quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

NÃO FOI O PRESIDENTE LULA O ASSASSINO?

Boeing 737, voo 1907 da Gol

[OBS deste blog 'democracia&política': Não, não foi o Presidente Lula o assassino. A “Folha de São Paulo”, na ocasião do acidente, publicou artigo, de modo irresponsável e impune, acusando o presidente Lula pelo assassinato dos 154 passageiros do vôo 1907. Transcorria, em 2006, a desesperada e insana luta da mídia e oposição pela volta da direita ao poder no Brasil, e a 'Folha' e os outros jornais e TVs batalhavam intensamente na campanha pró-José Serra.

Além disso, sempre foi tradição da imprensa e da direita brasileiras defender prioritariamente os interesses norte-americanos. Imediatamente, apareceram  reportagens incriminando brasileiros e o controle aéreo nacional, e isentando os pilotos da ExcelAire de culpa. Eliane Cantanhêde apareceu em documentário da Discovery, repetidamente divulgado, onde os norte-americanos eram quase pobres vítimas, e hábeis heróis por conseguirem pousar seu avião.

Por oportuno (como também a mídia demotucana pró-EUA quis imputar culpa ao "nosso caos aéreo"), é bom recordar o resultado da auditoria realizada em 2009 pela “International Civil Aviation Organization” (ICAO), organização máxima da aviação civil mundial, ligada às Nações Unidas. A ICAO (OACI)  avaliou 190 países signatários e classificou o “Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro” entre os cinco melhores do mundo. De acordo com a ICAO, o Brasil atingiu 95% de conformidade em procedimentos operacionais e de segurança.

Agora, foi concluída longa investigação do acidente pela Aeronáutica. Vejamos a reportagem]:

Excel Aire (dos EUA) CONSIDERADA CULPADA NA COLISÃO DO VOO 1907

Empresa norte-americana foi autuada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo por falhas que pilotos do jato Legacy cometeram

Do site “Bem Paraná”

“A empresa norte-americana ExcelAire, proprietária do jato Legacy que atingiu o Boeing da Gol em setembro de 2006, causando a morte de 154 pessoas, foi autuada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

A junta de julgamento da Aeronáutica resolveu punir a companhia em dezembro do ano passado por falhas cometidas pelos pilotos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que estavam no comando da aeronave e continuam trabalhando na ExcelAire e American Airlines, respectivamente, uma vez que a empresa foi responsável pela contratação e pelo treinamento dos pilotos que vieram ao Brasil.

O órgão brasileiro concluiu, a partir do processo recebido da ANAC, que as atitudes dos pilotos norte-americanos que estavam sob responsabilidade da empresa ExcelAire foram determinantes para causar o acidente. Segundo a autuação, a ExcelAire infringiu os regulamentos de tráfego aéreo e permitiu que os pilotos voassem na condição RVSM (Reduced Vertical Separation Minimum/Espaço Aéreo Vertical Reduzido), não tendo autorização. Além disso, o documento também reconhece a falha de Joseph Lepore e Jan Paul Paladino quando não adotaram os procedimentos necessários referentes ao TCAS e Transponder da aeronave (equipamentos anticolisão).

As punições, que geraram uma multa, já foram encaminhadas à ExcelAire, e a empresa já apresentou defesa em janeiro deste ano. O processo está em análise pela junta de julgamento da Aeronáutica para verificar se a defesa da companhia aérea será aceita ou não. Segundo o perito em aviação Roberto Peterka, as autuações são mais um indício de que os pilotos foram culpados. “A ANAC já emitiu as infrações, que foi o que originou o processo no DECEA. Essas novas punições reforçam o veredicto brasileiro de que eles são culpados pela tragédia”, afirma.

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) puniu, em abril de 2011, no seu primeiro processo administrativo, os pilotos do jato e a ExcelAire em virtude de a tripulação ter voado em RVSM (Reduced Vertical Separation Minimum/ Espaço Aéreo Vertical Reduzido). As infrações foram encaminhadas para a FAA (Federal Administration Aviation, órgão que regula a aviação nos EUA), que relatou que não tomaria nenhuma providência. A ANAC está em fase de análise da resposta. Já em setembro de 2011, em seu segundo processo administrativo, a Agência emitiu mais duas autuações aos pilotos, por voarem com o TCAS e com o Transponder desligados. As punições também foram encaminhadas ao FAA, que não se pronunciou até o momento.”

FONTE: do site “Bem Paraná”. Transcrito no portal da FAB  (http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=14/02/2012&page=mostra_notimpol) [imagem do Google e introdução entre colchetes adicionadas por este blog ‘democracia&política’].

“DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA ATINGE MENOR ÁREA EM 22 ANOS”, destaca Presidenta Dilma Rousseff


“O desmatamento da Amazônia, que tinha chegado a 27,7 mil km2, em 2004, no ano passado foi reduzido para 6,2 mil km2, a menor área desmatada dos últimos 22 anos, informou a presidenta Dilma Rousseff na coluna ‘Conversa com a Presidenta’, ao fazer um balanço das medidas do governo federal para redução da emissão dos gases de efeito estufa.

A presidenta esclareceu que, com o “Programa ABC – Agricultura de Baixo Carbono”, o governo incentiva agricultores a adotarem sistemas produtivos sustentáveis e medidas para a recuperação de áreas degradadas. No Plano Agrícola 2011/2012 – disse a presidenta –, foram destinados R$ 3,15 bilhões, com juros de 5,5% ao ano, para o programa.

Outra frente de atuação mencionada por ela foi a manutenção e ampliação de fontes de energia limpas. Dilma Rousseff lembrou que, na “Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas” de 2009, em Copenhague, o Brasil comprometeu-se, voluntariamente, a reduzir em 36,1% a 38,9% as emissões projetadas para até 2020.

Poucos dias depois da Conferência, esse compromisso foi incorporado na lei que instituiu a ‘Política Nacional de Mudanças Climáticas’. Na última conferência sobre Mudanças Climáticas, na África do Sul, em dezembro, o Brasil seguiu na vanguarda, propondo um acordo de redução das emissões que inclua todos os países e que seja obrigatório. O que está em jogo não é o futuro apenas do Brasil, mas de toda a humanidade.”

MICRO e PEQUENAS EMPRESAS

Comerciante de São Mateus (ES), Gilson Gaigher Junior quis saber sobre a política do governo federal para as micro e pequenas empresas. A presidenta informou que o governo combina redução tributária, garantia de acesso ao crédito e fortalecimento desse segmento da economia. E lembrou que, desde o início deste ano, já estão em vigor as mudanças no “Super Simples”, para ampliar o número de “Microempreendedores Individuais” (MEIs) e de empresas beneficiadas: para os MEIs, o limite de faturamento anual passou de R$ 36 mil para R$ 60 mil; para as microempresas, o novo limite passou de R$ 240 mil para R$ 360 mil; e para as empresas de pequeno porte, de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões.

