sexta-feira, 27 de junho de 2008

MOEDA ÚNICA PARA O BRASIL E A ARGENTINA

A agência BBC Brasil divulgou hoje a notícia da proximidade da adoção de moeda única nos dois países. Vejamos a informação postada pela Folha Online (trechos selecionados):

BRASIL E ARGENTINA ESTÃO 'A UM PASSO DA UNIÃO MONETÁRIA', DIZ 'PÁGINA 12'

“O Brasil e a Argentina estão a um passo da unificação monetária, diz uma matéria publicada na edição desta sexta-feira do jornal argentino Página 12.

O diário comenta o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a adoção, a partir de setembro, do sistema que eliminará o dólar nas transações bilaterais e irá substituir a moeda americana por moedas locais - peso e real.

(...) "A eliminação do dólar em transições bilaterais é considerada como um passo para a adoção de uma moeda única em ambos os países, algo que não agrada muito os membros menores do bloco", diz o jornal.

O Página 12 cita uma declaração do presidente Lula feita em maio deste ano na qual ele afirma que os avanços no processo de desdolarização entre os dois países asseguram que Brasil e Argentina estariam a um passo de "um banco central e de uma moeda única".

De acordo com o diário argentino, os primeiros testes sobre o funcionamento do novo sistema serão realizados já na semana que vem e o dólar será substituído gradualmente a partir de setembro.”

RECORDE DE CLIENTES DA BLOGOSFERA NO BRASIL

A agência estatal espanhola de notícias “EFE”, principal provedora de serviços informativos para os meios de comunicação nos países de idioma espanhol, informou hoje, conforme publicado pelo portal UOL há meia hora, a seguinte notícia sobre o atingimento de novo recorde no Brasil, segundo o IBOPE: a quantidade de pessoas com acesso à internet. Transcrevo:

BRASIL TEM MAIS DE 40 MILHÕES DE INTERNAUTAS, DIZ IBOPE

“O Brasil atingiu em maio o número recorde de 41,5 milhões de pessoas com acesso à internet, o que representa 22,5% da população, conforme divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

A divisão NetRatings do Ibope assinalou também que o número de pessoas com acesso residencial chegou a 35,5 milhões, sendo metade delas com conexão de banda larga.

Segundo o estudo, as políticas de inclusão digital e a expansão dos serviços oferecidos foram responsáveis pelo crescimento no número de internautas maiores de 16 anos.

Em maio, o usuário de internet brasileiro continuou a ser o que mais tempo navegou [no mundo] com uma média de 23 horas e 48 minutos por pessoa, número superior ao tempo utilizado na rede por japoneses e americanos.

No primeiro trimestre do ano, as vendas de computadores cresceram 2,82%, dados que deixam o Brasil como quinto mercado mundial no setor, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Reino Unido.

O investimento propagandista na internet, entre as empresas que anunciam no Brasil, cresceu 36% entre janeiro e março em relação o primeiro trimestre de 2007.”

MAIS UM RECORDE BRASILEIRO: RESERVAS INTERNACIONAIS

Agora à tarde, o portal UOL Economia divulgou outra boa notícia para a economia brasileira (com informações da agência Reuters e do portal Valor Online). Segundo informado pelo Banco Central, as reservas internacionais do Brasil superaram a marca inédita de US$ 200 bilhões. Transcrevo a boa-nova:

“RESERVAS INTERNACIONAIS SUPERAM US$ 200 BI PELA PRIMEIRA VEZ”

“As reservas internacionais do Brasil superaram a marca inédita de US$ 200 bilhões, informou o Banco Central nesta sexta-feira. De acordo com a instituição, o país registrava US$ 200,231 bilhões em reservas em 26 de junho. No dia anterior (25), a posição era de US$ 199,008 bilhões.

O montante atual é 11% maior do que o de 31 de dezembro do ano passado (US$ 180,33 bilhões). As reservas cresceram com a compra diária de dólares pelo Banco Central no mercado de câmbio.

