sábado, 2 de janeiro de 2010

FALTA DE SENSO: PARA OS DEMOTUCANOS, EM 2009 ELES ADMINISTRARAM SP MUITO BEM!!!

[O endeusamento próprio, a ausência de autocrítica, a falta de sensibilidade para com os problemas da população, especialmente dos mais pobres, e a arrogância constituem parte destacada da mentalidade típica de Kassab (DEM) e Serra (PSDB) e de seus partidos]

"Um ano bom !?!

SÃO PAULO - Políticos tendem a viver num mundo paralelo, no qual os problemas são sempre responsabilidade dos outros. Além disso, a maioria crê (DEM) na existência de um complô geral que impede o reconhecimento de tudo o que foi realizado com "tanto sacrifício pelos injustamente criticados administradores".

Só levando isso em conta para entender a entrevista do prefeito Gilberto Kassab (DEM) publicada na quarta-feira no caderno Cotidiano. Para Kassab, 2009 foi um ano bom para a cidade e para sua administração!

Entre outras coisas, Kassab disse que "nunca foi investido tanto em drenagem quanto na nossa gestão" [porém, não tanto quanto foi despendido para sua propaganda].

Será, então, que os moradores do Jardim Pantanal, que ficaram dias com água podre dentro de casa, estão sendo ingratos quanto criticam o governo municipal? E aqueles que tiveram carros revirados nas ruas alagadas por causa de galerias e bueiros sujos? A indignação deles só ocorre porque não compreendem as prioridades da prefeitura?

Um mínimo deautocrítica, senhor prefeito, é essencial para membros do Executivo. Sem isso, não há como melhorar. Não há como corresponder às expectativas dos cidadãos.
Veja que a imagem de um ano bom não encontra eco na opinião desses cidadãos.

Em novembro do ano passado, a maioria dos paulistanos (56%) julgava a gestão Kassab como ótima ou boa. Já na última pesquisa Datafolha, feita entre 14 e 18 de dezembro, esse índice caiu para 39%. Mais: 13% deram nota zero para a administração municipal.

Como Kassab abriu a caixa de maldades para este ano (IPTU com aumento de 40%, reajuste na tarifa dos ônibus acima da inflação a partir de segunda-feira, taxa de inspeção veicular ainda mais cara e sem devolução), o mais provável é que essa avaliação fique ainda pior na vida real. Já no mundo paralelo..."

FONTE: texto de VAGUINALDO MARINHEIRO publicado na Folha de São Paulo de hoje (02/01/2010) [título e entre colchetes colocados por este blog].

AQUÍFERO GUARANI: O "PRÉ-BASALTO"

A vez do "pré-basalto"

"O Aquífero Guarani não se compara ao petróleo do pré-sal em valor, mas é igualmente estratégico. São 1,2 milhão de km2 de rochas porosas encharcadas, a 1.500 m de profundidade, sob uma espessa camada de lava solidificada na forma de basalto. Este reservatório do tamanho da África do Sul poderia abastecer 400 milhões de pessoas de forma sustentável.

Há cerca de 7.000 poços servidos pelo Guarani registrados no Brasil. Oito Estados repartem 71% da área do aquífero. O restante é partilhado por Argentina (19%), Paraguai (6%) e Uruguai (4%). A recarga desse mar subterrâneo ocorre nas poucas áreas em que aflora a camada de rochas permeáveis, por onde a água da chuva penetra. Sem superexploração nem contaminação por agrotóxicos, o abastecimento pode durar milênios.

Dado o caráter interestadual e multinacional do recurso hídrico, não seria descabido pô-lo sob titularidade da União. Não foi isso, contudo, o disposto pela Constituição, que inclui as águas subterrâneas entre os bens dos Estados. Agora uma proposta de emenda constitucional em curso no Senado prevê que os aquíferos passem para a tutela federal.

O principal efeito dessa mudança seria transferir à União o direito de cobrar pela utilização do recurso, receita que hoje reverte para os governos estaduais. A cobrança, atualmente, é empregada apenas em duas bacias hidrográficas do Sudeste, as dos rios Paraíba do Sul e Piracicaba.

Cidades do porte de Ribeirão Preto, contudo, já são integralmente abastecidas pelo Guarani. Estima-se que a taxação de aquíferos possa render cinco a dez vezes mais que a dos rios. Com a crescente contaminação das águas superficiais, os poços artesianos tendem a se disseminar.

