segunda-feira, 31 de março de 2008

DATAFOLHA E A ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE EM 2010

O DATAFOLHA e o PIG (Partido da Imprensa Golpista) ficaram malucos? Estão jogando dinheiro fora? Tem cabimento, com apenas um ano do mandato de Lula, já despender recursos e esforços em pesquisas para saber quem será o presidente em 2011, daqui a três anos? Tem lógica já colocar em competição supostos futuros candidatos que nem eles mesmos sabem se quererão ser candidatos? Teria sentido a França já desencadear pesquisas junto à população francesa, com hipotéticos futuros candidatos, para saber quem será o sucessor de Sarkozy? Ou a Argentina, quanto ao sucessor de Cristina Kirchner?

É lógico que a grande imprensa e os seus manipuladores não são burros, nem jogam dinheiro fora. O objetivo não é saber se Serra ou Aécio ou Ciro ou Dilma ou Patrus tiveram x%, y% ou z% de intenção de votos. Muito menos saber quem ganharia se o 'z' competisse com o 'y' sem a participação do 'x' e por aí afora...

Os interesses econômicos, financeiros, geopolíticos que movem a nossa imprensa e os partidos por ela instrumentalizados (PSDB, PFL-DEM e o acessório PPS) são externos ao Brasil. São muito grandes, fortes, ricos e experientes. Eles não jogam dinheiro fora.

O objetivo imediato e principal, agora, é dar o recado internamente: saiam da frente os outros pretensos disputantes do PSDB. O homem é o Serra, não é especialmente o Aécio Neves, ou qualquer outro sonhador (Arthur Virgílio, o vitorioso e raivoso matador da CPMF e do PAC Saúde).

Além disso, junto ao público, o objetivo secundário, mas não menos importante, é começar a incutir a aceitação da idéia de que Serra já é o “presidente eleito”, como diz Paulo Henrique Amorim.

Mas por que o PIG (leia-se os EUA e outros grandes) quereria o Serra?

Minha convicção é a seguinte.

Lembram-se da campanha eleitoral para presidente em 2002? Lembram-se que Serra foi explícito em dizer que privilegiaria o forte estreitamento de todos os laços do Brasil com os EUA e outras grandes potências e que achava errada a ênfase no relacionamento com outros emergentes e principalmente com o Mercosul, por ele menosprezado?

Para mim, isso explica muita coisa ou quase tudo. Não preciso me estender. Explica até esse aparente comportamento estróina do PIG de fazer extemporâneas e dispendiosas pesquisas.

Vejamos a notícia da Folha de São Paulo de hoje, em texto de Catia Seabra:

Serra lidera disputa por 2010; contra Aécio, Ciro é o primeiro

Governador de SP tem ao menos 16 pontos de vantagem sobre o deputado do PSB.

Datafolha mostra que o PT não teria chance de ficar na Presidência se as eleições fossem hoje; Marta atinge 8% no cenário com Serra.

“A dois anos e meio da eleição, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera a disputa pela Presidência com pelo menos 16 pontos de vantagem sobre o principal adversário, o deputado federal Ciro Gomes (PSB). Segundo pesquisa Datafolha, Serra aparece como favorito nos três cenários em que é apresentado como o candidato do PSDB, com taxas que variam de 36% a 38% de preferência.

O PT fica em quarto lugar em seis diferentes cenários apresentados pelo instituto.

O Datafolha ouviu 4.044 pessoas de 25 a 27 de março.

Segundo a pesquisa, Ciro é hoje o mais competitivo da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contra Serra, tem 20% e 21% da preferência, variando conforme o cenário.

Ciro, porém, assume a liderança, com taxas que vão de 28% a 32%, nas três vezes em que Serra é substituído pelo governador de Minas, Aécio Neves. Em dois desses cenários, Aécio fica em terceiro lugar, atrás da ex-senadora Heloísa Helena (PSOL).

Em outro, está tecnicamente empatado com ela. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Sem chance.
(Obs. deste blog: este é o 1º objetivo da pesquisa; ‘Serra é o homem’; ‘cai fora Aécio’)

A pesquisa mostra ainda que o PT não teria chance de permanecer na Presidência se as eleições fossem hoje
(Obs. deste blog: este é o 2º objetivo da pesquisa. ‘Povo, saiba e aceite como fato que Serra será o presidente’).

No partido (PT), a ministra do Turismo, Marta Suplicy, é quem aparece como mais forte. Ainda assim, fica em quarto lugar, com 8%, quando Serra está no páreo. Nesse cenário, Serra tem 36%, Ciro, 20%, e Heloísa, 12%.

Mas, lembrando a popularidade de Lula, o diretor-presidente do Datafolha, Mauro Paulino, aposta numa mudança com sua entrada em campo. "O ator principal, que é o Lula, ainda não entrou no jogo. A partir do momento em que ele defender um nome do PT, esse tabuleiro tende a mudar."
(Obs. deste blog: esta é a terceira mensagem interna do PIG; ‘direcionar esforços da grande imprensa e de seus partidos para a linha-de-ação mestra; fazer Lula daqui para frente sangrar, enfraquecer, com crises e escândalos semanalmente desencadeados e inflados pelo PIG”).

Para a pesquisa, o Datafolha apresentou sete diferentes simulações. Em três delas, Serra é o nome do PSDB. Em outras três, é substituído por Aécio.

Pelo PT, são alternados os nomes de três ministros: Marta, Dilma Rousseff (Casa Civil) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social). Ciro e Heloísa estão em todos os cenários.

Com Dilma, Serra chega a 38% contra 20% de Ciro e 14% de Heloísa. A ministra da Casa Civil fica com 3%. Contra Patrus (1%), Serra mantém-se com 38%, e Ciro atinge 21%.
Marta chega a 11% no cenário em que Aécio substitui Serra. Nele, Ciro tem 28%, seguido de Heloísa (17%) e Aécio (14%).

Como os adversários são os mesmos, é possível comparar o desempenho de Serra ao de Aécio. Serra atinge até 23 pontos a mais que Aécio.

O Datafolha também elaborou um cenário em que os dois concorrem. Nessa hipótese -em que um deles teria deixado o PSDB- não há nome do PT. Com 34%, Serra tem larga vantagem sobre Aécio (11%).

Mesmo com diferença na composição dos cenários, é possível concluir que não houve variação significativa de Serra e Aécio desde a última pesquisa (novembro). Ambos se mantêm no mesmo patamar.”

ADAM SMITH FOI AMPUTADO HOJE NOS EUA. ESTÁ MANETA.

Lembro muito bem os martelantes discursos dos nossos governantes (FHC, PSDB, PFL-DEM) e da grande mídia brasileira na década de 90.

Insistiam que deveríamos (a nossa economia, o mercado econômico e financeiro e tudo o mais) deixar de se proteger. Deveríamos abandonar o desejo de se industrializar e de se desenvolver tecnologicamente. Deveríamos passar a lutar no “mercado liberalizado” em igualdade de condições com as potências econômicas mundiais. Aquilo era “o moderno”.

Deveríamos deixar tudo por conta do Deus “Mercado”. Adam Smith, com as suas espertas mãos invisíveis, resolveria todos os eventuais problemas.

Porque, assim, segundo eles, “encontraríamos os nichos de oportunidade e o progresso que nos fosse possível na nova ordem internacional”. “A mágica do mercado solucionaria tudo sozinha, sem intervenção dos Estados”. O Estado deveria ser “mínimo”, “ínfimo”.

Haveria aqui, em conseqüência, segundo eles, “o violento e benéfico choque de competição com produtos importados dos países já desenvolvidos, mais competitivos”.

Omitiam que os países desenvolvidos e ricos assim são competitivos porque melhor protegeram suas indústrias e produtos; e ainda os amparam.

O velho Adam Smith, para Collor, FHC, o PSDB e o PFL, renascia das cinzas, mas somente para nós, brasileiros, argentinos e cucarachas em geral. Não para os EUA e demais grandes potências.

Lendo o que a Folha Online publicou ainda há pouco (14h), constatei que o governo dos EUA amputou hoje as mãos ditas “invisíveis” de Adam Smith. Ele está maneta.

Vejamos a notícia da Agência Associated Press reproduzida pela Folha Online:

Tesouro dos EUA propõe megaplano de reestruturação do setor financeiro

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira um megaplano de reestruturação das regras para o setor financeiro. A proposta mudará como o governo americano controla centenas de negócios, desde os maiores bancos do país e bancos de investimentos até o sistema de seguros e hipotecas.

Entre as medidas, a mais importante aumenta os poderes de supervisão do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA).

O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, apresentou o plano com 218 páginas em discurso nesta manhã. Ele afirmou que um sistema financeiro forte é importante não apenas para os negócios em Wall Street, mas também para os trabalhadores americanos.

"A estrutura de nossa regulamentação atual não está pensada para enfrentar o sistema financeiro moderno com seus diversos atores, sua inovação, a complexidade de seus instrumentos financeiros, sua integração mundial", afirmou Paulson.

Segundo ele, o projeto de reforma visa também a eliminar as redundâncias do sistema e a preencher suas faltas, com medidas escalonadas no curto, médio e longo prazo.

A regulamentação atual é, na verdade, um mistura de textos realizada durante diversas crises atravessadas pelos Estados Unidos. A parte mais importante da legislação foi instaurada no dia seguinte à Grande Depressão dos anos 30, mas, como ressaltou Paulson, ela não está mais adaptada a um sistema financeiro extremamente "complexo, globalizado e heterogêneo".

O novo plano vai designar o Fed como "regulador de estabilidade de mercado" e dar poder ao órgão de examinar os livros com todos os aspectos financeiros de qualquer instituição, não apenas bancos, de quebrar sigilos e tomar ações corretivas quando necessário.

Segundo o mencionado na página 22 do documento, obtido pela Associated Press, o plano também vai fundir a Comissão Negociadora de Commodities Futuras e a Agência de Supervisão de Instituições de Poupança (Office of Thrift Supervision).

O projeto de Paulson, cuja administração está na ativa há um ano, pede a criação de três agências reguladoras.

O projeto prevê criar um "regulador financeiro preventivo" para as operações diárias dos bancos americanos e empresas de crédito, em vez de cinco agências que regulam a área atualmente. Prevê ainda montar uma agência de vigilância de empréstimos imobiliários.

A terceira agência vai regular a conduta do mercado e dar proteção ao consumidor, substituindo o que faz hoje a Securities and Exchange Commission (a CVM norte-americana).

A proposta de hoje faz uma revisão completa na regulação do mercado financeiro atual, a mais extensa já feita desde a 1929, quando ocorreu a Grande Depressão da economia dos EUA.

O anúncio ocorre no momento em que o mercado global está contaminado pela maior crise de crédito nos EUA em 20 anos, desencadeada por uma outra crise, a dos empréstimos imobiliários "subprime", aqueles feitos a pessoas com histórico de inadimplência.

O temor de calotes generalizados fez o dinheiro em circulação retrair no país, desacelerando a maior economia do planeta. Isso fez crescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo.

Nesse contexto, bancos têm anunciado perdas bilionários e prejuízos, chegando a ser vendidos por preços baixíssimos a concorrentes.”

DATAFOLHA: 89% APROVAM LULA COMO ÓTIMO, BOM E REGULAR

Notícias hoje divulgadas em diversos jornais e TV como resultados da pesquisa Datafolha:

• A aprovação "ótimo" e "bom" a Lula atinge 55% e bate recorde desde Collor (1990-1992);
• O aumento dessa avaliação ótimo e bom foi de 5 pontos em relação a novembro;
• A desaprovação de Lula (ruim e péssimo) também caiu para 11%;
• A aprovação ótimo e bom de Lula subiu 11 pontos na região sul;
• A ampliação de seu prestígio (ótimo e bom) no Nordeste subiu para 68%;
• É a maior popularidade de Lula em seus cinco anos e três meses de governo;
• Essa popularidade supera com folga a obtida por todos os seus antecessores desde Fernando Collor (1990-1992);
• Em março de 2000, quando o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso completava também cinco anos e três meses, o Datafolha registrava somente 18% de aprovação a FHC (e 43% de reprovação);
• A avaliação positiva (ótimo e bom) de Lula subiu sete pontos entre os que têm ensino médio (chegando a 52%);
• A avaliação positiva também subiu entre os que têm ensino superior (47%);
• A avaliação positiva de Lula teve a maior alta entre os que ganham de cinco a dez salários mínimos (de 43% a 50%);
• FHC deixou o governo, em 2002, com 26% de aprovação. O pico foi em 1996 (47%);
• O antecessor de FHC, Itamar Franco (1992-1994), teve a mais alta popularidade justamente ao deixar o governo, 41%;
• Fernando Collor, antecessor de Itamar, nunca atingiu índice superior a 36%.

O CARTÃO CORPORATIVO E AS AMBULÂNCIAS DO SERRA (PHA)

O blog “Conversa Afiada”, do ótimo jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA), publicou hoje, com o título acima, o artigo a seguir transcrito. Para aqueles que ainda não conhecem as inteligentes ironias de PHA, acrescentei entre parênteses alguns detalhes:

“O Ministro da Saúde José Serra omitiu-se (ou participou diretamente - a Justiça determinará) na compra de ambulâncias superfaturadas para o Ministério que dirigia, no Governo do Farol de Alexandria (FHC).

Seu sucessor, Barjas Negri - que era seu Secretário Geral - omitiu-se ou participou diretamente do mesmo esquema.

Há um vídeo e a transcrição em texto do discurso do Ministro Serra na cerimônia de entrega de ambulâncias superfaturadas em Mato Grosso, com a fina flor dos "superfaturadores" ... (no site de PHA, há um link disponível, segundo PHA: “para ver, ler e ouvir ... essa preciosidade que, quando me mandaram embora do iG, imaginaram que iria desaparecer ... )

O empresário que vendia as ambulâncias fez um dossiê. Daqueles dossiês que Serra e o tucano Márcio Fortes fazem com esmero e arte. Por falar nisso, quando Serra e Fortes vão providenciar o “dossiê Aécio Neves”?.

O empresário das ambulâncias vendeu o dossiê a Abel Pereira, empreiteiro que fazia a ponte entre Barjas Negri e os criminosos das ambulâncias. Supõe-se que Pereira quisesse destruir o dossiê para ajudar Serra e Negri.

O empresário das ambulâncias vendeu o dossiê aos aloprados de Aloisio Mercadante, que era candidato a governador de São Paulo, contra Serra.

A história acabou como o "escândalo dos aloprados" - os petistas que compraram o dossiê com notas de baixo valor - desse tipo de carregamento que se acha na boca do caixa do metrô ou de companhias de ônibus. Interessante: um dos muitos negócios que Daniel Dantas conseguiu nas privatizações foi o metrô do Rio ...

Participou da operação dos aloprados um certo - onde anda ele? - Delegado Bruno, que montou uma farsa com jornalistas dos maiores órgãos do PiG (Partido da Imprensa Golpista) para divulgar as fotos do dinheiro dos aloprados.

Aí, surgiu o escândalo dos cartões corporativos. Cartões criados e usados no Governo FHC.

Descobriu-se, rapidamente, com a ajuda do Conversa Afiada e da Folha, que os cartões do Governo de São Paulo, com Serra, eram de volume muito superior ao do Governo Federal.

Aí, a última Flor do Fascio, a Veja, divulgou o que interpretou como uma chantagem do Governo Federal contra a oposição. Divulgou contas com cartão corporativo de Dona Ruth e do Farol de Alexandria. (*)

O Estadão descobriu, neste domingo, dia 30, um historiador de reputação que se assemelha à de Braudel, para anunciar o fim da carreira política Dilma Rousseff.
No PiG, a questão passou a ser, como no caso dos aloprados, não as ambulâncias e os cartões do Governo FHC, mas o vazamento.

Mas, e as despesas da Dona Ruth, ninguém vai discutir? Pode usar o dinheiro do povo naquilo, Dona Ruth?

Segundo a Veja, “a ex-primeira dama Ruth Cardoso é mencionada 23 vezes como beneficiária de despesas como locação de carros, hospedagem em hotéis, compra de ingressos para peças de teatro no exterior, e até como ordenadora (sic) da compra de um porta-retratos, no valor de cem dólares, para presentear um oficial da Colômbia designado para acompanhá-la durante visita ao pais.”

Ainda segundo a Veja, “gastos com vinhos importados, champanhes franceses, carnes raras e até caviar foram compilados da documentação armazenada na Presidência da República. E reproduzidos no dossiê.”

Quer dizer, para a Veja e o PiG, o problema não é o caviar, mas o dossiê...

E se a Ministra Dilma for esquartejada em praça pública, como planeja o PiG, ainda assim, pode-se gastar dinheiro do povo num teatrinho na Europa, dona Ruth?

E as ambulâncias do Ministro Serra - quanto custavam? Por quanto ele comprou? Ele tem comprado muita ambulância para o Estado de São Paulo?

Por falar nisso, clique aqui (no blog de PHA há um link) para ler as 30 perguntas que o Conversa Afiada faz sistematicamente ao presidente eleito (apelido de Serra). As 29 perguntas são sobre a cratera do metrô - um crime tucano, segundo o Ministério Público de São Paulo. A 30ª pergunta é sobre como ele pretende comprar ambulâncias para São Paulo.

(*) Eu, Paulo Henrique Amorim, volto a me colocar à disposição da CPI para descrever a adega do Palácio da Alvorada, nos bons tempos do Farol de Alexandria.”

ELIANE TUCANHÊDE: PEQUENO LAPSO DE MEMÓRIA

Ontem, domingo, ao ler a coluna de Eliane Tucanhêde no jornal Folha de São Paulo, percebi um erro por demais grosseiro para aquela jornalista experiente. Foi muito primário para ser maldade. Pensei em ajudá-la na correção, enviando e-mail para o jornal. Afinal, na nossa idade temos os nossos lapsos de memória.

Pensei, também, em escrever sobre o assunto neste blog. Não foi preciso. O blog “osamigosdopresidentelula”, em bom texto de Zé Augusto, já havia publicado o oportuno artigo que transcrevo (acrescentei pequenos detalhes entre parênteses):

Tucanhede alopra de novo e publica velha mentira

Eliane Cantanhede em sua coluna "Neo-aloprado" mente feio, na ânsia de agradar os chefes (José Serra e Kassab).

Ela diz:
"Waldomiro Diniz... foi filmado pedindo algum para bicheiro quando tinha gabinete no Planalto".

É mentira.

A filmagem de Waldomiro Diniz foi em 2002 na sede da LOTERJ (Loteria Estatal do Rio de Janeiro), da qual Waldomiro era presidente, nomeado por Rosinha Garotinho, a governadora do Rio na época.

O episódio foi (no governo FHC) antes das eleições de 2002, muito antes da posse de Lula. A filmagem (ficou em segredo naquele ano de eleições presidenciais e) apenas foi levada ao ar mais de 1 ano depois, quando Waldomiro Diniz era assessor da Casa Civil, e foi prontamente demitido. Não há registro de ilícito bem sucedido por parte de Waldomiro Diniz durante o governo Lula. Se tentou, não conseguiu nada.

Na coluna, Cantanhede, ainda diz que "... Serra e Aécio nunca batem de frente e nem mesmo criticam Lula, como fazem adversários em qualquer lugar do mundo? Porque têm quilos de pesquisas mostrando que seria burrice, murro em ponta de faca..."

É meia verdade.

Serra e Aécio não criticam diretamente, porque a tropa de choque do PIG, da qual a própria Cantanhede faz parte, faz o serviço sujo por eles.”

domingo, 30 de março de 2008

O FIM DO ‘CAOS AÉREO’: ESCLARECIMENTO DA AERONÁUTICA

O site da Força Aérea Brasileira (www.fab.mil.br/imprensa) publicou hoje um esclarecimento sobre o “caos aéreo”, sobre o qual a grande mídia brasileira deu intenso e prolongado destaque, sempre associando ao presidente Lula as supostas falhas do sistema brasileiro de controle do tráfego aéreo.

Transcrevo a comunicação do Brig Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

COMANDO DA AERONÁUTICA APRESENTA BALANÇO SOBRE TRÁFEGO AÉREO

“A respeito dos acontecimentos de 30 de março de 2007, ocasião em que houve paralisação deliberada das atividades em algumas Unidades de controle de tráfego aéreo do país, o Comando da Aeronáutica apresenta os seguintes esclarecimentos:

1) Após o ocorrido, o Comando da Aeronáutica implementou todas as medidas previstas em lei e cabíveis para o restabelecimento da legalidade, entre outras, por meio da instauração de procedimentos administrativos, que hoje se encontram a cargo do Ministério Público e das Auditorias no âmbito da Justiça Militar, como determinado pela legislação em vigor;

2) Cabe destacar que, nos últimos anos, a Aeronáutica investiu cerca de R$ 1,8 bilhão na atualização do controle de tráfego aéreo brasileiro. Dos quatro Centros de Controle do país, um é novo, (CINDACTA IV – Manaus), dois passaram por processos de atualização (CINDACTA I - Brasília e CINDACTA II – Curitiba) e outro está em fase de modernização (CINDACTA III - Recife);

3) Nos meses que se seguiram àquele evento, lideranças negativas foram afastadas do sistema de controle de tráfego aéreo em benefício da manutenção do serviço prestado à sociedade, também na forma da lei, e para a preservação dos princípios da hierarquia e da disciplina. Com o apoio profissional de controladores de tráfego aéreo, conscientes da importância do seu papel, a Aeronáutica restabeleceu o funcionamento integral do sistema, dentro das normas de segurança operacional e sem risco para os usuários;

4) O Comando da Aeronáutica entende que nenhuma discussão sobre possíveis mudanças no sistema de controle do espaço aéreo pode ser conduzida à margem da legislação em vigor, sob perigo de causar prejuízo à toda sociedade brasileira. A realidade mostra que qualquer tipo de mudança na atual estrutura, exclusivamente, depende da decisão soberana do Estado brasileiro;

5) Com efeito, na 36ª Sessão da Assembléia Geral da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), ocorrida em setembro de 2007, especialistas em aviação de vários países debateram a conveniência e as vantagens do sistema de controle compartilhado. “A cooperação civil/militar é princípio chave para a modificação de qualquer questão relacionada ao gerenciamento de tráfego aéreo”, destaca um dos documentos (Agenda 32) gerados nesse encontro;

6) O Sistema de Controle do Espaço Aéreo do Brasil é um patrimônio avaliado em mais de R$ 6 bilhões, construído ao longo de quatro décadas e que responde por uma área de atuação quase três vezes superior à dimensão territorial do próprio país. São cerca de 6 mil equipamentos –entre radares, sistema de telecomunicações, auxílio à navegação aérea e meteorologia, entre outros- , muitos dos quais em duplicidade, funcionando 365 dias no ano, 24 horas por dia, com uma disponibilidade diária de 98% dessa estrutura;

7) No tocante à carência de controladores, assunto presente no noticiário, é importante esclarecer que foram realizados concursos nos últimos dois anos, para civis e militares, incluindo carreiras técnicas do sistema, o que resultou na formação e acréscimo, até o final do ano passado, de mais 600 profissionais capacitados para o controle de tráfego aéreo. Além disso, foram formados 25 oficiais controladores em 2007 e há a previsão de mais 50 para este ano. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) planeja chegar a 2010 com quatro mil controladores, mil profissionais a mais do que há hoje, para suprir a demanda esperada de crescimento do tráfego aéreo no país;

8) Em relação à formação profissional, as turmas de controladores de tráfego aéreo formadas em um ano receberam instrução concentrada no conteúdo técnico da profissão, a fim de preservar a qualidade de conhecimento técnico previsto na grade curricular de ensino;

9) Em complemento à formação profissional, existe o aperfeiçoamento operacional dos controladores de tráfego aéreo. Nesse particular, a Aeronáutica inaugurou, em 5 de novembro de 2007, um novo laboratório de simulação de controle de tráfego aéreo, em São José dos Campos (SP), com a finalidade de ampliar a capacitação do nível operacional desses profissionais. Com sistemas de última geração e tecnologia 100% nacional, essa nova estrutura ampliou a capacidade de treinamento avançado de 100 para 400 controladores/ano, permitindo aos alunos simular a operação em qualquer localidade do país;

10) Mantido o atual fluxo de recursos financeiros solicitados, o DECEA trabalha com a expectativa de que as necessidades para o Sistema sejam atendidas até o ano de 2010.

11) Além disso, o Brasil integra o seleto grupo de países que já discute e prepara ações para a implantação do sistema CNS-ATM, que representará uma evolução histórica no tráfego aéreo mundial, por meio da utilização de satélites. Mais informações sobre o assunto na página da FAB: www.fab.mil.br.

12) Tratar a questão sobre o futuro do tráfego aéreo no país, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, é de vital importância para o futuro da aviação brasileira. Voar no país é seguro, as ferramentas de depuração do sistema estão em funcionamento e todas as ações implementadas estão em concordância com as normas internacionais de segurança.”

A ‘GRANDE MÍDIA’ DO EQUADOR É IDÊNTICA À BRASILEIRA

O jornalista Luiz Carlos Azenha, ex-repórter da TV Globo, publica hoje (30) no seu blog “Vi o mundo”, na coluna “denúncias”, um artigo oportuno e muito bom que inclusive ilustra perfeitamente o comportamento da grande mídia brasileira, bem semelhante ao modo de agir da “grande mídia” do Equador e dos demais países da América Latina, com raras exceções.

Transcrevo o artigo do Azenha (acrescentei subtítulos entre parênteses, para facilitar a leitura):

CORREA CHAMA JORNALISTAS DE "APÁTRIDAS"; COLÔMBIA VAZA SUPOSTOS DADOS DE COMPUTADOR PARA O NY TIMES

(MÍDIA BRASILEIRA)

“Costumo dizer que, se houver uma crise entre o Brasil e os Estados Unidos, a mídia brasileira se colocará à disposição do Departamento de Estado americano para oferecer a Washington mais espaço que ao governo brasileiro.

No Equador já está acontecendo. Diante da crise entre o país e a Colômbia, que estão com as relações diplomáticas cortadas, as emissoras de TV privadas locais e os principais comentaristas políticos assumiram a defesa da Colômbia, tanto na repercussão dos acontecimentos quanto na opinião a respeito deles.

O que assistimos hoje no Brasil, em torno de um suposto dossiê, é uma crise artificial criada pela revista Veja, com apoio da Folha, Estadão, TV Globo e adjacências. Esse filme já assistimos no passado. "Especialistas" são convocados para dizer que o governo vai cair, ou que vai perder a eleição, ou que fulana ou sicrano estão fritos. É, essencialmente, uma ação eleitoral defensiva que tem o objetivo de queimar uma possível candidata à presidência da República.

Porém, qual foi a decisão estratégica do governo Lula desde sempre? Buscar uma acomodação com a mídia tradicional, fortalecendo-a com propaganda oficial - na casa dos milhões e milhões de reais. É como dar Biotônico Fontoura àqueles que querem te fazer sangrar. Até agora a estratégia de acomodação deu certo, se considerarmos a mais recente pesquisa de opinião a respeito do governo.

Mas já dá para sentir o afastamento de vários aliados à esquerda do governo Lula. O que dizem? Que o governo é unha-e-carne com a mídia tradicional, que são duas faces da mesma moeda. Mais: que o surgimento de uma mídia independente e plural - baseada em rádios e TVs comunitárias, em sites da internet e outros meios - não interessa ao governo Lula, uma vez que ele ficaria sujeito a críticas à esquerda”.

(MÍDIA EQUATORIANA)

(...) “O presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou publicamente o comportamento de alguns jornais de seu país, como o El Telégrafo”.

O jornal equatoriano El Comercio minimizou a denúncia do presidente com um parágrafo: "É uma pena que haja estes apátridas, que em seu papel de comunicadores apóiam a conduta do governo colombiano", disse. E mais: São "um punhado de apátridas hipócritas".

O que tem acontecido no Equador? A Teleamazonas, por exemplo, uma das principais emissoras de TV do país, reproduz qualquer acusação feita contra o Equador pelo governo da Colômbia, inclusive com uso de imagens das emissoras colombianas RCN e Caracol.

Para efeito de comparação, é o mesmo que, em uma crise entre Brasil e Argentina que leve os países a romper relações diplomáticas, a TV Globo dar cinco minutos no Jornal Nacional para acusações do governo argentino e três para apresentar a defesa do governo brasileiro. Não acredito que a Globo faria isso no caso, mas não tenho qualquer dúvida de que faria se a crise fosse entre Brasil e Estados Unidos, especialmente entre os governos Lula e Bush.

"A TV Equador é a televisão pública do Equador, que os seus filhos poderão ver sem se preocupar, sem o espírito de busca de audiência; asseguramos que será um canal educativo, resgatando os valores, a culinária, com informação veraz e imparcial", afirmou Correa a respeito da TV pública equatoriana, que em breve será inaugurada.

Ele fez acusações tanto contra o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, quanto contra o chanceler daquele país, Fernando Araújo, a quem acusou de promover a propaganda contra seu governo.

(EUA ENVOLVENDO A VENEZUELA COM SUPOSIÇÕES CAPCIOSAS)

ARQUIVOS DIVULGADOS PELA COLÔMBIA MOSTRAM TENTATIVA DA VENEZUELA DE ARMAR REBELDES

A manchete acima foi divulgada neste domingo pelo New York Times, em reportagem assinada pelo correspondente Simon Romero, desde Bogotá.

(Prossegue o NYT)

"Arquivos oferecidos por autoridades colombianas de computadores que eles dizem ter sido capturados num ataque em território do Equador parecem ligar o governo da Venezuela à tentativa de conseguir armas para a insurgência da Colômbia", diz o primeiro parágrafo".

"Autoridades que participam da investigação dos computadores deram ao New York Times cópias de mais de 20 arquivos, alguns dos quais mostram contribuições dos rebeldes à campanha do presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa."

"Se certificados, os arquivos ofereceriam uma visão da natureza do mais antigo conflito da América Latina, incluindo a morte de um espião do governo da Colômbia com microchips implantados no corpo, um crime aparentemente cometido pelos rebeldes em seu esconderijo na selva."

Os grifos são meus.

Temos dois problemas com esse tipo de reportagem. Em primeiro lugar, ela é baseada em fonte anônima que tem interesse no conteúdo. Em segundo lugar, o correspondente faz ilações a partir de supostas mensagens contidas em arquivo de computador. Se eu escrevo um e-mail dizendo que pretendo arrecadar 200 mil dólares para a campanha do prefeito Kassab não significa que eu tenha arrecadado o dinheiro, nem que tenha feito a contribuição.

Porém, está lá no texto a respeito dos arquivos que "some of which also showed contributions from the rebels to the 2006 campaign of Ecuador's leftist president, Rafael Correa". Traduzindo: "...alguns dos quais mostram contribuições dos rebeldes para a campanha de 2006 do presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa."

Em nome da verdade factual, o Simon Romero deveria ter escrito que houve referência, em suposta troca de mensagens, a uma possível contribuição.

No quinto parágrafo do texto: "Embora tenha sido impossível verificar a autenticidade dos arquivos, as autoridades colombianas disseram que seu governo havia convidado a Interpol para analisá-los. As autoridades não quiseram se identificar alegando que a investigação da Interpol está em andamento."

De acordo com a reportagem, um total de 16 mil arquivos foram recuperados. O vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, disse que os laptops sobreviveram ao bombardeio porque estavam protegidos por caixas de metal.

"Pessoalmente eu não me arrependo de nada, de absolutamente nada, mas eu sou ministro de um governo que concordou que esse tipo de ação não seria repetido", disse o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. "Naturalmente isso depende de nossos vizinhos colaborarem na luta contra o terrorismo", afirmou.

"A principal arma que eles têm agora é o computador, o suposto computador de Raúl Reyes", disse Hugo Chávez a respeito. "O computador é como serviço à la carte, dando a você o que você quiser. Quer bife? Peixe frito? Bem passado? Você terá o que o império decidir", afirmou.

De acordo com uma carta que teria sido encontrada no computador, datada de 25 de janeiro de 2007, um dos integrantes do secretariado de sete membros das FARC, Iván Marquez, teria se referido a um certo Carvajal dizendo que "ele foi embora com a promessa de que traria um vendedor de armas do Panamá."

Carvajal, de acordo com o New York Times, seria o general Hugo Carvajal, diretor de inteligência militar da Venezuela.

"A divulgação dos arquivos acontece em um momento delicado, quando alguns legisladores em Washington estão pressionando para que a Venezuela seja incluída na lista de estados que patrocinam o terrorismo. Mas com a Venezuela entre os maiores fornecedores de petróleo dos Estados Unidos, tal decisão é considerada improvável por causa dos limites no comércio que imporia", diz o texto do New York Times.

De acordo com outro dos arquivos divulgados pelo jornal, há suposta correspondência de 21 de novembro de 2006 que menciona uma contribuição de 100 mil dólares das FARC à campanha de Rafael Correa.

O ‘Times’ também fala do registro, em um dos computadores de Raúl Reyes, de correspondência entre ele e o número um das FARC, Manuel Marulanda, sobre uma espiã do governo da Colômbia que teria sido descoberta com dois microchips implantados no corpo, um sob um dos seios e outro sob o queixo. A espiã teria sido executada.”

“O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA” – 8ª PARTE

CONTINUAÇÃO DA SÉRIE

RETROSPECTIVA

Até este momento, foram postados os seguintes artigos:

1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, de 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, de 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. Também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008. Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.

Hoje, 30 de Março, continuaremos com:

AS GUERRAS “PREVENTIVAS” DOS EUA NA AMÉRICA DO SUL

QUASE ATAQUE AO BRASIL

Em 17 de fevereiro de 2008, no artigo deste blog com o título “O petróleo e a pergunta: ‘Forças Armadas para quê’?”, relatamos que o Brasil, há poucos anos, quase foi atacado militarmente pelos EUA. E de surpresa.

O jornal Folha de S. Paulo, em 30/06/2004, noticiou que o Departamento de Defesa dos EUA (DOD) vê a região da tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai como “financiadora de terroristas árabes”.

Naquela região, situa-se a gigantesca usina de Itaipu, fornecedora de mais de 25% da energia elétrica consumida pelo Brasil. Além disso, ela possui um enorme manancial subterrâneo de água doce e é uma importante região estratégica para dominar militarmente o sul e o sudeste do Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai.

O DOD chegou a propor uma “ação forte” dos EUA na tríplice fronteira ao final de 2001, antes do ataque ao Afeganistão.

O “Jornal da Band” (TV Bandeirantes) divulgou em 02/08/2004 que, “logo após o atentado de setembro de 2001 em Nova Iorque, o Pentágono propôs à Casa Branca um forte ataque de surpresa ao Brasil (e ao Paraguai e Argentina) naquela região, antes de os EUA atacarem o Afeganistão e o Iraque”.

SEMPRE O PETRÓLEO

Afirmamos naquele artigo de 17/02: “As gigantescas reservas petrolíferas agora descobertas pelo Brasil, as maiores já descobertas no mundo nos últimos dez anos, agravam muito mais o grave quadro de ausência de capacidade de defesa do patrimônio brasileiro.”

O petróleo tem sido o motivo básico das principais intervenções militares dos EUA no mundo. Logicamente, isso não é confessado. Mas sempre acaba revelado.

Na parte 7 desta série, em “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, aqui postado em 22 de março, mencionamos que um dos principais motivos não declarados daquele ataque dos EUA ao Afeganistão também foi o petróleo.

Foi o fato de a região da Ásia Central abrangida pelos países Azerbaijão, Cazaquistão, Usbequistão e Turcomenistão ter sido identificada como possuindo reservas de petróleo e gás maiores que as do Golfo Pérsico. E o Afeganistão é o caminho mais conveniente econômica e geopoliticamente para o escoamento daquele petróleo para os EUA.

A VENEZUELA COMO PRÓXIMO ALVO

Tudo indica que a primeira “preemptive war” dos EUA neste continente deverá ser na Venezuela. Esse país é o primeiro alvo mais provável na América do Sul nessa luta obsessiva dos EUA pelo petróleo indispensável à manutenção da qualidade de vida da sua população e do seu status de hiperpotência.

Este blog foi inaugurado em 07/01/2008, por coincidência motivado pela preocupante notícia que o Jornal do Brasil publicara naquela data. Escrevi naquela 1ª postagem que “a notícia do JB é, para mim, mais um indício forte de que os EUA (e a Inglaterra) preparam, para médio prazo, talvez menos de 10 anos, uma ocupação militar da Venezuela para garantir o suprimento de petróleo necessário à continuação e à melhoria da qualidade das economias daquelas potências”.

(...) “Vários outros indícios secundários dessa preparação estão presentes intensamente na nossa grande mídia e nos partidos mais de direita que têm sido instrumentos dos grandes interesses norte-americanos. Por exemplo, já é um sucesso a campanha de demonização do Presidente Chavez”. “Ela já conquistou grande parte dos corações e mentes brasileiros. Predispõe a nossa aceitação e a atitude colaborativa para a invasão norte-americana (e inglesa). “Eis a referida notícia do JB: "Missão Jobim 2: “Não é mero capricho do poder. É questão de soberania sul-americana. Notícias que correm entre os oficiais dão conta de que o Suriname pretende ceder aos Estados Unidos uma grande área para instalação de uma base militar americana. A Guiana (vizinha da Venezuela) está negociando com o Reino Unido a concessão de 25 mil hectares para o mesmo fim."

ATAQUE À VENEZUELA: REVELAÇÕES DE AGENTES DO FBI E DA CIA

A “guerra contra a Venezuela” já foi alertada sutilmente também pelo ex-chefe do FBI no Brasil (1999-2003). Ele declarou que “os EUA sacam da economia mundial o máximo que podem...somos 4% da população, mas consumimos entre 45% e 50% da matéria-prima do planeta (especialmente o petróleo)...Muito em breve, para manter sua hegemonia e padrão de vida, os Estados Unidos terão que lutar diplomática e militarmente” (Entrevista dele à “Carta Capital”, no 283, de 24/03/2004).

No blog “Vi o mundo”, de Luiz Carlos Azenha, li esta semana (27) o artigo “Ex-agente da CIA: como os Estados Unidos financiam a derrubada de governos que atrapalham”.

Transcrevo alguns trechos:

“No dia 22 de março de 2005, o site ‘Venezuelanalysis.com’ publicou uma entrevista com o ex-agente da Central de Inteligência Americana (CIA) Philip Agee.”

Uma das perguntas para o entrevistado da CIA foi:

“O ex-agente da CIA Felix Rodriguez recentemente disse a um programa de televisão em Miami que os Estados Unidos estavam de olho em mudança na Venezuela, possivelmente através de violência. Ele deu como exemplo a tentativa feita durante o governo Reagan de matar o líder líbio Muammar Qaddafi. Existe um cenário como esse, de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela?”

A resposta do ex-agente Philip Agee da CIA foi:

“Uma coisa é muito importante para o movimento de Chávez, o movimento bolivariano. É preciso ter em mente, sempre, que os Estados Unidos jamais vão deixar de tentar fazer voltar o relógio.”

“Os interesses dos Estados Unidos são definidos como acesso desimpedido a recursos naturais, à mão de obra e aos mercados de países estrangeiros.”

“São países como os da América Latina que asseguram a prosperidade dos Estados Unidos. Quanto mais governos com seus próprios projetos, com algum elemento de nacionalismo, que se opõem às políticas dos Estados Unidos (como a agenda neoliberal) assumirem o poder, mais esses movimentos serão vistos como ameaças em Washington, porque o que está em jogo é a estabilidade do sistema político dos Estados Unidos e a segurança da classe política dos Estados Unidos.”

“Os venezuelanos terão de lutar pela sobrevivência assim como os cubanos tiveram de lutar por 45 anos. Nos próximos 45 anos, os Estados Unidos continuarão tentando subverter o processo político na Venezuela se ela continuar no caminho de hoje, assim como (os EUA) continuam tentando destruir a revolução cubana.”

Em 6 de março último, este blog postou o artigo “Hugo Chávez foi menos "destemperado" do que queriam”. Nele discorremos sobre o grande risco que houve de ataque militar dos EUA na Venezuela ainda este ano de 2008.

Transcrevo um trecho do artigo:

“O comportamento dos EUA nos últimos trinta anos dá margem para a seguinte linha de raciocínio: o desejado passo seguinte à invasão militar colombiana no Equador (feita no estilo ‘preemptive war’) seria Hugo Chavez cair na armadilha e desencadear uma ação militar contra a Colômbia.

Após isso, toda a comunidade internacional daria suporte para uma ação militar norte-americana na Venezuela.

Assim, rapidamente, ainda durante o governo republicano de Bush, estaria atingido o objetivo de lá controlar a produção e a exportação de petróleo para os EUA.

Após Hugo Chávez passar a privilegiar os interesses nacionais venezuelanos (na PDVSA), a ocupação militar da Venezuela tornou-se prioritária para os EUA. Ela é importante para garantir o suprimento de petróleo necessário à continuação e à melhoria da qualidade da economia norte-americana. É objetivo que se torna cada vez mais evidente.

A ‘temperatura’ dessa ameaça está aumentando paulatina e planejadamente.

A revista norte-americana “Defense News” de 12/12/2007 revelou que, em 08 de fevereiro do ano passado, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), Gen. Michael Mosely, considerou a Venezuela, a China e o Irã como as maiores ameaças militares aos EUA, diminuindo a importância das ameaças do Iraque e do Afganistão.

Por sorte, Hugo Chávez, por milagre ou conscientemente, agora se refreou e não agiu fora das suas fronteiras, não adotou a mesma atitude colombiana. (Obs: onde se lê ‘Colômbia’, leia-se ‘Forças militares dos EUA na Colômbia, com apoio colombiano’)”.

Concluindo esta postagem, informo que em artigos seguintes desta série aprofundaremos a análise do comportamento belicoso sem princípios dos governos norte-americanos. Os quais evidenciam que não é devaneio antiamericano antever-se intervenção militar dos EUA na América do Sul, até mesmo no Brasil.

sábado, 29 de março de 2008

MARTA (29%) ULTRAPASSA ALKMIN (28%)- NOVA PESQUISA DATAFOLHA

A Folha Online publicou, há uma hora atrás, o resultado da nova pesquisa Datafolha. A matéria completa sairá no jornal Folha de São Paulo amanhã (30). Antecipo trechos:

“A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), subiu quatro pontos percentuais e divide a liderança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida à Prefeitura de São Paulo.”

(...) “Segundo o Datafolha, Marta aparece com 29%, em empate técnico com o tucano, que tem 28%, um ponto percentual abaixo do registrado no levantamento anterior (fevereiro). Até então, o tucano tinha "leve vantagem", diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino. "Hoje, não existe mais", diz. Mas a simulação de segundo turno continua dando vitória de Alckmin sobre Marta (53% a 41%).”

(...) “O prefeito Gilberto Kassab (DEM) está com 13% da preferência. Na pesquisa de fevereiro, aparecia com 12%.”

(...) “A pesquisa mostra ainda Paulo Maluf (PP) com 8% (dois pontos a menos) e Luiza Erundina (PSB) com 7% (um ponto a menos).”

(...) “O instituto ouviu 1.089 pessoas nos dias 25 e 26 de março. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.”

FHC COLOCA A CULPA EM COLLOR PELO DESASTRE DO SEU GOVERNO

O “blogdomello”, em postagem de ontem, 28/03/08, nos traz à memória um ótimo texto do renomado e já falecido jornalista Aloisio Biondi, publicado na Folha de São Paulo em 20 de fevereiro de 1997.

É muito oportuno relembrá-lo agora, quando FHC e os políticos do PSDB e do PFL(DEM) estão sendo muito ouvidos, lidos e reverenciados na grande imprensa brasileira.

O pretexto deste momento para eles serem as estrelas da mídia é o “escândalo” de ter o governo Lula (a Casa Civil) levantado dados de gastos da presidência também do período FHC. Para a grande mídia e os partidos a ela associados, esse levantamento, abrangendo também o governo FHC, constitui “crime de organização de dossiê”.

Para a melhor compreensão do diferente conceito de “dossiê” para a oposição e a grande mídia, sugiro ao leitor ver o artigo “Dossiês Fajutos?” aqui postado ontem.

Para relembrar os tempos do governo FHC/PSDB/PFL, sugiro a leitura, também, do início do artigo “Panelaço na Argentina” por nós postado anteontem (27). Outro artigo em que retrato o governo FHC e que também explica esse comportamento a ele favorável por parte da imprensa brasileira é o “Por que a grande mídia brasileira é tucanopefelista”, de 10 de fevereiro último.

Vejamos o artigo de Aloisio Biondi:

RETRATO DO GOVERNO FHC, POR ELE PRÓPRIO

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma declaração espantosa em sua viagem à Itália. Pela primeira vez, desde que foi ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, FHC admitiu que a “abertura” da economia brasileira às importações foi demasiado rápida.

Isto é, FHC agora reconhece que toda a base de sua política econômica é um desastre, e está provocando a destruição da indústria brasileira, desempregando milhões de pessoas, reduzindo a produção nacional, “torrando” dólares, provocando rombos na balança comercial em virtude da explosão das importações e, acrescente-se, vai provocar nova e grave onda recessiva no país.

