segunda-feira, 30 de junho de 2008

G-8 (EM 27/06): BRASIL "PRECISA DE AJUDA" CONTRA DESMATE NA AMAZÔNIA (sic)

O Ex-premiê britânico Tony Blair disse, durante apresentação de relatório sobre mudança climática em Tóquio, na última sexta-feira (27/06), que a comunidade internacional precisa “apoiar o país” [o Brasil] na conservação da Amazônia.

Essa notícia de Toru Yamanaka, em 27 jun 08, transmitida pela agência francesa France Presse, foi publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo, com texto de Afra Balazina, enviada especial a Tóquio, Japão.

“O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair defendeu o álcool de cana na reunião de parlamentares do G8+5 (as oito maiores potências do mundo e os cinco grandes países emergentes, entre eles o Brasil), que trata de aquecimento global, em Tóquio. E opinou que, apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrar seu esforço em proteger a Amazônia, o aumento do desmatamento indica que o Brasil precisa da ajuda de outros países no combate à destruição da floresta.

A fala de Blair ocorreu no mesmo dia em que o fórum parlamentar fechou um documento de recomendações aos líderes do G8+5 pedindo mecanismos de mercado para as emissões de CO2 evitadas pela floresta em pé.

O Brasil é contra tais mecanismos, tendo criado um fundo voluntário para que nações ricas recompensem o país pela redução no desmate -o Fundo Amazônia.”

Este blog também não vê com simpatia essa atitude magnânima, desinteressada, das grandes potências em relação à nossa Amazônia. Em uma analogia grosseira, mas correta, seria um rico e poderoso magnata “dar uma ajuda”, “prestar um apoio” financeiro e de assistência gerencial para possibilitar a linda e cobiçada mulher do vizinho a comprar vestidos e jóias que permitam preservar aquela beleza.

A PETROBRAS SERÁ EM BREVE A “A EMPRESA DE MAIOR VALOR DA TERRA”

Essa nota foi publicada hoje por Nelson de Sá em sua coluna “Toda Mídia” no jornal Folha de São Paulo. Vejamos a notícia da Folha com alguns adendos deste blog entre colchetes:

“Ken Heebner, recém-eleito "o investidor mais quente da América" pela [revista norte-americana] "Fortune", diz que a Petrobras caminha para ser a empresa de maior valor da Terra. "A número 1", noticia a [revista norte-americana] "Newsweek".

Entrevistado no CNBC [*], ele detalha que em cinco anos a estatal brasileira vai crescer de cinco a dez vezes.

Daí por que o que mais ecoou de Brasil no fim de semana, nos sites de busca de notícia e agências dos EUA à China, foi o anúncio pela Petrobras de que vai "começar a bombear petróleo na Nigéria" em julho, do seu campo de Agbami.”

[*] [Wikipedia: “CNBC (an abbreviation for the "Consumer News and Business Channel", its official name until 1991) is a cable and satellite television business news channel in the U.S., owned and operated by NBC Universal. CNBC and its international spinoffs cover business headlines and provide live coverage of financial markets. The combined reach of CNBC and its siblings is 390 million viewers around the world.”]

AVALIAÇÃO POSITIVA DE LULA NAS ALTURAS

AVALIAÇÕES POSITIVAS DO GOVERNO LULA ALCANÇAM 87%: “BOA” =58% E “REGULAR” =29%.

APROVAÇÃO DO DESEMPENHO PESSOAL DO PRESIDENTE ALCANÇA 72%.

CONFIANÇA NO PRESIDENTE LULA CRESCE DE 60% (DEZ 2007) PARA 68% (JUN 2008).

SOMENTE 20% CONSIDERAM O 2º MANDATO PIOR QUE O PRIMEIRO e 12% O GOVERNO COMO "RUIM" OU "PÉSSIMO"


Essas notícias foram publicadas há menos de uma hora (14h24) pela Folha Online.

A grande imprensa e a oposição estão em clima de enterro. Todo o esforço diuturno para derrubar a popularidade do governo mostrou-se inócuo. Tanto empenho e criatividade em inventar crises foram em vão. De nada adiantou o estrelismo de Álvaro Dias (PSDB) e de Agripino Maia (DEM) em todas as televisões e jornais para criar o “escândalo do dossiê anti-FHC”. A “crise da compra da VARIG” não vingou. Para nada serviu o ex-senador Bornhausen eleger a “crise da inflação” como plataforma “vitoriosa” do DEM. Pela internet recebo muitos e-mail (“corrente”) dizendo que Pelé foi sábio ao dizer que “o povo não sabe julgar”, “o povo não sabe votar” e que cabe à elite a grande batalha de ensinar ao povo o que deve pensar. Essa campanha, também, de nada adiantou.

É o desespero. O governo e o presidente Lula continuam bombando.

Vejamos a informação de Gabriela Guerreiro da Folha Online:

CNI/IBOPE MOSTRA QUE 58% AVALIAM POSITIVAMENTE GOVERNO LULA

“A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve estável em junho deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta segunda-feira. O governo do petista registrou avaliação positiva de 58%, assim como em março --quando o índice foi considerado o mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência da República.

Somente 12% dos entrevistados avaliaram o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto 29% consideraram a condução do governo como "regular".

Na última edição da pesquisa CNI/Ibope, divulgada em março, 58% dos entrevistados avaliaram o governo Lula como positivo. Outros 30% consideraram o governo irregular, enquanto 11% avaliaram como ruim ou péssimo. Em março de 2003, o índice de aprovação ao governo federal foi de 51% --o que foi considerado pela CNI/Ibope como um crescimento considerável para a avaliação do governo federal.

A aprovação ao presidente Lula também se manteve estável. No total, 72% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país, assim como em marco deste ano --quando 73% aprovaram o presidente. Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em junho do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por apenas 66% dos entrevistados.

Numa escala de zero a 10, a pesquisa aponta nota média de 7 para o governo do presidente Lula. Na última edição da pesquisa, em março, a nota esteve tecnicamente empatada em 7,1.

CONFIANÇA

O índice de confiança no presidente Lula também se manteve estável em 68%, o mesmo patamar registrado em março. Apenas 29% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança no presidente foi de 60%. Já em abril de 2006, o índice registrou 62%.

Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula.

Dos entrevistados, 40% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro foi de 20% dos entrevistados, enquanto 38% consideram os dois mandatos semelhantes.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 23 de junho, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.”

FRUSTRADO NOVO RECORDE DE RAPIDEZ EM DISTORÇÃO DE INFORMAÇÃO PELA IMPRENSA

Na postagem anterior, ressaltamos o recorde de 14 minutos, da Folha/UOL, em transformar uma notícia boa em ruim. No caso dessa notícia da CNI/IBOPE, houve grande esforço, porém frustrado em quebrar aquela marca. A UOL levou 24 minutos para colocar a seguinte manchete, sempre com as indispensáveis conjunções adversativas:

"Avaliação do governo é estável, mas inflação preocupa, diz Ibope (14h48)"

"A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em junho, mas a aprovação dos brasileiros em relação ao combate à inflação registrou queda, de acordo com dados da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e apresentada nesta segunda-feira."

PRESIDENTE IRANIANO TERIA SOFRIDO ATENTADO COM RAIOS-X EM ROMA

A agência francesa de notícias France Presse (AFP) informou hoje esse possível atentado, em matéria postada há 20 minutos pelo UOL Últimas Notícias. A sigla “Irna”, que consta no texto da AFP, refere-se à agência iraniana de notícias (Wikipedia: “The Islamic Republic News Agency, or IRNA, is the official news agency of the Islamic Republic of Iran. It is government-funded and controlled under the Iranian Ministry of Culture and Islamic Guidance”):

DIPLOMATA AFIRMA QUE AHMADINEJAD FOI ALVO DE ATENTADO COM RAIOS X EM ROMA

"TEERÃ, 30 Jun 2008 (AFP) - O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, foi alvo de um atentado com raios X durante sua visita à Itália no início de junho, informou nesta segunda-feira a agência de notícias oficial Irna, citando o embaixador do Irã em Roma, Abolfazl Zohrehvand.

O plano consistia em submeter Ahmadinejad a uma radiação maciça. O presidente iraniano participava de uma reunião da FAO, segundo esse embaixador.

Ahmadinejad afirmou em meados de junho que havia sido alvo de um atentado frustrado, durante uma visita ao Iraque em março. Um de seus assessores disse depois que o presidente também fora alvo de uma conspiração para assassiná-lo em Roma.

"Um dia antes da chegada de Ahmadinejad, verifiquei e descobri que o detetor (de segurança) de raios X instalado em sua residência emitia muita radiação", disse o embaixador.

Segundo ele, o nível de radiação do aparelho era de 800 em vez de 300, como previsto. A IRNA não indicou a qual unidade de medida se referiu o diplomata.

As máquinas de detecção de raios X, ou gama, utilizadas geralmente nos aeroportos para examinar as bagagens, são consideradas inofensivas para os seres humanos que se encontram ao seu lado.

"Quando o presidente entrou (na residência), a radiação aumentou, chegando a 1.000, tanto que sua intensidade foi sentida em todo o edifício", acrescentou Zohrehvand, sem explicar as medidas tomadas em seguida."

CAFÉ COM O PRESIDENTE, ESTA SEGUNDA-FEIRA

O portal UOL Últimas Notícias publicou às 11h43 um extrato das informações transmitidas pelo presidente Lula hoje de manhã, no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”. O texto é da Agência Brasil:

LULA DIZ QUE ECONOMIA BRASILEIRA ESTÁ "EM ORDEM" E PROMETE MAIS EMPREGOS

“A economia brasileira está "em ordem", disse nesta segunda (30) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele prometeu mais empregos para a população e creditou a queda do desemprego no país - divulgada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - aos investimentos do governo federal no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

"Acredito que, a partir do ano que vem, as obras do PAC já estarão em andamento com muito mais força, com muito mais volume. Agora é que elas vão começar a gerar muito mais empregos, que é o que o Brasil precisa: mais emprego, mais salário, mais renda, mais consumo."

Em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula lembrou que, quando assumiu o governo, o Brasil tinha R$ 300 bilhões de crédito e que, atualmente, o país conta com um volume de R$ 1 trilhão.

"Isso significa que tem gente tomando dinheiro emprestado para fazer investimento em alguma coisa. Isso significa que vai gerar mais empregos. Quando eu pego os números do Ministério do Trabalho e constato que, nos primeiro cinco meses, nós criamos 1,051 milhão de empregos com carteira assinada, a tendência natural é isso vir crescendo."

Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego caiu para 7,9% em maio, nas seis principais regiões metropolitanas brasileiras, depois de ter ficado em 8,5% em abril. O resultado foi o menor já registrado para o mês desde 2002 e o menor, entre todos os meses, desde dezembro de 2007 (7,4%). Na comparação com maio do ano passado (10,1%), o recuo foi maior: 2,2 pontos percentuais.”

OUTROS DOIS RECORDES: 1) SUPERÁVIT PRIMÁRIO 42% MAIOR EM MAIO; 2) RAPIDEZ NA DISTORÇÃO PELA IMPRENSA

O portal UOL Últimas Notícias publicou há 20 minutos (12h00) uma nova boa notícia para a economia brasileira:

1) ECONOMIA PARA PAGAR JUROS CHEGA A R$ 75 BI NO ANO E BATE RECORDE

“A economia de receitas realizada pelo país para o pagamento de juros da dívida (superávit primário) somou R$ 74,95 bilhões de janeiro a maio, ou 6,55% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor é recorde para esse período.

Em igual intervalo do ano passado, o saldo estava acumulado em R$ 60,027 bilhões (5,89% do PIB).

A meta do governo é fazer um superávit em 2008 de 3,8% do PIB, mais 0,5% para o Fundo Soberano do Brasil.

Só em maio o superávit primário foi de R$ 13,207 bilhões, o que significa um aumento de 42% em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando o superávit foi de R$ 9,295 bilhões.

Nos 12 meses encerrados em maio, o superávit primário ficou em patamar equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,25% do PIB em 12 meses até abril.

O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou em 40,8 por cento do PIB no mês passado, frente a 41 por cento em abril.

Esses números referem-se à economia feita pelo chamado setor público consolidado, que reúne União, Estados, municípios e estatais.

ECONOMIA PARA JUROS

O superávit primário representa o que os setores públicos conseguiram economizar no mês. A economia é feita quando se arrecada mais do que se gasta. É essa sobra que o país usa para pagar os juros da dívida.”

2) NOVO RECORDE – 14 MINUTOS: RAPIDEZ DAS REDAÇÕES DO “PIG” PARA TRANSFORMAR NOTÍCIA BOA EM RUIM

Imagino a correria e as chamadas de atenção que ocorreram há poucos minutos dentro das redações da nossa grande imprensa. Somente 14 minutos após publicar a boa notícia do recorde no superávit primário, a Folha/UOL conseguiu novo recorde de contorcionismo da imprensa tucano-pefelenta: transformou aquela informação acima transcrita na seguinte, lançando mão das (já muito comentadas neste blog) conjunções adversativas. Vejamos o que foi publicado no UOL Últimas Notícias às 12h14:

2) ECONOMIA DE R$ 13 BI NÃO É SUFICIENTE PARA PAGAR OS JUROS EM MAIO; NO ANO, SALDO NOMINAL É POSITIVO

Da Redação

“O setor público poupou R$ 13,207 bilhões em maio para pagar dívida, mas o montante não foi suficiente para o pagamento dos juros no período, que somaram R$ 16,173 bilhões. O resultado foi um déficit nominal de R$ 7,452 bilhões”

PARA DIMINUIR DESIGUALDADE, RICO PRECISA PAGAR IMPOSTO!

Apresento o texto que obtive no blog “Conversa Afiada”, sobre o programa “Entrevista Record”, da Record News, que foi transmitido na última terça-feira, dia 24. Nele, o jornalista Paulo Henrique Amorim entrevistou o presidente do IPEA, o economista e professor Marcio Pochmann.

O IPEA é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. É uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Suas atividades de pesquisa fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.

O entrevistado, Marcio Pochmann, é graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1984) e doutor em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1993). É Professor Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência com ênfase em Politicas Socias e do Trabalho. É o atual presidente do IPEA.

Segue abaixo a íntegra da entrevista com o professor Marcio Pochmann, publicada no blog “Conversa Afiada” (este blog acrescentou pequenos adendos entre colchetes, para facilitar a leitura):

Paulo Henrique Amorim – Professor Pochmann, o índice que mede a concentração de renda no Brasil mostra que, de 2002 para 2007, houve uma queda de 5,7% na concentração de renda do país. A que se deve isso, basicamente?

Marcio Pochmann – Bom, nós temos vários fatores que nos ajudam a entender essa queda de desigualdade mais recente. Mas não há como separar o papel que vem tendo a elevação do salário mínimo como proteção e a ampliação do poder aquisitivo da população de menor renda, principalmente das categorias que se encontram com remuneração próxima ao salário mínimo.

Também, tem papel importante todas as políticas voltadas para a transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família e os benefícios da Previdência e Assistência Social.

Salário mínimo e transferência de renda estão ajudando muito a população de baixa renda, de tal forma que ela reduz a diferença que tem aos níveis de renda mais altos.

Paulo Henrique Amorim – Mesmo assim, além dessas explicações, seria importante se observar, e se observa aqui na tabela que o IPEA distribuiu, que está no site do IPEA, há uma queda acentuada do aumento da desigualdade, sobretudo, a partir de 2004, quando se acelera, de certa maneira, o crescimento da economia. Existe, portanto, uma relação entre a economia crescer e a renda melhorar. Ou melhor, a distribuição de renda melhorar. O que tem a ver uma coisa com a outra, professor?

Marcio Pochmann – Esse dado é bastante importante, [deve] ser considerado, porque, infelizmente, a experiência passada do Brasil de crescimento econômico não permitiu combinar com a melhor distribuição dos frutos dessa expansão.

Nesse período [mais recente], que começa em 2004 e vem se aprofundando em 2007 e 2008, de maior expansão da atividade econômica com maior expansão do emprego formal, sobretudo, nós estamos verificando que a expansão da atividade econômica permite agora a ampliação da renda dos mais pobres, permitindo assim que a desigualdade caia.

E, a se manter essa trajetória, o segundo governo do Presidente Lula apresentará para o país o menor índice de desigualdade de renda desde 1694, quando começaram a se medir os indicadores de desigualdade.

Paulo Henrique Amorim – Segundo essa projeção feita pelo próprio estudo de vocês do IPEA, em 2010 a previsão é de que o Índice de Gini, que mede a concentração de renda, cairá para 0,49. O Presidente Lula herdou do Governo Fernando Henrique um Índice de Gini de 0,54. O índice 0,49, como o senhor mencionou é o melhor resultado desde 1960, quando o Brasil começou a medir desigualdade de renda. Eu pergunto: comparado com outros países, o que significa esse Gini de 0,49? Devemos nos orgulhar disso ou ainda devemos ter vergonha desse índice?

Marcio Pochmann – De um lado, há motivos para nos orgulharmos quando a gente compara a rápida queda do índice de desigualdade de renda no Brasil. Nós estávamos há um longo período sem saber o que era redução da desigualdade. Mas mesmo em 2010, com um Índice de Gini em 0,49, ainda nos coloca no conjunto de países que não sabem o que é uma distribuição menos selvagem da renda. Podemos dizer que, em países mais civilizados, em que há uma distribuição mais justa da renda, o Índice de Gini se encontra abaixo de 0,45.

Paulo Henrique Amorim – E o que faz admitir-se que, quando chegarmos a 2010, poderemos chegar a esse 0,49 que ainda não é abaixo de 0,45, mas já é mais perto do que estávamos? O que precisa acontecer para que a gente chegue lá?

Marcio Pochmann – Certamente o país precisa continuar crescendo a 5% ou 6% ao ano. Se nós tivermos uma redução do nível de atividade, isso pode ter um impacto no emprego e até mesmo na capacidade de os sindicatos negociarem salários de acordo com a produtividade. É fundamental que a política de salário mínimo e de transferência de renda se mantenha firme como se encontra atualmente.

E poderíamos também pensar em políticas de combate a desigualdade, como é o caso da tributação da renda, especialmente dos segmentos mais enriquecidos da população, uma vez que os ricos do Brasil não pagam impostos. E nós teríamos um campo novo para reduzir a desigualdade através da tributação progressiva.

Paulo Henrique Amorim – Bom, o senhor acaba de depositar uma bomba atômica nessa discussão, que é a idéia de aumentar os impostos dos ricos. E já existe por parte dos ricos, especialmente quando se discutiu agora a questão da renovação da CPMF, uma reação muito grande. Reação que se concentrou a partir da FIESP, aqui em São Paulo. O senhor acredita que existam condições políticas para se aumentar os impostos dos mais ricos?

Marcio Pochmann – Eu acredito que essa condição política precisa ser construída. A população não sabe, de maneira geral, que são justamente os mais pobres que mais impostos pagam. Os 10% mais pobres da população pagam 50% a mais de tributos do que os mais ricos.

O Brasil não tem impostos sobre grandes fortunas, por exemplo. E a tributação de vários impostos diretos, como o IPTU – Imposto Predial Territorial e Urbano, o próprio Imposto de Renda, não aproveitam a potencialidade que possuem, especialmente num país em que os 10% mais ricos da população concentram 75% da riqueza.

Paulo Henrique Amorim – Quer dizer que, apesar dessa melhoria na desigualdade, esses 10% mais ricos da população, esses cuja a renda terá subido alguma coisa perto de 5% ou 6% nesses anos do Governo Lula, eles ainda têm 75% da renda do país?

Marcio Pochmann – Eles têm 75% do estoque de riqueza, que são os ativos, são as propriedades, imóveis, títulos da dívida pública, títulos financeiros, enfim, é um conjunto de direitos de riqueza, que não apenas estão mencionados e mensurados por pesquisas como essa que o IBGE faz, que basicamente menciona a renda e não o estoque de riqueza.

Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão que eu gostaria de tocar com o senhor, professor Pochmann, é a questão do alargamento da classe média ou o alargamento do que se chama, para falar na linguagem da televisão, na linguagem do Ibope, o alargamento da classe C. Observa-se pelo estudo que está no site do IPEA que a melhoria é mais significativa, é mais acentuada, exatamente nos segmentos intermediários dos mais pobres. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Marcio Pochmann – Bom, de um lado nós estamos vendo a expansão dos empregos basicamente assentados na faixa de dois a quatro salários mínimos, que é basicamente que comporia essa classe média emergente. Que de um lado vem potencializada pela expansão do emprego assalariado e de outro vem também potencializado por ocupações autônomas, ocupações por conta própria de pequenos negócios, que vêm crescendo muito em função do maior dinamismo da economia nacional.

Paulo Henrique Amorim – E com relação ao emprego assalariado? O senhor já estudou esse problema, uma boa parte do seu trabalho que se acompanha pela sua já vasta bibliografia é em cima dessa questão de quem é empregado assalariado, de quem não é empregado assalariado. O que se pode dizer sobre isso? O crescimento econômico no Brasil se dá hoje com emprego de pessoas com carteira assinada ou não?

Marcio Pochmann – Bom, ao contrário das teses dos anos 90 que diziam que o Brasil não teria condições de gerar emprego assalariado porque o custo trabalho era elevado, entre outros argumentos dessa natureza, nós estamos observando que o crescimento da economia nacional vem implicando expansão do emprego assalariado, especialmente o assalariado formal, com carteira assinada. E de cada dez postos de trabalho abertos atualmente no país, oito são aberto atualmente com carteira assinada. Nós devemos ter este ano a geração de 2,5 milhões de empregos, cerca de 2 milhões serão de empregos assalariados com carteira assinada.

Paulo Henrique Amorim – E quais são os setores da economia que mais estão puxando trabalhadores e assinando a carteira deles?

Marcio Pochmann – Certamente é o setor terciário, o setor vinculado a serviços e comércio. Mas não podemos descartar o papel que a indústria de transformação vem tendo junto com a construção civil, de impacto muito importante na formalização do emprego.

Paulo Henrique Amorim – Uma outra questão, professor Pochmann, pode-se dizer, por esses dados aqui do Ipea, que está havendo um estrangulamento da classe média brasileira?

Marcio Pochmann – Não, não acredito. Os dados são muito positivos na medida em que eles mostram que nos últimos quatro anos todos os segmentos de renda vêm ampliando a sua participação, vêm crescendo acima da inflação e, portanto, ampliam o poder de consumo de todos os segmentos sociais.

Apenas a redução da desigualdade vem se dando pelo fato de que os menores salários sobem mais rapidamente do que os mais altos. Nós tivemos, entre 2002 e 2003, por exemplo, uma redução da desigualdade. Mas ela se deu, fundamentalmente pela queda do poder aquisitivo do segmento de maior renda. A classe média, sobretudo, perdeu nesses anos. Agora, a classe média voltou a se recuperar e a desigualdade não se dá mais por prejuízo de uma categoria em relação a outra, mas pelo crescimento de todas, apenas com uma velocidade mais rápida para os segmentos de menor renda.

Paulo Henrique Amorim – Ou seja, todos crescem?

Marcio Pochmann – Exatamente. Apenas alguns sobem através da escada e outros pegam o elevador e sobem mais rápido.

Paulo Henrique Amorim – Uns de elevador e outros de escada. Agora, uma última questão, professor Pochmann, e a participação do salário, no conjunto da riqueza brasileira, ou seja, a massa salarial, a renda do trabalhador, no conjunto da riqueza brasileira, isso tem aumentado com esses estudos que o senhor fez aqui?

Marcio Pochmann – Nós ainda não conseguimos observar uma ampliação na renda nacional. Embora os salários venham crescendo acima da inflação, nós percebemos que os juros, os lucros, os aluguéis, renda da terra, crescem numa velocidade equivalente à dos salários. De tal forma que não há uma alteração na distribuição da renda funcional, que nós chamamos, que é aquela que mede a participação dos salários na riqueza do país.

Paulo Henrique Amorim – Ou seja, os salários e os trabalhadores ainda têm um longo caminho a percorrer?

Marcio Pochmann – Sem dúvida alguma. E é essa a experiência internacional: quando há democracia, quando há instituições fortes, sindicatos e políticas públicas, certamente o resultado é a melhor participação dos salários na renda, crescimento do mercado interno e o melhor bem-estar de todos.

Paulo Henrique Amorim – Professor, os sindicatos estão conseguindo obter aumentos de salários significativamente acima da inflação ou os dissídios têm vindo apenas empatando com a inflação?

Marcio Pochmann – Bom, ao contrário do que ocorreu nos anos 90, em que os sindicatos não conseguiam fazer com que os salários dos seus trabalhadores acompanhassem a inflação, num período mais recente nós estamos observando, e quem mede isso é o DIEESE, que permite perceber justamente que os trabalhadores estão tendo algum sucesso nas negociações. A maior parte das categorias consegue não só empatar com a inflação passada, mas também incorporar ganhos de produtividades que estão sendo obtidos por setores produtivos nacionais.

Paulo Henrique Amorim – Uma última, última, questão. Nós estamos assistindo agora um aumento da inflação, sobretudo na área de alimentos, uma política de juros mais agressiva do Banco Central. Esse conjunto de situações pode vir a prejudicar a distribuição da renda?

Marcio Pochmann – Eu acredito que tanto a inflação pode prejudicar a renda e a própria desigualdade, porque a gente sabe que a capacidade de se proteger frente à inflação é desigual por níveis de renda, mas também precisamos nos atentar para o fato que, dependendo da política anti-inflacionária, o efeito desse remédio pode ser também muito prejudicial aos próprios trabalhadores, à população de menor renda.

Tanto é verdade que o próprio Governo Federal está discutindo a possibilidade de reajustar, por exemplo, os valores do Bolsa Família, que é uma tentativa de proteger a população de menor renda.”

domingo, 29 de junho de 2008

BUSH RECEBEU EM 2008 US$ 400 MILHÕES PARA DERRUBAR O GOVERNO DO IRÃ

OS ESTADOS UNIDOS LÁ INSUFLAM GRUPOS ÉTNICOS MINORITÁRIOS

A Folha Online publicou há pouco (18h26) essa informação da agência de notícias France Presse, a partir de Washington.

EUA INTENSIFICARAM AS OPERAÇÕES SECRETAS NO IRÃ, DIZ REVISTA” [THE NEW YORKER]

“Os Estados Unidos aceleraram há meses suas operações clandestinas no Irã com o objetivo de desestabilizar o regime de Teerã, a quem acusa de querer possuir armas nucleares, afirmou neste domingo a edição da revista americana "The New Yorker".

Esta maior intensificação das operações secretas no Irã acontecem depois da aprovação pelo Congresso americano, o ano passado, de um envio de US$ 400 milhões pedidos pelo presidente George W. Bush para este fim.

O artigo cita entre suas fontes militares reformados, membros dos serviços secretos e do Congresso.

As atividades clandestinas envolvem, principalmente, suporte para grupos étnicos minoritários e outras organizações dissidentes. Elas incluem ainda o recolhimento de informações sobre as atividades nucleares do país.”

JB: DESCOBERTAS QUASE 100 MIL ONGs ESTRANGEIRAS VIOLANDO A SOBERANIA BRASILEIRA

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA IDENTIFICA DEZENAS DE MILHARES DE ONGs ESTRANGEIRAS CLANDESTINAS ATUANDO NO MEIO AMBIENTE E EM QUESTÕES INDÍGENAS

O Jornal do Brasil de hoje, 29/06, mostra a irresponsável liberalidade e o descontrole permitido pelos brasileiros para os estrangeiros atuarem no Brasil. Eles desenvolvem ações ilegais que afetam a soberania do país em decorrência da exploração ilegal dos recursos naturais, interferência indevida em comunidades indígenas e, o mais grave, o uso de entidades de fachada para compra ou venda de terras a estrangeiros. Seria impensável a situação recíproca, de ONGs clandestinas brasileiras atuando da mesma forma e com os mesmos objetivos nos territórios das grandes potências.

Transcrevo a reportagem do Jornal do Brasil:

DOCUMENTO SECRETO IDENTIFICA 100 MIL [ONGs] NO PAÍS

“Embora não existam dados confiáveis sobre o número de organizações não-governamentais (ONGs) que agem na Amazônia Legal, o levantamento feito pelo Ministério da Justiça para depurar o chamado terceiro setor mostra que mais de 88% das entidades agem à margem da lei, alternando a clandestinidade com o desvio de finalidade.

O universo das ONGs cadastradas e, portanto, com autorização legal para agir, é ainda menor que os cerca de 12% das entidades que, pelo menos na teoria, são cadastradas e seguem o propósito de seus próprios estatutos. O grupo de trabalho identificou 12.201 entidades tituladas em todo o país e, destas, 469 distribuídas pelos nove Estados amazônicos.

As entidades de origem estrangeira cadastradas e com autorização para atuar na Amazônia são 27, mas até as árvores sabem que o número é infinitamente maior. Num levantamento feito pela Controladoria-Geral da União (CGU) para aferir os repasses do governo com o terceiro setor, apareceu uma listagem com 270 mil nomes de entidades.

Informações extra-oficiais das Forças Armadas, que deverão chegar oficialmente ao Ministério da Justiça, dão conta, no entanto, que existem em todo o país – livres e sem qualquer controle estatal – mais de 100 mil ONGs, uma boa parte delas de origem estrangeira e com atuação firme em áreas que vão do meio ambiente a questões indígenas.

É nas estrangeiras que mora o perigo. O relatório do grupo de trabalho que se debruçou sobre o assunto nos últimos sete meses encontrou fartos indícios de ações ilegais que afetam a soberania do país em decorrência da exploração ilegal dos recursos naturais, interferência indevida em comunidades indígenas e, o mais grave, o uso de entidades de fachada para compra ou venda de terras a estrangeiros.

Os dois órgãos encarregados dessas áreas, a Fundação Nacional do Índio (Funai) – ligada ao próprio Ministério da Justiça – e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), segundo policiais que participaram dos estudos, são inoperantes e dão a criminosos um tratamento humanitário.

ESTRANGEIROS ATUAM COM VISTOS DE TURISTA

Estrangeiros entram em aldeias indígenas com visto de turista para trabalhar. O dado mais chocante é que em toda a Amazônia Legal apenas sete organizações estrangeiras têm autorização do Ministério da Justiça quando a estimativa real aponta mais de 70 conhecidas.

Muitas entidades que entram ilegalmente na região ainda recebem recursos públicos. Em nome do meio ambiente ou de solidariedade às etnias que habitam a Amazônia, ONGs estrangeiras corrompem os índios para se apropriar de conhecimentos tradicionais e, assim, levantar informações sobre a riqueza do subsolo amazônico. Um dos grandes méritos do relatório é a mea culpa do estado brasileiro em reconhecer que não tem nenhum controle sobre o terceiro setor.

O relatório produzido pela Secretaria Nacional de Justiça propõe a extinção do conceito ONG e a criação de novas terminologias para classificar as entidades interessadas em desenvolver trabalho em áreas indígenas ou reservas de proteção ambiental. Todas elas passariam a ser tratadas com apenas três designações: Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), Utilidade Pública Federal (UPF) e Organizações Estrangeiras (OEs).

O conceito de ONG é muito amplo e genérico. Não há como exercer um controle se não restringir – diz o secretário Romeu Tuma Júnior, que coordenou o grupo de trabalho e encaminhou a sugestão para o ministro Tarso Genro.

O Ministério da Justiça deverá abrir, em seu portal, uma consulta pública e depois encaminhará o texto de um decreto ao presidente Lula. A idéia inicial é que uma nova legislação entre em vigor dentro de 90 dias.

Depois disso, aquelas que não se enquadrarem, passam a ser tratadas como clandestinas – diz Tuma.”

AMAZÔNIA: VULNERABILIDADE, COBIÇA, AMEAÇA

Os assuntos “Amazônia”, “índios”, “integridade territorial” e outros correlatos estão ultimamente muito abordados pela mídia, sempre envoltos em paixões, preconceitos, desinformações, capciosidades, ingenuidades, interesses econômicos nacionais e estrangeiros em diversos níveis.

As opiniões da direita e da esquerda se entrelaçam confusamente, sendo impossível rotular que “militares pensam assim”, “esquerdistas e comunistas pensam assado”, “militares e direitistas defendem os arrozeiros”, “esquerdistas não têm pátria” e outros erros primários que deparamos na mídia. É comum um defensor de um ponto-de-vista criticar com menosprezo e deboche os que apresentam outras opiniões. Assim, por exemplo, para muitos que desconhecem fatos reais, dizer que se está consolidando, para um futuro não muito distante, o apoio externo para ações separatistas será considerado um absurdo, ridículo, risível, “paranóia”.

Muitos brasileiros inteligentes e bem-intencionados vêem corretamente alguns aspectos do problema, mas enganam-se ao desconhecer ou ao desprezar outros. Por exemplo, o respeitado jornalista Luiz Carlos Azenha (cujo blog está em nossa lista “recomendamos”) resumiu esta semana em um artigo do seu blog: “Na minha modesta opinião, a teoria dos índios imperialistas serve a interesses inconfessáveis: ajudar o agronegócio a tomar terra dos índios.” A definição do Azenha de “índios imperialistas” é a seguinte:

“O interesse do grande capital, no caso, seria o de reservar grandes áreas do Brasil para futuro uso, através da instrumentalização dos indígenas. Ou seja, os minérios e outros recursos naturais existentes hoje em terras indígenas ficariam à espera do momento em que os países desenvolvidos - França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha - precisassem deles. Quando isso acontecer, os indígenas promoveriam um movimento separatista, entregando o ouro aos bandidos. É o que batizei de teoria dos índios imperialistas.” Segundo Azenha, quem assim julga serve a "interesses inconfessáveis".

Não podemos circunscrever o tema nesse âmbito restrito e preconceituoso. Também não acredito, como o Azenha, que os índios "promoveriam um movimento separatista". Contudo, por tudo que já vimos nos últimos cem anos do mundo, acredito fortemente que, no momento em que o Estado brasileiro realmente atrapalhar grandes interesses geopolíticos, o separatismo virá de "fora para dentro", promovido pelas grandes potências. EUA principalmente. Assim eles fizeram em muitos casos. Retiraram o Panamá da Colômbia, criaram o Kuwait, separaram o Kosovo, estão pensando no complexo Kurdistão e muitos outros exemplos.

Acredito que as ingerências nacionais e estrangeiras na Amazônia brasileira existem e são muito mais amplas, graves e concretas e continuam acontecendo sem a percepção dos brasileiros. Digo isso, inclusive, porque testemunhei algumas dessas contundentes pressões externas. Este blog já postou diversos artigos sobre o assunto. Alguns de nossa autoria, outros selecionados de terceiros. Sugerimos com ênfase, aos prezados visitantes do blog, a leitura da postagem de 16 de junho último intitulada “RECORTES 10: A AMAZÔNIA, OS ÍNDIOS E OS ESTRANGEIROS”. Lá constam alguns dos fatos reais de ingerência estrangeira danosa ao Brasil que testemunhei. Cito um trecho:

AS IMPOSIÇÕES ESTRANGEIRAS SOB O PRETEXTO DA BR-364 (PORTO VELHO-RIO BRANCO)

Exemplo de pressão formal: o isolamento, exigido pelo BIRD, de 552.000 km² da Amazônia (quase duas vezes o tamanho da França), como condição para novo empréstimo para o asfaltamento (simples emprimação) da BR-364 e para a manutenção das linhas de crédito já concedidas ao Brasil (POLOAMAZÔNIA, POLONOROESTE etc).

Essa gigantesca área abrangia, entre outras áreas indígenas e de preservação permanente, uma nova "nação" indígena com 85.000 km² (três vezes maior que Alagoas) para uma diminuta população de 350 índios. Faltavam índios para justificar "seus territórios" tão extensos. A tal área de 552 mil km² determinada pelo BIRD alcançava também potenciais jazidas petrolíferas a 1.000 km da BR-364, bem como jazidas de minerais descobertas principalmente com o Projeto RADAM.

Aquela pressão internacional, sempre com o servil apoio da nossa mídia, ganhou aliados brasileiros, cientes ou inocentes, de juízes, políticos, etnólogos, sociólogos, ambientalistas, governantes do 1º escalão, militares, bispos, jornalistas.

O Brasil obedeceu em tudo (ao final de 1985) em poucos meses após a ordem enviada como ultimatum, via telex emitido pelo então vice-presidente do BIRD, Mr. David Knox, em 05/03/1985, para três ministros (Delfim Neto, Galveas e Andreazza). Erramos no prazo. O ultimatum dava-nos somente dois dias...”

Temos a convicção de que a agora renovada discussão sobre a política indigenista, com raras exceções, não tem fulcro na nobre e devida vontade de proporcionar progresso e melhor qualidade de vida aos índios brasileiros. A causa indígena é um mero disfarce, um pretexto, assim como a ambientalista.

O objetivo real e encoberto ao máximo é o usufruto da Amazônia, disso excluindo o Estado brasileiro. As campanhas e pressões partem de nacionais fora-da-lei e de estrangeiros, indivíduos, empresas, grupos econômicos e financeiros e grandes potências. Para esses, a atual quase total ausência do Estado brasileiro naquela região, mais da metade do Brasil, é a condição ideal para seus objetivos escusos. Qualquer ação do Estado brasileiro na região causa grandes críticas no Exterior e no Brasil.

Nesse cenário, creio ser útil e oportuno estarmos abertos para captar todas as informações, sem preconceitos e emoções que nos barram o raciocínio.

Por isso, selecionei o artigo que transcrevo a seguir. Muitos vão logo preconceituosamente dizer que ele serve a "interesses inconfessáveis", pois foi escrito por um general, então é de "um nazista etnocida", de um "saudoso da ditadura"...

Eu o li no site www.reservaer.com.br. O texto é grande, mas hoje é domingo, temos mais tempo para leituras, e o assunto é muitíssimo importante para todos os brasileiros.

Segundo o referido site, o autor, Luiz Eduardo Rocha Paiva, "é general-de-brigada do Exército Brasileiro, doutor em ciências militares, com especialização em política, estratégia e alta administração do Exército, ambos pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército-ECEME. Foi Comandante e Diretor de Ensino da mencionada Escola em 2004, 2005 e 2006. Passou à Reserva remunerada em julho de 2007, quando era Secretário-Geral do Exército".

Em 2006, o general publicou o artigo a seguir transcrito na revista da ECEME. O material foi republicado na edição de março e abril na "Military Review", edição brasileira.

"AMAZÔNIA: VULNERABILIDADE, COBIÇA, AMEAÇA"

“Entre outros males, estar desarmado significa ser desprezível”. (“O Príncipe” – Maquiavel).

1. INTRODUÇÃO.

O presente texto tem por finalidade apresentar uma real ameaça à soberania nacional e à nossa integridade territorial, caso o País não reverta suas vulnerabilidades na Amazônia Brasileira.

A documentação que trata da defesa nacional considera como sendo difusas as ameaças que podem afetar o Brasil, o que exige o preparo de nossas Forças Armadas (FA) calcado em capacidades para atuar em diferentes cenários de conflitos.

O preparo com base em capacidades para enfrentar desafios distintos faz sentido. Porém, há que se entender a diferença entre desafios (ou problemas) que afetam a segurança nacional, mas que o País pode neutralizar com recursos próprios, e ameaças que coloquem em risco a integridade territorial e a nossa soberania, quando o Estado não dispõe de meios suficientes para dissuadir ou derrotar o(s) oponente(s).

As chamadas “novas ameaças”, dentre elas, os delitos transnacionais, o crime organizado, o terrorismo internacional e a questão ambiental estão no universo dos desafios/problemas, mais do que, propriamente, no das ameaças. O Estado brasileiro tem recursos para neutralizar estes antagonismos, antes que se tornem ameaças, se houver vontade política.

Por outro lado, a cobiça internacional pelas riquezas da Amazônia Brasileira caracteriza uma ameaça concreta à soberania e à integridade territorial, uma vez que envolve interesses que tendem a ser vitais, no futuro, para as grandes potências, que já demonstraram como atuam nesses casos, inclusive em conflitos contemporâneos.

Se a Nação não for alertada para isto, claramente, como não vem sendo, continuará a criar, ela própria, as condições objetivas para a ingerência internacional, no sentido de impor uma soberania compartilhada na região. Não se culpe, exclusivamente, os sucessivos governos a partir de 1990, pois existem várias instituições e segmentos da sociedade que conhecem o problema e têm se omitido ou apenas atuado de maneira débil para mobilizar a Nação em face de um tema que diz respeito à própria dignidade nacional.

A sociedade precisa conhecer o risco que envolve não ocupar, não povoar, não desenvolver, não integrar, não defender e, também, não preservar a Amazônia, pois só assim passará a exigir medidas preventivas, contrapondo-se a diversos atores adversos. Precisa saber, principalmente, que a Amazônia não é problema, mas sim solução.

Um dos motivos principais da falta de recursos para as FA é a crença, equivocada, dos brasileiros em que o País não tem ameaças. Isto ocorre por causa de nossa incapacidade de antevê-las, por falta de visão estratégica – visão de futuro. A Política de Defesa Nacional contribui para este quadro, pois deveria caracterizar uma ameaça prioritária, dentre as chamadas ameaças difusas.

Vamos mostrar, neste texto que ela é real.

2. VULNERABILIDADE.

A Amazônia Brasileira é um espaço rico em recursos e vazio em população, agências e órgãos do Estado.

