segunda-feira, 4 de novembro de 2013

"FHC/PSDB PRIVATIZARIA CAIXA, BB E TAMBÉM A PETROBRAS"


"Autor do best-seller "O Príncipe da Privataria", jornalista Palmério Doria diz, em entrevista a Renato Dias, que plano de desestatização era bem mais ousado; "Imagino que, com os tucanos no poder, não teríamos, hoje, nem a Petrobrax... Era apenas uma etapa para a venda até do mastro da bandeira nacional", afirma. Responsável pela publicação de reportagens sobre um filho de FHC fora do casamento, ele também fala sobre o comportamento da imprensa: "para a mídia, esconder um caso extraconjugal era um detalhe"

Por Renato Dias, do “Diário da Manhã” (especial para o “Brasil 247”)

Aos 64 anos de idade, com passagens pelas redações de "Ex", "Coojornal", "Estado de S. Paulo", "Folha de S. Paulo", "Jornal do Brasil", o jornalista e escritor Palmério Dória define o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB), não como sociólogo, mas como “príncipe da privataria”. Mais: acusa o tucanato de tentar vender, à época de sua hegemonia [1995-1998 e 1999-2002], Petrobras, Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF). Ele afirma que as operações privatizantes eram blindadas pelos grandes conglomerados de comunicação no Brasil. “Esconder um caso extraconjugal ou um suposto filho fora do casamento com Ruth Cardoso [Com a jornalista Mírian Dutra] era apenas um detalhe”, diz.

Segundo ele, o ex-ministro da Justiça Iris Rezende Machado (PMDB-GO) teria enviado uma tropa de choque violenta à Brasília, capital da República, para desmontar a convenção nacional do PMDB que poderia homologar a candidatura de Itamar Franco, a quem classifica como o verdadeiro “Pai do Plano Real”. Itamar Franco poderia impedir que FHC fosse reeleito, acredita. O príncipe da privataria teria traído também, nas eleições de 1998, ao Governo do Estado de Goiás, o jovem tucano Marconi Perillo, que acabaria derrotando o golias evangélico do PMDB, queridinho então do Palácio do Planalto. O autor observa que o Plano Real não garantiu a estabilidade econômica do Brasil. “Tanto é que o País quebrou três vezes com FHC”, dispara.

Era Sarney

Cáustico, ele, que é autor de "Honoráveis Bandidos – Um retrato do Brasil na era Sarney", da "Geração Editorial", frisa que o atual senador José Sarney (PMDB) é uma “piada de mau gosto”. “Um presidente acidental. Uma obra do Hospital de Base de Brasília...”, ironiza. Palmério Dória prepara, hoje, um livro sobre a ditadura civil e militar (1964-1985) e o seu impacto nas áreas de Educação & Cultura e o papel de personagens como Paulo Freire, Josué de Castro e Darcy Ribeiro. Para ele, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, ex-"Opinião" e ex-"Movimento", está correto. O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu de Oliveira e Silva é inocente, fuzila. Ele se refere à Ação Penal 470 [Mensalão]. O show do Supremo Tribunal Federal está sendo desmontado, destaca.

Leia a íntegra da entrevista

“PARA A MÍDIA, ESCONDER UM CASO EXTRACONJUGAL ERA UM DETALHE”

FHC & Marconi Perillo

Por Iris Rezende, em 1998, Fernando Henrique Cardoso traiu o jovem tucano Marconi Perillo. Iris mandou uma tropa e choque para desmontar a convenção nacional do PMDB, que poderia homologar a candidatura do [ex-presidente da República e pai do Plano Real] Itamar Franco. Se ele, Itamar Franco, fosse candidato, FHC poderia não ser reeleito. Ele é o verdadeiro pai do Plano real e podia mudar o jogo. O que houve foi um atentado com a convenção, a democracia.

Brasil pós-FHC

Hoje em dia, temos a exata noção de que o Brasil saiu pior dos anos Fernando Henrique Cardoso [1995-1998 e 1999 -2002]. Se ainda vivêssemos sob a hegemonia tucana, por exemplo, não existiriam os BRICS. Existiriam apenas os Rics... De 2003 a 2013, o Brasil ganhou projeção mundial, subiu no ranking mundial das economias e virou protagonista.

Pior das privatizações

O que poderia ter sido mais escandaloso e que não ocorreu, porque eles não conseguiram fazer, seriam as privatizações da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Imagino que, com os tucanos no poder, não teríamos, hoje, nem a Petrobrax... Era apenas uma etapa para a venda até do mastro da bandeira nacional (Risos).

Mírian Dutra

A mídia nacional, os grandes conglomerados de comunicação esconderam o caso extraconjugal de Fernando Henrique Cardoso porque ela tinha a clara noção de que ele [FHC] era o Fernando II, a continuação do Fernando I, Fernando Collor, que havia renunciado após a aprovação do impeachment, em 1992. FHC conseguiu realizar toda a agenda que Fernando I não havia conseguido fazer. Esconder um caso extraconjugal, um suposto filho fora do casamento [com a jornalista Mírian Dutra], que não era, na verdade, nem dele, assim como o Plano Real, cuja paternidade é de Itamar Franco, eram detalhes.

Plano Real

Não é verdade que o Plano Real garantiu a estabilidade econômica. Com Fernando Henrique Cardoso, o Brasil quebrou três vezes, ficou nas mãos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Tesouro Americano. O presidente do Brasil, de fato, era Robert Rubin, homem forte do Tesouro dos Estados Unidos.

Desestatizações

O estupro de Fernando II [FHC] ocorreu em seu primeiro mandato [1995-1998]. O segundo mandato ficou por conta e risco do Fundo Monetário Internacional. Hoje em dia, eles [FMI] tentam se meter, mas soa como piada.

José Sarney

Fernando Henrique Cardoso é uma espécie de José Sarney barroco. Numa feliz definição de Millôr Fernandes, Sarney é apenas barroco. É uma piada de mau gosto. Um presidente acidental. Uma obra do Hospital de Base de Brasília...