Os Estados não aceitarão perder essa receita promissora. Por outro lado, cumpre prevenir o risco de que administrações estaduais menos responsáveis estimulem a superexploração ou tolerem a poluição das águas profundas. Uma saída para o impasse seria transferir à União apenas o poder de outorga e regulação da exploração -as receitas continuariam estaduais.

O importante não é engordar os cofres da União, mas garantir que o aquífero Guarani permaneça limpo e disponível para as gerações que virão."

FONTE: publicado na Folha de São Paulo de hoje (02/01/2010).

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

QUEM TEM MEDO DO LULA?

"Todas as prevenções possíveis foram propaladas pela imprensa mercantil: “Cuidado, o filme (piegas, para eles, como tudo o que é do povo), tenta pegar você pelo sentimento, pelo sofrimento da mãe nordestina (ainda mais que feita pela cativante Gloria Pires), é um filme populista, a cara desse governo”. Um funcionário da empresa dos Frias (a Força Serra Presidente) diz que prefere Vidas Secas, do Graciliano. (Tem tanto a ver quanto dizer que, aos “2 filhos de Francisco”, eu prefiro Sacco e Vanzetti).

Só para tentar desqualificar algo que incomoda profundamente a elite branca, assumidamente sulista (do Sul maravilha do Henfil, que os estaria gozando mais do que nunca hoje), racista, separatista (ao estilo de 1932, quando diziam que São Paulo era “a locomotiva do país”, que puxava tantos vagões de gente que não queria trabalhar, mas viver às custas dos paulistas, daí o separatismo e o “Não sou conduzido, conduzo”, seu lema na época).

Poderiam ter feito outra coisa: um filme com a biografia do FHC. (Como reclamam que o programa do PT fez a comparação do governo Lula com o do FHC, então devem fazer o próximo programa tucano fazendo a sua comparação dos dois governos.)

O filme é lindo e emocionante, porque trata de uma trajetória de vida linda e emocionante. E vitoriosa. (Ao contrário do belíssimo Vidas Secas, mas que trata da grande maioria dos nordestinos, especialmente até bem pouco, derrotados.) As novelas invisibilizam os nordestinos, quando são retratados, em geral pela literatura, às vezes pelo cinema, são focalizados no seu sofrimento ou em alguma saída individual, mágica, que não passa pela política. Senão seria um convite à ir à luta.

E Lula, sua vida, incomodam, porque é um nordestino vitorioso. Não apenas porque passou por todos os sofrimentos e perdas que a grande maioria do povo brasileiro passa. Mas porque as superou, chegou a presidente da República, derrotando candidatos da direita e começou a mudar a vida das pessoas que, como ele, nasceram na miséria, que são a grande maioria, porque as elites reproduziram um país para poucos, para eles.

Entre tudo de extraordinário que acontece na Bolívia atualmente, seu vice-presidente, Alvaro Garica Linera, destaca especialmente um breve diálogo entre Evo Morales e um menino de origem indígena, quando Evo lhe pergunta o que ele quer ser quando crescer e ele responde: “Presidente”. Num país em que, apesar de dois terços da população se considerar indígena, até 4 anos atrás nunca um indígena tinha sido eleito presidente.

Depois de Lula, um menino pobre, da nordeste ou da periferia das nossas grandes e opulentas metrópoles, com as misérias que as cerca, podem pensar em ser presidentes do Brasil.

O filme é sobre dona Lindú, porque nas famílias pobres, sofridas, a vida da mãe é indissoluvelmente a vida dos filhos e vice-versa. É um belo filme, porque é uma bela vida, tratada com sensibilidade e com afeto. Numa família pobre, o personagem central é a mãe, que cuida dos filhos, os educa, trata de que possam tocar sua vida da melhor maneira, sobre com eles e por eles.

Lula é o filho de dona Lindú, por isso é o filho do Brasil, como homenagem a todas as donas Lindú que batalham, sofrem e riem – como ela ri, numa das cenas mais emocionantes do filme, quando Lula recebe o diploma de torneiro mecânico -, vivem e morrem com e pelos seus filhos.

Têm medo de Lula todos os que têm medo do povo, do povo brasileiro, dos seus personagens – que eles tratam de esconder na sua imprensa, na sua cultura, nos seus discursos. Têm medo de Lula, porque sentem que lhes estão roubando um país que sempre sentiram como seu. De repente um nordestino, imigrante pobre, que perdeu um dedo na máquina, como operário nordestino, promove os direitos de gente como ele, que sempre foi postergada – “inimpregáveis”, segundo FHC, “essa raça”, para Bornhausen.

