza, por vizinhos do bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista, quando Marta Suplicy ainda era prefeita. Este comportamento tacanho talvez explique porque Gilberto Kassab, representante do que há de mais conservador na política, deu de goleada neste bairro, venceu o primeiro turno e, segundo as pesquisas, deverá se sagrar o vitorioso no pleito neste final de semana, salvando o oligárquico Demo da total falência.
AS FARSAS PAULISTANAS
O mapa de votação do primeiro turno mostra que Kassab venceu com folga nos bairros nobres e de classe média da cidade; Marta Suplicy só ganhou nos extremos da periferia.
Já as pesquisas de segundo turno revelam que o demo tem 73% da preferência entre eleitores que ganham acima de 10 salários mínimos. Estes dados corroboram a triste história do maior centro econômico do país, que sempre apostou em farsas conservadoras. É certo que a visão elitista da classe média paulista é antiga e não deveria gerar surpresas. Mesmo assim, ela causa asco e revolta.
Numa linguagem sarcástica, o jornalista Nirlando Beirão, editor da coluna Estilo da revista Carta Capital, lembra:
“São Paulo era contra Getúlio Vargas e a favor da oligarquia. Apoiou o populismo de Adhemar de Barros e inventou Jânio Quadros para a política. Vociferou contra Juscelino Kubitschek. Com as Marchas com Deus pela Família, preparou e apoiou o golpe militar de 1964. Revelou Maluf. Na eleição municipal de 1985, elegeu Jânio contra Fernando Henrique. Na primeira direta para presidente, elegeu clamorosamente Fernando Collor. FHC contra Lula? FHC duas vezes. Maluf contra Eduardo Suplicy? Maluf. Pitta contra Erundina? Pitta. Serra contra Lula? Serra. Alckmin contra Lula? Geraldinho. Serra contra Marta? Serra. Kassab contra Marta? Kassab... Quando Erundina venceu em 1988, não havia segundo turno. Em 2000, o eleitor correu para Marta só porque tinha se cansado da impagável dupla Maluf-Pitta. Exceções que confirmam a regra”.
COME MORTADELA E ARROTA CAVIAR
Já o sociólogo Emir Sader avalia que São Paulo se tornou “o núcleo mais conservador do país, o estado mais odiado pelos outros estados, porque assume a imagem da ‘vanguarda econômica’, de discriminação em relação aos outros, pretendendo, desde FHC, assumir o espírito reacionário de 1932. Não por acaso se constitui no estado o pior da imprensa nacional – FSP, Estadão, Veja –, instrumentos de propaganda da oligarquia paulista... O bloco sócio-político da direita representa o egoísmo de quem resiste às políticas de distribuição de renda e de incorporação dos excluídos”.
A chamada classe média, que reproduz acriticamente a ideologia dominante, teria ódio a Lula, a Marta Suplicy e ao conjunto da esquerda. Para esta camada, que come mortadela e arrota caviar, Lula representa “o nordestino chegado a São Paulo pela expulsão das secas do nordeste, operário que se forjou politicamente na oposição à oligarquia, discriminado por ela, odiado hoje porque promove políticas de redistribuição de renda que acusam as oligarquias pelo que não fez quando foi governo e pela sua responsabilidade em fazer do Brasil o país mais desigual do mundo. O oposto a FHC, ídolo dessa classe média conservadora e da elite branca paulista”, fustiga Sader.
DECIFRA-ME OU TE DEVORO
O livro Classe média: desenvolvimento e crise, organizado pelo economista Marcio Pochmann, ajuda a decifrar o enigma deste segmento social, alvo da cobiça dos conservadores. Ele usa como referência conceitual de classe média “o conjunto demográfico que, embora com relativamente pouca propriedade, destaca-se por posições altas e intermediárias na estrutura sócio-ocupacional e na distribuição pessoal de renda e riqueza. Por conseqüência, ela termina sendo compreendida como portadora de autoridade e status reconhecidos, bem como avantajado padrão de consumo”.
Ele subdivide a classe em média/alta (executivos, gerentes e administradores), em média/média (ocupações técnico-científicas, postos-chaves da burocracia pública e privada) e em média/baixa (professores, lojistas, entre outros). Indica que este estrato social teve forte expansão no país em decorrência das mudanças no capitalismo brasileiro, com o fortalecimento do papel do Estado e o aumento do trabalho assalariado. “Sem a propriedade e a posse de alguns meios de produção, a nova classe média assalariada encontrou a diferenciação em relação à classe trabalhadora não apenas pela extremidade do rendimento, mas também pelo padrão de consumo elevado”.
NEOLIBERALISMO E GUINADA À DIREITA
Após seus anos de glória, porém, ela também foi vítima do tsunami neoliberal. “A partir da crise da década de 1980, com a adoção de medidas recessivas e choques inflacionários, seguidos, nos anos 1990, por políticas neoliberais de abertura comercial e financeira, a classe média sofreu as conseqüências da semi-estagnação econômica, do desemprego e queda de renda. A conseqüente perda de status da classe e as dificuldades crescentes do mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente de novas qualificações impactaram diretamente as suas aspirações de ascensão social”. A ofensiva neoliberal rompe o padrão de reprodução da classe média.
“Ganha ênfase o conjunto de ocupações vinculadas à existência de algum meio de produção e à posse de propriedade privada, como no caso dos micro e pequenos negócios ou das atividades autônomas”. As mudanças objetivas se refletem na sua subjetividade. “Segmentos importantes da nova classe média repudiam o Estado e jogam o peso da crise sobre o excesso de direitos e de ‘encargos sociais’... A nova classe média proprietária volta-se para o consumo das elites, mostrando-se profundamente reticente a qualquer forma de nacionalismo... Enquanto encolhe a renda da baixa e média classe média, a alta classe média ‘cola’ no processo de financeirização”.
“De um lado, a classe média que depende da expansão econômica, da prestação dos serviços públicos e sociais e da diversificação produtiva vê seu espaço de ação cada vez mais minguado; enquanto, de outro, uma nova classe média, ostensiva em seu padrão de consumo, aproxima-se da elite dominante e revela profundo escárnio em relação às potencialidades do desenvolvimento nacional. O motivo é evidente: a efetivação destas potencialidades implica a contenção e controle do seu modo de vida transnacionalizado e essencialmente anti-republicano... Será que a atual classe média realmente deseja que o país avance se isso lhe custar ceder alguns privilégios?”.
ALIADA DAS ELITES DOMINANTES
O livro lembra ainda que a classe média se beneficia das injustiças sociais, com diversos tipos de serviços pessoais – empregada doméstica, faxineira, segurança particular, babá, motorista – que estão disponíveis devido à abundância de mão-de-obra barata no Brasil. “Naturalmente, qualquer variação no status quo modificaria essa relação da classe média com a mão-de-obra abundante, tirando-lhe o proveito dos serviços pessoais e reduzindo a sua posição social hoje privilegiada”. Como conclusão, a obra chegava ao veredicto que explica a tendência eleitoral deste segmento:
“Esse quadro reforça a posição tradicional conservadora do grupo em luta pela manutenção das suas regalias. E isso torna a classe média uma aliada dos grupos dominantes do país, da ‘elite do poder’. Sendo assim, não é difícil de entender o verdadeiro sentimento de contradição que parece atravessar esse heterogêneo grupo social: de um lado, o sonho de modernidade, de progresso, de competência e de sucesso; de outro, o contato, o apadrinhamento, os serviçais, a aparência. É quase como o mito da caverna: alia-se ao discurso conservador em detrimento da compreensão mais profunda do país concreto e, por isso mesmo, só observa sombras da realidade”.
CEGUEIRA BEIRA A BURRICE
Nesta cegueira preconceituosa, a chamada classe média beira a burrice. Repete acriticamente as manipulações da mídia venal. Gosta de ouvir e ecoar os comentários dos colunistas mais elitistas e rancorosos, como Arnaldo Jabor, Diogo Mainardi, Boris Casoy, Lucia Hippolito, entre outros. Metida a esperta e informada, esquece facilmente que Celso Pitta devastou a capital e que tinha como seu principal secretário o atual candidato Gilberto Kassab. Sem memória, releva o sombrio período da ditadura, que hoje tem como herdeiros os oligarcas do demo (ex-PFL), escorraçados pelas urnas no país inteiro, mas salvos na “capital da modernidade”.
Egoísta e egocêntrica, ela não percebe que o país não se desenvolverá, inclusive alavancando as suas camadas médias, sem justiça social; que a miséria estimula a violência e criminalidade; que a barbárie acirra o apartheid social, com os presídios para os pobres e os condomínios fechados, cercados de segurança e câmeras, para os abastados. Ela se opõe às políticas públicas a serviço do conjunto da sociedade e depois reclama dos congestionamentos provocados pela “civilização do automóvel” privado.
Critica o Bolsa Família, mas sonha com sua bolsa de estudo no exterior. Diz não ser racista e preconceituosa, mas cada vez mais se parece com a elite fascista da Bolívia”.
O PESSOAL DO “QUANTO PIOR MELHOR” ACHA QUE O “PIOR” JÁ CHEGOU
Outro texto do jornalista Paulo Henrique Amorim, com a sua característica fina ironia, que li ontem no blog “Conversa Afiada”:
Os defensores do “quanto pior melhor” se regozijam com o ”pior”.
Os tucanos – leia-se Fernando Henrique – e seus porta-vozes no PiG não conseguem se conter.
Agora, o Governo Lula vai para o saco.
Nem que a economia brasileira vá junto ...
“Terremoto”, “tempestade”, “tsunami”, "montanha russa”, “recessão”, “desemprego”, “queda livre”, “azedo”, “bomba”, “mais um numero ruim” - são algumas das expressões com que se iniciou o “Bom (?) Dia Brasil”.
O “pior” chegou, oba!
A Miriam Leitão, no Globo, tem uma política econômica alternativa e ensina ao Governo – pobre coitado! – o que fazer.
O Farol de Alexandria [FHC], em entrevista à revista Época, diz que o Presidente Lula mente ao povo.
Logo ele, que quebrou o Brasil três vezes e foi três vezes ao FMI ...
O Farol diz que o Brasil vai crescer 2,5% ano que vem.
Se for isso, será melhor do que a média dos oito anos medíocres do subGoverno dele,
O presidente eleito José Serra critica pela enésima vez, na coluna de Guilherme Bastos – “Mercado Aberto”, a política cambial do Governo: o “swap” vai dar errado !
O presidente eleito deveria falar da greve da policia civil, aquela que o Paulinho da Força comanda.
Greve que não acaba.
Ou a monumental incompetência da Policia dele, a Policia Militar, ao “resgatar” as duas meninas seqüestradas.
Aquele swap maldito, que mandou a Nayara de volta, depois de o criminoso a libertar.
Não, o presidente eleito fala de câmbio.
Fala um conjunto de obviedades, que qualquer diretor da FIESP seria capaz de dizer.
Porque o presidente eleito não tem política cambial nenhuma.
O presidente eleito não ofereceu uma única idéia original nos 30 anos em que se apresentou como “preparado”.
A “política cambial” do presidente eleito é muito simples: o câmbio deve estar no ponto em que valorize as exportações paulistas e iniba as importações de produtos que possam competir com a indústria paulista.
Ele não tem política econômica, nem cambial.
Ele tem uma política cambial boa pra São Paulo.
Uma política econômica boa para São Paulo.
Porque ele, como os tucanos em geral, acham que o que “o que é bom para São Paulo é bom para o Brasil”.
O que não deixa de ser uma releitura do “quanto pior melhor” ... “
Os defensores do “quanto pior melhor” se regozijam com o ”pior”.
Os tucanos – leia-se Fernando Henrique – e seus porta-vozes no PiG não conseguem se conter.
Agora, o Governo Lula vai para o saco.
Nem que a economia brasileira vá junto ...
“Terremoto”, “tempestade”, “tsunami”, "montanha russa”, “recessão”, “desemprego”, “queda livre”, “azedo”, “bomba”, “mais um numero ruim” - são algumas das expressões com que se iniciou o “Bom (?) Dia Brasil”.
O “pior” chegou, oba!
A Miriam Leitão, no Globo, tem uma política econômica alternativa e ensina ao Governo – pobre coitado! – o que fazer.
O Farol de Alexandria [FHC], em entrevista à revista Época, diz que o Presidente Lula mente ao povo.
Logo ele, que quebrou o Brasil três vezes e foi três vezes ao FMI ...
O Farol diz que o Brasil vai crescer 2,5% ano que vem.
Se for isso, será melhor do que a média dos oito anos medíocres do subGoverno dele,
O presidente eleito José Serra critica pela enésima vez, na coluna de Guilherme Bastos – “Mercado Aberto”, a política cambial do Governo: o “swap” vai dar errado !
O presidente eleito deveria falar da greve da policia civil, aquela que o Paulinho da Força comanda.
Greve que não acaba.
Ou a monumental incompetência da Policia dele, a Policia Militar, ao “resgatar” as duas meninas seqüestradas.
Aquele swap maldito, que mandou a Nayara de volta, depois de o criminoso a libertar.
Não, o presidente eleito fala de câmbio.
Fala um conjunto de obviedades, que qualquer diretor da FIESP seria capaz de dizer.
Porque o presidente eleito não tem política cambial nenhuma.
O presidente eleito não ofereceu uma única idéia original nos 30 anos em que se apresentou como “preparado”.
A “política cambial” do presidente eleito é muito simples: o câmbio deve estar no ponto em que valorize as exportações paulistas e iniba as importações de produtos que possam competir com a indústria paulista.
Ele não tem política econômica, nem cambial.
Ele tem uma política cambial boa pra São Paulo.
Uma política econômica boa para São Paulo.
Porque ele, como os tucanos em geral, acham que o que “o que é bom para São Paulo é bom para o Brasil”.
O que não deixa de ser uma releitura do “quanto pior melhor” ... “
SE É PARA IMITAR O GORDON BROWN, VAMOS IMITAR DIREITO
No seu blog “Conversa Afiada”, o jornalista Paulo Henrique Amorim publicou ontem o seguinte irônico e interessante texto:
O PiG e a oposição estão muito nervosos com a “estatização”.
Quando a “estatização” começou nos governos comunistas da Inglaterra e dos Estados Unidos, o PiG e a oposição brasileira ficaram quietos: sequer mencionavam a palavra “estatização”.
O problema da “estatização” do Governo Lula não é “estatização “ de mais.
É “estatização” de menos.
O Governo tem que “estatizar” mais, no seguinte sentido, se é que pretende imitar Gordon Brown, esse comunista de comer criancinhas.
O Banco Central do Henrique Meirelles tem que vigiar e acompanhar os bancos estatais que comprem ações preferenciais.
E vigiar e acompanhar os bancos e empresas que venderem ações preferenciais ao Estado.
Vigiar e controlar, para defender a grana do cidadão, o que deve ser o princípio básico de qualquer sociedade democrática.
(Não foi isso o que fez o Farol de Alexandria [FHC], com o “Proer”, aliás ...)
É preciso criar mecanismos para saber se o dinheiro público foi bem empregado.
Se, e quando, as empresas e bancos se recuperarem, o Estado tem que estar pronto para revender as ações a empresários particulares e devolver o dinheiro do cidadão ao cidadão.
Portanto, o que falta no Plano Mantega-Meirelles é um controle – de preferência – FORA do Executivo para vigiar a boa administração do dinheiro publico.
É o que fizeram Gordon Brown e Henry Paulson, esses notórios comunistas de carteirinha.
Os comunistas Paulson e Brown também condicionaram a compra de ações preferenciais de bancos – uma estatização provisória e parcial – a que os bancos voltassem a emprestar à produção e ao consumo.
Aqui, não.
O Plano Mantega-Meirelles entrega o dinheiro do compulsório aos bancos, os bancos compram títulos do Tesouro e o dinheiro volta ao Banco Central.
É a chamada “ciranda financeira” da Maria da Conceição Tavares: os bancos se locupletam com as altas taxas dos títulos do Governo.
E a produção e o consumo ficam a ver navios.
O que falta, portanto, no Plano comunista de Mantega e Meirelles, inspirado nos regimes comunistas da Inglaterra e dos Estados Unidos, é mais estatização: trancar os banqueiros numa sala, zerar os micos cambiais, e mandar emprestar.
O PiG e a oposição podem ficar tranqüilos.
Essa estatização do Governo Lula, por enquanto, é uma estatização medrosa.
O Governo Lula tem medo dos bancos ....
O Gordon Brown, não”.
