Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo publicado no jornal norte-americano The New York Times. O autor, Mikhail Gorbachev, foi líder da extinta União Soviética de 1985 até o seu colapso em 1991. Laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1990, ele é atualmente o presidente da Fundação Internacional de Estudos Socioeconômicos e Políticos (A Fundação Gorbachev):
“O G20 já teve duas reuniões, incluindo a última em Londres. Ele se tornou um fórum estabelecido, um reconhecimento, tardio na minha opinião, de que o mundo mudou e que as instituições antigas não acompanharam as necessidades que crescem rapidamente.
Antes tarde do que nunca, claro. Ainda assim, há dúvidas sobre o conteúdo e o funcionamento deste novo órgão - perguntas que devem ser respondidas o mais rápido possível.
A primeira pergunta é se as decisões adotadas no encontro em Londres podem estancar a crise econômica e financeira global, colocando a economia mundial novamente em um espiral de crescimento.
Uma resposta definitiva só deve surgir com o tempo, mas a minha impressão inicial é que as decisões tomadas em Londres podem ser um bom começo. Estas decisões representam concessões, o que é normal. Ainda assim, necessitamos de pontos de referência mais claros sobre a estrutura do sistema de governança financeira e econômica e das tarefas do grupo.
Prevenir crises como esta não deveria ser a única ou principal preocupação do G-20. O que precisamos é de uma transição para um modelo novo, integrando fatores sociais, ambientais e econômicos.
A segunda pergunta diz respeito ao lugar do G-20 dentro do sistema de instituições globais. O que é este grupo: Um "politburo global", um "clube dos poderosos", um protótipo para um governo mundial? Como será a interação com as Nações Unidas - a organização mundial universal?
Estou convencido de que nenhum grupo de países, mesmo que eles representem 90 por cento da economia mundial, deveria substituir ou sobrepujar as Nações Unidas. Mas claramente, o G-20 poderia reivindicar uma liderança coletiva sobre os problemas mundiais se administrar com respeito a opinião dos não membros. A presença de países no G-20 que representam diferentes regiões geográficas, diferentes níveis de desenvolvimento e diferentes culturas é um sinal de esperança.
Ainda assim, este grupo não passa de uma improvisação pressionada por condições extremas de um inesperado levante global. Ele não inclui alguns países bastante influentes, regionalmente ou até de forma mais ampla, como o Egito, a Nigéria ou o Iran. E o grupo também não foi claro quanto a seus métodos.
Para evitar erros, o G-20 deve ser muito transparente e trabalhar junto às Nações Unidas. Pelo menos uma vez ao ano, suas reuniões devem acontecer na sede da ONU. Ela deveria submeter um relatório à Assembléia Geral da ONU, para ser discutido de forma substancial.
Por fim, há a questão da abrangência desta nova instituição. Será que ela deveria ficar restrita às questões econômico-financeiras ou, mais cedo ou mais tarde, deverá também abordar questões políticas? A resposta, da qual muito depende, não é óbvia.
Aqueles que são contra um papel de ação política para o G-20 diriam que a comunidade mundial conferiu ao Conselho de Segurança da ONU a responsabilidade principal para manter a paz e a segurança mundial. Portanto, nossa preocupação principal deve ser fortalecer o papel daquele órgão. É verdade que todas as tentativas de ignorar ou contorná-lo, seja no Oriente Médio, Europa ou qualquer outro lugar, acabou sempre mal.
No entanto, é também verdade que o papel principal do Conselho de Segurança é reagir de imediato a crises perigosas. Sabemos por experiência que ele não está preparado para abordar questões conceituais e de longo prazo. Além disso, a longa demora em reformar este órgão da ONU o deixou, francamente, menos representativo que o G-20, que é particularmente bem equipado para abortar questões políticas ligadas aos desafios globais de segurança, pobreza e o meio ambiente. Além do mais, as outras organizações e grupos, como o G-8 ou a OTAN, discutem problemas políticos.
Eu acredito que, com uma abordagem equilibrada e bem pensada, o G-20 pode encontrar um lugar privilegiado na arquitetura da política mundial. Se ele ajudar a reverter a crise econômica, ganhará a credibilidade para liderar.
Um dos problemas prontos para o debate político é a militarização da política e da economia mundial - a militarização do pensamento. Nós a herdamos do século XX, talvez o mais sangrento e trágico da história.
É um emaranhado de problemas: A militarização desvia fundos da economia real, estimula conflitos e cria uma ilusão de que as soluções militares, em vez de políticas, é que são viáveis. Ao iniciar uma séria discussão sobre o tópico dentro do G-20 e assumindo uma posição política sobre ele, os líderes mundiais poderiam preparar o terreno para aqueles órgãos da ONU que são responsáveis pelo progresso da área - o Conselho de Segurança e a Conferência de Desarmamento em Genebra.
Depois da reunião em Londres, o primeiro ministro britânico, Gordon Brown, chamou a reunião de um passo em direção à nova ordem mundial e uma "nova era moderna de cooperação internacional".
Apesar de ainda haver muito que fazer antes que isto se torne realidade, é esta a direção que devemos seguir.”
quarta-feira, 29 de abril de 2009
O QUE FALTA PARA A ECONOMIA BRASILEIRA
Li hoje no site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo de Julio Gomes de Almeida. O autor é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda:
“Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável com a grande crise de 1929. A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação.
