O Ex-premiê britânico Tony Blair disse, durante apresentação de relatório sobre mudança climática em Tóquio, na última sexta-feira (27/06), que a comunidade internacional precisa “apoiar o país” [o Brasil] na conservação da Amazônia.
Essa notícia de Toru Yamanaka, em 27 jun 08, transmitida pela agência francesa France Presse, foi publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo, com texto de Afra Balazina, enviada especial a Tóquio, Japão.
“O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair defendeu o álcool de cana na reunião de parlamentares do G8+5 (as oito maiores potências do mundo e os cinco grandes países emergentes, entre eles o Brasil), que trata de aquecimento global, em Tóquio. E opinou que, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrar seu esforço em proteger a Amazônia, o aumento do desmatamento indica que o Brasil precisa da ajuda de outros países no combate à destruição da floresta.
A fala de Blair ocorreu no mesmo dia em que o fórum parlamentar fechou um documento de recomendações aos líderes do G8+5 pedindo mecanismos de mercado para as emissões de CO2 evitadas pela floresta em pé.
O Brasil é contra tais mecanismos, tendo criado um fundo voluntário para que nações ricas recompensem o país pela redução no desmate -o Fundo Amazônia.”
Este blog também não vê com simpatia essa atitude magnânima, desinteressada, das grandes potências em relação à nossa Amazônia. Em uma analogia grosseira, mas correta, seria um rico e poderoso magnata “dar uma ajuda”, “prestar um apoio” financeiro e de assistência gerencial para possibilitar a linda e cobiçada mulher do vizinho a comprar vestidos e jóias que permitam preservar aquela beleza.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
A PETROBRAS SERÁ EM BREVE A “A EMPRESA DE MAIOR VALOR DA TERRA”
Essa nota foi publicada hoje por Nelson de Sá em sua coluna “Toda Mídia” no jornal Folha de São Paulo. Vejamos a notícia da Folha com alguns adendos deste blog entre colchetes:
“Ken Heebner, recém-eleito "o investidor mais quente da América" pela [revista norte-americana] "Fortune", diz que a Petrobras caminha para ser a empresa de maior valor da Terra. "A número 1", noticia a [revista norte-americana] "Newsweek".
Entrevistado no CNBC [*], ele detalha que em cinco anos a estatal brasileira vai crescer de cinco a dez vezes.
Daí por que o que mais ecoou de Brasil no fim de semana, nos sites de busca de notícia e agências dos EUA à China, foi o anúncio pela Petrobras de que vai "começar a bombear petróleo na Nigéria" em julho, do seu campo de Agbami.”
[*] [Wikipedia: “CNBC (an abbreviation for the "Consumer News and Business Channel", its official name until 1991) is a cable and satellite television business news channel in the U.S., owned and operated by NBC Universal. CNBC and its international spinoffs cover business headlines and provide live coverage of financial markets. The combined reach of CNBC and its siblings is 390 million viewers around the world.”]
“Ken Heebner, recém-eleito "o investidor mais quente da América" pela [revista norte-americana] "Fortune", diz que a Petrobras caminha para ser a empresa de maior valor da Terra. "A número 1", noticia a [revista norte-americana] "Newsweek".
Entrevistado no CNBC [*], ele detalha que em cinco anos a estatal brasileira vai crescer de cinco a dez vezes.
Daí por que o que mais ecoou de Brasil no fim de semana, nos sites de busca de notícia e agências dos EUA à China, foi o anúncio pela Petrobras de que vai "começar a bombear petróleo na Nigéria" em julho, do seu campo de Agbami.”
[*] [Wikipedia: “CNBC (an abbreviation for the "Consumer News and Business Channel", its official name until 1991) is a cable and satellite television business news channel in the U.S., owned and operated by NBC Universal. CNBC and its international spinoffs cover business headlines and provide live coverage of financial markets. The combined reach of CNBC and its siblings is 390 million viewers around the world.”]
AVALIAÇÃO POSITIVA DE LULA NAS ALTURAS
AVALIAÇÕES POSITIVAS DO GOVERNO LULA ALCANÇAM 87%: “BOA” =58% E “REGULAR” =29%.
APROVAÇÃO DO DESEMPENHO PESSOAL DO PRESIDENTE ALCANÇA 72%.
CONFIANÇA NO PRESIDENTE LULA CRESCE DE 60% (DEZ 2007) PARA 68% (JUN 2008).
SOMENTE 20% CONSIDERAM O 2º MANDATO PIOR QUE O PRIMEIRO e 12% O GOVERNO COMO "RUIM" OU "PÉSSIMO"
Essas notícias foram publicadas há menos de uma hora (14h24) pela Folha Online.
A grande imprensa e a oposição estão em clima de enterro. Todo o esforço diuturno para derrubar a popularidade do governo mostrou-se inócuo. Tanto empenho e criatividade em inventar crises foram em vão. De nada adiantou o estrelismo de Álvaro Dias (PSDB) e de Agripino Maia (DEM) em todas as televisões e jornais para criar o “escândalo do dossiê anti-FHC”. A “crise da compra da VARIG” não vingou. Para nada serviu o ex-senador Bornhausen eleger a “crise da inflação” como plataforma “vitoriosa” do DEM. Pela internet recebo muitos e-mail (“corrente”) dizendo que Pelé foi sábio ao dizer que “o povo não sabe julgar”, “o povo não sabe votar” e que cabe à elite a grande batalha de ensinar ao povo o que deve pensar. Essa campanha, também, de nada adiantou.
É o desespero. O governo e o presidente Lula continuam bombando.
Vejamos a informação de Gabriela Guerreiro da Folha Online:
CNI/IBOPE MOSTRA QUE 58% AVALIAM POSITIVAMENTE GOVERNO LULA
“A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve estável em junho deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta segunda-feira. O governo do petista registrou avaliação positiva de 58%, assim como em março --quando o índice foi considerado o mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência da República.
Somente 12% dos entrevistados avaliaram o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto 29% consideraram a condução do governo como "regular".
