O portal “UOL Economia Últimas Notícias” publicou há dez minutos uma ótima novidade para a economia brasileira.
O índice BOVESPA da Bolsa de Valores de São Paulo subiu muito com essa informação.
Transcrevo os textos do UOL:
“O Brasil adquiriu nesta quarta-feira o título de grau de investimento pela Agência de Rantig Standard & Poor´s. A nota de crédito (rating) para moeda estrangeira subiu para BBB- com perspectiva estável e a nota para moeda local passou de BBB para BBB+, também com perspectiva estável.
Com esta nova nota, o país entra no grupo de países considerados de baixo risco de inadimplência.”
BOVESPA DISPARA
“Bovespa dispara após notícia de que país virou grau de investimento”
A notícia de que o Brasil passou a ser considerado grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, divulgada na tarde desta quarta-feira, fez a Bolsa de Valores de São Paulo disparar.
Às 15h50, o Ibovespa, principal indicador do mercado brasileiro de ações, avançava 3,64%, a 66.147 pontos (acompanhe gráfico da Bolsa com atualização constante). Caso feche o dia nesse patamar, o mercado brasileiro de ações baterá recorde pela primeira vez no ano.”
quarta-feira, 30 de abril de 2008
O POVO NÃO MAIS ACREDITA NAS MENTIRAS DA MÍDIA
O decano jornalista Lustosa da Costa, do Diário do Nordeste, em sua maneira clara e simples de expressar, publicou conceitos cristalinos em sua coluna de hoje (30/04):
“POVO NÃO CRÊ”
“A crescente popularidade de Lula mostra que ninguém acredita nas mentiras da mídia contra ele e contra seu governo.
Se dependesse só do povo, disputaria e ganharia disparado o terceiro mandato, com uma mão amarrada às costas, malgrado o ódio destilado pelos colunistas amestrados que não podem aceitar o êxito de um operário, nascido no Nordeste, lá onde muitos doutores, inclusive sociólogos, deram com os burros n’água, levando o país à falência duas vezes e enriquecendo amigos mil vezes.
NINGUÉM ACREDITA
Se o eleitor ouvisse e lesse os órgãos de comunicação para votar, Fernando Gabeira, o ex-revolucionário que renegou os ideais do passado em prol da direita, já seria o novo prefeito do Rio, tal a unanimidade da grande mídia a seu favor. Continua, porém, no terceiro lugar na disputa.”
“POVO NÃO CRÊ”
“A crescente popularidade de Lula mostra que ninguém acredita nas mentiras da mídia contra ele e contra seu governo.
Se dependesse só do povo, disputaria e ganharia disparado o terceiro mandato, com uma mão amarrada às costas, malgrado o ódio destilado pelos colunistas amestrados que não podem aceitar o êxito de um operário, nascido no Nordeste, lá onde muitos doutores, inclusive sociólogos, deram com os burros n’água, levando o país à falência duas vezes e enriquecendo amigos mil vezes.
NINGUÉM ACREDITA
Se o eleitor ouvisse e lesse os órgãos de comunicação para votar, Fernando Gabeira, o ex-revolucionário que renegou os ideais do passado em prol da direita, já seria o novo prefeito do Rio, tal a unanimidade da grande mídia a seu favor. Continua, porém, no terceiro lugar na disputa.”
BILIONÁRIO DOS EUA DIZ QUE BRASIL SERÁ MAIOR QUE A CHINA
A coluna “Toda a mídia”, de Nelson de Sá, publicada no jornal “Folha de São Paulo” de hoje, traz a seguinte observação alvissareira para os brasileiros:
“Num encontro de "líderes globais" nos EUA, o "bilionário de mídia" e de imóveis Sam Zell, do "Chicago Tribune", saiu espalhando que, hoje, "investiria no Brasil", segundo informou a Reuters. Para Zell, o Brasil "tem chance de, em 30 anos, ser uma potência econômica maior do que a China".
Transcrevo o texto completo da britânica Reuters, uma das maiores e mais famosas agências de notícias do mundo:
“Billionaire Zell says Brazil is top property pick”
“Beverly Hills, California (Reuters) - Billionaire real estate and media baron Sam Zell said on Monday that, all in all, he would rather invest in Brazil.
"I'd buy Brazil," Zell told the Milken Institute Global Conference. "It has the chance 30 years from now of being a bigger economic power than China."
Zell, chief executive of Chicago Tribune parent, The Tribune Co, and chairman and president of Equity Group Investments, was responding to a moderator's question on what single investment panelists would make in real estate.
Zell said the South American nation's large population of 180 million people, highly-trained work force, and array of crops and natural resources has made it largely self-sufficient.
Zell also said Brazil's biggest mall operator was seeing retail sales growth of 10 percent annually.
Zell said China's one-child policy, enacted in 1979 to help deal with overpopulation, would hurt the country in the long run because it will cut the number of workers. "I think by 2020 that will come back to bite them big time," he said.
Last fall, China extended the one-child policy through 2010.
“Num encontro de "líderes globais" nos EUA, o "bilionário de mídia" e de imóveis Sam Zell, do "Chicago Tribune", saiu espalhando que, hoje, "investiria no Brasil", segundo informou a Reuters. Para Zell, o Brasil "tem chance de, em 30 anos, ser uma potência econômica maior do que a China".
Transcrevo o texto completo da britânica Reuters, uma das maiores e mais famosas agências de notícias do mundo:
“Billionaire Zell says Brazil is top property pick”
“Beverly Hills, California (Reuters) - Billionaire real estate and media baron Sam Zell said on Monday that, all in all, he would rather invest in Brazil.
"I'd buy Brazil," Zell told the Milken Institute Global Conference. "It has the chance 30 years from now of being a bigger economic power than China."
Zell, chief executive of Chicago Tribune parent, The Tribune Co, and chairman and president of Equity Group Investments, was responding to a moderator's question on what single investment panelists would make in real estate.
Zell said the South American nation's large population of 180 million people, highly-trained work force, and array of crops and natural resources has made it largely self-sufficient.
Zell also said Brazil's biggest mall operator was seeing retail sales growth of 10 percent annually.
Zell said China's one-child policy, enacted in 1979 to help deal with overpopulation, would hurt the country in the long run because it will cut the number of workers. "I think by 2020 that will come back to bite them big time," he said.
Last fall, China extended the one-child policy through 2010.
BOLSA-FAMÍLIA PODE VIRAR MODELO DE PROGRAMA MUNDIAL
O blog do Noblat, hoje (30/04), transcreve reportagem de Jamil Chade do jornal “O Estado de São Paulo” que nos informa que o Bolsa Família do governo Lula está sob análise da ONU para ser estendido a outras partes do mundo.
Vejamos o texto do Estadão”;
“O Programa Mundial de Alimentação da ONU estuda adotar programas inspirados no Bolsa-Família como forma de garantir ajuda às famílias que sofrem com a alta nos preços dos alimentos e distribuir comida para cerca de 20 milhões de crianças pelo mundo.
“O governo brasileiro conseguiu avançar na distribuição de alimentos e estamos em contato para ver como podemos usar o modelo em outras regiões do mundo” afirmou ao Estado Jannete Sheeren, diretora do programa da ONU.”
Vejamos o texto do Estadão”;
“O Programa Mundial de Alimentação da ONU estuda adotar programas inspirados no Bolsa-Família como forma de garantir ajuda às famílias que sofrem com a alta nos preços dos alimentos e distribuir comida para cerca de 20 milhões de crianças pelo mundo.
“O governo brasileiro conseguiu avançar na distribuição de alimentos e estamos em contato para ver como podemos usar o modelo em outras regiões do mundo” afirmou ao Estado Jannete Sheeren, diretora do programa da ONU.”
BOLIVIA URGENTE: RISCO DE ESFACELAMENTO DAQUI A QUATRO DIAS
O site português “resistir.info” publica hoje um importante alerta sobre o momento difícil da Bolívia.
Domingo próximo (04 maio), ocorrerá em Santa Cruz de la Sierra um plebiscito para ratificar o que chamam de "estatuto autonômico". O documento é separatista.
Vejamos o texto do referido site de Portugal:
BOLÍVIA: CONSPIRAÇÃO PARA DIVIDIR
“Após a secessão do Kosovo, província sérvia tornada "independente", é a Bolívia que o imperialismo tenta dividir.
O processo de mudanças em favor da maioria dos bolivianos corre o risco de ser travado brutalmente.
A ascensão ao poder de um presidente indígena, eleito com apoio sem precedentes, e seus programas de beneficio popular e de recuperação dos recursos naturais, tiveram que enfrentar desde os primeiros momentos as conspirações oligárquicas e a ingerência imperial.
Nos últimos dias, a escalada conspirativa atingiu níveis sem precedentes. As ações subversivas e anticonstitucionais dos grupos oligárquicos para dividir o país refletem uma mentalidade racista e elitista. Eles atentam contra a integridade da Bolívia e desestabilizam toda região.
A história mostra as terríveis conseqüências de processos divisionistas e separatistas induzidos e insuflados por interesses estrangeiros.”
O “blog do Nassif” (ver à direita em “recomendamos”) também hoje chama a atenção do leitor (texto a seguir) para o grave risco de esfacelamento da Bolívia, com conseqüências extremamente negativas para o Brasil e para a América do Sul.
“A SECESSÃO BOLIVIANA”
(Por graciliano)
“Nassif, peço licença para fazer um alerta que me parece oportuno e urgente: neste domingo, ocorre no ‘departamento’ (Estado,na Bolívia) de Santa Cruz de la Sierra um plebiscito para ratificar o que chamam de "estatuto autonômico".
O documento é separatista e o governo central, de Evo Morales, poderá ser forçado a reprimir caso vença o "sim".
A oposição oligárquica, que governa os departamentos de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija (os mais ricos da Bolívia) tem usado de violência sistematicamente, inclusive com grupos de jovens treinados por ex-militares chilenos.
A mídia brasileira não tem dado atenção ao tema, que pode afetar diretamente nosso país e toda a América do Sul. Caso os cruzenhos consigam criar o que chamam "Estado Camba" ("camba" é um patronímico para quem nasce em Santa Cruz), o novo país poderá ser reconhecido imediatamente por países afinados com os EUA, como israel e Colômbia, e, afinal, pelos próprios EUA. Não estou exagerando, baseio-me em visitas recentes àquele país, onde ouvi os vários lados.
Seria importante que o governo brasileiro desestimule oficialmente esta tentativa de secessão no país vizinho, com o qual temos muitos interesses comuns. Além do que não convém a ninguém um enclave militarizado no centro do nosso continente.
Por favor, permita-me chamar a atenção dos comentaristas sobre este assunto, que somente será notícia depois do previsto conflito do dia 4, domingo.”
O “blog do Mello” hoje também enriquece a informação sobre esse sério tema com o texto a seguir (no referido blog consta o link para o vídeo da entrevista por ele citada):
“Documentos comprovam envolvimento dos EUA na tentativa de desestabilização da Bolívia”
“Veja esta entrevista em que a advogada venezuelana-americana Eva Gollinger denuncia, no programa La Hojilla, da emissora venezuelana VTV, o envolvimento direto dos Estados Unidos na vida política boliviana, com o objetivo de fomentar movimentos oposicionistas ao governo de Evo Morales.
Gollinger exibe documentos oficiais do governo americano que comprovam a remessa de milhões de dólares para o patrocínio de movimentos separatistas e golpistas da chamada Media Luna boliviana.
Na entrevista, a advogada apresenta um dossiê sobre o embaixador americano, Philip Goldberd, que serviu como embaixador no episódio separatista do Kosovo, e assumiu o cargo na Bolívia logo após a posse de Evo Morales.
Entre os documentos apresentados por ela há um que mostra que o governo americano paga a jornalistas para escreverem matérias e artigos favoráveis às diretrizes traçadas por Washington.
Nada disso é novidade. É a mesma estratégia aplicada em outros países, desde o Chile de Allende, em 1973, passando pela Venezuela e agora a Bolívia.
Fico pensando quando teremos uma Eva Gollinger brasileira, que denuncie o esquema no Brasil e aponte jornalistas que recebem para desestabilizar o governo Lula.”
Domingo próximo (04 maio), ocorrerá em Santa Cruz de la Sierra um plebiscito para ratificar o que chamam de "estatuto autonômico". O documento é separatista.
Vejamos o texto do referido site de Portugal:
BOLÍVIA: CONSPIRAÇÃO PARA DIVIDIR
“Após a secessão do Kosovo, província sérvia tornada "independente", é a Bolívia que o imperialismo tenta dividir.
O processo de mudanças em favor da maioria dos bolivianos corre o risco de ser travado brutalmente.
A ascensão ao poder de um presidente indígena, eleito com apoio sem precedentes, e seus programas de beneficio popular e de recuperação dos recursos naturais, tiveram que enfrentar desde os primeiros momentos as conspirações oligárquicas e a ingerência imperial.
Nos últimos dias, a escalada conspirativa atingiu níveis sem precedentes. As ações subversivas e anticonstitucionais dos grupos oligárquicos para dividir o país refletem uma mentalidade racista e elitista. Eles atentam contra a integridade da Bolívia e desestabilizam toda região.
A história mostra as terríveis conseqüências de processos divisionistas e separatistas induzidos e insuflados por interesses estrangeiros.”
O “blog do Nassif” (ver à direita em “recomendamos”) também hoje chama a atenção do leitor (texto a seguir) para o grave risco de esfacelamento da Bolívia, com conseqüências extremamente negativas para o Brasil e para a América do Sul.
“A SECESSÃO BOLIVIANA”
(Por graciliano)
“Nassif, peço licença para fazer um alerta que me parece oportuno e urgente: neste domingo, ocorre no ‘departamento’ (Estado,na Bolívia) de Santa Cruz de la Sierra um plebiscito para ratificar o que chamam de "estatuto autonômico".
O documento é separatista e o governo central, de Evo Morales, poderá ser forçado a reprimir caso vença o "sim".
A oposição oligárquica, que governa os departamentos de Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija (os mais ricos da Bolívia) tem usado de violência sistematicamente, inclusive com grupos de jovens treinados por ex-militares chilenos.
A mídia brasileira não tem dado atenção ao tema, que pode afetar diretamente nosso país e toda a América do Sul. Caso os cruzenhos consigam criar o que chamam "Estado Camba" ("camba" é um patronímico para quem nasce em Santa Cruz), o novo país poderá ser reconhecido imediatamente por países afinados com os EUA, como israel e Colômbia, e, afinal, pelos próprios EUA. Não estou exagerando, baseio-me em visitas recentes àquele país, onde ouvi os vários lados.
Seria importante que o governo brasileiro desestimule oficialmente esta tentativa de secessão no país vizinho, com o qual temos muitos interesses comuns. Além do que não convém a ninguém um enclave militarizado no centro do nosso continente.
Por favor, permita-me chamar a atenção dos comentaristas sobre este assunto, que somente será notícia depois do previsto conflito do dia 4, domingo.”
O “blog do Mello” hoje também enriquece a informação sobre esse sério tema com o texto a seguir (no referido blog consta o link para o vídeo da entrevista por ele citada):
“Documentos comprovam envolvimento dos EUA na tentativa de desestabilização da Bolívia”
“Veja esta entrevista em que a advogada venezuelana-americana Eva Gollinger denuncia, no programa La Hojilla, da emissora venezuelana VTV, o envolvimento direto dos Estados Unidos na vida política boliviana, com o objetivo de fomentar movimentos oposicionistas ao governo de Evo Morales.
Gollinger exibe documentos oficiais do governo americano que comprovam a remessa de milhões de dólares para o patrocínio de movimentos separatistas e golpistas da chamada Media Luna boliviana.
Na entrevista, a advogada apresenta um dossiê sobre o embaixador americano, Philip Goldberd, que serviu como embaixador no episódio separatista do Kosovo, e assumiu o cargo na Bolívia logo após a posse de Evo Morales.
Entre os documentos apresentados por ela há um que mostra que o governo americano paga a jornalistas para escreverem matérias e artigos favoráveis às diretrizes traçadas por Washington.
Nada disso é novidade. É a mesma estratégia aplicada em outros países, desde o Chile de Allende, em 1973, passando pela Venezuela e agora a Bolívia.
Fico pensando quando teremos uma Eva Gollinger brasileira, que denuncie o esquema no Brasil e aponte jornalistas que recebem para desestabilizar o governo Lula.”
terça-feira, 29 de abril de 2008
FORTE ELEVAÇÃO DO SUPERÁVIT PRIMÁRIO DO GOVERNO
O portal UOL Economia – Últimas Notícias publicou, há uma hora atrás, dados divulgados hoje pelo Banco Central referentes ao elevado saldo positivo nas contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.
Transcrevo o texto do UOL [acréscimos entre colchetes deste blog]:
“Economia do governo para pagar dívida salta 178% e soma R$ 10,753 bi em março”
“A economia de receitas do governo para o pagamento de juros da dívida (o chamado superávit primário) somou R$ 10,753 bilhões em março, volume 178% maior que os R$ 3,864 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.
Na comparação com os R$ 5,204 bilhões poupados em fevereiro (este dado foi revisado pelo BC), o superávit primário dobrou - a alta foi de 100,6%. No acumulado do ano, o resultado foi de R$ 31,31 bilhões, aumento de 65,5% sobre período equivalente do ano passado.
Esse resultado tem um lado ruim. O governo consegue o superávit [por exemplo] aumentando impostos [não ocorreu] e deixando de gastar em investimentos em obras e serviços.
Os dados divulgados nesta terça-feira levam em conta a economia feita somente pelo governo federal, o que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central. Ainda serão divulgados os números do superávit primário total do poder público, incluindo União, Estados, municípios e empresas estatais.
No mês de março, o Tesouro Nacional teve resultado primário positivo de R$ 13,421 bilhões. O INSS apresentou déficit de R$ 2,635 bilhões e o Banco Central teve saldo negativo de R$ 31,8 milhões.
O resultado primário (que normalmente tem sido positivo, como em março) é a diferença entre as receitas e as despesas do governo, sem contar os gastos com juros. O resultado nominal, freqüentemente deficitário, é aquele que inclui o pagamento de juros.”
Transcrevo o texto do UOL [acréscimos entre colchetes deste blog]:
“Economia do governo para pagar dívida salta 178% e soma R$ 10,753 bi em março”
“A economia de receitas do governo para o pagamento de juros da dívida (o chamado superávit primário) somou R$ 10,753 bilhões em março, volume 178% maior que os R$ 3,864 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.
Na comparação com os R$ 5,204 bilhões poupados em fevereiro (este dado foi revisado pelo BC), o superávit primário dobrou - a alta foi de 100,6%. No acumulado do ano, o resultado foi de R$ 31,31 bilhões, aumento de 65,5% sobre período equivalente do ano passado.
Esse resultado tem um lado ruim. O governo consegue o superávit [por exemplo] aumentando impostos [não ocorreu] e deixando de gastar em investimentos em obras e serviços.
Os dados divulgados nesta terça-feira levam em conta a economia feita somente pelo governo federal, o que engloba o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central. Ainda serão divulgados os números do superávit primário total do poder público, incluindo União, Estados, municípios e empresas estatais.
No mês de março, o Tesouro Nacional teve resultado primário positivo de R$ 13,421 bilhões. O INSS apresentou déficit de R$ 2,635 bilhões e o Banco Central teve saldo negativo de R$ 31,8 milhões.
O resultado primário (que normalmente tem sido positivo, como em março) é a diferença entre as receitas e as despesas do governo, sem contar os gastos com juros. O resultado nominal, freqüentemente deficitário, é aquele que inclui o pagamento de juros.”
GILMAR MENDES (PRESIDENTE DO STF) CONTINUA O MESMO
Antes de tudo, uma pequena lembrança, com a ajuda da “Wikipédia, a enciclopédia livre”.
Gilmar Ferreira Mendes (Diamantino, 30 de dezembro de 1955) é um jurista brasileiro. Foi nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como Ministro do Supremo Tribunal Federal, com posse em 20 de junho de 2002. Em 2008 tornou-se presidente da Suprema Corte brasileira.
Segundo a imprensa da época, ele tornou-se famoso por “engavetar”, por arquivar processos que causassem algum desconforto para o governo PSDB/PFL/FHC.
Em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, hoje, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já são publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
Vejamos o que publicou a Folha de São Paulo de hoje (29):
“PRESIDENTE DO STF ARQUIVA DUAS AÇÕES CONTRA MINISTROS DE FHC”
“O novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, arquivou duas ações de improbidade administrativa contra os ex-ministros do governo Fernando Henrique, Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Planejamento) e Pedro Parente (Casa Civil).
As ações haviam sido protocoladas pelo Ministério Público Federal na Justiça Federal do DF, que questionava o repasse de cerca de R$ 3 bilhões pelo PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) para assistência financeira ao Banco Econômico S.A e ao Banco Bamerindus.
Em uma delas, que já havia sido julgada pela Justiça Federal, os ex-ministros foram condenados a devolver os recursos repassados. Em 2002, recorreram ao STF, alegando que não podiam ser julgados por aquela instância. O caso foi distribuído a Mendes.
A decisão de Mendes foi tomada no último dia 22 de abril, um dia antes de sua posse na presidência do STF. Sua interpretação baseou-se em julgamento do ano passado do tribunal, que decidiu que autoridades públicas, como ministros de Estado e presidente da República, não podem ser alvo de processos por improbidade administrativa. Podem ser processados por crime de responsabilidade ou crime comum.
Na ocasião, o plenário do STF arquivou ação contra o ex-ministro Ronaldo Sardenberg (Ciência e Tecnologia), do governo FHC. Ele fora condenado pela Justiça Federal à suspensão dos direitos políticos por oito anos por uso de avião oficial para viagens de passeio.”
Gilmar Ferreira Mendes (Diamantino, 30 de dezembro de 1955) é um jurista brasileiro. Foi nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como Ministro do Supremo Tribunal Federal, com posse em 20 de junho de 2002. Em 2008 tornou-se presidente da Suprema Corte brasileira.
Segundo a imprensa da época, ele tornou-se famoso por “engavetar”, por arquivar processos que causassem algum desconforto para o governo PSDB/PFL/FHC.
Em janeiro de 2000, foi nomeado por FHC para ser o Advogado-Geral da União. Sua atuação no cargo o credenciou para a indicação, por FHC, a ministro do Supremo Tribunal Federal, em junho de 2002. Foi empossado presidente do STF para o biênio 2008-2010 em 23 de abril de 2008.
Por coincidência, em coerência com a sua fama então divulgada pela imprensa, hoje, apenas cinco dias após a sua assunção como presidente do STF, já são publicados novos “engavetamentos” convenientes ao PSDB/DEM-PFL.
Vejamos o que publicou a Folha de São Paulo de hoje (29):
“PRESIDENTE DO STF ARQUIVA DUAS AÇÕES CONTRA MINISTROS DE FHC”
“O novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, arquivou duas ações de improbidade administrativa contra os ex-ministros do governo Fernando Henrique, Pedro Malan (Fazenda), José Serra (Planejamento) e Pedro Parente (Casa Civil).
As ações haviam sido protocoladas pelo Ministério Público Federal na Justiça Federal do DF, que questionava o repasse de cerca de R$ 3 bilhões pelo PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) para assistência financeira ao Banco Econômico S.A e ao Banco Bamerindus.
Em uma delas, que já havia sido julgada pela Justiça Federal, os ex-ministros foram condenados a devolver os recursos repassados. Em 2002, recorreram ao STF, alegando que não podiam ser julgados por aquela instância. O caso foi distribuído a Mendes.
A decisão de Mendes foi tomada no último dia 22 de abril, um dia antes de sua posse na presidência do STF. Sua interpretação baseou-se em julgamento do ano passado do tribunal, que decidiu que autoridades públicas, como ministros de Estado e presidente da República, não podem ser alvo de processos por improbidade administrativa. Podem ser processados por crime de responsabilidade ou crime comum.
Na ocasião, o plenário do STF arquivou ação contra o ex-ministro Ronaldo Sardenberg (Ciência e Tecnologia), do governo FHC. Ele fora condenado pela Justiça Federal à suspensão dos direitos políticos por oito anos por uso de avião oficial para viagens de passeio.”
POR QUE O ENVIO DE LUCROS PARA O EXTERIOR BATE RECORDES?
Os jornais de hoje estão transmitindo essa notícia deixando no leitor a impressão de que ela é conseqüência da política econômica do governo Lula.
Precisamos relembrar quando o problema foi criado no Brasil.
Em um certo momento da nossa história, o parque industrial brasileiro foi passado quase integralmente para a propriedade estrangeira. Ao final do governo PSDB/DEM-PFL/FHC, cerca de 70% das empresas “brasileiras” exportadoras já pertencia a estrangeiros.
Eles, logicamente, passaram a remeter para suas matrizes os lucros aqui obtidos. Hoje, com a economia brasileira crescendo fortemente, a remessa de lucros para o exterior também cresce.
Este blog já abordou esse problema no artigo de 26 de janeiro último de título “A transferência para estrangeiros da propriedade de empresas estratégicas”. Transcrevo a primeira parte daquela postagem:
“O câncer de entregar (para estados ou empresas estrangeiras) as empresas brasileiras estratégicas não foi extirpado.
Essa doença foi dolosamente inoculada no Brasil e em outros países especialmente na década de 90, disfarçada com eufemismos: "modernidade", nova ordem mundial", "globalização", “Consenso de Washington” etc.
Aqui diziam que "deveríamos deixar de se proteger, de querer se industrializar e de se desenvolver tecnologicamente. Deveríamos passar a lutar no mercado liberalizado em igualdade de condições com as potências econômicas mundiais. Porque, assim, encontraríamos os nichos de oportunidade e o progresso que nos fosse possível na nova ordem internacional. A mágica do mercado solucionaria tudo sozinha, sem intervenção dos Estados".
Haveria no Brasil, em conseqüência, segundo eles, "o violento e benéfico choque de competição com produtos importados dos países já desenvolvidos, mais competitivos".
Omitiam que as grandes potências hoje são competitivas, desenvolvidas e ricas porque melhor protegeram suas indústrias e produtos; e ainda os amparam fortemente. A nossa imprensa nos diz o contrário, mas o Estado naqueles países é forte e intervencionista.
A "modernidade" nos foi imposta, inclusive por meio dos diversos acordos com o FMI.
Os poucos países que não obedeceram plenamente aquelas diretrizes tornaram-se os bem-sucedidos, especialmente a China, Índia, Coréia do Sul.
Por absurdo, os mesmos brasileiros que contribuíram na década de 90 para o nosso distanciamento dessas novas potências emergentes, são os mesmos que hoje debocham e cobram do governo atual não termos os mesmos sucessos da China...
O pior é que, apesar da quase falência que causou em muitos países (como Argentina e Brasil), a moléstia ainda persiste no Brasil, nas mentes e corações de muitos brasileiros, especialmente nos que se intitulam "elite conservadora" e na grande mídia que a apóia radicalmente.
Em resumo, no nosso caso, qual a maldade que havia por trás daquelas imposições dos EUA, do FMI, do G-7?
Ela nunca era explicitada. Contudo, era evidente que, entre os principais motivos, estava o seguinte: não queriam no Brasil o Estado empresário, ou forte e regulador que viesse a nos colocar em condições de competir com os ricos.
Por quê? Porque o Estado forte em país pobre é o único com alguma dimensão econômica para fazer empresas brasileiras ao menos fortes o suficiente para competirem com as grandes empresas dos EUA e do Primeiro Mundo no mercado nacional e em nossos setores estratégicos ou altamente lucrativos.
Assim, na década de 90, veio a ocorrer no Brasil o ápice da doença. A prioridade era vender, desestatizar e desnacionalizar. Prioritariamente, desnacionalizar as empresas estrategicamente mais importantes para o desenvolvimento nacional e as mais lucrativas, especialmente as que vendem em moeda forte (ex.: EMBRAER, Vale do Rio Doce, EMBRATEL).
A muito estimulada e "arrojada" desnacionalização do parque industrial brasileiro e do setor público de serviços foi financiada com dinheiro nacional, em sua maior parte. Foram utilizados recursos públicos como os do BNDES, a serem pagos pelos compradores estrangeiros com juros baixos, suavemente, com fracas ou inócuas exigências de garantias.
O pior de tudo até hoje é omitido. Muitas empresas não foram "privatizadas" como dizem. Elas foram REESTATIZADAS para empresas estatais estrangeiras!
Os brasileiros não sabem, mas muitas das nossas empresas, a EMBRAER, por exemplo, no governo FHC praticamente passaram para o controle de Estado estrangeiro.
Hoje, a propriedade da EMBRAER e de muitas outras, até mesmo a PETROBRAS, a VALE, está em mãos estrangeiras em boa parte!”
Assim, como acima exposto no citado artigo deste blog, o parque industrial e exportador brasileiro passou para mãos estrangeiras. Essas mãos, naturalmente, passaram a remeter seus lucros para seus países.
Como corrigir isso? É muito difícil em prazo curto. O mal já foi inoculado no Brasil como um câncer. As curas são longas e difíceis. Qualquer arremedo de “nacionalização” é intensamente criticado no exterior e no país pela imprensa defensora de grandes interesses econômicos externos, como ocorre na Venezuela e na Bolívia.
O Brasil terá que encontrar suas próprias soluções mais palatáveis para o mundo capitalista.
Vejamos a notícia publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo, em texto de Ney Hayashi da Cruz, da sucursal de Brasília:
ENVIO DE LUCROS PARA O EXTERIOR ATINGE RECORDE
“Com aumento de 39% nas remessas e queda do saldo comercial, contas externas têm pior resultado desde outubro de 98”.
“Déficit nas transações correntes soma US$ 10,8 bi até março, próximo do saldo negativo de US$ 12 bi que o BC prevê para o ano todo”.
“As remessas de lucros para o exterior voltaram a bater recorde no mês passado, chegando a US$ 4,345 bilhões e superando em 39% a marca anterior, que havia sido alcançada em dezembro do ano passado. Isso fez com que as contas externas do Brasil atingissem seu pior resultado em quase dez anos, segundo o Banco Central.
(...) O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que a volta do déficit nas contas externas já era esperada. "Os números mostram uma certa deterioração no resultado de transações correntes neste início de ano. É um quadro de menor saldo comercial e remessas de lucros bem mais elevadas", afirma.
Para Lopes, o crescimento no envio de dividendos ao exterior não preocupa, pois indica que as empresas que atuam no Brasil estão tendo ganhos também elevados. "Se não estivessem tendo lucro, não iriam remeter [para fora do país]."
Precisamos relembrar quando o problema foi criado no Brasil.
Em um certo momento da nossa história, o parque industrial brasileiro foi passado quase integralmente para a propriedade estrangeira. Ao final do governo PSDB/DEM-PFL/FHC, cerca de 70% das empresas “brasileiras” exportadoras já pertencia a estrangeiros.
Eles, logicamente, passaram a remeter para suas matrizes os lucros aqui obtidos. Hoje, com a economia brasileira crescendo fortemente, a remessa de lucros para o exterior também cresce.
Este blog já abordou esse problema no artigo de 26 de janeiro último de título “A transferência para estrangeiros da propriedade de empresas estratégicas”. Transcrevo a primeira parte daquela postagem:
“O câncer de entregar (para estados ou empresas estrangeiras) as empresas brasileiras estratégicas não foi extirpado.
Essa doença foi dolosamente inoculada no Brasil e em outros países especialmente na década de 90, disfarçada com eufemismos: "modernidade", nova ordem mundial", "globalização", “Consenso de Washington” etc.
Aqui diziam que "deveríamos deixar de se proteger, de querer se industrializar e de se desenvolver tecnologicamente. Deveríamos passar a lutar no mercado liberalizado em igualdade de condições com as potências econômicas mundiais. Porque, assim, encontraríamos os nichos de oportunidade e o progresso que nos fosse possível na nova ordem internacional. A mágica do mercado solucionaria tudo sozinha, sem intervenção dos Estados".
Haveria no Brasil, em conseqüência, segundo eles, "o violento e benéfico choque de competição com produtos importados dos países já desenvolvidos, mais competitivos".
Omitiam que as grandes potências hoje são competitivas, desenvolvidas e ricas porque melhor protegeram suas indústrias e produtos; e ainda os amparam fortemente. A nossa imprensa nos diz o contrário, mas o Estado naqueles países é forte e intervencionista.
A "modernidade" nos foi imposta, inclusive por meio dos diversos acordos com o FMI.
Os poucos países que não obedeceram plenamente aquelas diretrizes tornaram-se os bem-sucedidos, especialmente a China, Índia, Coréia do Sul.
Por absurdo, os mesmos brasileiros que contribuíram na década de 90 para o nosso distanciamento dessas novas potências emergentes, são os mesmos que hoje debocham e cobram do governo atual não termos os mesmos sucessos da China...
O pior é que, apesar da quase falência que causou em muitos países (como Argentina e Brasil), a moléstia ainda persiste no Brasil, nas mentes e corações de muitos brasileiros, especialmente nos que se intitulam "elite conservadora" e na grande mídia que a apóia radicalmente.
Em resumo, no nosso caso, qual a maldade que havia por trás daquelas imposições dos EUA, do FMI, do G-7?
Ela nunca era explicitada. Contudo, era evidente que, entre os principais motivos, estava o seguinte: não queriam no Brasil o Estado empresário, ou forte e regulador que viesse a nos colocar em condições de competir com os ricos.
Por quê? Porque o Estado forte em país pobre é o único com alguma dimensão econômica para fazer empresas brasileiras ao menos fortes o suficiente para competirem com as grandes empresas dos EUA e do Primeiro Mundo no mercado nacional e em nossos setores estratégicos ou altamente lucrativos.
Assim, na década de 90, veio a ocorrer no Brasil o ápice da doença. A prioridade era vender, desestatizar e desnacionalizar. Prioritariamente, desnacionalizar as empresas estrategicamente mais importantes para o desenvolvimento nacional e as mais lucrativas, especialmente as que vendem em moeda forte (ex.: EMBRAER, Vale do Rio Doce, EMBRATEL).
A muito estimulada e "arrojada" desnacionalização do parque industrial brasileiro e do setor público de serviços foi financiada com dinheiro nacional, em sua maior parte. Foram utilizados recursos públicos como os do BNDES, a serem pagos pelos compradores estrangeiros com juros baixos, suavemente, com fracas ou inócuas exigências de garantias.
O pior de tudo até hoje é omitido. Muitas empresas não foram "privatizadas" como dizem. Elas foram REESTATIZADAS para empresas estatais estrangeiras!
Os brasileiros não sabem, mas muitas das nossas empresas, a EMBRAER, por exemplo, no governo FHC praticamente passaram para o controle de Estado estrangeiro.
Hoje, a propriedade da EMBRAER e de muitas outras, até mesmo a PETROBRAS, a VALE, está em mãos estrangeiras em boa parte!”
Assim, como acima exposto no citado artigo deste blog, o parque industrial e exportador brasileiro passou para mãos estrangeiras. Essas mãos, naturalmente, passaram a remeter seus lucros para seus países.
Como corrigir isso? É muito difícil em prazo curto. O mal já foi inoculado no Brasil como um câncer. As curas são longas e difíceis. Qualquer arremedo de “nacionalização” é intensamente criticado no exterior e no país pela imprensa defensora de grandes interesses econômicos externos, como ocorre na Venezuela e na Bolívia.
O Brasil terá que encontrar suas próprias soluções mais palatáveis para o mundo capitalista.
Vejamos a notícia publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo, em texto de Ney Hayashi da Cruz, da sucursal de Brasília:
ENVIO DE LUCROS PARA O EXTERIOR ATINGE RECORDE
“Com aumento de 39% nas remessas e queda do saldo comercial, contas externas têm pior resultado desde outubro de 98”.
“Déficit nas transações correntes soma US$ 10,8 bi até março, próximo do saldo negativo de US$ 12 bi que o BC prevê para o ano todo”.
“As remessas de lucros para o exterior voltaram a bater recorde no mês passado, chegando a US$ 4,345 bilhões e superando em 39% a marca anterior, que havia sido alcançada em dezembro do ano passado. Isso fez com que as contas externas do Brasil atingissem seu pior resultado em quase dez anos, segundo o Banco Central.
(...) O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que a volta do déficit nas contas externas já era esperada. "Os números mostram uma certa deterioração no resultado de transações correntes neste início de ano. É um quadro de menor saldo comercial e remessas de lucros bem mais elevadas", afirma.
Para Lopes, o crescimento no envio de dividendos ao exterior não preocupa, pois indica que as empresas que atuam no Brasil estão tendo ganhos também elevados. "Se não estivessem tendo lucro, não iriam remeter [para fora do país]."
segunda-feira, 28 de abril de 2008
A DIPLOMACIA DOS EUA AINDA É A DO “BIG STICK”
O jornal New York Times de hoje traz um longo artigo de Jimmy Carter, o 39º presidente dos EUA, fundador do Centro Carter e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2002.
O texto do jornal norte-americano foi traduzido e publicado pelo UOL Mídia Global, e tanto nesse site quanto no do New York Times o artigo consta na íntegra.
Reproduzo somente o seu início:
“JIMMY CARTER: DIPLOMACIA PÁRIA
“Uma política contraproducente de Washington em anos recentes tem sido a de boicotar e punir facções locais ou governos que se recusam a aceitar diretivas dos Estados Unidos.
Essa política torna difícil a possibilidade de que tais líderes possam moderar suas políticas.”
O texto do jornal norte-americano foi traduzido e publicado pelo UOL Mídia Global, e tanto nesse site quanto no do New York Times o artigo consta na íntegra.
Reproduzo somente o seu início:
“JIMMY CARTER: DIPLOMACIA PÁRIA
“Uma política contraproducente de Washington em anos recentes tem sido a de boicotar e punir facções locais ou governos que se recusam a aceitar diretivas dos Estados Unidos.
Essa política torna difícil a possibilidade de que tais líderes possam moderar suas políticas.”
HELIO JAGUARIBE: “O JARDIM ANTROPOLÓGICO É UMA INSENSATEZ”
O jornal Folha de São Paulo publicou ontem (27) um importante artigo de Hélio Jaguaribe, oportuno para o presente debate sobre a política indigenista no Brasil.
Segundo consta no wikipedia, o autor é sociólogo, decano emérito do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (RJ), membro da Academia Brasileira de Letras e autor de, entre outras obras, "Um Estudo Crítico da História".
Em 1946, Jaguaribe graduou-se na área de Direito, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Em 1983 recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johanes Gutenberg, na cidade alemã de Mainz. Nove anos depois, em 1992, foi a Universidade Federal da Paraíba que lhe deu o mesmo título. Recebeu também o grau pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Em 1964, Jaguaribe criticou publicamente o golpe militar que derrubou o governo do então presidente da república, João Goulart. Por causa disso, Jaguaribe saiu do Brasil, indo morar nos Estados Unidos. Lá, lecionou em três instituições. São elas:
• Universidade de Harvard (de 1964 a 1966);
• Universidade de Stanford (de 1966 a 1967);
• Massachusetts Institute of Technology (MIT) (de 1968 a 1969).
Jaguaribe retornou ao Brasil em meados de 1969.
Reproduzo o artigo de Hélio Jaguaribe:
“AS TERRAS INDÍGENAS SÃO UMA AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL?
SIM
O “JARDIM ANTROPOLÓGICO” É UMA INSENSATEZ
Todos os países americanos se confrontaram com a questão indígena. É indiscutível que em todos eles a relação entre europeus colonizadores e a população nativa foi originariamente conflituosa. Esse conflito conduziu ao extermínio das populações costeiras (Brasil), levando os nativos a se refugiarem no interior remoto de cada um desses países.
É a partir, sobretudo, do século 19 que se diferenciam a conduta dos europeus e a de seus descendentes nas Américas. Nos EUA, a opção da população branca foi o extermínio dos nativos: "a good indian is a dead indian".
O Brasil não teve política indigenista até o início do século 20. O índio foi romantizado por José de Alencar e outros. Mas a conduta real, por parte dos que se adentraram pelo Oeste, foi de espoliação das terras indígenas, com violenta expulsão dos nativos.
A política indigenista no Brasil não foi, originariamente, formulada pelo governo federal, e sim por esse grande pioneiro que foi o general Rondon.
Encarregada da extensão das linhas telegráficas até Cuiabá, a Missão Rondon, como foi designada, se defrontou com as populações indígenas do interior do país. A política adotada por Rondon foi a de total respeito aos índios, reconhecidos como legítimos proprietários das terras.
Meu saudoso pai, general Francisco Jaguaribe de Mattos, então jovem capitão, foi o geógrafo e cartógrafo da missão. Dele tenho narrativas diretas de como se procedia então. Seus membros, nos freqüentes encontros com os índios, os abordavam pacificamente, incorporando os que desejassem. O lema de Rondon era: "Morrer se necessário, matar, nunca".
A política indigenista de Rondon partia do suposto de que o índio era o brasileiro nativo, que devia ser tratado respeitosamente pelos civilizados e induzido, pacificamente, a se incorporar à cidadania, recebendo conveniente educação e assistência.
A República manteve a política indigenista de Rondon. De acordo com suas idéias (ele mesmo tendo ascendência indígena), estimava-se que, gradualmente, a total população indígena, ora da ordem de 700 mil entre 190 milhões de habitantes, seria incorporada à cidadania brasileira.
Em anos mais recentes, a política indigenista brasileira passou a ser orientada por etnólogos. Estes, diversamente de Rondon, não intentavam a pacífica incorporação do índio, mas a preservação das culturas indígenas. Para isso, adotou-se a prática da delimitação de amplas áreas nos sítios povoados por índios, como reservas.
A política de reservas vem sendo aplicada sem levar em conta os imperativos de defesa nacional, o que ocorre nos diversos casos em que elas se estendem até nossas fronteiras com países vizinhos. As autoridades militares têm alertado o governo, com toda a razão, sobre o perigo da prática.
Por essas e outras razões, a política indigenista brasileira requer uma urgente a ampla revisão. Desde logo, independentemente da nova orientação que se lhe dê, é preciso estabelecer uma faixa que acompanhe as fronteiras do Brasil com outros países e dela excluir as reservas indígenas. Em termos mais amplos, importa questionar: que objetivos deve ter tal política, ademais da proteção do índio?
Por outro lado, a perpetuação de culturas nativas, em que se fundamenta, no Brasil, a política de reservas, carece de sentido. Em termos antropológicos, pois é impossível sustar o processo civilizatório. As populações civilizadas do mundo são descendentes de populações tribais, que seguiram, em todos os países, o secular caminho que leva os paleolíticos a se transformarem em neolíticos e estes, em civilizados.
Criar um "jardim antropológico", à semelhança de um jardim zoológico, é uma insensatez. Cabe ao governo federal zelar pela unidade do país, e não contribuir para autonomizar supostas nações indígenas que, no limite do caso, poderiam apelar para a ONU para lhes salvaguardar a independência e ser objeto de penetração estrangeira.
A nossa política indigenista não pode ter outro objetivo senão o da incorporação pacífica do índio à cidadania brasileira, para tal lhe dando toda a assistência requerida: sanitária, educacional e profissional.”
Segundo consta no wikipedia, o autor é sociólogo, decano emérito do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (RJ), membro da Academia Brasileira de Letras e autor de, entre outras obras, "Um Estudo Crítico da História".
Em 1946, Jaguaribe graduou-se na área de Direito, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Em 1983 recebeu o grau de Doutor Honoris Causa da Universidade de Johanes Gutenberg, na cidade alemã de Mainz. Nove anos depois, em 1992, foi a Universidade Federal da Paraíba que lhe deu o mesmo título. Recebeu também o grau pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Em 1964, Jaguaribe criticou publicamente o golpe militar que derrubou o governo do então presidente da república, João Goulart. Por causa disso, Jaguaribe saiu do Brasil, indo morar nos Estados Unidos. Lá, lecionou em três instituições. São elas:
• Universidade de Harvard (de 1964 a 1966);
• Universidade de Stanford (de 1966 a 1967);
• Massachusetts Institute of Technology (MIT) (de 1968 a 1969).
Jaguaribe retornou ao Brasil em meados de 1969.
Reproduzo o artigo de Hélio Jaguaribe:
“AS TERRAS INDÍGENAS SÃO UMA AMEAÇA À SOBERANIA NACIONAL?
SIM
O “JARDIM ANTROPOLÓGICO” É UMA INSENSATEZ
Todos os países americanos se confrontaram com a questão indígena. É indiscutível que em todos eles a relação entre europeus colonizadores e a população nativa foi originariamente conflituosa. Esse conflito conduziu ao extermínio das populações costeiras (Brasil), levando os nativos a se refugiarem no interior remoto de cada um desses países.
É a partir, sobretudo, do século 19 que se diferenciam a conduta dos europeus e a de seus descendentes nas Américas. Nos EUA, a opção da população branca foi o extermínio dos nativos: "a good indian is a dead indian".
O Brasil não teve política indigenista até o início do século 20. O índio foi romantizado por José de Alencar e outros. Mas a conduta real, por parte dos que se adentraram pelo Oeste, foi de espoliação das terras indígenas, com violenta expulsão dos nativos.
A política indigenista no Brasil não foi, originariamente, formulada pelo governo federal, e sim por esse grande pioneiro que foi o general Rondon.
Encarregada da extensão das linhas telegráficas até Cuiabá, a Missão Rondon, como foi designada, se defrontou com as populações indígenas do interior do país. A política adotada por Rondon foi a de total respeito aos índios, reconhecidos como legítimos proprietários das terras.
Meu saudoso pai, general Francisco Jaguaribe de Mattos, então jovem capitão, foi o geógrafo e cartógrafo da missão. Dele tenho narrativas diretas de como se procedia então. Seus membros, nos freqüentes encontros com os índios, os abordavam pacificamente, incorporando os que desejassem. O lema de Rondon era: "Morrer se necessário, matar, nunca".
A política indigenista de Rondon partia do suposto de que o índio era o brasileiro nativo, que devia ser tratado respeitosamente pelos civilizados e induzido, pacificamente, a se incorporar à cidadania, recebendo conveniente educação e assistência.
A República manteve a política indigenista de Rondon. De acordo com suas idéias (ele mesmo tendo ascendência indígena), estimava-se que, gradualmente, a total população indígena, ora da ordem de 700 mil entre 190 milhões de habitantes, seria incorporada à cidadania brasileira.
Em anos mais recentes, a política indigenista brasileira passou a ser orientada por etnólogos. Estes, diversamente de Rondon, não intentavam a pacífica incorporação do índio, mas a preservação das culturas indígenas. Para isso, adotou-se a prática da delimitação de amplas áreas nos sítios povoados por índios, como reservas.
A política de reservas vem sendo aplicada sem levar em conta os imperativos de defesa nacional, o que ocorre nos diversos casos em que elas se estendem até nossas fronteiras com países vizinhos. As autoridades militares têm alertado o governo, com toda a razão, sobre o perigo da prática.
Por essas e outras razões, a política indigenista brasileira requer uma urgente a ampla revisão. Desde logo, independentemente da nova orientação que se lhe dê, é preciso estabelecer uma faixa que acompanhe as fronteiras do Brasil com outros países e dela excluir as reservas indígenas. Em termos mais amplos, importa questionar: que objetivos deve ter tal política, ademais da proteção do índio?
Por outro lado, a perpetuação de culturas nativas, em que se fundamenta, no Brasil, a política de reservas, carece de sentido. Em termos antropológicos, pois é impossível sustar o processo civilizatório. As populações civilizadas do mundo são descendentes de populações tribais, que seguiram, em todos os países, o secular caminho que leva os paleolíticos a se transformarem em neolíticos e estes, em civilizados.
Criar um "jardim antropológico", à semelhança de um jardim zoológico, é uma insensatez. Cabe ao governo federal zelar pela unidade do país, e não contribuir para autonomizar supostas nações indígenas que, no limite do caso, poderiam apelar para a ONU para lhes salvaguardar a independência e ser objeto de penetração estrangeira.
A nossa política indigenista não pode ter outro objetivo senão o da incorporação pacífica do índio à cidadania brasileira, para tal lhe dando toda a assistência requerida: sanitária, educacional e profissional.”
GRANDE BASE DOS EUA NO PARAGUAI?
PARA FACILITAR FUTUROS DESDOBRAMENTOS DE FORÇAS NA AMÉRICA DO SUL?
BOATO?
O blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha (ver “recomendamos”) publicou ontem na hora do almoço um artigo que expõe que “o ‘copy and paste’ reina e a internet permite que um boato circule o mundo com uma rapidez inimaginável no século 20”. O título do texto é: “Internet: quando a crença se sobrepõe aos fatos”.
O autor exemplifica como boato a informação de terem sido construídas em região remota do Paraguai enormes instalações para apoio a operações aéreas dos EUA. Elas estão sem uso até hoje.
Reproduzo o trecho final do artigo do Azenha:
“O copy and paste reina e a internet permite que um boato circule o mundo com uma rapidez inimaginável no século 20.
Hoje, intelectuais, escritores, historiadores e jornalistas de todas as cepas acreditam que existe, no Chaco paraguaio, uma base militar dos Estados Unidos, no aeroporto de Mariscal Estigarribia.
Quem se baseia em consultas na internet pode obter, em inglês, espanhol e outros idiomas, mais do que duas fontes para sustentar esse "fato".
Porém, como pude constatar pessoalmente, a pedido da revista Carta Capital, a base não existe, nem instalações capazes de receber milhares de soldados estadunidenses. Trata-se de um gigantesco aeroporto, sim, mas vazio. Podemos especular à vontade a respeito do futuro uso dele, mas o fato é que, atualmente, não abriga militares dos Estados Unidos.
Neste caso específico podemos dizer que a crença se sobrepôs aos fatos.”
CONTESTAÇÃO
Um leitor, Murillo Paiva, postou pouco antes da meia-noite um interessante comentário sobre esse artigo do Azenha, afirmando a existência daquelas instalações e acrescentando outros dados importantes. Reproduzo:
“Murillo Paiva (27/04/2008 - 23:48)
“A foto de seu texto nos mostra a pista do Aeroporto de Estigarríbia, no meio do deserto Paraguaio. Construída por técnicos dos EUA, com 3.800 metros de comprimento e 80 de largura, o dobro da pista de Assunção e em perfeitas condições de uso.
Os especialistas asseguram que é tão sólida e ampla que pode receber aviões de grande envergadura , como bombardeiros e de transporte de tropas e material militar de grande peso (B-52, C-130 Hércules, C-5 Galaxy y KC 135, entre outros).
Mas é totalmente superdimensionada para as necessidades da Força Aérea Paraguaia, que opera com apenas 8 aviões Xavante e Pillán de médio porte, e oito avionetas Cessna de treinamento.
Esta base conta com um enorme radar hoje inativo para controle do tráfego aéreo, sistemas de aterrissagem noturna, bombas de reabastecimento de combustível e amplos hangares.
As suspeitas de que os EUA estariam para instalar aí uma base militar se acenderam quando o Congresso paraguaio aprovou uma lei (26/05/2005) que concedia imunidade a tropas dos EUA em território paraguaio, além de autorizar a entrada de 400 soldados norte-americanos para "exercícios de treinamento e doutrinamento em temas de segurança e defesa".
E esta autorização nunca foi tão extensa - por 18 meses, prorrogáveis.
Esta pista descomunal no meio deserto está a 200 km da fronteira com a Bolívia e outro tanto da Tríplice Fronteira, além de se assentar sobre o Aqüífero Guarani.”
CONTRADIÇÃO
O jornalista Azenha respondeu ao comentário nove minutos após. Transcrevo:
“Luiz Carlos Azenha (27/04/2008 - 23:57)
Murillo, eu estive lá e obtive uma cópia do mapa oficial da pista, além de andar de automóvel na própria. Tem 3.500 metros por 40. Não há prova, nem indício, de participação dos Estados Unidos na construção da pista. O restante é verdadeiro.”
Fiquei confuso.
Se tudo o que disse o leitor Murillo Paiva “é verdadeiro” segundo Azenha, exceto os detalhes de comprimento e largura da pista (que não retiram seu status de grandes dimensões) e de os EUA apareceram ou não explicitamente como os construtores da obra, todas as demais informações confirmadas por Azenha já são altamente preocupantes para a segurança nacional brasileira.
O fato de ainda estar vazia, de não estar sendo utilizada pelos EUA para grandes desdobramentos militares no “cone sul” da América Latina, não nos tranqüiliza em nada!
Não é “uma crença que se sobrepôs aos fatos”. É um “fato” real e muito importante!
BOATO?
O blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha (ver “recomendamos”) publicou ontem na hora do almoço um artigo que expõe que “o ‘copy and paste’ reina e a internet permite que um boato circule o mundo com uma rapidez inimaginável no século 20”. O título do texto é: “Internet: quando a crença se sobrepõe aos fatos”.
O autor exemplifica como boato a informação de terem sido construídas em região remota do Paraguai enormes instalações para apoio a operações aéreas dos EUA. Elas estão sem uso até hoje.
Reproduzo o trecho final do artigo do Azenha:
“O copy and paste reina e a internet permite que um boato circule o mundo com uma rapidez inimaginável no século 20.
Hoje, intelectuais, escritores, historiadores e jornalistas de todas as cepas acreditam que existe, no Chaco paraguaio, uma base militar dos Estados Unidos, no aeroporto de Mariscal Estigarribia.
Quem se baseia em consultas na internet pode obter, em inglês, espanhol e outros idiomas, mais do que duas fontes para sustentar esse "fato".
Porém, como pude constatar pessoalmente, a pedido da revista Carta Capital, a base não existe, nem instalações capazes de receber milhares de soldados estadunidenses. Trata-se de um gigantesco aeroporto, sim, mas vazio. Podemos especular à vontade a respeito do futuro uso dele, mas o fato é que, atualmente, não abriga militares dos Estados Unidos.
Neste caso específico podemos dizer que a crença se sobrepôs aos fatos.”
CONTESTAÇÃO
Um leitor, Murillo Paiva, postou pouco antes da meia-noite um interessante comentário sobre esse artigo do Azenha, afirmando a existência daquelas instalações e acrescentando outros dados importantes. Reproduzo:
“Murillo Paiva (27/04/2008 - 23:48)
“A foto de seu texto nos mostra a pista do Aeroporto de Estigarríbia, no meio do deserto Paraguaio. Construída por técnicos dos EUA, com 3.800 metros de comprimento e 80 de largura, o dobro da pista de Assunção e em perfeitas condições de uso.
Os especialistas asseguram que é tão sólida e ampla que pode receber aviões de grande envergadura , como bombardeiros e de transporte de tropas e material militar de grande peso (B-52, C-130 Hércules, C-5 Galaxy y KC 135, entre outros).
Mas é totalmente superdimensionada para as necessidades da Força Aérea Paraguaia, que opera com apenas 8 aviões Xavante e Pillán de médio porte, e oito avionetas Cessna de treinamento.
Esta base conta com um enorme radar hoje inativo para controle do tráfego aéreo, sistemas de aterrissagem noturna, bombas de reabastecimento de combustível e amplos hangares.
As suspeitas de que os EUA estariam para instalar aí uma base militar se acenderam quando o Congresso paraguaio aprovou uma lei (26/05/2005) que concedia imunidade a tropas dos EUA em território paraguaio, além de autorizar a entrada de 400 soldados norte-americanos para "exercícios de treinamento e doutrinamento em temas de segurança e defesa".
E esta autorização nunca foi tão extensa - por 18 meses, prorrogáveis.
Esta pista descomunal no meio deserto está a 200 km da fronteira com a Bolívia e outro tanto da Tríplice Fronteira, além de se assentar sobre o Aqüífero Guarani.”
CONTRADIÇÃO
O jornalista Azenha respondeu ao comentário nove minutos após. Transcrevo:
“Luiz Carlos Azenha (27/04/2008 - 23:57)
Murillo, eu estive lá e obtive uma cópia do mapa oficial da pista, além de andar de automóvel na própria. Tem 3.500 metros por 40. Não há prova, nem indício, de participação dos Estados Unidos na construção da pista. O restante é verdadeiro.”
Fiquei confuso.
Se tudo o que disse o leitor Murillo Paiva “é verdadeiro” segundo Azenha, exceto os detalhes de comprimento e largura da pista (que não retiram seu status de grandes dimensões) e de os EUA apareceram ou não explicitamente como os construtores da obra, todas as demais informações confirmadas por Azenha já são altamente preocupantes para a segurança nacional brasileira.
O fato de ainda estar vazia, de não estar sendo utilizada pelos EUA para grandes desdobramentos militares no “cone sul” da América Latina, não nos tranqüiliza em nada!
Não é “uma crença que se sobrepôs aos fatos”. É um “fato” real e muito importante!
2010: COM LULA CANDIDATO, SERRA PERDE FEIO
O blog do Noblat publicou há pouco a parte da pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje que mais interessou àquele jornalista das Organizações Globo. É a que destaca que o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ganharia as eleições (sem Lula candidato) para presidente da república em 2010 se as eleições fossem hoje, mais de dois anos antes.
Contudo, passou quase despercebido que, segundo a pesquisa espontânea, feita sem apresentar nomes para o pesquisado escolher, Lula venceria disparado se fosse candidato (hipótese nula hoje), com seis vezes mais votos do que Serra, com 29,4% contra 5% de Serra...
Essas pesquisas não têm maior significado hoje, quando Lula afirma que não concorrerá, nem ainda indicou, muito menos não fez campanha, pelo seu candidato.
Parece-me que o objetivo da pesquisa e da notícia é simplesmente direcionar a disputa interna do PSDB a favor de Serra, frente a Aécio Neves e Geraldo Alkmin.
Transcrevo somente trecho da notícia do Noblat:
“PESQUISA CNT/SENSUS
"Sem Lula, Serra ainda lidera com folga pesquisa sobre 2010"
"A pesquisa CNT/Sensus preparou quatro cenários para a disputa da eleição presidencial de 2010. O governador de São Paulo, José Serra, vence com folga nas simulações que participa, mas a diferença dele para outros candidatos caiu de fevereiro pra cá.
Já na pesquisa espontânea, Lula lidera com 29,4%. Em seguida vem Serra, com 5%, Aécio Neves, com 2,9%, Geraldo Alckmin, com 2,4%, Heloísa Helena, 1,7% e Ciro Gomes, 1,5%. Os que ainda não tem candidato somam 54,1%.”
Contudo, passou quase despercebido que, segundo a pesquisa espontânea, feita sem apresentar nomes para o pesquisado escolher, Lula venceria disparado se fosse candidato (hipótese nula hoje), com seis vezes mais votos do que Serra, com 29,4% contra 5% de Serra...
Essas pesquisas não têm maior significado hoje, quando Lula afirma que não concorrerá, nem ainda indicou, muito menos não fez campanha, pelo seu candidato.
Parece-me que o objetivo da pesquisa e da notícia é simplesmente direcionar a disputa interna do PSDB a favor de Serra, frente a Aécio Neves e Geraldo Alkmin.
Transcrevo somente trecho da notícia do Noblat:
“PESQUISA CNT/SENSUS
"Sem Lula, Serra ainda lidera com folga pesquisa sobre 2010"
"A pesquisa CNT/Sensus preparou quatro cenários para a disputa da eleição presidencial de 2010. O governador de São Paulo, José Serra, vence com folga nas simulações que participa, mas a diferença dele para outros candidatos caiu de fevereiro pra cá.
Já na pesquisa espontânea, Lula lidera com 29,4%. Em seguida vem Serra, com 5%, Aécio Neves, com 2,9%, Geraldo Alckmin, com 2,4%, Heloísa Helena, 1,7% e Ciro Gomes, 1,5%. Os que ainda não tem candidato somam 54,1%.”
DIVULGADO HOJE: 87,1% APROVAM O GOVERNO LULA
A Folha Online publicou às 11 h desta manhã, em reportagem de Gabriela Guerreiro, o resultado da pesquisa de opinião do CNT/Sensus divulgado hoje. Comprova o reconhecimento pela população dos sucessos do governo Lula e a grande aprovação do desempenho pessoal do presidente.
É a melhor avaliação do governo Lula desde a sua primeira posse em janeiro de 2003.
Reproduzo o texto da Folha [entre colchetes acrescentados por este blog]:
“GOVERNO DO PRESIDENTE LULA TEM MELHOR AVAVALIAÇÃO DESDE 2003, DIZ CNT/SENSUS"
[POPULARIDADE: 87,1% APROVAM O GOVERNO LULA]
“O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou a melhor popularidade em abril deste ano desde que o petista assumiu o governo em 2003, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje.
Entre os entrevistados, 57,5% avaliaram o governo como positivo. Na pesquisa anterior, realizada em fevereiro passado, 52,7% consideraram o governo do petista positivo. Desta vez, apenas 11,3% dos entrevistados avaliaram o governo como negativo, contra outros 29,6% que o consideram regular.
Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.
[AVALIAÇÃO PESSOAL DE LULA: 69,3% APROVAM]
A avaliação pessoal do presidente Lula também subiu de 66,8% para 69,3% de fevereiro a abril deste ano. Somente 26,1% desaprovaram o presidente, enquanto 4,7% não responderam. Os índices de popularidade de Lula só perderam, em abril de 2008, para as avaliações de sua popularidade registradas em 2003 --o ano em que foi empossado no cargo-- quando obteve 83% de aprovação.
[RAZÕES DO SUCESSO: ECONOMIA, EMPREGOS, PROGRAMAS SOCIAIS, PAC]
O diretor da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, disse que o bom desempenho do governo Lula pode ser atribuído ao crescimento da economia, geração de empregos e programas sociais implantados pela Presidência da República.
"Há também a boa movimentação do presidente, seu discurso popular com a divulgação do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. O presidente consegue capitalizar bem suas políticas. Dá a sensação de um governo eficiente", afirmou.
Segundo Clésio, o governo federal também consegue realizar uma "movimentação política" positiva em termos da divulgação de suas ações. "O seu marketing é bem trabalhado", afirmou.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.”
É a melhor avaliação do governo Lula desde a sua primeira posse em janeiro de 2003.
Reproduzo o texto da Folha [entre colchetes acrescentados por este blog]:
“GOVERNO DO PRESIDENTE LULA TEM MELHOR AVAVALIAÇÃO DESDE 2003, DIZ CNT/SENSUS"
[POPULARIDADE: 87,1% APROVAM O GOVERNO LULA]
“O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou a melhor popularidade em abril deste ano desde que o petista assumiu o governo em 2003, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje.
Entre os entrevistados, 57,5% avaliaram o governo como positivo. Na pesquisa anterior, realizada em fevereiro passado, 52,7% consideraram o governo do petista positivo. Desta vez, apenas 11,3% dos entrevistados avaliaram o governo como negativo, contra outros 29,6% que o consideram regular.
Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.
[AVALIAÇÃO PESSOAL DE LULA: 69,3% APROVAM]
A avaliação pessoal do presidente Lula também subiu de 66,8% para 69,3% de fevereiro a abril deste ano. Somente 26,1% desaprovaram o presidente, enquanto 4,7% não responderam. Os índices de popularidade de Lula só perderam, em abril de 2008, para as avaliações de sua popularidade registradas em 2003 --o ano em que foi empossado no cargo-- quando obteve 83% de aprovação.
[RAZÕES DO SUCESSO: ECONOMIA, EMPREGOS, PROGRAMAS SOCIAIS, PAC]
O diretor da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, disse que o bom desempenho do governo Lula pode ser atribuído ao crescimento da economia, geração de empregos e programas sociais implantados pela Presidência da República.
"Há também a boa movimentação do presidente, seu discurso popular com a divulgação do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. O presidente consegue capitalizar bem suas políticas. Dá a sensação de um governo eficiente", afirmou.
Segundo Clésio, o governo federal também consegue realizar uma "movimentação política" positiva em termos da divulgação de suas ações. "O seu marketing é bem trabalhado", afirmou.
A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre 21 e 25 de abril em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.”
domingo, 27 de abril de 2008
LULA: TEXTO COMPLETO DA ENTREVISTA AOS DIÁRIOS ASSOCIADOS
O Correio Braziliense de hoje, domingo (27) publicou a entrevista exclusiva do Presidente Lula aos Diários Associados, concedida na última quinta-feira (24) no terceiro andar do Palácio do Planalto.
Segue o texto do Correio Braziliense, em matéria de Josemar Gimenez, Alon Feuerwerker, Daniel Pereira, Baptista Chagas de Almeida e Sérgio Miguel Buarque, do Correio Braziliense, do Estado de Minas e do Diário de Pernambuco:
“ENTREVISTA - LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Ainda que a base se divida em 2010, presidente diz que Planalto trabalhará por um único nome.
O governo terá um único candidato à Presidência da República em 2010, mesmo que os partidos aliados apresentem mais de um concorrente na disputa. Quem avisa é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista exclusiva aos Diários Associados, na última quinta-feira, no terceiro andar do Palácio do Planalto, Lula não chegou a dizer o nome do escolhido, mas deixou claro que trabalhará por ele. “Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato”, declarou o presidente. “Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso.”
Acompanhado de Franklin Martins, ministro de Comunicação Social, Lula negou que já tenha escalado a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para enfrentar a oposição, ao alegar que só a “fantástica” capacidade gerencial da auxiliar não basta para lhe garantir o posto.
Afirmou ainda que os competidores governistas terão que sair a campo logo depois das eleições municipais, para não deixar os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) “sozinhos na praia”.
Em tom acima do habitual, o presidente garantiu que não há possibilidade de tentar um terceiro mandato consecutivo. “Isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil.”
Bem disposto, apesar de reclamar do cansaço físico decorrente da sessão diária de exercícios, de pouco mais de uma hora de duração, Lula tachou de “pequena” a discussão sobre gastos com cartões corporativos. Informou que instituirá o valor de uma diária para viagens, em resposta à crise. Prometeu punir o responsável pelo vazamento de dados sigilosos do governo anterior. E rechaçou a acusação segundo a qual o governo forjou um dossiê para atingir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira dama Ruth Cardoso.
“Achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth é não ter a dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem bem. Eu posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que aprendi na minha vida é ter relação política leal.”
Lula mostrou-se confiante em relação aos desafios na área econômica. Voltou a considerar a pressão inflacionária sobre os alimentos, por exemplo, “um bom desafio” para o Brasil, que teria terra, tecnologia e condições climáticas favoráveis para plantar, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa.
Em recado ao Banco Central, declarou que o Brasil não precisa ter medo da inflação, porque os investimentos em curso serão capazes de sustentar o crescimento da demanda. “Nós não queremos truncar o crescimento. Daí, a minha preocupação com os juros”.
Em cerca de uma hora e vinte minutos de entrevista, o presidente esbanjou bom humor. Como de costume, puxou conversa falando de futebol e lamentando o desempenho do Corinthians, seu time de coração. Antes de enfrentar a bateria de perguntas, ainda encontrou tempo para brincar com o hábito de fumar cigarrilhas. “Está na minha mesa, para eu sancionar, um projeto que proíbe fumar em lugares fechados. Que ironia do destino.”
Nas próximas páginas, a íntegra da entrevista.
Que medidas o governo vai adotar para evitar que a comida encareça e enfraqueça o apoio político que o senhor tem entre a população mais pobre?
É injustiça achar que o reconhecimento da população mais pobre se deve só à questão da comida. A comida é um fator preponderante. Agora, é importante ter noção do que foi feito para os setores excluídos da sociedade. Do Bolsa Família ao Programa Luz para Todos, do Pronaf ao crédito consignado, do ProJovem às escolas técnicas. O que permite que você tenha uma densidade de política social como poucas vezes ou nenhuma vez o Brasil teve.
Eu fui um dirigente sindical razoavelmente importante no Brasil, fiz as greves mais importantes, era muito difícil conseguir 1% de aumento real de salário. Hoje, 90% dos sindicatos estão fazendo acordos ganhando aumento de salário.
Tem um conjunto de fatores que permite que a sociedade viva um pouco melhor. E um deles é a comida. Estamos vivendo um momento sui generis no mundo. Milhões de seres humanos começaram a comer nos últimos 10 anos. E a agricultura não cresceu proporcionalmente à demanda. Por isso, eu disse que é um bom desafio. Porque ter mais gente comendo significa que a gente precisa produzir mais. Temos terra para produzir mais, temos tecnologia para produzir mais, temos sol para produzir mais, temos água para produzir mais. Produzir mais alimentos para manter o preço do alimento estável.
Na semana passada, eu dizia para o ministro Guido Mantega que não é mais possível discutir inflação sem colocar na mesa o ministro da Agricultura e o ministro do Desenvolvimento Agrário. Porque tem que ter um jogo combinado. Precisamos aumentar nossa produção. Esse é um desafio que não me preocupa. É um desafio que me alenta a provocar os produtores brasileiros a produzirem muito mais.
Como o governo vai administrar dois projetos que parecem conflitantes, biocombustível e alimento? E como evitar que a cana-de-açúcar para o etanol reproduza o tradicional modelo concentrador de renda?
Primeiro, é inconcebível alguém dizer que a questão do biocombustível tem alguma coisa a ver com o preço dos alimentos, porque o mundo não produz biocombustível e tem 800 milhões de pessoas que vão dormir sem comer. Os que criticam o biocombustível nunca criticaram o preço do petróleo. O mundo desenvolvido importa petróleo sem tarifa e coloca uma tarifa absurda para importar o etanol do Brasil.
No fundo, o Brasil está sendo vítima na medida em que virou artista principal do jogo. Não somos mais coadjuvantes. Somos o maior exportador de café, de suco de laranja, de soja, de carne. O que precisamos, e na política do biodiesel está correto, é o chamado selo social. O produtor que contratar a produção do biodiesel da agricultura familiar tem isenção de impostos, exatamente para a gente não repetir o erro da cana.
Temos dito claramente que, se quisermos ter sucesso (na Rodada de Doha de liberalização do comércio), é preciso que os países ricos flexibilizem nos preços agrícolas para que os produtos dos países mais pobres entrem no mercado rico, senão não há estímulo para os países plantarem.
Então, parem de hipocrisia e comecem a comprar os combustíveis que estamos vendendo. Ou façam parceria com terceiros países. A Europa poderia fazer convênio, como nós fizemos em Gana. Vamos produzir em Gana para vender para a Suécia. Quero dizer uma coisa de coração: se um dia eu chegar à conclusão de que, para encher o tanque de um carro, meu tanque (apontando para a barriga) terá de ficar vazio, vou encher meu tanque primeiro para depois encher o tanque do carro. Não podemos é aceitar a discussão que os países ricos querem nos impor.
Desde pequeno eu ouvia dizer que o Brasil seria o celeiro do mundo. Pois bem, a oportunidade se apresenta agora. A Europa não tem mais condição de aumentar a produção agrícola, são poucos os países que têm terra para aumentar. Quem é que tem? O Brasil, a África e a América Latina.
O senhor tem dito que o biocombustível e a cana-de-açúcar não pressionam a produção de alimento porque o Brasil tem muita terra, especialmente pastos degradados que poderiam ser utilizados. Se está sobrando terra para plantar cana, por que está faltando para a reforma agrária?
Não está faltando terra para a reforma agrária. No governo passado, em oito anos, eles distribuíram 22 milhões de hectares de terra. Nós, em cinco anos, distribuímos 35 milhões de hectares de terra.
Qual é a divergência que tenho com o movimento dos sem-terra? É que acho que o problema não é assentar mais gente. O problema é fazer as pessoas que já estão na terra se tornarem mais produtivas. O que não pode é ficar colocando gente num canto, e eles continuarem tão miseráveis quanto estavam ontem. Precisamos aperfeiçoar a produtividade, a assistência técnica, o equilíbrio dos preços para quem já tem terra. Desse drama eu não sofro.
O dado concreto é que estamos vivendo um bom desafio, e o Brasil não pode ter medo do bom desafio. O ruim seria se o mundo estivesse precisando de alimento e o Brasil não tivesse terra, tecnologia e conhecimento.
Essa escalada no preço dos alimentos deu razão ao Banco Central, que aumentou em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros?
Olha, não me peça para discutir o Banco Central. Você pode discordar da visão que o Banco Central está tendo de que a inflação daqui a um ano será de 6% ou 7%, ou você pode concordar. Então, cabe ao governo, em vez de ficar choramingando, tomar atitudes para evitar que os preços da comida subam. Naquilo que são preços que dependem do governo as coisas estão mais ou menos controladas. Então, eu acho que não há necessidade de a gente ter medo da inflação. A inflação tem que ser controlada porque durante 27 anos da minha vida vivi de salário como trabalhador e sei que a inflação é uma desgraça na vida de um operário. Então, precisamos aumentar a produção.
Uma economia saudável é aquela em que você tem um crescimento da demanda e um crescimento da oferta andando mais ou menos juntos. Se a oferta cresce mais, você expande suas exportações. À medida que a demanda cresce um pouco mais e a oferta não cresce, temos um problema de aumento de preço.
Não está acontecendo isso no Brasil. Não está acontecendo. Porque tem muitos investimentos. Esses investimentos num primeiro momento são consumo, porque você tem que comprar as coisas para construir uma fábrica, mas num segundo momento se tornam oferta. E é com essa idéia que nós trabalhamos para 2009. Os investimentos já estão feitos, já estão acontecendo. Nós passamos 26 anos sem fazer uma fábrica de cimento no Brasil. De repente, fomos obrigados a fazer 10 fábricas de cimento, porque a construção civil foi destravada. E nós não queremos truncar o crescimento. Daí a minha preocupação com o aumento dos juros.
A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tem a liderança política e a capacidade necessárias para enfrentar os desafios colocados ao país?
