sábado, 28 de fevereiro de 2009

CAMPANHA CONTRA LULA CONTINUA

O jornalista Lustosa da Costa publicou ontem em sua coluna no Diário do Nordeste:

“Até então o PMDB era considerado, pela imprensa, como um partido igual ao PSDB e ao PFL, em busca do poder. De algum tempo para cá, achou a grande mídia que, destruindo o PMDB e suas lideranças, prejudicaria o governo de Lula. De repente, descobriu que o único grande pecador do Senado, - uma casa imaculada, cheia de varões de Plutarco, - era Renan Calheiros, em quem nunca vira pecados quando aliado de Collor e de FHC.

Era tudo para desestabilizar a maioria do governo na Câmara Alta. Como fracassou, porque ninguém acreditou em tais lorotas, descobriu que podia atirar de dentro para fora e aí foi atrás de Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon que estão no partido, há 40 anos e por sua legenda se elegem. Eles, ávidos por manchetes, repetem o que os meios de comunicação querem que digam, que o único partido político brasileiro, ligado à corrupção, é o PMDB. Repetem generalidades, sem apontar crimes nem criminosos.

E multiplicam manchetes sobre os órgãos públicos, controlados por peemedebistas, como se estes não tivessem, integrantes do maior partido de apoio ao governo, direito a seu provimento. E olhem que não apontam um crime cometido, um pecado perpetrado. É só uma tentativa de imobilizar a facção do PMDB que apóia Lula, com vistas à sucessão presidencial."

25 PERGUNTAS A GILMAR "DANTAS"

Li hoje no site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim:

“O Conversa Afiada reproduz 25 perguntas a Gilmar "Dantas", segundo Ricardo Noblat.

É um oferecimento do amigo navegante Mário Oliveira:

25 PERGUNTAS A GILMAR MENDES…

1.O Sr. sabe algo sobre o “assassinato” de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes, por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso?

2.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o Sr. era Advogado-Geral da União?

3.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o Sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal?

4.Quantas vezes o Sr. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino, para inauguração de obras?

5.O Sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação?

6.Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o Sr. é acionista, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?

7.O Sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o Sr. é um dos donos, em descontos para os alunos?

8.O Sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância?

9.O Sr. tem algo a dizer acerca da afirmação de Daniel Dantas, de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria “facilidades” ?

10.O segundo habeas corpus que o Sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O Sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução de justiça que requer prisão preventiva?

11.Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal segundo a opinião do Sr.?

12.Por que o Sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN?

13.Por que o Sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos?

14.Qual a resposta do Sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a *súmula 691*do próprio STF?

15.O Sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas?

16.O Sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas?

17.Por que o Sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado “escandalosamente” antes de que qualquer documentação fosse apresentada?

18.O Sr. afirmou que iria chamar Lula “às falas”. O Sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O Sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República “às falas”?

19.O Sr. tem alguma idéia de por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima - e sem provas - ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que a “esquecessem” ?

20.É verdade que o Sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais?

21.Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O Sr tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT?

22.É correta a informação publicada pela Revista Época no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União, ou seja, o Sr., pagou R$ 32.400,00 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o Sr. mesmo é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos? O Sr. considera isso ético?

23.O Sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio”?

24.Por que o Sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior?

25.Já apareceu alguma prova do grampo que o Sr. e o Senador Demóstenes denunciaram? Não há nenhum áudio, nada?"

SERRA PODE

SERRA FEZ DOIS EVENTOS COM PREFEITOS E A OPOSIÇÂO E A IMPRENSA ACHAM QUE ELE PODE

A imprensa até se apressa em justificar os eventos de Serra: o blog do Noblat (O Globo), por exemplo, já publicou a explicação do Senador Sérgio Guerra, Presidente Nacional do PSDB: (...) “Serra tem feito, regularmente, encontros com prefeitos para tratar de programas do governo do Estado para os municípios que eles representam” (...) “os prefeitos participantes, que a eles compareceram para trabalhar”.

O portal UOL ontem publicou a seguinte reportagem de Renata Giraldi e Gabriela Guerreiro, da Folha Online, em Brasília:

AGU USA ENCONTRO DE SERRA COM PREFEITOS PARA DEFENDER LULA E DILMA

“A AGU (Advocacia Geral da União) sairá para o ataque contra os governadores de São Paulo, José Serra (PSDB), e do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para defender a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no encontro nacional de prefeitos -- realizado em Brasília.

Na defesa que será encaminhada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no processo movido pela oposição contra Lula e Dilma por campanha eleitoral antecipada, o ministro José Antônio Dias Toffoli (AGU) afirmará que Serra também promoveu evento semelhante em São Paulo --e que o encontro em Brasília contou com o apoio do governador do DF, que é da oposição.

"[O] encontro nacional de prefeitos e prefeitas contou com a presença de gestores municipais também dos representantes, ou seja, do PSDB e do DEM. Ademais, na programação do evento, o governador do Distrito Federal, destaca-se, do DEM, acompanhou o presidente da República na abertura dos trabalhos", disse Toffoli.

O ministro entregará a defesa no final da tarde de hoje na sede do TSE. Toffoli ainda vai incluir menções a matérias publicadas na imprensa que relatam o encontro realizado por Serra em SP --no qual reuniu cem prefeitos do interior paulista para anunciar liberações de recursos para ações estratégicas do governo.

"Como se não bastasse, neste início de mandato dos novos gestores municipais, conforme reportagens jornalísticas, o governador de São Paulo, destaca-se, do PSDB, também realizou encontro de prefeitos, só que não apenas um, mas dois", diz Toffoli na defesa.

Ontem, ao defender Lula e Dilma, Toffoli afirmou que as presenças de ambos no evento caracterizavam atuação de governo e não partidária nem de campanha. Mas para a oposição, o lançamento de uma série de medidas intituladas de "pacote de bondades" no encontro com os prefeitos indicariam pré-campanha em favor da ministra da Casa Civil.

Antes do Carnaval, o DEM e o PSDB ajuizaram uma ação no TSE questionando o uso do encontro como eleitoreiro.

Em tom de brincadeira, Toffoli negou pré-campanha e comparou o momento político atual com a fórmula 1.
"Não existe nenhuma antecipação de campanha. Se a gente fizer uma metáfora com a Fórmula 1, nem sequer as equipes escolheram seus pilotos e estamos muito longe dos treinos livres e oficiais", disse o ministro. "A oposição acaba é ela fazendo campanha da ministra Dilma.”

O LEGADO DE BARBARA GANCIA: ARROGÂNCIA E PRECONCEITO

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto que Ricardo Kotscho postou no blog “Balaio do Kotscho”:

[OBS: Este blog, para não chocar seus leitores, não inseriu a assustadora foto da jornalista Barbara Gancia que consta no site “Vermelho”].

“Os leitores do Balaio são testemunhas de que evito polemizar com outros blogueiros e colegas jornalistas neste espaço, mas não poderia ficar calado depois de ler a coluna de Barbara Gancia na Folha desta quarta-feira (25). Sob o título “O legado de dona Marisa Letícia”, esta senhora de tradicional família paulistana investe contra a primeira-dama do país com toda a arrogância e preconceito que sua posição social lhe permite.

É sempre assim: quando não se tem mais nada para falar contra o presidente Lula, ataca-se a sua família. Colunistas mundanos e seus leitores adoram falar da mulher e dos filhos do presidente, sempre com o nariz empinado, olhando de cima para baixo, como se estivessem dando um pito ou um conselho.

A internet está infestada de injúrias, falsas denuncias e baixarias contra membros da família Silva — pelo simples e bom motivo de que uma pequena parcela de membros da elite brasileira, e alguns pobres coitados de espírito, simplesmente não se conformam com o fato de Lula e Marisa habitarem, faz mais de seis anos, o Palácio da Alvorada.

Desta vez, o gancho para Barbara Gancia liberar seus instintos menos nobres foi a primeira-dama ter se divertido com o marido no Sambódromo do Rio. Qual é o problema? A mulher do presidente da República deveria ter ficado em casa lavando louça e cuidando dos netos?

Sou amigo de Marisa faz mais de 30 anos, desde os tempos em que Lula era apenas um líder sindical despontando na resistência ao regime militar. Ela sempre foi uma pessoa que gosta de Carnaval, festas juninas, reunir os amigos para um churrasco, como qualquer outra mulher de metalúrgico, que dedica sua vida a cuidar da família.

Nunca quis mais do que isso, além de dar conselhos ao hoje presidente da República e acompanhá-lo sempre, nos bons e maus momentos da vida, companheira de todas as horas, sempre preocupada com todos à sua volta.

Depois de um longo trololó sobre o seu “relacionamento assaz conturbado com o Carnaval” e seu “refúgio da folia no campo argentino”, Barbara Gancia pontifica: “Ela não se manifesta sobre qualquer assunto, mesmo quando está escalada para falar a prefeitos (…)”. Escalada por quem? Ela não foi eleita, não ocupa qualquer cargo público, por que tem que se manifestar “sobre qualquer assunto?”

Muito compreensiva, escreve em seguida: “Insisto: não há nada na liturgia do cargo que diga que a mulher do presidente não deva participar do Carnaval. Pode e deve. Uma ‘primeira-família’ que se comporta como gente normal tem mais probabilidade de ser normal, não é mesmo?”

Aí, no antepenúltimo parágrafo, a colunista não se aguenta, e manda ver: “Mas eu não queria ter voltado da Argentina para descobrir que dona Marisa deu ‘um trabalhão’ à sua segurança particular no desfile da Sapucaí. Não queria tomar conhecimento de que ela ‘deu goles em copos de cerveja, cercada por amigos para que não fosse fotografada’. Não queria ter visto as fotos em que ela aparece descabelada e suada. Escracho não tem nada a ver com informalidade”.

É mesmo? Não queria mesmo? Que coisa absurda, não é mesmo, dona Barbara?… Melhor mesmo seria ter ficado na Argentina com seus amigos que não suam nem se descabelam e não tomam cerveja no Carnaval.

E dá a sentença: “Dona Marisa Letícia não foi à Sapucaí na qualidade de cidadã particular e não tem o direito de se esbaldar publicamente como se não ouvesse amanhã numa época em que o brasileiro comum vê seu emprego ameaçado pela crise”. De onde se conclui que, para Barbara, todos deveriam ter ficado em casa ou ido para o campo argentino esperando a crise passar.

A maldade fica para o último parágrafo, em que procura dar conselhos e fazer uma comparação ridícula com outra primeira-dama, de outro tempo e outro perfil, numa época em que os generais mandavam no país.

“Alô, dona Marisa Letícia! A senhora se lembra de Dulce Figueiredo? A ex-primeira dama também gostava de se divertir levando a alegria na base da inconsequência. E olhe só o legado que ela deixou. O de uma figura um tanto patética e deslumbrada que usava a posição do marido para se bacanar”.

Acho que ela queria escrever bacanear, mas não importa. Ainda não tinha lido num grande jornal nada parecido com isso, bem na linha do que ouço bastante nos lugares por onde ando aqui nos Jardins, onde moro, e leio nos lixos da internet. Ainda bem que Lula e Marisa não lêem Barbara Gancia. Fazem muito bem.”

CONTRA PSDB, JORNAIS EXIGEM PROVAS...

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte texto de Rodrigo Vianna, publicado originariamente em seu blog:

“Imagine se um ex-assessor do governo da Bahia, do PT, tivesse morrido, poucos dias antes de depor ao Ministério Público, num caso que envolve corrupção? Imagine as manchetes a essa altura: "Ex-assessor petista aparece morto em Brasília". Seria manchete semana inteira, com matéria na Veja, e editorial na Folha.

Em 2005, Roberto Jefferson deu uma entrevista exclusiva à Folha, em que lançava dezenas de acusações contra o governo federal. Foi nessa entrevista, também, que Jefferson cunhou a expressão "Mensalão".

Vocês se lembram da manchete da Folha de S. Paulo na época? Não? Então, relembremos:

"PT DAVA MESADA DE R$ 30 MIL A PARLAMENTARES, DIZ JEFFERSON".

Agora, comparemos com o título da última sexta-feira (20/02/2009 - no "pé" da primeira página da Folha), sobre a denúncia do PSOL de Luciana Genro contra Yeda Crusius, governadora do PSDB:

"SEM PROVAS, PSOL ACUSA TUCANOS DE CORRUPÇÃO NO RS".

Por que este "sem provas" tão cuidadoso, no título da última sexta-feira (20/02/2009)? Por uma questão de isonomia, o correto seria "GOVERNO TUCANO TEM CORRUPÇÃO E CAIXA DOIS, DIZ PSOL".

Por que o mesmo "sem provas" não apareceu na manchete quando Jefferson deu sua entrevista?

Hum...

Bem, talvez para a Folha, Jefferson valha mais do que o PSOL. Gosto não se discute. Ou, mais provável: qualquer denúncia contra o partido de Serra (o editorialista preferido da família Frias) merece todo cuidado! Por que a sigla "PSDB" não aparece nem na primeira página, nem na manchete de página interna?

(Isso me lembra a cobertura da Globo, na reta final da eleição de 2006. Os aloprados que tentaram comprar o dossiê contra Serra eram "petistas". O Freud Godoy era "petista". Na hora de falar de Abel Pereira, um sujeito que intermediaria negócios na gestão de Barjas Negri (PSDB) no Ministério da Saúde, aí ninguém falava em "governo do PSDB". A fórmula era: "ministro no governo anterior".)

Mas, voltemos ao caso da corrupção no Rio Grande do Sul. A denúncia é gravíssima. E já há um cadáver. Marcelo Cavalcante, ex-assessor de Yeda Crusius, apareceu morto no Lago Paranoá, em Brasília. Ele deveria ter uma reunião com o Ministério Público Federal em Brasília, logo após o Carnaval.

Hum, hum...

Imagine se um ex-assessor do governo da Bahia, do PT, tivesse morrido, poucos dias antes de depor ao Ministério Público, num caso que envolve corrupção? Imagine as manchetes a essa altura? Eu imagino: "EX-ASSESSOR PETISTA APARECE MORTO EM BRASÍLIA". Seria manchete semana inteira, com matéria na Veja, e editorial na Folha.”

LULA DIZ QUE SEU GOVERNO ESTABELECEU NOVO PARADIGMA

Li ontem no jornal O Estado de São Paulo a seguinte reportagem de Evandro Fadel, da Agência Estado:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em Florianópolis, que seu governo estabeleceu um novo "paradigma" para os que o sucederão. "Até outro dia quem entrava no governo olhava o que foi feito no outro: nada", afirmou. "Quem vier depois de nós vai dizer: ''Eu vou ter que trabalhar porque o paradigma é outro''.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticada por opositores de estar fazendo campanha presidencial antecipada ao viajar com o presidente, disse que não vai deixar de percorrer o País e também acompanhou Lula a Santa Catarina.

O presidente participou da inauguração de uma linha de transmissão de energia submarina ligando o continente à ilha de Florianópolis, o que aumentará em 150% a capacidade de recebimento de energia na cidade, evitando problemas por pelo menos 30 anos. A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é fruto de investimentos de R$ 172 milhões. "Fico feliz por passar para a história como o presidente que, junto com o governo do Estado e a Eletrobrás, garantiu que Florianópolis não terá mais apagão", afirmou. "Se o governo não vier nas coisas boas, nas ruins ele vem mesmo que não esteja presente."

Segundo o presidente, a "presença" nos fatos ruins se dá por meio dos órgãos de comunicação. "Quando acontecem coisas erradas tem que encontrar um culpado rapidamente, começa com o prefeito, passa para o governador e passa para o presidente, que não tem para quem repassar", disse. "Eu nem para o Obama (Barack Obama, presidente dos Estados Unidos) posso passar porque ele é mais novo que eu, mais inexperiente que eu." Aos opositores, Lula criticou: "Tem gente torcendo: ''Graças a Deus vai ter um desempregozinho e o governo vai se ferrar''", afirmou.”

ELOGIOS

Antes de discursar, Dilma Rousseff recebeu elogios de seu colega de Minas e Energia, o ministro Edison Lobão. "Sem Dilma Rousseff à frente do PAC seguramente os resultados não seriam tão bons como são hoje", disse. Ela preferiu criticar os governos anteriores. "Quando tinha problemas internacionais cortavam investimentos, até por que o FMI (Fundo Monetário Internacional) exigia", afirmou. Segundo a ministra, a intenção do governo anterior ao de Lula era privatizar a Eletrobrás. "E por isso ela foi proibida de investir em transmissão", criticou. "Nós mudamos o padrão."

OBAMA E O ORÇAMENTO DE US$ 3,6 TRILHÕES

Hoje eu li no site “Carta Maior” o seguinte artigo de Argemiro Ferreira, postado originariamente em seu blog. O autor é jornalista. Desde a década de 1980, escreve para o diário Tribuna da Imprensa, do Rio de Janeiro. É autor dos livros "Informação e Dominação" (edição do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, 1982 - esgotado), "Caça às Bruxas - Macartismo: Uma Tragédia Americana" (L&PM, Porto Alegre, 1989), "O Império Contra-Ataca - As guerras de George W. Bush antes e depois do 11 de setembro" (Paz e Terra, São Paulo, 2004). Foi colaborador de Rede Imaginária - TV e Democracia (org. por Adauto Novaes, Companhia das Letras, São Paulo, 1991), Mídia & Violência Urbana (Faperj, Rio de Janeiro, 1994).

Aborda um conceito que até hoje não foi aceito pela “elite” econômica brasileira e pelo Congresso: os ricos pagarem relativamente mais imposto do que os das classes mais baixas. Vejamos o artigo:

“Quem ganha acima de US$ 250 mil por ano (mais de US$ 20 mil por mês) vai pagar mais impostos, conforme o próprio Obama prometia na campanha e repetiu no discurso de terça-feira. Trata-se de inversão ousada - na verdade, uma guinada significativa - no rumo orçamentário herdado do governo Bush, que presenteara a camada mais rica da população com polpudos cortes de impostos. A análise é de Argemiro Ferreira.

Enquanto crescia quinta-feira, a partir de reportagem do Wall Street Journal (hoje integrado ao império de mídia do magnata Rupert Murdoch), a especulação sobre iminente nacionalização do Citigroup/Citibank, a oposição republicana fingia ter levado um susto com a nova proposta orçamentária de US$ 3,6 trilhões anunciada pelo presidente Barack Obama, que aumenta impostos para os ricos.

Quem ganha acima de US$ 250 mil por ano (mais de US$20 mil por mês) vai pagar mais impostos, conforme o próprio presidente prometia na campanha e repetiu no discurso de terça-feira. Trata-se de inversão ousada - na verdade, uma guinada significativa - no rumo orçamentário herdado do governo Bush, que presenteara a camada mais rica da população com polpudos cortes de impostos.

Mas a herança maior de Bush, graças à devastadora crise econômica que legou aos americanos, é o próprio deficit orçamentário a ser enfrentado (US$1,77 trilhão) pelo atual governo, que promete reduzí-lo à metade até o fim do mandato de Obama. O orçamento prevê gastos substanciais para melhorar o sistema de saúde, a educação e ampliar a independência do país no campo energético.

EVITANDO SACRIFICAR OS INVESTIMENTOS

Ao anunciar o orçamento, Obama afirmou: “Não concordo em sacrificar os investimentos que farão o país mais forte, mais competitivo e mais próspero neste século 21 – investimentos que já foram negligenciados demais”. Para a oposição conservadora, o aumento de impostos dos ricos será usado para financiar uma reformulação do sistema de saúde que ainda nem se sabe como será feita.

De acordo com a crítica já levantada, isso também pode ter como consequência não desejada um aumento da carga tributária para pequenas empresas. Assim, ao invés de criar mais empregos, o que tem sido contribuição substancial delas ao longo dos anos, eles poderiam ser levadas a demitir empregados e fechar postos de trabalho.

De qualquer forma, com o que pode acabar tornando-se uma mudança bem mais profunda do que esperava a oposição, o governo Obama - que até agora preferia enfoque mais conciliatório, num namoro bipartidário ostensivamente repelido pelos republicanos - deixa claro com a proposta estar mais inclinado do que pensavam os democratas mais progressitas em cumprir promessas de campanha.

“UMA NOVA ERA DE RESPONSABILIDADE”

Publicada sob o título “Uma nova era de responsabilidade - Renovando a promessa da América”, a proposta orçamentária também contém reducões substanciais de gastos, em parte resultantes das mudanças previstas para o papel dos EUA no Iraque; cortes de subsídios; e até cortes de verbas de certos programas sociais (nesse caso, graças a operação de combate ao desperdício e às fraudes).

De qualquer forma, o governo não parece preocupado com as acusações que já começam - e certamente vão continuar - de que está voltando atrás, para o tempo em que os "democratas gastadores” aumentavam o tamanho do governo. Big government é uma expressão que irritava os democratas, acusados de gostarem de impostos e gastarem demais - em programas sociais e outras “bobagens”.

O próprio Bill Clinton, como presidente, declarou certa vez o fim da “era do big government”. E Obama, no seu discurso desta semana sobre o Estado da União, também reafirmou que não gosta de big government. A partir daí, a liderança republicana já proclamou que os EUA, com o atual governo, está promovendo o retorno àquela era - o que, de resto, também diriam se o orçamento fosse outro.

PUNINDO EXECUTIVOS IRRESPONSÁVEIS

A oposição republicana, no entanto, fica numa situação extremamente incômoda para fazer suas críticas nesse terreno, já que o governo Bush recebeu do democrata Clinton, há oito anos, um orçamento com superávit, devolvendo-o agora com o maior déficit da história - para não falar nas guerras que agravaram o quadro (só a do Iraque, segundo cálculo de Joseph Stiglitz, custou US$3 trilhões) e na desastrosa crise econômica.

No mesmo dia o líder da minoria oposicionista na Câmara John Boehner retomou seu cansativo refrão de que não se aumenta impostos em períodos de recessão - no caso, a recessão de Bush. Para ele, as pequenas empresas serão afetadas e elas representam o motor da criação de empregos. “O orçamento dos democratas é, simplesmente, um assassino de empregos”, afirmou

Na sua contribuição ao debate, Obama também destacou o preço que os executivos desonestos, que ajudaram a fabricar a atual crise, serão forçados a pagar. Segundo afirmou, a ampliação do ativismo do governo será “um rompimento emblemático com esse passado perturbador”, punindo com aumentos de impostos muitos dos que lucraram com a desgraça do país nessa “era de profunda irresponsabilidade

BRASIL TERÁ AUTORIDADE MORAL PARA FALAR NO G-20, DIZ LULA

O “Estadão” de ontem publicou:

“PRESIDENTE CRITICA OPINIÕES EXTERNAS SOBRE COMO O GOVERNO BRASILEIRO DEVE LIDAR COM EFEITOS DA CRISE

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 27, que o Brasil terá "autoridade moral" no G-20-(grupo formado por grandes economias desenvolvidas e emergentes) para falar de como se cuida de um País em referência à crise financeira mundial. "Hoje, o nosso humilde Brasil, tantas vezes achincalhado, até por nós mesmos, porque no Brasil tem um tipo de gente que adora puxar o saco de coisa estrangeira e falar mal de coisa brasileira, esse humilde País, quando sentar na mesa do G-20 certamente será um dos países que terá mais autoridade moral para falar de como se cuida de um País", disse o presidente, segundo a GloboNews.

O presidente criticou palpites externos sobre como o governo deve agir para manter a economia.

"Eu nunca vi tanta gente esperta pra descer no aeroporto de Cumbica ou do Rio de Janeiro já dando palpite: "O governo tem de fazer isso, o ministro tem de fazer aquilo, o banco tem de fazer aquilo, tem de evitar tal obra, tem de fazer ajuste fiscal". Era como se a gente fosse um bando de analfabeto e eles fossem graduados, doutorados para ensinar como a gente tinha de cuidar da nossa economia".

Em abril, o G-20 se reúne em Londres para tentar traçar um plano para lidar com a pior crise em 60 anos. A ideia do Itamaraty é clara: pacotes para salvar empregos são justificados, mas não podem ter efeitos colaterais nem prejudicar trabalhadores de outros países.”

ENERGIA NUCLEAR AGORA É VISTA COMO SALVAÇÃO

Li ontem no jornal O Estado de São Paulo a seguinte reportagem de Gilles Lapouge, correspondente em Paris:

“O Irã inaugurou na quarta-feira sua primeira central nuclear em Bushehr com a presença de Serguei Kirienko, diretor da agência federal russa de energia. A central foi construída pelos russos que também fornecerão o combustível. Mas para vê-la em atividade de fato será preciso esperar sete meses.

O mundo está inquieto. Os EUA, países da Europa, Israel, estão convencidos de que os iranianos decidiram obter a bomba. O problema está no fato de que os mesmos equipamentos podem produzir energia para uso civil ou militar. Teerã jura que sua central busca aumentar a produção de eletricidade do país.

Na realidade, atualmente, a energia nuclear para uso civil está voltando a ser produzida no mundo todo. Considerada até ontem um flagelo, foi transformada pelos ecologistas em algo diabólico, acusada de poluir, de produzir lixo tóxico e de ser perigosa.

Nos últimos anos, a opinião pública mudou e por várias razões. Em primeiro lugar, pelas turbulências do mercado petrolífero; posteriormente, influiu nesta mudança a melhoria da segurança nas usinas nucleares. Finalmente, foi a necessidade de lutar contra as emissões de gases de efeito estufa.

Hoje, a energia nuclear é descrita como a salvação do mundo. Não é possível entender mais nada. Em toda parte estão surgindo novas centrais. Ao todo, há 44 reatores em construção e 200 outros estão em projeto. Enquanto isso, o número de partidários da energia nuclear aumenta. Há três anos, os europeus que aceitavam a energia nuclear eram 37%. Hoje, já são 44%.”

SOBE OU DESCE

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou na coluna “Toda Mídia”, de Nelson de Sá:

“A Economist Inteligence Unit”, consultoria do grupo "Economist", postou que "o Brasil provavelmente vai encolher" em 2009, "ainda que modestamente".

Já a "Newsweek" traz artigo do chefe do Morgan Stanley para emergentes, avaliando que "a crise jogou a maioria dos países para trás, mas a vida ainda é uma praia no Brasil, graças a uma gestão inteligente".

E a Veja.com deu que o Banco Central, em reunião "com economistas", ouviu projeções "relativamente otimistas" de inflação, crescimento, emprego.

DOMINÓ EMERGENTE?

O quadro montado pela "Economist" toma por base o risco concentrado agora nas "dívidas de empresas e bancos"

A "Economist" dá na capa o risco de quebra na Europa Oriental, "que pode levar a União Europeia".

Em texto menor, intitulado "Teoria dominó", especula para onde "pode se espalhar o contágio emergente". Dá um quadro sem países menores como Ucrânia e Romênia, que encabeçariam a lista, e foca 17 "grandes emergentes". O Brasil surge em sétimo, no critério de risco da revista, depois de África do Sul, Hungria, Polônia, Coreia do Sul, México e Paquistão. Mas em situação pior do que, entre outros, Turquia, Rússia, Argentina e Venezuela.”

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

SOBRE A GUERRA DE GAZA

Li hoje no site “Vermelho” artigo de Eric Hobsbawm, autor de vários livros, sendo o mais recente: "Globalização, Democracia e Terrorismo", 2008, Companhia das Letras. A tradução é de Caia Fittipaldi.

O artigo foi originariamente publicado em "London Review of Books", "LRB contributors react to events in Gaza", 15/1/2009 http://www.lrb.co.uk/web/15/01/2009/mult04_.html.

ERIC HOBSBAWM: "SOBRE A GUERRA DE GAZA"

“Durante três semanas, a barbárie esteve à vista do público mundial, que olhou, avaliou e, com raras exceções, rejeitou as ações de terrorismo militar, por Israel, contra 1,5 milhão de seres humanos cercados, desde 2006, na Faixa de Gaza. Nunca antes as justificativas oficiais para a invasão de um país por outro foram mais patententemente refutadas por uma combinação de câmeras de televisão e aritmética; ou as notícias sobre 'alvos militares', pelas imagens de crianças ensanguentadas e de escolas em chamas.

13 baixas do lado israelense, 1.360 baixas do lado palestino: fácil ver que lado é vítima. Não há muito mais que tenha de ser dito, sobre a horrenda operação israelense em Gaza. Exceto no caso de que sejamos judeus.

Por causa da nossa longa e pouco precisa história de povo em diáspora, a nossa reação natural aos eventos públicos tem sempre incluído a pergunta: "E isso é bom ou é mau para os judeus?" No caso da guerra de Gaza, só há uma resposta possível, inequívoca: "Não é bom para os judeus. É mau para os judeus."

É patentemente mau para os 5,5 milhões de judeus que vivem em Israel e nos territórios ocupados de 1967, cuja segurança fica ameaçada pelos atos de guerra que o governo de Israel empreendeu em Gaza e no Líbano. Esses atos de guerra manifestam a incapacidade do governo de Israel para perseguir seus objetivos declarados – e são atos que perpetuam e aprofundam o isolamento de Israel num Oriente Médio hostil.

Dado que o genocídio e a expulsão em massa de palestinos do que resta de seu território original não é item de qualquer agenda, tanto quando tampouco se visa a destruir o Estado de Israel, só a coexistência negociada de israelenses e palestinos, em termos igualitários entre os dois povos pode ser pensada como base de um futuro estável.

A cada nova aventura militar, como em Gaza e no Líbano, mais essa solução de conciliação vai-se tornando difícil e mais se reforça o poder da direita israelense e dos colonos fanáticos da Cisjordânia que jamais desejaram qualquer solução de conciliação.

Como já aconteceu na guerra do Líbano em 2006, o massacre de Gaza torna ainda mais sombrio o futuro de Israel. E também tornou mais sombrio o futuro dos nove milhões de judeus da diáspora. Não sejamos hipócritas: criticar Israel não implica qualquer antissemitismo.

As ações do governo de Isral cobrem de vergonha todos os judeus e, mais importante que isso, faz crescer o antissemitismo, no século 21. Desde 1945 os judeus, dentro e fora de Israel, beneficiaram-se muito da má consciência de um mundo ocidental que se recusou a receber migrantes judeus nos anos 30, antes de o mesmo ocidente ou cometer genocídio ou não lutar contra ele.

Quanto, dessa má consciência, que conseguiu eliminar virtualmente o antissemitismo ocidental por 60 anos e produziu uma era de ouro para a diáspora dos judeus, sobrevive hoje?

A Israel que ataca Gaza não é a Israel do povo vítima da história. Não é, sequer a "pequena valente Israel" da mitologia de 1948-67, um Davi enfrentando os Golias adjacentes.

Israel está deixando de fazer jus à boa-vontade do mundo, tão rapidamente quanto os EUA de Bush perderam o direito à boa-vontade do mundo – e por motivos muito semelhantes: nacionalismo cego e a megalomania do poderio militar.

O que é bom para Israel e o que é bom para os judeus, como povo, são coisas evidentemente conectadas, mas, até que haja solução justa para a questão palestina, o que for bom para Israel será mau para os judeus. É assim, e não poderia ser diferente disso. É essencialmente importante que os judeus digam isso em todos os espaços e em todos os fóruns."

DESEMPREGO: DIEESE-SEADE APURA AUMENTO "TRÁGICO" EM JANEIRO

Li hoje no site “Vermelho”:

"A taxa de desemprego aumentou em janeiro deste ano, de 12,7% para 13,1% da população economicamente ativa, segundo a pesquisa Dieese-Seade divulgada nesta quinta-feira (26). O número de desempregados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas chegou a 2,62 milhões, 75 mil a mais que em dezembro.O desempenho do emprego em janeiro foi considerado "trágico" pelo diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Apesar dessa elevação sobre dezembro, na comparação com os demais meses de janeiro, a taxa de 13,1% é a menor já registrada em janeiro desde 1998, quando a pesquisa começou a ser feita: o que significa que o recuo em relação a dezembro não chegou a neutralizar a melhoria no mercado de trabalho ao longo de 2008.

O nível de ocupação caiu 1,3%. Houve um corte de 221 mil vagas, parcialmente compensado pela saída de 145 mil pessoas do mercado de trabalho. Com isso a população economicamente ativa reduziu-se de 20,1 milhões em dezembro último para 19,9 milhões em janeiro.

SÓ SALVADOR REDUZIU A TAXA

Das seis regiões metropolitanas pesquisadas, (São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Distrito Federal) Salvador foi a única onde a taxa de desemprego diminuiu, passando de 19,8% para 19,4%, um recuo de 2%. Apesar disso, a capital baiana ainda possui a maior taxa de desemprego entre as regiões pesquisadas.

Os principais aumentos da taxa de desemprego foram verificados em São Paulo (de 11,8% para 12,5%), o que indica elevação de 5,9%, e em Belo Horizonte ( de de 8,4% para 8,8%), alta de 4,8%.

No Distrito Federal houve alta de 1,9%, com a taxa avançando de 15,4% para 15,7%. Porto alegre passou de 9,8% para 10% (alta de 2%) e Recife de 17,9% para 18,3% (aumento de 2,2%).

O setor de serviços foi o que eliminou mais postos de trabalho com o corte de 90 mil vagas, seguido pela indústria com 79 mil; construção civil com 31 mil e outros setores com 16 mil. Já no comércio, ocorreram 5 mil demissões em variação considerada estável (-0,2%).

Quanto ao rendimento médio do total dos ocupados relativa a dezembro, a pesquisa apurou um aumento de 1,1% com valor de R$ 1.182,00 de novembro para dezembro (este célculo é sempre feito um mês depois daquele do desmprego). O segmento dos assalariados teve um acréscimo um pouco inferior ao dos ocupados em geral, com valor de R$ 1.246,00, 0,6% acima da média verificada, em novembro.

A Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) é realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade).”

PARA AGU, AÇÃO DA OPOSIÇÃO É UM 'TOTAL DESCABIMENTO'

Li no site “Vermelho” o seguinte texto extraído da “Fonte: G1”:

“O ministro da Advocacia Geral da União, José Antônio Toffoli, afirmou nesta quinta-feira (26) que fará a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, contra a ação do DEM e do PSDB que questiona a participação dos dois no encontro dos prefeitos, realizado em Brasília (DF) nos dias 10 e 11 de fevereiro.

Segundo ele, o evento foi um ato de governo e, por isso, a AGU pode representá-los junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). DEM e PSDB alegam que o evento serviu para fazer campanha eleitoral antecipada de Dilma para as eleições presidenciais de 2010.

Para Toffoli, a “ação é um total descabimento”. “Não há propaganda eleitoral antecipada, há um ato de governo, uma ação institucional para os novos prefeitos para apresentar a eles os programas do governo federal e facilitar o intercâmbio de ações”, disse, após se reunir com Lula nesta quinta.

O ministro comparou a acusação dos partidos de oposição com o período anterior à disputa do campeonato de Fórmula 1. “Não existe nenhuma antecipação de campanha. Se formos fazer uma metáfora com a Fórmula 1, sequer as equipes escolheram seus pilotos. Nós estamos muito longe dos treinos livres, ou dos treinos oficiais ou do campeonato. Não há candidatura, não há campanha eleitoral”, afirmou.

Na avaliação de Toffoli, a oposição é que faz campanha antecipada pela ministra Dilma quando propõe ações desse tipo. “A oposição tem todo direito de reclamar junto à Justiça de uma ação que ela ache incorreta ou inconveniente e caberá ao governo fazer a defesa e à Justiça julgar. Aliás, eu acho que ela [a oposição] é que acaba fazendo uma campanha antecipada da ministra Dilma, quando coloca esse enfoque”, afirmou.

Toffoli disse que o governo tem até segunda-feira (2) para apresentar a defesa de Lula e Dilma, mas disse que até sexta-feira (27) já seja possível entregar as explicações para o TSE.

Ele questionou ainda se membros dos partidos de oposição participariam de um evento de campanha em favor de Dilma. “A ministra apresentou apenas um dos painéis que foram realizados. Tanto que tinha prefeitos de todos os partidos, e na abertura estava o governador do Distrito Federal, que pertence a um dos partidos que está fazendo a representação. Estaria o governador [José] Arruda fazendo campanha?”, questionou.

O ministro descartou ainda orientar o presidente a tomar cuidado com as citações ou participações da ministra Dilma Rousseff em eventos do governo federal. Segundo ele, Lula não precisa ser orientado sobre esse assunto, porque já disputou cinco eleições presidenciais e “ninguém no Brasil conhece mais de direito eleitoral” do que ele.”

GILMAR MENDES, O MST E O USO DO DINHEIRO PÚBLICO

Li hoje no blog “De Um Sem Mídia”, de Carlos Dória, o seguinte texto de Leonardo Sakamoto no “Blog do Sakamoto”:

“Eu deixei de me espantar quando o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes faz declarações públicas que não condizem com a discrição que exige seu cargo. Dessa vez, por conta de um confronto que resultou na morte de seguranças de uma fazenda em Pernambuco (os sem-terra alegam legítima defesa), ele criticou o repasse de recursos públicos a entidades que atuam na luta pela terra.

“Financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo. Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições”, disse Mendes.

Interessante a indignação do magistrado só ter surgido agora. Por que ele não veio a público dizer o mesmo nas centenas de vezes em que ocorreu o contrário, quando grandes empresas e fazendeiros, que receberam recursos públicos do BNDES, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outros, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com a morte de centenas de trabalhadores rurais, sindicalistas e missionários, com a contaminação e destruição do meio ambiente, o trabalho escravo e o infantil, a expulsão de comunidades tradicionais de suas terras, a grilagem de terras, a corrupção de políticos e de funcionários públicos? Será que é pelo fato de que, no Brasil, boa parte do Poder Judiciário age com dois pesos e duas medidas, para ricos e pobres?

Qualquer assassinato tem que ser desvendado, seja quem for o autor ou a vítima. Portanto, espero que os crimes em Pernambuco sejam resolvidos e condenados os culpados ou absolvidos os inocentes. A sacanagem é usar o caso como chantagem ou justificativa para recomeçar uma caça às bruxas, semelhante ao que se tentou fazer na CPI da Terra anos atrás. Fazem parecer que os recursos repassados a entidades sociais no campo são usados para fazer ocupações e orgias, ignorando o desenvolvimento em educação e tecnologia rurais obtidos em pequenas comunidades com esses investimentos nos últimos anos. E ignorando que sem a pressão dos movimentos sociais, o pouco de reforma agrária que ocorreu nem teria sido realizada.

Ah, mas pelo menos, uma coisa boa surge disso tudo. Se Gilmar Mendes for um homem coerente - e acredito que seja - a sua indignação pública contra os sem-terra indica que o ministro também será favorável a qualquer mecanismo de bloqueio de crédito e financiamento públicos a empresas e fazendeiros que cometam crimes como o desmatamento ilegal ou qualquer outro que enumerei acima. O que ele disse nesta quarta - “Que o Ministério Publico tome providencias para verificar se não há financiamento ilícito a estas instituições” - serve também para isso.

E urgente, pois qualquer passarinho sabe que, desde a fundação da nação, dinheiro público é entregue às mãos de expoentes do poder econômico privado (de latifundiários, passando por industriais ao setor de serviços), que cometem sérias delinquências, impunemente.”

A CAMPANHA DE SERRA, DE VENTO EM POPA

Li hoje no site “Vi o mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha:

DILMA E SERRA ESTÃO EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL ANTECIPADA.

O governador quer fazer crer que é a ministra quem começou antes a campanha, mas ele age com a mão do gato.

Senão vejamos:

-- A Sabesp transfere dinheiro público para a TV Globo, como pagamento antecipado por serviços de divulgação e supressão de notícias;

-- O governo do Estado espalhou outdoors em Bauru saudando o Rodoanel, obra que fica a quase 300 quilômetros da cidade;

-- A Folha de S. Paulo avisou que ou é Serra, ou é uma versão "ditabranda" do século 21;

-- A Veja ressuscitou o senador Jarbas Vasconcelos, que pretende -- ao lado de Orestes Quércia -- nos ensinar como se combate a corrupção;

-- Os comentaristas econômicos decretam o fim do Brasil todos os dias, dentre os quais se destacam a Miriam Leitão e o Carlos Sardenberg, aquele que dizia que só a América Latina, de Chávez, ia ficar para trás no espetáculo global de crescimento econômico;

VOCÊS LERAM ISSO?