Para a indústria, afora uma nova rodada de crise, a tendência é de um gradativo aumento do nível de produção (que em fevereiro era 17% inferior com relação ao auge anterior à crise) para ir recuperando o terreno perdido, algo que pode ser concluído nos meses finais do ano. No mês de março é esperado um avanço do setor em bases superiores ao crescimento da produção de janeiro e fevereiro (+2,2% e +1,8% com relação ao mês anterior). Na comparação com março de 2008, a indústria deve recuperar parte do terreno perdido, mas isto deverá ser interpretado com cautela porque a base de referência, o mesmo mês do ano passado, teve um desempenho desfavorável e, além disso, contou com dois dias úteis a menos do que março último.
O que pode reverter esse processo é uma piora na queda das exportações de manufaturados (o que parece estar ocorrendo) combinado com uma perda de mercados internos em função de uma concorrência muito forte de produtos importados decorrente do excesso de capacidade produtiva a nível mundial causada pela crise internacional. O dumping que acompanha em muitos casos essa maior concorrência deve ser combatido por uma política de valoração aduaneira e agilização dos processos anti-dumping.
No comércio, os últimos dados do IBGE mostram que pelo segundo mês consecutivo (janeiro e fevereiro) há avanço marginal no setor (+1,8% e +1,5%, respectivamente), indicando também uma melhora gradativa. Esse avanço tem sido determinado em larga escala pelo desempenho do setor de alimentos e bebidas, decorrente do fato de que o rendimento médio da população manteve-se relativamente preservado por mecanismos institucionais (salário mínimo, programas sociais) e de mercado (o rendimento real médio das pessoas ocupadas parou de crescer, mas ainda não mostra sinais de declínio). Também foi beneficiado por um deslocamento do consumo de bens de maior valor unitário para bens de menor valor, em função do receio do consumidor em assumir compromissos a prazo e da escassez e encarecimento do crédito.
No mês de março contra o mesmo mês de 2008, as vendas reais do varejo podem retroceder. Um efeito calendário - qual seja, a Páscoa que caíra em 2008 no mês de março e que em 2009 ficou para abril - concorrerá para isso, mas, o varejo poderá começar a sentir os efeitos da retração do consumo popular decorrente do aumento do desemprego na passagem de 2008 para 2009, combinado com o esgotamento do efeito deslocamento do consumo dos produtos de maior valor unitário dependentes do crédito para produtos de menor valor, que beneficiava o comércio de produtos básicos.
No emprego, os dados do Caged, o cadastro do emprego formal, dão indicação de que o impacto da crise sobre o emprego formal está se tornando progressivamente menos intenso, de forma que em março (seguindo fevereiro), já há um modesta retomada das contratações. As contratações líquidas foram de 34.818 pessoas (contra 206.556 em março do ano passado).
Considerando como critério de aferição de melhora/piora da situação do emprego formal a diferença entre os saldos líquidos de contratações formais no mês de referência com relação a esse mesmo mês do ano anterior, são observadas as seguintes etapas durante os meses de crise: esta inicialmente reduz o saldo de contratações com relação ao ano anterior que era de 105.794 em agosto para 31.673 em setembro; valores negativos começam em outubro (-143.859) e são crescentes até dezembro (-335.532); refluem desde então até o valor ainda negativo, porém muito mais baixo de -171.738 em março último.
Aqui vale também a advertência de que a menos que ocorra um agravamento da crise externa, o processo de gradativa recomposição do mercado de trabalho formal avançará ao longo do ano, porém nesse caso, os níveis de contratação anteriores à crise dificilmente serão alcançados em 2009.
Uma última referência é para o setor externo. O Brasil sofreu uma "fuga de capitais" nos momentos mais agudos da crise internacional nos meses finais do ano passado e com menor intensidade nos meses iniciais de 2009. Um elevado volume de reservas internacionais impediu que esse processo causasse, ao contrário de episódios anteriores de crise, problemas cambiais mais sérios. Mas, o que o mês de março registrou para o balanço de pagamentos do país foi o retorno para valores positivos dos fluxos líquidos de capitais. O processo ainda é muito incipiente, podendo sofrer novo retrocesso sem aviso prévio e, além disso, está muito longe de recompor os fluxos anteriores de entrada de recursos e está restrito à entrada de capitais estrangeiros de curto prazo. Mas é uma sinalização relevante de que, não se agravando o quadro financeiro internacional, o Brasil preservará sua solidez externa mesmo diante de uma situação tão adversa como a crise atual.
O que falta para consolidar esse quadro mais favorável da economia é uma ação forte do governo onde o impacto negativo da situação externa ainda não foi revertido e os sinais de melhora chegam muito devagar, vale dizer, na questão da disponibilidade e do custo do crédito. Havendo progresso nesse tema, a economia poderá sair mais rápido e de forma mais equilibrada da retração imposta pela atual crise internacional.”
“Todo o cuidado é pouco com interpretações pretensamente definitivas em um contexto de crise econômica porque estas costumam alternar momentos melhores e piores. Isso é particularmente verdadeiro se a crise tem matriz global e, no plano das economias centrais, é de gravidade comparável com a grande crise de 1929. A economia brasileira vivencia um momento em que se avolumam sinais de melhora, sem que, inequivocamente, se possa falar em recuperação.