Leilões e concessões

Leilões e concessões [adotados sob a era Dilma Rousseff] não podem ser comparados com a privataria tucana. Não. Não dá para confundir com a privataria [mistura de privatização com pirataria, termo criado pelo jornalista Elio Gaspari], que grassou no governo de Fernando Henrique Cardoso, o príncipe dos sociólogos. FHC “privatizou” o céu, o subsolo, e os seus piratas iriam, se estivessem no poder, deitar e rolar com o mar. [referência ao Pré-Sal]. É diferente de partilha e concessão.

AP 470

Não há provas contra o ex-ministro José Dirceu. Ele é inocente. Concordo com o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que deveria ganhar o Prêmio Esso por sua série de reportagens sobre o caso [Escândalo do suposto Mensalão]. A fantasia, o show do Supremo tribunal Federal (STF) está sendo desmontado. Mas, as comparações são inevitáveis... O jornalista Elio Gaspari diz que o mensalão do PT,  perto do escândalo do ‘propinoduto’ tucano em São Paulo, é bobagem...

Manifestações de rua

O que sobrou delas, hoje, é apenas os "Black Blocs". À época [maio, junho e julho], fiquei apavorado. Vi a glória do ‘Movimento Cansei’. Ele conseguiu massa de manobra. Nunca tinha visto multidões à direita (Risos).

++++++++++++++++

Projeto de novo livro

Escrevo, hoje, um livro sobre a ditadura civil e militar no Brasil [1964-1985]. O seu impacto nas áreas de Cultura e Educação e personagens como Paulo Freire, Josué de Castro e Darcy Ribeiro.

O que anda lendo: Leio, hoje, Stanislaw Ponte Preta, as suas obras reunidas em um só volume. Uma maravilha.

Onde trabalhou: Ex, Coojornal, Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Jornald o Brasil, Placar, Revista Sexy, Carlos Amigos...

Hoje: Faço carreira solo.

Idade: 64 anos."

FONTE: escrito por Renato Dias, do “Diário da Manhã” (especial para o “Brasil 247”) (http://www.brasil247.com/pt/247/cultura/119673/FHC-rivatizaria-Caixa-BB-e-também-a-Petrobras.htm).

Marcos Coimbra: "OPOSIÇÃO NÃO SABE O QUE QUER"



O portal "Conversa Afiada" reproduziu texto de Marcos Coimbra, da revista "Carta Capital":

OS PROBLEMAS DA OPOSIÇÃO

"Dilma Rousseff também tem os seus, mas aqueles de seus adversários na corrida presidencial continuam maiores.

A 11 meses da eleição presidencial, as oposições enfrentam problemas. Não apenas elas, pois a presidenta Dilma Rousseff também tem os seus, mas aqueles dos adversários são claramente mais complicados.

As dificuldades dos diversos possíveis candidatos oposicionistas começam pela indefinição a respeito da própria candidatura. Nos vários partidos que pensam disputar a eleição contra Dilma, há nomes de mais ou de menos.

Nas duas principais legendas, é evidente o conflito entre os postulantes à cabeça de chapa. No PSDB, Aécio Neves e José Serra estão em rota de colisão cada vez mais acelerada. A qualquer hora vão trombar, com mortos, feridos e um rastro de destroços pelo caminho.

No PSB, Marina Silva comporta-se como a convidada bem trapalhona na festa de Eduardo Campos. Desde a sua filiação ao partido, o governador de Pernambuco amarga uma dor de cabeça após a outra.

Enquanto os tucanos se bicam e os socialistas encenam o jogo da “aliança programática”, pequenas legendas entram na dança das candidaturas próprias. Nenhuma sabe se será para valer, mas algumas têm até nomes provisórios para oferecer. Outras estão à cata de um.

No PPS, há quem fantasie o lançamento da vereadora Soninha Francine, para desagrado de seu presidente, Roberto Freire, que parece vê-la como substituta insuficiente de Marina Silva que tanto desejava. No PSC, o pastor Everaldo discursa como presidenciável. Não é impossível surgirem outras candidaturas semelhantes.

O estímulo a essas microcandidaturas vem de cima, do PSDB e do PSB. São parte da estratégia imaginada por Aécio Neves e Eduardo Campos para tentar dificultar o caminho de Dilma Rousseff, multiplicando o número de oponentes que ela terá de enfrentar, por menores que sejam.

Não são, portanto, candidaturas espontâneas. Nem sequer pretendem representar uma parcela, mesmo pequena, da sociedade. Nascem apenas como linha auxiliar de um combate que as transcende.

Os partidos ideológicos não agem assim, sejam os de extrema-esquerda, sejam os de agenda específica. Eles participam de eleições sem expectativa realista de vitória, na busca por marcar posição e levantar bandeiras. PPS, PSC e congêneres não têm ideologia para defender.

Nessas e em outras movimentações, há algo que não conhecíamos em nossa história política pós-ditadura: a constituição de uma espécie de “frente ampla” oposicionista, sem agenda propositiva e cuja finalidade se define pela negação, por buscar a derrota do “lulopetismo”. Aécio e Campos aparecem em fotos nas quais trocam sorrisos, enquanto fabricam nanicos para correr por fora, na tentativa de trazer alguns votos para o balaio comum. Desde 1989, é a primeira vez que se esboça algo assim.

A oposição extrapartidária, especialmente a brigada midiática, mostra-se encantada com a "entente cordiale" armada para 2014 e a encoraja a todo instante. Se depender dela, a paz reinará na seara oposicionista, de preferência enquanto o governismo se fraciona e guerreia.

Dá-se o caso, contudo, de essa possibilidade só existir no sonho de alguns. No mundo real, nem há paz dentro dos partidos da oposição, nem haverá entre eles na hora em que a disputa eleitoral se intensificar. Para Aécio e Campos, ou qualquer composição de nomes de seus partidos, o sabor de uma hipotética derrota petista não anularia o gosto amargo da vitória do outro. Ambos apostam em conseguir mais votos e querem somente se aproveitar do aliado ocasional.

No fundo, tudo isso apenas reflete o aspecto central do oposicionismo brasileiro de hoje: sua falta de identidade e rosto natural. O contrário do que havia em 2002, quando o governismo foi derrotado por uma candidatura de oposição inteiramente natural, a de Lula pelo PT.

Aécio? Serra? Campos? Marina? Soninha? O pastor Everaldo? Mais alguém? Em frente ampla? Cada um por si? Tantas interrogações indicam: por razões distintas, está tudo no ar, no campo oposicionista.

