terça-feira, 3 de janeiro de 2012

“COM MENOS IMPOSTOS E MAIS CRÉDITO, A ECONOMIA BRASILEIRA VAI CRESCER MAIS”, destaca Presidenta


“A edição do programa ‘Café com a Presidenta’ veiculada segunda-feira (2) trouxe o pronunciamento à nação da presidenta Dilma Rousseff transmitido no último dia 23 de dezembro, quando a presidenta fez um balanço de seu primeiro ano de governo e antecipou algumas metas para 2012. Em sua mensagem, ela destacou que, apesar das dificuldades, 2011 “foi um ano bom”, e lembrou das principais políticas do governo federal, como a criação de mais de dois milhões de empregos e programas sociais e econômicos.

Programa de rádio "Café com a Presidenta", com a Presidenta da República, Dilma Rousseff; Rádio Nacional, 02 de janeiro de 2012

Luciano Seixas: Olá, amigos, eu sou o Luciano Seixas e estou aqui para dizer que o “Café” de hoje será diferente. A presidenta Dilma Rousseff deixou uma mensagem de fim de ano para os brasileiros e brasileiras, e nós vamos ouvir alguns trechos.

Presidenta: Queridas brasileiras, queridos brasileiros. Nada melhor para uma mãe ou para um pai de família, quando pode dizer a seus filhos: apesar das dificuldades, graças a Deus este foi um ano bom e, com certeza, o próximo será ainda melhor. Igual a cada um de vocês, ainda estou longe de me sentir satisfeita, mas tenho cada vez mais convicção de que podemos e vamos avançar muito mais. Com planejamento e políticas acertadas, estamos conseguindo proteger a nossa economia, os nossos setores produtivos e, sobretudo, o emprego dos brasileiros. Estamos transformando um momento de crise em momento de oportunidade e entrando em nova era, uma era de prosperidade. No ano em que quase todos os países do mundo perderam emprego, nós criamos mais de dois milhões de novos postos de trabalho. No ano em que grandes potências mundiais estão tendo crescimento negativo ou igual a zero, nós vamos ter bom crescimento, porque ele está acompanhado de inflação baixa, de juros descendentes, aumento do emprego, distribuição de renda e diminuição de desigualdades.

Luciano Seixas: A presidenta Dilma Rousseff também falou sobre as perspectivas para o ano que começa agora.

Presidenta: 2011 foi um ano de grande prova e 2012 será mais um marco de consolidação do modelo brasileiro. 2012 começará com menos tributos para as mais de 5 milhões de pequenas empresas que estão no “Simples” e para os “Microempreendedores Individuais”. Esses empreendedores também vão ter crédito mais fácil e mais barato. Todos os brasileiros vão ter mais facilidades para comprar a casa própria. Até 2014, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil vão investir mais de R$ 125 bilhões no “Minha Casa, Minha Vida”. Somente este ano, já contratamos 341 mil novas moradias, entregamos 400 mil moradias e outras 500 mil estão em obras. Serão milhões e milhões de famílias pobres e de classe média realizando o sonho da casa própria. Reduzimos também o IPI sobre geladeiras, fogões e máquinas de lavar para baratear o custo desses produtos. Também renovamos a redução de tributos de caminhões, utilitários e máquinas agrícolas para apoiar a nossa agricultura. Com menos impostos e mais crédito a economia brasileira vai crescer mais.

Luciano Seixas: Os investimentos em obras e os programas sociais também foram destaque na mensagem de fim de ano da presidenta Dilma.

Presidenta: Mais emprego, mais progresso, mais desenvolvimento e melhor infraestrutura continuarão sendo trazidos pelas obras do PAC que, em 2012, ganharão ainda mais ímpeto, em todo território nacional. Porém, uma coisa, em especial, aumenta a minha alegria. É o fato de que, além de garantir a estabilidade econômica, o governo vai poder ampliar nossas políticas de apoio aos mais necessitados. Por exemplo, o programa “Brasil Sem Miséria”, que já produziu grandes resultados, vai se consolidar plenamente em 2012. Também vamos poder consolidar programas que o governo federal criou recentemente. Já liberamos recursos para a construção de 1500 creches e pré-escolas, e estamos na fase final de seleção de mais 1500 novas creches para 2012. Na saúde, o “Melhor em Casa” vai continuar levando assistência médica de qualidade na própria casa de milhões de brasileiros. O “SOS Emergências” vai continuar melhorando o atendimento nos principais prontos-socorros do país. Com investimentos de R$ 4 bilhões, estamos implantando o programa "Crack, é possível vencer", que vai dar assistência médica, social e pedagógica aos dependentes de droga e suas famílias, e vai também combater de forma vigorosa o narcotráfico e suas máfias. Por meio do programa “Viver Sem Limites” daremos um forte apoio aos 45 milhões de brasileiros que sofrem com alguma deficiência física ou psicológica. Na educação, o PRONATEC vai continuar matriculando alunos em cursos técnicos em todo o país. Até 2014, vamos preencher 8 milhões de vagas.

Luciano Seixas: A presidenta Dilma Rousseff disse, ainda, que conta com você, cidadão brasileiro, para construir um país mais rico e sem pobreza.

Presidenta: Juntos nós, brasileiros, vamos continuar melhorando econômica, social e politicamente, e reforçando nossos valores morais e éticos. Vamos continuar transformando o presente e construindo um belo futuro para nossos filhos e netos.

Luciano Seixas: Você que nos ouve, pode acessar este programa na internet pelo www.cafe.ebc.com.br. Um Ano Novo cheio de realizações para você, nosso ouvinte, e até semana que vem.”