Para a indústria, afora uma nova rodada de crise, a tendência é de um gradativo aumento do nível de produção (que em fevereiro era 17% inferior com relação ao auge anterior à crise) para ir recuperando o terreno perdido, algo que pode ser concluído nos meses finais do ano. No mês de março é esperado um avanço do setor em bases superiores ao crescimento da produção de janeiro e fevereiro (+2,2% e +1,8% com relação ao mês anterior). Na comparação com março de 2008, a indústria deve recuperar parte do terreno perdido, mas isto deverá ser interpretado com cautela porque a base de referência, o mesmo mês do ano passado, teve um desempenho desfavorável e, além disso, contou com dois dias úteis a menos do que março último.
O que pode reverter esse processo é uma piora na queda das exportações de manufaturados (o que parece estar ocorrendo) combinado com uma perda de mercados internos em função de uma concorrência muito forte de produtos importados decorrente do excesso de capacidade produtiva a nível mundial causada pela crise internacional. O dumping que acompanha em muitos casos essa maior concorrência deve ser combatido por uma política de valoração aduaneira e agilização dos processos anti-dumping.
No comércio, os últimos dados do IBGE mostram que pelo segundo mês consecutivo (janeiro e fevereiro) há avanço marginal no setor (+1,8% e +1,5%, respectivamente), indicando também uma melhora gradativa. Esse avanço tem sido determinado em larga escala pelo desempenho do setor de alimentos e bebidas, decorrente do fato de que o rendimento médio da população manteve-se relativamente preservado por mecanismos institucionais (salário mínimo, programas sociais) e de mercado (o rendimento real médio das pessoas ocupadas parou de crescer, mas ainda não mostra sinais de declínio). Também foi beneficiado por um deslocamento do consumo de bens de maior valor unitário para bens de menor valor, em função do receio do consumidor em assumir compromissos a prazo e da escassez e encarecimento do crédito.
No mês de março contra o mesmo mês de 2008, as vendas reais do varejo podem retroceder. Um efeito calendário - qual seja, a Páscoa que caíra em 2008 no mês de março e que em 2009 ficou para abril - concorrerá para isso, mas, o varejo poderá começar a sentir os efeitos da retração do consumo popular decorrente do aumento do desemprego na passagem de 2008 para 2009, combinado com o esgotamento do efeito deslocamento do consumo dos produtos de maior valor unitário dependentes do crédito para produtos de menor valor, que beneficiava o comércio de produtos básicos.
No emprego, os dados do Caged, o cadastro do emprego formal, dão indicação de que o impacto da crise sobre o emprego formal está se tornando progressivamente menos intenso, de forma que em março (seguindo fevereiro), já há um modesta retomada das contratações. As contratações líquidas foram de 34.818 pessoas (contra 206.556 em março do ano passado).
Considerando como critério de aferição de melhora/piora da situação do emprego formal a diferença entre os saldos líquidos de contratações formais no mês de referência com relação a esse mesmo mês do ano anterior, são observadas as seguintes etapas durante os meses de crise: esta inicialmente reduz o saldo de contratações com relação ao ano anterior que era de 105.794 em agosto para 31.673 em setembro; valores negativos começam em outubro (-143.859) e são crescentes até dezembro (-335.532); refluem desde então até o valor ainda negativo, porém muito mais baixo de -171.738 em março último.
Aqui vale também a advertência de que a menos que ocorra um agravamento da crise externa, o processo de gradativa recomposição do mercado de trabalho formal avançará ao longo do ano, porém nesse caso, os níveis de contratação anteriores à crise dificilmente serão alcançados em 2009.
Uma última referência é para o setor externo. O Brasil sofreu uma "fuga de capitais" nos momentos mais agudos da crise internacional nos meses finais do ano passado e com menor intensidade nos meses iniciais de 2009. Um elevado volume de reservas internacionais impediu que esse processo causasse, ao contrário de episódios anteriores de crise, problemas cambiais mais sérios. Mas, o que o mês de março registrou para o balanço de pagamentos do país foi o retorno para valores positivos dos fluxos líquidos de capitais. O processo ainda é muito incipiente, podendo sofrer novo retrocesso sem aviso prévio e, além disso, está muito longe de recompor os fluxos anteriores de entrada de recursos e está restrito à entrada de capitais estrangeiros de curto prazo. Mas é uma sinalização relevante de que, não se agravando o quadro financeiro internacional, o Brasil preservará sua solidez externa mesmo diante de uma situação tão adversa como a crise atual.
O que falta para consolidar esse quadro mais favorável da economia é uma ação forte do governo onde o impacto negativo da situação externa ainda não foi revertido e os sinais de melhora chegam muito devagar, vale dizer, na questão da disponibilidade e do custo do crédito. Havendo progresso nesse tema, a economia poderá sair mais rápido e de forma mais equilibrada da retração imposta pela atual crise internacional.”
ROUBINI: ''CAPITALISMO SELVAGEM DO OCIDENTE JÁ ESTÁ FALIDO''
Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto de Laura Britt, publicado no Monitor Mercantil:
''Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável'', profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.
''Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007'', afirma. Roubini usa o termo ''desmanipulação'' do consumo. ''O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma ''desmanipulação'', em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens'', diz.
