Há muito tempo tenho admiração pelos lúcidos textos do jornalista, economista e blogueiro Luis Nassif. Quando criei este blog em janeiro último, imediatamente coloquei o “blog do Nassif” na lista dos endereços recomendados.
Contudo, ele, ultimamente, me causa perplexidade, por vezes. Por exemplo, ao ler ontem um texto dele em seu blog, pensei que era de autoria de Míriam Leitão, consagrada na TV Globo, desde janeiro de 2003, como comentarista e catastrofista de todas as políticas econômicas e financeiras do governo do Presidente Lula.
Cito o caso da elevação do Brasil ao nível de recomendação de investimento por importantes agências de classificação de risco dos EUA e Canadá. Toda a mídia internacional comentou como muito positivo o novo grau do Brasil de “investment grade”. Míriam Leitão não achou. A grande mídia brasileira não achou. E Luis Nassif também não. Tenho a convicção de que a mídia nacional estaria em euforia orgásmica se a referida menção honrosa ao Brasil houvesse sido conferida durante o governo PSDB/FHC/PFL-DEM.
Vejamos a postagem de Luis Nassif ontem (30/05):
“O GRAU DE INVESTIMENTO”
“Laderia abaixo. Provavelmente hoje em dia as exportações correntes já estejam correndo atrás das importações. O que há é um fluxo financeiro de antecipação de contratos. Mesmo assim, grau de investimento de um lado, juros altos do outro, mantém o dólar em queda. Quero ver o que essas agências irão explicar aos seus clientes quando sobrevier o nó nas contas externas brasileiras.”
Não compreendo esse novo miriamleitonismo de Nassif. Sempre acreditei nos seus pontos-de-vista. Com certeza, ele aponta fragilidades reais da economia brasileira. Tudo bem. Mas daí a acharmos que foi ruim o "investment grade" para o Brasil há muita diferença. Seria desejar, como corolário, que fôssemos rebaixados por apresentar alto risco de inadimplência.
A propósito, revejo, numa pasta que reencontrei, o seguinte registro antigo de valioso artigo dele que eu havia guardado.
RECORTES-8: A RUÍNA FHC
SÉRIE “RECORTES”
Antes, uma explicação. Inaugurei esta série em 18 de maio. Este é o oitavo artigo. A série começou porque achei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, trago à luz uma anotação que fiz de trechos do texto de Luis Nassif publicado na Folha de São Paulo de 30 de março de 2005:
“O governo FHC/PSDB torrou o patrimônio brasileiro, dizendo que usaria o dinheiro arrecadado nas privatizações (US$ 105 bilhões) para abater a dívida pública. Conseguiu dobrá-la.”
“Em 1995, a relação dívida/PIB estava em 30%. Elevaram para 66,5% em 2002.”
“Os mandarins de Washington e os sábios locais, que atrelam sonoras doutrinas econômicas a vulgares interesses municipais”. “A manutenção do dólar a R$ 1,20 durante o ano eleitoral de 1998 foi o mais grosseiro exemplo de manipulação e ruína da economia do país para atender um propósito político: a reeleição de FHC, que interessava àqueles sábios de Washington e à tecnocracia brasileira, vergonhosamente comprometida com a banca internacional”.
Concluo: quem escreve um texto claro e verdadeiro como esse acima não pode agora estar a reboque de Míriam Leitão.
sábado, 31 de maio de 2008
O ESCÂNDALO ALSTOM x PSDB – NOVO BLOG ESPECÍFICO
Ontem, 30 de maio, postei o artigo “Propina a Tucanos”, onde relatei o raro fato de o jornal "O Estado de São Paulo" publicar texto contra o PSDB!
Estranhei a publicação e expressei, buscando uma explicação: “Isso é uma raridade na nossa grande imprensa. Será, novamente, que buscam o "efeito vacina" (dose pequena e suave), como a tática já utilizada no caso dos cartões corporativos, os quais, na realidade, são muito mais utilizados e fraudados no governo tucano de Serra?”
Hoje, o blog do Favre mencionou a tentativa da Folha de São Paulo de esconder os fatos imorais da administração tucana. Escreveu Luis Favre:
“Três tucanos e um propinódromo”
“Enquanto a Folha SP procura tratar o caso Alstom como uma disputa política PT-PSDB (depois de tentar jogar o caso no colo do PT), o jornal O Estado de São Paulo continua desvendando os meandros da corrupção que paira sobre os contratos da Alstom com o governo de São Paulo.
Depois do “furo” sobre o pagamento de propina a tucanos, o Estadão informa que o montante de algumas das comissões era de 15% sobre o valor total dos contratos. O jornal mostra por quais mecanismos a propina era transferida.
Segundo O Estado de SP, três tucanos estariam entre os suspeitos, e os três são de alta plumagem. Um, ex-genro de FHC; um outro, braço direito de Kassab, Serra e Alckmin; e o terceiro, o atual titular da Secretaría Estadual de Transportes.
Tudo durante o governo Covas-Alckmin. Estando, assim, o centro da tucanagem sob suspeita e a investigação rolando, não surpreende o pouco caso que o conjunto da mídia dá ao escandalo.”
NOVO BLOG ESPECÍFICO ALSTOM x PSDB
Desejo agora ressaltar que o blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas (ver “recomendamos” na lista à direita), criou ontem um pertinente e oportuno blog específico para esse escândalo.
É uma ótima iniciativa para a melhor informação ao público, pois, como já era de se esperar, a fraude não recebe a mesma cobertura que a mídia dedica a outros casos sem importância, como a CPI da Mandioca. O texto do blog “Por um novo Brasil”, que comunica a abertura do novo blog específico para o caso, foi:
“Amigos e leitores,
“Como o caso Alstom e os tucanos promete ser longo, cheio de novidades das investigações, nacional e internacional, criei um blog só para o assunto Alstom e os tucanos. Lá serão publicadas as notícias sobre o desenrolar das investigações. Quem é quem no caso Alstom, quem recebeu propina, quem pagou, e como tudo começou. O endereço é: "http://tucanoalstom.blogspot.com/”
P.S.- CORREÇÃO: posteriormente, devido a bloqueios no blog acima, o "Por um novo Brasil" informou o endereço alternativo para o "Caso Alstom e os Tucanos": http://casoalstomeostucanos.zip.net/. Em 03/06, comunicou a reabertura definitiva do original http://tucanoalstom.blogspot.com/.
Hoje, fui no endereço acima indicado e ele está encabeçado com a seguinte postagem:
“BOMBA!!! GENRO DE FHC, envolvido nos negócios da Alstom
“No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estiveram à frente da Secretaria de Energia de São Paulo - que comandava a Eletropaulo - o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn (deixou o cargo em janeiro de 1998, ao assumir a direção geral da Agência Nacional de Petróleo), o atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce.
Um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom brasileira disse ao Estado, com a condição de que sua identidade não fosse revelada, que alguns fornecedores emitiam notas fiscais com valores alterados e/ou produtos e serviços nunca entregues ou executados. Segundo o funcionário, o valor da propina entrava no custo total do projeto, deixando a verba diluída com o custo de fornecimento de materiais, produtos e serviços.
De todas as offshores identificadas, a que mais depósitos teria recebido é a MCA Uruguay Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e contas em um banco na Suíça e outro em Luxemburgo: 21,8 milhões de francos franceses, ou R$ 8,7 milhões.
A MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Junior. A empresa também aparece em operações relacionadas ao caso Banestado, investigação que identificou milhares de remessas ilegais de brasileiros para o exterior por intermédio de doleiros.
A documentação apreendida pelas autoridades suíças aponta que também integrariam o esquema a Taltos Ltda, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e administrada José Geraldo Villas Boas, que entre 1975 e 1977 presidiu a Associação dos Engenheiros das Companhias Energéticas no Estado de São Paulo (Aecesp). Por intermédio da Taltos, teriam sido depositados pela Alstom no exterior 7,6 milhões de francos franceses, equivalentes a R$ 3 milhões atualmente.
Também foram identificadas as offshores Splendore y Associados, com escritório fantasma que teria sede em São Paulo, mas não consta na Junta Comercial, e a Andros Management, sediada nas Bahamas. As duas eram administradas por franco-brasileiros. A Splendore seria do banqueiro aposentado Jean Marie Lannelongue.
O esquema envolvia ainda outras duas offshores - Janus Holding e a "Compania de Asesores de Energia S.A".Há registro de um caso em que as comissões teriam sido pagas no Brasil, diretamente à empresa de consultoria. Trata-se da construtora Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos Ltda, localizada na pequena cidade de Monteiro Lobato, de 3,7 mil habitantes, na região de São José dos Campos.
PROPINAS AOS TUCANOS
Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para repassar propinas a autoridades e políticos TUCANOS entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.
34 MILHÕES
Documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que chegaram ontem ao Ministério da Justiça, revelam que, nesse período, o dinheiro com origem e contabilidade suspeitas soma pelo menos 34 milhões de francos franceses. O valor atualizado das "comissões" supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões.
Offshores são empresas constituídas em paraísos fiscais, onde gozam de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as investigações.
GRATIFICAÇÕES ILÍCITAS AO GOVERNO COVAS
Os investigadores suíços tratam esses recursos como "gratificações ilícitas" por estarem atrelados a contratos de consultoria que, pelo cruzamento de informações, foram avaliados como trabalhos fictícios.
As "comissões", segundo os documentos suíços, foram formalizadas por intermédio dos contratos de consultoria de abril a outubro de 1998 - governo Mário Covas -, quando a Alstom T&D (Transmission and Distribution) e a Eletropaulo discutiam um contrato aditivo à obra de reforma e expansão do Metrô de São Paulo. Parte dos repasses era realizada pela empresa Cegelec, também pertencente ao grupo Alstom.
http://www.blogdoonipresente.blogspot.com/”
Estranhei a publicação e expressei, buscando uma explicação: “Isso é uma raridade na nossa grande imprensa. Será, novamente, que buscam o "efeito vacina" (dose pequena e suave), como a tática já utilizada no caso dos cartões corporativos, os quais, na realidade, são muito mais utilizados e fraudados no governo tucano de Serra?”
Hoje, o blog do Favre mencionou a tentativa da Folha de São Paulo de esconder os fatos imorais da administração tucana. Escreveu Luis Favre:
“Três tucanos e um propinódromo”
“Enquanto a Folha SP procura tratar o caso Alstom como uma disputa política PT-PSDB (depois de tentar jogar o caso no colo do PT), o jornal O Estado de São Paulo continua desvendando os meandros da corrupção que paira sobre os contratos da Alstom com o governo de São Paulo.
Depois do “furo” sobre o pagamento de propina a tucanos, o Estadão informa que o montante de algumas das comissões era de 15% sobre o valor total dos contratos. O jornal mostra por quais mecanismos a propina era transferida.
Segundo O Estado de SP, três tucanos estariam entre os suspeitos, e os três são de alta plumagem. Um, ex-genro de FHC; um outro, braço direito de Kassab, Serra e Alckmin; e o terceiro, o atual titular da Secretaría Estadual de Transportes.
Tudo durante o governo Covas-Alckmin. Estando, assim, o centro da tucanagem sob suspeita e a investigação rolando, não surpreende o pouco caso que o conjunto da mídia dá ao escandalo.”
NOVO BLOG ESPECÍFICO ALSTOM x PSDB
Desejo agora ressaltar que o blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas (ver “recomendamos” na lista à direita), criou ontem um pertinente e oportuno blog específico para esse escândalo.
É uma ótima iniciativa para a melhor informação ao público, pois, como já era de se esperar, a fraude não recebe a mesma cobertura que a mídia dedica a outros casos sem importância, como a CPI da Mandioca. O texto do blog “Por um novo Brasil”, que comunica a abertura do novo blog específico para o caso, foi:
“Amigos e leitores,
“Como o caso Alstom e os tucanos promete ser longo, cheio de novidades das investigações, nacional e internacional, criei um blog só para o assunto Alstom e os tucanos. Lá serão publicadas as notícias sobre o desenrolar das investigações. Quem é quem no caso Alstom, quem recebeu propina, quem pagou, e como tudo começou. O endereço é: "http://tucanoalstom.blogspot.com/”
P.S.- CORREÇÃO: posteriormente, devido a bloqueios no blog acima, o "Por um novo Brasil" informou o endereço alternativo para o "Caso Alstom e os Tucanos": http://casoalstomeostucanos.zip.net/. Em 03/06, comunicou a reabertura definitiva do original http://tucanoalstom.blogspot.com/.
Hoje, fui no endereço acima indicado e ele está encabeçado com a seguinte postagem:
“BOMBA!!! GENRO DE FHC, envolvido nos negócios da Alstom
“No período de negociação e da assinatura dos contratos de consultoria estiveram à frente da Secretaria de Energia de São Paulo - que comandava a Eletropaulo - o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn (deixou o cargo em janeiro de 1998, ao assumir a direção geral da Agência Nacional de Petróleo), o atual secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o atual secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce.
Um ex-funcionário do setor de finanças da Alstom brasileira disse ao Estado, com a condição de que sua identidade não fosse revelada, que alguns fornecedores emitiam notas fiscais com valores alterados e/ou produtos e serviços nunca entregues ou executados. Segundo o funcionário, o valor da propina entrava no custo total do projeto, deixando a verba diluída com o custo de fornecimento de materiais, produtos e serviços.
De todas as offshores identificadas, a que mais depósitos teria recebido é a MCA Uruguay Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e contas em um banco na Suíça e outro em Luxemburgo: 21,8 milhões de francos franceses, ou R$ 8,7 milhões.
A MCA era administrada pelo brasileiro Romeu Pinto Junior. A empresa também aparece em operações relacionadas ao caso Banestado, investigação que identificou milhares de remessas ilegais de brasileiros para o exterior por intermédio de doleiros.
A documentação apreendida pelas autoridades suíças aponta que também integrariam o esquema a Taltos Ltda, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e administrada José Geraldo Villas Boas, que entre 1975 e 1977 presidiu a Associação dos Engenheiros das Companhias Energéticas no Estado de São Paulo (Aecesp). Por intermédio da Taltos, teriam sido depositados pela Alstom no exterior 7,6 milhões de francos franceses, equivalentes a R$ 3 milhões atualmente.
Também foram identificadas as offshores Splendore y Associados, com escritório fantasma que teria sede em São Paulo, mas não consta na Junta Comercial, e a Andros Management, sediada nas Bahamas. As duas eram administradas por franco-brasileiros. A Splendore seria do banqueiro aposentado Jean Marie Lannelongue.
O esquema envolvia ainda outras duas offshores - Janus Holding e a "Compania de Asesores de Energia S.A".Há registro de um caso em que as comissões teriam sido pagas no Brasil, diretamente à empresa de consultoria. Trata-se da construtora Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos Ltda, localizada na pequena cidade de Monteiro Lobato, de 3,7 mil habitantes, na região de São José dos Campos.
PROPINAS AOS TUCANOS
Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para repassar propinas a autoridades e políticos TUCANOS entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.
34 MILHÕES
Documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que chegaram ontem ao Ministério da Justiça, revelam que, nesse período, o dinheiro com origem e contabilidade suspeitas soma pelo menos 34 milhões de francos franceses. O valor atualizado das "comissões" supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões.
Offshores são empresas constituídas em paraísos fiscais, onde gozam de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as investigações.
GRATIFICAÇÕES ILÍCITAS AO GOVERNO COVAS
Os investigadores suíços tratam esses recursos como "gratificações ilícitas" por estarem atrelados a contratos de consultoria que, pelo cruzamento de informações, foram avaliados como trabalhos fictícios.
As "comissões", segundo os documentos suíços, foram formalizadas por intermédio dos contratos de consultoria de abril a outubro de 1998 - governo Mário Covas -, quando a Alstom T&D (Transmission and Distribution) e a Eletropaulo discutiam um contrato aditivo à obra de reforma e expansão do Metrô de São Paulo. Parte dos repasses era realizada pela empresa Cegelec, também pertencente ao grupo Alstom.
http://www.blogdoonipresente.blogspot.com/”
sexta-feira, 30 de maio de 2008
RECORTES-7: O BRASIL DO PSDB: O LIBERALISMO ECONÔMICO E A POBREZA
SÉRIE “RECORTES”
Inaugurei esta série em 18 de maio. Este é o sétimo artigo.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, trago à luz um recorte com o editorial de 22 de setembro de 1999 do jornal tucano e hoje serrista “Folha de São Paulo”, escrito em plena era PSDB/FHC/PFL-DEM.
Por que escolhi esse texto? Porque a mídia, inclusive o mesmo citado jornal, e parte da população (a mais privilegiada) batalham intensamente pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder este ano e em 2010. Assim, é um serviço até de utilidade pública relembrar aos eleitores como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos.
Todos sabemos da liberalização e da privatização (estrangeirização) extremadas da economia brasileira conduzida por eles na década de 90. E assim fizeram sem exigir reciprocidade dos países ricos e industrializados, que foram os principais interessados e beneficiários daquela nossa dita “modernizante” e dadivosa abertura “neoliberal”.
Mas, foi bom?
Para responder a essa pergunta, transcrevo o referido editorial da Folha. Ele aponta indireta e respeitosamente os erros dos tucanos. Foi uma cerimoniosa ginástica do jornal para transmitir aquelas revelações, pois ele sempre foi um importante apoiador e pautador daquele governo:
“POBRES AINDA MAIS POBRES”
Os surtos de desenvolvimento econômico vividos por países periféricos ficaram conhecidos com “milagres”. A crise recente torna essa expressão cada vez mais adequada.
É o que revela o relatório da Unctad divulgado na última segunda-feira. Seus dados mostram que, em 1998, pela primeira vez nesta década, os países em desenvolvimento cresceram menos que os países ricos. Ou seja, os ricos ficaram mais ricos e os pobres ainda mais pobres.
Somente dois países emergentes escaparam a essa sina: China e Índia. Não por acaso, sublinham os técnicos das Nações Unidas, foram nesses dois casos que se registrou a maior capacidade de resistência à liberalização econômica.
O relatório da Unctad surge logo após a divulgação de outro estudo, preparado pelo Banco Mundial, sugerindo a mesma conclusão: o liberalismo sem condições, a abertura comercial, beneficiou os países mais ricos e suas multinacionais, enquanto a miséria, a desigualdade e o atraso econômico continuaram a dominar o cenário nos países mais pobres.
O relatório da Unctad também lança dúvidas sobre as perspectivas de recuperação das economias emergentes nos próximos anos. O cenário financeiro mundial será marcado pela fragilidade e por novos ricos. E a Unctad alerta para uma mudança de comportamento de governos que, não mais temendo uma recessão global, ficaram complacentes.
Na América Latina, em especial no Brasil, há um novo alerta sobre os níveis excessivos de endividamento e dependência de capitais externos.
Nada disso é novo. Infelizmente, os economistas mais críticos, que há anos vinham alertando para os riscos da liberalização excessiva, encontraram ouvidos de mercador entre certas elites que se beneficiavam dos créditos externos então baratos.
Agora, a conta está chegando e, como sempre, será paga pela maioria mais pobre e, graças à onda de liberalização das economias em desenvolvimento, ainda mais desprotegida.”
Inaugurei esta série em 18 de maio. Este é o sétimo artigo.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, trago à luz um recorte com o editorial de 22 de setembro de 1999 do jornal tucano e hoje serrista “Folha de São Paulo”, escrito em plena era PSDB/FHC/PFL-DEM.
Por que escolhi esse texto? Porque a mídia, inclusive o mesmo citado jornal, e parte da população (a mais privilegiada) batalham intensamente pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder este ano e em 2010. Assim, é um serviço até de utilidade pública relembrar aos eleitores como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos.
Todos sabemos da liberalização e da privatização (estrangeirização) extremadas da economia brasileira conduzida por eles na década de 90. E assim fizeram sem exigir reciprocidade dos países ricos e industrializados, que foram os principais interessados e beneficiários daquela nossa dita “modernizante” e dadivosa abertura “neoliberal”.
Mas, foi bom?
Para responder a essa pergunta, transcrevo o referido editorial da Folha. Ele aponta indireta e respeitosamente os erros dos tucanos. Foi uma cerimoniosa ginástica do jornal para transmitir aquelas revelações, pois ele sempre foi um importante apoiador e pautador daquele governo:
“POBRES AINDA MAIS POBRES”
Os surtos de desenvolvimento econômico vividos por países periféricos ficaram conhecidos com “milagres”. A crise recente torna essa expressão cada vez mais adequada.
É o que revela o relatório da Unctad divulgado na última segunda-feira. Seus dados mostram que, em 1998, pela primeira vez nesta década, os países em desenvolvimento cresceram menos que os países ricos. Ou seja, os ricos ficaram mais ricos e os pobres ainda mais pobres.
Somente dois países emergentes escaparam a essa sina: China e Índia. Não por acaso, sublinham os técnicos das Nações Unidas, foram nesses dois casos que se registrou a maior capacidade de resistência à liberalização econômica.
O relatório da Unctad surge logo após a divulgação de outro estudo, preparado pelo Banco Mundial, sugerindo a mesma conclusão: o liberalismo sem condições, a abertura comercial, beneficiou os países mais ricos e suas multinacionais, enquanto a miséria, a desigualdade e o atraso econômico continuaram a dominar o cenário nos países mais pobres.
O relatório da Unctad também lança dúvidas sobre as perspectivas de recuperação das economias emergentes nos próximos anos. O cenário financeiro mundial será marcado pela fragilidade e por novos ricos. E a Unctad alerta para uma mudança de comportamento de governos que, não mais temendo uma recessão global, ficaram complacentes.
Na América Latina, em especial no Brasil, há um novo alerta sobre os níveis excessivos de endividamento e dependência de capitais externos.
Nada disso é novo. Infelizmente, os economistas mais críticos, que há anos vinham alertando para os riscos da liberalização excessiva, encontraram ouvidos de mercador entre certas elites que se beneficiavam dos créditos externos então baratos.
Agora, a conta está chegando e, como sempre, será paga pela maioria mais pobre e, graças à onda de liberalização das economias em desenvolvimento, ainda mais desprotegida.”
PROPINA A TUCANOS
O jornal "O Estado de São Paulo" de hoje publicou texto contra o PSDB, de Sônia Filgueiras e Eduardo Reina. Isso é uma raridade na nossa grande imprensa. Será, novamente, que buscam o "efeito vacina" (dose pequena e suave), como a tática utilizada no caso dos cartões corporativos, os quais, na realidade, são muito mais utilizados e fraudados no governo tucano de Serra?
O blog do Noblat reproduziu o seguinte trecho:
"PARA SUIÇA, ALSTOM USOU OFFSHORES EM PROPINA A TUCANOS"
"Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.
Documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que chegaram ontem ao Ministério da Justiça, revelam que, nesse período, o dinheiro com origem e contabilidade suspeitas soma pelo menos 34 milhões de francos franceses. O valor atualizado das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões.
Offshores são empresas constituídas em paraísos fiscais, onde gozam de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as investigações.
Os investigadores suíços tratam esses recursos como “gratificações ilícitas” por estarem atrelados a contratos de consultoria que, pelo cruzamento de informações, foram avaliados como trabalhos fictícios.
As “comissões”, segundo os documentos suíços, foram formalizadas por intermédio dos contratos de consultoria de abril a outubro de 1998 - governo Mário Covas -, quando a Alstom T&D (Transmission and Distribution) e a Eletropaulo discutiam um contrato aditivo à obra de reforma e expansão do Metrô de São Paulo. Parte dos repasses era realizada pela empresa Cegelec, também pertencente ao grupo Alstom."
O blog do Noblat reproduziu o seguinte trecho:
"PARA SUIÇA, ALSTOM USOU OFFSHORES EM PROPINA A TUCANOS"
"Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada.
Documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça, que chegaram ontem ao Ministério da Justiça, revelam que, nesse período, o dinheiro com origem e contabilidade suspeitas soma pelo menos 34 milhões de francos franceses. O valor atualizado das “comissões” supostamente pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões.
Offshores são empresas constituídas em paraísos fiscais, onde gozam de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as investigações.
Os investigadores suíços tratam esses recursos como “gratificações ilícitas” por estarem atrelados a contratos de consultoria que, pelo cruzamento de informações, foram avaliados como trabalhos fictícios.
As “comissões”, segundo os documentos suíços, foram formalizadas por intermédio dos contratos de consultoria de abril a outubro de 1998 - governo Mário Covas -, quando a Alstom T&D (Transmission and Distribution) e a Eletropaulo discutiam um contrato aditivo à obra de reforma e expansão do Metrô de São Paulo. Parte dos repasses era realizada pela empresa Cegelec, também pertencente ao grupo Alstom."
SEBASTIÃO NERY: “NÃO HÁ INDIO YANOMAMI”
Anteontem, postei um artigo sobre o problema indígena no Brasil e os interesses das grandes potências sobre a Amazônia brasileira. Sugiro a sua leitura. Nele, abordei a interferência formal e documentada do governo norte-americano na criação da área Yanomami.
Hoje, li um bom texto sobre esses índios de autoria do decano jornalista Sebastião Nery. Foi postado em 25 de maio no blog “de um sem mídia” (ver lista “recomendamos”).
Sebastião Nery é advogado, professor de Latim e Português, nascido em 1932, jornalista há 52 anos. Foi adido cultural do Brasil em Roma entre 1990 e 91, e em Paris entre 1992 e 93. Atualmente, escreve uma coluna diária publicada em jornais de 20 estados.
Antes de transcrever o artigo de Sebastião Nery, este blog faz uma ressalva. Mesmo que estudos posteriores aos dos cientistas citados no seu texto tenham demonstrado a existência de esparsos índios Yanomamis, isto não invalida os conceitos por ele apresentados, de imposição de atos oficiais no Brasil por interesses estrangeiros.
Até hoje, não há sustentação para a opinião de que eles formam uma grande “Nação” binacional (sobre o Brasil e a Venezuela) organizada sobre aquele imenso território, maior que a Áustria ou Portugal somente na parte sobre o território brasileiro.
Também, a demonstração da existência desses índios não invalidaria os exemplos de Sebastião Nery quanto às fortíssimas ingerências externas para a criação de extensas áreas indígenas em regiões estratégica e economicamente importantes da Amazônia, citadas no texto a seguir e já comprovadas no artigo de 28 de maio deste blog.
Nessas iniciativas das grandes potências, há claras evidências de preparação de ações mais graves num futuro não tão distante, com risco de reais perdas territoriais para o Brasil.
“NÃO HÁ ÍNDIO YANOMAMI”
“Em abril de 91, o príncipe Charles, da Inglaterra, aquele que trocou a deusa Diana pela bruxa Camila, promoveu, a bordo do iate real inglês Brittania, ancorado no rio Amazonas, um seminário de dois dias.
Estavam lá David Triper, ministro do Meio Ambiente da Inglaterra, William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, Robert Horton, presidente da Britsh Petroleum, e o ministro brasileiro José Lutzenberger, do Meio Ambiente (governo Collor).
No dia 15 de novembro de 91, o ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, assinou a portaria 580, criando a Reserva Indígena dos Ianomâmis: uma área contínua de 91 mil quilometros quadrados, na fronteira de Roraima e do Amazonas com a Venezuela.
PRÍNCIPE CHARLES
No começo de 2000, quando a população de Roraima se insurgiu contra a criação, em área contínua, da Reserva Indígena Raposa-Serra do Sol, o príncipe Charles, aquele que trocou a divina Diana pelo fantasma Camila, visitou a Guiana, onde participou da inauguração da “reserva ambiental” de Iwokrama, com 400 mil hectares, na região do rio Rupunini.
O secretário do Ministério de Relações Exteriores inglês, Paulo Taylor, e o secretário da embaixada britânica no Brasil, John Pearson, estiveram em Roraima “para conhecer de perto a realidade indígena”.
Em 15 de abril de 2005, o governo Lula assinou a criação, em terras contínuas, da Reserva Indigena Raposa-Serra do Sol: 1,75 milhão de hectares, cuja constitucionalidade o Supremo Tribunal está julgando.
Agora, o mesmo Charles, o príncipe cego, convidou governadores e parlamentares da Amazônia para uma “segunda rodada sobre a Amazônia” em Londres. O que eles querem? Fincar uma estaca inglesa na Amazônia.
CURT NIMUENDAJÚ
Do embaixador Adriano Benayon, recebo estudo sobre a gula externa pela Amazônia, com uma pesquisa do professor Mario Drumond:
“Consultei o “Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendajú” (IBGE/ MEC - edição de 1981), considerado exaustivo como estudo científico das tribos, etnias, migrações e populações índígenas no Brasil, e verifico que não se registra nele nenhuma tribo chamada “ianomami”, nem com I nem com Y, e nem com qualquer tipo de semelhança nominal ou ortográfica.
Significa, portanto, que não existe e nunca existiu tal tribo.
Os estudos e pesquisas do naturalista e etnólogo alemão Curt Unkel (que adotou o nome indígena de Curt Nimuendajú), realizados no Brasil ao longo de 40 anos (1905 e 1945) de ininterruptos trabalhos de campo, relacionam nominalmente, mapeiam (inclusive as migrações e perambulações) e comprovam cientificamente a existência de mais de 1.400 tribos indígenas de diferentes etnias em todo o território brasileiro, com ênfase na Amazônia e países fronteiriços a oeste e norte do Brasil. É considerado o mais importante e minucioso estudo jamais realizado em qualquer parte do mundo sobre as populações indigenas amazônicas”.
A FARSA
“A “nação indígena inomami” é uma patifaria, uma ficção histórico-indígena que vem se criando e desenrolando em conivência com interesses apátridas e antinacionais. Não existem índios inanomamis. Os que estão na “reserva” foram levados por ONGs controladas e financiadas por entidades estrangeiras, com a ajuda da FUNAI, a partir dos anos 70”.
“Tudo isso está documentado no livro “A Farsa Ianomâmi”, do coronel Carlos Alberto Menna Barreto, em trabalhos do coronel Gelio Fregapani e em artigo do almirante Gama e Silva: “Ianomâmi? Quem”?”
A AMEAÇA
Para que a perda de nossos territórios se torne também “de direito” basta que nações mandem os índios, que já controlam através de ONGs, entidades religiosas etc, proclamarem-se “cidadãos de países independentes” através da “independência” de países inventados, apoiados externamente.
Fantasia? Leiam a “Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas”, aprovada dias atrás pela ONU, inclusive com o voto do Brasil. É da maior gravidade, sobretudo se o Congresso aprovar e incorporar à Constituição, conforme o art. 5º, parágrafo 3º, da emenda nº 45, de 2004 :
“Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, que forem aprovados, em cada casa do Congresso, em dois turnos, por 3/5 dos votos, serão equivalentes às emendas constitucionais”
AUTONOMIA E GOVERNOS
A “Declaração” tem 46 artigos, uma ameaça ao país. Por exemplo:
Art. 4: “Os povos indígenas, no exercício de seu direito de livre determinação, têm direito à autonomia (sic) ou ao autogoverno (sic)... a reforçar suas instituições políticas, jurídicas, econômicas, sociais, culturais”
Art. 9: “Os povos indígenas têm direito a pertencer a uma comunidade ou nação (sic) indígena”.
Art. 26: “Os povos indígenas têm direito às terras, territórios e recursos que tradicionalmente tenham possuído, ocupado ou utilizado”.
Art. 30: “Não se desenvolverão atividades militares (sic) nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que tenham solicitado”.
Art. 36: “Os povos indígenas, sobretudo os separados por fronteiras internacionais (sic), têm direito de manter e desenvolver contatos, relações e cooperação com outros povos, através das fronteiras” (sic).”
Hoje, li um bom texto sobre esses índios de autoria do decano jornalista Sebastião Nery. Foi postado em 25 de maio no blog “de um sem mídia” (ver lista “recomendamos”).
Sebastião Nery é advogado, professor de Latim e Português, nascido em 1932, jornalista há 52 anos. Foi adido cultural do Brasil em Roma entre 1990 e 91, e em Paris entre 1992 e 93. Atualmente, escreve uma coluna diária publicada em jornais de 20 estados.
Antes de transcrever o artigo de Sebastião Nery, este blog faz uma ressalva. Mesmo que estudos posteriores aos dos cientistas citados no seu texto tenham demonstrado a existência de esparsos índios Yanomamis, isto não invalida os conceitos por ele apresentados, de imposição de atos oficiais no Brasil por interesses estrangeiros.
Até hoje, não há sustentação para a opinião de que eles formam uma grande “Nação” binacional (sobre o Brasil e a Venezuela) organizada sobre aquele imenso território, maior que a Áustria ou Portugal somente na parte sobre o território brasileiro.
Também, a demonstração da existência desses índios não invalidaria os exemplos de Sebastião Nery quanto às fortíssimas ingerências externas para a criação de extensas áreas indígenas em regiões estratégica e economicamente importantes da Amazônia, citadas no texto a seguir e já comprovadas no artigo de 28 de maio deste blog.
Nessas iniciativas das grandes potências, há claras evidências de preparação de ações mais graves num futuro não tão distante, com risco de reais perdas territoriais para o Brasil.
“NÃO HÁ ÍNDIO YANOMAMI”
“Em abril de 91, o príncipe Charles, da Inglaterra, aquele que trocou a deusa Diana pela bruxa Camila, promoveu, a bordo do iate real inglês Brittania, ancorado no rio Amazonas, um seminário de dois dias.
Estavam lá David Triper, ministro do Meio Ambiente da Inglaterra, William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, Robert Horton, presidente da Britsh Petroleum, e o ministro brasileiro José Lutzenberger, do Meio Ambiente (governo Collor).
No dia 15 de novembro de 91, o ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, assinou a portaria 580, criando a Reserva Indígena dos Ianomâmis: uma área contínua de 91 mil quilometros quadrados, na fronteira de Roraima e do Amazonas com a Venezuela.
PRÍNCIPE CHARLES
No começo de 2000, quando a população de Roraima se insurgiu contra a criação, em área contínua, da Reserva Indígena Raposa-Serra do Sol, o príncipe Charles, aquele que trocou a divina Diana pelo fantasma Camila, visitou a Guiana, onde participou da inauguração da “reserva ambiental” de Iwokrama, com 400 mil hectares, na região do rio Rupunini.
O secretário do Ministério de Relações Exteriores inglês, Paulo Taylor, e o secretário da embaixada britânica no Brasil, John Pearson, estiveram em Roraima “para conhecer de perto a realidade indígena”.
Em 15 de abril de 2005, o governo Lula assinou a criação, em terras contínuas, da Reserva Indigena Raposa-Serra do Sol: 1,75 milhão de hectares, cuja constitucionalidade o Supremo Tribunal está julgando.
Agora, o mesmo Charles, o príncipe cego, convidou governadores e parlamentares da Amazônia para uma “segunda rodada sobre a Amazônia” em Londres. O que eles querem? Fincar uma estaca inglesa na Amazônia.
CURT NIMUENDAJÚ
Do embaixador Adriano Benayon, recebo estudo sobre a gula externa pela Amazônia, com uma pesquisa do professor Mario Drumond:
“Consultei o “Mapa Etno-Histórico de Curt Nimuendajú” (IBGE/ MEC - edição de 1981), considerado exaustivo como estudo científico das tribos, etnias, migrações e populações índígenas no Brasil, e verifico que não se registra nele nenhuma tribo chamada “ianomami”, nem com I nem com Y, e nem com qualquer tipo de semelhança nominal ou ortográfica.
Significa, portanto, que não existe e nunca existiu tal tribo.
Os estudos e pesquisas do naturalista e etnólogo alemão Curt Unkel (que adotou o nome indígena de Curt Nimuendajú), realizados no Brasil ao longo de 40 anos (1905 e 1945) de ininterruptos trabalhos de campo, relacionam nominalmente, mapeiam (inclusive as migrações e perambulações) e comprovam cientificamente a existência de mais de 1.400 tribos indígenas de diferentes etnias em todo o território brasileiro, com ênfase na Amazônia e países fronteiriços a oeste e norte do Brasil. É considerado o mais importante e minucioso estudo jamais realizado em qualquer parte do mundo sobre as populações indigenas amazônicas”.
A FARSA
“A “nação indígena inomami” é uma patifaria, uma ficção histórico-indígena que vem se criando e desenrolando em conivência com interesses apátridas e antinacionais. Não existem índios inanomamis. Os que estão na “reserva” foram levados por ONGs controladas e financiadas por entidades estrangeiras, com a ajuda da FUNAI, a partir dos anos 70”.
“Tudo isso está documentado no livro “A Farsa Ianomâmi”, do coronel Carlos Alberto Menna Barreto, em trabalhos do coronel Gelio Fregapani e em artigo do almirante Gama e Silva: “Ianomâmi? Quem”?”
A AMEAÇA
Para que a perda de nossos territórios se torne também “de direito” basta que nações mandem os índios, que já controlam através de ONGs, entidades religiosas etc, proclamarem-se “cidadãos de países independentes” através da “independência” de países inventados, apoiados externamente.
Fantasia? Leiam a “Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas”, aprovada dias atrás pela ONU, inclusive com o voto do Brasil. É da maior gravidade, sobretudo se o Congresso aprovar e incorporar à Constituição, conforme o art. 5º, parágrafo 3º, da emenda nº 45, de 2004 :
“Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos, que forem aprovados, em cada casa do Congresso, em dois turnos, por 3/5 dos votos, serão equivalentes às emendas constitucionais”
AUTONOMIA E GOVERNOS
A “Declaração” tem 46 artigos, uma ameaça ao país. Por exemplo:
Art. 4: “Os povos indígenas, no exercício de seu direito de livre determinação, têm direito à autonomia (sic) ou ao autogoverno (sic)... a reforçar suas instituições políticas, jurídicas, econômicas, sociais, culturais”
Art. 9: “Os povos indígenas têm direito a pertencer a uma comunidade ou nação (sic) indígena”.
Art. 26: “Os povos indígenas têm direito às terras, territórios e recursos que tradicionalmente tenham possuído, ocupado ou utilizado”.
Art. 30: “Não se desenvolverão atividades militares (sic) nas terras ou territórios dos povos indígenas, a menos que tenham solicitado”.
Art. 36: “Os povos indígenas, sobretudo os separados por fronteiras internacionais (sic), têm direito de manter e desenvolver contatos, relações e cooperação com outros povos, através das fronteiras” (sic).”
quinta-feira, 29 de maio de 2008
ISABELLA: A CULPA É DO PRESIDENTE LULA
O pai da menina assassinada, em caso que comoveu o país, já tem um emprego assegurado na grande imprensa. Ele culpa o governo Lula!...
Vejamos o seguinte texto da Agência Estado publicado hoje no portal UOL:
“São Paulo - O consultor jurídico Alexandre Nardoni, acusado juntamente com a mulher Anna Carolina Jatobá pela morte de sua filha Isabella, de 5 anos, se considera injustiçado, graças ao prejulgamento da imprensa. "O governo fez isso para esconder os problemas que estão acontecendo no País", desabafou ontem, na carceragem do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, enquanto esperava para ser interrogado.”
Vejamos o seguinte texto da Agência Estado publicado hoje no portal UOL:
“São Paulo - O consultor jurídico Alexandre Nardoni, acusado juntamente com a mulher Anna Carolina Jatobá pela morte de sua filha Isabella, de 5 anos, se considera injustiçado, graças ao prejulgamento da imprensa. "O governo fez isso para esconder os problemas que estão acontecendo no País", desabafou ontem, na carceragem do Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, enquanto esperava para ser interrogado.”
EMBRIÕES PODEM SER USADOS EM PESQUISAS
O Supremo Tribunal Federal (STF) continua debatendo (16h45), mas o número de votos favoráveis já apresentados permite afirmar: embriões descartados em tratamentos de fertilização poderão ser usados em pesquisas.
Essa decisão mantém o que a Lei de Biossegurança, sancionada em 2005, já permitia. Uma ação de inconstitucionalidade (Adin) alegava que a lei feria o princípio do direito à vida, previsto na Constituição.
Complemento com um trecho dessa notícia extraído do blog do Noblat:
"O sexto voto favorável ao uso de embriões em pesquisas com células-tronco foi dado pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal STF). Com isso, não há mais volta. Celso de Mello, o próximo ministro a votar, antecipou que é favorável ao uso de embriões para pesquisas.
É uma decisão histórica do STF."
Essa decisão mantém o que a Lei de Biossegurança, sancionada em 2005, já permitia. Uma ação de inconstitucionalidade (Adin) alegava que a lei feria o princípio do direito à vida, previsto na Constituição.
Complemento com um trecho dessa notícia extraído do blog do Noblat:
"O sexto voto favorável ao uso de embriões em pesquisas com células-tronco foi dado pelo ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal STF). Com isso, não há mais volta. Celso de Mello, o próximo ministro a votar, antecipou que é favorável ao uso de embriões para pesquisas.
É uma decisão histórica do STF."
FITCH: 3ª AGÊNCIA A ELEVAR O BRASIL A “GRAU DE INVESTIMENTO”
A Folha Online publicou há meia hora (15h51) essa notícia, da qual ressalto trechos:
“Fitch promove nota de risco do Brasil para grau de investimento”
“A Fitch Ratings elevou nesta quinta-feira a nota do Brasil de "BB+" para "BBB-", o que coloca o país no grupo dos países grau de investimento, desta vez pelo viés desta agência de classificação de risco. O anúncio da Fitch confirma a promoção do rating brasileiro anunciada no final de abril pela agência Standard & Poor's, que foi a primeira a chancelar o país como bom pagador.
"A alta do rating reflete uma melhora dramática das balanças pública e externa do Brasil, que tem reduzido a vulnerabilidade brasileira ante os choques externos e cambiais e fortifica a estabilidade econômica e reforça suas previsões de crescimento de médio prazo", disse a agência em seu comunicado.
"As autoridades têm estabelecido um caminho de compromisso com a inflação baixa e com o superávit primário, que vêm eliminando as antigas preocupações sobre a sustentabilidade fiscal no médio prazo", continua a nota.
(...) Ontem, uma agência menor, a canadense DBRS, elevou o rating do Brasil. A DBRS justificou sua decisão citando "a grande previsibilidade das políticas macroeconômicas", "o fortalecimento estrutural das receitas públicas gerais" e a "melhora tanto no tamanho quanto na estrutura da dívida pública".
O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas. Com a nota, o Brasil pode receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram o carimbo de bom pagador. Alguns desses fundos exigem ainda que pelo menos duas agências considerem o país "investment grade", o que acontece a partir de hoje."
“Fitch promove nota de risco do Brasil para grau de investimento”
“A Fitch Ratings elevou nesta quinta-feira a nota do Brasil de "BB+" para "BBB-", o que coloca o país no grupo dos países grau de investimento, desta vez pelo viés desta agência de classificação de risco. O anúncio da Fitch confirma a promoção do rating brasileiro anunciada no final de abril pela agência Standard & Poor's, que foi a primeira a chancelar o país como bom pagador.
"A alta do rating reflete uma melhora dramática das balanças pública e externa do Brasil, que tem reduzido a vulnerabilidade brasileira ante os choques externos e cambiais e fortifica a estabilidade econômica e reforça suas previsões de crescimento de médio prazo", disse a agência em seu comunicado.
"As autoridades têm estabelecido um caminho de compromisso com a inflação baixa e com o superávit primário, que vêm eliminando as antigas preocupações sobre a sustentabilidade fiscal no médio prazo", continua a nota.
(...) Ontem, uma agência menor, a canadense DBRS, elevou o rating do Brasil. A DBRS justificou sua decisão citando "a grande previsibilidade das políticas macroeconômicas", "o fortalecimento estrutural das receitas públicas gerais" e a "melhora tanto no tamanho quanto na estrutura da dívida pública".
O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas. Com a nota, o Brasil pode receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram o carimbo de bom pagador. Alguns desses fundos exigem ainda que pelo menos duas agências considerem o país "investment grade", o que acontece a partir de hoje."
quarta-feira, 28 de maio de 2008
ENXURRADA DE BOAS NOTÍCIAS PARA O BRASIL
Já se torna repetitivo transcrever aqui elogios e fatos positivos para a economia brasileira. Mas eles surgem e são destaque no exterior.
Citarei somente um resumo de quatro boas notícias de hoje, publicadas no final da tarde no portal UOL Economia:
“Superávit é fruto de aumento da arrecadação, explica economista”
“O Brasil obteve entre janeiro e abril deste ano o primeiro superávit nominal nas contas públicas para um quadrimestre desde que começou essa contabilidade, em 1991. No período, a receita da União, Estados, municípios e estatais superou todos os gastos em quase sete bilhões de reais.”
“Agência de classificação de risco canadense concede grau de investimento ao Brasil”
“A agência canadense de classificação de risco DBRS, anunciou nesta quarta-feira que concedeu ao Brasil o título de grau de investimento, passando o país para a nota de crédito (rating) de BB+ para BBB-, além de mudar a perspectiva para a economia brasileira de estável para positiva.
Com esta nova nota, o país entra no grupo de nações consideradas de pouca possibilidade de inadimplência.
“Bovespa fecha em alta de mais de 3%; dólar cai a R$ 1,656”
“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou esta quarta-feira com alta expressiva de 3,04%, aos 73.153,23 pontos. No ano, o ganho acumulado é de 14,51%. Isso significa que o Brasil passa a ser visto como de baixo risco para aplicações financeiras de estrangeiros.”
"Bom desempenho da indústria contém desemprego, diz pesquisador do Dieese"
"A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo é a menor desde abril de 1996. É o que revela o estudo mensal realizado pela Fundação Seade e pelo Dieese nesta quarta-feira. A pesquisa indica que o movimento é atípico e - em abril - a taxa de desemprego costuma crescer."
Citarei somente um resumo de quatro boas notícias de hoje, publicadas no final da tarde no portal UOL Economia:
“Superávit é fruto de aumento da arrecadação, explica economista”
“O Brasil obteve entre janeiro e abril deste ano o primeiro superávit nominal nas contas públicas para um quadrimestre desde que começou essa contabilidade, em 1991. No período, a receita da União, Estados, municípios e estatais superou todos os gastos em quase sete bilhões de reais.”
“Agência de classificação de risco canadense concede grau de investimento ao Brasil”
“A agência canadense de classificação de risco DBRS, anunciou nesta quarta-feira que concedeu ao Brasil o título de grau de investimento, passando o país para a nota de crédito (rating) de BB+ para BBB-, além de mudar a perspectiva para a economia brasileira de estável para positiva.
Com esta nova nota, o país entra no grupo de nações consideradas de pouca possibilidade de inadimplência.
“Bovespa fecha em alta de mais de 3%; dólar cai a R$ 1,656”
“A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou esta quarta-feira com alta expressiva de 3,04%, aos 73.153,23 pontos. No ano, o ganho acumulado é de 14,51%. Isso significa que o Brasil passa a ser visto como de baixo risco para aplicações financeiras de estrangeiros.”
"Bom desempenho da indústria contém desemprego, diz pesquisador do Dieese"
"A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo é a menor desde abril de 1996. É o que revela o estudo mensal realizado pela Fundação Seade e pelo Dieese nesta quarta-feira. A pesquisa indica que o movimento é atípico e - em abril - a taxa de desemprego costuma crescer."
“NAÇÃO YANOMAMI”
O conflito que está ocorrendo em Roraima, sobre a área indígena Raposa-Serra do Sol, fez surgirem na mídia posições extremadas, polêmicas. Ou analíticas e técnicas ou apaixonadas, emocionais. É a luta do bem contra o mal. Tanto “defendendendo os índios”, como “defendendo os arrozeiros”. Todos com a real convicção de estarem do lado da justiça, da verdade, da razão.
Talvez por desinformação, são conceitos embaralhados, “pró” ou “contra os índios”, independentemente de partirem de pessoas ou de partidos da direita ou da esquerda.
Infelizmente, ouvindo e lendo as manifestações das correntes antagônicas, sinto que elas e a população brasileira em geral não foram devidamente informadas e alertadas sobre fatos reais.
Por destino, tive a oportunidade de presenciar casos concretos que me ajudam a uma compreensão de que há outros muito mais importantes atores em jogo. São reais e documentados interesses e determinações de grandes potências. Não se trata de acusação abstrata, teórica. São documentalmente verdadeiras.
O objetivo principal das grandes potências é, em síntese, o “congelamento” da exploração econômica brasileira da Amazônia. Mesmo que a exploração seja sustentada, ambientalmente correta.
Por que “congelá-la”? Simplificando, é para impedir o excessivo e rápido progresso do Brasil que ocorreria com o usufruto pelos brasileiros dos bens da Amazônia. Isso desarrumaria rapidamente a “ordem internacional” desejada pelo G-7. Os ricos precisam dos pobres comportados, produzindo matérias-primas e 'commodities' baratas e comprando bens manufaturados de alto valor agregado. Rico não gosta de pobre tornando-se rico e passando a competir com eles. Dizem-nos que "a Mãe Terra é finita", não tem espaço (para maior quantidade de países ricos, poluidores e consumidores).
Uma forma eficaz desse "congelamento" da Amazônia para o futuro usufruto deles é a criação de terras indígenas sobre a área alvo.
Os movimentos e pressões de ONG e de governos das grandes potências, para criar ou ampliar uma área indígena em determinado território da Amazônia, normalmente nascem logo após a descoberta de alguma riqueza mineral na região, ou depois de perceberem que determinada região é estrategicamente sensível.
Exemplo: em fronteira internacional traçada por “linha seca”, ou em área que possibilite o domínio de rio importante navegável, ou em área que seja propícia à futura construção de hidrelétrica, e outras razões estratégicas ou econômicas.
O ÍNDIO É UM MERO PRETEXTO
O pobre índio merece todo o apoio da sociedade e do Estado brasileiro. A antiga Constituição propugnava a harmoniosa e progressiva integração do índio à sociedade brasileira.
Hoje, o índio é apenas um dos convenientes pretextos para grandes interesses escusos internacionais. As ameaças ao Brasil são concretas sob o disfarce de causa humanitária, de proteção aos índios, de vontade “nobre” de mantê-los no estado primitivo, de “preservá-los na sua cultura”.
Por outro lado, não existe o risco iminente de invasão militar estrangeira no Brasil ou de imediata perda territorial pelo fato de existir esta ou aquela área indígena. Aqueles que mencionam esse argumento querem com ele debochar chamando seus defensores de “nacionalistas jurássicos” e as hipóteses de "tolices" e "paranóias". O processo é mais inteligente e eficaz.
As mensagens dirigidas ao Brasil por governos estrangeiros e por entidades como o FMI e o Banco Mundial, se fossem traduzidas para o “idioma da verdade”, seriam: “Impeça a extração mineral, a expansão da fronteira agrícola, a construção de estradas, de hidrelétricas, enfim, a exploração econômica pelo Brasil de imensas áreas da Amazônia,‘Santuário da Humanidade’”. “Deixem-nas em forma de territórios de futuras novas autônomas "Nações" indígenas, mais fracas, que serão por nós mais facilmente dominadas e exploradas em seus recursos naturais.
É isso que pensam e fazem, mas não dizem assim claramente.
“A HERANÇA DA HUMANIDADE”
Muitos, até mesmo brasileiros, já disseram que aqueles bens da Amazônia brasileira (diamantes, petróleo, ouro, nióbio, cassiterita, fitogênicos,...) não podem ser usufruídos somente pelo Brasil, mas, sim, devem ser guardados “para o futuro de todos os povos, pois eles não são dos índios, dos brasileiros, são uma herança da Humanidade”... [Li essa “pérola” em 1985, escrita por servidor público brasileiro em despacho do nosso Ministério do Interior, em processo oficial!].
“NAÇÃO YANOMAMI”
Uma das primeiras decisões do Presidente Collor, no início da década de noventa, foi criar a gigantesca área indígena binacional Yanomami. Com a decisão, foram separados e “congelados” economicamente 99.000 km2 de território brasileiro.
A decisão atendeu às fortes pressões dos países ricos do G-7, exercidas sobre os governos e a imprensa, idêntica e simultaneamente no Brasil e na Venezuela.
Diversas entidades estrangeiras (e seus representantes nacionais) agiam para a criação dela em vários níveis de interesses, cada um com os seus objetivos.
Exemplifico um desses níveis de interesses: o início da campanha estrangeira para criar aquela “Nação” Yanomami coincidiu, também, com o desejo das multinacionais do estanho, principalmente inglesas.
Elas já haviam elaborado, anos antes, quando nada saía na imprensa sobre aqueles índios, um relatório da associação que as representa, analisando o grande aumento da produção brasileira de cassiterita que já vinha ocorrendo na região amazônica.
O novo grande potencial de presença daquele mineral (além de ouro e outros minerais) descoberto na região de Roraima e no norte do Amazonas estava, segundo elas, “desarrumando” ainda mais o mercado mundial. O Brasil estava ocupando o espaço de tradicionais vendedores, despencando os preços antes internacionalmente aceitos.
Entre outras medidas, além de proporem cotas de exportação para os países membros e de propugnarem o Brasil associar-se e também ficar atado a cotas (o que veio a acontecer), o documento definiu a linha de ação de ser criada uma grande área indígena sobre a província mineral, o que inibiria e até impediria a exploração brasileira.
Uns dois meses depois (por coincidência!?!), foi divulgado em cadeia nacional um belo “Globo Repórter” apresentando e sensibilizando o público sobre aqueles inocentes e frágeis índios e para a necessidade de o Brasil ceder imensa área para a criação daquela “Nação” binacional.
PRESSÃO DO GOVERNO DOS EUA
Em 14 de junho de 1991, o Senado dos Estados Unidos da América enviou ao presidente George Bush (pai) um documento apresentando as questões que o presidente norte-americano deveria decidir no encontro que ocorreu uma semana depois com o presidente Fernando Collor. Assinaram o documento os senadores Alan Cranston, Edward M. Kennedy, Paul Welstone, Dennis DeConcini, Daniel Patrick Moynithan, Albert Gore Jr., Tom Harkin e Tim Mirth.
Basicamente, dizia o documento, “é essencial que o Presidente Collor assegure imediatamente que o território Yanomami seja legalmente demarcado na sua totalidade”. “Esta agenda é de vital interesse para ambos os países”. No original, “It is essential that President Collor ensure that the entire, continuous Yanomami área be legally demarcated immediately.” “This agenda is of vital concern to both our nations”.
Collor logo obedeceu. Atendeu às reivindicações dos EUA e das grandes potências e criou, com o prestimoso apoio do seu Ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, o território da nova e grande “Nação” (Portaria nº 580 de 15/11/1991). Somente no tocante à area dentro do Brasil, ela é maior que Portugal ou a Áustria.
Collor criou o território daquela "Nação" exatamente conforme a proposta de delimitação preparada no exterior muito antes, no fim dos anos setenta, e trazida para o Brasil pela então fotógrafa suiça Claudia Andujar, que veio a ser a presidente da ONG CCPY (Comissão para a Criação do Parque Yanomami).
Aquela proposta estrangeira foi transformada em projeto de lei pelo senador Severo Gomes. A referida área era idêntica ao território que veio a ser criado pelo presidente Collor.
PRESSÃO DO BANCO MUNDIAL
Apenas como um outro exemplo de ameaça concreta, menciono os telex de 05/03/1985, do vice-presidente do Banco Mundial (Mr. David Knox) aos nossos então ministros Ernane Galvêas, Delfim Netto e Mário Andreazza, dando o ultimatum de serem criadas, até dois dias após (07/03/85), determinadas áreas indígenas (Uru-Ê-Au-Au em Rondônia e outras, totalizando mais de 2 milhões de hectares). Paralelamente, outros 500.000 km² foram congelados como floresta de preservação permanente e outras figuras jurídicas. Caso contrário, ameaçou no telex, seriam cortados os financiamentos ao Brasil, começando com o Polonoroeste e outros!
O Brasil não obedeceu com aquela presteza de dois dias, mas alguns meses depois tudo estava atendido (governo Sarney). Grandes e dispendiosos projetos de assentamento de sem terra que lá estavam implantados na BR-364 tiveram que ser imediatamente removidos, somente com a possibilidade para seus proprietários de serem eventualmente indenizadas as benfeitorias, após longo processo judicial.
Esses foram somente exemplos, pois muitas outras e maiores “Nações” foram e continuam a ser criadas no Brasil sob análogas concretas e reais pressões das grandes potências.
Talvez por desinformação, são conceitos embaralhados, “pró” ou “contra os índios”, independentemente de partirem de pessoas ou de partidos da direita ou da esquerda.
Infelizmente, ouvindo e lendo as manifestações das correntes antagônicas, sinto que elas e a população brasileira em geral não foram devidamente informadas e alertadas sobre fatos reais.
Por destino, tive a oportunidade de presenciar casos concretos que me ajudam a uma compreensão de que há outros muito mais importantes atores em jogo. São reais e documentados interesses e determinações de grandes potências. Não se trata de acusação abstrata, teórica. São documentalmente verdadeiras.
O objetivo principal das grandes potências é, em síntese, o “congelamento” da exploração econômica brasileira da Amazônia. Mesmo que a exploração seja sustentada, ambientalmente correta.
Por que “congelá-la”? Simplificando, é para impedir o excessivo e rápido progresso do Brasil que ocorreria com o usufruto pelos brasileiros dos bens da Amazônia. Isso desarrumaria rapidamente a “ordem internacional” desejada pelo G-7. Os ricos precisam dos pobres comportados, produzindo matérias-primas e 'commodities' baratas e comprando bens manufaturados de alto valor agregado. Rico não gosta de pobre tornando-se rico e passando a competir com eles. Dizem-nos que "a Mãe Terra é finita", não tem espaço (para maior quantidade de países ricos, poluidores e consumidores).
Uma forma eficaz desse "congelamento" da Amazônia para o futuro usufruto deles é a criação de terras indígenas sobre a área alvo.
Os movimentos e pressões de ONG e de governos das grandes potências, para criar ou ampliar uma área indígena em determinado território da Amazônia, normalmente nascem logo após a descoberta de alguma riqueza mineral na região, ou depois de perceberem que determinada região é estrategicamente sensível.
Exemplo: em fronteira internacional traçada por “linha seca”, ou em área que possibilite o domínio de rio importante navegável, ou em área que seja propícia à futura construção de hidrelétrica, e outras razões estratégicas ou econômicas.
O ÍNDIO É UM MERO PRETEXTO
O pobre índio merece todo o apoio da sociedade e do Estado brasileiro. A antiga Constituição propugnava a harmoniosa e progressiva integração do índio à sociedade brasileira.
Hoje, o índio é apenas um dos convenientes pretextos para grandes interesses escusos internacionais. As ameaças ao Brasil são concretas sob o disfarce de causa humanitária, de proteção aos índios, de vontade “nobre” de mantê-los no estado primitivo, de “preservá-los na sua cultura”.
Por outro lado, não existe o risco iminente de invasão militar estrangeira no Brasil ou de imediata perda territorial pelo fato de existir esta ou aquela área indígena. Aqueles que mencionam esse argumento querem com ele debochar chamando seus defensores de “nacionalistas jurássicos” e as hipóteses de "tolices" e "paranóias". O processo é mais inteligente e eficaz.
As mensagens dirigidas ao Brasil por governos estrangeiros e por entidades como o FMI e o Banco Mundial, se fossem traduzidas para o “idioma da verdade”, seriam: “Impeça a extração mineral, a expansão da fronteira agrícola, a construção de estradas, de hidrelétricas, enfim, a exploração econômica pelo Brasil de imensas áreas da Amazônia,‘Santuário da Humanidade’”. “Deixem-nas em forma de territórios de futuras novas autônomas "Nações" indígenas, mais fracas, que serão por nós mais facilmente dominadas e exploradas em seus recursos naturais.
É isso que pensam e fazem, mas não dizem assim claramente.
“A HERANÇA DA HUMANIDADE”
Muitos, até mesmo brasileiros, já disseram que aqueles bens da Amazônia brasileira (diamantes, petróleo, ouro, nióbio, cassiterita, fitogênicos,...) não podem ser usufruídos somente pelo Brasil, mas, sim, devem ser guardados “para o futuro de todos os povos, pois eles não são dos índios, dos brasileiros, são uma herança da Humanidade”... [Li essa “pérola” em 1985, escrita por servidor público brasileiro em despacho do nosso Ministério do Interior, em processo oficial!].
“NAÇÃO YANOMAMI”
Uma das primeiras decisões do Presidente Collor, no início da década de noventa, foi criar a gigantesca área indígena binacional Yanomami. Com a decisão, foram separados e “congelados” economicamente 99.000 km2 de território brasileiro.
A decisão atendeu às fortes pressões dos países ricos do G-7, exercidas sobre os governos e a imprensa, idêntica e simultaneamente no Brasil e na Venezuela.
Diversas entidades estrangeiras (e seus representantes nacionais) agiam para a criação dela em vários níveis de interesses, cada um com os seus objetivos.
Exemplifico um desses níveis de interesses: o início da campanha estrangeira para criar aquela “Nação” Yanomami coincidiu, também, com o desejo das multinacionais do estanho, principalmente inglesas.
Elas já haviam elaborado, anos antes, quando nada saía na imprensa sobre aqueles índios, um relatório da associação que as representa, analisando o grande aumento da produção brasileira de cassiterita que já vinha ocorrendo na região amazônica.
O novo grande potencial de presença daquele mineral (além de ouro e outros minerais) descoberto na região de Roraima e no norte do Amazonas estava, segundo elas, “desarrumando” ainda mais o mercado mundial. O Brasil estava ocupando o espaço de tradicionais vendedores, despencando os preços antes internacionalmente aceitos.
Entre outras medidas, além de proporem cotas de exportação para os países membros e de propugnarem o Brasil associar-se e também ficar atado a cotas (o que veio a acontecer), o documento definiu a linha de ação de ser criada uma grande área indígena sobre a província mineral, o que inibiria e até impediria a exploração brasileira.
Uns dois meses depois (por coincidência!?!), foi divulgado em cadeia nacional um belo “Globo Repórter” apresentando e sensibilizando o público sobre aqueles inocentes e frágeis índios e para a necessidade de o Brasil ceder imensa área para a criação daquela “Nação” binacional.
PRESSÃO DO GOVERNO DOS EUA
Em 14 de junho de 1991, o Senado dos Estados Unidos da América enviou ao presidente George Bush (pai) um documento apresentando as questões que o presidente norte-americano deveria decidir no encontro que ocorreu uma semana depois com o presidente Fernando Collor. Assinaram o documento os senadores Alan Cranston, Edward M. Kennedy, Paul Welstone, Dennis DeConcini, Daniel Patrick Moynithan, Albert Gore Jr., Tom Harkin e Tim Mirth.
Basicamente, dizia o documento, “é essencial que o Presidente Collor assegure imediatamente que o território Yanomami seja legalmente demarcado na sua totalidade”. “Esta agenda é de vital interesse para ambos os países”. No original, “It is essential that President Collor ensure that the entire, continuous Yanomami área be legally demarcated immediately.” “This agenda is of vital concern to both our nations”.
Collor logo obedeceu. Atendeu às reivindicações dos EUA e das grandes potências e criou, com o prestimoso apoio do seu Ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, o território da nova e grande “Nação” (Portaria nº 580 de 15/11/1991). Somente no tocante à area dentro do Brasil, ela é maior que Portugal ou a Áustria.
Collor criou o território daquela "Nação" exatamente conforme a proposta de delimitação preparada no exterior muito antes, no fim dos anos setenta, e trazida para o Brasil pela então fotógrafa suiça Claudia Andujar, que veio a ser a presidente da ONG CCPY (Comissão para a Criação do Parque Yanomami).
Aquela proposta estrangeira foi transformada em projeto de lei pelo senador Severo Gomes. A referida área era idêntica ao território que veio a ser criado pelo presidente Collor.
PRESSÃO DO BANCO MUNDIAL
Apenas como um outro exemplo de ameaça concreta, menciono os telex de 05/03/1985, do vice-presidente do Banco Mundial (Mr. David Knox) aos nossos então ministros Ernane Galvêas, Delfim Netto e Mário Andreazza, dando o ultimatum de serem criadas, até dois dias após (07/03/85), determinadas áreas indígenas (Uru-Ê-Au-Au em Rondônia e outras, totalizando mais de 2 milhões de hectares). Paralelamente, outros 500.000 km² foram congelados como floresta de preservação permanente e outras figuras jurídicas. Caso contrário, ameaçou no telex, seriam cortados os financiamentos ao Brasil, começando com o Polonoroeste e outros!
O Brasil não obedeceu com aquela presteza de dois dias, mas alguns meses depois tudo estava atendido (governo Sarney). Grandes e dispendiosos projetos de assentamento de sem terra que lá estavam implantados na BR-364 tiveram que ser imediatamente removidos, somente com a possibilidade para seus proprietários de serem eventualmente indenizadas as benfeitorias, após longo processo judicial.
Esses foram somente exemplos, pois muitas outras e maiores “Nações” foram e continuam a ser criadas no Brasil sob análogas concretas e reais pressões das grandes potências.
COLÔMBIA E PERU FAVORECEM INTERESSES DOS EUA NA AL
O site “Direto da Redação” postou esta semana (25/05) um preocupante texto de Mário Augusto Jakobskind sobre as ações belicistas dos EUA na América Latina e o comportamento para isso colaborativo dos atuais governos da Colômbia e do Peru.
“ESTRATÉGIA QUE SÓ FAVORECE WASHINGTON”
[COLÔMBIA]
“Se alguém por acaso tinha dúvidas sobre o papel do governo da Colômbia no atual contexto sul-americano, o recente pronunciamento do presidente Álvaro Uribe, admitindo a possibilidade de os Estados Unidos instalarem uma base militar em território colombiano, praticamente dissipa essas dúvidas. O pretexto é, segundo Uribe, “fortalecer a ajuda dos EUA para derrotar o narcotráfico”.
Coincidentemente ou não, poucos dias antes o embaixador estadunidense na Colômbia, mister William Brownfield, sugeriu que a base militar de Manta, no Equador, cuja concessão se esgota em 2009 e não será renovada pelo governo de Rafael Correa, fosse instalada no Departamento de La Guajira na fronteira com a Venezuela.
Uribe, no entanto, no esquema clássico de dourar a pílula, negou que a base seria instalada na fronteira com a Venezuela. Mas resta saber até quando prevalecerá a negativa. O diplomata estadunidense lançou a idéia, numa clara demonstração de que o país que representa está mesmo interessado num agravamento do estado de tensão na região.
Junta-se a isso a reativação da IV Frota - desativada desde 1950 - para viajar as costas do continente latino-americano e não é difícil imaginar quais podem ser as conseqüências.
Trocando em miúdos, Bush, vale sempre repetir, não se conforma com o fato de existirem hoje governos na América Latina que não aceitam serem meros repetidores das ordens emanadas por Washington, como acontecia em várias décadas do século passado. O troglodita John McCain, o candidato republicano pensa igual. E Barak Obama? Um ponto de interrogação, sobretudo depois das declarações divulgadas pelas agências internacionais de que ele apóia ações militares da Colômbia “além de suas fronteiras” para combater as Farc.
Apesar da afirmação de Uribe segundo as quais as ações, com o apoio dos Estados Unidos, para derrotar o terrorismo “não desafiarão nossos vizinhos”, as notícias recentes são reveladoras; uma delas a denúncia de que um avião militar estadunidense do tipo Viking penetrou em espaço aéreo da Venezuela. Para variar, os EUA atribuíram o fato a um erro técnico.
Outra informação inquietante, pouco divulgada por estas bandas, é a de que soldados do Exército colombiano entraram em território venezuelano, mas foram rechaçados por guardas fronteiriços. O incidente, embora não tenha provocado vítimas, é bastante sintomático.
Todas essas mexidas de peças neste jogo revelam que o governo norte-americano se voltou de novo para a América Latina de uma forma belicosa, muito próxima da estratégia adotada no Iraque e Afeganistão. Possivelmente, tanto o governo Uribe quanto o de Bush simplesmente negarão as intenções belicosas e reforçarão a tese de que a movimentação militar visa apenas combater o narcotráfico e a guerrilha das Farc.
[PERU]
As pressões aumentarão. Nesta estratégia, o presidente do Peru, Alan Garcia, é um aliado incondicional. Não é à toa que nestes dias esse social-democrata comentou que a Bolívia está a beira de uma guerra civil. Isto é, Garcia parece apostar numa coisa que é de grande interesse para Washington: a divisão da Bolívia e a de toda a América Latina. Nada melhor para isso do que jogar governos contra governos, no surrado esquema de dividir para governar.
A propósito de Alan Garcia, segundo denunciam entidades do movimento social peruano, o governo empreendeu um ataque frontal contra as comunidades camponesas com a sanção de um decreto legislativo que afeta sobremaneira as comunidades indígenas, colocando-as em risco, algo que nem a ditadura Alberto Fujimori se atreveu a fazer. Como resposta a essa medida, que na prática só favorece as empresas multinacionais, as organizações indígenas, agrárias e camponesas do Peru estão convocando uma greve em defesa de seus legítimos direitos ao território, a água e decidir seu próprio modelo.
A Coordenadora Andina de Organizações Indígenas pede a solidariedade internacional “para deter esta ameaça privatizante e destruidora das comunidades camponesas e indígenas no Peru”.
“ESTRATÉGIA QUE SÓ FAVORECE WASHINGTON”
[COLÔMBIA]
“Se alguém por acaso tinha dúvidas sobre o papel do governo da Colômbia no atual contexto sul-americano, o recente pronunciamento do presidente Álvaro Uribe, admitindo a possibilidade de os Estados Unidos instalarem uma base militar em território colombiano, praticamente dissipa essas dúvidas. O pretexto é, segundo Uribe, “fortalecer a ajuda dos EUA para derrotar o narcotráfico”.
Coincidentemente ou não, poucos dias antes o embaixador estadunidense na Colômbia, mister William Brownfield, sugeriu que a base militar de Manta, no Equador, cuja concessão se esgota em 2009 e não será renovada pelo governo de Rafael Correa, fosse instalada no Departamento de La Guajira na fronteira com a Venezuela.
Uribe, no entanto, no esquema clássico de dourar a pílula, negou que a base seria instalada na fronteira com a Venezuela. Mas resta saber até quando prevalecerá a negativa. O diplomata estadunidense lançou a idéia, numa clara demonstração de que o país que representa está mesmo interessado num agravamento do estado de tensão na região.
Junta-se a isso a reativação da IV Frota - desativada desde 1950 - para viajar as costas do continente latino-americano e não é difícil imaginar quais podem ser as conseqüências.
Trocando em miúdos, Bush, vale sempre repetir, não se conforma com o fato de existirem hoje governos na América Latina que não aceitam serem meros repetidores das ordens emanadas por Washington, como acontecia em várias décadas do século passado. O troglodita John McCain, o candidato republicano pensa igual. E Barak Obama? Um ponto de interrogação, sobretudo depois das declarações divulgadas pelas agências internacionais de que ele apóia ações militares da Colômbia “além de suas fronteiras” para combater as Farc.
Apesar da afirmação de Uribe segundo as quais as ações, com o apoio dos Estados Unidos, para derrotar o terrorismo “não desafiarão nossos vizinhos”, as notícias recentes são reveladoras; uma delas a denúncia de que um avião militar estadunidense do tipo Viking penetrou em espaço aéreo da Venezuela. Para variar, os EUA atribuíram o fato a um erro técnico.
Outra informação inquietante, pouco divulgada por estas bandas, é a de que soldados do Exército colombiano entraram em território venezuelano, mas foram rechaçados por guardas fronteiriços. O incidente, embora não tenha provocado vítimas, é bastante sintomático.
Todas essas mexidas de peças neste jogo revelam que o governo norte-americano se voltou de novo para a América Latina de uma forma belicosa, muito próxima da estratégia adotada no Iraque e Afeganistão. Possivelmente, tanto o governo Uribe quanto o de Bush simplesmente negarão as intenções belicosas e reforçarão a tese de que a movimentação militar visa apenas combater o narcotráfico e a guerrilha das Farc.
[PERU]
As pressões aumentarão. Nesta estratégia, o presidente do Peru, Alan Garcia, é um aliado incondicional. Não é à toa que nestes dias esse social-democrata comentou que a Bolívia está a beira de uma guerra civil. Isto é, Garcia parece apostar numa coisa que é de grande interesse para Washington: a divisão da Bolívia e a de toda a América Latina. Nada melhor para isso do que jogar governos contra governos, no surrado esquema de dividir para governar.
A propósito de Alan Garcia, segundo denunciam entidades do movimento social peruano, o governo empreendeu um ataque frontal contra as comunidades camponesas com a sanção de um decreto legislativo que afeta sobremaneira as comunidades indígenas, colocando-as em risco, algo que nem a ditadura Alberto Fujimori se atreveu a fazer. Como resposta a essa medida, que na prática só favorece as empresas multinacionais, as organizações indígenas, agrárias e camponesas do Peru estão convocando uma greve em defesa de seus legítimos direitos ao território, a água e decidir seu próprio modelo.
A Coordenadora Andina de Organizações Indígenas pede a solidariedade internacional “para deter esta ameaça privatizante e destruidora das comunidades camponesas e indígenas no Peru”.
terça-feira, 27 de maio de 2008
AS FALSAS DIVERGÊNCIAS MARINA x DILMA e MARINA x MINC
O portal Folha Online publicou há pouco (16h22) uma reportagem de Renata Giraldi sobre afirmações do Presidente Lula sobre a falta de apoio da imprensa para a então Ministra Marina Silva, sobre falsas divergências entre ela e a Ministra Dilma Rousseff e sobre inverídicas posições antagônicas entre o Ministro Carlos Minc e a ex-Ministra Marina. Transcrevo:
“Lula critica imprensa, elogia Marina e alerta Minc sobre dificuldades que enfrentará”
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje a imprensa na posse de Carlos Minc no Ministério de Meio Ambiente. Lula disse que a imprensa não divulgou o trabalho de Marina Silva --antecessora de Minc--, além de alimentar intrigas entre ela e a colega Dilma Rousseff (Casa Civil).
"Lamentavelmente, o PAS (Plano Amazônia Sustentável) não mereceu quase nenhuma lembrança da imprensa, se pegarmos o que foi publicado do PAS no dia seguinte ao lançamento. Ouvidos moucos não quiseram retratar a força daquilo que aqui foi apresentado", disse Lula, se referindo ao tratamento dado pela imprensa ao PAS.
Lula afirmou que Marina teve dificuldade para divulgar seu trabalho na mídia. "Marina sabe o quanto apanhou. Não foram poucas às vezes que ela disse: 'já falei, já dei entrevista. Mas não adianta, presidente, não sai. Para sair no Brasil, tem que dar primeiro no "New York Times". Foi assim que Chico Mendes começou a ser conhecido no Brasil depois que foi premiado internacionalmente."
O presidente criticou, ainda, a forma como a imprensa retratou as divergências entre Dilma e Marina. "Lembro das brigas que criaram entre Dilma e Marina. Os desenvolvimentistas contra ambientalistas. Eu, que participava da reunião com as duas, não via as brigas que saíam no dia seguinte nos jornais. Quem era a tal de fonte que passava informação que não tinha acontecido na minha mesa?"
Lula alertou Minc sobre o que o novo ministro vai enfrentar na pasta. "Sei do tormento que você viveu, Marina. E sei, Minc do tormento que você vai viver."
Desenvolvimentistas x ambientalistas
Lula disse também que a imprensa tentou colocar em Minc o rótulo de desenvolvimentista. "Entra Minc, que é desenvolvimentista, e sai Marina, uma ambientalista. Sai uma mulher do Acre que quer preservar a Amazônia e entra um carioca que quer destruir Amazônia", disse ele, se referindo à forma como Minc foi tratado.
O presidente afirmou que não é assim que funciona. "Nem Minc é cortador da Amazônia nem Marina deixou de levar a sério a possibilidade de levar desenvolvimento para região, de melhorar a vida dos agricultores."
“Lula critica imprensa, elogia Marina e alerta Minc sobre dificuldades que enfrentará”
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje a imprensa na posse de Carlos Minc no Ministério de Meio Ambiente. Lula disse que a imprensa não divulgou o trabalho de Marina Silva --antecessora de Minc--, além de alimentar intrigas entre ela e a colega Dilma Rousseff (Casa Civil).