Noticiada quase exclusivamente por esta Folha, a declaração de FHC foi, porém, acompanhada de falseamento da verdade histórica. O presidente da República atribuiu o “escancaramento” da economia brasileira ao governo Collor.

Na verdade, seu antecessor deu início ao processo. Mas, reconheça-se, a abertura do mercado, apresentada à sociedade como “nova política industrial”, seria feita de forma gradual, ao longo de alguns anos. Ou, sinteticamente, o imposto sobre as importações (tarifas) seria reduzido um pouco a cada ano, com o objetivo de “dar tempo” à indústria nacional de investir para produzir melhor e mais barato, enfrentando a concorrência estrangeira.

Quem mudou da noite para o dia as regras do jogo foi a equipe do governo FHC/BNDES, que reduziu para 10%, 3% ou mesmo 0% (isenção total de imposto) as tarifas sobre produtos importados.

Em lugar de reconhecer os erros monumentais cometidos por ele próprio e sua arrogante equipe, o ex-sociólogo FHC limita-se a inculpar Collor. Nenhuma autocrítica, capaz de trazer a expectativa de mudanças nos rumos desastrosos da política econômica. E o país paga, dramática e bovinamente, o preço dos equívocos.

Com a declaração de FHC, como ficam os de-formadores de opinião que há três ou quatro anos vêm tecendo loas incontidas à “abertura”?”

sexta-feira, 28 de março de 2008

NOTA DA CASA CIVIL SOBRE SUPOSTO DOSSIÊ - 28/03/2008

A Folha Online publicou às 17h40 de hoje a nota da Ministra Dilma Roussef sobre a matéria da 1ª página do jornal Folha de São Paulo, o qual acusa a Casa Civil de organizar um dossiê sobre as contas "tipo B" do governo FHC. Reproduzo a nota:

"1. Com relação à matéria de capa da Folha, de 28/03, a Casa Civil reafirma que, em momento algum, organizou qualquer dossiê com denúncias sobre o uso de cartões corporativos e contas tipo B no governo anterior. O que o jornal insiste em chamar de dossiê são fragmentos de uma base de dados em fase de digitação para alimentação do SUPRIM -, que visa unicamente organizar os dados relativos aos gastos com suprimento de fundos desde 1998 até hoje, fato já explicado em nota de 22/03. Trata-se de uma ferramenta de gestão e não de um dossiê.

2. O vazamento desses fragmentos da base de dados para a imprensa é lamentável. Algumas das informações estão cobertas por sigilo e sua divulgação contraria a legislação vigente. Por isso mesmo, a Casa Civil instituiu comissão de sindicância para apurar o episódio, composta por funcionários estáveis da Advocacia Geral da União, da Controladoria Geral da União e da própria Casa Civil.

3. A matéria, de forma maliciosa, dá a entender que a secretária-executiva, Erenice Guerra, teria assumido a responsabilidade de "organizar processo de despesas de FHC, isentando a chefe (no caso, a ministra Dilma Roussef) de ter tomado a decisão". Isso não é verdade. Se "processo de despesas de FHC", nas palavras do jornal, é sinônimo para dossiê, a secretária-executiva nunca assumiu essa responsabilidade pelo simples fato de que nunca existiu qualquer dossiê. Se a expressão anterior refere-se à alimentação de base de dados do SUPRIM, não haveria motivo para a insinuação maldosa. Afinal, trata-se de uma ferramenta de gestão cuja supervisão é competência institucional da Secretaria-Executiva, na forma do regulamento que disciplina as competências da Casa Civil.

4.Quanto à suposta reunião, que segundo a Folha, teria sido convocada pela secretária-executiva com "membros da secretaria de Administração, da Secretaria de Controle Interno da Presidência e de outras áreas da Casa Civil", para organizar uma força-tarefa para produzir o chamado dossiê, a Casa Civil afirma peremptoriamente que tal reunião nunca ocorreu.

Casa Civil da Presidência da República."

EUA: EXPRESSÃO MILITAR vs EXPRESSÃO PSICOSSOCIAL

Sobre esse assunto, li um bom artigo publicado ontem no “Monitor Mercantil”, o “Jornal do Empresário”, de autoria de Manuel Cambeses Jr., coronel-aviador da reserva da Força Aérea, conferencista especial da ESG, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

EUA: expressão militar versus expressão psicossocial

"No dia 6 de fevereiro do ano passado, o polêmico Secretário de Defesa norte-americano apresentou, ao Congresso de seu país, o Informe de Defesa Quadrienal. Nele, aparecem listadas as prioridades de seu Departamento para os próximos quatro anos.

Como elemento central, dentro dessa lista, está a luta contra o terrorismo. No informe, se enfatiza os novos desenvolvimentos em matéria de armamentos, bem como as áreas que deverão ser privilegiadas em termos de prioridade.

Nesse mesmo dia, foi tornado público o orçamento para o ano de 2008, no qual os gastos militares atingem a expressiva marca de US$ 439,9 bilhões. Estes dados, certamente, merecem algumas considerações.

Em primeiro lugar, vale a pena citar o desmesurado orçamento destinado à área militar. Apenas quinze nações no mundo dispõem de um Produto Interno Bruto superior aos gastos bélicos estadunidenses. Entre aqueles que não dispõem de um PIB que alcance esse montante, se encontram a Rússia (antiga rival), Suíça, Bélgica, Suécia e Noruega (The Economist, World in Figures, London, 2006).

Em segundo lugar, se encontra a absoluta desproporção entre o seu orçamento militar e os do resto do mundo. Seus gastos bélicos representam mais de 40% dos gastos mundiais de defesa e equivalem ao orçamento combinado das seguintes nove potências militares que a seguem. E mais, seu poder bélico é duas vezes e meia superior ao de seus nove possíveis adversários combinados, ou seja, países como Rússia, China, Coréia do Norte, Irã, etc. (Ziauddin Sardar, Merryl Wyndavies, Why do People Hate America?, London, 2003).

Em terceiro lugar, está o absurdo de seguir desenvolvendo novos sistemas armamentistas, a custos gigantescos, quando os atuais lhes garantem uma vantagem militar esmagadora. Um só exemplo pode justificar esta afirmativa. Os Estados Unidos dispõem de mais de mil aviões F-15, um dos mais avançados da parafernália militar existente. Entretanto, segundo explicitou o The Economist de 11 de fevereiro de 2006, se planeja investir US$ 61,3 bilhões para o desenvolvimento de sistemas ultra-sofisticados como as armas espaciais, os caças F-22 e os armamentos robóticos, que tornariam os F-15 obsoletos.

Em quarto lugar, poderíamos citar a falta de correlação entre as prioridades de defesa e o que se considera como a maior ameaça à segurança norte-americana. Enquanto esta última é identificada com o terrorismo, sua ênfase armamentista está no desenvolvimento de sistemas altamente sofisticados, como as armas espaciais e as aeronaves F-22. Estes, entretanto, servem muito pouco ou nada para combater os terroristas dentro do contexto de uma confrontação assimétrica.

Em quinto lugar, é facilmente detectável a existência de uma desconexão entre o que a simples vista aparece como uma de suas maiores necessidades e o que está efetivamente explicitado nos planos de governo.

O furacão Katrina, por exemplo, evidenciou que a Guarda Nacional da Louisiana não pôde ser acionada a tempo, pois significativa parcela de seu contingente se encontrava no Iraque.

A guerra no país mesopotâmico demonstra, claramente, a insuficiência de tropas americanas para controlar integralmente a situação. Não obstante, o Informe de Defesa Quadrienal sugere a redução, de forma paulatina, de mais de cem mil soldados, como fórmula para reduzir os altos custos da ocupação.

Em sexto lugar, aparece a irracionalidade de gastos como os delineados dentro do contexto dos reais problemas do país. O gasto militar não somente é diretamente responsável pelo déficit fiscal, que supera 3% do PIB, o que, evidentemente, pressupõe tremendos cortes em seguridade social.

Ainda de acordo com a citada edição do The Economist, o gasto militar conduz a uma redução obrigatória de quase US$ 40 bilhões no sistema de atendimento médico a menores de idade, conhecido como Medicaid, e conduzirá, fatalmente, a cortes orçamentários na ordem de US$ 65 bilhões, nos próximos cinco anos, no plano de atendimento aos pobres, intitulado Medicare.

Do anteriormente exposto, depreende-se que, ao privilegiar o poder militar com orçamento tão vultoso, os Estados Unidos correm o risco de comprometer, seriamente, a médio prazo, a expressão psicossocial do poder nacional, criando um generalizado clima de insatisfação, acarretando sérios prejuízos às camadas menos favorecidas da sociedade estadunidense, o que poderá desdobrar-se em nocivo clima de instabilidade e, conseqüentemente, no indesejado esgarçamento do tecido social.”

DOSSIÊS “FAJUTOS”?

A grande mídia e a oposição são muito eficientes em classificar como fajutos, falsos, criminosos, todos os documentos que revelem algo contra o PSDB, o PFL (DEM), FHC, Serra e outros do mesmo grupo de interesses.

Foram inúmeros os casos. Relembrarei somente alguns.

Recordam-se do levantamento de dados de escutas telefônicas que descobriram uma articulação do ex-presidente do BNDES, Mendonça de Barros, e o então presidente FHC para influenciar em uma licitação (das teles) “até o limite da irresponsabilidade”?

O que ocorreu após? A grande mídia e os partidos do governo, PSDB e PFL, conseguiram eficientemente transformar o fato em somente um crime de escuta clandestina de conversas telefônicas. Foi o “escândalo dos arapongas”, resquício dos governos militares...

Lembram-se da revelação publicada em 2005, documentada, de todos os políticos que fizeram campanha usando caixa dois com dinheiro público da estatal FURNAS Centrais Elétricas S.A.?

Lá constam políticos como José Serra (R$ 7 milhões), Geraldo Alkmin (R$ 9,3 milhões), Rodrigo Maia (R$ 200 mil), ACM Neto (R$ 150 mil), Gilberto Kassab (R$ 100 mil), Eduardo Azeredo (R$ 500 mil), Aluízio Nunes Ferreira (R$ 50 mil), Roberto Jefferson (R$ 75 mil) e muitos outros, especialmente do PSDB e do PFL (nenhum do PT, na época).

A veracidade do documento de Furnas foi analisada pela polícia, com o apoio do “Laboratório de Perícias” de Campinas. A conclusão, assinada pelo Prof. Dr. Ricardo Molina em 28/10/2005, afirma “a ausência de indícios de falsidade na cópia” (apesar de isso não garantir a autenticidade do suposto original). Conclui o Dr. Molina: “o documento não apresenta indícios de manipulação fraudulenta”.

Oficial e publicamente, o deputado Roberto Jefferson confirmou que, na sua parte, o documento de Furnas era verdadeiro. Recebera exatamente os nele especificados R$ 75 mil.

O que aconteceu após? Aquilo foi rotulado de “dossiê fajuto” e nunca mais se ouviu falar nisso na mídia.

Lembram-se da relação dos 'sanguessugas', dos 'vampiros', das centenas e centenas de ambulâncias ocas vendidas para órgãos públicos com grande superfaturamento na gestão do ex-Ministro da Saúde Serra (o melhor do mundo segundo FHC e o PSDB)?

A grande mídia, com galhardia, conseguiu, depois de muitas idas e vindas e ajuda de delegado não ligado à investigação, reduzir tudo, na cabeça do eleitor, ao caso do 'suposto dossiê contra Serra', fajuto, elaborado pelos "aloprados do PT".

Lembram-se do espetáculo televisivo no ano passado, em cadeia nacional, do STF julgando a aceitação da denúncia do “mensalão” contra integrantes do PT? Os ministros do STF que aceitaram as denúncias viraram heróis nacionais, com capas de revistas e reportagens especiais a eles dedicadas. E onde está o dossiê do “mensalão do PSDB” que inteligentemente a mídia o reduziu, como camuflagem, a “mensalão mineiro”?

Agora, hoje, vejo a grande mídia e a oposição denominando o levantamento em curso das despesas com cartões corporativos, e do seu anterior equivalente “contas tipo B” usado pelo governo FHC, como dossiê fajuto, ilegal, criminoso etc naquilo que concerne ao governo FHC/PSDB/PFL(DEM). A Folha de São Paulo, na 1ª página, menciona até a possibilidade de queda da Ministra da Casa Civil.

É!...Eles são muito coordenados e eficientes nisso...

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, SEGUNDO O PFL (DEM)

O prefeito de São Paulo revelou-nos ontem a causa dos engarrafamentos constantes, imensos e crescentes no trânsito da cidade. Ela foi, finalmente, descoberta. É o resultado de uma conspiração. Não é conseqüência de sua boa ou má administração.

O jornal Folha de São Paulo, sempre muito 'prestimoso' em nos trazer a verdade, logo publicou hoje com destaque essa revelação bombástica.

Gestão Kassab diz que ação orquestrada prejudica trânsito de SP

“A administração de Gilberto Kassab (DEM) apresentou ontem uma nova versão para explicar os recentes e consecutivos recordes de trânsito na capital"

“Pela manhã, Kassab afirmou que "existem pessoas querendo prejudicar o trânsito de São Paulo". "Disse isso ao comentar a prisão de um homem em M'Boi Mirim, na zona sul da cidade, que furou dois pneus de um ônibus alegando estar irritado com o serviço”.

Segundo a Folha, "o acusado, Marcelo Lima do Monte, alegou à polícia que agiu por ter ficado irritado com o atraso do veículo". Essa justificativa, de acordo com o secretário de transportes da administração de Kassab, apenas reforça a tese. "Se você entrevistar na penitenciária, todo mundo é inocente".

Continua a Folha: “O secretário municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, detalhou que há uma conspiração contra a cidade. Ninguém na prefeitura diz publicamente, mas o que os kassabistas espalham, sem apresentar provas, é que seria uma ação da oposição para prejudicar a sua candidatura a um novo mandato.” (Obs. deste blog: isso significa uma acusação contra Alkmin? contra Marta?).

A polícia, pelo que informou a prefeitura, "foi acionada para investigar o suposto complô.”

Antes de essa importante conspiração ser denunciada por Kassab, diz a Folha: "a explicação oficial da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) era sempre relacionada a acidentes e chuvas. Em um dos casos, a quebra de três semáforos também foi citada como causa.”

Este blog acrescenta: também, dizia-se que era conseqüência do governo Lula, pois houve nos últimos anos um grande aumento na produção de veículos e na aquisição de automóveis pela população.

quinta-feira, 27 de março de 2008

OS FALSOS HONESTOS: RICO BURLA IMPOSTO DE RENDA.

QUE TAL O IMPOSTO SOBRE AS GRANDES FORTUNAS?

Ontem, a Folha de São Paulo publicou a seguinte declaração do Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy: “Rico não paga Imposto de Renda no Brasil”.

“A declaração foi feita em seminário sobre a reforma tributária em um dos anexos da Câmara dos Deputados. A platéia era formada, principalmente, por advogados tributaristas.

Apesar das críticas, Appy disse que o governo não está preparando a criação de um imposto sobre grandes fortunas.(*)

O secretário disse que os ricos encontram outras formas de prestar contas ao fisco. A mais comum é abrir uma empresa. Em vez de pagar IR, o contribuinte (rico) recolhe o imposto sobre o rendimento na forma de “lucro presumido”. As alíquotas do imposto pago por micro e pequenas empresas são mais baixas que as do IR, entre 15% e 27,5%, que incidem sobre o rendimento bruto mensal.”

Acrescento: segundo pesquisas já divulgadas em 2006, a maior parte dessa classe rica é eleitora do PSDB ou DEM. Essa classe e esses partidos revoltam-se profundamente contra qualquer desvio ilegal de dinheiro que deveria destinar-se aos cofres públicos. Mesmo que seja um lanche de tapioca feito por um ministro. Tragicomédia hipócrita.

Que tal voltar-se a discutir o imposto sobre as grandes fortunas?

(*) O IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS (IGF) E A REFORMA TRIBUTÁRIA

Considerando a grande ansiedade da elite econômica, financeira e dos partidos da oposição em implantar rapidamente no país uma nova ordem tributária que lhes seja favorável, seria oportuno voltar à tona o imposto sobre grandes fortunas. Até agora, em todos os debates sobre a reforma tributária, nunca houve a discussão do IGF.

Previsto no inciso VII do art. 153 da Constituição de 1988, o IGF, apesar de ter sido objeto de alguns anteprojetos de lei complementar, não o foi até o presente regulado.

Segundo Roberto Saraiva Romera, economista pela Fundação Santo André, publicou no site Correio da Cidadania em 13/08/2007, “pesquisa realizada pelas consultorias Merrill Lynch e Cap Gemini indicou que o número de milionários no Brasil cresceu 10% em 2006 em relação à última pesquisa realizada em 2005 e estaria em 2006 em 120.400 milionários.

Segundo a mesma pesquisa, milionário é todo aquele que possui 1 milhão de dólares líquido para investir. Assim, com sua aprovação, o IGF incidiria em um percentual muito pequeno da população brasileira, mas poderia contribuir significativamente para a redução da carga tributária de setores produtivos, propiciando um aumento na produção, no nível de contratação e até o repasse aos salários.

Não se trata de um aumento da carga tributária, mas sim que esta seja concentrada no alto da pirâmide e que se desonere atividades produtivas, contribuindo assim para a racionalização e para o combate à regressividade do sistema tributário brasileiro.”

Do texto de Olavo Nery Corsatto na revista Informação Legislativa, extraí o seguinte:

Razões que justificariam a criação do IGF:

1) a distribuição da renda e da riqueza nacionais é extremamente assimétrica e perversa;
2) o IGF seria, por isso, importante instrumento de justiça fiscal;
3) o número de contribuintes do IGF seria limitado e relativamente pequeno;
4) o número limitado de contribuintes facilitaria a administração e o controle do imposto;
5) o IGF seria também instrumento de controle do imposto de renda e dos demais impostos sobre o patrimônio;
6) conseqüentemente, seria também instrumento de controle da evasão fiscal, o que o reforçaria como fator de justiça fiscal;
7) ao fato de alguns países não haverem adotado um imposto geral sobre o patrimônio e de outros o haverem abandonado se contrapõe o fato de que países de expressão política e econômica internacional persistem nele;
8) isso significa que somente experimentando-o é que viremos saber se ele seria ou não vantajoso para o País;
9) mesmo que o imposto não venha a ser importante instrumento de arrecadação, a sua receita seria muito bem-vinda para o País equilibrar suas finanças;
10) como última e fundamental ratio, acrescente-se que o IGF está previsto na Carta Magna.

Segundo o JB Online de 03 deste mês, o Executivo quer tentar, de novo, criar o IGF. Todavia, enfrenta reações fortes no Congresso.

O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) já apresentou proposta para retirar do artigo 153 da Constituição o trecho que prevê o imposto sobre grandes fortunas.

Lembrando o fim da CPMF, reflito: sempre o PSDB e o PFL-DEM, por coincidência, defendem os ricos."

12 MILHÕES DE BRASILEIROS DEIXARAM A CLASSE POBRE EM 2007

DIMINUIÇÃO DA DESIGUALDADE DE RENDA

CLASSE MÉDIA PASSOU A SER A MAIOR DO PAÍS

A coluna Dinheiro da Folha Online, em texto de Karen Camacho, publicou ontem à tarde a notícia da financeira Cetelem, privada, parte do grupo francês BNP Paribas, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ipsos, de que 12 milhões de brasileiros deixaram as classes D/E em um ano. A classe média passou a ser a maior no país. Vejamos o texto da Folha:

"As classes mais baixas da população, D e E, deixaram de ser maioria no Brasil. Em 2007, segundo estudo da financeira Cetelem em parceria com a Ipsos, o número de brasileiros nas classes mais baixas era de 72,9 milhões, cerca de 39% da população.

Isso significa que 11,9 milhões de brasileiros passaram para classes mais altas em um ano, já que, em 2006, eram 84,8 milhões de brasileiros na base.

De acordo com o estudo, a classe C recebeu, tanto das mais baixas (D e E) como das mais altas (A e B), quase 20 milhões de integrantes, passando de 66,7 milhões em 2006 para 86,2 milhões em 2007, o que significa 46% da população.

O grupo que está nas classes A/B, por sua vez, reduziu de 32,8 milhões de pessoas em 2006 para 28 milhões em 2007, o que representa 15% da população.

Segundo a Cetelem, a pesquisa demonstra que houve diminuição na desigualdade de renda, com uma ligeira queda da renda média das classes A/B, ascensão de um grande contingente para a classe C e um pequeno aumento da renda média das classes D/E.

Em 2005, a renda média familiar das classes A/B era R$ 2.484. Ela caiu sucessivamente para R$ 2.325 e atingiu R$ 2.217 em 2007 --o que corresponde a uma redução de cerca de 11%. Nas classes D/E, a renda média familiar subiu de R$ 545 em 2005, para R$ 571 em 2006 e depois a R$ 580 em 2007, um crescimento de pouco mais de 6%.

Já a renda média da classe C permaneceu no mesmo patamar nesses três anos: algo em torno de R$ 1.100. A pesquisa ressalta ainda que o número de pessoas que passou de D/E para C teve um aumento de sua renda média mensal de R$ 580, para os atuais R$ 1.100.

Outro destaque da pesquisa foi a melhoria da renda disponível das classes C e D/E, aquela que sobra após o pagamento de contas e obrigações financeiras. A renda disponível das classes D/E foi negativa, em 2005, em R$ 17, terminando o ano no vermelho. No entanto, em 2006, a renda disponível ficou em pouco mais de R$ 2, subindo a R$ 22 no ano passado.

A classe C também registrou aumento nesse item. Ela era R$ 122 em 2005, passou para R$ 191 em 2006 e caiu para R$ 147 em 2007. Apesar da queda de 23,04% no último ano, quando se toma todo o período, o crescimento foi de 20%. Apenas as classes A/B viram diminuir sua renda disponível, caindo de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007, uma redução de 20%.

As classes sociais adotadas na pesquisa levaram em consideração o resultado padrão da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa que considera, não apenas a renda familiar, mas também escolaridade, bens de consumo duráveis, propriedades e hábitos dos brasileiros."

NASCE HOJE NOVA E GRANDE EMPRESA AÉREA BRASILEIRA

O Portal Valor Online publicou há uma hora atrás as notícia do nascimento de uma nova empresa brasileira, que utilizará os maiores aviões fabricados pela EMBRAER, o EMB-195, para até 122 passageiros. Reproduzo a matéria de José Sergio Osse, do "Valor Onlinede":

Dono da JetBlue lança companhia aérea no Brasil com investimento recorde de US$ 150 milhões

"A mais nova empresa aérea brasileira, lançada hoje pelo empresário David Neeleman, surge sem um nome definido.

Mesmo assim, já entra para o mercado como sendo a segunda empresa mais capitalizada no lançamento em toda a história da aviação mundial, com aporte de US$ 150 milhões - recorde no Brasil.

Com início de operações previsto para janeiro de 2009, a empresa também será a primeira companhia instalada no país a utilizar aviões da fabricante Embraer.

Com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de outros bancos privados, a companhia fechou um contrato de US$ 1,4 bilhão com a Embraer por 36 jatos modelo EMB 195 - os maiores da fabricante, com capacidade para até 122 passageiros.

Além desses pedidos firmes, foram adquiridas também 40 opções para o mesmo avião, que, se exercidas, podem elevar a transação para US$ 3 bilhões. As três primeiras aeronaves devem ser entregues em dezembro, segundo Neeleman.

Concorrer com ônibus

"Vamos operar com uma estratégia de dois pontos em mente: uma é fazer crescer o bolo para ter mais passageiros em rotas hoje desatendidas ou mal servidas. A outra é baixar alguns preços para pegar passageiros que hoje utilizam ônibus ou simplesmente não viajam", diz Neeleman.

"Mesmo ajustando a proporção entre o Brasil e os EUA, uma análise do tamanho do PIB em relação ao número de viagens aéreas no país mostra que há espaço para um mercado três ou quatro vezes maior", acrescenta.

O presidente da fabricante Embraer, Frederico Fleury Curado, concorda: "Nos EUA, em média, cada pessoa viaja duas vezes por ano de avião. No Brasil, apenas uma em quatro pessoas viaja uma vez por ano dessa forma. As oportunidades são imensas", afirma.

Segundo Neeleman, o avião da Embraer é um dos fatores que permitem perseguir essas metas.

"Menores, mas não pequenos", como explica, eles são adaptados para o modelo que a empresa quer adotar, sem roubar passageiros das grandes, mas estimulando o tráfego em rotas alternativas. "Há muitas cidades grandes no Brasil que não são ligadas diretamente e isso é um inconveniente que limita o mercado", avalia.

Baixo custo

Sobre o quanto poderia reduzir os preços das passagens, o empresário faz mistério: "Não sei (quanto podemos reduzir). Na verdade sei, mas não vou falar", brincou, garantindo que não vai "fazer loucura".

Segundo ele, o tipo de operação da empresa no país vai garantir um
custo por viagem mais competitivo, embora o custo por assento, por conta do preço dos combustíveis no Brasil, fique um pouco ("apenas um pouco", ressalta) acima do que o verificado pela JetBlue.

Ele diz que, embora o EMB-195 represente um aumento de 5% no consumo em relação aos EMB-190 da irmã norte-americana, ele garante também um aumento de 18% no número de assentos.

"O número de pessoas que precisamos ter no avião para tornar a viagem lucrativa é menor no nosso modelo", afirma Neeleman.

Guerra' com TAM e Gol

Ele explica, inclusive, que uma eventual guerra tarifária iniciada pelas grandes TAM e Gol não seria prejudicial à empresa, embora não acredite nessa possibilidade.

"Eles têm grande competência com seus modelos e não creio que tentem afetar nossas operações. Mas somos a segunda empresa mais capitalizada em seu início no mundo, e se quiserem uma guerra, temos dinheiro o suficiente para nos manter", diz Neeleman.

Segundo ele, o mercado brasileiro tem espaço o suficiente para acomodar uma terceira empresa aérea de grande porte.

Empresário ignora OceanAir

Na sua avaliação, simplesmente ignora a OceanAir, atual terceira colocada no ranking nacional e que tem a intenção de ampliar sua fatia no país.

De acordo com Neeleman, as condições econômicas brasileiras são muito favoráveis, especialmente para o modelo que quer implantar.

O empresário afirma que a percepção do espaço para uma nova companhia no país é equivocado, como era em Nova York quando lançou a JetBlue.

US$ 1 bi em caixa

Hoje, afirma, cinco anos após investir US$ 135 milhões na empresa (a JetBlue), ela já tem em caixa US$ 1 bilhão, apesar da competição acirrada.

Mas, apesar das semelhanças com a JetBlue, Neeleman reiterou que as duas companhias serão totalmente independentes, embora ele tenha uma participação significativa em ambas, sendo inclusive presidente do conselho da norte-americana. O empresário vive nos Estados Unidos, mas nasceu no Brasil."

AVALIAÇÃO IBOPE/CNI - 73% APROVAM A MANEIRA DE LULA GOVERNAR

Agora há pouco, foi divulgada pela Folha Online, com texto de Gabriela Guerreiro, o resultado da pesquisa do CNI/IBOPE divulgado hoje. Transcrevo:

Avaliação positiva do governo Lula atinge maior nível desde 2003, diz CNI/Ibope

"O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou avaliação positiva de 58% em março deste ano, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira. O índice é o mais alto desde março de 2003, primeiro ano de Lula na Presidência da República. Somente 11% dos entrevistados avaliaram o governo federal como ruim ou péssimo, enquanto 30% consideraram a condução do governo como "regular".

Em dezembro de 2007, na última edição da pesquisa CNI/Ibope, a avaliação do governo foi de 51%. Em março de 2003, o índice de aprovação ao governo federal também foi de 51% --o que foi considerado pela CNI/Ibope como um crescimento considerável para a avaliação do governo federal.

Já a aprovação ao presidente Lula também cresceu em março deste ano. No total, 73% dos entrevistados aprovam a maneira do presidente governar o país. O índice também foi o segundo melhor registrado pela pesquisa.

Somente em março de 2003, a avaliação pessoal do presidente obteve índice maior, de 75%. Em março do ano passado, a avaliação de Lula foi aprovada por 55% dos entrevistados.

Confiança

No mesmo índice de crescimento, a confiança no presidente registrou índice de 68%, enquanto apenas 28% dos entrevistados afirmaram que não confiam em Lula.

Em dezembro do ano passado, o índice de confiança no presidente foi de 60%. Já em abril de 2006, o índice registrou 62%.

Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula. Dos entrevistados, 42% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro. O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro para 16%.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos."

O “PANELAÇO” NA ARGENTINA

A grande mídia brasileira destacou positivamente, ontem e hoje, o “panelaço” realizado pela população de Buenos Aires. A razão da manifestação seria protestar contra as medidas tomadas pelo governo de Cristina Kirchner neste momento de crise de alimentos, de privilegiar o abastecimento interno com produtos agropecuários, em detrimento de exportações.

Pareceu-me estranho a população se mobilizar por aquele motivo. A aparência dos manifestantes mostrados nas TV era de pertencentes à classe média superior.

Por que aquele segmento da população, com o destaque, o estímulo e o enaltecimento das grandes mídias argentina e brasileira, saiu às ruas?

Para compreendermos melhor, é oportuno fazer uma retrospectiva dos últimos 15 anos na Argentina e no Brasil. Recorrerei a textos deste blog já publicados, mas convém repetí-los, pois muitos visitantes não o leram.

A COMPETIÇÃO NEOLIBERAL ENTRE O BRASIL E A ARGENTINA

Na década de 90, o Brasil e a Argentina estavam eufóricos em competir (Menem x Collor e Menen x FHC) quem fazia melhor e mais rápido as lições de casa das medidas ditas neoliberais prescritas desde 1990 pelos EUA em Washington.

Fomos por isso muito elogiados em Wall Street. Segundo Rodrik, D., Journal of Economic Literature, EUA, mar. 1996, os dois países e “os latino-americanos em geral, no tocante à decorrente abertura unilateral de suas economias, realizaram em um ano (1995) o que os asiáticos fizeram em trinta anos, surpreendendo e ganhando muitos elogios até dos propugnadores das medidas, via FMI e Banco Mundial”.

O BRASIL

A determinação política brasileira de concordar radicalmente com aquilo tudo era muito forte. O Presidente FHC, com o total respaldo do PSDB e do PFL (DEM), expressou em abril de 1995, com grande vigor e determinação: “Vamos abrir. Vamos privatizar também. Não nos iludamos. Não vai bastar a concessão (de serviços públicos). Não vai bastar a joint-venture, a parceria. Nós vamos ter que abrir...As privatizações serão aceleradas...Está prevista também a participação de capital estrangeiro na privatização de bancos oficiais, inclusive os estaduais. Não me refiro aqui a parcerias, mas à venda de controle acionário.” (Coletânea oficial de “Pronunciamentos do PR”, 1995).

Um fato que achei audaz, perigoso para o futuro do Brasil, mas que na época pouca repercussão teve, foi a decisão de FHC de abrir para empresas estrangeiras a exploração e a apropriação do petróleo brasileiro (Lei no 9.478/1997).

Naqueles anos, havia no Brasil uma generalizada e fortíssima compulsão de abrir. Isso partia tanto do setor governamental como da grande parte da elite e da nossa imprensa. Era a vontade de conceder o acesso ao nosso mercado sem exigir reciprocidades dos EUA e das demais potências. Era dar por paixão cega de dar, pelas virtudes do neoliberalismo unilateral. Perplexante.

Deve ser reconhecido que o nosso presidente FHC passou a ser muito admirado pelos líderes das grandes potências, pelos grandes empresários e banqueiros estrangeiros e por toda a grande mídia. A imprensa nacional, para a ufania de muitos brasileiros, sempre jactava que no exterior o achavam “muito culto, um intelectual, preparado, fala vários idiomas, é ‘chic’, tem uma elegância cosmopolita”. Segundo a imprensa, também eram muito admirados lá fora o nosso Ministro da Fazenda e o Presidente do Banco Central.

Muitos brasileiros e órgãos da grande imprensa, até hoje, estão orgulhosos e saudosos dos tantos elogios e homenagens que aqueles nossos dirigentes recebiam no Primeiro Mundo.

AS REELEIÇÕES

Menen e FHC, para terem mais tempo para implantar, mais profundamente ainda, aquelas “importantes medidas do agrado do mercado internacional”, empenharam grande parte do tempo e do esforço político dos seus países em ampliar a base parlamentar para alterar a Constituição, visando a permitir as suas próprias reeleições.

Conseguiram. Não foi fácil. No Brasil, muitos parlamentares foram acusados, mas apenas dois cassados, por vender votos favoráveis à reeleição. Nada se soube sobre quem comprava aqueles dispendiosos votos (US$ 150 mil cada, segundo a imprensa), nem com recursos de onde. Não prosperou a idéia de uma investigação parlamentar (CPI) para o assunto. A imprensa também não deu a devida importância, o assunto morreu e não ocorreram outras averiguações.

Alguns dias após a reeleição, o Real, que vinha sendo mantido artificialmente valorizado com grande prejuízo para o Brasil, inclusive assim facilitando as importações e inviabilizando as exportações, despencou à metade. A inflação imediatamente tornou a subir, as taxas de juros dispararam para níveis de meliantes (cerca de 45% a Selic).

A grande aprovação popular ao reeleito, assim, caiu em poucos meses a 23%.

O FMI e os grandes bancos, como o Citibank, no entanto, queriam adicionais medidas liberalizadoras brasileiras e, por isso, apoiavam o nosso governo e o argentino. Emprestaram ao Brasil quarenta e dois bilhões de dólares, para que pudéssemos continuar pagando os elevados juros da enorme e muito crescente dívida externa e não alterássemos o curso do aprofundamento no Brasil do modelo que muitos chamavam de neoliberal. (não me interessa discutir sobre apelidos do modelo).

O GOL DO BRASIL MUITO ELOGIADO NO EXTERIOR

O Brasil marcou, logo após, um tento surpreendente e inédito no mundo, que foi muito elogiado no exterior e aqui também. Foi ao passar 100% do controle dos serviços de telecomunicações de longa distância do país (a EMBRATEL) para somente uma empresa norte-americana! Foi para a pré-concordatária MCI, ex-WorldCom, que veio a ser famosa no mundo pelas gigantescas fraudes contábeis em seus balanços.

Aquela decisão brasileira, inusitada no mundo e ousada, de em 1998 tudo passar para os norte-americanos da MCI, até as nossas comunicações militares sigilosas (banda X) e a propriedade e o controle dos satélites que serviam ao Brasil, foi designada pelo nosso governo, modestamente, como disse FHC, simples “moderna flexibilização do monopólio estatal no setor das telecomunicações”. Obteve, por demais, até o apoio do então Ministro-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA)!

A ARGENTINA

Voltemos à emocionante competição neoliberal Menen x FHC. Menen, por intermédio do seu Ministro das Relações Exteriores (Guido di Tella) não quis ficar atrás do Brasil naquela partida e também ousou desmesuradamente. Confessou, com grande coragem, que aquele país desejava e estava em “relações carnais” com os EUA, o que levou a inteira nação argentina a posições constrangedoras.

O pagamento para aquelas relações não lhe veio a ser compensador. Ela foi deixada em estado lastimável, apesar do humilhante alinhamento incondicional e automático com os EUA e de, exemplarmente, ter obedecido a todos os desejos e às prescrições das agências internacionais de empréstimos, sendo alvo de constantes elogios do G-7, do FMI e do então presidente Clinton.

Mesmo com a Argentina ainda sofrendo alguns anos após, o presidente George W. Bush ironizou: a cura de suas feridas “é problema dela, que desse modo quis soberanamente, e näo do contribuinte americano”.

O único mimo que a Argentina recebeu foi um enfeitado diploma de “aliada dos EUA extra-OTAN” honorária (major non-Nato ally - MNNA), sem qualquer benefício prático significativo.

Assim, Menen venceu FHC por pequena diferença, naquela acirrada competição.

Contudo, ao final de seus respectivos extensos mandatos, Menen (1989-1999) e FHC (1994-2002) ainda tinham, e têm, muitos admiradores influentes.

Tanto Menen quanto FHC saíram orgulhosos e com planos de passarem enaltecidos para a história e, quem sabe, voltar ao governo. Publicou-se que cada um portara bens, documentos e presentes recebidos no longo exercício do cargo. Não para eles, segundo a imprensa. Foi para criarem uma grande ONG, cada um no seu país, e nela colocar aqueles bens.

FHC adiantou-se. No Brasil, foi inaugurado já em 23/05/2004 o luxuoso “instituto Fernando Henrique Cardoso” (iFHC; grafia dessa forma pedida por ele à imprensa). É uma ONG e, segundo divulgado pelo instituto e pela grande mídia, não é destinada a ser plataforma política ou a cultuar a imagem e obras do nosso ex-presidente. É sem fins lucrativos, de utilidade pública, não visa a benefícios pessoais. Para sustentá-la, somente em um jantar alguns empresários lhe doaram dez milhões de dólares (FSP, 19/05/2004). Para cuidar da aplicação das grandes somas recebidas, passou a contar com a ajuda do seu ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

RESULTADOS PARA OS EUA DAQUELA COMPETIÇÃO

Para os EUA (e para os outros países industrializados que vieram na esteira, aproveitando a nossa abertura), tudo aquilo implantado no Brasil, na Argentina e na América Latina em geral na década de 90 deu muito certo.

Para os norte-americanos, logo acarretou muitos novos empregos de alta qualificação. Já no terceiro ano da nossa "mudança modernizante", 1993, ainda no reflexo do governo Collor, a América Latina comprava mais dos EUA do que lá compravam o Japão ou a Alemanha (US$ 65 bilhões). A taxa de crescimento das exportações dos EUA para a América Latina foi três vezes maior do que para todas as demais regiões do planeta.

Aquilo crescia exponencialmente. Em 1997, por exemplo, o nosso déficit com os EUA no comércio bilateral já dobrava em relação ao ano anterior. O comércio com os norte-americanos já respondia por 70% do déficit comercial brasileiro.

Havia, por outro lado, somente insignificantes aumentos das nossas exportações para os EUA, em especial por causa das barreiras (tarifas, quotas, subsídios) decorrentes dos “lobbies” de diversos setores da economia estadunidense, que se protegiam com pressões eleitorais sobre o Congresso e ações diretas sobre o Executivo americano.

Se ameaçássemos aqui fazer o mesmo, logo vinham as reações internas, bradando que haveria a contrariedade do governo dos EUA e a nossa obsolescência tecnológica, se diminuíssemos ou taxássemos a importação de produtos norte-americanos.

Também, se esboçássemos qualquer medida protecionista, logo se tornavam iminentes para o Brasil as severas penalidades e retaliações dos países do G-7 e dos organismos internacionais reguladores do comércio e das finanças.

Após Menen e FHC e até hoje, os EUA têm influentes e ardorosos defensores no Brasil e na Argentina.

O jornal “Folha de S. Paulo”, em 19/04/2004, emitiu a sua “opinião” sobre posicionamentos do novo governo brasileiro (Lula). Por exemplo, os contrários à invasão do Iraque e os contrários a algumas imposições dos Estados Unidos para a ALCA. O jornal divulgou: ...”o governo agarra-se a picuinhas, supostamente com alto valor moral, apenas para contrariar os EUA”... “o Brasil, mesmo acusando as políticas de Washington, tem nos EUA seu principal parceiro de negócios”.

As críticas ao modelo que nos foi induzido ou imposto pelos EUA, quando aqui surgiam, partiam somente daqueles que --como diziam professoralmente na imprensa FHC e os mais altos dirigentes nacionais-- “não têm imaginação, são neobobos que culpam os EUA (e os brasileiros implantadores das medidas neoliberais) por muitas de suas frustrações e ficam com nhenhenhém”.

Didaticamente, explicavam-nos na TV que os EUA tinham as melhores e as mais nobres intenções e ações em relação ao Brasil. Os únicos culpados pelos nossos problemas eram os próprios brasileiros, que estavam tornando este país o mais injusto do mundo. Eram, nomeadamente, os funcionários públicos ('máquina inchada'), os sindicatos e os partidos a eles ligados (que não concordavam, por exemplo, com a 'flexibilização do trabalho'), os aposentados (muitos deles vagabundos, que se aposentaram antes dos 60 anos) e “os vinte anos de ditadura” dos militares.

Tudo aquilo era radicalmente apoiado e pregado intensa e diariamente pela grande mídia, que fazia a cabeça especialmente da classe média. Aliás, essa campanha continua forte até hoje.

Recordei esse cenário para melhor compreendermos o atual “panelaço” em Buenos Aires focalizado com muita simpatia pelas grandes mídias argentina e brasileira.

Hoje, ao iniciar a pesquisa sobre o tema, encontrei um bom texto no Blog “Óleo do Diabo”, de Miguel Rosário. Reproduzo:

BLOGUEIROS DESMASCARAM GOLPISMO ARGENTINO

“Achei muito estranho este novo panelaço em Buenos Aires. Quem acompanha a história recente do país, sabe que, por mais problemas que haja na gestão dos Kirchnner, eles literalmente "salvaram" a pátria, fazendo o país crescer a taxas chinesas e o desemprego retornar a patamares razoáveis.

Além disso, a vitória de Cristina Kirchner, há somente alguns meses, foi esmagadora.

Como não aconteceu nada de muito grave desde então, porque cargas d'água os argentinos iriam fazer "cacerolazo"? Na época de Menen ou De La Rua, explicava-se: a economia estava descendo ladeira abaixo e o desemprego explodindo, mas agora? Tudo bem ser crítico ao governo Kirchner, mas daí partir para a gritaria?

Desconfiei e hoje fui a caça de blogs argentinos. Dito e feito. Os blogueiros políticos estão perplexos com o que houve. A mídia fazia convocação a cada 15 minutos e repetia que era "espontâneo". Tudo para desgastar Cristina, que sofre com uma oposição de direita raivosa sediada nas redações dos grandes jornais e canais de TV.

O impressionante é a pressa, e quase ansiedade, com que a mídia brasileira repercute o que diz a mídia argentina, mostrando que, na América Latina, formou-se uma verdadeira irmandade midiática reacionária, que opera no continente de norte a sul.”

Eu gostei desse texto do “Óleo do Diabo”. Logo postei para ele um comentário:

“Prezado Miguel do Rosário,
Obrigado. Eu começava a pesquisar a razão desse estranho panelaço na Argentina quando deparei com o seu esclarecedor texto. Todos nós, brasileiros e argentinos, sabemos da tragédia para os dois países causada pela triste competição Menen x FHC para ver quem obedecia mais cegamente os ditames de Washington. Menen ganhou por diferença de milésimos. Também, o ministro das relações exteriores argentino apelou e confessou que a Argentina estava em conjunção carnal com os EUA de Clinton. Os EUA usaram e abusaram da Argentina e a chutaram. Ela, arrasada, ganhou somente um ridículo e inócuo diploma de "aliada extra-OTAN" honorária...Contudo, a grande imprensa da AL continua submissa aos interesses dos EUA. Daí, o panelaço.
Maria Tereza, "democraciapolitica.blogspot.com"

quarta-feira, 26 de março de 2008

O DISCURSO DE McCAIN SOBRE O BRASIL NO G8

A BBC Brasil.com publicou agora à noite a notícia que transcreverei ao final dos comentários.

Por um lado, ela traz um elogio para os brasileiros. É bom saber que o Brasil já é considerado por autoridade dos Estados Unidos (EUA) para integrar o grupo dos países mais ricos do mundo (G8), que o Brasil é denominado “democracia líder”. Por outro lado, o discurso do candidato republicano à presidência dos EUA contém algumas mensagens preocupantes nas suas entrelinhas. Tomara que eu esteja exagerando.

Comento alguns conceitos inquietantes colocados por McCain e os trechos do seu discurso a eles ligados:

1) REACENDIMENTO DA GUERRA FRIA – “excluir a Rússia (do G8)”; “os Estados Unidos precisam lidar com os perigos representados por uma Rússia revanchista”; "em vez de tolerar a chantagem nuclear da Rússia ou os seus 'cyberataques', as nações ocidentais deveriam deixar claro que a solidariedade da Otan, do Báltico ao Mar Negro, é indivisível”. O Brasil e a Índia podem ter entrado no seu discurso somente como apoio para uma provocação à Rússia.

2) TORNAR A RÚSSIA MAIS ABERTA AO 'LIVRE COMÉRCIO' - Tentativa de forçar a Rússia a ser uma “democracia de mercado”, um país de 'livre comércio' na concepção norte-americana. Isto é, os EUA não encontrarem barreiras para vender seus produtos, mas colocarem equivalentes a barreiras, impedindo o livre acesso ao mercado norte-americano com dificuldades indiretas (subsídios, normas ambientais, sanitárias e outras).

3) ESTIMULAR O BRASIL E A ÍNDIA A SEREM CADA VEZ MAIS “ECONOMIAS DE MERCADO”, todavia, sempre na concepção norte-americana acima mencionada.

3) ENFATIZAR O PAPEL MESSIÂNICO, DIVINO, CONCEDIDO POR DEUS AOS NORTE-AMERICANOS – “o papel de liderança exercido pelos Estados Unidos: Deus nos criou e nos colocou na atual posição de poder e força por alguma grande razão"; "no século 21, os Estados Unidos ainda devem seguir liderando".