O PiG e a oposição estão muito nervosos com a “estatização”.
Quando a “estatização” começou nos governos comunistas da Inglaterra e dos Estados Unidos, o PiG e a oposição brasileira ficaram quietos: sequer mencionavam a palavra “estatização”.
O problema da “estatização” do Governo Lula não é “estatização “ de mais.
É “estatização” de menos.
O Governo tem que “estatizar” mais, no seguinte sentido, se é que pretende imitar Gordon Brown, esse comunista de comer criancinhas.
O Banco Central do Henrique Meirelles tem que vigiar e acompanhar os bancos estatais que comprem ações preferenciais.
E vigiar e acompanhar os bancos e empresas que venderem ações preferenciais ao Estado.
Vigiar e controlar, para defender a grana do cidadão, o que deve ser o princípio básico de qualquer sociedade democrática.
(Não foi isso o que fez o Farol de Alexandria [FHC], com o “Proer”, aliás ...)
É preciso criar mecanismos para saber se o dinheiro público foi bem empregado.
Se, e quando, as empresas e bancos se recuperarem, o Estado tem que estar pronto para revender as ações a empresários particulares e devolver o dinheiro do cidadão ao cidadão.
Portanto, o que falta no Plano Mantega-Meirelles é um controle – de preferência – FORA do Executivo para vigiar a boa administração do dinheiro publico.
É o que fizeram Gordon Brown e Henry Paulson, esses notórios comunistas de carteirinha.
Os comunistas Paulson e Brown também condicionaram a compra de ações preferenciais de bancos – uma estatização provisória e parcial – a que os bancos voltassem a emprestar à produção e ao consumo.
Aqui, não.
O Plano Mantega-Meirelles entrega o dinheiro do compulsório aos bancos, os bancos compram títulos do Tesouro e o dinheiro volta ao Banco Central.
É a chamada “ciranda financeira” da Maria da Conceição Tavares: os bancos se locupletam com as altas taxas dos títulos do Governo.
E a produção e o consumo ficam a ver navios.
O que falta, portanto, no Plano comunista de Mantega e Meirelles, inspirado nos regimes comunistas da Inglaterra e dos Estados Unidos, é mais estatização: trancar os banqueiros numa sala, zerar os micos cambiais, e mandar emprestar.
O PiG e a oposição podem ficar tranqüilos.
Essa estatização do Governo Lula, por enquanto, é uma estatização medrosa.
O Governo Lula tem medo dos bancos ....
O Gordon Brown, não”.
CRISE NOS EUA: “A CULPA É DOS POBRES”
Ao ler no UOL o artigo de Mark Hannam (tradução de George El Khouri Andolfato) publicado ontem no site inglês "Prospect Magazine", descobri que, para os ingleses, a culpa de toda essa crise que abala o mundo é dos pobres que pediram dinheiro demais emprestado. Pobres dos ricos... O autor do texto é presidente da Fair Finance, uma empresa de microfinanciamento:
QUE CRISE? ESTA É UMA DESTRUIÇÃO CRIATIVA
“Escrevendo em 1942, Joseph Schumpeter observou que era da natureza do capitalismo fazer progresso por meio de "destruição criativa". Ocorreu muita destruição no setor financeiro ao longo do último ano: dos preços dos ativos, de bancos e da confiança.
Ainda não é amplamente reconhecido que isto faz parte de um processo criativo, mas há um bom motivo para pensar que é.
Os preços dos ativos estavam sobrevalorizados, os bancos mal administrados e a confiança eram, na verdade, complacência disfarçada. O momento era propício para uma mutação Schumpeteriana.
Aqueles que estavam incomodados com o sucesso do setor de serviços financeiros durante seus bons anos agora estão - previsivelmente - celebrando sua morte. Eles dizem que os eventos do último ano mostraram que sabiam a verdade o tempo todo: que os mercados financeiros precisam ser mais regulados e sujeitos a um maior controle político.
Mas o fato de uma ação governamental substancial ter sido necessária para mitigar as conseqüências econômicas do atual terremoto financeiro não prova que os mercados financeiros devem ser mais regulados, nem que o capitalismo tenha fracassado.
Problemas sistêmicos surgem nos mercados financeiros apesar da maioria dos participantes se comportarem de forma responsável.
Os problemas que vemos hoje não são apenas sinais de fracasso; eles também são sinais de progresso. Se o capitalismo fosse mais bem entendido - como um sistema econômico que faz progresso tanto por meio da inovação quanto do fracasso - poderia ser reconhecido que a ação do governo em tempos de crise é necessária apenas para assegurar que o processo de destruição criativa recomece mais cedo e não mais tarde.
A questão mais interessante que surge das mutações atuais não é "quem é o culpado?", mas "o que podemos aprender?" A resposta nos leva ao assunto do empréstimo subprime (de risco) - que é o fornecimento de crédito para aqueles que normalmente ficam excluídos da comunidade financeira.
A causa mais próxima de nossos problemas financeiros atuais é o fato de que grandes quantidades de dinheiro foram emprestadas a pessoas pobres nos Estados Unidos que só tinham uma chance realista de quitar suas dívidas: se o valor de seus lares, que serviam de garantia para os empréstimos, continuasse subindo indefinidamente. O que devemos aprender com isso?
As respostas rápidas - dependendo dos preconceitos políticos da pessoa - são estes: culpe os pobres por terem aspirações além de seu status e os sucessivos governos americanos que encorajaram um aumento da propriedade de imóveis, especialmente entre as comunidades de minorias; ou culpe os bancos e corretores hipotecários que ofereceram crédito barato sem a devida consideração com a qualidade de sua garantia - e sem a devida consideração pelos riscos de longo prazo enfrentados pelos tomadores de empréstimo.
Mas não há motivo para as pessoas que sofrem de exclusão financeira terem o acesso ao crédito negado, já que a evidência mostra que costumam ser os pagadores mais confiáveis. Onde está a evidência? Está na Ásia, na África e na América do Sul. Está no Leste Europeu, no Oriente Médio e nas grandes cidades dos Estados Unidos e da Europa. Está em toda parte onde as técnicas de microcrédito foram usadas para fornecer aos indivíduos, os trabalhadores autônomos e pequenas empresas, acesso a um crédito que os bancos normais não forneciam.
Há muitas pessoas que sabem como administrar um negócio de empréstimo subprime com sucesso. A chave é oferecer os tomadores de empréstimo produtos flexíveis que levem em consideração seus padrões de renda irregulares e sua incapacidade de reduzir seus padrões de gastos ao longo do ano. Esta abordagem pode ser aplicada a grandes compras como imóveis; a chave é assegurar que o produto de empréstimo seja adequado.
O tempo gasto face a face entre o mutuante e mutuário é crucial para estabelecer as necessidades do segundo e a quantidade de crédito que pode realisticamente pagar. O empréstimo subprime é como um banco privado, mas para os pobres.
Antes da atual crise nem todos os mutuantes foram predadores e nem todos os mutuários foram idiotas. Mas alguns empréstimos foram imprudentes e outros foram fraudulentos. Alguns investidores correram riscos que não entendiam. Muito poucos estavam dispostos a aprender com as evidências dos projetos de microcrédito bem-sucedidos em todo o mundo; então agora teremos todos que aprender com as evidências de nossos erros.
Nós devemos nos lembrar do discernimento de Schumpeter, de que os enormes benefícios da inovação de produto e crescimento econômico ocorrem ao custo de surtos periódicos de fracasso do mercado. Nós devemos nos recordar que podemos aprender com estes fracassos: a qualidade da tomada de decisão dos grandes bancos será muito melhor nos próximos cinco anos do que nos últimos cinco anos.
Finalmente devemos nos recordar que os empréstimos subprime em si não são o problema.
Fornecer crédito aos financeiramente excluídos é realizado atualmente de forma responsável e com sucesso em muitas partes do mundo. Com cerca da metade da população mundial ainda excluída do sistema, é mais importante do que nunca que os bancos aprendam a fazer isso corretamente”.
QUE CRISE? ESTA É UMA DESTRUIÇÃO CRIATIVA
“Escrevendo em 1942, Joseph Schumpeter observou que era da natureza do capitalismo fazer progresso por meio de "destruição criativa". Ocorreu muita destruição no setor financeiro ao longo do último ano: dos preços dos ativos, de bancos e da confiança.
Ainda não é amplamente reconhecido que isto faz parte de um processo criativo, mas há um bom motivo para pensar que é.
Os preços dos ativos estavam sobrevalorizados, os bancos mal administrados e a confiança eram, na verdade, complacência disfarçada. O momento era propício para uma mutação Schumpeteriana.
Aqueles que estavam incomodados com o sucesso do setor de serviços financeiros durante seus bons anos agora estão - previsivelmente - celebrando sua morte. Eles dizem que os eventos do último ano mostraram que sabiam a verdade o tempo todo: que os mercados financeiros precisam ser mais regulados e sujeitos a um maior controle político.
Mas o fato de uma ação governamental substancial ter sido necessária para mitigar as conseqüências econômicas do atual terremoto financeiro não prova que os mercados financeiros devem ser mais regulados, nem que o capitalismo tenha fracassado.
Problemas sistêmicos surgem nos mercados financeiros apesar da maioria dos participantes se comportarem de forma responsável.
Os problemas que vemos hoje não são apenas sinais de fracasso; eles também são sinais de progresso. Se o capitalismo fosse mais bem entendido - como um sistema econômico que faz progresso tanto por meio da inovação quanto do fracasso - poderia ser reconhecido que a ação do governo em tempos de crise é necessária apenas para assegurar que o processo de destruição criativa recomece mais cedo e não mais tarde.
A questão mais interessante que surge das mutações atuais não é "quem é o culpado?", mas "o que podemos aprender?" A resposta nos leva ao assunto do empréstimo subprime (de risco) - que é o fornecimento de crédito para aqueles que normalmente ficam excluídos da comunidade financeira.
A causa mais próxima de nossos problemas financeiros atuais é o fato de que grandes quantidades de dinheiro foram emprestadas a pessoas pobres nos Estados Unidos que só tinham uma chance realista de quitar suas dívidas: se o valor de seus lares, que serviam de garantia para os empréstimos, continuasse subindo indefinidamente. O que devemos aprender com isso?
As respostas rápidas - dependendo dos preconceitos políticos da pessoa - são estes: culpe os pobres por terem aspirações além de seu status e os sucessivos governos americanos que encorajaram um aumento da propriedade de imóveis, especialmente entre as comunidades de minorias; ou culpe os bancos e corretores hipotecários que ofereceram crédito barato sem a devida consideração com a qualidade de sua garantia - e sem a devida consideração pelos riscos de longo prazo enfrentados pelos tomadores de empréstimo.
Mas não há motivo para as pessoas que sofrem de exclusão financeira terem o acesso ao crédito negado, já que a evidência mostra que costumam ser os pagadores mais confiáveis. Onde está a evidência? Está na Ásia, na África e na América do Sul. Está no Leste Europeu, no Oriente Médio e nas grandes cidades dos Estados Unidos e da Europa. Está em toda parte onde as técnicas de microcrédito foram usadas para fornecer aos indivíduos, os trabalhadores autônomos e pequenas empresas, acesso a um crédito que os bancos normais não forneciam.
Há muitas pessoas que sabem como administrar um negócio de empréstimo subprime com sucesso. A chave é oferecer os tomadores de empréstimo produtos flexíveis que levem em consideração seus padrões de renda irregulares e sua incapacidade de reduzir seus padrões de gastos ao longo do ano. Esta abordagem pode ser aplicada a grandes compras como imóveis; a chave é assegurar que o produto de empréstimo seja adequado.
O tempo gasto face a face entre o mutuante e mutuário é crucial para estabelecer as necessidades do segundo e a quantidade de crédito que pode realisticamente pagar. O empréstimo subprime é como um banco privado, mas para os pobres.
Antes da atual crise nem todos os mutuantes foram predadores e nem todos os mutuários foram idiotas. Mas alguns empréstimos foram imprudentes e outros foram fraudulentos. Alguns investidores correram riscos que não entendiam. Muito poucos estavam dispostos a aprender com as evidências dos projetos de microcrédito bem-sucedidos em todo o mundo; então agora teremos todos que aprender com as evidências de nossos erros.
Nós devemos nos lembrar do discernimento de Schumpeter, de que os enormes benefícios da inovação de produto e crescimento econômico ocorrem ao custo de surtos periódicos de fracasso do mercado. Nós devemos nos recordar que podemos aprender com estes fracassos: a qualidade da tomada de decisão dos grandes bancos será muito melhor nos próximos cinco anos do que nos últimos cinco anos.
Finalmente devemos nos recordar que os empréstimos subprime em si não são o problema.
Fornecer crédito aos financeiramente excluídos é realizado atualmente de forma responsável e com sucesso em muitas partes do mundo. Com cerca da metade da população mundial ainda excluída do sistema, é mais importante do que nunca que os bancos aprendam a fazer isso corretamente”.
DANTAS É A TRISTE VÍTIMA DO DESTINO CRUEL?
Li no portal UOL a seguinte notícia publicada no jornal “Folha de São Paulo” ontem:
EM DEPOIMENTO, DANTAS DIZ SER PERSEGUIDO PELO GOVERNO
“O banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção, afirmou à Justiça Federal em São Paulo que é vítima de uma perseguição política movida pelo governo federal, que teria interesse em proteger os fundos de pensão.
Dono do banco Opportunity, Dantas tentava negociar com o governo e os fundos de pensão a venda da Brasil Telecom para a Oi (Telemar), num negócio que poderia render ao banqueiro mais de US$ 1 bilhão.
"Estou sendo prejudicado por uma tentativa do governo federal em defender os interesses dos fundos estatais", afirmou Dantas, após negar a acusação de ter oferecido US$ 1 milhão a um delegado federal para arquivar o inquérito.
A afirmação de Dantas foi feita anteontem, durante interrogatório sigiloso na 6ª Vara Federal Criminal, onde o banqueiro foi denunciado.
A assessoria da Presidência da República informou que não irá responder às acusações. A Folha apurou que o governo avalia que a tentativa de politizar a investigação é uma estratégia da defesa de Dantas”.
EM DEPOIMENTO, DANTAS DIZ SER PERSEGUIDO PELO GOVERNO
“O banqueiro Daniel Dantas, acusado de corrupção, afirmou à Justiça Federal em São Paulo que é vítima de uma perseguição política movida pelo governo federal, que teria interesse em proteger os fundos de pensão.
Dono do banco Opportunity, Dantas tentava negociar com o governo e os fundos de pensão a venda da Brasil Telecom para a Oi (Telemar), num negócio que poderia render ao banqueiro mais de US$ 1 bilhão.
"Estou sendo prejudicado por uma tentativa do governo federal em defender os interesses dos fundos estatais", afirmou Dantas, após negar a acusação de ter oferecido US$ 1 milhão a um delegado federal para arquivar o inquérito.
A afirmação de Dantas foi feita anteontem, durante interrogatório sigiloso na 6ª Vara Federal Criminal, onde o banqueiro foi denunciado.
A assessoria da Presidência da República informou que não irá responder às acusações. A Folha apurou que o governo avalia que a tentativa de politizar a investigação é uma estratégia da defesa de Dantas”.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
CORTAR GASTO PÚBLICO?
O site “Carta Maior” publicou esta semana a seguinte entrevista com Luiz Gonzaga Belluzzo:
“CORTAR GASTO PÚBLICO? FOI ESSA RECEITA QUE EMPURROU A ALEMANHA PARA O NAZISMO EM 1933”
“Diante da crise que se aprofunda, o economista e professor titular da Unicamp sugere um tripé para preservar a economia brasileira: estatização do crédito, defesa das reservas cambiais e expansão do investimento público. O governo, adverte Belluzzo, está sendo acossado pela demência de um certo pensamento econômico que pode imobilizá-lo. "O governo brasileiro não pode sacrificar o PAC em nome de uma religião de superávit primário".
Retoma inestimável atualidade nos dias que correm – ou talvez fosse mais honesto dizer, nas horas que urgem - a frase bordão proferida pelo presidente Franklin Delano Roosevelt no famoso discurso de posse, em março de 1933.