Além do mais, as micro e pequenas empresas agora podem parcelar seus débitos tributários em até 60 meses e evitar que sejam excluídas do ‘Super Simples’. Lançamos, também, em setembro do ano passado, o ‘Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado’ (CRESCER), que atende empreendedores pessoas físicas e microempresários com faturamento anual de até R$ 120 mil. O limite de financiamento é de R$ 15 mil, e os juros, de apenas 8% ao ano.”

BIODIESEL POR AGRICULTOR FAMILIAR

Ao aposentado de Maceió (AL) Carlito Amaral, Dilma Rousseff explicou a política federal para a fabricação de biodiesel por agricultores familiares, que “se tornou excepcional programa de inclusão social”. Segundo a presidenta, o número de estabelecimentos da agricultura familiar que participam do ‘Programa Brasileiro de Produção e Uso de Biodiesel’ passou de 16 mil, em 2005, para 100 mil, em 2010, e estima-se que tenha chegado a 110 mil, em 2011.

Ela destacou que o faturamento dos agricultores também aumentou de maneira exponencial, passando de R$ 68 milhões, em 2006, para, segundo estimativas, mais de R$ 1,4 bilhão, em 2011.

Esse crescimento extraordinário da participação dos agricultores familiares se deve, em boa medida, à organização em cooperativas. O número de cooperativas passou de 4, em 2006, para 70 atualmente. No final de 2011, já havia no Brasil 56 usinas de biodiesel e, destas, 37 possuem o ‘Selo Combustível Social’ (66%). O Selo é concedido àquelas que compram dos agricultores familiares, diretamente ou através de suas cooperativas, e lhes prestam assistência técnica rural. Em contrapartida, essas empresas passam a contar com benefícios tributários, melhores condições de financiamento, participação assegurada de 80% do biodiesel negociado em leilões públicos, entre outras vantagens.”

FONTE: Blog do Planalto  (http://blog.planalto.gov.br/desmatamento-na-amazonia-atinge-menor-area-em-22-anos-destaca-presidenta-dilma-rousseff/).

FELIZMENTE, A PETROBRAS SOBREVIVEU A VENTOS PRIVATISTAS, afirma Dilma

Presidenta Dilma Rousseff recebe cumprimentos durante cerimônia de posse da Presidenta da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster (foto de Roberto Stuckert Filho/Presidência da Republica)

“Na posse da nova presidente da Petrobras, Dilma Rousseff destaca importância do caráter estatal da empresa, elogia 'estadista' Getúlio Vargas e festeja que companhia escapou de 'todos os ventos privatistas'. Para Dilma, Petrobras estatal é fundamental no projeto de nação do Brasil. Declaração sobre 'ventos privatistas' vem após polêmica política sobre leilão de aeroportos.

A presidenta Dilma Rousseff empossou, na segunda-feira (13), a nova presidente da Petrobras, a amiga e funcionária de carreira da empresa Maria das Graças Foster, com um discurso nacionalista e estatista. Disse que a Petrobras é “parte relevante” do esforço de construção do país, saudou o estadista Getúlio Vargas, patrono da companhia, e festejou que ela tenha escapado de “ventos privatistas”, sem, no entanto, fazer referência explícita ao governo Fernando Henrique.

Para Dilma, a Petrobras, hoje a segunda maior petroleira de capital aberto do mundo, é “fruto de movimento popular, de um movimento cívico, nacional que mobilizou nosso país” e “surgiu graças à visão de um estadista, Getúlio Vargas, a quem devemos sempre render a nossa homenagem”.

A combinação de “movimento popular” e “visão de um estadista” foi fundamental, disse Dilma, para dar origem a “uma parceira do povo brasileiro” e a "uma das partes mais relevantes no esforço deste país de se constituir em grande nação”.

Hoje, depois de quase seis décadas de vida, assinalou a presidenta, a estatal tornou-se “poderosa” globalmente, num mercado “assimétrico e agressivo”, como o do petróleo. Também ajuda a gerar emprego e renda para brasileiros, apoia a indústria brasileira ao manter política de compras mínimas dentro do país.

Até 2015, a companhia vai investir US$ 224 bilhões, volume que, para Graça Foster, a primeira mulher a presidir a Petrobras e a comandar uma gigante petroleira no mundo todo, tem “escala necessária para fazer prosperar a indústria nacional”.

Na avaliação de Dilma, a Petrobras conquistou, nos últimos nove anos (governos Lula e dela), um gigantismo que é difícil resumir em números.

A Petrobras é poderosa em escala mundial e é estratégica dentro do Brasil”, afirmou Dilma. “Felizmente, sobreviveu a todos os ventos privatistas e persistiu como empresa brasileira, sob controle do povo brasileiro, e hoje exerce papel fundamental em nosso modelo de desenvolvimento.”

A referência de Dilma a “ventos privatistas” foi feita dias depois de governo e PT terem sido alvo de tentativa de desgaste político por adversários de PSDB e por alguns setores com um perfil mais à esquerda, por conta do leilão que transferiu [por concessão e com tempo limite para devolução] três aeroportos federais à gestão privada.

Para os tucanos, houve privatização e foi bom que o PT tenha se rendido à tese. Para os setores descontentes da esquerda, houve privatização e foi ruim que o PT a tenha praticado.

Já governo e petistas rebatem que não houve privatização, pois os aeroportos serão administrados pelo Estado de novo quando a concessão ao setor privado terminar, daqui 20 anos a 30 anos.

Dizem, ainda, que o motivo do leilão foi diferente das privatizações da era FHC – não se quis “enxugar o Estado”, apenas contornar a falta de recursos para investir e os entraves burocráticos próprios da gestão pública à realização dos investimentos, que a Copa do Mundo de 2014 impõe que sejam ágeis.”

FONTE: site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19609). [trecho entre colchetes adicionado por este blog 'democracia&política'].

PETROBRAS MUDA COMANDO; POLÍTICAS DE PREÇO E CONTEÚDO LOCAL, NÃO

[Maria das Graças Silva Foster, ex-favelada e catadora de papel até aos 12 anos, é graduada em Engenharia Química pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com mestrado em Engenharia Química e pós-graduação em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), possuindo MBA em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/RJ)].


