quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O NEOLIBERALISMO NO FUTEBOL

O filósofo e cientista político Emir Sader postou hoje em seu blog e no site “Carta Maior” o seguinte artigo:

“Multiplicam-se as reclamações de que o dinheiro passou a mandar no futebol, que os clubes estão falidos, que os jogadores já não tem apego aos clubes, mudam às vezes durante o campeonato, passando para o rival, se contratam meninos ainda para jogar no exterior, uma parte deles fica abandonada, submetidos a todo tipo de irregularidade.

Mas o que aconteceu, o que está na raiz de tudo isso?

O futebol – assim como todos os esportes – não é imune às imensas transformações econômicas, sociais e éticas que as nossas sociedades sofrerem e ainda sofrem. No Brasil, o neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Pelé. Que pregava a “profissionalização” do futebol, contra a ditadura dos clubes, que tinham os jogadores atrelados ao clube como se se tratasse de uma relação feudal, pré-capitalista.

Intensificou-se dura campanha contra os “cartolas”, com acusações — todas provavelmente reais —, de corrupção, concentração de poder, arbitrariedades, etc. Porém, de forma similar ao que se fazia na campanha neoliberal contra o Estado, não era para democratizar aos clubes, ou ao Estado, mas para favorecer o mercado.

A profissionalização foi isto. Supostamente para libertar os jogadores do domínio dos clubes, jogou-os nas mãos dos empresários privados. Não por acaso se deu durante a década de 90, em pleno governo FHC, que preconizou todo o tempo a centralidade do mercado, os defeitos do Estado, a necessidade de mercantilizar tudo, de transformar a sociedade em um lugar em que tudo se compra, tudo se vende, tudo é mercadoria.

Os jogadores foram transformados em simples mercadorias, nas mãos dos empresários, que reinam soberanos, assim como o mercado e as grandes empresas fazem no conjunto da sociedade. Enquanto os clubes, da mesma forma que o Estado, ao invés de serem democratizados, são sucateados. Interessa aos empresários privados que os clubes sejam fracos, estejam falidos, serão mais frágeis ainda diante do poder do seu dinheiro. Assim como ao chamado mercado interessa que o Estado seja mínimo, seja fraco, para que ceda cada vez mais a seus interesses.

Os clubes podem ser democratizados — de que o exemplo da democracia corintiana é claro. O jogo dos empresários não é democratizável, nem passível de ser controlado socialmente, vale quem paga mais, que tem mais dinheiro. Assim como o Estado pode ser democratizado — e as políticas de orçamento participativo são o melhor exemplo disso.

Com o reino do mercado, não há Estado, não há democracia, não há interesses coletivos. Triunfa o mercado e seu principio maior — o do dinheiro. Com o reino dos empresários privados, não há clubes, há times, que ocasionalmente são montados para disputar um campeonato, enquanto os empresários não vendem os jogadores. Os campeonatos servem apenas como vitrine para exibir as mercadorias dos empresários.

Em um tempo em que tantas identidades entraram em crise, nem sequer os clubes de futebol conseguem resistir, diante da privatização que a lei Pelé significou, fazendo da camisa dos jogadores um lugar em que mal cabe – quando cabe – o distintivo, de tal forma tudo é comercializado. Ou se fortalecem os clubes, democraticando-os, destacando sua dimensão publica e não de empresas privadas a serviço da comercialização dos jogadores, ou a quebra generalizada que atinge o mercado capitalista não poupará os clubes. Que irão à falência, diante do enriquecimento ilimitado dos empresários privados.”

AS CICATRIZES DE GUANTANAMO

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo escrito por Flávio Aguiar, correspondente internacional da Carta Maior:

“Quando perguntado por quê faziam isso (tortura), um dos guardas, em Guantanamo, respondeu: “Isso é feito exatamente para degradar você. Assim, quando você sair daqui, você terá cicatrizes, e você nunca vai esquecer”.

PRECISAMOS “PENSAR GRANDE E DE AÇÕES OUSADAS”.

ESTAMOS DIANTE DE UMA DESSAS “ENCRUZILHADAS DA HISTÓRIA”.


“Os olhos de todos os povos de todas as nações se voltam mais uma vez para nós, esperando ver o que faremos nesse momento, esperando a nossa liderança”.

