sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
NÃO ENTENDI MAIS ESSA DA “FOLHA”
[OBS deste blog ‘democracia&política’:
Todos nós sabemos que a “Folha de São Paulo”, assim como todos os demais veículos da chamada “grande” imprensa (exceto a “Carta Capital”) luta intensamente há dez anos pela volta da direita demotucana ao poder. Usa para isso todos os meios, limpos e sujos, legais ou ilegais, evidentes ou disfarçados, meias-verdades ou mentiras construídas, sempre contra o governo federal (Lula e Dilma).
Tenta parecer imparcial para não perder o que lhe resta de credibilidade. Porém, sempre se percebe as suas maldades, por mais que às vezes venham muito bem escondidas, até subliminares.
Contudo, hoje estou frustrada. Ainda não percebi a mensagem negativa na matéria (ver a seguir) publicada na Folha de São Paulo e com chamada na 1ª página do portal UOL, do Grupo Folha. O assunto não é de maior importância (roupa da presidenta), mas, mesmo assim, esperava-se, no mínimo, um deboche, alguma ridicularização da Dilma. Esse seria o comportamento tradicional da mídia. Não percebi isso no texto. Será que minha percepção está com defeito? Ou será que alguns setores da oposição, mais pragmáticos, estão querendo preservar a imagem de Dilma, pois, como já expressou Gilberto Maringoni no “Carta Maior”: “A indústria midiática perdeu a batalha eleitoral, mas ganhou politicamente em 2011. Ela conseguiu impor sua agenda quase integralmente ao governo Dilma Rousseff. Perdeu na embalagem, mas ganhou no conteúdo.”
Transcrevo a reportagem da “Folha”:]
“SEM APELAR PARA UNIFORME, DILMA TEM VISUAL CONSAGRADO POR ESTILISTAS
Por Vivian Whiteman, na “Folha”
“Começou em pé de guerra e terminou em consagração o "ano fashion" da presidente Dilma Rousseff.
No dia da posse, muitos esperavam dela um modelo alinhado em vermelho-PT. Outros insistiam que ela vestisse algo assinado por uma das grandes grifes brasileiras. Contrariando a todos, apareceu num conjunto branco assinado por sua amiga Luisa Stadtlander, modista gaúcha até então desconhecida.
A presidente, com muita habilidade, soube virar esse jogo ao longo de 2011. Nunca botou a roupa em primeiro plano, não apelou para nenhum tipo de "uniforme" repetido em série e não precisou vestir marcas de luxo nacionais ou estrangeiras para demonstrar seu apoio ao mercado de moda e ganhar a confiança do setor.
Manteve Luisa como sua estilista oficial e seguiu em frente. Quando teve chance de falar sobre suas roupas, deixou sempre claro que é uma mulher sem muita paciência para emperiquitações no visual e que preferia ser assessorada por uma senhora que compreendia esse traço de sua personalidade, deixando-a segura.
Aos poucos, os conjuntos foram ficando menos sisudos. Mais relaxada, a dupla de amigas investiu em pequenas mudanças, sem trair o jeitinho da presidente.
Mas o ponto áureo do ano foi o discurso de Dilma na ONU. Luisa não é nenhum Alexandre Herchcovitch no quesito criatividade, evidente, mas tem seus momentos de brilho simbólico.
Vestiu Dilma de renda suíça azul para o compromisso nas Nações Unidas. Não o branco óbvio da falsa e hipócrita promessa da paz universal, mas um azul de céu que promete abrir em sol.
E a renda, tecido símbolo da transparência elegante. Foi a transparência (não a da renda, mas a da política) um dos aspectos mais comentados pelos brasileiros que deram a Dilma índices recordes de aprovação nesse primeiro ano de governo.
As revistas mais importantes do mundo e, durante a última temporada de desfiles em Nova York, o estilista brasileiro Francisco Costa, diretor de criação da Calvin Klein e um dos papas da elegância mundial, elogiaram o porte e os looks da presidente. Muitos outros fizeram coro.
Assim, com muita discrição e habilidade na costura, Dilma driblou um certo esnobismo dos fashionistas, as maledicências dos machistas e a patrulha dos que acham que uma mulher em cargo de poder deve se vestir como um general truculento.
Durona sem perder a ternura, Dilma terminou 2011 levando o Brasil ao título de sexta maior economia do mundo sem perder o rebolado no modelo. Como diria a irônica Luisa (não a Stadtlander, mas a famosa Marilac): "e houve boatos de que ela estaria na pior".
FONTE: reportagem de Vivian Whiteman, na “Folha de São Paulo” (http://www1.folha.uol.com.br/poder/1026987-sem-apelar-para-uniforme-dilma-tem-visual-consagrado-por-estilistas.shtml) [título, imagem do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
CHÁVEZ ESTRANHA CINCO LÍDERES LATINO-AMERICANOS SOFREREM DE CÂNCER
[Elevada incidência viola a Lei das Probabilidades...]