Em meio à Grande Depressão, que destruiria 25% dos postos de trabalho nos EUA, o político de origem conservadora, mas que passaria à história por ter abraçado instrumentos heterodoxos que permitiram tirar os norte-americanos do fundo da recessão, inaugurou seu mandato com uma advertência que, 79 anos depois, presta-se como uma luva a seus pares de hoje, igualmente assombrados por uma crise de gravidade equivalente, ou pior, que a de então. “A única coisa da qual devemos ter medo é do próprio medo”, disse o líder democrata à Nação, a si mesmo e, agora vê-se, à posteridade.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor-titular da Unicamp e Presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento – que fará um seminário com economistas de todo o mundo para discutir a crise, nos dias 6 e 7 de novembro, no Rio - está preocupado com a semeadura “insandecida” do medo no debate econômico do país no momento.
“O governo”, adverte cuidadosamente o sempre afável professor da Unicamp, “está sendo acossado, assim como toda a sociedade, pela demência de um certo pensamento econômico que pode imobilizá-lo”. Aquilo que ele caracteriza como sendo “o pior produto da metafísica ocidental” materializa-se nas últimas horas em editoriais de jornalões conservadores e repercute em discursos de altos decibéis orquestrados pela oposição parlamentar ao governo Lula.
“As pessoas simplesmente abstraem a realidade; divagam sobre uma dimensão que não existe mais: o mundo mudou. Radicalmente”, sublinha.
Ao que parece, não para todos. Na última terça-feira, por exemplo, o PSDB levou para questionar o ministro da Fazenda Guido Mantega, em sua fala no Congresso, uma plêiade de exemplares do que há de mais ortodoxo em termos de raciocínio econômico, matéria-prima como se sabe generosa nas trincheiras tucanas e na de seus aliados de palanques e idéias, os assim chamados “democratas”.
O seleto plantel formado por economistas de banco e de corretoras foi proibido de argüir o ministro. Por certo, Mantega ouviria aquilo que os editoriais vociferavam no mesmo dia em conhecida orquestração: alertas contra a famigerada gastança pública. A escolha da bancada tucana mereceu pelo menos de um alto coturno da agremiação paulista um desabafo não propriamente elogioso às leis de bronze da sabedoria econômica ortodoxa : ”Partido de merda”.
“A situação é muito séria e o governo não pode ter medo de agir”, continua Belluzzo em tom pausado. O professor não costuma se empenhar nos decibéis mas é contundente nas assertivas quando o momento exige: “A demência ensandecida insiste em recitar seu mantra dos livre mercados num momento em que os mercados encontram-se virtualmente pedindo socorro ao Estado”.
Nesse ponto seu tom de voz se altera: “Estamos numa corrida contra o tempo: não basta acertar as respostas, é crucial não errar o timming. A resposta adequada ontem poderá ser inútil amanhã – ou hoje”, adverte em entrevista à Carta Maior.
O professor da Unicamp trata sumariamente a ofensiva ortodoxa que já reúne uma fornida trincheira na qual se aboletam impressos quatrocentões, agrupamentos tucanos e demos e que, agora, acaba de receber a chancela do inefável FMI. Das cinzas de uma falência ideológica e financeira, depois de quebrar países urbi et orbi, e a si próprio, por gestão equivocada, o Fundo Monetário, que não encontra mais audiência nem no gabinete de Hank Paulson, o mais novo keynesiano do quarteirão, não hesita em lançar advertências ao governo brasileiro... contra a expansão do "gasto primário".
“Cortar investimento público em meio a uma crise como essa é reeditar a mesma receita que jogou a Alemanha ao nazismo, em 1933”, qualifica Belluzzo, recordando a obsequiosa gestão pró-mercados do chanceler Brünning, na instável República de Weimar dos anos 20/30. Chefe de gabinete da coalizão católica/social democrata, sob a Presidência do Marechal Von Hinderburg, Brünning tangeu então a economia e o povo alemão rumo a um suicídio histórico perpetrado com doses letais de cortes de gastos públicos; erosão das reservas externas; fuga de capitais e conseqüente desemprego galopante.
Em seu livro “Ensaios sobre o Capitalismo no Século XX” (vencedor do prêmio Juca Pato- 2004) o professor da Unicamp lembra que a contrapartida desse fiasco estratégico foi o avanço fulminante do até então obscuro Partido Nacional Socialista. Nas eleições de setembro de 1930 ele saltou de 12 para 104 cadeiras no parlamento.
Hjalmrar Schacht, um banqueiro nacionalista (havia disso no século XX), que depois seria nomeado presidente do Reichsbank, o BC de Hitler, observou então que “a política passiva” do gabinete Brünning, de imobilização pró-cíclica do Estado, endossando o mergulho da economia, não poderia jamais resolver o problema de uma sociedade em meio a uma hecatombe mundial.
De fato não resolveu. Refém de uma prisão ideológica semelhante àquela com a qual o “não intervencionismo nativo” quer capturar e imobilizar o governo Lula nos dias de hoje, a Alemanha protagonizou o pior flagelo da Depressão dos anos 30 em todo o mundo. Sem controle cambial, suas reservas foram exauridas por capitais em fuga.
O marco sofreu um esfarelamento que redundou na hiperinflação e na derrocada da República de Weimar - que não encontraria, recorde-se, da parte de comunistas e social-democratas, clareza política para erguer uma barreira à ascensão nazista. O gabinete Brünning –seguido depois pelos de Papen e Schleicher-- delegou os destinos da sociedade ao salve-se quem puder dos mercados. Dois anos e seis milhões de desempregados depois, zero de reservas e inflação galopante, Hitler chegaria ao poder.
A seguir trechos da conversa de Luiz Gonzaga Belluzzo com Carta Maior em que o economista aponta três medidas para o Brasil enfrentar a crise: administração discricionária das reservas cambiais; estatização do crédito direcionado à produção e expansão do investimento público:
É PRECISO DEFENDER AS RESERVAS DO PAÍS COM UMA ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA.
“Os capitais estão se bandeando em todo o mundo. Não é um problema brasileiro. Está ocorrendo a mesma coisa da Turquia à Lituânia; do Burundi ao Azerbaijão. É um movimento de fuga para a moeda reserva e para títulos do governo norte-americano.
Uma diáspora em busca de segurança e liquidez. A Rússia já decretou o controle cambial; a China, que nunca abriu mão dele, aprofundou a defesa das suas reservas. E o Brasil? O governo deve agir também de forma serena para preservar nossas reservas.
Trata-se de adotar uma administração discricionária dos dólares penosamente acumulados nestes anos. Insisto, não é um problema do Brasil. O país está bem, apresenta indicadores mais saudáveis do que a maioria dos outros, inclusive de alguns entre os ricos.
Mas é necessário entender que o cenário mudou radicalmente. Acabou o mundo que existiu até meados de setembro de 2008: os investidores querem liquidez e zero de risco. Para eles, hoje, isso significa proteger-se na moeda reserva que é o dólar: vão buscá-la onde estiver. Nas nossas reservas, inclusive. A menos que fixemos barreiras contra isso”
A ILUSÃO DOS FUNDAMENTOS E DO EQUILÍBRIO VIA LIBERDADE DA CONTA DE CAPITAIS
“Diante de uma manada em movimento não adianta acenar o boletim de boas notas nos fundamentos. A manada, como sabem os vaqueiros experimentados, após o estouro, não obedece a qualquer tipo de coerência. A crise é o estouro. Estamos diante de uma dinâmica regida por impulsos irrefletidos, portando, infundamentados. Esqueçam a blindagem dos fundamentos. A lógica agora é a falta de fundamentos – não do Brasil, da dinâmica mundial.
O Brasil fez tudo direitinho; tem um superávit robusto, inclusive. Mas se não agir de forma defensiva receberá da manada o mesmo tratamento de uma economia com déficit público de 10%. O governo não pode dar ouvido aos que insistem em lutar a guerra do dia anterior, pior, com armas obsoletas. Quem acha que o equilíbrio das contas correntes do pais pode ser delegado ao livre fluxo de capitais não entendeu ainda o que se passa. Quando vier a entender talvez seja tarde demais. A idéia liberal de que você pode gastar mais do que exporta, por exemplo, porque o ingresso de investimentos externos fechará as contas do país pode até ser verdade. Mas eu pergunto: em que circunstâncias? Lamento informar que as circunstâncias mudaram.
Vamos esperar o equilíbrio prometido até o dólar atingir qual cotação? Ao custo de bilhões em sangria nas reservas, esse é o risco. E mesmo assim, sem estabilizar o câmbio.
EXPANDIR O CRÉDITO E INVESTIMENTOS PÚBLICOS QUE MAXIMIZEM DINÂMICAS PRODUTIVAS
O governo brasileiro não pode sacrificar o PAC em nome de uma religião de superávit primário. Economia não é metafísica (se fosse o banco do Vaticano não acumularia prejuízos...). O PAC não apenas deve ser preservado: o governo deve expandir o gasto em investimentos que maximizem efeitos multiplicadores para trás e para frente, na forma de emprego, encomendas às cadeia produtivas e expansão de uso de capacidade instalada. Ninguém está falando aqui em gasto com a máquina pública. Não é gasto de custeio. É para injetar recursos adicionais em projetos e áreas que rapidamente possam irradiar seus efeitos em todo sistema. Trata-se de reverter a dinâmica da desaceleração em curso na economia.
NUMA HORA DESSAS NÃO PODEMOS GERAR EMPREGO PARA OS CHINESES
As ações devem ser coordenadas; uma resposta requer a complementação de outra, ou não funciona. Se vamos investir recursos públicos para gerar empregos e renda aqui dentro, não podemos deixar esse esforço escapar para o exterior. Daí por que é indispensável uma administração firme das reservas. Caso contrário, o dinheiro público aportado aqui vai abrir vagas no mercado de trabalho chinês, via importações que podem perfeitamente ser atendidas pela nossa cadeia industrial.
Dentro dessa mesma lógica, a política de exportações não pode ignorar o mundo da crise. A China tentará furiosamente preservar seus empregos e o PIB invadindo todos os mercados com seus produtos. Eles já criaram inclusive um subsídio para azeitar ainda mais a engrenagem comercial do país.
A partir de agora os exportadores chineses contam com um prêmio de 13% sobre a receita obtida no exterior. É algo semelhante ao nosso crédito prêmio para exportação. O que não pode acontecer numa hora dessas – e está acontecendo - é a nossa burocracia falar em extinguir o crédito-prêmio aos exportadores brasileiros.
Em nome de quê? Corte de gastos público? De novo cabe informar, o mundo econômico está conflagrado. O governo deve esquivar-se daqueles que ostentavam certezas graníticas nas virtudes da auto-regulação dos mercados. Suas lições maciças, esféricas eu diria, geraram, entre outros rebentos, a crise monstruosa que hoje nos ameaça”.
“CORTAR GASTO PÚBLICO? FOI ESSA RECEITA QUE EMPURROU A ALEMANHA PARA O NAZISMO EM 1933”
“Diante da crise que se aprofunda, o economista e professor titular da Unicamp sugere um tripé para preservar a economia brasileira: estatização do crédito, defesa das reservas cambiais e expansão do investimento público. O governo, adverte Belluzzo, está sendo acossado pela demência de um certo pensamento econômico que pode imobilizá-lo. "O governo brasileiro não pode sacrificar o PAC em nome de uma religião de superávit primário".
Retoma inestimável atualidade nos dias que correm – ou talvez fosse mais honesto dizer, nas horas que urgem - a frase bordão proferida pelo presidente Franklin Delano Roosevelt no famoso discurso de posse, em março de 1933.
Em meio à Grande Depressão, que destruiria 25% dos postos de trabalho nos EUA, o político de origem conservadora, mas que passaria à história por ter abraçado instrumentos heterodoxos que permitiram tirar os norte-americanos do fundo da recessão, inaugurou seu mandato com uma advertência que, 79 anos depois, presta-se como uma luva a seus pares de hoje, igualmente assombrados por uma crise de gravidade equivalente, ou pior, que a de então. “A única coisa da qual devemos ter medo é do próprio medo”, disse o líder democrata à Nação, a si mesmo e, agora vê-se, à posteridade.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor-titular da Unicamp e Presidente do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento – que fará um seminário com economistas de todo o mundo para discutir a crise, nos dias 6 e 7 de novembro, no Rio - está preocupado com a semeadura “insandecida” do medo no debate econômico do país no momento.
“O governo”, adverte cuidadosamente o sempre afável professor da Unicamp, “está sendo acossado, assim como toda a sociedade, pela demência de um certo pensamento econômico que pode imobilizá-lo”. Aquilo que ele caracteriza como sendo “o pior produto da metafísica ocidental” materializa-se nas últimas horas em editoriais de jornalões conservadores e repercute em discursos de altos decibéis orquestrados pela oposição parlamentar ao governo Lula.
“As pessoas simplesmente abstraem a realidade; divagam sobre uma dimensão que não existe mais: o mundo mudou. Radicalmente”, sublinha.
Ao que parece, não para todos. Na última terça-feira, por exemplo, o PSDB levou para questionar o ministro da Fazenda Guido Mantega, em sua fala no Congresso, uma plêiade de exemplares do que há de mais ortodoxo em termos de raciocínio econômico, matéria-prima como se sabe generosa nas trincheiras tucanas e na de seus aliados de palanques e idéias, os assim chamados “democratas”.
O seleto plantel formado por economistas de banco e de corretoras foi proibido de argüir o ministro. Por certo, Mantega ouviria aquilo que os editoriais vociferavam no mesmo dia em conhecida orquestração: alertas contra a famigerada gastança pública. A escolha da bancada tucana mereceu pelo menos de um alto coturno da agremiação paulista um desabafo não propriamente elogioso às leis de bronze da sabedoria econômica ortodoxa : ”Partido de merda”.
“A situação é muito séria e o governo não pode ter medo de agir”, continua Belluzzo em tom pausado. O professor não costuma se empenhar nos decibéis mas é contundente nas assertivas quando o momento exige: “A demência ensandecida insiste em recitar seu mantra dos livre mercados num momento em que os mercados encontram-se virtualmente pedindo socorro ao Estado”.
Nesse ponto seu tom de voz se altera: “Estamos numa corrida contra o tempo: não basta acertar as respostas, é crucial não errar o timming. A resposta adequada ontem poderá ser inútil amanhã – ou hoje”, adverte em entrevista à Carta Maior.
O professor da Unicamp trata sumariamente a ofensiva ortodoxa que já reúne uma fornida trincheira na qual se aboletam impressos quatrocentões, agrupamentos tucanos e demos e que, agora, acaba de receber a chancela do inefável FMI. Das cinzas de uma falência ideológica e financeira, depois de quebrar países urbi et orbi, e a si próprio, por gestão equivocada, o Fundo Monetário, que não encontra mais audiência nem no gabinete de Hank Paulson, o mais novo keynesiano do quarteirão, não hesita em lançar advertências ao governo brasileiro... contra a expansão do "gasto primário".
“Cortar investimento público em meio a uma crise como essa é reeditar a mesma receita que jogou a Alemanha ao nazismo, em 1933”, qualifica Belluzzo, recordando a obsequiosa gestão pró-mercados do chanceler Brünning, na instável República de Weimar dos anos 20/30. Chefe de gabinete da coalizão católica/social democrata, sob a Presidência do Marechal Von Hinderburg, Brünning tangeu então a economia e o povo alemão rumo a um suicídio histórico perpetrado com doses letais de cortes de gastos públicos; erosão das reservas externas; fuga de capitais e conseqüente desemprego galopante.
Em seu livro “Ensaios sobre o Capitalismo no Século XX” (vencedor do prêmio Juca Pato- 2004) o professor da Unicamp lembra que a contrapartida desse fiasco estratégico foi o avanço fulminante do até então obscuro Partido Nacional Socialista. Nas eleições de setembro de 1930 ele saltou de 12 para 104 cadeiras no parlamento.
Hjalmrar Schacht, um banqueiro nacionalista (havia disso no século XX), que depois seria nomeado presidente do Reichsbank, o BC de Hitler, observou então que “a política passiva” do gabinete Brünning, de imobilização pró-cíclica do Estado, endossando o mergulho da economia, não poderia jamais resolver o problema de uma sociedade em meio a uma hecatombe mundial.
De fato não resolveu. Refém de uma prisão ideológica semelhante àquela com a qual o “não intervencionismo nativo” quer capturar e imobilizar o governo Lula nos dias de hoje, a Alemanha protagonizou o pior flagelo da Depressão dos anos 30 em todo o mundo. Sem controle cambial, suas reservas foram exauridas por capitais em fuga.