4) COBIÇA? (petróleo?) “A América Latina atualmente é cada vez mais vital para o destino dos Estados Unidos”.

5) DEPRECIAÇÃO DOS LATINOAMERICANOS CRÍTICOS DOS EUA (Chávez e outros) – “demagogia antiamericana".

6) VEM CHUMBO – “nossa determinação em fazer avançar (na América Latina) os valores da civilização americana”.

7) NOVA ALCA AINDA MAIS DRACONIANA – "o continente poderá ser o primeiro hemisfério completamente democrático, onde o comércio é livre e cruza todas as barreiras, onde o império da lei e o poder dos livres mercados contribuem para aprimorar a segurança”.

Vejamos o discurso de McCain segundo a matéria da BBC Brasil.com:

G8 deveria incluir Brasil e Índia, e não Rússia, diz McCain

“O senador John McCain, pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que o G8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia) deveria incluir o Brasil e a Índia, mas excluir a Rússia.

A declaração do pré-candidato republicano fez parte de um discurso sobre política internacional realizado por McCain em Los Angeles, na sede californiana do instituto de pesquisas World Affairs Council.

De acordo com o senador, os Estados Unidos precisam lidar com os "perigos representados por uma Rússia revanchista".

Uma das maneiras de fazer isso, segundo McCain, seria "garantir que o G8, o grupo de oito nações altamente industrializadas, se torne novamente um clube das principais democracias de mercado: ele deveria incluir Brasil e Índia e excluir a Rússia".

O candidato republicano acrescentou ainda que "em vez de tolerar a chantagem nuclear da Rússia ou os seus 'cyberataques', as nações ocidentais deveriam deixar claro que a solidariedade da Otan, do Báltico ao Mar Negro, é indivisível e que as portas da organização permanecem abertas a todas as democracias comprometidas com a defesa da liberdade".

Novos líderes

McCain citou uma declaração do presidente americano Harry Truman sobre o papel de liderança exercido pelos Estados Unidos: "Deus nos criou e nos colocou na atual posição de poder e força por alguma grande razão".

O candidato afirmou que, no século 21, os Estados Unidos ainda devem seguir liderando, como no período de Truman.

Mas acrescentou que o conceito de liderança atualmente não é o mesmo do período posterior à Segunda Guerra Mundial, "quando a Europa e outras democracias ainda estavam se recuperando da devastação causada pela guerra, e os Estados Unidos eram a única superpotência democrática".

"Hoje, não estamos sozinhos", disse. "Existem poderosas vozes coletivas na União Européia, e existem as grandes nações da Índia e do Japão, da Austrália e do Brasil, da Coréia do Sul e da África do Sul, da Turquia e de Israel, para citar apenas algumas das democracias líderes."

América Latina

McCain voltou a citar outro presidente democrata dos Estados Unidos, desta vez John Kennedy, ao lembrar uma afirmação dele em relação à América Latina.

"Há quatro décadas e meia, John Kennedy descreveu o povo da América Latina como 'nossos fortes e antigos amigos, unidos pela história e pela experiência e por nossa determinação em fazer avançar os valores da civilização americana'."

O senador acrescentou que "com a globalização, o continente se tornou mais próximo, mais integrado e mais independente". "A América Latina atualmente é cada vez mais vital para o destino dos Estados Unidos", afirmou.

De acordo com McCain, "as relações com os vizinhos do sul devem ser regidas pelo respeito mútuo, não por um desejo imperial ou por demagogia antiamericana".

A declaração soou como uma referência ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descrito por Washington como um líder com pretensões imperiais e adepto de uma política antiamericana.

O candidato republicano disse que "o continente" poderá ser o "primeiro hemisfério completamente democrático, onde o comércio é livre e cruza todas as barreiras, onde o império da lei e o poder dos livres mercados contribuem para aprimorar a segurança e a prosperidade de todos".

MEDIDAS PROVISÓRIAS – GOVERNO PSDB/PFL/FHC AS EMITIU EM BEM MAIOR QUANTIDADE

O jornal Folha de São Paulo de hoje, em seu editorial, critica o mecanismo de emissão de medidas provisórias. Reproduzo a primeira parte do artigo, onde vê-se que a oposição, em qualquer época, é contrária ao uso desse instrumento legislativo:.

MPs CORROMPEM

“Acabar com o mecanismo do trancamento da pauta teria a virtude de obrigar o Planalto a mobilizar sua base no Congresso.

Nada como o exercício do poder para revelar a volubilidade de nossos governantes.

Quando na oposição, Luiz Inácio Lula da Silva classificava o uso excessivo de medidas provisórias como "forma autoritária de governar". Agora que detém a caneta presidencial, afirma que é "humanamente impossível" governar sem elas.

O súbito gosto pelas MPs não é uma idiossincrasia lulista. Também antes de ascender ao Planalto, Fernando Henrique Cardoso era ainda mais enfático. Dizia que a "enxurrada de MPs" conspurcava a própria democracia. A retórica, entretanto, não o impediu de, uma vez instalado no poder, usar e abusar desse instrumento legislativo emergencial..

Quem aprecia menos o mecanismo são a oposição, naturalmente, e as lideranças parlamentares, mas estas apenas a partir do momento em que passam a ser questionadas pelo fato de a pauta legislativa caminhar inteiramente a reboque do Executivo.(...)”

A Folha, os demais veículos da grande mídia e a atual oposição somente acordaram para os males de medidas provisórias recentemente.

Para melhor compreender a veracidade ou não do atual ataque feroz do PSDB e DEM e da grande mídia contra as medidas provisórias, gesto nobre, democrático e muito televisivo, é bom recordar como eles se comportaram quando estavam no governo.

O portal “estadao.com.br” em 18 de março publicou a seguinte estatística:

MAIS DE MIL MEDIDAS PROVISÓRIAS

Veja quantas MPs cada presidente editou, desde a redemocratização

Ao contrário do que expressa a Constituição, a edição de medidas provisórias é prática corriqueira. Desde a redemocratização, os últimos cinco presidentes editaram 1040 delas - sem contar as centenas de reedições. Ao longo de seus mandatos, as regras para edição das MPs mudaram, mas sem surtir o efeito de limitá-las ao que determina a Carta: questões urgentes e relevantes.

Os dados abaixo mostram o total de MPs em cada gestão. Fernando Henrique Cardoso (1º) e Luiz Inácio Lula da Silva (2º) aparecem à frente na comparação, o que reflete, em parte, o fato de que seus antecessores dispuseram do expediente por um período mais curto:

Sarney – 125;
Collor – 89;
Itamar – 142;
FHC – 365;
Lula – 319.”

A POLÍTICA EXTERNA DOS EUA E O “WASHINGTON POST”

O blog “Vi o Mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha publica hoje um artigo muito bom sobre o uso da mídia em prol da política externa dos EUA. O texto trata de carta do governo da Venezuela ao Washington Post, mas a carapuça se encaixa perfeitamente na grande mídia brasileira que segue estreitamente os posicionamentos da imprensa americana.

Transcrevo:

EM CARTA, VENEZUELA RECLAMA QUE "WASHINGTON POST" JÁ CHAMOU PRESIDENTE ATÉ DE PALHAÇO

“O governo da Venezuela se manifestou, por carta, contra o que definiu como "cobertura hostil" do jornal americano Washington Post em relação ao país, especialmente em editoriais. Segue a íntegra da carta, endereçada ao subeditor da página editorial, Jackson Diehl:”

"Durante os últimos anos temos lhe informado sobre nossa preocupação com a cobertura hostil, distorcida e imprecisa que seu jornal tem feito da Venezuela, particularmente na página de editoriais.

Previamente, comunicamos nosso alarme com respeito às reportagens pouco equilibradas sobre a Venezuela durante o período 2000-2006, as quais evidenciaram análises parciais e julgamentos falsos sobre o governo do presidente Chávez e os eventos que se desenvolveram no país. Não obstante, desde então essa tendência do Post tem piorado.

No ano passado, foram escritos mais editoriais sobre a Venezuela do que em anos anteriores, 98% dos quais foram negativos ou agressivos, com informação falsa ou manipulada. Por isso, nos vemos forçados a crer que o Washington Post está promovendo uma campanha contra a Venezuela e contra seu presidente eleito democraticamente, Hugo Chávez.

Durante o último ano, ao referir-se ao presidente Chávez, os editoriais do Washington Post utilizaram qualificativos como "homem de força", "autocrata", "palhaço", "errático", "déspota" e "ditador" em oito ocasiões distintas e em sete oportunidades se fez referência ao governo como "ditadura", um "regime repressivo" ou uma forma de "autoritarismo".

Estes juízos não são apenas falsos, como extremamente perigosos. O governo dos Estados Unidos já se utilizou de tais classificações para justificar guerras, intervenções militares, golpes de estado e outras técnicas de mudança de regime, ao largo das últimas décadas.

Longe de ser uma ditadura, o governo do presidente Chávez tem o índice mais alto de popularidade da história contemporânea da Venezuela e ganhou três eleições presidenciais com vitórias avassaladoras, assim como outros processos eleitorais importantes, incluindo um referendo revogatório contra seu mandato em agosto de 2004, em que venceu com clara maioria de 60% a 40%.

Hugo Chávez é o primeiro presidente da História da Venezuela a incluir a maioria da população pobre do país na tomada de decisões chaves e na elaboração de políticas públicas. A criação de conselhos comunitários, que governam de maneira local, e o incremento da participação dos eleitores são sinais claros de uma democracia vibrante e aberta, demonstrando assim que a Venezuela está longe de ser uma ditadura.

As inexatidões e distorções da página editorial do Washington Post se estendem além da mera desqualificação do presidente Chávez. Em mais de onze ocasiões, os editoriais asseguraram, de maneira falsa, que o presidente "controla os tribunais e os meios televisivos". A Venezuela tem cinco poderes autônomos entre si por mandato constitucional: Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário, Poder Eleitoral e Poder Cidadão.

Diferentemente dos Estados Unidos, em que o Poder Executivo nomeia juízes para a Suprema Corte, na Venezuela os magistrados do Tribunal Supremo são eleitos através de um processo de seleção e votação da Assembléia Nacional. O Poder Executivo não joga nenhum papel na designação dos juízes dos tribunais. Os meios de comunicação da Venezuela continuam sendo controlados majoritariamente pelo setor privado, apesar do que afirma a página editorial do Washington Post.

Da mesma forma, em outras oito ocasiões, os editoriais do Washington Post fazem referência errônea ao projeto de reforma constitucional apresentado em dezembro, como se este permitisse ao presidente Chávez "governar indefinidamente" ou se converter em "um presidente de fato por toda a vida." A reforma constitucional buscava a supressão do limite de mandatos eleitorais, mas não das eleições. Os venezuelanos teriam mantido o direito e o dever de escolher os candidatos e de votar por eles em um processo transparente.

O interessante é que o Washington Post não fez qualquer acusação similar contra o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quando ele agiu para reformar a Constituição e permitir a sua reeleição para um segundo mandato. Uribe teve êxito em 2004 e está tentando novamente uma modificação para aspirar a um terceiro mandato. Onde estão as queixas do Washington Post contra a ditadura e o governo por toda a vida na Colômbia?

O Washington Post também manipulou e censurou gravemente as informações sobre o crescimento econômico da Venezuela. Duas vezes, publicações recentes na página editorial descreveram as medidas econômicas do governo como "políticas econômicas excêntricas e desastrosas."

Sob as políticas econômicas de Chávez, a pobreza extrema alcançou seu nível mais baixo de todos os tempos: 9,4% (2007), em comparação com 42,5% em 1996. O desemprego caiu para 6,9% (2007), de 16,6% em 1998.

Durante o governo Chávez, o salário mínimo aumentou substancialmente, a ponto de chegar a ser um dos mais altos do mundo em desenvolvimento e houve uma significativa redução da dívida pública. Igualmente, Chávez pagou a dívida com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional e aumentou os investimentos na produção agrícola nacional.

Ainda assim, o Washington Post não reflete nenhum destes avanços positivos e progressistas. De outra parte, seus editoriais se dedicam a acusar o presidente Chávez de envolver-se em uma "corrida armamentista" (quatro vezes), "violar os direitos humanos" (três ocasiões), "facilitar/aceitar o tráfico de drogas" (seis vezes) e "promover uma agenda antiamericana" (seis vezes). O pior de tudo é que, apesar das declarações de Chávez em contrário, o Washington Post continua perpetuando o mito perigoso de que Chávez é um "antisemita", "alinhado com nações ou grupos terroristas" (nove vezes).

Sr. Diehl, o senhor deve saber que os Estados Unidos estão levando a cabo atualmente uma guerra internacional contra o terrorismo. Neste mês de março, o governo Bush já declarou de forma clara que aquelas nações associadas com, ou amistosas, com Estados ou grupos terroristas podem ser objeto de uma invasão preventiva ou de uma intervenção. É esse o fim que se busca na Venezuela?

O editorial de 15 de fevereiro de 2008, "O blefe de Chávez", vai um passo além. A peça é uma convocação pura e simples a um boicote do petróleo venezuelano, um ato que afetaria irremediavelmente tanto ao povo da Venezuela quanto ao povo dos Estados Unidos. Através dos aplausos do Washington Post às táticas mafiosas de uma das corporações mais ricas do mundo, a Exxon Mobil, é evidente que sua lealdade é com os lucros corporativos, acima dos direitos do povo.

Seu mais recente editorial, de 5 de março de 2008, "Aliados do terrorismo", mais que uma mera crítica às políticas do presidente Chávez, é uma ameaça ao povo da Venezuela. Ao aceitar a priori - sem qualquer investigação ou verificação - documentos que se diz foram encontrados em um computador que teria pertencido a Raúl Reyes, das FARC, o Washington Post imprudentemente condena a Venezuela e o Equador como nações que promovem e protegem o terrorismo e justifica a violadora, injuriosa e perigosa doutrina Bush dos tempos modernos: a guerra preventiva.

Ao comparar a violação da soberania do Equador pela Colômbia com o ataque dos Estados Unidos à Al Qaeda, o Washington Post penosamente apóia a mais irracional das guerras da História e faz um chamado para que ela se expanda pela América Latina.

Achamos extremamente preocupante a defesa da violação da soberania do Equador e a satisfação que vocês demonstram com essas táticas agressivas e ilegais, acompanhadas da advertência de que a Venezuela é um "perigo".

Estamos indignados com o conteúdo da página editorial do Washington Post sobre a Venezuela. O Post foi um bastião da genuína reportagem investigativa e da busca da verdade. Esses dias acabaram e o Washington Post converteu-se agora em nada mais que um tablóide que serve aos interesses especiais.

Os nobres princípios que Eugene Meyer imaginou para o Washington Post em 1935, que incluiam "dizer a verdade tão próxima da verdade que pode ser confirmada", "dizer TODA a verdade tanto quanto se possa, nos assuntos importantes para a América e o mundo" e "o jornal não será aliado de nenhum interesse especial, mas será justo, livre e sadio em suas perspectivas sobre os assuntos e as pessoas públicas" foram violados por editores como o senhor Diehl, que escolheu promover uma agenda pessoal nociva em vez de assegurar a grandeza de seu jornal."

FUSÃO BOVESPA E BM&F CRIARÁ A 3ª MAIOR BOLSA DO MUNDO

A Agência Estado, do jornal “O Estado de São Paulo”, em texto de Carolina Ruhmann e Michelly Teixeira, publicou hoje o seguinte artigo com o título acima:

“A integração entre a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) deverá criar a terceira maior bolsa do mundo e a segunda maior das Américas, atrás somente da Deutsche Börse (bolsa alemã) e de Chicago e à frente até mesmo da Bolsa de Nova York, de acordo com os valores de mercado de ontem.

Entretanto, conforme destacou o presidente do conselho da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto, "o mercado dirá o real valor da empresa". Otimista, ele citou "as enormes sinergias" que serão criadas com o acordo, avaliando que o valor da nova companhia, temporariamente chamada de ‘Nova Bolsa’, poderá ser ainda maior. O diretor-geral da Bovespa, Gilberto Mifano, brincou que "dois mais dois são mais do que quatro". "Isso é só o começo", declarou Mifano, acrescentando: "a nova empresa será mais forte do que as duas juntas".

Para Cintra Neto, a Nova Bolsa será um "centro consolidador" dos mercados na América Latina e poderá listar tanto empresas nacionais como regionais e internacionais. Ele afirmou que o "processo inexorável" de integração deve "agregar o maior valor possível" e "construir um grande centro de liquidez", competitivo internacionalmente.

Na visão do presidente do Conselho da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, a nova companhia contribui para a "integração da América Latina". Gilberto Mifano, por sua vez, destacou a grande vantagem comparativa que a Nova Bolsa terá, devido a sua localização. "O Brasil tem um potencial enorme de crescimento", declarou.”

FHC – SENADOR SEM VOTO E A NOVA DISCUSSÃO DA CCJ DO SENADO

Este blog já abordou esse assunto no artigo “Senador sem voto” de 20/01/2008. Nele, dissertamos:

“A grande imprensa brasileira (e a oposição), nos últimos anos, têm sido recorrentes em criticar a assunção da condição de senador por suplentes que não receberam votos do povo. É importante essa discussão. Parabéns à mídia!

O interessante e curioso, contudo, é o fato de, por muitos e muitos anos, esse problema ter sido abafado ou considerado sem importância pela imprensa.

Será que foi porque Fernando Henrique Cardoso "foi eleito" senador sem um voto sequer? Ele, então suplente, assumiu a cadeira no senado com o afastamento do senador eleito Franco Montoro...

A grande mídia e os seus patrocinadores nacionais e estrangeiros sempre defenderam fortemente FHC, o PSDB e o PFL (DEM) e as "modernidades" e liberdades implantadas no seu governo nos campos econômico e financeiro. Terá sido esse o motivo da misteriosa omissão?

A autoria de “obras” de FHC, contudo, está colocada como mentira pelo seu então chefe. Conforme o ex-presidente Itamar Franco, no governo do qual o já senador Fernando Henrique Cardoso foi alçado a Ministro da Fazenda, ele veio a indevidamente usurpar a autoria do Plano Real [ver artigo deste blog de 10 de Março de 2008, intitulado “Ex-Presidente Itamar Franco e o Plano Real: ‘FHC, pretensioso, usurpou”]"

Naquela data, o “JB Online” publicou, em texto de Marcello D’Angelo e Durval Guimarães Marcos Seabra:

“Depois de um período recolhido, o ex-presidente decidiu nada deixar sem resposta. Seu alvo principal é o ex-presidente Fernando Henrique (FHC), que teria usurpado sua participação e importância na grande obra de estabilização econômica do Brasil”.

Hoje, 26 de março, o portal do “O Estado de São Paulo” mostra que a própria oposição (PSDB/DEM) no senado não aceita aqueles mesmos mecanismos que resultam em senador sem voto e de senador alçado a ministro. Será esquecimento ou será casuísmo?

Transcrevo a matéria de Rosa Costa da Agência Estado:

"CCJ VOLTA A DISCUTIR FIGURA DO SUPLENTE DE SENADOR"

“A Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) retomou a discussão do substitutivo do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) às propostas de emenda constitucional sobre da figura do suplente de senador.

Demóstenes disse que espera encontrar uma sugestão consensual, capaz de tomar o lugar do seu substitutivo, que foi rejeitado pela maioria dos senadores, por proibir, entre outras coisas, que senadores deixem o mandato provisoriamente para assumir cargos nos ministérios.

Segundo ele, há um consenso na Casa de que, na nova fórmula, tem que ser autorizada a saída do senador para disputar cargos no Executivo, ou para ser ministro, e retorno ao mandato quando quiser.

Há ainda, segundo Demóstenes, a proposta do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) pela qual o deputado mais votado no Estado assumiria a vaga do senador em caso de vacância ou morte, cassação ou ocupação de outro cargo, até que haja uma nova eleição para preencher a vaga no Senado.”

CRISE NOS EUA PODERÁ LIMITAR O CRESCIMENTO DO PIB BRASILEIRO À FAIXA DE 4,2% a 5,2% EM 2008

Li no Estadão Online, nesta quarta-feira, a seguinte matéria da Agência Reuters, em reportagem de Rodrigo Viga Gaier:

CRISE NOS EUA PODE REDUZIR CRESCIMENTO DO BRASIL, DIZ IPEA

“A economia brasileira deve crescer entre 4,2 e 5,2 por cento este ano, mais uma vez impulsionada pelo consumo, previu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira, sugerindo que a ponta mais baixa deve ser atingida se a crise norte-americana afetar significativamente o país.

O prognóstico está ligeiramente abaixo da expansão de 5,4 por cento apurada no ano passado. O mercado projeta, segundo o relatório Focus, um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5 por cento.

"A expansão do PIB esperada em 2008 pode ser explicada pelos mesmos fatores que impulsionaram a economia no ano passado, com destaque para a manutenção da demanda interna aquecida. O consumo das famílias continuará crescendo de maneira significativa", disse o Ipea em relatório.

O instituto acrescentou que a forte expansão do ano passado já gera para este ano um "carry over" de 2,5 por cento.

"As projeções estão condicionadas a duas questões principais: desdobramentos da crise na economia norte-americana e um possível excesso de demanda sobre oferta", acrescentou o Ipea.

A "provável" recessão norte-americana pode atingir o Brasil por duas vias, segundo o instituto: pela queda do nível da atividade mundial, que diminuiria as exportações brasileira, e pelo aumento da aversão global ao risco.

COMPONENTES DO PIB

O prognóstico do instituto para o setor agropecuário é de entre 3,6 e 4,4 por cento neste ano. A previsão para a indústria é de uma faixa de alta de 4,5 a 5,3 por cento e a estimativa para o setor de serviços é de avanço de 3,9 a 4,9 por cento.

A formação bruta de capital --uma medida dos investimentos-- deve crescer no ano entre 12,4 e 14,1 por cento.

A partir deste ano, o Ipea, que é ligado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, faz previsões dentro de um intervalo de variação para evitar distorções.

O prognóstico para a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de entre 4 e 5 por cento neste ano.

O Ipea projeta um superávit comercial de 23,8 bilhões a 27,3 bilhões de dólares em 2008. Essa estimativa é mais pessimista que a do mercado, que é de 28,77 bilhões de dólares.”

CONSELHO SUL-AMERICANO DE DEFESA – 2ª PARTE

Na postagem imediatamente anterior deste blog, apontamos as nossas suspeitas de que esteja havendo a "manipulação" da nossa grande mídia em prol de interesses norte-americanos (sugiro ler). É mais do que mera suspeita, pois ela foi confessada pelo ex-chefe do FBI no Brasil. Exemplifiquei com um intrigante artigo do editorial da Folha de São Paulo de ontem.

Foi fortemente criticada por aquele órgão da nossa grande imprensa a idéia do governo brasileiro de criar um conselho sul-americano de defesa independente do atual rígido controle e da submissão dos sul-americanos às diretrizes das forças armadas dos EUA nessa área.

A idéia expressa pelo ministro da defesa brasileiro é criar-se um organismo internacional "que possa articular na América do Sul a elaboração de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal, formação e treinamento de militares, realização de exercícios militares conjuntos, participação conjunta em missões de paz da ONU, integração de bases industriais de defesa".

Aquelas minhas suspeitas, de que interesses dos EUA direcionaram a Folha de São Paulo a publicar um editorial pregando a manutenção do status quo, foram reforçadas ao ler o muito coincidente editorial do jornal “O Estado de São Paulo” de hoje.

O Estadão (ver artigo abaixo transcrito), também intrigantemente, coloca expressões como: “o grave é propor a criação de um organismo de natureza militar” e “querer diminuir a submissão aos interesses militares dos EUA”. Afirma que isso é uma “arrogância e audácia”, uma arrogância estratégica”, uma “audácia do enfrentamento”, um “arroubo de retórica”. Menospreza e cria aversão à idéia do conselho, provocando a rejeição do leitor dizendo que “os brasileiros foram os últimos a saber”.

O Estadão finaliza com um belo e gratuito (?) elogio aos EUA: “a OEA continua sendo o foro regional provedor de segurança coletiva - e que os Estados Unidos sabem se comportar com discrição numa crise sul-americana.”

Leiamos o artigo do Estadão que, assim como o editorial da Folha de ontem, não somente nas entrelinhas, evidencia a manipulação da nossa grande mídia em prol de interesses dos EUA:

ARROGÂNCIA E AUDÁCIA

“A visita do ministro da Defesa a Washington teve ao menos um ponto positivo. Graças à cobertura que a imprensa deu aos encontros do ministro Nelson Jobim com as autoridades norte-americanas, os brasileiros puderam conhecer alguns poucos detalhes do projeto que ele está propondo aos países da América do Sul.

Até então, sabia-se apenas que havia proposto a seus colegas da Argentina e do Chile a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa; que, segundo ele, seria uma realização capaz de mudar o panorama estratégico da região, que passaria a ter influência decisiva nos foros globais; e que todos os países da América do Sul seriam convidados para integrar o organismo.

Num discurso para 14 dos 27 representantes dos países membros da Junta Interamericana de Defesa (JID), o ministro Nelson Jobim decretou que "chega de pensar pequeno. Pensar pequeno significa dependência, significa continuar pequeno. É preciso arrogância estratégica e a audácia do enfrentamento dos nossos problemas, com a coesão dos países da região".

E assim (propõe) um organismo internacional "que possa articular na América do Sul a elaboração de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal, formação e treinamento de militares, realização de exercícios militares conjuntos, participação conjunta em missões de paz da ONU, integração de bases industriais de defesa".

A criação de um organismo que cuide disso tudo, compatibilizando as políticas externa, de defesa e industrial de uma dúzia de países tão diferentes quanto o Suriname do Brasil já seria um prodígio. Mas não para o ministro Nelson Jobim.

Tomado de "arrogância estratégica" e "audácia do enfrentamento", ele quer que o tal Conselho seja um órgão "proativo", com capacidade executiva e operacional, para "não ter nossas posições manipuladas por outros grupos e interesses". (Leia-se Estados Unidos.)

Ora, desde que D. Pedro I gritou "laços fora", as posições brasileiras não são manipuladas por quem quer que seja. A frase foi injusta com o próprio governo ao qual o ministro pertence e injuriosa para todos os países da região. Preferimos creditá-la a um arroubo de retórica.

O grave é propor a criação de um organismo de natureza militar - pois é a isso que remete o termo "defesa" - com capacidade executiva e operacional para formular e implementar políticas no plano internacional. Pela ordem jurídica que vige nos países sul-americanos, em tempos de paz, as suas políticas externas são de responsabilidade dos diplomatas, sob supervisão direta do presidente da República, e os objetivos de suas políticas de defesa se subordinam às necessidades da política externa. O projeto do ministro Jobim somente teria sentido se a América do Sul estivesse, unida, em pé de guerra contra um inimigo extra-regional.

Esse projeto encontrará outros obstáculos. O representante da Argentina na JID enunciou um deles. "Como se enquadraria esse órgão numa região onde há possibilidades de conflitos? O que acontecerá quando houver crise entre os países?"

Mas não é preciso considerar essa hipótese extrema. O que se propõe é a criação de um órgão coordenador da defesa - em seu sentido amplo - de todo um subcontinente que não consegue harmonia política suficiente para montar um sistema integrado de comércio. Pior ainda, que há décadas ensaia, sem conseguir realizá-la, a sua integração física na área dos transportes.

A integração da defesa é a última etapa dos processos de integração regional. Envolve, mais que a soberania, a sobrevivência da nação e, por isso, os países relutam em abrir mão de sua autonomia nessa área. A União Européia, por exemplo, até hoje não saiu do estágio inicial da integração militar. Para garantir a sua segurança coletiva, confia, em última instância, na OTAN. Na América do Sul, o Mercosul está estagnado, sem conseguir aplicar sequer a tarifa externa comum e a Comunidade Sul-americana de Nações não passa de uma quimera. Não há, portanto, condições objetivas para a integração militar.

O recente episódio envolvendo a Colômbia e o Equador mostrou que a OEA continua sendo o foro regional provedor de segurança coletiva - e que os Estados Unidos sabem se comportar com discrição numa crise sul-americana. Nessas condições, arrogância e audácia não mudarão a realidade para melhor.”

Não tenho dúvidas. Os editoriais da Folha e do Estadão foram coincidente e contemporaneamente "manipulados" (ou “comprados”) pela Embaixada dos EUA, conforme a prática confessada pelo ex-chefe do FBI no Brasil.

CONSELHO SUL-AMERICANO DE DEFESA - 1ª PARTE

Eu apostaria que o artigo “Mau conselho” (transcrito ao final deste artigo) foi orientado ou pelo DOD (Departamento de Defesa) ou pela Embaixada dos EUA. Deve ter sido combinada a sua publicação no jornal Folha de São Paulo. Ele foi publicado ontem (25) como editorial do jornal.

Vejo fantasmas? Teoria da conspiração? Não creio. Demonstro por que aposto nisso.

1) Primeiro, recordemos o seguinte fato já relatado neste blog no artigo “Por que a grande mídia brasileira é tucanopefelista?”, postado em 10 de fevereiro último:

“O norte-americano ex-chefe no Brasil do “Federal Bureau of Investigation” (FBI) no período 1999-2003 declarou que “uma das importantes funções que a Embaixada dos EUA no Brasil tinha era influenciar, manipular, conduzir, controlar a imprensa brasileira, inclusive comprando-a para atender os nossos interesses” (depoimento dele à “Carta Capital” nos 283 e 284, de 24 e 31/03/2004).

Portanto, não seria de estranhar uma nova “influência” ou “compra” para atender interesses norte-americanos.

2) Segundo, a Folha critica a idéia desse conselho sul-americano, afirmando que tudo “já pode ser feito por mecanismos hemisféricos existentes, como a Junta Interamericana de Defesa, o Colégio Interamericano de Defesa, a Conferência de Ministros da Defesa, a Conferência dos Exércitos Americanos, a Conferência Naval Interamericana e o Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas.”

O jornal sabe muito bem que os citados mecanismos e instituições são sediados nos EUA, são liderados, controlados e totalmente dominados pelas forças armadas e vontades norte-americanas. Por que a Folha agora critica com destaque de editorial querermos ter menor dependência desse controle militar dos EUA?

3) Terceiro, há no artigo da Folha outro evidente conceito de interesse norte-americano: a demonização de Hugo Chávez. O artigo da Folha coloca com meias-palavras: ... “é extemporâneo incentivar a colaboração entre forças militares presidentes da região trocam acusações e chegaram a mobilizar tropas uns contra os outros. Antes de alçar vôos maiores (criar o conselho), é preciso que os países da América do Sul superem o personalismo de alguns de seus líderes”.

Desde o fracassado golpe, explicitamente apoiado pelo governo norte-americano, que quase tirou Chávez do poder, é do conhecimento público mundial o processo de interesse dos EUA de estigmatização e de derrubada do poder do presidente venezuelano. Poucos duvidam que a melhor garantia de suprimento por empresas americanas de petróleo bom e barato para os EUA é objetivo nacional norte-americano. Esse processo de demonização de Chávez está presente intensamente na nossa grande mídia e nos partidos brasileiros mais de direita que há muito têm sido instrumentos dos grandes interesses norte-americanos.

Poderia citar outros motivos, mas creio que esses três já ilustram o por que do meu pressentimento.

Leiamos o artigo da Folha, especialmente as suas entrelinhas:

MAU CONSELHO

“Soa algo inoportuna a idéia do governo brasileiro de criar o Conselho Sul-Americano de Defesa.

Em termos teóricos, faria sentido ampliar ainda mais a colaboração entre os países da região para que possam, como sugeriu o ministro Nelson Jobim, "articular a elaboração de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal, formação e treinamento de militares, realização de exercícios militares conjuntos, participação conjunta em missões de paz das Nações Unidas, integração de bases industriais de defesa".

Tudo isso, porém, já pode ser feito por mecanismos hemisféricos existentes, como a Junta Interamericana de Defesa, o Colégio Interamericano de Defesa, a Conferência de Ministros da Defesa, a Conferência dos Exércitos Americanos, a Conferência Naval Interamericana e o Sistema de Cooperação das Forças Aéreas Americanas.

Diante de tantas possibilidades, a iniciativa brasileira não passa de uma maldisfarçada tentativa de excluir os EUA. Essa é uma atitude que, na melhor das hipóteses, não leva a lugar nenhum. Interessa à diplomacia brasileira mitigar a tendência natural de Washington ao intervencionismo. Mas para tanto não é necessário criar um clube exclusivo na área militar.

Na verdade, é quase ridículo falar em defesa regional sem incluir os EUA, a única superpotência do planeta. Fazê-lo é condenar o novo Conselho à irrelevância. Ademais, é extemporâneo incentivar a colaboração entre forças militares quando presidentes da região trocam acusações e chegaram a mobilizar tropas uns contra os outros.

Antes de alçar vôos maiores, é preciso que os países da América do Sul superem o personalismo de alguns de seus líderes e se mostrem capazes de fomentar as relações que mais importam, as econômicas, num ambiente pacífico e estável.”

terça-feira, 25 de março de 2008

MUITOS SETORES DA ECONOMIA BRASILEIRA JÁ TÊM CRESCIMENTO CHINÊS

O artigo a seguir, de Lino Rodrigues do “O Globo”, foi publicado hoje também pelo “blog do Favre”.

É uma notícia alvissareira. Contudo, como o artigo é do “O Globo”, logicamente nele foram, como sempre, sub-repticiamente inseridas várias bandeiras neoliberais, de interesse dos EUA, das demais potências industrializadas e de suas multinacionais aqui ramificadas. Por exemplo, a “flexibilização trabalhista” com a redução de vários direitos do trabalhador, a “redução dos impostos”, a redução do papel do Estado (“Estado Mínimo”) e outros.

“Brasil tem crescimento “chinês” e empresários choram de barriga cheia”

Crescimento chinês , apesar da burocracia

Pesquisa da FGV mostra que, mesmo com peso de impostos, empresas avançam até 50% ao ano.

“Apesar das dificuldades para se começar um negócio no Brasil (como carga tributária, burocracia e legislação trabalhista), alguns segmentos têm crescimento de padrão chinês.

Uma pesquisa do Centro de Estudos Financeiros da Fundação Getulio Vargas (FGV), apresentada ontem no seminário “Riscos e Oportunidades de Empreender no Brasil”, organizado pela FGV e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), mostrou que algumas empresas cresceram mais de 50% ao ano no triênio 2004/2006.

Com base nos dados da Serasa sobre 10 mil empresas de 120 segmentos, o estudo mostra que o faturamento líquido de 20% do universo dos negócios pesquisados cresceu entre zero e 20% ao ano; outros 43%, cresceram de 10% a 20%; em 30% dos casos, o aumento foi superior a 20% ao ano. Só 7% registraram retração, caso da indústria de fitas e discos magnéticos (menos 37,7% ao ano). Cine, foto e som — compreende celulares e outros equipamentos com apelo tecnológico —, teve crescimento médio de 58% ao ano. Em material esportivo, as vendas subiram 47,9% ao ano. Envasamento (bebidas e alimentação), 45,7%; comércio de couros, 42%.

Os números servem para desmistificar a história do “milagre asiático”. O Brasil não fica nada a dever para o crescimento chinês — disse o economista José Luiz Tejon, um dos palestrantes e professor da FGV.

Esse crescimento, segundo Tejon, é resultado da melhoria do emprego e da renda, do controle da inflação, da explosão do crédito e do “desejo” dos brasileiros de consumir especialmente lançamentos tecnológicos. Para ele, os dados mostram um lado saudável da economia brasileira que supera as dificuldades da burocracia estatal.

Segundo o professor Willian Eid, coordenador do seminário, os números poderiam ser melhores se o novo empreendedor brasileiro planejasse mais. Ele frisa que o Banco Mundial põe o Brasil entre os países com mais dificuldades para se fazer negócio.

Dados da Fecomércio mostram que mais de 90% dos novos empreendimentos morrem antes do primeiro ano de vida. E menos de um negócio chega ao décimo ano. É uma mortalidade impressionante, extremamente elevada e, em geral, conseqüência de planejamento mal feito.

Já o sociólogo e professor José Pastore, especialista em relações do trabalho, afirmou que a legislação trabalhista brasileira, ao contrário de países emergentes que competem com o Brasil, não evoluiu. Ele defendeu a criação de um “simples trabalhista”, com corte de encargos que oneram a folha de pagamento das empresas em 103%. “Países da Ásia e do Leste europeu que têm certa proteção trabalhista, mas não tão burocratizada e dispendiosa como no Brasil, vão ganhar a concorrência internacional. Se continuar assim, vamos perder aqui dentro também com a entrada dos importados mais baratos”.

O tributarista José Roberto Robortella defendeu a terceirização como consolidada no resto do mundo, mas que ainda precisa ser disciplinada no Brasil. Ele atacou os “fundamentalistas da CLT”, que criariam obstáculos a esse sistema.

Já Walter Cardoso Henrique, da OAB-SP, disse que o empresariado enfrenta regras tributarias absurdas e burocracia surpreendente e sem paralelo”.

PRIVATIZAÇÃO DA CESP PELO GOVERNO TUCANO FRACASSA

Li no “Blog do Favre”, agora à tarde, essa notícia. Confesso que gostei.

Eu já havia publicado em 28 de fevereiro último o artigo “Privatização da CESP: Aécio critica decisão de vetar a CEMIG do leilão”, bem como o artigo “Privatização da CESP pelo governo Serra”, em 21 de fevereiro.

Em 21/02/2008, o jornal Folha de São Paulo (FSP) trouxera a seguinte notícia, da qual menciono trechos:

”O governo paulista (PSDB/Serra) decidiu ontem levar a leilão, no dia 26 de março, o controle da CESP (Companhia Energética de São Paulo), terceira maior geradora de eletricidade do país, por R$ 6,6 bilhões. Será a maior privatização já feita no setor elétrico e a maior desde o leilão do Banespa, em 2000 (pelo governo FHC)". "Na avaliação do governo paulista, a crise nos mercados internacionais não deverá prejudicar o leilão". "A expectativa é que a venda levante cerca de R$ 7 bilhões para os cofres do Estado".

Uma das razões da minha rejeição foi a informação do jornal Folha de São Paulo de que analista do UNIBANCO teria avaliado a CESP em R$ 15 bilhões e ela estará sendo leiloada por R$ 6,6 bilhões.

Comentei neste blog ser leigo quanto a vendas e a preços de empresas de energia elétrica. Eu não entendera muita coisa. Sem entrar no mérito do nefasto retorno à polêmica “privataria” dos tempos "neoliberais" do PSDB/DEM/FHC, somente com as notícias daquele dia na imprensa fiquei confuso.

Outra razão do meu preconceito: por que vetar a participação de estatais brasileiras (CEMIG e COPEL)?

Essa condição imposta pelo governo tucano Serra é incongruente porque, no governo PSDB/FHC, muitas das chamadas "privatizações" foram, na realidade, passagens financiadas com dinheiro brasileiro (BNDES) para estatais estrangeiras! Sim! Estatais! Se fossem estrangeiras podia? Houve a estatização de empresas brasileiras para Estados estrangeiros! Assim foi inicialmente com a Light, no RJ, posteriormente aconteceu com a EMBRAER. Ambas foram vendidas em grande parcela para o Estado francês. E muitos outros casos que então foram escondidos da população pelo governo, e pela grande imprensa brasileira que apoiava radicalmente o governo PSDB/FHC.

Por essas e outras, gostei da notícia de hoje do fracasso do leilão. Transcrevo o que foi publicado há pouco no blog do Favre, por ele extraído da Agência Estado:

“Sem interessados, leilão foi anulado”

"São Paulo - Nenhum grupo apresentou garantias para o leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que estava marcado para amanhã, segundo informaram fontes ligadas à operação. Para participar do leilão, as companhias tinham até as 12 horas de hoje para apresentar suas garantias na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

Esta seria a terceira tentativa de venda da empresa.

O governador de São Paulo, José Serra, confirmou no início da tarde de hoje o cancelamento do leilão da Cesp porque os interessados não apresentaram garantias mínimas. O preço ficou abaixo do que o governo esperava.”

FAB AFIRMA: "VOAR NO BRASIL É SEGURO"

O portal da Aeronáutica publica hoje a comunicação a seguir exposta, do Brig Ar Antônio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica. Ele rebate divulgações destrutivas da grande mídia brasileira sobre a segurança de vôo no Brasil. No caso, contesta o jornal Zero Hora, que ainda estrebucha na tentativa de denegrir o governo com o já desacreditado "apagão aéreo".

AERONÁUTICA REAFIRMA QUE VOAR NO PAÍS É SEGURO

"A Aeronáutica lamenta os equívocos contidos nas reportagens “Crise contida, mas não resolvida” e “Buraco negro no ar”, publicadas em 23/03, pelo Jornal Zero Hora. Por diversas vezes este Comando esclareceu que, nos níveis utilizados pela aviação comercial (acima dos 29 mil ft), a cobertura radar é plena no país, não existindo “buraco negro” (vale sempre a lembrança de que sobre oceanos não existem radares e que o controle do tráfego das aeronaves que sobrevoam estes locais é efetivo e seguro). Os setores de controle do espaço aéreo, por sua vez, possuem freqüências de rádio em multiplicidade, exatamente para se evitar “buracos negros de comunicação”.

Essa multiplicidade de equipamentos existe porque eventuais problemas podem acontecer num sistema que tem a responsabilidade de coordenar o movimento aéreo numa área de 22 milhões de Km2, quase três vezes a dimensão territorial do país, e que opera cerca de seis mil equipamentos funcionando 24 horas por dia, 365 dias no ano.

Entretanto, supostos problemas devem ser notificados em benefício da melhoria do Sistema de Controle do Tráfego Aéreo e a própria Instituição incentiva essa prática.

O jornal Zero Hora errou e confundiu as coisas. Errou ao interpretar uma ferramenta de prevenção, no caso o “Relatório de Perigo” (hoje denominado “Relatório de Prevenção”), como um documento conclusivo – o que não é nem aqui, nem em nenhuma parte do mundo. A matéria confundiu o leitor ao misturar os conceitos de buraco negro por deficiente cobertura radar e buraco negro por falhas de comunicação.

Nenhum dos dois existe no Brasil.

Em outro ponto da reportagem, sobre um suposto incidente com a aeronave militar em que se encontrava o então Ministro da Defesa, Waldir Pires, o jornal recupera um assunto esclarecido em novembro de 2006, por meio da divulgação de nota à imprensa nacional. Após a verificação dos dados do vôo em questão, o fato sequer se configurou como um incidente de tráfego aéreo, ou seja, uma aproximação entre aeronaves além dos limites estabelecidos. Todas as informações citadas estão disponíveis na página da FAB na internet, desde 2006, e foram publicadas por inúmeros veículos de imprensa.

O jornal Zero Hora também não destaca que nos últimos oito anos, a Aeronáutica investiu cerca de R$ 1,8 bilhão na estrutura de controle de tráfego aéreo, dentro de um processo rotineiro de modernização. Dos quatro Centros de Controle existentes no país (CINDACTA), o de Manaus é novo (decorrente da criação do SIVAM), o de Brasília passou por um processo de modernização recente, o de Curitiba concluiu sua etapa de atualização no ano passado e o de Recife está em pleno andamento.

Sobre a carência de pessoal, já assumida pelo Comando da Aeronáutica, cabe esclarecer que foram realizados concursos públicos para controladores de tráfego aéreo, civis e militares, entre outras carreiras indispensáveis ao controle de tráfego aéreo, e que até o ano de 2010 a quantidade de controladores de tráfego aéreo estará compatível com a demanda futura. Entretanto, cabe ressaltar que o sistema como um todo opera com mais de 13 mil civis e militares.

Como ressaltado diversas vezes, não é prudente que esse debate seja balizado apenas com a simplificação de fatos, manipulação de comparações e sob influência de reivindicações pessoais ou setorizadas. Nesse contexto negativo, decisões precipitadas podem prejudicar o futuro da aviação brasileira. Uma pesquisa inicial sobre esse assunto, coordenada com nosso Centro, poderia ter contribuído para um melhor esclarecimento dos fatos à sociedade brasileira.

Tratar a questão sobre o futuro do tráfego aéreo no país, sem emoção e desvinculado de interesses particulares, é de vital importância para o futuro da aviação brasileira.

Voar no país é seguro, as ferramentas de depuração do sistema estão em funcionamento e todas as ações implementadas estão em concordância com as normas internacionais de segurança."

"LE MONDE" DE HOJE: BRASIL, “BELA SERENIDADE”

O jornal francês Le Monde de hoje publica um artigo sobre a economia brasileira, abaixo transcrito, do seu correspondente no Rio de Janeiro Jean-Pierre Langellier e traduzido por Jean-Yves de Neufville. Foi republicado pelo portal UOL Mídia Gobal.

Brasil espera escapar da crise financeira graças a reservas recordes e à diversificação da sua economia

”Frente à crise financeira internacional, o Brasil vem dando mostras de uma bela serenidade.