Na última edição da pesquisa CNI/Ibope, divulgada em março, 58% dos entrevistados avaliaram o governo Lula como positivo. Outros 30% consideraram o governo irregular, enquanto 11% avaliaram como ruim ou péssimo. Em março de 2003, o índice de aprovação ao governo federal foi de 51% --o que foi considerado pela CNI/Ibope como um crescimento considerável para a avaliação do governo federal.
A aprovação ao presidente Lula também se manteve estável. No total, 72% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país, assim como em marco deste ano --quando 73% aprovaram o presidente. Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em junho do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por apenas 66% dos entrevistados.
Numa escala de zero a 10, a pesquisa aponta nota média de 7 para o governo do presidente Lula. Na última edição da pesquisa, em março, a nota esteve tecnicamente empatada em 7,1.
CONFIANÇA
O índice de confiança no presidente Lula também se manteve estável em 68%, o mesmo patamar registrado em março. Apenas 29% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança no presidente foi de 60%. Já em abril de 2006, o índice registrou 62%.
Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula.
Dos entrevistados, 40% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro foi de 20% dos entrevistados, enquanto 38% consideram os dois mandatos semelhantes.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 23 de junho, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.”
FRUSTRADO NOVO RECORDE DE RAPIDEZ EM DISTORÇÃO DE INFORMAÇÃO PELA IMPRENSA
Na postagem anterior, ressaltamos o recorde de 14 minutos, da Folha/UOL, em transformar uma notícia boa em ruim. No caso dessa notícia da CNI/IBOPE, houve grande esforço, porém frustrado em quebrar aquela marca. A UOL levou 24 minutos para colocar a seguinte manchete, sempre com as indispensáveis conjunções adversativas:
"Avaliação do governo é estável, mas inflação preocupa, diz Ibope (14h48)"
"A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em junho, mas a aprovação dos brasileiros em relação ao combate à inflação registrou queda, de acordo com dados da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentada nesta segunda-feira."
APROVAÇÃO DO DESEMPENHO PESSOAL DO PRESIDENTE ALCANÇA 72%.
CONFIANÇA NO PRESIDENTE LULA CRESCE DE 60% (DEZ 2007) PARA 68% (JUN 2008).
SOMENTE 20% CONSIDERAM O 2º MANDATO PIOR QUE O PRIMEIRO e 12% O GOVERNO COMO "RUIM" OU "PÉSSIMO"
Essas notícias foram publicadas há menos de uma hora (14h24) pela Folha Online.
A grande imprensa e a oposição estão em clima de enterro. Todo o esforço diuturno para derrubar a popularidade do governo mostrou-se inócuo. Tanto empenho e criatividade em inventar crises foram em vão. De nada adiantou o estrelismo de Álvaro Dias (PSDB) e de Agripino Maia (DEM) em todas as televisões e jornais para criar o “escândalo do dossiê anti-FHC”. A “crise da compra da VARIG” não vingou. Para nada serviu o ex-senador Bornhausen eleger a “crise da inflação” como plataforma “vitoriosa” do DEM. Pela internet recebo muitos e-mail (“corrente”) dizendo que Pelé foi sábio ao dizer que “o povo não sabe julgar”, “o povo não sabe votar” e que cabe à elite a grande batalha de ensinar ao povo o que deve pensar. Essa campanha, também, de nada adiantou.
É o desespero. O governo e o presidente Lula continuam bombando.
Vejamos a informação de Gabriela Guerreiro da Folha Online:
CNI/IBOPE MOSTRA QUE 58% AVALIAM POSITIVAMENTE GOVERNO LULA
“A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve estável em junho deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta segunda-feira. O governo do petista registrou avaliação positiva de 58%, assim como em março --quando o índice foi considerado o mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência da República.
Somente 12% dos entrevistados avaliaram o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto 29% consideraram a condução do governo como "regular".
Na última edição da pesquisa CNI/Ibope, divulgada em março, 58% dos entrevistados avaliaram o governo Lula como positivo. Outros 30% consideraram o governo irregular, enquanto 11% avaliaram como ruim ou péssimo. Em março de 2003, o índice de aprovação ao governo federal foi de 51% --o que foi considerado pela CNI/Ibope como um crescimento considerável para a avaliação do governo federal.
A aprovação ao presidente Lula também se manteve estável. No total, 72% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país, assim como em marco deste ano --quando 73% aprovaram o presidente. Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em junho do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por apenas 66% dos entrevistados.
Numa escala de zero a 10, a pesquisa aponta nota média de 7 para o governo do presidente Lula. Na última edição da pesquisa, em março, a nota esteve tecnicamente empatada em 7,1.
CONFIANÇA
O índice de confiança no presidente Lula também se manteve estável em 68%, o mesmo patamar registrado em março. Apenas 29% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança no presidente foi de 60%. Já em abril de 2006, o índice registrou 62%.
Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula.
Dos entrevistados, 40% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro foi de 20% dos entrevistados, enquanto 38% consideram os dois mandatos semelhantes.
A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 23 de junho, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.”
FRUSTRADO NOVO RECORDE DE RAPIDEZ EM DISTORÇÃO DE INFORMAÇÃO PELA IMPRENSA
Na postagem anterior, ressaltamos o recorde de 14 minutos, da Folha/UOL, em transformar uma notícia boa em ruim. No caso dessa notícia da CNI/IBOPE, houve grande esforço, porém frustrado em quebrar aquela marca. A UOL levou 24 minutos para colocar a seguinte manchete, sempre com as indispensáveis conjunções adversativas:
"Avaliação do governo é estável, mas inflação preocupa, diz Ibope (14h48)"
"A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em junho, mas a aprovação dos brasileiros em relação ao combate à inflação registrou queda, de acordo com dados da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentada nesta segunda-feira."