O marco sofreu um esfarelamento que redundou na hiperinflação e na derrocada da República de Weimar - que não encontraria, recorde-se, da parte de comunistas e social-democratas, clareza política para erguer uma barreira à ascensão nazista. O gabinete Brünning –seguido depois pelos de Papen e Schleicher-- delegou os destinos da sociedade ao salve-se quem puder dos mercados. Dois anos e seis milhões de desempregados depois, zero de reservas e inflação galopante, Hitler chegaria ao poder.
A seguir trechos da conversa de Luiz Gonzaga Belluzzo com Carta Maior em que o economista aponta três medidas para o Brasil enfrentar a crise: administração discricionária das reservas cambiais; estatização do crédito direcionado à produção e expansão do investimento público:
É PRECISO DEFENDER AS RESERVAS DO PAÍS COM UMA ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA.
“Os capitais estão se bandeando em todo o mundo. Não é um problema brasileiro. Está ocorrendo a mesma coisa da Turquia à Lituânia; do Burundi ao Azerbaijão. É um movimento de fuga para a moeda reserva e para títulos do governo norte-americano.
Uma diáspora em busca de segurança e liquidez. A Rússia já decretou o controle cambial; a China, que nunca abriu mão dele, aprofundou a defesa das suas reservas. E o Brasil? O governo deve agir também de forma serena para preservar nossas reservas.
Trata-se de adotar uma administração discricionária dos dólares penosamente acumulados nestes anos. Insisto, não é um problema do Brasil. O país está bem, apresenta indicadores mais saudáveis do que a maioria dos outros, inclusive de alguns entre os ricos.
Mas é necessário entender que o cenário mudou radicalmente. Acabou o mundo que existiu até meados de setembro de 2008: os investidores querem liquidez e zero de risco. Para eles, hoje, isso significa proteger-se na moeda reserva que é o dólar: vão buscá-la onde estiver. Nas nossas reservas, inclusive. A menos que fixemos barreiras contra isso”
A ILUSÃO DOS FUNDAMENTOS E DO EQUILÍBRIO VIA LIBERDADE DA CONTA DE CAPITAIS
“Diante de uma manada em movimento não adianta acenar o boletim de boas notas nos fundamentos. A manada, como sabem os vaqueiros experimentados, após o estouro, não obedece a qualquer tipo de coerência. A crise é o estouro. Estamos diante de uma dinâmica regida por impulsos irrefletidos, portando, infundamentados. Esqueçam a blindagem dos fundamentos. A lógica agora é a falta de fundamentos – não do Brasil, da dinâmica mundial.
O Brasil fez tudo direitinho; tem um superávit robusto, inclusive. Mas se não agir de forma defensiva receberá da manada o mesmo tratamento de uma economia com déficit público de 10%. O governo não pode dar ouvido aos que insistem em lutar a guerra do dia anterior, pior, com armas obsoletas. Quem acha que o equilíbrio das contas correntes do pais pode ser delegado ao livre fluxo de capitais não entendeu ainda o que se passa. Quando vier a entender talvez seja tarde demais. A idéia liberal de que você pode gastar mais do que exporta, por exemplo, porque o ingresso de investimentos externos fechará as contas do país pode até ser verdade. Mas eu pergunto: em que circunstâncias? Lamento informar que as circunstâncias mudaram.
Vamos esperar o equilíbrio prometido até o dólar atingir qual cotação? Ao custo de bilhões em sangria nas reservas, esse é o risco. E mesmo assim, sem estabilizar o câmbio.
EXPANDIR O CRÉDITO E INVESTIMENTOS PÚBLICOS QUE MAXIMIZEM DINÂMICAS PRODUTIVAS
O governo brasileiro não pode sacrificar o PAC em nome de uma religião de superávit primário. Economia não é metafísica (se fosse o banco do Vaticano não acumularia prejuízos...). O PAC não apenas deve ser preservado: o governo deve expandir o gasto em investimentos que maximizem efeitos multiplicadores para trás e para frente, na forma de emprego, encomendas às cadeia produtivas e expansão de uso de capacidade instalada. Ninguém está falando aqui em gasto com a máquina pública. Não é gasto de custeio. É para injetar recursos adicionais em projetos e áreas que rapidamente possam irradiar seus efeitos em todo sistema. Trata-se de reverter a dinâmica da desaceleração em curso na economia.
NUMA HORA DESSAS NÃO PODEMOS GERAR EMPREGO PARA OS CHINESES
As ações devem ser coordenadas; uma resposta requer a complementação de outra, ou não funciona. Se vamos investir recursos públicos para gerar empregos e renda aqui dentro, não podemos deixar esse esforço escapar para o exterior. Daí por que é indispensável uma administração firme das reservas. Caso contrário, o dinheiro público aportado aqui vai abrir vagas no mercado de trabalho chinês, via importações que podem perfeitamente ser atendidas pela nossa cadeia industrial.
Dentro dessa mesma lógica, a política de exportações não pode ignorar o mundo da crise. A China tentará furiosamente preservar seus empregos e o PIB invadindo todos os mercados com seus produtos. Eles já criaram inclusive um subsídio para azeitar ainda mais a engrenagem comercial do país.
A partir de agora os exportadores chineses contam com um prêmio de 13% sobre a receita obtida no exterior. É algo semelhante ao nosso crédito prêmio para exportação. O que não pode acontecer numa hora dessas – e está acontecendo - é a nossa burocracia falar em extinguir o crédito-prêmio aos exportadores brasileiros.
Em nome de quê? Corte de gastos público? De novo cabe informar, o mundo econômico está conflagrado. O governo deve esquivar-se daqueles que ostentavam certezas graníticas nas virtudes da auto-regulação dos mercados. Suas lições maciças, esféricas eu diria, geraram, entre outros rebentos, a crise monstruosa que hoje nos ameaça”.
A OPOSIÇÃO E A MÍDIA QUEREM O BRASIL RUIM PARA QUE SERRA GANHE EM 2010
Li ontem no site “Carta Maior”:
"Serão feitas quantas medidas forem necessárias. Não posso ficar preocupado com gritos da oposição. Tudo o que (ela) deseja é que o Brasil entre em uma crise profunda".
(Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, ao confirmar a entrada do BB no crédito automobilístico, para ocupar o recuo dos bancos privados)”.
"Serão feitas quantas medidas forem necessárias. Não posso ficar preocupado com gritos da oposição. Tudo o que (ela) deseja é que o Brasil entre em uma crise profunda".
(Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, ao confirmar a entrada do BB no crédito automobilístico, para ocupar o recuo dos bancos privados)”.
UM CASO DE "DESONESTIDADE INTELECTUAL"
Li ontem no blog “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte postagem de Murilo Costa, de Salvador/BA, em “Você escreve”:
“Segue um exemplo do que pode ser considerado desonestidade intelectual:
O sítio do Estadão publica, em primeira página (quadro Últimas notícias), a manchete "Déficit da Previdência cresce 82%, com adiantamento do 13º".
Quando lemos a matéria, descobrimos que o enorme crescimento resultada da comparação do mês de setembro (benefícios mais 13º) com o mês anterior (apenas benefícios).
A ressalva vem no subtítulo da matéria: "No acumulado do ano, porém, saldo negativo do INSS (...) é 16,4% menor que em 2007".
Será que, no próximo mês, o Estadão fará uma matéria de destaque para a vertiginosa queda das despesas previdenciárias, comparando outubro (só benefícios) com setembro?”
“Segue um exemplo do que pode ser considerado desonestidade intelectual:
O sítio do Estadão publica, em primeira página (quadro Últimas notícias), a manchete "Déficit da Previdência cresce 82%, com adiantamento do 13º".
Quando lemos a matéria, descobrimos que o enorme crescimento resultada da comparação do mês de setembro (benefícios mais 13º) com o mês anterior (apenas benefícios).
A ressalva vem no subtítulo da matéria: "No acumulado do ano, porém, saldo negativo do INSS (...) é 16,4% menor que em 2007".
Será que, no próximo mês, o Estadão fará uma matéria de destaque para a vertiginosa queda das despesas previdenciárias, comparando outubro (só benefícios) com setembro?”
POR QUE O PIG PASSOU A FALAR EM “ESTATIZAÇÃO”?
O blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim postou ontem o seguinte texto:
"What's in a name? That which we call a rose by any other name would smell as sweet."
“O que há numa palavra ? Se chamássemos a rosa de qualquer outro nome, ela continuaria a ser doce, do mesmo jeito.” Diz Julieta a Romeu.
O que há em “estatização”?
Por que o PiG [Partido da Imprensa Golpista] se recusava a falar em “estatização”, quando a Inglaterra de Gordon Brown e os Estados Unidos de Henry Paulson decidiram criar as condições para fazer uma estatização parcial e temporária dos bancos?
O PiG não falava em “estatização”. Falava em “injeção”, em “capitalização” dos bancos.
Quando era na Inglaterra e nos Estados Unidos, “estatização” era uma palavra maldita, porque os nossos provincianos neoliberais se recusavam a admitir a hipótese de ainda haver espaço para algum tipo de “estatização” em sociedades capitalistas maduras.
Agora, quando o Governo brasileiro faz a mesmíssima coisa, e abre espaço para uma “estatização” temporária e parcial, o PiG está uma fera.
A Miriam Leitão bufa.
Veja só no blog da Miriam:
“A MP de hoje aumenta muito o risco no Brasil. O risco de o Banco do Brasil e a Caixa serem usadas de forma indevida para que, aproveitando-se da crise, o governo aumente a estatização por motivos ideológicos. Porque o atual governo acredita em estatizar.”
E tem mais: a Miriam, aflitíssima com o avanço do comunismo fala em “paranóia” do Governo; em “aventura”.
Quer dizer que a “estatização” de Brown e Paulson é uma “injeção” e a “estatização” brasileira é movida por uma “ideologia exótica”, como diziam os militares que a Miriam, na Idade Média, combatia ?
“What is in a name”?
No emprego da palavra “estatizar” se verifica, nessas plagas tropicais, dominadas pelo obscurantismo de um jornalismo de quinta categoria, todo o peso do preconceito.
“Estatizar” é o que faria Lord Keynes, para salvar o capitalismo.
O PiG se esquece de que o Capitalismo não tem ideologia.
Capitalismo não vive de idéias.
O Capitalismo vive do lucro.
Se, para obter lucro, for preciso “estatizar” ou ”injetar”, tanto faz,
Desde que capitalismo per se sobreviva.
Quem precisa de idéia é quem pretende oferecer uma alternativa a esse capitalismo genial, dos neoliberais.
Que deixaram o mercado correr solto e quebrar o Capitalismo ...”
"What's in a name? That which we call a rose by any other name would smell as sweet."
“O que há numa palavra ? Se chamássemos a rosa de qualquer outro nome, ela continuaria a ser doce, do mesmo jeito.” Diz Julieta a Romeu.
O que há em “estatização”?
Por que o PiG [Partido da Imprensa Golpista] se recusava a falar em “estatização”, quando a Inglaterra de Gordon Brown e os Estados Unidos de Henry Paulson decidiram criar as condições para fazer uma estatização parcial e temporária dos bancos?
O PiG não falava em “estatização”. Falava em “injeção”, em “capitalização” dos bancos.
Quando era na Inglaterra e nos Estados Unidos, “estatização” era uma palavra maldita, porque os nossos provincianos neoliberais se recusavam a admitir a hipótese de ainda haver espaço para algum tipo de “estatização” em sociedades capitalistas maduras.
Agora, quando o Governo brasileiro faz a mesmíssima coisa, e abre espaço para uma “estatização” temporária e parcial, o PiG está uma fera.
A Miriam Leitão bufa.
Veja só no blog da Miriam:
“A MP de hoje aumenta muito o risco no Brasil. O risco de o Banco do Brasil e a Caixa serem usadas de forma indevida para que, aproveitando-se da crise, o governo aumente a estatização por motivos ideológicos. Porque o atual governo acredita em estatizar.”
E tem mais: a Miriam, aflitíssima com o avanço do comunismo fala em “paranóia” do Governo; em “aventura”.
Quer dizer que a “estatização” de Brown e Paulson é uma “injeção” e a “estatização” brasileira é movida por uma “ideologia exótica”, como diziam os militares que a Miriam, na Idade Média, combatia ?
“What is in a name”?
No emprego da palavra “estatizar” se verifica, nessas plagas tropicais, dominadas pelo obscurantismo de um jornalismo de quinta categoria, todo o peso do preconceito.
“Estatizar” é o que faria Lord Keynes, para salvar o capitalismo.
O PiG se esquece de que o Capitalismo não tem ideologia.
Capitalismo não vive de idéias.
O Capitalismo vive do lucro.
Se, para obter lucro, for preciso “estatizar” ou ”injetar”, tanto faz,
Desde que capitalismo per se sobreviva.
Quem precisa de idéia é quem pretende oferecer uma alternativa a esse capitalismo genial, dos neoliberais.
Que deixaram o mercado correr solto e quebrar o Capitalismo ...”
MÍDIA QUER PARECER "JUÍZA", MAS É "ATRIZ"
Li ontem no blog “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, a seguinte postagem:
“Eu hoje dei entrevista a duas estudantes de Jornalismo. Expliquei didaticamente minha opinião de que algumas empresas de mídia do Brasil -- Organizações Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril -- estão engajadas em um projeto político e econômico que se reúne em torno do governador paulista, José Serra.
Expliquei que tudo o que estiver no caminho desse projeto foi, é e será atropelado: de Geraldo Alckmin a Paulo Maluf, de Ciro Gomes a Dilma Rousseff.
Demonstrei a elas que não existem "crises", nem "apagões", nem "caos" em São Paulo.
Só existem "crises", "apagões" e "caos" federais. O acidente da TAM, em Congonhas, fez parte do "caos aéreo", mas o confronto entre polícias não fez parte do "caos na segurança pública".
Falei também sobre a hipocrisia. Os filhos ou supostos filhos do Pelé, do Maluf, do Renan Calheiros e do presidente Lula fora do casamento são notícia; o filho de FHC com a jornalista da Globo não é; o nepotismo de qualquer político é notícia, mas o de Gilberto Kassab, que criou um cargo para o "amigo" na Prefeitura de São Paulo, não é.
Pedi às duas estudantes, de classe média alta, que passassem a ler os jornais, assistir TV e ouvir rádio com esse "filtro" que logo elas se dariam conta da omissão, manipulação e distorção de informações praticada pelos grupos acima citados.
Sempre achei que o governo Lula deveria fazer disso uma questão política. Não só ele, mas todos os prejudicados, de todos os partidos, já que a mídia que ataca o governo Lula pode ser aquela que atacará qualquer outro, de qualquer outro partido, amanhã.
E aí fui ler o Cidadania.com, do Eduardo Guimarães. Coincidentemente, ele escreveu sobre a campanha paulistana:
"Enquanto isso, o PT preferiu apelar para a principal arma da direita (difamação) em São Paulo, por exemplo, em vez de levantar um debate que esvaziaria o poder da mídia de se apresentar como juíza da partida, ou seja, dizer claramente à sociedade que a mídia é atriz no processo político. Que é jogadora, não juíza.
Se fizesse isso, o grupo de Lula anularia um importante ativo da direita. Bastaria ter usado o horário eleitoral em São Paulo para carimbar nas costas da mídia a pecha de partidária da direita no Brasil. Isso se espalharia como fogo, levantaria a militância.
Mas como fazer se Lula chega a ir prestigiar eventos da Veja? Como fazer se Marta Suplicy dá de bandeja a seus adversários a oportunidade de inverter os papéis de vítima e feitor do preconceito?
Lula continua acreditando que poderá ser aceito pela elite algum dia. E subestima o poder da mídia de fazer a crise internacional entrar mais no Brasil do que deveria, através daquele tipo de profecia auto-realizável na qual infunde-se desânimo e medo nos agentes econômicos, estes se paralisam e aos próprios negócios e, assim, vai se criando, artificialmente, uma situação recessiva que acaba por provocar quebradeira e desemprego...
Onde está o presidente Lula, que, até agora, não falou nem uma vez à nação, em cadeia nacional de rádio e tevê, sobre a crise no mundo rico? Por que ele deixa a mídia difundir esse pânico como quer?
Assim fica difícil, meus amigos. Não adianta eu exortar vocês para irmos às ruas protestar – e sem que se dê qualquer repercussão ao nosso esforço – enquanto o grupo de Lula contemporiza com a direita e dá à mídia o privilégio de poder se apresentar como juíza do processo político."
“Eu hoje dei entrevista a duas estudantes de Jornalismo. Expliquei didaticamente minha opinião de que algumas empresas de mídia do Brasil -- Organizações Globo, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril -- estão engajadas em um projeto político e econômico que se reúne em torno do governador paulista, José Serra.