Apesar de a autoridade monetária ter atuado bem menos no mercado interno de câmbio neste semestre em relação ao ano passado, as aquisições líquidas em leilão até maio somavam US$ 13,2 bilhões. Entre janeiro de 2004 quando iniciou a compra de dólares para dar robustez às reservas, o BC adquiriu até o fim maio um total de US$ 152,9 bilhões.

O acúmulo de reservas fortalece a posição do país frente a crises externas, lembrou nesta semana o diretor de Política Econômica do BC, Mario Mesquita.

O montante é usado para mostrar que o Brasil é capaz de pagar sua dívida externa, ou seja, que o risco de investir no país não é elevado.

O aumento das reservas foi um dos fatores indicados pela agência de classificação de risco Standard & Poor's para atribuir ao país a nota de grau de investimento, em 30 de abril.

RESERVAS TÊM CUSTO

Para manter as reservas o país paga um preço. O que o governo brasileiro acumula em moeda forte estrangeira é aplicado no exterior em títulos soberanos de países ricos, como os Estados Unidos, e em outras aplicações mais conservadoras, mas com rentabilidade garantida

Com essas aplicações, o governo é remunerado com juros relativamente baixos (nos EUA, a taxa básica está em 2% ao ano). Em 2008, a previsão é de que o país ganhe quase US$ 8 bilhões com os rendimentos das reservas.

Ao mesmo tempo, o governo remunera com juros altos (a taxa básica nacional está em 12,25% ao ano) os investidores que compram títulos brasileiros."

REVISTA BRITÂNICA DEFENDE O ETANOL BRASILEIRO

O último número da “The Economist”, o que chegou às bancas hoje, elogia o etanol brasileiro no artigo intitulado "Lean, green and not mean" ("Enxuto, verde e bom"). Li essa notícia da agência BBC Brasil no portal UOL. Transcrevo:

'ECONOMIST' DEFENDE FIM DA TARIFA DOS EUA AO ETANOL DO BRASIL

“A revista britânica "The Economist" traz na edição que chega às bancas nesta sexta-feira um artigo em que elogia o etanol brasileiro, dizendo que o combustível é alvo de críticas injustas, e defende o fim da tarifa imposta pelos Estados Unidos à importação do combustível produzido no Brasil.

Intitulado "Lean, green and not mean" ("Enxuto, verde e bom", em tradução livre), o texto disse que os argumentos em favor do fim da tarifa de US$ 0,54 por galão (cerca de R$ 0,22 por litro) "foram fortalecidos pela alta no preço do petróleo e pelas enchentes que destruíram as lavouras de milho no Meio Oeste" dos Estados Unidos, usadas para produzir etanol no país.

"Isso fez com que os preços do milho subissem muito e tornou a idéia de subsidiar a lavoura para produzir etanol uma idéia ainda pior do que era antes, visto que, em vez disso, há um etanol mais verde e barato que os Estados Unidos poderiam comprar do Brasil."

A revista defende o etanol brasileiro das críticas mais comuns feitas a ele, como a de que a produção do biocombustível teria colaborado para o aumento mundial no preço dos alimentos e incentiva produtores a devastar trechos de floresta amazônica para aumentar sua área para plantação.

"Tais preocupações são aparentemente prematuras", diz o artigo, argumentando que a área reservada para produção extensiva de gado é muito maior que a dedicada à cana e que a lavoura pode aproveitar áreas de pasto degradadas com "pouco ou nenhum efeito sobre o preço da carne".

"PROTECIONISTAS HIPÓCRITAS"

Além disso, a revista diz que a maior parte do etanol brasileiro é produzida em canaviais "a milhares de quilômetros da Amazônia, no Estado de São Paulo ou no Nordeste".

A "Economist" reconhece que, no Brasil, os trabalhadores que atuam na colheita da cana enfrentam condições duras e que houve casos de pessoas sendo submetidas a condições de semi-escravidão - outra crítica feita à produção do etanol no Brasil.

"O corte da cana é um trabalho de quebrar as costas, e todo ano algumas pessoas morrem durante a colheita", diz o artigo, que ressalta, entretanto, que outros tipos de lavoura matam mais trabalhadores rurais no Brasil.