Essas são palavras do discurso do Presidente Barack Obama perante o Congresso dos Estados Unidos. Ele se referia às medidas necessárias para enfrentar a crise financeira. Mas não é só nessa área que as “ações ousadas” são necessárias.

Em entrevista a Amy Goodman, no Democracy Now! (25/02/2009), a jurista Mary Robinson lembrava das medidas efetivas que precisam ser tomadas com relação à prática de torturas no mundo inteiro, mencionando especificamente o caso de Guantanamo e das prisões secretas da CIA espalhadas pelo mundo. Evidentemente ela saudou medidas como a decisão de suspender torturas, bem como o anúncio da disposição de fechar a prisão de Guantanamo, além do envio de George Mitchell para o Oriente Médio como mediador.

Mas diante de uma pergunta de Amy sobre se o presidente Bush deveria ser julgado por crimes de guerra, ela respondeu de modo cauteloso, mas firme, que antes de haver um julgamento, era necessário haver uma investigação, e que uma investigação (e independente) era necessária, porque nesse terreno nada pode ficar “under secrecy”.

Mary Robinson criticou severamente o terrorismo, mas criticou com igual severidade os governos que, como os Estados Unidos, passaram a criar o sentido de uma “Nova Normalidade”, como disse o ex-vice presidente Dick Chaney, para definir algo que aceita e legaliza a prática de tortura, os seqüestros, a manutenção de cárceres secretos e o transporte ilegal de prisioneiros de um país para o outro, numa “Operação Condor” em escala global.

Mary Robinson é ex-presidente da República da Irlanda, e ex-presidente da Comissão de Alto Nível da ONU para Direitos Humanos. Neste último cargo ficou durante os primeiros quatro anos de mandato e se dispôs a um segundo mandato. Entretanto, depois de cumprir o primeiro ano do novo período, foi afastada do cargo por pressão dos Estados Unidos, a cujo governo suas críticas passaram a desagradar. Hoje ela preside uma Comissão internacional de Juristas, com membros representantes de mais de 60 países.

Ela lembrou, por exemplo, que há países que negam estar envolvidos na prática de torturas, mas cujos serviços de inteligência usam informações obtidas nessas condições.

Especificamente, lembrou o caso do etíope-britânico Binyam Mohamed, recentemente libertado e enviado para a Grã-Bretanha, depois de sete anos de prisão no Paquistão, no Marrocos e em Guantanamo. Também recentemente um tribunal britânico determinou que as provas e evidências da tortura de Binyam permaneçam secretas, dizendo que caso elas viessem a público o serviço secreto norte-americano deixaria de colaborar com o britânico.

O caso levantou perplexidade nos meios jurídicos, porque a decisão dos juízes coloca o sistema jurídico britânico numa situação de “chantagem legalmente consentida”, um conceito tão esdrúxulo quanto o daquela “Nova Normalidade”.

O caso se complicou ainda mais pelo anúncio posterior, por parte do atual governo britânico”, de que também não viessem a público as gravações e os registros das discussões no gabinete britânico, em março de 2003, sobre a legalidade ou não da invasão do Iraque.

O caso de Binyam chocou de modo muito violento a opinião pública britânica, porque entre as evidências “recolhidas” está a de que nas torturas a que ele foi submetido no Marrocos houve a participação de agentes britânicos. Supostamente, eles não teriam torturado diretamente a vítima, mas teriam passado as perguntas que deveriam ser feitas a ela, o que caracterizaria, além de uma cumplicidade inominável e covarde, aquela figura que Mary Robinson também definiu como ilegal, qual seja, a de países que não admitem que praticam tortura, mas que usam informações assim obtidas sem qualquer pejo.

Sarah Theater, deputada no Parlamento Britânico pela oposição e “Chairman” do grupo de trabalho parlamentar sobre Guantanamo, em artigo publicado no The Guardian, também de 25/02/2009, lembrou os processos de tortura usados contra Binyam, e o caminho doloroso que ele terá de seguir para se recuperar. Segundo as declarações do ex-prisioneiro, que nunca teve qualquer acusação formal definida contra ele, entre as torturas estava a prática de cortes em seus órgãos genitais com o uso posterior de material químico no local para aumentar a dor. Quando perguntado por quê faziam isso, um dos guardas, em Guantanamo, respondeu: “Isso é feito exatamente para degradar você. Assim, quando você sair daqui, você terá cicatrizes, e você nunca vai esquecer”.

