terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
EMBRAER e TELEBRAS PLANEJAM COLOCAR SATÉLITE EM ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ATÉ 2014
“Nas próximas semanas, será oficialmente lançada a empresa resultante de parceria entre a TELEBRAS e a EMBRAER, criada para liderar o processo de construção e operação de um satélite geoestacionário.
Ainda neste semestre, essa sociedade colocará na rua o edital para contratação da companhia que apoiará a fabricação do equipamento. Serão dois anos de construção, com a sede da nova empresa em São José dos Campos (SP). A Embraer terá participação de 51% e a Telebras, de 49%. A previsão de lançamento é 2014. "Já temos a posição orbital definida. Esse projeto começa a ser tocado no próximo mês", diz Caio Bonilha, presidente da Telebras.
A compra dos equipamentos que compõem o satélite será feita por etapas. Para este ano, a previsão é de investir R$ 56 milhões no projeto. A construção do satélite tem a participação dos ministérios da Defesa, das Comunicações e da Ciência e Tecnologia. Para a Telebras, diz Bonilha, o equipamento servirá de apoio à disseminação da banda larga em regiões remotas que não forem alcançadas pela fibra óptica. Com o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) está prevista a cobertura de até 4,2 mil municípios por meio de cabos. Ao satélite caberá a cobertura adicional das demais 1,3 mil cidades do país. Para o Ministério da Defesa, o satélite servirá para centralizar informações consideradas críticas para o governo. "Será um tipo de ‘backup’ de informações consideradas estratégicas."
A viabilização de um satélite geoestacionário brasileiro é acompanhada de perto pela presidente Dilma Rousseff, que quer a nacionalização dessa indústria, já que os componentes que darão vida ao equipamento serão fornecidos majoritariamente pelo mercado internacional. Incluído no programa plurianual (PPA) de 2012-2015, o satélite tem previsão de investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões. "As empresas que fabricam satélites fazem parte de grupo muito restrito em todo o mundo, e o governo vislumbrou uma oportunidade de retomar seu programa espacial geoestacionário. Faremos parte desse grupo", afirma Bonilha.
A preocupação de lançar o equipamento até 2014 se deve ao fato de que, em dois anos, vencerá o prazo para que o Brasil ocupe a reserva feita para duas posições orbitais a que o país tem direito no espaço para aplicações na área de defesa, conforme as regras definidas pela ‘União Internacional das Telecomunicações’ (UIT).”
FONTE: jornal “Valor Econômico”. Transcrito no site “DefesaNet” (http://www.defesanet.com.br/space/noticia/4769/Nova-companhia-planeja-colocar-satelite-em-orbita-ate-2014).
Bresser-Pereira: “É SUICÍDIO DESMORALIZAR O JUDICIÁRIO”
Juízes em morosíssimo trabalho muito altamente remunerado
“O FATO DE NÃO SER CORRUPTO NÃO SIGNIFICA QUE RESPEITE OS "DIREITOS REPUBLICANOS" DOS CIDADÃOS BRASILEIROS
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira:
Sim, o ministro Cezar Peluso tem razão quando afirma que "só uma nação suicida ingressaria voluntariamente em processo de degradação do Poder Judiciário."
Como também seria cometer suicídio desmoralizar o Estado e a organização que o garante. Cabe ao Poder Judiciário a garantia da lei e, para uma sociedade, nada é mais importante que a ordem jurídica.
Mas o ministro deverá, também, concordar que só uma nação suicida deixará de responsabilizar os servidores e os membros do Estado, entre os quais os juízes, por suas ações.
O consenso ao nível da sociedade brasileira de que era necessário um controle do Judiciário levou à criação, em 2004, do ‘Conselho Nacional de Justiça’ (CNJ) e de sua Corregedoria. Nos anos seguintes, confirmou-se essa necessidade, porque suas investigações mostraram inúmeros casos de abuso. Significa isto que o Poder Judiciário é corrupto no Brasil? De forma alguma.
Estou convencido que ele pode servir de exemplo para muitos países. É formado por juízes competentes, escolhidos por concurso público, seus padrões morais e republicanos são elevados, e é razoavelmente bem organizado e administrado. O grande problema que enfrenta -e que o torna lento- é uma lei processual que possibilita recursos excessivos às decisões judiciais.
Mas o fato de não ser corrupto não significa que respeite os "direitos republicanos" dos cidadãos brasileiros -o direito que cada cidadão tem que o patrimônio público seja utilizado para fins públicos ao invés de ser capturado por poderosos.
No caso do Judiciário, esse desrespeito se dá através de salários médios muito mais altos do que o salário médio dos outros dois poderes, e, principalmente, por benefícios abusivos de alguns juízes, em desrespeito ao teto constitucional.
Quando fui ministro da Administração (1995-1998), uma das minhas preocupações foi estabelecer esse teto. Refletia a indignação da sociedade brasileira frente aos abusos que ocorriam nos três Poderes.
A iniciativa de definir os proventos dos ministros do STF como o teto de remuneração foi minha, e, para redigir um texto que evitasse toda e qualquer manobra visando elidi-lo, consultei o então presidente do STF, ministro Sepúlveda Pertence.