O mau desempenho dos nomes da oposição nas pesquisas atuais e a vantagem de Dilma, é fato, não significam que a presidenta só terá bons ventos pela frente. Parece claro, porém, que as dificuldades de seus oponentes serão maiores.

Nem precisamos lembrar que a presidenta possui um amplo estoque de boas notícias e propostas para apresentar ao eleitorado. Quanto à oposição, até agora não mostrou saber o que quer, a não ser assumir o poder.”

P.S (do portal "Conversa Afiada"):“A oposição tem proposta, sim. Só que não pode dizer qual é.” (José Ricardo)

FONTE: escrito por 
Marcos Coimbra, na revista "Carta Capital", e transcrito no portal "Conversa Afiada" (http://www.conversaafiada.com.br/politica/2013/11/03/coimbra-oposicao-nao-sabe-o-que-quer/).

ARROGANTEMENTE, O GOVERNO DE ISRAEL ATACA A SÍRIA, MAS DECIDE MANTER O SEU ARSENAL QUÍMICO

"Operação Chumbo Fundido", das Forças de Defesa de Israel contra a Faixa de Gaza, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009. O uso de munições com fósforo branco em áreas habitadas foi denunciado pela ONU e por várias ONGs de direitos humanos. (Getty Images / BBC)

"O gabinete de segurança israelense manterá a sua decisão de não ratificar a 'Convenção internacional de proibição das Armas Químicas' (CWC, na sigla em inglês), embora figuras da liderança na Defesa tenham se pronunciado a favor da assinatura, de acordo com uma fonte oficial superior, citada pelo jornal israelense "Ha’aretz".

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu realizou uma reunião com o gabinete há algumas semanas para discutir a política nacional relativa à convenção, que proíbe a produção, armazenamento e o uso de armas químicas, e prevê a sua destruição.

Israel assinou o documento, mas não o ratificou no Parlamento ou no gabinete, o que, a princípio, o mantém inválido para os israelenses, embora juristas internacionais defendam um princípio que criminaliza as armas químicas através do costume, e não só através dos tratados.

Uma fonte oficial deu declarações ao "Ha’aretz" em condições de anonimato, e disse que o debate foi suscitado pelo acordo entre a Rússia e os Estados Unidos para a destruição do arsenal químico da vizinha síria. O governo do país árabe dispôs-se a receber inspetores da Organização das Nações Unidas para o processo de avaliação e destruição do seu arsenal, e ratificou a CWC.

Embora Israel tenha assinado a convenção em 1993, não ratificá-lo significa manter-se afastado do compromisso assentado pelo documento. Enquanto isso, oficiais israelenses fizeram comentários à mídia estrangeira sobre seus estoques de armas químicas e sobre as exigências para destruí-los.

Netanyahu levantou a questão em uma sessão do gabinete de segurança que lidava com a questão da Síria, depois de ministros terem feito pesquisas sobre o processo de destruição do arsenal químico do país árabe. Entretanto, a reunião não durou muito e não houve votação a respeito.

Tanto Netanyahu quanto o ministro da Defesa, Moshe Ya’alon disseram acreditar que Israel não mudaria a sua política sobre a convenção, e também não trariam a questão para a votação, segundo a autoridade citada pelo "Ha’aretz". Depois de uma consulta breve, ficou decidido que Israel manteria sua posição.

Outra autoridade familiar à CWC disse que, apesar da objeção de Netanyahu e Ya’alon, um grande número de oficiais superiores da Defesa acreditavam que, já que a Síria comprometeu-se com o desarmamento, Israel também deveria ratificar o tratado, seja por questões defensivas ou pelo posicionamento diplomático.

“Ratificar o tratado poderia trazer vantagens estratégicas e econômicas”, disse a autoridade citada.

De acordo com especialistas, Israel tem um estoque de armas químicas bastante diversificado. O historiador Avner Cohen afirmou, em um livro intitulado “Israel e a Bomba”, que o primeiro premiê israelense, David Ben-Gurion encomendou secretamente o desenvolvimento de armas químicas durante a Campanha do Sinai, em 1956.

Há algumas semanas, após o anúncio da Síria sobre o desmantelamento do seu arsenal, Israel foi instado, especialmente por diplomatas da Rússia e da própria Síria, a também ratificar a convenção.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor declarou ao "Ha’aretz" que Israel não ratificaria o compromisso enquanto outros países da região possuidores de armas químicas se recusassem a reconhecer o país e “ameaçassem a sua destruição” [assim como Israel não reconhece e se apropria da Palestina]. Palmor alegou que “organizações terroristas, agindo em prol desses Estados”, também poderiam usar essas armas químicas.

Entretanto, o governo israelense foi acusado diversas vezes de usar armas químicas em suas ofensivas [invasoras] contra os palestinos, os sírios e os libaneses, principalmente, em guerras bastante recentes.

Em 2009, uma missão de investigação do "Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas" publicou um relatório de mais de 500 páginas, em que acusou Israel de usar fósforo branco e tungstênio sobre regiões densamente habitadas, durante a "Operação Chumbo Fundido", que durou 22 dias e matou mais de 1.400 palestinos.

No âmbito do processo de desarmamento químico da Síria, diversos líderes, inclusive o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, saudaram a colaboração do governo e o comprometimento com o tratado.

Os inspetores internacionais anunciaram, no fim da semana passada, que todos os equipamentos usados para a produção de armas químicas tinham sido destruídos, e o arsenal, propriamente dito, pode ser destruído até meados de 2014, conforme o cronograma."

FONTE: escrito por Moara Crivelente, da redação do portal "Vermelho", com informações do jornal israelense "Ha'aretz" (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=228324&id_secao=9).[Trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política'].

domingo, 3 de novembro de 2013

A VIOLÊNCIA DA REAPROPRIAÇÃO DO PANAMÁ: EUA DIZEM QUE FOI “POR JUSTA CAUSA”...


A COMPLICADA HISTÓRIA DO PANAMÁ

Por Motta Araújo

“[Hoje], 3 de Novembro, a República do Panamá, a mais nova da América Espanhola, faz 110 anos. O crucial istmo que liga a América Central à América do Sul era colônia da Espanha, parte do Vice-Reinado de Nova Granada. Depois das guerras de independência das colônias espanholas, virou parte da província da Colômbia, como "Departamento do Istmo", mas tentativas de independência da Colômbia sempre existiram.