Por que você pergunta da Dilma e não do Franklin (Martins, ministro da Comunicação Social)? Eu tenho tido todo o cuidado e tenho consciência de que não é o momento de o presidente da República estar em campanha. Tenho dois anos e oito meses de mandato ainda, tem muita coisa para se fazer neste país, e eu não posso perder tempo fazendo campanha.
Tomei uma decisão de que nas eleições municipais, onde a base estiver com mais de um candidato, não pense que eu vou lá porque eu não vou. Agora, também não pensem… Outro dia não sei quem foi que achou absurdo eu dizer que queria fazer meu sucessor. Houve alguém que ficou estarrecido. Ele deveria ficar estarrecido se eu não quisesse fazer. Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso. Agora, eu tenho uma base muito heterogênea. Com que o presidente precisa contar neste momento? Com a hipótese de que a gente consiga montar uma chapa única da base aliada.
Como fazer isso?
Nós temos candidato a presidente e a vice, 27 governadores e 54 senadores (nas eleições em 2010). Portanto, temos cargos para contemplar essa base heterogênea. O PSB, por exemplo, é um aliado histórico e tem candidato à Presidência, o deputado Ciro Gomes, um candidato forte porque já foi candidato duas vezes, é uma pessoa conhecida, basta ver nas pesquisas.
Mas também é bem possível que outros partidos queiram lançar candidato. E vocês jamais me verão reclamar de um partido querer lançar candidato. Se o PCdoB quiser ter candidato, se o PDT quiser ter candidato, eu acho normal, porque é o momento de o partido colocar a cara na televisão, de dizer qual é o seu programa, a sua proposta. Então, vocês não me verão nervoso porque os partidos terão candidato próprio.
Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato.
Por que o senhor escolheu a ministra Dilma?
Eu não estou dizendo que será a Dilma. Não sei quem está dizendo que é a Dilma. É muito difícil a gente tentar lançar alguém candidato sem que tenha uma discussão com o partido ou com os aliados. Se você perguntar das qualidades da Dilma, vou dizer para você uma coisa: existem raríssimas pessoas no Brasil com a capacidade gerencial da companheira Dilma Rousseff. Rarísssimas. A Dilma é de uma capacidade de gerenciamento impecável. E, sobretudo, é aquilo que a gente gosta, ‘Caxias’. Então, eu acho uma figura extraordinária.
Agora, entre ser uma figura extraordinária para gerenciar e ser candidata à Presidência é uma outra conversa, porque aí entra um ingrediente chamado política, que exige outras credenciais. Eu não estou discutindo isso agora. No momento certo, provocarei a discussão.
Quando será o momento?
Será depois das eleições de 2008. Terminada a eleição para as prefeituras, a partir do ano que vem todo mundo tem que saber claramente que vamos começar a campanha de 2010, sem que o presidente participe diretamente, porque tenho muito coisa para fazer, mas os partidos precisarão começar a sair a campo, porque se não fica uma situação desigual. O PSDB tem dois candidatos já postos, o (José) Serra (governador de São Paulo) e o Aécio (Neves, governador de Minas Gerais). Não se sabe se o (Geraldo) Alckmin quer ser ou não. Ou seja, a oposição não pode ficar nadando na praia sozinha. É preciso colocar mais gente nessa praia, e acho que os partidos vão colocar.
O senhor é a favor da aliança do PT com o PSDB em Belo Horizonte? (depois da entrevista, a aliança foi vetada pelo Diretório Nacional do PT)
Cada partido, na sua cidade e no seu estado, tem que determinar a política que ele entende que seja mais conveniente. O que estou entendendo? Que é conveniente para o Aécio fazer a aliança com o Fernando Pimentel (prefeito de Belo Horizonte) e é conveniente para o Pimentel fazer a aliança com o Aécio. Como o Aécio tem o controle do PSDB e o Pimentel mostrou ter o controle do PT, os dois fizeram aliança. Eu acho normal para disputar a prefeitura. A gente não pode também ficar querendo que Roraima e Pernambuco se envolvam no acordo que Minas Gerais fez.
Os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci não ficaram muito felizes com a aliança.
É normal. Houve dezenas de reuniões, eles não participaram e a gente paga o preço. O Pimentel está há muito tempo na prefeitura, foi secretário do Patrus, foi secretário do Célio (de Castro), foi vice-prefeito, é prefeito duas vezes. Ele só pode ter o controle do partido lá. E também é muito competente. Se tem uma coisa que não falta ao Pimentel é competência.
Essa aliança não tem um significado maior, uma simbologia nacional?
Eu não vejo assim. Obviamente que quem fez pode pensar que tem.
A aliança não pode atrair o PSB em nível nacional?
Não acredito. Ela se deu em Belo Horizonte, mas não se deu em Contagem, em Ipatinga, em Governador Valadares. Ou seja, é uma coisa muito localizada.
Uma das versões sobre a aliança é que o PT está fortalecendo o Aécio porque acha que ele não será o candidato à Presidência do PSDB. Mas se ele for o candidato do PSDB, como é que fica?
Primeiro, não cabe ao PT fortalecer o Aécio. Quem tem que fortalecer o Aécio, em primeiro lugar, é o próprio Aécio e, em segundo lugar, o PSDB.
Mas o senhor disse que a aliança fortalece o Aécio e o Pimentel.
Não sei. Acho que essa aliança não pode ter vinculação com 2010. Todo mundo sabe que o Aécio é um político hábil, inteligente. O Aécio e o Pimentel gostam de viver essa relação muito harmônica. Isso é um problema de Minas Gerais.
O jogo vai começar para 2010 a partir de agora. Obviamente que o Aécio antes de qualquer coisa tem que enfrentar os obstáculos internos, o Serra tem que enfrentar os obstáculos internos. Depois é que eles vão sair na disputa pública para ver quem é quem. Acho que nós precisamos nos preparar. Quem quer que seja o candidato (da oposição), o governo vai ter candidato.
O governador Aécio Neves seria um bom nome da coalizão governista se mudasse para o PMDB?
É muito difícil para o presidente da República discutir em tese. É preciso primeiro saber se o PMDB quer. Segundo, saber qual é o tempo em que ele faria isso, porque isso aos olhos do povo não é uma coisa simples. Eu estou torcendo pelo Garantido (um dos competidores no Festival Folclórico de Parintins-AM) e daqui a pouco o povo me vê no Caprichoso (adversário do Garantido). Não é assim, não é uma coisa simples.
Obviamente que o governador de Minas Gerais tem condições de pleitear ser candidato a presidente, como tem o governador de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. Agora, primeiro tem o confronto interno, que não é uma coisa fácil. E certamente o Aécio não vai correr do jogo antes de o jogo ser jogado. Ele vai ter que disputar. Se ele perde e depois tenta sair, aí realmente é um tiro pela culatra.
O senhor citou Roraima. O senhor sempre diz que conhece o Brasil, e não apenas de ouvir falar. O senhor, ao longo de sua vida política, já esteve nos quatro cantos do país. Por que o senhor não foi até hoje, em mais de cinco anos de mandato, até Roraima para conhecer a situação pessoalmente e conversar diretamente com a população sobre o conflito fundiário que ocorre naquele estado?
Primeiro, eu já fui muitas vezes a Roraima. Não fui como presidente da República, porque tem um conflito estabelecido. Um grupo de políticos tratou de fazer contra o governo federal uma guerra, quando o que estávamos querendo fazer era a demarcação (da reserva indígena Raposa/Serra do Sol) tal como preconizado no governo passado.
O ministro Márcio Thomaz Bastos (então na Justiça) trabalhou, ouviu quem deveria ouvir, foi lá dezenas de vezes, fez uma demarcação, estabeleceu-se o conflito, e é só você ver a publicidade feita pelos adversários lá que você vai perceber que está estabelecida uma guerra com o governo federal. E por que eu iria lá para aumentar esse conflito?
O senhor não poderia ser um mediador?
Temos tentando mediar daqui. Tudo que fizemos até agora foi acordado na minha mesa. Tudo. Acontece que você faz um acordo aqui e as coisas não acontecem lá.
Agora, eu não quero mais discutir esse assunto porque está no Supremo Tribunal Federal. Eu só posso lhe garantir uma coisa: o Márcio Thomaz Bastos trabalhou nisso com carinho, tivemos deputados e senadores que foram lá, construiu-se uma proposta que era razoável, estabeleceu-se um acordo para distribuir as terras que estão nas mãos do Incra para o estado de Roraima. Tudo isso foi feito.
Ainda assim continua uma guerra. É só você ver a quantidade de outdoors naquela cidade contra o governo federal, enquanto a gente queria encontrar uma solução para o bem de Roraima. Ora, não fui eu que levei os índios para lá. Eles estavam lá antes de chegar o governador, antes de eu ser presidente da República e, eu diria, antes de o Brasil ser descoberto. O que estamos fazendo é dando para eles aquilo que entendemos que é de direito deles. A Suprema Corte vai tomar a decisão. Qualquer que seja a decisão, para mim está resolvido o problema.
Como o senhor recebeu a fala do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, a respeito desse assunto?
Ele disse publicamente que falou em caráter pessoal. À medida que o governo mostrou sua insatisfação, ele disse que não vai falar mais. Para mim, está resolvido o problema. Acho normal que um militar que está na área tenha uma visão que necessariamente não precisa ser a minha. Mas à medida que o governo tem uma decisão, aquela é a decisão do país. Agora, quando vai para a suprema corte, o governo também se subordina à decisão da Suprema Corte.
O senhor aceitaria prorrogar o mandato em mais um ano para viabilizar o fim da reeleição e o mandato presidencial de cinco anos?
Não existe possibilidade. O que eu acho é que o Congresso e os partidos deveriam priorizar a reforma política. Dentro da reforma política, poderiam aumentar o mandato do presidente em um ano e acabar com a reeleição a partir de 2014. O dado concreto é que a reforma política se faz extremamente necessária e eu não sei por que os partidos não querem fazê-la. Às vezes, sou cobrado e fico pensando se é o presidente que tem que fazer uma proposta. Não é o presidente.
Mas o senhor está disposto a apresentar uma proposta?
Eu não quero fazer. Não é papel do Executivo fazer a proposta de reforma política. Aliás, nós tentamos fazer. Tem uma proposta enviada pelo companheiro Márcio Thomaz Bastos ao Congresso que foi para uma comissão, foi discutida e parou. Se você perguntar para mim qual é a reforma mais importante a ser feita no Brasil, eu direi a reforma política. E tenho provocado os partidos para que discutam, que coloquem uma proposta, não façam nada para a próxima eleição. Façam para 2014, para quando quiserem, mas façam. Vamos dar mais estabilidade institucional ao país, valorizar os partidos.
Por que os partidos não votam a reforma?
Porque é sempre muito difícil as pessoas que estão exercendo o cargo quererem mudar as regras do jogo. Se o governo puxa uma proposta de reforma política e os partidos não querem, o governo já sai derrotado no berço. Eu tenho provocado. Já pensei até em convocar os ex-presidentes para que fizessem a proposta política. A impressão que eu tenho é que as pessoas não querem. É uma coisa bonita de falar, fácil de falar, mas na hora de votar ninguém quer. As pessoas acham que as eleições têm que ser do jeito que está.
Quando há interesse, é para propor o terceiro mandato.
O terceiro mandato não está ligado à reforma política. Propor o terceiro mandato é tão pernicioso quanto foi proporem o segundo.
Essa frase é perigosa, presidente, porque o segundo mandato aconteceu.
Aconteceu. Na minha opinião, não foi nenhuma sumidade para o Brasil porque a gente poderia ter mantido o mandato de cinco anos sem reeleição. Por que aconteceu o segundo? Por causa da vaidade de quem está no poder.
Eu acho que é impensável, se você quiser consolidar a democracia no Brasil, pensar em terceiro mandato. Porque hoje você pensa em terceiro mandato, amanhã pensa em quarto mandato, daqui a pouco está pensando em quinto mandato. E isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil. As pessoas que discutem terceiro mandato não têm coisa mais séria para discutir. E a gente não pode dar crédito a tudo que a oposição fala. A oposição que está com medo do terceiro mandato é a oposição que achava que meu mandato tinha acabado em 2005.
Há uma CPI mista no Congresso sobre cartões corporativos. A Polícia Federal está investigando uma possível manipulação irregular de informações sigilosas das contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o vazamento desses dados, que estavam sob a guarda da Casa Civil. O senhor acha que esses dados estão seguros aqui no Palácio? O senhor falou tanto da capacidade gerencial da ministra Dilma… Não houve um descontrole nesse assunto?
A maior prova de que não estão seguros é que vazaram. Por que vocês não pegam o caso de que todo vazamento que houve dos cartões corporativos é por causa da divulgação feita pela Controladoria-Geral da União, no Portal da Transparência?
Mas ali não é vazamento.
Mas está tudo lá. Qualquer cidadão pode entrar no portal e pegar as informações. Obviamente que, se eu tirasse a minha camisa aqui e chamasse um de vocês escondido e falasse que essa camisa eu achei no túmulo do (Che) Guevara, a manchete seria: “Lula entrega ao Correio Braziliense a camisa com a qual foi enterrado Guevara”. Até alguém provar que era mentira… Agora, achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth (Cardoso, ex-primeira-dama), contra o Fernando Henrique Cardoso, é não ter dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem. E que certamente, se investigados, teriam muitas coisas… Eu não fiz porque fui vítima disso a vida inteira.
O que estamos fazendo é um banco de dados, para que as pessoas tenham as informações adequadas. E quando eu deixar a Presidência não existirá mais nada meu que não possa ser divulgado.
Agora, se alguém consegue pegar um documento e vender como dossiê, ou entrega para um senador e para um deputado, eu não posso fazer outra (coisa) a não ser apurar, para saber o que aconteceu.
Vamos continuar a fazer banco de dados até 31 de dezembro de 2010. Eu fico triste porque muitas vezes vejo o debate nacional se dar em cima de coisas menores, e não das coisas importantes que a gente deveria discutir. Eu posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é ter uma relação política leal. Eu vivi esse preconceito, essa perseguição, no movimento sindical. Minha vida foi futucada nos bancos quando sofri intervenção, e eu nunca mostrei um minuto de raiva ou de vingança. Se eu fosse fazer um dossiê, não seria da dona Ruth.
E se a Polícia Federal chegar à conclusão de que houve manipulação indevida de informações, violando normas vigentes sobre dados sigilosos?
Se se provar que alguém manipulou equivocadamente, esse alguém terá que ser punido. Essa é a prática. A única coisa com que fico triste é alguém tentar passar a idéia de que o governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth. Realmente, não me cabe na cabeça.
O senhor concorda com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para quem o governo tem o direito de recolher informações de gestões anteriores e usá-las para reagir a crises políticas?
Mas essas informações estão aí. Se eu quiser pegar o que fez um prefeito há 15 anos, é só ir ao Ministério do Planejamento, está lá o processo. O Tarso não disse que é certo. O Tarso disse que não é um delito. Certamente, o Correio Braziliense tem informações cotidianas dos seus concorrentes. Ou não tem? Ou a Pirelli não tem da Michelin? Ou a Volks não tem da Fiat? Agora, imaginar que você vai utilizar isso para fazer alguma coisa… Agora, quando nós instituímos a CPI… E é importante que isso não se perca de vista, porque de vez em quando a gente perde o momento histórico.
Nós fizemos o primeiro comício das Diretas Já em novembro de 1983 no Pacaembu, quando o Fernando Henrique foi lá anunciar a morte do Teotônio Vilela, e para a opinião pública brasileira o único ato que houve foi o de 25 de janeiro de 1984. Mas o primeiro ato, com a presença até do Fernando Henrique, foi nosso.
O que não quero é que se perca de vista que nós pedimos uma CPI e, como nós pedimos uma CPI para até 10 anos atrás, temos que ter o banco de dados para oferecer para a CPI.
Esse debate sobre cartões corporativos é hipócrita?
Não diria que é hipócrita, diria que é pequeno. Eu era presidente do sindicato quando acabei com nota fiscal no sindicato, porque eu via a briga mesquinha do conselho fiscal para saber se o cara parou no posto ou no motel. Em São Paulo, se você pegar a Via Anhangüera, verá dois ou três restaurantes que são motéis também. Até você provar que tinha sido só almoço era uma guerra. Então, resolvi instituir a diária. Fiz uma média nacional. Se você quiser dormir na sarjeta, dorme. Não precisa prestar contas. Só assina o recibo de que recebeu a diária.
Confesso a vocês que neste país há uma certa hipocrisia. Um ministro de Estado, se for à França, come do bom e do melhor e não põe a mão no bolso. No Brasil, um ministro não pode pagar um café para um convidado. Imagina o ministro da Justiça do Brasil ir jantar com o ministro da Justiça da Colômbia e na hora de pedir a conta falar o seguinte: vamos rachar. É uma hipocrisia.
Vou esperar a CPI terminar e instituir uma diária. Ou verba de representação. Espero que a CPI proponha isso. Se o cidadão pegar a diária e quiser dormir num meia estrela para economizar, o problema é dele. Mas pelo menos você fica tranqüilo e não fica vulnerável a ver manchete de jornal dizendo que o cidadão gastou oito reais com tapioca. Prefiro correr o risco de fazer a coisa séria.
Os gastos de ex-presidentes têm que ser mantidos em sigilo?
Não é todo gasto que é mantido em sigilo, é aquilo que o Gabinete de Segurança Institucional entende que é de segurança da instituição Presidência da República. Só vale para quando você for presidente. Quando eu deixar a Presidência, no dia primeiro de janeiro de 2011, os meus dados serão dados públicos. Não tem mais segurança, não tem mais que alugar carro em meu nome, não tem importância as pessoas saberem em que açougue vai comprar carne. Eu conheço presidente que não toma água que a gente oferece, que não toma café que a gente oferece, que não come a mesma comida que a gente come. Eu como até coisa que me dão no palanque. Se tiver alguma desgraça, eu sei que vou me ferrar. A segurança quando vê toma da minha mão. Eu tenho que pegar sem eles verem.
O ideal para mim ao terminar o mandato é ter clareza de que o Brasil mudou de patamar. Obviamente, eu não carrego a ilusão de que a gente vai transformar o Brasil na grande nação com que todos nós sonhamos em oito anos, 15 anos. É um processo que precisa ter continuidade. Daí a necessidade de o próximo governante ter uma concepção seqüencial, de dar cumprimento às coisas que estamos fazendo.
As discussões que não avançam no Congresso, como a reforma política, têm uma mesma razão embrionária, que é a disputa entre dois núcleos de poder de São Paulo, o PT e o PSDB. Depois de 16 anos, está na hora de mudar esse eixo de poder?
Sempre achei que PT e PSDB pudessem ter muitas convergências e que as coisas não fossem ser radicalizadas da forma que ficaram radicalizadas. Quando o PSDB ganhou as eleições, houve uma tentativa de aproximação com a esquerda, havia até quem dissesse que o Fernando Henrique tinha cooptado o José Genoino, mas isso não aconteceu. Só para você ter uma idéia, eu fui chamado para conversar com o Fernando Henrique (só) em 1998, depois das eleições. Não havia diálogo. E agora também não há, porque o PSDB virou o nosso principal adversário.
É importante lembrar que, em 1994 e 1998, o PT nas duas eleições disputou com o Mário Covas (o governo de São Paulo) e depois teve a responsabilidade de contribuir para a eleição do Covas no segundo turno. Há dentro do PSDB e dentro do PT um espectro de conversações muito amplo. Radicalizou muito nos últimos três anos com algumas pessoas, não todas. A minha convivência com os governadores do PSDB é a melhor possível. Onde está o problema? No Senado.
Por que o governo, em vez de mandar derrubar a regulamentação da Emenda da Saúde, aprovada com o voto do PSDB, não negocia com a Câmara?
O governo não vai mover um dedo. Se eles quiserem negociar na Câmara, que façam. O dado concreto é que não pode a mesma Casa que derrotou a CPMF aprovar a regulamentação da Emenda 29. É um contra-senso. Para que fazem isso? Para me colocar em xeque? Se eu vou vetar? Não tenham dúvida. Não tenham dúvida de que eu não vacilarei um milímetro para fazer a coisa correta que tem de ser feita em nome deste país. A não ser que eu fosse um total irresponsável e deixasse passar. Aí, quando o outro tomar posse em 2011, o país está quebrado. Eu não vou fazer isso.
Isso vale para o fator previdenciário também?
Isso vale para tudo que for aprovado e não tenha afinidade com o potencial de pagamento do país. Como é que eu posso chegar em casa e prometer para meu filho uma coisa que eu não posso dar? Fazer proselitismo em época de campanha? É realmente triste isso.
O senhor tem assistido ao noticiário da TV Brasil?
Eu não tenho conseguido ver televisão. Quando eu chego em casa, as 11h da noite, eu mal tomo meu banho, tomo uma sopa e vou dormir.
Agora, mesmo sem ver, vou dizer uma coisa: vamos construir uma grande TV pública. Acho que é necessário. Não queremos fazer competição de publicidade com a imprensa privada, mas queremos fazer competição na qualidade da informação, da programação.
Alguns diziam que isso é TV do Lula, mas seria insano eu fazer uma coisa quando estou saindo do governo. Estou fazendo porque acho que o país precisa, porque a gente pode fazer melhor do que a melhor que nós temos no Brasil, que é a TV Cultura. Pode fazer melhor. E passar informações corretas, com jornalistas sérios, sempre mostrando a moeda com as suas duas faces, e nunca com uma face só. Eu sei que não é fácil. Para você lançar um canal de televisão e fazer ele ser visto, leva um tempo.
O senhor ainda pensa que a imprensa burguesa persegue o seu governo?
Houve um momento em que a imprensa brasileira criou a idéia do consenso único, favorável à primeira etapa do Plano Real. Foi um momento difícil em que você não tinha espaço para fazer oposição neste país. Era 100% pensamento único. Eu confesso a você que no meu governo teve 100% de pensamento contra.
Mas é passado?
Eu aprendi a não ficar com raiva da imprensa porque acredito na capacidade de discernimento do leitor, do ouvinte e do telespectador. A prova disso é a minha reeleição. Quando o cidadão é 100% contra, o leitor percebe. Quando ele é 100% a favor, o leitor também percebe. E tanto 100% contra como 100% a favor não têm credibilidade. A imprensa brasileira tem que informar corretamente a opinião pública. Acho que houve um tempo em que era 100% contra.
Como na minha vida eu nunca tive muito afago, aprendi a conviver. E o povo está ficando inteligente. Aquela idéia de que alguém é formador de opinião pública vai por terra se a pessoa não for verdadeira. Por mais que eu tenha queixa da imprensa, e não conheço político que não tenha queixa da imprensa, ela, por bem ou por mal, é um dos pilares da consagração da democracia no país.
Eu acho fantástico o cara que faz manchete no jornal. Gostaria de um cara desses para fazer manchete quando eu fosse candidato, porque às vezes a manchete não tem nada a ver com a matéria. Acho fantástica a criatividade. Obviamente, a manchete é o R$ 1,99, um chamariz para o cara entrar na loja e fazer a compra.”
Segue o texto do Correio Braziliense, em matéria de Josemar Gimenez, Alon Feuerwerker, Daniel Pereira, Baptista Chagas de Almeida e Sérgio Miguel Buarque, do Correio Braziliense, do Estado de Minas e do Diário de Pernambuco:
“ENTREVISTA - LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Ainda que a base se divida em 2010, presidente diz que Planalto trabalhará por um único nome.
O governo terá um único candidato à Presidência da República em 2010, mesmo que os partidos aliados apresentem mais de um concorrente na disputa. Quem avisa é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista exclusiva aos Diários Associados, na última quinta-feira, no terceiro andar do Palácio do Planalto, Lula não chegou a dizer o nome do escolhido, mas deixou claro que trabalhará por ele. “Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato”, declarou o presidente. “Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso.”
Acompanhado de Franklin Martins, ministro de Comunicação Social, Lula negou que já tenha escalado a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para enfrentar a oposição, ao alegar que só a “fantástica” capacidade gerencial da auxiliar não basta para lhe garantir o posto.
Afirmou ainda que os competidores governistas terão que sair a campo logo depois das eleições municipais, para não deixar os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais) “sozinhos na praia”.
Em tom acima do habitual, o presidente garantiu que não há possibilidade de tentar um terceiro mandato consecutivo. “Isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil.”
Bem disposto, apesar de reclamar do cansaço físico decorrente da sessão diária de exercícios, de pouco mais de uma hora de duração, Lula tachou de “pequena” a discussão sobre gastos com cartões corporativos. Informou que instituirá o valor de uma diária para viagens, em resposta à crise. Prometeu punir o responsável pelo vazamento de dados sigilosos do governo anterior. E rechaçou a acusação segundo a qual o governo forjou um dossiê para atingir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a ex-primeira dama Ruth Cardoso.
“Achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth é não ter a dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem bem. Eu posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que aprendi na minha vida é ter relação política leal.”
Lula mostrou-se confiante em relação aos desafios na área econômica. Voltou a considerar a pressão inflacionária sobre os alimentos, por exemplo, “um bom desafio” para o Brasil, que teria terra, tecnologia e condições climáticas favoráveis para plantar, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa.
Em recado ao Banco Central, declarou que o Brasil não precisa ter medo da inflação, porque os investimentos em curso serão capazes de sustentar o crescimento da demanda. “Nós não queremos truncar o crescimento. Daí, a minha preocupação com os juros”.
Em cerca de uma hora e vinte minutos de entrevista, o presidente esbanjou bom humor. Como de costume, puxou conversa falando de futebol e lamentando o desempenho do Corinthians, seu time de coração. Antes de enfrentar a bateria de perguntas, ainda encontrou tempo para brincar com o hábito de fumar cigarrilhas. “Está na minha mesa, para eu sancionar, um projeto que proíbe fumar em lugares fechados. Que ironia do destino.”
Nas próximas páginas, a íntegra da entrevista.
Que medidas o governo vai adotar para evitar que a comida encareça e enfraqueça o apoio político que o senhor tem entre a população mais pobre?
É injustiça achar que o reconhecimento da população mais pobre se deve só à questão da comida. A comida é um fator preponderante. Agora, é importante ter noção do que foi feito para os setores excluídos da sociedade. Do Bolsa Família ao Programa Luz para Todos, do Pronaf ao crédito consignado, do ProJovem às escolas técnicas. O que permite que você tenha uma densidade de política social como poucas vezes ou nenhuma vez o Brasil teve.
Eu fui um dirigente sindical razoavelmente importante no Brasil, fiz as greves mais importantes, era muito difícil conseguir 1% de aumento real de salário. Hoje, 90% dos sindicatos estão fazendo acordos ganhando aumento de salário.
Tem um conjunto de fatores que permite que a sociedade viva um pouco melhor. E um deles é a comida. Estamos vivendo um momento sui generis no mundo. Milhões de seres humanos começaram a comer nos últimos 10 anos. E a agricultura não cresceu proporcionalmente à demanda. Por isso, eu disse que é um bom desafio. Porque ter mais gente comendo significa que a gente precisa produzir mais. Temos terra para produzir mais, temos tecnologia para produzir mais, temos sol para produzir mais, temos água para produzir mais. Produzir mais alimentos para manter o preço do alimento estável.
Na semana passada, eu dizia para o ministro Guido Mantega que não é mais possível discutir inflação sem colocar na mesa o ministro da Agricultura e o ministro do Desenvolvimento Agrário. Porque tem que ter um jogo combinado. Precisamos aumentar nossa produção. Esse é um desafio que não me preocupa. É um desafio que me alenta a provocar os produtores brasileiros a produzirem muito mais.
Como o governo vai administrar dois projetos que parecem conflitantes, biocombustível e alimento? E como evitar que a cana-de-açúcar para o etanol reproduza o tradicional modelo concentrador de renda?
Primeiro, é inconcebível alguém dizer que a questão do biocombustível tem alguma coisa a ver com o preço dos alimentos, porque o mundo não produz biocombustível e tem 800 milhões de pessoas que vão dormir sem comer. Os que criticam o biocombustível nunca criticaram o preço do petróleo. O mundo desenvolvido importa petróleo sem tarifa e coloca uma tarifa absurda para importar o etanol do Brasil.
No fundo, o Brasil está sendo vítima na medida em que virou artista principal do jogo. Não somos mais coadjuvantes. Somos o maior exportador de café, de suco de laranja, de soja, de carne. O que precisamos, e na política do biodiesel está correto, é o chamado selo social. O produtor que contratar a produção do biodiesel da agricultura familiar tem isenção de impostos, exatamente para a gente não repetir o erro da cana.
Temos dito claramente que, se quisermos ter sucesso (na Rodada de Doha de liberalização do comércio), é preciso que os países ricos flexibilizem nos preços agrícolas para que os produtos dos países mais pobres entrem no mercado rico, senão não há estímulo para os países plantarem.
Então, parem de hipocrisia e comecem a comprar os combustíveis que estamos vendendo. Ou façam parceria com terceiros países. A Europa poderia fazer convênio, como nós fizemos em Gana. Vamos produzir em Gana para vender para a Suécia. Quero dizer uma coisa de coração: se um dia eu chegar à conclusão de que, para encher o tanque de um carro, meu tanque (apontando para a barriga) terá de ficar vazio, vou encher meu tanque primeiro para depois encher o tanque do carro. Não podemos é aceitar a discussão que os países ricos querem nos impor.
Desde pequeno eu ouvia dizer que o Brasil seria o celeiro do mundo. Pois bem, a oportunidade se apresenta agora. A Europa não tem mais condição de aumentar a produção agrícola, são poucos os países que têm terra para aumentar. Quem é que tem? O Brasil, a África e a América Latina.
O senhor tem dito que o biocombustível e a cana-de-açúcar não pressionam a produção de alimento porque o Brasil tem muita terra, especialmente pastos degradados que poderiam ser utilizados. Se está sobrando terra para plantar cana, por que está faltando para a reforma agrária?
Não está faltando terra para a reforma agrária. No governo passado, em oito anos, eles distribuíram 22 milhões de hectares de terra. Nós, em cinco anos, distribuímos 35 milhões de hectares de terra.
Qual é a divergência que tenho com o movimento dos sem-terra? É que acho que o problema não é assentar mais gente. O problema é fazer as pessoas que já estão na terra se tornarem mais produtivas. O que não pode é ficar colocando gente num canto, e eles continuarem tão miseráveis quanto estavam ontem. Precisamos aperfeiçoar a produtividade, a assistência técnica, o equilíbrio dos preços para quem já tem terra. Desse drama eu não sofro.
O dado concreto é que estamos vivendo um bom desafio, e o Brasil não pode ter medo do bom desafio. O ruim seria se o mundo estivesse precisando de alimento e o Brasil não tivesse terra, tecnologia e conhecimento.
Essa escalada no preço dos alimentos deu razão ao Banco Central, que aumentou em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros?
Olha, não me peça para discutir o Banco Central. Você pode discordar da visão que o Banco Central está tendo de que a inflação daqui a um ano será de 6% ou 7%, ou você pode concordar. Então, cabe ao governo, em vez de ficar choramingando, tomar atitudes para evitar que os preços da comida subam. Naquilo que são preços que dependem do governo as coisas estão mais ou menos controladas. Então, eu acho que não há necessidade de a gente ter medo da inflação. A inflação tem que ser controlada porque durante 27 anos da minha vida vivi de salário como trabalhador e sei que a inflação é uma desgraça na vida de um operário. Então, precisamos aumentar a produção.
Uma economia saudável é aquela em que você tem um crescimento da demanda e um crescimento da oferta andando mais ou menos juntos. Se a oferta cresce mais, você expande suas exportações. À medida que a demanda cresce um pouco mais e a oferta não cresce, temos um problema de aumento de preço.
Não está acontecendo isso no Brasil. Não está acontecendo. Porque tem muitos investimentos. Esses investimentos num primeiro momento são consumo, porque você tem que comprar as coisas para construir uma fábrica, mas num segundo momento se tornam oferta. E é com essa idéia que nós trabalhamos para 2009. Os investimentos já estão feitos, já estão acontecendo. Nós passamos 26 anos sem fazer uma fábrica de cimento no Brasil. De repente, fomos obrigados a fazer 10 fábricas de cimento, porque a construção civil foi destravada. E nós não queremos truncar o crescimento. Daí a minha preocupação com o aumento dos juros.
A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, tem a liderança política e a capacidade necessárias para enfrentar os desafios colocados ao país?
Por que você pergunta da Dilma e não do Franklin (Martins, ministro da Comunicação Social)? Eu tenho tido todo o cuidado e tenho consciência de que não é o momento de o presidente da República estar em campanha. Tenho dois anos e oito meses de mandato ainda, tem muita coisa para se fazer neste país, e eu não posso perder tempo fazendo campanha.
Tomei uma decisão de que nas eleições municipais, onde a base estiver com mais de um candidato, não pense que eu vou lá porque eu não vou. Agora, também não pensem… Outro dia não sei quem foi que achou absurdo eu dizer que queria fazer meu sucessor. Houve alguém que ficou estarrecido. Ele deveria ficar estarrecido se eu não quisesse fazer. Penso em fazer o sucessor à Presidência da República. Trabalho para isso. Agora, eu tenho uma base muito heterogênea. Com que o presidente precisa contar neste momento? Com a hipótese de que a gente consiga montar uma chapa única da base aliada.
Como fazer isso?
Nós temos candidato a presidente e a vice, 27 governadores e 54 senadores (nas eleições em 2010). Portanto, temos cargos para contemplar essa base heterogênea. O PSB, por exemplo, é um aliado histórico e tem candidato à Presidência, o deputado Ciro Gomes, um candidato forte porque já foi candidato duas vezes, é uma pessoa conhecida, basta ver nas pesquisas.
Mas também é bem possível que outros partidos queiram lançar candidato. E vocês jamais me verão reclamar de um partido querer lançar candidato. Se o PCdoB quiser ter candidato, se o PDT quiser ter candidato, eu acho normal, porque é o momento de o partido colocar a cara na televisão, de dizer qual é o seu programa, a sua proposta. Então, vocês não me verão nervoso porque os partidos terão candidato próprio.
Obviamente, se não for possível construir uma candidatura única da base, pode ficar certo de que o governo terá candidato.
Por que o senhor escolheu a ministra Dilma?
Eu não estou dizendo que será a Dilma. Não sei quem está dizendo que é a Dilma. É muito difícil a gente tentar lançar alguém candidato sem que tenha uma discussão com o partido ou com os aliados. Se você perguntar das qualidades da Dilma, vou dizer para você uma coisa: existem raríssimas pessoas no Brasil com a capacidade gerencial da companheira Dilma Rousseff. Rarísssimas. A Dilma é de uma capacidade de gerenciamento impecável. E, sobretudo, é aquilo que a gente gosta, ‘Caxias’. Então, eu acho uma figura extraordinária.
Agora, entre ser uma figura extraordinária para gerenciar e ser candidata à Presidência é uma outra conversa, porque aí entra um ingrediente chamado política, que exige outras credenciais. Eu não estou discutindo isso agora. No momento certo, provocarei a discussão.
Quando será o momento?
Será depois das eleições de 2008. Terminada a eleição para as prefeituras, a partir do ano que vem todo mundo tem que saber claramente que vamos começar a campanha de 2010, sem que o presidente participe diretamente, porque tenho muito coisa para fazer, mas os partidos precisarão começar a sair a campo, porque se não fica uma situação desigual. O PSDB tem dois candidatos já postos, o (José) Serra (governador de São Paulo) e o Aécio (Neves, governador de Minas Gerais). Não se sabe se o (Geraldo) Alckmin quer ser ou não. Ou seja, a oposição não pode ficar nadando na praia sozinha. É preciso colocar mais gente nessa praia, e acho que os partidos vão colocar.
O senhor é a favor da aliança do PT com o PSDB em Belo Horizonte? (depois da entrevista, a aliança foi vetada pelo Diretório Nacional do PT)
Cada partido, na sua cidade e no seu estado, tem que determinar a política que ele entende que seja mais conveniente. O que estou entendendo? Que é conveniente para o Aécio fazer a aliança com o Fernando Pimentel (prefeito de Belo Horizonte) e é conveniente para o Pimentel fazer a aliança com o Aécio. Como o Aécio tem o controle do PSDB e o Pimentel mostrou ter o controle do PT, os dois fizeram aliança. Eu acho normal para disputar a prefeitura. A gente não pode também ficar querendo que Roraima e Pernambuco se envolvam no acordo que Minas Gerais fez.
Os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci não ficaram muito felizes com a aliança.
É normal. Houve dezenas de reuniões, eles não participaram e a gente paga o preço. O Pimentel está há muito tempo na prefeitura, foi secretário do Patrus, foi secretário do Célio (de Castro), foi vice-prefeito, é prefeito duas vezes. Ele só pode ter o controle do partido lá. E também é muito competente. Se tem uma coisa que não falta ao Pimentel é competência.
Essa aliança não tem um significado maior, uma simbologia nacional?
Eu não vejo assim. Obviamente que quem fez pode pensar que tem.
A aliança não pode atrair o PSB em nível nacional?
Não acredito. Ela se deu em Belo Horizonte, mas não se deu em Contagem, em Ipatinga, em Governador Valadares. Ou seja, é uma coisa muito localizada.
Uma das versões sobre a aliança é que o PT está fortalecendo o Aécio porque acha que ele não será o candidato à Presidência do PSDB. Mas se ele for o candidato do PSDB, como é que fica?
Primeiro, não cabe ao PT fortalecer o Aécio. Quem tem que fortalecer o Aécio, em primeiro lugar, é o próprio Aécio e, em segundo lugar, o PSDB.
Mas o senhor disse que a aliança fortalece o Aécio e o Pimentel.
Não sei. Acho que essa aliança não pode ter vinculação com 2010. Todo mundo sabe que o Aécio é um político hábil, inteligente. O Aécio e o Pimentel gostam de viver essa relação muito harmônica. Isso é um problema de Minas Gerais.
O jogo vai começar para 2010 a partir de agora. Obviamente que o Aécio antes de qualquer coisa tem que enfrentar os obstáculos internos, o Serra tem que enfrentar os obstáculos internos. Depois é que eles vão sair na disputa pública para ver quem é quem. Acho que nós precisamos nos preparar. Quem quer que seja o candidato (da oposição), o governo vai ter candidato.
O governador Aécio Neves seria um bom nome da coalizão governista se mudasse para o PMDB?
É muito difícil para o presidente da República discutir em tese. É preciso primeiro saber se o PMDB quer. Segundo, saber qual é o tempo em que ele faria isso, porque isso aos olhos do povo não é uma coisa simples. Eu estou torcendo pelo Garantido (um dos competidores no Festival Folclórico de Parintins-AM) e daqui a pouco o povo me vê no Caprichoso (adversário do Garantido). Não é assim, não é uma coisa simples.
Obviamente que o governador de Minas Gerais tem condições de pleitear ser candidato a presidente, como tem o governador de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Paraná. Agora, primeiro tem o confronto interno, que não é uma coisa fácil. E certamente o Aécio não vai correr do jogo antes de o jogo ser jogado. Ele vai ter que disputar. Se ele perde e depois tenta sair, aí realmente é um tiro pela culatra.
O senhor citou Roraima. O senhor sempre diz que conhece o Brasil, e não apenas de ouvir falar. O senhor, ao longo de sua vida política, já esteve nos quatro cantos do país. Por que o senhor não foi até hoje, em mais de cinco anos de mandato, até Roraima para conhecer a situação pessoalmente e conversar diretamente com a população sobre o conflito fundiário que ocorre naquele estado?
Primeiro, eu já fui muitas vezes a Roraima. Não fui como presidente da República, porque tem um conflito estabelecido. Um grupo de políticos tratou de fazer contra o governo federal uma guerra, quando o que estávamos querendo fazer era a demarcação (da reserva indígena Raposa/Serra do Sol) tal como preconizado no governo passado.
O ministro Márcio Thomaz Bastos (então na Justiça) trabalhou, ouviu quem deveria ouvir, foi lá dezenas de vezes, fez uma demarcação, estabeleceu-se o conflito, e é só você ver a publicidade feita pelos adversários lá que você vai perceber que está estabelecida uma guerra com o governo federal. E por que eu iria lá para aumentar esse conflito?
O senhor não poderia ser um mediador?
Temos tentando mediar daqui. Tudo que fizemos até agora foi acordado na minha mesa. Tudo. Acontece que você faz um acordo aqui e as coisas não acontecem lá.
Agora, eu não quero mais discutir esse assunto porque está no Supremo Tribunal Federal. Eu só posso lhe garantir uma coisa: o Márcio Thomaz Bastos trabalhou nisso com carinho, tivemos deputados e senadores que foram lá, construiu-se uma proposta que era razoável, estabeleceu-se um acordo para distribuir as terras que estão nas mãos do Incra para o estado de Roraima. Tudo isso foi feito.
Ainda assim continua uma guerra. É só você ver a quantidade de outdoors naquela cidade contra o governo federal, enquanto a gente queria encontrar uma solução para o bem de Roraima. Ora, não fui eu que levei os índios para lá. Eles estavam lá antes de chegar o governador, antes de eu ser presidente da República e, eu diria, antes de o Brasil ser descoberto. O que estamos fazendo é dando para eles aquilo que entendemos que é de direito deles. A Suprema Corte vai tomar a decisão. Qualquer que seja a decisão, para mim está resolvido o problema.
Como o senhor recebeu a fala do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, a respeito desse assunto?
Ele disse publicamente que falou em caráter pessoal. À medida que o governo mostrou sua insatisfação, ele disse que não vai falar mais. Para mim, está resolvido o problema. Acho normal que um militar que está na área tenha uma visão que necessariamente não precisa ser a minha. Mas à medida que o governo tem uma decisão, aquela é a decisão do país. Agora, quando vai para a suprema corte, o governo também se subordina à decisão da Suprema Corte.
O senhor aceitaria prorrogar o mandato em mais um ano para viabilizar o fim da reeleição e o mandato presidencial de cinco anos?
Não existe possibilidade. O que eu acho é que o Congresso e os partidos deveriam priorizar a reforma política. Dentro da reforma política, poderiam aumentar o mandato do presidente em um ano e acabar com a reeleição a partir de 2014. O dado concreto é que a reforma política se faz extremamente necessária e eu não sei por que os partidos não querem fazê-la. Às vezes, sou cobrado e fico pensando se é o presidente que tem que fazer uma proposta. Não é o presidente.
Mas o senhor está disposto a apresentar uma proposta?
Eu não quero fazer. Não é papel do Executivo fazer a proposta de reforma política. Aliás, nós tentamos fazer. Tem uma proposta enviada pelo companheiro Márcio Thomaz Bastos ao Congresso que foi para uma comissão, foi discutida e parou. Se você perguntar para mim qual é a reforma mais importante a ser feita no Brasil, eu direi a reforma política. E tenho provocado os partidos para que discutam, que coloquem uma proposta, não façam nada para a próxima eleição. Façam para 2014, para quando quiserem, mas façam. Vamos dar mais estabilidade institucional ao país, valorizar os partidos.
Por que os partidos não votam a reforma?
Porque é sempre muito difícil as pessoas que estão exercendo o cargo quererem mudar as regras do jogo. Se o governo puxa uma proposta de reforma política e os partidos não querem, o governo já sai derrotado no berço. Eu tenho provocado. Já pensei até em convocar os ex-presidentes para que fizessem a proposta política. A impressão que eu tenho é que as pessoas não querem. É uma coisa bonita de falar, fácil de falar, mas na hora de votar ninguém quer. As pessoas acham que as eleições têm que ser do jeito que está.
Quando há interesse, é para propor o terceiro mandato.
O terceiro mandato não está ligado à reforma política. Propor o terceiro mandato é tão pernicioso quanto foi proporem o segundo.
Essa frase é perigosa, presidente, porque o segundo mandato aconteceu.
Aconteceu. Na minha opinião, não foi nenhuma sumidade para o Brasil porque a gente poderia ter mantido o mandato de cinco anos sem reeleição. Por que aconteceu o segundo? Por causa da vaidade de quem está no poder.
Eu acho que é impensável, se você quiser consolidar a democracia no Brasil, pensar em terceiro mandato. Porque hoje você pensa em terceiro mandato, amanhã pensa em quarto mandato, daqui a pouco está pensando em quinto mandato. E isso é uma coisa obscena para a sustentabilidade da democracia no Brasil. As pessoas que discutem terceiro mandato não têm coisa mais séria para discutir. E a gente não pode dar crédito a tudo que a oposição fala. A oposição que está com medo do terceiro mandato é a oposição que achava que meu mandato tinha acabado em 2005.
Há uma CPI mista no Congresso sobre cartões corporativos. A Polícia Federal está investigando uma possível manipulação irregular de informações sigilosas das contas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o vazamento desses dados, que estavam sob a guarda da Casa Civil. O senhor acha que esses dados estão seguros aqui no Palácio? O senhor falou tanto da capacidade gerencial da ministra Dilma… Não houve um descontrole nesse assunto?
A maior prova de que não estão seguros é que vazaram. Por que vocês não pegam o caso de que todo vazamento que houve dos cartões corporativos é por causa da divulgação feita pela Controladoria-Geral da União, no Portal da Transparência?
Mas ali não é vazamento.
Mas está tudo lá. Qualquer cidadão pode entrar no portal e pegar as informações. Obviamente que, se eu tirasse a minha camisa aqui e chamasse um de vocês escondido e falasse que essa camisa eu achei no túmulo do (Che) Guevara, a manchete seria: “Lula entrega ao Correio Braziliense a camisa com a qual foi enterrado Guevara”. Até alguém provar que era mentira… Agora, achar que este governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth (Cardoso, ex-primeira-dama), contra o Fernando Henrique Cardoso, é não ter dimensão de que, se eu quisesse fazer dossiê, teria feito em 2005, quando fui triturado por adversários que vocês conhecem. E que certamente, se investigados, teriam muitas coisas… Eu não fiz porque fui vítima disso a vida inteira.
O que estamos fazendo é um banco de dados, para que as pessoas tenham as informações adequadas. E quando eu deixar a Presidência não existirá mais nada meu que não possa ser divulgado.
Agora, se alguém consegue pegar um documento e vender como dossiê, ou entrega para um senador e para um deputado, eu não posso fazer outra (coisa) a não ser apurar, para saber o que aconteceu.
Vamos continuar a fazer banco de dados até 31 de dezembro de 2010. Eu fico triste porque muitas vezes vejo o debate nacional se dar em cima de coisas menores, e não das coisas importantes que a gente deveria discutir. Eu posso ter todos os defeitos, mas se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida é ter uma relação política leal. Eu vivi esse preconceito, essa perseguição, no movimento sindical. Minha vida foi futucada nos bancos quando sofri intervenção, e eu nunca mostrei um minuto de raiva ou de vingança. Se eu fosse fazer um dossiê, não seria da dona Ruth.
E se a Polícia Federal chegar à conclusão de que houve manipulação indevida de informações, violando normas vigentes sobre dados sigilosos?
Se se provar que alguém manipulou equivocadamente, esse alguém terá que ser punido. Essa é a prática. A única coisa com que fico triste é alguém tentar passar a idéia de que o governo iria fazer um dossiê contra a dona Ruth. Realmente, não me cabe na cabeça.
O senhor concorda com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para quem o governo tem o direito de recolher informações de gestões anteriores e usá-las para reagir a crises políticas?
Mas essas informações estão aí. Se eu quiser pegar o que fez um prefeito há 15 anos, é só ir ao Ministério do Planejamento, está lá o processo. O Tarso não disse que é certo. O Tarso disse que não é um delito. Certamente, o Correio Braziliense tem informações cotidianas dos seus concorrentes. Ou não tem? Ou a Pirelli não tem da Michelin? Ou a Volks não tem da Fiat? Agora, imaginar que você vai utilizar isso para fazer alguma coisa… Agora, quando nós instituímos a CPI… E é importante que isso não se perca de vista, porque de vez em quando a gente perde o momento histórico.
Nós fizemos o primeiro comício das Diretas Já em novembro de 1983 no Pacaembu, quando o Fernando Henrique foi lá anunciar a morte do Teotônio Vilela, e para a opinião pública brasileira o único ato que houve foi o de 25 de janeiro de 1984. Mas o primeiro ato, com a presença até do Fernando Henrique, foi nosso.
O que não quero é que se perca de vista que nós pedimos uma CPI e, como nós pedimos uma CPI para até 10 anos atrás, temos que ter o banco de dados para oferecer para a CPI.
Esse debate sobre cartões corporativos é hipócrita?
Não diria que é hipócrita, diria que é pequeno. Eu era presidente do sindicato quando acabei com nota fiscal no sindicato, porque eu via a briga mesquinha do conselho fiscal para saber se o cara parou no posto ou no motel. Em São Paulo, se você pegar a Via Anhangüera, verá dois ou três restaurantes que são motéis também. Até você provar que tinha sido só almoço era uma guerra. Então, resolvi instituir a diária. Fiz uma média nacional. Se você quiser dormir na sarjeta, dorme. Não precisa prestar contas. Só assina o recibo de que recebeu a diária.
Confesso a vocês que neste país há uma certa hipocrisia. Um ministro de Estado, se for à França, come do bom e do melhor e não põe a mão no bolso. No Brasil, um ministro não pode pagar um café para um convidado. Imagina o ministro da Justiça do Brasil ir jantar com o ministro da Justiça da Colômbia e na hora de pedir a conta falar o seguinte: vamos rachar. É uma hipocrisia.
Vou esperar a CPI terminar e instituir uma diária. Ou verba de representação. Espero que a CPI proponha isso. Se o cidadão pegar a diária e quiser dormir num meia estrela para economizar, o problema é dele. Mas pelo menos você fica tranqüilo e não fica vulnerável a ver manchete de jornal dizendo que o cidadão gastou oito reais com tapioca. Prefiro correr o risco de fazer a coisa séria.
Os gastos de ex-presidentes têm que ser mantidos em sigilo?
Não é todo gasto que é mantido em sigilo, é aquilo que o Gabinete de Segurança Institucional entende que é de segurança da instituição Presidência da República. Só vale para quando você for presidente. Quando eu deixar a Presidência, no dia primeiro de janeiro de 2011, os meus dados serão dados públicos. Não tem mais segurança, não tem mais que alugar carro em meu nome, não tem importância as pessoas saberem em que açougue vai comprar carne. Eu conheço presidente que não toma água que a gente oferece, que não toma café que a gente oferece, que não come a mesma comida que a gente come. Eu como até coisa que me dão no palanque. Se tiver alguma desgraça, eu sei que vou me ferrar. A segurança quando vê toma da minha mão. Eu tenho que pegar sem eles verem.
O ideal para mim ao terminar o mandato é ter clareza de que o Brasil mudou de patamar. Obviamente, eu não carrego a ilusão de que a gente vai transformar o Brasil na grande nação com que todos nós sonhamos em oito anos, 15 anos. É um processo que precisa ter continuidade. Daí a necessidade de o próximo governante ter uma concepção seqüencial, de dar cumprimento às coisas que estamos fazendo.
As discussões que não avançam no Congresso, como a reforma política, têm uma mesma razão embrionária, que é a disputa entre dois núcleos de poder de São Paulo, o PT e o PSDB. Depois de 16 anos, está na hora de mudar esse eixo de poder?
Sempre achei que PT e PSDB pudessem ter muitas convergências e que as coisas não fossem ser radicalizadas da forma que ficaram radicalizadas. Quando o PSDB ganhou as eleições, houve uma tentativa de aproximação com a esquerda, havia até quem dissesse que o Fernando Henrique tinha cooptado o José Genoino, mas isso não aconteceu. Só para você ter uma idéia, eu fui chamado para conversar com o Fernando Henrique (só) em 1998, depois das eleições. Não havia diálogo. E agora também não há, porque o PSDB virou o nosso principal adversário.
É importante lembrar que, em 1994 e 1998, o PT nas duas eleições disputou com o Mário Covas (o governo de São Paulo) e depois teve a responsabilidade de contribuir para a eleição do Covas no segundo turno. Há dentro do PSDB e dentro do PT um espectro de conversações muito amplo. Radicalizou muito nos últimos três anos com algumas pessoas, não todas. A minha convivência com os governadores do PSDB é a melhor possível. Onde está o problema? No Senado.
Por que o governo, em vez de mandar derrubar a regulamentação da Emenda da Saúde, aprovada com o voto do PSDB, não negocia com a Câmara?
O governo não vai mover um dedo. Se eles quiserem negociar na Câmara, que façam. O dado concreto é que não pode a mesma Casa que derrotou a CPMF aprovar a regulamentação da Emenda 29. É um contra-senso. Para que fazem isso? Para me colocar em xeque? Se eu vou vetar? Não tenham dúvida. Não tenham dúvida de que eu não vacilarei um milímetro para fazer a coisa correta que tem de ser feita em nome deste país. A não ser que eu fosse um total irresponsável e deixasse passar. Aí, quando o outro tomar posse em 2011, o país está quebrado. Eu não vou fazer isso.
Isso vale para o fator previdenciário também?
Isso vale para tudo que for aprovado e não tenha afinidade com o potencial de pagamento do país. Como é que eu posso chegar em casa e prometer para meu filho uma coisa que eu não posso dar? Fazer proselitismo em época de campanha? É realmente triste isso.
O senhor tem assistido ao noticiário da TV Brasil?
Eu não tenho conseguido ver televisão. Quando eu chego em casa, as 11h da noite, eu mal tomo meu banho, tomo uma sopa e vou dormir.
Agora, mesmo sem ver, vou dizer uma coisa: vamos construir uma grande TV pública. Acho que é necessário. Não queremos fazer competição de publicidade com a imprensa privada, mas queremos fazer competição na qualidade da informação, da programação.
Alguns diziam que isso é TV do Lula, mas seria insano eu fazer uma coisa quando estou saindo do governo. Estou fazendo porque acho que o país precisa, porque a gente pode fazer melhor do que a melhor que nós temos no Brasil, que é a TV Cultura. Pode fazer melhor. E passar informações corretas, com jornalistas sérios, sempre mostrando a moeda com as suas duas faces, e nunca com uma face só. Eu sei que não é fácil. Para você lançar um canal de televisão e fazer ele ser visto, leva um tempo.
O senhor ainda pensa que a imprensa burguesa persegue o seu governo?
Houve um momento em que a imprensa brasileira criou a idéia do consenso único, favorável à primeira etapa do Plano Real. Foi um momento difícil em que você não tinha espaço para fazer oposição neste país. Era 100% pensamento único. Eu confesso a você que no meu governo teve 100% de pensamento contra.
Mas é passado?
Eu aprendi a não ficar com raiva da imprensa porque acredito na capacidade de discernimento do leitor, do ouvinte e do telespectador. A prova disso é a minha reeleição. Quando o cidadão é 100% contra, o leitor percebe. Quando ele é 100% a favor, o leitor também percebe. E tanto 100% contra como 100% a favor não têm credibilidade. A imprensa brasileira tem que informar corretamente a opinião pública. Acho que houve um tempo em que era 100% contra.
Como na minha vida eu nunca tive muito afago, aprendi a conviver. E o povo está ficando inteligente. Aquela idéia de que alguém é formador de opinião pública vai por terra se a pessoa não for verdadeira. Por mais que eu tenha queixa da imprensa, e não conheço político que não tenha queixa da imprensa, ela, por bem ou por mal, é um dos pilares da consagração da democracia no país.
Eu acho fantástico o cara que faz manchete no jornal. Gostaria de um cara desses para fazer manchete quando eu fosse candidato, porque às vezes a manchete não tem nada a ver com a matéria. Acho fantástica a criatividade. Obviamente, a manchete é o R$ 1,99, um chamariz para o cara entrar na loja e fazer a compra.”
sábado, 26 de abril de 2008
EUA DESTINAM PORTA-AVIÕES NUCLEAR “CONTRATERRORISMO” NA AMÉRICA LATINA!
A Marinha norte-americana anunciou que está recriando sua “Quarta Frota”, que será responsável pelos navios, submarinos e aeronaves dos EUA em operação na América do Sul, Central e no Caribe. A esquadra somente existiu na década da Segunda Guerra Mundial, entre 1943 e 1950.
A nova força deverá ser liderada por um porta-aviões nuclear.
Essa notícia consta no jornal Folha de São Paulo de hoje, em texto de Sérgio D’Ávila, de Washington.
É um exercício de imaginação desafiador para especialistas da área conceber como um porta-aviões nuclear poderá ser empregado em ações “contraterrorismo” aqui na América do Sul. O governo dos EUA já externou que considera a nossa região de Foz do Iguaçu (e Itaipu), a "tríplice fronteira", como "foco de terrorismo" (ver artigos da nossa série "Guerras recentes dos EUA").
Como a reciprocidade é a boa norma das relações internacionais, a Marinha do Brasil deveria também destacar uma frota para ações 'contraterrorismo' e para nossa proteção contra a 'corrida armamentista' na América do Norte.
A reportagem de hoje da Folha justifica a medida dos EUA de modo mais enigmático ainda: “ela (a Marinha dos EUA) mandará uma mensagem”. Acrescenta o jornal:
“O interesse norte-americano foi evidenciado por fatos recentes, como:
--a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador;
--o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez;
--e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul".
Muito intrigante.
A Folha e a Marinha dos EUA 'esqueceram' de listar dois reais motivos:
--o petróleo venezuelano;
--as megas reservas petrolíferas recém-descobertas no litoral brasileiro.
Transcrevo parte da notícia da Folha:
“EUA RECRIAM FROTA PARA AMÉRICA LATINA
"A região é muito importante para nós", justifica-se a Marinha (dos EUA), que fala em ‘maior agilidade’ e nega conotação política na decisão”
“A Marinha norte-americana anunciou que está recriando sua Quarta Frota, que será responsável pelos navios, submarinos e aeronaves do país em operação na América do Sul, Central e no Caribe. A esquadra existiu entre 1943 e 1950 e sua volta agora é uma ‘decisão administrativa, não política’, defende o Pentágono.
O anúncio chega num momento em que a atividade militar na América Latina volta a despertar a atenção do mundo.
O interesse foi evidenciado por fatos recentes como a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul.
A nova força "mandará uma mensagem", "trará mais estatura à área e aumentará nossa capacidade de ação", disse o almirante Gary Roughead, ao anunciar a recriação da esquadra, anteontem. "Essa mudança aumenta nossa ênfase em ‘empregar forças navais na região para construir confiança’ entre os países, por meio de esforços de uma segurança marítima coletiva, focada nas ameaças em comum."
Contraterrorismo
Em depoimento recente ao Congresso americano, o almirante James Stavridis, chefe do Comando Sul (divisão do Pentágono responsável pela região), havia dito que apoiava o aumento das embarcações em atividade na América Latina, atualmente 11, e que a nova força deveria ser liderada por um porta-aviões nuclear.
O objetivo, afirmou então o militar, seria auxiliar os EUA nas atividades de contraterrorismo.”
A nova força deverá ser liderada por um porta-aviões nuclear.
Essa notícia consta no jornal Folha de São Paulo de hoje, em texto de Sérgio D’Ávila, de Washington.
É um exercício de imaginação desafiador para especialistas da área conceber como um porta-aviões nuclear poderá ser empregado em ações “contraterrorismo” aqui na América do Sul. O governo dos EUA já externou que considera a nossa região de Foz do Iguaçu (e Itaipu), a "tríplice fronteira", como "foco de terrorismo" (ver artigos da nossa série "Guerras recentes dos EUA").
Como a reciprocidade é a boa norma das relações internacionais, a Marinha do Brasil deveria também destacar uma frota para ações 'contraterrorismo' e para nossa proteção contra a 'corrida armamentista' na América do Norte.
A reportagem de hoje da Folha justifica a medida dos EUA de modo mais enigmático ainda: “ela (a Marinha dos EUA) mandará uma mensagem”. Acrescenta o jornal:
“O interesse norte-americano foi evidenciado por fatos recentes, como:
--a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador;
--o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez;
--e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul".
Muito intrigante.
A Folha e a Marinha dos EUA 'esqueceram' de listar dois reais motivos:
--o petróleo venezuelano;
--as megas reservas petrolíferas recém-descobertas no litoral brasileiro.
Transcrevo parte da notícia da Folha:
“EUA RECRIAM FROTA PARA AMÉRICA LATINA
"A região é muito importante para nós", justifica-se a Marinha (dos EUA), que fala em ‘maior agilidade’ e nega conotação política na decisão”
“A Marinha norte-americana anunciou que está recriando sua Quarta Frota, que será responsável pelos navios, submarinos e aeronaves do país em operação na América do Sul, Central e no Caribe. A esquadra existiu entre 1943 e 1950 e sua volta agora é uma ‘decisão administrativa, não política’, defende o Pentágono.
O anúncio chega num momento em que a atividade militar na América Latina volta a despertar a atenção do mundo.
O interesse foi evidenciado por fatos recentes como a ação da Colômbia contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, o que os EUA chamam de "corrida armamentista" patrocinada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e a sugestão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de que seja criado um Conselho Regional de Defesa na América do Sul.
A nova força "mandará uma mensagem", "trará mais estatura à área e aumentará nossa capacidade de ação", disse o almirante Gary Roughead, ao anunciar a recriação da esquadra, anteontem. "Essa mudança aumenta nossa ênfase em ‘empregar forças navais na região para construir confiança’ entre os países, por meio de esforços de uma segurança marítima coletiva, focada nas ameaças em comum."
Contraterrorismo
Em depoimento recente ao Congresso americano, o almirante James Stavridis, chefe do Comando Sul (divisão do Pentágono responsável pela região), havia dito que apoiava o aumento das embarcações em atividade na América Latina, atualmente 11, e que a nova força deveria ser liderada por um porta-aviões nuclear.
O objetivo, afirmou então o militar, seria auxiliar os EUA nas atividades de contraterrorismo.”
A CONTRADIÇÃO MOVE A HISTÓRIA
No blog “De um sem-mídia” (ver em "recomendamos") li hoje (26/04) um interessante artigo sobre diversos paradoxos encontrados ao longo da história da humanidade.
O autor é o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Hughes Galeano, nascido em Montevidéu em 3 de setembro de 1940.
O texto foi extraído, pelo blog de “um sem-mídia”, do blog “Abaixo e à esquerda”.
Vejamos o texto de Galeano:
“O PARADOXO AMBULANTE”
“A cada dia, lendo os jornais, assisto a uma aula de história. Os jornais me ensinam pelo que dizem e pelo que calam.
A história é um paradoxo ambulante. A contradição move-lhe as pernas.
Talvez por isso seus silêncios dizem mais que suas palavras, e com freqüência suas palavras revelam, mentindo, a verdade.
Daqui a pouco será publicado meu livro que se chama “Espejos” (“Espelhos”). É algo assim como uma história universal, e perdão pelo atrevimento. "Eu posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo, desde o ponto de vista dos que não saíram na foto. Para dizer de outra maneira, trata-se de fatos não muito conhecidos.Aqui resumo alguns, apenas alguns.
Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para a África, não a Paris. Algum tempo depois, quando seus filhos já haviam se lançado nos caminhos do mundo, inventou-se a escrita. No Iraque, não no Texas.Também a álgebra foi inventada no Iraque. Fundou-a Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algorítmo e algarismo derivam de seu nome.
Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam.
No Museu Britânico, tomemos como exemplo as esculturas do Partenon que se chamam "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.
As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.
Os hindus sabiam antes de qualquer um que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exato de todos os tempos.
Em 1493, o Vaticano presenteou a Espanha com a América e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Então, a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha, e a África negra cem vezes mais que Portugal.
Tal como havia determinado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.
Tenochtitlán, o centro do império asteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade, pedra por pedra, e com os escombros tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, correm os automóveis.
O monumento mais alto da Argentina foi erigido em homenagem ao general Roca, que no século dezenove exterminou os índios da Patagônia.
A maior avenida do Uruguai leva o nome do general Rivera, que, no século dezenove, exterminou os últimos índios charruas.
John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.
Enquanto nascia o século dezoito, o primeiro dos Bourbons, Felipe V, estreou seu trono assinando um contrato com seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca levava uns 25 por cento do lucro. Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.
Dois dos Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou seus atos. Carter foi o único prócer da independência que libertou seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula que estabeleceu que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.
"O nascimento de uma nação", a primeira superprodução de Hollywood, estreou em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a em pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvor a Ku Klux Klan.
Algumas datas: Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. Suas vozes eram impuras, por aquele assunto de Eva e o pecado original.
No ano 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam perda da fidalguia.
Até o ano 1986, foi legal o castigo das crianças nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e porretes.
Em nome da liberdade, a igualdade e a fraternidade, a Revolução Francesa proclamou em 1793 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Então, a militante revolucionária Olympia de Gouges propôs a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça.
Meio século depois, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um a favor.
A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser revolucionária, nem algo no estilo. Mas, há mil e quinhentos anos, o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.
O general Ulisses Grant, vencedor na guerra do norte industrial contra o sul escravista, foi a seguir presidente dos Estados Unidos. Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:– Dentro de duzentos anos, quando obtivermos do protecionismo tudo o que nos pode oferecer, nós também adotaremos a liberdade de comércio.
Assim, pois, no ano 2075, a nação mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.
Lootie, "Botincito", foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa. Viajou para Londres em 1860. Os ingleses batizaram-no desse modo porque era parte do botim arrancado da China, ao cabo das duas longas guerras do ópio. Vitória, a rainha narcotraficante, impusera o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida em uma nação de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.
Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. No fim de uma guerra de cinco anos, este país, o único país das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização para o Brasil, a Argentina e o Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos pelo trabalho que tiveram assassinando-o.
O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que, em 1804, conquistou sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar uma fortuna à França, durante um século e meio, para expiar o pecado de sua liberdade.
As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu os direitos humanos às corporações privadas, e assim segue sendo. Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos de suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo. Então, Mark Twain, dirigente da Liga Antiimperialista, propôs uma nova bandeira, com caveirinhas no lugar de estrelas, e outro escritor, Ambrose Bierce, comprovou:– A guerra é o caminho que Deus elegeu para nos ensinar geografia.
Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram o experimento, e os alemães o desenvolveram. Depois Hermann Göring aplicou, na Alemanha, o modelo que seu papai havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os mestres de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. Todos os negros eram cobaias.
Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida. Não faltavam amigos para Hitler.
A Rockefeller Foundation financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi.
A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão.
A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e esta foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.
Em 1953, explodiu o protesto operário na Alemanha comunista. Os trabalhadores lançaram-se às ruas e os tanques soviéticos ocuparam-se em lhes calar a boca. Então Bertolt Brecht propôs: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e escolher outro?”
Operações de marketing. A opinião pública é o target. As guerras vendem-se mentindo, como se vendem os automóveis.
Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietnã, porque o Vietnã havia atacado dois navios dos Estados Unidos no golfo de Tonquin. Quando a guerra já havia destripado a uma multidão de vietnamitas, o ministro de Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonquin não existira.
Quarenta anos depois, a história se repetiu no Iraque. Milhares de anos antes que a invasão norte-americana levasse a civilização ao Iraque, nesta terra bárbara havia nascido o primeiro poema de amor da história universal. Em língua suméria, escrito no barro, o poema narrou o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, naquela noite amou como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou essa noite.
Paradoxos ambulantes, paradoxos estimulantes.
O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.
O livro de viagens de Marco Polo, aventura da liberdade, foi escrito no cárcere de Gênova.
Dom Quixote de La Mancha, outra aventura da liberdade, nasceu no cárcere de Sevilha.
Foram netos de escravos os negros que geraram o jazz, a mais livre das músicas. Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, tinha não mais que dois dedos em sua mão esquerda.
Não tinha mãos Grimod de la Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com ganchos escrevia, cozinhava e comia.”
O autor é o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Hughes Galeano, nascido em Montevidéu em 3 de setembro de 1940.
O texto foi extraído, pelo blog de “um sem-mídia”, do blog “Abaixo e à esquerda”.
Vejamos o texto de Galeano:
“O PARADOXO AMBULANTE”
“A cada dia, lendo os jornais, assisto a uma aula de história. Os jornais me ensinam pelo que dizem e pelo que calam.
A história é um paradoxo ambulante. A contradição move-lhe as pernas.
Talvez por isso seus silêncios dizem mais que suas palavras, e com freqüência suas palavras revelam, mentindo, a verdade.
Daqui a pouco será publicado meu livro que se chama “Espejos” (“Espelhos”). É algo assim como uma história universal, e perdão pelo atrevimento. "Eu posso resistir a tudo, menos à tentação", dizia Oscar Wilde, e confesso que sucumbi à tentação de contar alguns episódios da aventura humana no mundo, desde o ponto de vista dos que não saíram na foto. Para dizer de outra maneira, trata-se de fatos não muito conhecidos.Aqui resumo alguns, apenas alguns.
Quando foram desalojados do Paraíso, Adão e Eva mudaram-se para a África, não a Paris. Algum tempo depois, quando seus filhos já haviam se lançado nos caminhos do mundo, inventou-se a escrita. No Iraque, não no Texas.Também a álgebra foi inventada no Iraque. Fundou-a Mohamed al Jwarizmi, há mil e duzentos anos, e as palavras algorítmo e algarismo derivam de seu nome.
Os nomes costumam não coincidir com o que nomeiam.
No Museu Britânico, tomemos como exemplo as esculturas do Partenon que se chamam "mármores de Elgin", mas são mármores de Fídias. Elgin era o nome do inglês que as vendeu ao museu.
As três novidades que tornaram possível o Renascimento europeu, a bússola, a pólvora e a imprensa, haviam sido inventadas pelos chineses, que também inventaram quase tudo o que a Europa reinventou.
Os hindus sabiam antes de qualquer um que a Terra era redonda e os maias haviam criado o calendário mais exato de todos os tempos.
Em 1493, o Vaticano presenteou a Espanha com a América e obsequiou a África negra a Portugal, "para que as nações bárbaras sejam reduzidas à fé católica". Então, a América tinha quinze vezes mais habitantes que a Espanha, e a África negra cem vezes mais que Portugal.
Tal como havia determinado o Papa, as nações bárbaras foram reduzidas. E muito.
Tenochtitlán, o centro do império asteca, era de água. Hernán Cortés demoliu a cidade, pedra por pedra, e com os escombros tapou os canais por onde navegavam duzentas mil canoas. Esta foi a primeira guerra da água na América. Agora Tenochtitlán chama-se México DF. Por onde corria a água, correm os automóveis.
O monumento mais alto da Argentina foi erigido em homenagem ao general Roca, que no século dezenove exterminou os índios da Patagônia.
A maior avenida do Uruguai leva o nome do general Rivera, que, no século dezenove, exterminou os últimos índios charruas.
John Locke, o filósofo da liberdade, era acionista da Royal Africa Company, que comprava e vendia escravos.
Enquanto nascia o século dezoito, o primeiro dos Bourbons, Felipe V, estreou seu trono assinando um contrato com seu primo, o rei da França, para que a Compagnie de Guinée vendesse negros na América. Cada monarca levava uns 25 por cento do lucro. Nomes de alguns navios negreiros: Voltaire, Rousseau, Jesus, Esperança, Igualdade, Amizade.
Dois dos Pais Fundadores dos Estados Unidos desvaneceram-se na névoa da história oficial. Ninguém recorda de Robert Carter nem de Gouverner Morris. A amnésia recompensou seus atos. Carter foi o único prócer da independência que libertou seus escravos. Morris, redator da Constituição, opôs-se à cláusula que estabeleceu que um escravo equivalia às três quintas partes de uma pessoa.
"O nascimento de uma nação", a primeira superprodução de Hollywood, estreou em 1915, na Casa Branca. O presidente, Woodrow Wilson, aplaudiu-a em pé. Ele era o autor dos textos do filme, um hino racista de louvor a Ku Klux Klan.
Algumas datas: Desde o ano 1234, e durante os sete séculos seguintes, a Igreja Católica proibiu que as mulheres cantassem nos templos. Suas vozes eram impuras, por aquele assunto de Eva e o pecado original.
No ano 1783, o rei da Espanha decretou que não eram desonrosos os trabalhos manuais, os chamados "ofícios vis", que até então implicavam perda da fidalguia.
Até o ano 1986, foi legal o castigo das crianças nas escolas da Inglaterra, com correias, varas e porretes.
Em nome da liberdade, a igualdade e a fraternidade, a Revolução Francesa proclamou em 1793 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Então, a militante revolucionária Olympia de Gouges propôs a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. A guilhotina cortou-lhe a cabeça.
Meio século depois, outro governo revolucionário, durante a Primeira Comuna de Paris, proclamou o sufrágio universal. Ao mesmo tempo, negou o direito de voto às mulheres, por unanimidade menos um: 899 votos contra, um a favor.
A imperatriz cristã Teodora nunca disse ser revolucionária, nem algo no estilo. Mas, há mil e quinhentos anos, o império bizantino foi, graças a ela, o primeiro lugar do mundo onde o aborto e o divórcio foram direitos das mulheres.
O general Ulisses Grant, vencedor na guerra do norte industrial contra o sul escravista, foi a seguir presidente dos Estados Unidos. Em 1875, respondendo às pressões britânicas, respondeu:– Dentro de duzentos anos, quando obtivermos do protecionismo tudo o que nos pode oferecer, nós também adotaremos a liberdade de comércio.
Assim, pois, no ano 2075, a nação mais protecionista do mundo adotará a liberdade de comércio.
Lootie, "Botincito", foi o primeiro cão pequinês que chegou à Europa. Viajou para Londres em 1860. Os ingleses batizaram-no desse modo porque era parte do botim arrancado da China, ao cabo das duas longas guerras do ópio. Vitória, a rainha narcotraficante, impusera o ópio a tiros de canhão. A China foi convertida em uma nação de drogados, em nome da liberdade, a liberdade de comércio.