É comum Organizações Não Governamentais (ONG) ocuparem os espaços que cabem ao Estado Brasileiro, sendo que muitas dessas organizações representam, veladamente, interesses internacionais públicos ou privados. Várias ONG não têm nenhum compromisso com o Brasil e atuam política e estrategicamente no sentido de que as populações indígenas, no futuro, constituam nações autônomas.

A região em pauta está inserida, por direito, em nossas fronteiras, mas ainda não foi efetivamente ocupada e integrada, de fato, à Nação. A vulnerabilidade fica, então, caracterizada: pelo vazio de poder fruto da ausência do Estado, substituído por ONG e outros entes, muitas vezes, representando interesses estrangeiros; pelo baixo grau de integração física da região ao País; pela imensa riqueza em recursos estratégicos - futuramente escassos no mundo – e pela cobiça internacional perfeitamente conhecida.

Historicamente, um quadro como este já seria suficiente para caracterizar uma ameaça. Ela parece tão clara, que é de se preocupar não haver, praticamente, nenhuma manifestação contundente de nossas lideranças a respeito.

3.COBIÇA INTERNACIONAL.

Não se trata de algo novo, mas, nas últimas décadas, vem se acentuando o interesse internacional sobre a região e ele tende a aumentar, até mesmo como conseqüência do fenômeno da globalização e da questão ambiental.

A partir dos anos 90, foram várias as manifestações de estadistas, chefes de governo, autoridades, organismos e organizações internacionais contestando a soberania dos países condôminos da Amazônia sobre a mencionada região. Dentre as personalidades mais conhecidas destacam-se: Mitterrand, Henry Kissinger, Margareth Thatcher, Gorbatchov e Al Gore.

Em 1992, o então Primeiro Ministro da Inglaterra – John Major – declarou: “as campanhas ecologistas internacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início a uma fase operativa, que pode, definitivamente, ensejar intervenções militares diretas sobre a região”.

Naquele ano, foi realizada a conferência internacional sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro (ECO/92), que coincidiu com a criação da Reserva Ianomâmi, desencadeando um processo de estabelecimento de imensas Reservas Indígenas. Hoje, elas ocupam 12% do território nacional. São conhecidas as fortes pressões do Governo dos EUA para a criação da Reserva Ianomâmi, inclusive ameaçando fazer uma campanha para boicotar a ECO/92.

Em 1998, Patrick Hugles, Chefe do órgão central de informações das FA dos EUA, em palestra realizada no Instituto de Tecnologia de Massachusets disse: “caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha em risco o meio ambiente nos EUA, temos de estar prontos para interromper esse processo imediatamente”.

Em 2005, Pascal Lamy, Diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, manifestou que: “a Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas bens públicos mundiais e submetidas à gestão coletiva, ou seja, gestão da comunidade internacional”. O que preocupa é ouvir de um secretário do alto escalão do MRE, proferindo palestra na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, após este comentário do Sr.Pascal Lamy, que o segmento diplomático brasileiro “tinha ficado satisfeito com a eleição do Sr. Lamy para o cargo na OMC, uma vez que se tratava de um amigo do Brasil”.

Em 22/09/2005, o Senador Mozarildo Cavalcante (RR), em discurso no Senado sobre a Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, relatou que o Presidente da República mencionara, em audiência com autoridades de Roraima, ter sofrido pressões de ONG européias, da OEA e da USP para a demarcação da Reserva em terras contínuas.

Verifica-se, coincidência ou não, que sempre que o Brasil tem algum tema importante em negociação com o primeiro mundo, particularmente que implique viagem presidencial ao exterior, após o regresso, é tomada alguma decisão que atende a interesses estrangeiros na Amazônia.

Existem grupos, empresas, laboratórios, indústrias e ONG de “fachada”, que estão presentes, ou desejam estar, pesquisando e explorando a região sem o controle do Estado, e transferindo recursos e conhecimentos, para o exterior, em detrimento ao Brasil.

O enorme potencial em riquezas e sua escassez a médio ou longo prazo são razões suficientes para as pressões internacionais, no sentido de impedir que o Brasil explore seus recursos, mantendo-os intactos para o uso de outros atores no futuro.

Fica, assim, caracterizada a cobiça internacional, particularmente das maiores potências, por uma região tão rica e vulnerável de nosso País.

4. TEMAS DA AGENDA INTERNACIONAL.

Existem alguns temas da agenda mundial que estão diretamente relacionados com o problema em pauta, aconselhando uma atuação pró-ativa, enérgica e permanente do Estado, que precisa demonstrar capacidade de controlar a região. Assim, pode-se evitar que os temas sejam usados como pretexto para respaldar pressões internacionais, que recebem, muitas vezes, o apoio de pessoas e organizações do País, agindo por convicção ou fazendo o jogo de interesses estrangeiros.

Destacam-se, a seguir, três temas que merecem atenção especial do brasileiro.

a. QUESTÃO AMBIENTAL.

É necessário um controle eficaz da ocupação, exploração e do desenvolvimento da região, no sentido de coibir crimes ecológicos e preservar, com inteligência e sem radicalismo inconseqüente, o meio ambiente. Isto é fundamental para evitar campanhas contra o desenvolvimento sustentável da região, condição importante para sua integração ao restante do País e para neutralizar a concretização da ameaça em questão. Infelizmente, os sucessivos governos têm demonstrado pouca eficácia ou, talvez, pouco interesse em conduzir o processo de ocupação, desenvolvimento e preservação da Amazônia.

Hoje, com o propalado aquecimento global, a questão do desmatamento na Amazônia vem ocupando largo espaço na mídia. Há uma tendência a desviar o foco do debate dos grandes poluidores, superdimensionando e enfatizando o problema das queimadas, de modo a preparar o terreno para futuras pressões com o objetivo de justificar a ingerência internacional.

Na reunião da ONU sobre mudanças climáticas em Bali – Indonésia (dezembro de 2007), o nosso governo flexibilizou sua posição sobre os “mecanismos de redução de emissões de desmatamento e degradação”. Acordos que impliquem receber indenização dos países ricos para conservar a floresta e diminuir a emissão de CO2 (os chamados créditos de carbono) ou receber recursos de um fundo internacional de combate ao desmatamento, poderão comprometer a nossa soberania na administração da Amazônia Brasileira. Afinal, quem paga se acha no direito de exigir. Falta é vontade política para dar a devida prioridade à integração, ao desenvolvimento e controle da ocupação da região.

b. DELITOS TRANSNACIONAIS E SEGURANÇA PÚBLICA.

É preciso exercer o controle eficaz e permanente da faixa de fronteira e do espaço aéreo, coibir a violência rural, neutralizar o poder do crime organizado e de outros bandos armados que atuam ao arrepio da lei, infiltrados em grupos de interesses opostos que se enfrentam em algumas áreas da região.

c. A QUESTÃO INDÍGENA.

Há que se retomar a antiga política de integração do indígena brasileiro à Nação e à sociedade, revertendo a atual orientação segregacionista, que atende a interesses estrangeiros e reforça a ameaça, pois prepara o caminho para a constituição de “nações indígenas”, como desejam muitas ONG, países, organizações e organismos internacionais. A integração, o estudo e a adoção de novos hábitos não impedem que sejam preservados o idioma, o folclore e as tradições das diversas tribos indígenas do Brasil. Como desejar que um ser humano, que vê uma televisão, um avião, um computador e outros meios que valorizam a vida e contribuem para o bem-estar e a saúde, seja segregado e fique estagnado na “idade da pedra”?

Os descendentes de japoneses, europeus e africanos, perfeitamente integrados à sociedade, conseguem manter seus laços culturais sem deixar de desfrutar das benesses do progresso.

A partir de 1992, houve um incremento importante na criação de Terras Indígenas (TI) e Unidades de Conservação (UC). Hoje, estas áreas correspondem à extensão territorial da França e da Alemanha reunidas, perfazendo mais de 12% do território nacional. A população indígena está em torno de 400 mil brasileiros índios. Os 85% restantes do nosso território ficam para os outros 180 milhões de brasileiros.

Se analisarmos o Estado de Roraima, destaca-se que mais de 60% de suas terras são TI. Tal fato poderá inviabilizar seu desenvolvimento e, paulatinamente, causar o esvaziamento populacional pelos brasileiros não índios. Simultaneamente, pode-se prever o crescimento da população indígena brasileira nas TI, onde está sob forte influência de ONG ou outras organizações, muitas sem nenhum compromisso com o Brasil e recebendo o apoio de potências globais. Estas ONG e organizações não consideram os indígenas como cidadãos brasileiros e defendem que eles se reúnam em “nações” autônomas.

De fato, em setembro de 2007, a ONU aprovou a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, que inclui o direito à autodeterminação, a vetar operações militares e a estabelecer instituições políticas, sociais, econômicas e jurídicas nas TI. É triste constatar que existem brasileiros e movimentos nacionais que pensam assim, porém, o mais grave é que o Brasil não votou contra a mencionada Declaração. E agora? O que falta?

A Guiana anunciou que poderá ceder o controle de seu território amazônico, vizinho a Roraima, ao governo britânico. Assim, teremos três potências estrangeiras fazendo valer seus interesses na região, apoiadas em espaços físicos, considerando a Guiana Francesa e o Suriname – ex-colônia holandesa – onde também existe um movimento que visa reatar laços de dependência com a antiga metrópole. Inglaterra, França e Holanda apóiam fortemente ONG ambientalistas, tanto política quanto economicamente.

A história recente nos mostra a questão do Kosovo (Sérvia) onde o paulatino esvaziamento da região pelos sérvios e o conseqüente crescimento da população albanesa criaram um fato consumado, que levou à perda da soberania, pela Sérvia, sobre aquela parte de seu território. Houve intervenção militar violenta de potências estrangeiras, com aval da ONU e sob o comando da OTAN. Há poucos dias, como desenlace facilmente previsto, o Kosovo declarou sua independência.

O arco fronteiriço do Brasil na região está pleno de TI e UC, o que dificulta a vivificação de nossas fronteiras, mantendo-as como espaços abertos e difíceis de controlar e defender.

O cenário aqui descrito de maneira sucinta foi estabelecido pelo próprio País, que acatou pressões externas e internas, criando e potencializando, assim, a vulnerabilidade já comentada.

5. SOBERANIA COMPARTILHADA.

Um vazio de poder como o que constatamos na Amazônia não será permanente. Será ocupado pelo Brasil ou por outra potência, coalizão ou organismo internacional.

A soberania compartilhada não será, necessariamente, resultado de uma invasão, conquista ou ação militar direta em toda região. A pressão internacional em todos os campos do poder, inclusive, com apoio de grupos nacionais vem comprometendo a nossa soberania, particularmente a partir do início da década dos 90, por meio de “ações sucessivas”. Chegará o momento em que estarão estabelecidas as condições objetivas para uma “resolução” ou “declaração” de potência, coalizão ou organismo internacional, no sentido de impor a soberania compartilhada na região.

Tais condições estão sendo delineadas, principalmente, em Roraima, pelas razões já comentadas, agravadas pela sua posição geo-estratégica mais exposta a ações militares estrangeiras que o arco fronteiriço a oeste e ao sul da Amazônia.

A perda da soberania plena sobre qualquer parte do nosso território será um precedente perigoso pois, além de motivar alguns vizinhos a buscar a revisão de tratados de limites com o Brasil, vai resultar na reação violenta de setores importantes da nossa sociedade que não aceitarão tal imposição.

Não é provável uma invasão total da Amazônia, pois seria praticamente inviável e muito oneroso. Soberania compartilhada deve ser entendida como a posse nominal pelo Brasil, arcando com o ônus da administração, mas permitindo que a maior parte dos bônus, das riquezas, fique com a “comunidade internacional”, leia-se as grandes potências.

A integração da América Latina, onde se insere a América do Sul, é um dos objetivos nacionais constantes da Constituição Federal (Título I, Art. 4). O Brasil tem um importante papel a desempenhar nessa integração, fruto de sua posição geopolítica decisiva nas Bacias do Prata e do Amazonas. No que diz respeito à América do Sul, a Amazônia Brasileira é o amálgama que unirá os países condôminos.

Se o Brasil não exercer soberania plena sobre a sua região amazônica, não terá um papel decisivo nesse processo de integração, o qual poderá não se concretizar ou ser conduzido por outro ator.

A propósito, o Tratado de Cooperação Amazônica, que reúne os países da região, é uma oportunidade para a proteção dos nossos interesses mas, também, pode ser uma ameaça, pois os países signatários estão sempre sujeitos a pressões das grandes potências, havendo o risco de adotarem posições que nos sejam prejudiciais.

6. A CAPACIDADE DE DISSUASÃO.

Não se visualiza sua concretização, nem em longo prazo, pois não são destinados recursos suficientes para o reaparelhamento das FA, não há um projeto de reativação da indústria de defesa, apenas as repetidas e não cumpridas promessas, e o País aceita pressões internacionais em prejuízo de seu pleno desenvolvimento científico-tecnológico.

O material de emprego militar é quase todo importado, no que se refere aos equipamentos e armamentos que fazem diferença no campo de batalha. Somos dependentes da vontade alheia para nos mantermos em operações, até mesmo, por curto prazo. Esta situação agrava nossa mencionada vulnerabilidade, considerando agora o campo militar.

Deve-se ter em mente que a defesa da Amazônia começa no Atlântico e no espaço aéreo. A concretização de um interesse estrangeiro na Amazônia será buscada mediante a ameaça de paralisação do País através do bloqueio ou da destruição de pontos sensíveis do território nacional no Sul, no Sudeste, na plataforma marítima ou no centro de poder. Assim, a defesa da Amazônia começa no mar e no céu, com o fortalecimento dos poderes naval e aeroespacial, concomitantemente com o poder terrestre.

A capacidade de dissuasão militar diante de grandes potências mundiais ou de organismos de segurança coletiva está longe de ser efetiva. Na realidade, não existe.

Fica no ar um questionamento. Como pensar que a sociedade, carente de recursos em diversos setores, vai concordar em empregar parte destes para alcançar uma capacidade de dissuasão, que julgamos importante, se nós não formos capazes de mostrar-lhe a necessidade de fazê-lo? Se não deixarmos bem claro o vulto da ameaça contra a qual ela deve ter tal “seguro de vida”? Se nós não temos visão estratégica para prever o que existe “do outro lado da colina”?

7. CARACTERIZACÃO DA AMEAÇA.

Definidas as vulnerabilidades do Brasil na região, a cobiça internacional e a nossa incapacidade de dissuasão militar, pode-se caracterizar o possível cenário de crise, a médio ou longo prazo, que passamos a descrever a seguir.

“Os recursos existentes na Amazônia, muitos recentemente descobertos, passam a ser escassos no mundo e vitais para as grandes potências e seus aliados, como são os do Oriente Médio na atualidade.

É desencadeada uma intensa campanha em escala mundial de modo a apresentar o Brasil como um País que não tem condições de gerir a Amazônia, preservar o meio ambiente, apoiar e proteger as populações indígenas e coibir o tráfico de drogas e outros delitos transnacionais. Procura-se mostrar a necessidade de ingerência internacional para assegurar o desenvolvimento sustentável da região e o aproveitamento de suas riquezas por “toda a comunidade de nações”, bem como para deter a destruição da floresta (“pulmão do mundo”), que alegam ser uma das principais causas do aquecimento global.

Potências, coligadas ou não e com ou sem o aval da ONU, pressionam ostensivamente o Brasil nos campos político, psicossocial (propaganda adversa e guerra psicológica), econômico (boicote) e científico-tecnológico (boicote), aplicando a estratégia indireta, a fim de serem atendidas em seus interesses sem a necessidade de empregar o poder militar.

O Governo resiste a essas pressões, que comprometem a soberania nacional, e sofre a escalada dos boicotes e da propaganda adversa a que se soma, agora, a ameaça, no campo militar, de ocupação, bloqueio ou destruição de áreas estratégicas sensíveis do território nacional, não necessariamente na Amazônia. Tentam, assim, evitar uma intervenção com tropa naquela região, por considerar que o custo poderia ser elevado. Nesse momento, as potências passam ao emprego da estratégia direta”.
(Na intervenção da OTAN no Kosovo - Sérvia, há alguns anos, não houve combate terrestre, pois o governo sérvio cedeu após o País sofrer intensa campanha aérea.).

Este quadro adverso é o provável desfecho da ameaça que se está desenhando, há cerca de 15 (quinze) anos, por meio de ações sucessivas que vêm limitando progressivamente a soberania do Brasil na Amazônia. O País precisa reverter suas vulnerabilidades na região e sua incapacidade de dissuasão militar, para não dar margem à concretização da ameaça aqui caracterizada.

8. O CAMINHO DE VOLTA.

Como se vê, já foram dados vários passos importantes no aproveitamento e agravamento de nossas vulnerabilidades na região.

O Brasil precisa reaprender a pensar estrategicamente e a antever ameaças, para neutralizá-las com oportunidade, bem como ter o cuidado de não adotar, no presente, medidas que serão exploradas contra nossos próprios interesses nos conflitos, armados ou não, que, certamente, iremos enfrentar no futuro.

Quem espera “ver para crer” em uma ameaça não age pro-ativamente e pagará um preço alto por não ter sido previdente. Quando for reagir, não estará preparado e será tarde demais.

À atual situação, devemos fazer o “Caminho de Volta”, também com ações sucessivas, por meio de um Projeto de Integração da Amazônia, com características como, dentre outras:

- alcance e conscientização nacionais, sendo um Projeto de Estado, não de governo;
- visão de futuro definida em todos os campos do poder;
- controle das ONG e de outros atores, particularmente estrangeiros, que atuam na região;
- apoio e ampliação do Programa Calha Norte;
- ações estratégicas e metas sucessivas (paulatinas), como forma de restringir (administrar) as reações internacionais que vão se fazer presentes;
- revisão de políticas, atualmente em vigor, sobre meio ambiente, TI e UC;
- definição dos pólos de desenvolvimento e da infra-estrutura de apoio, com os incentivos correspondentes;
- focos no desenvolvimento, com preservação ambiental, e na ocupação e vivificação, assegurando a proteção às populações indígenas; e
- vontade nacional para enfrentar reações internacionais com altivez e dignidade.

O Projeto deveria ser conduzido por um Ministério de Amazônia e sua prioridade seria voltada para os campos político, econômico, psicossocial e científico-tecnológico mais do que para campo militar, pois naqueles setores estão nossas vulnerabilidades que exigem neutralização mais urgente. No entanto, as FA teriam um papel fundamental no apoio e na implementação das ações estratégicas, como sempre o fizeram, de acordo com suas missões complementares e subsidiárias. No Projeto, elas deveriam substituir ou controlar ONG e outros atores que atuam nas TI e UC da região.

9. CONCLUSÃO.

Creio ter ficado claro que existe uma ameaça concreta à nossa soberania e integridade territorial. Ela é fruto da vulnerabilidade apresentada, da falta de vontade política, da cobiça internacional, da falta de visão prospectiva do Brasil, da demora na integração de um importante espaço vital para o País, da alienação da sociedade e de nossa fraqueza militar. Tal ameaça vem sendo construída há cerca de 15 (quinze) anos.

Há condições de revertermos a tendência à concretização desta ameaça, pois as áreas estratégicas onde as potências estarão engajadas, prioritariamente, nos próximos anos, não estão na América do Sul. Por outro lado, o Brasil tem demonstrado ser um País que supera com agilidade seus desafios, uma vez que deles tome consciência. Falta, portanto, perceber a ameaça e compreender seu significado e perigo.

Deve-se ter cuidado com a supervalorização do conceito de “novas ameaças”, pois pode nos levar ao desvio de nosso adestramento e da construção de nossa capacidade de dissuasão militar. Tal conceito, relativamente novo, parece servir ao objetivo manifestado pelos EUA, no início dos anos 90, de mudar a destinação das FA dos países da América Latina.

“A arte da guerra nos ensina a confiar não na probabilidade de o inimigo não vir, mas em nossa própria prontidão para enfrentá-lo; não na eventualidade de ele não atacar, mas antes, no fato de tornarmos nossa posição inexpugnável” (Sun Tzu).”

PRECONCEITO – “A ELITE É O QUE HÁ DE MELHOR NO BRASIL”

Outro bom artigo que li no “blog de um sem mídia”. Ele reproduziu o interessante texto de André Lux postado no blog “Tudo em cima”.

Transcrevo:

“Há pouco tempo ouvi num aeroporto uma senhora reclamando em altos brados: "Isto aquí está parecendo uma rodoviária. Nunca vi tanto ‘paraíba’ querendo viajar. Por isso é que está este tumulto. O culpado é o Lula".
Carlos Dória.

CONVERSANDO COM UM MEMBRO DA RAÇA SUPERIOR

André Lux

“Dia desses, eu estava em um evento empresarial repleto daqueles sujeitos que se consideram a fina flor da sociedade tupiniquim, desfilando em seus terninhos, gravatas e vestidos de grife e cabelos engomados com litros de Gumex. Impecáveis.

Passando pelas várias rodinhas de bate papo antes do começo do evento, pude ouvir comentários ofensivos contra o a “corrupção” e a “incompetência” do governo do presidente Lula, ironias maliciosas contra a primeira-dama Marisa (“Ela não tem classe!”) e outras imbecilidades que só mesmo quem lê Veja, Folha ou Estadão pode proferir com tanta pompa, circunstância e convicção.

Lá pelas tantas, já começando a ficar de saco cheio de tanta pavonice e soberba, escutei um sujeito de nariz arrebitado e olhar de peixe morto dizendo para um grupo de japoneses: “Sabem qual é o problema do Brasil? O brasileiro!”. Não agüentei. Cheguei perto daquela rodinha e soltei, tentando elevar minha singela retórica ao nível daquele iluminado:

- É mesmo? E você é oriundo de que país, nobre colega?
- Eu? Ora, sou do Brasil...
- Ah, então você também é culpado pelos problemas do país, não é mesmo?

O cidadão me olhou surpreso e respondeu indignado:

- Imagina! Eu trabalho, amigo! Sou empresário! Estou falando desse povinho ignorante e sem educação que vive bebendo cachaça em botecos e elegendo políticos sem preparo ou moral para ocupar cargos públicos!

Como percebi que o “representante do que há de melhor no Brasil” estava começando a ficar exaltado e, em breve, acabaria por tirar sua suástica do bolso e jogá-la na minha cabeça, resolvi contemporizar, tentando fingir altivez e soberba no mesmo nível:

- Mas, colega, o povo pobre é e sempre foi maioria no Brasil. Nosso irretocável grão-mestre Fernando Henrique Cardoso só foi eleito por duas vezes graças aos votos dessa mesma massa ignara que, agora, resolveu votar no apedeuta...

- Ora, mas isso só aconteceu por causa dessa “bolsa esmola” que o Lula dá pra esses vagabundos!

- Se é assim, como poderemos explicar a primeira eleição do sapo-barbudo-crípto-comunista, haja vista que naquela época nosso supremo mandatário, o príncipe dos sociólogos, não dava bolsa esmola a ninguém, pelo contrário, só descia a lenha na cabeça do Zé povinho?

- Ah, bom... É, olha, não é bem assim, o FDP tem muita sorte e o problema é que a conjuntura internacional não estava favorável e... (Percebi que ele ficou nervoso por não ter decorado direito o que o Jabor e o Mainardi ensinaram). Nossa, olha a hora! Vocês me dão licença, preciso subir, pois o evento já vai começar.

E vazou, sem perder a classe, sorrindo para as câmeras próximas, como se nada tivesse acontecido.

Os orientais que acompanharam o diálogo surreal acima ficaram olhando uns para os outros, com cara de pastel, constrangidos. Para cidadãos de um país como o Japão, onde termos como nação e cidadania não são apenas palavras usadas para vender jornais e produtos, presenciar comentários como o proferido pelo legítimo representante da “raça superior” acima deve ser algo que transcende a compreensão humana...”

IMIGRAÇÃO NA EUROPA - A DIRETIVA DA VERGONHA

O texto a seguir, do deputado federal José Genoíno (PT/SP), foi publicado esta semana em vários jornais. Eu o li ontem no “blog de um sem mídia” (ver lista “recomendamos, à direita):

“Amigos,

Na semana passada, dia 18, a União Européia aprovou a chamada "Diretiva de Retorno", política que legaliza e radicaliza ainda mais a perseguição aos imigrantes.

Infelizmente, não ocorreram reações políticas de vulto contrárias a criação dos "Centros de Internação de Estrangeiros", adaptação contemporânea dos campos de concentração. "O vento frio da xenofobia sopra outra vez suas falsas respostas para os desafios da sociedade", disse o Presidente Lula, uma das poucas vozes a revelar indignação.

Coincidentemente, nesta mesma semana iniciava a visita do Príncipe Naruhito ao Brasil, para comemorar os 100 anos da imigração japonesa, uma história de humanidade e um dos vários exemplos de simbiose e tolerância cultural que a Europa, xenofobicamente, se nega a ver.

Justamente a Europa, berço do Iluminismo, hoje prega a escuridão. A Europa da primeira Carta dos Direitos Humanos e que mostrou ao mundo o valor da solidariedade, da igualdade e da fraternidade hoje restaura os princípios da intolerância. A Europa, que assistiu de perto os horrores do holocausto, hoje adota medidas fora de qualquer padrão democrático e humanitário. A Europa, que comemorou a queda do Muro de Berlim, se fecha numa fortaleza de medos e preconceitos. A Europa, em bloco, se rende a sedução fascista da prepotência e ergue um verdadeiro muro ao seu redor, numa atitude anti-civilizatória, digna das ditaduras.

Justamente a Europa, que cresceu e se desenvolveu dominando o mundo e expropriando a riqueza de outros continentes - de onde fugiram famílias inteiras da fome e da guerra para se abrigar em outros países -, hoje proíbe os povos, os mesmos que outrora explorou e que já acolheram imigrantes europeus, de circularem nos seus países.

É a xenofobia como padrão nas relações entre os homens contrastando com a exigência de liberdade total para os mercados, produtos, investimentos e para os fluxos financeiros. Para a Europa, as empresas é que não devem ter pátria, nem necessitar de passaporte.

Lamentavelmente, governos progressistas também aderiram a esta cruzada anti-humanista. A esquerda européia revelou seu impasse e o beco sem saída em que entrou ao negociar limitar em três meses o período máximo de detenção de imigrantes, ao invés de seis (que venceu) e tentar (sem sucesso) assegurar um tratamento especial para os menores desacompanhados e para as crianças. Na Europa, uma das únicas entidades a se manifestar contrária às medidas da "Diretiva do Retorno" foi a Confederación General del Trabajo (CGT) espanhola, para a qual o dia 18 de junho foi o Dia da Vergonha.

Concluo, dizendo que o Presidente Lula também tem razão ao apontar o medo do desemprego, que é um problema gravíssimo em toda Europa, como uma das causas desta onda preconceituosa. Mas a solução, como ele diz, não é proibir "pobre de ir para a Europa, é ajudar a desenvolver os países pobres."

sábado, 28 de junho de 2008

“LIVRE COMÉRCIO”: MERCADORIAS PODEM PASSAR LIVREMENTE (*), HUMANOS NÃO

(*) Onde se lê "livremente", leia-se "livremente, mas somente no sentido dos países ricos para os pobres, não o inverso"

O blog de Emir Sader, que li no site “Agência Carta Maior”, postou hoje um artigo que vale a pena lê-lo. Trata da hipocrisia na pregação de conceitos como “liberdade”, “globalização”, “democracia”, “livre comércio”, que são propalados pelos países ricos, fortes e desenvolvidos, mas que, ao menor sinal de necessidade de alguma flexibilização que não lhes interesse, logo surgem medidas duras, praticamente nazistas, contra os mais fracos e pobres.

Antes de reproduzir aqui o texto de Emir Sader, repito o pequeno resumo biográfico do autor com dados que obtive na internet:

“Emir Sader nasceu em São Paulo, no ano de 1943. Formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo. Fez Mestrado em Filosofia Política e Doutorado em Ciência Política, ambos na Universidade de São Paulo. Na mesma universidade, trabalhou como professor, primeiro de filosofia, depois de ciência política. Foi, ainda, pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile, professor de Política na UNICAMP e coordenador do Curso de Especialização em Políticas Sociais na Faculdade de Serviço Social da UERJ. Atualmente dirige o Laboratório de Políticas Públicas na UERJ, onde é professor de sociologia.”

Vejamos o artigo de Emir Sader:

AQUI E LÁ

“Um cartaz em uma manifestação de imigrantes equatorianos – eles são mais de 700 mil, chegados depois da dolarização da moeda do país -, lutando pela sua legalização, dizia: “Estamos aqui, porque vocês estiveram lá.” Afirmação sintética sobre a relação entre colonizadores e colonizados, entre globalizadores e globalizados.

A chamada Diretiva da vergonha – assim caracterizada pela carta de Evo Morales pedindo aos governos europeus para não aprová-la – reflete uma virada geral para a direita no continente, de tal forma que, ao mesmo tempo em que foi aprovada a duríssima legislação sobre os imigrantes, a duração da jornada de trabalho foi aumentada para além das 48 horas semanais, incluídas as horas extras. Agora a jornada deve ser negociada diretamente entre patrões e trabalhadores, podendo chegar até a 78 horas – mais do que o dobro das 35 horas aprovadas há duas décadas na França.

Em algumas regiões, a polícia tem o poder de deter a qualquer pessoa por 42 dias sem acusações. Alguns serviços secretos estão autorizados a violar, sem autorização judicial, os correios eletrônicos. Os imigrantes sem documentos podem ser detidos por até 18 meses. As crianças podem ser enviadas a países distintos de sua origem. O governo italiano mandou ao Parlamento projeto de lei que pode castigar com até 4 anos de prisão a imigrantes ilegais. Autorizou, também, a polícia a deter e expulsar aos ciganos. A França fixou cotas de estrangeiros a ser expulsos cada ano, numero ascendente conforme passam os anos.

A Inglaterra aumenta de 28 a 42 dias a detenção sem acusações a suspeitos de terrorismo. A França autoriza o interrogatório de suspeitos durante 6 dias sem a intervenção de advogados e as normas que controlam os aeroportos se tornaram secretas.

A Espanha, mesmo sendo o país que regularizou a situação de centenas de milhares de estrangeiros, apresenta, no entanto, o caso mais evidente de discriminação. Por um lado, tolera os latino-americanos – brancos, de fala espanhola, religiões ocidentais -, a ponto de tê-los recrutado para fazer a guerra no Iraque e no Afeganistão, com uniformes espanhóis. Mas rejeita os africanos, que chegam diariamente a suas fronteiras, especialmente desde o Marrocos, o Senegal e a Mauritânia. Somente neste ano 12.260 chegaram e foram rechaçados.

Os que foram legalizados, o foram quando a economia espanhola crescia, a população espanhola diminuía e ninguém queria fazer trabalhos desqualificados. Mas agora que chega a recessão, fecham-se as portas para os imigrantes.

“A mensagem européia é clara – diz um colunista espanhol: “imigrantes, não, muito obrigado; petróleo, passe, por favor”. Em outras palavras, livre comércio, mas numa sociedade que considera aos seres humanos mercadorias, estes – ou estas – são excluídos(as) da lei geral. As mercadorias podem e devem circular livremente, os seres humanos, não.

Os seres humanos – neste caso, imigrantes – estão acompanhados das idéias. O norte globalizador envia sistematicamente suas interpretações do mundo – via grande mídia, via internet, via cinema, editoras, etc. – para o sul globalizado, que não tem como difundir suas visões do mundo, visto desde a periferia.

Não é necessário recordar que sempre aceitamos aos imigrantes europeus, sem nenhuma política de cotas.

Mas as reações são imediatas. Uma vez, Garcia Marquez anunciou que não mais permitiria a venda dos seus livros na Espanha, se passasse a ser solicitado visto para os colombianos. Agora, Hugo Chávez anuncia que deixará de vender petróleo aos países que aplicarem a Diretiva da vergonha. O Mercosul condenou expressamente a medida. Imigrantes sem papéis invadiram centros que deveriam atendê-los em Paris. Marroquinos se aproveitaram que todos os espanhóis estavam assistindo à cobrança de pênaltis, em que a seleção do seu país derrotou à italiana, para saltar os muros da fronteira em grande quantidade.

A fronteira entre direita e esquerda nunca é tão clara quanto no que se refere à política com os imigrantes. Porque eles estiveram aqui, há tantos dentre nós por lá.“

AS “ADVERSATIVAS” CONTINUAM EM DESTAQUE NA IMPRENSA

Em algumas postagens deste blog, como as dos dias 19 e 11 de junho e a de 23 de janeiro, já comentamos o uso abusivo das conjunções adversativas pela nossa imprensa, sempre após alguma notícia favorável ao governo Lula.

Relembro um trecho: “as redações dos veículos de comunicação brasileiros, dentro da forte luta deles pelo retorno do PSDB/PFL-DEM ao poder, devem, obrigatoriamente, introduzir, nas boas informações sobre o governo Lula, conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto...Essas conjunções e outras subordinativas concessivas ou locuções conjuntivas devem ser sempre associadas a uma boa notícia sobre o governo atual: no entanto, ainda assim, não obstante, apesar de que, ainda que, em que pese, embora, conquanto...

Essa diretriz das redações continua inalterada. Vejamos alguns exemplos de hoje (28/06):

FOLHA ONLINE

“Bolsa Família aplaca a fome, mas não acaba com a miséria. Beneficiários declaram consumir mais alimentos, mas programa não diminui a dependência dos recursos.”

O GLOBO

"Fome atinge maioria dos que têm Bolsa Família. Apesar de beneficiadas pelo Bolsa Família, 20,7% das famílias inscritas no programa ainda passam fome e 34,1% sofrem com a falta de comida em casa”.

FOLHA DE SÃO PAULO

"Bolsa Família não faz sair da pobreza, dizem beneficiários. Pesquisa coordenada pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) com beneficiários do Bolsa Família revela que o programa os ajuda a comprar comida, mas não a superar a pobreza e reduzir a dependência dessa verba.”

A DIREITA SEMPRE CHIA COM A TRANSFERÊNCIA DE RENDA

Em 11 de janeiro deste ano, quatro dias após a inauguração deste blog, escrevemos o artigo “ESQUERDA OU DIREITA?”, cujo texto foi:

“Relendo o texto sobre IOF e CPMF postado anteriormente neste blog, lembrei-me de uma definição (não me lembro o autor) que pode ser acusada de simplista, mas que ajuda a melhor compreender a realidade brasileira.

Trata-se da diferença entre esquerda e direita, na política e na economia.

Em problemas nos quais somente haja soluções que prejudiquem ou o interesse social ou o econômico, a direita prefere diminuir o benefício social e proteger o interesse econômico. A esquerda privilegia o social.

(...) Um exemplo de atitude típica da direita:

No governo FHC, quando a CPMF ficou interrompida por apenas um semestre, preferiu-se fazer cortes nos investimentos e no Programa de Combate à Pobreza".

Este tema me veio à memória ao ler hoje o artigo de Phydia de Athayde, a seguir transcrito, da Carta Capital desta semana que passou.

A CHIADEIRA DE SEMPRE

“O Bolsa Família distribui renda sem porta de saída. É bom por um lado, mas não é bom habituar as pessoas à dependência”, critica o senador José Agripino. O líder do DEM também não vê com bons olhos o reajuste no repasse ao programa. “O governo aumenta o Bolsa Família para exibir um crescimento artificial do PIB. À medida que ofereceu renda àqueles que nunca puderam ter uma geladeira, um microondas, criou uma escalada de consumo baseada numa capacidade artificial de compra”, diz.

O senador Cristovam Buarque defende um repasse ainda maior aos beneficiados, mas critica a gestão do programa pelo MDS, e diz que o vínculo com a escola é fraco: “Sem melhorar a qualidade do ensino, não se vai emancipar as famílias da pobreza”.

Na Câmara dos Deputados, Nazareno Fonteles (PT-PI) tenta costurar a aprovação de um projeto de lei que influenciará diretamente os beneficiados do Bolsa Família, pois trata da merenda escolar. Além de estender a merenda ao ensino médio, visa aproximar o produtor do comprador.

“Isso favorece o produtor local, produz renda, valoriza a cultura e a agricultura familiar”, diz o deputado. Ele explica que tem de haver uma hierarquia de necessidades e, por isso, é favorável ao aumento no repasse do Bolsa Família. O PL da Merenda tramitará em uma comissão especial. Até o momento, no entanto, está parado, pois o DEM e o PSDB insistem em não indicar seus representantes.

A cientista política Lúcia Avelar, da Universidade de Brasília, tem uma tese para a má vontade. Em uma análise acadêmica das últimas três eleições municipais (de 1996, 2000 e 2004), ela verificou o avanço dos partidos de esquerda a partir de 2000, e o recuo constante dos partidos de direita. “A transferência de renda cria um vínculo do eleitor com o Estado, sem intermediários, e este é o primeiro passo para um sentimento de cidadania”, diz. Entre os municípios com pior índice de desenvolvimento humano predominam o DEM e os partidos considerados de direita. “São locais tradicionalmente controlados pela elite financeira local. Por isso há tanta chiadeira”, conclui. “

OS 20 MILHÕES DE “NEOPOBRES” INCOMODAM A “ELITE”

O GOVERNO GASTA MUITO COM O SOCIAL

REAÇÃO DA IMPRENSA AO PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA

A revista Carta Capital desta semana que finda, na seção “Diálogos”, em texto de Mauricio Dias, comenta o fato de, no governo Lula, 20 milhões de brasileiros terem deixado de ser miseráveis para serem pobres, os “novos pobres”, e como isso incomoda a elite direitista.

A MÍDIA É SEMPRE A MESMA

“Há uma forte reação da imprensa ao programa Bolsa Família, a grande ponte armada pelo governo, por onde passaram, “nos últimos dois anos apenas”, cerca de 20 milhões de pessoas que “entraram na faixa de renda média que, atualmente, compreende 46% dos quase 190 milhões de brasileiros”. As expressões entre aspas são do jornal Financial Times, na edição de 6 de junho.

Lula deu um flagrante nessa reação conservadora. Tão logo surgiram os primeiros acordes da campanha, o presidente chamou o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, para uma missão.

“Você precisa conversar com o pessoal da imprensa e explicar o programa”, recomendou Lula.

Após a peregrinação, Patrus voltou ao Planalto.

“E aí, como foi?”, perguntou Lula.

O ministro deu a resposta: “Presidente, todos eles, com palavras diferentes, disseram a mesma coisa: o governo está gastando muito com o social”.

A história foi contada pelo ministro Luiz Dulci para uma platéia de, aproximadamente, 300 pessoas, na Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Ele não citou ninguém. Fez uma referência forte, mas genérica, aos “Barões da Mídia” e, especificamente, “ao maior conglomerado jornalístico do País”.

(...) O dinheiro do programa Bolsa Família, contra o qual reagem, já provocou uma pequena aproximação entre o topo e a base da pirâmide social. O reflexo é a redução de 7% na desigualdade de renda no País entre 2003 e 2007. Milhões de pessoas deixaram a vida miserável, sem nada, e migraram para o contingente dos que têm alguma coisa.

Quem sai da miséria festeja a pobreza. É o que fazem os “novos pobres” do Brasil.”

sexta-feira, 27 de junho de 2008

QUAIS OS PARTIDOS DOS PREFEITOS CONDENADOS PELO TCU?

O jornal O Globo publicou hoje a notícia parcialmente transcrita abaixo, a qual li no blog do Noblat. Seria interessante que os 1754 prefeitos e ex-prefeitos indicados pelo TCU fossem grupados por partidos. Exemplo: fulano de tal, da prefeitura liderada pelo prefeito “X”, do partido “Y”. Ao final, os partidos seriam listados em ordem decrescente de quantidade de seus indicados pelo Tribunal de Contas da União. Creio que isso seria um bom serviço público que a tão elogiada imprensa “investigativa” poderia prestar à população neste ano eleitoral.

Vejamos a notícia assinada por Carolina Brígido:

TCU DIVULGA NOMES DE 3.178 MAUS GESTORES PÚBLICOS

Justiça poderá usar dados para tornar candidatos inelegíveis

“O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou ontem uma lista com 3.178 gestores que administraram mal os recursos públicos nos últimos cinco anos e que, por isso, tiveram suas contas julgadas como irregulares.

Na lista, 1.754 são prefeitos ou ocuparam o cargo nos últimos cinco anos — ou seja, 55,2% do total estavam à frente de prefeituras. Os que desejam disputar a eleição de outubro correm o risco de serem impedidos. Com base nos dados do TCU, ao julgar uma eventual ação contra o registro de candidatura de um dos integrantes da lista, a Justiça Eleitoral poderá declarar o político inelegível.

Entre os condenados há juízes, presidentes de tribunais, membros de comissões de licitação, secretários estaduais e municipais, militares, gerentes de agências dos Correios e da Caixa Econômica Federal, fiscais do Ibama, delegados de polícia e servidores de ministérios.

“Na medida em que as impugnações de candidaturas chegarem, vamos imediatamente à lista, porque ela tem uma presunção de validade jurídica e de veracidade quanto aos fatos. Mais que importante, a lista é (um instrumento) essencial e necessário” — avaliou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, que recebeu ontem o documento do presidente do TCU, Walton Alencar Rodrigues.”