Acima de tudo, o país se considera atualmente capaz de resistir aos perigos vindos do exterior. A 10ª economia do mundo - entre a do Canadá e a da Rússia - está vivendo um período muito favorável que inspira confiança tanto aos seus parceiros quanto a ela mesma. Além disso, o seu crescimento, robusto e equilibrado, ingressou num processo virtuoso.

O produto interno bruto (PIB) progrediu em 5,4% em 2007, contra 3,7% em 2006. Esta foi a segunda boa notícia do ano depois do anúncio, no final de fevereiro, de que o Brasil se tornara credor. O Brasil é a nação emergente que mais aumentou as suas reservas de câmbio em 2007. O nível das suas reservas - cujo montante tornou-se superior aos das suas dívidas externas, pública e privada - lhe garante um confortável colchão de divisas que o protege dos sobressaltos do mercado.

É o comércio exterior que vem puxando este crescimento. O mercado mundial, cujo protagonista mais dinâmico é a China, vem registrando fortes aumentos da demanda em produtos agrícolas e em matérias-primas, as quais o Brasil produz em abundância e que lhe garantem os dois terços dos seus dividendos: carne bovina, soja, minério de ferro e etanol, entre outros.

Diferentemente da Venezuela, cuja riqueza provém quase que exclusivamente do petróleo, o Brasil conseguiu diversificar as suas exportações. Ele também ampliou o leque dos seus clientes. Os Estados Unidos absorvem apenas 15% das suas vendas - o que equivale a pouco mais de 2% de seu PIB, não mais. Por comparação, o México vende 80% dos seus produtos ao seu vizinho do Norte. A China, por sua vez, compra 10% das exportações do Brasil - ou seja, cinco vezes mais do que dois anos atrás, e mais do que a vizinha Argentina.

Sob a coordenação do Banco Central, que atua de maneira autônoma e transparente, a instauração em 1999 de uma taxa de câmbio flutuante entre a moeda local, o real, e o dólar facilitou o controle da inflação, que foi reduzida para 4,5% em 2007. O real viu o seu valor duplicar em cinco anos em relação à moeda americana. Quanto à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a sua valorização foi multiplicada por dez desde 2002, registrando um aumento de 60% em 2007.

Dinamismo interno

Neste processo, o Brasil também passou a ser fortalecido por um dinamismo interno baseado num forte crescimento da demanda dos consumidores e das empresas. Em 1999, as taxas de juros haviam alcançado um recorde, de 45%. Atualmente, elas estão fixadas em 11,25%, ou seja, em 7% em termos reais. Uma taxa desta importância ainda seria enorme para muitos países, mas este não é o caso aqui. Esta redução drástica fez florescer o crédito e estimulou o consumo (+ 6,5%), sobretudo nos setores da construção civil, automobilístico e da informática.

A confiança do governo na boa evolução futura da economia vem sendo temperada por uma prudência legítima. Isso porque dois perigos estão se aproximando.

Em primeiro lugar, a balança das contas correntes registrou em 2007 um ligeiro déficit que foi provocado pela diferença - do simples para o dobro - entre as exportações e as importações. Para atenderem à demanda interna, as empresas aumentaram consideravelmente as suas importações a preços competitivos, graças à valorização do real, e venderam menos para o exterior, aonde as suas margens vêm sendo prejudicadas por esta mesma valorização da sua moeda. As autoridades brasileiras acabam de tomar medidas financeiras destinadas a estimular as exportações, e a tornar o país menos atraente para os capitais especulativos que estimulam a valorização do real.

A inflação constitui o segundo perigo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva a considera como a pior inimiga dos brasileiros mais pobres, dos quais ele diz defender a causa. O fato de ele ter controlado a inflação contribuiu para a sua reeleição em 2006 e permitiu-lhe redistribuir parte da riqueza para milhões de famílias, por meio de programas sociais. O chefe do Estado prefere apostar na meta de um crescimento mais modesto, que não traga embutido o retorno da inflação. Esta ameaça permanecerá contida enquanto o aumento dos investimentos for superior àquele da demanda, o que foi o caso em 2007. Contudo, os investimentos, que representam 18% do PIB, permanecem nitidamente inferiores àqueles registrados na China (40%) ou na Índia (35%).

Para tornar o seu crescimento duradouro, o Brasil precisará enfrentar problemas fundamentais cuja solução é tanto política quanto econômica. Ele precisará reduzir a dívida interna do Estado, promovendo apertos nas despesas públicas. Ele também precisará desenvolver as suas infra-estruturas, aliviar o seu sistema de impostos e simplificar a sua burocracia. Ou, em outras palavras, diminuir aquilo que os investidores aqui chamam de "o custo Brasil".”

ENTREVISTA DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES NA TV CULTURA, ONTEM À NOITE

O programa “Roda Viva”, da TV Cultura de São Paulo, ontem à noite, “entrevistou” (?) o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

Preparava-me para escrever sobre o que vi, mas descobri a tempo o ótimo texto de Eduardo Guimarães sobre a entrevista, publicado no seu blog “Cidadania.com”. Vou transcrevê-lo mais abaixo. Antes, alguns comentários.

O comportamento estereotipado dos “entrevistadores” foi ridículo, de tão típico da nossa grande mídia. Pareciam caricaturas.

Essa tipicidade da nossa imprensa está bem retratada hoje pelo jornalista Luiz Carlos Azenha no seu blog “Vi o mundo” (seção “Opinião”). Ele, no caso, especifica a TV Globo, mas o retrato se aplica a toda a grande mídia brasileira:

“A política externa defendida pela TV Globo é a dos Estados Unidos. Sem medo de errar: a TV Globo coloca os interesses do governo Bush acima dos interesses do governo brasileiro.

Porém, admitir isso publicamente pega mal com o público, especialmente num momento em que a emissora sente-se acossada pela concorrência. Como já escrevi mais de uma vez, a TV Globo vem tirando proveito de ocasiões especiais - Jogos Panamericanos, Copa América e logo mais Olimpíadas - para se vestir de verde e amarelo. Mas, se você tirar a casca, estão lá as cores dos Estados Unidos. Não é uma atitude de todos os jornalistas da emissora. É da cúpula, que reproduz no Brasil a rejeição de Washington aos governos que "não servem" na América Latina: os da Venezuela, Bolívia e Equador, entre outros.

Mas e se houver uma divergência séria entre o governo Lula e os Estados Unidos? Eu assino embaixo: a Globo apóia o governo Bush. A emissora não fará isso de forma descarada, pelos motivos que já expliquei. Fará de forma malandra. Distorcendo, manipulando e omitindo informações.”

Voltando ao “Roda Viva” de ontem. Achei hilariantes as longuíssimas exposições em altos brados (travestidas de “perguntas”) do entrevistador Demétrio Magnoli, não interrompidas pelo mediador. Exigia de Celso Amorim manifestações oficiais de defesa da invasão militar de Uribe, e posições duras do Itamaraty contra Chávez, as Farc, contra Cuba por violação dos direitos humanos na ilha. OBS.: Creio que o entrevistador confundiu-se com as violações desses direitos naquela ilha por parte dos EUA, na sua base em Guantánamo. Lá, os norte-americanos confinaram sem direito à justiça os suspeitos de insurgência seqüestrados em países que foram invadidos militarmente pelos EUA. Os tais combatentes revoltosos, rotulados de “terroristas”, lá são torturados, acorrentados e colocados em minigaiolas por muitos anos, muitos até a morte.

Os posicionamentos radicalmente pró-americanos (até pró-Espanha e contra o princípio da reciprocidade, no caso do representante do Estadão) eram longa e ardorosamente colocados por Eliane Catanhêde, Demétrio Magnoli e Lourival Sant’anna. Quando, ao final das extensas palestras dos citados entrevistadores, surgia uma frase sob a forma de pergunta, logo nas primeiras palavras de resposta do chanceler Celso Amorim, ele era mal-educadamente interrompido por um dos três ou pelos três... Tragicômico.

Não preciso me estender na descrição. O texto a seguir, de Eduardo Guimarães, retrata bem aquele programa de exposições de representantes da grande mídia, antes anunciado como sendo de entrevista a Celso Amorim:

“AMORIM NO RODA VIVA”

"A edição desta semana (de 24/03) do programa Roda Viva, da TV Cultura, recebeu o chanceler Celso Amorim. Para entrevistá-lo, como se poderia esperar de uma tevê supostamente pública, mas que foi transformada em arma política pelo atual governador de São Paulo, foi montada uma bancada de entrevistadores composta pelos mais representativos membros do dito PIG.

A bancada de entrevistadores abrigou a atuação hidrófoba de gente como Eliane Cantanhêde (Folha), Demétrio Magnoli (uma versão "hard" de Ali Kamel) e Lourival Sant'anna (Estadão).

Essas pessoas foram responsáveis por um programa que foi tudo, menos jornalístico. Dedicaram-se a tentar "encurralar" Amorim e, diante da falta de colaboração do entrevistado em se deixar colocar em tal situação, tornaram-se agressivos e passaram a usar a velha tática de fazer acusações e de não deixar o acusado falar.

Por vezes seguidas, Amorim pediu a Magnoli (que, de longe, foi o mais mal-educado) que o deixasse falar, porque não deixava. Fazia longas "perguntas" - que, na verdade, eram acusações à política externa do país -, no que era ouvido pacientemente pelo chanceler. Contudo, quando este tentava responder, era reiteradamente interrompido. Os três "jornalistas" supra mencionados usaram essa tática ao longo dos cerca de noventa minutos do programa.

Obviamente que se dedicaram a repetir a cantilena do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, e de George Bush, acusando Hugo Chávez e Rafael Correa de serem culpados da invasão do território equatoriano, porque apoiariam as Farc. Magnoli chegou a citar declarações de Chávez feitas no calor do conflito entre Colômbia e Equador, nas quais criticou duramente Uribe, e queriam porque queriam que Amorim acedesse à premissa de que o venezuelano interveio em questão interna de outro país.

Faltou presença de espírito a Amorim para perguntar aos que já não eram mais entrevistadores, mas debatedores, se as armas americanas usadas pela Colômbia na invasão do Equador e a postura do governo americano de apoiar a violação da fronteira equatoriana também não seriam intervenções em assuntos de outro país...

É compreensível. O chanceler brasileiro mal conseguia pensar. Os três prepostos do PIG usaram uma espécie de tática de bombardeio, por meio da qual desandavam a falar todos ao mesmo tempo, encobrindo a palavra do entrevistado do programa. Enquanto isso, o mediador não dizia uma palavra. Foi uma vergonha.

Apesar disso, no entanto, Amorim até que se saiu bem, dadas as condições de desigualdade em que foi colocado. O ministro das Relações Exteriores do Brasil não se intimidou e, dentro das possibilidades de que dispunha, enfrentou o massacre com galhardia.

O histórico do Roda Viva está cheio de casos semelhantes. Chega a ser ridículo que, quando o entrevistado é do governo Lula, não exija uma bancada de entrevistadores mais equilibrada e garantia de que seu direito à palavra será respeitado. Por conta disso, o telespectador passou a maior parte do programa ouvindo bate-bocas em vez de uma entrevista.

No caso em tela, Amorim, ao ver os nomes de seus entrevistadores, poderia ter exigido que um representante de uma Carta Capital, por exemplo, integrasse a bancada. E se não fosse atendido, ninguém o criticaria por se recusar a se expor a um bate-boca desigual de três contra um. Catanhêde, Magnoli e Sant'anna agiram de forma coordenada. E era possível ver como se divertiam com a situação.

O reiterado uso político da TV Cultura pelo governo tucano de São Paulo, é uma afronta. Deve haver alguma lei que garanta que uma tevê pública será usada de acordo com o interesse público e não de acordo com o interesse do grupo político que a controla. Vislumbro aí, na questão da tevê pública paulista, um manancial a ser explorado pelo Movimento dos Sem Mídia.”

segunda-feira, 24 de março de 2008

SANTOS-DUMONT E A FORÇA DO PENSAMENTO

Dr. NICOLELIS ESCOLHE SANTOS-DUMONT COMO SÍMBOLO PARA O CAMPUS DO CÉREBRO

Este blog já discorreu sobre o magnífico trabalho do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Foi no artigo “Notícias boas sobre o Brasil? Leia na imprensa estrangeira!”, postado em 23 de janeiro último.

Recordo o artigo, com o trecho extraído do “blog do Azenha”:

"PROJETO PIONEIRO DO BRASIL É CELEBRADO NO MUNDO MAS RECEBIDO COM FRIEZA EM CASA

“O doutor Miguel Nicolelis não precisa de promoção. Nem de holofotes. Ele é um dos principais neurocientistas do mundo. Na semana passada o New York Times deu a ele meia página de jornal.

Como cientista da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, o mais recente feito de Nicolelis foi conseguir transmitir a energia do pensamento de um macaco de um laboratório nos Estados Unidos para o Japão, onde essa energia mexeu um braço robótico. Você leu direito. O doutor Nicolelis trabalha com a "força do pensamento".

(...) “Ele vai apresentar, no Fórum de Davos, na semana que vem (29 jan), o projeto de educação científica que está desenvolvendo com dinheiro da iniciativa privada e em parceria com o governo brasileiro. Um projeto que ele define como "Ciência com missão social".

O projeto-piloto, que já funciona no Rio Grande do Norte, nos próximos três anos pretende levar educação científica a 1 milhão de crianças de escolas públicas brasileiras, que terão acesso a laboratórios dos quais nem mesmo as escolas privadas do país dispõem.

O projeto foi celebrado na edição mais recente da revista Scientific American, inclusive com a publicação de um editorial assinado pelo doutor Nicolelis com o presidente Lula. O editor da revista revelou surpresa com o interesse de um presidente da República pelo assunto, já que esse tipo de projeto não existe nem mesmo nos Estados Unidos”.

Ontem, 23/03/2008, li no site da revista Carta Capital um artigo do Dr. Miguel Nicolelis datado de 3 de março. Ele informa porque a entrada principal do Campus do Cérebro do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), em Natal (RN), será coberta por uma escultura representando um 14-Bis do século XXI. Santos-Dumont, para o Dr Nicolelis é o exemplo para que as gerações futuras de brasileiros jamais esmoreçam em seus desejos de vôos impossíveis.

Vejamos o artigo do Dr. Nicolelis:

“OUSAR É PRECISO”

Naquela tarde de ventos fortes de 19 de outubro de 1901, toda Paris parou para ver a realização daquilo que o mundo do início do século XX considerava a epítome do impossível. A bordo do seu dirigível Brasil VI, exatamente às duas e meia da tarde de um dia de outono que ficaria marcado para sempre na memória de milhões de pessoas mundo afora, o maior cientista brasileiro de todos os tempos, Alberto Santos-Dumont, decolou do Parque Saint Cloud em direção ao monumento mais imponente da capital francesa, a Torre Eiffel.

Carregando na mente o objetivo de contornar a torre e retornar ao ponto de partida em não mais de 30 minutos, Santos-Dumont deve ter se lembrado, por alguns segundos ao menos, dos meses de tentativas malsucedidas e acidentes, alguns quase fatais, que precederam aquela histórica decolagem.

Munido apenas de uma inesgotável dose de ousadia e um desejo insaciável de voar com e como os pássaros, esse filho de fazendeiro, nascido no interior de Minas Gerais, percorreu 11 infindáveis quilômetros para assombrar o mundo e ingressar no panteão dos heróis da humanidade como o ganhador do prêmio Deutsch de la Meurthe, a primeira grande honraria internacional da história da aviação.

Mas Santos-Dumont conquistou muito mais do que um prêmio ao voar ao lado dos pássaros franceses, que, meio atordoados, flutuavam nos céus de Paris sem entender bem o que se passava com aquela gente lá embaixo que, em delírio, insistia em atirar seus chapéus ao ar, cantando a ‘Marseillaise’.

Ao tocar as fronteiras do impossível e arrastá-las sem hesitação para o território do factível, do realizável, Santos-Dumont conquistou um lugar ímpar na saga da construção da nação brasileira, aquela que um dia ainda vai decidir honrá-lo com a devida pompa e circunstância que só um verdadeiro herói nacional merece receber. Pois Santos-Dumont, ao contornar a Torre Eiffel, realizou algo muito pouco comum na história do nosso País.

Ele cumpriu a palavra empenhada.

Sem nuanças, sem meio-termo, sem deixar dúvida alguma do resultado final. Santos-Dumont não se conformou só em prometer que iria voar. Ele sabia que o sonho prometido e não realizado não condena apenas o seu sonhador, mas fornece munição preciosa àqueles que há muito renunciaram aos seus próprios sonhos e, como tal, não podem permitir que outros voem.

Assim, Santos-Dumont também decolou naquela tarde parisiense para permitir que gerações futuras de brasileiros jamais esmorecessem em seus desejos de um dia realizarem seus vôos impossíveis, sejam eles quais forem.

Por essa razão, a entrada principal do Campus do Cérebro do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS), a ser construído na pequena cidade de Macaíba, na periferia da capital do Rio Grande do Norte, será coberta por uma maravilhosa escultura, representando um 14-Bis do século XXI. Todas as manhãs, milhares de crianças passarão debaixo dessa escultura a caminho da Escola Lygia Maria Laporta do IINN-ELS.

A esperança de todos os envolvidos nesse projeto é que, ao cruzarem a sombra desse grande pássaro brasileiro, esculpido em metal, plástico e história, todas essas crianças, dia após dia, construam seus sonhos impossíveis e imaginem como será o grandioso momento em que, finalmente, eles também poderão voar, livres como pássaros, rumo ao desconhecido e maravilhoso mundo da realização humana plena. Como Santos-Dumont, nosso exército de sonhadores, que já conta com mil voluntários, vai carregar consigo olhos brilhantes, cheios de ousadia e vontade de contribuir para o futuro do País.

Na semana do passamento da dívida externa brasileira, aquela mesma que durante tanto tempo soterrou os sonhos de toda uma geração de brasileiros, está na hora de olhar para o céu e começar a planejar a decolagem que vai fazer com que filhos e filhas do Brasil voltem a voar e assombrar todo o mundo.

Não há mais tempo a perder. Ousar é preciso.

O Cruzeiro do Sul, que jamais teve o privilégio de ver Santos-Dumont voar, espera ansioso pela visita de cada um de nós.”

ENTREVISTA DO PRESIDENTE LULA PARA A TV GAZETA

O portal “Folha Online” de hoje, 24/03/2008, publica trechos da entrevista concedida há poucos dias pelo presidente Lula à jornalista Maria Lydia, apresentadora do programa “Em Questão” da TV Gazeta. Apesar de a Folha, como antiLula, pinçar trechos e colocá-los entre aspas de acordo com o seu interesse oposicionista, ainda assim o artigo da Folha Online é bem interessante. Transcrevo:

"Trabalho com muita vontade para fazer sucessor", diz Lula

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que trabalha com muita vontade para fazer sua sucessão na Presidência nas eleições de 2010. "Se alguém acha que, pelo fato de que não sou candidato, não vamos ganhar as eleições, pode começar a se preocupar. Eu estou trabalhando com muita vontade de fazer minha sucessão."

Em entrevista à jornalista Maria Lydia para o programa "Em Questão", da Gazeta, o presidente ressaltou que é contra a reeleição e que vai lançar um candidato para sua sucessão. "Sou contra o terceiro mandato. Mais do que ético, é um valor democrático. A gente não pode brincar com a democracia. [Em 2006], fui candidato porque a lei [que permitiu a reeleição] foi aprovada. Mas não fui eu quem a aprovou", disse.

"Eu não tenho candidato porque eu trabalho com a seguinte idéia: acho que a base que sustenta o governo hoje tem que lançar uma candidatura", completou. Lula aproveitou para negar uma aliança com o PSDB na eleição de 2008.
"Acho impossível. Teoricamente, era para o PT ter uma belíssima relação com o PSDB. Eu tenho boa relação com Serra, com Aécio, com todos os governadores do PSDB. Trato eles com o maior carinho. Eu estou fazendo com o Serra o que o [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso não fez com [o ex-governador] Mário Covas. Não há possibilidade de não sermos amigos de quem está governando."

Reforma tributária

O presidente foi questionado sobre a proposta de reforma tributária. "A reforma tributária não é um projeto do governo. Quero que a reforma seja encarada como necessidade de civilizar o Brasil, de fazer com que diminua a carga tributária e aumente a arrecadação", afirmou.

Contudo, é difícil "contentar 27 governadores, 6 mil prefeitos, deputados e empresários", se referindo à tramitação da proposta no Congresso.
A oposição defende que a reforma tributária seja votada no primeiro semestre, mas cobra do governo a redução no número de medidas provisórias (MPs) para viabilizar a discussão da reforma.

Questionado sobre as MPs, Lula defendeu seu uso, mas aceitou as críticas do Congresso de que elas trancam a pauta e dificultam a atuação do Legislativo. "Quem estiver na cadeira de presidente, vai adorar as MPs, porque quando aprovada, ela passa a valer", afirmou.

"Eu quero que o Congresso encontre a melhor forma [de trabalho] para que o governo não precise editar medida provisória. Estou convencido de que o Congresso está correto quando defende o direito de ter liberdade legislativa, mas é preciso achar o ponto de equilíbrio."
"Em 2001, o pessoal entendeu que trancar a pauta resolvia um problema [no legislativo]. Sete anos depois, entenderam que isso não resolve mais o problema", completou Lula.

Economia

O presidente falou bastante sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e sobre a atual situação econômica do país. "O Brasil está na situação mais confortável do que já esteve em sua história. O Brasil quase quebra duas vezes [ obs deste blog: ‘no governo PSDB/PFL’]. Estamos com uma séria solidez. Nós temos quase US$ 200 bilhões de reservas", afirmou.

Ele se referia à situação de credor externo à qual o Brasil se converteu. No começo do mês, os ativos em moeda estrangeira do país, basicamente as reservas internacionais, superaram toda a dívida externa brasileira. Segundo estimativa do Banco Central, a dívida total para o mês passado era de US$ 196,2 bilhões.

"O brasileiro está vivendo um momento de auto-estima que há muito tempo não vivia. As pessoas estão adquirindo poder de compra. As pessoas estão consumindo. Isto me deixa feliz."

"Estamos fazendo o que deveria ser feito na década de 1950, de 1960. O Brasil sempre foi governado para um pequeno pessoal, mas nós queremos priorizar a grande massa da população."

Lula disse que "quando ganhamos eleições, acharam que o Brasil ia quebrar. Hoje, o Brasil cresce 5,4% no PIB (Produto Interno Bruto). O emprego tem recorde a cada mês. Nós pagamos o FMI", completou.

No fim da entrevista, Lula agradeceu e revelou o que pretende fazer quando deixar a Presidência. "Estou pedindo a Deus para esse dia chegar. Não vou parar de fazer política, está no meu sangue. Mas não quero mais aquela militância que tive na construção do PT", afirmou. "Que Deus ajude quem vier depois de mim e que faça muito melhor."

SURPREENDENTE MEA CULPA DE INTEGRANTE DA GRANDE IMPRENSA DE DIREITA

Um artigo de Fernando Barros e Silva publicado hoje no jornal tucano Folha de São Paulo me surpreendeu. Deve haver uma jogada inteligente no ar, que eu não percebi.

As diretrizes “conservadoras” (radicais de direita) propagadas intensamente pela grande mídia brasileira há 18 anos não podem mudar de uma hora para outra, assim sem mais nem menos. Elas são impostas de fora para dentro do Brasil por fortíssimos interesses financeiros e econômicos. Elas eram e continuam muito fortes para, de repente, surgir no referido jornal tucano um artigo com arroubos de franqueza. Logicamente, ainda há resquícios de antilulismo no artigo, mas isso é natural. Um lobo sempre será um lobo, mesmo vestido de pele de cordeiro. Mas o conteúdo principal do artigo me é inesperado. Há algo estranho no ar.

Transcrevo o texto da Folha que me causou perplexidade e curiosidade em saber qual o seu real significado. Ainda não o descobri. Tomei a liberdade de colocar em negrito algumas expressões de franco reconhecimento de erros da tradicional postura da nossa grande imprensa.

A DIREITA E O LULISMO

”São Paulo - A chegada de Lula ao poder seguida da ruína moral do petismo serviu de trampolim para impulsionar uma nova direita no país. É um fenômeno de expressão midiática, mais do que propriamente político. Está disseminado em jornais, sites, blogs, nas revistas. E deve sua difusão aos falcões do colunismo que se orgulha de parecer assim, estupidamente reacionário.

Mesmo que a autopropaganda seja enganosa e oculte que até ontem o conservador empedernido de hoje comia no prato da esquerda, que é só um "parvenu", um espertalhão adaptado aos tempos -ainda assim, temos aqui uma novidade.

Essa direita emergente já formou patota. Citam uns aos outros, promovem entrevistas entre si, trocam elogios despudorados. Praticam o mais desabrido compadrio, mas proclamam a meritocracia e as virtudes da impessoalidade; são boçais, mas adoram arrotar cultura.

É uma direita ruidosa e cínica, festiva e catastrofista. Serve para entreter e consolar uma elite que se diz "classe média" e vê o país como estorvo à realização de seu infinito potencial. Seus privilégios estão sempre sob ameaça e agora a clientela de Lula veio azedar de vez suas fantasias de exclusivismo social.

Invertemos a fórmula de Umberto Eco: enquanto a direita anuncia o apocalipse, os integrados, sob as asas do lulismo, são testemunhas vivas do fiasco do pensamento de esquerda neste país. Não me lembro de ter visto antes a mídia estampar com tanta clareza os passos da regressão social de que participa.

Do lado oficial, há um ambiente paragetulista de cooptação e intimidação difusas, se não avesso, certamente hostil às liberdades de expressão e de informação.

Na outra ponta, um articulismo de oposição francamente antinordestino e preconceituoso, coalhado de racismo e misoginia, que faz do insulto seu método e tem na truculência verbal sua marca. Deve-se a ele o retorno da cultura da sarjeta e do lixo retórico, vício da imprensa nativa que remonta ao Império, mas que havia caído em desuso.”

CPI DOS CARTÕES: A RETIRADA TÍPICA APÓS O TIRO SAIR PELA CULATRA

A estratégia de recuo da oposição, após o tiro da CPI dos cartões corporativos sair pela culatra, já foi colocada em prática.

Já havia prenúncios de reviravolta desde o início. Logo após os primeiros momentos de eufórica ilusão de conseguirem um novo escândalo contra o governo Lula, começaram a aparecer irregularidades com cartões em governos tucanos (Serra e outros) em proporções muito maiores dos que as apontadas pela oposição contra Lula.

Quando a oposição pensava em somente investigar o atual governo, a CPI estabeleceu como escopo também investigar o correspondente aos cartões no governo FHC/PSDB/PFL (as contas tipo B). Há muito tempo, já é notório que o faustoso comportamento e os grandes gastos palacianos dos tempos FHC ofuscam o estilo mais simples de Lula.

Um plano de retirada honrosa teve que ser desencadeado.

Como primeiro passo, a revista Veja esta semana lançou uma reportagem dentro das suas características tradicionais.

O blog do Nassif de hoje descreve bem o estilo Veja, com texto do site “O Vermelho”. Transcrevo trechos:

”MAIS UM FACTÓIDE”

“A revista Veja soltou em sua edição deste final de semana mais uma de suas "criativas" reportagens, que trazem documentos obtidos de fonte não revelada e que a revista diz, sem apresentar uma mísera prova, ter sido o governo quem preparou.

Com a "denúncia", a revista tenta alcançar três objetivos: transformar a corrupção do governo FHC em mera chantagem petista; forçar a CPI dos Cartões a entregar para a imprensa os dados sigilosos da Presidência da República e desgastar a imagem da ministra Dilma Roussef, da Casa Civil.

A revista, famosa por inventar reportagens inverídicas e trabalhar com documentos de origem duvidosa, alega que teve acesso a um suposto dossiê que teria sido preparado pelo governo para intimidar a oposição na CPI dos Cartões Corporativos. O suposto dossiê traz informações sobre os gastos com suprimento de fundos durante o governo Fernando Henrique. Cita gastos com caviar, champagne, viagens e outras futilidades que são citadas apenas para escamotear o real objetivo da reportagem: acusar o governo Lula de chantagista.

(...) Já sobre o suposto dossiê, a revista diz com todas as letras que o documento ao qual teve acesso foi "construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação". Mas não apresenta nenhuma mísera prova ou indício para sustentar estas afirmações.

(...) A maior parte das informações "reveladas" por Veja sobre os gastos da gestão FHC já foram divulgadas em outros veículos de comunicação nas últimas semanas. O suposto dossiê pode, portanto, ter sido uma invenção da própria revista com dados colhidos na imprensa, no Portal da Transparência e até mesmo com funcionários do governo que tiveram acesso a estas informações. A Veja sabe, de experiência própria, que informações podem ser compradas. O dossiê, se é que existe, pode ainda ser obra de pessoas interessadas em desgastar o governo.

Infelizmente, a revista usa a legislação que protege suas fontes para esconder quem "vazou" as tais informações que a Veja alega ser um dossiê preparado pelo governo. Esta informação poderia ajudar o Ministério Público a descobrir se houve realmente intenção de chantagear a oposição.”

Por fim, utilizando os pontos-de-apoio plantados pela Veja, vem a fase da honrosa retirada estratégica, bem amparada por um serviço eficiente de relações públicas por parte da grande mídia. Tudo como planejado pelo PSDB e DEM para saírem bem dessa arapuca em que se meteram, para saírem como nobres e arrogantes “vítimas da má-vontade dos partidos da base do governo em avançar as apurações”.

O referido serviço de apoio aos tucanopefelistas da grande imprensa já está em execução. Por exemplo, o “Blog do Josias” da Folha de São Paulo, em matéria publicada há pouco, transmite:

“PSDB JÁ PREPARA O DESEMBARQUE DA CPI DOS CARTÕES”

“O tucanato discute reservadamente a hipótese de abandonar a CPI dos Cartões. Aguarda apenas a concretização de um pretexto. Ele virá, imaginam os dirigentes do PSDB, na resistência dos parlamentares que integram o consórcio governista em permitir que as apurações avancem em direção aos gastos secretos do Planalto.

Há na comissão requerimentos que exigem da presidência da República a abertura das despesas relativas a Lula e aos familiares dele. São números que o governo classifica como “sigilosos”. E que o relator da CPI, o petista Luiz Sérgio (RJ), não parece interessado em perscrutar.

Presidente da CPI, a senadora tucana Marisa Serrano (MS) adiou, propositadamente, a votação dos requerimentos controversos. O tema resurgiu, porém, com a veiculação de um dossiê supostamente organizado dentro do Planalto. Veio à luz nas páginas de Veja. Contém despesas de FHC, da ex-primeira dama Ruth Cardoso e de ex-ministros da era tucana.

Em movimento já insinuado pelo líder Arthur Virgílio (AM), o tucanato exigirá nesta semana, agora com mais ênfase, a abertura dos extratos de Lula e sua equipe. Há no PSDB a convicção de que os parlamentares que sustentam as posições do governo na CPI cuidará para que os requerimentos não sejam aprovados.

Será a senha para o desembarque do PSDB. Em conversa com o repórter, um dirigente tucano resumiu assim a estratégia do partido: “Devemos nos retirar logo que a gente possa explicitar para todo mundo que não é possível fazer a investigação. Temos que deixar claro para a opinião pública, de forma organizada e inquestionável, que não dá para investigar. Algo que, não tenho dúvidas, vai acontecer. Eles não desejam permitir que a apuração avance.”

domingo, 23 de março de 2008

REAGRAVA A CRISE DIPLOMÁTICA ENTRE EQUADOR E COLÔMBIA

O jornal equatoriano “El Comercio” de hoje publicou artigo (ver a seguir) que relata a possibilidade de novo agravamento da crise entre o Equador e a Colômbia, caso se confirme que as forças invasoras colombianas mataram um equatoriano na incursão de 1º de março.

Las fricciones entre Ecuador y Colombia se complican más

“El Presidente anunció ayer una “lucha diplomática” si se verifica que un ecuatoriano murió el 1 de marzo. Anticipó que de ser necesario recurrirá de nuevo a la OEA.

La crisis entre Ecuador y Colombia corre el riesgo de complicarse, si se comprueba que un ecuatoriano murió el 1 de marzo, en la operación colombiana en la que falleció el número dos de las FARC.

Ayer, el presidente Rafael Correa advirtió a Bogotá que emprenderá una nueva “lucha diplomática” si se verifica que el supuesto cuerpo del guerrillero ‘Julián Conrado’ pertenece al cerrajero ecuatoriano Franklin Aisalia. El 1 de marzo, el Gobierno colombiano había dicho que en ese operativo también cayó ‘Conrado’, aunque luego dijo que el cadáver no correspondía a la fisonomía del guerrillero.

“De confirmarse la situación sería más grave, ahí sí vamos a empezar otra lucha diplomática tremendamente fuerte, porque no dejaremos ese asesinato en la impunidad”.

En ese sentido, Correa anticipó que el Ecuador recurriría nuevamente a la OEA, para que actúe de forma “contundente”. “ Ese precedente no lo vamos a permitir que se siente en la región, peor en nuestra patria”. El argumento para pedir la eventual intervención del organismo continental es que aparentemente un ecuatoriano fue asesinado en Ecuador por una fuerza militar extranjera.

Por ello, el Jefe de Estado anunció que hasta que no se aclare la situación de Aisalia, la reapertura de las relaciones diplomáticas entrará en un compás de espera.

En ese marco, la próxima semana, los familiares de Franklin Aisalia se trasladarán a Bogotá. Según un reporte publicado ayer por
diario El Tiempo, llevarán las huellas dactilares y muestras de ADN de Aisalia para confrontarlas con la información de autoridades colombianas. “No hay ninguna duda, es mi hijo”, fue la expresión de Guillermo Aisalia, padre de Franklin Aisalia, un cerrajero que vivía en el norte de Quito.

El reconocimiento de la familia fue posible al ver unas fotografías del cadáver, que fue trasladado a Bogotá junto al cuerpo de ‘Raúl Reyes’, al que en un principio se identificó como el de ‘Julián Conrado’, el cantante de las FARC.

Marco Molina, tío de Franklin, agregó que no tiene duda de que se trata de su sobrino y que lo único que desean es repatriar su cuerpo para darle sepultura.

De esta forma, a pesar de que Ecuador ya dio por superada la crisis diplomática, ya son dos las condiciones que ha fijado para dar paso a la normalización de relaciones con Bogotá. A la investigación del caso de Aisalia se suma la exigencia para que el gobierno de
Uribe ponga punto final a la supuesta campaña de descrédito internacional contra Correa. Específicamente, que la Casa de Nariño deje de filtrar datos de las supuestas computadoras de ‘Raúl Reyes’, que vinculan a funcionarios ecuatorianos con las FARC.

De hecho, el Primer Mandatario reiteró ayer que mientras no concluya la supuesta campaña de descrédito, el restablecimiento de relaciones diplomáticas estará en punto muerto. “Mientras siga esa campaña de desinformación del Gobierno colombiano nosotros no reanudaremos relaciones diplomáticas, venga la OEA, venga quien le dé la gana, no reanudaremos relaciones con Colombia”.

Las advertencias formuladas ayer por el presidente Correa aumentaron la tensión entre lQuito y Bogotá, que subió de tono el viernes.

Ese día, según Radio Caracol y la Agencia Bolivariana, el embajador ecuatoriano en Colombia, Francisco Suéscum, acusó a militares colombianos de realizar montajes para ocultar asesinatos de ecuatorianos en la zona de frontera. Sin embargo, ayer, Suéscum negó que haya acusado a las fuerzas de seguridad de Colombia por supuestos casos de secuestro y de asesinato de ecuatorianos para presentarlos como rebeldes de las FARC. “Hay alguien interesado” en que se profundice la situación, señaló el diplomático, según un despacho de EFE.”

COMISSÃO INTERNACIONAL DE ARBITRAGEM DÁ VITÓRIA À CHÁVEZ

A revista Carta Capital que chegou nas bancas este fim-de-semana publicou o atigo abaixo transcrito, sobre a vitória, na Inglaterra, da estatal venezuelana PDVSA sobre a norte-americana EXXON MOBIL na Comissão Internacional de Arbitragem.

"CHÁVEZ VENCE A EXXON"

"O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, obteve, na terça-feira 18, o que se pode chamar de vitória em campo inimigo. Uma comissão internacional de arbitragem constituída na Inglaterra deu ganho de causa à PDVSA em uma disputa bilionária contra a gigante americana Exxon Mobil.

Com a decisão, 12 bilhões de dólares em recursos da estatal venezuelana foram descongelados. O dinheiro estava bloqueado desde janeiro, quando a maior empresa de petróleo do mundo obteve uma liminar na ação que questionava a legalidade da nacionalização de projetos de exploração.

Chávez ameaçou, no mês passado, interromper as exportações de petróleo para os Estados Unidos e elevar os impostos pagos pelas empresas estrangeiras do setor, mas derrotou a Exxon com base em uma premissa legal: a PDVSA não mantém qualquer tipo de ativo na Inglaterra, onde a ação foi proposta. O argumento foi aceito pelo juiz Paul Walker, que disse não ver nenhum motivo para a disputa ser decidida naquele país.

As regras de comercialização do petróleo na Venezuela não foram alteradas, mas a briga é apontada como um dos fatores que contribuíram para o preço da commodity ter ultrapassado a casa de 110 dólares o barril. E a Exxon promete mais combustível para a turbulência no mercado, ao dar a entender que não considera a batalha liquidada. “A Corte não questionou os méritos do nosso pedido”, afirmou um porta-voz da Exxon, famosa por se envolver em intermináveis contendas judiciais. Uma ação similar, segundo a empresa, corre paralelamente na Holanda e nas Antilhas Holandesas.

A Venezuela fornece cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo diários aos EUA, atrás apenas do Canadá e da Arábia Saudita. A PDVSA, por sua vez, representa a principal fonte de receita internacional do governo Chávez. O ministro do Petróleo venezuelano e presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, afirmou que o país pretende mover uma ação judicial contra a Exxon."

A CRISE [DOS EUA] É ADMINISTRÁVEL

A revista CARTA CAPITAL distribuída nas bancas este fim de semana traz o bom artigo de Delfim Netto sobre os reflexos no Brasil e no mundo da crise econômico-financeira dos EUA.

A CRISE É ADMINISTRÁVEL

"A economia mundial vive um momento de grande incerteza. Não existe nenhuma segurança de que o problema dos subprimes não seja apenas a ponta de um iceberg, cuja dimensão, velocidade e direção são desconhecidas.

Mais uma vez, a economia real recebe um choque externo poderoso, vindo do setor financeiro. Suas conseqüências não são fáceis de medir, mas a origem está na própria forma de funcionamento daquele setor, que tem desenvolvido, com inteligência e imaginação extraordinárias, um tremendo arsenal de veículos financeiros que se destinam a reduzir e a distribuir os riscos.

A lógica econômica sugere que:

1. No limite, quando tiverem êxito e eliminarem o risco, o lucro final desse malabarismo papeleiro deve ser zero.
2. Paradoxalmente, enquanto ele não termina, seus agentes têm incentivos enormes e se apropriam de benefícios concretos e antecipados da venda aos incautos, de forma eficiente e irresponsável, de papéis com rendimento positivo, mas supostamente sem riscos produzidos pelo milagre da multiplicação dos derivativos.
3. Nem as agências oficiais nem as agências privadas supostamente classificadoras de riscos sabem o que se fez em nome da liberdade operacional.

Os bancos centrais, surpreendidos com tais resultados, tateiam no escuro. Procuram, por meio do fornecimento de ampla liquidez e a redução da taxa de juro interbancário, acomodar os prejuízos ainda não conhecidos e tentam impedir uma expressiva redução do crédito ao setor real, cujas taxas de juro se descolaram das oficiais.

A situação é complicada, porque há uma ameaça inflacionária, o que, eventualmente, exigiria um aumento da taxa de juro. Parece, entretanto, cada vez mais evidente que o crescimento do PIB e a manutenção do emprego aumentaram o seu peso na função da decisão dos bancos centrais. Isso sugere que o ajuste se dará, no setor privado, com um aumento do custo marginal do crédito (e da inflação) e o descolamento das taxas oficiais de juro do mercado. Em uma palavra, provavelmente, haverá uma tolerância maior à inflação e uma intolerância maior à redução do crescimento do PIB e do emprego.

(...) Em todas (as regiões do mundo) registra-se a perspectiva de alguma redução com relação a 2007, mas nada dramático. Do ponto de vista da inflação, a diferenciação se fará pela importância do consumo de alimentos na renda (EUA, em torno de 10%; China, 30%; emergentes, 35%; África, 50%; e Brasil, 22%). A taxa de inflação será um pouco maior em 2008, mas nada trágico.

Em paridade do poder de compra, o Economist Intelligence Unit estima as participações de cada uma das nove regiões no crescimento da economia mundial em 2008.

As economias desenvolvidas (EUA, Europa e Japão) contribuem com menos de 43% do crescimento mundial. O bloco asiático (sem o Japão) responde por 37%. Os outros, inclusive o Brasil, adicionam 20% ao crescimento mundial. Para comparação, um aumento de 1% do PIB chinês eleva o PIB mundial em 0,22%, e um crescimento de 1% no PIB brasileiro aumenta o PIB mundial em 0,03%.

Uma redução de 1,5% no PIB americano, de 1% no PIB europeu e japonês, e de 0,5% em todos os outros diminuirá o PIB mundial em menos de 0,8%, significativo, mas não destruidor.

Na ausência de um crash americano (pouco provável com a atual política fiscal e monetária), a situação parece administrável, ainda que tenha custos respeitáveis."

SEMELHANÇAS ENTRE OS AMERICANOS NO IRAQUE E OS CHINESES NO TIBETE

Artigo de Claudia Antunes, da Editora de Mundo, publicado na Folha de São Paulo de hoje.

IRAQUE, TIBETE E O DISCURSO DA “MISSÂO CIVILIZATÓRIA

Como os chineses e os americanos ignoram a história e culpam os alvos por seu fracasso

POR QUE OS ESTADOS UNIDOS INVADIRAM O IRAQUE?

Cinco anos depois, não há consenso sobre uma única motivação, embora observadores de diferentes matizes ideológicos apontem aqui e ali uma série de razões objetivas.

Entre elas, a força do lobby das empresas petrolíferas e o objetivo vital para os EUA de assegurar o acesso às reservas do Oriente Médio; o temor genuíno [?] que Saddam Hussein estivesse ‘produzindo armas químicas ou biológicas que seriam usadas contra aliados americanos na região’; o afã de completar o trabalho, inconcluso na Guerra do Golfo, de exterminar um ex-aliado incômodo; a influência dos demais lobbies, dos armamentos às empresas de "reconstrução".

Mas a decisão de ir à guerra não pode ser compreendida fora da situação histórica que deu origem ao acesso cego de "arrogância imperial" - expressão que pipocou nos Estados Unidos quando a invasão começou a dar errado e o país se deu conta de que o momento excepcional que havia vivido nos anos 90 já estava passando.

Hiperpotência

Como se sabe, os EUA entraram na última década do século 20 como a "hiperpotência" -palavra cunhada, não sem certo despeito, por um chanceler francês-, depois de sua vitória na Guerra Fria. No "momento unipolar", a influência americana cresceu sem obstáculos.

Nos dois mandatos do democrata Bill Clinton, a Otan e a União Européia foram ampliadas para o Leste Europeu e o Báltico, antiga esfera de influência soviética; a América Latina, livre da polarização da Guerra Fria, se democratizou e aderiu à "receita única" na economia; ditadores anticomunistas que tinham apoio americano, como o indonésio Suharto, puderam ser descartados sem maiores conseqüências; uma intervenção sem autorização da ONU contra a recalcitrante Sérvia foi no final julgada legítima; o próprio Iraque, sob embargo desde a guerra de 1991, nunca deixou de ser alvo de bombardeios "limitados".

A perspectiva, como dizia o projeto dos neoconservadores que viriam a formar o núcleo da diplomacia e da defesa no governo Bush, era a de um novo século americano. Mas, para isso -e lançando mão de conceitos que, na elite da política externa dos EUA, haviam sido forjados pela ala à esquerda-, era preciso acelerar a história, ampliar o "espaço liberal-democrático". Os que aderissem seriam sócios da nova ordem; os que resistissem seriam tratados como bárbaros.

Leninistas [da direita]

O sociólogo Francis Fukuyama, que foi um dos apoiadores da invasão do Iraque, descreveu mais tarde esse grupo como os "leninistas" da direita, a vanguarda de uma revolução armada em nome do liberalismo.

Uma frase tardia que expressa bem essa disposição revolucionária coube à secretária de Estado Condoleezza Rice, quando disse que a guerra entre Israel e o Hizbollah em 2006 -com os EUA e o Irã como contendores em segundo plano- fazia parte das "dores do parto" de um novo Oriente Médio, à imagem da democracia americana.

Para além, então, de razões objetivas - que provavelmente levarão os EUA a permanecer no Iraque por bastante tempo-, a decisão de invadir foi embalada por esse clima, e potencializada, na opinião pública americana, pelo afã patriótico pós-11 de Setembro.

Os alertas sobre as experiências precedentes dos colonialistas britânicos no Iraque foram ignorados ou não serviam como analogia, pois vivia-se, afinal, um novo tempo.