Em nome da liberdade, a liberdade de comércio, o Paraguai foi aniquilado em 1870. No fim de uma guerra de cinco anos, este país, o único país das Américas que não devia um centavo a ninguém, inaugurou sua dívida externa. Às suas ruínas fumegantes chegou, de Londres, o primeiro empréstimo. Foi destinado a pagar uma enorme indenização para o Brasil, a Argentina e o Uruguai. O país assassinado pagou aos países assassinos pelo trabalho que tiveram assassinando-o.
O Haiti também pagou uma enorme indenização. Desde que, em 1804, conquistou sua independência, a nova nação arrasada teve que pagar uma fortuna à França, durante um século e meio, para expiar o pecado de sua liberdade.
As grandes empresas têm direitos humanos nos Estados Unidos. Em 1886, a Suprema Corte de Justiça estendeu os direitos humanos às corporações privadas, e assim segue sendo. Poucos anos depois, em defesa dos direitos humanos de suas empresas, os Estados Unidos invadiram dez países, em diversos mares do mundo. Então, Mark Twain, dirigente da Liga Antiimperialista, propôs uma nova bandeira, com caveirinhas no lugar de estrelas, e outro escritor, Ambrose Bierce, comprovou:– A guerra é o caminho que Deus elegeu para nos ensinar geografia.
Os campos de concentração nasceram na África. Os ingleses iniciaram o experimento, e os alemães o desenvolveram. Depois Hermann Göring aplicou, na Alemanha, o modelo que seu papai havia ensaiado, em 1904, na Namíbia. Os mestres de Joseph Mengele haviam estudado, no campo de concentração da Namíbia, a anatomia das raças inferiores. Todos os negros eram cobaias.
Em 1936, o Comitê Olímpico Internacional não tolerava insolências. Nas Olimpíadas de 1936, organizadas por Hitler, a seleção de futebol do Peru derrotou por 4 a 2 a seleção da Áustria, o país natal do Führer. O Comitê Olímpico anulou a partida. Não faltavam amigos para Hitler.
A Rockefeller Foundation financiou investigações raciais e racistas da medicina nazi.
A Coca-Cola inventou a Fanta, em plena guerra, para o mercado alemão.
A IBM tornou possível a identificação e classificação dos judeus, e esta foi a primeira façanha em grande escala do sistema de cartões perfurados.
Em 1953, explodiu o protesto operário na Alemanha comunista. Os trabalhadores lançaram-se às ruas e os tanques soviéticos ocuparam-se em lhes calar a boca. Então Bertolt Brecht propôs: “Não seria mais fácil o governo dissolver o povo e escolher outro?”
Operações de marketing. A opinião pública é o target. As guerras vendem-se mentindo, como se vendem os automóveis.
Em 1964, os Estados Unidos invadiram o Vietnã, porque o Vietnã havia atacado dois navios dos Estados Unidos no golfo de Tonquin. Quando a guerra já havia destripado a uma multidão de vietnamitas, o ministro de Defesa, Robert McNamara, reconheceu que o ataque de Tonquin não existira.
Quarenta anos depois, a história se repetiu no Iraque. Milhares de anos antes que a invasão norte-americana levasse a civilização ao Iraque, nesta terra bárbara havia nascido o primeiro poema de amor da história universal. Em língua suméria, escrito no barro, o poema narrou o encontro de uma deusa e um pastor. Inanna, a deusa, naquela noite amou como se fosse mortal. Dumuzi, o pastor, foi imortal enquanto durou essa noite.
Paradoxos ambulantes, paradoxos estimulantes.
O Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais belas esculturas da era colonial americana.
O livro de viagens de Marco Polo, aventura da liberdade, foi escrito no cárcere de Gênova.
Dom Quixote de La Mancha, outra aventura da liberdade, nasceu no cárcere de Sevilha.
Foram netos de escravos os negros que geraram o jazz, a mais livre das músicas. Um dos melhores guitarristas de jazz, o cigano Django Reinhardt, tinha não mais que dois dedos em sua mão esquerda.
Não tinha mãos Grimod de la Reynière, o grande mestre da cozinha francesa. Com ganchos escrevia, cozinhava e comia.”
A IMPRENSA E A OPOSIÇÃO QUEREM A CRISE BRASIL x PARAGUAI
Este blog já abordou as reivindicações do recém-eleito presidente do Paraguai a respeito de preços da energia oriunda da usina hidrelétrica de Itaipu, ainda a maior do mundo em quantidade de energia gerada. Foi no artigo de segunda-feira última, 21 de abril, intitulado “Entrevista com o novo presidente paraguaio, Fernando Lugo”.
Posteriormente, na quinta-feira, 24 de abril, publicamos outro ponto-de-vista sobre o tema, na postagem “Polêmica sobre Itaipu”. No referido artigo, transcrevemos que o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, disse que o reajuste não seria justo para o consumidor brasileiro e que, para o Paraguai, a construção de Itaipu foi um grande negócio. "O Paraguai nesse processo entrou apenas com a água, com metade do rio. A usina foi construída com a alavancagem de recursos obtida pelo Brasil e com o know-how do Brasil. A metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil".
Hoje, trago para os leitores uma perspicaz abordagem do problema feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) no seu blog “Conversa Afiada”.
Com as suas típicas sátira, sagacidade e ironia, PHA revela qual a razão de a grande mídia brasileira (por ele batizada de Partido da Imprensa Golpista-PIG) estar estimulando a discórdia entre os dois países.
O objetivo é a volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. O retorno, com todos aqueles princípios “neoliberais” que marcaram o governo FHC. Um aspecto pertinente do governo tucanopefelento a relembrar era o desestímulo ao Mercosul, em coerência com o desejo de grandes potências, especialmente os EUA.
Transcrevo o artigo de Paulo Henrique Amorim:
“PIG QUER OUTRA GUERRA DO PARAGUAI”
"O Presidente eleito Fernando Lugo, do Paraguai, anunciou na campanha que queria mais dinheiro de Itaipu para o Paraguai.
Você, caro leitor, se fosse paraguaio, como reagiria ao fato de o Paraguai ser sócio da maior hidrelétrica do mundo e não ter energia de qualidade para fazer uma fábrica rodar direito?
Em quem você votaria?
Você, caro leitor, como brasileiro, prefere que os países vizinhos sejam amigos e prósperos, ou prefere países vizinhos hostis, pobres e ponto de distribuição de drogas, armas, munição e contrabando?
Vamos ver o que disse o Ministro Celso Amorim, em Acra, em Gana, onde acompanhava o Presidente Lula numa Conferência da Unctad:
“... continuar discutindo com o Paraguai, normalmente, sobre como ele obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo. Agora, a maneira de fazer, nós vamos discutir.”
Amorim também falou em o Brasil financiar a construção de linhas de transmissão, para o Paraguai aproveitar melhor a energia de Itaipu. E, provavelmente, através do BNDES, financiar empresas brasileiras que invistam no Paraguai.
Amorim também disse: “compensar a energia paraguaia por uma defasagem, se se comparar com o que recebem usinas hidrelétricas brasileiras, esse tipo de coisa a gente pode ver”. (Uso as declarações de Amorim a partir de uma transcrição feita pela assessoria de imprensa do Itamaraty).
Mexer no Tratado de Itaipu não passa pela cabeça de ninguém. O Tratado é o “garante” para o financiamento de Itaipu, que gerou uma dívida de cerca de US$ 20 bilhões.
Mexer na forma de fixar a tarifa pode não ser uma boa idéia.
Mas, compensar o Paraguai por atraso na fixação da tarifa; financiar a construção de uma linha de transmissão, ou um Pró-Álcool no Paraguai – tudo isso faz muito sentido.
Não é o que o PiG tem dito.
O Globo de hoje (23/04), numa página interna, anuncia: “Governo já fala em mudar tarifa”.
Quem disse isso? Ninguém.
O Ministro Amorim não disse.
O Presidente Lula não disse.
O Ministro das Minas, Edson Lobão, é contra.
Quem diz é o Globo: “Uma possível (possível!) negociação com o Paraguai, com aumento da tarifa para o Brasil, foi tema de uma reunião da coordenação política (?) do Governo ontem, com a presença do Presidente Lula.”
Portanto, quem diz é o Globo.
O Estadão, a Folha e, especialmente, o Globo assumiram a liderança de uma nova Guerra do Paraguai, ‘remember’ Cerro Corá.
O PiG tem como objetivo final derrubar o Presidente Lula.
A nova Guerra do Paraguai ajudaria a atingir esse objetivo, respeitadas as seguintes etapas:
1) Demonstrar que o Brasil se curvará diante do Paraguai, como se curvou diante da Bolívia, no gás natural;
2) Que o Presidente Lula é um frouxo com os vizinhos e o Itamaraty idem;
3) Que o Presidente Lula não sabe defender o interesse nacional;
4) Que o consumidor brasileiro não vai mais usufruir da água de Itaipu, tanto quanto cessou o fornecimento de gás da Bolívia;
5) Que o consumidor brasileiro vai pagar o pato; e a energia de Itaipu vai custar preços astronômicos, como se observou com o gás boliviano;
6) Pressionado pelo PiG, o Brasil vai invadir o Paraguai;
7) E, em Cerro Corá, as tropas paraguaias derrotarão as desmoralizadas tropas brasileiras.
Ipso facto, o Presidente Lula cai e o presidente eleito, José Serra, finalmente assume.
A derrota em Cerro Corá é a crise do PiG da semana.”
Posteriormente, na quinta-feira, 24 de abril, publicamos outro ponto-de-vista sobre o tema, na postagem “Polêmica sobre Itaipu”. No referido artigo, transcrevemos que o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, disse que o reajuste não seria justo para o consumidor brasileiro e que, para o Paraguai, a construção de Itaipu foi um grande negócio. "O Paraguai nesse processo entrou apenas com a água, com metade do rio. A usina foi construída com a alavancagem de recursos obtida pelo Brasil e com o know-how do Brasil. A metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil".
Hoje, trago para os leitores uma perspicaz abordagem do problema feita pelo jornalista Paulo Henrique Amorim (PHA) no seu blog “Conversa Afiada”.
Com as suas típicas sátira, sagacidade e ironia, PHA revela qual a razão de a grande mídia brasileira (por ele batizada de Partido da Imprensa Golpista-PIG) estar estimulando a discórdia entre os dois países.
O objetivo é a volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. O retorno, com todos aqueles princípios “neoliberais” que marcaram o governo FHC. Um aspecto pertinente do governo tucanopefelento a relembrar era o desestímulo ao Mercosul, em coerência com o desejo de grandes potências, especialmente os EUA.
Transcrevo o artigo de Paulo Henrique Amorim:
“PIG QUER OUTRA GUERRA DO PARAGUAI”
"O Presidente eleito Fernando Lugo, do Paraguai, anunciou na campanha que queria mais dinheiro de Itaipu para o Paraguai.
Você, caro leitor, se fosse paraguaio, como reagiria ao fato de o Paraguai ser sócio da maior hidrelétrica do mundo e não ter energia de qualidade para fazer uma fábrica rodar direito?
Em quem você votaria?
Você, caro leitor, como brasileiro, prefere que os países vizinhos sejam amigos e prósperos, ou prefere países vizinhos hostis, pobres e ponto de distribuição de drogas, armas, munição e contrabando?
Vamos ver o que disse o Ministro Celso Amorim, em Acra, em Gana, onde acompanhava o Presidente Lula numa Conferência da Unctad:
“... continuar discutindo com o Paraguai, normalmente, sobre como ele obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo. Agora, a maneira de fazer, nós vamos discutir.”
Amorim também falou em o Brasil financiar a construção de linhas de transmissão, para o Paraguai aproveitar melhor a energia de Itaipu. E, provavelmente, através do BNDES, financiar empresas brasileiras que invistam no Paraguai.
Amorim também disse: “compensar a energia paraguaia por uma defasagem, se se comparar com o que recebem usinas hidrelétricas brasileiras, esse tipo de coisa a gente pode ver”. (Uso as declarações de Amorim a partir de uma transcrição feita pela assessoria de imprensa do Itamaraty).
Mexer no Tratado de Itaipu não passa pela cabeça de ninguém. O Tratado é o “garante” para o financiamento de Itaipu, que gerou uma dívida de cerca de US$ 20 bilhões.
Mexer na forma de fixar a tarifa pode não ser uma boa idéia.
Mas, compensar o Paraguai por atraso na fixação da tarifa; financiar a construção de uma linha de transmissão, ou um Pró-Álcool no Paraguai – tudo isso faz muito sentido.
Não é o que o PiG tem dito.
O Globo de hoje (23/04), numa página interna, anuncia: “Governo já fala em mudar tarifa”.
Quem disse isso? Ninguém.
O Ministro Amorim não disse.
O Presidente Lula não disse.
O Ministro das Minas, Edson Lobão, é contra.
Quem diz é o Globo: “Uma possível (possível!) negociação com o Paraguai, com aumento da tarifa para o Brasil, foi tema de uma reunião da coordenação política (?) do Governo ontem, com a presença do Presidente Lula.”
Portanto, quem diz é o Globo.
O Estadão, a Folha e, especialmente, o Globo assumiram a liderança de uma nova Guerra do Paraguai, ‘remember’ Cerro Corá.
O PiG tem como objetivo final derrubar o Presidente Lula.
A nova Guerra do Paraguai ajudaria a atingir esse objetivo, respeitadas as seguintes etapas:
1) Demonstrar que o Brasil se curvará diante do Paraguai, como se curvou diante da Bolívia, no gás natural;
2) Que o Presidente Lula é um frouxo com os vizinhos e o Itamaraty idem;
3) Que o Presidente Lula não sabe defender o interesse nacional;
4) Que o consumidor brasileiro não vai mais usufruir da água de Itaipu, tanto quanto cessou o fornecimento de gás da Bolívia;
5) Que o consumidor brasileiro vai pagar o pato; e a energia de Itaipu vai custar preços astronômicos, como se observou com o gás boliviano;
6) Pressionado pelo PiG, o Brasil vai invadir o Paraguai;
7) E, em Cerro Corá, as tropas paraguaias derrotarão as desmoralizadas tropas brasileiras.
Ipso facto, o Presidente Lula cai e o presidente eleito, José Serra, finalmente assume.
A derrota em Cerro Corá é a crise do PiG da semana.”
sexta-feira, 25 de abril de 2008
EUA, “CAIAM FORA DO IRAQUE!” DISSE MICHAEL MOORE HÁ UM ANO E MEIO ATRÁS
Em 27/11/2006, há um ano e cinco meses atrás, Michael Moore dirigiu uma carta ao Congresso dos EUA e ao povo norte-americano, alertando que "a única coisa a fazer é cair fora do Iraque".
Além de propugnar pela retirada total e imediata das tropas americanas de ocupação do Iraque, também defendeu que o país árabe fosse indenizado pela ocupação.
Hoje, aquelas posturas de Moore se tornaram ainda mais sensatas e urgentes.
Na Wikipedia, obtive os seguintes dados sobre o autor do alerta: o escritor e cineasta norte-americano Michael Francis Moore nasceu em Flint, EUA, em 23 de abril de 1954. É conhecido pelos seus posicionamentos socialdemocratas e por sua crítica sobre as políticas do governo de George W. Bush.
Entre os seus filmes mais famosos estão “Fahrenheit 9/11”, de 2004, onde critica George Bush; “Bowling for Columbine” (no Brasil: “Tiros em Columbine”) (2002) onde aborda a obsessão por armas nos Estados Unidos da América, relacionando-a com o “Massacre de Columbine” ocorrido numa escola.
Leiamos abaixo a íntegra da carta de Michael Moore, cuja mensagem é ainda mais atual do que na época em que foi escrita:
"Amigos,
Hoje (27/11/2006) marca o dia em que permanecemos no Iraque mais tempo que aquele que levamos para combater na Segunda Guerra Mundial. É isso mesmo.
Nós fomos competentes para derrotar a Alemanha Nazista, Mussolini e o Império Japonês inteiro em menos tempo que a única superpotência mundial gastou para tentar tornar segura a estrada que liga o aeroporto de Bagdá ao centro da cidade. E nós não conseguimos fazer isso.
Após 1.437 dias, no mesmo tempo que levamos para irromper pela África do Norte, conquistar as praias da Itália, conquistar o Pacífico Sul e libertar toda a Europa Ocidental, nós não pudemos, após 3 anos e meio, conquistar sequer uma simples estrada e proteger a nós mesmos de bombas caseiras, feita de latinhas, colocadas em buracos nas rodovias. Sem contar que uma viagem de táxi do aeroporto até Bagdá, de 25 minutos, custa 35 mil dólares e o motorista não lhe dá sequer um mísero capacete para sua proteção.
A culpa desse fracasso se deve a nossas tropas? Dificilmente. Não importa o quanto de tropas, de helicópteros ou de democracias nós cuspamos das nossas armas, nada irá "vencer a guerra no Iraque". Ela é uma guerra perdida.
Perdida porque jamais teve o direito de ser vencida, perdida porque começou por homens que jamais estiveram em uma guerra, homens que se escondem atrás daqueles que foram enviados para lutar e morrer.
Vamos ouvir o que o povo iraquiano está dizendo, de acordo com uma pesquisa recente feita pela Universidade de Martland:
• 71% de todos os iraquianos querem os EUA fora do Iraque.
• 61% de todos os iraquianos apóiam os ataques da resistência contra as tropas americanas. Sim, a vasta maioria dos cidadãos iraquianos acha que nossos soldados devem ser mortos e massacrados!
Então, o que diabos nós ainda estamos fazendo lá? Vamos interpretar como se não tivéssemos compreendido a deixa?
Existem diversos modos de libertar um país.
Freqüentemente os cidadãos se rebelam e se libertam a si próprios. Foi assim que nós fizemos. E você também pode fazer isso de modo não violento, usando a desobediência civil. Foi assim que a Índia fez.
Você pode também fazer com que o mundo inteiro boicote o regime de um país até que ele caia no ostracismo e capitule. Foi isso que aconteceu com a África do Sul.
Ou, você pode simplesmente esperar que eles cansem e caiam fora, cedo ou tarde, como as legiões do rei fizeram (algumas só porque estavam com muito frio). Isso aconteceu no vizinho Canadá.
O único modo que não funciona é invadir um país e dizer a seu povo "Estamos aqui para libertar vocês", enquanto eles não faziam nada para libertar-se.
Onde estavam todos esses homens suicidas enquanto Saddam Hussein oprimia o povo? Onde estavam os "insurgentes" que plantam bombas nas estradas quando o comboio do maligno Saddam Hussein passeava por elas? E acho que o velho Saddam era um déspota cruel - mas não tão cruel a ponto de milhares arriscarem seus pescoços contra ele. "Ah não Mike, eles não podiam fazer isso! Saddam os mataria!" Sério? Você acha que o rei George não mataria quem se insurgisse contra ele?
Você acha que Patrick Henry e Tom Paine tinham medo? Isso não os impediu de lutar. Quando dezenas de milhares de pessoas não têm a inclinação de sair às ruas e derramar seu sangue para remover um ditador, isso deve servir como uma boa pista de que eles não estão desejando participar de alguma libertação promovida de fora.
Uma nação pode ajudar outro povo a remover um tirano (foi o que os franceses fizeram por nós em nossa revolução), mas depois disso, você cai fora. Imediatamente! Os franceses não ficaram e nos disseram como deveríamos constituir nosso governo. Eles não disseram "não estamos indo embora porque nós queremos os seus recursos naturais". Eles nos deixaram à nossa própria sorte e nós levamos seis anos para fazer uma eleição depois da partida deles.
E daí tivemos uma sangrenta guerra civil. Isso foi o que aconteceu e a História está cheia desses exemplos. Os franceses não disseram: "Oh, é melhor ficar na América, de outro modo eles vão se matar uns aos outros discutindo essa história de escravagismo".
O único caminho que leva uma guerra de libertação ao sucesso é ter por trás dela o apoio de seus próprios cidadãos e um numeroso grupo de Washingtons, Jeffersons, Franklins, Gandhis e Mandelas liderando a insurreição. Onde estão esses faróis da liberdade no Iraque?
Essa é uma piada e tem sido uma piada desde o início. Sim, nós éramos a piada, mas com 655.000 iraquianos mortos como resultado da nossa invasão segundo a Universidade John Hopkins. Eu acho que a piada de mau gosto agora é deles. Pelo menos eles foram libertados, permanentemente.
Por isso não quero ouvir nenhuma outra palavra sobre enviar ainda mais tropas (acorda Estados Unidos, John McCain está maluco!), ou sobre "realocá-las", ou esperar mais quatro meses para começar a " vencer o prazo" delas.
Só existe uma única solução e ela é simples: retirada! Agora. Comecem hoje à noite. Vamos cair fora de lá o mais rápido que pudermos.
Quanto mais pessoas de boa vontade e consciência não quiserem acreditar nisso, quanto mais mortes nós teremos para aceitar a derrota, nada poderemos fazer para reparar o dano que cometemos.
O que aconteceu, aconteceu. Se você dirigiu bêbado, atropelou e matou uma criança, não haverá nada no mundo que você possa fazer para devolver a vida àquela criança. Se você invadiu e destruiu um país, lançando o povo a uma guerra civil, não há nada que você possa fazer até que a fumaça dissipe e o sangue derramado seque.
Então, talvez, você possa acordar e ver a atrocidade que cometeu e depois ajudar os sobreviventes a tentar melhorar suas vidas.
A União Soviética caiu fora do Afeganistão em 36 semanas. Saíram assim e tiveram perdas pesadas na retirada. Eles compreenderam o erro que cometeram e removeram suas tropas. Depois, veio uma guerra civil. Os maus venceram. Mais tarde, nós derrubamos os maus e tudo viveu melhor depois disso (sic?). Veja! No fim, a coisa funciona!
A responsabilidade pelo fim dessa guerra cabe agora aos democratas. O Congresso puxa as cordinhas e a Constituição diz que só o Congresso pode declarar a guerra. O senhor Reid e a senhora Nancy Pelosi têm agora o poder para colocar um fim a essa loucura. Se fracassarem nisso, a ira dos eleitores recairá sobre eles.
Nós não estamos brincando senhores democratas e se vocês não acreditam em nós, toquem em frente e continuem essa guerra por outro mês. Nós lutaremos contra vocês ainda mais forte do que fizemos contra os republicanos. A página de abertura de meu site na Internet tem uma foto de Nancy Pelosi e Henry Reid, feitas a partir de fotos de soldados americanos que morreram lutando a Guerra de Bush.
Mas que será a partir de agora a Guerra de Bush contra os Democratas, a menos que alguma outra rápida ação seja tomada?
Essas são nossas exigências:
1 - Tragam as tropas para casa já! Não em seis meses. Agora! Deixem de procurar um meio de vencer. Nós não podemos vencer. Nós perdemos. Às vezes se perde. Essa é uma dessas vezes. Sejam corajosos e admitam isso.
2 - Peçam desculpas a nossos soldados e façam melhor. Digam a eles que nos desculpem porque eles foram usados para lutar uma guerra que não tinha nada a ver com a nossa segurança nacional. Nós precisamos assegurar que cuidaremos deles e que eles sofrerão o mínimo possível. Os soldados incapacitados física e psicologicamente receberão os melhores cuidados e uma compensação financeira significante. As famílias dos soldados que morreram merecem as maiores desculpas e precisam ser cuidadas para o resto das suas vidas.
3 - Devemos nos expiar das atrocidades que perpetramos contra o povo do Iraque. Há poucos males piores que fazer a guerra baseados em uma mentira, invadir outro país porque você quer o que é deles e que está enterrado no solo. Agora, muitos mais irão morrer. Seu sangue estará em nossas mãos, não interessa em quem votamos. Se você paga impostos, contribuiu para os 3 bilhões de dólares por semana que gastamos para levar o Iraque para o inferno onde está o país agora. Quando a guerra civil tiver terminado, nós deveremos ajudar a reconstruir o Iraque. Nós não podemos nos redimir se não fizermos isso.
Por último, há uma coisa que eu sei. Nós, americanos, somos melhores do que as coisas que fizeram em nosso nome. A maioria de nós ficou estarrecida e zangada com o que aconteceu em 11 de setembro e perdeu a cabeça.
Nós não pensamos direito e jamais olhamos um mapa. Porque somos mantidos na estupidez graças ao nosso sistema patético de educação e à nossa mídia preguiçosa, não sabemos nada de História. Nós não sabemos que somos os caras que financiaram e armaram Saddam Hussein por muitos anos, inclusive quando ele massacrou os curdos. Ele era o nosso cara. Nós não sabíamos o que era um sunita ou um xiita, sequer havíamos escutado essas palavras. De acordo com o National Geographic, 80% dos adultos do nosso país não sabem localizar o Iraque no globo terrestre.
Nossos líderes jogaram com nossa estupidez, nos manipularam com suas mentiras e nos amedrontaram até a morte.
Mas, no fundo, somos um povo de bom coração. Aprendemos devagar, mas a bandeira de "missão cumprida" nos atingiu de modo ímpar e cedo começamos a fazer algumas perguntas. Depois, começamos a ficar espertos. No último dia 7 de novembro, nós ficamos loucos e tentamos consertar nossos erros.
A maioria agora conhece a verdade. A maioria agora sente uma tristeza e culpa profundas e uma esperança de qualquer coisa que seja feita, será melhor e colocará tudo nos eixos.
Infelizmente, não é assim. Então precisamos aceitar as conseqüências de nossas ações e fazer o melhor para que o povo iraquiano possa até pensar em pedir auxílio a nós no futuro. Pedimos a eles que nos perdoem.
Pedimos aos democratas que nos escutem e que saiamos do Iraque agora!
Do seu,
Michael Moore".
Os apelos de Michael Moore não foram ouvidos pelo Congresso dos EUA. Desde então, o governo Bush, com o aval do congresso, enviou para o Iraque ainda mais tropas e mais contigentes de empresas civis “de segurança” (pagas pelo Pentágono), mercenários em quantidades ainda maiores do que a de militares norte-americanos no Iraque.
A situação está cada vez mais grave do que aquela descrita por Michael Moore. Em nossa postagem de 01/04 último, colocamos um trecho de notícia publicada poucos minutos antes pelo portal UOL Últimas notícias:
“Número de mortos no Iraque cresceu 50% em março”
"O número de mortos no Iraque no mês de março aumentou 50% em comparação com o mês anterior, segundo estimativas do governo iraquiano.
De acordo com os dados, 1.082 iraquianos, incluindo 925 civis, morreram vítimas de atentados a bomba e confrontos entre insurgentes e tropas iraquianas. Em fevereiro, o número de baixas foi de 721.
Ainda segundo as autoridades iraquianas, o mês de março ainda registrou um aumento no número de ataques à bomba e confrontos entre milícias xiitas e forças do governo.”
Além de propugnar pela retirada total e imediata das tropas americanas de ocupação do Iraque, também defendeu que o país árabe fosse indenizado pela ocupação.
Hoje, aquelas posturas de Moore se tornaram ainda mais sensatas e urgentes.
Na Wikipedia, obtive os seguintes dados sobre o autor do alerta: o escritor e cineasta norte-americano Michael Francis Moore nasceu em Flint, EUA, em 23 de abril de 1954. É conhecido pelos seus posicionamentos socialdemocratas e por sua crítica sobre as políticas do governo de George W. Bush.
Entre os seus filmes mais famosos estão “Fahrenheit 9/11”, de 2004, onde critica George Bush; “Bowling for Columbine” (no Brasil: “Tiros em Columbine”) (2002) onde aborda a obsessão por armas nos Estados Unidos da América, relacionando-a com o “Massacre de Columbine” ocorrido numa escola.
Leiamos abaixo a íntegra da carta de Michael Moore, cuja mensagem é ainda mais atual do que na época em que foi escrita:
"Amigos,
Hoje (27/11/2006) marca o dia em que permanecemos no Iraque mais tempo que aquele que levamos para combater na Segunda Guerra Mundial. É isso mesmo.
Nós fomos competentes para derrotar a Alemanha Nazista, Mussolini e o Império Japonês inteiro em menos tempo que a única superpotência mundial gastou para tentar tornar segura a estrada que liga o aeroporto de Bagdá ao centro da cidade. E nós não conseguimos fazer isso.
Após 1.437 dias, no mesmo tempo que levamos para irromper pela África do Norte, conquistar as praias da Itália, conquistar o Pacífico Sul e libertar toda a Europa Ocidental, nós não pudemos, após 3 anos e meio, conquistar sequer uma simples estrada e proteger a nós mesmos de bombas caseiras, feita de latinhas, colocadas em buracos nas rodovias. Sem contar que uma viagem de táxi do aeroporto até Bagdá, de 25 minutos, custa 35 mil dólares e o motorista não lhe dá sequer um mísero capacete para sua proteção.
A culpa desse fracasso se deve a nossas tropas? Dificilmente. Não importa o quanto de tropas, de helicópteros ou de democracias nós cuspamos das nossas armas, nada irá "vencer a guerra no Iraque". Ela é uma guerra perdida.
Perdida porque jamais teve o direito de ser vencida, perdida porque começou por homens que jamais estiveram em uma guerra, homens que se escondem atrás daqueles que foram enviados para lutar e morrer.
Vamos ouvir o que o povo iraquiano está dizendo, de acordo com uma pesquisa recente feita pela Universidade de Martland:
• 71% de todos os iraquianos querem os EUA fora do Iraque.
• 61% de todos os iraquianos apóiam os ataques da resistência contra as tropas americanas. Sim, a vasta maioria dos cidadãos iraquianos acha que nossos soldados devem ser mortos e massacrados!
Então, o que diabos nós ainda estamos fazendo lá? Vamos interpretar como se não tivéssemos compreendido a deixa?
Existem diversos modos de libertar um país.
Freqüentemente os cidadãos se rebelam e se libertam a si próprios. Foi assim que nós fizemos. E você também pode fazer isso de modo não violento, usando a desobediência civil. Foi assim que a Índia fez.
Você pode também fazer com que o mundo inteiro boicote o regime de um país até que ele caia no ostracismo e capitule. Foi isso que aconteceu com a África do Sul.
Ou, você pode simplesmente esperar que eles cansem e caiam fora, cedo ou tarde, como as legiões do rei fizeram (algumas só porque estavam com muito frio). Isso aconteceu no vizinho Canadá.
O único modo que não funciona é invadir um país e dizer a seu povo "Estamos aqui para libertar vocês", enquanto eles não faziam nada para libertar-se.
Onde estavam todos esses homens suicidas enquanto Saddam Hussein oprimia o povo? Onde estavam os "insurgentes" que plantam bombas nas estradas quando o comboio do maligno Saddam Hussein passeava por elas? E acho que o velho Saddam era um déspota cruel - mas não tão cruel a ponto de milhares arriscarem seus pescoços contra ele. "Ah não Mike, eles não podiam fazer isso! Saddam os mataria!" Sério? Você acha que o rei George não mataria quem se insurgisse contra ele?
Você acha que Patrick Henry e Tom Paine tinham medo? Isso não os impediu de lutar. Quando dezenas de milhares de pessoas não têm a inclinação de sair às ruas e derramar seu sangue para remover um ditador, isso deve servir como uma boa pista de que eles não estão desejando participar de alguma libertação promovida de fora.
Uma nação pode ajudar outro povo a remover um tirano (foi o que os franceses fizeram por nós em nossa revolução), mas depois disso, você cai fora. Imediatamente! Os franceses não ficaram e nos disseram como deveríamos constituir nosso governo. Eles não disseram "não estamos indo embora porque nós queremos os seus recursos naturais". Eles nos deixaram à nossa própria sorte e nós levamos seis anos para fazer uma eleição depois da partida deles.
E daí tivemos uma sangrenta guerra civil. Isso foi o que aconteceu e a História está cheia desses exemplos. Os franceses não disseram: "Oh, é melhor ficar na América, de outro modo eles vão se matar uns aos outros discutindo essa história de escravagismo".
O único caminho que leva uma guerra de libertação ao sucesso é ter por trás dela o apoio de seus próprios cidadãos e um numeroso grupo de Washingtons, Jeffersons, Franklins, Gandhis e Mandelas liderando a insurreição. Onde estão esses faróis da liberdade no Iraque?
Essa é uma piada e tem sido uma piada desde o início. Sim, nós éramos a piada, mas com 655.000 iraquianos mortos como resultado da nossa invasão segundo a Universidade John Hopkins. Eu acho que a piada de mau gosto agora é deles. Pelo menos eles foram libertados, permanentemente.
Por isso não quero ouvir nenhuma outra palavra sobre enviar ainda mais tropas (acorda Estados Unidos, John McCain está maluco!), ou sobre "realocá-las", ou esperar mais quatro meses para começar a " vencer o prazo" delas.
Só existe uma única solução e ela é simples: retirada! Agora. Comecem hoje à noite. Vamos cair fora de lá o mais rápido que pudermos.
Quanto mais pessoas de boa vontade e consciência não quiserem acreditar nisso, quanto mais mortes nós teremos para aceitar a derrota, nada poderemos fazer para reparar o dano que cometemos.
O que aconteceu, aconteceu. Se você dirigiu bêbado, atropelou e matou uma criança, não haverá nada no mundo que você possa fazer para devolver a vida àquela criança. Se você invadiu e destruiu um país, lançando o povo a uma guerra civil, não há nada que você possa fazer até que a fumaça dissipe e o sangue derramado seque.
Então, talvez, você possa acordar e ver a atrocidade que cometeu e depois ajudar os sobreviventes a tentar melhorar suas vidas.
A União Soviética caiu fora do Afeganistão em 36 semanas. Saíram assim e tiveram perdas pesadas na retirada. Eles compreenderam o erro que cometeram e removeram suas tropas. Depois, veio uma guerra civil. Os maus venceram. Mais tarde, nós derrubamos os maus e tudo viveu melhor depois disso (sic?). Veja! No fim, a coisa funciona!
A responsabilidade pelo fim dessa guerra cabe agora aos democratas. O Congresso puxa as cordinhas e a Constituição diz que só o Congresso pode declarar a guerra. O senhor Reid e a senhora Nancy Pelosi têm agora o poder para colocar um fim a essa loucura. Se fracassarem nisso, a ira dos eleitores recairá sobre eles.
Nós não estamos brincando senhores democratas e se vocês não acreditam em nós, toquem em frente e continuem essa guerra por outro mês. Nós lutaremos contra vocês ainda mais forte do que fizemos contra os republicanos. A página de abertura de meu site na Internet tem uma foto de Nancy Pelosi e Henry Reid, feitas a partir de fotos de soldados americanos que morreram lutando a Guerra de Bush.
Mas que será a partir de agora a Guerra de Bush contra os Democratas, a menos que alguma outra rápida ação seja tomada?
Essas são nossas exigências:
1 - Tragam as tropas para casa já! Não em seis meses. Agora! Deixem de procurar um meio de vencer. Nós não podemos vencer. Nós perdemos. Às vezes se perde. Essa é uma dessas vezes. Sejam corajosos e admitam isso.
2 - Peçam desculpas a nossos soldados e façam melhor. Digam a eles que nos desculpem porque eles foram usados para lutar uma guerra que não tinha nada a ver com a nossa segurança nacional. Nós precisamos assegurar que cuidaremos deles e que eles sofrerão o mínimo possível. Os soldados incapacitados física e psicologicamente receberão os melhores cuidados e uma compensação financeira significante. As famílias dos soldados que morreram merecem as maiores desculpas e precisam ser cuidadas para o resto das suas vidas.
3 - Devemos nos expiar das atrocidades que perpetramos contra o povo do Iraque. Há poucos males piores que fazer a guerra baseados em uma mentira, invadir outro país porque você quer o que é deles e que está enterrado no solo. Agora, muitos mais irão morrer. Seu sangue estará em nossas mãos, não interessa em quem votamos. Se você paga impostos, contribuiu para os 3 bilhões de dólares por semana que gastamos para levar o Iraque para o inferno onde está o país agora. Quando a guerra civil tiver terminado, nós deveremos ajudar a reconstruir o Iraque. Nós não podemos nos redimir se não fizermos isso.
Por último, há uma coisa que eu sei. Nós, americanos, somos melhores do que as coisas que fizeram em nosso nome. A maioria de nós ficou estarrecida e zangada com o que aconteceu em 11 de setembro e perdeu a cabeça.
Nós não pensamos direito e jamais olhamos um mapa. Porque somos mantidos na estupidez graças ao nosso sistema patético de educação e à nossa mídia preguiçosa, não sabemos nada de História. Nós não sabemos que somos os caras que financiaram e armaram Saddam Hussein por muitos anos, inclusive quando ele massacrou os curdos. Ele era o nosso cara. Nós não sabíamos o que era um sunita ou um xiita, sequer havíamos escutado essas palavras. De acordo com o National Geographic, 80% dos adultos do nosso país não sabem localizar o Iraque no globo terrestre.
Nossos líderes jogaram com nossa estupidez, nos manipularam com suas mentiras e nos amedrontaram até a morte.
Mas, no fundo, somos um povo de bom coração. Aprendemos devagar, mas a bandeira de "missão cumprida" nos atingiu de modo ímpar e cedo começamos a fazer algumas perguntas. Depois, começamos a ficar espertos. No último dia 7 de novembro, nós ficamos loucos e tentamos consertar nossos erros.
A maioria agora conhece a verdade. A maioria agora sente uma tristeza e culpa profundas e uma esperança de qualquer coisa que seja feita, será melhor e colocará tudo nos eixos.
Infelizmente, não é assim. Então precisamos aceitar as conseqüências de nossas ações e fazer o melhor para que o povo iraquiano possa até pensar em pedir auxílio a nós no futuro. Pedimos a eles que nos perdoem.
Pedimos aos democratas que nos escutem e que saiamos do Iraque agora!
Do seu,
Michael Moore".
Os apelos de Michael Moore não foram ouvidos pelo Congresso dos EUA. Desde então, o governo Bush, com o aval do congresso, enviou para o Iraque ainda mais tropas e mais contigentes de empresas civis “de segurança” (pagas pelo Pentágono), mercenários em quantidades ainda maiores do que a de militares norte-americanos no Iraque.
A situação está cada vez mais grave do que aquela descrita por Michael Moore. Em nossa postagem de 01/04 último, colocamos um trecho de notícia publicada poucos minutos antes pelo portal UOL Últimas notícias:
“Número de mortos no Iraque cresceu 50% em março”
"O número de mortos no Iraque no mês de março aumentou 50% em comparação com o mês anterior, segundo estimativas do governo iraquiano.
De acordo com os dados, 1.082 iraquianos, incluindo 925 civis, morreram vítimas de atentados a bomba e confrontos entre insurgentes e tropas iraquianas. Em fevereiro, o número de baixas foi de 721.
Ainda segundo as autoridades iraquianas, o mês de março ainda registrou um aumento no número de ataques à bomba e confrontos entre milícias xiitas e forças do governo.”
ARRECADAÇÃO BATE RECORDE MESMO SEM A CPMF - MAIS OUTRA DERROTA DA OPOSIÇÃO
Na última quarta-feira, 23 de abril, este blog comentou, na postagem sobre o aumento dos militares, que ocorrera nova derrota da oposição.
Escrevemos:
“O desejado pela oposição, quando extingüiu a CPMF (ato que somente beneficiou os grandes movimentadores de dinheiro, legais e ilegais), era inviabilizar quase tudo no governo Lula, inclusive o aumento dos militares que já estava equacionado para ser concedido a partir de setembro 2007.
A oposição queria criar um clima de forte insatisfação social também na classe militar, para assim abrir caminho para o retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder. Felizmente, o governo federal conseguiu encontrar uma solução, hoje anunciada.”
Recordo que, em dezembro, após a extinção da CPMF, o PSDB e o DEM-PFL, eufóricos, chegaram a acreditar que estavam atingindo seus objetivos. O líder do PSDB no senado, Arthur Virgílio, inebriado com tantos cumprimentos que recebera, de umas vinte pessoas, em um restaurante chique de Brasília, logo após derrubarem a CPMF e de ter merecido o destaque de herói nacional pela revista Veja, divulgou que será candidato à Presidência da República em 2010.
O tempo foi passando e o povo foi percebendo que fora enganado pela oposição e pela grande mídia. Os ganhadores foram os grandes sonegadores e os grandes movimentadores de dinheiro em bancos, dinheiro sujo ou limpo.
Hoje, 25/04, ainda outra derrota da oposição vem a público. Sem a CPMF, a arrecadação federal continua a subir como nunca.
Reproduzo trecho de matéria do jornal Valor publicada há pouco pelo UOL Notícias:
“ARRECADAÇÃO FEDERAL SOBE 13%, PARA R$ 162,5 BILHÕES NO TRIMESTRE, E BATA RECORDE”
“A arrecadação total de impostos e contribuições federais e de contribuições previdenciárias alcançou R$ 161,741 bilhões no primeiro trimestre, em termos nominais.
Com a correção pelo IPCA, o montante aumenta para R$ 162,581 bilhões, volume recorde para o período de acordo com os dados divulgados pela Super Receita.”
Escrevemos:
“O desejado pela oposição, quando extingüiu a CPMF (ato que somente beneficiou os grandes movimentadores de dinheiro, legais e ilegais), era inviabilizar quase tudo no governo Lula, inclusive o aumento dos militares que já estava equacionado para ser concedido a partir de setembro 2007.
A oposição queria criar um clima de forte insatisfação social também na classe militar, para assim abrir caminho para o retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder. Felizmente, o governo federal conseguiu encontrar uma solução, hoje anunciada.”
Recordo que, em dezembro, após a extinção da CPMF, o PSDB e o DEM-PFL, eufóricos, chegaram a acreditar que estavam atingindo seus objetivos. O líder do PSDB no senado, Arthur Virgílio, inebriado com tantos cumprimentos que recebera, de umas vinte pessoas, em um restaurante chique de Brasília, logo após derrubarem a CPMF e de ter merecido o destaque de herói nacional pela revista Veja, divulgou que será candidato à Presidência da República em 2010.
O tempo foi passando e o povo foi percebendo que fora enganado pela oposição e pela grande mídia. Os ganhadores foram os grandes sonegadores e os grandes movimentadores de dinheiro em bancos, dinheiro sujo ou limpo.
Hoje, 25/04, ainda outra derrota da oposição vem a público. Sem a CPMF, a arrecadação federal continua a subir como nunca.
Reproduzo trecho de matéria do jornal Valor publicada há pouco pelo UOL Notícias:
“ARRECADAÇÃO FEDERAL SOBE 13%, PARA R$ 162,5 BILHÕES NO TRIMESTRE, E BATA RECORDE”
“A arrecadação total de impostos e contribuições federais e de contribuições previdenciárias alcançou R$ 161,741 bilhões no primeiro trimestre, em termos nominais.
Com a correção pelo IPCA, o montante aumenta para R$ 162,581 bilhões, volume recorde para o período de acordo com os dados divulgados pela Super Receita.”
CAI OUTRO PILAR DA PLATAFORMA DO PSDB E DEM-PFL
BUSH DÁ UM TAPA NA MÃO INVISÍVEL DE ADAM SMITH
O blog do Azenha publicou ontem à noite um ótimo artigo que significa mais um desmoronamento de tudo aquilo que o governo tucanopefelento/FHC e toda a grande mídia martelaram constante e duramente nas nossas cabeças desde os anos 90.
Caiu a hipocrisia da “não intervenção do Estado na economia”. E pior, quem derrubou foi o próprio país que impôs aquelas idéias neoliberais ao Brasil.
Vejamos o que escreveu Luiz Carlos Azenha:
“ESTADOS UNIDOS PODEM REJEITAR INVESTIMENTO DE FUNDOS SOBERANOS
WASHINGTON - Eu nem sei mais o que dizem os comentaristas da mídia brasileira a respeito, já que desisti de ler jornais, ver TV ou ouvir rádio regularmente. Não sei, portanto, se mudaram o disco. Continuam falando dos entraves que os governos representam aos mercados, da interferência estatal que prejudica a livre iniciativa, da mão invisível que a tudo regula?
Acho que basta a recente intervenção estatal em Wall Street para demonstrar a fraude que essa gente vendeu - ou ainda vende - ao público brasileiro. É refrão pisado: socializar os prejuízos e privatizar os lucros. Lugar-comum ou não, é do que se trata. Quem inventou o Proer para socorrer os bancos brasileiros durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?
Meu ponto aqui não é justificar as intervenções estatais, mas tratar da hipocrisia.
Os americanos agora pretendem invocar a segurança nacional para proteger o mercado interno da competição estrangeira.
O governo Bush escreveu 90 páginas de novas regras para investimento nos Estados Unidos. Alega que é reação ao escândalo de 2006, quando uma empresa controlada pelo emirado de Dubai quase assumiu o gerenciamento de seis dos maiores portos do país.
Desde 1988 o presidente americano tem poder de veto sobre qualquer negócio que considere afetar a segurança nacional. Agora um comitê governamental ganhará amplo poder para investigar as transações.
Se a lei for aprovada o diretor de inteligência nacional - que comanda todas as agências do setor, inclusive a CIA - passa a ser consultado. Qualquer negócio envolvendo energia e infra-estrutura será obrigatoriamente avaliado e as regras tornarão mais rígido o escrutínio se a dona do dinheiro for uma empresa estatal de outro país.
Além disso, qualquer investimento dos chamados fundos soberanos não fica isento de investigação, ainda que resulte em participação minoritária - como ocorreu recentemente quando fundos árabes e asiáticos colocaram U$ 30 bilhões em empresas do ramo financeiro, dentre elas o Citigroup e a Merril Lynch.”
O blog do Azenha publicou ontem à noite um ótimo artigo que significa mais um desmoronamento de tudo aquilo que o governo tucanopefelento/FHC e toda a grande mídia martelaram constante e duramente nas nossas cabeças desde os anos 90.
Caiu a hipocrisia da “não intervenção do Estado na economia”. E pior, quem derrubou foi o próprio país que impôs aquelas idéias neoliberais ao Brasil.
Vejamos o que escreveu Luiz Carlos Azenha:
“ESTADOS UNIDOS PODEM REJEITAR INVESTIMENTO DE FUNDOS SOBERANOS
WASHINGTON - Eu nem sei mais o que dizem os comentaristas da mídia brasileira a respeito, já que desisti de ler jornais, ver TV ou ouvir rádio regularmente. Não sei, portanto, se mudaram o disco. Continuam falando dos entraves que os governos representam aos mercados, da interferência estatal que prejudica a livre iniciativa, da mão invisível que a tudo regula?
Acho que basta a recente intervenção estatal em Wall Street para demonstrar a fraude que essa gente vendeu - ou ainda vende - ao público brasileiro. É refrão pisado: socializar os prejuízos e privatizar os lucros. Lugar-comum ou não, é do que se trata. Quem inventou o Proer para socorrer os bancos brasileiros durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?
Meu ponto aqui não é justificar as intervenções estatais, mas tratar da hipocrisia.
Os americanos agora pretendem invocar a segurança nacional para proteger o mercado interno da competição estrangeira.
O governo Bush escreveu 90 páginas de novas regras para investimento nos Estados Unidos. Alega que é reação ao escândalo de 2006, quando uma empresa controlada pelo emirado de Dubai quase assumiu o gerenciamento de seis dos maiores portos do país.
Desde 1988 o presidente americano tem poder de veto sobre qualquer negócio que considere afetar a segurança nacional. Agora um comitê governamental ganhará amplo poder para investigar as transações.
Se a lei for aprovada o diretor de inteligência nacional - que comanda todas as agências do setor, inclusive a CIA - passa a ser consultado. Qualquer negócio envolvendo energia e infra-estrutura será obrigatoriamente avaliado e as regras tornarão mais rígido o escrutínio se a dona do dinheiro for uma empresa estatal de outro país.
Além disso, qualquer investimento dos chamados fundos soberanos não fica isento de investigação, ainda que resulte em participação minoritária - como ocorreu recentemente quando fundos árabes e asiáticos colocaram U$ 30 bilhões em empresas do ramo financeiro, dentre elas o Citigroup e a Merril Lynch.”
DELEGADO ACUSA GOVERNADORA DO RS (PSDB) DE RECEBER R$ 400 MIL DE QUADRILHA
CPI DO DETRAN
“O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou na noite de ontem (24/04) e na madrugada de hoje, na CPI do Detran (RS), que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral.”
A reportagem sobre essa grave denúncia, a seguir transcrita parcialmente, é de Marco Aurélio Weissheimer e consta completa no site “Carta Maior” (ver “recomendamos” na coluna da direita deste blog).
FRAUDES E DENÚNCIAS NO RS
“Porto Alegre - A madrugada desta sexta-feira foi marcada por dois acontecimentos explosivos envolvendo as investigações sobre a ação de uma quadrilha no Detran gaúcho.
O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou, na CPI do Detran, que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral.
O imóvel teria custado R$ 750 mil, segundo informações da própria governadora. A casa foi comprada do consultor Eduardo Laranja da Fonseca, dono da Self Engenharia, empresa que, segundo o delegado, seria uma das maiores devedoras do Banrisul.
Ainda conforme Tubino, a casa em estilo inglês de aproximadamente 700 metros quadrados e com quatro pisos chegou a ser anunciada para venda em jornais por R$ 1,5 milhão. Garantindo ter informações relativas às investigações da Operação Rodin, os R$ 400 mil seriam sobras da campanha eleitoral de Yeda, em 2006.
O delegado fez uma série de outras denúncias que, segundo ele, já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Especial do Tribunal de Contas.
(...) CRIME ORGANIZADO
Um dos coordenadores da campanha tucana nas eleições de 2006, o empresário e lobista Lair Ferst, é um dos principais nomes citados no inquérito da Polícia Federal sobre as fraudes no Detran. "Quadrilha criminosa. Crime organizado. Corrupção de agentes públicos com metas empresariais". Essas foram algumas das expressões utilizadas pelo superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, para descrever os crimes praticados no órgão.
Ferst trabalhou na coordenação da campanha (na área financeira), ou como definiu a governadora no ano passado, “estava ali dando uma mão”. Ex-coordenador da bancada do PSDB na Assembléia, Ferst chegou a ser cogitado para ocupar uma secretaria no governo estadual. Até aqui, Yeda e o PSDB não esclareceram qual era mesmo o papel de Lair Ferst na campanha eleitoral.
PROPINA E INDÍCIOS DE CAIXA DOIS
A investigação realizada pela Polícia Federal na Operação Rodin teve como foco principal averiguar as irregularidades ocorridas no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a Fatec e, posteriormente, a Fundae - ambas fundações de apoio à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - e o Detran, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo a Justiça Federal de Santa Maria, “ocorreu um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços.
Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontrataram empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações”. O superfaturamento era usado para pagamento de propinas e, suspeita-se, para formação de caixa-dois para campanhas eleitorais.
Um chopp inusitado
O segundo acontecimento que agitou a política gaúcha foi o encontro inusitado do secretário de Planejamento do governo Yeda, Ariosto Culau, com Lair Ferst, nesta quinta à noite (23/04), no Shopping Total, região central de Porto Alegre. Os dois foram flagrados por repórteres do jornal Zero Hora ”tomando um chopp e comendo um peixe”, como disse Culau. “É um momento difícil. Lair, quero dizer que sou teu amigo e isso significa que quero te apoiar pessoalmente neste momento pessoalmente”, disse o secretário a Lair, segundo relato da jornalista Marciele Brum.
(...) O encontro do secretário do Planejamento do governo com Ferst repercutiu imediatamente na CPI do Detran que, às duas e meia da madrugada, seguia ouvindo o depoimento do delegado Tubino.
O presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT), considerou um escárnio o encontro do responsável pela força-tarefa para recuperar o Detran com um dos principais acusados de liderar a quadrilha que lesou os cofres públicos em mais de R$ 40 milhões (conforme as estimativas iniciais da Polícia Federal e da Justiça Federal). A deputada Stela Farias (PT) defendeu a convocação de Culau para depor na CPI.
A noite (de ontem, 24/04) começou ruim e terminou péssima para o governo tucano no RS.”
“O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou na noite de ontem (24/04) e na madrugada de hoje, na CPI do Detran (RS), que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral.”
A reportagem sobre essa grave denúncia, a seguir transcrita parcialmente, é de Marco Aurélio Weissheimer e consta completa no site “Carta Maior” (ver “recomendamos” na coluna da direita deste blog).
FRAUDES E DENÚNCIAS NO RS
“Porto Alegre - A madrugada desta sexta-feira foi marcada por dois acontecimentos explosivos envolvendo as investigações sobre a ação de uma quadrilha no Detran gaúcho.
O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou, na CPI do Detran, que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral.
O imóvel teria custado R$ 750 mil, segundo informações da própria governadora. A casa foi comprada do consultor Eduardo Laranja da Fonseca, dono da Self Engenharia, empresa que, segundo o delegado, seria uma das maiores devedoras do Banrisul.
Ainda conforme Tubino, a casa em estilo inglês de aproximadamente 700 metros quadrados e com quatro pisos chegou a ser anunciada para venda em jornais por R$ 1,5 milhão. Garantindo ter informações relativas às investigações da Operação Rodin, os R$ 400 mil seriam sobras da campanha eleitoral de Yeda, em 2006.
O delegado fez uma série de outras denúncias que, segundo ele, já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Especial do Tribunal de Contas.
(...) CRIME ORGANIZADO
Um dos coordenadores da campanha tucana nas eleições de 2006, o empresário e lobista Lair Ferst, é um dos principais nomes citados no inquérito da Polícia Federal sobre as fraudes no Detran. "Quadrilha criminosa. Crime organizado. Corrupção de agentes públicos com metas empresariais". Essas foram algumas das expressões utilizadas pelo superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, para descrever os crimes praticados no órgão.
Ferst trabalhou na coordenação da campanha (na área financeira), ou como definiu a governadora no ano passado, “estava ali dando uma mão”. Ex-coordenador da bancada do PSDB na Assembléia, Ferst chegou a ser cogitado para ocupar uma secretaria no governo estadual. Até aqui, Yeda e o PSDB não esclareceram qual era mesmo o papel de Lair Ferst na campanha eleitoral.
PROPINA E INDÍCIOS DE CAIXA DOIS
A investigação realizada pela Polícia Federal na Operação Rodin teve como foco principal averiguar as irregularidades ocorridas no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a Fatec e, posteriormente, a Fundae - ambas fundações de apoio à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - e o Detran, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo a Justiça Federal de Santa Maria, “ocorreu um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços.
Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontrataram empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações”. O superfaturamento era usado para pagamento de propinas e, suspeita-se, para formação de caixa-dois para campanhas eleitorais.
Um chopp inusitado
O segundo acontecimento que agitou a política gaúcha foi o encontro inusitado do secretário de Planejamento do governo Yeda, Ariosto Culau, com Lair Ferst, nesta quinta à noite (23/04), no Shopping Total, região central de Porto Alegre. Os dois foram flagrados por repórteres do jornal Zero Hora ”tomando um chopp e comendo um peixe”, como disse Culau. “É um momento difícil. Lair, quero dizer que sou teu amigo e isso significa que quero te apoiar pessoalmente neste momento pessoalmente”, disse o secretário a Lair, segundo relato da jornalista Marciele Brum.
(...) O encontro do secretário do Planejamento do governo com Ferst repercutiu imediatamente na CPI do Detran que, às duas e meia da madrugada, seguia ouvindo o depoimento do delegado Tubino.
O presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT), considerou um escárnio o encontro do responsável pela força-tarefa para recuperar o Detran com um dos principais acusados de liderar a quadrilha que lesou os cofres públicos em mais de R$ 40 milhões (conforme as estimativas iniciais da Polícia Federal e da Justiça Federal). A deputada Stela Farias (PT) defendeu a convocação de Culau para depor na CPI.
A noite (de ontem, 24/04) começou ruim e terminou péssima para o governo tucano no RS.”
quinta-feira, 24 de abril de 2008
DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA CAI 17% NO 1º TRIMESTRE
A notícia abaixo transcrita e com o título acima foi publicada hoje pelo jornal Folha de São Paulo:
Arrecadação cresce com mais empregos formais
“O aquecimento da economia ajudou a reduzir em 17,2% o déficit da Previdência Social no primeiro trimestre do ano, quando comparado com o resultado de janeiro a março de 2007 e já descontada a inflação do período.
Só no mês passado, os gastos com pagamentos de pensões e aposentadorias superaram em R$ 9,813 bilhões o valor das contribuições arrecadadas -queda de 46,7% em relação a março do ano passado.
A redução do rombo reflete a maior criação de empregos formais no país, que impulsiona a arrecadação das contribuições que financiam a Previdência. Entre janeiro e março deste ano, foram criadas 554 mil vagas -aumento de 39% em relação ao ano passado, segundo o Ministério do Trabalho.
Com isso, a arrecadação da Previdência no trimestre chegou a R$ 35,4 bilhões, com alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado -também já descontada a inflação. As despesas com o pagamento de benefícios, por sua vez, tiveram crescimento real de 2,6%, chegando a R$ 45,3 bilhões.”
Arrecadação cresce com mais empregos formais
“O aquecimento da economia ajudou a reduzir em 17,2% o déficit da Previdência Social no primeiro trimestre do ano, quando comparado com o resultado de janeiro a março de 2007 e já descontada a inflação do período.
Só no mês passado, os gastos com pagamentos de pensões e aposentadorias superaram em R$ 9,813 bilhões o valor das contribuições arrecadadas -queda de 46,7% em relação a março do ano passado.
A redução do rombo reflete a maior criação de empregos formais no país, que impulsiona a arrecadação das contribuições que financiam a Previdência. Entre janeiro e março deste ano, foram criadas 554 mil vagas -aumento de 39% em relação ao ano passado, segundo o Ministério do Trabalho.
Com isso, a arrecadação da Previdência no trimestre chegou a R$ 35,4 bilhões, com alta de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado -também já descontada a inflação. As despesas com o pagamento de benefícios, por sua vez, tiveram crescimento real de 2,6%, chegando a R$ 45,3 bilhões.”
A POLÊMICA SOBRE ITAIPU
Este blog postou domingo último a entrevista de Carta Maior com o novo presidente eleito do Paraguai. Fernando Lugo apresentou a sua reclamação que marcou toda a sua campanha. Ele quer "justiça" sobre os preços pagos pelo Brasil pelo excedente de energia não consumida pelo Paraguai.
Hoje, 24/04, há duas horas atrás, a Folha Online publicou a reportagem de Lorena Rodrigues com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética. Ela nos traz outros aspectos da controvérsia:
“Paraguai entrou apenas com a água em Itaipu, diz Tolmasquim”
“O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, voltou a criticar nesta quinta-feira a possibilidade de o Brasil aumentar o valor pago pela energia de Itaipu vendida pelo Paraguai. Tolmasquim disse que o reajuste não seria justo para o consumidor brasileiro e que, para o Paraguai, a construção de Itaipu foi um grande negócio.
"O Paraguai nesse processo entrou apenas com a água, com metade do rio. A usina foi construída com a alavancagem de recursos obtida pelo Brasil e com o know-how do Brasil. A metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil", afirmou.
De acordo com Tolmasquim, o Brasil poderia ajudar o Paraguai de outras formas, sem, para isso, onerar o consumidor de energia elétrica brasileiro.
"O consumidor brasileiro vem arcando com essa usina desde o início da construção. Foi o consumidor brasileiro que viabilizou a usina, não é justo nesse momento fazer com que ele pague a mais por algo que vem pagando há anos", completou.
Nesta semana, o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, defendeu que a hidrelétrica nunca foi "problema" para o Paraguai, mas que sempre representou a resposta para o desenvolvimento econômico do país.
Samek disse que, desde o funcionamento da primeira turbina, nos anos 80, o Paraguai já recebeu US$ 4,4 bilhões em valores líquidos a título de compensações pela cessão da parte de sua energia ao Brasil e por royalties.
Entenda
Itaipu pertence ao dois países em partes iguais. Pelo contrato de 1973, cada um tem direito a 50% da energia produzida. Caso uma das partes não use toda a cota, vende o excedente ao parceiro a preço de custo.
Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia --o que atende 95% da demanda do país--, o restante é vendido ao Brasil --no total, 20% da energia elétrica usada por aqui vem de Itaipu.
Hoje, o Brasil paga US$ 45,31/MWh (cerca de R$ 75) pela energia vendida pelo Paraguai, o que se aproxima dos preços cobrados no país. Para cada MWh pago pela energia de Itaipu, R$ 42,5 vai para despesas da própria usina e para o pagamento da dívida da Eletrobrás com credores, feitas à época da construção da usina. No ano passado, a venda de energia da usina rendeu ao Paraguai US$ 340 milhões.”
Hoje, 24/04, há duas horas atrás, a Folha Online publicou a reportagem de Lorena Rodrigues com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética. Ela nos traz outros aspectos da controvérsia:
“Paraguai entrou apenas com a água em Itaipu, diz Tolmasquim”
“O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, voltou a criticar nesta quinta-feira a possibilidade de o Brasil aumentar o valor pago pela energia de Itaipu vendida pelo Paraguai. Tolmasquim disse que o reajuste não seria justo para o consumidor brasileiro e que, para o Paraguai, a construção de Itaipu foi um grande negócio.
"O Paraguai nesse processo entrou apenas com a água, com metade do rio. A usina foi construída com a alavancagem de recursos obtida pelo Brasil e com o know-how do Brasil. A metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil", afirmou.
De acordo com Tolmasquim, o Brasil poderia ajudar o Paraguai de outras formas, sem, para isso, onerar o consumidor de energia elétrica brasileiro.
"O consumidor brasileiro vem arcando com essa usina desde o início da construção. Foi o consumidor brasileiro que viabilizou a usina, não é justo nesse momento fazer com que ele pague a mais por algo que vem pagando há anos", completou.
Nesta semana, o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, defendeu que a hidrelétrica nunca foi "problema" para o Paraguai, mas que sempre representou a resposta para o desenvolvimento econômico do país.
Samek disse que, desde o funcionamento da primeira turbina, nos anos 80, o Paraguai já recebeu US$ 4,4 bilhões em valores líquidos a título de compensações pela cessão da parte de sua energia ao Brasil e por royalties.
Entenda
Itaipu pertence ao dois países em partes iguais. Pelo contrato de 1973, cada um tem direito a 50% da energia produzida. Caso uma das partes não use toda a cota, vende o excedente ao parceiro a preço de custo.
Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia --o que atende 95% da demanda do país--, o restante é vendido ao Brasil --no total, 20% da energia elétrica usada por aqui vem de Itaipu.
Hoje, o Brasil paga US$ 45,31/MWh (cerca de R$ 75) pela energia vendida pelo Paraguai, o que se aproxima dos preços cobrados no país. Para cada MWh pago pela energia de Itaipu, R$ 42,5 vai para despesas da própria usina e para o pagamento da dívida da Eletrobrás com credores, feitas à época da construção da usina. No ano passado, a venda de energia da usina rendeu ao Paraguai US$ 340 milhões.”
ATENÇÃO BLOGOSFERA: NOVO RECORDE DE INTERNAUTAS RESIDENCIAIS NO BRASIL
Há uma hora atrás, às 14h42, o UOL Últimas Notícias publicou a matéria de Rodolfo Barbosa da Agência Reuters, que informa:
“Número de internautas residenciais sobe 40% e bate recorde”
“O número de internautas residenciais ativos no Brasil subiu para 22,7 milhões em março, maior número já apurado em pesquisa mensal feita pela Ibope//NetRatings desde setembro de 2000, informou a companhia nesta quinta-feira.
[O BRASIL NA LIDERANÇA MUNDIAL EM TEMPO DE NAVEGAÇÃO]
O levantamento afirma que o tempo médio de uso residencial da Internet pelo brasileiro também bateu recorde no mês passado, avançando a 23 horas e 51 minutos, duas horas e 56 minutos acima do tempo de março de 2007. A média mantém o Brasil na liderança em tempo de navegação entre os 10 países monitorados pela empresa de pesquisa.
[40.000.000 DE USUÁRIOS]
Na medição relativa a pessoas com acesso à Internet em todos os ambientes, que inclui local de trabalho, cibercafés e telecentros, o país se manteve com 40 milhões de usuários, número relativo ao quarto trimestre de 2007.
Em relação à quantidade de usuários residenciais ativos em março, o crescimento foi de 3,2 por cento em relação a fevereiro e 40 por cento maior do que em março de 2007.
[CAUSA: O FORTE RITMO DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA]
"O ritmo de crescimento da Internet brasileira é intenso", afirma o gerente de análise do Ibope//NetRatings, Alexandre Sanches Magalhães. "A entrada da classe C para o clube dos internautas deve continuar a manter esse mesmo compasso forte de aumento no número de usuários residenciais", disse o analista em comunicado à imprensa.
Para Magalhães, o forte crescimento da economia brasileira é o grande responsável para o atual e futuro crescimento no número de internautas. "Estamos vivendo um bom momento econômico, com maior número de trabalhadores com carteira assinada, portanto com maior possibilidade de (...) comprar computador para sua família."
O analista aponta ainda para a queda nos preços dos computadores e no custo da banda larga como fatores para a expansão na base de usuários residenciais."
“Número de internautas residenciais sobe 40% e bate recorde”
“O número de internautas residenciais ativos no Brasil subiu para 22,7 milhões em março, maior número já apurado em pesquisa mensal feita pela Ibope//NetRatings desde setembro de 2000, informou a companhia nesta quinta-feira.
[O BRASIL NA LIDERANÇA MUNDIAL EM TEMPO DE NAVEGAÇÃO]
O levantamento afirma que o tempo médio de uso residencial da Internet pelo brasileiro também bateu recorde no mês passado, avançando a 23 horas e 51 minutos, duas horas e 56 minutos acima do tempo de março de 2007. A média mantém o Brasil na liderança em tempo de navegação entre os 10 países monitorados pela empresa de pesquisa.
[40.000.000 DE USUÁRIOS]
Na medição relativa a pessoas com acesso à Internet em todos os ambientes, que inclui local de trabalho, cibercafés e telecentros, o país se manteve com 40 milhões de usuários, número relativo ao quarto trimestre de 2007.
Em relação à quantidade de usuários residenciais ativos em março, o crescimento foi de 3,2 por cento em relação a fevereiro e 40 por cento maior do que em março de 2007.
[CAUSA: O FORTE RITMO DE CRESCIMENTO DA ECONOMIA]
"O ritmo de crescimento da Internet brasileira é intenso", afirma o gerente de análise do Ibope//NetRatings, Alexandre Sanches Magalhães. "A entrada da classe C para o clube dos internautas deve continuar a manter esse mesmo compasso forte de aumento no número de usuários residenciais", disse o analista em comunicado à imprensa.
Para Magalhães, o forte crescimento da economia brasileira é o grande responsável para o atual e futuro crescimento no número de internautas. "Estamos vivendo um bom momento econômico, com maior número de trabalhadores com carteira assinada, portanto com maior possibilidade de (...) comprar computador para sua família."
O analista aponta ainda para a queda nos preços dos computadores e no custo da banda larga como fatores para a expansão na base de usuários residenciais."
NA AMAZÔNIA HÁ MAIS ONG DO QUE ÍNDIOS
Este blog, em vários artigos, já mencionou os fortes indícios de que governos e grandes grupos estrangeiros atuam no Brasil camuflados de inocentes Organizações Não Governamentais (ONG).
Em muitas delas, é flagrante o objetivo de obstruir radicalmente o nosso desenvolvimento econômico, em coincidência com o interesse das grandes potências.
Por ação de ONG “ambientalistas”, intrigantes embargos na Justiça impedem, indefinidamente, projetos nacionais importantes, especialmente na Amazônia.
Como um pequeno exemplo entre centenas, já citamos em postagem de anteontem que, por ação de ONG, a Justiça e o IBAMA impedem há muitos anos a construção pela Petrobrás dos oleodutos e gasodutos Urucu-Porto Velho, e Urucu-Manaus, os quais permitiriam gerar energia limpa (gás no lugar de diesel ou de lenha) e levar o progresso e melhor qualidade de vida para aquelas capitaís amazônicas.
Na década de 90, especialmente, sob o governo tucanopefelento de FHC, surgiram e passaram a atuar no Brasil muitas ONG e entidades “pilantrópicas” que se diziam “sem fins lucrativos”, funcionando quase que exclusivamente com recursos do Estado brasileiro.
O Estado brasileiro se autocondenava a ser “mínimo” em prol delas. Até a coordenação de ações do tal “Estado-mínimo” era dita poder ser feita por empresas transnacionais e por ONG (a maioria com a matriz no exterior).
Desde então, vários ministérios passaram a ter grande parte dos seus recursos geridos por ONG, sob gordos pagamentos. Anualmente, milhões de dólares recebidos do nosso Tesouro eram remetidos para engordar as contas das sedes delas em Washington ou Nova Iorque, sob o artifício de pagamento pela administração daqueles “trabalhos” das ONG (denúncia da Carta Capital, em 28/07/2004).
Isso continua até o presente. “Os instrumentos de controle do governo sobre os recursos públicos que as sustentam são débeis, díspares e confusos” (J. Falcão, FSP, 30/07/2004). Segundo o jornal “O Estado de São Paulo” (OESP), de 29/08/2004, “55% das ONG no Brasil se mantêm com recursos públicos. Elas não são empresas nem governo, criaram uma área cinzenta ao obter contratos sem licitação com o poder público”.
Hoje, 24/04, li no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o artigo a seguir transcrito, publicado também hoje pela Agência Estado.
Nele consta, inclusive, a intrigante informação de que atuam na Amazônia cerca de 100.000 ONG, quantidade semelhante ao de índios que vivem na região.
Ah! Quanto a isso, algumas ONG contestarão fortemente. Há vinte anos, a população indígena no Brasil todo já havia sido por elas aumentado de 120.000 para 220.000, numa penada.
Hoje, as ONG já dizem que os índios no Brasil são 1.000.000 (um milhão). Mesmo que essas ONG estejam incentivando uma intensa atividade copulativa nas aldeias, é difícil acreditar nesse espantoso crescimento.
Vejamos o artigo da Agência Estado:
“ONGs só atuarão na Amazônia com autorização expressa da Defesa
"O Governo também vai criar um estatuto específico para regulamentar o trabalho dessas entidades em todo o País"
"O Planalto vai fechar o cerco às organizações não-governamentais (ONGs), na tentativa de coibir a biopirataria, a influência internacional sobre os índios e a venda de terras na floresta amazônica.
A primeira ação de controle consta do projeto da nova Lei do Estrangeiro, que está na Casa Civil e será enviado ao Congresso até junho. Se a proposta for aprovada, estrangeiros, ONGs e instituições similares internacionais, mesmo com vínculos religiosos, precisarão de autorização expressa do Ministério da Defesa, além da licença do Ministério da Justiça, para atuar na Amazônia Legal.
Sem esse procedimento, o “visitante” do exterior terá seu visto ou residência cancelados e será retirado do País.
Preparado pela Secretaria Nacional de Justiça, o projeto prevê multas que vão de R$ 5 mil a R$ 100 mil para os infratores.
A ofensiva não pára aí: além dessa iniciativa, o governo alinhava estatuto específico para regulamentar a atuação das ONGs em todo o País.
O alvo são organizações que atuam em terras indígenas, reservas ecológicas e faixas de fronteira. Trata-se de instituições que, apesar do endereço doméstico, são patrocinadas por dólares, euros, libras e outras moedas fortes.
SOBERANIA
“Grande parte dessas ONGs não está a serviço de suas finalidades estatutárias”, diz o ministro da Justiça, Tarso Genro. “Muitas delas escondem interesses relacionados à biopirataria e à tentativa de influência na cultura indígena, para apropriação velada de determinadas regiões, que podem ameaçar, sim, a soberania nacional.”
O estatuto vai revisar o licenciamento de um grupo de ONGs que cuidam de questões ambientais, mas não apenas na Amazônia. Sua confecção está a cargo de um grupo de trabalho formado por integrantes do Ministério da Justiça, que há quatro meses estuda o assunto ao lado de técnicos da Advocacia-Geral da União (AGU), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Controladoria-Geral da União (CGU).
“Ninguém aqui quer espionar ONGs”, afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. “Mas também não queremos que organizações de fachada, disfarçadas de ONGs, espionem o território brasileiro e prejudiquem nossa soberania. Não vamos aceitar testa-de-ferro de ação internacional.”
Pelos cálculos dos militares, existem no Brasil 250 mil ONGs e, desse total, 100 mil atuam na Amazônia. Outras 29 mil engordam o caixa com recursos federais, que somente em 2007 atingiram a cifra de R$ 3 bilhões.
O governo admite não ter controle de quem compra terras na região. Pior: como a floresta amazônica é uma exuberante reserva de carbono, há estrangeiros de olho nesse tesouro, que, segundo estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters, está na casa de 80 bilhões de toneladas e corresponde a quase um terço do estoque mundial.
Na semana passada, ao escancarar o descontentamento com a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, fez um alerta: contou que ONGs internacionais estimulam índios a lutar pela divisão do território.
Heleno definiu a política indigenista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como “lamentável, para não dizer caótica”, mas foi logo enquadrado pelo Planalto.
Tuma Júnior disse que o governo faz um “mapeamento” da Amazônia para impedir, por exemplo, a venda de terras da União, a bioprospecção e a apropriação de conhecimentos indígenas por indústrias estrangeiras de cosméticos.