Vale muito a pena ver o filme. Pelas emoções que ele transmite e para nos darmos conta um pouco mais do que significa Lula ter sido eleito presidente e governar com o apoio de mais de 80% dos brasileiros, especialmente de todos os filhos de dona Lindú."

FONTE: escrito pelo filósofo e cientista político Emir Sader e postado hoje (01/01/2010) no site "Carta Maior"

O BRASIL TERMINOU O ANO EM CONDIÇÃO MUITO FAVORÁVEL

"Como na física, num sistema de forças no qual o seu conjunto converge para uma tendência resultante ascendente e de maior potência, assim tem sido o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste final de ano. Os vários fatores e circunstâncias resultam numa condição muito positiva para o desempenho do seu governo.

A liderança de Lula adquire um papel histórico proeminente, pela dimensão do prestígio alcançado no plano nacional e internacional. O Brasil se destaca como potência proeminente nas Conferências internacionais, nas parcerias estratégicas, na integração regional. O papel de Lula é alçado à personalidade do ano por dois influentes jornais europeus, o espanhol El País e o diário francês Le Monde. Albert Fishlow, renomado professor, escolhe a China como o ¨país do ano¨, mas afirma que o Brasil ¨chegou bem perto¨ deste título.

O governo Lula, apesar da sua dualidade original, conseguiu esboçar e iniciar um novo projeto nacional de desenvolvimento, que permitiu um crescimento mais acelerado desde 2007, superando rapidamente a grande crise capitalista 2008-2009 que atingiu todo o mundo. Mesmo o Banco Central já prevê um crescimento de quase 6% para 2010. A descoberta de petróleo na extensa área do Pré-sal, resultante do nível tecnológico alcançado pela maior estatal brasileira, as conquistas para a realização dos maiores eventos desportivos mundiais no Brasil, denotando o prestigio internacional atingido pelo país, abrem novas perspectivas de volumosos investimentos, além dos ¨PACs¨ e incrementos sociais, podendo sustentar um desenvolvimento acelerado, contínuo e por longo tempo. Para atingir esse elevado nível de desenvolvimento temos insistido na necessidade de redirecionar a política macroeconômica no sentido expansivo, permitindo taxas de investimento imediatas de 21% do PIB, podendo alcançar 28% ou mais.

A tendência é que o nível de emprego e renda se eleve, o salário mínimo mantenha ganhos reais sucessivamente e os planos de construção de milhões de moradias populares se concretizem. Apesar de passos importantes, ainda os desafios sociais mais significativos estão na saúde e educação, que requerem maiores investimentos e maior qualificação universal. E para uma mais justa distribuição de renda é impostergável uma reforma tributaria progressiva, que onere as altas rendas e desonere os produtos do consumo básico e de massa.

No terreno político a marca principal são os êxitos do governo e a ofensiva em todos os planos políticos liderada por Lula. As sucessivas pesquisas de opinião demonstram essa afirmativa. A oposição está desarvorada, sem discurso, sem projeto alternativo, sem encontrar uma forma unitária de candidatura presidencial. A oposição se vê impelida, diante do prestigio do governo atual, a afirmar com a maior cara de pau, que Lula é uma ¨continuidade¨ do último governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, que foi um governo de crise, déficits, apagão, desemprego, subordinação ao FMI e alinhamento aos EUA.

No contexto da política externa, de forma simples em recente entrevista, o Ministro Celso Amorim sintetizou a nossa orientação externa: ¨incomoda o Brasil agir sem pedir licença¨. Numa questão estratégica ao sistema de poder mundial, o presidente Lula deu apoio público ao programa nuclear iraniano e reafirmou sua posição critica
em relação ao monopólio nuclear. Ou como afirma o Ministro Amorim, ¨se as potências atômicas não estão dispostas a se desarmar, não têm moral para cobrar dos outros¨.

Na recente Conferência Mundial de Copenhague o Brasil ocupou uma posição de vanguarda, chegando a propor metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, sem paralelo, da ordem de 36% a 39% até 2020, agindo na redução drástica do desmatamento na região amazônica e na dos cerrados. Mas, a questão central, por trás de toda essa discussão sobre o clima, está em saber: quais as fontes de energia para o desenvolvimento? E o Brasil é quem tem as principais fontes energéticas limpas (hidroelétricas) e projetos mais desenvolvidos de matrizes de energia renovável (biomassa).