O Istmo tinha (e tem) uma "elite branca de primeira qualidade" [sic!], os "rabiblancos", que nunca se consideraram colombianos, herdeiros da vocação comercial dos primeiros colonizadores espanhóis que ocuparam o Istmo.

O ponto de inflexão foi a descoberta do ouro na Califórnia em 1849, tornando fundamental a necessidade de interconexão da Costa Leste dos EUA com o Oeste então valioso pela corrida do ouro. Havia duas rotas: pelo Estreito de Magalhães, um longuíssimo caminho de Nova York a São Francisco, ou pelo Istmo por terra e tomando outro navio no lado do Pacífico, um transbordo difícil e caro. Os EUA viram a solução na construção de uma ferrovia que ligaria a costa caribenha ao lado do Pacifico. Fizeram acordo com a Colômbia,  conseguiram a concessão e a ferrovia ficou pronta em 1855, mas com ela já nascia a ideia de um canal marítimo, obra gigantesca. Coube a uma companhia francesa tentar executar o projeto com o mesmo engenheiro que concebeu o Canal de Suez. Graves problemas de construção na selva, com cobras e malárias, impediram a conclusão por Ferdinand de Lesseps. A companhia francesa faliu; os EUA precisavam desesperadamente desse canal e compraram os direitos.

Mas uma obra de tal magnitude só poderia ser realizada em terra sob controle dos EUA. Era obra de uma geração, que exigiria recursos extraordinários, financeiros, técnicos e humanos.





Para essa realização, era indispensável ter controle político do Canal e a solução foi "apoiar" o Departamento do Istmo em seus anseios de independência que vinham de longa data. Declarada a independência, foi criada a República do Panamá em 3 de Novembro de 1903, sob protetorado dos EUA, que imediatamente ocuparam o território com infantaria naval antes da chegada de forças colombianas. As relações da nova República com a Colômbia só se normalizaram 21 anos depois. Os EUA garantiram para si uma Zona do Canal, de 16 km de largura, sob soberania americana, dividindo a República em duas partes [ver mapa acima].

Na realidade, a República só existiu pelo "apoio" americano. Os independentistas que já existiam desde a segunda década do Seculo XIX não teriam, sozinhos, conseguido "a independência" [sic], pois  a Colômbia era um pais muito maior [e mais forte].

A construção do canal pelos americanos, através de uma companhia controlada pelo Governo, a "Panama Canal Company", levou uma geração. Foi realizada em grande parte com a importação de operários jamaicanos que acabaram ficando no Panamá,  especialmente no lado caribenho, onde é hoje a Zona de Livre Comércio de Colón.

O controle político ficou até a década de 80 com as famílias "rabiblancas", como os Arias e os Alwyn, quando surgiram "caudilhos" [sic] de origem popular, primeiro Omar Torrijos e depois Manuel Noriega.

O controle americano do Canal cessou por Tratado em 31 de dezembro de 1999, tendo sido desmilitarizada a Zona do Canal, agora integrada à "soberania panamenha" [sic]. Os 300 edifícios de quarteis, hospitais e armazéns viraram lojas e shoppings. O Canal está sendo ampliado para navios maiores e a prosperidade do Panamá é a maior das Américas  um "megaboom" de construção de altos edifícios e um PIB crescendo a 11% ao ano.




A moeda continua sendo o dólar e o país está recendo milhares de aposentados americanos que compraram apartamentos e vieram residir no Panamá [impostos menores]. A emergência da China como compradora de 'commodities' aumentou o tráfego do canal e o movimento da Zona Livre de Colón onde, em 500 armazéns, se redistribuem os produtos chineses que se vendem na América do Sul.

O Panamá, assim como Cuba, tem uma curiosa história, bem diferente das demais repúblicas da America hispânica  criadas a partir do enfraquecimento da Coroa espanhola nas guerras napoleônicas."

FONTE: escrito p
or Motta Araújo e publicado no "Jornal GGN"  (http://jornalggn.com.br/noticia/a-complicada-historia-do-panama). [Imagens do google, trechos entre colchetes e aspas adicionados por este blog 'democracia&política'].

COMPLEMENTAÇÃO

Complemento a postagem acima com texto deste blog ‘democracia&política' escrito e postado em 02/03/2008:

O TERROR NORTE-AMERICANO NO PANAMÁ POR “JUSTA CAUSA” 


Aviões “invisíveis” F-117, estreados em dezembro de 1989 pelos EUA contra o indefeso Panamá

A “Operação Justa Causa” foi executada poucos dias antes do início da década de noventa.

Os EUA atacaram o Panamá à noite, repentinamente, em dezembro de 1989, um mês após a queda do muro de Berlim e cinco dias antes do Natal.

O pretexto oficial norte-americano para aquela sangrenta violação de todos os princípios de convivência das nações foi, surpreendente e simplesmente, "prender o Presidente Noriega", então por eles acusado de ser corrupto e de ter ligações com narcotraficantes (foi levado para os EUA e lá “julgado” e condenado a quarenta anos de prisão).

Para aquele fim declarado, seria suficiente meia dúzia de agentes da CIA.

Ficou evidente que os objetivos reais dos EUA foram testar em ambiente noturno (e mostrar ao mundo, para também amedrontar) suas novas armas e seu mais moderno sistema de comando, coordenação e controle eletronicamente integrados; deixar claro que a América Latina era quintal dos EUA; e especialmente, visavam, com aquela operação, a apagar, na prática, os Tratados Carter-Torrijos sobre a devolução do Canal do Panamá aos panamenhos, que deveria ocorrer em 
31 de dezembro de 1999. Os acordos foram assinados em 1977. 

Os EUA empregaram de surpresa, no bombardeio da capital panamenha enfeitada para o Natal, sem declarar guerra, contra um país indefeso e praticamente sem Forças Armadas, 24.000 soldados superequipados e centenas de aviões de combate moderníssimos, inclusive os caríssimos F-117 “stealth” invisíveis aos radares que nem existiam no Panamá. Aquele ataque ao Panamá custou aos EUA o equivalente a mais de um bilhão de dólares.