FONTE: Blog do Planalto  (http://www2.planalto.gov.br/imprensa/cafe-com-a-presidenta/programa-de-radio-cafe-com-a-presidenta-com-a-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-2/view).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Petrobras: BOAS PERSPECTIVAS EM TODAS AS ÁREAS PARA 2012


“Dando prosseguimento ao ‘Plano de Negócios 2011-2015’, a Petrobras trabalha para que 2012 seja mais um ano de realizações e conquistas. Com mais sondas à disposição, a Companhia poderá intensificar suas atividades de exploração e produção em 2012. Só em 2011, a Petrobras recebeu nove sondas de perfuração e outras quatro estão em fase de recebimento (testes de aceitação). Em 2012, ao menos outras doze sondas de perfuração, já contratadas, devem começar a operar.

Está prevista a perfuração de 66 poços exploratórios no mar. Desses, 18 serão perfurados na Bacia de Santos, 16 na Bacia de Campos, 11 na Bacia do Espírito Santo, nove em Sergipe, cinco na margem leste (bacias do Jequitinhonha (2) e Camamu/Almada (3)) e sete na margem equatorial (nas bacias de Barreirinhas (2), Potiguar (3) Foz do Amazonas (1) e Ceará (1)).

Para este ano, também está previsto aumento de capacidade de produção de petróleo com a entrada de novas unidades nos campos de “Baleia Azul” (Pré-Sal da Bacia de Campos), “Tiro/Sidon” (pós-sal da Bacia de Santos) e “Guará” (Pré-Sal da Bacia de Santos). Os projetos pilotos de “Baleia Azul”, com capacidade de 100 mil barris por dia (bpd), e de “Tiro/Sidon”, com 80 mil bpd de capacidade, estão previstos para entrar em produção no terceiro trimestre do próximo ano. A Petrobras tem 100% de participação em ambos. Já o projeto piloto de “Guará” (capacidade de 120 mil bpd), em que a Companhia tem 45% de participação, deve entrar em produção no último trimestre do ano.

Em 2012, a Companhia conectará mais poços à P-56, que atingirá seu pico de produção (100 mil bpd) no primeiro trimestre, à P-57, que atingirá sua produção máxima (180 mil bpd) no terceiro trimestre de 2012, e ao “FPSO Cidade de Angra dos Reis” (“Piloto de Lula”), que atingirá sua capacidade de produção de 100 mil bpd ao longo do ano. A Petrobras tem 65% de participação em “Lula”.

Produção de ureia e amônia

O Plano de Negócios 2011-2015 prevê investimentos de US$ 13,2 bilhões na área de Gás e Energia. A maior parcela dos recursos (US$ 5,9 bilhões) será destinada à conversão de gás natural em ureia e amônia para produção de fertilizantes e à produção de metanol, melamina, ácido acético e ácido fórmico, bem como aos projetos GTL Parafinas, Flua (Arla 32) e sulfato de amônio.

Ureia
Com esses investimentos, o Brasil, que atualmente importa 53% da amônia que consome, será autossuficiente na produção desse insumo em 2015. As importações de ureia, que totalizam hoje 67% do consumo interno, cairão para 28% também em 2015 e, em 2017, a importação de metanol, que atualmente representa 68% do consumo interno, cairá para 17%.

Em março de 2012, a Petrobras inicia a construção do “Terminal de Regaseificação da Bahia” com capacidade para regaseificar 14 milhões de m³/dia de GNL. Esse terminal tem conclusão prevista para janeiro de 2014 e, somando-se aos terminais da Baía de Guanabara (RJ) e Pecém (CE), ampliará para 41 milhões de m³/dia a capacidade de regaseificação do Brasil.

Em abril de 2012, começará a ser construída a “Usina Termelétrica Baixada Fluminense” que entrará em operação em março de 2014, com capacidade para gerar 530 MW. Em setembro do mesmo ano, começará a operar a “Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas-MS” (UFN III) que entregará ao mercado 1,27 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia por ano.

A construção da planta de sulfato de amônio, com capacidade para produzir 303 mil toneladas/ano na Fafen-Sergipe, permitirá ampliar a capacidade de produção desse insumo no País, saltando das atuais 477 mil toneladas/ano para 780 mil toneladas/ano em 2013.

Entre 2012 e 2013, entrarão em operação 14 novos pontos de entrega de gás natural, acompanhando o crescimento do mercado das distribuidoras estimado em 12,5% nesse período, o que equivale a um volume adicional de 5,1 milhões m³/dia.

No Abastecimento, a partir de janeiro de 2012, a Petrobras ampliará o fornecimento do Diesel S-50, com baixo teor de enxofre, para todos os estados brasileiros. O uso do Diesel S-50 nos novos motores resultará na redução de, no mínimo, 80% da emissão de material particulado. Novas unidades destinadas a melhorar a qualidade da gasolina entram em operação na RECAP (Refinaria de Capuava, em Mauá, SP) e na REPAR (Paraná), e, para a qualidade do diesel, na RECAP, na RLAM (Bahia) e na REPAR. Ainda em 2012, a “Petroquímica Suape”, em Pernambuco, estará com a planta de PTA (ácido tereftálico purificado) e a unidade de PET em operação.

No exterior, terá sequência, em 2012, a exploração dos blocos 57 (participação de 46,16% Petrobras) e 58 (100% Petrobras), ambos operados pela Companhia no Peru, onde há perspectivas promissoras em gás natural. A entrada em produção dos campos de Cascade e Chinook, nos quais a Petrobras atua como operadora (participações de 100% e 67%, respectivamente), está prevista para o início de 2012. O projeto representa importante marco para a Companhia, por se tratar de iniciativa de desenvolvimento pioneiro na porção americana do Golfo do México, uma vez que utiliza unidade de produção do tipo FPSO (tecnologia dominada e amplamente utilizada no Brasil pela Petrobras).

Em Angola, há previsão, no início de 2012, de perfuração de um poço no Bloco 26 (bloco de pré-sal localizado na Bacia de Benguela, ao sul do offshore angolano, no qual a Petrobras é operadora com 30% de participação). Já na Tanzânia, deverá ser concluída, também no início de 2012, a perfuração de um poço exploratório no Bloco 5 (50% Petrobras, operadora), iniciada este ano. Na Namíbia, está prevista, para 2012, a perfuração de poço exploratório no Bloco 2714A, no qual a Petrobras é operadora com 50% de participação.