Nessa tarefa, o Ministério da Justiça tem entrado em contato com governadores, prefeitos e cartórios.“Não temos interesse em criminalizar as ONGs”, insistiu o secretário nacional de Justiça. “O que queremos é reconhecer as organizações sérias, separar o joio do trigo e dar mais condições de trabalho para aquelas instituições que agem dentro da lei.”
Em muitas delas, é flagrante o objetivo de obstruir radicalmente o nosso desenvolvimento econômico, em coincidência com o interesse das grandes potências.
Por ação de ONG “ambientalistas”, intrigantes embargos na Justiça impedem, indefinidamente, projetos nacionais importantes, especialmente na Amazônia.
Como um pequeno exemplo entre centenas, já citamos em postagem de anteontem que, por ação de ONG, a Justiça e o IBAMA impedem há muitos anos a construção pela Petrobrás dos oleodutos e gasodutos Urucu-Porto Velho, e Urucu-Manaus, os quais permitiriam gerar energia limpa (gás no lugar de diesel ou de lenha) e levar o progresso e melhor qualidade de vida para aquelas capitaís amazônicas.
Na década de 90, especialmente, sob o governo tucanopefelento de FHC, surgiram e passaram a atuar no Brasil muitas ONG e entidades “pilantrópicas” que se diziam “sem fins lucrativos”, funcionando quase que exclusivamente com recursos do Estado brasileiro.
O Estado brasileiro se autocondenava a ser “mínimo” em prol delas. Até a coordenação de ações do tal “Estado-mínimo” era dita poder ser feita por empresas transnacionais e por ONG (a maioria com a matriz no exterior).
Desde então, vários ministérios passaram a ter grande parte dos seus recursos geridos por ONG, sob gordos pagamentos. Anualmente, milhões de dólares recebidos do nosso Tesouro eram remetidos para engordar as contas das sedes delas em Washington ou Nova Iorque, sob o artifício de pagamento pela administração daqueles “trabalhos” das ONG (denúncia da Carta Capital, em 28/07/2004).
Isso continua até o presente. “Os instrumentos de controle do governo sobre os recursos públicos que as sustentam são débeis, díspares e confusos” (J. Falcão, FSP, 30/07/2004). Segundo o jornal “O Estado de São Paulo” (OESP), de 29/08/2004, “55% das ONG no Brasil se mantêm com recursos públicos. Elas não são empresas nem governo, criaram uma área cinzenta ao obter contratos sem licitação com o poder público”.
Hoje, 24/04, li no blog “Por um novo Brasil”, de Jussara Seixas, o artigo a seguir transcrito, publicado também hoje pela Agência Estado.
Nele consta, inclusive, a intrigante informação de que atuam na Amazônia cerca de 100.000 ONG, quantidade semelhante ao de índios que vivem na região.
Ah! Quanto a isso, algumas ONG contestarão fortemente. Há vinte anos, a população indígena no Brasil todo já havia sido por elas aumentado de 120.000 para 220.000, numa penada.
Hoje, as ONG já dizem que os índios no Brasil são 1.000.000 (um milhão). Mesmo que essas ONG estejam incentivando uma intensa atividade copulativa nas aldeias, é difícil acreditar nesse espantoso crescimento.
Vejamos o artigo da Agência Estado:
“ONGs só atuarão na Amazônia com autorização expressa da Defesa
"O Governo também vai criar um estatuto específico para regulamentar o trabalho dessas entidades em todo o País"
"O Planalto vai fechar o cerco às organizações não-governamentais (ONGs), na tentativa de coibir a biopirataria, a influência internacional sobre os índios e a venda de terras na floresta amazônica.
A primeira ação de controle consta do projeto da nova Lei do Estrangeiro, que está na Casa Civil e será enviado ao Congresso até junho. Se a proposta for aprovada, estrangeiros, ONGs e instituições similares internacionais, mesmo com vínculos religiosos, precisarão de autorização expressa do Ministério da Defesa, além da licença do Ministério da Justiça, para atuar na Amazônia Legal.
Sem esse procedimento, o “visitante” do exterior terá seu visto ou residência cancelados e será retirado do País.
Preparado pela Secretaria Nacional de Justiça, o projeto prevê multas que vão de R$ 5 mil a R$ 100 mil para os infratores.
A ofensiva não pára aí: além dessa iniciativa, o governo alinhava estatuto específico para regulamentar a atuação das ONGs em todo o País.
O alvo são organizações que atuam em terras indígenas, reservas ecológicas e faixas de fronteira. Trata-se de instituições que, apesar do endereço doméstico, são patrocinadas por dólares, euros, libras e outras moedas fortes.
SOBERANIA
“Grande parte dessas ONGs não está a serviço de suas finalidades estatutárias”, diz o ministro da Justiça, Tarso Genro. “Muitas delas escondem interesses relacionados à biopirataria e à tentativa de influência na cultura indígena, para apropriação velada de determinadas regiões, que podem ameaçar, sim, a soberania nacional.”
O estatuto vai revisar o licenciamento de um grupo de ONGs que cuidam de questões ambientais, mas não apenas na Amazônia. Sua confecção está a cargo de um grupo de trabalho formado por integrantes do Ministério da Justiça, que há quatro meses estuda o assunto ao lado de técnicos da Advocacia-Geral da União (AGU), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Controladoria-Geral da União (CGU).
“Ninguém aqui quer espionar ONGs”, afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. “Mas também não queremos que organizações de fachada, disfarçadas de ONGs, espionem o território brasileiro e prejudiquem nossa soberania. Não vamos aceitar testa-de-ferro de ação internacional.”
Pelos cálculos dos militares, existem no Brasil 250 mil ONGs e, desse total, 100 mil atuam na Amazônia. Outras 29 mil engordam o caixa com recursos federais, que somente em 2007 atingiram a cifra de R$ 3 bilhões.
O governo admite não ter controle de quem compra terras na região. Pior: como a floresta amazônica é uma exuberante reserva de carbono, há estrangeiros de olho nesse tesouro, que, segundo estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters, está na casa de 80 bilhões de toneladas e corresponde a quase um terço do estoque mundial.
Na semana passada, ao escancarar o descontentamento com a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, fez um alerta: contou que ONGs internacionais estimulam índios a lutar pela divisão do território.
Heleno definiu a política indigenista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como “lamentável, para não dizer caótica”, mas foi logo enquadrado pelo Planalto.
Tuma Júnior disse que o governo faz um “mapeamento” da Amazônia para impedir, por exemplo, a venda de terras da União, a bioprospecção e a apropriação de conhecimentos indígenas por indústrias estrangeiras de cosméticos.
Nessa tarefa, o Ministério da Justiça tem entrado em contato com governadores, prefeitos e cartórios.“Não temos interesse em criminalizar as ONGs”, insistiu o secretário nacional de Justiça. “O que queremos é reconhecer as organizações sérias, separar o joio do trigo e dar mais condições de trabalho para aquelas instituições que agem dentro da lei.”
GOVERNO LULA CAUSA GRANDES CONGESTIONAMENTOS EM SÃO PAULO
Os sucessos do governo Lula na economia, bem como a grande melhoria do poder aquisitivo e de obtenção de crédito por parte da população, têm causado um enorme e rápido aumento na produção e na venda de veículos.
Esse aumento não tem sido acompanhado, na mesma velocidade, no tocante às infra-estruturas viárias municipais.
Isso tem sido o principal motivo de freqüentes ocorrências de grandes congestionamentos. Assim, Lula é o culpado...
Para retratar esse quadro escolhi a notícia abaixo, transcrita parcialmente, lida no UOL Últimas Notícias hoje (24/04), escrita por Ana Luisa Bartholomeu:
“Frota de veículos em São Paulo cresce acima da média em março e amplia o "nó" do trânsito na maior cidade do país”
“Cidade ganhou mais de 48 mil novos veículos no mês. Uma alta de 64% em relação à média mensal de crescimento de 2007”
“Após atingir a marca histórica de 6 milhões de veículos em fevereiro, a frota de São Paulo cresceu acima da média no mês de março: dados recém-divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) mostram que 48.571 novos veículos foram emplacados na capital paulista em março, contra os 29.902 em fevereiro e 26.722 em janeiro.
É o maior crescimento de veículos na frota registrado em um mês, analisando-se o período entre janeiro de 2007 até agora. A frota de veículos novos que saiu às ruas em março é 64% maior do que a média mensal de crescimento em todo o ano de 2007, que foi de 29.035 veículos novos ao mês.
A frota cresce em ritmo impressionante. Em 12 meses (de março de 2007 a março de 2008), o total de veículos em São Paulo subiu 6,7%, proporção quase 16 vezes maior que o ritmo de crescimento da população de São Paulo (0,41% ao ano em 2006 e 2007, segundo a Fundação Seade).
Comparando-se os primeiros trimestres de 2007 e 2008, o crescimento da frota também mostra-se elevado. O número total de veículos emplacados nos três primeiros meses de 2008 foi de 105.195, o que representa um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2007, quando 72.147 veículos novos saíram às ruas.
São Paulo ganha cerca de mil novos veículos por dia, de acordo com o Detran-SP. Em março, esse número subiu para 1.500. Existe, hoje, aproximadamente um veículo para cada dois habitantes na capital. Se enfileirada, toda a frota de 6.067.707 veículos seria quase suficiente para dar uma volta na Terra, que tem cerca de 40 mil quilômetros de circunferência.
O bom momento econômico do país, com os expressivos resultados de vendas apresentados mês a mês pela indústria automobilística, paradoxalmente contribui para a piora do problema urbano enfrentado por São Paulo: carros demais para ruas de menos. Nos últimos dez anos, o número de veículos cresceu 25%, enquanto a infra-estrutura urbana, com a quantidade de ruas e avenidas, aumentou apenas 6%, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
Essa "invasão sobre rodas" nos 17,2 mil quilômetros de vias da capital é um dos fatores que impulsiona os crescentes recordes de congestionamentos registrados na maior cidade da América do Sul.
Nos meses de março e abril, a cidade bateu sucessivos recordes de vias congestionadas, segundo a CET. Os mais expressivos foram de 186 km de vias congestionadas no período da manhã (registrado às 9h do dia 11 de março), e de 229 km na noite do dia 3 de abril, o maior registrado pela CET até hoje.
PREFEITO KASSAB (DEM-PFL) PÕE A CULPA EM OUTROS PARTIDOS
“Em março deste ano, na semana em que o trânsito bateu sucessivos recordes, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), chegou a afirmar que o problema do trânsito na capital não teria solução - pelo menos a curto prazo. O secretário dos Transportes da cidade, Alexandre de Moraes, apoiado por Kassab, chegou a insinuar a existência de uma "ação orquestrada" para prejudicar o trânsito de São Paulo, em um ano eleitoral que tem como um dos concorrentes o atual prefeito. “
PREJUÍZOS
Além de estresse aos motoristas, o gargalo do trânsito de São Paulo traz também prejuízo aos cofres públicos. Segundo a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, o trânsito da região metropolitana de São Paulo gera um custo de R$ 4,1 bilhões por ano."
Esse aumento não tem sido acompanhado, na mesma velocidade, no tocante às infra-estruturas viárias municipais.
Isso tem sido o principal motivo de freqüentes ocorrências de grandes congestionamentos. Assim, Lula é o culpado...
Para retratar esse quadro escolhi a notícia abaixo, transcrita parcialmente, lida no UOL Últimas Notícias hoje (24/04), escrita por Ana Luisa Bartholomeu:
“Frota de veículos em São Paulo cresce acima da média em março e amplia o "nó" do trânsito na maior cidade do país”
“Cidade ganhou mais de 48 mil novos veículos no mês. Uma alta de 64% em relação à média mensal de crescimento de 2007”
“Após atingir a marca histórica de 6 milhões de veículos em fevereiro, a frota de São Paulo cresceu acima da média no mês de março: dados recém-divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) mostram que 48.571 novos veículos foram emplacados na capital paulista em março, contra os 29.902 em fevereiro e 26.722 em janeiro.
É o maior crescimento de veículos na frota registrado em um mês, analisando-se o período entre janeiro de 2007 até agora. A frota de veículos novos que saiu às ruas em março é 64% maior do que a média mensal de crescimento em todo o ano de 2007, que foi de 29.035 veículos novos ao mês.
A frota cresce em ritmo impressionante. Em 12 meses (de março de 2007 a março de 2008), o total de veículos em São Paulo subiu 6,7%, proporção quase 16 vezes maior que o ritmo de crescimento da população de São Paulo (0,41% ao ano em 2006 e 2007, segundo a Fundação Seade).
Comparando-se os primeiros trimestres de 2007 e 2008, o crescimento da frota também mostra-se elevado. O número total de veículos emplacados nos três primeiros meses de 2008 foi de 105.195, o que representa um aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2007, quando 72.147 veículos novos saíram às ruas.
São Paulo ganha cerca de mil novos veículos por dia, de acordo com o Detran-SP. Em março, esse número subiu para 1.500. Existe, hoje, aproximadamente um veículo para cada dois habitantes na capital. Se enfileirada, toda a frota de 6.067.707 veículos seria quase suficiente para dar uma volta na Terra, que tem cerca de 40 mil quilômetros de circunferência.
O bom momento econômico do país, com os expressivos resultados de vendas apresentados mês a mês pela indústria automobilística, paradoxalmente contribui para a piora do problema urbano enfrentado por São Paulo: carros demais para ruas de menos. Nos últimos dez anos, o número de veículos cresceu 25%, enquanto a infra-estrutura urbana, com a quantidade de ruas e avenidas, aumentou apenas 6%, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
Essa "invasão sobre rodas" nos 17,2 mil quilômetros de vias da capital é um dos fatores que impulsiona os crescentes recordes de congestionamentos registrados na maior cidade da América do Sul.
Nos meses de março e abril, a cidade bateu sucessivos recordes de vias congestionadas, segundo a CET. Os mais expressivos foram de 186 km de vias congestionadas no período da manhã (registrado às 9h do dia 11 de março), e de 229 km na noite do dia 3 de abril, o maior registrado pela CET até hoje.
PREFEITO KASSAB (DEM-PFL) PÕE A CULPA EM OUTROS PARTIDOS
“Em março deste ano, na semana em que o trânsito bateu sucessivos recordes, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), chegou a afirmar que o problema do trânsito na capital não teria solução - pelo menos a curto prazo. O secretário dos Transportes da cidade, Alexandre de Moraes, apoiado por Kassab, chegou a insinuar a existência de uma "ação orquestrada" para prejudicar o trânsito de São Paulo, em um ano eleitoral que tem como um dos concorrentes o atual prefeito. “
PREJUÍZOS
Além de estresse aos motoristas, o gargalo do trânsito de São Paulo traz também prejuízo aos cofres públicos. Segundo a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos, o trânsito da região metropolitana de São Paulo gera um custo de R$ 4,1 bilhões por ano."
DESEMPREGO CAI AINDA MAIS EM MARÇO
É o menor nível de desemprego desde quando o Brasil passou a ter esse índice medido, em 2002.
Reproduzo a notícia da Agência Reuters publicada no “O Globo Online”, que li no blog do Favre:
“Desemprego brasileiro surpreende previsões e cai a 8,6% em março
O desemprego brasileiro diminuiu em março para o menor patamar registrado neste mês desde o início da série histórica, em 2002.
Contrariou as expectativas do mercado devido a uma menor procura e a um aumento da ocupação, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de ocupação nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou em 8,6% no mês passado, em comparação com os 10,1% do mesmo período do ano passado e os 8,7% de fevereiro de 2008.
O número de pessoas ocupadas teve alta de 0,6% mês a mês e avanço de 3,5% em relação a março de 2007, subindo para 21,282 milhões.
O total de desocupados caiu 0,8% em março sobre fevereiro, para 1,993 milhão de pessoas, e recuou 14,1% na comparação anual.
O rendimento dos trabalhadores somou R$ 1.188,90, queda de 0,6% mensal e alta de 2% no dado anual."
Reproduzo a notícia da Agência Reuters publicada no “O Globo Online”, que li no blog do Favre:
“Desemprego brasileiro surpreende previsões e cai a 8,6% em março
O desemprego brasileiro diminuiu em março para o menor patamar registrado neste mês desde o início da série histórica, em 2002.
Contrariou as expectativas do mercado devido a uma menor procura e a um aumento da ocupação, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de ocupação nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou em 8,6% no mês passado, em comparação com os 10,1% do mesmo período do ano passado e os 8,7% de fevereiro de 2008.
O número de pessoas ocupadas teve alta de 0,6% mês a mês e avanço de 3,5% em relação a março de 2007, subindo para 21,282 milhões.
O total de desocupados caiu 0,8% em março sobre fevereiro, para 1,993 milhão de pessoas, e recuou 14,1% na comparação anual.
O rendimento dos trabalhadores somou R$ 1.188,90, queda de 0,6% mensal e alta de 2% no dado anual."
quarta-feira, 23 de abril de 2008
AUMENTO DOS MILITARES - DERROTA DA OPOSIÇÃO
Mais uma derrota da oposição.
O desejado por ela, quando extingüiu a CPMF (ato que somente beneficiou os grandes movimentadores de dinheiro, legais e ilegais), era inviabilizar quase tudo no governo Lula, inclusive o aumento dos militares que já estava equacionado para ser a partir de setembro 2007. A oposição queria criar um clima de forte insatisfação social para assim abrir caminho para o retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder.
Felizmente, o governo federal conseguiu encontrar uma solução, hoje anunciada.
Há menos de uma hora atrás (20h43), a Agência Estado, em texto de Fábio Graner publicado no UOL Últimas Notícias, publicou o seguinte:
"Jobim: militares terão reajuste médio de 47,19%"
"Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou hoje que o reajuste médio dos militares, de 47,19%, terá um impacto de R$ 12,3 bilhões na folha de pagamentos de ativos e inativos até 2011. A folha de pagamentos subirá de R$ 27,6 bilhões no ano passado para R$ 31,8 bilhões em 2008, R$ 35 bilhões em 2009, R$ 38,4 bilhões em 2010 e R$ 39,9 bilhões em 2011.
Jobim explicou que o reajuste ocorrerá de forma escalonada e será diferenciado conforme as patentes.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá ainda decidir se o aumento dos militares será dado por medida provisória ou projeto de lei em regime de urgência.
Pelo anúncio, feito em entrevista coletiva no Ministério da Defesa, os recrutas, que hoje recebem em média R$ 235,20, terão um aumento de 137,8%, passando para uma média de R$ 471,00 imediatamente, retroativa a janeiro último. Em fevereiro de 2009, a remuneração média dessa categoria chegará a R$ 514,90 e, em janeiro de 2010, a R$ 559,38.
O menor reajuste ocorrerá para os generais oficiais de quatro estrelas, de 35,31% até julho de 2010. Dessa forma, os generais de quatro estrelas, posto mais alto da hierarquia do Exército, terão remuneração média passando de R$ 13,9 mil para R$ 15 mil este ano, chegando a R$ 18,8 mil em julho de 2010.
O ministro da Defesa explicou que haverá grupos de reajuste.
O primeiro, de soldados e recrutas, com aumento médio de 91,21%; o segundo, de cadetes e alunos, com reajuste médio de 66,43%; o terceiro, de oficiais intermediários e subalternos, com 47,78%; o quarto, de praças (subtenente, primeiro-sargento, taifeiro-mor, entre outros), com 41,72%; o quinto, oficiais superiores, com 40,91%, e o dos oficiais generais, com 36,31%, em média.
Para o primeiro e segundo grupos, de soldados, recrutas e alunos, o reajuste será retroativo a janeiro passado, com novas elevações em fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, sempre acima da variação do salário mínimo.
As demais categorias, por sua vez, terão reajustes este ano divididos em três parcelas (a primeira imediata, retroativa a janeiro. A segunda em julho e a terceira em outubro e, em 2009 e em 2010, em julho)."
O desejado por ela, quando extingüiu a CPMF (ato que somente beneficiou os grandes movimentadores de dinheiro, legais e ilegais), era inviabilizar quase tudo no governo Lula, inclusive o aumento dos militares que já estava equacionado para ser a partir de setembro 2007. A oposição queria criar um clima de forte insatisfação social para assim abrir caminho para o retorno do PSDB e DEM-PFL ao poder.
Felizmente, o governo federal conseguiu encontrar uma solução, hoje anunciada.
Há menos de uma hora atrás (20h43), a Agência Estado, em texto de Fábio Graner publicado no UOL Últimas Notícias, publicou o seguinte:
"Jobim: militares terão reajuste médio de 47,19%"
"Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou hoje que o reajuste médio dos militares, de 47,19%, terá um impacto de R$ 12,3 bilhões na folha de pagamentos de ativos e inativos até 2011. A folha de pagamentos subirá de R$ 27,6 bilhões no ano passado para R$ 31,8 bilhões em 2008, R$ 35 bilhões em 2009, R$ 38,4 bilhões em 2010 e R$ 39,9 bilhões em 2011.
Jobim explicou que o reajuste ocorrerá de forma escalonada e será diferenciado conforme as patentes.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá ainda decidir se o aumento dos militares será dado por medida provisória ou projeto de lei em regime de urgência.
Pelo anúncio, feito em entrevista coletiva no Ministério da Defesa, os recrutas, que hoje recebem em média R$ 235,20, terão um aumento de 137,8%, passando para uma média de R$ 471,00 imediatamente, retroativa a janeiro último. Em fevereiro de 2009, a remuneração média dessa categoria chegará a R$ 514,90 e, em janeiro de 2010, a R$ 559,38.
O menor reajuste ocorrerá para os generais oficiais de quatro estrelas, de 35,31% até julho de 2010. Dessa forma, os generais de quatro estrelas, posto mais alto da hierarquia do Exército, terão remuneração média passando de R$ 13,9 mil para R$ 15 mil este ano, chegando a R$ 18,8 mil em julho de 2010.
O ministro da Defesa explicou que haverá grupos de reajuste.
O primeiro, de soldados e recrutas, com aumento médio de 91,21%; o segundo, de cadetes e alunos, com reajuste médio de 66,43%; o terceiro, de oficiais intermediários e subalternos, com 47,78%; o quarto, de praças (subtenente, primeiro-sargento, taifeiro-mor, entre outros), com 41,72%; o quinto, oficiais superiores, com 40,91%, e o dos oficiais generais, com 36,31%, em média.
Para o primeiro e segundo grupos, de soldados, recrutas e alunos, o reajuste será retroativo a janeiro passado, com novas elevações em fevereiro de 2009 e janeiro de 2010, sempre acima da variação do salário mínimo.
As demais categorias, por sua vez, terão reajustes este ano divididos em três parcelas (a primeira imediata, retroativa a janeiro. A segunda em julho e a terceira em outubro e, em 2009 e em 2010, em julho)."
LULA: O PETRÓLEO É O CAUSADOR DA ALTA DOS ALIMENTOS
Transcrevo a reportagem publicada há poucos minutos (17h06) pelo UOL Últimas Notícias.
“Lula diz que o Brasil é vítima de leviandade e aponta o petróleo como o vilão da alta dos alimentos”
“Em discurso na cerimônia de aniversário de 35 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa definir uma "estratégia de atuação" e "ter disposição política" para fazer uma "boa briga em defesa de seus interesses no mundo”.
Lula disse, ainda, que o país é vítima de leviandades por parte de representantes de organismos multilaterais, que culpam a cana-de-açúcar para produção de biocombustível como responsável pela aumento dos preços de alimentos no mundo.
Para o presidente, o Brasil precisa ter "uma voz mais ativa e mais forte" no cenário mundial.
"O que é engraçado é que essas pessoas que estão criticando os biocombustíveis e que estão preocupadas com o preço dos alimentos, nunca fizeram uma crítica ao preço do petróleo, que salta de 30 para 120 dólares.
Nunca reconheceram publicamente o quanto implica no custo do alimento o aumento do petróleo. Quanto que implica na fabricação de fertilizantes o preço do petróleo e o aumento do gás.
E tentam, com uma transferência muito simplista, fazer um debate que nós não devemos nos preocupar, porque este debate nós ganhamos. Ganhamos economicamente, tecnologicamente e vamos ganhar politicamente", disse Lula.”
“Lula diz que o Brasil é vítima de leviandade e aponta o petróleo como o vilão da alta dos alimentos”
“Em discurso na cerimônia de aniversário de 35 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa definir uma "estratégia de atuação" e "ter disposição política" para fazer uma "boa briga em defesa de seus interesses no mundo”.
Lula disse, ainda, que o país é vítima de leviandades por parte de representantes de organismos multilaterais, que culpam a cana-de-açúcar para produção de biocombustível como responsável pela aumento dos preços de alimentos no mundo.
Para o presidente, o Brasil precisa ter "uma voz mais ativa e mais forte" no cenário mundial.
"O que é engraçado é que essas pessoas que estão criticando os biocombustíveis e que estão preocupadas com o preço dos alimentos, nunca fizeram uma crítica ao preço do petróleo, que salta de 30 para 120 dólares.
Nunca reconheceram publicamente o quanto implica no custo do alimento o aumento do petróleo. Quanto que implica na fabricação de fertilizantes o preço do petróleo e o aumento do gás.
E tentam, com uma transferência muito simplista, fazer um debate que nós não devemos nos preocupar, porque este debate nós ganhamos. Ganhamos economicamente, tecnologicamente e vamos ganhar politicamente", disse Lula.”
ENTREVISTA COM CIRO GOMES
A Folha de S.Paulo ontem entrevistou longamente o deputado Ciro Gomes, um dos mais cogitados para ser o indicado por Lula para a sua sucessão em 2010. Hoje, o jornal publicou-a.
Reproduzo a matéria da Folha:
"Agradeço a Deus por não ter sido eleito em 2002"
“Na vice-liderança da mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), (50 anos), agradeceu a Deus ontem, em sabatina da Folha transmitida ao vivo na internet pela TV UOL, por não ter sido eleito para o Planalto em 2002, quando concorreu ao cargo pela segunda vez.
"Eu não estava maduro", justificou ele, diante de quase 180 pessoas que acompanharam a entrevista de duas horas feita pelos jornalistas Mônica Bergamo (colunista do jornal), Fernando Canzian e Kennedy Alencar (repórteres especiais) e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil).
Ciro também respondeu perguntas da platéia sobre seus planos até 2010 e a relação com a mulher, a atriz Patrícia Pillar. E alfinetou um antigo desafeto, o governador paulista, José Serra, líder na pesquisa.
2010
"Quem tem a experiência que eu já acumulei, há de ter a maturidade de saber que qualquer vatícinio feito hoje para afirmar fatos de 2010 é bastante temerário. Fico bastante distinguido, honrado. Mas eu só decidirei se sou candidato se entender que a candidatura serve ao país. Essas foram as razões pelas quais eu me candidatei nas eleições anteriores. Eu não serei candidato de mim mesmo, não faz sentido isso.
A situação de 2010, vendo hoje, acho que o que vai estar em jogo é, de um lado, a institucionalização do avanço extraordinário que o país está experimentando. A grande tarefa é ajuizar diante da nação brasileira a tarefa de institucionalizar isso, fazer com que isso não dependa de boa-fé de canetada de fulano, de voluntarismo, de boa vontade, de personalismo.
Suponha que o PT tenha um candidato, é legítimo, o PT é o maior partido do Brasil, tem absoluta raiz na vida social brasileira. Mas, eventualmente, o PT pode lançar um candidato que não represente, a juízo do meu partido, de outras forças da opinião brasileira, essas graves questões que estão em jogo. Eventualmente, pode esse mesmo grupo de opinião pensar que eu posso melhor interpretar isso. Nesse caso, eu poderei ser candidato."
VICE DE AÉCIO
"Pode ser que o país precise que eu seja coadjuvante de uma chapa que, necessariamente, tem que ser encabeçada por alguém que vai servir ao país melhor que ninguém mais. Nenhum problema. Agora, eu solicito que se registre aqui que não estou dizendo que admito ser vice do Aécio. Admito examinar o assunto na ocasião própria. O que posso dizer é que o governador Aécio Neves é um belo produto da democracia brasileira. Falta a ele alguma vivência nacional, nada que ele não possa adquirir."
2002
"Foram tantos erros, foi que nem o Roberto Carlos. Eu passei por um processo... Eu estou de boa-fé, eu quero ser um cara decente, correto. Eu me aventuro muito, falo muito, não estou aqui? Quantos amigos não me disseram: "Você vai fazer o que lá?". Não tenho arrependimentos. Olhando no geral, a vida foi muito generosa comigo, mas eu digo hoje, honestamente, eu agradeço a Deus não ter sido eleito naquela ocasião.
Eu não estava maduro, não estava preparado, imagine eu, eleito presidente do Brasil, contra o PT e o PSDB, e com um apoio meio inorgânico com povão. Foi muito bom, o povo disse: vai andar um pouco mais, vai aprender um pouco mais. Aliás, tive uma conversa só eu o Lula e foi comovente, ele disse: "Eu sei o que você está dizendo, também agradeço a Deus não ter sido eleito em 1989"."
DESTEMPERO
"Qualquer destempero é uma atitude que não cabe a alguém que vai servir ao país como presidente da República. É preciso que alguém julgue o destempero. Uma criança bem-educada pode falar a palavra cocô, dependendo do contexto.
É evidente que eu poderia ter evitado [a discussão com a atriz Letícia Sabatella no Congresso por conta da transposição do rio São Francisco, na qual disse "eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não"], mas passamos mais de sete horas debatendo. Não houve bate-boca. Eu fiz uma figura. Poderia ter dito que Max Weber fala sobre a ética na política e identifica que ela é diferente da ética individual e familiar."
COLLOR E O PT
"Eu fico aborrecido porque o pacote é assim: pegam o jeitão do cara e insinuam que ele é desonesto, no meio de uma sociedade cansada de ver exemplos ruins.
Quando eu era mais jovem, tinha muito medo. Fiquei contra ele no primeiro e no segundo turno em 1989. Jamais apoiei ele. Apoiamos o Mario Covas [1930-2001] no primeiro turno, e no segundo eu votei no Lula, isso o PT decidindo se aceitava o meu apoio ou não."
GOVERNO LULA
"Tenho uma grande afeição pelo Lula, um grande respeito, que é antigo, mas que cresceu muito na constância de minha militância sob sua liderança no governo. Não quer dizer que o governo é impecável nem perfeito. Agora, todos os números brasileiros estão melhores."
GOLPE CONTRA LULA
"Eu lembro bem quando se instalou, na minha opinião, um golpe contra o Lula, para arrastar o filho dele para uma CPI. Eu tomei a linha de frente. Isso quer dizer o quê? Que eu perdôo o que aconteceu? Absolutamente não perdôo. Mas não era causa para impedir um presidente da República, e, impedindo um presidente com uma origem popular como a do Lula, passar para a sociedade brasileira que havia uma trama de elite para melar o jogo de quem estava fazendo o salário mínimo galopar, de quem estava fazendo o Bolsa Família...
Quando foi eleito o Severino [Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados], aquilo era um passo do golpe, para ele poder receber o pedido de impeachment.
O antigolpe que acabou com tudo foi a eleição do Aldo [Rebelo, do PC do B], que acabou com o golpe.
Ele (Severino) foi eleito para derrotar o Lula e começar a instalar o golpe, acabou não recebendo porque aderiu."
MENSALÃO
"Por tudo quanto eu pude observar, o presidente Lula não sabia e tinha o direito de não saber. O problema se deu na conformação de uma parte da antiga direção do PT no financiamento de campanha."
JOSÉ SERRA
"Ele era [em 1994], sem favor [meu], o deputado de maior valor na bancada do PSDB. E a bancada inteira não votava nele para líder. Isso é bem exemplar. Conseguimos fazer do Serra líder da bancada na marra. Pelo valor. Não demorou, ele tira o tapete do Fernando Henrique Cardoso, que, para fazer o real, precisava que o Brasil restaurasse seu fluxo de crédito internacional.
O Serra, sem conversar com ninguém, na condição de líder do partido do ministro da Fazenda, dá a seguinte entrevista, que o PSDB é contra a revisão constitucional.
Aí me liga o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique, do hotel em Nova York, dizendo: "Estou aqui trancado, não posso botar a cara na rua, porque esse aquilo, esse aquilo outro, quer tirar o meu tapete, quer sabotar o plano e só tem um cara que vai dar jeito nisso: você". Ele [Serra] desdisse [sob pressão de Ciro]. Mas nunca me perdoou. É um homem de valor, com aquelas questões outras."
ALIANÇAS
"Na eleição municipal, o principal motor é a questão local. Não tem quem faça uma eleição municipal se conformar às diretrizes das questões nacionais. A gente tenta atenuar, mas a contradição é absoluta.
O governador Aécio quer evitar um confronto precoce com o PT, onde pode sair derrotado. E isso interrompe um caminho de ascensão que ele vem cultivando. O Pimentel [Fernando, prefeito petista de Belo Horizonte], por seu lado, é um quadro emergente na política de Minas e ele não quer confrontar com o Aécio e ser derrotado precocemente.
Aqui em São Paulo nós temos a companheira Luiza Erundina que é um dos quadros pelos quais eu tenho o maior respeito. E temos um talento extraordinário que é o líder da nossa bancada, o deputado Márcio França. Eu já disse a ele que, aqui em São Paulo, o que ele e os companheiros do nosso grupo fizerem eu apóio."
COMPLEMENTAÇÃO DA FOLHA ON LINE DE ONTEM
Acrescento alguns trechos ontem (22/04) publicados à tarde na Folha On Line, porém suprimidos, por algum motivo, na versão impressa do jornal:
[O DOSSIÊ]
(...) Sobre o dossiê com informações sobre as despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua equipe, Ciro seguiu o discurso de integrantes do governo Lula e disse que crime é vazar informações sigilosas, e não a confecção de dossiê.
"Consta que quem vazou o dossiê a revista 'Veja' foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Vazar é crime. Não sou eu que diz, é a lei. Ele nega [o vazamento]. Pode negar. Tem muitas evidências [contra ele]."
Para Ciro, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) não tem nenhuma responsabilidade com o dossiê. "Conheço a Dilma. Sei da sua seriedade, da sua compostura, da sua ética. Sei que ela está dedicada 24 horas por dia a servir ao país."
[TAXA DE JUROS]
"A taxa de juros [de 11,75% ao ano] é ruim. O [Henrique] Meirelles [presidente do Banco Central] sabe disso. A despeito do juro alta, é o menor juro real dos últimos 30 anos".
[JOSÉ SERRA]
"Ele era o deputado de maior valor da bancada do PSDB e a bancada inteira não votava nele para líder. Aí ele me liga. Saio ligando deputado pra deputado, que me dizem: ele é sem escrúpulo, passa por cima da mãe, é arrogante. Os deputados que diziam, não eu. Fizemos ele líder da bancada pelo valor."
[CID GOMES]
"Acho francamente que governador do Estado do Ceará deve se explicar. Deve chamar imprensa e se explicar. Ele deve uma explicação [sobre a carona que o irmão deu para a sogra num jatinho que foi para a Europa em viagem oficial]."
[FARCS]
"Eu abomino a violência. Para mim, as Farc perderam a noção há muito tempo. "Não há pretexto ideológico que justifique seqüestrar uma mulher e deixá-la confinada por anos", disse, em referência à franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém da guerrilha.
[TERCEIRO MANDATO]
"Esse pseudo fato [terceiro mandato] prejudica o país. O Lula já disse que não quer e no Senado [o governo] não tem nem maioria simples [para aprovar a proposta]. Não quero nem comentar uma coisa que não faz bem para o país", afirmou.“
Reproduzo a matéria da Folha:
"Agradeço a Deus por não ter sido eleito em 2002"
“Na vice-liderança da mais recente pesquisa Datafolha de intenção de voto para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), (50 anos), agradeceu a Deus ontem, em sabatina da Folha transmitida ao vivo na internet pela TV UOL, por não ter sido eleito para o Planalto em 2002, quando concorreu ao cargo pela segunda vez.
"Eu não estava maduro", justificou ele, diante de quase 180 pessoas que acompanharam a entrevista de duas horas feita pelos jornalistas Mônica Bergamo (colunista do jornal), Fernando Canzian e Kennedy Alencar (repórteres especiais) e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil).
Ciro também respondeu perguntas da platéia sobre seus planos até 2010 e a relação com a mulher, a atriz Patrícia Pillar. E alfinetou um antigo desafeto, o governador paulista, José Serra, líder na pesquisa.
2010
"Quem tem a experiência que eu já acumulei, há de ter a maturidade de saber que qualquer vatícinio feito hoje para afirmar fatos de 2010 é bastante temerário. Fico bastante distinguido, honrado. Mas eu só decidirei se sou candidato se entender que a candidatura serve ao país. Essas foram as razões pelas quais eu me candidatei nas eleições anteriores. Eu não serei candidato de mim mesmo, não faz sentido isso.
A situação de 2010, vendo hoje, acho que o que vai estar em jogo é, de um lado, a institucionalização do avanço extraordinário que o país está experimentando. A grande tarefa é ajuizar diante da nação brasileira a tarefa de institucionalizar isso, fazer com que isso não dependa de boa-fé de canetada de fulano, de voluntarismo, de boa vontade, de personalismo.
Suponha que o PT tenha um candidato, é legítimo, o PT é o maior partido do Brasil, tem absoluta raiz na vida social brasileira. Mas, eventualmente, o PT pode lançar um candidato que não represente, a juízo do meu partido, de outras forças da opinião brasileira, essas graves questões que estão em jogo. Eventualmente, pode esse mesmo grupo de opinião pensar que eu posso melhor interpretar isso. Nesse caso, eu poderei ser candidato."
VICE DE AÉCIO
"Pode ser que o país precise que eu seja coadjuvante de uma chapa que, necessariamente, tem que ser encabeçada por alguém que vai servir ao país melhor que ninguém mais. Nenhum problema. Agora, eu solicito que se registre aqui que não estou dizendo que admito ser vice do Aécio. Admito examinar o assunto na ocasião própria. O que posso dizer é que o governador Aécio Neves é um belo produto da democracia brasileira. Falta a ele alguma vivência nacional, nada que ele não possa adquirir."
2002
"Foram tantos erros, foi que nem o Roberto Carlos. Eu passei por um processo... Eu estou de boa-fé, eu quero ser um cara decente, correto. Eu me aventuro muito, falo muito, não estou aqui? Quantos amigos não me disseram: "Você vai fazer o que lá?". Não tenho arrependimentos. Olhando no geral, a vida foi muito generosa comigo, mas eu digo hoje, honestamente, eu agradeço a Deus não ter sido eleito naquela ocasião.
Eu não estava maduro, não estava preparado, imagine eu, eleito presidente do Brasil, contra o PT e o PSDB, e com um apoio meio inorgânico com povão. Foi muito bom, o povo disse: vai andar um pouco mais, vai aprender um pouco mais. Aliás, tive uma conversa só eu o Lula e foi comovente, ele disse: "Eu sei o que você está dizendo, também agradeço a Deus não ter sido eleito em 1989"."
DESTEMPERO
"Qualquer destempero é uma atitude que não cabe a alguém que vai servir ao país como presidente da República. É preciso que alguém julgue o destempero. Uma criança bem-educada pode falar a palavra cocô, dependendo do contexto.
É evidente que eu poderia ter evitado [a discussão com a atriz Letícia Sabatella no Congresso por conta da transposição do rio São Francisco, na qual disse "eu, ao meu jeito, escolhi a opção de meter a mão na massa, às vezes suja de cocô, às vezes, mas minha cabeça, não, meu compromisso, não"], mas passamos mais de sete horas debatendo. Não houve bate-boca. Eu fiz uma figura. Poderia ter dito que Max Weber fala sobre a ética na política e identifica que ela é diferente da ética individual e familiar."
COLLOR E O PT
"Eu fico aborrecido porque o pacote é assim: pegam o jeitão do cara e insinuam que ele é desonesto, no meio de uma sociedade cansada de ver exemplos ruins.
Quando eu era mais jovem, tinha muito medo. Fiquei contra ele no primeiro e no segundo turno em 1989. Jamais apoiei ele. Apoiamos o Mario Covas [1930-2001] no primeiro turno, e no segundo eu votei no Lula, isso o PT decidindo se aceitava o meu apoio ou não."
GOVERNO LULA
"Tenho uma grande afeição pelo Lula, um grande respeito, que é antigo, mas que cresceu muito na constância de minha militância sob sua liderança no governo. Não quer dizer que o governo é impecável nem perfeito. Agora, todos os números brasileiros estão melhores."
GOLPE CONTRA LULA
"Eu lembro bem quando se instalou, na minha opinião, um golpe contra o Lula, para arrastar o filho dele para uma CPI. Eu tomei a linha de frente. Isso quer dizer o quê? Que eu perdôo o que aconteceu? Absolutamente não perdôo. Mas não era causa para impedir um presidente da República, e, impedindo um presidente com uma origem popular como a do Lula, passar para a sociedade brasileira que havia uma trama de elite para melar o jogo de quem estava fazendo o salário mínimo galopar, de quem estava fazendo o Bolsa Família...
Quando foi eleito o Severino [Cavalcanti, ex-presidente da Câmara dos Deputados], aquilo era um passo do golpe, para ele poder receber o pedido de impeachment.
O antigolpe que acabou com tudo foi a eleição do Aldo [Rebelo, do PC do B], que acabou com o golpe.
Ele (Severino) foi eleito para derrotar o Lula e começar a instalar o golpe, acabou não recebendo porque aderiu."
MENSALÃO
"Por tudo quanto eu pude observar, o presidente Lula não sabia e tinha o direito de não saber. O problema se deu na conformação de uma parte da antiga direção do PT no financiamento de campanha."
JOSÉ SERRA
"Ele era [em 1994], sem favor [meu], o deputado de maior valor na bancada do PSDB. E a bancada inteira não votava nele para líder. Isso é bem exemplar. Conseguimos fazer do Serra líder da bancada na marra. Pelo valor. Não demorou, ele tira o tapete do Fernando Henrique Cardoso, que, para fazer o real, precisava que o Brasil restaurasse seu fluxo de crédito internacional.
O Serra, sem conversar com ninguém, na condição de líder do partido do ministro da Fazenda, dá a seguinte entrevista, que o PSDB é contra a revisão constitucional.
Aí me liga o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique, do hotel em Nova York, dizendo: "Estou aqui trancado, não posso botar a cara na rua, porque esse aquilo, esse aquilo outro, quer tirar o meu tapete, quer sabotar o plano e só tem um cara que vai dar jeito nisso: você". Ele [Serra] desdisse [sob pressão de Ciro]. Mas nunca me perdoou. É um homem de valor, com aquelas questões outras."
ALIANÇAS
"Na eleição municipal, o principal motor é a questão local. Não tem quem faça uma eleição municipal se conformar às diretrizes das questões nacionais. A gente tenta atenuar, mas a contradição é absoluta.
O governador Aécio quer evitar um confronto precoce com o PT, onde pode sair derrotado. E isso interrompe um caminho de ascensão que ele vem cultivando. O Pimentel [Fernando, prefeito petista de Belo Horizonte], por seu lado, é um quadro emergente na política de Minas e ele não quer confrontar com o Aécio e ser derrotado precocemente.
Aqui em São Paulo nós temos a companheira Luiza Erundina que é um dos quadros pelos quais eu tenho o maior respeito. E temos um talento extraordinário que é o líder da nossa bancada, o deputado Márcio França. Eu já disse a ele que, aqui em São Paulo, o que ele e os companheiros do nosso grupo fizerem eu apóio."
COMPLEMENTAÇÃO DA FOLHA ON LINE DE ONTEM
Acrescento alguns trechos ontem (22/04) publicados à tarde na Folha On Line, porém suprimidos, por algum motivo, na versão impressa do jornal:
[O DOSSIÊ]
(...) Sobre o dossiê com informações sobre as despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua equipe, Ciro seguiu o discurso de integrantes do governo Lula e disse que crime é vazar informações sigilosas, e não a confecção de dossiê.
"Consta que quem vazou o dossiê a revista 'Veja' foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Vazar é crime. Não sou eu que diz, é a lei. Ele nega [o vazamento]. Pode negar. Tem muitas evidências [contra ele]."
Para Ciro, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) não tem nenhuma responsabilidade com o dossiê. "Conheço a Dilma. Sei da sua seriedade, da sua compostura, da sua ética. Sei que ela está dedicada 24 horas por dia a servir ao país."
[TAXA DE JUROS]
"A taxa de juros [de 11,75% ao ano] é ruim. O [Henrique] Meirelles [presidente do Banco Central] sabe disso. A despeito do juro alta, é o menor juro real dos últimos 30 anos".
[JOSÉ SERRA]
"Ele era o deputado de maior valor da bancada do PSDB e a bancada inteira não votava nele para líder. Aí ele me liga. Saio ligando deputado pra deputado, que me dizem: ele é sem escrúpulo, passa por cima da mãe, é arrogante. Os deputados que diziam, não eu. Fizemos ele líder da bancada pelo valor."
[CID GOMES]
"Acho francamente que governador do Estado do Ceará deve se explicar. Deve chamar imprensa e se explicar. Ele deve uma explicação [sobre a carona que o irmão deu para a sogra num jatinho que foi para a Europa em viagem oficial]."
[FARCS]
"Eu abomino a violência. Para mim, as Farc perderam a noção há muito tempo. "Não há pretexto ideológico que justifique seqüestrar uma mulher e deixá-la confinada por anos", disse, em referência à franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém da guerrilha.
[TERCEIRO MANDATO]
"Esse pseudo fato [terceiro mandato] prejudica o país. O Lula já disse que não quer e no Senado [o governo] não tem nem maioria simples [para aprovar a proposta]. Não quero nem comentar uma coisa que não faz bem para o país", afirmou.“
O “CHOQUE DE GESTÃO” TUCANO EM SÃO PAULO
O blog “Cidadania”, de Eduardo Guimarães, publica hoje (23/04) uma interessante síntese da atuação tucana em São Paulo nos últimos 13 anos.
Reproduzo o artigo acrescentando, para facilitar a leitura, alguns subtítulos entre colchetes:
“POR QUE SÃO PAULO NÃO MELHORA”
[SEGURANÇA PÚBLICA]
“Recentemente, divulguei dados que mostraram como a segurança pública no Estado de São Paulo mergulhou num poço sem fundo depois que o PSDB assumiu o governo paulista e nunca mais largou o osso.
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre 1995 (primeiro ano de um governo tucano em São Paulo) e 2007, os crimes contra a pessoa (assassinatos e lesões corporais), entre outros, aumentaram 66%, o que condiz perfeitamente com a espantoso cerco de criminosos que ocorreu em 2006, quando o PCC acuou as cidades paulistas e até o governo do Estado, gerando um clima de pânico e desespero entre os paulistas.
[EDUCAÇÃO PÚBLICA]
Também falei da Educação pública em São Paulo, que hoje está entre as piores do país, apesar de o governo paulista ser o que tem maiores recursos na Federação brasileira.
[O ACOBERTAMENTO DA IMPRENSA PAULISTA]
Expliquei que o estado calamitoso em que o Estado mais rico e desenvolvido da Federação brasileira mergulhou se deve ao fato de que a imprensa paulista, à diferença do que faz em relação ao governo federal, não fiscaliza ou pressiona o governo de São Paulo.
Relutantemente, quando não existe alternativa de esconder as catástrofes geradas pela que talvez seja a pior governança de um Estado brasileiro, a imprensa de meu Estado se vê obrigada a noticiar os desatinos do PSDB.
Porém, em questão de dias esses escândalos tucanos são abandonados e, dali em diante, passa a viger o mais deslavado acobertamento.
De qualquer forma, apesar da blindagem dos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e revista Veja aos tucanos, veículos tão rigorosos com o governo federal, cumpre-me continuar relembrando os escândalos enterrados. Apesar da amnésia renitente da população paulista, enquanto um segmento da sociedade permanecer consciente do descalabro administrativo tucano sempre haverá chance de chamar à razão essa população.
Aliás, a incompetência e a corrupção dos governos tucanos que vêm se sucedendo em São Paulo não decorrem de nenhum fator residente no "DNA" do PSDB e, sim, na situação peculiar de esse grupo político ser acobertado pela imprensa com a qual estabeleceu algum tipo de acordo.
Sobre esse presumível acordo, aliás, devido ao fato de que os veículos que acobertam os tucanos serem verdadeiros impérios, imagina-se que só poderiam ser subornados com grandes somas que, pelo volume, só podem ser de dinheiro público.
[NOSSA CAIXA]
Um bom indício de que dinheiro público é usado para calar a imprensa paulista está no escândalo da Nossa Caixa, que eclodiu em março de 2006.
Descobriu-se que o governo de Geraldo Alckmin anunciava ilegalmente em meios de comunicação inexpressivos, alguns pertencentes a verdadeiros cabos eleitorais do PSDB, como era o caso da revista Primeira Leitura, fundada pelo tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, e, então, gerida pelo hoje blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que passou a prestar ao PSDB serviços de pistolagem intelectual.
[DESASTRE DO METRÔ]
Tão dramático quanto, é o desastre na linha 4 do metrô paulista. Em janeiro de 2007, desabou obra de uma das estações entregue pelo PSDB ao Consórcio de empreiteiras Via Amarela.
Esse desastre matou sete pessoas e desalojou centenas de suas casas e apartamentos. Uma rua inteira ruiu. Até hoje, cerca de um ano e meio depois, não se sabe absolutamente nada sobre o caso. A imprensa não pressiona as autoridades paulistas e o desastre ficou por isso mesmo. As vítimas, inclusive, não conseguem voz na imprensa de São Paulo para cobrarem o governo do Estado.
[OS CARTÕES CORPORATIVOS EM SP]
Mas o maior escândalo de todos, solenemente enterrado pela imprensa, está no caso dos cartões corporativos do governo paulista.
Enquanto a mídia bate sem parar na tecla dos cartões do governo federal, acompanhando com enorme afinco as CPIs com finalidade político-eleitoral criadas na Câmara e no Senado, o fato de que os gastos do governo do Estado de São Paulo com esses cartões superam os do governo federal, simplesmente sumiu da imprensa. A bancada governista na Assembléia Legislativa paulista impediu investigação e Folha, Estadão e Veja, veículos paulistas, não dizem um A.
[CALAMIDADE]
Com essa impunidade eterna dos malfeitos do governo de São Paulo, possibilitada pela imprensa paulista, vige em meu Estado uma situação de calamidade, em que o governo faz o que quer sem qualquer fiscalização ou cobrança.
Por isso, São Paulo só faz piorar. Por isso, São Paulo, apesar de ser tão rico e desenvolvido, não melhora. Por isso, o povo paulista é tão ignorante politicamente, porque tem uma imprensa corrupta que o mantém alienado.”
Reproduzo o artigo acrescentando, para facilitar a leitura, alguns subtítulos entre colchetes:
“POR QUE SÃO PAULO NÃO MELHORA”
[SEGURANÇA PÚBLICA]
“Recentemente, divulguei dados que mostraram como a segurança pública no Estado de São Paulo mergulhou num poço sem fundo depois que o PSDB assumiu o governo paulista e nunca mais largou o osso.
Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre 1995 (primeiro ano de um governo tucano em São Paulo) e 2007, os crimes contra a pessoa (assassinatos e lesões corporais), entre outros, aumentaram 66%, o que condiz perfeitamente com a espantoso cerco de criminosos que ocorreu em 2006, quando o PCC acuou as cidades paulistas e até o governo do Estado, gerando um clima de pânico e desespero entre os paulistas.
[EDUCAÇÃO PÚBLICA]
Também falei da Educação pública em São Paulo, que hoje está entre as piores do país, apesar de o governo paulista ser o que tem maiores recursos na Federação brasileira.
[O ACOBERTAMENTO DA IMPRENSA PAULISTA]
Expliquei que o estado calamitoso em que o Estado mais rico e desenvolvido da Federação brasileira mergulhou se deve ao fato de que a imprensa paulista, à diferença do que faz em relação ao governo federal, não fiscaliza ou pressiona o governo de São Paulo.
Relutantemente, quando não existe alternativa de esconder as catástrofes geradas pela que talvez seja a pior governança de um Estado brasileiro, a imprensa de meu Estado se vê obrigada a noticiar os desatinos do PSDB.
Porém, em questão de dias esses escândalos tucanos são abandonados e, dali em diante, passa a viger o mais deslavado acobertamento.
De qualquer forma, apesar da blindagem dos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e revista Veja aos tucanos, veículos tão rigorosos com o governo federal, cumpre-me continuar relembrando os escândalos enterrados. Apesar da amnésia renitente da população paulista, enquanto um segmento da sociedade permanecer consciente do descalabro administrativo tucano sempre haverá chance de chamar à razão essa população.
Aliás, a incompetência e a corrupção dos governos tucanos que vêm se sucedendo em São Paulo não decorrem de nenhum fator residente no "DNA" do PSDB e, sim, na situação peculiar de esse grupo político ser acobertado pela imprensa com a qual estabeleceu algum tipo de acordo.
Sobre esse presumível acordo, aliás, devido ao fato de que os veículos que acobertam os tucanos serem verdadeiros impérios, imagina-se que só poderiam ser subornados com grandes somas que, pelo volume, só podem ser de dinheiro público.
[NOSSA CAIXA]
Um bom indício de que dinheiro público é usado para calar a imprensa paulista está no escândalo da Nossa Caixa, que eclodiu em março de 2006.
Descobriu-se que o governo de Geraldo Alckmin anunciava ilegalmente em meios de comunicação inexpressivos, alguns pertencentes a verdadeiros cabos eleitorais do PSDB, como era o caso da revista Primeira Leitura, fundada pelo tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, e, então, gerida pelo hoje blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que passou a prestar ao PSDB serviços de pistolagem intelectual.
[DESASTRE DO METRÔ]
Tão dramático quanto, é o desastre na linha 4 do metrô paulista. Em janeiro de 2007, desabou obra de uma das estações entregue pelo PSDB ao Consórcio de empreiteiras Via Amarela.
Esse desastre matou sete pessoas e desalojou centenas de suas casas e apartamentos. Uma rua inteira ruiu. Até hoje, cerca de um ano e meio depois, não se sabe absolutamente nada sobre o caso. A imprensa não pressiona as autoridades paulistas e o desastre ficou por isso mesmo. As vítimas, inclusive, não conseguem voz na imprensa de São Paulo para cobrarem o governo do Estado.
[OS CARTÕES CORPORATIVOS EM SP]
Mas o maior escândalo de todos, solenemente enterrado pela imprensa, está no caso dos cartões corporativos do governo paulista.
Enquanto a mídia bate sem parar na tecla dos cartões do governo federal, acompanhando com enorme afinco as CPIs com finalidade político-eleitoral criadas na Câmara e no Senado, o fato de que os gastos do governo do Estado de São Paulo com esses cartões superam os do governo federal, simplesmente sumiu da imprensa. A bancada governista na Assembléia Legislativa paulista impediu investigação e Folha, Estadão e Veja, veículos paulistas, não dizem um A.
[CALAMIDADE]
Com essa impunidade eterna dos malfeitos do governo de São Paulo, possibilitada pela imprensa paulista, vige em meu Estado uma situação de calamidade, em que o governo faz o que quer sem qualquer fiscalização ou cobrança.
Por isso, São Paulo só faz piorar. Por isso, São Paulo, apesar de ser tão rico e desenvolvido, não melhora. Por isso, o povo paulista é tão ignorante politicamente, porque tem uma imprensa corrupta que o mantém alienado.”
ALCA: O EXEMPLO DO MÉXICO - CAI OUTRA BANDEIRA TUCANOPEFELENTA
Todos nós lembramos dos belos discursos e ações “modernizantes” e “neoliberalizantes”, tão decantados no Brasil nos tempos do governo PSDB/PFL-DEM/FHC. Tudo aquilo era muito endeusado e repetido a exaustão na nossa mídia.
Os EUA pretendiam daquela maneira, e ainda pretenderão, agravar e perpetuar o seu poder no Brasil por meio da ALCA.
O nosso então Presidente FHC era muito simpático àquela “aliança” (submissão) com os EUA ser rapidamente estabelecida.
Afirmou em Washington, em 21/04/1995, que estava seguro que a meta de criar a ALCA seria alcançada em 2005 (discurso em sessão solene do Conselho da Organização dos Estados Americanos).
Ainda na esteira do apoio aos tucanopefelentos, grande jornal brasileiro (Folha de São Paulo) publicou em 2004 que deveríamos aceitar logo as imposições dos EUA para a ALCA “mesmo que em condições não-satisfatórias para o Brasil”(sic!).
Porém, todos aqueles pilares que sustentaram o prestígio dos nossos partidos e imprensa “conservadores” pró-EUA estão desabando.
Hoje, 23/04/2008, li no jornal francês "Le Monde Diplomatique" (Brasil), edição de abril, que ruiu outra quimera que nos era endeusada pelo governo FHC.
O México, que nos era citado como o belo exemplo para entrarmos na ALCA, naufragou. Ele era o modelo citado por FHC/PSDB/PFL, por ter aderido à NAFTA (o embrião da ALCA).
O México agora chegou à conclusão que foi logrado pelos EUA.
Reproduzo trechos do longo artigo de Anne Vigna do Le Monde Diplomatique, que pode ser lido na íntegra no site UOL Notícias – Mídia Global:
MÉXICO – TRISTE BALANÇO DO “LIVRE COMÉRCIO”
“Num caso emblemático da crise alimentar no planeta, a alta dos preços desencadeia protestos no México, obriga o governo a subsidiar a importação e desequilibra a balança comercial.
Em 14 anos, o Nafta devastou a economia e obrigou milhões de empobrecidos a deixar o país”
“Noite de reiveillon no México. Sob uma enorme faixa com os dizeres ‘Sin maíz no hay país’ (“sem milho não há país”), milhares de lavradores formaram uma corrente humana em Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos.
Era o 14° aniversário do Acordo de Livre-comércio Norte-americano (Nafta), estabelecido em 1° de janeiro de 1994 entre Canadá, México e Estados Unidos.
Os camponeses protestavam contra a liberalização total da agricultura, que entraria em vigor justamente no início de 2008, e exigiam a renegociação do tratado. A mobilização, porém, de nada adiantou. Naquele dia, as importações de milho, feijão, açúcar e leite em pó, produtos básicos da alimentação dos mexicanos, deixaram de ser tributadas.
As organizações camponesas consideram o acordo um caminho sem volta: “dois milhões de hectares deixaram de ser cultivados, dois milhões de empregos agrícolas foram extintos e oito milhões de agricultores mexicanos viram-se obrigados a emigrar para os Estados Unidos”, resumiu Víctor Suárez, diretor da Associação das Empresas Comerciais Rurais.
(...) A concorrência dos produtos agrícolas serviu para agravar as já imensas desigualdades entre os dois países. Carlos Salazar, representante dos produtores de milho mexicanos, explica: “nós cultivamos 27 milhões de hectares; os Estados Unidos,179 milhões. Os subsídios à produção são de 700 dólares para o agricultor mexicano e de 21 mil dólares para o fazendeiro norte-americano. O rendimento é de 8,4 toneladas por hectare nos Estados Unidos e de 7,2 toneladas no Canadá, contra 2,5 toneladas no México”.
(...) 90% do milho já entram livres de impostos no país e o mercado internacional de cereais está em alta constante.
(...) A partir de 1994, o país triplica a importação de cereais. Agora, depende do trigo, arroz e até milho, prato nacional.
(...) O balanço final é que, de lá 1994 para cá, o México triplicou a importação de cereais. Dela dependem 40% de suas necessidades alimentares: 60% do arroz, 50% do trigo, 23% do milho e a quase toda a soja. “Atualmente, somos obrigados a importar produtos básicos, sejam quais forem os preços do mercado”, lamenta Armando Bartra, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Rural. O país gasta nisso mais de um terço das divisas obtidas com a exportação do petróleo.
(...) Os EUA restringem a importação e praticam dumping. O México reduz a ajuda aos seus agricultores.
(...) Em compensação, do lado norte-americano, os poderes legislativo e executivo empenharam-se em impor uma série de embargos aos produtos mexicanos, infringindo os acordos e suas próprias leis.
(...) Como se não bastasse, o governo do México ainda suspendeu a maioria dos programas de ajuda ao campo. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos redobraram os incentivos à exportação, particularmente os subsídios.
O Instituto para Agricultura e Política Comercial (IATP), um centro de pesquisas sobre o impacto da liberalização sobre o mundo rural sediado nos EUA, estudou, a partir de cinco produtos, o dumping norte-americano desde o estabelecimento do Nafta. O trigo foi vendido 43% abaixo do custo real; a soja, 25%; o milho, 13%; o arroz, 35%; e o algodão, 61%. Em 2002, a Farm Bill, lei de política agrícola norte-americana, votada de cinco em cinco anos, foi veementemente denunciada pelas organizações agrícolas mexicanas: só no caso do milho, os subsídios eram dez vezes superiores ao orçamento total da agricultura de seu país.
(...) Há uma década, a economia está estagnada. Crescem os grandes negócios, muitas vezes norte-americanos.
Reagindo às críticas, o ministério da Agricultura mexicano forneceu outros dados. Lembrou que, entre 1994 e 2007, a produção aumentou, passando de 18,2 milhões de toneladas para 23,7 milhões de toneladas: “o Nafta abriu um mercado de 430 milhões de consumidores e o México passou a ser o principal fornecedor de frutas e legumes dos Estados Unidos”.
Trata-se dos chamados “poucos ganhadores do Nafta”: são os latifúndios do norte do país, que geralmente pertencem à sociedades norte-americanas e onde os lavradores trabalham nas piores condições. A riqueza agrícola concentra-se nas mãos de 3% dos produtores.
(...) Para os seus defensores, o Nafta teria cumprido sua missão, ao aumentar consideravelmente as trocas entre os parceiros.
De fato, comércio bilateral entre mexicanos e americanos cresce, em média, mais de 10% ao ano. O México passou a ser o terceiro parceiro comercial dos Estados Unidos e o segundo mercado para seus produtos. O intercâmbio com o Canadá mais do que dobrou, ainda que continue modesto em volume. O tratado também possibilitou aumentar muito o investimento direto estrangeiro (IDE). Entre 1994 e 2006, as empresas dos EUA injetaram 120 bilhões de dólares no México, mais de 60% dos investimentos totais realizados no país.
(...) Dos 730 mil mexicanos que entram no mercado de trabalho anualmente, apenas 80 mil conseguem vagas
Mas os números brutos não revelam a realidade vivida pela população: o “sucesso” do Nafta não criou os empregos esperados. Apenas 80 mil dos 730 mil mexicanos que entram no mercado de trabalho anualmente conseguem vagas.
Além disso, os novos postos são abertos principalmente nas maquiladoras, fábricas que se restringem a montar componentes importados dos Estados Unidos e reexportá-los de volta. “A teoria liberal clássica, segundo a qual a abertura comercial amplia a oferta de empregos nos países com mão-de-obra abundante, está redondamente equivocada”.
Surgidas na década de 1960, as maquiladoras desenvolveram-se muito com o Nafta. No entanto, a importação de material isento de tributos rapidamente reduziu o efeito indireto que o setor podia ter gerado na economia nacional e, particularmente, no emprego. “Atualmente, as maquiladoras importam 97% do que usam”, constata Polaski. “E esse modelo se reproduz no setor industrial clássico, cuja produção depende muito de componentes importados que, até 1994, eram fornecidos pelos fabricantes mexicanos”.
Tal sistema fragilizou as finanças do México, obrigando-o a cortar os gastos sociais e demandar mais receita do petróleo, para equilibrar o orçamento. Afinal, explica Enrique Peter Dussel, doutor em economia pela Universidade do México (UNAM), “a importação de produtos de alto valor agregado faz com que a balança comercial com os Estados Unidos seja deficitária. Continuará sendo, inclusive em 2008, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI)”.
O pior de tudo é que até mesmo as maquiladoras vêm perdendo força no mercado interno mexicano. O Banco Mundial (Bird) calcula que “os benefícios que o México pôde tirar do Nafta se esgotaram” e que “o declínio do emprego no setor vai se acentuar”. È um modo de dizer que outros países emergentes ganharam a disputa da produtividade.
(...) Entre 1980 a 1994, a migração se expandiu 95%; de 1994 a 2006; aumentou nada menos que 452%.
Decorrência disso, a desigualdade não pára de crescer nos países que integram o Nafta, especialmente no México. Em comparação com o período anterior (1984-1994), 90% das famílias mexicanas viram sua renda cair ou estagnar. Para sobreviver, metade da população ativa extrai uma receita complementar de um emprego informal, e um terço depende também do auxílio financeiro dos parentes emigrados, as famosas remessas.
(...) Mas com o Nafta, tudo mudou. Uma empresa estrangeira pode ser dona de até 100% do capital de uma infra-estrutura mexicana.
E o “Nafta-Plus”, assim denominado pela imprensa, deve se revelar ainda mais radical. Seu nome exato é ‘Parceria Norte-americana para a Segurança e a Prosperidade (PSP)’, iniciativa lançada oficialmente por ocasião da Cúpula de Waco, no Texas, em 23 de março de 2005. Assinaram o pacto George W. Bush (Estados Unidos), Vicente Fox (México) e Paul Martin (Canadá).
Os três dirigentes aderiram de corpo e alma às recomendações de um grupo de trabalho batizado “The Independent Task Force on the Future of North America”, constituído pelo Conselho Canadense dos Chefes de Empresas, o Conselho para Relações Exteriores dos EUA e o Conselho de Assuntos Internacionais mexicano.
(...) O PSP é ao mesmo tempo ‘estratégico e realista’. Tem por princípio fundamental contribuir para ‘aperfeiçoar’ o funcionamento das economias dos três países, melhorando, simultaneamente, a segurança e a qualidade de vida em toda a América do Norte”.
Como as empresas pretendiam fazer isso? Elas enxergaram dois meios: “fronteiras seguras e transparentes no seio da América do Norte, assim como acesso confiável a uma energia rentável”.
A liberdade de circulação dizia respeito unicamente aos recursos naturais (o petróleo do México). Especificamente sobre a energia, o CNAC advogava a abertura do mercado do gás e do petróleo. Aconselhava os mexicanos a privatizarem parcialmente a Pemex, a petroleira estatal, e dividi-la, dissociando as atividades ligadas ao gás natural. O CNAC já tinha até um nome para a nova empresa: “Gasmex”."
Obs. deste blog: Lembram da iniciativa análoga de FHC no sentido de transformar a Petrobras em “Petrobrax”?
Os EUA pretendiam daquela maneira, e ainda pretenderão, agravar e perpetuar o seu poder no Brasil por meio da ALCA.
O nosso então Presidente FHC era muito simpático àquela “aliança” (submissão) com os EUA ser rapidamente estabelecida.
Afirmou em Washington, em 21/04/1995, que estava seguro que a meta de criar a ALCA seria alcançada em 2005 (discurso em sessão solene do Conselho da Organização dos Estados Americanos).
Ainda na esteira do apoio aos tucanopefelentos, grande jornal brasileiro (Folha de São Paulo) publicou em 2004 que deveríamos aceitar logo as imposições dos EUA para a ALCA “mesmo que em condições não-satisfatórias para o Brasil”(sic!).
Porém, todos aqueles pilares que sustentaram o prestígio dos nossos partidos e imprensa “conservadores” pró-EUA estão desabando.
Hoje, 23/04/2008, li no jornal francês "Le Monde Diplomatique" (Brasil), edição de abril, que ruiu outra quimera que nos era endeusada pelo governo FHC.
O México, que nos era citado como o belo exemplo para entrarmos na ALCA, naufragou. Ele era o modelo citado por FHC/PSDB/PFL, por ter aderido à NAFTA (o embrião da ALCA).
O México agora chegou à conclusão que foi logrado pelos EUA.
Reproduzo trechos do longo artigo de Anne Vigna do Le Monde Diplomatique, que pode ser lido na íntegra no site UOL Notícias – Mídia Global:
MÉXICO – TRISTE BALANÇO DO “LIVRE COMÉRCIO”
“Num caso emblemático da crise alimentar no planeta, a alta dos preços desencadeia protestos no México, obriga o governo a subsidiar a importação e desequilibra a balança comercial.
Em 14 anos, o Nafta devastou a economia e obrigou milhões de empobrecidos a deixar o país”
“Noite de reiveillon no México. Sob uma enorme faixa com os dizeres ‘Sin maíz no hay país’ (“sem milho não há país”), milhares de lavradores formaram uma corrente humana em Ciudad Juárez, na fronteira com os Estados Unidos.
Era o 14° aniversário do Acordo de Livre-comércio Norte-americano (Nafta), estabelecido em 1° de janeiro de 1994 entre Canadá, México e Estados Unidos.
Os camponeses protestavam contra a liberalização total da agricultura, que entraria em vigor justamente no início de 2008, e exigiam a renegociação do tratado. A mobilização, porém, de nada adiantou. Naquele dia, as importações de milho, feijão, açúcar e leite em pó, produtos básicos da alimentação dos mexicanos, deixaram de ser tributadas.
As organizações camponesas consideram o acordo um caminho sem volta: “dois milhões de hectares deixaram de ser cultivados, dois milhões de empregos agrícolas foram extintos e oito milhões de agricultores mexicanos viram-se obrigados a emigrar para os Estados Unidos”, resumiu Víctor Suárez, diretor da Associação das Empresas Comerciais Rurais.
(...) A concorrência dos produtos agrícolas serviu para agravar as já imensas desigualdades entre os dois países. Carlos Salazar, representante dos produtores de milho mexicanos, explica: “nós cultivamos 27 milhões de hectares; os Estados Unidos,179 milhões. Os subsídios à produção são de 700 dólares para o agricultor mexicano e de 21 mil dólares para o fazendeiro norte-americano. O rendimento é de 8,4 toneladas por hectare nos Estados Unidos e de 7,2 toneladas no Canadá, contra 2,5 toneladas no México”.
(...) 90% do milho já entram livres de impostos no país e o mercado internacional de cereais está em alta constante.
(...) A partir de 1994, o país triplica a importação de cereais. Agora, depende do trigo, arroz e até milho, prato nacional.
(...) O balanço final é que, de lá 1994 para cá, o México triplicou a importação de cereais. Dela dependem 40% de suas necessidades alimentares: 60% do arroz, 50% do trigo, 23% do milho e a quase toda a soja. “Atualmente, somos obrigados a importar produtos básicos, sejam quais forem os preços do mercado”, lamenta Armando Bartra, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Rural. O país gasta nisso mais de um terço das divisas obtidas com a exportação do petróleo.
(...) Os EUA restringem a importação e praticam dumping. O México reduz a ajuda aos seus agricultores.
(...) Em compensação, do lado norte-americano, os poderes legislativo e executivo empenharam-se em impor uma série de embargos aos produtos mexicanos, infringindo os acordos e suas próprias leis.
(...) Como se não bastasse, o governo do México ainda suspendeu a maioria dos programas de ajuda ao campo. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos redobraram os incentivos à exportação, particularmente os subsídios.
O Instituto para Agricultura e Política Comercial (IATP), um centro de pesquisas sobre o impacto da liberalização sobre o mundo rural sediado nos EUA, estudou, a partir de cinco produtos, o dumping norte-americano desde o estabelecimento do Nafta. O trigo foi vendido 43% abaixo do custo real; a soja, 25%; o milho, 13%; o arroz, 35%; e o algodão, 61%. Em 2002, a Farm Bill, lei de política agrícola norte-americana, votada de cinco em cinco anos, foi veementemente denunciada pelas organizações agrícolas mexicanas: só no caso do milho, os subsídios eram dez vezes superiores ao orçamento total da agricultura de seu país.
(...) Há uma década, a economia está estagnada. Crescem os grandes negócios, muitas vezes norte-americanos.
Reagindo às críticas, o ministério da Agricultura mexicano forneceu outros dados. Lembrou que, entre 1994 e 2007, a produção aumentou, passando de 18,2 milhões de toneladas para 23,7 milhões de toneladas: “o Nafta abriu um mercado de 430 milhões de consumidores e o México passou a ser o principal fornecedor de frutas e legumes dos Estados Unidos”.
Trata-se dos chamados “poucos ganhadores do Nafta”: são os latifúndios do norte do país, que geralmente pertencem à sociedades norte-americanas e onde os lavradores trabalham nas piores condições. A riqueza agrícola concentra-se nas mãos de 3% dos produtores.
(...) Para os seus defensores, o Nafta teria cumprido sua missão, ao aumentar consideravelmente as trocas entre os parceiros.
De fato, comércio bilateral entre mexicanos e americanos cresce, em média, mais de 10% ao ano. O México passou a ser o terceiro parceiro comercial dos Estados Unidos e o segundo mercado para seus produtos. O intercâmbio com o Canadá mais do que dobrou, ainda que continue modesto em volume. O tratado também possibilitou aumentar muito o investimento direto estrangeiro (IDE). Entre 1994 e 2006, as empresas dos EUA injetaram 120 bilhões de dólares no México, mais de 60% dos investimentos totais realizados no país.
(...) Dos 730 mil mexicanos que entram no mercado de trabalho anualmente, apenas 80 mil conseguem vagas
Mas os números brutos não revelam a realidade vivida pela população: o “sucesso” do Nafta não criou os empregos esperados. Apenas 80 mil dos 730 mil mexicanos que entram no mercado de trabalho anualmente conseguem vagas.
Além disso, os novos postos são abertos principalmente nas maquiladoras, fábricas que se restringem a montar componentes importados dos Estados Unidos e reexportá-los de volta. “A teoria liberal clássica, segundo a qual a abertura comercial amplia a oferta de empregos nos países com mão-de-obra abundante, está redondamente equivocada”.
