O jornal Folha de São Paulo de domingo publicou o seguinte artigo de Carlos Roberto Lupi. O autor é administrador de empresas, ministro do Trabalho e Emprego e presidente nacional (licenciado) do PDT. Foi secretário estadual de Governo do Rio de Janeiro (gestão Garotinho).
“ESTAMOS SÓ COMEÇANDO 2009 E O MERCADO JÁ REAGE. MUITOS SETORES PRODUTIVOS CORREM PARA RECONTRATAR, E A CRISE VAI FICANDO PARA TRÁS”
“O otimismo faz parte da natureza humana do brasileiro.
Sempre olhando para a frente, trabalhando, buscando tirar as melhores lições mesmo na adversidade. Diante da crise econômica que atingiu o mundo em 2008 não é diferente.
Estamos apenas começando 2009 e o mercado já reage, menos de três meses depois de sentirmos os efeitos dos problemas econômicos norte-americanos. Em março voltaremos a crescer fortemente.
Acompanhando o noticiário nacional, vemos que muitos empresários brasileiros já se deram conta de que a decisão de demitir não foi o melhor caminho. Agora, muitos setores produtivos correm para recontratar, e a crise vai ficando para trás, sendo vista apenas pelo retrovisor do mercado.
O governo faz sua parte, lançando mão de medidas suficientemente arrojadas para conter a queda do consumo, como a injeção de bilhões de reais em investimentos públicos e renúncias fiscais, como a redução do IPI para a compra de veículos zero.
Os trabalhadores, por sua vez, têm negociado com voz ativa seus direitos, não se deixando levar pelo discurso apocalíptico de "especialistas" que não se rendiam ao crescimento real da economia brasileira nem quando o Brasil atingia todos os recordes de criação de novos empregos com carteira assinada.
No âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, os dois principais conselhos de fundos do governo brasileiro, do FGTS e do FAT, que somam cerca de R$ 350 bilhões em patrimônio, estão estudando medidas para evitar que o pessimismo que tomou conta dos empresários brasileiros, que, nos últimos anos, tiveram lucros exorbitantes -e agora parte deles não abre mão desse ganho-, atinja o trabalhador. A possibilidade de ampliação das parcelas do seguro-desemprego demonstra a preocupação do governo em conter o arrefecimento do consumo interno.
Já virou voz corrente no governo a garantia de que empresários que se beneficiem das linhas de créditos públicos com juros subsidiados tenham como contrapartida a criação e a manutenção de empregos.
A mais recente ação nesse sentido já está em vigor: linhas de crédito do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) foram direcionadas às agências de veículos usados, por meio do Banco do Brasil, com os menores juros aplicados hoje no mercado: 11,2% + TJLP. O acordo só foi fechado após recebermos garantias dos representantes dos empresários de que manterão os quase 600 mil empregos do setor, entre diretos e indiretos.
Em 2008, apesar da infundada pressa de demitir observada em alguns setores produtivos, conseguimos criar mais de 1,4 milhão de novos empregos, terceiro melhor resultado já registrado no país. Temos hoje mais de 30 milhões de trabalhadores com carteira assinada, recorde absoluto na história do Brasil.
Desde 2003, mais de 10 milhões de brasileiros passaram a desfrutar dos direitos trabalhistas.
Ainda há caminho a percorrer. As taxas básicas de juros no Brasil ainda figuram entre as maiores do mundo, o que acaba atrapalhando a aceleração da economia e o consumo interno. Mas o governo tem mostrado sensibilidade nesse assunto, com a redução da taxa básica anunciada na última reunião do Copom.
Lutamos agora para que as instituições financeiras baixem seus "spreads" -a diferença entre os juros cobrados pelos bancos nos empréstimos a pessoas físicas e jurídicas e as taxas pagas pelos bancos aos investidores que colocam seu dinheiro em aplicações do banco.
Essa é mais uma medida para melhorar o fluxo de investimentos na economia e retomar o aquecimento do mercado.
É preciso ter em mente, neste momento, que o trabalhador é o elo mais importante da corrente social, que possibilita que mantenhamos a linha ascendente de crescimento que o Brasil atingiu nestes últimos sete anos. Somente através do trabalho digno, com a carteira de trabalho criada pelo presidente Vargas assinada, é que conseguiremos construir uma sociedade mais fraterna e justa para todos nós brasileiros.”
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