Esperemos que Binyam consiga curar suas cicatrizes. De qualquer modo, elas ficarão para sempre estampadas nas bandeiras dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.”

FOME ZERO É ADOTADO PELOS EUA

Li hoje no site “Vermelho” a seguinte reportagem do jornal argentino Clarín (os intertítulos foram inseridos pelo “Vermelho”):

'FOME ZERO MADE IN USA' DÁ US$ 6 POR DIA PARA 31 MILHÕES

Uma notícia no diário argentino Clarín conta como vivem os 31 milhões de cidadãos americanos que recebem cupons de alimentação para viver. Um jornalista da Louisiana (o estado mais pobre do país) faz a experiência, tentando viver com US$ 6 (R$ 14) por dia. O plano de socorro de Barack Obama amplia em 13% os gastos com esses cupons, na previsão de que a crise e o desemprego aumentarão sua clientela. Veja a íntegra.

É o lado obscuro da vida em um dos países mais do mundo. Nos Estados Unidos, quem depende dos cupons de alimentação oferecidos pelo "Papai Estado" não recebe mais que um punhado de dólares. Mas a maior crise económica das últimas décadas faz o número necessitados aumentar rapidamente. Nunca houve tantos americanos vivendo desses cupons. E a tendência é aumentar.

JORNALISTA CONTA EXPERIÊNCIA EM SITE

A lista de alimentos Sean Callebs assemelha-se à de uma dieta para emagracer. "Uma porção de cereal, uma banana, uma xícara de chá.. e faltam quatro longas horas até almoço", ele lamenta.

Em uma experiência que tem tido grande impacto sobre a audiência, este jornalista da CNN resolveu experimentar na própria carne como se pode viver de cupons de alimentação. Ou não. Suas experiências são relatadas em um blog.

Faz um mês que ele tenta viver gastando até US$ 6 por dia. Já chegou quase no fim. Mas este repórter da Louisiana queixara-se em seu blog de permanentes ataques da fome. Poucas vezes você pode comprar frutas e legumes frescos, conta.

FOME À AMERICANA

Embora provisoriamente, Callebs experimenta a sina de um em cada dez americanos. Em setembro passado, 31 milhões de pessoas no país compravam alimentos com os cupons.

"Eles são os números mais elevados de todos os tempos", disse Ellen Vollinger, diretor de Frac, uma organização de Washington de pressão contra a fome.

"Muitos americanos já não sabem onde arrumarão sua próxima refeição", destaca ela. O aumento do desemprego faz com que a procura de cupons aumente constantemente, mas as carências não terminam aí: cada vez mais pessoas, mesmo tendo um emprego, dependem dos "Food Stamps".

Muita gente tem até mais de um emprego, mas a renda não basta. "Muitas famílias pulam refeições para pagar o aluguel", disse Ellen. "Pais deixam de comer para que fique alguma coisa para os filhos e às vezes até crianças passam fome, nos Estados Unidos. É uma vergonha."

O ESTIGMA DO CUPOM

Os cupons de alimentação começaram a ser distribuídos durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje, o governo já não distribui cupons papel, mas por meio de um cartão eletrônico, que fornece em média US$ 100 por pessoa.

Desde 2008, o Ministério da Agricultura evita usar o termo cupom de alimentação. O título oficial agoora é "Programa de ajuda para suplementar a nutrição".

Mas o plano ainda tem um estigma. "Aqueles que precisam muitas vezes se recusam a pedir ajuda", diz a agente social Srindhi Vijaykumar, da organização DC Hunger Solutions, que promove os cupons nas ruas de Washington. É especialmente difícil chegar até os aposentados, imigrantes e famílias operárias, diz ela.

Quem usa os cupons é confrontado com algumas dificuldades no supermercado. O carentes têm em média US$ 3 por dia para fazer compras. Por isso muitas vezes são obrigados a fazer cortar alimentos.