Surgidas na década de 1960, as maquiladoras desenvolveram-se muito com o Nafta. No entanto, a importação de material isento de tributos rapidamente reduziu o efeito indireto que o setor podia ter gerado na economia nacional e, particularmente, no emprego. “Atualmente, as maquiladoras importam 97% do que usam”, constata Polaski. “E esse modelo se reproduz no setor industrial clássico, cuja produção depende muito de componentes importados que, até 1994, eram fornecidos pelos fabricantes mexicanos”.
Tal sistema fragilizou as finanças do México, obrigando-o a cortar os gastos sociais e demandar mais receita do petróleo, para equilibrar o orçamento. Afinal, explica Enrique Peter Dussel, doutor em economia pela Universidade do México (UNAM), “a importação de produtos de alto valor agregado faz com que a balança comercial com os Estados Unidos seja deficitária. Continuará sendo, inclusive em 2008, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI)”.
O pior de tudo é que até mesmo as maquiladoras vêm perdendo força no mercado interno mexicano. O Banco Mundial (Bird) calcula que “os benefícios que o México pôde tirar do Nafta se esgotaram” e que “o declínio do emprego no setor vai se acentuar”. È um modo de dizer que outros países emergentes ganharam a disputa da produtividade.
(...) Entre 1980 a 1994, a migração se expandiu 95%; de 1994 a 2006; aumentou nada menos que 452%.
Decorrência disso, a desigualdade não pára de crescer nos países que integram o Nafta, especialmente no México. Em comparação com o período anterior (1984-1994), 90% das famílias mexicanas viram sua renda cair ou estagnar. Para sobreviver, metade da população ativa extrai uma receita complementar de um emprego informal, e um terço depende também do auxílio financeiro dos parentes emigrados, as famosas remessas.
(...) Mas com o Nafta, tudo mudou. Uma empresa estrangeira pode ser dona de até 100% do capital de uma infra-estrutura mexicana.
E o “Nafta-Plus”, assim denominado pela imprensa, deve se revelar ainda mais radical. Seu nome exato é ‘Parceria Norte-americana para a Segurança e a Prosperidade (PSP)’, iniciativa lançada oficialmente por ocasião da Cúpula de Waco, no Texas, em 23 de março de 2005. Assinaram o pacto George W. Bush (Estados Unidos), Vicente Fox (México) e Paul Martin (Canadá).
Os três dirigentes aderiram de corpo e alma às recomendações de um grupo de trabalho batizado “The Independent Task Force on the Future of North America”, constituído pelo Conselho Canadense dos Chefes de Empresas, o Conselho para Relações Exteriores dos EUA e o Conselho de Assuntos Internacionais mexicano.
(...) O PSP é ao mesmo tempo ‘estratégico e realista’. Tem por princípio fundamental contribuir para ‘aperfeiçoar’ o funcionamento das economias dos três países, melhorando, simultaneamente, a segurança e a qualidade de vida em toda a América do Norte”.
Como as empresas pretendiam fazer isso? Elas enxergaram dois meios: “fronteiras seguras e transparentes no seio da América do Norte, assim como acesso confiável a uma energia rentável”.
A liberdade de circulação dizia respeito unicamente aos recursos naturais (o petróleo do México). Especificamente sobre a energia, o CNAC advogava a abertura do mercado do gás e do petróleo. Aconselhava os mexicanos a privatizarem parcialmente a Pemex, a petroleira estatal, e dividi-la, dissociando as atividades ligadas ao gás natural. O CNAC já tinha até um nome para a nova empresa: “Gasmex”."
Obs. deste blog: Lembram da iniciativa análoga de FHC no sentido de transformar a Petrobras em “Petrobrax”?
terça-feira, 22 de abril de 2008
NOVO RECORDE DE CRIAÇÃO DE EMPREGOS FORMAIS E PROBLEMAS REMANESCENTES
O Blog do Noblat publicou hoje um importante artigo de Rui Falcão, advogado e jornalista, deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores.
Aborda de modo esclarecedor os grandes avanços ocorridos no governo Lula na geração de empregos, mas também expõe os grandes problemas ainda a superar.
Reproduzo o texto de Rui Falcão, com subtítulos por nós acrescentados entre colchetes:
“O NEOLIBERALISMO EM RETIRADA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO”
[NOVOS RECORDES NA CRIAÇÃO DE EMPREGOS]
A oferta de empregos com carteira assinada voltou a bater recorde em março, com a abertura de mais de 200 mil vagas, perfazendo um total de 1,77 milhão de novos empregos formais criados nos últimos doze meses, segundo informa o Ministério do Trabalho e do Emprego.
A notícia de recordes na criação de novas vagas, que se tem repetido a cada mês, é auspiciosa para os trabalhadores, que em anos recentes vinham sofrendo as conseqüências desestabilizadoras do desemprego.
De acordo com estimativa do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, com a expansão da economia nacional em torno de 5% o Brasil sob o governo Lula passou a gerar cerca de 2,5 milhões de empregos ao ano, em flagrante contraste com os anos do governo FHC, que se caracterizou por nada fazer nessa direção, na ilusão neoliberal de que a iniciativa de induzir a geração de novos postos de trabalho cabia exclusivamente ao mercado.
[FALTA MUITO PARA O PLENO EMPREGO]
Mas, na perspectiva do que resta por fazer, é ainda cedo para festejar.
Estamos muito longe do almejado pleno emprego. Segundo Pochmann, há, em média, atualmente, quatro trabalhadores disponíveis para cada vaga aberta no mercado de trabalho. Essa estimativa resulta da combinação do número de 8 milhões de desempregados com os 2,3 milhões de novos postulantes anuais, o que redunda em mais de 10 milhões de demandantes de vagas para cerca de 2,5 milhões de ocupações abertas quando a economia cresce a 5% ao ano.
Isso é mais que suficiente, no entanto, para pôr abaixo alguns mitos sobre o mercado de trabalho brasileiro criados nas investidas liberalizantes da década de 1990.
[A CANTILENA NEOLIBERAL]
Então se dizia, por exemplo, que a elevação real do salário mínimo provocaria aumento do desemprego, fechamento de empresas, expansão do mercado informal (ocupações sem carteira assinada) e queda do salário real (aumento da inflação).
Nada disso ocorreu, ao contrário. O que se observa sob o governo Lula é a contínua recuperação do valor real do salário mínimo, acompanhada da estabilidade monetária, queda do desemprego e da informalidade.
Ao contrário da cantilena neoliberal, acrescenta Pochmann, é inegável o papel do salário mínimo na contenção da desigualdade salarial no País.
Conforme os dados da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, o rendimento dos trabalhadores situados na base da pirâmide salarial foi o que mais cresceu em 2006 (12,6%), enquanto no topo da pirâmide foi de 7,8%.
Com a retomada acelerada das novas contratações, também cai por terra o mito do anacronismo da legislação social e trabalhista no Brasil.
Nos anos neoliberais, essa legislação foi criticada à exaustão sob o pretexto de se constituir em entrave à modernização das relações de trabalho, uma vez que contribuiria para suprimir empregos, desestimular a criação de novos e fomentar a informalidade.
O que ocorre, na atualidade, é a retomada vigorosa da criação do emprego formal – a modalidade de emprego que mais tem crescido no País desde 2003 (4% em média ao ano).
A desmoralização pública dos dogmas neoliberais associados à “flexibilização” e à desregulamentação nas relações de trabalho ocorre não somente no Brasil, mas também em outros países cujos governos se haviam deixado levar por essa conversa.
[REGULAÇÃO DO TRABALHO NA CHINA]
Mesmo países que primavam pela ausência quase absoluta de regulação nas relações de trabalho, como a China — apontada como exemplo de “flexibilidade” ideal — têm avançado na redução da precariedade do trabalho, mediante a adoção de normas que parecem inspirar-se na CLT brasileira.
Entre outras novidades, as mudanças na legislação trabalhista na China, que entraram em vigor em janeiro de 2008, apontam na direção do estímulo à maior estabilidade no emprego, como a contratação por tempo indeterminado, reduzindo-se a rotatividade e a insegurança do trabalhador.
Desde então, qualquer contrato trabalhista transforma-se automaticamente em contrato por tempo indeterminado após duas renovações seguidas, enquanto o período de experiência não pode exceder a seis meses. Além disso, a nova legislação trabalhista chinesa exige que as empresas concedam benefícios aos empregados, como a aposentadoria, e aceitem a negociação coletiva do contrato de trabalho.
Com receio de que a nova legislação induziria ao aumento salarial, empresas estrangeiras começaram a demitir no fim de 2007, na expectativa de poder readmitir em 2008 por salários mais baixos. Como o governo impediu a manobra, muitas empresas, em especial as coreanas, ameaçaram deixar a China, para se instalar em outros países onde o custo da mão-de-obra é igualmente baixo. Ocorre que também em outros países da Ásia os salários estão em ascensão — e é de prever que a regulação do mercado de trabalho chegue lá também, na esteira de um movimento que ganha escala planetária.
[A ROTATIVIDADE NO TRABALHO]
Baixos salários e alta rotatividade têm sido estigmatizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por induzir à precariedade nas condições de trabalho e ferir a dignidade do trabalhador.
No Brasil — país campeão na rotatividade do trabalho — parte dos ganhos obtidos nas negociações coletivas tem sido perdida por demissões sem justa causa. Nos últimos dez anos, as taxas de rotatividade se mantiveram em patamares elevados, acima de 40%. No ano passado, do total de empregados desligados, 59,4%, ou 7,6 milhões foram dispensados por meio de demissões sem justa causa ou imotivadas, segundo informam as centrais sindicais.
A facilidade de que dispõem as empresas no Brasil para demitir permite-lhes recorrer à rotatividade para reduzir os custos salariais. Os salários dos trabalhadores admitidos no triênio 2005-2007 foram sempre inferiores aos dos trabalhadores desligados, com percentuais de redução de 11,42%, em 2005; 11,06%, em 2006; e 9,15%, em 2007. Ou seja, no momento da contratação, os novos trabalhadores são, na maior parte, contratados por salários menores, o que implica redução gradual do salário médio.
Mas não são apenas os trabalhadores que perdem diretamente com a rotatividade. Os valores previstos para serem desembolsados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para pagamento do seguro desemprego em 2008, e que poderiam ser investidos em outros programas, elevam-se a R$ 13,2 bilhões.
Mesmo com a economia crescendo em torno de 5%, cerca de 9,7 milhões de trabalhadores serão demitidos em 2008, o que representa 30% do mercado formal de trabalho, de acordo com estimativas do Ministério do Trabalho e do Emprego e do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Para as empresas, a rotatividade também representa ônus financeiro. O custo da seleção de novos trabalhadores atingiu cerca de R$ 12,7 bilhões (3% da folha de pagamento) no ano de 2006, despesa que pouco contribuiu para a preparação da mão-de-obra para o trabalho qualificado.
“A repetição contínua desse vai-e-vem no mercado poderá postergar por 70 anos o acesso do trabalhador à aposentadoria, já que, submetido à rotatividade, ele não consegue completar 12 meses de contribuição em um ano”, adverte o presidente do Ipea.
[A CONVENÇÃO 158 DA OIT]
É nesse contexto — e na perspectiva de maior participação dos trabalhadores no incremento da renda nacional — que se deve compreender a decisão do presidente Lula de ter enviado ao Congresso Nacional, em 14 de fevereiro de 2008, o pedido de ratificação da Convenção 158 da OIT, que impede a demissão imotivada, ou seja, sem justificativa por parte do empregador.
Criada em 1982, a Convenção 158 foi enviada em 1992 pelo presidente Itamar Franco ao Congresso, para ratificação. O Congresso aprovou o pedido e coube ao presidente Fernando Henrique Cardoso baixar decreto em 1996 (Decreto-lei 1855/96) para a sua regulamentação. Tendo a seguir se sujeitado, porém, a pressões do empresariado, FHC recuou e suspendeu o decreto nove meses depois, antes mesmo de sua entrada em vigor.
A Convenção 158 elimina a chamada demissão imotivada, ou seja, o arbítrio que têm hoje os empregadores de demitir sem justa causa e quando melhor lhes aprouver. Assim, se ratificada, as demissões terão de ser fundadas em uma causa relacionada ao comportamento ou desempenho do empregado, ou baseadas em dificuldade econômica ou mudança tecnológica na empresa. Se a empresa decidir pela demissão, terá de explicar ao empregado por escrito os motivos do desligamento. E o empregado terá o direito de contestar os motivos, contando, para isso, com o apoio de seu sindicato. Somente quando se chegar a um acordo, o desligamento será efetivado.”
Quando houver impasse, o caso irá para a Justiça do Trabalho, onde o empregador terá o ônus da prova. Se o juiz se convencer dos motivos alegados, o empregado será desligado. Caso contrário, o empregado continuará no quadro da empresa e, se esteve afastado sem receber salários, será reintegrado e receberá os atrasados. Ou, se, a critério do juiz, não for aconselhável a reintegração, será indenizado.
A Convenção 158, já ratificada por muitos países, nada traz de novo à luz da Constituição Federal, que no inciso I, de seu artigo 7o., confere aos empregados a garantia da “proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos”.
De acordo com o parecer de juristas, o preceito não suscita qualquer dúvida de que a proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa, estabelecida na Convenção 158 da OIT, é uma garantia constitucional dos trabalhadores. Está-se, diante de uma norma de eficácia plena. A complementação necessária a esta norma diz respeito apenas aos efeitos do descumprimento da garantia constitucional.
Ao contrário do que afirmam empresários, isso não significa que a Convenção 158 está retirando do empregador o direito de dar termo a contratos de trabalho; apenas exige dele que esclareça os motivos da despedida, o que poderá se dar sob alegação de justa causa, por faltas do empregado ou quaisquer argumentos que sejam considerados válidos. O que a Convenção 158 visa é a evitar que o mero arbítrio do empregador prevaleça.
Uma vez que a Convenção 158 não traz novidades em relação ao que estabelece a Constituição Federal, não há motivo para o Congresso Nacional postergar a sua ratificação.”
Aborda de modo esclarecedor os grandes avanços ocorridos no governo Lula na geração de empregos, mas também expõe os grandes problemas ainda a superar.
Reproduzo o texto de Rui Falcão, com subtítulos por nós acrescentados entre colchetes:
“O NEOLIBERALISMO EM RETIRADA NAS RELAÇÕES DE TRABALHO”
[NOVOS RECORDES NA CRIAÇÃO DE EMPREGOS]
A oferta de empregos com carteira assinada voltou a bater recorde em março, com a abertura de mais de 200 mil vagas, perfazendo um total de 1,77 milhão de novos empregos formais criados nos últimos doze meses, segundo informa o Ministério do Trabalho e do Emprego.
A notícia de recordes na criação de novas vagas, que se tem repetido a cada mês, é auspiciosa para os trabalhadores, que em anos recentes vinham sofrendo as conseqüências desestabilizadoras do desemprego.
De acordo com estimativa do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, com a expansão da economia nacional em torno de 5% o Brasil sob o governo Lula passou a gerar cerca de 2,5 milhões de empregos ao ano, em flagrante contraste com os anos do governo FHC, que se caracterizou por nada fazer nessa direção, na ilusão neoliberal de que a iniciativa de induzir a geração de novos postos de trabalho cabia exclusivamente ao mercado.
[FALTA MUITO PARA O PLENO EMPREGO]
Mas, na perspectiva do que resta por fazer, é ainda cedo para festejar.
Estamos muito longe do almejado pleno emprego. Segundo Pochmann, há, em média, atualmente, quatro trabalhadores disponíveis para cada vaga aberta no mercado de trabalho. Essa estimativa resulta da combinação do número de 8 milhões de desempregados com os 2,3 milhões de novos postulantes anuais, o que redunda em mais de 10 milhões de demandantes de vagas para cerca de 2,5 milhões de ocupações abertas quando a economia cresce a 5% ao ano.
Isso é mais que suficiente, no entanto, para pôr abaixo alguns mitos sobre o mercado de trabalho brasileiro criados nas investidas liberalizantes da década de 1990.
[A CANTILENA NEOLIBERAL]
Então se dizia, por exemplo, que a elevação real do salário mínimo provocaria aumento do desemprego, fechamento de empresas, expansão do mercado informal (ocupações sem carteira assinada) e queda do salário real (aumento da inflação).
Nada disso ocorreu, ao contrário. O que se observa sob o governo Lula é a contínua recuperação do valor real do salário mínimo, acompanhada da estabilidade monetária, queda do desemprego e da informalidade.
Ao contrário da cantilena neoliberal, acrescenta Pochmann, é inegável o papel do salário mínimo na contenção da desigualdade salarial no País.
Conforme os dados da Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, o rendimento dos trabalhadores situados na base da pirâmide salarial foi o que mais cresceu em 2006 (12,6%), enquanto no topo da pirâmide foi de 7,8%.
Com a retomada acelerada das novas contratações, também cai por terra o mito do anacronismo da legislação social e trabalhista no Brasil.
Nos anos neoliberais, essa legislação foi criticada à exaustão sob o pretexto de se constituir em entrave à modernização das relações de trabalho, uma vez que contribuiria para suprimir empregos, desestimular a criação de novos e fomentar a informalidade.
O que ocorre, na atualidade, é a retomada vigorosa da criação do emprego formal – a modalidade de emprego que mais tem crescido no País desde 2003 (4% em média ao ano).
A desmoralização pública dos dogmas neoliberais associados à “flexibilização” e à desregulamentação nas relações de trabalho ocorre não somente no Brasil, mas também em outros países cujos governos se haviam deixado levar por essa conversa.
[REGULAÇÃO DO TRABALHO NA CHINA]
Mesmo países que primavam pela ausência quase absoluta de regulação nas relações de trabalho, como a China — apontada como exemplo de “flexibilidade” ideal — têm avançado na redução da precariedade do trabalho, mediante a adoção de normas que parecem inspirar-se na CLT brasileira.
Entre outras novidades, as mudanças na legislação trabalhista na China, que entraram em vigor em janeiro de 2008, apontam na direção do estímulo à maior estabilidade no emprego, como a contratação por tempo indeterminado, reduzindo-se a rotatividade e a insegurança do trabalhador.
Desde então, qualquer contrato trabalhista transforma-se automaticamente em contrato por tempo indeterminado após duas renovações seguidas, enquanto o período de experiência não pode exceder a seis meses. Além disso, a nova legislação trabalhista chinesa exige que as empresas concedam benefícios aos empregados, como a aposentadoria, e aceitem a negociação coletiva do contrato de trabalho.
Com receio de que a nova legislação induziria ao aumento salarial, empresas estrangeiras começaram a demitir no fim de 2007, na expectativa de poder readmitir em 2008 por salários mais baixos. Como o governo impediu a manobra, muitas empresas, em especial as coreanas, ameaçaram deixar a China, para se instalar em outros países onde o custo da mão-de-obra é igualmente baixo. Ocorre que também em outros países da Ásia os salários estão em ascensão — e é de prever que a regulação do mercado de trabalho chegue lá também, na esteira de um movimento que ganha escala planetária.
[A ROTATIVIDADE NO TRABALHO]
Baixos salários e alta rotatividade têm sido estigmatizados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) por induzir à precariedade nas condições de trabalho e ferir a dignidade do trabalhador.
No Brasil — país campeão na rotatividade do trabalho — parte dos ganhos obtidos nas negociações coletivas tem sido perdida por demissões sem justa causa. Nos últimos dez anos, as taxas de rotatividade se mantiveram em patamares elevados, acima de 40%. No ano passado, do total de empregados desligados, 59,4%, ou 7,6 milhões foram dispensados por meio de demissões sem justa causa ou imotivadas, segundo informam as centrais sindicais.
A facilidade de que dispõem as empresas no Brasil para demitir permite-lhes recorrer à rotatividade para reduzir os custos salariais. Os salários dos trabalhadores admitidos no triênio 2005-2007 foram sempre inferiores aos dos trabalhadores desligados, com percentuais de redução de 11,42%, em 2005; 11,06%, em 2006; e 9,15%, em 2007. Ou seja, no momento da contratação, os novos trabalhadores são, na maior parte, contratados por salários menores, o que implica redução gradual do salário médio.
Mas não são apenas os trabalhadores que perdem diretamente com a rotatividade. Os valores previstos para serem desembolsados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para pagamento do seguro desemprego em 2008, e que poderiam ser investidos em outros programas, elevam-se a R$ 13,2 bilhões.
Mesmo com a economia crescendo em torno de 5%, cerca de 9,7 milhões de trabalhadores serão demitidos em 2008, o que representa 30% do mercado formal de trabalho, de acordo com estimativas do Ministério do Trabalho e do Emprego e do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Para as empresas, a rotatividade também representa ônus financeiro. O custo da seleção de novos trabalhadores atingiu cerca de R$ 12,7 bilhões (3% da folha de pagamento) no ano de 2006, despesa que pouco contribuiu para a preparação da mão-de-obra para o trabalho qualificado.
“A repetição contínua desse vai-e-vem no mercado poderá postergar por 70 anos o acesso do trabalhador à aposentadoria, já que, submetido à rotatividade, ele não consegue completar 12 meses de contribuição em um ano”, adverte o presidente do Ipea.
[A CONVENÇÃO 158 DA OIT]
É nesse contexto — e na perspectiva de maior participação dos trabalhadores no incremento da renda nacional — que se deve compreender a decisão do presidente Lula de ter enviado ao Congresso Nacional, em 14 de fevereiro de 2008, o pedido de ratificação da Convenção 158 da OIT, que impede a demissão imotivada, ou seja, sem justificativa por parte do empregador.
Criada em 1982, a Convenção 158 foi enviada em 1992 pelo presidente Itamar Franco ao Congresso, para ratificação. O Congresso aprovou o pedido e coube ao presidente Fernando Henrique Cardoso baixar decreto em 1996 (Decreto-lei 1855/96) para a sua regulamentação. Tendo a seguir se sujeitado, porém, a pressões do empresariado, FHC recuou e suspendeu o decreto nove meses depois, antes mesmo de sua entrada em vigor.
A Convenção 158 elimina a chamada demissão imotivada, ou seja, o arbítrio que têm hoje os empregadores de demitir sem justa causa e quando melhor lhes aprouver. Assim, se ratificada, as demissões terão de ser fundadas em uma causa relacionada ao comportamento ou desempenho do empregado, ou baseadas em dificuldade econômica ou mudança tecnológica na empresa. Se a empresa decidir pela demissão, terá de explicar ao empregado por escrito os motivos do desligamento. E o empregado terá o direito de contestar os motivos, contando, para isso, com o apoio de seu sindicato. Somente quando se chegar a um acordo, o desligamento será efetivado.”
Quando houver impasse, o caso irá para a Justiça do Trabalho, onde o empregador terá o ônus da prova. Se o juiz se convencer dos motivos alegados, o empregado será desligado. Caso contrário, o empregado continuará no quadro da empresa e, se esteve afastado sem receber salários, será reintegrado e receberá os atrasados. Ou, se, a critério do juiz, não for aconselhável a reintegração, será indenizado.
A Convenção 158, já ratificada por muitos países, nada traz de novo à luz da Constituição Federal, que no inciso I, de seu artigo 7o., confere aos empregados a garantia da “proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos”.
De acordo com o parecer de juristas, o preceito não suscita qualquer dúvida de que a proteção contra dispensa arbitrária ou sem justa causa, estabelecida na Convenção 158 da OIT, é uma garantia constitucional dos trabalhadores. Está-se, diante de uma norma de eficácia plena. A complementação necessária a esta norma diz respeito apenas aos efeitos do descumprimento da garantia constitucional.
Ao contrário do que afirmam empresários, isso não significa que a Convenção 158 está retirando do empregador o direito de dar termo a contratos de trabalho; apenas exige dele que esclareça os motivos da despedida, o que poderá se dar sob alegação de justa causa, por faltas do empregado ou quaisquer argumentos que sejam considerados válidos. O que a Convenção 158 visa é a evitar que o mero arbítrio do empregador prevaleça.
Uma vez que a Convenção 158 não traz novidades em relação ao que estabelece a Constituição Federal, não há motivo para o Congresso Nacional postergar a sua ratificação.”
HOJE – ANIVERSÁRIO DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL (508 ANOS)
Para relembrar o início da nossa história, selecionei o texto a seguir, de Antonio Carlos Olivieri, extraído do site “UOL Educação”:
“CABRAL NÃO FOI O PRIMEIRO A CHEGAR AO PAÍS”
“Em dezembro de 1498, uma frota de oito navios, sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo, à altura dos atuais Estados do Pará e do Maranhão. Essa primeira chegada dos portugueses ao continente sul-americano foi mantida em rigoroso segredo. Estadistas hábeis, os dois últimos reis de Portugal entre os séculos 15 e 16 - D. João II e D. Manuel I - procuravam impedir que os espanhóis tivessem conhecimento de seus projetos.
Pouco depois do retorno de Vasco da Gama a Lisboa, em agosto de 1499, D. Manuel I, em parceria com investidores particulares, organizava uma nova expedição para Calicute. Decidido a impressionar o monarca local, ou a convencê-lo pelas armas, o rei enviava agora uma expedição ostensivamente rica e poderosa, composta de 13 navios com uma tripulação estimada entre 1.200 e 1.500 homens.
Seu comando foi confiado a um fidalgo de 33 anos, chamado Pedro Álvares Cabral. A bordo, estavam presentes alguns dos mais experientes navegadores portugueses, como Bartolomeu Dias, o mesmo que dobrou o cabo da Boa Esperança, atingindo pela primeira vez o oceano Índico.
A partida da armada de Cabral foi programada para 8 de março de 1500, embora tenha sido adiada para o dia seguinte, devido ao mau tempo. Uma cerimônia espetacular foi organizada na ocasião pelo rei de Portugal. Toda a população de Lisboa - cerca de 60 mil pessoas - foi convocada para assistir a ela, o que era uma forma de oficializar o pioneirismo português no caminho da Índia, assegurando para o reino luso os direitos do comércio com o Oriente.
CABRAL CHEGA AO BRASIL
Rumo ao Ocidente, a frota chegou às ilhas Canárias cinco dias depois da partida e dirigiu-se para o arquipélago de Cabo Verde, onde uma nau desapareceu no mar. Após tentar em vão encontrá-la, o comandante decidiu seguir a viagem. Cruzou a linha do Equador a 9 de abril, seguindo uma rota para o sudoeste que avançava nessa direção, comparativamente ao caminho seguido por Vasco da Gama.
No entardecer do dia 22 de abril, ancorou em frente a um monte, batizado de Pascoal, no magnífico cenário do litoral Sul do atual estado de Bahia. Antes de continuar a viagem para a Índia, os navegantes permaneceriam ali até o dia 2 de maio, tomando posse da terra, "em nome de D. Manuel I e de Jesus Cristo".
Assim, a chegada de Cabral ao Brasil é dois anos posterior à de Duarte Pacheco. Além disso, o atual território brasileiro já era habitado desde tempos pré-históricos. Cinco milhões de índios espalhavam-se particularmente ao longo do litoral, em 1500.
Por isso é preciso relativizar a idéia de que ocorreu um descobrimento a 22 de abril. Na verdade, a data marca a tomada de posse das terras brasileiras pelo reino de Portugal, o que significa a integração do país no contexto da história européia e global.
CABRAL CHEGOU AO BRASIL POR ACASO?
Durante muitos anos, um outro aspecto da viagem de Cabral provocou polêmica: a chegada dos portugueses ao Brasil teria ocorrido devido ao acaso?
Atualmente, à luz dos fatos conhecidos, a teoria da intencionalidade já conta com o aval da ciência.
Em primeiro lugar, porque D. Manuel já estava informado a respeito da viagem de Duarte Pacheco e da chegada de Colombo ao Caribe, bem como recebera informações da viagem de Vasco da Gama, que observara indícios de terra firme ao passar ao largo da costa brasileira a caminho da Índia.
Além disso, vários outros elementos concorrem para aumentar as probabilidades da hipótese de Cabral ter outra missão a realizar no Atlântico, antes de seguir para o oceano Índico. Entre outros, podem ser citados:
• 1) as instruções confidenciais transmitidas pelo rei ao capitão-mor da armada, que jamais se tornaram conhecidas;
• 2) a permanência da frota na terra por uma semana, demora que não se justificaria caso o único objetivo de Cabral fosse atingir rapidamente Calicute; e
• 3) o grande interesse demonstrado em conquistar a simpatia dos indígenas brasileiros. A esquadra de Cabral deixou no Brasil dois degredados, com o objetivo de aprender a língua dos índios e recolher informações sobre o seu modo de vida.
TROCA DE GENTILEZAS: INICIA O ESCAMBO
A chegada ao Brasil, o desembarque e a estadia dos portugueses na terra foram documentados por vários integrantes da expedição, que escreveram cartas ao rei relatando os fatos. Somente três desses depoimentos chegaram até a atualidade. A "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada, é o mais rico em detalhes.
De acordo com a narrativa de Caminha, a 21 de abril, os navios encontraram os primeiros indícios de terra: um tapete flutuante de algas marinhas, conhecidas dos marinheiros pelos nomes de "botelhos" e "rabos-de-asno". Na manhã seguinte, avistaram-se "fura-buchos", ou gaivotas, e, de tarde, o monte alto a que "o capitão deu o nome de Pascoal".
Ali os portugueses ancoraram e passaram a noite, a uma distância de 36 quilômetros da costa. No dia 23, veio a terra Nicolau Coelho, um navegador experiente, que travou o primeiro contato com um grupo de índios: "eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse as suas vergonhas. Traziam nas mãos arcos e setas".
O primeiro contato foi breve e amigável. Apesar do barulho da arrebentação do mar e do desconhecimento das respectivas línguas, tupiniquins e portugueses conseguiram se entender trocando presentes.
Conforme Caminha, "Nicolau Coelho somente lhes pôde dar então um barrete vermelho, uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas de ave, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaios, e um outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, parecidas com as de aljôfar".
ÍNDIOS A BORDO
No segundo contato entre brancos e índios aconteceu na noite do dia eguinte, no lugar a que os portugueses chamaram de Porto Seguro.
Ao explorar a região onde pretendiam ancorar, o piloto Afonso Lopes "tomou, então, dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa jangada".
Os índios foram levados a bordo da nau capitânea e apresentados a Cabral e a alguns dos principais da armada. "Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo: pegaram-no logo com a mão e acenavam para a terra, como a dizer que ali os havia. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso dele; uma galinha: quase tiveram medo dela - não lhe queriam tocar, para logo depois tomá-la, com um grande espanto nos olhos."
PRIMEIRA MISSA REALIZADA NO BRASIL
Entre 24 e 25 de abril, um número maior de portugueses foi à terra e os contatos com os índios foram freqüentes. Na impossibilidade de comunicação lingüística, as tentativas de entendimento se basearam na troca de produtos entre índios e portugueses.
No dia 26, o primeiro domingo após a Páscoa, por ordem do capitão, o frade franciscano Henrique Soares de Coimbra rezou uma missa, no ilhéu da Coroa Vermelha, assistida pela tripulação e, à distância, em terra firme, por cerca de 200 índios, dos quais, ao final da missa, "muitos se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo".
A tarde continuou em clima de confraternização: "Passou-se, então, além do rio, Diogo Dias que fora tesoureiro da Casa Real em Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. Logo se meteu com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e o acompanhavam muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e o salto mortal, de que eles se espantavam muito e riam e folgavam."
AO SOM DE UM TAMBORIM
O caráter festivo dos encontros entre brancos e índios foi a regra durante todos os dias em terra, embora portugueses não deixassem de manter uma postura de desconfiança. Segundo o escrivão, "na quinta-feira, derradeiro dia de abril, [...] enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamborim nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus".
Em outro trecho de sua carta, três parágrafos antes, Caminha havia esclarecido que "estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles".
Em meio a essas festividades, os portugueses cuidaram também de preparar os navios para o prosseguimento da viagem. Em 1º de maio, ocorreu a cerimônia de posse oficial da terra. Uma grande cruz de madeira, com as armas reais de D. Manuel, foi erguida na baía Cabrália e Frei Henrique de Coimbra celebrou sua segunda missa. Os índios a assistiram numa atitude reverente que impressionou os portugueses.
Por sua vez, estes os presentearam com crucifixos de estanho. No dia seguinte, pela manhã, a esquadra partiu, deixando em terra dois degredados - condenados à morte que trocavam sua pena pelo exílio em terras desconhecidas. Para ambos, a situação era dramática: choravam muito, precisando ser consolados pelos índios. Só seriam resgatados dois anos mais tarde, em novembro de 1501, pela segunda expedição portuguesa ao Brasil.
Além deles, permaneceram na terra outros dois portugueses, que desertaram e cujo destino é desconhecido. Com a armada, Cabral seguiu rumo à Índia. A nau de mantimentos, sob o comando de Gaspar de Lemos, separou-se da esquadra, com o objetivo de retornar a Lisboa e comunicar ao rei o "achamento", palavra empregada nos textos da época. A 23 de maio, a armada atingia o Cabo da Boa Esperança, onde foi colhida numa tempestade que fez três embarcações naufragarem. Numa delas, estava Bartolomeu Dias que, assim, acabou sepultado justamente no local que o fez passar à história.
TERRA DOS PAPAGAIOS
Somente em setembro os portugueses atingiriam Calicute. Enfrentaram a hostilidade dos comerciantes muçulmanos que resultou num ataque à feitoria estabelecida pelos portugueses, em dezembro de 1500 (nele morreu o escrivão Pero Vaz de Caminha).
Ainda assim, a viagem de Cabral - que se encerrou em julho de 1501, com a chegada do comandante a Lisboa - foi coroada de êxito comercial e deu início ao comércio regular entre Portugal e a Índia. Os lucros por ele proporcionados fizeram com que o Brasil não ocupasse maior atenção dos portugueses durante quase 30 anos - período chamado de pré-colonial.
O território que Cabral chamou de Vera Cruz, rebatizado de Santa Cruz pelo rei, foi visitada por portugueses, espanhóis e franceses durante esse período. Os documentos e mapas da época mencionam-na dessa maneira, ou ainda como Terra dos Papagaios, como aparece em documentos de comerciantes e diplomatas florentinos. Data de 1512 o primeiro manuscrito a utilizar o termo Brasil, difundido oralmente pelo povo e que suplantaria gradualmente os outros, batizando definitivamente o país.”
“CABRAL NÃO FOI O PRIMEIRO A CHEGAR AO PAÍS”
“Em dezembro de 1498, uma frota de oito navios, sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, atingiu o litoral brasileiro e chegou a explorá-lo, à altura dos atuais Estados do Pará e do Maranhão. Essa primeira chegada dos portugueses ao continente sul-americano foi mantida em rigoroso segredo. Estadistas hábeis, os dois últimos reis de Portugal entre os séculos 15 e 16 - D. João II e D. Manuel I - procuravam impedir que os espanhóis tivessem conhecimento de seus projetos.
Pouco depois do retorno de Vasco da Gama a Lisboa, em agosto de 1499, D. Manuel I, em parceria com investidores particulares, organizava uma nova expedição para Calicute. Decidido a impressionar o monarca local, ou a convencê-lo pelas armas, o rei enviava agora uma expedição ostensivamente rica e poderosa, composta de 13 navios com uma tripulação estimada entre 1.200 e 1.500 homens.
Seu comando foi confiado a um fidalgo de 33 anos, chamado Pedro Álvares Cabral. A bordo, estavam presentes alguns dos mais experientes navegadores portugueses, como Bartolomeu Dias, o mesmo que dobrou o cabo da Boa Esperança, atingindo pela primeira vez o oceano Índico.
A partida da armada de Cabral foi programada para 8 de março de 1500, embora tenha sido adiada para o dia seguinte, devido ao mau tempo. Uma cerimônia espetacular foi organizada na ocasião pelo rei de Portugal. Toda a população de Lisboa - cerca de 60 mil pessoas - foi convocada para assistir a ela, o que era uma forma de oficializar o pioneirismo português no caminho da Índia, assegurando para o reino luso os direitos do comércio com o Oriente.
CABRAL CHEGA AO BRASIL
Rumo ao Ocidente, a frota chegou às ilhas Canárias cinco dias depois da partida e dirigiu-se para o arquipélago de Cabo Verde, onde uma nau desapareceu no mar. Após tentar em vão encontrá-la, o comandante decidiu seguir a viagem. Cruzou a linha do Equador a 9 de abril, seguindo uma rota para o sudoeste que avançava nessa direção, comparativamente ao caminho seguido por Vasco da Gama.
No entardecer do dia 22 de abril, ancorou em frente a um monte, batizado de Pascoal, no magnífico cenário do litoral Sul do atual estado de Bahia. Antes de continuar a viagem para a Índia, os navegantes permaneceriam ali até o dia 2 de maio, tomando posse da terra, "em nome de D. Manuel I e de Jesus Cristo".
Assim, a chegada de Cabral ao Brasil é dois anos posterior à de Duarte Pacheco. Além disso, o atual território brasileiro já era habitado desde tempos pré-históricos. Cinco milhões de índios espalhavam-se particularmente ao longo do litoral, em 1500.
Por isso é preciso relativizar a idéia de que ocorreu um descobrimento a 22 de abril. Na verdade, a data marca a tomada de posse das terras brasileiras pelo reino de Portugal, o que significa a integração do país no contexto da história européia e global.
CABRAL CHEGOU AO BRASIL POR ACASO?
Durante muitos anos, um outro aspecto da viagem de Cabral provocou polêmica: a chegada dos portugueses ao Brasil teria ocorrido devido ao acaso?
Atualmente, à luz dos fatos conhecidos, a teoria da intencionalidade já conta com o aval da ciência.
Em primeiro lugar, porque D. Manuel já estava informado a respeito da viagem de Duarte Pacheco e da chegada de Colombo ao Caribe, bem como recebera informações da viagem de Vasco da Gama, que observara indícios de terra firme ao passar ao largo da costa brasileira a caminho da Índia.
Além disso, vários outros elementos concorrem para aumentar as probabilidades da hipótese de Cabral ter outra missão a realizar no Atlântico, antes de seguir para o oceano Índico. Entre outros, podem ser citados:
• 1) as instruções confidenciais transmitidas pelo rei ao capitão-mor da armada, que jamais se tornaram conhecidas;
• 2) a permanência da frota na terra por uma semana, demora que não se justificaria caso o único objetivo de Cabral fosse atingir rapidamente Calicute; e
• 3) o grande interesse demonstrado em conquistar a simpatia dos indígenas brasileiros. A esquadra de Cabral deixou no Brasil dois degredados, com o objetivo de aprender a língua dos índios e recolher informações sobre o seu modo de vida.
TROCA DE GENTILEZAS: INICIA O ESCAMBO
A chegada ao Brasil, o desembarque e a estadia dos portugueses na terra foram documentados por vários integrantes da expedição, que escreveram cartas ao rei relatando os fatos. Somente três desses depoimentos chegaram até a atualidade. A "Carta de Achamento do Brasil", de Pero Vaz de Caminha, escrivão da armada, é o mais rico em detalhes.
De acordo com a narrativa de Caminha, a 21 de abril, os navios encontraram os primeiros indícios de terra: um tapete flutuante de algas marinhas, conhecidas dos marinheiros pelos nomes de "botelhos" e "rabos-de-asno". Na manhã seguinte, avistaram-se "fura-buchos", ou gaivotas, e, de tarde, o monte alto a que "o capitão deu o nome de Pascoal".
Ali os portugueses ancoraram e passaram a noite, a uma distância de 36 quilômetros da costa. No dia 23, veio a terra Nicolau Coelho, um navegador experiente, que travou o primeiro contato com um grupo de índios: "eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse as suas vergonhas. Traziam nas mãos arcos e setas".
O primeiro contato foi breve e amigável. Apesar do barulho da arrebentação do mar e do desconhecimento das respectivas línguas, tupiniquins e portugueses conseguiram se entender trocando presentes.
Conforme Caminha, "Nicolau Coelho somente lhes pôde dar então um barrete vermelho, uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. E um deles lhe deu um sombreiro de penas de ave, com uma copazinha pequena de penas vermelhas e pardas como de papagaios, e um outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, parecidas com as de aljôfar".
ÍNDIOS A BORDO
No segundo contato entre brancos e índios aconteceu na noite do dia eguinte, no lugar a que os portugueses chamaram de Porto Seguro.
Ao explorar a região onde pretendiam ancorar, o piloto Afonso Lopes "tomou, então, dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa jangada".
Os índios foram levados a bordo da nau capitânea e apresentados a Cabral e a alguns dos principais da armada. "Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo: pegaram-no logo com a mão e acenavam para a terra, como a dizer que ali os havia. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso dele; uma galinha: quase tiveram medo dela - não lhe queriam tocar, para logo depois tomá-la, com um grande espanto nos olhos."
PRIMEIRA MISSA REALIZADA NO BRASIL
Entre 24 e 25 de abril, um número maior de portugueses foi à terra e os contatos com os índios foram freqüentes. Na impossibilidade de comunicação lingüística, as tentativas de entendimento se basearam na troca de produtos entre índios e portugueses.
No dia 26, o primeiro domingo após a Páscoa, por ordem do capitão, o frade franciscano Henrique Soares de Coimbra rezou uma missa, no ilhéu da Coroa Vermelha, assistida pela tripulação e, à distância, em terra firme, por cerca de 200 índios, dos quais, ao final da missa, "muitos se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, saltando e dançando por um bom tempo".
A tarde continuou em clima de confraternização: "Passou-se, então, além do rio, Diogo Dias que fora tesoureiro da Casa Real em Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. Logo se meteu com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e o acompanhavam muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhe ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e o salto mortal, de que eles se espantavam muito e riam e folgavam."
AO SOM DE UM TAMBORIM
O caráter festivo dos encontros entre brancos e índios foi a regra durante todos os dias em terra, embora portugueses não deixassem de manter uma postura de desconfiança. Segundo o escrivão, "na quinta-feira, derradeiro dia de abril, [...] enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamborim nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus".
Em outro trecho de sua carta, três parágrafos antes, Caminha havia esclarecido que "estavam já mais mansos e seguros entre nós do que nós estávamos entre eles".
Em meio a essas festividades, os portugueses cuidaram também de preparar os navios para o prosseguimento da viagem. Em 1º de maio, ocorreu a cerimônia de posse oficial da terra. Uma grande cruz de madeira, com as armas reais de D. Manuel, foi erguida na baía Cabrália e Frei Henrique de Coimbra celebrou sua segunda missa. Os índios a assistiram numa atitude reverente que impressionou os portugueses.
Por sua vez, estes os presentearam com crucifixos de estanho. No dia seguinte, pela manhã, a esquadra partiu, deixando em terra dois degredados - condenados à morte que trocavam sua pena pelo exílio em terras desconhecidas. Para ambos, a situação era dramática: choravam muito, precisando ser consolados pelos índios. Só seriam resgatados dois anos mais tarde, em novembro de 1501, pela segunda expedição portuguesa ao Brasil.
Além deles, permaneceram na terra outros dois portugueses, que desertaram e cujo destino é desconhecido. Com a armada, Cabral seguiu rumo à Índia. A nau de mantimentos, sob o comando de Gaspar de Lemos, separou-se da esquadra, com o objetivo de retornar a Lisboa e comunicar ao rei o "achamento", palavra empregada nos textos da época. A 23 de maio, a armada atingia o Cabo da Boa Esperança, onde foi colhida numa tempestade que fez três embarcações naufragarem. Numa delas, estava Bartolomeu Dias que, assim, acabou sepultado justamente no local que o fez passar à história.
TERRA DOS PAPAGAIOS
Somente em setembro os portugueses atingiriam Calicute. Enfrentaram a hostilidade dos comerciantes muçulmanos que resultou num ataque à feitoria estabelecida pelos portugueses, em dezembro de 1500 (nele morreu o escrivão Pero Vaz de Caminha).
Ainda assim, a viagem de Cabral - que se encerrou em julho de 1501, com a chegada do comandante a Lisboa - foi coroada de êxito comercial e deu início ao comércio regular entre Portugal e a Índia. Os lucros por ele proporcionados fizeram com que o Brasil não ocupasse maior atenção dos portugueses durante quase 30 anos - período chamado de pré-colonial.
O território que Cabral chamou de Vera Cruz, rebatizado de Santa Cruz pelo rei, foi visitada por portugueses, espanhóis e franceses durante esse período. Os documentos e mapas da época mencionam-na dessa maneira, ou ainda como Terra dos Papagaios, como aparece em documentos de comerciantes e diplomatas florentinos. Data de 1512 o primeiro manuscrito a utilizar o termo Brasil, difundido oralmente pelo povo e que suplantaria gradualmente os outros, batizando definitivamente o país.”
PETRÓLEO NA AMAZÔNIA – AMBIENTALISTAS IMPEDEM MAIOR APROVEITAMENTO
DESPERDÍCIO
Há muitos anos que a Petrobras tenta construir oleodutos e gasodutos para escoar sua produção da província petrolífera de Urucu para Manaus e Porto Velho.
ONGs e ambientalistas estrangeiros e brasileiros não permitem. As licenças ambientais não são emitidas.
Para ressaltar esse problema, transcrevo uma notícia publicada no jornal Folha de São Paulo de domingo (20/04):
Amazônia é nova fronteira de exploração petrolífera em terra
“Se a camada pré-sal é a mais promissora área de exploração em mar, a sua correspondente em terra está no meio da selva amazônica. É a bacia do Solimões, com a terceira maior reserva de gás e a terceira maior produção de óleo e gás do país.
Batizada de província petrolífera de Urucu (650 km de Manaus), a área produz 53 mil barris por dia de óleo ultraleve, de maior valor comercial e mais fácil refino. De tão leve, é conhecido como "gasolina natural", capaz de movimentar motores assim que extraído, mesmo sem ser processado.
Mas a maior riqueza é o gás natural, com a produção de 10 milhões de metros cúbicos por dia, somente inferior à das bacias de Campos e Santos.
A estatal só não extrai mais gás da reserva, que tem 100 bilhões de metros cúbicos, por não ter para quem vender. É que, enquanto não recebe as licenças ambientais que faltam para a construção de um gasoduto até Manaus (AM) e outro até Porto Velho (RO), não tem mercado suficiente para o produto. Até lá, a estatal é obrigada a reinjetar 6 milhões de metros cúbicos por dia de gás nos poços.
Mesmo assim, a estatal está otimista: possui 80 poços na região e espera perfurar 23 até 2012. A companhia não detalhou o investimento destinado apenas à bacia do Solimões.
No meio da selva, a Petrobras mantém ainda a maior produção brasileira de GLP (gás de cozinha), envasado em Coari (AM), maior unidade de processamento de gás natural do Brasil. Diariamente, mil toneladas de GLP são produzidas, equivalentes a 84.600 botijões de 13 kg. O produto supre toda região amazônica e é comercializado no Nordeste.”
Há muitos anos que a Petrobras tenta construir oleodutos e gasodutos para escoar sua produção da província petrolífera de Urucu para Manaus e Porto Velho.
ONGs e ambientalistas estrangeiros e brasileiros não permitem. As licenças ambientais não são emitidas.
Para ressaltar esse problema, transcrevo uma notícia publicada no jornal Folha de São Paulo de domingo (20/04):
Amazônia é nova fronteira de exploração petrolífera em terra
“Se a camada pré-sal é a mais promissora área de exploração em mar, a sua correspondente em terra está no meio da selva amazônica. É a bacia do Solimões, com a terceira maior reserva de gás e a terceira maior produção de óleo e gás do país.
Batizada de província petrolífera de Urucu (650 km de Manaus), a área produz 53 mil barris por dia de óleo ultraleve, de maior valor comercial e mais fácil refino. De tão leve, é conhecido como "gasolina natural", capaz de movimentar motores assim que extraído, mesmo sem ser processado.
Mas a maior riqueza é o gás natural, com a produção de 10 milhões de metros cúbicos por dia, somente inferior à das bacias de Campos e Santos.
A estatal só não extrai mais gás da reserva, que tem 100 bilhões de metros cúbicos, por não ter para quem vender. É que, enquanto não recebe as licenças ambientais que faltam para a construção de um gasoduto até Manaus (AM) e outro até Porto Velho (RO), não tem mercado suficiente para o produto. Até lá, a estatal é obrigada a reinjetar 6 milhões de metros cúbicos por dia de gás nos poços.
Mesmo assim, a estatal está otimista: possui 80 poços na região e espera perfurar 23 até 2012. A companhia não detalhou o investimento destinado apenas à bacia do Solimões.
No meio da selva, a Petrobras mantém ainda a maior produção brasileira de GLP (gás de cozinha), envasado em Coari (AM), maior unidade de processamento de gás natural do Brasil. Diariamente, mil toneladas de GLP são produzidas, equivalentes a 84.600 botijões de 13 kg. O produto supre toda região amazônica e é comercializado no Nordeste.”
HILLARY CLINTON AMEAÇA, SE ELEITA, DESTRUIR TOTALMENTE O IRÃ
O UOL Últimas Notícias publicou há pouco um texto da Agência Reuters relatando a gravíssima ameaça à paz mundial apresentada hoje (22/04) pela candidata à presidência dos EUA Hillary Clinton.
Ela afirmou que, se os iranianos desejarem no futuro desenvolver armas atômicas, e se vierem, nesse caso, a pretender lançar alguma dessas hipotéticas armas sobre Israel, ela Hillary, se eleita, destruiria totalmente o Irã.
O Irã ainda ainda não se manifestou sobre essas agressão verbal e ameaça bélica gratuitas, grosseiras e inoportunas feitas por Hillary Clinton em cima de simples devaneios.
Transcrevo trecho da notícia do UOL:
“Hillary diz que EUA poderiam "destruir totalmente" o Irã
“Washington (Reuters) - A pré-candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, advertiu os iranianos nesta terça-feira de que, se vencer a eleição, o governo dela poderia "destruir totalmente" o Irã em retaliação a um eventual ataque nuclear contra Israel.
No dia da decisiva prévia na Pensilvânia, mais uma etapa da corrida na qual Hillary disputa com Barack Obama a vaga da legenda no pleito presidencial, a senadora pelo Estado de Nova York afirmou querer deixar claro ao governo iraniano que ela estava preparada para, como presidente, fazer uma ameaça do tipo na esperança de que isso impeça qualquer ataque nuclear do Irã contra o Estado judaico.
"Quero que os iranianos saibam que, se eu for eleita presidente, nós atacaremos o Irã (no caso de este atacar Israel)", afirmou Hillary em uma entrevista ao programa "Good Morning America", da ABC.”
P.S Folha de São Paulo, 23/04/2008:
"Hillary usa retórica de guerra para atrair eleitor
"Se o Irã atacar Israel sob um eventual mandato seu na Casa Branca, Hillary Clinton destruirá completamente o país dos aiatolás. Foi o que a pré-candidata democrata declarou em entrevista e repetiu ao longo do dia, enquanto fazia seu último giro pela Pensilvânia, Estado que realizou primárias.
A retórica belicosa de Hillary busca posicioná-la como alguém dura o suficiente para enfrentar nas eleições o republicano John McCain, um herói de guerra que já declarou que "bombardearia" a República islâmica, e afastá-la do democrata Barack Obama, que defende o diálogo com líderes de países considerados hostis aos Estados, como Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano".
Ela afirmou que, se os iranianos desejarem no futuro desenvolver armas atômicas, e se vierem, nesse caso, a pretender lançar alguma dessas hipotéticas armas sobre Israel, ela Hillary, se eleita, destruiria totalmente o Irã.
O Irã ainda ainda não se manifestou sobre essas agressão verbal e ameaça bélica gratuitas, grosseiras e inoportunas feitas por Hillary Clinton em cima de simples devaneios.
Transcrevo trecho da notícia do UOL:
“Hillary diz que EUA poderiam "destruir totalmente" o Irã
“Washington (Reuters) - A pré-candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, advertiu os iranianos nesta terça-feira de que, se vencer a eleição, o governo dela poderia "destruir totalmente" o Irã em retaliação a um eventual ataque nuclear contra Israel.
No dia da decisiva prévia na Pensilvânia, mais uma etapa da corrida na qual Hillary disputa com Barack Obama a vaga da legenda no pleito presidencial, a senadora pelo Estado de Nova York afirmou querer deixar claro ao governo iraniano que ela estava preparada para, como presidente, fazer uma ameaça do tipo na esperança de que isso impeça qualquer ataque nuclear do Irã contra o Estado judaico.
"Quero que os iranianos saibam que, se eu for eleita presidente, nós atacaremos o Irã (no caso de este atacar Israel)", afirmou Hillary em uma entrevista ao programa "Good Morning America", da ABC.”
P.S Folha de São Paulo, 23/04/2008:
"Hillary usa retórica de guerra para atrair eleitor
"Se o Irã atacar Israel sob um eventual mandato seu na Casa Branca, Hillary Clinton destruirá completamente o país dos aiatolás. Foi o que a pré-candidata democrata declarou em entrevista e repetiu ao longo do dia, enquanto fazia seu último giro pela Pensilvânia, Estado que realizou primárias.
A retórica belicosa de Hillary busca posicioná-la como alguém dura o suficiente para enfrentar nas eleições o republicano John McCain, um herói de guerra que já declarou que "bombardearia" a República islâmica, e afastá-la do democrata Barack Obama, que defende o diálogo com líderes de países considerados hostis aos Estados, como Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano".
segunda-feira, 21 de abril de 2008
PSDB E DEM A FAVOR DO DESMATAMENTO DA AMAZÔNIA?
OPERAÇÃO “ARCO DE FOGO”
A Operação “Arco de Fogo” já atuou no Mato Grosso e parcialmente no Pará e em Rondônia. “No Pará, a Polícia Federal e o IBAMA atuaram no município de Tailândia e há uma semana estão em Paragominas. Até agora foram 19 pessoas presas, mais de R$ 43,2 milhões em multas aplicadas e 39 mil metros cúbicos de madeira apreendidos”. (Folhapress)
OBSTRUÇÃO NO SENADO
A Folhapress publicou hoje (21/04) a notícia de obstrução a partir de amanhã das votações no Senado, por parte da oposição, até que sejam suspensas as operações do governo Lula contra a devastação da Amazônia.
O PSDB e o DEM-PFL defendem posições dos empresários madeireiros e de deputados estaduais do PSDB e DEM, contrários às ações do IBAMA e da Polícia Federal contra o desmatamento ilegal.
O apoio aos madeireiros por parte do PSDB e DEM já era explícito, contudo não ultrapassava o nível de crise e obstrução enquanto o combate ao desmatamento ocorria em estados governados pelo PT ou aliados.
Esse problema já havia sido noticiado em 25 de março pela Agência Brasil no texto “Divergências políticas prejudicam Operação Arco de Fogo em Rondônia, aponta Ibama” de Luana Lourenço e Marco Antônio Soalheiro:
“Por questões políticas, a Operação Arco de Fogo, deflagrada para combater o desmatamento ilegal na Amazônia, enfrentará mais dificuldades em Rondônia do que nos estados do Pará e de Mato Grosso, onde também já foi iniciada. A avaliação é do chefe de fiscalização da superintendência estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Antônio Hernandes Torres.
"É mais complicada [a operação] em Rondônia porque, além da própria extração ilegal de madeira, a arquitetura envolve agentes políticos ligados ao governo estadual", afirmou Torres. [O estado é governado por Ivo Cassol (ex-PSDB e atualmente no PPS)].
O secretário estadual de Desenvolvimento Ambiental (Rondônia), Augustinho Pastore, também apontou divergências políticas:.”O PT quer mandar. Mas aqui no estado, o governo não é do PT.”
Agora, os partidos da oposição escalaram a crise e querem suspender o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.
Vejamos a notícia de hoje da Folha:
“Senadores querem suspender “Arco de Fogo”
“Os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Expedito Júnior (PR-RO) e Jayme Campos (DEM-MT) querem obstruir a pauta de votações do Senado até que ações da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, sejam suspensas. A proposta será feita amanhã.
A Operação Arco de Fogo é um trabalho conjunto da Polícia Federal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Força Nacional de Segurança contra o desmatamento ilegal.
(...) As ações da PF tem sido alvo de revolta do empresariado do setor madeireiro e de deputados estaduais. Eles alegam que a legislação ambiental tem sido rígida e pouco sensível à atividade madeireira.
(...) O deputado estadual César Collares (PSDB-PA) engrossou o coro e reclama uma mudança na estrutura de órgãos do governo para legalizar a atividade.”
A Operação “Arco de Fogo” já atuou no Mato Grosso e parcialmente no Pará e em Rondônia. “No Pará, a Polícia Federal e o IBAMA atuaram no município de Tailândia e há uma semana estão em Paragominas. Até agora foram 19 pessoas presas, mais de R$ 43,2 milhões em multas aplicadas e 39 mil metros cúbicos de madeira apreendidos”. (Folhapress)
OBSTRUÇÃO NO SENADO
A Folhapress publicou hoje (21/04) a notícia de obstrução a partir de amanhã das votações no Senado, por parte da oposição, até que sejam suspensas as operações do governo Lula contra a devastação da Amazônia.
O PSDB e o DEM-PFL defendem posições dos empresários madeireiros e de deputados estaduais do PSDB e DEM, contrários às ações do IBAMA e da Polícia Federal contra o desmatamento ilegal.
O apoio aos madeireiros por parte do PSDB e DEM já era explícito, contudo não ultrapassava o nível de crise e obstrução enquanto o combate ao desmatamento ocorria em estados governados pelo PT ou aliados.
Esse problema já havia sido noticiado em 25 de março pela Agência Brasil no texto “Divergências políticas prejudicam Operação Arco de Fogo em Rondônia, aponta Ibama” de Luana Lourenço e Marco Antônio Soalheiro:
“Por questões políticas, a Operação Arco de Fogo, deflagrada para combater o desmatamento ilegal na Amazônia, enfrentará mais dificuldades em Rondônia do que nos estados do Pará e de Mato Grosso, onde também já foi iniciada. A avaliação é do chefe de fiscalização da superintendência estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Antônio Hernandes Torres.
"É mais complicada [a operação] em Rondônia porque, além da própria extração ilegal de madeira, a arquitetura envolve agentes políticos ligados ao governo estadual", afirmou Torres. [O estado é governado por Ivo Cassol (ex-PSDB e atualmente no PPS)].
O secretário estadual de Desenvolvimento Ambiental (Rondônia), Augustinho Pastore, também apontou divergências políticas:.”O PT quer mandar. Mas aqui no estado, o governo não é do PT.”
Agora, os partidos da oposição escalaram a crise e querem suspender o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.
Vejamos a notícia de hoje da Folha:
“Senadores querem suspender “Arco de Fogo”
“Os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Expedito Júnior (PR-RO) e Jayme Campos (DEM-MT) querem obstruir a pauta de votações do Senado até que ações da Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, sejam suspensas. A proposta será feita amanhã.
A Operação Arco de Fogo é um trabalho conjunto da Polícia Federal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Força Nacional de Segurança contra o desmatamento ilegal.
(...) As ações da PF tem sido alvo de revolta do empresariado do setor madeireiro e de deputados estaduais. Eles alegam que a legislação ambiental tem sido rígida e pouco sensível à atividade madeireira.
(...) O deputado estadual César Collares (PSDB-PA) engrossou o coro e reclama uma mudança na estrutura de órgãos do governo para legalizar a atividade.”
JULGAMENTO DO TRIBUNAL MUNDIAL SOBRE O IRAQUE - 12ª PARTE DE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008;
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril; e
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 deste mês.
Hoje, a 12ª Parte da série prosseguirá com o artigo:
JULGAMENTO DO TRIBUNAL MUNDIAL SOBRE O IRAQUE
Em Lisboa, ocorreu 6ª feira última a segunda audiência do Tribunal Mundial sobre o Iraque. O Corpo de Jurados é constituído por personalidades representativas da sociedade portuguesa.
Os principais tópicos da acusação formulada pelo magistrado Dr. Eduardo Maia Costa foram:
• Cinco anos de ocupação e de resistência em avaliação;
• responsabilidades dos EUA e do Reino Unido;
• cumplicidade das autoridades portuguesas;
• violações do direito;
• crimes cometidos;
• restrição das garantias individuais;
• pretextos da luta "antiterrorista";
• prisões secretas;
• vôos da CIA;
• a resistência iraquiana.
Reproduzo a seguir o texto da acusação publicado ontem no site português “Resistir.info”:
“2ª Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque
1) Desencadeada há cinco anos com fundamento geral na luta contra o terrorismo e, mais concretamente, com fundamento na posse pelo Iraque de armas de destruição maciça, a agressão norte-americana contra o Iraque, secundada pelo fiel aliado inglês e por alguns outros que, entretanto, foram desertando, afundou-se completamente no terreno e também no plano das justificativas e das estratégias.
Desmentida a existência das ditas armas, passou-se a justificar a agressão com a "libertação" e "democratização" do Iraque e, posteriormente, anunciou-se a estratégia, dita "ambiciosa", de fazer do Iraque o ponto de irradiação da "democracia" em toda a região. E, de uma forma geral, passou-se a justificar a eternização da ocupação norte-americana com a necessidade de combater o terrorismo.
A permanente expansão da resistência popular no Iraque inviabilizou os projetos "pacificadores" dos ocupantes. As instituições criadas, as eleições realizadas e o poder instalado não têm legitimidade nem credibilidade junto da população. O caos tomou conta do país.
O governo instalado, que sobrevive devido exclusivamente à proteção do ocupante norte-americano, segue uma política sectária, vingativa, que aumenta as divisões e as tensões internas, de que é exemplo flagrante a execução de Saddam Hussein e de outros dirigentes do seu regime em condições degradantes e indignas.
Os objetivos dos invasores são cada vez mais incertos e problemáticos. Tanto reconhecem que não estão a ganhar a guerra, forma eufemística de reconhecer que a estão de fato a perder, como dizem que há "progressos" na "pacificação” do Iraque.
Mas logo acrescentam que esses progressos são lentos e que a retirada é impossível nos próximos anos. A força da resistência popular baralhou todos os planos e impede a definição de objetivos claros, ainda que em curto prazo.
Mas tentam, num último esforço, não perder tudo, preparando a retirada a prazo, ao mesmo tempo em que vão organizando a partilha/saque do petróleo.
Mas terão forças e tempo para fazê-lo? Irá o povo iraquiano consenti-lo? Irá a opinião pública mundial ficar calada?
2) Na "guerra contra o terrorismo" e na agressão ao Iraque, todos os meios têm sido utilizados pelos EUA e seus mais estreitos aliados.
A violação do direito internacional tornou-se uma prática normal. Os EUA não aceitam qualquer lei que esteja acima dos seus interesses e dos seus objetivos.
A invocação de um direito de "guerra preventiva", onde, quando e como for entendido necessário pela Casa Branca, sem qualquer "autorização" da ONU e contra o sentimento da comunidade internacional, passou a ser a linha-mestra da política internacional americana.
Uma guerra por vezes conduzida diretamente, como no caso do Iraque, outras vezes delegada na NATO, como acontece atualmente no Afeganistão, acompanhada sempre por ameaças mais ou menos veladas de ataques a outros países, como o Irã e a Síria.
Ou, ainda, contando com a ação fora-da-lei de Israel para tentar abater as resistências do mundo árabe, como foi o caso do ataque ao Líbano em 2006 e como é o permanente massacre exercido contra a população palestina.
A mensagem constantemente transmitida pelo governo americano é que nenhum país, nomeadamente no extenso arco islâmico, desde o Afeganistão até Marrocos, como declarou o vice-presidente Dick Cheney em Janeiro de 2007, está ao abrigo de uma intervenção ou de simples retaliações, se se opuser frontalmente aos interesses americanos.
Também na condução da(s) guerra(s) é visível o desprezo pelo direito, com o recurso a armas proibidas (fósforo branco, armas de fragmentação, urânio empobrecido), ataques sistemáticos e premeditados a alvos civis (iniciados com o célebre "Choque e pavor"), pelo desdém pelas populações adversárias, pelos seus direitos, valores e patrimônio econômico e cultural.
A ocupação do Iraque tem sido de uma violência extrema. Ao longo dos cinco anos que a ocupação já leva, centenas de milhares de iraquianos têm sido detidos e encerrados em condições desumanas em prisões, de que Abu Ghraib é apenas a mais "emblemática", submetidos aos piores tratamentos.
Contam-se por muitos milhares as vítimas iraquianas desde o início do conflito: 655 000 pessoas na estimativa divulgada em 2006 pela revista The Lancet; 151 000, no cálculo da OMS, até junho de 2006; mais de um milhão até meados de 2007, segundo as contas da agência britânica Opinion Research Business.
O próprio Bush reconheceu, em dezembro de 2005, que as vítimas iraquianas diretamente resultantes da guerra poderiam ascender a 30.000. Os números não coincidem, mas todos eles revelam a catástrofe que se abateu sobre o povo iraquiano.
Mas há mais. As condições de vida degradaram-se a um ponto inaceitável. Não funcionam os bens mínimos essenciais à subsistência de uma comunidade organizada.
Os refugiados em países vizinhos serão cerca de 2,2 milhões de pessoas e os deslocados dentro do Iraque 2,5 milhões de pessoas, enquanto quatro milhões "não têm garantias de que terão comida na sua mesa amanhã", como disse recentemente o coordenador da ONU para o Iraque. Quase um quinto dos iraquianos são refugiados ou deslocados.
É este o Iraque "libertado" pelos EUA.
Mas certamente que um dos aspectos mais chocantes da política da presidência Bush consiste na violação total dos direitos dos prisioneiros e inimigos, tratados como seres infra-humanos, enjaulados em prisões como Abu Ghraib e em campos de concentração espalhados em várias partes do mundo, com destaque para Guantánamo, submetidos a torturas físicas e psíquicas que recordam as praticadas pelos mais sanguinários regimes políticos do século XX, privados de quaisquer direitos civis, nomeadamente o de acesso aos tribunais, e das mais elementares garantias processuais, como o conhecimento da acusação e do termo do prazo da detenção.
A prática da tortura não constitui, ao contrário do que o próprio Bush tentou inicialmente justificar, um "abuso ocasional” da responsabilidade de alguns soldados perturbados, mas sim um instrumento central para a recolha de informações no combate ao "terrorismo", conforme o próprio Bush abertamente reconheceu, chegando mesmo a louvar a eficácia de alguns métodos na obtenção de informações.
Aliás, esses mesmos métodos foram integrados num catálogo dos procedimentos a seguir nos interrogatórios de prisioneiros pelos agentes da CIA, que permite inúmeros atos que recaem sob o conceito de tortura tal como é definido pela Convenção Internacional contra a Tortura, catálogo esse que tem variado um pouco, mas que se mantém basicamente o mesmo, e em que sobressai a simulação de afogamento. Inclusive, Bush vetou no início de março passado uma proposta de lei aprovada pelo Senado que proibia o uso de tortura nos interrogatórios da CIA, com o argumento de que tais métodos são "instrumentos indispensáveis" na luta contra o terrorismo.
O destino dos prisioneiros de Guantánamo, detidos em várias partes do mundo e muitas vezes de forma completamente arbitrária ou mesmo sem ligações a quaisquer atividades "suspeitas", conforme reconheceu um antigo comandante do campo, e para ali transportados nos célebres "voos da CIA" que tiveram a cumplicidade de muitos países europeus, continua incerto.
O presidente Bush começou por criar uma jurisdição militar especial (comissões militares constituídas por militares por ele nomeados, regendo-se por um estatuto também por ele estabelecido) para julgar aqueles que entendesse levar a "julgamento".
Porém, essa legislação foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal dos EUA, por sentença de 29.6.2006, por o Presidente não ter competência constitucional ou delegada pelo Congresso para criar as ditas comissões e ainda por o estatuto das mesmas não conceder aos detidos as garantias mínimas estabelecidas pelas Convenções de Genebra. A mesma decisão considerou ainda inconstitucionais as técnicas mais agressivas de interrogatório praticadas.
Reagindo a essa decisão, o Presidente Bush propôs nova legislação ao Congresso que acabou por ser aprovada em 28.9.2006 e que mantém essencialmente o sistema anterior, nomeadamente a competência das comissões militares para o julgamento dos detidos e a proibição de recurso ao habeas corpus, limitando apenas as técnicas de interrogatório (foram banidas somente as que produzam sofrimento ou lesões graves ) e excluindo a validade das provas obtidas sob tortura, e garantindo o acesso à informação classificada que conste da acusação formulada.
Um tribunal federal de recurso de Washington já decidiu que os prisioneiros de Guantánamo não poderão recorrer aos tribunais judiciais norte-americanos, o que constituiu uma "vitória" para Bush. O Supremo Tribunal dos EUA foi chamado a pronunciar-se sobre essa medida, mas a sua decisão está marcada para junho próximo. Resta saber se resistirá à pressão enorme que sobre ele incidirá seguramente. Parece, no entanto, óbvio que se mantêm pertinentes as críticas que o tribunal formulou anteriormente e que, em coerência, deveria manter.
Entretanto, seis prisioneiros de Guantánamo foram formalmente acusados de envolvimento em atos terroristas e a acusação vai pedir para eles a pena de morte.
As comissões militares que os vão julgar, quer pela composição do tribunal (exclusivamente formados por militares escolhidos pelo Presidente dos EUA), quer pelas regras referentes às provas (que permitem aceitar as confissões obtidas sob tortura antes de 30.12.2005, data da lei que as ilegalizou, e que nega o direito de acesso do acusado às fontes das provas quando esteja em causa a "segurança nacional"), quer ainda pelo funcionamento quase secreto das comissões (que funcionarão no próprio campo de Guantánamo), estamos perante um arremedo de tribunal, que não confere as garantias mínimas de um processo justo.
Mas em Guantánamo encontram-se ainda 275 prisioneiros que continuam a aguardar indefinidamente o seu destino, que não têm direito de saber quando, ou mesmo se, alguma vez serão acusados, e de que crimes, que estão privados de defesa e de acesso a um tribunal, que é a garantia mínima de qualquer detido, segundo os padrões internacionais.
Porém, Guantánamo é apenas uma peça de um vasto sistema repressivo e punitivo à escala mundial, de que não se conhecem os contornos exatos, porque uma parte substancial é secreta.
Sabe-se, contudo, depois do relatório do Conselho da Europa (Dick Marty) e do, mais recente, do Parlamento Europeu, que outros campos de prisioneiros existem em várias partes do mundo (Bagram, no Afeganistão, e Diego Garcia, uma ilha do Índico "cedida" pelas autoridades inglesas à CIA) e quase certamente que também existiram na Europa (Polônia e Romênia).
E que um permanente vaivém de vôos secretos transportou, pelo menos até há pouco, "passageiros clandestinos" (algumas vezes inclusive raptados por agentes da CIA em países europeus, por vezes com a cumplicidade dos serviços secretos desses países) de um para outro campo, de um para outro país, para serem interrogados por agentes da CIA ou para serem entregues, para tortura "delegada" ou para apodrecerem nas prisões, a países "amigos", onde não poderão socorrer-se de quaisquer garantias processuais.
São as "entregas extraordinárias", que constituem transferências ilegais de prisioneiros, porque à margem dos tratados de extradição (existissem ou não), do controle judicial, das próprias regras de cooperação bilateral ou internacional entre os estados.
A União Européia, incluindo Portugal, foi intensamente cruzada por estes aviões "fantasmas" (1245 vôos, em 14 países, foram identificados pelo PE), sem que as autoridades européias, e particularmente as portuguesas, tivessem exercido qualquer controle sobre eles, como era imposto pelas normas internacionais sobre o tráfego aéreo. O PE considerou "improvável" que os governos europeus desconhecessem o que se passava.
3) No mundo "ocidental", também se tem feito sentir a ofensiva neoconservadora da administração Bush.
Desde logo, através da manipulação da opinião pública interna, tentando mobilizá-la para a "cruzada" contra o "perigo islâmico", fornecendo desde o princípio informações totalmente falsas ou distorcidas e condicionando o mais possível a liberdade de imprensa, a maior parte da qual, inclusive a de "referência", alinhou-se de início abertamente com a política bélica de Bush.
Tudo isso levou à criação de um clima de xenofobia e de hostilidade para com as comunidades islâmicas e, por vezes, a atitudes de histeria coletiva ou de descontrole policial contra cidadãos que alegadamente tomem atitudes "suspeitas" (como aconteceu em Londres com o cidadão brasileiro Jean Charles Menezes).
O clima de histeria xenófoba leva por vezes a reações discriminatórias, se não mesmo racistas, por parte de instituições privadas, como as companhias aéreas de navegação.
Mas, a pretexto de "luta contra o terrorismo", toda uma legislação especial tem vindo a ser criada, a partir do Patriot Act, de 2001, no sentido de conferir ao Presidente dos EUA autorização para tomar medidas para restringir fortemente as liberdades e permitir às autoridades policiais meios de investigação sem controle judicial.
A seguir ao 11 de setembro, um número elevadíssimo (nunca revelado pela autoridades) de pessoas foram detidas nos EUA. Apenas uma, o francês Hosseini, acusado de envolvimento na conspiração do 11 de setembro de 2001, foi levada a julgamento, vindo a ser condenada em condições estranhas, já que aparentemente toda a prova se resumiu à sua "confissão", que não pareceu verossímil.
Mas não só no plano estritamente legal se fazem sentir os efeitos da ofensiva Bush.
O recurso a meios secretos e ilegais, por eventuais dificuldades em obter autorização do Congresso nesse sentido, faz também parte do seu arsenal.