Até 2015, a Petrobras investirá US$ 1,2 bilhão em ações de eficiência energética e de redução de intensidade de emissões, incluindo pesquisa e desenvolvimento na área. A redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), por exemplo, é tema de dois programas tecnológicos desenvolvidos pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES): o PROCLIMA (Programa Tecnológico de Mudanças Climáticas), que estuda soluções tecnológicas para a redução das emissões nos processos da Companhia, e o ProCO2 (Programa Tecnológico de Gerenciamento do CO2), que visa a desenvolver e implementar tecnologias de captura, transporte, armazenamento e aproveitamento do CO2 que será produzido no Pré-Sal. Com a entrada em operação do “FPSO Angra dos Reis” na Bacia de Santos, a Petrobras reinjeta atualmente 220 toneladas/dia de CO2 no reservatório produtor.

Na área de Recursos Humanos, a Petrobras estima admitir 17 mil novos empregados até 2015, conforme seu Plano de Negócios. O planejamento da companhia é realizar dois processos seletivos por ano, tanto para cargos de nível superior como para técnicos de nível médio.

Para 2012, está previsto o lançamento da seleção pública do “Petrobras Cultural”. Criado em 2003, o Programa baliza as ações de patrocínio da Companhia em torno de uma política cultural de alcance social e de afirmação da identidade brasileira. É o maior programa de patrocínio cultural do país. Desde a primeira edição, o PPC já teve sete edições, abrangendo 76 áreas de seleções públicas, destinando R$ 311 milhões a 1.246 projetos contemplados. Foram mais de 26 mil projetos inscritos, avaliados por 356 especialistas integrantes das comissões de seleção.

Está programado para abril o lançamento da edição 2012 da “Seleção Pública do Programa Petrobras Desenvolvimento & Cidadania”. Através dele, a Companhia investe em projetos voltados para geração de renda e oportunidade de trabalho, educação para a qualificação profissional e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. Para 2012, a meta do “Mova-Brasil” é de formar aproximadamente 4.800 turmas, mantendo a finalidade de contribuir para a redução do analfabetismo no Brasil, para o fortalecimento da cidadania e para a geração de renda.

Em 2012, o “Programa Petrobras Ambiental” (PPA) concluirá um ciclo de cinco anos com investimentos de R$ 500 milhões em projetos de conservação ambiental relacionados à água e clima em todo o País. No próximo ano, está prevista nova edição da seleção pública de projetos ambientais. Também será lançado o “Programa Petrobras Agenda 21”, que investirá cerca de R$ 12 milhões, ao longo do ano, na construção de plano participativo de desenvolvimento sustentável em mais de 200 comunidades em todo o Brasil.

Na área de biocombustíveis, a Petrobras, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível, segue na sua estratégia de ampliação da produção conforme previsto no Plano de Negócios 2011-2015. No etanol, terá sequência em 2012 projeto de expansão da Usina Boa Vista (GO), da Nova Fronteira, que quando concluído, em 2015 se tornará a maior do mundo, a partir de cana, com capacidade de 700 milhões de litros/ano, além da duplicação da usina de Bambuí (MG), parceria com a Total Agroindústria Canavieira, além de prosseguir os investimentos para aumento de produção e cogeração na Guarani. Também seguirão os estudos para produção de etanol em Moçambique, primeiro projeto de produção de etanol fora do país.

No biodiesel, a empresa prossegue no desenvolvimento da parte agrícola do “projeto Pará”, para construção de usina biodiesel para atender a região Norte, e do “projeto Belém”, voltado à produção de “green” diesel em Portugal, em parceria com a GALP Energia.

Em 2012, a Petrobras Distribuidora prevê investimentos da ordem de R$ 1,3 bilhão, de um total de R$ 5,2 bilhões incluídos no Plano de Negócios 2011-2015. Com vendas globais estimadas em 47.471 mil m³ (6,4% acima do volume projetado para 2011), a Distribuidora espera continuar ampliando seu “market share”, atingindo 39,4%.

Entre os principais projetos que demandarão recursos, estão a construção, ampliação e melhoria de terminais e bases em 13 estados das cinco regiões do país, a modernização de cerca de 1.050 postos e a ampliação da rede, investimentos no segmento de GLP (Liquigás), em clientes do segmento de Grandes Consumidores, a implantação do diesel BTE (junto com a solução integrada Flua e Lubrax Advento), modernização e ampliação da fábrica de lubrificantes, obras, instalações e equipamentos em pools e aeroportos, construção de montagem da rede de distribuição de gás natural para atendimento a cidades do interior do ES (Vila Velha, Linhares, Cachoeiro do Itapemirim) e investimentos no segmento de asfaltos, destacando-se a construção de fábrica de emulsões em Mato Grosso.

Na Transpetro, a expectativa é acelerar, em 2012, o ritmo de entregas de navios, com o início das operações dos “suezmax” “João Cândido” e “Zumbi dos Palmares”, construídos pelo “Estaleiro Atlântico Sul”, e dos navios “Sérgio Buarque de Holanda”, “Rômulo Almeida” e “José Alencar”, que estão em fase de acabamento no “Estaleiro Mauá”.”

FONTE: blog “Fatos e Dados, da Petrobras   (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/01/01/boas-perspectivas-em-todas-as-areas-para-2012/#more-48323). [imagens do google adicionadas por este blog 'democracia&política'].

MIRIAM LEITÃO TAMBÉM APLICA O CONTO DO VIGÁRIO NO LEITOR


Dívida, relativamente ao PIB, encolhe no governo Dilma
Do blog “Os amigos do Presidente Lula”:


"Dívida pública explodiu no governo FHC em relação ao PIB. Miriam Leitão elogiava. No governo Lula dívida despencou. Miriam Leitão critica.

É por querer impor essas mentiras ao telespectador que a audiência da TV Globo despenca.