"As pessoas só compram o que é barato, não é perecível e enche a barriga", diz Vijaykumar. O crédito mensal normalmente é consumido em duas ou três semanas. "Muitas famílias vão então para os sopões", disse Ellen Vollinger.

OBAMA AUMENTA VERBA DO PROGRAMA

Não poucos depositam as suas esperanças no novo governo de Barack Obama. O plano de socorro económico de US$ 787 bilhões, lançado na semana passada pelo chefe da Casa Branca, permitirá um aumento de 13% na verba para os cupons de alimentação.

No entanto, Ellen estima que a fome vai aumentar nos EUA. "Esta recessão certamente não será breve."

A crise também atingiu duramente a classe média. De acordo com dados do Departamento do Comércio, o seu consumo caiu novamente em dezembro, pelo sexto mês consecutivo, enquanto a taxa de poupança subiu 2,9% no fim de 2008.
Annie Moncada, 63 anos, confessa que comprava coisas "desnecessárias". Mas agora seu cupom está guardado. "Agora eu ponho na panela mais carne moída e menos bifes e também economizo mais eletricidade", diz. Tal como ela, milhares de famílias cortam gastos, passeios, idas a restaurantes ou ao cabeleireiro. O fim da crise parece longe.”

É SAGRADO E IMPUNE O DIREITO DA IMPRENSA DE OFENDER COM RACISMO?

O jornal norte-americano "The New York Times" publicou ontem o seguinte artigo de Clyde Haberman. Li no UOL em tradução de Deborah Weinberg:


DIREITO DE OFENDER É SAGRADO

As opiniões diferem sobre o quão horroroso foi a charge de um chimpanzé no "New York Post" na semana passada, mas os pedidos para que o governo intervenha estão enganados.

Os cientistas descobriram que aproximadamente 98% do genoma humano é similar ao do chimpanzé. Contudo, a relação entre certo chimpanzé e um homem chamado Carl Whilhelm Baumgartner é ainda mais próxima.

Talvez você esteja se perguntando: Quem é esse Carl? Fique por aqui. Talvez você tenha ouvido falar sobre o chimpanzé.

Ele apareceu em um desenho grotesco na semana passada no "New York Post". O desenho se baseava em um chimpanzé verdadeiro que tinha atacado uma mulher em Connecticut e morreu com um tiro da polícia. A ilustração do Post por Sean Delonas mostra um chimpanzé estirado, furado de balas por dois policiais a sua frente. Um segura uma arma enquanto o outro diz: "Eles terão que encontrar outra pessoa para escrever o próximo plano de estímulo."

No mínimo, a charge foi totalmente vulgar, mesmo para um ilustrador cujo trabalho frequentemente é sinônimo de vulgaridade.

Mas teria sido intencionalmente racista?

Os críticos, como sempre liderados por Al Sharpton, insistem que sim, que era um ataque direto ao presidente Obama. Comparações vis de negros com chimpanzés e macacos são tão antigas quanto a república. Este chimpanzé, na opinião dos críticos, claramente representava o primeiro presidente afro-americano, a principal figura por trás do novo programa de estímulo. Para alguns a questão era mais grave, e o jornal, com efeito, estava sugerindo que Obama deveria levar um tiro.

Absurdo, responderam os editores do "Post": o ponto era meramente que o plano de estímulo foi tão mal concebido que era como se tivesse sido escrito por um chimpanzé. Ainda assim, em meio ao calor das críticas, o jornal fez um editorial com uma espécie de pedido de desculpas. De forma alguma tranquilizou os críticos, que pediram, entre outras coisas, que leitores e anunciantes boicotassem o jornal.

Como era de se esperar, nem todos afro-americanos compartilharam a revolta ou acharam que a charge representava Obama. O governador David A. Paterson, que é negro, disse que aceitava o pedido de desculpas do "Post". Quanto ao "convite ao assassinato", como o desenho foi descrito por Benjamin T. Jealous, presidente da Naacp, é um crime federal ameaçar a vida do presidente. Se o serviço secreto considerasse o desenho uma ameaça, seus agentes presumivelmente teriam baixado no jornal. Eles não apareceram.