URIBE TAMBÉM COMPROU VOTOS PARA A REELEIÇÃO

No Brasil, na década de 90, também ficou evidenciado o crime de compra de votos para favorecer a reeleição do presidente tucano FHC. Entretanto, com o total apoio da grande mídia, o escândalo ficou restrito a alguns dos deputados que venderam seus votos e foram cassados (cerca de US$ 150 mil cada voto, segundo divulgado na época). A identidade do comprador não foi investigada, nem interessou à imprensa.

Hoje, li no blog do Noblat uma notícia da agência britânica BBC que me lembrou os fatos acima mencionados:

COMPRA DE VOTO AMEAÇA MANDATO DE URIBE NA COLÔMBIA

“O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pediu ao Congresso que faça tramitar "com a maior rapidez" uma consulta popular para decidir sobre a necessidade ou não de se repetir as eleições presidenciais de 2006, nas quais ele foi reeleito.

O anúncio do presidente foi feito horas depois que, emuma decisão sem precedentes, a Suprema Corte de Justiça da Colômbia pediu à Corte Constitucional que revise a legalidade de um ato legislativo de 2004 que permitiu a reeleição de Uribe.

O pedido da Suprema Corte foi anunciado depois da condenação da ex-congressista Yidis Medina, que recebeu pena de 47 meses de prisão por receber favores em troca de seu voto, crucial para a aprovação da reeleição.

Segundo a Suprema Corte, esse ato foi "expressão de uma claro desvio de poder".

GRANDES ACORDOS BRASIL x VENEZUELA

A direita brasileira e a nossa grande mídia, em consonância com os ditames de Washington, prega o esfriamento das nossas relações com a Venezuela, pois ela estaria presidida por um “ditador (!?!) nacionalista e populista”, que “muito critica o governo Bush”. O Presidente Lula, contudo, desagradando a imprensa brasileira, persegue o maior aprofundamento das relações Brasil x Venezuela.

O jornal Folha de São Paulo hoje publicou, em reportagem de Fabiano Maisonnave, de Caracas, várias ações que estão em curso em benefício dos dois países:

LULA E CHÁVEZ DEVEM FECHAR 15 ACORDOS EM CARACAS

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje a Caracas para a quarta reunião bilateral com o colega Hugo Chávez em nove meses. A previsão é que sejam fechados cerca de 15 acordos em áreas como gás, telecomunicações e energia elétrica, envolvendo os dois governos e empresas brasileiras.

Ontem, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, se reuniu com representantes da PDVSA para negociar a compra de Gás Natural Liqüefeito (GNL) para o abastecimento do Nordeste brasileiro, a partir de 2014. Caso seja fechado, o contrato de compra afasta ainda mais a viabilidade em médio prazo do megaprojeto Gasoduto do Sul, que teria um ramal dirigido ao Nordeste -o transporte do GNL é feito por navio.

Na área elétrica, os dois presidentes assinarão um acordo para estudar a interligação energética entre os dois países, o que será viável após a construção do linhão Manaus (AM)-Tucuruí, obra de 1.800 km ainda em fase de leilão que conectará a capital amazônica ao restante do país.

Como já há uma ligação entre Boa Vista (RR) e a Venezuela, faltaria um linhão entre a capital de Roraima e Manaus para unir os dois países.

Na área de telecomunicações, será discutido o uso da estrutura existente na Venezuela para levar internet banda larga a Boa Vista e Manaus por meio de fibra ótica, barateando o uso da web nessas capitais.

Também, estão previstos acordos de empresas brasileiras, segundo a Folha apurou. A construtora Andrade Gutierrez deve assinar memorandos para a construção de uma grande siderúrgica e de um estaleiro na Venezuela. A Odebrecht Óleo e Gás deve fechar um acordo para a recuperação de campos de petróleo maduro. Finalmente, a Braskem negocia um acordo para a venda de polietileno e outros produtos.

Na visita de hoje, também pode ser finalmente anunciado um acordo entre a Petrobras e a PDVSA para formar a empresa que administrará a refinaria de Pernambuco.

Em setembro, os dois presidentes decidiram se reunir a cada três meses, em meio à crise diplomática em torno do atraso na aprovação pelo Congresso brasileiro da entrada da Venezuela no Mercosul. O próximo encontro deve ocorrer no segundo semestre no Brasil.”

AMAZONIABRAS, POR HÉLIO JAGUARIBE

Na quinta-feira 19 de junho, este blog postou o artigo “HÉLIO JAGUARIBE E A POLÍTICA INDIGENISTA”, contendo a entrevista de Daniel Milazzo, do portal “Terra Magazine”, com o célebre sociólogo e membro da Academia Brasileira de Letras, sobre a problemática do índio brasileiro.

Na parte final daquela entrevista, Hélio Jaguaribe lançou uma idéia nova: a Amazoniabras.

Recordo os últimos parágrafos da referida entrevista:

Terra Magazine- O fato de estrangeiros possuírem grandes propriedades na Amazônia põe em risco a integridade nacional brasileira?

Imediatamente não, mas a política de permitir a formação de grandes extensões territoriais sob o controle estrangeiro é completamente equivocada. Eu sou favorável, dada a complexidade das questões envolvidas na Amazônia, a que se constitua uma empresa pública de grande porte, a "Amazoniabrás", que promova a colonização responsável, eqüitativa e ecologicamente correta da região, evitando incrustações estrangeiras perigosas.

Terra- Essa empresa seria do porte de uma Petrobras...

Exatamente, seria uma Petrobras da Amazônia.

Terra- Voltada apenas para a defesa do território ou para gerir os recursos naturais da floresta?

Não, para tudo. Para uma exploração racional e ecologicamente responsável dos recursos locais.

Terra- Há quanto tempo o senhor defende essa idéia?

Não faz tanto tempo assim, porque o problema tornou-se mais agudo mais recentemente... Há um par de anos, digamos assim.”

Hoje (27/06), o jornal Folha de São Paulo publicou um artigo do conceituado sociólogo, que permite melhor compreendermos a sua proposição:

AMAZÔNIA: DEPREDAÇÃO OU EXPLORAÇÃO RACIONAL

“É preciso constituir uma grande empresa pública, a Amazoniabras, para garantir a intervenção do Estado na floresta e seu uso racional

A Amazônia é uma região abandonada, entregue a um predatório e primitivo extrativismo da floresta tropical. Gera menos de 10% do PIB anual, quando representa cerca de 60% de nosso território. Sua população (cerca de 23 milhões) constitui menos de 13% da população brasileira.

Trata-se, por outro lado, de uma imensa parcela do território nacional, em que operam, sem nenhum controle, inúmeras ONGs estrangeiras, quase todas a serviço de objetivos pouco compatíveis com os interesses nacionais.

A atual situação da Amazônia exige, imperativa e urgentemente, uma ativa intervenção do Estado. O que está em jogo não é apenas a necessidade de dar um tratamento racional à exploração de seus recursos, mas, com não menor relevância, a necessidade de preservar os interesses nacionais naquela imensa região.

A primitiva economia extrativa da Amazônia consiste em ciclos de grande expansão, decorrente da depredação de uma determinada área florestal, a que se segue a estagnação da região desmatada. Dentro de um par de decênios, continuando as coisas como estão, a Amazônia será reduzida a uma rala savana e a um semideserto ou será submetida ao controle de empreendimentos estrangeiros.

Uma região da imensidão amazônica, com sua igualmente imensa floresta tropical, não pode ser entregue a formas predatórias e primitivas de exploração, nem sujeita a descontrolada presença estrangeira, mas tampouco pode ser conservada -o que não tenderá a ocorrer- como um inalterável santuário ecológico.

A Amazônia requer uma ativa interveniência do Estado. Não apenas, nem principalmente, por meio de normas regulatórias que, ademais de não serem produtivas, são completamente ineficazes, pela incapacidade de seu consistente monitoramento. A indispensável e urgente intervenção do Estado na Amazônia deve ter caráter operacional.

Trata-se, em primeiro lugar, de complementar os dados já disponíveis com um completo levantamento geoeconômico da região. E trata-se, adicional e principalmente, de constituir uma grande empresa pública, a Empresa Brasileira da Amazônia -Amazoniabras-, para promover a exploração racional, eqüitativa e ecologicamente responsável desse grande tesouro vegetal e mineral. Algo à semelhança do que foi -e continua sendo- a Petrobras para o petróleo.

Dadas a variedade e a complexidade das questões em jogo, a Amazoniabras não deve, nem poderia, ter caráter monopolista. É preciso ter uma grande companhia pública, com recursos proporcionais à tarefa que lhe deve incumbir, que empreenda, em ampla escala, a utilização racional da floresta, preservando apropriadas áreas da mata e empreendendo, em outras, um conveniente reflorestamento. Uma empresa que otimize o uso racional e sustentável dos recursos da região.

Importa, a partir de um amplo esforço de prospeção, proceder a uma moderna exploração dos minerais da região e implantar, em locais apropriados, indústrias para a racional exploração dessas riquezas.
Em não mais de um decênio se multiplicaria, por um altíssimo coeficiente, o PIB amazônico, em condições não mais predatórias, e sim em termos de uma utilização sustentável de seus recursos.

A atuação de uma Amazoniabras, ademais da riqueza que diretamente produza -que tenderá a ser significativa-, conduzirá, concomitantemente, à preservação ecológica daquela região e à atração de uma iniciativa privada complementar operando, monitoradamente, em termos de sustentabilidade.

O dilema com que o Brasil se defronta na Amazônia é extremamente claro: continuada devastação predatória da floresta e sua degradação, além de perigosa intervenção estrangeira completamente fora de controle, ou utilização racional da riqueza vegetal e mineral da região, mediante a atuação, não monopolística, de uma grande empresa pública.”

O POLÊMICO REAJUSTE DO “BOLSA FAMÍLIA”

Mais uma vez, para retratar com traços simples e linguagem coloquial algum problema da atualidade, recorro ao experiente jornalista Lustosa da Costa, do Diário do Nordeste. Vejamos mais adiante o que ele registrou sobre o recente aumento de 8% no “Bolsa Família” concedido pelo governo Lula.

Tal reajuste foi criticado por grande parte da mídia e da oposição por ter sido outorgado em “ano eleitoral”. A oposição recorreu contra o reajuste. Segundo a Folha de São Paulo de hoje (no seu editorial), "não se sabe qual será a posição do Tribunal Superior Eleitoral em relação ao tema, como adiantou seu presidente, o ministro Carlos Ayres Britto: 'Essa é uma questão sensível. Temos um encontro marcado com esse fio de navalha'".


SÃO R$ 0,20 APENAS

“O senador Cristóvão Buarque não entende o clamor levantado contra o reajuste do Programa Bolsa Família: ´Gente, vão ser vinte centavos por dia, por familiar. “É pouco demais´. Os que se opõem ao reajuste jamais diriam uma palavra contra os bilhões de reais que, todos os dias, pagamos aos bancos, por uma dívida que não cessa de crescer. Também, banqueiro possui mais encantos que estes miseráveis.

OPOSIÇÃO NÃO QUER

Para a oposição, nada de reajustar o Programa Bolsa Família ao nível da inflação. Pobre tem mais é que esperar o próximo ano, para tal. Que passe fome até lá. Aliás, para que esta invenção do Lula, de que miseráveis não mais morram de inanição? Eles contraíram, no governo PT, o vício de comer todos os dias. O que é imperdoável para muitos que só defendem o interesse do sistema financeiro.”

MOEDA ÚNICA PARA O BRASIL E A ARGENTINA

A agência BBC Brasil divulgou hoje a notícia da proximidade da adoção de moeda única nos dois países. Vejamos a informação postada pela Folha Online (trechos selecionados):

BRASIL E ARGENTINA ESTÃO 'A UM PASSO DA UNIÃO MONETÁRIA', DIZ 'PÁGINA 12'

“O Brasil e a Argentina estão a um passo da unificação monetária, diz uma matéria publicada na edição desta sexta-feira do jornal argentino Página 12.

O diário comenta o anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a adoção, a partir de setembro, do sistema que eliminará o dólar nas transações bilaterais e irá substituir a moeda americana por moedas locais - peso e real.

(...) "A eliminação do dólar em transições bilaterais é considerada como um passo para a adoção de uma moeda única em ambos os países, algo que não agrada muito os membros menores do bloco", diz o jornal.

O Página 12 cita uma declaração do presidente Lula feita em maio deste ano na qual ele afirma que os avanços no processo de desdolarização entre os dois países asseguram que Brasil e Argentina estariam a um passo de "um banco central e de uma moeda única".

De acordo com o diário argentino, os primeiros testes sobre o funcionamento do novo sistema serão realizados já na semana que vem e o dólar será substituído gradualmente a partir de setembro.”

RECORDE DE CLIENTES DA BLOGOSFERA NO BRASIL

A agência estatal espanhola de notícias “EFE”, principal provedora de serviços informativos para os meios de comunicação nos países de idioma espanhol, informou hoje, conforme publicado pelo portal UOL há meia hora, a seguinte notícia sobre o atingimento de novo recorde no Brasil, segundo o IBOPE: a quantidade de pessoas com acesso à internet. Transcrevo:

BRASIL TEM MAIS DE 40 MILHÕES DE INTERNAUTAS, DIZ IBOPE

“O Brasil atingiu em maio o número recorde de 41,5 milhões de pessoas com acesso à internet, o que representa 22,5% da população, conforme divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

A divisão NetRatings do Ibope assinalou também que o número de pessoas com acesso residencial chegou a 35,5 milhões, sendo metade delas com conexão de banda larga.

Segundo o estudo, as políticas de inclusão digital e a expansão dos serviços oferecidos foram responsáveis pelo crescimento no número de internautas maiores de 16 anos.

Em maio, o usuário de internet brasileiro continuou a ser o que mais tempo navegou [no mundo] com uma média de 23 horas e 48 minutos por pessoa, número superior ao tempo utilizado na rede por japoneses e americanos.

No primeiro trimestre do ano, as vendas de computadores cresceram 2,82%, dados que deixam o Brasil como quinto mercado mundial no setor, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Reino Unido.

O investimento propagandista na internet, entre as empresas que anunciam no Brasil, cresceu 36% entre janeiro e março em relação o primeiro trimestre de 2007.”

MAIS UM RECORDE BRASILEIRO: RESERVAS INTERNACIONAIS

Agora à tarde, o portal UOL Economia divulgou outra boa notícia para a economia brasileira (com informações da agência Reuters e do portal Valor Online). Segundo informado pelo Banco Central, as reservas internacionais do Brasil superaram a marca inédita de US$ 200 bilhões. Transcrevo a boa-nova:

RESERVAS INTERNACIONAIS SUPERAM US$ 200 BI PELA PRIMEIRA VEZ

“As reservas internacionais do Brasil superaram a marca inédita de US$ 200 bilhões, informou o Banco Central nesta sexta-feira. De acordo com a instituição, o país registrava US$ 200,231 bilhões em reservas em 26 de junho. No dia anterior (25), a posição era de US$ 199,008 bilhões.

O montante atual é 11% maior do que o de 31 de dezembro do ano passado (US$ 180,33 bilhões). As reservas cresceram com a compra diária de dólares pelo Banco Central no mercado de câmbio.

Apesar de a autoridade monetária ter atuado bem menos no mercado interno de câmbio neste semestre em relação ao ano passado, as aquisições líquidas em leilão até maio somavam US$ 13,2 bilhões. Entre janeiro de 2004 quando iniciou a compra de dólares para dar robustez às reservas, o BC adquiriu até o fim maio um total de US$ 152,9 bilhões.

O acúmulo de reservas fortalece a posição do país frente a crises externas, lembrou nesta semana o diretor de Política Econômica do BC, Mario Mesquita.

O montante é usado para mostrar que o Brasil é capaz de pagar sua dívida externa, ou seja, que o risco de investir no país não é elevado.

O aumento das reservas foi um dos fatores indicados pela agência de classificação de risco Standard & Poor's para atribuir ao país a nota de grau de investimento, em 30 de abril.

RESERVAS TÊM CUSTO

Para manter as reservas o país paga um preço. O que o governo brasileiro acumula em moeda forte estrangeira é aplicado no exterior em títulos soberanos de países ricos, como os Estados Unidos, e em outras aplicações mais conservadoras, mas com rentabilidade garantida

Com essas aplicações, o governo é remunerado com juros relativamente baixos (nos EUA, a taxa básica está em 2% ao ano). Em 2008, a previsão é de que o país ganhe quase US$ 8 bilhões com os rendimentos das reservas.

Ao mesmo tempo, o governo remunera com juros altos (a taxa básica nacional está em 12,25% ao ano) os investidores que compram títulos brasileiros."

REVISTA BRITÂNICA DEFENDE O ETANOL BRASILEIRO

O último número da “The Economist”, o que chegou às bancas hoje, elogia o etanol brasileiro no artigo intitulado "Lean, green and not mean" ("Enxuto, verde e bom"). Li essa notícia da agência BBC Brasil no portal UOL. Transcrevo:

'ECONOMIST' DEFENDE FIM DA TARIFA DOS EUA AO ETANOL DO BRASIL

“A revista britânica "The Economist" traz na edição que chega às bancas nesta sexta-feira um artigo em que elogia o etanol brasileiro, dizendo que o combustível é alvo de críticas injustas, e defende o fim da tarifa imposta pelos Estados Unidos à importação do combustível produzido no Brasil.

Intitulado "Lean, green and not mean" ("Enxuto, verde e bom", em tradução livre), o texto disse que os argumentos em favor do fim da tarifa de US$ 0,54 por galão (cerca de R$ 0,22 por litro) "foram fortalecidos pela alta no preço do petróleo e pelas enchentes que destruíram as lavouras de milho no Meio Oeste" dos Estados Unidos, usadas para produzir etanol no país.

"Isso fez com que os preços do milho subissem muito e tornou a idéia de subsidiar a lavoura para produzir etanol uma idéia ainda pior do que era antes, visto que, em vez disso, há um etanol mais verde e barato que os Estados Unidos poderiam comprar do Brasil."

A revista defende o etanol brasileiro das críticas mais comuns feitas a ele, como a de que a produção do biocombustível teria colaborado para o aumento mundial no preço dos alimentos e incentiva produtores a devastar trechos de floresta amazônica para aumentar sua área para plantação.

"Tais preocupações são aparentemente prematuras", diz o artigo, argumentando que a área reservada para produção extensiva de gado é muito maior que a dedicada à cana e que a lavoura pode aproveitar áreas de pasto degradadas com "pouco ou nenhum efeito sobre o preço da carne".

"PROTECIONISTAS HIPÓCRITAS"

Além disso, a revista diz que a maior parte do etanol brasileiro é produzida em canaviais "a milhares de quilômetros da Amazônia, no Estado de São Paulo ou no Nordeste".

A "Economist" reconhece que, no Brasil, os trabalhadores que atuam na colheita da cana enfrentam condições duras e que houve casos de pessoas sendo submetidas a condições de semi-escravidão - outra crítica feita à produção do etanol no Brasil.

"O corte da cana é um trabalho de quebrar as costas, e todo ano algumas pessoas morrem durante a colheita", diz o artigo, que ressalta, entretanto, que outros tipos de lavoura matam mais trabalhadores rurais no Brasil.

O texto conclui dizendo que, para os brasileiros, os estrangeiros que defendem barreiras ao etanol em nome do meio ambiente ou da alta dos alimentos são "protecionistas à antiga em um disfarce hipócrita" e que a tarifa "deve acabar".”

BUSH, RUMSFELD E CHENEY IRÃO PARA A PRISÃO?

O site “Direto da Redação” postou ontem (26/06) um bom artigo de John Hemingway escrito no Canadá, Montreal, sobre a impunidade quanto aos crimes de homicídio cometidos pelas autoridades máximas do governo dos Estados Unidos.

John Hemingway é escritor, tradutor e historiador formado pela Universidade da Califórnia (UCLA). É neto do famoso escritor Ernest Hemingway.

Transcrevo parte do referido artigo. A parte omitida trata do episódio de Watergate em 1973, que resultou na renúncia de Nixon, que o autor julga que recebeu, pelo menos, alguma punição:

ANTES E AGORA

(...) “Na semana passada, o Comitê das Forças Armadas do Senado ouviu o depoimento de um militar sobre tortura de prisioneiros de guerra. Um dos mais duros comentários que surgiram a partir da audiência veio do Major-General aposentado Antonio Taguba.

Taguba foi designado pelo Pentágono para investigar os escândalos de torturas em Abu Ghraib e Guantânamo, e ele está mais convencido do que nunca de que graves violações dos direitos humanos foram cometidas pelo governo dos Estados Unidos.

Com base em um relatório elaborado pelo grupo Médicos para os Direitos Humanos, Taguba afirmou: "Depois de anos de descobertas pelas investigações do governo, pelos meios de comunicação social e relatórios de organizações dos direitos humanos, já não há qualquer dúvida quanto aos crimes de guerra cometidos pelo atual governo. A única pergunta que permanece sem resposta é se quem ordenou o uso da tortura, será responsabilizado por isso”.

Agora, trata-se de um homem que foi um militar de carreira e alguém que ainda estaria servindo ao Exército se não tivesse sido forçado a se aposentar, porque ele disse a verdade, em 2004. Sua afirmação é o mesmo exemplo de grandeza moral que orientou os congressistas em 1973, e se os politicos atuais da América fossem remotamente como os dos anos setenta, com certeza Bush e seus asseclas seriam expulsos da Casa Branca.

Não só isso, cometer crimes de guerra é uma ofensa federal por causa de tratados internacionais contra a tortura assinados pelos EUA. Assim, além de ver Bush e Cheney expulsos de seus cargos, também teríamos o prazer de vê-los julgados por homicídio. Muitos homens morreram nas prisões clandestinas dos neoconservadores e, no passado, quando alguém cometia um assassinato nos Estados Unidos pagava seu crime com a própria vida.

Mas não é mais assim. A América tornou-se uma nação que perdoa, pelo menos no que diz respeito aos poderosos.

Ninguém jamais mandará Bush ou Rumsfeld ou Cheney para a prisão. Eles são a lei, não estão somente acima dela. Eles representam o sistema na sua totalidade, Democratas incluídos.”

INFLAÇÃO BRASILEIRA E MUNDIAL

(Folha de São Paulo, 26 de junho 2008)

O autor, Paulo Nogueira Batista Jr., é Diretor-executivo no FMI e lá representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

Transcrevo o artigo. Para simplificar, este blog omitiu trechos iniciais, fora do foco “inflação”:

(...) “Até que ponto é grave a inflação que estamos experimentando em 2008? O brasileiro já estava até se acostumando com certa estabilidade monetária. Cabe reagir com dureza e jogar a economia na recessão? É o caso de continuar aumentando os juros e correr o risco de derrubar o crescimento econômico?

Bem. A preocupação com a alta dos preços se justifica, não há dúvida. A taxa de inflação medida pelo IPCA subiu para 5,6% nos 12 meses até maio. A inflação relevante para os mais pobres aumentou mais, uma vez que a alta recente vem sendo comandada pelos alimentos, que pesam no orçamento das famílias de baixa renda.

Conviria, diga-se de passagem, corrigir o Bolsa Família não pelo IPCA ou mesmo pelo INPC, mas por um índice que refletisse a estrutura de gastos da população pobre. Isso é melhor do que dar subsídios generalizados retardando os reajustes de preços controlados ou monitorados.

É preciso colocar o problema da inflação brasileira em perspectiva.
Neste momento, a inflação está subindo em quase todos os países. O rápido aumento dos alimentos, do petróleo e de outras matérias-primas é o maior choque de preços na economia mundial desde a década de 1970. A inflação aumentou em 40 das 42 principais economias do mundo.

A inflação brasileira não é alta para padrões internacionais. Está apenas um pouco acima da inflação nos EUA (4,2%) e na zona do euro (3,7%). É mais baixa do que a que se observa na grande maioria dos países em desenvolvimento. Entre os principais países de mercado emergente, só o México e a Coréia do Sul registram inflações inferiores à brasileira.

Fez-se muito barulho em torno do fato de que a inflação ultrapassou o centro da meta oficial em 2008, que é de 4,5%. Não se pode perder de vista, entretanto, que o regime brasileiro de metas para a inflação tem alguma flexibilidade, que foi sabiamente preservada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), contrariando algumas opiniões domésticas (setores do BC e do mercado) e estrangeiras (FMI). A inflação continua abaixo do teto da meta, que é de 6,5%.

Em junho de 2007, logo antes do início do choque de preços externos, havia quem preferisse reduzir o centro da meta de inflação para 4% em 2009 e o intervalo de tolerância de 2 pontos percentuais para 1,5 ponto para cima e para baixo do centro da meta. Prevaleceu a decisão de preservar a flexibilidade, o que veio a calhar dada a intensidade do choque externo de preços desde o segundo semestre de 2007.

A propósito, o CMN terá de fixar até o fim deste mês a meta e o intervalo de tolerância para 2010. Espero que um acesso de "machismo monetário" não leve o CMN a aceitar, desta vez, sugestões de diminuição da meta e do intervalo. Nas circunstâncias atuais, é mais razoável manter a meta em 4,5% e o intervalo em 2 pontos.

Dos países que adotam o regime de metas, o Brasil é um dos poucos que estão conseguindo cumprir a meta. Na grande maioria, a inflação ultrapassou o teto fixado, em alguns casos por larga margem.

Em resumo, a inflação brasileira requer cuidados, mas não há motivos para pânico ou reações radicais da política monetária.”

ATENTADO SUICIDA DA MÍDIA: TERRORISMO SOBRE A INFLAÇÃO

Esta semana, a imprensa publicou manifestação do ex-senador do DEM-PFL Jorge Konder Bornhausen. O ex-presidente dos “Democratas” (sic) expressou que o seu partido pretende ganhar as eleições criticando o recrudescimento da inflação e culpando exclusivamente o governo Lula por isso.

Dentro dessa pauta “conservadora”, a grande mídia brasileira já desenvolve há muitos dias uma intensa campanha de alarme e terror sobre os males que os pobres já estariam sofrendo por conta da inflação.

Essa união de esforços da imprensa para o objetivo político da volta da direita (PSDB/DEM e colaboradores, como o PPS) ao poder é um suicídio terrorista. Todos, sem exceção, sofreremos com inflação elevada.

A inflação ocorre por fatores objetivos, mas é fortemente auto-alimentada por fatores subjetivos, como pelo sentimento magnificado pela mídia de que há crescente inflação e de que precisamos nos defender dela aumentando os preços dos nossos respectivos produtos ou serviços. O processo, assim, entra em escalada exponencial.

Um exemplo simplista, por analogia. Imaginemos que os passageiros de um navio não gostem do comandante e comecem a acusá-lo de que o navio é inseguro, tem vazamentos, vai afundar. Para comprovar as acusações e atingir realmente o comandante, os passageiros são levados por líderes a fazer buracos no casco. Naquela campanha, todos morrem juntos.

Será que o DEM/PSDB/Mídia estão divulgando a verdadeira situação da inflação no Brasil e no mundo? Para melhor conhecer o problema, selecionei um esclarecedor artigo de Paulo Nogueira Batista Junior publicado na Folha de São Paulo de ontem (ver próxima postagem, mais acima).

quinta-feira, 26 de junho de 2008

DESCUIDO COM AS BOMBAS ATÔMICAS DOS EUA ESPALHADAS PELO MUNDO

A INSEGURANÇA DAS CENTENAS DE BOMBAS ATÔMICAS DOS EUA NA ALEMANHA, ITÁLIA, PAÍSES BAIXOS, BÉLGICA, REINO UNIDO E TURQUIA

No dia 8 deste mês, este blog postou o artigo “RISCO DE HECATOMBE: OS EUA NÃO CUIDAM DE SUAS BOMBAS ATÔMICAS!”, onde expressamos:

“O jornal “The New York Times” (NYT) de ontem (07/06) publicou uma apavorante notícia. Há risco de acidentes atômicos por inépcia, que poderiam afetar severamente a vida na Terra.

Erros humanos graves fizeram, por exemplo, que quatro cabeças-de-guerra de mísseis Minuteman, com carga atômica, fossem descontroladamente enviadas “por engano” para Taiwan como se fossem baterias de helicópteros. Esse erro somente foi descoberto um ano e meio depois.

No ano passado, um grande avião de bombardeio B-52 cruzou o território norte-americano transportando por engano seis mísseis de cruzeiro armados com carga nuclear e ninguém sabia, nem os pilotos! Autoridades governamentais dos EUA dizem que não houve risco para a população. Contudo, depois das mentiras deslavadas sobre o Iraque, muitos não mais acreditam em afirmações do governo.

Esses fatos também esvaziam a postura agressiva dos EUA contra outros países, como Coréia do Norte, Irã e Rússia, por julgarem que eles não são confiáveis no manuseio de armas atômicas.”

O portal UOL postou um artigo de Laurent Zecchini publicado no jornal francês Le Monde de hoje (26/06) sobre esse preocupante tema. Reproduzo:

SEGURANÇA DE BOMBAS ATÔMICAS DOS EUA NA EUROPA PREOCUPA O VELHO CONTINENTE

“Foi um relatório interno da força aérea americana que provocou a polêmica: as condições de armazenamento do arsenal nuclear aerotransportado dos EUA estacionado no continente europeu são desastrosas do ponto de vista de segurança. A decisão de realizar essa investigação foi tomada depois que a força aérea [USAF], em agosto de 2007, perdeu o rastro durante 36 horas de seis bombas nucleares que haviam atravessado o território dos EUA a bordo de um bombardeiro estratégico.

Em fevereiro de 2008, o Pentágono divulgou uma versão muito atenuada desse relatório, até o momento em que a Federação de Cientistas Americanos, uma organização não-governamental que serve de autoridade sobre questões nucleares, publicou uma versão parcialmente "desclassificada" do documento. Esta salientava que as condições de segurança vigentes na "maioria dos locais" onde estão depositadas bombas nucleares americanas B-61 no Velho Continente (Alemanha, Itália, Países Baixos, Bélgica, Reino Unido e Turquia) são muito inferiores aos padrões exigidos pelo Pentágono.

O isolamento das instalações, os sistemas de iluminação e de segurança são deficientes; alguns edifícios precisam de reparos e os guardas de segurança muitas vezes não têm a formação ou a experiência necessárias. Às vezes, soldados incorporados há nove meses são encarregados de proteger as armas nucleares de roubos. Os problemas mais graves foram identificados nas bases aéreas de Büchel (Alemanha) e de Ghedi Torre (Itália).

Segundo certas informações, Washington teria decidido retirar as bombas de pelo menos uma das oito bases em que estão depositadas. Na Alemanha, essas revelações provocaram uma viva polêmica, quando a oposição exigiu a retirada imediata das armas nucleares americanas baseadas no país. "Essas armas nucleares são um vestígio da guerra fria e devem ir embora", estimou o chefe do Partido Liberal (FDP), Guido Westerwelle, apoiado pelo SPD e os Verdes.

Embaraçado por esse assunto, o governo da chanceler Angela Merkel lembrou no entanto que a Alemanha é ligada pelos acordos da Otan sobre dissuasão e estacionamento de armas nucleares na Europa, e Berlim também estima que "uma capacidade de dissuasão militar inclui não somente a capacidade convencional, mas também componentes nucleares".

INFORMAÇÕES CONHECIDAS

Há alguns meses o ministro belga da Defesa, Pieter De Crem, revelou publicamente a localização de bombas nucleares americanas, para grande alarme da Aliança Atlântica, para a qual esses locais são em princípio secretos. Um porta-voz da Otan salientou na última segunda-feira (23) que a segurança das armas nucleares americanas na Europa cabe aos EUA.

Na realidade faz vários anos que as informações sobre os locais e o número de bombas americanas estacionadas na Europa (de 250 a 480, segundo as estimativas) são conhecidas. No fim da guerra fria, os EUA reduziram em 90% o número de suas armas nucleares táticas na Europa (mais de 4 mil na época), e as que estavam depositadas na Grécia e no Canadá foram retiradas.

Essas armas, segundo Isabelle Facon e Bruno Tertrais, em um estudo recente da Fundação para Pesquisa Estratégica, são concebidas para ser despejadas pela aviação americana (cerca de 300 bombas), assim como pela dos países aliados (cerca de 180 bombas). Os depósitos nucleares da Otan são guardados pelas forças americanas, mas os países anfitriões devem garantir a segurança externa das bases.”

ISRAEL E EUA ATACARÃO O IRÃ – REAÇÃO DO MUNDO: SILÊNCIO APROVADOR

O jornal Folha de São Paulo de hoje nos traz um artigo de Kenneth Maxwell sobre o silêncio aprovador da comunidade internacional, por omissão ou dolo, de atos de violência de um país contra outro, mesmo quando há mensagens de aviso de que o ato ilícito de força será perpetrado.

Kenneth Maxwell é historiador britânico, com 67 anos, diretor do Programa de Estudos Brasileiros na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Ele escreve às quintas-feiras para a Folha.

Reproduzo parcialmente o artigo, acrescentando detalhes entre colchetes:

MENSAGENS IGNORADAS

[ATAQUE DE ISRAEL AO IRAQUE]

(...) “Eu fui testemunha de uma mensagem que passou incompreendida, em 1981. Meu escritório na Universidade Colúmbia ficava no Instituto de Pesquisa sobre Mudanças Internacionais, fundado por Zbigniew Brzezinski, que, até janeiro daquele ano, havia servido como assessor de segurança nacional do presidente Jimmy Carter.

Nós realizávamos um seminário semanal sobre assuntos internacionais, e um dos palestrantes foi Benjamin Netanyahu [Benjamin "Bibi" Netanhahu nasceu em Tel-Aviv em 21 de outubro de 1949. É um político israelense, foi ex-primeiro-ministro de Israel entre os anos de 1996 e 1998 e chefe do partido Likud].

Discretamente, enquanto respondia a uma pergunta sobre outro tópico, ele disse que os israelenses pretendiam atacar o centro de pesquisa nuclear iraquiano. Ninguém prestou atenção. O silêncio foi interpretado como aprovação. Uma semana depois, os israelenses bombardearam o Iraque.

[ATAQUE DE ISRAEL À SÍRIA]

Em setembro do ano passado [2007], um ataque aéreo israelense destruiu instalações nucleares na Síria. A reação internacional foi notável por seu silêncio. (*)

[ATAQUE DE ISRAEL AO IRÃ]

No começo deste mês [junho 2008], os israelenses executaram um grande exercício militar no leste do Mediterrâneo, com mais de cem caças F-15 e F-16, apoiados por aviões de reabastecimento aéreo e helicópteros de resgate. Uma operação dessa escala dificilmente pode ser vista como secreta por qualquer pessoa e teria requerido permissão para sobrevoar o espaço aéreo da Grécia e da Turquia. Era claramente uma simulação de um ataque à usina de enriquecimento nuclear do Irã em Natanz.

A operação israelense foi preocupante a ponto de levar o cauteloso diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, a advertir que um ataque ao Irã poderia transformar o Oriente Médio "em uma bola de fogo".

(*) ATAQUE DE ISRAEL À SÍRIA

Hoje (26/06), também, a Folha de São Paulo publicou um artigo da Associated Press informando que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) esteve na Síria e não conseguiu encontrar provas de que os motivos alegados pelos EUA e Israel para atacar a Síria [no ano passado] fossem verdadeiros. Tudo indica que o ataque fez parte da já conhecida estratégia dos EUA e de seu aliado Israel de tornar toda aquela rica região petrolífera (Iraque, Irã, Arábia Saudita etc) uma dócil e submissa fornecedora de petróleo para as grandes potências. Transcrevo:

MISSÃO DA AIEA NÃO CONSEGUE PROVA DE REATOR

“A missão de quatro dias que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) enviou à Síria foi inconclusiva para apurar a alegação dos Estados Unidos de que aquele país construía clandestinamente uma central nuclear, em local bombardeado por Israel em setembro último.

Porta-voz do organismo, Olli Heinonen, disse que "ainda há trabalho de inspeção a ser feito".

O vice-presidente sírio, Farouk al-Sharaa, declarou, no entanto, que seu país permitiu a missão dos inspetores para que eles comprovassem que as suspeitas americanas eram falsas. Segundo os serviços de inteligência dos Estados Unidos, os sírios estavam construindo um reator com componentes da Coréia do Norte.”

EUA x VIETNÃ e EUA x IRAQUE, POR NOAM CHOMSKY

No site Agência Carta Maior, foi postada em 23/06 uma ótima entrevista com Noam Chomsky feita por Wajahat Ali.

Este blog já transcreveu ontem (25/06) a parte da entrevista que trata do conflito EUA x Irã. Também, já fizemos no início da referida postagem um pequeno resumo da biografia de Avram Noam Chomsky. Acrescento que ele é o mais citado e, provavelmente, o mais controverso intelectual vivo, segundo Global Intellectuals Poll. Quanto ao entrevistador, Wajahat Ali, é cidadão paquistanês e norte-americano, muçulmano, autor teatral, ensaísta, humorista e advogado, cuja obra "The Domestic Crusaders" (Os cruzados do interior) é a primeira obra teatral que trata dos muçulmanos norte-americanos no período posterior ao 11 de Setembro

Hoje, selecionamos outros trechos daquela longa e interessante entrevista. Aqueles que tratam das Guerras do Vietnã e do Iraque:

Wajahat Ali: Em 1969 o senhor publicou seu primeiro trabalho político de importância, "American Power and the New Mandarins" (O poder norte-americano e os novos mandarins) uma acerada crítica à intervenção dos Estados Unidos no Vietnã e no Sudeste asiático. Como sabe, muitos estabelecem paralelos entre a atual guerra do Iraque e a do Vietnã. Outros, é claro, rejeitam esta comparação. O senhor, como pessoa com grande experiência no estudo de ambos os momentos, tão significativos historicamente, considera que esse paralelismo é prematuro e ousado? Ou acredita que podem ser estabelecidas semelhanças importantes entre ambas as guerras no que se refere à intervenção norte-americana?

Noam Chomsky – A primeira semelhança guarda relação com o modo de considerar as guerras nos Estados Unidos e no Ocidente em geral. Marginais a parte, as opiniões oscilam entre o que se conhece como falcões e pombas. Em ambos os casos, os falcões garantiam que uma intervenção maior dos Estados Unidos poderia levar à vitória. As pombas, também nos dois casos, participam da opinião expressa por Barack Obama sobre o Iraque (trata-se de uma gafe estratégica, que está saindo cara demais para nós) ou pelo destacado historiador de centro-esquerda e assessor de Kennedy, Arthur Schlesinger, em 1966, quando o Vietnã já aparecia como uma aventura custosa demais para os Estados Unidos. Schlesinger afirmou na época: todos rezamos para que os falcões tenham razão e que um número maior de tropas nos traga a vitória. E, se no fim, resultar que temos razão – dizia – todos elogiaremos a sabedoria e a liderança do governo norte-americano, que conseguiu uma vitória deixando para atrás esse trágico país destripado e devastado pelas bombas, queimado pelo napalm e desertificado pela defoliação química, um país de ruína e escombros, com seu tecido político e institucional totalmente destruído.

(...) Em si mesmas, as guerras do Vietnã e do Iraque, contudo, são muito diferentes por seus motivos e caráter. O Vietnã não tinha, por si mesmo, nenhum valor para os Estados Unidos, embora o presidente Eisenhower tenha tentado conseguir apoio para a sua violação dos acordos de paz de Genebra recorrendo aos recursos, de estanho e borracha, disponíveis naquele país.

Se o Vietnã tivesse desaparecido do mapa, afundado no mar, isso não teria significado grande coisa para os planejadores norte-americanos.

O Iraque é uma coisa totalmente diferente. Tem, provavelmente, as segundas maiores reservas petrolíferas do mundo, com a particularidade extra de que são de fácil extração. E, além disso, está exatamente no centro geográfico dos maiores recursos energéticos mundiais, facilmente exploráveis.

No caso do Vietnã, a preocupação consistia em que um desenvolvimento independente e bem-sucedido desse país podia ser um vírus que poderia estender o contágio para outros, se aceitarmos a retórica de Henry Kissinger em relação ao socialismo democrático no Chile.

Este raciocínio tem sido o motivo primordial de intervenção militar e de subversão em todo o mundo a partir da II Guerra Mundial, é a versão racional da teoria do dominó. O contágio consiste em que outros que sofrem dos mesmos males possam ver em um desenvolvimento independente e exitoso um modelo, e possam tentar seguir por esta mesma via, o que provocaria a erosão do sistema de dominação. Por isso, até o mais pequeno e débil país representa uma ameaça extrema à ordem.

Os assuntos internacionais são, em grande medida, como os assuntos da máfia: um Padrinho não pode tolerar a desobediência, nem sequer a de um pequeno lojista que se recuse a pagar pela proteção, porque a maçã podre poderia fazer apodrecer o barril inteiro, na terminologia dos planejadores norte-americanos: aqui, a podridão consiste em um desenvolvimento independente exitoso, à margem do controle norte-americano.

Temia-se que o Vietnã pudesse infectar seus vizinhos, como a Indonésia, com seus ricos recursos. E que o Japão – que o destacado historiador da Ásia John Dower chamava de superdominó– pudesse acomodar-se a uma Ásia Oriental independente, transformando-se, com isso, em seu centro industrial e tecnológico, tornando realidade a nova ordem que o Japão fascista havia tentado construir pela força durante a II Guerra Mundial. Os Estados Unidos não estavam dispostos a perder a fase do Pacífico da II Guerra Mundial apenas poucos anos depois.

Quando se teme que o contágio possa se estender é preciso destruir o vírus e inocular aqueles que poderiam se infectar. E esta operação foi feita. O Vietnã sofreu uma quase total destruição (assim como toda a Indochina, quando os EUA estenderam sua guerra para o Laos e a Camboja).