A partir de 2005, quando a situação no Iraque se tornou de fato sangrenta, o lamento que mais se ouvia nos Estados Unidos era o de que, sim, nós fizemos tudo o que era possível, mas os iraquianos não colaboram, eles não estão preparados para a democracia.

O país conheceu da pior maneira - e tarda a admití-lo - uma realidade que é tanto do século 21 quanto dos séculos que o precederam desde a formação dos nacionalismos: as pessoas não querem pagar o preço de ser "libertadas" por outrem; se o aceitam, é quase sempre de maneira provisória.

Paixões e interesses

[SEMELHANÇA ENTRE A EXPERIÊNCIA AMERICANA NO IRAQUE E A CHINESA NO TIBETE]

Nesse ponto, é notável a semelhança entre a experiência americana no Iraque e a chinesa no Tibete. Lá também os comunistas reivindicaram uma "missão civilizatória" contra a teocracia budista que, no período de independência, entre 1912 e 1950, mantinha a população em servidão, desconhecendo mesmo a chegada da modernidade capitalista.

Agora, com a explosão da revolta de uma nova geração de tibetanos, os chineses voltam a bradar contra os "ingratos" representantes do atraso. E provavelmente -como os EUA no Iraque- ali permanecerão em função de seus interesses.

Num artigo de 2004 para a "New York Review of Books", intitulado "Sonhos de Império", o historiador britânico Tony Judt escreveu que, mesmo que ficasse demonstrado que a hegemonia americana -ou chinesa, no caso tibetano- é boa para todo o mundo, "seus supostos beneficiários a rejeitariam".

Judt cita, a propósito, uma frase presciente do filósofo conservador -e realista- francês Raymond Aron: "É uma negação da experiência do nosso século [o 20, no caso] supor que os homens sacrificarão suas paixões por seus interesses". Parece valer para "libertadores" -mesmo quando proclamam agir em nome da razão- e para "libertados" igualmente”.

sábado, 22 de março de 2008

FATOS MUITO ESTRANHOS NA GUERRA DOS EUA CONTRA O AFEGANISTÃO

CONTINUAÇÃO DA SÉRIE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”

RETROSPECTIVA

Até este momento, foram postados os seguintes artigos:

1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;

2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, de 11 de março;

3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, de 12 de março;

4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. Também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008; postado em 15 de março;

5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo postado em 17 de março;

6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;

Hoje, continuaremos com:

A GUERRA DOS EUA CONTRA O AFEGANISTÃO

Já era conjecturado pela imprensa, nos EUA e no exterior, muito antes do ataque terrorista de 11/09/2001 às torres gêmeas de Nova Iorque, que o Afeganistão seria invadido por tropas norte-americanas em futuro próximo.

O PETRÓLEO

Um dos motivos desse ataque prenunciado foi o fato de a região da Ásia Central abrangida pelos países Azerbaijão, Cazaquistão, Usbequistão e Turcomenistão ter sido identificada como possuindo reservas de petróleo e gás maiores que as do Golfo Pérsico.

Os EUA já haviam ajudado, com interesse na área, o regime Taleban e Osama Bin-Laden a combaterem a União Soviética no Afeganistão, país vizinho àquela rica região petrolífera e caminho natural para o melhor escoamento da futura produção petrolífera.

O Afeganistão é importantíssimo como solução geográfica mais barata para o transporte daquelas riquezas. Será muito menos custoso passar oleodutos e gasodutos por seu território, até o porto na área marítima do Paquistão junto ao Oriente Médio, do que a solução manifestada pelos russos, de estendê-los até o Mar Negro.

Segundo a imprensa, vários grupos dos EUA (Chevron, Conoco, Texaco, Mobil Oil e Unocal) já estavam na década de noventa com negociações e investimentos adiantados no Afeganistão para aquela exploração.

O regime afegão Taleban, todavia, veio a se negar a autorizar a passagem pelo Afeganistão do oleoduto e do gasoduto, os quais já estavam iniciados pela empresa norte-americana Unocal. Essa negação causou a interrupção da obra em 1998. Naquele ano, em 20/08/1998, de surpresa, à noite, os EUA atacaram com mísseis de cruzeiro e aviões uma região daquele país “suspeita de abrigar possíveis terroristas”. Esse ataque já foi mencionado no artigo desta série “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros” de 15 de março.

Desde então, volta e meia surgiam artigos em jornais e revistas, em várias partes do mundo, abordando novo e iminente ataque militar dos EUA ao Afeganistão. Talvez, o ataque terrorista de 11/09/2001 em Nova Iorque tenha sido o valioso e oportuno pretexto para aquela esperada e planejada ação militar norte-americana.

COISAS MUITO ESTRANHAS - O NARCOTRÁFICO

Nem tudo, no entanto, era assim facilmente previsível ou imaginável. Sempre achei que havia no ar coisas muito estranhas, incoerentes. Muitas delas até hoje perduram ou se repetem. E ainda não as compreendo.

Por exemplo: o regime Taleban baniu do Afeganistão o cultivo do ópio, do qual é extraída a heroína. A produção caiu a zero em julho de 2001, dois meses antes do atentado às torres gêmeas de Nova Iorque. O comércio mundial daquele produto, que somente nos EUA move mais de dois bilhões de dólares por ano, ficou arrasado, com preços disparando, inviabilizando a sua comercialização e causando o desespero dos seus comerciantes e dos consumidores, principalmente norte-americanos. Em 2008, o comércio de narcotráfico (heroína e outros) movimenta 1,75 trilhões de euros no mundo.

Alguns meses depois da invasão norte-americana, na caça ao terrorista Bin Laden, os EUA devastaram com poder impressionante o Afeganistão, com milhões de toneladas de bombas e mísseis moderníssimos. Até o seu subsolo, suas cavernas, suas montanhas foram explodidos por novas e poderosas bombas que tudo esfarinhavam como um grande terremoto.

Aquele país atacado, cujos progresso e infra-estrutura o assemelhavam ao interior do Piauí, e o seu centro comercial era semelhante a uma feira livre da periferia de Caruaru, foi completamente destroçado, com dezenas de milhares de civis afegãos mortos. Até hoje, está totalmente ocupado pelas numerosas, modernas e poderosíssimas Forças Armadas dos EUA e de seus aliados.

Contudo, o surpreendente e incompreensível para mim é o Afeganistão, mesmo policiado palmo a palmo por forças que se entitulam com o nobre direito de combater o terror e o narcotráfico no mundo, ter rapidamente recuperado, e gigantescamente aumentado, a lavoura, a produção e a exportação do ópio, hoje já respondendo por quase 100% da produção mundial. Os preços e o suprimento da heroína já baixaram e estão normalizados nos EUA e nos demais grandes mercados consumidores.

Fico perplexo, nada entendendo.

Apenas para exemplificar esse incongruente quadro, relembro trechos de um artigo da BBC Brasil, de 03/09/2006, que trata desse surpreendente e exponencial crescimento da produção de papoula, ópio e heroína após a invasão norte-americana:

“CULTIVO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO AUMENTA 59% NO ANO” (2006)

“O cultivo de papoulas no Afeganistão - matéria-prima para a produção de ópio - deverá aumentar em 59% neste ano, representando 92% da produção mundial da droga, de acordo com as Nações Unidas.”

(...) “O narcotráfico no Afeganistão, estimado em US$ 2,7 bilhões, responde por cerca de um terço da economia do país.” (atualização deste blog: em 2008, 57% do PIB afegão provém da heroína (UOL Mídia Gobal, 02/04/2008).

GOVERNO DÉBIL

Das 34 províncias do país, em apenas seis não há produção de ópio, afirma a agência.
O aumento do cultivo de papoulas ocorreu ainda no nordeste do país, o que é atribuído à presença de comandantes de milícias e a um governo débil, disse o relatório.

"A opinião pública está cada vez mais frustrada com o fato de que o cultivo de ópio no Afeganistão está fora de controle".

Isso foi em 2006. Em 2007 foi pior:

Vejamos outro artigo, da Folha Online, há um ano, em 05/03/2007:

“ONU RELATA AUMENTO DO TRÁFICO DE ÓPIO NO AFEGANISTÃO” (2007)

“O cultivo de papoula --matéria prima do ópio-- no Afeganistão poderá se expandir em 2007 após uma safra recorde em 2006, afirmou nesta sexta-feira a agência da ONU que investiga drogas. O relatório da ONU destaca o fracasso de uma iniciativa internacional que luta contra o tráfico de narcóticos crescente no país.

A Agência para Drogas e Crimes da ONU (Undoc) prevê um aumento da papoula em um círculo de Províncias afegãs, inclusive Helmand, no sul, onde há a mais extensa área de cultivo no país.”

(...) "A pesquisa deste inverno sugere que o cultivo de ópio no Afeganistão em 2007 poderá superar a colheita recorde de 165 mil hectares em 2006", afirmou o diretor executivo da UNODC”.

CULTIVO

(...) Segundo a ONU, o cultivo de papoula ocorre em 100% dos vilarejos visitados na Província de Helmand e em 93% das vilas da Província vizinha de Candahar (ex-bastião do Taleban).”

POLÍTICA

(...) “Para os críticos, elementos corruptos no governo do Afeganistão e nas forças de segurança locais estão envolvidos no tráfico de ópio e não vão permitir a organização de uma operação séria para acabar com o cultivo da droga.

O relatório da ONU também apontou para uma "nova e perturbadora tendência" no cultivo de drogas afegão --o crescimento dos campos de cannabis (usada na fabricação da maconha).”

Muito estranho...

sexta-feira, 21 de março de 2008

“LE MONDE DIPLOMATIQUE” DEFENDE “TERRITÓRIOS DA CIDADANIA”

O jornal mensal francês “Le Monde Diplomatique” (caderno Brasil), na edição deste mês, publicou um bom artigo de Ladislau Dowbor sobre a polêmica no Brasil sobre o programa “Territórios da Cidadania”. Reproduzo:

POLÊMICA"

"EM DEFESA DOS TERRITÓRIOS DA CIDADANIA"

Política que favorece os pobres sempre renderá votos, pois os pobres são pobres, mas não burros. E são muitos, efeito indiscutível de séculos de políticas de direita. Ao tentar bloquear um programa que abre portas para um processo modernizador inclusivo, a oposição a Lula dá um tiro no pé.

Às vezes, a gente precisa desabafar um pouco. Escutando entrevistas na CBN, ouvi um desabafo indignado (no sentido parlamentar da palavra), de um deputado dizendo-se escandalizado com o programa Territórios da Cidadania. Como é dinheiro para as regiões mais pobres do país, evidentemente trata-se de uma medida eleitoreira, de uma autêntica compra de votos, raciocina ele. Há quem queira declarar o programa inconstitucional.

A armadilha que prende os pobres é impressionante. Eles votam. E como são muitos, o que se fizer em favor de seus direitos rende votos. Logo, raciocinam alguns, qualquer medida que favoreça os pobres constitui demagogia, autêntica compra de votos. Ah, se os pobres não pudessem votar... Considerando que a desigualdade é de longe o principal problema do país, tentar travar políticas que a reduzam não é oposição, é sabotagem.

O programa Territórios da Cidadania destina 9,3 bilhões de reais (valor próximo do valor do Bolsa-Família) a 958 municípios situados nas regiões mais pobres do país. Vem sendo preparado desde o início da primeira gestão de Lula, através de identificação de territórios a serem privilegiados, no quadro de uma metodologia desenvolvida pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA). A seleção envolveu critérios como baixo IDH, e agrupou os territórios segundo o sentimento de identidade efetivamente existente nas comunidades interessadas. Assim, uma bacia hidrográfica pode, por exemplo, constituir um “território” mais significativo do que um município isolado. Isto favorece a apropriação organizada dos aportes pelas comunidades. Foram alguns anos de trabalho.

Paralelamente, e mais modestamente, desenvolveu-se uma pesquisa nacional, coordenada por Paulo Vannuchi, Pedro Paulo Martone Branco, Márcio Pochmann, Juarez de Paula, Silvio Caccia Bava e eu mesmo. Agentes econômicos e sociais locais (pequenas empresas, ONGs, sindicatos, gerentes de banco, prefeitos, pesquisadores) foram consultados, para identificar medidas capazes de gerar um ambiente de dinamização do desenvolvimento local. Partindo da diferenciação de Milton Santos entre o circuito superior e o inferior da economia, fomos perguntar ao andar de baixo o que seria bom para ele se apropriar do seu próprio desenvolvimento. Dezenas de organizações como o Sebrae, Cepam, Ibam, Instituto Pólis etc. participaram.

O programa prevê apoio tecnológico e institucional; sistemas de informação e comunicação; geração de emprego e renda; programas ambientais. O que falta ao pobre não é iniciativa, é oportunidade.

O resultado foram 89 propostas descritas num documento-síntese, entregue ao presidente Lula e amplamente divulgado, nos principais foros de discussão sobre o desenvolvimento local. O documento, com o título “Política Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Local” está disponível, entre outros, no meu site (em formatos doc ou pdf). A linha geral do documento reflete a demanda: no plano local, além do apoio financeiro, são necessários apoio tecnológico, apoio institucional, sistemas locais de informação e de comunicação, programas de capacitação, programas de geração de emprego e renda e programas ambientais. Em outros termos, necessitamos de um programa integrado de apoio. O que falta ao pobre não é iniciativa, é oportunidade, e isto se organiza. Aliás, a pesquisa nos familiarizou com a riqueza de sistemas de apoio ao pequeno produtor e ao desenvolvimento local que existe em outros países. O MDA também participou do projeto.

É fácil dizer que se trata da compra de votos. O programa tem prioridades, em particular o saneamento básico. E a aplicação passa pela constituição de conselhos locais destinados a gerir os recursos. É um eterno problema: os municípios têm capacidade de geri-los? Trabalho há anos com o desenvolvimento local — e com pessoas e instituições que compreenderam que a pobreza não é apenas um problema de distribuição, mas, sobretudo, um problema mais amplo de inclusão produtiva. Já parei de me colocar a questão filosófica do ovo e da galinha. Se não houver recursos, ninguém aprenderá a administrá-los. Isto vale inclusive para as bobagens que escrevem os que se opõem ao Bolsa-Família, dilema semelhante, mas que remonta aos peixes: na realidade, ninguém aprende a pescar com a barriga vazia.

O importante é fazer os recursos chegarem. E igualmente importante, assegurar que junto com eles, cheguem políticas mais amplas de apoio. Lembro-me de ter feito muitas vezes, em outros tempos, sugestões em Brasília, para que fossem destinados recursos à base da pirâmide social, pois não só com soja e automóvel se faz desenvolvimento. Eram rechaçadas com um argumento definitivo: "eles não sabem administrar, vai haver corrupção". Eu ficava comovido com as preocupações de Brasília em impedir a corrupção dos pobres.

A oposição ao programa Territórios da Cidadania é uma besteira monumental. A pressão não deveria buscar o travamento do programa, como estão tentando pessoas que têm uma visão curiosa do que é ser “democrata”. Mas, ao contrário, a ampliação do mesmo — para assegurar que haja apoio institucional, capacitação, informação e outras medidas que permitam que o processo seja apropriado de maneira criativa em cada localidade. Esta apropriação, ou ‘empoderamento’ como tem sido chamado, é essencial. Trata-se de uma mudança de cultura política, da compreensão de que o desenvolvimento não se espera, se faz.

Aprendemos penosamente, nas últimas décadas, que sem recursos não se faz nada; mas também que programas de pára-quedas, respondendo apenas à lógica da oferta e não da demanda, são insuficientes. As organizações da sociedade civil têm sido fundamentais nesta apropriação das políticas pelos próprios interessados, como se vê, por exemplo, no sucesso do programa de cisternas da ASA ou da Pastoral da Criança.

Naturalmente, também aqui se ouvem vozes indignadas (sempre no sentido parlamentar) querendo uma CPI correspondente para investigar ONGs: não estaria muito melhor gerido o recurso na mão de uma empreiteira?

É um jogo de faz-de-conta. Fiz avaliações de políticas deste tipo para numerosos países, a serviços das Nações Unidas. Aprendi a separar as contas do faz-de-conta. Não faço a minha avaliação pelo volume de discursos parlamentares, e sim por conversas com o primeiro e segundo escalão técnico, que são os que dirigem os projetos, que carregam o piano, com pouco tempo para discursos. Tiram freqüentemente leite de pedra, pois a máquina administrativa herdada não foi feita para ter agilidade na prestação de serviços, e sim para administrar privilégios. Raramente aparece na imprensa a avaliação concreta dos projetos e programas. As indignações parlamentares são muito mais coloridas, e fazer contas é mais complicado.

Por outro lado, dei-me ao trabalho de ler a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) divulgada há poucos meses. No conjunto, os resultados são extremamente, e inegavelmente, positivos. Positivos num mar de atraso; atraso que nos reduziu à situação da nação considerada modelo de desigualdade, padrão a ser evitado (avoid Brazilianization, comenta-se nos organismos internacionais). O balanço simplificado dos números pode ser lido num artigo anterior para ‘Le Monde Diplomatique Brasil’. Apresentar resultados positivos, segundo uma minha aluna, é suspeito: eu devo ser amigo do Lula. O argumento é curioso: apresentar números negativos é mais objetivo?

Aliás, permitam-me deixar aflorar o economista que sou: se fizermos um zoom e olharmos a grande imagem, o fato de termos 100 milhões de pessoas que mal participam da nossa economia – mais certo seria dizer que em torno dela gravitam – aponta claramente para os rumos de desenvolvimento: dinheiro no andar de baixo não é aplicado em mecanismos financeiros nem em viagens internacionais. Transforma-se em demanda de bens simples e úteis, o que estimula o mercado interno, o que por sua vez gera pequenos negócios e intensifica os grandes, promovendo emprego e gerando mais demanda. Este círculo virtuoso já começou. Pequeno, incipiente, mas já começou. Vale a pena preservá-lo, ampliá-lo. E se der certo, será bom para todos.

Política que favorece os pobres sempre renderá votos, pois os pobres são pobres, mas não burros. E são muitos, efeito indiscutível de séculos de política de direita. Uma oposição que queira travar estas políticas acaba dando um tiro no próprio pé. O país está maduro para um processo modernizador inclusivo. Tentar impedi-lo para quê? Oposição é ótimo: pressionem para que se faça mais.”

TIBETE – VISÃO AMERICANA E VISÃO CHINESA

Os jornais norte-americanos e, em conseqüência, a grande mídia brasileira, estão tratando a crise no Tibete exclusivamente como uma inaceitável e violenta agressão chinesa àquela pobre província de monges.

Exemplifico essa visão unilateral com trechos abaixo, publicados no início desta noite pela Folha Online. Mostra-nos que importantes políticos norte-americanos já condenaram veementemente a repressão chinesa no Tibete.

VISÃO AMERICANA

(...) “O senador John McCain, candidato republicano à eleição presidencial de novembro nos Estados Unidos, qualificou nesta sexta-feira de "maus-tratos" a repressão chinesa contra os manifestantes tibetanos”. "Isso não convém. As pessoas lá são submetidas a maus-tratos que não são aceitáveis por parte de uma potência mundial como a China, acrescentou”. "Os direitos humanos devem ser respeitados, quer seja no Tibete ou em qualquer outro lugar do mundo”.

(...) “Nesta quinta-feira, a secretária de Estado Condoleezza Rice lançou a todas as partes um apelo à "moderação" no Tibete, onde as forças chinesas reprimem com violência as manifestações de tibetanos”.

(...) “A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, pediu nesta sexta-feira a abertura de uma investigação internacional sobre as violências cometidas no Tibete, destacando que não defende o boicote dos Jogos Olímpicos de Pequim”.

Nota deste blog: provavelmente, McCain, Condoleezza Rice e Nancy Pelosi e os jornais dos EUA tiveram um coincidente lapso de memória, esquecendo a atuação norte-americana no Iraque, Afeganistão e outros.

VISÃO CHINESA

Para melhor compreender o problema, deve-se analisar os pontos-de-vista das duas partes. Contudo, os jornais brasileiros somente divulgaram as visões norte-americanas. Não publicaram como os chineses vêem os tumultos no Tibete. Procurei, então, na imprensa estrangeira. Encontrei o artigo de Richard McGregor e Jamil Anderlini do jornal inglês Financial Times de ontem, com tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves, da UOL Mídia Global. Transcrevo:

DIFERENTES VISÕES SOBRE O TIBETE

”Fora da China, especialmente nos países ocidentais, os violentos tumultos no Tibete são vistos como uma população que se rebela espontaneamente depois de anos de opressão religiosa e cultural por um partido governante impiedoso.

Dentro da China, o contraste não poderia ser mais veemente. Os manifestantes foram retratados como uma multidão agressiva, ingrata pelos anos de apoio de Pequim e manipulada pelo Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado, para dividir o país.

O abismo entre as visões criou na China um profundo ressentimento e raiva porque a questão ameaça obscurecer e prejudicar as Olimpíadas de 2008, que começam em agosto em Pequim.

Shi Yinhong, da Universidade Renmin, disse que a China fez grandes esforços para desenvolver o Tibete e garantir a liberdade religiosa depois de tratar mal a região nos primeiros anos do regime comunista. Os países ocidentais ignoraram esses avanços, ele alegou, favorecendo um enfoque simples e uma visão "romântica" do remoto reino no Himalaia.

"Eu não acho muito romântico o que aconteceu no Tibete na semana passada", disse Shi. "Todo governo deve ser capaz de oferecer um mínimo de ordem e segurança para seus cidadãos."

A propaganda do governo, que pode parecer incrivelmente crua para estrangeiros -Zhang Qingli, o chefe do partido no Tibete, chamou o Dalai Lama de "monstro de face humana e coração de animal"-, não parece mal colocada na China.

E a tirada de Zhang concorda com comentários permitidos em boletins na Internet, como o hospedado por Sina.com, o maior portal chinês. "Acrescentem os países que apóiam o Dalai Lama à lista negra do terrorismo", disse um dos textos mais brandos publicados ontem.

É difícil avaliar a opinião pública na China, por causa dos rígidos controles da mídia e da Internet -especialmente em assuntos considerados delicados- e da ausência de pesquisas e eleições públicas.

Mas um grupo de cidadãos chineses instruídos, artistas e empresários bem-sucedidos de Pequim, que se reuniu para discutir a questão com o "Financial Times" esta semana, foi unanimemente antipático à causa tibetana. Enviar o exército foi "a única reação" possível, eles disseram.

O grupo admitiu que todas as notícias que viram foi na televisão estatal, que mostrou imagens de manifestantes tibetanos, incluindo monges vestidos de escarlate, saqueando, queimando e agredindo chineses em Lhasa. Não havia imagens da reação chinesa.

"A América e os estrangeiros sempre querem prejudicar a China", foi uma resposta típica desse grupo, depois de assistir a uma transmissão ao vivo da entrevista coletiva anual do primeiro-ministro Wen Jiabao, esta semana.

Quase todos os repórteres estrangeiros que tiveram permissão para fazer uma pergunta citaram o Tibete, provocando um resmungo da grande maioria de jornalistas e autoridades chinesas na entrevista.

Um intelectual de Pequim, em geral totalmente contrário ao partido, disse que os tibetanos foram "escravos" antes que a China os "libertasse", medida que foi retribuída com ingratidão e violência. "Como o Tibete poderia ser um país sem a China?", disse essa pessoa. "Eles não tinham nada para comer antes de serem libertos."

A questão da soberania vai além do apoio ao partido e toca o cerne da identidade nacional. Sugerir para a maioria dos chineses que o Tibete deve ser independente da China é como dizer a um americano que o Texas deve se separar da União.

Um vídeo cheio de profanidades publicado no YouTube, o site de compartilhamento de vídeos, intitulado "O Tibete FOI, É e SEMPRE SERÁ parte da China", diz iradamente aos espectadores que a China não deixará o Tibete até que todos os europeus saiam do Canadá, da Nova Zelândia, Austrália e EUA e os devolvam aos "nativos".

Robert Barnett, um especialista em Tibete na Universidade Columbia em Nova York, disse que a lacuna entre as visões tibetana e chinesa vem diminuindo nos últimos anos por causa da crescente popularidade do budismo e da religião em geral na China. "O que está acontecendo agora vai ampliar [essa lacuna] de novo", ele disse, acrescentando que é um desastre para a estratégia do Dalai Lama. Barnett acrescentou: "Ele sempre disse que a coisa mais importante é o apoio da população chinesa. Mas agora está travando uma luta política na outra direção".

POG + PIG EM CAMPANHA ELEITORAL

No seu blog "Vi o mundo", o jornalista Luiz Carlos Azenha nos brinda hoje com a cristalina descrição do empenho da imprensa para as próximas campanhas eleitorais, as municipais para 2008 e a presidencial para 2010. Com a sua clarividência e a experiência de ex-jornalista da TV Globo, ele nos mostra como já atuam, e vão atuar cada vez mais, o Partido das Organizações Globo (POG) e o restante da grande mídia, o Partido da Imprensa Golpista (PIG). Leiamos o artigo do Azenha:

A GLOBO JÁ ESTÁ EM CAMPANHA, EM ESFORÇO MELHOR ORGANIZADO QUE O DE 2006

"São Paulo - Governo e oposição já estão em franca campanha para as eleições municipais de 2008. O governo faz o PAC e os Territórios da Cidadania, que são obras importantes de infraestrutura, mas podem, óbviamente, render dividendos eleitorais. A oposição está desarticulada no Congresso, mas tem aliados importantes no STF e na mídia.

O partido mais forte de oposição é o Partido das Organizações Globo. Só não percebe que está em campanha eleitoral quem não presta atenção. A campanha vai do Jornal Nacional à rádio CBN, passando pelo jornal O Globo e o portal da Globo.com.

Não existem reuniões de campanha. Não é preciso. Os senadores, deputados e vereadores deste partido pensam igual. Alguns são escalados para tentar agendar o noticiário do dia, através do Bom Dia Brasil. Outros trabalham junto à elite, em programas da Globonews. Há os que ataquem em novelas e no entretenimento. É uma bancada de famosos.

Sinceramente, não sei qual é a eficácia desse martelar contínuo. O time é formado não só por aqueles que recebem salários diretamente, mas também pelos contratados para prestar serviço. São os especialistas, que recebem um espaço extraordinário em concessões públicas de rádio e de televisão para dar suas opiniões "neutras". Esse tempo não é contado no tempo oferecido a integrantes do governo ou da oposição. É tempo de comentários supostamente jornalísticos. É propaganda eleitoral disfarçada.

Está no ar, nas Organizações Globo, uma reprise melhor organizada do que em 2006.
De lá para cá a linha editorial foi consolidada. Correspondentes internacionais receberam o que pode ser definido como "material de propaganda", para que aprendam o que pensa a direção da empresa. Ainda que alguns correspondentes usem os livros para calçar a porta de casa, o importante é que repitam, no ar, o conteúdo.

Há três objetivos: um, de curto prazo, meramente eleitoral. Nessa estratégia se encaixam participações como as do doutor Rosenfield. Ele é apresentado como doutor em ética e professor universitário. O ouvinte desavisado acha que é uma simples autoridade intelectual que é imparcial. Elas serão usadas crescentemente para não desgastar a credibilidade dos jornalistas da casa, munição importante para as vésperas da eleição.

Os ataques vão se concentrar naquilo que os aliados do governo poderão usar na campanha, especialmente no PAC. As CPIs dos cartões corporativos e das ONG são mantidas em banho-maria. É delas que surgirão os escândalos para alimentar o noticiário dos próximos meses. Se 2006 serve de exemplo, esses e outros escândalos vão atingir o ápice em agosto ou setembro. Se começarem a surgir muito cedo, haverá tempo para refutá-los - especialmente através da internet.

O segundo objetivo é mais longínqüo: as eleições de 2010. Os jornalistas assalariados e os comentaristas alugados vão mirar em qualquer candidato em potencial ligado ao governo - de Ciro Gomes e a Dilma Roussef. É um trabalho de longo prazo. Feito com paciência, diligência e organização.

O terceiro objetivo é ideológico: travar iniciativas consideradas prejudiciais aos interesses políticos ou econômicos das Organizações Globo e da política externa dos Estados Unidos, que em alguns pontos se confundem: redução da jornada de trabalho, aumentos do salário mínimo acima da inflação, programas sociais, reforma agrária, reconhecimento de direitos dos quilombolas e dos indígenas que ameacem o agronegócio, estatuto da Igualdade Racial, expansão do Mercosul, qualquer iniciative que represente aproximação entre o Brasil, a Bolívia, o Equador e a Venezuela.

Eu escolhi reproduzir o áudio da rádio CBN, que está na Rádio Viomundo, para dar um exemplo do que ouvem milhões de paulistanos em seus automóveis, presos no engarrafamento, que é sempre causado "por excesso de veículos", no jargão da emissora. Os congestionamentos-monstro de São Paulo nunca são causados por falta de planejamento ou pela inércia dos poderes públicos. Admitir isso seria, de alguma forma, prejudicar o projeto político aliado, que hoje controla a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual.

Notem como o jornalista-locutor se sente à vontade para sugerir que, infelizmente, é impossível mudar de técnico - ou seja, é impossível derrubar um presidente da República eleito pela maioria.

Sugiro a vocês que escrevam aí embaixo uma lista de senadores, deputados e vereadores da bancada das Organizações Globo. Vou criar uma seção neste site para que fiquem registradas as declarações da bancada da Globo nesta campanha eleitoral. Peço a contribuição de todos. Não pode haver erro: o objetivo é o de reproduzir literalmente o que escrevem e dizem no rádio e na TV os integrantes deste verdadeiro partido político, de alcance e penetração nacional.

Gravem da TV, do rádio, recortem dos jornais. Vamos fazer a partir de agora um grande banco de dados com os comentários "apartidários" do Partido das Organizações Globo, para a diversão de futuras gerações."

O FIM DA CPMF E O PAC DA SAÚDE

O blog "Por um novo Brasil", de Jussara Seixas, postou hoje uma matéria (da Agência Estado, com informações da Agência Brasil) sobre o impacto da fim da CPMF na saúde do povo. É oportuna a sua publicação, considerando-se a crise da dengue, que a grande mídia está dando muito destaque.

LULA CULPA A OPOSIÇÃO PELA AUSÊNCIA DO PAC SAÚDE

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Florianópolis, que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Saúde não pôde ser lançado pelo governo federal devido à ausência de prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Lula culpou a oposição pelo fim da cobrança, mas garantiu que não abrirá mão nenhum outro programa por falta de recursos da CPMF. "A oposição trabalhava com a seguinte idéia", afirmou Lula, "não podemos votar a CPMF porque senão vamos dar mais R$ 120 bilhões para o presidente Lula até 2010 e aí ele vai fazer o seu sucessor". E completou: "Não me prejudicaram em nada, prejudicaram foi o povo pobre deste País".

Segundo o presidente, a previsão de receita com o imposto em 2008 era de cerca de R$ 40 bilhões - R$ 24 bilhões destinados à saúde.

O presidente participou ontem à noite da cerimônia de lançamento do programa de revitalização do Morro da Cruz e da assinatura dos termos de doação de telecentros a municípios de Santa Catarina."

MUDOU O LULA OU O ELIO GASPARI?

Esse interessante artigo a seguir transcrito foi postado nos últimos minutos de ontem por Carlos Augusto de A. Dória no seu “blog de um sem-mídia”. Vale a pena lê-lo:

“MUDOU O LULA OU O ELIO GASPARI?"

“O jornalista Elio Gaspari, como se sabe, normalmente só chama o presidente Lula, ironicamente, de ‘O Nosso Guia’. Pelo que ele escreveu recentemente, parece que está tendo mais paciência ou sendo menos preconceituoso com o nosso primeiro mandatário.

Possivelmente, o ilustre jornalista chegou à conclusão de que não adianta brigar com os fatos. O "espetáculo do crescimento" está visível para todas as pessoas de bom senso, seja pelo que mostram os indicadores econômicos, seja pelos sociais, e dessa forma, não adianta tentar esconder a realidade. Parece mentira, mas a "agenda positiva" do governo Lula só tem sido apresentada, com isenção e equilíbrio, na imprensa internacional. Isto até virou motivo de piada.

Isto porque o ex- primeiro ministro português, Mario Soares, declarou que lendo a nossa imprensa nativa, antes de chegar ao nosso país, pensava que a popularidade do presidente Lula era a pior possível e que o Brasil estava vivendo um momento muito difícil. Inclusive, na véspera da divulgação da pesquisa que apresentava o Lula com alto grau de aprovação, havia jantado com o FHC e Cia, ocasião em lhe foi dito que o governo e Lula estavam indo ladeira abaixo, etc.

É por isso que a oposição está desesperada, tentando de todos os modos e maneiras criar crises e factóides, com o único intuito de desestabilizar o governo Lula. Para isso, vem tendo a ajuda prestimosa das Vejas da vida e de juízes que gostam de aparecer, como o Sr. Collor de Mello.

No seu artigo, o Elio Gaspari chega ao ponto de indicar, a quem desejar ler, o discurso do nosso presidente, o "caminho das pedras", ou seja, pesquisar no Google o discurso proferido em Araraquara. A seguir, a matéria publicada no O Globo:


”LULA É O MESMO, MAS O CENÁRIO É OUTRO”

Elio Gaspari, O Globo

“Bendita a cidade que ganha fama com uma palestra. Foi isso o que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante ela se tornou conhecida como "a Conferência de Araraquara".

Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata. Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antônio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila.

Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em 2005, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.

Nosso Guia trocou de cenário. Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário.

Alguns exemplos: "Todo sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje". (?) "Hoje temos quase 200 bilhões de dólares de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém". "Aqui no Brasil, pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (?) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (?) Criamos o crédito consignado. (?) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país". "Quando eu tomei posse, a indústria automobilística me procurou dizendo: "nós estamos quebrados". (?) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: Com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações." "Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário". "Este ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo ProUni. São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo ProUni e 40% desses são negros e negras".

Nosso Guia teve até o seu "momento Obama": "O grande desafio (?) é acreditar que a gente pode".

Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva para a rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando para a oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?

O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Ele está na internet, basta passar no Google "discurso lula araraquara gilda". Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai.”

quinta-feira, 20 de março de 2008

ALEMANHA PROPÕE A INCLUSÃO DO BRASIL NO CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU

O portal Últimas Notícias, da UOL, publicou há pouco (22h) a notícia de proposta da Alemanha e de Chipre para a Assembléia Geral da ONU incluir o Brasil, a Alemanha, o Japão, a Índia e mais três países não nominados no Conselho de Segurança. Transcrevo a matéria de Louis Charbonneau:

"Texto sobre Conselho de Segurança da ONU inclui Brasil"

Nações Unidas (Reuters) - Chipre e Alemanha elaboraram um esboço de um texto que propõe acrescentar sete novos membros ao Conselho de Segurança da ONU, entre eles o Brasil, na mais recente tentativa para expandir o conselho.

Por mais de uma década, a Assembléia Geral da ONU tem se esforçado para encontrar maneiras de ampliar o Conselho de Segurança, órgão mais poderoso da Organização das Nações Unidas.

Entre os principais candidatos a vagas permanentes estão Alemanha, Brasil, Japão, Índia e uma nação africana ainda não determinada. Críticos dizem que a composição do órgão para a paz e a segurança internacional está obsoleta e que deve se adaptar às mudanças mundiais no século 21. Agora, diplomatas afirmam que há uma nova chance para a expansão do conselho.

Recentes tentativas de abrir negociações formais para ampliar o conselho falharam. Mas no ano passado o presidente da Assembléia Geral da ONU disse que era o momento de romper a inércia e ajudar no lançamento de negociações formais.

Alemanha, Chipre, Holanda e Grã-Bretanha trabalharam numa proposta de conciliação que tenta ligar várias posições aparentemente irreconciliáveis a reformas no conselho.

O resultado foi o esboço de uma proposta confidencial, obtido pela Reuters, que propõe uma expansão do Conselho de Segurança, de 15 para 22 presentes.

O esboço diz que duas das novas vagas ficariam com a África, duas com a Ásia, uma com a América Latina e Caribe, uma com a Europa ocidental e uma com a Europa oriental. Mas os termos para o número de membros foram deixados em aberto.

O atual conselho tem cinco membros permanentes com direito a voto -- Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos, considerados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial. Dez integrantes não-permanentes são eleitos a cada dois anos.

O conselho só foi aumentado uma vez desde que a ONU foi criada em 1945 -- em 1965, quando o número de membros eleitos passou de seis para 10.

O texto, que os diplomatas dizem foi esboçado pelo Chipre com a ajuda da Alemanha, diz que o objetivo da proposta é "melhorar a representatividade do Conselho de Segurança, sem sacrificar a efetividade".

ATENÇÃO BLOGUEIROS: FAÇAM CÓPIAS DAS SUAS POSTAGENS

Esse alerta nos foi trazido hoje pelo jornalista Luiz Carlos Azenha em seu blog “Vi o mundo”, após a súbita retirada da internet, pelo portal IG, do site “Conversa Afiada” de Paulo Henrique Amorim. Ontem, já postamos o artigo "IG + PIG + OPOSIÇÃO vs BLOG "CONVERSA AFIADA", sobre esse intempestivo cancelamento unilateral de contrato.

Vejam o artigo abaixo, do Azenha:

PHA RECUPERA CONTEÚDO; ADVOGADO ALERTA BLOGUEIROS SOBRE DEFESA DOS DIREITOS AUTORAIS
Atualizado em 20 de março de 2008 às 21:10

São Paulo - O jornalista Paulo Henrique recuperou, através de ação judicial, o original de todo o conteúdo que produziu para o site 'Conversa Afiada' nos últimos quatro anos. O advogado Marcos Bitelli, da Bitelli Advogados, acaba de confirmar que obteve, do IG, os originais garantidos ao jornalista pela lei de Direitos Autorais.

O advogado explicou detalhadamente como funciona a relação entre blogueiros ou titulares de sites e as empresas de hospedagem de conteúdo. Se você tem site ou blog em algum portal que fornece o serviço de hospedagem gratuitamente, não deve deixar de ouvir a entrevista que está na Rádio Viomundo.

O que disse o advogado Bitelli: que a lei dos Direitos Autorais tende a favorecer o autor. Porém, há contratos em que o autor abre mão desses direitos. Muitas pessoas fazem esses contratos eletronicamente, na internet, sem nem ler o conteúdo. O ideal é que quem publica textos na internet resguarde seus direitos através de contrato.

Para aqueles que hospedam seus blogs em serviços gratuitos, muitas vezes em computadores que estão fora do Brasil, o mais indicado é que façam um 'backup', ou seja, uma cópia de toda a sua produção intelectual, para poder republicá-la em casos análogos ao que envolveu Paulo Henrique Amorim."

COLÔMBIA, EQUADOR E A TEORIA DA COINCIDÊNCIA

Este blog já postou muitos textos sobre a grave crise desencadeada na América do Sul por conta da invasão militar colombiana no território do Equador com o explícito apoio político e material dos Estados Unidos.

O jornal “Valor” de hoje publica o muito bom artigo de autoria de Wanderley Guilherme dos Santos, membro da Academia Brasileira de Ciências. O título do autor é o mesmo desta postagem. Transcrevo (entre parênteses nossos):

“Colômbia, Equador e a teoria da coincidência”
Pepe Casals

”Houve até quem não percebesse a crise Colômbia versus Equador. E a cenografia não foi modesta: a Colômbia violou o território equatoriano em manobra de busca e destruição de membros das Farc, o Equador ameaçou responder militarmente e a Venezuela, por via das dúvidas, segundo seu presidente, mobilizou tropas na região fronteiriça ao solo colombiano.

Isso em menos de 24 horas e sem sinais anteriores do que poderia vir.

Tensão no pedaço, alguns mortos, entre eles um alto comandante das Farc e, surpreendente notícia, universitários mexicanos.

Pois em menos de uma semana, Brasil, Chile e Argentina promoveram reuniões pacificadoras, isolaram o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e dispensaram a intermediação americana. Em um piscar de olhos, para nossa perplexidade, leitores comuns, estava tudo terminado com apertos de mão, sorrisos de boa vontade e abraços gerais em reunião hospedada pela República Dominicana. Quem tirou uma semana de férias no período não encontrará pista ou rastro do acontecido no noticiário dos jornais.

Esquisito.

Naturalmente, a diplomacia brasileira e a intervenção do presidente Luiz Inácio (Lula) foram aplaudidas pela rapidez, discrição e eficiência por uns, enquanto outros consideraram mofina a posição brasileira. Nas televisões e crônicas (da grande mídia brasileira) a invasão colombiana de território do Equador foi transformada em tibieza do Brasil na condenação das Farc. Compreensível e esperado.

Uma quinzena depois, somos informados que Condoleezza Rice, secretária de Estado responsável pela política externa americana, desembarcou no Brasil, saudosa da música baiana, encontrou-se com o presidente brasileiro e voltou para casa sem mais aquela. Pouco transpirou e o assunto desapareceu. Quem se esbaldou em duas semanas de férias jamais saberá quanto a secretária é apaixonada por Carlinhos Brown. Por sua música, quero dizer.

Esquisito.

E mais esquisito ainda que, há pouco, os mesmos colombianos tenham entrado por equívoco e saído rapidinho da Amazônia brasileira.

A interpretação dura de todos esses episódios sustenta a hipótese de que mais dia, menos dia, os Estados Unidos pretendem (ou precisam) começar aqui, na América do Sul, aquele tipo de guerra localizada que já não conseguem fazer na Europa e, em breve, terão dificuldade em iniciar no Oriente, próximo ou distante. Com a revelação oficial de que o Iraque não mantinha relações com a Al-Qaeda, depois de também se haver confirmado a inexistência das armas de extermínio em massa anunciadas pelo presidente Bush, o governo americano deverá requisitar todo o seu poder de persuasão para vender a teoria da agressão preventiva por aquelas bandas.

Mas essa foi a teoria adotada pela Colômbia, embora bravamente negada pelos desculpadores nativos da invasão colombiana.

Segundo a lógica da interpretação, a Colômbia é, e provavelmente continuará a ser, um agente laranja da política externa dos Estados Unidos. A agressão relâmpago contra o Equador teria, na verdade, o objetivo de provocar Hugo Chávez, o qual caiu como um patinho, criando a oportunidade para nova tentativa de colocar a tese das fronteiras flexíveis na agenda continental. Movimentar-se militarmente era tudo o que os belicosos e seus infiltrados desejavam.

A conseqüência foi deixar Brasil, Chile e Argentina na difícil situação de condenar a violência colombiana sem prestar nenhum tipo de solidariedade às Farc. Os analistas entendem que, assim como se acusava Cuba, nas décadas de 1970 e 80, de tentar exportar revoluções, hoje a Colômbia, de fato, exportaria provocações, dando margem a que os formuladores da política externa americana insistam em difundir a legitimidade da teoria da agressão preventiva.

(Para nós aplicarmos essa teoria dos EUA) é óbvio que o Brasil precisaria se transformar em uma potência militar de grande porte para perfilhar a teoria sem correr o risco de se tornar ridículo.

Como se sabe, o Paraguai, por exemplo, sofre o assédio dos contrabandistas brasileiros que por lá buscam refúgio. É na Bolívia que os narcotraficantes nacionais encontram as conexões necessárias ao florescimento de seus negócios. E a própria Colômbia sedia as matrizes de algumas casas importadoras de pó brasileiras.

Para ser um paladino da teoria da agressão preventiva o Brasil precisaria entrar em conflito imediato com aqueles três países. Além de trágico, seria cômico presenciar a Colômbia sendo violentada pelas mesmas razões que a levariam, simultaneamente, à invasão do Equador e, quiçá, da Venezuela.

Espremendo um pouco o conceito (norte-americano), talvez nem o Uruguai escapasse da ira nacional, visto que seus cassinos acolhem hospitaleiramente nossos contraventores do "jogo do bicho". E se os serviços de inteligência brasileiros forem tão eficientes quanto os americanos descobrirão armas de morticínio generalizado na Argentina e no Chile.

Se o cenário é delirante, resulta do delírio da teoria (dos EUA) que o justifica.

Pode ter sido uma coincidência, sem dúvida, que a Colômbia haja transgredido normas internacionais quando alguns processos para libertação de reféns das Farc estavam sendo bem-sucedidos.

Outra coincidência, talvez, o sonho do presidente Álvaro Uribe de obter modificação constitucional que o permita concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Coincidência, quem sabe, a crise de nostalgia da secretária de Estado Condoleezza Rice, impelida para a Bahia a pretexto de conversar com Lula em Brasília. Ou vice-versa.

Enfim, coincidência o equívoco colombiano de ingressar em solo amazônico. Pode ser, mas...