“Depois de prestar solidariedade à presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, que iniciará um tratamento de combate a um câncer de tireóide, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse estranhar o fato de cinco chefes de Estado da América Latina estarem sofrendo do mesmo mal: tumor maligno. Para Chávez, [poderia haver] uma estratégia liderada por norte-americanos para minar os líderes latino-americanos.
Durante seu programa de rádio, Chávez lembrou que há provas de que médicos dos Estados Unidos fizeram, nos anos de 1940, na Guatemala, experiências [clandestinas] com cidadãos guatemaltecos sobre doenças sexualmente transmissíveis que levaram 83 pessoas à morte [OBS deste 'democracia&política': Os EUA inocularam, sem informar, a sífilis em centenas de pessoas e, em grande parcela dos assim contaminados, administraram "remédios" propositadamente inócuos (placebos)]. O caso teve repercussão internacional e o governo dos Estados Unidos se desculpou pelo fato.
"É muito difícil explicar, com base na lei das probabilidades por exemplo, o que tem ocorrido com alguns de nós [líderes] na América Latina", disse Chávez, que também está em tratamento médico para combater um câncer. Em meados deste ano, ele retirou um abscesso na região pélvica durante cirurgia em Cuba.
Além de Chávez e Cristina Kirchner, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz quimioterapia para curar um câncer na laringe. A presidenta Dilma Rousseff e o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, foram submetidos a um tratamento para a cura de linfoma. [OBS deste 'democracia&política': Em ato de promoção de militares transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, Chávez recomendou cuidados extras a Evo Morales, presidente da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador: http://www.defesanet.com.br/geopolitica/noticia/4158/Chavez-suspeita-que-tecnologia-induza-cancer-em-lideres-latinos].
"Fidel (Castro, ex-presidente de Cuba) sempre me disse: 'Chávez tenha cuidado, essa gente desenvolveu tecnologia, atenção ao que te dão para comer e cuidado com uma pequena agulha que te injetem e não se sabe o porquê'", disse o venezuelano.”
FONTE: reportagem de Renata Giraldi da Agência Brasil” (edição: Lílian Beraldo), com informações da agência pública de Portugal, “Lusa” (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-12-29/chavez-diz-estranhar-fato-de-cinco-lideres-latino-americanos-sofrerem-de-cancer). [imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’].
OUTRO ANO QUE NÃO TERMINOU
Por Washington Araújo, no “Observatório da Imprensa”
“Nunca houve um ano tão – vamos dizer – dramático para a imprensa mundial como este que tem as horas contadas. Janeiro de 2011 viu o poderio das mídias sociais a serviço da liberdade e dando um basta à opressão e às diversas formas de tirania em países como o Egito, a Tunísia, a Líbia, o Iêmen. E continuam balançando os que exercem o poder fundado unicamente na força dos tanques, como os da Síria e os da Jordânia.
Manifestações políticas – e quase sempre pacíficas – foram convocadas através do uso do ‘Twitter’ em larga escala e dos torpedos disparados de celulares como os ‘smartphones’ produzidos pela ‘Blackberry’, ‘Apple’ e ‘Motorola’. As imagens foram instantaneamente registradas e atravessaram em segundos continentes, regiões e nações, abastecendo em sua travessia sites e blogues, frequentando milhões de murais de usuários do ‘Facebook’, ‘Orkut’ e ‘MySpace’. É como se a liberdade do mundo virtual tomasse de assalto, como epidemia, o mundo real.
BOAS NOTÍCIAS
Um ano em que os jornais ditos sérios do mundo – ‘El País’, ‘Le Monde’, ‘Frankfurten Allgemeine’, ‘The New York Times’ e ‘The Guardian’ – praticamente se transformaram em diários inteiramente dedicados à economia. Isto porque a economia mundial ficou literalmente de pernas para o ar. A Grécia engolfada em crise aparentemente insolúvel, com gregos se imolando em praça pública, governo mudando às pressas. A Itália também começando a falar grego, vendo o vendaval financeiro balançar sua frágil credibilidade e Silvio Berlusconi saindo de cena de maneira atabalhoada.
A Espanha, com suas muitas greves e estonteante nível de desemprego, mudando de governo para manter-se como está, em estágio pré-falimentar. França e Alemanha buscando dar equilíbrio à economia do euro e com muitas incertezas quanto à manutenção de sua saúde financeira, à medida que franceses e alemães ouvidos em pesquisas preferem rejeitar os estatutos da Europa Unida e o euro como sua moeda comum.
Não é descabido pensar que o regime cruel e perverso dos aiatolás iranianos está com os dias contados: não é razoável proibir 78 milhões de iranianos de acessar a internet por tempo indeterminado. Seria necessário “clonar” cada iraniano com o seu ‘Avatar-Vigia’. E isso, sim, é de todo impensável e impossível.