''Por sua vez, as empresas e os mercados basearam-se nesta demanda ignorando os alicerces (de crédito) podres. Este superendividamento dos consumidores, os bancos alimentavam com capitais ''manipulados'', e surgiu a bolha no mercado norte-americano de imóveis'', continuou. Este foi o motivo que fez com que o professor até então relativamente desconhecido da Universidade de Nova York fosse o primeiro a prever a iminente crise.
''Por isso os bancos não são os únicos responsáveis pela falta de fluxo de liquidez no mercado. Atrás de tudo isso oculta-se a grande ''desmanipulação'' do consumo, que deixa produtos nas prateleiras e depósitos, sem venda, resultando no fato de as empresas suspenderem seus planos de expansão e não buscarem financiamentos nos mercados de crédito'', ressaltou. De acordo com Roubini, ''são os próprios consumidores que retiram seus recursos do consumo e os ''estacionam'' em contas de poupança, e os bancos hesitam atirá-los para a economia real, preocupando-se com a própria suficiência de capital. Isto é, sua possibilidade para cobrir as obrigações de resgate de seus próprios empréstimos''.
''A própria ''desmanipulação'' do consumo, revelada grande pela contração do Produto Interno Bruto (PIB) de duas superpotências exportadoras no quarto trimestre, a do Japão em 12,7% e a de Taiwan em 8,36%, oculta-se também atrás da correção das bolsas de valores'', afirma Roubini. E destaca que ''o mergulho do indicador Dow Jones abaixo das 7.500 unidades comprova que o mercado começa gradualmente a reconhecer a ''desmanipulação'' do consumo''. Paralelamente, diz que ''começa a perceber que Washington não está disposta a distribuir dinheiro público sem pensar''.
Os pontos obscuros do revisado plano de ajuda aos bancos norte-americanos, anunciado há cerca de 20 dias pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, dizem respeito às hesitações do governo Obama de liberar mais dinheiro público para salvar ''papéis queimados''. ''Se o ativo dos bancos norte-americanos fosse desvalorizado com base nos atuais preços no mercado, a maioria deles seria tomadora de empréstimos de alto risco e rumaria para a falência'', comentou Roubini.
Por isso, ele recomenda ao governo Obama estatizá-los com base nos preços atuais de mercado, e assim sanear de forma mais indolor possível seus ativos dos produtos de investimentos e empréstimos tóxicos, e em seguida privatizá-los novamente. ''O capitalismo selvagem do Ocidente fracassou, e por isso o day after deve encontrar os governos dispostos a adotarem medidas drásticas, fora das restrições de doutrinas e percepções e que tenham como finalidade única o enfrentamento da crise'', diz.
''Neste sentido, a Europa, diferenciada do modelo financeiro anglo-saxão, pode desempenhar papel de liderança. Basta encontrar saídas para os seus sérios problemas. A crise é o primeiro teste essencial de resistência da Zona do Euro'', estabelece Roubini.
E, conforme destaca, ''muitos países possuem um setor bancário muito maior do que podem salvar sozinhos, e isto constitui o maior problema para a sobrevivência da União Monetária. O aumento de custo do endividamento para muitos países da Zona do Euro aumenta as pressões para a saída de vários deles da Zona do Euro''. Esta perspectiva pode parecer distante por ora, ''mas se a médio prazo algo não mudar, a dissolução da Zona do Euro não deve ser excluída'', sentencia Roubini, encerrando esta entrevista.”
''Os donos do capital incentivarão a classe trabalhadora a adquirir, cada vez mais, bens caros, casas e tecnologia, impulsionando-a cada vez mais ao caro endividamento, até que sua dívida se torne insuportável'', profetizou Karl Marx, em 1867. O mercado jamais levou seus aforismos a sério. Após 150 anos, Nouriel Roubini chega à mesma conclusão quando convidado a explicar a crise cada vez maior nos mercados e economias do planeta.
''Não são uma crise de crédito ou muito menos a desaceleração econômica as causadoras do problema. Ambas são sintomas de uma correção mais ampla no consumo mundial, algo inevitável após o acúmulo tão grande de dívidas entre 2001 e 2007'', afirma. Roubini usa o termo ''desmanipulação'' do consumo. ''O que observamos no último tempo - destaca - não é apenas o desinflar da bolha de crédito, criada por capitais manipulados (quer dizer, endividamento) dos bancos. É uma ''desmanipulação'', em larga escala, de um modelo de vida. Durante longos anos, os consumidores contraíam dívidas para adquirirem equipamentos elétricos, automóveis, casas, férias e outros bens'', diz.
''Por sua vez, as empresas e os mercados basearam-se nesta demanda ignorando os alicerces (de crédito) podres. Este superendividamento dos consumidores, os bancos alimentavam com capitais ''manipulados'', e surgiu a bolha no mercado norte-americano de imóveis'', continuou. Este foi o motivo que fez com que o professor até então relativamente desconhecido da Universidade de Nova York fosse o primeiro a prever a iminente crise.
''Por isso os bancos não são os únicos responsáveis pela falta de fluxo de liquidez no mercado. Atrás de tudo isso oculta-se a grande ''desmanipulação'' do consumo, que deixa produtos nas prateleiras e depósitos, sem venda, resultando no fato de as empresas suspenderem seus planos de expansão e não buscarem financiamentos nos mercados de crédito'', ressaltou. De acordo com Roubini, ''são os próprios consumidores que retiram seus recursos do consumo e os ''estacionam'' em contas de poupança, e os bancos hesitam atirá-los para a economia real, preocupando-se com a própria suficiência de capital. Isto é, sua possibilidade para cobrir as obrigações de resgate de seus próprios empréstimos''.