“Maria das Graças Foster assume a presidência da estatal prometendo continuidade e com discurso ao gosto de Dilma Rousseff: 'Meu foco é a gestão'. Preço dos combustíveis seguirá atrelado ao barril de petróleo, mas sem reajustes frequentes. Apoio à indústria brasileira com exigência a fornecedores locais também será preservado. Prioridade é investir em exploração e produção.

A nova presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, assumiu o cargo na segunda-feira (13) com a promessa de preservar as linhas gerais da companhia, como cobrar preços no Brasil atrelados à cotação internacional do petróleo, mas sem reajustes frequentes, e exigir de fornecedores quantidade mínima de componentes fabricados no país. Aumentar exploração e produção segue no topo da lista de prioridades dos investimentos. E, alinhada com a atitude gerente da presidenta Dilma Rousseff, garantiu: “Meu foco é a gestão.”

Funcionária de carreira da Petrobras há mais de trinta anos e 10 mil dias, como registrou em discurso na sede da campanhia, Maria das Graças é a primeira mulher a comandar a estatal e a primeira a dirigir uma das gigantes petroleiras mundiais. Sua indicação é responsabilidade direta e exclusiva de Dilma, a quem disse que terá “gratidão e fidelidade incondicional”.

O substituído, José Sérgio Gabrielli, nunca teve relação de “gratidão e fidelidade incondicional” com a presidenta, o que não significa também que os dois fossem adversários. Tal devoção ele dedicava ao ex-presidente Lula, que o nomeara em 2005 e por quem quase chorou no discurso de despedida na cerimônia de posse de Maria das Graças.

“Minha gestão será de continuidade”, afirmou a nova comandante da estatal, que por mais de quatro anos esteve subordinada a Gabrielli e, como diretora de Gás e Energia, conhece bem os planos e rumos da companhia e por eles também é responsável.

Depois da cerimônia, em entrevista coletiva transmitida pela Petrobras via internet, Maria das Graças explicou um pouco mais sobre o que pretende fazer agora como dirigente máxima da maior empresa brasileira. E, logo de cara, anunciou que o “foco é a gestão”, porque o perfil autodeclarado dela seria “executivo, de gestão”.

E como seria essa atitude gestora no dia a dia? “O que não for cumprido eu quero saber por quê. O tempo todo eu quero saber por quê.” Em seguida: “Sou bastante combativa, para mim, tudo é em cima de números”. Mais adiante: “Eu tenho perfil de discussão permanente.”

Em vários momentos da entrevista, ela insistiu que se guiará por razões econômicas, mesmo que a decisão pareça nacionalismo. Um exemplo? A manutenção da política de compras da Petrobras, que impõe aos fornecedores a obrigação de oferecer produtos com uma porção mínima, de 62% a 65%, de conteúdo feito no Brasil, uma forma de estimular a industrialização do país. “Política de conteúdo local não é discurso nacionalista. É literalmente técnica”, afirmou.

O mesmo vale para a preservação da política de preços da Petrobras, vinculada ao valor externo do barril de petróleo do tipo brent. É uma política atacada pelos dois lados. O “mercado”, sobretudo aqueles 600 mil acionistas da Petrobras ou seus representantes, que gostariam de ver a estatal subindo sempre os preços, para ganhar mais dinheiro no fim do ano por meio de dividendos. De outro, os que acham que a estatal poderia lucrar menos e vender gasolina mais barata à população.

Não podemos passar a volatilidade do brent e do câmbio para esse mercado”, disse Maria das Graças, ao justificar a falta de reajustes mais frequentes. Segundo ela, quanto mais sobe e desce houver, pior para a formação do mercado interno brasileiro, um mercado que ela chamou de “grande” e que, quanto maior for, melhor para a própria Petrobras, que poderá ganhar em escala vendendo dentro do país o que negociaria fora.

A estatal tem quatro refinarias em construção que vão entrar em operação nos próximos anos apenas para vender mais combustíveis dentro desse “mercado grande” que cada vez mais se torna brasileiro.

Apesar desse tipo de investimento em produção de derivados, a grande prioridade da Petrobras, na gestão Maria das Graças, continuará sendo exploração e produção. No ano passado, quase metade dos investimentos da companhia foram para esse segmento. No plano de negócios 2011-2015, a situação se repete.

Até 2020, a empresa pretende triplicar a produção atual, sobretudo em função da crescente produção na camada pré-sal. Em 2011, a estatal dobrou a produção de pré-sal, que já responde por cerca de 10% do total.”

FONTE: site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19610) e UFF  (http://www.prograd.uff.br/exalunos/gra%C3%A7-foster) .[imagem do google e sua legenda adicionadas por este blog 'democracia&política'].

Emir Sader: “OS NOVOS CÃES DE GUARDA”

Emir Sader



Por que os jornalistas não deveriam responder por suas palavras, dado que eles exercem poder sobre o mundo social e sobre o próprio mundo do poder?

Assim o atual diretor do “Le Monde Diplomatique” francês, Sege Halimi, abre o seu livro “Os novos cães de guarda”. O livro retoma, no seu titulo, o livro de Paul Nizan, “Os cães de guarda”, publicado originalmente em 1932 e tornado famoso pela sua reedição em 1960, quando Sartre prefacia um outro livro de Nizan, “Aden Arabie”, relançando sua obra.

Nizan dizia que os intelectuais não devem ser os taquígrafos da ordem, mas aqueles que saibam a necessidade de superá-la, isto é, de subvertê-la. “O homem jamais produziu nada que testemunhasse a seu favor, senão com atos de cólera: seu sonho mais singular é sua principal grandeza, reverter o irreversível.” Recusar “esconder os mistérios da época, o vazio espiritual dos homens, a divisão fundamental de sua consciência, e esta separação cada dia mais angustiante entre seus poderes e o limite real de sua realização”.

Halimi escreveu “Os novos cães de guarda” (“Jorge Zahar”, no Brasil), na coleção de combate dirigida por Pierre Bourdieu, para atualizar o fenômeno, que se tornou um fenômeno essencialmente midiático nos nossos dias. A mercantilização neoliberal arrasou o campo midiático: “A informação tornou-se um produto como outro qualquer, comprável e destinado a ser vendido...”

Halmim faz um livro devastador, porque simplesmente retrata como são produzidas as informações e as interpretações a favor do poder e da riqueza. “Reverência diante do poder, prudência diante do dinheiro...”- resume ele, que revela as tramas de cumplicidade e de promiscuidade entre a velha mídia e os poderes econômicos e políticos. E, também, como esses empregados das empresas de comunicação se promovem a si mesmos, alegremente, numa farsa de fabricação de opinião publica – expressão de Chomsky – de forma oligárquica e elitista.