O mesmo acontece com os cerca de 1,4 bilhão de chineses que parecem – ainda – bem conformados com uma ‘web’ sujeita a restrições de acesso, engessada que é por diversos filtros ideológicos. Mesmo esse cenário chinês não resistirá à lufada de ar puro, com sabor de liberdade, que haverá de soprar de baixo para cima, do coração para a mente de tantos milhões de seres humanos.
Quem viver acessará essas boas notícias – ou melhor, quem viver, verá tão estupendas transformações nos murais das redes sociais, nos sites e blogues independentes, esses mesmos que, no Brasil, são chamados pela grande imprensa de “blogues sujos”.
DENÚNCIA LETAL
No Brasil, este observador detectou sintomas profundos de uma imprensa que renunciou de vez à missão de ser espelho da sociedade:
** Potencializou pequenos escândalos em megaescândalos, resultando na demissão de seis ministros do governo Dilma Rousseff;
** Criou escândalos para todos os gostos, como se esses surgissem em pencas, mas não conseguiu seu tento maior: derrubar quem, por direito, poderia nomear e demitir ministros: a presidenta da República. E, bem ao contrário, e a contragosto, se viu impelida a divulgar os mais elevados índices de aprovação de um presidente ao fim de seu primeiro ano de governo. A verdade é que a aprovação de Dilma superou, em muito, a excelente avaliação de seu antecessor Lula da Silva;
** Deixou de divulgar, ou minimizou ao máximo, todos os escândalos de corrupção existentes no governo [tucano] do estado de São Paulo, com uma dúzia de CPIs propostas na Assembleia Legislativa paulista sendo sumariamente barradas, arquivadas, abortadas;
** Tirou proveito, de forma mesquinha, quando não extremamente grosseira e desrespeitosa, do anúncio do ex-presidente Lula da Silva de que se submeteria a tratamento de um câncer na laringe; e até o apoio subliminar para que Lula se tratasse no SUS foi amplamente repercutido por colunistas das grandes revistas semanais;
** Minimizou a boa fase da economia brasileira se comparada à economia mundial, sempre optando (ou seria torcendo?) para que o país desandasse com decisões econômicas erráticas que trouxessem à tona o velho flagelo da inflação e os habituais índices de desemprego em alta, tão comuns nos anos 1980 e 1990;
** Se fez de morta ante a mais letal denúncia de maracutaias jamais publicada no Brasil, envolvendo personagens por ela sempre blindados, como o ex-governador paulista José Serra, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os seus bem-sucedidos (empresarialmente) herdeiros, Verônica Serra e Paulo Henrique Cardoso; e tudo isso publicado na forma de livro – “A Privataria Tucana” – contendo dezenas de documentos dos malfeitos com o dinheiro público, escrito pelo jornalista, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, Amaury Ribeiro Jr.
Tudo indica que 2011 irá se juntar a 1968 para ser – na feliz expressão de Zuenir Ventura – mais um ano que não terminou.
Feliz 2012 a todos.”
FONTE: escrito por Washington Araújo e publicado originalmente no “Observatório da Imprensa”. O autor é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org/. Artigo transcrito no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/analiseMostrar.cfm?coluna_id=5379) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
SETOR NAVAL MOVIMENTA CERCA DE R$ 8,3 BILHÕES EM 2011
Navio “Celso Furtado”, construído no Estaleiro Mauá-RJ
“O parque industrial naval brasileiro fecha o ano de 2011 com 312 projetos de construção de navios e plataformas em carteira.
Esse número representa 6,2 milhões de TPB (toneladas de porte bruto que medem a capacidade de carga de um navio). Além disso, o setor atingiu a marca de 59 mil empregos diretos, conforme disse ao “Monitor Mercantil”, o presidente do “Sindicato Nacional da Indústria da Construção e reparação Naval e Offshore” (SINAVAL), Ariovaldo Santana Rocha, acrescentando que as prioridades de financiamentos aprovadas em duas reuniões do “Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante” (FMM), no ano, somam US$ 8,3 bilhões para a construção de embarcações e para a implantação de oito novos estaleiros e a expansão de três já existentes.
"Num ano desafiador para a economia, o setor naval apresentou resultados positivos. A presidenta Dilma Rousseff inaugurou, em setembro de 2011, as obras de implantação do estaleiro “Rio Tietê”, em Araçatuba (SP), onde serão construídos os empurradores e balsas dos comboios para transporte de etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Em novembro de 2011, a presidenta esteve presente na entrega à “Transpetro” do petroleiro "Celso Furtado" (foto), navio para transporte de produtos derivados de petróleo, realizada no “Estaleiro Mauá”, em Niterói", comentou, ressaltando que a Petrobras recebeu as propostas para a construção no Brasil de 21 sondas de perfuração de poços de petróleo. "Em 2012, estas encomendas estarão serão colocadas nos estaleiros, ampliando a geração de emprego e renda".