PRESIDENTE IRANIANO TERIA SOFRIDO ATENTADO COM RAIOS-X EM ROMA
A agência francesa de notícias France Presse (AFP) informou hoje esse possível atentado, em matéria postada há 20 minutos pelo UOL Últimas Notícias. A sigla “Irna”, que consta no texto da AFP, refere-se à agência iraniana de notícias (Wikipedia: “The Islamic Republic News Agency, or IRNA, is the official news agency of the Islamic Republic of Iran. It is government-funded and controlled under the Iranian Ministry of Culture and Islamic Guidance”):
DIPLOMATA AFIRMA QUE AHMADINEJAD FOI ALVO DE ATENTADO COM RAIOS X EM ROMA
"TEERÃ, 30 Jun 2008 (AFP) - O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, foi alvo de um atentado com raios X durante sua visita à Itália no início de junho, informou nesta segunda-feira a agência de notícias oficial Irna, citando o embaixador do Irã em Roma, Abolfazl Zohrehvand.
O plano consistia em submeter Ahmadinejad a uma radiação maciça. O presidente iraniano participava de uma reunião da FAO, segundo esse embaixador.
Ahmadinejad afirmou em meados de junho que havia sido alvo de um atentado frustrado, durante uma visita ao Iraque em março. Um de seus assessores disse depois que o presidente também fora alvo de uma conspiração para assassiná-lo em Roma.
"Um dia antes da chegada de Ahmadinejad, verifiquei e descobri que o detetor (de segurança) de raios X instalado em sua residência emitia muita radiação", disse o embaixador.
Segundo ele, o nível de radiação do aparelho era de 800 em vez de 300, como previsto. A IRNA não indicou a qual unidade de medida se referiu o diplomata.
As máquinas de detecção de raios X, ou gama, utilizadas geralmente nos aeroportos para examinar as bagagens, são consideradas inofensivas para os seres humanos que se encontram ao seu lado.
"Quando o presidente entrou (na residência), a radiação aumentou, chegando a 1.000, tanto que sua intensidade foi sentida em todo o edifício", acrescentou Zohrehvand, sem explicar as medidas tomadas em seguida."
DIPLOMATA AFIRMA QUE AHMADINEJAD FOI ALVO DE ATENTADO COM RAIOS X EM ROMA
"TEERÃ, 30 Jun 2008 (AFP) - O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, foi alvo de um atentado com raios X durante sua visita à Itália no início de junho, informou nesta segunda-feira a agência de notícias oficial Irna, citando o embaixador do Irã em Roma, Abolfazl Zohrehvand.
O plano consistia em submeter Ahmadinejad a uma radiação maciça. O presidente iraniano participava de uma reunião da FAO, segundo esse embaixador.
Ahmadinejad afirmou em meados de junho que havia sido alvo de um atentado frustrado, durante uma visita ao Iraque em março. Um de seus assessores disse depois que o presidente também fora alvo de uma conspiração para assassiná-lo em Roma.
"Um dia antes da chegada de Ahmadinejad, verifiquei e descobri que o detetor (de segurança) de raios X instalado em sua residência emitia muita radiação", disse o embaixador.
Segundo ele, o nível de radiação do aparelho era de 800 em vez de 300, como previsto. A IRNA não indicou a qual unidade de medida se referiu o diplomata.
As máquinas de detecção de raios X, ou gama, utilizadas geralmente nos aeroportos para examinar as bagagens, são consideradas inofensivas para os seres humanos que se encontram ao seu lado.
"Quando o presidente entrou (na residência), a radiação aumentou, chegando a 1.000, tanto que sua intensidade foi sentida em todo o edifício", acrescentou Zohrehvand, sem explicar as medidas tomadas em seguida."
CAFÉ COM O PRESIDENTE, ESTA SEGUNDA-FEIRA
O portal UOL Últimas Notícias publicou às 11h43 um extrato das informações transmitidas pelo presidente Lula hoje de manhã, no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”. O texto é da Agência Brasil:
LULA DIZ QUE ECONOMIA BRASILEIRA ESTÁ "EM ORDEM" E PROMETE MAIS EMPREGOS
“A economia brasileira está "em ordem", disse nesta segunda (30) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele prometeu mais empregos para a população e creditou a queda do desemprego no país - divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - aos investimentos do governo federal no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"Acredito que, a partir do ano que vem, as obras do PAC já estarão em andamento com muito mais força, com muito mais volume. Agora é que elas vão começar a gerar muito mais empregos, que é o que o Brasil precisa: mais emprego, mais salário, mais renda, mais consumo."
Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula lembrou que, quando assumiu o governo, o Brasil tinha R$ 300 bilhões de crédito e que, atualmente, o país conta com um volume de R$ 1 trilhão.
"Isso significa que tem gente tomando dinheiro emprestado para fazer investimento em alguma coisa. Isso significa que vai gerar mais empregos. Quando eu pego os números do Ministério do Trabalho e constato que, nos primeiro cinco meses, nós criamos 1,051 milhão de empregos com carteira assinada, a tendência natural é isso vir crescendo."
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego caiu para 7,9% em maio, nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras, depois de ter ficado em 8,5% em abril. O resultado foi o menor já registrado para o mês desde 2002 e o menor, entre todos os meses, desde dezembro de 2007 (7,4%). Na comparação com maio do ano passado (10,1%), o recuo foi maior: 2,2 pontos percentuais.”
LULA DIZ QUE ECONOMIA BRASILEIRA ESTÁ "EM ORDEM" E PROMETE MAIS EMPREGOS
“A economia brasileira está "em ordem", disse nesta segunda (30) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele prometeu mais empregos para a população e creditou a queda do desemprego no país - divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - aos investimentos do governo federal no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
"Acredito que, a partir do ano que vem, as obras do PAC já estarão em andamento com muito mais força, com muito mais volume. Agora é que elas vão começar a gerar muito mais empregos, que é o que o Brasil precisa: mais emprego, mais salário, mais renda, mais consumo."
Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula lembrou que, quando assumiu o governo, o Brasil tinha R$ 300 bilhões de crédito e que, atualmente, o país conta com um volume de R$ 1 trilhão.
"Isso significa que tem gente tomando dinheiro emprestado para fazer investimento em alguma coisa. Isso significa que vai gerar mais empregos. Quando eu pego os números do Ministério do Trabalho e constato que, nos primeiro cinco meses, nós criamos 1,051 milhão de empregos com carteira assinada, a tendência natural é isso vir crescendo."