''A própria ''desmanipulação'' do consumo, revelada grande pela contração do Produto Interno Bruto (PIB) de duas superpotências exportadoras no quarto trimestre, a do Japão em 12,7% e a de Taiwan em 8,36%, oculta-se também atrás da correção das bolsas de valores'', afirma Roubini. E destaca que ''o mergulho do indicador Dow Jones abaixo das 7.500 unidades comprova que o mercado começa gradualmente a reconhecer a ''desmanipulação'' do consumo''. Paralelamente, diz que ''começa a perceber que Washington não está disposta a distribuir dinheiro público sem pensar''.
Os pontos obscuros do revisado plano de ajuda aos bancos norte-americanos, anunciado há cerca de 20 dias pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, dizem respeito às hesitações do governo Obama de liberar mais dinheiro público para salvar ''papéis queimados''. ''Se o ativo dos bancos norte-americanos fosse desvalorizado com base nos atuais preços no mercado, a maioria deles seria tomadora de empréstimos de alto risco e rumaria para a falência'', comentou Roubini.
Por isso, ele recomenda ao governo Obama estatizá-los com base nos preços atuais de mercado, e assim sanear de forma mais indolor possível seus ativos dos produtos de investimentos e empréstimos tóxicos, e em seguida privatizá-los novamente. ''O capitalismo selvagem do Ocidente fracassou, e por isso o day after deve encontrar os governos dispostos a adotarem medidas drásticas, fora das restrições de doutrinas e percepções e que tenham como finalidade única o enfrentamento da crise'', diz.
''Neste sentido, a Europa, diferenciada do modelo financeiro anglo-saxão, pode desempenhar papel de liderança. Basta encontrar saídas para os seus sérios problemas. A crise é o primeiro teste essencial de resistência da Zona do Euro'', estabelece Roubini.
E, conforme destaca, ''muitos países possuem um setor bancário muito maior do que podem salvar sozinhos, e isto constitui o maior problema para a sobrevivência da União Monetária. O aumento de custo do endividamento para muitos países da Zona do Euro aumenta as pressões para a saída de vários deles da Zona do Euro''. Esta perspectiva pode parecer distante por ora, ''mas se a médio prazo algo não mudar, a dissolução da Zona do Euro não deve ser excluída'', sentencia Roubini, encerrando esta entrevista.”
FANTASMA PEGA COM A MÃO NA CUMBUCA PEDE PARA SAIR
Li hoje no blog “Por um novo Brasil” o seguinte texto que o blog do Josias de Souza ontem publicou:
FILHA DE FHC PEDE DEMISSÃO DO GABINETE DE HERÁCLITO
“Em carta endereçada a Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado, Luciana Cardoso pediu demissão.
Luciana é filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Recebia contracheque do Senado desde 2003. Coisa de R$ 7,6 mensais.
Deveria despachar no gabinete do senador. Mas não dava as caras. Pilhada pela coluna da repórter Mônica Bergamo, Luciana vocalizou emendas que pioraram o soneto.
"Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando”.
Perguntou-se a Luciana se já havia entrado no gabinete de Heráclito. E ela: “Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna”.
Na carta a Heráclito, Luciana anotou que decidiu se demitir para “evitar constrangimentos” ao pseudochefe. A certa altura do texto, a filha de FHC escreve:
“Sou testemunha de seus esforços para aprimorar a administração do Senado...”
“...Por isso mesmo, não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos nem sobre minha conduta”.
Em verdade, o afastamento de Luciana livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária.
Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma, FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo.
Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro.
Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor.
Corre no TCU uma representação em que o representante do Ministério Público no Tribunal, Marinus Eduardo Marcico, pede a devolução do dinheiro que o Senado borrifou na conta bancária de Luciana Cardoso.”
FILHA DE FHC PEDE DEMISSÃO DO GABINETE DE HERÁCLITO
“Em carta endereçada a Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário do Senado, Luciana Cardoso pediu demissão.
Luciana é filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Recebia contracheque do Senado desde 2003. Coisa de R$ 7,6 mensais.
Deveria despachar no gabinete do senador. Mas não dava as caras. Pilhada pela coluna da repórter Mônica Bergamo, Luciana vocalizou emendas que pioraram o soneto.
"Trabalho mais em casa, na casa do senador. Como faço coisas particulares e aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo, eu vou lá de vez em quando”.
Perguntou-se a Luciana se já havia entrado no gabinete de Heráclito. E ela: “Cabe não, meu filho! É um trem mínimo e a bagunça, eterna”.
Na carta a Heráclito, Luciana anotou que decidiu se demitir para “evitar constrangimentos” ao pseudochefe. A certa altura do texto, a filha de FHC escreve:
“Sou testemunha de seus esforços para aprimorar a administração do Senado...”
“...Por isso mesmo, não quero que pairem dúvidas sobre seus propósitos nem sobre minha conduta”.
Em verdade, o afastamento de Luciana livra de “constrangimentos”, além do senador, o pai da demissionária.