"Lamentavelmente, o PAS (Plano Amazônia Sustentável) não mereceu quase nenhuma lembrança da imprensa, se pegarmos o que foi publicado do PAS no dia seguinte ao lançamento. Ouvidos moucos não quiseram retratar a força daquilo que aqui foi apresentado", disse Lula, se referindo ao tratamento dado pela imprensa ao PAS.
Lula afirmou que Marina teve dificuldade para divulgar seu trabalho na mídia. "Marina sabe o quanto apanhou. Não foram poucas às vezes que ela disse: 'já falei, já dei entrevista. Mas não adianta, presidente, não sai. Para sair no Brasil, tem que dar primeiro no "New York Times". Foi assim que Chico Mendes começou a ser conhecido no Brasil depois que foi premiado internacionalmente."
O presidente criticou, ainda, a forma como a imprensa retratou as divergências entre Dilma e Marina. "Lembro das brigas que criaram entre Dilma e Marina. Os desenvolvimentistas contra ambientalistas. Eu, que participava da reunião com as duas, não via as brigas que saíam no dia seguinte nos jornais. Quem era a tal de fonte que passava informação que não tinha acontecido na minha mesa?"
Lula alertou Minc sobre o que o novo ministro vai enfrentar na pasta. "Sei do tormento que você viveu, Marina. E sei, Minc do tormento que você vai viver."
Desenvolvimentistas x ambientalistas
Lula disse também que a imprensa tentou colocar em Minc o rótulo de desenvolvimentista. "Entra Minc, que é desenvolvimentista, e sai Marina, uma ambientalista. Sai uma mulher do Acre que quer preservar a Amazônia e entra um carioca que quer destruir Amazônia", disse ele, se referindo à forma como Minc foi tratado.
O presidente afirmou que não é assim que funciona. "Nem Minc é cortador da Amazônia nem Marina deixou de levar a sério a possibilidade de levar desenvolvimento para região, de melhorar a vida dos agricultores."
PETROBRAS E LULA FAZEM CRESCER A INDÚSTRIA NAVAL BRASILEIRA
A Folha Online publicou ontem à noite (21h43) essa notícia. Eu a li hoje no blog do Favre:
“Plano para revitalizar indústria naval prevê investimento de US$ 5 bilhões”
“O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje em Niterói, no Rio, o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras.
O pacote prevê a encomenda no Brasil de 146 novas unidades de apoio às atividades de exploração e produção marítima de petróleo da companhia, ao custo estimado de US$ 5 bilhões.
A Petrobras confirmou ainda a intenção de contratar navios-sonda, plataformas de perfuração semi-submersíveis e navios de grande porte. A informação foi antecipada pelo blog do Josias.
Alinhado ao Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), a iniciativa, que integra a nova política industrial, tem como objetivo garantir um grande volume de encomendas a ser entregue ao longo dos próximos seis anos e, assim, contribuir para a revitalização da indústria naval brasileira.
A previsão é que a construção de cada uma das 146 embarcações gere cerca de 500 postos de trabalho. Quando a frota estiver em plena operação, serão abertas vagas para aproximadamente 3.800 tripulantes.
De acordo com os contratos de afretamento a serem firmados, apenas brasileiros poderão tripular as embarcações. Além disso, o conteúdo nacional da nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%, dependendo do tipo de embarcação.
Durante a apresentação do programa, Lula defendeu a prioridade dada para a indústria naval brasileira no programa.
“Pensando no curto prazo, era mais fácil comprar [as embarcações] lá fora. (…) Só que não se pode pensar no curto prazo. A Petrobras não é só a sexta maior companhia do mundo e a terceira maior das Américas. É uma alavanca para o desenvolvimento do país”, disse. “Ninguém vê que, construindo aqui, temos um novo trabalhador que tem renda e consome, e o comércio contrata mais. Com mais demanda, a indústria também emprega mais.”
Ao longo dos seis anos do programa, serão realizadas sete licitações. A primeira, em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações. As demais serão feitas até 2014, com prazos contratuais de oito anos. Todos os barcos, uma vez construídos, serão afretados à Petrobras pelas empresas licitantes.
Das 146 embarcações programadas, 54 serão destinadas ao manuseio de âncoras de grande porte, dez às atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. Além dessas, serão contratadas 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
A Petrobras pretende, ainda, contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submersíveis para operar em águas profundas e ultraprofundas. O plano prevê a construção e o recebimento das novas unidades até 2017, com prioridade de construção no Brasil.
As demandas de logística de movimentação de cargas da Petrobras fazem com que a companhia planeje a contratação de mais 19 navios, mediante contratos de afretamento de longo prazo junto a empresas brasileiras de navegação, sempre considerando como contrapartida que esses navios sejam construídos no Brasil.
“Acredito que os empresários navais vão responder positivamente [a esta demanda]”, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia.
PETROLEIROS
A Transpetro, subsidiária da Petrobras, apresentou durante o lançamento desta segunda-feira a segunda etapa do Promef (Programa de Modernização da Frota de Petroleiros). Em 2005 houve a licitação de 26 petroleiros junto a estaleiros nacionais; agora, um novo lote de mais 23 navios de médio e grande porte será licitado.”
“Plano para revitalizar indústria naval prevê investimento de US$ 5 bilhões”
“O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje em Niterói, no Rio, o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras.
O pacote prevê a encomenda no Brasil de 146 novas unidades de apoio às atividades de exploração e produção marítima de petróleo da companhia, ao custo estimado de US$ 5 bilhões.
A Petrobras confirmou ainda a intenção de contratar navios-sonda, plataformas de perfuração semi-submersíveis e navios de grande porte. A informação foi antecipada pelo blog do Josias.
Alinhado ao Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural), a iniciativa, que integra a nova política industrial, tem como objetivo garantir um grande volume de encomendas a ser entregue ao longo dos próximos seis anos e, assim, contribuir para a revitalização da indústria naval brasileira.
A previsão é que a construção de cada uma das 146 embarcações gere cerca de 500 postos de trabalho. Quando a frota estiver em plena operação, serão abertas vagas para aproximadamente 3.800 tripulantes.
De acordo com os contratos de afretamento a serem firmados, apenas brasileiros poderão tripular as embarcações. Além disso, o conteúdo nacional da nova frota deverá alcançar, por contrato, entre 70% e 80%, dependendo do tipo de embarcação.
Durante a apresentação do programa, Lula defendeu a prioridade dada para a indústria naval brasileira no programa.
“Pensando no curto prazo, era mais fácil comprar [as embarcações] lá fora. (…) Só que não se pode pensar no curto prazo. A Petrobras não é só a sexta maior companhia do mundo e a terceira maior das Américas. É uma alavanca para o desenvolvimento do país”, disse. “Ninguém vê que, construindo aqui, temos um novo trabalhador que tem renda e consome, e o comércio contrata mais. Com mais demanda, a indústria também emprega mais.”
Ao longo dos seis anos do programa, serão realizadas sete licitações. A primeira, em andamento, prevê a contratação de 24 embarcações. As demais serão feitas até 2014, com prazos contratuais de oito anos. Todos os barcos, uma vez construídos, serão afretados à Petrobras pelas empresas licitantes.
Das 146 embarcações programadas, 54 serão destinadas ao manuseio de âncoras de grande porte, dez às atividades de reboque e 64 em atividades de suprimento. Além dessas, serão contratadas 18 embarcações voltadas para operações de recolhimento de óleo exigidas pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
A Petrobras pretende, ainda, contratar 40 navios-sonda e plataformas de perfuração semi-submersíveis para operar em águas profundas e ultraprofundas. O plano prevê a construção e o recebimento das novas unidades até 2017, com prioridade de construção no Brasil.
As demandas de logística de movimentação de cargas da Petrobras fazem com que a companhia planeje a contratação de mais 19 navios, mediante contratos de afretamento de longo prazo junto a empresas brasileiras de navegação, sempre considerando como contrapartida que esses navios sejam construídos no Brasil.
“Acredito que os empresários navais vão responder positivamente [a esta demanda]”, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, durante a cerimônia.
PETROLEIROS
A Transpetro, subsidiária da Petrobras, apresentou durante o lançamento desta segunda-feira a segunda etapa do Promef (Programa de Modernização da Frota de Petroleiros). Em 2005 houve a licitação de 26 petroleiros junto a estaleiros nacionais; agora, um novo lote de mais 23 navios de médio e grande porte será licitado.”
SENADORES ESCONDEM SEUS GASTOS COM VERBAS PÚBLICAS
OS SENADORES, PRINCIPALMENTE OS DO PSDB E DEM (QUE SE REVOLTARAM COM GASTOS DO GOVERNO COM CARTÕES CORPORATIVOS), NÃO QUEREM MOSTRAR SEUS DISPÊNDIOS DE MAIS R$ 2,7 MILHÕES DE VERBAS PÚBLICAS GASTAS SOMENTE NESTE INÍCIO DE 2008
O jornal Correio Braziliense publicou ontem essa notícia, em texto de Leandro Colon. Eu a li reproduzida no blog do Noblat:
“Gastos de senadores mantidos sob sigilo”
“Os senadores gastaram R$ 2.739.773,38 desde fevereiro com a verba indenizatória oferecida aos parlamentares, segundo levantamento feito pelo Correio. Desse valor, R$ 1.131.074,55 foram usados para locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, R$ 550 mil com aluguel de escritório político, R$ 473 mil com consultorias, R$ 388 mil na divulgação da atividade parlamentar e o restante na compra de material de consumo.
Alguns senadores apresentaram despesas arredondadas entre fevereiro e maio, quando, teoricamente, esses gastos deveriam variar mês a mês. Outros ultrapassaram o limite mensal de R$ 15 mil, alguns chegando a dobrar esse valor.
Identificar uma irregularidade é uma tarefa quase impossível. O Senado guarda a sete chaves a prestação de contas dessas despesas. E o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa isso apenas por amostragem por causa da enxurrada de notas fiscais apresentadas pelos senadores.
Ou seja, não há qualquer garantia de que todo esse dinheiro tenha sido usado de maneira regular. Eles gastam muito, mas só eles sabem como."
O jornal Correio Braziliense publicou ontem essa notícia, em texto de Leandro Colon. Eu a li reproduzida no blog do Noblat:
“Gastos de senadores mantidos sob sigilo”
“Os senadores gastaram R$ 2.739.773,38 desde fevereiro com a verba indenizatória oferecida aos parlamentares, segundo levantamento feito pelo Correio. Desse valor, R$ 1.131.074,55 foram usados para locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, R$ 550 mil com aluguel de escritório político, R$ 473 mil com consultorias, R$ 388 mil na divulgação da atividade parlamentar e o restante na compra de material de consumo.
Alguns senadores apresentaram despesas arredondadas entre fevereiro e maio, quando, teoricamente, esses gastos deveriam variar mês a mês. Outros ultrapassaram o limite mensal de R$ 15 mil, alguns chegando a dobrar esse valor.
Identificar uma irregularidade é uma tarefa quase impossível. O Senado guarda a sete chaves a prestação de contas dessas despesas. E o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa isso apenas por amostragem por causa da enxurrada de notas fiscais apresentadas pelos senadores.
Ou seja, não há qualquer garantia de que todo esse dinheiro tenha sido usado de maneira regular. Eles gastam muito, mas só eles sabem como."
ANALISTAS ESTRANGEIROS OTIMISTAS COM O BRASIL
Nesta terça-feira (27/05), o jornal “O Estado de São Paulo”, em reportagem de Fernando Dantas, informa sobre conceitos emitidos por renomadas personalidades presentes no “Fórum Nacional”.
O Instituto Nacional de Altos Estudos, INAE, é a entidade que organiza os Fóruns Nacionais, projeto intelectual independente e apartidário, com sentido pluralista, nascido em 1988 da preocupação de seus principais integrantes com o agravamento da crise nacional e a ausência de convergência quanto a um projeto nacional de desenvolvimento.
Eu li a matéria abaixo transcrita no “blog do Favre” (ver “recomendamos”):
“BRASIL, O FUTURO É AGORA”
Analistas esbanjam otimismo com o Brasil
“O Fórum Nacional, que surgiu num dos momentos mais turbulentos da história econômica brasileira, em 1988, e durante a maior parte de sua existência se voltou ao debate de problemas nacionais intratáveis, como hiperinflação e crises externas, chega a seu 20º aniversário sob o signo do otimismo e da retomada da confiança no futuro.
Em concordância com a fala do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, oradores após oradores bateram na tecla de que o País está vivendo um dos melhores momentos da sua história, com amadurecimento democrático, estabilidade macroeconômica, crescimento e melhora na distribuição de renda.
[ALBERT FISHLOW]
“Sou muito positivo quanto ao futuro do Brasil”, disse o economista e brasilianista americano Albert Fishlow, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos e do Centro de Estudos do Brasil da Universidade Columbia.
Fishlow considera que, depois de 20 anos de esforços, durante os quais o País abriu sua economia, privatizou empresas ineficientes e controlou a inflação, chegou-se à etapa de integração com a economia global e de convergência de opiniões que garante a manutenção do rumo.
O economista notou que, até alguns anos atrás, o status do Brasil como membro dos Brics era contestado, o que não ocorre mais. A sigla Brics significa Brasil, Rússia, Índia e China, os grandes países emergentes cujas economias devem estar entre as maiores do mundo até meados deste século.
Fishlow, porém, colocou como prioridades, para o Brasil manter o bom momento, uma forte melhora na educação básica, o aumento da taxa de investimentos e poupança (com mais superávit primário) e a reforma da Previdência.
[ROGER COHEN]
Roger Cohen, colunista do New York Times, em uma entusiástica exposição com o título de “Brasil, o futuro é agora”, lembrou que o País tem 394 milhões de hectares aráveis, dos quais apenas 16% são usados, comparado com 269 milhões dos Estados Unidos, com uso de 70%.
Classificando de “nonsense” a acusação de que o etanol brasileiro eleva o preço global dos alimentos, Cohen notou que, em tempos de escassez global de recursos básicos, o patrimônio de terras aráveis do Brasil “assumiu uma importância crítica”.
[EDMUND PHELPS E O “BOLSA FAMÍLIA”]
O economista Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia e convidado especial do Fórum, fez uma exposição mais teórica, e não ligada diretamente ao Brasil, em que explicou o conceito de “dinamismo econômico”, que não deve ser confundido com o do crescimento econômico puro e simples.
Definindo o dinamismo como “a capacidade de inovação em direções comercialmente viáveis”, ele disse que o conceito está relacionado com a satisfação dos trabalhadores e com o constante revezamento das empresas que dominam os diferentes setores da economia.
Para Phelps, os inimigos do dinamismo econômico - que ele defende como um valor em si mesmo, ligado à realização do ser humano - são a prevalência de benefícios sociais sobre o trabalho e o espírito empreendedor, e das reivindicações de ativistas sociais sobre os direitos de propriedade.
Ele frisou, porém, que considera o Bolsa-Família “um passo no rumo certo”, e não um programa assistencialista. Outro adversário do dinamismo, para o prêmio Nobel, é o fechamento da economia. Phelps deixou claro que o pólo de dinamismo está nos Estados Unidos, e não na Europa.”
Sobre essas palavras de Edmund Phelps sobre o “Bolsa Família”, eu já havia lido ontem no “blog do Nassif” o seguinte texto de Silvia Constanti que ele extraiu do jornal Valor também de ontem:
A BOLSA FAMÍLIA, SEGUNDO PHELPS
“Crítico dos gastos públicos na área social, o prêmio Nobel de Economia de 2006, o americano Edmund Phelps, vê no programa Bolsa Família um acerto do governo Lula que pode melhorar o dinamismo da economia brasileira. "É um grande passo na direção certa", afirmou ontem, após participar da abertura do XX Fórum Nacional, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Phelps defende o conceito de dinamismo econômico no lugar de crescimento econômico, com o aumento do número e da qualidade dos empregos, da produtividade e a inclusão social.”
Comentário de Luis Nassif:
“Compare-se a avaliação do Prêmio Nobel com o padrão Ali Kamel [GLOBO] de avaliação do Bolsa Família. E considere a repercussão que o senso comum de Kamel - se pobre compra eletrodomésticos fica mal acostumado... - conseguiu na mídia, e será suficiente para se avaliar o grau de banalização das análises nos jornais. É o senso comum embrulhado em uma pretensa aura de modernidade, que não esconde o extraordinário provincianismo desses conceitos tidos como "neoliberais". Antes nossos neoliberais fossem do quilate dos norte-americanos.”
O Instituto Nacional de Altos Estudos, INAE, é a entidade que organiza os Fóruns Nacionais, projeto intelectual independente e apartidário, com sentido pluralista, nascido em 1988 da preocupação de seus principais integrantes com o agravamento da crise nacional e a ausência de convergência quanto a um projeto nacional de desenvolvimento.
Eu li a matéria abaixo transcrita no “blog do Favre” (ver “recomendamos”):
“BRASIL, O FUTURO É AGORA”
Analistas esbanjam otimismo com o Brasil
“O Fórum Nacional, que surgiu num dos momentos mais turbulentos da história econômica brasileira, em 1988, e durante a maior parte de sua existência se voltou ao debate de problemas nacionais intratáveis, como hiperinflação e crises externas, chega a seu 20º aniversário sob o signo do otimismo e da retomada da confiança no futuro.
Em concordância com a fala do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, oradores após oradores bateram na tecla de que o País está vivendo um dos melhores momentos da sua história, com amadurecimento democrático, estabilidade macroeconômica, crescimento e melhora na distribuição de renda.
[ALBERT FISHLOW]
“Sou muito positivo quanto ao futuro do Brasil”, disse o economista e brasilianista americano Albert Fishlow, diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos e do Centro de Estudos do Brasil da Universidade Columbia.
Fishlow considera que, depois de 20 anos de esforços, durante os quais o País abriu sua economia, privatizou empresas ineficientes e controlou a inflação, chegou-se à etapa de integração com a economia global e de convergência de opiniões que garante a manutenção do rumo.
O economista notou que, até alguns anos atrás, o status do Brasil como membro dos Brics era contestado, o que não ocorre mais. A sigla Brics significa Brasil, Rússia, Índia e China, os grandes países emergentes cujas economias devem estar entre as maiores do mundo até meados deste século.
Fishlow, porém, colocou como prioridades, para o Brasil manter o bom momento, uma forte melhora na educação básica, o aumento da taxa de investimentos e poupança (com mais superávit primário) e a reforma da Previdência.
[ROGER COHEN]
Roger Cohen, colunista do New York Times, em uma entusiástica exposição com o título de “Brasil, o futuro é agora”, lembrou que o País tem 394 milhões de hectares aráveis, dos quais apenas 16% são usados, comparado com 269 milhões dos Estados Unidos, com uso de 70%.
Classificando de “nonsense” a acusação de que o etanol brasileiro eleva o preço global dos alimentos, Cohen notou que, em tempos de escassez global de recursos básicos, o patrimônio de terras aráveis do Brasil “assumiu uma importância crítica”.
[EDMUND PHELPS E O “BOLSA FAMÍLIA”]
O economista Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia e convidado especial do Fórum, fez uma exposição mais teórica, e não ligada diretamente ao Brasil, em que explicou o conceito de “dinamismo econômico”, que não deve ser confundido com o do crescimento econômico puro e simples.
Definindo o dinamismo como “a capacidade de inovação em direções comercialmente viáveis”, ele disse que o conceito está relacionado com a satisfação dos trabalhadores e com o constante revezamento das empresas que dominam os diferentes setores da economia.
Para Phelps, os inimigos do dinamismo econômico - que ele defende como um valor em si mesmo, ligado à realização do ser humano - são a prevalência de benefícios sociais sobre o trabalho e o espírito empreendedor, e das reivindicações de ativistas sociais sobre os direitos de propriedade.
Ele frisou, porém, que considera o Bolsa-Família “um passo no rumo certo”, e não um programa assistencialista. Outro adversário do dinamismo, para o prêmio Nobel, é o fechamento da economia. Phelps deixou claro que o pólo de dinamismo está nos Estados Unidos, e não na Europa.”
Sobre essas palavras de Edmund Phelps sobre o “Bolsa Família”, eu já havia lido ontem no “blog do Nassif” o seguinte texto de Silvia Constanti que ele extraiu do jornal Valor também de ontem:
A BOLSA FAMÍLIA, SEGUNDO PHELPS
“Crítico dos gastos públicos na área social, o prêmio Nobel de Economia de 2006, o americano Edmund Phelps, vê no programa Bolsa Família um acerto do governo Lula que pode melhorar o dinamismo da economia brasileira. "É um grande passo na direção certa", afirmou ontem, após participar da abertura do XX Fórum Nacional, organizado pelo Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Phelps defende o conceito de dinamismo econômico no lugar de crescimento econômico, com o aumento do número e da qualidade dos empregos, da produtividade e a inclusão social.”
Comentário de Luis Nassif:
“Compare-se a avaliação do Prêmio Nobel com o padrão Ali Kamel [GLOBO] de avaliação do Bolsa Família. E considere a repercussão que o senso comum de Kamel - se pobre compra eletrodomésticos fica mal acostumado... - conseguiu na mídia, e será suficiente para se avaliar o grau de banalização das análises nos jornais. É o senso comum embrulhado em uma pretensa aura de modernidade, que não esconde o extraordinário provincianismo desses conceitos tidos como "neoliberais". Antes nossos neoliberais fossem do quilate dos norte-americanos.”
WWF, A ONG AMBIENTALISTA RADICAL, DEFENDE O ETANOL BRASILEIRO
Antes de reproduzir essa notícia divulgada ontem à noite pela agência de notícias inglesa BBC (Brasil), vejamos o que significa WWF. Do site da referida organização, já conhecida no mundo por suas posições e atitudes radicais e até agressivas contra, por exemplo, usinas nucleares, hidrelétricas, pesca de baleia e outras, obtive os seguintes dados:
WWF
Em 1961, quando foi fundada, a sigla WWF significava “World Wildlife Fund”, traduzido como “Fundo Mundial da Natureza” em português. Após, a sigla ganhou sua segunda tradução: "World Wide Fund For Nature" ou “Fundo Mundial para a Natureza”. Agora, ela é conhecida simplesmente como WWF, uma organização de conservação global.
WWF BRASIL
Em 30 de agosto de 1996 foi criada oficialmente a WWF-Brasil, que integra a Rede WWF mundial. A WWF-Brasil é uma organização não governamental (ONG) dedicada à conservação da natureza com o objetivo de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais.
Transcrevo a seguir a notícia divulgada pela BBC Brasil.com:
ESTUDO DA WWF DEFENDE BENEFÍCIO AMBIENTAL DO ETANOL
“A produção de etanol a partir de cana-de-açúcar tem efeitos benéficos do ponto de vista ambiental, afirma um estudo divulgado nesta segunda-feira pela organização ambientalista WWF-Brasil.
"O estudo conclui que existem benefícios ambientais confirmados e consolidados no que diz respeito à produção de etanol (a partir de cana-de-açúcar)", disse à BBC Brasil o coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG, Luis Fernando Laranja, um dos autores do relatório.
"Do ponto de vista ambiental, é um bom negócio substituir gasolina por etanol", afirmou Laranja.
O governo brasileiro vem defendendo o etanol à base de cana-de-açúcar e rejeitando críticas de que essa produção traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise mundial dos alimentos.
"(O estudo) referenda a posição defendida pelo governo brasileiro", disse Laranja, ao ser questionado sobre essa posição.
Conforme Laranja, os benefícios do etanol brasileiro são verificados particularmente na redução de gases causadores do efeito estufa.
Segudo ele, o etanol brasileiro tem um balanço energético mais positivo (ou seja, é mais eficiente) do que, por exemplo, o etanol à base de milho, produzido nos Estados Unidos.
“MITOS”
O estudo do WWF-Brasil analisou o que Laranja definiu como "alguns mitos que envolvem a produção de etanol".
O primeiro seria sobre a eventual expansão de plantações de cana-de-açúcar na Amazônia.
"Não temos risco imediato e real de expansão da produção de cana-de-açúcar na Amazônia. O que existe é irrisório", disse Laranja.
Segundo ele, há em torno de 200 mil hectares de cana-de-açúcar na Amazônia. "Isso não significa nada no universo da Amazônia. Só de pastagens, há 50 milhões de hectares", afirmou.
O segundo ponto analisado é o quanto a produção de cana-de-açúcar compete com outras culturas alimentares, considerando-se o atual cenário de crise mundial dos alimentos.
De acordo com Laranja, esse risco é baixo. "Compete pouco com as culturas alimentares, especialmente porque ocupa pouca área. São 7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, sendo que metade vai para a produção de açúcar, e a outra metade para o etanol", disse.
RISCOS
O estudo, porém, alerta para alguns riscos ambientais da produção de etanol em escala regional.
"É uma cultura muito concentrada quase toda no Estado de São Paulo e em regiões vizinhas. Muita cana-de-açúcar em uma área pequena", disse Laranja.
De acordo com ele, isso representa um risco potencial sobre a biodiversidade. "Pode ter efeitos sobre recursos hídricos, efeitos diretos sobre o solo."
"Precisamos fazer essa ocupação das novas áreas de forma mais estratégica, da maneira mais racional possível", disse.
De acordo com Laranja, é necessário, por exemplo, "obediência irrestrita" às áreas de preservação permanente, além de observar o código florestal.”
"Precisamos pensar, por exemplo, na construção de novas unidades de conservação no Cerrado", afirmou."
WWF
Em 1961, quando foi fundada, a sigla WWF significava “World Wildlife Fund”, traduzido como “Fundo Mundial da Natureza” em português. Após, a sigla ganhou sua segunda tradução: "World Wide Fund For Nature" ou “Fundo Mundial para a Natureza”. Agora, ela é conhecida simplesmente como WWF, uma organização de conservação global.
WWF BRASIL
Em 30 de agosto de 1996 foi criada oficialmente a WWF-Brasil, que integra a Rede WWF mundial. A WWF-Brasil é uma organização não governamental (ONG) dedicada à conservação da natureza com o objetivo de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais.
Transcrevo a seguir a notícia divulgada pela BBC Brasil.com:
ESTUDO DA WWF DEFENDE BENEFÍCIO AMBIENTAL DO ETANOL
“A produção de etanol a partir de cana-de-açúcar tem efeitos benéficos do ponto de vista ambiental, afirma um estudo divulgado nesta segunda-feira pela organização ambientalista WWF-Brasil.
"O estudo conclui que existem benefícios ambientais confirmados e consolidados no que diz respeito à produção de etanol (a partir de cana-de-açúcar)", disse à BBC Brasil o coordenador do programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG, Luis Fernando Laranja, um dos autores do relatório.
"Do ponto de vista ambiental, é um bom negócio substituir gasolina por etanol", afirmou Laranja.
O governo brasileiro vem defendendo o etanol à base de cana-de-açúcar e rejeitando críticas de que essa produção traria riscos ambientais à Amazônia e contribuiria para a atual crise mundial dos alimentos.
"(O estudo) referenda a posição defendida pelo governo brasileiro", disse Laranja, ao ser questionado sobre essa posição.
Conforme Laranja, os benefícios do etanol brasileiro são verificados particularmente na redução de gases causadores do efeito estufa.
Segudo ele, o etanol brasileiro tem um balanço energético mais positivo (ou seja, é mais eficiente) do que, por exemplo, o etanol à base de milho, produzido nos Estados Unidos.
“MITOS”
O estudo do WWF-Brasil analisou o que Laranja definiu como "alguns mitos que envolvem a produção de etanol".
O primeiro seria sobre a eventual expansão de plantações de cana-de-açúcar na Amazônia.
"Não temos risco imediato e real de expansão da produção de cana-de-açúcar na Amazônia. O que existe é irrisório", disse Laranja.
Segundo ele, há em torno de 200 mil hectares de cana-de-açúcar na Amazônia. "Isso não significa nada no universo da Amazônia. Só de pastagens, há 50 milhões de hectares", afirmou.
O segundo ponto analisado é o quanto a produção de cana-de-açúcar compete com outras culturas alimentares, considerando-se o atual cenário de crise mundial dos alimentos.
De acordo com Laranja, esse risco é baixo. "Compete pouco com as culturas alimentares, especialmente porque ocupa pouca área. São 7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, sendo que metade vai para a produção de açúcar, e a outra metade para o etanol", disse.
RISCOS
O estudo, porém, alerta para alguns riscos ambientais da produção de etanol em escala regional.
"É uma cultura muito concentrada quase toda no Estado de São Paulo e em regiões vizinhas. Muita cana-de-açúcar em uma área pequena", disse Laranja.
De acordo com ele, isso representa um risco potencial sobre a biodiversidade. "Pode ter efeitos sobre recursos hídricos, efeitos diretos sobre o solo."
"Precisamos fazer essa ocupação das novas áreas de forma mais estratégica, da maneira mais racional possível", disse.
De acordo com Laranja, é necessário, por exemplo, "obediência irrestrita" às áreas de preservação permanente, além de observar o código florestal.”
"Precisamos pensar, por exemplo, na construção de novas unidades de conservação no Cerrado", afirmou."
segunda-feira, 26 de maio de 2008
RECORTES-6: A PETROBRAS E A VISÃO DO PSDB/FHC/DEM-PFL - UFA! ESCAPAMOS!
SÉRIE “RECORTES”
Inaugurei esta série em 18 de maio.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e registros que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, relí um recorte que me chamou a atenção, especialmente em face dos sucessos e da enorme projeção mundial alcançados pela PETROBRAS no governo Lula.
Trago agora esse recorte à pauta pelo seu valor tragicômico para o Brasil e porque uma grande parte da mídia e da população mais privilegiada batalha intensamente pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Assim, é bom relembrar como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos.
Eu havia guardado o texto (abaixo transcrito parcialmente) de autoria de Roberto Campos (economista, diplomata de carreira, deputado federal e ministro do Planejamento), publicado no auge do lançamento das políticas neoliberalizantes e antinacionais pelos tucanos.
Trata-se de um artigo de meia-página do jornal “O Estado de São Paulo” de 6 de março de 1994.
Como o texto é muito grande (a imprensa estava toda dedicada a promover aquelas medidas “modernizantes”), selecionei algumas partes que bem demonstram o espírito da década de 90, que já estamos esquecendo, de feroz defesa dos interesses estrangeiros em prejuízo dos interesses nacionais. Alguns trechos [entre colchetes] foram inseridos por este blog, visando maior clareza:
“A VACA LEITEIRA E A SANGUESSUGA”
Os subtítulos foram:
“O PATRIOTISMO É O ÚLTIMO REFÚGIO DOS CANALHAS” (Doutor Samuel Johnson – 1771)
e “A PETROSSAURO É CAPAZ DE SAFADEZAS QUE MERECEM A ATENÇÃO DE OSÍRIS LOPES”.
“É impossível hoje ligar a televisão sem ouvir a propaganda da Petrossauro defendendo as mordomias dos seus marajás.
(...) A Petrossauro é o único campeão de boxe no mundo que se proclama campeão sem deixar que boxeadores rivais [estrangeiros] subam ao ringue.
(...) A Petrossauro procura misturar na mente dos desinformados duas coisas diferentes: a “desmonopolização” e a “privatização”. A “desmonopolização” é exigência democrática, pois o monopólio é a cassação do direito do cidadão de produzir e competir. “Privatizar” é coisa útil.
Por que a propaganda insultosa da Petrossauro? Para ocultar do povo as seguintes verdades:
• O Brasil é a 10ª economia do mundo. A Petrossauro é a 15ª empresa no cômputo geral, a 19ª em reservas e a 20ª em produção. Só alcança o 10º lugar em número de empregados...
• O Brasil tem 6% das bacias sedimentares do mundo. Mas em 40 anos a Petrossauro só descobriu 0,3% das reservas mundiais de petróleo e 0,1% das reservas de gás!
(...) Agora que se começou a abrir a caixa-preta da estrutura de custos da Petrossauro, verificamos que não é uma vaca leiteira, e sim uma sanguessuga.
(...) Os saurinos, em sua propaganda televisiva, chamam os deputados revisionistas [do PSDB e PFL] de entreguistas, traidores e ratazanas. Como é que chamaremos nossas sanguessugas oleosas? Ora, diremos que são praticantes do patriotismo, no sentido da definição acima [o último refúgio dos canalhas], do sábio Doutor Samuel Johnson” .
Relendo esse recorte que encontrei, nos vem à mente o que expressamos no título desta postagem: Ufa! Escapamos! Infelizmente, o Brasil e a Petrobras sobreviveram à ação tucana-pefelenta dos tais "revisionistas", mas com muitos ferimentos graves.
Por oportuno, repito o que, em 13 de maio último, aqui escrevemos:
“PETROBRAS: 4ª DO MUNDO
Os brasileiros devem rezar fervorosamente em agradecimento pelo milagre de o governo PSDB/PFL-DEM/FHC não ter conseguido concluir a desestatização e a venda integral da empresa para estrangeiros, como já estava em curso.
O processo tucano-pefelento contra a Petrobras tomou impulso quando, em 1995, modificaram capciosamente o artigo 177 da Constituição Federal. Prosseguiu em 1997, quando promulgaram a Lei nº 9.478. Muitos outros danos ao patrimônio brasileiro foram perpetrados e são de muito difícil correção.
Somente os dois atos citados permitiram contratos de concessão para estrangeiros explorarem petróleo no Brasil com o surpreendente benefício (além de gordos lucros com baixos riscos) de poderem fazer com o produto o que bem entenderem, inclusive exportá-lo integralmente, mesmo em situação de carência no mercado brasileiro.
As benesses concedidas pelo governo PSDB/PFL-DEM/FHC aos estrangeiros, estatais e privados, foram perplexantes, à custa de um patrimônio que a Nação havia acumulado em décadas de empenho e sacrifício.
Felizmente, não conseguiram vender ou doar tudo. Por isso, querem voltar ao poder para concluir a devastação.
A grande imprensa brasileira, movida por enormes interesses externos, econômicos, financeiros e geopolíticos, apóia e até conduz as ações desse grupo eufemicamente denominado de “conservador e democrata modernizante”.
Inaugurei esta série em 18 de maio.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e registros que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, relí um recorte que me chamou a atenção, especialmente em face dos sucessos e da enorme projeção mundial alcançados pela PETROBRAS no governo Lula.
Trago agora esse recorte à pauta pelo seu valor tragicômico para o Brasil e porque uma grande parte da mídia e da população mais privilegiada batalha intensamente pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Assim, é bom relembrar como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos.
Eu havia guardado o texto (abaixo transcrito parcialmente) de autoria de Roberto Campos (economista, diplomata de carreira, deputado federal e ministro do Planejamento), publicado no auge do lançamento das políticas neoliberalizantes e antinacionais pelos tucanos.
Trata-se de um artigo de meia-página do jornal “O Estado de São Paulo” de 6 de março de 1994.
Como o texto é muito grande (a imprensa estava toda dedicada a promover aquelas medidas “modernizantes”), selecionei algumas partes que bem demonstram o espírito da década de 90, que já estamos esquecendo, de feroz defesa dos interesses estrangeiros em prejuízo dos interesses nacionais. Alguns trechos [entre colchetes] foram inseridos por este blog, visando maior clareza:
“A VACA LEITEIRA E A SANGUESSUGA”
Os subtítulos foram:
“O PATRIOTISMO É O ÚLTIMO REFÚGIO DOS CANALHAS” (Doutor Samuel Johnson – 1771)
e “A PETROSSAURO É CAPAZ DE SAFADEZAS QUE MERECEM A ATENÇÃO DE OSÍRIS LOPES”.
“É impossível hoje ligar a televisão sem ouvir a propaganda da Petrossauro defendendo as mordomias dos seus marajás.
(...) A Petrossauro é o único campeão de boxe no mundo que se proclama campeão sem deixar que boxeadores rivais [estrangeiros] subam ao ringue.
(...) A Petrossauro procura misturar na mente dos desinformados duas coisas diferentes: a “desmonopolização” e a “privatização”. A “desmonopolização” é exigência democrática, pois o monopólio é a cassação do direito do cidadão de produzir e competir. “Privatizar” é coisa útil.
Por que a propaganda insultosa da Petrossauro? Para ocultar do povo as seguintes verdades:
• O Brasil é a 10ª economia do mundo. A Petrossauro é a 15ª empresa no cômputo geral, a 19ª em reservas e a 20ª em produção. Só alcança o 10º lugar em número de empregados...
• O Brasil tem 6% das bacias sedimentares do mundo. Mas em 40 anos a Petrossauro só descobriu 0,3% das reservas mundiais de petróleo e 0,1% das reservas de gás!
(...) Agora que se começou a abrir a caixa-preta da estrutura de custos da Petrossauro, verificamos que não é uma vaca leiteira, e sim uma sanguessuga.
(...) Os saurinos, em sua propaganda televisiva, chamam os deputados revisionistas [do PSDB e PFL] de entreguistas, traidores e ratazanas. Como é que chamaremos nossas sanguessugas oleosas? Ora, diremos que são praticantes do patriotismo, no sentido da definição acima [o último refúgio dos canalhas], do sábio Doutor Samuel Johnson” .
Relendo esse recorte que encontrei, nos vem à mente o que expressamos no título desta postagem: Ufa! Escapamos! Infelizmente, o Brasil e a Petrobras sobreviveram à ação tucana-pefelenta dos tais "revisionistas", mas com muitos ferimentos graves.
Por oportuno, repito o que, em 13 de maio último, aqui escrevemos:
“PETROBRAS: 4ª DO MUNDO
Os brasileiros devem rezar fervorosamente em agradecimento pelo milagre de o governo PSDB/PFL-DEM/FHC não ter conseguido concluir a desestatização e a venda integral da empresa para estrangeiros, como já estava em curso.
O processo tucano-pefelento contra a Petrobras tomou impulso quando, em 1995, modificaram capciosamente o artigo 177 da Constituição Federal. Prosseguiu em 1997, quando promulgaram a Lei nº 9.478. Muitos outros danos ao patrimônio brasileiro foram perpetrados e são de muito difícil correção.
Somente os dois atos citados permitiram contratos de concessão para estrangeiros explorarem petróleo no Brasil com o surpreendente benefício (além de gordos lucros com baixos riscos) de poderem fazer com o produto o que bem entenderem, inclusive exportá-lo integralmente, mesmo em situação de carência no mercado brasileiro.
As benesses concedidas pelo governo PSDB/PFL-DEM/FHC aos estrangeiros, estatais e privados, foram perplexantes, à custa de um patrimônio que a Nação havia acumulado em décadas de empenho e sacrifício.
Felizmente, não conseguiram vender ou doar tudo. Por isso, querem voltar ao poder para concluir a devastação.
A grande imprensa brasileira, movida por enormes interesses externos, econômicos, financeiros e geopolíticos, apóia e até conduz as ações desse grupo eufemicamente denominado de “conservador e democrata modernizante”.
A MÍDIA, A OPOSIÇÃO, A NOVA CPMF E A “PESADA CARGA TRIBUTÁRIA”
Este blog já comentou, em vários artigos, a hipocrisia da oposição, das “elites” e da grande mídia brasileira contra a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Era o único imposto que eles não conseguiam sonegar.
Os pobres, que eles diziam defender, pagavam pouquíssimos reais por ano em valores absolutos. Aqueles 0,38% das movimentações nas contas bancárias praticamente não os atingiam. Por outro lado, os 65 dos 100 maiores movimentadores de dinheiro no Brasil somente foram descobertos pela Receita Federal graças aos mecanismos disponibilizados pela CPMF. Eles, antes, se declaravam “isentos”...
A extinção da CPMF pelo Congresso no final do ano passado e da sua inerente fiscalização da Receita Federal foi considerada pela oposição uma “vitória histórica”. Ela trouxe regozijo aos que mais movimentam dinheiro no país, como empresários, instituições financeiras, narcotraficantes, sonegadores, parlamentares, corruptos.
O líder do PSDB no Senado lançou na imprensa: “A oposição (PSDB, DEM e PPS) vai barrar qualquer imposto, seja ele qual for”. Tudo mentira. Não barraram nem mesmo os aumentos de IPTU nas cidades por eles governadas. A "Veja", no entanto, lhe concedeu destaque positivo em muitas páginas. Várias outras revistas, jornais e redes de TV de todo o país também. O senador Arthur Virgílio resolveu, até, lançar-se candidato à Presidência da República.
A propósito, segundo o portal UOL Últimas Notícias informou hoje (26/05), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na abertura no 20º Fórum Nacional, promovido pelo INAE (Instituto Nacional de Altos Estudos) no Rio de Janeiro, ironizou o reflexo no preço dos produtos com o fim da CPMF, que foi extinta pelo Congresso [com o argumento da oposição de que era um imposto “perverso”, em cascata, e que tudo iria baratear muito com o fim da CPMF].
Disse o presidente Lula: “É engraçado, e me desculpem os companheiros, com o maior carinho, eu não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou a CPMF. Parece-me que não foi passado para o custo do produto o 0,38%. Parece que aumentou apenas os ganhos dos que pagavam CPMF".
O presidente voltou a reclamar que a ausência do tributo pode prejudicar investimentos. "Muita gente teima em acreditar que o Estado tem que ser fraco. O Estado fraco não governa. O estado fraco não resolve os problemas", disse.
Nos últimos dias, parlamentares da base aliada defenderam a criação de um imposto destinado à Saúde Pública, com semelhante poder de fiscalização sobre movimentações financeiras como aquela extinta CPMF, porém ainda mais suave, 0,10%.
Isso foi o suficiente para que várias redes de TV e jornais e os partidos da oposição lançassem uma campanha sobre “a alta carga tributária brasileira”. “O povo não aceita mais impostos” dizem.
A desculpa da “pesada carga tributária”, contudo, não resiste a uma análise.
1) Primeiro, a oposição e a mídia lançam confusão entre carga e arrecadação tributárias. O erro já se instala quando se considera "carga tributária" como sendo a mesma coisa que "arrecadação tributária" em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A carga tributária estabelecida pela legislação fiscal pode, por exemplo, continuar estática e a arrecadação tributária, por sua vez, aumentar muito com o combate à evasão e à sonegação.
2) Segundo, porque essa carga é semelhante até a dos países mais ricos e com infra-estruturas e serviços já implantados, que não necessitam para isso tantos investimentos como o Brasil.
Usando dados da OCDE para 2005, podem ser reunidos alguns países membros em três grupos: o dos países ricos, com carga tributária média de 41,8% (Suécia (51,2%), França, Reino Unido e Alemanha); o dos países intermediários, com carga tributária média de 34,9% (Itália, Hungria, Espanha e Coréia do Sul); e o das economias emergentes, com carga tributária média de 33,8% (República Tcheca, Grécia, Portugal, Turquia e Eslováquia). Nos Estados Unidos é diferente. Há maior dependência do Imposto de Renda, principalmente das pessoas físicas, ao passo que as tributações sobre folha de pagamentos e sobre vendas vêm em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Nesse modelo, a carga tributária é mais baixa com carga de impostos de 26,8% do PIB.
O Brasil, com carga tributária de 33,4%, escolheu o modelo europeu, típico de países que optaram pelo "welfare state".
3) Terceiro, porque é cinismo do PSDB e PFL-DEM. Eles, quando no governo, elevaram fortemente a carga tributária.
Relembremos a evolução da arrecadação tributária geral (% do PIB) desde 1986 (dados da Receita Federal):
1986 - 22,39% ; 1987 - 20,28%; 1988 - 20,01%; 1989 - 22,16%; 1990 - 29,91%; 1991 - 24,61%; 1992 - 25,38%; 1993 - 25,09%; 1994 - 28,61%; 1995 - 28,92%; 1996 - 27,29%; 1997 - 27,47%; 1998 - 29,33% ; 1999 - 31,64%; 2000 - 32,84%; 2001 - 33,68%; 2002 - 35,84%; 2003 - 35,54%; 2004 - 36,80%; 2005 - 37,82%; 2006 - 37 ,00%; 2007 - 38,20%.
Esses índices significam que FHC/PSDB/DEM receberam o governo com o índice 25,09% e entregaram-no com 35,84%; um aumento de 42,85%!
O presente governo Lula recebeu com 35,84% e alcançou 38,20%; um aumento de apenas 6,58%.
Se considerarmos, em vez de esses 38,20% de arrecadação, a carga tributária atual, 33,4%, indicada pelo Dr Marcos Cintra, vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas, no artigo da Folha de 21 de janeiro deste ano, na realidade o índice diminuiu de 35,84% para 33,4% durante o governo do presidente Lula.
Assim, concluindo, quem é o vilão da carga tributária? A informação transmitida para o público pela grande imprensa e pelos partidos da oposição acusa nos últimos anos somente o governo atual. Má-fé na desinformação? Óbvio...
Os pobres, que eles diziam defender, pagavam pouquíssimos reais por ano em valores absolutos. Aqueles 0,38% das movimentações nas contas bancárias praticamente não os atingiam. Por outro lado, os 65 dos 100 maiores movimentadores de dinheiro no Brasil somente foram descobertos pela Receita Federal graças aos mecanismos disponibilizados pela CPMF. Eles, antes, se declaravam “isentos”...
A extinção da CPMF pelo Congresso no final do ano passado e da sua inerente fiscalização da Receita Federal foi considerada pela oposição uma “vitória histórica”. Ela trouxe regozijo aos que mais movimentam dinheiro no país, como empresários, instituições financeiras, narcotraficantes, sonegadores, parlamentares, corruptos.
O líder do PSDB no Senado lançou na imprensa: “A oposição (PSDB, DEM e PPS) vai barrar qualquer imposto, seja ele qual for”. Tudo mentira. Não barraram nem mesmo os aumentos de IPTU nas cidades por eles governadas. A "Veja", no entanto, lhe concedeu destaque positivo em muitas páginas. Várias outras revistas, jornais e redes de TV de todo o país também. O senador Arthur Virgílio resolveu, até, lançar-se candidato à Presidência da República.
A propósito, segundo o portal UOL Últimas Notícias informou hoje (26/05), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso na abertura no 20º Fórum Nacional, promovido pelo INAE (Instituto Nacional de Altos Estudos) no Rio de Janeiro, ironizou o reflexo no preço dos produtos com o fim da CPMF, que foi extinta pelo Congresso [com o argumento da oposição de que era um imposto “perverso”, em cascata, e que tudo iria baratear muito com o fim da CPMF].
Disse o presidente Lula: “É engraçado, e me desculpem os companheiros, com o maior carinho, eu não vi nenhum produto reduzir de preço depois que acabou a CPMF. Parece-me que não foi passado para o custo do produto o 0,38%. Parece que aumentou apenas os ganhos dos que pagavam CPMF".
O presidente voltou a reclamar que a ausência do tributo pode prejudicar investimentos. "Muita gente teima em acreditar que o Estado tem que ser fraco. O Estado fraco não governa. O estado fraco não resolve os problemas", disse.
Nos últimos dias, parlamentares da base aliada defenderam a criação de um imposto destinado à Saúde Pública, com semelhante poder de fiscalização sobre movimentações financeiras como aquela extinta CPMF, porém ainda mais suave, 0,10%.
Isso foi o suficiente para que várias redes de TV e jornais e os partidos da oposição lançassem uma campanha sobre “a alta carga tributária brasileira”. “O povo não aceita mais impostos” dizem.
A desculpa da “pesada carga tributária”, contudo, não resiste a uma análise.
1) Primeiro, a oposição e a mídia lançam confusão entre carga e arrecadação tributárias. O erro já se instala quando se considera "carga tributária" como sendo a mesma coisa que "arrecadação tributária" em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A carga tributária estabelecida pela legislação fiscal pode, por exemplo, continuar estática e a arrecadação tributária, por sua vez, aumentar muito com o combate à evasão e à sonegação.
2) Segundo, porque essa carga é semelhante até a dos países mais ricos e com infra-estruturas e serviços já implantados, que não necessitam para isso tantos investimentos como o Brasil.
Usando dados da OCDE para 2005, podem ser reunidos alguns países membros em três grupos: o dos países ricos, com carga tributária média de 41,8% (Suécia (51,2%), França, Reino Unido e Alemanha); o dos países intermediários, com carga tributária média de 34,9% (Itália, Hungria, Espanha e Coréia do Sul); e o das economias emergentes, com carga tributária média de 33,8% (República Tcheca, Grécia, Portugal, Turquia e Eslováquia). Nos Estados Unidos é diferente. Há maior dependência do Imposto de Renda, principalmente das pessoas físicas, ao passo que as tributações sobre folha de pagamentos e sobre vendas vêm em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Nesse modelo, a carga tributária é mais baixa com carga de impostos de 26,8% do PIB.
O Brasil, com carga tributária de 33,4%, escolheu o modelo europeu, típico de países que optaram pelo "welfare state".
3) Terceiro, porque é cinismo do PSDB e PFL-DEM. Eles, quando no governo, elevaram fortemente a carga tributária.
Relembremos a evolução da arrecadação tributária geral (% do PIB) desde 1986 (dados da Receita Federal):
1986 - 22,39% ; 1987 - 20,28%; 1988 - 20,01%; 1989 - 22,16%; 1990 - 29,91%; 1991 - 24,61%; 1992 - 25,38%; 1993 - 25,09%; 1994 - 28,61%; 1995 - 28,92%; 1996 - 27,29%; 1997 - 27,47%; 1998 - 29,33% ; 1999 - 31,64%; 2000 - 32,84%; 2001 - 33,68%; 2002 - 35,84%; 2003 - 35,54%; 2004 - 36,80%; 2005 - 37,82%; 2006 - 37 ,00%; 2007 - 38,20%.
Esses índices significam que FHC/PSDB/DEM receberam o governo com o índice 25,09% e entregaram-no com 35,84%; um aumento de 42,85%!
O presente governo Lula recebeu com 35,84% e alcançou 38,20%; um aumento de apenas 6,58%.
Se considerarmos, em vez de esses 38,20% de arrecadação, a carga tributária atual, 33,4%, indicada pelo Dr Marcos Cintra, vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas, no artigo da Folha de 21 de janeiro deste ano, na realidade o índice diminuiu de 35,84% para 33,4% durante o governo do presidente Lula.
Assim, concluindo, quem é o vilão da carga tributária? A informação transmitida para o público pela grande imprensa e pelos partidos da oposição acusa nos últimos anos somente o governo atual. Má-fé na desinformação? Óbvio...
domingo, 25 de maio de 2008
RECORTES–5: A POLÍTICA DO PSDB/PFL/FHC PARA C&T
SÉRIE “RECORTES”
Inaugurei esta série em 18 de maio.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e registros que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, relí uma anotação que elaborei quando lidei com a área de ciência e tecnologia (C&T). Trago-a agora à pauta porque uma grande parte da mídia e da população mais privilegiada batalha pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Assim, é bom relembrar como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos. Neste caso, especificamente na área de C&T:
A POLÍTICA DO PSDB/PFL/FHC PARA C&T
Nos anos 90, o governo federal, pelo menos retoricamente, pois suas ações indicavam o contrário, muito propalava que “a Ciência e a Tecnologia (C&T) eram estratégicos para o Brasil”.
Porém, mais coerentemente com as medidas que chamavam de modernizantes implantadas pelo governo, não havia um plano governamental crível para essa área. Demonstravam, ao contrário, que C&T e a incorporação de tecnologias aos nossos produtos para torná-los mais competitivos eram coisas indesejáveis ou supérfluas.
Tentativas de fazer o governo planejar, despender e executar algo mais significativo e consistente para criar tecnologias nacionais eram logo abortadas ou menosprezadas, pelo governo e pela imprensa. O mundo “era moderno, globalizado, não havia mais sentido retrógrados sentimentos nacionalistas de subsidiar o desenvolvimento da capacitação tecnológica nacional”.
As iniciativas eram frustradas e consideradas, por muitos, “um retorno ao ultrapassado papel autoritário, nacionalista, desenvolvimentista e intervencionista, que não mais tinha sentido na moderna concepção de Estado-mínimo liberalizador e voltado somente para o social”.
Aquelas condutas governamentais, coerentes com as aprovadas “consensualmente” em Washington e implantadas no Brasil na década de 90, estavam em harmonia sim, é lógico, com a estratégia dos países ricos e industrializados, especialmente dos EUA, de impedir a difusão de tecnologias em outros países. Impedir para assim, cada vez mais, crescer a preeminência relativa deles nos campos tecnológico, econômico e militar.
Muitas autoridades e a grande imprensa no Brasil agiam como se não percebessem isso e estivessem, ingênua ou dolosamente, a mando do grande, muito rico e muito armado “irmão do norte”. Até reforçavam as pressões evidentes do governo dos EUA contra o nosso avanço em áreas de alta tecnologia, como a nuclear e a dos projetos espaciais.
Propugnavam que a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) no Brasil, na "nova ótica", deveriam ser encargos não do Estado, mas exclusivamente da empresa privada.
Contudo, como as anteriores grandes empresas “nacionais” foram vendidas e as novas passaram a ser as filiais das multinacionais estrangeiras, que passaram a responder por mais de 65% das “nossas” exportações, elas aqui não faziam P&D, atividade com mão-de-obra qualificada, nobre, recompensadora, reservada à matriz no exterior.
Para elas, não era importante possuirmos cientistas e pesquisadores. Queriam dos brasileiros, no máximo, o nível de operário ou de engenheiro especializado nas linhas de produção. Qualquer eventual descoberta ou agregação de valor identificada dentro delas no Brasil era logo repatriada para a matriz da multinacional e lá registrada a sua patente. Voltava para nós reexportada com grandes lucros para o país da sede.
Assim, naquele Brasil contaminado com idéias neoliberais esquisitas, estava sendo cada vez mais difícil o país continuar com os projetos de tecnologia de ponta.
Tais projetos, como o aeronáutico, o espacial e outros também avançados, nos governos anteriores já haviam agregado alto valor a produtos industriais civis brasileiros, gerado milhares de empregos de alto nível e inúmeros subprodutos competitivos (“spin off”).
Todas as pesquisas científicas básica e aplicada influenciam benéficamente a indústria, o emprego, a Segurança Nacional, a saúde, a vida cultural e intelectual do povo. Enfim, trazem crescimento econômico e prosperidade ao país. Sempre foi assim no mundo.
Talvez, por isso, no Brasil, até as universidades públicas e especialmente as suas pesquisas foram desmontadas na década de 90.
O grande orgulho do duplo governo FHC foi o seu trabalho na área de educação.
Contudo, mesmo nessa área, “de 1995 a 2003, os investimentos do Ministério da Educação diminuíram 57,8%, passando de R$ 1,874 bilhões em 1995 para R$ 0,791 bilhões em 2002, em valores atualizados pelo IGP. Em 2003, já no governo Lula, houve um crescimento de 127,4% em relação à 2002, embora ainda fossem necessários R$ 1,0 bilhão para igualar ao patamar de 1995” (“Opinião”, Folha de São Paulo, 09/08/2004).
Como resultado de tudo aquilo, o balanço da conta externa “tecnologia” ficou ainda mais deficitário para o Brasil.
O importante para um país é o domínio da tecnologia gerada em C&T e a sua aplicação em novos produtos industriais. Isso é proporcional à quantidade de novas patentes. A desproporção do apoio a esse setor, no Brasil, em comparação com outros países, era gritante.
Exemplificando-se com o ano de 2001, os EUA registraram 98.663 patentes, o Japão 34.890, a Alemanha 11.894, a Coréia do Sul 3.763 e o novo e “modernizado” Brasil somente 125...(“Forbes Brasil”, 15/08/2003).
E continuava piorando. De 1997 a 2001, a quantidade de patentes cresceu 32% na China, 76% na Coréia do Sul e somente 1% no Brasil (Jean-Pierre Férézou, ex-pesquisador do CNRS-Centre National de la Recherche Scientifique, Folha de São Paulo, 06/09/2004).
Enfim, naquele quadro, os projetos científicos e tecnológicos brasileiros também foram vítimas da propalada como importante e histórica “reestruturação do Estado”, em curso no Brasil durante o governo da atual oposição.
Inaugurei esta série em 18 de maio.
Ela começou porque reencontrei uma pasta com recortes e registros que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos.
Hoje, relí uma anotação que elaborei quando lidei com a área de ciência e tecnologia (C&T). Trago-a agora à pauta porque uma grande parte da mídia e da população mais privilegiada batalha pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Assim, é bom relembrar como esses partidos atuaram quando estiveram no governo por oito anos. Neste caso, especificamente na área de C&T:
A POLÍTICA DO PSDB/PFL/FHC PARA C&T
Nos anos 90, o governo federal, pelo menos retoricamente, pois suas ações indicavam o contrário, muito propalava que “a Ciência e a Tecnologia (C&T) eram estratégicos para o Brasil”.
Porém, mais coerentemente com as medidas que chamavam de modernizantes implantadas pelo governo, não havia um plano governamental crível para essa área. Demonstravam, ao contrário, que C&T e a incorporação de tecnologias aos nossos produtos para torná-los mais competitivos eram coisas indesejáveis ou supérfluas.
Tentativas de fazer o governo planejar, despender e executar algo mais significativo e consistente para criar tecnologias nacionais eram logo abortadas ou menosprezadas, pelo governo e pela imprensa. O mundo “era moderno, globalizado, não havia mais sentido retrógrados sentimentos nacionalistas de subsidiar o desenvolvimento da capacitação tecnológica nacional”.
As iniciativas eram frustradas e consideradas, por muitos, “um retorno ao ultrapassado papel autoritário, nacionalista, desenvolvimentista e intervencionista, que não mais tinha sentido na moderna concepção de Estado-mínimo liberalizador e voltado somente para o social”.
Aquelas condutas governamentais, coerentes com as aprovadas “consensualmente” em Washington e implantadas no Brasil na década de 90, estavam em harmonia sim, é lógico, com a estratégia dos países ricos e industrializados, especialmente dos EUA, de impedir a difusão de tecnologias em outros países. Impedir para assim, cada vez mais, crescer a preeminência relativa deles nos campos tecnológico, econômico e militar.
Muitas autoridades e a grande imprensa no Brasil agiam como se não percebessem isso e estivessem, ingênua ou dolosamente, a mando do grande, muito rico e muito armado “irmão do norte”. Até reforçavam as pressões evidentes do governo dos EUA contra o nosso avanço em áreas de alta tecnologia, como a nuclear e a dos projetos espaciais.
Propugnavam que a pesquisa e o desenvolvimento (P&D) no Brasil, na "nova ótica", deveriam ser encargos não do Estado, mas exclusivamente da empresa privada.
Contudo, como as anteriores grandes empresas “nacionais” foram vendidas e as novas passaram a ser as filiais das multinacionais estrangeiras, que passaram a responder por mais de 65% das “nossas” exportações, elas aqui não faziam P&D, atividade com mão-de-obra qualificada, nobre, recompensadora, reservada à matriz no exterior.
Para elas, não era importante possuirmos cientistas e pesquisadores. Queriam dos brasileiros, no máximo, o nível de operário ou de engenheiro especializado nas linhas de produção. Qualquer eventual descoberta ou agregação de valor identificada dentro delas no Brasil era logo repatriada para a matriz da multinacional e lá registrada a sua patente. Voltava para nós reexportada com grandes lucros para o país da sede.
Assim, naquele Brasil contaminado com idéias neoliberais esquisitas, estava sendo cada vez mais difícil o país continuar com os projetos de tecnologia de ponta.
Tais projetos, como o aeronáutico, o espacial e outros também avançados, nos governos anteriores já haviam agregado alto valor a produtos industriais civis brasileiros, gerado milhares de empregos de alto nível e inúmeros subprodutos competitivos (“spin off”).
Todas as pesquisas científicas básica e aplicada influenciam benéficamente a indústria, o emprego, a Segurança Nacional, a saúde, a vida cultural e intelectual do povo. Enfim, trazem crescimento econômico e prosperidade ao país. Sempre foi assim no mundo.
Talvez, por isso, no Brasil, até as universidades públicas e especialmente as suas pesquisas foram desmontadas na década de 90.
O grande orgulho do duplo governo FHC foi o seu trabalho na área de educação.
Contudo, mesmo nessa área, “de 1995 a 2003, os investimentos do Ministério da Educação diminuíram 57,8%, passando de R$ 1,874 bilhões em 1995 para R$ 0,791 bilhões em 2002, em valores atualizados pelo IGP. Em 2003, já no governo Lula, houve um crescimento de 127,4% em relação à 2002, embora ainda fossem necessários R$ 1,0 bilhão para igualar ao patamar de 1995” (“Opinião”, Folha de São Paulo, 09/08/2004).
Como resultado de tudo aquilo, o balanço da conta externa “tecnologia” ficou ainda mais deficitário para o Brasil.
O importante para um país é o domínio da tecnologia gerada em C&T e a sua aplicação em novos produtos industriais. Isso é proporcional à quantidade de novas patentes. A desproporção do apoio a esse setor, no Brasil, em comparação com outros países, era gritante.
Exemplificando-se com o ano de 2001, os EUA registraram 98.663 patentes, o Japão 34.890, a Alemanha 11.894, a Coréia do Sul 3.763 e o novo e “modernizado” Brasil somente 125...(“Forbes Brasil”, 15/08/2003).
E continuava piorando. De 1997 a 2001, a quantidade de patentes cresceu 32% na China, 76% na Coréia do Sul e somente 1% no Brasil (Jean-Pierre Férézou, ex-pesquisador do CNRS-Centre National de la Recherche Scientifique, Folha de São Paulo, 06/09/2004).
Enfim, naquele quadro, os projetos científicos e tecnológicos brasileiros também foram vítimas da propalada como importante e histórica “reestruturação do Estado”, em curso no Brasil durante o governo da atual oposição.
OBAMA, O MENOS RUIM, ACENDE-NOS A LUZ AMARELA
Foi notória a tragédia dos governos republicanos “dos Bush”. Em diversos artigos, já expressamos ou transcrevemos as suas conseqüências nefastas para o mundo e, inclusive, para os Estados Unidos.
No momento, desponta, como provável sucessor de Bush, o candidato à Casa Branca do Partido Democrata, Barack Obama. Realmente, ele parece ser o menos ruim. Muitos esperam de Obama dias melhores para os EUA e o mundo.
Entretanto, ao ler hoje uma postagem no “blog do Azenha” (ver “recomendamos”), uma luz amarela acendeu. Transpareceram conceitos com forte suspeita de conterem venenos para os brasileiros. Assuntos como “os EUA exportarem segurança para a América Latina”, ou sobre considerar a nossa “Amazônia como um recurso global” nos são arrepiantes.
Transcrevo o texto do blog do Azenha:
“OBAMA QUER "EXPORTAR" SEGURANÇA PARA A AMÉRICA LATINA”
"WASHINGTON - O provável candidato do Partido Democrata à Casa Branca, Barack Obama, lançou hoje em discurso na Flórida sua plataforma para a América Latina, que fala em "restabelecer" a liderança dos Estados Unidos no hemisfério com o objetivo de fazer avançar as liberdades em três campos: político, econômico e de segurança pessoal.
Ele prometeu defender a segurança tanto da criança da favela brasileira quanto do policial da Cidade do México. Tudo indica que, em nome de dar "segurança" aos latino-americanos, Obama quer exportar para a região os conceitos e os equipamentos que bancam o aparato de segurança nacional dos Estados Unidos pós-11 de setembro.
O tom do documento é paternalista, protecionista e neocolonialista. Se o candidato democrata acusa os republicanos de raciocinarem como se a guerra fria não tivesse acabado, ele quer trazer de volta a aliança para o progresso de John Kennedy.
Sobre o Brasil o documento "Uma nova parceria para as Américas", que detalha a proposta de Obama para a América Latina, é francamente decepcionante. Embora reconheça o potencial da parceria com o Brasil para a produção de biocombustíveis, Obama assume a defesa dos produtores de álcool de milho dos Estados Unidos e define a Amazônia como "recurso global" para combater o aquecimento do planeta.”
Utilizando o link do referido blog do Azenha, acrescento um trecho (em inglês) tocante ao Brasil, extraído do discurso de Barack Obama publicado anteontem nos EUA:
“WORK TOWARDS ENERGY SECURITY”
“THE CASE OF BRAZIL”:
“Brazil is an example of the great potential of renewable energy in Latin America, as well as some of the potential pitfalls that should be avoided. Brazil is the 10th-largest consumer of energy in the world.
Hydropower has long been a source of energy in Brazil and now provides 83 percent of the nation’s electricity demand. Brazil is also one of the largest producers of ethanol in the world. Ethanol in Brazil comes from sugar cane, which prospers in the country’s tropical climate.
In the 1970s, Brazil's former military dictators decided to subsidize ethanol production and require distribution. More than half of all cars in the country are flex-fuel, meaning that they can run on ethanol or gasoline. All gasoline in Brazil contains ethanol.
Brazil’s leadership in the renewable arena has not come without concerns. The Amazon region, an incredibly important global resource in the battle against global warming, covers nearly 60 percent of Brazil.
It has lost 20 percent of its forest — 1.6 million square miles — to development, logging and farming.
While sugarcane cultivation has not led to massive deforestation the way soybean production has, environmentalists worry that growing demand could push cane growers into the Amazon.
Domestic ethanol producers in the United States rightfully worry about competition from Brazil, which is the largest ethanol exporter in the world.
The United States last year entered into a Biofuels Partnership with Brazil to help both countries produce more biofuels and find global markets for these products. The agreement involves technology-sharing between the United States and Brazil, advancing the global development of biofuels and helping third countries develop their own domestic biofuels industries.
Barack Obama wants to expand production of renewable energy across Latin America in a way that at the same time promotes self-sufficiency and creates more markets for American green energy manufacturers and biofuels producers.”
No momento, desponta, como provável sucessor de Bush, o candidato à Casa Branca do Partido Democrata, Barack Obama. Realmente, ele parece ser o menos ruim. Muitos esperam de Obama dias melhores para os EUA e o mundo.
Entretanto, ao ler hoje uma postagem no “blog do Azenha” (ver “recomendamos”), uma luz amarela acendeu. Transpareceram conceitos com forte suspeita de conterem venenos para os brasileiros. Assuntos como “os EUA exportarem segurança para a América Latina”, ou sobre considerar a nossa “Amazônia como um recurso global” nos são arrepiantes.
Transcrevo o texto do blog do Azenha:
“OBAMA QUER "EXPORTAR" SEGURANÇA PARA A AMÉRICA LATINA”
"WASHINGTON - O provável candidato do Partido Democrata à Casa Branca, Barack Obama, lançou hoje em discurso na Flórida sua plataforma para a América Latina, que fala em "restabelecer" a liderança dos Estados Unidos no hemisfério com o objetivo de fazer avançar as liberdades em três campos: político, econômico e de segurança pessoal.
Ele prometeu defender a segurança tanto da criança da favela brasileira quanto do policial da Cidade do México. Tudo indica que, em nome de dar "segurança" aos latino-americanos, Obama quer exportar para a região os conceitos e os equipamentos que bancam o aparato de segurança nacional dos Estados Unidos pós-11 de setembro.
O tom do documento é paternalista, protecionista e neocolonialista. Se o candidato democrata acusa os republicanos de raciocinarem como se a guerra fria não tivesse acabado, ele quer trazer de volta a aliança para o progresso de John Kennedy.
Sobre o Brasil o documento "Uma nova parceria para as Américas", que detalha a proposta de Obama para a América Latina, é francamente decepcionante. Embora reconheça o potencial da parceria com o Brasil para a produção de biocombustíveis, Obama assume a defesa dos produtores de álcool de milho dos Estados Unidos e define a Amazônia como "recurso global" para combater o aquecimento do planeta.”
Utilizando o link do referido blog do Azenha, acrescento um trecho (em inglês) tocante ao Brasil, extraído do discurso de Barack Obama publicado anteontem nos EUA:
“WORK TOWARDS ENERGY SECURITY”
“THE CASE OF BRAZIL”:
“Brazil is an example of the great potential of renewable energy in Latin America, as well as some of the potential pitfalls that should be avoided. Brazil is the 10th-largest consumer of energy in the world.
Hydropower has long been a source of energy in Brazil and now provides 83 percent of the nation’s electricity demand. Brazil is also one of the largest producers of ethanol in the world. Ethanol in Brazil comes from sugar cane, which prospers in the country’s tropical climate.
In the 1970s, Brazil's former military dictators decided to subsidize ethanol production and require distribution. More than half of all cars in the country are flex-fuel, meaning that they can run on ethanol or gasoline. All gasoline in Brazil contains ethanol.
Brazil’s leadership in the renewable arena has not come without concerns. The Amazon region, an incredibly important global resource in the battle against global warming, covers nearly 60 percent of Brazil.
It has lost 20 percent of its forest — 1.6 million square miles — to development, logging and farming.
While sugarcane cultivation has not led to massive deforestation the way soybean production has, environmentalists worry that growing demand could push cane growers into the Amazon.
Domestic ethanol producers in the United States rightfully worry about competition from Brazil, which is the largest ethanol exporter in the world.
The United States last year entered into a Biofuels Partnership with Brazil to help both countries produce more biofuels and find global markets for these products. The agreement involves technology-sharing between the United States and Brazil, advancing the global development of biofuels and helping third countries develop their own domestic biofuels industries.
Barack Obama wants to expand production of renewable energy across Latin America in a way that at the same time promotes self-sufficiency and creates more markets for American green energy manufacturers and biofuels producers.”
O JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO REDESCOBRE QUE É TUCANO PRÓ-SERRA
O novo “ombudsman” da Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, publicou hoje uma nota sobre a parcialidade e a omissão do jornal em notícias que atingem negativamente o governo paulista.
A nota demonstra que, assim como o anterior ocupante do seu cargo, Mário Magalhães, já havia trazido a público claramente, Lins da Silva também já sabe que a Folha é predominantemente pró-PSDB e pró-Governador José Serra.
Uma postagem de hoje no "blog do Favre" aborda bem essa constatação. Vejamos:
“ALSTOM CASE E SCHERLOK OMBUDSMAN”
“Leia a nota do ombudsman publicada hoje na Folha SP sobre a cobertura do caso Alstom. Não é só o caso Alstom.
Por que, por exemplo, a Folha só noticiou hoje, pequeno e ao pé de página par, que a CVM investiga movimentação suspeita anterior ao anúncio das negociações entre o BB e a Nossa Caixa?
Faz dois dias que a notícia da CVM era pública. O jornal O Globo a publicou ontem com destaque. Eu reproduzi aqui no blog e a Folha só hoje, um dia depois.
O ombudsman parece ter descoberto o filão. Mário Magalhães, jornalista ocupante anterior do cargo já tinha descoberto antes. Indo atrás, como bom jornalista, descobriu que os vários casos mostravam uma tendência pró-Serra do jornal. O novo ombudsman é um experiente jornalista, provavelmente demorará menos em perceber. Domingo passado foi a ponte da Marta, hoje Alstom…”
NOTA DO OMBUDSMAN DA FOLHA: “O CASO ALSTOM”
“Em 6 de maio, o “Valor” revelou, com reportagem do “Wall Street Journal”, que a multinacional Alstom é investigada por denúncias de corrupção em negócios com o governo do Estado de São Paulo.
Tenho cobrado na crítica interna e nesta coluna que a Folha melhore na cobertura do caso. Além de poucas notas em colunas, o jornal publicou oito textos sobre o assunto. Em vários, não disse que as empresas envolvidas (como Metrô) são estatais. Em nenhum, ouviu ou disse ter tentado ouvir o governador José Serra ou os secretários de Estado a que estão subordinadas as empresas.
Em 16 de maio, mencionou que o PT fez uma pesquisa no site do Tribunal de Contas do Estado, segundo a qual há 139 contratos no valor de R$ 7,6 bilhões entre o governo estadual e a Alstom. Mas o próprio jornal não fez pesquisa nenhuma.
A Folha não se pronunciou em editorial sobre o tema e, exceto na coluna de Elio Gaspari (11 de maio), não deu uma análise das conseqüências políticas do tema, coisa que até o “Wall Street Journal” já fez.”
A nota demonstra que, assim como o anterior ocupante do seu cargo, Mário Magalhães, já havia trazido a público claramente, Lins da Silva também já sabe que a Folha é predominantemente pró-PSDB e pró-Governador José Serra.
Uma postagem de hoje no "blog do Favre" aborda bem essa constatação. Vejamos:
“ALSTOM CASE E SCHERLOK OMBUDSMAN”
“Leia a nota do ombudsman publicada hoje na Folha SP sobre a cobertura do caso Alstom. Não é só o caso Alstom.
Por que, por exemplo, a Folha só noticiou hoje, pequeno e ao pé de página par, que a CVM investiga movimentação suspeita anterior ao anúncio das negociações entre o BB e a Nossa Caixa?
Faz dois dias que a notícia da CVM era pública. O jornal O Globo a publicou ontem com destaque. Eu reproduzi aqui no blog e a Folha só hoje, um dia depois.
O ombudsman parece ter descoberto o filão. Mário Magalhães, jornalista ocupante anterior do cargo já tinha descoberto antes. Indo atrás, como bom jornalista, descobriu que os vários casos mostravam uma tendência pró-Serra do jornal. O novo ombudsman é um experiente jornalista, provavelmente demorará menos em perceber. Domingo passado foi a ponte da Marta, hoje Alstom…”
NOTA DO OMBUDSMAN DA FOLHA: “O CASO ALSTOM”
“Em 6 de maio, o “Valor” revelou, com reportagem do “Wall Street Journal”, que a multinacional Alstom é investigada por denúncias de corrupção em negócios com o governo do Estado de São Paulo.
Tenho cobrado na crítica interna e nesta coluna que a Folha melhore na cobertura do caso. Além de poucas notas em colunas, o jornal publicou oito textos sobre o assunto. Em vários, não disse que as empresas envolvidas (como Metrô) são estatais. Em nenhum, ouviu ou disse ter tentado ouvir o governador José Serra ou os secretários de Estado a que estão subordinadas as empresas.
Em 16 de maio, mencionou que o PT fez uma pesquisa no site do Tribunal de Contas do Estado, segundo a qual há 139 contratos no valor de R$ 7,6 bilhões entre o governo estadual e a Alstom. Mas o próprio jornal não fez pesquisa nenhuma.
A Folha não se pronunciou em editorial sobre o tema e, exceto na coluna de Elio Gaspari (11 de maio), não deu uma análise das conseqüências políticas do tema, coisa que até o “Wall Street Journal” já fez.”
sábado, 24 de maio de 2008
ACIDENTE DA TAM: TV BAND E MÍDIA AINDA TENTAM ENVOLVER LULA COMO CULPADO
Ontem, os noticiários da TV Bandeirantes e de vários outros veículos de comunicação divulgaram a notícia de que a conclusão das investigações teria apontado para a culpabilidade da INFRAERO, pelo fato de Congonhas naquela época não ter “grooving” (ranhuras) na pista. Secundariamente, citaram outros “culpados”, sendo por último o fabricante franco-alemão do avião Airbus.
Desde o primeiro momento daquele acidente do ano passado, a TV BAND e todas as demais, dolosa e erradamente, incriminaram a Infraero e o Presidente Lula pela ausência do tal de “grooving” e, assim, pelas mortes ocorridas.
Contudo, todas as análises técnicas vieram a eliminar a contribuição da pista. A pista ter “grooving” é bom, mas aquele acidente ocorreria da mesma maneira se ela tivesse ranhuras.
Os principais fatores contribuintes foram a lógica do “software” das manetes, que pode induzir o piloto a erro (já ocorrido em três acidentes no mundo), e o insuficiente treinamento operacional dos pilotos para sobrepujarem essa característica daquela muito boa aeronave.
Hoje, a Aeronáutica divulgou na imprensa a seguinte nota assinada pelo Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica:
“NOTA À IMPRENSA”
“O Comando da Aeronáutica informa que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) ainda não encerrou o relatório final sobre o acidente do Airbus A-320 da TAM, ocorrido em 17 de julho de 2007 no aeroporto de Congonhas - SP.