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego caiu para 7,9% em maio, nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras, depois de ter ficado em 8,5% em abril. O resultado foi o menor já registrado para o mês desde 2002 e o menor, entre todos os meses, desde dezembro de 2007 (7,4%). Na comparação com maio do ano passado (10,1%), o recuo foi maior: 2,2 pontos percentuais.”
OUTROS DOIS RECORDES: 1) SUPERÁVIT PRIMÁRIO 42% MAIOR EM MAIO; 2) RAPIDEZ NA DISTORÇÃO PELA IMPRENSA
O portal UOL Últimas Notícias publicou há 20 minutos (12h00) uma nova boa notícia para a economia brasileira:
1) ECONOMIA PARA PAGAR JUROS CHEGA A R$ 75 BI NO ANO E BATE RECORDE
“A economia de receitas realizada pelo país para o pagamento de juros da dívida (superávit primário) somou R$ 74,95 bilhões de janeiro a maio, ou 6,55% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é recorde para esse período.
Em igual intervalo do ano passado, o saldo estava acumulado em R$ 60,027 bilhões (5,89% do PIB).
A meta do governo é fazer um superávit em 2008 de 3,8% do PIB, mais 0,5% para o Fundo Soberano do Brasil.
Só em maio o superávit primário foi de R$ 13,207 bilhões, o que significa um aumento de 42% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando o superávit foi de R$ 9,295 bilhões.
Nos 12 meses encerrados em maio, o superávit primário ficou em patamar equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,25% do PIB em 12 meses até abril.
O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou em 40,8 por cento do PIB no mês passado, frente a 41 por cento em abril.
Esses números referem-se à economia feita pelo chamado setor público consolidado, que reúne União, Estados, municípios e estatais.
ECONOMIA PARA JUROS
O superávit primário representa o que os setores públicos conseguiram economizar no mês. A economia é feita quando se arrecada mais do que se gasta. É essa sobra que o país usa para pagar os juros da dívida.”
2) NOVO RECORDE – 14 MINUTOS: RAPIDEZ DAS REDAÇÕES DO “PIG” PARA TRANSFORMAR NOTÍCIA BOA EM RUIM
Imagino a correria e as chamadas de atenção que ocorreram há poucos minutos dentro das redações da nossa grande imprensa. Somente 14 minutos após publicar a boa notícia do recorde no superávit primário, a Folha/UOL conseguiu novo recorde de contorcionismo da imprensa tucano-pefelenta: transformou aquela informação acima transcrita na seguinte, lançando mão das (já muito comentadas neste blog) conjunções adversativas. Vejamos o que foi publicado no UOL Últimas Notícias às 12h14:
2) ECONOMIA DE R$ 13 BI NÃO É SUFICIENTE PARA PAGAR OS JUROS EM MAIO; NO ANO, SALDO NOMINAL É POSITIVO
Da Redação
“O setor público poupou R$ 13,207 bilhões em maio para pagar dívida, mas o montante não foi suficiente para o pagamento dos juros no período, que somaram R$ 16,173 bilhões. O resultado foi um déficit nominal de R$ 7,452 bilhões”
1) ECONOMIA PARA PAGAR JUROS CHEGA A R$ 75 BI NO ANO E BATE RECORDE
“A economia de receitas realizada pelo país para o pagamento de juros da dívida (superávit primário) somou R$ 74,95 bilhões de janeiro a maio, ou 6,55% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é recorde para esse período.
Em igual intervalo do ano passado, o saldo estava acumulado em R$ 60,027 bilhões (5,89% do PIB).
A meta do governo é fazer um superávit em 2008 de 3,8% do PIB, mais 0,5% para o Fundo Soberano do Brasil.
Só em maio o superávit primário foi de R$ 13,207 bilhões, o que significa um aumento de 42% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando o superávit foi de R$ 9,295 bilhões.
Nos 12 meses encerrados em maio, o superávit primário ficou em patamar equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,25% do PIB em 12 meses até abril.
O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou em 40,8 por cento do PIB no mês passado, frente a 41 por cento em abril.
Esses números referem-se à economia feita pelo chamado setor público consolidado, que reúne União, Estados, municípios e estatais.
ECONOMIA PARA JUROS
O superávit primário representa o que os setores públicos conseguiram economizar no mês. A economia é feita quando se arrecada mais do que se gasta. É essa sobra que o país usa para pagar os juros da dívida.”
2) NOVO RECORDE – 14 MINUTOS: RAPIDEZ DAS REDAÇÕES DO “PIG” PARA TRANSFORMAR NOTÍCIA BOA EM RUIM
Imagino a correria e as chamadas de atenção que ocorreram há poucos minutos dentro das redações da nossa grande imprensa. Somente 14 minutos após publicar a boa notícia do recorde no superávit primário, a Folha/UOL conseguiu novo recorde de contorcionismo da imprensa tucano-pefelenta: transformou aquela informação acima transcrita na seguinte, lançando mão das (já muito comentadas neste blog) conjunções adversativas. Vejamos o que foi publicado no UOL Últimas Notícias às 12h14:
2) ECONOMIA DE R$ 13 BI NÃO É SUFICIENTE PARA PAGAR OS JUROS EM MAIO; NO ANO, SALDO NOMINAL É POSITIVO
Da Redação
“O setor público poupou R$ 13,207 bilhões em maio para pagar dívida, mas o montante não foi suficiente para o pagamento dos juros no período, que somaram R$ 16,173 bilhões. O resultado foi um déficit nominal de R$ 7,452 bilhões”
PARA DIMINUIR DESIGUALDADE, RICO PRECISA PAGAR IMPOSTO!
Apresento o texto que obtive no blog “Conversa Afiada”, sobre o programa “Entrevista Record”, da Record News, que foi transmitido na última terça-feira, dia 24. Nele, o jornalista Paulo Henrique Amorim entrevistou o presidente do IPEA, o economista e professor Marcio Pochmann.