O texto conclui dizendo que, para os brasileiros, os estrangeiros que defendem barreiras ao etanol em nome do meio ambiente ou da alta dos alimentos são "protecionistas à antiga em um disfarce hipócrita" e que a tarifa "deve acabar".”

BUSH, RUMSFELD E CHENEY IRÃO PARA A PRISÃO?

O site “Direto da Redação” postou ontem (26/06) um bom artigo de John Hemingway escrito no Canadá, Montreal, sobre a impunidade quanto aos crimes de homicídio cometidos pelas autoridades máximas do governo dos Estados Unidos.

John Hemingway é escritor, tradutor e historiador formado pela Universidade da Califórnia (UCLA). É neto do famoso escritor Ernest Hemingway.

Transcrevo parte do referido artigo. A parte omitida trata do episódio de Watergate em 1973, que resultou na renúncia de Nixon, que o autor julga que recebeu, pelo menos, alguma punição:

“ANTES E AGORA”

(...) “Na semana passada, o Comitê das Forças Armadas do Senado ouviu o depoimento de um militar sobre tortura de prisioneiros de guerra. Um dos mais duros comentários que surgiram a partir da audiência veio do Major-General aposentado Antonio Taguba.

Taguba foi designado pelo Pentágono para investigar os escândalos de torturas em Abu Ghraib e Guantânamo, e ele está mais convencido do que nunca de que graves violações dos direitos humanos foram cometidas pelo governo dos Estados Unidos.

Com base em um relatório elaborado pelo grupo Médicos para os Direitos Humanos, Taguba afirmou: "Depois de anos de descobertas pelas investigações do governo, pelos meios de comunicação social e relatórios de organizações dos direitos humanos, já não há qualquer dúvida quanto aos crimes de guerra cometidos pelo atual governo. A única pergunta que permanece sem resposta é se quem ordenou o uso da tortura, será responsabilizado por isso”.

Agora, trata-se de um homem que foi um militar de carreira e alguém que ainda estaria servindo ao Exército se não tivesse sido forçado a se aposentar, porque ele disse a verdade, em 2004. Sua afirmação é o mesmo exemplo de grandeza moral que orientou os congressistas em 1973, e se os politicos atuais da América fossem remotamente como os dos anos setenta, com certeza Bush e seus asseclas seriam expulsos da Casa Branca.

Não só isso, cometer crimes de guerra é uma ofensa federal por causa de tratados internacionais contra a tortura assinados pelos EUA. Assim, além de ver Bush e Cheney expulsos de seus cargos, também teríamos o prazer de vê-los julgados por homicídio. Muitos homens morreram nas prisões clandestinas dos neoconservadores e, no passado, quando alguém cometia um assassinato nos Estados Unidos pagava seu crime com a própria vida.

Mas não é mais assim. A América tornou-se uma nação que perdoa, pelo menos no que diz respeito aos poderosos.

Ninguém jamais mandará Bush ou Rumsfeld ou Cheney para a prisão. Eles são a lei, não estão somente acima dela. Eles representam o sistema na sua totalidade, Democratas incluídos.”

INFLAÇÃO BRASILEIRA E MUNDIAL

(Folha de São Paulo, 26 de junho 2008)

O autor, Paulo Nogueira Batista Jr., é Diretor-executivo no FMI e lá representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

Transcrevo o artigo. Para simplificar, este blog omitiu trechos iniciais, fora do foco “inflação”:

(...) “Até que ponto é grave a inflação que estamos experimentando em 2008? O brasileiro já estava até se acostumando com certa estabilidade monetária. Cabe reagir com dureza e jogar a economia na recessão? É o caso de continuar aumentando os juros e correr o risco de derrubar o crescimento econômico?

Bem. A preocupação com a alta dos preços se justifica, não há dúvida. A taxa de inflação medida pelo IPCA subiu para 5,6% nos 12 meses até maio. A inflação relevante para os mais pobres aumentou mais, uma vez que a alta recente vem sendo comandada pelos alimentos, que pesam no orçamento das famílias de baixa renda.

Conviria, diga-se de passagem, corrigir o Bolsa Família não pelo IPCA ou mesmo pelo INPC, mas por um índice que refletisse a estrutura de gastos da população pobre. Isso é melhor do que dar subsídios generalizados retardando os reajustes de preços controlados ou monitorados.