A dívida do Brasil caiu para 36,6% do Produto Interno Bruto este ano. A projeção do BC é de 35,7% para 2012 (quanto menor essa relação melhor estão as contas públicas).

Esses números não mentem. Mostram que, dentro do possível, o governo Dilma guiou a economia com louvor em 2011, um ano difícil, devido à forte retração internacional e certa incapacidade das elites brasileiras produzirem o suficiente para atender a demanda do crescimento de 2010.

O fato foi que o PIB cresceu mais do que a dívida. Significa que a dívida tem menos peso na renda nacional, sobrando mais dinheiro produtivo para economia nacional.

No final das contas, isso (além da geração de empregos e distribuição de renda) é o que mais importa "na ponta do lápis".

O blá-blá-blá de Miriam Leitão para "desejar" um mau 2012 aos brasileiros.

Mas a urubóloga Miriam Leitão, da TV Globo, encerra o ano com seus tradicionais agouros de prever um mau 2012 para os brasileiros, na contramão da realidade, assim como fez avaliação ruim de 2011.

Na tentativa de desqualificar o sucesso brasileiro, a urubóloga tenta aplicar o conto do vigário em seus leitores, pinçando apenas os números que considera negativos, omitindo completamente a relação dívida/PIB.

Inventa de defender déficit nominal zero, o que, com grande chances, jogaria o país em recessão ou estagnação. Se cortar investimentos estatais no social e na política industrial (que a urubóloga chama de "custos"), em tese reduziria a dívida num primeiro momento, mas o crescimento econômico iria para o vinagre, e as próprias receitas de impostos cairiam.

Com menor crescimento, menor arrecadação, maior vulnerabilidade... adivinhe de onde o governo teria que buscar dinheiro para fechar as contas? Tendo que emitir títulos e aumentando a dívida.

O resultado seria deterioração na relação dívida/PIB, arrastando o Brasil para a política da contaminação pelas crises internacionais, como era no nefasto governo neoliberal demotucano.

Cai no golpe do vigário da madame Leitão somente os incautos, quando ela faz outra critica, sobre o "aumento da carga tributária". Ora, não houve aumento de alíquotas de impostos em setores produtivos nacionais (houve apenas o fim de renúncia fiscal provisória), nem para os trabalhadores, nem sobre a folha de pagamento, tanto é que a geração de empregos foi excelente durante o ano.

O que houve foi tributar o capital especulativo estrangeiro com IOF maior, o que é bastante saudável, além de tributar pontualmente produtos importados que faziam "dumping" contra produtos nacionais, usando especulação cambial (aliás, o IPI maior sobre carros importados só entrou em vigor em 16 de dezembro, mas em contrapartida o governo reduziu o IPI sobre carros nacionais).

O objetivo nem era de aumentar a arrecadação, neste caso, se bem que é bem-vinda, pois na prática reduz em parte o pagamento de juros líquidos (paga-se com uma mão e com a outra recebe de volta parte do dinheiro via IOF). Mas o objetivo mais importante foi conter a queda do dólar, defendendo o Brasil da guerra cambial promovida até pelos EUA, que prejudicava a produção nacional e os empregos daqui, tornando os importados mais baratos artificialmente.

O governo Dilma, a exemplo de Lula, dirigiu com maestria essa equação. Não errou a mão a ponto de deixar a dívida explodir, como fez o governo demotucano, nem errou a mão a ponto de estagnar a economia, como também fez FHC, impedindo o crescimento da renda nacional e dos trabalhadores.

A urubóloga precisa de um computador calibrado, pois "na ponta do lápis", suas contas só servem para enganar quem quer cair no conto do vigário, já tradicional no jornalismo da Globo.”

FONTE: do blog “Os amigos do Presidente Lula”  (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

A RÚSSIA DEIXARÁ A SÍRIA SOZINHA?

Robert Bibeau

“A Rússia deixa Damasco e a ONU se agita”, publicava com destaque o jornal francês “Libération” de 17 dezembro (1). O diário amarelo - propriedade do bilionário [judeu] Édouard de Rothschild – se agita desde há alguns meses, em uníssono com alguns outros franceses, e reclama agressão ‘humanitária’ contra a Síria, vítima de infiltração de esquadrões da morte, de atiradores de elite e mercenários que recebem ajuda francesa, turca, israelense e estadunidense (2).

Por Robert Bibeau

O jornal, obediente a seu criador – membro do Estado Maior sarkozysta - se regozija bruscamente da reviravolta diplomática russa, que, na quinta-feira 15 de dezembro, apresentava à ONU um projeto de resolução sobre a Síria cercada entre o Cáspio e o Mediterrâneo.

O leitor que lesse apenas o título e o primeiro parágrafo do artigo teria a falsa impressão de que o Kremlin capitula completamente e se apressa a apoiar uma resolução “à la libanesa” no Conselho de Segurança da ONU. O suficiente para dizer que as aviações franco-britânicas e israelenses obteriam a autorização para bombardear a população civil, massacrar milhares de sírios sob o pretexto de impedir seu massacre – um ‘remake’ do trágico drama líbio, do “déjà vu”, escreveriam os roteiristas hollywoodianos.

A leitura atenta do artigo revela, entretanto, a verdadeira natureza do projeto de resolução que o cínico embaixador francês na ONU qualificou de “manobra russa” para enganar a ‘comunidade internacional’. Com efeito, no projeto de resolução o Kremlin sugere condenar a violência de todas as partes (inclusive das jihads apoiadas pela OTAN e dos atiradores de elite pagos pela CIA) e denuncia o ilegal fornecimento de armas e munições aos esquadrões da morte implantados na Síria por algumas potências estrangeiras, uma alusão evidente à França, à Turquia, a Israel e aos Estados Unidos (3).