Rocha disse ainda que, neste mês, foi inaugurada em São Gonçalo (RJ) a unidade industrial “Aliança Offshore”, que irá construir os blocos para a construção de navios de apoio marítimo no “Estaleiro Aliança”, instalado na vizinha Niterói (RJ). E salientou que o estaleiro “Jurong Aracruz” realizou a cerimônia de início das obras, no Espírito Santo.
O presidente do SINAVAL frisou que, também, foram concedidas as licenças de instalação do Estaleiro “Promar”, em SUAPE (PE), e do “EBR - Estaleiros do Brasil”, em São José do Norte (RS). E ressaltou que, de um total de 18 plataformas de produção de petróleo em construção, 13 serão construídas no Brasil.
"A Petrobras reativou a área industrial e o dique seco do antigo estaleiro “Ishibras”, criando o Estaleiro “Inhaúma”, no Rio de Janeiro (RJ), preparando-o para realizar a conversão em plataformas tipo FPSO de quatro cascos de petroleiros comprados no mercado mundial. O primeiro deles já está no Rio de Janeiro".
FÓRUM
O SINAVAL realizou, em agosto último, o primeiro “Fórum de Conteúdo Local”, entregando aos fornecedores dos estaleiros as bases de dados sobre equipamentos e navipeças necessários para a construção de navios de apoio marítimo, petroleiros e plataformas tipo FPSO. Com essa iniciativa, a entidade deu um passo concreto para o aumento dos fornecimentos da indústria local a navios e plataformas.
Rocha disse, ainda, que a entidade concedeu, em novembro de 2011, o “Prêmio Naval de Qualidade e Sustentabilidade” (PNQS), iniciativa realizada em conjunto com a “Fundação Aro” e com o patrocínio da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e Sete Brasil. Os vencedores foram os estaleiros “Aliança” (Niterói - RJ) e “Wilson, Sons” (Guarujá - SP) e os fornecedores “WEG” (motores elétricos e sistemas) e “Spice Gourmet” (operação de cozinhas industriais em estaleiros). Menções honrosas foram concedidas aos estaleiros “UTC” e “Enaval” (Niterói)
Os vencedores do PNQS, segundo ele, mostraram os trabalhos que produziram e os bons resultados da indústria da construção naval brasileira. A ênfase na formação de recursos humanos, casos apresentados pelo “Estaleiro Aliança” (aprendizes de corte e solda) e da “WEG” (formação de lideranças); os processos gerenciais inovadores desenvolvidos, casos do Estaleiro “Wilson, Sons” (aumento do conteúdo local nos navios) e da “Spice Gourmet” (avaliação diária das operações realizadas pela equipe), foram exemplos de boas práticas no setor.
Na área de relações trabalhistas, segundo ele, a NR-34, com normas específicas para a segurança no trabalho em estaleiros, desenvolvida pela comissão tripartite, formada pelo Ministério do Trabalho, sindicado dos trabalhadores e o SINAVAL, foi considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como um exemplo mundial.
Rocha frisou, ainda, que a entidade negociou com sucesso acordos com sindicatos dos trabalhadores e apoiou a condução de negociações de estaleiros associados em diversas regiões do país.
"O SINAVAL manteve ativa participação junto ao Ministério dos Transportes, Ministério da Fazenda, Ministério da Indústria e Comércio Exterior e o Ministério de Ciência e Tecnologia. Participou do “GAC - Grupo de Aceleração do Crescimento”. Obteve apoio das autoridades federais para assegurar recursos para financiamentos à construção de navios e implantação e expansão de estaleiros".
PERSPECTIVAS PARA 2012
O presidente do SINAVAL, Ariovaldo Rocha, fez questão de ressaltar ao “Monitor Mercantil” que, para o ano que vem, os desafios do setor continuam os mesmos, ou seja, aumento do conteúdo local aos fornecimentos a navios e plataformas; formação e qualificação de recursos humanos e aumento da produtividade e competitividade dos estaleiros. E frisou que a perspectiva é continuar a expansão do setor com encomendas para os próximos 10 anos, principalmente em função da demanda da Petrobras.
Quanto à qualificação de mão-de-obra, Rocha disse que a formação de pessoal é realizada pelos próprios estaleiros que, em sua grande maioria, possuem sistemas de treinamento, principalmente para técnicos em corte e solda.
O PROMINP, diz, realiza cursos em todo Brasil. As universidades aumentaram suas turmas de formação de engenheiros naval e os jovens já perceberam que as profissões ligadas à indústria naval têm grande demanda por pessoal qualificado.