Cabe destacar que esse documento não apontará culpados pelo acidente e sim os fatores que contribuíram para que o mesmo ocorresse, visando unicamente a segurança da atividade aérea.
Além disso, no momento em que for concluída a investigação desse acidente, o resultado será primeiramente apresentado aos familiares das vítimas e, posteriormente, divulgado à mídia, sem qualquer forma de privilégio a jornalistas ou veículos específicos de comunicação.
Por fim, cabe ao Comando da Aeronáutica lamentar que profissionais de imprensa estejam veiculando informações distorcidas sobre um trabalho ainda em execução e atribuindo erroneamente ao CENIPA a responsabilidade sobre essas informações.”
Desde o primeiro momento daquele acidente do ano passado, a TV BAND e todas as demais, dolosa e erradamente, incriminaram a Infraero e o Presidente Lula pela ausência do tal de “grooving” e, assim, pelas mortes ocorridas.
Contudo, todas as análises técnicas vieram a eliminar a contribuição da pista. A pista ter “grooving” é bom, mas aquele acidente ocorreria da mesma maneira se ela tivesse ranhuras.
Os principais fatores contribuintes foram a lógica do “software” das manetes, que pode induzir o piloto a erro (já ocorrido em três acidentes no mundo), e o insuficiente treinamento operacional dos pilotos para sobrepujarem essa característica daquela muito boa aeronave.
Hoje, a Aeronáutica divulgou na imprensa a seguinte nota assinada pelo Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica:
“NOTA À IMPRENSA”
“O Comando da Aeronáutica informa que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) ainda não encerrou o relatório final sobre o acidente do Airbus A-320 da TAM, ocorrido em 17 de julho de 2007 no aeroporto de Congonhas - SP.
Cabe destacar que esse documento não apontará culpados pelo acidente e sim os fatores que contribuíram para que o mesmo ocorresse, visando unicamente a segurança da atividade aérea.
Além disso, no momento em que for concluída a investigação desse acidente, o resultado será primeiramente apresentado aos familiares das vítimas e, posteriormente, divulgado à mídia, sem qualquer forma de privilégio a jornalistas ou veículos específicos de comunicação.
Por fim, cabe ao Comando da Aeronáutica lamentar que profissionais de imprensa estejam veiculando informações distorcidas sobre um trabalho ainda em execução e atribuindo erroneamente ao CENIPA a responsabilidade sobre essas informações.”
RECORTES–4: “A TERRÍVEL DEGRADAÇÃO SOCIAL” DE 1994 a 2004 (Ermírio de Moraes)
SÉRIE “RECORTES”
Inaugurei esta série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
Em 20 de maio, escolhi outro registro: “O imperialismo da razão neoliberal”.
No dia seguinte, recuperei um texto que escrevi em 2004, com o título “Chile, o revés da “vitrine” neoliberal”.
Hoje, 24/05, achei intrigante uma pequena observação que registrei em 2004. Um alto representante da classe empresarial, Antônio Ermírio de Moraes, reconhece conseqüências funestas do longo período tucano.
A incongruência que me chamou a atenção é alguém da “elite”, ainda mais em um autêntico jornal tucano, a Folha de São Paulo, não elogiar o PSDB, o DEM-PFL ou FHC.
O contraste que também ressalta é o quadro do período então descrito pelo empresário, quando o Brasil (até 2002) era governado pela oposição, comparado com a atual situação social, já bem melhor em todo o Brasil com o governo Lula.
Reproduzo algumas palavras de Antônio Ermírio de Moraes publicadas na Folha de São Paulo de 3 de outubro de 2004:
“SÃO PAULO-Capital: TERRÍVEL DEGRADAÇÃO SOCIAL”
“Nos últimos 10 anos (1994-2004), a renda per capita encolheu 23%. O número de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza aumentou 50%. A proporção de crianças vivendo em lares pobres cresceu 62%. O montante de indigentes elevou-se em 88%. Os domicílios classificados como miseráveis aumentaram 117%!”
Inaugurei esta série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
Em 20 de maio, escolhi outro registro: “O imperialismo da razão neoliberal”.
No dia seguinte, recuperei um texto que escrevi em 2004, com o título “Chile, o revés da “vitrine” neoliberal”.
Hoje, 24/05, achei intrigante uma pequena observação que registrei em 2004. Um alto representante da classe empresarial, Antônio Ermírio de Moraes, reconhece conseqüências funestas do longo período tucano.
A incongruência que me chamou a atenção é alguém da “elite”, ainda mais em um autêntico jornal tucano, a Folha de São Paulo, não elogiar o PSDB, o DEM-PFL ou FHC.
O contraste que também ressalta é o quadro do período então descrito pelo empresário, quando o Brasil (até 2002) era governado pela oposição, comparado com a atual situação social, já bem melhor em todo o Brasil com o governo Lula.
Reproduzo algumas palavras de Antônio Ermírio de Moraes publicadas na Folha de São Paulo de 3 de outubro de 2004:
“SÃO PAULO-Capital: TERRÍVEL DEGRADAÇÃO SOCIAL”
“Nos últimos 10 anos (1994-2004), a renda per capita encolheu 23%. O número de famílias que vivem abaixo da linha de pobreza aumentou 50%. A proporção de crianças vivendo em lares pobres cresceu 62%. O montante de indigentes elevou-se em 88%. Os domicílios classificados como miseráveis aumentaram 117%!”
CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA ILEGÍTIMA NO IRAQUE - 13ª PARTE DA SÉRIE “GUERRAS RECENTES DOS EUA”
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008;
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril; e
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 de abril;
12) “Julgamento do Tribunal Mundial sobre o Iraque”, postado em 21 de abril.
Hoje (24/05), continuaremos com o artigo “GUERRA NO IRAQUE JÁ CUSTOU 3 MIL BILHÕES DE DÓLARES (5 trilhões de reais)”
O jornal francês Le Monde, em texto de Caroline Fourest traduzido por Jean-Yves de Neufville, publicado ontem no portal UOL Mídia Global, faz uma ótima análise das conseqüências negativas da invasão norte-americana no Iraque.
Este blog transcreve o texto do Le Monde, acrescentando subtítulos entre colchetes, visando a facilitar a leitura:
NO IRAQUE, A GUERRA “SUBPRIME”
[CUSTO DA GUERRA: 3 TRILHÕES DE DÓLARES]
“Três trilhões de dólares (cerca de R$ 5 trilhões): este é o montante total do custo provável da guerra no Iraque, segundo Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de economia, e Linda Bilmes, professora de finanças públicas em Harvard.
Lançado recentemente nos Estados Unidos, o seu livro, intitulado "Uma guerra a 3 trilhões de dólares", acaba de ser publicado na França (editora Fayard). Os dois economistas levaram em conta não apenas as despesas oficiais, como também as despesas colaterais e ainda aquelas que foram ocultadas por meio de um orçamento previdencial, os seja, que calcula de antemão os efeitos macroeconômicos da guerra.
Entre outros, eles incluíram nos seus cálculos o que custarão os tratamentos dos antigos combatentes, as pensões por invalidez, os tratamentos dos indivíduos acometidos de distúrbios mentais e de stress pós-traumático, ou seja, problemas que atingem várias centenas de milhares de soldados americanos.
[IRAQUIANOS MORTOS NO IRAQUE]
Este cálculo pode parecer frio e cínico se comparado com o número de mortos, diretos e indiretos, que já são tão difíceis de quantificar. Mas esta incursão pela economia concreta era necessária para despertar a nossa epiderme adormecida pelos anúncios cotidianos de mortos no Iraque, uma prestação de contas que se tornou tão banal quanto a previsão do tempo.
"Como está o tempo, hoje no Iraque?"
- "Dez mortos num atentado".
- "Vejam só, a mesma quantidade de ontem... Contudo, eles haviam anunciado uma calmaria".
- "Pois é, nem sei o que lhe responder; mexeram com o clima e as estações deixaram de existir!"
Entre as razões que explicam este desregramento da epiderme, vale lembrar que os iraquianos que têm sido vítimas de atentados foram mortos por jihadistas (combatentes da "guerra santa" islâmica), e não pelos americanos. Entretanto, nem por isso a sua loucura redime a administração Bush do pecado original, o de ter invadido o Iraque sem refletir nas conseqüências disso. Esses danos colaterais são quantificáveis.
[A PRIVATIZAÇÃO DA GUERRA]
Vários dos fatores que contribuíram para a explosão dos custos da guerra terão, além de tudo, repercussões sobre o restante do mundo. O primeiro diz respeito à privatização do setor militar. Haveria neste exato momento no terreno iraquiano cerca de 100.000 contratados privados encarregados de garantir a segurança das atividades dos exércitos iraquiano e americano.
Não só estas agências de segurança custam muito caro para os contribuintes, como esta privatização do esforço militar também isenta de maiores responsabilidades os governos em guerra, além de abrir a porta para crimes em relação aos quais todos podem agora lavar as mãos; e de enriquecer mercenários super armados, o que, além de tudo, aumenta os riscos de instabilidade em nível mundial.
[EMPRÉSTIMOS PARA SUSTENTAR A GUERRA]
O outro fator agravante diz respeito ao modo de financiamento. No passado, as guerras eram financiadas por meio dos impostos, o que apresentava o mérito de fazer com que o seu peso fosse suportado pelas gerações que decidiam travá-las. E, portanto, de incentivar os cidadãos a quererem concluí-las o quanto antes. A administração Bush, por sua vez, optou por financiar a guerra por meio de empréstimos. Isto terá um alto custo em termos de juros bancários, mas contribui, mais uma vez, para retirar responsabilidades das costas dos que empreenderam esta guerra.
[MENTIRAS DO GOVERNO DOS EUA PARA OS PRÓPRIOS NORTE-AMERICANOS]
Decididamente, os americanos foram tratados como se fossem crianças. Mentiram para eles em relação à presença de armas de destruição maciça, e, daqui para frente, estão mentindo novamente a respeito dos custos da guerra - que a administração Bush continua avaliando em torno mais ou menos de US$ 800 bilhões (cerca de R$ 1,32 trilhão).
[SUBPRIMES]
Esta é a mesma técnica empregada com os "subprimes" (créditos hipotecários podres). Eles pensavam se vingar da Al Qaeda por meio de uma guerra-relâmpago. Eles se encontram agora com uma dívida que deverá ser reembolsada por várias gerações, um crédito sobre o qual pesam taxas de juros cujo montante irá variar de um mês para outro... E uma vez que a economia americana continua sendo a referência, todos nós pagaremos a conta, mesmo se nós éramos contra esta guerra.
[A ESCALADA DOS PREÇOS DO PETRÓLEO]
Isso porque o mais recente capítulo inflacionário desta revanche diz respeito, obviamente, à explosão das cotações do petróleo. Alguns paranóicos pensavam que a administração Bush era maquiavélica o suficiente para invadir o Iraque com o objetivo de garantir o seu abastecimento de "ouro negro" a baixo custo.
[LUCROS DA HALLIBURTON]
Mas ela não planejou nada tão sofisticado. Ainda assim, nada disso impediu que as companhias petroleiras privadas, tais como a Halliburton - e seus acionistas, entre os quais se inclui o vice-presidente Dick Cheney - obtivessem lucros polpudos com o conflito. O que levanta a questão das relações tão estreitas quanto duvidosas entre os meios econômicos capazes de faturarem lucros em função de uma guerra e o mundo político que tem todas as cartas nas mãos para desencadeá-la.
[A DERROCADA DO CRÉDITO MORAL DOS EUA]
Todas essas considerações não produziriam o mesmo efeito de consternação se esta guerra ao menos tivesse servido para alguma coisa. Ora, ela nada fez a não ser comprometer o crédito moral da América. Será que ainda podemos considerá-la como a maior potência democrática do mundo? Todos os poderes que tinham por efeitos de contrabalançar os principais poderes de decisão foram suprimidos um após o outro. A liberdade da imprensa não se mostrou capaz de questionar a mentira que esteve na origem da guerra. A Corte Suprema conta novos juízes que foram escolhidos pela administração Bush para fazerem vistas grossas em relação a Guantánamo.
Ora, como pode uma nação permitir-se dar lições de direitos humanos aos outros países quando ela mesma pratica a tortura? Ao passar por cima do parecer do Conselho de Segurança da ONU para conduzir uma guerra preventiva baseada numa intuição equivocada, os Estados Unidos não perderam apenas muito dinheiro, como eles também sujaram o seu uniforme de "policiais militares do mundo". Atolados e endividados, eles não estão mais em condições de intimidar Ahmadinejad no Irã ou Bachar Al-Assad na Síria.
[OS ISLÂMICOS SÃO OS VENCEDORES]
Isso para mencionar ainda os jihadistas e os extremistas islâmicos que passaram a dispor de um novo campo de treinamento a céu aberto. Nem a guerra no Afeganistão que nós estamos fadados a perder por causa da disseminação das nossas forças. Nem os militantes islâmicos políticos cujo proselitismo vai se ampliando. Os atentados de 11 de setembro de 2001 poderiam ter se tornado o túmulo do islamismo. Mas, ao responderem ao terrorismo por meio de uma guerra ilegítima e que mirou nos alvos errados, os Estados Unidos, acima de tudo ajudaram os islâmicos a fazer deste mundo uma grande vala comum."
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008;
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril; e
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 de abril;
12) “Julgamento do Tribunal Mundial sobre o Iraque”, postado em 21 de abril.
Hoje (24/05), continuaremos com o artigo “GUERRA NO IRAQUE JÁ CUSTOU 3 MIL BILHÕES DE DÓLARES (5 trilhões de reais)”
O jornal francês Le Monde, em texto de Caroline Fourest traduzido por Jean-Yves de Neufville, publicado ontem no portal UOL Mídia Global, faz uma ótima análise das conseqüências negativas da invasão norte-americana no Iraque.
Este blog transcreve o texto do Le Monde, acrescentando subtítulos entre colchetes, visando a facilitar a leitura:
NO IRAQUE, A GUERRA “SUBPRIME”
[CUSTO DA GUERRA: 3 TRILHÕES DE DÓLARES]
“Três trilhões de dólares (cerca de R$ 5 trilhões): este é o montante total do custo provável da guerra no Iraque, segundo Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de economia, e Linda Bilmes, professora de finanças públicas em Harvard.
Lançado recentemente nos Estados Unidos, o seu livro, intitulado "Uma guerra a 3 trilhões de dólares", acaba de ser publicado na França (editora Fayard). Os dois economistas levaram em conta não apenas as despesas oficiais, como também as despesas colaterais e ainda aquelas que foram ocultadas por meio de um orçamento previdencial, os seja, que calcula de antemão os efeitos macroeconômicos da guerra.
Entre outros, eles incluíram nos seus cálculos o que custarão os tratamentos dos antigos combatentes, as pensões por invalidez, os tratamentos dos indivíduos acometidos de distúrbios mentais e de stress pós-traumático, ou seja, problemas que atingem várias centenas de milhares de soldados americanos.
[IRAQUIANOS MORTOS NO IRAQUE]
Este cálculo pode parecer frio e cínico se comparado com o número de mortos, diretos e indiretos, que já são tão difíceis de quantificar. Mas esta incursão pela economia concreta era necessária para despertar a nossa epiderme adormecida pelos anúncios cotidianos de mortos no Iraque, uma prestação de contas que se tornou tão banal quanto a previsão do tempo.
"Como está o tempo, hoje no Iraque?"
- "Dez mortos num atentado".
- "Vejam só, a mesma quantidade de ontem... Contudo, eles haviam anunciado uma calmaria".
- "Pois é, nem sei o que lhe responder; mexeram com o clima e as estações deixaram de existir!"
Entre as razões que explicam este desregramento da epiderme, vale lembrar que os iraquianos que têm sido vítimas de atentados foram mortos por jihadistas (combatentes da "guerra santa" islâmica), e não pelos americanos. Entretanto, nem por isso a sua loucura redime a administração Bush do pecado original, o de ter invadido o Iraque sem refletir nas conseqüências disso. Esses danos colaterais são quantificáveis.
[A PRIVATIZAÇÃO DA GUERRA]
Vários dos fatores que contribuíram para a explosão dos custos da guerra terão, além de tudo, repercussões sobre o restante do mundo. O primeiro diz respeito à privatização do setor militar. Haveria neste exato momento no terreno iraquiano cerca de 100.000 contratados privados encarregados de garantir a segurança das atividades dos exércitos iraquiano e americano.
Não só estas agências de segurança custam muito caro para os contribuintes, como esta privatização do esforço militar também isenta de maiores responsabilidades os governos em guerra, além de abrir a porta para crimes em relação aos quais todos podem agora lavar as mãos; e de enriquecer mercenários super armados, o que, além de tudo, aumenta os riscos de instabilidade em nível mundial.
[EMPRÉSTIMOS PARA SUSTENTAR A GUERRA]
O outro fator agravante diz respeito ao modo de financiamento. No passado, as guerras eram financiadas por meio dos impostos, o que apresentava o mérito de fazer com que o seu peso fosse suportado pelas gerações que decidiam travá-las. E, portanto, de incentivar os cidadãos a quererem concluí-las o quanto antes. A administração Bush, por sua vez, optou por financiar a guerra por meio de empréstimos. Isto terá um alto custo em termos de juros bancários, mas contribui, mais uma vez, para retirar responsabilidades das costas dos que empreenderam esta guerra.
[MENTIRAS DO GOVERNO DOS EUA PARA OS PRÓPRIOS NORTE-AMERICANOS]
Decididamente, os americanos foram tratados como se fossem crianças. Mentiram para eles em relação à presença de armas de destruição maciça, e, daqui para frente, estão mentindo novamente a respeito dos custos da guerra - que a administração Bush continua avaliando em torno mais ou menos de US$ 800 bilhões (cerca de R$ 1,32 trilhão).
[SUBPRIMES]
Esta é a mesma técnica empregada com os "subprimes" (créditos hipotecários podres). Eles pensavam se vingar da Al Qaeda por meio de uma guerra-relâmpago. Eles se encontram agora com uma dívida que deverá ser reembolsada por várias gerações, um crédito sobre o qual pesam taxas de juros cujo montante irá variar de um mês para outro... E uma vez que a economia americana continua sendo a referência, todos nós pagaremos a conta, mesmo se nós éramos contra esta guerra.
[A ESCALADA DOS PREÇOS DO PETRÓLEO]
Isso porque o mais recente capítulo inflacionário desta revanche diz respeito, obviamente, à explosão das cotações do petróleo. Alguns paranóicos pensavam que a administração Bush era maquiavélica o suficiente para invadir o Iraque com o objetivo de garantir o seu abastecimento de "ouro negro" a baixo custo.
[LUCROS DA HALLIBURTON]
Mas ela não planejou nada tão sofisticado. Ainda assim, nada disso impediu que as companhias petroleiras privadas, tais como a Halliburton - e seus acionistas, entre os quais se inclui o vice-presidente Dick Cheney - obtivessem lucros polpudos com o conflito. O que levanta a questão das relações tão estreitas quanto duvidosas entre os meios econômicos capazes de faturarem lucros em função de uma guerra e o mundo político que tem todas as cartas nas mãos para desencadeá-la.
[A DERROCADA DO CRÉDITO MORAL DOS EUA]
Todas essas considerações não produziriam o mesmo efeito de consternação se esta guerra ao menos tivesse servido para alguma coisa. Ora, ela nada fez a não ser comprometer o crédito moral da América. Será que ainda podemos considerá-la como a maior potência democrática do mundo? Todos os poderes que tinham por efeitos de contrabalançar os principais poderes de decisão foram suprimidos um após o outro. A liberdade da imprensa não se mostrou capaz de questionar a mentira que esteve na origem da guerra. A Corte Suprema conta novos juízes que foram escolhidos pela administração Bush para fazerem vistas grossas em relação a Guantánamo.
Ora, como pode uma nação permitir-se dar lições de direitos humanos aos outros países quando ela mesma pratica a tortura? Ao passar por cima do parecer do Conselho de Segurança da ONU para conduzir uma guerra preventiva baseada numa intuição equivocada, os Estados Unidos não perderam apenas muito dinheiro, como eles também sujaram o seu uniforme de "policiais militares do mundo". Atolados e endividados, eles não estão mais em condições de intimidar Ahmadinejad no Irã ou Bachar Al-Assad na Síria.
[OS ISLÂMICOS SÃO OS VENCEDORES]
Isso para mencionar ainda os jihadistas e os extremistas islâmicos que passaram a dispor de um novo campo de treinamento a céu aberto. Nem a guerra no Afeganistão que nós estamos fadados a perder por causa da disseminação das nossas forças. Nem os militantes islâmicos políticos cujo proselitismo vai se ampliando. Os atentados de 11 de setembro de 2001 poderiam ter se tornado o túmulo do islamismo. Mas, ao responderem ao terrorismo por meio de uma guerra ilegítima e que mirou nos alvos errados, os Estados Unidos, acima de tudo ajudaram os islâmicos a fazer deste mundo uma grande vala comum."
sexta-feira, 23 de maio de 2008
“PRESIDENTE” INGARICÓ NÃO ACEITA PERMANÊNCIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO NA REGIÃO INDÍGENA DE RORAIMA
O jornal Folha de São Paulo noticiou hoje que Ministros do STF estão em visita à terra indígena em Roraima e que os ministros Gilmar Mendes, Ayres Britto e Cármen Lúcia conversaram com índios ingaricós.
Na reportagem, passa quase despercebida pelo leitor a gravíssima e inaceitável afirmação do presidente do Conselho do Povo Ingaricó, Dílson Ingaricó:
“Sobre a possibilidade de implantação de um pelotão do Exército na fronteira, o líder ingaricó disse ser contrário: "O povo ingaricó já faz sua própria vigilância nas fronteiras, não precisa de pelotão do Exército".
Segundo o líder ingaricó, já existe uma parceria entre índios e Forças Armadas: "Aceitamos a presença dos militares em nossa região de forma periódica, não permanente".
Na reportagem, passa quase despercebida pelo leitor a gravíssima e inaceitável afirmação do presidente do Conselho do Povo Ingaricó, Dílson Ingaricó:
“Sobre a possibilidade de implantação de um pelotão do Exército na fronteira, o líder ingaricó disse ser contrário: "O povo ingaricó já faz sua própria vigilância nas fronteiras, não precisa de pelotão do Exército".
Segundo o líder ingaricó, já existe uma parceria entre índios e Forças Armadas: "Aceitamos a presença dos militares em nossa região de forma periódica, não permanente".
NA SURDINA, SENADORES AUMENTAM VERBA DE SEUS GABINETES EM MAIS R$ 1 MILHÃO/MÊS
O senado, onde a oposição é maioria, resolveu se presentear com um aumento, de R$ 97,5 mil para 107, 4 mil por mês para cada senador. Coitados, estavam passando penúrias! A justificativa deles foi “o ciúme dos deputados”, que fizeram o mesmo...
Logo eles, tão revoltados com os gastos governamentais com cartões corporativos. Lembram-se que eles denunciaram à Nação o desperdício, pelo Ministro dos Esportes, de R$ 8,00 com uma tapioca? Vejo na minha lembrança os senadores Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB), revoltados, clamando por CPIs.
Mas, diferentemente dos gastos governamentais, os senadores não permitem a transparência com os seus gastos das verbas públicas. É segredo.
Essa estarrecedora notícia de novo aumento autoconcedido foi publicada hoje no Correio Braziliense, em reportagem de Leandro Colon. Vejamos:
“Senadores querem aumentar verba de gabinete em mais de R$ 1 milhão”
“Na calada, o Senado está a um passo de aumentar a verba de gabinete dos parlamentares, ao criar mais um cargo de assessor de confiança para cada um dos 81 políticos. O salário integral da função é de R$ 9.979,24. Somando os gabinetes, mais os das lideranças partidárias e membros da Mesa Diretora, o novo cargo vai gerar um custo mensal de R$ 900 mil, fora despesas com encargos sociais e horas extras.
O ato que cria essa função, chamada de assessor parlamentar, já está pronto e assinado pelos líderes partidários e integrantes da Mesa. O documento, no entanto, repousa com discrição numa gaveta da diretoria-geral do Senado para ser publicado nos próximos dias.
Para não fazer alarde, o ato não precisa passar agora pelo plenário. Resolução a ser aprovada no fim deste ano ratificará, de uma só leva, essa decisão e outras administrativas que forem editadas pela Casa durante 2008. Uma estratégia comum para despistar medidas impopulares.
A criação do cargo é uma reação dos senadores à decisão da Câmara de aumentar a verba de gabinete dos deputados. No mês passado, a Mesa Diretora da Casa aumentou de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil o valor disponível aos deputados para a contratação de funcionários.
Enciumado, o Senado decidiu fazer a mesma coisa. Mas, para não encarar o desgaste de elevar o custo dos gabinetes cada vez mais inchados, os senadores optaram por um caminho discreto, sem barulho.
O regimento permite ainda o milagre da multiplicação: transformar um cargo de assessor que ganha R$ 9 mil em quatro vagas de R$ 2,4 mil. Nada mal para um gabinete que já conta, no rol de funcionários de confiança, com cinco assessores técnicos, seis secretários parlamentares e um motorista. Juntos, eles são responsáveis por uma folha de pagamento de cerca de R$ 97,5 mil mensais por senador.
Sem falar nos cargos efetivos, que são aqueles ocupados por quem fez concurso público: um chefe e um subchefe de gabinete, cinco assistentes técnicos, um analista legislativo e um técnico legislativo.
Os 81 senadores têm direito, ainda, além do salário de R$ 16,5 mil, a R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 733 para uso da gráfica e R$ 500 para telefone residencial. Eles recebem também 13º salário, e mais outros dois, um no início e outro no fim do ano, para ajuda de custo, além de 25 litros de combustível por dia, com carro e motorista, e quatro passagens de ida e volta para o estado deles.”
Logo eles, tão revoltados com os gastos governamentais com cartões corporativos. Lembram-se que eles denunciaram à Nação o desperdício, pelo Ministro dos Esportes, de R$ 8,00 com uma tapioca? Vejo na minha lembrança os senadores Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB), revoltados, clamando por CPIs.
Mas, diferentemente dos gastos governamentais, os senadores não permitem a transparência com os seus gastos das verbas públicas. É segredo.
Essa estarrecedora notícia de novo aumento autoconcedido foi publicada hoje no Correio Braziliense, em reportagem de Leandro Colon. Vejamos:
“Senadores querem aumentar verba de gabinete em mais de R$ 1 milhão”
“Na calada, o Senado está a um passo de aumentar a verba de gabinete dos parlamentares, ao criar mais um cargo de assessor de confiança para cada um dos 81 políticos. O salário integral da função é de R$ 9.979,24. Somando os gabinetes, mais os das lideranças partidárias e membros da Mesa Diretora, o novo cargo vai gerar um custo mensal de R$ 900 mil, fora despesas com encargos sociais e horas extras.
O ato que cria essa função, chamada de assessor parlamentar, já está pronto e assinado pelos líderes partidários e integrantes da Mesa. O documento, no entanto, repousa com discrição numa gaveta da diretoria-geral do Senado para ser publicado nos próximos dias.
Para não fazer alarde, o ato não precisa passar agora pelo plenário. Resolução a ser aprovada no fim deste ano ratificará, de uma só leva, essa decisão e outras administrativas que forem editadas pela Casa durante 2008. Uma estratégia comum para despistar medidas impopulares.
A criação do cargo é uma reação dos senadores à decisão da Câmara de aumentar a verba de gabinete dos deputados. No mês passado, a Mesa Diretora da Casa aumentou de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil o valor disponível aos deputados para a contratação de funcionários.
Enciumado, o Senado decidiu fazer a mesma coisa. Mas, para não encarar o desgaste de elevar o custo dos gabinetes cada vez mais inchados, os senadores optaram por um caminho discreto, sem barulho.
O regimento permite ainda o milagre da multiplicação: transformar um cargo de assessor que ganha R$ 9 mil em quatro vagas de R$ 2,4 mil. Nada mal para um gabinete que já conta, no rol de funcionários de confiança, com cinco assessores técnicos, seis secretários parlamentares e um motorista. Juntos, eles são responsáveis por uma folha de pagamento de cerca de R$ 97,5 mil mensais por senador.
Sem falar nos cargos efetivos, que são aqueles ocupados por quem fez concurso público: um chefe e um subchefe de gabinete, cinco assistentes técnicos, um analista legislativo e um técnico legislativo.
Os 81 senadores têm direito, ainda, além do salário de R$ 16,5 mil, a R$ 3 mil de auxílio-moradia, R$ 15 mil de verba indenizatória, R$ 733 para uso da gráfica e R$ 500 para telefone residencial. Eles recebem também 13º salário, e mais outros dois, um no início e outro no fim do ano, para ajuda de custo, além de 25 litros de combustível por dia, com carro e motorista, e quatro passagens de ida e volta para o estado deles.”
DOSSIÊ CONTRA O PSDB !?!
Ontem, postamos o artigo “Cartões corporativos e dossiê anti-FHC”, no qual citamos uma nota do Diário do Nordeste que termina assim:
“Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].”
Hoje, li um oportuno e pertinente texto do portal Terra Magazine no blog “por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o qual transcrevo:
“DOSSIÊ CONTRA O PSDB, SÓ SE FOR IMPORTADO”.
“A Justiça da Suíça também confirmou que vai enviar ao Brasil o dossiê da Alstom, com informações apuradas até agora sobre o envolvimento da empresa em corrupção. Em Berna, os contratos do Metrô de São Paulo são considerados peças fundamentais para que os supostos esquema de pagamentos de propina da Alstom sejam revelados.
Uma das suspeitas é que a empresa tenha pago mais de US$ 6 milhões como comissão para obter o contrato.
O promotor Sílvio Antonio Marques aguarda a chegada da documentação sobre a investigação na Europa. Ele está fazendo cruzamento dos dados dos contratos já recebidos assinados entre o Metrô e a Alstom. Aguarda, ainda, cópia dos contratos com outras empresas ligadas ao governo estadual, como Sabesp, CPTM, Eletropaulo, CTEEP e outras que contrataram a multinacional, que atua em transporte e energia.
O Ministério Público Federal investiga a existência de crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por parte da empresa, mas o inquérito corre sob sigilo.”
Complementa “Por um novo Brasil”: “Vem aí o dossiê Alston. Dossiê feito na Suíça. PSDB é muito chique. Será que o PSDB não vai querer saber quem fez e para que fez esse dossiê?”
“Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].”
Hoje, li um oportuno e pertinente texto do portal Terra Magazine no blog “por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o qual transcrevo:
“DOSSIÊ CONTRA O PSDB, SÓ SE FOR IMPORTADO”.
“A Justiça da Suíça também confirmou que vai enviar ao Brasil o dossiê da Alstom, com informações apuradas até agora sobre o envolvimento da empresa em corrupção. Em Berna, os contratos do Metrô de São Paulo são considerados peças fundamentais para que os supostos esquema de pagamentos de propina da Alstom sejam revelados.
Uma das suspeitas é que a empresa tenha pago mais de US$ 6 milhões como comissão para obter o contrato.
O promotor Sílvio Antonio Marques aguarda a chegada da documentação sobre a investigação na Europa. Ele está fazendo cruzamento dos dados dos contratos já recebidos assinados entre o Metrô e a Alstom. Aguarda, ainda, cópia dos contratos com outras empresas ligadas ao governo estadual, como Sabesp, CPTM, Eletropaulo, CTEEP e outras que contrataram a multinacional, que atua em transporte e energia.
O Ministério Público Federal investiga a existência de crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por parte da empresa, mas o inquérito corre sob sigilo.”
Complementa “Por um novo Brasil”: “Vem aí o dossiê Alston. Dossiê feito na Suíça. PSDB é muito chique. Será que o PSDB não vai querer saber quem fez e para que fez esse dossiê?”
BRASIL, POTÊNCIA PETROLÍFERA (WSJ)
O site UOL reproduz hoje (08h31) o texto da agência inglesa BBC (Brasil) sobre a reportagem também de hoje do jornal norte-americano Wall Street Journal" a seguir transcrita:
“Nova descoberta pode elevar Brasil a potência petrolífera, diz 'WSJ'”
“O jornal americano "Wall Street Journal" diz em sua edição desta sexta-feira que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira, "esquenta especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para "aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo".
Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global".
"Com o preço do petróleo batendo novos recordes, grandes descobertas no Brasil iriam aumentar o otimismo da indústria energética de que o país poderia suprir petróleo suficiente para manter o ritmo da crescente demanda", diz o jornal.
"Nas negociações na quinta-feira, na Bolsa de Nova York, o preço do barril caiu US$ 2,36, ou 1,8%, para US$ 130,81 o barril, em parte diante da perspectiva de maior suprimento vindo do Brasil", afirma o Wall Street Journal.
Segundo o jornal, as descobertas seriam especialmente bem-vindas nos Estados Unidos, garantindo uma nova fonte de petróleo em seu hemisfério.
"O foco de atenção é a Bacia de Santos, uma série de campos de petróleo potenciais enterrados sob milhas de águas oceânicas, terra e uma teimosa camada de sal. A perfuração exploratória em diferentes campos produziu petróleo bastante similar, alimentando uma excitante nova teoria: de que a bacia pode ser um contínuo megadepósito de petróleo."
O jornal afirma, no entanto, que apesar do otimismo, observadores dizem que há boas razões para ceticismo. "A exploração e a extração de petróleo em águas superprofundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos soma desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar -um processo que leva anos."
Mas, segundo o WSJ, os investidores não estão esperando para apostar neste potencial. "A fatia da Petrobras negociada publicamente aumentou tanto neste ano que o valor de mercado da companhia ultrapassou o de empresas de nomes conhecidos, como a Microsoft", afirma o jornal.
Segundo a reportagem, só com as reservas já encontradas o Brasil, provavelmente, chegaria ao topo dos exportadores latino-americanos.
"Para um país que começa a abandonar seu passado como país em desenvolvimento volátil, tanta bonança pode ser bom ou ruim. O dinheiro do petróleo vai encher os cofres do governo, mas também pode deixar o Brasil tentado a adotar hábitos esbanjadores de outros grandes exportadores de petróleo", conclui o WSJ.”
“Nova descoberta pode elevar Brasil a potência petrolífera, diz 'WSJ'”
“O jornal americano "Wall Street Journal" diz em sua edição desta sexta-feira que a nova descoberta de petróleo na Bacia de Santos, anunciada na quarta-feira, "esquenta especulações" sobre a ascensão do Brasil ao grupo dos grandes exportadores globais e de que o país tem reservas suficientes para "aliviar a pressão sobre os crescentes preços do petróleo".
Segundo a reportagem, "a descoberta é a última em uma série de ações bem sucedidas da empresa, aumentando as esperanças de que o Brasil será a nova grande novidade em petróleo global".
"Com o preço do petróleo batendo novos recordes, grandes descobertas no Brasil iriam aumentar o otimismo da indústria energética de que o país poderia suprir petróleo suficiente para manter o ritmo da crescente demanda", diz o jornal.
"Nas negociações na quinta-feira, na Bolsa de Nova York, o preço do barril caiu US$ 2,36, ou 1,8%, para US$ 130,81 o barril, em parte diante da perspectiva de maior suprimento vindo do Brasil", afirma o Wall Street Journal.
Segundo o jornal, as descobertas seriam especialmente bem-vindas nos Estados Unidos, garantindo uma nova fonte de petróleo em seu hemisfério.
"O foco de atenção é a Bacia de Santos, uma série de campos de petróleo potenciais enterrados sob milhas de águas oceânicas, terra e uma teimosa camada de sal. A perfuração exploratória em diferentes campos produziu petróleo bastante similar, alimentando uma excitante nova teoria: de que a bacia pode ser um contínuo megadepósito de petróleo."
O jornal afirma, no entanto, que apesar do otimismo, observadores dizem que há boas razões para ceticismo. "A exploração e a extração de petróleo em águas superprofundas são uma empreitada cara e arriscada. O sal que fica sobre os potenciais campos soma desafios técnicos porque muda de lugar e é propenso a mudanças bruscas de pressão. E apesar dos avanços na tecnologia de imagens geológicas, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo escondido em um depósito até que ele comece a jorrar -um processo que leva anos."
Mas, segundo o WSJ, os investidores não estão esperando para apostar neste potencial. "A fatia da Petrobras negociada publicamente aumentou tanto neste ano que o valor de mercado da companhia ultrapassou o de empresas de nomes conhecidos, como a Microsoft", afirma o jornal.
Segundo a reportagem, só com as reservas já encontradas o Brasil, provavelmente, chegaria ao topo dos exportadores latino-americanos.
"Para um país que começa a abandonar seu passado como país em desenvolvimento volátil, tanta bonança pode ser bom ou ruim. O dinheiro do petróleo vai encher os cofres do governo, mas também pode deixar o Brasil tentado a adotar hábitos esbanjadores de outros grandes exportadores de petróleo", conclui o WSJ.”
O MUNDO É DAS MULHERES
O jornal espanhol “La Vanguardia” publicou ontem um muito bom texto de Alain Touraine. O site “UOL Mídia Global” reproduziu-o. Touraine aborda a importância crescente da mulher na sociedade, até já sobrepujando o homem.
Segundo obtive na Wikipedia, Alain Touraine, sociólogo francês nascido em 3 de agosto de 1925 em Hermanville-sur-Mer, tornou-se conhecido por ter sido o pai da expressão "sociedade pós-industrial". Seu trabalho é baseado na "sociologia de ação" e seu principal ponto de interesse tem sido o estudo dos movimentos sociais.
"Touraine acredita que a sociedade molda o seu futuro através de mecanismos estruturais e das suas próprias lutas sociais. Tem estudado e escrito acerca dos movimentos de trabalhadores em todo o mundo, particularmente na América Latina e na Polónia."
Transcrevo o texto de Justo Barranco, de Barcelona, traduzido para o UOL por Luiz Roberto Mendes Gonçalves.
“A SOCIEDADE MUDOU, E AGORA O MUNDO É DAS MULHERES, DEFENDE SOCIÓLOGO”
“Nova obra do sociólogo francês Alain Touraine analisa uma profunda mudança social”
"A transformação que conduz de uma sociedade de conquistadores do mundo -guerreiros, cientistas- a uma de auto-realização, como é a atual, substituiu a sociedade dos homens por uma sociedade de mulheres", escreve o sociólogo francês Alain Touraine (nascido em 1925 em Hermanville-sur-Mer) em seu livro "El mundo de las mujeres" [O mundo das mulheres], editado na Espanha pela Paidós, que apresentou na última segunda-feira no Institut Francès.
Isto é, hoje as grandes preocupações já não são conquistar o mundo, mas criar a si mesmo a partir da sexualidade, como em outro tempo foi a partir do trabalho. E nessa modernização diferente da que a Europa praticou durante séculos, separando razão e sentimentos, as mulheres levam a dianteira. Touraine falou sobre esse fenômeno com LA VANGUARDIA.
Vítimas? "Para muitos estudiosos as mulheres não são atores, mas vítimas de um sistema de dominação total e impessoal ao qual ninguém pode se opor. Certamente sofrem uma enorme e surpreendente quantidade de violência no trabalho e na família.
"Eu sou mulher." "Mas ao falar com mulheres me surpreendeu que nenhuma se definisse como vítima, mas como mulher. Podiam se definir como mãe, engenheira, tunisiana... mas começavam por 'Eu sou mulher'. E a meta de todas é construir sua vida como uma vida de mulher.
As mulheres deixam de se definir pela relação com os homens e priorizam sua construção a partir de sua sexualidade, de uma nova relação com o corpo e com elas. Querem atuar sobre si mesmas, mais que sobre os outros."
Sedução, a quem? As mulheres, "mais que os homens, passam por esse individualismo, pelo cuidado do corpo, a escolha da indumentária, para construir sua personalidade singular". Mas "a maquiagem, a ginástica, a cirurgia estética, que os homens interpretam como manobras de sedução, são antes de tudo maneiras como as mulheres tentam seduzir a si mesmas". Afinal, ele diz, "a relação com o homem já não é a meta final: através dele está a relação consigo mesma". E a construção de si, acrescenta, não é brincadeira em um mundo líquido no qual "tudo nos chama a escapar de nós mesmos".
Ambivalência. "As mulheres são conscientes de que a combinação de opções imperfeitas é a melhor solução possível: trabalho e vida pessoal. Sabem que uma participação limitada em qualquer campo impedirá seu êxito, seja em sua carreira ou com seus filhos, mas consideram necessário combinar as duas facetas. É uma mudança profunda, o ator julga a situação em relação a si mesmo. Estávamos concentrados no mundo, agora em nós. Isso origina toda uma ética."
Unir a vida. "Assim como o ecologismo político e os movimentos antiglobalização buscam reintegrar os aspectos que o processo europeu de modernização separou e opôs, são sobretudo as mulheres que sofreram uma dominação mais completa, as que formulam os grandes temas da reconciliação do corpo e da mente, do passado e do futuro, do privado e do público, do interesse e da emoção. Em vez de escolher entre razão e imaginário, os unem sem confundi-los."
Mulher e publicidade. Para Touraine, as mulheres enfrentam hoje uma nova dominação, "a que transforma a mulher em consumidora. As mulheres se envergonham de como são usadas em muitos anúncios, mas depois compram, porque são principalmente contra a publicidade não quando as mostra como objeto sexual, mas quando através da mulher sexualizam objetos. Como dizia uma entrevistada, 'quando volto para minha casa depois de ver os anúncios no metrô e me olho no espelho vejo que já não tenho rosto nem cabelos... roubaram minha imagem’”.
Segundo obtive na Wikipedia, Alain Touraine, sociólogo francês nascido em 3 de agosto de 1925 em Hermanville-sur-Mer, tornou-se conhecido por ter sido o pai da expressão "sociedade pós-industrial". Seu trabalho é baseado na "sociologia de ação" e seu principal ponto de interesse tem sido o estudo dos movimentos sociais.
"Touraine acredita que a sociedade molda o seu futuro através de mecanismos estruturais e das suas próprias lutas sociais. Tem estudado e escrito acerca dos movimentos de trabalhadores em todo o mundo, particularmente na América Latina e na Polónia."
Transcrevo o texto de Justo Barranco, de Barcelona, traduzido para o UOL por Luiz Roberto Mendes Gonçalves.
“A SOCIEDADE MUDOU, E AGORA O MUNDO É DAS MULHERES, DEFENDE SOCIÓLOGO”
“Nova obra do sociólogo francês Alain Touraine analisa uma profunda mudança social”
"A transformação que conduz de uma sociedade de conquistadores do mundo -guerreiros, cientistas- a uma de auto-realização, como é a atual, substituiu a sociedade dos homens por uma sociedade de mulheres", escreve o sociólogo francês Alain Touraine (nascido em 1925 em Hermanville-sur-Mer) em seu livro "El mundo de las mujeres" [O mundo das mulheres], editado na Espanha pela Paidós, que apresentou na última segunda-feira no Institut Francès.
Isto é, hoje as grandes preocupações já não são conquistar o mundo, mas criar a si mesmo a partir da sexualidade, como em outro tempo foi a partir do trabalho. E nessa modernização diferente da que a Europa praticou durante séculos, separando razão e sentimentos, as mulheres levam a dianteira. Touraine falou sobre esse fenômeno com LA VANGUARDIA.
Vítimas? "Para muitos estudiosos as mulheres não são atores, mas vítimas de um sistema de dominação total e impessoal ao qual ninguém pode se opor. Certamente sofrem uma enorme e surpreendente quantidade de violência no trabalho e na família.
"Eu sou mulher." "Mas ao falar com mulheres me surpreendeu que nenhuma se definisse como vítima, mas como mulher. Podiam se definir como mãe, engenheira, tunisiana... mas começavam por 'Eu sou mulher'. E a meta de todas é construir sua vida como uma vida de mulher.
As mulheres deixam de se definir pela relação com os homens e priorizam sua construção a partir de sua sexualidade, de uma nova relação com o corpo e com elas. Querem atuar sobre si mesmas, mais que sobre os outros."
Sedução, a quem? As mulheres, "mais que os homens, passam por esse individualismo, pelo cuidado do corpo, a escolha da indumentária, para construir sua personalidade singular". Mas "a maquiagem, a ginástica, a cirurgia estética, que os homens interpretam como manobras de sedução, são antes de tudo maneiras como as mulheres tentam seduzir a si mesmas". Afinal, ele diz, "a relação com o homem já não é a meta final: através dele está a relação consigo mesma". E a construção de si, acrescenta, não é brincadeira em um mundo líquido no qual "tudo nos chama a escapar de nós mesmos".
Ambivalência. "As mulheres são conscientes de que a combinação de opções imperfeitas é a melhor solução possível: trabalho e vida pessoal. Sabem que uma participação limitada em qualquer campo impedirá seu êxito, seja em sua carreira ou com seus filhos, mas consideram necessário combinar as duas facetas. É uma mudança profunda, o ator julga a situação em relação a si mesmo. Estávamos concentrados no mundo, agora em nós. Isso origina toda uma ética."
Unir a vida. "Assim como o ecologismo político e os movimentos antiglobalização buscam reintegrar os aspectos que o processo europeu de modernização separou e opôs, são sobretudo as mulheres que sofreram uma dominação mais completa, as que formulam os grandes temas da reconciliação do corpo e da mente, do passado e do futuro, do privado e do público, do interesse e da emoção. Em vez de escolher entre razão e imaginário, os unem sem confundi-los."
Mulher e publicidade. Para Touraine, as mulheres enfrentam hoje uma nova dominação, "a que transforma a mulher em consumidora. As mulheres se envergonham de como são usadas em muitos anúncios, mas depois compram, porque são principalmente contra a publicidade não quando as mostra como objeto sexual, mas quando através da mulher sexualizam objetos. Como dizia uma entrevistada, 'quando volto para minha casa depois de ver os anúncios no metrô e me olho no espelho vejo que já não tenho rosto nem cabelos... roubaram minha imagem’”.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
CNBB DIZ: COBIÇA INTERNACIONAL SOBRE A AMAZÔNIA É INEGÁVEL
O Jornal do Brasil de hoje publica uma surpreendente notícia. Causou espanto porque a CNBB sempre se posicionava ao lado das grandes potências quando o assunto era Amazônia. Vejamos o texto do JB:
"Cobiça internacional é inegável, afirma secretário da CNBB"
"Embora considere inegável a cobiça internacional sobre o vasto patrimônio representado pela biodiversidade e recursos naturais do subsolo, o secretário-geral da Conferência Nacional do Bispos do Brasil, dom Dimas Lara Barbosa, acha que a prioridade para a Amazônia é a definição de um projeto que englobe o desenvolvimento sustentável e as necessidades sociais da população.
– A Amazônia necessita da presença do Estado com projetos ouvindo os amazônicos e as soluções que eles vêem para o desenvolvimento da região – afirma.
– Concordo inteiramente com o ministro Mangabeira (Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos). O Brasil precisa acordar: a Amazônia é estratégica para o país – acrescenta o bispo.
O secretário-geral da CNBB tem acompanhado com certa apreensão os debates que colocam em lados opostos a soberania nacional sobre a região e a propalada internacionalização, mas observa que a face mais perceptível dos problemas podem ser traduzidos na exploração ilegal da madeira, o narcotráfico e o tráfico de pessoas, segundo ele, mais nocivos neste momento para a população da região do que uma eventual ameaça de invasão estrangeira. Por conta de denúncias sobre essas mazelas, segundo ele, três bispos da região e líderes de movimentos sociais têm sido ameaçados de morte.
– Um clima de insegurança impera na região – diz o secretário-geral da CNBB.
INTERESSES EXTERNOS
Dom Dimas alerta, no entanto, que as pretensões internacionais sobre a região não se explicam apenas pela constatação de que a Amazônia é o pulmão do mundo.
– A região tem uma biodiversidade única no planeta, minério e grandes reservas de água, produto que no futuro valerá mais que o petróleo. Alí é preciso um planejamento estratégico – afirma."
"Cobiça internacional é inegável, afirma secretário da CNBB"
"Embora considere inegável a cobiça internacional sobre o vasto patrimônio representado pela biodiversidade e recursos naturais do subsolo, o secretário-geral da Conferência Nacional do Bispos do Brasil, dom Dimas Lara Barbosa, acha que a prioridade para a Amazônia é a definição de um projeto que englobe o desenvolvimento sustentável e as necessidades sociais da população.
– A Amazônia necessita da presença do Estado com projetos ouvindo os amazônicos e as soluções que eles vêem para o desenvolvimento da região – afirma.
– Concordo inteiramente com o ministro Mangabeira (Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos). O Brasil precisa acordar: a Amazônia é estratégica para o país – acrescenta o bispo.
O secretário-geral da CNBB tem acompanhado com certa apreensão os debates que colocam em lados opostos a soberania nacional sobre a região e a propalada internacionalização, mas observa que a face mais perceptível dos problemas podem ser traduzidos na exploração ilegal da madeira, o narcotráfico e o tráfico de pessoas, segundo ele, mais nocivos neste momento para a população da região do que uma eventual ameaça de invasão estrangeira. Por conta de denúncias sobre essas mazelas, segundo ele, três bispos da região e líderes de movimentos sociais têm sido ameaçados de morte.
– Um clima de insegurança impera na região – diz o secretário-geral da CNBB.
INTERESSES EXTERNOS
Dom Dimas alerta, no entanto, que as pretensões internacionais sobre a região não se explicam apenas pela constatação de que a Amazônia é o pulmão do mundo.
– A região tem uma biodiversidade única no planeta, minério e grandes reservas de água, produto que no futuro valerá mais que o petróleo. Alí é preciso um planejamento estratégico – afirma."
CARTÕES CORPORATIVOS x DOSSIÊ ANTI-FHC
Temos assistido e lido nos jornais há seis anos, todos os dias, essa longa novela de tentativas por parte da grande mídia e da oposição para desgastar ou derrubar o governo Lula.
Há muitos dias, contudo, não se fala mais dos cartões corporativos. Por quê? No jornal Diário do Nordeste li hoje, na coluna de Lustosa da Costa, uma interessante explicação:
“DOSSIÊ PASSOU A SER IMPORTANTE”
”A farsa da CPI era para investigar gastos com cartões corporativos. Os tucanos fizeram escarcéu, acusando o Ministro dos Esportes de haver pago tapioca de oito reais com o tal cartão.
Aí, começaram a aparecer as massagens que o ex-ministro Raul Jungmann (PSDB) tomava no hotel e punha na conta do governo. As hospedagens em hotel cinco estrelas da namorada do ex-Ministro da Educação. Até que surgiram referências aos gastos nababescos de FHC com champanhe, vinhos raros e caros e uma cozinheira de nível internacional. Foi o bastante para a mídia inverter a questão. Não se tratava mais de investigar os gastos e, sim, quem cometeu o feio crime de denunciar os tucanos.
Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].
Há muitos dias, contudo, não se fala mais dos cartões corporativos. Por quê? No jornal Diário do Nordeste li hoje, na coluna de Lustosa da Costa, uma interessante explicação:
“DOSSIÊ PASSOU A SER IMPORTANTE”
”A farsa da CPI era para investigar gastos com cartões corporativos. Os tucanos fizeram escarcéu, acusando o Ministro dos Esportes de haver pago tapioca de oito reais com o tal cartão.
Aí, começaram a aparecer as massagens que o ex-ministro Raul Jungmann (PSDB) tomava no hotel e punha na conta do governo. As hospedagens em hotel cinco estrelas da namorada do ex-Ministro da Educação. Até que surgiram referências aos gastos nababescos de FHC com champanhe, vinhos raros e caros e uma cozinheira de nível internacional. Foi o bastante para a mídia inverter a questão. Não se tratava mais de investigar os gastos e, sim, quem cometeu o feio crime de denunciar os tucanos.
Pecados e crimes do governo passado não podem ser nem objeto de notícias. É o que a mídia determina. Por esta razão, a CPI empacou e vai acabar, sem investigar os dispêndios milionários do tucanato.” [e sem investigar quem vazou para a imprensa o tal de dossiê sigiloso anti-FHC].
ENERGIA APROXIMA EUA DO BRASIL
Li a indicação de muito bom texto com esse título no blog do Nassif em 21/05. Foi escrito por Cristiano Romero (cristiano.romero@valor.com.br) no site www.valoronline.com.br/valoreconomico. Eu acrescentaria ao título o alerta: CUIDADO!
A grande preocupação deste blog surge quando, por trás desse bonito e elogioso texto que enche de orgulho e ufanismo muitos brasileiros sem malícia, vê-se que a raposa acha que certas galinhas são importantes para ela: Brasil, México, Cuba e Venezuela.
Atenção brasileiros!
Como se percebe no texto, estão explícitos nesse elogiado “aumento de importância do Brasil” os megacampos de petróleo descobertos pela Petrobras. Essa energia, segundo os norte-americanos, aproximará os EUA do Brasil. Acrescento: perigosamente para os brasileiros.
Transcrevo:
“Há pouco menos de oito anos, um grupo de brasilianistas, empresários e executivos americanos mandou uma carta ao recém-empossado presidente George W. Bush, recomendando que ele tratasse o Brasil como uma prioridade de seu governo. Por trás da sugestão, estava a preocupação de que, sem o "gigante do Atlântico Sul", não haveria Alca (Área de Livre Comércio das Américas), como, de fato, não houve. Agora, quando os Estados Unidos se preparam para eleger um novo presidente, a recomendação reaparece.
No primeiro caso, o "Council on Foreign Relations (CFR)", o centro independente de relações exteriores mais influente dos EUA, montou uma força-tarefa para estudar o Brasil e mostrar sua importância aos americanos. Agora, um novo grupo analisou não só o país, mas toda a América Latina (AL). Isto não significa que o Brasil tenha perdido importância relativa. Revela, na verdade, que houve algum avanço nas relações com os EUA nos últimos anos e, mais do que isso, mostra que o Brasil é percebido hoje de forma diferente.
Bush não colocou o país no topo de suas prioridades. Sua opção foi o México, mas as coisas não andaram bem depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. No tempo em que Bush conviveu com o presidente Fernando Henrique Cardoso, as relações foram frias e pouco produtivas, a não ser pela providencial ajuda americana num momento crítico - em 2002, o país recebeu do FMI, graças à intervenção do governo Bush, o terceiro pacote de socorro financeiro em quatro anos.
Com a ascensão de Lula, as relações mudaram para melhor. Pragmático, o presidente brasileiro criou uma relação direta com Bush, a contragosto de sua diplomacia, que optou por outras prioridades (América do Sul, diálogo Sul-Sul, África). Os principais avanços surgiram desse relacionamento: o lançamento de uma iniciativa conjunta na área de biocombustíveis e a criação do Fórum de CEOs, que reúne os presidentes dos dois países com representantes das 20 maiores empresas para tratar de questões objetivas, de interesse mútuo, como um acordo de bitributação.
No documento que resultou do trabalho da força-tarefa - "Relações EUA-América Latina: uma Nova Direção para uma Nova Realidade" -, os especialistas americanos, dentre eles, Donna Hrinak, ex-embaixadora no Brasil e arquiteta das boas relações entre Bush e Lula, afirmam que uma política externa para a AL não pode mais ser baseada na idéia de que os EUA são o ator mais influente na região. "Se houve uma era de hegemonia dos EUA na AL, ela acabou", sustenta o texto.
A força-tarefa diz que, em grande parte, essa mudança de perspectiva se deve às transformações, politicamente "históricas", promovidas pela própria AL. Regimes autoritários e ditaduras militares deram lugar a "vibrantes, embora imperfeitas, democracias" em quase todas as nações. Isto não quer dizer, ressalva o grupo, que a região tenha superado sua história política tumultuada ou feito o suficiente para resolver problemas como pobreza e desigualdade. Longe disso.
MUDA PARA MELHOR A PERCEPÇÃO DO PAÍS
[Melhor para quem?]
O texto do CFR menciona avanços tanto econômicos quanto sociais ocorridos em vários países e chama atenção para o fato de a imagem dos EUA ter sofrido forte deterioração na região. Para mudar isso, a força-tarefa sugere que Washington se engaje na AL, segundo os termos dos países da região, e dê atenção especial a quatro nações (nesta ordem): Brasil, México, Cuba e Venezuela.
É interessante ver como o Brasil está sendo percebido por formadores de opinião importantes dos EUA. Mesmo falando dos problemas - especialmente dos relacionados à segurança pública -, o país é tratado num patamar diferente daquele de oito anos atrás. O pano de fundo são as capacidades desenvolvidas na área energética - ironicamente, em 2001, quando o primeiro relatório do CFR foi feito, o Brasil sofria o tormento do apagão energético. "O Brasil é a quarta maior democracia e a nona maior economia do mundo. E se transformou num ator crescentemente importante não só na AL, mas também globalmente", diz o documento.
A força-tarefa deixa claro que, tendo se tornado auto-suficiente em petróleo e uma potência em biocombustíveis, o Brasil tem pela frente bela oportunidade de se tornar um grande fornecedor de energia para os EUA. Justifica-se: a AL é o fornecedor de petróleo historicamente mais confiável dos EUA - 30% das importações -, mas há problemas no horizonte.
Terceiro maior exportador de petróleo para o mercado americano, com 14% do total, a tendência do México é reduzir o suprimento. A demanda interna está aumentando, enquanto a produtividade da estatal Pemex está caindo e as reservas estão sendo reduzidas. Quarta maior fornecedora para os EUA, a Venezuela detém 6,6% das reservas comprovadas de petróleo, mas a eficiência e a produção da PDVSA estão em queda.
Já o Brasil tem aumentado a exploração graças à expertise da Petrobras e, diz a força-tarefa do CFR, às condições "amigáveis" oferecidas a investidores estrangeiros. O campo de Tupi - estimado entre cinco e oito bilhões de barris - pode colocar o país à frente do Canadá e do México em termos de reservas, atrás apenas da Venezuela no hemisfério. Há ainda descobertas não-medidas. "Já em grande parte auto-suficiente em energia, um aumento nas exportações brasileiras de petróleo pode beneficiar, de forma significativa, não só o Brasil, mas também os EUA" destaca o documento.
A força-tarefa do CFR recomenda a construção de um "Pacto de Biocombustíveis" entre os dois países para encorajar o desenvolvimento de energia alternativa na AL. Para tanto, ela sugere a derrubada, nos EUA, de desestímulos à produção e ao comércio desses produtos e a criação de incentivos para que os distribuidores de gasolina, também no mercado americano, aumentem a disponibilidade de biocombustíveis.
A mudança de percepção dos americanos reflete não só os avanços do Brasil nos últimos anos, mas também uma necessidade americana: a segurança energética. Isso beneficia o país. Resta ao governo brasileiro se posicionar de forma madura, buscando ter com os EUA uma relação estreita e pragmática.”
A grande preocupação deste blog surge quando, por trás desse bonito e elogioso texto que enche de orgulho e ufanismo muitos brasileiros sem malícia, vê-se que a raposa acha que certas galinhas são importantes para ela: Brasil, México, Cuba e Venezuela.
Atenção brasileiros!
Como se percebe no texto, estão explícitos nesse elogiado “aumento de importância do Brasil” os megacampos de petróleo descobertos pela Petrobras. Essa energia, segundo os norte-americanos, aproximará os EUA do Brasil. Acrescento: perigosamente para os brasileiros.
Transcrevo:
“Há pouco menos de oito anos, um grupo de brasilianistas, empresários e executivos americanos mandou uma carta ao recém-empossado presidente George W. Bush, recomendando que ele tratasse o Brasil como uma prioridade de seu governo. Por trás da sugestão, estava a preocupação de que, sem o "gigante do Atlântico Sul", não haveria Alca (Área de Livre Comércio das Américas), como, de fato, não houve. Agora, quando os Estados Unidos se preparam para eleger um novo presidente, a recomendação reaparece.
No primeiro caso, o "Council on Foreign Relations (CFR)", o centro independente de relações exteriores mais influente dos EUA, montou uma força-tarefa para estudar o Brasil e mostrar sua importância aos americanos. Agora, um novo grupo analisou não só o país, mas toda a América Latina (AL). Isto não significa que o Brasil tenha perdido importância relativa. Revela, na verdade, que houve algum avanço nas relações com os EUA nos últimos anos e, mais do que isso, mostra que o Brasil é percebido hoje de forma diferente.
Bush não colocou o país no topo de suas prioridades. Sua opção foi o México, mas as coisas não andaram bem depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. No tempo em que Bush conviveu com o presidente Fernando Henrique Cardoso, as relações foram frias e pouco produtivas, a não ser pela providencial ajuda americana num momento crítico - em 2002, o país recebeu do FMI, graças à intervenção do governo Bush, o terceiro pacote de socorro financeiro em quatro anos.
Com a ascensão de Lula, as relações mudaram para melhor. Pragmático, o presidente brasileiro criou uma relação direta com Bush, a contragosto de sua diplomacia, que optou por outras prioridades (América do Sul, diálogo Sul-Sul, África). Os principais avanços surgiram desse relacionamento: o lançamento de uma iniciativa conjunta na área de biocombustíveis e a criação do Fórum de CEOs, que reúne os presidentes dos dois países com representantes das 20 maiores empresas para tratar de questões objetivas, de interesse mútuo, como um acordo de bitributação.
No documento que resultou do trabalho da força-tarefa - "Relações EUA-América Latina: uma Nova Direção para uma Nova Realidade" -, os especialistas americanos, dentre eles, Donna Hrinak, ex-embaixadora no Brasil e arquiteta das boas relações entre Bush e Lula, afirmam que uma política externa para a AL não pode mais ser baseada na idéia de que os EUA são o ator mais influente na região. "Se houve uma era de hegemonia dos EUA na AL, ela acabou", sustenta o texto.
A força-tarefa diz que, em grande parte, essa mudança de perspectiva se deve às transformações, politicamente "históricas", promovidas pela própria AL. Regimes autoritários e ditaduras militares deram lugar a "vibrantes, embora imperfeitas, democracias" em quase todas as nações. Isto não quer dizer, ressalva o grupo, que a região tenha superado sua história política tumultuada ou feito o suficiente para resolver problemas como pobreza e desigualdade. Longe disso.
MUDA PARA MELHOR A PERCEPÇÃO DO PAÍS
[Melhor para quem?]
O texto do CFR menciona avanços tanto econômicos quanto sociais ocorridos em vários países e chama atenção para o fato de a imagem dos EUA ter sofrido forte deterioração na região. Para mudar isso, a força-tarefa sugere que Washington se engaje na AL, segundo os termos dos países da região, e dê atenção especial a quatro nações (nesta ordem): Brasil, México, Cuba e Venezuela.
É interessante ver como o Brasil está sendo percebido por formadores de opinião importantes dos EUA. Mesmo falando dos problemas - especialmente dos relacionados à segurança pública -, o país é tratado num patamar diferente daquele de oito anos atrás. O pano de fundo são as capacidades desenvolvidas na área energética - ironicamente, em 2001, quando o primeiro relatório do CFR foi feito, o Brasil sofria o tormento do apagão energético. "O Brasil é a quarta maior democracia e a nona maior economia do mundo. E se transformou num ator crescentemente importante não só na AL, mas também globalmente", diz o documento.
A força-tarefa deixa claro que, tendo se tornado auto-suficiente em petróleo e uma potência em biocombustíveis, o Brasil tem pela frente bela oportunidade de se tornar um grande fornecedor de energia para os EUA. Justifica-se: a AL é o fornecedor de petróleo historicamente mais confiável dos EUA - 30% das importações -, mas há problemas no horizonte.
Terceiro maior exportador de petróleo para o mercado americano, com 14% do total, a tendência do México é reduzir o suprimento. A demanda interna está aumentando, enquanto a produtividade da estatal Pemex está caindo e as reservas estão sendo reduzidas. Quarta maior fornecedora para os EUA, a Venezuela detém 6,6% das reservas comprovadas de petróleo, mas a eficiência e a produção da PDVSA estão em queda.
Já o Brasil tem aumentado a exploração graças à expertise da Petrobras e, diz a força-tarefa do CFR, às condições "amigáveis" oferecidas a investidores estrangeiros. O campo de Tupi - estimado entre cinco e oito bilhões de barris - pode colocar o país à frente do Canadá e do México em termos de reservas, atrás apenas da Venezuela no hemisfério. Há ainda descobertas não-medidas. "Já em grande parte auto-suficiente em energia, um aumento nas exportações brasileiras de petróleo pode beneficiar, de forma significativa, não só o Brasil, mas também os EUA" destaca o documento.
A força-tarefa do CFR recomenda a construção de um "Pacto de Biocombustíveis" entre os dois países para encorajar o desenvolvimento de energia alternativa na AL. Para tanto, ela sugere a derrubada, nos EUA, de desestímulos à produção e ao comércio desses produtos e a criação de incentivos para que os distribuidores de gasolina, também no mercado americano, aumentem a disponibilidade de biocombustíveis.
A mudança de percepção dos americanos reflete não só os avanços do Brasil nos últimos anos, mas também uma necessidade americana: a segurança energética. Isso beneficia o país. Resta ao governo brasileiro se posicionar de forma madura, buscando ter com os EUA uma relação estreita e pragmática.”
O AVIÃO (REAL) DE 2006 E O "AVIÃO" (FICTÍCIO) DE 2008
Ontem, postamos o artigo “Frustração da oposição: o avião não caiu”, cujo 1º parágrafo é: “A oposição esteve alvoroçada. Uma falsa notícia de impacto de um avião de passageiros da empresa Pantanal contra um prédio de São Paulo motivou imediatas críticas públicas de deputados e senadores do PSDB e DEM, “revoltados” com o “caos aéreo” e com a má gestão governamental do setor.”
Hoje, li um muito interessante artigo do jornalista Luiz Carlos Azenha, postado em seu blog em 21/05 com o título acima. Vale a pena abordar o assunto novamente, pois Azenha retrata a tragicômica atuação da mídia no Brasil.
Ele compara a notícia do falso acidente de anteontem com a explicação que foi dada pela “TV Globo” em 2006, por ela não ter noticiado, na véspera do 1º turno da eleição para presidente da República, o real acidente com o avião da GOL –“abatido” por pilotos norte-americanos que voavam em outro avião “apagados” (transponder e TCAS desligados) e na “contra-mão”. Era o maior acidente aeronáutico da história do Brasil e um dos maiores do mundo.
A TV Globo, naquela noite, na desesperada tentativa de tirar votos de Lula na véspera de eleição, preferiu silenciar sobre o acidente e dedicar grande parte do Jornal Nacional à foto do dinheiro que supostamente seria no futuro utilizado por pessoas “supostamente ligadas ao PT” para comprar um suposto dossiê sobre as reais falcatruas de reais e identificados políticos e governantes da oposição que fraudaram os cofres públicos na compra de centenas de ambulâncias hiperfaturadas.
Sobre esse assunto das ambulâncias, por coincidência, o jornalista Lustosa da Costa do Diário do Nordeste hoje publicou:
"Sanguessugas"
"Quando a imprensa tentou atribuir ao governo Lula o escândalo das ambulâncias, apareceu dossiê mostrando o então ministro José Serra, discursando no galpão de fornecedora de tais carros ao Ministério da Saúde, o que era objeto da investigação. Aí, a mídia inverteu a questão. O crime não eram mais as bandalheiras do tucanato, na compra dos carros, mas sim a tentativa de denunciá-las e, mais que isto, prová-las. Foi a primeira guerra de dossiês feita pela imprensa para mostrar que ninguém pode apontar crimes e erros dos tucanos, a não ser se arriscando à condenação eterna."
A Tv Globo e o restante da grande mídia, com aquela tentativa de novo escândalo contra o governo Lula usando a foto de um monte de dinheiro, conseguiram apenas levar a eleição para o 2º turno.
A TV Globo e a mídia em geral agiram assim, mesmo sabendo que transportar dinheiro dentro do país não é crime e que comprar “dossiê” também não é crime. Comprar muitas centenas de ambulâncias superfaturadas com o dinheiro público é crime grave, mas isso foi abafado pela imprensa.
Escreveu o Azenha ontem:
“Ali Kamel, explicando o motivo pelo qual o Jornal Nacional não noticiou o desaparecimento de um avião da Gol na mesma edição em que dedicou oito dos 37 minutos às fotos do dinheiro do dossiê, na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006:
As primeiras informações sobre o desaparecimento de um avião nos chegaram quando o JN já estava havia muito no ar (o telejornal teve início às 20h). Imediatamente, nossas equipes saíram à cata de informações, que eram escassas e sem confirmação. Seria um avião de passageiros que estava desaparecido ou atrasado? Ele era da Gol ou da Embraer? Ele sumiu em Mato Grosso, indo para Brasília, ou no Pará, indo para Manaus? Em nossas redações, foi aquela correria, mas todos tínhamos uma convicção: só poríamos a informação no ar quando tivéssemos certeza dela."
Azenha a seguir compara esse “criterioso” comportamento da TV Globo em 2006 com a maneira como ela noticiou anteontem um simples incêndio sem vítimas numa pequena fábrica de colchões:
“Narração da Globonews na tarde de 20/05/2008 sobre acidente de avião que não aconteceu:
Vemos que é uma área com grande concentração de prédios, prédios altos, uma área comercial da zona sul de São Paulo e o avião se chocou há pouco. Lembramos que ainda não temos informações sobre o que teria provocado esse acidente e nem sobre o número de vítimas. Imagens da fumaça ainda se espalhando pelo céu de São Paulo. Hoje faz um tempo bom em São Paulo, céu claro, portanto está descartada a possibilidade de problema de visualização por parte do piloto.”
A grande tragédia é a grande mídia brasileira.
Hoje, li um muito interessante artigo do jornalista Luiz Carlos Azenha, postado em seu blog em 21/05 com o título acima. Vale a pena abordar o assunto novamente, pois Azenha retrata a tragicômica atuação da mídia no Brasil.
Ele compara a notícia do falso acidente de anteontem com a explicação que foi dada pela “TV Globo” em 2006, por ela não ter noticiado, na véspera do 1º turno da eleição para presidente da República, o real acidente com o avião da GOL –“abatido” por pilotos norte-americanos que voavam em outro avião “apagados” (transponder e TCAS desligados) e na “contra-mão”. Era o maior acidente aeronáutico da história do Brasil e um dos maiores do mundo.
A TV Globo, naquela noite, na desesperada tentativa de tirar votos de Lula na véspera de eleição, preferiu silenciar sobre o acidente e dedicar grande parte do Jornal Nacional à foto do dinheiro que supostamente seria no futuro utilizado por pessoas “supostamente ligadas ao PT” para comprar um suposto dossiê sobre as reais falcatruas de reais e identificados políticos e governantes da oposição que fraudaram os cofres públicos na compra de centenas de ambulâncias hiperfaturadas.
Sobre esse assunto das ambulâncias, por coincidência, o jornalista Lustosa da Costa do Diário do Nordeste hoje publicou:
"Sanguessugas"
"Quando a imprensa tentou atribuir ao governo Lula o escândalo das ambulâncias, apareceu dossiê mostrando o então ministro José Serra, discursando no galpão de fornecedora de tais carros ao Ministério da Saúde, o que era objeto da investigação. Aí, a mídia inverteu a questão. O crime não eram mais as bandalheiras do tucanato, na compra dos carros, mas sim a tentativa de denunciá-las e, mais que isto, prová-las. Foi a primeira guerra de dossiês feita pela imprensa para mostrar que ninguém pode apontar crimes e erros dos tucanos, a não ser se arriscando à condenação eterna."
A Tv Globo e o restante da grande mídia, com aquela tentativa de novo escândalo contra o governo Lula usando a foto de um monte de dinheiro, conseguiram apenas levar a eleição para o 2º turno.
A TV Globo e a mídia em geral agiram assim, mesmo sabendo que transportar dinheiro dentro do país não é crime e que comprar “dossiê” também não é crime. Comprar muitas centenas de ambulâncias superfaturadas com o dinheiro público é crime grave, mas isso foi abafado pela imprensa.
Escreveu o Azenha ontem:
“Ali Kamel, explicando o motivo pelo qual o Jornal Nacional não noticiou o desaparecimento de um avião da Gol na mesma edição em que dedicou oito dos 37 minutos às fotos do dinheiro do dossiê, na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais de 2006:
As primeiras informações sobre o desaparecimento de um avião nos chegaram quando o JN já estava havia muito no ar (o telejornal teve início às 20h). Imediatamente, nossas equipes saíram à cata de informações, que eram escassas e sem confirmação. Seria um avião de passageiros que estava desaparecido ou atrasado? Ele era da Gol ou da Embraer? Ele sumiu em Mato Grosso, indo para Brasília, ou no Pará, indo para Manaus? Em nossas redações, foi aquela correria, mas todos tínhamos uma convicção: só poríamos a informação no ar quando tivéssemos certeza dela."
Azenha a seguir compara esse “criterioso” comportamento da TV Globo em 2006 com a maneira como ela noticiou anteontem um simples incêndio sem vítimas numa pequena fábrica de colchões:
“Narração da Globonews na tarde de 20/05/2008 sobre acidente de avião que não aconteceu:
Vemos que é uma área com grande concentração de prédios, prédios altos, uma área comercial da zona sul de São Paulo e o avião se chocou há pouco. Lembramos que ainda não temos informações sobre o que teria provocado esse acidente e nem sobre o número de vítimas. Imagens da fumaça ainda se espalhando pelo céu de São Paulo. Hoje faz um tempo bom em São Paulo, céu claro, portanto está descartada a possibilidade de problema de visualização por parte do piloto.”
A grande tragédia é a grande mídia brasileira.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
BOA IDÉIA AMBIENTALISTA
No “blog do Azenha”, ao final de um artigo, hoje postado, de título “O Bolsa-Família às avessas do Governo Lula”, li um interessante texto. Irônico, mas correto sob o enfoque da reciprocidade. Uma boa sugestão em prol do meio-ambiente global. Transcrevo:
“Assumindo o Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc certamente não deixará que a agenda do governo seja pautada por franchises de ONGs ambientalistas estrangeiras.
Ao contrário, talvez se possa mesmo considerar a possibilidade de, na agenda de negociações internacionais, virar o jogo e propor que países, como os EUA e o conjunto da União Européia, dêem início a um programa de reflorestamento de 1/4 de seus territórios para se igualar ao Brasil (no que se refere às propostas estrangeiras de preservação integral da Amazônia por razões de interesse global relacionados às mudanças climáticas).
Da mesma forma, o Canadá deveria ser instado a suspender imediatamente as recentes autorizações concedidas para a exploração de areais betuminosas em áreas de florestas centenárias, e a Austrália a interromper o desmatamento de florestas nativas também centenárias para a produção de celulose e papel.
Quem sabe os bancos brasileiros se unem e criam uma ONG cujo objetivo seja fiscalizar o desmatamento e o grau de investimento em reflorestamento com espécies nativas nesses países?”
“Assumindo o Ministério do Meio Ambiente, Carlos Minc certamente não deixará que a agenda do governo seja pautada por franchises de ONGs ambientalistas estrangeiras.
Ao contrário, talvez se possa mesmo considerar a possibilidade de, na agenda de negociações internacionais, virar o jogo e propor que países, como os EUA e o conjunto da União Européia, dêem início a um programa de reflorestamento de 1/4 de seus territórios para se igualar ao Brasil (no que se refere às propostas estrangeiras de preservação integral da Amazônia por razões de interesse global relacionados às mudanças climáticas).
Da mesma forma, o Canadá deveria ser instado a suspender imediatamente as recentes autorizações concedidas para a exploração de areais betuminosas em áreas de florestas centenárias, e a Austrália a interromper o desmatamento de florestas nativas também centenárias para a produção de celulose e papel.
Quem sabe os bancos brasileiros se unem e criam uma ONG cujo objetivo seja fiscalizar o desmatamento e o grau de investimento em reflorestamento com espécies nativas nesses países?”
MORTES EM RODOVIAS AUMENTARÃO POR AÇÃO DA OPOSIÇÃO
OPOSIÇÃO PREFERE POSSIBILITAR MAIOR LUCRO PARA OS FABRICANTES E VENDEDORES DE BEBIDAS ALCOÓLICAS.