O texto foi aprovado pelo Congresso, mas hoje o que vemos é o desrespeito à norma constitucional por membros dos tribunais estaduais. Inventam-se desculpas para pagar mais que o teto: algumas modestas como o "auxílio para compras de livros", outras bem mais graves, como as que permitiram o Tribunal de Justiça do Distrito Federal pagar benefícios astronômicos a seus membros e apresentar um custo total para os cofres públicos cinco vezes maior do que o do STF.
Tem razão, portanto, a ministra Eliana Calmon, do “Conselho Nacional de Justiça”, em agradecer "ao povo brasileiro" pela decisão do STF de garantir à Corregedoria o direito de investigar e processar juízes.
Em confronto com o empedernido corporativismo das associações de juízes, o STF tomou essa decisão porque, no debate que a antecedeu, ficou clara a posição da sociedade a favor do CNJ. Os brasileiros não são suicidas, e sabem que a melhor forma de honrar e respeitar o Judiciário é mantendo-o responsabilizado perante a nação.”
FONTE: escrito por Luiz Carlos Bresser-Pereira na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/25612-e-suicidio-desmoralizar-o-judiciario.shtml). [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’]
PROGRAMA “SAÚDE NÃO TEM PREÇO” TRIPLICOU A DISTRIBUIÇÃO DE REMÉDIOS PARA DIABETES E HIPERTENSÃO
“Em um ano, o programa ‘Saúde não tem Preço’ distribuiu 7,8 milhões de medicamentos para o tratamento da hipertensão e diabetes, informou ontem (13) a presidenta Dilma Rousseff, durante o programa ‘Café com a Presidenta’. Somente em janeiro deste ano, 3,2 milhões de pacientes retiraram esses medicamentos em mais de 20.300 farmácias credenciadas na rede ‘Aqui tem Farmácia Popular’; mais que o triplo do registrado em janeiro do ano passado.
“Os números mostram que o ‘Saúde não Tem Preço’ é um sucesso. Lançamos o programa em fevereiro do ano passado, de lá para cá, mais que triplicou o número de diabéticos e hipertensos que recebem remédio de graça na ‘Farmácia Popular’ (…). Há um ano, quando o usuário ainda pagava 10% do valor do remédio, esse número era bem menor, era 853 mil pacientes.”
A presidenta comentou, ainda, a expansão da rede ‘Farmácia Popular’, que chegou, neste período, a 781 municípios que não tinham nenhuma farmácia credenciada no programa, atingindo o total de 20.300 farmácias participantes. De acordo com ela, o Ministério da Saúde identificou onde está a população mais pobre, tanto nas grandes cidades como no interior do Brasil, e está estimulando o credenciamento de novas farmácias nesses municípios.
Além dos remédios gratuitos para a pressão alta e diabetes – ressaltou a presidenta –, nessas farmácias, as pessoas também podem procurar medicamentos com desconto de até 90% para tratar asma, colesterol alto, osteoporose, rinite e ainda anticoncepcionais e fraldas geriátricas.
“Esse programa do governo é o de maior cobertura na distribuição gratuita de remédios do mundo. Neste ano, vamos investir, por meio do ‘Sistema Único de Saúde’, o SUS, R$ 7,7 bilhões só na compra de medicamentos. Além dos remédios que são distribuídos no ‘Aqui tem Farmácia Popular’, o SUS garante os remédios para o tratamento contínuo de pacientes com câncer, Aids, doenças renais, hepatites, Alzheimer, que são acompanhadas nos hospitais e nas unidades de saúde”.
Dilma Rousseff destacou que, além de melhor qualidade de vida das pessoas, o programa resulta em economia de recursos do SUS, uma vez que, desde seu lançamento, o número de internações por conta de diabetes e de hipertensão diminuiu. Em 2011, foram menos 8,4 mil internações por causa da hipertensão e 2,7 mil a menos por causa da diabetes. Outro resultado importante do programa foi o aumento do controle da distribuição dos medicamentos: quando uma pessoa pega o remédio, a farmácia tem que tirar uma cópia da receita, com o registro do médico e o CPF do paciente para o controle do Ministério da Saúde.
“Oferecer saúde pública gratuita e de qualidade é grande desafio. Ainda temos muito que avançar, mas estamos enfrentando o desafio com ações como essas: a distribuição gratuita de remédios, investimento nas emergências dos hospitais, o atendimento dos doentes em sua casa e outras ações que contribuem para melhorar os serviços prestados e dar mais eficiência ao SUS. Eu fico feliz de ver que essas ações estão dando certo, porque todos os brasileiros e as brasileiras merecem, igualmente, ter serviços de saúde de qualidade”, concluiu.
A íntegra do programa Café com a Presidenta está no link: http://www2.planalto.gov.br/multimidia/galeria-de-audios/audio-do-programa-de-radio-201ccafe-com-a-presidenta201d-com-a-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-06min11s
FONTE: Blog do Planalto (http://blog.planalto.gov.br/em-um-ano-o-saude-nao-tem-preco-triplicou-a-distribuicao-de-remedios-para-diabetes-e-hipertensao/).