"O SINAVAL está coordenando, numa ação da qual participam também a ONIP e o PROMINP, de um programa para aumento do conteúdo local nos fornecimentos a navios e plataformas. Em agosto de 2011, foi realizado o “I Fórum de Conteúdo Local” que apresentou a base de dados de mais de 15 mil itens (sistemas, equipamentos, peças e materiais) que serão demandados pelos estaleiros. Em 2012, esse programa prossegue com a articulação como os fornecedores".
Para Rocha, o crescimento do setor da construção naval depende da sua rede de fornecedores: aços, motores, bombas, válvulas, tubulações, cabos e sistemas elétricos, sistemas eletrônicos de comando e controle, sistemas de navegação. A expansão da rede de fornecedores, segundo ele, representa aumento do emprego, maior geração de renda no Brasil e incorporação de novas tecnologias.
"Nesse esforço é esperada a realização de associações entre empresas locais e internacionais. O resultado é a promoção de desenvolvimento sócio econômico e o posicionamento do Brasil entre as nações que são fornecedoras internacionais de navios e seus sistemas".
No que diz respeito ao preço do aço, o presidente do SINAVAL disse que não é possível realizar previsões sobre preços de produtos. O comportamento do mercado siderúrgico pode ser analisado nas estatísticas do “Instituto Aço Brasil”.
E quanto a demanda da Petrobras, Rocha enfatizou que é "bem grande". Segundo ele, são 500 navios de apoio marítimo, 50 plataformas de produção, 50 sondas de perfuração, e cera de 140 novos petroleiros. 50 plataformas de produção, 50 sondas de perfuração, cerca de 140 novos petroleiros. "A implantação de novos estaleiros é a resposta dos empresários do setor para atender essa demanda. A indústria da construção naval trabalha com padronização técnica e de qualidade internacional. Os estaleiros brasileiros estão no mesmo nível dos estaleiros asiáticos, em termos técnicos. Precisamos avançar para atingir a escala de produção dos estaleiros asiáticos como a mesma produtividade".
Em sua opinião, os estaleiros asiáticos têm a proposta de atender, principalmente, encomendas da sua região. E, em função da produtividade conquistada como o volume de produção, se tornaram muito competitivos, além de contar com forte apoio dos governos (China, Coréia do Sul e Cingapura).
"A indústria da construção naval brasileira tem a missão de atender a demanda brasileira e em breve da América Latina e África".
FONTE: publicado no “Monitor Mercantil” e transcrito no site “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/naval/noticia/4153/NAVAL---Setor--Movimenta-cerca-de-R$-8-3-bilhoes-em-2011) [Postagem neste ‘democracia&política’ sugerida pelo leitor Probus]. [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].
PODER DE COMPRA DO SALÁRIO MÍNIMO, EM CESTAS BÁSICAS, SERÁ O MAIOR DESDE 1979
“Mínimo será de R$ 622 em 1º de janeiro, alta de 14,13% sobre o valor atual e aumento real de 65,9% desde 2002.
Estudo do DIEESE revela que reajuste trará incremento de renda de R$ 47 bilhões na economia.
Os efeitos serão sentidos especialmente no Norte e no Nordeste do país.
“Ao passar a valer R$ 622 em 1º de janeiro, o salário mínimo brasileiro equivalerá a 2,25 cestas básicas, cujo valor unitário é estimado em R$ 276,31. É o maior poder de compra desde 1979, de acordo com estudo do “Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos” (DIEESE).
O reajuste do salário mínimo será de 14,13% diante dos atuais R$ 545, vigentes desde março de 2010. O aumento real atinge 9,2%. Para chegar a esse valor, o governo segue o acordo negociado em 2007 com as centrais sindicais, quando foi regulamentada a política de valorização do salário mínimo.
Essa política, que deve ser mantida até 2023, tem como critérios o repasse da inflação do período entre as correções, o aumento real pela variação do PIB, além da antecipação da data-base de revisão – a cada ano – até ser fixada em janeiro, o que aconteceu em 2010.
A política prevê que, em janeiro de 2012, o reajuste reponha a inflação segundo o INPC do período mais a variação do PIB de 2010. O crescimento do PIB em 2010, em dado que ainda será revisado, foi de 7,5%. Desde 2002, o aumento real acumulado do salário mínimo é de 65,9%.
O DIEESE estima, ainda, que o novo valor do mínimo trará uma série de impactos positivos na economia brasileira. Entre eles: 48 milhões de pessoas que têm rendimento referenciado no salário mínimo serão beneficiadas. R$ 47 bilhões será o incremento de renda na economia; R$ 22,9 bilhões correspondem ao incremento na arrecadação tributária sobre o consumo. Os efeitos serão sentidos especialmente no Norte e no Nordeste do país.