No curto período que durou a proibição de vendas de bebidas nas margens das estradas federais, já ocorreu uma significativa redução de mortes por acidentes envolvendo motoristas alcoolizados. Milhares de vidas foram poupadas.
Todavia, seguindo a tradicional conduta dos partidos “conservadores” (direitistas), de privilegiar o capital em detrimento do indivíduo, o PSDB, o DEM-PFL e os seus demais partidos-reboque como o PPS, conseguiram ontem no senado, onde a oposição tem maior peso, uma “retumbante vitória”. A liberação agora é total. Podem vender sem limites, nas estradas urbanas e rurais. Alguns deputados e senadores da base também sucumbiram à pressão das indústrias e do comércio de bebidas.
Segundo a Folha de São Paulo de hoje, na votação na Câmara a proposta do governo já havia sido alterada. Os deputados autorizaram a venda de bebidas por estabelecimentos localizados em estradas federais na zona urbana.
O maior derrotado é o ministro José Gomes Temporão (Ministro da Saúde), que defendeu a edição da medida provisória para proibir a venda de bebidas em todas as rodovias federais.
Em síntese, O Jornal do Brasil de hoje informou:
“O lobby da bebida funcionou e derrubou o cerco do governo à venda de bebidas alcoólicas nas estradas federais. Os senadores liberaram a comercialização, que tinha ficado restrita às vias rurais. Com a mudança, a MP volta à análise dos deputados”.
No curto período que durou a proibição de vendas de bebidas nas margens das estradas federais, já ocorreu uma significativa redução de mortes por acidentes envolvendo motoristas alcoolizados. Milhares de vidas foram poupadas.
Todavia, seguindo a tradicional conduta dos partidos “conservadores” (direitistas), de privilegiar o capital em detrimento do indivíduo, o PSDB, o DEM-PFL e os seus demais partidos-reboque como o PPS, conseguiram ontem no senado, onde a oposição tem maior peso, uma “retumbante vitória”. A liberação agora é total. Podem vender sem limites, nas estradas urbanas e rurais. Alguns deputados e senadores da base também sucumbiram à pressão das indústrias e do comércio de bebidas.
Segundo a Folha de São Paulo de hoje, na votação na Câmara a proposta do governo já havia sido alterada. Os deputados autorizaram a venda de bebidas por estabelecimentos localizados em estradas federais na zona urbana.
O maior derrotado é o ministro José Gomes Temporão (Ministro da Saúde), que defendeu a edição da medida provisória para proibir a venda de bebidas em todas as rodovias federais.
Em síntese, O Jornal do Brasil de hoje informou:
“O lobby da bebida funcionou e derrubou o cerco do governo à venda de bebidas alcoólicas nas estradas federais. Os senadores liberaram a comercialização, que tinha ficado restrita às vias rurais. Com a mudança, a MP volta à análise dos deputados”.
FRUSTRAÇÃO DA OPOSIÇÃO: O AVIÃO NÃO CAIU
Ontem, a oposição esteve alvoroçada. Uma falsa notícia de impacto de um avião de passageiros da empresa Pantanal contra um prédio de São Paulo motivou imediatas críticas públicas de deputados e senadores do PSDB e DEM, “revoltados” com o “caos aéreo” e com a má gestão governamental do setor.
Foi o renascimento daquele clima de acusações ao governo, que vivemos por muitos meses no ano passado. A oposição pretendia enfraquecer e derrubar o governo Lula com a falsa crise do setor aéreo brasileiro. A grande mídia brasileira deu apoio à campanha “derrubativa” com intenso e prolongado destaque, sempre associando o presidente Lula com as supostas falhas do sistema brasileiro de controle do tráfego aéreo.
Ontem, por coincidência, postamos um artigo sobre aquelas dolosas acusações. As investigações técnicas vieram a demonstrar serem completamente infundadas. O avião Boeing 737 da GOL caiu porque pilotos americanos do Legacy nele bateram ao voarem na contramão e com “os faróis” (o transponder e o TCAS) desligados. O desastre do avião da TAM foi causado por falha operacional induzida por discutível software das manetes do Airbus, que já causou três acidentes similares no mundo.
Para retratar o ambiente criado ontem com a falsa notícia de outro desastre, transcrevo dois artigos do jornal Folha de São Paulo de hoje.
”CAIU”
(Nelson de Sá)
"Interrompemos a transmissão", entrou o locutor da Globo News, "acaba de chegar a informação de que um avião da empresa aérea Pantanal caiu em cima de um prédio comercial".
Não era verdade, mas foi o que bastou para a Record News e portais como o UOL, em manchete, saírem dizendo a mesma coisa. Também agências, como a Reuters e a France Presse despachando ao mundo que, "segundo a rede local TV Globo, um avião se chocou com prédio". Em meia hora, voltaram atrás, mas era tarde. Foi parar no britânico Sky News e na CNN, cortando sua transmissão para o mundo com "Breaking News" sobre a queda do avião em São Paulo.
A Globo News se retratou e, minutos depois, entrou com imagens diante do incêndio, da rua, e a surpresa na locução: "É um imóvel baixo, uma casa". A transmissão ao vivo só então foi suspensa.” [não caíra nenhum avião e ninguém se feriu no incêndio em uma pequena fábrica de colchões]
EM TELEVISÕES, RÁDIOS, ON-LINES E ATÉ NO CONGRESSO, INCÊNDIO VIROU ACIDENTE AÉREO
(Daniel Castro)
“O incêndio na zona sul de São Paulo foi inicialmente noticiado como um acidente aéreo. A primeira emissora de TV a dar a "barriga" (no jargão jornalístico, informação incorreta) foi a Globo News. A falsa notícia foi imediatamente reproduzida por outras TVs, rádios e sites -inclusive a Folha Online, que a atribuiu ao canal da Globo.
A "barriga" rapidamente repercutiu no Congresso. O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) interrompeu a sessão da CPI dos Cartões, às 17h19, para dar "uma comunicação bastante grave e muito triste" aos colegas e lamentar o "caos no tráfego aéreo", em transmissão ao vivo por Record News e Band News.
A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) lamentou a "informação terrível".
Foi o renascimento daquele clima de acusações ao governo, que vivemos por muitos meses no ano passado. A oposição pretendia enfraquecer e derrubar o governo Lula com a falsa crise do setor aéreo brasileiro. A grande mídia brasileira deu apoio à campanha “derrubativa” com intenso e prolongado destaque, sempre associando o presidente Lula com as supostas falhas do sistema brasileiro de controle do tráfego aéreo.
Ontem, por coincidência, postamos um artigo sobre aquelas dolosas acusações. As investigações técnicas vieram a demonstrar serem completamente infundadas. O avião Boeing 737 da GOL caiu porque pilotos americanos do Legacy nele bateram ao voarem na contramão e com “os faróis” (o transponder e o TCAS) desligados. O desastre do avião da TAM foi causado por falha operacional induzida por discutível software das manetes do Airbus, que já causou três acidentes similares no mundo.
Para retratar o ambiente criado ontem com a falsa notícia de outro desastre, transcrevo dois artigos do jornal Folha de São Paulo de hoje.
”CAIU”
(Nelson de Sá)
"Interrompemos a transmissão", entrou o locutor da Globo News, "acaba de chegar a informação de que um avião da empresa aérea Pantanal caiu em cima de um prédio comercial".
Não era verdade, mas foi o que bastou para a Record News e portais como o UOL, em manchete, saírem dizendo a mesma coisa. Também agências, como a Reuters e a France Presse despachando ao mundo que, "segundo a rede local TV Globo, um avião se chocou com prédio". Em meia hora, voltaram atrás, mas era tarde. Foi parar no britânico Sky News e na CNN, cortando sua transmissão para o mundo com "Breaking News" sobre a queda do avião em São Paulo.
A Globo News se retratou e, minutos depois, entrou com imagens diante do incêndio, da rua, e a surpresa na locução: "É um imóvel baixo, uma casa". A transmissão ao vivo só então foi suspensa.” [não caíra nenhum avião e ninguém se feriu no incêndio em uma pequena fábrica de colchões]
EM TELEVISÕES, RÁDIOS, ON-LINES E ATÉ NO CONGRESSO, INCÊNDIO VIROU ACIDENTE AÉREO
(Daniel Castro)
“O incêndio na zona sul de São Paulo foi inicialmente noticiado como um acidente aéreo. A primeira emissora de TV a dar a "barriga" (no jargão jornalístico, informação incorreta) foi a Globo News. A falsa notícia foi imediatamente reproduzida por outras TVs, rádios e sites -inclusive a Folha Online, que a atribuiu ao canal da Globo.
A "barriga" rapidamente repercutiu no Congresso. O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP) interrompeu a sessão da CPI dos Cartões, às 17h19, para dar "uma comunicação bastante grave e muito triste" aos colegas e lamentar o "caos no tráfego aéreo", em transmissão ao vivo por Record News e Band News.
A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) lamentou a "informação terrível".
RECORTES–3: CHILE, O REVÉS DA “VITRINE” NEOLIBERAL
SÉRIE “RECORTES”
No último domingo, iniciei esta série.
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
De vez em quando, vou transcrever neste blog um ou outro recorte ou anotação minha.
Inaugurei a série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Ontem, escolhi outro registro: “O imperialismo da razão neoliberal”.
Hoje, motivado por uma nota em jornal que ao fim citarei, recuperei um texto que escrevi em 2004.
RECORTES–3: CHILE, O REVÉS DA “VITRINE” NEOLIBERAL
O Chile, como o Brasil de Collor e FHC, também acreditou no novo modelo liberal maldosamente “vendido” pelas grandes potências para os países periféricos, camuflado com bonito papel de presente.
Pinochet, na década de 70, já havia sido o inaugurador (com o uso da força) do neoliberalismo econômico na América Latina, conduzido por seus “Chicago Boys”.
Implantou, mais de vinte anos antes do Brasil, um Plano Pinochet bem parecido com o nosso futuro Plano Real de Itamar Franco em 1994, depois conduzido por FHC.
Como viemos a imitar os chilenos no nosso plano, Pinochet escancarou as portas da economia do Chile para os produtos importados, privatizou em grande escala, não apoiou com proteções tarifárias ou com créditos a indústria e as empresas chilenas e segurou artificialmente sobrevalorizado, por alguns anos, o “peso” em relação ao dólar.
Com isso, o Chile teve, como todos nós, o seu momento de ilusão.
A inflação, como no Brasil com o Plano Real e em todas as economias que se abriram repentina e radicalmente, caiu de forma abrupta nos primeiros anos. Era a ilusão do sucesso da estabilização da moeda.
A inflação caiu em especial por conta da livre importação maciça e facilitada de bens mais baratos (pois não sofriam taxas de importação) de todas as partes do mundo desenvolvido.
O Chile já se orgulhava da sua moeda estável (mas sobrevalorizada), porém, alguns anos depois, em 1982, teve que desvalorizar rapidamente o peso em face do dólar para evitar o colapso da sua economia. Isso também veio a ocorrer no Brasil no final dos anos 90, após a reeleição de FHC, quando já não era viável a nefasta âncora cambial sobrevalorizada para sustentar o Plano Real.
O Chile pagou alto preço social por aquelas medidas liberalizantes do agrado do FMI e das grandes potências, mais especificamente dos EUA.
Como corolário secreto já previsto pelos idealizadores daquela doutrina, vieram a desindustrialização e o desemprego maciços, o exponencial aumento da dívida externa e o hábito irreversível (por parte da população acima da faixa de pobreza) de consumir caros produtos sofisticados exportados pelos países industrializados.
Esse “reverso da medalha” inevitavelmente ocorreu nos países que seguiram o mesmo modelo, como o Brasil.
Como conseqüência das ‘medidas modernizantes’, vieram a grande concentração de renda naqueles poucos nacionais que lucraram com a nova situação, a ilusão de progresso com os grandes e suntuosos shopping com quase todas as lojas de marcas estrangeiras, belas butiques, com os sofisticados clubes de ricos, as luxuosas lojas de carros importados.
O resultado mais sensível foi o aumento das convulsões sociais e do número de desempregados e insatisfeitos. Esses últimos problemas foram combatidos por Pinochet no Chile utilizando um ‘modo heterodoxo’, de altíssimo custo social e difícil de copiar.
Após o “boom” inicial da abertura, o Chile começou a ver seus ansiados e prometidos “nichos de oportunidade no mundo globalizado” reduzindo-se.
Restrito, basicamente, a poucos produtos primários (cobre, madeiras e frutas) --cada vez mais baratos com o aumento da competitividade de outros países e com a tendência mundial de barateamento das commodities-- e com o seu pequeno mercado interno, menor em população do que a cidade de São Paulo, o Chile não viu alternativa senão implorar, sem poder de barganha, sua prematura satelização aos EUA e adesão à ALCA.
No acordo bilateral dessa adesão, os chilenos “concordaram com todas as imposições norte-americanas, que mantiveram, por sua vez, o seu forte protecionismo, especialmente à agricultura” (A. Bahadian, co-presidente da Alca, Folha de São Paulo, 22/05/2004).
Hipócritamente, a economia liberalizada chilena era, e até hoje é, elogiada pela imprensa e pelos organismos internacionais de crédito como modelo para o Brasil e toda a América Latina adotarem.
O Brasil do PSDB/FHC/PFL-DEM, mesmo tendo o país uma economia completamente diferente da chilena, em escala, mercado e em conteúdo, e já podendo observar os resultados do Plano Pinochet, ainda assim acreditou no Consenso de Washington e no FMI, e implantou o análogo Plano Real vinte anos após...
Por que escolhi hoje essas velhas anotações sobre o Chile? Porque li a seguinte pequena nota do jornalista Lustosa da Costa no jornal Diário do Nordeste, com um texto do jornalista João Bosco Serra e Gurgel:
“O BLEFE”
”A previdência privada do Chile foi ao chão. As seguradoras estão ricas. Menos de 65% dos trabalhadores chilenos aderiram. O creme do creme foi a extinção da contribuição patronal. Só os tralhadores que queiram se aposentar contribuem. É o que querem os patrões brasileiros. Vão chegar lá.
Ninguém se aposenta no INSS, hoje, com tres salários minimos. Sete milhões de brasileiros, da classe média, compraram planos de previdência privada com as mesmas características dos chilenos. Só as seguradoras e os bancos (no caso do Brasil) ganham. Estão com mais de 100 bilhões nos cofres, aumentando os lucros.
Dizem que são títulos de aposentadorias, para ganhar isenção fiscal da Receita Federal. Na realidade, são aplicações financeiras.
Podem virar pó.”
No último domingo, iniciei esta série.
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
De vez em quando, vou transcrever neste blog um ou outro recorte ou anotação minha.
Inaugurei a série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Ontem, escolhi outro registro: “O imperialismo da razão neoliberal”.
Hoje, motivado por uma nota em jornal que ao fim citarei, recuperei um texto que escrevi em 2004.
RECORTES–3: CHILE, O REVÉS DA “VITRINE” NEOLIBERAL
O Chile, como o Brasil de Collor e FHC, também acreditou no novo modelo liberal maldosamente “vendido” pelas grandes potências para os países periféricos, camuflado com bonito papel de presente.
Pinochet, na década de 70, já havia sido o inaugurador (com o uso da força) do neoliberalismo econômico na América Latina, conduzido por seus “Chicago Boys”.
Implantou, mais de vinte anos antes do Brasil, um Plano Pinochet bem parecido com o nosso futuro Plano Real de Itamar Franco em 1994, depois conduzido por FHC.
Como viemos a imitar os chilenos no nosso plano, Pinochet escancarou as portas da economia do Chile para os produtos importados, privatizou em grande escala, não apoiou com proteções tarifárias ou com créditos a indústria e as empresas chilenas e segurou artificialmente sobrevalorizado, por alguns anos, o “peso” em relação ao dólar.
Com isso, o Chile teve, como todos nós, o seu momento de ilusão.
A inflação, como no Brasil com o Plano Real e em todas as economias que se abriram repentina e radicalmente, caiu de forma abrupta nos primeiros anos. Era a ilusão do sucesso da estabilização da moeda.
A inflação caiu em especial por conta da livre importação maciça e facilitada de bens mais baratos (pois não sofriam taxas de importação) de todas as partes do mundo desenvolvido.
O Chile já se orgulhava da sua moeda estável (mas sobrevalorizada), porém, alguns anos depois, em 1982, teve que desvalorizar rapidamente o peso em face do dólar para evitar o colapso da sua economia. Isso também veio a ocorrer no Brasil no final dos anos 90, após a reeleição de FHC, quando já não era viável a nefasta âncora cambial sobrevalorizada para sustentar o Plano Real.
O Chile pagou alto preço social por aquelas medidas liberalizantes do agrado do FMI e das grandes potências, mais especificamente dos EUA.
Como corolário secreto já previsto pelos idealizadores daquela doutrina, vieram a desindustrialização e o desemprego maciços, o exponencial aumento da dívida externa e o hábito irreversível (por parte da população acima da faixa de pobreza) de consumir caros produtos sofisticados exportados pelos países industrializados.
Esse “reverso da medalha” inevitavelmente ocorreu nos países que seguiram o mesmo modelo, como o Brasil.
Como conseqüência das ‘medidas modernizantes’, vieram a grande concentração de renda naqueles poucos nacionais que lucraram com a nova situação, a ilusão de progresso com os grandes e suntuosos shopping com quase todas as lojas de marcas estrangeiras, belas butiques, com os sofisticados clubes de ricos, as luxuosas lojas de carros importados.
O resultado mais sensível foi o aumento das convulsões sociais e do número de desempregados e insatisfeitos. Esses últimos problemas foram combatidos por Pinochet no Chile utilizando um ‘modo heterodoxo’, de altíssimo custo social e difícil de copiar.
Após o “boom” inicial da abertura, o Chile começou a ver seus ansiados e prometidos “nichos de oportunidade no mundo globalizado” reduzindo-se.
Restrito, basicamente, a poucos produtos primários (cobre, madeiras e frutas) --cada vez mais baratos com o aumento da competitividade de outros países e com a tendência mundial de barateamento das commodities-- e com o seu pequeno mercado interno, menor em população do que a cidade de São Paulo, o Chile não viu alternativa senão implorar, sem poder de barganha, sua prematura satelização aos EUA e adesão à ALCA.
No acordo bilateral dessa adesão, os chilenos “concordaram com todas as imposições norte-americanas, que mantiveram, por sua vez, o seu forte protecionismo, especialmente à agricultura” (A. Bahadian, co-presidente da Alca, Folha de São Paulo, 22/05/2004).
Hipócritamente, a economia liberalizada chilena era, e até hoje é, elogiada pela imprensa e pelos organismos internacionais de crédito como modelo para o Brasil e toda a América Latina adotarem.
O Brasil do PSDB/FHC/PFL-DEM, mesmo tendo o país uma economia completamente diferente da chilena, em escala, mercado e em conteúdo, e já podendo observar os resultados do Plano Pinochet, ainda assim acreditou no Consenso de Washington e no FMI, e implantou o análogo Plano Real vinte anos após...
Por que escolhi hoje essas velhas anotações sobre o Chile? Porque li a seguinte pequena nota do jornalista Lustosa da Costa no jornal Diário do Nordeste, com um texto do jornalista João Bosco Serra e Gurgel:
“O BLEFE”
”A previdência privada do Chile foi ao chão. As seguradoras estão ricas. Menos de 65% dos trabalhadores chilenos aderiram. O creme do creme foi a extinção da contribuição patronal. Só os tralhadores que queiram se aposentar contribuem. É o que querem os patrões brasileiros. Vão chegar lá.
Ninguém se aposenta no INSS, hoje, com tres salários minimos. Sete milhões de brasileiros, da classe média, compraram planos de previdência privada com as mesmas características dos chilenos. Só as seguradoras e os bancos (no caso do Brasil) ganham. Estão com mais de 100 bilhões nos cofres, aumentando os lucros.
Dizem que são títulos de aposentadorias, para ganhar isenção fiscal da Receita Federal. Na realidade, são aplicações financeiras.
Podem virar pó.”
terça-feira, 20 de maio de 2008
RECORTES – 2: “O IMPERIALISMO DA RAZÃO NEOLIBERAL”
No último domingo, iniciei esta série “Recortes”.
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
De vez em quando, vou transcrever neste blog um ou outro recorte.
Inaugurei a série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Hoje, escolhi outro registro.
RECORTES – 2: “O IMPERIALISMO DA RAZÃO NEOLIBERAL”
Do livro com esse título, de Pierre Bourdieu, do College de France, e de Löic Wacquant, da Universidade de Berkeley, publicado em 2004, foram extraídas as seguintes palavras utilizadas capciosa e intencionalmente como chavões, estereótipos, com o fim de enaltecer o “mercado” e de depreciar o “Estado” nos países periféricos:
MERCADO---------------------------ESTADO
Liberdade---------------------------coerção
Aberto------------------------------fechado
Flexível-----------------------------rígido
Dinâmico----------------------------imóvel
Móvel-------------------------------paralisado
Futuro------------------------------passado
Novidade---------------------------ultrapassado
Crescimento------------------------imobilismo
Indivíduo---------------------------grupo
Individualismo-----------------------coletivismo
Diversidade-------------------------uniformidade
Autenticidade-----------------------artificialidade
Democrático------------------------autocrático
Democrático------------------------totalitário
Essas palavras representam, sinteticamente, a doutrinação que a grande mídia utilizou para desencadear em todo o mundo as mudanças em prol do neoliberalismo, especialmente na década de 90. A mídia não resolveu agir assim por conta própria. Ela foi um eficaz instrumento dos gigantescos interesses internacionais.
Tudo em prol da maior facilidade de os países ricos, industrializados e fortes militarmente imporem suas vontades, venderem mais facilmente seus produtos de alto valor agregado e de comprarem com baixos custos as matérias-primas e 'commodities' nos demais países.
No Brasil, vivíamos o período PSDB/FHC/PFL-DEM e fomos vítimas fáceis daquela estratégia conduzida em benefício das grandes potências pelo próprio governo brasileiro, com o total apoio da grande imprensa.
As eufemias e camuflagens disfarçavam os verdadeiros objetivos. Expressões muito divulgadas como positivas eram:
“Estado mínimo”; “globalização”; “modernidade”; “avanço”; “livre mercado”; “queda de barreiras tarifárias”; “fronteiras abertas para produtos estrangeiros”; “a sadia livre competição com produtos importados”; “Forças Armadas para quê?”; “enxugar, reduzir, nossas Forças Armadas, redirecionando-as para o combate ao narcotráfico e aos crimes ambientais”; “passagem do patrimônio nacional, de estatais mais rentáveis, para estrangeiros melhores condutores do negócio, deixando o Estado mais leve”; e muitos outros chavões bonitos e venenosos.
Até hoje, percebe-se diariamente o forte e capcioso uso daqueles clichês, no acirrado esforço que a nossa grande imprensa escrita e televisiva tem desenvolvido para o retorno daqueles partidos ao poder.
Os grandes grupos de comunicação do país são os principais intrumentos utilizados para promover a volta da atual oposição ao governo. Isso porque a gestão PSDB/PFL/FHC foi muito eficiente na defesa dos grandes interesses econômicos, financeiros e geopolíticos do mundo. Aquele governo agiu assim por ideologia e por fraqueza decorrente das nossas vulnerabilidades.
Ela começou porque encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando lia algo interessante, recortava ou registrava um resumo e guardava sem nenhum outro objetivo em mente, a não ser algum dia relembrar. Muitas vezes, não tive a preocupação de anotar a fonte.
De vez em quando, vou transcrever neste blog um ou outro recorte.
Inaugurei a série em 18 de maio com o artigo: “O que acontece quando uma potência militar dá um calote global?”
Hoje, escolhi outro registro.
RECORTES – 2: “O IMPERIALISMO DA RAZÃO NEOLIBERAL”
Do livro com esse título, de Pierre Bourdieu, do College de France, e de Löic Wacquant, da Universidade de Berkeley, publicado em 2004, foram extraídas as seguintes palavras utilizadas capciosa e intencionalmente como chavões, estereótipos, com o fim de enaltecer o “mercado” e de depreciar o “Estado” nos países periféricos:
MERCADO---------------------------ESTADO
Liberdade---------------------------coerção
Aberto------------------------------fechado
Flexível-----------------------------rígido
Dinâmico----------------------------imóvel
Móvel-------------------------------paralisado
Futuro------------------------------passado
Novidade---------------------------ultrapassado
Crescimento------------------------imobilismo
Indivíduo---------------------------grupo
Individualismo-----------------------coletivismo
Diversidade-------------------------uniformidade
Autenticidade-----------------------artificialidade
Democrático------------------------autocrático
Democrático------------------------totalitário
Essas palavras representam, sinteticamente, a doutrinação que a grande mídia utilizou para desencadear em todo o mundo as mudanças em prol do neoliberalismo, especialmente na década de 90. A mídia não resolveu agir assim por conta própria. Ela foi um eficaz instrumento dos gigantescos interesses internacionais.
Tudo em prol da maior facilidade de os países ricos, industrializados e fortes militarmente imporem suas vontades, venderem mais facilmente seus produtos de alto valor agregado e de comprarem com baixos custos as matérias-primas e 'commodities' nos demais países.
No Brasil, vivíamos o período PSDB/FHC/PFL-DEM e fomos vítimas fáceis daquela estratégia conduzida em benefício das grandes potências pelo próprio governo brasileiro, com o total apoio da grande imprensa.
As eufemias e camuflagens disfarçavam os verdadeiros objetivos. Expressões muito divulgadas como positivas eram:
“Estado mínimo”; “globalização”; “modernidade”; “avanço”; “livre mercado”; “queda de barreiras tarifárias”; “fronteiras abertas para produtos estrangeiros”; “a sadia livre competição com produtos importados”; “Forças Armadas para quê?”; “enxugar, reduzir, nossas Forças Armadas, redirecionando-as para o combate ao narcotráfico e aos crimes ambientais”; “passagem do patrimônio nacional, de estatais mais rentáveis, para estrangeiros melhores condutores do negócio, deixando o Estado mais leve”; e muitos outros chavões bonitos e venenosos.
Até hoje, percebe-se diariamente o forte e capcioso uso daqueles clichês, no acirrado esforço que a nossa grande imprensa escrita e televisiva tem desenvolvido para o retorno daqueles partidos ao poder.
Os grandes grupos de comunicação do país são os principais intrumentos utilizados para promover a volta da atual oposição ao governo. Isso porque a gestão PSDB/PFL/FHC foi muito eficiente na defesa dos grandes interesses econômicos, financeiros e geopolíticos do mundo. Aquele governo agiu assim por ideologia e por fraqueza decorrente das nossas vulnerabilidades.
ACIDENTE DA TAM: A MÍDIA, CERTAMENTE, LOGO SE RETRATARÁ
Estou esperando há alguns dias ler a publicação nos jornais, e ver a divulgação nas redes de TV, da retratação e do pedido de desculpas pela grave transgressão de transmitir erro de informação ao público, dolosa ou culposamente. Até agora, nada.
Lembro-me muito bem que os noticiários da TV e os jornais imputaram ao governo Lula a culpa pelo acidente da TAM em Congonhas-SP no ano passado, enfática e insistentemente, com toda clareza, desde as primeiras cenas do acidente.
Para toda a imprensa, foi a liberação da nova pista de pouso sem o tal de “grooving” (ranhuras) o fator causador do acidente. Os culpados foram, para a mídia, a estatal INFRAERO, a ANAC e o Ministério da Defesa. Portanto, o culpado foi o governo Lula. Alguns meios de comunicação já queriam o presidente Lula preso por crime de assassinato em massa.
O tradicional e forte interesse político-partidário-econômico direitista da grande mídia atropelou tudo, principalmente a verdade.
Não exagero.
Citarei apenas um dos milhares de exemplos que poderiam ser listados.
O jornal Folha de São Paulo de 19 de julho de 2007, com o destaque e a chamada na 1ª página, publicou:
“O QUE OCORREU NÃO FOI ACIDENTE, FOI CRIME”
”Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.... Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula”.
Esse texto nem mesmo era de um especialista em aviação ou em infra-estrutura aeroportuária, mas de Francisco Daudt, um psicanalista ou proctologista, não tenho certeza da sua especialidade médica... Também, não interessava aos jornais e TVs quem falava e o quê. Valia tudo que contribuísse para derrubar o Presidente Lula.
Domingo passado, vários jornais mencionaram o resultado parcial das investigações da Polícia do Estado de São Paulo. Contudo, sem o mesmo estardalhaço com que antes acusaram o Presidente Lula pelo fato de a pista de Congonhas não ter “grooving”.
Transcrevo trechos da matéria de Elder Ogliari, de 18/05/2008, do jornal “O Estado de São Paulo”:
“DELEGADO DIZ A FAMILIARES QUE MANETE CAUSOU ACIDENTE”
“O delegado Antônio Barbosa, do 27º Distrito Policial de São Paulo, confirmou aos familiares das vítimas do vôo 3054 da TAM que o acidente que matou 199 pessoas em 17 de julho do ano passado foi provocado, entre outras causas, pela posição de um dos manetes, que manteve a turbina direita do avião [AirBus] em aceleração durante a aterrissagem no Aeroporto de Congonhas. “Foi o fator principal, mas não sabemos se ocorreu por erro do piloto ou falha do equipamento”.
(...) “Na reunião, os familiares também ouviram o perito em segurança de vôo Antônio Nogueira dizer que a pista estava em boas condições e que provavelmente o problema tenha ocorrido na aeronave.”
Lembro-me muito bem que os noticiários da TV e os jornais imputaram ao governo Lula a culpa pelo acidente da TAM em Congonhas-SP no ano passado, enfática e insistentemente, com toda clareza, desde as primeiras cenas do acidente.
Para toda a imprensa, foi a liberação da nova pista de pouso sem o tal de “grooving” (ranhuras) o fator causador do acidente. Os culpados foram, para a mídia, a estatal INFRAERO, a ANAC e o Ministério da Defesa. Portanto, o culpado foi o governo Lula. Alguns meios de comunicação já queriam o presidente Lula preso por crime de assassinato em massa.
O tradicional e forte interesse político-partidário-econômico direitista da grande mídia atropelou tudo, principalmente a verdade.
Não exagero.
Citarei apenas um dos milhares de exemplos que poderiam ser listados.
O jornal Folha de São Paulo de 19 de julho de 2007, com o destaque e a chamada na 1ª página, publicou:
“O QUE OCORREU NÃO FOI ACIDENTE, FOI CRIME”
”Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.... Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula”.
Esse texto nem mesmo era de um especialista em aviação ou em infra-estrutura aeroportuária, mas de Francisco Daudt, um psicanalista ou proctologista, não tenho certeza da sua especialidade médica... Também, não interessava aos jornais e TVs quem falava e o quê. Valia tudo que contribuísse para derrubar o Presidente Lula.
Domingo passado, vários jornais mencionaram o resultado parcial das investigações da Polícia do Estado de São Paulo. Contudo, sem o mesmo estardalhaço com que antes acusaram o Presidente Lula pelo fato de a pista de Congonhas não ter “grooving”.
Transcrevo trechos da matéria de Elder Ogliari, de 18/05/2008, do jornal “O Estado de São Paulo”:
“DELEGADO DIZ A FAMILIARES QUE MANETE CAUSOU ACIDENTE”
“O delegado Antônio Barbosa, do 27º Distrito Policial de São Paulo, confirmou aos familiares das vítimas do vôo 3054 da TAM que o acidente que matou 199 pessoas em 17 de julho do ano passado foi provocado, entre outras causas, pela posição de um dos manetes, que manteve a turbina direita do avião [AirBus] em aceleração durante a aterrissagem no Aeroporto de Congonhas. “Foi o fator principal, mas não sabemos se ocorreu por erro do piloto ou falha do equipamento”.
(...) “Na reunião, os familiares também ouviram o perito em segurança de vôo Antônio Nogueira dizer que a pista estava em boas condições e que provavelmente o problema tenha ocorrido na aeronave.”
A AMAZÔNIA E A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO
O excelente artigo a seguir reproduzido é de autoria de Cristovam Buarque. Foi escrito há oito anos, mas continua atual.
Com o auxílio da enciclopédia "Wikipedia", sabemos que o autor é graduado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco (1966). Após o golpe militar de 1964, seguiu para um auto-exílio na França, onde obteve o doutorado em Economia pela universidade de Sorbonne (Paris) em 1973. Trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre os anos de 1973 e 1979, tendo ocupado postos no Equador, em Honduras e nos Estados Unidos. Foi reitor da Universidade de Brasília (o primeiro por eleição direta, após os governos militares). Foi governador do Distrito Federal (1995-1999), ministro da educação e senador da república.
O artigo foi publicado em 10 de outubro de 2000 pelo jornal O Globo e, hoje, foi republicado no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha.
"A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO"
"Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.
Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."
Com o auxílio da enciclopédia "Wikipedia", sabemos que o autor é graduado em engenharia mecânica pela Universidade Federal de Pernambuco (1966). Após o golpe militar de 1964, seguiu para um auto-exílio na França, onde obteve o doutorado em Economia pela universidade de Sorbonne (Paris) em 1973. Trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) entre os anos de 1973 e 1979, tendo ocupado postos no Equador, em Honduras e nos Estados Unidos. Foi reitor da Universidade de Brasília (o primeiro por eleição direta, após os governos militares). Foi governador do Distrito Federal (1995-1999), ministro da educação e senador da república.
O artigo foi publicado em 10 de outubro de 2000 pelo jornal O Globo e, hoje, foi republicado no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha.
"A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO"
"Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.
Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."
segunda-feira, 19 de maio de 2008
EMPREGOS FORMAIS: NOVO RECORDE EM ABRIL
A Folha Online publicou no início desta noite:
"Geração de empregos formais bate novo recorde em abril"
"A contratação de trabalhadores com carteira assinada bateu novo recorde no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, segundo os dados de abril. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram abertas 294.522 vagas em abril, o que representa um aumento de 1% sobre o estoque do mês de março, o recorde anterior.
O resultado mensal é o segundo maior já registrado na série histórica, próximo ao recorde de abril de 2007, de 301.991 postos.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram ainda que nos quatro primeiros meses do ano foram gerados 848.962 novos postos de trabalho, um aumento de 2,93% no ano.
Nos últimos 12 meses, verificou-se expansão de 6,29% no emprego formal (o mesmo que 1.764.735 novos postos)."
"Geração de empregos formais bate novo recorde em abril"
"A contratação de trabalhadores com carteira assinada bateu novo recorde no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, segundo os dados de abril. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram abertas 294.522 vagas em abril, o que representa um aumento de 1% sobre o estoque do mês de março, o recorde anterior.
O resultado mensal é o segundo maior já registrado na série histórica, próximo ao recorde de abril de 2007, de 301.991 postos.
Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram ainda que nos quatro primeiros meses do ano foram gerados 848.962 novos postos de trabalho, um aumento de 2,93% no ano.
Nos últimos 12 meses, verificou-se expansão de 6,29% no emprego formal (o mesmo que 1.764.735 novos postos)."
PETROBRAS SUPERA MICROSOFT E SE TORNA 3ª MAIOR DAS AMÉRICAS EM VALOR DE MERCADO
O portal Folha Online publicou hoje à tarde essa notícia, que a seguir transcrevo:
“A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.
À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).
Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).
O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.
Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.
Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.
O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.
Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:
1. Exxon Mobil - US$ 489,640 bilhões
2. General Electric - US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras - US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp - US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações - US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores - US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco - US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble - US$ 203.787 bilhões
9. Vale Rio Doce - US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway - US$ 189.580 bilhões”
“A Petrobras passou a gigante da tecnologia Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas em valor de mercado (cotação das ações da companhia), estimada em US$ 287,17 bilhões (cerca de R$ 473,26 bilhões), segundo balanço da Economática que leva em conta números colhidos até 16 de maio.
À frente da petrolífera brasileira estão apenas a Exxon Mobil, que vale US$ 489,64 bilhões (R$ 806,92 bilhões), e a General Electric, estimada em US$ 320,25 bilhões (R$ 527,77 bilhões). A Microsoft, que até pouco tempo era a terceira maior empresas do continente americano, está na quarta posição em valor de mercado, estimada em US$ 279,3 bilhões (cerca de R$ 460,29 bilhões).
Entre as dez maiores (confira lista abaixo), outra brasileira aparece na lista, a mineradora Vale, com valor de US$ 196,49 bilhões (cerca de R$ 323,81 bilhões). Se considerado o ranking com as 50 maiores empresas, o Bradesco fica na 43ª posição, valendo US$ 67,247 bilhões (R$ 110,82 bilhões).
O valor de mercado da Petrobras, empresa que tem puxado as altas recordes da Bolsa de Valores de São Paulo, mais do que dobrou nos últimos 12 meses. A descoberta dos novos campos de petróleo e a alta do preço do barril ajudou na disparada.
Anunciado em outubro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, pode ampliar as reservas brasileiras de petróleo em 60%. Outro campo, o Carioca, teria reservas estimadas em 33 bilhões de barris. Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade.
Além disso, a menor valorização do real frente ao dólar no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período em 2007, gerou impacto positivo de R$ 1 bilhão nas despesas financeiras líquidas da Petrobras, contribuindo para reduzir os efeitos do câmbio sobre os resultados da companhia.
O lucro da Petrobras no primeiro trimestre atingiu R$ 6,925 bilhões, com alta de 68% sobre o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem acima do esperado pelos analistas de mercado. Segundo a corretora Brascan, a expectativa era de lucro de R$ 5,589 bilhões. Trata-se do maior lucro trimestral da estatal petrolífera desde o segundo trimestre de 2006, quando obteve lucro de R$ 7,099 bilhões.
Confira a lista das dez maiores empresas das Américas:
1. Exxon Mobil - US$ 489,640 bilhões
2. General Electric - US$ 320,253 bilhões
3. Petrobras - US$ 287,171 bilhões
4. Microsoft Corp - US$ 279.306 bilhões
5. AT&T Telecomunicações - US$ 238.056 bilhões
6. Wal Mart Stores - US$ 225.562 bilhões
7. Chevron Texaco - US$ 207.625 bilhões
8. Procter & Gamble - US$ 203.787 bilhões
9. Vale Rio Doce - US$ 196.495 bilhões
10. Berkshire Hathaway - US$ 189.580 bilhões”
ATÉ NOS EUA JÁ SABEM QUE O PSDB NÃO PERMITE CPI PARA INVESTIGÁ-LO
O jornal norte-americano “Wall Street Journal” diz hoje que a maior parte dos contratos com a empresa francesa Alstom, que está sendo investigada na Europa por comprar autoridades paulistas com propinas, foi assinada “sob o governo de Geraldo Alckmin”, mas [diz o WSJ] as “autoridades em São Paulo ligadas ao PSDB, que detém a maioria no legislativo estadual, rejeitaram na quinta-feira um pedido de abertura de inquérito formal”, a CPI.
Continuam os mesmos.
Todos lembramos do governo FHC/PSDB/PFL-DEM, quando graves suspeitas de gigantescas falcatruas não puderam ser investigadas por CPI, sempre barradas pelo governo.
Também já mencionamos em outras postagens a fama adquirida pelo Advogado-Geral da União do governo FHC, Gilmar Mendes (hoje Presidente do STF!), que teria “engavetado” todos os processos que fossem desfavoráveis àquele governo.
Também já mencionamos que a grande mídia sempre silenciava sobre as fraudes com o dinheiro público de governantes do PSDB e PFL.
Assim, para o público, naquela época não ocorriam irregularidades, pois nenhuma era noticiada e investigada.
Reproduzo a seguir o texto que hoje foi postado no “blog do Favre”:
“ALSTOM E PSDB NO WALL STREET JOURNAL"
“Wall Street Journal” e o PSDB”
“O “WSJ”, que deu o “furo” sobre o escândalo em manchete, duas semanas atrás, segue na cobertura do caso Alstom. No sábado, noticiou que a empresa francesa se pronunciou co-autora da ação contra o suposto pagamento de propinas, que se estenderam para além de 2000.
E hoje, em longa reportagem de Antonio Regalado e David Crawford, agora sem tradução no “Valor”, mas com acesso livre via Google News, ressalta que o caso entrou no jogo das “batalhas políticas do Brasil”, abrindo “novo front na disputa entre os dois principais partidos”. Como “os contratos em questão foram concedidos no Estado de São Paulo, a base do oposicionista PSDB, partido à direita do PT”, eles se tornaram foco da campanha eleitoral deste ano.
Para o “WSJ”, “o caso Alstom está chamando a atenção em parte porque é realizado por investigadores estrangeiros independentes”.
O jornal diz que a maior parte dos contratos foi assinada “sob o governo de Geraldo Alckmin”, mas as “autoridades em São Paulo ligadas ao PSDB, que detém a maioria no legislativo estadual, rejeitaram na quinta-feira um pedido de abertura de inquérito formal”, a CPI.
A reportagem sublinha que “o Estado de São Paulo, economicamente importante, tem sido uma fortaleza do PSDB” e que “no Brasil as grandes companhias estatais são uma fonte importante de doações de campanha” no país.
Por outro lado, a investigação “repercute junto aos moradores de São Paulo em parte pela ligação do caso com o metrô”, que é “relativamente pequeno” na maior cidade da América do Sul e tem uma das tarifas “mais caras do mundo” em relação ao salário mínimo.
Segundo o “WSJ”, “o governador de São Paulo, José Serra, disse que o Metrô vai ajudar com qualquer investigação, mas que ‘nós estamos esperando que mais 'elementos’ do caso se tornem claros”.
Continuam os mesmos.
Todos lembramos do governo FHC/PSDB/PFL-DEM, quando graves suspeitas de gigantescas falcatruas não puderam ser investigadas por CPI, sempre barradas pelo governo.
Também já mencionamos em outras postagens a fama adquirida pelo Advogado-Geral da União do governo FHC, Gilmar Mendes (hoje Presidente do STF!), que teria “engavetado” todos os processos que fossem desfavoráveis àquele governo.
Também já mencionamos que a grande mídia sempre silenciava sobre as fraudes com o dinheiro público de governantes do PSDB e PFL.
Assim, para o público, naquela época não ocorriam irregularidades, pois nenhuma era noticiada e investigada.
Reproduzo a seguir o texto que hoje foi postado no “blog do Favre”:
“ALSTOM E PSDB NO WALL STREET JOURNAL"
“Wall Street Journal” e o PSDB”
“O “WSJ”, que deu o “furo” sobre o escândalo em manchete, duas semanas atrás, segue na cobertura do caso Alstom. No sábado, noticiou que a empresa francesa se pronunciou co-autora da ação contra o suposto pagamento de propinas, que se estenderam para além de 2000.
E hoje, em longa reportagem de Antonio Regalado e David Crawford, agora sem tradução no “Valor”, mas com acesso livre via Google News, ressalta que o caso entrou no jogo das “batalhas políticas do Brasil”, abrindo “novo front na disputa entre os dois principais partidos”. Como “os contratos em questão foram concedidos no Estado de São Paulo, a base do oposicionista PSDB, partido à direita do PT”, eles se tornaram foco da campanha eleitoral deste ano.
Para o “WSJ”, “o caso Alstom está chamando a atenção em parte porque é realizado por investigadores estrangeiros independentes”.
O jornal diz que a maior parte dos contratos foi assinada “sob o governo de Geraldo Alckmin”, mas as “autoridades em São Paulo ligadas ao PSDB, que detém a maioria no legislativo estadual, rejeitaram na quinta-feira um pedido de abertura de inquérito formal”, a CPI.
A reportagem sublinha que “o Estado de São Paulo, economicamente importante, tem sido uma fortaleza do PSDB” e que “no Brasil as grandes companhias estatais são uma fonte importante de doações de campanha” no país.
Por outro lado, a investigação “repercute junto aos moradores de São Paulo em parte pela ligação do caso com o metrô”, que é “relativamente pequeno” na maior cidade da América do Sul e tem uma das tarifas “mais caras do mundo” em relação ao salário mínimo.
Segundo o “WSJ”, “o governador de São Paulo, José Serra, disse que o Metrô vai ajudar com qualquer investigação, mas que ‘nós estamos esperando que mais 'elementos’ do caso se tornem claros”.
A MÍDIA QUER TRATAR DO CRIME SEM MENCIONAR O RÉU CONFESSO
A grande mídia (PIG) quer tratar do “crime” de vazamento de dados sigilosos “anti-FHC” sem mencionar o senador Álvaro Dias do PSDB. Ele praticamente confessou que passou os dados para a revista Veja e o jornal Folha de São Paulo.
Parafraseando o jornalista Paulo Henrique Amorim, é como se a imprensa cobrisse o assassinato de Isabella e não mencionasse Alexandre Nardoni. É como tentar acobertar o assassino e imputar culpa na mãe que gerou a menina para outros fins, para a vida.
Além disso, a imprensa brasileira nunca foi tão zelosa assim com dados sigilosos do governo. Essa estupefação da mídia com “tão grave crime” é inusitada, incoerente e ridícula.
Reproduzo trechos de artigo postado hoje por Paulo Henrique Amorim no seu blog “Conversa Afiada”:
“Leandro Fortes, da Carta Capital, escreveu excelente reportagem -- “O ‘dossiê’ pede socorro” -- na edição que está nas bancas.
Diz Leandro: “... até hoje não apareceu ninguém chantageado, nem muito menos um chantageador foi flagrado por aí fazendo ameaças contra opositores”.
É outro furo n’água do PiG hipócrita, tal qual o “mensalão”, que ainda está por provar-se.
De algumas coisas, realmente se sabe.
O “vazador” foi o senador do PSDB do Paraná, Álvaro Dias. Segundo o princípio do “cui prodest”, Dias vazou com o objetivo de derrubar o Presidente Lula – e, antes, desmoralizar a Ministra Dilma Rousseff.
A outra coisa que se sabe com certeza é que quem enviou o “dossiê” a Dias foi o ex-funcionário da Casa Civil, José Aparecido Nunes Dias. Funcionário, na verdade, até hoje, de José Dirceu.
O “dossiê” não é um “dossiê”. Quem é especialista em “dossiês” é o ‘presidente eleito’, José Serquércia. O que o PiG chama de “dossiê” é um banco de dados.
Outra coisa que se sabe com certeza é que dos dados que o senador tucano vazou constam os gastos de Dna. Ruth Cardoso, quando primeira dama, com tickets de teatro na Europa.
O resto é hipocrisia do PiG e da oposição, sua melhor expressão.
Neste episódio, aliás, o PiG fez um pacto secreto muito engraçado: ninguém menciona Álvaro Dias.
É como se o PiG cobrisse o assassinato de Isabella e não mencionasse Alexandre Nardoni. Ou a madrasta de Isabella.
Como se o leitor fosse bobo.
O objetivo do PiG é desmoralizar a Ministra Rousseff.”
Parafraseando o jornalista Paulo Henrique Amorim, é como se a imprensa cobrisse o assassinato de Isabella e não mencionasse Alexandre Nardoni. É como tentar acobertar o assassino e imputar culpa na mãe que gerou a menina para outros fins, para a vida.
Além disso, a imprensa brasileira nunca foi tão zelosa assim com dados sigilosos do governo. Essa estupefação da mídia com “tão grave crime” é inusitada, incoerente e ridícula.
Reproduzo trechos de artigo postado hoje por Paulo Henrique Amorim no seu blog “Conversa Afiada”:
“Leandro Fortes, da Carta Capital, escreveu excelente reportagem -- “O ‘dossiê’ pede socorro” -- na edição que está nas bancas.
Diz Leandro: “... até hoje não apareceu ninguém chantageado, nem muito menos um chantageador foi flagrado por aí fazendo ameaças contra opositores”.
É outro furo n’água do PiG hipócrita, tal qual o “mensalão”, que ainda está por provar-se.
De algumas coisas, realmente se sabe.
O “vazador” foi o senador do PSDB do Paraná, Álvaro Dias. Segundo o princípio do “cui prodest”, Dias vazou com o objetivo de derrubar o Presidente Lula – e, antes, desmoralizar a Ministra Dilma Rousseff.
A outra coisa que se sabe com certeza é que quem enviou o “dossiê” a Dias foi o ex-funcionário da Casa Civil, José Aparecido Nunes Dias. Funcionário, na verdade, até hoje, de José Dirceu.
O “dossiê” não é um “dossiê”. Quem é especialista em “dossiês” é o ‘presidente eleito’, José Serquércia. O que o PiG chama de “dossiê” é um banco de dados.
Outra coisa que se sabe com certeza é que dos dados que o senador tucano vazou constam os gastos de Dna. Ruth Cardoso, quando primeira dama, com tickets de teatro na Europa.
O resto é hipocrisia do PiG e da oposição, sua melhor expressão.
Neste episódio, aliás, o PiG fez um pacto secreto muito engraçado: ninguém menciona Álvaro Dias.
É como se o PiG cobrisse o assassinato de Isabella e não mencionasse Alexandre Nardoni. Ou a madrasta de Isabella.
Como se o leitor fosse bobo.
O objetivo do PiG é desmoralizar a Ministra Rousseff.”
OS ARMAMENTOS ATÔMICOS DOS EUA SÃO “PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE”?
Cheguei à essa dúvida após ler hoje o blog do jornalista Ricardo Noblat.
Ele defende as críticas das grandes potências sobre o nosso direito de propriedade sobre a Amazônia brasileira. Vejamos alguns trechos do artigo do Noblat:
“A Amazônia é nossa? Uma ova!”
(...) “Cresce o desmatamento na Amazônia, considerada o pulmão do mundo. E quantos de nós escolhemos em quem votar levando em conta a opinião dos candidatos quanto a esse e a outros temas verdes?
"A Amazônia é nossa", reagem os mais simplórios, os sem argumentos, os nacionalistas babacas em um mundo irreversivelmente globalizado.
É nossa uma ova! A Amazônia é um patrimônio da Humanidade - assim como a Antártida, o Everest, a Floresta Negra e tudo mais que possa afetar a qualidade de vida na Terra.”
Este blog compreende que o referido jornalista é contratado das Organizações Globo, notória defensora dos interesses das grandes potências, principalmente dos EUA.
Compreende também que a nossa grande mídia defende ardorosamente as idéias aqui implantadas fortemente durante o governo PSDB/DEM-PFL/FHC.
Vê-se, no texto do Noblat, aqueles conceitos da década de 90, que ele já defendia desde o seu tempo de editor do "Correio Braziliense", onde nacionalista significa “babaca” (sic) e a desculpa da "globalização" justificava darmos todo o nosso patrimônio para os estrangeiros.
Tudo isso compreendo, mas não concordo.
Então, como escreveu Noblat/Globo, se “tudo que possa afetar a qualidade de vida na Terra” é patrimônio da humanidade, é propriedade de outros países e dá direito de ingerência a terceiros, chego à conclusão de que o arsenal militar e atômico dos EUA, que podem afetar definitiva e drasticamente a qualidade de vida na Terra, também é patrimônio da humanidade. Os EUA devem perder a soberania sobre essas armas e nós temos também o direito de decidir como usá-las...
Ele defende as críticas das grandes potências sobre o nosso direito de propriedade sobre a Amazônia brasileira. Vejamos alguns trechos do artigo do Noblat:
“A Amazônia é nossa? Uma ova!”
(...) “Cresce o desmatamento na Amazônia, considerada o pulmão do mundo. E quantos de nós escolhemos em quem votar levando em conta a opinião dos candidatos quanto a esse e a outros temas verdes?
"A Amazônia é nossa", reagem os mais simplórios, os sem argumentos, os nacionalistas babacas em um mundo irreversivelmente globalizado.
É nossa uma ova! A Amazônia é um patrimônio da Humanidade - assim como a Antártida, o Everest, a Floresta Negra e tudo mais que possa afetar a qualidade de vida na Terra.”
Este blog compreende que o referido jornalista é contratado das Organizações Globo, notória defensora dos interesses das grandes potências, principalmente dos EUA.
Compreende também que a nossa grande mídia defende ardorosamente as idéias aqui implantadas fortemente durante o governo PSDB/DEM-PFL/FHC.
Vê-se, no texto do Noblat, aqueles conceitos da década de 90, que ele já defendia desde o seu tempo de editor do "Correio Braziliense", onde nacionalista significa “babaca” (sic) e a desculpa da "globalização" justificava darmos todo o nosso patrimônio para os estrangeiros.
Tudo isso compreendo, mas não concordo.
Então, como escreveu Noblat/Globo, se “tudo que possa afetar a qualidade de vida na Terra” é patrimônio da humanidade, é propriedade de outros países e dá direito de ingerência a terceiros, chego à conclusão de que o arsenal militar e atômico dos EUA, que podem afetar definitiva e drasticamente a qualidade de vida na Terra, também é patrimônio da humanidade. Os EUA devem perder a soberania sobre essas armas e nós temos também o direito de decidir como usá-las...
domingo, 18 de maio de 2008
RECORTES
Achei! Encontrei uma pasta com recortes e anotações que eu fazia desde a década de 80, até há poucos anos. Ela estava perdida após uma reforma no meu apartamento. Quando encontrava algo interessante, recortava ou anotava e guardava sem nenhum objetivo, às vezes sem preocupações de anotar a fonte.
De vez em quando, vou transcrever aqui um ou outro recorte.
Por exemplo, reproduzo o texto a seguir, baseado em um artigo de Jorge Boaventura, publicado no jornal Folha de São Paulo de 5 de outubro de 2004:
RECORTES - 1
O QUE ACONTECE QUANDO UMA POTÊNCIA MILITAR DÁ UM CALOTE GLOBAL?
Nada em seu prejuízo. Ao contrário, ela lucra e muito.
Em 1961, quando a França, sob o governo de George Pompidou, solicitou aos Estados Unidos que trocassem os dólares, que ela possuia guardados nos EUA, pela quantidade pré-acordada contratualmente de ouro depositado em Fort Knox, recebeu uma surpreendente e estarrecedora resposta do governo norte-americano.
O ouro previsto não existia! Foi um gigantesco calote da dívida em escala planetária.
Os EUA e a sua sempre aliada grande mídia não designaram assim, com essas palavras grosseiras. Com no governo tucano de FHC, eles também sempre foram doutores em cinismo. Designaram aquele golpe, eufêmica e gentilmente, de "quebra do padrão ouro". Substituíram, sem perguntar aos seus credores, o ouro devido pelo dólar que faziam imprimir quando queriam.
O lastro do dólar passou, desde então, a ser não mais o ouro, mas o formidável poderio militar dos EUA. Cada vez mais, passaram a empregar esse poder com brutalidade, como oportunos exemplos de retaliação e de sanção, com fins econômicos e geopolíticos.
De vez em quando, vou transcrever aqui um ou outro recorte.
Por exemplo, reproduzo o texto a seguir, baseado em um artigo de Jorge Boaventura, publicado no jornal Folha de São Paulo de 5 de outubro de 2004:
RECORTES - 1
O QUE ACONTECE QUANDO UMA POTÊNCIA MILITAR DÁ UM CALOTE GLOBAL?
Nada em seu prejuízo. Ao contrário, ela lucra e muito.
Em 1961, quando a França, sob o governo de George Pompidou, solicitou aos Estados Unidos que trocassem os dólares, que ela possuia guardados nos EUA, pela quantidade pré-acordada contratualmente de ouro depositado em Fort Knox, recebeu uma surpreendente e estarrecedora resposta do governo norte-americano.
O ouro previsto não existia! Foi um gigantesco calote da dívida em escala planetária.
Os EUA e a sua sempre aliada grande mídia não designaram assim, com essas palavras grosseiras. Com no governo tucano de FHC, eles também sempre foram doutores em cinismo. Designaram aquele golpe, eufêmica e gentilmente, de "quebra do padrão ouro". Substituíram, sem perguntar aos seus credores, o ouro devido pelo dólar que faziam imprimir quando queriam.
O lastro do dólar passou, desde então, a ser não mais o ouro, mas o formidável poderio militar dos EUA. Cada vez mais, passaram a empregar esse poder com brutalidade, como oportunos exemplos de retaliação e de sanção, com fins econômicos e geopolíticos.
AUMENTA A VORACIDADE ESTRANGEIRA SOBRE A AMAZÔNIA
A pressão dos estrangeiros, especialmente os das grandes potências, para fundamentarem no mundo o conceito de que eles têm direitos de propriedade e de ação sobre a Amazônia brasileira continua e se agrava. Muitos brasileiros não percebem, iludidos pelas camuflagens ambientalistas, antropológicas etc, utilizadas como bandeiras e disfarces nessa doutrinação.
Vejamos um pequeno exemplo que ocorre todos os dias, talvez orquestradamente. O jornal norte-americano The New York Times de hoje publica um texto com esses conceitos embutidos. Li a matéria da agência inglesa BBC no portal UOL. Transcrevo:
"DE QUEM É A AMAZÔNIA, AFINAL?", DIZ NY TIMES
"Uma reportagem publicada neste domingo no jornal americano The New York Times afirma que a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país está causando preocupação no Brasil.
No texto intitulado "De quem é esta floresta amazônica, afinal?", assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro Alexei Barrionuevo, o jornal diz que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território".
O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989 disse que "ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós".
"Esses comentários não são bem-aceitos aqui (no Brasil)", diz o jornal. "Aliás, eles reacenderam velhas atitudes de protecionismo territorial e observação de invasores estrangeiros escondidos."
O jornal afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta aprovar uma lei para restringir o acesso à floresta amazônica, impondo um regime de licenças tanto para estrangeiros como para brasileiros.
"Mas muitos especialistas em Amazônia dizem que as restrições propostas entram em conflito com os próprios esforços (do presidente Lula) de dar ao Brasil uma voz maior nas negociações sobre mudanças climáticas globais - um reconhecimento implícito de que a Amazônia é crítica para o mundo como um todo", afirma a reportagem.
O jornal diz que "visto em um contexto global, as restrições refletem um debate maior sobre direitos de soberania contra o patrimônio da humanidade".
"Também existe uma briga sobre quem tem o direito de dar acesso a cientistas internacionais e ambientalistas que querem proteger essas áreas, e para companhias que querem explorá-las."
"É uma briga que deve apenas se tornar mais complicada nos próximos anos, à luz de duas tendências conflituosas: uma demanda crescente por recursos energéticos e uma preocupação crescente com mudanças climáticas e poluição."
Vejamos um pequeno exemplo que ocorre todos os dias, talvez orquestradamente. O jornal norte-americano The New York Times de hoje publica um texto com esses conceitos embutidos. Li a matéria da agência inglesa BBC no portal UOL. Transcrevo:
"DE QUEM É A AMAZÔNIA, AFINAL?", DIZ NY TIMES
"Uma reportagem publicada neste domingo no jornal americano The New York Times afirma que a sugestão feita por líderes globais de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de nenhum país está causando preocupação no Brasil.
No texto intitulado "De quem é esta floresta amazônica, afinal?", assinado pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro Alexei Barrionuevo, o jornal diz que "um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território".
O jornal cita o ex-vice-presidente americano Al Gore, que em 1989 disse que "ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não é propriedade deles, ela pertence a todos nós".
"Esses comentários não são bem-aceitos aqui (no Brasil)", diz o jornal. "Aliás, eles reacenderam velhas atitudes de protecionismo territorial e observação de invasores estrangeiros escondidos."
O jornal afirma que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta aprovar uma lei para restringir o acesso à floresta amazônica, impondo um regime de licenças tanto para estrangeiros como para brasileiros.
"Mas muitos especialistas em Amazônia dizem que as restrições propostas entram em conflito com os próprios esforços (do presidente Lula) de dar ao Brasil uma voz maior nas negociações sobre mudanças climáticas globais - um reconhecimento implícito de que a Amazônia é crítica para o mundo como um todo", afirma a reportagem.
O jornal diz que "visto em um contexto global, as restrições refletem um debate maior sobre direitos de soberania contra o patrimônio da humanidade".
"Também existe uma briga sobre quem tem o direito de dar acesso a cientistas internacionais e ambientalistas que querem proteger essas áreas, e para companhias que querem explorá-las."
"É uma briga que deve apenas se tornar mais complicada nos próximos anos, à luz de duas tendências conflituosas: uma demanda crescente por recursos energéticos e uma preocupação crescente com mudanças climáticas e poluição."
sábado, 17 de maio de 2008
PROTEÇÃO DE GILMAR MENDES AO PSDB CONTESTADA
Nas últimas postagens deste blog, mencionamos que, segundo a imprensa da época, o atual Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, foi um eficiente engavetador de processos que prejudicassem o PSDB e PFL quando pertencia ao governo FHC.
Recentemente, poucos dias depois de empossado presidente do STF, Gilmar Mendes demonstrou que estaria mantendo aquelas características, pois logo mandou engavetar processos contra FHC, Malan, Serra e Pedro Parente.
Essa qualidade de Gilmar Mendes, entretanto, está em contestação pelo Procurador-Geral da República.
Li essa notícia, inicialmente, no blog da Jussara Seixas (Por um novo Brasil). Obtive e transcrevo a seguir a íntegra do texto publicado ontem no site "Última Instância":
"PGR PEDE QUE STF REVEJA DECISÃO DE ARQUIVAR AÇÕES CONTRA EX-MINISTROS"
"O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contestou, na última segunda-feira (12/5), a decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, de arquivar as duas ações de improbidade administrativa contra três ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso: José Serra (Planejamento), Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).
O procurador-geral pleiteia o reexame da decisão para que as ações voltem a ser julgadas nas instâncias de origem."
"No dia 22 de abril, um dia antes de assumir a presidência do STF, o ministro Gilmar Mendes julgou procedente a reclamação ajuizada pelos ex-ministros em outubro de 2002 a fim de anular a decisão da Justiça Federal de Brasília, que condenou os acusados a devolverem quase R$ 3 bilhões aos cofres públicos.
Mendes exerceu a função de advogado-geral da União durante o governo FHC e deixou o cargo em junho de 2002 para assumir a vaga de ministro no STF —quatro meses antes de receber a reclamação dos ex-ministros.
Duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa foram ajuizadas pelo Ministério Público Federal na 20ª e na 22ª Varas Federais do Distrito Federal contra os três ex-ministros, além de ex-presidentes e diretores do Banco Central.
Elas questionavam assistência financeira no valor de R$ 2,975 bilhões pelo Banco Central ao Banco Econômico S.A., em dezembro de 1994, assim como outros atos decorrentes da criação, pelo Conselho Monetário Nacional, do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).
Na Reclamação 2186, os ex-ministros de FHC apontavam a usurpação da competência do STF pelos dois juízos federais em Brasília. O MPF postulava em uma das ações, ainda não julgada, a condenação dos ex-ministros ao ressarcimento das verbas alocadas para pagamento de correntistas de bancos que sofreram intervenção na gestão deles (Econômico e Bamerindus), bem como à perda dos direitos políticos.
Na segunda ação, protocolada sob o nº 96.00.01079-0, o juiz julgou o pedido parcialmente procedente e condenou os ex-ministros a devolverem “verbas alocadas para o pagamento dos correntistas dos bancos sob intervenção”, porém não acolheu o pedido de perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, entre outros.
Ao determinar o arquivamento dos dois processos, o ministro Gilmar Mendes observou que, conforme decisão tomada pelo STF no julgamento da Reclamação 2138, invocada pela defesa, o STF deixou claro que os atos de improbidade descritos na Lei 8.429/1992 (dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional) “constituem autênticos crimes de responsabilidade", contendo, "além de forte conteúdo penal, a feição de autêntico mecanismo de responsabilização política”.
No pedido, Antonio Fernando deixou clara a posição do Ministério Público contrária a este entendimento. Segundo o procurador-geral, os atos de improbidade não podem ser confundidos com aqueles que caracterizam o crime de responsabilidade.
Mendes, na decisão, afirmou que os ministros de Estado não se sujeitam à disciplina de responsabilização de que trata a Lei 8.429/1992, mas sim à da Lei 1.079/50, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento, que, em grau originário, é de exclusiva competência do STF. Assim, à época em que os reclamantes eram ministros de Estado, não se sujeitavam à Lei 8.429/1992, pela qual foram processados e condenados.
Porém, de acordo com o procurador-geral, o argumento de usurpação de competência não é válido, porque a própria Corte já reconheceu a impossibilidade de estender a prerrogativa de função a ex-ocupantes de cargos políticos, por meio do cancelamento da Súmula nº 394.
"O Ministério Público (...) entende que os atos de improbidade não se confundem com aqueles caracterizadores de crime de responsabilidade de sorte que, proclamada a inconstitucionalidade dos parágrafos 1° e 2° do artigo 84 do CPC que foram as normas que fundamentaram a remessa dos autos a essa Corte, impõe-se a restituição dos autos ao juízo de origem", afirma no documento."
Recentemente, poucos dias depois de empossado presidente do STF, Gilmar Mendes demonstrou que estaria mantendo aquelas características, pois logo mandou engavetar processos contra FHC, Malan, Serra e Pedro Parente.
Essa qualidade de Gilmar Mendes, entretanto, está em contestação pelo Procurador-Geral da República.
Li essa notícia, inicialmente, no blog da Jussara Seixas (Por um novo Brasil). Obtive e transcrevo a seguir a íntegra do texto publicado ontem no site "Última Instância":
"PGR PEDE QUE STF REVEJA DECISÃO DE ARQUIVAR AÇÕES CONTRA EX-MINISTROS"
"O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, contestou, na última segunda-feira (12/5), a decisão do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, de arquivar as duas ações de improbidade administrativa contra três ex-ministros de Fernando Henrique Cardoso: José Serra (Planejamento), Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).
O procurador-geral pleiteia o reexame da decisão para que as ações voltem a ser julgadas nas instâncias de origem."
"No dia 22 de abril, um dia antes de assumir a presidência do STF, o ministro Gilmar Mendes julgou procedente a reclamação ajuizada pelos ex-ministros em outubro de 2002 a fim de anular a decisão da Justiça Federal de Brasília, que condenou os acusados a devolverem quase R$ 3 bilhões aos cofres públicos.
Mendes exerceu a função de advogado-geral da União durante o governo FHC e deixou o cargo em junho de 2002 para assumir a vaga de ministro no STF —quatro meses antes de receber a reclamação dos ex-ministros.
Duas ações de reparação de danos por improbidade administrativa foram ajuizadas pelo Ministério Público Federal na 20ª e na 22ª Varas Federais do Distrito Federal contra os três ex-ministros, além de ex-presidentes e diretores do Banco Central.
Elas questionavam assistência financeira no valor de R$ 2,975 bilhões pelo Banco Central ao Banco Econômico S.A., em dezembro de 1994, assim como outros atos decorrentes da criação, pelo Conselho Monetário Nacional, do Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional).
Na Reclamação 2186, os ex-ministros de FHC apontavam a usurpação da competência do STF pelos dois juízos federais em Brasília. O MPF postulava em uma das ações, ainda não julgada, a condenação dos ex-ministros ao ressarcimento das verbas alocadas para pagamento de correntistas de bancos que sofreram intervenção na gestão deles (Econômico e Bamerindus), bem como à perda dos direitos políticos.
Na segunda ação, protocolada sob o nº 96.00.01079-0, o juiz julgou o pedido parcialmente procedente e condenou os ex-ministros a devolverem “verbas alocadas para o pagamento dos correntistas dos bancos sob intervenção”, porém não acolheu o pedido de perda da função pública, suspensão dos direitos políticos, entre outros.
Ao determinar o arquivamento dos dois processos, o ministro Gilmar Mendes observou que, conforme decisão tomada pelo STF no julgamento da Reclamação 2138, invocada pela defesa, o STF deixou claro que os atos de improbidade descritos na Lei 8.429/1992 (dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional) “constituem autênticos crimes de responsabilidade", contendo, "além de forte conteúdo penal, a feição de autêntico mecanismo de responsabilização política”.
No pedido, Antonio Fernando deixou clara a posição do Ministério Público contrária a este entendimento. Segundo o procurador-geral, os atos de improbidade não podem ser confundidos com aqueles que caracterizam o crime de responsabilidade.
Mendes, na decisão, afirmou que os ministros de Estado não se sujeitam à disciplina de responsabilização de que trata a Lei 8.429/1992, mas sim à da Lei 1.079/50, que define os crimes de responsabilidade e regula o respectivo processo de julgamento, que, em grau originário, é de exclusiva competência do STF. Assim, à época em que os reclamantes eram ministros de Estado, não se sujeitavam à Lei 8.429/1992, pela qual foram processados e condenados.
Porém, de acordo com o procurador-geral, o argumento de usurpação de competência não é válido, porque a própria Corte já reconheceu a impossibilidade de estender a prerrogativa de função a ex-ocupantes de cargos políticos, por meio do cancelamento da Súmula nº 394.
"O Ministério Público (...) entende que os atos de improbidade não se confundem com aqueles caracterizadores de crime de responsabilidade de sorte que, proclamada a inconstitucionalidade dos parágrafos 1° e 2° do artigo 84 do CPC que foram as normas que fundamentaram a remessa dos autos a essa Corte, impõe-se a restituição dos autos ao juízo de origem", afirma no documento."
PSDB E STF (FHC) QUEREM BARRAR O AUMENTO DOS SERVIDORES
O jornal "O Dia" publicou hoje:
"REAJUSTES ESTÃO AMEAÇADOS"
Decisão do Supremo põe em risco recursos para servidores federais civis e militares em 2008.
(Ananda Rope e Djalma Oliveira)
RIO E BRASÍLIA - O pagamento antecipado na Marinha e Aeronáutica dos atrasados do último reajuste salarial concedido pelo governo a servidores civis e militares acendeu o sinal de alerta nas repartições federais.
(...) É que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou inconstitucional, na última quarta-feira, uma medida provisória (MP) do governo Lula de abertura de crédito extraordinário para União. A ação foi movida pelo PSDB, partido de oposição.
Foi exatamente por meio de uma MP que a União previu obter recursos para honrar os aumentos publicados em Diário Oficial na última quinta-feira. A MP 430 determina a liberação de R$ 7,5 bilhões para cobrir os gastos com os reajustes em 2008 e foi assinada no mesmo dia em que o STF considerou inconstitucional um instrumento semelhante."
Na última quarta-feira, 14 de Maio, este blog já antecipou esse problema que querem criar para o governo Lula. A oposição e o seu aliado Gilmar Mendes (STF) estão batalhando para impedir o aumento dos servidores.
Repito trecho da nossa postagem de quarta-feira:
PSDB E STF PÕEM EM RISCO O AUMENTO DOS MILITARES E FUNCIONÁRIOS CIVIS
O Presidente Lula enviou hoje (14/05) para o Congresso a Medida Provisória que concede o aumento dos servidores civis e militares recentemente divulgado.
Contudo, atendendo reivindicação do PSDB, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu também hoje a sua decisão de considerar inconstitucional a edição de medidas provisórias para a liberação de crédito extraordinário para o governo federal. Isso coloca em risco a concessão do referido aumento.
O PSDB e o DEM já haviam alcançado em dezembro último a "glória" ao extinguirem a CPMF, frustrando o aumento dos servidores que seria concedido a partir de setembro de 2007. Alguns militares "conservadores direitistas" disseram que valeu a pena aquele sacrifício pessoal e de suas famílias em prol do retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder. Cada um com as suas escolhas. Saudades de FHC, Bornhausen, Virgílio, Agripino e outros.
O STF é presidido pelo ministro Gilmar Mendes, que foi indicado para aquela Corte por Fernando Henrique Cardoso. Gilmar Mendes ficou famoso durante o governo FHC porque, segundo a imprensa da época, conseguia impedir o prosseguimento de processos e julgamentos que fossem desfavoráveis ao governo PSDB/PFL-DEM/FHC.
Sobre essa faceta do presidente do STF, este blog já postou em 29 de abril o artigo “Gilmar Mendes continua o mesmo”, onde externamos que ele “em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, em 29/04, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já foram publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
"REAJUSTES ESTÃO AMEAÇADOS"
Decisão do Supremo põe em risco recursos para servidores federais civis e militares em 2008.
(Ananda Rope e Djalma Oliveira)
RIO E BRASÍLIA - O pagamento antecipado na Marinha e Aeronáutica dos atrasados do último reajuste salarial concedido pelo governo a servidores civis e militares acendeu o sinal de alerta nas repartições federais.
(...) É que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou inconstitucional, na última quarta-feira, uma medida provisória (MP) do governo Lula de abertura de crédito extraordinário para União. A ação foi movida pelo PSDB, partido de oposição.
Foi exatamente por meio de uma MP que a União previu obter recursos para honrar os aumentos publicados em Diário Oficial na última quinta-feira. A MP 430 determina a liberação de R$ 7,5 bilhões para cobrir os gastos com os reajustes em 2008 e foi assinada no mesmo dia em que o STF considerou inconstitucional um instrumento semelhante."
Na última quarta-feira, 14 de Maio, este blog já antecipou esse problema que querem criar para o governo Lula. A oposição e o seu aliado Gilmar Mendes (STF) estão batalhando para impedir o aumento dos servidores.
Repito trecho da nossa postagem de quarta-feira:
PSDB E STF PÕEM EM RISCO O AUMENTO DOS MILITARES E FUNCIONÁRIOS CIVIS
O Presidente Lula enviou hoje (14/05) para o Congresso a Medida Provisória que concede o aumento dos servidores civis e militares recentemente divulgado.
Contudo, atendendo reivindicação do PSDB, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu também hoje a sua decisão de considerar inconstitucional a edição de medidas provisórias para a liberação de crédito extraordinário para o governo federal. Isso coloca em risco a concessão do referido aumento.
O PSDB e o DEM já haviam alcançado em dezembro último a "glória" ao extinguirem a CPMF, frustrando o aumento dos servidores que seria concedido a partir de setembro de 2007. Alguns militares "conservadores direitistas" disseram que valeu a pena aquele sacrifício pessoal e de suas famílias em prol do retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder. Cada um com as suas escolhas. Saudades de FHC, Bornhausen, Virgílio, Agripino e outros.
O STF é presidido pelo ministro Gilmar Mendes, que foi indicado para aquela Corte por Fernando Henrique Cardoso. Gilmar Mendes ficou famoso durante o governo FHC porque, segundo a imprensa da época, conseguia impedir o prosseguimento de processos e julgamentos que fossem desfavoráveis ao governo PSDB/PFL-DEM/FHC.
Sobre essa faceta do presidente do STF, este blog já postou em 29 de abril o artigo “Gilmar Mendes continua o mesmo”, onde externamos que ele “em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, em 29/04, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já foram publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
COISAS DA BLOGOSFERA
A internet é muito boa, mas tem seu outro lado. Pelo 2° dia, estou em uma "LAN house".
Anteontem, foi a ventoinha do meu computador que pifou. Hoje, é o provedor de banda larga que não funciona. Tentei 20 vezes, e sempre vem: "Servidor não encontrado. A página não pode ser exibida".
Separados por mini-biombos, escuto dos vizinhos da direita, distantes 50 cm, que a mãe está gripada. Hoje não levantou da cama. De outros 50 cm à esquerda, soube que o bolo solou no forno. Interessante. Brasileiros falam alto.
Desculpem-me os senhores leitores pelas baixas qualidade e quantidade das postagens.
Anteontem, foi a ventoinha do meu computador que pifou. Hoje, é o provedor de banda larga que não funciona. Tentei 20 vezes, e sempre vem: "Servidor não encontrado. A página não pode ser exibida".
Separados por mini-biombos, escuto dos vizinhos da direita, distantes 50 cm, que a mãe está gripada. Hoje não levantou da cama. De outros 50 cm à esquerda, soube que o bolo solou no forno. Interessante. Brasileiros falam alto.
Desculpem-me os senhores leitores pelas baixas qualidade e quantidade das postagens.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
GOVERNOS TUCANOS DE SP INVESTIGADOS POR PROPINAS
O "blog do Favre" republica hoje essa preocupante notícia da Folha de São Paulo.
Certamente, como já é tradição em governos tucanos, não terão êxito as tentativas de abertura de CPI para investigar essa grave denúncia. A grande mídia contribuirá para abafar o caso e tentativas de CPI's.
Reproduzo somente alguns trechos. A notícia pode ser lida na íntegra no referido blog (ver "recomendamos" à direita).