Expliquei que tudo o que estiver no caminho desse projeto foi, é e será atropelado: de Geraldo Alckmin a Paulo Maluf, de Ciro Gomes a Dilma Rousseff.
Demonstrei a elas que não existem "crises", nem "apagões", nem "caos" em São Paulo.
Só existem "crises", "apagões" e "caos" federais. O acidente da TAM, em Congonhas, fez parte do "caos aéreo", mas o confronto entre polícias não fez parte do "caos na segurança pública".
Falei também sobre a hipocrisia. Os filhos ou supostos filhos do Pelé, do Maluf, do Renan Calheiros e do presidente Lula fora do casamento são notícia; o filho de FHC com a jornalista da Globo não é; o nepotismo de qualquer político é notícia, mas o de Gilberto Kassab, que criou um cargo para o "amigo" na Prefeitura de São Paulo, não é.
Pedi às duas estudantes, de classe média alta, que passassem a ler os jornais, assistir TV e ouvir rádio com esse "filtro" que logo elas se dariam conta da omissão, manipulação e distorção de informações praticada pelos grupos acima citados.
Sempre achei que o governo Lula deveria fazer disso uma questão política. Não só ele, mas todos os prejudicados, de todos os partidos, já que a mídia que ataca o governo Lula pode ser aquela que atacará qualquer outro, de qualquer outro partido, amanhã.
E aí fui ler o Cidadania.com, do Eduardo Guimarães. Coincidentemente, ele escreveu sobre a campanha paulistana:
"Enquanto isso, o PT preferiu apelar para a principal arma da direita (difamação) em São Paulo, por exemplo, em vez de levantar um debate que esvaziaria o poder da mídia de se apresentar como juíza da partida, ou seja, dizer claramente à sociedade que a mídia é atriz no processo político. Que é jogadora, não juíza.
Se fizesse isso, o grupo de Lula anularia um importante ativo da direita. Bastaria ter usado o horário eleitoral em São Paulo para carimbar nas costas da mídia a pecha de partidária da direita no Brasil. Isso se espalharia como fogo, levantaria a militância.
Mas como fazer se Lula chega a ir prestigiar eventos da Veja? Como fazer se Marta Suplicy dá de bandeja a seus adversários a oportunidade de inverter os papéis de vítima e feitor do preconceito?
Lula continua acreditando que poderá ser aceito pela elite algum dia. E subestima o poder da mídia de fazer a crise internacional entrar mais no Brasil do que deveria, através daquele tipo de profecia auto-realizável na qual infunde-se desânimo e medo nos agentes econômicos, estes se paralisam e aos próprios negócios e, assim, vai se criando, artificialmente, uma situação recessiva que acaba por provocar quebradeira e desemprego...
Onde está o presidente Lula, que, até agora, não falou nem uma vez à nação, em cadeia nacional de rádio e tevê, sobre a crise no mundo rico? Por que ele deixa a mídia difundir esse pânico como quer?
Assim fica difícil, meus amigos. Não adianta eu exortar vocês para irmos às ruas protestar – e sem que se dê qualquer repercussão ao nosso esforço – enquanto o grupo de Lula contemporiza com a direita e dá à mídia o privilégio de poder se apresentar como juíza do processo político."
GREENSPAN ADMITE QUE ERROU. A “FEITICEIRA É QUEM TINHA RAZÃO
O blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim postou ontem o seguinte texto:
“Alan Greenspan, o homem mais poderoso do mundo, o “Maestro” que dirigia o Banco Central americano, como se fosse a Catarina de todas as Rússias e era reverenciado pelos teólogos do neoliberalismo, admite que errou.
Ele depôs e foi fritado no Congresso americano.
E foi obrigado a admitir que a decisão de sentar em cima das mãos e não regular o mercado de derivativos foi o erro que está na base dessa que é a maior crise do Capitalismo, desde 1929.
Como ele próprio diz: não foi capaz de prever que haveria esse “tsunami”.
A confissão do “Maestro” contém algumas lições.
Nos Estados Unidos, os homens públicos costumam pagar um preço alto por seus erros.
Um preço político.
É muito raro um homem público cometer um erro de graves proporções e ir para casa sem peso nas costas, como se não tivesse feito nada.
A sociedade americana – o Congresso – vai lá e cobra.
E, como faziam os sábios gregos, manda o infeliz para o ostracismo.
A segunda lição é o desmoronamento da arquitetura teológica do neoliberalismo.
Aquilo que os pajés tratavam como “ciência” econômica não passava de “ideologia” para justificar as operações do cassino.
Sabe, caro leitor, o tamanho desse cassino, o valor total do mercado de derivativos, antes do CRASH? 668 trilhões de dólares!!!
A ideologia do neoliberalismo, como diria Carlos Lacerda, era a estatueta de São Jorge que ficava no alto das escadas dos prostíbulos da Rua da Lage, na Lapa, no Rio.
A revista Newsweek desta semana tem um artigo sobre o papel de Greenspan nessa tragédia e revela que se faziam 4 operações com derivativos POR SEGUNDO!
E sem deixar rastro, impressões digitais.
Era tudo feito por e-mail, SMS.
A internet a serviço da maior indústria de especulação financeira da História. Sem regulação! Sem Estado!
O neoliberalismo, numa paródia à inesquecível Joana Prado, a “Feiticeira”, “era feitiçaria”: não tinha nada de “tecnologia”!”
“Alan Greenspan, o homem mais poderoso do mundo, o “Maestro” que dirigia o Banco Central americano, como se fosse a Catarina de todas as Rússias e era reverenciado pelos teólogos do neoliberalismo, admite que errou.
Ele depôs e foi fritado no Congresso americano.
E foi obrigado a admitir que a decisão de sentar em cima das mãos e não regular o mercado de derivativos foi o erro que está na base dessa que é a maior crise do Capitalismo, desde 1929.
Como ele próprio diz: não foi capaz de prever que haveria esse “tsunami”.
A confissão do “Maestro” contém algumas lições.
Nos Estados Unidos, os homens públicos costumam pagar um preço alto por seus erros.
Um preço político.
É muito raro um homem público cometer um erro de graves proporções e ir para casa sem peso nas costas, como se não tivesse feito nada.
A sociedade americana – o Congresso – vai lá e cobra.
E, como faziam os sábios gregos, manda o infeliz para o ostracismo.
A segunda lição é o desmoronamento da arquitetura teológica do neoliberalismo.
Aquilo que os pajés tratavam como “ciência” econômica não passava de “ideologia” para justificar as operações do cassino.
Sabe, caro leitor, o tamanho desse cassino, o valor total do mercado de derivativos, antes do CRASH? 668 trilhões de dólares!!!
A ideologia do neoliberalismo, como diria Carlos Lacerda, era a estatueta de São Jorge que ficava no alto das escadas dos prostíbulos da Rua da Lage, na Lapa, no Rio.
A revista Newsweek desta semana tem um artigo sobre o papel de Greenspan nessa tragédia e revela que se faziam 4 operações com derivativos POR SEGUNDO!
E sem deixar rastro, impressões digitais.
Era tudo feito por e-mail, SMS.
A internet a serviço da maior indústria de especulação financeira da História. Sem regulação! Sem Estado!
O neoliberalismo, numa paródia à inesquecível Joana Prado, a “Feiticeira”, “era feitiçaria”: não tinha nada de “tecnologia”!”
RESERVAS INTERNACIONAIS DO BRASIL CRESCEM US$ 2,4 BILHÃO EM SETEMBRO
Li no site do “Jornal do Brasil” ontem a seguinte notícia da “VS – InvestNews”:
“RESERVAS INTERNACIONAIS ATINGEM US$ 207,5 BI EM SETEMBRO”
“São Paulo, 23 de outubro de 2008 - O Banco Central (BC) informou hoje que as reservas internacionais somaram US$ 207,5 bilhões em setembro, o que representa crescimento de US$ 2,4 bilhão em relação a agosto.
No mês passado, a autoridade monetária liquidou compras no mercado à vista de câmbio de US$ 592 milhões. Adicionalmente, foram realizados leilões de linhas de venda de moeda estrangeira com compromisso de recompra - operações compromissadas em que o BC oferece moeda estrangeira no mercado à vista, e, concomitantemente, contrata a compra da moeda estrangeira, em volume igual, a termo - no montante de US$1 bilhão.
Entre as operações externas, sobressaiu a receita de remuneração das reservas, US$ 586 milhões, enquanto as demais operações, que incluem variações de preço e de paridades, entre outras, elevaram o estoque em US$ 1,2 bilhão”.
“RESERVAS INTERNACIONAIS ATINGEM US$ 207,5 BI EM SETEMBRO”
“São Paulo, 23 de outubro de 2008 - O Banco Central (BC) informou hoje que as reservas internacionais somaram US$ 207,5 bilhões em setembro, o que representa crescimento de US$ 2,4 bilhão em relação a agosto.
No mês passado, a autoridade monetária liquidou compras no mercado à vista de câmbio de US$ 592 milhões. Adicionalmente, foram realizados leilões de linhas de venda de moeda estrangeira com compromisso de recompra - operações compromissadas em que o BC oferece moeda estrangeira no mercado à vista, e, concomitantemente, contrata a compra da moeda estrangeira, em volume igual, a termo - no montante de US$1 bilhão.
Entre as operações externas, sobressaiu a receita de remuneração das reservas, US$ 586 milhões, enquanto as demais operações, que incluem variações de preço e de paridades, entre outras, elevaram o estoque em US$ 1,2 bilhão”.
IBGE: EMPREGO COM CARTEIRA CRESCE 1,1% EM SETEMBRO
RENDIMENTO DOS OCUPADOS NAS SEIS PRINCIPAIS REGIÕES METROPOLITANAS DO PAÍS TEVE AUMENTO DE 1,6% ANTE JULHO E DE 11% ANTE AGOSTO DE 2007
O jornal “O Estado de São Paulo” ontem publicou o seguinte texto de Jacqueline Farid da Agência Estado:
“RIO - O número de pessoas ocupadas nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,98 milhões em setembro, com alta de 0,7% ante agosto e aumento de 3,4% ante setembro do ano passado. O número de desocupados chegou a 1,82 milhão, com alta de 1,5% ante o mês anterior e queda de 13,2% na comparação com igual mês de 2007. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE.
O contingente de empregados com carteira assinada (emprego formal) prosseguiu na trajetória de alta em setembro, com acréscimo de 1,1% ante agosto e aumento de 6% no confronto com setembro do ano passado.
A massa de rendimento real efetivo dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou R$ 27,9 bilhões em agosto, com aumento de 1,6% ante julho e de 11% ante agosto de 2007. Os dados de massa real efetiva referem-se sempre ao mês anterior ao da taxa de desemprego. O rendimento médio domiciliar per capita ficou em R$ 820,75 em setembro nas seis regiões, com alta de 0,3% ante agosto e de 8,4% ante setembro do ano passado”.
O jornal “O Estado de São Paulo” ontem publicou o seguinte texto de Jacqueline Farid da Agência Estado:
“RIO - O número de pessoas ocupadas nas seis principais regiões metropolitanas do País somou 21,98 milhões em setembro, com alta de 0,7% ante agosto e aumento de 3,4% ante setembro do ano passado. O número de desocupados chegou a 1,82 milhão, com alta de 1,5% ante o mês anterior e queda de 13,2% na comparação com igual mês de 2007. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE.
O contingente de empregados com carteira assinada (emprego formal) prosseguiu na trajetória de alta em setembro, com acréscimo de 1,1% ante agosto e aumento de 6% no confronto com setembro do ano passado.
A massa de rendimento real efetivo dos ocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País somou R$ 27,9 bilhões em agosto, com aumento de 1,6% ante julho e de 11% ante agosto de 2007. Os dados de massa real efetiva referem-se sempre ao mês anterior ao da taxa de desemprego. O rendimento médio domiciliar per capita ficou em R$ 820,75 em setembro nas seis regiões, com alta de 0,3% ante agosto e de 8,4% ante setembro do ano passado”.
CRISE ACABOU COM 'DITADURA DOS MERCADOS', DIZ SARKOZY
Li no jornal “Estadão” o seguinte texto da agência inglesa de notícias BBC publicado ontem no portal UOL:
"Presidente francês afirma que papel do Estado na economia deve ser redefinido".
“De Paris para a BBC Brasil - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta-feira que "a ideologia da ditadura dos mercados e do Estado impotente morreram com a crise financeira".
Para Sarkozy, "tudo converge para reflexões sobre a redefinição do papel do Estado na economia".
Segundo o presidente francês, uma revolução intelectual e moral está em andamento e "de agora em diante, nada mais na economia mundial será como antes".
"Pensávamos que a política não era algo necessário. Isso acabou", disse o presidente francês, considerado, no entanto, um liberal. "Haverá agora maior atuação política."
Sarkozy fez as declarações durante um discurso nos arredores de Annecy, no sudeste da França, onde anunciou medidas de apoio à economia francesa, que deve, segundo projeções, entrar oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano.
"A Europa não deve deixar suas empresas à mercê dos predadores", afirmou o presidente francês, que também ressaltou a atuação dos países europeus diante da crise.
FUNDO SOBERANO
Sarkozy anunciou nesta quinta-feira a criação de um tipo de fundo soberano francês, chamado de Fundo Estratégico de Investimento, para apoiar empresas consideradas fundamentais para a economia do país.
O fundo deve ser lançado até o final do ano, segundo o presidente francês.
"Os produtores de petróleo fazem isso, os chineses e os russos também", disse Sarkozy. "Não vejo razão para que a França não faça o mesmo."
Em um discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, o presidente francês já havia defendido a criação de fundos soberanos europeus para investir em empresas afetadas pela crise econômica, mas a proposta foi rejeitada pela Alemanha.
O fundo francês tomaria recursos nos mercados e interviria quando uma empresa considerada estratégica precisasse de capital.
Segundo Sarkozy, o fundo não teria impacto sobre o déficit público francês porque a participação que os fundos teriam no capital das empresas serviria como contrapartida.
"A crise é mundial, estrutural e não é um parênteses que será fechado em breve", afirmou. "Não podemos, após esta crise, continuar a governar o mundo com os mesmos instrumentos, instituições e idéias do passado."
Sarkozy também anunciou que o governo vai investir 175 bilhões de euros nos três próximos anos para favorecer a retomada da atividade econômica.
Os recursos seriam investidos em pesquisas, universidades e na ampliação do setor digital na França.”
"Presidente francês afirma que papel do Estado na economia deve ser redefinido".
“De Paris para a BBC Brasil - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta quinta-feira que "a ideologia da ditadura dos mercados e do Estado impotente morreram com a crise financeira".
Para Sarkozy, "tudo converge para reflexões sobre a redefinição do papel do Estado na economia".
Segundo o presidente francês, uma revolução intelectual e moral está em andamento e "de agora em diante, nada mais na economia mundial será como antes".
"Pensávamos que a política não era algo necessário. Isso acabou", disse o presidente francês, considerado, no entanto, um liberal. "Haverá agora maior atuação política."
Sarkozy fez as declarações durante um discurso nos arredores de Annecy, no sudeste da França, onde anunciou medidas de apoio à economia francesa, que deve, segundo projeções, entrar oficialmente em recessão no terceiro trimestre deste ano.
"A Europa não deve deixar suas empresas à mercê dos predadores", afirmou o presidente francês, que também ressaltou a atuação dos países europeus diante da crise.
FUNDO SOBERANO
Sarkozy anunciou nesta quinta-feira a criação de um tipo de fundo soberano francês, chamado de Fundo Estratégico de Investimento, para apoiar empresas consideradas fundamentais para a economia do país.
O fundo deve ser lançado até o final do ano, segundo o presidente francês.
"Os produtores de petróleo fazem isso, os chineses e os russos também", disse Sarkozy. "Não vejo razão para que a França não faça o mesmo."
Em um discurso no Parlamento Europeu na terça-feira, o presidente francês já havia defendido a criação de fundos soberanos europeus para investir em empresas afetadas pela crise econômica, mas a proposta foi rejeitada pela Alemanha.
O fundo francês tomaria recursos nos mercados e interviria quando uma empresa considerada estratégica precisasse de capital.
Segundo Sarkozy, o fundo não teria impacto sobre o déficit público francês porque a participação que os fundos teriam no capital das empresas serviria como contrapartida.