Particularmente polêmica foi a revelação de um vasto programa de "espionagem interna", especialmente através de escutas telefônicas e interceptação de mensagens eletrônicas, levado à prática pela Agência Nacional de Segurança, sem autorização ou controle judicial, iniciado pouco depois do 11 de setembro, mas também um outro programa de vigilância de movimentos bancários internacionais, conduzido pelo Departamento do Tesouro e que se assenta na coleta de registros de transações internacionais de uma entidade bancária internacional participada por milhares de bancos em inúmeros países.
Afinal, e como Bush não se cansa de repetir, os EUA consideram que todos os meios são válidos quando se trata da "proteção da segurança do país". A proteção dos EUA é, assim, elevada a supremo valor universal, perante o qual todos os demais valores, mesmo aqueles que são normalmente invocados como o patrimônio político norte-americano, devem ceder. Raras vezes o interesse "imperial" terá sido tão diretamente reivindicado depois da queda dos impérios tradicionais.
A tendência é para "exportar" a legislação norte-americana para os países "aliados", sendo o mais fiel aliado político e militar, a Grã-Bretanha, aquele que efetivamente também mais se tem destacado na adoção dessa linha legislativa.
Com efeito, desde o Anti-terrorism, Crime and Security Act 2001 até ao Terrorism Act 2006, têm-se sucedido medidas legislativas, prevendo novas infrações, como a punição dos atos preparatórios do terrorismo, o incitamento ao terrorismo, a distribuição de publicações terroristas, etc. – ou mesmo aquilo que, com larga margem de arbitrariedade, seja considerado "glorificação" do terrorismo, como acontece com a referida legislação antiterrorista promulgada no Reino Unido, que considera crime a publicação de quaisquer textos que "glorifiquem a execução ou a preparação" de atos terroristas, "tanto no passado como no futuro em geral".
Simultaneamente, são alargados os prazos de detenção sem controle judicial, que podem ir até 28 dias, não se devendo esquecer que foi a resistência dos law lords da Câmara dos Lordes que impediu Blair de avançar com medidas mais extremas. Há poucos dias, a Ministra do Interior voltou a insistir na necessidade de aumentar esse prazo de 28 para 42 dias (!), agitando os fantasmas de graves ameaças terroristas sobre a Grã-Bretanha.
Outros países europeus têm aprovado legislação idêntica, embora atenuada nas soluções. Em Portugal, as conseqüências foram, até à data, menos nefastas. No tocante às garantias processuais, não se registrou qualquer restrição.
A denominada "Lei de Combate ao Terrorismo" (Lei nº 52/2003, de 22 de agosto), em cumprimento da Decisão-Quadro do Conselho Europeu de 13.6.2002, preocupou-se, sobretudo, com a reformulação, em sentido mais abrangente, dos já existentes crimes de organização terrorista e terrorismo.
Mas, em março deste ano, o Ministro da Administração Interna anunciou, na esteira da referida legislação britânica, que esperava pelas decisões da União Européia para transpor para a ordem jurídica portuguesa as medidas de criminalização da "apologia do terrorismo".
Globalmente, podemos dizer, sem qualquer exagero, que as tradicionais liberdades e garantias do cidadão, que se julgavam patrimônio adquirido da nossa civilização, se encontram desde há anos sob uma forte ofensiva que tem deixado marcas profundas na legislação e na prática governativa de muitos países, a começar pelos EUA, onde a governação neoconservadora se reveste de características indubitavelmente fascistas.
Embora tendo sofrido um freio com os insucessos eleitorais do Partido Republicano, que lhe retiraram a maioria em ambas as câmaras do Congresso norte-americano, e com a crescente oposição popular à guerra nos próprios EUA, este rumo só poderá considerar-se invertido quando forem revogadas as medidas antidemocráticas postas em vigor e restabelecidas as garantias individuais.
4) A agressão ao Iraque não foi uma mera aventura irrefletida decidida por um presidente incompetente. Foi, sim, um passo decidido já antes dos atentados do 11 de setembro, com os quais aliás não existe nenhuma ligação, no sentido de cumprir uma estratégia hegemônica mundial traçada nos escombros da União Soviética e do seu espaço de influência.
Derrotado o inimigo de décadas, e único opositor militar credível 9ª União Soviética) , os EUA viram-se sozinhos na arena internacional e o sonho imperial, que aliás bem cedo surgira na história norte-americana, com a expansão para o Oeste e para o Pacífico, e beneficiou de uma extraordinária aceleração em 1945, inscreveu-se como tarefa prioritária da política norte-americana, então nas mãos de Bush pai.
A Guerra do Golfo de 1991 é o primeiro ensaio. Nesses anos é publicada uma nova Estratégia Nacional, complementada pelo célebre Defence Planning Guidance, elaborado por Paul Wolfowitz, que vem sendo sucessivamente atualizada, mas que marca os grandes objetivos imperiais dos novos senhores.
No centro dessa estratégia sobressai o conceito de segurança global, da qual os EUA, com a cooperação das outras áreas "democráticas" (Europa e Japão), são os supremos garantes, com a missão de realizar a tarefa global de pacificar e manter a segurança coletiva, se necessário com a intervenção militar, abandonando assim o velho princípio da não ingerência, que datava da paz de Vestefália.
Assim, ao contrário dos impérios tradicionais, não está em causa a anexação ou a expansão do domínio territorial. Aos novos imperadores, como garantes da segurança global e da nova ordem mundial, interessa apenas o direito de intervir militarmente sempre e onde quer que seja necessário para manter a "ordem global", que mais não é do que a fiel garante do seu domínio a nível mundial.
Globalizar o capitalismo, manter a (desigual) repartição de riqueza a nível mundial, assegurar o acesso às fontes de energia e a novos mercados por parte das economias dominantes, eis o programa econômico da "nova ordem mundial".
Ou seja, os EUA reivindicam o papel de definição da ordem mundial e das suas regras, nas relações políticas internacionais, de definição da ordem econômica global e do acesso e distribuição dos recursos mundiais, baseada no mercado livre, que assegura a supremacia das economias ocidentais (e da sua, antes das outras) e na abertura das fontes energéticas e outras riquezas a essas economias, como ainda o papel de definição dos valores políticos e econômicos (os "direitos humanos", restritos aos direitos civis) que devem nortear a ação interna dos governos "locais" e cuja violação os sujeitará a eventual sanção do poder imperial.
Quer como garantes da "ordem global", quer como protetores dos "direitos humanos", os EUA e a NATO, por eles redimensionada como aliança militar agressiva com intervenção a nível mundial, e que é simultaneamente instrumento de cooperação com os aliados europeus e de vigilância sobre os eventuais intentos autonomistas destes, encabeçaram desde então diversas intervenções armadas, agressões armadas, melhor dizendo, ameaçando praticar outras, que foram a tradução prática dos conceitos vertidos nos documentos estratégicos.
Umas vezes como "guerra humanitária" (ex-Iugoslávia), outras vezes como "guerra ao terrorismo" (sucessiva ou preventiva), a guerra tornou-se o modo normal de o novo império impor a sua ordem.
Os que se opõem à nova ordem são tratados, não já como opositores ou sequer inimigos, como tradicionalmente, mas como delinqüentes, como criminosos, para os quais se criam tribunais "ad hoc" (nacionais ou internacionais, conforme o país inimigo é ou não diretamente sujeito à tutela imperial) para puni-los e humilhá-los. A criminalização do inimigo tornou-se um dos pilares da nova estratégia político-militar.
Quem esperava uma era de paz subseqüente ao fim da Guerra Fria ficou decepcionado. Nenhuma expectativa de paz é credível nos próximos tempos. Pelo contrário, quer pela manutenção infindável da ocupação por Israel dos territórios palestinos, quer pelo arrastamento do conflito da NATO no Afeganistão, em que as perspectivas de "vitória" parecem ser cada vez mais longínquas, quer pelas constantes ameaças de agressão por parte dos EUA ao Irã, invocando a existência de um programa secreto de militarização nuclear que não está minimamente provado, quer, sobretudo, pela ocupação do Iraque, as perspectivas são de um agravamento do fosso com o mundo árabe e islâmico em geral.
A questão está em que as contas saíram furadas no Iraque.
5) As coisas correram realmente mal aos EUA no Iraque. Não faz parte da estratégia do novo império a guerra terrestre, nem a ocupação prolongada de qualquer território estrangeiro. Quando muito, essas tarefas serão delegadas. Mas o envolvimento direto de tropas terrestres, com o risco de baixas, é evitado o mais possível.
O ataque ao Iraque foi programado dentro desses princípios: ataque aéreo devastador a "abrir", aniquilando o arsenal e efetivos militares o mais possível e "desmoralizando" a população civil; subseqüente ocupação rápida do território, sua "pacificação", e entrega do poder a um governo "amigo"; retirada também rápida das tropas terrestres e instalação de bases no território.
Tudo isto seguido, evidentemente, da abertura das torneiras das condutas petrolíferas. Esta seria a vitória.
Mas a resistência popular, que surpreendeu tudo e todos, sobretudo os agressores, que talvez fossem vítimas da sua própria propaganda que os apresentava como "libertadores", inviabilizou completamente o plano.
A realidade tem sido bem amarga para os EUA e "aliados". Pondo de parte os custos financeiros, exorbitantes mesmo para uma superpotência, os custos humanos são desastrosos. Já com mais de 4000 baixas mortais, e cerca de 30 mil estropiados e incapacitados, esta é a guerra mais mortífera de sempre, depois da do Vietnam.
E o último ano (2007), apesar do aparente arrefecimento dos confrontos, foi o pior de todos, em termos de baixas norte-americanas.
O número oficial de desertores é de 16 mil, mas poderão ser muitos mais, o que é um indício seguro da "desmoralização" das tropas ocupantes perante a resistência encontrada.
Os traumatizados e portadores de problemas de saúde mental em conseqüência da guerra poderão ser mais de 120 mil, segundo estudos de associações de militares veteranos.
A opinião pública norte-americana condena, hoje, abertamente, a invasão do Iraque. Cerca de dois terços dos cidadãos norte-americanos estão fartos da guerra e querem a retirada imediata das tropas.
A tentativa de "iraquizar" a guerra não está a dar, nem poderá dar, resultado. As "eleições" realizadas e as instituições estabelecidas não têm credibilidade junto do povo iraquiano. Todos sabem que, sem o suporte norte-americano, tudo ruirá em pouco tempo. O arrastamento do impasse funciona contra os EUA. Essa dependência ficou de novo expressa nas afirmações recentes do presidente iraquiano, segundo as quais as tropas norte-americanas terão de permanecer no Iraque, pelo menos até 2012 como forças de intervenção, e até 2017 como forças de "apoio".
A ocupação militar é condição necessária da imposição do protetorado norte-americano. É a consciência disso que tem levado o presidente Bush a recusar-se a anunciar qualquer calendário de retirada, que seria muito popular junto do eleitorado nas próximas eleições presidenciais.
A desorientação perante o evoluir da situação tornou-se patente com a aproximação das eleições legislativas de Novembro de 2006, que constituíram um verdadeiro teste à política Bush no Iraque e que traduziram uma frontal condenação dessa política pelo povo americano. O principal rosto da guerra (Donald Rumsfeld) foi forçado a partir; alguns já o tinham precedido, outros seguiram depois o mesmo caminho. Desesperadamente, Bush encomendou soluções. Elas vieram e as mais avisadas propunham uma progressiva retirada norte-americana.
Contrariando esses estudos e o sentimento do povo norte-americano, e expressamente o dos democratas e de parte dos republicanos, Bush decidiu-se por nova escalada, mobilizando mais 21000 militares para o Iraque. A idéia foi desencadear uma ofensiva brutal que permitisse depois retirar em ordem, assegurando o fundamental: o petróleo.
A nova manobra posta em prática pelo general Petraeus consistiu em comprar e armar uns quantos chefes tribais, assim transformados em "senhores da guerra", numa tentativa de contra-insurreição que visa retirar base social à resistência.
Na recentíssima "prestação de contas" perante o Congresso norte-americano, o general proclamou a conquista de "progressos reais" na "segurança" no Iraque, mas logo acrescentou que tais "progressos" eram "frágeis e reversíveis". Segundo ele, terão de permanecer no Iraque, por tempo indefinido, 140 mil tropas, o que é uma declaração implícita de derrota.
Apesar das dificuldades, as diversas organizações que constituem a resistência patriótica iraquiana têm dado passos no sentido de juntar forças, coordenar as ações militares e dotar-se de um programa político comum.
A importância decisiva da resistência está, aliás, expressa num documento insuspeito: o relatório Baker-Hamilton. Nele, se aponta sem equívocos a resistência popular (designada por "insurreição árabe sunita") como o principal inimigo das tropas norte-americanas, fortemente apoiada na população, armada e financiada a partir do interior do país; e se remetem as ações da Al-Qaida para plano claramente secundário, apenas "responsável por uma pequena parte da violência no Iraque" (capítulo I, A, 1.).
Afinal, tudo vai depender, mais uma vez, do povo iraquiano, cuja resistência heróica enterrou os planos imperiais nas areias da antiga Mesopotâmia. Certamente que não é agora que a resistência irá parar ou sequer diminuir.
O que o povo iraquiano demonstrou ao mundo foi a falência da força esmagadora e brutal da superpotência perante uma resistência armada que não conta sequer com o apoio material mais ou menos discreto de nenhum estado, mas sim e apenas com o suporte e a dedicação sem limites do próprio povo. As limitações do poder imperial ficaram cruamente expostas à vista de todos os povos.
Mas também é essencial a luta das forças progressistas no "Ocidente", de todos os que se opõem ao louco projeto hegemônico dos EUA e querem lançar as bases de uma ordem mundial mais justa.
Só a conjugação destas duas lutas pode derrotar o império, ou pelo menos fazê-lo recuar nos seus propósitos mais agressivos.
6) Portugal, como alguns outros países europeus, também se envolveu na agressão ao Iraque.
Primeiro, organizando e participando, pela mão do Governo de Barroso, na "cimeira das Lajes" onde a decisão foi formalmente tomada e anunciada ao mundo, e alinhando, antes e depois, em todos os fóruns internacionais com as posições dos EUA.
Após a ocupação, enviando uma força da GNR para o Iraque, com a concordância do Presidente da República (Jorge Sampaio). Embora as posições dos dois órgãos de soberania não fossem coincidentes, nunca o PR assumiu uma posição clara de distanciamento da política do Governo.
Colaborou também o Governo Barroso com os invasores, ao enviar para Bagdá um representante seu (José Lamego) junto da Autoridade Provisória nomeada pela Casa Branca.
Entretanto, tinham iníciado as "transferências extraordinárias" de presos da CIA em aviões sobrevoando o território português, que perduraram por todo o Governo de Santana Lopes e que, inclusive, terão ainda ocorrido já depois de o atual Governo ter iniciado funções.
O Parlamento Europeu identificou 118 escalas de aviões operados pela CIA nos nossos aeroportos, três deles diretamente de ou para Guantánamo.
O Governo português atual, estranhamente, não só não colaborou com a comissão do PE que se deslocou a Portugal para recolher informações, comissão aliás presidida por um eurodeputado português (Carlos Coelho), como inclusive a hostilizou, pela voz do MNE, Luís Amado, que se envolveu em polêmica com a eurodeputada Ana Gomes, membro da comissão parlamentar européia, por esta tentar aprofundar a investigação dos fatos ocorridos em Portugal.
Foi, aliás, devido à "queixa" apresentada por esta eurodeputada portuguesa que o PGR decidiu instaurar um inquérito criminal (contra incertos) para apuração dos fatos descritos no relatório do PE. Note-se que, poucos dias antes, o partido governamental, apoiado pelos partidos da direita, tinha rejeitado a instauração de um inquérito parlamentar com o mesmo objetivo proposto pelo PCP e apenas apoiado pelo BE.
É muito problemático o sucesso que poderá ter o inquérito criminal instaurado, pois a atitude do Governo português sobre esta matéria não revela grande entusiasmo, para não dizer que mostra aberta hostilidade, na apuração dos fatos e a colaboração governamental poderá ser decisiva para a descoberta da verdade.
Recentemente, novos dados sobre os referidos vôos foram apresentados pela ONG inglesa Reprieve, mas o Governo português imediatamente "desvalorizou" as informações. O próprio Primeiro-Ministro, José Sócrates, há poucos dias, garantiu que nem o atual executivo, nem os anteriores, autorizaram a passagem de vôos da CIA pelo espaço aéreo português.
Esta atitude, aliás, em contraste com a do governo britânico, que pela primeira vez reconheceu a passagem pelo seu território dos aviões da CIA, embora tenha admitido apenas dois vôos "irregulares" (!), é ilustrativa do desinteresse do Governo na procura da verdade, se não mesmo no interesse em escondê-la…
O Procurador-Geral da República anunciou, na seqüência da denúncia da Reprieve, a realização de novas diligências no inquérito, mas, insiste-se, sem a colaboração do Governo, que tem em suas mãos, ou ao seu alcance, as informações essenciais para a apuração da verdade, aquele inquérito não poderá ser concluído com êxito.”
OBS: a decisão com base nessa acusação — aprovada pelos jurados do Tribunal Mundial sobre o Iraque na madrugada de 19 de Abril — será acrescentada neste blog, logo que disponível.
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008;
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do Iraque", postado em 17 de abril; e
11) "O novo Iraque pode ser aqui”, publicado em 18 deste mês.
Hoje, a 12ª Parte da série prosseguirá com o artigo:
JULGAMENTO DO TRIBUNAL MUNDIAL SOBRE O IRAQUE
Em Lisboa, ocorreu 6ª feira última a segunda audiência do Tribunal Mundial sobre o Iraque. O Corpo de Jurados é constituído por personalidades representativas da sociedade portuguesa.
Os principais tópicos da acusação formulada pelo magistrado Dr. Eduardo Maia Costa foram:
• Cinco anos de ocupação e de resistência em avaliação;
• responsabilidades dos EUA e do Reino Unido;
• cumplicidade das autoridades portuguesas;
• violações do direito;
• crimes cometidos;
• restrição das garantias individuais;
• pretextos da luta "antiterrorista";
• prisões secretas;
• vôos da CIA;
• a resistência iraquiana.
Reproduzo a seguir o texto da acusação publicado ontem no site português “Resistir.info”:
“2ª Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque
1) Desencadeada há cinco anos com fundamento geral na luta contra o terrorismo e, mais concretamente, com fundamento na posse pelo Iraque de armas de destruição maciça, a agressão norte-americana contra o Iraque, secundada pelo fiel aliado inglês e por alguns outros que, entretanto, foram desertando, afundou-se completamente no terreno e também no plano das justificativas e das estratégias.
Desmentida a existência das ditas armas, passou-se a justificar a agressão com a "libertação" e "democratização" do Iraque e, posteriormente, anunciou-se a estratégia, dita "ambiciosa", de fazer do Iraque o ponto de irradiação da "democracia" em toda a região. E, de uma forma geral, passou-se a justificar a eternização da ocupação norte-americana com a necessidade de combater o terrorismo.
A permanente expansão da resistência popular no Iraque inviabilizou os projetos "pacificadores" dos ocupantes. As instituições criadas, as eleições realizadas e o poder instalado não têm legitimidade nem credibilidade junto da população. O caos tomou conta do país.
O governo instalado, que sobrevive devido exclusivamente à proteção do ocupante norte-americano, segue uma política sectária, vingativa, que aumenta as divisões e as tensões internas, de que é exemplo flagrante a execução de Saddam Hussein e de outros dirigentes do seu regime em condições degradantes e indignas.
Os objetivos dos invasores são cada vez mais incertos e problemáticos. Tanto reconhecem que não estão a ganhar a guerra, forma eufemística de reconhecer que a estão de fato a perder, como dizem que há "progressos" na "pacificação” do Iraque.
Mas logo acrescentam que esses progressos são lentos e que a retirada é impossível nos próximos anos. A força da resistência popular baralhou todos os planos e impede a definição de objetivos claros, ainda que em curto prazo.
Mas tentam, num último esforço, não perder tudo, preparando a retirada a prazo, ao mesmo tempo em que vão organizando a partilha/saque do petróleo.
Mas terão forças e tempo para fazê-lo? Irá o povo iraquiano consenti-lo? Irá a opinião pública mundial ficar calada?
2) Na "guerra contra o terrorismo" e na agressão ao Iraque, todos os meios têm sido utilizados pelos EUA e seus mais estreitos aliados.
A violação do direito internacional tornou-se uma prática normal. Os EUA não aceitam qualquer lei que esteja acima dos seus interesses e dos seus objetivos.
A invocação de um direito de "guerra preventiva", onde, quando e como for entendido necessário pela Casa Branca, sem qualquer "autorização" da ONU e contra o sentimento da comunidade internacional, passou a ser a linha-mestra da política internacional americana.
Uma guerra por vezes conduzida diretamente, como no caso do Iraque, outras vezes delegada na NATO, como acontece atualmente no Afeganistão, acompanhada sempre por ameaças mais ou menos veladas de ataques a outros países, como o Irã e a Síria.
Ou, ainda, contando com a ação fora-da-lei de Israel para tentar abater as resistências do mundo árabe, como foi o caso do ataque ao Líbano em 2006 e como é o permanente massacre exercido contra a população palestina.
A mensagem constantemente transmitida pelo governo americano é que nenhum país, nomeadamente no extenso arco islâmico, desde o Afeganistão até Marrocos, como declarou o vice-presidente Dick Cheney em Janeiro de 2007, está ao abrigo de uma intervenção ou de simples retaliações, se se opuser frontalmente aos interesses americanos.
Também na condução da(s) guerra(s) é visível o desprezo pelo direito, com o recurso a armas proibidas (fósforo branco, armas de fragmentação, urânio empobrecido), ataques sistemáticos e premeditados a alvos civis (iniciados com o célebre "Choque e pavor"), pelo desdém pelas populações adversárias, pelos seus direitos, valores e patrimônio econômico e cultural.
A ocupação do Iraque tem sido de uma violência extrema. Ao longo dos cinco anos que a ocupação já leva, centenas de milhares de iraquianos têm sido detidos e encerrados em condições desumanas em prisões, de que Abu Ghraib é apenas a mais "emblemática", submetidos aos piores tratamentos.
Contam-se por muitos milhares as vítimas iraquianas desde o início do conflito: 655 000 pessoas na estimativa divulgada em 2006 pela revista The Lancet; 151 000, no cálculo da OMS, até junho de 2006; mais de um milhão até meados de 2007, segundo as contas da agência britânica Opinion Research Business.
O próprio Bush reconheceu, em dezembro de 2005, que as vítimas iraquianas diretamente resultantes da guerra poderiam ascender a 30.000. Os números não coincidem, mas todos eles revelam a catástrofe que se abateu sobre o povo iraquiano.
Mas há mais. As condições de vida degradaram-se a um ponto inaceitável. Não funcionam os bens mínimos essenciais à subsistência de uma comunidade organizada.
Os refugiados em países vizinhos serão cerca de 2,2 milhões de pessoas e os deslocados dentro do Iraque 2,5 milhões de pessoas, enquanto quatro milhões "não têm garantias de que terão comida na sua mesa amanhã", como disse recentemente o coordenador da ONU para o Iraque. Quase um quinto dos iraquianos são refugiados ou deslocados.
É este o Iraque "libertado" pelos EUA.
Mas certamente que um dos aspectos mais chocantes da política da presidência Bush consiste na violação total dos direitos dos prisioneiros e inimigos, tratados como seres infra-humanos, enjaulados em prisões como Abu Ghraib e em campos de concentração espalhados em várias partes do mundo, com destaque para Guantánamo, submetidos a torturas físicas e psíquicas que recordam as praticadas pelos mais sanguinários regimes políticos do século XX, privados de quaisquer direitos civis, nomeadamente o de acesso aos tribunais, e das mais elementares garantias processuais, como o conhecimento da acusação e do termo do prazo da detenção.
A prática da tortura não constitui, ao contrário do que o próprio Bush tentou inicialmente justificar, um "abuso ocasional” da responsabilidade de alguns soldados perturbados, mas sim um instrumento central para a recolha de informações no combate ao "terrorismo", conforme o próprio Bush abertamente reconheceu, chegando mesmo a louvar a eficácia de alguns métodos na obtenção de informações.
Aliás, esses mesmos métodos foram integrados num catálogo dos procedimentos a seguir nos interrogatórios de prisioneiros pelos agentes da CIA, que permite inúmeros atos que recaem sob o conceito de tortura tal como é definido pela Convenção Internacional contra a Tortura, catálogo esse que tem variado um pouco, mas que se mantém basicamente o mesmo, e em que sobressai a simulação de afogamento. Inclusive, Bush vetou no início de março passado uma proposta de lei aprovada pelo Senado que proibia o uso de tortura nos interrogatórios da CIA, com o argumento de que tais métodos são "instrumentos indispensáveis" na luta contra o terrorismo.
O destino dos prisioneiros de Guantánamo, detidos em várias partes do mundo e muitas vezes de forma completamente arbitrária ou mesmo sem ligações a quaisquer atividades "suspeitas", conforme reconheceu um antigo comandante do campo, e para ali transportados nos célebres "voos da CIA" que tiveram a cumplicidade de muitos países europeus, continua incerto.
O presidente Bush começou por criar uma jurisdição militar especial (comissões militares constituídas por militares por ele nomeados, regendo-se por um estatuto também por ele estabelecido) para julgar aqueles que entendesse levar a "julgamento".
Porém, essa legislação foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal dos EUA, por sentença de 29.6.2006, por o Presidente não ter competência constitucional ou delegada pelo Congresso para criar as ditas comissões e ainda por o estatuto das mesmas não conceder aos detidos as garantias mínimas estabelecidas pelas Convenções de Genebra. A mesma decisão considerou ainda inconstitucionais as técnicas mais agressivas de interrogatório praticadas.
Reagindo a essa decisão, o Presidente Bush propôs nova legislação ao Congresso que acabou por ser aprovada em 28.9.2006 e que mantém essencialmente o sistema anterior, nomeadamente a competência das comissões militares para o julgamento dos detidos e a proibição de recurso ao habeas corpus, limitando apenas as técnicas de interrogatório (foram banidas somente as que produzam sofrimento ou lesões graves ) e excluindo a validade das provas obtidas sob tortura, e garantindo o acesso à informação classificada que conste da acusação formulada.
Um tribunal federal de recurso de Washington já decidiu que os prisioneiros de Guantánamo não poderão recorrer aos tribunais judiciais norte-americanos, o que constituiu uma "vitória" para Bush. O Supremo Tribunal dos EUA foi chamado a pronunciar-se sobre essa medida, mas a sua decisão está marcada para junho próximo. Resta saber se resistirá à pressão enorme que sobre ele incidirá seguramente. Parece, no entanto, óbvio que se mantêm pertinentes as críticas que o tribunal formulou anteriormente e que, em coerência, deveria manter.
Entretanto, seis prisioneiros de Guantánamo foram formalmente acusados de envolvimento em atos terroristas e a acusação vai pedir para eles a pena de morte.
As comissões militares que os vão julgar, quer pela composição do tribunal (exclusivamente formados por militares escolhidos pelo Presidente dos EUA), quer pelas regras referentes às provas (que permitem aceitar as confissões obtidas sob tortura antes de 30.12.2005, data da lei que as ilegalizou, e que nega o direito de acesso do acusado às fontes das provas quando esteja em causa a "segurança nacional"), quer ainda pelo funcionamento quase secreto das comissões (que funcionarão no próprio campo de Guantánamo), estamos perante um arremedo de tribunal, que não confere as garantias mínimas de um processo justo.
Mas em Guantánamo encontram-se ainda 275 prisioneiros que continuam a aguardar indefinidamente o seu destino, que não têm direito de saber quando, ou mesmo se, alguma vez serão acusados, e de que crimes, que estão privados de defesa e de acesso a um tribunal, que é a garantia mínima de qualquer detido, segundo os padrões internacionais.
Porém, Guantánamo é apenas uma peça de um vasto sistema repressivo e punitivo à escala mundial, de que não se conhecem os contornos exatos, porque uma parte substancial é secreta.
Sabe-se, contudo, depois do relatório do Conselho da Europa (Dick Marty) e do, mais recente, do Parlamento Europeu, que outros campos de prisioneiros existem em várias partes do mundo (Bagram, no Afeganistão, e Diego Garcia, uma ilha do Índico "cedida" pelas autoridades inglesas à CIA) e quase certamente que também existiram na Europa (Polônia e Romênia).
E que um permanente vaivém de vôos secretos transportou, pelo menos até há pouco, "passageiros clandestinos" (algumas vezes inclusive raptados por agentes da CIA em países europeus, por vezes com a cumplicidade dos serviços secretos desses países) de um para outro campo, de um para outro país, para serem interrogados por agentes da CIA ou para serem entregues, para tortura "delegada" ou para apodrecerem nas prisões, a países "amigos", onde não poderão socorrer-se de quaisquer garantias processuais.
São as "entregas extraordinárias", que constituem transferências ilegais de prisioneiros, porque à margem dos tratados de extradição (existissem ou não), do controle judicial, das próprias regras de cooperação bilateral ou internacional entre os estados.
A União Européia, incluindo Portugal, foi intensamente cruzada por estes aviões "fantasmas" (1245 vôos, em 14 países, foram identificados pelo PE), sem que as autoridades européias, e particularmente as portuguesas, tivessem exercido qualquer controle sobre eles, como era imposto pelas normas internacionais sobre o tráfego aéreo. O PE considerou "improvável" que os governos europeus desconhecessem o que se passava.
3) No mundo "ocidental", também se tem feito sentir a ofensiva neoconservadora da administração Bush.
Desde logo, através da manipulação da opinião pública interna, tentando mobilizá-la para a "cruzada" contra o "perigo islâmico", fornecendo desde o princípio informações totalmente falsas ou distorcidas e condicionando o mais possível a liberdade de imprensa, a maior parte da qual, inclusive a de "referência", alinhou-se de início abertamente com a política bélica de Bush.
Tudo isso levou à criação de um clima de xenofobia e de hostilidade para com as comunidades islâmicas e, por vezes, a atitudes de histeria coletiva ou de descontrole policial contra cidadãos que alegadamente tomem atitudes "suspeitas" (como aconteceu em Londres com o cidadão brasileiro Jean Charles Menezes).
O clima de histeria xenófoba leva por vezes a reações discriminatórias, se não mesmo racistas, por parte de instituições privadas, como as companhias aéreas de navegação.
Mas, a pretexto de "luta contra o terrorismo", toda uma legislação especial tem vindo a ser criada, a partir do Patriot Act, de 2001, no sentido de conferir ao Presidente dos EUA autorização para tomar medidas para restringir fortemente as liberdades e permitir às autoridades policiais meios de investigação sem controle judicial.
A seguir ao 11 de setembro, um número elevadíssimo (nunca revelado pela autoridades) de pessoas foram detidas nos EUA. Apenas uma, o francês Hosseini, acusado de envolvimento na conspiração do 11 de setembro de 2001, foi levada a julgamento, vindo a ser condenada em condições estranhas, já que aparentemente toda a prova se resumiu à sua "confissão", que não pareceu verossímil.
Mas não só no plano estritamente legal se fazem sentir os efeitos da ofensiva Bush.
O recurso a meios secretos e ilegais, por eventuais dificuldades em obter autorização do Congresso nesse sentido, faz também parte do seu arsenal.
Particularmente polêmica foi a revelação de um vasto programa de "espionagem interna", especialmente através de escutas telefônicas e interceptação de mensagens eletrônicas, levado à prática pela Agência Nacional de Segurança, sem autorização ou controle judicial, iniciado pouco depois do 11 de setembro, mas também um outro programa de vigilância de movimentos bancários internacionais, conduzido pelo Departamento do Tesouro e que se assenta na coleta de registros de transações internacionais de uma entidade bancária internacional participada por milhares de bancos em inúmeros países.
Afinal, e como Bush não se cansa de repetir, os EUA consideram que todos os meios são válidos quando se trata da "proteção da segurança do país". A proteção dos EUA é, assim, elevada a supremo valor universal, perante o qual todos os demais valores, mesmo aqueles que são normalmente invocados como o patrimônio político norte-americano, devem ceder. Raras vezes o interesse "imperial" terá sido tão diretamente reivindicado depois da queda dos impérios tradicionais.
A tendência é para "exportar" a legislação norte-americana para os países "aliados", sendo o mais fiel aliado político e militar, a Grã-Bretanha, aquele que efetivamente também mais se tem destacado na adoção dessa linha legislativa.
Com efeito, desde o Anti-terrorism, Crime and Security Act 2001 até ao Terrorism Act 2006, têm-se sucedido medidas legislativas, prevendo novas infrações, como a punição dos atos preparatórios do terrorismo, o incitamento ao terrorismo, a distribuição de publicações terroristas, etc. – ou mesmo aquilo que, com larga margem de arbitrariedade, seja considerado "glorificação" do terrorismo, como acontece com a referida legislação antiterrorista promulgada no Reino Unido, que considera crime a publicação de quaisquer textos que "glorifiquem a execução ou a preparação" de atos terroristas, "tanto no passado como no futuro em geral".
Simultaneamente, são alargados os prazos de detenção sem controle judicial, que podem ir até 28 dias, não se devendo esquecer que foi a resistência dos law lords da Câmara dos Lordes que impediu Blair de avançar com medidas mais extremas. Há poucos dias, a Ministra do Interior voltou a insistir na necessidade de aumentar esse prazo de 28 para 42 dias (!), agitando os fantasmas de graves ameaças terroristas sobre a Grã-Bretanha.
Outros países europeus têm aprovado legislação idêntica, embora atenuada nas soluções. Em Portugal, as conseqüências foram, até à data, menos nefastas. No tocante às garantias processuais, não se registrou qualquer restrição.
A denominada "Lei de Combate ao Terrorismo" (Lei nº 52/2003, de 22 de agosto), em cumprimento da Decisão-Quadro do Conselho Europeu de 13.6.2002, preocupou-se, sobretudo, com a reformulação, em sentido mais abrangente, dos já existentes crimes de organização terrorista e terrorismo.
Mas, em março deste ano, o Ministro da Administração Interna anunciou, na esteira da referida legislação britânica, que esperava pelas decisões da União Européia para transpor para a ordem jurídica portuguesa as medidas de criminalização da "apologia do terrorismo".
Globalmente, podemos dizer, sem qualquer exagero, que as tradicionais liberdades e garantias do cidadão, que se julgavam patrimônio adquirido da nossa civilização, se encontram desde há anos sob uma forte ofensiva que tem deixado marcas profundas na legislação e na prática governativa de muitos países, a começar pelos EUA, onde a governação neoconservadora se reveste de características indubitavelmente fascistas.
Embora tendo sofrido um freio com os insucessos eleitorais do Partido Republicano, que lhe retiraram a maioria em ambas as câmaras do Congresso norte-americano, e com a crescente oposição popular à guerra nos próprios EUA, este rumo só poderá considerar-se invertido quando forem revogadas as medidas antidemocráticas postas em vigor e restabelecidas as garantias individuais.
4) A agressão ao Iraque não foi uma mera aventura irrefletida decidida por um presidente incompetente. Foi, sim, um passo decidido já antes dos atentados do 11 de setembro, com os quais aliás não existe nenhuma ligação, no sentido de cumprir uma estratégia hegemônica mundial traçada nos escombros da União Soviética e do seu espaço de influência.
Derrotado o inimigo de décadas, e único opositor militar credível 9ª União Soviética) , os EUA viram-se sozinhos na arena internacional e o sonho imperial, que aliás bem cedo surgira na história norte-americana, com a expansão para o Oeste e para o Pacífico, e beneficiou de uma extraordinária aceleração em 1945, inscreveu-se como tarefa prioritária da política norte-americana, então nas mãos de Bush pai.
A Guerra do Golfo de 1991 é o primeiro ensaio. Nesses anos é publicada uma nova Estratégia Nacional, complementada pelo célebre Defence Planning Guidance, elaborado por Paul Wolfowitz, que vem sendo sucessivamente atualizada, mas que marca os grandes objetivos imperiais dos novos senhores.
No centro dessa estratégia sobressai o conceito de segurança global, da qual os EUA, com a cooperação das outras áreas "democráticas" (Europa e Japão), são os supremos garantes, com a missão de realizar a tarefa global de pacificar e manter a segurança coletiva, se necessário com a intervenção militar, abandonando assim o velho princípio da não ingerência, que datava da paz de Vestefália.
Assim, ao contrário dos impérios tradicionais, não está em causa a anexação ou a expansão do domínio territorial. Aos novos imperadores, como garantes da segurança global e da nova ordem mundial, interessa apenas o direito de intervir militarmente sempre e onde quer que seja necessário para manter a "ordem global", que mais não é do que a fiel garante do seu domínio a nível mundial.
Globalizar o capitalismo, manter a (desigual) repartição de riqueza a nível mundial, assegurar o acesso às fontes de energia e a novos mercados por parte das economias dominantes, eis o programa econômico da "nova ordem mundial".
Ou seja, os EUA reivindicam o papel de definição da ordem mundial e das suas regras, nas relações políticas internacionais, de definição da ordem econômica global e do acesso e distribuição dos recursos mundiais, baseada no mercado livre, que assegura a supremacia das economias ocidentais (e da sua, antes das outras) e na abertura das fontes energéticas e outras riquezas a essas economias, como ainda o papel de definição dos valores políticos e econômicos (os "direitos humanos", restritos aos direitos civis) que devem nortear a ação interna dos governos "locais" e cuja violação os sujeitará a eventual sanção do poder imperial.
Quer como garantes da "ordem global", quer como protetores dos "direitos humanos", os EUA e a NATO, por eles redimensionada como aliança militar agressiva com intervenção a nível mundial, e que é simultaneamente instrumento de cooperação com os aliados europeus e de vigilância sobre os eventuais intentos autonomistas destes, encabeçaram desde então diversas intervenções armadas, agressões armadas, melhor dizendo, ameaçando praticar outras, que foram a tradução prática dos conceitos vertidos nos documentos estratégicos.
Umas vezes como "guerra humanitária" (ex-Iugoslávia), outras vezes como "guerra ao terrorismo" (sucessiva ou preventiva), a guerra tornou-se o modo normal de o novo império impor a sua ordem.
Os que se opõem à nova ordem são tratados, não já como opositores ou sequer inimigos, como tradicionalmente, mas como delinqüentes, como criminosos, para os quais se criam tribunais "ad hoc" (nacionais ou internacionais, conforme o país inimigo é ou não diretamente sujeito à tutela imperial) para puni-los e humilhá-los. A criminalização do inimigo tornou-se um dos pilares da nova estratégia político-militar.
Quem esperava uma era de paz subseqüente ao fim da Guerra Fria ficou decepcionado. Nenhuma expectativa de paz é credível nos próximos tempos. Pelo contrário, quer pela manutenção infindável da ocupação por Israel dos territórios palestinos, quer pelo arrastamento do conflito da NATO no Afeganistão, em que as perspectivas de "vitória" parecem ser cada vez mais longínquas, quer pelas constantes ameaças de agressão por parte dos EUA ao Irã, invocando a existência de um programa secreto de militarização nuclear que não está minimamente provado, quer, sobretudo, pela ocupação do Iraque, as perspectivas são de um agravamento do fosso com o mundo árabe e islâmico em geral.
A questão está em que as contas saíram furadas no Iraque.
5) As coisas correram realmente mal aos EUA no Iraque. Não faz parte da estratégia do novo império a guerra terrestre, nem a ocupação prolongada de qualquer território estrangeiro. Quando muito, essas tarefas serão delegadas. Mas o envolvimento direto de tropas terrestres, com o risco de baixas, é evitado o mais possível.
O ataque ao Iraque foi programado dentro desses princípios: ataque aéreo devastador a "abrir", aniquilando o arsenal e efetivos militares o mais possível e "desmoralizando" a população civil; subseqüente ocupação rápida do território, sua "pacificação", e entrega do poder a um governo "amigo"; retirada também rápida das tropas terrestres e instalação de bases no território.
Tudo isto seguido, evidentemente, da abertura das torneiras das condutas petrolíferas. Esta seria a vitória.
Mas a resistência popular, que surpreendeu tudo e todos, sobretudo os agressores, que talvez fossem vítimas da sua própria propaganda que os apresentava como "libertadores", inviabilizou completamente o plano.
A realidade tem sido bem amarga para os EUA e "aliados". Pondo de parte os custos financeiros, exorbitantes mesmo para uma superpotência, os custos humanos são desastrosos. Já com mais de 4000 baixas mortais, e cerca de 30 mil estropiados e incapacitados, esta é a guerra mais mortífera de sempre, depois da do Vietnam.
E o último ano (2007), apesar do aparente arrefecimento dos confrontos, foi o pior de todos, em termos de baixas norte-americanas.
O número oficial de desertores é de 16 mil, mas poderão ser muitos mais, o que é um indício seguro da "desmoralização" das tropas ocupantes perante a resistência encontrada.
Os traumatizados e portadores de problemas de saúde mental em conseqüência da guerra poderão ser mais de 120 mil, segundo estudos de associações de militares veteranos.
A opinião pública norte-americana condena, hoje, abertamente, a invasão do Iraque. Cerca de dois terços dos cidadãos norte-americanos estão fartos da guerra e querem a retirada imediata das tropas.
A tentativa de "iraquizar" a guerra não está a dar, nem poderá dar, resultado. As "eleições" realizadas e as instituições estabelecidas não têm credibilidade junto do povo iraquiano. Todos sabem que, sem o suporte norte-americano, tudo ruirá em pouco tempo. O arrastamento do impasse funciona contra os EUA. Essa dependência ficou de novo expressa nas afirmações recentes do presidente iraquiano, segundo as quais as tropas norte-americanas terão de permanecer no Iraque, pelo menos até 2012 como forças de intervenção, e até 2017 como forças de "apoio".
A ocupação militar é condição necessária da imposição do protetorado norte-americano. É a consciência disso que tem levado o presidente Bush a recusar-se a anunciar qualquer calendário de retirada, que seria muito popular junto do eleitorado nas próximas eleições presidenciais.
A desorientação perante o evoluir da situação tornou-se patente com a aproximação das eleições legislativas de Novembro de 2006, que constituíram um verdadeiro teste à política Bush no Iraque e que traduziram uma frontal condenação dessa política pelo povo americano. O principal rosto da guerra (Donald Rumsfeld) foi forçado a partir; alguns já o tinham precedido, outros seguiram depois o mesmo caminho. Desesperadamente, Bush encomendou soluções. Elas vieram e as mais avisadas propunham uma progressiva retirada norte-americana.
Contrariando esses estudos e o sentimento do povo norte-americano, e expressamente o dos democratas e de parte dos republicanos, Bush decidiu-se por nova escalada, mobilizando mais 21000 militares para o Iraque. A idéia foi desencadear uma ofensiva brutal que permitisse depois retirar em ordem, assegurando o fundamental: o petróleo.
A nova manobra posta em prática pelo general Petraeus consistiu em comprar e armar uns quantos chefes tribais, assim transformados em "senhores da guerra", numa tentativa de contra-insurreição que visa retirar base social à resistência.
Na recentíssima "prestação de contas" perante o Congresso norte-americano, o general proclamou a conquista de "progressos reais" na "segurança" no Iraque, mas logo acrescentou que tais "progressos" eram "frágeis e reversíveis". Segundo ele, terão de permanecer no Iraque, por tempo indefinido, 140 mil tropas, o que é uma declaração implícita de derrota.
Apesar das dificuldades, as diversas organizações que constituem a resistência patriótica iraquiana têm dado passos no sentido de juntar forças, coordenar as ações militares e dotar-se de um programa político comum.
A importância decisiva da resistência está, aliás, expressa num documento insuspeito: o relatório Baker-Hamilton. Nele, se aponta sem equívocos a resistência popular (designada por "insurreição árabe sunita") como o principal inimigo das tropas norte-americanas, fortemente apoiada na população, armada e financiada a partir do interior do país; e se remetem as ações da Al-Qaida para plano claramente secundário, apenas "responsável por uma pequena parte da violência no Iraque" (capítulo I, A, 1.).
Afinal, tudo vai depender, mais uma vez, do povo iraquiano, cuja resistência heróica enterrou os planos imperiais nas areias da antiga Mesopotâmia. Certamente que não é agora que a resistência irá parar ou sequer diminuir.
O que o povo iraquiano demonstrou ao mundo foi a falência da força esmagadora e brutal da superpotência perante uma resistência armada que não conta sequer com o apoio material mais ou menos discreto de nenhum estado, mas sim e apenas com o suporte e a dedicação sem limites do próprio povo. As limitações do poder imperial ficaram cruamente expostas à vista de todos os povos.
Mas também é essencial a luta das forças progressistas no "Ocidente", de todos os que se opõem ao louco projeto hegemônico dos EUA e querem lançar as bases de uma ordem mundial mais justa.
Só a conjugação destas duas lutas pode derrotar o império, ou pelo menos fazê-lo recuar nos seus propósitos mais agressivos.
6) Portugal, como alguns outros países europeus, também se envolveu na agressão ao Iraque.
Primeiro, organizando e participando, pela mão do Governo de Barroso, na "cimeira das Lajes" onde a decisão foi formalmente tomada e anunciada ao mundo, e alinhando, antes e depois, em todos os fóruns internacionais com as posições dos EUA.
Após a ocupação, enviando uma força da GNR para o Iraque, com a concordância do Presidente da República (Jorge Sampaio). Embora as posições dos dois órgãos de soberania não fossem coincidentes, nunca o PR assumiu uma posição clara de distanciamento da política do Governo.
Colaborou também o Governo Barroso com os invasores, ao enviar para Bagdá um representante seu (José Lamego) junto da Autoridade Provisória nomeada pela Casa Branca.
Entretanto, tinham iníciado as "transferências extraordinárias" de presos da CIA em aviões sobrevoando o território português, que perduraram por todo o Governo de Santana Lopes e que, inclusive, terão ainda ocorrido já depois de o atual Governo ter iniciado funções.
O Parlamento Europeu identificou 118 escalas de aviões operados pela CIA nos nossos aeroportos, três deles diretamente de ou para Guantánamo.
O Governo português atual, estranhamente, não só não colaborou com a comissão do PE que se deslocou a Portugal para recolher informações, comissão aliás presidida por um eurodeputado português (Carlos Coelho), como inclusive a hostilizou, pela voz do MNE, Luís Amado, que se envolveu em polêmica com a eurodeputada Ana Gomes, membro da comissão parlamentar européia, por esta tentar aprofundar a investigação dos fatos ocorridos em Portugal.
Foi, aliás, devido à "queixa" apresentada por esta eurodeputada portuguesa que o PGR decidiu instaurar um inquérito criminal (contra incertos) para apuração dos fatos descritos no relatório do PE. Note-se que, poucos dias antes, o partido governamental, apoiado pelos partidos da direita, tinha rejeitado a instauração de um inquérito parlamentar com o mesmo objetivo proposto pelo PCP e apenas apoiado pelo BE.
É muito problemático o sucesso que poderá ter o inquérito criminal instaurado, pois a atitude do Governo português sobre esta matéria não revela grande entusiasmo, para não dizer que mostra aberta hostilidade, na apuração dos fatos e a colaboração governamental poderá ser decisiva para a descoberta da verdade.
Recentemente, novos dados sobre os referidos vôos foram apresentados pela ONG inglesa Reprieve, mas o Governo português imediatamente "desvalorizou" as informações. O próprio Primeiro-Ministro, José Sócrates, há poucos dias, garantiu que nem o atual executivo, nem os anteriores, autorizaram a passagem de vôos da CIA pelo espaço aéreo português.
Esta atitude, aliás, em contraste com a do governo britânico, que pela primeira vez reconheceu a passagem pelo seu território dos aviões da CIA, embora tenha admitido apenas dois vôos "irregulares" (!), é ilustrativa do desinteresse do Governo na procura da verdade, se não mesmo no interesse em escondê-la…
O Procurador-Geral da República anunciou, na seqüência da denúncia da Reprieve, a realização de novas diligências no inquérito, mas, insiste-se, sem a colaboração do Governo, que tem em suas mãos, ou ao seu alcance, as informações essenciais para a apuração da verdade, aquele inquérito não poderá ser concluído com êxito.”
OBS: a decisão com base nessa acusação — aprovada pelos jurados do Tribunal Mundial sobre o Iraque na madrugada de 19 de Abril — será acrescentada neste blog, logo que disponível.
PSDB E DEM ÓRFÃOS – FIM DO NEOLIBERALISMO
O jornal Folha de São Paulo de hoje (21/04) publicou o artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira sobre o inglório estertor do neoliberalismo no mundo.
Esse fim representa a queda da coluna básica que sustentou todos os discursos e ações do governo PSDB/DEM-PFL/FHC.
A morte sem honras do neoliberalismo e do seu Deus “Mercado” prejudica ainda mais todo o atual desesperado esforço da grande mídia brasileira e daqueles partidos para o retorno ao poder no Brasil. Todos nós brasileiros assistimos diariamente, há cinco anos, a luta da oposição e da imprensa, que a orienta, na estratégia de quanto pior para o Brasil melhor para a volta deles.
Essa volta ficou mais improvável.
Reproduzo o texto de Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC):.
“FIM DA ONDA NEOLIBERAL”
“O socorro ao Bear Stearns e as revoltas em países atingidos pela alta de preço de alimentos marcam esse fim inglório.
Chegou ao fim a onda ideológica neoliberal que dominou o mundo nos últimos 30 anos no quadro da hegemonia americana.
Dois fatos ocorridos nas últimas semanas marcaram esse fim inglório. De um lado, o socorro do banco de investimento Bear Stearns. De outro, as revoltas populares em vários dos 33 países hoje seriamente atingidos pelo aumento dos preços dos alimentos.
Essa ideologia reacionária que visava reformar o capitalismo global para fazê-lo voltar aos tempos do capitalismo liberal do século 19 revelou ter fôlego curto. E não poderia ser de outra forma, já que estava em contradição com os avanços políticos e institucionais que transformaram o Estado liberal do século 19 no Estado democrático e social da segunda metade do século 20.
Apoiada na hegemonia americana, a onda ideológica neoliberal teve início em 1980, com a eleição de Ronald Reagan, e chegou ao auge nos anos 1990, com o colapso da União Soviética, mas nos anos 2000 entrou em declínio.
Três fatores contribuíram para a crise:
1) o fracasso das reformas e da macroeconomia neoliberais em promover o desenvolvimento econômico dos países periféricos que a aceitaram;
2) o desastre político e humano representado pela guerra contra o Iraque; e
3) mais recentemente, a grande crise bancária que a desregulamentação financeira facilitou.
Nos últimos dias, a intervenção para salvar um banco de investimento e a ameaça de fome causada pela elevação dos preços dos alimentos marcam definitivamente o fim da utopia neoliberal de uma sociedade regulada principalmente pelo mercado.
Não preciso de maior argumentação para demonstrar por que o socorro do Bear Stearns tem esse sentido. Conforme afirmou na ocasião Martin Wolf, abrindo seu artigo semanal, "lembre a sexta-feira, 14 de março de 2008: foi o dia em que o sonho de um capitalismo de livre mercado morreu". (Folha, 26/ 3/08).
Engana-se, porém, Wolf em falar em "sonho". Trata-se antes de um pesadelo, porque, se é verdade que o mercado é um excelente alocador de recursos, mesmo nesse campo precisa de regulação para evitar instabilidade. Já em relação aos demais valores que a humanidade tão arduamente construiu, o mercado é cego, ignorando os princípios mais elementares de honestidade, proteção da natureza e justiça social.
Essa cegueira assumiu caráter dramático com a notícia de que as populações pobres de pelo menos 33 países estão ameaçadas de fome devido à alta dos preços dos alimentos.
Se a ideologia neoliberal dominante nestes últimos 30 anos não houvesse se encarregado de convencer os países pobres de que não precisavam de suas culturas de produtos alimentícios, de que era mais econômico especializar-se em alguma outra atividade (geralmente de valor adicionado per capita igualmente baixo) e importar seus alimentos básicos, os povos desses países não estariam agora em justa revolta.
Creio que existem boas razões para acreditarmos no desenvolvimento econômico e político dos povos.
É absurda, porém, a ideologia que pretende alcançar o bem-estar econômico capitalista sem se beneficiar do desenvolvimento político democrático, sem contar com a ação corretiva e regulatória do Estado democrático e social que tão arduamente a sociedade moderna vem construindo e do qual faz parte um mercado livre mas regulado.
Não teremos saudades do neoliberalismo."
Esse fim representa a queda da coluna básica que sustentou todos os discursos e ações do governo PSDB/DEM-PFL/FHC.
A morte sem honras do neoliberalismo e do seu Deus “Mercado” prejudica ainda mais todo o atual desesperado esforço da grande mídia brasileira e daqueles partidos para o retorno ao poder no Brasil. Todos nós brasileiros assistimos diariamente, há cinco anos, a luta da oposição e da imprensa, que a orienta, na estratégia de quanto pior para o Brasil melhor para a volta deles.
Essa volta ficou mais improvável.
Reproduzo o texto de Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC):.
“FIM DA ONDA NEOLIBERAL”
“O socorro ao Bear Stearns e as revoltas em países atingidos pela alta de preço de alimentos marcam esse fim inglório.
Chegou ao fim a onda ideológica neoliberal que dominou o mundo nos últimos 30 anos no quadro da hegemonia americana.
Dois fatos ocorridos nas últimas semanas marcaram esse fim inglório. De um lado, o socorro do banco de investimento Bear Stearns. De outro, as revoltas populares em vários dos 33 países hoje seriamente atingidos pelo aumento dos preços dos alimentos.
Essa ideologia reacionária que visava reformar o capitalismo global para fazê-lo voltar aos tempos do capitalismo liberal do século 19 revelou ter fôlego curto. E não poderia ser de outra forma, já que estava em contradição com os avanços políticos e institucionais que transformaram o Estado liberal do século 19 no Estado democrático e social da segunda metade do século 20.
Apoiada na hegemonia americana, a onda ideológica neoliberal teve início em 1980, com a eleição de Ronald Reagan, e chegou ao auge nos anos 1990, com o colapso da União Soviética, mas nos anos 2000 entrou em declínio.
Três fatores contribuíram para a crise:
1) o fracasso das reformas e da macroeconomia neoliberais em promover o desenvolvimento econômico dos países periféricos que a aceitaram;
2) o desastre político e humano representado pela guerra contra o Iraque; e
3) mais recentemente, a grande crise bancária que a desregulamentação financeira facilitou.
Nos últimos dias, a intervenção para salvar um banco de investimento e a ameaça de fome causada pela elevação dos preços dos alimentos marcam definitivamente o fim da utopia neoliberal de uma sociedade regulada principalmente pelo mercado.
Não preciso de maior argumentação para demonstrar por que o socorro do Bear Stearns tem esse sentido. Conforme afirmou na ocasião Martin Wolf, abrindo seu artigo semanal, "lembre a sexta-feira, 14 de março de 2008: foi o dia em que o sonho de um capitalismo de livre mercado morreu". (Folha, 26/ 3/08).
Engana-se, porém, Wolf em falar em "sonho". Trata-se antes de um pesadelo, porque, se é verdade que o mercado é um excelente alocador de recursos, mesmo nesse campo precisa de regulação para evitar instabilidade. Já em relação aos demais valores que a humanidade tão arduamente construiu, o mercado é cego, ignorando os princípios mais elementares de honestidade, proteção da natureza e justiça social.
Essa cegueira assumiu caráter dramático com a notícia de que as populações pobres de pelo menos 33 países estão ameaçadas de fome devido à alta dos preços dos alimentos.
Se a ideologia neoliberal dominante nestes últimos 30 anos não houvesse se encarregado de convencer os países pobres de que não precisavam de suas culturas de produtos alimentícios, de que era mais econômico especializar-se em alguma outra atividade (geralmente de valor adicionado per capita igualmente baixo) e importar seus alimentos básicos, os povos desses países não estariam agora em justa revolta.
Creio que existem boas razões para acreditarmos no desenvolvimento econômico e político dos povos.
É absurda, porém, a ideologia que pretende alcançar o bem-estar econômico capitalista sem se beneficiar do desenvolvimento político democrático, sem contar com a ação corretiva e regulatória do Estado democrático e social que tão arduamente a sociedade moderna vem construindo e do qual faz parte um mercado livre mas regulado.
Não teremos saudades do neoliberalismo."
ENTREVISTA COM O NOVO PRESIDENTE PARAGUAIO, FERNANDO LUGO
A “Agência Carta Maior” publicou ontem a entrevista realizada pela jornalista Clarissa Pont com o candidato à presidência do Paraguai Fernando Lugo, praticamente já eleito segundo os últimos resultados das apurações. Transcrevo:
“O Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações”
“Em Assunção, Carta Maior conversou com Fernando Lugo, candidato apontado como favorito para vencer as eleições presidenciais no Paraguai. Para Lugo, é fundamental consolidar a identidade política e realizar um processo transformador dentro do país.”
“ASSUNÇÃO - Em um país onde a filiação ao Partido Colorado parecia ser sinônimo exclusivo de participação política, a coligação criada em torno do candidato Fernando Lugo garantiu, pela primeira vez em 60 anos, a dúvida sobre quem ganhará as eleições presidenciais deste ano.
A Aliança Patriótica para a Mudança reúne sob uma mesma legenda nove partidos políticos e diversos movimentos sociais, sindicais e indígenas. O Partido Liberal Radical Autêntico, a segunda força partidária paraguaia depois da tradição colorada, forma esta frente com Federico Franco, candidato a vice-presidente.
As contradições entre a base popular que impulsionou a candidatura de Lugo e o partido do vice-presidente, para alguns, são capazes de inviabilizar um governo.
De qualquer forma, Lugo e Franco estiveram juntos durante toda campanha e, em discursos, têm apoiado que a Aliança é uma força não apenas eleitoral, também política. Os dois candidatos seguem em primeiro lugar nas pesquisas de boca de urna realizadas esta manhã no Paraguai.
Nesta entrevista, Lugo explica como se estabeleceriam as relações entre Brasil e Paraguai caso vença as eleições deste domingo e afirma que “pela primeira vez o país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas”.
Carta Maior – A Aliança Patriótica para a Mudança é um grande mosaico de partidos e movimentos. Como será o governo em caso de vitória?
Fernando Lugo – Pela primeira vez, nosso país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas. Primeiro, pela formação de uma grande Aliança Patriótica para a Mudança, com nove partidos políticos e vinte organizações sociais, campesinas, obreiras, sindicais e indígenas. Construímos a unidade na diversidade, queremos uma democracia apoiada no pluralismo, com um desafio grande.
Sabemos que os processos sociais e políticos são lentos. Eu sempre digo que os irmãos uruguaios firmaram seu acordo político em 1973 e, apenas 30 anos depois, chegaram ao poder. Nós ainda nem completamos oito meses. Em 27 de agosto do ano passado, firmamos o acordo político de formação da Aliança. Com a candidatura de um ex-bispo que vem da experiência pastoral, dos movimentos sociais. E com o Partido Liberal e Federico Franco.
Juntos, queremos ratificar tudo que, em nossas bases programáticas, temos reafirmado durante a campanha. Para muitos, mudar a política paraguaia, porque esperaram mais de 60 anos para isso, é quase uma questão apocalíptica. Nós da Aliança queremos afirmar, sem nenhum trauma, que essa transição é genuína e que a faremos de portas abertas, com transparência, em um processo pacífico, sereno e maduro.
O Paraguai não pode seguir sendo uma ilha entre as outras nações. Estamos na sombra de dois grandes países, Argentina e Brasil. Paraguai tem de consolidar e construir sua própria identidade política em um processo transformador dentro do país.
A Aliança reúne ideologias pluralistas e nosso grande esforço é construir a unidade dentro desta diversidade. Construir as colunas fundamentais da democracia com esses partidos diferenciados. Desde o primeiro momento, queremos ter relações com todos os países, abertas, solidárias, diplomáticas, políticas, comerciais, sociais e culturais. E Paraguai, como país independente e soberano, terá que definir com clareza sua política exterior.
Carta Maior – A soberania energética do país, questão fundamental para o Paraguai, será definida pelo próximo presidente em mesas de negociação com o Brasil. Como o senhor pretende tratar o tema de Itaipú?
Fernando Lugo – Antes de assumir a candidatura há um ano e meio, ainda nem pensávamos na Aliança Patriótica para a Mudança, já tínhamos começado com os grandes sindicatos energéticos do país uma série de encontros e fóruns sobre a questão. Faz um ano e meio que começamos uma grande campanha de conscientização sobre a soberania energética paraguaia. Assim nasceu o interesse pela temática, tanto dentro do país, como também os paises vizinhos.
Nós acreditamos que o Tratado de Itaipu, de 26 de abril de 1973 para ser exato, se deu em condições onde havia uma grande lacuna e falência democrática, e sem participação da cidadania. Antes da assinatura do contrato, houve diversas reuniões preliminares. Em uma das mais importantes, na cidade de Foz do Iguaçu em 1966, Brasil e Paraguai asseguraram que o preço da energia seria justo. Nós consideramos que a energia que hoje se vende ao Brasil não possui um preço justo, porque corresponde ao valor de custo, não de mercado. Ninguém concede sua energia a preço de custo hoje. Venezuela não vende seu petróleo a preço de custo, nem o Chile o seu cobre. A Bolívia também vende seu gás a preço de mercado. O Paraguai é um dos poucos países que vende sua energia aos sócios na construção da represa a preço de custo. Isso mudará fundamentalmente a economia nacional.
Carta Maior – E o tema dos chamados brasiguaios?
Fernando Lugo – Creio que, entre as décadas de 60 e 70, começaram a chegar os primeiros imigrantes. Nós valorizamos muito o processo migratório e o vemos de maneira positiva. Os Estados Unidos não seriam o que são hoje sem a imigração inglesa, o sul do Brasil não teria todas suas características sem as imigrações.
Assim é o Paraguai. Vemos com bons olhos o processo, quando os imigrantes vêm apostar no país e estabelecem-se de acordo com as leis nacionais. Os chamados brasiguaios já são paraguaios, porque tiveram seus filhos aqui, já há quase uma terceira geração onde estão então. Eles apostaram no país. E, se existem situações irregulares agora, em propriedade de terra ou documentação, vamos fazer tudo que for possível para as regularizações.
Carta Maior – Os processos de democracia participativa estão na agenda da esquerda latinoamericana. O Plano de Governo da Aliança aposta nesta experiência?
Fernando Lugo – Desde 1999, no Paraguai começaram os processos que indicam a democracia participativa, como a criação, a coordenação e a consolidação das Controladorias Cidadãs. Os controles nacionais do Estado são insuficientes, sobretudo em relação a grande falência no país que é a corrupção administrativa.
Há um outro processo sobre o qual já conversamos com muitos organismos não governamentais de controle e elaboração participativa dos orçamentos nos pequenos e médios municípios. A Aliança é a primeira experiência onde os grupos sociais indígenas, campesinos e de trabalhadores não precisam pertencer a um partido político para ter participação política, no governo ou fora dele.
Queremos que nosso governo seja aberto e participativo em todas suas instâncias porque acreditamos que esse é um dos caminhos que garantem a consolidação da democracia. Estamos convencidos que é isso que falta ao país.
Carta Maior – Como se estabeleceria o processo de Reforma Agrária no país?
Fernando Lugo – Quando percorremos o país, tivemos mais de 600 reuniões com diferentes partes da sociedade paraguaia, especialmente com o campo. Assim nasceu um imperativo de reforma agrária. É um dos eixos programáticos de consenso dentro da Aliança Patriótica. Nossa constituição nacional garante a propriedade privada, mas garante também que todos os cidadãos paraguaios devem estar assentados sobre sua terra própria. Temos umas 300 mil famílias sem terra, todas possuem o direito constitucional de assentar-se.
Estamos convencidos de que, apesar de o Paraguai não possuir uma história de reformas agrárias como têm outros países, tampouco acreditamos que exista um paradigma que se possa transportar de um país a outro, em termos de modelo. Precisamos ter clareza neste momento, sobretudo na elaboração do Cadastro Nacional de Propriedades, que ainda não temos. Infelizmente, nos anos 90, o governo recebeu um empréstimo do Banco Mundial de 40 milhões de dólares para fazer o necessário cadastro. Apenas entre 12 e 15% foi realizado.
O processo de reforma agrária que queremos instalar vai ser um modelo desenhado e consensual entre as diferentes partes da sociedade interessadas no tema. Chegou o momento no Paraguai de sentar e desenhar um modelo de reforma agrária que não seja traumático ou violento. Temos elementos que vieram dos movimentos campesinos e eles já têm uma proposta. O Partido Liberal tem outra. Queremos debater essas diferentes propostas em uma mesa de diálogo chegar juntos ao modelo de reforma agrária paraguaio.”
“O Paraguai não pode ser uma ilha entre as outras nações”
“Em Assunção, Carta Maior conversou com Fernando Lugo, candidato apontado como favorito para vencer as eleições presidenciais no Paraguai. Para Lugo, é fundamental consolidar a identidade política e realizar um processo transformador dentro do país.”
“ASSUNÇÃO - Em um país onde a filiação ao Partido Colorado parecia ser sinônimo exclusivo de participação política, a coligação criada em torno do candidato Fernando Lugo garantiu, pela primeira vez em 60 anos, a dúvida sobre quem ganhará as eleições presidenciais deste ano.
A Aliança Patriótica para a Mudança reúne sob uma mesma legenda nove partidos políticos e diversos movimentos sociais, sindicais e indígenas. O Partido Liberal Radical Autêntico, a segunda força partidária paraguaia depois da tradição colorada, forma esta frente com Federico Franco, candidato a vice-presidente.
As contradições entre a base popular que impulsionou a candidatura de Lugo e o partido do vice-presidente, para alguns, são capazes de inviabilizar um governo.
De qualquer forma, Lugo e Franco estiveram juntos durante toda campanha e, em discursos, têm apoiado que a Aliança é uma força não apenas eleitoral, também política. Os dois candidatos seguem em primeiro lugar nas pesquisas de boca de urna realizadas esta manhã no Paraguai.
Nesta entrevista, Lugo explica como se estabeleceriam as relações entre Brasil e Paraguai caso vença as eleições deste domingo e afirma que “pela primeira vez o país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas”.
Carta Maior – A Aliança Patriótica para a Mudança é um grande mosaico de partidos e movimentos. Como será o governo em caso de vitória?
Fernando Lugo – Pela primeira vez, nosso país vive uma etapa importante da vida política, com características quase atípicas. Primeiro, pela formação de uma grande Aliança Patriótica para a Mudança, com nove partidos políticos e vinte organizações sociais, campesinas, obreiras, sindicais e indígenas. Construímos a unidade na diversidade, queremos uma democracia apoiada no pluralismo, com um desafio grande.
Sabemos que os processos sociais e políticos são lentos. Eu sempre digo que os irmãos uruguaios firmaram seu acordo político em 1973 e, apenas 30 anos depois, chegaram ao poder. Nós ainda nem completamos oito meses. Em 27 de agosto do ano passado, firmamos o acordo político de formação da Aliança. Com a candidatura de um ex-bispo que vem da experiência pastoral, dos movimentos sociais. E com o Partido Liberal e Federico Franco.
Juntos, queremos ratificar tudo que, em nossas bases programáticas, temos reafirmado durante a campanha. Para muitos, mudar a política paraguaia, porque esperaram mais de 60 anos para isso, é quase uma questão apocalíptica. Nós da Aliança queremos afirmar, sem nenhum trauma, que essa transição é genuína e que a faremos de portas abertas, com transparência, em um processo pacífico, sereno e maduro.
O Paraguai não pode seguir sendo uma ilha entre as outras nações. Estamos na sombra de dois grandes países, Argentina e Brasil. Paraguai tem de consolidar e construir sua própria identidade política em um processo transformador dentro do país.
A Aliança reúne ideologias pluralistas e nosso grande esforço é construir a unidade dentro desta diversidade. Construir as colunas fundamentais da democracia com esses partidos diferenciados. Desde o primeiro momento, queremos ter relações com todos os países, abertas, solidárias, diplomáticas, políticas, comerciais, sociais e culturais. E Paraguai, como país independente e soberano, terá que definir com clareza sua política exterior.
Carta Maior – A soberania energética do país, questão fundamental para o Paraguai, será definida pelo próximo presidente em mesas de negociação com o Brasil. Como o senhor pretende tratar o tema de Itaipú?
Fernando Lugo – Antes de assumir a candidatura há um ano e meio, ainda nem pensávamos na Aliança Patriótica para a Mudança, já tínhamos começado com os grandes sindicatos energéticos do país uma série de encontros e fóruns sobre a questão. Faz um ano e meio que começamos uma grande campanha de conscientização sobre a soberania energética paraguaia. Assim nasceu o interesse pela temática, tanto dentro do país, como também os paises vizinhos.
Nós acreditamos que o Tratado de Itaipu, de 26 de abril de 1973 para ser exato, se deu em condições onde havia uma grande lacuna e falência democrática, e sem participação da cidadania. Antes da assinatura do contrato, houve diversas reuniões preliminares. Em uma das mais importantes, na cidade de Foz do Iguaçu em 1966, Brasil e Paraguai asseguraram que o preço da energia seria justo. Nós consideramos que a energia que hoje se vende ao Brasil não possui um preço justo, porque corresponde ao valor de custo, não de mercado. Ninguém concede sua energia a preço de custo hoje. Venezuela não vende seu petróleo a preço de custo, nem o Chile o seu cobre. A Bolívia também vende seu gás a preço de mercado. O Paraguai é um dos poucos países que vende sua energia aos sócios na construção da represa a preço de custo. Isso mudará fundamentalmente a economia nacional.
Carta Maior – E o tema dos chamados brasiguaios?
Fernando Lugo – Creio que, entre as décadas de 60 e 70, começaram a chegar os primeiros imigrantes. Nós valorizamos muito o processo migratório e o vemos de maneira positiva. Os Estados Unidos não seriam o que são hoje sem a imigração inglesa, o sul do Brasil não teria todas suas características sem as imigrações.
Assim é o Paraguai. Vemos com bons olhos o processo, quando os imigrantes vêm apostar no país e estabelecem-se de acordo com as leis nacionais. Os chamados brasiguaios já são paraguaios, porque tiveram seus filhos aqui, já há quase uma terceira geração onde estão então. Eles apostaram no país. E, se existem situações irregulares agora, em propriedade de terra ou documentação, vamos fazer tudo que for possível para as regularizações.
Carta Maior – Os processos de democracia participativa estão na agenda da esquerda latinoamericana. O Plano de Governo da Aliança aposta nesta experiência?
Fernando Lugo – Desde 1999, no Paraguai começaram os processos que indicam a democracia participativa, como a criação, a coordenação e a consolidação das Controladorias Cidadãs. Os controles nacionais do Estado são insuficientes, sobretudo em relação a grande falência no país que é a corrupção administrativa.
Há um outro processo sobre o qual já conversamos com muitos organismos não governamentais de controle e elaboração participativa dos orçamentos nos pequenos e médios municípios. A Aliança é a primeira experiência onde os grupos sociais indígenas, campesinos e de trabalhadores não precisam pertencer a um partido político para ter participação política, no governo ou fora dele.
Queremos que nosso governo seja aberto e participativo em todas suas instâncias porque acreditamos que esse é um dos caminhos que garantem a consolidação da democracia. Estamos convencidos que é isso que falta ao país.
Carta Maior – Como se estabeleceria o processo de Reforma Agrária no país?
Fernando Lugo – Quando percorremos o país, tivemos mais de 600 reuniões com diferentes partes da sociedade paraguaia, especialmente com o campo. Assim nasceu um imperativo de reforma agrária. É um dos eixos programáticos de consenso dentro da Aliança Patriótica. Nossa constituição nacional garante a propriedade privada, mas garante também que todos os cidadãos paraguaios devem estar assentados sobre sua terra própria. Temos umas 300 mil famílias sem terra, todas possuem o direito constitucional de assentar-se.
Estamos convencidos de que, apesar de o Paraguai não possuir uma história de reformas agrárias como têm outros países, tampouco acreditamos que exista um paradigma que se possa transportar de um país a outro, em termos de modelo. Precisamos ter clareza neste momento, sobretudo na elaboração do Cadastro Nacional de Propriedades, que ainda não temos. Infelizmente, nos anos 90, o governo recebeu um empréstimo do Banco Mundial de 40 milhões de dólares para fazer o necessário cadastro. Apenas entre 12 e 15% foi realizado.
O processo de reforma agrária que queremos instalar vai ser um modelo desenhado e consensual entre as diferentes partes da sociedade interessadas no tema. Chegou o momento no Paraguai de sentar e desenhar um modelo de reforma agrária que não seja traumático ou violento. Temos elementos que vieram dos movimentos campesinos e eles já têm uma proposta. O Partido Liberal tem outra. Queremos debater essas diferentes propostas em uma mesa de diálogo chegar juntos ao modelo de reforma agrária paraguaio.”
O ETANOL ATACADO POR AGRICULTORES EUROPEUS E POR PETROLEIRAS
O jornal “O Estado de São Paulo” publicou ontem uma boa entrevista de Lu Aiko Otta com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. O artigo também foi reproduzido no blog do Favre.
O ministro explica claramente por que os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro e os seus ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras.
“O ETANOL PASSOU A INCOMODAR”
“O crescimento do etanol no mercado internacional lançou Brasil e União Européia em uma batalha comercial, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
Pressionados pela perspectiva de abrir seu mercado com a conclusão da Rodada Doha e pela decisão do bloco de adicionar 10% de biocombustíveis até 2020, os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro. Querem mais proteção e subsídios. Os ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras, disse o ministro.
O Brasil vem sofrendo derrotas em um front: o da comunicação.