Morreram no ataque mais de quinhentos civis panamenhos (algumas fontes informaram 4.000). 


O mundo e o Brasil, "convenientemente informado" pela mídia internacional e nacional sempre bem manipulada, aceitou docilmente e sem alardes aquela benemérita “Operação Justa Causa”, como a batizaram os norte-americanos (com humor negro?). Não houve significativa repercussão negativa. Ninguém se comoveu com as centenas de civis mortos no ataque aos panamenhos. 


"Em prol da democracia", um novo presidente panamenho, Guilhermo Endara, foi logo posto no poder pelos EUA, em solenidade dentro de uma barraca militar dos invasores, no dia seguinte à invasão. Pouco tempo depois, em 1993, Endara tinha menos de 10% de aprovação popular. Continuava, todavia, muito bem considerado e amparado pela “Casa Branca”.


Com o fim à força dos entendimentos antes firmados nos referidos Tratados, os EUA voltaram a garantir, com menor custo e sem maiores concessões aos interesses daquele país da América Central, as ligações entre as costas leste e oeste norte-americanas via canal, e a permanência das tropas e bases norte-americanas no Panamá. Tudo com o fingimento de que o Panamá passou a administrar o canal com soberania..."

FONTE da complementação: texto elaborado e postado por este blog 'democracia&política' (http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2008/03/2-parte-o-brasil-e-as-guerras-mais.html).

O PROCURADOR TUCANO QUE SE VENDEU À MÍDIA


Enviado por Miguel do Rosário para o blog "O Cafezinho"

“Essa análise do Nassif, com experiência nesses embates sujos entre Ministério Público, barões do submundo financeiro e político, e mídia, repletos de acordos secretos e assassinatos de reputação, é uma aula magna, embora sombria, de como política e justiça se relacionam no Brasil.

O PROCURADOR QUE APOSTOU NA BLINDAGEM ERRADA

Por Luis Nassif, no GGN.

"A enrascada em que se meteu o procurador da República Rodrigo De Grandis se deve à sua aposta na blindagem errada: julgou que o PSDB fosse um todo homogêneo e não se deu conta de que a blindagem da mídia beneficiava exclusivamente o grupo ligado ao ex-governador José Serra.

A primeira prova de fogo de De Grandis foi a "Operação Satiagraha". Nela, os principais atores – juiz Fausto De Sanctis e delegado Protógenes Queiroz – foram alvos de uma campanha implacável – da mídia, como um todo, reforçada pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

De Sanctis e Protógenes mostraram estrutura psicológica para resistir ao massacre a que foram submetidos. De Grandis encolheu-se, assustou-se.

Quando a "Satiagraha" recrudesceu, seus parceiros apontavam para seu pouco entusiasmo, o desagrado de ser interrompido em alguma festa para tomar alguma medida urgente, a demora em responder a algumas questões, nada que o comprometesse, mas que já demonstrava seu desconforto de enfrentar empreitada tão trabalhosa – que, para procuradores mais vocacionados, poderia ser o desafio da vida.

Definitivamente, De Grandis não tinha a estrutura psicológica e a vocação dos que se consagraram no combate ao crime organizado, como os procuradores Vladimir Aras, Raquel Branquinho, Luiz Francisco, Celso Três, Janice Ascari e Ana Lúcia Amaral – firmes e determinados, alguns até o exagero, como várias vezes critiquei.

O convite inacreditável a Mainardi

Na primeira vez que foi alvo de ataques, De Grandis arriou.

Ocorreu quando o colunista de "Veja" Diogo Mainardi avançou além da prudência e anunciou que entregaria pessoalmente ao juiz da "Operação Chacal" (na qual Dantas era acusado de grampear adversários e jornalistas) o relatório da Itália sobre as escutas da Telecom Italia.

Titular do caso, a procuradora Anamara Osório reagiu e publicou nota no site do Ministério Público Federal de São Paulo alertando que se tratava de um jogo de Dantas para contaminar o inquérito. Sem noção, Mainardi partiu para ataques destrambelhados contra os procuradores. Depois, caiu a ficha e entrou em pânico.

Dias depois, foi recebido por De Grandis, através da intermediação de um colega de faculdade ligado à ex-vereadora Soninha – do grupo de Serra. Foi um encontro surpreendente. Numa ponta, um colunista assustado – conforme algumas testemunhas do encontro -, quase em pânico, querendo desfazer a má imagem perante os procuradores. Na outra ponta, um procurador assustado, querendo desfazer a má imagem junto à mídia.

Foi provavelmente ali que De Grandis sentiu a oportunidade de se aproximar dos detratores e proteger-se do fogo futuro. Convidou Mainardi para palestrar em um encontro social de procuradores, avalizando – perante a classe – a conduta de um dos principais suspeitos de atuação pró-Dantas.

Só não ocorreu o encontro por falta de agenda de Mainardi.

As mudanças na atuação

A partir daquele episódio, surgem os sinais mais nítidos da aproximação de De Grandis com o grupo Serra.

Quando a "Operação Satiagraha" foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), De Grandis recorreu, como não poderia deixar de fazer, mas chamou a atenção sua indiferença contra uma medida que comprometia o que procuradores mais vocacionados considerariam o trabalho de sua vida.

Tempos depois, recusou pedido da Polícia Federal para indiciar o vereador Andrea Matarazzo – também do grupo Serra. Devolveu o inquérito solicitando mais informações para tomar sua posição.

Poderia ser apenas rigor técnico, não fossem os fatos posteriores.

Foi apanhado no contrapé quando a revista IstoÉ mencionou os pedidos de procuradores suíços para atuar contra suspeitos do caso Alstom – dentre os quais José Ramos, figura-chave da história. Alegou "ter esquecido" o pedido em "uma pasta errada". Agora, a "Folha" informa que o próprio Ministério da Justiça enviou três cobranças, os procuradores paulistas também o questionaram, e nada foi feito.

O erro de avaliação

Há vários pontos a explicar seu comportamento.

O primeiro, o da análise incorreta do benefício-risco.