Coincidência é um desses estranhos fenômenos cuja existência não pode ser verificada por testemunho independente no momento em que ocorre, só depois. Quando dois carros se chocam em um cruzamento, houve, por certo, além de outros eventos, a coincidência de se dirigirem ao mesmo espaço ao mesmo tempo. Sabemos disso ao assistir a algum vídeo. Nosso testemunho é isento. A afirmação dos dois motoristas de que houve coincidência não pode ser aceita como neutra, pois ambos foram participantes do fenômeno. O mesmo pode ser dito do operador de vídeo: ele só filmou a coincidência porque, coincidentemente, estava no exato local no mesmo instante, não sendo uma testemunha estranha ao fenômeno. Vale a interdição para todos os presentes ao acontecimento, pois fazem parte dele e a reivindicação de que expõem a verdade fica comprometida pelo fato de que, primeiro, o interlocutor deve aceitar que a testemunha, por coincidência, estava presente quando houve a coincidência original. Ou seja, é necessário que o interlocutor aceite o que está posto em dúvida. Por isso, coincidências são corroboradas a posteriori, por terceiros, os que não estavam lá quando ocorreram, mas possuem meios de revê-las.

O número de coincidências na América do Sul, registradas para proveito próprio e sem comprovação independente, é crescente. Mapas erroneamente demarcados, trote armamentista de alguns países, eu não chamaria de corrida, episódios fugidios de embates fronteiriços e, agora, a escandalosa invasão do Equador, indícios de um mal-estar cuja origem é escorregadia, todos eles.

A proposta brasileira para a criação de uma organização dos Estados sul-americanos é prudente e cautelar. Assegura aos vizinhos que a política externa do país continua sendo de negociação e nada mais apropriado do que o surgimento de fóruns em que as negociações se dêem.

Bem melhor do que esperar que alguém comprove que, de fato, não houve coincidência alguma.”

BUSH, A CRISE DO DÓLAR E A ASTÚCIA DO CAPITALISMO

Em seqüência à postagem anterior, outro artigo muito bom, que ajuda a melhor compreensão das causas e dos reflexos da atual crise norte-americana, que tem prejudicado todos os demais países, foi publicado hoje no portal “JB Online”. Seu autor é o jornalista Mauro Santayana, que o escreveu em 13 de março último. O título original é o já colocado para esta postagem. Transcrevo:

“Os mercados se assustam, mas o capitalismo é astuto, e tem escapado das crises cíclicas que o acometem, desde que os lídios inventaram a moeda: pequenas peças metálicas com signos do valor e do responsável pela cunhagem. Os gregos, é o que diz a tradição, aprenderam com eles. A moeda foi importante para criar grandes fortunas. A primeira delas, como registra a História, foi exatamente a de um rei lídio, Cresus.

O dinheiro é um instrumento baseado na boa-fé. Na misteriosa razão da linguagem, moeda, em sua raiz indo-européia, significava movimento da mente: uma criação da inteligência. Para os gregos - conforme Aristóteles - a moeda deve ser também recurso da justiça, ou seja, pode tornar iguais as coisas desiguais: casas e sandálias, cavalos e ovelhas. É, portanto, um título de confiança.

Sempre houve crises financeiras, mas todas surgem quando a confiança na moeda, logo, naquele que a emite, deixa de existir.

O dólar se esfarinha, porque os Estados Unidos estão perdendo a confiança do mundo. A nação é ainda a maior potência, mas nem sempre essa potência se transforma em ato. No Vietnã, aonde chegaram com todo o seu arsenal, foram fragorosamente derrotados. Houve o mesmo até na diminuta Somália.

Os Estados Unidos saíram da Segunda Guerra Mundial enriquecidos com a contenda. Em março de 1948, quando os aliados criaram nova moeda para a Alemanha Ocidental, sem consultar os soviéticos, esses impuseram o fechamento de fronteiras entre as duas zonas de ocupação. Em abril, o governo norte-americano decidiu adotar o Plano de ajuda à Europa, que havia sido proposto pelo secretário de Estado George Marshall em junho do ano anterior, em palestra na Universidade de Harvard. Era o início de um processo competente de dominação universal, com a combinação dos investimentos financeiros com as pressões militares.

O projeto apoiava-se em parte ponderável das elites e da sociedade norte-americana, desde que os Estados Unidos organizaram a sua república. Mas a sua expansão se fizera primeiro na conquista do Oeste até o Pacífico, mediante a anexação de territórios por compra (como no caso das possessões francesas do Mississippi) ou pela conquista militar. Seu sonho limitava-se ao continente. A vitória em 1945 os levou a iniciar o processo de globalização econômica, com o desembarque na Europa (magistralmente analisado por Jean-Jacques Servan Schreiber em seu livro Le Défi Americain, de 1967).

A falta de confiança no dólar vem ocorrendo lentamente, desde que Nixon rompeu unilateralmente com o Acordo de Bretton-Woods, deixando de sustentar o lastro da moeda com o ouro. Mas o dólar, mesmo desatado do ouro, continuou sendo a moeda de reserva internacional até a consolidação do euro.

Por outro lado, a globalização trouxe novos atores econômicos mundiais, como a China e outros países, entre eles o Brasil. Diante da crise atual, o presidente do Banco Central Europeu pede aos emergentes que ajudem os países ricos. Toda a prosperidade dos ricos foi construída com a espoliação, direta ou indireta, dos países pobres. Estudos insuspeitos mostram que a riqueza do mundo, desde a descoberta dos metais da América do Sul, se fez com a remessa líquida de capitais das colônias, de júri ou de facto: a independência formal não mudou o sistema de drenagem, via a exploração direta e os juros absurdos pelos empréstimos concedidos a governantes corruptos ou irresponsáveis.

O presidente Bush, desmoralizado, com suas tropas sendo escorraçadas do Iraque e do Afeganistão, está agora de olho na América do Sul. Seus ataques a Chávez e sua declaração de apoio incondicional a Uribe vão além do que dizem as aparências. Com seu descrédito aumentando no mundo, Bush acha que há ainda tempo para uma ação "decidida" ao lado da Colômbia. A Colômbia já é, de longe, o país mais militarizado do continente. Isso seria bom começo para a tentativa de ocupação da América do Sul. É certo que, apesar de seu grande poderio bélico, os Estados Unidos, se se aventurarem a essa guerra, arriscam-se a envolver-se em um Vietnã multiplicado por dez.

É, no entanto, improvável que o povo norte-americano o autorize a qualquer provocação no Sul, quando faltam nove meses para que deixe a Casa Branca, provavelmente para o democrata Barack Obama. A ascensão do senador é prova de que o povo norte-americano já está cansado de um sistema que transformou o antigo ‘american dream’ em um pesadelo. Esse pesadelo que se revela no mais alto consumo de drogas no mundo, nos tiroteios de Columbine, nas operações fraudulentas de Wall Street - uma das causas para que o dólar perdesse a confiança do mundo.”

CONSEQÜÊNCIAS DA CRISE AMERICANA

Esse assunto me foi despertado pelos anúncios de grande queda, ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo. O portal “JB Online” de hoje, seção “Invest News”, publica:

“ÍNDICE DESPENCA 5,01% COM PETROBRÁS E VALE”

“São Paulo, 19 de março de 2008 - Os papéis da Vale, Petrobras e de empresas siderúrgicas puxaram a forte perda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quarta-feira. A queda se dá em função da desvalorização das ‘commodities’ no mercado internacional. A bolsa paulista encerrou o dia com declínio de 5,01%, aos 58.827 pontos. Analistas acreditam que seja importante não perder o suporte de 58.500 pontos para não ampliar o movimento de perdas. O giro financeiro somou R$ 6,86 bilhões.”

O “Blog do Nassif”, do jornalista e economista Luis Nassif, publicou hoje um esclarecedor artigo, escrito de maneira didática e coloquial para leigos, que facilita a melhor compreensão das incertezas e dos reflexos da crise econômico-financeira norte-americana nos outros países, especialmente no Brasil. Achei oportuno reproduzi-lo:

“PONTO DE EBULIÇÃO”

“Entenda o que está ocorrendo.

1. Há uma imensa massa de capital especulativo circulando no mundo. Através de recursos de alavancagem (endividamento) de derivativos (que permite apostar apenas no diferencial de cotação) e de operações estruturadas, sua capacidade ampliou-se desmedidamente. A conseqüência foi uma redução das taxas de juros internacionais e um aumento exponencial dos preços dos ativos.

2. Quando o dólar começou a despencar, esse capital financeiro procurou portos seguros onde se abrigar. O real foi uma mamata, com a liberdade total de fluxo, taxas de juros altíssimas e ganhos em cima da apreciação da moeda. Outros portos seguros foram as ‘commodities’.

3. À medida que se ampliou a crise americana, com o “subprime”, o Federal Reserve aumentou fortemente a liquidez da economia para impedir a recessão. Mais dinheiro colocado à disposição dos investidores e menos oportunidades de investimento nos Estados Unidos, por conta da recessão.

4. Esse dinheiro saiu correndo para commodities, provocando o fenômeno do “overshooting” (radicalização do movimento pendular). Mas sempre através da interligação de mercados e das chamadas operações estruturadas (misturando vários ativos, visando minimizar o risco).

5. Quando a crise bateu em bancos, em bancos de investimentos e em fundos, essas posições estruturadas começaram a se desmanchar. Toda a gordura especulativa das commodities começou a ser devolvida. A tendência é haver um “overshooting” para baixo.

6. Agora, tem-se esse capital em uma lagoa profunda tentando pular de tronco em tronco para se sustentar – e sem saber o que é tronco de árvore, o que são costas de jacaré. Aí mora o perigo. Abriu-se a porteira e a manada está prestes a estourar.

7. Sem a defesa das commodities, esses recursos tendem a se abrigar em moedas – Real, Euro e Yuan. Dependendo da intensidade, ocorrerá uma apreciação adicional nas três moedas. O Banco Central Europeu (BCE) já está sob pressão por ter permitido a valorização do irou até agora – o que tem trazido impactos negativos na economia européia. O governo chinês não quer perder o controle da sua moeda. O governo brasileiro, finalmente – através do Ministério da Fazenda – acenou com a possibilidade de começar a combater essa invasão apache.

8. Em circunstâncias normais, a economia mundial recuperaria o equilíbrio através de movimentos já disparados. A redução dos preços das commodities reduziria as pressões inflacionárias, permitindo ao BCE e ao Banco da China amainar as restrições monetárias. A economia americana se recuperaria, puxando novamente a demanda mundial. Acontece que o fator tempo é essencial.

9. O desafio é como se vai da situação atual para a nova situação de equilíbrio. Cada corcovear dos mercados deixa mortos e feridos pelo caminho. O desmonte de suas posições, por sua vez, traz pressões adicionais sobre os mercados atingidos e sobre mercados ainda não afetados. A famosa coordenação entre bancos centrais – a mais sofisticada peça do capitalismo financeiro – entrou em processo entrópico. Os bancos estão paralisados entre o medo da inflação e o da recessão. Ao mesmo tempo, decisões do FED afetam a posição do BCE e do Banco da China e vice-versa.

10. E, por aqui, o Banco Central continua com um olho na inflação e o outro olho tapado.”

quarta-feira, 19 de março de 2008

A SANTA CRISE DOS EUA

O blog "Por um novo Brasil" publicou hoje, com esse título, um interessante artigo que une dois eventos desta semana: o 5º aniversário da guerra dos EUA contra o Iraque e a Semana Santa.

Para ler o artigo completo, clique no blog "Por1novobrasil" na coluna "Recomendamos".

5º ANIVERSÁRIO DA GUERRA NO IRAQUE

5ª PARTE DA SÉRIE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”

RETROSPECTIVA DESTA SÉRIE


A motivação para esta série foi despertada com o artigo “Risco de guerras na América do Sul”, postado em 3 de março. Para a melhor compreensão do cenário, tornou-se necessário recordar com mais detalhes o comportamento bélico dos EUA nas últimas décadas.

Em 11 de março, tratei do intensivo uso militar da propaganda pelos EUA desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Os subtítulos foram: “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”.

No dia seguinte, recordei a guerra dos Estados Unidos contra o Panamá, no final de 1989. O título foi: “O terror no Panamá por ‘justa causa’ ”.

Em 15 de março, abordei superficialmente os “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. Também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008.

A postagem de 17/03 tratou da primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991.
Hoje, continuaremos com a segunda guerra contra o Iraque, iniciada há cinco anos, em 19 de março de 2003.

A INVASÃO DO IRAQUE

Os EUA a Inglaterra e alguns poucos aliados atacaram de novo o Iraque em 2003. O Iraque já estava muito enfraquecido por conta de uma década de pesadas sanções e restrições colocadas pelos EUA e a ONU após a primeira guerra, em 1991.

Aquela reedição da guerra de 1991 foi ainda mais violenta. Ao contrário da primeira, foi efetuada contrariando a maioria dos países do mundo, contra as normas da ONU e contra todos os preceitos do Direito Internacional.

Foi gigantesca a violência da segunda invasão anglo-americana no Iraque. Ela começou com muitos dias e noites de bombardeamentos televisionados para o mundo. Essa guerra já despedaçou, matou, feriu civis, mulheres, crianças em quantidade mais de 100 vezes maior do que a do atentado terrorista em Madri de 2004 que causou tanta comoção no mundo. E continuam a matar.

As estatísticas mais favoráveis aos norte-americanos e ingleses dizem que eles “somente” mataram, até agora, uns 150.000 civis iraquianos. Outras fontes estipulam um milhão. Os EUA justificam, dizendo que mataram “insurgentes” e os demais “por efeito colateral”.

No início, o Primeiro-Ministro Tony Blair, em Londres, o Presidente Bush e autoridades dos EUA comunicavam freqüentemente de púlpito (com o cotovelo direito nele apoiado), ridícula e prepotentemente, que aquela nova invasão era para levar a paz, a democracia e a liberdade para os países árabes; para tirar do Iraque o ditador mau Saddam Hussein, não-democrático, que anos antes havia matado separatistas curdos com armas químicas proibidas pelos EUA para os demais países; para eliminar aquele ditador que torturara iraquianos na prisão de Abu Ghraib; que poderia ter ligações com o terrorista Bin-Laden e que era uma forte e imediata ameaça para toda a civilização ocidental, com o seu grande arsenal de bombas atômicas, químicas e biológicas. Arsenal esse pronto para ser acionado e lançado contra o mundo ocicental por grandes mísseis, em quarenta e cinco minutos.

Até as próprias tropas americanas (cada vez mais negras, latinas e pobres) e as de seus aliados eram enganadas em discursos presidenciais ufanistas na festiva e patriótica hora dos embarques para o Iraque. Diziam-lhes que eles eram super-heróis que estavam partindo para defender o bem contra o mal, para “salvar a civilização ocidental, superior, do islamismo bárbaro” (palavras do 1º ministro italiano Silvio Berlusconi); que iam “salvar a democracia e a liberdade, lutando contra o terror”; que estavam indo tirar dos iraquianos as suas armas de destruição em massa.

Um detalhe: até este momento, cinco anos depois, as tais armas que “justificariam” a invasão não foram encontradas. Nem mesmo uma só, “made in USA”, mas com inscrições em árabe, que convenientemente tivesse sido levada pelos EUA para lá.

Como desde o início não acharam as tais armas, passaram, então, a divulgar que o problema não era o Iraque ter (ou não) aquelas armas, mas a possibilidade de que o seu odioso tirano não-democrático pudesse vir a ter intenções malévolas de desenvolvê-las. Somente isso já justificaria o ataque... Era, também, para combater a Al Qaeda, da qual, até então, não havia um indício sequer da sua presença no Iraque.

A mentira era uma potente arma de comunicação.

Um intrigante (ou esclarecedor) aspecto da invasão norte-americana no Iraque. Foi publicado (“Defense News”, Washington, 19/01/2004) que as tropas invasoras também tinham o objetivo de aumentar a proteção ao Estado de Israel. Elas estariam impulsionadas pelo poderoso lobby judaico dos setores financeiro e industrial militar dos EUA e da Inglaterra. “Era óbvio que a guerra servia a interesses de Israel”, expressou o Brig. Gen. Shlomo Brom, ex-chefe de planejamento estratégico das Forças de Defesa israelenses (“Defense News”, Washington, 19/01/2004).

O PAPEL DA MÍDIA NO APOIO À INVASÂO

O blog “Grupo Beatrice”, ontem (18/03), sob o título “Bush & Sherazade”, publicou um texto de Márcia Denser que abordou um discurso feito em 2004 por Karl Rove, consultor do Presidente Bush. Destaco três parágrafos:

(...) ”Somos um império agora. E, quando agimos, criamos nossa própria realidade. Enquanto vocês estudam essa realidade, nós agimos de novo, criando outras novas realidades, que vocês podem igualmente estudar. É assim que as coisas se passam. Nós somos os atores da história. E a vocês, a vocês todos, só resta estudar o que fazemos" (entrevista a Ron Suskind, publicada no New York Times, dias antes da eleição presidencial de 2004).

(...) “A invasão do Iraque em março de 2003 constituiu um exemplo lapidar da vontade da Casa Branca de "criar sua própria realidade".

(...) “Preocupado em não repetir os erros da Guerra do Golfo em 1991, o Pentágono caprichou em sua estratégia de comunicação. Além dos quinhentos jornalistas’ embeded’, a sala de imprensa do quartel general das tropas americanas no Qatar, que custou um milhão de dólares, era um moderníssimo estúdio de TV, com palco, telas de plasma e toda a parafernália eletrônica a produzir, em tempo real, imagens do combate, animações e gráficos, dirigido por um cineasta com passagens pela Disney, MGM e o Good Morning America. Ele também escolhia os cenários para as aparições presidenciais".

Aliás, a mídia brasileira foi até mais submissa e fiel à política guerreira de Bush do que a norte-americana.

No Brasil, nos grandes jornais, se lia defesa apaixonada dos EUA. Por exemplo, o jornal Folha de S. Paulo (FSP) criticou em maio de 2004:

A “capciosa campanha antiamericana na imprensa sobre supostas crueldades odiosas dos soldados norte-americanos contra prisioneiros iraquianos. Os militares dos EUA despem, humilham e até dão alguns sopapos nos prisioneiros, isto é inevitável em toda guerra. Os iraquianos os esfolam, queimam vivos ou os degolam. As críticas aos EUA são obra de espertalhões conscientes e de milhares de idiotas úteis que não têm idéia da origem remota das suas opiniões” (FSP, 20/05/2004).

O jornal “O Globo” também já havia destacado, cinco dias antes, opinião semelhante.

A VERDADEIRA RAZÃO DA GUERRA: O PETRÓLEO

Era difícil para a mídia e para o governo dos EUA , e continua sendo, esconder os principais verdadeiros objetivos norte-americanos na invasão do Iraque: 1) o principal: garantia para eles das reservas de petróleo e do seu barato suprimento por muitas décadas; 2) criação de um Estado visceralmente pró-americano no Golfo Pérsico, para garantir o objetivo nº 1; 3) a expansão geopolítica e econômica baseada na submissão dos outros países pelo medo de sua força e pela certeza da impossibilidade de confrontá-los militarmente.

Uma pequena parte da imprensa dos EUA dizia que a invasão também aconteceu porque: 4) estavam em jogo interesses particulares da família Bush, ligada a empresas petrolíferas do Texas e da Arábia Saudita.

CUSTO x BENEFÍCIO DA GUERRA

No início da invasão, o DOD (Departamento de Defesa) expôs ao Congresso que os custos norte-americanos com a guerra se pagariam com os recursos que tirariam do próprio petróleo iraquiano, sob o título de ajuda financeira para a reconstrução daquele país.

O presidente dos EUA externou que tudo (mortes, dispêndios) valeria a pena, inclusive porque o petróleo voltaria a ser bombeado sob o controle de empresas norte-americanas. Em 13/04/2004, o presidente Bush declarou: “The oil revenues are. Is pretty darn significant. They’re now up and running” (Financial Times, 14/04/2004). Foi emocionantemente aplaudido de pé.

O aspecto econômico da invasão iniciada na noite de 19/03/2003 não veio a ser favorável para os EUA.

Tais ganhos dos EUA no Iraque com o petróleo não compensaram os custos da invasão e da ocupação até hoje. Eles já despenderam diretamente US$ 1 trilhão, perderam 4.000 soldados e já voltaram para os Estados Unidos dezenas de milhares de feridos e amputados.

Os custos diretos e indiretos totais da guerra já alcançam a ordem de US$ 3 trilhões.

A SITUAÇÃO ATUAL

O portal UOL Últimas Notícias de hoje publicou os seguintes artigos da redação do UOL e da BBC Brasil:

“CINCO ANOS DEPOIS DA INVASÃO, OS EUA ESTÃO LONGE DA SOLUÇÃO PARA O CONFLITO NO IRAQUE”

“Dezenas de milhares de civis mortos, gasto de cifras superiores ao PIB de muitos países, um custo político incalculável e um país dominado pela incerteza, pela violência sectária e pela falta de perspectivas de paz. O saldo dos cinco anos desde a invasão de tropas militares dos Estados Unidos ao Iraque não é nada alentador. O conflito militar mais longo em que os norte-americanos se envolveram desde a Guerra do Vietnã (1958-1975) está longe de ter uma solução, afirmam analistas ouvidos pelo UOL.

Às 23h35 (horário de Brasília) do dia 19 de março de 2003, os EUA iniciaram com bombardeio a alvos em Bagdá a guerra que tinha entre seus objetivos derrubar o regime de Saddam Hussein. No horário local, eram 5h35 da manhã já do dia 20 de março, uma quinta-feira. Embora os alvos fossem divulgados como "estratégicos", não foi uma guerra de soldados contra soldados.

A busca de exatidão sobre o total de mortes de civis é quase impossível, tal a quantidade de ataques, confrontos e explosões que ocorrem praticamente todos os dias no Iraque. Os dados variam de fonte para fonte: 82 mil, 151 mil civis mortos... Estudos já falaram em mais de 500 mil mortos e há quem estime que o número já possa ter chegado a 1 milhão. O general Tommy Franks, que liderou as invasões ao Iraque e ao Afeganistão quando esteve à frente do Comando Central americano, disse certa vez: "Nós não fazemos contagem de corpos" (dos iraquianos)."Oficialmente, morreram cerca de 4.000 soldados norte-americanos".

O custo da guerra também é objeto de controvérsias. Chega a US$ 526 bilhões, segundo o Congresso norte-americano. Chegará a US$ 3 trilhões e já supera o custo da Guerra do Vietnã, segundo estudo de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de economia, e de Linda Bilmes, professora da Universidade de Harvard.

Não havia chancela da ONU, nem coalizão internacional sólida sobre a iniciativa dos EUA. Havia pretextos. A suposta existência no Iraque de armas de destruição em massa, nunca encontradas, foi o argumento inicial de George W. Bush para combater Saddam.

Em um pronunciamento de 4 minutos pouco antes do primeiro bombardeio, Bush anunciou o início dos ataques, alegando que a intenção era a de "minar a capacidade" do ditador. "Não aceitaremos nada menos do que a vitória", afirmou o presidente. Para justificar os ataques, voltou a citar a ameaça terrorista contra os EUA, ameaça esta que se tornou o foco do discurso da política externa norte-americana depois dos eventos de 11 de setembro de 2001.

No pronunciamento, Bush já dizia que a guerra poderia ser mais longa e mais difícil do que alguns previram. Mas talvez não imaginasse que a perspectiva do fim do conflito viesse a ficar tão nebulosa no horizonte.

Dissera Bush: "Os EUA não têm nenhuma ambição em relação ao Iraque, a não ser a de restabelecer a liberdade para a sua população".

Saddam foi derrubado e acabou condenado à morte por enforcamento. O ditador se foi, mas os problemas não. No Iraque de hoje, 43% sobrevivem com menos de US$ 1 por dia, 6 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária (o dobro de 2004, mas só 60% da população têm acesso às rações que então eram universais. Hoje, quase um de cada cinco integrantes da população iraquiana de cinco anos atrás, antes da invasão, vive como refugiado no exterior ou está desabrigado no próprio país, segundo a Organização Internacional para Migrações.

Bush também havia, em seu pronunciamento no dia do início dos ataques, voltado a relacionar Saddam à rede terrorista Al Qaeda, de Osama Bin Laden. O jornalista Sérgio D’ Ávila, único repórter brasileiro a cobrir o início da guerra, diz que a diferença entre o Iraque que conheceu na ocasião e o de hoje é a presença marcante da Al Qaeda, que antes praticamente "não existia" no Iraque e hoje é responsável por grande parte dos freqüentes 'atentados’ no país.

Aos poucos, a guerra ganhou mais e mais críticos na sociedade norte-americana, o que veio a derrubar os índices de aprovação ao governo Bush. A presença das tropas norte-americanas no Iraque era apontada como tema dos mais cruciais nos debates da campanha eleitoral à sucessão de Bush neste ano, em curso.

Para sorte ou azar do governo ou de seus opositores, a crise financeira iniciada no fim do ano passado cresceu e se tornou o assunto principal no interesse médio dos americanos. É na ameaça de recessão que reside hoje a preocupação maior. O que pode tornar ainda mais chamativos os custos da guerra.

ANÁLISES

Os Estados Unidos não esperavam que a guerra do Iraque fosse muito mais difícil de ser vencida do que a Guerra do Vietnã (1958-1975) e agora vêem crescer o antiamericanismo na região. Na opinião do professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense, Williams Gonçalves, houve "erro de cálculo" na ação dos EUA.

"O Iraque se converteu em um problema sério para o governo Bush. A intenção dos EUA era introduzir em seu lugar governante confiável aos seus interesses. A partir de um Iraque remodelado, promover reformulação completa do Oriente Médio.

Apesar de terem derrotado muito facilmente as forças militares de Saddam, os EUA nunca conseguiram exercer um real controle político sobre o Iraque. A frágil estrutura do país se desfez em três grandes grupos: árabes sunitas, árabes xiitas e curdos. Os EUA até hoje não conseguiram fazer com que o governo que se instalou no local se fizesse respeitar. É um governo que não tem qualquer legitimidade, o que impede que as forças americanas se retirem do Iraque."

Nos Estados Unidos, "a não ser por parte dos republicanos, há muito protesto e pouca comemoração", relata Sérgio D’ Ávila, de Washington.

Na Europa, o sentimento predominante em relação à ação militar no Iraque é de repúdio, observa o historiador Luiz Felipe de Alencastro (professor da Sorbonne, em Paris). O conflito no Iraque, diz, "está diretamente ligado ao declínio do prestígio e à saída do primeiro-ministro Tony Blair, que foi quem colocou a Inglaterra na guerra". "Gordon Brown está achando um jeito de retirar o contingente inglês do Iraque."

Alencastro diz que a guerra tomou proporções muito mais graves do que o que os homens que começaram a ofensiva haviam imaginado. "Criou-se no Iraque um tal redemoinho de tensões que hoje fica muito difícil de sair de lá", avalia o historiador. "A saída das tropas pode levar a uma guerra civil de grandes proporções", diz Alencastro, para quem os cinco anos de guerra "desmoralizaram o governo americano". "Foi um golpe terrível na popularidade de Bush", afirma.

Para Gunther Rudzit, os EUA "levaram uma guerra civil ao Iraque".

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil concluem que a invasão do Iraque mudou o balanço de forças no Oriente Médio”.

SITUAÇÃO HUMANITÁRIA

“CINCO ANOS DEPOIS, SITUAÇÃO NO IRAQUE É DESESPERADORA”

“Em uma situação "desesperadora", milhões de iraquianos vivem sem acesso a água tratada, saneamento básico ou atendimento à saúde, cinco anos após a invasão americana de 2003, afirmam nesta segunda-feira dois relatórios divulgados por organizações internacionais.

Segundo a Cruz Vermelha, que descreveu a situação humanitária no Iraque como "uma das mais críticas do mundo", famílias iraquianas gastam até um terço de sua receita mensal de pouco mais de R$ 250 apenas para comprar água limpa.
Dois em cada três iraquianos não têm acesso a água potável, completou um segundo relatório divulgado pela Anistia Internacional.

De acordo com a Anistia, cerca de 8 milhões de iraquianos --quase um terço da população de 27 milhões de habitantes --precisam de ajuda humanitária para viver.
Os relatórios são divulgados na semana em que se completam cinco anos da invasão do Iraque, na madrugada de 19 para 20 de março de 2003.

"Para as pessoas que precisam de água limpa, que precisam de acesso à saúde, a situação está pior do que nunca. Foram décadas de guerras e sanções, o que significa que não houve investimentos suficientes no sistema de saúde e em saneamento", disse à BBC o porta-voz da Cruz Vermelha em Washington Michael Khambatta.

Ainda de acordo com a Cruz Vermelha, hospitais iraquianos se ressentem da falta de profissionais e medicamentos, e oferecem apenas 30 mil leitos, menos da metade dos 80 mil necessários”.

"DIREITOS HUMANOS" NO IRAQUE

“O relatório da Cruz Vermelha é complementado por outro, da Anistia Internacional, que avalia como "desesperadora" a situação humanitária no país em guerra.

"Milhares de pessoas foram mortas ou incapacitadas, e comunidades que antes viviam em harmonia foram precipitadas para o conflito aberto. Para muitas mulheres, agora sob risco de ataque por militantes religiosos, as condições até deterioraram em comparação com o período de Saddam Hussein", disse o relatório.

De acordo com o relatório, mesmo na relativamente tranqüila região do Curdistão, no norte do Iraque, a melhoria econômica não foi acompanhada de mais respeito pelos direitos humanos. "Prisões arbitrárias, detenções e torturas continuam a ser registradas mesmo nas províncias do Curdistão", afirmou o diretor da Anistia Internacional para Oriente Médio e África, Malcolm Smart.

"O governo de Saddam Hussein era sinônimo de abuso de direitos humanos, mas sua substituição não representou nenhum alívio para o povo iraquiano."

Segundo o relatório, o número de mortos desde o início do conflito permanece incerto. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estimou que até junho de 2006 as mortes chegavam até 150 mil. Naquele ano, 35 mil pessoas morreram, afirmou a Anistia, citando a ONU.

Apesar disso, os Estados Unidos afirmam que “a segurança no Iraque está melhorando”. As taxas de violência têm caído em até 60% desde junho do ano passado --embora o próprio comandante das tropas americanas no país, general David Petraeus, ressalte a volatilidade da situação.”

Concluindo, recordo que ontem postamos um artigo que se iniciava assim:

HILLARY CLINTON: O IRAQUE GANHARÁ A GUERRA”.

Não foram essas, exatamente, as palavras de Hillary Clinton. Ela disse: “Não poderemos vencer” (o Iraque). Assim, como corolário, como conseqüência natural e evidente, veio o título acima “O Iraque ganhará a guerra”.

IG + PIG + OPOSIÇÃO vs BLOG "CONVERSA AFIADA"

Estão acontecendo coisas estranhas na blogosfera. Um famoso e ótimo blog foi tirado do ar repentinamente. Talvez o próprio jornalista Paulo Henrique Amorim, do blog "Conversa Afiada", venha a nos ajudar a compreender (já coloquei seu novo endereço na coluna de "recomendados" deste blog).

O blog "Conversa Afiada" é um dos mais acessados e elogiados da internet. Contudo, ontem foi cancelado e tirado do ar abruptamente pelo IG. O contrato que venceria no final deste ano, em 31/12/2008, foi rompido. A desculpa publicada pelos blogs do PIG, como o "do Noblat" (GLOBO), foi "baixa audiência" (!?!).

Paulo Henrique Amorim tem sido um inteligente, irônico, sarcástico e perspicaz denunciador das hipocrisias da grande mídia (por ele chamada de PIG, Partido da Imprensa Golpista), que defende e protege clara e fortemente os políticos do PSDB e do DEM mesmo em prejuízo da verdade. Paulo Henrique Amorim também tem sido um ativo denunciador de falcatruas relacionadas a Daniel Dantas.

Agora, leio no "Blog do Azenha" que outro ótimo jornalista e "blogueiro" também saiu do IG. Transcrevo a notícia do jornalista Luiz Carlos Azenha:

"MINO CARTA DEIXA O IG EM SOLIDARIEDADE A PAULO HENRIQUE AMORIM"
(Atualizado em 19 de março de 2008 às 13:10)

SÃO PAULO - Do blog do Mino Carta:

"O último post"

"Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada"

Prossegue o blog do Azenha:

"SÃO PAULO - Ontem foi um dia histórico para a internet e o jornalismo eletrônico brasileiro. Pela primeira vez, ao menos que seja de meu conhecimento, um site foi desplugado do ar sem qualquer aviso aos internautas, sem qualquer explicação oficial da empresa hospedeira. Os leitores foram privados de um conteúdo, independentemente de concordarem ou não com ele. O site deu pluft e sumiu do ar. Tentei obter informações do IG. Nada. O jornalista Paulo Henrique Amorim não quis gravar entrevista antes de consultar seu advogado e prometeu dar sua versão dos fatos no novo endereço que criou.

Confirmou que ficou sem acesso inclusive a conteúdo que classificou de "pessoal", como a reprodução de palestras que colocava à disposição dos leitores. Em minha modesta opinião, é como se alguém fosse privado da própria memória; que, por ser pública, na verdade era memória do conjunto dos internautas, mais uma vez independentemente da avaliação que fizessem do conteúdo. Salvo mudanças, é uma espécie de queima de arquivo digital."

P.S 1: Adiciono uma informação oportuna que li ontem no "Blog de um sem-mídia", de Carlos A. A. Dória:

"O IG, por sua vez, é controlado pelo Internet Group do Brasil S.A., empresa de capital privado responsável pela operação dos portais IBest e BrTurbo.

O Internet Group do Brasil S.A. tem sua composição societária dividida da seguinte forma:

Internet Group Cayman Limited com 99%;
BRT Serviços de Internet S/A com 1%.

A presidência da direção executiva do IG é exercida pelo jornalista Caio Túlio Costa, que trabalhou durante 21 anos na Folha de S. Paulo, onde foi editor, secretário de redação e o primeiro ombudsman da imprensa brasileira.

O IG também abriga várias páginas de internet de linha incômoda para figuras como Dantas, Serra, FHC, as famílias midiáticas, o PSDB e o DEM. Estão hospedados no IG os sites de Mino Carta, José Dirceu, Luis Nassif e outros."

P.S. 2

Paulo Henrique Amorim, em seu novo endereço na internet (clicar nos "recomendados") publicou hoje (19) o seguinte:

"ESCLARECIMENTO II"

O Conversa Afiada ficou fora do ar por 08 horas e 58 minutos.

Breve, escreverei um Máximas e Mínimas para tentar explicar o que aconteceu.

O iG se limitou a enviar uma notificação assinada por Caio Túlio Costa, para avisar que o contrato se rescindia de acordo com clausula que previa um aviso prévio.

Não é a primeira vez que me mandam embora de uma empresa jornalística.
Só o Daniel Dantas me “tirou do ar” duas vezes: na TV Cultura e no Uol.
E ele sabe que não vai me tirar, nunca ...

Com isso, se encerrou a vida deste blog num portal da internet.
Nenhum blog de relevância política nos Estados Unidos, por exemplo, está pendurado num portal.

Clique aqui para ver: http://www.huffingtonpost.com ou http://www.talkingpointsmemo.com, para ficar em dois dos melhores exemplos.

Essa é a virtude a internet: último reduto do jornalismo independente.

Assim, se você acha que o Farol de Alexandria (FHC) e o presidente eleito (Serra) são dois impostores; se você gosta do Festival do Tartufo Nativo; se acha que o PIG, além de ilegível, não tem salvação; que os portais da internet brasileira são uma versão – para pior – do PIG; que a Veja é a última flor do Fascio; que o Ministro (?) Marco Aurélio de Mello deveria ser impeached; que Daniel Dantas deveria estar na cadeia; que Carlos Jereissati e Sergio Andrade vão ficar com a “BrOi” sem botar um tusta; que a “BrOi” significa que o Governo Lula vai tirar Dantas da cadeia; que chega de São Paulo, porque está na hora de um presidente não-paulista etc etc etc ... se você acha tudo isso, continue a visitar o Conversa Afiada neste novo e renovado espaço.

Em tempo: o Conversa Afiada anuncia publicamente que não é candidato a nada no iBest. Nunca levou isso a sério. Não vai ser agora que vai levar.

Muitas novas atrações virão."

terça-feira, 18 de março de 2008

MSM REPRESENTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA EMPRESAS DE COMUNICAÇÃO

O Movimento dos Sem Mídia (MSM), presidido por Eduardo Cairo Guimarães do “Blog Cidadania”, deu entrada anteontem (17) no Ministério Público Federal de São Paulo, na representação contra empresas de comunicação que “pautaram e colocaram em imensa evidência, em suas publicações e transmissões, relatos e opiniões de forma extremamente alarmantes, sempre em escala crescente, o que acabou disseminando entre a população a crença de que estaria em curso no país uma EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA URBANA”.

Publico abaixo o texto completo da representação (extraído do blog do Azenha), pela grande importância conceitual desse ato do MSM. Ele tem elevado valor simbólico na luta que deveria ser desencadeada contra o monopólio da informação existente no Brasil. Monopólio esse direcionado para evidentes objetivos partidários que, por sua vez, respaldam fortes interesses políticos, econômicos e financeiros atuantes no Brasil.

O texto da representação, que foi protocolada com o número PR/SP-SEPJ-001848/2008, é o seguinte:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR PROCURADOR DA REPÚBLICA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
ILMO. SR. DR. COORDENADOR DA TUTELA COLETIVA DA PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO ESTADO DE SÃO PAULO

O MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA – MSM -, organização da sociedade civil de direito privado, fundada em 13 de Outubro de 2007, registrada no 7º Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Capital sob o nº 28.103, livro A (cópia do Estatuto Social anexa), com sede à Rua Doutor Bacelar, nº 1038, Vila Clementino, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP. 04026-000, com objetivo social, entre outros, de defesa e incentivo de uma mídia livre, plural, ética, e responsável, vem respeitosamente, perante V.Exa., neste ato representado por seu Presidente, com base nos artigos 2º; 3º- incisos I, III, § 3º, letra “c”; e 16, inciso I do seu Estatuto Social, e nos artigos 127, caput; e 129, incisos II e III, e demais aplicáveis à espécie da vigente Constituição da República Federativa do Brasil e da Lei Orgânica do Ministério Público Federal, formular a presente:

REPRESENTAÇÃO

Contra a empresa Folha da Manhã S/A, na pessoa de seus representantes legais, com sede à Alameda Barão de Limeira, 425, Santa Cecília, CEP: 01202-001, São Paulo, SP; Contra a S.A. O Estado de S. Paulo, na pessoa de seus representantes legais, com sede na Av. Eng. Caetano Álvares, 55, Limão, CEP: 02598-900, São Paulo, SP; contra a Editora Abril S/A, na pessoa de seus representantes legais, com sede na Av. das Nações Unidas, 7221, Pinheiros, CEP: 05425-070, São Paulo, SP; contra a Globo Comunicação e Participações S/A, na pessoa de seus representantes legais, com sede à Rua Lopes Quintas, 303, Jardim Botânico, CEP: 22460-901, Rio de Janeiro, RJ, e com sede também em São Paulo; contra a Revista IstoÉ, na pessoa de seus representantes legais, com sede na Rua William Speers, 1000, CEP: 05067-900, São Paulo, SP; contra a SA Correio Brasiliense, na pessoa de seus representantes legais, com sede na SIG QD 02 LOTE 340, Plano Piloto, CEP: 70610-901, Brasília, DF; contra o Jornal do Brasil, na pessoa de seus representantes legais, com sede na Av. Paulo de Frontin, 651, Rio Comprido CEP: 20261-243, Rio de Janeiro, RJ , e contra todos os demais veículos e meios de comunicação, que nos termos da investigação a ser realizada pela D. Autoridade Ministerial Federal, incumbida da matéria pela competência legal, tiverem infringido a legislação federal penal e civil vigentes aplicáveis à espécie, pelas razões de fato e de direito que respeitosamente, passa a expor:

PRELIMINARMENTE

1.- Após a volta do País à normalidade democrática, alicerçados nos postulados do Estado Democrático de Direito e consagrados pela Constituição Federal de 1988, os cidadãos e as organizações representativas da sociedade civil deixaram a posição de meros espectadores dos fatos da vida nacional, tendo se tornado agentes vivos, participantes, atentos e vigilantes dos interesses maiores da sociedade;

2.- Consideramos que a liberdade de imprensa, tal como garantida pela vigente Carta Magna, é um dos sustentáculos do regime democrático. No entanto, o direito – bem como o dever - dos meios de comunicação de divulgarem informações deve estar sempre lastreado em pressupostos éticos, morais e de compromisso com a verdade dos fatos, pois o imenso poder da dita grande mídia, na era da informação em tempo real em que vivemos, deve ser exercido dentro de parâmetros de responsabilidade, haja visto em que esses meios de comunicação cobrem todo o território nacional e, em conseqüência, o eventual mau uso ou a distorção dos fatos podem gerar gravíssimas conseqüências para a população, como efetivamente pode ter acontecido no caso objeto da presente Representação.

2.1.- Os fatos ora relatados atingiram toda a sociedade e geraram conseqüências em todo o Território Nacional, extrapolando as fronteiras dos Estados membros da Federação, motivo da presente Representação à D. Autoridade Ministerial Federal.

DOS FATOS

3.- No final do mês de dezembro de 2007, com a seqüência dos fatos prosseguindo até o fim de janeiro de 2008, os veículos de comunicação social ora Representados pautaram e colocaram em imensa evidência, em suas publicações e transmissões, relatos e opiniões de forma extremamente alarmantes, sempre em escala crescente, o que acabou disseminando entre a população a crença de que estaria em curso no país uma EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA URBANA, evento que não ocorria há mais de sessenta anos. Dessa prática da imprensa decorreu verdadeira histeria social, que se apoderou do cidadão mais humilde até o mais abastado – e, pretensamente, mais bem informado -, num processo em que cada órgão de imprensa parecia querer produzir mais estardalhaço e alarme do que o outro, conforme relatado de forma cronológica nos termos do ANEXO I desta Representação.

4.- No entanto, desde o início da publicação dessa série de matérias na mídia sobre uma suposta epidemia de febre amarela, os Representados parecem não ter buscado informações técnicas adequadas para o fim de esclarecerem e orientarem a população. Os meios de comunicação não informaram adequadamente (no tempo certo, com o devido destaque e em volume de alertas compatível com a torrente de informações que divulgavam sobre a suposta epidemia) os riscos que as pessoas corriam ao se vacinarem sem necessidade, ao se revacinarem ou, ainda, vacinando-se apesar de seus organismos serem incompatíveis com o medicamento.

5.- Essa ação dos órgãos de mídia ora Representados produziu os efeitos previsíveis, criando um clima de pânico generalizado entre a população de todo o País, com milhões de pessoas dos centros urbanos e das áreas rurais acorrendo desesperadas aos postos de saúde e de vacinação para se imunizarem contra um risco de contraírem febre amarela que só existia para uma parcela dessas pessoas, pois a outra parcela que se vacinou não estava nas chamadas áreas de risco, nem iria empreender viagem a tais áreas.

5.1.- É preciso mencionar que, ao tomar a vacina, o indivíduo é inoculado com o vírus atenuado da febre amarela. Em determinadas circunstâncias, portanto, a vacina pode produzir reações adversas graves, podendo levar o paciente a óbito. Por desconhecimento e até por falta de informações da mídia – que, além de difundir pânico em intermináveis manchetes de jornais, telejornais etc., dava espaço a jornalistas que se manifestavam sem base técnica ou conhecimentos médicos, conclamando as pessoas a se vacinarem fossem de onde fossem e antes que fosse tarde (Anexo I) -, certas pessoas chegaram a se vacinar duas, três vezes seguidas para se “garantirem” de que estariam imunizadas. Como se não bastasse, havia um risco adicional na vacinação aleatória, pois a vacina é contra-indicada para algumas pessoas em condições de saúde específicas, tais como recém-nascidos, gestantes ou pessoas com baixa imunidade biológica.

6.- A situação de pânico entre a população, causada pelas informações alarmantes da mídia, chegou a tal ponto que o próprio Ministro de Estado da Saúde, Exmo. Sr. Dr. José Gomes Temporão, viu-se obrigado a convocar rede nacional de rádio e televisão para esclarecer e acalmar a população, informando-a de que não havia NENHUMA EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA URBANA OU SILVESTRE EM CURSO NO BRASIL. Essa, então, era a informação oficial, real e que corresponde à verdade dos fatos, ao contrário do que alardeavam os meios de comunicação ora Representados, sendo que alguns deles, de forma extremamente temerária e mesmo irresponsável, chegaram, em seus noticiários, a colocar em dúvida a veracidade do pronunciamento do Ministro de Estado da Saúde (Anexo I).

7.- Um dos indícios a evidenciar que os órgãos de imprensa ora Representados geraram pânico e alarma social, com conseqüências graves à saúde das pessoas e desperdício de dinheiro público, foi o aumento explosivo e estatisticamente comprovado do número dos que se vacinaram contra febre amarela (Anexo I).

8.- Em pouco tempo, enquanto a mídia continuava em sua escalada temerária, fato este detectado e corroborado até pelo próprio Ombudsman de um dos Representados (Anexo I), o número de pessoas que estavam adoecendo por reação adversa à vacina já era similar ao das que padeciam da doença que aquela vacina combate. E o mais trágico é que o alarmismo midiático pode ter causado a morte de ao menos uma pessoa (Anexo I). Trata-se de uma senhora de 79 anos, residente em São Paulo, que não é área de risco da febre amarela. Essa cidadã não pretendia viajar a alguma das áreas de risco, portanto nunca deveria ter-se vacinado. Vacinou-se porque se assustou com o noticiário.