A posição da diplomacia russa mudou muito pouco, se é que não tomou efetivamente a iniciativa de uma resolução do Conselho de Segurança a fim de permitir que os jornalistas a soldo da Agência “France Presse” (AFP), “Liberation”, “Le Monde”, “Figaro", "TV França 1” e “TV França 2” acreditem na mentira de um suposto isolamento de Damasco no cenário internacional, o que é estritamente falso. Um grande número de países apóiam o governo sírio, mas os meios de comunicação ocidentais não informam sobre isso.

Cada pessoa tem o direito de se perguntar por que esse compromisso da diplomacia russa que até agora tinha condenado todo tumulto na Síria. Algumas páginas adiante o jornal “Libération” fornece a resposta a essa questão.

Depois de 18 anos de negociação entre o Kremlin e a Organização Mundial do Comércio (OMC) – os Estados Unidos levantaram recentemente seu veto –a Rússia ingressa na OMC. Eis, então, por trinta dinheiros (4).

A mais longa maratona de negociação da história da OMC tem por resultado a capitulação de Washington e a vitória do modelo da organização. Contudo, o povo russo não deve esperar nada dessa adesão, a não ser a submissão de sua economia nacional aos ditames desse organismo de comércio internacional. A Europa está há muito tempo sujeita a essa ditadura com os resultados financeiros e comerciais que conhecemos.

A política e a diplomacia sem princípios dos poderosos deste mundo dão frequentemente lugar a esse tipo de negociação. A Rússia traiu a Síria em benefício dos Estados Unidos que em troca acomodam a Rússia junto à OMC. Mas a astuta Rússia tenta não entregar o encomendado e praticar sutilezas sobre a redação do documento a apresentar ao Conselho de Segurança. Pois a Rússia mantém velha aliança militar com a Síria e mantém uma base militar em Tartous no Mediterrâneo. As potências imperialistas jogam, assim, sem levar em consideração a vida dos povos que lhes são submetidos.

O editorialista do jornal “Le Monde” informou sobre as maquinações russas para obter seu bilhete de entrada na OMC, sem entregar a redação de resolução desejada e propõe, como alternativa, criar um “grupo de contato” sobre a Síria, ao qual o primeiro interessado, o governo sírio legítimo, não seria convidado, nem a China, nem numerosos países que apoiam a Síria. Somente participariam a Rússia vendida, a Liga Árabe de triste fama, e a ‘comunidade internacional’ de Sarkozy e de Obama, ou seja, alguns países que presentemente armam e financiam ilegalmente os jihadistas infiltrados, os bandidos em liberdade e os atiradores de elite pagos por seus cúmplices e que atacam a população síria nas ruas de Homs e Alepo (5).

Um tal “grupo de contato” sobre a Síria organizaria complôs contra o povo sírio idênticos ao grupo de contato criado há anos sobre a questão da colonização e da ocupação da Palestina pelos criminosos de guerra sionistas com o único resultado de assistir complacentemente ao bombardeio de Gaza, a cidade mártir, e de condenar o Hamas por ter resistido ao extermínio.

A Rússia defende aqui seus interesses imperialistas e joga com a vida dos sírios para obter algumas vantagens para os seus – a França e os Estados Unidos defendem seus interesses imperialistas e fazem complôs para derrubar o governo de Bachar Assad que consideram subserviente ao Kremlin, a fim de impor um novo governo subserviente ao palácio dos Campos Elíseos. Qual o interesse do povo sírio em tudo isso?

Todas essas potências “complotadoras” esperam que, em seguida, a rota para Teerã será aberta para as hordas bárbaras europeias e as legiões estrangeiras do Norte. Todos esses bandidos se esquecem que Bagdá sob dominação iraniana bloqueia sempre a rota para os poços iranianos e que o Estreito de Ormuz é sempre vulnerável às armas de Teerã (6).

Triste “Primavera árabe”, em que os revoltosos sofrem e morrem na Praça Tahrir, em Tunis, no Bahreïn ou em Sanaa, pensando em contribuir para libertar seus países devastados pela peste imperialista de uma aliança como de outra, de um campo como de outro, cassando um tirano antes que outro se instale no trono dos “Reis negros árabes” para impor as mesmas submissões, as mesmas traições, as mesmas colaborações com as potências que maquinaram para lhes impor. Toda essa farsa leva o nome de “democracia burguesa” em “neocolônia”; é dessa paródia de “democracia impopular” que os povos devem se livrar. O poder dos povos árabes está na rua, bem na ponta do fuzil (7).”

(1) Libération. Sábado e domingo, 17/12/2011, página 10.

(2) “O embaixador americano em Damasco recruta insurgentes”. Sílvia Cattori. 27/11/2011.

(3) dailymotion.com>

(4) “A Rússia integra finalmente a OMC”. Libération, sábado e domingo, 17/12/2011, página 19.

(5) “É preciso criar um grupo de contato ssobre a Síria”. Le Monde, segunda-feira, 19/12/2011, página 1.

(6) france-irak-actualite.com

(7) “O plano americano do Grande Oriente Médio bate asas”». Robert Bibeau, 19/10/2011.

FONTE: escrito por Robert Bibeau e transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=172083&id_secao=9) [imagens do google adicionadas por este blog ‘democracia&política’]

DADOS PARA UMA FUTURA BIOGRAFIA DE SERRA

José Serra e Franco Montoro

Por Luiz Cezar

“Lembro quando vi Serra pela primeira vez. Sempre sisudo junto à portinhola da cozinha em que a simpática Dona Raimunda fazia passar seu café logo depois do almoço no segundo andar da faculdade de economia, portava-se como personalidade a espera de um pedido de autógrafo.

Usava uma invariável jaqueta marrom com detalhes em couro e os poucos cabelos puxados a brilhantina. A expressão de permanente descontentamento a quem tudo parecia desagradar, vez ou outra se desfazia em reação receptiva a eventuais festejos de bajuladores que já naquele tempo acompanhavam-no.