Alstom é alvo de apuração na França e na Suíça sob suspeita de pagar propina de US$ 6,8 milhões para obter negócios com o Metrô [de São Paulo].
SP e Alstom têm contratos de R$ 7,6 bi, diz PT
"O governo do Estado assinou 139 contratos -num total de R$ 7,6 bilhões- com o grupo Alstom de 1989 até 2008, segundo levantamento da liderança do PT na Assembléia.
Segundo a análise, seis deles foram considerados irregulares pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).
A soma de cinco contratos -um não teve valor declarado- chega a R$ 1,378 bilhão. Um deles, por exemplo, foi assinado em 2002 pela CPTM por R$ 154,7 milhões.
O PT pesquisou, no site do TCE, os contratos entre as 39 empresas do grupo e toda a administração. O valor original foi corrigido pelo IGP-DI.
Segundo a análise, 77 contratos (R$ 3,1 bilhões) foram assinados durante o governo Alckmin. Outros 40 são do governo Covas. Pelo menos quatro deles, um de 1989, foram aditados no governo Serra.
Dizendo-se disposto a “investigar a relação da Alstom com o tucanato”, o líder do PT, Roberto Felício, apontou a trajetória do presidente da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), José Colombo Martini, como exemplo das “ligações perigosas”.
Segundo seu currículo, Martini foi diretor da Alstom e da Cegelec, empresa do grupo, de 1996 a 1999. Em 1999, assumiu a presidência da CTEEP, que ocupa até hoje, mesmo após a privatização.
Desde 1999, a CTEEP assinou 47 contratos com o grupo, somando R$ 333 milhões. Em nota, a CTEEP afirma que “está à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito de investigações de contratos com fornecedores da companhia, quando for solicitada”.
O governo do Estado não se manifestou."
Certamente, como já é tradição em governos tucanos, não terão êxito as tentativas de abertura de CPI para investigar essa grave denúncia. A grande mídia contribuirá para abafar o caso e tentativas de CPI's.
Reproduzo somente alguns trechos. A notícia pode ser lida na íntegra no referido blog (ver "recomendamos" à direita).
Alstom é alvo de apuração na França e na Suíça sob suspeita de pagar propina de US$ 6,8 milhões para obter negócios com o Metrô [de São Paulo].
SP e Alstom têm contratos de R$ 7,6 bi, diz PT
"O governo do Estado assinou 139 contratos -num total de R$ 7,6 bilhões- com o grupo Alstom de 1989 até 2008, segundo levantamento da liderança do PT na Assembléia.
Segundo a análise, seis deles foram considerados irregulares pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).
A soma de cinco contratos -um não teve valor declarado- chega a R$ 1,378 bilhão. Um deles, por exemplo, foi assinado em 2002 pela CPTM por R$ 154,7 milhões.
O PT pesquisou, no site do TCE, os contratos entre as 39 empresas do grupo e toda a administração. O valor original foi corrigido pelo IGP-DI.
Segundo a análise, 77 contratos (R$ 3,1 bilhões) foram assinados durante o governo Alckmin. Outros 40 são do governo Covas. Pelo menos quatro deles, um de 1989, foram aditados no governo Serra.
Dizendo-se disposto a “investigar a relação da Alstom com o tucanato”, o líder do PT, Roberto Felício, apontou a trajetória do presidente da CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista), José Colombo Martini, como exemplo das “ligações perigosas”.
Segundo seu currículo, Martini foi diretor da Alstom e da Cegelec, empresa do grupo, de 1996 a 1999. Em 1999, assumiu a presidência da CTEEP, que ocupa até hoje, mesmo após a privatização.
Desde 1999, a CTEEP assinou 47 contratos com o grupo, somando R$ 333 milhões. Em nota, a CTEEP afirma que “está à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito de investigações de contratos com fornecedores da companhia, quando for solicitada”.
O governo do Estado não se manifestou."
BOLSA DE VALORES DE SP: 8º RECORDE HISTÓRICO ESTE MÊS
Ainda há pouco, às 17h39, o portal UOL noticiou um fato que já se tornou tão corriqueiro que, à primeira vista, nem mereceria nova menção. Recorde na Bolsa. Ontem mesmo, este blog noticiou outro recorde, o 7º este mês, hoje superado.
Contudo, ele evidencia, juntamente com outros fatos alvissareiros já noticiados neste blog nos últimos dias (expansão do emprego, crescimento industrial, safra agrícola recorde etc) o vigoroso crescimento da economia brasileira. Isso é importante para o Brasil e para muitos outros países.
Vejamos o texto do UOL:
"BOLSA BATE NOVO RECORDE E PASSA DOS 72 MIL PONTOS; DÓLAR É O MENOR DESDE 1999"
"A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bateu novo recorde nesta sexta-feira e superou pela primeira vez na história a marca dos 72 mil pontos.
O Ibovespa, principal indicador do mercado de ações, subiu 1,78%%, a 72.766,93 pontos. No acumulado do ano, o ganho é de 13,9%.
No dia anterior (ontem), a Bovespa havia batido outro recorde, quebrando a então inédita barreira dos 71 mil pontos.
No câmbio, o dólar comercial caiu 0,79% e fechou vendido a R$ 1,642 nesta sexta-feira. O valor é o menor desde 20 de janeiro de 1999. Na semana, a cotação caiu ao todo 2,6%.
Investidores acreditam que a agência de classificação de risco Fitch também atribuirá ao Brasil a condição de grau de investimento, como fez a Standard & Poor's em 30 de abril.
"O mercado está apostando que o 'investment grade' da Fitch vem logo", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.
Desde que a S&P anunciou que o país passou a ser considerado grau de investimento, o Ibovespa bateu recorde em sete (8º hoje) dos dez pregões, acumulando alta de 12% até o fechamento da sessão de quinta-feira." .
Contudo, ele evidencia, juntamente com outros fatos alvissareiros já noticiados neste blog nos últimos dias (expansão do emprego, crescimento industrial, safra agrícola recorde etc) o vigoroso crescimento da economia brasileira. Isso é importante para o Brasil e para muitos outros países.
Vejamos o texto do UOL:
"BOLSA BATE NOVO RECORDE E PASSA DOS 72 MIL PONTOS; DÓLAR É O MENOR DESDE 1999"
"A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bateu novo recorde nesta sexta-feira e superou pela primeira vez na história a marca dos 72 mil pontos.
O Ibovespa, principal indicador do mercado de ações, subiu 1,78%%, a 72.766,93 pontos. No acumulado do ano, o ganho é de 13,9%.
No dia anterior (ontem), a Bovespa havia batido outro recorde, quebrando a então inédita barreira dos 71 mil pontos.
No câmbio, o dólar comercial caiu 0,79% e fechou vendido a R$ 1,642 nesta sexta-feira. O valor é o menor desde 20 de janeiro de 1999. Na semana, a cotação caiu ao todo 2,6%.
Investidores acreditam que a agência de classificação de risco Fitch também atribuirá ao Brasil a condição de grau de investimento, como fez a Standard & Poor's em 30 de abril.
"O mercado está apostando que o 'investment grade' da Fitch vem logo", disse Luiz Roberto Monteiro, assessor de investimentos da corretora Souza Barros.
Desde que a S&P anunciou que o país passou a ser considerado grau de investimento, o Ibovespa bateu recorde em sete (8º hoje) dos dez pregões, acumulando alta de 12% até o fechamento da sessão de quinta-feira." .
RICOS PAGAM MENOS IMPOSTOS (OU NÃO PAGAM)
O IPEA divulgou ontem resultados de sua pesquisa sobre desigualdades no Brasil. Deu no que todos nós já sabemos: os ricos não pagam, ou pagam menos impostos do que os pobres.
Em diversas postagens este blog já tocou nesse assunto.
Quando da "vitoriosa" campanha do PSDB e DEM-PFL para a extinção da CPMF em dezembro último, comentamos que aquele imposto era o único que os ricos não estavam conseguindo sonegar. Além disso, ela dava para a Receita Federal maior visibilidade para as grandes movimentações financeiras. Segundo a Receita, cerca de 65% dos grandes movimentadores de dinheiro do país declaravam-se isentos, pobres, e somente foram descobertos graças aos mecanismos da CPMF.
O PSDB e DEM-PFL, que representam essas "elites" mais privilegiadas e os grandes interesses econômicos internos e externos, conseguiram derrubar a CPMF.
O senador Arthur Virgílio, líder da PSDB no senado, no dia seguinte à aquela "vitória", foi tão cumprimentado por dezenas de freqüentadores de um restaurante chique de Brasília que resolveu naquele dia lançar sua candidatura a Presidente da República em 2010. A revista direitista "Veja" daquela semana dedicou extensas e elogiosas páginas a Arthur Virgílio. Era o herói da vez dos ricos. Ainda nos gozavam sarcástica e cinicamente, dizendo que fizeram aquilo em prol dos pobres do Brasil.
Sobre os resultados do IPEA divulgados ontem, o blog "De um sem mídia", de Carlos Dória, já postou hoje um bom artigo, que transcrevo:
PESQUISA - ESCÂNDALO É ISSO
"A nossa oposição fica inventando "factóides" com o objetivo de desestabilizar o governo Lula e se esquece de que o Brasil é um dos países campeões da desigualdade.
Escândalo é 10% da população brasileira se apropriar de 75,4% da riqueza do país e os pobres pagarem até 44,5% mais impostos que as classes mais abastadas."
IPEA: 10% DOS MAIS RICOS DETÊM 75% DA RIQUEZA
"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elaborou um levantamento que aponta as desigualdades no Brasil. Um dos dados mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do país.
Os dados serão apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) (http://www.cdes.gov.br/) .
O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária. Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Ainda segundo a pesquisa, a concentração é maior em três capitais brasileiras. A concentração é maior em São Paulo, onde 10% detém 73,4% de toda a riqueza. Esse número cai em Salvador, para 67% e, no Rio, para 62,9%.
Segundo Pochmann, um dos principais responsáveis pela distorção é o sistema tributário em vigor. Na história brasileira, segundo Pochmann, pouco mudou desde o século 18, quando os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro, capital do país. Este é o único dado disponível no Instituto, anterior à atual pesquisa.
"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", disse.
Na contramão do equilíbrio fiscal pretendido por qualquer nação civilizada, no Brasil os pobres chegam a pagar 44,5% a mais de impostos do que os ricos, conforme mostra a pesquisa a ser apresentada ao CDES.
O economista sugere que os ricos tenham uma tributação exclusiva, para conter esse regime de desigualdade, por meio de uma reforma tributária que calcule a contribuição de cada brasileiro conforme sua classe social.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções."
Em diversas postagens este blog já tocou nesse assunto.
Quando da "vitoriosa" campanha do PSDB e DEM-PFL para a extinção da CPMF em dezembro último, comentamos que aquele imposto era o único que os ricos não estavam conseguindo sonegar. Além disso, ela dava para a Receita Federal maior visibilidade para as grandes movimentações financeiras. Segundo a Receita, cerca de 65% dos grandes movimentadores de dinheiro do país declaravam-se isentos, pobres, e somente foram descobertos graças aos mecanismos da CPMF.
O PSDB e DEM-PFL, que representam essas "elites" mais privilegiadas e os grandes interesses econômicos internos e externos, conseguiram derrubar a CPMF.
O senador Arthur Virgílio, líder da PSDB no senado, no dia seguinte à aquela "vitória", foi tão cumprimentado por dezenas de freqüentadores de um restaurante chique de Brasília que resolveu naquele dia lançar sua candidatura a Presidente da República em 2010. A revista direitista "Veja" daquela semana dedicou extensas e elogiosas páginas a Arthur Virgílio. Era o herói da vez dos ricos. Ainda nos gozavam sarcástica e cinicamente, dizendo que fizeram aquilo em prol dos pobres do Brasil.
Sobre os resultados do IPEA divulgados ontem, o blog "De um sem mídia", de Carlos Dória, já postou hoje um bom artigo, que transcrevo:
PESQUISA - ESCÂNDALO É ISSO
"A nossa oposição fica inventando "factóides" com o objetivo de desestabilizar o governo Lula e se esquece de que o Brasil é um dos países campeões da desigualdade.
Escândalo é 10% da população brasileira se apropriar de 75,4% da riqueza do país e os pobres pagarem até 44,5% mais impostos que as classes mais abastadas."
IPEA: 10% DOS MAIS RICOS DETÊM 75% DA RIQUEZA
"O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) elaborou um levantamento que aponta as desigualdades no Brasil. Um dos dados mostra que os 10% mais ricos concentram 75,4% da riqueza do país.
Os dados serão apresentados pelo presidente do Ipea, Márcio Pochmann, nesta quinta-feira ao CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) (http://www.cdes.gov.br/) .
O objetivo, segundo ele, é oferecer elementos para a discussão da reforma tributária. Para Pochmann, a injustiça do sistema tributário é uma das responsáveis pelas diferenças. "O dado mostra que o Brasil, a despeito das mudanças políticas, continua sem alterações nas desigualdades estruturais. O rico continua pagando pouco imposto", afirmou.
Ainda segundo a pesquisa, a concentração é maior em três capitais brasileiras. A concentração é maior em São Paulo, onde 10% detém 73,4% de toda a riqueza. Esse número cai em Salvador, para 67% e, no Rio, para 62,9%.
Segundo Pochmann, um dos principais responsáveis pela distorção é o sistema tributário em vigor. Na história brasileira, segundo Pochmann, pouco mudou desde o século 18, quando os 10% mais ricos concentravam 68% da riqueza no Rio de Janeiro, capital do país. Este é o único dado disponível no Instituto, anterior à atual pesquisa.
"Mesmo com as mudanças no regime político e no padrão de desenvolvimento, a riqueza permanece pessimamente distribuída entre os brasileiros. É um absurdo uma concentração assim", disse.
Na contramão do equilíbrio fiscal pretendido por qualquer nação civilizada, no Brasil os pobres chegam a pagar 44,5% a mais de impostos do que os ricos, conforme mostra a pesquisa a ser apresentada ao CDES.
O economista sugere que os ricos tenham uma tributação exclusiva, para conter esse regime de desigualdade, por meio de uma reforma tributária que calcule a contribuição de cada brasileiro conforme sua classe social.
A pesquisa do Ipea também mostra um dado inédito. A carga tributária do país, excluindo as transferências de renda e pagamento de juros, cai a 12%, considerada por Pochmann insuficiente para que o Estado cumpra as suas funções."
quinta-feira, 15 de maio de 2008
EMPREGO NA INDÚSTRIA DE SP EM ABRIL CRESCEU 5,44% EM RELAÇÃO A ABRIL 2007
A Folha Online, em texto de Ygor Salles, publicou hoje outro importante indício de que a economia brasileira cresce ainda mais fortemente este ano. O emprego na indústria paulista subiu 2,75% em abril em relação a março, e 5,44% em relação a abril do ano passado. Transcrevo a notícia:
"O nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo subiu 2,75% em abril na comparação com o mês anterior, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Em março, a alta sobre fevereiro tinha sido de 1,29%.
No mês passado, 62 mil postos de trabalho foram abertos.
Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a alta no emprego no mês passado foi de 1,04%.
Na comparação com abril do ano passado, a alta foi de 5,44%."
"O nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo subiu 2,75% em abril na comparação com o mês anterior, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Em março, a alta sobre fevereiro tinha sido de 1,29%.
No mês passado, 62 mil postos de trabalho foram abertos.
Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a alta no emprego no mês passado foi de 1,04%.
Na comparação com abril do ano passado, a alta foi de 5,44%."
BOLSA DE VALORES DE SP: 7º RECORDE HISTÓRICO ESTE MÊS
O portal UOL publicou há meia hora atrás (17h37) mais uma boa notícia que demonstra o forte crescimento da economia brasileira em vários setores. Leiamos:
"BOVESPA ULTRAPASSA OS 71 MIL PONTOS E BATE SÉTIMO RECORDE
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta nesta quinta-feira e bateu o sétimo recorde de pontuação desde 30 de abril, quando o Brasil recebeu título de grau de investimento.
A Bolsa fechou pela primeira vez na história acima dos 71 mil pontos."
"BOVESPA ULTRAPASSA OS 71 MIL PONTOS E BATE SÉTIMO RECORDE
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta nesta quinta-feira e bateu o sétimo recorde de pontuação desde 30 de abril, quando o Brasil recebeu título de grau de investimento.
A Bolsa fechou pela primeira vez na história acima dos 71 mil pontos."
quarta-feira, 14 de maio de 2008
PSDB E STF PÕEM EM RISCO O AUMENTO DOS MILITARES E FUNCIONÁRIOS CIVIS
O Presidente Lula enviou hoje para o Congresso a Medida Provisória que concede o aumento dos servidores civis e militares recentemente divulgado.
Contudo, atendendo reivindicação do PSDB, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu também hoje a sua decisão de considerar inconstitucional a edição de medidas provisórias para a liberação de crédito extraordinário para o governo federal. Isso coloca em risco a concessão do referido aumento.
O PSDB e o DEM já haviam alcançado em dezembro último a "glória" ao extinguirem a CPMF, frustrando o aumento dos servidores que seria concedido a partir de setembro de 2007. Alguns militares "conservadores direitistas" disseram que valeu a pena aquele sacrifício em prol da feroz luta pelo retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder.
O STF é presidido pelo ministro Gilmar Mendes, que foi indicado para aquela Corte por Fernando Henrique Cardoso. Gilmar Mendes ficou famoso durante o governo FHC porque, segundo a imprensa da época, conseguia impedir o prosseguimento de processos e julgamentos que fossem desfavoráveis ao governo PSDB/PFL-DEM/FHC.
Sobre essa faceta do presidente do STF, este blog já postou em 29 de abril o artigo “Gilmar Mendes continua o mesmo”, onde externamos que ele “em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, em 29/04, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já foram publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
Vejamos o que publicou a Folha de São Paulo de 29 de abril:
“Presidente do STF arquiva duas ações contra ministros de FHC”. “O novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, arquivou duas ações de improbidade administrativa contra os ex-ministros do governo Fernando Henrique, Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Planejamento) e Pedro Parente (Casa Civil).”
Assim, além de praticamente paralisarem o Congresso nos últimos anos para desse modo prejudicarem o sucesso do atual governo, os partidos da oposição conseguiram mais essa "vitória" de hoje no STF.
O governo Lula ainda tem esperança de encontrar uma solução que contorne legalmente essa nova ação impeditiva da oposição e do STF e, assim, possa, inclusive, concretizar o tão esperado aumento dos servidores. Alguns especialistas afirmam que a decisão de hoje da suprema corte aplica-se somente à Lei 11.658/08, promulgada em razão da MP 405/2007, a qual não tem relação com o referido aumento.
Segundo o portal UOL publicou esta noite, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Poder Executivo vai acatar a determinação do Supremo, mas admitiu que o governo terá que encontrar alternativas para complementar seu orçamento.
"O que o governo precisa fazer é analisar a profundidade da decisão e verificar quais caminhos para que o governo não perca instrumentos no momento em que precisar de recursos para uma emergência", disse. Jucá afirmou que uma das alternativas pode ser autorizar na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) um mecanismo "que faça com que o Orçamento possa ser remanejado por decreto".
Na opinião do líder, a decisão do STF foi "interpretativa" ao impor "limites na atuação do governo" [que é o principal objetivo da oposição e da grande mídia desde o início do governo Lula].
Contudo, atendendo reivindicação do PSDB, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu também hoje a sua decisão de considerar inconstitucional a edição de medidas provisórias para a liberação de crédito extraordinário para o governo federal. Isso coloca em risco a concessão do referido aumento.
O PSDB e o DEM já haviam alcançado em dezembro último a "glória" ao extinguirem a CPMF, frustrando o aumento dos servidores que seria concedido a partir de setembro de 2007. Alguns militares "conservadores direitistas" disseram que valeu a pena aquele sacrifício em prol da feroz luta pelo retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder.
O STF é presidido pelo ministro Gilmar Mendes, que foi indicado para aquela Corte por Fernando Henrique Cardoso. Gilmar Mendes ficou famoso durante o governo FHC porque, segundo a imprensa da época, conseguia impedir o prosseguimento de processos e julgamentos que fossem desfavoráveis ao governo PSDB/PFL-DEM/FHC.
Sobre essa faceta do presidente do STF, este blog já postou em 29 de abril o artigo “Gilmar Mendes continua o mesmo”, onde externamos que ele “em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, em 29/04, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já foram publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
Vejamos o que publicou a Folha de São Paulo de 29 de abril:
“Presidente do STF arquiva duas ações contra ministros de FHC”. “O novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, arquivou duas ações de improbidade administrativa contra os ex-ministros do governo Fernando Henrique, Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Planejamento) e Pedro Parente (Casa Civil).”
Assim, além de praticamente paralisarem o Congresso nos últimos anos para desse modo prejudicarem o sucesso do atual governo, os partidos da oposição conseguiram mais essa "vitória" de hoje no STF.
O governo Lula ainda tem esperança de encontrar uma solução que contorne legalmente essa nova ação impeditiva da oposição e do STF e, assim, possa, inclusive, concretizar o tão esperado aumento dos servidores. Alguns especialistas afirmam que a decisão de hoje da suprema corte aplica-se somente à Lei 11.658/08, promulgada em razão da MP 405/2007, a qual não tem relação com o referido aumento.
Segundo o portal UOL publicou esta noite, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Poder Executivo vai acatar a determinação do Supremo, mas admitiu que o governo terá que encontrar alternativas para complementar seu orçamento.
"O que o governo precisa fazer é analisar a profundidade da decisão e verificar quais caminhos para que o governo não perca instrumentos no momento em que precisar de recursos para uma emergência", disse. Jucá afirmou que uma das alternativas pode ser autorizar na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) um mecanismo "que faça com que o Orçamento possa ser remanejado por decreto".
Na opinião do líder, a decisão do STF foi "interpretativa" ao impor "limites na atuação do governo" [que é o principal objetivo da oposição e da grande mídia desde o início do governo Lula].
KASSAB ASSINA QUE FICA ATÉ O FIM DO MANDATO
O portal Folha Online, em texto de Gilberto Dimenstein, publicou às 19h17 a promessa e a palavra escrita de Kassab (DEM-PFL) dizendo que cumprirá seu mandato até o fim. O governador José Serra (PSDB) fez o mesmo quando também era prefeito. Ambos são homens de palavra...Os paulistanos acreditam neles?
Transcrevo:
"Kassab assina documento e garante que, se eleito, fica até o fim do mandato"
"Pela primeira vez, Gilberto Kassab (DEM) fez uma declaração oficial de que vai concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de outubro. O prefeito assinou uma "declaração pública" na qual promete que, se eleito, cumprirá integralmente o próximo mandato --que se encerra em 2012.
O documento é "garantia" de que Kassab não tentará outros cargos enquanto (e se) for prefeito de São Paulo. Vale lembrar que o documento tem caráter apenas verbal.
O tucano José Serra também assinou uma declaração nos mesmos moldes na qual se comprometia a terminar o mandato de prefeito se fosse eleito, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo do Estado."
Transcrevo:
"Kassab assina documento e garante que, se eleito, fica até o fim do mandato"
"Pela primeira vez, Gilberto Kassab (DEM) fez uma declaração oficial de que vai concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de outubro. O prefeito assinou uma "declaração pública" na qual promete que, se eleito, cumprirá integralmente o próximo mandato --que se encerra em 2012.
O documento é "garantia" de que Kassab não tentará outros cargos enquanto (e se) for prefeito de São Paulo. Vale lembrar que o documento tem caráter apenas verbal.
O tucano José Serra também assinou uma declaração nos mesmos moldes na qual se comprometia a terminar o mandato de prefeito se fosse eleito, mas acabou deixando o cargo para disputar o governo do Estado."
A NOVA GUERRA FRIA: EUA x IRÃ
O jornal norte-americano The New York Times publicou hoje um bom artigo de Thomas Friedman sobre a complexa e explosiva situação no Oriente Médio. O texto foi traduzido e postado no portal UOL Mídia Global.
No site Wikipedia, obtive as seguintes informações sobre o autor: “Thomas L. Friedman (nascido em 20 de julho de 1953) é um jornalista norte-americano, atualmente editorialista do jornal The New York Times. Suas colunas, concentradas principalmente no tema relações internacionais, são publicadas nas quartas e sextas. Defende um compromisso de paz entre Israel e a Palestina, a modernização do mundo árabe, a globalização e a ecologia. Friedman já ganhou o prêmio Pulitzer em três ocasiões (1983, 1988 e 2002). Os livros de Friedman têm tido um sucesso considerável. O seu último livro, O Mundo é Plano, foi um bestseller nos EUA”.
Reproduzo alguns trechos do artigo do NYT:
“FRIEDMAN: A NOVA GUERRA FRIA"
”O próximo presidente norte-americano herdará vários desafios na área de política externa, mas certamente um dos maiores será a Guerra Fria. Sim, o próximo presidente será um presidente da Guerra Fria - mas esta Guerra Fria é com o Irã.
Esta é a verdadeira história que permeia atualmente o Oriente Médio - a disputa por influência na região, tendo ao lado os Estados Unidos e os seus aliados sunitas árabes (e Israel) e do outro o Irã, a Síria e os seus aliados não governamentais, o Hamas e o Hizbollah". Conforme dizia o editorial de 11 de maio do jornal iraniano "Kayhan": "Na luta por poder no Oriente Médio só existem dois lados: Irã e Estados Unidos".
Por hora, a Equipe América está perdendo em quase todas as frentes. Por quê? A resposta curta é que o Irã é inteligente e brutal, os Estados Unidos são estúpidos e fracos, e o mundo árabe sunita é indiferente e dividido. Alguma outra pergunta?
(...) "Sintetizando, Teerã criou uma situação na qual qualquer um que deseje atacar as suas instalações atômicas terá que levar em conta que isto gerará uma batalha cruenta nas frentes libanesa, palestina, iraquiana e do Golfo Pérsico. Esta é uma estratégia sofisticada de dissuasão", afirmou Yaari.
Já a Equipe Bush conseguiu em oito anos colocar os Estados Unidos em uma posição única no Oriente Médio: "O país não é apreciado, não é temido e não é respeitado", escreveu Aaron David Miller, um ex-negociador para o Oriente Médio em governos republicanos e democratas, no seu novo e provocante livro sobre o processo de paz, intitulado "The Much Too Promissed Land" (algo como, "A Terra Demasiadamente Prometida").
"Nós tropeçamos durante oito anos no governo de Bill Clinton, tentando descobrir como fazer a paz no Oriente Médio, e depois tropeçamos outros oito anos sob George Bush, procurando determinar de que maneira fazer a guerra na região", disse Miller. "O resultado foi uma América aprisionada em uma região que ela não pode consertar e nem abandonar".
Vejam os últimos meses, disse ele: o presidente Bush foi ao Oriente Médio em janeiro, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, foi para lá novamente nesta semana. Afinal, o preço do petróleo está mais alto do que nunca, e as perspectivas de paz nunca estiveram mais remotas. Conforme diz Miller, atualmente os Estados Unidos são "incapazes de derrotar, cooptar ou conter" qualquer dos grandes protagonistas na região.”
No site Wikipedia, obtive as seguintes informações sobre o autor: “Thomas L. Friedman (nascido em 20 de julho de 1953) é um jornalista norte-americano, atualmente editorialista do jornal The New York Times. Suas colunas, concentradas principalmente no tema relações internacionais, são publicadas nas quartas e sextas. Defende um compromisso de paz entre Israel e a Palestina, a modernização do mundo árabe, a globalização e a ecologia. Friedman já ganhou o prêmio Pulitzer em três ocasiões (1983, 1988 e 2002). Os livros de Friedman têm tido um sucesso considerável. O seu último livro, O Mundo é Plano, foi um bestseller nos EUA”.
Reproduzo alguns trechos do artigo do NYT:
“FRIEDMAN: A NOVA GUERRA FRIA"
”O próximo presidente norte-americano herdará vários desafios na área de política externa, mas certamente um dos maiores será a Guerra Fria. Sim, o próximo presidente será um presidente da Guerra Fria - mas esta Guerra Fria é com o Irã.
Esta é a verdadeira história que permeia atualmente o Oriente Médio - a disputa por influência na região, tendo ao lado os Estados Unidos e os seus aliados sunitas árabes (e Israel) e do outro o Irã, a Síria e os seus aliados não governamentais, o Hamas e o Hizbollah". Conforme dizia o editorial de 11 de maio do jornal iraniano "Kayhan": "Na luta por poder no Oriente Médio só existem dois lados: Irã e Estados Unidos".
Por hora, a Equipe América está perdendo em quase todas as frentes. Por quê? A resposta curta é que o Irã é inteligente e brutal, os Estados Unidos são estúpidos e fracos, e o mundo árabe sunita é indiferente e dividido. Alguma outra pergunta?
(...) "Sintetizando, Teerã criou uma situação na qual qualquer um que deseje atacar as suas instalações atômicas terá que levar em conta que isto gerará uma batalha cruenta nas frentes libanesa, palestina, iraquiana e do Golfo Pérsico. Esta é uma estratégia sofisticada de dissuasão", afirmou Yaari.
Já a Equipe Bush conseguiu em oito anos colocar os Estados Unidos em uma posição única no Oriente Médio: "O país não é apreciado, não é temido e não é respeitado", escreveu Aaron David Miller, um ex-negociador para o Oriente Médio em governos republicanos e democratas, no seu novo e provocante livro sobre o processo de paz, intitulado "The Much Too Promissed Land" (algo como, "A Terra Demasiadamente Prometida").
"Nós tropeçamos durante oito anos no governo de Bill Clinton, tentando descobrir como fazer a paz no Oriente Médio, e depois tropeçamos outros oito anos sob George Bush, procurando determinar de que maneira fazer a guerra na região", disse Miller. "O resultado foi uma América aprisionada em uma região que ela não pode consertar e nem abandonar".
Vejam os últimos meses, disse ele: o presidente Bush foi ao Oriente Médio em janeiro, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, foi para lá novamente nesta semana. Afinal, o preço do petróleo está mais alto do que nunca, e as perspectivas de paz nunca estiveram mais remotas. Conforme diz Miller, atualmente os Estados Unidos são "incapazes de derrotar, cooptar ou conter" qualquer dos grandes protagonistas na região.”
EUA DROGAM DEPORTADOS
O portal Folha Online publicou, há pouco (15h36), reportagem da agência inglesa de notícias BBC, a qual relata que o governo dos EUA aplica em deportados, antes do embarque, forte coquetel contra distúrbios psiquiátricos, inclusive em pessoas sadias.
Transcrevo somente a primeira parte do artigo:
"The Washington Post" acusa EUA de drogar deportados”
“O governo dos Estados Unidos teria drogado centenas de estrangeiros deportados com remédios usados para tratar distúrbios psiquiátricos com o objetivo de mantê-los sedados durante a viagem de volta a seus países, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal "The Washington Post".
Segundo o jornal, o uso dos remédios em pessoas sem nenhuma história de doença mental e sem nenhuma razão médica inclui dezenas de casos nos quais o chamado "coquetel pré-vôo" teria tido um efeito tão forte que os deportados tiveram de ser transportados em cadeiras de roda.
O jornal afirma que as informações foram coletadas em registros médicos, documentos internos de imigração e entrevistas com pessoas que receberam a medicação.”
Transcrevo somente a primeira parte do artigo:
"The Washington Post" acusa EUA de drogar deportados”
“O governo dos Estados Unidos teria drogado centenas de estrangeiros deportados com remédios usados para tratar distúrbios psiquiátricos com o objetivo de mantê-los sedados durante a viagem de volta a seus países, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo jornal "The Washington Post".
Segundo o jornal, o uso dos remédios em pessoas sem nenhuma história de doença mental e sem nenhuma razão médica inclui dezenas de casos nos quais o chamado "coquetel pré-vôo" teria tido um efeito tão forte que os deportados tiveram de ser transportados em cadeiras de roda.
O jornal afirma que as informações foram coletadas em registros médicos, documentos internos de imigração e entrevistas com pessoas que receberam a medicação.”
AS GRANDES DIFERENÇAS ENTRE O PT E O PSDB
O blog de Jussara Seixas “Por um novo Brasil” reproduz hoje um excelente artigo de Rui Falcão, advogado, jornalista e deputado estadual do PT-SP.
O autor faz uma ampla e bem fundamentada comparação entre o governo Lula e o governo PSDB/PFL-DEM/FHC em aspectos como o papel e a ação do Estado, política externa e políticas sociais.
Transcrevo o artigo completo de Rui Falcão. Vale a pena lê-lo na íntegra:
AS DIFERENÇAS ENTRE PT E PSDB SÃO IRREDUTÍVEIS
É num clima de despolitização que retorna, agora em versão remodelada, a velha tese da aproximação entre o PT e o PSDB, tema que foi objeto de meu artigo anterior e que retomo agora com o propósito de mostrar que as incompatibilidades entre ambos não repousam apenas em conceitos; estendem-se à diferença de orientação dos governos do PSDB (FHC) e do PT (Lula).
Para mencionar apenas alguns exemplos, aponto as diferenças irredutíveis quanto ao exercício do poder de Estado, à política externa e às políticas sociais.
O PAPEL E A AÇÃO DO ESTADO
a) SOB O GOVERNO FHC
De forma muito resumida, o modelo tucano na chamada era FHC, que deveria durar pelo menos 20 anos nas expectativas do ex-ministro Sérgio Motta, restringiu o papel do Estado a garantir a liberdade econômica (leia-se inexistência de entraves à acumulação do capital) e individual, a limitar a igualdade à igualdade jurídica e a prover serviços de educação aos mais pobres com vistas a aliviar os efeitos negativos da divisão social do trabalho.
Seus postulados mais gerais supõem o mercado como única democracia autêntica e encaram a sociedade não como existente tal qual é, mas como um conjunto de indivíduos, abstraídos de seu contexto político e social.
Como decorrência, ou corolário dessas premissas, qualquer interferência do governo no mercado fere a liberdade econômica e individual, criando obstáculos ao progresso econômico e social dos cidadãos.
Os conflitos sociais são reduzidos à mera expressão das disfunções na alocação de recursos, que são corrigidas espontaneamente pelo mercado tão logo o governo remova as barreiras erguidas pelo Estado ao exercício da livre concorrência.
Por não aceitarem a existência da luta de classes e a existência de interesses díspares na sociedade, a liberdade significa, para eles, apenas uma suposta renovação recorrente da ordem natural, expressa no equilíbrio espontâneo de interesses operantes no mercado.
Sob FHC, as políticas do Estado brasileiro permaneceram subordinadas às orientações do chamado Consenso de Washington e sempre dependentes das regras estabelecidas pelo FMI, Banco Mundial e outros organismos multilaterais do exterior.
Nos oito anos do tucanato, o Estado entregou à iniciativa privada não só a produção de bens e serviços, mas também a liderança de todo o processo de desenvolvimento econômico.
Reduzido a provedor subsidiário de funções públicas clássicas, como educação para os desafortunados, saúde, administração da justiça e segurança, o Estado debilitou-se sob o comando tucano, expondo-se à sua apropriação pela iniciativa privada.
Para isso contribuiu de modo especial o recurso às teorias organizacionais privadas — antes restritas ao interior das empresas e aos muros das fábricas —, que se converteram com FHC nas teorias políticas do Estado moderno.
Em síntese, com os tucanos, o Estado do bem-estar social dá lugar ao Estado regulador, que carrega em si a racionalidade empresarial das corporações transnacionais. A privatização das funções do Estado provoca uma transformação no aparelho de Estado, que, de planejador e indutor do desenvolvimento, desde a década de 1930, passa na década de 1990 a agenciador da acumulação e reprodução do capital.
[RESULTADOS DO NEOLIBERALISMO DE FHC]
A adoção do neoliberalismo no País, embora renegado no discurso tucano, provocou conseqüências econômicas e sociais devastadoras. A enumeração é cansativa, porém vale a pena rememorar:
1. aumento sem precedentes da carga tributária, que passou dos 20-22% do PIB, no final dos anos 80 para 36,45% do PIB, em 2002;
2. privatização de setores estratégicos, como energia, transportes e telecomunicações;
3. políticas monetárias e fiscais conservadoras, desacompanhadas de políticas sociais compensatórias (darwinismo social);
4. ampliação da abertura dos setores saúde e educação ao mundo empresarial;
5. abertura comercial e financeira ao capital estrangeiro;
6. privataria da Vale do Rio Doce, vendida por R$ 3, 338 bilhões, ou seja, por um valor quase 100 vezes menor do que o atual;
7. quadruplicação da dívida pública líquida total, que passou de R$ 208,4 bilhões em dezembro de 1995 para R$ 881,1 bilhões em dezembro de 2002, não obstante a transferência para o setor privado de importante fatia do patrimônio público, de US$ 105 bilhões (câmbio vigente durante o período de paridade cambial);
8. elevação da dívida de 29,9% para 55,9% do PIB;
9. quase triplicação da dívida pública externa, de 5,5% para 14,5% do PIB;
10. pífia taxa média anual de crescimento do PIB, da ordem de 2,3%;
11. duplicação da taxa média de desemprego aberto, de 3,1% da força de trabalho no período 1986-89 para 7,1% entre 1998-2002 (demissão de 2 milhões de trabalhadores);
12. insegurança individual e coletiva, diante do aumento da violência e da expansão do crime organizado;
13. avanços marginais na redução da mortalidade infantil e do analfabetismo (ao final de 8 anos de FHC, 40 milhões de pessoas abaixo da linha pobreza e 34,6 milhões de analfabetos funcionais; mortalidade de 30 crianças em cada 1000 por ano, antes de completar um ano de idade);
14. estabilidade monetária gravemente abalada a partir de janeiro de 1999, com o refluxo dos capitais (crise financeira internacional e subseqüente desvalorização do câmbio);
15. paralisia dos investimentos privados.
b) SOB O GOVERNO LULA
Por acreditar em que o papel do Estado é o de promover a igualdade e assegurar a liberdade, o governo Lula retomou as iniciativas de planejamento e de projetos capazes de induzir a retomada do desenvolvimento. E, ao fazê-lo, incorporou a população, através de seus vários segmentos representativos, nos processos de decisão – um impulso decisivo para o fortalecimento da democracia participativa no País.
Graças a uma política centrada na retomada do investimento do setor público (da qual o PAC é expressão mais acabada), na geração de empregos, no fortalecimento do mercado interno, na diversificação dos parceiros comerciais, na distribuição de renda, na redução das desigualdades sociais, o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento, agora sustentável e mais resistente a crises externas, como a que sacode a economia dos Estados Unidos atualmente.
Eis alguns exemplos, na questão do Estado, da nova postura adotada pelo governo petista:
1. suspensão do programa de privatização das estatais estratégicas;
2. mobilização da capacidade de investimento das empresas estatais sobreviventes (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Eletrobrás e outras) para a reorganização do Estado e para o funcionamento da economia;
3. fortalecimento dos setores estratégicos, incluída a indústria da defesa;
4. recuperação da vocação do BNDES como banco de fomento;
5. ampliação do quadro de servidores públicos;
6. eliminação da dívida externa;
7. controle da expansão da dívida interna (redução como proporção do PIB);
8. acúmulo inédito de reservas (condição externa credora pela primeira vez na história, o que reduz sobremaneira a vulnerabilidade do País);
9. obtenção do chamado grau de investimento pelas agências de rating, que torna o Brasil mais atrativo para os investimentos estrangeiros; redução da libor (componente da taxa internacional de juros);
10. vigorosa retomada do crescimento econômico;
11. fortalecimento dos processos indutores do desenvolvimento sustentável;
12. vertiginoso processo de expansão do mercado interno;
13. índices elevados de redução da pobreza e de aumento da distribuição da renda.
POLÍTICA EXTERNA
a) COM FHC, A DIPLOMACIA DA SUBMISSÃO
Uma política externa de integração subordinada, de rendição à ordem unipolar e à chamada “globalização assimétrica” — assim pode ser resumida a postura do governo FHC no contexto das relações entre as nações.
Pessimista (“País atrasado em relação ao mundo”), deliberadamente passiva ante as investidas das supostas forças do mercado e de portas do País escancaradas à livre circulação de capitais, à especulação financeira internacional e à desnacionalização da economia – eis as linhas que marcaram a diplomacia sob orientação tucana.
Tal política conduziu à abdicação do papel do Brasil como protagonista na construção de um novo sistema político internacional multipolar. Assim é que a ação diplomática do Itamaraty foi circunscrita à negociação das regras do comércio internacional nos organismos multilaterais tipo OMC.
Com a renúncia ao papel do Brasil como protagonista-nação, desenvolveu-se uma espécie de diplomacia presidencial, restando-lhe como função a busca de prestígio nacional secundário na figura do chefe de Estado, encarnado no presidente-PhD poliglota.
Confinado a atividades técnico-burocráticas, o Itamaraty teve delegadas a elaboração e a execução da política exterior para o Ministério da Fazenda, tendo como autor o ministro Pedro Malan, intimamente identificado com o programa do FMI, do Banco Mundial e do Consenso de Washington.
Como já dito anteriormente, a ausência de uma estratégia de resistência e afirmação no contexto internacional acarretou uma abertura indiscriminada do mercado brasileiro à especulação financeira internacional, com as seqüelas conhecidas de desnacionalização e privatização de setores estratégicos para o desenvolvimento.
b) COM LULA, UMA INTEGRAÇÃO ALTIVA E ATIVA
Diferentemente de seu antecessor, o governo Lula adotou uma postura ativa e pragmática em matéria de política externa. Restabeleceu a dimensão política na ação diplomática, não dissociada das dimensões econômica e social.
Uma diplomacia realista engendra um campo de reafirmação dos interesses nacionais e de protagonismo nas relações internacionais, encerrando a época FHC de estagnação e esvaziamento.
Logo de início, o Itamaraty entabulou alianças fora do hemisfério, a fim de expandir a influência do Brasil no âmbito internacional. Em um mesmo movimento, priorizou a reconstrução do Mercosul e a integração da América do Sul, com vistas a reverter a sua marginalização, garantir a governabilidade e lastrear o desenvolvimento regional, além de fortalecê-la e ao Brasil, em especial, nas negociações internacionais.
Orientado pelo mesmo objetivo, o governo Lula estreitou os vínculos diplomáticos e ampliou parcerias e relações comerciais com a África, sem descuidar, naturalmente, de ensaiar parcerias estratégicas com potências emergentes como China, Índia, Rússia e África do Sul.
Esse conjunto de iniciativas, que persegue o estabelecimento de um sistema internacional multipolar, regido por princípios democráticos, não somente contribuiu para reduzir o desequilíbrio nas relações com as grandes potências, como também conferiu ao Brasil maior poder de barganha, proporcional ao seu peso internacional.
A nova política exterior foi também valorizada pela inserção da dimensão social nas negociações internacionais — uma extensão natural das políticas internas do governo Lula.
Pois as propostas sociais de Lula vão ao encontro da nova agenda internacional, que busca corrigir as distorções criadas pela globalização, até então limitada a questões de liberalização do comércio e dos investimentos. Lembre-se que a ascensão de Lula ao poder, legitimada por esmagadora maioria votos, deu ensejo às iniciativas para a criação da nova agenda.
Em tudo oposto a FHC, que lançou o País no torvelinho da crise neoliberal e ao desprestígio internacional, o projeto interno do governo Lula respalda as ações da diplomacia e tem um forte impacto internacional, assim como, inversamente, as ações da diplomacia visam ao fortalecimento da estratégia de desenvolvimento nacional sustentável.
A campanha de combate à fome, por exemplo, representa o elemento simbólico que acena para a construção de um projeto nacional, de reverberação ao mesmo tempo universal, em resposta à crise da globalização neoliberal.
Iniciativas como a revalorização do mercado doméstico e da capacidade de poupança interna consubstanciam uma estratégia de fortalecimento nacional e de uma presença internacional robusta e qualificada. As políticas sociais, energética, urbana, fundiária e industrial do governo Lula conformam uma vontade política nesse sentido.
Paralelamente, o carisma do presidente sintetiza em sua figura franca e simples as características que o mundo admira no Brasil. Isso tem propiciado a Lula desenvolver mais facilmente uma intensa agenda internacional como porta-voz desse projeto.
O Brasil sob o governo Lula atua com otimismo e vontade política, criando constantemente fatos na área internacional. Em contraste, com FHC o País sofria de baixa auto-estima, pois os governos Collor e FHC rendiam-se a uma visão de país atrasado, submisso aos constrangimentos neoliberais demandados pelos países ricos.
Atualmente, ao contrário, o País se considera como um protagonista de mesmo nível, com capacidade de negociação e portador de um projeto nacional que pode contribuir para fortalecer a inserção da agenda social na globalização, em proveito da comunidade das nações. Em lugar de discursos lamurientos sobre o atavismo do atraso brasileiro (Collor e FHC), eivados de uma obediência militante, o Brasil busca agora na ação diplomática apoiar por todos os meios ao seu alcance a realização do projeto nacional.
O SOCIAL
a) NO GOVERNO FHC
Sob o governo tucano, as políticas sociais converteram-se em instrumento da introdução da racionalidade mercantil na esfera pública — um cavalo de Tróia para entronizar o mercado no lugar do Estado.
Ao priorizar os direitos individuais sobre os sociais (concepção de igualdade jurídica dos liberais), os tucanos introjetaram nas funções públicas os valores e critérios do mercado (a eficiência como critério básico; todos devem pagar pelo que recebem; os órgãos descentralizados devem concorrer pelos recursos públicos com base na eficiência da prestação de serviços segundo indicadores uniformes etc).
No governo FHC, as redes de seguro social foram desmanteladas, em seu estágio historicamente incipiente, e passaram a constituir um resíduo de solidariedade pública à benemerência privada para com os miseráveis.
Um caso exemplar de (ausência) de política social nesse período foi a orientação imprimida à educação, que foi despolitizada como prática social e reduzida ao adestramento para o mercado. Nessa condição, o prioritário são os meios para atualizar rapidamente o conhecimento, visando ao treinamento, a familiaridade com a tecnologia do quotidiano. A formação voltada para a elevação da condição humana do cidadão não compensa face aos parâmetros da avaliação de custo-benefício ditados pelo mercado.
Rezando pela cartilha do Banco Mundial, o governo do PSDB privatizou o ensino técnico e promoveu renúncia fiscal para ampliar a participação do setor privado no ensino de graduação, um dos mais rentáveis.
b) NO GOVERNO LULA
Principal marca distintiva do governo, as políticas sociais são para Lula um instrumento de transformação social. É dever do Estado proporcionar serviços sociais como educação, saúde e previdência.
Com Lula, as políticas sociais são uma resposta ao crescente descrédito da democracia representativa como mecanismo eficaz de agregação de interesses e resolução de conflitos. Contribuem, ainda, para a governabilidade, vez que removem a desconfiança da população nas autoridades em razão de sua promiscuidade com os interesses das elites e dos grandes grupos econômicos.
As políticas sociais levam a um novo tipo de relação entre Estado e sociedade, que se caracteriza por atender conjuntamente aos princípios do reconhecimento, da participação e da redistribuição. Investidas do papel de transformadoras das relações de poder e das práticas administrativas correspondentes, as políticas sociais do governo Lula debilitam as velhas estruturas de poder – sobretudo nos grotões e nas periferias urbanas — onde imperam a centralidade, a iniqüidade e a exclusão.
Ao contrário do governo FHC, que tratou a educação como mercadoria, sob Lula o Estado reassume a responsabilidade pela orientação da educação integral (profissional e humana). Recupera a crença na possibilidade de educação plena dos seres humanos, restabelece a confiança na influência de instituições sobre a conduta humana e prioriza os direitos e necessidades sociais diante dos direitos individuais.
Sua principal diretriz: realçar o sentido da educação como prática social, como campo de luta ideológica, para socializar o ser humano, sujeito e objeto da democracia participativa.
Desdobramento desta política é a ênfase inédita na universalização da educação em todos os níveis, um amplo programa de investimentos para a melhoria da qualidade do ensino e a extensão da rede de escolas técnicas públicas, que haviam sido entregues aos cuidados do mercado por FHC.
É desnecessário prosseguir. PT e PSDB nada têm em comum na sua doutrina e na sua prática política. A estrela vermelha do PT tem cinco pontas (não bicos) e em nada se assemelha a essa ave predadora da família dos ranfastídeos, que voa baixo e vive pulando de galho em galho...”
O autor faz uma ampla e bem fundamentada comparação entre o governo Lula e o governo PSDB/PFL-DEM/FHC em aspectos como o papel e a ação do Estado, política externa e políticas sociais.
Transcrevo o artigo completo de Rui Falcão. Vale a pena lê-lo na íntegra:
AS DIFERENÇAS ENTRE PT E PSDB SÃO IRREDUTÍVEIS
É num clima de despolitização que retorna, agora em versão remodelada, a velha tese da aproximação entre o PT e o PSDB, tema que foi objeto de meu artigo anterior e que retomo agora com o propósito de mostrar que as incompatibilidades entre ambos não repousam apenas em conceitos; estendem-se à diferença de orientação dos governos do PSDB (FHC) e do PT (Lula).
Para mencionar apenas alguns exemplos, aponto as diferenças irredutíveis quanto ao exercício do poder de Estado, à política externa e às políticas sociais.
O PAPEL E A AÇÃO DO ESTADO
a) SOB O GOVERNO FHC
De forma muito resumida, o modelo tucano na chamada era FHC, que deveria durar pelo menos 20 anos nas expectativas do ex-ministro Sérgio Motta, restringiu o papel do Estado a garantir a liberdade econômica (leia-se inexistência de entraves à acumulação do capital) e individual, a limitar a igualdade à igualdade jurídica e a prover serviços de educação aos mais pobres com vistas a aliviar os efeitos negativos da divisão social do trabalho.
Seus postulados mais gerais supõem o mercado como única democracia autêntica e encaram a sociedade não como existente tal qual é, mas como um conjunto de indivíduos, abstraídos de seu contexto político e social.
Como decorrência, ou corolário dessas premissas, qualquer interferência do governo no mercado fere a liberdade econômica e individual, criando obstáculos ao progresso econômico e social dos cidadãos.
Os conflitos sociais são reduzidos à mera expressão das disfunções na alocação de recursos, que são corrigidas espontaneamente pelo mercado tão logo o governo remova as barreiras erguidas pelo Estado ao exercício da livre concorrência.
Por não aceitarem a existência da luta de classes e a existência de interesses díspares na sociedade, a liberdade significa, para eles, apenas uma suposta renovação recorrente da ordem natural, expressa no equilíbrio espontâneo de interesses operantes no mercado.
Sob FHC, as políticas do Estado brasileiro permaneceram subordinadas às orientações do chamado Consenso de Washington e sempre dependentes das regras estabelecidas pelo FMI, Banco Mundial e outros organismos multilaterais do exterior.
Nos oito anos do tucanato, o Estado entregou à iniciativa privada não só a produção de bens e serviços, mas também a liderança de todo o processo de desenvolvimento econômico.
Reduzido a provedor subsidiário de funções públicas clássicas, como educação para os desafortunados, saúde, administração da justiça e segurança, o Estado debilitou-se sob o comando tucano, expondo-se à sua apropriação pela iniciativa privada.
Para isso contribuiu de modo especial o recurso às teorias organizacionais privadas — antes restritas ao interior das empresas e aos muros das fábricas —, que se converteram com FHC nas teorias políticas do Estado moderno.
Em síntese, com os tucanos, o Estado do bem-estar social dá lugar ao Estado regulador, que carrega em si a racionalidade empresarial das corporações transnacionais. A privatização das funções do Estado provoca uma transformação no aparelho de Estado, que, de planejador e indutor do desenvolvimento, desde a década de 1930, passa na década de 1990 a agenciador da acumulação e reprodução do capital.
[RESULTADOS DO NEOLIBERALISMO DE FHC]
A adoção do neoliberalismo no País, embora renegado no discurso tucano, provocou conseqüências econômicas e sociais devastadoras. A enumeração é cansativa, porém vale a pena rememorar:
1. aumento sem precedentes da carga tributária, que passou dos 20-22% do PIB, no final dos anos 80 para 36,45% do PIB, em 2002;
2. privatização de setores estratégicos, como energia, transportes e telecomunicações;
3. políticas monetárias e fiscais conservadoras, desacompanhadas de políticas sociais compensatórias (darwinismo social);
4. ampliação da abertura dos setores saúde e educação ao mundo empresarial;
5. abertura comercial e financeira ao capital estrangeiro;
6. privataria da Vale do Rio Doce, vendida por R$ 3, 338 bilhões, ou seja, por um valor quase 100 vezes menor do que o atual;
7. quadruplicação da dívida pública líquida total, que passou de R$ 208,4 bilhões em dezembro de 1995 para R$ 881,1 bilhões em dezembro de 2002, não obstante a transferência para o setor privado de importante fatia do patrimônio público, de US$ 105 bilhões (câmbio vigente durante o período de paridade cambial);
8. elevação da dívida de 29,9% para 55,9% do PIB;
9. quase triplicação da dívida pública externa, de 5,5% para 14,5% do PIB;
10. pífia taxa média anual de crescimento do PIB, da ordem de 2,3%;
11. duplicação da taxa média de desemprego aberto, de 3,1% da força de trabalho no período 1986-89 para 7,1% entre 1998-2002 (demissão de 2 milhões de trabalhadores);
12. insegurança individual e coletiva, diante do aumento da violência e da expansão do crime organizado;
13. avanços marginais na redução da mortalidade infantil e do analfabetismo (ao final de 8 anos de FHC, 40 milhões de pessoas abaixo da linha pobreza e 34,6 milhões de analfabetos funcionais; mortalidade de 30 crianças em cada 1000 por ano, antes de completar um ano de idade);
14. estabilidade monetária gravemente abalada a partir de janeiro de 1999, com o refluxo dos capitais (crise financeira internacional e subseqüente desvalorização do câmbio);
15. paralisia dos investimentos privados.
b) SOB O GOVERNO LULA
Por acreditar em que o papel do Estado é o de promover a igualdade e assegurar a liberdade, o governo Lula retomou as iniciativas de planejamento e de projetos capazes de induzir a retomada do desenvolvimento. E, ao fazê-lo, incorporou a população, através de seus vários segmentos representativos, nos processos de decisão – um impulso decisivo para o fortalecimento da democracia participativa no País.
Graças a uma política centrada na retomada do investimento do setor público (da qual o PAC é expressão mais acabada), na geração de empregos, no fortalecimento do mercado interno, na diversificação dos parceiros comerciais, na distribuição de renda, na redução das desigualdades sociais, o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento, agora sustentável e mais resistente a crises externas, como a que sacode a economia dos Estados Unidos atualmente.
Eis alguns exemplos, na questão do Estado, da nova postura adotada pelo governo petista:
1. suspensão do programa de privatização das estatais estratégicas;
2. mobilização da capacidade de investimento das empresas estatais sobreviventes (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste, Eletrobrás e outras) para a reorganização do Estado e para o funcionamento da economia;
3. fortalecimento dos setores estratégicos, incluída a indústria da defesa;
4. recuperação da vocação do BNDES como banco de fomento;
5. ampliação do quadro de servidores públicos;
6. eliminação da dívida externa;
7. controle da expansão da dívida interna (redução como proporção do PIB);
8. acúmulo inédito de reservas (condição externa credora pela primeira vez na história, o que reduz sobremaneira a vulnerabilidade do País);
9. obtenção do chamado grau de investimento pelas agências de rating, que torna o Brasil mais atrativo para os investimentos estrangeiros; redução da libor (componente da taxa internacional de juros);
10. vigorosa retomada do crescimento econômico;
11. fortalecimento dos processos indutores do desenvolvimento sustentável;
12. vertiginoso processo de expansão do mercado interno;
13. índices elevados de redução da pobreza e de aumento da distribuição da renda.
POLÍTICA EXTERNA
a) COM FHC, A DIPLOMACIA DA SUBMISSÃO
Uma política externa de integração subordinada, de rendição à ordem unipolar e à chamada “globalização assimétrica” — assim pode ser resumida a postura do governo FHC no contexto das relações entre as nações.
Pessimista (“País atrasado em relação ao mundo”), deliberadamente passiva ante as investidas das supostas forças do mercado e de portas do País escancaradas à livre circulação de capitais, à especulação financeira internacional e à desnacionalização da economia – eis as linhas que marcaram a diplomacia sob orientação tucana.
Tal política conduziu à abdicação do papel do Brasil como protagonista na construção de um novo sistema político internacional multipolar. Assim é que a ação diplomática do Itamaraty foi circunscrita à negociação das regras do comércio internacional nos organismos multilaterais tipo OMC.
Com a renúncia ao papel do Brasil como protagonista-nação, desenvolveu-se uma espécie de diplomacia presidencial, restando-lhe como função a busca de prestígio nacional secundário na figura do chefe de Estado, encarnado no presidente-PhD poliglota.
Confinado a atividades técnico-burocráticas, o Itamaraty teve delegadas a elaboração e a execução da política exterior para o Ministério da Fazenda, tendo como autor o ministro Pedro Malan, intimamente identificado com o programa do FMI, do Banco Mundial e do Consenso de Washington.
Como já dito anteriormente, a ausência de uma estratégia de resistência e afirmação no contexto internacional acarretou uma abertura indiscriminada do mercado brasileiro à especulação financeira internacional, com as seqüelas conhecidas de desnacionalização e privatização de setores estratégicos para o desenvolvimento.
b) COM LULA, UMA INTEGRAÇÃO ALTIVA E ATIVA
Diferentemente de seu antecessor, o governo Lula adotou uma postura ativa e pragmática em matéria de política externa. Restabeleceu a dimensão política na ação diplomática, não dissociada das dimensões econômica e social.
Uma diplomacia realista engendra um campo de reafirmação dos interesses nacionais e de protagonismo nas relações internacionais, encerrando a época FHC de estagnação e esvaziamento.
Logo de início, o Itamaraty entabulou alianças fora do hemisfério, a fim de expandir a influência do Brasil no âmbito internacional. Em um mesmo movimento, priorizou a reconstrução do Mercosul e a integração da América do Sul, com vistas a reverter a sua marginalização, garantir a governabilidade e lastrear o desenvolvimento regional, além de fortalecê-la e ao Brasil, em especial, nas negociações internacionais.
Orientado pelo mesmo objetivo, o governo Lula estreitou os vínculos diplomáticos e ampliou parcerias e relações comerciais com a África, sem descuidar, naturalmente, de ensaiar parcerias estratégicas com potências emergentes como China, Índia, Rússia e África do Sul.
Esse conjunto de iniciativas, que persegue o estabelecimento de um sistema internacional multipolar, regido por princípios democráticos, não somente contribuiu para reduzir o desequilíbrio nas relações com as grandes potências, como também conferiu ao Brasil maior poder de barganha, proporcional ao seu peso internacional.
A nova política exterior foi também valorizada pela inserção da dimensão social nas negociações internacionais — uma extensão natural das políticas internas do governo Lula.
Pois as propostas sociais de Lula vão ao encontro da nova agenda internacional, que busca corrigir as distorções criadas pela globalização, até então limitada a questões de liberalização do comércio e dos investimentos. Lembre-se que a ascensão de Lula ao poder, legitimada por esmagadora maioria votos, deu ensejo às iniciativas para a criação da nova agenda.
Em tudo oposto a FHC, que lançou o País no torvelinho da crise neoliberal e ao desprestígio internacional, o projeto interno do governo Lula respalda as ações da diplomacia e tem um forte impacto internacional, assim como, inversamente, as ações da diplomacia visam ao fortalecimento da estratégia de desenvolvimento nacional sustentável.
A campanha de combate à fome, por exemplo, representa o elemento simbólico que acena para a construção de um projeto nacional, de reverberação ao mesmo tempo universal, em resposta à crise da globalização neoliberal.
Iniciativas como a revalorização do mercado doméstico e da capacidade de poupança interna consubstanciam uma estratégia de fortalecimento nacional e de uma presença internacional robusta e qualificada. As políticas sociais, energética, urbana, fundiária e industrial do governo Lula conformam uma vontade política nesse sentido.
Paralelamente, o carisma do presidente sintetiza em sua figura franca e simples as características que o mundo admira no Brasil. Isso tem propiciado a Lula desenvolver mais facilmente uma intensa agenda internacional como porta-voz desse projeto.
O Brasil sob o governo Lula atua com otimismo e vontade política, criando constantemente fatos na área internacional. Em contraste, com FHC o País sofria de baixa auto-estima, pois os governos Collor e FHC rendiam-se a uma visão de país atrasado, submisso aos constrangimentos neoliberais demandados pelos países ricos.
Atualmente, ao contrário, o País se considera como um protagonista de mesmo nível, com capacidade de negociação e portador de um projeto nacional que pode contribuir para fortalecer a inserção da agenda social na globalização, em proveito da comunidade das nações. Em lugar de discursos lamurientos sobre o atavismo do atraso brasileiro (Collor e FHC), eivados de uma obediência militante, o Brasil busca agora na ação diplomática apoiar por todos os meios ao seu alcance a realização do projeto nacional.
O SOCIAL
a) NO GOVERNO FHC
Sob o governo tucano, as políticas sociais converteram-se em instrumento da introdução da racionalidade mercantil na esfera pública — um cavalo de Tróia para entronizar o mercado no lugar do Estado.
Ao priorizar os direitos individuais sobre os sociais (concepção de igualdade jurídica dos liberais), os tucanos introjetaram nas funções públicas os valores e critérios do mercado (a eficiência como critério básico; todos devem pagar pelo que recebem; os órgãos descentralizados devem concorrer pelos recursos públicos com base na eficiência da prestação de serviços segundo indicadores uniformes etc).
No governo FHC, as redes de seguro social foram desmanteladas, em seu estágio historicamente incipiente, e passaram a constituir um resíduo de solidariedade pública à benemerência privada para com os miseráveis.
Um caso exemplar de (ausência) de política social nesse período foi a orientação imprimida à educação, que foi despolitizada como prática social e reduzida ao adestramento para o mercado. Nessa condição, o prioritário são os meios para atualizar rapidamente o conhecimento, visando ao treinamento, a familiaridade com a tecnologia do quotidiano. A formação voltada para a elevação da condição humana do cidadão não compensa face aos parâmetros da avaliação de custo-benefício ditados pelo mercado.
Rezando pela cartilha do Banco Mundial, o governo do PSDB privatizou o ensino técnico e promoveu renúncia fiscal para ampliar a participação do setor privado no ensino de graduação, um dos mais rentáveis.
b) NO GOVERNO LULA
Principal marca distintiva do governo, as políticas sociais são para Lula um instrumento de transformação social. É dever do Estado proporcionar serviços sociais como educação, saúde e previdência.
Com Lula, as políticas sociais são uma resposta ao crescente descrédito da democracia representativa como mecanismo eficaz de agregação de interesses e resolução de conflitos. Contribuem, ainda, para a governabilidade, vez que removem a desconfiança da população nas autoridades em razão de sua promiscuidade com os interesses das elites e dos grandes grupos econômicos.
As políticas sociais levam a um novo tipo de relação entre Estado e sociedade, que se caracteriza por atender conjuntamente aos princípios do reconhecimento, da participação e da redistribuição. Investidas do papel de transformadoras das relações de poder e das práticas administrativas correspondentes, as políticas sociais do governo Lula debilitam as velhas estruturas de poder – sobretudo nos grotões e nas periferias urbanas — onde imperam a centralidade, a iniqüidade e a exclusão.
Ao contrário do governo FHC, que tratou a educação como mercadoria, sob Lula o Estado reassume a responsabilidade pela orientação da educação integral (profissional e humana). Recupera a crença na possibilidade de educação plena dos seres humanos, restabelece a confiança na influência de instituições sobre a conduta humana e prioriza os direitos e necessidades sociais diante dos direitos individuais.
Sua principal diretriz: realçar o sentido da educação como prática social, como campo de luta ideológica, para socializar o ser humano, sujeito e objeto da democracia participativa.
Desdobramento desta política é a ênfase inédita na universalização da educação em todos os níveis, um amplo programa de investimentos para a melhoria da qualidade do ensino e a extensão da rede de escolas técnicas públicas, que haviam sido entregues aos cuidados do mercado por FHC.
É desnecessário prosseguir. PT e PSDB nada têm em comum na sua doutrina e na sua prática política. A estrela vermelha do PT tem cinco pontas (não bicos) e em nada se assemelha a essa ave predadora da família dos ranfastídeos, que voa baixo e vive pulando de galho em galho...”
EX-MISERÁVEL REGIÃO NORDESTE JÁ CONSOME MAIS QUE A RICA REGIÃO SUL DO BRASIL
Antes do atual governo, a região nordeste do Brasil era estereotipada por viver de esmolas de recursos públicos, sob o pretexto das secas periódicas, e por fornecer, para as regiões sudeste e sul, os mendigos e operários de baixa qualificação, os imigrantes nordestinos fugidos da miséria.
Nos últimos cinco anos, esse quadro mudou radicalmente, resultado dos programas sociais do Governo Federal, da estabilidade econômica e da instalação de novas empresas na região.
Vejamos o que disse sobre isso o jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog “Conversa Afiada”, bem como o diretor da Consultoria Target, Marcos Pazzini, em entrevista ao Conversa Afiada ontem (13/05):
“CLASSE C COMPRA MAIS E CONSUMO CRESCE NO NORDESTE”
Uma pesquisa da consultoria Target, especializada em consumo, mostra que o consumo da região Nordeste cresce expressivamente há cinco anos seguidos. Este ano, com um crescimento de 25,4% em relação ao ano passado, a região Nordeste passou a região Sul no ranking do consumo nacional.
A região que mais consome no país é a Sudeste, que é responsável por 51,8% do consumo do Brasil. Em seguida vem a região Nordeste (18,2%), região Sul (16,8%), região Centro-Oeste (7,8%) e região Norte (5,4%).
O diretor da Target, Marcos Pazzini, disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta terça-feira, dia 13, que o consumo da região Nordeste cresce principalmente na classe C, que se divide em C1 (com renda entre R$ 1,4 mil e R$ 1,5 mil) e C2 (com renda de R$ 900).
“Você tendo uma região como a Nordeste, com essa concentração ainda na classe C1 e C2, você tem um movimento anterior ao que já aconteceu no Brasil de migração social, ou seja, domicílios das classes mais baixas migrando para as classes sociais mais elevadas”, disse Pazzini.
A pesquisa da Target mostra que o consumo no Nordeste cresceu expressivamente nos últimos cinco anos por causa dos programas sociais do Governo Federal, da estabilidade econômica e da instalação de novas empresas na região.
“A persistir esse cenário econômico atual, a região Nordeste deve consolidar mais ainda esse crescimento nos próximos anos. É só continuar fazendo o que já está sendo feito, porque a gente já verificou esse fenômeno acontecendo no Brasil em outras regiões geográficas”, disse Pazzini.
Leia a íntegra da entrevista com Marcos Pazzini:
"Conversa Afiada – Uma pesquisa da consultoria Target mostra que o volume de compras dos nordestinos passou de R$ 252,9 bilhões em 2007 para R$ 317,2 bilhões em 2008. Sobre esse assunto eu converso agora com o diretor e coordenador da Target, Marcos Pazzini. É verdade que os consumidores da região Nordeste já gastam mais do que os consumidores da região Sul?
Marcos Pazzini – A região Nordeste ultrapassou a região Sul no ranking de potencialidade de consumo das regiões brasileiras. Historicamente, a região Sul era a segunda colocada, atrás da região Sudeste. E, já de forma esperada este ano, a região Nordeste galgou essa posição e ultrapassou a região Sul, que não perdeu participação, é muito importante isso. Ela se manteve estagnada no cenário do consumo nacional.
Conversa Afiada – O que ocorreu então foi um crescimento expressivo do consumo na região Nordeste, não é isso?
Marcos Pazzini – Exatamente. E isso já vem acontecendo já há algum tempo. A região Nordeste já vem chamando a atenção de empresa e de planejadores por conta do crescimento que ela vem apresentando nos últimos anos. Neste ano, ela atingiu, vamos dizer assim, o ápice desse crescimento e alcançou essa segunda posição no mercado de consumo brasileiro.
Conversa Afiada – Há quanto tempo cresce o consumo na região Nordeste?
Marcos Pazzini – Olha, eu sou responsável por esse trabalho aqui na Target desde 1994 e desde aquela época a gente verifica um ganho de crescimento de participação em potencial de consumo da região Nordeste, mas crescimentos não tão expressivos como o que aconteceu neste ano. Agora, essa região já tem atraído a atenção porque, graças aos incentivos dados pelo Governo através dos programas sociais, questão de instalação de empresas naquela região, você observa que nos últimos cinco anos de forma mais expressiva as condições de consumo daquela população vem se destacando no cenário nacional e vem apresentando um crescimento que chama a atenção.
Conversa Afiada – E que pontos o senhor destacaria para esse crescimento expressivo este ano, que foi de 25,4%, não é isso?
Marcos Pazzini – Em termos nominais, sim, sem levar em consideração a inflação e tudo mais. Agora uma diferenciação que eu faria do Nordeste é uma diferenciação sob o ponto de vista positivo é que hoje lá na região Nordeste você ainda encontra uma concentração muito forte tanto de domicílios quanto de concentração de potencial de consumo na classe C1 e na classe C2, que são classes que estão localizadas no meio da pirâmide. E isso vai contra o que já está acontecendo na média nacional, que já tem uma concentração de potencial de consumo na classe B2, que é a classe imediatamente acima da classe C1.
Então, o que acontece é o seguinte: você tendo uma região como a Nordeste, com essa concentração ainda na classe C1 e C2, você tem um movimento anterior ao que já aconteceu no Brasil de migração social, ou seja, domicílios das classes mais baixas migrando para as classes sociais mais elevadas.
Então, a persistir esse cenário econômico atual, a região Nordeste deve consolidar mais ainda esse crescimento nos próximos anos. É só continuar fazendo o que já está sendo feito, porque isso a gente já verificou esse fenômeno acontecendo no Brasil em outras regiões geográficas.
Conversa Afiada – Só para entender esse ponto, quando o senhor fala em classe C1 e C2, o senhor fala de que faixa de renda?
Marcos Pazzini – Vou dar os números exatos dessas classes, porque realmente é uma confusão nesse aspecto. A classe B2, que já é tratada pelo mercado como classe média, ela tem um rendimento na faixa de R$ 2,5 mil por mês. A classe C1, na faixa entre R$ 1,4 mil e R$ 1,5 mil por mês e a classe C2 é na faixa de R$ 900 por mês.
E esse ano houve uma atualização do critério de classificação e uma demanda que existia no mercado era que a classe C fosse segmentada nesses dois formatos, classes C1 e C2, para que você possa trabalhar um planejamento, por exemplo da classe C1, mais focando o consumo da classe média e o comportamento do consumo da classe média e a classe C2 mais focando o comportamento de consumo como população de baixa renda.
Conversa Afiada – O senhor disse anteriormente que a persistir esse cenário esse crescimento do consumo no Nordeste deve se consolidar ainda mais. O senhor acredita que o Nordeste pode se tornar a região que mais consome no país?
Marcos Pazzini – A distância para a região Sudeste, que é a primeira colocada, é muito grande. Só para você ter idéia, a região Sudeste participa com mais de 50% com tudo o que é consumido no país. E a região Nordeste, este ano, alcançou 18%. Quer dizer, esse degrau pode até atingir, quem sou eu para dizer que não? Agora, isso vai demorar algum tempo e depende de uma série de outros fatores, que no momento não são possíveis de serem atingidos.
Conversa Afiada – Mas a análise que vocês da Target fazem é que não é uma bolha, pelo menos isso?
Marcos Pazzini – Não, ela já vem apresentando um crescimento consistente ao longo, pelo menos, dos últimos cinco anos. Não é uma bolha. É um crescimento que já vem acontecendo. Ao contrário da região Sul, que até apresentou algum crescimento nos anos anteriores, mas crescimentos pequenos, e esse ano ela se manteve estagnada no cenário do consumo nacional.”
Nos últimos cinco anos, esse quadro mudou radicalmente, resultado dos programas sociais do Governo Federal, da estabilidade econômica e da instalação de novas empresas na região.
Vejamos o que disse sobre isso o jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog “Conversa Afiada”, bem como o diretor da Consultoria Target, Marcos Pazzini, em entrevista ao Conversa Afiada ontem (13/05):
“CLASSE C COMPRA MAIS E CONSUMO CRESCE NO NORDESTE”
Uma pesquisa da consultoria Target, especializada em consumo, mostra que o consumo da região Nordeste cresce expressivamente há cinco anos seguidos. Este ano, com um crescimento de 25,4% em relação ao ano passado, a região Nordeste passou a região Sul no ranking do consumo nacional.
A região que mais consome no país é a Sudeste, que é responsável por 51,8% do consumo do Brasil. Em seguida vem a região Nordeste (18,2%), região Sul (16,8%), região Centro-Oeste (7,8%) e região Norte (5,4%).
O diretor da Target, Marcos Pazzini, disse em entrevista ao Conversa Afiada nesta terça-feira, dia 13, que o consumo da região Nordeste cresce principalmente na classe C, que se divide em C1 (com renda entre R$ 1,4 mil e R$ 1,5 mil) e C2 (com renda de R$ 900).
“Você tendo uma região como a Nordeste, com essa concentração ainda na classe C1 e C2, você tem um movimento anterior ao que já aconteceu no Brasil de migração social, ou seja, domicílios das classes mais baixas migrando para as classes sociais mais elevadas”, disse Pazzini.
A pesquisa da Target mostra que o consumo no Nordeste cresceu expressivamente nos últimos cinco anos por causa dos programas sociais do Governo Federal, da estabilidade econômica e da instalação de novas empresas na região.
“A persistir esse cenário econômico atual, a região Nordeste deve consolidar mais ainda esse crescimento nos próximos anos. É só continuar fazendo o que já está sendo feito, porque a gente já verificou esse fenômeno acontecendo no Brasil em outras regiões geográficas”, disse Pazzini.
Leia a íntegra da entrevista com Marcos Pazzini:
"Conversa Afiada – Uma pesquisa da consultoria Target mostra que o volume de compras dos nordestinos passou de R$ 252,9 bilhões em 2007 para R$ 317,2 bilhões em 2008. Sobre esse assunto eu converso agora com o diretor e coordenador da Target, Marcos Pazzini. É verdade que os consumidores da região Nordeste já gastam mais do que os consumidores da região Sul?
Marcos Pazzini – A região Nordeste ultrapassou a região Sul no ranking de potencialidade de consumo das regiões brasileiras. Historicamente, a região Sul era a segunda colocada, atrás da região Sudeste. E, já de forma esperada este ano, a região Nordeste galgou essa posição e ultrapassou a região Sul, que não perdeu participação, é muito importante isso. Ela se manteve estagnada no cenário do consumo nacional.
Conversa Afiada – O que ocorreu então foi um crescimento expressivo do consumo na região Nordeste, não é isso?
Marcos Pazzini – Exatamente. E isso já vem acontecendo já há algum tempo. A região Nordeste já vem chamando a atenção de empresa e de planejadores por conta do crescimento que ela vem apresentando nos últimos anos. Neste ano, ela atingiu, vamos dizer assim, o ápice desse crescimento e alcançou essa segunda posição no mercado de consumo brasileiro.
Conversa Afiada – Há quanto tempo cresce o consumo na região Nordeste?
Marcos Pazzini – Olha, eu sou responsável por esse trabalho aqui na Target desde 1994 e desde aquela época a gente verifica um ganho de crescimento de participação em potencial de consumo da região Nordeste, mas crescimentos não tão expressivos como o que aconteceu neste ano. Agora, essa região já tem atraído a atenção porque, graças aos incentivos dados pelo Governo através dos programas sociais, questão de instalação de empresas naquela região, você observa que nos últimos cinco anos de forma mais expressiva as condições de consumo daquela população vem se destacando no cenário nacional e vem apresentando um crescimento que chama a atenção.
Conversa Afiada – E que pontos o senhor destacaria para esse crescimento expressivo este ano, que foi de 25,4%, não é isso?