9. - Tragicamente, na competição em que os meios de comunicação mergulharam com o fim aparente de transformarem uma inexistente EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA em fato jornalístico, e com objetivos e finalidades ainda desconhecidos, esses órgãos de imprensa ora Representados não tomaram as indispensáveis e necessárias cautelas de alertar e de informar a população dos riscos de reações adversas da vacina de forma adequada. Os Representados somente passaram a ter alguma preocupação com essa providência indispensável depois de semanas de alarmismo, quando o pânico já provocava adoecimento de pessoas que se vacinaram sem necessidade ou mais de uma vez e que tinham organismos incompatíveis com o medicamento.

Os órgãos de imprensa Representados passaram a ser ALERTADOS PUBLICAMENTE POR ESPECIALISTAS PREOCUPADOS COM O ALARMA SOCIAL QUE ESTAVA PRODUZINDO CASOS DE ADOECIMENTO POR REAÇÃO ADVERSA À VACINA EM NÚMERO PARECIDO COM O DE CASOS DE FEBRE AMARELA SILVESTRE (Anexo I). Até 22 de fevereiro deste ano, boletim do Ministério da Saúde informava que havia 59 notificações de casos suspeitos de febre amarela silvestre. Desses, 33 foram confirmados, 23 descartados e 3 permanecem sob investigação. Já as reações adversas à vacina, o mesmo boletim informa que foram registrados 52 casos suspeitos. Apesar de ainda não haver confirmação pelo Ministério da Saúde, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações daquele Ministério, Luiza de Marilac Meireles Barbosa, confirmou, em entrevista à jornalista Conceição Lemes (Anexo I), que duas pessoas foram a óbito por reação adversa à vacina, sendo que uma das vítimas, uma senhora de 79 anos de São Paulo, vacinou-se desnecessariamente, pois não precisava viajar a zonas de risco.

10.- Analisando os fatos objetos da presente Representação, conclui-se que a sociedade e suas instituições não podem ficar reféns dos humores, interesses e ações dos veículos de mídia em nosso País. Por isso, os fatos ora trazidos à análise e investigação da D. Autoridade Ministerial Federal, devido à sua extrema gravidade, devem ser tratados de forma exemplar, rigorosa, didática até, para que, no futuro, não voltem a ocorrer.

Os órgãos de mídia, vistos por alguns como o Quarto Poder da República, em alguns casos parecem agir de forma a testar a força efetiva de mobilização ou de influência que detêm sobre a sociedade, principalmente sobre as parcelas da população com menores recursos materiais ou intelectuais que lhe possibilite entender - e até se defender - dos efeitos da ação midiática predatória aqui descrita, gerando, não raro, fatos ou situações que não atendem ou refletem os reais e legítimos interesses da sociedade e da democracia, garantidos pelos postulados do Estado Democrático de Direito e sacramentados pela vigente Constituição da República, que devem ser respeitados por todos, pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, pois todos são iguais perante as leis.

DOS PEDIDOS

11.- Por todo o exposto, e com base em matérias jornalísticas impressas e de vídeo anexadas a esta REPRESENTAÇÃO (Anexo I), que foram produzidos pelos veículos aqui representados e outros a serem requisitados pelo órgão, requer-se à D. AUTORIDADE MINISTERIAL FEDERAL que proceda a INVESTIGAÇÃO dos fatos relatados, que, em tese, caracterizariam, s.m.j., crimes previstos na lei nº 5.250/67, em seu artigo 16, perturbação da ordem pública ou alarma social, além de outros possíveis ilícitos previstos na legislação penal, civil e extravagante federal, inclusive a que rege o licenciamento, operação e obrigações legais das concessionárias de meios de comunicação e da vigente Constituição Federal aplicáveis à matéria, a serem devidamente apurados e objetos das medidas judiciais cabíveis no âmbito dessa D. Procuradoria da República.

Assim sendo, requer-se à D. Autoridade Ministerial, incumbida pela Constituição da República da defesa da Ordem Jurídica, do Estado Democrático de Direito e dos interesses coletivos, difusos, individuais e indisponíveis da população brasileira, que tome as medidas cabíveis no sentido de:

a) proceder à investigação dos fatos narrados;

b) oficiar ao Ministério da Saúde requisitando dados oficiais e estatísticos relativos a ocorrência da doença febre amarela no Brasil, urbana e silvestre, no período dos últimos 10 (dez) anos; a integra do pronunciamento do Ministro da Saúde em cadeia nacional de rádio e televisão noticiada e demais documentos julgados necessários pela D. Autoridade Ministerial;

c) promover a eventual responsabilização civil e penal dos envolvidos em ilicitudes, nos termos da legislação federal aplicável e adequada à matéria;

d) caracterizada e configurada a hipótese cabível, promover a competente Ação Civil Pública para ressarcimento de todos os danos causados ao Erário Público pelos Representados, em decorrência do acréscimo de vacinação desnecessário na população, depositando os recursos oriundos da condenação em Fundo Especial para Ressarcimento das Vítimas da vacinação indevida e do Ministério da Saúde.

São Paulo - SP, em 17 de Março de 2008.
MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA – MSM, Carlos Eduardo Cairo Guimarães, Presidente"

HILLARY CLINTON: O IRAQUE GANHARÁ A GUERRA

Não foram essas, exatamente, as palavras de Hillary Clinton. Ela disse: “Não poderemos vencer” (o Iraque). Assim, como corolário, como dedução natural e evidente, veio o título acima “O Iraque ganhará a guerra”.

Transcrevo a matéria de Jeff Mason, de Washington, publicada ontem no UOL Últimas Notícias:

"NÃO PODEMOS VENCER”, DIZ HILLARY SOBRE O IRAQUE

A democrata Hillary Clinton criticou na segunda-feira a guerra do Iraque, que segundo ela deve atingir US$ 1 trilhão e afetar a economia dos Estados Unidos, e voltou a defender a desocupação, já que o conflito se mostra impossível de vencer.

Hillary tenta convencer os norte-americanos de que tem experiência em política externa, em contraposição a Barack Obama, seu rival na disputa pela indicação democrata à Presidência dos EUA.

Ela lembrou que, enquanto Obama promete retirar as tropas do Iraque nos 16 primeiros meses de mandato, uma ex-assessora dele, Samantha Power, disse numa entrevista que esse seria apenas "o melhor cenário".

"Em momentos incertos, não podemos nos dar ao luxo de uma liderança incerta", disse Hillary. Power se afastou da campanha depois de chamar Hillary de "monstro" numa entrevista.

Obama, que costuma criticar Hillary por ter votado como senadora a favor da guerra do Iraque, em 2002, reagiu: "É uma guerra pouco sensata, razão pela qual me opus a ela em 2002 e por isso vou acabar com esta guerra em 2009."

O senador continua na defensiva pela segunda semana consecutiva. Na terça-feira, ele deve fazer um discurso em Filadélfia para tentar contornar a polêmica sobre seu pastor em Chicago, Jeremiah Wright, acusado de colocar idéias antiamericanas em seus sermões.

"Falarei não só sobre o reverendo Wright [que é negro], mas sobre a questão mais ampla da raça nesta campanha", disse Obama fazendo campanha em Monaca, Pensilvânia, Estado que realiza eleições primárias em 22 de abril.

Com relação ao republicano John McCain, Hillary o criticou por apoiar as políticas do governo Bush. "Os dois querem nos manter atados à guerra civil de outro país, uma guerra que não podemos vencer", disse ela. "Isso em resumo é a política Bush/McCain para a guerra: não aprenda com seus erros, repita-os."

A senadora disse que a guerra está solapando o poderio bélico e econômico dos EUA e afetando sua segurança nacional, além de já ter matado 4.000 norte-americanos e deixado milhares de feridos.

"Nossa segurança econômica está em jogo. Levando em consideração os custos de longo prazo para a substituição de equipamentos e o fornecimento de atendimento médico para as tropas e os benefícios dos sobreviventes, a guerra no Iraque pode acabar custando bem mais de 1 trilhão de dólares", afirmou Hillary.

Ela prometeu que, se eleita, vai reunir conselheiros militares em janeiro e pedir a eles um plano para retirar as tropas em 60 dias.

Em entrevista à CNN, McCain disse que uma retirada nesse prazo "significa que a Al Qaeda ganha".

FIM DA CRISE COLÔMBIA x EQUADOR: REPERCUSSÃO NA IMPRENSA DOS DOIS PAÍSES

OS EUA NÃO CONCORDARAM TOTALMENTE COM O TEXTO DA RESOLUÇÃO

Os países latino-americanos, inclusive o Brasil, lograram ontem à noite, em Washington, alcançar o fim da crise, apesar de os Estados Unidos não concordarem com o texto final do acordo selado na sede da Organização dos Estados Americanos - OEA (vide obs. marcada com (*) no texto da resolução).

Vejamos o texto final da resolução da reunião de consulta:

“REUNIÓN DE CONSULTA DE MINISTROS DE RELACIONES EXTERIORES

VIGÉSIMO QUINTA REUNIÓN DE CONSULTA DE MINISTROS DE RELACIONES EXTERIORES
17 de marzo de 2008
Washington, D.C.

RESOLUCIÓN DE LA VIGÉSIMO QUINTA REUNIÓN DE CONSULTA DE MINISTROS DE RELACIONES EXTERIORES (*)

CONSIDERANDO:

Que la Organización de los Estados Americanos tiene plena competencia para conocer de hechos y acontecimientos que pongan en riesgo la paz y la seguridad hemisférica;

Que uno de los propósitos de la OEA es el respeto a la personalidad, soberanía e independencia de los Estados, así como el fiel cumplimiento de las obligaciones emanadas de los tratados y otras fuentes del derecho internacional;

Que figuran entre los propósitos esenciales de la Carta de la OEA el de “afianzar la paz y la seguridad del continente” y “asegurar la solución pacífica de las controversias que surjan entre los Estados Miembros”;

Y recogiendo el texto de la resolución del Consejo Permanente de 5 de marzo de 2008 y de la Declaración de la XX Reunión de Presidentes del Grupo de Río de 7 de marzo de 2008,

RESUELVE:

1. Acoger positivamente la “Declaración de los Jefes de Estado y de Gobierno del Grupo de Río sobre los acontecimientos recientes entre Ecuador y Colombia” adoptada en Santo Domingo, República Dominicana el 7 de marzo de 2008, y destacar su contribución a la distensión de la situación y al acercamiento entre las partes, con base en principio del derecho internacional.

2. Reiterar la plena vigencia de los principios consagrados en el derecho internacional, de respeto a la soberanía, abstención del uso o amenaza de uso de la fuerza y de no injerencia en los asuntos de otros Estados, que consagra el artículo 19 de la Carta de la OEA, y que constituyen principios fundacionales del sistema interamericano, obligatorios en cualquier circunstancia para todos sus Estados Miembros.

3. Reiterar la plena vigencia del principio de soberanía territorial, consagrada de manera irrestricta y sin ninguna excepción en el artículo 21 de la Carta de la OEA, como un principio vital de la convivencia entre las naciones americanas.

4. Rechazar la incursión de fuerzas militares y efectivos de la policía de Colombia en territorio del Ecuador, en la Provincia de Sucumbíos, el 1º de marzo de 2008, efectuada sin conocimiento ni consentimiento previo del Gobierno del Ecuador, por considerar que ella constituye una clara violación de los artículos 19 y 21 de la Carta de la OEA. (*)

5. Registrar las plenas disculpas por los hechos acaecidos y el compromiso de Colombia de que ellos no se repetirán en ninguna circunstancia, manifestados por su Presidente ante el Grupo de Río y reiterados por su Delegación en esta Reunión de Consulta.

6. Reiterar el firme compromiso de todos los Estados Miembros de combatir las amenazas de la seguridad provenientes de la acción de grupos irregulares o de organizaciones criminales, en particular de aquellas vinculadas a actividades del narcotráfico.

7. Instruir al Secretario General para que ejerza sus buenos oficios para la implementación de un mecanismo de observación del cumplimiento de esta resolución y el restablecimiento de un clima de confianza entre las dos partes.

8. Tomar nota del Informe entregado por la Comisión encabezada por el Secretario General e integrada por el Presidente del Consejo Permanente y Representante Permanente de Las Bahamas, Embajador Cornelius Smith; y por los Representantes Permanentes de Argentina, Embajador Rodolfo Gil; Brasil, Embajador Osmar Chohfi; Panamá, Embajador Aristides Royo; y Perú, Embajadora María Zavala; y agradecer a todos ellos el gran esfuerzo realizado.

9. Mantener abierta esta Reunión de Consulta y fijar su próxima sesión en ocasión de celebrarse el próximo período ordinario de sesiones de la Asamblea General a fin de recibir un informe del Secretario General sobre el cumplimiento de esta resolución.

(*) Apoyamos los esfuerzos de esta resolución para crear un consenso entre Colombia y Ecuador con el fin de hacer frente a esta crisis. Estados Unidos no esta preparado para aceptar la conclusión contenida en el párrafo operativo 4 dado que es muy específica en cuanto a los hechos y no toma en cuenta las disposiciones de las Cartas de la OEA y de las Naciones Unidas; de cualquier manera, ni esta resolución ni la resolución CP/RES. 930 (1632/08) afecta el derecho de autodefensa consagrado en el artículo 22 de la Carta de la OEA y el artículo 51 de la Carta de las Naciones Unidas.”

REPERCUSSÃO NA IMPRENSA COLOMBIANA

As matérias dos jornais colombianos foram favoráveis ao acordo alcançado. Exemplifico com o texto do jornal “El Colombiano”, de hoje, 18/03/08:

Resolución de la OEA acogió razones de Colombia y Ecuador

--Rechazó la incursón militar a ese país por violar normas de soberanía nacional.
--Recordó que es urgente combatir a todos los grupos armados ilegales.
--Canciller de Colombia dijo que se logró el objetivo trazado por el país.

“La Organización de Estados Americanos (OEA) logró en la madrugada de este martes ponerse de acuerdo en una resolución con la que pretende limar diferencias entre Colombia y Ecuador, a pesar de que Estados Unidos, que la apoyó, expresó reservas por considerar que Colombia tiene derecho a actuar en legítima defensa.

La resolución rechaza (omitió el término “condena”) la incursión militar en territorio ecuatoriano el pasado primero de marzo, al tiempo que aceptó las disculpas ofrecidas por el Gobierno de Colombia, durante la Cumbre de Río, realizada el pasado 7 de marzo en Santo Domingo, República Dominicana.

Pese al rechazo, Colombia logró que se incluyera en la declaración el compromiso explícito de las naciones de América de apoyar y luchar contra todo grupo armado ilegal que atente contra la seguridad nacional de cualquier país, en especial, aquellos vinculados con el narcotráfico, en alusión a las Farc.

El rechazo a la incursión militar constituye, a juicio de los cancilleres reunidos durante más de 14 horas en la capital estadounidense, una clara violación de los artículos 19 y 21 de la Carta de la OEA.

Estados Unidos apoyó la resolución pero hizo constar en el plenario que no apoya el artículo cuarto, referente al rechazo de la incursión porque considera que Colombia tiene derecho a actuar en legítima defensa.

Colombia y E.U. tampoco lograron que en la declaración se incluyera el término “terrorista” para referirse a la necesidad de luchar contra un grupo irregular como las Farc, que ambas naciones así lo consideran.

Colombia y Ecuador están enfrentados desde el primero de marzo, tras la incursión en la que murió Raúl Reyes, el segundo al mando de las Farc.

Este hecho generó una crisis diplomática sin precedentes recientes en América, luego de que Ecuador, Venezuela y Nicaragua, rompieran relaciones con Colombia, crisis que empezó a paliarse en la Cumbre de Río.

El documento de esta madrugada valora la Declaración de los presidentes del Grupo de Río al respecto y destacó su contribución a la distensión de la situación y al acercamiento entre las partes, con base en principio del Derecho Internacional.

Por eso, reitera la plena vigencia de los principios de esa normativa, de respeto a la soberanía, de abstención del uso o amenaza del uso de la fuerza y de no injerencia en los asuntos de otros estados, que consagra el artículo 19 de la Carta de la OEA.

Reacciones

Los cancilleres “registraron” las plenas disculpas de Colombia y el compromiso de que los hechos “no se repetirán en ninguna circunstancia”.

Reiteraron “el firme compromiso de los Estados de combatir las amenazas de la seguridad procedentes de la acción de grupos irregulares o de organizaciones criminales, en particular aquellas relacionadas con el narcotráfico”.

La resolución instruye al Secretario General, José Miguel Insulza, para que ejerza sus buenos oficios e implemente un mecanismo de observación del cumplimiento de la resolución y el restablecimiento del clima de confianza entre las dos partes.

También “toma nota” del informe entregado por la comisión encabezada por el titular de la OEA, que visitó la zona, y decide mantener abierta la reunión de consulta hasta la próxima asamblea de la OEA que se celebrará en Medellín (en junio y en la que Insulza deberá presentar un informe sobre el cumplimiento de la resolución).

El canciller colombiano, Fernando Araújo, dijo que no se podía hablar de un triunfo de Colombia, pero sí se declaró satisfecho porque el país logró el objetivo trazado en esta reunión.

“Ese objetivo va en la dirección de lograr una cooperación con Ecuador en la lucha contra los delincuentes, contra los insurgentes, contra los terroristas, contra todas las formas de delincuencia que se presenta en la frontera, en especial en los temas de narcotráfico y terrorismo”.

Síntesis de la resolución1.

1.Acoge positivamente la declaración de los presidentes del Grupo de Río sobre la incursión colombiana adoptada en Santo Domingo el 7 de marzo.
2.Reitera la plena vigencia de los principios consagrados en el derecho internacional de respeto a la soberanía.
3.Reitera la plena vigencia del principio de soberanía territorial según la carta de la OEA.
4.Rechaza la incursión de las fuerzas colombianas en territorio ecuatoriano.
5.Registra las plenas disculpas de Colombia por los hechos y su compromiso de no repetirlos.
6.Reitera el firme compromiso de todos los estados miembros de combatir las amenazas de la seguridad provenientes de grupos irregulares.
7.Instruir a Insulza para que ejerza sus buenos oficios en la implementación de un mecanismo de observación y cumplimiento de esta resolución.
8.Tomar nota del informe presentado por Insulza sobre cómo ocurrieron los hechos.
9.Instruir a Insulza para que presente en la asamblea de cancilleres en Medellín (Colombia), un informe sobre el avance del cumplimiento de esta resolución.”

REPERCUSSÃO NA IMPRENSA EQUATORIANA

Os jornais equatorianos também acolheram positivamente o texto final do acordo. Reproduzo o texto do jornal “El Comercio” de hoje:

Las relaciones con Colombia se reanudarán lo más pronto posible”
Así lo anunció hoy el canciller (e), Eduardo Egas. Aún no hay fecha.

Quito, EFE
“El canciller ecuatoriano en funciones, Eduardo Egas, aseguró hoy que las relaciones diplomáticas con Colombia se reanudarán "lo más pronto posible", ya que considera que el Gobierno no acudirá a otras instancias internacionales tras la Organización de Estados Americanos (OEA) y el Grupo de Río.

"Las relaciones esperamos que se reanuden lo más rápido posible, dependiendo de la predisposición de las partes para querer reanudarla en forma más rápida", dijo en una rueda de prensa, a cargo de la Cancillería mientras su titular, María Isabel Salvador, está fuera del país.

Añadió que, "quemada la última instancia, que fue la OEA, no creo que sigamos a otras más, porque ya dos resoluciones son contundentes. Sería suficiente para que la buena predisposición de lado y lado se dé".

Egas dijo a EFE que prefiere no determinar una fecha ni mencionar un posible mes para la reanudación de las relaciones diplomáticas, rotas tras un operativo hecho por militares colombianos en territorio ecuatoriano contra las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), en el que fue abatido el "número dos" de esa guerrilla, "Raúl Reyes".

"No se puede hablar de tiempo, pero espero que sea lo más corto posible. Nuestras relaciones comerciales, la hermandad, la amistad no se han roto", recalcó.

La tensión política entre Quito y Bogotá se redujo el pasado 7 de marzo en la XX Cumbre del Grupo de Río, cuando el presidente de Colombia, Álvaro Uribe, se disculpó por la incursión y ofreció no repetir hechos similares ante el gobernante ecuatoriano, Rafael Correa.

No obstante, las relaciones diplomáticas no se restablecieron y la tensión volvió a crecer por lo que Quito llama una "campaña mediática" de Bogotá para desvirtuar la gravedad de la incursión y para insistir en la supuesta vinculación de miembros del Gobierno ecuatoriano con las FARC, extremo desmentido por Quito.

"En la Cumbre de Río nos dimos la mano y dijimos que hemos superado el problema. Sin embargo, sentimos que esas palabras no vinieron acompañadas de las suficientes acciones por la parte colombiana. Más bien se acometió una campaña mediática agresiva a nivel internacional", subrayó.

Además, Egas indicó que Ecuador aún no tiene las pruebas que Colombia había anunciado que le entregaría sobre la supuesta vinculación de funcionarios del Gobierno con las FARC.

Agregó que se insistirá a nivel internacional en la conformación de una fuerza multinacional de paz para vigilar la frontera sur de Colombia, pues eso "es parte de una garantía" para que no vuelvan a ocurrir incursiones.

Para él, tras la reunión ayer de cancilleres de la OEA "se han cumplido" los objetivos de Ecuador de que se llame la atención a Colombia por la incursión.”

segunda-feira, 17 de março de 2008

A OPOSIÇÃO E A GRANDE MÍDIA EUFÓRICOS

A oposição brasileira --o PSDB, o DEM e seus úteis partidos auxiliares, como o PPS e, eventualmente, o PSOL--, assim como a grande mídia brasileira, o presidente do TSE e muitos outros devem estar eufóricos, festejando as palavras hoje divulgadas do diretor-geral do FMI. Ele disse que:

"Os países emergentes também serão afetados pela crise financeira, que no momento atinge principalmente os Estados Unidos e os países desenvolvidos”. "Não há desconexão entre países desenvolvidos e emergentes, e sim um ‘tempo diferente’ na crise”. "Infelizmente, os países emergentes serão afetados e as previsões de crescimento do FMI para esses países já foram diminuídas de 0,75% a um ponto percentual”.

Preparem-se. Leremos e ouviremos essa notícia por muitos dias em todos os jornais e redes de TV. Miriam Leitão, Alexandre Garcia, e muitos outros farão análises sombrias para o futuro próximo do Brasil. Apesar da expressão de preocupados, não conseguirão esconder a satisfação.

Segundo a linha-de-atuação da oposição brasileira e da grande mídia nos últimos cinco anos, quanto pior para o Brasil e o povo, melhor para eles. Por quê? Porque provavelmente contarão com um maior contingente de insatisfeitos, que assim votarão contra o governo nas próximas eleições.

Dessa maneira, poderá ocorrer o feliz (para eles) retorno do PSDB e DEM (PFL) ao poder, uma vitória para os grandes interesses que eles representam.

ENTREVISTA DO PRESIDENTE LULA PARA “THE ECONOMIST”

A revista inglesa “The Economist”, em 12 de março último, entrevistou o Presidente Lula longa e abrangentemente. O blog “Conversa Afiada” do jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) reproduz hoje, com interessantes comentários, trechos da referida entrevista:

“LULA, A ‘ECONOMIST’ E COMO O PIG É RIDÍCULO”

(Palavras de Lula):
“Esses dias, eu recebi aqui o ex-presidente de Portugal, Mário Soares. Ele veio aqui, como jornalista, fazer uma entrevista para a TV Pública de Portugal. Ao se sentar, no meu gabinete, ele falou assim para mim:

‘Presidente, eu não estou entendendo. Eu leio a imprensa estrangeira e vejo que o Brasil está muito bem, eu converso com empresários estrangeiros e vejo que a economia brasileira está muito bem. Mas quando eu leio a imprensa brasileira eu penso que o Brasil acabou, parece que acabou o Brasil’. Ele foi conversar com algumas pessoas de oposição. Ele falou: ‘Presidente, eu não acredito. O que as pessoas disseram para mim não é a realidade’.

Até porque Portugal tem muitos investimentos no Brasil e ele conversa com os empresários portugueses. Quando chegou em Portugal, ele escreveu um artigo muito importante, numa entrevista, vendo o que estava acontecendo no Brasil.”

Diz o blog de Paulo Henrique Amorim:

"Este é um trecho do discurso que o presidente Lula fez na semana passada – 12 de março – a um grupo que a revista Economist reuniu, em Brasília.
A Economist é a mais respeitada revista de economia do mundo.
O PIG (Partido da Imprensa Golpista) não deu a menor bola ao discurso.
Vale a pena reter alguns trechos, para ver o que o PIG subtrai à opinião pública brasileira":

SOBRE FAVELAS E O COMPLEXO DO ALEMÃO:

“Eu queria lembrar aos senhores que, em 1970, São Paulo tinha apenas duas favelas. São Paulo tinha a Favela do Vergueiro, perto do aeroporto de Congonhas, na Rua Vergueiro, que não existe mais. E tinha a favela da Vila Prudente, que ainda existe hoje, não em forma de favela como era na década de 70, bem menor do que era, mas já um pouco urbanizada. Hoje, São Paulo tem mais de dois milhões de brasileiros que moram em favelas.

Eu fui, na sexta-feira e no sábado passado, ao Rio de Janeiro. Fui à Rocinha, fui ao Complexo do Alemão e fui a Manguinhos. E fiquei surpreso porque, onde hoje é o Complexo do Alemão, um lugar que vocês, habitualmente, vêem na imprensa como um lugar violento, de muita troca de tiros e de muita quadrilha guerreando entre si, na década de 50 era uma fazenda e, na década de 80 foi a grande ocupação, que virou a favela que é hoje. Depois, eu fiquei sabendo que a Rocinha também era uma fazenda e que a partir da década de 80 se transformou naquele complexo de pessoas morando em péssimas condições, como é hoje.

Eu estou dizendo isso para dizer para vocês que, se as coisas tivessem sido feitas corretamente por sucessivos governos, se cada um tivesse feito um pouco, certamente nós não teríamos nem dois milhões de paulistas morando em favelas e muitos menos teríamos complexos como Manguinhos, como Rocinha ou como o Complexo do Alemão, com gente morando em péssimas condições, possibilitando e facilitando o surgimento do crime organizado, do narcotráfico e de tanta violência.

E por que eu comecei falando do Complexo do Alemão? É porque parte da pobreza do nosso País se concentra muito fortemente a partir da década de 80.
Possivelmente, alguns empresários de outros estados – o Gerdau está aqui, do Rio Grande do Sul, quase tudo o que aconteceu de favelas foi exatamente a partir da década de 80 e veio se avolumando.
E por que veio se avolumando? Porque é importante atentar que o Brasil passou, praticamente, 26 anos, quase uma geração e meia, com a economia crescendo aquém daquilo que era necessário crescer.”

26 ANOS DE ESTAGNAÇÃO ECONÔMICA:

“Quando eu vejo na televisão uma cena da polícia prendendo um jovem... Normalmente, os ladrões, no Brasil, são jovens de 15, 24 a 30 anos. Ou seja, são todos eles, Gerdau, oriundos de 26 anos de atrofiamento da economia brasileira.

Eu, por exemplo, sou de uma categoria econômica que, na década de 80, tinha praticamente 2 milhões de trabalhadores no Brasil, e caiu mais de 1 milhão. Quem é da construção civil aqui, eu estou vendo muitos aqui, sabe que a construção civil brasileira, nos últimos 20 anos, só dispensou trabalhadores e contratou muito pouco, porque não havia nem investimentos na construção civil leve, e muito menos na construção civil pesada.

A última grande obra de infra-estrutura de peso no Brasil foi Itaipu, em 1974. Certamente, hoje nós não faríamos Itaipu, porque a legislação ambiental e nem os ambientalistas permitiriam que nós fizéssemos do jeito que ela foi feita. Hoje, ninguém permitiria que Sete Quedas tivesse desaparecido, que era uma das coisas mais extraordinárias do mundo e está hoje alagada pelo lago de Itaipu.

Pois bem, se durante 26 anos nós não crescemos, e nós geramos esse padrão de pobreza, que transforma o Brasil num dos países mais desiguais do mundo, era preciso que nós, então, tomássemos uma atitude de estancar isso e começar um novo processo.”

AS MUDANÇAS NA EDUCAÇÃO:

“Nós tiramos 20 milhões de pessoas da extrema pobreza e vamos tirar mais. Os indicadores sociais, tanto os medidos pelos institutos brasileiros, como os medidos pelos institutos internacionais, que vai das instituições da ONU... Nós melhoramos gradativamente a posição social do Brasil. É um momento em que crescem os investimentos empresariais, cresce a entrada de dólar no Brasil, cresce a geração de empregos, cresce a renda das pessoas e ao mesmo tempo, cresce a inclusão social neste País.

Agora, o que está faltando fazer? Educação, eu sei que vocês estão curiosos para discutir a educação. É uma pena que o meu ministro da Educação não tenha sido convidado para participar do seminário, já que é um tema extremamente importante e interessante. Mas, certamente, vocês receberão as informações, amanhã, do que está sendo feito na educação.

Eu vou dar dois exemplos para vocês: primeiro, nós criamos o Fundeb.

No governo passado aconteceu uma coisa importante. Foi constituída a possibilidade da universalização do ensino fundamental. Nós chegamos a 97% das crianças nas escolas. Só que as pessoas não perceberam que quando você universaliza o ensino fundamental, você precisa saber que aquela criança, quando termina o ensino fundamental, tem que fazer outro curso. E não se pensou no ensino médio.

Nós criamos o Fundeb para atender às necessidades das escolas de ensino médio para nove estados do Nordeste, que são as mais pobres. Um Fundo que vai gastar, do governo federal, ou melhor, que vai investir mais 10 bilhões de reais no ensino fundamental. Segunda coisa: aumentamos de 8 para 9 anos a quantidade de anos de escolaridade no ensino fundamental. A terceira coisa: nós resolvemos recuperar a escola técnica profissional que, no Brasil, nós tanto carecemos. Vou dar um dado para vocês. A primeira escola técnica brasileira foi fundada em 1909 pelo presidente Nilo Peçanha, na cidade de Campos de Goitacazes. Em 1909, foi feita a primeira escola técnica brasileira, na cidade de Campos. De 1909 até 2003, foram construídas no Brasil 140 escolas técnicas. Até 2010, nós teremos funcionando no Brasil mais 214 escolas técnicas brasileiras. Em oito anos, nós estamos fazendo quase o dobro do que foi feito em 93 anos.

A mesma coisa no ensino universitário. O Brasil, ao longo de toda a sua história, construiu 54 universidades federais. Nós vamos terminar o mandato construindo, em oito anos, dez novas universidades federais e 48 novas extensões universitárias, levando cursos universitários para o interior do País.

A partir do mês que vem, no final de abril ou no começo de maio, eu dedicarei uma semana para inaugurar escolas neste País. Tinha sido aprovada uma lei, em 1998, que tirava do governo federal a responsabilidade de fazer investimentos em escolas técnicas e deixava por conta do mercado. O mercado não deu resposta e o Estado teve que voltar a assumir a responsabilidade de cuidar daquilo que o Brasil precisava.

Mais importante ainda, nós tínhamos um problema sério de colocar jovens pobres na universidade. Vocês sabem que aqui no Brasil – não sei como é na Inglaterra e nos Estados Unidos – o pobre estuda na escola pública, no ensino fundamental, e o rico estuda em escola paga. Isso, no ensino fundamental. Quando chega na universidade, o rico vai para a escola pública e o pobre vai para a universidade privada. Como o pobre não pode pagar a mensalidade, ele fica fora.

O que nós fizemos? Nós criamos um programa chamado ProUni, fizemos uma isenção de imposto para as universidades privadas e transformamos o equivalente do imposto em bolsas de estudo. Pasmem! Em três anos já colocamos 360 mil jovens na universidade, jovens pobres da periferia e da escola pública. De que eu era acusado? Qual era a acusação que me faziam? “O presidente Lula está nivelando o ensino por baixo, está rebaixando o nível do ensino no Brasil, na medida em que criou o ProUni.” Como eu sou católico e tenho sorte, três anos depois foi feita a primeira avaliação dos cursos universitários brasileiros. Em 14 áreas, incluindo Medicina e Engenharia, os melhores alunos avaliados foram, exatamente, os que iam nivelar por baixo a educação no Brasil: foram os alunos do ProUni, da periferia deste País.

Agora estamos fazendo uma outra pequena revolução na educação. Estamos criando outro programa chamado Reuni. O que é o Reuni? Nós estamos passando uma verba a mais para as universidades federais brasileiras e, em contrapartida, as universidades brasileiras, as federais, vão aumentar, de uma média de 12 alunos por professor para uma média de 18 alunos por professor. Sabem o que significa isso? Mais 400 mil jovens brasileiros na universidade até 2010.”

O PRECONCEITO CONTRA O BOLSA FAMÍLIA:

“Uma pessoa de um meio de comunicação importante no Brasil ficou indignada porque uma mulher do Bolsa Família comprou uma geladeira. Obviamente que ela não comprou com o dinheiro do Bolsa Família, mas o dinheiro do Bolsa Família pode ter ajudado a pagar a prestação. Isso porque não fizemos o nosso programa de renovação de geladeira que vamos fazer, se Deus quiser. A imprensa foi lá e entrevistou essa moça. Ela falou: ‘não só eu comprei a geladeira, como estou de sandália nova porque eu pude comprar, eu compro sandália para os meus filhos’.
Antes do Bolsa Família, tinha mulher que comprava um lápis e partia ao meio para dar para dois filhos ou para dar para dois netos. Hoje, ela se dá o prazer de comprar uma caixa de lápis para cada um. Isso não é investimento? Isso não é distribuição de renda? Isso não é investimento sadio? Então, no Brasil, nós ainda temos que mudar determinados conceitos que foram criados ao longo do tempo.”

SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL:

“Vamos levar para 55 mil escolas públicas urbanas deste País a internet banda larga. Eu penso que será uma pequena revolução na educação neste País. Em todas as escolas técnicas, já temos laboratórios de informática. Criamos um programa chamado ‘Computador para Todos’, que eu acho que vocês conhecem, que diziam que era difícil, não ia dar cento. Hoje, o Brasil está vendendo computador como jamais pensou em vender na sua vida. E vende para as camadas mais pobres, porque nós estamos trabalhando com uma coisa que todo mundo deveria compreender: não é apenas olhar o preço final do produto, é saber se a quantidade de prestações que a pessoa vai pagar cabe dentro do seu salário.”

SOBRE A EXPLOSÃO DA INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA:

“Por que a indústria automobilística brasileira está explodindo? Eu convivo com a indústria automobilística brasileira desde 1969. Fui dirigente sindical desde 1975, presidente do sindicato. Sempre vi a indústria automobilística em crise, fechando em vermelho, não vende, (inaudível) do governo... Qual é o milagre? Dois milagres fundamentais: primeiro, aumentar a renda das pessoas; segundo: aumentar a quantidade de prestações que a pessoa tem que pagar pelo carro porque, se vendia carro para pagar em 24 meses ou em 30 meses, tinha sempre o mesmo segmento da sociedade que podia comprar.

Eu tenho na minha cabeça que o povo quer três coisas: casa, casar com uma mulher bonita, e a mulher quer casar com um homem bonito e ter um carro. Carro ainda é uma paixão, hoje repartida com o computador.

O que fez a indústria automobilística? Aumentou a quantidade de prestações, saiu de 36 ou de 24 para 72, para 82. E o que aconteceu? Aconteceu que a indústria automobilística corre o risco de, já no próximo ano, atingir a totalidade da sua capacidade produtiva. Hoje, as pessoas estão esperando 6 meses para comprar um caminhão, se for um caminhão pesado espera até 9 meses. As pessoas estão na fila para comprar carro. Até ontem, a empresa ia quebrar: ‘eu vou embora do Brasil, porque não está dando para vender’.”

GOVERNAR PARA OS RICOS É MAIS FÁCIL:

“Se eu quiser governar o Brasil para 35 milhões, eu não terei problemas, porque o Brasil tem espaço para 35 ou 40 milhões de brasileiros viverem em padrão de classe média alta européia. Se eu quiser governar só para esses, eu não preciso, realmente, fazer investimento do Estado. Agora, se eu quiser, e o Brasil desejar, incluir os milhões que estão deserdados, aí, realmente, nós vamos ter que gastar.

Eu vou dar um exemplo. Seria importante vocês deixarem dois ou três jornalistas aqui, para andar um pouco no Brasil. Quando criei o programa chamado ‘Luz para Todos’, eu tinha uma informação do IBGE, de que no Brasil tinham 10 milhões de pessoas que não tinham energia elétrica. Criamos o programa Luz para Todos. Esse programa já utilizou 460 mil quilômetros de cabos – imaginem quantas vezes a gente poderia ter enrolado a Terra – já colocamos mais de 3 milhões e 600 mil postes, já colocamos mais de 500 mil transformadores e já gastamos mais de 8 bilhões de reais. Oitenta por cento financiado pelo governo federal e 20% pelos estados. Alguns estados não podem pagar e nós pagamos também.

Alguém, analisando apenas com uma visão estritamente econômica, poderia dizer: ‘mas isso não é possível, tem que cobrar’. Se cobrar, não tem energia, porque as pessoas não têm como pagar. Agora que nós já fizemos, e quase 8 milhões de pessoas já receberam, nós descobrimos que os dados do IBGE estavam errados. Apareceram mais 1 milhão e 564 mil pessoas sem luz, e vamos ter que levar, até 2010, para todo mundo. Custa para o Estado? Custa. Alguém que estivesse discutindo do ponto de vista econômico poderia dizer: ‘custa para o Estado, é verdade presidente Lula, custa para o Estado’. E eu poderia perguntar: quanto custa para o Estado deixar essa pessoa vivendo no século XVIII quando nos poderíamos trazê-la para o século XIX com um cabo, um poste e um bico de luz?

É preciso ter a sensação do que significa chegar a uma casa, encontrar uma família no escuro – uma lata de coca-cola com pavio, a lata cheia de querosene – e as crianças lendo em torno da lata, a fumaceira cobrindo a casa. Aí, você monta o Programa, chama a mulher e aperta uma tomada. Quando a luz acende dentro da casa dela, é como se você a tivesse transportado do século XVIII para o século XXI, e não há dinheiro que pague.

Como custam R$ 4,5 bilhões, que estamos investindo para tentar trazer de volta para a cidadania 4 milhões e 100 mil jovens, de 15 a 24 anos.

Ou nós colocamos esse dinheiro, dando uma ajuda para eles e formando-os profissionalmente, ou o narcotráfico e o crime organizado vão oferecer a eles o que o Estado não oferece. Essa guerra eu não quero perder. Eu quero ganhar.

Por isso, quando a gente discutir os gastos do Estado, nós temos que olhar comparando a quê? Alguns países estão prontos há pelo menos 60, 70, 80 anos. Nós precisamos ficar prontos e só ficaremos prontos quando a totalidade dos brasileiros estiver participando desse processo de desenvolvimento do País. Caso contrário, não valeu à pena a gente governar o País se o resultado, no final do mandato, for continuar com a mesma quantidade de gente na classe média, com a mesma quantidade de ricos e com a mesma quantidade de pobres. Eu quero aumentar o número de ricos, quero aumentar o número de gente na classe média e quero acabar com a pobreza neste País. Por isso, para nós é uma questão de honra não abrirmos mão de fazer as políticas sociais que estamos fazendo agora. E vou fazer mais.”

CPMF: DERROTA NÃO PARALISA O GOVERNO:

“Vocês sabem que a oposição derrotou o imposto que nós tínhamos sobre transações financeiras. E não derrotou porque era contra o imposto, não, derrotou porque acharam que era demais garantir ao governo do Lula ter 120 bilhões de reais até 2010, e era preciso diminuir. Nós lamentamos. Chorar não choramos, mas lamentamos.

Nós tínhamos aprovado um Programa de Saúde que era uma revolução na Saúde, mas eu vou implementá-lo. O dinheiro vai aparecer, e podem ficar tranqüilos que eu não vou aumentar tributo, mas o dinheiro vai aparecer. Podem ficar certos de que nós vamos gastar melhor o que temos que gastar e economizar onde não é essencial, para a gente gastar onde é essencial.

Eu tenho um sonho, que é levar médico, levar dentista, levar oftalmologista e levar otorrino dentro das escolas para fazer exame nas crianças, dentro da escola. Eu tinha isso na década de 60. Está certo que nós tínhamos pouca gente na escola, mas na década de 60 o Estado brasileiro oferecia dentista para cuidar dos dentes das crianças. Se vocês andarem pelo Nordeste brasileiro, apesar de tudo que nós já fizemos com o ‘Brasil Sorridente’, nós ainda temos muitas meninas e meninos de 18 ou 19 anos sem dentes. Quem vai cuidar disso? A iniciativa privada só vai cuidar disso se essa pessoa tiver renda para pagar. Se ela não tiver, é o Estado que tem que fazer.

Na hora em que o Estado cumprir com as suas obrigações, podem ficar certos de que as próprias pessoas vão tratar de exigir que o Estado seja cada vez menos intrometido nas coisas que não precisa se intrometer. Mas sem o Estado não haverá inclusão social neste País, sem o Estado a gente não consegue recuperar um século de descaso com parte da população mais pobre deste País. E é por isso que nós estamos vivendo este momento.

Quero dizer para vocês que vamos crescer mais em 2008, que vamos fazer mais políticas sociais em 2008, que queremos exportar mais em 2008, que queremos importar mais em 2008, que queremos consolidar o Brasil como a principal potência dos combustíveis renováveis, e queremos inserir o Brasil, cada vez mais forte e sólido, neste mundo globalizado. Sabemos que temos que trabalhar muito e sabemos que a única chance que nós temos de chegar lá é nos colocarmos diante do mundo com a seriedade que nós queremos das pessoas.”

REFORMA TRIBUTÁRIA:

“Vivo um momento muito importante para o meu País. Eu tenho muita sorte, porque passei 30 anos fazendo oposição e os outros presidentes não tiveram condições de viver este momento. Eu espero, quando deixar o governo, não voltar a ser tão oposição, porque eu espero eleger o meu sucessor e espero que este País tenha seqüência.

Nós precisamos de, no mínimo, 10 ou 15 anos de crescimento sustentável para que a gente possa recuperar todo o tempo que nós perdemos. É assim que nós vamos governar o Brasil, é assim que nós vamos aprovar a reforma tributária. Podem escrever nas suas matérias, nós vamos aprovar a reforma tributária este ano. A oposição passou oito anos falando em reforma tributária e agora está lá o projeto, é só votar. Podem fazer uma emenda aqui, outra emenda ali, mas vão votar. Uma reforma tributária justa, que diminua a quantidade de impostos que temos neste País, que facilite a vida de quem quer investir, que facilite a vida de quem construir um negócio, que facilite a vida do povo, que reduza a quantidade de tributos e, ao mesmo tempo, que a gente acabe com a guerra fiscal fratricida neste País. Eu acho que nós vamos aprovar, não sei por que eu estou otimista. Espero contar, sobretudo, com o apoio de vocês, empresários brasileiros, conversando com quem vocês conhecem, para a gente aprovar isso.”

4ª PARTE DA SÉRIE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”

RAZÕES E RETROSPECTIVA DESTA SÉRIE

A motivação para esta série foi despertada com o artigo “Risco de guerras na América do Sul”, postado em 3 de março. Para a melhor compreensão do cenário, tornou-se necessário recordar com mais detalhes o comportamento bélico dos EUA nas últimas décadas.

Na 1ª Parte, em 11 de março, tratei do intensivo uso militar da propaganda pelos EUA desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Os subtítulos foram: “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”.

No dia seguinte, na 2ª Parte, tratei da guerra dos Estados Unidos contra o Panamá, no final de 1989. O título foi: “O terror no Panamá por ‘justa causa’ ”.

Na 3ª Parte, em 15 de março, abordei superficialmente os “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. Como “outros”, foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008.

Continuaremos hoje com:

A PRIMEIRA GUERRA DOS EUA CONTRA O IRAQUE, EM 1991

INTRODUÇÃO

O Iraque já estava muito enfraquecido com a longa guerra contra o Irã terminada pouco antes. Durante uma década, o Iraque fora um aliado do Ocidente naquela guerra (1980-1988).

Dois anos após o término daquele conflito, Saddam Hussein caiu em uma armadilha, como lembrarei mais adiante, e invadiu o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Com o ótimo pretexto presenteado para os EUA com aquela invasão, houve o respaldo legal da ONU e o apoio da opinião pública mundial para os EUA começarem a bombardear Bagdá na noite de 17 de janeiro de 1991. Vários países, Inglaterra, Itália e outros, aproveitaram para também bombardear o Iraque.

Foi um espetáculo transmitido em tempo real para a maioria dos países (via CNN e outras). Tudo dantesco, pirotécnico, sangrento, com muitas centenas de civis iraquianos mortos já na primeira noite dos intensos ataques à capital iraquiana.