UM MUNDO ALIENÍGENA NA TERRA
Antártida
Por Marcelo Gleiser“É possível haver vida nas profundezas do lago Vostok. Que criaturas seriam essas?
O espaço sideral não é a única fronteira. Existem outras aqui na Terra, em locais inóspitos e ainda inexplorados. São cada vez mais escassos, ao menos os que são acessíveis a pé, de barco ou por máquinas voadoras. Mas, felizmente, sobram os mundos subterrâneos, nas profundezas dos oceanos, em cavernas ainda não descobertas ou soterrados sob quilômetros de gelo. As possibilidades são enormes e prometem desafiar nossa imaginação.
Na semana passada, um time de cientistas russos anunciou ter chegado até a superfície do lago Vostok, na Antártida. O incrível é que esse lago de água puríssima, com aproximadamente 250 km de extensão e 50 km de largura, está a quase 4 km de profundidade, enterrado sob espessa camada de gelo.
Em 1983, nesse mesmo local, foi registrada a temperatura mais baixa na Terra, -89 graus Celsius. Realmente, um local bem diferente das nossas terras tropicais.
Foram quase três décadas de trabalho para as brocas dos russos chegarem até o lago. Eles só se aventuravam até o local no verão, o que limitava o tempo em que podiam perfurar o gelo. Usando 60 toneladas de querosene e outros fluidos, conseguiram, finalmente, alcançar seu objetivo (embora tenham provocado sérias dúvidas quanto ao impacto de seus métodos na qualidade da água do lago). Mesmo que tenha havido algum vazamento -os russos garantem que não-, o volume dos poluentes é pequeno se comparado ao volume do lago. E a enorme diferença de pressão, 360 vezes maior do que a pressão atmosférica (por isso que a água do lago permanece líquida mesmo a -3 graus Celsius), fará com que a água suba imediatamente e congele novamente, selando a cavidade feita pela broca.
Existem outros 145 lagos submersos sob o gelo da Antártida, mas nenhum com as dimensões do Vostok.
Calcula-se que ele tenha ficado isolado durante 20 milhões de anos, criando ambiente único: sem luz, sempre frio, supersaturado com oxigênio e outros gases. Trata-se de um mundo alienígena com o qual nunca tivemos contato.
É possível que existam formas de vida nesse ambiente inóspito. Nesse caso, elas poderiam fazer parte de ecossistema diferente de qualquer outro, adaptadas a águas frias e escuras por milhões de anos.
Que criaturas seriam essas? Se alguma forma de vida existir por lá, ela se alimenta de fontes de energia alternativas. Isso porque poucos nutrientes estão disponíveis.
Porém, sabemos da incrível resiliência da vida na Terra. Há extremófilos nas profundezas de oceanos próximos a fumarolas vulcânicas e mesmo nas piscinas radioativas de reatores nucleares. Não me surpreenderia nada se algo fosse encontrado nas águas do lago Vostok (embora muito cuidado tenha que ser exercido para evitar a contaminação por bactérias vindas da superfície ou que existem no gelo).
O lago Vostok é o que temos de mais próximo na Terra dos oceanos subglaciais de Europa, um dos satélites de Júpiter. Lá, uma camada de gelo de quilômetros de espessura cobre um vasto oceano com volume ao menos duas vezes maior do que todos os oceanos da Terra.
Se houver algum tipo de vida no lago Vostok, é muito possível que exista vida em outros mundos da nossa vizinhança celeste.”
FONTE: escrito por Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor de "Criação Imperfeita". Artigo transcrito na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/25350-um-mundo-alienigena-na-terra.shtml) [Imagem do Google adicionada por este blog ‘democracia&política’]
IRÃ NÃO É AMEAÇA PARA ISRAEL E SEU ARRASADOR PODER ATÔMICO, diz historiador israelense
Martin van Creveld acredita que o Irã não atacaria Israel sem motivos
“As comemorações pelo 33º aniversário da Revolução Iraniana, que tiveram início no último dia 1º, se encerraram no sábado (11) em um momento em que o país é cada vez mais pressionado pela comunidade internacional para que encerre seu suposto programa [de energia elétrica] nuclear [acusado de, no futuro, poder eventualmente vir a também produzir armas atômicas] .
Nesse cenário, as relações com Israel se tornam cada vez mais delicadas à medida que os dois lados ameaçam garantir a segurança nacional por meio de ações militares.
Na comunidade internacional, os israelenses [hipocritamente, com suas bombas atômicas desenvolvidas às escondidas e à revelia da comunidade internacional] fazem lobby para que a ONU (Organização das Nações Unidas) adote sanções cada vez mais agressivas contra o Irã, atingindo, principalmente, sua economia e sua produção de petróleo.
Apesar da tensão entre os dois países, Martin van Creveld, historiador pela Universidade Hebraica de Jerusalém, especialista em estratégia militar e Ph.D pela “London School of Economics”, afirma que o Irã está longe de ser uma ameaça a Israel.