"A crise é mundial, estrutural e não é um parênteses que será fechado em breve", afirmou. "Não podemos, após esta crise, continuar a governar o mundo com os mesmos instrumentos, instituições e idéias do passado."
Sarkozy também anunciou que o governo vai investir 175 bilhões de euros nos três próximos anos para favorecer a retomada da atividade econômica.
Os recursos seriam investidos em pesquisas, universidades e na ampliação do setor digital na França.”
JAPÃO E CORÉIA DO SUL LIDERAM EM BANDA LARGA POR FIBRA ÓPTICA
A agência norte-americana de notícias Reuters ontem produziu a seguinte reportagem que li postada no portal UOL:
“Amsterdã (Reuters) - Os cabos de fibra óptica se tornaram a maior tecnologia de banda larga na Coréia do Sul e no Japão, que lideram o mundo em termos de proporção de domicílios conectados à Internet por links de velocidade ultra alta, demonstram dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados na quinta-feira.
As mais recentes estatísticas da OCDE sobre banda larga demonstram que a Coréia do Sul dispunha de 12,2 conexões de fibra óptica por 100 habitantes, em junho, ante 10,5 conexões por TV a cabo e 8,4 por linhas telefônicas DSL usando cabos convencionais.
O índice de penetração da fibra óptica aumentou ante os 10,4 por cento da pesquisa anterior da OCDE, divulgada em dezembro de 2007.
"É uma grande mudança. O setor está fazendo a transição para a fibra óptica e estamos vendo os resultados primeiro na Coréia do Sul e Japão", disse Taylor Reynolds, economista da
OCDE
A penetração de fibra óptica na Coréia do Sul, sozinha, supera o índice de penetração geral da banda larga em cinco dos países da OCDE: Grécia, Polônia, Eslováquia, Turquia e México.
O Japão tem penetração de fibra óptica de 10,2 por cento, seguida por DSL com 9,6 por cento e cabo com 3,1 por cento.
O único país a se aproximar da Coréia do Sul e Japão é a Suécia, que tem seis conexões de banda larga em fibra óptica para cada 100 habitantes.
Estender as conexões de fibra óptica aos domicílios eleva substancialmente a velocidade da Internet, que também pode ser usada para TV de alta definição, serviços de vídeo sob demanda e outros recursos que exigem grandes larguras de banda.
O país mais conectado do mundo, de acordo com a OCDE, é a Dinamarca, com 36,7 conexões de banda larga para cada 100 habitantes; a maioria das conexões do país usa linhas DSL.
Na Europa, muitas operadoras de telecomunicações relutam em levar os cabos de fibra óptica diretamente às residências devido ao alto custo inicial e optaram por um compromisso, criando redes de fibra óptica que se estendem até as caixas de conexão nas ruas, mas usando cabos de cobre delas até as residências”.
“Amsterdã (Reuters) - Os cabos de fibra óptica se tornaram a maior tecnologia de banda larga na Coréia do Sul e no Japão, que lideram o mundo em termos de proporção de domicílios conectados à Internet por links de velocidade ultra alta, demonstram dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgados na quinta-feira.
As mais recentes estatísticas da OCDE sobre banda larga demonstram que a Coréia do Sul dispunha de 12,2 conexões de fibra óptica por 100 habitantes, em junho, ante 10,5 conexões por TV a cabo e 8,4 por linhas telefônicas DSL usando cabos convencionais.
O índice de penetração da fibra óptica aumentou ante os 10,4 por cento da pesquisa anterior da OCDE, divulgada em dezembro de 2007.
"É uma grande mudança. O setor está fazendo a transição para a fibra óptica e estamos vendo os resultados primeiro na Coréia do Sul e Japão", disse Taylor Reynolds, economista da
OCDE
A penetração de fibra óptica na Coréia do Sul, sozinha, supera o índice de penetração geral da banda larga em cinco dos países da OCDE: Grécia, Polônia, Eslováquia, Turquia e México.
O Japão tem penetração de fibra óptica de 10,2 por cento, seguida por DSL com 9,6 por cento e cabo com 3,1 por cento.
O único país a se aproximar da Coréia do Sul e Japão é a Suécia, que tem seis conexões de banda larga em fibra óptica para cada 100 habitantes.
Estender as conexões de fibra óptica aos domicílios eleva substancialmente a velocidade da Internet, que também pode ser usada para TV de alta definição, serviços de vídeo sob demanda e outros recursos que exigem grandes larguras de banda.
O país mais conectado do mundo, de acordo com a OCDE, é a Dinamarca, com 36,7 conexões de banda larga para cada 100 habitantes; a maioria das conexões do país usa linhas DSL.
Na Europa, muitas operadoras de telecomunicações relutam em levar os cabos de fibra óptica diretamente às residências devido ao alto custo inicial e optaram por um compromisso, criando redes de fibra óptica que se estendem até as caixas de conexão nas ruas, mas usando cabos de cobre delas até as residências”.
BRASIL TEM A QUINTA PIOR BANDA LARGA DO MUNDO
Li ontem no “UOL Tecnologia” ontem o seguinte texto:
“Estudo da Cisco Systems chamado "Broadband Quality Score" (BQS, em tradução livre, pontuação para a qualidade em banda larga) aponta que o Brasil tem a quinta pior banda larga do mundo, atrás apenas de Chipre, México, China e Índia.
O cálculo avalia a qualidade e o índice de penetração da tecnologia. Para se ter uma idéia, existem 8,675 milhões de conexões banda larga no país e 45% deste total tem velocidade entre 256 kbps (kilobits por segundo)e 512 kbps, segundo dados do IDC do primeiro trimestre deste ano. Conexões entre 512 kbps e 1 Mbps totalizavam 21%, e velocidades maiores que 1 Mbps (megabits por segundo) apenas 7%.
A comScore confirma a falta de qualidade da banda larga brasileira: pesquisa indica que os brasileiros tendem a visitar sites multimídia com a mesma freqüência que os internautas do resto do mundo, mas que o acesso é menor do que a média mundial devido a impedimentos tecnológicos.
Uma das medidas do governo brasileiro para "bandalargar" o Brasil foi a revisão do Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado, que obriga as concessionárias de telefonia fixa a levar a rede de banda larga até a sede de todos os municípios brasileiros até dezembro de 2010.
Com isso, ficou estabelecido que 40% dos municípios deverão ser atendidos até dezembro de 2008, 80%, até dezembro de 2009 e 100%, até dezembro de 2010.
A velocidade da banda larga para municípios com até 20 mil habitantes deverá ser de, no mínimo, 8 Mbps; entre 20 mil e 40 mil, no mínimo, 16 Mbps; entre 40 mil e 60 mil, no mínimo, 32 Mbps; e acima de 60 mil, no mínimo, 64 Mbps.
Segundo a avaliação do BQS, os serviços mais usados atualmente, como vídeos streaming e redes sociais, pressupõem que se tenha uma conexão banda larga que ofereça velocidade de 3,75 Mbps de download e 1 Mbps de upload.
No entanto, para que haja qualidade na experiência do futuro na Internet, considerando os serviços que estarão disponíveis e serão demandados daqui um ano, será necessária velocidade de download de 11,25 Mbps e 5 Mbps de upload.
O estudo mostra que, do final de 2009 para 2015, a demanda será por vídeos streaming de alta definição (como os que já são oferecidos no Joost), compartilhamento de arquivos grandes, IPTV de alta definição e videoconferência deve sair do ambiente empresarial para se tornar mais um serviço ao consumidor na Internet, como os mensageiros instantâneos.
A conclusão do BQS é que o único país que está pronto para o futuro é o Japão.
Os critérios de avaliação do BQS incluíram velocidades de download (recebimento de dados), upload (envio de dados) e a latência (tempo que um pacote de dados leva da fonte ao seu destino).
Mais informações sobre o estudo podem ser encontrados no site da Oxford University”.
“Estudo da Cisco Systems chamado "Broadband Quality Score" (BQS, em tradução livre, pontuação para a qualidade em banda larga) aponta que o Brasil tem a quinta pior banda larga do mundo, atrás apenas de Chipre, México, China e Índia.
O cálculo avalia a qualidade e o índice de penetração da tecnologia. Para se ter uma idéia, existem 8,675 milhões de conexões banda larga no país e 45% deste total tem velocidade entre 256 kbps (kilobits por segundo)e 512 kbps, segundo dados do IDC do primeiro trimestre deste ano. Conexões entre 512 kbps e 1 Mbps totalizavam 21%, e velocidades maiores que 1 Mbps (megabits por segundo) apenas 7%.
A comScore confirma a falta de qualidade da banda larga brasileira: pesquisa indica que os brasileiros tendem a visitar sites multimídia com a mesma freqüência que os internautas do resto do mundo, mas que o acesso é menor do que a média mundial devido a impedimentos tecnológicos.
Uma das medidas do governo brasileiro para "bandalargar" o Brasil foi a revisão do Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado, que obriga as concessionárias de telefonia fixa a levar a rede de banda larga até a sede de todos os municípios brasileiros até dezembro de 2010.
Com isso, ficou estabelecido que 40% dos municípios deverão ser atendidos até dezembro de 2008, 80%, até dezembro de 2009 e 100%, até dezembro de 2010.
A velocidade da banda larga para municípios com até 20 mil habitantes deverá ser de, no mínimo, 8 Mbps; entre 20 mil e 40 mil, no mínimo, 16 Mbps; entre 40 mil e 60 mil, no mínimo, 32 Mbps; e acima de 60 mil, no mínimo, 64 Mbps.
Segundo a avaliação do BQS, os serviços mais usados atualmente, como vídeos streaming e redes sociais, pressupõem que se tenha uma conexão banda larga que ofereça velocidade de 3,75 Mbps de download e 1 Mbps de upload.
No entanto, para que haja qualidade na experiência do futuro na Internet, considerando os serviços que estarão disponíveis e serão demandados daqui um ano, será necessária velocidade de download de 11,25 Mbps e 5 Mbps de upload.
O estudo mostra que, do final de 2009 para 2015, a demanda será por vídeos streaming de alta definição (como os que já são oferecidos no Joost), compartilhamento de arquivos grandes, IPTV de alta definição e videoconferência deve sair do ambiente empresarial para se tornar mais um serviço ao consumidor na Internet, como os mensageiros instantâneos.
A conclusão do BQS é que o único país que está pronto para o futuro é o Japão.
Os critérios de avaliação do BQS incluíram velocidades de download (recebimento de dados), upload (envio de dados) e a latência (tempo que um pacote de dados leva da fonte ao seu destino).
Mais informações sobre o estudo podem ser encontrados no site da Oxford University”.
ÍNDICE DE DESEMPREGO FICA EM 7,6% EM SETEMBRO E CAI EM RELAÇÃO ANO ANTERIOR
A agência espanhola de notícias EFE produziu a seguinte notícia postada ontem no portal UOL:
”O índice de desemprego no país fechou o mês de setembro em 7,6% e caiu 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2007, mas se manteve estável comparado a agosto de 2008, informou hoje o IBGE.
Segundo a pesquisa mensal sobre o emprego, realizada nas sete principais capitais do Brasil, há 1,8 milhão de pessoas em condição de desemprego aberto nessas cidades.
A quantidade de pessoas empregadas nessas cidades é de 22 milhões, com uma expansão de 3,4% a respeito de agosto.
A renda média dos trabalhadores fechou o mês em R$ 1.267 e subiu 0,9% em relação a agosto e 6,4% a respeito de setembro de 2007”.
”O índice de desemprego no país fechou o mês de setembro em 7,6% e caiu 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2007, mas se manteve estável comparado a agosto de 2008, informou hoje o IBGE.
Segundo a pesquisa mensal sobre o emprego, realizada nas sete principais capitais do Brasil, há 1,8 milhão de pessoas em condição de desemprego aberto nessas cidades.
A quantidade de pessoas empregadas nessas cidades é de 22 milhões, com uma expansão de 3,4% a respeito de agosto.
A renda média dos trabalhadores fechou o mês em R$ 1.267 e subiu 0,9% em relação a agosto e 6,4% a respeito de setembro de 2007”.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
LULA É O PREFERIDO ENTRE LÍDERES NA ARGENTINA, DIZ PESQUISA
Li ontem no site do Estadão o seguinte texto de Marina Guimarães da Agencia Estado:
“Buenos Aires - Em uma pesquisa realizada entre os líderes de opinião da Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui a melhor imagem entre os mandatários dos mais diferentes países. Lula alcançou 97% da preferência, seguido por Álvaro Uribe, da Colômbia, com 74%; Tabaré Vázquez, do Uruguai, com 69% e Michele Bachelet, do Chile, com 63%. A pesquisa foi realizada pela consultoria Poliarquía, de análises políticas e enquetes, durante os meses de julho e agosto deste ano.
Entre os presidentes com pior imagem, se destacam: Hugo Chávez (Venezuela), Mahmoud Ahmadinejad (Irã) e George W. Bush (EUA), com 79%, 72% e 68% respectivamente. A pesquisa foi realizada pela consultoria Poliarquía, de análises políticas e enquetes, durante os meses de julho e agosto deste ano. Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Raúl Castro (Cuba) também têm uma imagem negativa pronunciada (57%, 46% e 39%, respectivamente).
A pesquisa envolveu 164 líderes de opinião dos setores financeiro, empresarial e acadêmico e da sociedade civil, assim como destacados intelectuais, jornalistas e dirigentes políticos. A enquete indagou sobre a imagem dos mandatários do Poder Executivo de distintos países da Europa, América Latina, América do Norte e Ásia.
Os entrevistados também foram consultados sobre as relações bilaterais da Argentina. Em termos gerais, destacaram que a Argentina deveria manter uma política de aproximação com os países sócios do Mercosul, especialmente com o Brasil. Desta forma, 93% dos líderes opinam que o país deve manter uma política de maior proximidade com o principal sócio do bloco regional.
A pesquisa mostra ainda que 88% defendem uma aproximação com o Chile e Uruguai, enquanto que 77% defendem que deveria haver a mesma política com o México. Por outro lado, os entrevistados opinaram que a Argentina deveria se manter mais afastada dos governos catalogados como parte do denominado "socialismo do século XXI", como a Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador.
VENEZUELA
No caso das relações bilaterais com a Venezuela, o levantamento sugere que a maioria dos consultados - 70% - é a favor de um afastamento. Mas as opiniões se dividem em relação a Cuba, Equador e Bolívia. Os entrevistados opinaram que a Argentina deveria manter os vínculos atuais com Cuba e Equador, mas no caso da Bolívia, 33% votam por uma aproximação, 37%, por manter os atuais vínculos, e 29% defendem afastamento. No que diz respeito à Europa, 91% consideram importante a aproximação, com destaque para a Itália e Espanha. Os líderes de opinião também se mostraram favoráveis a uma relação mais próxima com os Estados Unidos (80%)”.
“Buenos Aires - Em uma pesquisa realizada entre os líderes de opinião da Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui a melhor imagem entre os mandatários dos mais diferentes países. Lula alcançou 97% da preferência, seguido por Álvaro Uribe, da Colômbia, com 74%; Tabaré Vázquez, do Uruguai, com 69% e Michele Bachelet, do Chile, com 63%. A pesquisa foi realizada pela consultoria Poliarquía, de análises políticas e enquetes, durante os meses de julho e agosto deste ano.
Entre os presidentes com pior imagem, se destacam: Hugo Chávez (Venezuela), Mahmoud Ahmadinejad (Irã) e George W. Bush (EUA), com 79%, 72% e 68% respectivamente. A pesquisa foi realizada pela consultoria Poliarquía, de análises políticas e enquetes, durante os meses de julho e agosto deste ano. Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Raúl Castro (Cuba) também têm uma imagem negativa pronunciada (57%, 46% e 39%, respectivamente).
A pesquisa envolveu 164 líderes de opinião dos setores financeiro, empresarial e acadêmico e da sociedade civil, assim como destacados intelectuais, jornalistas e dirigentes políticos. A enquete indagou sobre a imagem dos mandatários do Poder Executivo de distintos países da Europa, América Latina, América do Norte e Ásia.
Os entrevistados também foram consultados sobre as relações bilaterais da Argentina. Em termos gerais, destacaram que a Argentina deveria manter uma política de aproximação com os países sócios do Mercosul, especialmente com o Brasil. Desta forma, 93% dos líderes opinam que o país deve manter uma política de maior proximidade com o principal sócio do bloco regional.