AS RAZÕES HISTÓRICAS DAS REIVINDICAÇÕES TERRITORIAIS DO IRAQUE SOBRE O KUWAIT

O Kuwait nasceu por decisão inglesa. Sob os auspícios britânicos, um tratado assinado em 1913 por eles com os otomanos definiu a região do Kuwait como casa autônoma do Império Otomano.

Após a Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano caiu e os britânicos anularam o tratado anglo-otomano. A Inglaterra declarou o Kuwait um território independente, mas sob proteção britânica.

Em 1922, o alto-comissário britânico de Bagdá, Percy Cox, pelo “Protocolo de Uqair”, definiu novas fronteiras entre Iraque e o Najd (na Arábia Saudita), e entre Kuwait e Najd.

Em 19 de abril de 1923, o governo britânico impôs outros novos limites entre o Iraque e o Kuwait, ampliando ainda mais o território kuwaitiano.

Essa decisão prejudicou muito o acesso iraquiano ao Golfo Pérsico. Restaram apenas 58 km em áreas predominantemente pantanosas. O rei iraquiano Faisal I não reconheceu os novos limites, mas, como o Iraque estava sob controle britânico, nada pôde fazer.

O trauma daquela perda territorial ficou sempre presente nos iraquianos.

RAZÕES IMEDIATAS DA INVASÃO DO KUWAIT
(fontes: Wikipédia e “O Pragmatismo do Petróleo”, de Seme Taleb Fares, UNB, 2007)

Além daquelas razões históricas, os motivos que aceleraram o conflito Iraque x Kuwait foram os seguintes.

O Iraque estava muito enfraquecido economicamente após a guerra com o Irã. Para a sua recuperação, era importante manter o preço do barril de petróleo em níveis elevados.

Entretanto, por pressões do mercado ocidental, especialmente dos EUA, o Kuwait e outros países dos Golfos Pérsico e Arábico aumentaram as respectivas produções, causando a queda dos preços e fortes protestos do Iraque e prejuízos à sua economia.

O Iraque pediu por isso as seguintes compensações ao Kuwait:

a) cancelamento da dívida de empréstimos ao Iraque (feitos para a guerra contra o Irã, também inimigo do Kuwait);
b) cessão de duas ilhas que permitiriam ao Iraque melhor saída para o mar;
c) ajuda de US$ 10 bilhões;
d) indenização de US$ 2,4 bilhões pela exploração, pelo Kuwait, do campo petrolífero de Rumailah, considerado iraquiano.

As reivindicações iraquianas não foram aceitas pelo Kuwait, despertando a semente da invasão.

O ESTOPIM: SADDAM CAIU NA ARMADILHA DOS EUA

Em julho de 1990, em reunião com Saddam Hussein, a Embaixadora dos EUA no Iraque, April Glaspie, afirmou que os EUA “não tinham qualquer opinião sobre aqueles conflitos árabes”. Traduzindo essa linguagem diplomática para o coloquial, aquelas palavras significaram que o Iraque poderia prosseguir na idéia de invasão do Kuwait e que os EUA não iriam interferir.

O Iraque invadiu o Kuwait poucos dias depois, em 02/08/1990. Caiu na armadilha.

Os EUA reprovaram violenta e formalmente a invasão, a Arábia Saudita pediu a intervenção militar estrangeira e a Rússia aprovou a decisão norte-americana de intervir com as suas forças armadas. Nos meses seguintes, houve uma intensa campanha de demonização de Saddam Hussein em todas as mídias, internacionais e nacionais.

A INVASÃO E A GUERRA

Autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU, tropas de 34 países lideradas pelos norte-americanos lutaram a “Guerra do Golfo Pérsico” e a “Operação Tempestade no Deserto”.

Em 17 de janeiro de 1991, às 3h da madrugada em Bagdá, começou um ataque maciço de mísseis sobre a capital iraquiana.

Em 19 de janeiro, o Iraque lançou três mísseis Scud contra Israel, em Tel Aviv. Os EUA anunciaram o uso de antimísseis Patriot para defender Israel. George Bush (o pai) pediu que Israel não entrasse na guerra para não perder o apoio dos países árabes.

A Arábia Saudita tornou-se base temporária para as “forças de coalizão” dos EUA, do Reino Unido, da França, do Egito, da Síria e de outros países. Foram enviadas para a Arábia Saudita e para o Golfo Pérsico forças aliadas de cerca de 750.000 homens e milhares de carros blindados, aviões, mísseis, munição e navios.

Após várias semanas de bombardeios aéreos em várias partes do Iraque e Kuwait, as tropas aliadas assaltaram por terra e, em 23 de fevereiro de 1991, removeram as forças iraquianas do Kuwait. O Iraque se rendeu em 27 de fevereiro.

O número estimado de mortos durante a guerra foi de 100 mil soldados e 50 mil civis iraquianos, 30 mil kuwaitianos e 510 homens das “forças da coalizão”.

Os poços de petróleo incendiados pelas tropas iraquianas em retirada do Kuwait e o óleo jogado no golfo provocaram um grande desastre ambiental.

A MÍDIA E A GUERRA DO GOLFO

As TV de todo o mundo transmitiam como espetáculo (e propaganda) os ataques a Bagdá, ao vivo. Até mesmo eu, que não era assinante de TV a cabo, passei a receber a CNN, sem pedir, gratuitamente.

A propaganda de armamentos norte-americanos louvava o emprego de “ataques cirúrgicos, que conseguiam acertar o alvo militar sem causar danos a civis próximos” com bombas guiadas a laser. Não foi assim. Mais de 80% das bombas lançadas no Iraque foram “burras”, não guiadas eletrônicamente, despejadas por grandes aviões B-52, que atingiam indiscriminadamente muitos alvos civis.

A propaganda mostrava tanques e outros veículos blindados moderníssimos que tinham visores x, y e z que enxergavam no escuro graças a detectores de radiação infravermelha ou a sensores capazes de ampliar até a luz das estrelas. Mas o maior destaque era o avião norte-americano F-117, o “caça invisível”, projetado para minimizar sua detecção pelo radar inimigo.

A guerra foi um show para os vendedores de armamentos modernos. Foi um investimento que rendeu bons frutos.

Tudo não passava de muita propaganda não comprometida com a verdade. Os mísseis “patriotas” eram idiotas, não interceptaram os Scud incursores. Um ano após a guerra, já era do conhecimento público que quase 40% das baixas dos aliados fora por “fogo amigo”, isto é, eles mesmos se mataram por erro de mira ou de informação. Onde estava a “precisão cirúrgica”?

GANHOS FINANCEIROS DOS EUA

Em termos puramente financeiros, aquela primeira invasão ao Iraque foi muito lucrativa para os EUA. Para eles, resultou, segundo divulgado pela imprensa norte-americana, um saldo positivo de mais de dez bilhões de dólares. O custo da guerra foi da ordem de US$ 70 bilhões.

O referido lucro da ordem de 10 bilhões de dólares foi auferido após o balanço de despesas militares por um lado e, por outro, de contribuições financeiras recebidas de seus aliados (principalmente da Alemanha e Japão), somadas aos imediatamente posteriores ganhos com exportações pelos EUA de armamentos lá empregados e que foram objeto de muita propaganda “combat proven”.

Acima de todo esse ganho econômico e financeiro, o principal, mas oculto, objetivo foi atingido, mas não totalmente. Houve a necessidade de outra guerra em 2003 para alcançá-lo. A real razão para atacar o Iraque em 1991 estava longe de ser “a nobre defesa da integridade do indefeso Kuwait”. Foi afirmar o poder e a presença norte-americana no Oriente Médio, rico em petróleo essencial para a economia dos EUA e de seus aliados.

GANHOS PSICOLÓGICOS DOS EUA

Depois das guerras já relatadas nas postagens anteriores, o orgulho americano subiu mais alto ainda com aquela guerra. Ela foi por eles julgada uma magnífica, rápida e estrondosa vitória militar sobre o Iraque. Jactaram-se de ter sido um grande feito das potências mundiais e da ONU, porém todos liderados e armados pelos EUA.

domingo, 16 de março de 2008

O PAÍS PROGRIDE E A OPOSIÇÃO OBSTRUI

O jornal Folha de São Paulo publicou hoje um bom artigo do senador, economista e professor Aloizio Mercadante. Faz um análise abrangente dos feitos e problemas do atual governo federal.

"DIZIAM"

"Diziam que ele arruinaria a economia nacional e faria o país regredir, mas Lula faz o governo mais bem-sucedido da história recente do Brasil."

"Diziam que sua candidatura era a culpada pela crise que havia tomado conta do país. Diziam também que, caso fosse eleito, ele arruinaria a combalida economia nacional e implantaria uma política externa "terceiro-mundista", que isolaria o Brasil no cenário internacional. Afirmavam que ele faria o país regredir décadas. Não faltaram figuras conhecidas que emprestaram rostos compungidos ao medo do desastre anunciado.

Para surpresa dos amedrontados e, talvez, decepção dos derrotados, o governo Lula não fez nada disso. Pelo contrário: avaliações objetivas demonstram que o governo Lula é o mais bem-sucedido governo brasileiro da história recente. Afinal, é o único que vem conseguindo combinar plena vigência das instituições democráticas, crescimento econômico sustentado com estabilidade macroeconômica e distribuição de renda.

A inflação, que estava saindo de controle antes da posse de Lula, foi definitivamente domada e, nos últimos dois anos, ficou abaixo da meta estipulada pelo Banco Central (4,5%). Tal estabilidade monetária tem amplo impacto positivo na renda dos trabalhadores e se traduz em melhoria da qualidade de vida. Trata-se de grande conquista da sociedade brasileira, que o atual governo teve o mérito de consolidar.

É verdade que essa estabilidade foi construída a partir do Plano Real, mas foi no governo Lula que ela efetivamente se consolidou, graças à drástica redução da vulnerabilidade externa da economia. Mediante um processo muito bem conduzido por nossa diplomacia, saímos de déficits vultosos para superávits avantajados, que geraram, junto à enxurrada de novos investimentos estrangeiros, as reservas que nos permitem, pela primeira vez na história, pagar a dívida externa. O enterro desse velho fantasma não foi mera conseqüência de conjuntura internacional favorável, mas também resultado de estratégia inteligente que colocou ênfase na conquista de novos mercados.

Por isso, o crescimento das exportações brasileiras no período 2003/ 2006 (128%) foi bem maior do que o crescimento das exportações mundiais (86%). Assim, o governo soube aproveitar, com competência, a conjuntura favorável.

E, no plano diplomático, basta ler os principais jornais internacionais para constatar que o Brasil tem hoje protagonismo mundial muito superior ao que tinha há alguns anos. Temos, evidentemente, o desafio de lidar com a excessiva valorização do real, embora tenhamos consistência nas contas externas.

Além de ter consolidado a estabilidade monetária e superado a vulnerabilidade externa, o governo Lula também vem obtendo êxito no controle da dívida interna. Com efeito, a relação dívida interna/PIB caiu de 59,2%, em 2002, para 42,8%, em 2007.

O resultado dessas ações é o crescimento econômico sustentado dos últimos quatro anos, baseado no novo dinamismo do mercado interno, que em 2007 alcançou a marca de 5,4%. Trata-se de crescimento de natureza diferente à do "vôo da galinha", que tantas vezes iludiu as nossas esperanças. Para um país que não crescia há duas décadas, é excelente resultado, especialmente na atual conjuntura internacional. Precisamos, entretanto, superar os gargalos da infra-estrutura, que colocam entraves ao novo ciclo de desenvolvimento.

Contudo, o diferencial do governo Lula não se refere às dívidas externa e interna, mas sim ao pagamento de débito historicamente negligenciado: a dívida social. O programa Bolsa Família, internacionalmente elogiado e copiado, já beneficiou 11 milhões de famílias, permitindo-lhes manter seus filhos na escola e comprar bens de consumo antes inalcançáveis, até mesmo eletrodomésticos. A política de recuperação do salário mínimo faz que ele já atinja o valor de R$ 415. A combinação dos programas sociais com o crescimento sustentado fez explodir a geração de empregos formais, que alcançou a impressionante marca de 8,2 milhões ao longo do governo, e a renda dos 50% mais pobres da população, que experimentou ritmo de crescimento chinês: 32%. Já deixaram a miséria para trás 17 milhões de brasileiros.

Estamos em um raro período histórico que combina o crescimento do bolo com sua distribuição. E o social emerge, de forma inédita, como eixo estruturante do crescimento econômico.

Por fim, a ONU já nos incluiu na lista dos países de nível alto de desenvolvimento humano, ainda que tenhamos grandes desafios à frente.

Dessa forma, os que diziam têm pouco a dizer. Perderam o discurso e, em alguns casos, até a compostura.

No Congresso, parte da oposição dedica-se à obstrução sistemática, com a expectativa de recompensas eleitorais que dificilmente virão por esse caminho. Poderíamos votar projetos como a reforma tributária, substanciais para consolidar esse novo ciclo de crescimento com distribuição de renda. Algumas vozes, contudo, preferem gritar o vácuo da intolerância e do preconceito contra o torneiro-mecânico que fez o que não conseguiram fazer.

Enquanto isso, o governo Lula realiza, e o país melhora. Muito."

HILLARY CLINTON QUER IMPLANTAR O BOLSA FAMÍLIA NOS EUA

O Portal "Terra Magazine" publicou ontem a matéria a seguir transcrita.

"HILLARY QUER IMPLANTAR BOLSA FAMÍLIA NOS EUA SE ELEITA"

(Natuza Nery, direto de Nova York)

Segundo lugar na corrida democrata para conquistar a indicação do partido nas eleições gerais dos Estados Unidos em novembro, a pré-candidata Hillary Clinton guarda em seu programa de governo uma boa notícia para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: apoiará o programa Bolsa Família caso seja eleita.

A menção ao programa, uma das principais bandeiras sociais do governo Lula, é encarada pela ex-primeira-dama como prioridade para diminuir a pobreza no continente. Em sua plataforma eleitoral para a América Latina, Hillary escreve, na primeira pessoa, sobre a necessidade de reconstruir as relações de seu país com as nações da região.

"Eu vou apoiar programas que dão às famílias poder para construírem seus próprios futuros, como o Bolsa Família do Brasil", afirma a senadora de Nova York. "Essas idéias de combate à pobreza podem ser colocadas em prática aqui, na nossa casa", acrescenta.

No documento oficial em que Hillary Clinton menciona o Brasil, há quatro prioridades prometidas pela pré-candidata à Casa Branca: estimular governos democráticos na América Latina; contribuir para reduzir a desigualdade social da região em 50% até 2015; combater mudanças climáticas e fazer a reforma da imigração nos EUA.

"Isso significa um reconhecimento da importância do Brasil e apoio à sua agenda social. O apoio dela ao Bolsa Família mostra que os programs sociais do governo são mais criticados no Brasil do que fora", afirma Cristina Pecequilo, doutora em Política Internacional pela USP e especialista em eleições nos EUA.

Se eleita, a senadora propõe criar o Fundo de Investimento Social e o Fundo de Desenvolvimento Econômico para as Américas, iniciativas defendidas por Lula desde seu primeiro mandato.

"Como presidente, eu vou dar à América Latina o respeito e a atenção que ela merece. Em colaboração com nossos parceiros da região, eu vou trabalhar duro para restaurar a credibilidade dos Estados Unidos e entregar resultados concretos para o povo da América Latina", diz ela.

As palavras de Hillary têm também uma motivação estratégica. A população de origem hispânica nos EUA já atinge a marca dos 15% neste ano e é a faixa do eleitorado que mais cresce naquele país.

A campanha de Hillary não estava imediatamente disponível para explicar os detalhes do apoio ao Bolsa Família. Proposta semelhante não foi encontrada no programa oficial do pré-candidato Barack Obama, líder das primárias do partido."

ENTREVISTA COM O MINISTRO DO MRE - POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

A matéria abaixo transcrita foi publicada hoje no "Blog do Nassif". Achei-a muito boa, esclarecedora e oportuna.

"A LÓGICA DO ITAMARATY"

(Entrevista de Fred Melo Paiva com o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim)

"É curiosa essa mania de enfiar FARCs em tudo, em não se entender o papel da diplomacia, o tecido delicado que costura as relações internacionais.

A bola da vez, agora, são as FARCs, como se o país tivesse alguma responsabilidade a mais – que não a de atuar como grande mediador de conflitos.

A síndrome do Foro de São Paulo virou algo pavloviano, a critica do momento, que pega de pensadores de direita a cronistas do mundano. Os pensadores, menos, porque pensam. Mas os cronistas deitam e rolam em cima de qualquer lenda de Internet.

A entrevista envereda direto pelas lendas da Internet, pelas picuinhas, mas permite, também, bons momentos.

Sobre a afirmação de que o Brasil perdeu oportunidade de se firmar como liderança regional na recente crise Colômbia x Equador.

--Quando ninguém no País está falando mal do governo, o que é muito raro, acha-se um sociólogo não sei aonde para criticar (uma referência ao argentino Juan Gabriel Tokatlian). Não estou dizendo que as críticas sejam desonestas. Agora, pegue, por exemplo, o que disse o (cientista político José Augusto) Guilhon (Albuquerque), segundo o qual o Brasil deu uma escorregadela porque tomou o lado do Equador. O Brasil não tomou lado nenhum. Apenas defendeu uma coisa fundamental para as relações internacionais - base da nossa política desde antes do (Barão do) Rio Branco -, que é o respeito à integridade territorial dos Estados. Não podemos relativizar esse conceito. (...)

Sobre o discurso da Chávez e os supostos arquivos encontrados no computador de Raúl Reyes.

--Como posso especular sobre as motivações do presidente Chávez? Acho que ele tem um desejo autêntico de ajudar na questão dos reféns. Agora, a diplomacia, diferentemente talvez do jornalismo, não tem de ficar investigando. Às vezes, se você vê uma nesgazinha de esperança, é nela que tem de apostar, ignorando tudo o mais.

Como a diplomacia vai lidar com essas informações supostamente comprometedoras?

--A declaração do Grupo do Rio diz que a Colômbia entregará (o material apreendido) ao Equador, para que se faça uma investigação - isso está em um dos parágrafos da declaração. Esta investigação deve envolver a oposição e a Justiça equatoriana. Como eu disse à presidente Bachelet, brincando: “Vale o que está escrito” (a expressão vinha grafada nas pules do jogo do bicho, como garantia do prêmio).

Por que o Brasil não se posiciona de mais maneira mais firme com relação às Farc?

--Nossa posição é firme na condenação aos atos de violência que elas têm praticado ultimamente. Por que não classificamos as Farc como movimento terrorista? Porque o Brasil não tem a prática de fazer classificações desse tipo, a não ser que tenha antes sido feita pela ONU. A Al-Qaeda, por exemplo, foi declarada pela ONU um movimento terrorista - e por isso a legislação brasileira a considera dessa mesma forma. Ademais, as organizações evoluem para melhor ou para pior. Quando morei na Inglaterra, há 40 anos, ninguém falava com o IRA (Exército Republicano Irlandês). Depois passou-se a dialogar com o grupo, que mudou de comportamento. Hoje toma parte nas decisões do governo. Com o Khmer Vermelho (guerrilha comunista do Camboja) aconteceu o contrário. Não estou comparando as Farc com um nem com outro. Apenas dizendo que, em algum momento, talvez precisaremos conversar (com as Farc). De qualquer maneira, temos absoluta clareza em não manter nenhum diálogo político com eles, sem que antes sejam libertados todos os reféns, de forma unilateral e sem que se imponha nenhuma condição para isso.

O que tem sido feito para colaborar com a libertação dos reféns?

--Se tivermos de participar de algum diálogo humanitário, só o faremos em concordância com o governo colombiano, que é democraticamente eleito. No entanto, o que aconteceu recentemente - e cujo fechamento total se dará amanhã na reunião da OEA -, serviu para demonstrar que as Farc são, sob certos aspectos, uma questão não apenas colombiana mas regional. O governo da Colômbia quer tratar o tema regionalmente apenas quando fala de cooperação contra o terrorismo. Isso é muito difícil. O presidente Uribe tem de ter a capacidade de ouvir sugestões, inclusive sobre a parte humanitária.

Há algum constrangimento por parte da diplomacia brasileira em função da afinidade ideológica do PT com as Farc?

--É injusto e exagerado falar de identidade ideológica (entre Farc e PT). O presidente Lula perdeu três eleições e nunca saiu da via democrática. Sua política é uma política de Estado e isso é claríssimo, de forma que essa questão não nos constrange. A primeira vez que se tratou do tema das Farc neste governo foi numa conversa envolvendo o governo da Colômbia, um representante da ONU naquele país e o (então secretário-geral da ONU) Kofi Annan. Tentava-se, ali, o começo de um diálogo humanitário entre a ONU e as Farc. A idéia era que isso pudesse ocorrer em território brasileiro. Se houvesse algum constrangimento, o presidente Uribe seria o primeiro a ter vetado a iniciativa. Aliás, o próprio Uribe já pediu ajuda ao PT para lidar com o movimento sindical de seu país.

Sobre o que representa a visita da secretária de Estado Condoleezza Rice ao Brasil.

--A continuidade de um processo de diálogo muito intenso que tem havido entre Brasil e Estados Unidos. Houve duas visitas do presidente Lula aos EUA, duas visitas do presidente Bush ao Brasil. Tenho conversado com a secretária de Estado com uma freqüência muito grande. É um diálogo aberto, sobre temas variados. Houve uma matéria de jornal dizendo que ela viria para pressionar o Brasil com relação às Farc. Isso não tem cabimento nenhum porque não teria adiantado nada: sobre isso, nossa posição e a maneira como lidamos com os problemas são muito claras. Trocamos idéias sobre a América Latina, sim, mas também sobre o Oriente Médio, onde eu e ela estivemos recentemente. Falamos também sobre biocombustíveis.

Sobre Condoleezza Rice ter justificado “ações militares preventivas” em zonas fronteiriças para combater o tráfico e a guerrilha.

--Os países devem cooperar ao máximo para combater ações de grupos ilegais. Mas o Brasil não está de acordo com uma doutrina de ataque preventivo.

O que mudou em nossa política externa de FHC para cá?

--Os princípios básicos são os mesmos. Mudaram as ênfases e as intensidades com que certos temas são tratados. Quando eu era embaixador na ONU, o Brasil sempre teve proximidade com os africanos. Não se pode dizer, portanto, que a boa relação com a África é uma invenção do governo atual. Agora, vá comparar a intensidade dessa relação antes e depois. Os países árabes eram antes uma coisa distante. Agora somos convidados para a Conferência de Annapolis sobre Oriente Médio. Não me consta que no passado isso ocorresse. No segundo dia do governo Lula, criou-se o foro Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Não é coincidência que, à exceção daqueles diretamente envolvidos na problemática da região, os únicos três países convidados logo de início para Annapolis tenham sido justamente Índia, Brasil e África do Sul. Isso tem um impacto em toda a política internacional. Com exceção de um único ano, fomos chamados a participar de todas as reuniões do G-8. Essas mudanças são tão grandes que talvez se possa dizer que as únicas coisas que permaneceram iguais (ao governo FHC) foram os princípios.

O que o senhor considera uma marca da política internacional sob a gestão Lula?

--Entre outros pontos, a multipolaridade. O Brasil tem trabalhado ativamente por ela. O grande diferencial é que deixamos de lado a velha dicotomia que habitava a cabeça das pessoas: melhoramos nossas articulações com a África, China, Índia - mas sem hostilizar os Estados Unidos e a União Européia, que tem tido conosco um diálogo muito privilegiado. Note que não foi o Brasil que propôs à UE a criação de uma parceria estratégica. A proposta partiu deles. Por outro lado, não preciso olhar para EUA e Europa para enxergar o Oriente Médio e a África. Claro que isso não aconteceu por causa deste governo. Não haveria como pensar no Ibas sem que tivéssemos uma democracia consolidada e uma economia estabilizada."

sábado, 15 de março de 2008

PRESIDENTE DO EQUADOR: “OS EUA QUEREM GOVERNO MARIONETE”

RAFAEL CORREA: “OS EUA QUEREM INSTALAR (NO EQUADOR) UM GOVERNO MARIONETE QUE SE RENDA AO PLANO COLÔMBIA”

O pior de tudo: o presidente do Equador está certo. Ele disse isso este sábado, no seu programa semanal de rádio.

Se é oportuno ou conveniente ele falar essa verdade, é outra história. Depois de amanhã (2ª), haverá o encontro de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA). Espera-se que, no encontro, seja aprovada uma resolução pacificadora definitiva para o conflito desencadeado pela invasão militar colombiana no Equador.

O PLANO COLÔMBIA

A execução do “Plano Colômbia” entre os EUA e a Colômbia compreende mais de mil “assessores” militares norte-americanos permanentemente sediados na Colômbia, equipamentos e armas norte-americanos sofisticados, helicópteros de combate e muito mais, para a “erradicação das plantações de coca” (que abastecem 90% do mercado de cocaína dos EUA).

A força política e militar norte-americana na Colômbia é muito forte. Segundo a imprensa americana noticiou na semana passada, os EUA já despenderam no Plano Colômbia mais de US$ 5 bilhões, sem resultado, pois a produção de coca aumentou com a presença norte-americana.

O governo do presidente colombiano Uribe tem sido um fiel e obediente aliado dos EUA.

O governo anterior a Rafael Correa envolveu também o Equador no Plano Colômbia. Fez acordos permitindo a utilização militar pelos EUA da Base Aérea de Manta. Rafael Correa já anunciou que não vai renovar a autorização, que vence no próximo ano.

Foi um pecado grave para um país exportador de petróleo. Caiu em desgraça perante o governo Bush e, conseqüentemente, perante toda a grande mídia latino-americana, especialmente a brasileira. Passou a ser depreciado e demonizado.

COMO A MÍDIA BRASILEIRA DÁ A NOTÍCIA

Exemplifico a forma de “trabalhar a notícia”, comum no Brasil, com o texto do portal da Folha de São Paulo, no artigo de hoje de Josias de Souza.

Percebe-se claramente, no texto abaixo, os “venenos” inoculados na imagem do presidente equatoriano. Para a Folha, ele tem “rompantes retóricos”, “reaviva brasas da fogueira”, “insinua que o presidente dos EUA estaria por trás” (que injustiça!), “faz duras críticas a George Bush” (que mau!) e outras gotas de veneno do processo de demonização em curso.

Vejamos o texto do blog da Folha:

“CORREA REACENDE CONFLITO ANTES DA CÚPULA DA OEA

--Equatoriano se diz vítima de uma ‘campanha criminosa’
--Acusações de vínculos com as Farc visariam derrubá-lo
--Insinua que Bush deseja substituí-lo por um ‘marionete’
--Para o Itamaraty, novo rompante não ajuda pacificação

“Na próxima segunda-feira, em encontro de chanceleres, a OEA (Organização dos Estados Americanos) tenta aprovar uma resolução que pacifique, em termos definitivos, o conflito diplomático que opôs a Colômbia ao Equador. A dois dias da reunião, o presidente equatoriano Rafael Correa, em novo rompante retórico, reavivou as brasas de uma fogueira que caminhava para a extinção.

Neste sábado (15), falando em seu programa semanal de rádio –“Diálogo com o Presidente”—, Correa fez duras críticas a George Bush. As declarações ganharam instantaneamente as páginas da imprensa equatoriana e o sítio que a presidência do Equador mantém na internet.

Correa insinuou que o presidente dos EUA estaria por trás de uma “campanha criminosa de desprestígio” de sua gestão. Segundo disse, tenta-se difundir informações “inverídicas” sobre vínculos do Equador com a narcoguerrilha colombiana. “Para variar”, disse Correa, “se uniu o governo do senhor Bush a dizer que o preocupa a permissividade do Equador com as Farc.”

Para Correa, está em curso uma campanha de desestabilização de seu gabinete. O objetivo seria, segundo disse, instalar no Equador “um governo marionete que se renda ao Plano Colômbia [referência à aliança militar dos EUA com a administração de Álvaro Uribe].” Deseja-se, no dizer de Correa, envolver o Equador “na guerra colombiana”, tornando-o “sócio ou cúmplice do governo Uribe.”

O problema da guerrilha, disse Correa, é da Colômbia, não do Equador. “Com que desfaçatez essa gente quer nos dar lições de moral e boas maneiras e dizer que o pobrezinho Uribe está lutando contra as Farc e o Equador não o ajuda? Por que temos que ajudar se é um problema dele?”

O signatário deste blog (Josias de Souza) conversou há pouco com um diplomata do Itamaraty sobre os novos rompantes de Rafael Correa. Considerou-os preocupantes. Disse que não servem à causa da pacificação. Afirmou que a cúpula da OEA se encaminha para a aprovação de uma resolução que consagra o princípio da inviolabilidade territorial. Uma tese que encontra dura oposição justamente dos EUA.

Nesta semana, em visita ao Brasil, a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, deixou claro que, do ponto de vista dos EUA, as fronteiras nacionais não são intangíveis. Não se sobrepõem, por exemplo, à necessidade de combater o terrorismo. Para a administração Bush, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são uma organização “terrorista”.

Daí o receio do Itamaraty de que as novas declarações de Correa açulem o ânimo dos EUA na reunião da OEA, agendada para a tarde desta segunda-feira (17), em Washington. Será analisado no encontro o relatório produzido por uma missão enviada à zona de fronteira entre Colômbia e Equador, região em que militares colombianos aniquilaram um acampamento das Farc, em operação que resultou na morte do número dois das Farc, Raúl Reys. Os termos do relatório foram discutidos em reunião prévia realizada neste sábado.

A alma de Rafael Correa voltou a ficar convulsionada na última quarta-feira (12). Nesse dia, o diário espanhol El Pais publicou reportagem de sua correspondente em Bogotá, Maite Rico, renovando as suspeitas de que o Equador é complacente com as Farc. O texto sustenta que, sob Correa, a região norte do Equador “converteu-se num santuário das Farc.” Haveria ali pelo menos oito bases guerrilheiras dedicadas ao “tráfico de armas, transporte de drogas e doutrinamento da população.” Em nota enviada ao jornal, a embaixada do Equador em Madri negou o conteúdo da notícia.”

Perceberam os venenos salpicados na notícia acima da Folha? Essa campanha da grande mídia, de detratação de Chávez e, agora, de Correa, está dando certo no Brasil, pelo menos para uma classe da população que se julga mais esclarecida.

Basta exemplificar com o resultado publicado hoje da enquete lançada aos leitores do portal do O Globo Online no blog do Noblat. Vê-se que a Colômbia (e os EUA) invadem de surpresa militarmente o Equador, bombardeiam o território equatoriano com aviões, lançam nela tropas aerotransportadas e, pasmem, para 75% dos leitores do referido portal do Globo Online, a maior culpada é a Venezuela!!! Transcrevo:

“Resultado e pergunta da última enquete:
"Qual país é o maior culpado pela tensão criada na América do Sul depois que a Colômbia invadiu o Equador para matar um líder das FARCs?"

Colômbia 10.74%
Equador 3.02%
Venezuela 74.89%
Estados Unidos 7.40%
Todos eles 3.34%
Nenhum deles 0.48%
Não sei 0.12%”

3ª PARTE DA SÉRIE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”

Hoje avançaremos um pouco mais na série de textos sobre as guerras mais recentes dos Estados Unidos da América (EUA).

Antes, uma rápida retrospectiva. Esta série foi iniciada em 11 de março. A crise desencadeada pela Colômbia ao invadir militarmente o Equador com o apoio explícito do Presidente Bush fez o assunto “guerra” ficar em evidência e tomar as primeiras páginas de jornais e de revistas na América do Sul.

Julguei, então, conveniente recordarmos com mais detalhes o comportamento bélico dos EUA nas últimas décadas. É importante essa análise para melhor identificarmos o que é "fantasia anti-americana" e o que é hipótese concreta de conflito neste continente, em futuro próximo, com envolvimento norte-americano.

Como a abordagem desse tema seria demasiado extensa para somente um artigo, dividi o texto em partes, que tenho postado e postarei aos poucos.

Na 1ª Parte, em 11 de março, tratei do imenso uso militar da propaganda pelos EUA desde o fim da 2ª Guerra Mundial. Os subtítulos foram: “OS EUA E A MÍDIA” e “O TERROR ATÔMICO SUAVIZADO NA MÍDIA”.

Em continuação, no dia seguinte, na 2ª Parte, tratei da guerra dos Estados Unidos contra o Panamá, no final de 1989. O título foi: O TERROR NO PANAMÁ POR “JUSTA CAUSA”.

Agora, relembrarei muito rapidamente outros pequenos eventos guerreiros dos EUA naquela época, que talvez estejam caindo no esquecimento.

ATAQUES DOS EUA CONTRA GRANADA, SOMÁLIA, SUDÃO E OUTROS

GUERRA CONTRA GRANADA

Nos anos oitenta, com operações como aquela no Panamá em 20/12/1989, os EUA libertaram-se do trauma da derrota e da humilhante e filmada retirada desesperada do Vietnam. Voltaram a ficar com o ego nas alturas, arrogantes, presunçosos, julgando-se superguerreiros, super-heróis, onipotentes, os únicos responsáveis pela implantação, à força ou não, da ‘freedom’ e da ‘democracy’ no mundo.

Antes da guerra que venceram contra o Panamá, o ego norte-americano já havia melhorado em 1983 com uma outra vitória. Derrotaram sem nenhuma baixa do lado norte-americano a Ilha de Granada.

Uma pequena descrição sobre aquele pequeno país:

Situado no mar do Caribe, a menos de 150 km da costa da Venezuela e de suas grandes reservas de petróleo, o país tem 90% de seu território (cerca de 344 km²) e de sua população (aproximadamente 90.000 habitantes) concentrados na ilha de Granada. Outras pequenas ilhas, conhecidas como Granadinas, são em sua maioria desabitadas. A ilha principal é montanhosa, possui lagos vulcânicos e uma densa floresta. O clima é tropical, quente e húmido. Granada sofre ocasionalmente o efeito de furacões.

A população é formada por afro-americanos (82%), eurameríndios (13%), indianos (3%) e europeus meridionais (2%).

A economia de Granada se baseia na produção agrícola (noz moscada, cacau, bananas) e no turismo. A agricultura representa mais da metade das exportações. Uma grande parte da população está direta ou indiretamente empregada na agricultura. Há poucas indústrias, principalmente alimentícias. A mão-de-obra em geral é pouco qualificada.

Na ilha de Granada, no início da década de oitenta, visando incrementar o turismo, estava sendo construído um aeroporto por empresas inclusive russas, contra a vontade e sem a participação norte-americana.

O violento ataque de surpresa norte-americano ocorreu em 23/10/1983. Venceram sem uma baixa sequer. O aeroporto foi destruído. A desculpa para o mundo não foi criativa. Atacaram aquele minúsculo país “para evitar a expansão do comunismo”.

GUERRA CONTRA A SOMÁLIA E O HAITÍ

Outra rápida lembrança: após serem derrotados na Somália em 1992 (helicópteros abatidos e suas tripulações arrastadas e despedaçadas pelas ruas), o presidente Bill Clinton determinou a invasão do Haiti em 1994 para devolver o poder ao presidente Jean-Baptiste Aristides, o qual veio a ser removido do poder em 2003, também com apoio norte-americano.

GUERRA CONTRA O SUDÃO

Em 20/08/1998, os EUA atacaram de surpresa, à noite, o Sudão.

Contra aquele país africano, o presidente Clinton autorizou o lançamento na capital do país, Cartum, de dezenas de mísseis de cruzeiro “Tomahawk” (cerca de 40).

Houve o equívoco (reconhecido até por entidades norte-americanas após examinarem os alvos atacados) de pensarem que um laboratório farmacêutico Al-Shifa, feito pela Alemanha para produzir remédios baratos contra a tuberculose e malária, fosse “fábrica de armas químicas para terroristas”, conforme fora antes erradamente informado pela CIA.

Não era. Não pediram desculpas aos sudaneses, nem ao mundo, pelo erro. Milhares de sudaneses morreram após, vítimas daquelas doenças.

Na mesma noite daqueles ataques ao Sudão, cerca de quinze mísseis de cruzeiro Tomahawk e aviões de combate foram empregados no ataque de surpresa a áreas no Afeganistão habitadas por grupos islâmicos (“bases terroristas”).

Alguns mísseis, “por erro”, também atingiram região vizinha do Paquistão.

Há hipóteses de o atentado terrorista de 11/09/2001 nos Estados Unidos, três anos após, ter sido uma retaliação por conta daquele ataque de surpresa ao Afeganistão.

Na época, muitos na imprensa norte-americana expressaram que a real motivação do presidente Clinton para ordenar aqueles ataques não era a muito declarada “guerra ao terror”. Era para desviar a atenção do escândalo do seu “affair” com Mônica Lewinsky, estágiária na Casa Branca.

A seguir, na próxima postagem, tratarei da primeira guerra contra o Iraque, no início da década de 90.

sexta-feira, 14 de março de 2008

LÍDER DO PSDB: “DANE-SE” (O POVO)!

Li hoje no blog “Por um novo Brasil” o interessante artigo, abaixo transcrito, sobre a postura de “quanto pior para o país melhor para a oposição” adotada pelo PSDB e DEM (PFL) no Congresso desde o início do primeiro mandato de Lula.

“DANE-SE”

“O senador Arthur Virgilio, do PSDB/AM, aquele que teve 3% dos votos, disse que o PSDB/DEM atrasará as votações no Senado. Disse que “se der para aprovar, deu, se não der, dane-se”.

Ou seja, o PSDB/DEM atuará premeditadamente de modo a prejudicar o país, prejudicar o povo brasileiro.

Segundo A.Virgilio, dane-se a saúde, dane-se a infra-estrutura, dane-se o saneamento básico, danem-se as embaixadas no exterior, dane-se o crescimento, dane-se a geração de empregos e renda.

Dane-se o país, pois a intenção é prejudicar ao máximo o governo Lula para que ele não faça seu sucessor. Então, que o povo se dane. Danem-se: não aprovaremos os pedidos do governo, não aprovaremos os projetos do governo, as MPs, impediremos o governo Lula de fazer qualquer coisa que vá beneficiar o povo e o país.

Essa é a prioridade do PSDB/DEM.

Trata-se de um crime contra a pátria, de traição. É o absurdo dos absurdos, é inaceitável que um senador da República, eleito pelo povo de seu estado, deseje que se dane o povo que o elegeu. Isso é quebra de decoro parlamentar! É preciso cassar o senador que confessa que vai prejudicar o país e o povo!

O senador Arthur Virgilio é uma aberração da natureza, um crápula, um ser abominável, que confessa em público e com todas as letras, que quer que o povo se dane. E, pasmem, ele é o líder do PSDB (no senado) e quer ser candidato a presidente do Brasil pelo PSDB, o mesmo partido do FHC, Serra, Alckmin, Aécio.

Eles querem voltar ao poder custe o que custar, dane-se o povo e o país.”
(Jussara Seixas)

Sobre essa volta ao poder do PSDB/DEM em 2010, o jornalista Paulo Henrique Amorim resume bem. Na próxima campanha presidencial vai ser assim: "Arthur Virgilio para Presidente: dane-se !"

BRASIL: A IMPRENSA INTERNACIONAL ELOGIA E A MÍDIA NACIONAL DESMERECE

1ª PARTE: ELOGIOS AO BRASIL NO EXTERIOR

O portal UOL Notícias publicou, hoje, uma matéria da agência inglesa de notícias BBC Brasil, resumindo a extensa reportagem de mais de vinte páginas dedicada ao Brasil e publicada na última sexta-feira (14) pelo jornal britânico “The Guardian”.

O texto lido no UOL foi o seguinte:

“BRASIL SE TORNOU ATOR ECONÔMICO DE PESO, DIZ ‘THE GUARDIAN”

“Em um suplemento especial de 20 páginas publicado nesta sexta-feira, o jornal britânico "The Guardian" faz um balanço do Brasil e afirma que "mais conhecido pelo futebol, samba e sensualidade, ele se tornou um ator econômico de peso".

No caderno intitulado "Terra de Contrastes", o jornal faz uma análise dos setores de economia, agricultura, energia, saúde e cultura, além de um perfil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da cidade de São Paulo, que chama de "a cidade do futuro".

Segundo o "Guardian", quando se pensa "na exuberância brasileira", a primeira coisa que vem à mente, dificilmente, será a economia, já que o Brasil "é a terra do Carnaval".

"Mas visualize isso: um país em que o fluxo de investimentos atingiu níveis recordes, onde a exportação de tudo, desde soja a biocombustíveis, está aumentando e onde a renda dos ricos e pobres está crescendo e impulsionando um boom de crescimento."

A reportagem afirma que o Brasil "parece ter entrado em uma nova fase de expansão sustentável que poderia, finalmente, destrancar o vasto potencial do país".

Segundo o jornal, os números vão "de bons a espetaculares: 1,4 milhão de empregos criados todos os anos; mais de US$ 100 bilhões (quase 200) em reservas (que excedem a dívida externa e tornam o Brasil credor internacional); 4,7% de inflação, o que é 'manso' pelos padrões brasileiros; 4% de crescimento econômico, e uma ligeira aproximação na diferença com a China. Ah, e no ano passado o mercado de ações cresceu em 60%".

Segundo analistas ouvidos pelo "Guardian", o crescimento é equilibrado e o país estaria menos vulnerável hoje.

"Analistas concordam que a forte demanda doméstica, a estabilidade financeira e exportações bem distribuídas internacionalmente oferecem alguma proteção contra o desaquecimento americano. Quando o mundo pega uma gripe, o Brasil não mais pega uma pneumonia."

O "Guardian" destaca que agora, além do samba e jogadores de futebol, o Brasil também exporta carros e aviões, notadamente aviões executivos e de passageiros da Embraer, mas afirma que, apesar do crescimento, o país ainda enfrenta vastos problemas sociais e ambientais.

"Há um lado escuro do crescimento. Ambientalistas levantam o alarme de que o cultivo de cana e soja estão empurrando o rebanho de gado para o norte, na Amazônia, acelerando o desmatamento. As condições dos trabalhadores de algumas dessas plantações já foram comparadas à escravidão."

"O crescimento ainda provocou gargalos de infra-estrutura horrendos. Os engarrafamentos em São Paulo pioram a cada mês, os portos não conseguem acompanhar o ritmo do volume de navios e as viagens aéreas freqüentemente se tornam caóticas."

De acordo com políticos entrevistados pelo jornal, estes seriam problemas normais do processo de amadurecimento do país.

O "Guardian" ainda destaca a desigualdade entre ricos e pobres e a violência nas favelas: "A guerra de gangues e a brutalidade policial permanecem enraizadas aqui, bem como a extrema desigualdade. Algumas favelas, com sua legião de crianças de rua e barracos de madeira e plástico, poderiam passar pelas regiões mais empobrecidas da África subsaariana. Exceto pelo fato de que helicópteros sobrevoam a região, transportando os super-ricos para compras com hora marcada com Gucci e Jimmy Choo".

Críticos ouvidos pelo jornal ainda dizem que o crescimento do Brasil impressiona, mas é vazio, "como um carro alegórico de Carnaval, porque se apóia em condições globais benignas e no crescimento do crédito doméstico enquanto foge à difícil tarefa de construir uma economia competitiva".

O "Guardian" conclui comentando que o Brasil era conhecido como o país do futuro. "O futuro ainda não chegou, mas está mais perto agora do que já esteve em várias gerações."

2ª PARTE: O DESMERECIMENTO PELA MÍDIA BRASILEIRA

O blog do Azenha (do jornalista Luiz Carlos Azenha) publica hoje essa notícia e observa:

“ERA SÓ ESSA QUE FALTAVA: AGORA, LULA SERIA "SORTUDO"

“O Estadão (O Estado de São Paulo) festeja a sugestão do jornal britânico de que Lula seria apenas um "sortudo": Seria Lula um 'herói acidental'?, pergunta jornal brasileiro. Escreve: “Em perfil de Lula, 'Guardian' questiona se êxito do Brasil se deve a 'sorte' do presidente”.

Os próprios portais brasileiros UOL e BBC Brasil, de onde extraí o resumo acima, buscam 'equilibrar' os elogios ingleses, omitindo da reportagem do The Guardian muitos outros aspectos favoráveis ao atual governo, mas destacando os trechos menos enaltecedores. O UOL insere o destaque: “Em um suplemento especial sobre o Brasil publicado nesta sexta-feira, o jornal britânico 'The Guardian' questiona até que ponto o crescimento da economia brasileira se deve ao governo Lula, ou se o presidente seria um ‘herói acidental’.

INTERPRETANDO RICE: CUBA E MÉXICO ESTÃO AUTORIZADOS A INVADIR MILITARMENTE OS EUA

Condoleezza Rice trouxe ao Brasil a pregação, a institucionalização, de um novo conceito de soberania.

Em outras palavras, adaptando-o à situação do conflito Colômbia x Equador, seu conceito é: “É correto invadir militarmente (inclusive com o apoio militar de outra grande potência) o território de outros países para lá combater rebeldes, terroristas, narcotraficantes”. “As fronteiras não podem ser obstáculos para isso”.

É um “novo conceito de soberania” que devemos compreender.

Condoleezza Rice é a atual Secretária de Estado dos Estados Unidos da América (EUA). Se