Para ele, as declarações de Teerã buscam atrair o apoio árabe na região. No entanto, mesmo afastando a possibilidade de uma ação militar iraniana, van Creveld não descarta que Israel pode dar o primeiro passo.
Acompanhe a entrevista:
Opera Mundi: Diante deste cenário que envolve acusações e ameaças de ambas as partes, qual é a real situação das atuais relações entre Irã e Israel?
Martin van Creveld: O Irã tem dois inimigos principais. O primeiro são os Estados Unidos [que querem o seu petróleo e também destruir o Irã para obedecer ao tradicionalmente fortíssimo lobby judeu no Congresso, na mídia e no governo dos EUA]. Assim com as Guerras de 1991, 1999 e 2003 [Golfo, Kosovo e Iraque] mostraram, ninguém nunca sabe qual será o país que o próximo presidente dos EUA irá atacar com bombas e/ou invadir. Se os iranianos estão realmente tentando construir uma bomba o mais rápido possível – e isso não é nada certo – então o principal objetivo [ou melhor, o falso pretexto] norte-americano é deter essa ameaça.
O outro rival do Irã é a Turquia. Após o desaparecimento do Iraque (da geopolítica internacional) e do enfraquecimento da Síria, um vácuo de poder se abriu. Ele atinge desde a costa nordeste do Mediterrâneo até o Golfo Pérsico. Tanto o Irã quanto a Turquia querem dominar essa área. Os dois países têm cerca de 80 milhões de pessoas e são potências regionais.
Comparado com essa luta titânica, Israel é pequeno e não tem importância [mas tem o poderoso aliado norte-americano que o apoia e supre com numerosas, modernas e mortíferas armas]. Para o Irã, fazer todos os tipos de ruído anti-israelense é muito útil para puxar a opinião pública árabe na Síria e no Iraque para seu favor.
Opera Mundi: É tão perigoso assim que o Irã produza energia nuclear?
MC: A energia nuclear está fora de questão. Muitos países possuem reatores, mas não têm a [vontade e capacidade de produzir armas atômicas]. A questão é: será que os iranianos irão usar a infraestrutura que possuem agora para construir uma bomba? Ninguém sabe a resposta. O que parece claro, porém, é que ninguém mais tem reservado tanto tempo para isso [questão nuclear]. Esse fato pode levantar algumas suspeitas.
Opera Mundi: O Irã é uma ameaça para Israel?
MC: Não. Relatórios internacionais apontam que Israel "tem o que é necessário" para transformar o Irã em um deserto radioativo em poucas horas se esta for a ordem. Os iranianos sabem disso, assim como todo mundo sabe. [Hipocritamente, ao mesmo tempo que cobra sanções e ataque contra o Irã, Israel possui centenas de bombas atômicas, clandestinamente construídas sem controle e punição das grandes potências. Usa seu poder militar atômico e o de seu fiel e até submisso aliado (EUA) para amedrontar e respaldar suas invasões e ocupações na Palestina, sul do Líbano e colinas sírias de Golã].
Opera Mundi: O Sr. disse uma vez que o “Irã é um país perigoso, mas não para nós (israelenses)”. Para quem então?
MC: Os países que possuem razões para se preocupar (em relação ao Irã) são aqueles que fazem fronteira com o Golfo, como o Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos e, é claro, a Arábia Saudita. Se o Irã desenvolver a bomba, a pressão sobre esses países irá aumentar, sem dúvida. Mas nós, em Israel, estamos muito longe, e salvar os árabes de seus irmãos muçulmanos não é nosso negócio [ao contrário...].
Opera Mundi: É possível que um dos dois países inicie alguma ação militar em um futuro próximo?
MC: Dias atrás, um blogueiro iraniano escreveu que a melhor defesa é o ataque e que o Irã poderia atacar Israel antes que os israelenses tomassem a primeira atitude. Esta foi a primeira vez que algo dessa forma apareceu na internet [iraniana]. No entanto, nós não sabemos quem é o blogueiro e quem ele representa. Eu considero que um ataque iraniano, sem um motivo aparente, está fora de questão. No entanto, será que Israel atacaria o Irã agora? Se eu soubesse, com certeza não lhe diria.
Opera Mundi: Como uma forma de estrangular a economia iraniana, a comunidade internacional vem aprovando cada vez mais novas sanções contra o país. Qual é o peso dessas medidas contra o Irã? Como isso afeta a população?
MC: Difícil dizer. De qualquer forma, parece que as sanções estão tendo impacto na economia iraniana. O dinar (moeda iraniana) está caindo feito uma pedra. Os preços dos alimentos e combustíveis subiram e parece haver agitação popular. Não considero impossível que, caso o descontentamento pelos aumentos cresça entre a população, e o regime começar a se sentir em perigo, o homem no comando, Aiatolá Khamani, irá se livrar de Ahmadinejad para salvá-lo (regime). No entanto, ainda não estamos nesse estágio.”