Quem ousa romper com o consenso dominante é desqualificado como “populista”, “demagogo”, pelos “cardeais do pensamento único”, que nos venderam suas mercadorias como a única via possível de “governos responsáveis”, afirmações pelas quais não respondem hoje, quando essas certezas revelam suas misérias e os sofrimentos que causam para os povos cujos governos ainda se guiam por esses dogmas.

Mídias cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação cada vez mais medíocre”, conclui Halimi. Perguntado pela razão de que a velha mídia não se reforma, não se renova, o ex-ministro da educação da França, Claude Alegre, político de direita, respondeu com franqueza: “Eu vou lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que nunca fui marxista: porque eles não têm interesse... Por que os beneficiários dessa situação não têm o menor interesse em mudá-la.”

O livro de Halimi foi transformado em documentário e é o filme mais interessante para se ver em Paris atualmente, com o mesmo titulo do livro: “Os novos cães de guarda”. Dirigido por Gilles Balbastre e Yannick Kergoat, com a participação do próprio Halimi no roteiro, o filme poderia ser transportado mecanicamente para o Brasil, a Argentina, a Veneuela, o México, qualquer país latino-americano, apenas mudando os nomes dos jornalistas, dos donos das empresas midiáticas e dos supostos especialistas entrevistados, representantes da riqueza e do poder nas nossas sociedades.

Entre outras informações sonegadas pela velha mídia, cada vez que alguém é entrevistado ou chamado para alguma reunião na velha mídia, aparecem os créditos da pessoa: seu cargo nas empresas privadas, sua participação em outras, as ações que dispõem etc. Para que se saiba quem está falando, sem disfarçá-lo na qualidade de “especialista”, grande economista etc, etc.

Mais informações sobre o filme podem ser obtidas em:  http://www.lesnouveauxchiensdegarde.com/ .

FONTE: escrito pelo sociólogo e cientista político Emir Sader no site “Carta Maior”  (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=890) [imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

TRAGÉDIA GREGA, A ESQUERDA E A LOUCURA MILITAR

Itália e Grécia
“Nestes dias, somos todos gregos. Estamos do lado do povo grego massacrado pela loucura da chantagem neoliberal europeia. Porque aquilo que sucede hoje na Grécia pode acontecer a qualquer outro povo europeu, inclusive a Itália.

Por Oliviero Diliberto, no blog “Il Fatto Quotidiano”, da Itália

Há pouco estive na Grécia, numa Atenas espectral: negócios escusos, manifestações em toda a parte, escolas sem livros, hospitais sem seringas. Um país paralisado. A Grécia podia ter sido salva no início da crise com apenas 30 bilhões de euros. Ao invés disso, a “Troika” (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI) exigiu colossais planos de austeridade que fizeram o PIB grego cair 12%.

E fizeram a dívida saltar a 165% (no início era 120%). Uma cura que acabou por matar o paciente.

Quantos bilhões de euros foram presenteados aos bancos nestes anos? Por que, em vez disso, para salvar os Estados o dinheiro vem emprestado (dívida que se acrescenta à dívida) e os empréstimos são condicionados a manobras de lágrimas e sangue? Qual é a lógica louca que se esconde por trás de tudo isso?

É a loucura do neoliberalismo falido.

Uma loucura inútil e danosa. O que acontecerá de fato, quando outros títulos gregos decaírem? Recomeçará o filme: concedem empréstimos, a Europa exige mais austeridade; a economia cai, mas as dívidas são honradas por meio do massacre social. Uma espiral que encontrará seu fim somente com a queda definitiva da Grécia e, com esta, de toda a Europa. Por que, se a Europa não está em condições de salvar a Grécia, como poderá, na necessidade, salvar a Itália, que tem uma dívida cinco vezes maior?

Há uma coisa, porém, que salta aos olhos e torna a tragédia grega plasticamente real. A Grécia é o quinto importador mundial de armas. É o país europeu com a mais alta despesa militar: cada ano, mais de 3% do PIB se destinam à defesa. Ou melhor, para comprar os refugos militares da França e da Alemanha. O “Wall Street Journal” revelou, há algum tempo, que Merkel e Sarkozy tinham imposto a aquisição de submarinos, navios, helicópteros e tanques de guerra como condição para desbloquear o plano de ajuda à Grécia.

Cortam os salários e as pensões. Os trabalhadores são demitidos e o país é massacrado. As despesas militares, contudo, não são tocadas jamais. Exatamente como na Itália com os F-35 [ultradispendiosos aviões norte-americanos]

F-35
Resta uma esperança. A Grécia irá às urnas em poucos meses. As pesquisas mostram a queda dos socialistas (abaixo de 10%) e a ascensão vertiginosa dos partidos de esquerda, em conjunto acima dos 40%. Parece que o povo grego compreendeu.”

FONTE: escrito por Oliviero Diliberto, no blog “Il Fatto Quotidiano”, da Itália. Traduzido e transcrito pelo portal “Vermelho”  (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=175603&id_secao=2) [imagens do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’].

“GRUPO BILDERBERG”: A NATO (OTAN) DESDE 1954 QUER SER O GOVERNO MUNDIAL


AQUILO QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE O GRUPO BILDERBERG

Thierry Meyssan
Artigo de Thierry Meyssan

“Já há alguns anos se generalizou a ideia de que o grupo Bilderberg seria o embrião do governo mundial. Após aceder aos arquivos desse clube secreto, Thierry Meyssan demonstra que essa é uma falsa pista utilizada para esconder a verdadeira identidade e funções do grupo: o Bilderberg é uma criação da NATO. Tem por objetivo convencer líderes e, através desses, manipular a opinião pública para aderir aos conceitos e ações da Aliança Atlântica.

Todos os anos, desde 1954, uma centena das mais eminentes personalidades vindas da Europa Ocidental e América do Norte reúnem-se – à porta fechada e sob extrema proteção – no “Grupo Bilderberg”. O seminário tem a duração de três dias e nada transparece dos seus debates. Desde o desmantelamento da União Soviética, jornalistas têm-se interessado sobre essa organização elitista e secreta. Alguns autores viram, nesse grupo, o embrião de governo mundial, atribuindo-lhe as principais decisões políticas, culturais, econômicas e militares da segunda metade do século XX. Essa é interpretação apoiada por Fidel Castro, mas nunca confirmada nem negada.