“No setor público, o número de trabalhadores que ganha até 1 salário mínimo é pouco expressivo nas administrações federal e estaduais. Nas administrações municipais, a participação desses trabalhadores é maior, especialmente na região Nordeste. Quando se observa o impacto do aumento de 14,13% sobre o salário mínimo na massa de remuneração dos trabalhadores do setor público, verifica-se a mesma tendência: maior impacto nas administrações municipais no Nordeste e Norte”, diz a nota técnica do DIEESE.”
FONTE: site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19292)
A GUERRA DO ÓPIO E O EUROCENTRISMO
Por Emir Sader
“Dois livros saem simultaneamente na Inglaterra. Um de Neil Ferguson, tradicional defensor da “superioridade branca”, com o sintomático título de “Civilização: o Ocidente e o resto”. O outro é uma boa reconstrução histórica e política: “A guerra do ópio: drogas, sonhos e a construção da China”, de Julia Lovell. Juntos, compõem quadro perfeito do mundo colonizador e a mentalidade eurocentrista que o sustenta.
Neil Ferguson retoma sua visão explicitamente eurocentrista, expressa já no significativo titulo do livro. O tom melancólico, sob o cenário da crise atual, que rebaixa o perfil da Europa a níveis inimagináveis até um tempo atrás, serve para uma visão retrospectiva da ascensão e consolidação da Europa como centro do mundo e herdeira de todas as civilizações, como se representasse ponto de chegada de todas elas.
Paralelamente, se publica uma reconstrução sistemática da guerra do ópio, com todos os sentidos que o episódio crucial teve. A Europa tinha interesse em comprar grande quantidade de bens da China: seda, chá, especiarias, entre outros. Mas a China não tinha interesse em comprar nada da Europa, o que levava a um comércio totalmente desequilibrado.
A Inglaterra buscou resolver a questão bem ao seu estilo: pela invasão militar, valendo-se da despreocupação da China de ser uma potência militar. “Uma guerra contra uma nação tão infantil nessa arte seria melhor ser chamada de assassinato”- disse um oficial britânico. Dezenas de milhões de chineses morreram, mas os britânicos sofreram apenas alguns ferimentos.
A guerra nem serviu para que o Império britânico se expandisse geograficamente; houve apenas a incorporação de Hong-Kong. O fundamental foi impor o livre comércio e, além disso, induzir o consumo de ópio na China, abastecendo esse vasto mercado com a produção realizada na outra grande colônia inglesa – a Índia. Essa foi a contribuição da “civilização” ocidental para a China – o consumo do ópio e o livre comércio. Assim, se reequilibrava o comércio entre a Europa e a China. O Ocidente ainda propagou imagem da China no mundo vinculada ao ópio que o próprio Ocidente introduziu naquele país.
A guerra do ópio somente terminou recentemente, quando o governo chinês demandou a reintegração de Hong-Kong a seu país. Diante das hesitações de Margareth Thatcher, tentando dilatar a decisão, Deng-Xiao Ping lhe disse que recuperariam pela força o território, o que foi suficiente para que a suposta Dama de Ferro devolvesse docilmente Hong-Kong à China.
O “Times” já temia, um século atrás, que o gigante despertasse e revertesse aquela situação. A China, por sua vez, tirava a lição da necessidade de armar-se para se proteger da cobiça do Ocidente. Cada um pode constatar hoje como mudaram as relações entre a China e o Ocidente, desde então.”
FONTE: escrito pelo cientista político Emir Sader e publicado no site “Carta Maior” (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=851).
NORDESTE: AUTOESTIMA RECONQUISTADA
Antonio Risério: Poeta, tradutor, ensaísta e, sobretudo, baiano. (Foto: Paulo César Lima)
Por Lucas Calegari, na “Carta Capital”
“Ele é poeta, antropólogo, tradutor, ensaísta de talento e, mais recentemente, marqueteiro político, com participação ativa em campanhas do PT, inclusive a de Dilma Rousseff. Mas Antonio Risério é, antes de tudo, um baiano da turma de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com a verve sempre a postos para tecer críticas afiadas à política e à cultura. Risério aponta uma diferença entre Pernambuco e Bahia. O primeiro tinha se descolado da região com um “projeto claro e consciente”. Segundo ele, falta ao Brasil se convencer de que sua realização nacional plena passa pelo Nordeste.
CartaCapital: A partir de 2004, o Nordeste passa a apresentar avanços importantes. Houve crescimento econômico e melhora na renda. Mas como o Nordeste poderia contribuir para um projeto de desenvolvimento nacional?
Antonio Risério: A definição de “Nordeste” é mais histórico-política do que ecoantropológica. O oeste baiano, por exemplo, não se conecta com o Agreste pernambucano ou o Alto Sertão de Sergipe, mas com o Planalto Central do País. Antropologicamente, a região não é homogênea. Mas vamos falar dela assim mesmo, como se fosse um conjunto. E esse conjunto de fato experimentou notável desenvolvimento econômico e social nos últimos anos, com o avanço, em especial, de Pernambuco e do Ceará.