FONTE: publicado no site “Opera Mundi” e transcrito no portal “Vermelho” (http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=175513&id_secao=9). [título, imagem do google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Gabrielli: “NO MODELO DO PRÉ-SAL, A PETROBRÁS DIRIGE O PROCESSO” [mídia e oposição ainda esperneiam]
GABRIELLI, QUE DEIXA A PRESIDÊNCIA DA ESTATAL HOJE, DEFENDE AS MUDANÇAS NA EMPRESA E NO MARCO REGULATÓRIO
Por Fernando Dantas, do “O Estado de S.Paulo” [jornal tucano privatista antinacional (pró-grandes conglomerados estrangeiros)]
“Para José Sergio Gabrielli, que deixa a presidência da Petrobrás hoje (11), o modelo para o setor de petróleo e gás implantado pelo PT fortalece a Petrobrás e a cadeia nacional de fornecimento à indústria petrolífera.
-O que o Brasil ganhou com a mudança do modelo do setor de petróleo entre o governo FHC e os de Lula e Dilma?
Fizemos um modelo muito bonitinho, com uma empresa-âncora, como a Petrobrás fortalecida, capitalizada, com condições de dirigir o processo. Um marco regulatório com as áreas de risco exploratório baixo onde o governo vai ter parcela maior no bolo futuro, mantendo-se a concessão para as áreas com alto risco exploratório. E você tem, ainda, a intensificação da política de conteúdo nacional, fazendo com que a expansão e o crescimento da exploração do petróleo no pré-sal tenha como limitador de velocidade a capacidade de a indústria brasileira responder, fornecendo os bens e serviços necessários.
-Quais os ganhos para o País de a Petrobrás ter ficado com “tanto poder”? [Poder “excessivo” sob o ponto de vista antinacional tucano e do 'Estadão', porque o sucesso da Petrobras tira a liberdade de exploração do pré-sal por grandes petrolíferas estrangeiras]
O fato de ser operadora única permite maximizar sinergias que ela tem da infraestrutura existente e viabilizar soluções para problemas. Vale recordar o que aconteceu conosco em 2007. Tínhamos somente duas sondas na frota da Petrobrás com capacidade de perfurar mais de 2,5 mil metros de lâmina d’água, e tivemos de usá-las para delimitar as novas descobertas do pré-sal.
As nossas sondas tinham custo de US$ 200 mil a US$ 250 mil por dia, o mercado alugava na época por US$ 700 mil dólares por dia, mas nem por esse preço conseguimos encontrar sondas para os campos já existentes. Pensamos em construir sondas, mas não encontramos lugar para fazer estaleiro, e o desespero começou a bater. Foi aí que decidimos fazer um programa de larga escala e longo prazo que vai viabilizar a construção de estaleiros no Brasil, para que eles construam sondas para nos entregar daqui a algum tempo (a Petrobrás acaba de encomendar 26 sondas de perfuração para o pré-sal em estaleiros nacionais). Daqui a quatro, cinco anos, o mercado de sonda mundial será outro, porque nós somos muito grandes nesse mercado e estamos estimulando a criação de vários estaleiros dedicados à construção de sondas.
-E qual a vantagem de uma política industrial que desloque investimentos para o setor de petróleo e gás?
A indústria de petróleo em si não é muito empregadora de mão de obra. Mas a cadeia de fornecimento de equipamentos e serviços para a indústria de petróleo é extremamente integrada com o conjunto das atividades econômicas. Há milhares de atividades relacionadas com a fabricação de uma sonda e outros equipamentos da indústria petrolífera. Além disso, a tecnologia desenvolvida extrapola o setor.
-Como assim?
Montamos uma rede de pesquisa no Brasil extraordinária, mais de 50 redes temáticas, com temas diferentes relacionados com petróleo. Temos envolvimento com universidades e centros de pesquisa no Brasil inteiro, construímos laboratórios, temos milhares de estudantes envolvidos nessas pesquisas, centenas de pesquisadores, com capacidade de desenvolvimento de pesquisa empírica que será importante para o petróleo, mas não só. Porque o cara que está estudando bactérias que se alimentam de enxofre vai usar esse estudo para várias coisas, não só para o petróleo. O mesmo pode ser dito do sujeito que estuda nanotecnologia para sensibilidade de superfície de tubulações, ou está desenvolvendo sistemas de informática para entendimento de comportamento dos reservatórios, que são intensivos em processamento de dados. É um complexo de pesquisa e desenvolvimento que não é só voltado para o petróleo.
-Por que a Petrobrás se expandiu “tanto” nos últimos anos. Isso não “piora a competição” e a eficiência? [Isto é, o 'Estadão' reclama que o desenvolvimento da Petrobras piora a situação relativa das grandes petrolíferas estrangeiras, defendidas pelos tucanos].
Está estatisticamente comprovado que a empresa petrolífera integrada é mais rentável no longo prazo do que as dedicadas exclusivamente ao “upstream” (exploração e produção), ou ao "downstream" (refino, distribuição etc.). Dado o tamanho da Petrobrás no mercado brasileiro, a integração é mais importante ainda. Nós importamos todos os tipos de derivados hoje, porque a última refinaria construída no Brasil foi em 1980. E, agora, uma nova refinaria vai entrar em operação em 2013 (Abreu e Lima, em Pernambuco). Sem nova refinaria, nós sairíamos de uma situação, hoje, em que importamos mais ou menos 10% a 15% do mercado brasileiro, para importar 45% daqui a dez anos. E qualquer empresa que esteja no controle desse mercado vai investir para garantir sua posição, mesmo sabendo que as margens de refinaria são muito mais voláteis do que as margens na exploração e produção.