A "Satiagraha" revelou, em sua amplitude, o risco de atuar contra pessoas próximas a Serra. Se fosse a favor, haveria blindagem. E a comprovação foi o próprio comportamento do ex-Procurador Geral da República Antônio Fernando de Souza. Ele retirou da AP 470 o principal financiador do mensalão – as empresas de telefonia controladas por Dantas -, escondendo dados levantados pelo inquérito da Polícia Federal. Foi premiado com contratos milionários da Brasil Telecom, e continuou vivendo vida tranquila.

Antes disso, o mesmo Antônio Fernando anulou a "Operação Banestado", em uma atitude escandalosa que não mereceu uma reação sequer da corporação dos procuradores, menos ainda da mídia.

Depois, o ativismo político de Roberto Gurgel [PGR/MPF], comprometendo a imagem de isenção da corporação e garantindo "aos inimigos, a forca, aos aliados, a gaveta".

Com tais exemplos, De Grandis deve ter apostado que, ficando longe dos esquemas tucanos, seria poupado pela mídia.

A falta de informação lhe custou caro.

A blindagem da mídia abrange, exclusivamente, o esquema Serra – uma estrutura complexa que passa pelo banqueiro Daniel Dantas, por Verônica Serra, por lugares-tenentes como Andrea Matarazzo, Gesner de Oliveira, Mauro Ricardo, Hubert Alqueres (e seu primo José Luiz); antes deles, por Ricardo Sérgio, Vladimir Riolli, pelos lugares-tenentes que levou ao Ministério da Saúde, pelos esquemas de arapongagem.

Não entram na blindagem outros grupos tucanos, como o do governador paulista Geraldo Alckmin ou os mineiros de Aécio. Pelo contrário, não poucas vezes são alvos de fogo amigo.

Ao não se dar conta dessas nuances, De Grandis se expôs.

Agora, ficou sob fogo cruzado do PT e do grupo de Serra.

O PT, para atingir o PSDB; o grupo de Serra para fornecer mais elementos para Dantas anular a "Satiagraha" no Supremo Tribunal Federal. O primeiro grupo ataca De Grandis da Operação Alstom; o segundo, o De Grandis que não mais existia, da "Satiagraha".

O anacronismo da gestão Gurgel

Some-se a tudo isso o anacronismo burocrático da gestão Gurgel 
[PGR/MPF].

O MPF padece do mesmo vício do jornalismo: as tarefas principais, a linha de frente das investigações são entregues a procuradores ou repórteres novatos. Quando ganham experiência, procuradores são promovidos e limitam-se a dar pareceres; e repórteres tornam-se editores.

O burocratismo de Gurgel não criou nenhuma estrutura intermediária, com procuradores mais experientes coordenando, orientando e fiscalizando a atuação da linha de frente.

Agora, o novo PGR, Rodrigo Janot, montou essa estrutura intermediária, nomeando procuradores experientes para essa função.

O episódio traz inúmeras lições.

A principal delas são os efeitos deletérios sobre o trabalho dos procuradores, quando submetidos ao jogo de interesses da mídia.

Recentemente, o MPF de São Paulo montou um seminário apenas com representantes da velha mídia, para falar das relações entre eles. Houve loas à liberdade de imprensa, ao apoio que a mídia dá a escândalos mesmo que não devidamente apurados pelo MPF, a celebração da amizade – que já feriu tantos direitos individuais, pelo hábito da escandalização.

Em nenhum momento, entrou-se nos temas centrais: a influência deletéria dos interesses econômicos na cobertura jornalística; a maneira como essa submissão à mídia inibe ou pauta o trabalho de procuradores; o novo papel das redes sociais, como freio e contrapeso aos interesses corporativos.

Quem sabe, comecem a acordar para os novos tempos.”

FONTE: escrito por Luis Nassif, no portal "GGN"  (http://www.ocafezinho.com/2013/11/01/o-procurador-que-se-vendeu-a-midia/).

MINISTRO DA JUSTIÇA APONTA MENTIRA DE PROCURADOR TUCANO


EM NOTA, CARDOZO ATESTA: DE GRANDIS MENTIU

"Nova divulgada pela equipe do Ministro José Eduardo Cardozo esclarece que o procurador Rodrigo de Grandis recebeu oito ofícios cobrando providências relacionadas ao caso Alstom, sobre propinas pagas pela multinacional francesa a personagens ligados ao PSDB paulista. Reportagem deste fim de semana da revista "IstoÉ" aponta "escândalo dentro do escândalo"; ou seja: cai por terra a versão da "falha administrativa" e do "arquivo na pasta errada".


Uma nota oficial do Ministério da Justiça, divulgada na noite de sexta-feira, jogou por terra a alegação do procurador Rodrigo de Grandis e do Ministério Público de que também teria havido falhas do governo federal na cooperação com autoridades suíças em relação ao caso Alstom, empresa que distribuiu propinas a personagens ligados ao PSDB para obter contratos milionários nos setores de transporte e energia em São Paulo (leia aqui artigo de Josias de Souza a respeito). A equipe de José Eduardo Cardozo esclareceu ainda que o procurador Rodrigo de Grandis foi alertado em diversas oportunidades para tomar providências. Leia abaixo:

"Brasília, 1º/11/2013 - Em relação à nota da Procuradoria-Geral da República, o Ministério da Justiça esclarece que não houve qualquer falha na tramitação dos pedidos de cooperação oriundos da Suíça referentes ao denominado Caso Alstom.

Os mencionados pedidos de cooperação foram encaminhados, desde março de 2010, à então Assessoria de Cooperação Internacional da Procuradoria Geral da República (atual Secretaria de Cooperação Internacional). Ressalta-se que esse procedimento ocorre com todo e qualquer pedido recebido de países estrangeiros pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica (DRCI) e são direcionados à Procuradoria Geral da República para cumprimento.

Os únicos ofícios que foram encaminhados somente ao Procurador da República, Rodrigo de Grandis, foram seis reiterações dos pedidos iniciais, como forma de cobrar o andamento do pedido, procedimento adotado pelo Departamento.

Considerando esse cenário, não procede a informação de que haveria tido falha no envio do pedido.

Salienta-se que o Ministério da Justiça segue o trâmite, conforme portaria conjunta nº 1/MJ/PGR/AGU.