Pernambuco decolou. Tem projeto claro e consistente de desenvolvimento socioeconômico, configurando-se a partir da racionalidade administrativa e do diálogo real com a sociedade. SUAPE é o supersigno desse processo. E Pecém é o SUAPE do Ceará, que também apresenta obras e projetos como o “cinturão digital”, o “eixão das águas”, o metrô do Cariri e investimentos em saúde e educação. Temos grandes obras de infraestrutura na região, da Transnordestina à transposição do São Francisco.
Mas é claro que há pedras e pedreiras no caminho. O Nordeste tem projetos particulares, estaduais, mas não tem um projeto global de desenvolvimento, como chegou a acontecer na época de Celso Furtado, e isso fragmenta as ações e realizações. Nossos governos agem pontualmente, sem o alto grau de coordenação que poderiam alcançar, até mesmo por conta de sua proximidade política. A tal da “nova SUDENE” nunca deu o ar de sua graça. Grandes empreendimentos privados ainda tendem a se implantar como enclaves na paisagem nordestina, sem articulação orgânica com o entorno e satisfeitos com o fato de a região ser celeiro de mão de obra barata. E ainda temos a ideologia das pequenas obras, a mentalidade de cisterna da Igreja Católica, por exemplo, como se ela mesma nunca tivesse construído catedrais. Agora, o Nordeste já está contribuindo vigorosamente para o desenvolvimento nacional. O avanço econômico e social significativo de uma região vasta e pobre tem repercussões positivas em todo o País. O que está faltando é o Brasil se convencer de que sua realização nacional plena passa pelo Nordeste. E o Nordeste se convencer em termos objetivos de que tem de avançar na inovação.
"O Nordeste fechou com Lula e Dilma", lembra Risério. (Foto: Mauricio Lima/AFP)
CC: É possível identificar alguma mudança na imagem que o nordestino tem de si mesmo, a sua autoestima mudou?
AR: Sim, isso é muito claro em Pernambuco e no Ceará, mas é visível também em Sergipe, em muitas cidades nordestinas. O curioso é que houve uma inversão: os baianos de Salvador e do Recôncavo, que sempre foram extremamente orgulhosos e narcisistas, hoje andam de cabeça baixa. Enquanto a autoestima dos moradores do Recife, de Fortaleza ou de Aracaju está lá em cima, a dos moradores de Salvador desabou. Na verdade, a Bahia, apesar de sua posição no ranking da economia brasileira, está ficando para trás. Há não muito tempo era ela que se industrializava, montava um polo petroquímico, firmava-se como vanguarda cultural etc. e Pernambuco pouco mais era do que um engenho. O panorama mudou. Penso que o problema central de Jaques Wagner é que, por não ter projeto claro para a Bahia, ele não sabe o que fazer com a hegemonia que conquistou. Limita-se a tocar obras federais. É por isso que digo que hoje a Bahia tem a faca e o queijo, mas falta a mão. E Salvador é uma cidade abandonada, suja, destruída, com o pior prefeito de sua história. Mas de um modo geral é evidente, para qualquer observador, que a autoestima do nordestino se elevou. E não foi pouco. Muitos, inclusive, deixam hoje o Sudeste e voltam para seus lugares de origem, orgulhosos de que estas sejam agora terras de prosperidade e de oportunidades.
CC: E o restante do Brasil, como vê o Nordeste?
AR: Há um novo olhar, sim, mas circunscrito a pequenos segmentos da sociedade: empresários, políticos, jornalistas, cientistas etc. Em plano de massas, não. A mudança ainda é muito pequena. A mentalidade “sudestina” (sim: assim como existem nordestinos, existem “sudestinos”), de um modo geral, ainda é povoada por velhos estereótipos e preconceitos. E esse olhar antigo sustenta-se não só pelo que há de sedimentado naquela mentalidade e pela desinformação sobre o que está acontecendo atualmente no Nordeste, mas também porque, embora o Nordeste avance, os desequilíbrios regionais brasileiros ainda são um escândalo. Ainda faz diferença hoje o lugar onde o brasileiro nasce. A perspectiva de futuro de um brasileiro que nasce em São Paulo ou no Rio Grande do Sul ainda é muito diversa daquela de um brasileiro que nasce no Piauí ou na Paraíba. É cruel, mas é verdade. De qualquer sorte, aqueles pequenos segmentos sociais a que me referi vão acabar influenciando, por seu próprio peso, o conjunto do mundo “sudestino” e transformando o olhar das populações do Centro-Sul e do Sul. É uma questão de tempo.
CC: Essas transformações positivas que ocorreram na região tiveram reflexo direto no resultado das duas últimas eleições presidenciais. Isso deve acontecer também nas eleições de 2014?