-- A CBN, sob a batuta de Ali Kamel, abre seus microfones diariamente para falar das crises federais, enquanto em São Paulo vai tudo bem. Não tem trânsito, nem enchente. O Kassab não afogou o ganso da Aclimação. Isso é coisa de comunista.

-- Em Brasília, Gilmar Mendes faz os "serviços gerais".

O problema de Serra é que esse cast de canastrões não emplaca nem em pastelão da Vera Cruz.

Você gostaria de ter o apoio da trinca Kamel-Quércia-Mendes?”

CHEGA DE PAULISTA!

Li hoje no site “Vi o mundo” do jornalista Luiz Carlos Azenha:

“Eu sou paulista de Bauru. Estou acostumado ao desprezo da elite paulistana pelos "caipiras".

E, tendo vivido muitos anos em São Paulo, estou acostumado ao desprezo da elite do Sul Maravilha pelos nordestinos.

Um desprezo que ficou bastante em evidência quando Luiza Erundina se elegeu prefeita de São Paulo e, mais ainda, quando Lula chegou à presidência da República.

Nos últimos dias um episódio deixou enfurecidos meus leitores do Nordeste: a pressão que a TV Globo teria exercido para limitar o alcance da TV Diário, do Ceará, afiliada da Globo, que por ser transmitida via satélite para milhões de antenas parabólicas representaria ameaça à audiência da própria Globo, de acordo com denúncia do blog Rastreadores de Impurezas.

Um ato que apenas confirma, aos olhos dos meus leitores, o espírito colonizador com que a elite do Sul Maravilha trata o Nordeste.

Esse desprezo intelectual é repetidamente demonstrado pela mídia quando contrata jornalistas "folclóricos" do Nordeste, que se encaixam perfeitamente no estereotipo que a elite do Sudeste tem do nordestino: gente que não é para ser levada a sério.

Para além de uma questão comercial, o episódio mostra o que está errado com a política de comunicação do Brasil, especialmente no que diz respeito à exigência de conteúdo regional para as emissoras de rádio e de televisão.

Mostra também o poder de repercussão da internet, a necessidade urgente da Conferência Nacional de Comunicação e deixa claro que existe um tremendo espaço para o desenvolvimento de conteúdos regionais que acabem de uma vez por todas com o colonialismo interno no país.”

HOJE: 20 ANOS DO CARACAZO

Li hoje no site Carta Maior o seguinte texto de Gilberto Maringoni. O autor é jornalista e cartunista, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo):

DIAS DE FÚRIA NA VENEZUELA, VINTE ANOS DEPOIS

No dia 27 de fevereiro de 1989, Caracas e as principais cidades venezuelanas foram palco de uma imensa rebelião social. A rebelião ficaria conhecida como Caracazo e abriria caminho para a surpreendente sucessão de eventos que sacudiriam a Venezuela ao longo da década seguinte.

Há exatos vinte anos, dia 27 de fevereiro de 1989, Caracas e as principais cidades venezuelanas foram palco de uma imensa rebelião social. O evento ficou conhecido como Caracazo e um ciclo histórico. Rompeu-se ali um pacto político, alicerçado no preço do petróleo, que possibilitou a convivência no poder entre dois partidos de centro-direita e a exclusão dos setores populares, sem que a alternância no poder e os aspectos formais da democracia liberal fossem colocados em questão. Um feito, em um continente pontilhado de ditaduras militares e golpes de Estado.

A CRISE ANUNCIADA

O pais vivia, desde 1983, uma séria crise econômica. Naquele ano, a queda dos preços internacionais do petróleo já abalara as finanças nacionais.

Em 4 de dezembro de 1988, Carlos Andrés Pérez foi eleito presidente da República pela segunda vez, com a consagradora marca de 56,4% dos votos válidos. Mais do que ninguém, o líder do partido Ação Democrática personalizava a prosperidade petroleira vivida na década anterior e sua situação de crescimento econômico, altos níveis de emprego e melhoria constante no padrão de vida da população. Ainda estava na memória de todos o lema de seu primeiro mandato: Democracia com energia. Sua campanha e sua vitória se deram sob o signo da promessa de dias melhores.

No entanto, a situação, do ponto de vista das contas públicas, era para lá de preocupante. Como fruto da queda acentuada dos preços internacionais do petróleo, ocorrida nos anos anteriores, as reservas do Banco Central, que em 1985 alcançavam US$ 13,75 bilhões, despencaram para US$ 6,67 bilhões no final da gestão de seu antecessor, Jaime Lusinschi. A inflação alcançava 40,3% ao ano, o desemprego alcançava dois dígitos e o salário real havia despencado. Uma aguda fuga de capitais completava o quadro.

Em 16 de fevereiro, o presidente se dirigiu ao País para anunciar seu programa de ação. Iniciou seu discurso com uma severa crítica ao modo de funcionamento da sociedade nos últimos anos, apresentou uma audaz e certeira visão das debilidades de sua economia e anunciou - sob todas as luzes, para surpresa de todos - que o governo havia firmado um memorando com o Fundo Monetário Internacional. Pérez ressaltou que aquela seria uma necessidade inadiável e a única possibilidade de tornar a economia mais produtiva e competitiva. E, claro, alertou que sua implantação implicaria graves sacrifícios a todos os venezuelanos por um curto período.

O objetivo de tudo era liberação de um empréstimo de US$ 4,5 bilhões. A contrapartida, concretizada no dia 25, um sábado, era salgada: o pacote incluía a desvalorização da moeda nacional, o bolívar, a redução do gasto público e do crédito, liberação de preços, congelamento de salários e aumento dos preços de gêneros de primeira necessidade. A gasolina sofreria um reajuste imediato de 100%. Isso resultaria, segundo anunciado, numa majoração de 30% nos bilhetes de transporte coletivo. Na prática, estes reajustes chegaram também a 100%.

Nada disso havia sido ventilado durante a campanha.

PROTESTOS

Antes das seis da manhã da segunda-feira, dia 27, começaram os primeiros protestos, aparentemente verbais em seu início, nos terminais de transportes coletivos das cidades dormitório ao redor de Caracas.

As pessoas que estavam no terminal Nuevo Circo logo se deslocaram para a avenida Bolívar, no centro da capital. Em frente ao busto do Libertador, começaram a construir barricadas, no meio da via, cortando a comunicação entre diversos pontos da capital. De início eram 200, mas logo formavam uma multidão.

Ao meio dia, um outro contingente conclamava estudantes, professores e funcionários da Universidade Central, zona leste da capital, a protestarem não apenas contra "os aumentos de preços das passagens, mas a se oporem também às outras medidas econômicas aplicadas pelo governo de Pérez". No início da tarde, estes manifestantes convergiram para a autopista Francisco Fajardo, colocando "galhos de árvores, garrafas ou quaisquer outros objetos, para impedir a passagem dos carros". Caminhões com cargas alimentícias começaram a ser saqueados e o comércio em volta fechou suas portas. A Polícia Metropolitana acompanhava tudo à distância, até que o primeiro ônibus foi incendiado. Aí começaram os disparos, até que um estudante foi atingido por uma bala perdida. Com saques se disseminando por outras regiões, no início da noite, o cenário era de caos.

As forças policiais, no bairro de Antínamo, chegaram a um acordo com os manifestantes, para que apenas mulheres e crianças entrassem nos estabelecimentos para saquear "com cultura e ordem".

A REPRESSÃO

Carlos Andrés Pérez passara o dia 27 em Barquisimeto, capital do estado de Lara, voltando a Caracas por volta das dez da noite. No segundo dia de distúrbios, recebeu no palácio de Miraflores inúmeros empresários e lideranças políticas, antes de convocar, no meio da tarde, uma cadeia nacional de rádio e televisão. Ao vivo, para todo o País, anunciou o toque de recolher e a suspensão das garantias constitucionais. Foi a senha para que a repressão fosse desatada sem freios, especialmente sobre os habitantes das regiões populares.

Do Palácio escutavam-se tiros disparados nos bairros próximos. O dia 28 fôra de extrema tensão. Às oito da noite ainda havia gente em seu gabinete. Antes de se retirar, Pérez convidou Cláudio Fermín, prefeito de Caracas e Héctor Alonso López, dirigente da AD, para jantar. Ouvia-se o ronco dos helicópteros do exército sobrevoando a capital. Ao terminar a refeição, López dirige-se a Pérez e lhe diz preocupado: "Esta foi uma reação dos pobres contra os ricos".

No bairro de Petare, as forças repressivas chegaram a disparar contra uma multidão, no dia 1° de março, matando mais de 20 pessoas. Apareceram franco-atiradores no alto de alguns edifícios na imensa zona periférica de 23 de Janeiro, assim batizada em homenagem à queda do ditador Pérez Jiménez (1949-1959). Soldados muito jovens e inexperientes, enviados para o local, armados com fuzis FAL, de vasto poder destrutivo, chegaram disparando contra os edifícios. Incontáveis moradores foram mortos. Nesta mesma noite, o clima foi de puro terror em outras regiões pobres. Cadáveres eram produzidos em quantidades industriais.

A rebelião ficaria conhecida como Caracazo, nome que não faz juz às suas dimensões nacionais, e abriria caminho para a surpreendente sucessão de eventos que sacudiriam a Venezuela ao longo da década seguinte.

Quatro anos depois, familiares e grupos de direitos humanos conseguiram apurar um total de 396 vítimas fatais nos cinco dias que durou a revolta. Os feridos contavam-se aos milhares e os prejuízos materiais são quase impossíveis de serem estimados. Os centros médicos contabilizaram um total entre 1 mil e 1,5 mil mortos.

DESASTRE ECONÔMICO E SOCIAL

A Venezuela encerrou aquele ano com uma queda de 8,1% no PIB e uma taxa de inflação de 81%. Nos anos de expansão, esta taxa não ultrapassava um dígito. A parcela da população que se vivia abaixo da linha de pobreza aumentou de 15%, no final de 1988 para 45%, dois anos depois. Até o final de seu mandato, Pérez eliminaria as regulamentações bancárias, acabaria com a maior parte dos controles de preços, privatizaria a companhia nacional de telefones (Cantv), o sistema de portos, uma importante linha aérea (Viasa) e abriria a indústria petroleira e outros setores estratégicos ao capital privado.

Quebrou-se, em fevereiro de 1989, a auto-imagem que os venezuelanos tinham de si mesmos e que era compartilhada por vários observadores internacionais. Segundo ela, o País seria um modelo de democracia e tolerância no continente, com suas eleições regulares, suas instituições, seus direitos civis, seus partidos com sólidas bases sociais etc.

Rompeu-se um padrão de convivência construído ao longo de todo o século. Os canais de mediação de demandas entre a população e o Estado - partidos políticos e sindicatos - que, durante décadas, resolveram conflitos variados, mostraram-se inúteis quando a crise tornou-se irreversível.

A expansão petroleira dos anos 70 gerara para as classes dominantes, para as camadas médias e mesmo para os setores populares, de maneira diferenciada, a ilusão de que o País se descolara finalmente do destino de infortúnios do continente latino-americano. Como se recorda o pesquisador Steve Ellner, "A prosperidade deste decênio se converteria num ponto de referência constante para os venezuelanos e formaria parte de sua memória coletiva, fazendo-lhes difícil ajustarem-se aos tempos difíceis que viriam adiante".

Com o Caracazo, a Venezuela fizera um pouso forçado na realidade latino americana.

REFORMAS LIBERAIS

O sociólogo Edgardo Lander refletiu sobre isso num texto escrito em 2003. Eis o que ele diz: "Tendo escapado da dura experiência da dominação militar nas décadas de 1970 e 1980, a Venezuela não sofreu a desmobilização política e abandono de práticas social-democratas como ocorreu no mesmo período na maioria dos países latino-americanos, no mesmo período. Como conseqüência, o País estava, de diversas maneiras, despreparado para as orientações neoliberais promovidas pelos Estados Unidos no bojo do Consenso de Washington. Regimes autoritários, ao longo do continente, lograram reestruturar as principais dimensões da vida social e adaptá-las às novas demandas da economia global. Políticas de desregulamentação, liberalização, privatização, redução da atividade social do Estado e limitação de direitos sociais - que só puderam ser parcialmente implementadas nos países centrais - foram impostas com poucos constrangimentos na América Latina, depoi s de toda a resistência ter sido esmagada através da repressão".

Em seu livro "Breve História Contemporânea de Venezuela", o historiador Gillermo Morón afirma que "Abriu-se a história contemporânea da Venezuela em 18 de dezembro de 1935, quando o general Eleazar López Contreras assumiu o poder". E completa: "O povo colocou-lhe uma data de encerramento: 27 de fevereiro de 1989".

O ex-comandante guerrilheiro e ex-dirigente do Partido Comunista da Venezuela, Douglas Bravo vai mais longe:

"Foi a rebelião social mais profunda já acontecida na Venezuela; não foi convocada por nenhum partido, sindicato ou igreja. Foi a primeira manifestação verdadeiramente popular contra o neoliberalismo ocorrida em todo o mundo".

VIDA QUE SEGUIU

A engrenagem política que sobrevive ao Caracazo perde grande parte de sua legitimidade. A violenta semana fora, a um só tempo, produto de uma crise prolongada e marca de movimentações profundas na estrutura social venezuelana.

O sistema estava ferido de morte, numa sociedade cuja intolerância e violência cotidiana foram se tornando mais e mais evidentes.

Anos depois, a população vê em outra liderança a possibilidade de acertar suas contas com o passado e tentar criar alternativas para o futuro. O dirigente era Hugo Chávez. Sua história, cheia de idas e vindas e pontos polêmicos, está sendo escrita à quente.”

JUROS DO CHEQUE ESPECIAL CAEM 2,9 PONTOS, APÓS 12 MESES SEGUIDOS DE ALTA

Li no portal UOL ontem a seguinte notícia divulgada com informações da agência norte-americana Reuters:

“A taxa de juro do cheque especial diminuiu 2,9 pontos de dezembro para janeiro, ficando em 172% ao ano. Foi a primeira redução após um ano inteiro de aumento ininterrupto. Em janeiro do ano passado, a taxa estava em 145,5%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central.

Em dezembro do ano passado, a taxa encontrava-se em 174,9% anuais. Em 12 meses, o avanço correspondeu a 26,5 pontos percentuais.

O spread (ganho com a diferença entre o custo de aplicação e o custo de captação) cobrado pelos bancos nessa operação ficou em 159,9% ao ano, com recuo de 2,5 pontos perante o mês final de 2008.

O juro do crédito pessoal fechou janeiro em 56,5%, com queda de 3,9 pontos percentuais perante dezembro, mas acréscimo de 3,4 pontos em 12 meses.

Dentro dessas operações, a taxa média dos empréstimos com desconto em folha de pagamento situou-se em 30,7% em janeiro, o que representa uma baixa de 0,1 ponto percentual no mês.

As taxas médias das operações tradicionais de crédito pessoal diminuíram 3,6 pontos na passagem de dezembro de 2008 para o primeiro mês deste ano, para 73,1%.

Nas outras modalidades de crédito à pessoa física, o custo médio do empréstimo para aquisição de veículos equivaleu a 34,7%, com queda de 1,8 ponto em relação ao mês final de 2008.

As taxas de empréstimos cobradas para aquisição de bens variados - como eletroeletrônicos, por exemplo - se encontrou em janeiro em 66,1% ao ano, declínio de 7,7 pontos.”

MARINHA PRECISA DE R$ 8,5 BI PARA FAZER OS 5 SUBMARINOS

O jornal Folha de São Paulo de ontem publicou a seguinte reportagem de Claudio Dantas Sequeira, com a colaboração de Samy Adghirni:

“Militares recorrem a bancos estrangeiros para bancar programa negociado com a França Negócio, ameaçado por crise econômica, ainda é insuficiente para compensar o atraso tecnológico da indústria bélica nacional

Para tirar do papel o programa de desenvolvimento de submarinos (PDS) negociado com a França em dezembro, a Marinha brasileira tenta alavancar cerca de R$ 8,5 bilhões, valor para os quatro convencionais e um de propulsão nuclear. Mas a operação no mercado financeiro internacional, que compreende uma linha de financiamento a juros baixos e prazo de até 25 anos, corre risco por causa da elevação do custo do crédito e da cautela dos bancos.

Segundo a Folha apurou, a Marinha decidiu recorrer a outras instituições financeiras, que não as francesas, para melhorar as chances de financiamento. Candidatos naturais, os franceses BNP e Societè Generale, concorrem agora com bancos como Santander (Espanha) e Citibank (EUA). Nenhum deles escapou à crise atual. A incerteza sobre a capacidade de solvência de um empréstimo bilionário também aflige o Planalto, que terá a palavra final no caso.

A Marinha está otimista e diz que, se for aprovado, o contrato de financiamento será assinado em 7 de setembro, na visita do presidente Nicolas Sarkozy.

LIMITES

Mesmo que consiga o financiamento, a empreitada militar terá efeito limitado na reestruturação da indústria bélica nacional, como quer o governo.

Detalhes do projeto revelam que o planejamento para a troca de informações estratégicas ajudará, mas não resolverá o atual gargalo tecnológico. Sistemas sensíveis e de altíssima sofisticação como sonares, periscópios, tubos de torpedo e componentes de instalação da turbina a vapor, continuarão sendo desenvolvidos em território francês por absoluta falta de viabilidade econômica no Brasil. Até o aço do casco do submarino, uma liga especial de alta resistência, será fornecido pela França.

"Seria necessária uma produção em escala capaz de compensar os elevados investimentos requeridos para seu desenvolvimento e produção", afirma a Marinha, argumentando que o submarino terá 17% de nacionalização -tomando linearmente os mais de 200 mil itens que o compõe.

Em linhas gerais, a parceria elevará a capacidade de defesa e dissuasão, mas o país seguirá dependente por um bom tempo. Essa condição se estende ao pacote de armamentos. A Marinha acertou a compra de torpedos multifunção "Black Shark", um dos mais avançados do mercado, além do míssil antinavio SMM-39, espécie de versão submarina dos mísseis Exocet. O Brasil tem alguns projetos e técnicos farão estágio com fabricantes franceses.

"São coisas que gostaríamos de fazer aqui, mas são caras e difíceis", diz o almirante reformado Mario Cesar Flores. Ex-ministro da Marinha (1990-1992) e de Assuntos Estratégicos (1992-1994), Flores acredita que "não há solução a médio prazo". Carlos Frederico de Aguiar, presidente da Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), defende o negócio. "As baterias do submarino e as válvulas de casco serão produzidas nacionalmente, pela Saturnia e a Cia Dox", afirma.

Para Aguiar, o índice de nacionalização dos submarinos é coerente com a realidade. "Os aviões militares da Embraer têm 15% de nacionalização e os comerciais, 20%", diz. De acordo com a Marinha, 30 empresas nacionais vão produzir componentes para o projeto.

Paralelamente, Odebrecht (50%), DCNS (49%) e Marinha (1%, com golden share) formarão uma Sociedade com Propósito Específico para operação do estaleiro em que serão construídos os submarinos. Pedro Paulo Rezende, analista da revista britânica "Janes Defence Weekly", avalia que a questão de escala seria amenizada se a Marinha fabricasse o dobro de submarinos previstos.

"Ter o equipamento de última geração é importante, mas não resolve. De maneira geral, as limitações que os franceses nos impuseram são as mesmas que alemães e americanos nos imporiam", diz. Para Rezende, a questão mais sensível "é o não repasse da planta de vapor do submarino nuclear". "Sem isso, é uma caixa preta", diz.”

ALIMENTOS E EDUCAÇÃO SOBEM MENOS, E INFLAÇÃO PELO IPC-S É A MENOR DESDE OUTUBRO

Li ontem no portal UOL o seguinte texto de Vanessa Stelzer da agência norte-americana de notícias Reuters:

“A inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) caiu para uma taxa de 0,39% na terceira prévia de fevereiro, ante 0,59% na segunda, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.

"Este foi o menor resultado apurado pelo indicador desde a terceira semana de outubro de 2008, quando o índice registrou variação (positiva) de 0,34%", disse a FGV em comunicado.

Os grupos Alimentação e Educação, leitura e recreação foram os principais responsáveis pelo arrefecimento da taxa.

Os preços de alimentos subiram 0,31% na terceira leitura do mês, ante alta de 0,81% na anterior. Destacaram-se a desaceleração dos custos de hortaliças e legumes, frutas e carnes bovinas.

Os de educação avançaram 1,25% agora, ante elevação anterior de 1,93%. Esse grupo tem um aumento sazonal de preços nos dois primeiros meses do ano, mas a pressão arrefece significativamente em seguida.

Entre os itens individuais, as maiores influências para baixo para o indicador foram as quedas de preços de tomate, maracujá, limão, mamão papaia e maçã nacional. Os destaques individuais de alta vieram de manga, tarifa de ônibus urbano, abacaxi, aluguel residencial e batata-inglesa.

A terceira prévia do IPC-S foi calculada com base nos preços coletados entre 23 de janeiro e 22 de fevereiro.”

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

GILMAR, O MST E AS TRAMÓIAS

Li hoje no blog do jornalista Luis Nassif:

“INVASÕES DE TERRA PELO MST OU POR QUEM QUER QUE SEJA SÃO ASSUNTOS DA JUSTIÇA, SIM.

Ao se meter no tema e, na condição de presidente do Supremo Tribunal Federa (STF), exortar a uma ação do Ministério Público, Gilmar Mendes volta a atropelar as normas de discrição e de não intromissão em assuntos de outros poderes, que deveria caracterizar o STF.

E o faz na condição de suspeito de ter participado de duas possíveis tramóias: o tal grampo de sua conversa com o senador Demóstenes Torres; e o relatório sobre a tal escuta ambiental no Supremo.

Essa escuta não existiu, foi uma falsificação endossada por ele. O grampo, se existiu, jamais foi apresentada uma prova sequer que consubstanciasse o pré-julgamento de Gilmar Mendes, atribuindo-o à ABIN. Ao usar esses factóides como álibi para atacar todos os poderes que ousaram enfrentar Daniel Dantas, Mendes lançou a sombra da suspeição sobre o Supremo.

Pergunto: tem Judiciário neste país? Tem Ministério Público? Tem algum poder que faça Gilmar responder pelos atos que cometeu? Espero que, terminado o inquérito da Polícia Federal, cesse essa desmoralização diuturna a que Gilmar está submetendo a até então mais preservada das instituições brasileiras: o Supremo.”

KASSAB E SERRA SÃO VAIADOS NO ANHEMBI

MÍDIA CANSADA

Passou estranhamente quase despercebida pela grande imprensa a seguinte notícia de Flávio Freire, do jornal O Globo. Depois de manchetes e manchetes, artigos e reportagens até à exaustão, meses seguidos, sobre a vaia a Lula e aplauso frenético a Cesar Maia no Maracanã, parece que a grande mídia cansou do assunto e resolveu abafar as vaias a Serra e Kassab.

Vejamos o que li hoje no blog do Noblat:

“A popularidade do prefeito Gilberto Kassab e do governador José Serra não andam das melhores. Ambos chegaram juntos ao Sambódromo do Anhembi, onde acompanharão a primeira noite de desfiles em São Paulo no camarote da Prefeitura, e foram vaiados pelo público presente nas arquibancadas tão logo começaram a andar pelo sambódromo.

Ainda assim, tanto o prefeito quanto o governador - cercados de seguranças - estavam sorridentes e acenavam principalmente para os camarotes do Anhembi. Algumas pessoas, no entanto, aplaudiram os dois.

Tem quem goste e tem quem não goste. É natural - disse Kassab.

O governador José Serra diz que não ouviu vaias nem aplausos.”

O PROVÁVEL AFASTAMENTO DE YEDA CRUSIUS (PSDB)

Li hoje no site “Terra Magazine”, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte texto de Eduardo Tessler, de Salvador (BA). O autor é jornalista e consultor de empresas de comunicação:

A PARAÍBA, QUEM DIRIA, VIROU EXEMPLO

“Aos olhares dos sulistas, quem nasce acima do Rio de Janeiro é Paraíba. Não importa de onde venha, do Ceará até a Bahia todo mundo é Paraíba. O apelido nada carinhoso é depreciativo e pouco tem a ver com os paraibanos de verdade e carteirinha, como Ariano Suassuna - é bem verdade que o escritor optou por viver em Recife, mas isso é outra história. Ser Paraíba, hoje, é quase uma ofensa.

Mas a Paraíba acaba de dar um exemplo de lisura política ao Brasil, ao conseguir afastar o governador Cassio Cunha Lima, acusado de distribuir cheques no valor de R$ 3,5 milhões disfarçados de programas assistenciais. Cunha Lima bem que tentou se manter no poder de todas as formas, mas o TSE foi enfático na cassação e entregou o cargo ao candidato derrotado em 2006, o ex-governador e ex-senador José Maranhão (aliás, o que faz alguém de nome Maranhão na Paraíba???). O novo governador assume com oito processos nas costas e talvez não consiga chegar ao fim do mandato, vai depender outra vez dos tribunais.

Cassio Cunha Lima, herdeiro de uma tradição política que domina a Paraíba há anos, parecia ser um cidadão acima de qualquer suspeita. Aos 45 anos, expoente do PSDB (de Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros tucanos), Cunha Lima naufragou. Agora precisa cumprir as regras de inelegibilidade.

Cerca de 4 mil quilômetros ao sul da Paraíba, outra expoente do mesmo PSDB tenta segurar-se de todas as formas nos corrimãos do Palácio Piratini. A economista Yeda Crusius, ex-ministra sem expressão de Itamar Franco e ex-deputada com algum brilho na década passada, lidera o mais instável governo da história do Rio Grande do Sul. Uma sucessão de escândalos, brigas, picuinhas, desvio de dinheiro e agora até morte misteriosa - a do ex-representante do escritório do RS do Distrito Federal, Marcelo Cavalcanti, encontrado morto no Lago Paranoá pouco antes do Carnaval. O executivo é citado nos autos dos processos de desvio de verba do Detran gaúcho.

Com a licença da expressão criada pelo jornalista Paulo Cesar Vasconcellos e utilizada com brilho por Nelson Motta no Rio, Yeda Crusius é uma ex-governadora em atividade. As façanhas de Yeda são incomparáveis, ela bem poderia estar do livro dos recordes, tamanha ineficiência política. Alguns exemplos:

Depois de prometer em campanha não subir impostos, tentou aprovar antes de sua posse um projeto de aumento de ICMS, causando o primeiro incidente de governo. Três secretários escolhidos da sua base aliada renunciaram antes de assumirem as pastas;

Ao completar 100 dias de governo, exonerou o secretário da segurança Enio Bacci, que começava a desmontar uma rede de corrupção entre o Jogo do Bicho e delegados de polícia. Yeda considerou-o "personalista" e no seu governo a ordem parece ser que ninguém brilha mais que ela própria;

Rompeu com o vice-governador Paulo Feijó (DEM) ao tomar posse, mantendo-o longe da mesa de decisões do Palácio. Até que Feijó gravou uma conversa com um dos principais secretários de Yeda, Cesar Busatto, que tentava - a pedido da governadora - acertar algumas comissões para que Feijó ficasse calado;

Comprou uma casa para uso próprio avaliada em R$ 1 milhão. Alegou ter pago pouco mais de R$ 500 mil, embora não tenha declarado fonte de renda para tanto. Até hoje ainda não há uma versão aceitável para tal matemática;

Envolveu-se no escândalo do Detran, descoberto pela Operação Rodin. Trata-se de um esquema de corrupção utilizando-se de fundações ligadas à Universidade de Santa Maria, onde cada envolvido saia com os bolsos cheios e a governadora fazia caixa para a campanha de reeleição;

Yeda Crusius pertence ao PSDB, como o governador cassado da Paraíba. A dignidade gaúcha aconselharia Yeda a renunciar, enquanto se investigam os inúmeros escândalos de seu governo. Yeda, nascida em São Paulo, prefere permanecer no Piratini. Semana passada, quando o PSOL encaminhou proposta de impeachment à Assembléia - logo apoiada pelo PT - Yeda preocupava-se em enfrentar o Cpers (Centro de Professores do Estado) e mais 10 sindicatos, descontentes com a falta de diálogo da governadora. Mais que isso, Porto Alegre amanheceu coberta com cartazes dizendo: "O PSOL exige: Fora Yeda". Menos de 24 horas depois, a palavra "Fora" era substituída por um adesivo do mesmo tamanho escrito "Fica".

Ou seja, se o marketing pessoal da governadora vai de mal a pior, sua estratégia pública parece ser ainda pior, ao querer ludibriar o cidadão, mesmo que para isso tenha que beirar o ridículo (ou alguém imagina que o PSOL coloque cartazes na rua pedindo a permanência de Yeda?).

A ex-governadora em atividade está na rota de Cunha Lima. Só ela ainda não se deu conta.”

O NEOLIBERALISMO NO FUTEBOL

O filósofo e cientista político Emir Sader postou hoje em seu blog e no site “Carta Maior” o seguinte artigo:

“Multiplicam-se as reclamações de que o dinheiro passou a mandar no futebol, que os clubes estão falidos, que os jogadores já não tem apego aos clubes, mudam às vezes durante o campeonato, passando para o rival, se contratam meninos ainda para jogar no exterior, uma parte deles fica abandonada, submetidos a todo tipo de irregularidade.

Mas o que aconteceu, o que está na raiz de tudo isso?

O futebol – assim como todos os esportes – não é imune às imensas transformações econômicas, sociais e éticas que as nossas sociedades sofrerem e ainda sofrem. No Brasil, o neoliberalismo chegou ao futebol através da chamada Lei Pelé. Que pregava a “profissionalização” do futebol, contra a ditadura dos clubes, que tinham os jogadores atrelados ao clube como se se tratasse de uma relação feudal, pré-capitalista.

Intensificou-se dura campanha contra os “cartolas”, com acusações — todas provavelmente reais —, de corrupção, concentração de poder, arbitrariedades, etc. Porém, de forma similar ao que se fazia na campanha neoliberal contra o Estado, não era para democratizar aos clubes, ou ao Estado, mas para favorecer o mercado.

A profissionalização foi isto. Supostamente para libertar os jogadores do domínio dos clubes, jogou-os nas mãos dos empresários privados. Não por acaso se deu durante a década de 90, em pleno governo FHC, que preconizou todo o tempo a centralidade do mercado, os defeitos do Estado, a necessidade de mercantilizar tudo, de transformar a sociedade em um lugar em que tudo se compra, tudo se vende, tudo é mercadoria.

Os jogadores foram transformados em simples mercadorias, nas mãos dos empresários, que reinam soberanos, assim como o mercado e as grandes empresas fazem no conjunto da sociedade. Enquanto os clubes, da mesma forma que o Estado, ao invés de serem democratizados, são sucateados. Interessa aos empresários privados que os clubes sejam fracos, estejam falidos, serão mais frágeis ainda diante do poder do seu dinheiro. Assim como ao chamado mercado interessa que o Estado seja mínimo, seja fraco, para que ceda cada vez mais a seus interesses.

Os clubes podem ser democratizados — de que o exemplo da democracia corintiana é claro. O jogo dos empresários não é democratizável, nem passível de ser controlado socialmente, vale quem paga mais, que tem mais dinheiro. Assim como o Estado pode ser democratizado — e as políticas de orçamento participativo são o melhor exemplo disso.

Com o reino do mercado, não há Estado, não há democracia, não há interesses coletivos. Triunfa o mercado e seu principio maior — o do dinheiro. Com o reino dos empresários privados, não há clubes, há times, que ocasionalmente são montados para disputar um campeonato, enquanto os empresários não vendem os jogadores. Os campeonatos servem apenas como vitrine para exibir as mercadorias dos empresários.

Em um tempo em que tantas identidades entraram em crise, nem sequer os clubes de futebol conseguem resistir, diante da privatização que a lei Pelé significou, fazendo da camisa dos jogadores um lugar em que mal cabe – quando cabe – o distintivo, de tal forma tudo é comercializado. Ou se fortalecem os clubes, democraticando-os, destacando sua dimensão publica e não de empresas privadas a serviço da comercialização dos jogadores, ou a quebra generalizada que atinge o mercado capitalista não poupará os clubes. Que irão à falência, diante do enriquecimento ilimitado dos empresários privados.”

AS CICATRIZES DE GUANTANAMO

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo escrito por Flávio Aguiar, correspondente internacional da Carta Maior:

“Quando perguntado por quê faziam isso (tortura), um dos guardas, em Guantanamo, respondeu: “Isso é feito exatamente para degradar você. Assim, quando você sair daqui, você terá cicatrizes, e você nunca vai esquecer”.

PRECISAMOS “PENSAR GRANDE E DE AÇÕES OUSADAS”.

ESTAMOS DIANTE DE UMA DESSAS “ENCRUZILHADAS DA HISTÓRIA”.


“Os olhos de todos os povos de todas as nações se voltam mais uma vez para nós, esperando ver o que faremos nesse momento, esperando a nossa liderança”.

Essas são palavras do discurso do Presidente Barack Obama perante o Congresso dos Estados Unidos. Ele se referia às medidas necessárias para enfrentar a crise financeira. Mas não é só nessa área que as “ações ousadas” são necessárias.

Em entrevista a Amy Goodman, no Democracy Now! (25/02/2009), a jurista Mary Robinson lembrava das medidas efetivas que precisam ser tomadas com relação à prática de torturas no mundo inteiro, mencionando especificamente o caso de Guantanamo e das prisões secretas da CIA espalhadas pelo mundo. Evidentemente ela saudou medidas como a decisão de suspender torturas, bem como o anúncio da disposição de fechar a prisão de Guantanamo, além do envio de George Mitchell para o Oriente Médio como mediador.

Mas diante de uma pergunta de Amy sobre se o presidente Bush deveria ser julgado por crimes de guerra, ela respondeu de modo cauteloso, mas firme, que antes de haver um julgamento, era necessário haver uma investigação, e que uma investigação (e independente) era necessária, porque nesse terreno nada pode ficar “under secrecy”.

Mary Robinson criticou severamente o terrorismo, mas criticou com igual severidade os governos que, como os Estados Unidos, passaram a criar o sentido de uma “Nova Normalidade”, como disse o ex-vice presidente Dick Chaney, para definir algo que aceita e legaliza a prática de tortura, os seqüestros, a manutenção de cárceres secretos e o transporte ilegal de prisioneiros de um país para o outro, numa “Operação Condor” em escala global.

Mary Robinson é ex-presidente da República da Irlanda, e ex-presidente da Comissão de Alto Nível da ONU para Direitos Humanos. Neste último cargo ficou durante os primeiros quatro anos de mandato e se dispôs a um segundo mandato. Entretanto, depois de cumprir o primeiro ano do novo período, foi afastada do cargo por pressão dos Estados Unidos, a cujo governo suas críticas passaram a desagradar. Hoje ela preside uma Comissão internacional de Juristas, com membros representantes de mais de 60 países.

Ela lembrou, por exemplo, que há países que negam estar envolvidos na prática de torturas, mas cujos serviços de inteligência usam informações obtidas nessas condições.

Especificamente, lembrou o caso do etíope-britânico Binyam Mohamed, recentemente libertado e enviado para a Grã-Bretanha, depois de sete anos de prisão no Paquistão, no Marrocos e em Guantanamo. Também recentemente um tribunal britânico determinou que as provas e evidências da tortura de Binyam permaneçam secretas, dizendo que caso elas viessem a público o serviço secreto norte-americano deixaria de colaborar com o britânico.

O caso levantou perplexidade nos meios jurídicos, porque a decisão dos juízes coloca o sistema jurídico britânico numa situação de “chantagem legalmente consentida”, um conceito tão esdrúxulo quanto o daquela “Nova Normalidade”.

O caso se complicou ainda mais pelo anúncio posterior, por parte do atual governo britânico”, de que também não viessem a público as gravações e os registros das discussões no gabinete britânico, em março de 2003, sobre a legalidade ou não da invasão do Iraque.

O caso de Binyam chocou de modo muito violento a opinião pública britânica, porque entre as evidências “recolhidas” está a de que nas torturas a que ele foi submetido no Marrocos houve a participação de agentes britânicos. Supostamente, eles não teriam torturado diretamente a vítima, mas teriam passado as perguntas que deveriam ser feitas a ela, o que caracterizaria, além de uma cumplicidade inominável e covarde, aquela figura que Mary Robinson também definiu como ilegal, qual seja, a de países que não admitem que praticam tortura, mas que usam informações assim obtidas sem qualquer pejo.

Sarah Theater, deputada no Parlamento Britânico pela oposição e “Chairman” do grupo de trabalho parlamentar sobre Guantanamo, em artigo publicado no The Guardian, também de 25/02/2009, lembrou os processos de tortura usados contra Binyam, e o caminho doloroso que ele terá de seguir para se recuperar. Segundo as declarações do ex-prisioneiro, que nunca teve qualquer acusação formal definida contra ele, entre as torturas estava a prática de cortes em seus órgãos genitais com o uso posterior de material químico no local para aumentar a dor. Quando perguntado por quê faziam isso, um dos guardas, em Guantanamo, respondeu: “Isso é feito exatamente para degradar você. Assim, quando você sair daqui, você terá cicatrizes, e você nunca vai esquecer”.

Esperemos que Binyam consiga curar suas cicatrizes. De qualquer modo, elas ficarão para sempre estampadas nas bandeiras dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.”

FOME ZERO É ADOTADO PELOS EUA

Li hoje no site “Vermelho” a seguinte reportagem do jornal argentino Clarín (os intertítulos foram inseridos pelo “Vermelho”):

'FOME ZERO MADE IN USA' DÁ US$ 6 POR DIA PARA 31 MILHÕES

Uma notícia no diário argentino Clarín conta como vivem os 31 milhões de cidadãos americanos que recebem cupons de alimentação para viver. Um jornalista da Louisiana (o estado mais pobre do país) faz a experiência, tentando viver com US$ 6 (R$ 14) por dia. O plano de socorro de Barack Obama amplia em 13% os gastos com esses cupons, na previsão de que a crise e o desemprego aumentarão sua clientela. Veja a íntegra.

É o lado obscuro da vida em um dos países mais do mundo. Nos Estados Unidos, quem depende dos cupons de alimentação oferecidos pelo "Papai Estado" não recebe mais que um punhado de dólares. Mas a maior crise económica das últimas décadas faz o número necessitados aumentar rapidamente. Nunca houve tantos americanos vivendo desses cupons. E a tendência é aumentar.

JORNALISTA CONTA EXPERIÊNCIA EM SITE

A lista de alimentos Sean Callebs assemelha-se à de uma dieta para emagracer. "Uma porção de cereal, uma banana, uma xícara de chá.. e faltam quatro longas horas até almoço", ele lamenta.

Em uma experiência que tem tido grande impacto sobre a audiência, este jornalista da CNN resolveu experimentar na própria carne como se pode viver de cupons de alimentação. Ou não. Suas experiências são relatadas em um blog.

Faz um mês que ele tenta viver gastando até US$ 6 por dia. Já chegou quase no fim. Mas este repórter da Louisiana queixara-se em seu blog de permanentes ataques da fome. Poucas vezes você pode comprar frutas e legumes frescos, conta.

FOME À AMERICANA

Embora provisoriamente, Callebs experimenta a sina de um em cada dez americanos. Em setembro passado, 31 milhões de pessoas no país compravam alimentos com os cupons.

"Eles são os números mais elevados de todos os tempos", disse Ellen Vollinger, diretor de Frac, uma organização de Washington de pressão contra a fome.

"Muitos americanos já não sabem onde arrumarão sua próxima refeição", destaca ela. O aumento do desemprego faz com que a procura de cupons aumente constantemente, mas as carências não terminam aí: cada vez mais pessoas, mesmo tendo um emprego, dependem dos "Food Stamps".

Muita gente tem até mais de um emprego, mas a renda não basta. "Muitas famílias pulam refeições para pagar o aluguel", disse Ellen. "Pais deixam de comer para que fique alguma coisa para os filhos e às vezes até crianças passam fome, nos Estados Unidos. É uma vergonha."

