quarta-feira, 19 de agosto de 2015

COLÉGIOS MILITARES: O GEMIDO DOS MEDÍOCRES



Colégio Militar do Rio de Janeiro (fundado em 1889, no Palacete da Babilônia)

Escolas militares: o gemido dos medíocres

Por Paulo André Chenso

"O Colégio Militar foi criado por D. Pedro 2º em 1889, e mantido pela República. Durante 126 anos, nunca se viu qualquer comentário [negativo] sobre essas escolas. 

De repente, descobriram o filão – e como o descobriram? Simples, as escolas militares encabeçam a lista dos melhores desempenhos nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), e isso, parece, incomodou alguns setores da nossa "educação civil". É como se o sucesso dos colégios militares causasse inveja aos colégios civis. 

São 12 colégios do Exército e 93 da Polícia Militar, com um total de mais de 30 mil alunos atendidos. Bastou aparecer na mídia o brilhante desempenho e já emergiram de suas tocas os pseudopedagogos de beira de estrada para criticar o sistema de ensino dos colégios militares.

Na reportagem da [tucana, "pró-mercado"] "Folha de São Paulo" (12/8) afirma-se: o Colégio Militar "padroniza comportamentos", "inibe o questionamento" e "impede criar perspectiva de construção de identidade". Se durante mais de 100 anos foi assim, os colégios militares formaram uma multidão de alienados – que, no entanto, estão dando um show de desempenho. É, realmente, paradoxal.


Sou professor há 42 anos e acompanhei [em outros colégios civis] gerações de alunos do nível médio, e assisti, com imensa tristeza, a deterioração do comportamento, o desinteresse, o aumento da violência, a impossibilidade de se aplicar disciplina mais rigorosa, e necessária, pois, hoje, o aluno já sabe, previamente, que não importa o que aconteça, ele será aprovado. Vi professores sendo agredidos, desrespeitados, às vezes humilhados, e por que não, abandonados pelos próprios órgãos que lhes deveriam dar apoio, como é o caso dos núcleos de ensino, com pareceres quase sempre favoráveis ao aluno. Ora, vendo tudo isso ao longo dos anos, a contínua corrupção (e corrosão) do ensino, com facilitações que chegam às raias do absurdo para justificar, alhures, que aqui não há repetências, e encerramos cada ano com alunos cada vez menos preparados. Como concordar? Alunos do nível médio que escrevem Brasil com z! Que nunca leem nada além de ridículos livrecos empurrados pelas grandes editoras - há um enorme contingente de alunos que chegam ao terceiro colegial sem ter lido um único autor clássico brasileiro. É uma vergonha!

E agora vem a mídia e seus "especialistas" em educação tecer críticas ao único sistema, hoje, que atua na educação do jovem de forma global e completa. Ora, é preciso ver o programa pedagógico desses colégios antes de sair por aí falando asneiras como se fossem os arautos da melhor educação. Se fossem, o ensino não estaria essa tragédia. Sem contar o desinteresse absoluto do Estado, o mísero investimento feito pelo poder público. O verdadeiro abandono das nossas escolas [do "mercado"]. Dispensa comentários.

Não vi entrevistas com os alunos, nem com os pais. Vi declarações, sim, de pessoas que parecem ignorar a real situação de nossas escolas. Ninguém mencionou na imprensa se os milhares de alunos desses colégios militares gostam ou não. É explícito nos regulamentos: caso o aluno não se adapte à disciplina militar, é imediatamente transferido para colégios civis. Ninguém é obrigado a estudar lá. E mais, para estudar nesses colégios, participa-se de um concurso na qual a média de candidatos chega a 22 mil! Será que é mesmo tão ruim, ou são nossos "pedagogos" que estão impregnados com as ideias "supermodernas" introduzidas na educação brasileira nos últimos anos?" 

FONTE: escrito por PAULO ANDRÉ CHENSO, médico e professor em Londrina. Publicado na "Folha de Londrina" em 15-08-2015  (http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1525-20150815&tit=escolas+militares+o+gemido+dos+mediocres). [Foto, legenda e trechos entre colchetes acrescentados por este blog 'democracia&política'].

2 comentários:

Unknown disse...

Brilhante defesa!!! sou oriundo do CM de Salvador e CM de Fortaleza, filho de pai Sargento e mãe Prof. primaria, tenho 52 anos, excelente aluno na minha época, com a base alcançada, passei no vestibular sem cursinho, coisa rara ao meu tempo, fíz depois diversos concursos com aprovações diversas, podendo optar pelo auditor fiscal da receita federa há mais de 20 anos.
Tenho colegas de CMs formados no ITA, IME, AMAN, EN e tantas outras. Não adiantar estes traidores tentarem esculhambar os CMs pq o exército está lá pra blindado, é uma vasta legião de alunos orgulhosos e gratos pelo que receberam.
Fiquei muito feliz há uns 2 anos atrás pq todos os finalistas de um quadro, chamado Soletrando do Luciano Hulck eram de CMs: Porto Alegre, Salvador e Recife
Henrique Barbosa - AFRF, ex-CM, com muita honra e orgulho.

Tereza Braga disse...

Ao Unknown,
Concordo. A qualidade dos CM é notória. Parabéns a você por ter aproveitado o ensino e formação proporcionados pelos ótimos Colégios Militares.
Maria Tereza