AR: O Nordeste fechou com Lula e Dilma. E acredito que o voto na esquerda deve persistir. Ainda que em termos variáveis a região continue crescendo e distribuindo renda. E tem lideranças de ponta, com ampla base social. Mas eleições dependem também de gestos, tendências e influxos conjunturais. Não é um jogo de cartas marcadas com muita antecedência. E não sabemos qual será exatamente a situação brasileira em 2014. As classes C e D tendem a ser conservadoras e pragmáticas. Não querem coisas espetaculares ou espetaculosas, mas prosaicas e elementares. Querem segurança, saúde, escola e o pão de cada dia – agora, com manteiga. Querem garantir o lugar que conquistaram na estrutura social e assegurar a possibilidade de continuar ascendendo. Seu voto tende a ser sério, em termos morais e administrativos. Contra a corrupção e pela eficiência. Eduardo Campos viu isso muito bem, ao atualizar o modo de gestão do governo pernambucano. Não se trata de mero racionalismo empresarial, mas de perceber a questão técnica como questão social, direcionando melhor o dinheiro público. E ele é, sem dúvida, a grande personalidade política nordestina hoje, projetando-se consistente no horizonte nacional.
Para Risério, a Bahia dos trios elétricos estacionou na redundância
CC: Ocorreram mudanças relevantes no quadro de políticos eleitos no Nordeste? O coronelismo ainda vive?
AR: A grande mudança política nordestina foi a guinada à esquerda. Em Sergipe, com Marcelo Déda ganhando a prefeitura e, depois, o governo do estado. Na Bahia, com Jaques Wagner, um político de habilidade extraordinária, desmantelando o “carlismo”, para depois cooptar muitos de seus quadros. No Ceará, com Cid Gomes exibindo um ótimo desempenho como gestor, Ciro rasgando a roupa de reis e reizinhos, Luizianne à frente de Fortaleza. Em Pernambuco, com Eduardo Campos, Humberto Costa no Senado, o PT na prefeitura. Na Paraíba, com Ricardo Coutinho, e no Piauí, com Wilson Martins. E vemos a aprovação dada em reeleições. Hoje, para onde Eduardo Campos for, o voto de Pernambuco vai. Guinada nordestina à esquerda, como disse, porque são quadros do PSB e do PT. Esses partidos comandaram politicamente a configuração de um novo Nordeste em construção, respondem às novas realidades criadas e encarnam necessidades e desejos regionais, abrindo caminho para que se realizem. Penso que, ao somar capacidade executiva e disposição para incorporar a inclusão como peça-chave do próprio desenvolvimento, PSB e PT, principalmente o PSB, são mesmo os partidos mais preparados para tocar o barco do crescimento econômico e do avanço social do Nordeste. Já o coronelismo pertence a uma estrutura agrária e a um mundo político que não mais existem, a não ser que reste em algum grotão esconso, como os que aparecem no romance de Guimarães Rosa. A urbanização, a industrialização, a expansão do mercado, a impessoalização das relações de trabalho, o regime democrático (com sindicatos, partidos, a atuação da Igreja etc.) e os meios de comunicação de massa fizeram do coronelismo um dado de interesse meramente arqueológico.
CC: O que ocorreu de relevante em termos culturais na região? O que ocorreu na Bahia, em Pernambuco e nos outros estados?
AR: Pernambuco, de uns tempos para cá, vem se convertendo na vanguarda do Nordeste, da arrancada industrial à criação cultural. Basta pensar na música e no cinema. Não dá para comparar “axé music” e “manguebeat”. E é interessante porque “Chico Science” e o “manguebeat” nascem do tropicalismo baiano. É claro que há o “rap”, a valorização da percussão a “Olodum”, a música tradicional nordestina, o “rock’ pesado etc., mas tudo sob o signo maior da “Tropicália”. A Bahia, ao contrário, estacionou na banalização, na redundância, na autocomplacência desinformada. “Axé music” é pastel de vento, “manguebeat” tem substância. De um modo geral, também o novo cinema pernambucano está alguns passos à frente. É o que há de mais interessante no atual cinema nordestino. E em ambos os casos, na música e no cinema, a moçada pernambucana encara de modo direto e crítico a realidade envolvente. Mas penso que a principal virtude pernambucana, nesse processo, é saber preservar suas tradições e, ao mesmo tempo, inovar. É manter o seu carnaval maravilhoso, seu frevo e seu maracatu, e também alimentar a inquietude estética. Isso é o que mais interessa: a dialética entre a tradição e a invenção.”
FONTE: reportagem de Lucas Calegari, da revista “Carta Capital” (http://www.cartacapital.com.br/politica/autoestima-reconquistada/0 [Postagem neste ‘democracia&política’ sugerida pelo leitor Probus].
Assinar:
Postagens (Atom)