Por outro lado, no mundo dos negócios surgem investimentos de bilhões de dólares e a lista de países que começa a utilizar biocombustíveis está aumentando. Para o ministro, a transformação do etanol de cana em commodity internacional é questão de tempo. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Por que o etanol brasileiro está apanhando tanto?
Primeiro, porque há de fato uma crise de alimentos causada por vários fatores - e nenhum deles tem a ver com biocombustíveis. Além disso, o etanol atingiu um nível de produção de aceitação muito grande. Passou a incomodar comercialmente. Passa a ser mais um elemento de guerra comercial no mundo.
Estamos no meio de uma guerra comercial? Mas o biocombustível está só engatinhando no mercado internacional.
Durante muito tempo, engatinhou. Mas agora começa a se levantar porque a União Européia tomou a decisão de aumentar o etanol na gasolina. A Índia vai começar, em outubro, a misturar 10%. Outros países fazem o mesmo. Certamente, os chamados “inimigos” pensam que é melhor agir preventivamente.
Os inimigos, pelo que indicou o presidente, estão localizados na Europa. É isso mesmo?
Hoje, sim. Existe um enorme protecionismo. Parece-me que há uma forte ligação: com o etanol e a Rodada Doha, a Europa teria de se abrir mesmo. Alguns países já se manifestaram contra qualquer concessão que reduza o protecionismo. Mas, para implementar a mistura de etanol na gasolina, a Europa terá de abrir o mercado, porque não é capaz de produzir o etanol necessário para atingir a meta. Para os agricultores europeus, interessa muito uma guerra ao etanol. Não é coincidência ter uma substituição de mercado (produto brasileiro substituindo o europeu) e começar um contra-ataque.
Não é a primeira vez, então?
Eu me lembro que, no ano passado, alguns pecuaristas brasileiros ligaram aqui me dizendo que tinham conseguido substituir em grande parte os produtores de carne irlandeses. Um único frigorífico brasileiro substituiu toda a venda de boi em pé que a Irlanda fazia para o Líbano. Dois meses depois, começou uma enorme campanha na Irlanda contra o boi brasileiro. Estive na Inglaterra no ano passado e vi na televisão os anúncios que eles faziam. Com fotos do zebu, diziam que o Brasil enganava o consumidor irlandês, vendendo um boi que não era boi.
Ah, não?
Não. Zebu não era boi. Era zebuíno, outra coisa. E eles conseguiram impedir que o Brasil exportasse carne para a Irlanda. Ganharam pelo menos uma batalha, explorando um detalhe. E lideraram o processo que levou ao bloqueio da carne brasileira na Europa.
A resistência é só de agricultores?
Algumas ONGs - isso já foi identificado pelo governo brasileiro - são apoiadas por grandes petroleiras. Evidentemente, elas não querem ver o mercado ameaçado, principalmente quando se vê o petróleo a US$ 115 o barril. Cada litro de gasolina que ela deixa de vender é prejuízo.
Aliás, uma das grandes razões para a alta dos alimentos no mundo - e isso não está sendo dito - é a enorme alta do petróleo, que causou um problema sério para transporte, para produção, para os fertilizantes e defensivos que têm origem no petróleo. E tenta-se colocar a culpa da alta dos alimentos no etanol. É justamente o contrário!
Então, estamos perdendo uma batalha no campo da comunicação?
Acho que sim. E não porque sejamos incompetentes, mas porque há poucos produtores de etanol no mundo, ainda, e não são organizados. Por outro lado, há grandes interesses de dezenas de anos, tanto dos agricultores europeus com seu protecionismo quanto pelos produtores de petróleo. Acho que não estávamos preparados para esse recrudescimento tão grande da campanha contra o etanol. O presidente, no ano passado, em todas as viagens, fez campanha pelo etanol. Nunca teve reação.
Há um ano, quando a União Européia promoveu um seminário internacional sobre biocombustíveis em Bruxelas, havia cheiro de protecionismo no ar. Já se falava em exigir uma certificação ambiental e trabalhista para o etanol.
O produtor brasileiro quer a certificação, porque ela responde a acusações absolutamente desprovidas de fundamento. Por exemplo: trabalho infantil e trabalho escravo. O único fato foi uma fazenda do Pará que tinha trabalhadores em condições subumanas. É uma fazenda que produz 0,000 alguma coisa do etanol brasileiro, no entanto isso foi notícia na Europa inteira.
Claro. E se acharem mais alguma coisa, vai ocorrer o mesmo.
Por isso, temos de ter enorme cuidado com a questão do trabalho. A questão da Amazônia: a cana para etanol ocupa 1% da área agricultável do Brasil. As pastagens, 20%. E ninguém nunca se manifestou contra as pastagens. Nas pastagens, as vacas e os bois, com sua flatulência, têm enorme efeito no aquecimento global. Ninguém nunca falou sobre os puns das vacas e dos bois brasileiros.
Esse impacto já foi calculado?
Não tenho esse dado. A briga se dá no campo da comunicação.
Como está o contra-ataque?
O presidente pediu para o ministério coordenar o contra-ataque. Vamos montar um grupo de trabalho. Uma das idéias é contratar uma empresa de relações públicas que possa trabalhar isso no exterior. E asseguraremos que todos os ministérios falem a mesma língua e todos os ministros, em todas as ocasiões, defendam o programa brasileiro.
Nós estivemos com o presidente do Inmetro, pedimos para que acelere ao máximo o trabalho da certificação na área trabalhista, ambiental, do biocombustível. Eu acredito que a certificação será fundamental para contra-atacar a campanha contra o biocombustível.
A questão ambiental, como será abordada? O etanol é acusado de ser agente indireto do desmatamento.
O desmatamento da Amazônia não é feito por grandes proprietários, mas por pequenos. A grande questão, nesse caso, é dar opção às pessoas. É a mesma discussão que temos com madeireiros e arrozeiros. É muito fácil para o europeu, que já acabou com a floresta toda da Eurásia, dizer que temos de proteger a Amazônia. Temos de proteger a Amazônia e as pessoas que moram na Amazônia. Dar a elas uma alternativa de sobrevivência. É importante haver planos de manejo que possa ter uma ocupação racional, não poluidora.
Isso tem a ver com o etanol?
Não, nada. O processo de desmatamento é independente da produção de etanol. Se você olhar o mapa da produção de cana no Brasil, vai ver que é concentrada no Sudeste, no Nordeste e algumas manchas em Mato Grosso. E tem uma ou outra usina no Norte.
Apesar do tiroteio, há negócios ocorrendo na área, não?
De um ano para cá, grandes multinacionais decidiram investir para produzir etanol no Brasil. Estive em São Paulo no ano passado para dois eventos importantes. Um da Crystalsev em associação com a Dow para instalação de um pólo álcool-químico, que produzirá etanol, depois eteno e numa terceira fase polipropileno da cana. Substituirá uma enorme quantidade de plástico de petróleo por um plástico biodegradável. A Braskem também está em processo para produzir polipropileno. E já tem entendimento com a Toyota para, quando a produção estiver em fase industrial, começar a substituir peças de plástico do automóvel por peças de polipropileno de cana. Será outra revolução, a revolução do carro verde. Uma nova guerra. O investimento da Dow é superior a US$ 1 bilhão, o da Braskem também. O braço alcooleiro da Odebrecht já anunciou investimento superior a US$ 1 bilhão.
Estivemos na China há três semanas. Empresas da China ligadas à produção de petróleo investiram US$ 600 milhões em fundos que investem na produção de etanol e na produção de usinas.
Como está o processo de transformar o etanol numa commodity?
É um processo longo. Quando se começa a produzir 3 milhões de veículos, 100% flex fuel, o quadro começa a mudar. A Índia decidiu misturar 10% de etanol na gasolina, os EUA têm um programa, o Japão vai misturar etanol na gasolina gradativamente. A Noruega tirou as tarifas sobre o etanol. Na Suécia, os ônibus da capital, Estocolmo, rodam todos com biocombustíveis. Com isso, percebe-se que o produto está-se tornando internacional. É um primeiro passo para se tornar uma commodity.”
O ministro explica claramente por que os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro e os seus ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras.
“O ETANOL PASSOU A INCOMODAR”
“O crescimento do etanol no mercado internacional lançou Brasil e União Européia em uma batalha comercial, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.
Pressionados pela perspectiva de abrir seu mercado com a conclusão da Rodada Doha e pela decisão do bloco de adicionar 10% de biocombustíveis até 2020, os agricultores europeus lançaram uma campanha contra o produto brasileiro. Querem mais proteção e subsídios. Os ataques são engrossados por ONGs financiadas por petroleiras, disse o ministro.
O Brasil vem sofrendo derrotas em um front: o da comunicação.
Por outro lado, no mundo dos negócios surgem investimentos de bilhões de dólares e a lista de países que começa a utilizar biocombustíveis está aumentando. Para o ministro, a transformação do etanol de cana em commodity internacional é questão de tempo. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Por que o etanol brasileiro está apanhando tanto?
Primeiro, porque há de fato uma crise de alimentos causada por vários fatores - e nenhum deles tem a ver com biocombustíveis. Além disso, o etanol atingiu um nível de produção de aceitação muito grande. Passou a incomodar comercialmente. Passa a ser mais um elemento de guerra comercial no mundo.
Estamos no meio de uma guerra comercial? Mas o biocombustível está só engatinhando no mercado internacional.
Durante muito tempo, engatinhou. Mas agora começa a se levantar porque a União Européia tomou a decisão de aumentar o etanol na gasolina. A Índia vai começar, em outubro, a misturar 10%. Outros países fazem o mesmo. Certamente, os chamados “inimigos” pensam que é melhor agir preventivamente.
Os inimigos, pelo que indicou o presidente, estão localizados na Europa. É isso mesmo?
Hoje, sim. Existe um enorme protecionismo. Parece-me que há uma forte ligação: com o etanol e a Rodada Doha, a Europa teria de se abrir mesmo. Alguns países já se manifestaram contra qualquer concessão que reduza o protecionismo. Mas, para implementar a mistura de etanol na gasolina, a Europa terá de abrir o mercado, porque não é capaz de produzir o etanol necessário para atingir a meta. Para os agricultores europeus, interessa muito uma guerra ao etanol. Não é coincidência ter uma substituição de mercado (produto brasileiro substituindo o europeu) e começar um contra-ataque.
Não é a primeira vez, então?
Eu me lembro que, no ano passado, alguns pecuaristas brasileiros ligaram aqui me dizendo que tinham conseguido substituir em grande parte os produtores de carne irlandeses. Um único frigorífico brasileiro substituiu toda a venda de boi em pé que a Irlanda fazia para o Líbano. Dois meses depois, começou uma enorme campanha na Irlanda contra o boi brasileiro. Estive na Inglaterra no ano passado e vi na televisão os anúncios que eles faziam. Com fotos do zebu, diziam que o Brasil enganava o consumidor irlandês, vendendo um boi que não era boi.
Ah, não?
Não. Zebu não era boi. Era zebuíno, outra coisa. E eles conseguiram impedir que o Brasil exportasse carne para a Irlanda. Ganharam pelo menos uma batalha, explorando um detalhe. E lideraram o processo que levou ao bloqueio da carne brasileira na Europa.
A resistência é só de agricultores?
Algumas ONGs - isso já foi identificado pelo governo brasileiro - são apoiadas por grandes petroleiras. Evidentemente, elas não querem ver o mercado ameaçado, principalmente quando se vê o petróleo a US$ 115 o barril. Cada litro de gasolina que ela deixa de vender é prejuízo.
Aliás, uma das grandes razões para a alta dos alimentos no mundo - e isso não está sendo dito - é a enorme alta do petróleo, que causou um problema sério para transporte, para produção, para os fertilizantes e defensivos que têm origem no petróleo. E tenta-se colocar a culpa da alta dos alimentos no etanol. É justamente o contrário!
Então, estamos perdendo uma batalha no campo da comunicação?
Acho que sim. E não porque sejamos incompetentes, mas porque há poucos produtores de etanol no mundo, ainda, e não são organizados. Por outro lado, há grandes interesses de dezenas de anos, tanto dos agricultores europeus com seu protecionismo quanto pelos produtores de petróleo. Acho que não estávamos preparados para esse recrudescimento tão grande da campanha contra o etanol. O presidente, no ano passado, em todas as viagens, fez campanha pelo etanol. Nunca teve reação.
Há um ano, quando a União Européia promoveu um seminário internacional sobre biocombustíveis em Bruxelas, havia cheiro de protecionismo no ar. Já se falava em exigir uma certificação ambiental e trabalhista para o etanol.
O produtor brasileiro quer a certificação, porque ela responde a acusações absolutamente desprovidas de fundamento. Por exemplo: trabalho infantil e trabalho escravo. O único fato foi uma fazenda do Pará que tinha trabalhadores em condições subumanas. É uma fazenda que produz 0,000 alguma coisa do etanol brasileiro, no entanto isso foi notícia na Europa inteira.
Claro. E se acharem mais alguma coisa, vai ocorrer o mesmo.
Por isso, temos de ter enorme cuidado com a questão do trabalho. A questão da Amazônia: a cana para etanol ocupa 1% da área agricultável do Brasil. As pastagens, 20%. E ninguém nunca se manifestou contra as pastagens. Nas pastagens, as vacas e os bois, com sua flatulência, têm enorme efeito no aquecimento global. Ninguém nunca falou sobre os puns das vacas e dos bois brasileiros.
Esse impacto já foi calculado?
Não tenho esse dado. A briga se dá no campo da comunicação.
Como está o contra-ataque?
O presidente pediu para o ministério coordenar o contra-ataque. Vamos montar um grupo de trabalho. Uma das idéias é contratar uma empresa de relações públicas que possa trabalhar isso no exterior. E asseguraremos que todos os ministérios falem a mesma língua e todos os ministros, em todas as ocasiões, defendam o programa brasileiro.
Nós estivemos com o presidente do Inmetro, pedimos para que acelere ao máximo o trabalho da certificação na área trabalhista, ambiental, do biocombustível. Eu acredito que a certificação será fundamental para contra-atacar a campanha contra o biocombustível.
A questão ambiental, como será abordada? O etanol é acusado de ser agente indireto do desmatamento.
O desmatamento da Amazônia não é feito por grandes proprietários, mas por pequenos. A grande questão, nesse caso, é dar opção às pessoas. É a mesma discussão que temos com madeireiros e arrozeiros. É muito fácil para o europeu, que já acabou com a floresta toda da Eurásia, dizer que temos de proteger a Amazônia. Temos de proteger a Amazônia e as pessoas que moram na Amazônia. Dar a elas uma alternativa de sobrevivência. É importante haver planos de manejo que possa ter uma ocupação racional, não poluidora.
Isso tem a ver com o etanol?
Não, nada. O processo de desmatamento é independente da produção de etanol. Se você olhar o mapa da produção de cana no Brasil, vai ver que é concentrada no Sudeste, no Nordeste e algumas manchas em Mato Grosso. E tem uma ou outra usina no Norte.
Apesar do tiroteio, há negócios ocorrendo na área, não?
De um ano para cá, grandes multinacionais decidiram investir para produzir etanol no Brasil. Estive em São Paulo no ano passado para dois eventos importantes. Um da Crystalsev em associação com a Dow para instalação de um pólo álcool-químico, que produzirá etanol, depois eteno e numa terceira fase polipropileno da cana. Substituirá uma enorme quantidade de plástico de petróleo por um plástico biodegradável. A Braskem também está em processo para produzir polipropileno. E já tem entendimento com a Toyota para, quando a produção estiver em fase industrial, começar a substituir peças de plástico do automóvel por peças de polipropileno de cana. Será outra revolução, a revolução do carro verde. Uma nova guerra. O investimento da Dow é superior a US$ 1 bilhão, o da Braskem também. O braço alcooleiro da Odebrecht já anunciou investimento superior a US$ 1 bilhão.
Estivemos na China há três semanas. Empresas da China ligadas à produção de petróleo investiram US$ 600 milhões em fundos que investem na produção de etanol e na produção de usinas.
Como está o processo de transformar o etanol numa commodity?
É um processo longo. Quando se começa a produzir 3 milhões de veículos, 100% flex fuel, o quadro começa a mudar. A Índia decidiu misturar 10% de etanol na gasolina, os EUA têm um programa, o Japão vai misturar etanol na gasolina gradativamente. A Noruega tirou as tarifas sobre o etanol. Na Suécia, os ônibus da capital, Estocolmo, rodam todos com biocombustíveis. Com isso, percebe-se que o produto está-se tornando internacional. É um primeiro passo para se tornar uma commodity.”
O QUE QUER A DIREITA NO BRASIL E NO MUNDO?
O site “Agência Carta Maior publicou ontem, 20/04/2008, um muito interessante e até didático texto sobre como pensam e o que propugnam os direitistas. Foi postado por Emir Sader com o título “A direita hoje”.
Na “Wikipedia”, obtive as seguintes informações sobre o autor:
“Emir Simão Sader (São Paulo, 13 de julho de 1943) é um sociólogo e cientista político brasileiro. De origem libanesa, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política e doutor em ciência política por essa mesma instituição. Nessa mesma universidade, trabalhou ainda como professor, inicialmente de filosofia e posteriormente de ciência política. Trabalhou também como pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile e foi professor de Política na Unicamp.
Atualmente, é professor aposentado da Universidade de São Paulo e dirige o Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor de sociologia. É autor de "A Vingança da História", entre outros livros.
Sader colabora com publicações nacionais e estrangeiras e é membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review. Presidiu a Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS, 1997-1999) e é um dos organizadores do Fórum Social Mundial.
Emir Sader foi condenado à prisão em novembro de 2006, em regime aberto, além da perda da função pública por calúnia (sic) ao senador Jorge Bornhausen (PFL de Santa Catarina).
Após a declaração do presidente do PFL, há cerca de um ano, de que o Brasil precisava "livrar-se dessa raça", em referência (talvez) ao Partido dos Trabalhadores e aos petistas, Emir Sader atribuiu a ele, em artigo no site Carta Maior, no dia 28 de agosto de 2005, a prática de “racismo”. Sader imputou ao senador discriminação aos "negros, pobres, sujos e brutos", intitulando-o de fascista.”.
Vejamos o ótimo artigo de Emir Sader postado hoje na Carta Maior:
“A DIREITA HOJE
As vitórias eleitorais de Angela Merkel na Alemanha, de Sarkozy na França e de Berlusconi na Itália, servem para lembrar-nos da força da direita hoje no mundo.
Na Europa ocidental, com as exceções da Espanha e da Noruega, a direita está no governo. Aqui mesmo, na América Latina, os governos do PAN no México, de Uribe na Colômbia, são representantes indiscutíveis da direita latino-americana.
No Brasil, a direita está representada politicamente pelo bloco tucano-pefelista e ideologicamente pelas grandes empresas mercantis da mídia.
O que pensa e proclama a direita hoje, aqui e nos outros lugares do mundo?
Seu grau de homogeneidade é relativamente grande, inclusive porque foi ela que formulou o Consenso de Washington, que justamente propõe um único esquema mundial para todos os governos, independentemente do lugar que ocupem no sistema mundial.
O primeiro dos seus pontos programáticos é o privilégio do mercado em relação ao Estado e, em particular, a qualquer tipo de regulação estatal, favorecendo a livre circulação do capital.
O que significa o privilégio do dinheiro em relação aos direitos do consumidor em relação ao cidadão; dos interesses privados em relação aos interesses públicos.
Um de seus corolários mais importantes é o papel estratégico que atribuem às grandes empresas privadas, identificadas com o dinamismo e a eficiência econômica, em contraposição ao Estado, desqualificado como ineficiente, burocrático, corrupto.
Como contraponto, a direita execra os gastos públicos e os impostos para financiá-los. Não importa quem perde, de quem se dessolidarizam, prega sempre menos impostos, mais isenções fiscais, créditos estatais e subvenções para eles, porém menos funcionários públicos, menos gastos nos seus salários, recursos sempre menores para políticas sociais.
Em outras palavras, pregam acentuar o caráter de classe, de privilégio do Estado para a acumulação privada do grande capital e menos ou nada para atender aos direitos da grande massa popular de cada país.
A direita está pelas alianças – sempre subordinadas, pela força que tem esses possíveis – com as grandes potências do centro do capitalismo, às expensas das alianças latino-americanas e no Sul do mundo.
São adeptos da grande imprensa privada – isto é, não pública, da imprensa mercantil - e contrários à mídia pública, democrática.
A direita está a favor do impulso geral às exportações, favorecendo atualmente em particular as de soja, com transgênicos, em detrimento da economia familiar, da expansão do mercado interno, preferindo sempre que esta se dê na direção do consumo suntuário e não do consumo popular.
Por isso detesta as políticas de distribuição de renda, os aumentos de salários, a elevação do nível de emprego, os contratos formais de trabalho, o fortalecimento e extensão da educação e da saúde pública – privilegiando sempre a educação e a saúde privadas -, dos programas de habitação popular, de saneamento básico, de cultura popular, de democratização do acesso às universidades – como as políticas de cotas -, de rádios comunitárias, entre outras.
Odeia os movimentos sociais, a reforma agrária, a demarcação de terras indígenas, a sindicalização dos trabalhadores, os programas de alfabetização popular, a politização como forma de acesso à consciência social do que passa no país e no mundo.
São conservadores, gostam do mundo tal qual eles mesmos o produziram ao longo de toda a história, com todas suas iniqüidades, e lutam ferozmente contra qualquer mudança nas relações de poder que afete seus interesses.
A direita não gosta da América Latina, do movimento popular, não gosta de falar do imperialismo, das guerras que ele promove, da exploração, da discriminação, da alienação, da opressão, do capitalismo.
Não gosta do Brasil, execra o país fazendo sempre comparações depreciativas do país – arte em que Fernando Collor e FHC foram exímios.
Em suma, a direita é de direita – se me permitem a tautologia. Resta que a esquerda seja de esquerda, para combatê-la e fazer avançar a democracia política, a justiça social, a soberania nacional e a integração regional.”
Na “Wikipedia”, obtive as seguintes informações sobre o autor:
“Emir Simão Sader (São Paulo, 13 de julho de 1943) é um sociólogo e cientista político brasileiro. De origem libanesa, é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política e doutor em ciência política por essa mesma instituição. Nessa mesma universidade, trabalhou ainda como professor, inicialmente de filosofia e posteriormente de ciência política. Trabalhou também como pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile e foi professor de Política na Unicamp.
Atualmente, é professor aposentado da Universidade de São Paulo e dirige o Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor de sociologia. É autor de "A Vingança da História", entre outros livros.
Sader colabora com publicações nacionais e estrangeiras e é membro do conselho editorial do periódico inglês New Left Review. Presidiu a Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS, 1997-1999) e é um dos organizadores do Fórum Social Mundial.
Emir Sader foi condenado à prisão em novembro de 2006, em regime aberto, além da perda da função pública por calúnia (sic) ao senador Jorge Bornhausen (PFL de Santa Catarina).
Após a declaração do presidente do PFL, há cerca de um ano, de que o Brasil precisava "livrar-se dessa raça", em referência (talvez) ao Partido dos Trabalhadores e aos petistas, Emir Sader atribuiu a ele, em artigo no site Carta Maior, no dia 28 de agosto de 2005, a prática de “racismo”. Sader imputou ao senador discriminação aos "negros, pobres, sujos e brutos", intitulando-o de fascista.”.
Vejamos o ótimo artigo de Emir Sader postado hoje na Carta Maior:
“A DIREITA HOJE
As vitórias eleitorais de Angela Merkel na Alemanha, de Sarkozy na França e de Berlusconi na Itália, servem para lembrar-nos da força da direita hoje no mundo.
Na Europa ocidental, com as exceções da Espanha e da Noruega, a direita está no governo. Aqui mesmo, na América Latina, os governos do PAN no México, de Uribe na Colômbia, são representantes indiscutíveis da direita latino-americana.
No Brasil, a direita está representada politicamente pelo bloco tucano-pefelista e ideologicamente pelas grandes empresas mercantis da mídia.
O que pensa e proclama a direita hoje, aqui e nos outros lugares do mundo?
Seu grau de homogeneidade é relativamente grande, inclusive porque foi ela que formulou o Consenso de Washington, que justamente propõe um único esquema mundial para todos os governos, independentemente do lugar que ocupem no sistema mundial.
O primeiro dos seus pontos programáticos é o privilégio do mercado em relação ao Estado e, em particular, a qualquer tipo de regulação estatal, favorecendo a livre circulação do capital.
O que significa o privilégio do dinheiro em relação aos direitos do consumidor em relação ao cidadão; dos interesses privados em relação aos interesses públicos.
Um de seus corolários mais importantes é o papel estratégico que atribuem às grandes empresas privadas, identificadas com o dinamismo e a eficiência econômica, em contraposição ao Estado, desqualificado como ineficiente, burocrático, corrupto.
Como contraponto, a direita execra os gastos públicos e os impostos para financiá-los. Não importa quem perde, de quem se dessolidarizam, prega sempre menos impostos, mais isenções fiscais, créditos estatais e subvenções para eles, porém menos funcionários públicos, menos gastos nos seus salários, recursos sempre menores para políticas sociais.
Em outras palavras, pregam acentuar o caráter de classe, de privilégio do Estado para a acumulação privada do grande capital e menos ou nada para atender aos direitos da grande massa popular de cada país.
A direita está pelas alianças – sempre subordinadas, pela força que tem esses possíveis – com as grandes potências do centro do capitalismo, às expensas das alianças latino-americanas e no Sul do mundo.
São adeptos da grande imprensa privada – isto é, não pública, da imprensa mercantil - e contrários à mídia pública, democrática.
A direita está a favor do impulso geral às exportações, favorecendo atualmente em particular as de soja, com transgênicos, em detrimento da economia familiar, da expansão do mercado interno, preferindo sempre que esta se dê na direção do consumo suntuário e não do consumo popular.
Por isso detesta as políticas de distribuição de renda, os aumentos de salários, a elevação do nível de emprego, os contratos formais de trabalho, o fortalecimento e extensão da educação e da saúde pública – privilegiando sempre a educação e a saúde privadas -, dos programas de habitação popular, de saneamento básico, de cultura popular, de democratização do acesso às universidades – como as políticas de cotas -, de rádios comunitárias, entre outras.
Odeia os movimentos sociais, a reforma agrária, a demarcação de terras indígenas, a sindicalização dos trabalhadores, os programas de alfabetização popular, a politização como forma de acesso à consciência social do que passa no país e no mundo.
São conservadores, gostam do mundo tal qual eles mesmos o produziram ao longo de toda a história, com todas suas iniqüidades, e lutam ferozmente contra qualquer mudança nas relações de poder que afete seus interesses.
A direita não gosta da América Latina, do movimento popular, não gosta de falar do imperialismo, das guerras que ele promove, da exploração, da discriminação, da alienação, da opressão, do capitalismo.
Não gosta do Brasil, execra o país fazendo sempre comparações depreciativas do país – arte em que Fernando Collor e FHC foram exímios.
Em suma, a direita é de direita – se me permitem a tautologia. Resta que a esquerda seja de esquerda, para combatê-la e fazer avançar a democracia política, a justiça social, a soberania nacional e a integração regional.”
domingo, 20 de abril de 2008
BENTO XVI NOS EUA: DIREITOS HUMANOS SOMENTE PARA ALGUNS
O Jornal do Brasil de hoje publicou muito bom artigo do jornalista Mauro Santayana sobre manifestação anteontem feita pelo papa Bento XVI na ONU, Nova York, sobre direitos humanos e o direito de intervenções militares em outros países. Também li o mesmo artigo no blog de um sem-mídia.
Segue abaixo o texto de Mauro Santayana:
"OS DIREITOS HUMANOS DE ALGUNS E DOS OUTROS
Ao visitar as Nações Unidas, em Nova York, o papa Bento XVI defendeu o direito de a organização internacional intervir em qualquer país, em defesa dos direitos humanos.
Como a experiência ensina, os direitos humanos, que deveriam ser universais, são particulares. Eles são tanto mais respeitados quanto mais ativos e mais poderosos sejam os grupos que os reivindiquem, em sua própria proteção.
Em nosso tempo, os direitos do homem têm sido os direitos dos vencedores.
Na mesma sexta-feira em que o papa fazia seu discurso, a agência Reuters noticiava que o procurador Lawrence Morris, do tribunal a ser instalado em Guantánamo – base que os Estados Unidos ocupam pelo direito da força na ilha de Cuba – anunciou que o julgamento do militante Khalid Mohammed, ainda sem data marcada, será transmitido pela televisão.
As convenções internacionais proíbem a divulgação de imagens de julgamentos, mas os Estados Unidos decidiram transmitir o de Khalid, em circuito interno de TV, para quatro instalações militares, de onde os familiares das vítimas de 11 de Setembro poderão acompanhá-lo.
Khalid teria confessado a autoria dos atentados, sob tortura (simulação de afogamento), mas o governo Bush considera tal método de interrogatório legítimo e, ‘of course’, humano. Ao torturá-lo, a CIA exerceu o direito, "humano", de obter uma confissão que tem tanto valor quanto uma nota de 3 dólares.
Na quarta-feira, depois de se encontrar com o papa, Bush declarou que havia visto Deus nos olhos do pontífice alemão. Deve ter sido o mesmo deus que o aconselhou a ir libertar o Iraque de Saddam Hussein, julgado e enforcado, com todos os seus "direitos" assegurados, como o mundo pôde ver nas imagens chocantes do julgamento e da execução.
Segundo o presidente, Deus lhe dissera: "Vai, George, libertar o Iraque".
O papa não recomendou à ONU, de forma explícita, que enviasse tropas internacionais a Guantánamo e às prisões do Iraque e do Afeganistão, para a defesa dos direitos humanos dos detentos que ali se encontram, e cujo tratamento "humanitário" foi revelado ao mundo pelas imagens feitas por celulares dos próprios torturadores. Os "terroristas", entenda-se, não são humanos. Humanos são os que os torturam ou matam, como mataram o mineiro Jean Charles em Londres.
A Igreja tem muito a dizer sobre a Inquisição, também entre nós. O jornal O Globo, em sua edição de 6 de abril de 1964, reproduziu algumas declarações do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime Câmara. O cardeal, exultante com o golpe militar que derrubara Jango, pregou a punição exemplar dos "comunistas".
Comunistas eram, no maniqueísmo daqueles dias, todos os que defendiam a legalidade democrática e as reformas de base. Disse dom Jaime que era preciso punir exemplarmente os "comunistas" brasileiros, porque a punição é um ato de misericórdia.
O que ocorreu depois, todos sabemos. A punição pregada pelo pastor do Rio levou ao seqüestro, à tortura e à morte de pessoas como Stuart Angel, Rubens Paiva e Vladmir Herzog, sem falar nas dezenas de outros, entre eles comunistas de verdade, e que se opunham à luta armada. Mas levou também militantes católicos às masmorras – como ocorreu ao padre Lage, de Belo Horizonte, e aos frades dominicanos – nas quais, da mesma maneira, muitos foram torturados e alguns suicidados, como o operário Manuel Fiel Filho.
Quando o papa silencia publicamente sobre as torturas cometidas pela CIA contra prisioneiros muçulmanos – e se refere ao assunto de longe, e com todos os eufemismos – mostra claramente que há humanos com mais direitos e humanos com menos direitos.
É de se perguntar se a ONU, a seu conselho, está disposta a exercer mais do que intervenção jurídica contra Israel, no caso da Palestina. Israel ignorou e continua ignorando todas as resoluções da ONU sobre o assunto. Mas os humanos de Israel são, como se vê, diferentes dos humanos da Palestina.
Tal como seu antecessor – que negociou com Reagan, no Vaticano, a operação de apoio ao Solidarinost da Polônia, com especialistas da CIA e o financiamento do Banco Ambrosiano – Bento XVI é americanófilo confesso. A Santa Aliança (título da matéria de Carl Bernstein sobre o assunto, publicada anos depois pela revista Time) continua em vigor."
Segue abaixo o texto de Mauro Santayana:
"OS DIREITOS HUMANOS DE ALGUNS E DOS OUTROS
Ao visitar as Nações Unidas, em Nova York, o papa Bento XVI defendeu o direito de a organização internacional intervir em qualquer país, em defesa dos direitos humanos.
Como a experiência ensina, os direitos humanos, que deveriam ser universais, são particulares. Eles são tanto mais respeitados quanto mais ativos e mais poderosos sejam os grupos que os reivindiquem, em sua própria proteção.
Em nosso tempo, os direitos do homem têm sido os direitos dos vencedores.
Na mesma sexta-feira em que o papa fazia seu discurso, a agência Reuters noticiava que o procurador Lawrence Morris, do tribunal a ser instalado em Guantánamo – base que os Estados Unidos ocupam pelo direito da força na ilha de Cuba – anunciou que o julgamento do militante Khalid Mohammed, ainda sem data marcada, será transmitido pela televisão.
As convenções internacionais proíbem a divulgação de imagens de julgamentos, mas os Estados Unidos decidiram transmitir o de Khalid, em circuito interno de TV, para quatro instalações militares, de onde os familiares das vítimas de 11 de Setembro poderão acompanhá-lo.
Khalid teria confessado a autoria dos atentados, sob tortura (simulação de afogamento), mas o governo Bush considera tal método de interrogatório legítimo e, ‘of course’, humano. Ao torturá-lo, a CIA exerceu o direito, "humano", de obter uma confissão que tem tanto valor quanto uma nota de 3 dólares.
Na quarta-feira, depois de se encontrar com o papa, Bush declarou que havia visto Deus nos olhos do pontífice alemão. Deve ter sido o mesmo deus que o aconselhou a ir libertar o Iraque de Saddam Hussein, julgado e enforcado, com todos os seus "direitos" assegurados, como o mundo pôde ver nas imagens chocantes do julgamento e da execução.
Segundo o presidente, Deus lhe dissera: "Vai, George, libertar o Iraque".
O papa não recomendou à ONU, de forma explícita, que enviasse tropas internacionais a Guantánamo e às prisões do Iraque e do Afeganistão, para a defesa dos direitos humanos dos detentos que ali se encontram, e cujo tratamento "humanitário" foi revelado ao mundo pelas imagens feitas por celulares dos próprios torturadores. Os "terroristas", entenda-se, não são humanos. Humanos são os que os torturam ou matam, como mataram o mineiro Jean Charles em Londres.
A Igreja tem muito a dizer sobre a Inquisição, também entre nós. O jornal O Globo, em sua edição de 6 de abril de 1964, reproduziu algumas declarações do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime Câmara. O cardeal, exultante com o golpe militar que derrubara Jango, pregou a punição exemplar dos "comunistas".
Comunistas eram, no maniqueísmo daqueles dias, todos os que defendiam a legalidade democrática e as reformas de base. Disse dom Jaime que era preciso punir exemplarmente os "comunistas" brasileiros, porque a punição é um ato de misericórdia.
O que ocorreu depois, todos sabemos. A punição pregada pelo pastor do Rio levou ao seqüestro, à tortura e à morte de pessoas como Stuart Angel, Rubens Paiva e Vladmir Herzog, sem falar nas dezenas de outros, entre eles comunistas de verdade, e que se opunham à luta armada. Mas levou também militantes católicos às masmorras – como ocorreu ao padre Lage, de Belo Horizonte, e aos frades dominicanos – nas quais, da mesma maneira, muitos foram torturados e alguns suicidados, como o operário Manuel Fiel Filho.
Quando o papa silencia publicamente sobre as torturas cometidas pela CIA contra prisioneiros muçulmanos – e se refere ao assunto de longe, e com todos os eufemismos – mostra claramente que há humanos com mais direitos e humanos com menos direitos.
É de se perguntar se a ONU, a seu conselho, está disposta a exercer mais do que intervenção jurídica contra Israel, no caso da Palestina. Israel ignorou e continua ignorando todas as resoluções da ONU sobre o assunto. Mas os humanos de Israel são, como se vê, diferentes dos humanos da Palestina.
Tal como seu antecessor – que negociou com Reagan, no Vaticano, a operação de apoio ao Solidarinost da Polônia, com especialistas da CIA e o financiamento do Banco Ambrosiano – Bento XVI é americanófilo confesso. A Santa Aliança (título da matéria de Carl Bernstein sobre o assunto, publicada anos depois pela revista Time) continua em vigor."
CRISE: A POLÍTICA INDIGENISTA, O EXÉRCITO E A MÍDIA (NOVO TEXTO)
Considerando a desinformação, a confusão e o cruzamento de posições e argumentos de direita e de esquerda sobre o assunto em pauta, que presenciei na grande mídia e na blogosfera, julguei necessário ampliar e tornar mais claros alguns conceitos expressos no nosso artigo de mesmo título postado anteontem.
As modificações foram introduzidas naquela mesma postagem.
Sugiro a leitura do referido artigo reescrito.
As modificações foram introduzidas naquela mesma postagem.
Sugiro a leitura do referido artigo reescrito.
sábado, 19 de abril de 2008
LULA HOJE NA ÁFRICA-GANA
Reproduzo a notícia de Soraya Aggege, publicada hoje às 14h44 no “O Globo Online”:
“Em Gana, Lula volta a defender biocombustíveis e critica produção norte-americana de etanol”.
“ACRA, Gana - O presidente Lula chegou, na manhã deste sábado a Gana, onde abrirá a 12ª reunião da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) no domingo, disposto a conquistar apoios na cruzada pelos biocombustíveis.
Em seu primeiro discurso oficial, na sede do governo ganense, o presidente culpou a política americana pela crise dos alimentos básicos e criticou o preconceito dos países mais ricos em relação aos pobres. Segundo Lula, produzir álcool a partir do milho foi um equívoco do governo Bush.
"Não vamos aceitar que nós, que os países mais pobres, uma vez mais, paguemos a conta. Estão dizendo que os bicombustíveis são a causa do crescimento dos preços dos alimentos. As políticas de biocombustíveis só têm um equívoco: a decisão americana de produzir álcool do milho" - disse Lula.
Mais tarde, em entrevista a jornalistas brasileiros, ele argumentou:
"É evidente que os Estados Unidos produzem o etanol daquilo que dispõem (o milho). Logicamente que eu preferiria que eles não produzissem, mas comprassem do Brasil, que é (etanol) da cana-de-açúcar. Mas ele (Bush) não quer (comprar), ele quer produzir. É um problema dele. Agora, o recomendável é produzir biocombustíveis de produtos que não sejam alimento para a população".
Sem citar os acordos firmados com o presidente George W. Bush no Brasil, no ano passado, em torno dos biocombustíveis, Lula lembrou ainda que teve conversas com governantes europeus e com o próprio Bush sobre os biocombustíveis.
"Eu tive a mesma conversa com o Bush (e os governos europeus): até quando os Estados Unidos vão ficar vendo a América Central empobrecida ao lado dos Estados Unidos ricos? Não é muito melhor fazer parceria com os países da América Central para produzir o etanol que eles precisam? É apenas uma questão de bom senso.
Agora, se essas pessoas querem continuar subsidiando seus produtos, sem permitir o acesso ao mercado dos seus produtos pelos países pobres, nós vamos ter uma parte pobre e outra rica como tivemos no século 20. Eu estou convencido de que o século 21 precisa ser diferente.”
“Em Gana, Lula volta a defender biocombustíveis e critica produção norte-americana de etanol”.
“ACRA, Gana - O presidente Lula chegou, na manhã deste sábado a Gana, onde abrirá a 12ª reunião da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) no domingo, disposto a conquistar apoios na cruzada pelos biocombustíveis.
Em seu primeiro discurso oficial, na sede do governo ganense, o presidente culpou a política americana pela crise dos alimentos básicos e criticou o preconceito dos países mais ricos em relação aos pobres. Segundo Lula, produzir álcool a partir do milho foi um equívoco do governo Bush.
"Não vamos aceitar que nós, que os países mais pobres, uma vez mais, paguemos a conta. Estão dizendo que os bicombustíveis são a causa do crescimento dos preços dos alimentos. As políticas de biocombustíveis só têm um equívoco: a decisão americana de produzir álcool do milho" - disse Lula.
Mais tarde, em entrevista a jornalistas brasileiros, ele argumentou:
"É evidente que os Estados Unidos produzem o etanol daquilo que dispõem (o milho). Logicamente que eu preferiria que eles não produzissem, mas comprassem do Brasil, que é (etanol) da cana-de-açúcar. Mas ele (Bush) não quer (comprar), ele quer produzir. É um problema dele. Agora, o recomendável é produzir biocombustíveis de produtos que não sejam alimento para a população".
Sem citar os acordos firmados com o presidente George W. Bush no Brasil, no ano passado, em torno dos biocombustíveis, Lula lembrou ainda que teve conversas com governantes europeus e com o próprio Bush sobre os biocombustíveis.
"Eu tive a mesma conversa com o Bush (e os governos europeus): até quando os Estados Unidos vão ficar vendo a América Central empobrecida ao lado dos Estados Unidos ricos? Não é muito melhor fazer parceria com os países da América Central para produzir o etanol que eles precisam? É apenas uma questão de bom senso.
Agora, se essas pessoas querem continuar subsidiando seus produtos, sem permitir o acesso ao mercado dos seus produtos pelos países pobres, nós vamos ter uma parte pobre e outra rica como tivemos no século 20. Eu estou convencido de que o século 21 precisa ser diferente.”
CRISE DE ALIMENTOS NO MUNDO CAUSADA PELOS PAÍSES RICOS
O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu acusações do FMI e sugeriu o fim de subsídios agrícolas nos países ricos.
Transcrevo notícia publicada ontem, 18/04/2008, às 20h01, pelo site “O Globo Online, O GloboReuters”.
“O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, nesta sexta-feira (18), que existe uma discussão equivocada e simplista no momento, quando o assunto é a produção de biocombustíveis e seu impacto nos preços dos alimentos.
Segundo o ministro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria financiar políticas para esse tipo de energia renovável nos países africanos e latino-americanos mais pobres.
As nações desenvolvidas, acrescentou Amorim, fariam sua parte abrindo seus mercados e reduzindo os subsídios.
O exemplo mais claro e nítido que existe, de que esse discurso é equivocado, é o Brasil. No Brasil, a produção de etanol aumentou junto com a produção de alimentos - afirmou o chanceler, após a assinatura do documento final que saiu da 30ª Conferência Regional das Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Ele defendeu o manejo responsável dessas políticas, a melhor distribuição de renda nos países pobres e responsabilizou os grandes pagadores de subsídios -- União Européia e Estados Unidos-- pela atual situação em regiões como a África e a América Latina.
O que impediu o crescimento da produção de alimentos em países africanos e em países sul-americanos foram os subsídios. Não foi o biocombustível."
"Na África, que me conste, não se deixou de produzir alimentos para se passar a produzir biocombustíveis. Não produziam alimentos e continuam sem produzir alimentos, porque os subsídios da Europa e dos Estados Unidos impedem que isso ocorra" -afirmou.
"Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundial querem dar uma recomendação que realmente melhore a produção de alimentos nesses países, deveriam dizer o seguinte: em vez de reduzir (os subsídios agrícolas) para US$ 14 bilhões nos Estados Unidos ou para US$ 20 bilhões na Europa, reduz a zero" - complementou o ministro.
As declarações de Amorim foram uma resposta às declarações do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn. O dirigente do Fundo disse, nesta sexta-feira, que os biocombustíveis produzidos com produtos agrícolas alimentares criam "um verdadeiro problema moral para a humanidade". Segundo ele, distúrbios ainda piores do que os das últimas semanas ainda devem ocorrer no mundo por causa do encarecimento dos alimentos.”
Transcrevo notícia publicada ontem, 18/04/2008, às 20h01, pelo site “O Globo Online, O GloboReuters”.
“O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, nesta sexta-feira (18), que existe uma discussão equivocada e simplista no momento, quando o assunto é a produção de biocombustíveis e seu impacto nos preços dos alimentos.
Segundo o ministro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) deveria financiar políticas para esse tipo de energia renovável nos países africanos e latino-americanos mais pobres.
As nações desenvolvidas, acrescentou Amorim, fariam sua parte abrindo seus mercados e reduzindo os subsídios.
O exemplo mais claro e nítido que existe, de que esse discurso é equivocado, é o Brasil. No Brasil, a produção de etanol aumentou junto com a produção de alimentos - afirmou o chanceler, após a assinatura do documento final que saiu da 30ª Conferência Regional das Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Ele defendeu o manejo responsável dessas políticas, a melhor distribuição de renda nos países pobres e responsabilizou os grandes pagadores de subsídios -- União Européia e Estados Unidos-- pela atual situação em regiões como a África e a América Latina.
O que impediu o crescimento da produção de alimentos em países africanos e em países sul-americanos foram os subsídios. Não foi o biocombustível."
"Na África, que me conste, não se deixou de produzir alimentos para se passar a produzir biocombustíveis. Não produziam alimentos e continuam sem produzir alimentos, porque os subsídios da Europa e dos Estados Unidos impedem que isso ocorra" -afirmou.
"Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundial querem dar uma recomendação que realmente melhore a produção de alimentos nesses países, deveriam dizer o seguinte: em vez de reduzir (os subsídios agrícolas) para US$ 14 bilhões nos Estados Unidos ou para US$ 20 bilhões na Europa, reduz a zero" - complementou o ministro.
As declarações de Amorim foram uma resposta às declarações do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn. O dirigente do Fundo disse, nesta sexta-feira, que os biocombustíveis produzidos com produtos agrícolas alimentares criam "um verdadeiro problema moral para a humanidade". Segundo ele, distúrbios ainda piores do que os das últimas semanas ainda devem ocorrer no mundo por causa do encarecimento dos alimentos.”
BRASIL: EXPORTAR URÂNIO BRUTO E BARATO OU ENRIQUECIDO?
O Le Monde Diplomatique (Brasil) deste mês publica um artigo muito bom de autoria de Sergio Xavier Ferolla e Paulo Metri.
Os autores alertam que, neste momento, algumas mineradoras, inclusive estrangeiras, agem furtivamente em lobby no Congresso, sem notícias na mídia, para tornar possível que elas possam produzir no Brasil urânio para exportá-lo a baixo custo na forma mais primária.
Ferolla e Metri propugnam que é preciso ser levada em consideração pelos órgãos federais e pelos congressistas a nossa capacitação tecnológica e industrial no setor nuclear, que é capaz de agregar valor ao produto e vendê-lo em forma muito mais compensadora para o país.
Em resumo, o dilema apresentado é o Brasil exportar urânio enriquecido ou quebrar o monopólio estatal para poder exportá-lo bruto e barato, como agora pressionam mineradoras nacionais e estrangeiras?
Leiamos o artigo do Le Monde [colchetes inseridos por este blog]:
“OLHO GRANDE SOBRE O URÂNIO BRASILEIRO”
“Um poderoso lobby age em silêncio, no Congresso e junto ao Executivo, para quebrar o monopólio estatal sobre o combustível. Interesse: exportá-lo em estado primário, num momento em que os preços internacionais não param de subir e o país desenvolveu tecnologia para processá-lo”.
[COMBUSTÍVEIS PARA GERAÇÃO ELÉTRICA]
“O Balanço Energético Nacional de 2007 nos indica que, para a geração elétrica no mundo em 2005, foram utilizadas as seguintes fontes: o carvão mineral com participação de 40,3% do total gerado, o gás natural com 19,7%, a energia hidráulica com 16,0%, a nuclear com 15,2%, os derivados de petróleo com 6,6% e outras fontes com 2,2%.
Com o preço do barril de petróleo ultrapassando a barreira dos US$ 100 e, obviamente, os preços dos derivados e do gás natural acompanhando essa escalada, somado ao fato da ameaça do efeito-estufa, em decorrência da queima dos hidrocarbonetos e do carvão, a humanidade enfrenta o desafio da busca de fontes geradoras de eletricidade mais limpas e competitivas.
Alguns aproveitamentos hidráulicos causam fortes impactos ambientais, que proíbem seu uso, e muitas das fontes alternativas ainda não foram suficientemente desenvolvidas, como a solar, de forma que ainda fornecem eletricidade a preço proibitivo.
[A SOLUÇÃO ENERGÉTICA NUCLEAR E O URÂNIO]
As necessidades de mais curto prazo estão a impor caminhos já conhecidos e a energia nuclear desponta sempre como forte candidata.
Nesse contexto, os programas nucleares existentes no mundo começam a serem revisados, inclusive impondo-se a antecipação da construção de novas usinas. Como decorrência, prevê-se um crescimento considerável do consumo de urânio, em futuro próximo, com a acelerada valorização desse estratégico energético.
Com o término da guerra fria, por volta de 1990, estoques de urânio destinados, inicialmente, para fins militares, foram ofertados em torno de US$ 10 por libra de urânio (U3O8), no mercado de geração elétrica, tanto pelos Estados Unidos como pela Rússia. Quando os estoques militares mostraram sinais de esgotamento, a libra de urânio atingiu US$ 130 em 2007, estando atualmente em torno dos US$ 95.
[EXPORTAR URÂNIO ENRIQUECIDO OU QUEBRAR O MONOPÓLIO ESTATAL PARA EXPORTÁ-LO BRUTO E BARATO?]
“Aceitar a concessão seria cercear as conquistas da tecnologia nacional, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia”
O Brasil, além de possuir 309 mil toneladas de reservas de urânio conhecidas, através da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), domina a tecnologia do enriquecimento, que agrega enorme valor ao produto, caso seja decida a exportação.
O enriquecimento, em escala industrial, é realizado na INB, que também fabrica, depois do urânio ser enriquecido, os elementos combustíveis, significando nova agregação de valor ao produto final.
Nossa capacitação tecnológica e industrial no setor nuclear precisa ser levada em consideração pelos órgãos federais e pelos congressistas, nesse momento em que algumas mineradoras, inclusive estrangeiras, demonstram a intenção de produzir urânio para exportá-lo na forma mais primária (U3O8).
Aceitar esse tipo de concessão significará o cerceamento das conquistas da tecnologia nacional, com a conseqüente limitação dos benefícios para toda a sociedade, permitindo que tais mineradoras abasteçam unidades de enriquecimento no exterior, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia.
O lobby das mineradoras junto ao Executivo e ao Legislativo é enorme, pois, para poderem atuar nesse setor é necessário que o monopólio estatal do urânio seja extinto, sabendo-se que, para tal, um deputado já apresentou proposta de emenda à Constituição, a PEC 171.
A demanda por fontes de energia tem motivado guerras e tragédias sociais em várias regiões do globo, causando a denominada geopolítica do petróleo, presente nos planos e ações das grandes potências industriais e militares.
A exaustão dos hidrocarbonetos, a agressão ao meio ambiente pela queima dos combustíveis fósseis e o irreversível crescimento de muitas nações emergentes, exigindo maior suprimento de energia, levará, em futuro muito próximo, à aparição da geopolítica do urânio.
Para esse cenário de forte e disputada demanda por energéticos geradores de eletricidade, impõe-se preservar nossas reservas de urânio como monopólio inflexível do Estado, bem como expandir e aperfeiçoar as preciosas conquistas da engenharia e da técnica nacional, no domínio do combustível nuclear.”
Os autores alertam que, neste momento, algumas mineradoras, inclusive estrangeiras, agem furtivamente em lobby no Congresso, sem notícias na mídia, para tornar possível que elas possam produzir no Brasil urânio para exportá-lo a baixo custo na forma mais primária.
Ferolla e Metri propugnam que é preciso ser levada em consideração pelos órgãos federais e pelos congressistas a nossa capacitação tecnológica e industrial no setor nuclear, que é capaz de agregar valor ao produto e vendê-lo em forma muito mais compensadora para o país.
Em resumo, o dilema apresentado é o Brasil exportar urânio enriquecido ou quebrar o monopólio estatal para poder exportá-lo bruto e barato, como agora pressionam mineradoras nacionais e estrangeiras?
Leiamos o artigo do Le Monde [colchetes inseridos por este blog]:
“OLHO GRANDE SOBRE O URÂNIO BRASILEIRO”
“Um poderoso lobby age em silêncio, no Congresso e junto ao Executivo, para quebrar o monopólio estatal sobre o combustível. Interesse: exportá-lo em estado primário, num momento em que os preços internacionais não param de subir e o país desenvolveu tecnologia para processá-lo”.
[COMBUSTÍVEIS PARA GERAÇÃO ELÉTRICA]
“O Balanço Energético Nacional de 2007 nos indica que, para a geração elétrica no mundo em 2005, foram utilizadas as seguintes fontes: o carvão mineral com participação de 40,3% do total gerado, o gás natural com 19,7%, a energia hidráulica com 16,0%, a nuclear com 15,2%, os derivados de petróleo com 6,6% e outras fontes com 2,2%.
Com o preço do barril de petróleo ultrapassando a barreira dos US$ 100 e, obviamente, os preços dos derivados e do gás natural acompanhando essa escalada, somado ao fato da ameaça do efeito-estufa, em decorrência da queima dos hidrocarbonetos e do carvão, a humanidade enfrenta o desafio da busca de fontes geradoras de eletricidade mais limpas e competitivas.
Alguns aproveitamentos hidráulicos causam fortes impactos ambientais, que proíbem seu uso, e muitas das fontes alternativas ainda não foram suficientemente desenvolvidas, como a solar, de forma que ainda fornecem eletricidade a preço proibitivo.
[A SOLUÇÃO ENERGÉTICA NUCLEAR E O URÂNIO]
As necessidades de mais curto prazo estão a impor caminhos já conhecidos e a energia nuclear desponta sempre como forte candidata.
Nesse contexto, os programas nucleares existentes no mundo começam a serem revisados, inclusive impondo-se a antecipação da construção de novas usinas. Como decorrência, prevê-se um crescimento considerável do consumo de urânio, em futuro próximo, com a acelerada valorização desse estratégico energético.
Com o término da guerra fria, por volta de 1990, estoques de urânio destinados, inicialmente, para fins militares, foram ofertados em torno de US$ 10 por libra de urânio (U3O8), no mercado de geração elétrica, tanto pelos Estados Unidos como pela Rússia. Quando os estoques militares mostraram sinais de esgotamento, a libra de urânio atingiu US$ 130 em 2007, estando atualmente em torno dos US$ 95.
[EXPORTAR URÂNIO ENRIQUECIDO OU QUEBRAR O MONOPÓLIO ESTATAL PARA EXPORTÁ-LO BRUTO E BARATO?]
“Aceitar a concessão seria cercear as conquistas da tecnologia nacional, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia”
O Brasil, além de possuir 309 mil toneladas de reservas de urânio conhecidas, através da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), domina a tecnologia do enriquecimento, que agrega enorme valor ao produto, caso seja decida a exportação.
O enriquecimento, em escala industrial, é realizado na INB, que também fabrica, depois do urânio ser enriquecido, os elementos combustíveis, significando nova agregação de valor ao produto final.
Nossa capacitação tecnológica e industrial no setor nuclear precisa ser levada em consideração pelos órgãos federais e pelos congressistas, nesse momento em que algumas mineradoras, inclusive estrangeiras, demonstram a intenção de produzir urânio para exportá-lo na forma mais primária (U3O8).
Aceitar esse tipo de concessão significará o cerceamento das conquistas da tecnologia nacional, com a conseqüente limitação dos benefícios para toda a sociedade, permitindo que tais mineradoras abasteçam unidades de enriquecimento no exterior, para manter programas nucleares de países que não têm urânio, como França, Inglaterra, Japão, Alemanha, China e Índia.
O lobby das mineradoras junto ao Executivo e ao Legislativo é enorme, pois, para poderem atuar nesse setor é necessário que o monopólio estatal do urânio seja extinto, sabendo-se que, para tal, um deputado já apresentou proposta de emenda à Constituição, a PEC 171.
A demanda por fontes de energia tem motivado guerras e tragédias sociais em várias regiões do globo, causando a denominada geopolítica do petróleo, presente nos planos e ações das grandes potências industriais e militares.
A exaustão dos hidrocarbonetos, a agressão ao meio ambiente pela queima dos combustíveis fósseis e o irreversível crescimento de muitas nações emergentes, exigindo maior suprimento de energia, levará, em futuro muito próximo, à aparição da geopolítica do urânio.
Para esse cenário de forte e disputada demanda por energéticos geradores de eletricidade, impõe-se preservar nossas reservas de urânio como monopólio inflexível do Estado, bem como expandir e aperfeiçoar as preciosas conquistas da engenharia e da técnica nacional, no domínio do combustível nuclear.”
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O NOVO IRAQUE PODE SER AQUI - 11ª PARTE DE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008; e
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do IRAQUE", postado ontem, 17 de abril.
Hoje, a 11ª Parte da série prosseguirá com o artigo: "O novo Iraque pode ser aqui”.
Considerando o que já relembramos nesta série sobre o comportamento pragmático e maquiavélico dos EUA em defesa do seu progresso e da qualidade de vida dos seus cidadãos, bem como as recentes descobertas das gigantescas reservas brasileiras de petróleo “Tupi”, Júpiter” e “Carioca”, é bem provável o cenário futurista imaginado por Sergio Xavier Ferolla e Paulo Metri no artigo a seguir transcrito. Ele foi publicado pelo Jornal do Brasil em 14/11/2004:
"O NOVO IRAQUE PODE SER AQUI"
“O mar, de tão parado, mais parecia uma grande lagoa. Junto com o reflexo da luz da lua no espelho d’água, transmitia uma aparente sensação de tranqüilidade.
Mas o comandante da fragata da nossa Marinha e o seu jovem imediato, que se esforçavam para usufruir dessa visão quase paradisíaca, não estavam tranqüilos. A brisa amenizava o calor asfixiante que reinou durante todo o dia daquele janeiro de 2015, aumentando a ansiedade da tripulação, típica de quem vai para uma frente de batalha. No caso presente, a frente de batalha é que estava vindo em direção ao navio de guerra, estacionado ao lado de uma plataforma de petróleo, algumas milhas distante do litoral, na bacia de Campos.
- Comandante, o senhor acha que os gringos vão retaliar?
- Retaliar, eu não sei, mas da próxima vez vão se prevenir. Afinal de contas, o petroleiro deles foi levado à força para o terminal em terra. Com relação a esse caso, eles irão a tribunais internacionais, mas os próximos cargueiros, a serviço de empresas estrangeiras, que receberem ordem de descarregar o petróleo, mesmo estando em nossas águas, certamente contarão com a proteção da frota de alguma das potências e será muito difícil, para nós, sustentar e fazer cumprir ordens de comando aos petroleiros alienígenas.
- Comandante, como tudo começou?
- Começou em 1995, quando mexeram no artigo 177 da Constituição Federal e, em seguida, em 1997, promulgaram a Lei no 9.478. Assim, criaram um arcabouço jurídico, muito questionado, à época, que permitiu a assinatura de contratos de concessão com 30 anos de validade, para empresas privadas explorarem petróleo no Brasil e, na hipótese de descobri-lo, poderem fazer o que bem quisessem com o produto, inclusive exportar.
Os dirigentes de então não acreditavam, apesar de alertados, que o petróleo pudesse atingir os atuais patamares de preço, bem como não consideraram que a Petrobras, com seus orçamentos rotineiramente contingenciados, obtivesse sucesso limitado na descoberta de novas jazidas, a partir de 2005.
Assim como não contavam com o sucesso das empresas estrangeiras, a partir da mesma época. E ainda pior, visando melhorar o valor do nosso superávit comercial, para a satisfação do mercado de capitais, determinaram que a Petrobras exportasse a produção de petróleo excedente.
O resultado danoso de tudo isso é que, hoje, a nossa empresa não consegue mais atender a demanda nacional, as empresas estrangeiras exportam a quase totalidade do que produzem, alegando terem contratos de longo prazo, assinados no passado e que devem ser honrados, ocorrendo, como conseqüência, o desabastecimento do país.
- Mas ouço dizer que no passado ocorreu também, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que contribuiu para entrarmos nessa crise?
- É verdade. O Supremo, em 2004, infelizmente, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade, referente à Lei do Petróleo, olhando somente para o curto prazo, surpreendeu o país e não acatou a ação interposta.
Prendeu-se às questões de marcos regulatórios estáveis e da atração de capitais externos para o país.
Não se ativeram às questões geopolíticas e estratégicas, ou seja, como o país iria garantir o seu suprimento nos próximos 15 ou mais anos. É claro que existia a questão puramente jurídica, que dava margem a interpretações alternativas, deixando os ministros livres para considerarem esses e muitos outros aspectos.
- Mas não foi aprovada, recentemente, uma lei que proíbe a exportação de qualquer quantidade de petróleo?
- Ela é a razão exata de estarmos aqui nesse momento. O petroleiro ia levar o petróleo das nossas reservas para o exterior, segundo contratos teoricamente vigentes. Os congressistas, reconhecendo os erros do passado, aprovaram uma nova Lei, mas esqueceram de verificar se as nossas Forças Armadas, seguidamente sucateadas, teriam poder de dissuasão capaz de garantir a sua aplicação.
A bem da verdade, as empresas têm, na mão, contratos que são atos jurídicos perfeitos e que lhes permitem exportar o petróleo extraído em nossas reservas. Alguns juristas alegam que essa mudança da lei só poderá valer para os novos contratos de concessão, não tendo validade para os antigos.
- O preço do petróleo está na estratosfera e só tende a subir, pois a produção mundial está caindo. Não entendo como, no passado, não pensaram em preservar o petróleo nacional. Como o Brasil vai conseguir se abastecer, com esses preços e ameaças, no conturbado e belicoso mercado mundial?
- Não sei. Vamos cumprir com o nosso dever. Se a negociação resultar em nada e se for necessário enfrentar o adversário, vamos oferecer o máximo de resistência possível. Mas, seria bem melhor se os governos desses últimos 20 anos tivessem liberado mais recursos para as Forças Armadas.
Essa alternativa de futuro não é desejada pelos autores, mas, despertando a consciência adormecida da sociedade, talvez sirva para alertar sobre a importância de algumas decisões que, tomadas na atualidade, atuarão em detrimento da tranqüilidade futura e da própria soberania da nação brasileira.
Esse pode não ser o cenário mais provável, mas, certamente, ele é possível.”
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março;
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008; e
10) “A mídia esconde: os brasileiros estão pagando muito caro pela guerra do IRAQUE", postado ontem, 17 de abril.
Hoje, a 11ª Parte da série prosseguirá com o artigo: "O novo Iraque pode ser aqui”.
Considerando o que já relembramos nesta série sobre o comportamento pragmático e maquiavélico dos EUA em defesa do seu progresso e da qualidade de vida dos seus cidadãos, bem como as recentes descobertas das gigantescas reservas brasileiras de petróleo “Tupi”, Júpiter” e “Carioca”, é bem provável o cenário futurista imaginado por Sergio Xavier Ferolla e Paulo Metri no artigo a seguir transcrito. Ele foi publicado pelo Jornal do Brasil em 14/11/2004:
"O NOVO IRAQUE PODE SER AQUI"
“O mar, de tão parado, mais parecia uma grande lagoa. Junto com o reflexo da luz da lua no espelho d’água, transmitia uma aparente sensação de tranqüilidade.
Mas o comandante da fragata da nossa Marinha e o seu jovem imediato, que se esforçavam para usufruir dessa visão quase paradisíaca, não estavam tranqüilos. A brisa amenizava o calor asfixiante que reinou durante todo o dia daquele janeiro de 2015, aumentando a ansiedade da tripulação, típica de quem vai para uma frente de batalha. No caso presente, a frente de batalha é que estava vindo em direção ao navio de guerra, estacionado ao lado de uma plataforma de petróleo, algumas milhas distante do litoral, na bacia de Campos.
- Comandante, o senhor acha que os gringos vão retaliar?
- Retaliar, eu não sei, mas da próxima vez vão se prevenir. Afinal de contas, o petroleiro deles foi levado à força para o terminal em terra. Com relação a esse caso, eles irão a tribunais internacionais, mas os próximos cargueiros, a serviço de empresas estrangeiras, que receberem ordem de descarregar o petróleo, mesmo estando em nossas águas, certamente contarão com a proteção da frota de alguma das potências e será muito difícil, para nós, sustentar e fazer cumprir ordens de comando aos petroleiros alienígenas.
- Comandante, como tudo começou?
- Começou em 1995, quando mexeram no artigo 177 da Constituição Federal e, em seguida, em 1997, promulgaram a Lei no 9.478. Assim, criaram um arcabouço jurídico, muito questionado, à época, que permitiu a assinatura de contratos de concessão com 30 anos de validade, para empresas privadas explorarem petróleo no Brasil e, na hipótese de descobri-lo, poderem fazer o que bem quisessem com o produto, inclusive exportar.
Os dirigentes de então não acreditavam, apesar de alertados, que o petróleo pudesse atingir os atuais patamares de preço, bem como não consideraram que a Petrobras, com seus orçamentos rotineiramente contingenciados, obtivesse sucesso limitado na descoberta de novas jazidas, a partir de 2005.
Assim como não contavam com o sucesso das empresas estrangeiras, a partir da mesma época. E ainda pior, visando melhorar o valor do nosso superávit comercial, para a satisfação do mercado de capitais, determinaram que a Petrobras exportasse a produção de petróleo excedente.
O resultado danoso de tudo isso é que, hoje, a nossa empresa não consegue mais atender a demanda nacional, as empresas estrangeiras exportam a quase totalidade do que produzem, alegando terem contratos de longo prazo, assinados no passado e que devem ser honrados, ocorrendo, como conseqüência, o desabastecimento do país.
- Mas ouço dizer que no passado ocorreu também, uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que contribuiu para entrarmos nessa crise?
- É verdade. O Supremo, em 2004, infelizmente, ao julgar uma ação direta de inconstitucionalidade, referente à Lei do Petróleo, olhando somente para o curto prazo, surpreendeu o país e não acatou a ação interposta.
Prendeu-se às questões de marcos regulatórios estáveis e da atração de capitais externos para o país.
Não se ativeram às questões geopolíticas e estratégicas, ou seja, como o país iria garantir o seu suprimento nos próximos 15 ou mais anos. É claro que existia a questão puramente jurídica, que dava margem a interpretações alternativas, deixando os ministros livres para considerarem esses e muitos outros aspectos.
- Mas não foi aprovada, recentemente, uma lei que proíbe a exportação de qualquer quantidade de petróleo?
- Ela é a razão exata de estarmos aqui nesse momento. O petroleiro ia levar o petróleo das nossas reservas para o exterior, segundo contratos teoricamente vigentes. Os congressistas, reconhecendo os erros do passado, aprovaram uma nova Lei, mas esqueceram de verificar se as nossas Forças Armadas, seguidamente sucateadas, teriam poder de dissuasão capaz de garantir a sua aplicação.
A bem da verdade, as empresas têm, na mão, contratos que são atos jurídicos perfeitos e que lhes permitem exportar o petróleo extraído em nossas reservas. Alguns juristas alegam que essa mudança da lei só poderá valer para os novos contratos de concessão, não tendo validade para os antigos.
- O preço do petróleo está na estratosfera e só tende a subir, pois a produção mundial está caindo. Não entendo como, no passado, não pensaram em preservar o petróleo nacional. Como o Brasil vai conseguir se abastecer, com esses preços e ameaças, no conturbado e belicoso mercado mundial?
- Não sei. Vamos cumprir com o nosso dever. Se a negociação resultar em nada e se for necessário enfrentar o adversário, vamos oferecer o máximo de resistência possível. Mas, seria bem melhor se os governos desses últimos 20 anos tivessem liberado mais recursos para as Forças Armadas.
Essa alternativa de futuro não é desejada pelos autores, mas, despertando a consciência adormecida da sociedade, talvez sirva para alertar sobre a importância de algumas decisões que, tomadas na atualidade, atuarão em detrimento da tranqüilidade futura e da própria soberania da nação brasileira.
Esse pode não ser o cenário mais provável, mas, certamente, ele é possível.”
“THE ECONOMIST”: BRASIL É SUPERPOTÊNCIA ECONÔMICA E POTÊNCIA DO PETRÓLEO
O texto abaixo transcrito foi publicado ontem pela inglesa BBC (Brasil) e pela Folha Online. Eu o li hoje no blog do Favre.
“A revista semanal britânica “The Economist” afirmou, em artigo publicado nesta quinta-feira, que o Brasil é uma “superpotência econômica” e que possivelmente o país pode virar uma potência de petróleo.
No editorial intitulado “Uma superpotência econômica, e agora com petróleo também”, a revista afirma que “há motivos para se acreditar que a potência econômica da América do Sul de 190 milhões de habitantes está começando a fazer a diferença no mundo”.
A revista diz que a comparação do crescimento do Brasil com a forte expansão chinesa é “enganosa”, já que a China é um país mais pobre. “É muito mais difícil para um país de média renda, como o Brasil, crescer neste ritmo”, diz a revista.
Além do editorial, o Brasil também é destaque em outros dois artigos da edição desta semana da revista. No texto “Os prazeres do tédio”, a revista diz que o Brasil cuidou dos três maiores problemas que causaram a crise dos anos 1980: inflação, dívida e democracia.
Já no artigo intitulado “Mais recompensa”, a revista diz que as informações de que o Brasil teria descoberto mais petróleo devem gerar grande alegria no governo.
No entanto, a revista alerta que a possível “receita extra [do petróleo] pode acentuar ainda mais as fraquezas da economia brasileira –que inclui um real forte e um setor público superestimado”.
Na segunda-feira, no Rio, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco Carioca (BM-S-9), localizado na Bacia de Santos, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de ‘boe’ (barris de óleo equivalente). Isso tornaria o Carioca o terceiro maior campo de petróleo do mundo.
Em janeiro, a Petrobras comunicou a descoberta do campo de Júpiter, próximo à área de Tupi, na Bacia de Santos. À época, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, sinalizou que ele poderia tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural. A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirmou que o Brasil poderia até mesmo se tornar um exportador.”
“A revista semanal britânica “The Economist” afirmou, em artigo publicado nesta quinta-feira, que o Brasil é uma “superpotência econômica” e que possivelmente o país pode virar uma potência de petróleo.
No editorial intitulado “Uma superpotência econômica, e agora com petróleo também”, a revista afirma que “há motivos para se acreditar que a potência econômica da América do Sul de 190 milhões de habitantes está começando a fazer a diferença no mundo”.
A revista diz que a comparação do crescimento do Brasil com a forte expansão chinesa é “enganosa”, já que a China é um país mais pobre. “É muito mais difícil para um país de média renda, como o Brasil, crescer neste ritmo”, diz a revista.
Além do editorial, o Brasil também é destaque em outros dois artigos da edição desta semana da revista. No texto “Os prazeres do tédio”, a revista diz que o Brasil cuidou dos três maiores problemas que causaram a crise dos anos 1980: inflação, dívida e democracia.
Já no artigo intitulado “Mais recompensa”, a revista diz que as informações de que o Brasil teria descoberto mais petróleo devem gerar grande alegria no governo.
No entanto, a revista alerta que a possível “receita extra [do petróleo] pode acentuar ainda mais as fraquezas da economia brasileira –que inclui um real forte e um setor público superestimado”.
Na segunda-feira, no Rio, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco Carioca (BM-S-9), localizado na Bacia de Santos, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de ‘boe’ (barris de óleo equivalente). Isso tornaria o Carioca o terceiro maior campo de petróleo do mundo.
Em janeiro, a Petrobras comunicou a descoberta do campo de Júpiter, próximo à área de Tupi, na Bacia de Santos. À época, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, sinalizou que ele poderia tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural. A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirmou que o Brasil poderia até mesmo se tornar um exportador.”
CRISE: A POLÍTICA INDIGENISTA, O EXÉRCITO E A MÍDIA
Estamos assistindo o surgimento de várias aparentes incongruências.
A "atual" política indigenista, com as suas demarcações e homologações de áreas indígenas, não são condutas do governo Lula. São dele e de todos os outros governos que lhe precederam.
A grande mídia brasileira sempre foi favorável a ela e às suas criações de vastos territórios indígenas, especialmente na Amazônia. Por quê? Porque isso envolve o interesse de grandes potências, especialmente dos EUA e demais países do G-7.
Não se trata, em princípio, de risco iminente de invasão estrangeira. O objetivo principal dos EUA e das grandes potências é outro, pacífico em uma primeira fase. É o 'congelamento' da exploração da Amazônia pelos brasileiros para assim permitir o futuro usufruto dela pelas grandes potências. Não se trata de direita ou esquerda, pois nesse assunto "Amazônia" a Rússia pensa e age como os EUA.
Uma forma eficaz desse 'congelamento' da Amazônia para eles é a criação de terras indígenas sobre a área alvo. O pobre índio, que merece todo o apoio e a proteção do Estado brasileiro, é apenas um dos convenientes pretextos.
Outras formas abrangem, por exemplo, a criação de florestas de preservação permanente.
Se essas ações fossem planejadas e coordenadas exclusivamente visando interesses econômicos, sociais e políticos genuinamente braileiros, tudo bem. Corretas. Mas não é nada disso.
Eles, EUA, Inglaterra e outros do G-7, pensam (não confessam explicitamente) e agem assim: "Essas áreas devem ser guardadas com os seus bens para o futuro usufruto das grandes potências". "Deixem bem definidos os territórios de futuras independentes novas ‘Nações’ de origem indígena, mais fracas, que serão por nós facilmente domináveis". "Elas agora devem ser demarcadas, estabelecidas as suas fronteiras, homologadas, preservadas culturalmente diferentes dos brasileiros". "Tudo isso para, futuramente, serem desmembradas do Brasil com o apoio até, se preciso for, de resoluções e tropas da ONU sob pretextos como 'causa humanitária'".