É preciso colocar o problema da inflação brasileira em perspectiva.
Neste momento, a inflação está subindo em quase todos os países. O rápido aumento dos alimentos, do petróleo e de outras matérias-primas é o maior choque de preços na economia mundial desde a década de 1970. A inflação aumentou em 40 das 42 principais economias do mundo.

A inflação brasileira não é alta para padrões internacionais. Está apenas um pouco acima da inflação nos EUA (4,2%) e na zona do euro (3,7%). É mais baixa do que a que se observa na grande maioria dos países em desenvolvimento. Entre os principais países de mercado emergente, só o México e a Coréia do Sul registram inflações inferiores à brasileira.

Fez-se muito barulho em torno do fato de que a inflação ultrapassou o centro da meta oficial em 2008, que é de 4,5%. Não se pode perder de vista, entretanto, que o regime brasileiro de metas para a inflação tem alguma flexibilidade, que foi sabiamente preservada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), contrariando algumas opiniões domésticas (setores do BC e do mercado) e estrangeiras (FMI). A inflação continua abaixo do teto da meta, que é de 6,5%.

Em junho de 2007, logo antes do início do choque de preços externos, havia quem preferisse reduzir o centro da meta de inflação para 4% em 2009 e o intervalo de tolerância de 2 pontos percentuais para 1,5 ponto para cima e para baixo do centro da meta. Prevaleceu a decisão de preservar a flexibilidade, o que veio a calhar dada a intensidade do choque externo de preços desde o segundo semestre de 2007.

A propósito, o CMN terá de fixar até o fim deste mês a meta e o intervalo de tolerância para 2010. Espero que um acesso de "machismo monetário" não leve o CMN a aceitar, desta vez, sugestões de diminuição da meta e do intervalo. Nas circunstâncias atuais, é mais razoável manter a meta em 4,5% e o intervalo em 2 pontos.

Dos países que adotam o regime de metas, o Brasil é um dos poucos que estão conseguindo cumprir a meta. Na grande maioria, a inflação ultrapassou o teto fixado, em alguns casos por larga margem.

Em resumo, a inflação brasileira requer cuidados, mas não há motivos para pânico ou reações radicais da política monetária.”

ATENTADO SUICIDA DA MÍDIA: TERRORISMO SOBRE A INFLAÇÃO

Esta semana, a imprensa publicou manifestação do ex-senador do DEM-PFL Jorge Konder Bornhausen. O ex-presidente dos “Democratas” (sic) expressou que o seu partido pretende ganhar as eleições criticando o recrudescimento da inflação e culpando exclusivamente o governo Lula por isso.

Dentro dessa pauta “conservadora”, a grande mídia brasileira já desenvolve há muitos dias uma intensa campanha de alarme e terror sobre os males que os pobres já estariam sofrendo por conta da inflação.

Essa união de esforços da imprensa para o objetivo político da volta da direita (PSDB/DEM e colaboradores, como o PPS) ao poder é um suicídio terrorista. Todos, sem exceção, sofreremos com inflação elevada.

A inflação ocorre por fatores objetivos, mas é fortemente auto-alimentada por fatores subjetivos, como pelo sentimento magnificado pela mídia de que há crescente inflação e de que precisamos nos defender dela aumentando os preços dos nossos respectivos produtos ou serviços. O processo, assim, entra em escalada exponencial.

Um exemplo simplista, por analogia. Imaginemos que os passageiros de um navio não gostem do comandante e comecem a acusá-lo de que o navio é inseguro, tem vazamentos, vai afundar. Para comprovar as acusações e atingir realmente o comandante, os passageiros são levados por líderes a fazer buracos no casco. Naquela campanha, todos morrem juntos.

Será que o DEM/PSDB/Mídia estão divulgando a verdadeira situação da inflação no Brasil e no mundo? Para melhor conhecer o problema, selecionei um esclarecedor artigo de Paulo Nogueira Batista Junior publicado na Folha de São Paulo de ontem (ver próxima postagem, mais acima).