Dias antes de Luciana ganhar o noticiário na condição de servidora fantasma, FHC discursara na Associação Comercial de São Paulo.
Discorrera sobre um fenômeno que, na opinião dele, alastra-se sob Lula: a “cupinização” do Estado brasileiro.
Pela lógica, nada poderia deixar FHC mais contrafeito do que ver uma Cardoso na condição de xilófaga, a roer a bolsa da Viúva sem a contrapartida do suor.
Corre no TCU uma representação em que o representante do Ministério Público no Tribunal, Marinus Eduardo Marcico, pede a devolução do dinheiro que o Senado borrifou na conta bancária de Luciana Cardoso.”
POR QUE O MERCADO DERRUBOU DONA LEITÃO
Li hoje no blog “Grupo Beatrice” o seguinte artigo escrito por Ricardo Berzoini. O autor é presidente nacional do PT, deputado federal por SP e funcionário do Banco do Brasil desde 12/07/1978.
FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais):
A colunista econômica Mirian Leitão escreveu um artigo, após a mudança de comando no Banco do Brasil, intitulado "Por que a demissão derruba as ações do BB". Conhecida defensora das teses neoliberais que arruinaram o Brasil sob FHC, dona Leitão não se conformava com o exercício, pelo acionista majoritário, do direito de mudar a presidência da empresa. Para dona Leitão, o BB é do "mercado" e os minoritários (que ninguém consultou para saber se seriam contrários à mudança) devem mandar no majoritário.
Curioso é lembrar que, nos casos Encol e Maxblue, não vimos dona Leitão criticar os tucanos (à época legitimamente exercendo o papel de acionista majoritário) pela gestão temerária.
Disse dona Leitão em seu texto: "O Banco do Brasil é empresa de capital aberto. O governo não é o dono, é o maior acionista. Por isso, a demissão assusta e derruba as cotações. O spread bancário é um problema grave, mas o presidente da República não pode administrar um banco de economia mista. É um disparate. Nenhuma intenção de defender o presidente do Banco do Brasil que foi demitido, apenas é preciso entender como a economia funciona: se o BB tem acionistas privados, ele tem que operar com as regras do mercado, buscando lucro e competindo com os outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pela chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Ou uma coisa ou outra."
De fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário. Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?
Recentemente, o presidente da Petrobrás (não é Petrobrax, como queriam os amigos de dona Leitão), Sérgio Gabrieli, foi incluído entre os finalistas do Premio Platts de Energia, na categoria "CEO do Ano" (executivo-chefe do ano). Gabrieli é filiado ao PT e reconhecido mundialmente como um dos melhores gestores do setor. A Petrobrás é uma das ações mais valorizadas dos últimos seis anos.
Não há contradição em ser uma empresa estatal e ter ações na bolsa. E não há problema quando o acionista majoritário anuncia que tem diretrizes para a empresa que não se restringem à busca de remuneração para os acionistas. Quem compra ações sabe que em qualquer empresa o majoritário manda, no que não contraria as leis e o estatuto da companhia.
Dona Leitão também sabe disso. Mas é preciso criticar o governo Lula. E defender o neoliberalismo.
O problema é que dona Leitão não entende nem mesmo de mercado. Depois de anunciada a mudança no BB, dia 8 de abril, as ações do banco, de fato, caíram 8,15 % no primeiro dia, e 2,8% no segundo. Hoje, no momento em que escrevo esse artigo, as ações estão praticamente no mesmo valor que tinham no dia 7 de abril. Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais.
Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.
Mas não pensem que dona Leitão fará autocrítica. Ela prosseguirá dizendo que é preciso cortar os gastos, que o Estado é um mal e que só o mercado salvará a humanidade. Nós, do PT, nunca negamos que o mercado deve ser fortalecido. Em 2002, debatemos com o grupo de diretrizes do mercado de capitais, na BOVESPA, as medidas que o governo Lula tomaria para fortalecer as regras e o funcionamento do mercado acionário e de títulos. Nós entendemos de mercado. E sabemos que as flutuações momentâneas só enganam os tolos. E alimentam os discursos dos "espertos".
Mas nós, do PT, sempre dissemos o que agora parece claro, até para alguns liberais. Sem um poder público forte, democrático e transparente, que regule e supervisione o mercado e atue em certas áreas diretamente, a conta vai para o povo, que sofre as consequências da esperteza alheia.
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) era funcionário do BB. Grande escriba, produziu o FEBEAPA, coletânea de crônicas sobre o Festival de Besteira que Assola o País. Se estivesse vivo, poderia escrever o FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais).”
FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais):
A colunista econômica Mirian Leitão escreveu um artigo, após a mudança de comando no Banco do Brasil, intitulado "Por que a demissão derruba as ações do BB". Conhecida defensora das teses neoliberais que arruinaram o Brasil sob FHC, dona Leitão não se conformava com o exercício, pelo acionista majoritário, do direito de mudar a presidência da empresa. Para dona Leitão, o BB é do "mercado" e os minoritários (que ninguém consultou para saber se seriam contrários à mudança) devem mandar no majoritário.
Curioso é lembrar que, nos casos Encol e Maxblue, não vimos dona Leitão criticar os tucanos (à época legitimamente exercendo o papel de acionista majoritário) pela gestão temerária.