Marcos Pazzini – Em termos nominais, sim, sem levar em consideração a inflação e tudo mais. Agora uma diferenciação que eu faria do Nordeste é uma diferenciação sob o ponto de vista positivo é que hoje lá na região Nordeste você ainda encontra uma concentração muito forte tanto de domicílios quanto de concentração de potencial de consumo na classe C1 e na classe C2, que são classes que estão localizadas no meio da pirâmide. E isso vai contra o que já está acontecendo na média nacional, que já tem uma concentração de potencial de consumo na classe B2, que é a classe imediatamente acima da classe C1.
Então, o que acontece é o seguinte: você tendo uma região como a Nordeste, com essa concentração ainda na classe C1 e C2, você tem um movimento anterior ao que já aconteceu no Brasil de migração social, ou seja, domicílios das classes mais baixas migrando para as classes sociais mais elevadas.
Então, a persistir esse cenário econômico atual, a região Nordeste deve consolidar mais ainda esse crescimento nos próximos anos. É só continuar fazendo o que já está sendo feito, porque isso a gente já verificou esse fenômeno acontecendo no Brasil em outras regiões geográficas.
Conversa Afiada – Só para entender esse ponto, quando o senhor fala em classe C1 e C2, o senhor fala de que faixa de renda?
Marcos Pazzini – Vou dar os números exatos dessas classes, porque realmente é uma confusão nesse aspecto. A classe B2, que já é tratada pelo mercado como classe média, ela tem um rendimento na faixa de R$ 2,5 mil por mês. A classe C1, na faixa entre R$ 1,4 mil e R$ 1,5 mil por mês e a classe C2 é na faixa de R$ 900 por mês.
E esse ano houve uma atualização do critério de classificação e uma demanda que existia no mercado era que a classe C fosse segmentada nesses dois formatos, classes C1 e C2, para que você possa trabalhar um planejamento, por exemplo da classe C1, mais focando o consumo da classe média e o comportamento do consumo da classe média e a classe C2 mais focando o comportamento de consumo como população de baixa renda.
Conversa Afiada – O senhor disse anteriormente que a persistir esse cenário esse crescimento do consumo no Nordeste deve se consolidar ainda mais. O senhor acredita que o Nordeste pode se tornar a região que mais consome no país?
Marcos Pazzini – A distância para a região Sudeste, que é a primeira colocada, é muito grande. Só para você ter idéia, a região Sudeste participa com mais de 50% com tudo o que é consumido no país. E a região Nordeste, este ano, alcançou 18%. Quer dizer, esse degrau pode até atingir, quem sou eu para dizer que não? Agora, isso vai demorar algum tempo e depende de uma série de outros fatores, que no momento não são possíveis de serem atingidos.
Conversa Afiada – Mas a análise que vocês da Target fazem é que não é uma bolha, pelo menos isso?
Marcos Pazzini – Não, ela já vem apresentando um crescimento consistente ao longo, pelo menos, dos últimos cinco anos. Não é uma bolha. É um crescimento que já vem acontecendo. Ao contrário da região Sul, que até apresentou algum crescimento nos anos anteriores, mas crescimentos pequenos, e esse ano ela se manteve estagnada no cenário do consumo nacional.”
terça-feira, 13 de maio de 2008
ENTREVISTA COMPLETA DE LULA PARA O “DER SPIEGEL”
O portal UOL Mídia Global publicou a matéria de hoje do “Der Spiegel” (em português, O Espelho), um semanário da cidade alemã de Hamburgo publicado desde 4 de janeiro de 1947. Trata-se de entrevista concedida pelo presidente Lula aos repórteres Jens Glüsing e Helene Zuber, traduzido para a UOL por George El Khouri Andolfato.
"NÓS QUEREMOS ENTRAR PARA A OPEP E DEIXAR O PETRÓLEO MAIS BARATO", diz Lula
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, 62, fala à "Spiegel" sobre o motivo de o Brasil querer ingressar na Opep, sobre o programa de biocombustíveis de seu país e o medo na Europa do deslocamento da América Latina para a esquerda.
Spiegel: Sr. presidente, quando o senhor tomou posse há cinco anos, muitos temiam que o senhor, sendo um ex-líder sindical, pudesse conduzir o país em uma direção socialista. Em vez disso, o senhor adotou políticas econômicas liberais que levaram o país a um crescimento econômico espetacular. O senhor abandonou os princípios de seu passado?
Lula: Como presidente, eu preciso atender a todos. Essa é a força da democracia. Alguém que é eleito pelo povo prestará tanta atenção às necessidades de um banqueiro quanto às de uma criança de rua e de um trabalhador, ao buscar um equilíbrio entre seus interesses individuais. Em 2003, nós tivemos que fazer algumas mudanças muito difíceis nas finanças do governo para que os brasileiros pudessem agora desfrutar de maior estabilidade. Na época, eu usei a confiança que os eleitores depositaram em mim para colocar nosso orçamento nacional em ordem.
Spiegel: Seu país pagou suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional e, desde então se tornou um lugar seguro no qual investir. Outros 20 milhões de cidadãos ingressaram na classe média. Todavia, ainda há uma enorme desigualdade entre ricos e pobres entre os 190 milhões de habitantes do Brasil. Como o senhor espera superá-la?
Lula: Ninguém pode eliminar as injustiças de séculos em apenas oito anos. Mas nós encontramos uma forma de superar a pobreza e que não é cara. Nós pagamos aos jovens um subsídio para que possam ir à escola e aprender uma profissão. Cerca de 400 mil jovens pobres que, no passado, nunca teriam uma chance de ter ensino superior, agora estão recebendo bolsas e mais de 40% deles são negros.
Spiegel: Uma guerra das drogas está transcorrendo em suas grandes cidades. Gangues armadas controlam grande parte das favelas no Rio de Janeiro. O governo perdeu o controle sobre as favelas?
Lula: Só a polícia não é suficiente para resolver o problema. O próprio governo deve fazer sua presença ser sentida e fornecer oportunidades, e então a violência diminuirá. Este é o motivo para estarmos limpando as maiores favelas de todo o país. Nós estamos fornecendo para elas água encanada, energia e sistemas de esgoto, escolas, hospitais e bibliotecas.
Enquanto nossa economia continuar crescendo a taxas entre 4% e 6% a longo prazo, nós poderemos continuar pagando por isso. Nós destinamos US$ 270 bilhões (R$ 449 bi) para a melhoria das favelas, assim como para a modernização da nossa infra-estrutura --nossos portos, estradas, ferrovias e aeroportos--, tudo sem realizar novos empréstimos.
Spiegel: E agora o Brasil também planeja se tornar uma potência produtora de petróleo?
Lula: Nós descobrimos reservas imensas de petróleo a 273 quilômetros da costa, a uma profundidade de 2.140 metros e sob uma camada de 5 mil metros de sal e rocha. Nós temos o know-how para explorar estas reservas. Nós esperamos começar a exploração-teste em março e começar a produzir petróleo em 2010. Então, o Brasil se tornará um grande exportador de petróleo. Nós queremos entrar para a Opep e tentar deixar o petróleo mais barato.
Spiegel: Até recentemente, o senhor estava elogiando os produtores de açúcar como os novos heróis nacionais. O Brasil depositou suas apostas no etanol, derivado de cana-de-açúcar, como o combustível do futuro. Mas, na Europa, o biocombustível agora é visto como ecologicamente suspeito.
Lula: O Brasil tem 33 anos de experiência com biocombustíveis. Os carros que são fabricados no nosso país vêm com motores que rodam com misturas de gasolina e álcool. Eles reduzem consideravelmente as emissões de CO2. As plantações de cana-de-açúcar são cortadas por cinco anos consecutivos.
Enquanto as plantas estão crescendo, elas capturam dióxido de carbono. A produção é tão barata que não tem concorrência.
Spiegel: Recentemente houve tumultos, do Haiti à Índia, devido ao aumento dos preços dos alimentos básicos. A plantação de biomassa para combustível ameaça a produção de grãos?
Lula: Eu posso entender que os europeus tenham essas dúvidas. Mas este argumento não se aplica à cana-de-açúcar brasileira ou ao nosso óleo de palma. A produção de combustível a partir de commodities alimentares básicos é, na verdade, injustificável. Mas são os Estados Unidos que usam milho como biocombustível, que então deixa de estar disponível como alimento, enquanto os europeus produzem energia a partir da beterraba, canola e trigo.
Eu sempre disse aos meus amigos europeus que não vale a pena reestruturar seus sistemas agrícolas bem organizados para produção de biocombustível. Nós, e os africanos, podemos fazer um trabalho bem melhor nesse sentido. A União Européia deve dar ao Terceiro Mundo a chance de produzir biocombustível. Além disso, nós não devemos esquecer que o custo mais alto do petróleo e dos fertilizantes também contribui para o preço mais alto dos alimentos. Isso é encoberto.
Spiegel: Mas a ampliação das terras agrícolas dedicadas à cana-de-açúcar tira espaço de plantações de milho e soja.
Lula: Nós temos abundância de terra --280 milhões de hectares de terra arável--, assim como temos abundância de sol e água. A cana-de-açúcar é cultivada em apenas 3% desta área. O Primeiro Mundo deve parar de subsidiar sua própria agricultura e suspender as altas tarifas protecionistas sobre as importações.
Spiegel: O governador do Estado do Mato Grosso, o maior produtor de soja do mundo, disse que mais floresta tropical precisa ser derrubada para atender à demanda por alimento, especialmente na China. O alto consumo de carne e soja nas economias emergentes leva à destruição do meio ambiente no Brasil?
Lula: Isso não é verdade. A região Amazônica não é adequada para pasto de gado. E o solo não é bom nem para cana-de-açúcar e nem para soja.
Spiegel: Mas o corte e queima ilegal continua.
Lula: Nós reforçamos nossos controles. O desmatamento caiu quase 60% no Brasil. Só que mais de 22 milhões de pessoas vivem na região amazônica. Elas também querem comer, dirigir carros e usar refrigeradores.
Spiegel: Governos de esquerda estão no poder em quase toda parte da América do Sul. Mas o continente está dividido em um movimento mais social-democrata, liderado por você, e um mais radical, moldado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ainda restam alguns pontos em comum dentro da esquerda latino-americana?
Lula: A esquerda na América do Sul ainda usa os mesmos slogans que a esquerda européia usava nos anos 20 e 30. Os políticos adotam uma posição mais radical nos lugares onde há fome e onde as pessoas não têm acesso ao ensino. Este continente foi agitado por golpes militares. Grupos guerrilheiros ainda estavam ativos em muitos países há apenas 20 anos.
Hoje todos nós concordamos --com a exceção das Farc na Colômbia-- que eleições são a única forma legítima de adquirir poder. As vitórias de Hugo Chávez, Evo Morales na Bolívia e outros, mais recentemente a de Fernando Lugo no Paraguai, significam progresso democrático. Já era hora de os presidentes eleitos serem realmente parte do povo.
Spiegel: Mas é precisamente Chávez, com seu conceito de socialismo para o século 21, que está interferindo nos assuntos internos de outros países, especialmente na região andina. Ele não está desestabilizando toda a região?
Lula: Ele talvez tenha problemas dentro de seu próprio país. Chávez é, sem dúvida, o melhor presidente da Venezuela nos últimos 100 anos. Todavia, ele tem bem menos influência do que as pessoas dizem. A Europa não tem necessidade de se preocupar com a esquerda na América Latina.
Spiegel: Uma guerra quase estourou recentemente entre a Colômbia e o Equador.
Lula: E foi onde Chávez provou ser um pacificador. Felizmente, a guerra na América Latina geralmente é travada apenas com palavras. A língua é nossa arma mais poderosa. Nós falamos demais!
Spiegel: Mas os "hot spots" na América do Sul não podem ser negados. Há uma ameaça de escalada na violência na Bolívia porque as províncias ricas estão buscando declarar sua autonomia. O senhor não pode exercer sua influência para prevenir maior derramamento de sangue?
Lula: O Brasil, juntamente com a Argentina e a Colômbia, formaram o Grupo de Amigos da Bolívia para ajudar o país. Quando o companheiro Evo estiver pronto para negociar, nós estaremos prontos para intermediar negociações.
Spiegel: O senhor adora Fidel Castro e o visitou em janeiro. Agora o irmão dele, Raúl, anunciou reformas econômicas. O Brasil pode ajudar o país a democratizar seu sistema?
Lula: Eu respeito o caminho que Cuba optou por seguir. Raúl está provando ser um sucessor capaz. Nós gostaríamos de ajudá-lo. Especialistas agrícolas brasileiros plantarão em Cuba 20 mil hectares de soja, que será a primeira plantação desse tipo na ilha. Nós também estamos construindo estradas e envolvidos na produção de produtos farmacêuticos. Os cubanos têm um alto nível de educação, e agora é hora de eles criarem a base para promover o próximo grande passo de desenvolvimento.
Spiegel: O senhor mantém uma amizade com os irmãos Castro e ainda assim tem um relacionamento excelente com o presidente americano George W. Bush. Como o senhor consegue este ato de equilibrismo?
Lula: Agora eu sei me mover entre campos políticos. Quando todos no mundo odiavam (o líder líbio Muammar) Gaddafi, eu fiz uma visita oficial a ele. Aquilo causou alvoroço --Lula está visitando o diabo!
Spiegel: É possível estar na esquerda latino-americana sem se rebelar contra os norte-americanos?
Lula: Há sempre um certo preço associado a ser uma grande potência, e isso também se aplica a nós, como gigante econômico da América do Sul. Os Estados Unidos sempre tentaram dominar a América Latina. Na Bolívia, o embaixador americano mobilizou as organizações internacionais de ajuda para difamar Evo Morales. Aqueles que agem dessa forma fazem inimigos. Eu aconselhei Bush a apoiar, em particular, a América Central e o Caribe com ajuda de desenvolvimento.
Spiegel: O Brasil e a China, duas potências econômicas em ascensão, entraram em uma aliança estratégica. Até o momento, isso levou os chineses a comprarem suas matérias-primas e inundarem o mercado com produtos baratos. O senhor não esperava mais deles?
Lula: Todos os países têm problemas com o poder econômico da China. Nós reconhecemos a China como uma economia de mercado, para que pudesse participar das negociações na Organização Mundial do Comércio. Agora, devemos assegurar que a China cumpra suas obrigações.
Spiegel: A Alemanha perdeu influência política e econômica no Brasil nos últimos anos. A França, Espanha e até mesmo a Holanda estão investindo mais. Como o senhor explica isso?
Lula: Eu entendo que os alemães se voltaram mais para o Leste após a queda do muro. Mas agora eles precisam voltar a prestar mais atenção ao Brasil e à América do Sul. Eles precisam pensar no potencial que esta região terá daqui a 10 ou 15 anos.
Nós planejamos construir três novas usinas hidrelétricas e duas usinas nucleares, assim como um trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo. Os espanhóis já estão envolvidos.
Eu gostaria de mostrar à chanceler alemã Angela Merkel mais do que apenas a capital durante sua próxima visita (de 13 a 15 de maio) ao Brasil. Eu gostaria de levá-la à região amazônica, até aos brasileiros de ascendência alemã em Blumenau e a uma visita à Volkswagen.
Spiegel: Após cinco anos no cargo, o senhor continua muito popular. O senhor planeja concorrer novamente?
Lula: Dois mandatos bastam. Caso contrário, a democracia se transforma em ditadura. A mudança faz bem para o país.
Spiegel: Mas então o senhor não acompanhará a final entre Alemanha e Brasil, na Copa do Mundo de 2014, como o anfitrião no Estádio do Maracanã, no Rio!
Lula: Certamente não como presidente, mas estarei lá como torcedor de futebol, o que eu prefiro.
Spiegel: Sr. presidente, muito obrigado pela entrevista.”
"NÓS QUEREMOS ENTRAR PARA A OPEP E DEIXAR O PETRÓLEO MAIS BARATO", diz Lula
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, 62, fala à "Spiegel" sobre o motivo de o Brasil querer ingressar na Opep, sobre o programa de biocombustíveis de seu país e o medo na Europa do deslocamento da América Latina para a esquerda.
Spiegel: Sr. presidente, quando o senhor tomou posse há cinco anos, muitos temiam que o senhor, sendo um ex-líder sindical, pudesse conduzir o país em uma direção socialista. Em vez disso, o senhor adotou políticas econômicas liberais que levaram o país a um crescimento econômico espetacular. O senhor abandonou os princípios de seu passado?
Lula: Como presidente, eu preciso atender a todos. Essa é a força da democracia. Alguém que é eleito pelo povo prestará tanta atenção às necessidades de um banqueiro quanto às de uma criança de rua e de um trabalhador, ao buscar um equilíbrio entre seus interesses individuais. Em 2003, nós tivemos que fazer algumas mudanças muito difíceis nas finanças do governo para que os brasileiros pudessem agora desfrutar de maior estabilidade. Na época, eu usei a confiança que os eleitores depositaram em mim para colocar nosso orçamento nacional em ordem.
Spiegel: Seu país pagou suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional e, desde então se tornou um lugar seguro no qual investir. Outros 20 milhões de cidadãos ingressaram na classe média. Todavia, ainda há uma enorme desigualdade entre ricos e pobres entre os 190 milhões de habitantes do Brasil. Como o senhor espera superá-la?
Lula: Ninguém pode eliminar as injustiças de séculos em apenas oito anos. Mas nós encontramos uma forma de superar a pobreza e que não é cara. Nós pagamos aos jovens um subsídio para que possam ir à escola e aprender uma profissão. Cerca de 400 mil jovens pobres que, no passado, nunca teriam uma chance de ter ensino superior, agora estão recebendo bolsas e mais de 40% deles são negros.
Spiegel: Uma guerra das drogas está transcorrendo em suas grandes cidades. Gangues armadas controlam grande parte das favelas no Rio de Janeiro. O governo perdeu o controle sobre as favelas?
Lula: Só a polícia não é suficiente para resolver o problema. O próprio governo deve fazer sua presença ser sentida e fornecer oportunidades, e então a violência diminuirá. Este é o motivo para estarmos limpando as maiores favelas de todo o país. Nós estamos fornecendo para elas água encanada, energia e sistemas de esgoto, escolas, hospitais e bibliotecas.
Enquanto nossa economia continuar crescendo a taxas entre 4% e 6% a longo prazo, nós poderemos continuar pagando por isso. Nós destinamos US$ 270 bilhões (R$ 449 bi) para a melhoria das favelas, assim como para a modernização da nossa infra-estrutura --nossos portos, estradas, ferrovias e aeroportos--, tudo sem realizar novos empréstimos.
Spiegel: E agora o Brasil também planeja se tornar uma potência produtora de petróleo?
Lula: Nós descobrimos reservas imensas de petróleo a 273 quilômetros da costa, a uma profundidade de 2.140 metros e sob uma camada de 5 mil metros de sal e rocha. Nós temos o know-how para explorar estas reservas. Nós esperamos começar a exploração-teste em março e começar a produzir petróleo em 2010. Então, o Brasil se tornará um grande exportador de petróleo. Nós queremos entrar para a Opep e tentar deixar o petróleo mais barato.
Spiegel: Até recentemente, o senhor estava elogiando os produtores de açúcar como os novos heróis nacionais. O Brasil depositou suas apostas no etanol, derivado de cana-de-açúcar, como o combustível do futuro. Mas, na Europa, o biocombustível agora é visto como ecologicamente suspeito.
Lula: O Brasil tem 33 anos de experiência com biocombustíveis. Os carros que são fabricados no nosso país vêm com motores que rodam com misturas de gasolina e álcool. Eles reduzem consideravelmente as emissões de CO2. As plantações de cana-de-açúcar são cortadas por cinco anos consecutivos.
Enquanto as plantas estão crescendo, elas capturam dióxido de carbono. A produção é tão barata que não tem concorrência.
Spiegel: Recentemente houve tumultos, do Haiti à Índia, devido ao aumento dos preços dos alimentos básicos. A plantação de biomassa para combustível ameaça a produção de grãos?
Lula: Eu posso entender que os europeus tenham essas dúvidas. Mas este argumento não se aplica à cana-de-açúcar brasileira ou ao nosso óleo de palma. A produção de combustível a partir de commodities alimentares básicos é, na verdade, injustificável. Mas são os Estados Unidos que usam milho como biocombustível, que então deixa de estar disponível como alimento, enquanto os europeus produzem energia a partir da beterraba, canola e trigo.
Eu sempre disse aos meus amigos europeus que não vale a pena reestruturar seus sistemas agrícolas bem organizados para produção de biocombustível. Nós, e os africanos, podemos fazer um trabalho bem melhor nesse sentido. A União Européia deve dar ao Terceiro Mundo a chance de produzir biocombustível. Além disso, nós não devemos esquecer que o custo mais alto do petróleo e dos fertilizantes também contribui para o preço mais alto dos alimentos. Isso é encoberto.
Spiegel: Mas a ampliação das terras agrícolas dedicadas à cana-de-açúcar tira espaço de plantações de milho e soja.
Lula: Nós temos abundância de terra --280 milhões de hectares de terra arável--, assim como temos abundância de sol e água. A cana-de-açúcar é cultivada em apenas 3% desta área. O Primeiro Mundo deve parar de subsidiar sua própria agricultura e suspender as altas tarifas protecionistas sobre as importações.
Spiegel: O governador do Estado do Mato Grosso, o maior produtor de soja do mundo, disse que mais floresta tropical precisa ser derrubada para atender à demanda por alimento, especialmente na China. O alto consumo de carne e soja nas economias emergentes leva à destruição do meio ambiente no Brasil?
Lula: Isso não é verdade. A região Amazônica não é adequada para pasto de gado. E o solo não é bom nem para cana-de-açúcar e nem para soja.
Spiegel: Mas o corte e queima ilegal continua.
Lula: Nós reforçamos nossos controles. O desmatamento caiu quase 60% no Brasil. Só que mais de 22 milhões de pessoas vivem na região amazônica. Elas também querem comer, dirigir carros e usar refrigeradores.
Spiegel: Governos de esquerda estão no poder em quase toda parte da América do Sul. Mas o continente está dividido em um movimento mais social-democrata, liderado por você, e um mais radical, moldado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ainda restam alguns pontos em comum dentro da esquerda latino-americana?
Lula: A esquerda na América do Sul ainda usa os mesmos slogans que a esquerda européia usava nos anos 20 e 30. Os políticos adotam uma posição mais radical nos lugares onde há fome e onde as pessoas não têm acesso ao ensino. Este continente foi agitado por golpes militares. Grupos guerrilheiros ainda estavam ativos em muitos países há apenas 20 anos.
Hoje todos nós concordamos --com a exceção das Farc na Colômbia-- que eleições são a única forma legítima de adquirir poder. As vitórias de Hugo Chávez, Evo Morales na Bolívia e outros, mais recentemente a de Fernando Lugo no Paraguai, significam progresso democrático. Já era hora de os presidentes eleitos serem realmente parte do povo.
Spiegel: Mas é precisamente Chávez, com seu conceito de socialismo para o século 21, que está interferindo nos assuntos internos de outros países, especialmente na região andina. Ele não está desestabilizando toda a região?
Lula: Ele talvez tenha problemas dentro de seu próprio país. Chávez é, sem dúvida, o melhor presidente da Venezuela nos últimos 100 anos. Todavia, ele tem bem menos influência do que as pessoas dizem. A Europa não tem necessidade de se preocupar com a esquerda na América Latina.
Spiegel: Uma guerra quase estourou recentemente entre a Colômbia e o Equador.
Lula: E foi onde Chávez provou ser um pacificador. Felizmente, a guerra na América Latina geralmente é travada apenas com palavras. A língua é nossa arma mais poderosa. Nós falamos demais!
Spiegel: Mas os "hot spots" na América do Sul não podem ser negados. Há uma ameaça de escalada na violência na Bolívia porque as províncias ricas estão buscando declarar sua autonomia. O senhor não pode exercer sua influência para prevenir maior derramamento de sangue?
Lula: O Brasil, juntamente com a Argentina e a Colômbia, formaram o Grupo de Amigos da Bolívia para ajudar o país. Quando o companheiro Evo estiver pronto para negociar, nós estaremos prontos para intermediar negociações.
Spiegel: O senhor adora Fidel Castro e o visitou em janeiro. Agora o irmão dele, Raúl, anunciou reformas econômicas. O Brasil pode ajudar o país a democratizar seu sistema?
Lula: Eu respeito o caminho que Cuba optou por seguir. Raúl está provando ser um sucessor capaz. Nós gostaríamos de ajudá-lo. Especialistas agrícolas brasileiros plantarão em Cuba 20 mil hectares de soja, que será a primeira plantação desse tipo na ilha. Nós também estamos construindo estradas e envolvidos na produção de produtos farmacêuticos. Os cubanos têm um alto nível de educação, e agora é hora de eles criarem a base para promover o próximo grande passo de desenvolvimento.
Spiegel: O senhor mantém uma amizade com os irmãos Castro e ainda assim tem um relacionamento excelente com o presidente americano George W. Bush. Como o senhor consegue este ato de equilibrismo?
Lula: Agora eu sei me mover entre campos políticos. Quando todos no mundo odiavam (o líder líbio Muammar) Gaddafi, eu fiz uma visita oficial a ele. Aquilo causou alvoroço --Lula está visitando o diabo!
Spiegel: É possível estar na esquerda latino-americana sem se rebelar contra os norte-americanos?
Lula: Há sempre um certo preço associado a ser uma grande potência, e isso também se aplica a nós, como gigante econômico da América do Sul. Os Estados Unidos sempre tentaram dominar a América Latina. Na Bolívia, o embaixador americano mobilizou as organizações internacionais de ajuda para difamar Evo Morales. Aqueles que agem dessa forma fazem inimigos. Eu aconselhei Bush a apoiar, em particular, a América Central e o Caribe com ajuda de desenvolvimento.
Spiegel: O Brasil e a China, duas potências econômicas em ascensão, entraram em uma aliança estratégica. Até o momento, isso levou os chineses a comprarem suas matérias-primas e inundarem o mercado com produtos baratos. O senhor não esperava mais deles?
Lula: Todos os países têm problemas com o poder econômico da China. Nós reconhecemos a China como uma economia de mercado, para que pudesse participar das negociações na Organização Mundial do Comércio. Agora, devemos assegurar que a China cumpra suas obrigações.
Spiegel: A Alemanha perdeu influência política e econômica no Brasil nos últimos anos. A França, Espanha e até mesmo a Holanda estão investindo mais. Como o senhor explica isso?
Lula: Eu entendo que os alemães se voltaram mais para o Leste após a queda do muro. Mas agora eles precisam voltar a prestar mais atenção ao Brasil e à América do Sul. Eles precisam pensar no potencial que esta região terá daqui a 10 ou 15 anos.
Nós planejamos construir três novas usinas hidrelétricas e duas usinas nucleares, assim como um trem de alta velocidade entre Rio e São Paulo. Os espanhóis já estão envolvidos.
Eu gostaria de mostrar à chanceler alemã Angela Merkel mais do que apenas a capital durante sua próxima visita (de 13 a 15 de maio) ao Brasil. Eu gostaria de levá-la à região amazônica, até aos brasileiros de ascendência alemã em Blumenau e a uma visita à Volkswagen.
Spiegel: Após cinco anos no cargo, o senhor continua muito popular. O senhor planeja concorrer novamente?
Lula: Dois mandatos bastam. Caso contrário, a democracia se transforma em ditadura. A mudança faz bem para o país.
Spiegel: Mas então o senhor não acompanhará a final entre Alemanha e Brasil, na Copa do Mundo de 2014, como o anfitrião no Estádio do Maracanã, no Rio!
Lula: Certamente não como presidente, mas estarei lá como torcedor de futebol, o que eu prefiro.
Spiegel: Sr. presidente, muito obrigado pela entrevista.”
COMEÇA A CHEGAR A CONTA DOS TUCANOS (PHA)
O blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim (ver PHA em “recomendamos”, à direita), publicou ontem um interessante texto com o título acima. Com a sua sagacidade e o seu irônico estilo próprio, abordou algumas falcatruas tucanas e a proteção da grande mídia a eles. Transcrevo o artigo, omitindo os links para outros textos, que constam no blog de Paulo Henrique Amorim.
“COMEÇA A CHEGAR A CONTA DOS TUCANOS
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista."
"Os americanos usam com freqüência a expressão “chickens come home to roost“ – ou “a galinha sempre volta ao poleiro”. Quer dizer: o que você fez de errado no passado um dia vai te atormentar. Outra forma de dizer: quem dorme com cachorro acorda com as pulgas.
O PiG sempre blindou os tucanos.
Era muito fácil: bastava ligar para o Dr. Roberto, para o “Seu” Frias e para o Ruy Mesquita (ao Roberto Civita bastava um assessor passar o recado). Com três telefonemas se fazia a censura à imprensa brasileira.
O presidente eleito José Serquércia, por exemplo: não precisa nem da TV Cultura: ele tem a Globo de São Paulo ...
Embora o Governo Lula tenha cometido o erro histórico de não enfrentar ou buscar alternativas ao PiG, a situação se modificou um pouco. Por exemplo:
Magistrados suíços resolveram investigar a Alstom francesa.
O PiG, como sempre, vai tentar circunscrever a roubalheira a um espaço fora das administrações Covas/Alckmin em São Paulo.
Vai ser difícil. Os magistrados suíços não devem ler o PiG.
Além do mais, a Alstom fez contratos milionários com o metrô do Rio, no tempo em que Daniel Dantas controlava o metrô do Rio. Eventualmente, os magistrados suíços podem esbarrar no Dantas, já que na Justiça brasileira ele não perde uma ...
Porém, há novas denúncias que envolvem ilustres tucanos.
O Estadão (sábado, pág A9, e domingo, pág A9) mostra que o Ministério Público denuncia um senador do PSDB de Goiás, o ex-governador Marconi Perillo, de “formação de quadrilha, fraude processual, peculato, caixa dois, e outros crimes eleitorais cometidos durante a campanha de 2006 e no início de 2007”.
É o chamado básico dos crimes eleitorais. Uma espécie de “melhores momentos” dos crimes eleitorais.
Este senador, como se sabe, preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado e foi ele quem convocou a Ministra Dilma Rousseff para aquele célebre depoimento em que o senador Agripino Maia lançou a candidatura de Rousseff a Presidente.
O senador Perillo também foi intermediário de uma negociação entre o Governo e a oposição para salvar a CPMF – o Governo se comprometia a usar TODO o dinheiro na Saúde e o Senado mantinha a CPMF.
Perillo concordou com a idéia. E em seguida fez um dos mais veementes discursos contra a CPMF...
Outra denúncia de corrupção atinge a tucana Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul. Personagem importante da reportagem de Leandro Fortes é Lair Frest, acusado de montar o caixa dois tucano no Rio Grande do Sul.
A Polícia Federal prendeu 13 pessoas e indiciou outras 39 por desvio de R$ 40 milhões diz a Carta.
É coisa de tucano: muita grana e pouca publicidade ...
Daqui a pouco, a galinha dos tucanos de São Paulo volta para o poleiro...”
“COMEÇA A CHEGAR A CONTA DOS TUCANOS
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista."
"Os americanos usam com freqüência a expressão “chickens come home to roost“ – ou “a galinha sempre volta ao poleiro”. Quer dizer: o que você fez de errado no passado um dia vai te atormentar. Outra forma de dizer: quem dorme com cachorro acorda com as pulgas.
O PiG sempre blindou os tucanos.
Era muito fácil: bastava ligar para o Dr. Roberto, para o “Seu” Frias e para o Ruy Mesquita (ao Roberto Civita bastava um assessor passar o recado). Com três telefonemas se fazia a censura à imprensa brasileira.
O presidente eleito José Serquércia, por exemplo: não precisa nem da TV Cultura: ele tem a Globo de São Paulo ...
Embora o Governo Lula tenha cometido o erro histórico de não enfrentar ou buscar alternativas ao PiG, a situação se modificou um pouco. Por exemplo:
Magistrados suíços resolveram investigar a Alstom francesa.
O PiG, como sempre, vai tentar circunscrever a roubalheira a um espaço fora das administrações Covas/Alckmin em São Paulo.
Vai ser difícil. Os magistrados suíços não devem ler o PiG.
Além do mais, a Alstom fez contratos milionários com o metrô do Rio, no tempo em que Daniel Dantas controlava o metrô do Rio. Eventualmente, os magistrados suíços podem esbarrar no Dantas, já que na Justiça brasileira ele não perde uma ...
Porém, há novas denúncias que envolvem ilustres tucanos.
O Estadão (sábado, pág A9, e domingo, pág A9) mostra que o Ministério Público denuncia um senador do PSDB de Goiás, o ex-governador Marconi Perillo, de “formação de quadrilha, fraude processual, peculato, caixa dois, e outros crimes eleitorais cometidos durante a campanha de 2006 e no início de 2007”.
É o chamado básico dos crimes eleitorais. Uma espécie de “melhores momentos” dos crimes eleitorais.
Este senador, como se sabe, preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado e foi ele quem convocou a Ministra Dilma Rousseff para aquele célebre depoimento em que o senador Agripino Maia lançou a candidatura de Rousseff a Presidente.
O senador Perillo também foi intermediário de uma negociação entre o Governo e a oposição para salvar a CPMF – o Governo se comprometia a usar TODO o dinheiro na Saúde e o Senado mantinha a CPMF.
Perillo concordou com a idéia. E em seguida fez um dos mais veementes discursos contra a CPMF...
Outra denúncia de corrupção atinge a tucana Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul. Personagem importante da reportagem de Leandro Fortes é Lair Frest, acusado de montar o caixa dois tucano no Rio Grande do Sul.
A Polícia Federal prendeu 13 pessoas e indiciou outras 39 por desvio de R$ 40 milhões diz a Carta.
É coisa de tucano: muita grana e pouca publicidade ...
Daqui a pouco, a galinha dos tucanos de São Paulo volta para o poleiro...”
HOJE, 13 DE MAIO, 120 ANOS DE LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS?
Esta data carrega conceitos muito importantes para toda a humanidade. Merece algumas reflexões, mesmo que ocupem um pouco mais do espaço usual de artigos deste blog.
Ao reler textos sobre o assunto, lembrei-me de alguns muito bons sobre abolicionismo publicados no portal UOL Educação, “Página 3, Pedagogia & Comunicação”.
O primeiro é “Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim à escravidão”. O segundo é “Escravos eram base da economia colonial e imperial’. O terceiro é “Trabalho compulsório ainda existe no Brasil”. Todos os três são de autoria de Antonio Carlos Olivieri.
Em um artigo de 05/10/2007 publicado no “Le Monde Diplomatique”, li os seguintes dados sobre o autor: “Antonio Carlos Olivieri, 50 anos, nasceu no Rio de Janeiro, mas veio para SP aos 4 anos. Cresceu no Edifício Copan e se considera paulistano da gema. É formado em Letras pela USP e em jornalismo por exercício da profissão. É autor de livros paradidáticos e ficção infanto-juvenil. Dirige a Página 3 Pedagogia & Comunicação, empresa de educação à distância e conteúdos didáticos digitais.”
Vale a pena ler a íntegra desses três artigos citados, de Antônio Carlos Olivieri. Todavia, como eles são muito extensos para aqui publicá-los por completo, tomei a liberdade de fazer uma composição e um resumo deles:
A ORIGEM DA ESCRAVIDÃO
“A origem da escravidão ou do trabalho compulsório se perde nos tempos, aproximando-se das origens da própria civilização humana. Segundo o antropólogo Gordon Childe, em um determinado momento da pré-história, os homens perceberam que os prisioneiros de guerra - normalmente sacrificados em cultos religiosos - poderiam ser usados para o trabalho ou "domesticados" como os animais.
Nas civilizações da Antigüidade - Egito, Babilônia, Grécia, Roma... - a escravidão era uma prática constante.
Somente na Idade Medida, com a reestruturação da sociedade européia de acordo com a ordem feudal, a escravidão foi substituída pela servidão, uma forma mais branda, por assim dizer, do trabalho compulsório.
GRANDES NAVEGAÇÕES
Em termos mundiais, a escravidão ressurgiu com o mercantilismo ou capitalismo comercial, concomitantemente à época das grandes navegações.
O uso da mão-de-obra escrava - em especial do negro africano - desenvolveu-se nas colônias de além mar de países como Espanha, Portugal, Holanda, França e Inglaterra.
ESCRAVIZAÇÃO INDÍGENA
Em meados do século 16, quando a cana-de-açúcar começou a substituir o pau-brasil como o principal produto da Colônia, desenvolveram-se primeiramente tentativas de escravizar os índios.
Entretanto, diversos fatores concorreram para o fracasso desse empreendimento: em primeiro lugar, o trabalho intensivo, regular e compulsório não fazia parte da cultura indígena, acostumado a fazer somente o necessário para garantir a sua sobrevivência, através da coleta, da caça e da pesca. Em segundo lugar, ocorria uma contradição de interesses entre os colonizadores e os missionários cristãos, que visavam catequizar os índios e se opunham à sua escravização.
Por sua vez, os índios também reagiam à escravização seja enfrentando os colonizadores através da guerra, seja fugindo para lugares longínquos no interior da selva onde era quase impossível capturá-los. Finalmente, há que se considerar que o contato entre brancos e índios foi desastroso para estes últimos no tocante à saúde. Os índios não conheciam – e, portanto, não tinham defesas biológicas - contra doenças como a gripe, o sarampo e a varíola, que os vitimaram às dezenas de milhares, provocando uma verdadeira catástrofe demográfica.
NEGROS AFRICANOS
Entretanto, os portugueses já contavam com alternativa em matéria de trabalho escravo. Desde a colonização da costa africana, no século 15, os portugueses já haviam redescoberto o trabalho escravo que desaparecera da Europa na Idade Média, mas que continuava a existir nas sociedades existentes na África. Desse modo, os portugueses já haviam montado uma rede de comércio negreiro, utilizando-se de escravos negros nas plantações de cana-de-açúcar em suas ilhas do Atlântico (Açores, Madeira).
COMO COMEÇOU O MOVIMENTO ABOLICIONISTA NO BRASIL?
O abolicionismo foi um produto da década de 1880. Até então, o que houvia foram tentativas emancipacionistas que queriam a extinção gradual do trabalho escravo, enquanto os abolicionistas desejavam a abolição total e imediata da escravidão.
Antes da lei áurea, a escravidão vinha perdendo força, não?
Sim. O primeiro golpe na escravatura foi a abolição do tráfico negreiro, ocorrido depois de 40 anos de pressões britânicas, através da lei Eusébio de Queirós, de 1850. Para os escravocratas, isso criou o problema de manter o trabalho compulsório sem o constante fluxo de mão-de-obra proveniente da África, devido à alta taxa de mortalidade entre os cativos causada pelas longas jornadas de trabalho, epidemias, castigos corporais e péssimas condições de alimentação e habitação.
Houve outros fatores que favorecessem o emancipacionismo?
Sim, vários acontecimentos dos anos 1860. Por exemplo, a guerra do Paraguai, que se estendeu de 1864 a 1870. Milhares de escravos foram libertados para combater no lugar de seus proprietários. Além disso, houve a guerra civil americana, entre 1861 e 1865, que terminou com a vitória dos nortistas, favoráveis ao fim da escravatura. Houve a extinção da servidão na Rússia em 1861 e o fim da escravidão nos impérios francês e português. Tudo isso impulsionou o movimento emancipacionista aqui.
Joaquim Nabuco, aliás, merece destaque nessa história...
Certamente, a grande figura do movimento abolicionista, seu maior tribuno, foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888, foi o principal representante parlamentar dos abolicionistas. Excelente orador e polemista, escreveu vários libelos antiescravistas e buscou apoio na Europa para o movimento, transformando-se num de seus símbolos e no alvo predileto do ódio dos escravocratas.
PRINCESA ISABEL SANCIONOU A LEI QUE PÔS FIM À ESCRAVIDÃO
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. "Áurea" quer dizer "de ouro" e a expressão refere-se ao caráter glorioso da lei que pôs fim a essa forma desumana de exploração do trabalho. Em território brasileiro, a escravidão vigorou por cerca de três séculos, do início da colonização à assinatura da lei Áurea.
Apesar disso, ainda hoje, tanto no Brasil quanto em outros países do mundo, há formas de trabalho semelhantes à escravidão.
A sanção ou aprovação da lei foi, principalmente, o resultado da campanha abolicionista que se desenvolvia no Brasil desde a década de 1870, mas não se pode negar o empenho pessoal da princesa Isabel, então regente do Império do Brasil, para sua aprovação. Primeira senadora brasileira e primeira mulher a assumir uma chefia de Estado no continente americano, a princesa Isabel se revelou uma política liberal nas três vezes que exerceu a Regência do país.
Abolicionista convicta, já havia lutado pela aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871, e financiava com dinheiro próprio não só a alforria de dezenas de escravos, mas também o Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas - a flor-símbolo da abolição.
BATALHA PARLAMENTAR
A terceira regência da princesa Isabel, iniciada a 3 de junho de 1887, foi marcada pelas relações tensas da regente com o Ministério, presidido pelo conservador João Maurício Wanderley (1815-1889), o Barão de Cotegipe. Na verdade, a princesa forçou Cotegipe a demitir-se, nomeando, em março de 1888, o liberal João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1915), para primeiro-ministro.
Com João Alfredo à frente da Assembléia Nacional (que equivale ao atual Congresso), os abolicionistas conseguiram enfrentar a resistência dos representantes dos proprietários de escravos e levar o projeto de lei à votação. Conseguiram, também, evitar que o Estado brasileiro indenizasse os proprietários de escravos pelo fim da escravidão - conforme eles pleitearam no poder Legislativo e Judiciário.
Para a família imperial brasileira e para a própria Isabel, o custo da luta da princesa foi alto. O fim da escravatura fez ruir as últimas bases de sustentação do regime monarquista. Cerca de um ano e meio depois, a República foi proclamada.
COLONOS ENDIVIDADOS
Os imigrantes europeus e orientais que para cá vieram no fim do século 19 substituir a mão de obra escrava, recebiam um tratamento que se poderia considerar semelhante à escravidão.
Na década de 1890, por exemplo, denunciavam-se em embaixadas estrangeiras as condições de vida a que eram submetidos os imigrantes europeus. Eram obrigados a comprar dos fazendeiros para quem trabalhavam as roupas que usavam, as ferramentas para o trabalho, sua própria alimentação, de modo que, ao fim do mês, em vez de um salário, recebiam uma lista de dívidas que haviam contraído, o que os obrigava a continuar trabalhando para os mesmos patrões.
Pior: a situação descrita no parágrafo anterior continua a existir no exato momento em que estas linhas são escritas e que você lê este texto.
Desde a década de 1970, existem denúncias de que o trabalho escravo - apesar de constituir um crime - continua praticado no Brasil. O método empregado é o mesmo que se usava com os imigrantes, ou seja, forçar o trabalhador a endividar-se, de modo que ele seja forçado a trabalhar para pagar sua dívida. Para evitar fugas, capangas armados são espalhados nas fazendas, atuando como "neofeitores" ou capitães do mato.
SÃO PAULO
Mas ninguém pense que a escravidão no Brasil de hoje se restringe às regiões rurais. Em 21 de agosto de 2004 o Ministério do Trabalho pegou em flagrante o uso de trabalho escravo numa confecção do Bom Retiro, um bairro na região central da capital paulista. Tratava-se de imigrantes ilegais - paraguaios, bolivianos e peruanos - submetidos a uma jornada de mais de 16 horas de trabalho, em condições degradantes e monitorados pelos donos da empresa por circuitos fechados de TV.
12,3 MILHÕES DE ESCRAVOS NO MUNDO
Também não se pense que o trabalho escravo ou semi-escravo continua a existir exclusivamente no Brasil. A prática se mantém em diversos países da África e da Ásia (especialmente na China), mas é de se supor que o trabalho em condições precárias e de grande exploração esteja presente em todos os países ricos onde é grande o fluxo de imigrantes, como os Estados Unidos e a União Européia."
Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas, em maio de 2005, indica que existem cerca de 12,3 milhões de escravos no mundo todo, dos quais entre 40% e 50% são crianças.”
Ao reler textos sobre o assunto, lembrei-me de alguns muito bons sobre abolicionismo publicados no portal UOL Educação, “Página 3, Pedagogia & Comunicação”.
O primeiro é “Princesa Isabel sancionou a lei que pôs fim à escravidão”. O segundo é “Escravos eram base da economia colonial e imperial’. O terceiro é “Trabalho compulsório ainda existe no Brasil”. Todos os três são de autoria de Antonio Carlos Olivieri.
Em um artigo de 05/10/2007 publicado no “Le Monde Diplomatique”, li os seguintes dados sobre o autor: “Antonio Carlos Olivieri, 50 anos, nasceu no Rio de Janeiro, mas veio para SP aos 4 anos. Cresceu no Edifício Copan e se considera paulistano da gema. É formado em Letras pela USP e em jornalismo por exercício da profissão. É autor de livros paradidáticos e ficção infanto-juvenil. Dirige a Página 3 Pedagogia & Comunicação, empresa de educação à distância e conteúdos didáticos digitais.”
Vale a pena ler a íntegra desses três artigos citados, de Antônio Carlos Olivieri. Todavia, como eles são muito extensos para aqui publicá-los por completo, tomei a liberdade de fazer uma composição e um resumo deles:
A ORIGEM DA ESCRAVIDÃO
“A origem da escravidão ou do trabalho compulsório se perde nos tempos, aproximando-se das origens da própria civilização humana. Segundo o antropólogo Gordon Childe, em um determinado momento da pré-história, os homens perceberam que os prisioneiros de guerra - normalmente sacrificados em cultos religiosos - poderiam ser usados para o trabalho ou "domesticados" como os animais.
Nas civilizações da Antigüidade - Egito, Babilônia, Grécia, Roma... - a escravidão era uma prática constante.
Somente na Idade Medida, com a reestruturação da sociedade européia de acordo com a ordem feudal, a escravidão foi substituída pela servidão, uma forma mais branda, por assim dizer, do trabalho compulsório.
GRANDES NAVEGAÇÕES
Em termos mundiais, a escravidão ressurgiu com o mercantilismo ou capitalismo comercial, concomitantemente à época das grandes navegações.
O uso da mão-de-obra escrava - em especial do negro africano - desenvolveu-se nas colônias de além mar de países como Espanha, Portugal, Holanda, França e Inglaterra.
ESCRAVIZAÇÃO INDÍGENA
Em meados do século 16, quando a cana-de-açúcar começou a substituir o pau-brasil como o principal produto da Colônia, desenvolveram-se primeiramente tentativas de escravizar os índios.
Entretanto, diversos fatores concorreram para o fracasso desse empreendimento: em primeiro lugar, o trabalho intensivo, regular e compulsório não fazia parte da cultura indígena, acostumado a fazer somente o necessário para garantir a sua sobrevivência, através da coleta, da caça e da pesca. Em segundo lugar, ocorria uma contradição de interesses entre os colonizadores e os missionários cristãos, que visavam catequizar os índios e se opunham à sua escravização.
Por sua vez, os índios também reagiam à escravização seja enfrentando os colonizadores através da guerra, seja fugindo para lugares longínquos no interior da selva onde era quase impossível capturá-los. Finalmente, há que se considerar que o contato entre brancos e índios foi desastroso para estes últimos no tocante à saúde. Os índios não conheciam – e, portanto, não tinham defesas biológicas - contra doenças como a gripe, o sarampo e a varíola, que os vitimaram às dezenas de milhares, provocando uma verdadeira catástrofe demográfica.
NEGROS AFRICANOS
Entretanto, os portugueses já contavam com alternativa em matéria de trabalho escravo. Desde a colonização da costa africana, no século 15, os portugueses já haviam redescoberto o trabalho escravo que desaparecera da Europa na Idade Média, mas que continuava a existir nas sociedades existentes na África. Desse modo, os portugueses já haviam montado uma rede de comércio negreiro, utilizando-se de escravos negros nas plantações de cana-de-açúcar em suas ilhas do Atlântico (Açores, Madeira).
COMO COMEÇOU O MOVIMENTO ABOLICIONISTA NO BRASIL?
O abolicionismo foi um produto da década de 1880. Até então, o que houvia foram tentativas emancipacionistas que queriam a extinção gradual do trabalho escravo, enquanto os abolicionistas desejavam a abolição total e imediata da escravidão.
Antes da lei áurea, a escravidão vinha perdendo força, não?
Sim. O primeiro golpe na escravatura foi a abolição do tráfico negreiro, ocorrido depois de 40 anos de pressões britânicas, através da lei Eusébio de Queirós, de 1850. Para os escravocratas, isso criou o problema de manter o trabalho compulsório sem o constante fluxo de mão-de-obra proveniente da África, devido à alta taxa de mortalidade entre os cativos causada pelas longas jornadas de trabalho, epidemias, castigos corporais e péssimas condições de alimentação e habitação.
Houve outros fatores que favorecessem o emancipacionismo?
Sim, vários acontecimentos dos anos 1860. Por exemplo, a guerra do Paraguai, que se estendeu de 1864 a 1870. Milhares de escravos foram libertados para combater no lugar de seus proprietários. Além disso, houve a guerra civil americana, entre 1861 e 1865, que terminou com a vitória dos nortistas, favoráveis ao fim da escravatura. Houve a extinção da servidão na Rússia em 1861 e o fim da escravidão nos impérios francês e português. Tudo isso impulsionou o movimento emancipacionista aqui.
Joaquim Nabuco, aliás, merece destaque nessa história...
Certamente, a grande figura do movimento abolicionista, seu maior tribuno, foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888, foi o principal representante parlamentar dos abolicionistas. Excelente orador e polemista, escreveu vários libelos antiescravistas e buscou apoio na Europa para o movimento, transformando-se num de seus símbolos e no alvo predileto do ódio dos escravocratas.
PRINCESA ISABEL SANCIONOU A LEI QUE PÔS FIM À ESCRAVIDÃO
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a lei Áurea que aboliu a escravidão no Brasil. "Áurea" quer dizer "de ouro" e a expressão refere-se ao caráter glorioso da lei que pôs fim a essa forma desumana de exploração do trabalho. Em território brasileiro, a escravidão vigorou por cerca de três séculos, do início da colonização à assinatura da lei Áurea.
Apesar disso, ainda hoje, tanto no Brasil quanto em outros países do mundo, há formas de trabalho semelhantes à escravidão.
A sanção ou aprovação da lei foi, principalmente, o resultado da campanha abolicionista que se desenvolvia no Brasil desde a década de 1870, mas não se pode negar o empenho pessoal da princesa Isabel, então regente do Império do Brasil, para sua aprovação. Primeira senadora brasileira e primeira mulher a assumir uma chefia de Estado no continente americano, a princesa Isabel se revelou uma política liberal nas três vezes que exerceu a Regência do país.
Abolicionista convicta, já havia lutado pela aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871, e financiava com dinheiro próprio não só a alforria de dezenas de escravos, mas também o Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas - a flor-símbolo da abolição.
BATALHA PARLAMENTAR
A terceira regência da princesa Isabel, iniciada a 3 de junho de 1887, foi marcada pelas relações tensas da regente com o Ministério, presidido pelo conservador João Maurício Wanderley (1815-1889), o Barão de Cotegipe. Na verdade, a princesa forçou Cotegipe a demitir-se, nomeando, em março de 1888, o liberal João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1915), para primeiro-ministro.
Com João Alfredo à frente da Assembléia Nacional (que equivale ao atual Congresso), os abolicionistas conseguiram enfrentar a resistência dos representantes dos proprietários de escravos e levar o projeto de lei à votação. Conseguiram, também, evitar que o Estado brasileiro indenizasse os proprietários de escravos pelo fim da escravidão - conforme eles pleitearam no poder Legislativo e Judiciário.
Para a família imperial brasileira e para a própria Isabel, o custo da luta da princesa foi alto. O fim da escravatura fez ruir as últimas bases de sustentação do regime monarquista. Cerca de um ano e meio depois, a República foi proclamada.
COLONOS ENDIVIDADOS
Os imigrantes europeus e orientais que para cá vieram no fim do século 19 substituir a mão de obra escrava, recebiam um tratamento que se poderia considerar semelhante à escravidão.
Na década de 1890, por exemplo, denunciavam-se em embaixadas estrangeiras as condições de vida a que eram submetidos os imigrantes europeus. Eram obrigados a comprar dos fazendeiros para quem trabalhavam as roupas que usavam, as ferramentas para o trabalho, sua própria alimentação, de modo que, ao fim do mês, em vez de um salário, recebiam uma lista de dívidas que haviam contraído, o que os obrigava a continuar trabalhando para os mesmos patrões.
Pior: a situação descrita no parágrafo anterior continua a existir no exato momento em que estas linhas são escritas e que você lê este texto.
Desde a década de 1970, existem denúncias de que o trabalho escravo - apesar de constituir um crime - continua praticado no Brasil. O método empregado é o mesmo que se usava com os imigrantes, ou seja, forçar o trabalhador a endividar-se, de modo que ele seja forçado a trabalhar para pagar sua dívida. Para evitar fugas, capangas armados são espalhados nas fazendas, atuando como "neofeitores" ou capitães do mato.
SÃO PAULO
Mas ninguém pense que a escravidão no Brasil de hoje se restringe às regiões rurais. Em 21 de agosto de 2004 o Ministério do Trabalho pegou em flagrante o uso de trabalho escravo numa confecção do Bom Retiro, um bairro na região central da capital paulista. Tratava-se de imigrantes ilegais - paraguaios, bolivianos e peruanos - submetidos a uma jornada de mais de 16 horas de trabalho, em condições degradantes e monitorados pelos donos da empresa por circuitos fechados de TV.
12,3 MILHÕES DE ESCRAVOS NO MUNDO
Também não se pense que o trabalho escravo ou semi-escravo continua a existir exclusivamente no Brasil. A prática se mantém em diversos países da África e da Ásia (especialmente na China), mas é de se supor que o trabalho em condições precárias e de grande exploração esteja presente em todos os países ricos onde é grande o fluxo de imigrantes, como os Estados Unidos e a União Européia."
Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), da Organização das Nações Unidas, em maio de 2005, indica que existem cerca de 12,3 milhões de escravos no mundo todo, dos quais entre 40% e 50% são crianças.”
PETROBRAS: 4ª DO MUNDO
Os brasileiros devem rezar fervorosamente em agradecimento pelo milagre de o governo PSDB/PFL-DEM/FHC não ter conseguido concluir a desestatização e a venda integral da empresa para estrangeiros, como já estava em curso.
O processo tucano-pefelento contra a Petrobras tomou impulso quando, em 1995, modificaram capciosamente o artigo 177 da Constituição Federal. Prosseguiu em 1997, quando promulgaram a Lei nº 9.478. Muitos outros danos ao patrimônio brasileiro foram perpetrados e são de muito difícil correção.
Somente os dois atos citados permitiram contratos de concessão para estrangeiros explorarem petróleo no Brasil com o surpreendente benefício (além de gordos lucros com baixos riscos) de poderem fazer com o produto o que bem entenderem, inclusive exportá-lo integralmente, mesmo em situação de carência no mercado brasileiro.
As benesses concedidas pelo governo PSDB/PFL-DEM/FHC aos estrangeiros, estatais e privados, foram perplexantes, à custa de um patrimônio que a Nação havia acumulado em décadas de empenho e sacrifício.
Felizmente, não conseguiram vender ou doar tudo. Por isso, querem voltar ao poder para concluir a devastação. A grande imprensa brasileira, movida por enormes interesses externos, econômicos, financeiros e geopolíticos, apóia e até conduz as ações desse grupo eufemicamente denominado de “conservador e democrata modernizante”.
Essas lembranças e reflexões me assomaram quando li no blog do Favre hoje a matéria abaixo, do site Valor e de autoria de Graziella Valenti e Cláudia Schüffner. Ela nos traz a importante notícia de que a Petrobras atingiu ontem a quarta colocação no mundo em valor de mercado.
“NUNCA A PETROBRAS VALEU TANTO; É A QUARTA MAIOR COMPANHIA DE PETRÓLEO DO MUNDO"
Petrobras já bate Shell e é a 4ª no setor
“Nunca a Petrobras valeu tanto. Com US$ 267,5 bilhões atingidos ontem, tornou-se a quarta maior companhia de petróleo do mundo por valor de mercado, só atrás da ExxonMobil, da Petrochina e da Gazprom. Sua avaliação pulou à frente até mesmo da Shell - US$ 14,7 bilhões a mais.
O lucro da empresa no primeiro trimestre atingiu R$ 6,92 bilhões, com um avanço de 68% em relação ao mesmo período de 2007.
Preocupações com a produção, que não acompanha o ritmo projetado, explicam o motivo de a ação da companhia, mesmo em sua máxima, ter desempenho inferior ao do Índice Bovespa no ano - 4,16% ante 10,22%. Ontem, fechou a R$ 45,75.”
O processo tucano-pefelento contra a Petrobras tomou impulso quando, em 1995, modificaram capciosamente o artigo 177 da Constituição Federal. Prosseguiu em 1997, quando promulgaram a Lei nº 9.478. Muitos outros danos ao patrimônio brasileiro foram perpetrados e são de muito difícil correção.
Somente os dois atos citados permitiram contratos de concessão para estrangeiros explorarem petróleo no Brasil com o surpreendente benefício (além de gordos lucros com baixos riscos) de poderem fazer com o produto o que bem entenderem, inclusive exportá-lo integralmente, mesmo em situação de carência no mercado brasileiro.
As benesses concedidas pelo governo PSDB/PFL-DEM/FHC aos estrangeiros, estatais e privados, foram perplexantes, à custa de um patrimônio que a Nação havia acumulado em décadas de empenho e sacrifício.
Felizmente, não conseguiram vender ou doar tudo. Por isso, querem voltar ao poder para concluir a devastação. A grande imprensa brasileira, movida por enormes interesses externos, econômicos, financeiros e geopolíticos, apóia e até conduz as ações desse grupo eufemicamente denominado de “conservador e democrata modernizante”.
Essas lembranças e reflexões me assomaram quando li no blog do Favre hoje a matéria abaixo, do site Valor e de autoria de Graziella Valenti e Cláudia Schüffner. Ela nos traz a importante notícia de que a Petrobras atingiu ontem a quarta colocação no mundo em valor de mercado.
“NUNCA A PETROBRAS VALEU TANTO; É A QUARTA MAIOR COMPANHIA DE PETRÓLEO DO MUNDO"
Petrobras já bate Shell e é a 4ª no setor
“Nunca a Petrobras valeu tanto. Com US$ 267,5 bilhões atingidos ontem, tornou-se a quarta maior companhia de petróleo do mundo por valor de mercado, só atrás da ExxonMobil, da Petrochina e da Gazprom. Sua avaliação pulou à frente até mesmo da Shell - US$ 14,7 bilhões a mais.
O lucro da empresa no primeiro trimestre atingiu R$ 6,92 bilhões, com um avanço de 68% em relação ao mesmo período de 2007.
Preocupações com a produção, que não acompanha o ritmo projetado, explicam o motivo de a ação da companhia, mesmo em sua máxima, ter desempenho inferior ao do Índice Bovespa no ano - 4,16% ante 10,22%. Ontem, fechou a R$ 45,75.”
segunda-feira, 12 de maio de 2008
A ‘IV FROTA’ DA US NAVY E A ALARDEADA ‘CORRIDA ARMAMENTISTA’ DESENCADEADA POR CHÁVEZ
A IV FROTA NORTE-AMERICANA
Este blog já se preocupou com o intrigante assunto em 28 de abril último. Naquele dia, postamos o artigo “EUA destinam porta-aviões nuclear ‘contraterrorismo’ na América Latina!”
Relembro partes daquela postagem:
“A Marinha norte-americana anunciou que está recriando sua “Quarta Frota”, que será responsável pelos navios, submarinos e aeronaves dos EUA em operação na América do Sul, Central e no Caribe. A esquadra somente existiu na década da Segunda Guerra Mundial, entre 1943 e 1950. A nova força deverá ser liderada por um porta-aviões nuclear.
JUSTIFICATIVAS AMERICANAS E DOS “CONSERVADORES” BRASILEIROS
O governo dos EUA já externou que considera a nossa região de Foz do Iguaçu (onde está Itaipu), a "tríplice fronteira", como "foco de terrorismo". Em 2002, ano da eleição de Lula, o Pentágono considerou a hipótese de lançar um grande ataque de surpresa naquela região, segundo divulgado em 2004 pela nossa grande mídia (ver artigos da nossa série "Guerras recentes dos EUA").
Todavia, é um exercício de imaginação desafiador até para especialistas da área conceber como um porta-aviões nuclear e uma poderosa esquadra poderão ser empregados em ações “contraterrorismo” aqui na América do Sul. É óbvio que o objetivo não é esse.
A reportagem daquele dia (28/04) do jornal da oposição PSDB/DEM “Folha de São Paulo” defendeu e justificou a medida dos EUA de modo mais enigmático ainda: “ela (a Marinha dos EUA) mandará uma mensagem”. E acrescentou o jornal: “O interesse norte-americano foi evidenciado por fatos recentes, como:
--a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador;
--o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez;
--e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul".
Muito intrigantes esses argumentos dos EUA e da nossa imprensa norte-americanófila.
Acredito que a “Folha” e a Marinha dos EUA 'esqueceram' de listar dois reais motivos:
--o petróleo venezuelano;
--as megas reservas petrolíferas recém-descobertas no litoral brasileiro.
CORRIDA ARMAMENTISTA NA AL?
O site da revista Carta Capital estampa hoje um texto de Maurício Dias publicado sexta-feira última (09/05), que desmascara o argumento mil vezes repetido pela nossa grande mídia, de que o presidente venezuelano Chávez lidera e acarreta uma corrida armamentista na América Latina.
Reproduzo trecho:
“E REAPARECE A IV FROTA”
“A partir de 1º de julho, o governo dos Estados Unidos aumentará a força militar na América Latina e no Caribe, com a reativação da Quarta Frota, oficialmente encarregada de patrulhar os mares da região. A informação, veiculada esta semana pela BBC, não é nova. Mas ela reativa também as preocupações com os conflitos políticos latentes na região.
A informação circulou timidamente no fim de 2007 e, em seguida, mergulhou num expressivo esquecimento. O álibi do Pentágono desta vez – à falta do pretexto de armas químicas, como no Iraque – foi a de que a medida visava combater o terrorismo e as atividades do narcotráfico...
[A IV FROTA SERIA UM RECADO PARA CHÁVEZ E SUA “CORRIDA ARMAMENTISTA” (sic)]
(...) Há nessa decisão um recado direto para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e, indiretamente, para todos os governos populares que não se alinham com a política externa norte-americana.
Não foi por acaso que, simultaneamente à decisão americana, o senador e ex-presidente José Sarney, que manteve a política externa brasileira alinhada a Washington, subiu à tribuna do Senado para alardear preocupações com o investimento de Chávez na compra de armamentos na União Soviética.
“Se a situação de potência militar se concretizar, será uma corrida armamentista na América Latina. Será o desequilíbrio estratégico do continente”, disse o alarmado Sarney.
[A MENTIRA REPETIDA SOBRE A VENEZUELA: QUAL O OBJETIVO?]
Mas o argumento da corrida armamentista é falso. “Um mito”, como argumenta o professor Rafael Villa, da USP, em artigo escrito para o Observatório Político Sul-Americano, publicado pelo Instituto Universitário de Pesquisas (Iuperj), da Universidade Candido Mendes.
“E pode parecer surpreendente, mas na relação entre gastos em Defesa em proporção ao PIB, a Venezuela é apenas o quarto dos principais países sul-americanos”, analisa Villa. O Equador é o que mais gasta (3,14%) entre os sul-americanos, vindo a seguir o Chile (2,94%), seguido da Colômbia (2,65%) e do Brasil (1,74%). A Venezuela aplica 1,39% do PIB e é o país andino que menos investe em armamentos.
A suposição do ex-presidente Sarney não resiste à mais ligeira análise política ou factual. Mas, para efeito de argumentação, se a corrida armamentista existisse, quem a teria iniciado ou estimulado?”
Por fim, um detalhe aposto por este blog. Um agravante para o nosso caso. O gasto militar do Brasil é ainda relativamente menor do que o dos líderes Chile e Equador, os da Colômbia e da Venezuela. Os gastos militares do Peru e da Argentina também nos superam. Isso porque grande parte das nossas despesas ditas “militares” são, na realidade, para fins civis. Exemplifico com as despesas de infra-estrutura aeroportuária e de controle do tráfego aéreo civil, que empregam mais de 20 mil militares e despendem significativa parcela do orçamento militar brasileiro.
Este blog já se preocupou com o intrigante assunto em 28 de abril último. Naquele dia, postamos o artigo “EUA destinam porta-aviões nuclear ‘contraterrorismo’ na América Latina!”
Relembro partes daquela postagem:
“A Marinha norte-americana anunciou que está recriando sua “Quarta Frota”, que será responsável pelos navios, submarinos e aeronaves dos EUA em operação na América do Sul, Central e no Caribe. A esquadra somente existiu na década da Segunda Guerra Mundial, entre 1943 e 1950. A nova força deverá ser liderada por um porta-aviões nuclear.
JUSTIFICATIVAS AMERICANAS E DOS “CONSERVADORES” BRASILEIROS
O governo dos EUA já externou que considera a nossa região de Foz do Iguaçu (onde está Itaipu), a "tríplice fronteira", como "foco de terrorismo". Em 2002, ano da eleição de Lula, o Pentágono considerou a hipótese de lançar um grande ataque de surpresa naquela região, segundo divulgado em 2004 pela nossa grande mídia (ver artigos da nossa série "Guerras recentes dos EUA").
Todavia, é um exercício de imaginação desafiador até para especialistas da área conceber como um porta-aviões nuclear e uma poderosa esquadra poderão ser empregados em ações “contraterrorismo” aqui na América do Sul. É óbvio que o objetivo não é esse.
A reportagem daquele dia (28/04) do jornal da oposição PSDB/DEM “Folha de São Paulo” defendeu e justificou a medida dos EUA de modo mais enigmático ainda: “ela (a Marinha dos EUA) mandará uma mensagem”. E acrescentou o jornal: “O interesse norte-americano foi evidenciado por fatos recentes, como:
--a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador;
--o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez;
--e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul".
Muito intrigantes esses argumentos dos EUA e da nossa imprensa norte-americanófila.
Acredito que a “Folha” e a Marinha dos EUA 'esqueceram' de listar dois reais motivos:
--o petróleo venezuelano;
--as megas reservas petrolíferas recém-descobertas no litoral brasileiro.
CORRIDA ARMAMENTISTA NA AL?
O site da revista Carta Capital estampa hoje um texto de Maurício Dias publicado sexta-feira última (09/05), que desmascara o argumento mil vezes repetido pela nossa grande mídia, de que o presidente venezuelano Chávez lidera e acarreta uma corrida armamentista na América Latina.
Reproduzo trecho:
“E REAPARECE A IV FROTA”
“A partir de 1º de julho, o governo dos Estados Unidos aumentará a força militar na América Latina e no Caribe, com a reativação da Quarta Frota, oficialmente encarregada de patrulhar os mares da região. A informação, veiculada esta semana pela BBC, não é nova. Mas ela reativa também as preocupações com os conflitos políticos latentes na região.
A informação circulou timidamente no fim de 2007 e, em seguida, mergulhou num expressivo esquecimento. O álibi do Pentágono desta vez – à falta do pretexto de armas químicas, como no Iraque – foi a de que a medida visava combater o terrorismo e as atividades do narcotráfico...
[A IV FROTA SERIA UM RECADO PARA CHÁVEZ E SUA “CORRIDA ARMAMENTISTA” (sic)]
(...) Há nessa decisão um recado direto para o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e, indiretamente, para todos os governos populares que não se alinham com a política externa norte-americana.
Não foi por acaso que, simultaneamente à decisão americana, o senador e ex-presidente José Sarney, que manteve a política externa brasileira alinhada a Washington, subiu à tribuna do Senado para alardear preocupações com o investimento de Chávez na compra de armamentos na União Soviética.
“Se a situação de potência militar se concretizar, será uma corrida armamentista na América Latina. Será o desequilíbrio estratégico do continente”, disse o alarmado Sarney.
[A MENTIRA REPETIDA SOBRE A VENEZUELA: QUAL O OBJETIVO?]
Mas o argumento da corrida armamentista é falso. “Um mito”, como argumenta o professor Rafael Villa, da USP, em artigo escrito para o Observatório Político Sul-Americano, publicado pelo Instituto Universitário de Pesquisas (Iuperj), da Universidade Candido Mendes.
“E pode parecer surpreendente, mas na relação entre gastos em Defesa em proporção ao PIB, a Venezuela é apenas o quarto dos principais países sul-americanos”, analisa Villa. O Equador é o que mais gasta (3,14%) entre os sul-americanos, vindo a seguir o Chile (2,94%), seguido da Colômbia (2,65%) e do Brasil (1,74%). A Venezuela aplica 1,39% do PIB e é o país andino que menos investe em armamentos.
A suposição do ex-presidente Sarney não resiste à mais ligeira análise política ou factual. Mas, para efeito de argumentação, se a corrida armamentista existisse, quem a teria iniciado ou estimulado?”
Por fim, um detalhe aposto por este blog. Um agravante para o nosso caso. O gasto militar do Brasil é ainda relativamente menor do que o dos líderes Chile e Equador, os da Colômbia e da Venezuela. Os gastos militares do Peru e da Argentina também nos superam. Isso porque grande parte das nossas despesas ditas “militares” são, na realidade, para fins civis. Exemplifico com as despesas de infra-estrutura aeroportuária e de controle do tráfego aéreo civil, que empregam mais de 20 mil militares e despendem significativa parcela do orçamento militar brasileiro.
BRASIL LANÇA NOVA POLÍTICA INDUSTRIAL
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou hoje no Rio de Janeiro a nova Política de Desenvolvimento Produtivo (Política Industrial).
A notícia sobre esse lançamento a li no portal Valor Online, em texto de Rafael Rosas, reproduzido no UOL Últimas Notícias há uma hora atrás. Transcrevo, acrescentando subtítulos entre colchetes:
“Política industrial quer elevar investimento, exportação e fatia do Brasil no comércio mundial”
[QUEDA DO DÓLAR x AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES]
“Rio - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que a queda do dólar não vai impedir o crescimento das exportações brasileiras, essencial para que o país atinja 1,25% do comércio mundial em 2010.
A meta é uma das quatro principais da Política de Desenvolvimento Produtivo (Política Industrial), lançada hoje no Rio de Janeiro em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Paulo Bernardo, a tendência de queda do dólar acontece no mundo inteiro e não adiantaria o governo brasileiro tentar inverter essa trajetória. "Seria muita pretensão nossa achar que temos condições de fazer uma política cambial capaz de reverter. Possivelmente nós gastaríamos muito dinheiro e não conseguiríamos reverter a tendência de queda do dólar" , disse Bernardo. Ele lembrou que, nos últimos cinco anos, o setor exportador brasileiro vem crescendo a despeito da queda contínua da moeda americana. "Não vi ninguém dizer que quebrou por causa do dólar."
[ELEVAÇÃO DO INVESTIMENTO E INCREMENTO A MICRO E PEQUENAS EMPRESAS EXPORTADORAS]
Além do aumento da participação brasileira no comércio mundial - que no ano passado foi de 1,18% - o plano prevê a elevação do investimento fixo para 21% do PIB até 2010, contra 17,6% no calendário passado; o aumento do investimento privado em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB em 2010; e a ampliação em 10% do número de micro e pequenas empresas exportadoras, o que significaria 12.971 micro e pequenas empresas brasileiras exportando em 2010.
[FUNDO SOBERANO]
Bernardo negou ainda que o fundo soberano, cuja criação está em estudo pelo governo brasileiro, tenha como objetivo influenciar o câmbio. Segundo ele, o objetivo do fundo será fomentar a atividade de empresas brasileiras no exterior.
[INVESTIMENTO EM INFRA-ESTRUTURA]
O ministro minimizou também as críticas à Política de Desenvolvimento Produtivo que está sendo anunciada. Segundo ele, os que dizem que deveria haver mais investimento em infra-estrutura não fizeram esse tipo de investimento nos últimos 25 anos. "O Brasil passou 25 anos sem investimento em infra-estrutura e o PAC e essa política são tentativas" , comentou.”
Complementando, transcrevo parte da notícia de Cirilo Júnior na Folha Online desta manhã:
BNDES
"A participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) no programa prevê financiamentos de R$ 210,4 bilhões para o setor de indústria e serviços entre 2008 e 2010. A previsão é que os desembolsos do banco para este segmento chegue a R$ 77,7 bilhões em 2010.
A nova política prevê ainda redução de 20% dos spread básico médio do conjunto de linhas de financiamento do BNDES, de 1,4% ao ano para 1,1% ao ano. Nas linhas para comercialização de bens de capital, o spread básico será reduzido em 40% --de 1,5% ao ano para 0,9% ao ano, com a duplicação do prazo para a indústria nos financiamentos via linha Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial), de dez para cinco anos.
O programa estimula ainda a redução da taxa de intermediação financeira de 0,8% para 0,5%.
TRIBUTOS
Entre as medidas tributárias de estímulo ao investimento estão previstas a depreciação acelerada do prazo e crédito de 25% do valor anual da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a redução do prazo de apropriação de créditos derivados da aquisição de bens de capital de 24 para 12 meses e a eliminação da incidência do IOF de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
A política prevê, ainda, a redução do IPI para diversos setores."
A notícia sobre esse lançamento a li no portal Valor Online, em texto de Rafael Rosas, reproduzido no UOL Últimas Notícias há uma hora atrás. Transcrevo, acrescentando subtítulos entre colchetes:
“Política industrial quer elevar investimento, exportação e fatia do Brasil no comércio mundial”
[QUEDA DO DÓLAR x AUMENTO DAS EXPORTAÇÕES]
“Rio - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que a queda do dólar não vai impedir o crescimento das exportações brasileiras, essencial para que o país atinja 1,25% do comércio mundial em 2010.
A meta é uma das quatro principais da Política de Desenvolvimento Produtivo (Política Industrial), lançada hoje no Rio de Janeiro em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para Paulo Bernardo, a tendência de queda do dólar acontece no mundo inteiro e não adiantaria o governo brasileiro tentar inverter essa trajetória. "Seria muita pretensão nossa achar que temos condições de fazer uma política cambial capaz de reverter. Possivelmente nós gastaríamos muito dinheiro e não conseguiríamos reverter a tendência de queda do dólar" , disse Bernardo. Ele lembrou que, nos últimos cinco anos, o setor exportador brasileiro vem crescendo a despeito da queda contínua da moeda americana. "Não vi ninguém dizer que quebrou por causa do dólar."
[ELEVAÇÃO DO INVESTIMENTO E INCREMENTO A MICRO E PEQUENAS EMPRESAS EXPORTADORAS]
Além do aumento da participação brasileira no comércio mundial - que no ano passado foi de 1,18% - o plano prevê a elevação do investimento fixo para 21% do PIB até 2010, contra 17,6% no calendário passado; o aumento do investimento privado em pesquisa e desenvolvimento para 0,65% do PIB em 2010; e a ampliação em 10% do número de micro e pequenas empresas exportadoras, o que significaria 12.971 micro e pequenas empresas brasileiras exportando em 2010.
[FUNDO SOBERANO]
Bernardo negou ainda que o fundo soberano, cuja criação está em estudo pelo governo brasileiro, tenha como objetivo influenciar o câmbio. Segundo ele, o objetivo do fundo será fomentar a atividade de empresas brasileiras no exterior.
[INVESTIMENTO EM INFRA-ESTRUTURA]
O ministro minimizou também as críticas à Política de Desenvolvimento Produtivo que está sendo anunciada. Segundo ele, os que dizem que deveria haver mais investimento em infra-estrutura não fizeram esse tipo de investimento nos últimos 25 anos. "O Brasil passou 25 anos sem investimento em infra-estrutura e o PAC e essa política são tentativas" , comentou.”