Mas o aspecto mais importante dessa Conferencia de Copenhague, não ressaltado pela grande mídia, que, ao contrario, procurou diversionar, está no embate travado, em última instância, entre o imperialismo norte-americano e países ricos de um lado e, de outro, os demais países do mundo, refletindo aí um quadro de um mundo em transição, na luta que se agudiza contra a hegemonia unipolar e a ascensão de novos pólos dinâmicos de poder como os Brics, que são expressão desse jogo de poder mundial na atualidade. Em Copenhague surgiu o grupo de países denominado Basic (Brasil, Índia, China e África do Sul), com a África do Sul substituindo a Rússia, ocupando o Brasil um papel de liderança nessa aliança especifica que visa definir as formas de energia para o desenvolvimento sustentável nos países ¨emergentes¨. Essa aliança foi fundamental para enfrentar os Estados Unidos, derrotando-o no seu propósito de isolar a China e impor arrogantemente meios de controle sobre os países “periféricos¨.

Por fim, o panorama na America Latina demonstra o desenvolvimento do curso ascendente democrático e antiimperialista com a reeleição de Evo Morales na Bolívia e a eleição de José (Pepe) Mujica, no Uruguai. Isso tudo, apesar da contra-tendência hegemonista, imperialista, para fazer frente a essa tendência por soberania dos países latino-americanos, como a reativação de IV Frota Naval dos Estados Unidos e a instalação de bases militares desta potência na Colômbia."

FONTE: escrito por Renato Rabelo e publicado no portal "Vermelho"

CRESCE OTIMISMO DO BRASILEIRO COM A ECONOMIA

"Pesquisa Datafolha mostra confiança maior tanto em relação à situação do país quanto à capacidade pessoal de consumo

Dos entrevistados, 57% afirmam acreditar que a sua condição econômica irá melhorar; no mês de março, percentual estava em 50%


Os brasileiros estão confiantes em que vão melhorar de vida em 2010, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. De acordo com o instituto de pesquisas, 57% dos brasileiros afirmam que, nos próximos meses, a própria condição econômica será mais positiva. Na pesquisa anterior, que foi feita em março, o percentual era de 50%.

Em relação ao futuro da situação econômica do país, 42% dos brasileiros afirmam que ela vai melhorar, ante 31% no levantamento anterior.

A percepção sobre o poder de compra dos salários também é favorável. Segundo o Datafolha, 34% dos entrevistados afirmaram que o rendimento dará mais capacidade de consumo aos trabalhadores. O percentual era de 25% em março.

O otimismo dos brasileiros se reflete também nas perspectivas para o emprego e para a inflação. Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, afirma que a percepção da população sobre a economia voltou aos patamares registrados antes da recessão que atingiu o mundo. "Passada a crise, os brasileiros voltam a confiar no país."

Paulino destaca que, com a confiança em alta, a disposição para comprar bens e serviços aumenta. "O otimismo é uma mola para o consumo, que é incentivado pelo próprio presidente." Durante a crise, Luiz Inácio Lula da Silva pediu à população que não deixasse de comprar. O diretor do Datafolha avalia que os estímulos do governo transmitiram ao consumidor a segurança de que ele pode gastar sem correr riscos.

Salários e inflação

A percepção sobre o poder de compra é influenciada pelos reajustes nos salários. Embora a crise tenha forçado uma queda no ganho real dos trabalhadores, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que, em 93% das negociações, os sindicatos conseguiram aumentos iguais ou acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no primeiro semestre de 2009 (último dado disponível). Em quase metade das negociações, o aumento real foi menor que 1%.

A queda da inflação é outro fator que aumenta o poder de compra, pois faz com que os gastos -principalmente com os alimentos- pesem menos no orçamento das famílias.

Em 2008, a situação do país era diversa: apesar do bom desempenho da economia e do aumento real de 4% no salário mínimo em março daquele ano, a inflação fechou em 5,9% de janeiro a dezembro -ante 3,93% em 2009, até novembro. Os preços dos alimentos subiram 11,11%, percentual muito superior aos 2,93% registrados até o penúltimo mês de 2009.

Círculo virtuoso

Francisco Pessoa, economista da LCA Consultores, aponta que há convergência de indicadores que elevam a confiança dos consumidores e que prenunciam que 2010 será um ano positivo para a economia. "Há um círculo virtuoso a caminho. As pessoas confiam na economia e gastam mais, o que gera mais empregos e possibilita que mais gente compre mais."