No fim de 1960, era evidente que [o Vietnã] nunca poderia ser modelo para ninguém e que a mera sobrevivência seria obra da providência. E a região foi inoculada por meio da imposição de tiranos assassinos: Suharto na Indonésia, Marcos nas Filipinas, etc.

O golpe militar de Suharto, em 1965, foi particularmente importante, e foi descrito com toda precisão: o New York Times afirmou que se tratava de um “assassinato massivo horripilante” –e também como “um raio de luz na Ásia”–, em momentos em que o exército do ditador assassinava um número estimado em um milhão de pessoas, em sua maior parte camponeses sem terras; destruía o único partido político popular de massas do país, um partido dos pobres, como foi descrito pelo especialista australiano Harold Crouch, e abria a porta dos ricos recursos do país para sua exploração pelas corporações ocidentais. A euforia nem sequer foi dissimulada. Retrospectivamente, o assessor de segurança nacional de Kennedy e Johnson, McGeorge Bundy, afirmou que os Estados Unidos poderiam ter posto fim à guerra do Vietnã em 1965, depois desta grande vitória da liberdade e da justiça.

Os Estados Unidos conseguiram uma significativa vitória na Indochina, apesar de não terem conseguido seu objetivo máximo: instalar um Estado satélite. Por conseguinte, para a consciência imperial a guerra do Vietnã foi um desastre.

Como já disse, o Iraque é outra coisa. É valioso demais para ser destruído. É fundamental que permaneça sob o controle dos EUA, na medida de tudo o que for possível, em forma de Estado satélite obediente que abrigue importantes bases militares norte-americanas.

Sempre foi evidente que este era o objetivo primordial da invasão, mas agora isso não precisa sequer ser discutido. Estes planos foram explicitados pelo governo Bush com sua declaração de novembro de 2007 e por afirmações posteriores, acompanhadas da descarada exigência de que as grandes corporações norte-americanas do petróleo tenham acesso privilegiado às enormes reservas de [petróleo] cru do Iraque.”

EM QUEM VOTAR, SEGUNDO A MÍDIA?

O jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) postou ontem o artigo “A NOVA MIRIAM: LUCIA HIPPOLITO”. Com argúcia e ironia, PHA antevê como será a atuação da nova colunista contratada pelo Globo Online: Lúcia Hippólito.

Destaco especialmente a parte do texto “VOTE EM QUEM” sobre os requisitos que os políticos deverão apresentar para merecer o voto do eleitor. É uma perfeita caricatura da doutrinação transmitida pela Globo e por toda a nossa imprensa nos últimos anos.

--“A colonista [colunista colonizada] Lucia Hippolito vai trabalhar agora também no Globo Online.
--Hippolito, que já trabalha na CBN, no Programa do Jô e na Santa Cúria, passará a ser tão ubíqua quanto Miriam Leitão, a mãe de todos os colonistas.
--Hippolito vai também dar aulas de Catecismo, ou melhor, Catecismo Eleitoral.
--Hippolito vai ensinar o pobre eleitor a votar para Presidente.
--O Conversa Afiada pretende assistir à referida Aula Magna.
--E, desde já, antecipa o que dirá a colonista a seus atentos ouvintes:

VOTE EM QUEM:

--Se benzer quando passar pelo busto de Getúlio Vargas, que o Brizola mandou erigir na Praia do Russel, no Rio.
--Virar o rosto quando passar em frente a um CIEP. Em frente ao Sambódromo.
--Considerar o Carlos Lacerda o Gênio da Raça I.
--Considerar o Fernando Henrique Cardoso o Gênio da Raça – II.
--Considerar o Lula um “despreparado”.
--[Quem achar que] tudo o que o Governo Lula tem de bom – e é muito pouco – é porque fez o que Fernando Henrique começou.
--Quem considerar o "Bolsa Família" uma "fábrica de vagabundos".
--Quem achar que o "Bolsa Família" só era bom quando era da Dona Ruth.
--Quem pregar a remoção das favelas.
--Quem considerar que a Dilma Rousseff fez um dossiê.
--Quem considerar que o PAC empacou.
--Quem considerar que a Dilma Rousseff entregou a Varig de mão beijada aos Constantino.
--Quem achar que a Alstom não subornou nenhum tucano.
--Quem achar que a Yeda Crusius jamais tirou carteira de motorista.
--Quem achar que a cratera do metrô de São Paulo abriu porque choveu muito naquele dia.
--Que o Sérgio Motta não comprou a reeleição do Fernando Henrique.
--Que, na privatização dos telefones, todos os concorrentes eram irmãos carmelitas, a começar pelos ministros de FHC.
--Quem achar que o Dunga deve cair.
--Quem achar o Galvão Bueno o maior locutor do mundo.
--Quem só assiste ao Jornal Nacional.
--Quem achar que a distribuição de renda melhorou por causa do governo do Fernando Henrique.
--Quem achar que o Fernando Henrique foi ao FMI três vezes, porque o FMI é como sexo: mesmo quando é ruim é bom.
--Quem achar que os filhos do Roberto Marinho se notabilizam pelo tino empresarial.
--Quem achar que o Daniel Dantas é um gênio das finanças e não grampeia nem viola o e-mail de ninguém.
--Que o PiG é imparcial.
--Só pode ser Presidente quem não ler a Carta Capital.
--Quem achar que a “BrOi” vai criar uma supertele para competir com o imperialismo yankee.
--Quem achar que o Serra é o candidato “mais consistente”.”

quarta-feira, 25 de junho de 2008

BRASILIANAS

O decano jornalista Lustosa da Costa, no seu estilo coloquial, publicou hoje em sua coluna do ”Diário do Nordeste”, com o título acima, uma boa síntese do momento político brasileiro:

“Se continuar a onda Lula no País, estaremos livres de ter, de novo, na Presidência da República, algum pedante que chame o Brasil de pátria dos caipiras e os aposentados de vagabundos, além de se opor à política social atualmente em curso no País...

O PT continua a ser o partido preferido da sociedade brasileira, que nunca ligou para a campanha orquestrada e as calúnias da mídia contra ele, por ele ser agremiação de trabalhadores.

Vocês já notaram que todo governo que não obedece cegamente a Washington e que tem alguma preocupação social é logo apontado pelos meios de comunicação como corrupto?...

ESCÂNDALOS

Vinte milhões de euros, ou o equivalente a 31 milhões de dólares, foram pagos, de propina, pela empresa francesa Alstron a tucanos paulistas entre 1995 a 2003, escândalo esse que sai nos jornais do mundo e, muito timidamente, é registrado nos jornalões paulistas, tão inventivos na criação de escândalos petistas.

Por que cresce o prestígio popular do governo? Não apenas pelo desempenho econômico e social.

É também porque a sociedade não acredita nos escândalos [contra ele] pré-fabricados pela imprensa e pela oposição que, já se provou, eram e são apenas fruto do preconceito e da má-fé. Taí o caso da Varig em que se tentou enlamear Dilma Rousseff por uma operação comandada pela Justiça e executada por ordens do juiz. O que deve ocorrer é o crescimento de sua popularidade. A maioria pensa: se a mídia bate nela é porque lhe sobram qualidades que interessam à maioria.”

DESEMPREGO EM SÃO PAULO É O MENOR DOS ÚLTIMOS 12 ANOS

Li no portal UOL:

Desemprego em SP tem a menor taxa para maio desde 1996

"O desemprego na região metropolitana de São Paulo em maio atingiu 14,1%, após ter ficado em 14,2% em abril, segundo informou nesta quarta-feira a Fundação Seade/Dieese. De acordo com o órgão, foi a menor taxa para um mês de maio desde 1996, quando o desemprego havia atingido 16,1%."

OUTRA MÁ NOTÍCIA PARA OS TUCANOS

A Folha Online publicou esta tarde uma má notícia que atinge duramente o ex-governo PSDB/FHC/PFL-DEM. Tudo fizeram para esconder seus escândalos e assim poderem dizer como plataforma eleitoral, com cinismo, que não havia corrupção publicada na mídia no governo deles. Aos poucos, casos como o da Alstom e outros estão emergindo do esgoto. O texto abaixo da Folha é auto-elucidativo [acrescentei alguns detalhes entre colchetes]:

JUSTIÇA DE MÔNACO ACEITA PEDIDO DE EXTRADIÇÃO DE CACCIOLA

A Corte de Apelações de Mônaco aceitou o pedido de extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola feito pelo governo brasileiro, segundo informou o Ministério da Justiça nesta quarta-feira. A Corte rejeitou recurso do ex-banqueiro e considerou o processo legítimo.

A decisão final agora ficará por conta do príncipe Albert 2º. A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça disse que a expectativa é que o processo de extradição ocorra em julho, depois da decisão do príncipe.

Ainda segundo a assessoria do ministério, a defesa de Cacciola já entrou com um recurso na Corte de recursos humanos da Europa.

Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco Marka, foi protagonista de um dos maiores escândalos do país [ocorrido no governo FHC]. O ex-banqueiro foi condenado à revelia em 2005 por peculato, corrupção passiva e gestão fraudulenta.

CASO [CACCIOLA]

O banco Marka quebrou com a desvalorização cambial de 1999. Mas contrariando o que ocorria no mercado, o Marka e o banco FonteCindam assumiram compromissos em dólar.

O banco de Cacciola, por exemplo, investiu na estabilidade do real e tinha 20 vezes seu patrimônio líquido comprometido em contratos de venda no mercado futuro de dólar.

O BC [fraudulentamente] socorreu as duas instituições, vendendo dólares com cotação abaixo do mercado, “tentando evitar que quebrassem”. A justificativa para a ajuda oficial às duas instituições foi a possibilidade de “a quebra provocar uma "crise sistêmica" no mercado financeiro” [sic!].

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Salvatore Cacciola, à revelia, a 13 anos de prisão pelos crimes de peculato (utilizar-se do cargo exercido para apropriação ilegal de dinheiro) e gestão fraudulenta.

O então presidente do Banco Central [no governo tucano], Francisco Lopes, recebeu pena de dez anos em regime fechado e a diretora de Fiscalização do BC, Tereza Grossi, pegou seis anos. Os dois recorreram e respondem ao processo em liberdade.

Em 18 de setembro do ano passado, a juíza federal Simone Schreiber, da 5ª Vara Federal Criminal do Rio, determinou a prisão preventiva do ex-banqueiro. Na sentença, concedida a pedido do Ministério Público Federal, a juíza determina não só a expedição do mandado de prisão contra Cacciola, como manda informar o Ministério da Justiça do interesse na extradição do ex-banqueiro para o Brasil.”

IBOPE DA TV GLOBO EM 2008 É O MENOR DA HISTÓRIA

O portal UOL publicou esta tarde, com o título acima, reportagem de Ricardo Feltrin informando que o principal e tradicional veículo de comunicação da direita, ferrenho lutador pró-grandes interesses financeiros, econômicos e políticos externos, está perdendo espaço no Brasil.

Transcrevo:

“Dados obtidos com exclusividade por Ooops! mostram que a Globo, maior emissora do país, está tendo o pior ano em ibope de sua história. Os dados foram apurados até anteontem, dia 23. A possibilidade (estatística) de os dias restantes de junho mudarem o quadro semestral é praticamente zero.

Nos últimos cinco anos, a queda de audiência da Globo entre 7h e 0h ficou em -20%, tanto na Grande SP como no país. Em São Paulo, dos 22,6 pontos de média registrados no primeiro semestre de 2004, a emissora caiu para 18 este ano. Cada ponto equivale a cerca de 55 mil domicílios sintonizados na Grande SP.

No Brasil, as médias da Globo foram 24,2 em 2004, contra e 19,5 em 2008. É a primeira vez que a rede fica abaixo dos 20 pontos nessa faixa horária.”

O FALECIMENTO DE DONA RUTH CARDOSO

O blog “Cidadania.com” postou hoje um oportuno registro sobre o falecimento da ex-primeira dama e também uma lúcida crítica ao uso pela mídia da morte dela para mesquinha e até mentirosa campanha pró-PSDB/DEM e pró-bandeiras conservadoras-direitistas.

Vejamos o texto de Eduardo Guimarães:

MÍDIA FAZ USO POLÍTICO DA MORTE DE RUTH CARDOSO

“Escrevo em defesa da cidadã Ruth Cardoso, que faleceu ontem. A mídia, desde o anúncio de seu passamento, passou a usá-la na morte de uma forma a que ela nunca se prestou em vida.

Apesar de usar para D. Ruth, dentre adjetivos mais pomposos e exagerados, a qualificação correta de “discreta”, a mídia a transformou em “alvo de luta política” por conta do “dossiê” que essa mesma mídia, em coro com o PSDB, afirma que foi feito pelo governo Lula contra a falecida e seu marido.

Não faltam manifestações políticas da mídia praticamente canonizando a correligionária tucana recém-falecida. A meu ver, ela não gostaria de ser canonizada nem por Roma, quanto mais pela mídia sensacionalista e partidarizada. A meu ver, mulher inteligente que era, apesar de menosprezada pelo marido, FHC, que teve filho com outra mulher pouco antes de se eleger presidente, D. Ruth preferiria exéquias discretas. Mas não é isso o que está acontecendo.

Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth ocupava “cargo público” de “primeira-dama”.

Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth criou o Bolsa Família, e não Lula.

Já vi e ouvi compararem-na com D. Marisa Letícia, mulher de Lula.

Já vi e ouvi dizerem que D. Ruth, ao contrário de “outras” primeiras-damas, não se meteu com “corrupção”.

Já vi e ouvi lembrarem que a recém-canonizada Ruth Cardoso era contra cotas para negros nas universidades...

Deveriam deixar que aliados e adversários políticos de D. Ruth dissessem palavras elogiosas e sentidas a seu respeito. Não deveriam usar a morte da ex-primeira-dama para atacar o governo Lula, seu titular, sua mulher, o partido de ambos e o eleitorado que os apóia. Deveriam deixar a cidadã Ruth Cardoso descansar em paz.”

PERIGO! OS EUA JÁ VISLUMBRAM ALIANÇA PETROLÍFERA COM O BRASIL!

No blog “vermelho”, li ontem o texto abaixo transcrito, o qual nos desperta preocupação. O título original do artigo é “A perigo, EUA já vislumbram aliança petrolífera com o Brasil”.

A pequena adaptação que fizemos para o título desta postagem já denota o porquê da nossa preocupação. A série “Guerras recentes dos EUA”, que este blog já postou ao longo dos cinco meses da sua existência, evidencia que os EUA não têm escrúpulos quando se trata de garantir seu abastecimento de energia. Várias guerras e invasões de outros países foram perpetradas com esse objetivo, sempre disfarçado com outra roupagem (ex.: Iraque, Afeganistão). Outras que virão já são evidenciadas (ex.: Irã, Venezuela).

As nossas imensas reservas de petróleo recém-descobertas tornam-nos um próximo alvo da cobiça norte-americana. E o Brasil é militarmente frágil e mal-equipado. A nossa sociedade ainda não despertou para a necessidade de grandes investimentos para sermos capazes de inibirmos agressões. De nossa grande mídia não esperemos iniciativas nesse sentido. Ela sempre foi "colonizada", pró-EUA.

Transcrevo:

“O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, disse nesta segunda-feira (23) que está surgindo uma nova área de cooperação entre os dois maiores países das Américas: petróleo. Após a descoberta de importantes reservas do combustível em águas profundas do litoral brasileiro, os norte-americanos já enxergam o país como fornecedor e estudam possibilidades de parcerias entre empresas nessa área.

"Se a Petrobras quiser embarcar o petróleo para os Estados Unidos, tenho certeza que os EUA estarão muito dispostos a receber esse combustível", disse Sobel. Depois de ressaltar que a decisão cabe ao Brasil e a Petrobras, ele acrescentou que "os EUA esperam que o Brasil se torne um importante fornecedor de combustível fóssil no futuro".

Segundo o embaixador, será "natural" que o Brasil exporte petróleo para os Estados Unidos na medida em que disponha de excedentes por conta da proximidade entre os dois países. Ele enfatizou que a Petrobras já possui refinarias nos EUA. A estatal brasileira adquiriu recentemente uma planta em Pasadena, Texas. Para garantir a segurança energética e reduzir a dependência de regiões politicamente conturbadas, os EUA buscam diversificar as fontes de petróleo.

Embora o Brasil ainda não seja um fornecedor relevante, as vendas de petróleo do país para os EUA aumentaram dez vezes em valor, saltando de US$ 330 milhões em 2004 para US$ 3,1 bilhões em 2007, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No ano passado, o petróleo ultrapassou aviões e ocupou o posto de principal item da pauta de exportação.

Sobel – que participou nesta segunda-feira do Fórum Brasil-Estados Unidos realizado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) e pelo Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami – também enxerga oportunidades de parcerias com petrolíferas norte-americanas como Exxon e Chevron, ou empresas fornecedoras de serviços como a Halliburton.

O embaixador ressaltou que funcionários do governo norte-americano devem em breve vir ao Brasil para discutir o assunto. Na próxima semana, chega ao país o secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff. "Neste estágio, estamos procurando maneiras de ajudar se formos solicitados", afirmou Sobel.”

DESMASCARANDO A FOLHA

O blog “óleo do diabo”, de Miguel do Rosário, voltou das férias e com um ótimo texto que aqui transcrevo. Trata-se de boa notícia para a economia brasileira que o jornal Folha de São Paulo de ontem distorceu para que ela parecesse negativa.

Esse exercício de contorcionismo já é tradicional na nossa grande mídia. Na década de 90, a imprensa fazia um enorme esforço para transformar fatos negativos para o Brasil em grandes feitos do governo PSDB/FHC/PFL. Nos últimos seis anos, as distorções continuam, mas noutro sentido. Notícias boas para o Brasil e o governo Lula são publicadas de forma a parecerem ruins.

Miguel do Rosário desmascara essa tática com clareza e perspicácia. Transcrevo (não consegui reproduzir um gráfico que consta no "óleo do diabo"):

“A Folha me deu uma assinatura grátis de 30 dias. Digo isso porque eu, que já gostei da Folha, acho que o seu nível decaiu brutalmente nos últimos anos. Tornou-se um periódicuzinho safado, birrento, enganoso. Hoje (24/06/2008) peguei o danado com a boca na botija. Tem uma matéria na página B6, intitulada "Exportação [brasileira] para os EUA cai a 15% do total", que vai para os anais do golpismo banguela.

O número é simples de entender. Antigamente, os EUA compravam quase tudo que o Brasil produzia. Hoje, o leque de compradores de produtos brasileiros é muito mais variado. Temos China, Oriente Médio, África, Mercosul, comprando grandes quantidades e valores do Brasil.

Trata-se de um dado positivo em todos os sentidos. O Brasil está menos dependente de um mercado só. Diante da recente (e atual) crise financeira norte-americana, o fato torna-se ainda mais relevante. Os EUA compram hoje cerca 15% das exportações brasileiras, contra 21% em 2003 (diz a Folha). Não significa que as exportações brasileiras para os EUA tenham diminuído. Ao contrário. Em 2002, último ano fernandista, o Brasil exportou US$ 15,81 bilhões para os EUA. Em 2007, esse número saltou para US$ 25,64 bilhões. Aumento de 62%.

Mas não é isso que a Folha diz. Usando a velha e espertinha tática de ir atrás de declarações que provem teses pré-fabricadas (no caso, de que a nossa política internacional seria "terceiro mundista", "ideológica" e "anti-americana", e isso apesar da Condolezza Rice ter dançado olodum em Salvador), o jornal cita um tal Mario Marconini, da Federação do Comércio de SP, que afirma que o Brasil "está perdendo espaço no mercado americano para concorrentes como a China e Índia". Outro entrevistado, Roberto Gianetti da Fonseca, vai na mesma linha e sai com essa pérola negra: "Diversificar é bom, mas é preciso aumentar a participação dos EUA". É como dizer: picanha fresca é muito bom, mas não podemos esquecer a velha e boa salsicha.

"Ora, direis, ouvir estrelas! Perdeste o senso! ", divagava Bilac. Pois é. Fui atrás dos números e verifiquei que o Brasil não está perdendo espaço coisíssima nenhuma. A participação brasileira nas importações americanas aumentou sensivelmente nos últimos anos, saindo de um patamar em torno de 1,1%, para mais de 1,4%. E não se iluda com a modéstia desses números. Estamos falando de um país que importa anualmente quase 2 trilhões de dólares. Esses decimais correspondem a dezenas de bilhões de verdinhas.

De fato, a China ampliou seu espaço no mercado americano, de 11% em 2002 para 16% em 2007. E daí? O gigante dos olhinhos puxados elevou suas exportações para o mundo inteiro. A mão-de-obra na China custa um décimo que a mão-de-obra no Brasil. É um governo totalitário, que não presta contas para nenhum parlamento e para nenhuma imprensa. Acho sempre engraçado quando a mídia brasileira procura denegrir o Brasil comparando-o com a China. Não troco o nosso crescimento modesto de 5% ao ano pelo crescimento de 10% da China, assim como não troco o aumento das exportações chinesas pelo aumento das nossas.

Quanto à Índia, o Marconini falou bobagem. A participação das exportações indianas no mercado americano continua menor que a brasileira: fechou 2007 em 1,23%. Também aumentou bastante de uns 10 anos para cá. Até 2001, era inferior a 1% mas nada indica que esteja tomando o espaço brasileiro. Até onde sei, a Índia se destaca na exportação de softwares e, portanto, não é concorrente do Brasil.

A matéria é tendenciosa e induz a um conclusão errônea sobre a economia brasileira. Eu me pergunto: qual o interesse da Folha? Por que ela está o tempo todo tentando fazer seus leitores verem as coisas piores do que realmente são? Nesse caso, nem se trata de sensacionalismo. Qual a vantagem em distorcer a realidade do comércio exterior brasileiro? Por acaso, o objetivo é prejudicar o Lula? Dar subsídio para a um boçal ou ingênuo acusar, com base nessa matéria furada, o governo de ser "terceiro mundista"?

Evidentemente, as exportações brasileiras para os EUA poderiam ter crescido 200%, nos últimos 5 anos, em vez de 62%. O Incrível Hulk também podia ser menos estressado. O Brasil NÃO perdeu participação no mercado americano. Esta caiu levemente nos últimos dois anos, mas cresceu vigorosamente em relação ao ínicio da década atual e final dos anos 90.

Desejar que um país em crise (os EUA), com um déficit comercial monstruoso, com uma moeda derretendo, aumente sua participação nas exportações brasileiras, é uma estupidez tão inconcebível e grotesca que mereceria constar como exemplo num ensaio intitulado "a revolução dos retardados".

O dinheiro americano vale mais que o dinheiro europeu, asiático, africano, argentino? Transformar a diversificação das exportações brasileiras num fato negativo não é apenas mau jornalismo. É o mais tosco anti-patriotismo, a mais incompreensível burrice, a mais imperdoável safadeza.”

20 ANOS DE PSDB: ENTRE A DIVISÃO E A CORRUPÇÃO

O site “vermelho” fez ontem uma boa análise da história do PSDB, cujos 20 anos de existência agora se completam. O título é o mesmo acima colocado.

O autor é Gilson Reis, Presidente do Sinpro – MG, Sindicato dos Professores, e dirigente nacional da CSC.

Transcrevo:

“O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi fundado há vinte anos por meia dúzia de parlamentares desgostosos com a crise ética, política e econômica que vigorava na segunda metade do governo Sarney. A legenda surgia então como uma alternativa da elite nacional, com viés reformista e socialdemocrata, batizada de terceira via e inspirada nos partidos de mesma matriz ideológica que atuavam fundamentalmente na Europa ocidental.

Porém, ao contrário dos partidos socialdemocratas da Europa, vinculados ao movimento sindical e às lutas sociais, a sua caricatura brasileira desprezou qualquer participação popular e de transformação social. Aliou-se à alta burguesia financeira e aos setores paulistas da elite industrial e agrária. Não demorou muito e estava o PSDB coligado aos partidos de grande tradição fisiológica. Na área econômica, encontrou guarida na Febraban, na Fiesp e na CNI, e, na esfera política, interlocutores de toda uma geração de políticos da mais alta repugnância histórica: ACM, Bornhausen, Marco Maciel etc.

Nessa vasta aliança política, financeira e midiática, os tucanos não demoraram muito a alçar o posto máximo: o governo central, com a eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A experiência histórica desse governo ainda está sendo escrita pelos historiadores, mas alguns parâmetros já estão perfeitamente delineados: alto índice de desemprego – o governo FHC gerou 10 milhões de desempregados; baixo crescimento econômico – o Brasil cresceu na ridícula taxa de 2,3% ao ano; corrupção – em oito anos de governo, dezenas de denúncias foram divulgadas, entre elas as do PROER, SIVAM, Pasta Rosa e Privatizações, mas nenhuma foi apurada; e miséria – a situação geral do povo brasileiro, que já era muito ruim, piorou ainda mais.

Com a vitória de Lula, em 2002, os tucanos, perdidos, anunciaram uma nova fase de crescimento pelo país, de consolidação dos princípios programáticos e de oposição permanente ao governo federal. O intuito, em certa medida, se confirmou. O PSDB elegeu no último pleito os governadores de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas e Paraíba, afirmando, portanto, importante presença no sul, sudeste e nordeste. Em relação à oposição ao governo Lula, o tucanato e seus aliados na Câmara e no Senado vêm demonstrando muita incapacidade e inconsistência política, consubstanciadas nos arroubos de seus líderes: José Agripino e Arthur Virgílio.

No campo oposicionista, quem tem se destacado é a grande imprensa, que, desde o início do primeiro mandato, ocupa o papel da oposição. Quanto ao programa praticado nos estados governados pelo partido, o modelito econômico e social é o mesmo: Estado mínimo, privatização, perseguição aos funcionários públicos e negociatas de várias matrizes.

Entretanto, as dificuldades da socialdemocracia tucana, órfã de qualquer movimento social e perdida nos desígnios e desacertos do liberalismo selvagem, encontram-se no seu mais alto nível de degradação. Seu líder máximo, o conservador Fernando Henrique Cardoso, encontra-se nas trevas, escondido nas ruínas do seu governo, aprisionado na masmorra do liberalismo e impossibilitado de falar ao povo, que o odeia e o renega.

A governadora Ieda Crusius, outra representante do alto tucanato, está emparedada por vários escândalos de corrupção, denunciados pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM), que proporcionou até agora a saída de quatro secretários de Estado.

Na Paraíba, o governador Cássio Cunha Lima responde a dois processos, ambos já julgados pelo Tribunal Regional Eleitoral, que pediu a sua cassação. Para tentar salvar o mandato, o governador recorreu ao TSE, que, a qualquer momento, deverá julgar o recurso.

Em Alagoas, o governador Teotônio Vilela realizou o maior ataque da história aos servidores públicos, proporcionando uma das maiores ondas de greve no estado, refletindo drasticamente na vida de toda a população alagoana.

Em São Paulo, dezenas de CPIs foram arquivadas. Entretanto, o último escândalo envolvendo a empresa Alston e o governo tucano foi estampado não por jornais brasileiros, é claro, mas pelo Wall Street Journal. A imprensa européia e as justiças francesa e suíça investigam o escândalo internacional, enquanto isso a imprensa nacional...

Ainda no mais rico estado do país, milhares de professores estão em greve por melhores condições de trabalho e salário. O Estado de São Paulo, depois de 16 anos de tucanato, apresenta um dos piores indicadores educacionais.

Em Minas Gerais, os problemas não são menores, mas, por enquanto, estão todos acobertados pela ampla aliança construída pelo governador Aécio Neves. No estado de Tiradentes, de tradição libertária, a imprensa, a Assembléia Legislativa, a maioria dos partidos políticos, além da burguesia são controladas pelo governador. A política neoliberal e o autoritarismo estão coesionados e controlados por uma maioria comprada pela corrupção subterrânea ainda não revelada. Contudo, de uma hora para outra, surgirão denúncias e escândalos envolvendo a Cemig, a Copasa, a Gasmig e outras empresas e maracutaias praticadas pelo neto de Tancredo Neves.

Mas é no campo da unidade partidária que os tucanos vivem o seu pior momento astral. A luta fratricida em São Paulo entre o governador Serra e o candidato à prefeitura da capital Geraldo Alckmin chegou ao maior grau de constrangimento dos últimos seis anos.

Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves desconsidera o partido e, num oportunismo descabido, definido pelo seu projeto pessoal, alia-se ao maior adversário nacional do PSDB, o Partido dos Trabalhadores (PT).

No Nordeste e no Sul, seus candidatos sequer aparecem em condições de disputar as prefeituras de Porto Alegre, Maceió e João Pessoa.

Tudo indica que, ao comemorar vinte anos de vida, o PSDB, um jovem partido da elite brasileira, já apresenta sinais de velhice e de mesmice. A incongruência do que prega e do que faz, a inconsistência do que se propôs a fazer, o desatino pelo poder a qualquer custo, a corrupção, a divisão entre seus principais líderes e o distanciamento dos trabalhadores e dos movimentos sociais são indicativos da morte terminal de um partido criado na pós-ditadura militar e morto na pós-ditadura neoliberal.”

A GUERRA EUA x IRÃ, POR NOAM CHOMSKY

No site Agência Carta Maior, foi postada em 23/06 uma ótima entrevista com Noam Chomsky feita pelo ensaísta Wajahat Ali.

Segundo a “wikipedia”, Avram Noam Chomsky nasceu na Filadélfia, EUA, em 7 de dezembro de 1928. Depois de receber o doutoramento, Chomsky leciona no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) há mais de 40 anos consecutivos. É professor de Linguística. O seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky.

Chomsky é uma das personalidades mais conhecidas da política de esquerda americana. Ele se define politicamente na tradição do anarquismo, uma filosofia política que desafia todas as formas de hierarquia com a tentativa de eliminá-las se se mostrarem injustas. Ele se identifica especialmente com a corrente do anarco-sindicalismo, orientada para a defesa do trabalhador.

Selecionei somente alguns trechos da longa entrevista, que pode ser lida na íntegra no “Carta Maior”. Especificamente, escolhi a parte sobre o iminente conflito entre os Estados Unidos (diretamente ou por intermédio de Israel) e o Irã.

Vejamos:

"EUA INSISTEM EM MANTER SUA ATITUDE DE ESTADO FORA DA LEI"

“Os assuntos internacionais são, em grande medida, como os assuntos da máfia: um padrinho não pode tolerar a desobediência, nem sequer a de um pequeno lojista que se recuse a pagar pela proteção, porque a maçã podre poderia fazer apodrecer o barril inteiro. A comparação é de Noam Chomsky, ao analisar a política externa dos EUA, em entrevista ao ensaísta Wajahat Ali.”

(...) Wajahat Ali: Recentemente, um relatório dos serviços secretos dos EUA afirmava que o Irã tinha finalizado com sucesso um programa de armas nucleares há quatro anos. O Irã afirma que, na verdade, nunca teve um programa deste tipo. Contudo, o presidente Bush, o presidente israelense Olmert e altos cargos de Washington garantem que o Irã continua sendo uma grande ameaça e que persegue a obtenção de armas nucleares. São sustentáveis estas opiniões dos EUA e Israel? E se não são, qual é a razão da retórica de enfrentamento com o Irã, e de que modo favorece a política exterior dos EUA na região do Oriente Próximo?

Chomsky: (...) Não seria tão surpreendente que descobrissem que o Irã tem algum tipo de programa de armas nucleares, junto, talvez, com planos de emergência. As razões foram expostas por um dos mais importantes historiadores de Israel, Martin van Creveld, quando disse que o Irã estaria completamente louco se não desenvolvesse uma arma de dissuasão nuclear nas atuais circunstâncias: com as forças hostis de uma superpotência violenta em duas de suas fronteiras e uma potência regional hostil (Israel) que dispõe de centenas de armas nucleares clamando por uma mudança de regime no Irã. Contudo, as provas disponíveis indicam que, se esse país já teve um programa assim, ele foi encerrado há alguns anos.

Da perspectiva norte-americana, o Irã cometeu um grave crime em 1979. Como é sabido, em 1953, os Estados Unidos e o Reino Unido desmantelaram a democracia parlamentar iraniana e instalaram um brutal tirano, o Xá, que foi um baluarte do controle norte-americano na rica região petrolífera até 1979, quando foi deposto após um levantamento popular.

Tratava-se de um caso bastante parecido ao da derrocada do ditador Batista em Cuba, em 1959, e de outros atos de desafio exitoso aos princípios de Washington, segundo o termo cunhado em seus documentos internos. O Padrinho não pode tolerar um desafio exitoso. É uma ameaça grande demais ao que chamam de estabilidade, ou seja, à obediência aos senhores.

A independência iraniana não é um problema menor. Ameaça o controle norte-americano de um dos butins mais valiosos do mundo, o petróleo do Oriente Próximo.

Como conseqüência, desde 1979 os Estados Unidos têm sido duramente hostis com o Irã. Washington respaldou o feroz e mortífero ataque de Sadam Hussein contra o Irã e, inclusive, uma vez terminada a guerra continuou apoiando esse aliado até o ponto de convidar engenheiros nucleares iraquianos para receberem formação avançada para o desenvolvimento de armas nucleares, em 1989. Mais tarde, promulgou graves sanções contra o Irã, ao mesmo tempo que lançava freqüentes ameaças de atacar esse país e derrocar seu governo.

Em poucas palavras, os EUA insistem em manter sua atitude de Estado fora da lei, rejeitando os princípios fundamentais do Direito Internacional, entre outros a Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força nos assuntos internacionais.

Bush conta com o apoio dos dois principais candidatos presidenciais de 2008 e com o das elites dos EUA e da Europa, ainda que não com o da opinião pública norte-americana, que apóia com grande margem a diplomacia e opõe-se às ameaças de guerra. Mas a opinião pública é, em grande medida, irrelevante na hora de elaborar as políticas, e não apenas neste caso.

A classe política, em toda sua amplitude e com raras exceções, está comprometida com a manutenção do controle norte-americano dos principais recursos energéticos do mundo, e com o castigo dos desafios exitosos.

Por conseguinte, os EUA têm feito grandes esforços para mobilizar uma aliança contra o Irã entre os Estados sunitas da região, embora sem muito sucesso. As duas viagens de Bush para a Arábia Saudita, no início de 2008, foram, neste sentido, fracassos sem paliativos.

A imprensa saudita, normalmente muito comedida com os visitantes importantes, condenou as políticas propostas por Bush e pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, como “não uma diplomacia em busca da paz, mas uma loucura em busca da guerra.”

As monarquias do Golfo Pérsico não são amigas do Irã, mas aparentemente preferem acomodar-se e não entrar em confronto, o que constitui um duro golpe para as políticas norte-americanas.

Washington está diante de problemas similares no Iraque e no Líbano. Em um segundo plano, existe uma preocupação mais profunda: que os países produtores de energia da região possam voltar-se para o Leste e, inclusive, que sigam o exemplo do Irã de estabelecer vínculos com a Organização de Cooperação de Shanghai, na qual a Índia, Paquistão e Irã participam como observadores, participação que foi negada a Washington.”

terça-feira, 24 de junho de 2008

AMAZÔNIA: A COBIÇA

No site “vermelho” li hoje, 24/06, um artigo muito bom de Eron Bezerra com o título “ANOTAÇÕES SOBRE A AMAZÔNIA: A COBIÇA", sobre as estratégias aparentemente “nobres” utilizadas pelas grandes potências para esconder o verdadeiro objetivo delas: a posse da Amazônia brasileira.

O autor é Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas.

Trancrevo o texto de Eron Bezerra acrescentando alguns subtítulos entre colchetes.

“Quando se trata de Amazônia é bom ter presente que o tempo passa, a tática varia, os interlocutores se alternam, mas o objetivo estratégico do imperialismo de transformá-la em patrimônio da humanidade, em área internacionalizada, não se altera um milímetro.

Recentemente o Instituto Mauricio Grabois (IMG) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) realizaram um seminário sobre a questão ambiental. O tema foi abordado sob múltiplos aspectos. Tive a oportunidade de oferecer uma modesta contribuição sobre um tema que eu tenho tratado recorrentemente: Amazônia & Soberania.

Pretendo, portanto, neste espaço, traduzir a essência daquela apresentação num conjunto de artigos que desenvolverei para o nosso Vermelho. Inicio pela cobiça!

A CONCEPÇÃO MARXISTA DO MEIO AMBIENTE

Muitos estranharam a relação entre marxismo e meio ambiente de que tratou a mesa inicial do nosso seminário. Na verdade, o marxismo tem um princípio elementar de defesa do meio ambiente que é a dialética.

Na natureza, como na sociedade, todos os fenômenos estão interligados, interconectados e são interdependentes. De onde se conclui que ninguém pode agir impunemente sobre a natureza. Conclui-se, igualmente, que nem é possível desenvolvimento sem sustentabilidade e tampouco sustentabilidade sem desenvolvimento. Essa dicotomia, que muitos procuram estabelecer, não apenas é falsa, mas anti-científica.

O que deve nos orientar, portanto, não apenas na questão ambiental, mas em qualquer outro tipo de ação, é o princípio filosófico da dialética que explicita a interdependência dos fatores na prática de qualquer ação, na natureza ou na sociedade.

Coloco, então, a questão que hoje está na ordem do dia em todo o mundo: a bandeira do “ambientalismo” é ecológica ou ideológica?

[A BANDEIRA DO “AMBIENTALISMO” É ECOLÓGICA OU IDEOLÓGICA?]

Seria uma contradição dialética não reconhecer a importância de uma política ambiental justa para assegurar um mundo menos degradado e capaz de assegurar, às futuras gerações, as condições mínimas de habitabilidade. Desse ponto de vista ela tem forte apelo ecológico.

Mas seria de uma ingenuidade “quixotesca” ou de um cinismo “bushiano” não ter presente que o seu uso presente, pelo imperialismo, é de natureza predominantemente ideológica e geopolítica. Como já lançaram mão de outras bandeiras com o mesmo propósito e objetivo.

AMBIENTALISMO COMO TÁTICA DO IMPERIALISMO PARA INTERNACIONALIZAR A AMAZÔNIA

A negativa de utilização do espaço amazônico não está associada necessariamente a uma questão de preocupação ambiental. Na verdade, ela traduz a concepção de que a Amazônia é uma reserva estratégica do imperialismo e, como tal, não pode ser usada. As potências imperialistas se entendem como proprietárias da Amazônia, como fica evidente pelas sucessivas manifestações de diversos mandatários desses países.

Lamentável é perceber que tais despropósitos encontram eco, guarida, em distintas correntes de intelectuais e ativistas ambientais, inclusive os nacionais. Por essa razão eles entendem que com o uso da Amazônia diminuirá os extraordinários recursos naturais da região, que eles consideram sua “propriedade”. Uma reserva estratégica para quando eles necessitarem. É a lógica do conceito que eu denomino “santuarista” – que defende a idéia da Amazônia como “patrimônio da humanidade”.

A nossa compreensão fica mais fácil se entendermos quais as concepções básicas que se expressam sobre a Amazônia.

[O DESENVOLVIMENTISMO = O PRODUTIVISMO]

A primeira dessas concepções estratégicas é o chamado desenvolvimentismo, ou melhor, o “produtivismo”. Por esta concepção o que importa é o crescimento econômico, sem nenhuma preocupação ambiental. Foi o que os países ditos de capitalismo avançado fizeram e, por isso mesmo, hoje se vêem às voltas com dificuldades objetiva de reduzirem a poluição, a degradação ambiental e até mesmo de disporem de recursos naturais adequados ao seu processo produtivo.

Como já demonstramos anteriormente, do ponto de vista filosófico, isso também é uma estupidez. Esta concepção predominou na década de 1970 em relação às políticas públicas e privadas para a Amazônia. A conseqüência foi o desmatamento intenso do Maranhão, do sul do Pará e de parte de Rondônia e do Acre, sem que houvesse o correspondente “progresso” apregoado. Desmoralizou-se, portanto.

[CONCEPÇÃO “SANTUARISTA”]

Em contraposição ao “produtivismo” surgiu a concepção “santuarista”, advogando que a Amazônia, pela sua importância, é um patrimônio da humanidade e que a sua floresta não pode ser mexida, é intocável. Muita gente, inclusive alguns que se proclamam de esquerda, por limitação teórica ou má fé, defende essa tese. Não entendem que ao aceitarem a tese de que a Amazônia é patrimônio da humanidade estão abrindo mão também da soberania do Brasil sobre a Amazônia brasileira.

[TEORIA DA “SUSTENTABILIDADE”]

Do embate entre as concepções “produtivista” e “santuarista”, surgiu uma terceira vertente: a chamada teoria da “sustentabilidade” à qual, particularmente, me filio. A sustentabilidade entende que não só a Amazônia, mas todo mundo, pode, e deve, se desenvolver respeitando o preceito filosófico de que ninguém pode agir impunemente sobre a natureza. Algo que se chama, normalmente, de teoria do desenvolvimento sustentado.

Hoje, a rigor, não se encontra ninguém que se assuma abertamente como “santuarista” ou “produtivista”. Todos se proclamam “sustentabilistas”, quando, em verdade, há muitos “produtivistas” e “santuaristas” que apenas se disfarçam de sustentabilistas para continuarem disseminando suas torpes idéias.

Um breve histórico permitirá que se explicite as várias táticas adotadas pelo imperialismo ao longo da história do Brasil em relação à Amazônia.