Para saber o que é ou o que não é o “Grupo Bilderberg”, procurei documentos e testemunhos. Obtive acesso integral aos arquivos do período 1954-1966 e a numerosos documentos posteriores. Conversei com um dos antigos convidados do grupo, que conheço já há muito tempo. Nenhum jornalista, até hoje, e muito menos os autores famosos que escreveram a respeito desses clichês atuais, teve acesso a tanta documentação interna do Bilderberg. Aqui está o que descobri e compreendi.

A PRIMEIRA REUNIÃO

Primeira reunião do Grupo, no hotel Bilderberg (1954)
Setenta personalidades, vindas de 12 países, participaram na primeira reunião do Grupo. Tratou-se de seminário de três dias, de 29 a 31 de Maio 1954, realizado perto de Arnhem (Holanda). Os convidados foram repartidos em dois hotéis vizinhos, mas os debates foram realizados no local principal que deu o nome atual ao Grupo. Os convites, em papel timbrado do Palácio de Soestdijk, são bastante obscuros: "apreciaria muito a sua presença no congresso internacional, não oficial, a ser realizado na Holanda no final do mês de maio. Essa conferência pretende explorar uma série de questões de grande importância para a civilização ocidental e visa a incentivar o “goodwill” [em português, "boa vontade"] e a compreensão mútua através da livre troca de opiniões."

Os convites contêm a assinatura do Príncipe consorte da Holanda, Bernhard zur Lippe-Biesterfeld, e são acompanhados por várias páginas de informação administrativa sobre transporte e alojamento. O que podemos, também, perceber é que as delegações provêm dos Estados Unidos e de 11 países da Europa Ocidental e que são previstas seis sessões de trabalho de 3 horas cada.

Dado o passado nazista do príncipe Bernhard, que fora membro da cavalaria da SS até o seu casamento em 1937 com a princesa Juliana, e no contexto do macarthismo, torna-se claro que as "questões de grande importância para a civilização ocidental" têm a ver com a luta contra o comunismo.

No local da reunião, os dois presidentes de sessão, o empresário americano John S. Coleman e o ministro cessante dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Paul van Zeeland, recebem os convidados. Coleman é militante do mercado livre, e o ministro Van Zeeland é apoiador da Comunidade Europeia de Defesa (CED). 

Os convidados irão se aperceber de que, a uma extremidade da mesa encontra-se Joseph Retinger, a eminência parda dos britânicos. Tudo isso sugere que as monarquias britânica e holandesa patrocinaram uma reunião em apoio da Comunidade Europeia de Defesa e do modelo econômico do capitalismo de mercado livre, em oposição ao antiamericanismo que os comunistas e gaullistas promoviam. As aparências, porém, enganam. Não se trata de uma campanha pela CED, mas de uma campanha para mobilizar as elites em favor da guerra-fria.

O escolhido para convocar os convidados foi a Sua Alteza Real o Príncipe Bernhard. Isso porque o seu título de príncipe dá-lhe caráter estatal sem ser, no entanto, oficial. Atrás dele, está o verdadeiro promotor do evento: uma organização intergovernamental interessada em manipular os governos de alguns dos Estados que a compõem. Nessa altura, John S. Coleman ainda não se tornou presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, mas acabou de criar a “Comissão dos cidadãos para uma Política Nacional do Comércio” (“Citizen’s Comittee for a National Trade Policy”, CCNTP). Ele afirma que a liberdade absoluta do comércio, isto é, a renúncia de todos os direitos de alfândega, permitirá aos aliados dos EUA aumentar sua própria riqueza e financiar a Comunidade Europeia de Defesa, leia-se, realizar o rearmamento da Alemanha e integrar o seu potencial militar no seio da NATO. Os documentos em nossa posse mostram, porém, que o CCNTP não tem nada de "cidadão" a não ser no nome. É, na realidade, uma iniciativa de Charles D. Jackson, conselheiro em guerra psicológica da Casa Branca. O chefe de operação é William J. Donovan, ex-chefe dos OSS (serviços de inteligência dos EUA criado durante a Segunda Guerra Mundial), agora encarregado de criar uma ramificação EUA dos novos serviços secretos da NATO, o “Gladio”.

Paul van Zeeland não é somente promotor da Comunidade Europeia de Defesa, mas também político experiente. Após a ocupação nazista, presidiu a “Liga Independente para a Cooperação Europeia” (LICE), que visava a criar uma união aduaneira e monetária. Essa organização foi criada pelo já referido Joseph Retinger. O próprio Retinger, que serve como secretário da reunião de “Bilderberg”, serviu durante a guerra nos serviços secretos britânicos (SOE) do general Colin Gubbins. Em exílio no Reino Unido, Retinger, um aventureiro polonês, tornou-se conselheiro do governo de Sikorski. Em Londres, ele entreteve-se com o núcleo influente dos governos o que lhe deu muitos contatos na Europa libertada do fascismo. O seu amigo, Sir Gubbins, deixou oficialmente os serviços secretos britânicos e o estado desmantelou a SOE. Em seguida, dirige uma pequena empresa de tapetes e têxteis, que lhe serve de "cobertura". Na verdade, Gubbins é responsável pela criação do ramo inglês da “Gladio”. Tendo participado de todas as reuniões preparatórias da conferência de Bilderberg, esteve entre os convidados, sentado ao lado de Charles D. Jackson.

Sem que os participantes se apercebam disso, quem se torna o hóspede da reunião de Bilderberg são os serviços secretos da NATO. O príncipe Bernhard, Coleman e Van Zeeland estando à frente. Embora os jornalistas imaginativos que acreditam encontrar no “grupo de Bilderberg” uma agenda de governação global oculta, esse clube influente não é nada mais do que uma ferramenta de pressão (lobbying) que a NATO usa para promover os seus próprios interesses. Isso é muito mais grave e muito mais perigoso, porque assim é a NATO que pretende tornar-se um governo mundial, garantindo a perenidade do status quo internacional e da influência dos EUA.

Além disso, a segurança das reuniões do “Grupo Bilderberg” realizadas posteriormente não estará mais nas mãos da polícia do país hóspede, mas por soldados da NATO. Entre os 10 discursantes, estão dois ex-primeiros-ministros (Guy Mollet, da França, e o italiano Alcide de Gasperi), três responsáveis do “Plano Marshall”, o falcão da Guerra-fria Paul H.Nitze e, acima de tudo, um poderoso financeiro, David Rockefeller.