"Iniciar o ano desse jeito é muito bom porque o otimismo se reflete no gasto das famílias", avalia Pessoa.

Os mais otimistas, segundo o instituto de pesquisa, são os brasileiros mais jovens, os mais escolarizados e os de maior renda (veja texto nesta página).

O diretor-geral do Datafolha afirma que os entrevistados com maior escolaridade estão mais bem informados e, portanto, têm acesso às previsões positivas para a economia em 2010. "Eles percebem que a crise está passando e que as perspectivas são boas para o ano."

O Datafolha ouviu 11.429 pessoas em 381 municípios entre 14 e 18 de dezembro. A margem de erro máxima é de dois pontos para mais ou menos."

FONTE: publicado na Folha de São Paulo de hoje (01/01/2010)

APROVAÇÃO DO PRESIDENTE LULA EM ALTA

"Programas sociais e bom desempenho econômico elevam popularidade de Lula, mas progresso não deve ser superestimado

Luiz Inácio Lula da Silva entra no último ano de seu segundo mandato ostentando a maior popularidade já obtida por um presidente da República desde que o Datafolha começou a fazer essa avaliação do governo federal, em 1990.

Conforme os números da pesquisa realizada entre os dias 14 e 18 de dezembro, Lula atingiu 72% de aprovação (ótimo/bom), contra apenas 6% que avaliaram seu governo como ruim ou péssimo. O percentual dos que consideram seu desempenho regular é o menor já verificado -21%.

O significado do fenômeno Lula fica ainda mais evidente quando contrastado, por exemplo, com a popularidade de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 2001, decorridos também sete anos de governo tucano. FHC tinha então uma aprovação de 24%, contra 35% que avaliavam sua gestão como ruim ou péssima.

O ano de 2002, último de FHC, foi marcado por agudas incertezas na economia, em parte derivadas da perspectiva de vitória de Lula. [quadro negativo propagandeado por FHC/PSDB/PFL-DEM/Grande mídia, para incutir medo no eleitor; estratégia que se demonstrou ineficaz].

Ninguém pode prever que surpresas nos reservará a política, mas o cenário para a economia em 2010 é favorável, com estimativas de crescimento em torno de 5%. Há, pois, condições para Lula encerrar o mandato com aceitação expressiva.

Vale lembrar que, no momento mais crítico da passagem de Lula pelo poder, em meados de 2005, sua popularidade sofreu abalo significativo. Em agosto daquele ano, dois meses após esta Folha ter revelado o escândalo do mensalão, a aprovação do presidente atingiu o menor nível: 31%, contra 26% que qualificavam a gestão de ruim ou péssima. Na ocasião, 83% dos eleitores diziam acreditar que havia corrupção no governo federal [os mensalões do PSDB e do DEM foram minimizados ou omitidos pela grande mídia, empenhada na volta da direita ao poder].

A curva da aprovação de Lula ao longo do segundo mandato é ascendente, com leve recuo em março deste ano, que se pode atribuir à crise mundial. A maneira como o Brasil atravessou a tormenta global acabou consolidando o apoio popular ao governo num ano que, de resto, foi marcado por vários eventos de grande impacto simbólico -do pré-sal até a escolha do Rio como sede olímpica em 2016.

Dos programas sociais à alta no salário mínimo, passando pela retomada do emprego, há razões que ajudam a explicar a percepção popular do governo. Não se pode, porém, perder o sentido de continuidade dos avanços do país desde a conquista da estabilidade monetária. Tampouco se devem, em contrapartida, superestimar os efeitos do progresso numa sociedade ainda muito desigual, que nem sequer universalizou saneamento e habitação e apresenta índices medíocres de qualidade em saúde e educação.

Em si mesma um dado positivo, como termômetro de satisfação social, a popularidade de Lula tem servido de pretexto ou de ocasião para "investidas autoritárias" [a mídia quer criar essa imagem negativa de Lula, sem sucesso], muitas vezes mais manifestas nos áulicos que o rodeiam do que no próprio presidente.

Lula alimenta o culto à sua personalidade e dele se serve, mas percebeu que a sociedade e as instituições não permitiriam que especulações sobre um terceiro mandato prosperassem. É uma pena que o presidente não tenha aproveitado sua legitimidade para oxigenar a política. Seu governo desde o início fez a opção pela fisiologia e renovou o pacto com o atraso em troca da comodidade no poder."