Disse dona Leitão em seu texto: "O Banco do Brasil é empresa de capital aberto. O governo não é o dono, é o maior acionista. Por isso, a demissão assusta e derruba as cotações. O spread bancário é um problema grave, mas o presidente da República não pode administrar um banco de economia mista. É um disparate. Nenhuma intenção de defender o presidente do Banco do Brasil que foi demitido, apenas é preciso entender como a economia funciona: se o BB tem acionistas privados, ele tem que operar com as regras do mercado, buscando lucro e competindo com os outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pela chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Ou uma coisa ou outra."
De fato, o governo não é o dono do BB, mas o Estado brasileiro é o acionista amplamente majoritário. Quem compra ações do BB sabe disso, sabe inclusive que é um banco que não quebra. O acionista do BB não corre o risco que atingiu os cotistas do Banco Nacional, do Bamerindus, do Econômico ou do Lehman Brothers. Ele deve sim, óbvio, dar lucro. Mas quem disse que deve dar uma rentabilidade de 30% ao ano? Onde está escrito isso?
Recentemente, o presidente da Petrobrás (não é Petrobrax, como queriam os amigos de dona Leitão), Sérgio Gabrieli, foi incluído entre os finalistas do Premio Platts de Energia, na categoria "CEO do Ano" (executivo-chefe do ano). Gabrieli é filiado ao PT e reconhecido mundialmente como um dos melhores gestores do setor. A Petrobrás é uma das ações mais valorizadas dos últimos seis anos.
Não há contradição em ser uma empresa estatal e ter ações na bolsa. E não há problema quando o acionista majoritário anuncia que tem diretrizes para a empresa que não se restringem à busca de remuneração para os acionistas. Quem compra ações sabe que em qualquer empresa o majoritário manda, no que não contraria as leis e o estatuto da companhia.
Dona Leitão também sabe disso. Mas é preciso criticar o governo Lula. E defender o neoliberalismo.
O problema é que dona Leitão não entende nem mesmo de mercado. Depois de anunciada a mudança no BB, dia 8 de abril, as ações do banco, de fato, caíram 8,15 % no primeiro dia, e 2,8% no segundo. Hoje, no momento em que escrevo esse artigo, as ações estão praticamente no mesmo valor que tinham no dia 7 de abril. Alguns especuladores devem ter vendido ações no dia 8, prevendo já os artigos iluminados dos neoliberais.
Talvez tenham recomprado dias depois, embolsado um lucrinho. Talvez vendam na semana que vem e comprem daqui a um mês. Assim é o mercado.
Mas não pensem que dona Leitão fará autocrítica. Ela prosseguirá dizendo que é preciso cortar os gastos, que o Estado é um mal e que só o mercado salvará a humanidade. Nós, do PT, nunca negamos que o mercado deve ser fortalecido. Em 2002, debatemos com o grupo de diretrizes do mercado de capitais, na BOVESPA, as medidas que o governo Lula tomaria para fortalecer as regras e o funcionamento do mercado acionário e de títulos. Nós entendemos de mercado. E sabemos que as flutuações momentâneas só enganam os tolos. E alimentam os discursos dos "espertos".
Mas nós, do PT, sempre dissemos o que agora parece claro, até para alguns liberais. Sem um poder público forte, democrático e transparente, que regule e supervisione o mercado e atue em certas áreas diretamente, a conta vai para o povo, que sofre as consequências da esperteza alheia.
Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) era funcionário do BB. Grande escriba, produziu o FEBEAPA, coletânea de crônicas sobre o Festival de Besteira que Assola o País. Se estivesse vivo, poderia escrever o FEBEACON (Festival de Besteira que Assola os Colunistas Neoliberais).”
O FUTURO DO BRASIL É A AMÉRICA LATINA
Li ontem no blog do jornalista Luis Nassif a seguinte entrevista do embaixador na Argentina, José Botafogo Gonçalves, para Ariel Palácios do Estadão:
AS RELAÇÕES COMERCIAIS
“O nível de relacionamento é hoje muito intenso. Existe grande crescimento no setor dos investimentos das indústrias brasileiras na Argentina. Além disso, o país tem significativo consumo de produtos brasileiros. No mercado argentino, o Brasil consegue até competir com produtos da China. Além disso, as relações financeiras são intensas. E mesmo no setor agropecuário, por exemplo, vemos os casos de vários frigoríficos que atualmente estão em mãos brasileiras na Argentina. Tudo isso faz com que as relações entre os dois países não sejam resolvidas apenas pelo aspecto comercial de uma série de produtos, os chamados produtos sensíveis. Mas, ainda que seja compreensível essa atitude, falta, em ambos lados, uma visão integracionista.
A DESCOORDENAÇÃO NOS FÓRUNS
Na época em que eu estava no governo, o Mercosul falava com uma só voz, tinha representação unificada. Mas, no caso da OMC, jamais os quatro países aceitaram falar com uma única voz. O bloco jamais se fez presente em Genebra. Cada um fala por sua conta.
As relações com a China e a Índia devem ser vistas a longo prazo. Isso ainda não foi decidido no Brasil. Há uma crescente discussão, muitas vezes atada ao curto prazo. Quando se fala em China, as pessoas logo pensam em invasão de produtos chineses. Não se pensa a longo prazo.