O ESTIGMA DO CUPOM

Os cupons de alimentação começaram a ser distribuídos durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje, o governo já não distribui cupons papel, mas por meio de um cartão eletrônico, que fornece em média US$ 100 por pessoa.

Desde 2008, o Ministério da Agricultura evita usar o termo cupom de alimentação. O título oficial agoora é "Programa de ajuda para suplementar a nutrição".

Mas o plano ainda tem um estigma. "Aqueles que precisam muitas vezes se recusam a pedir ajuda", diz a agente social Srindhi Vijaykumar, da organização DC Hunger Solutions, que promove os cupons nas ruas de Washington. É especialmente difícil chegar até os aposentados, imigrantes e famílias operárias, diz ela.

Quem usa os cupons é confrontado com algumas dificuldades no supermercado. O carentes têm em média US$ 3 por dia para fazer compras. Por isso muitas vezes são obrigados a fazer cortar alimentos.

"As pessoas só compram o que é barato, não é perecível e enche a barriga", diz Vijaykumar. O crédito mensal normalmente é consumido em duas ou três semanas. "Muitas famílias vão então para os sopões", disse Ellen Vollinger.

OBAMA AUMENTA VERBA DO PROGRAMA

Não poucos depositam as suas esperanças no novo governo de Barack Obama. O plano de socorro económico de US$ 787 bilhões, lançado na semana passada pelo chefe da Casa Branca, permitirá um aumento de 13% na verba para os cupons de alimentação.

No entanto, Ellen estima que a fome vai aumentar nos EUA. "Esta recessão certamente não será breve."

A crise também atingiu duramente a classe média. De acordo com dados do Departamento do Comércio, o seu consumo caiu novamente em dezembro, pelo sexto mês consecutivo, enquanto a taxa de poupança subiu 2,9% no fim de 2008.
Annie Moncada, 63 anos, confessa que comprava coisas "desnecessárias". Mas agora seu cupom está guardado. "Agora eu ponho na panela mais carne moída e menos bifes e também economizo mais eletricidade", diz. Tal como ela, milhares de famílias cortam gastos, passeios, idas a restaurantes ou ao cabeleireiro. O fim da crise parece longe.”

É SAGRADO E IMPUNE O DIREITO DA IMPRENSA DE OFENDER COM RACISMO?

O jornal norte-americano "The New York Times" publicou ontem o seguinte artigo de Clyde Haberman. Li no UOL em tradução de Deborah Weinberg:


DIREITO DE OFENDER É SAGRADO

As opiniões diferem sobre o quão horroroso foi a charge de um chimpanzé no "New York Post" na semana passada, mas os pedidos para que o governo intervenha estão enganados.

Os cientistas descobriram que aproximadamente 98% do genoma humano é similar ao do chimpanzé. Contudo, a relação entre certo chimpanzé e um homem chamado Carl Whilhelm Baumgartner é ainda mais próxima.

Talvez você esteja se perguntando: Quem é esse Carl? Fique por aqui. Talvez você tenha ouvido falar sobre o chimpanzé.

Ele apareceu em um desenho grotesco na semana passada no "New York Post". O desenho se baseava em um chimpanzé verdadeiro que tinha atacado uma mulher em Connecticut e morreu com um tiro da polícia. A ilustração do Post por Sean Delonas mostra um chimpanzé estirado, furado de balas por dois policiais a sua frente. Um segura uma arma enquanto o outro diz: "Eles terão que encontrar outra pessoa para escrever o próximo plano de estímulo."

No mínimo, a charge foi totalmente vulgar, mesmo para um ilustrador cujo trabalho frequentemente é sinônimo de vulgaridade.

Mas teria sido intencionalmente racista?

Os críticos, como sempre liderados por Al Sharpton, insistem que sim, que era um ataque direto ao presidente Obama. Comparações vis de negros com chimpanzés e macacos são tão antigas quanto a república. Este chimpanzé, na opinião dos críticos, claramente representava o primeiro presidente afro-americano, a principal figura por trás do novo programa de estímulo. Para alguns a questão era mais grave, e o jornal, com efeito, estava sugerindo que Obama deveria levar um tiro.

Absurdo, responderam os editores do "Post": o ponto era meramente que o plano de estímulo foi tão mal concebido que era como se tivesse sido escrito por um chimpanzé. Ainda assim, em meio ao calor das críticas, o jornal fez um editorial com uma espécie de pedido de desculpas. De forma alguma tranquilizou os críticos, que pediram, entre outras coisas, que leitores e anunciantes boicotassem o jornal.

Como era de se esperar, nem todos afro-americanos compartilharam a revolta ou acharam que a charge representava Obama. O governador David A. Paterson, que é negro, disse que aceitava o pedido de desculpas do "Post". Quanto ao "convite ao assassinato", como o desenho foi descrito por Benjamin T. Jealous, presidente da Naacp, é um crime federal ameaçar a vida do presidente. Se o serviço secreto considerasse o desenho uma ameaça, seus agentes presumivelmente teriam baixado no jornal. Eles não apareceram.

Os protestos continuam, porém. Certamente, todo mundo tem o direito de recusar-se a comprar um jornal. Mas Sharpton foi além. Ele quer que a Comissão Federal de Comunicações examine a licença que permite a Rupert Murdoch ter dois jornais (o "Post" e o "Wall Street Journal") e duas estações de televisão (Wnyw e Wwor) na região de Nova York .

Normalmente, no que concerne tais licenças, a questão é se uma única mão controla canais variados da mídia em determinado mercado. Entretanto, Sharpton acredita que o conteúdo do editorial é razão para pedir que o governo interceda "Como você pode continuar a ter essas licenças se você não compreende o que pode ofender uma grande parte dos afro-americanos -e brancos, diga-se de passagem?" Disse ele a um entrevistador da CNN.

Isso nos leva a Carl Wilhelm Baumgartner. Não esquecemos dele.

Ele nasceu na Alemanha em 1895 e tornou-se americano naturalizado em 1932. Entretanto, ele era admirador ardente de Hitler e dos nazistas e isso levou o governo a tentar retirar sua cidadania americana na Segunda Guerra Mundial. A Suprema Corte impediu tal tentativa.

Em uma passagem memorável da opinião da maioria dos juízes em 1944, o juiz Félix Frankfurter (que era judeu e dificilmente fã dos nazistas) escreveu: "Uma das prerrogativas da cidadania americana é o direito de criticar homens e medidas públicas - e isso não significa apenas críticas informadas e responsáveis, mas a liberdade de falar com ignorância e sem moderação". É um direito americano expressar "opiniões tolas ou até sinistras", continuou Frankfurter.

Nesse respeito, o DNA do chimpanzé do cartum não é diferente do de Baumgartner. Se o governo não deve perseguir o cidadão porque ele reverencia Hitler, provavelmente vai querer pensar duas vezes antes de perseguir um jornal por causa de um desenho imbecil.”

CIENTISTAS DESCOBREM 'ALPES' SUBMERSOS NA ANTÁRTIDA

Li no UOL a seguinte notícia divulgada ontem pela agência inglesa BBC:

“Uma equipe de cientistas internacionais divulgou nesta quarta-feira que uma cordilheira situada quatro quilômetros abaixo do gelo da Antártida é do tamanho dos Alpes europeus.

A cordilheira de Gamburtsevs havia sido detectada por uma equipe de exploradores russos nos anos 50 e estava sendo estudada há seis semanas por cientistas britânicos, americanos, alemães, australianos, chineses e japoneses.

A equipe não apenas confirmou a presença das montanhas, como se surpreendeu em constatar que as formações são semelhantes aos Alpes em aspecto e tamanho.

"Nós podemos confirmar que elas estão lá. Podemos vê-las sob o gelo", disse Fausto Ferraccioli, um dos especialistas envolvido na missão AGAP (Província Gamburtsev da Antártida).

"Não apenas elas são similares em dimensão com os alpes europeus, como também são parecidas no aspecto: podemos ver grandes picos e vales", disse Ferraccioli à BBC News.

Ainda segundo os especialistas, algumas montanhas seriam do tamanho do Mont Blanc, na França, que tem mais de quatro mil metros de altura.

Os cientistas mapearam a cordilheira a partir de um avião que usava radares instalados nas asas capazes de detectar a espessura do gelo e a forma das montanhas. Os equipamentos instalados no avião também puderam realizar pesquisas magnéticas e gravitacionais e captar as ondas sísmicas que atravessam a cordilheira. Uma área de cerca de 120 mil quilômetros foi sobrevoada , o equivalente a três voltas em torno da Terra. "As temperaturas eram de -30 graus. Mas três quilômetros abaixo de nós, no fundo do gelo, as temperaturas eram bem mais quentes", afirmam os cientistas.

A equipe disse ter encontrado água nos vales da cordilheira e um dos lagos seria do mesmo tamanho do Lago Ontário, um dos cinco maiores dos Estados Unidos. Os pesquisadores acreditam que a cordilheira de Gamburtsevs esteja na origem das geleiras que cobriram toda região polar durante o resfriamento da Terra, há mais de 30 milhões de anos. A partir dos resultados, os cientistas esperam identificar o melhor local para perfurar o gelo.

Amostras de ar já recolhidas das camadas de neve da região podem fornecer informações valiosas sobre a história do clima da Terra. "Por enquanto, esta é a primeira página de um livro. Até agora o que temos é um plano ambicioso e temos pela frente estes dados importantíssimos para explorar", disse Ferraccioli.”

PESQUISADOR BRASILEIRO VENCE COMPETIÇÃO MUNDIAL DA MICROSOFT

Li no UOL a seguinte notícia divulgada ontem pela agência portuguesa Lusa:

“Coimbra, 25 fev (Lusa) - A adaptação de resultados da pesquisa realizada na Universidade de Coimbra na área de transportes inteligentes possibilitou ao engenheiro brasileiro Jackson Matsuura vencer uma competição mundial promovida pela Microsoft e Kia Motors.

Matsuura, pesquisador do Instituto de Sistemas e Robótica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica do Brasil (ITA), venceu neste mês a competição conhecida por KIA Urban Challenge.

Ele disse à Agência Lusa que, tendo em conta que um critério de desempate era o tempo, decidiu "simplificar algoritmos de pesquisas realizadas na FCTUC, no domínio dos transportes inteligentes, como várias técnicas aplicadas a veículos reais, como sensores laser de distância, para veículos e peões, e de visão por computador".

"Optei por uma solução rápida e eficaz, adaptando técnicas mais elaboradas para cenários mais simples", disse Matsuura, o que lhe permitiu desenvolver a aplicação em apenas três dias, quando o terceiro classificado demorou mais de duas semanas.

O desafio lançado pela Microsoft aos cientistas de todo o mundo era programar um automóvel virtual da KIA Motors para circular sozinho na cidade, sem chocar em nenhum objeto, não provocar acidentes e obedecer aos sinais de trânsito.

Com a tecnologia desenvolvida pelo brasileiro, o automóvel cumpriu todas as regras estipuladas no concurso e obteve a pontuação máxima. Esta competição é uma versão simulada inspirada no DARPA Urban Challenge.

Segundo o FCTUC, para cumprir as exigências recorreu a sensores, câmeras, medidores de distância por laser, GPS, entre outro material, e criou "uma solução inovadora que garantiu um comportamento irrepreensível do automóvel inteligente".

MODELO REAL

Sobre a eventual possibilidade de transformar o modelo virtual em modelo real, Matsuura diz ser possível, "embora o kit desenvolvido necessite de diversos ajustes, exigindo muito mais tempo de pesquisa, mas alguns modelos utilizados neste ambiente virtual já poderiam ser aplicados em automóveis reais".

Para ele, vencer a KIA Urban Challenge "assume particular relevância porque, por regra, é um americano ou um japonês a conquistar este tipo de competições porque têm muito mais recursos para a investigação. Este prêmio reconhece a qualidade tecnológica do Brasil e de Portugal".

Na sua perspectiva, o prêmio que conquistou poderá ajudar a encontrar novas parcerias com a indústria para o Instituto de Sistemas e Robótica da FCTUC, e para o grupo de investigação de transportes inteligentes.

O prêmio consistiu num veículo Kia de 15 mil euros. Como em Portugal e na Europa a empresa não comercializava veículos com esse valor, a distinção acabou por ser monetária.

Matsuura é docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica do Brasil (ITA) e encontra-se há quatro meses cursando pós-doutorado na FCTUC, na área de Sistemas Inteligentes.”

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

QUEM CAUSOU A CRISE? QUEM PAGA?

QUEM CAUSOU OU CONTRIBUIU PARA A CRISE NORTE-AMERICANA QUE AGORA ATINGE OS NÃO-CULPADOS MUNDO AFORA? OS EUA INDENIZARÃO AS VÍTIMAS?

O site Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, mostra hoje o seguinte artigo de Carlos Drummond, jornalista e coordenador do Curso de Jornalismo da Facamp:

MÍDIA ACRÍTICA CONTRIBUIU COM AGRAVAMENTO DA CRISE

“A imprensa americana, com poucas exceções, contribuiu para que a crise atual atingisse grandes proporções. Ao divulgar sem crítica previsões otimistas sobre o mercado de títulos subprime, enaltecer o brilhantismo do maestro Alan Greenspan, ex-presidente do Fed e fazer a apologia dos investidores audaciosos de Wall Street, a mídia reforçou a ficção de que a prosperidade continuaria indefinidamente. As falcatruas no mercado de hipotecas aumentavam mês a mês, mas recebiam pouca atenção por parte dos veículos de comunicação.

Poucos jornalistas alertaram a tempo para o que de fato estava acontecendo no mercado de hipotecas. Carol Lloyd, do San Francisco Chronicle, é uma dessas exceções. Ela escreveu em 2006 um detalhado artigo sobre o caráter envolvente das operações fraudulentas e ruinosas, nas quais, com frequência, a vítima é não só cúmplice como coautora.

No intrincado e multifacetado mundo das fraudes com hipotecas, algumas vezes é difícil separar a vítima do criminoso e o crime de um negócio legal e corriqueiro, observava a jornalista. A explicação é que nos anos de valorização e de taxas de juros baixas o imóvel tornou-se uma obsessão nacional, que conduziu a práticas insanas como estas:

Avaliadores concordavam em inflar os valores das propriedades (conforme mencionado acima) na expectativa de que o mercado em alta os validasse no mês seguinte.
. Agentes faziam ofertas de imóveis brindando o comprador com quantidades crescentes de dinheiro vivo, a título de estímulo.

Corretores de hipotecas praticamente empurravam empréstimos para pessoas de baixa renda que, de outro modo, nunca conseguiriam comprar as suas casas.

A advogada Rachel Dollar, representante de clientes em casos de fraude com hipotecas e criadora de um blog sobre fraudes com hipotecas muito visitado, afirma haver um espectro amplo de pessoas envolvidas nesses crimes, desde proprietários ignorantes até criminosos organizados.

Há diferentes níveis de criminalidade, declarou a advogada. Algumas pessoas alegam não saberem ser ilegal o que estavam fazendo. Outras já foram condenadas por fraudes com ações e outros ativos e são profissionais.

Rachel Dollar classifica as fraudes conforme a intenção, de obter a propriedade de um imóvel ou de obter lucro. No primeiro caso, tomadores mentem ao preencher o cadastro para obter um empréstimo ao qual, de outro modo, não teriam acesso. Inflacionando a sua renda, por exemplo, podem obter financiamento para comprar uma casa mais cara do que os seus proventos e o seu patrimônio comportariam. Usando o retorno em dinheiro vivo entregue pelo corretor como entrada, podem parecer compradores merecedores de taxas de juros mais baixas. Nessa situação, são típicos tomadores subprime, mas não planejam o não pagamento da sua dívida. Como investidores ou proprietários, a sua intenção não é fugir com o dinheiro, mas conseguir um teto.

Esse tipo de comprador com frequência não sabe que está violando leis federais ou fraudando emprestadores. Em alguns casos, agentes ou corretores de hipotecas os induziam a solicitar o financiamento não de acordo com a sua realidade patrimonial e de renda, mas conforme o que os bancos queriam.

Já a fraude que visa lucro costuma ser mais complicada e mais explicitamente criminosa. Tipicamente, envolve um número maior de profissionais que conspiram para inflacionar o preço de uma residência. A gangue pode envolver um avaliador desonesto, um corretor de hipotecas, um investidor e um comprador "laranja", isto é, alguém que vende a sua identidade e boa ficha de crédito para a realização de uma transação que o beneficie. Do mesmo modo que no Brasil, há nos Estados Unidos os "laranjas" involuntários, pessoas cujas identidades são roubadas para a aplicação de um golpe. Algumas quadrilhas incluem notários, corretores de imóveis, informantes infiltrados nas empresas e até nas instituições financeiras.

Um aspecto chocante é que muitas dessas práticas eram ensinadas em seminários para pessoas interessadas em enriquecer rapidamente, às quais se ensinava como encontrar "laranjas", por exemplo. Alguns sites da internet procuravam publicamente por "laranjas". Enquanto o mercado estava em alta, todos estavam ganhando dinheiro. As investigações e as punições só começaram a aumentar quando o mercado afundou.”

Enfim, hoje, todos nós estamos pagando por essas fraudes e espertezas de norte-americanos...

BASE ESPACIAL OU MUSEU ANTROPOLÓGICO QUILOMBOLA?

Li hoje no blog do Noblat o seguinte artigo de Ateneia Feijó, jornalista e escritora. Trabalhou nos principais jornais e revistas do país - entre eles a extinta Manchete, o Jornal do Brasil e o Correio Braziliense:

GENTE BRASILEIRA

“Há duas semanas (10 de fevereiro) escrevi o artigo Não é para qualquer país, referindo-me à briga judicial dos quilombolas com a base espacial de Alcântara, no Maranhão. No final, fiz a pergunta: custa tanto aos quilombolas ceder 5 mil hectares?

Citada no artigo, a ONG Justiça Global [financiada por ONG norte-americanas, segundo sua página na internet] respondeu para o blog (21 de fevereiro), com um texto titulado Progresso a custo de quê?, com uma outra pergunta. "O que vale mais: a melhor base espacial do planeta, ou o direito de nossa gente?"

Vamos por partes.

A base em Alcântara é considerada a melhor do planeta devido à sua localização no globo terrestre, que barateia o lançamento de foguetes transportadores de satélites. A expansão do seu centro de lançamento é um projeto comercial, sim. E se estivesse bem desenvolvido, o Brasil não teria gastado tanto para lançar seus satélites de outros países e nem precisaria pagar por futuros lançamentos; ao contrário, estaria até cobrando aluguel de clientes estrangeiros. Sem esquecer que, além de proporcionar excelentes negócios, a base é muito importante para o desenvolvimento da nossa ciência e da nossa tecnologia.

Conheço Alcântara. Lá estive, como repórter, em 1982.

Comoveram-me as caixeiras vestidas de vermelho, rufando seus tambores em louvor ao Divino. Conversei com Oscarina, a caixeira-mor atormentada pelo que escutara sobre "uns foguetes".

Na época, visitei e ouvi outros descendentes de ex-escravos, moradores há uns duzentos anos na região. Portanto, incontestável: eles são quilombolas. Ponto. Já havia afirmado isso no artigo anterior.

O verbo ceder na pergunta que finalizou o meu artigo também deixou explícito que os reconheço como os donos dos 78,1 mil hectares. Mais da metade do município de Alcântara! Daí, por que não imaginar uma ação conciliadora por parte desses proprietários? Que estabeleceriam obviamente acordos e contrapartidas para facilitar, no fim das contas, a realização de um grande projeto espacial que beneficiaria todos os brasileiros?

Afirmar que "o que está por trás disso tudo é a resistência de uma parcela da elite nacional - reproduzida em setores do governo e da mídia - em aceitar que pessoas humildes e negras detenham títulos de propriedade" me parece um pouco de delírio. Quanto mais pessoas humildes e negras tiverem seus títulos de propriedade melhor para todos. No caso, alguém tem de esclarecer a essas pessoas o valor estratégico da propriedade delas. A partir daí, que se abram as negociações. A vantagem de um país capitalista é exatamente a de ninguém se importar com classe social, tipo de pele, feitio de cabelos ou cor de olhos dos proprietários.

No Rio de Janeiro, por exemplo. A maioria dos cariocas deseja que antigos moradores de favelas, algumas com paisagens deslumbrantes, tenham logo seus títulos de propriedade. Regularizar e melhorar a situação de vida deles é bom para a cidade inteira.

Outro exemplo: o metrô. Para a construção de uma ferrovia subterrânea urbana são desapropriados terrenos, casebres, prédios, mansões...

Mas concordo que o pensamento racista e excludente ainda existe.

Porém, esse tipo de pensamento tem a ver com ignorância e com pessoas idiotas: ricas ou pobres. Felizmente a diversidade étnica dentro das nossas próprias famílias e nas nossas ruas comprova a expansão da miscigenação. Ou seja, demonstra que a forma odiosa do pensamento racista está sendo ultrapassada. Por isso, não entendo certos grupos no Brasil empenhados em atiçar a intolerância nas mentalidades perversas, em vez de tentar neutralizá-las.

Ainda não respondi a pergunta. "Afinal, o que nos vale mais: a melhor base espacial do planeta ou o direito de nossa gente?" Para mim, vale mais se ter ao mesmo tempo os direitos de nossa gente brasileira e a nossa base espacial funcionando... Para a auto-estima e o bem-estar das próximas gerações de descendentes dos ex-escravos de Alcântara.”

POLÊMICA: ATAQUE A JOÃO PAULO II FOI PLANEJADO NO VATICANO

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto da agência de notícias Ansa Latina:

“O atentado contra o papa João Paulo II cometido na Praça São Pedro, em Roma, no dia 13 de maio de 1981 pelo turco Ali Agca, teria sido ordenado de dentro do Vaticano, com a colaboração de expoentes da máfia.

A afirmação é feita pela agência de notícias búlgara Blitz, que publica uma entrevista exclusiva com Assen Marcevski, intérprete do processo contra o búlgaro Serghey Antonov, acusado por Agca de ser um dos mentores do ataque.

Em 1986 Antonov, que morreu no ano passado em Sófia, foi considerado pela justiça italiana inocente por falta de provas.

Na entrevista, Marcevski antecipa algumas revelações que irá fazer em seu livro sobre o atentado. A obra deve ser lançada no segundo semestre do ano.

Segundo ele, João Paulo II pretendia "colocar ordem na casa", canalizar a influência de grupos maçons no Vaticano e, principalmente, a do monsenhor Paul Casimir Marcinkus, diretor do Instituto para as Obras Religiosas (IOR), o banco da Santa Sé.

Segundo o estudioso, Marcinkus lavava o dinheiro da máfia ítalo-americana proveniente da venda de drogas.

As intenções de Karol Wojtyla, as mesmas de seu antecessor João Paulo I, que morrera de forma inesperada um mês após assumir o Pontificado, fizeram com que determinados círculos do Vaticano, junto à máfia, organizassem o atentado.

Também segundo o escritor búlgaro, Ali Agca foi escolhido pelo grupo para cometer o crime por ter manifestado publicamente sua intenção de assassinar o então papa por razões religiosas.

O atentado contra João Paulo II foi cometido durante a audiência geral do Vaticano realizada às quartas-feiras. Wojtyla teve ferimentos no estômago, na mão esquerda e no cotovelo. Desde então, ele sofreu diversos problemas de saúde.

Em 1992, teve um tumor no intestino; um ano depois, deslocou o ombro ao cair de uma escada. Em 1994, após uma nova queda, teve que colocar uma prótese no fêmur. Embora não reconhecido oficialmente pelo Vaticano, o papa sofria também do mal de Parkinson, o que agravou ainda mais seu estado, até sua morte em abril de 2005.”

CABRAL DIZ QUE FARÁ 'GRANDE PARCERIA' COM DILMA EM 2010

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto escrito com informações de O Estado de S.Paulo:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara com grande expectativa o lançamento de um programa habitacional que prevê a construção de 1 milhão de moradias populares no País. É o que contou o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que aproveitou a passagem de Lula e dona Marisa Letícia pela Marquês de Sapucaí na noite de domingo para afinar a estratégia política para 2010.

Enquanto fazia as honras de anfitrião do presidente, Cabral ouviu de Lula incentivos para concorrer à reeleição e trocou ideias sobre a tabelinha que ele poderá fazer com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, possível candidata do PT à Presidência.

"Sou candidatíssimo à reeleição em 2010 e o presidente acha que estou fazendo um trabalho de fôlego, que não se esgota em quatro anos", disse Cabral, indicando que Lula vê em sua candidatura um importante palanque para a estratégia eleitoral da ministra. A principal vitrine do governo de Cabral são as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado. "Com Dilma, faremos uma grande parceria."

Segundo Cabral, Lula adorou o espetáculo na Sapucaí, mas também falou sobre política. Ele se mostrou entusiasmado com o anúncio em breve do programa habitacional que reunirá R$ 22 bilhões em recursos da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e bancos regionais de desenvolvimento como os bancos do Nordeste, da Amazônia e BMG.

MAIS OBRAS

O governador disse que Lula também prepara o anúncio de recursos para o que chama de PAC da mobilidade urbana para regiões metropolitanas. Lula quer apenas aguardar a definição das cidades que serão sede da Copa do Mundo de 2014 para listar as obras.

"Lula deve se reunir com cada governador para definir prioridades", disse Cabral. O governador fluminense afirma já ter garantias do presidente de que o Rio receberá recursos para a construção de casas, a expansão do metrô e a construção de um corredor de ônibus na capital.

"Pelo que o presidente disse, o programa habitacional será extraordinário, uma proposta ambiciosa", disse Cabral, confessando que se sentiu prestigiado com a visita de Lula ao sambódromo.”

A CRISE SEGUNDO EINSTEIN

Li em e-mail como sendo de autoria de Albert Einstein os seguintes conceitos:

"Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar " superado".

Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro.

Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la"

BRASIL SERÁ O PAÍS QUE MENOS SENTIRÁ A CRISE NA AL, DIZ BANCO MUNDIAL

A agência espanhola de notícias EFE ontem divulgou (li no UOL):

“Madri, 24 fev (EFE).- O Brasil, ao lado do Chile, é o país da América Latina que menos sentirá as consequências da atual crise econômica, "a pior" dos últimos 80 anos, segundo a vice-presidente do Banco Mundial (BM) para a América Latina e o Caribe, Pamela Cox.

No entanto, o crescimento da economia latino-americana cairá bruscamente em 2009, para 0,3%, disse Cox.

O prognóstico de crescimento para a região foi anunciado pela funcionária em Madri, durante sua participação no fórum da Tribuna Ibero-Americana, organizado pela Casa da América e a Agência Efe.

A vice-presidente regional do BM ressaltou que as previsões do órgão para a América Latina caíram de tal modo que "em setembro" havia sido calculado que a região cresceria 2,7% este ano.

Em janeiro último, porém, a expansão prevista já tinha despencado para 1%, e agora em fevereiro caiu ainda mais, para 0,3%.

Cox chegou a prever que países como o México podem entrar em recessão.
No entanto, esclareceu, a repercussão da crise financeira "não será a mesma" em cada um dos países da América Latina, que até 2008 registrou dados macroeconômicos muito bons.

A funcionária do BM afirmou ainda que "os impactos serão mais duros" em países com economias vinculadas aos Estados Unidos ou dependentes das exportações.

No primeiro caso, citou como exemplo México, América Central e Caribe. Já no segundo, apontou Venezuela e Equador, que exportam petróleo aos EUA.

Cox lembrou ainda que, segundo as previsões do BM, em 2009 a economia mundial crescerá cerca de 1%.”

COREIA DO NORTE ANUNCIA LANÇAMENTO DE SATÉLITE

Li ontem no portal UOL a seguinte notícia divulgada pela agência inglesa BBC:

“O governo da Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira estar preparando o lançamento de um foguete que colocará em órbita um satélite de telecomunicações, informou a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA.

"Os preparativos para o lançamento do satélite de comunicações Kwangmyongsong-2, que será colocado em órbita pelo foguete Unha-2, estão tendo rápidos progressos no Centro de Lançamento de Satélites Tonghae, no condado de Hwadae, província de Hamgyong Norte", afirmou um porta-voz do Comitê Coreano de Tecnologia Espacial, segundo o site da KCNA. "Quando o satélite for lançado, a ciência e a tecnologia da nação (Coreia do Norte) darão outro passo gigantesco na construção do poder econômico", diz o comunicado.

Não foram divulgadas informações sobre a data do possível lançamento.

Segundo o correspondente da BBC na Coreia do Sul, o comunicado divulgado nesta terça-feira reforça rumores de que Pyongyang estaria se preparando para testar um míssil de longo alcance.

Outro fato que reforça os temores de que o país na verdade estaria preparando o teste de um míssil é que, em 1998, quando a Coreia do Norte testou o míssil de pequeno alcance Taepodong-1, também alegou estar colocando um satélite em órbita.

Acredita-se que o local do possível lançamento, Hwadae, no nordeste do país, também seja o lugar onde está sendo desenvolvido o míssil de longo-alcance Taepodong-2, que, segundo informações, teria um alcance de 6,7 mil quilômetros, o que, teoricamente, daria a ele a capacidade de atingir o Estado norte-americano no Alasca.

Na última vez que o Taepodong-2 foi testado, em 2006, no entanto, ele acabou explodindo menos de um minuto após o lançamento.

Apesar das suspeitas, o comunicado divulgado por Pyongyang nesta terça-feira afirma que o lançamento tem "fins pacíficos".

"O espaço é um ativo comum a toda a humanidade e seu uso para fins pacíficos é uma tendência global", diz o documento divulgado pela KCNA.

As negociações sobre o desmantelamento do arsenal nuclear da Coreia do Norte (que envolvem EUA, Rússia, Coreias do Norte e do Sul, China e Japão) estão atualmente paradas.

As relações de Pyongyang com Seul também estão mais estremecidas depois de o governo norte-coreano ter anunciado, no final de janeiro, o cancelamento de todos os acordos com o vizinho do sul.

Leia também na BBC Brasil: Coreia do Norte anuncia fim de acordos com Seul Durante sua visita oficial à Ásia, na semana passada, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, alertou a Coreia do Norte sobre suas "atitudes provocativas" e pediu pela retomada das negociações sobre seu desarmamento.”

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

RANKING MUNDIAL DO PIB - ATUALIZAÇÃO

Este blog, em 1º de maio de 2008, postou o artigo “PIB DA ARGENTINA x PIB DO BRASIL” (sugiro lê-lo) no qual um dos tópicos foi “COLOCAÇÃO DA ARGENTINA E DO BRASIL NO RANKING MUNDIAL DO PIB”

Naquela postagem, mostramos os valores dos PIB dos principais países do mundo e a classificação em 2005 segundo o publicado pelo “Almanaque Abril 2008” que continha atualização parcial para 2006.

Hoje, apresento uma atualização, baseada no “Almanaque Abril 2009”. Esses novos dados do Almanaque Abril somente avançam um ano (dos dados de 2005 para os de 2006), com alguns países já indicando 2007. Há esse natural retardo devido à dificuldade de obter informações oficiais mais recentes de outros países.

Os valores a seguir expostos estão indicados em bilhões de dólares e os percentuais representam a participação do respectivo país no PIB total mundial (US$ 48,54 trilhões).

2006:

1º EUA ......................13.164.............27,12%
2º Japão......................4.368...............9,00%
3º Alemanha.................2.897...............5,97%
4º China......................2.645...............5,46%
5º Reino Unido..............2.377...............4,90%
6º França....................2.248...............4,63%
7º Itália.......................1.851..............3,80%
8º Canadá...................1.271...............2,62%
9º Espanha .................1.224...............2,52%
10º Brasil..................1.067...............2,20%
11º Rússia.....................987................2,03%
12º Índia.......................912................1,88%
13º Coréia do Sul............888................1,83%
14º México....................839................1,73%
15º Austrália..................781................1,61%
16º Taiwan....................698................1,48%
17º Holanda...................662................1,36%
18º Turquia...................402.................0,83%
19º Bélgica....................394.................0,81%
20º Suécia....................383.................0,79%
21º Suiça......................380.................0.78%
22º Indonésia................364.................0,75%
23º Arábia Saudita..........349.................0,72%
24º Polônia....................338.................0,70%
25º Noruega..................334.................0,69%
26º Áustria....................322.................0,66%
27º Grécia.....................308.................0,63%
28º Dinamarca................275................0,57%
29º África do Sul............255.................0,52%
30º Irlanda....................220.................0,45%
31º Argentina..............214.................0,44%

2007:

Na referida postagem do ano passado, fizemos algumas projeções para 2007. Não se confirmaram totalmente. Agora, com as informações mais corretas obtidas do PIB das principais economias um ano depois, em 2007, pode-se apresentar com maior precisão a seguinte classificação (em bilhões de dólares):

1º EUA.......................13.811
2º Japão......................4.377
3º China......................3.760
4º Alemanha................3.297
5º Reino Unido..............2.728
6º França....................2.562
7º Itália.......................2.107
8º Espanha..................1.429
9º Canadá...................1.346
10º Brasil...................1.314
11º Rússia...................1.291

Por fim, observa-se que os países do G7 reúnem 58% do PIB mundial e os países do G 20 compreendem 81% do PIB do mundo.

PIB DOS PRINCIPAIS ESTADOS DA FEDERAÇÃO (2006)

A revista “Anuário Exame 2008/2009”, no tópico “Infra-estrutura”, apresentou a seguinte classificação dos onze estados brasileiros de maior PIB.

A sequência abaixo indica “ordem”, “Estado”, “PIB em bilhões de reais” e “Percentual do PIB do respectivo estado em relação ao PIB do Brasil em 2006”:
1º .SP.........................802,552.....................33,9%
2º .RJ.........................275,363.....................11,6%
3º.MG.........................214,814......................9,1%
4º .RS.........................156,883......................6,6%
5º .PR.........................156,681......................5,8%
6º .BA..........................96,559......................4,1%
7º .SC..........................93,173......................3,9%
8º .DF..........................89,630......................3,8%
9º .GO..........................57,200......................2,4%
10º PE..........................55,500......................2,3%
11º ES..........................52,782......................2,2%

BNDES DEVERIA CORTAR TODOS OS CRÉDITOS À EMBRAER

Li hoje no site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA):

Do site de Luis Nassif:

“A EMBRAER E O MITO DA INVENCIBILIDADE

"Ainda não estão claros todos os motivos que levaram a Embraer a promover a maior demissão que uma empresa privada já fez no país: 4.270 funcionários, 20% de sua força de trabalho.

É um gesto com muitas consequências. Numa ponta, indispõe a empresa com os governos estadual e federal, por quem ele sempre foi apoiada. Rompe com uma relação histórica de respeito com os funcionários e com a comunidade joseense. Junto à opinião pública, quebra uma imagem de respeito e invencibilidade”.

COMENTÁRIO DE PHA

Sobre o texto acima, Paulo Henrique Amorim comentou:

“Se o presidente Lula não tivesse medo, mandava cortar todos os créditos de bancos oficiais à Embraer.

Se o Zé Pedágio [Serra] não fosse o governador dos empresários, suspendia todas as vantagens que o Governo de São Paulo deu à Embraer.

Nenhuma empresa brasileira mereceu tantos privilégios do estado quanto a Embraer.

E na primeira onda da crise, ele corta 4 mil funcionários.

E os dividendos dos acionistas privados – ela vai cortar?”

COMENTÁRIO DESTE BLOG

Este blog enviou para PHA o seguinte comentário:

“Prezado Paulo Henrique Amorim,

Infelizmente, a EMBRAER há algum tempo não mais é brasileira. Por isso que ela age assim, sem compromisso com o "social" no Brasil.

Em 1999, sob FHC/PSDB, ela deu forte impulso em direção à estrangeirização. Naquele ano, grande parte das suas ações de controle foi vendida, até para o Estado Francês. O valor auferido na venda foi em grande parte para o Banco Bozano Simonsen (Bermuda-Caribe). Nada dessa venda foi aplicado na empresa EMBRAER.

Em 2006, a tarefa neoliberal de alienação para estrangeiros foi terminada, com a "reestruturação". Com essa "jogada", todas as ações preferenciais (que estavam praticamente com proprietários no exterior) foram automaticamente transformadas em ordinárias, ações de propriedade e controle. Nos dois casos, 1999 e 2006, a famosa "golden share" do governo demonstrou ser ridícula "letra morta".

Assim, hoje, o controle e a propriedade da EMBRAER estão prevalentemente em mãos estrangeiras. Duvido que os seus proprietários gringos abram mão dos dividendos, como você mencionou.

Pêsames aos brasileiros, que foram sacrificados para a construção e crescimento da EMBRAER.

Maria Tereza - democraciapolitica.blogspot.com”

ARROZ, FEIJÃO E O BRASIL

Li hoje no site “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha:

Eu estava caminhando pelas ruas de Hanoi, no Vietnã, quando encontrei um francês vestido com uma camisa azul onde estava escrito "Brasil".

Ele era estudante de português em Paris e disse ter uma namorada portuguesa.
"Ainda vou morar no Brasil, é o melhor país do mundo", ele disse.

Nunca fui uma pessoa sistemática. Nem um ser de hábitos inflexíveis. Mas confesso que quanto mais longas as viagens mais eu quero voltar para casa logo.

Cheguei a imaginar que era coisa da idade, mas nessa viagem mais recente tratei de tirar a prova com um colega, bem mais jovem mas que já viajou tanto quanto eu. Temos idéias e origens muito distintas.

Como falar mal do Brasil parece ser um esporte nacional e eu pessoalmente abomino a xenofobia e a patriotada, confessei discreta e reticentemente a ele: "Depois de duas semanas comendo carne de porco no café da manha, estou pronto para arroz, feijão, bife e salada de tomate".

Ele: "Vai direto ao assunto: o Brasil é o melhor país do mundo".”

HUMOR ARGENTINO

Li hoje no site “Carta Maior” o seguinte artigo do filósofo e cientista político Emir Sader:

“DA REVISTA BARCELONA – UMA SOLUÇÃO EUROPÉIA AOS PROBLEMAS ARGENTINOS:

- “Os industriais asseguraram a Cristina Kirchner que não pensam “tocar em um único emprego porque analisam a possibilidade de “tocar em milhares de empregos”, para colocar a Argentina em pé de igualdade com os EUA e a Europa. “Crise significa oportunidade. E esta é uma oportunidade histórica para mandar para a rua a milhares de trabalhadores”

- Ministro de Planificação Federal: “É preciso acabar com a demagogia dos serviços subsidiados para muitos e voltar à demagogia das empresa subsidiadas para poucos”.

- Ex-radicais se reciclam para a campanha eleitoral deste ano: “combinar luta de classes com gestão”. Mudar toda referência a “povo”, por termos mais potáveis, como “gente”, “cidadãos” ou “clientes”. Toda referência ao socialismo será eufemística, com fórmulas como “left think thank”, “gerenciamento para todos”, “coffe´s solution to the world”.

- Os especialistas garantem que nas próximas eleições os eleitores buscarão candidatos mais moderados e racionais. “As pessoas não agüentam mais os aventureiros que prometem barbaridades como redistribuição da riqueza ou planos sociais para pessoas improdutivas, agora os argentinos querem candidatos moderados que peçam coisas mais tangíveis para as pessoas como a pena de morte ou os subsídios para que os agricultores possam despedir pelo menos 50% dos seus trabalhadores”, afirma o sociólogo Leopoldo Shantoni da consultora Public Opinion Acomodating.

- Berlusconi: “Me parece inaceitável matar a um vegetal como se fosse um imigrante”. “O que fizeram com essa moça não se faz nem com um imigrante africano de esquerda”.

- O Vaticano exige mão dura contra os bispos que negam o genocídio judeu: “Necessitamos uma mão dura, um Hitler, um Franco, um Pio XII ou um Hitler.”

- Indigentes argentinos não aderirão nem ao “compre argentino”, nem ao “compre importado”, nem ao “compre”.

- Cada vez será mais gente morrendo na Faixa de Gaza por causa do aquecimento global.

- Descrevem as zonas do cérebro que se ativam quando se votam por um negro.