-Qual a vantagem da política de preços de derivados da Petrobrás, que hoje provoca perdas?
A grande vantagem dessa política é ter estabilização do fluxo de caixa da empresa. O desabamento dos preços depois da crise global foi um desastre para o fluxo de caixa de muitas empresas petrolíferas, mas não atingiu a Petrobrás.
-O Sr se preocupa com a queda das ações da Petrobrás (as ON caíram 8,28% na sexta, com o mau resultado do 4º trimestre)?
Descobri, recentemente, informação técnica importante: em cada dez ações negociadas da Petrobrás no mercado de Nova York, nove são negociadas por robôs. São negociações indexadas, ou seja, a decisão de vender ou comprar as ações são feitas com base em algoritmos computacionais com ordens automáticas. Só uma em dez tem decisão de um gestor baseada em expectativas. O movimento das ações da Petrobrás tem a ver muito mais com a dinâmica dessas operações do que com a decisão de um acionista minoritário que está revoltado porque a Petrobrás está dando menos lucro do que ele queria.”
FONTE: reportagem de Fernando Dantas, do “O Estado de S.Paulo”, transcrita no blog de Luis Favre (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/02/no-modelo-do-pre-sal-a-petrobras-dirige-o-processo/) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]
Por Fernando Dantas, do “O Estado de S.Paulo” [jornal tucano privatista antinacional (pró-grandes conglomerados estrangeiros)]
“Para José Sergio Gabrielli, que deixa a presidência da Petrobrás hoje (11), o modelo para o setor de petróleo e gás implantado pelo PT fortalece a Petrobrás e a cadeia nacional de fornecimento à indústria petrolífera.
-O que o Brasil ganhou com a mudança do modelo do setor de petróleo entre o governo FHC e os de Lula e Dilma?
Fizemos um modelo muito bonitinho, com uma empresa-âncora, como a Petrobrás fortalecida, capitalizada, com condições de dirigir o processo. Um marco regulatório com as áreas de risco exploratório baixo onde o governo vai ter parcela maior no bolo futuro, mantendo-se a concessão para as áreas com alto risco exploratório. E você tem, ainda, a intensificação da política de conteúdo nacional, fazendo com que a expansão e o crescimento da exploração do petróleo no pré-sal tenha como limitador de velocidade a capacidade de a indústria brasileira responder, fornecendo os bens e serviços necessários.
-Quais os ganhos para o País de a Petrobrás ter ficado com “tanto poder”? [Poder “excessivo” sob o ponto de vista antinacional tucano e do 'Estadão', porque o sucesso da Petrobras tira a liberdade de exploração do pré-sal por grandes petrolíferas estrangeiras]
O fato de ser operadora única permite maximizar sinergias que ela tem da infraestrutura existente e viabilizar soluções para problemas. Vale recordar o que aconteceu conosco em 2007. Tínhamos somente duas sondas na frota da Petrobrás com capacidade de perfurar mais de 2,5 mil metros de lâmina d’água, e tivemos de usá-las para delimitar as novas descobertas do pré-sal.
As nossas sondas tinham custo de US$ 200 mil a US$ 250 mil por dia, o mercado alugava na época por US$ 700 mil dólares por dia, mas nem por esse preço conseguimos encontrar sondas para os campos já existentes. Pensamos em construir sondas, mas não encontramos lugar para fazer estaleiro, e o desespero começou a bater. Foi aí que decidimos fazer um programa de larga escala e longo prazo que vai viabilizar a construção de estaleiros no Brasil, para que eles construam sondas para nos entregar daqui a algum tempo (a Petrobrás acaba de encomendar 26 sondas de perfuração para o pré-sal em estaleiros nacionais). Daqui a quatro, cinco anos, o mercado de sonda mundial será outro, porque nós somos muito grandes nesse mercado e estamos estimulando a criação de vários estaleiros dedicados à construção de sondas.
-E qual a vantagem de uma política industrial que desloque investimentos para o setor de petróleo e gás?
A indústria de petróleo em si não é muito empregadora de mão de obra. Mas a cadeia de fornecimento de equipamentos e serviços para a indústria de petróleo é extremamente integrada com o conjunto das atividades econômicas. Há milhares de atividades relacionadas com a fabricação de uma sonda e outros equipamentos da indústria petrolífera. Além disso, a tecnologia desenvolvida extrapola o setor.
-Como assim?