SOBRE O G-20
O G-20 tem uma perspectiva interessante. Veja que há uma proliferação de “Gs”. É que o mundo está se reestruturando. Não dá para organizar o mundo ao redor dos grupos de antes. Por isso, os Brics (grupo que reúne o Brasil, Rússia, Índia e China) ocuparão cada vez mais espaço.
SOBRE BRASIL E AMÉRICA DO SUL
O teatro das operações da diplomacia brasileira no século 21 será a América do Sul.
O crescimento da economia do Brasil se intensificará mais ainda. Mesmo que a integração seja exasperadamente lenta, o Mercosul é uma unidade que vai se preservar. E os dois países associados ao Mercosul, o Chile e a Bolívia, vão gravitar ao redor do Mercosul. No caso da Venezuela, enquanto estiver a política bolivariana de Hugo Chávez, as coisas serão complicadas. O Brasil não tem nada de anti-Venezuela. Mas é o presidente Hugo Chávez que tem uma política anti-integração. Ele é quem não quer saber nada de mercado.”
AS RELAÇÕES COMERCIAIS
“O nível de relacionamento é hoje muito intenso. Existe grande crescimento no setor dos investimentos das indústrias brasileiras na Argentina. Além disso, o país tem significativo consumo de produtos brasileiros. No mercado argentino, o Brasil consegue até competir com produtos da China. Além disso, as relações financeiras são intensas. E mesmo no setor agropecuário, por exemplo, vemos os casos de vários frigoríficos que atualmente estão em mãos brasileiras na Argentina. Tudo isso faz com que as relações entre os dois países não sejam resolvidas apenas pelo aspecto comercial de uma série de produtos, os chamados produtos sensíveis. Mas, ainda que seja compreensível essa atitude, falta, em ambos lados, uma visão integracionista.
A DESCOORDENAÇÃO NOS FÓRUNS
Na época em que eu estava no governo, o Mercosul falava com uma só voz, tinha representação unificada. Mas, no caso da OMC, jamais os quatro países aceitaram falar com uma única voz. O bloco jamais se fez presente em Genebra. Cada um fala por sua conta.
As relações com a China e a Índia devem ser vistas a longo prazo. Isso ainda não foi decidido no Brasil. Há uma crescente discussão, muitas vezes atada ao curto prazo. Quando se fala em China, as pessoas logo pensam em invasão de produtos chineses. Não se pensa a longo prazo.
SOBRE O G-20
O G-20 tem uma perspectiva interessante. Veja que há uma proliferação de “Gs”. É que o mundo está se reestruturando. Não dá para organizar o mundo ao redor dos grupos de antes. Por isso, os Brics (grupo que reúne o Brasil, Rússia, Índia e China) ocuparão cada vez mais espaço.
SOBRE BRASIL E AMÉRICA DO SUL
O teatro das operações da diplomacia brasileira no século 21 será a América do Sul.
O crescimento da economia do Brasil se intensificará mais ainda. Mesmo que a integração seja exasperadamente lenta, o Mercosul é uma unidade que vai se preservar. E os dois países associados ao Mercosul, o Chile e a Bolívia, vão gravitar ao redor do Mercosul. No caso da Venezuela, enquanto estiver a política bolivariana de Hugo Chávez, as coisas serão complicadas. O Brasil não tem nada de anti-Venezuela. Mas é o presidente Hugo Chávez que tem uma política anti-integração. Ele é quem não quer saber nada de mercado.”
SUPERÁVIT COMERCIAL ACUMULADO É 35,7% MAIOR QUE EM 2008
Li hoje no blog do Favre o seguinte texto de Renata Veríssimo, do jornal O Estado de São Paulo:
“O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.
Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.
Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.
As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.”
“O superávit da balança comercial acumulado no ano, até a quarta semana de abril, totaliza US$ 5,56 bilhões, 35,7% maior que no mesmo período do ano passado, quando fechou em US$ 4,09 bilhões. O resultado deve-se à retração do comércio mundial, que levou a uma queda nas exportações e nas importações brasileiras. As vendas externas, no período, caíram 17,3% pela média diária, totalizando US$ 40,67 bilhões. Já as importações diminuíram 22,3%, somando US$ 35,11bilhões.
Somente na quarta semana de abril, cujos dados foram divulgados ontem, a balança comercial apresentou exportações de US$ 2,49 bilhões e importações de US$ 1,61 bilhão, produzindo um superávit de US$ 880 milhões. Com isso, as vendas externas somam US$ 9,49 bilhões no acumulado deste mês e as importações, US$ 6,95 bilhões, com superávit de US$ 2,54 bilhões. Em relação a abril do ano passado, a média diária das exportações, de US$ 593,4 milhões, caiu 11,4%. A média das importações, de US$ 434,3 milhões, diminuiu 26%.
Os produtos básicos são os únicos a apresentar expansão nas exportações brasileiras em abril. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, a média diária das vendas externas de básicos, até a quarta semana deste mês, cresceu 25% em relação à média diária de abril de 2008. Os destaques são as vendas de petróleo em bruto, minério de ferro, algodão em bruto, farelo de soja, carne de frango e soja em grão.
As vendas de manufaturados caíram 29,9% no mesmo período e as exportações de semimanufaturados recuaram 24,8%. Nas importações, houve redução nas compras de adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, borracha e obras, aeronaves e peças e equipamentos eletroeletrônicos.”
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