- Maria Kodama denuncia que quem falsifica manuscritos de Borges poderia ser “uma mulher de uns 70 anos, de cabelo longo e traços nipônicos”. “Na Fundação Internacional Jorge Luis Borges temos textos originais a preços muito razoáveis e para todo tipo de público.”

-Dramático pedido para que Michael Phelps “deixe o flagelo da maconha a abrace a vida, o esporte, os anabolizantes, a efedrina, etc.”

- “ A criação de um banco ruim, impulsionou a bolsa de Nova York. Mas há bancos bons?

- Empresários e lideres mundiais pedem um capitalismo “ético”. Pedem a quem?”

ROUBINI E O FRACASSO DO JORNALISMO ECONÔMICO

Li hoje no site “Vi o Mundo”, de Luiz Carlos Azenha:

“Nos próximos dias vamos testemunhar todo tipo de contorcionismo verbal e intelectual para tentar negar um fato, especialmente no Brasil, onde nossa mídia só vai reconhecer que o consenso de Washington acabou em alguns anos: Barack Obama vai nacionalizar os bancos americanos.

Não se trata de uma opção ideológica. É o reconhecimento puro e simples da falência do sistema financeiro. Ou isso ou, dentro de alguns meses, o óbvio assaltaria o governo Obama com um estilete, de madrugada, e ele seria obrigado a declarar toque de recolher para evitar quebra-quebra diante das instituições financeiras, feito aconteceu na Argentina.

A nacionalização, pois, é o mal menor. Nouriel Roubini, que era tratado feito maluco pela mídia dos Estados Unidos há alguns meses (quando, aliás, é preciso registrar, já era ouvido pela Carta Capital) chegou às páginas do Wall Street Journal. Quando o Murdoch vai ouvir o Roubini isso significa que, definitivamente, as coisas não andam bem nos Estados Unidos.

Alguns trechos da entrevista de Roubini ao Journal:

"Daqui a seis meses mesmo firmas que hoje parecem solventes se tornarão insolventes. A maioria dos grandes bancos -- quase todos eles -- parecerão insolventes. Nesse caso, se você assumir o controle deles de uma vez, causa menos danos do que se fizesse isso com apenas alguns, agora, criando muito mais confusão e pânico e nervosismo".

"Entre garantias, apoio de liquidez e capitalização o governo já deu de 7 a 9 trilhões de dólares para ajudar o sistema financeiro. De fato, o governo já controla um bom pedaço do sistema bancário. A questão é se você quer ou não tornar isso oficial".

"Começamos com bancos que já eram muito grandes para falir mas o que aconteceu, no processo, é que esses bancos se tornaram ainda maiores-para-falir. O JP Morgan assumiu a Bear Stearns e o Washington Mutual. O Bank of America assumiu o Countrywide e a Merrill. O Wells Fargo ficou com o Wachovia. Não funciona! Você não pode pegar dois bancos-zumbis, juntá-los e fazer um banco forte. É o mesmo que colocar dois bêbados um ajudando o outro a ficar em pé".

"Eu acredito na economia de mercado. Para parafrasear o Churchill -- que disse isso sobre a democracia e regimes políticos -- a economia de mercado pode ser o pior regime econômico existente, com exceção de todos os outros".

"As duas coisas em que o (Alan) Greenspan errou completamente são em suas crenças: um, de que o mercado se auto-regula; dois, de que o mercado nunca erra".

"Nos mercados financeiros, sem as devidas regras institucionais, é a lei da selva -- já que existe a cobiça. Não há nada de errado com a cobiça em si, e as pessoas não cobiçam mais hoje do que há 20 anos. Mas a cobiça precisa ser temperada, primeiro, pelo medo das perdas. Se você resgatar as pessoas, haverá menos medo. E segundo, a regulamentação prudente e a supervisão evitam certos excessos".

"Nos anos de bolha todos se tornam cheerleader, inclusive a mídia. É a hora em que os jornalistas deveriam fazer as perguntas duras, e acho que houve um fracasso aqui. Os Masters do Universo estavam sempre na capa, na primeira página -- os caras dos hedge-funds, os executivos imperiais. Eu gostaria que tivesse havido mais jornalistas de finanças e de negócios, nos anos bons, que perguntassem: "Peraí, esse cara, essa empresa, tem um lucro de 100% por ano, como fazem isso? Será que eles são mais inteligentes que os outros, ou estão assumindo tantos riscos que vão falir em dois anos?".

"Um bom jornalista tem que ser o cara que, nos tempos bons, desafia o pensamento convencional. Se você não fizer isso, está fracassando em suas obrigações".”

ARUKA PARA JOSÉ ALENCAR

O seguinte artigo da ex-Ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi publicado ontem na Folha de São Paulo:

“Tem-me impressionado bastante a surpreendente saúde, e não a doença, do vice-presidente José Alencar. Só tendo excelente saúde para enfrentar com tamanha determinação uma doença agressiva e dar contínuas respostas positivas a seus ataques. Pode parecer contraditório, mas José Alencar mostra de maneira comovente que, para encarar uma situação dessas, é preciso ser muito saudável.

Pela tranquilidade e pela maneira direta com que fala de seus problemas, ele nos diz, implicitamente, que ter saúde é uma combinação de fatores que vai além do meramente físico e é um estado que não se perde em face da instalação de um mal. Ao contrário, é aí que faz a diferença.

Com sua força mental e espiritual, ele passa tranquilidade e a mensagem de que sua essência saudável está intacta e é ela quem está no controle do processo, e não a doença. Sua disposição para a vida em abundância, como disse Jesus, parece ser a proteção contra a adversidade, o que o mantém continuamente forjando dentro de si a potência para reagir a cada nova internação, cirurgia ou sessão de tratamento.

Muitos brasileiros devem estar sendo positivamente influenciados por essa postura. Não só os portadores de doenças graves, mas sobretudo aqueles fisicamente sadios, porém acometidos do desânimo do espírito, de falta de garra para viver. Ele desperta, com sua luta, a atenção das pessoas para suas próprias capacidades internas.

Quando eu estava à frente do Ministério do Meio Ambiente, sempre que José Alencar assumia a Presidência da República e havia alguma medida a tomar na área ambiental, por mais simples que fosse, ele fazia questão de conversar pessoalmente antes de assinar, conferindo minha opinião sobre tudo. Dessa convivência, aprendi que o vice-presidente é uma pessoa muito acessível e acolhedora, segura e disposta a ouvir. Sem ostentação, em nada transparece o homem rico ou o detentor de poder político. Ele passa, sobretudo, fortaleza moral.

Recentemente, pesquisando na "Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia", deparei-me com um estudo sobre as variações da palavra saúde no hebraico, no grego e em várias línguas antigas. A que achei mais apropriada para o vice-presidente é "aruka", uma variação do hebraico que se refere à capacidade do organismo de reparar seus tecidos atingidos, renovando-os.

A força do espírito, a disposição de viver, José Alencar tem. Sobre essa base é que os médicos têm atuado e obtido bons resultados. E o Brasil torce, reza e ora a Deus para que a aruka da alma de nosso vice-presidente se expresse em seu físico.”

SEM ALTERNATIVAS

O jornal Folha de São Paulo de ontem publicou o seguinte editorial sobre o conflito entre necessidade de energia para permitir o desenvolvimento brasileiro sem trágicos “apagões” e as exigências e entraves do IBAMA para o licenciamento ambiental:

“PLANEJAMENTO DO SETOR ELÉTRICO PARA 2017 PREVÊ RECUO DE FONTES RENOVÁVEIS EM FAVOR DE USINAS MAIS POLUENTES”

“Encerra-se no próximo dia 28 consulta pública sobre o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE 2008-2017), preparado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Como de praxe em tais consultas, haverá margem para algumas alterações cosméticas, se tanto. Uma lástima, porque o país precisa de uma reviravolta no planejamento do setor.

Governos do mundo todo se desdobram para investir em fontes renováveis, a fim de conter a dependência de combustíveis fósseis importados, a emissão de gases que retêm calor na atmosfera e o consequente agravamento do efeito estufa. Mesmo países até há pouco refratários, como os EUA, planejam gastos de vulto em alternativas limpas. No Brasil, caminha-se para trás.

A matriz elétrica nacional continuará, segundo o plano, a contar com parcela preponderante de geração por fontes renováveis, hidrelétricas à frente (76% do total em 2017). É um caso raro no planeta. Essa participação, no entanto, estará em queda, pois a fatia das barragens hoje é 84%.

Em contrapartida, crescerá o quinhão das termelétricas a gás natural, óleo combustível e carvão mineral, de 12% para 17%. Todos combustíveis fósseis, emissores de gases do efeito estufa. Fontes alternativas, como energia da biomassa (bagaço e palha de cana) e eólica (ventos), saem de 1,3% para ínfimos 4%.

Parte desse deslocamento rumo a termelétricas decorre da dificuldade para aprovar projetos mais limpos. Há dois tipos de obstáculos no caminho.

O primeiro diz respeito ao licenciamento ambiental, que recebe grande destaque no plano 2008-2017. A EPE reconhece que pecou no passado por excesso de otimismo com prazos de concessão de licenças. Estima agora, com base nos prazos de fato praticados, uma postergação de 31 projetos hidrelétricos.

A revisão retira 14 mil megawatts (MW) de fontes renováveis da capacidade instalada ao final do decênio. O buraco, equivalente a uma Itaipu, será tapado com termeletricidade fóssil, ao custo adicional de R$ 2 bilhões, ressalta o estudo sob consulta pública.

Não é de hoje que o setor elétrico lança a culpa na área ambiental pelo impasse da geração, mas o órgão de licenciamento (Ibama) integra o mesmo governo ao qual pertence o Ministério de Minas e Energia. Se faltar energia para a economia nacional, ou se ela sair mais cara, terá sido também por omissão da Presidência da República.

O outro obstáculo se origina com a própria política energética do governo Lula, forjada quando Dilma Rousseff reinava no setor. O critério que privilegia projetos com menor preço de geração apurado em leilões é em princípio correto, mas tem resultado num viés pró-termelétricas: mais rápidas de construir, além de mais fáceis de licenciar em órgãos ambientais estaduais.”

75% DO ACERVO DOS MUSEUS IRAQUIANOS FOI ROUBADO COM A INVASÃO MILITAR NORTE-AMERICANA

Vejamos a seguinte notícia divulgada pela agência inglesa BBC:

MUSEU NACIONAL DO IRAQUE REABRE COM UM QUARTO DO ACERVO

“O Museu Nacional do Iraque foi reaberto nesta segunda-feira em Bagdá, quase seis anos depois de ter sido saqueado e depredado no período que se seguiu à invasão do país liderada pelos Estados Unidos, em 2003.

Na época, os soldados receberam ordem para não intervir e nada fizeram quando cerca de 15 mil itens foram roubados. Apenas cerca de 25% das peças foram recuperados, apesar de esforços internacionais para proibir seu tráfico e venda.

O governo do Iraque acredita que a reabertura do museu será mais um sinal de que a vida está voltando ao normal no país. O correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, disse, contudo, que alguns especialistas estão insatisfeitos porque só uma pequena parte do acervo foi catalogada ou colocada em exposição de maneira adequada. Esses especialistas consideram a reabertura prematura, disse Muir. O Iraque, berço da civilização, é considerado um dos maiores centros de descobertas arqueológicas.

No passado, o museu abriu as portas por um dia, em um gesto simbólico, em julho de 2003, para mostrar que alguns de seus tesouros tinham sido preservados.”

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

AUMENTO DE PRODUÇÃO DE COCAÍNA NA COLÔMBIA, PERU E BOLÍVIA

Li hoje no site “Terra Magazine”, do jornalista Bob Fernandes, o seguinte artigo de Wálter Fanganiello Maierovitch. O autor é comentarista da CBN, colunista da revista Carta Capital e colaborador da revista italiana Narco-Mafie. Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo e presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, é também professor de pós-graduação em direito penal e processual penal, além de professor-visitante da Universidade de Georgetown (Washington-EUA). É conselheiro da Associação Brasileira dos Constitucionalistas-Instituto Pimenta Bueno da Universidade de São Paulo (USP), ex-secretário nacional antidrogas da Presidência da República, titular da cadeira 28 da Academia Paulista de História.

“Em 2000, no governo Andrés Pastrana, teve início o chamado “Plan Colômbia”, no qual os EUA investiram milhões de dólares nos seus cinco anos de vigência.

O “carro-chefe” do “Plan Colômbia”, depois transformado em Iniciativa Regional Andina (IRA), voltava-se ao derrame aéreo de herbicidas (glifosato, vendido pela Monsanto com o nome comercial de Roun Up) em áreas de plantio de folha de coca.

Pela fumigação, acreditavam os generais norte-americanos, autores do projeto e fiscalizadores da execução, na destruição da matéria-prima (folha de coca) usada na elaboração do cloridrato de cocaína.

O Plan Colômbia fracassou e os milhões de dólares foram para o “ralo” da incompetência dessa supracitada e militarizada iniciativa. O mentor do plano, no governo do democrata Clinton, foi o czar antigrogas da Casa Branca, general Barry MacCaffrey, um republicano.

As áreas de plantio migraram para as reservas ecológicas, onde era proibido por lei o derrame de herbicidas. Mais, o cultivo da coca migrou, também, para áreas da floresta amazônica colombiana e para os vizinhos Peru e Bolívia.

Em síntese e conforme revelado por exames de fotografias por satélite, a área de plantio de coca na Região Andina não se alterou, em termos de oferta de folhas de coca, nos cinco anos do Plan Colombia.

A Dyn Corp, –que foi a empresa norte-americana de segurança privada contratada para realizar as fumigações aéreas do “Plan Colômbia”–, embolsou US$170 milhões nessa aventura chama “Plan Colombia”.

O fumigamento com glifosato provocou danos ecológicos irreversíveis e esses afetaram até o Equador, em face da contaminação fluvial.

Nesta semana, saiu mais um dos relatórios “chapa-branca” das Nações Unidas, que continua a apostar no combate às drogas pelas vetustas e ultrapassadas regras estabelecidas na Convenção de Nova York de 1961 (ainda está em vigor).

O relatório da Junta Internacional de Controle de Entorpecentes (criada para fiscalizar o cumprimento das regras da Convenção de Nova York de 1961) refere-se ao ano de 2008. Para esse órgão, –que recebe informações dos próprios estados-membros da ONU–, o cultivo de folha de coca cresceu 27% com relação ao ano de 2007. Isto gerou a produção de 600 toneladas de cloridrato de cocaína.

Aumentos na área de cultivo, sempre consoante a Junta, ocorreram no Peru e na Bolívia, na ordem de 5%.

Para a Junta, a área andina de cultivo atingiu, em 2008, 181,600 hectares e 55% do plantio está na Colômbia. Seguem, o Peru com 29% e a Bolívia com 16%.

Dentre os pontos de partida de distribuição da cocaína para os EUA (maior consumidor mundial) e Europa, o relatório aponta para a Venezuela e México.

No México, consoante registrado nesta semana em “post” deste blog Sem Fronteiras, a situação é dramática e a “war on drugs” continua a matar civis inocentes: confira-se a afirmação do ministro da Economia, feita em Paris e segundo o qual o próximo presidente mexicano será um narcotraficante.

A menção à Venezuela, por relatório realizado por uma Junta de peritos aprovados pelos EUA, faz parte da propaganda de demonização do presidente Chávez, que, corretamente, expulsou 007 da agência norte-americana de inteligência sobre drogas (DEA): a DEA bisbilhotava a atuação política do presidente Chávez e nada fazia para ajudar no combate às drogas.

PANO RÁPIDO. O relatório serve para mostrar a falência das políticas sobre o fenômeno das drogas ilícitas que as Nações Unidas insistem em recomendar: o modelo seguido é o da “war on drugs”. Serve, também, para Colômbia continuar a pedir dinheiro para o combate, no seu eterno plano de “enxugar gelo”: 80% da cocaína ofertada no planeta provém da Colômbia.”

BRASIL SE PREPARA PARA POPULARIZAR A INTERNET 'PELA TOMADA'

Li hoje no site “Vermelho” a seguinte notícia divulgada pela Agência Brasil:

"Os brasileiros poderão acessar a internet banda larga por meio da rede de energia elétrica ainda neste ano. Emília Ribeiro, conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), garante que o seu relatório sobre a regulamentação da 'internet por tomada' estará pronto no fim de março.

Depois disso, as normas devem ser analisadas pelo Conselho Diretor da agência e, se forem aprovadas, as empresas já podem oferecer o serviço. “É muito importante decidir essa questão, porque é mais uma forma de expandir a banda larga para todo o país de forma mais barata, para aumentar a competição também”, afirmou a conselheira.

Ela diz que está ouvindo todos os setores interessados, e que algumas experiências já estão sendo realizadas no país. Com a transmissão de dados em alta velocidade pela rede elétrica, sistema conhecido como BPL, as tomadas residenciais passam a ser pontos de rede, se conectadas a um modem.

A conselheira explica que os dados serão transmitidos por meio de fio elétrico ou por outro cabeamento no poste de energia. O sinal da internet banda larga chega até as residências pela caixa de energia elétrica e é transmitidos por dentro da rede.

Outra bandeira defendida por Emília Ribeiro dentro da Anatel é a utilização da banda larga no serviço público. Segundo ela, o país pode economizar muito com a informatização de serviços como saúde, educação e segurança.

“Não se discute a importância disso - é uma necessidade. Mas a forma de fazer ainda está sendo amadurecida. É uma política de governo, depende da vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro (das Comunicações) Hélio Costa", afirma Emília.

"Tenho certeza de que eles têm essa vontade. Quem não quer ver um governo informatizado? Mas temos muitos desafios, como a extensão territorial”, completa.

Segundo a conselheira, uma das alternativas para expandir o serviço seria por meio da universalização da banda larga nas escolas, com os sistemas de backhaul, que é a infra-estrutura de rede para conexão em banda larga.

“Não custa muito para o governo um estudo que faça o serviço chegar à segurança, à saúde, à cultura. Uma política de governo que tem uma iniciativa já feita e basta mais um fôlego para avançar. É uma questão inadiável, inaceitável”, defende. "Me sinto em uma agonia terrível por não conseguir que esse serviço seja disponibilizado para a nossa população.”

A MÍDIA COMPROMETIDA, NO BRASIL E NA AMÉRICA DO SUL

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte artigo de Mário Augusto Jakobskind escrito originariamente no site Direto da Redação: O autor é jornalista e escritor. Foi colaborador dos jornais alternativos Pasquim e Versus, repórter da Folha de S. Paulo (1975 a 1981) e correspondente da Rádio Centenária de Montevideo, além de editor de Internacional da Tribuna da Imprensa (1989 a 2004) e editor em português da revista cubana Prisma (1988 a 1989). Atualmente é correspondente do semanário uruguaio Brecha e membro do conselho editorial do Brasil de Fato. É autor, entre outros, dos livros América Que Não Está na Mídia (Adia, 2006), Dossiê Tim Lopes - Fantástico/Ibope (Europa, 2004), A Hora do Terceiro Mundo (Achiamê, 1982), América Latina - Histórias de Dominação e Libertação (Papirus, 1985) e Cuba - apesar do bloqueio, um repórter carioca em Cuba (Ato Editorial, 1986).

“É Carnaval, momento de tamborins e agogôs em que o povo vai às ruas pular e dançar, dando um tempo para o que acontece em redor, para tudo acabar na quarta-feira. Este ano de 2009, antevéspera de mais uma eleição direta para Presidente da República, as previsões são das mais variadas. O sistema, aqui e ali, quer manter o esquema de sempre com pacotes destinados a aliviar a barra dos poderosos, responsáveis pelo estado de coisas atual, que não é dos mais promissores.

Em termos de eleição, o referendo a que foi submetido o presidente venezuelano Hugo Chávez e que lhe permitiu concorrer a novas consultas populares, ainda provoca a ira dos editorialistas e colunistas de sempre. Estes misturam alhos com bugalhos e já garantem que o presidente vai se eternizar no poder, mas ao mesmo tempo mostram que ele está muito desgastado. Se está desgastado, pela lógica pode perder a eleição, ainda mais uma consulta que é fiscalizada por observadores internacionais dos mais variados setores.

Fica difícil concluir que não há uma campanha orquestrada contra o “coronel” venezuelano, como a maioria da mídia hegemônica se refere ao dirigente que já passou por 15 consultas populares, mas ainda é considerado um caudilho e até ditador.

Coisas da mídia hegemônica, que prima pelo pensamento único, não apenas nas terras brasileiras, como pela América Latina de um modo geral. Se você, leitor, tiver acesso à grande mídia chilena, argentina, colombiana, uruguaia, e de outros países destas bandas vai ver que não há muita variedade.

Por estas e muitas outras que hoje em dia em vários rincões deste continente trava-se uma batalha visando à democratização dos meios de comunicação, uma mobilização que passa, sem dúvida, pela distribuição mais equânime das verbas publicitárias do Estado. O esquema conservador não pode ouvir falar nisso, pois imediatamente convoca a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, para denunciar a existência de autoritarismo, quando o que acontece é exatamente ao contrário.

Para se ter uma idéia, no momento, no Chile, que neste mês de fevereiro comemora o Mês da Imprensa, os veículos alternativos e progressistas têm alertado a opinião pública chamando a atenção para o atual esquema midático em que os gastos publicitários do governo na imprensa favorecem em 95%, ou seja, quase totalmente, a cadeia El Mercúrio, do empresário Agustín Edwards Eastman, e Copesa-La Tercera, de Álvaro Saieh Bendeck. Seriam por aqui a família Marinho, os Mesquitas, os Civitas, os Frias, etc.

E este esquema de favorecimento aos referidos veículos não é de hoje. Sai ano, entra ano, a história se repete. Tem um agravante, o “democrata” El Mercúrio, que nos últimos dias tem repetido, como O Globo, a Folha de S.Paulo ou o Estado de S. Paulo, a defesa incondicional do conservadorismo, nos anos que antecederam a desestabilização do governo constitucional de Salvador Allende no longínquo 1973 foi contemplado pela a CIA em 1,5 milhão de dólares, conforme revelam os arquivos implacáveis estadunidenses que estão acessíveis a quem quer que seja. E El Mercúrio garantia que defendia a democracia, como hoje.

Esta é a realidade, que apesar de pública, não é divulgada pela mídia hegemônica que nos últimos tempos, de forma histérica, vem denunciando “falta de liberdade de imprensa” em países onde exatamente a imprensa alternativa à grande mídia hegemônica se desenvolve e cujas verbas publicitárias estatais são distribuídas de forma mais equânime.

Pode crer o leitor, que a batalha pela democratização dos veículos de comunicação vai se intensificar, daí a importância de se aprofundar o tema.

Quando começou a discussão da implantação do sistema digital na TV brasileira, imaginava-se que os espaços que se abriam com essa revolução tecnológica seriam ampliados, não para as seis famílias de sempre, mas para entidades representativas dos mais diversos setores. Lamentavelmente, pelo menos até agora, estão prevalecendo os interesses midiáticos conservadores, tão bem representados pelo ministro das Comunicações, Helio Costa, que no fundo no fundo ainda se sente ideologicamente na TV Globo.

Em suma, mais uma vez os brasileiros estão perdendo uma oportunidade histórica de democratizar o espectro eletrônico, mas isso não significa necessariamente que a batalha esteja perdida.

Ah, sim: a importante reflexão de Rui Martins neste Direto da Redação sobre o caso da brasileira Paula Oliveira na Suíça remete também às questões aqui levantadas e que não passam por Ricardo Noblat ou Zuenir Ventura, por exemplo. Ou seja, todo espaço para as bens nascidas, que não se diferem das européias, mas silêncio absoluto em termos de nossas brasileiras de camadas menos aquinhoadas que sofrem discriminação. Mas aprofundar o tema não interessa à mídia hegemônica, que prefere refletir o senso comum e o pensamento único.”

URUGUAI: PRÉ-CANDIDATO A PRESIDENTE CITA LULA COMO MODELO

No site “vermelho”, hoje está disponível a seguinte reportagem do jornal eletrônico Pátria Latina:

“O pré-candidato presidencial pela Frente Ampla do Uruguai, José Mujica, assinalou que, se ganhar as eleições de outubro, seu modelo a seguir será o governante brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em declarações reproduzidas neste domingo pelo diário A República, Mujica admitiu que, desde o ponto de vista da esquerda, Lula é talvez "pouco radical". Mas, "nas condições desta América Latina", suas políticas sociais "são o verdadeiramente revolucionário".

Ao ampliar sua visão sobre como deve se governar em condições limitadas", o ex-guerrilheiro Tupamaro ressaltou que "primeiro há que fazer funcionar ao país, fazer crescer à economia, para ter logo que repartir".

"Para mim", destacou, "este problema da gente pobre, da gente mais marginada e de sua integração à sociedade é um problema brutal. Depois virão outros (que também deverão se resolver)".

Mujica assinalou como primeira meta de um próximo governo da Frente Ampla eliminar a indigência e baixar os índices de pobreza. Ressaltou também a urgência de instrumentar políticas sociais orientadas principalmente para os jovens.

"Este país não pode se dar o luxo de ter rapazes que nem estudam nem trabalham", expressou. Nesse contexto, o pré-candidato ressaltou a necessidade de criar escolas de tempo completo e ao menos duas universidades públicas no interior do país, bem como aumentar o número de cientistas e pesquisadores, sobretudo no setor agropecuário por ser o eixo da economia nacional.

Segundo as mais recentes pesquisas, o líder do Movimento de Participação encabeça as intenções de voto para as internas da Frente Ampla em 28 de junho. Nessa data, será eleito o aspirante da coalizão nas eleições presidenciais de outubro.”

MAINARDI PEDIRÁ A CABEÇA DE JABOR?

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte artigo de Altamiro Borges. O autor é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, autor do livro Sindicalismo, Resistência e Alternativas:

“Karen Kupfer, da revista de fofocas Quem, da Rede Globo, publicou há poucos dias uma notinha reveladora sobre a relação promíscua entre jornalistas e políticos: "Para comemorar o sucesso do programa Saia Justa, Suzana Villas Boas abriu sua casa no Alto de Pinheiros para uma festança daquelas. A turma de convidados, que também era recebida por Arnaldo Jabor, marido de Suzana, reuniu políticos, artistas e jornalistas. O candidato José Serra, para quem Suzana presta assessoria, foi prestigiá-la. Ficou um pouco e trocou idéias com alguns jornalistas". Luís Frias, presidente do Grupo Folha, também participou da festança, "que ferveu na pista até o sol raiar".

No mesmo período, a colunista Hildegard Angel escreveu no Jornal do Brasil outra nota curiosa: "Elmar Moreira, irmão de Edmar Moreira [o deputado dos demos que ficou famoso pelo castelo construído no interior mineiro], é casado com Ana Leitão, irmã de Miriam Leitão" - a jornalista da TV Globo famosa por seus palpites furados sobre economia, pela adoração ao deus-mercado e pela oposição doentia ao governo Lula. O interessante neste caso é que a colunista global, metida a sabe-tudo, nunca descreveu aos seus telespectadores os detalhes do luxuoso castelo demo.

ARTISTA GLOBAL COM KASSAB

Para encerrar a série sobre as relações indecentes entre jornalistas e políticos da direita, a sempre atenta Mônica Bergamo, uma das raras exceções do jornal Folha de S.Paulo, revelou no início de fevereiro: "O marido de Ana Maria Braga [estrela da TV Globo e do finado movimento golpista "Cansei'] é o mais novo colaborador da administração Gilberto Kassab (DEM-SP). Candidato derrotado à Câmara Municipal, Marcelo Frisoni vai assumir um cargo de 'coordenação' na Secretaria de Modernização, Gestão e Desburocratização" da prefeitura paulistana.

Dias antes, Bergamo foi ameaçada pelo marido brigão da artista global, que o irônico José Simão batizou de "Ana Ameba Brega". Frisoni se irritou com a pergunta sobre o pagamento da pensão alimentícia para os dois filhos do seu casamento anterior: "Publica o que quiser. No dia seguinte, vou à redação dessa bosta de jornal e encho essa Mônica Bergamo de porrada na frente de todo mundo... A única pessoa que tentou ferrar comigo foi o Madrulha [ex-marido da apresentadora da TV Globo] e eu acabei com ele. Hoje ele é secretário de cachorro e não consegue mais nada".

CADÊ O "TRIBUNAL MACARTISTA" DE MAINARDI?

Deixando de lado as baixarias dos "famosos", o que chama a atenção nestas notinhas é a relação obscena entre figurões da TV Globo e políticos da direita demo-tucana do país. Outra estrela da poderosa emissora, o filhinho de papai Diogo Mainardi, criou no início do mandato de Lula o seu "tribunal macartista mainardiano", no qual promoveu abjeta cruzada contra alguns profissionais da imprensa. "A minha maior diversão é tentar adivinhar a que corrente do lulismo pertence cada jornalista", explicou o troglodita na sua coluna de estréia na revista Veja, em dezembro de 2005.

Aos poucos, Mainardi dedurou alguns colunistas mais independentes. "Tereza Cruvinel é lulista. Dessas que fazem campanha de rua. Paulo Henrique Amorim pertence à outra raça de lulistas. É da raça dos aloprados, dos lulistas bolivarianos. Acha que a primeira tarefa do lulismo é quebrar a Globo e a Veja", atacou. O caso mais famoso desta cruzada fascista foi o do jornalista Franklin Martins, acusado levianamente de possuir uma "cota de nomeações pessoais no serviço público". Após longo bate-boca, a TV Globo preferiu apoiar o delator direitista e demitiu Franklin Martins.

Perguntar não ofende: será que Mainardi, "difamador travestido de jornalista", fará barulho agora contra seus amiguinhos da TV Globo que gozam das intimidades demo-tucanas. Pedirá a cabeça de Arnaldo Jabor, cuja esposa é assessora do presidenciável tucano José Serra, freqüentador de sua mansão? Criticará a "cota de nomeações pessoais no serviço público" da cansada Ana Maria Braga? Pedirá detalhes picantes do castelo dos demos à "ortodoxa" Miriam Porcão - ou melhor, Leitão? Ou todos juntos - Jabor, Leitão, Ana Maria Braga e o macartista Mainardi - fazem parte do esquemão montado pela TV Globo para viabilizar a vitória do tucano José Serra em 2010?”

NÓS PRECISAMOS DE UMA ”NOVA INTERNET”?

Li hoje no blog do Favre o seguinte texto de John Markoff, do jornal “O Estado de São Paulo:

Pesquisadores discutem a possibilidade de recomeçar tudo do zero para garantir mais segurança na rede

Há duas décadas, um estudante da Universidade Cornell, de 23 anos, levou a internet à beira do desastre com um simples software que saltava de um computador para outro a uma velocidade atroz, obstruindo a então minúscula rede em poucas horas.

A finalidade desse programa era ser uma espécie de “Kilroy esteve aqui” digital. Mas um erro de programação tornou-se um arauto anunciando a chegada de um ciberespaço mais sinistro, que seria mais um espelho de todo o caos e conflitos do mundo físico e não de um utópico refúgio disso tudo.

Desde então as coisas pioraram, e muito. A tal ponto que há uma crença cada vez mais forte entre engenheiros e especialistas da área de que a segurança e a privacidade na internet acabaram se tornando algo tão ilusório que o único meio de solucionar esse problema é recomeçar tudo de novo.

O grande debate é como seria essa nova internet. Uma alternativa seria a criação de uma “comunidade fechada” onde os usuários desistiriam do seu anonimato e de algumas liberdades em troca de segurança.

Hoje isso já ocorre com muitos usuários no âmbito do governo ou empresas. Quando uma nova rede, mais segura, for amplamente adotada, a atual internet acabará sendo a vizinha nociva do ciberespaço.

Você entra nela por sua própria conta e risco, mas sempre muito atento enquanto estiver por ali. “Se não nos dispusermos a repensar a internet de hoje”, diz Nick McKeown, engenheiro de Stanford envolvido na criação da nova rede, “podemos esperar uma série de catástrofes públicas”.

E isso foi bastante martelado no ano passado, quando um software nefasto, que teria sido lançado na rede por uma gangue criminosa da Europa Oriental, surgiu repentinamente, conseguindo enganar facilmente as melhores defesas cibernéticas do mundo.

Conhecido como Conficker, o programa rapidamente contaminou mais de 12 milhões de computadores, fazendo o maior estrago nos sistemas, afetando de centros cirúrgicos da Inglaterra a redes do exército francês.

O Conficker é uma bomba-relógio. Pode ainda hoje atacar todos aqueles computadores infectados e juntá-los numa vasta rede, formando um supercomputador, chamado Botnet, controlado clandestinamente pelos seus criadores.

O que ocorrerá proximamente ainda é um mistério. O Conficker pode ser usado como o mais poderoso mecanismo de spam do mundo, para distribuir programas que servem para lograr os usuários, levando-os a comprar proteção antivírus falsa.

Ou muito pior. Pode também ser usado para apagar seções inteiras da internet. Mas, que qualquer modo, o Conficker demonstrou que a rede continua muitíssimo vulnerável a um ataque concertado.

Os criadores da internet jamais imaginaram que a rede de pesquisa acadêmica e militar um dia teria que suportar o peso de transportar todo o comércio e comunicações do mundo. Não havia nenhum ponto central de controle, e a ideia era que uma rede pudesse trocar dados com qualquer outra rede. A questão da segurança recebeu menos atenção. Mas, desde então, enormes esforços têm sido feitos para ampliar a segurança, com poucos resultados.

“Em muitos aspectos, estamos hoje numa situação muito pior do que há vinte anos, pois todo o dinheiro foi aplicado para resolver os problemas atuais, no lugar de ser investido para redesenhar a nossa infraestrutura”, disse Eugene Spafford, diretor executivo do Centro de Educação e Pesquisa em Segurança da Informação, na universidade de Purdue.

Embora o setor global de segurança de computadores esteja em franca ascensão, com receitas que devem chegar a US$ 79 bilhões no próximo ano, e o fato de que, em 2002, a própria Microsoft iniciou um intenso trabalho para melhorar a segurança do seu software, a segurança na internet continua deteriorando globalmente.

É por isso que os cientistas amparados por fundos federais destinados à pesquisa e trabalhando em colaboração com o setor, estão tentando encontrar o melhor meio para recomeçar tudo novamente. Em Stanford, onde os protocolos de software da internet original foram criados, os pesquisadores desenvolvem um sistema que torne possível introduzir uma rede mais avançada discretamente embaixo da internet de hoje. No final do verão, essa rede estará em funcionamento em oito redes de universidades por todo o país.

A ideia é criar uma nova internet com maior segurança e capacidade para suportar uma nova geração de aplicativos ainda não inventados, e também fazer coisas que a internet atual mal consegue - como dar suporte a usuários de celulares.

O projeto chamado Stanford Clean Slate não vai resolver todos os principais problemas de segurança da internet, mas deve equipar os criadores de software e hardware com um conjunto de ferramentas que farão com que os programas de segurança sejam uma parte mais integral da rede, dando às autoridades policiais recursos mais eficazes para rastrear criminosos no ciberespaço. E só isso já pode ser um meio de dissuasão.

Apesar de todo esse esforço, os limites reais da segurança dos computadores podem estar na natureza humana. O atual design da internet garante virtualmente o anonimato dos usuários. Mas hoje esse anonimato é o desafio mais incômodo para as autoridades. Um agressor na internet pode rotear uma conexão através de muitos países para ocultar a sua localização, que pode ser em uma conta num Internet Café adquirida com um cartão de crédito roubado.

“Logo que você começa a lidar com a internet pública, a noção de confiança se perde num atoleiro”, disse Stefan Savage, especialista em segurança de computadores na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Uma rede mais segura quase certamente vai oferecer menos anonimato e privacidade.

Esse é o grande dilema dos criadores de uma futura internet. Uma ideia, por exemplo, seria exigir algo equivalente às carteiras de motorista para permitir que as pessoas se conectem a uma rede pública de computador. Mas isso vai contra o espírito libertário, profundamente arraigado, da internet.

O fornecimento de uma identidade será uma dificuldade num mundo onde é comum alguém se apossar do computador de uma pessoa a meio mundo de distância e operá-lo como se fosse seu. Enquanto isso ocorrer, criar um sistema totalmente confiável continuará sendo virtualmente impossível.”

TURISMO NACIONAL RESISTE À CRISE

Li hoje no blog do Favre a seguinte reportagem de Ana Paula Lacerda e Rodrigo Petry, do jornal O Estado de São Paulo:

“Mas gastos de viagem e o tempo de estadia nos destinos estão menores

O turismo no Brasil não sentiu ainda os efeitos da crise. O Ministério do Turismo trabalha com uma elevação de até 20% no número de turistas viajando pelo País nesta temporada. Segundo o coordenador de projetos de Turismo do Sebrae, Dival Schmidt, mesmo que a crise econômica esteja afetando a confiança do consumidor, os turistas têm mantido as programações de viagens. “A diferença é que agora os gastos e o tempo de estadia nos destinos estão menores”, observou.

Na CVC, principal agência do setor, as vendas de pacotes cresceram 15% em volume em janeiro, ante o mesmo mês do ano passado. O presidente da CVC, Valter Patriani, informou que, para manter as vendas aquecidas, a companhia optou por reduzir em 10% os preços médios dos pacotes em 2009.

A empresa não informou o desempenho em faturamento. “A sazonalidade também nos ajudou. Quando a crise ficou forte, no fim de 2008, já estávamos com a temporada toda vendida. Agora vem a baixa temporada, só vamos nos preocupar de novo se a crise chegar no próximo verão.”

Um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) aponta que a ocupação para esse carnaval deve ficar em 75%, acima dos 71% da última temporada. “Os brasileiros estão substituindo os turistas estrangeiros”, frisa o presidente da entidade, Álvaro Bezerra.

Principal destino de estrangeiros no carnaval, o Rio de Janeiro deve manter uma ocupação média da rede hoteleira em 90%, mesmo com a retração esperada de 20% no desembarque de estrangeiros. No carnaval passado a ocupação nos hotéis do Rio foi de 86%. Para Bezerra, os leitos deverão ser ocupados, principalmente, por paulistas e mineiros.

Na Costa do Sauípe, também houve uma queda brusca na presença de estrangeiros. “Eles estão com medo de viajar”, diz Alexandre Zubarán, presidente da Costa do Sauípe e da Resorts Brazil. “Porém, em janeiro tivemos quase 93% de ocupação, garantida pelos brasileiros.” Segundo ele, o complexo está com boa ocupação até abril.

O mesmo acontece no Rio Quente Resorts, em Goiás. A ocupação média anual em 2008 foi de 75% (era 62% em 2007), segundo o diretor de Marketing do grupo, Manoel Carlos Cardoso. “Estamos com vendas excelentes em 2009″, disse.

Até mesmo em São Paulo, a ocupação hoteleira subiu 5% em janeiro, ante o mesmo mês do ano passado. No Ceará a expectativa é de que a ocupação hoteleira cresça para 86%, alta de quatro pontos porcentuais na comparação com 2008. Enquanto na Bahia é esperado um crescimento de 5% na ocupação hoteleira.

PELO BRASIL

Parte da melhora no turismo interno, no entanto, foi às custas da redução do turismo internacional. De acordo com a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), no fim de 2008 os pacotes para o exterior caíram 25% e os dados de janeiro e fevereiro não apresentam recuperação. Já os pacotes domésticos crescem, desde o início da crise, na faixa de 15%. “A insegurança quanto aos rumos da economia leva o turista a optar por destinos mais próximos, dentro do País”, diz Leonel Rossi, diretor da Abav.

Segundo o ministro do Turismo, Luiz Barreto, assim que o dólar se valorizou, em setembro, o governo tomou a iniciativa de antecipar as campanhas de marketing de verão. Os aportes foram de R$ 6 milhões. “A ideia foi estimular o brasileiro a conhecer o Brasil”, explica.

Mesmo vinculadas à taxa de câmbio, as viagens em cruzeiros marítimos também devem se manter aquecidas, segundo a Associação Brasileira dos Representantes de Empresas Marítimas (Abremar). De acordo com a entidade, o número de turistas transportados pode atingir até 500 mil, uma alta de 25% ante a última temporada.