O IPEA é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. É uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.
O entrevistado, Marcio Pochmann, é graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1984) e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1993). É Professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência com ênfase em Politicas Socias e do Trabalho. É o atual presidente do IPEA.
Segue abaixo a íntegra da entrevista com o professor Marcio Pochmann, publicada no blog “Conversa Afiada” (este blog acrescentou pequenos adendos entre colchetes, para facilitar a leitura):
Paulo Henrique Amorim – Professor Pochmann, o índice que mede a concentração de renda no Brasil mostra que, de 2002 para 2007, houve uma queda de 5,7% na concentração de renda do país. A que se deve isso, basicamente?
Marcio Pochmann – Bom, nós temos vários fatores que nos ajudam a entender essa queda de desigualdade mais recente. Mas não há como separar o papel que vem tendo a elevação do salário mínimo como proteção e a ampliação do poder aquisitivo da população de menor renda, principalmente das categorias que se encontram com remuneração próxima ao salário mínimo.
Também, tem papel importante todas as políticas voltadas para a transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família e os benefícios da Previdência e Assistência Social.
Salário mínimo e transferência de renda estão ajudando muito a população de baixa renda, de tal forma que ela reduz a diferença que tem aos níveis de renda mais altos.
Paulo Henrique Amorim – Mesmo assim, além dessas explicações, seria importante se observar, e se observa aqui na tabela que o IPEA distribuiu, que está no site do IPEA, há uma queda acentuada do aumento da desigualdade, sobretudo, a partir de 2004, quando se acelera, de certa maneira, o crescimento da economia. Existe, portanto, uma relação entre a economia crescer e a renda melhorar. Ou melhor, a distribuição de renda melhorar. O que tem a ver uma coisa com a outra, professor?
Marcio Pochmann – Esse dado é bastante importante, [deve] ser considerado, porque, infelizmente, a experiência passada do Brasil de crescimento econômico não permitiu combinar com a melhor distribuição dos frutos dessa expansão.
Nesse período [mais recente], que começa em 2004 e vem se aprofundando em 2007 e 2008, de maior expansão da atividade econômica com maior expansão do emprego formal, sobretudo, nós estamos verificando que a expansão da atividade econômica permite agora a ampliação da renda dos mais pobres, permitindo assim que a desigualdade caia.
E, a se manter essa trajetória, o segundo governo do Presidente Lula apresentará para o país o menor índice de desigualdade de renda desde 1694, quando começaram a se medir os indicadores de desigualdade.
Paulo Henrique Amorim – Segundo essa projeção feita pelo próprio estudo de vocês do IPEA, em 2010 a previsão é de que o Índice de Gini, que mede a concentração de renda, cairá para 0,49. O Presidente Lula herdou do Governo Fernando Henrique um Índice de Gini de 0,54. O índice 0,49, como o senhor mencionou é o melhor resultado desde 1960, quando o Brasil começou a medir desigualdade de renda. Eu pergunto: comparado com outros países, o que significa esse Gini de 0,49? Devemos nos orgulhar disso ou ainda devemos ter vergonha desse índice?
Marcio Pochmann – De um lado, há motivos para nos orgulharmos quando a gente compara a rápida queda do índice de desigualdade de renda no Brasil. Nós estávamos há um longo período sem saber o que era redução da desigualdade. Mas mesmo em 2010, com um Índice de Gini em 0,49, ainda nos coloca no conjunto de países que não sabem o que é uma distribuição menos selvagem da renda. Podemos dizer que, em países mais civilizados, em que há uma distribuição mais justa da renda, o Índice de Gini se encontra abaixo de 0,45.
Paulo Henrique Amorim – E o que faz admitir-se que, quando chegarmos a 2010, poderemos chegar a esse 0,49 que ainda não é abaixo de 0,45, mas já é mais perto do que estávamos? O que precisa acontecer para que a gente chegue lá?
Marcio Pochmann – Certamente o país precisa continuar crescendo a 5% ou 6% ao ano. Se nós tivermos uma redução do nível de atividade, isso pode ter um impacto no emprego e até mesmo na capacidade de os sindicatos negociarem salários de acordo com a produtividade. É fundamental que a política de salário mínimo e de transferência de renda se mantenha firme como se encontra atualmente.
E poderíamos também pensar em políticas de combate a desigualdade, como é o caso da tributação da renda, especialmente dos segmentos mais enriquecidos da população, uma vez que os ricos do Brasil não pagam impostos. E nós teríamos um campo novo para reduzir a desigualdade através da tributação progressiva.
Paulo Henrique Amorim – Bom, o senhor acaba de depositar uma bomba atômica nessa discussão, que é a idéia de aumentar os impostos dos ricos. E já existe por parte dos ricos, especialmente quando se discutiu agora a questão da renovação da CPMF, uma reação muito grande. Reação que se concentrou a partir da FIESP, aqui em São Paulo. O senhor acredita que existam condições políticas para se aumentar os impostos dos mais ricos?
Marcio Pochmann – Eu acredito que essa condição política precisa ser construída. A população não sabe, de maneira geral, que são justamente os mais pobres que mais impostos pagam. Os 10% mais pobres da população pagam 50% a mais de tributos do que os mais ricos.
O Brasil não tem impostos sobre grandes fortunas, por exemplo. E a tributação de vários impostos diretos, como o IPTU – Imposto Predial Territorial e Urbano, o próprio Imposto de Renda, não aproveitam a potencialidade que possuem, especialmente num país em que os 10% mais ricos da população concentram 75% da riqueza.
Paulo Henrique Amorim – Quer dizer que, apesar dessa melhoria na desigualdade, esses 10% mais ricos da população, esses cuja a renda terá subido alguma coisa perto de 5% ou 6% nesses anos do Governo Lula, eles ainda têm 75% da renda do país?
Marcio Pochmann – Eles têm 75% do estoque de riqueza, que são os ativos, são as propriedades, imóveis, títulos da dívida pública, títulos financeiros, enfim, é um conjunto de direitos de riqueza, que não apenas estão mencionados e mensurados por pesquisas como essa que o IBGE faz, que basicamente menciona a renda e não o estoque de riqueza.
Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão que eu gostaria de tocar com o senhor, professor Pochmann, é a questão do alargamento da classe média ou o alargamento do que se chama, para falar na linguagem da televisão, na linguagem do Ibope, o alargamento da classe C. Observa-se pelo estudo que está no site do IPEA que a melhoria é mais significativa, é mais acentuada, exatamente nos segmentos intermediários dos mais pobres. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Marcio Pochmann – Bom, de um lado nós estamos vendo a expansão dos empregos basicamente assentados na faixa de dois a quatro salários mínimos, que é basicamente que comporia essa classe média emergente. Que de um lado vem potencializada pela expansão do emprego assalariado e de outro vem também potencializado por ocupações autônomas, ocupações por conta própria de pequenos negócios, que vêm crescendo muito em função do maior dinamismo da economia nacional.
Paulo Henrique Amorim – E com relação ao emprego assalariado? O senhor já estudou esse problema, uma boa parte do seu trabalho que se acompanha pela sua já vasta bibliografia é em cima dessa questão de quem é empregado assalariado, de quem não é empregado assalariado. O que se pode dizer sobre isso? O crescimento econômico no Brasil se dá hoje com emprego de pessoas com carteira assinada ou não?
Marcio Pochmann – Bom, ao contrário das teses dos anos 90 que diziam que o Brasil não teria condições de gerar emprego assalariado porque o custo trabalho era elevado, entre outros argumentos dessa natureza, nós estamos observando que o crescimento da economia nacional vem implicando expansão do emprego assalariado, especialmente o assalariado formal, com carteira assinada. E de cada dez postos de trabalho abertos atualmente no país, oito são aberto atualmente com carteira assinada. Nós devemos ter este ano a geração de 2,5 milhões de empregos, cerca de 2 milhões serão de empregos assalariados com carteira assinada.
Paulo Henrique Amorim – E quais são os setores da economia que mais estão puxando trabalhadores e assinando a carteira deles?
Marcio Pochmann – Certamente é o setor terciário, o setor vinculado a serviços e comércio. Mas não podemos descartar o papel que a indústria de transformação vem tendo junto com a construção civil, de impacto muito importante na formalização do emprego.
Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão, professor Pochmann, pode-se dizer, por esses dados aqui do Ipea, que está havendo um estrangulamento da classe média brasileira?
Marcio Pochmann – Não, não acredito. Os dados são muito positivos na medida em que eles mostram que nos últimos quatro anos todos os segmentos de renda vêm ampliando a sua participação, vêm crescendo acima da inflação e, portanto, ampliam o poder de consumo de todos os segmentos sociais.
Apenas a redução da desigualdade vem se dando pelo fato de que os menores salários sobem mais rapidamente do que os mais altos. Nós tivemos, entre 2002 e 2003, por exemplo, uma redução da desigualdade. Mas ela se deu, fundamentalmente pela queda do poder aquisitivo do segmento de maior renda. A classe média, sobretudo, perdeu nesses anos. Agora, a classe média voltou a se recuperar e a desigualdade não se dá mais por prejuízo de uma categoria em relação a outra, mas pelo crescimento de todas, apenas com uma velocidade mais rápida para os segmentos de menor renda.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, todos crescem?
Marcio Pochmann – Exatamente. Apenas alguns sobem através da escada e outros pegam o elevador e sobem mais rápido.
Paulo Henrique Amorim – Uns de elevador e outros de escada. Agora, uma última questão, professor Pochmann, e a participação do salário, no conjunto da riqueza brasileira, ou seja, a massa salarial, a renda do trabalhador, no conjunto da riqueza brasileira, isso tem aumentado com esses estudos que o senhor fez aqui?
Marcio Pochmann – Nós ainda não conseguimos observar uma ampliação na renda nacional. Embora os salários venham crescendo acima da inflação, nós percebemos que os juros, os lucros, os aluguéis, renda da terra, crescem numa velocidade equivalente à dos salários. De tal forma que não há uma alteração na distribuição da renda funcional, que nós chamamos, que é aquela que mede a participação dos salários na riqueza do país.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, os salários e os trabalhadores ainda têm um longo caminho a percorrer?
Marcio Pochmann – Sem dúvida alguma. E é essa a experiência internacional: quando há democracia, quando há instituições fortes, sindicatos e políticas públicas, certamente o resultado é a melhor participação dos salários na renda, crescimento do mercado interno e o melhor bem-estar de todos.
Paulo Henrique Amorim – Professor, os sindicatos estão conseguindo obter aumentos de salários significativamente acima da inflação ou os dissídios têm vindo apenas empatando com a inflação?
Marcio Pochmann – Bom, ao contrário do que ocorreu nos anos 90, em que os sindicatos não conseguiam fazer com que os salários dos seus trabalhadores acompanhassem a inflação, num período mais recente nós estamos observando, e quem mede isso é o DIEESE, que permite perceber justamente que os trabalhadores estão tendo algum sucesso nas negociações. A maior parte das categorias consegue não só empatar com a inflação passada, mas também incorporar ganhos de produtividades que estão sendo obtidos por setores produtivos nacionais.
Paulo Henrique Amorim – Uma última, última, questão. Nós estamos assistindo agora um aumento da inflação, sobretudo na área de alimentos, uma política de juros mais agressiva do Banco Central. Esse conjunto de situações pode vir a prejudicar a distribuição da renda?
Marcio Pochmann – Eu acredito que tanto a inflação pode prejudicar a renda e a própria desigualdade, porque a gente sabe que a capacidade de se proteger frente à inflação é desigual por níveis de renda, mas também precisamos nos atentar para o fato que, dependendo da política anti-inflacionária, o efeito desse remédio pode ser também muito prejudicial aos próprios trabalhadores, à população de menor renda.
Tanto é verdade que o próprio Governo Federal está discutindo a possibilidade de reajustar, por exemplo, os valores do Bolsa Família, que é uma tentativa de proteger a população de menor renda.”
O IPEA é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. É uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.