Os protestos continuam, porém. Certamente, todo mundo tem o direito de recusar-se a comprar um jornal. Mas Sharpton foi além. Ele quer que a Comissão Federal de Comunicações examine a licença que permite a Rupert Murdoch ter dois jornais (o "Post" e o "Wall Street Journal") e duas estações de televisão (Wnyw e Wwor) na região de Nova York .

Normalmente, no que concerne tais licenças, a questão é se uma única mão controla canais variados da mídia em determinado mercado. Entretanto, Sharpton acredita que o conteúdo do editorial é razão para pedir que o governo interceda "Como você pode continuar a ter essas licenças se você não compreende o que pode ofender uma grande parte dos afro-americanos -e brancos, diga-se de passagem?" Disse ele a um entrevistador da CNN.

Isso nos leva a Carl Wilhelm Baumgartner. Não esquecemos dele.

Ele nasceu na Alemanha em 1895 e tornou-se americano naturalizado em 1932. Entretanto, ele era admirador ardente de Hitler e dos nazistas e isso levou o governo a tentar retirar sua cidadania americana na Segunda Guerra Mundial. A Suprema Corte impediu tal tentativa.

Em uma passagem memorável da opinião da maioria dos juízes em 1944, o juiz Félix Frankfurter (que era judeu e dificilmente fã dos nazistas) escreveu: "Uma das prerrogativas da cidadania americana é o direito de criticar homens e medidas públicas - e isso não significa apenas críticas informadas e responsáveis, mas a liberdade de falar com ignorância e sem moderação". É um direito americano expressar "opiniões tolas ou até sinistras", continuou Frankfurter.

Nesse respeito, o DNA do chimpanzé do cartum não é diferente do de Baumgartner. Se o governo não deve perseguir o cidadão porque ele reverencia Hitler, provavelmente vai querer pensar duas vezes antes de perseguir um jornal por causa de um desenho imbecil.”

CIENTISTAS DESCOBREM 'ALPES' SUBMERSOS NA ANTÁRTIDA

Li no UOL a seguinte notícia divulgada ontem pela agência inglesa BBC:

“Uma equipe de cientistas internacionais divulgou nesta quarta-feira que uma cordilheira situada quatro quilômetros abaixo do gelo da Antártida é do tamanho dos Alpes europeus.

A cordilheira de Gamburtsevs havia sido detectada por uma equipe de exploradores russos nos anos 50 e estava sendo estudada há seis semanas por cientistas britânicos, americanos, alemães, australianos, chineses e japoneses.

A equipe não apenas confirmou a presença das montanhas, como se surpreendeu em constatar que as formações são semelhantes aos Alpes em aspecto e tamanho.

"Nós podemos confirmar que elas estão lá. Podemos vê-las sob o gelo", disse Fausto Ferraccioli, um dos especialistas envolvido na missão AGAP (Província Gamburtsev da Antártida).

"Não apenas elas são similares em dimensão com os alpes europeus, como também são parecidas no aspecto: podemos ver grandes picos e vales", disse Ferraccioli à BBC News.

Ainda segundo os especialistas, algumas montanhas seriam do tamanho do Mont Blanc, na França, que tem mais de quatro mil metros de altura.

Os cientistas mapearam a cordilheira a partir de um avião que usava radares instalados nas asas capazes de detectar a espessura do gelo e a forma das montanhas. Os equipamentos instalados no avião também puderam realizar pesquisas magnéticas e gravitacionais e captar as ondas sísmicas que atravessam a cordilheira. Uma área de cerca de 120 mil quilômetros foi sobrevoada , o equivalente a três voltas em torno da Terra. "As temperaturas eram de -30 graus. Mas três quilômetros abaixo de nós, no fundo do gelo, as temperaturas eram bem mais quentes", afirmam os cientistas.

A equipe disse ter encontrado água nos vales da cordilheira e um dos lagos seria do mesmo tamanho do Lago Ontário, um dos cinco maiores dos Estados Unidos. Os pesquisadores acreditam que a cordilheira de Gamburtsevs esteja na origem das geleiras que cobriram toda região polar durante o resfriamento da Terra, há mais de 30 milhões de anos. A partir dos resultados, os cientistas esperam identificar o melhor local para perfurar o gelo.