A pesquisa mostra ainda que 88% defendem uma aproximação com o Chile e Uruguai, enquanto que 77% defendem que deveria haver a mesma política com o México. Por outro lado, os entrevistados opinaram que a Argentina deveria se manter mais afastada dos governos catalogados como parte do denominado "socialismo do século XXI", como a Venezuela, Cuba, Bolívia e Equador.
VENEZUELA
No caso das relações bilaterais com a Venezuela, o levantamento sugere que a maioria dos consultados - 70% - é a favor de um afastamento. Mas as opiniões se dividem em relação a Cuba, Equador e Bolívia. Os entrevistados opinaram que a Argentina deveria manter os vínculos atuais com Cuba e Equador, mas no caso da Bolívia, 33% votam por uma aproximação, 37%, por manter os atuais vínculos, e 29% defendem afastamento. No que diz respeito à Europa, 91% consideram importante a aproximação, com destaque para a Itália e Espanha. Os líderes de opinião também se mostraram favoráveis a uma relação mais próxima com os Estados Unidos (80%)”.
APESAR DA CRISE, CRÉDITO NO BRASIL CRESCE EM SETEMBRO
O jornal “O Estado de São Paulo” ontem publicou a seguinte notícia produzida pela agência norte-americana REUTERS, em reportagem de Renato Andrade e edição de Alexandre Caverni:
“O agravamento da crise de crédito global em setembro não surtiu efeitos negativos sobre o mercado brasileiro no mês passado, período em que o saldo das operações de financiamento no país cresceu 3,5 por cento, mostraram dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira.
De acordo com o levantamento, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somaram 1,148 trilhão de reais no mês passado.
O saldo corresponde a 39,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em agosto, o saldo representava 37,9 por cento do PIB.
"A evolução das operações de crédito... seguiu a tendência de crescimento observada no mês anterior, evidenciando desempenhos favoráveis tanto das carteiras contratadas com recursos livres, influenciadas, principalmente, pelos efeitos da depreciação cambial nas modalidades referenciadas em moeda estrangeira, quanto dos financiamentos com recursos direcionados, que traduziram, sobretudo, a expansão das operações realizadas pelo BNDES", afirmou o BC em nota.
Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, a taxa de crescimento das operações de crédito no país atingiu 34,0 por cento, um avanço em relação à taxa acumulada até agosto, de 31,8 por cento.
Os empréstimos efetuados com recursos livres, que respondem por 71,9 por cento do total do sistema financeiro, totalizaram 826 bilhões de reais em setembro.
Desde a metade de setembro, os mercados de crédito globais praticamente congelaram, o que forçou governos ao redor do mundo a adotar medidas excepcionais para injetar recursos e garantir o funcionamento das operações de crédito.
No Brasil, o governo adotou uma série de medidas, entre elas leilões de moeda estrangeira voltados especificamente para o financiamento de operações do comércio exterior.
O aumento do crédito em setembro foi acompanhado de uma elevação na taxa média de juro praticada pelas instituições no período.
De acordo com os dados apurados pelo BC, a taxa média de juro em setembro ficou em 40,4 por cento ao ano, ante 40,1 por cento em agosto.
Para as empresas, os bancos combraram, em média, um juro de 28,3 por cento, mesmo patamar de agosto. Para as pessoas físicas, a taxa em setembro ficou em 53,1 por cento, ante 52,1 por cento no mês anterior”.
“O agravamento da crise de crédito global em setembro não surtiu efeitos negativos sobre o mercado brasileiro no mês passado, período em que o saldo das operações de financiamento no país cresceu 3,5 por cento, mostraram dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira.
De acordo com o levantamento, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional somaram 1,148 trilhão de reais no mês passado.
O saldo corresponde a 39,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em agosto, o saldo representava 37,9 por cento do PIB.
"A evolução das operações de crédito... seguiu a tendência de crescimento observada no mês anterior, evidenciando desempenhos favoráveis tanto das carteiras contratadas com recursos livres, influenciadas, principalmente, pelos efeitos da depreciação cambial nas modalidades referenciadas em moeda estrangeira, quanto dos financiamentos com recursos direcionados, que traduziram, sobretudo, a expansão das operações realizadas pelo BNDES", afirmou o BC em nota.
Nos últimos 12 meses encerrados em setembro, a taxa de crescimento das operações de crédito no país atingiu 34,0 por cento, um avanço em relação à taxa acumulada até agosto, de 31,8 por cento.
Os empréstimos efetuados com recursos livres, que respondem por 71,9 por cento do total do sistema financeiro, totalizaram 826 bilhões de reais em setembro.
Desde a metade de setembro, os mercados de crédito globais praticamente congelaram, o que forçou governos ao redor do mundo a adotar medidas excepcionais para injetar recursos e garantir o funcionamento das operações de crédito.
No Brasil, o governo adotou uma série de medidas, entre elas leilões de moeda estrangeira voltados especificamente para o financiamento de operações do comércio exterior.
O aumento do crédito em setembro foi acompanhado de uma elevação na taxa média de juro praticada pelas instituições no período.
De acordo com os dados apurados pelo BC, a taxa média de juro em setembro ficou em 40,4 por cento ao ano, ante 40,1 por cento em agosto.
Para as empresas, os bancos combraram, em média, um juro de 28,3 por cento, mesmo patamar de agosto. Para as pessoas físicas, a taxa em setembro ficou em 53,1 por cento, ante 52,1 por cento no mês anterior”.
LULA REPASSOU MAIS VERBAS A KASSAB DO QUE A MARTA EM SP
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem o seguinte artigo de José Alberto Bombig e Fernando Barros de Mello:
TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS AO MUNICÍPIO CRESCERAM DEPOIS QUE PETISTA DEIXOU O CARGO
“Campanha de Marta diz que dados mostram caráter republicano e democrático do presidente, mas critica falta de projetos de Kassab
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou as transferências voluntárias da União para a gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura de São Paulo na comparação com os dois últimos anos da também petista Marta Suplicy.
Na prática, isso significa que o presidente deu mais dinheiro para o democrata do que para sua companheira de partido. O assunto foi um dos temas que predominaram no mais recente debate entre os dois candidatos a prefeito de São Paulo. Em comícios e na TV, Lula exaltou a "parceria" com Marta.
Levantamento feito pela Folha com base nos dados da Secretaria Municipal de Finanças mostra um crescimento nas transferências voluntárias da União -aquelas que não são obrigatórias por lei- em relação ao total de repasses para o município de São Paulo.
Foram 6,13% em 2003 e 5,6% em 2004, valor que chegou a 13,5% em 2006 e 8,1% em 2007.
Já descontada a inflação, na média dos dois últimos anos da gestão Marta (2001-2004), período em que a petista conviveu com o governo Lula, foram R$ 71,6 milhões.
No período entre janeiro de 2005, início da gestão Serra/Kassab, até agosto deste ano, a média chegou a R$ 133 milhões por ano.
Kassab assumiu o cargo em março de 2006, após a saída de Serra para concorrer ao governo. Naquele ano, foram R$ 246,6 milhões (valor corrigido pela inflação). Em 2007, foram R$ 146 milhões e, até agosto, R$ 83,1 milhões.
O maior salto ocorreu nos convênios para programas de infra-estrutura em transporte.
Nessa rubrica, não houve dinheiro até 2005. Em 2006, foram R$ 107,4 milhões, contra R$ 59,5 milhões em 2007 e R$ 29,6 milhões em 2008.
Transferências voluntárias são recursos repassados pela União em decorrência da celebração de convênios, acordos ou outros instrumentos similares, cuja finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum. Elas não são obrigatórias nem englobam o dinheiro destinado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Os especialistas apontam o aumento de convênios como o principal fator para o salto, mas lembram que o crescimento da economia brasileira também ajudou, aliado ao maior grau de investimento federal.
"Com crescimento econômico maior, aumentam a receita e a possibilidade de gastar mais. Uma das formas pode ser o aumento desses convênios", afirma Nelson Marconi, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo.
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 1,1% em 2003 e saltou para 5,7% em 2004, durante a gestão de Marta. Em 2005, o crescimento foi de 3,2%; em 2006, de 3,8%, e em 2007, de 5,4%.
Em números, o PIB totalizou R$ 1,7 trilhão em 2003 e atingiu R$ 2,55 trilhões em 2007.
"CARÁTER REPUBLICANO"
A campanha de Marta Suplicy afirma que o levantamento só demonstra "o caráter democrático e republicano do governo do presidente Lula".
Destaca ainda que, à frente do Turismo em 2007, Marta também transferiu recursos para São Paulo -R$ 1,9 milhão e R$ 1,8 milhões, de acordo com o município, e R$ 8 milhões, segundo a campanha petista.
A assessoria da candidata pondera, no entanto, que outros recursos destinados pela União, como os do Pró-Jovem, não foram utilizados, o que demonstraria a ausência de projetos de Kassab e seus problemas para comandar a cidade.
O Ministério da Fazenda informou que cada órgão federal, ao transferir recursos, segue seus próprios critérios e não contestou os números Folha”.
TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS AO MUNICÍPIO CRESCERAM DEPOIS QUE PETISTA DEIXOU O CARGO
“Campanha de Marta diz que dados mostram caráter republicano e democrático do presidente, mas critica falta de projetos de Kassab
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentou as transferências voluntárias da União para a gestão de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) na Prefeitura de São Paulo na comparação com os dois últimos anos da também petista Marta Suplicy.
Na prática, isso significa que o presidente deu mais dinheiro para o democrata do que para sua companheira de partido. O assunto foi um dos temas que predominaram no mais recente debate entre os dois candidatos a prefeito de São Paulo. Em comícios e na TV, Lula exaltou a "parceria" com Marta.
Levantamento feito pela Folha com base nos dados da Secretaria Municipal de Finanças mostra um crescimento nas transferências voluntárias da União -aquelas que não são obrigatórias por lei- em relação ao total de repasses para o município de São Paulo.
Foram 6,13% em 2003 e 5,6% em 2004, valor que chegou a 13,5% em 2006 e 8,1% em 2007.
Já descontada a inflação, na média dos dois últimos anos da gestão Marta (2001-2004), período em que a petista conviveu com o governo Lula, foram R$ 71,6 milhões.
No período entre janeiro de 2005, início da gestão Serra/Kassab, até agosto deste ano, a média chegou a R$ 133 milhões por ano.
Kassab assumiu o cargo em março de 2006, após a saída de Serra para concorrer ao governo. Naquele ano, foram R$ 246,6 milhões (valor corrigido pela inflação). Em 2007, foram R$ 146 milhões e, até agosto, R$ 83,1 milhões.
O maior salto ocorreu nos convênios para programas de infra-estrutura em transporte.
Nessa rubrica, não houve dinheiro até 2005. Em 2006, foram R$ 107,4 milhões, contra R$ 59,5 milhões em 2007 e R$ 29,6 milhões em 2008.
Transferências voluntárias são recursos repassados pela União em decorrência da celebração de convênios, acordos ou outros instrumentos similares, cuja finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum. Elas não são obrigatórias nem englobam o dinheiro destinado ao SUS (Sistema Único de Saúde).
Os especialistas apontam o aumento de convênios como o principal fator para o salto, mas lembram que o crescimento da economia brasileira também ajudou, aliado ao maior grau de investimento federal.
"Com crescimento econômico maior, aumentam a receita e a possibilidade de gastar mais. Uma das formas pode ser o aumento desses convênios", afirma Nelson Marconi, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) de São Paulo.
O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 1,1% em 2003 e saltou para 5,7% em 2004, durante a gestão de Marta. Em 2005, o crescimento foi de 3,2%; em 2006, de 3,8%, e em 2007, de 5,4%.
Em números, o PIB totalizou R$ 1,7 trilhão em 2003 e atingiu R$ 2,55 trilhões em 2007.
"CARÁTER REPUBLICANO"
A campanha de Marta Suplicy afirma que o levantamento só demonstra "o caráter democrático e republicano do governo do presidente Lula".
Destaca ainda que, à frente do Turismo em 2007, Marta também transferiu recursos para São Paulo -R$ 1,9 milhão e R$ 1,8 milhões, de acordo com o município, e R$ 8 milhões, segundo a campanha petista.
A assessoria da candidata pondera, no entanto, que outros recursos destinados pela União, como os do Pró-Jovem, não foram utilizados, o que demonstraria a ausência de projetos de Kassab e seus problemas para comandar a cidade.
O Ministério da Fazenda informou que cada órgão federal, ao transferir recursos, segue seus próprios critérios e não contestou os números Folha”.
ANTÔNIO DELFIM NETTO: “AS CRISES”
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem o seguinte artigo de Antonio Delfim Netto:
“Um pouco de história ajuda a relativizar a gravidade da crise que estamos vivendo. Ela não será o "fim do mundo"!
"Desde 1790, há registros confiáveis da "variação da conjuntura", que sempre obedeceu a movimentos cíclicos irregulares, com períodos e intensidade variáveis.
Pode-se (até 2008) contar pelo menos 46 desses ciclos, com períodos contracionistas da ordem de 20 meses.
Uns leves, outros profundos, mas, de todos, a chamada "economia de mercado" saiu mais forte.
De cada um deles, pelo diálogo entre a realidade e a teoria econômica que pretende entendê-la, ela saiu melhorando suas instituições.
Todas as organizações sociais e econômicas alternativas até agora "inventadas" por cérebros peregrinos mostraram-se menos eficientes na produção e menos compatíveis com a liberdade individual. De crise em crise, aproveitando a imaginação criadora do homem e a sua liberdade de iniciativa, a economia de mercado nos levou (no que respeita a produção material), em dois séculos, da Idade da Pedra à Idade da Informática.
As crises são ínsitas ao sistema.
Elas nunca têm as mesmas causas, porque a teoria econômica ajuda na construção de instituições que previnem a sua repetição. Mas o fato é que a superação de uma delas já traz em si o germe da próxima. A última, fortíssima (1979/83), foi supostamente causada pelo "excesso de regulamentação"; a atual é, aparentemente, produto da "falta de regulamentação"...
Desde a sua origem, o conhecimento econômico se divide em duas concepções diferentes.
Uma atribui aos "mercados" virtudes quase divinas e capazes de produzir a eficiência alocativa e, simultaneamente, a harmonia geral.
Outra vê nos mercados um eficiente mecanismo alocativo, mas incapaz de produzir harmonia.
A organização produtiva pelos mercados traz consigo a eficiência e, também, uma tríade diabólica: a flutuação do nível de atividade (e, logo, do emprego), a incapacidade de reduzir na velocidade desejada o nível de pobreza e a tendência a aumentar a desigualdade na distribuição da riqueza produzida. É essa diferença que divide os estadofóbicos dos estadólatras, nenhum dos quais, obviamente, portador da verdade.
O Brasil apenas recentemente recuperou o "espírito do desenvolvimento" e superou os fatores que poderiam matá-lo: a falta de energia ou o déficit não-financiável do balanço em conta corrente.
Seria uma pena destruí-lo por falta de imaginação e pânico com a atual crise externa...”
“Um pouco de história ajuda a relativizar a gravidade da crise que estamos vivendo. Ela não será o "fim do mundo"!
"Desde 1790, há registros confiáveis da "variação da conjuntura", que sempre obedeceu a movimentos cíclicos irregulares, com períodos e intensidade variáveis.
Pode-se (até 2008) contar pelo menos 46 desses ciclos, com períodos contracionistas da ordem de 20 meses.
Uns leves, outros profundos, mas, de todos, a chamada "economia de mercado" saiu mais forte.
De cada um deles, pelo diálogo entre a realidade e a teoria econômica que pretende entendê-la, ela saiu melhorando suas instituições.
Todas as organizações sociais e econômicas alternativas até agora "inventadas" por cérebros peregrinos mostraram-se menos eficientes na produção e menos compatíveis com a liberdade individual. De crise em crise, aproveitando a imaginação criadora do homem e a sua liberdade de iniciativa, a economia de mercado nos levou (no que respeita a produção material), em dois séculos, da Idade da Pedra à Idade da Informática.
As crises são ínsitas ao sistema.
Elas nunca têm as mesmas causas, porque a teoria econômica ajuda na construção de instituições que previnem a sua repetição. Mas o fato é que a superação de uma delas já traz em si o germe da próxima. A última, fortíssima (1979/83), foi supostamente causada pelo "excesso de regulamentação"; a atual é, aparentemente, produto da "falta de regulamentação"...
Desde a sua origem, o conhecimento econômico se divide em duas concepções diferentes.
Uma atribui aos "mercados" virtudes quase divinas e capazes de produzir a eficiência alocativa e, simultaneamente, a harmonia geral.