Visto à distância não transparecia estar agradecido pelo emprego que João Sayad e Montoro Filho arrumaram-lhe na FIPE quando desembarcou com uma mão atrás e outra na frente vindo do exílio autoimposto no Chile. Aparecia pouco na Universidade e, naqueles inícios dos anos 80 de empregos escassos, víamos com certa estranheza o modo fácil como ganhava seu dinheiro.

Deu um curso sobre economia da América latina a que poucos se interessaram, exceto os marxistas ligados ao partidão (partido comunista brasileiro) e alguns poucos ingênuos que se encantavam com as críticas que o professor fazia publicar na revista de economia política contra as medidas cambiais adotadas à época pelos ministros Reis Velloso e Delfim Neto.

Houve alguma surpresa quando o anódino Serra surgiu como secretário do planejamento do governo Montoro. Foi trazido pelas mãos de Montoro Filho, que não podendo ser ele mesmo secretário devido à condição de descendente direto do governador, que já tinha dois outros filhos no gabinete, decidiu conferir um ar de esquerda ao governo do pai enquanto ele mesmo permaneceria nos bastidores.

No governo, o primeiro ato de Serra foi avocar a si a nomeação de todos os diretores financeiros de estatais paulistas, todas: do Banespa à Comgás. Nessas circunstâncias, foi que chocou os ovos que vieram a conferir-lhe força tremenda, primeiro dentro do PMDB e depois dentro do novo partido cuja fundação seria um dos responsáveis devido à ruptura irreconciliável com Quércia.

Confinado à Secretaria da Administração e contemplado com não mais que duas diretorias regionais do Banespa, uma na capital e outra no interior, Quércia manteve-se crítico a Serra até a aliança em 2010 que pensou lhe renderia uma cadeira no senado.

Com as chaves dos cofres das estatais nas mãos e a responsabilidade de alimentar o caixa que financiaria a primeira campanha presidencial pela via direta – a de Montoro, conforme acordo firmado com Tancredo Neves que depois de eleito pelo colégio eleitoral com apoio do governador paulista apoiá-lo-ia nas primeiras eleições diretas no país – ficou fácil para Serra tornar-se czar da economia no estado e, depois de malogrado o plano urdido entre mineiros e paulistas com a morte inesperada de Tancredo, sagrar-se deputado constituinte por São Paulo.

Nas movimentações destinadas a articular sua candidatura, Serra atropelou um punhado de amigos que, desconhecendo o caráter daquele que haviam conduzido à posição de força no governo, preparavam suas candidaturas há mais tempo. Dentre eles, o ex-secretário das finanças de Covas na Prefeitura Denisard Alves e o próprio Montoro Filho.

Depois de traído, Montoro Filho, a quem Serra tudo devia de sua carreira política, foi solenemente esquecido pelo amigo em todos os postos que esse ocupou. Inclusive o de governador. Montorinho, como era conhecido, só voltou a posições de mando no governo do estado pelas mãos de Covas, em gratidão ao fato de seu pai tê-lo nomeado prefeito de São Paulo 10 anos antes.

Engana-se, por essa razão, o PSDB em tomar a defesa de Serra no episódio dos recursos ilícitos trazidos por ele e sua família desde paraísos fiscais, como notícia o livro “Privataria Tucana”. Primeiro, porque o dinheiro internalizado não foi proveniente apenas das privatizações realizadas durante o governo FHC, mas também de sua passagem pela secretaria do planejamento de São Paulo quando era peemedebista e não tucano.

Ademais, Serra nunca deu nada ao PSDB senão que dele se alimentou o tempo inteiro. Como hospedeiro de um corpo que haverá de abandonar depois que mais nada puder oferecer.”

FONTE: escrito por Luiz Cezar, economista, linguista, Mestre em Cultura, Mestre em Tecnologia (todos pela USP) e Master em Gestão Econômica de Projetos pela GV. Publicado no blog “Brasil que vai” e transcrito no portal de Luis Nassif  (http://brasilquevai.blogspot.com/2011/12/defender-serra-nao-vale-pena.html?spref=fb) e  (http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dados-para-uma-futura-biografia-de-serra#more).

PARA ONDE CAMINHA A AMÉRICA LATINA?


Da agência de notícias da América Latina e Caribe “Adital”

“Especialistas fazem balanço dos acontecimentos na América Latina e debatem os próximos passos da região, em texto publicado pela ‘Adital’. Entre outras bandeiras, a luta por terra e trabalho deverão estar em relevo nos diversos países latino-americanos, inclusive no Brasil, onde as fontes reconhecem que houve avanços. Mas é preciso avançar mais. O portal “Vermelho” reproduz a íntegra da matéria.”

“Um barril de pólvora prestes a explodir. Por vezes, essa é a definição adotada com relação à América Latina e ao cenário das lutas sociais na região. Conhecida pela pobreza, gritante desigualdade social, ditaduras militares na década de 1970, ingerência de países ricos, com suas políticas neoliberais, também é bastante lembrada por seus povos aguerridos, de resistência heróica.

Neste início de década, cabe perguntar: para onde caminha a América Latina? Há um mosaico de fatores que torna o quadro bastante complexo. Por um lado, fala-se na ascensão de governos considerados de esquerda na última década; por outro, permanece a questão social, a pobreza, acima de tudo, acompanhada por megaprojetos de infraestrutura, "guerra” ao narcotráfico - que já vitimou mais de 40 mil mexicanos(as) desde 2006 - e a constante luta pela terra.

Para o professor do departamento de Economia da Universidade Federal de Santa Catarina, Nildo Ouriques, o grande desafio que se apresenta à região é "aprofundar grandes transformações feitas pelos programas do nacionalismo revolucionário”, entre os quais ele situa Venezuela, Bolívia e Equador. "Se não fizerem isso, a direita vai reascender; tem que aproveitar essa correlação de forças favorável, com a crise estrutural do capitalismo, agora é hora de avançar”, alerta.