Complementando, transcrevo parte da notícia de Cirilo Júnior na Folha Online desta manhã:
BNDES
"A participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) no programa prevê financiamentos de R$ 210,4 bilhões para o setor de indústria e serviços entre 2008 e 2010. A previsão é que os desembolsos do banco para este segmento chegue a R$ 77,7 bilhões em 2010.
A nova política prevê ainda redução de 20% dos spread básico médio do conjunto de linhas de financiamento do BNDES, de 1,4% ao ano para 1,1% ao ano. Nas linhas para comercialização de bens de capital, o spread básico será reduzido em 40% --de 1,5% ao ano para 0,9% ao ano, com a duplicação do prazo para a indústria nos financiamentos via linha Finame (Agência Especial de Financiamento Industrial), de dez para cinco anos.
O programa estimula ainda a redução da taxa de intermediação financeira de 0,8% para 0,5%.
TRIBUTOS
Entre as medidas tributárias de estímulo ao investimento estão previstas a depreciação acelerada do prazo e crédito de 25% do valor anual da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a redução do prazo de apropriação de créditos derivados da aquisição de bens de capital de 24 para 12 meses e a eliminação da incidência do IOF de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).
A política prevê, ainda, a redução do IPI para diversos setores."
IMPRENSA DO PSDB/DEM-PFL NÃO GOSTA DOS ELOGIOS AO BRASIL PELA IMPRENSA ESTRANGEIRA
O jornal Folha de São Paulo não aprova os crescentes elogios da imprensa estrangeira ao Brasil. Constrangido por noticiar, por dever de ofício, esse reconhecimento, em pequena nota ironiza sutilmente e acha que há "exagero".
Não sei por que, veio-me à memória que, ontem, o jornal foi homenageado pelos governos Serra (PSDB) e Kassab (DEM), que batizaram o principal cartão postal da cidade de São Paulo, a nova ponte estaiada (projetada e construída em parte no governo Marta Suplicy-PT), com o nome do fundador do jornal. A solenidade (comício?) de inauguração foi amplamente noticiada pela grande mídia em todo o Brasil.
A Folha e a revista Veja têm sido a coluna vertebral da campanha pela volta do PSDB/DEM-PFL ao poder, batalhando por todos os meios para ter José Serra eleito presidente em 2010.
Dentro dessa linha, exemplifico com o artigo “Toda Mídia”, de Nelson de Sá, publicado hoje naquele jornal:
”Não é a revolução, mas...”
“O espanhol "El País", com certo atraso e exagero, acordou para o Brasil. Começou na semana, com uma longa reportagem sobre o impacto da China e da Índia no país. E ontem virou festa, no título de outro texto, interminável e laudatório: "Não é a revolução, mas dá resultados". No subtítulo: "O Brasil conseguiu notável decolagem em sua economia, a confiança do capital internacional e um protagonismo crescente de suas empresas no mundo". A primeira frase remeteu, uma vez mais, ao "país do futuro" de Stefan Zweig.
Outro texto, menor, explicou que o grau de investimento foi "doce presente" para a bolsa de valores da Espanha, com muitos grupos que investem no Brasil.
Tem mais. O editorial "Brasil ganha confiança", de ontem, louvou a economia pelo crescimento e o país por "reduzir seus desequilíbrios tradicionais".
De quebra, o britânico "Guardian" deu na edição de anteontem, em página inteira (abaixo), a reportagem "O país do futuro finalmente chegou"
Não sei por que, veio-me à memória que, ontem, o jornal foi homenageado pelos governos Serra (PSDB) e Kassab (DEM), que batizaram o principal cartão postal da cidade de São Paulo, a nova ponte estaiada (projetada e construída em parte no governo Marta Suplicy-PT), com o nome do fundador do jornal. A solenidade (comício?) de inauguração foi amplamente noticiada pela grande mídia em todo o Brasil.
A Folha e a revista Veja têm sido a coluna vertebral da campanha pela volta do PSDB/DEM-PFL ao poder, batalhando por todos os meios para ter José Serra eleito presidente em 2010.
Dentro dessa linha, exemplifico com o artigo “Toda Mídia”, de Nelson de Sá, publicado hoje naquele jornal:
”Não é a revolução, mas...”
“O espanhol "El País", com certo atraso e exagero, acordou para o Brasil. Começou na semana, com uma longa reportagem sobre o impacto da China e da Índia no país. E ontem virou festa, no título de outro texto, interminável e laudatório: "Não é a revolução, mas dá resultados". No subtítulo: "O Brasil conseguiu notável decolagem em sua economia, a confiança do capital internacional e um protagonismo crescente de suas empresas no mundo". A primeira frase remeteu, uma vez mais, ao "país do futuro" de Stefan Zweig.
Outro texto, menor, explicou que o grau de investimento foi "doce presente" para a bolsa de valores da Espanha, com muitos grupos que investem no Brasil.
Tem mais. O editorial "Brasil ganha confiança", de ontem, louvou a economia pelo crescimento e o país por "reduzir seus desequilíbrios tradicionais".
De quebra, o britânico "Guardian" deu na edição de anteontem, em página inteira (abaixo), a reportagem "O país do futuro finalmente chegou"
domingo, 11 de maio de 2008
PONTE MARTA SUPLICY É REBATIZADA EM HOMENAGEM AO APOIO DA FOLHA AO RETORNO DO PSDB E DEM AO PODER
A ponte estaiada que já se transformou no principal cartão postal de São Paulo foi inaugurada ontem. Ela já havia sido apelidada de “Ponte da Marta”, por ter sido planejada, projetada, licitada e iniciada durante a gestão de Marta Suplcy na prefeitura de São Paulo.
Contudo, neste ano eleitoral e em reconhecimento à árdua batalha do jornal Folha de São Paulo contra o governo Lula e contra os governos estaduais e municipais do PT, o governador Serra (PSDB) e o prefeito Kassab (DEM) resolveram homenagear o jornal Folha de São Paulo, batizando a ponte com o nome do seu fundador, “Octavio Frias de Oliveira”. Ato de consideração para com o jornal que muito tem lutado pelo retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder em 2010. Marta Suplicy nem ao menos foi convidada para o comício da inauguração...
Vejamos a notícia publicada hoje no “blog do Favre” (ver “recomendamos” à direita):
“A ponte estaiada foi inaugurada hoje. Planejada, projetada, licitada e iniciada pela prefeita Marta Suplicy a ponte foi atacada duramente pelos tucanos que hoje a inauguraram. Presente na cerimônia o senador Eduardo Suplicy estranhou que nenhuma menção fosse feita à atual Ministra do Turismo.
A indignação do senador é mais justificada ainda que a ponte; acusada de obra cara, por incompetência da atual administração custou aos cofres públicos o dobro. Prevista para ser concluída há três anos a obra foi paralisada pelos demos-tucanos e usada para fazer campanha de politicagem contra a administração petista.
(...) Mesmo assim e apesar deles, São Paulo ganhou um novo cartão postal. O esforço e a determinação de Marta Suplicy permitiram que esta obra seja realizada. São Paulo está de parabéns.”
Contudo, neste ano eleitoral e em reconhecimento à árdua batalha do jornal Folha de São Paulo contra o governo Lula e contra os governos estaduais e municipais do PT, o governador Serra (PSDB) e o prefeito Kassab (DEM) resolveram homenagear o jornal Folha de São Paulo, batizando a ponte com o nome do seu fundador, “Octavio Frias de Oliveira”. Ato de consideração para com o jornal que muito tem lutado pelo retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder em 2010. Marta Suplicy nem ao menos foi convidada para o comício da inauguração...
Vejamos a notícia publicada hoje no “blog do Favre” (ver “recomendamos” à direita):
“A ponte estaiada foi inaugurada hoje. Planejada, projetada, licitada e iniciada pela prefeita Marta Suplicy a ponte foi atacada duramente pelos tucanos que hoje a inauguraram. Presente na cerimônia o senador Eduardo Suplicy estranhou que nenhuma menção fosse feita à atual Ministra do Turismo.
A indignação do senador é mais justificada ainda que a ponte; acusada de obra cara, por incompetência da atual administração custou aos cofres públicos o dobro. Prevista para ser concluída há três anos a obra foi paralisada pelos demos-tucanos e usada para fazer campanha de politicagem contra a administração petista.
(...) Mesmo assim e apesar deles, São Paulo ganhou um novo cartão postal. O esforço e a determinação de Marta Suplicy permitiram que esta obra seja realizada. São Paulo está de parabéns.”
“POR UM NOVO BRASIL”: OPERAÇÃO ABAFA DA OPOSIÇÃO E DA MÍDIA
O blog “por1novobrasil” (ver coluna “recomendamos” à direita) publicou hoje um oportuno texto sobre o escândalo do vazamento de dados da Presidência da República para a revista Veja e a Folha de São Paulo.
Alguns integrantes do “grupo” que perpetrou esse provável crime já foram identificados: o senador Álvaro Dias (PSDB), seu assessor André Fernandes e o amigo desse assessor, José Aparecido Nunes Pires, empregado da Secretária de Controle Interno da Casa Civil. A Polícia Federal continua investigando o caso.
Este blog já abordou esse assunto na postagem de 8 de maio de título “O estranho e retocado 'dossiê' FHC”. Sugiro lê-lo para melhor aproveitar o claro texto de Jussara Seixas apresentado a seguir:
“Como se abafa um escândalo, criando um escândalo maior. Transformando algo que é não escândalo em um grande escândalo.
A criação de um banco de dados dos gastos dos cartões corporativos e das contas tipo B dos anos do ex-governo de FHC foi transformada em grande escândalo.
Esse grande escândalo, criado pela oposição que fazia parte do ex-governo FHC e pela mídia, só tem um objetivo: esconder os gastos indevidos, os gastos exóticos do ex-governo de FHC.
O que o povo precisa entender é que os gastos foram feitos, há as notas fiscais, há os comprovantes dos cartões de créditos, há os comprovantes dos saques bancários em dinheiro. Esses gastos não foram inventados para comprometer o ex-governo FHC, esses gastos são reais, foram feitos.
O que interessa de fato nessa história toda é se houve mau uso do dinheiro público nessa gastança do ex-governo de FHC. Se houve, quem se beneficiou particularmente, indevidamente, com o dinheiro público?
Isso está sendo feito no governo Lula. Ministros que usaram indevidamente o cartão corporativo estão tendo que se explicar, perderam o cargo, e o principal, estão devolvendo o dinheiro aos cofres públicos.
Mas o PSDB/DEM, que fizeram parte do ex-governo FHC, não querem isso, não querem nem se explicar e, muito menos, devolver aos cofres públicos os gastos indevidos com o dinheiro público.
Que eles façam isso; que eles criem um factóide para abafar esses gastos indevidos, para que esses gastos não sejam de conhecimento público, eu até entendo, eles sempre jogaram a sujeira para debaixo do tapete.
O pior nisso é a mídia fazer parte dessa celeuma, como se os seus leitores fossem todos uns otários. A oposição foi quem criou a CPI dos cartões corporativos, a oposição, vamos falar a verdade, de muita má vontade aceitou que as investigações dos gastos fossem feitas desde os tempos do ex-governo de FHC.
Como investigar esses gastos sem que se tenha acesso a esses gastos, sem que se tenha acesso aos documentos que comprovam esses gastos, sem que se façam planilhas desses gastos?
A mídia está transformando esse banco de dados, que foi feito para que a CPI tivesse como investigar e tenha como checar se esses gastos foram indevidos ou não, no grande crime.
A ministra Dilma havia avisado ao Senado que estava criando esse banco de dados, tanto para facilitar o trabalho do TCU, como para fornecer dados para a CPI.
Nessa celeuma toda, o grande crime foi os dados terem vazado para a mídia.
Errou o funcionário da Casa Civil em repassar essa planilha para o assessor do senador Álvaro Dias. Ele deve explicações e deve sofrer as punições por esse ato falho. Mas crime cometeu o senador Álvaro Dias, que repassou para mídia esses documentos.
O senador Álvaro Dias disse ao jornalista Noblat, e o jornalista publicou em seu blog, que ele, Álvaro Dias, vazou esses documentos para a mídia, para a Veja e Folha de São Paulo, ou seja, o senador Álvaro Dias tornou público documentos do governo sem nenhum critério, sem ter autoridade para tal.
O que o senador Álvaro Dias tem que explicar é: ele agiu só, ou o PSDB/DEM, FHC e a mídia participaram dessa presepada? Por que ele vazou esses documentos para a mídia? Qual era a intenção, o objetivo dele com esse vazamento? Por que ele está tramando para derrubar a ministra Dilma, uma ministra de Estado? E, por fim, qual foi a contribuição dele para melhorar o país, a vida do povo com essa atitude?
A mídia não vai fazer essas perguntas, a mídia protege a oposição como fiel cão de guarda. A mídia prefere falar de tapioca, do e-mail do servidor da Casa Civil.
Cabe à PF, aos senadores e deputados do PT fazê-lo, o povo quer saber, o povo tem o direito de saber.”
Alguns integrantes do “grupo” que perpetrou esse provável crime já foram identificados: o senador Álvaro Dias (PSDB), seu assessor André Fernandes e o amigo desse assessor, José Aparecido Nunes Pires, empregado da Secretária de Controle Interno da Casa Civil. A Polícia Federal continua investigando o caso.
Este blog já abordou esse assunto na postagem de 8 de maio de título “O estranho e retocado 'dossiê' FHC”. Sugiro lê-lo para melhor aproveitar o claro texto de Jussara Seixas apresentado a seguir:
“Como se abafa um escândalo, criando um escândalo maior. Transformando algo que é não escândalo em um grande escândalo.
A criação de um banco de dados dos gastos dos cartões corporativos e das contas tipo B dos anos do ex-governo de FHC foi transformada em grande escândalo.
Esse grande escândalo, criado pela oposição que fazia parte do ex-governo FHC e pela mídia, só tem um objetivo: esconder os gastos indevidos, os gastos exóticos do ex-governo de FHC.
O que o povo precisa entender é que os gastos foram feitos, há as notas fiscais, há os comprovantes dos cartões de créditos, há os comprovantes dos saques bancários em dinheiro. Esses gastos não foram inventados para comprometer o ex-governo FHC, esses gastos são reais, foram feitos.
O que interessa de fato nessa história toda é se houve mau uso do dinheiro público nessa gastança do ex-governo de FHC. Se houve, quem se beneficiou particularmente, indevidamente, com o dinheiro público?
Isso está sendo feito no governo Lula. Ministros que usaram indevidamente o cartão corporativo estão tendo que se explicar, perderam o cargo, e o principal, estão devolvendo o dinheiro aos cofres públicos.
Mas o PSDB/DEM, que fizeram parte do ex-governo FHC, não querem isso, não querem nem se explicar e, muito menos, devolver aos cofres públicos os gastos indevidos com o dinheiro público.
Que eles façam isso; que eles criem um factóide para abafar esses gastos indevidos, para que esses gastos não sejam de conhecimento público, eu até entendo, eles sempre jogaram a sujeira para debaixo do tapete.
O pior nisso é a mídia fazer parte dessa celeuma, como se os seus leitores fossem todos uns otários. A oposição foi quem criou a CPI dos cartões corporativos, a oposição, vamos falar a verdade, de muita má vontade aceitou que as investigações dos gastos fossem feitas desde os tempos do ex-governo de FHC.
Como investigar esses gastos sem que se tenha acesso a esses gastos, sem que se tenha acesso aos documentos que comprovam esses gastos, sem que se façam planilhas desses gastos?
A mídia está transformando esse banco de dados, que foi feito para que a CPI tivesse como investigar e tenha como checar se esses gastos foram indevidos ou não, no grande crime.
A ministra Dilma havia avisado ao Senado que estava criando esse banco de dados, tanto para facilitar o trabalho do TCU, como para fornecer dados para a CPI.
Nessa celeuma toda, o grande crime foi os dados terem vazado para a mídia.
Errou o funcionário da Casa Civil em repassar essa planilha para o assessor do senador Álvaro Dias. Ele deve explicações e deve sofrer as punições por esse ato falho. Mas crime cometeu o senador Álvaro Dias, que repassou para mídia esses documentos.
O senador Álvaro Dias disse ao jornalista Noblat, e o jornalista publicou em seu blog, que ele, Álvaro Dias, vazou esses documentos para a mídia, para a Veja e Folha de São Paulo, ou seja, o senador Álvaro Dias tornou público documentos do governo sem nenhum critério, sem ter autoridade para tal.
O que o senador Álvaro Dias tem que explicar é: ele agiu só, ou o PSDB/DEM, FHC e a mídia participaram dessa presepada? Por que ele vazou esses documentos para a mídia? Qual era a intenção, o objetivo dele com esse vazamento? Por que ele está tramando para derrubar a ministra Dilma, uma ministra de Estado? E, por fim, qual foi a contribuição dele para melhorar o país, a vida do povo com essa atitude?
A mídia não vai fazer essas perguntas, a mídia protege a oposição como fiel cão de guarda. A mídia prefere falar de tapioca, do e-mail do servidor da Casa Civil.
Cabe à PF, aos senadores e deputados do PT fazê-lo, o povo quer saber, o povo tem o direito de saber.”
sábado, 10 de maio de 2008
OEA: TODOS OS PAÍSES DAS AMÉRICAS CONTRA O SEPARATISMO NA BOLÍVIA, EXCETO OS EUA.
O portal UOL Últimas Notícias divulgou esta noite (ver a seguir) que os EUA foram o único país das Américas a não condenar na Organização dos Estados Americanos (OEA) a autonomia da província de Santa Cruz.
“EVO MORALES ACUSA EUA DE APOIAR DIVISÃO DA BOLÍVIA”
(Por Carlos Alberto Quiroga)
LA PAZ (Reuters) - O presidente boliviano, Evo Morales, acusou no sábado os Estados Unidos de tentar dividir seu país ao negar-se a condenar abertamente um estatuto sobre a autonomia aprovado há seis dias na rica região de Santa Cruz.
Morales disse em uma entrevista coletiva que a atitude dos Estados Unidos ficou em evidência há uma semana na Organização dos Estados Americanos (OEA), quando o representante norte-americano foi o único a se recusar a denunciar o caráter inconstitucional do autogoverno de Santa Cruz.
"Foi um (Estados Unidos) contra todos os países da América que não quis dizer que o estatuto sobre a autonomia atenta contra a legalidade", afirmou Morales, que não reconhece a validade do referendo do último domingo em Santa Cruz, em que foi aprovado o polêmico estatuto ainda que com elevada abstenção.
"Se há um defensor aberto (do estatuto) que busca a divisão da Bolívia, que não quer que se respeite a legalidade e a constitucionalidade são os Estados Unidos", disse Morales."
“EVO MORALES ACUSA EUA DE APOIAR DIVISÃO DA BOLÍVIA”
(Por Carlos Alberto Quiroga)
LA PAZ (Reuters) - O presidente boliviano, Evo Morales, acusou no sábado os Estados Unidos de tentar dividir seu país ao negar-se a condenar abertamente um estatuto sobre a autonomia aprovado há seis dias na rica região de Santa Cruz.
Morales disse em uma entrevista coletiva que a atitude dos Estados Unidos ficou em evidência há uma semana na Organização dos Estados Americanos (OEA), quando o representante norte-americano foi o único a se recusar a denunciar o caráter inconstitucional do autogoverno de Santa Cruz.
"Foi um (Estados Unidos) contra todos os países da América que não quis dizer que o estatuto sobre a autonomia atenta contra a legalidade", afirmou Morales, que não reconhece a validade do referendo do último domingo em Santa Cruz, em que foi aprovado o polêmico estatuto ainda que com elevada abstenção.
"Se há um defensor aberto (do estatuto) que busca a divisão da Bolívia, que não quer que se respeite a legalidade e a constitucionalidade são os Estados Unidos", disse Morales."
COMO OS VIETNAMITAS VENCERAM OS EUA
Na postagem imediatamente anterior, este blog tratou da derrota dos EUA no Vietnã. Há 33 anos, em 1975, finalmente Saigon capitulou frente às tropas vietnamitas da unificação. Antes, em 1968, uma ofensiva fora decisiva para a vitória. No trecho com o subtítulo “A ofensiva do Ano TET e o desengajamento”, escrevemos:
“Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon.
Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política.
O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição.”
Há duas semanas (25/04), o jornal espanhol El País, em texto de Georgina Higueras, enviada especial a Hanói, e tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves para o portal UOL Mídia Global, publicou a entrevista com um dirigente vietnamita que participou ativamente das batalhas pela unificação do Vietnã. A seguir transcrevemos:
"VENCEMOS OS EUA PORQUE SOUBEMOS ENGANÁ-LOS", diz ex-chefe da propaganda do exército do Vietnã
"Ele tem 81 anos, mas física e mentalmente aparenta muito menos. O tenente-general Nguyen Dinh Uoc afirma, 40 anos depois da ofensiva do Tet -o Ano Novo vietnamita-, que o alto comando local a deslanchou porque sabia que "para ganhar a guerra do exército mais avançado do mundo precisava confundi-lo e prendê-lo em seu engano".
Uoc, que esteve à frente da divisão de tanques durante a batalha de Dien Bien Phu -na qual o legendário general Vo Nguyen Giap arrebatou o Vietnã da França em 1954- afirma que daquelas lutas não resta rancor. "Lutávamos com coragem pela reunificação do Vietnã", diz.
Antes das eleições de 1956, previstas na Conferência de Genebra e impedidas pelos EUA, esse tenente-general foi destinado à frente da propaganda militar como diretor da revista do exército. Leia abaixo sua entrevista.
El País - O senhor participou da preparação para a ofensiva do Tet?
Nguyen Dinh Uoc – Não. Exatamente o segredo foi um dos motivos de seu sucesso. Só seis pessoas a planejaram e estiveram a par de toda a operação: o general Van Tien Dung, como seu comandante; Tran Van Tra, comandante-em-chefe da Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul (vietcongue, na terminologia americana); Le Duan, secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, e o general Giap, responsável militar máximo e mão-direita do líder Ho Chi Minh, que já estava doente.
EP - Os senhores consideraram perdida a batalha de Khe Sanh antes de começá-la?
Uoc - Foi nossa decisão. Khe Sanh foi a armadilha. Os EUA pensaram que faríamos em Khe Sanh a mesma coisa que em Dien Bien Phu, mas nós sabíamos que eles tinham uma força destrutiva muito maior que os franceses e que não podíamos enfrentá-los diretamente. Infiltramos nossos homens pelos morros, diante da base dos EUA em Khe Sanh, e eles concentraram ali duas divisões aéreas e mais de 500 aviões e helicópteros, enquanto nós penetrávamos por todo o Vietnã do Sul. (Em menos de três meses de sítio, combates e bombardeios -entre 21 de janeiro e 6 de abril- morreram 10 mil vietnamitas e 500 fuzileiros navais americanos.)
EP - Por que foi lançada a ofensiva do Tet?
Uoc - Para virar a guerra. Os EUA pensavam que a guerra estava ganha, que éramos muito fracos e só podíamos atacar na floresta. Demonstramos nossa força e nossa coragem com um ataque conjunto no coração das cidades de 41 províncias em duas noites (31 de janeiro e 1º de fevereiro).
EP - Por que escolheram a trégua do Ano Novo para atacar?
Uoc - Precisávamos pegá-los de surpresa, e apesar de já estarmos preparados havia alguns meses quisemos causar o máximo impacto em um ano eleitoral americano e esperamos o início de 1968.
EP - Que conseqüência imediata teve a ofensiva?
Uoc - A confusão da Casa Branca, que precisou reunir em 25 e 26 de março toda a cúpula de seus estrategistas para ver o que se faria no Vietnã. Era o que queríamos.
EP - Temeram que os EUA respondessem com armas nucleares?
Uoc - Sabemos que avaliaram essa possibilidade, mas a descartaram porque pensaram que a União Soviética ou a China responderiam e não queriam se meter em um conflito nuclear. Além disso, entre 1964 e 1972 capturamos 591 militares americanos, na maioria pilotos, e não queriam arriscar-se a matá-los.
EP - Militarmente, a ofensiva do Tet é considerada uma batalha perdida, apesar de por causa dela o Vietnã ter ganhado a guerra.
Uoc - Não perdemos nada porque ganhamos tudo. A reunificação era a única coisa que importava.
EP - Morreram 45 mil norte-vietnamitas, contra 6 mil americanos e sul-vietnamitas. Como se pode considerá-la uma vitória?
Uoc - Foi o princípio do fim da presença dos EUA em nosso país, a saída do general Westmoreland do Vietnã; o fim do presidente Johnson, que não se candidatou à reeleição, e no início no ano seguinte a retirada parcial das tropas americanas.
EP - Depois de tanto sofrimento, agora são invadidos pelos investimentos americanos. Qual é sua opinião?
Uoc - Que sejam bem-vindos! A guerra passou e hoje temos de olhar para o futuro. Nossas relações são novas, não se parecem em nada com o passado. São relações de benefício mútuo entre países livres."
“Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon.
Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política.
O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição.”
Há duas semanas (25/04), o jornal espanhol El País, em texto de Georgina Higueras, enviada especial a Hanói, e tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves para o portal UOL Mídia Global, publicou a entrevista com um dirigente vietnamita que participou ativamente das batalhas pela unificação do Vietnã. A seguir transcrevemos:
"VENCEMOS OS EUA PORQUE SOUBEMOS ENGANÁ-LOS", diz ex-chefe da propaganda do exército do Vietnã
"Ele tem 81 anos, mas física e mentalmente aparenta muito menos. O tenente-general Nguyen Dinh Uoc afirma, 40 anos depois da ofensiva do Tet -o Ano Novo vietnamita-, que o alto comando local a deslanchou porque sabia que "para ganhar a guerra do exército mais avançado do mundo precisava confundi-lo e prendê-lo em seu engano".
Uoc, que esteve à frente da divisão de tanques durante a batalha de Dien Bien Phu -na qual o legendário general Vo Nguyen Giap arrebatou o Vietnã da França em 1954- afirma que daquelas lutas não resta rancor. "Lutávamos com coragem pela reunificação do Vietnã", diz.
Antes das eleições de 1956, previstas na Conferência de Genebra e impedidas pelos EUA, esse tenente-general foi destinado à frente da propaganda militar como diretor da revista do exército. Leia abaixo sua entrevista.
El País - O senhor participou da preparação para a ofensiva do Tet?
Nguyen Dinh Uoc – Não. Exatamente o segredo foi um dos motivos de seu sucesso. Só seis pessoas a planejaram e estiveram a par de toda a operação: o general Van Tien Dung, como seu comandante; Tran Van Tra, comandante-em-chefe da Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul (vietcongue, na terminologia americana); Le Duan, secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, e o general Giap, responsável militar máximo e mão-direita do líder Ho Chi Minh, que já estava doente.
EP - Os senhores consideraram perdida a batalha de Khe Sanh antes de começá-la?
Uoc - Foi nossa decisão. Khe Sanh foi a armadilha. Os EUA pensaram que faríamos em Khe Sanh a mesma coisa que em Dien Bien Phu, mas nós sabíamos que eles tinham uma força destrutiva muito maior que os franceses e que não podíamos enfrentá-los diretamente. Infiltramos nossos homens pelos morros, diante da base dos EUA em Khe Sanh, e eles concentraram ali duas divisões aéreas e mais de 500 aviões e helicópteros, enquanto nós penetrávamos por todo o Vietnã do Sul. (Em menos de três meses de sítio, combates e bombardeios -entre 21 de janeiro e 6 de abril- morreram 10 mil vietnamitas e 500 fuzileiros navais americanos.)
EP - Por que foi lançada a ofensiva do Tet?
Uoc - Para virar a guerra. Os EUA pensavam que a guerra estava ganha, que éramos muito fracos e só podíamos atacar na floresta. Demonstramos nossa força e nossa coragem com um ataque conjunto no coração das cidades de 41 províncias em duas noites (31 de janeiro e 1º de fevereiro).
EP - Por que escolheram a trégua do Ano Novo para atacar?
Uoc - Precisávamos pegá-los de surpresa, e apesar de já estarmos preparados havia alguns meses quisemos causar o máximo impacto em um ano eleitoral americano e esperamos o início de 1968.
EP - Que conseqüência imediata teve a ofensiva?
Uoc - A confusão da Casa Branca, que precisou reunir em 25 e 26 de março toda a cúpula de seus estrategistas para ver o que se faria no Vietnã. Era o que queríamos.
EP - Temeram que os EUA respondessem com armas nucleares?
Uoc - Sabemos que avaliaram essa possibilidade, mas a descartaram porque pensaram que a União Soviética ou a China responderiam e não queriam se meter em um conflito nuclear. Além disso, entre 1964 e 1972 capturamos 591 militares americanos, na maioria pilotos, e não queriam arriscar-se a matá-los.
EP - Militarmente, a ofensiva do Tet é considerada uma batalha perdida, apesar de por causa dela o Vietnã ter ganhado a guerra.
Uoc - Não perdemos nada porque ganhamos tudo. A reunificação era a única coisa que importava.
EP - Morreram 45 mil norte-vietnamitas, contra 6 mil americanos e sul-vietnamitas. Como se pode considerá-la uma vitória?
Uoc - Foi o princípio do fim da presença dos EUA em nosso país, a saída do general Westmoreland do Vietnã; o fim do presidente Johnson, que não se candidatou à reeleição, e no início no ano seguinte a retirada parcial das tropas americanas.
EP - Depois de tanto sofrimento, agora são invadidos pelos investimentos americanos. Qual é sua opinião?
Uoc - Que sejam bem-vindos! A guerra passou e hoje temos de olhar para o futuro. Nossas relações são novas, não se parecem em nada com o passado. São relações de benefício mútuo entre países livres."
A DERROTA DOS EUA NO VIETNÃ – 12ª PARTE DE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”
Esta série teve início em 3 de março último, quando abordamos o risco de guerras na América do Sul por interesse norte-americano e com o envolvimento brasileiro ou com grave repercussão no Brasil.
Como a maioria dos brasileiros considera esse risco inexistente e muitos outros (principalmente após a década de lavagem cerebral pró-EUA durante o governo PSDB/PFL-DEM/FHC) consideram ver os Estados Unidos como uma ameaça à nossa paz uma simples fantasia 'de comunistas' ou uma pobre 'teoria da conspiração', surgiu a necessidade de relembrarmos com maior amplitude o comportamento belicoso dos EUA desde o século passado.
Assim, desde então, fomos eventualmente postando, fora da ordem cronológica, vários artigos sobre o tema.
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008; e
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril.
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 de abril.
Hoje, 10 de maio, continuaremos com outro capítulo: a derrota dos EUA no Vietnã.
Há 33 anos, em 30 de abril de 1975, Saigon capitulava para as forças vietnamitas da unificação do país. O Vietnã fora dividido 19 anos antes pelos franceses, em 1954, na Guerra da Indochina.
Eu já havia preparado um texto sobre essa guerra, que foi contemporânea com boa parte da minha existência. Todavia, sem falsa modéstia, encontrei na internet um artigo mais bem escrito e muito mais completo. Foi no site www.zaz.com.br, Mundo – História, escrito por Voltaire Schilling. Reproduzo o texto desse autor. È um pouco mais longo que o usual neste site, mas vale a pena lê-lo:
A GUERRA DO VIETNÃ
INTRODUÇÃO
"A Guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da II Guerra Mundial. Estendeu-se essa guerra em dois períodos distintos.
No primeiro deles, as forças nacionalistas vietnamitas, sob orientação do Viet-minh (a liga vietnamita), lutaram contra os colonialistas franceses, entre 1946 a 1954.
No segundo, uma frente de nacionalistas e comunistas - o Vietcong - enfrentou as tropas de intervenção norte-americanas, entre 1964 e 1975.
Com um pequeno intervalo entre os finais dos anos 50 e início dos 60, a guerra durou quase 20 anos.
Na verdade, devido a sua irradiação, seria melhor dizer GUERRA DA INDOCHINA, do qual o Vietnã é uma das partes.
A Indochina, região assim chamada por ser uma zona intermediária entre a Índia e a China, ocupa uma península do sudoeste asiático e está dividida entre o Vietnã (subdividido em Tonquim e Conchinchina), o Laos e o reino do Camboja. Toda essa região caiu sob domínio do colonialismo francês entre 1883 e 1885 e assim ficou até a ocupação japonesa, entre 1941-45.
Com a queda da França em 1940, formou-se o governo colaboracionista de Vichy, aliado dos nazistas. Em vista disso, os japoneses permitiram uma certa autonomia administrativa feita por franceses. Mas em 1945, com a derrota do Japão, os franceses tentaram recolonizar toda a Indochina.
HO-CHI-MINH
[A INDEPENDÊNCIA DO VIETNÃ - A PRIMEIRA GUERRA DA INDOCHINA]
Ho Chi Minh ("aquele que ilumina") nasceu em 1890 numa pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural. Tornou-se um dos mais importantes e lendários líderes nacionalistas e revolucionários do mundo do após-guerra. Viajou muito jovem como marinheiro e tornou-se socialista quando viveu em Paris, entre 1917 e 1923. Quando ocorreram as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh (então chamado de Nguyen Ai quoc, o "patriota"), solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu resposta, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo.
Em 1930, ele fundou o Partido Comunista Indochinês e o seu sucessor, o Viet-mihn (Liga da Independência do Vietnã) em 1941, para resistir à ocupação japonesa.
Foi preso na China por atividade subversiva e escreveu na prisão os "Diários da Prisão", em chinês clássico. Uma série de poemas curtos, onde enalteceu a luta pela independência.
Com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Vo Nguyen Giap, lançou-se numa guerra de guerrilhas contra os japoneses, obedecendo à estratégia de Mao Tse Tung de uma "guerra de longa duração". Finalmente, em 2 de setembro de 1945, eles ocupam Hanói (a capital do norte) e Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã.
Mas os franceses não aceitaram. O Gen. Leclerc, a mando do Gen. De Gaulle, recebeu ordens de reconquistar todo o norte do país, já nas mãos dos comunistas de Ho Chi Minh. Isso irá jogar a França na sua primeira guerra colonial depois de 1945, levando-a à derrota na batalha de Diem Biem Phu, em 1954, quando as forças do Viet-minh, comandadas por Giap, cercam e levam os franceses à rendição. Depois de 8 anos, encerrou-se assim a primeira Guerra da Indochina.
A CONFERÊNCIA DE GENEBRA
Em Genebra, na Suíça, os franceses acertaram com os vietnamitas um acordo que previa:
1. o Vietnã seria momentaneamente dividido em duas partes, a partir do paralelo 17, no Norte, sob o controle de Ho Chi Minh e no Sul sob o domínio do imperador Bao Dai, um títere dos franceses;
2. haveria entre eles uma Zona Desmilitarizada (ZDM);
3. seriam realizadas em 1956, sob supervisão internacional, eleições livres para unificar o país.
Os Estados Unidos presentes no encontro não assinaram o acordo.
A DITADURA DE DIEM
Entrementes, no sul, assumia a administração, em nome do imperador, Ngo Dinh Diem, um líder católico, que em pouco tempo tornou-se o ditador do Vietnã do Sul.
Ao invés de realizar as eleições em 1956, como previa o acordo de Genebra, Diem proclamou a independência do Sul e cancelou a votação. Os americanos apoiaram Diem porque sabiam que as eleições seriam vencidas pelos nacionalistas e pelos comunistas de Ho Chi Minh.
Em 1954, o General Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, explicou a posição americana na região pela defesa da Teoria de Dominó: "Se vocês colocarem uma série de peças de dominó em fila e empurrarem a primeira, logo acabará caindo até a última... se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã, corre-se o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas, um após o outro."
A partir de então, Diem conquistou a colaboração aberta dos EUA, primeiro em armas e dinheiro e depois em instrutores militares. Diem reprimiu as seitas sul-vietnamitas, indispôs-se com os budistas e perseguiu violentamente os nacionalistas e comunistas, além de conviver, como bom déspota oriental, com uma administração extremamente nepótica e corrupta.
Em 1956, para solidificar ainda mais o projeto de contenção ao comunismo, especialmente contra a China, o secretário John Foster Dulles criou, em Manilla, a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático) para servir de suporte ao Vietnã do Sul.
A SEGUNDA GUERRA DA INDOCHINA
A GUERRA CIVIL E A INTERVENÇÃO MILITAR AMERICANA
Com as perseguições desencadeadas pela ditadura Diem, comunistas e nacionalistas formaram, em 1960, uma Frente de Libertação Nacional (FLN), mais conhecida como Vietcong, e lançaram-se numa guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Em pouco tempo o ditador Diem mostrou-se incapaz de por si só vencer seus adversários.
O presidente Kennedy envia, então, os primeiros "conselheiros militares" que, depois de sua morte em 1963, serão substituídos por combatentes.
[O INCIDENTE DO GOLFO DE TONQUIM]
Seu sucessor, o presidente L.Johnson, aumenta a escalada de guerra, depois do incidente do Golfo de Tonquim, em setembro de 1964.
Esse incidente provou-se, posteriormente, ter sido forjado pelo Pentágono para justificar a intervenção. Um navio americano teria sido atacado por lanchas vietnamitas em águas internacionais (na verdade era o mar territorial norte-vietnamita), quando patrulhava no Golfo de Tonquim. Assim, os norte-americanos consideraram esse episódio como um ato de guerra contra eles, fazendo com que o Congresso aprovasse a Resolução do Golfo de Tonquim, que autorizou o presidente a ampliar o envolvimento americano na região.
Em represália a um ataque norte-vietnamita e vietcong à base de Pleiku e Qui Nhon, o presidente Johnson ordena o bombardeio intenso do Vietnã do Norte.
Mas as tentativas de separar o Vietcong das suas bases rurais fracasssa, mesmo com a adoção das chamadas "aldeias estratégicas" que, na verdade, eram pequenas prisões onde os camponeses deveriam ficar confinados.
A OFENSIVA DO ANO TET E O DESENGAJAMENTO
Desde 1963, quando os militares sul-vietnamitas, apoiados pelos americanos, derrubaram e mataram o ditador Diem (àquela altura extremamente impopular), os sul-vietnamitas não conseguiram mais preencher o vácuo de sua liderança. Uma série de outros militares assumiram a chefia do governo transitoriamente, enquanto os combates mais e mais eram tarefa dos americanos.
Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon.
Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política.
O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição.
AUMENTO DA ESCALADA AMERICANA NO VIETNÃ (em soldados):
1960 900
1962 11.000
1963 50.000
1965 180.000
1967 389.000
1969 540.000
Para a opinião pública americana tratava-se, agora, de sair daquela guerra de qualquer maneira.
O novo presidente eleito, Richard Nixon, assumiu o compromisso de "trazer nossos rapazes de volta", fazendo com que, lentamente, as tropas americanas se desengajassem do conflito. O problema passou a ser de que maneira os Estados Unidos poderiam obter uma "retirada honrosa" e manter ainda o seu aliado, o governo sul-vietnamita.
Nixon passou a reverter isso, fazendo com que os sul-vietnamitas voltassem a ser encarregados das operações. Chamou-se isso de "vietnamização" da guerra. Imaginou que, abastecendo-os o suficiente de dinheiro e armas, eles poderiam lutar sozinhos contra o vietcong. Transformou o presidente Van Thieu num simples títere desse projeto.
Enquanto isso, as negociações em Paris marcavam passo. Em 1970, Nixon ordenou o ataque à célebre trilha Ho Chi Minh, que passava pelo Laos e Camboja e que servia como estrada de abastecimento do vietcong.
[GUERRA CIVIL DO CAMBOJA]
Nixon estimulou, também, um golpe militar contra o neutralista príncipe N.Sianouk do Camboja, o que provocou uma guerra civil naquele país entre os militares direitistas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho (Khmer Rouge) liderados por Pol Pot.
1975 - A DERROTA E A UNIFICAÇÃO DO VIETNÃ
Depois de imobilizarem militarmente as forças americanas em várias situações, levando-as a serem retiradas do conflito, os norte-vietnamitas de Giap, juntamente com os vietcongs, prepararam-se para a ofensiva final. Deixaram de lado a guerra de guerrilhas e passaram a concentrar suas forças para um ataque em massa.
Desmoralizado, o exército sul-vietnamita começou a dissolver-se. Haviam chegado a 600 mil soldados, mas reduziu-se a um punhado de combatentes.
Em dezembro de 1974, os nortistas ocupam Phuoc Binh, a 100 quilômetros de Saigon. Em janeiro de 1975, começou o ataque final. O pânico alcança os sul-vietnamitas que fogem para as cercanias da capital. O presidente Thieu embarca para o exílio e os americanos retiram em correria o resto do seu pessoal e grupos de colaboradores nativos.
Finalmente, no dia 30 de abril, as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969.
A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada.
Mais de um milhão de vietnamitas pereceram, enquanto que 47 mil mortos e 313 mil feridos ocorreram pelo lado americano, a um custo de US$ 200 bilhões para os EUA.
CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA DO VIETNÃ
O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas, foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram imprestáveis para a lavoura.
Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se ‘boat people’, navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de refugiados em países vizinhos.
O Vietnã regrediu economicamente a um nível de antes da II Guerra Mundial.
Os Estados Unidos, por sua vez, saíram moralmente dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral confiança dos cidadãos.”
Como a maioria dos brasileiros considera esse risco inexistente e muitos outros (principalmente após a década de lavagem cerebral pró-EUA durante o governo PSDB/PFL-DEM/FHC) consideram ver os Estados Unidos como uma ameaça à nossa paz uma simples fantasia 'de comunistas' ou uma pobre 'teoria da conspiração', surgiu a necessidade de relembrarmos com maior amplitude o comportamento belicoso dos EUA desde o século passado.
Assim, desde então, fomos eventualmente postando, fora da ordem cronológica, vários artigos sobre o tema.
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008; e
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril.
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 de abril.
Hoje, 10 de maio, continuaremos com outro capítulo: a derrota dos EUA no Vietnã.
Há 33 anos, em 30 de abril de 1975, Saigon capitulava para as forças vietnamitas da unificação do país. O Vietnã fora dividido 19 anos antes pelos franceses, em 1954, na Guerra da Indochina.
Eu já havia preparado um texto sobre essa guerra, que foi contemporânea com boa parte da minha existência. Todavia, sem falsa modéstia, encontrei na internet um artigo mais bem escrito e muito mais completo. Foi no site www.zaz.com.br, Mundo – História, escrito por Voltaire Schilling. Reproduzo o texto desse autor. È um pouco mais longo que o usual neste site, mas vale a pena lê-lo:
A GUERRA DO VIETNÃ
INTRODUÇÃO
"A Guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da II Guerra Mundial. Estendeu-se essa guerra em dois períodos distintos.
No primeiro deles, as forças nacionalistas vietnamitas, sob orientação do Viet-minh (a liga vietnamita), lutaram contra os colonialistas franceses, entre 1946 a 1954.
No segundo, uma frente de nacionalistas e comunistas - o Vietcong - enfrentou as tropas de intervenção norte-americanas, entre 1964 e 1975.
Com um pequeno intervalo entre os finais dos anos 50 e início dos 60, a guerra durou quase 20 anos.
Na verdade, devido a sua irradiação, seria melhor dizer GUERRA DA INDOCHINA, do qual o Vietnã é uma das partes.
A Indochina, região assim chamada por ser uma zona intermediária entre a Índia e a China, ocupa uma península do sudoeste asiático e está dividida entre o Vietnã (subdividido em Tonquim e Conchinchina), o Laos e o reino do Camboja. Toda essa região caiu sob domínio do colonialismo francês entre 1883 e 1885 e assim ficou até a ocupação japonesa, entre 1941-45.
Com a queda da França em 1940, formou-se o governo colaboracionista de Vichy, aliado dos nazistas. Em vista disso, os japoneses permitiram uma certa autonomia administrativa feita por franceses. Mas em 1945, com a derrota do Japão, os franceses tentaram recolonizar toda a Indochina.
HO-CHI-MINH
[A INDEPENDÊNCIA DO VIETNÃ - A PRIMEIRA GUERRA DA INDOCHINA]
Ho Chi Minh ("aquele que ilumina") nasceu em 1890 numa pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural. Tornou-se um dos mais importantes e lendários líderes nacionalistas e revolucionários do mundo do após-guerra. Viajou muito jovem como marinheiro e tornou-se socialista quando viveu em Paris, entre 1917 e 1923. Quando ocorreram as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh (então chamado de Nguyen Ai quoc, o "patriota"), solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu resposta, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo.
Em 1930, ele fundou o Partido Comunista Indochinês e o seu sucessor, o Viet-mihn (Liga da Independência do Vietnã) em 1941, para resistir à ocupação japonesa.
Foi preso na China por atividade subversiva e escreveu na prisão os "Diários da Prisão", em chinês clássico. Uma série de poemas curtos, onde enalteceu a luta pela independência.
Com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Vo Nguyen Giap, lançou-se numa guerra de guerrilhas contra os japoneses, obedecendo à estratégia de Mao Tse Tung de uma "guerra de longa duração". Finalmente, em 2 de setembro de 1945, eles ocupam Hanói (a capital do norte) e Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã.
Mas os franceses não aceitaram. O Gen. Leclerc, a mando do Gen. De Gaulle, recebeu ordens de reconquistar todo o norte do país, já nas mãos dos comunistas de Ho Chi Minh. Isso irá jogar a França na sua primeira guerra colonial depois de 1945, levando-a à derrota na batalha de Diem Biem Phu, em 1954, quando as forças do Viet-minh, comandadas por Giap, cercam e levam os franceses à rendição. Depois de 8 anos, encerrou-se assim a primeira Guerra da Indochina.
A CONFERÊNCIA DE GENEBRA
Em Genebra, na Suíça, os franceses acertaram com os vietnamitas um acordo que previa:
1. o Vietnã seria momentaneamente dividido em duas partes, a partir do paralelo 17, no Norte, sob o controle de Ho Chi Minh e no Sul sob o domínio do imperador Bao Dai, um títere dos franceses;
2. haveria entre eles uma Zona Desmilitarizada (ZDM);
3. seriam realizadas em 1956, sob supervisão internacional, eleições livres para unificar o país.
Os Estados Unidos presentes no encontro não assinaram o acordo.
A DITADURA DE DIEM
Entrementes, no sul, assumia a administração, em nome do imperador, Ngo Dinh Diem, um líder católico, que em pouco tempo tornou-se o ditador do Vietnã do Sul.
Ao invés de realizar as eleições em 1956, como previa o acordo de Genebra, Diem proclamou a independência do Sul e cancelou a votação. Os americanos apoiaram Diem porque sabiam que as eleições seriam vencidas pelos nacionalistas e pelos comunistas de Ho Chi Minh.
Em 1954, o General Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, explicou a posição americana na região pela defesa da Teoria de Dominó: "Se vocês colocarem uma série de peças de dominó em fila e empurrarem a primeira, logo acabará caindo até a última... se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã, corre-se o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas, um após o outro."
A partir de então, Diem conquistou a colaboração aberta dos EUA, primeiro em armas e dinheiro e depois em instrutores militares. Diem reprimiu as seitas sul-vietnamitas, indispôs-se com os budistas e perseguiu violentamente os nacionalistas e comunistas, além de conviver, como bom déspota oriental, com uma administração extremamente nepótica e corrupta.
Em 1956, para solidificar ainda mais o projeto de contenção ao comunismo, especialmente contra a China, o secretário John Foster Dulles criou, em Manilla, a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático) para servir de suporte ao Vietnã do Sul.
A SEGUNDA GUERRA DA INDOCHINA
A GUERRA CIVIL E A INTERVENÇÃO MILITAR AMERICANA
Com as perseguições desencadeadas pela ditadura Diem, comunistas e nacionalistas formaram, em 1960, uma Frente de Libertação Nacional (FLN), mais conhecida como Vietcong, e lançaram-se numa guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Em pouco tempo o ditador Diem mostrou-se incapaz de por si só vencer seus adversários.
O presidente Kennedy envia, então, os primeiros "conselheiros militares" que, depois de sua morte em 1963, serão substituídos por combatentes.
[O INCIDENTE DO GOLFO DE TONQUIM]
Seu sucessor, o presidente L.Johnson, aumenta a escalada de guerra, depois do incidente do Golfo de Tonquim, em setembro de 1964.
Esse incidente provou-se, posteriormente, ter sido forjado pelo Pentágono para justificar a intervenção. Um navio americano teria sido atacado por lanchas vietnamitas em águas internacionais (na verdade era o mar territorial norte-vietnamita), quando patrulhava no Golfo de Tonquim. Assim, os norte-americanos consideraram esse episódio como um ato de guerra contra eles, fazendo com que o Congresso aprovasse a Resolução do Golfo de Tonquim, que autorizou o presidente a ampliar o envolvimento americano na região.
Em represália a um ataque norte-vietnamita e vietcong à base de Pleiku e Qui Nhon, o presidente Johnson ordena o bombardeio intenso do Vietnã do Norte.
Mas as tentativas de separar o Vietcong das suas bases rurais fracasssa, mesmo com a adoção das chamadas "aldeias estratégicas" que, na verdade, eram pequenas prisões onde os camponeses deveriam ficar confinados.
A OFENSIVA DO ANO TET E O DESENGAJAMENTO
Desde 1963, quando os militares sul-vietnamitas, apoiados pelos americanos, derrubaram e mataram o ditador Diem (àquela altura extremamente impopular), os sul-vietnamitas não conseguiram mais preencher o vácuo de sua liderança. Uma série de outros militares assumiram a chefia do governo transitoriamente, enquanto os combates mais e mais eram tarefa dos americanos.
Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon.
Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política.
O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição.
AUMENTO DA ESCALADA AMERICANA NO VIETNÃ (em soldados):
1960 900
1962 11.000
1963 50.000
1965 180.000
1967 389.000
1969 540.000
Para a opinião pública americana tratava-se, agora, de sair daquela guerra de qualquer maneira.
O novo presidente eleito, Richard Nixon, assumiu o compromisso de "trazer nossos rapazes de volta", fazendo com que, lentamente, as tropas americanas se desengajassem do conflito. O problema passou a ser de que maneira os Estados Unidos poderiam obter uma "retirada honrosa" e manter ainda o seu aliado, o governo sul-vietnamita.
Nixon passou a reverter isso, fazendo com que os sul-vietnamitas voltassem a ser encarregados das operações. Chamou-se isso de "vietnamização" da guerra. Imaginou que, abastecendo-os o suficiente de dinheiro e armas, eles poderiam lutar sozinhos contra o vietcong. Transformou o presidente Van Thieu num simples títere desse projeto.
Enquanto isso, as negociações em Paris marcavam passo. Em 1970, Nixon ordenou o ataque à célebre trilha Ho Chi Minh, que passava pelo Laos e Camboja e que servia como estrada de abastecimento do vietcong.
[GUERRA CIVIL DO CAMBOJA]
Nixon estimulou, também, um golpe militar contra o neutralista príncipe N.Sianouk do Camboja, o que provocou uma guerra civil naquele país entre os militares direitistas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho (Khmer Rouge) liderados por Pol Pot.
1975 - A DERROTA E A UNIFICAÇÃO DO VIETNÃ
Depois de imobilizarem militarmente as forças americanas em várias situações, levando-as a serem retiradas do conflito, os norte-vietnamitas de Giap, juntamente com os vietcongs, prepararam-se para a ofensiva final. Deixaram de lado a guerra de guerrilhas e passaram a concentrar suas forças para um ataque em massa.
Desmoralizado, o exército sul-vietnamita começou a dissolver-se. Haviam chegado a 600 mil soldados, mas reduziu-se a um punhado de combatentes.
Em dezembro de 1974, os nortistas ocupam Phuoc Binh, a 100 quilômetros de Saigon. Em janeiro de 1975, começou o ataque final. O pânico alcança os sul-vietnamitas que fogem para as cercanias da capital. O presidente Thieu embarca para o exílio e os americanos retiram em correria o resto do seu pessoal e grupos de colaboradores nativos.
Finalmente, no dia 30 de abril, as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969.
A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada.
Mais de um milhão de vietnamitas pereceram, enquanto que 47 mil mortos e 313 mil feridos ocorreram pelo lado americano, a um custo de US$ 200 bilhões para os EUA.
CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA DO VIETNÃ
O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas, foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram imprestáveis para a lavoura.
Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se ‘boat people’, navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de refugiados em países vizinhos.
O Vietnã regrediu economicamente a um nível de antes da II Guerra Mundial.
Os Estados Unidos, por sua vez, saíram moralmente dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral confiança dos cidadãos.”
sexta-feira, 9 de maio de 2008
LUGAR-COMUM: OUTRO RECORDE - PRODUÇÂO DE VEÍCULOS
Já se está tornando um lugar-comum noticiar um novo recorde histórico no atual governo. Mas, não adianta esconder fatos.
Agora, trata-se da produção de veículos. Ela, juntamente com a maior capacidade da população de comprar veículos, já foi criticada por autoridade municipal de São Paulo (DEM-PFL) por causar crescentes engarrafamentos. Em outras cidades, também ocorre esse problema. Culpa de Lula e não dos prefeitos que deveriam melhorar a infra-estrutura viária na mesma velocidade.
Hoje (às 12h14), o portal UOL Últimas Notícias publicou:
“Produção de veículos cresce 34% em abril e soma 1 milhão de unidades no ano”
“As montadoras de veículos instaladas no Brasil já superaram 1 milhão de unidades fabricadas nos primeiros quatro meses de 2008.
De janeiro a abril, a produção somou 1,087 milhão de carros, caminhões e ônibus, número 23,5% maior que o verificado em período equivalente do ano passado.
Em 2007, ano em que a produção foi recorde, a marca de 1 milhão de unidades só foi atingida em maio. Até abril do ano passado, a fabricação somava 880 mil veículos.
Em abril deste ano, foram montados 300,55 mil veículos, um salto de 34,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.
(...) Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).”
Agora, trata-se da produção de veículos. Ela, juntamente com a maior capacidade da população de comprar veículos, já foi criticada por autoridade municipal de São Paulo (DEM-PFL) por causar crescentes engarrafamentos. Em outras cidades, também ocorre esse problema. Culpa de Lula e não dos prefeitos que deveriam melhorar a infra-estrutura viária na mesma velocidade.
Hoje (às 12h14), o portal UOL Últimas Notícias publicou:
“Produção de veículos cresce 34% em abril e soma 1 milhão de unidades no ano”
“As montadoras de veículos instaladas no Brasil já superaram 1 milhão de unidades fabricadas nos primeiros quatro meses de 2008.
De janeiro a abril, a produção somou 1,087 milhão de carros, caminhões e ônibus, número 23,5% maior que o verificado em período equivalente do ano passado.
Em 2007, ano em que a produção foi recorde, a marca de 1 milhão de unidades só foi atingida em maio. Até abril do ano passado, a fabricação somava 880 mil veículos.
Em abril deste ano, foram montados 300,55 mil veículos, um salto de 34,4% em relação ao mesmo mês do ano passado.
(...) Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).”
AMEAÇAS À SOBERANIA NA AMÉRICA LATINA
O site Carta Maior publicou ontem uma interessante análise de ameaças à soberania que estão se agravando em vários países latino-americanos.
A autora do artigo é a mexicana Ana Esther Ceceña, doutora em relações econômicas internacionais pela Universidade de Paris I, Sorbonne; pesquisadora do Instituto de Investigações Econômicas da Universidade Nacional Autônoma do México; coordenadora do grupo de trabalho Hegemonias e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso); diretora da revista Chiapas; membro da Rede de Estudos da Economia Mundial (Redem) e dos Programas de Pós-graduação em Estudos Latino-americanos e em Relações Internacionais da Universidade Autônoma do México.
Transcrevo, acrescentando somente alguns subtítulos entre colchetes.
“OPERAÇÃO BOLÍVIA”
“Movimentos para interromper as mudanças na América Latina
Se estivéssemos em um jogo de estratégia, poderíamos reconhecer um conjunto de jogadas quase simultâneas que foram configurando a possibilidade de uma ruptura nos processos latino-americanos de recuperação de soberania, adverte a socióloga mexicana Ana Ester Ceceña.
[BOLÍVIA-1]
“A Bolívia está em uma das encruzilhadas mais perigosas que já enfrentou nos últimos tempos. O dia 4 de maio, data da realização de um referendo convocado pela oligarquia autonomista da chamada Meia-Lua, a despeito da sua ilegalidade representa um ponto de inflexão, ou de ruptura, tanto nos processos internos como nos da América Latina em seu conjunto.
[ESTRATÉGIAS DE RUPTURA DA SOBERANIA]
Se estivéssemos em um jogo de estratégia, poderíamos reconhecer um conjunto de jogadas quase simultâneas que foram configurando a possibilidade de uma ruptura nos processos latino-americanos de recuperação de soberania:
[O “DEMÔNIO” CHAVEZ]
1. Uma campanha midiática permanente, centrada no presidente Chávez como figura do mal, que busca obstaculizar qualquer tipo de articulação alternativa daquela que é promovida pelos Estados Unidos através dos seus tratados de livre comércio, de investimento e de cooperação em segurança.
[AMPARO JURÍDICO PARA AS AMEAÇAS]
2. Uma mudança na orientação normativa dos códigos penais, tendente a criminalizar as ações de resistência civil e de defesa do território.
[“PLANO PARAGUAI” E “PLANO MÉXICO”]
3. Uma tentativa de estender o Plano Colômbia para o Paraguai, desde um ano antes da última eleição, e para o México, com o argumento de que nesses países há presença ativa das FARC na forma de campos de recrutamento e treinamento. Esta ofensiva é mais intensa no caso do México, depois do ataque em Sucumbíos, onde foram assassinados quatro estudantes mexicanos e ferida uma quinta.
[A INVASÃO DO EQUADOR]
4. Um golpe brutal contra o processo equatoriano, violando de modo flagrante sua soberania, colocando em tensão o conjunto da região. Tão grave, tão por surpresa e tão violatório foi o ataque, que obrigou a mobilizar tropas em alerta para as fronteiras do Equador e da Venezuela, levou a um inédito debate na Cúpula de Presidentes em Santo Domingo e ao rompimento de relações, até esta data, entre a Colômbia e o Equador.
Neste caso, a mão do jogador oculto ficou ao descoberto em virtude de que tanto a Assembléia Constituinte do Equador como o presidente Correa enfrentaram o fato em toda a sua complexidade. Depois de analisar a informação técnica do bombardeio, parece fundada a suspeita de um envolvimento da base de Manta e exige-se a realização de uma auditoria que determine as atividades dessa instalação antes, durante e depois de 1º de março de 2008. E, embora esta base termine seu convênio em 2009, seu envolvimento no ataque poderia modificar sua permanência.
Pode-se dizer que apesar da jogada ter estado muito bem planejada, e aparentemente contou com apoio interno, a julgar pela omissão de informação e resposta do exército e pela restruturação posterior das cúpulas militares, seu resultado não foi completamente satisfatório. Talvez foi ousada demais para um contendor que ainda não havia se mostrado plenamente, e que terminou sendo muito mais sólido, firme e aguerrido do que se podia supor.
[BOLÍVIA-2]
5. Campanhas de cooptação por parte da Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia, como foi oportunamente denunciado pelo presidente Evo Morales, tentando desacreditar e debilitar a Assembléia Constituinte, mas, adicionalmente, buscando formar essa força desestabilizadora que, ao lado da oligarquia da Meia-Lua, chegaram a propor, e organizar, um referendo ilegal e de enfrentamento.
[PRESENÇA MILITAR DOS EUA NO CHACO]
6. Como dado aparentemente menor, se for visto isoladamente, na zona de Chaco estão sendo registrados, novamente, exercícios militares que envolvem a presença de efetivos norte-americanos. Esta região, lindeira com a zona boliviana em conflito e dotada das jazidas de gás que têm sido objeto de disputa, é cenário de exercícios militares, ou de missões chamadas humanitárias, das forças armadas estadunidenses há tempos. A partir do ano 2000, esses exercícios aumentaram, coincidindo com as impugnações à privatização e com o saque dos recursos naturais por parte das organizações sociais da região.
Durante 2006 e 2007, como parte do convênio de imunidade das tropas norte-americanas no Paraguai, concedido pelo Congresso, foi reformado o aeroporto militar de Mariscal Estigarribia, notável por seu baixíssimo tráfego, suas boas condições e suas dimensões, adequadas para receber o pouso de aeronaves “de grande envergadura”, capazes de transportar equipamento pesado e ligeiro e grandes quantidades de efetivos.
Aos tradicionais MEDRETES (exercícios de atenção médica) realizados no Paraguai e àqueles que se realizam nos rios Paraguai e Paraná, somam-se hoje (notícia da última semana de abril) os exercícios Nuevos Horizontes (supostamente para construir escolas) no Chaco argentino.
[QUARTA FROTA NUCLEAR DA US NAVY DEDICADA À AM. LATINA]
7. Encerrando com fecho de ouro estas que são apenas as jogadas mais evidentes, mobiliza-se a Quarta Frota da Marinha norte-americana para articular e institucionalizar as patrulhas em torno do Continente, que até agora eram feitas, cada vez com maior intensidade e presença, como operações isoladas.
A Quarta Frota estabelece as novas fronteiras do Continente. Um Continente cercado a partir do mar, se a iniciativa não for impugnada.
[BOLÍVIA-3: O SEPARATISMO]
O desafio do referendo é, de fato, neste contexto, a provocação que poderia acender a mecha. A beligerância da oligarquia boliviana foi crescendo ao mesmo tempo em que as declarações do embaixador dos Estados Unidos se tornavam mais agressivas contra o governo legítimo e constitucional de Evo Morales, sua agressividade parece buscar mais um confronto do que um resultado nas urnas. Uma guerra civil poderia começar, sem muito trâmite, e levaria o Continente inteiro para uma nova época de escuridão que só satisfaz aos corvos.
A mesa está posta. Resta apenas a maturidade do povo boliviano para desmontar a armadilha que está fazendo crescer a tensão e acendendo a mecha.
As últimas medidas de nacionalização do presidente Morales deixam ver que sua aposta é pelo compromisso, talvez ainda mais firme que quando assumiu suas funções, com o povo ativo, rebelde e mobilizado da Bolívia.
“Somente o povo salva o povo”.
A autora do artigo é a mexicana Ana Esther Ceceña, doutora em relações econômicas internacionais pela Universidade de Paris I, Sorbonne; pesquisadora do Instituto de Investigações Econômicas da Universidade Nacional Autônoma do México; coordenadora do grupo de trabalho Hegemonias e Emancipações do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso); diretora da revista Chiapas; membro da Rede de Estudos da Economia Mundial (Redem) e dos Programas de Pós-graduação em Estudos Latino-americanos e em Relações Internacionais da Universidade Autônoma do México.
Transcrevo, acrescentando somente alguns subtítulos entre colchetes.
“OPERAÇÃO BOLÍVIA”
“Movimentos para interromper as mudanças na América Latina
Se estivéssemos em um jogo de estratégia, poderíamos reconhecer um conjunto de jogadas quase simultâneas que foram configurando a possibilidade de uma ruptura nos processos latino-americanos de recuperação de soberania, adverte a socióloga mexicana Ana Ester Ceceña.
[BOLÍVIA-1]
“A Bolívia está em uma das encruzilhadas mais perigosas que já enfrentou nos últimos tempos. O dia 4 de maio, data da realização de um referendo convocado pela oligarquia autonomista da chamada Meia-Lua, a despeito da sua ilegalidade representa um ponto de inflexão, ou de ruptura, tanto nos processos internos como nos da América Latina em seu conjunto.
[ESTRATÉGIAS DE RUPTURA DA SOBERANIA]
Se estivéssemos em um jogo de estratégia, poderíamos reconhecer um conjunto de jogadas quase simultâneas que foram configurando a possibilidade de uma ruptura nos processos latino-americanos de recuperação de soberania:
[O “DEMÔNIO” CHAVEZ]
1. Uma campanha midiática permanente, centrada no presidente Chávez como figura do mal, que busca obstaculizar qualquer tipo de articulação alternativa daquela que é promovida pelos Estados Unidos através dos seus tratados de livre comércio, de investimento e de cooperação em segurança.
[AMPARO JURÍDICO PARA AS AMEAÇAS]
2. Uma mudança na orientação normativa dos códigos penais, tendente a criminalizar as ações de resistência civil e de defesa do território.
[“PLANO PARAGUAI” E “PLANO MÉXICO”]
3. Uma tentativa de estender o Plano Colômbia para o Paraguai, desde um ano antes da última eleição, e para o México, com o argumento de que nesses países há presença ativa das FARC na forma de campos de recrutamento e treinamento. Esta ofensiva é mais intensa no caso do México, depois do ataque em Sucumbíos, onde foram assassinados quatro estudantes mexicanos e ferida uma quinta.
[A INVASÃO DO EQUADOR]
4. Um golpe brutal contra o processo equatoriano, violando de modo flagrante sua soberania, colocando em tensão o conjunto da região. Tão grave, tão por surpresa e tão violatório foi o ataque, que obrigou a mobilizar tropas em alerta para as fronteiras do Equador e da Venezuela, levou a um inédito debate na Cúpula de Presidentes em Santo Domingo e ao rompimento de relações, até esta data, entre a Colômbia e o Equador.
Neste caso, a mão do jogador oculto ficou ao descoberto em virtude de que tanto a Assembléia Constituinte do Equador como o presidente Correa enfrentaram o fato em toda a sua complexidade. Depois de analisar a informação técnica do bombardeio, parece fundada a suspeita de um envolvimento da base de Manta e exige-se a realização de uma auditoria que determine as atividades dessa instalação antes, durante e depois de 1º de março de 2008. E, embora esta base termine seu convênio em 2009, seu envolvimento no ataque poderia modificar sua permanência.
Pode-se dizer que apesar da jogada ter estado muito bem planejada, e aparentemente contou com apoio interno, a julgar pela omissão de informação e resposta do exército e pela restruturação posterior das cúpulas militares, seu resultado não foi completamente satisfatório. Talvez foi ousada demais para um contendor que ainda não havia se mostrado plenamente, e que terminou sendo muito mais sólido, firme e aguerrido do que se podia supor.
[BOLÍVIA-2]
5. Campanhas de cooptação por parte da Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia, como foi oportunamente denunciado pelo presidente Evo Morales, tentando desacreditar e debilitar a Assembléia Constituinte, mas, adicionalmente, buscando formar essa força desestabilizadora que, ao lado da oligarquia da Meia-Lua, chegaram a propor, e organizar, um referendo ilegal e de enfrentamento.
[PRESENÇA MILITAR DOS EUA NO CHACO]
6. Como dado aparentemente menor, se for visto isoladamente, na zona de Chaco estão sendo registrados, novamente, exercícios militares que envolvem a presença de efetivos norte-americanos. Esta região, lindeira com a zona boliviana em conflito e dotada das jazidas de gás que têm sido objeto de disputa, é cenário de exercícios militares, ou de missões chamadas humanitárias, das forças armadas estadunidenses há tempos. A partir do ano 2000, esses exercícios aumentaram, coincidindo com as impugnações à privatização e com o saque dos recursos naturais por parte das organizações sociais da região.
Durante 2006 e 2007, como parte do convênio de imunidade das tropas norte-americanas no Paraguai, concedido pelo Congresso, foi reformado o aeroporto militar de Mariscal Estigarribia, notável por seu baixíssimo tráfego, suas boas condições e suas dimensões, adequadas para receber o pouso de aeronaves “de grande envergadura”, capazes de transportar equipamento pesado e ligeiro e grandes quantidades de efetivos.
Aos tradicionais MEDRETES (exercícios de atenção médica) realizados no Paraguai e àqueles que se realizam nos rios Paraguai e Paraná, somam-se hoje (notícia da última semana de abril) os exercícios Nuevos Horizontes (supostamente para construir escolas) no Chaco argentino.
[QUARTA FROTA NUCLEAR DA US NAVY DEDICADA À AM. LATINA]
7. Encerrando com fecho de ouro estas que são apenas as jogadas mais evidentes, mobiliza-se a Quarta Frota da Marinha norte-americana para articular e institucionalizar as patrulhas em torno do Continente, que até agora eram feitas, cada vez com maior intensidade e presença, como operações isoladas.
A Quarta Frota estabelece as novas fronteiras do Continente. Um Continente cercado a partir do mar, se a iniciativa não for impugnada.
[BOLÍVIA-3: O SEPARATISMO]
O desafio do referendo é, de fato, neste contexto, a provocação que poderia acender a mecha. A beligerância da oligarquia boliviana foi crescendo ao mesmo tempo em que as declarações do embaixador dos Estados Unidos se tornavam mais agressivas contra o governo legítimo e constitucional de Evo Morales, sua agressividade parece buscar mais um confronto do que um resultado nas urnas. Uma guerra civil poderia começar, sem muito trâmite, e levaria o Continente inteiro para uma nova época de escuridão que só satisfaz aos corvos.
A mesa está posta. Resta apenas a maturidade do povo boliviano para desmontar a armadilha que está fazendo crescer a tensão e acendendo a mecha.
As últimas medidas de nacionalização do presidente Morales deixam ver que sua aposta é pelo compromisso, talvez ainda mais firme que quando assumiu suas funções, com o povo ativo, rebelde e mobilizado da Bolívia.
“Somente o povo salva o povo”.
“INVESTMENT GRADE” x SOCIALISMO
O blog “Óleo do Diabo”, de Miguel do Rosário, publicou ontem (08/05) um ótimo texto com o título acima. Reproduzo somente a primeira parte. Recomendo a leitura da íntegra do artigo no referido blog. Basta clicar em “Miguel do Rosário” na coluna “recomendamos”, à direita.
“Investment Grade X Socialismo”
“Um amigo cobrou-me um post sobre o Investment Grade. Tenho deixado passar muitos assuntos importantes. Tentarei recuperar o tempo perdido. Vamos lá. Sobre o Investment Grade, os fatos falam por si mesmos. Trata-se de uma classificação importante no mercado internacional, que serve como referência para os fundos mais conservadores. Esses fundos, alguns soberanos (isto é, pertencentes a governos), movimentam trilhões de dólares, e têm um perfil sóbrio, procurando fazer investimentos seguros, éticos e com retorno de longo prazo.
Entretanto, não foi surpresa para quem acompanha de perto as lides nacionais que o investment grade fosse quase menosprezado por determinados espectros políticos. A imprensa tratou logo de vender a teoria de que o prêmio devia-se ao governo anterior, de FHC, e não ao governo Lula, que teria somente se beneficiado por ter dado continuidade às políticas tucanas.
Ora, muitos blogueiros e jornalistas já desmascararam essa história da continuidade.
Mas como a mídia abusa da estratégia goeberiana de repetir inverdades até torná-las dogmas, nunca é demais repassar, nem que seja rapidamente, algumas mudanças efetivadas pelo governo atual.
Aumento do salário mínimo; uso da verba do BNDES para empresas nacionais; expansão do crédito; desoneração tributária de setores estratégicos, como o de informática; redução dos juros; política fiscal mais rígida, reduzindo a relação dívida X PIB; pagamento da dívida externa; maior apoio à agricultura média e familiar, mas também ao grande, beneficiado pelo biodiesel e pela liberação de recursos federais; programas sociais redistributivos, que ativaram economias antes estagnadas; abertura de escolas técnicas; política industrial mais ousada; abertura de novos mercados ao Brasil, como África, Oriente Médio e a própria América Latina.
Enfim, são dezenas de mudanças de rumo. O que era positivo, foi mantido. O que era para ser mudado, foi mudado ou tentou-se mudar."
“Investment Grade X Socialismo”
“Um amigo cobrou-me um post sobre o Investment Grade. Tenho deixado passar muitos assuntos importantes. Tentarei recuperar o tempo perdido. Vamos lá. Sobre o Investment Grade, os fatos falam por si mesmos. Trata-se de uma classificação importante no mercado internacional, que serve como referência para os fundos mais conservadores. Esses fundos, alguns soberanos (isto é, pertencentes a governos), movimentam trilhões de dólares, e têm um perfil sóbrio, procurando fazer investimentos seguros, éticos e com retorno de longo prazo.
Entretanto, não foi surpresa para quem acompanha de perto as lides nacionais que o investment grade fosse quase menosprezado por determinados espectros políticos. A imprensa tratou logo de vender a teoria de que o prêmio devia-se ao governo anterior, de FHC, e não ao governo Lula, que teria somente se beneficiado por ter dado continuidade às políticas tucanas.
Ora, muitos blogueiros e jornalistas já desmascararam essa história da continuidade.
Mas como a mídia abusa da estratégia goeberiana de repetir inverdades até torná-las dogmas, nunca é demais repassar, nem que seja rapidamente, algumas mudanças efetivadas pelo governo atual.
Aumento do salário mínimo; uso da verba do BNDES para empresas nacionais; expansão do crédito; desoneração tributária de setores estratégicos, como o de informática; redução dos juros; política fiscal mais rígida, reduzindo a relação dívida X PIB; pagamento da dívida externa; maior apoio à agricultura média e familiar, mas também ao grande, beneficiado pelo biodiesel e pela liberação de recursos federais; programas sociais redistributivos, que ativaram economias antes estagnadas; abertura de escolas técnicas; política industrial mais ousada; abertura de novos mercados ao Brasil, como África, Oriente Médio e a própria América Latina.
Enfim, são dezenas de mudanças de rumo. O que era positivo, foi mantido. O que era para ser mudado, foi mudado ou tentou-se mudar."
quinta-feira, 8 de maio de 2008
SEGUE A NOVELA DO ESTRANHO E RETOCADO “DOSSIÊ FHC”
O Jornal Nacional divulgou esta noite mais um capítulo. Foram descobertos mais dois integrantes do grupo (quadrilha?) que teria vazado para a revista Veja o conjunto de dados apelidado pela imprensa de “dossiê FHC”.
OS INTEGRANTES DO “GRUPO” DO VAZAMENTO
Um dos componentes do grupo já havia confessado. Foi o senador do PSDB Álvaro Dias. Antes, tentou fugir da responsabilidade, mas acabou confessando de modo eufêmico a sua participação. Em 02 de abril, este blog publicou um artigo que continha o seguinte trecho da Folha Online:
“O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta quarta-feira (02/04) que recebeu o suposto dossiê elaborado por funcionários da Casa Civil com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PDSB) com cartões corporativos. Dias, entretanto, não admitiu ser o responsável pelo vazamento do dossiê para a imprensa.
[Porém], em seguida, argumentou que a Constituição Federal permite que os parlamentares usem dados que chegam às suas mãos como acharem mais conveniente, inclusive para repassá-los para a imprensa. "Os senadores não são obrigados a prestar informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a imprensa, o fez dentro das suas atribuições parlamentares", afirmou.”
O blog do Noblat postou esta noite (21h10) o seguinte texto:
“A perícia feita em seis computadores de funcionários da Casa Civil encontrou no disco rígido de um deles a troca de e-mails que conteria, em anexo, a planilha em Excel de 28 páginas com gastos sigilosos do casal FHC.
Os e-mails, segundo reportagem que acabou de ir ao ar no Jornal Nacional, trariam uma conversa entre José Aparecido Nunes Pires, empregado da Secretária de Controle Interno da Casa Civil, e André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
(...) Em entrevista ao Jornal Nacional, Aparecido confirmou a troca de e-mails, mas negou que tivesse anexado algo neles. Depois voltou atrás e disse que teria anexado um texto de 10 a 12 páginas em um deles, mas que o texto nada tinha a ver com dossiê.
Álvaro Dias confirmou tudo. Disse que seu assessor recebeu via e-mail o dossiê e que Aparecido seria o culpado pelo vazamento. Inclusive, contou que André o autorizou a confirmar a história.”
POR QUE UM FERRENHO OPOSICIONISTA VAZARIA DADOS “ANTI FHC”?