Amostras de ar já recolhidas das camadas de neve da região podem fornecer informações valiosas sobre a história do clima da Terra. "Por enquanto, esta é a primeira página de um livro. Até agora o que temos é um plano ambicioso e temos pela frente estes dados importantíssimos para explorar", disse Ferraccioli.”

PESQUISADOR BRASILEIRO VENCE COMPETIÇÃO MUNDIAL DA MICROSOFT

Li no UOL a seguinte notícia divulgada ontem pela agência portuguesa Lusa:

“Coimbra, 25 fev (Lusa) - A adaptação de resultados da pesquisa realizada na Universidade de Coimbra na área de transportes inteligentes possibilitou ao engenheiro brasileiro Jackson Matsuura vencer uma competição mundial promovida pela Microsoft e Kia Motors.

Matsuura, pesquisador do Instituto de Sistemas e Robótica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica do Brasil (ITA), venceu neste mês a competição conhecida por KIA Urban Challenge.

Ele disse à Agência Lusa que, tendo em conta que um critério de desempate era o tempo, decidiu "simplificar algoritmos de pesquisas realizadas na FCTUC, no domínio dos transportes inteligentes, como várias técnicas aplicadas a veículos reais, como sensores laser de distância, para veículos e peões, e de visão por computador".

"Optei por uma solução rápida e eficaz, adaptando técnicas mais elaboradas para cenários mais simples", disse Matsuura, o que lhe permitiu desenvolver a aplicação em apenas três dias, quando o terceiro classificado demorou mais de duas semanas.

O desafio lançado pela Microsoft aos cientistas de todo o mundo era programar um automóvel virtual da KIA Motors para circular sozinho na cidade, sem chocar em nenhum objeto, não provocar acidentes e obedecer aos sinais de trânsito.

Com a tecnologia desenvolvida pelo brasileiro, o automóvel cumpriu todas as regras estipuladas no concurso e obteve a pontuação máxima. Esta competição é uma versão simulada inspirada no DARPA Urban Challenge.

Segundo o FCTUC, para cumprir as exigências recorreu a sensores, câmeras, medidores de distância por laser, GPS, entre outro material, e criou "uma solução inovadora que garantiu um comportamento irrepreensível do automóvel inteligente".

MODELO REAL

Sobre a eventual possibilidade de transformar o modelo virtual em modelo real, Matsuura diz ser possível, "embora o kit desenvolvido necessite de diversos ajustes, exigindo muito mais tempo de pesquisa, mas alguns modelos utilizados neste ambiente virtual já poderiam ser aplicados em automóveis reais".

Para ele, vencer a KIA Urban Challenge "assume particular relevância porque, por regra, é um americano ou um japonês a conquistar este tipo de competições porque têm muito mais recursos para a investigação. Este prêmio reconhece a qualidade tecnológica do Brasil e de Portugal".

Na sua perspectiva, o prêmio que conquistou poderá ajudar a encontrar novas parcerias com a indústria para o Instituto de Sistemas e Robótica da FCTUC, e para o grupo de investigação de transportes inteligentes.

O prêmio consistiu num veículo Kia de 15 mil euros. Como em Portugal e na Europa a empresa não comercializava veículos com esse valor, a distinção acabou por ser monetária.

Matsuura é docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica do Brasil (ITA) e encontra-se há quatro meses cursando pós-doutorado na FCTUC, na área de Sistemas Inteligentes.”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

QUEM CAUSOU A CRISE? QUEM PAGA?

QUEM CAUSOU OU CONTRIBUIU PARA A CRISE NORTE-AMERICANA QUE AGORA ATINGE OS NÃO-CULPADOS MUNDO AFORA? OS EUA INDENIZARÃO AS VÍTIMAS?

O site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, mostra hoje o seguinte artigo de Carlos Drummond, jornalista e coordenador do Curso de Jornalismo da Facamp:

MÍDIA ACRÍTICA CONTRIBUIU COM AGRAVAMENTO DA CRISE

“A imprensa americana, com poucas exceções, contribuiu para que a crise atual atingisse grandes proporções. Ao divulgar sem crítica previsões otimistas sobre o mercado de títulos subprime, enaltecer o brilhantismo do maestro Alan Greenspan, ex-presidente do Fed e fazer a apologia dos investidores audaciosos de Wall Street, a mídia reforçou a ficção de que a prosperidade continuaria indefinidamente. As falcatruas no mercado de hipotecas aumentavam mês a mês, mas recebiam pouca atenção por parte dos veículos de comunicação.