[MILITARISMO]

A primeira delas foi o militarismo puro. Na época da cabanagem, a Inglaterra – maior potência da época – propôs abertamente ao governador cabano Eduardo Angelin que separasse a Amazônia do Brasil em troca de apoio econômico e militar. Os cabanos refutaram o aliciamento e a Amazônia continuou brasileira.

[ARRENDAMENTO]

Depois, evoluíram para a teoria do arrendamento. Através de uma organização americana denominada “Bolivian Sindicate” eles pretendiam arrendar a porção amazônica do Acre, então sobre controle Boliviano. Uma revolução popular, liderada por Plácido de Castro, sepultou mais esta ofensiva e o Acre se tornou brasileiro, da Amazônia nacional.

[FORDLÂNDIA E BELTERRA]

A cada fracasso o imperialismo sofisticava a sua tática. Depois desses insucessos eles desenvolveram a tese de condicionar empréstimo ao Brasil à concessão de grandes áreas na Amazônia para desenvolver projetos econômicos. Era a vertente econômica sendo utilizada como instrumento geopolítico. O magnata Ford recebeu, então, milhares de hectares no Pará para cultivar seringueiras (Hevea brasiliensis). Instalou dois grandes empreendimentos, conhecidos como Fordlandia e Belterra. Uma fitopatologia, conhecida como “mal das folhas”, dizimou os seringais de cultivo e impediu o avanço do magnata americano sobre outras áreas.

[INSTITUTO DA HILÉIA]

Fracassada a investida militar, a tática do arrendamento e a vertente econômica, eles lançaram mão da ciência. Sob o argumento da incapacidade científica nacional eles propuseram a criação do Instituto da Hiléia, organismo composto por diversos países do mundo destinado ao estudo da Amazônia, no qual o Brasil teria um único assento. Era a ciência sendo usada como instrumento de geopolítica. Também fracassou. O governo brasileiro, a época chefiado por Getulio Vargas, reagiu criando o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com sede em Manaus.

[INTERVENÇÃO DOS EUA SOB O MANTO DA ONU]

Há também uma resolução da ONU que permite aos EUA – promovidos unilateralmente a xerifes do mundo – intervir em qualquer país, sob o manto dos capacetes azuis da ONU, para defenderem povos que estejam sendo oprimidos. Foi com base nessa resolução que os americanos fecharam o espaço aéreo Iraquiano, bem antes da invasão militar, sob o argumento de que o povo curdo estava sendo massacrado pelo exército de Sadam Hussein. Em boa medida é isso que temem os militares brasileiros em relação a um eventual conflito (real ou artificial) com relação aos povos indígenas.

[LEI DE ARRENDAMENTO DE FLORESTA]

Vários outros expedientes foram utilizados. A pressão sempre foi e continua sendo ostensiva. Derrotamos a maioria das investidas. Mas, a meu modo de entender, nós sofremos uma grande derrota, um golpe fundamental, quando o Brasil aprovou a lei de arrendamento de floresta, que permite a qualquer grande grupo estrangeiro arrendar milhares de hectares na Amazônia por 60 anos. Imaginar que será fácil se livrar desses arrendatários equivale a acreditar que se pode parar o caudaloso rio Amazonas com uma peneira. É uma lei de iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, de elevado conteúdo ideológico e político.

[A QUESTÃO AMBIENTAL]

E, finalmente, é a questão ambiental que passa a ser usada como pretensão hegemônica do imperialismo em relação à Amazônia. Primeiro tentam fazer crer, de acordo com o interlocutor, que as queimadas amazônicas são as grandes responsáveis pelo aquecimento global do planeta. Quem tem um mínimo de informação científica sabe que a Amazônia limpa (e não polui) o meio ambiente, na medida em que as emissões de gás carbônico (CO2) produzido pelas suas queimadas são menores do que a quantidade gás carbônico que ela seqüestra da floresta no seu processo natural de fotossíntese.

[O QUE OS “DEFENSORES” DA AMAZÔNIA FIZERAM COM SUAS FLORESTAS?]

Se o público é mais qualificado e tem informação suficiente para não se deixar enredar por essas fanfarronices eles apelam, então, para o caráter estratégico da região. Fazem abertamente a defesa da Amazônia como patrimônio da humanidade e advogam a sua intocabilidade como garantia para as gerações futuras. O que em parte é verdade. Mas, não custa perguntar: e o que eles fizeram com suas florestas?

Queimaram numa irracionalidade produtivista para acumular a riqueza que hoje possuem. Não podemos repetir a mesma estupidez, mas precisamos usar os nossos recursos, de forma sustentável para assegurar o desenvolvimento de mais de 20 milhões de pessoas que vivem na Amazônia e, ao mesmo tempo, contribuir com o desenvolvimento nacional.

[“AMBIENTALISMO” = PRETENSÃO HEGEMÔNICA]

Resumindo. O ambientalismo nunca foi uma preocupação ecológica para o imperialismo. Foi, é e sempre será, um instrumento de pretensão hegemônica, de natureza geopolítica. Da Companhia comercial londrina de 1832 à recente declaração do presidente alemão, Horst Köhler, em 2007, durante visita ao Congresso nacional brasileiro, defendendo a gestão compartilhada da Amazônia, o conteúdo é sempre o mesmo: a Amazônia como patrimônio da humanidade e a sua internacionalização.

Com estes fatos históricos quero mostrar que o imperialismo sempre usou, e continuará usando, todas as táticas para se assenhorear da Amazônia."

AUMENTO DE IMPOSTOS: MARCA DO PSDB E DEM

Obtive no “blog do Favre”, ontem, os interessantes resumos abaixo transcritos. A origem dos textos seria o Jornal da Tarde, segundo Luis Favre.

O IMPOSTO ESTADUAL DE ALCKMIN E SERRA

"Quando assumiu o governo de São Paulo, em 2001, Alkmin encontrou uma arrecadação de impostos estaduais que retirava anualmente R$ 845,00 de cada cidadão paulista. Ao deixar o governo, em 2006, cada paulista pagava R$ 1.637,00, um aumento de 93,7%, contra uma inflação no período de 78,5%. E Alkmin ainda fala que “aumento de impostos é uma marca do PT”.

Com Serra, o governo do Estado continuou avançando sobre o bolso dos paulistas. Se no último ano da gestão de Alkmin cada paulista pagou R$ 1.637,00 em impostos estaduais, este ano, a projeção indica que o governo vai retirar R$ 2.129,00 de cada habitante de São Paulo. Um aumento de 30%, ante uma inflação de 12,85%.

O IMPOSTO MUNICIPAL DE KASSAB

Em 2004, último ano de Marta Suplicy à frente da prefeitura, cada paulistano pagava, em média, R$ 1.240,00 por ano em impostos municipais. Neste ano, o último da gestão Serra/Kassab, cada paulistano pagará, em média, R$ 2.308,00 em impostos municipais, um aumento de 86,12%, diante de uma inflação de 19,5% no mesmo período. E Kassab ainda acusa Marta de criadora de impostos e taxas...”

AS GIGANTESCAS PROPINAS DA ALSTOM PARA O PSDB

Hoje, terça-feira, 24 de junho, leio mais um capítulo do escândalo internacional que atinge em cheio os tucanos, mas que tem sido tratado com muita parcimônia e maquiagens atenuantes pelo Congresso Nacional, pela grande mídia brasileira e pela Assembléia Legislativa de São Paulo.

Porém, o caso está cada vez mais feio para os tucanos nas investigações conduzidas em outros países, com grande repercussão na imprensa estrangeira. “De acordo com o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) da Suíça, para ganhar contratos com o governo paulista, o suborno teria como destino o "partido no poder" em São Paulo em 1997 - o PSDB -, o Tribunal de Contas e a Secretaria de Estado de Energia” diz o Estadão de hoje.

Li a matéria no blog “por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, a qual obteve o texto de Eduardo Reina no jornal O Estado de São Paulo. Transcrevo, acrescentando pequenas observações entre colchetes:

"ALSTOM GIROU US$ 31 MILHÕES EM PROPINA, DIZ AUDITORIA"

"PARTE DESSE DINHEIRO TERIA IDO PARA INTEGRANTES DO PSDB DE SÃO PAULO ENTRE 1995 E 2003"

“Auditores da KPMG Fides Peat, na Suíça, que trabalharam para a comissão bancária federal [da Suiça], descobriram documentos que detalham o envio ilegal de cerca de 20 milhões [de euros] - algo em torno de US$ 31 milhões - pela Alstom.

O dinheiro teria sido enviado para empresas fantasmas e contas em bancos na Suíça e em Liechtenstein. O destino final seria servidores públicos que negociaram com funcionários da empresa francesa no Brasil, Venezuela, Cingapura e Indonésia.

Acredita-se que o montante dos contratos obtidos mediante o suborno somava pelo menos US$ 200 milhões e que as comissões eram de, no mínimo, 15%. Entre os contratos conquistados estaria o de uma usina hidrelétrica no Brasil, que foi concluída em 2001, além de outros na Venezuela, Cingapura e Indonésia. Nesse valor total está incluído pelo menos um com o Metrô de São Paulo. Alguns dos projetos, incluindo o metrô, tiveram parte do financiamento bancado pelo Banco Mundial. Esse esquema teria funcionado entre 1995 e 2003.

Até 1997, o pagamento de remuneração a servidores era legal na França. Na lista de suspeitos que movimentaram as contas fantasmas estão quatro empresários de São Paulo, um contador em Paris e um banqueiro suíço de Zurique.

Pelo menos nove pastas com inúmeros documentos estavam escondidas na casa de uma secretária desse banqueiro suíço e acabaram apreendidas em janeiro de 2004. Essa secretária estava de licença-maternidade. As Justiças suíça e francesa tentam descobrir a identidade de um intermediário no Brasil identificado como Cláudio Mendes. Ele teria sido o principal canal para os supostos pagamentos de propina no País.

De acordo com o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) da Suíça, para ganhar contratos com o governo paulista, o suborno teria como destino o "partido no poder" em São Paulo em 1997 - o PSDB -, o Tribunal de Contas e a Secretaria de Estado de Energia.

No dia 30 de maio, o Estado [jornal O Estado de São Paulo] revelou que seis empresas offshores teriam sido utilizadas para repassar propinas a políticos paulistas, segundo investigações. Os pagamentos somam pelo menos R$ 13,5 milhões.

Offshore é uma empresa constituída em paraísos fiscais, onde goza de privilégios tributários e proteção por regras de sigilo que dificultam as apurações.

A que recebeu mais depósitos é a MCA Uruguay, de Romeu Pinto Jr., com movimentação de R$ 8,7 milhões. Pinto Jr. disse que sempre trabalhou com empresas de consultoria e trouxe muitos negócios para o Brasil. "Isso é guerra de gente grande. Sempre cumpri meu serviço e só depois de 12 anos isso começa a incomodar?"

Também integrariam o esquema a Taltos Ltda., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, administrada por José Geraldo Villas Boas. A Taltos teria recebido depósitos da Alstom equivalentes a R$ 3 milhões. Ao jornal Wall Street Journal, Villas Boas disse que criou a Taltos para receber comissões de seu trabalho em vários projetos e muitos contratos eram "ficções" para realizar um pagamento.

Foram identificadas a Splendore y Associados, com escritório fantasma em São Paulo, e a Andros Management, sediada nas Bahamas, ambas administradas por franco-brasileiros. A Splendore seria de Jean Marie Lannelongue.

O esquema envolvia ainda as offshores Janus Holding e Compania de Asesores de Energia S.A.

Comissões também teriam sido pagas à Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos, sediada em Monteiro Lobato, interior paulista. "Sempre atuei no Brasil, e no Brasil recebi o pagamento dos serviços que efetivamente prestei, como será comprovado", disse Sabino Indelicato, dono da construtora.”

COMO MATARAM A VARIG

RELATO DE ESPECIALISTA REVELA A CAUSA MORTIS: BRASIL

No blog de Cora Rónai (cora.blogspot.com), encontrei o artigo abaixo transcrito. Vale a pena lê-lo. Ele também foi publicado no jornal O Globo de 19 deste mês. Explica com precisão e clareza por que a VARIG faliu. Demonstra, também, que todos os governos brasileiros dos últimos trinta anos foram os matadores da VARIG.

Acrescentei pequenas explicações [entre colchetes] e coloquei em negrito alguns trechos, visando a maior facilidade de leitura:

COMO MATARAM A VARIG

“Na semana passada, recebi dezenas de emails de funcionários, ex-funcionários, familiares de funcionários e até simples passageiros da VARIG, que, como eu, não se conformam com o que aconteceu à empresa. Respondi a quantos pude, continuo em falta com tantos outros, mas saibam que agradeço, de coração, a todos que me escreveram.

Hoje publico um desses emails, que recebi de fonte confiável, e que me pareceu particularmente importante. Ele é o resumo de alguns fatos que muitos de nós já conhecíamos, mas que, apresentados em conjunto, ganham uma dimensão deveras sinistra.

Ninguém precisa ser um Hercule Poirot para descobrir que, independentemente de outros fatores, o que acabou com a VARIG foi o simples fato de ser brasileira. Ou, como se diz em economês, o tal “custo Brasil”. Leiam:

“Podemos começar a enumerar as nossas desgraças a partir da reserva de mercado de informática [governo Figueiredo], que proibia às empresas brasileiras a importação de hardware e software, mas permitiu às estrangeiras a instalação de equipamentos e programas de última geração, desenvolvidos a custos milionários em suas nações.

Isso obrigou a VARIG a criar uma fábrica de computadores, já que não havia fornecedores nacionais, dando origem ao que chamamos de TEVAR (Terminal VARIG) e, paralelamente, a desenvolver o programa Iris para reservas, com estrutura muito inferior à dos estrangeiros, pela falta de investimentos e de experiência no ramo.

Outro fator que ninguém parece conhecer (ou querer abordar) foi a abertura dos nossos céus para as empresas americanas, durante o Governo Collor, com concessões até hoje não preenchidas no acordo bilateral.

Isso permitiu que empresas gigantescas competissem com a VARIG com uma série de vantagens: não pagavam Pis/Cofins de 6,7% sobre o combustível (que representa 30% dos custos de uma companhia de aviação); o capital de giro custava, para as estrangeiras, 8% a.a., ao passo que, para a VARIG, saia a mais de 100% a.a.; os bilhetes eram taxados em 7,5% nos EUA, em 14% na Europa e, aqui, em 34,7%; os componentes para a manutenção precisavam ser importados com até seis meses de antecedência, tamanha a burocracia, enquanto as estrangeiras compravam no seu próprio mercado, 'on demand', já que a maioria dos fabricantes ficava em seus países, ou seja, gastavam apenas quando precisavam, livres da incidência de impostos com que arcávamos.

E ainda havia quem acusasse as empresas nacionais de falta de competitividade!

Pouca gente se lembra, também, da criação do EMB 145 Jet Class, jato de pequeno porte (50 assentos), fabricado pela EMBRAER. Como a EMBRAER não tinha experiência com o delineamento destes aviões, pediu à VARIG que, através da participação de seus engenheiros, técnicos, pilotos e outros funcionários ajudasse no detalhamento da aeronave, o que foi feito.

Finalmente, para que o produto pudesse ser lançado, era necessário um “launching customer”. Para incentivar isso, o antigo DAC editou uma portaria que limitava o mercado do Santos Dumont para vôos VDC (vôos diretos aos centros: Brasília, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba, com exceção de Congonhas), apenas para aviões de 50 assentos.

A VARIG, através de sua subsidiária RIO-SUL, lastreada nesta portaria, encomendou os primeiros 16 aviões, participando do início do sucesso desta aeronave pelo mundo. Cada avião custava em média U$ 140 mil por mês, e o contrato tinha vigência de seis anos.

Acontece que, por pressão da TAM e da recém-criada GOL, a portaria foi cancelada depois de dois anos [governo FHC], permitindo o acesso de B-737-300 e Airbus ao Santos Dumont, para VDC. Ambos têm mais de 130 assentos, e custavam em torno de U$ 100 mil por mês. À RIO SUL não foi permitido o cancelamento do contrato, honrado até o final.

Parece maldade demais com uma única companhia, e é mesmo -– mas tem mais. Entre as misérias que afligiram a VARIG, concessionária de serviços públicos com obrigações de empresa estatal, mas funcionando em regime privado, estava o ICMS indevido cobrado pelos estados sobre os bilhetes, já transitado em julgado em vários estados. Até agora, o Rio de Janeiro foi o único a pagar o que devia, num montante superior a R$ 1 bilhão.

E o AERUS? Muita gente pensa que este instituto de pensão privada é da VARIG, mas ele foi criado pelo governo sobre três pilares: as patrocinadoras (empresas), os participantes (empregados) e uma taxa de 3%, cobrada sobre as tarifas nacionais, com vigência de 30 anos, para dar sustentabilidade ao plano.

Após cerca de dez anos, o terceiro pilar (a taxa) foi extinto pelo governo, o que motivou a saída da TAM do plano. Como a VARIG já tinha aproximadamente quatro mil aposentados assistidos, continuou a fazer parte do instituto, com todas as dificuldades conhecidas. Este assunto, aliás, é objeto de ação contra a União. Caso sejam vencedoras as companhias aéreas, estarão resolvidos quase todos os problemas do AERUS.

Há outras frentes de luta judicial. A mais notória é a da defasagem tarifária, que se resume ao seguinte: durante o governo Sarney, as tarifas foram congeladas, sem o correspondente congelamento dos insumos, o que causou enormes prejuízos às empresas brasileiras. A TRANSBRASIL, com causa semelhante, embora com valores menores, já ganhou (e recebeu) mais de R$ 700 milhões. O montante da causa da VARIG, se recebido, a tornaria a empresa mais saudável da América Latina.

O mais cruel é perceber que ninguém se importa com o que se gastou na formação dos mais de quatrocentos pilotos que fornecemos, graciosamente, para as empresas estrangeiras, que agora os aproveitam sem ter tido o trabalho de formá-los. Sabe quanto custa a formação de um piloto deste nível? Cerca de meio milhão de dólares.

Ninguém se importa com as divisas que deixamos de receber, da ordem de um bilhão e duzentos milhões de dólares anuais, assim como ninguém se importa com os milhares de aposentados e funcionários que ficaram em dificuldades.

Isso sem falar no caos aéreo que se instalou no país, para o qual hoje procuram bodes expiatórios, mas cuja causa real foi a crise da VARIG.”

OS EUA QUEREM AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS MENORES E VOLTADAS PARA O COMBATE INTERNO AOS TRAFICANTES

Esse conceito não é novidade. Trago-o à pauta por dois motivos. O primeiro é o acirramento do debate, depois do recente incidente do Morro da Previdência, quanto ao emprego das Forças Armadas brasileiras em ações internas de segurança e de combate ao narcotráfico. Alguns artigos da nossa imprensa questionam, até mesmo, a necessidade de o Brasil ter Forças Armadas.

O segundo decorre de eu ter reencontrado uma pasta perdida onde guardava recortes e anotações. Hoje, achei oportuno recordar uma reportagem da Veja da semana de 26/02/1992. O artigo da revista abordou a pressão do governo dos EUA sobre o então presidente Collor e seus ministros militares para que o Brasil reduzisse as Forças Armadas e destinasse o restante somente para o combate interno aos traficantes.

Por quê? É óbvio que, para o governo norte-americano, o mundo seria muito mais submisso aos seus interesses se somente as Forças Armadas dos EUA continuassem crescendo e se aparelhando até os dentes, cada vez mais, e os demais países ficassem sem capacidade de defesa contra agressões externas, apenas com reduzida força para a segurança interna, o combate ao narcotráfico e para outras pequenas ações de polícia. Se a China, a Rússia, a Índia, o Brasil e outros seguissem essas diretrizes de desarmamento expressas pelos norte-americanos seria o nirvana para o aumento e a perpetuação do poder hegemônico dos EUA.

RECORTES 11:

Vejamos trechos do recorte de uma reportagem da revista Veja da semana de 26/02/1992:

RECEITAS DE CASERNA

SECRETÀRIO DE DEFESA AMERICANO SUGERE QUE FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS EMAGREÇAM E COMBATAM O NARCOTRÁFICO

“O Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Richard Cheney, 51 anos, ficou apenas 24 horas em Brasília na semana passada.

(...) Cheney usou na conversa de 25 minutos que teve na manhã de terça-feira com o Presidente Fernando Collor a mesma fala mansa de suas aparições na televisão para falar dos avanços aliados no Iraque.

No encontro, o secretário [...] disse a Collor que os Estados Unidos esperam do Brasil a redução de seu efetivo militar -cerca de 325.000 homens- e o maior engajamento das Forças Armadas no combate ao tráfico de drogas.

(...) Na visão americana, o ‘esfarinhamento’ da Guerra Fria e o fim da oposição entre os dois grandes blocos armados tornaram dispensável a manutenção de efetivos militares nas nações amigas dos americanos e inimigas do comunismo. A prioridade do governo americano na América Latina passou a ser o combate ao narcotráfico”

A revista Veja, como não poderia deixar de ser, logo “vestiu a camisa” do interesse norte-americano. Ela desenvolveu aquela reportagem já voltada com simpatia para aquelas diretrizes de Cheney. No seu tradicional estilo, debochou dos “nossos generais” que estavam reticentes e terminou o artigo com ironia:

“Na versão de um assessor direto de Collor, a implicância dos militares brasileiros [ao não simpatizarem com a orientação recebida dos EUA] não é constitucional: “A Marinha não quer virar uma simples guarda - costeira, a Aeronáutica não quer ser um táxi aéreo e o Exército tem medo de se transformar numa central de guarda - costas”. Não são missões tão ruins assim. São tarefas que poderiam até treinar e enrijecer a tropa enquanto ela se prepara para uma guerra que nunca virá.”

Aquelas “ordens” de Washington em fevereiro de 1992 não pegaram Collor de surpresa. Um antecessor de Cheney, o influente ex-secretário de defesa dos EUA e ex-presidente do Banco Mundial, Robert McNamara, já publicara, em abril de 1991, que o Brasil e outros países do Terceiro Mundo, mediante “severas condicionalidades”, “teriam suas ajudas financeiras vinculadas à redução dos gastos militares a níveis ideais, ao menos à metade até o final da década”.

Nos governos Collor e FHC houve o cordato desencadeamento daquelas instruções dos EUA, com todo o apoio da grande mídia brasileira.

Especialmente durante os dois governos PSDB/PFL/FHC, volta e meia era tema de autoridades e da nossa imprensa: “Forças Armadas para quê?”.

Sobre aquele veneno de fraqueza e subserviência em nós inoculado, vejo outros dois pequenos recortes na pasta que reencontrei:

O jornal Folha de S. Paulo (FSP) publicou em 02/05/2004, como “Opinião”: “O Brasil ter Forças Armadas é só por diletantismo, já que há décadas não há guerras e não há nenhuma guerra à vista”. Naquele mesmo ano, no dia da celebração da independência brasileira, a Folha publicou: “Parada militar para celebrar o chamado Dia da Pátria é, em país pacífico, uma imitação de países guerreiros e, acima de tudo, uma impropriedade absoluta e lamentável” (Jânio de Freitas, FSP, 07/09/2004).

Assim, naquele ambiente, as desarmadas Forças Armadas brasileiras se tornaram, ao longo da década de 90, ainda mais obsoletas, frágeis, sucateadas. Perderam todo o poder dissuasório. Muito fracas até frente a vários outros países sul-americanos.

O país, dolosa ou inocentemente, ficou sem o mínimo indispensável respaldo militar para uma política externa soberana. O US. Department of Defense (DoD) foi obedecido.

As gigantescas reservas petrolíferas agora descobertas pelo Brasil agravam muito mais esse grave quadro de ausência de capacidade de defesa do patrimônio brasileiro.

Contudo, conhecendo a nossa imprensa e os maiores interesses externos que elas atendem, não estou surpreso ao ouvir novamente: “Forças Armadas para quê?”

Por fim, uma observação. Como diz o velho ditado, tudo tem vantagens e desvantagens (exceto ser juiz do STF, que somente tem vantagens). A discussão atual decorrente do assassinato de três rapazes do Morro da Providência, debate esse magnificado por mesquinhas e regionais lutas Globo+Gabeira x Record+Crivella, traz uma vantagem para o Brasil. Por interesses menores e imediatos, o Exército está sendo condenado na mídia a afastar-se de missões de segurança pública, do combate a traficantes. E isso é ótimo para a defesa nacional e contraria aquelas ordens de Washington acima comentadas, que querem nossas Forças Armadas no máximo como polícias.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

PETRÓLEO: SISTEMA IMPLANTADO POR FHC/PSDB É “BILHETE PREMIADO” PARA ESTRANGEIROS

Essa conceito está contido na reportagem de hoje do jornal inglês “Financial Times”, em texto de Jonathan Wheatley.

Recordo aos leitores que, em 26 de maio último, este blog postou um artigo de título “Recortes-6: A Petrobras e a Visão do PSDB/FHC/DEM-PFL - Ufa! Escapamos!“

Naquela postagem, escrevemos (cito trechos):

“Os brasileiros devem rezar fervorosamente em agradecimento pelo milagre de o governo PSDB/PFL-DEM/FHC não ter conseguido concluir a desestatização e a venda integral da empresa para estrangeiros, como já estava em curso.

O processo tucano-pefelento contra a Petrobras tomou impulso quando, em 1995, modificaram capciosamente o artigo 177 da Constituição Federal. Prosseguiu em 1997, quando promulgaram a Lei nº 9.478. Muitos outros danos ao patrimônio brasileiro foram perpetrados e são de muito difícil correção.

Somente os dois atos citados permitiram contratos de concessão para estrangeiros explorarem petróleo no Brasil com o surpreendente benefício (além de gordos lucros com baixos riscos) de poderem fazer com o produto o que bem entenderem, inclusive exportá-lo integralmente, mesmo em situação de carência no mercado brasileiro.

As benesses concedidas pelo governo PSDB/PFL-DEM/FHC aos estrangeiros, estatais e privados, foram perplexantes, à custa de um patrimônio que a Nação havia acumulado em décadas de empenho e sacrifício.”

A matéria de hoje do Financial Times abaixo transcrita, que li no portal UOL Mídia Global, aborda, entre outros aspectos, essas benesses concedidas aos estrangeiros:

"PETROBRAS QUER QUE O BRASIL ATUALIZE AS NORMAS DE PRODUÇÃO"

"O Brasil precisa mudar as leis que regem o setor petrolífero para lidar com o advento de seu status de grande país produtor de petróleo e captar maiores receitas para o Estado, disse Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás, o grupo petrolífero controlado pelo governo.

Os comentários de Gabrielli, feitos em uma entrevista ao "Financial Times", chegam em meio aos prolongados debates sobre as futuras condições de controle sobre as companhias petrolíferas que operam no Brasil, depois da descoberta de reservas potencialmente gigantescas de petróleo no litoral do país.

Aloizio Mercadante, senador que é consultor econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse recentemente ao "FT" que as avaliações iniciais sugerem que os novos campos contenham o equivalente a algo entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris de petróleo e gás natural - um imenso avanço sobre as atuais reservas comprovadas de 14,4 bilhões de barris, o bastante para colocar o Brasil à frente da Rússia, na primeira divisão entre os países produtores de petróleo.

Gabrielli recusou-se a precisar qual o tamanho dos novos campos. Ele declarou apenas que em um campo, conhecido como Tupi, havia dois poços exploratórios sendo perfurados, o suficiente para dar uma indicação confiável de número entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás. Ele disse que cinco outros poços haviam sido perfurados em outros campos e dois outros estavam sendo abertos.

"No momento, estamos otimizando nossa aparelhagem para perfuração a fim de encontrar novas áreas, e não de especificar os volumes", afirmou.

Um consultor que pediu para não ser identificado disse que todos os poços até agora perfurados nos novos campos encontraram as mesmas condições: "Muito petróleo com muito mais gás que o normal, com elevada pressão e (indicando) uma produtividade bastante elevada."

Os novos campos estão sob um banco de sal de cerca de 800 quilômetros de comprimento e mais de 200 quilômetros de largura, a cerca de 250 quilômetros de distância da costa. Ficam sob dois mil metros de água do mar e outros 5.000 metros de rocha, presos sob depósitos de sal altamente voláteis e de alta pressão, tornando difícil e cara a extração.

Mas a aparente quase certeza da descoberta de petróleo nos novos campos indicam que a utilização do sistema existente de concessões do Brasil seria, como disse Gabrielli, a mesma coisa que convidar os investidores "a comprar um bilhete de loteria premiado."

Sob as regras atuais, as companhias petrolíferas compram concessões para procurar petróleo em blocos geograficamente demarcados, em geral em parceria com a Petrobras. Em contrapartida ao risco envolvido, elas recebem o controle sobre qualquer petróleo que encontrarem, pagando royalties ao Estado.

A Petrobras está explorando o campo Tupi em parceria com a BG do Reino Unido e a Galp de Portugal. Outros parceiros em campos na área pré-sal incluem a Royal Dutch Shell, Norse Energy e El Paso.

Gabrielli afirmou que nenhuma mudança seria introduzida nas concessões já feitas, mas que a futura exploração dos campos da camada pré-sal exigia novas normas. Em novembro passado, a ANP, a entidade regulatória do setor de petróleo, removeu os campos da camada pré-sal de seu leilão atual de licenças de concessão após o anúncio da descoberta de Tupi.

Representantes do setor defenderam a manutenção do sistema existente para os novos campos, dizendo que estão contentes em pagar royalties mais elevados.

Haroldo Lima, presidente da ANP, recentemente defendeu essa opinião. Mas Gabrielli e muitos no governo preferem algo semelhante ao sistema de "produção compartilhada", sob o qual as reservas continuam como propriedade do país e as companhias petrolíferas receberiam uma participação de todo petróleo que produzissem.

Analistas avaliam que o principal inconveniente desse sistema para as companhias petrolíferas é que o governo poderá determinar a taxa de produção de acordo com considerações não comerciais, tais como o impacto da produção sobre a inflação ou a taxa de câmbio.

Gabrielli afirmou que essas considerações já são importantes para a Petrobras - que é controlada pelo governo, embora cerca de 70% de seu capital esteja em mãos de investidores privados, a maior parte na forma de ações sem direito a voto.

"A Petrobras detém quase 100% da capacidade de refino no Brasil, portanto nós estabelecemos os preços," ele disse. "Precisamos ser cuidadosos com as conseqüências de nossas decisões."

Muitos analistas argumentam que para que o modelo de produção compartilhada fizesse sentido no Brasil, o governo precisaria criar uma nova empresa, de propriedade totalmente pública, para assumir o controle das reservas nos campos da camada pré-sal, uma vez que colocar a Petrobras no controle envolveria a divisão na propriedade das reservas com seus acionistas minoritários. Porém, para Gabrielli, não está claro se isso será necessário.”

AINDA OUTRO RECORDE PARA A ECONOMIA BRASILEIRA: RESERVAS INTERNACIONAIS

Vejamos essa outra boa-nova para o Brasil, divulgada pelo Banco Central e publicada há pouco pela Folha Online, com texto de Eduardo Cucolo:

RESERVAS INTERNACIONAIS SE APROXIMAM DOS US$ 200 BILHÕES

“As reservas internacionais fecharam os cinco primeiros meses do ano em US$ 197,9 bilhões, um aumento de US$ 2,1 bilhões em relação ao mês anterior. As compras do BC somaram US$ 2,52 bilhões em maio e US$ 13,2 bilhões no ano.

Segundo dados do Banco Central, o valor vem se aproximando mais da dívida externa total, que alcançou US$ 201,6 bilhões em março (dado verificado) e US$ 203 bilhões em maio (dado estimado).

A dívida de curto prazo caiu de US$ 39 bilhões para US$ 38,2 bilhões. A dívida de médio e longo prazo subiu de US$ 162,6 bilhões para US$ 164,8 bilhões.”

LULA REDUZINDO A DESIGUALDADE DE RENDA

A coluna “Dinheiro” da Folha Online, com texto da sua editora Karen Camacho, publicou há 15 minutos outra notícia de extrema relevância social e econômica para o principal problema do Brasil: a desigualdade:

SALÁRIO DA BAIXA RENDA SOBE 4,9 VEZES MAIS QUE DE RICOS, INDICA IPEA"

"Os salários dos trabalhadores de menor renda subiram quatro vezes mais na comparação com os ocupados de renda mais alta, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta segunda-feira.

Para a análise, o instituto divide os trabalhadores ocupados em dez faixas, sendo a primeira os 10% com menor renda e, assim por diante, até a última, com os 10% com maiores rendimentos.

Os 10% com menor renda registraram aumento de 21,96% nos salários entre 2003 e 2007, passando de R$ 169,22 mensais para R$ 206,38, em média.

Já os 10% com maior renda registraram ganhos de 4,91%, passando de salário médio de R$ 4.625,74 em 2003 para R$ 4.853,03, no mesmo intervalo.

Dentro desse período, a maior variação da baixa renda foi observada entre 2006 e 2007, quando os salários registraram ganho de 9,4%, na média. No mesmo intervalo, a média de aumento salarial foi de 3,2%, considerando todas as faixas de renda. Já o grupo dos maiores rendimentos registrou aumento de 2,6%, em média.

ÍNDICE DE GINI

O principal reflexo desse movimento é a redução da desigualdade de renda, com queda no Índice de Gini entre ocupados --indicador de desigualdade de renda (quanto mais perto de 1, mais desigual).

Segundo a pesquisa, o índice era de 0,540 em 2002, considerando apenas os ocupados, e não a renda geral da população, que pode incluir benefícios ou programas sociais. Já em 2007, esse número caiu para 0,509.

Considerando os dados trimestrais, o Índice de Gini registrou queda de 0,543, no quarto trimestre de 2002, para 0,505, no primeiro trimestre de 2008, o que representa uma redução de 7%.

Ainda na análise por trimestre, o índice chegou a seu nível mais baixo com 0,502 no terceiro trimestre de 2007, após a maior queda da série (o índice estava em 0,514 no trimestre anterior).”

Complemento essa notícia com uma informação de hoje da BBC (Brasil):

"A desigualdade entre os rendimentos dos trabalhadores brasileiros caiu quase 7% entre o quarto trimestre de 2002 e o primeiro de 2008"

BRASIL JÁ É O 4º MAIOR MERCADO DE COMPUTADORES NO MUNDO

A Folha Online publicou hoje que o número de PCs em uso no planeta ultrapassa 1 bilhão e que o Brasil já está, em 2008, na 4ª posição, atrás dos EUA, China e Japão.

Transcrevo:

“O número de PCs em uso no planeta ultrapassou 1 bilhão, com forte crescimento dos mercados emergentes, e esse número pode dobrar até 2014. O dados foram divulgados nesta segunda-feira (23) pela consultoria Gartner.

O centro de pesquisas espera que 180 milhões de computadores serão substituídos só neste ano. Atualmente, os mercados desenvolvidos contam com 58% dos computadores utilizados, mas no próximo bilhão farão parte de apenas 30%.

O Brasil vendeu 2,82 milhões de PCs no primeiro trimestre deste ano, o equivalente a cerca de 21,5 unidades por minuto, segundo adiantou a Folha Online neste mês.

O resultado representa uma alta de 18,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram vendidos 2,378 milhões de computadores. A expectativa é que o Brasil feche 2008 com 13 milhões de máquinas vendidas, o que faria do país o quarto maior mercado de PCs do mundo, ultrapassando o Reino Unido.

Os resultados de 2007 colocaram o Brasil na quinta posição, atrás de Estados Unidos, China, Japão e Reino Unido.”

MAIS RECORDES PARA A ECONOMIA BRASILEIRA: INVESTIMENTO ESTRANGEIRO

Antes do almoço de hoje, o portal UOL postou a seguinte boa notícia publicada pelo jornal Valor:

INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO AUMENTA 33% NO ANO E ATINGE US$ 14 BI

“A entrada de investimentos externos diretos líquidos no país totalizou US$ 1,313 bilhão em maio, informou há pouco o Banco Central (BC). Um ano antes, houve ingresso de US$ 497 milhões.

Nos cinco primeiros meses de 2008, foi registrada a entrada líquida de US$ 13,984 bilhões (2,44% do PIB), um aumento de 32,75% sobre os US$ 10,534 bilhões verificados em intervalo equivalente de 2007 (2% do PIB).

Nos 12 meses até maio, ingressaram US$ 38,035 bilhões, ou 2,79% do Produto Interno Bruto (PIB).”

MEMÓRIA DA RUÍNA TUCANA

Ontem, li no jornal Folha de São Paulo um texto interessante de Vinicius Torres Freire, em artigo com o título acima. Transcrevo somente a parte final do texto, a que aborda o PSDB de hoje.

Busquei na internet maiores informações sobre o autor e encontrei o seguinte: “Vinicius Torres Freire nasceu no Rio de Janeiro em 1965. Estudou ciências sociais e letras na USP, foi pesquisador visitante da Universidade da Califórnia (San Diego) e faz MBA em finanças. Começou no jornalismo no "Jornal da Tarde", em 1985, resenhando livros. Trabalhou na Editora Abril, no "Estado de S.Paulo", e foi, sucessivamente, editor de Educação, editor de Ciência, correspondente em Paris, editor de Opinião e editor de Economia da Folha. Atualmente, é secretário de Redação” [da Folha].

DE TÃO PARECIDO COM A MODERNIDADE AVACALHADA QUE IMPLANTOU NO PAÍS, PSDB NADA TEM A DIZER AO PÚBLICO

(...) “Hoje, o PSDB tem um governador denunciado à Justiça (Teotonio Vilela, Alagoas) e amigão de Renan Calheiros. No Rio Grande do Sul, os pedaços da coalizão tucana se acusam de bandidagem e mau-caratismo, todos aparentemente com razão. O governador tucano de Minas ameaça namorar o lulismo, chantagem que tem como objetivo confrontar o governador de São Paulo, que corre o risco de deixar como grande legado político a implantação do PFL (Democratas) no Estado, antes praga inaudita. Com os anos, aparecem os esqueletos corruptos do partido, vide o caso Alstom.

O neotucanato é a direita que não ousa dizer seu nome, o alckmismo, que deixou a gestão do Estado em estado de choque, vide o desastre na educação paulista, a falácia da responsabilidade fiscal e a inanidade do desenvolvimento estadual durante o governo Alckmin. No campo das "idéias", a liderança tucana no Congresso faz chacrinha sobre responsabilidade fiscal, mas vota anônima e unânime a favor de projetos que estouram o orçamento público. Se passa a picuinhas e vergonheiras como fingir-se de morta quando nota que as CPIs que defende se voltam também contra o próprio partido.

O último candidato tucano a presidente renegou o seu arremedo de programa e até mesmo a receita de bolo fernandina. Como o petismo-lulismo é a reprodução ampliada e pirateada do velho programa tucano e como o "choque de capitalismo" do PSDB realizou-se, a seu modo avacalhado, o tucanato nada tem a dizer que contraste com a realidade da política e da vida brasileiras. O PSDB é só uma briga de foice por um lugar no horário eleitoral gratuito.”

MILITARES MERCENÁRIOS CONTRATADOS PELOS EUA ATUAM NA AMÉRICA LATINA

Este blog já mencionou o artifício utilizado pelo governo dos Estados Unidos para driblar as leis internacionais e agirem abusivamente pelo mundo. Um desses artifícios é a empresa de militares mercenários Blackwater, ligada ao vice-presidente dos EUA.

Algumas dessas nossas postagens foram: em 4 de junho, “Os EUA promovem conflitos na América do Sul” (14ª parte da série “o Brasil e as guerras mais recentes dos EUA”) e, em 2 de junho, “Super tucano para o vice-presidente dos EUA”.

Ontem, o jornal Folha de São Paulo publicou um artigo de Andrea Murta que mostra que os negócios andam tão bem para empresas mercenárias norte-americanas que elas já "são capazes de derrubar um pequeno governo. E atuam, inclusive, na América Latina”, segundo o autor norte-americano Jeremy Scahill.

Vejamos os dois textos da Folha:

EXÉRCITOS PRIVADOS MIMETIZAM FORÇAS ARMADAS DOS EUA

Empresas mercenárias, como a Blackwater, "são capazes de derrubar um pequeno governo", afirma autor americano

Jeremy Scahill diz que governos não precisam mais de aliados -basta alugar soldados; empresas agem em impunidade quase total

“A empresa americana Blackwater começou a aparecer para o público em 2004, quando quatro de seus "agentes privados de segurança" -nome eufemístico dado a mercenários modernos- foram mortos, mutilados e queimados por uma multidão furiosa na cidade iraquiana de Fallujah.

Em 2007, novas manchetes dedicadas à Blackwater deram pistas do motivo do ódio de iraquianos a agentes privados: mercenários da empresa mataram 17 civis em Bagdá, em ação, segundo investigação do FBI, absolutamente injustificada.

E os mercenários não estão no Iraque por acaso: são contratados pelos EUA para, principalmente, fazer a segurança de diplomatas e instalações -com ação facilitada pela quase completa impunidade. Para Jeremy Scahill, autor de "Blackwater -A Ascensão do Exército Mercenário Mais Poderoso do Mundo" (Companhia das Letras, 2008, R$ 52), os negócios andam tão bem para empresas mercenárias que elas já "são capazes de derrubar um pequeno governo". E atuam, inclusive, na América Latina.

Leia a seguir a entrevista que ele concedeu à Folha.

FOLHA - Como a Blackwater reflete a história da guerra moderna?