Por sua vez, o coordenador do “Grito dos Excluídos Continental”, Luiz Bassegio, considera que houve avanços nos processos de participação popular e nas condições de vida dos povos, porém, ressalva, não foram realizadas mudanças estruturais profundas. "É preciso continuar avançando e os movimentos sociais apoiarem mais os governos que caminham nessa direção, ainda que sem perder visão crítica, sem cooptações e tendo no horizonte objetivo estratégico que é o de construir uma sociedade justa, fraterna”, aposta.

No mesmo sentido, o professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina, Eliel Machado, pondera que as questões fundamentais das camadas oprimidas – sociais e econômicas – não foram plenamente resolvidas, contudo, as lutas anteriores servem de exemplo. "Com os eventuais erros e as conquistas pontuais, esses movimentos podem avançar mais ainda em direção a transformações mais substanciais”, explica.

Sobre os governos considerados de esquerda, aos quais se atribui boa parte das mudanças e sobre os quais também pesam conflitos com os movimentos sociais e acusações de restrição à liberdade de expressão, Eliel pede cautela. Ele defende que não se deve aplicar o mesmo adjetivo aos governos Lula, Chávez, Morales e Correa.

"Têm diferenças entre si, não só pela composição político-eleitoral de cada um em seus respectivos países, como também de cunho ideológico”, ressalta. O pesquisador cita, por exemplo, que o governo Lula não avançou na reforma agrária no Brasil, diferenciando-se da gestão anterior de Fernando Henrique Cardoso apenas por investir um pouco mais de recursos nos assentamentos já existentes.

Já Nildo Ouriques considera que essas gestões puseram o socialismo novamente em pauta. "Agora, precisam avançar rumo a um socialismo comunal, abolindo o Estado burguês, o que vai depender da luta de classes, dos impactos da crise estrutural por aqui e da radicalização dos movimentos sociais, conjunto de fatores variantes de um país para outro”, assinala.

QUESTÃO SOCIAL

Lançado em 1971, o livro “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, configura-se de uma dolorosa atualidade. Em prefácio escrito na década de 1990, Galeano expõe: 120 milhões de crianças "no centro da tormenta”, 50 milhões de desempregados ou subempregados, 100 milhões de analfabetos, a metade da população apinhada em moradias insalubres e produção de alimentos menor do que antes da última guerra mundial.

Essa realidade persiste. Segundo Nildo, 62% da população da América Latina é pobre e é essa condição a causadora de problemas sociais na região. "A violência está posta historicamente, não vem do tráfico; a questão da migração sempre existiu, a pobreza é que está na raiz desses problemas, que são apenas decorrentes dela”, sustenta.

De mesma opinião, Eliel considera que a luta por terra e trabalho deverão estar em relevo nos diversos países latino-americanos. "As desigualdades sociais continuam gritantes na região, inclusive no Brasil, não obstante toda a propaganda oficial em sentido contrário. O capital financeiro permanece hegemônico e ditando as políticas estatais”, aponta.

Já Bassegio realça os megaprojetos, que no caso do Brasil se somam aos megaeventos (Copa do Mundo de Futebol em 2014 e Olimpíadas em 2016). Como consequências, desalojamentos em massa e agressões ambientais, afetando milhares de pessoas, provocando mudanças climáticas e o aquecimento global.

Outro ponto importante, na visão do militante, são as migrações, "que obrigam milhões de pessoas a estarem continuamente em movimento segundo os interesses do capital, submetendo-as à exploração no trabalho, sendo muitas vezes traficadas e sem acesso aos direitos”.

Diante de tudo isso, no entanto, os povos latino-americanos persistem. Movimentos comunitários, de mulheres e trabalhadores, representam alento e esperança. Entre esses, os indígenas parecem assumir papel de destaque a cada ano, trazendo para a pauta a questão ambiental, o respeito à “Pachamama”, colocando-se contra petroleiras, hidrelétricas, mineradoras etc.

"Questionar ideia de que desenvolvimento vai dar um lugar ao sol para eles e mostrar que é possível uma outra relação”, opina Nildo, sobre o papel indígena. Para Bassegio, a maior contribuição está no questionamento da ordem capitalista.

"Buscam não uma sociedade de consumo desenfreado, mas um modo de viver onde todos tenham o necessário para viver dignamente em harmonia com a natureza”, frisa.

CRISE ECONÔMICA

A crise estrutural do capitalismo, iniciada em 2008 nos Estados Unidos, atinge duramente esse país e a Europa. No velho mundo, a sociedade desperta, mobilizando-se de uma maneira há muito não vista. Para a América Latina, resta uma certeza: a crise já chegou a alguns países e em breve baterá à porta dos que ainda se consideram a salvo. Essa deverá ser, na opinião de pesquisadores e militantes, uma conjuntura definidora, em que governos mostrarão, de fato, a quem servem.

Para o professor Nildo, a crise "acabará com o período ingênuo de otimismo e eliminará as ambiguidades”. Os projetos alinhados com as elites tentarão cortar conquistas sociais.

"Na visão da classe dominante, ela (a crise) será superada mediante o ataque, o corte, de direitos sociais. Esse é um grande desafio para os movimentos sociais diante da crise: garantir os direitos já conquistados, ampliar o acesso aos mesmos, conquistar novos direitos e universalizá-los”, reflete Bassegio.

Na outra ponta, a resistência ficará por conta das camadas oprimidas. "Tudo isso vai depender, por outro lado, da capacidade de resistência dos setores populares, o que envolve formação política, organização social e combatividade ideológica em tempos difíceis”, avisa.”

FONTE: publicado pela agência de notícias da América Latina e Caribe “Adital”. Transcrito no portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=171774&id_secao=7) [imagem do google adicionada por este blog ‘democracia&política’] [postado neste blog por sugestão do leitor Probus] .

2011-2012: FOI A POBREZA QUE GEROU A CRISE, NÃO O INVERSO

Manifestação em Barcelona contra a crise

“Estender a jornada de trabalho, sem contrapartida salarial, é a contribuição que Portugal e Espanha oferecem ao mundo no apagar das luzes de 2011. Uma alternativa neoliberal ao colapso do neoliberalismo.