David Rockefeller
De acordo com os documentos preparatórios, duas dezenas de participantes são mantidos em segredo. Esses sabem quem são os convidados manda-chuvas e prepararam os seus discursos de antemão. Até os mais pequenos detalhes são fornecidos e não se deixou o menor espaço para improvisação. Por sua vez, os outros cerca de cinquenta participantes ignoram completamente o que está acontecendo. Foram escolhidos para exercer influência sobre os governos e opinião pública nos seus países. Assim, o seminário foi organizado para convencê-los a envolver-se na difusão da mensagem que se quer divulgar. Em vez de se abordar as grandes questões internacionais, analisa-se a suposta estratégia ideológica dos soviéticos e explica-se o método a ser utilizado para combatê-la num "mundo livre".

As primeiras intervenções avaliaram a ameaça comunista. Os "comunistas conscientes" são indivíduos que tentam colocar o seu país a serviço da União Soviética para impor ao mundo um sistema coletivista. E deve-se lutar contra eles. Mas é luta difícil porque esses "comunistas conscientes" estão espalhados por toda a Europa comunista numa massa de eleitores que ignora esses objetivos sinistros e que segue esperança de melhores condições sociais. A retórica endurece gradualmente. O "mundo livre" deve enfrentar a "conspiração comunista mundial", não só em geral, mas também dando resposta a problemas específicos relacionados com investimentos dos EUA na Europa e sobre a descolonização. Por fim, os oradores irão abordar o problema principal, ou seja, que os soviéticos estão explorando povos para seu proveito.

Por razões históricas e culturais, os políticos do "mundo livre" usam argumentos diferentes nos EUA e na Europa, argumentos que, por vezes, são contraditórios. O caso mais emblemático é o dos expurgos organizados pelo senador McCarthy, nos Estados Unidos. Esses são essenciais para salvar a democracia, mas o método é visto na Europa como forma de totalitarismo.

A mensagem final é que não há compromisso ou negociação diplomática possível com os "Vermelhos". É necessário impedir, custe o que custar, os comunistas de ter papel ativo na Europa ocidental. Terá, no entanto que se agir com astúcia. Como não se pode prendê-los ou matá-los, deve-se neutralizá-los com discrição, sem que os eleitores se apercebam disso.

Portanto, a ideologia desenvolvida gira em torno da NATO e do “Gladio”. Nunca foi dito que se iria falsificar eleições ou que os ‘mornos’ seriam assassinados, mas todos os participantes admitiram que, para salvar o "mundo livre", deve-se colocar a liberdade entre parênteses.

Embora a proposta de Comunidade Europeia de Defesa (CED) tenha caído por terra três meses mais tarde, devido aos golpes dos deputados comunistas e "extremistas nacionalistas", isto é, os gaullistas, a reunião foi considerada um sucesso. O objetivo não era realmente apoiar a criação da CED nem qualquer medida política em particular, mas divulgar uma ideologia da classe dominante e, em seguida, passá-la através dessa classe para o resto da sociedade. Objetivamente, os cidadãos da Europa Ocidental estavam cada vez menos conscientes sobre as liberdades que perdiam e estavam cada vez mais informados acerca da falta de liberdade sentida na Europa Oriental.

O GRUPO BILDERBERG TORNA-SE UMA ORGANIZAÇÃO

A segunda conferência é organizada, em França, de 18 a 20 de Março de 1955 na aldeia de Barbizon. De forma gradual, a ideia impõe que essas conferências terão lugar todos os anos e que são necessárias para formar um secretariado permanente.

O príncipe Bernhard afasta-se da organização após o seu envolvimento num caso de tráfico de influência (o escândalo da propina que recebera da Lockheed-Martin na compra de aviões C-130). Então, cede a presidência ao ex-primeiro-ministro britânico Alec Douglas-Home (1977-1980). O presidente do “Grupo Bilderberg” irá ser depois o ex-chanceler e presidente da Alemanha Ocidental, Walter Scheel (1981 a 1985), o ex-governador do Banco da Inglaterra, Eric Roll (1986-1989), ex-Secretário Geral da OTAN Peter Carrington (1990-1998) e finalmente o ex-vice-presidente da Comissão Europeia Etienne Davignon (desde 1999).

Etienne Davignon, Secretário-geral do Grupo Bilderberg
Durante muito tempo, o presidente do “Grupo Bilderberg” era assistido por dois secretários, um para a Europa e Canadá, estados vassalos, e um para os Estados Unidos, o monarca. Mas, agora, existe apenas um secretário-geral, desde 1999.

De um ano para outro, os debates são muito repetitivos. É por isso que os convidados vão sendo diferentes. Há sempre um núcleo que é responsável pela preparação do seminário com antecedência e outros que vêm pela primeira vez, a quem é inculcada a retórica atlantista do momento. Atualmente, o encontro anual reúne mais de 120 participantes, um terço dos quais são membros do núcleo. A aliança atlântica seleciona-os em função da importância das suas relações e capacidade de influência, independentemente das funções exercidas na sociedade. Assim, permanecem membros do núcleo, mesmo quando mudam de emprego. Veja a seguir a lista exata do núcleo, incluindo os membros do Conselho de Administração, servindo como vitrine para os hóspedes e alguns membros que permanecem menos visível para não assustar os novos:

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO

--Josef Ackermann Banqueiro suíço, diretor do Deutsche Bank, vice-presidente do Fórum de Davos.
--Roger C. Altman American Banker, um ex-assessor para as campanhas de John Kerry e Hillary Clinton, diretor do banco de investimento Evercore Partners Inc.
--Francisco Pinto Balsemão O ex-primeiro-ministro socialista de Portugal (1981-1983), presidente fundador da principal emissora portuguesa - o grupo SIC. (T)
--Fran Bernabè Banqueiro italiano, o atual proprietário da Telecom Italia (T)
--Henri de Castries Presidente e CEO da companhia de seguros francesa AXA
--Juan Luis Cebrián Diretor do grupo espanhol Prisa impressão e televisão.
--W. Edmund Clark Canadense banqueiro, presidente da Toronto-Dominion Bank Financial Group
--Kenneth Clarke O ex-vice-presidente da British American Tobacco (1998-2007), ministro britânico dos Negócios Estrangeiros e ministro da Justiça, vice-presidente do Movimento Europeu Reino Unido.
--George A. David Presidente e CEO da Coca-Cola.
--Étienne Davignon Empresário belga, antigo vice-presidente da Comissão Europeia (1981-1985), atualmente vice-presidente da Suez-Tractebel.
--Anders Eldrup Diretor-presidente da empresa dinamarquesa Dong Energy petróleo e gás.
--Thomas Enders Diretor da Airbus.
--Victor Halberstadt Professor de Economia na Universidade de Leiden, atua como diretor de várias empresas como a Goldman Sachs e Daimler-Chrysler.
--James A. Johnson Financista americano, foi um dos chefes do Partido Democrata e foi um dos arquitetos da posse de Barack Obama. Ele é vice-presidente da Perseus banco de investimento.
--John Kerr of Kinlochard O ex-embaixador britânico em Washington, vice-presidente do grupo petrolífero Shell holandês real (T)
--Klaus Kleinfeld Alemão presidente e CEO da gigante Alcoa EUA.
--Mustafa V. Koç Presidente e CEO da Koç Holding, empresa líder na Turquia.
--Marie-Josée Drouin-Kravis Colunista sobre questões econômicas na mídia impressa e televisiva do Canadá. Investigadora no extremamente militarista Hudson Institute. É a terceira esposa de Henry Kravis.
--Jessica T. Mathews Ex-diretor de assuntos globais no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Atual diretor da Fundação Carnegie.
--Thierry de Montbrial Economista, diretor fundador do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI) e da Conferência de Política Mundial.
--Mario Monti Economista italiano, ex-comissário europeu para a concorrência (de 1999 a 2005), co-fundador do Grupo Spinelli do federalismo europeu.[Atual Primeiro-Ministro da Itália]
--Egil Myklebust Ex-presidente do conselho norueguês, diretor da Scandinavian Airlines System (SAS).
--Matthias Nass Vice-Diretor do jornal alemão Die Zeit
--Jorma Ollila Empresário finlandês, ex-presidente e CEO da Nokia, atual presidente do grupo petrolífero Shell holandês real.
--Richard N. Perle Ex-presidente do Conselho Consultivo de Defesa do Pentágono. É um dos principais líderes dos “straussianos” (discípulos de Leo Strauss) e, portanto, figura importante dos neoconservadores.
--Heather Reisman Mulher de negócios canadense, Diretora-presidente geral do grupo de edição Indigo-Chapters.
--Rudolf Scholten Ex-ministro das Finanças da Áustria, o governador do Banco Central.
--Peter D. Sutherland Ex-comissário europeu irlandês para a concorrência. Foi então diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Atual presidente da Goldman Sachs Internacional. Ex-presidente da seção europeia da Comissão Trilateral e vice-presidente da Mesa Redonda Europeia dos Industriais, hoje presidente honorário do Movimento Europeu em Portugal.
--J. Martin Taylor O ex-deputado britânico, presidente e CEO da gigante de alimentos e atividades químicas Syngenta.
--Peter A. Thiel EUA-chefe corporativo, Presidente e CEO da PayPal, presidente da Clarium Capital Management e, por causa dessa posição, acionista do Facebook.
--Daniel L. Vasella Presidente e CEO do grupo farmacêutico suíço Novartis.
--Jacob Wallenberg Banqueiro sueco, administrador de várias empresas multinacionais.

MEMBROS ESCONDIDOS DO NÚCLEO

--Carl Bildt O ex-primeiro-ministro liberal da Suécia (1991-1994), ex-enviado especial da União Europeia e, posteriormente, das Nações Unidas nos Balcãs (1995 a 1997 e de 1999 a 2001), atual ministro sueco das Relações Externas. (T)
--Oscar Bronner Presidente e CEO do jornal austríaco Der Standard .
--Timothy C. Collins Financista americano, diretor do fundo de investimento Ripplewood. (T)
--John Elkann Presidente e CEO da montadora italiana Fiat (seu avô Gianni Agnelli foi, há 40 anos, um dos promotores do Grupo de Bilderberg. Ele herdou a fortuna da família após a morte, por causas naturais, do seu avô Giovanni e da morte prematura de seu tio Edoardo, que se havia convertido ao islamismo xiita. Existe uma convicção, segundo a polícia, que Edoardo foi assassinado para que a fortuna fosse devolvida ao ramo judaico da família).
--Martin S. Feldstein O ex-conselheiro econômico de Ronald Reagan (1982-1984) e atual conselheiro econômico de Barack Obama. Ele também foi assessor de George W. Bush para os serviços de informação externa. Ele leciona em Harvard. (T)
--Henry A. Kissinger Ex-conselheiro de segurança nacional e anterior secretário de estado dos EUA, o personagem central do complexo militar-industrial dos EUA, agora presidente da firma de consultoria Kissinger Associates.

Henry Kissinger é o principal responsável pelos convites do Grupo Bilderberg
--Henry R. Kravis Financeiro dos fundos de investimento KKR. É um dos principais angariadores de fundos do Partido Republicano.
--Neelie Kroes Ex-ministra holandesa dos Transportes, comissária europeia para a concorrência e atual comissária para a sociedade digital.
--Bernardino Léon Gross Diplomata espanhol, secretário-geral da presidência do governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero.
--Frank McKenna Ex-membro do Conselho de Fiscalização dos serviços de inteligência do Canadá, Embaixador do Canadá em Washington (2005-2006), vice-presidente de Toronto-Dominion Bank.
--Beatrix des Pays Bas Rainha da Holanda. Ela é filha do príncipe Bernhard.
--George Osborne Ministro das Finanças britânico. É considerado neoconservador eurocéptico, o que implica que se opõe à integração do Reino Unido à União Europeia, embora ele favoreceu a organização do continente na UE.
--Robert S. Prichard Economista canadense, diretor do grupo de imprensa e audiovisual Torstar.
--David Rockefeller É o patriarca de uma longa dinastia de financeiros e decano do núcleo do Grupo de Bilderberg. Ele também é presidente da Comissão Trilateral, uma organização semelhante envolvendo participantes asiáticos.

David Rockefeller, conselheiro do Grupo Bilderberg
--James D. Wolfensohn Financeiro australiano que adotou a cidadania EUA para se tornar presidente do Banco Mundial (1995-2005). Atual director da empresa de aconselhamento Wolfensohn & Co.
--Robert B. Zoellick Diplomata EUA, ex-delegado da U. S. Commerce (2001-2005), atual presidente do Banco Mundial.

Os membros do “Bilderberg Group” não implicam as empresas do grupo ou instituições em que trabalham. É, no entanto, interessante notar a diversidade de setores em que operam.

O LOBBY DA ORGANIZAÇÃO MILITAR MAIS PODEROSA DO MUNDO

A quantidade de temas abordados nas reuniões anuais do “Grupo de Bilderberg” tem sido crescente nos últimos anos, segundo a imprensa internacional. Mas isso não nos diz nada de novo, uma vez que tais discussões não são em si mesmas objetivas. Apenas servem como pretextos para fazer passar mensagens. Infelizmente, não tivemos acesso aos documentos preparatórios mais recentes e, por isso, só podemos deduzir quais são os slogans que a NATO visa disseminar por meio desses líderes de opinião.