JEREMY SCAHILL - Ela representa a nova face das guerras travadas pelos EUA. Desde a Segunda Guerra, o governo americano vem privatizando radicalmente suas capacidades militares. No Iraque, há mais agentes privados do que soldados americanos. A Blackwater formou um aparato paralelo das forças de segurança: tem Força Aérea, Marinha, aeroportos. E 90% dos contratos da Blackwater são com o governo americano.

Agora estão trabalhando em sua própria agência de inteligência, uma CIA particular. Veja, atualmente os EUA têm 16 agências governamentais de inteligência, com um orçamento conjunto de entre US$ 40 bilhões e US$ 60 bilhões -o número exato é secreto. 70% desse orçamento é usado para pagar serviços de empresas privadas. Quem garante que uma empresa privada que tem milhões em contratos com o governo americano não vai incluir em relatórios para outros governos informações que são de interesse da Casa Branca?

FOLHA - Qual a relação dos mercenários com a guerra ao terror?

SCAHILL - São parte essencial da guerra ao terror. Um presidente como George W. Bush pode ganhar muito com essas empresas. Ele não precisa mais formar uma coalizão com governos estrangeiros nem lidar com uma opinião pública internacional hostil. Pode pagar por uma coalizão de corporações, que vão contratar mercenários, inclusive em países cujos governos se opõem às guerras.

Isso aconteceu no Chile, que votou contra a invasão do Iraque quando era membro rotativo do Conselho de Segurança da ONU. O governo Bush, através da Blackwater, enviou para o Iraque centenas de chilenos.

Outra questão é que, como não há contagem oficial das mortes dos agentes privados, isso encobre o custo humano. Os americanos pensam que há 150 mil soldados no Iraque, mas há outros 180 mil mercenários contratados pelo governo. Então na verdade são mais de 330 mil soldados.

E não há leis sendo aplicadas sobre a punição de agentes privados em caso de abuso. Isso é uma ameaça à segurança das pessoas do mundo todo, porque não param de crescer esses exércitos privados com capacidade suficiente para derrubar um pequeno governo.

MERCENÁRIOS EXPANDEM AÇÕES NA AMÉRICA LATINA

COLÔMBIA E BOLÍVIA JÁ ESTÃO NA MIRA DA BLACKWATER

FOLHA - Como os mercenários atuam na América Latina?

SCAHILL - Neste exato momento, a Blackwater está participando de uma gigantesca concorrência para trabalhar para o governo americano em sua "luta contra as drogas". Esse programa, na América Latina, visa a agir na Colômbia e na Bolívia. Nesses países já há outra empresa do tipo, a DynCorp, que faz serviços para os EUA no que deveria ser ação antidrogas, mas que não passa de contra-insurgência. Os EUA repassam a Bogotá milhões de dólares ao ano dentro do Plano Colômbia, e estima-se que o governo colombiano gaste quase a metade com empresas mercenárias.

Elas treinam forças locais, pilotam helicópteros e já participaram de confrontos internos. No Brasil, a Embraer recentemente vendeu uma aeronave de combate Super Tucano para a Blackwater, em um acordo autorizado pelo governo Lula, em negociações com os EUA. Acho que isso levanta questões sérias sobre por que o Brasil acredita ser adequado vender aviões a uma empresa com uma reputação de abusos e violência no mundo inteiro. Até porque a América Latina é a próxima fronteira para essas empresas.

FOLHA - O sr. crê que a Blackwater dá proteção adequada a seus empregados?

SCAHILL - Essa é uma das ironias da Blackwater. Na maior parte dos casos, eles têm equipamentos melhores e pessoal mais qualificado do que um soldado comum americano, mas às vezes enviam equipes muito mal preparadas para situações muito perigosas. E é comum que contratados de países pobres sejam destacados para a linha de frente. E recebem menos: colombianos recrutados pela Blackwater foram enviados ao Iraque com um salário de US$ 34 por dia, enquanto um agente americano chega a receber US$ 650 diários. Parece que a vida de um colombiano vale menos, para a Blackwater, do que a de um americano.

FOLHA - A Blackwater também defende interesses econômicos e internos da Casa Branca?

SCAHILL - Sim. Atua na vigilância de investimentos americanos no exterior, por exemplo, nos planos de oleoduto na região do mar Cáspio. E tem forte atuação dentro dos EUA. Foram contratados para patrulhar Nova Orleans depois do furacão Katrina (2005). Acabaram de abrir um enorme centro de treinamento em San Diego (Califórnia), a poucos quilômetros da fronteira com o México, para treinar as patrulhas de fronteira. E discute-se a privatização da polícia de fronteira dos EUA.

FOLHA - Como os mercenários afetam a política mundial?

SCAHILL - As conseqüências são muito sérias. Os governos estão abrindo mão do monopólio da força e da "violência organizada", que é uma das coisas que definem o Estado. Agora há empresas privadas que têm a força e o poder de fogo para potencialmente substituir a necessidade de alianças como a Otan. A parte mais deprimente é que a penetração dos mercenários já foi longe demais, não sei como pode acabar.”

domingo, 22 de junho de 2008

"VERMELHO" QUESTIONA VIAGEM DE INDÍGENAS À EUROPA

O “blog do Azenha” postou ontem (21/06), com o título acima, um artigo do site “vermelho”, de autoria do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB), muito oportuno. Ele é muito útil para enriquecer o atual debate sobre a questão indígena no Brasil.

Na realidade, como bem se depreende do texto, a renovada discussão sobre a política indigenista não tem fulcro na vontade de proporcionar progresso e melhor qualidade de vida aos índios. A causa indígena é um mero disfarce, um pretexto.

O conflito real e encoberto ao máximo é sobre o usufruto futuro da Amazônia. As grandes potências, camufladas em discursos “internacionalistas”, apregoam que ela é deles também, que ela é “uma herança da Humanidade” com todas as suas riquezas, especialmente as minerais. Dirigentes de vários países fortes e ricos já expressaram isso explícitamente. Está documentado na imprensa estrangeira e brasileira.

Os brasileiros patriotas dizem que a Amazônia brasileira é do Brasil, que não reconhecem o direito desses pretensos herdeiros estrangeiros, que não têm amparo jurídico, que não estão nos testamentos da tal herança.

Grande parcela da mídia brasileira, que todos sabemos sempre foi predominantemente pró-grandes interesses externos (financeiros, econômicos e políticos), há muitas décadas incute na nossa população que o conceito patriótico, de soberania, é ridículo, é “coisa de nacionalistóide”, é conceito “jurássico e ultrapassado”, um “besteirol de militaristas e de comunistas que também diziam ‘o petróleo brasileiro é nosso’”. Deboches depreciativos esses muito escutados nos nossos tempos “neoliberais” do passado recente.

Há, até, teorias estapafúrdias que defendem que todas as terras brasileiras são indígenas de direito, pois eles estavam aqui antes do descobrimento.

Sendo assim, todos os não-índios deveremos retornar para a Europa, a África, ao Japão? Será que os norte-americanos retornarão para a Inglaterra, Irlanda, África? Será que devolverão o território para os cheyennes, apaches, navajos, comanches, blackfeet e sioux? Essas eram algumas das principais nações indígenas nos Estados Unidos nos tempos do Velho Oeste, no século 19. Todas viviam na vasta área que se estende do rio Mississípi em direção ao oeste do continente...Aqui no Brasil se lê absurdos análogos travestidos de argumentos sérios, de intelectuais, de antropólogos, de sociólogos, de jornalistas, de leigos inocentes, tanto da direita como da esquerda.

Transcrevo o artigo de Aldo Rebelo:

ÍNDIOS BUSCAM EUROPA QUE QUESTIONA AMAZÔNIA BRASILEIRA

Bancado por ONGs, entre elas a inglesa Survival, um casal de índios brasileiros da Reserva Raposa Serra do Sol, Roraima, partiu esta semana para uma turnê na Europa. O objetivo é sensibilizar Bélgica, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Portugal por uma decisão favorável do Superior Tribunal Federal (STF) à manutenção das terras contínuas da reserva. Se por um lado o gesto comove, por outro, levanta a bola para que se questione no Primeiro Mundo a soberania do Brasil sobre a Amazônia.

Jacir José de Souza, índio macuxi da aldeia Lilás, e a professora Pierlângela Nascimento da Cunha, da etnia wapixana e da comunidade de Barata, já estiveram em Madri e seguem pedindo o apoio dos governos e sociedades européias para a decisão que a Justiça brasileira tomará em breve sobre o território indígena.

"MISSÃO DIPLOMÁTICA" (sic!)

"Viemos à Europa para divulgar a situação e para lembrar que é preciso cumprir a lei, que não se pode reduzir a área entregue aos nossos povos e que o Supremo Tribunal deve estar consciente do nosso sofrimento", disse Jacir de Souza.

Eles são os porta-vozes da campanha "Nossa terra, nossa mãe", desenvolvida pelas ONGs Mãos Unidas, Cáritas, Survival e Entreculturas. Na Itália, eles reivindicam uma audiência com o papa para tratar do seu apoio à questão da Raposa Serra do Sol.

"Estamos em uma missão diplomática. Queremos que o papa Bento XVI conheça nossa situação e possa nos dar apoio", afirmou Pierlângela. "Gostaríamos que ele entendesse o que estamos passando", disse a representante dos wapixanas.

O Vaticano ainda não deu uma resposta. Mas o objetivo dos grupos é que pelo menos a Santa Sé seja informada do que está ocorrendo no Norte do Brasil por meio de documentos que estão enviando.

Para mostrar um pouco da realidade sangrenta que se desenrola na região há décadas, eles ainda mostrarão aos europeus um vídeo do último conflito, entre índios e arrozeiros na região, que deixou 10 índios mortos [feridos] por jagunços do prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM).

"APELO DESESPERADO"

O conflito na Raposa Serra do Sol, entre índios e arrozeiros, acontece desde a década de 70, mas só se tornou nacionalmente conhecido no Brasil depois que o presidente Luís Inácio Lula da Silva assinou, em 2005, um Decreto que dá direito aos indígenas à terra em Roraima. Os arrozeiros reagiram à decisão e o assunto está emperrado no STF.

O ‘apelo desesperado para salvar a Amazônia’, como disse representante da ONG Survival durante a turnê, deve ser respeitado. Por outro lado, ele pode suscitar em lideranças do velho continente o desejo antigo e notório de tornar a Amazônia um território ‘global’.

Até o momento, nenhuma liderança de ONGs ou governos se manifestou sobre a soberania do Brasil sobre a Amazônia durante a turnê, que se iniciou na quarta (18). A grande mídia apenas divulgou mensagens dos indígenas, mas sempre deixando subentender que a Amazônia está desprotegida. Neste cenário, é possível que passageiros inoportunos embarquem na viagem para questionar a legitimidade da Amazônia brasileira, como em outros inúmeros momentos já ocorreu.

DE OLHO GORDO NA AMAZÔNIA

No final de maio deste ano, durante uma visita ao Brasil, a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, teve que ouvir do ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, a célebre frase “a Amazônia não está à venda”. Amorim ainda acrescentou que a “elite oligárquica” internacional está incomodada com a ascensão do Brasil como ator relevante. “Há resistências e vamos ter de nos acostumar com isso”, concluiu.

No dia 18 de maio, o The New York Times publicou reportagem com o título Afinal, de quem é esta floresta tropical? O texto é basicamente descritivo, mas aponta como “bem estabelecida” a tese da “importância global” da Amazônia como reguladora do clima. O autor lembra um comentário feito em 1989 pelo senador Al Gore, depois vice-presidente dos Estados Unidos e ganhador, em 2007, do Prêmio Nobel da Paz: “ao contrário do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é sua propriedade, mas pertence a todos nós.”

No mesmo ano da declaração de Gore, François Mitterrand, então presidente da França – um dos países da turnê indígena – tirou uma conclusão famosa de sua tese sobre o “direito de ingerência”: “O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia.”

Há dias, o jornal britânico The Independent ao comentar em editorial a renúncia da ministra Marina Silva, propôs um programa conjunto de preservação da floresta e concluiu: “Essa parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros.”

A AMAZÔNIA É DO BRASIL

A própria Survival, em artigo de sua fundação, em 1969, publicado no jornal britânico Sunday Times, e assinado por Norman Lewis, deixa transparecer certa simpatia pela tese da ‘Amazônia Global’ ao dizer que “o Brasil, em nome do crescimento econômico, não é capaz de conter os massacres, o roubo de terras e o genocídio aos indígenas na Amazônia brasileira”.

Ao recorrer à pressão européia em um debate tão envenenado por apetites "internacionalizantes", a turnê desta semana presta um serviço no mínimo duvidoso à causa das comunidades indígenas que exigem do STF uma decisão favorável à reserva. Que as palavras da indígena Pierlângela em Madri sejam literalmente interpretadas também para a Amazônia: "Não nos tirem nossa terra. Há vários anos, todo o Brasil era dos índios. Que o pouco que nos restou não nos seja roubado, pois para nós ela é o mais importante".

CONTRIBUIÇÃO PARA A CONVENÇÃO DO PSDB

O blog de Luis Favre postou hoje com o título acima o texto abaixo transcrito, de Elio Gaspari, publicado também hoje no jornal Folha de São Paulo.

O “CLAUDIO” DA ALSTOM E O GARROTE TUCANO

Abafaram o caso na Assembléia paulista e ele reapareceu em todo o mundo, no “Wall Street Journal

“A TROPA DE choque do governador José Serra na Assembléia Legislativa de São Paulo impediu, pela segunda vez, que a CPI da Eletropaulo discutisse as maracutaias da fornecedora de equipamentos Alstom com os governos tucanos. Derrubaram requerimentos de convocação de ex-administradores e rejeitaram até mesmo requisições de documentos relacionados com uma investigação que segue seu curso na Suíça e na França.

Para quem queria manter o caso longe da luz do sol, o garrote da Assembléia pareceu um capuz eficaz. Faltou combinar com o “Wall Street Journal” e com os promotores europeus. Dois dias depois da vitória da tropa de choque, três repórteres, trabalhando em Paris, Berlim e São Paulo expuseram pela segunda vez as propinas da Alstom.

A investigação suíça chegou a um arquivo de 11 pastas guardado na casa da secretária de um banqueiro, em Zurique. Lá está documentado que, em 1997, a Alstom começou a pagar propinas a um intermediário brasileiro. Deram-lhe o codinome de “Claudio Mendes” e repassaram-lhe pelo menos US$ 5 milhões. Esse dinheiro azeitava contratos de compra de equipamentos para hidrelétricas e o Metrô de São Paulo.

A Alstom e “Claudio Mendes” montaram uma lavanderia internacional de propinas. Alguns tintureiros já apareceram. Entre 1998 e 2001, o engenheiro José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Cesp, recebeu US$ 1,4 milhão da Alstom. Villas Boas assegura que prestou serviços à empreiteira, mas reconhece que outros pagamentos eram fictícios. Quais? “O quê, você quer que eu leve um tiro?”

A suposição de que o caso da Alstom pode ser abafado é produto da arrogância.

José Serra, sua tropa de choque e os grão-tucanos ganharam a companhia de “Claudio Mendes”. Quem é ele? Como não é ninguém, a operação abafa produzirá um só resultado: “Claudio Mendes” serão aqueles que não quiserem ouvir falar da Alstom.”

TUCANOS DEBATEM COMO RETOMAR O PODER

COMO OS TUCANOS SÃO VISTOS PELOS PRÓPRIOS TUCANOS: fizeram um "rápido processo de "banqueirização" das decisões públicas".

No jornal Folha de São Paulo de hoje foi publicado com o título acima um artigo onde se vê que os tucanos sabem que não têm nenhuma ligação com o povo, mas, sim, com os interesses dos banqueiros.

Transcrevo parcialmente o artigo da Folha colocando alguns trechos em negrito:

“Criado em junho de 1988 por um grupo de parlamentares do PMDB alijado das administrações do presidente José Sarney e dos governadores do partido, os líderes do PSDB hoje discutem por que estão outra vez longe do poder.

"Acho que, nos 20 anos do PSDB, nós avançamos. Só que nossa tarefa é ir mais perto do povo. O PSDB foi criado em 1988 de cima para baixo", diz Geraldo Alckmin.

A observação de Alckmin é corroborada pelos estudiosos: "O PSDB nasceu com base exclusivamente parlamentar, algo exótico para um partido social-democrático, sem vínculos com organizações e movimentos da classe trabalhadora", explica Poméia Genaio, autora de "A Formação do Partido da Social Democracia no Brasil".

(...) “Desde o início o grupo defendia a agenda adotada por FHC no governo: "A campanha de Mario Covas, na eleição presidencial de 1989, já destacava a necessidade de um "choque de capitalismo" no país", afirma Celso Roma.

Segundo André Pereira Guiot ("O "moderno príncipe" da burguesia brasileira: o PSDB"), essa pauta resultava das ligações orgânicas da cúpula tucana com o setor financeiro, que levou a um "rápido processo de "banqueirização" das decisões públicas".

O ETANOL É NOSSO

Achei bom o texto seguinte, do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que li ontem (21/06) no blog do Noblat:

“O Brasil e o mundo estão à véspera de reorientações na matriz energética. Isso traz uma grande oportunidade para o Brasil - mas não a primeira. Já tivemos o açúcar, o ouro, a borracha, o café fazendo nossas cidades ricas e nossos barões ricos como a aristocracia européia. Pouco ficou no Brasil, nada para os brasileiros pobres. Mas talvez nenhuma oportunidade do passado tenha tido o potencial dos produtos geradores de bioenergia.

Nenhum outro país tem cerca de 80 milhões de hectares de terras aráveis não utilizadas, suficientes para produzir anualmente até 600 bilhões de litros de etanol e abastecer quase 300 milhões de automóveis rodando por ano. Apenas 10% dessa área permitiriam abastecer toda a frota brasileira e exportar até 500 bilhões de litros, o que geraria um ingresso anual de até 250 bilhões de dólares.

Por essa razão, devemos aplaudir a luta do Presidente Lula de transformar o Brasil em grande fonte de energia renovável. Para que isso aconteça, é preciso tomar cinco decisões para impedir a repetição da triste história das oportunidades perdidas no passado.

A primeira decisão é quanto produzir, segundo nossas prioridades, sem submissão à demanda mundial. Além de uma tática mercadológica, como faz a OPEP para evitar o aviltamento do preço, isso é fundamental para impedir que a energia seja produzida à custa de florestas ou alimentos. Porque os tanques dos automóveis que precisam de combustível têm mais poder de demanda do que os estômagos dos pobres que precisam comer. E também porque o produtor, logicamente, usará as áreas mais próximas dos portos ou dos consumidores. É preciso afinar liberdade de mercado com o zoneamento de áreas para a produção do biocombustível.

A segunda diz respeito ao perfil das pesquisas em ciência e tecnologia agrícolas: a transformação da agricultura em fonte de energia poderá dar prioridade às pesquisas por matérias-primas geradoras de energia em detrimento do aumento da produção de alimentos.

A terceira diz respeito aos trabalhadores, porque as riquezas anteriores não deixaram benefícios para eles. É preciso agora, séculos depois, que sobrevivam com a ajuda de bolsas assistenciais.

A quarta se refere à soberania. O monopólio estatal da exploração inviabiliza o pleno aproveitamento das riquezas, mas a propriedade dos recursos no subsolo tem sido nacionalizada em quase todo o mundo, para evitar que o proprietário se negue a produzir quando o mundo quer comprar, e para impedir que donos privados decidam amanhã separar do Brasil as áreas ricas. O mesmo deve valer para a riqueza que está sobre o solo: a propriedade deve ser brasileira, com concessões de longo prazo para o setor privado, como se faz para a exploração das riquezas do subsolo.

A decisão mais importante é a quinta: formar um pacto nacional para que, ao longo dos próximos 30 anos, qualquer que seja o partido no governo, a nova riqueza não seja desperdiçada, para o benefício de poucos e do momento. Criar um Fundo para a Construção do Futuro do País, financiado com royalties sobre o etanol exportado para promover a ciência, a tecnologia e a educação. Formando a base permanente da participação do Brasil na economia do conhecimento e sua integração social. Se isso tivesse sido feito no passado, o Brasil seria hoje um país completamente diferente.

O etanol tem que ser nosso, de forma permanente e para todos. Pelo tamanho, pela base científica, o Brasil pode ser exemplo da transformação de recursos naturais renováveis em capital-conhecimento. O que não conseguimos no passado, porque a riqueza servia apenas para financiar a importação e a produção para ricos. Mas agregando, agora, bolsas para os pobres.

Temos a oportunidade e a obrigação de mudar. Um pacto “O Etanol é Nosso”, pelo investimento dos resultados financeiros nas próximas décadas - qualquer que seja o partido no governo - em educação, ciência e tecnologia, vai permitir que os recursos de hoje sejam utilizados na construção do futuro.”

O VENDEDOR DO BRASIL

A edição da revista Carta Capital desta semana que inicia traz um artigo de Maria Helena Tachinardi que retrata bem o grande apoio do governo Lula para as exportações brasileiras, especialmente por parte da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pelo Ministério das Relações Exteriores. O título da reportagem é o acima postado (O vendedor do Brasil).

Essa expressão usada por Carta Capital para o título da matéria lembra outra conotação pejorativa completamente diferente, adequada ao governo anterior, do PSDB/PFL-DEM. Naquela década, o Brasil teve grande parte do seu patrimônio público e privado vendido para estrangeiros. Em muitos casos, vendido por valores irrisórios e até com financiamento público brasileiro e sem exigir as garantias devidas. Naquele governo que se jactava de ser “neoliberal”, essa expressão: “FHC: O VENDEDOR DO BRASIL” cairia como uma luva e no sentido literal.

Voltemos para o texto a seguir, que tem título semelhante, mas seu significado é diverso, é positivo para o Brasil.

Reproduzo o artigo, colocando alguns dados em negrito visando a facilitar a leitura :

O vendedor do Brasil

“A estratégia de promoção comercial do governo Lula deu o primeiro empurrão em empresas rumo ao processo de internacionalização. Elas estão participando de feiras e rodadas de negócio durante e depois das viagens do presidente a países da América Latina, da África e da Ásia, organizadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e pelo Ministério das Relações Exteriores.

“É uma política orquestrada e liderada pelo presidente, que quer mais pragmatismo nas relações externas”, diz Alessandro Teixeira, presidente da agência. “O Itamaraty cuida da arquitetura do processo. A Apex faz projetos setoriais e gera informações estratégicas para missões comerciais, feiras e eventos promocionais”, explica.

Beneficiam-se dessas ações, por exemplo, algumas das 340 empresas da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e a Phisalia Produtos de Beleza, de Osasco, que produz xampus e condicionadores infantis.

A Artecola, do Rio Grande do Sul, membro da Assintecal, está firme na rota da internacionalização. Tem parceria com a Forbo, grupo químico multinacional de origem suíça, com a Rhenoflex, empresa alemã líder na produção de couraças e contrafortes, e com a Protechnic, fabricante de origem francesa de adesivos em forma de filme. Segundo a Artecola, as parcerias dão bons resultados em aplicações como preparação, montagem, solados e saltos de sapatos.

Índia, Angola e Turquia estão com desempenho acima da média, diz Ilse Biason, superintendente da Assintecal. Para a Turquia, as empresas associadas exportaram nos quatro primeiros meses do ano 4,9 milhões de dólares, um crescimento de 118% sobre o mesmo período de 2007, o que mostra a boa fase mundial da indústria de calçados.

Para a Phisalia, empresa com 120 funcionários, a ação da Apex é eficaz porque ajuda a reduzir o custo de abrir mercados externos, diz o diretor-executivo Eduardo Amiralian. Em maio de 2007, a Phisalia participou do Encontro de Negócios Brasil-Portugal, mercado em que está presente com a linha feminina Joanita. “Nosso distribuidor optou por começar a venda em salões de cabeleireiros, e o produto foi bem-aceito. Essa é uma novidade”, comenta Amiralian. No Brasil, a empresa vende seus 40 produtos Trá Lá Lá, Joanita e Banho de Bebê em supermercados, perfumarias e farmácias.

A Apex e os diplomatas cumprem o que Lula determinou: “Onde tem alguém querendo comprar, o Brasil tem de estar lá para vender”. Na avaliação do governo, isso é o que tem contribuído para o Brasil aumentar as exportações a mercados não tradicionais. Uma estratégia de execução mais fácil do que as complexas negociações de acordos comerciais, que no governo Lula foram tímidas e produziram poucos resultados. Essa é a outra face da moeda, que desagrada às empresas do setor têxtil, para as quais mais importante do que a promoção comercial são os acordos para facilitar acesso a mercados, que implicam negociações para reduzir tarifas e outras barreiras.

É por isso que a Hering, a Petenatti, a Vicunha e a Santista Têxtil aproveitam as vantagens do Acordo de Livre Comércio Centro-Americano (Cafta-DR) para obter facilidade de acesso ao mercado americano.

Levantamento do Itamaraty relaciona as viagens de Lula com empresários ao aumento das exportações. De 2005 a 2007, os embarques aumentaram 112% para a Venezuela e 66% para a Colômbia. De 2004 até 2007, as vendas do Brasil cresceram 67% para o Chile e 34% para o Equador. Desde o início do seu governo, Lula levou 49 missões empresariais em suas visitas bilaterais aos países.

Entre 2003 e 2006, Lula foi à África nove vezes, acompanhado de homens de negócio. Pelas contas do Itamaraty, essas viagens alavancaram as exportações para o Egito, que tiveram uma expansão de 354%. Para a Síria e a Líbia, o aumento foi de 194% e 168%, respectivamente. Para Angola, as vendas da Assintecal somaram, em média, 918 mil dólares por mês, neste ano, em comparação a 375 mil dólares, em 2007, uma expansão de 144,8%.

“Somos competitivos no setor, pelas condições tecnológicas e adequação dos produtos”, explica Ilse Biason. O Brasil tem uma imagem consolidada no setor de calçados. Começou a exportar na década de 1970 e ocupou o terceiro lugar no ranking mundial, mas hoje é o quinto maior em exportações e o terceiro em produção. A China e o Vietnã ocuparam espaços do Brasil.

Com o apoio da Apex, a entidade promove a imagem do setor no exterior por meio da marca by Brasil. Segundo Ilse, “o Brasil tem instrumentos de promoção comercial adequados para aproveitar o atual momento, favorável às vendas de componentes para calçados no mundo”.

Portugal, Argentina e Venezuela são hoje mercados importantes para a Phisalia, que participou de feiras em Cuba e na Venezuela no âmbito do projeto com a Apex. “Nosso foco é a América Latina, mercados mais próximos e com menos barreiras”, comenta o diretor da empresa. “Na União Européia, cada país tem suas normas e isso representa uma dificuldade.”

O custo de ingressar no mercado externo não é o preço. No segmento de higiene pessoal, fixar a marca é o maior desafio. Na França, por exemplo, terra dos cosméticos, os investimentos são altos. Desenvolver uma marca na América Latina é mais rentável, diz Amiralian.

A estratégia de internacionalização da empresa busca encontrar distribuidores em cada um dos países onde as vendas são feitas no varejo. O objetivo é obter 10% de faturamento com as exportações em 2010, um crescimento exponencial, pois hoje as vendas externas representam apenas 1% da receita da Phisalia.

Para apoiar as empresas em seus primeiros passos rumo à internacionalização, a Apex está instalando centros de negócio. Alessandro Teixeira destaca o da Polônia, o dos Emirados Árabes e o de Portugal, locais onde as companhias têm uma base física para colocar seus produtos e se preparar para ingressar nos mercados. Até meados do ano, ele diz que a agência abrirá novos centros de distribuição na China e em Cuba.

Os tempos são outros. O que mudou em relação aos anos 1980 e 1990, quando os presidentes também visitavam os países em desenvolvimento acompanhados de empresários e as vendas brasileiras não experimentavam o boom dos últimos anos?

O crescimento econômico desses países ajuda a explicar o bom desempenho das exportações brasileiras. Da Índia à Venezuela, passando por Egito, Angola e África do Sul, as taxas de expansão situam-se acima de 6%.

Os preços elevados do petróleo inundam de divisas a Venezuela, Angola e os parceiros do Oriente Médio, o que favorece as exportações competitivas dos produtos brasileiros, principalmente alimentos, item que o País destina, hoje, para os países em desenvolvimento, volumes maiores do que para os mercados ricos.

Somam-se a isso a decisão firme das empresas brasileiras de não descontinuar as exportações, mesmo com um mercado interno mais aquecido, e a política do governo Lula para mercados não tradicionais, eleitos parceiros preferenciais.

Essa escolha define a quantidade de visitas do presidente e de seu ministro das Relações Exteriores. O chanceler Celso Amorim, em suas 13 viagens, de 2003 a 2007, também levou empresários. “Há um esforço conjunto na promoção de exportação. O Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty também colabora com as missões dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento”, comenta um diplomata. Na China, em 2004, Lula levou 450 empresas. Em Xangai havia mil empresas, metade brasileiras.

O Itamaraty convida os empresários por meio da Brazil Trade Net (www.btn.gov.br).

Das missões oficiais têm participado empresas médias e grandes, entre elas Sadia, Grupo Bertin, Vale, Braskem, Petrobras, Copersucar, Infinity Bio-Energy, Maubisa Agricultura, Engevix, Grupo Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Coimex Trading, Comexport e Marcopolo. “

sábado, 21 de junho de 2008

SUÉCIA: LIBERADA A ESPIONAGEM DE E-MAIL , FAX E TELEFONEMAS

O jornal espanhol El Pais de hoje, em reportagem de C. Galindo, publicou de Madri a notícia abaixo obtida no portal UOL Mídia Global. Ela é preocupante porque a Suécia não é um país alvo potencial de terrorismo a ponto de justificar medidas tão violadoras das liberdades e sigilos individuais. Reproduzo parte do texto:

“SUÉCIA PERMITIRÁ A ESPIONAGEM SEM ORDEM JUDICIAL DE TELEFONEMAS E MENSAGENS ELETRÔNICAS

O Parlamento sueco aprovou uma controvertida lei que permitirá aos serviços secretos rastrearem os correios eletrônicos, chamadas telefônicas e mensagens por fax ao exterior, sem a necessidade de uma ordem judicial para isso.

Os críticos afirmam que essa disposição, que se encaixa na luta contra o terrorismo e entrará em vigor em janeiro, significa uma ameaça para as liberdades dos cidadãos. Trata-se da medida mais dura em toda a Europa, relacionada às escutas.”

ANÁLISE: OBAMA É MELHOR OPÇÃO PARA AMÉRICA LATINA

O site “Terra Magazine” ontem (20/06) postou uma entrevista com Pablo Calvi, de Nova York, sobre o interessante tema de sabermos qual dos dois candidatos à presidência dos EUA seria melhor para os interesses latino-americanos caso eleito.

Este blog gosta de saber um pouco mais sobre os autores, ou sobre os entrevistados, nos textos que postamos. Assim, obtivemos no blog do próprio entrevistado por Terra Magazine, Pablo Calvi, os seguintes dados:

“I am a Master Teacher in the General Studies Program and an adjunct assistant professor at the Center for Latin American and Caribbean Studies at New York University. I am also a professor of political science at the Instituto de Ciencias Sociales of the Universidad Diego Portales [Santiago-Chile] (I am also in the Observatorio Internacional Asia Sudamérica).

Before I obtained my Ph.D. (May 2003), I was a graduate student in the Department of Politics at New York University, in New York City. Previously (April 1995-August 1997), I was Assistant Director of Student Development Services at the University of Illinois at Chicago. In 1992, I graduated from the University of Illinois at Chicago with a B.A. in Political Science and Sociology. In 1994, I obtained a Master of Arts in Political Science at the University of Chicago.”

Vejamos o texto de Terra Magazine:

“Não são muitas as diferenças, porém, com certeza, elas se fazem notar. Embora historicamente republicanos e democratas sempre tenham mantido uma linha de relativa coerência em temas de política externa, há claros indícios de que a América Latina terá um melhor aliado na Casa Branca caso seja Barack Obama quem, afinal, chegar à presidência dos Estados Unidos em novembro.

"As diferenças conceituais não são muitas, mas possuem uma ênfase importante", explica, durante entrevista exclusiva com Terra Magazine, o analista político e professor da Universidade de Nova York, Patrício Navia, também professor de Ciência Política da Universidade Diego Portales, no Chile.

"O primeiro ponto em que aparecem estes matizes entre Obama e (o candidato republicano John) McCain em relação à América Latina está em suas opiniões a respeito de Cuba e da Colômbia".

Com Cuba, diz Navia, McCain tende a manter firme o embargo, uma posição que Obama talvez pudesse reconsiderar. "Em relação à Colômbia, os republicanos são os que levantam a bandeira do livre comércio e da luta contra a guerrilha, enquanto os democratas abrem mais pontos de conciliação com os setores populares, especialmente com os sindicatos".

Claro, ambos candidatos possuem um propósito em comum: a intenção de trabalhar naquilo que ambos partidos denominam "consolidação democrática" da região. "Dentro desse esquema, após o governo de George W. Bush os Estados Unidos devem se dar bem com seus vizinhos outra vez", explica o politólogo. "E desde já os dois partidos já dão sinais de que trabalharão para controlar e erradicar as quadrilhas vinculadas com o narcotráfico, mas também as redes que se estendem desde a América Central até o sul e o nordeste dos Estados Unidos".

Quem será o novo membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas é uma das questões de mais peso na região a ser definida nos próximos anos. E o apoio do futuro presidente norte-americano é crucial para o tema. "McCain disse há alguns meses que apoiaria a candidatura do Brasil na ONU e no G8, porém, disse isso sem saber que o México também está sumamente interessado ao posto de membro permanente, que representa uma clara posição de liderança na região", explica Navia. "O acesso à ONU é um tema bem espinhoso, com dois aliados fortes dos Estados Unidos competindo pelo mesmo lugar. Por isso, McCain não tornou a reiterar seu apoio ao Brasil. No entanto, eu acredito que se conseguir eleger-se presidente, McCain vai primeiro tratar de firmar um acordo migratório com o México, e apesar do que disse, vai acabar favorecendo seu vizinho para que aumente sua importância na ONU".

A respeito das relações com a região andina, Navia sugere que se Obama ganhar será ampliada a cooperação além dos planos contra o narcotráfico. "Hoje, todos falam de planos como o Marshall ou a Aliança para o Progresso destinados especificamente aos países andinos. Contudo, o que Obama vai tentar aprofundar são sobretudo as políticas de livre comércio", acrescenta.

Quase morto e enterrado, o NAFTA certamente passará ao ostracismo, não importa quem ganhe as eleições. "O único acordo de livre comércio que será posto em vigência é o que foi firmado com a Colômbia, para fevereiro ou março do ano que vem", explica Navia. "Mas somente porque já está em curso".

Segundo o acadêmico, o Congresso certamente contará com uma clara maioria democrata, o que lhe permitirá avançar numa série de medidas protecionistas contra a China. Ainda que para continuar mostrando seu compromisso com as políticas de mercado, haverá muito apoio ao acordo de livre comércio com a Colômbia.

Entre os dois cenários, assegura o acadêmico, um triunfo de Obama abriria melhores possibilidades para as relações internacionais a nível mundial. "A vitória de Obama geraria um sentimento positivo em relação aos Estados Unidos em todo o mundo. Um plus democrático e um voto de boa vontade para com o primeiro presidente negro do país, o que abrandaria o sentimento anti-americano no mundo, despertando um maior compromisso com as políticas de paz", vaticina Navia.

"Acho que na região, o Brasil teria uma conexão particularmente forte com Obama, principalmente por causa do compromisso que Lula e também Obama assumiram de contribuir ao desenvolvimento da África".

O cenário mais contraproducente para a região seria a vitória do candidato republicano. John McCain ainda não deu sinais claros do que fará a respeito da guerra no Iraque. "A guerra faz mal à economia", analisa Navia. "Gera incerteza, e a incerteza não apenas prejudicará as importações de produtos da América Latina, mas também reduzirá as remessas de imigrantes dos Estados Unidos para os países mais pobres da região".

Além disso, arescenta o analista, a menor responsabilidade fiscal dos republicanos teria um impacto forte na economia interna. "E por uma questão de proximidade, se McCain ganhar, o México sofreria as conseqüências. Pois a política interna dos Estados Unidos sempre traz à reboque efeitos sobre o vizinho do sul".

O PERIGOSO MUNDO DA WEB

No site “Terra Magazine”, encontrei ontem (20/06), na coluna “Dia a dia, bit a bit” de Silvio Meira, um interessante texto para os navegadores da ‘web’. Transcrevo:

“Mais de 19% de todos os domínios que terminam por “.hk” [de Hong Kong] representam algum tipo de ameaça à segurança de seus visitantes. Quase um em cada cinco. É muito. Hong Kong é o lugar mais perigoso da web. O segundo e distante lugar é “.cn”, a China, ali pelos 11%. A conclusão é da McAfee, parte do relatório 'Mapping the mal web, revisited', publicado em 04/06.

“O risco da web em 2008, segundo a McAfee, é similar ao de 2007, com 4.1% de todos sites situados em países [como em “.br”] e domínios de alto nível genéricos [tipo “.name”] considerados perigosos. O Brasil aparece bem na foto [0.76% dos sites oferecendo algum risco], como de resto quase todo o continente americano.

O domínio considerado mais seguro é a Finlândia, com um em cada dois mil sites oferecendo algum risco. Tudo a ver com o tamanho da população, língua, educação e cultura [e sua penetração no planeta].

O estudo levou em conta quase dez milhões de sites e mede, de uma certa forma, a temperatura do caos na rede.”

MISTÉRIO: FORÇA AÉREA DOS EUA PERDE PEÇAS DE ARSENAL NUCLEAR

No início deste mês (08/06), este blog postou o artigo “RISCO DE HECATOMBE: OS EUA NÃO CUIDAM DE SUAS BOMBAS ATÔMICAS!”. Recordo a sua parte inicial:

“O jornal “The New York Times” (NYT) de ontem (07/06) publicou uma apavorante notícia. Há risco de acidentes atômicos por inépcia, que poderiam afetar severamente a vida na Terra.

Erros humanos graves fizeram, por exemplo, que quatro cabeças-de-guerra de mísseis Minuteman, com carga atômica, fossem descontroladamente enviadas “por engano” para Taiwan como se fossem baterias de helicópteros. Esse erro somente foi descoberto um ano e meio depois.

No ano passado, um grande avião de bombardeio B-52 cruzou o território norte-americano transportando por engano seis mísseis de cruzeiro armados com carga nuclear e ninguém sabia, nem os pilotos! Autoridades governamentais dos EUA dizem que não houve risco para a população. Contudo, depois das mentiras deslavadas sobre o Iraque, muitos não mais acreditam em afirmações do governo.

Esses fatos também esvaziam a postura agressiva dos EUA contra outros países, como Coréia do Norte, Irã e Rússia, por julgarem que eles não são confiáveis no manuseio de armas atômicas."

Sobre o mesmo assunto, ontem (20/06) o jornal Folha de São Paulo publicou, com o título utilizado nesta postagem, a seguinte notícia:

“As Forças Armadas americanas não conseguem localizar centenas de componentes sigilosos de mísseis nucleares, informa o "Financial Times", com base em inquérito do Pentágono.

O secretário da Defesa, Robert Gates, recentemente demitiu o secretário da Força Aérea e o chefe de seu Estado-Maior, depois de apurada a responsabilidade daquela Arma no envio por engano, a Taiwan, de cones de nariz de mísseis nucleares.

O inquérito aberto também concluiu que a Força Aérea não era capaz de informar sobre o paradeiro de cerca de mil componentes sigilosos que anteriormente eram parte de seu arsenal nuclear.”

ALSTOM INFORMA PROPINA DE R$ 8,25 MILHÕES A TUCANOS

O jornal Folha de São Paulo publicou ontem a seguinte reportagem de Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio:

“Documentos de promotores da Suíça obtidos pela Folha apontam que a Alstom francesa acertou o pagamento em outubro de 1997 de um suborno de 7,5% a alguém ligado ao governo de São Paulo para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo. O percentual da propina corresponde a R$ 8,25 milhões.

O documento que cita o percentual do suborno é um memorando manuscrito em francês atribuído a dois executivos da Alstom, Bernard Metz e André Botto. O papel traz o timbre da Cegelec, empresa do grupo Alstom, e é datado de 21 de outubro de 1997.

PERSONAGEM MISTERIOSO

Ontem, o jornal americano "The Wall Street Journal" revelou que os franceses da Alstom negociavam com um personagem misterioso chamado Claudio Mendes, apresentado em outro documento como "um intermediário com o G. [de governo, segundo os suíços] de SP". Os suíços dizem não saber quem é Claudio Mendes -pode ser um pseudônimo.

A propina seria usada para três finalidades, segundo o memorando francês do qual a Folha obteve uma cópia:

--"As finanças do partido";
--"O tribunal de contas";
--"A secretaria de energia."

O partido que governava o Estado à época era o PSDB. O secretário de Energia em outubro de 1997 era David Zylbersztajn, ex-genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Eduardo José Bernini presidia a Eletropaulo.

Os documentos obtidos pela Folha mostram que a Alstom criou um círculo para proteger Mendes -só André Botto, da Alstom francesa, e o lobista franco-brasileiro Jean-Pierre Courtadon tinham autorização para falar com ele.