Antes de dar a isso o epíteto de uma excrescência conservadora, talvez fosse mais justo creditar a Passos Coelho e a Mariano Rajoy o benefício da coerência. Nada mais fazem os dirigentes ibéricos do que radicalizar os fatores que deram origem ao colapso mundial, assentado, entre outros pilares, em três décadas de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associado a mimos tributários que promoveram o fastígio dos endinheirados.

Para clarear as coisas: não foi a crise que gerou o arrocho e a pobreza em desfile no planeta, mas sim o arrocho e a desigualdade neoliberal que conduziram ao desfecho explosivo, exacerbado agora por direitistas aplicados, que dobram a aposta no veneno. A ordem dos fatores altera a agenda futuro: a crise não é apenas financeira; controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito e endividamento suicida do outro, falindo famílias e governos.

Vista desse ângulo, a equação contesta, por exemplo, o jogral do conservadorismo nativo que qualifica como 'temerário' o reajuste de 14% (9% reais) para o salário mínimo em 2012, como a sugerir, à moda Rajoy e Passos Coelho, que a 'gastança' (fiscal/salarial) estaria na origem da crise, sendo a “hora da verdade” sinônimo de “hora do arrocho”. Ao injetar R$ 47 bilhões adicionais à demanda interna, o governo brasileiro, na verdade, reforça as imunidades do país em relação às origens da crise mundial. Em boa parte assentada no definhamento do poder de compra dos assalariados que se encontra hoje comprimido entre os menores da história em muitos países.

O aumento do salário mínimo, ao contrário, coloca o poder de compra de 48 milhões de brasileiros no nível mais alto dos últimos 30 anos. E isso gera encadeamentos produtivos e fiscais virtuosos, de que se ressentem os países ricos neste momento. A 'gastança' de R$ 19,8 bilhões com os 20 milhões de aposentados beneficiados pelo reajuste do mínimo, por exemplo, retornará aos cofres públicos na forma de R$ 22,9 bilhões em impostos. Cálculos do DIEESE.

O que fizeram os governantes das economias desenvolvidas desde os anos 90 - com os aplausos obsequiosos do dispositivo midiático demotucano - foi lubrificar uma espiral inversa. Desde 2000, a classe média americana dotada de diploma universitário, não tem reajuste salarial. Mais de 46 milhões de norte-americanos vivem hoje na pobreza, constituindo-se na taxa mais elevada dos últimos 17 anos: 15,1% .

Em termos absolutos, o contingente atual de pobres é o maior desde que “Census Bureau” começou a elaborar as estatísticas americanas, há 52 anos. Síntese do desmonte social acionado pelo neoliberalismo, o número de norte-americanos sem seguro-saúde é da ordem de 50 milhões de pessoas e tudo isso antecede a crise, que agravou o esfarelamento do “way of life” elevando a 46 milhões o total de desempregados, sobre uma base de dissolução pré-existente.

A receita não é privilégio norte-americano. Um quarto de todos os lares da Inglaterra e País de Gales, cerca de 20 milhões de pessoas, vivem em estado de pobreza atualmente, sólido legado de sucessivos governos neoliberais, desde Tatcher, passando por Blair até chegar no atual 'engomadinho', como diz Luiz Gonzaga Belluzzo. Cameron cuida de jogar a pá de cal naquela que já foi a rede de serviços sociais mais equipada da Europa. Pesquisas indicam que, em pleno inverno, número crescente de famílias inglesas vive o pior quadro de aperto financeiro desde a II Grande Guerra. E um relatório recente da OCDE - não propriamente uma trincheira progressista - sugestivamente intitulado "Divididos estamos: porque aumenta a desigualdade”, indica que a renda média de 10% das pessoas mais ricas representa nove vezes a renda dos 10% mais pobres nos países (ricos, em sua maioria) que integram essa organização.

A distância aumenta em dez para um na Grã-Bretanha, Itália e Coreia do Sul; chega a quatorze para um em Israel, Estados Unidos e Turquia, diz o informe. Os dados sobre os Estados Unidos mostram que “a renda por família, após o pagamento de impostos, mais do que dobrou entre 1979 e 2007, entre o 1% mais rico. Na fatia dos 20% mais pobres, caiu de 7% para 5% no mesmo período".

“Quando se fala dos mais ricos entre os ricos estamos dizendo que há espaço para aumentar os impostos”, afirmou Angel Gurria, o secretário geral da organização, numa menção indireta às escandalosas isenções tributárias acumuladas pelos endinheirados desde o governo Reagan, nos anos 80.

Foi sobre essa base de renda e trabalho esfacelados simultaneamente pela transferências de empregos e empresas às 'oficinas asiáticas', que se instalou o colapso neoliberal. A asfixia desse arranjo capitalista só não explodiu antes graças à válvula de escape do endividamento maciço de governos e famílias, que atingiu patamares de virtuosismo insustentável na bolha imobiliária norte-americana, espoleta da crise mundial de 2008.

Quando as “subprimes” gritaram --'o rei está nu'- todo o criativo edifício de uma supremacia financeira baseada no crédito sem poupança (porque sem empregos, sem renda e sem receita fiscal compatível) veio abaixo.

A tentativa atual de 'limpar o rescaldo' do desabamento, removendo apenas seus gargalos financeiros --ou seja, salvando os bancos e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres-- é mais uma forma de perpetuar a essência da crise do que de enfrentar as suas causas seminais. O jogo é mais pesado. Controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas, na base do morde e assopra --arrocho de um lado, crédito do outro. Preservar o modelo com arrocho de crédito, como se tenta, requer carnificina econômica e social. A julgar pelas iniciativas dos governantes portugueses e espanhóis, a direita está disposta a movimentar o açougue em 2012. A ver.”

FONTE: cabeçalho do site “Carta maior”  (http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=853) [imagens do google acrescentadas por este blog].