Assessoria de Comunicação
Ministério da Justiça"


Neste fim de semana, a revista IstoÉ também abordou o tema, apontando a conduta do procurador como "um escândalo dentro do escândalo". Leia abaixo:

Como o ministério público protegeu tucanos

Procurador Rodrigo de Grandis engaveta oito ofícios do Ministério da Justiça que pediam apuração do escândalo do metrô de São Paulo e prejudica o andamento das investigações

Claudio Dantas Sequeira e Alan Rodrigues

Apareceu um escândalo dentro do escândalo de corrupção em contratos de energia e transporte sobre trilhos de São Paulo que atinge em cheio os governos do PSDB. ISTOÉ descobriu que o procurador Rodrigo de Grandis engavetou, desde 2010, não apenas um, como se divulgou inicialmente, mas oito ofícios do Ministério da Justiça com seguidos pedidos de cooperação feitos por autoridades suíças interessadas na apuração do caso Siemens-Alstom. Ao longo de três anos, De Grandis também foi contatado por e-mail, teve longas conversas telefônicas com autoridades em Brasília e solicitou remessas de documentos. Na semana passada, soube-se que, devido à falta de cooperação brasileira, o Ministério Público suíço decidiu arquivar a investigação contra três dos acusados de distribuir propina a políticos tucanos e funcionários públicos. Em sua única manifestação sobre o caso, De Grandis alegou que sempre cooperou e só teria deixado de responder a um pedido feito em 2011, que teria sido "arquivado numa pasta errada”. Mas sua versão parece difícil de ser sustentada em fatos.

Conhecido pelo vigor demonstrado em investigações sobre o ex-governador Paulo Maluf e também no caso Satiagraha, que colocou o banqueiro Daniel Dantas na prisão, desta vez o procurador federal, de 37 anos, não demonstrou a mesma energia. Para usar uma expressão que costuma definir a postura de autoridades que só contribuem para a impunidade de atos criminosos: ele sentou em cima do processo. No mês passado, um integrante do Ministério Público Federal de São Paulo chegou a denunciar a seus superiores que a conduta de De Grandis “paralisou” por dois anos e meio a apuração contra os caciques tucanos. As razões que o levaram a engavetar o caso agora serão alvo do procurador-geral, Rodrigo Janot, e da Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público, que abriu uma queixa disciplinar contra De Grandis.

Até o momento, as explicações do procurador carecem de consistência. Com boa vontade, sua teoria de “falha administrativa” poderia até caber para explicar um ofício perdido. Mas não faz sentido quando se sabe que foram oito os ofícios encaminhados, sem falar nas conversas por telefone e e-mails. O último dos ofícios, que chegou à mesa de Rodrigo De Grandis há apenas duas semanas, acusa o procurador de “nunca” ter dado retorno às comunicações feitas pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, responsável pela interface em matéria judicial com outros países.

A primeira solicitação oficial do MP suíço chegou ao Brasil em 15 de março de 2010 e, em 16 de abril, foi encaminhada à PGR e ao procurador federal pelo ofício nº 3365. As autoridades suíças queriam a quebra de sigilo bancário, o interrogatório, além de busca e apreensão nos escritórios de Romeu Pinto Júnior, Sabino Indelicato e outros suspeitos. Nada se fez. Em 18 de novembro, a Suíça fez o primeiro aditamento ao pedido de cooperação e novo ofício foi encaminhado ao MPF, em 1º de dezembro. Dessa vez, o MP suíço pedia informações que poderiam alimentar sete processos em curso naquele país. Nada. Em 21 de fevereiro de 2011, os procuradores estrangeiros tentaram pela terceira vez. Queriam que fossem ouvidos, entre outros, o lobista Arthur Gomes Teixeira e João Roberto Zaniboni, ex-diretor da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Em março, as autoridades suíças cobraram retorno das demandas. De Grandis foi novamente acionado, mas não deu resposta. Em julho e novembro, foram encaminhados novos ofícios sobre os pedidos de cooperação da Suíça. Mais uma vez, o silêncio. Depois de dois anos e meio, em 7 de agosto deste ano, já com o escândalo das propinas batendo à porta do Palácio dos Bandeirantes, o ministro José Eduardo Cardozo foi informado da falta de cooperação e determinou que se fizesse novo contato com o procurador. Tudo em vão. Sem obter resposta, o MJ encaminhou outro ofício (6020/2013) ao MPF em 10 de outubro. E novamente outro (6280/2013) no dia 21, reiterando “extrema urgência e a importância do tema” e pedindo retorno em cinco dias. De Grandis solicitou novas remessas de documentos e, finalmente, respondeu na última quarta-feira 30. A resposta, porém, foi incompleta – apenas algumas oitivas. O silêncio obsequioso do procurador inviabilizou diligências que poderiam ser essenciais para alimentar as investigações do propinoduto [tucano], tanto na Suíça como no Brasil, causando prejuízo incalculável ao esclarecimento de um esquema de corrupção cuja dimensão total ainda não se conhece. Feitas no tempo certo, poderiam ter ajudado as autoridades a estabelecer, antecipadamente, a relação entre o esquema usado pela Alstom e o da Siemens para subornar políticos.

Em agosto de 2012, após quatro anos de investigação, a Polícia Federal concluiu o primeiro inquérito sobre o caso Alstom. Sem acesso a dados bancários e fiscais da Suíça, conseguiu apenas reunir provas parciais para indiciar por corrupção passiva o vereador Andrea Matarazzo, que, em 1998, era secretário estadual de Energia no governo Mário Covas. O inquérito foi para as mãos de De Grandis, que, passado mais de um ano, ainda não apresentou sua denúncia... Nos bastidores, o procurador reclamava a assessores que a peça policial era pouco fundamentada. Sob pressão, solicitou à Justiça Federal a quebra do sigilo de 11 acusados. O promotor Silvio Marques, do MP estadual, e outros procuradores federais em São Paulo pediram em julho o compartilhamento das provas para aprofundarem a apuração. Os procuradores suíços, longe de arquivar os processos, também estão interessadíssimos em conseguir a cooperação brasileira.