Courtadon, que mora em São Paulo, apresenta-se como um consultor especializado em negociações com o governo. Numa fase posterior da negociação, a Alstom criou uma equipe para lidar com Carlos Mendes, com quatro empresários paulistas, um contador de Paris e um banqueiro em Zurique.

A Folha não conseguiu localizar Courtadon ontem.

A propina, de acordo com um dos documentos, seria paga para que a Alstom conseguisse obter o aditivo 10 de um projeto chamado Gisel (Grupo Industrial para o Sistema da Eletropaulo), criado em 1983 para modernizar o sistema elétrico paulista. O objetivo do aditivo 10 era a compra de seis transformadores para uma subestação no Cambuci, na região central de São Paulo.

Aparentemente, o plano da Alstom deu certo. A empresa foi contratada pela EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) para fornecer os equipamentos por R$ 110 milhões, como a Folha revelou na última sexta-feira. A EPTE é uma cisão da Eletropaulo, privatizada em abril de 1998.

CONSULTORIA FICTÍCIA

O executivo aposentado José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e da Eletropaulo, deu indicações na reportagem do "The Wall Street Journal" das maneiras que a Alstom usava para disfarçar a propina: o pagamento por consultorias que eram fictícias.

Villas Boas recebeu da Alstom 7,8 milhões de francos entre 1998 e 2001 -o equivalente a US$ 1,4 milhão, pelos valores daquela época. O dinheiro era depositado numa conta que uma empresa dele, a Taltos Ltd., tinha na Suíça.

Ele disse ao jornal americano que em vários casos as consultorias eram "ficções" inventadas "para realizar um pagamento". Ao ser questionado sobre quem recebia o dinheiro, Villas Boas respondeu: "O que, você quer que eu leve um tiro?".

Documentos obtidos pelo "The Wall Street Journal" indicam que o pagamento de propina não ficou só nos planos. Em fax de 13 de novembro de 1998, um diretor da Alstom diz a seus superiores que vai transferir 4,86 milhões de francos (US$ 860 mil naquele mês) "para garantir que o trabalho prossiga e recebamos dentro do cronograma". O documento não informa o nome da empresa.

A Alstom usou expedientes cinematográficos para tentar esconder a papelada da propina. Os memorandos e 11 pastas foram entregues a um banqueiro de Zurique, que escondeu os pacotes na casa de uma secretária. Os documentos só foram achados porque as autoridades suíças descobriram que esse banqueiro lavava dinheiro para traficantes latino-americanos.”

A SUPREMA CORTE DOS EUA, ENFIM, CONTRA GUANTÁNAMO?

Toda a grande imprensa brasileira e os partidos de direita hoje na oposição, em suas tradicionais atitudes de cordata defesa dos interesses norte-americanos, sempre acusam a Ilha de Cuba como local de violação dos direitos humanos. Porém, com parcialidade, direcionam suas acusações apenas para o governo cubano. Omitem propositadamente que o governo dos EUA é, em escalas gigantescas, o grande violador das liberdades fundamentais em sua base militar situada naquela ilha.

Ontem, Candido Mendes publicou no jornal Folha de São Paulo um artigo sobre esse tema.

No site “netsaber biografias” obtive os seguintes dados sobre o autor:

“Candido Mendes (C. Antonio José Francisco M. de Almeida) nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3 de junho de 1928. É formado em Direito (1950), e em Filosofia (1951), pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; doutor em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil.

Professor universitário desde 1951, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, na Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, na Faculdade de Direito Candido Mendes, na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro e do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).

Foi eleito em 24 de agosto de 1989 para a Academia Brasileira de Letras. É Secretário-Geral da Comissão Brasileira Justiça e Paz; Presidente do Conselho Superior de Ciências Sociais, da UNESCO.”

Transcrevo parcialmente o artigo de Cândido Mendes. Mostra-nos que o ataque às torres gêmeas continua servindo de pretexto para os EUA “se vingarem” cruelmente contra pessoas e países, simplesmente baseados em “julgamentos” de seus militares, baseados em fatos ou subjetividades, sem o mínimo direito de defesa das vítimas:

OS EUA CONTINUAM RACHADOS ENTRE A NAÇÃO DAS LIBERDADES FUNDAMENTAIS E O GOVERNO DA "CIVILIZAÇÃO DO MEDO" SEM QUARTEL

“A Suprema Corte americana finalmente pôs abaixo o escândalo de Guantánamo, assegurando defesa judicial civil aos prisioneiros, que há seis anos vivem nas jaulas de ferro do presídio do horror.

Assim, fez valer o respeito visceral à Constituição americana, que assegura o direito de defesa a esse grupo pestiferado pelo governo Bush como dos "combatentes insurgentes" presos no Afeganistão e no Iraque.

A vitória, entretanto, foi por um voto"........"Continua o país apocalipticamente rachado na sua visão de futuro entre a nação das liberdades fundamentais e o governo da "civilização do medo" sem quartel.

O mais dramático é o quanto a minoria perdedora na Supremo Corte não mede palavras, como o fez o juiz Antonin Scalia, declarando que não há barreiras jurídicas na luta contra o terror para defender os americanos contra o radicalismo islâmico.

Bush também, mostrando o desagrado contra a decisão "leading", deixa explícito que prevalece um Estado de Direito contra a agressão iniciada pela queda das torres e que bastam os procedimentos militares atuais para julgar os criminosos a seu tempo.”

É URGENTE QUE OS DEMAIS PAÍSES TAMBÉM COMBATAM A INFLAÇÃO

O jornal inglês Financial Times publicou esta semana (19/06) uma reportagem de Jonathan Wheatley sobre a inflação que volta a ameaçar muitos países. O Brasil também sofre essa ameaça, mas tem conseguido mantê-la em índices mais baixos do que os principais países emergentes. Selecionei o primeiro trecho da notícia, onde consta o alerta do presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, aos demais presidentes de bancos centrais, conclamando-os a também voltarem seus focos para o combate à alta de preços. Li o texto do diário financeiro britânico no site UOL.

BANCO CENTRAL DO BRASIL DEFENDE O CONTROLE GLOBAL DA INFLAÇÃO

“A inflação é a maior ameaça enfrentada pelo Brasil e pelo restante do mundo, disse Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil ao Financial Times, fazendo um apelo aos outros presidentes de bancos centrais para que se unam na tarefa de manter as altas de preços sob controle.

"A maior preocupação para os próximos 12 meses no Brasil e no resto do mundo é a inflação," afirmou em uma entrevista em São Paulo. "O risco é que os preços de alimentos e de matérias-primas continuem a subir. Se cada dirigente de banco central decidir que esse é um problema para outros países, ninguém fará nada e haverá uma inflação (mais acelerada) em todo mundo."

sexta-feira, 20 de junho de 2008

SÃO PAULO JÁ É A CAPITAL MUNDIAL DO HELICÓPTERO, À FRENTE DE TÓQUIO E NOVA YORK

HELICÓPTEROS TRANSFORMAM SP EM 'CIDADE DOS JETSONS', DIZ 'GUARDIAN'

A agência inglesa BBC (Brasil) apresenta hoje o artigo a seguir transcrito. Trata da matéria publicada também hoje no jornal inglês “The Guardian” referente ao fato de a cidade de São Paulo ser a que mais utiliza helicópteros no mundo. Li o texto no portal UOL.

“O número de helicópteros sobrevoando São Paulo e o tráfego aéreo transformaram a cidade em um "episódio real sul-americano do (programa de TV) The Jetsons", diz uma reportagem de página inteira publicada nesta sexta-feira no jornal britânico 'The Guardian'.

O jornal explica que, por causa do alto número de moradores e carros circulando na cidade, que causam engarrafamentos de até 200 quilômetros, os ricos executivos, banqueiros e empresas jornalísticas, entre outras, estão optando pelo helicóptero como meio de transporte.

"O caso de amor de São Paulo com helicópteros começou em 1994, depois da introdução de um plano econômico do governo que atrelou a nova moeda brasileira ao dólar. O resultado foi a repentina entrada de helicópteros feitos nos Estados Unidos. Em meados de 90, a gigante americana de helicópteros Bell chegou a introduzir cursos de treinamento para pilotos em português, por causa do aumento da demanda no Brasil."

Hoje, com o Brasil vivendo novo período de estabilidade econômica e sua moeda alcançando alta recorde de nove anos frente ao dólar, o número de helicópteros está voltando a crescer em São Paulo.

Segundo o jornal, "há constante fluxo de helicópteros cruzando o céu da cidade, pequenos pontos subindo e descendo enquanto fazem seu caminho, de heliponto para heliponto".

"De acordo com a Agência Nacional de Aviação do Brasil o número de helicópteros no Estado de São Paulo saltou de 374 para 496 entre 1999 e 2008, fazendo da cidade a capital mundial do helicóptero, à frente de Tóquio e Nova York."

O 'Guardian' afirma que só na cidade de São Paulo há 420 helicópteros, que podem ser vistos cruzando os céus noite e dia.

São pelo menos 70 mil vôos de helicópteros sobre o centro da cidade a cada ano e 420 helipontos em São Paulo, o que representa 75% dos helipontos no Brasil e 50% a mais do que em todo o Reino Unido. "Analistas afirmam que outros 83 helicópteros devem se somar à frota da cidade até 2010", diz a reportagem.

Segundo a reportagem, a "moda" está transformando São Paulo em uma cidade dividida, como o Rio de Janeiro, onde os moradores pobres da favela convivem com milionários dos prédios à beira da praia.

"Em cima, o mundo da era espacial onde equipes de noticiários voadoras viajam pelo céu para seu próximo furo de reportagem e ricos executivos transitam sem esforços entre condomínios de luxo, balneários na praia e reuniões de negócios; embaixo, o caos congestionado onde a vasta maioria dos moradores se espremem juntos em uma orgia de engarrafamentos e acidentes de moto."

A ÍNTEGRA DA DECISÃO DO TRF DE MANTER EXÉRCITO EM MORRO NO RIO

Como o problema da participação do Exército em obra urbana, e na segurança dos nela envolvidos, gerou grande interesse, polêmica e destaque na mídia (*)(ver Obs), creio ser útil e oportuno conhecer os conceitos expressos pelo Desembargador Castro Aguiar, presidente do TRF (Tribunal Regional Federal) da 2ª região, Rio de Janeiro, em sua decisão suspensiva da liminar.

OBS (*): Digo "mídia", exceto a Rede Record de TV. O real alvo das Organizações Globo e de outros grupos seria Marcelo Crivella, motivador do projeto nos morros e que lidera para prefeito do Rio e é sobrinho de Edir Macedo, dono da Record.

O portal Folha Online publicou esta noite o texto completo da decisão do TRF que abaixo transcrevo. Antes da transcrição, faço o seguinte resumo explicativo, utilizando dados da postagem da Folha:

SÍNTESE DO ASPECTO JURÍDICO DA RETIRADA DO EXÉRCITO DA OBRA

--A pedido da Defensoria Pública da União, a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18ª Vara Federal, determinou na última quarta-feira (18) a saída do Exército do morro da Providência (região central do Rio de Janeiro);
--A AGU (Advocacia Geral da União) ingressou ontem (19) com um recurso no TRF;
--O TRF acatou o pedido do governo e suspendeu a liminar que exigia a saída do Exército. A decisão vale até o próximo dia 26. As tropas podem permanecer no morro e devem se limitar à circulação na rua onde o projeto Cimento Social é executado. O governo federal tem até o dia 26 para apresentar uma solução para o problema.

DECISÃO DO DESEMBARGADOR CASTRO AGUIAR, PRESIDENTE DO TRF DA 2ª REGIÃO:

"A Defensoria Pública da União ingressa com ação civil pública, objetivando a imediata retirada do Exército do Morro da Providência, mantendo-se, contudo, o pessoal técnico-militar (engenheiros, arquitetos etc), sob pena de multa diária de R$10.000,00. Sustenta que o Exército não teria autorização para o exercício da segurança pública.

A Juíza, ao deferir o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, determinou a imediata substituição do Exército pela Força Nacional de Segurança Pública, oficiando a Advocacia Geral da União para imediato cumprimento da decisão.

A AGU, por sua vez, postula, perante esta Presidência, a suspensão dos efeitos da referida decisão.

Devo salientar, em primeiro plano, que inúmeras autoridades administrativas federais com poderes decisórios mantiveram contato comigo, observando as dificuldades de cumprimento imediato da decisão, pelas implicações que a questão oferece, e acenam com solução conciliatória perante os interesses envolvidos.

De parte a parte, os argumentos são ponderáveis, de modo que não me é possível simplesmente atentar para um ponto, sem levar em consideração o todo, o conjunto, seja no aspecto administrativo propriamente dito, seja quanto à questão jurídica em si, ou da segurança pública, ou da garantia da lei ou da ordem.

A decisão de primeiro grau, por exemplo, determina a pronta retirada do Exército, mas com a manutenção de todo o pessoal técnico-militar e como que convoca a Força Nacional de Tarefa para atuação na área.

Ora, a obra está sendo realizada pelo Exército e não por uma empresa privada e os militares, segundo dito, estariam apenas dando apoio ao trabalho, ali, do Exército.

De qualquer modo, não faz sentido retirar a instituição militar do local, deixando lá seu pessoal (engenheiros, arquitetos etc). Segundo se sabe, são os próprios militares que estão realizando a obra, embora com aproveitamento também de mão de obra do local.

Por outro prisma, o Judiciário não pode, neste caso, exercendo função que não é sua, de caráter administrativo, determinar que atue no local a Força Nacional de Tarefa, ou seja, um programa de cooperação de segurança pública, com diretrizes próprias e comando definido. Com efeito, o Judiciário não pode assumir as funções de administrador, determinando quem vai atuar na segurança do local. Aliás, a Defensoria Pública nem requereu isto, tendo feito referência, corretamente, à Polícia Militar.

Como se vê, a questão é complexa. Não me parece seja possível que se possa determinar, por decisão judicial antecipatória, que a Força Nacional seja acionada para fazer a segurança de pessoal e material das Forças Armadas.

Ora, estando ciente das providências que a Administração Federal já está tomando para solução conciliatória e até que esta se defina nos seus exatos contornos, para nova apreciação, dou efeito suspensivo à decisão ora sob análise, colocando-a nos seguintes termos:

1) A decisão de primeiro grau fica suspensa, até o dia 26 de junho, inclusive, tempo em que a Administração Federal apresentará solução definitiva ao problema;

2) A atuação do Exército no Morro da Providência não poderá alinhar-se em situação de exercício de segurança pública, nem em situação de garantia da lei e da ordem, resguardada apenas sua atuação meramente administrativa, no restrito âmbito do que requer a consecução do convênio e a segurança do pessoal e do material militares envolvidos (Rua Barão da Gamboa, especificamente onde estão sendo realizadas as obras).

Comunique-se. Cumpra-se. Rio de Janeiro, 20 de junho de 2008."

TENENTE VINICIUS x JOSÉ APARECIDO

Tornou-se assunto principal das manchetes e dos comentários da grande mídia brasileira a atitude do tenente do Exército Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade, de 25 anos, em serviço no Morro da Providência, Rio de Janeiro, que entregou para a quadrilha rival, de traficantes do Morro da Mineira, três rapazes que teriam “desacatado ordens” e, assim, mereceriam “um corretivo”. Ele tem que ser punido por esse ato criminoso e injustificável.

A incompleta cobertura da imprensa lembrou-me, contudo, o “grande escândalo” do “dossiê anti-FHC” que gerou uma muito badalada CPI no Congresso.

O tenente Vinicius é o José Aparecido Nunes Pires do caso “dossiê”. O tenente errou claramente ao entregar os rapazes sabendo das conseqüências (eles foram mortos). José Aparecido também errou ao repassar indevidamente dados institucionais de uso interno da Casa Civil para um amigo, assessor de senador da oposição.

O que me chama a atenção é o comportamento idêntico da imprensa e da oposição nos dois casos.

Assim como, no caso do tenente, a imprensa e outras instituições não estão focados na identificação e na condenação dos assassinos do Morro da Mineira que mataram os rapazes, no caso do dossiê a imprensa e a oposição também não quiseram saber do culpado pelo ato criminoso, previsto em lei, de vazar para a imprensa (no caso a Veja e a Folha de São Paulo) dados sigilosos da Presidência da República.

Segundo o jornalista Ricardo Noblat e outras fontes da imprensa, o Senador Álvaro Dias do PSDB, o chefe do tal assessor, teria confessado o crime, mas isso foi abafado, foi desprezado pela oposição e pela imprensa, e o senador continuou incólume e repetidamente apareceu nas telas das redes de TV como o nobre e ético vilão da história.

REFLEXÕES SOBRE A POLÍTICA INDIGENISTA

O blog do jornalista Luiz Carlos Azenha (ver lista “recomendamos”) publicou hoje um texto de Claudio Barbosa de Figueiredo, com o título acima, que contribui para a visão mais ampla, sob diversos matizes, do assunto “índios na Amazônia”, que tem sido alvo de polêmica nos últimos meses.

Transcrevo:

“Reagindo à repercussão obtida, perante a opinião pública nacional, pelas críticas do Comandante Militar da Amazônia, Gen Heleno, à Política Indigenista Brasileira, o Presidente da Funai, Sr. Márcio Meira, declarou que essa política segue hoje os parâmetros estabelecidos pelo Marechal Rondon.

Trata-se de uma flagrante inverdade, surpreendentemente vinda de quem seria de se esperar que dominasse todos os aspectos da atividade sob sua responsabilidade.

A postura do grande desbravador, adotada no início do século vinte, pressupunha a paulatina integração das populações indígenas à comunidade nacional. O Serviço de Proteção ao Índio, criado por Rondon, e sua sucessora, a FUNAI, seguiram essa orientação até a promulgação da Constituição de 1988.

Condicionados por ideologias surgidas no exterior e sem levar em conta as necessárias adaptações à realidade brasileira, os constituintes introduziram o conceito de "preservação da cultura indígena", o qual, sob a forte influência de ONG, vem sendo implantado sob parâmetros de intocabilidade.

Trata-se de uma postura utópica e que chega às raias da irresponsabilidade, pois condena esses brasileiros a um primitivismo eterno por confiná-los em verdadeiros "jardins antropológicos". A prática tem demonstrado a impraticabilidade de se manter comunidades indígenas em uma situação de total isolamento. A aculturação, se não for induzida sob cuidados que garantam compatibilizar a evolução com a preservação da cultura original, acaba inexoravelmente ocorrendo, e sempre marcada pelo descaminho. Resulta em garimpo irregular, extração predatória de madeira, alcoolismo, prostituição, tráfico e contrabando, o que leva ao comprometimento sua sobrevivência física e, por conseqüência, também a sobrevivência cultural.

Recentemente a revista Veja denunciou a morte de duzentas crianças Ianomamis, em decorrência do costume tribal de sacrificar os recém nascidos que apresentem qualquer tipo de anomalia. Esta prática é passivamente assistida pelos agentes em cumprimento a fundamentos antropológicos chamados de "relativismo cultural", pressuposto segundo o qual os universos culturais devem ser absolutamente preservados.

Com uma postura claramente geopolítica, a FUNAI tem se limitado a estabelecer reservas onde os índios são abandonados à própria sorte. Nenhuma atividade que lhes dê sustentação é desenvolvida, não lhes restando alternativa que não a de submeter-se a essa condição ou então migrar para as cidades onde vão engrossar o cinturão de pobreza, como ocorre em Boa Vista e em São Gabriel da Cachoeira. Periodicamente, suicídios em seqüência são um dos perversos resultados da perda da identidade cultural que se verifica nesses ambientes.

Outra impropriedade está em não se levar em consideração os diferentes estágios de evolução e a realidade que circunda cada uma das comunidades, aplicando, indistintamente, parâmetros idênticos tanto para populações isoladas como para índios já fortemente ambientados à cultura nacional.

Reside aí uma das aberrações encerradas pela demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Aquela região, de 17 mil quilômetros quadrados, apresenta vegetação característica de savana, não permitindo caça e nem pesca que dêem sustentação à vida nômade dos cerca de 15 mil integrantes de cinco etnias, a maioria de origem Macuxi.

Trata-se da primeira área da Amazônia Ocidental colonizada pelos portugueses, como forma de marcar sua presença e de fazer frente às incursões de espanhóis e de ingleses. Por ordem do Marquês de Pombal, logo após a assinatura do Tratado de Madri, em 1750, ali foi introduzida a criação de gado, atividade da qual, desde então, as populações passaram, direta ou indiretamente, a tirar seu sustento. Por esta razão, a maioria da população indígena daquela área posicionou-se contra a demarcação nos moldes pretendidos pela FUNAI e por ONG como o Conselho Indigenista de Roraima.

Esse parâmetro, propositalmente ignorado por esses órgãos, pode ser aferido nas últimas eleições municipais, quando, nos dois municípios contidos no interior da reserva, Uiramutã e Normandia, os prefeitos eleitos fizeram suas campanhas posicionando-se contrariamente à demarcação.

Daí a revolta de grande parte dos residentes, pois sabem que, após concluídos todos os passos da demarcação tal como se anuncia, estarão sempre condenados ao atraso e ao isolamento."

PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS E DO BANCO DO BRASIL: FHC CULPA O DEM-PFL...

O blog do Nassif transcreve hoje sob o título “FHC, povo e política” uma entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor.

Não vou cansar o leitor transcrevendo toda a entrevista, com as tradicionais hipocrisias de FHC e do PSDB, como a de esconder, de minimizar, de engavetar, de não deixar investigar e de não aprovar as CPIs para investigar os próprios casos de corrupção. Porém, quanto a irregularidades do governo Lula, o padrão tucano é criar (com o total apoio da grande mídia direitista) escândalos, grandes crises. Mesmo que as irregularidades sejam supostas, ou pequenas, ou já sob a ação da polícia.

Quanto a essa característica do PSDB, cito apenas um trecho da entrevista:

"Valor: Mas se os Estados vão ser a vitrine, o que fazer com a vitrine da Yeda Crusius? O senhor distinguiu o caixa 2 do senador Eduardo Azeredo dizendo que o dinheiro do mensalão foi drenado de estatal enquanto o de Minas era de empresa privada. E o de Yeda, não é de estatal?

FHC: Eu não conheço a administração do Rio Grande do Sul, por isso não quero falar. Foi uma alegação feita por um parlamentar de que teria havido financiamento. Mas não houve nada de mais concreto. E a Yeda demitiu. A diferença é que no governo do Lula eles passam a mão na cabeça. 'É aloprado, ah, não é tão grave assim'. 'Fez um dossiê contra o ex-presidente no Palácio, mas não é dossiê, é banco de dados'. Isso não tem no PSDB."

Nesta postagem, quero somente destacar o infantil comportamento de FHC/PSDB, ao dizer “não fui eu, foi ele!” Quem quis privatizar não fui eu, foi o DEM!

Vejamos, sobre esse traço de caráter do PSDB/FHC, o seguinte trecho da entrevista:

"Valor: E qual a diferença entre o PSDB e o DEM?

FHC: Não posso dizer tudo o que acho... O DEM tem uma visão mais liberal e é um partido, digamos assim, do contribuinte. Mexeu em imposto mexeu com o DEM. Fora isso tem uma visão mais liberal. Acredita mais no mercado. O PSDB não acredita tanto no mercado. Nunca concordei com a privatização da Petrobras. Nem do Banco do Brasil. Eles queriam. Acho que em um país como Brasil o setor público deve ter peso. Deve ter certo equilíbrio, mais controle social.”

EX-PRESIDENTE DE PORTUGAL ESTRANHA A MÍDIA BRASILEIRA

O ex-presidente de Portugal Mário Soares publicou este ano em seu site uma precisa apreciação sobre o comportamento parcial e partidário da grande mídia brasileira nos últimos anos. Li, ontem, o texto de Mário Soares no site “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Antes de transcrevê-lo, vejamos um pouco mais sobre o autor, com a ajuda do site “Wikipédia”.

MÁRIO SOARES

Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu em Lisboa, em 7 de dezembro de 1924. O pai, João Lopes Soares foi sacerdote, pedagogo e ministro na 1ª República, tendo também combatido o regime salazarista.

Mário Soares licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1951, e em Direito, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1957.

Fundador do Partido Socialista de Portugal, em 19 de abril de 1973, Mário Soares foi um dos maiores resistentes antifascistas, pelo que foi preso doze vezes, deportado para São Tomé até se exilar na França, onde desenvolveu trabalho em várias universidades.

A 28 de abril de 1974, depois da Revolução de 25 de abril, desembarcou em Lisboa, vindo do exílio em Paris

Foi Ministro dos Negócios Estrangeiros de maio de 1974 a março de 1975.

Mário Soares foi um dos impulsionadores da independência das colónias portuguesas.

Em março de 1977 iniciou o processo de adesão de Portugal à CEE e subscreveu, como Primeiro-Ministro, o Tratado de Adesão, em 12 de julho de 1985.

Foi Primeiro-Ministro de Portugal nos seguintes períodos:
I Governo Constitucional entre 1976 e 1977;
II Governo Constitucional em 1978;
IX Governo Constitucional entre 1983 e 1985.

Foi Presidente da República entre 1986 e 1996. Na eleição de 22 de fevereiro de 2006, obteve o terceiro lugar, com 14% dos votos.

A MÍDIA BRASILEIRA, POR MÁRIO SOARES

Reproduzimos a seguir o texto extraído por Paulo Henrique Amorim do site da Fundação Mario Soares. Tem a data de 25 de fevereiro de 2008:

“Quem ler os jornais, cheios de ‘faits divers’ e de escândalos e seguir as televisões, parece que o Brasil está à beira de um colapso. Casos de corrupção, de violência nas cadeias e nas favelas, insegurança generalizada.

Ora, não é assim. O Brasil está hoje ‘na maior’, para usar uma expressão bem brasileira.

A inflação é baixa e está totalmente controlada. O emprego tem subido espetacularmente. A pobreza extrema diminuiu sensivelmente. O Brasil pagou as suas dívidas externas e dispensou os auxílios do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O real tem uma cotação próxima do dólar. As exportações aumentaram 162 bilhões de dólares nos últimos 12 meses (o maior valor histórico). As reservas internacionais subiram a 162,9 bilhões nos últimos doze meses. Os investimentos externos no Brasil crescem há 14 trimestres consecutivos.

Não quero maçar os leitores com os números. Direi tão só que a qualidade de vida dos brasileiros tem vindo a aumentar significativamente. Há um aumento de renda que permite aos mais pobres comprarem frigoríficos, máquinas de lavar, televisões, etc. A agricultura cresceu. Os programas "bolsa de família" e "luz para todos" têm sido um êxito reconhecido.

E os brasileiros estão francamente otimistas quanto ao futuro, como revelou uma sondagem muito completa divulgada quando eu estava no Brasil.

Lula aparece no auge da sua popularidade. Como dizem os brasileiros, com uma expressão característica: "o Brasil está a dar certo"!

Não é só um "país emergente". Tornou-se, realmente, numa grande potência. O que representa um enorme orgulho para Portugal e um parceiro insubstituível. Longe vão os tempos em que, com Stefan Zweig, se escrevia: "Brasil, país de futuro". Hoje é uma incontornável realidade!”

quinta-feira, 19 de junho de 2008

EUA NO AFEGANISTÃO E NA COLÔMBIA: AUMENTA A PRODUÇÃO DE HEROÍNA E COCAÍNA!?!

No sétimo capítulo da nossa série “O Brasil e as guerras mais recentes dos EUA”, intitulado “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado neste blog em 22 de março último, escrevemos (registro somente trecho):

COISAS MUITO ESTRANHAS - O NARCOTRÁFICO

(...) "Sempre achei que havia no ar coisas muito estranhas, incoerentes [no caso Afeganistão].

(...) Por exemplo: o regime Talibã baniu do Afeganistão o cultivo do ópio, do qual é extraída a heroína. A produção caiu a zero em julho de 2001, dois meses antes do atentado às torres gêmeas de Nova Iorque. O comércio mundial daquele produto, que somente nos EUA move mais de dois bilhões de dólares por ano, ficou arrasado, com preços disparando, inviabilizando a sua comercialização e causando o desespero dos seus comerciantes e dos consumidores, principalmente norte-americanos.

Alguns meses depois da invasão norte-americana, na caça ao terrorista Bin Laden, os EUA devastaram com poder impressionante o Afeganistão, com milhões de toneladas de bombas e mísseis moderníssimos. Até o seu subsolo, suas cavernas, suas montanhas foram explodidos por novas e poderosas bombas que tudo esfarinhavam como um grande terremoto.

Aquele país atacado, cujos progresso e infra-estrutura o assemelhavam ao interior do Piauí, e o seu centro comercial era semelhante a uma feira livre da periferia de Caruaru, foi completamente destroçado, com dezenas de milhares de civis afegãos mortos. Até hoje, está totalmente ocupado pelas numerosas, modernas e poderosíssimas Forças Armadas dos EUA e de seus aliados.

Contudo, o surpreendente e incompreensível para mim é o Afeganistão, mesmo bombardeado e policiado palmo a palmo por forças que se intitulam com o nobre direito de combater o terror e o narcotráfico no mundo, ter rapidamente recuperado, e gigantescamente aumentado, a lavoura, a produção e a exportação do ópio, hoje já respondendo por quase 100% da produção mundial. Os preços e o suprimento da heroína já baixaram e estão normalizados nos EUA e nos demais grandes mercados consumidores.”

Hoje, 19 de junho, li na Folha de São Paulo a notícia abaixo transcrita parcialmente. Ela reforça aquela minha estranheza. Constato mais uma vez a inesperada relação diretamente proporcional entre intervenção militar dos EUA e aumento da produção de narcóticos.

ONU CONFIRMA AUMENTO "CHOCANTE" DE PLANTAÇÃO DE COCA NA COLÔMBIA

Crescimento é revés para política antidrogas de Uribe, financiada pelos EUA

“O estudo anual do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, divulgado ontem (18/06), confirmou o crescimento em 2007 da área de plantio de coca na Colômbia. Foram 99 mil ha para a produção da matéria-prima da cocaína, 27% a mais do que em 2006, salto considerado "surpreendente e chocante" pelo organismo.

As cifras da Colômbia, maior produtor mundial da droga, são um revés para a política de combate ao narcotráfico e à guerrilha do governo Álvaro Uribe, que recebeu desde 2001 ao menos US$ 5,5 bilhões dos EUA no Plano Colômbia [e significativo contingente militar norte-americano, denominado “assessores”].

(...) O Escritório da Política de Controle de Drogas da Casa Branca estimou em fevereiro que 1.421 toneladas métricas de cocaína saíram da América Latina em 2007, o que representaria um salto de 40% sobre 2006.”

Muito estranho. Em 2008, o comércio de narcotráfico (heroína e outros) movimenta 1,75 trilhões de euros no mundo, segundo a ONU.

OUTRO RECORDE DA ECONOMIA BRASILEIRA: ARRECADAÇÃO

A notícia foi divulgada no final da tarde de hoje pela Receita Federal. Faço uma síntese dos textos postados pelo site UOL:

ARRECADAÇÃO DE IMPOSTO BATE RECORDE E SOMA R$ 272 BI

“A arrecadação total de impostos e contribuições federais bateu novo recorde e já somou até maio R$ 271,925 bilhões, 11,13% a mais do que no mesmo período de 2007.

Para a Receita, o novo recorde de arrecadação continua sendo fruto de aquecimento da economia.

"O importante é que a economia vem crescendo, gerando maior formalização de empregos e alta da massa salarial", comentou o secretário da Super Receita, Jorge Rachid.”

HÉLIO JAGUARIBE E A POLÍTICA INDIGENISTA

O portal “Terra Magazine” nos traz hoje uma entrevista de Daniel Milazzo com Hélio Jaguaribe sobre a problemática do índio brasileiro. O assunto está na pauta da mídia nos últimos meses. Assim, é oportuno trazer essa contribuição para o debate do tema.

Antes de reproduzir a entrevista, vejamos um pouco da biografia do autor obtida em diversos sites da internet:

Hélio Jaguaribe de Matos formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1946. Em meados da década de 1950, iniciou um projeto de expansão da Companhia Ferro e Aço de Vitória, de sua família. A nova usina da Ferro e Aço foi concluída em 1961 e Jaguaribe dirigiu esse empreendimento até 1964, quando renunciou à presidência da empresa.

Em 1952, passou a se reunir com um grupo de intelectuais paulistas e cariocas e,em 1953, fundaram o Instituto Brasileiro de Economia e Sociologia e Política (Ibesp), do qual Jaguaribe foi secretário-geral. Os integrantes do Ibesp decidiram, em 1955, criar um órgão por meio do qual pudessem influenciar nas decisões do poder relativas à orientação do desenvolvimento. Por decreto do governo de Café Filho, foi criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), um dos núcleos mais importantes de elaboração da ideologia que ficou conhecida como nacional-desenvolvimentismo.

Com o golpe militar de 1964, Jaguaribe afastou-se do país, depois de ter condenado a derrubada de João Goulart. De 1964 a 1966, lecionou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ao retornar ao Brasil, em 1969, ingressou nas Faculdades Integradas Cândido Mendes, onde foi diretor de Assuntos Internacionais.

Em 1983, a Universidade Johannes Gutenberg, de Mainz, Alemanha, conferiu-lhe o grau de doutor honoris causa em filosofia, por sua contribuição às ciências sociais e aos estudos latino-americanos.

Jaguaribe coordenou o projeto Brasil 2000, em 1985, encomendado pelo governo José Sarney. Os resultados foram publicados em 1986 com o título "Brasil 2000: para um novo pacto social". A segunda parte do projeto, "Brasil: reforma ou caos", foi lançada dois anos depois. Em 1988, participou da formação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Em 1992, renunciou aos cargos partidários para ser Secretário da Ciência e Tecnologia do governo Fernando Collor de Mello, deixando o cargo quando foi aprovado o impeachment do presidente, para dedicar-se exclusivamente à vida acadêmica.

A partir de 1994, passou a dirigir um projeto de pesquisa e análise da história universal ("A Critical Study of History"), que ligou o Iepes à Universidade de São Paulo e à Universidade de Buenos Aires, reunindo cientistas sociais e historiadores do mundo todo.

Vejamos a entrevista postada esta tarde por “Terra Magazine”:

JAGUARIBE: DEMARCAÇÃO NÃO PROTEGE CULTURA INDÍGENA

“Aos 85 anos, voz firme, Helio Jaguaribe concedeu entrevista a Terra Magazine, na qual ele qualifica como falaciosa a idéia de que a demarcação de reservas indígenas possa preservar a cultura do índio.

- Isso é uma coisa antropologicamente equivocada - acusa.

O sociólogo Helio Jaguaribe é detentor de um extenso currículo acadêmico, que inclui participações como professor das universidades de Harvard, Stanford e do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Além disso, é um dos atuais membros da Academia Brasileira de Letras.

Jaguaribe põe em xeque a política de permitir que grandes extensões territoriais pertençam a estrangeiros, qualificando-a como "equivocada". O sociólogo não acredita que atualmente isso represente um risco à soberania nacional sobre tais territórios e rechaça os rumores de que uma internacionalização da Amazônia já esteja em curso.

- Essa internacionalização seria radicalmente rejeitada inclusive por via militar se for necessário - assegura.

Indagado se a incorporação dos índios à sociedade brasileira não poria em risco a cultura indígena, Jaguaribe proclama:

- Isso certamente, porque nenhuma cultura primitiva subsiste no âmbito de uma cultura civilizada.

A seguir, a entrevista com Helio Jaguaribe.

Terra Magazine - O que o senhor acha dos conflitos entre índios e arrozeiros na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima?

Helio Jaguaribe - A respeito desse ponto específico eu não o acompanhei com a devida perícia e não estou suficientemente a par do assunto.

Demarcar terras indígenas é uma política viável? É isso que o governo deve fazer?

Isso é uma coisa complexa. A demarcação como idéia de criar uma área protetora da cultura indígena é uma falácia. É uma cultura primitiva, subsiste há prazo relativamente longo no âmbito de uma cultura superior. Portanto isso é uma coisa antropologicamente equivocada.

Por outro lado, a incorporação de comunidades indígenas na comunidade brasileira não se pode fazer subitamente, tem que passar por estágios de acomodação. Nesse sentido, se as reservas indígenas, em lugar de serem reservas, forem campos de aculturamento, aí tem sentido. Pessoas especializadas entram em contato com os povos indígenas, ensinam a língua portuguesa. À medida que as tribos indígenas sejam aculturadas, o Estado pode providenciar emprego adequado e outras facilidades para essas tribos.

Tribos que têm pouco contato ou nunca tiveram contato com populações não-índias devem, então, ser incorporadas à sociedade...

Sim, mas essa incorporação não se pode fazer bruscamente. Ela importa numa modificação muito profunda de padrões culturais. Por isso que eu digo que em lugar de criar reservas indígenas, eu falaria em áreas de aculturamento, em que pessoas especializadas entrem em contato com os indígenas e os encaminhem para sua adaptação à cultura brasileira.

Esse contato colocaria a cultura indígena em risco?

Isso certamente, porque nenhuma cultura primitiva subsiste no âmbito de uma cultura civilizada. É uma falácia pensar que se pode fazer um jardim antropológico, preservando culturas no âmbito de uma cultura superior. Antropológica e historicamente isso não tem sentido.

Então o senhor caracteriza a cultura indígena como primitiva...

A cultura indígena como cultura primitiva está condenada a desaparecer, como todas culturas primitivas, inclusive a nossa, enquanto for primitiva.

O Brasil assinou na ONU, em setembro de 2007, um texto que diz respeito aos Direitos dos Povos Indígenas. Segundo o jurista Francisco Rezek, embora o texto não possua a ‘imperatividade’ jurídica de um tratado internacional, ele abre precedentes para a discussão sobre a internacionalização da Amazônia. O que o senhor acha disso?

Não há precedente nenhum e essa internacionalização seria radicalmente rejeitada inclusive por via militar se for necessário.

Como o Exército deve intensificar a defesa do território nas áreas de fronteira?

Olha, a presença dos militares é simplesmente decisiva. Essa é a principal função do Exército de um país pacífico, que não está pensando em agredir a ninguém, mas que confronta militarmente quem quiser agredi-lo.

O fato de estrangeiros possuírem grandes propriedades na Amazônia põe em risco a integridade nacional brasileira?

Imediatamente não, mas a política de permitir a formação de grandes extensões territoriais sob o controle estrangeiro é completamente equivocada. Eu sou favorável, dada a complexidade das questões envolvidas na Amazônia, a que se constitua uma empresa pública de grande porte, a "Amazoniabrás", que promova a colonização responsável, eqüitativa e ecologicamente correta da região, evitando incrustações estrangeiras perigosas.

Essa empresa seria do porte de uma Petrobras...

Exatamente, seria uma Petrobras da Amazônia.

Voltada apenas para a defesa do território ou para gerir os recursos naturais da floresta?

Não, para tudo. Para uma exploração racional e ecologicamente responsável dos recursos locais.

Há quanto tempo o senhor defende essa idéia?

Não faz tanto tempo assim, porque o problema tornou-se mais agudo mais recentemente... Há um par de anos, digamos assim.”

MP: MÍDIA PRÓ-PSDB COMPRADA CORRUPTAMENTE COM DINHEIRO ILÍCITO

O blog do jornalista Luiz Carlos Azenha postou hoje um artigo muito oportuno sobre corrupção na mídia para atender interesses do PSDB. É o fato de as grandes Redes de TV, os jornais O GLOBO, O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, as revistas Veja, Época e outros jornais e revistas serem comprados ilicitamente pelos tucano-pefelentos que, por sua vez, são instrumentos de interesses internacionais muito maiores e poderosos financeiramente.

ALTAMIRO BORGES: A CORRUPÇÃO NA MÍDIA

“O jornalista Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, encontrou uma pista para explicar o tratamento cordial – e tardio – dispensado pela mídia hegemônica ao escândalo de corrupção no governo tucano de Yeda Crusius.

Pesquisando os documentos que o Ministério Público Federal (MP) apresentou contra a quadrilha que roubou o Detran, ele descobriu que os líderes desta maracutaia investiram na formação de opinião pública favorável bancando anúncios publicitários nos jornais gaúchos. Um lobista do PSDB acusado de integrar a máfia diz, numa carta à governadora, que vários colunistas da mídia comercial foram pagos com dinheiro do esquema ilícito.

Na página 56 do documento, o Ministério Público é taxativo: “O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses, ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca de proximidade com jornais estaduais, os aportes financeiros destinados a controlar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade”.

COLUNISTAS OU MERCENÁRIOS?

O documento não revela quais os jornais ou colunistas que prestaram o serviço sujo à máfia do Detran. Diante da gravidade da denúncia, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande Sul enviou pedido à CPI que apura o caso para que sejam nominados os profissionais e veículos, “pois não é justo que toda a categoria seja colocada sob suspeição”. Já os jornais estaduais – a rigor, existem apenas dois, Zero Hora e Correio do Povo – fingiram-se de mortos diante da grave revelação do MPF. Até agora, a imprensa gaúcha simplesmente nem citou o trecho do documento.

Além das referências feitas pelo Ministério Público ao braço midiático da máfia, outro indício do envolvimento de jornalistas aparece numa carta do empresário Lair Ferst à governadora Crusius. Nela, o lobista tucano diz ser vítima de campanha difamatória por parte de integrantes da máfia e cita o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, e José Antonio Fernandes.