FONTE: editorial de hoje (01/01/2010) do jornal Folha de São Paulo, dedicado à volta da direita ao poder, com Serra/PSDB/DEM/PPS, mas que não consegue esconder méritos de Lula/PT [trechos entre colchetes colocados por este blog].

PESQUISA DATAFOLHA: "LULA É O BRASILEIRO MAIS CONFIÁVEL"


Lula é o brasileiro mais confiável, aponta Datafolha

"Com nota média de 7,9, presidente lidera ranking composto por 27 personalidades nacionais; 39% dos brasileiros lhe deram nota 10

Entre os pré-candidatos ao Planalto, Serra é o mais bem avaliado, com nota média de 6,23, e fica em 14º lugar; em 21º, Dilma tem média de 5,4

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a pessoa mais confiável para os brasileiros, segundo ranking com 27 personalidades elaborado pelo Datafolha. Lula está à frente de apresentadores de TV como William Bonner e Silvio Santos, do padre Marcelo Rossi e de cantores como Roberto Carlos e Chico Buarque.

Os 11.258 entrevistados, de 14 a 18 de dezembro, deram nota de 0 (menos confiável) a 10 (mais confiável) às personalidades apresentadas. Lula lidera a lista, com nota média de 7,9.

Além disso, 39% dos brasileiros deram nota 10 ao presidente, contra 4% que lhe deram 0.

Lula é mais admirado no Nordeste, com nota média de 8,74, contra 7,14 no Sul e 7,57 no Sudeste. O petista recebeu nota 10 de 62% dos pernambucanos, 53% dos cearenses e 48% dos baianos. Em São Paulo, recebeu 10 em 31% dos casos. No Rio Grande do Sul, onde teve pior desempenho, obteve 15% das notas máximas.

O petista é mais bem avaliado pelos mais velhos -recebeu 47% de notas 10 entre os que têm 60 anos ou mais. Entre os que têm nível fundamental e recebem até dois salários mínimos, teve 52% de notas 10.

Entre os mais escolarizados e mais ricos, o presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque lidera, seguido por William Bonner [!], Caetano Veloso e Roberto Carlos.

De todas as personalidades, apenas duas -Lula e Silvio Santos- são conhecidas por todos os entrevistados.

Maria Celina D'Araújo, professora de ciência política da PUC-RJ, diz que os primeiros lugares são ocupados por "homens de mídia". "Lula é um grande artista, sabe se comunicar. É um aspecto das novas sociedades de espetáculo. Poucos sabem se aproveitar disso, e o Lula sabe", diz.

Para Maria Celina, especialista nos governos Getúlio Vargas, nenhum presidente explorou tanto a comunicação de massa, principalmente via programas de rádio e TV e colunas em jornais.

Ex-presidentes

Chama a atenção o fato de que, dos últimos cinco colocados, quatro são ex-presidentes: Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, este o menos confiável de todos.

Entre os pré-candidatos de 2010, José Serra (PSDB) aparece mais bem colocado. Com nota média de 6,23, ele fica em 14º lugar no ranking geral.

O também tucano Aécio Neves, governador de Minas, fica na 19ª posição, com nota média de 5,45. Em 20º, está o deputado federal Ciro Gomes (PSB), com média de 5,41, seguido pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), com 5,40, e pela senadora Marina Silva (PV), com nota média de 5,15.

Serra tem suas melhores notas em Santa Catarina (6,67) e São Paulo (6,47) e as piores no Distrito Federal (5,3), no Rio (5,61) e na Bahia (5,72).

Dilma tem as melhores notas no Ceará (6,18) e em Pernambuco (6,14) e as piores, no DF (4,65), em São Paulo (4,76) e em Minas Gerais (4,92).

O cientista político Luciano Dias diz que "a imagem positiva ou negativa é resultado do fluxo de notícias sobre essa pessoa". Segundo Dias, artistas como Chico Buarque ou o padre Marcelo Rossi raramente são expostos a um noticiário negativo, o que explica o bom desempenho deles na consulta.

Para o cientista político, o raciocínio também pode ser aplicado ao presidente Lula, que hoje sofre ataques menos contundentes da oposição. "Na medida em que ele foi ampliando sua popularidade e não é candidato, o interesse em atacá-lo é muito baixo."

FONTE: pesquisa efetuada pelo instituto Datafolha, do Grupo Serrista/PSDB "Folha", publicada hoje (01/01/2010) na Folha de São Paulo, em reportagem de FERNANDO BARROS DE MELLO.