A reputação do “Grupo Bilderberg” tem levado alguns a lhe atribuírem capacidades de nomeação. Isso é um absurdo, e também esconde a identidade de quem realmente puxa as cordas dentro da aliança atlântica.

Diz-se, por exemplo, que durante a campanha da mais recente eleição presidencial, Barack Obama e Hillary Clinton desapareceram por um dia inteiro, a 06 de Junho de 2008, para negociar um fim à sua rivalidade.

Barack Obama e Hillary Clinton
Na verdade, estiveram presentes na conferência anual do “grupo Bilderberg” na cidade dos EUA de Chantilly, na Virgínia. No dia seguinte, a Sra. Clinton anunciou a sua saída da corrida presidencial. Alguns autores concluíram, então, que a decisão fora tomada durante a reunião do “Grupo de Bilderberg”, o que é ilógico, na medida em que essa decisão já tinha sido tomada três dias antes, devido ao número de votos que o senador Obama tinha obtido junto à comissão de investidura do Partido Democrata.

Segundo a nossa fonte, o que aconteceu naquele dia foi outra coisa. Barack Obama e Hillary Clinton se reuniram para celebrar um acordo político e financeiro. O senador Obama injetou fundos nas caixas da sua adversária e lhe ofereceu um cargo no seu governo. Hillary Clinton rejeitou a vice-presidência, mas escolheu o Departamento de Estado em troca de seu apoio ativo na campanha contra o candidato republicano. James A.Johnson apresentou os dois líderes na conferência de Bilderberg, onde ambos asseguraram aos participantes que iriam trabalhar juntos. Há muito tempo que Barack Obama era o candidato da NATO. Obama e sua família sempre trabalharam para a CIA e para o Pentágono. Além disso, os fundos iniciais para sua campanha foram fornecidos pela coroa da Inglaterra, pelo empresário Nadhmi Auchi. Apresentando o senador negro aos participantes da reunião de Bilderberg, a aliança atlântica organizava, para o futuro presidente dos Estados Unidos, as relações públicas em escala internacional.

Também foi relatado que o “Grupo de Bilderberg”, realizara um jantar não previsto, fora do âmbito do seminário, tendo lugar a 14 de Novembro de 2009 no castelo de Val Duchesse, pertencente ao rei da Bélgica. O ex-primeiro-ministro belga Herman van Rompuy fez um discurso na ocasião. Cinco dias depois, Van Rompuy foi eleito presidente do Conselho Europeu. Novamente, vários autores concluíram erroneamente que o “Grupo Bilderberg” o tinha "colocado no cargo".

De fato, o presidente da União Europeia não podia ser uma personalidade, não fazendo parte dos círculos da NATO. É importante lembrar que a própria União Europeia é o resultado das cláusulas secretas do Plano Marshall. Portanto, a pessoa escolhida deve ter o apoio dos Estados membros da NATO. É uma decisão que exige longas negociações, e não simplesmente um jantar entre amigos.

Ainda de acordo com nossa fonte, o presidente do “Grupo Bilderberg”, Etienne Davignon, convocou inesperadamente esse jantar para apresentar Van Rompuy a seus vetores de influência. Isso tornou-se ainda mais indispensável, visto que o homem escolhido para se tornar o primeiro presidente da União Europeia, cargo que tinha acabado de ser criado, era um completo desconhecido fora do seu país. Durante o jantar, o Sr. Van Rompuy apresentou o seu programa para a criação de um imposto europeu para financiar diretamente as instituições da União Europeia sem passar pelos Estados-Membros. O papel dos participantes na reunião do “Grupo Bilderberg” não era outro senão clamar que já conheciam Herman Van Rompuy, e que tinham sido testemunhas de suas qualidades como presidente da UE.

Por isso, a realidade sobre o “Grupo Bilderberg” é menos romântica do que alguns autores de sucesso têm imaginado. A incrível demonstração de forças militares para garantir a sua segurança é tanto destinada a proteger como também para impressionar os participantes. Não se manifesta o seu poder, mas mostra-se que o único e verdadeiro poder no Ocidente é a NATO. E aos participantes exige decidir se vão apoiar ou se vão combater, estando sujeitos a serem esmagados.

Além disso, apesar de ter desenvolvido no início uma retórica anticomunista, o “Grupo de Bilderberg” não era antissoviético, nem é hoje antirrusso. O que ele faz é seguir uma estratégia da Aliança Atlântica que não é um pacto contra a Rússia, mas destina-se à defesa e, se possível, à extensão da zona de influência de Washington. Na época de sua criação, a NATO esperava poder integrar a União Soviética, o que implicaria um compromisso de Moscou de não pôr em causa a partilha do mundo, resultado das conferências de Yalta e Potsdam. Recentemente, a aliança atlântica acolheu o presidente russo, Dmitry Medvedev, na “Cimeira de Lisboa” e propôs-lhe que a Rússia se juntasse a ela. Não se trataria de relação de vassalagem, mas de reconhecimento da “Nova Ordem Mundial”, em que a Europa Central e Oriental já orbitam à volta dos EUA. A adesão da Rússia, de certo modo, declarava uma espécie de tratado de paz: Moscou reconheceria a sua derrota na Guerra Fria e uma nova partilha do mundo.

Nesse caso, o “Grupo Bilderberg” convidaria também personalidades russas para as reuniões anuais. Não se pediria para influenciar a opinião pública russa de forma a americanizá-la, mas para convencê-la a renunciar, definitivamente, aos sonhos de grandeza do passado.

FONTE: escrito por Thierry Meyssan, analista político, fundador do “Réseau Voltaire”. Último livro publicado: “L’Effroyable imposture 2” (A remodelação do Oriente Próximo e a guerra israelense contra o Líbano).  (http://www.voltairenet.org/article169624.html) Voltaire, 29 de abril de 2011. Transcrição  (http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1441421&tknOrigem=1&tknSearchIdLog=4129173&tknRanking=1&sid=8787691371342533391942860&k5=1C9830C3&uid=) e  (http://carcara-ivab.blogspot.com/2011/05/aquilo-que-voce-nao-sabe-sobre-o-grupo.html)

“A Verdadeira Historia Do Clube Bilderberg”
Autor: Estulin, Daniel
Editora: Planeta do Brasil
Assunto: História Geral

[Imagens do Google adicionadas por este blog ‘democracia&política’. Postagem por sugestão do leitor Probus].