“As empresas que comercializam viagens em cruzeiros fixaram a cotação do dólar e facilitaram o pagamento para garantir as vendas”, informou a Abremar. Segundo agentes do mercado, o dólar está cotado na faixa de R$ 1,90 nas viagens marítimas.

Em pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), realizada em sete regiões metropolitanas, 82% dos entrevistados informaram a intenção de fazer alguma viagem nos primeiros seis meses de 2009, e 85% afirmaram que optarão por destinos domésticos.”

ISRAEL REGRIDE: NETANYAHU É MAIS UM GOLPE NO PROCESSO DE PAZ

O jornal espanhol El País ontem publicou (li no UOL):

Benjamim Netanyahu é tudo menos ingênuo. Na sexta-feira, na residência presidencial e à boca pequena, ele mencionou o processo de paz assim que recebeu o encargo de formar governo. Porque o líder do Likud não ignora que os olhos da Casa Branca estão postos nele.

Mas, como tantos israelenses, Netanyahu não acredita nesse processo. Tampouco com o Kadima - o partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni - se avançou um centímetro. Sem ir mais longe, esta semana foi aprovado o confisco de centenas de hectares de terras palestinas na Cisjordânia para ampliar uma colônia ao sul de Jerusalém. A previsível ascensão de Netanyahu ao poder só fará entorpecê-lo ainda mais. Principalmente se seus parceiros de coalizão são o Yisrael Beiteinu, capitaneado pelo extremista Avigdor Lieberman, e os grupos que representam os colonos e os ultraortodoxos.

Não. Assim se resume a posição política de Netanyahu em relação a qualquer concessão à Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas, que em todo caso também foi humilhado pelo primeiro-ministro Olmert. Não à divisão de Jerusalém e não à evacuação de assentamentos. Essa é a doutrina que Netanyahu pregou durante a campanha eleitoral. Afirma que somente promoverá o desenvolvimento econômico da Cisjordânia. Caso cumpra suas promessas, Gaza pode esperar tempos fúnebres. "Vamos derrubar o governo do Hamas", advertiu.

Como já fizeram George Bush e seu secretário de Estado, James Baker, no início da década de 1990 - congelaram empréstimos de US$ 10 bilhões ao Executivo do intransigente Isaac Shamir -, só a pressão econômica e diplomática de Washington poderá torcer o braço de um governo Netanyahu.

Será preciso esperar, mas o governo de Barack Obama não parece disposto a dilapidar sete anos antes de pôr mãos à obra. "Melhorar a economia palestina sem esforços diplomáticos não terá êxito", avisou, na quinta-feira (19), o enviado da Casa Branca ao Oriente Médio, George Mitchell.

Três quartos do mesmo acontece em relação à Síria. "Gamla não cairá de novo", afirmou Netanyahu taxativo em plena campanha, enquanto plantava uma árvore para comemorar uma festividade judaica. Gamla é uma colônia vinícola na meseta do Golã, conquistada à Síria em 1967. Também é o lugar em que os judeus foram derrotados por tropas romanas 2 mil anos atrás. O chefe do Likud não quer nem ouvir falar de cessões territoriais.

Mas talvez Obama tenha algo a dizer. Porque convém lembrar que os dirigentes israelenses também clamavam que o Sinai egípcio nunca seria devolvido, e foi exatamente um governo do Likud - o de Menahem Begin, pressionado pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, em 1979 - que o devolveu até o último centímetro ao presidente Anuar Sadat.”

BRASIL CHEGA A PYONGYANG MIRANDO COMÉRCIO

O jornal Folha de São Paulo ontem publicou a seguinte reportagem de Sofia Fernandes:

“Governo Lula abre em março primeira embaixada sul-americana na Coreia do Norte, cujo regime é um dos mais fechados do mundo Arnaldo Carrilho, diplomata designado para chefiar a missão, afirma que também buscará discutir a questão nuclear norte-coreana

A embaixada do Brasil na Coreia do Norte vai começar a funcionar em março, dentro de uma estrutura modesta. Serão três funcionários, uma casa em Pyongyang, cujo aluguel e manutenção custarão US$ 5,5 mil por mês aos cofres públicos brasileiros. Mas a estrutura física da missão não condiz com a dimensão do feito histórico. O Brasil será o primeiro país das Américas a instalar uma embaixada no território comunista mais fechado do mundo.

Arnaldo Carrilho, 71, diplomata escalado para embaixador em Pyongyang, falou à Folha , em seu escritório no Itamaraty, das perspectivas abertas pela nova missão diplomática. Ampliar o comércio bilateral, atualmente animado por uma fase próspera, será uma das principais metas. Em 2008, os dois países compraram e venderam um volume de US$ 380 milhões, comércio 64% maior do que em 2007.

Carrilho foi embaixador por dez anos em países da Europa, 12 anos em países árabes, na China, na Tailândia e representou o Brasil em Ramallah, na Cisjordânia, em 2007. Abriu as embaixadas do Brasil na Arábia Saudita e na Alemanha Oriental. Ele já foi sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado e espera que sua indicação seja aprovada em plenário em 4 de março. Confira abaixo trechos da entrevista.

FOLHA - QUAL A IMPORTÂNCIA POLÍTICA DA EMBAIXADA?

ARNALDO CARRILHO -
A Coreia do Norte é um país muito visado.

Não necessariamente pela comunidade internacional, mas pelos países que têm os grandes vetores do poder diplomático no mundo, como China e Rússia. Costumo dizer que o Brasil não é só o primeiro país da América do Sul, mas o primeiro país das Américas a instalar missão diplomática em Pyongyang. Com a exceção de Cuba, que é, entre aspas, suspeita, por também ser socialista.

FOLHA - O COMÉRCIO CRESCENTE ENTRE OS DOIS PAÍSES É O QUE MAIS ANIMA A NOVA MISSÃO DIPLOMÁTICA?

CARRILHO -
O Brasil já é o quarto parceiro comercial do país asiático. Os primeiros são China, Rússia e Coreia do Sul. Estou indo para incentivar o comércio, principalmente o de alimentos, de commodities. Eles precisam de carne bovina, suína, galináceo. Claro que não temos a pretensão de 100% de lucros. Mas o importante é entrar na região, por o pé lá. Estou pensando muito também no comércio de importação do Brasil de magnesita, útil para revestimento de fornos.

FOLHA - O SR. PRETENDE INCENTIVAR QUE O BRASIL COMPRE DA COREIA?

CARRILHO -
Eu sou de uma geração imbuída de uma ideia: quanto mais eu promovo o país onde estou em missão, mais eu estou promovendo o meu. Se tivermos um aumento comercial significativo com a Coreia, a gente vai poder ter uma presença maior, não só na Coreia em si, mas no nordeste da Ásia, uma região nevrálgica.

FOLHA - COMO PLANEJA ENTRAR NAS NEGOCIAÇÕES SOBRE A DESNUCLEARIZAÇÃO DA COREIA DO NORTE?

CARRILHO -
Vou fazer um périplo rápido, antes de ir para Pyongyang, por cinco capitais: Washington, Tóquio, Seul, Pequim e Moscou. São as capitais que, com Pyongyang, formam o grupo das conversações para estudar a questão da desnuclearização do país. Quero sondar cada um deles, conversar sobre o que pretendem fazer a partir de agora. Dependendo do que ouvir, vou me posicionar. O Brasil pode ter um papel importante nas negociações.

FOLHA - A EMBAIXADA É UM SINAL DE UMA NOVA CONDUTA DA DIPLOMACIA BRASILEIRA?

CARRILHO -
Passamos atualmente por uma expansão muito grande, de uma nova personalidade diplomática. O Brasil surge como uma grande nação da América do Sul que não tem alianças, nem aliados, não tem essa coisa de se impor. O que o Brasil quer é ter uma personalidade internacional de acordo com o seu caráter nacional. E o caráter nacional brasileiro é normalmente solidário.

FOLHA - QUAIS SERÃO OS DESAFIOS EM PYONGYANG?

CARRILHO -
Vou ter de depender muito de Pequim. A Coreia do Norte não aceita o dólar americano, e nós somos mantidos no exterior a dólar americano. Isso vai nos forçar abrir uma conta em dólar, talvez em Pequim.
Além disso, é uma população toda educada para a construção do socialismo, com profundo complexo anti-americano. Será um outro tipo de "aproach".”

domingo, 22 de fevereiro de 2009

GLÓRIA EFÊMERA DO NOVO HERÓI DO PSDB/DEM

Durou poucos dias a glória do novo Roberto Jefferson, Jarbas Vasconcelos, o grande herói do PSDB/DEM/PPS e da grande mídia. Os seus podres começaram a aparecer.

Vejamos o seguinte texto postado no blog do Luis Nassi, extraído do Blog de Sakamoto por Claudio Roberto Basilio:

JARBAS E O TRABALHO ESCRAVO

De fato o Senador Jarbas Vasconcelos é um autentico varão de Plutarco… Dê uma olhadinha em um artigo do seu colega de IG Leonardo Sakamoto sobre as atitudes do nobre senador em relação a fiscalização do trabalho escravo, um problema crônico em certos rincões brasileiros. Segue o link abaixo:

Em julho de 2007, o grupo móvel de fiscalização do governo federal libertou mais de mil pessoas da escravidão na fazenda e usina Pagrisa, em Ulianópolis, no Pará. Seria uma fiscalização de rotina se um grupo de senadores não tivesse pressionado pela criação de uma comissão externa para averiguar essa operação. Dois meses depois da operação, Romeu Tuma (DEM-SP), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Kátia Abreu (DEM-TO), Cícero Lucena (PSDB-PB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) fizeram uma visita agendada à Pagrisa para verificar as condições de trabalho (OK, me dêem dois meses de antecedência que eu transformou Guantánamo em colônia de férias).

Eles anunciaram que iriam pedir a abertura de inquérito da Polícia Federal para verificar os procedimentos adotados pelo grupo móvel durante a autuação da Pagrisa. Segundo a Agência Senado, na época Kátia Abreu afirmou que a empresa era “muito bem administrada” e formava “uma comunidade de trabalhadores rurais”. O Ministérrio do Trabalho e Emprego havia apontado em relatório com fotos e documentos que as condições no corte da cana eram desumanas e que havia trabalhadores sem receber nada após descontos indevidos.

De acordo com o Diário do Pará, Jarbas Vasconcelos e Kátia Abreu sinalizaram durante a visita que poderiam propor mudanças na legislação sobre trabalho escravo. Em vista da insegurança institucional que se estabeleceu, o Ministério do Trabalho e Emprego decidiu suspender as fiscalizações de trabalho escravo por tempo indeterminado. Muitos auditores temiam por sua segurança, uma vez que o próprio Senado colocava em cheque esse trabalho. Vale lembrar que, três anos antes, quatro funcionários do ministério chacinados em 2004 ao realizaram uma fiscalização rural de rotina em Unaí.

Diante disso, o senador Jarbas Vasconcelos, presidente da Comissão, disse que o Senado “não pode intimidar-se por um chilique de uma Ruth da vida”. Ruth Vilela é a secretária nacional de inspeção do trabalho e uma das criadoras do sistema de combate ao trabalho escravo no país. “Se Ruth da vida quer ter um chilique e ameaça fazer greve, fazer isso ou aquilo, que faça. Porém, esta Casa não pode dobrar-se a esses caprichos”, emendou.

A sociedade civil nacional e internacional, mídia, parte do governo federal, alguns governos estaduais, parlamentares passaram a criticar pesadamente a ação desses senadores. Em outras palavras, o tiro saiu pela culatra. Não só a fiscalização acabou saindo fortalecida e respaldada como o caso ajudou a colocar novamente em pauta a PEC do Trabalho Escravo, que prevê o confisco das terras em que esse crime for encontrado (a sua aprovação, é claro, são outros quinhentos).

Creio que o senador Jarbas, que tem uma história pessoal de serviços prestados ao seu estado e ao país, entrou de gaiato nessa. Outros senadores envolvidos já eram conhecidos por contestar abertamente o sistema de combate ao trabalho escravo por achá-lo injusto com os latifundiários. Ou seja, eram diretamente envolvidos com o tema, mas não ele. Por isso nunca entendi porque entrou nessa. Mais um caso que só congressistas sabem, mas sobre o qual nunca falarão.

O trabalho da comissão acabou sendo finalizado. Jarbas acabou deixando a comissão e, procurado pela Repórter Brasil na época, para comentar a suspensão dos trabalhos, preferiu não se pronunciar.”

GARCIA: CRISE SUSPENDE GASODUTO COM A VENEZUELA

Li no site “Terra Magazine”, do jornalista Bob Fernandes, a seguinte reportagem de Diego Salmen que contém entrevista com Marco Aurélio Garcia:

“O projeto de construção de um gasoduto de 8.000 km cortando a América do Sul foi arquivado pelo governo brasileiro. A crise financeira mundial foi um dos fatores que motivaram a suspensão, de acordo com o assessor presidencial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Em períodos de crise, um investimento desses tem que ser reavaliado com muito cuidado, até porque o custo é muito grande.

Segundo o Ministério das Minas e Energia, em outubro de 2008, estudos da Petrobrás concluíram que o gasoduto - com preço aproximado de R$ 23 bilhões - não seria viável economicamente.

Mesmo que temporário, o cancelamento esfria os planos para a integração econômica e de infra-estrutura da América do Sul defendidos pelos presidentes de esquerda do continente.

Em entrevista a Terra Magazine, Garcia nega um eventual desgaste nas relações com o governo venezuelano, cujo presidente Hugo Chávez é o autor da proposta de criação do Gasoduto do Sul. O projeto vinha sendo avaliado por uma comissão técnica bilateral.

- Não houve nenhuma decisão do Brasil, da Venezuela nem de ninguém para suspender o projeto.
Leia a entrevista:

TERRA MAGAZINE - PORQUE BRASIL DESISTIU DO PROJETO?

MARCO AURÉLIO GARCIA -
O Brasil não desistiu do projeto. O projeto simplesmente não está marchando no momento atual, só isso. E, entre outras coisas, com a crise mundial o nosso entendimento foi reavaliado. Só isso.
ENTÃO A CRISE ACABOU O ADIANDO?

Ele já estava parado há algum tempo. Os estudos técnicos não avançaram suficientemente, e está simplesmente arquivado. Não houve nenhuma decisão do Brasil, da Venezuela nem de ninguém para suspender o projeto.

POLITICAMENTE, O ARQUIVAMENTO NÃO TEM POR OBJETIVO AUMENTAR A AUTO-SUFICÊNCIA ENERGÉTICA BRASILEIRA?

Sim, mas veja bem: um gasoduto desse... os estudos iniciais estimavam uma coisa de altíssimo custo. É evidente que seria, mas nós hoje também temos outras alternativas energéticas, como o próprio pré-sal, que vai ser uma fonte de gás natural. Isso vai ser reexaminado, e não é algo que beneficia só o Brasil, beneficia outros países também.

HOUVE ALGUM DESGASTE COM A VENEZUELA POR CONTA DO ARQUIVAMENTO?

Não, o assunto nem foi discutido. O gasoduto, no governo atual, está suspenso. Em períodos de crise, um investimento desses tem que ser reavaliado com muito cuidado, até porque o custo é muito grande.”

SEMANA FOI REPLETA DE DENÚNCIAS CONTRA GOVERNOS TUCANOS

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte texto de Cláudio Gonzalez:

“A sexta-feira pré-carnavalesca encerra uma semana recheada de denúncias envolvendo governos tucanos. Cássio Cunha Lima, governador cassadoi da Paraíba; Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul; e Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, ocuparam as manchetes dos jornais como protagonistas de escândalos de corrupção e má gestão. Enquanto isso, os outros dois governadores do PSDB, Aécio Neves e José Serra, travam uma guerra particular para ver quem será ungido o candidato da direita às eleições presidenciais de 2010.

PARAÍBA

O principal constrangimento para os tucanos nesta semana foi, sem dúvida, a cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima.

O TSE (tribunal Superior Eleitoral) concluiu na terça-feira (17) o julgamento de recursos com os quais os advogados de Cunha Lima pretendiam derrubar decisão tomada no ano passado pelo tribunal durante o julgamento de um processo no qual o governador foi acusado de abuso de poder econômico e político durante a campanha eleitoral de 2006. Conforme a acusação, Cunha Lima teria se envolvido com a distribuição de cheques para a população por meio de um programa assistencial.

O ex-senador José Maranhão (PMDB), que assumiu o comando do Estado na quarta-feira (18), já estabeleceu sua principal tarefa à frente do governo: realizar uma auditoria nas contas e nos atos administrativos aprovados no governo de Cunha Lima. Maranhão quer saber o que mais os tucanos andaram aprontando na administração. (leia mais)

ALAGOAS

Também no Nordeste, outro líder tucano corre o risco de ter o mesmo fim de seu colega paraibano. Teotônio Vilela Filho, ex-presidente do PSDB e atual governador de Alagoas poderá ter que responder nas barras dos tribunais as denúncias que o Ministério Público estadual fez em relação às precárias condições da educação em Alagoas.

Uma radiografia do ensino público alagoano revela que falta de tudo, desde professores até carteiras para os alunos sentarem. "Falta dignidade nas salas de aula", disse a promotora Cecília Carnaúba.

"Há salas em que os alunos escrevem no chão, apoiados em cadeiras velhas. Outros, estão sentados nos birôs ou então uma cadeira é dividida por dois alunos, ao mesmo tempo", afirmou a integrante do MP. "Somos os últimos em analfabetismo no Brasil porque há omissão. É um caos. Há dois depósitos do Estado cheios de carteiras escolares e não são usadas", denunciou a promotora.

Uma pesquisa do Ministério Público indica que o Paraná, com o melhor ensino público do País, segundo o Ministério da Educação, tem 25,6 alunos para cada professor; Alagoas, com o pior ensino, está com 26 alunos para cada professor. "Estes índices não são ruis. Agora, não sei aonde estão lotados os professores do Estado", apontou a promotora.

Segundo ela, o Ministério Público vai cobrar, de imediato, condições dignas para os estudantes. "Se houver prova de irresponsabilidade do gestor, o fato pode gerar até mesmo uma ação de improbidade administrativa", advertiu.

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação em Alagoas, faltam planejamento e disposição política para resolver os problemas da escola alagoana. "Quase perdemos R$ 52 milhões da União, destinados a Educação. Isso só não aconteceu por causa de uma ação do MP", explicou. (leia mais)

RIO GRANDE DO SUL

Na quinta-feira (19), foi a vez da governadora tucana do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, ser apontada como má gestora de recursos públicos. Em uma coletiva de imprensa em Porto Alegre, lideranças do Psol levantaram nove suspeitas contra o governo de Yeda Crusius. Os membros do partido não apresentaram provas, mas garantiram que áudios, vídeos e depoimentos, que estariam sendo analisados pelo Ministério Público Federal (MPF), apontariam que há uma quadrilha dentro do Palácio Piratini, que se utilizou de caixa 2 para chegar ao poder e que utiliza verbas públicas para satisfazer interesses particulares. O Psol vem levantando os dados há um ano e dez meses.

"Temos a convicção de que há uma verdadeira quadrilha instalada no Palácio Piratini. E essa quadrilha precisa ser desmarcarada. Sabemos que tanto o Lair Ferst, réu na Operação Rodin, quanto o Marcelo (Cavalcante) estavam trazendo informações relevantes ao Ministério Público", disse a deputada federal Luciana Genro (Psol-RS). Além de Luciana, participaram da coletiva o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas e o presidente estadual do Psol, Roberto Robaina.

Entre as acusações apresentadas pelo Psol estão a de que a empresa Mac Engenharia teria repassado R$ 500 mil à campanha de Yeda de forma ilegal e a de que a governadora negociaria a repartição do dinheiro oriundo da corrupção do Detran gaúcho”

LE MONDE: "BRASIL CONSEGUIU UM TRABALHO DE VERDADEIRA JUSTIÇA"

"BRASIL CONSEGUIU UM TRABALHO DE VERDADEIRA JUSTIÇA", DIZ APOIADORA DE BATTISTI

O jornal francês Le Monde publicou ontem a seguinte reportagem de Josyane Savigneau, que entrevistou a romancista Fred Vargas (li no UOL em tradução de Lana Lim):

Cesare Battisti é um desses militantes da extrema esquerda italiana que aderiu à luta armada nos anos 1970, e que se refugiaram na França devido à promessa feita em 1985 pelo presidente da República, François Mitterrand, de não extraditá-los. Mas, em fevereiro de 2004, sob o governo de Jacques Chirac, a Itália pediu diversas extradições, entre as quais a de Battisti, condenado à prisão perpétua por homicídios. A França autorizou a extradição, mas, antes que o decreto fosse assinado, Battisti fugiu, no dia 24 de agosto de 2004. Ele foi detido em 18 de março de 2007 no Brasil, que lhe concedeu o status de refugiado político em 13 de janeiro.

Arqueóloga e romancista, Fred Vargas se engajou no apoio ao ex-ativista italiano quando a Itália pediu por sua extradição em 2004.

LE MONDE - A SRA. É UMA ROMANCISTA MUITO DISCRETA, MAS NA DEFESA DE CESARE BATTISTI, ESTÁ NA LINHA DE FRENTE. POR QUE TAMANHO ENVOLVIMENTO?

FRED VARGAS - Certamente não porque ele seja um amigo, pois eu não o conheço. Também não é por ser um colega, pois não tenho reflexo corporativista. Estudei seu caso antes de assinar a primeira petição, e fui uma das últimas a fazê-lo. Mas a injustiça era evidente, e fui descobrindo sua extensão aos poucos. Não era possível aceitar aquilo. Achei que o caso fosse durar um mês ou dois. E agora já são cinco anos... mas você sabe como são os arqueólogos: eles buscam a verdade, e eles não param de vasculhar as profundezas da terra até que a encontrem. É minha profissão, não importa se a verdade é da Idade Média ou de hoje. É o que eu faço.

LE MONDE - A ITÁLIA É UM PAÍS DEMOCRÁTICO, A JUSTIÇA ITALIANA JULGOU BATTISTI E, EM NOME DAS VÍTIMAS, ELA LHE PEDE UMA REPARAÇÃO. ISSO NÃO PARECE INSENSATO...

FV - Certamente que é uma democracia, quem pode negar? Mas democracia nunca quis dizer "país perfeito". A história da França é prova disso. Infelizmente toda democracia pode passar por desvios, em determinado momento fervoroso de sua história. Foi o caso da justiça italiana durante os anos de chumbo, abrindo mais de 4 mil processos contra a extrema esquerda. Nenhum historiador sério pode dizer que todos esses processos foram "regulares". Nenhum deles pode negar a existência de torturas: durante o primeiro processo em que figurava Battisti, foram declarados trezes casos de tortura. E nenhum desses torturados mencionou o nome de Battisti.

Eu nunca defendi a luta armada, de qualquer lado que fosse, e é insultante ouvir dizer que defender Battisti é ignorar as vítimas.
Mas não se pode sustentar que esses processos tenham sido exemplares. O caso do processo de Adriano Sofri, com delator, é um triste e famoso exemplo disso. Eu apoio Battisti porque seu processo foi fraudado do começo ao fim. Prender falsos culpados não ajudaria as vítimas.

LE MONDE - SOBRE O QUÊ SE APOIA A JUSTIÇA BRASILEIRA PARA CONTRADIZER A DECISÃO FRANCESA, RECUSANDO-SE A EXTRADITAR BATTISTI E LHE CONCEDENDO ASILO POLÍTICO?

FV - Pela primeira vez em cinco anos, um ministro da justiça, o do Brasil, se deu ao trabalho de examinar documentos, irrefutáveis e concluiu que o processo que condenou Battisti havia sido corrompido. O que é exato. Ele também avaliou que muitos elementos permitiam duvidar da culpa de Battisti: ausência de provas materiais, ausência de testemunha ocular confiável, uso exclusivo dos "testemunhos" de ex-mafiosos arrependidos que colaboram com a justiça ["pentiti"], ganhando reduções de pena muitas vezes consideráveis, acusando Battisti em um belo conjunto. E, acima de tudo, Battisti, que durante dois anos foi membro do grupo armado PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), teve antes um primeiro processo na Itália, onde ele nunca foi acusado dos quatro homicídios cometidos por seu grupo.

Em 1981, foi condenado a doze anos de prisão por "subversão e participação em quadrilha", o que ele nunca negou. Da mesma forma que nunca negou sua "responsabilidade coletiva" nos terríveis acontecimentos dos anos de chumbo. Em compensação, ele estava ausente quando foi iniciado, com a prisão do chefe do grupo, um segundo processo coletivo: esse chefe era "pentito" e, curiosamente, Battisti foi então "representado" ao longo de todo o processo por "mandados" e procurações falsas. Resultado: ele foi o único a ser condenado à prisão perpétua, em 1988. Não é muito estranho? O que você diria, se isso lhe acontecesse?

Não teria a impressão de ter sido terrivelmente usado? O Conselho de Estado francês e a Corte Europeia foram informados em 2005 sobre a falsidade desses mandados (com perícia), o que tornava a extradição legalmente impossível. Mas essas cortes optaram por ignorá-los e concederam a extradição... com base nesses "mandados"! O Brasil trabalhou de forma diferente: ele examinou esses documentos e, pela primeira vez nesse caso, esse país conseguiu um trabalho de verdadeira justiça, ao declarar o processo como corrompido.

LE MONDE - COMO A SRA. EXPLICA QUE, DE TODOS OS ENVOLVIDOS NESSE PERÍODO HISTÓRICO CONTURBADO, BATTISTI PARECE SER HOJE PRATICAMENTE O ÚNICO SÍMBOLO?

FV - O mecanismo é simples. Battisti não era nada durante os anos de chumbo. Só um jovem exaltado entre as dezenas de milhares de outros e que, como ele mesmo disse, cometeu o monumental erro de ultrapassar a fronteira das armas. Ele não era sequer "chefe" de seu grupo (havia cerca de 200 grupos armados durante esse período). Ninguém sabia seu nome antes que Berlusconi tivesse a ideia - eleitoral - de pedir, em 2004, cerca de vinte refugiados a Jacques Chirac. Battisti, por ser escritor, figurava no topo da lista. Mas, inesperadamente, houve uma vigorosa onda de protestos na França, que logo levou a uma reação italiana: uma propaganda midiática violenta foi lançada pela Itália para apagar o movimento de apoio francês.

Segundo uma técnica historicamente provada, a imprensa fez de Battisti um "monstro", pura e simplesmente, e isso funcionou à perfeição. Mas, e depois, como deter a opinião pública convertida? Se algum outro nome estivesse no topo da lista, isso teria se dado da mesma forma.

Um dos argumentos mais eficazes da ofensiva italiana, e depois francesa (hoje no Brasil), foi de convencer que, durante o ataque do PAC contra o joalheiro Pierluigi Torregiani, morto em plena rua em 1979, Battisti teria atirado em seu filho de 14 anos, Alberto, que ficou paraplégico. Até hoje todos acreditam nisso. Battisti? Um assassino de crianças.

Como defender um homem nessas condições? Impossível! Pois a própria justiça italiana admitiu que Battisti não fazia parte do comando contra Torregiani, e que ele não estava nos locais, e que o garoto foi atingido por uma bala perdida de seu próprio pai. Está nos autos do processo. Se a Itália reage com uma violência tão desproporcional, é porque o processo que condenou Battisti é um exemplo dos desvios da justiça dessa época: torturas (que incluem o suplício medieval de água salgada injetada à força no estômago), falsos mandados, advogados presos e delatores sob pressão... Um segredo de polichinelo, certamente, mas um segredo que a história italiana não quer reconhecer. Então é preciso a todo custo apagar o processo Battisti e, para isso, enfiar o homem Battisti no fundo de uma cela. É uma terrível lógica política que o Brasil interrompeu com objetividade, sabedoria e coragem.

LE MONDE - SE O BRASIL MANTIVER SUA DECISÃO, O QUE FARÁ BATTISTI, O QUE ELE DESEJA?

FV -
Voltar a ser o homem normal que ele era. Não ouvir mais falar do personagem que construíram em torno dele. Escrever romances, ver suas filhas. Não vamos nos iludir, será muito difícil, pois se pode temer de tudo, quando um "caso" chegou nesse estágio. Como Battisti poderá andar em uma rua do Rio? É exatamente o que ele se pergunta. Em um século, a justiça será feita. Mas e agora?”

OBAMA CEDE: O AFEGANISTÃO E AS RAÍZES DO IMPÉRIO AMERICANO

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte artigo escrito por Argemiro Ferreira, em seu blog:

“A decisão do governo Obama de reforçar as tropas dos Estados Unidos no Afeganistão sugere uma volta ao debate sobre o império americano. Nessa discussão alguns chegaram a se referir com escrúpulo, há sete anos, à E-word (palavra E, Empire) ou à I-word (palavra I, Imperialism). Na ocaião, um livro optou ostensivamente, no título, pela expressão "Império Americano". Andrew Bacevich, o autor, observou que cada vez mais a corrente central do pensamento no país reconhecia o papel imperial dos Estados Unidos.

A questão que "os americanos não podem mais se dar ao luxo de evitar não é se os Estados Unidos se tornaram potência imperial. A questão é que tipo de império pretendem que seja o deles", escreveu Bacevich. Para ele, deixar de reconhecer o fato e tentar esconder a realidade imperial pode levar a "não só negar o império americano como a um grande perigo para aquilo que foi conhecido como república americana".

Na fase inicial o debate era mais sobre a nova ordem mundial e o papel ampliado e novas responsabilidades globais dos Estados Unidos, devido ao fim da União Soviética. Foi nesse contexto que o neoconservador Paul Wolfowitz (número 2 do Pentágono entre 2001 e 2005, depois chefão do Banco Mundial até ser defenestrado por privilegiar a namorada) redigira em 1992 para Dick Cheney, então secretário da Defesa, um documento interno de contornos imperiais, DPG - Orientação de Política da Defesa. Mas havia antecedentes históricos.

O FERVOR IMPERIALISTA DE TED ROOSEVELT

No final do século 19, depois de ter sido adicionado ao território dos Estados Unidos o que hoje são os estados do Texas, Novo México, Califórnia e Arizona, Theodore (Ted) Roosevelt defendeu a expansão colonial no Caribe, Ásia e Pacífico, rumo ao status de potência mundial. Jornalistas (Hearst e Pulitzer à frente, na competição do yellow journalism), homens de negócios, banqueiros e políticos apaixonaram-se pela idéia.

No seu fervor imperialista, Roosevelt - herói e mito graças à sua "esplêndida guerrinha", a tomada de Cuba - evocava Rudyard Kipling, o poeta do imperialismo britânico e do "fardo do homem branco". Surgiram, quase à mesma época, as comparações com o Império Romano. "Somos uma grande República Imperial, destinada a exercer influência controladora sobre as ações da humanidade", previra Marse Henry Watterson em 1896.

Logo depois do 11 de setembro, outro neoconservador, Max Boot, ousou um puxão de orelha no secretário Donald Rumsfeld, por ter declarado que os Estados Unidos não buscavam império. "O problema é que isso não é verdade. Os Estados Unidos têm sido um império, desde pelo menos 1803, quando Thomas Jefferson comprou o território da Louisiana. (...) O império estendeu-se ao exterior, adquirindo colônias, de Porto Rico e Filipinas ao Havaí e Alasca", escreveu.

Do outro lado do espectro político, um historiador revisionista da fase aguda da guerra fria, William Appleman Williams, teria concordado em parte. Ao constatar em 1980, uma década antes de sua morte, que as palavras "império" e "imperialismo" não encontravam "hospitalidade fácil nas mentes e corações da maioria dos americanos contemporâneos", Williams lembrou não ter sido sempre assim.

SINÔNIMO DO SONHO AMERICANO

"Império era comum no vocabulário dos americanos que fizeram a revolução contra a Grã Bretanha e no daqueles que conceberam e executaram o subsequente levante doméstico", afirmou Williams. E mais: "Nossos Revolucionários e Pais Fundadores, conheciam as idéias, a linguagem e a realidade do império a partir do estudo deles da literatura clássica sobre a Grécia e Roma (e sobre a política em geral)".

A palavra império, observou, era usada regularmente por eles nas conversas sobre a Inglaterra; e a empregavam cada vez mais ao falar da própria condição deles, de suas políticas e aspirações. Tornou-se, na verdade, sinônimo da realização do Sonho deles". Para Williams, as gerações posteriores é que se tornaram "menos francas sobre as atitudes e práticas imperiais, apoiando princípios nobres como 'integridade territorial e administrativa' e a meta de 'salvar o mundo para a democracia' - mesmo quando destruiam as culturas dos Primeiros Americanos, conquistavam a metade do México e expandiam incansavelmente o poderio de seu governo em todo o globo."

Na análise de Williams, "império tornou-se tão intrinsicamente nosso sistema americano de vida que passamos a racionalizar e suprimir a natureza de nossos meios na euforia de nosso usufruto dos fins. Abundância era liberdade, e liberdade era abundância. A democrática Cidade na Colina. Daí projetarmos nosso imperium para o exterior, sobre os outros - declarados amigos ou então antagonistas malignos".

Na visão daquele historiador, tal processo de reificação, de transformação das realidades da expansão, conquista e intervenção numa retórica de cunho religioso sobre virtude, riqueza e democracia, alcançou seu ponto culminante nas décadas seguintes à 2ª Guerra Mundial. Ele se referiu aos "incontáveis documentos que monitoram o avanço de nosso auto-embuste imperial, nossa rendição à doutrina".

ABERRAÇÃO NA HISTÓRIA DO PAÍS?

Segundo Williams, talvez o mais revelador, entre os muitos documentos, tenha sido um estudo conspículo do Conselho de Segurança Nacional feito em 1949-50 e conhecido como NSC-68. "Ali os líderes dos Estados Unidos declararam o direito e a responsabilidade excepcionais de impor a 'ordem entre as nações', uma ordem da escolha deles, para que 'nossa sociedade livre possa florescer'".

A propósito das manifestações imperiais de Ted Roosevelt, foi sintomático como historiadores ortodoxos, afinados com o pensamento dominante, distanciaram-se do entusiasmo de Watterson. Pouco condescendentes na crítica, viram aquele período imperialista como aberração na história de um país que oferecera ao mundo o exemplo da guerra da independência contra a domínio colonial britânico.

De qualquer forma, o fervor imperialista daquele primeiro Roosevelt (um dos presidentes mais amados pelas gerações seguintes, embora às vezes por razões mais nobres, pois era também o trust buster) foi retomado pelos neoconservadores (com a DPG) na agonia da guerra fria, ainda no período do primeiro Bush, quando a escola Cheney-Wolfowitz tinha o controle do Pentágono. A dupla prevaleceu não no primeiro momento, com o primeiro George Bush, mas quase uma década depois, sob Bush II.

O reforço de 17 mil soldados no Afeganistão, enviados pelo presidente Barack Obama, mostra no mínimo que o legado dos neocons permanece vivo - mesmo sem a presença deles no governo.”

GOVERNO ACREDITA NO DESCOLAMENTO DO BRASIL

Li hoje no blog do Favre a seguinte reportagem de Claudia Safatle. A autora é diretora adjunta de redação do jornal Valor:

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ao longo da semana propagou os primeiros sinais de recuperação da economia brasileira, acredita que, embora os efeitos perversos da crise financeira mundial sobre o país continuem, “para o Brasil, o pior já passou. Para o resto do mundo, não”. Isso o leva a crer, também, que o país, por todos os bons fundamentos macroeconômicos, está num processo de “descolamento” dos demais países emergentes. O prêmio de risco, diz, é o atestado disso: “É o mercado dizendo que nosso país é menos arriscado que a maioria dos emergentes”, ressalta, com a tabela do EMBI do JP Morgan em mãos, durante conversa com o Valor.

O pior momento da crise que começou em setembro foi o último trimestre de 2008, diz. “Sofremos um impacto forte com o choque de crédito, a queda das exportações, o medo, a insegurança em relação aos impactos da crise.”

A cautela e o bom senso, porém, não recomendam comemorações, até porque não há garantia de que as surpresas vindas do resto do mundo acabaram. “Estamos num período de muita volatilidade. Em dezembro era um cenário, em janeiro, outro. Agora, temos indicadores antecedentes de que a produção industrial melhorou”, pondera. Dezembro e janeiro foram, na verdade, dois meses terríveis, temperados por um agudo ajuste de estoques na economia mundial e na economia doméstica. O Japão teve queda de 20% na produção industrial em dezembro, comparada a dezembro de 2007. Nos Estados Unidos, a queda foi de 8% e, em janeiro, o governo brasileiro ficou assustado, pois a brutal retração das economias desenvolvidas provocou queda de 22,8% nas exportações do país. Em relação a dias de verdadeiro pânico, de fato, hoje a situação é de certo alívio, apesar do mau humor no mercado externo.

Os primeiros dados da indústria automobilística que chegaram ao governo este ano - setor que estava puxando o crescimento e, no pós-setembro, passou a liderar a retração - apontam para uma boa recuperação das vendas e o mercado já começa a se ressentir da falta de alguns modelos. “Estão faltando o Honda Fit, o Ford Ka”, cita Mantega, que atribui a reação da demanda às medidas tomadas pelo governo no fim do ano passado, como a redução do IPI sobre os automóveis, à injeção de recursos dos compulsórios dos bancos nas empresas que financiam a compra de veículos e à redução do IOF para crédito pessoal. “A produção, que caiu para 4 mil veículos/dia, hoje voltou para 9 mil a 10 mil veículos/dia”, anima-se.

Foi esse o quadro que ele traçou nas duas reuniões desta semana com o presidente Lula - da coordenação política e do Conselho Político, com as lideranças dos partidos da base aliada. Nem de longe isso significa que a crise tenha acabado. “Jamais diria que a crise acabou. Sempre fui realista”, reage o ministro.

“Estamos assistindo a um cenário com os Estados Unidos e a Europa aprofundando suas recessões. No mercado interbancário as coisas estão melhorando um pouco, mas está muito aquém do desejado. Nos emergentes, houve alguma recuperação na China, e há sinais positivos no ar. O pacote fiscal aprovado pelo Congresso americano é um avanço, mas o problema financeiro não foi equacionado. Persistem dúvidas sobre que saída será dada à economia americana”, enumera, para mostrar que o panorama externo ainda é muito incerto.

A economia brasileira, contudo, vai ter desempenho positivo do PIB, assegura Mantega. Ele prefere não arriscar uma previsão mais realista. “Mantenho o crescimento de 4% este ano como objetivo a ser perseguido. Não necessariamente como resultado. Estamos num período de muita volatilidade”, reitera.

Não é só a indústria automobilística que está reagindo, segundo o ministro. Ele conta que sexta-feira passada, dia 13, “estava numa mesa com vários empresários e o Abílio Diniz (do Grupo Pão de Açucar) disse que suas vendas aumentaram 8% em janeiro e continuam crescendo em fevereiro. A Nestlé, do outro lado, está indo no mesmo sentido. A Unilever também. O comércio varejista caiu muito pouco.”

A receita tributária de janeiro teve queda real de cerca de 6%. O ministro assinala que “a arrecadação vai crescer menos que em 2008, porque a economia vai crescer menos e os lucro das empresas também. Por isso anunciamos o corte de R$ 37 bilhões no Orçamento deste ano”. Ele avisa, no entanto, que a comparação dos dados fiscais de janeiro de 2009 com o de 2008 não é uma boa medida porque, em 2008, ainda houve cobrança da CPMF e impacto positivo dos lançamentos de ações (IPO). Com isso, a arrecadação superou em R$ 5 bilhões a previsão daquele mês.

“Não estamos preocupados. Nossa arrecadação vai crescer menos, mas, ainda assim, crescerá muito mais do que a da França ou a dos Estados Unidos. Vamos ficar melhor que muitos países do ponto de vista fiscal. Só não digo melhor que a China, mas vamos ficar melhor que Rússia e Índia.”

Para a atividade econômica como um todo, Mantega espera “o primeiro semestre mais fraco e o segundo, mais forte”. Dadas as enormes incertezas que ainda cercam a economia mundial e, consequentemente, a nacional, Mantega apenas diz: “Não vejo taxas negativas (para o PIB que caracterize uma recessão), mas não posso afirmar nada.”