Montamos uma rede de pesquisa no Brasil extraordinária, mais de 50 redes temáticas, com temas diferentes relacionados com petróleo. Temos envolvimento com universidades e centros de pesquisa no Brasil inteiro, construímos laboratórios, temos milhares de estudantes envolvidos nessas pesquisas, centenas de pesquisadores, com capacidade de desenvolvimento de pesquisa empírica que será importante para o petróleo, mas não só. Porque o cara que está estudando bactérias que se alimentam de enxofre vai usar esse estudo para várias coisas, não só para o petróleo. O mesmo pode ser dito do sujeito que estuda nanotecnologia para sensibilidade de superfície de tubulações, ou está desenvolvendo sistemas de informática para entendimento de comportamento dos reservatórios, que são intensivos em processamento de dados. É um complexo de pesquisa e desenvolvimento que não é só voltado para o petróleo.
-Por que a Petrobrás se expandiu “tanto” nos últimos anos. Isso não “piora a competição” e a eficiência? [Isto é, o 'Estadão' reclama que o desenvolvimento da Petrobras piora a situação relativa das grandes petrolíferas estrangeiras, defendidas pelos tucanos].
Está estatisticamente comprovado que a empresa petrolífera integrada é mais rentável no longo prazo do que as dedicadas exclusivamente ao “upstream” (exploração e produção), ou ao "downstream" (refino, distribuição etc.). Dado o tamanho da Petrobrás no mercado brasileiro, a integração é mais importante ainda. Nós importamos todos os tipos de derivados hoje, porque a última refinaria construída no Brasil foi em 1980. E, agora, uma nova refinaria vai entrar em operação em 2013 (Abreu e Lima, em Pernambuco). Sem nova refinaria, nós sairíamos de uma situação, hoje, em que importamos mais ou menos 10% a 15% do mercado brasileiro, para importar 45% daqui a dez anos. E qualquer empresa que esteja no controle desse mercado vai investir para garantir sua posição, mesmo sabendo que as margens de refinaria são muito mais voláteis do que as margens na exploração e produção.
-Qual a vantagem da política de preços de derivados da Petrobrás, que hoje provoca perdas?
A grande vantagem dessa política é ter estabilização do fluxo de caixa da empresa. O desabamento dos preços depois da crise global foi um desastre para o fluxo de caixa de muitas empresas petrolíferas, mas não atingiu a Petrobrás.
-O Sr se preocupa com a queda das ações da Petrobrás (as ON caíram 8,28% na sexta, com o mau resultado do 4º trimestre)?
Descobri, recentemente, informação técnica importante: em cada dez ações negociadas da Petrobrás no mercado de Nova York, nove são negociadas por robôs. São negociações indexadas, ou seja, a decisão de vender ou comprar as ações são feitas com base em algoritmos computacionais com ordens automáticas. Só uma em dez tem decisão de um gestor baseada em expectativas. O movimento das ações da Petrobrás tem a ver muito mais com a dinâmica dessas operações do que com a decisão de um acionista minoritário que está revoltado porque a Petrobrás está dando menos lucro do que ele queria.”
FONTE: reportagem de Fernando Dantas, do “O Estado de S.Paulo”, transcrita no blog de Luis Favre (http://blogdofavre.ig.com.br/2012/02/no-modelo-do-pre-sal-a-petrobras-dirige-o-processo/) [Imagem do Google e trechos entre colchetes adicionados por este blog ‘democracia&política’]
ACORDO BRASIL-MÉXICO ENCOBRE IMPORTAÇÃO SEM IMPOSTOS DE CARROS DOS EUA
[Eu quero que você se acostume com isso]
ACORDO AUTOMOTIVO É [DEVERIA SER] COM MÉXICO, NÃO COM OS EUA
Por Brizola Neto
“Foi preciso que uma agência de notícias estrangeira – a Reuters - viesse esclarecer as razões do governo brasileiro sobre [rever] o acordo com o México, que isenta de taxação a importação de automóveis entre os dois países.
Passamos uma semana ouvindo “sumidades” dizendo que o Brasil reclamava do acordo porque, de alguns anos para cá, a balança virou em desfavor de nosso país, quando antes nos era benéfica.
Aí vem a Reuters e explica: o problema é que, segundo uma fonte ouvida pela agência, atualmente “apenas 20 por cento das peças dos carros produzidos no México e importados para o Brasil são produzidas naquele país e o restante é proveniente dos Estados Unidos, usando acordos firmados no âmbito do NAFTA”.
O NAFTA, como se sabe é o “North American Free Trade Agreement”, “Tratado de Livre Comércio da América do Norte”, que isenta de impostos a importação entre México, EUA e Canadá.
Nessas condições, estamos [de fato] comprando mais de US$ 2 bilhões em veículos, na prática, fabricados nos EUA, com isenção de impostos que estamos negando aos chineses e coreanos. Foram 134,6 mil veículos em 2011, 80% a mais do que em 2010.
Mais que um contrasenso, um absurdo.
A mídia brasileira [sempre antinacional e pró-EUA], porém, prefere tratar como se fosse um problema com o México. Não é. É com o Tio Sam de sombrero que o NAFTA criou.”