O entrevistado, Marcio Pochmann, é graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1984) e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1993). É Professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência com ênfase em Politicas Socias e do Trabalho. É o atual presidente do IPEA.
Segue abaixo a íntegra da entrevista com o professor Marcio Pochmann, publicada no blog “Conversa Afiada” (este blog acrescentou pequenos adendos entre colchetes, para facilitar a leitura):
Paulo Henrique Amorim – Professor Pochmann, o índice que mede a concentração de renda no Brasil mostra que, de 2002 para 2007, houve uma queda de 5,7% na concentração de renda do país. A que se deve isso, basicamente?
Marcio Pochmann – Bom, nós temos vários fatores que nos ajudam a entender essa queda de desigualdade mais recente. Mas não há como separar o papel que vem tendo a elevação do salário mínimo como proteção e a ampliação do poder aquisitivo da população de menor renda, principalmente das categorias que se encontram com remuneração próxima ao salário mínimo.
Também, tem papel importante todas as políticas voltadas para a transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família e os benefícios da Previdência e Assistência Social.
Salário mínimo e transferência de renda estão ajudando muito a população de baixa renda, de tal forma que ela reduz a diferença que tem aos níveis de renda mais altos.
Paulo Henrique Amorim – Mesmo assim, além dessas explicações, seria importante se observar, e se observa aqui na tabela que o IPEA distribuiu, que está no site do IPEA, há uma queda acentuada do aumento da desigualdade, sobretudo, a partir de 2004, quando se acelera, de certa maneira, o crescimento da economia. Existe, portanto, uma relação entre a economia crescer e a renda melhorar. Ou melhor, a distribuição de renda melhorar. O que tem a ver uma coisa com a outra, professor?
Marcio Pochmann – Esse dado é bastante importante, [deve] ser considerado, porque, infelizmente, a experiência passada do Brasil de crescimento econômico não permitiu combinar com a melhor distribuição dos frutos dessa expansão.
Nesse período [mais recente], que começa em 2004 e vem se aprofundando em 2007 e 2008, de maior expansão da atividade econômica com maior expansão do emprego formal, sobretudo, nós estamos verificando que a expansão da atividade econômica permite agora a ampliação da renda dos mais pobres, permitindo assim que a desigualdade caia.
E, a se manter essa trajetória, o segundo governo do Presidente Lula apresentará para o país o menor índice de desigualdade de renda desde 1694, quando começaram a se medir os indicadores de desigualdade.
Paulo Henrique Amorim – Segundo essa projeção feita pelo próprio estudo de vocês do IPEA, em 2010 a previsão é de que o Índice de Gini, que mede a concentração de renda, cairá para 0,49. O Presidente Lula herdou do Governo Fernando Henrique um Índice de Gini de 0,54. O índice 0,49, como o senhor mencionou é o melhor resultado desde 1960, quando o Brasil começou a medir desigualdade de renda. Eu pergunto: comparado com outros países, o que significa esse Gini de 0,49? Devemos nos orgulhar disso ou ainda devemos ter vergonha desse índice?
Marcio Pochmann – De um lado, há motivos para nos orgulharmos quando a gente compara a rápida queda do índice de desigualdade de renda no Brasil. Nós estávamos há um longo período sem saber o que era redução da desigualdade. Mas mesmo em 2010, com um Índice de Gini em 0,49, ainda nos coloca no conjunto de países que não sabem o que é uma distribuição menos selvagem da renda. Podemos dizer que, em países mais civilizados, em que há uma distribuição mais justa da renda, o Índice de Gini se encontra abaixo de 0,45.
Paulo Henrique Amorim – E o que faz admitir-se que, quando chegarmos a 2010, poderemos chegar a esse 0,49 que ainda não é abaixo de 0,45, mas já é mais perto do que estávamos? O que precisa acontecer para que a gente chegue lá?
Marcio Pochmann – Certamente o país precisa continuar crescendo a 5% ou 6% ao ano. Se nós tivermos uma redução do nível de atividade, isso pode ter um impacto no emprego e até mesmo na capacidade de os sindicatos negociarem salários de acordo com a produtividade. É fundamental que a política de salário mínimo e de transferência de renda se mantenha firme como se encontra atualmente.
E poderíamos também pensar em políticas de combate a desigualdade, como é o caso da tributação da renda, especialmente dos segmentos mais enriquecidos da população, uma vez que os ricos do Brasil não pagam impostos. E nós teríamos um campo novo para reduzir a desigualdade através da tributação progressiva.
Paulo Henrique Amorim – Bom, o senhor acaba de depositar uma bomba atômica nessa discussão, que é a idéia de aumentar os impostos dos ricos. E já existe por parte dos ricos, especialmente quando se discutiu agora a questão da renovação da CPMF, uma reação muito grande. Reação que se concentrou a partir da FIESP, aqui em São Paulo. O senhor acredita que existam condições políticas para se aumentar os impostos dos mais ricos?
Marcio Pochmann – Eu acredito que essa condição política precisa ser construída. A população não sabe, de maneira geral, que são justamente os mais pobres que mais impostos pagam. Os 10% mais pobres da população pagam 50% a mais de tributos do que os mais ricos.
O Brasil não tem impostos sobre grandes fortunas, por exemplo. E a tributação de vários impostos diretos, como o IPTU – Imposto Predial Territorial e Urbano, o próprio Imposto de Renda, não aproveitam a potencialidade que possuem, especialmente num país em que os 10% mais ricos da população concentram 75% da riqueza.
Paulo Henrique Amorim – Quer dizer que, apesar dessa melhoria na desigualdade, esses 10% mais ricos da população, esses cuja a renda terá subido alguma coisa perto de 5% ou 6% nesses anos do Governo Lula, eles ainda têm 75% da renda do país?
Marcio Pochmann – Eles têm 75% do estoque de riqueza, que são os ativos, são as propriedades, imóveis, títulos da dívida pública, títulos financeiros, enfim, é um conjunto de direitos de riqueza, que não apenas estão mencionados e mensurados por pesquisas como essa que o IBGE faz, que basicamente menciona a renda e não o estoque de riqueza.
Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão que eu gostaria de tocar com o senhor, professor Pochmann, é a questão do alargamento da classe média ou o alargamento do que se chama, para falar na linguagem da televisão, na linguagem do Ibope, o alargamento da classe C. Observa-se pelo estudo que está no site do IPEA que a melhoria é mais significativa, é mais acentuada, exatamente nos segmentos intermediários dos mais pobres. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Marcio Pochmann – Bom, de um lado nós estamos vendo a expansão dos empregos basicamente assentados na faixa de dois a quatro salários mínimos, que é basicamente que comporia essa classe média emergente. Que de um lado vem potencializada pela expansão do emprego assalariado e de outro vem também potencializado por ocupações autônomas, ocupações por conta própria de pequenos negócios, que vêm crescendo muito em função do maior dinamismo da economia nacional.
Paulo Henrique Amorim – E com relação ao emprego assalariado? O senhor já estudou esse problema, uma boa parte do seu trabalho que se acompanha pela sua já vasta bibliografia é em cima dessa questão de quem é empregado assalariado, de quem não é empregado assalariado. O que se pode dizer sobre isso? O crescimento econômico no Brasil se dá hoje com emprego de pessoas com carteira assinada ou não?
Marcio Pochmann – Bom, ao contrário das teses dos anos 90 que diziam que o Brasil não teria condições de gerar emprego assalariado porque o custo trabalho era elevado, entre outros argumentos dessa natureza, nós estamos observando que o crescimento da economia nacional vem implicando expansão do emprego assalariado, especialmente o assalariado formal, com carteira assinada. E de cada dez postos de trabalho abertos atualmente no país, oito são aberto atualmente com carteira assinada. Nós devemos ter este ano a geração de 2,5 milhões de empregos, cerca de 2 milhões serão de empregos assalariados com carteira assinada.
Paulo Henrique Amorim – E quais são os setores da economia que mais estão puxando trabalhadores e assinando a carteira deles?
Marcio Pochmann – Certamente é o setor terciário, o setor vinculado a serviços e comércio. Mas não podemos descartar o papel que a indústria de transformação vem tendo junto com a construção civil, de impacto muito importante na formalização do emprego.
Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão, professor Pochmann, pode-se dizer, por esses dados aqui do Ipea, que está havendo um estrangulamento da classe média brasileira?
Marcio Pochmann – Não, não acredito. Os dados são muito positivos na medida em que eles mostram que nos últimos quatro anos todos os segmentos de renda vêm ampliando a sua participação, vêm crescendo acima da inflação e, portanto, ampliam o poder de consumo de todos os segmentos sociais.
Apenas a redução da desigualdade vem se dando pelo fato de que os menores salários sobem mais rapidamente do que os mais altos. Nós tivemos, entre 2002 e 2003, por exemplo, uma redução da desigualdade. Mas ela se deu, fundamentalmente pela queda do poder aquisitivo do segmento de maior renda. A classe média, sobretudo, perdeu nesses anos. Agora, a classe média voltou a se recuperar e a desigualdade não se dá mais por prejuízo de uma categoria em relação a outra, mas pelo crescimento de todas, apenas com uma velocidade mais rápida para os segmentos de menor renda.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, todos crescem?
Marcio Pochmann – Exatamente. Apenas alguns sobem através da escada e outros pegam o elevador e sobem mais rápido.
Paulo Henrique Amorim – Uns de elevador e outros de escada. Agora, uma última questão, professor Pochmann, e a participação do salário, no conjunto da riqueza brasileira, ou seja, a massa salarial, a renda do trabalhador, no conjunto da riqueza brasileira, isso tem aumentado com esses estudos que o senhor fez aqui?
Marcio Pochmann – Nós ainda não conseguimos observar uma ampliação na renda nacional. Embora os salários venham crescendo acima da inflação, nós percebemos que os juros, os lucros, os aluguéis, renda da terra, crescem numa velocidade equivalente à dos salários. De tal forma que não há uma alteração na distribuição da renda funcional, que nós chamamos, que é aquela que mede a participação dos salários na riqueza do país.
Paulo Henrique Amorim – Ou seja, os salários e os trabalhadores ainda têm um longo caminho a percorrer?
Marcio Pochmann – Sem dúvida alguma. E é essa a experiência internacional: quando há democracia, quando há instituições fortes, sindicatos e políticas públicas, certamente o resultado é a melhor participação dos salários na renda, crescimento do mercado interno e o melhor bem-estar de todos.
Paulo Henrique Amorim – Professor, os sindicatos estão conseguindo obter aumentos de salários significativamente acima da inflação ou os dissídios têm vindo apenas empatando com a inflação?
Marcio Pochmann – Bom, ao contrário do que ocorreu nos anos 90, em que os sindicatos não conseguiam fazer com que os salários dos seus trabalhadores acompanhassem a inflação, num período mais recente nós estamos observando, e quem mede isso é o DIEESE, que permite perceber justamente que os trabalhadores estão tendo algum sucesso nas negociações. A maior parte das categorias consegue não só empatar com a inflação passada, mas também incorporar ganhos de produtividades que estão sendo obtidos por setores produtivos nacionais.
Paulo Henrique Amorim – Uma última, última, questão. Nós estamos assistindo agora um aumento da inflação, sobretudo na área de alimentos, uma política de juros mais agressiva do Banco Central. Esse conjunto de situações pode vir a prejudicar a distribuição da renda?
Marcio Pochmann – Eu acredito que tanto a inflação pode prejudicar a renda e a própria desigualdade, porque a gente sabe que a capacidade de se proteger frente à inflação é desigual por níveis de renda, mas também precisamos nos atentar para o fato que, dependendo da política anti-inflacionária, o efeito desse remédio pode ser também muito prejudicial aos próprios trabalhadores, à população de menor renda.
Tanto é verdade que o próprio Governo Federal está discutindo a possibilidade de reajustar, por exemplo, os valores do Bolsa Família, que é uma tentativa de proteger a população de menor renda.”
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