ISRAEL DECLARADO CULPADO POR CRIMES DE GENOCÍDIO

Li hoje no blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha,

“A CONDENAÇÃO É DO TRIBUNAL INTERNACIONAL SOBRE A INFÂNCIA. É A PRIMEIRA SENTENÇA INTERNACIONAL CONTRA OS CRIMES DE GAZA; 450 CRIANÇAS PALESTINAS MORRERAM.

O Tribunal Internacional sobre a Infância declarou, no dia 12 de fevereiro, o Estado de Israel culpado de crimes de lesa humanidade e genocídio contra a infância palestina da Faixa de Gaza, durante os ataques que iniciaram no dia 27 de dezembro de 2008 e duraram 22 dias, matando mais de 450 crianças. Na sentença, o tribunal, formado por promotores internacionais de 11 países do mundo, sendo nove da América Latina, um da África e um da Ásia, denuncia os crimes aberrantes e o avanço sistemático do infanticídio contra as crianças da Faixa de Gaza por parte do exército israelense.

Segundo o tribunal, Israel violou todas as Convenções Humanitárias de Genebra, todas as declarações internacionais de Direitos Humanos e apresentou como método de guerra o ataque à população civil. A sentença é constituída de provas dos ataques à população infantil palestina e da violação das leis internacionais e do estatuto de Roma, com testemunhos de crianças e mães da Faixa de Gaza, junto a assinaturas e petições de milhares de pessoas da América Latina, Europa, África e Ásia.

O organismo destaca ainda que a infância palestina tem vivido sob o genocídio das bombas, das metralhadoras, e da utilização como escudos humanos das crianças por parte do exército israelense. Afirma que 700 mil crianças da região foram submetidas a massacres, assassinatos, a crimes contra a humanidade, ao genocídio, ao bloqueio humanitário, sequestro e à destruição de suas escolas, de seus lares, de suas famílias e de suas casas.

"É a Sentença Moral e Ética em memória das crianças palestinas que morrem em Gaza, pelo menos para devolve-lhes a dignidade que lhes roubaram com esses crimes da barbárie humana, acompanhada por mais de 2.000 assinaturas e petições de organizações e cidadãos de mais de 50 países do mundo que apóiam este Tribunal Internacional de Consciência e solicitam à Corte Penal Internacional e aos organismos internacionais de justiça e direitos humanos da União Européia e da América Latina a abertura de causa e investigação e condenação dos culpados dos crimes", afirma o documento.

Ainda de acordo com a sentença, as violações do direito internacional humanitário devem ser perseguidas e investigadas pelos Estados, em especial pelos Estados parte dos Convênios de Genebra de 1949. O tribunal lembra que Israel é parte desde 1950 do IV Convênio, aplicável à proteção da população civil, mas não investiga nem persegue os atos que são denunciados ante seus tribunais militares e penais.

O mais adequado para a realização do julgamento desses crimes seria a atuação da Corte Penal Internacional, de acordo com a sentença. No entanto, o Estado de Israel não pe parte do Estatuto dessa Corte, permitindo que os crimes de guerra perpetrados em seu território ou por seus nacionais fiquem impunes.”

INTERNET - BASE DE INTERNAUTAS ATIVOS NO BRASIL CRESCE 16% EM JANEIRO.

Li hoje no blog “de um sem mídia”, de Carlos Dória, o seguinte artigo:

ÍNDICE FOI DE 24,5 MILHÕES DE USUÁRIOS RESIDENCIAIS, DIZ IBOPE/NET RATINGS.

BRASILEIRO NAVEGOU EM JANEIRO 24 HORAS E 49 MINUTOS, EM MÉDIA.


O número de usuários residenciais da internet ativos no Brasil em janeiro avançou 16% sobre o mesmo período do ano passado, para 24,5 milhões, informou nesta quinta-feira (19) a empresa de pesquisa Ibope//NetRatings. Além disso, o brasileiro navegou mais no mês passado em relação a dezembro e também na comparação com janeiro de 2008.

Segundo a pesquisa, o usuário residencial de internet no país navegou em janeiro 24 horas e 49 minutos em média, tempo 6,9% maior que o mesmo mês de 2008 e 8,7% acima do registrado em dezembro.

Em dezembro, o tempo médio de navegação havia sido de 22 horas e 50 minutos.

A empresa afirma que o número total de brasileiros que vivem em residências com acesso à web é de 38,2 milhões - se for incluído o acesso fora de casa, o volume cresce para 43,1 milhões. (Fonte:FNDC)”

MÍDIA DISTORCE A VITÓRIA DE CHÁVEZ

Li hoje no site “vermelho” o seguinte artigo de Altamiro Borges. O autor é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição):

“A mídia brasileira, que mais parece uma sucursal dos neocons dos EUA, não engole o presidente Hugo Chávez. Nos editoriais dos jornalões e na "cobertura" das televisões - com exceção para a reportagem imparcial de Rodrigo Viana na TV Record -, o que se viu foi a tentativa de distorcer o resultado do referendo de domingo último, na qual o líder bolivariano obteve a sua 14ª vitória eleitoral em dez anos de governo. Para iludir os ingênuos, ela alardeou que o pleito foi fraudado, que a oposição oligárquica "quase" venceu e que Chávez garantiu "a sua reeleição ilimitada".

O editorial da Folha foi um dos mais deprimentes: "O rolo compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia", afirmou - logo ela que implorou pelo golpe militar no Brasil contra o "perigo comunista" e transportou presos políticos para a tortura. A vitória de Chávez no referendo, segundo sua análise enviesada, decorreu do uso do "dinheiro que fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente" - ela prefere que o recurso público seja usado no subsídio ao papel de suas impressoras. Animada com "a oposição revigorada e ativa", a Folha aposta na diminuição do "conforto de Hugo Chávez".

O FALSO RÓTULO DE "DITADOR"

Outros editoriais revelaram o desconforto da mídia com a vitória de Chávez, num tom bem mais realista do que o rei. Até o "império do mal", agora sob a direção de Barack Obama, procurou suavizar a sua ingerência agressiva, elogiando o processo de consulta democrática. A oposição direitista, que liderou um golpe em abril de 2002, um locaute patronal e várias iniciativas de desestabilização da Venezuela, também reconheceu a derrota. Mas a mídia burguesa, principal "partido do capital", conforme a definição clássica de Antonio Gramsci, ainda esperneia e faz de tudo para manipular a opinião pública. Derrotada nas suas pretensões, ela não perde a pose.

A distorção mais descarada, estampada nas manchetes dos jornais e nas chamadas da TV, é que Chávez bancou "a sua reeleição ilimitada". A manipulação visa carimbar no líder bolivariano o rótulo de "ditador". O referendo, porém, não foi sobre a possibilidade de reeleição do presidente, mas de todos os mandatos. Pela constituição atual, os parlamentares têm direito a duas reeleições - no Brasil não há esta limitação; já os governadores e prefeitos só podem se reeleger uma única vez. A vitória do "si" no referendo garante a possibilidade de reeleição para todos os integrantes do executivo e do legislativo, inclusive os da oposição - e não apenas para Chávez.

Além disso, a emenda constitucional aprovada no referendo não garante a "reeleição ilimitada", mas sim a possibilidade de disputar novamente o cargo. Caso o governante ou deputado frustre as expectativas da sociedade ele poderá ser rejeitado nas urnas. O povo é soberano. O cargo não é vitalício, como insinuam alguns "colunistas" da mídia. Quanto ao uso da máquina pública e do poder econômico, não dá para criticar apenas um dos lados. Os cinco governadores da oposição, filhotes do antigo bipartidarismo oligárquico do país, são mestres no uso da máquina pública. Já a maior parte dos ricos empresários e a mídia golpista nunca desistiram de derrotar Chávez.

A MANIPULAÇÃO DOS MEIOS PRIVADOS

No próprio referendo, o poder manipulador da mídia privada venezuelana ficou patente. Segundo pesquisas do Observatório Mundial de Mídia, encomendadas pelo Conselho Nacional Eleitoral, a campanha contra a emenda obteve 71% da cobertura nos veículos de comunicação. Já o "si" teve 29% dos noticiários. "O desequilíbrio informativo, apontado por órgãos que monitoram a mídia, colocou em desvantagem a campanha do bloco revolucionário, o que desmascara o papel de vítima da oposição", criticou Jesse Chacón, chefe de comunicação do Comando Simon Bolívar.

Outra pesquisa, feita pela Entorno Inteligente, constatou que "de cada 100 artigos publicados na mídia impressa, 77 foram a favor do ‘no' e 23 a favor do ‘si'. Quanto às principais cadeias de televisão, o estudo detectou que 73% das matérias foram a favor do ‘no' e 27% a favor do ‘si'; as emissoras mais equilibradas durante a campanha eleitoral foram a Televen e a Venevisión". Para Jesse Chacón, estes dados demonstram que "se houve algum setor privilegiado na campanha, foi o favorável ao no". Ele também criticou a manipulação dos institutos de pesquisa, que apontaram empate técnico no referendo, sendo que a vitória do ‘si' ficou bem acima da margem de erro.

"PÉSSIMA NOTÍCIA PARA O IMPÉRIO"

Diante destes fatos, por que a mídia burguesa faz tanto escarcéu com o resultado do referendo na Venezuela? Pascoal Serrano, num excelente artigo no sitio Rebelion, mostra que esse alvoroço é despropositado. "Vale lembrar que a reeleição sem limitações é reconhecida por 17 dos 27 países que integram a União Européia, sem que haja gerado polêmicas nem que estes sejam acusados de ditadura ou deterioro democrático. Basta lembrar-se de Tage Fritiof, primeiro ministro da Suécia durante 23 anos contínuos; de Helmut Kohl, chanceler da Alemanha por 16 anos seguidos; ou de Felipe Gonzáles, presidente do governo espanhol durante 14 anos sem interrupção".

Para o renomado sociólogo argentino Atílio Boron, o motivo deste alarde é que a nova vitória de Chávez é uma "péssima notícia para o império" e a oligarquia local. "A emenda constitucional que o povo venezuelano aprovou evidencia o desespero dos adversários, de dentro e de fora, da revolução bolivariana. Eles estão conscientes de que a consolidação da liderança de Chávez e a continuidade de seu projeto reforçam os espaços da esquerda na balança política regional... Os publicistas do império e da plutocracia venezuelana afirmaram que a aprovação da emenda significaria que Chávez iria governar indefinidamente. Fiéis a sua tradição, tergiversaram sobre o que estava em discussão, procurando enganar a opinião publica".

Boron lembra ainda que esta mesma imprensa burguesa nada fala sobre o escandaloso processo que garantiu a reeleição de Álvaro Uribe na Colômbia, "mediante ao suborno de deputados que, com o passar do tempo, confessaram o delito... Quanto à nova proposta de re-reeleição de Uribe, os falsos defensores da democracia, que tanto atacam Chávez, não divulgam que ele aprovou seu projeto numa sessão extraordinária, convocada com extrema urgência, à meia noite, diante da quase total ausência da desprevenida oposição. Mas isto é a democracia [para a mídia burguesa]. A de Chávez, que segue todos os passos que manda a legalidade vigente, é ditadura". “

sábado, 21 de fevereiro de 2009

NYT: EM MEIO À CRISE, CHINA COMPRA COMMODITIES FRENETICAMENTE

O jornal norte-americano The New York Times publicou ontem o seguinte artigo de David Barboza, escrito em Xangai (China) (li no UOL):

A China está aproveitando a crise econômica para comprar freneticamente, investindo em energia e outros recursos naturais que poderão conferir ao país uma vantagem sem precedentes.

Alguns analistas econômicos dizem acreditar que os investimentos da China representam uma ameaça a concorrentes como os Estados Unidos. Na sexta-feira (20/02) a China anunciou a sua mais recente medida: um dos seus grandes bancos estatais, o Banco de Desenvolvimento da China, emprestará US$ 10 bilhões à gigante petrolífera brasileira Petrobras em troca de um compromisso de exportação de petróleo para a China.

Os chineses firmaram acordos semelhantes nesta semana com a Rússia e a Venezuela, o que elevou o total de investimentos de Pequim neste mês no setor petrolífero para US$ 41 bilhões. São investimentos importantes. As reservas de petróleo provavelmente ficarão novamente mais escassas assim que for retomado o crescimento global, e a China conta com uma base de sustentação que não tinha durante o último boom econômico, quando cresceu a um ritmo fenomenal, mesmo contando com acesso limitado a recursos.

Mas alguns analistas afirmam que os recentes investimentos da China são bem-vindos porque eles ajudarão a financiar um desenvolvimento muito necessário, ampliando o fornecimento mundial de petróleo e recursos naturais em um momento em que grande parte dos maiores bancos mundiais reluta em conceder empréstimos.

"É uma boa notícia porque muitos projetos têm sido adiados", afirma Philip Andrews-Speed, diretor do centro de políticas energéticas da Universidade de Dundee, na Escócia. "As companhias petrolíferas poderão agora contar com mais dinheiro para produzir petróleo".

Mas não é apenas petróleo. Neste mês, a maior produtora de alumínio da China concordou em investir US$ 19,5 bilhões na Rio Tinto, uma companhia de mineração australiana que é uma das maiores do mundo. Na última segunda-feira, a China Minmetals fez uma proposta de US$ 1,7 bilhão para a aquisição da OZ Minerals, também da Austrália, uma grande companhia de mineração de zinco.

A China está repleta de reservas monetárias - graças aos trilhões de dólares acumulados durante décadas com a venda de mercadorias ao Ocidente - em um momento em que os mercados de créditos estão apertados e os preços descendentes das commodities deixou as companhias de energia e de recursos naturais desesperadas por dinheiro. Para muitas dessas companhias, a China passou de pária a financiadora de primeira linha.

"Esta é uma diplomacia altamente enérgica", afirma Andrews-Speed. "Se você precisa de dinheiro, vá onde o dinheiro está e, hoje, a China é o local para a obtenção de dinheiro".

O presidente da China, Hu Jintao, viajou nesta semana à África na sua "Turnê de Amizade e Cooperação". A China tem grandes interesses nos recursos e na mineração naquele continente. O vice-presidente, Xi Jinping, visitou a América do Sul, reuniu-se com líderes do Brasil e da Venezuela, e assinou acordos de cooperação nos setores de petróleo e mineração.

A Venezuela contraiu um empréstimo de US$ 6 bilhões junto à China e concordou em ampliar as importações de petróleo ao país asiático, fazendo com que os investimentos totais de Pequim na nação sul-americana chegassem a US$ 12 bilhões. No Brasil, a China assinou um acordo de US$ 10 bilhões, do tipo "empréstimo-por-petróleo", que garante aos chineses um fornecimento de até 160 mil barris diários a preços de mercado.

E, nesta semana, em Pequim, o primeiro-ministro Wen Jiabao reuniu-se com o seu congênere russo depois que a China concordou em emprestar à enorme empresa petrolífera Rosneft, que enfrenta dificuldades, e à companhia de oleodutos Transneft, ambas russas, a quantia de US$ 25 bilhões em troca de 15 milhões de toneladas de petróleo cru por ano durante 20 anos.

Esses investimentos constituem-se nas maiores iniciativas da China desde 2005, quando uma companhia estatal petrolífera chinesa tentou sem sucesso adquirir a Unocal, a companhia petrolífera norte-americana, gerando preocupações quanto à possibilidade de que a China estivesse procurando monopolizar o consumo das reservas globais.

Mas desde aquela época o mundo mudou drasticamente. Os preços das commodities sofreram uma queda acentuada nos últimos meses, após um mercado em alta que foi parcialmente alimentado pela demanda voraz da China por energia e recursos naturais. E a China acumulou quase US$ 2 trilhões em reservas monetárias estrangeiras, o que proporciona ao país acesso fácil a capital.

"O que mudou na China foi o fato de o principal fator competitivo deles, o capital, ter aumentado", afirma Andrew Driscoll, analista de recursos do banco de investimentos CLSA. "Neste momento, muitas companhias estão implorando por capital".

A China deseja contar com reservas confiáveis de petróleo cru para alimentar o seu crescente setor de transportes; o país precisa de minério de ferro para a produção de aço, e de cobre e alumínio para construir residências e bens de consumo.

Os analistas afirmam que ainda há preocupações quanto à possibilidade de a China competir com outras nações, como os Estados Unidos e a Índia, por petróleo e outros recursos naturais.

Segundo os especialistas, a China poderá continuar fechando acordos neste ano no sentido de adquirir pequenas companhias de gás e petróleo, produtoras de minério e firmas de mineração.

Nesta semana, por exemplo, as ações da companhia de mineração australiana Fortescue Metals Group subiram após relatos de que a empresa negociava com a China um grande investimento para ajudar a companhia a expandir as suas operações.

Em muitos casos, a China firmou acordos em nações que contam com acesso a grandes reservas de petróleo e minerais, mas nos quais os países norte-americanos e europeus não se encontram bem posicionados, como partes da África e do Oriente Médio. Em um dos acordos fechados nesta semana, a China fez uma aliança com o governo de Hugo Chávez, o presidente da Venezuela, que condena a liderança norte-americana. Embora os acordos no setor petrolífero anunciados nesta semana variem em escala, os analistas dizem que eles garantem à China um fornecimento constante de petróleo durante as próximas décadas, em alguns casos a preços favoráveis.”

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

QUILOMBOLAS, ALCÂNTARA E REFINARIA

O jornal “O ESTADO DO MARANHÃO” publicou ontem:

MARANHÃO TERÁ REFINARIA ESTE ANO, DIZ LULA

“CONSTRUÇÃO DO EMPREENDIMENTO FOI CONFIRMADA ONTEM PELO PRESIDENTE EM BRASÍLIA, NA REUNIÃO DO CONSELHO POLÍTICO


“A refinaria para o Maranhão sai neste ano. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião do Conselho Político, na manhã de ontem. Ele também informou que já nomeou uma Comissão Especial para resolver os impasses da Base de Alcântara, que teve as atividades praticamente paralisadas com a disputa por terras quilombolas da região. As declarações do presidente foram deferências especiais aos dois maranhenses que integram o Conselho Político: a senadora Roseana Sarney (PMDB), líder do Governo no Congresso, e o deputado Sarney Filho, líder do PV na Câmara.

“O presidente sabe da nossa longa luta pela refinaria e é um grande entusiasta da sua construção, porque sabe como ninguém o que ela representa para o Maranhão e para toda a região vizinha ao estado”, disse Roseana Sarney. Animada com o anúncio feito por Lula, ela detalhava aos líderes a luta que começou nos anos 90, porque todos os estudos demonstram ser o Maranhão o detentor das condições ideais para a instalação dessa refinaria, por sua localização geográfica privilegiada, pela disponibilidade de infra-estrutura de energia, pela oferta de água, pela existência de sistema de telecomunicações, pelas rodovias, ferrovias e complexo portuário que se integram ao conjunto de transporte do chamado Corredor Centro-Oeste.

NOVOS EMPREGOS

“Entre a Bahia e Manaus, existe um quadrilátero de aproximadamente cinco milhões de quilômetros quadrados, com um enorme vazio de produção de combustíveis e sem a presença de nenhuma refinaria. Tecnicamente, o Maranhão poderá muito bem suprir todas as necessidades dessa grande área”, destacou Roseana Sarney, mencionando que a nova refinaria de Petróleo no Maranhão será a maior da América Latina, com capacidade de produção de 600 mil barris de petróleo/dia, gerando 130 mil empregos apenas na fase de construção.

O Maranhão roubou a cena na primeira reunião do Conselho de Político deste ano, quando Lula reuniu a base aliada para informar como o Brasil está enfrentando a crise e o que está fazendo para passar por ela sofrendo o mínimo possível e, principalmente, sem reduzir os investimentos.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram os principais expositores da reunião e reafirmaram aos líderes partidários que a previsão de crescimento, estimada pelo governo para 2009, é de 2% a 3% do PIB. Essa declaração animou os presentes, já que muitos países prevêem resultados negativos neste ano.

MEDIDAS

Para o deputado Sarney Filho, todos os indicadores apresentados por Meirelles e Mantega demonstram sinais de melhora no cenário econômico nos próximos meses. O presidente do Banco Central afirmou que a expectativa é que juros e taxas sejam reduzidos nos próximos meses.

A orientação de Lula para todo o governo é aproveitar a crise para melhorar a posição relativa do Brasil no mundo. Em suas falas, Mantega e Meireles injetaram otimismo nos presentes, destacando que, ao contrário de outras épocas, agora não se diminui salário, mas se aumenta o mínimo; não se cortam investimentos públicos, mas se eleva o volume de investimentos públicos, amplia-se o crédito.

Entusiasmado, o presidente citou como exemplo das medidas já anunciadas para conter a crise os R$ 36 bilhões das reservas que serão usados para a concessão de financiamento para empresas com dívidas no exterior. Ele ainda lembrou que, entre as medidas de estímulo econômico, estão o aumento do ritmo das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e um programa de habitação para famílias com renda até R$ 4 mil.

Roseana Sarney parabenizou Lula pelo esforço diferencial que o país vem fazendo para enfrentar a crise.

BASE UNIDA

O presidente pediu prioridade na votação da reforma tributária e do projeto de Lei do deputado Bernardo Ariston (PMDB-RJ), que cria o cadastro positivo de consumidores. Lula espera que sejam votadas até o final de abril.

O presidente ainda pediu unidade da base aliada, especialmente no caso das negociações para votação de medidas provisórias. E pediu negociação conjunta dessas matérias entre as lideranças da Câmara e do Senado. “A união da base será importante para garantir a governabilidade e a segurança do País nesse momento de crise”, pediu Lula.”

MERVAL PEREIRA E GLOBO A SERVIÇO DO SERRA

Li hoje no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas:

“Quando denunciamos que a mídia – notoriamente a Globo, Folha, Abril e Estado – está a serviço dos tucanos, do Serra, de FHC, aparece sempre alguém para dizer que isso não é verdade, que nós, petistas, queremos que só falem bem do governo Lula.

Ontem, 18/2/09, estava assistindo o Jornal das 10, na Globo News. O jornalista Merval Pereira comentava sobre os gastos do governo Lula no encontro com prefeitos de todo o Brasil. O jornalista apóia o PSDB/DEM, que entrou com uma representação contra o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff.

Toda essa celeuma porque, para receber e orientar mais de 4.000 prefeitos – sobre como usar a verba federal que estava sendo liberada –, o governo Lula gastou algo em torno de 1.6 milhão de reais. Nesse evento foram apresentadas as obras do PAC que serão implantadas nos municípios sob fiscalicalização da ministra Dilma, gerente do PAC. Lula informou que o governo antecipará ao máximo possível as obras já contratadas. Convocou os prefeitos a convencerem os realizadores das empreitadas a fazê-las em dois turnos, sugerindo estimular a "sensibilidade" dos empresários nesse momento.

O presidente Lula também anunciou aos prefeitos a medida provisória que renegocia as dívidas das prefeituras com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em até 20 anos. Só a dívida dos municípios com o INSS soma cerca de R$ 14,5 bilhões. Durante o encontro, Lula também anunciou uma linha de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 980 milhões para a compra de máquinas e equipamentos pelas prefeituras com obras financiadas pelo PAC.

Medidas que vão ajudar os municípios, os prefeitos, a enfrentar a crise mundial, medidas que vão gerar empregos e renda, que vão trazer muitos benefícios à população desses municípios.

O jornalista Merval Pereira nem se deu ao trabalho de relatar o que foi tratado nesse evento.

Mas cadê que o Merval Pereira falou dos gastos de publicidade do governo Serra, principalmente com as propagandas da SABESP no Nordeste?

Todo o Brasil sabe que SABESP é uma empresa de água e saneamento básico do Estado de SP, e que seu maior acionista é o governo do Estado de SP. Cada Estado tem a sua companhia de água e saneamento básico. Não adianta fazer propaganda da SABESP em outro Estado, cuja população não é e nem vai ser beneficiada pela SABESP.No estado de SP a SABESP atende 60% da população do Estado, prestando serviços a 366 dos 645 municípios. Esses dados estão no site da SABESP. Nem no Estado SP ela detém 100% de atendimento – e vai fazer propaganda em outros Estados, do Nordeste?!

Essas propagandas feitas pelo governo Serra, na Globo, custaram aos cofres públicos, conforme divulgou o Estadão, 7,4 milhões de reais, seis vezes mais do que gastou o governo Lula no evento com prefeitos de todo Brasil.Mas o Merval Pereira não abriu a boca para criticar o desperdício de Serra porque esse dinheiro foi pago à Globo, pela publicidade na telinha, e vai garantir o seu salário e os salários de todos os jornalistas da Globo. Não é importante que a vultosa soma seja de dinheiro público, dinheiro dos contribuintes de SP. A propaganda nos estados fora de SP é enganosa, é eleitoreira. Serra está fazendo uso do dinheiro público para se promover, fazendo campanha antecipada para 2010, mas o Merval Pereia e Globo se calam. Deixa quieto.”

OBAMA: CHEGA DE LISTAS

Li hoje no site Carta Maior o seguinte artigo escrito pelo filósofo e cientista político Emir Sader:

“Se Obama quer restabelecer o mínimo respeito dos outros países com os EUA, deve simplesmente fazer com que seu país aja um dos tantos países que existem no mundo. Com os direitos e obrigações de todos.

Para isso tem, em primeiro lugar, que abandonar esse mito de que os EUA nasceram com a missão de levar a democracia e a liberdade ao resto do mundo. Não apenas é uma falácia, como suas conseqüências são perigosas e se chocam os direitos de cada país de construir sua própria história. O sistema norte-americano pode ser elogiado ou criticado, conforme quem o analise, mas não deve estar isento dessas análises e menos ainda pode se atribuir imunidades e destinos privilegiados.

Deve terminar com a mania norteamericana de julgar os outros países e tratar de submetê-los a seus critérios. Como exemplos: nos anos 90, os EUA costumavam publicar, uma vez por ano, uma lista de países que estariam colaborando ou não (com os EUA, com a DEA) na luta contra o narcotráfico. Criava-se uma expectativa, como se o governo norteamericano tivesse alguma virtude particular para fazer essa classificação.

Na realidade, ao contrário, era e continua a ser, de longe, o maior mercado consumidor de drogas do mundo, o que induz a que em países pobres se produza matérias primas para esse consumo – como a folha de coca, por exemplo -, em função desse mercado, o mais rico do mundo. Os EUA insistem nessa classificação – hoje com bastante menos repercussão – e na extradição de traficantes para serem julgados nos EUA, quando eles mesmos, território da maior rede de tráfico e consumo de drogas do mundo, não tenha nenhum traficante preso, menos ainda a imensa rede bancária devassada, rede indispensável para que um circuito tão imenso de recursos circule acompanhando o narcotráfico.

São assim os EUA o país menos idôneo para julgar os outros, se nem sequer fazem campanhas para diminuir o consumo de drogas, que só aumenta, continuando a induzir a produção e o tráfico, multiplicados mais ainda pela política de proibição até mesmo do consumo de drogas leves, postura que concilia os interesses dos traficantes, das políticas e do governo dos EUA, que usa o tema de forma propagandística, para esconder suas responsabilidades e reiterar seu conhecido mecanismo de culpar os outros pelos seus problemas.

Que Obama termine de vez com essa malfadada lista anual, que não utilize seus critérios míopes sobre responsabilidades no tráfico – na economia, gostam de dizer que as demandas do mercado induzem a produção, mas subtraem o imenso comércio e a produção de drogas desse raciocínio, que os culparia gravemente – para impor sanções no comércio com outros países - como ocorreu recentemente com a Bolívia, depois da expulsão do embaixador dos EUA, por imiscuir-se em assuntos internos daquele país. E que desenvolva campanhas e outras políticas para diminuir o consumo de drogas em um país em que esse consumo parece inerente, pelo tipo de vida que levam os norteamericanos, fazendo com que drogar-se, de uma ou outra maneira, seja indispensável para suportar o “modo de vida norteamericano”.

Na década atual, outra lista – igualmente malfadada – passou a ter mais destaque, igualmente elaborada pelos EUA, igualmente indevida e igualmente para jogar sobre outros as responsabilidades dos seus problemas. Trata-se da lista de supostos governos, países e forças políticas consideradas “terroristas”, pelo país que mais protagonizou invasões de outros países, pelo país que segue, sem mandato da ONU, invadindo o Iraque, que acaba de decidir mandar mais 17 mil soldados para perpetuar a invasão do Afeganistão, iniciada há mais de 7 anos, sem prazo para acabar e sem resolver nenhum dos problemas daquele país, ao contrário, agudizando-os. Pelo país que arma a Israel para que esta continue a ocupar os territórios palestinos, a massacrar impunemente à população daquele país e a impedir a fundação do Estado palestino, contrariando a decisão das Nações Unidas. País que arma a Colômbia para que siga a militarização do conflito naquele país, que desloca a milhões de pessoas, produz a morte de centenas de milhares, sem nenhuma perspectiva de paz, conforme os EUA sigam apoiando a política de guerra de Uribe.

Chega de lista de supostos “terroristas”, que busca criminalizar a governos e a movimentos políticos, lista elaborada pelo maior produtor de armas e de guerras no mundo. Se quer virar a página da “doutrina Bush”, que tanto desprestigiou aos EUA, que Obama rasque essa lista e se relacione com governos e movimentos políticos como interlocutores políticos.

Que tire imediatamente suas tropas da base cubana de Guantánamo e devolva o território ao governo de Cuba, terminando com a vergonhosa ocupação que já transcorre há mais de um século e que representa a mais significativa prova da prepotência imperial dos EUA. Que o faça imediatamente e normalize as relações com Cuba. Que pare de fazer acusações e de lançar grosseiras qualificações sobre governos legitimamente eleitos e confirmados pelos povos do continente – entre eles especialmente os da Bolívia, da Venezuela, de Cuba e do Equador.

Se quer ser tratado como um país como os outros, que não se reserve privilégios, que assine os acordos internacionais sobre minas terrestres, que não apele para que governos subtraiam aos militares norteamericanos dos tribunais internacionais de crimes de guerra – fazê-lo é por si só uma confissão de que realizam sistematicamente esses crimes. Que se inclua no Tribunal Internacional contra crimes de guerra, se quer demonstrar que não comete esses crimes. Que saia de imediato do Iraque, que tire e não mande novas tropas do Afeganistão, que deixe de apoiar ao Estado genocida de Israel e à guerra de extermínio que desenvolver contra os palestinos. Que termine com a Operação Colômbia, que favoreça uma negociação pacífica para o fim da guerra colombiana.

Em suma, que se comporte como um país como os outros, se quer ganhar o respeito dos outros. Será difícil fazê-lo, porque os EUA se constituíram como potência mundial na qualidade de um imenso império. Mas que revela desejo de superar seu triste dossiê de juiz e carrasco do mundo, para que esse mundo possa devotar-lhe o mínimo respeito. Obama pode avançar nessa direção ou repetir a prepotência imperial. Em cada caso estará semeando reações distintas dos nossos países. Não prometemos tirá-lo da nossa lista de cabeça imperial do mundo, mas de colocar nossas relações em um nível de respeito mútuo.”

DISCRIMINAÇÃO RACIAL OFICIALIZADA PELA DIREITA ITALIANA

Li hoje no site “Vi o Mundo” o seguinte texto escrito por Andrea Palladino, em “O Malfazejo. A autora nasceu na Itália, é jornalista e documentarista, tem feito trabalhos na América do Sul, como os Direitos Humanos no Brasil e a questão da demarcação das terras da Raposa Serra do Sol:

EM ROMA, CIGANOS FICHADOS COMO BANDIDOS

“Os Rom são uma etnia cigana. Concentram-se em campos nômades na região do Lácio, que fica perto de Roma. O novo secretário da cidade, nomeado pelo governo Berlusconi, deve anunciar em breve um novo regulamento para os ciganos da região.

O secretário de segurança afastado em 2008 deixou o cargo porque havia se recusado a fichar os ciganos como se fossem delinqüentes. Cerca de 500 mil ciganos foram exterminados na Europa na Segunda Guerra.

O REGULAMENTO DO CAMPO

Faltam dois dias, estão passando o óleo nos portões, colocando o arame farpado, escondendo os fornos. Dois dias, quarenta e oito horas. As últimas duas noites para receber os parentes, para aquecer-se na frente do fogo, para cantar, aproveitar a vida, fazer amor com as próprias mulheres e homens, deixar que as crianças brinquem. Poucas horas e o secretário de segurança de Roma, Pecoraro, assinará o regulamento do campo.

Nomearam-no por isso mesmo, o secretário anterior era um molenga, digamos a verdade. Agora, às dez da noite, fecharão o campo. Ninguém poderá entrar, ninguém sairá. Os canhões de luz e os militares com os fuzis desfilarão na frente dos muros, dos arames farpados. Nenhum parente, nenhuma amante. Querem o silêncio.

O novo regulamento do campo proíbe tudo. Não podes te afastar por mais de 6 meses, se roubas uma maçã no supermercado deverás vagar para sempre sozinho, fora dos campos. Não podes fazer fogo, porque polui. Nenhum carro, nada de motos. Todos fichados, todos os visitantes identificados. Nos bancos de dados da polícia constará: "Chegado ao campo no dia 20 de fevereiro de 2009, às 16.51″.

Imaginem ao menino rom que convida um colega de escola em casa, para fazerem juntos as tarefas: "lembre de trazer a carteira de identidade". E nada de jantar, porque às 22h, visitantes fora.

Regulamentos, normas, códigos. Para serem anotados e respeitados. E quem errar irá embora para sempre, abandonará a família, o camper, a vida. À segurança interna se ocuparão os novos kapo, os vigias armados. Serão eles que deverão intervir se alguém levanta a voz, se suspeitam que aquele cobre na frente do barracão possa ter sido roubado.

Mesmo a prisão, os Rom do Lácio deverão pagá-la. Farão pedido à prefeitura, pagarão o aluguel, a água, os impostos, a luz. Quem não pagar é melhor que não apareça no campo.

Serão zumbis que caminharão nas nossas estradas. Fora dos campos, fora dos países do leste, onde os primos dos fascistas italianos os perseguiram, os incendiram, os insultaram.

Fora das cidades, fora das escolas do centro, fora de Roma.”

POR QUE O SERRA PODE, A DILMA, NÃO?

Li hoje no blog Vi o Mundo” do jornalista Azenha:

“Para Antonio Arles, secretário do Movimento dos Sem Mídia (MSM) e leitor do Viomundo, os tucanos acusaram o golpe após as pesquisas revelarem o crescimento da candidatura à presidência da ministra Dilma Rousseff..

É a sua explicação para o DEM e PSDB terem entrado ontem com ação no TSE contra Lula e Dilma. Desde que leu a notícia abaixo no Terra, Arles (MSM) só se faz esta pergunta: "Aparecer nas obras do PAC ou em reuniões com prefeitos não pode, mas fazer propaganda da SABESP e do Rodoanel no Brasil inteiro pode? Francamente..".

E você, o que acha?

DEM E PSDB VÃO AO TSE CONTRA LULA E DILMA

Marina Mello e Laryssa Borges

O partido Democratas (DEM) e o PSDB recorreram oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na manhã desta quarta-feira, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. A oposição avalia que Lula e Dilma cometeram infração eleitoral e anteciparam a campanha presidencial de 2010.

Para os dois partidos, o governo federal tem utilizado projetos em andamento, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para fortalecer o nome de Dilma no cenário nacional. Também foi questionado o evento para prefeitos promovido no último 10 de fevereiro, em Brasília.

Na consulta encaminhada ao TSE, as legendas oposicionistas, por meio do presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), questionam se "constitui propaganda eleitoral extemporânea a realização de eventos que, a pretexto de difundirem os feitos de gestões governamentais em andamento, buscam impulsionar a pré-candidatura de determinados agentes públicos".

A ESTRATÉGIA JARBAS

Li hoje no site “Conversa Afiada” o seguinte texto postado originariamente no blog do Nassif:

Não é difícil entender as razões por trás da entrevista do senador Jarbas Vasconcellos à revista Veja.

Na entrevista ele acusa seu partido, o PMDB, de abrigar corruptos e lutar por cargos. Faltou explicar onde está a novidade.

No governo FHC, esse mesmo PMDB, tendo como pontas-de-lança o Ministro dos Transportes Eliseu Padilha e Gedel Vieira Lima, uma seleção enriquecida por Gilberto Miranda e outros notáveis, negociou cargos, benesses e massacrou Itamar Franco na convenção do partido. E os episódios ocorreram nos tempos em que Jarbas era dos grandes nomes do partido. É o mesmo PMDB de agora, com os mesmos personagens de antes.

O papel do PMDB e as formas de cooptá-lo fazem parte do know-how de governabilidade criado por FHC e apropriado por Lula. Então, qual a razão da indignação tardia de Jarbas? É aí que se entra na parte mais interessante da entrevista: a maneira como foi preparada.

Na semana passada Lula colocou o bloco de Dilma na rua. O fato veio acompanhado da divulgação das pesquisas de popularidade do governo, da constatação de que as medidas anticíclicas começam a dar certo, do encontro de prefeitos.

Esse início, aparentemente avassalador, assustou o PSDB. Serra ensaiou seu PAC contra a crise (cinco meses depois da crise deflagrada!). E, em reunião na casa de FHC, decidiu-se, de um lado, acirrar os ataques ao governo no Congresso, dificultando a aprovação de medidas. De outro, criar um fato político que contrabalançasse o jogo. Não havia denúncias à mão. As grandes denúncias ficaram no primeiro governo Lula. As denúncias-tapioca não pegam mais.

EM TEMPO:: Em entrevista ao Terra Magazine, reproduzida no portal Vermelho, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) reafirma as denúncias do senador Jarbas Vasconcelos.
Simon, entretanto, diz que a argumentação de Jarbas de querer discutir a corrupção dentro do PMDB se enfraquece no momento em que ele declara voto em Serra. Apoiar Serra, diz o senador gaúcho, é prestar um “desserviço” ao país.”

QUEM BATE RECORDE: ARRECADAÇÃO OU CARGA TRIBUTÁRIA?

Este blog, na postagem de 26/05/2008, já tratou dessa confusão que, capciosamente, a oposição e a grande imprensa tucanodemo fazem.

Repito trecho da postagem:

(...) A extinção da CPMF pelo Congresso no final do ano passado e o término da sua inerente fiscalização pela Receita Federal foram considerados pela oposição uma “vitória histórica”. Ela trouxe regozijo aos que mais movimentam dinheiro no país, como empresários, instituições financeiras, narcotraficantes, sonegadores, parlamentares, corruptos. Era o único imposto que eles não conseguiam sonegar.

(...) Mais recentemente, parlamentares, principalmente da base aliada, defenderam a criação de um imposto (0,1%) destinado à Saúde Pública (CSS), com semelhante poder de fiscalização sobre movimentações financeiras como o daquela extinta CPMF.

Isso foi o suficiente para que as redes de TV, os jornais e os partidos da oposição lançassem uma campanha sobre “a alta carga tributária brasileira”. “O povo não aceita mais impostos”, dizem com pena dos pobres os dirigentes da FIESP e do PSDB e DEM.

A desculpa da “pesada carga tributária”, contudo, não resiste a uma análise.

1) Primeiro, a oposição e a mídia lançam confusão entre carga e arrecadação tributárias. O erro já se instala quando se considera "carga tributária" como sendo a mesma coisa que "arrecadação tributária" em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). A carga tributária estabelecida pela legislação fiscal pode, por exemplo, continuar estática e a arrecadação tributária, por sua vez, pode aumentar muito com o combate à evasão e à sonegação.

2) Segundo, porque essa nossa carga é semelhante até a dos países mais ricos e com infra-estruturas e serviços já implantados, que não necessitam para isso tantos investimentos como o Brasil.

Usando dados da OCDE para 2005, podem ser reunidos alguns países membros em três grupos: o dos países ricos, com carga tributária média de 41,8% (Suécia (51,2%), França, Reino Unido e Alemanha); o dos países intermediários, com carga tributária média de 34,9% (Itália, Hungria, Espanha e Coréia do Sul); e o das economias emergentes, com carga tributária média de 33,8% (República Tcheca, Grécia, Portugal, Turquia e Eslováquia). Nos Estados Unidos é diferente. Há maior dependência do Imposto de Renda, principalmente das pessoas físicas, ao passo que as tributações sobre folha de pagamentos e sobre vendas vêm em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Nesse modelo, a carga tributária é mais baixa, com carga de impostos de 26,8% do PIB.