Segundo confessa, a quadrilha “conta com uma série de colunistas de vários jornais que tem remuneração paga por José Fernandes para plantar notícias”. As investigações da Polícia Federal indicam que Ferst se envolveu numa briga interna no grupo pelo controle da rapina do Detran.

COLAPSO DA ÉTICA NO JORNALISMO

O lamentável, como afirma Marco Aurélio, é que a imprensa nada divulgue sobre essas relações promíscuas. “Apesar de todas essas informações, a mídia gaúcha decidiu silenciar sobre o tema. Acusados, de forma generalizada, de ter recebido verba publicitária de integrantes da quadrilha, os jornais do Estado não publicaram uma linha sequer sobre esse assunto espinhoso”. O mesmo tem ocorrido na mídia nacional. Mas o ruidoso silêncio não é de se estranhar. Há muito que a mídia comercial mantém relações corrompidas com o poder, como prova Bernardo Kucinski no imperdível livro “O jornalismo na era virtual – ensaios sobre o colapso da razão ética”.

Ele mostra que sempre existiu no Brasil uma imprensa “marrom”, feita de matérias compradas e de deturpações grosseiras para favorecer grupos econômicos e políticos ou simplesmente para vender mais jornal. Cita Assis Chateaubriand, que ergueu seu império dos Diários Associados com base num jornalismo inescrupuloso. “A corrupção é uma prática sedutora na indústria de comunicação pelo fato de nela se combinar o poder de influenciar politicamente a opinião pública com o poder econômico. Nenhuma outra indústria tem essa característica. É uma prática também comum entre os jornalistas, por sua proximidade no jogo de influência dos poderosos”.

A CORRUPÇÃO INSTITUCIONALIZADA [NA MÍDIA]

Para ele, porém, a prática da corrupção adquiriu novos e sutis contornos na era do jornalismo on-line e do predomínio da ditadura financeira e da globalização neoliberal. Ela é mais patente no jornalismo econômico, “que estabeleceu relações promíscuas e venais com o capital financeiro. Analistas de bancos e corretores de valores conseguem ganhos extraordinários nas bolsas ou mesas de câmbio por intermédio da disseminação de notícias falsas ou falseadas... Com o colapso da Enron e de outras grandes empresas norte-americanas na primeira crise da economia virtual em 2002, descobriu-se que essas empresas faziam pagamentos volumosos a jornalistas de prestígio pela redação de discursos e relatórios, forma disfarçada de comprar seus favores”.

A chaga da corrupção nos meios de comunicação e até entre os jornalistas, que nunca é abordada pela própria mídia, teria ganhado impulso com o neoliberalismo. “O projeto neoliberal implantou-se no país comprando votos no Congresso e vendendo grandes empresas públicas a consórcios formados por meio de acordos secretos que contaram com recursos dos bancos oficiais e de fundos de pensão, obtidos às vezes com apoio em suborno.

O neoliberalismo consagrou a corrupção como padrão de negócios e da política. A própria ideologia neoliberal, fundada no individualismo exacerbado, em sua versão latino-americana, alimentou a corrupção”.

Lembra que na campanha pela reeleição de FHC, “os barões da imprensa se reuniram com ele em Brasília e fecharam totalmente com sua candidatura. Assim, a corrupção nas empresas jornalísticas voltou à dimensão institucionalizada e compartilhada de um grande projeto de classe”.

Ele aponta ainda as práticas mais comuns de cooptação de jornalistas usadas por políticos e empresas. Uma delas é o merchandising – a propaganda camuflada em programas de entretenimento. “O exemplo mais notável e mais conhecido foi o da organização de uma falsa ONG, chamada Brasil-2000, pelo presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, para pagar jornalistas que pudessem fazer merchandising das privatizações e, por tabela, da candidatura de FHC”.

Como se observa, Yeda Crusius teve um renomado mestre de Sorbonne.”

INFLAÇÃO: NOVA CRISE?

Segundo a Folha de S. Paulo de hoje, no artigo “Lula avalia novas medidas contra inflação", de de Kennedy Alencar e Guilherme Barros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria discutido hoje pela manhã, com a equipe econômica e conselheiros informais, medidas de controle do gasto público e de restrição à expansão do crédito, para tentar evitar que a inflação deste ano ultrapasse o teto da meta oficial do governo.

“No atual modelo, a meta de inflação é de 4,5%, mas há uma margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo a fim de acomodar imprevistos. No ritmo atual de inflação, há o risco de a inflação superar o teto da meta, de 6,5% neste ano, o que Lula quer evitar.”

Toda a imprensa brasileira faz há muitos dias um grande alarde sobre o dito retorno da inflação, notícias que induzem, realmente, muitos novos aumentos nos preços.

Sobre o assunto, selecionei um irônico, porém lúcido, texto do jornalista Paulo Henrique Amorim publicado ontem no seu blog “Conversa Afiada”. Tanscrevo, omitindo os links do texto original:

NÃO DÊ BOLA PARA O PiG: A INFLAÇÃO NÃO É GALOPANTE

“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista”.

A "crise" da Denise Abreu não colou. "Só o PiG leva a Denise Abreu a sério". "Denise Abreu não é Roberto Jefferson".

O PiG está sem crise. Que crise? Qualquer crise. Aquela crise terminal, que derrubará o presidente Lula.

Então, o PiG inventou a "crise" da "inflação galopante". A "inflação" que contaminou até as águas do Lago de Genebra.

Não entre em pânico. Contenha-se. Não leve o PiG a sério.

Faça como os cem diretores e economistas das cem maiores instituições financeiras do Brasil, que, toda semana, depositam seus prognósticos sobre a economia na pesquisa "Focus", do Banco Central.

Não é o pessoal da CUT nem da Força Sindical.

São a cabeça coroada dos bancos, numa pesquisa para o Banco Central. (Delfim Netto até acha que essa pesquisa exagera, para forçar o Banco Central a aumentar os juros.)

Na Focus da segunda feira passada, a previsão para o IPCA – inflação oficial do Brasil – era de 5,8% para 2008.

O sistema de metas do Banco Central – se este sistema, bolado pelo Farol de Alexandria [FHC], funciona como deveria, é outra discussão – prevê um centro de meta em 4,5%. Com uma variação de dois pontos para cima e para baixo.

Assim, tudo estará NORMAL se a inflação cair para 2,5% ou subir para 6,5%.

Para isso, funciona o sistema de metas: ele comporta uma variação em torno de um centro, para evitar isso que o PiG quer provocar: o caos!

Por precaução, na última reunião, o Banco Central aumentou a taxa de juros Selic.

E o Governio Lula apertou o cinto e ampliou o objetivo do superávit fiscal.

Para o ano que vem, os irresponsáveis e subversivos dirigentes das maiores instituições financeiras do país prevêem que a inflação ficará em 4,63%.

Que crise? O PiG precisa arrumar outra, urgente.

Que tal a da Alstom?

Que tal a da Yeda Crusius?

Que tal a do Metrô de São Paulo, em que morreram sete pessoas e o laudo IPT responsabiliza os empreiteiros e a omissão do Metrô?

Na verdade, crise é o que não falta. Só que do lado errado ...”

OBAMA: DIREITO DAS FORÇAS MILITARES EUA/COLÔMBIA INVADIREM O BRASIL!?!

O jornal “O Estado de São Paulo” de hoje publica preocupante artigo de Patrícia Campos Mello. Informa que o menos ruim candidato à presidência dos EUA apresenta em sua campanha dois conceitos que atingem agressivamente o Brasil.

Primeiro, o direito de as forças armadas da Colômbia (hoje integradas com armamentos e milhares de "assessores" militares dos EUA) invadirem países vizinhos, Brasil inclusive, para “caçar guerrilheiros”.

Segundo, sob o velho disfarce de proteção da Amazônia, ele não está gostando de o Brasil estar mais avançado no desenvolvimento e uso de biocombustíveis.

Vejamos trecho do texto do Estadão:

POLÍTICA DE OBAMA PREOCUPA O BRASIL

“Embaixador brasileiro em Washington reuniu-se com assessor de política externa do democrata

O embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, criticou ontem dois pontos da política externa do candidato democrata, Barack Obama: o aval para o governo da Colômbia “caçar” guerrilheiros dentro do território de países vizinhos e a crítica do candidato democrata a respeito da atuação do Brasil na Amazônia.

Em um relatório de 13 páginas sobre a América Latina, a equipe de Obama afirma que “a liderança do Brasil em biocombustíveis causa certa preocupação”.

NOVO RECORDE HISTÓRICO: EMPREGOS FORMAIS

O portal UOL Últimas Notícias divulgou hoje à tarde mais duas evidências da melhora da economia brasileira. Trata-se do recorde de mais de um milhão de empregos formais criados somente nestes primeiros cinco meses do ano e da marca de o país ter 30 milhões de trabalhadores com carteira assinada, outro recorde.

Como se trata de boa notícia que a imprensa tucanapefelenta se vê obrigada a divulgar, ela encontrou uma maneira de inserir aquilo que já comentamos na nossa postagem de 11 de junho com o título: “Bom crescimento do PIB: ressurgem as conjunções adversativas”.

Lá dissemos que as redações dos veículos de comunicação brasileiros, dentro da forte luta deles pelo retorno do PSDB/PFL-DEM ao poder, devem, obrigatoriamente, introduzir, nas boas informações sobre o governo Lula, conjunções coordenativas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto...Essas conjunções e outras subordinativas concessivas ou locuções conjuntivas devem ser sempre associadas a uma boa notícia sobre o governo atual: no entanto, ainda assim, não obstante, apesar de que, ainda que, em que pese, embora, conquanto...

Assim, transcrevo parte do publicado no UOL, ressaltando em negrito o indispensável “no entanto”:

País gera 1 milhão de empregos formais no ano e bate recorde, diz governo; maio tem queda

“O Brasil gerou mais de 1 milhão de empregos formais (com carteira assinada) nos cinco primeiros meses de 2008, maior número desde pelo menos 1992, quando se iniciou esta série de levantamentos pelo Ministério do Trabalho.

No total, foram criados 1.051.946 postos de janeiro a maio deste ano. Com isso, o país tem atualmente 30 milhões de trabalhadores com carteira assinada, outro recorde.

Em comparação com período equivalente de 2007, houve um crescimento de 3,63% no emprego formal. Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.755.502 postos, alta de 6,21% sobre os 12 meses imediatamente anteriores.

Em maio, no entanto, o governo registrou uma queda no ritmo de criação de vagas. No quinto mês deste ano, 202.984 trabalhadores foram inseridos no mercado, número 4,3% menor que os 212.217 registrados no mesmo período de 2007. A queda em maio ocorreu devido ao "desempenho mais modesto do setor de agronegócio", segundo o Ministério do Trabalho.”

CLASSE MÉDIA DESCOBRINDO QUE É MARIONETE DA “VEJA”

O blog do jornalista Luiz Carlos Azenha (ver “recomendamos”) hoje publica um interessante texto assinado por Roberto Efrem Filho, mestrando em direito pela UFPE e filho de “Roberto Efrem”, a quem o artigo é dedicado. Azenha informou que obteve o texto na internet.

Percebe-se que a classe média brasileira já começa a descobrir que foi doutrinada pela revista “Veja” para pensar de acordo com os interesses da revista. ”No fim, ‘todo político é ladrão’ – menos os do PSDB, claro. “‘Política não presta’, o que presta mesmo é a Revista VEJA”.

A VEJA E O MEU PAI

“Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da Revista Veja. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando “o que cargas d’água eu tenho a ver com isso?”. Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baia dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto, portanto, é a de provar que meu pai é um herói.

A Revista VEJA se diz assim: ”indispensável ao país que queremos ser”. Começa e termina com propagandas cujo público alvo é a classe média e, nela, claro, meu pai. Banco Bradesco, Hyundai, H. Stern. Pajero, Banco Real, Mizuno. Peugeot, Aracruz, Nokia. Por certo, a classe média – inclusive meu pai – dificilmente terá acesso à grande parte dos bens expostos na vitrine de papel. Não importa. Mais do que o produto, a VEJA vende o anseio por seu consumo. Melhor: credita em seu público-alvo, a despeito de quaisquer probabilidades, a idéia de que ele, um dia, chegará lá.

Logo no comecinho, na terceira e quarta folhas, estão as páginas amarelas da Revista. Nelas, acham-se as entrevistas com personalidades tidas como renomadas e com muito a dizer ao país. Esta semana a VEJA apresenta as opiniões de Patrick Michaels (?), climatologista norte-americano que afirma a inexistência de motivos para temores com o aquecimento global. Na semana passada, deu-se voz ao “jovem herói” Yon Goicoechea (?), um “líder” estudantil venezuelano oposicionista de Chávez e defensor da tese de que a ideologia deve ser afastada para que a liberdade seja conquistada contra o regime “ditatorial” chavista.

Não. Não é que a VEJA não conheça o aumento dos níveis dos mares, dos números de casos de câncer de pele, do desmatamento da Amazônia, da escassez da água e dos recursos naturais como um todo e de suas conseqüências na produção mundial de alimentos. Sim, ela conhece. Não. Não é que ela não saiba que um estudante não representa sozinho o posicionamento democrático de uma nação e que um governo legitimamente eleito não pode ser chamado de totalitário. Sim, ela sabe. Do mesmo modo que conhece e sabe da existência de diferentes opiniões (ideológicas, como tudo) sobre ambos os assuntos e não as manifesta. Acontece que isso ela também vende: o silêncio sobre o que não é lucrativo pronunciar.

Do meio para o final da Revista estão os casos de corrupção. Esta é a parte do “que vergonha, meu filho, quando isso vai parar?” dito pelo meu pai, com decepção na voz.

A VEJA desenvolve um movimento interessante de despolitização nesse debate. Ela veste o figurino do combatente primeiro da corrupção, aquele sujeito que desvendará as artimanhas, denunciará os ladrões e revelará “a” verdade, única, inabalável. Com isso, a VEJA confere centralidade à corrupção no debate político, transformando a política em caso de polícia e escondendo o fato de que o seu próprio exercício policialesco é inerentemente político.

No fim, “todo político é ladrão” – menos os do PSDB, claro, todos “intelectuais”. “Política não presta”, o que presta mesmo é a Revista VEJA.

A Revista é ainda permeada por textos de cronistas e colunistas. Estão, entre seus autores, Cláudio de Moura Castro, Lia Luft e Roberto Pompeu de Toledo. Todos dignos do título de “cidadão de bem”, conscientes e responsáveis. Evidentemente, todos de posicionamentos um tanto moralistas e um tanto conservadores. Difere-se deles Diogo Mainardi. Este, conhecido por chamar o Presidente da República de “minha anta” e por sua irreverência desrespeitosa e direitista, escancara a alma da VEJA. Mas não se engane. Não é Mainardi o perigo. São os outros.

Foram eles que meu pai um dia leu com respeito e é aquela auto-imagem que a VEJA quer – como tudo – vender. Sem dúvida a Revista VEJA é ainda mais que isso. Suas estratégias de persuasão vão muito além dos limites deste breve texto. Afinal, é ela a revista mais lida no país, parte significativa de um império da concentração do poder de informar. Seja nas suas “frases da semana”, nas quais há de costume as fotografias de uma mulher bonita dizendo bobagem e de um homem-autoridade falando coisa inteligente e importante, seja no fetiche da citação “eu li na VEJA”, faz-se ela um dos mais eficazes instrumentos de convencimento a favor da classe dominante.

Meu pai, por sua vez, é um trabalhador. Casado com Fátima, minha mãe, e pai também de Rafael, criou seus filhos com princípios que ele preserva como inalienáveis. Já votou no PT. Já votou no PSDB e mesmo no PFL (“porque foi o jeito, meu filho!”). Opõe-se a qualquer tipo de ditadura (conceito no qual incluía até pouco tempo o governo de Chávez: coisas da VEJA). Já se disse socialista, na juventude. É praticante da doutrina espírita desde menino. Discorda de mim em milhares de coisas. Concorda noutras. É um bom e sonhador homem com quem eu quero sempre parecer.

Hoje, ele cancelou a renovação da Revista VEJA, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo, depois de chamar de “idiota” a entrevista daquele herói das páginas amarelas sobre o qual falei acima. Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na Revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: “meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire”.

Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.”

quarta-feira, 18 de junho de 2008

BRASIL REABRE PROGRAMA “F-X2” (NOVO AVIÃO DE COMBATE)

A Aeronáutica emitiu, no início deste mês, o “Pedido de Informação” (RFI) para a aquisição de 36 caças, podendo chegar a 120 aviões até 2020. Os aviões substituirão na FAB os já muito antigos F-5 lançados no fim dos anos 60, os AM-X dos anos 80 e os Mirage 2000 também dos anos 80, recentemente comprados de segunda-mão pela FAB.

Cinco fabricantes receberam o pedido: Boeing-EUA (F/A-18E/F Super Hornet), Dassault-França (Rafale), Eurofighter–Inglaterra/Itália/Espanha/Alemanha (Typhoon), Saab-Suécia (Gripen NG-Next Generation) e a Sukhoi-Rússia (Su-35).

O complexo processo de seleção, negociação, decisão, aquisição, implantação ora iniciado, como é normal em todo o mundo, deverá durar muitos anos, muitos governos, até a sua concretização. O início das entregas, segundo o RFI, será em 2014, estendendo-se até após 2020.

Essa notícia saiu esta semana no semanário inglês “Flight International”, em reportagem de Craig Hoyle.

Alguns requisitos estabelecidos pelo Brasil:

--Avião básico já desenvolvido;
--Supersônico;
--Conexão eletrônica (data link);
--Multifunções;
--Mísseis “ar-ar” de curto e longo alcance;
--Licença de fabricação no Brasil da estrutura, dos equipamentos de bordo e dos motores.
--Contrapartida tecnológica/industrial/comercial para o Brasil no valor integral da aquisição (“offset de 100%”);

Transcrevo a notícia da “Flight International”:

Brazil issues 120-aircraft request to five fighter manufacturers” (By Craig Hoyle)

“Brazil has revived its delayed search for a next-generation multirole combat aircraft, and in early June issued requests for information to five bidders for its new F-X2 contest. Its initial requirement is for a batch of 36 fighters, although the total programme is for 120 aircraft to be delivered from 2014 until post-2020.

Bidders for the new contest have been restricted to the Boeing F/A-18E/F Super Hornet, Dassault Rafale, Eurofighter Typhoon, Saab Gripen NG (Next Generation) and the Sukhoi Su-35. The selected type will replace some of the Brazilian air force's Alenia/Embraer AMX ground-attack aircraft and its upgraded Northrop F-5 fighters, plus a recently acquired batch of ex-French air force Dassault Mirage 2000s.

Industry sources say the RFI requests the delivery of an "established, proven airframe" with supersonic performance, network connectivity and multirole capabilities. The document does not specify whether companies should offer an active electronically scanned array radar with the aircraft, but says both within-and beyond-visual-range air-to-air missiles should be supplied.

The F-X2 programme also includes an offset requirement worth 100% of the total acquisition costs, with licensed manufacturing of the selected fighter's airframe, avionics and engines requested during the life of the programme.

Brazil's earlier F-X fighter contest was abandoned in 2005 due to budgetary pressures, and the replacement project had been tipped for launch early this year. However, the defence ministry's new shortlist will come as a disappointment to Lockheed, which was interested in offering its F-35 Joint Strike Fighter.

Speaking earlier this month, Embraer officials said that unlike the previous contest, local industry will not be encouraged to partner directly with the bidding F-X2 companies, and that the Brazilian government and air force will instead head this part of the project.”

OS CAMPEÕES MUNDIAIS EM EXPORTAÇÃO DE ARMAS

O portal UOL divulgou hoje à tarde a notícia da agência francesa AFP sobre o ranking dos seis maiores exportadores de armamentos nos últimos cinco anos: EUA, Inglaterra, Rússia, França, Alemanha e Israel. Os três maiores importadores foram Arábia Saudita, Índia e EUA.

Em 2007, os dois primeiros exportadores foram a Inglaterra e os EUA.

Vejamos a postagem do UOL:

"Reino Unido foi maior exportador de armas em 2007"

“LONDRES, 18 Jun 2008 (AFP) - O Reino Unido foi o maior exportador de equipamentos militares em 2007, indicou nesta quarta-feira a IK Trade & Investment, a agência governamental britânica de Comércio e Investimentos.

A indústria britânica de defesa teve um lucro recorde de 10 bilhões de libras (cerca de 31 bilhões de reais) em novos pedidos no ano de 2007, com uma participação de 33% do mercado mundial de exportações de armas, tirando o posto dos Estados Unidos, indicou o organismo governamental.

Essas cifras representam quase uma duplicação dos pedidos em relação a 2006, principalmente graças a um grande contrato de aviões de combate com a Arábia Saudita.

Em dados acumulados nos últimos cinco anos, os Estados Unidos continuam sendo o maior exportador mundial de armas, com 63 bilhões de dólares, na frente do Reino Unido (53 bilhões), Rússia (33 bilhões), França (17 bilhões), Alemanha e Israel (9 bilhões cada um).

Os principais países importadores, também em cinco anos, são Arábia Saudita (31 bilhões de dólares), Índia (18 bilhões) e Estados Unidos (17 bilhões).

A UK Trade & Investment destaca também uma alta das importações australianas (11 bilhões), canadenses (10 bilhões) e paquistanesas (6 bilhões).”

AUMENTAM AS CONSTRUÇÕES NO NORTE, NORDESTE E CENTRO-OESTE

O Portal UOL publicou uma reportagem do jornal Valor sobre pesquisa do IBGE divulgada hoje, que demonstra que o maior crescimento nas construções civis agora ocorre nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do Brasil.

Vejamos o texto do Valor:

SUDESTE PERDE IMPORTÂNCIA NO VALOR TOTAL DAS CONSTRUÇÕES NO PAÍS ENTRE 1996 E 2006

Setor movimentou mais de R$ 110 bi no país em 2006

“A Região Sudeste é responsável por mais da metade do pessoal ocupado e do valor das construções executadas no país pelo conjunto das empresas do setor, como mostrou a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os quatro estados do Sudeste respondiam, em 2006, por 54% do total do pessoal ocupado no setor no país e por 56,3% do valor das construções.

Apesar da força, o Sudeste vem perdendo fôlego ao longo da última década. Em 1996, a região respondia por 59,5% das pessoas ocupadas e por 66,2% do valor total das construções. Em contrapartida, ganharam importância o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste.

No Norte, o pessoal ocupado, que era de 3,6% do total do setor no país em 1996, pulou para 6,7% em 2006. No mesmo período, o valor das construções passou de 3,2% para 7,3%.

No Nordeste, as pessoas ocupadas na construção pularam de 17,5% do total do país para 19,5%, enquanto o valor das obras executadas representava 12,9% do total nacional em 1996 e passou para 15,1% em 2006.

No Centro-Oeste, a fatia de ocupados no bolo nacional aumentou de 8,1% para 8,5%, enquanto o valor das construções saltou de 6,8% para 9,4%.

No Sul também houve crescimento. Na ocupação, a participação da região pulou de 10,5% para 11,4% entre 1996 e 2006, e, em valor das obras, o percentual foi de 10,8% para 11,8%.

De acordo com o IBGE, o redirecionamento das atividades das empresas de construção, atuando menos no Sudeste e mais nas outras regiões, pode ser explicado pela expansão da fronteira agrícola, com o conseqüente aumento das atividades agroindustriais e do fluxo migratório dos trabalhadores; e pela instalação de novas indústrias e redes varejistas no Nordeste.”

TUCANOS AINDA NÃO PODEM DORMIR EM PAZ

Li outro texto muito interessante do arguto jornalista Paulo Henrique Amorim, publicado no seu blog “Conversa Afiada” que consta na nossa coluna “recomendamos”.

Vale a pena transcrevê-lo.

É sobre o caso ALSTOM, que retrata o tradicional comportamento do PSDB de abafar as suas fraudes e de fazer escândalos e de criar grandes crises sobre qualquer indício de eventual irregularidade do governo Lula, mesmo que sem fundamento.

TUCANOS IMPEDEM CPI DA ALSTOM

“Tucanos impedem investigação sobre Alstom. PSDB de São Paulo consegue evitar convocação de envolvidos e as diligências, e blindam o ex-secretário Zylbersztajn.” (O Globo).

“Serristas barram investigação sobre Alstom” - Folha (da Tarde*), pág. A8.

“Caso Alstom – Ex-secretário afirma desconhecer contratos – Governistas barram novas convocações na CPI e evitam que oposição questione propina” – Estadão, pág. A15.

Não adianta o presidente eleito José Serra, lá do Japão, ou de onde estiver, articular a “operação abafa”.

Nem os tucanos devem dormir descansados.

O “caso Alstom” está sob investigação no Ministério Público da Suíça e da França.

E a primeira notícia que saiu no Brasil foi através do Wall Street Journal.

E pode cair no colo dos tucanos de São Paulo a qualquer momento.

A menos que o presidente eleito recorra ao seu método usual e demita, por telefone, o repórter do Wall Street Journal.

É o chamado “método Sarkozy”, que levou à demissão do âncora do jornal da TV TF-1, o mais respeitado da França, Patrick Poivre d'Arvor, porque fez uma pergunta de que o Presidente (efetivamente eleito) não gostou.

Sarkozy, Putin, Serra – dá tudo no mesmo (“Serra é o nosso Putin”).

Como se diz nas redações americanas: ‘The abuse of power comes as no surprise’.”

GLOBO E PIG CONTRA O EXÉRCITO

O jornalista Paulo Henrique Amorim, da Rede Record, em seu blog “Conversa Afiada”, postou agora pela manhã uma lúcida análise do comportamento da Rede Globo e da imprensa em geral (PIG-Partido da Imprensa Golpista) sobre o gesto criminoso dos militares que entregaram jovens para que fossem assassinados por quadrilha rival. Transcrevo:

A FAVELA PRECISA DO EXÉRCITO, SIM

“Ofensiva contra o Exército”, diz a manchete do Globo.

A ofensiva é do Globo e do PiG.

O PiG, a elite branca e seus estafetas (também conhecidos como colonistas) estão indignados, não apenas – como todos os de bom senso – com o gesto hediondo dos militares que entregaram jovens para que fossem assassinados.

O PiG, a elite branca e seus colonistas estão indignados porque o Estado, ou melhor, o Exército, subiu o morro para dar garantia a uma obra que vai beneficiar os pobres.

No Morro da Providência, o que vai beneficiar o pobre é resultado de uma parceria do Ministério das Cidades com o Ministério da Defesa, para financiar e realizar obras de recuperação de 782 casas.

O projeto original é do senador Marcelo Crivella, do PRB – da base do Governo e ligado à Igreja Universal.

Crivella é candidato a prefeito do Rio, contra a Globo.

O líder da Igreja Universal é Edir Macedo, empresário proprietário da Rede Record, onde trabalho.

A audiência da Rede Record tem crescido, em prejuízo da audiência e do faturamento da Globo.

Como diz o professor Wanderley Guilherme dos Santos, a maior arma do PiG é gerar crises ("Crise ? Qual crise ? Qualquer crise!").

Crises que beneficiem seus interesses empresariais.

É o caso da Globo, do Globo e seus colonistas, que pensam pelo patrão.

O Exército passou a subir as favelas do Rio para dar garantia às obras do PAC.

O PAC das favelas é um programa de mais de R$ 1 bilhão para prover transporte, iluminação, acesso a serviços públicos, como saúde, policiamento, esgotos e educação.

É uma estratégia para combater o tráfico de forma duradoura.

Tirar a favela da marginalidade, literalmente.

Integrá-la à cidade.

E esse é o problema: o PiG e a elite branca não querem que a favela se integre à cidade, mas que seja expelida da cidade.

Se transforme num gueto, seja removida para bem longe, ou suma num incêndio.

É por isso que o PiG e a elite branca não querem que o Exército suba o morro.

É por isso que o PiG e a elite branca não querem que o PAC suba o morro.

O PiG e a elite branca gostam do dinheiro público, mas quando é para o BNDES entregar aos empresários Carlos Jereissati e Sérgio Andrade 78% da telefonia nacional, sem que botem um tusta.

Aí, o Estado é ÓTIMO !

O PiG e a elite branca querem é a tropa de elite.

Para defender seus interesses – de elite.

O problema deles não é o Exército – é o pobre.”

ENCONTRO DE LULA COM INTELECTUAIS

O portal Agência Carta Maior publicou o texto completo do blog do Emir Sader sobre o encontro ocorrido esta semana (anteontem) entre o Presidente Lula e intelectuais brasileiros. O artigo reproduz bem os temas lá debatidos.

Para facilitar a visão dos principais assuntos tratados, este blog colocou-os em negrito:

LULA E OS INTELECTUAIS

“Não vou apelar a um histórico das relações, encontradas e desencontradas, de Lula com os intelectuais, mas apenas relatar um pouco do que foi a reunião de ontem, de que Lula estava ali e com que tipo de preocupações ele encontrou aos intelectuais.

A reunião se deu depois de uma breve viagem que Lula havia realizado com alguns intelectuais a Araraquara para uma homenagem a Gilda de Mello e Souza, esposa de Antonio Candido, falecida recentemente.

Paulo Vanucchi foi o responsável de organizá-la, com a assessoria da Presidência da República, para definir o caráter da reunião e seus participantes. Lula definiu os participantes da parte do governo – Dilma Rousseff, Fernando Haddad, Luis Dulci, Marco Aurélio Garcia e o próprio Vanuchi.

Houve convites a cerca de 40 intelectuais, a maioria de São Paulo, mas também do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Entre os presentes, Antonio Candido, Luis Fernando Veríssimo, Leonardo Boff, Moacir Scliar, Fernando Morais, Luis Gonzaga Belluzzo, Candido Mendes, Dalmo Dallari, Maria Vitória Benevides, Aluisio Teixeira, Marco Antonio Barbosa, Paul Singer, Luis Eduardo Wanderley, Ladislau Dowbor,Walnice Galvão, Margarida Genevois, Adauto Novaes, Leonardo Avritzer, Lucio Kovarick, Gabriel Cohn, entre outros.

Prevista para durar cerca de duas horas, a reunião se prolongou por três horas e meia, ficando acertado que em todas as viagens de Lula aos estados, haverá reuniões com grupos de intelectuais, a próxima sendo prevista para o Rio de Janeiro, seguida de outras em Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife.

Este texto reproduz algumas das intervenções da reunião, não é um relato nem completo, nem textual, pretende apenas reproduzir em parte o clima e os temas debatidos.

Lula havia consultado se preferíamos começar por intervenções nossas ou se ele deveria fazer uma exposição inicial, decidimos por esta alternativa e 14 de nós nos propusemos a fazer intervenções para que Lula e sua equipe respondessem.

Significativamente, Lula começou dizendo que essa reunião deveria ter sido organizada pelo PT, mas estava organizando sua equipe, desde o governo, diretamente. Apresentou as pessoas que ele tinha trazido com ele, mencionou que era uma “apresentação” de Dilma aos intelectuais. Mencionou também que uma de suas grandes preocupações é a continuidade de governos do PT, antes de escolher o inicio de sua exposição pela política internacional.

Recordou que, bem no começo do seu governo, em 2003, de retorno de viagem a Davos, comentou com Celso Amorim que era preciso mudar a geografia econômica do Brasil. E seguiu um impressionante relato da reinserção internacional do país, tomando a América do Sul como eixo fundamental, mas incorporando a América Central, as relações com o México, o papel – subestimado pela mídia – do G-20, hoje interlocutor fundamental em qualquer negociação internacional.

Reiterou a importância dos passos ainda que iniciais da Unasul, recordou a primeira eleição direta para o Parlamento do Mercosul em 2010.

Menções pessoais, não sem mostras de orgulho, foram feitas às relações do Brasil com a Venezuela e Hugo Chávez – parceiro fundamental do Brasil, com quem se reúne a cada três meses e têm troca frutífera e sincera de pontos de vista, cada vez mais convergentes – e à Bolívia, pelas dificuldades por que passou e nas quais ele assumiu a responsabilidade – apesar dos problemas que ele mencionou da forma de atuação da Petrobrás.

Da mesma forma chamou de “extraordinário acontecimento a eleição do companheiro Fernando Lugo à presidência do Paraguai” – tema a que retornaria a partir de pergunta que lhe fez Fernando Morais posteriormente.

Elogiou a Rafael Correa, com quem se relaciona, além de presidente, como companheiro, tal a proximidade, a identificação que têm entre si.

Mostrou preocupação com a situação da Argentina, mencionou que trata de manter boas relações com a Colômbia, anunciando visita a Uribe no dia 20 deste mês, com delegação de empresários brasileiros.

Disse que tenta puxar o México mais para perto do Mercosul e que na América Central tem dificuldades pela dependência da região em relação aos EUA, mas que já visitou a todos os países da área, faltando apenas a Costa Rica.

Lula dedicou um bom tempo para falar das privilegiadas relações com a África. Recorda que um bordão usual nas suas viagens é ouvir que “pela primeira vez um presidente do Brasil viaja a este país”. Já são 19 países na África, onde se estenderam muito nossas relações, não sem encontrar competitividades na ambiciosa política chinesa no continente.

Citou como a Petrobrás e uma empresa de outro país perderam a concorrência para a China na exploração de petróleo em Angola – onde já há mais chineses andando nas ruas do que brasileiros – pela oferta, impossível de ser coberta pelas concorrentes -, feita por eles, que além dessas ofertas, se comprometem às vezes a construir edifícios de governo e chegam com uma batalhão de chineses para as obras, o que significa que não chegam a criar empregos locais. Mas recorda que na única votação que disse que fez no seu governo, a China foi escolhido como parceiro essencial, em detrimento do Japão, reitera que com os chineses as negociações são duras, caminham mais lentamente, mas finalmente avançam bem.

O comércio bilateral do Brasil com a África subiu até agora de 3 a 17 bilhões, tendendo a se elevar muito mais. Mencionou os acordos de pesquisa da Embrapa com vários países africanos para apoiar-lhes em resolver seus problemas de tecnologia agrícola.

Com a União Européia Lula reiterou que as negociações estão complicadas para o acordo de Doha, pela resistência dos europeus em retirar ou diminuir os subsídios agrícolas.

O segundo ponto escolhido por Lula foram as políticas sociais do governo, não para expô-las, mas para enfatizar que foram feitas mais de 50 conferências setoriais, precedidas cada uma por 27 conferências estaduais, ele considera que nunca um governo – diz mesmo, no mundo – havia tido uma relação tão próxima e de intercâmbio com os movimentos sociais.

Cita como foi ele o intermediário, recentemente, para que, pela primeira vez, o movimento sindical sul-africano se reunisse com o atual presidente daquele país. Lula confessa as dificuldades de relação com o MST, embora enfatize como seu governo já liberou 2 ou 3 vezes recursos para a economia familiar do que todo o tempo do governo FHC e que a orientação do governo é mais a de financiamento para a agricultura familiar do que de desapropriações.

Fez um elogio privilegiado à política de “territórios de cidadania”, em que foram mapeados mais de 300 municípios entre os mais pobres do país, para concentrar políticas de 19 ministérios – no estilo das políticas sociais no território, como preconizava Milton Santos. Lula considera essa a política mais perfeita que já foi elaborada no plano social.

Passou a exposição sucinta sobre o PAC, como o maior investimento em infra-estrutura que o Brasil já fez – ao que mais tarde Dilma acrescentará também seu caráter de política social, de extensão dos direitos básicos de cidadania, pelo acesso universal à eletricidade, ao saneamento básico, entre outros. Sua presença em mais de 5.000 municípios dá idéia da abrangência e da pretensão do governo com essa iniciativa.

Fez o elogio da atuação da Petrobrás, falou de como isso, entre outros efeitos benéficos, possibilitou a recuperação da indústria naval, que estava desfeita no final do governo anterior. Sobre as novas descobertas, disse que 40% pertencem à União, que será criado um Fundo com esses recursos para a educação e a saúde. Que não haverá mais leilões, que se está elaborando uma nova lei de licitações para o petróleo.

Sobre os biocombustiveis, afirmou que se precisa tanto dos agronegócios quanto da agricultura familiar, que seria possível combinar harmonicamente a convivência dos dois, reconhecendo que grande parte da produção de alimentos para o mercado interno vem da agricultura familiar, que além disso é responsável por grande parte do emprego no campo. Mas diz que considera que “não há anjos e demônios” nesse plano.

Reiterou que o Brasil está vendendo soja para a Venezuela e para Cuba. Que não é possível tirar terras da produção de alimentos para produzir combustíveis, que o Brasil não faz isso, tem terras suficientes para poder dar conta dos dois. Reafirmou que considera a crise agrícola atual uma crise boa, porque expressa que se está comendo mais, que especialmente os pobres estão comendo mais, seja na China, na África ou no Brasil.

Sobre a TV Pública, considera que ela tem ainda cerca de um ano para engrenar, que destinou 350 milhões para o projeto, quantia similar à que dispõe a TV Bandeirantes, que foi constituído um Conselho competente, representativo, pluralista, para dirigí-la.

Lula confessa que guarda rancor de Dom Carpio, que considera que nenhum dos argumentos dele tem sustentação, que está disposto a discutir publicamente cada um dos argumentos. Que o governo desapropriou uma faixa de dois quilômetros, justamente para evitar que houvesse benefícios privados. Que pensou em chamar a greve de fome a milhões – dos 12 milhões que afirma que serão beneficiados pela transposição do São Francisco, mas depois resolveu não fazer isso. Que quer sim encontrar-se com Leticia Sabatella e discutir o tema em profundidade.

Deu de passagem uma estocadinha nos céticos, citou a Miriam Leitão, que disse que a Bovespa nunca chegaria a aos 20 mil pontos e agora ela está chegando aos 70 mil.

Aproveitou para recordar que 2005 foi o seu pior ano, que agora a relação com a mídia está menos nervosa, que ele não lê mais jornais, o que seja importante lhe comunicam, que não lhe faz falta. Que a corrupção aparece, porque não está sendo varrida para debaixo do tapete, que grande parte dos casos vinham de governos anteriores, mas hoje 90% dos casos apurados são feitos pela Procuradoria Geral da República. Que apesar dos erros reais cometidos pelo PT, o pior foram as insinuações, porque as acusações podem ser rebatidas, mas as insinuações sugerem, sem ter que provar nada.

Maria Vitória Benevides, ao iniciar as perguntas, quis ressaltar entrevista recente ao Jornal do Brasil (que está na página do JB, em imagens), em que pergunta sobre sua identidade, Lula afirmou que “é sempre torneiro mecânico e de esquerda”.

Perguntado, Lula abordou a reforma política, que gostaria que o PT tomasse firmemente essa bandeira, que ele mesmo gostaria de reunir a todos os ex-presidentes, vitimas de problemas do sistema político, para tentar promover uma reforma política, mas ele vê isso como muito difícil. Disse que estaria feliz de ver o fim definitivo do dinheiro nas campanhas, que deveriam ter apenas financiamento público. Que ficaria feliz com o fim dos suplentes de senadores, assim como o mandato de 7 anos para os senadores.

Sobre o Paraguai, disse que a questão é delicada, que o Tratado de Itaipu não pode ser alterado, mas que não faria nada que pudesse enfraquecer a Fernando Lugo como presidente, deixando entender que encontrará formas de obter os recursos que o novo presidente paraguaio reivindica, de outra maneira.

Revelou sua felicidade de que o BNDES passou a financiar pequenos e médios proprietários, inclusive a cooperativas de catadores de papel, que ele levou para encontrá-lo no Palácio da Alvorada.

Orgulhoso, manifestou que é o primeiro governo que convoca um Congresso dos GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis), a que ele compareceu, em Brasília, em junho, na abertura.

Anunciou que logo sairão iniciativas que promoverão as rádios comunitárias, assim como medidas de avanço na delimitação de terras indígenas, de proteção dos trabalhadores – em particular os jovens – na cana de açúcar e Dilma anunciou a política de abertura dos arquivos da ditadura, tocando assim em temas espinhosos de conflito com a intelectualidade.

Dilma, Fernando Haddad e Luis Dulci também fizeram intervenções, esclarecendo aspectos de temas vinculados aos setores de responsabilidade no governo. Dilma Rousseff resumiu como os ataques feitos a ela são inócuos, sem consistência, confirmando o que se sabe –ela é hoje a vítima privilegiada das campanhas da oposição e de sua mídia, porque aparece como a candidata de Lula à sua sucessão.

Haddad argumentou que os avanços no plano universitário – entre a criação de novas universidades, de mais vagas para contratações, de dobrar as vagas nas universidades públicas, o Prouni que terá quase um milhão de ingressados no fim do governo, entre outros - deveriam encontrar nos estudantes e nos professores os seus maiores defensores.

Quando retomou um dos temas de maior divergência com grande parte dos intelectuais, Lula revelou que, do seu ponto de vista, fez o ajuste fiscal mais duro que se poderia fazer, mas que não se arrepende alegando que essa política conservadora, restritiva, teria sido condição da decolagem posterior do seu governo.

O Lula que os intelectuais encontraram é um Lula muito seguro de si, confiante na realização do seu governo, dominando plenamente os temas que aborda – inclusive no manejo familiar com todas as cifras. A reunião – pela quantidade e qualidade de participantes, mas também pelas intervenções – que foi superado o trauma da ruptura de parte da intelectualidade com o PT e com Lula. Demonstrou-se que, no marco das diferenças existentes, o diálogo é plenamente possível e uma interlocução permanente entre os dois será muito benéfica para ambos.

Lula parece convencido disso agora, ao mesmo tempo em que os in