Na semana passada, ISTOÉ enviou ao gabinete de De Grandis uma lista com 20 perguntas. Nenhuma foi respondida. Por meio da assessoria de imprensa, o MPF alegou “sigilo das investigações” e disse que o procurador está de licença até 5 de dezembro para concluir um mestrado. Especialista em direito penal e professor da Escola Superior do MP de São Paulo, De Grandis é considerado pelos colegas um sujeito de temperamento difícil e de poucos amigos. Entre eles, o ex-delegado Protógenes e o neoativista Pedro Abramovay, hoje antipetista de carteirinha após ser banido do governo. Para o advogado Píer Paolo Bottini, ex-secretário da gestão Márcio Thomaz Bastos e professor de Rodrigo de Grandis num curso de pós-graduação, o procurador nunca usaria o cargo para fins políticos. “Conheço ele e não acredito que tenha qualquer direcionamento em sua atuação”, diz.

O ex-ministro José Dirceu pensa diferente. Na semana passada, ele voltou a acusar De Grandis de agir politicamente ao quebrar seu sigilo telefônico para tentar envolvê-lo no caso MSI, o esquema de cartolagem do futebol paulista. Na Satiagraha, De Grandis e Protógenes se uniram contra Daniel Dantas, um velho aliado do PSDB e de Marcos Valério, que se aproximou do PT depois que Lula chegou ao poder em 2002. A partir de 2008, o deputado estadual Roberto Felício (PT) encaminhou seis representações ao procurador. O deputado ainda alertou De Grandis sobre indícios de que Alstom e Siemens usavam as mesmas consultorias internacionais para lavagem de dinheiro e pagamentos de propinas e subornos a diversas autoridades no Brasil. Nenhuma foi concluída."

FONTE: jornal online "Brasil 247"  (http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/119604/Em-nota-Cardozo-atesta-De-Grandis-mentiu.htm).

ESCARCÉU DO IPTU PROVA QUE ELITES NÃO QUEREM CEDER NADA DE SEUS PRIVILÉGIOS


Por Marcelo Zelic, especial para o portal "Viomundo"

"A cidade de São Paulo possui mais de 11 milhões de habitantes, distribuídos em 96 distritos.

Nos últimos dias, muito se tem debatido sobre o aumento do IPTU na cidade de São Paulo. A discussão tem sido feita como se os dados sobre o aumento por distrito fossem todos iguais.

Segundo uma tabela publicada aqui mesmo no "Viomundo", 50% dos 96 distritos do município não foram afetados pelo aumento do IPTU.

Isto é: 25 distritos sofreram redução de IPTU (variando de –0,6% a –12,1% de desconto); 23 foram reajustados na faixa da inflação anual, sendo que destes somente 4 foram reajustados na casa dos 5%; 19 tiveram reajuste abaixo da inflação; 14 tiveram aumento que varia de 6,6% a 9,8%. Apenas 34 distritos sofreram reajuste superior a 10,5%, sendo 19,8% o teto.

Só que os dados assim apresentados não mostram com clareza a justeza da proposta aprovada na Câmara Municipal.

Por isso, resolvi cruzar a faixa de aumento com o número de habitantes por distrito e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada localidade.

Cheguei à conclusão que, muito diferente do que vem sendo veiculado na imprensa, o aumento do IPTU, da forma proposta pelo governo Haddad, traz elementos importantes para o desenvolvimento de uma política distributiva.

Peguemos o caso dos 34 distritos que tiveram aumento superior a 10,5%. Pois em 25 deles o IDH é muito elevado. Correspondem a 67,65% dos distritos dessa categoria de aumento, sendo que os 9 que não estão nessa lista possuem IDH elevado conforme a tabela abaixo.





Conforme o quadro abaixo, a população da cidade de São Paulo beneficiada com a fórmula adotada pela prefeitura Haddad tiveram redução do valor ou somente a correção da inflação. Essa população é de 64,24%, ou seja, pouco mais de 7,2 milhões de habitantes da capital. Somados àqueles que tiveram aumento inferior a 10%, chegamos a 77,2% da população que não tem porque reclamar do aumento do IPTU levado a efeito pela prefeitura.



Moro, por exemplo, no mesmo bairro que o prefeito Haddad, somos vizinhos e vamos arcar com um aumento de 19,8% no valor do IPTU.

Porém, em nosso distrito, o lixo é recolhido todos os dias, o caminhão que recolhe lixo reciclável passa duas vezes por semana, o policiamento é ostensivo e nada violento com a população do bairro, as ruas são recapeadas sistematicamente (e isso desde que moro aqui), a luz falta muito pouco e quando falta é de forma programada e normalmente volta dentro do estabelecido no comunicado.

Além disso, a água diminui a pressão à noite, mas é raro faltar; o bairro é todo iluminado, possuímos parques próximos, várias opções de supermercados de médio e grande porte, alguns 24 horas, feiras em quase todos os dias da semana, farmácias 24 horas aos montes, metrô à mão e toda infraestrutura de lazer, com cinemas, bares, restaurantes e lanchonetes etc…

É preciso frisar que, mesmo nos distritos de maior IDH, como o que eu vivo com minha família e vizinhos, as residências de valor inferior a 160 mil reais estarão isentas. De modo que os 19.8% não são aplicados, por exemplo, às poucas favelas e pequenos comércios que existem por aqui.

Isso mostra o acerto distributivo da gestão Haddad na formulação da recomposição do imposto IPTU em nossa cidade. O escarcéu que está sendo feito por setores privilegiados de nossa cidade só mostra porque vivemos em um país profundamente violento e desigual. As elites não querem ceder nem uma fração de seus privilégios.

Imagine se houvesse uma atualização real do valor venal das casas e apartamentos em nossa cidade para servir de base para esse cálculo?

Foi um passo importante para a nossa cidade.

Agora, é preciso recompor a tarifa da condução, ampliar a frota dos ônibus, municipalizar o transporte público, afastar aqueles que se locupletam do dinheiro público e fazer com que os benefícios a todas as regiões da cidade atinjam os patamares dos distritos com maior IDH, cujos moradores chiam hoje com o aumento do IPTU."

FONTE: escrito por Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo "Tortura Nunca Mais-SP" e membro da "Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo". Coordenador do Projeto "Armazém Memória". Artigo transcrito no portal "Viomundo"  (http://www.viomundo.com.br/politica/marcelo-zelic.html).