O Brasil, com carga tributária de 33,4%, escolheu o modelo europeu, típico de países que optaram pelo "welfare state".

3) Terceiro, porque é hipocrisia do PSDB e PFL-DEM. Eles sim, quando no governo, elevaram fortemente a carga tributária. Relembremos a evolução da arrecadação tributária geral (% do PIB) desde 1986 (dados da Receita Federal):

1986 - 22,39% ; 1987 - 20,28%; 1988 - 20,01%; 1989 - 22,16%; 1990 - 29,91%; 1991 - 24,61%; 1992 - 25,38%; 1993 - 25,09%; 1994 - 28,61%; 1995 - 28,92%; 1996 - 27,29%; 1997 - 27,47%; 1998 - 29,33% ; 1999 - 31,64%; 2000 - 32,84%; 2001 - 33,68%; 2002 - 35,84%; 2003 - 35,54%; 2004 - 36,80%; 2005 - 37,82%; 2006 - 37 ,00%; 2007 - 38,20%; E agora, segundo a imprensa, 2008 – 38,90% (36,54%; ver abaixo).

Esses índices significam que FHC/PSDB/DEM receberam o governo com o índice 25,09% e entregaram-no com 35,84%; um aumento de 42,85%!

O governo Lula recebeu com 35,84% e agora teria alcançado 38,90%; um aumento de 8,54%”.

Porém, segundo divulgado domingo 16/02/2009 pela Folha de São Paulo, jornal da oposição ao atual governo, persiste a confusão “Carga” x “Arrecadação”:

CARGA TRIBUTÁRIA CHEGA A 36,54% DO PIB E BATE RECORDE EM 2008

“A carga tributária bateu recorde em 2008 ao representar 36,54% do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado está um ponto percentual acima do registrado em 2007, informa reportagem de Gitânio Fortes na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Para o ano passado, estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) usou como referência a arrecadação de R$ 1,056 trilhão para um PIB estimado em R$ 2,890 trilhões.

O levantamento mostrou que a carga tributária tem crescido ano a ano desde 2004. O último ano em que houve recuo em relação ao PIB foi 2003, quando ficou em 32,54%. Para este ano, o IBPT avalia que a arrecadação tributária está em declínio, a exemplo do PIB.

"Isso quer dizer que o governo avança cada vez mais na riqueza nacional, sem que isso revele efetivamente um aumento substancial da qualidade do serviço público", afirma o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, coordenador do estudo. A Receita Federal não se manifestou.”

LUCRO DO BANCO DO BRASIL CRESCE 74% EM 2008 E BATE RECORDE

Ontem, li no UOL a seguinte notícia divulgada pela Folha Online:

“O lucro do Banco do Brasil em 2008 registrou um crescimento de 74% em relação ao de 2007 e ficou R$ 8,8 bilhões, estabelecendo um novo recorde. No quarto trimestre do ano passado, o crescimento do lucro foi de 142% sobre o mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 2,9 bilhões. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira.

O Bradesco, em 2007, teve um lucro de R$ 8,010 bilhões, enquanto o lucro do ano passado, divulgado no início deste mês, foi de R$ 7,620 bilhões --4,87% menor que o do ano anterior. O lucro do Itaú, por sua vez, praticamente dobrou em 2007, com um crescimento de 96,66%, ficando em R$ 8,474 bilhões --os resultados do Itaú referentes ao ano passado ainda não foram divulgados.

Segundo o banco, a alta do lucro foi impulsionada pelo maior crescimento da carteira de crédito do grupo desde 2000. A carteira de crédito doméstica cresceu 40,4% em 12 meses e 10,8% no trimestre, superando o crescimento da indústria, de 6,5% no trimestre e 31,1% em doze meses.

O crédito a pessoas físicas cresceu 52,5% em um ano e 12,4% na comparação trimestral, chegando a R$ 48,8 bilhões. Os principais destaques foram o CDC Consignação e o Financiamento a Veículos, com crescimento em 12 meses de 48,4% e 120,7% respectivamente. Com saldo de R$ 17,626 bilhões ao final do trimestre, o crédito consignado se consolida como carro-chefe do crédito à pessoa física no Banco.

O crédito total a pessoas jurídicas (segmentos de microempresas e de médias e grandes Empresas) atingiu R$ 97,192 bilhões, expansão de 48,4% em relação ao quarto trimestre de 2007 e de 13,9% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, com destaque para as linhas de capital de giro e investimento, que tiveram crescimento em 12 meses de 73,5% e 43,4% respectivamente. Ajustando o efeito das incorporações e carteiras adquiridas, o crescimento na carteira de pessoa jurídica teria sido de 48,2% no ano.

Os ativos totais do BB cresceram 14,1% no trimestre passado e 38,2% em 12 meses, alcançando R$ 507,3 bilhões. A carteira de crédito alcançou R$ 224,8 bilhões, expansão de 39,9% em 12 meses e de 11,2% no trimestre. Incluindo garantias prestadas e os títulos e valores mobiliários privados, a carteira de crédito atingiu R$ 237,2 bilhões, crescimento de 11% no trimestre.

O banco destacou a compra no ano passado do Banco do Estado do Piauí (BEP), por R$ 81,7 milhões, e do Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), por R$ 685 milhões. O Banco do Brasil também fechou a compra da Nossa Caixa --que pertencia ao Estado de São Paulo-- por R$ 5,386 bilhões.”

PAIOL DA AERONÁUTICA COM PÓLVORA E ARMAS EXPLODE

Li ontem na Folha de São Paulo a seguinte reportagem de Fábio Amato, da agência Folha, em São José dos Campos, e Matheus Pichonelli, da agência Folha:

“MORADORES DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS RELATARAM TER OUVIDO BARULHO MUITO FORTE

Após três explosões, uma pessoa ficou levemente ferida, um vigia chegou a desmaiar e funcionários tiveram de evacuar o prédio

Uma série de explosões em um dos paióis de armas do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos (91 km de São Paulo), deixou uma pessoa levemente ferida ontem à tarde.

Testemunhas relataram que o barulho provocado por elas foi muito forte e pôde ser ouvido em diversos pontos da cidade. A fumaça também podia ser vista à distância.

"Ouvimos três explosões muito fortes. Em seguida, recebemos a ordem para evacuar os prédios e nos mandaram para casa", disse um funcionário do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço) ouvido pela reportagem que não quis se identificar.

O paiol fica dentro do IAE, braço da instituição responsável por projetos como o do desenvolvimento do VLS (Veículo Lançador de Satélites).

De acordo com o CTA, havia pólvora e armamentos dentro do local atingido. Não foi informada a quantidade. No momento da explosão ninguém estava dentro do local. Um vigia que estava do lado de fora desmaiou, mas não se feriu. Uma pessoa ficou levemente ferida com escoriações provocadas por estilhaços de vidro.

"TUDO TREMEU"

Minutos após a explosão, a região próxima ao CTA foi tomada por vizinhos e curiosos em busca de informações sobre o que estava ocorrendo.

"Nunca vi uma coisa assim. Foi horrível. A rua inteira estremeceu. Na hora pensei que um avião tivesse caído", disse Joaquim Ribeiro, 55, dono de uma loja de autopeças vizinha ao CTA.

Na hora do estouro, cerca de 30 clientes de um restaurante vizinho dali saíram para ver o que acontecia. Uma funcionária, que estava em um escritório, pensou que se tratava de alguém tentando invadir o local com socos e pontapés.

"Em uma hora, deu pra ver uma peça do tamanho de um carro voando na altura de um prédio grande. Tudo tremeu", disse o gerente do restaurante, Jaede de Toledo Santos, 30.

A Aeronáutica informou que deu início às investigações para descobrir o que provocou as explosões. O Corpo de Bombeiros informou que enviou para o local quatro carros e 11 homens, que atuaram no combate ao incêndio que atingiu a mata ao redor do paiol. O fogo foi contido ainda ontem à tarde.”

No site da Aeronáutica encontrei, sobre o mesmo tema, a seguinte nota:

INCIDENTE EM PAIOL NO CTA EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O Comando da Aeronáutica informa que, hoje (18/02), por volta das 14h15, houve uma seqüência de queima de materiais explosivos em um dos paióis do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP). Uma pessoa teve escoriações leves.

Por medida de prevenção, o CTA isolou a área do paiol atingido e evacuou os militares e civis que estavam em instalações nas imediações. O Corpo de Bombeiros foi acionado para apoiar as equipes do CTA de combate à incêndio no atendimento da ocorrência.

O Comando da Aeronáutica iniciou os procedimentos necessários para investigar as circunstâncias do incidente.

Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, Chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica”

A COOPERAÇÃO BRASIL-CHINA NA ÁREA ESPACIAL

A Folha de São Paulo de ontem publicou o seguinte artigo de Celso Amorim e Sergio Machado Rezende. Os autores são: Celso Amorim, diplomata, doutor em ciência política pela London School of Economics (Inglaterra), ministro das Relações Exteriores. Sergio Machado Rezende, físico, doutor em física pelo MIT (EUA), professor titular licenciado da Universidade Federal de Pernambuco, ministro da Ciência e Tecnologia. Foi presidente da Finep (Financiadora Nacional de Estudos e Projetos) e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco.

BRASIL E CHINA JÁ LANÇARAM OS SATÉLITES CBERS EM 1999, 2003 E 2007; AGORA, DEVEM LANÇAR O CBERS-3 EM 2011E O CBERS-4 NO ANO DE 2014

“Desde o restabelecimento das relações diplomáticas, em 1974, o Brasil e a China têm passado por um processo contínuo de aproximação, que ganhou nos últimos anos uma escala sem precedentes, em especial nas áreas de comércio e de ciência e tecnologia.

A troca de visitas de alto nível tem sido, ao mesmo tempo, um reflexo e um fator dessa intensificação das relações bilaterais. Receberemos no Brasil nesta semana o vice-presidente chinês, Xi Jinping. Em maio próximo, o presidente Lula deverá voltar à China, na sequência de uma série de visitas recíprocas realizadas por ele e pelo presidente Hu Jintao.

Foi nesse contexto de maior proximidade política que o comércio bilateral cresceu a um ritmo impressionante nos últimos anos. A corrente de comércio entre os dois países passou de US$ 6,6 bilhões, em 2003, para US$ 36,5 bilhões, em 2008, com um crescimento de mais de 550%, quando a expectativa dos dois governos era atingir o valor de US$ 30 bilhões apenas em 2010. A China já é a segunda maior parceira individual do Brasil na área de comércio, depois dos EUA.

Os resultados também são expressivos em outros setores e, em particular, em ciência e tecnologia, área crucial para o desenvolvimento dos dois países. Na sequência de uma visita do então ministro Renato Archer a Pequim, em 1986, o Brasil e a China estabeleceram, dois anos depois, uma parceria para a construção, o lançamento e a operação dos satélites CBERS (sigla, em inglês, de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), que, ainda hoje, representa o maior projeto de cooperação conjunta na área de ciência e tecnologia entre países em desenvolvimento.

Ao romper com o padrão de propriedade individual de satélites de sensoriamento remoto, o programa CBERS permitiu aos dois países produzir dados e imagens de seus territórios a custo reduzido. O programa insere-se na estratégia de utilizar a tecnologia espacial como instrumento a serviço do desenvolvimento sustentável, pois é fonte de dados para a formulação de políticas públicas em áreas como monitoramento ambiental, desenvolvimento agrícola e planejamento urbano.

O CBERS é reconhecido como um dos principais programas de sensoriamento remoto do mundo. Brasil e China já lançaram os satélites CBERS-1, em 1999; CBERS-2, em 2003; CBERS-2B, em 2007; e devem lançar o CBERS-3, em 2011, e o CBERS-4, em 2014. Isso promove a inovação na indústria espacial brasileira e gera empregos em setor estratégico.

O Brasil tem fornecido a estrutura mecânica dos satélites, o sistema de geração de energia e o sistema de coleta de dados e telecomunicações.

No último dia 15 de janeiro, após operar por mais de cinco anos (mais de duas vezes e meia o tempo inicialmente previsto), o satélite CBERS-2 encerrou os seus trabalhos.

Nesse período, superou as expectativas ao gerar mais de 175 mil imagens que serviram para monitorar o ambiente e controlar desmatamentos, bem como avaliar o estado de áreas agrícolas e a ocupação de centros urbanos.

Sempre dispostos a compartilhar os benefícios sociais do sensoriamento remoto com o mundo em desenvolvimento, o Brasil e a China estenderam o acesso das imagens e dos dados aos seus parceiros. Com o CBERS-2, o Brasil tornou-se o maior distribuidor de imagens de satélite do mundo, fornecendo gratuitamente, pela internet, desde junho de 2004, mais de meio milhão de imagens para cerca de 20 mil usuários. A China também adota política similar e já distribuiu mais de 200 mil imagens.

Os países da América do Sul ao alcance das antenas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em Cuiabá, são os mais beneficiados por essa política. Em 2007, o Brasil e a China decidiram fornecer as imagens do CBERS também aos países da África. Dessa forma, os governos e as organizações do continente africano podem monitorar desastres naturais, desmatamentos, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública.

É essencial a manutenção de um programa espacial ágil e eficaz, voltado para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida de todos os brasileiros. Os 20 anos bem vividos do CBERS, que celebramos desde 2008, e a sua continuidade com os próximos satélites são a certeza de que teremos mais avanços e benefícios para o Brasil, a China e os demais países em desenvolvimento nos próximos 20 anos.”

HELIO JAGUARIBE: “O JARDIM ANTROPOLÓGICO É UMA INSENSATEZ”

O jornal Folha de São Paulo publicou no ano passado (27/04/2008) um artigo de Hélio Jaguaribe, que hoje é oportuno para o debate sobre “líderes” de “quilombolas” que impedem o desenvolvimento espacial brasileiro em Alcântara e sobre interesses estranhos que impedem a construção de usinas hidrelétricas no Brasil utilizando-se como camuflagem a “política indigenista” no Brasil.

O autor é sociólogo, decano emérito do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (RJ), membro da Academia Brasileira de Letras e autor de, entre outras obras, "Um Estudo Crítico da História". Em 1946, Jaguaribe graduou-se na área de Direito, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Em 1983 recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johanes Gutenberg, na cidade alemã de Mainz. Nove anos depois, em 1992, foi a Universidade Federal da Paraíba que lhe deu o mesmo título. Recebeu também o grau pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Em 1964, Jaguaribe criticou publicamente o golpe militar que derrubou o governo do então presidente da república, João Goulart. Por causa disso, Jaguaribe saiu do Brasil, indo morar nos Estados Unidos. Lá, lecionou em três instituições. São elas: Universidade de Harvard (de 1964 a 1966); Universidade de Stanford (de 1966 a 1967) e Massachusetts Institute of Technology (MIT) (de 1968 a 1969). Jaguaribe retornou ao Brasil em meados de 1969.

“AS TERRAS INDÍGENAS SÃO UMA AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL?

O “JARDIM ANTROPOLÓGICO” É UMA INSENSATEZ


“Todos os países americanos se confrontaram com a questão indígena. É indiscutível que em todos eles a relação entre europeus colonizadores e a população nativa foi originariamente conflituosa. Esse conflito conduziu ao extermínio das populações costeiras (Brasil), levando os nativos a se refugiarem no interior remoto de cada um desses países.

É a partir, sobretudo, do século 19 que se diferenciam a conduta dos europeus e a de seus descendentes nas Américas. Nos EUA, a opção da população branca foi o extermínio dos nativos: "a good indian is a dead indian".

O Brasil não teve política indigenista até o início do século 20. O índio foi romantizado por José de Alencar e outros. Mas a conduta real, por parte dos que se adentraram pelo Oeste, foi de espoliação das terras indígenas, com violenta expulsão dos nativos.

A política indigenista no Brasil não foi, originariamente, formulada pelo governo federal, e sim por esse grande pioneiro que foi o general Rondon.

Encarregada da extensão das linhas telegráficas até Cuiabá, a Missão Rondon, como foi designada, se defrontou com as populações indígenas do interior do país. A política adotada por Rondon foi a de total respeito aos índios, reconhecidos como legítimos proprietários das terras.

Meu saudoso pai, general Francisco Jaguaribe de Mattos, então jovem capitão, foi o geógrafo e cartógrafo da missão. Dele tenho narrativas diretas de como se procedia então. Seus membros, nos freqüentes encontros com os índios, os abordavam pacificamente, incorporando os que desejassem. O lema de Rondon era: "Morrer se necessário, matar, nunca".

A política indigenista de Rondon partia do suposto de que o índio era o brasileiro nativo, que devia ser tratado respeitosamente pelos civilizados e induzido, pacificamente, a se incorporar à cidadania, recebendo conveniente educação e assistência.

A República manteve a política indigenista de Rondon. De acordo com suas idéias (ele mesmo tendo ascendência indígena), estimava-se que, gradualmente, a total população indígena, ora da ordem de 700 mil entre 190 milhões de habitantes, seria incorporada à cidadania brasileira.

Em anos mais recentes, a política indigenista brasileira passou a ser orientada por etnólogos. Estes, diversamente de Rondon, não intentavam a pacífica incorporação do índio, mas a preservação das culturas indígenas. Para isso, adotou-se a prática da delimitação de amplas áreas nos sítios povoados por índios, como reservas.

A política de reservas vem sendo aplicada sem levar em conta os imperativos de defesa nacional, o que ocorre nos diversos casos em que elas se estendem até nossas fronteiras com países vizinhos. As autoridades militares têm alertado o governo, com toda a razão, sobre o perigo da prática.

Por essas e outras razões, a política indigenista brasileira requer uma urgente a ampla revisão. Desde logo, independentemente da nova orientação que se lhe dê, é preciso estabelecer uma faixa que acompanhe as fronteiras do Brasil com outros países e dela excluir as reservas indígenas. Em termos mais amplos, importa questionar: que objetivos deve ter tal política, ademais da proteção do índio?

Por outro lado, a perpetuação de culturas nativas, em que se fundamenta, no Brasil, a política de reservas, carece de sentido. Em termos antropológicos, pois é impossível sustar o processo civilizatório. As populações civilizadas do mundo são descendentes de populações tribais, que seguiram, em todos os países, o secular caminho que leva os paleolíticos a se transformarem em neolíticos e estes, em civilizados.

Criar um "jardim antropológico", à semelhança de um jardim zoológico, é uma insensatez. Cabe ao governo federal zelar pela unidade do país, e não contribuir para autonomizar supostas nações indígenas que, no limite do caso, poderiam apelar para a ONU para lhes salvaguardar a independência e ser objeto de penetração estrangeira.

A nossa política indigenista não pode ter outro objetivo senão o da incorporação pacífica do índio à cidadania brasileira, para tal lhe dando toda a assistência requerida: sanitária, educacional e profissional.”

LUCRO DA VALE AVANÇA 6,36% EM 2008 E BATE R$ 21,3 BILHÕES

Li no UOL há poucas horas atrás a seguinte notícia divulgada pela Folha Online:

“A mineradora Vale do Rio Doce anunciou nesta quinta-feira que obteve lucro líquido de R$ 21,279 bilhões em 2008, com avanço de 6,36% sobre 2007. Trata-se do sexto ano seguido que a empresa consegue elevar seu lucro sobre o ano anterior.

Já o resultado do quarto trimestre foi de R$ 10,449 bilhões, apresentando avanço de 136,8% sobre o mesmo período do ano anterior. Em compensação, o ganho recuou 15,96% sobre o terceiro trimestre de 2008, indicando primeiros efeitos da crise financeira sobre suas atividades.

O Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortizações) ficou em R$ 35,022 bilhões, subindo 4,17% sobre 2007.

O faturamento da empresa atingiu R$ 72,776 bilhões no ano passado, 9,62% a mais do que no ano anterior. Segundo a empresa, o recorde de vendas de nove produtos --minério de ferro (253,6 milhões de toneladas métricas), pelotas (41,6 milhões de toneladas métricas), níquel (276.000 toneladas métricas), cobre (320.000 toneladas métricas), alumina (4,2 milhões de toneladas métricas), cobalto (3.100 toneladas métricas), metais preciosos (2,4 milhões de onças troy), metais do grupo da platina (410.000 onças troy) e carvão (4,1 milhões de toneladas métricas)-- foi o principal motivo do bom resultado.

Nas regras do US GAAP (contabilidade americana), o lucro apresentou alta de 11,78% sobre 2007, passando para US$ 13,218 bilhões.

Como as demais grandes produtoras de commodities, a Vale já sente a queda nos preços de seus produtos devido à crise financeira global.

Diante desse quadro, no final do ano passado a empresa tomou uma série de medidas de contenção de gastos, que incluiu demissões, fechamento de plantas de produção de minérios e suspensão de investimentos.

"A Vale reagiu de maneira bastante pró-ativa, adaptando suas operações à deterioração do ambiente econômico. Cortes de produção envolvendo a paralização temporária das unidades operacionais de custo mais alto e a implantação de novas prioridades estratégicas são os principais componentes da nossa rápida resposta à recessão global", disse a empresa em comunicado. "A minimização de custos, a flexibilidade financeira e operacional e a conciliação da preservação do caixa com a busca por opções de crescimento rentáveis, assumiram importância fundamental no atual cenário."

No fim de outubro, a mineradora reduziu sua produção de minério de ferro e outros minérios e subprodutos nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Amapá, além de plantas industriais e minas no exterior. Fora do país, sofreram reduções de produção atividades localizadas na França, Noruega, China e Indonésia.

Já no início de dezembro, foi anunciada a demissão de 1.300 funcionários, sendo 20% em Minas Gerais e as demais em unidades no Brasil e pelo mundo. Outros 5.500 entraram em férias coletivas escalonadas --80% em Minas-- e 1.200 entraram em treinamento para serem realocados dentro da companhia.

Uma semana depois, a mineradora suspendeu as operações de duas unidades no porto de Tubarão, no Estado do Espírito Santo, além de suspender as atividades de algumas minas de níquel no Canadá.”

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

MANTEGA DIZ A PARTIDOS ALIADOS QUE ECONOMIA TEM MELHORA

O jornal Valor Econômico publicou ontem a seguinte reportagem de Fernando Exman divulgada pela agência norte-americana Reuters:

“O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira aos líderes dos partidos que integram a base aliada que o governo vê uma "recuperação modesta" da economia interna.

Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou aos parlamentares que sua prioridade é reduzir os spreads bancários.

As declarações foram feitas durante a reunião do Conselho Político, que reúne representantes dos partidos que integram a coalizão de governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou desta primeira reunião do ano do conselho.

"A economia está dando sinais modestos de recuperação", teria dito Mantega, segundo o senador Renato Casagrande (PSB-ES). "A prioridade do ministro é o spread".

FLUXO CAMBIAL POSITIVO NO MÊS SOBE A US$ 1 BI ATÉ O DIA 13

Li ontem no UOL a seguinte reportagem do jornal Valor Econômico:

“O fluxo cambial continuou mostrando entrada de recursos na segunda semana de fevereiro, após ter fechado a semana inicial do mês com saldo positivo de US$ 345 milhões. De acordo dados divulgados hoje pelo Banco Central (BC), as entradas superavam as saídas em US$ 1,026 bilhão no mês até o dia 13, reforçando a reversão do comportamento observado entre outubro e janeiro, quando houve elevados déficits.

O câmbio comercial, no qual são registrados os dados do comércio exterior brasileiro, proporcionou fluxo positivo de US$ 730 milhões no mês até o dia 13, resultado de exportações de US$ 4,825 bilhões e importações de US$ 4,096 bilhões.

O câmbio financeiro, no qual são fechadas as operações com capitais (investimentos em bolsa e títulos, empréstimos) e serviços (turismo, pagamento de juros, remessa de lucros), também mostrou entrada de dólares no país nestas duas semanas. Nessa rubrica, as compras atingiram US$ 9,206 bilhões e as vendas somaram US$ 8,910 bilhões, gerando entrada líquida de US$ 296 milhões.

Em igual período de fevereiro de 2008, o fluxo cambial também era positivo, em US$ 804 milhões, segundo a autoridade monetária. Desde o início de 2009 até o último dia 13, as saídas líquidas acumuladas ainda somavam US$ 1,992 bilhão, ante fluxo negativo de US$ 1,554 bilhão em igual intervalo de 2008.”

VENDA DE VEÍCULOS CRESCE 16% EM FEVEREIRO

Li hoje no blog do Favre o seguinte texto de Beth Moreira publicado no “O Estado de São Paulo”:

“O aumento de 16,12% nas vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus na primeira quinzena de fevereiro ante igual período de janeiro, para 114.167 unidades, confirma a recuperação do setor, depois das fortes quedas no fim de 2008. Na comparação com igual período do ano passado, a alta foi de 6,52%, conforme dados divulgados ontem pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Para o consultor André Beer, o desempenho foi excepcional. Ele ressaltou que foram vendidos, em média, 9,5 mil veículos por dia. “Se mantida essa média diária, o setor poderá alcançar em 2009 o mesmo nível de 2007, o que é excelente.” Nesse ritmo, diz o executivo, a indústria tem mais segurança para trabalhar. “As montadoras conseguem produzir de forma eficiente.” Para ele, a recuperação é consequência da retomada do crédito, a juros mais baixos, e do incentivo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Já o analista de siderurgia da corretora Link, Leonardo Alves, não está tão otimista. Para ele, o avanço pode indicar a antecipação das compras, pois o fim da isenção do IPI está previsto para o fim de março.”

PARA SERRA SER PRESIDENTE

Li hoje no blog “Cidadania.com” o seguinte artigo escrito por Eduardo Guimarães:

“Tenho uma boa e uma má notícia para o governador José Serra. A boa é que tem gente muito poderosa desesperada para que 2010 chegue logo e o governador paulista vença logo a eleição presidencial. A má, porém, é que quem deseja tanto que isso aconteça não é o povo, é só um punhado de gente que não lota um ginásio de esportes.

Vale notar: os ideólogos da eleição de Serra são alguns partidos de oposição, algumas associações de mega empresários e alguns mega meios de comunicação.

Claro que esses entusiastas da candidatura conservadora à Presidência têm muito poder de influência, mas essa influência já se demonstrou insuficiente para recolocar um conservador de novo na cadeira presidencial. E por duas vezes.

Aliás, pensando melhor, foram muitas vezes que Lula derrotou a direita desde 2002. Cada uma das campanhas de desmoralização na mídia que o presidente sofreu e que precederam pesquisas sobre sua popularidade foram pequenos processos eleitorais que ele venceu

Aconteceu assim: depois de cada rodada de ataques, uma pesquisa, e em cada pesquisa, uma derrota da oposição.

Assim como nada está ganho para Serra, assim como as pesquisas que mostram o tucano na frente na corrida presidencial não significam nada, pois Lula esteve na frente antes das eleições de 1994 e de 1998 e nas retas finais daqueles anos foi derrotado, nem tudo está perdido.

Serra pode, sim, tornar-se presidente daqui a dois anos. Há uma fórmula única e infalível para ele lograr tal feito. E como hoje acordei generoso, vou oferecê-la de bandeja aos tucanos que freqüentam o Cidadania.

Serra só precisa convencer o povo de que pode fazer mais por ele do que Lula fez e do que fará o candidato que o presidente ungir. Mas deixem-me lhes dar uma explicação: quando uso o verbo “convencer”, na verdade quero dizer provar. E sem tentar enganar.

Destaco meu ponto de vista de forma ainda mais explícita: mentir não deverá adiantar, nem com todas as tevês e jornais do mundo. O povo quererá provas. Não se contentará com promessas, sobretudo de políticos como os tucanos que já governaram o país com os resultados catastróficos conhecidos da maioria.

Não assino incondicionalmente embaixo da teoria de que o povão se tornou totalmente esclarecido, mas ninguém pode negar que parece não estar se deixando enganar no macro da política, ainda que no micro vejamos populações sendo enganadas o tempo todo.

O que pode estar acontecendo, para azar do tucano, é que as pessoas podem até estar brincando em eleições municipais ou estaduais, deixando-se levar por idiossincrasias quanto à simpatia ou antipatia que sentem pelos candidatos, por preconceitos etc., mas, quando se trata do governo do país, depois de tudo que o Brasil já passou todos devem estar refletindo muito mais sobre o voto.

Para convencer os brasileiros, portanto, Serra terá que tentar vender meras promessas contra obras e programas concretos e que estão agradando, o que certamente levará o tucano a persistir no erro que vem cometendo de tentar se apropriar desses ativos políticos. Aquela história de que tudo que dá certo é obra de FHC, que nunca funcionou.

O tucano terá ainda, contra si, o estigma de ter integrado o governo FHC. E, apesar de nenhum conservador aceitar o que direi, atualmente o ex-presidente está completamente desmoralizado entre a grande maioria dos brasileiros. Há fartura de pesquisas de opinião que mostram isso.

Em 2010, mais uma vez o PSDB e o PFL serão colocados diante do dilema de se mostrarem diferentes de FHC ou de tentarem reabilitar a imagem pública do ex-presidente. E isso num contexto de seis anos durante os quais nem os partidos nem sua mídia aceitaram reconhecer que FHC governou mal, o que deixa a eles só a opção da reabilitação, opção que tampouco jamais funcionou.

A cada defesa que fazem do ex-presidente, Serra e a mídia como que prometem que, se voltarem ao poder, repetirão o que ele fez, por mais que digam que a conjuntura hoje é diferente etc. e tal. Essas pessoas simplesmente não querem aceitar o fato de que o povo não gosta de FHC e não quer votar em ninguém ligado a ele.

A confiança da direita no poder da mídia é maior do que a sensatez permitiria. E a mídia estimula essa confiança, obviamente porque o que ela vende à direita é confiança no poder que afirma ter. Ou seja: o PSDB e o PFL têm sido vítimas de propaganda enganosa.

Não será muito difícil Serra se tornar presidente, mas só se ele tiver alguma razão para ser eleito que seja do interesse da maioria. Dizer à população, simplesmente, que tudo de bom que aconteceu no governo Lula é mérito de FHC e tudo o que aconteceu de ruim é demérito de Lula, não colará amanhã tanto quanto não cola hoje e tanto quanto não colou ontem.

Para ser presidente, Serra terá que provar que seu caminho não é o mesmo de Lula, que é um caminho alternativo e que é melhor. Todavia, continuo achando que o cidadão pró-Serra que está lendo isto não se convence quando falo que o candidato tucano terá que provar o que dirá.

A boa notícia final para Serra, enfim, é a de que, se ele conseguisse provar tudo o que enumerei, até eu votaria nele. Já a má notícia, é a de que é quase certo que ele não terá como dar prova alguma, restando-lhe apenas a tática manjada e fracassada do ilusionismo.”

CONSUMIDOR ENFRENTA FILA PARA COMPRAR CARRO USADO

A Folha de São Paulo ontem publicou a seguinte reportagem do jornal “Agora”:

ESPERA PARA LEVAR UM MODELO POPULAR PODE PASSAR DE 30 DIAS EM REVENDAS EM SP

FALTA DE CARROS PARA PRONTA ENTREGA TAMBÉM ATINGIU O SETOR DE VEÍCULOS NOVOS, DEVIDO À QUEDA NA PRODUÇÃO E AO AUMENTO DA DEMANDA


“A fila de espera para comprar um carro popular chegou ao setor de usados na capital e pode passar de 30 dias para os consumidores à procura dos modelos mais disputados. Os modelos flex 1.0 fabricados entre os anos 2005 e 2008 são os que mais faltam nos estoques das concessionárias. Os quatro portas também são disputados.

Em cinco concessionárias consultadas ontem, os usados em falta são Celta, Ford Ka, Palio, Fiesta, Corsa Sedan, Gol e Fox. Clientes que têm exigências quanto a cor, modelo e quilometragem podem esperar mais de um mês.

Nas 45 lojas da Chevrolet na Grande SP, os usados mais procurados são Celta, Ford Ka e o Fiat Palio 1.0.

A espera média de 25 dias para diversos populares novos reduziu a oferta de usados, já que quem vai trocar de carro espera pelo novo para deixar o usado na loja. Além disso, a queda dos preços também fez com que muitos consumidores desistissem da venda do carro.

Para o gerente regional de vendas da GM, Rodrigo Rumi, a desvalorização dos usados acompanhou os preços dos novos, que, desde dezembro, têm redução e isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Segundo gerentes de concessionárias, só neste mês os donos de veículos estão voltando a negociar a venda dos usados. "Passado o impacto da desvalorização, os clientes perceberam que há uma nova realidade de preços", diz Cesar A. Del Negro, supervisor de vendas da Anhembi, da Chevrolet.

Segundo a Anauto-SP (associação dos auto-shoppings), as vendas em fevereiro estão em recuperação.

Segundo a GM, os novos se desvalorizaram em até R$ 2.000, e os usados, em até R$ 4.000.

Na Ford Highway, da Vila Prudente (zona leste), o Ka 2007 caiu de R$ 21 mil para R$ 18.500. Segundo o gerente da Fiat Amazonas Sumaré, em Perdizes, o estoque de usados caiu de 230 carros em fevereiro de 2008 para 80 neste mês. Para a Fenabrave (federação de veículos), a falta será normalizada com a regularização da entrega dos novos.

CARROS NOVOS

Por conta da queda na produção e do aumento nas vendas no começo deste ano, as concessionárias sentiram também a falta de carros novos para pronta entrega.

O problema afetou especialmente modelos populares, como o Fiat Uno, o Fiat Palio e o Ford Ka, os três na lista dos dez mais vendidos.

A falta de modelos foi consequência do corte de 54% na produção das montadoras em dezembro passado em relação ao mesmo mês de 2007. Por outro lado, a demanda por veículos ganhou fôlego na passagem de 2007 para 2008 com a queda no IPI e a oferta de crédito.”

COMENTÁRIO DE PAULO HENRIQUE AMORIM EM SEU SITE “CONVERSA AFIADA”:

Saiu na Folha (*), pág B10 (isso não é assunto que mereça primeira página…):
“CONSUMIDOR ENFRENTA FILA PARA COMPRAR CARRO USADO. Espera para levar um modelo popular pode passar de 30 dias em revendas de São Paulo.

Com corte de IPI, venda de veículos já se aproxima do nível de 2008 … Nos primeiros 45 dias deste ano, foram vendidos 300 mil automóveis comerciais, apenas 500 a menos do que no mesmo período de 2008…

Fenabrave – Na primeira quinzena deste mês, as vendas de automóveis … cresceram 7% em relação ao mesmo período de 2008, de acordo com a Federação Nacional de Distribuição de Veículos).”

BAÍA DOS PORCOS

Li ontem na Folha de São Paulo a seguinte notícia divulgada pela agência francesa de notícias France Presse:

GUATEMALA SE DESCULPA POR APOIO A EUA NA INVASÃO A CUBA

“O presidente da Guatemala, Alvaro Colóm, pediu desculpas a Cuba ontem em Havana porque o território do país foi usado pelos EUA para preparar a invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

"Quero pedir desculpas a Cuba por haver emprestado nosso país. Não fomos nós, mas foi nosso território", disse o social-democrata Colóm. Afirmou que fazia a retratação -a primeira pública desde a invasão- como "chefe de Estado" e como "comandante do Exército".

Na Guatemala, o líder opositor Otto Pérez reagiu acusando Colóm de unir-se a um chefe de "um Estado autoritário". Cobrou desculpas de Havana por haver treinado a guerrilha guatemalteca.

Na Guatemala treinaram parte dos 1.400 exilados cubanos que, armados pela CIA, empreenderam a fracassada invasão em 1961.

Colóm disse que o desfile de presidentes latino-americano na ilha -ele é o quinto em 2009- mostra a mudança da região.”

ARDOROSOS DEFENSORES DA TRANSPARÊNCIA

Sempre achei muito interessante ver deputados e senadores defenderem a transparência dos gastos do governo federal com cartões corporativos. Ela já era muito maior que a adotada por governos estaduais (ex. São Paulo) e infinitamente maior que a em vigor no Congresso (nenhuma). Emocionados até às lágrimas, bradavam por ainda maior transparência do governo Lula. Pareciam santos ou deusas vestais. Tudo falso. Somente teatro. Até hoje escondem seus gastos com dinheiro público.

Vejam o artigo abaixo, de Fernando Rodrigues, que li na Folha de São Paulo de ontem:

SIMULACRO DE TRANSPARÊNCIA

“Os deputados e os senadores ganham uma bolada extra por mês. Além dos salários, embolsam mais R$ 15 mil para gastar praticamente como bem entenderem. Apresentam notas fiscais mantidas em sigilo absoluto.

Tudo ia bem até o deputado do castelo, Edmar Moreira, comunicar o consumo de R$ 140 mil em 2008 com segurança privada -logo ele, cuja fortuna deriva desse setor.

Pressionado, o mundinho político adotou uma variável da máxima de Lampedusa: simulou mudanças para manter tudo como está. A Câmara decidiu e o Senado copiará a seguinte ideia: daqui a 45 dias, passarão a divulgar os valores das notas fiscais e os nomes dos fornecedores. CNPJs e fac-símiles dos recibos? Nem pensar. O simulacro de transparência não chega a tanto.

O prazo de 45 dias é injustificável do ponto de vista gerencial. Se há desejo de divulgar os dados, nada impediria alguns dos 30 mil funcionários do Congresso de fazer o serviço em um ou dois dias.

Trata-se de operação de baixa complexidade -digitar nomes e números. Deputados e senadores discordam. Analfabetos em informática, propagam a noção de que seria tudo complicadíssimo.

Complicado é proteger atos espúrios, como foi a decisão de ontem, de estabelecer o esquecimento oficial de notas fiscais de anos anteriores. Nada do passado será divulgado. Irregularidades cometidas estão perdoadas. Essa autoanistia ainda vem com o bônus de 45 dias de prazo para todos terem tempo de encontrar recibos quentes.

É uma decisão corajosa. Mas deputados e senadores nunca perdem viagem quando apostam na abulia popular. O Carnaval está aí para esfriar os ânimos. Assim, o arquivo morto do Congresso receberá, de uma só vez, as notas fiscais antigas e a capacidade dos políticos de sentirem vergonha por atos tão antirrepublicanos como esse.”

ITÁLIA IMITA BRASIL

Lembram-se do caso da venda de votos para a reeleição de FHC? Somente dois deputados vendedores foram punidos. Os corruptores não.

Não sei por que isso me veio à memória ao ler no UOL a notícia abaixo, divulgada pela agência inglesa de notícias BBC:

ADVOGADO É CONDENADO POR ACEITAR PROPINA DE BERLUSCONI

“Um tribunal de Milão condenou nesta terça-feira a quatro anos e meio de prisão um advogado britânico considerado culpado de receber uma propina de US$ 600 mil (cerca de R$ 1,2 milhão) do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi.

O caso do advogado David Mills ganhou grande destaque na imprensa britânica. Ele foi casado com a ex-ministra da Cultura britânica Tessa Jowell - atualmente a principal autoridade britânica encarregada da organização da Olimpíada de 2012 em Londres.

Mills, que promete recorrer da sentença, teria aceitado o suborno como pagamento por ter dado falso testemunho em dois julgamentos de corrupção que envolviam o primeiro-ministro italiano.

Os promotores alegaram que Mills usou o dinheiro para pagar uma hipoteca que tinha em conjunto com Tessa Jowell. Ela foi inocentada depois de uma investigação realizada por autoridades do Parlamento britânico.

Berlusconi nega que tenha pago suborno ao advogado, que não estava no tribunal para receber a sentença. Mills era um dos consultores de Berlusconi a respeito de paraísos fiscais em outros países.

A promotoria alegou que o premiê pagou a Mills para que ele não revelasse detalhes de companhias estrangeiras durante dois julgamentos anteriores em 1997 e 1998. Nestes julgamentos, Mills deu seu testemunho como perito judicial.