FONTE: escrito por Brizola Neto em seu blog “Tijolaço” (http://www.tijolaco.com/acordo-automotivo-e-com-mexico-nao-com-os-eua/). [título e trechos entre colchetes adicionados por este blog 'democracia&política']
COMPLEMENTAÇÃO deste blog ‘democracia&política’
Sobre o texto acima, de Brizola Neto, recebi o muito bom comentário abaixo, com questionamentos do leitor “Bomba11”. As minhas rápidas respostas, sem outras pesquisas e grandes elaborações de texto, estão apresentadas a seguir. Achei útil para o melhor conhecimento do assunto transcrever nesta página do blog as perguntas e respostas:
1) QUESTÕES
bomba11 disse...
"Eu gostaria de te fazer umas perguntas.
Primeiramente, você acha que foi correta a decisão do governo de aumentar os impostos sobre carros importados, ou acha que teria sido melhor desonerar os feitos aqui?
Você acredita também que as medidas para protegerem nosso mercado automotivo vão ajudar as montadoras aqui instaladas se tornarem mais competitivas no mercado internacional, ou acha que vão acomodá-las?
Gostaria de saber também se você está satisfeita com o nível tecnológico dos nossos carros, e se acha o preço cobrado por eles justo.
Pergunto também se acredita que os importados, antes desse aumento de ipi, estavam forçando as montadoras que produzem aqui a se tornarem mais competitivas.
Sobre questões legais, você acha que foi acertado o aumento imediato de ipi, sem esperar 90 dias; e acha que feriu mesmo as regras da omc, como dizem alguns?
Acha também que o nosso país deveria se fechar ainda mais pro comércio internacional cancelando o acordo com o México, ou deveria assinar outros, com outros países?
Queria saber também o que você pensa que acontecerá com os funcionários dessas montadoras afetadas pelo aumento de imposto.
Por fim, a última pergunta. Eu achei estranho o governo brasileiro vir querer revisar o acordo com o México justo quando a balança nos foi desfavorável. Você acredita que isso foi coincidência, ou acha que só descobriram agora que os mexicanos exigem apenas 20% de peças locais?"
2) RESPOSTAS
Bomba11,
Opino sobre suas questões acima apresentadas.
--Alguns conceitos envolvem interesses nacionais mais amplos e estão acima de benefícios para montadoras ou importadoras X ou Y.
--Por exemplo, a manutenção e criação de empregos no Brasil deve ser consideração prioritária. Mesmo que esses empregos sejam criados por montadoras multinacionais, como é o caso brasileiro.
--Se a nova taxação de importações (IPI) visa a impedir que carros simplesmente importados tenham benefício não concedido a empresas que criam mais empregos no Brasil com a fabricação aqui, mesmo que parcial, acho correta e justa a elevação do imposto IPI que retire vantagens e benefícios às importadoras, equilibre as condições de concorrência no mercado nacional e evite desemprego.
--Deixar o importador isento de impostos competir com montadoras nacionais taxadas, com o argumento de assim “forçá-las a ser competitivas” seria estranha medida suicida. Mataria as montadoras nacionais, antes de elas, utopicamente, “tornarem-se competitivas” naquelas condições desiguais de luta pelo mercado. Em analogia rasteira, seria como obrigar a seleção brasileira de futebol a jogar algemada na Copa contra as seleções da China, EUA etc, para forçar nossos jogadores serem “mais competitivos”.
--Concordo que a correção em pauta, com a retirada de algumas atuais vantagens dos importadores, pode, eventualmente, causar algum desemprego no setor de venda de carros importados, mas certamente evitará muito maior desemprego nas montadoras nacionais.
--Desonerar as montadoras aqui instaladas, para assim terem o mesmo benefício de isenção ou de baixos impostos concedido aos importadores, é medida complexa e altamente polêmica. Nenhum Estado pode exercer suas funções sem arrecadar impostos. Por que essa bondosa isenção para as importadoras e montadoras de carros se outros setores da economia, tão ou mais importantes, não podem ficar isentos?
--Quanto a eu estar “satisfeita com o nível tecnológico dos nossos carros”, e se “acho o preço cobrado por eles justo”, expresso o seguinte: a luta por melhores tecnologias e menores custos, em todos os setores, é permanente. Nunca deveremos estar acomodados.
--Não tive acesso às planilhas de custos de produção e comercialização dos carros nacionais e dos importados para saber se os preços que nos são cobrados são justos.
--Não conheço as sutilezas da legislação sobre importação para saber se o Brasil deveria postergar a decisão de corrigir anomalias por meio do IPI e se essa correção fere regras da OMC. Para mim, de modo geral, identificado o problema, quanto mais cedo corrigi-lo melhor.
--Não acho que o Brasil deva cancelar o acordo com o México e se fechar ao comércio internacional. Contudo, é normal, permanente e obrigatório o esforço para aperfeiçoar acordos, defendendo interesses nacionais.
--Por fim, sobre somente agora, com a balança desfavorável, perceberem que o acordo em vigor com o México era somente um disfarce, uma tapiação de “maquiadoras” para dar descabido e não recíproco benefício aos EUA, eu apenas comento: antes corrigir tarde do que nunca.
(Ver demais comentários e respostas abaixo)
Maria Tereza
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