Poucos jornalistas alertaram a tempo para o que de fato estava acontecendo no mercado de hipotecas. Carol Lloyd, do San Francisco Chronicle, é uma dessas exceções. Ela escreveu em 2006 um detalhado artigo sobre o caráter envolvente das operações fraudulentas e ruinosas, nas quais, com frequência, a vítima é não só cúmplice como coautora.

No intrincado e multifacetado mundo das fraudes com hipotecas, algumas vezes é difícil separar a vítima do criminoso e o crime de um negócio legal e corriqueiro, observava a jornalista. A explicação é que nos anos de valorização e de taxas de juros baixas o imóvel tornou-se uma obsessão nacional, que conduziu a práticas insanas como estas:

Avaliadores concordavam em inflar os valores das propriedades (conforme mencionado acima) na expectativa de que o mercado em alta os validasse no mês seguinte.
. Agentes faziam ofertas de imóveis brindando o comprador com quantidades crescentes de dinheiro vivo, a título de estímulo.

Corretores de hipotecas praticamente empurravam empréstimos para pessoas de baixa renda que, de outro modo, nunca conseguiriam comprar as suas casas.

A advogada Rachel Dollar, representante de clientes em casos de fraude com hipotecas e criadora de um blog sobre fraudes com hipotecas muito visitado, afirma haver um espectro amplo de pessoas envolvidas nesses crimes, desde proprietários ignorantes até criminosos organizados.

Há diferentes níveis de criminalidade, declarou a advogada. Algumas pessoas alegam não saberem ser ilegal o que estavam fazendo. Outras já foram condenadas por fraudes com ações e outros ativos e são profissionais.

Rachel Dollar classifica as fraudes conforme a intenção, de obter a propriedade de um imóvel ou de obter lucro. No primeiro caso, tomadores mentem ao preencher o cadastro para obter um empréstimo ao qual, de outro modo, não teriam acesso. Inflacionando a sua renda, por exemplo, podem obter financiamento para comprar uma casa mais cara do que os seus proventos e o seu patrimônio comportariam. Usando o retorno em dinheiro vivo entregue pelo corretor como entrada, podem parecer compradores merecedores de taxas de juros mais baixas. Nessa situação, são típicos tomadores subprime, mas não planejam o não pagamento da sua dívida. Como investidores ou proprietários, a sua intenção não é fugir com o dinheiro, mas conseguir um teto.

Esse tipo de comprador com frequência não sabe que está violando leis federais ou fraudando emprestadores. Em alguns casos, agentes ou corretores de hipotecas os induziam a solicitar o financiamento não de acordo com a sua realidade patrimonial e de renda, mas conforme o que os bancos queriam.

Já a fraude que visa lucro costuma ser mais complicada e mais explicitamente criminosa. Tipicamente, envolve um número maior de profissionais que conspiram para inflacionar o preço de uma residência. A gangue pode envolver um avaliador desonesto, um corretor de hipotecas, um investidor e um comprador "laranja", isto é, alguém que vende a sua identidade e boa ficha de crédito para a realização de uma transação que o beneficie. Do mesmo modo que no Brasil, há nos Estados Unidos os "laranjas" involuntários, pessoas cujas identidades são roubadas para a aplicação de um golpe. Algumas quadrilhas incluem notários, corretores de imóveis, informantes infiltrados nas empresas e até nas instituições financeiras.

Um aspecto chocante é que muitas dessas práticas eram ensinadas em seminários para pessoas interessadas em enriquecer rapidamente, às quais se ensinava como encontrar "laranjas", por exemplo. Alguns sites da internet procuravam publicamente por "laranjas". Enquanto o mercado estava em alta, todos estavam ganhando dinheiro. As investigações e as punições só começaram a aumentar quando o mercado afundou.”

Enfim, hoje, todos nós estamos pagando por essas fraudes e espertezas de norte-americanos...