O advogado inicialmente reconheceu ter recebido dinheiro de Berlusconi "como reconhecimento" pelo depoimento prestado, mas depois afirmou que o dinheiro tinha sido dado por outra pessoa.

Depois de chegar ao poder pela terceira vez em 2008, Berlusconi propôs uma polêmica lei que garante imunidade legal às quatro autoridades máximas da Itália, o que inclui o posto de primeiro-ministro.

A lei foi aprovada nas duas câmaras do Parlamento italiano. Os partidários de Berlusconi alegaram que a emenda era necessária para permitir que as autoridades de Estado se concentrassem em seus trabalhos sem nenhuma distração jurídica.

Quando deixar o cargo de primeiro-ministro, Berlusconi ainda poderá ser julgado, a menos que os crimes de que é acusado tenham expirado segundo as leis italianas.”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A MÍDIA DESCONHECE O PAC

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte artigo escrito por José Augusto Valente, no Blog do Zé. O autor é engenheiro e consultor em logística e transportes:

“Todas as vezes que emite opinião sobre o PAC, parte da imprensa demonstra, no mínimo, ignorância do que seja o programa. Alguns exemplos: “Desde o começo do PAC, o governo apresenta um número enorme que não condiz com a realidade”; “o PAC é só propaganda” e “o governo confirmou o reforço de R$ 142 bilhões no PAC até 2010. O dinheiro vai ser dividido entre o governo federal, estatais e empresas privadas.”

Estes três exemplos mostram a confusão que ainda se tem sobre o PAC, dois anos após o seu lançamento. Quem quiser saber o que é o PAC, basta acessar o site da Presidência da República com o título “Conheça o PAC”. Ele tem todas as informações que evitariam essa demonstração de desconhecimento.

O PAC é, ao mesmo tempo, muito mais e completamente diferente das coisas que são ditas.

Ele é muito mais do que um simples programa com uma lista de investimentos e, definitivamente, não é um programa com recursos exclusivos da União. O governo FHC teve algo que alguns entendem ser semelhante ao PAC, que foram os programas “Brasil em Ação” e “Avança Brasil”. Estes sim, contavam somente com investimentos da União e, como se sabe, na área de logística e transportes, tiveram baixa eficácia.

O PAC prevê a utilização de recursos orçamentários da União, mas também prevê um conjunto de medidas institucionais que, aliado a uma rigorosa e transparente gestão, resultará em projetos, obras, serviços, além de estímulos para investimento por governos estaduais, municipais e da iniciativa privada. Obviamente, como um esforço de gestão da ação de múltiplos entes públicos e privados, várias metas serão alcançadas, total ou parcialmente. Outras não.

Quem clicar no banner “Medidas Institucionais”, ficará sabendo que o PAC, quando foi lançado há dois anos, tinha como um dos pilares a desoneração de tributos para incentivar mais investimentos no Brasil. O plano original contemplava também medidas fiscais de longo prazo, como é caso do controle das despesas com a folha de pagamento e a modernização do processo de licitação, fundamentais para garantir o equilíbrio dos gastos públicos.

As medidas institucionais do PAC são agrupadas nos seguintes itens: estímulo ao crédito e financiamento; melhoria do ambiente de investimento; desoneração e administração tributária; medidas fiscais de longo prazo; consistência fiscal e medidas de gestão. O projeto de reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional, é uma das principais medidas institucionais do PAC.

Não dúvida de que as medidas institucionais são parte importante do PAC, pois elas são estímulo para maiores investimentos públicos e privados, além de conferir sustentabilidade ao processo de desenvolvimento social e econômico. No entanto, parte da imprensa só se interessa pela execução orçamentária e, mesmo assim, com uma abordagem distorcida quando prioriza o cronograma financeiro.

A mídia deveria saber que, do ponto de vista dos benefícios gerados para a população, o que interessa é o cronograma físico e não o financeiro. Quem sabe um pouquinho de administração pública sabe que há um “gap”, da ordem de dois a três meses, entre o momento da medição dos serviços executados numa obra e o respectivo pagamento. Isso no governo Lula. Anteriormente, esse “gap” chegava a seis meses ou até mais. Mas essa parte da imprensa insiste “o PAC não vai bem, só foram pagos até agora ‘X’ porcento do valor total previsto”. Se a obra está pronta ou quase pronta, que interesse o usuário tem em saber se as medições já foram pagas ou não?

Alguém poderia dizer: mas é o próprio governo que só apresenta os valores de investimentos, que são mais impactantes e que ajudam a construir uma boa imagem. Não é verdade! Quem quiser conferir as apresentações de todos os balanços quadrimestrais, realizados até o momento, verá que eles mostram, também, quadros referentes ao balanço das medidas institucionais. Mas parece que isso não interessa muito, na medida que mostrar avanços nesses campos significa fechar espaços para as críticas ideológicas ao governo Lula do tipo “não faz desoneração tributária” e “não toma medidas para redução de gastos públicos”, entre outras.

A terceira manchete mencionada no início do artigo “O governo confirmou o reforço de R$ 142 bilhões no PAC até 2010. O dinheiro vai ser dividido entre o governo federal, estatais e empresas privadas.” mostra de forma clara que os recursos agregados no PAC, ou seja, ao esforço de gestão do programa, não dependem apenas do governo federal - como eles, contraditoriamente, dizem -, mas de outros entes públicos e mesmo da iniciativa privada.

É preciso enfatizar - já que isso não é feito por parte da imprensa - que a governabilidade do executivo federal na execução do PAC é relativa, já que ele não controla todos os recursos financeiros, políticos e organizativos necessários à eficiência e à eficácia do programa. Isto porque a responsabilidade do executivo federal, em relação às metas estabelecidas, é compartilhada com o poder legislativo (aprovação de MPs, Projetos de Lei e fiscalização do TCU) e com o poder judiciário, em especial, o Ministério Público.

Há obras de grande porte, como o Anel Rodoviário de São Paulo e o Arco Rodoviário do Rio de Janeiro, em que o compartilhamento é feito com os respectivos governos estaduais. Todas as obras de saneamento e habitação são compartilhadas com governos de Estados e municípios, que tem competência constitucional para executar tais ações.

Finalmente, há que se destacar as licitações já realizadas para concessão de sete lotes de rodovias - entre as quais a Régis Bittencourt e a Fernão Dias - e a concessão ferroviária de trecho da Ferrovia Norte-Sul. A primeira, até o momento, se tornou paradigma de como se pode realizar concessões com previsão de investimentos pesados e manutenção, através de tarifas de pedágio muito baixas. Especialmente em relação às concessões paulistas, realizadas pelos governos do PSDB, nos últimos dez anos.

A segunda criou um modelo simples e eficaz, onde a concessionária paga o valor da outorga para a VALEC e esta executa a obra, para futura operação pela primeira. Essa é a parte dos investimentos privados, para o qual essa parte da imprensa dá muito pouca atenção, apesar de, no passado recente, terem gasto muita energia em matérias e notas de colunas para afirmar que o presidente Lula era contrário às concessões, por motivos ideológicos.”

OS ÍNDIOS E A DOUTRINA MELO FRANCO

Li hoje no site “Vermelho” o seguinte artigo de Aldo Rebelo publicado originariamente no jornal “O Estado de São Paulo”. O autor é deputado federal (PCdoB-SP);

“O debate acerca da demarcação de áreas continentais em zonas de fronteira para uso exclusivo de grupos indígenas pode ser enriquecido pelo resgate dos conceitos que o brasileiro Afrânio de Melo Franco formulou na Liga das Nações na década de 1920. Num período em que a Europa redesenhava o mapa-múndi a partir dos escombros do Império Austro-Húngaro e da 1ª Guerra Mundial, Melo Franco alertou para o equívoco de certas teorias de emancipação de minorias na sociedade nacional. Formulou uma doutrina geopolítica, ainda atual e válida para ser aplicada num cenário em que a causa indígena pode vir a ser massa de manobra de interesses estrangeiros na cobiça de nosso território.

Antes de examinar a tese de Melo Franco é necessário observar o jogo de suposta proteção aos índios que se trava no Brasil. Se é essencial respeitar o sagrado direito dos silvícolas às terras que "tradicionalmente ocupam" - aqui reafirmado como um princípio, não uma ressalva -, convém não o confundir com a série de distorções que demarcações desastradas de reservas têm gerado no xadrez da formação social brasileira, à revelia do processo histórico de ocupação do território por nacionais de todos os matizes. Pulsa na sociedade uma rejeição indignada ao erro estratégico de se esterilizarem áreas de fronteira, nelas implantando reservas indígenas isoladas da sociedade nacional e impedindo que floresça a vivificação clássica penosamente iniciada pelos bandeirantes para sinalizar a posse inalienável do território.

O caso em discussão da Raposa-Serra do Sol, em Roraima, onde a União confinou 1,7 milhão de hectares para cinco tribos, e expulsou os não-índios, é o mais preocupante.

Destacam-se, no entanto, precedentes que incubam incertezas para o futuro, a exemplo do país dos ianomâmis, nada menos que 9,6 milhões de hectares demarcados para aproximadamente 7 mil índios, que se estendem no Amazonas e em Roraima, em larga faixa de fronteira com a Venezuela. Muitas vozes se levantaram contra tanta extravagância, mas uma em especial, a do sertanista Orlando Villas-Boas, morto em 2002, nos conduz à reflexão, por partir de um homem que nada fez na vida além de amar os índios. Numa entrevista à TV Cultura, Villas-Boas acusou ONGs americanas de aliciarem ianomâmis para criar um "contencioso internacional com o objetivo de fazer com que a ?comunidade internacional? declare a criação de um Estado índio", e indagou: "Vocês pensam que eles fazem isso por amor aos ianomâmis? Não. Fazem isso porque em Roraima estão as maiores reservas de urânio do mundo."

A sedução das tribos inclui apoio internacional às suas causas, vinculação a instituições estrangeiras, patrocínio de projetos nas aldeias, descrédito no Estado brasileiro - gerando uma identificação extranacional, que leva ao paradoxo, relatado por oficiais das Forças Armadas, de se verem bandeiras alienígenas, como a da União Europeia, tremulando em campos de pouso da Amazônia.

Se na época da Liga das Nações a controvérsia da emancipação das minorias se confinava à Europa, hoje floresce na América e se estende aos índios. Constitui um enredo teórico que, primeiro, confere autonomia cultural e administrativa e, a seguir, preconiza independência com caráter de nação fundada na diferença étnica e na língua e, mais tarde, no território exclusivo. Ampara-se no conceito de colonialismo interno, segundo o qual a vitória da remota luta de libertação nacional, por não eliminar de imediato as desigualdades entre classes, estratos ou etnias na sociedade recém-emancipada, autoriza a continuidade do movimento independentista, desta vez fracionado em grupos de natureza diversa. Em paralelo, a simples permanência (ou existência por emigração) de uma minoria aspirante a nação daria margem à autonomia político-administrativa. O conceito se amplia para a noção de que, se a sociedade nacional majoritária falha na assimilação equitativa da minoria-nação, esta adquire o direito da autodeterminação em território próprio. Foi assim que a emigração massiva de albaneses conquistou à Sérvia um país chamado Kosovo.

O disparate foi combatido antes da palavra pelo mineiro Afrânio de Melo Franco (1870-1943), embaixador do Brasil de 1924 a 1926 na Liga das Nações. Imortalizado por seu filho Afonso Arinos na biografia Um Estadista da República, Melo Franco lançou luzes na confrontação interesseira que as potências da Europa travavam na época. A questão era definir se e como a Liga poderia garantir algum tipo de proteção a minorias - sobretudo húngaros na Romênia, e o caso mais complexo de alemães, judeus, poloneses e russos na Lituânia. O parecer do embaixador brasileiro observou que a minoria, "tal como a concebem os tratados de proteção, não é só um grupo étnico incrustado no corpo de certo Estado, cuja maioria forma coletividade étnica distinta". E articulou o cerne de sua formulação: "A simples coexistência de grupos humanos, formando entidades coletivas, etnicamente diferentes no território e sob a jurisdição de um Estado, não é suficiente para que se seja obrigado a reconhecer, nesse Estado, ao lado da maioria da população, uma minoria cuja proteção seja confiada aos cuidados da Liga das Nações."

Ao exaltar a doutrina do pai, Afonso Arinos de Melo Franco, chanceler de Jânio Quadros, aristocrata udenista que morreu filiado ao PFL, não deixou de observar que foi em nome da proteção a minorias nacionais na Polônia e na Checoslováquia que a Alemanha nazista aplicou a teoria expansionista do "espaço vital" e deu início à 2ª Grande Guerra. O enlace do passado (a Doutrina de Melo Franco) com a projeção do futuro (independência de nações indígenas) deveria iluminar as decisões que tomamos no presente.”

INTELIGÊNCIA DOS EUA PREVÊ CHINA E ÍNDIA CAMPEÃS DE PIB

Li hoje no site “Vermelho” a seguinte matéria originária do Canadá (Fonte: Diário do Povo Online; http://spanish.people.com.cn”):

“O diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Dennis Blair, apresentou ao Senado na última quinta-feira (12) um relatório sobre os desafios ao novo governo em matéria de segurança. Contrariamente aos seus antecessores, Blair vê a crise financeira global como "principal ameaça" ao país, e não o terrorismo. O relatório também afirma que a China e a Índia estão se tornando, conjuntamente, "o centro do poder mundial a longo prazo". Ambos os países estariam recuperando suas posições no século 18, quando a China produzia 30% ea Índia 15% da riqueza mundial.

"O tempo é provavelmente nossa maior ameaça. Quanto mais demora o início da recuperação (econômica), maior é a probabilidade de danos graves aos interesses estratégicos americanos", disse Blair. Ele também qualificou como ameaças os problemas na Península dos Bálcãs, Afeganistão, o problema nueclar coreano e a segurança informática. O relatório tem 49 páginas.

CRISE PODE "CONTER O ÍMPETO"

O diretor da Inteligência estadunidense fez uma previsão altissonante sobre a evolução macroeconômica na China e na Índia. "É provável que em 2025 esses dois países ultrapassem o PIB de todas as outras economias, com exceção dos EUA e Japão, embora a atual crise financeira possa conter um pouco este ímpeto", avaliou.

Nos próximos 10 anos, a Índia provavelmente se preocupará com a China, pois a força política e econômica de Pequim aumentaria consideravelmente, assim como sua capacidade para transportar tropas, disse ele. Acrescentou que, nestas circunstâncias, os líderes indianos se esforçariam para evitar confrontações com a China.

TAIWAN E DEFESA

Na parte do relatório que fala da China, Blair disse que a prioridade da diplomacia chinesa continua a ser a manutenção das relações de amizade com outros grandes países, sobretudo com os EUA. No entanto, "Pequim também pretende reforçar sua imagem e influência no mundo para promover interesses mais amplos, responder ao desafio externo, defender a segurança e integridade territorial da China", disse ele.

Blair afirmou que a China desenvolve sua Marinha com uma missão que vai além da Ásia Oriental. "Em dezembro de 2008, navios da Marinha da China começaram uma ação de patrulha marítima contra a pirataria na Somália. Suas tropas terrestres também reforçaram sua influência em operações de defesa da paz internacional e são capazes de executar tarefas de combate com apoio logístico da ONU", disse o diretor de Inteligência.

O relatório afirma que a meta principal da China é recuperar Taiwan, mas "as forças armadas chinesas não se limitam a defender seu próprio território". Para Blair, "a China tem feito preparativos para lidar com conflitos potenciais no Estreito de Taiwan; ao mesmo tempo, acreditamos que, nos últimos sete anos ela entrou numa verdadeira nova fase de desenvolvimento militar".

Ele instou os EUA a prosseguirem com a venda de armamentos a Taiwan. "Afora os esforços da própria Taiwan, os EUA são o único país que a ajuda, o que significa que devemos prestar mais ajuda para manter o equilíbrio", disse ele.”

FMI PEDE 'DINAMITE' CONTRA PARAÍSOS FISCAIS E DEMISSÃO DE BANQUEIRO INCOMPETENTE

O portal UOL postou ontem a seguinte reportagem da agência espanhola de notícias EFE

“Paris, 17 fev (EFE).- O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, defendeu hoje que se "reaja com dinamite" aos paraísos fiscais e que sejam demitidos os executivos de bancos que não tenham realizado seu trabalho bem.

Em entrevista à emissora "France Inter", Strauss-Kahn pediu um maior apoio aos bancos e uma maior coordenação dos planos de relançamento dos Estados para evitar que a crise internacional se prolongue.

"Eu sou favorável a uma ação com dinamite", declarou Strauss-Kahn, que afirmou que as medidas contra os paraísos fiscais "são muito leves" e admitiu que há um "certo número de Estados que consideram que não é o mais urgente".

Considerou "escandaloso" o salário de alguns dirigentes financeiros e não duvidou em promover a demissão de executivos de bancos "se fizerem mal seu trabalho" ou o fechamento daqueles bancos que estiverem "desequilibrados demais", salvando sempre os depósitos de seus clientes, declarou.

O problema, paradoxalmente, é que é necessário ajudar o sistema financeiro, onde começou a crise, mas "não para ajudar os bancos, mas as pessoas", e facilitar que possam alcançar o crédito, declarou o principal executivo do FMI, que identificou "a ausência de normas" como o "coração da crise".

Entre as receitas que propôs para dinamizar o sistema econômico mundial, citou a intensificação dos planos de relançamento iniciados pelos Estados, que julgou de pouca "amplitude" em casos como os dos países europeus ou do Japão, e uma maior coordenação, "ainda insuficiente".

Apontou 2010 como o ano no qual se começará a sair da crise caso sejam tomadas as medidas propostas pelo FMI e afirmou que, apesar de que "todos concordem que é necessária coordenação" nas cúpulas internacionais, uma vez em cada país se tomam medidas "um pouco diferentes" e "um pouco contraditórias".

"Não há soluções individuais. Estamos em uma crise mundial. Cada país que tenta sair sozinho cria problemas para seu vizinho", declarou Strauss-Kahn.

"Em uma economia moderna, o sistema financeiro é o sangue que rega a economia" e ainda "há um conjunto de ativos podres que continuam nos balanços e não sabemos durante quanto tempo, o que faz com que os bancos tenham medo de emprestar", acrescentou.

Nesse sentido, defendeu que se "chegue até o final da limpeza dos balanços dos bancos" e se "melhore o controle" para "evitar novas crises" no futuro.”

PETROBRAS BATE RECORDE DE PRODUÇÃO EM JANEIRO

O portal UOL postou ontem, no início da noite, a seguinte reportagem de Cirilo Junior da Folha Online, no Rio:

“A Petrobras registrou em janeiro produção doméstica média recorde em um mês, na história da companhia. Foram extraídos 1,923 milhão de barris/dia dos campos nacionais, alta de 2,5% frente aos 1,876 milhão de barris/dia observados em dezembro.

É a primeira vez que a produção média mensal da estatal ultrapassa a marca de 1,9 milhão de barris/dia. O recorde anterior havia sido registrado em setembro de 2008, quando a média foi de 1,897 milhão de barris/dia.

Segundo a Petrobras, o volume recorde na produção de petróleo no Brasil foi obtido em função, principalmente, da entrada em produção da plataforma P-51, no campo de Marlim Sul, na bacia de Campos, e também pelo início da extração de óleo em novos poços no campo de Marlim, na mesma bacia.

Somada a produção internacional de 122 mil barris/dia no exterior, a produção de petróleo da Petrobras em janeiro foi de 2,045 milhões de barris/dia. A produção internacional de petróleo da estatal caiu 11% em janeiro, devido à menor produção na Argentina e à menor participação no bloco 18, no Equador.

Já a produção de gás natural no Brasil caiu 9,8% em janeiro na comparação com o mês anterior, ficando em 47,095 milhões de metros cúbicos/dia. A estatal atribuiu a redução à menor demanda do mercado. Na semana passada, a diretora de Gás e Energia da empresa, Maria das Graças Foster, havia explicado que a crise vinha reduzindo de forma significativa o consumo industrial de gás no país.

No exterior, a produção de gás natural caiu 2%, ficando em 15,762 milhões de metros cúbicos/dia. A queda, segundo a Petrobras, ocorreu pela menor produção constatada na Bolívia.

Ao todo, a produção de petróleo e gás da companhia, somados os campos nacionais e internacionais, chegou a 2,434 milhões de boe/dia (barris de óleo equivalente/dia), 1,4% acima dos 2,400 milhões de boe/dia registrados em dezembro.”

ISRAEL CONTINUA A ANEXAR TERRAS NA CISJORDÂNIA

Li no UOL ontem:

“Contrariando o compromisso assumido com os EUA de congelar a expansão das colônias na Cisjordânia, Israel confiscou 1,7 km2 de terras palestinas, abrindo caminho para ampliar uma colônia perto de Jerusalém. A área declarada "terra do Estado" é contígua ao assentamento de Efrat e nela serão construídas 2.500 casas. Ontem, o líder direitista Binyamin Netanyahu, favorito ao posto de premiê, disse que sob um governo seu não haverá desocupação de terras.”

EUA E ISRAEL QUEREM ATACAR O IRÃ COM MENOR RISCO DE PERDAS

A TENTATIVA DO IRÃ EM MELHORAR SUA DEFESA AÉREA, DEVIDO ÀS FREQUENTES AMEAÇAS DE ATAQUES DAS POTÊNCIAS ATÔMICAS EUA E ISRAEL, CAUSA TENSÃO ENTRE A RÚSSIA, ISRAEL E OS EUA.

Após a invasão norte-americana no Iraque em busca da garantia no suprimento de petróleo, o Irã, grande produtor, sabe que é a “bola da vez”.

Vejamos a seguinte notícia que li no portal UOL lá postada com informações da Folha Online, France Presse e Associated Press:

PARA EVITAR TENSÃO COM OS EUA, RÚSSIA HESITA EM ENTREGAR SISTEMA ANTIAÉREO AO IRÃ

A Rússia hesita em entregar ao Irã os sistemas antiaéreos S-300, uma medida que pode prejudicar os esforços de aproximação com o novo governo dos Estados Unidos, tem dúvidas sobre a, informa o jornal "Kommersant".

"A Rússia não tem no momento a intenção de entregar seus sistemas [antiaéreos] ao Irã para não impedir o diálogo com a nova administração americana", afirma o jornal.

O governo americano, do presidente Barack Obama, deve inaugurar novos esforços para tentar acabar com o controverso programa nuclear iraniano e evitar que o o país se torne uma nação militar com potência de atacar o seu principal aliado na região, Israel.

Segundo fontes diplomáticas e militares, este será o principal tema da visita do ministro iraniano da Defesa, Mostafa Mohamad Najar, que se reunirá nesta terça-feira com o colega russo, Antoli Serdiukov.

"O contrato de entrega do S-300 pode ser assinado a qualquer momento. No entanto, para isto é necessária uma decisão política que ainda é aguardada", afirmou uma fonte ao Kommersant.

O Irã está tentando há tempos convencer a Rússia a vender o sistema S-300 de defesa aérea, mas enfrenta o discurso contrário de Israel --que tenta convencer Moscou a não vender o sistema que pode servir de escudo em possível contra-ataque israelense.
Rússia negou reiteradamente que pretende vender o sistema a Teerã, contudo, o jornal afirma que Moscou já assinou o contrato de US$ 800 milhões com o Irã. Um legislador iraniano afirmou que a entrega do sistema já começou.”

VENDAS DO COMÉRCIO NO PAÍS SOBEM 9,1% EM 2008,DIZ IBGE

O jornal Valor Econômico publicou ontem:

O VOLUME DE VENDAS DO COMÉRCIO VAREJISTA NACIONAL EXPANDIU-SE 9,1% EM 2008.

“Em dezembro, houve declínio de 0,3%, seguindo recuo de 1% em novembro e de 1% em outubro, considerando ajuste sazonal.

Em relação a dezembro de 2007, porém, o comércio varejista avançou 3,9%. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na passagem de novembro para dezembro do ano passado, quatro das oito atividades analisadas verificaram queda, como Móveis e eletrodomésticos (-3,7%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,8%). Em sentido inverso, Livros, jornais, revistas e papelaria registraram acréscimo de 1,2% e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação ampliaram-se 11,9%.

Respeitando o comparativo dezembro de 2008 com mesmo mês do exercício antecedente, sete de oito atividades do varejo tiveram volume de vendas maior. A exceção ficou com Tecidos, vestuário e calçados, com baixa de 6,3%.

A receita nominal de vendas diminuiu 0,6% entre novembro e dezembro do ano passado. Ante o mês final de 2007, houve, contudo, ampliação de 9,6%. Em 2008 completo, a alta foi de 15,1%.

O comércio varejista ampliado, que inclui o comércio de veículos, motos, partes e peças e material de construção, apresentou elevação de 9,9% no volume de vendas em 2008 em relação ao exercício anterior. Nesse confronto, a receita nominal ampliou-se em 15,1%. Entre novembro e dezembro de 2008, as vendas cederam 1% e a receita nominal teve queda de 0,8%, na série com ajuste sazonal.”

ISRAEL PROMOVE GUERRA SECRETA DENTRO DO IRÃ, DIZ JORNAL INGLÊS

Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem de Luke Baker divulgada pela agência norte-americana de notícias Reuters:

“LONDRES (Reuters) - Israel está envolvido em uma guerra secreta de sabotagem dentro do Irã, na tentativa de retardar o desenvolvimento de armas nucleares na república islâmica, afirmou na terça-feira o jornal britânico Daily Telegraph.

Citando fontes de inteligência e um ex-agente da CIA, não identificado, o jornal disse que a estratégia de "decapitação" de Israel teve como alvos membros do programa atômico do Irã.

O programa ganhou fôlego extra com a eleição nos EUA do presidente Barack Obama, que adotou uma linha mais diplomática em relação ao Irã, contrariando as ameaças de ação militar feitas pelo governo de George W. Bush.

Israel e o Ocidente acusam Teerã de desenvolver armas nucleares. O Irã diz que seu programa atômico está voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

"A perturbação se destina a retardar o avanço do programa, de modo que (os iranianos) não percebam o que está acontecendo", disse um ex-agente da CIA ao jornal. "A meta é adiar, adiar até que haja outra solução ou abordagem. Certamente não queremos que o atual governo iraniano tenha tais armas. É uma boa política, aquém de confrontá-los militarmente, o que provavelmente acarreta riscos inaceitáveis."

Mark Regev, porta-voz do governo de Israel, disse que não comentaria a notícia.

Como prova da suposta estratégia israelense, observadores citam fatos como a morte de Ardeshire Hassanpour, cientista nuclear da usina de urânio de Isfahan, que morreu em 2007 em sua casa, vítima de uma aparente intoxicação por gás.

Meir Javendafar, especialista em Irã no Meepas, um grupo de análise do Oriente Médio, disse que também há relatos de que o Irã estaria adquirindo equipamentos nucleares defeituosos no mercado internacional, e que há tentativas de Israel de sabotar o fornecimento de eletricidade para a usina de enriquecimento de urânio de Natanz (centro do Irã).

"Acho que há uma sabotagem em curso, é uma manobra lógica e faz sentido no jogo que é parte da luta geral para prejudicar as ambições nucleares do Irã", disse ele à Reuters em Londres.

"Na ausência de uma solução diplomática para resolver este problema, e da inviabilidade de uma guerra agora, essa é a melhor solução", acrescentou.

Ele disse ainda que há sinais de que muitos outros países além de Israel estariam envolvidos nas infiltrações no Irã, mas sugeriu que grande parte da atividade relatada tem mais a ver com uma guerra psicológica do que com uma real sabotagem.

"Numerosas agências de inteligência estão dando o melhor de si nisso. Não só Israel, mas os norte-americanos e muitas agências europeias de espionagem -- há até mesmo relatos de que países neutros, como a Holanda, teriam se envolvido."

"Se for verdade, isso está colocando uma pressão técnica sobre o programa iraniano. Se não for verdade, então é apenas parte de um conflito psicológico. Mas, mesmo que não seja verdade, é parte do que é uma enorme guerra psicológica contra o programa nuclear do Irã (...). Sai muito mais barato do que sabotar equipamentos dentro do Irã."

INDO PARA O ESPAÇO

A revista Isto É desta semana publica a seguinte reportagem de Hugo Marques e Octávio Costa:

Demarcação de terras quilombolas, cortes no orçamento e ação de ONGs tornam inviável programa espacial brasileiro

“Ao saber que o Irã lançou seu primeiro foguete ao espaço, o presidente da Agência Espacial Brasileira, Carlos Ganem, teve uma reação inesperada. "Quando vi a notícia, chorei no meu quarto, sozinho", conta, inconformado com o fato de o Brasil ser ultrapassado por nações sem tradição na corrida espacial. Segundo ele, o País está entre os principais players do mercado de foguetes e satélites, que movimenta mais de US$ 350 bilhões por ano. Mas falta visão sobre a importância do programa espacial. Em entrevista à ISTOÉ, Ganem enumerou os obstáculos que enfrenta para lançar o Cyclone, um foguete de 50 metros de altura e 198 toneladas, que será construído em parceria com a Ucrânia. Entre as dificuldades para desenvolver os principais projetos do Centro Espacial de Alcântara (CEA) estão o corte no orçamento da AEB, a demarcação de terras quilombolas em Alcântara, a ação de ONGs e processos no TCU. "Os ucranianos acham que eu administro um sanatório geral", afirma.

Relator da Comissão Mista de Orçamento, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) é criticado pelo presidente da AEB, que não perdoa o corte de 22,5% nos recursos da agência. A dotação de 2009 caiu para R$ 280 milhões, mas seria necessário pelo menos o dobro para o projeto Cyclone. "É uma escolha burra. Praticamente se disse adeus a um programa como o Amazônia 1", lamenta. Com lançamento previsto para 2010, o Amazônia 1 seria o primeiro satélite totalmente nacional. "Ou o Brasil aposta num programa espacial completo, autônomo e suficiente, ou jamais poderá exercer o papel protagonista que a história lhe reservou", diz o executivo. No novo mapa espacial que está na mesa do presidente da AEB, a Europa, os EUA, o Japão e a Coreia "crescem" este ano, enquanto o Brasil "perde espaço" e a África "desaparece".

Além do corte orçamentário, o programa espacial enfrenta limitações fundiárias. Os quilombolas de Alcântara, no Maranhão, reclamam que em 1980, com a implantação da base de lançamento, mais de 300 famílias foram removidas e não tiveram acesso às praias onde pescavam, perdendo seu sustento. Em novembro, o Incra concedeu aos quilombolas mais da metade da área do município, cerca de 80 mil hectares. O Centro Espacial teve sua área reduzida de 14 mil para 9,3 mil hectares, quando o ideal seria 20 mil hectares, no mínimo (Kourou, a base francesa na Guiana, tem 85 mil hectares). Ativista do movimento das famílias atingidas, Sérvulo Borges afirma que a expansão terá de ser feita dentro da área atual. "Se no futuro os quilombolas quiserem negociar, isso é uma questão que fica a cargo deles."

As imagens dos satélites ajudam ao agronegócio, ao controle de queimadas de pequeno porte e à prevenção de desastres climáticos.

Em 2001, após os ataques terroristas ao World Trade Center, os americanos redirecionaram todos os sinais de satélites, em prejuízo da agricultura de vários países abaixo da linha do Equador. Apesar de todos os obstáculos, o presidente da AEB promete que fará o possível para colocar no espaço um foguete com satélite até o fim do governo Lula. Dentro desse objetivo, a torre de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS1), que derreteu durante um incêndio em 2003, começou a ser reerguida em 2008, num projeto de R$ 40 milhões. A reconstrução ficou parada por dois anos, aguardando decisão do TCU sobre a licitação. Quanto ao foguete Cyclone, embora sem um sítio exclusivo, poderá ser lançado nas instalações atuais.

"O Cyclone vai voar em 2010 de qualquer maneira, pois o programa espacial é irreversível, com ou sem novas áreas", garante Ganem.”

INFLAÇÃO CONTINUA CAINDO

Li no UOL Info Money, ontem, a seguinte reportagem:

IPC-FIPE MOSTRA INFLAÇÃO DE 0,45% EM SÃO PAULO NA SEGUNDA PRÉVIA DO MÊS

“O IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) referente à segunda semana de fevereiro apontou inflação de 0,45%, taxa 0,01 ponto percentual abaixo da registrada no acumulado de janeiro, quando o indicador apresentou variação positiva de 0,46%.

Já em relação à primeira prévia do mês, o índice revelou taxa 0,04 ponto percentual menor que a mostrada na consulta anterior. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (17) pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado projeta taxa de 0,38% para o resultado mensal do IPC-Fipe.

EDUCAÇÃO DESACELERA

Dos sete grupos que compõem o IPC-Fipe, quatro demonstraram aumento em suas taxas de variação em relação à medição passada. O grupo Educação desacelerou 1,55 ponto percentual e atingiu taxa de 3,22%, contribuindo com 26% do resultado do índice cheio.

INFLAÇÃO CONTINUA CAINDO

O IPC é divulgado semanalmente pela Fipe. A pesquisa de preços é feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham entre 1 e 20 salários mínimos.

A cada divulgação, a semana a que se refere à coleta de dados substitui a primeira semana da coleta do período passado. No fim do mês, é calculada a taxa referente ao mês em questão sendo comparada com a taxa do mês anterior.”

AMÉRICA LATINA ESCAPARÁ DA CRISE, DIZ EX-BID

Li ontem no portal UOL a seguinte reportagem da agência espanhola de notícias EFE, em Lisboa:

“O ex-chefe do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e secretário-geral da Comunidade Iberoamericana, Enrique Iglesias, disse que a América Latina escapará da atual crise econômica, em entrevista publicada nesta terça-feira no "Diário Econômico", de Portugal.

Iglesias disse que a América Latina está mais bem preparada para enfrentar a crise, devido ao crescimento sustentado na região durante os últimos anos, à baixa inflação e à correta política monetária.

Ele advertiu, no entanto, que a América Latina enfrentará problemas de restrição de crédito, tanto no setor público quanto para a empresa privada.

A falta de crédito, segundo o ex-BID, afetará especialmente as grandes empresas da região, que agora terão que recorrer ao mercado local para comprar dólares. Ele afirmou que, nesse novo cenário, acontecerá a desvalorização do real brasileiro e do peso mexicano, o que provocará empresas altamente endividadas nos mercados internacionais.

Além disso, Iglesias indicou a dramática queda das remessas que chegam aos países latino-americanos a partir dos Estados Unidos, principalmente, devido à perda de emprego entre os imigrantes.

Iglesias ressaltou que, apesar de tudo que foi dito antes, a economia crescerá entre 1% e 2% na região durante 2009, o que, segundo ele, é um sinal de que a América Latina está mais bem preparada para enfrentar a crise.

O secretário-geral ibero-americano disse que a recuperação econômica em nível global só chegará a partir de 2011.”

INCRA ATRASA O JÁ EMPERRADO PROJETO ESPACIAL BRASILEIRO POR CAUSA DE QUILOMBOLAS

A revista Época desta semana publica a seguinte reportagem de Mariana Sanches, de Alcântara (MA):

“A concessão de terras para descendentes de escravos em torno da base de Alcântara adia outra vez o cronograma do programa brasileiro de conquista do espaço”

“O telhado da casa do agricultor Raimundo Nonato Ferreira é o símbolo de uma das mais longas disputas de terras da recente história brasileira. Retrata também um velho dilema do país: como virar uma potência no futuro e superar antigos problemas que ainda nos prendem ao passado.

De um lado, cerca de 17 mil pessoas que se autointitulam descendentes de escravos reivindicam o direito de ter reconhecida como sua mais de metade das terras do município de Alcântara, no Maranhão. Eles têm o apoio da Secretaria Especial da Igualdade Racial, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Meio Ambiente.

Do outro lado, a Aeronáutica, o Ministério da Defesa, o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Agência Espacial Brasileira querem um pedaço da mesma terra para o centro de lançamento de foguetes e satélites do Programa Espacial Brasileiro.

“Há 20 anos eu não consigo decidir se coloco as telhas no lugar da palha no telhado lá de casa”, diz Raimundo Nonato Ferreira, cujo rosto carrega mais feições de índio que de negro. “O pessoal da Aeronáutica já falou que teríamos de sair das nossas terras várias vezes. Se fizesse melhorias na casa, eu perderia dinheiro. Há uns cinco anos todo mundo passou a dizer que a gente é quilombola, e agora disseram que a terra é mesmo nossa.”

Raimundo Nonato, de 54 anos, é um dos 50 moradores do povoado de Baracatatiua, no litoral norte de Alcântara. Segundo ele, há cerca de 200 anos seus ancestrais, negros escravos abandonados por seus donos ou fugitivos das fazendas de cana-de-açúcar e de algodão, procuraram um lugar para se esconder dos capitães do mato. A mão de obra escrava fez de Alcântara, até o século XVIII, um dos principais centros produtores do Brasil Colonial. Os escravos enfiaram-se em uma mata rica em babaçus, buritis e açaís, próxima ao mar. Esse teria sido o destino de cerca de 8 mil negros que fundaram mais de uma centena de quilombos na região. Seus descendentes não querem ceder mais espaço às torres do centro de lançamento de foguetes de Alcântara, ali instaladas desde o começo da década de 80.

O litígio se arrasta há mais de 20 anos e deverá ser analisado em breve pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em novembro de 2008, uma comissão interministerial coordenada pela Casa Civil tentou encerrar a disputa. O governo federal reconheceu que os 780 quilômetros quadrados ao norte da península de Alcântara pertencem aos quilombolas. A decisão ameaça colocar um ponto final na história do Programa Espacial Brasileiro no Maranhão. “Nós ficamos com pouco mais de 90 quilômetros quadrados, o que torna inviável a expansão do programa”, afirma o coronel Nilo Andrade, comandante da base espacial de Alcântara. “Se continuar como está, teremos de sair daqui.” O coronel Nilo Andrade é um dos autores de um pedido de revisão da concessão das terras apresentado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. No fim de dezembro, Jobim pediu à Advocacia-Geral da União (AGU) uma nova solução para o impasse, que seja capaz de conciliar nas mesmas terras o futuro do programa espacial e o passado dos quilombolas.

A família de Raimundo Nonato e seus vizinhos em Baracatatiua mantêm um estilo de vida semelhante ao de seus bisavós no século XIX. Vivem das roças de mandioca, milho, melancia e arroz e da pesca de subsistência. No povoado, não há luz elétrica. Às 7 da noite, a maior parte da comunidade já foi dormir. Lamparinas de querosene iluminam o local e o rádio de pilha ainda é o principal meio para saber o que acontece no resto do mundo. Não há rede de esgoto nem água encanada. A água é retirada de igarapés, três vezes por dia. Os banheiros limitam-se a um buraco no chão. As casas são de barro, os telhados de palha e o chão de terra batida. Para chegar ao povoado, é preciso enfrentar uma hora em veículos com tração nas quatro rodas. As estradas são de terra, as pontes são troncos de árvore. Raimundo Nonato nunca teve um emprego, nem mesmo um salário. Estudou só até a 3a série do ensino fundamental em uma escola na própria comunidade. A escola foi desativada neste ano porque, segundo a Prefeitura de Alcântara, a quantidade de alunos era insuficiente. Raimundo Nonato nasceu e morou a vida toda no lugar que parecia esquecido do mundo até a construção do centro de foguetes. “A gente achou que ninguém mais ia aparecer por aqui, até que um dia essa história caiu em cima da gente”, diz Raimundo Nonato.

O conflito que impediu a substituição do telhado de Raimundo Nonato tem origem na forma como o governo militar, na década de 80, resolveu pôr de pé o programa espacial brasileiro, usando Alcântara como o principal centro de lançamento de satélites e de foguetes de grande porte. Seiscentos e vinte quilômetros quadrados do município de Alcântara foram desapropriados pelo governo do Maranhão e entregues à Aeronáutica. “Passamos a tomar conta da área como se fosse nossa, mas, das terras que nos foram cedidas, 80% nunca foram legalizadas”, diz o coronel Nilo Andrade. “Temos mais de 90 processos na Justiça há 25 anos para tentar descobrir quem são os donos dessas terras. Normalmente, o problema é a falta de documentação. O dono da terra já morreu, mas não tem atestado de óbito. O her