Hipótese provável:
Inicialmente, os dados oficiais disponíveis na Casa Civil foram amputados (por tucanos e tucanófilos do Planalto e do Senado, por amizade pessoal e interesses escusos) em suas partes mais “desconfortáveis” para FHC e o PSDB. Inclusive, gastos extremamente exóticos e constrangedores já descobertos foram omitidos. Partindo das milhares de páginas de dados já levantados no trabalho oficial da Casa Civil, escolheram uns poucos triviais, somando apenas vinte e poucas páginas. Após “maquiados” para ficarem ainda mais anódinos, foram assim repassados pelo senador Álvaro Dias (PSDB) para serem divulgados pela Veja, com todo o cuidado editorial para não terem qualquer efeito nocivo contra o governo tucano-pefelento.
Assim fizeram com medo da negativa reação pública (que em algum momento ocorrerá) com a revelação da parte danosa contra FHC (dentre os seus gastos pessoais quando era presidente). Isso fez com que eles preparassem essa espécie de vacina preventiva. Isto é, que preparassem uma pequena dosagem de dados 'enfraquecidos', contendo somente as trivialidades não incriminadoras contra FHC e a ‘doutora’ Ruth.
Assim divulgados, o público não 'pegaria a doença antitucana' quando a completa e grave divulgação oficial dos dados dos cartões corporativos e “contas tipo B” de FHC viesse a ocorrer.
Por isso e dessa forma, o suave 'dossiê-vacina' foi antecipadamente revelado por Álvaro Dias para a revista Veja.
Além disso, a oposição planejou jogar na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a culpa pela "elaboração e vazamento de dados 'sigilosos' contra FHC".
Por fim, com o grande apoio e pautados pela mídia, passaram a criar um grande espetáculo para o público, tentando colar 'culpas', de fazer 'dossiês' e de vazá-los, em assessores os mais próximos possíveis de Lula.
“O FEITIÇO VIROU CONTRA O FEITICEIRO”
Contudo, um mês e meio após, tudo se transformou numa grande trapalhada da oposição e o efeito foi totalmente diferente daquele por ela desejado. Dilma Rousseff ganhou com o evento um elevado prestígio político, a simpatia e a admiração popular. E a Polícia Federal está descobrindo todos os integrantes tucanos ou tucanófilos daquela operação.
Obviamente, assistiremos nas TVs e leremos nos jornais a tradicional parte cômica e de contorcionismos. A grande mídia vai dizer que o envolvido “x” foi amigo de Dirceu, ou que é sobrinho do tio do cunhado do irmão de Lula, ou que era filiado ao PT, ou que trabalha no mesmo prédio da Dilma e de Lula etc. Por exemplo, a UOL e o blog do Noblat (O Globo) publicaram esta noite a notícia com o seguinte título: “Aliado de Dirceu vazou o dossiê FHC”...
OS INTEGRANTES DO “GRUPO” DO VAZAMENTO
Um dos componentes do grupo já havia confessado. Foi o senador do PSDB Álvaro Dias. Antes, tentou fugir da responsabilidade, mas acabou confessando de modo eufêmico a sua participação. Em 02 de abril, este blog publicou um artigo que continha o seguinte trecho da Folha Online:
“O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse nesta quarta-feira (02/04) que recebeu o suposto dossiê elaborado por funcionários da Casa Civil com informações sobre gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PDSB) com cartões corporativos. Dias, entretanto, não admitiu ser o responsável pelo vazamento do dossiê para a imprensa.
[Porém], em seguida, argumentou que a Constituição Federal permite que os parlamentares usem dados que chegam às suas mãos como acharem mais conveniente, inclusive para repassá-los para a imprensa. "Os senadores não são obrigados a prestar informações sobre o que recebem. Se um parlamentar vazou informações para a imprensa, o fez dentro das suas atribuições parlamentares", afirmou.”
O blog do Noblat postou esta noite (21h10) o seguinte texto:
“A perícia feita em seis computadores de funcionários da Casa Civil encontrou no disco rígido de um deles a troca de e-mails que conteria, em anexo, a planilha em Excel de 28 páginas com gastos sigilosos do casal FHC.
Os e-mails, segundo reportagem que acabou de ir ao ar no Jornal Nacional, trariam uma conversa entre José Aparecido Nunes Pires, empregado da Secretária de Controle Interno da Casa Civil, e André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
(...) Em entrevista ao Jornal Nacional, Aparecido confirmou a troca de e-mails, mas negou que tivesse anexado algo neles. Depois voltou atrás e disse que teria anexado um texto de 10 a 12 páginas em um deles, mas que o texto nada tinha a ver com dossiê.
Álvaro Dias confirmou tudo. Disse que seu assessor recebeu via e-mail o dossiê e que Aparecido seria o culpado pelo vazamento. Inclusive, contou que André o autorizou a confirmar a história.”
POR QUE UM FERRENHO OPOSICIONISTA VAZARIA DADOS “ANTI FHC”?
Hipótese provável:
Inicialmente, os dados oficiais disponíveis na Casa Civil foram amputados (por tucanos e tucanófilos do Planalto e do Senado, por amizade pessoal e interesses escusos) em suas partes mais “desconfortáveis” para FHC e o PSDB. Inclusive, gastos extremamente exóticos e constrangedores já descobertos foram omitidos. Partindo das milhares de páginas de dados já levantados no trabalho oficial da Casa Civil, escolheram uns poucos triviais, somando apenas vinte e poucas páginas. Após “maquiados” para ficarem ainda mais anódinos, foram assim repassados pelo senador Álvaro Dias (PSDB) para serem divulgados pela Veja, com todo o cuidado editorial para não terem qualquer efeito nocivo contra o governo tucano-pefelento.
Assim fizeram com medo da negativa reação pública (que em algum momento ocorrerá) com a revelação da parte danosa contra FHC (dentre os seus gastos pessoais quando era presidente). Isso fez com que eles preparassem essa espécie de vacina preventiva. Isto é, que preparassem uma pequena dosagem de dados 'enfraquecidos', contendo somente as trivialidades não incriminadoras contra FHC e a ‘doutora’ Ruth.
Assim divulgados, o público não 'pegaria a doença antitucana' quando a completa e grave divulgação oficial dos dados dos cartões corporativos e “contas tipo B” de FHC viesse a ocorrer.
Por isso e dessa forma, o suave 'dossiê-vacina' foi antecipadamente revelado por Álvaro Dias para a revista Veja.
Além disso, a oposição planejou jogar na ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a culpa pela "elaboração e vazamento de dados 'sigilosos' contra FHC".
Por fim, com o grande apoio e pautados pela mídia, passaram a criar um grande espetáculo para o público, tentando colar 'culpas', de fazer 'dossiês' e de vazá-los, em assessores os mais próximos possíveis de Lula.
“O FEITIÇO VIROU CONTRA O FEITICEIRO”
Contudo, um mês e meio após, tudo se transformou numa grande trapalhada da oposição e o efeito foi totalmente diferente daquele por ela desejado. Dilma Rousseff ganhou com o evento um elevado prestígio político, a simpatia e a admiração popular. E a Polícia Federal está descobrindo todos os integrantes tucanos ou tucanófilos daquela operação.
Obviamente, assistiremos nas TVs e leremos nos jornais a tradicional parte cômica e de contorcionismos. A grande mídia vai dizer que o envolvido “x” foi amigo de Dirceu, ou que é sobrinho do tio do cunhado do irmão de Lula, ou que era filiado ao PT, ou que trabalha no mesmo prédio da Dilma e de Lula etc. Por exemplo, a UOL e o blog do Noblat (O Globo) publicaram esta noite a notícia com o seguinte título: “Aliado de Dirceu vazou o dossiê FHC”...
CADA PARLAMENTAR BRASILEIRO CUSTA R$ 114 MIL MENSAIS, SEM TRANSPARÊNCIA DE GASTOS
O custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que na Grã-Bretanha, 8,8 vezes maior do que na Espanha e cinco vezes maior do que nos EUA.
Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.
Claudio Weber Abramo, matemático pela USP, mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp e diretor-executivo da “Transparência Brasil”, organização dedicada ao combate à corrupção, publicou hoje no jornal Folha de São Paulo o estarrecedor artigo abaixo transcrito.
Mostra o montante absurdo que o contibuinte brasileiro paga para sustentar deputados e senadores que, nos últimos anos, somente têm como atividade principal tentar prejudicar o governo e o Brasil, via CPIs, obstruções, votações capciosamente danosas ao país. Tudo em troca de minutos de destaque que a grande mídia presenteia para os mais eficientes nessa atividade destrutiva.
Alguns os desculpam, explicando-nos que assim eles agem dentro do feroz e previsível jogo democrático pela volta dos “conservadores” PSDB e DEM-PFL ao poder, com todos aqueles grandes interesses nacionais e externos que eles representam.
“PERDULÁRIO, SUBMISSO E IMPUNE”
“Dado o peso financeiro das nossas representações parlamentares, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício.
"A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aumentou a verba mensal que cada deputado tem à disposição para pagamento de "assessores" de gabinete (cabos eleitorais, na verdade). O estipêndio passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil por mês.
Cálculo da ONG “Contas Abertas” estima que, com o aumento, o custo direto de cada deputado federal se elevou a R$ 114 mil mensais. Isso inclui o seu salário, a tal remuneração a cabos eleitorais, uma mesada chamada "indenizatória", despesas com viagens e outros auxílios. Ao todo, R$ 1,368 milhão por ano para cada deputado.
A título de comparação, um membro da Casa dos Comuns britânica custa, por ano, 160 mil libras. Ao câmbio médio de abril de 2008, isso equivale a R$ 536 mil. Ou seja, o custo nominal de um deputado federal brasileiro é mais de 150% superior ao de um parlamentar britânico.
Na verdade, tal comparação é inadequada, pois não leva em conta as diferenças de renda e de custo de vida entre os dois países. Fatorando os números pelo PIB per capita (o da Grã-Bretanha é quase quatro vezes superior ao do Brasil), resulta que o custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que o que se observa na Grã-Bretanha.
Todas as Casas legislativas do país distribuem dinheiro a seus integrantes por conta da "indenização" de despesas alegadamente incorridas no exercício do mandato. Poucas exibem os números. Naquelas que o fazem, observam-se fenômenos curiosos.
Por exemplo, cada deputado estadual gaúcho tem o direito de gastar até R$ 6.100 por mês com combustíveis e manutenção de veículos. Quase todos usam o dinheiro integralmente, sem que a Casa dê a conhecer os respectivos comprovantes.
Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.
Essa verdadeira festa da uva se repete na virtual totalidade das Casas legislativas do país.
Estudos divulgados no ano passado pela Transparência Brasil sobre os orçamentos (ou seja, custos globais, não apenas os custos diretos incorridos por cada parlamentar) do Congresso, de todas as Assembléias Legislativas estaduais e de todas as Câmaras Municipais de capitais revelam um quadro escandaloso.
Para cada brasileiro, e em termos do salário mínimo anual, o peso de manter o Congresso Nacional (Câmara e Senado) é dez vezes superior ao peso correspondente para um cidadão britânico ou alemão, 8,8 vezes para um espanhol, cinco vezes para um norte-americano e assim por diante.
A maioria das Assembléias Legislativas estaduais custa mais para o cidadão do que custam todas as Assembléias nacionais européias. Duas Câmaras Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro) estão entre as campeãs mundiais de gastos.
Tendo em vista o peso financeiro das representações parlamentares do país, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício. É óbvio que a generosidade financeira, aliada à falta de controle, atrai caçadores de renda.
Dados acumulados no projeto Excelências da Transparência Brasil (www.excelencias.org.br) mostram que a Câmara dos Deputados inclui entre seus integrantes nada menos que 178 indivíduos (ou seja, 35% do total de 513 deputados) que respondem em segunda ou terceira instância a processos judiciais por delitos graves ou já foram punidos por Tribunais de Contas.
No Senado, essa razão é de 38%. Na Assembléia Legislativa de Goiás, eles são 73%, na de Rondônia, 58% etc.
Ao lado disso, os parlamentos brasileiros se entregam vorazmente ao jogo de cooptação orquestrado pelo Executivo. Como no Brasil o presidente da República pode nomear cerca de 24 mil pessoas para ocupar cargos de confiança, como o governador de São Paulo (por exemplo) nomeia 20 mil indivíduos, e isso se repete em todos os lugares, os Executivos usam a prerrogativa para comprar o apoio dos partidos, populando a administração com exércitos de agentes políticos cuja preocupação com o interesse público pode ser aquilatada pela estatística de casos de corrupção noticiados pela imprensa -nada menos de 1.240 novos escândalos por ano.
Disso só pode resultar o descrédito com a política que se observa no Brasil, com desgaste da legitimidade da representação eleitoral.
Isso só poderá ser revertido por alterações institucionais. Três sobressaem: reduzir de forma drástica a prerrogativa de o Poder Executivo nomear pessoas para ocupar cargos na administração; impedir que pessoas já condenadas em segunda instância em processos criminais participem da vida política; cortar a pelo menos um quinto os orçamentos dos Legislativos.”
Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.
Claudio Weber Abramo, matemático pela USP, mestre em lógica e filosofia da ciência pela Unicamp e diretor-executivo da “Transparência Brasil”, organização dedicada ao combate à corrupção, publicou hoje no jornal Folha de São Paulo o estarrecedor artigo abaixo transcrito.
Mostra o montante absurdo que o contibuinte brasileiro paga para sustentar deputados e senadores que, nos últimos anos, somente têm como atividade principal tentar prejudicar o governo e o Brasil, via CPIs, obstruções, votações capciosamente danosas ao país. Tudo em troca de minutos de destaque que a grande mídia presenteia para os mais eficientes nessa atividade destrutiva.
Alguns os desculpam, explicando-nos que assim eles agem dentro do feroz e previsível jogo democrático pela volta dos “conservadores” PSDB e DEM-PFL ao poder, com todos aqueles grandes interesses nacionais e externos que eles representam.
“PERDULÁRIO, SUBMISSO E IMPUNE”
“Dado o peso financeiro das nossas representações parlamentares, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício.
"A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados aumentou a verba mensal que cada deputado tem à disposição para pagamento de "assessores" de gabinete (cabos eleitorais, na verdade). O estipêndio passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil por mês.
Cálculo da ONG “Contas Abertas” estima que, com o aumento, o custo direto de cada deputado federal se elevou a R$ 114 mil mensais. Isso inclui o seu salário, a tal remuneração a cabos eleitorais, uma mesada chamada "indenizatória", despesas com viagens e outros auxílios. Ao todo, R$ 1,368 milhão por ano para cada deputado.
A título de comparação, um membro da Casa dos Comuns britânica custa, por ano, 160 mil libras. Ao câmbio médio de abril de 2008, isso equivale a R$ 536 mil. Ou seja, o custo nominal de um deputado federal brasileiro é mais de 150% superior ao de um parlamentar britânico.
Na verdade, tal comparação é inadequada, pois não leva em conta as diferenças de renda e de custo de vida entre os dois países. Fatorando os números pelo PIB per capita (o da Grã-Bretanha é quase quatro vezes superior ao do Brasil), resulta que o custo direto real de cada deputado federal brasileiro é dez vezes maior do que o que se observa na Grã-Bretanha.
Todas as Casas legislativas do país distribuem dinheiro a seus integrantes por conta da "indenização" de despesas alegadamente incorridas no exercício do mandato. Poucas exibem os números. Naquelas que o fazem, observam-se fenômenos curiosos.
Por exemplo, cada deputado estadual gaúcho tem o direito de gastar até R$ 6.100 por mês com combustíveis e manutenção de veículos. Quase todos usam o dinheiro integralmente, sem que a Casa dê a conhecer os respectivos comprovantes.
Na Câmara dos Deputados, no Senado e em diversas outras Casas, é igual: "indenizam-se" os parlamentares, mas os comprovantes são mantidos em segredo.
Essa verdadeira festa da uva se repete na virtual totalidade das Casas legislativas do país.
Estudos divulgados no ano passado pela Transparência Brasil sobre os orçamentos (ou seja, custos globais, não apenas os custos diretos incorridos por cada parlamentar) do Congresso, de todas as Assembléias Legislativas estaduais e de todas as Câmaras Municipais de capitais revelam um quadro escandaloso.
Para cada brasileiro, e em termos do salário mínimo anual, o peso de manter o Congresso Nacional (Câmara e Senado) é dez vezes superior ao peso correspondente para um cidadão britânico ou alemão, 8,8 vezes para um espanhol, cinco vezes para um norte-americano e assim por diante.
A maioria das Assembléias Legislativas estaduais custa mais para o cidadão do que custam todas as Assembléias nacionais européias. Duas Câmaras Municipais (São Paulo e Rio de Janeiro) estão entre as campeãs mundiais de gastos.
Tendo em vista o peso financeiro das representações parlamentares do país, é inevitável especular sobre a respectiva relação custo/benefício. É óbvio que a generosidade financeira, aliada à falta de controle, atrai caçadores de renda.
Dados acumulados no projeto Excelências da Transparência Brasil (www.excelencias.org.br) mostram que a Câmara dos Deputados inclui entre seus integrantes nada menos que 178 indivíduos (ou seja, 35% do total de 513 deputados) que respondem em segunda ou terceira instância a processos judiciais por delitos graves ou já foram punidos por Tribunais de Contas.
No Senado, essa razão é de 38%. Na Assembléia Legislativa de Goiás, eles são 73%, na de Rondônia, 58% etc.
Ao lado disso, os parlamentos brasileiros se entregam vorazmente ao jogo de cooptação orquestrado pelo Executivo. Como no Brasil o presidente da República pode nomear cerca de 24 mil pessoas para ocupar cargos de confiança, como o governador de São Paulo (por exemplo) nomeia 20 mil indivíduos, e isso se repete em todos os lugares, os Executivos usam a prerrogativa para comprar o apoio dos partidos, populando a administração com exércitos de agentes políticos cuja preocupação com o interesse público pode ser aquilatada pela estatística de casos de corrupção noticiados pela imprensa -nada menos de 1.240 novos escândalos por ano.
Disso só pode resultar o descrédito com a política que se observa no Brasil, com desgaste da legitimidade da representação eleitoral.
Isso só poderá ser revertido por alterações institucionais. Três sobressaem: reduzir de forma drástica a prerrogativa de o Poder Executivo nomear pessoas para ocupar cargos na administração; impedir que pessoas já condenadas em segunda instância em processos criminais participem da vida política; cortar a pelo menos um quinto os orçamentos dos Legislativos.”
PETROBRAS ELEITA CAMPEÃ MUNDIAL EM TRANSPARÊNCIA
O portal JB Online, em texto enviado da Holanda (Amsterdã) por Sabrina Lorenzi, publicou hoje mais uma boa notícia para o Brasil. A Petrobras é a companhia mais transparente do planeta.
"Entidades internacionais destacam grupos brasileiros"
"O Brasil abriga o maior número de empresas classificadas como as mais transparentes do mundo atualmente.
Referência mundial entre executivos para a elaboração de relatórios sociais e ambientais, a Global Reporting Initiative (GRI) divulgou ontem, em Amsterdã, que a Petrobras é a companhia mais transparente do planeta, eleita por todos os tipos de leitores de balanços, dos mais xiitas representantes de ONGs (organizações não-governamentais) a executivos atraídos por governança corporativa, passando por governos e empregados de empresas.
Das 800 empresas candidatas, que expõem suas atividades a análises da sociedade, 45 ficaram entre as finalistas, das quais oito são brasileiras. Petrobras, Natura, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Banco Real, Cemig e Usiminas exibiram balanços que ficaram entre os melhores do mundo, conforme o resultado da votação de 1,7 mil pessoas."
"Entidades internacionais destacam grupos brasileiros"
"O Brasil abriga o maior número de empresas classificadas como as mais transparentes do mundo atualmente.
Referência mundial entre executivos para a elaboração de relatórios sociais e ambientais, a Global Reporting Initiative (GRI) divulgou ontem, em Amsterdã, que a Petrobras é a companhia mais transparente do planeta, eleita por todos os tipos de leitores de balanços, dos mais xiitas representantes de ONGs (organizações não-governamentais) a executivos atraídos por governança corporativa, passando por governos e empregados de empresas.
Das 800 empresas candidatas, que expõem suas atividades a análises da sociedade, 45 ficaram entre as finalistas, das quais oito são brasileiras. Petrobras, Natura, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú, Banco Real, Cemig e Usiminas exibiram balanços que ficaram entre os melhores do mundo, conforme o resultado da votação de 1,7 mil pessoas."
BRASIL TEM 50 MILHÕES DE COMPUTADORES PESSOAIS EM USO
Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada hoje (08/05) revela que o Brasil atingiu a marca de 50 milhões de computadores pessoais (PC) em uso. Este ano deverão ser vendidos 13 milhões e 440 mil PC, 28% a mais do que no ano passado. A FGV prevê que, em meados de 2011, o Brasil terá mais de 100 milhões de PC em uso.
Essa notícia foi divulgada às 12h56 de hoje pelo portal UOL, em texto de Daniela Moreira, do IDG Now!.
“Brasil atinge 50 milhões de computadores em uso, aponta pesquisa da FGV”
“País vê taxa de crescimento de vendas de PC cair, mas deverá vender 13,44 milhões de PCs em 2008, segundo Fundação Getúlio Vargas.
O Brasil atingiu a marca de 50 milhões de computadores no ambiente doméstico e corporativo em maio de 2008, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, divulgado nesta quinta-feira (08/05).
O estudo prevê que, durante 2008, sejam vendidos 13,44 milhões de máquinas no país, aumento de 28% em comparação aos 10,5 milhões de PCs comercializados no país durante 2007.
(...) A FGV prevê ainda que, caso o Brasil mantenha o ritmo de crescimento da sua base instalada de computadores, o país romperá a marca de 100 milhões de máquinas entre os anos de 2011 e 2012.”
Essa notícia foi divulgada às 12h56 de hoje pelo portal UOL, em texto de Daniela Moreira, do IDG Now!.
“Brasil atinge 50 milhões de computadores em uso, aponta pesquisa da FGV”
“País vê taxa de crescimento de vendas de PC cair, mas deverá vender 13,44 milhões de PCs em 2008, segundo Fundação Getúlio Vargas.
O Brasil atingiu a marca de 50 milhões de computadores no ambiente doméstico e corporativo em maio de 2008, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, divulgado nesta quinta-feira (08/05).
O estudo prevê que, durante 2008, sejam vendidos 13,44 milhões de máquinas no país, aumento de 28% em comparação aos 10,5 milhões de PCs comercializados no país durante 2007.
(...) A FGV prevê ainda que, caso o Brasil mantenha o ritmo de crescimento da sua base instalada de computadores, o país romperá a marca de 100 milhões de máquinas entre os anos de 2011 e 2012.”
SAFRA DE GRÃOS 2008: MAIS UM RECORDE BRASILEIRO
O IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou hoje que o Brasil colherá este ano mais 7,2% de grãos do que no ano passado. Será a maior colheita da nossa história. Isto será alcançado com somente 3,2% de expansão da área plantada, o que indica maior produtividade e agregação de tecnologia.
Essa notícia nos chega justamente no momento em que o presidente do Banco Mundial afirma que a crise alimentícia no mundo continuará até 2015 e que a única solução é o aumento da oferta.
O Brasil mais uma vez, assim como já tomou a dianteira mundial no tocante aos biocombustíveis, também reage na frente na solução da crise de alimentos.
Vejamos os dois textos abaixo transcritos parcialmente. Ambos foram publicados no portal UOL Economia Últimas Notícias. O primeiro foi postado no final da noite de ontem (23h18), tratando das referidas preocupações do Banco Mundial. O segundo foi publicado há menos de uma hora atrás (11h53) e nos traz a boa notícia do IBGE sobre a safra brasileira deste ano:
1) “Banco Mundial afirma que crise alimentícia continuará até 2015”
“México, 7 mai (EFE).- O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou hoje no México que a crise alimentícia mundial continuará até 2015, com altas nos preços dos alimentos, em especial os grãos.
Zoellick descartou que os preços dos alimentos possam recuperar os níveis de 2004. Em entrevista coletiva realizada na capital mexicana, o presidente do Banco Mundial afirmou que se espera "que haja uma resposta por parte da oferta para que os preços reduzam um pouco entre 2009 e 2010; mas que em termos gerais a previsão é de que eles continuarão elevados até 2015".
Zoellick considerou urgente que todos os países modifiquem suas políticas de produção alimentícia a fim de garantir a provisão dos grãos básicos às populações.”
2) “Safra brasileira de grãos deve bater recorde em 2008, diz IBGE”
“A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas pode chegar a 142,6 milhões de toneladas em 2008 e bater o recorde produtivo de 2007 de 133,1 milhões de toneladas.
A estimativa, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de uma colheita 7,2% maior em relação à do ano passado. São consideradas no cálculo as culturas de caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.
(...) Pelo levantamento, a região Sul desponta como principal responsável pela safra brasileira, com 61 milhões de toneladas, seguida pelo Centro-Oeste (49,2 milhões de toneladas) e Sudeste (16,7 milhões de toneladas). O Nordeste deve colher 12 milhões de toneladas e a região Norte, 3,8 milhões de toneladas.
A área plantada deve verificar expansão de 3,2%, alcançando 46,8 milhões de hectares neste ano.”
Essa notícia nos chega justamente no momento em que o presidente do Banco Mundial afirma que a crise alimentícia no mundo continuará até 2015 e que a única solução é o aumento da oferta.
O Brasil mais uma vez, assim como já tomou a dianteira mundial no tocante aos biocombustíveis, também reage na frente na solução da crise de alimentos.
Vejamos os dois textos abaixo transcritos parcialmente. Ambos foram publicados no portal UOL Economia Últimas Notícias. O primeiro foi postado no final da noite de ontem (23h18), tratando das referidas preocupações do Banco Mundial. O segundo foi publicado há menos de uma hora atrás (11h53) e nos traz a boa notícia do IBGE sobre a safra brasileira deste ano:
1) “Banco Mundial afirma que crise alimentícia continuará até 2015”
“México, 7 mai (EFE).- O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou hoje no México que a crise alimentícia mundial continuará até 2015, com altas nos preços dos alimentos, em especial os grãos.
Zoellick descartou que os preços dos alimentos possam recuperar os níveis de 2004. Em entrevista coletiva realizada na capital mexicana, o presidente do Banco Mundial afirmou que se espera "que haja uma resposta por parte da oferta para que os preços reduzam um pouco entre 2009 e 2010; mas que em termos gerais a previsão é de que eles continuarão elevados até 2015".
Zoellick considerou urgente que todos os países modifiquem suas políticas de produção alimentícia a fim de garantir a provisão dos grãos básicos às populações.”
2) “Safra brasileira de grãos deve bater recorde em 2008, diz IBGE”
“A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas pode chegar a 142,6 milhões de toneladas em 2008 e bater o recorde produtivo de 2007 de 133,1 milhões de toneladas.
A estimativa, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de uma colheita 7,2% maior em relação à do ano passado. São consideradas no cálculo as culturas de caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.
(...) Pelo levantamento, a região Sul desponta como principal responsável pela safra brasileira, com 61 milhões de toneladas, seguida pelo Centro-Oeste (49,2 milhões de toneladas) e Sudeste (16,7 milhões de toneladas). O Nordeste deve colher 12 milhões de toneladas e a região Norte, 3,8 milhões de toneladas.
A área plantada deve verificar expansão de 3,2%, alcançando 46,8 milhões de hectares neste ano.”
quarta-feira, 7 de maio de 2008
MINISTRA DILMA GOLEIA A OPOSIÇÃO
O blog do Noblat divulgou há dez minutos (18h45) mais um fiasco da oposição. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, venceu por goleada os senadores do PSDB e DEM-PFL. E teve gol contra do líder do DEM no Senado.
A luta insana e ferrenha dos tucanopefelentos e da grande mídia para derrubar ou substituir o governo Lula está, ao contrário, fortalecendo o governo e seus representantes.
Transcrevo o comentário do Noblat:
"Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína"
"A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil da presidência da República, venceu o debate travado com a oposição durante depoimento que se arrastou por mais de oito horas na Comissão de Serviço e Infra-Estrutura do Senado.
Ela entrou na sala da Comissão como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes da ditadura militar de 1964, e mesmo assim não dedurou ninguém.
Dilma tem uma dívida impagável com José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. Foi ele, logo no início do da sessão da comissão, que lembrou uma entrevista concedida por Dilma à Folha de S. Paulo a respeito de sua militância contra a ditadura.
Na entrevista, Dilma disse que mentiu quando presa e interrogada - e assim ajudou a salvar companheiros perseguidos pela ditadura. Agripino elogiou a atitude de Dilma na ocasião, mas sugeriu que ela não procedesse da mesma forma diante dos senadores.
Foi o que bastou. Dilma pegou o pião na unha, subiu no palco, ficou com dois metros de altura e por antecipação engoliu com farofa e tudo seus eventuais desafetos. A resposta que deu a Agripino foi aplaudida intensamente por correligionários e adversários. E baixou o ânimo desses últimos.
"Essa Dilma é D-Mais", escreveu um senador em bilhete que passou de mão em mão. Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Senado, comentou baixinho com um dos seus colegas: "Acabou, acabou. Ela já ganhou essa parada".
A partir daquele momento, os senadores de oposição começaram a se preocupar mais com o Programa de Aceleração do Crescimento do que com o dossiê. E os que acossaram Dilma com perguntas sobre o dossiê o fizeram de forma branda e respeitosa como se temessem levar o banho que Agripino levou.
Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: "Se continuarem tratando a Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances reais de vencer".
A advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez."
A luta insana e ferrenha dos tucanopefelentos e da grande mídia para derrubar ou substituir o governo Lula está, ao contrário, fortalecendo o governo e seus representantes.
Transcrevo o comentário do Noblat:
"Dilma entra no Senado como suspeita e sai como heroína"
"A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil da presidência da República, venceu o debate travado com a oposição durante depoimento que se arrastou por mais de oito horas na Comissão de Serviço e Infra-Estrutura do Senado.
Ela entrou na sala da Comissão como suspeita de ter encomendado um dossiê sobre despesas sigilosas do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Saiu como a heroína que aos 19 anos de idade foi presa e torturada por agentes da ditadura militar de 1964, e mesmo assim não dedurou ninguém.
Dilma tem uma dívida impagável com José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado. Foi ele, logo no início do da sessão da comissão, que lembrou uma entrevista concedida por Dilma à Folha de S. Paulo a respeito de sua militância contra a ditadura.
Na entrevista, Dilma disse que mentiu quando presa e interrogada - e assim ajudou a salvar companheiros perseguidos pela ditadura. Agripino elogiou a atitude de Dilma na ocasião, mas sugeriu que ela não procedesse da mesma forma diante dos senadores.
Foi o que bastou. Dilma pegou o pião na unha, subiu no palco, ficou com dois metros de altura e por antecipação engoliu com farofa e tudo seus eventuais desafetos. A resposta que deu a Agripino foi aplaudida intensamente por correligionários e adversários. E baixou o ânimo desses últimos.
"Essa Dilma é D-Mais", escreveu um senador em bilhete que passou de mão em mão. Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Senado, comentou baixinho com um dos seus colegas: "Acabou, acabou. Ela já ganhou essa parada".
A partir daquele momento, os senadores de oposição começaram a se preocupar mais com o Programa de Aceleração do Crescimento do que com o dossiê. E os que acossaram Dilma com perguntas sobre o dossiê o fizeram de forma branda e respeitosa como se temessem levar o banho que Agripino levou.
Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: "Se continuarem tratando a Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances reais de vencer".
A advertência de Serra, hoje, ganhou mais robustez."
FALA FHC, O PAPA DO DESENVOLVIMENTO NACIONAL
Todos nós lembramos a época do governo PSDB/DEM-PFL/FHC, quando o país experimentou um forte crescimento do PIB, do emprego, dos investimentos da União, do desenvolvimento da indústria e da tecnologia, da Bolsa de Valores, uma grande redução da carga tributária, da pobreza, da dívida externa, da dívida pública, da dependência às imposições do FMI/EUA, do risco Brasil, e muitos outros avanços...
Para essas palavras não permanecerem assim absurdas, bastam os artifícios matemáticos de multiplicá-las por (-1) ou de elevá-las a (-1), o que, nesse caso, conceitualmente, trarão o mesmo efeito corretivo.
Com requintado espírito cômico e total amnésia, o ex-presidente FHC manifestou-se hoje à tarde criticando, de cátedra, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Vejamos suas palavras divulgadas com grande reverência (às 16h13) nos portais Valor e UOL Últimas Notícias:
“Fernando Henrique diz que PAC ainda não apresenta resultados concretos”
“RIO - O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar hoje a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na relação com as obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para Fernando Henrique, "o PAC virou Plano de Aceleração da Comunicação" e faltam ainda resultados concretos dos investimentos.”
Para essas palavras não permanecerem assim absurdas, bastam os artifícios matemáticos de multiplicá-las por (-1) ou de elevá-las a (-1), o que, nesse caso, conceitualmente, trarão o mesmo efeito corretivo.
Com requintado espírito cômico e total amnésia, o ex-presidente FHC manifestou-se hoje à tarde criticando, de cátedra, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Vejamos suas palavras divulgadas com grande reverência (às 16h13) nos portais Valor e UOL Últimas Notícias:
“Fernando Henrique diz que PAC ainda não apresenta resultados concretos”
“RIO - O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar hoje a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na relação com as obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Para Fernando Henrique, "o PAC virou Plano de Aceleração da Comunicação" e faltam ainda resultados concretos dos investimentos.”
ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES PARA O BLOG "VI O MUNDO"
O blog “Vi o Mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, publicou ontem à tarde a íntegra da entrevista dele com o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ela já constava somente em áudio na Rádio Viomundo. Outro blog por nós recomendado ("de um sem mídia") também já publicou hoje essa importante entrevista.
Vejamos o texto do Azenha:
“A ENTREVISTA QUE OS LEITORES ME AJUDARAM A FAZER”
“Pedi aos leitores do Viomundo ajuda para fazer a entrevista com o ministro Celso Amorim, que foi reproduzida no Terra Magazine. Eis a íntegra da gravação, cujo áudio foi reproduzido em duas partes na Rádio Viomundo:
Viomundo: Ministro, eu não sei se o Sr. já se deu conta de que vai passar mais tempo comandando o Itamaraty que o Barão do Rio Branco...
Celso Amorim: Não, não é verdade, porque primeiro que eu não sei; o futuro a Deus pertence, né? E eu só tenho um voto, que é o voto do presidente Lula. Até agora eu contei com ele, mas não sei por quanto tempo. Mas, mesmo que eu fique até o final do mandato, vamos dizer, não será tanto tempo quanto o barão.
Viomundo: O barão ficou nove anos, não foi?
Celso Amorim: Ficou dez. [Patrono da diplomacia brasileira, o barão do Rio Branco serviu aos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca, do final de 1902 ao início de 1912]
Viomundo: Eu acho que...
Celso Amorim: Nove e pouco, nove e pouco...
Viomundo: O sr. vai empatar com ele...
Celso Amorim: Chegar perto... Se eu for até lá. Não gosto de fazer essas previsões. Sigo o princípio bíblico: "A cada dia basta o seu cuidado".
Viomundo: Tá certo. Ministro, na República Dominicana [em 2004] - eu estava lá - o presidente Lula disse na presença do Sr. a empresários que o Sr. como ministro bateria o recorde de viagens da História da República brasileira. O Sr. já bateu?
Celso Amorim: Ah, isso é muito provável que sim. Muito provável, porque na época do barão não se viajava tanto. Mesmo os ministros recentes que ficaram muito tempo… não era o mesmo ritmo de hoje. Eu mesmo fui ministro, como você sabe, quer dizer, quando a gente conta esse tempo todo você está contando um ano e meio também que eu fui ministro do Itamar Franco [1993-1994].
Viomundo: Justamente.
Celso Amorim: Então eu posso comparar com o tempo em que fui ministro do Itamar. Eu viajava muito, eu achava, mas nada comparável com hoje, inclusive com a rapidez que se deve tomar decisões. Freqüentemente, eu digo: ‘Bom, esse fim de semana vou passar em casa’. Aí, chega na quinta-feira, me liga o chanceler da Bolívia e me pede: ‘Ah, eu preciso que venha aqui um grupo de amigos, etc.,etc.’ Lá vou eu no sábado para passar o fim de semana na Bolívia. Então, essas imprevisibilidades assim eram muito menos freqüentes.
Viomundo: Ministro, em quais países o Sr. foi o primeiro visitante brasileiro, da diplomacia brasileira, nesses últimos anos que o Sr. está no ministério?
Celso Amorim: Ah, eu contaria muitos.
Viomundo: Mas um importante, assim.
Celso Amorim: Olha, qual que eu fui o primeiro… recentemente o Vietnã, vamos dizer. Eu fui este ano. Eu fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar o Vietnã. Creio eu que terei sido, talvez, a primeira autoridade de alto nível - supondo que seja alto nível - do Executivo brasileiro a visitar o Vietnã, é possível até que tenha sido o primeiro a colocar flores no túmulo do Ho Chi Minh [herói da independência, líder revolucionário comunista e organizador da resistência contra tropas coloniais francesas e norte-americanas] vamos dizer assim.
Mas em muitos outros países com certeza eu fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar. Eu também não mediria só… países de nosso interesse… como São Tomé e Príncipe, Timor Leste; aqui no Caribe, Trinidad e Tobago, Barbados, enfim, são muitos os países; vários africanos, em alguns eu fui com o presidente, em alguns eu estive sozinho. Etiópia, a sede da União Africana... Sem falar em outros países em que pode até ter havido visita de chanceleres, mas muitas vezes foi só para conferências internacionais. Eu nunca me preocupei em fazer essa estatística.
Viomundo: O Sr. diria que essa foi a principal transformação da política externa brasileira desde que o sr. Assumiu, ou não? Essa amplitude nas relações?
Celso Amorim: Não, vamos fazer uma diferença entre política externa e diplomacia. Isso aí é uma grande transformação na diplomacia, porque é o ritmo com que a gente trabalha, a forma com que se trabalha. Política externa é uma coisa mais complexa. É claro que a diplomacia reflete a política externa.
Então a política externa, sim, respondendo a sua pergunta, digamos a diversidade das relações internacionais do Brasil sem dúvida ampliou-se muito.
Agora, é curioso porque, ao mesmo tempo, houve também um foco muito forte na América do Sul, que sempre foi uma área prioritária do Brasil, mas eu creio que nunca se fez com tanta ênfase.
Eu gosto de dar uma estatística que é simples: no primeiro ano de governo o presidente Lula recebeu todos os presidentes sul-americanos e nos dois primeiros anos ele visitou todos os países sul-americanos. Agora, para que isso ocorresse, e ocorresse com resultados práticos, eu precisei ir cinco vezes ao Peru, seis vezes ao Equador.
Por exemplo: Índia. Não fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar a Índia. Eu mesmo tinha estado lá na época do Itamar. Mas acho que visitei seis vezes nesse período de governo. Então, isso começa a se refletir num relacionamento muito mais intenso... África do Sul e outros nessa mesma linha.
Viomundo: Ministro, como é fazer diplomacia no tempo da internet e dos canais de notícias 24 horas por dia? O Sr. fala uma coisa aqui e alguns instantes depois no Paraguai já se lê na internet…
Celso Amorim: Bom, você tem que estar muito mais atento; e também para ler o que os outros falam. Quando você vai receber uma autoridade, você tem que saber o que ela falou minutos atrás. Isso exige uma agilidade.
Outro dia, brincando, eu disse que os diplomatas, sobretudo os embaixadores, têm que se renovar. Você não pode ter mais aquele embaixador que, digamos assim, participou - naturalmente isso também é trabalho - mas participou de uma recepção até tarde da noite, chega na embaixada por volta do meio-dia, abre o Times de Londres para saber quais são as notícias. Não, ele tem que chegar de manhã, ligar a internet e saber as notícias, a começar pelas do Brasil. Então, isso é uma mudança grande na diplomacia.
Por outro lado, nada substitui o contato pessoal. Quer dizer, há conversas que eu tenho com a [secretária de Estado americana] Condoleezza Rice, com o [ministro russo] Sergei Lavrov, para dar alguns exemplos de pessoas com quem eu tive mais contato; ou aqui na região com o [ministro] Jorge Taiana, da Argentina, e outros, que só é possível no contato pessoal. Só é possível no contato pessoal. Ontem mesmo, esteve aqui o ministro [das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel] Moratinos. Nós conversamos sobre o Oriente Médio, sobre outras questões...
Não há internet nem comunicação telefônica que substitua isso. Vou lhe dar um exemplo. Eu fui ao Oriente Médio recentemente, já na sequência da reunião de Annapolis [sobre a paz no Oriente Médio], que o Brasil participou. Já tinho ido lá uma vez, mas voltei. Eu fui portador de uma mensagem do presidente da Síria [Bashar al-Assad] ao primeiro-ministro de Israel [Ehud Olmert], coisa que jamais na minha vida pensei que ocorreria.
Viomundo: Qual era a mensagem?
Celso Amorim: A mensagem eu não posso dizer qual é, mas, enfim, ela é perfeitamente compatível com algumas coisas que tem sido já publicadas. Dizem respeito ao problema entre a Síria e Israel especificamente.
Mas, enfim, é algo que só o contato pessoal é que pode fazer. Eu vou agora à Bolívia para ajudar, justamente a pedido - te falei no início - a pedido do chanceler e do governo boliviano. Só conversando pessoalmente com o presidente Evo Morales, pessoalmente com os líderes da oposição [do departamento de Santa Cruz] é que você pode, às vezes, detectar pontos até de convergência que você, olhando de longe, não vê, você só vê as diferenças. Então, nesse ponto, a diplomacia pessoal é insubstituível.
Viomundo: Passando para a Bolívia, então... o Brasil reconhece a autonomia de Santa Cruz?
Celso Amorim: Não, não, não.
Viomundo: O Brasil insiste na unidade da Bolívia?
Celso Amorim: Claro que o Brasil respeita o que são decisões internas na Bolívia. E não somos nós que temos a competência de dizer como fazer, de que maneira fazer. Agora, obviamente, nós não favoreceremos nada que ameace a integridade territorial da Bolívia.
E, tanto quanto eu posso ver, alguns dispositivos que tem nos estatutos que talvez até eles estejam dispostos a negociar e mudar - espero que sim - são dispositivos que, no mínimo, causariam embaraço a um governo nacional.
E o Brasil... até do ponto-de-vista prático… eu disse a eles… eu disse em Santa Cruz: se o Mercosul..., digamos o Brasil no Mercosul, está disposto a botar tarifa zero para todos os produtos bolivianos, como é que eu vou fazer isso se a aduana de Santa Cruz for diferente da aduana central? Impossível.
Viomundo: Então esse é um ponto forte...
Celso Amorim: Estou dando um exemplo. Agora, dito isso, nós achamos que sim, tem que haver um diálogo entre os governos e chegar a uma conclusão. Não é que nós sejamos contra um princípio da autonomia, isso até já foi votado lá em outros referendos. Agora, a questão é de como se faz autonomia, quem convoca e de que maneira...E quais são os resultados práticos. Há pontos como esse que eu te mencionei.
Viomundo: Algumas perguntas de internautas. Aproveitando uma pergunta do Roberto Ribeiro, ele pergunta se o Sr. acha que o Brasil e a Argentina podem, eventualmente, dominar o ciclo completo do átomo juntos...
Celso Amorim: Olha, o Brasil já posso dizer que domina em grande parte. O Brasil já tem atividades de enriquecimento que estão ocorrendo. Não estão ocorrendo em larga escala industrial, mas estão ocorrendo. Eu acho que há muita coisa que nós podemos fazer juntos, sim, e eu acho que haverá o momento em que essas coisas que nós poderemos fazer juntos podem chegar até o enriquecimento.
Não vejo que haja problemas, porque são dois países que têm a finalidade puramente pacífica. Claro que cada país é sempre zeloso do seu segredo tecnológico. Isso é uma coisa que a gente também tem que pensar. Mas eu acho que há formas de colaborar que permitam em algum momento chegar a isso. Talvez não seja para amanhã, nem depois. Mas, como na Europa há várias organizações que contribuíram para isso - a Urenco, por exemplo [empresa que resultou de iniciativa conjunta da Holanda, Alemanha e Reino Unido para enriquecer urânio sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica] - nós poderemos ter no futuro algo parecido na região.
Viomundo: Ministro, o Fernando quer saber até quando o Brasil fica no Haiti. Por que estamos lá?
Celso Amorim: Olha, nós estamos lá para ajudar um país da região, da América Latina e do Caribe que estava ameaçado de se tornar um estado totalmente falido. Ao decidir ter essa presença forte, o Brasil modificou a maneira como o tema do Haiti era tratado.
Primeiro, porque nós não estamos sozinhos. Isso touxe uma grande presença latino americana e sul americana, o que influi na maneira de conduzir as questões políticas no Haiti e a questão do desenvolvimento do Haiti. Isso é bom para nós. É bom para nós não por nenhum interesse egoísta, mas porque a nós interessa a paz na região.
O Haiti é muito mais parecido com o Brasil, em muitos aspectos - claro que com muito mais problemas, com muito mais atraso em muitos aspectos - mas com aspectos culturais, até mesmo de origem étnica… aspectos culturais muito parecidos conosco, até religiosos em alguns aspectos. É o primeiro país das Américas a libertar os escravos, que é para nós também um motivo até de reflexão, então eu acho que é um país que nós devemos ajudar e podemos ajudar por esse fator: o Brasil é um país hoje aglutinador.
Hoje em dia se pensa muito mais no desenvolvimento do Haiti do que se pensou em todas as outras vezes em que houve presença militar estrangeira no Haiti, autorizada ou não pela ONU; no nosso caso é uma operação das Nações Unidas.
Viomundo: O Wolfgang Lenk quer saber qual a posição do Itamaraty em relação a um fundo soberano do Brasil?
Celso Amorim: Isso aí não depende só do Itamaraty. Muitos países hoje em dia têm. Eu acho que é natural que o Brasil, que hoje tem 200 bilhões [de dólares] de reservas comece a pensar dessa maneira, para ver como é a melhor forma. Teria que ser sempre uma proporção. Nós não podemos colocar..., mas isso eu dou uma opinião pessoal, porque não sou técnico. Teria que ser uma proporção, porque você não pode colocar em risco a sua credibilidade externa.
Uma grande coisa que esse governo alcançou foi diminuir a nossa vulnerabilidade externa. Isso tem que ser preservado de qualquer maneira. Mas isso não impede que uma pequena proporção, que eu não saberia dizer de quanto, pudesse constituir esse fundo que você está mencionando.
Viomundo: O Chris Almeida pede Justiça para o Paraguai. Eu acrescento: isso significa mexer no preço pago pela energia de Itaipu?
Celso Amorim: Olha, essas coisas a gente tem de conversar com os paraguaios. Vamos, no momento adequado, nos sentar, ver o conjunto de coisas. O preço se compõe de vários elementos, há várias coisas que podem ser estudadas. O que nós não podemos mexer é na essência do tratado. O tratado prevê que a energia de Itaipu é para o Paraguai e para o Brasil. Isso é essencial. Itaipu foi feito com esse espírito e isso tem que ser mantido. Como remunerar é uma outra questão... Podem-se criar fundos, que podem também servir para o desenvolvimento do Paraguai. É uma coisa que nós podemos ver com calma. Eu acho que nós temos que pensar, como diz o internauta, que eu esqueci o nome dele…
Viomundo: É o Chris Almeida...
Celso Amorim: O Chris Almeida... Justiça para o Paraguai? Nós achamos que isso é correto. Nós achamos ... não é que o Brasil tenha exorbitado ou feito uma coisa propriamente injusta. O Brasil fez o que talvez... digamos... do ponto-de-vista empresarial, dos investimentos, estava correto. Só que isso não foi o suficiente para desenvolver o Paraguai.
De quem é a culpa? Não sei. Mas é do nosso interesse que o Paraguai se desenvolva, que o Paraguai seja estável, que o Paraguai possa participar, digamos, do desenvolvimento sul-americano maior, do qual o Brasil é uma parte fundamental.
Viomundo: O Marcelo Gonçalves quer saber quando é que a Venezuela entra no Mercosul. Está virando uma novela isso, ministro…
Celso Amorim: Nós esperamos que logo, porque, inclusive, isso já está no Congresso há algum tempo, já passou nas comissões na Câmara, mas tem de ser votado ainda no plenário. Nós temos a expectativa de que isso possa ocorrer em breve, acho que será bom para o Brasil, bom para a Venezuela, bom, inclusive, para a democracia no continente como um todo -, até porque o Mercosul tem como um dos seus pilares a cláusula democrática.
Viomundo: Quando o Sr. diz ‘em breve’ é até a metade do ano?
Celso Amorim: Pode ser, pode ser, até a metade do ano, porque já estamos em quase maio, muito antes disso não pode ser.
Viomundo: O ministro [Luis Carlos] Restrepo, da Colômbia [comissário da paz do governo de Álvaro Uribe], disse, numa entrevista à revista Época, que há uma "grande amiguidade", estou ‘quoting’, do Brasil em relação às FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]... O Brasil vai considerar as FARC…
Celso Amorim: Não há nenhuma ambiguidade, não há nenhuma ambiguidade. O Brasil condena todas as ações terroristas das FARC, o Brasil disse várias vezes que não pode considerar as FARC como movimento beligerante, que até mesmo qualquer tipo de tratamento ou de status político que eventualmente o governo colombiano possa dar às FARC depende de uma libertação unilateral e incondicional dos sequestrados, de modo que não há ambiguidade nenhuma.
Agora, essa questão de condenar ou não condenar... Digo, não há dúvida de que nós condenamos, mas classificar como terrorista é uma questão de que o Brasil não tem uma classificação de organizações terroristas. Nós acatamos aquilo que a ONU decide.
A única decisão da ONU a esse respeito se refere à Al Qaeda e o Brasil internalizou na sua legislação essa classificação.
Por que, eu te pergunto: quarenta anos atrás o IRA [Exército Revolucionário Irlandês] era considerado terrorista pelos ingleses? Depois eles não negociaram? Então, qual é a vantagem? Você apenas limita uma eventual possibilidade de negociação que pode ser útil para todo o mundo, até para desmobilizar as FARC.
Viomundo: O Arilo quer saber se a atenção dada aos países pobres por parte do Brasil é ideologia ou pragmatismo?
Celso Amorim: É pragmatismo. Agora, o pragmatismo não quer dizer que não tenha um elemento de solidariedade. Tem um elemento de solidariedade com países pobres, países que estão passando por situações que o Brasil já passou, países que têm conosco muita identidade. Agora, na maioria dos casos, é do nosso total interesse. Então, é também pragmatismo.
Que as coisas caminhem bem na Bolívia, que é o país de maior fronteira com o Brasil, que as coisas caminhem bem no Paraguai, que é um país que é socio da maior fonte de hidroeletricidade do Brasil, é do nosso interesse. Que as coisas caminhem bem na Guiana e no Suriname, para pegar um exemplo menos comum, que são nossos parceiros na Amazônia, área tão sensível para todos, é do nosso interesse. Às vezes, é dificil separar a solidariedade do pragmatismo.
Viomundo: O Brasil é um país cheio de recursos naturais, água, petróleo, biodiversidade… Qual é o maior risco do ponto de vista de política externa para o Brasil nos próximos vinte anos?
Celso Amorim: Olha, o maior risco para o Brasil - mas isso está mudando, também - até pouco tempo eu achava que era o ceticismo que os brasileiros - ou pelo menos uma parte dos brasileiros - tinha sobre as próprias possibilidades do Brasil, porque isso limitava a nossa ação internacional. Havia uma constante preocupação de dizer ‘olha, não vamos além das nossas sandálias, não vamos fazer isso, não vamos fazer aquilo’.
O Brasil hoje tem uma participação ampla em todos os fóruns internacionais, dialoga com o G8 [Grupo dos 8, formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e Rússia], é um membro sempre considerado quando se fala -- não sei quando isso ocorrerá, porque é uma coisa complexa que não depende só de nós -- sempre considerado quando se fala da reforma do Conselho de Segurança, tem uma relação privilegiada com a África, com os países árabes, tem uma parceria estratégica com a União Européia… tudo isso foi feito porque o Brasil deixou de se olhar, de olhar apenas para o seu umbigo e deixou de se ver de uma maneira tímida em relação aos outros parceiros. Nós somos respeitados e temos com isso também obtido vantagens para o país.
Viomundo: O Sr. fez uma frase muito longa, falando de todas as relações do Brasil, mas não mencionou os Estados Unidos, ministro, isso é mudança da política externa brasileira?
Celso Amorim: Não, absolutamente, eu fico sempre preocupado com essa idéia de que, para comprovar que o Brasil tem uma política externa, nós temos que ficar dando exemplo.
Mas, já que você pediu, eu lhe dou: o presidente Bush esteve duas vezes recentemente no Brasil, o presidente Lula teve uma reunião de trabalho importantíssima em Camp David [casa de campo do presidente dos Estados Unidos] há pouco tempo. Tudo isso demonstra… quer dizer, houve visitas recíprocas intensas nesse período de cinco anos - houve quatro visitas importantíssimas. E não foram visitas de cortesia ou de protocolo. A visita em Camp David durou 4 ou 5 horas de discussão sobre os mais variados temas. Nós fizemos com eles parcerias para ajudar terceiros países. Temos uma relação ótima. A Secretária de Estado esteve aqui e não veio aqui para botar pressão, veio aqui para conversar. Para nos ouvir e também transmitir o ponto de vista deles. Eu acho que a relação com os Estados Unidos é excelente. Acabamos de criar um fórum de executivos.
Viomundo: A ministra Dilma esteve aqui [na Casa Branca] com o Bush.
Celso Amorim: Exatamente, dentro desse contexto, aliás, desse fórum de executivos. Eu vejo que a relação é muito boa. Agora eu não falei tanto porque essa é uma relação histórica, tradicional do Brasil. O que eu acho que está mudando um pouquinho é a maneira de os paises se verem e de se entenderem e se respeitarem.
Outro dia, até o Wall Street Journal comentou uma história, que isso é uma coisa totalmente nova, que quando em 2006 as negociações na OMC [Organização Mundial do Comércio] foram paralisadas a ministra [Susan Schwab] -- não é ministro, o título é USTR [United States Trade Representative, representante de comércio da Casa Branca] -- pegou um avião e veio ao Brasil para conversar. Quer dizer, não era para botar pressão, era para ver como poderia encontrar uma solução junto com o Brasil. Então, isso é uma prova de uma confiança muito grande na nossa relação.
Pela primeira vez o Brasil e os Estados Unidos têm projetos trilaterais para ajudar outros países. Temos projetos para o Haiti, temos projetos para outros países da América Central e do Caribe e temos um projeto para a Guiné Bissau e para São Tomé e Príncipe. Estamos juntos erradicando a malária em São Tomé e Príncipe. Então, não há n
Vejamos o texto do Azenha:
“A ENTREVISTA QUE OS LEITORES ME AJUDARAM A FAZER”
“Pedi aos leitores do Viomundo ajuda para fazer a entrevista com o ministro Celso Amorim, que foi reproduzida no Terra Magazine. Eis a íntegra da gravação, cujo áudio foi reproduzido em duas partes na Rádio Viomundo:
Viomundo: Ministro, eu não sei se o Sr. já se deu conta de que vai passar mais tempo comandando o Itamaraty que o Barão do Rio Branco...
Celso Amorim: Não, não é verdade, porque primeiro que eu não sei; o futuro a Deus pertence, né? E eu só tenho um voto, que é o voto do presidente Lula. Até agora eu contei com ele, mas não sei por quanto tempo. Mas, mesmo que eu fique até o final do mandato, vamos dizer, não será tanto tempo quanto o barão.
Viomundo: O barão ficou nove anos, não foi?
Celso Amorim: Ficou dez. [Patrono da diplomacia brasileira, o barão do Rio Branco serviu aos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca, do final de 1902 ao início de 1912]
Viomundo: Eu acho que...
Celso Amorim: Nove e pouco, nove e pouco...
Viomundo: O sr. vai empatar com ele...
Celso Amorim: Chegar perto... Se eu for até lá. Não gosto de fazer essas previsões. Sigo o princípio bíblico: "A cada dia basta o seu cuidado".
Viomundo: Tá certo. Ministro, na República Dominicana [em 2004] - eu estava lá - o presidente Lula disse na presença do Sr. a empresários que o Sr. como ministro bateria o recorde de viagens da História da República brasileira. O Sr. já bateu?
Celso Amorim: Ah, isso é muito provável que sim. Muito provável, porque na época do barão não se viajava tanto. Mesmo os ministros recentes que ficaram muito tempo… não era o mesmo ritmo de hoje. Eu mesmo fui ministro, como você sabe, quer dizer, quando a gente conta esse tempo todo você está contando um ano e meio também que eu fui ministro do Itamar Franco [1993-1994].
Viomundo: Justamente.
Celso Amorim: Então eu posso comparar com o tempo em que fui ministro do Itamar. Eu viajava muito, eu achava, mas nada comparável com hoje, inclusive com a rapidez que se deve tomar decisões. Freqüentemente, eu digo: ‘Bom, esse fim de semana vou passar em casa’. Aí, chega na quinta-feira, me liga o chanceler da Bolívia e me pede: ‘Ah, eu preciso que venha aqui um grupo de amigos, etc.,etc.’ Lá vou eu no sábado para passar o fim de semana na Bolívia. Então, essas imprevisibilidades assim eram muito menos freqüentes.
Viomundo: Ministro, em quais países o Sr. foi o primeiro visitante brasileiro, da diplomacia brasileira, nesses últimos anos que o Sr. está no ministério?
Celso Amorim: Ah, eu contaria muitos.
Viomundo: Mas um importante, assim.
Celso Amorim: Olha, qual que eu fui o primeiro… recentemente o Vietnã, vamos dizer. Eu fui este ano. Eu fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar o Vietnã. Creio eu que terei sido, talvez, a primeira autoridade de alto nível - supondo que seja alto nível - do Executivo brasileiro a visitar o Vietnã, é possível até que tenha sido o primeiro a colocar flores no túmulo do Ho Chi Minh [herói da independência, líder revolucionário comunista e organizador da resistência contra tropas coloniais francesas e norte-americanas] vamos dizer assim.
Mas em muitos outros países com certeza eu fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar. Eu também não mediria só… países de nosso interesse… como São Tomé e Príncipe, Timor Leste; aqui no Caribe, Trinidad e Tobago, Barbados, enfim, são muitos os países; vários africanos, em alguns eu fui com o presidente, em alguns eu estive sozinho. Etiópia, a sede da União Africana... Sem falar em outros países em que pode até ter havido visita de chanceleres, mas muitas vezes foi só para conferências internacionais. Eu nunca me preocupei em fazer essa estatística.
Viomundo: O Sr. diria que essa foi a principal transformação da política externa brasileira desde que o sr. Assumiu, ou não? Essa amplitude nas relações?
Celso Amorim: Não, vamos fazer uma diferença entre política externa e diplomacia. Isso aí é uma grande transformação na diplomacia, porque é o ritmo com que a gente trabalha, a forma com que se trabalha. Política externa é uma coisa mais complexa. É claro que a diplomacia reflete a política externa.
Então a política externa, sim, respondendo a sua pergunta, digamos a diversidade das relações internacionais do Brasil sem dúvida ampliou-se muito.
Agora, é curioso porque, ao mesmo tempo, houve também um foco muito forte na América do Sul, que sempre foi uma área prioritária do Brasil, mas eu creio que nunca se fez com tanta ênfase.
Eu gosto de dar uma estatística que é simples: no primeiro ano de governo o presidente Lula recebeu todos os presidentes sul-americanos e nos dois primeiros anos ele visitou todos os países sul-americanos. Agora, para que isso ocorresse, e ocorresse com resultados práticos, eu precisei ir cinco vezes ao Peru, seis vezes ao Equador.
Por exemplo: Índia. Não fui o primeiro chanceler brasileiro a visitar a Índia. Eu mesmo tinha estado lá na época do Itamar. Mas acho que visitei seis vezes nesse período de governo. Então, isso começa a se refletir num relacionamento muito mais intenso... África do Sul e outros nessa mesma linha.
Viomundo: Ministro, como é fazer diplomacia no tempo da internet e dos canais de notícias 24 horas por dia? O Sr. fala uma coisa aqui e alguns instantes depois no Paraguai já se lê na internet…
Celso Amorim: Bom, você tem que estar muito mais atento; e também para ler o que os outros falam. Quando você vai receber uma autoridade, você tem que saber o que ela falou minutos atrás. Isso exige uma agilidade.
Outro dia, brincando, eu disse que os diplomatas, sobretudo os embaixadores, têm que se renovar. Você não pode ter mais aquele embaixador que, digamos assim, participou - naturalmente isso também é trabalho - mas participou de uma recepção até tarde da noite, chega na embaixada por volta do meio-dia, abre o Times de Londres para saber quais são as notícias. Não, ele tem que chegar de manhã, ligar a internet e saber as notícias, a começar pelas do Brasil. Então, isso é uma mudança grande na diplomacia.
Por outro lado, nada substitui o contato pessoal. Quer dizer, há conversas que eu tenho com a [secretária de Estado americana] Condoleezza Rice, com o [ministro russo] Sergei Lavrov, para dar alguns exemplos de pessoas com quem eu tive mais contato; ou aqui na região com o [ministro] Jorge Taiana, da Argentina, e outros, que só é possível no contato pessoal. Só é possível no contato pessoal. Ontem mesmo, esteve aqui o ministro [das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel] Moratinos. Nós conversamos sobre o Oriente Médio, sobre outras questões...
Não há internet nem comunicação telefônica que substitua isso. Vou lhe dar um exemplo. Eu fui ao Oriente Médio recentemente, já na sequência da reunião de Annapolis [sobre a paz no Oriente Médio], que o Brasil participou. Já tinho ido lá uma vez, mas voltei. Eu fui portador de uma mensagem do presidente da Síria [Bashar al-Assad] ao primeiro-ministro de Israel [Ehud Olmert], coisa que jamais na minha vida pensei que ocorreria.
Viomundo: Qual era a mensagem?
Celso Amorim: A mensagem eu não posso dizer qual é, mas, enfim, ela é perfeitamente compatível com algumas coisas que tem sido já publicadas. Dizem respeito ao problema entre a Síria e Israel especificamente.
Mas, enfim, é algo que só o contato pessoal é que pode fazer. Eu vou agora à Bolívia para ajudar, justamente a pedido - te falei no início - a pedido do chanceler e do governo boliviano. Só conversando pessoalmente com o presidente Evo Morales, pessoalmente com os líderes da oposição [do departamento de Santa Cruz] é que você pode, às vezes, detectar pontos até de convergência que você, olhando de longe, não vê, você só vê as diferenças. Então, nesse ponto, a diplomacia pessoal é insubstituível.
Viomundo: Passando para a Bolívia, então... o Brasil reconhece a autonomia de Santa Cruz?
Celso Amorim: Não, não, não.
Viomundo: O Brasil insiste na unidade da Bolívia?
Celso Amorim: Claro que o Brasil respeita o que são decisões internas na Bolívia. E não somos nós que temos a competência de dizer como fazer, de que maneira fazer. Agora, obviamente, nós não favoreceremos nada que ameace a integridade territorial da Bolívia.
E, tanto quanto eu posso ver, alguns dispositivos que tem nos estatutos que talvez até eles estejam dispostos a negociar e mudar - espero que sim - são dispositivos que, no mínimo, causariam embaraço a um governo nacional.
E o Brasil... até do ponto-de-vista prático… eu disse a eles… eu disse em Santa Cruz: se o Mercosul..., digamos o Brasil no Mercosul, está disposto a botar tarifa zero para todos os produtos bolivianos, como é que eu vou fazer isso se a aduana de Santa Cruz for diferente da aduana central? Impossível.
Viomundo: Então esse é um ponto forte...
Celso Amorim: Estou dando um exemplo. Agora, dito isso, nós achamos que sim, tem que haver um diálogo entre os governos e chegar a uma conclusão. Não é que nós sejamos contra um princípio da autonomia, isso até já foi votado lá em outros referendos. Agora, a questão é de como se faz autonomia, quem convoca e de que maneira...E quais são os resultados práticos. Há pontos como esse que eu te mencionei.
Viomundo: Algumas perguntas de internautas. Aproveitando uma pergunta do Roberto Ribeiro, ele pergunta se o Sr. acha que o Brasil e a Argentina podem, eventualmente, dominar o ciclo completo do átomo juntos...
Celso Amorim: Olha, o Brasil já posso dizer que domina em grande parte. O Brasil já tem atividades de enriquecimento que estão ocorrendo. Não estão ocorrendo em larga escala industrial, mas estão ocorrendo. Eu acho que há muita coisa que nós podemos fazer juntos, sim, e eu acho que haverá o momento em que essas coisas que nós poderemos fazer juntos podem chegar até o enriquecimento.
Não vejo que haja problemas, porque são dois países que têm a finalidade puramente pacífica. Claro que cada país é sempre zeloso do seu segredo tecnológico. Isso é uma coisa que a gente também tem que pensar. Mas eu acho que há formas de colaborar que permitam em algum momento chegar a isso. Talvez não seja para amanhã, nem depois. Mas, como na Europa há várias organizações que contribuíram para isso - a Urenco, por exemplo [empresa que resultou de iniciativa conjunta da Holanda, Alemanha e Reino Unido para enriquecer urânio sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica] - nós poderemos ter no futuro algo parecido na região.
Viomundo: Ministro, o Fernando quer saber até quando o Brasil fica no Haiti. Por que estamos lá?
Celso Amorim: Olha, nós estamos lá para ajudar um país da região, da América Latina e do Caribe que estava ameaçado de se tornar um estado totalmente falido. Ao decidir ter essa presença forte, o Brasil modificou a maneira como o tema do Haiti era tratado.
Primeiro, porque nós não estamos sozinhos. Isso touxe uma grande presença latino americana e sul americana, o que influi na maneira de conduzir as questões políticas no Haiti e a questão do desenvolvimento do Haiti. Isso é bom para nós. É bom para nós não por nenhum interesse egoísta, mas porque a nós interessa a paz na região.
O Haiti é muito mais parecido com o Brasil, em muitos aspectos - claro que com muito mais problemas, com muito mais atraso em muitos aspectos - mas com aspectos culturais, até mesmo de origem étnica… aspectos culturais muito parecidos conosco, até religiosos em alguns aspectos. É o primeiro país das Américas a libertar os escravos, que é para nós também um motivo até de reflexão, então eu acho que é um país que nós devemos ajudar e podemos ajudar por esse fator: o Brasil é um país hoje aglutinador.
Hoje em dia se pensa muito mais no desenvolvimento do Haiti do que se pensou em todas as outras vezes em que houve presença militar estrangeira no Haiti, autorizada ou não pela ONU; no nosso caso é uma operação das Nações Unidas.
Viomundo: O Wolfgang Lenk quer saber qual a posição do Itamaraty em relação a um fundo soberano do Brasil?
Celso Amorim: Isso aí não depende só do Itamaraty. Muitos países hoje em dia têm. Eu acho que é natural que o Brasil, que hoje tem 200 bilhões [de dólares] de reservas comece a pensar dessa maneira, para ver como é a melhor forma. Teria que ser sempre uma proporção. Nós não podemos colocar..., mas isso eu dou uma opinião pessoal, porque não sou técnico. Teria que ser uma proporção, porque você não pode colocar em risco a sua credibilidade externa.
Uma grande coisa que esse governo alcançou foi diminuir a nossa vulnerabilidade externa. Isso tem que ser preservado de qualquer maneira. Mas isso não impede que uma pequena proporção, que eu não saberia dizer de quanto, pudesse constituir esse fundo que você está mencionando.
Viomundo: O Chris Almeida pede Justiça para o Paraguai. Eu acrescento: isso significa mexer no preço pago pela energia de Itaipu?
Celso Amorim: Olha, essas coisas a gente tem de conversar com os paraguaios. Vamos, no momento adequado, nos sentar, ver o conjunto de coisas. O preço se compõe de vários elementos, há várias coisas que podem ser estudadas. O que nós não podemos mexer é na essência do tratado. O tratado prevê que a energia de Itaipu é para o Paraguai e para o Brasil. Isso é essencial. Itaipu foi feito com esse espírito e isso tem que ser mantido. Como remunerar é uma outra questão... Podem-se criar fundos, que podem também servir para o desenvolvimento do Paraguai. É uma coisa que nós podemos ver com calma. Eu acho que nós temos que pensar, como diz o internauta, que eu esqueci o nome dele…
Viomundo: É o Chris Almeida...
Celso Amorim: O Chris Almeida... Justiça para o Paraguai? Nós achamos que isso é correto. Nós achamos ... não é que o Brasil tenha exorbitado ou feito uma coisa propriamente injusta. O Brasil fez o que talvez... digamos... do ponto-de-vista empresarial, dos investimentos, estava correto. Só que isso não foi o suficiente para desenvolver o Paraguai.
De quem é a culpa? Não sei. Mas é do nosso interesse que o Paraguai se desenvolva, que o Paraguai seja estável, que o Paraguai possa participar, digamos, do desenvolvimento sul-americano maior, do qual o Brasil é uma parte fundamental.
Viomundo: O Marcelo Gonçalves quer saber quando é que a Venezuela entra no Mercosul. Está virando uma novela isso, ministro…
Celso Amorim: Nós esperamos que logo, porque, inclusive, isso já está no Congresso há algum tempo, já passou nas comissões na Câmara, mas tem de ser votado ainda no plenário. Nós temos a expectativa de que isso possa ocorrer em breve, acho que será bom para o Brasil, bom para a Venezuela, bom, inclusive, para a democracia no continente como um todo -, até porque o Mercosul tem como um dos seus pilares a cláusula democrática.
Viomundo: Quando o Sr. diz ‘em breve’ é até a metade do ano?
Celso Amorim: Pode ser, pode ser, até a metade do ano, porque já estamos em quase maio, muito antes disso não pode ser.
Viomundo: O ministro [Luis Carlos] Restrepo, da Colômbia [comissário da paz do governo de Álvaro Uribe], disse, numa entrevista à revista Época, que há uma "grande amiguidade", estou ‘quoting’, do Brasil em relação às FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]... O Brasil vai considerar as FARC…
Celso Amorim: Não há nenhuma ambiguidade, não há nenhuma ambiguidade. O Brasil condena todas as ações terroristas das FARC, o Brasil disse várias vezes que não pode considerar as FARC como movimento beligerante, que até mesmo qualquer tipo de tratamento ou de status político que eventualmente o governo colombiano possa dar às FARC depende de uma libertação unilateral e incondicional dos sequestrados, de modo que não há ambiguidade nenhuma.
Agora, essa questão de condenar ou não condenar... Digo, não há dúvida de que nós condenamos, mas classificar como terrorista é uma questão de que o Brasil não tem uma classificação de organizações terroristas. Nós acatamos aquilo que a ONU decide.
A única decisão da ONU a esse respeito se refere à Al Qaeda e o Brasil internalizou na sua legislação essa classificação.
Por que, eu te pergunto: quarenta anos atrás o IRA [Exército Revolucionário Irlandês] era considerado terrorista pelos ingleses? Depois eles não negociaram? Então, qual é a vantagem? Você apenas limita uma eventual possibilidade de negociação que pode ser útil para todo o mundo, até para desmobilizar as FARC.
Viomundo: O Arilo quer saber se a atenção dada aos países pobres por parte do Brasil é ideologia ou pragmatismo?
Celso Amorim: É pragmatismo. Agora, o pragmatismo não quer dizer que não tenha um elemento de solidariedade. Tem um elemento de solidariedade com países pobres, países que estão passando por situações que o Brasil já passou, países que têm conosco muita identidade. Agora, na maioria dos casos, é do nosso total interesse. Então, é também pragmatismo.
Que as coisas caminhem bem na Bolívia, que é o país de maior fronteira com o Brasil, que as coisas caminhem bem no Paraguai, que é um país que é socio da maior fonte de hidroeletricidade do Brasil, é do nosso interesse. Que as coisas caminhem bem na Guiana e no Suriname, para pegar um exemplo menos comum, que são nossos parceiros na Amazônia, área tão sensível para todos, é do nosso interesse. Às vezes, é dificil separar a solidariedade do pragmatismo.
Viomundo: O Brasil é um país cheio de recursos naturais, água, petróleo, biodiversidade… Qual é o maior risco do ponto de vista de política externa para o Brasil nos próximos vinte anos?
Celso Amorim: Olha, o maior risco para o Brasil - mas isso está mudando, também - até pouco tempo eu achava que era o ceticismo que os brasileiros - ou pelo menos uma parte dos brasileiros - tinha sobre as próprias possibilidades do Brasil, porque isso limitava a nossa ação internacional. Havia uma constante preocupação de dizer ‘olha, não vamos além das nossas sandálias, não vamos fazer isso, não vamos fazer aquilo’.
O Brasil hoje tem uma participação ampla em todos os fóruns internacionais, dialoga com o G8 [Grupo dos 8, formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Japão e Rússia], é um membro sempre considerado quando se fala -- não sei quando isso ocorrerá, porque é uma coisa complexa que não depende só de nós -- sempre considerado quando se fala da reforma do Conselho de Segurança, tem uma relação privilegiada com a África, com os países árabes, tem uma parceria estratégica com a União Européia… tudo isso foi feito porque o Brasil deixou de se olhar, de olhar apenas para o seu umbigo e deixou de se ver de uma maneira tímida em relação aos outros parceiros. Nós somos respeitados e temos com isso também obtido vantagens para o país.
Viomundo: O Sr. fez uma frase muito longa, falando de todas as relações do Brasil, mas não mencionou os Estados Unidos, ministro, isso é mudança da política externa brasileira?
Celso Amorim: Não, absolutamente, eu fico sempre preocupado com essa idéia de que, para comprovar que o Brasil tem uma política externa, nós temos que ficar dando exemplo.
Mas, já que você pediu, eu lhe dou: o presidente Bush esteve duas vezes recentemente no Brasil, o presidente Lula teve uma reunião de trabalho importantíssima em Camp David [casa de campo do presidente dos Estados Unidos] há pouco tempo. Tudo isso demonstra… quer dizer, houve visitas recíprocas intensas nesse período de cinco anos - houve quatro visitas importantíssimas. E não foram visitas de cortesia ou de protocolo. A visita em Camp David durou 4 ou 5 horas de discussão sobre os mais variados temas. Nós fizemos com eles parcerias para ajudar terceiros países. Temos uma relação ótima. A Secretária de Estado esteve aqui e não veio aqui para botar pressão, veio aqui para conversar. Para nos ouvir e também transmitir o ponto de vista deles. Eu acho que a relação com os Estados Unidos é excelente. Acabamos de criar um fórum de executivos.
Viomundo: A ministra Dilma esteve aqui [na Casa Branca] com o Bush.
Celso Amorim: Exatamente, dentro desse contexto, aliás, desse fórum de executivos. Eu vejo que a relação é muito boa. Agora eu não falei tanto porque essa é uma relação histórica, tradicional do Brasil. O que eu acho que está mudando um pouquinho é a maneira de os paises se verem e de se entenderem e se respeitarem.
Outro dia, até o Wall Street Journal comentou uma história, que isso é uma coisa totalmente nova, que quando em 2006 as negociações na OMC [Organização Mundial do Comércio] foram paralisadas a ministra [Susan Schwab] -- não é ministro, o título é USTR [United States Trade Representative, representante de comércio da Casa Branca] -- pegou um avião e veio ao Brasil para conversar. Quer dizer, não era para botar pressão, era para ver como poderia encontrar uma solução junto com o Brasil. Então, isso é uma prova de uma confiança muito grande na nossa relação.
Pela primeira vez o Brasil e os Estados Unidos têm projetos trilaterais para ajudar outros países. Temos projetos para o Haiti, temos projetos para outros países da América Central e do Caribe e temos um projeto para a Guiné Bissau e para São Tomé e Príncipe. Estamos juntos erradicando a malária em São Tomé e Príncipe. Então, não há n