Outra vê nos mercados um eficiente mecanismo alocativo, mas incapaz de produzir harmonia.
A organização produtiva pelos mercados traz consigo a eficiência e, também, uma tríade diabólica: a flutuação do nível de atividade (e, logo, do emprego), a incapacidade de reduzir na velocidade desejada o nível de pobreza e a tendência a aumentar a desigualdade na distribuição da riqueza produzida. É essa diferença que divide os estadofóbicos dos estadólatras, nenhum dos quais, obviamente, portador da verdade.
O Brasil apenas recentemente recuperou o "espírito do desenvolvimento" e superou os fatores que poderiam matá-lo: a falta de energia ou o déficit não-financiável do balanço em conta corrente.
Seria uma pena destruí-lo por falta de imaginação e pânico com a atual crise externa...”
AGÊNCIA DE RISCO NÃO VÊ BANCOS PRESTES A QUEBRAR NO PAÍS
Li no UOL ontem o seguinte texto de Sílvio Crespo:
“A AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO AUSTIN RATING NÃO VÊ BANCOS QUE ESTEJAM PRESTES A QUEBRAR NO PAÍS.
Nesta quarta-feira, o Diário Oficial da União publicou Medida Provisória autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprarem participação de instituições financeiras, o que poderia provocar dúvidas sobre a saúde do setor bancário.
Luis Santacreu, analista da Austin Rating especializado no setor financeiro afirmou que, caso exista algum banco nessa condição, "a medida (do governo) garantiria quase integralmente a continuidade da instituição". Ele afirma que "nenhum banco vai quebrar".
O analista lembrou que a agência não rebaixou a classificação de nenhuma instituição financeira do país. A Austin Rating tirou a perspectiva positiva de alguns bancos nas últimas semanas, o que significa que, por enquanto, também não pretende elevar as notas.
"É uma medida preventiva para que, se houver necessidade (de o BB ou a Caixa comprarem parte de bancos), todo o arcabouço jurídico já está feito."
A iniciativa do governo "dá segurança a quem, porventura, tenha interesse em aplicar nessas instituições e para que as instituições possam dar crédito". Com mais segurança, as instituições privadas poderiam aos poucos voltarem a conceder crédito com prazos maiores e taxas de juros menores.
Nas primeiras semanas de outubro, quando a crise mundial se intensificou, as instituições financeiras privadas ficaram mais seletivas na concessão de crédito. A MP daria mais segurança para que a concessão de empréstimos voltasse a patamares um pouco maiores”.
“A AGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO AUSTIN RATING NÃO VÊ BANCOS QUE ESTEJAM PRESTES A QUEBRAR NO PAÍS.
Nesta quarta-feira, o Diário Oficial da União publicou Medida Provisória autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprarem participação de instituições financeiras, o que poderia provocar dúvidas sobre a saúde do setor bancário.
Luis Santacreu, analista da Austin Rating especializado no setor financeiro afirmou que, caso exista algum banco nessa condição, "a medida (do governo) garantiria quase integralmente a continuidade da instituição". Ele afirma que "nenhum banco vai quebrar".
O analista lembrou que a agência não rebaixou a classificação de nenhuma instituição financeira do país. A Austin Rating tirou a perspectiva positiva de alguns bancos nas últimas semanas, o que significa que, por enquanto, também não pretende elevar as notas.
"É uma medida preventiva para que, se houver necessidade (de o BB ou a Caixa comprarem parte de bancos), todo o arcabouço jurídico já está feito."
A iniciativa do governo "dá segurança a quem, porventura, tenha interesse em aplicar nessas instituições e para que as instituições possam dar crédito". Com mais segurança, as instituições privadas poderiam aos poucos voltarem a conceder crédito com prazos maiores e taxas de juros menores.
Nas primeiras semanas de outubro, quando a crise mundial se intensificou, as instituições financeiras privadas ficaram mais seletivas na concessão de crédito. A MP daria mais segurança para que a concessão de empréstimos voltasse a patamares um pouco maiores”.
ÍNDIA LANÇA PRIMEIRA MISSÃO À LUA
A agência inglesa de notícias BBC publicou ontem a seguinte reportagem que li no UOL:
“A Índia lançou com sucesso, nesta quarta-feira, sua primeira missão não-tripulada à Lua. A espaçonave, construída na Índia, leva uma satélite de uma tonelada e meia que irá orbitar a Lua por dois anos para examinar a distribuição mineral e química do satélite natural da Terra e criar um atlas dimensional da superfície lunar.
O lançamento, realizado no Centro Espacial Satish Dhawan, na costa sul do país, é considerado um passo importante para a Índia na corrida espacial entre os países asiáticos, da qual também fazem parte a China e o Japão.
O custo estimado da missão, batizada de Chandrayaan-1, é de US$ 78 milhões (R$175 mi).
A espaçonave foi projetada pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (Isro). O satélite será alimentado por um painel solar que gera cerca de 700 Watts. Entre os 11 instrumentos a bordo da Chandrayaan-1, cinco foram produzidos na Índia e seis em outros países. Entre os instrumentos indianos está uma sonda de 30 quilos, que será lançada pelo satélite para examinar a superfície e a atmosfera lunar.
"Chandrayaan-1 tem uma combinação competitiva de instrumentos e trará benefícios à ciência", disse Barry Kellet, cientista do Laboratório Rutherford-Appleton, na Inglaterra. Entre os principais objetivos da missão será detectar hélio-3, um isótopo do elemento químico hélio bastante raro na Terra, mas com grande potencial para se tornar uma importante fonte de energia no futuro. Além disso, a missão deve ainda mapear a abundância de elementos na crosta lunar para ajudar a responder questões importantes sobre a origem e evolução do único satélite natural da Terra.
Segundo os cientistas, ao analisar a distribuição de magnésio e ferro nas rochas lunares, por exemplo, seria possível confirmar se a Lua já foi coberta por um oceano de magma. "O ferro teria afundado no magma, enquanto o magnésio teria boiado", disse Kellet à BBC.
Ásia Além da Índia, os países China, Coréia do Sul e Japão estão de olho no mercado dos lançamentos comerciais de satélites e consideram seus programas espaciais como um símbolo importante da estatura internacional do país e de seu desenvolvimento econômico.
Mas os esforços do governo indiano na corrida espacial foram bastante criticados. Muitos consideram o programa como um desperdício de recursos em um país onde milhões de pessoas não tem acesso a serviços básicos.
PS: Relembro aqui parte de texto já postado neste blog:
“O Brasil, nas décadas de 60, 70 e 80, estava mais avançado que a Índia e a China na área espacial.
Na década de 90, medidas governamentais (PSDB/PFL/FHC) asfixiaram até zerar o desenvolvimento espacial brasileiro no tocante a foguetes lançadores de satélites e a centros de lançamento.
Tudo indicava que o Brasil, ao se autocondenar a ser submisso e dependente, atendia interesses das grandes potências, especialmente dos EUA, que formal e explicitamente comunicaram que não queriam o desenvolvimento brasileiro naqueles setores.
Assim, até hoje, o Brasil ficou condenado a subordinar-se à vontade e às condições draconianas dos EUA e das demais potências para colocar em órbita satélites necessários desenvolvimento do país.
A China e a Índia, ao contrário, foram altivos e soberanos. Continuaram investindo e estão na iminência de realizar expedições lunares.”
“A Índia lançou com sucesso, nesta quarta-feira, sua primeira missão não-tripulada à Lua. A espaçonave, construída na Índia, leva uma satélite de uma tonelada e meia que irá orbitar a Lua por dois anos para examinar a distribuição mineral e química do satélite natural da Terra e criar um atlas dimensional da superfície lunar.
O lançamento, realizado no Centro Espacial Satish Dhawan, na costa sul do país, é considerado um passo importante para a Índia na corrida espacial entre os países asiáticos, da qual também fazem parte a China e o Japão.
O custo estimado da missão, batizada de Chandrayaan-1, é de US$ 78 milhões (R$175 mi).
A espaçonave foi projetada pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (Isro). O satélite será alimentado por um painel solar que gera cerca de 700 Watts. Entre os 11 instrumentos a bordo da Chandrayaan-1, cinco foram produzidos na Índia e seis em outros países. Entre os instrumentos indianos está uma sonda de 30 quilos, que será lançada pelo satélite para examinar a superfície e a atmosfera lunar.
"Chandrayaan-1 tem uma combinação competitiva de instrumentos e trará benefícios à ciência", disse Barry Kellet, cientista do Laboratório Rutherford-Appleton, na Inglaterra. Entre os principais objetivos da missão será detectar hélio-3, um isótopo do elemento químico hélio bastante raro na Terra, mas com grande potencial para se tornar uma importante fonte de energia no futuro. Além disso, a missão deve ainda mapear a abundância de elementos na crosta lunar para ajudar a responder questões importantes sobre a origem e evolução do único satélite natural da Terra.
Segundo os cientistas, ao analisar a distribuição de magnésio e ferro nas rochas lunares, por exemplo, seria possível confirmar se a Lua já foi coberta por um oceano de magma. "O ferro teria afundado no magma, enquanto o magnésio teria boiado", disse Kellet à BBC.
Ásia Além da Índia, os países China, Coréia do Sul e Japão estão de olho no mercado dos lançamentos comerciais de satélites e consideram seus programas espaciais como um símbolo importante da estatura internacional do país e de seu desenvolvimento econômico.
Mas os esforços do governo indiano na corrida espacial foram bastante criticados. Muitos consideram o programa como um desperdício de recursos em um país onde milhões de pessoas não tem acesso a serviços básicos.
PS: Relembro aqui parte de texto já postado neste blog:
“O Brasil, nas décadas de 60, 70 e 80, estava mais avançado que a Índia e a China na área espacial.
Na década de 90, medidas governamentais (PSDB/PFL/FHC) asfixiaram até zerar o desenvolvimento espacial brasileiro no tocante a foguetes lançadores de satélites e a centros de lançamento.
Tudo indicava que o Brasil, ao se autocondenar a ser submisso e dependente, atendia interesses das grandes potências, especialmente dos EUA, que formal e explicitamente comunicaram que não queriam o desenvolvimento brasileiro naqueles setores.
Assim, até hoje, o Brasil ficou condenado a subordinar-se à vontade e às condições draconianas dos EUA e das demais potências para colocar em órbita satélites necessários desenvolvimento do país.
A China e a Índia, ao contrário, foram altivos e soberanos. Continuaram investindo e estão na iminência de realizar expedições lunares.”
FHC SALVOU O CAPITALISMO
O jornalista Paulo Henrique Amorim, mestre da ironia fina, escreveu esta semana no seu blog “Conversa Afiada”:
“O Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade, agora salvou o Capitalismo.
Como já mostrou o Conversa Afiada, foi ele quem descobriu a Lei da Gravidade e fundou a Geometria Euclidiana.
Agora, o Farol salvou o Capitalismo.
Ele diz e o PiG [Partido da Imprensa Golpista] repete incansavelmente – e seus epígonos, como Gustavo Franco – que o “pacote Brown”, o que salvou o Capitalismo a ponto de os Estados Unidos o imitarem, nada mais é do que uma cópia do Proer.
O Farol se esquece de dois pequenos detalhes.
Em democracias, como na Inglaterra, na Alemanha, na França, nos Estados Unidos, o Proer seria impossível.
Sabe por quê, caro leitor ?
Porque o “pacote Brown” pressupõe duas coisas:
1) o contribuinte que botar dinheiro nos bancos – através do Tesouro - vai receber o dinheiro de volta, se os bancos se recuperarem.
2) com a compra de ações preferenciais pelo Tesouro, quando os bancos voltarem a dar dinheiro, as ações sobem e o Erário (o contribuinte) embolsa a grana.
Quer dizer, o contribuinte põe e tira.
Aqui, no Proer, o contribuinte pôs e não tirou.
Segundo, a vigilância externa.
No “pacote Brown”, há organismos fora do sistema do Executivo – fora do Ministério da Fazenda, da Receita ou do Banco Central – para vigiar os bancos e acompanhar a utilização dos recursos injetados.
E o Proer ?
O contribuinte viu a cor do dinheiro?
E o contribuinte acompanhou o que os bancos beneficiados pelo Proer fizeram?
O Proer do Farol só foi possível na “ditadura do pensamento único”.
A ditadura do neoliberalismno do Presidente Fernando Henrique, apoiada invariavelmente pelo PiG.
Houve um momento na privatização que, num grampo, o “Bomba Atômica”, ou melhor, o Fernando Henrique dizia assim: os jornais estão apoiando ATÉ DEMAIS, não ?
“Até demais”.
Pois é, caro leitor, aqui, o controle externo ao Proer foi feito pelo PiG – até demais...”
“O Presidente Fernando Henrique Cardoso, o Farol de Alexandria, aquele que iluminava a Antiguidade, agora salvou o Capitalismo.
Como já mostrou o Conversa Afiada, foi ele quem descobriu a Lei da Gravidade e fundou a Geometria Euclidiana.
Agora, o Farol salvou o Capitalismo.
Ele diz e o PiG [Partido da Imprensa Golpista] repete incansavelmente – e seus epígonos, como Gustavo Franco – que o “pacote Brown”, o que salvou o Capitalismo a ponto de os Estados Unidos o imitarem, nada mais é do que uma cópia do Proer.
O Farol se esquece de dois pequenos detalhes.
Em democracias, como na Inglaterra, na Alemanha, na França, nos Estados Unidos, o Proer seria impossível.
Sabe por quê, caro leitor ?
Porque o “pacote Brown” pressupõe duas coisas:
1) o contribuinte que botar dinheiro nos bancos – através do Tesouro - vai receber o dinheiro de volta, se os bancos se recuperarem.
2) com a compra de ações preferenciais pelo Tesouro, quando os bancos voltarem a dar dinheiro, as ações sobem e o Erário (o contribuinte) embolsa a grana.
Quer dizer, o contribuinte põe e tira.
Aqui, no Proer, o contribuinte pôs e não tirou.
Segundo, a vigilância externa.
No “pacote Brown”, há organismos fora do sistema do Executivo – fora do Ministério da Fazenda, da Receita ou do Banco Central – para vigiar os bancos e acompanhar a utilização dos recursos injetados.
E o Proer ?
O contribuinte viu a cor do dinheiro?
E o contribuinte acompanhou o que os bancos beneficiados pelo Proer fizeram?
O Proer do Farol só foi possível na “ditadura do pensamento único”.
A ditadura do neoliberalismno do Presidente Fernando Henrique, apoiada invariavelmente pelo PiG.
Houve um momento na privatização que, num grampo, o “Bomba Atômica”, ou melhor, o Fernando Henrique dizia assim: os jornais estão apoiando ATÉ DEMAIS, não ?
“Até demais”.
Pois é, caro leitor, aqui, o controle externo ao Proer foi feito pelo PiG – até demais...”
LULA PERGUNTA A MINO: “QUAL O RISCO ‘ESTADOS UNIDOS’, HOJE?”
O jornalista Paulo Henrique Amorim escreveu ontem em seu blog “Conversa Afiada”:
“Ontem, segunda à noite, na festa da Carta Capital, em São Paulo, o Presidente Lula criticou aqueles que “torcem contra”.
Deveria ter dito: são o FHC e o PiG [Partido da Imprensa Golpista] que mais torcem contra.
A certa altura, Lula criticou aqueles que vivem a falar mal do Brasil e não cuidavam de seu próprio terreiro (leia-se Estados Unidos, FMI, Banco Mundial, agências de risco etc e tal).
E, aí, Lula perguntou a Mino: “Qual o risco ‘Estados Unidos’, hoje ?”
“Ontem, segunda à noite, na festa da Carta Capital, em São Paulo, o Presidente Lula criticou aqueles que “torcem contra”.
Deveria ter dito: são o FHC e o PiG [Partido da Imprensa Golpista] que mais torcem contra.
A certa altura, Lula criticou aqueles que vivem a falar mal do Brasil e não cuidavam de seu próprio terreiro (leia-se Estados Unidos, FMI, Banco Mundial, agências de risco etc e tal).
E, aí, Lula perguntou a Mino: “Qual o risco ‘Estados Unidos’, hoje ?”
BRASIL É UM DOS EMERGENTES MENOS VULNERÁVEIS, DIZ BANCO DRESDNER KLEINWORT
O jornal “O Estado de São Paulo”, em texto de Fernando Dantas, publicou ontem (li no blog de Luis Favre):