A imprensa brasileira, especialmente nos tempos FHC, ajoelhava-se reverencialmente frente àqueles interesses externos. FHC, que atendia a eles, era um Deus. Em 15/08/95, ele mesmo confessou: “Um dos primeiros atos que eu pratiquei como Presidente da República foi dar curso ao projeto do G-7 no que diz respeito a recursos para a demarcação de terras indígenas no Brasil” (coletânea oficial de “Pronunciamentos do PR”, 1995).
Qual a reação da esquerda brasileira? Apoio! Explico porquê. A esquerda brasileira, infelizmente, também é facilmente atiçável. Ela, se inteligentemente manipulada, é direcionável com facilidade. Assim, parte como um touro na direção da enganosa toalha vermelha que espertos abanam para ela.
Foi o caso da política indigenista. Cito exemplos.
Quando alguns brasileiros despertaram para a necessidade de presença do Estado brasileiro na Amazônia, e implantaram o "Projeto Calha Norte", logo o "The New York Times" (NYT) dedicou, em 11/11/1985, meia página frontal contra o projeto.
Ele era minúsculo em face das dimensões amazônicas. Somente a área em foco, ao norte dos Rios Negro e Amazonas, tem 6500 km de extensão de fronteiras. Considerando-se a largura de 150 km daquela faixa de fronteira, significam 975.000 km², equivalente a umas três Franças. O projeto inicial consistia de apenas sete pelotões de fronteiras naquela região. Cada pelotão, arredondando, tem uns 30 militares armados com fuzis não melhores que o Mauser de 1908. Total: 210 militares desarmados para defender uma área do tamanho da Europa Ocidental!...
Pois não é que o jornal norte-americano NYT condenou veementemente aquele projeto, chamando-o de inoportunamente belicista, exterminador de índios, aumentador de corrida armamentista e ameaçador da paz na América Latina!
Logo, toda a imprensa brasileira e a CNBB, o CIMI, ONGs diversas, partidos "conservadores", FUNAI etc também endossaram os argumentos norte-americanos. Embaixadores de países vizinhos pediram explicações.
E foi a esperta manobra (a tal 'toalha vermelha') de classificarem o Projeto Calha Norte de "etnocida", "expansionista", "belicista", "fascista", "militarista" que fez toda a esquerda brasileira passar a também atacá-lo intensamente, e a atacar as Forças Armadas brasileiras, tudo como os países do G-7 queriam.
Até hoje, muitos da esquerda também são contra o Brasil ter Forças Armadas. Li ontem comentários nesse sentido até na blogosfera. Perguntam: "Forças Armadas no Brasil para quê?"; "para ficarem os generais ridiculamente marchando e pintando muros e ganhando muito mais que um professor primário?".
Nenhum país do mundo é irresponsável a ponto de não ter defesas. Comparemos, para simplificar a idéia, morarmos numa casa muito grande, com bens materiais e afetivos valiosíssimos, numa rua tranqüila, sem inimigos entre todos os vizinhos. Este é o Brasil.
Se, dentro de nova filosofia, adotássemos a conduta de não gastar em defesa, em proteção. Não colocássemos portas na casa, janelas, fechaduras, muros, cães de guarda, vigias, nada (metáfora pa nossas Forças Armadas).
Logo, logo, as ameaças surgiriam. A casa passaria a ser invadida e roubada por desconhecidos.
Na melhor das hipóteses, uma turma de espertos (EUA?) assumiria "a proteção" da casa, de nossas filhas bonitas, consideradas não um bem nosso, mas "um patrimônio do bairro", da "Humanidade". Eles seriam frontalmente contrários à nossa decisão de recolocar portas, janelas, fechaduras e outros itens de proteção. "Corrida armamentista!", alguns condenariam.
Voltando ao fato real referente à política indigenista brasileira. Qual a reação das Forças Armadas brasileiras frente àqueles problemas?
Nenhuma. Nos tempos do PSDB/PFL/FHC no poder, enfraquecidas no prestígio e nos equipamentos, elas nada reclamaram. Não houve nenhuma notória reação delas contra a demarcação, determinada por FHC, da grande reserva Raposa Serra do Sol (agora homologada), como não houvera para a criação da "Nação" Yanomami (maior que a Áustria), e de muitas outras 'nações' gigantescas (Tikuna etc).
O Exército, coitado, apesar de nacionalista como deve ser, sempre também foi facilmente engambelado e utilizado em prol dos interesses dos partidos”conservadores”, de direita, pró-EUA, apoiados e pautados pela grande mídia.
Os militares brasileiros, dolosa e sarcasticamente não atendidos nas suas mínimas necessidades orçamentárias, mal armados, mal pagos, desinformados e com os seus então totalmente depreciados e debochados argumentos nacionalistas, foram reduzidos a nada no governo FHC e jogados, com o empurrão de toda a mídia, para o completo desprezo.
Contudo, eles eram muito facilmente 'enrolados', assim como boa parte da classe média, pelos discursos doutrinantes ditos "modernos" e coerentes com as obscuras e endeusadas "Globalização" e "Nova Ordem Mundial", ao Brasil vendidas por FHC e pelo PSDB/PFL. Éramos todos constantemente massificados pela grande mídia. Até hoje os militares são engambelados pela grande mídia direitista.
Por que, então, desde a semana passada, estamos assistindo essa mesma mídia direitista e pró-interesses estrangeiros mudar de lado de repente e passar a se fantasiar de 'brasileira'?
Por que a imprensa e a oposição passaram a criticar as criações de grandes “Nações” indígenas com território e fronteiras demarcadas e com acesso restrito e controlado para os demais brasileiros, até para os militares?
A grande mídia e o PSDB/PFL-DEM sempre apoiaram isso! Por que agora eles estão diferentes?
A resposta é simples. Não estão diferentes. Não há incoerências. Permanece o objetivo de sempre: o retorno ao poder do PSDB, do DEM-PFL e do novo reboque PPS.
Os “conservadores” (sic) perceberam uma maneira de jogar o Exército, com o General Heleno e todos os demais, contra o governo Lula e a “sua” política indigenista. O objetivo é aproveitar uma pequena rachadura entre pensamentos dos militares e do governo Lula e lá enfiar uma cunha, para aumentar as divergências e criar uma grave crise institucional e o enfraquecimento de Lula, quiçá seu impeachment.
Os militares sempre foram facilmente influenciáveis pela mídia direitista. O problema é o risco de, insuflados, saírem dos limites constitucionais.
Se isso acontecesse, seria o ápice inebriante, o píncaro da glória para a oposição e para a grande mídia, que hoje não vislumbram probabilidade de voltarem pelas urnas.
(Recomendo fortemente a leitura do artigo elaborado por este blog e postado em 11 deste mês sob o título: “Os índios e a cobiça estrangeira sobre a Amazônia”).
A "atual" política indigenista, com as suas demarcações e homologações de áreas indígenas, não são condutas do governo Lula. São dele e de todos os outros governos que lhe precederam.
A grande mídia brasileira sempre foi favorável a ela e às suas criações de vastos territórios indígenas, especialmente na Amazônia. Por quê? Porque isso envolve o interesse de grandes potências, especialmente dos EUA e demais países do G-7.
Não se trata, em princípio, de risco iminente de invasão estrangeira. O objetivo principal dos EUA e das grandes potências é outro, pacífico em uma primeira fase. É o 'congelamento' da exploração da Amazônia pelos brasileiros para assim permitir o futuro usufruto dela pelas grandes potências. Não se trata de direita ou esquerda, pois nesse assunto "Amazônia" a Rússia pensa e age como os EUA.
Uma forma eficaz desse 'congelamento' da Amazônia para eles é a criação de terras indígenas sobre a área alvo. O pobre índio, que merece todo o apoio e a proteção do Estado brasileiro, é apenas um dos convenientes pretextos.
Outras formas abrangem, por exemplo, a criação de florestas de preservação permanente.
Se essas ações fossem planejadas e coordenadas exclusivamente visando interesses econômicos, sociais e políticos genuinamente braileiros, tudo bem. Corretas. Mas não é nada disso.
Eles, EUA, Inglaterra e outros do G-7, pensam (não confessam explicitamente) e agem assim: "Essas áreas devem ser guardadas com os seus bens para o futuro usufruto das grandes potências". "Deixem bem definidos os territórios de futuras independentes novas ‘Nações’ de origem indígena, mais fracas, que serão por nós facilmente domináveis". "Elas agora devem ser demarcadas, estabelecidas as suas fronteiras, homologadas, preservadas culturalmente diferentes dos brasileiros". "Tudo isso para, futuramente, serem desmembradas do Brasil com o apoio até, se preciso for, de resoluções e tropas da ONU sob pretextos como 'causa humanitária'".
A imprensa brasileira, especialmente nos tempos FHC, ajoelhava-se reverencialmente frente àqueles interesses externos. FHC, que atendia a eles, era um Deus. Em 15/08/95, ele mesmo confessou: “Um dos primeiros atos que eu pratiquei como Presidente da República foi dar curso ao projeto do G-7 no que diz respeito a recursos para a demarcação de terras indígenas no Brasil” (coletânea oficial de “Pronunciamentos do PR”, 1995).
Qual a reação da esquerda brasileira? Apoio! Explico porquê. A esquerda brasileira, infelizmente, também é facilmente atiçável. Ela, se inteligentemente manipulada, é direcionável com facilidade. Assim, parte como um touro na direção da enganosa toalha vermelha que espertos abanam para ela.
Foi o caso da política indigenista. Cito exemplos.
Quando alguns brasileiros despertaram para a necessidade de presença do Estado brasileiro na Amazônia, e implantaram o "Projeto Calha Norte", logo o "The New York Times" (NYT) dedicou, em 11/11/1985, meia página frontal contra o projeto.
Ele era minúsculo em face das dimensões amazônicas. Somente a área em foco, ao norte dos Rios Negro e Amazonas, tem 6500 km de extensão de fronteiras. Considerando-se a largura de 150 km daquela faixa de fronteira, significam 975.000 km², equivalente a umas três Franças. O projeto inicial consistia de apenas sete pelotões de fronteiras naquela região. Cada pelotão, arredondando, tem uns 30 militares armados com fuzis não melhores que o Mauser de 1908. Total: 210 militares desarmados para defender uma área do tamanho da Europa Ocidental!...
Pois não é que o jornal norte-americano NYT condenou veementemente aquele projeto, chamando-o de inoportunamente belicista, exterminador de índios, aumentador de corrida armamentista e ameaçador da paz na América Latina!
Logo, toda a imprensa brasileira e a CNBB, o CIMI, ONGs diversas, partidos "conservadores", FUNAI etc também endossaram os argumentos norte-americanos. Embaixadores de países vizinhos pediram explicações.
E foi a esperta manobra (a tal 'toalha vermelha') de classificarem o Projeto Calha Norte de "etnocida", "expansionista", "belicista", "fascista", "militarista" que fez toda a esquerda brasileira passar a também atacá-lo intensamente, e a atacar as Forças Armadas brasileiras, tudo como os países do G-7 queriam.
Até hoje, muitos da esquerda também são contra o Brasil ter Forças Armadas. Li ontem comentários nesse sentido até na blogosfera. Perguntam: "Forças Armadas no Brasil para quê?"; "para ficarem os generais ridiculamente marchando e pintando muros e ganhando muito mais que um professor primário?".
Nenhum país do mundo é irresponsável a ponto de não ter defesas. Comparemos, para simplificar a idéia, morarmos numa casa muito grande, com bens materiais e afetivos valiosíssimos, numa rua tranqüila, sem inimigos entre todos os vizinhos. Este é o Brasil.
Se, dentro de nova filosofia, adotássemos a conduta de não gastar em defesa, em proteção. Não colocássemos portas na casa, janelas, fechaduras, muros, cães de guarda, vigias, nada (metáfora pa nossas Forças Armadas).
Logo, logo, as ameaças surgiriam. A casa passaria a ser invadida e roubada por desconhecidos.
Na melhor das hipóteses, uma turma de espertos (EUA?) assumiria "a proteção" da casa, de nossas filhas bonitas, consideradas não um bem nosso, mas "um patrimônio do bairro", da "Humanidade". Eles seriam frontalmente contrários à nossa decisão de recolocar portas, janelas, fechaduras e outros itens de proteção. "Corrida armamentista!", alguns condenariam.
Voltando ao fato real referente à política indigenista brasileira. Qual a reação das Forças Armadas brasileiras frente àqueles problemas?
Nenhuma. Nos tempos do PSDB/PFL/FHC no poder, enfraquecidas no prestígio e nos equipamentos, elas nada reclamaram. Não houve nenhuma notória reação delas contra a demarcação, determinada por FHC, da grande reserva Raposa Serra do Sol (agora homologada), como não houvera para a criação da "Nação" Yanomami (maior que a Áustria), e de muitas outras 'nações' gigantescas (Tikuna etc).
O Exército, coitado, apesar de nacionalista como deve ser, sempre também foi facilmente engambelado e utilizado em prol dos interesses dos partidos”conservadores”, de direita, pró-EUA, apoiados e pautados pela grande mídia.
Os militares brasileiros, dolosa e sarcasticamente não atendidos nas suas mínimas necessidades orçamentárias, mal armados, mal pagos, desinformados e com os seus então totalmente depreciados e debochados argumentos nacionalistas, foram reduzidos a nada no governo FHC e jogados, com o empurrão de toda a mídia, para o completo desprezo.
Contudo, eles eram muito facilmente 'enrolados', assim como boa parte da classe média, pelos discursos doutrinantes ditos "modernos" e coerentes com as obscuras e endeusadas "Globalização" e "Nova Ordem Mundial", ao Brasil vendidas por FHC e pelo PSDB/PFL. Éramos todos constantemente massificados pela grande mídia. Até hoje os militares são engambelados pela grande mídia direitista.
Por que, então, desde a semana passada, estamos assistindo essa mesma mídia direitista e pró-interesses estrangeiros mudar de lado de repente e passar a se fantasiar de 'brasileira'?
Por que a imprensa e a oposição passaram a criticar as criações de grandes “Nações” indígenas com território e fronteiras demarcadas e com acesso restrito e controlado para os demais brasileiros, até para os militares?
A grande mídia e o PSDB/PFL-DEM sempre apoiaram isso! Por que agora eles estão diferentes?
A resposta é simples. Não estão diferentes. Não há incoerências. Permanece o objetivo de sempre: o retorno ao poder do PSDB, do DEM-PFL e do novo reboque PPS.
Os “conservadores” (sic) perceberam uma maneira de jogar o Exército, com o General Heleno e todos os demais, contra o governo Lula e a “sua” política indigenista. O objetivo é aproveitar uma pequena rachadura entre pensamentos dos militares e do governo Lula e lá enfiar uma cunha, para aumentar as divergências e criar uma grave crise institucional e o enfraquecimento de Lula, quiçá seu impeachment.
Os militares sempre foram facilmente influenciáveis pela mídia direitista. O problema é o risco de, insuflados, saírem dos limites constitucionais.
Se isso acontecesse, seria o ápice inebriante, o píncaro da glória para a oposição e para a grande mídia, que hoje não vislumbram probabilidade de voltarem pelas urnas.
(Recomendo fortemente a leitura do artigo elaborado por este blog e postado em 11 deste mês sob o título: “Os índios e a cobiça estrangeira sobre a Amazônia”).
quinta-feira, 17 de abril de 2008
NOVO RECORDE DE CRIAÇÃO DE EMPREGOS
O site “UOL Últimas Notícias” publicou no início desta noite um novo recorde de criação de empregos formais no Brasil. É o melhor desempenho de 1º trimestre registrado desde 1992, quando esse indicador sócio-econômico passou a ser medido.
Vejamos a matéria do UOL:
“Emprego com carteira assinada bate recorde no trimestre”
“A geração de empregos formais (com carteira assinada) no Brasil bateu recorde dos últimos 17 anos no primeiro trimestre e em março, segundo dados informados nesta quinta-feira pelo Ministério do Trabalho.
O primeiro trimestre fechou com a criação de 554.440 ocupações formais com carteira assinada, número 39% maior que o registrado pelo mesmo período em 2007 (399.628), que detinha o recorde anterior.
Só em março, foram criadas 206.556 vagas com carteira assinada, equivalente à expansão de 0,7% sobre o registrado em fevereiro.
O saldo positivo entre admissões e desligamentos em março foi 41% superior ao recorde registrado em março de 2007 (146.141 postos) e 170% maior que o saldo de março de 2006 (76.455).
Segundo o ministério, esse foi o melhor desempenho dos últimos 17 anos em termos absolutos e relativos, considerando a série histórica iniciada em 1992.
"O aquecimento da economia interna explica esses números. Tivemos um ganho real com o salário mínimo. O crescimento dos últimos cinco anos da base salarial de quem ganha até três salários é de praticamente 36%. As pessoas estão comprando mais, e isso gera mais emprego. Muitas empresas estão contratando mais porque têm certeza do crescimento", afirma o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
Todos os setores da atividade econômica apresentaram desempenhos positivos no mês, em especial o de serviços, indústria de transformação, construção civil e comércio.
O segmento de serviços, como comércio, apresentou um saldo de 89.072 postos, o equivalente ao crescimento de 0,77%, sinalizando a maior geração de empregos e o maior aumento percentual para o período.
A indústria formalizou 40.389 vagas com expansão de 0,57%, equivalente ao terceiro maior saldo para o mês.
A construção civil continua acompanhando a evolução registrada no último ano. Em março, houve a geração de 33.437 vagas, com crescimento de 2,09%, que é três vezes superior à taxa média nacional do período.
O crescimento do emprego com carteira assinada aconteceu em quatro regiões do país: Sudeste, com 147.137 novas vagas; Sul, com 49.463 e Centro-Oeste, com 22.369; e Norte, com 2.220 postos de trabalho.
O Nordeste foi a única região com queda, apresentando diminuição de 14.633 vagas formais.”
Vejamos a matéria do UOL:
“Emprego com carteira assinada bate recorde no trimestre”
“A geração de empregos formais (com carteira assinada) no Brasil bateu recorde dos últimos 17 anos no primeiro trimestre e em março, segundo dados informados nesta quinta-feira pelo Ministério do Trabalho.
O primeiro trimestre fechou com a criação de 554.440 ocupações formais com carteira assinada, número 39% maior que o registrado pelo mesmo período em 2007 (399.628), que detinha o recorde anterior.
Só em março, foram criadas 206.556 vagas com carteira assinada, equivalente à expansão de 0,7% sobre o registrado em fevereiro.
O saldo positivo entre admissões e desligamentos em março foi 41% superior ao recorde registrado em março de 2007 (146.141 postos) e 170% maior que o saldo de março de 2006 (76.455).
Segundo o ministério, esse foi o melhor desempenho dos últimos 17 anos em termos absolutos e relativos, considerando a série histórica iniciada em 1992.
"O aquecimento da economia interna explica esses números. Tivemos um ganho real com o salário mínimo. O crescimento dos últimos cinco anos da base salarial de quem ganha até três salários é de praticamente 36%. As pessoas estão comprando mais, e isso gera mais emprego. Muitas empresas estão contratando mais porque têm certeza do crescimento", afirma o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi.
Todos os setores da atividade econômica apresentaram desempenhos positivos no mês, em especial o de serviços, indústria de transformação, construção civil e comércio.
O segmento de serviços, como comércio, apresentou um saldo de 89.072 postos, o equivalente ao crescimento de 0,77%, sinalizando a maior geração de empregos e o maior aumento percentual para o período.
A indústria formalizou 40.389 vagas com expansão de 0,57%, equivalente ao terceiro maior saldo para o mês.
A construção civil continua acompanhando a evolução registrada no último ano. Em março, houve a geração de 33.437 vagas, com crescimento de 2,09%, que é três vezes superior à taxa média nacional do período.
O crescimento do emprego com carteira assinada aconteceu em quatro regiões do país: Sudeste, com 147.137 novas vagas; Sul, com 49.463 e Centro-Oeste, com 22.369; e Norte, com 2.220 postos de trabalho.
O Nordeste foi a única região com queda, apresentando diminuição de 14.633 vagas formais.”
O PODER ECONÔMICO E A MÍDIA AMEAÇAM A DEMOCRACIA
O site “Agência Carta Maior” publicou no último fim-de-semana um artigo de Ignacio Ramonet, traduzido por Naila Freitas, sobre o epílogo do livro "Pérolas 2. Balelas, disparates e trapaças nos meios de comunicação", do jornalista espanhol Pascual Serrano. Parece, até, que o autor do livro se refere ao Brasil, pelo tanto que a “carapuça” nos encaixa.
Reproduzo o texto parcialmente. Para facilitar a leitura, este blog acrescentou subtítulos entre colchetes:
“O DESASTRE MIDIÁTICO”
No texto introdutório, Ignácio Ramonet escreve:
"Hoje, a verdade informativa é quando toda a mídia (imprensa, rádio, televisão e Internet) diz a mesma coisa sobre um tema, diz que uma coisa é verdade, mesmo que seja mentira.”
Indispensável. Este é um livro indispensável para tomar consciência da amplitude do atual desastre midiático. E temos que agradecer Pascual Serrano pelo talento que esbanjou ao constituir o “arquivo da vergonha jornalística”, conseguindo arrebanhar tão flagrantes demonstrações da deterioração de uma profissão que ameaça ruir”.
[A DESINFORMAÇÃO AMEAÇA A DEMOCRACIA]
"O que Pascual Serrano revela com esta nova coleção de “balelas, disparates e trapaças” é que alguma coisa deixou de funcionar nos nossos meios massivos de comunicação. E que, por isso, a informação – ou, melhor dizendo, a desinformação – passou a ser uma das principais ameaças que pairam sobre nossas democracias na hora da globalização econômica.
[OS DONOS DA MÍDIA]
Uma das razões desta situação mora no fato de que a maioria dos grandes jornais do mundo, se formos falar da imprensa escrita, não são, hoje, dirigidos por jornalistas. Agora são quase sempre dirigidos por egressos das Escolas de Comércio, de Escolas de “Ciências Empresariais”, que são os que, evidentemente, estão com as rédeas da empresa midiática, que irá se comportar como uma empresa que, antes de mais nada, vai pensar em suas relações com os “clientes”, e os clientes são os compradores dos jornais ou os ouvintes do rádio ou os telespectadores da televisão, mas são percebidos principalmente como “clientes”.
[O PODER ECONÔMICO MANDA NO PODER MIDIÁTICO E OS DOIS SOBREPUJAM O PODER POLÍTICO]
Quando se trata de globalização, os principais poderes são o poder econômico e o poder midiático. O poder político vem em terceiro lugar.
E o poder econômico, quando se alia com o poder midiático, constitui uma enorme alavanca, capaz de fazer tremer qualquer poder político.
Esta é uma das grandes realidades de hoje, ainda que, às vezes, continuem nos apresentando a realidade de maneira diferente.
E isso é democraticamente escandaloso, porque o poder político é eleito nas urnas, mas o poder midiático e o poder econômico não são e, assim, não têm legitimidade democrática.
Além disso, o poder econômico domina cada vez mais o poder midiático, porque controla, compra e concentra esses meios.
E nós estamos em uma situação orwelliana, na qual os donos da produção industrial são, ao mesmo tempo, os senhores dos sistemas de manipulação das mentes.”
Reproduzo o texto parcialmente. Para facilitar a leitura, este blog acrescentou subtítulos entre colchetes:
“O DESASTRE MIDIÁTICO”
No texto introdutório, Ignácio Ramonet escreve:
"Hoje, a verdade informativa é quando toda a mídia (imprensa, rádio, televisão e Internet) diz a mesma coisa sobre um tema, diz que uma coisa é verdade, mesmo que seja mentira.”
Indispensável. Este é um livro indispensável para tomar consciência da amplitude do atual desastre midiático. E temos que agradecer Pascual Serrano pelo talento que esbanjou ao constituir o “arquivo da vergonha jornalística”, conseguindo arrebanhar tão flagrantes demonstrações da deterioração de uma profissão que ameaça ruir”.
[A DESINFORMAÇÃO AMEAÇA A DEMOCRACIA]
"O que Pascual Serrano revela com esta nova coleção de “balelas, disparates e trapaças” é que alguma coisa deixou de funcionar nos nossos meios massivos de comunicação. E que, por isso, a informação – ou, melhor dizendo, a desinformação – passou a ser uma das principais ameaças que pairam sobre nossas democracias na hora da globalização econômica.
[OS DONOS DA MÍDIA]
Uma das razões desta situação mora no fato de que a maioria dos grandes jornais do mundo, se formos falar da imprensa escrita, não são, hoje, dirigidos por jornalistas. Agora são quase sempre dirigidos por egressos das Escolas de Comércio, de Escolas de “Ciências Empresariais”, que são os que, evidentemente, estão com as rédeas da empresa midiática, que irá se comportar como uma empresa que, antes de mais nada, vai pensar em suas relações com os “clientes”, e os clientes são os compradores dos jornais ou os ouvintes do rádio ou os telespectadores da televisão, mas são percebidos principalmente como “clientes”.
[O PODER ECONÔMICO MANDA NO PODER MIDIÁTICO E OS DOIS SOBREPUJAM O PODER POLÍTICO]
Quando se trata de globalização, os principais poderes são o poder econômico e o poder midiático. O poder político vem em terceiro lugar.
E o poder econômico, quando se alia com o poder midiático, constitui uma enorme alavanca, capaz de fazer tremer qualquer poder político.
Esta é uma das grandes realidades de hoje, ainda que, às vezes, continuem nos apresentando a realidade de maneira diferente.
E isso é democraticamente escandaloso, porque o poder político é eleito nas urnas, mas o poder midiático e o poder econômico não são e, assim, não têm legitimidade democrática.
Além disso, o poder econômico domina cada vez mais o poder midiático, porque controla, compra e concentra esses meios.
E nós estamos em uma situação orwelliana, na qual os donos da produção industrial são, ao mesmo tempo, os senhores dos sistemas de manipulação das mentes.”
A MÍDIA ESCONDE: OS BRASILEIROS ESTÃO PAGANDO MUITO CARO PELA GUERRA DO IRAQUE
10ª PARTE DE “O BRASIL E AS GUERRAS MAIS RECENTES DOS EUA”
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março; e
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008.
Hoje, a 10ª Parte da série prosseguirá com o artigo: "A MÍDIA ESCONDE: OS BRASILEIROS ESTÃO PAGANDO MUITO CARO PELA GUERRA DO IRAQUE"
O “CENÁRIO EXTERNO FAVORÁVEL” (sic)
É comum lermos nos jornais e revistas brasileiros, e ouvirmos em todas as redes de TV, argumentos da oposição, do PSDB, DEM-PFL e PPS, de que todo o grande sucesso do governo Lula deve-se à sua sorte de encontrar um “cenário externo favorável”, de não ter sofrido crises econômicas internacionais como sofreu o governo FHC/PSDB/PFL.
Dizem-nos que FHC enfrentou as crises do México e da Rússia. E também a do próprio Brasil, que afetou o mundo por conta das medidas econômicas e cambiais irresponsavelmente represadas até garantir-se a reeleição de FHC.
Todavia, não nos dizem que essas crises foram “fichinhas” comparadas com a atual grave crise mundial causada pela desordem e estagnação da maior economia do mundo, os Estados Unidos (EUA).
Não dizem que o custo do petróleo foi multiplicado várias vezes desde então. Está na ordem de grandeza surpreendente de 115 dólares o barril.
A GUERRA DO IRAQUE
A grande mídia também não publica no Brasil, e pouco é dito nos próprios EUA, que a grande causa da crise norte-americana e mundial, que abala as bolsas de valores do mundo, que desvaloriza o dólar e valoriza as moedas nacionais, prejudicando nossas exportações, que contribui para recessões e novas pressões inflacionárias em muitos países e no Brasil, que induz juros elevados, que está degenerando o cenário financeiro e econômico mundial e, em conseqüência, o brasileiro, é a guerra dos EUA no Iraque.
Este blog já escreveu e transcreveu vários artigos sobre ela. Por exemplo, sugiro a leitura de "Os EUA e o petróleo: vale tudo?", postado em 24 de janeiro último.
No site “Agência Carta Maior", li no dia 10 deste mês um ótimo artigo de Michael Krätke: “O custo da guerra”. O autor é membro do Conselho Editorial de “Simpermiso”, estudou Economia e Ciências Políticas em Berlim e em Paris. É professor de Ciências Políticas e de Economia em várias universidades alemãs e no estrangeiro. É pesquisador associado ao Instituto Internacional de História Social em Amsterdã e autor de numerosos livros sobre economia política internacional. A tradução para “Sinpermiso.info” foi de Amaranta Süss, e a tradução para Carta Maior foi de Naila Freitas.
Para facilitar a leitura, este blog acrescentou entre colchetes alguns subtítulos.
“O CUSTO DA GUERRA”
6.000.000.000.000 de dólares
[UM TRILHÃO DE DÓLARES EM 2008]
“2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque. Os críticos fazem contas sobre o que teria sido possível fazer nos EUA com o dinheiro gasto até aqui. Com um trilhão de dólares, seria possível contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças e financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes.
[IRAQUE E AFEGANISTÃO: GUERRAS IMPOSSÍVEIS DE FINANCIAR]
Até militares estadunidenses de alta graduação admitem há bastante tempo que as tropas coligadas nos dois cenários principais da guerra mundial contra o terror - Iraque e Afeganistão - são um desastre. Já derrubaram pela força dois regimes, com uma guerra cujo fim não é previsível.
Economicamente, essas guerras são uma catástrofe ainda maior. Não é possível ganhá-las e há muito tempo não são financiáveis, nem sequer para um país como os EUA.
[A MENTIRA DE BUSH EM 2003: CUSTO DE “SÓ” US$ 60 BILHÕES, SEGURANÇA E PETRÓLEO BARATO]
Há 5 anos, foi dito à opinião pública norte-americana que a guerra do Iraque custaria, no máximo, 200 bilhões de dólares; no pior dos casos, 270 bilhões. Os gastos armamentísticos do Pentágono chegavam então a 350 bilhões de dólares. O duelo armado foi "vendido" como uma guerra barata, que só poderia trazer benefícios para os EUA e para o mundo todo: mais segurança e uma redução no preço do petróleo. Lawrence Lindsay, o assessor econômico da Casa Branca que ousou falar nesses 200 bilhões de dólares, foi demitido.
O governo Bush havia afirmado, antes, que toda a empreitada custaria, no máximo, entre 50 e 60 bilhões de dólares. Uma insolente mentira, destinada a tranqüilizar a opinião pública norte-americana diante dos planejados - e pouco depois executados - cortes fiscais para os proprietários de capital e patrimônio.
[US$ 1,9 TRILHÃO]
Alguns economistas, como William Nordhaus, da Universidade de Yale, chegaram a estimativas modestas que multiplicavam por mais de cinco o valor anunciado pelo governo: 1,9 trilhões de dólares.
É fácil explicar a diferença: todos os custos posteriores à guerra simplesmente haviam sido omitidos pelo governo. Assim, os custos com a reparação dos estragos bélicos, que no Iraque, segundo cálculos conservadores, podiam chegar a várias centenas de milhares de milhões de dólares. Assim, também, os custos de assistência às vítimas da guerra, que no Iraque multiplicam por muito os custos que já representa essa assistência para os EUA. Assim, também, os custos em dívida pública, que a política fiscal de George W. Bush, sozinha, já faria aumentar.
Joseph Stiglitz, que se tornou célebre como crítico da política devastadora do Banco Mundial, deu-se ao trabalho, junto com a ex- conselheira do governo Clinton, Linda Bilmes, de calcular exatamente quanto custou até agora a guerra do Iraque.
Chamou-lhes a atenção, já em 2005, a incongruência dos dados oficiais do Escritório Orçamentário do Congresso (CBO, em inglês): de acordo com esses dados, os custos da guerra do Iraque teriam sido até então de ‘apenas’ 500 bilhões de dólares: dez vezes o custo bélico originalmente anunciado, mas, mesmo assim, um valor manifestamente baixo.
Começaram, portanto, a investigar a coisa com maior detalhe e ofereceram, em janeiro de 2006, seus resultados provisórios: com uma estimativa conscientemente conservadora, os custos da guerra, na opinião de ambos, teriam que estar entre o trilhão e os dois trilhões de dólares.
[BUSH: CUSTOS EM GUERRA NÃO IMPORTAM]
Reação oficial do governo Bush: quando entramos em uma guerra, não nos submetemos aos ditados da contabilidade. Stiglitz e outros "derrotistas" foram censurados por simplesmente passar por alto o bem que a guerra representava para o Iraque e para o resto do mundo.
Stiglitz e Bilmes, então, entraram em detalhes para refutar as manobras falsárias do governo. A guerra tinha sido financiada até aquele momento graças a 25 leis de emergência, ou seja, com leis orçamentárias extraordinárias. Além disso, o Pentágono teve o cuidado de não calcular o conjunto dos custos bélicos efetivos.
[CUSTOS SOMENTE NO IRAQUE: US$ 3 TRILHÕES PARA OS EUA E US$ 3 TRILHÕES PARA O RESTO DO MUNDO]
Após meses de pesquisas, Stiglitz e Bilmes publicaram agora seus circunstanciados descobrimentos. O resultado é assustador: a guerra de Bush no Iraque custou, somente aos EUA, 3 trilhões de dólares.
Nessa quantia estão incluídos os gastos bélicos diretos, na medida em que se refletem no orçamento dos EUA. A isso é preciso acrescentar os custos propriamente econômicos, que não aparecem no orçamento: Stiglitz e Bilmes calculam os efeitos macroeconômicos e econômico-planetários da guerra em pelo menos outros 3 trilhões de dólares.
[CUSTO DAS GUERRAS DO IRAQUE E AFEGANISTÃO MAIORES QUE AS DO VIETNÃ E CORÉIA]
[IGUAL AO MONTANTE DE TODAS AS RESERVAS DE OURO E DIVISAS DO MUNDO]
Apenas os custos diretos da guerra de Bush já ultrapassam os das guerras do Vietnã e da Coréia somados.
O montante, estimado de modo conservador, destes 6 trilhões de dólares equivale, aproximadamente, ao valor de todas as reservas de ouro e divisas do mundo. Todos os meses, os EUA precisam desembolsar mais de 16 bilhões de dólares em custos correntes para as guerras do Iraque e do Afeganistão, além dos 439 bilhões de dólares do orçamento de defesa.
Chama a atenção a quantidade de coisas que o Pentágono e os assessores econômicos do governo de Bush passam por alto em matéria de custos: por exemplo, o custo dos soldados mortos e de seus familiares e dependentes. Ou o dispêndio gerado pelos numerosos feridos ou os gravemente mutilados, aos quais técnicas médicas avançadas conseguiram salvar a vida, ao preço de terem que continuar vivendo como jovens inválidos.
Isso para não falar das vítimas iraquianas da guerra, que segundo estimativas de organizações não governamentais ascendem ao milhão de pessoas. E que também não aparecem nos cômputos de Stiglitz e Bilmes.
[A SANGRENTA, RENDOSA E DISPENDIOSA “PRIVATIZAÇÃO DA GUERRA”]
O governo dos EUA também mentiu no tocante aos custos da supostamente tão eficiente privatização da guerra. Os empregados das empresas de segurança que por encomenda do Pentágono desenvolvem no Iraque seu sangrento negócio custam, em média, dez vezes mais do que custa um G.I. regular (soldados de infantaria) - 400.000 dólares por ano, contra 40.000. Agora, há 180.000 mercenários [civis] no Iraque.
Comparadas a isso, as medidas de economia adotadas parecem piada de falsário: os soldados norte-americanos teriam que financiar parcialmente seu equipamento, segundo exigem os estudos de substituição de danos do Pentágono.
[AS GERAÇÕES E GOVERNOS FUTUROS PAGARÃO MAIS POR ISSO]
Stiglitz e Bilmes calcularam, também, o que já custou o aventureiro financiamento da guerra de Bush e o que vai terminar custando. Por causa dos cortes fiscais massivos em favor das grandes empresas e dos possuidores de capital e patrimônio, uma parte crescente dos gastos bélicos teve que ser financiada com créditos.
Isso vai custar, nos próximos anos, centenas de milhares de milhões de dólares em juros. Uma vez que os norte-americanos não economizam, senão que vivem em esmagadora maioria de empréstimos (muitos foram forçados a isso por salários e rendas em baixa), os juros terão que ser financiados com importações de capital. O crescente endividamento do Estado transforma-se, assim, a um ritmo vertiginoso, em um crescente endividamento exterior.
O governo Bush acaba dentro de alguns meses; as conseqüências financeiras de sua aventura bélica serão padecidas pelas gerações e os governos vindouros.
[O PETRÓLEO ACIMA DE US$ 100 O BARRIL]
Qualquer economista sabe o que os belicistas bushistas ignoram: aos custos diretos de uma guerra, que aparecem como gasto militar nos orçamentos, somam-se sempre os custos econômicos de conjunto.
Stiglitz e Bilmes calculam aqui, entre outros, os efeitos do rápido aumento do preço do petróleo. Foi prometido que, graças à intervenção no Iraque, o preço cairia de maneira duradoura; como sabe todo o mundo, atualmente ronda os 100 dólares por barril. Isso tem enormes conseqüências, não só para a economia dos EUA, mas para toda a economia mundial. Conseqüências que só são um pouco menos graves graças à queda do dólar.
Em outono de 2007, até os congressistas conservadores ficaram assombrados com a desenvoltura com que, quase simultaneamente, o presidente Bush solicitava 200 bilhões de dólares adicionais para sua guerra e vetava a aprovação pelo Congresso de um gasto de 20 bilhões de dólares destinados ao saneamento e restauração de escolas públicas.
A preocupação dos congressistas tinha fundamento, porque os custos da guerra continuam subindo sem freio. 2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque.
[O QUE TERIA SIDO POSSÍVEL OS EUA FAZEREM COM O MONTANTE GASTO NO IRAQUE]
Os críticos agora fazem contas sobre o que teria sido possível começar a fazer com essas enormes quantias para acabar com as misérias que castigam o país mais rico da terra.
Com um trilhão de dólares, teriam podido contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças, financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes. Teriam podido fazer o saneamento das urbanizações miseráveis, renovar os arruinados edifícios das escolas de todo o país. Com uma parte do montante desperdiçado na demonstração de superioridade militar, os EUA teriam podido, finalmente, permitir-se colocar os alicerces de um Estado social moderno.
Tudo isso poderia ter sido feito, se não se fosse escravo da superstição da "seriedade", da respeitabilidade e da ombridade de uma casta governante orgânica na classe dos proprietários de capital e patrimônio.
[QUEM GANHOU COM AS “GUERRAS CONTRA O TERROR”?]
Os propagandistas da guerra mundial contra o "terror" afirmam que a guerra não deixou, contudo, de ter suas vantagens. E é verdade que quem quiser proceder a um cálculo custo/benefício não pode deixar de computar os benefícios desta guerra. A propaganda de Bush não ousou, até agora, pôr nos "Haveres da Guerra" os de fato enormes benefícios que ela tem trazido para as trasnacionais petroleiras estadunidenses, para as empresas de construção, para as empresas de segurança e para a indústria armamentista.
Seria perfeitamente congruente com a lógica neoliberal levar a conta dos benefícios obtidos - ou pelo menos, "garantidos"- pelos oportunistas da guerra em matéria de "postos de trabalho" e "investimentos".
Para Joseph Stiglitz, é difícil - como para qualquer economista competente na análise custo/benefício- reconhecer o menor proveito nesta guerra.
A única vantagem que um perito econômico imbuído de todo o cinismo que costuma acompanhar a profissão poderia, talvez, divisar no processo bélico é que serviu para tornar mais lento o crescimento da economia dos EUA. Graças a isso [com os EUA com menor peso econômico], a grande crise econômica mundial que se aproxima talvez se abata com menor virulência do que teria sido sem a guerra [que empobreceu os EUA].
Peste ou cólera, guerra ou crise: qual é o "mal menor" do capitalismo realmente existente?”
RETROSPECTIVA DA SÉRIE
Até hoje, foram postados os seguintes artigos:
1) “Risco de guerras na América do Sul”, em 3 de março;
2) “Os EUA e a mídia” e “O terror atômico suavizado na mídia”, em 11 de março;
3) “O terror no Panamá por ‘justa causa’”, em 12 de março;
4) “Ataques dos EUA contra Granada, Somália, Sudão e outros”. (também foram lembrados os ataques ao Haiti, em 1994 e em 2003, bem como os ataques ao Afeganistão e ao Paquistão na noite de 20/08/2008). Postado em 15 de março;
5) “A primeira guerra dos EUA contra o Iraque, em 1991”; artigo de 17 de março;
6) “A segunda guerra contra o Iraque”, postado em 19 de março, no 5º aniversário daquela guerra;
7) “Fatos muito estranhos na guerra dos EUA contra o Afeganistão”, publicado em 22 de março.
8) "As guerras ‘preventivas’ dos EUA na América do Sul”, em 30 de março; e
9) "O cinismo global de Bush", em 01/04/2008.
Hoje, a 10ª Parte da série prosseguirá com o artigo: "A MÍDIA ESCONDE: OS BRASILEIROS ESTÃO PAGANDO MUITO CARO PELA GUERRA DO IRAQUE"
O “CENÁRIO EXTERNO FAVORÁVEL” (sic)
É comum lermos nos jornais e revistas brasileiros, e ouvirmos em todas as redes de TV, argumentos da oposição, do PSDB, DEM-PFL e PPS, de que todo o grande sucesso do governo Lula deve-se à sua sorte de encontrar um “cenário externo favorável”, de não ter sofrido crises econômicas internacionais como sofreu o governo FHC/PSDB/PFL.
Dizem-nos que FHC enfrentou as crises do México e da Rússia. E também a do próprio Brasil, que afetou o mundo por conta das medidas econômicas e cambiais irresponsavelmente represadas até garantir-se a reeleição de FHC.
Todavia, não nos dizem que essas crises foram “fichinhas” comparadas com a atual grave crise mundial causada pela desordem e estagnação da maior economia do mundo, os Estados Unidos (EUA).
Não dizem que o custo do petróleo foi multiplicado várias vezes desde então. Está na ordem de grandeza surpreendente de 115 dólares o barril.
A GUERRA DO IRAQUE
A grande mídia também não publica no Brasil, e pouco é dito nos próprios EUA, que a grande causa da crise norte-americana e mundial, que abala as bolsas de valores do mundo, que desvaloriza o dólar e valoriza as moedas nacionais, prejudicando nossas exportações, que contribui para recessões e novas pressões inflacionárias em muitos países e no Brasil, que induz juros elevados, que está degenerando o cenário financeiro e econômico mundial e, em conseqüência, o brasileiro, é a guerra dos EUA no Iraque.
Este blog já escreveu e transcreveu vários artigos sobre ela. Por exemplo, sugiro a leitura de "Os EUA e o petróleo: vale tudo?", postado em 24 de janeiro último.
No site “Agência Carta Maior", li no dia 10 deste mês um ótimo artigo de Michael Krätke: “O custo da guerra”. O autor é membro do Conselho Editorial de “Simpermiso”, estudou Economia e Ciências Políticas em Berlim e em Paris. É professor de Ciências Políticas e de Economia em várias universidades alemãs e no estrangeiro. É pesquisador associado ao Instituto Internacional de História Social em Amsterdã e autor de numerosos livros sobre economia política internacional. A tradução para “Sinpermiso.info” foi de Amaranta Süss, e a tradução para Carta Maior foi de Naila Freitas.
Para facilitar a leitura, este blog acrescentou entre colchetes alguns subtítulos.
“O CUSTO DA GUERRA”
6.000.000.000.000 de dólares
[UM TRILHÃO DE DÓLARES EM 2008]
“2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque. Os críticos fazem contas sobre o que teria sido possível fazer nos EUA com o dinheiro gasto até aqui. Com um trilhão de dólares, seria possível contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças e financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes.
[IRAQUE E AFEGANISTÃO: GUERRAS IMPOSSÍVEIS DE FINANCIAR]
Até militares estadunidenses de alta graduação admitem há bastante tempo que as tropas coligadas nos dois cenários principais da guerra mundial contra o terror - Iraque e Afeganistão - são um desastre. Já derrubaram pela força dois regimes, com uma guerra cujo fim não é previsível.
Economicamente, essas guerras são uma catástrofe ainda maior. Não é possível ganhá-las e há muito tempo não são financiáveis, nem sequer para um país como os EUA.
[A MENTIRA DE BUSH EM 2003: CUSTO DE “SÓ” US$ 60 BILHÕES, SEGURANÇA E PETRÓLEO BARATO]
Há 5 anos, foi dito à opinião pública norte-americana que a guerra do Iraque custaria, no máximo, 200 bilhões de dólares; no pior dos casos, 270 bilhões. Os gastos armamentísticos do Pentágono chegavam então a 350 bilhões de dólares. O duelo armado foi "vendido" como uma guerra barata, que só poderia trazer benefícios para os EUA e para o mundo todo: mais segurança e uma redução no preço do petróleo. Lawrence Lindsay, o assessor econômico da Casa Branca que ousou falar nesses 200 bilhões de dólares, foi demitido.
O governo Bush havia afirmado, antes, que toda a empreitada custaria, no máximo, entre 50 e 60 bilhões de dólares. Uma insolente mentira, destinada a tranqüilizar a opinião pública norte-americana diante dos planejados - e pouco depois executados - cortes fiscais para os proprietários de capital e patrimônio.
[US$ 1,9 TRILHÃO]
Alguns economistas, como William Nordhaus, da Universidade de Yale, chegaram a estimativas modestas que multiplicavam por mais de cinco o valor anunciado pelo governo: 1,9 trilhões de dólares.
É fácil explicar a diferença: todos os custos posteriores à guerra simplesmente haviam sido omitidos pelo governo. Assim, os custos com a reparação dos estragos bélicos, que no Iraque, segundo cálculos conservadores, podiam chegar a várias centenas de milhares de milhões de dólares. Assim, também, os custos de assistência às vítimas da guerra, que no Iraque multiplicam por muito os custos que já representa essa assistência para os EUA. Assim, também, os custos em dívida pública, que a política fiscal de George W. Bush, sozinha, já faria aumentar.
Joseph Stiglitz, que se tornou célebre como crítico da política devastadora do Banco Mundial, deu-se ao trabalho, junto com a ex- conselheira do governo Clinton, Linda Bilmes, de calcular exatamente quanto custou até agora a guerra do Iraque.
Chamou-lhes a atenção, já em 2005, a incongruência dos dados oficiais do Escritório Orçamentário do Congresso (CBO, em inglês): de acordo com esses dados, os custos da guerra do Iraque teriam sido até então de ‘apenas’ 500 bilhões de dólares: dez vezes o custo bélico originalmente anunciado, mas, mesmo assim, um valor manifestamente baixo.
Começaram, portanto, a investigar a coisa com maior detalhe e ofereceram, em janeiro de 2006, seus resultados provisórios: com uma estimativa conscientemente conservadora, os custos da guerra, na opinião de ambos, teriam que estar entre o trilhão e os dois trilhões de dólares.
[BUSH: CUSTOS EM GUERRA NÃO IMPORTAM]
Reação oficial do governo Bush: quando entramos em uma guerra, não nos submetemos aos ditados da contabilidade. Stiglitz e outros "derrotistas" foram censurados por simplesmente passar por alto o bem que a guerra representava para o Iraque e para o resto do mundo.
Stiglitz e Bilmes, então, entraram em detalhes para refutar as manobras falsárias do governo. A guerra tinha sido financiada até aquele momento graças a 25 leis de emergência, ou seja, com leis orçamentárias extraordinárias. Além disso, o Pentágono teve o cuidado de não calcular o conjunto dos custos bélicos efetivos.
[CUSTOS SOMENTE NO IRAQUE: US$ 3 TRILHÕES PARA OS EUA E US$ 3 TRILHÕES PARA O RESTO DO MUNDO]
Após meses de pesquisas, Stiglitz e Bilmes publicaram agora seus circunstanciados descobrimentos. O resultado é assustador: a guerra de Bush no Iraque custou, somente aos EUA, 3 trilhões de dólares.
Nessa quantia estão incluídos os gastos bélicos diretos, na medida em que se refletem no orçamento dos EUA. A isso é preciso acrescentar os custos propriamente econômicos, que não aparecem no orçamento: Stiglitz e Bilmes calculam os efeitos macroeconômicos e econômico-planetários da guerra em pelo menos outros 3 trilhões de dólares.
[CUSTO DAS GUERRAS DO IRAQUE E AFEGANISTÃO MAIORES QUE AS DO VIETNÃ E CORÉIA]
[IGUAL AO MONTANTE DE TODAS AS RESERVAS DE OURO E DIVISAS DO MUNDO]
Apenas os custos diretos da guerra de Bush já ultrapassam os das guerras do Vietnã e da Coréia somados.
O montante, estimado de modo conservador, destes 6 trilhões de dólares equivale, aproximadamente, ao valor de todas as reservas de ouro e divisas do mundo. Todos os meses, os EUA precisam desembolsar mais de 16 bilhões de dólares em custos correntes para as guerras do Iraque e do Afeganistão, além dos 439 bilhões de dólares do orçamento de defesa.
Chama a atenção a quantidade de coisas que o Pentágono e os assessores econômicos do governo de Bush passam por alto em matéria de custos: por exemplo, o custo dos soldados mortos e de seus familiares e dependentes. Ou o dispêndio gerado pelos numerosos feridos ou os gravemente mutilados, aos quais técnicas médicas avançadas conseguiram salvar a vida, ao preço de terem que continuar vivendo como jovens inválidos.
Isso para não falar das vítimas iraquianas da guerra, que segundo estimativas de organizações não governamentais ascendem ao milhão de pessoas. E que também não aparecem nos cômputos de Stiglitz e Bilmes.
[A SANGRENTA, RENDOSA E DISPENDIOSA “PRIVATIZAÇÃO DA GUERRA”]
O governo dos EUA também mentiu no tocante aos custos da supostamente tão eficiente privatização da guerra. Os empregados das empresas de segurança que por encomenda do Pentágono desenvolvem no Iraque seu sangrento negócio custam, em média, dez vezes mais do que custa um G.I. regular (soldados de infantaria) - 400.000 dólares por ano, contra 40.000. Agora, há 180.000 mercenários [civis] no Iraque.
Comparadas a isso, as medidas de economia adotadas parecem piada de falsário: os soldados norte-americanos teriam que financiar parcialmente seu equipamento, segundo exigem os estudos de substituição de danos do Pentágono.
[AS GERAÇÕES E GOVERNOS FUTUROS PAGARÃO MAIS POR ISSO]
Stiglitz e Bilmes calcularam, também, o que já custou o aventureiro financiamento da guerra de Bush e o que vai terminar custando. Por causa dos cortes fiscais massivos em favor das grandes empresas e dos possuidores de capital e patrimônio, uma parte crescente dos gastos bélicos teve que ser financiada com créditos.
Isso vai custar, nos próximos anos, centenas de milhares de milhões de dólares em juros. Uma vez que os norte-americanos não economizam, senão que vivem em esmagadora maioria de empréstimos (muitos foram forçados a isso por salários e rendas em baixa), os juros terão que ser financiados com importações de capital. O crescente endividamento do Estado transforma-se, assim, a um ritmo vertiginoso, em um crescente endividamento exterior.
O governo Bush acaba dentro de alguns meses; as conseqüências financeiras de sua aventura bélica serão padecidas pelas gerações e os governos vindouros.
[O PETRÓLEO ACIMA DE US$ 100 O BARRIL]
Qualquer economista sabe o que os belicistas bushistas ignoram: aos custos diretos de uma guerra, que aparecem como gasto militar nos orçamentos, somam-se sempre os custos econômicos de conjunto.
Stiglitz e Bilmes calculam aqui, entre outros, os efeitos do rápido aumento do preço do petróleo. Foi prometido que, graças à intervenção no Iraque, o preço cairia de maneira duradoura; como sabe todo o mundo, atualmente ronda os 100 dólares por barril. Isso tem enormes conseqüências, não só para a economia dos EUA, mas para toda a economia mundial. Conseqüências que só são um pouco menos graves graças à queda do dólar.
Em outono de 2007, até os congressistas conservadores ficaram assombrados com a desenvoltura com que, quase simultaneamente, o presidente Bush solicitava 200 bilhões de dólares adicionais para sua guerra e vetava a aprovação pelo Congresso de um gasto de 20 bilhões de dólares destinados ao saneamento e restauração de escolas públicas.
A preocupação dos congressistas tinha fundamento, porque os custos da guerra continuam subindo sem freio. 2008 será o ano mais caro da guerra do Iraque.
[O QUE TERIA SIDO POSSÍVEL OS EUA FAZEREM COM O MONTANTE GASTO NO IRAQUE]
Os críticos agora fazem contas sobre o que teria sido possível começar a fazer com essas enormes quantias para acabar com as misérias que castigam o país mais rico da terra.
Com um trilhão de dólares, teriam podido contratar mais 15 milhões de professores, garantir assistência para 530 milhões de crianças, financiar as bolsas de 43 milhões de estudantes. Teriam podido fazer o saneamento das urbanizações miseráveis, renovar os arruinados edifícios das escolas de todo o país. Com uma parte do montante desperdiçado na demonstração de superioridade militar, os EUA teriam podido, finalmente, permitir-se colocar os alicerces de um Estado social moderno.
Tudo isso poderia ter sido feito, se não se fosse escravo da superstição da "seriedade", da respeitabilidade e da ombridade de uma casta governante orgânica na classe dos proprietários de capital e patrimônio.
[QUEM GANHOU COM AS “GUERRAS CONTRA O TERROR”?]
Os propagandistas da guerra mundial contra o "terror" afirmam que a guerra não deixou, contudo, de ter suas vantagens. E é verdade que quem quiser proceder a um cálculo custo/benefício não pode deixar de computar os benefícios desta guerra. A propaganda de Bush não ousou, até agora, pôr nos "Haveres da Guerra" os de fato enormes benefícios que ela tem trazido para as trasnacionais petroleiras estadunidenses, para as empresas de construção, para as empresas de segurança e para a indústria armamentista.
Seria perfeitamente congruente com a lógica neoliberal levar a conta dos benefícios obtidos - ou pelo menos, "garantidos"- pelos oportunistas da guerra em matéria de "postos de trabalho" e "investimentos".
Para Joseph Stiglitz, é difícil - como para qualquer economista competente na análise custo/benefício- reconhecer o menor proveito nesta guerra.
A única vantagem que um perito econômico imbuído de todo o cinismo que costuma acompanhar a profissão poderia, talvez, divisar no processo bélico é que serviu para tornar mais lento o crescimento da economia dos EUA. Graças a isso [com os EUA com menor peso econômico], a grande crise econômica mundial que se aproxima talvez se abata com menor virulência do que teria sido sem a guerra [que empobreceu os EUA].
Peste ou cólera, guerra ou crise: qual é o "mal menor" do capitalismo realmente existente?”
quarta-feira, 16 de abril de 2008
A OPOSIÇÃO E A MÍDIA DETESTARAM AS DESCOBERTAS DE PETRÓLEO
O assunto em pauta é aquele já tratado neste blog anteontem, sob o título “O Brasil descobre a maior reserva de petróleo do mundo, dos últimos 30 anos”.
Essa notícia causou grande mal-estar na mídia brasileira e nos partidos da oposição. Ela veio no sentido contrário da estratégia deles para o retorno ao poder. Para eles, durante o governo Lula, quanto pior melhor. Qualquer notícia positiva para o Brasil deve ser omitida ou distorcida de modo a transformá-la em negativa.
Dois artigos muito bons foram postados hoje que bem demonstram essa atitude da oposição e da mídia. Transcrevo-os em seguida.
O primeiro, “Europa ignora o PIG”, foi publicado ontem no blog “Cidadania”, indicado neste blog na coluna “recomendamos”. Lembro que a sigla “PIG” foi criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e significa “Partido da Imprensa Golpista”.
O segundo, “PIG tapa poço da Petrobrás”, foi postado hoje por Paulo Henrique Amorim (PHA) no seu blog “Conversa Afiada”, também constante da nossa lista de recomendados. No seu estilo espirituoso e satírico, PHA retrata com precisão e caricatura a atitude da mídia brasileira frente à boa notícia da descoberta de petróleo. No blog de PHA, existem links para outras matérias relacionadas com o assunto.
Vejamos os dois artigos:
EUROPA IGNORA O PIG (Eduardo Guimarães)
“Quando o mercado acionário europeu abre, ainda estamos dormindo. A diferença de fuso horário do Brasil para aqueles países varia de 4 a 5 horas.
Assim, quando, na madrugada de hoje, saíram as edições dos jornalões brasileiros pondo em dúvida a nova descoberta petrolífera do país, alemães, ingleses, franceses, italianos e espanhóis já estavam tomando café da manhã. E, certamente, os investidores em ações europeus procuraram se informar na imprensa brasileira sobre a descoberta petrolífera.
Segundo o UOL, o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, apontou alta de 1,29%, aos 5.906 pontos. O CAC-40, de Paris, ganhou 0,3%, a 4.780 unidades. Em Frankfurt, o indicador DAX teve alta de 0,47%, a 6.585 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,08%, pelo indicador MIBTel, aos 24.902 pontos. Já o Ibex, de Madri, ganhou 1,59%, para 1.444 unidades. O mercado acionário europeu fechou esta terça-feira em alta.
As ações de empresas petrolíferas européias foram as que tiveram as altas mais vigorosas. A inglesa BG Group e a espanhola Repsol-YPF lideraram essas altas devido às notícias de que foi descoberto um novo megacampo de petróleo no Brasil que pode ser a mais importante descoberta petrolífera dos últimos 30 anos. As duas empresas são sócias na exploração do campo "Carioca" junto com a Petrobrás.
A reação do mercado acionário europeu às dúvidas da imprensa golpista tupiniquim foi de absoluto desprezo.
É uma situação esquizofrênica, vocês não acham? Em que país do mundo - sem ser nos países latino-americanos governados pela esquerda - a imprensa ficaria procurando chifre em cabeça de cavalo e tentando cavar um escândalo sobre uma descoberta tão magnífica para o país em vez de comemorar?
O Brasil deixa de ser devedor internacional e passa a credor? A imprensa relativiza. O país sobe para o grupo de países de alto desenvolvimento humano? A imprensa faz pouco. Descobrimos reservas de petróleo que podem tirar dezenas de milhões de brasileiros de uma vida infernal e a imprensa estrebucha e sai procurando uma forma de transformar a descoberta em escândalo...
Você diria que a imprensa golpista torce contra o Brasil?”
PIG TAPA POÇO DA PETROBRAS (Paulo Henrique Amorim)
“O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, é um homem público sério, com uma folha inatacável de serviços prestados a esse país.
Os baianos e brasileiros que conseguem olhar para além dos limites provincianos de São Paulo conhecem o seu passado e o respeitam.
Haroldo Lima preside uma agência que tem tanta subordinação à CVM quanto à Sociedade Hípica Brasileira.
Haroldo Lima estava num seminário, num recinto fechado, na Fundação Getúlio Vargas, e levantou a hipótese, já conhecida de uma revista especializada, de a Petrobrás ter descoberto um megacampo em frente ao litoral do Rio (*).
O Bom (?) Dia Brasil, imprensado pelo IBOPE, dedica cada vez menos espaço às sábias observações de Miriam Leitão com a escada que Renato Machado apropriadamente coloca para que ela possa subir.
Miriam, como sempre, reproduziu o sentimento do PIG.
Que se traduz da seguinte forma: a Petrobrás do Governo Lula pode se tornar proprietária do terceiro maior campo de petróleo do planeta e isso é inadmissível.
A Petrobrás é um sucesso e isso é inadmissível.
A sorte é o atributo da intenção, dizia um tal de Talleyrand.
Ou seja, o sucesso da Petrobrás no Governo Lula não é sorte – é resultado de trabalho, competência e isso a Miriam não pode aceitar.
Nem ela, nem o PiG, nem os interesses que os dois representam.
É bom não esquecer que o Farol de Alexandria [FHC], que ilumina a Miriam, queria vender a Petrobrás, com o nome de Petrobrax.
O Globo, a Folha e o Estado estão mais preocupados com um suposto vazamento do que com a hipótese espetacular de outra descoberta da Petrobrás.
O PIG quer transformar Haroldo Lima num criminoso.
A CVM, o Ministério Público, a Polícia Federal, a Interpol, a CIA, o Mossad e a Corte Internacional de Haia foram mobilizados pelo PIG.
O Globo, na primeira página, recomenda que Haroldo Lima renuncie imediatamente, segundo o coordenador do Ibmec, Jairo Saddi.
Quem é Jairo Saddi?
Eu, Paulo Henrique Amorim, sugiro que ele renuncie ao cargo de coordenador do Ibmec, porque fala sobre o que não deve.
O interessante é que o “mercado” do Brasil e de Nova York dá ao PIG a credibilidade que ele merece: acreditaram em Haroldo Lima e as ações da Petrobrás subiram.
Em tempo: o Conversa Afiada daria um doce para saber se a Miriam e os redatores do PIG estão na ponta vendedora ou compradora de Petrobrás.
(*) O PIG e especialmente a Globo, que tem o prazer masoquista de trabalhar contra o Rio, medem a distância entre o novo megapoço e o continente brasileiro a partir do litoral de São Paulo. É um exercício tão útil quanto medir a distância a partir do litoral de Angola. Porque, se o novo megacampo, chamado de Carioca, ficar perto do campo de Tupi, fica em águas territoriais do Rio de Janeiro. A menos que Carioca agora sirva para designar quem nasce na cidade de São Paulo.”
Essa notícia causou grande mal-estar na mídia brasileira e nos partidos da oposição. Ela veio no sentido contrário da estratégia deles para o retorno ao poder. Para eles, durante o governo Lula, quanto pior melhor. Qualquer notícia positiva para o Brasil deve ser omitida ou distorcida de modo a transformá-la em negativa.
Dois artigos muito bons foram postados hoje que bem demonstram essa atitude da oposição e da mídia. Transcrevo-os em seguida.
O primeiro, “Europa ignora o PIG”, foi publicado ontem no blog “Cidadania”, indicado neste blog na coluna “recomendamos”. Lembro que a sigla “PIG” foi criada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e significa “Partido da Imprensa Golpista”.
O segundo, “PIG tapa poço da Petrobrás”, foi postado hoje por Paulo Henrique Amorim (PHA) no seu blog “Conversa Afiada”, também constante da nossa lista de recomendados. No seu estilo espirituoso e satírico, PHA retrata com precisão e caricatura a atitude da mídia brasileira frente à boa notícia da descoberta de petróleo. No blog de PHA, existem links para outras matérias relacionadas com o assunto.
Vejamos os dois artigos:
EUROPA IGNORA O PIG (Eduardo Guimarães)
“Quando o mercado acionário europeu abre, ainda estamos dormindo. A diferença de fuso horário do Brasil para aqueles países varia de 4 a 5 horas.
Assim, quando, na madrugada de hoje, saíram as edições dos jornalões brasileiros pondo em dúvida a nova descoberta petrolífera do país, alemães, ingleses, franceses, italianos e espanhóis já estavam tomando café da manhã. E, certamente, os investidores em ações europeus procuraram se informar na imprensa brasileira sobre a descoberta petrolífera.
Segundo o UOL, o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, apontou alta de 1,29%, aos 5.906 pontos. O CAC-40, de Paris, ganhou 0,3%, a 4.780 unidades. Em Frankfurt, o indicador DAX teve alta de 0,47%, a 6.585 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,08%, pelo indicador MIBTel, aos 24.902 pontos. Já o Ibex, de Madri, ganhou 1,59%, para 1.444 unidades. O mercado acionário europeu fechou esta terça-feira em alta.
As ações de empresas petrolíferas européias foram as que tiveram as altas mais vigorosas. A inglesa BG Group e a espanhola Repsol-YPF lideraram essas altas devido às notícias de que foi descoberto um novo megacampo de petróleo no Brasil que pode ser a mais importante descoberta petrolífera dos últimos 30 anos. As duas empresas são sócias na exploração do campo "Carioca" junto com a Petrobrás.
A reação do mercado acionário europeu às dúvidas da imprensa golpista tupiniquim foi de absoluto desprezo.
É uma situação esquizofrênica, vocês não acham? Em que país do mundo - sem ser nos países latino-americanos governados pela esquerda - a imprensa ficaria procurando chifre em cabeça de cavalo e tentando cavar um escândalo sobre uma descoberta tão magnífica para o país em vez de comemorar?
O Brasil deixa de ser devedor internacional e passa a credor? A imprensa relativiza. O país sobe para o grupo de países de alto desenvolvimento humano? A imprensa faz pouco. Descobrimos reservas de petróleo que podem tirar dezenas de milhões de brasileiros de uma vida infernal e a imprensa estrebucha e sai procurando uma forma de transformar a descoberta em escândalo...
Você diria que a imprensa golpista torce contra o Brasil?”
PIG TAPA POÇO DA PETROBRAS (Paulo Henrique Amorim)
“O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, é um homem público sério, com uma folha inatacável de serviços prestados a esse país.
Os baianos e brasileiros que conseguem olhar para além dos limites provincianos de São Paulo conhecem o seu passado e o respeitam.
Haroldo Lima preside uma agência que tem tanta subordinação à CVM quanto à Sociedade Hípica Brasileira.
Haroldo Lima estava num seminário, num recinto fechado, na Fundação Getúlio Vargas, e levantou a hipótese, já conhecida de uma revista especializada, de a Petrobrás ter descoberto um megacampo em frente ao litoral do Rio (*).
O Bom (?) Dia Brasil, imprensado pelo IBOPE, dedica cada vez menos espaço às sábias observações de Miriam Leitão com a escada que Renato Machado apropriadamente coloca para que ela possa subir.
Miriam, como sempre, reproduziu o sentimento do PIG.
Que se traduz da seguinte forma: a Petrobrás do Governo Lula pode se tornar proprietária do terceiro maior campo de petróleo do planeta e isso é inadmissível.
A Petrobrás é um sucesso e isso é inadmissível.
A sorte é o atributo da intenção, dizia um tal de Talleyrand.
Ou seja, o sucesso da Petrobrás no Governo Lula não é sorte – é resultado de trabalho, competência e isso a Miriam não pode aceitar.
Nem ela, nem o PiG, nem os interesses que os dois representam.
É bom não esquecer que o Farol de Alexandria [FHC], que ilumina a Miriam, queria vender a Petrobrás, com o nome de Petrobrax.
O Globo, a Folha e o Estado estão mais preocupados com um suposto vazamento do que com a hipótese espetacular de outra descoberta da Petrobrás.
O PIG quer transformar Haroldo Lima num criminoso.
A CVM, o Ministério Público, a Polícia Federal, a Interpol, a CIA, o Mossad e a Corte Internacional de Haia foram mobilizados pelo PIG.
O Globo, na primeira página, recomenda que Haroldo Lima renuncie imediatamente, segundo o coordenador do Ibmec, Jairo Saddi.
Quem é Jairo Saddi?
Eu, Paulo Henrique Amorim, sugiro que ele renuncie ao cargo de coordenador do Ibmec, porque fala sobre o que não deve.
O interessante é que o “mercado” do Brasil e de Nova York dá ao PIG a credibilidade que ele merece: acreditaram em Haroldo Lima e as ações da Petrobrás subiram.
Em tempo: o Conversa Afiada daria um doce para saber se a Miriam e os redatores do PIG estão na ponta vendedora ou compradora de Petrobrás.
(*) O PIG e especialmente a Globo, que tem o prazer masoquista de trabalhar contra o Rio, medem a distância entre o novo megapoço e o continente brasileiro a partir do litoral de São Paulo. É um exercício tão útil quanto medir a distância a partir do litoral de Angola. Porque, se o novo megacampo, chamado de Carioca, ficar perto do campo de Tupi, fica em águas territoriais do Rio de Janeiro. A menos que Carioca agora sirva para designar quem nasce na cidade de São Paulo.”
A “GLOBALIZAÇÃO” E A VOLTA DO PSDB/DEM-PFL AO PODER
O Jornal do Brasil, no site JB Online, anteontem (14/04) publicou um artigo muito interessante para todos nós que somos intensamente martelados pela grande mídia a favor do retorno do PSDB/DEM-PFL ao poder, com todas aquelas bandeiras neoliberalizantes dos tempos do governo FHC.
Transcrevo o artigo de Mauro Santayana:
"GLOBALIZAÇÃO UNIDIRECIONAL"
"O governo alemão decidiu controlar a entrada de investimentos estrangeiros – sobretudo dos fundos soberanos de países emergentes – e criar órgão semelhante ao Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), que regula o ingresso de capitais externos nos Estados Unidos.
A informação é do Financial Times, datado de quinta-feira.Em maio de 1995, iniciaram-se na OCDE negociações secretas para um Acordo Multilateral de Investimentos, que abolia a soberania dos Estados, substituindo-a pelas empresas multinacionais.
Denunciado o seu teor dois anos depois, uma reação popular, principalmente nos grandes países europeus e no Canadá, impediu a tentativa.
Muitas de suas cláusulas, no entanto, foram impostas, mediante convênios bilaterais, a países como o Brasil.
O governo brasileiro de então [FHC], já cooptado pelo Consenso de Washington, abriu, sem reciprocidade, o mercado interno aos estrangeiros.
Desnacionalizou empresas estatais estratégicas – em troca de moedas podres e com financiamento público – e estimulou, direta e indiretamente, a transferência de grande parte do parque industrial privado ao controle externo.
Os Estados Unidos, capitães da globalização neoliberal, não desarmaram os seus instrumentos de defesa econômica, como é o caso do CFIUS.
Desde 1950, e dentro dos marcos da Guerra Fria, a legislação [dos EUA] confere ao Executivo o direito de vetar a entrada de capitais externos, seja para a aquisição de empresas nacionais, seja para a fusão com companhias domésticas.
A idéia é a de proteger as corporações nacionais e garantir a segurança do país. O Comitê Norte-Americano impediu, em 2006, que a empresa estatal portuária de Dubai, que havia adquirido a Oriental Steam Navigation Co., com sede em Londres, assumisse as operações de terminais nos maiores portos americanos, entre eles os de Nova York e de Baltimore.
Da mesma forma, vetou a compra da empresa de petróleo californiana Unacol pela chinesa CNOOC, e, no início deste ano, proibiu a participação da chinesa Huawei na 3Com – uma das maiores empresas americanas de componentes eletrônicos para informática – tudo em nome da segurança nacional.
Na Alemanha, conforme matéria divulgada pelo Financial Times, o projeto é de vetar participação estrangeira superior a 25% – também em nome da segurança nacional. Com a decisão, o governo da senhora Merkel estimula atos semelhantes nos outros países do continente, e assegura para o seu país a hegemonia dentro do bloco.
A notícia do protecionismo explícito da Alemanha nos chega quando o governo venezuelano é atacado por todos os lados pelo fato de haver encampado a Siderúrgica Sidor – da qual a Usiminas é acionista minoritária.
O presidente Chávez sabe que, com isso, dificultará a sua entrada no Mercosul, e terá que contornar problemas diplomáticos nas negociações para o ressarcimento aos investidores estrangeiros, mas a soberania de seu gesto não pode ser contestada.
O Brasil era, no início da parolagem neoliberal, o único país em desenvolvimento que poderia ter posto freios ao novo colonialismo, porque dispunha de mercado interno e produção industrial suficiente para assegurar sua autonomia.
Ao contrário, foi aquele cujos dirigentes demonstraram maior entusiasmo ao aderir ao novo Renascimento, como o chefe de governo [FHC] se referiu à globalização.
A emersão da China – que fez de seu imenso mercado uma arapuca de ouro – mudou a paisagem.
O preço elevado das commodities fez com que os países emergentes – entre eles, o Brasil – acumulassem saldos comerciais e dispusessem de capitais a serem investidos fora de seu território.
Os fundos soberanos, ou seja, saldos internacionais em poder dos Estados, começaram a ser usados em empresas dos países centrais – e são essas inversões que eles querem proibir.
Sua globalização foi projetada como um meio de recolonizar o mundo, mediante o capital financeiro. A situação lhes era favorável, sobretudo depois da queda do sistema soviético.
Mas como os seus formuladores eram economistas, e a economia é a ciência do acaso, não puderam prever que a teoria de Deng-Xiaoping sobre as cores do gato fizesse emergir o gigantesco mercado asiático, e, com ele, a recuperação da Rússia e o fortalecimento do Brasil.
O que é bom para os Estados Unidos, conforme disse o senhor Juracy Magalhães, é bom também para o Brasil. Por exemplo: a defesa do interesse nacional.
Em lugar de tantas "agências reguladoras", que surgiram para beneficiar os capitais de fora, convinha-nos uma só: a Agência Nacional de Controle dos Investimentos Estrangeiros no Brasil.
Essa seria a grande tarefa do Senado da República, que hoje se limita a divertir-se com o senador Mão Santa.”
Transcrevo o artigo de Mauro Santayana:
"GLOBALIZAÇÃO UNIDIRECIONAL"
"O governo alemão decidiu controlar a entrada de investimentos estrangeiros – sobretudo dos fundos soberanos de países emergentes – e criar órgão semelhante ao Committee on Foreign Investment in the United States (CFIUS), que regula o ingresso de capitais externos nos Estados Unidos.
A informação é do Financial Times, datado de quinta-feira.Em maio de 1995, iniciaram-se na OCDE negociações secretas para um Acordo Multilateral de Investimentos, que abolia a soberania dos Estados, substituindo-a pelas empresas multinacionais.
Denunciado o seu teor dois anos depois, uma reação popular, principalmente nos grandes países europeus e no Canadá, impediu a tentativa.
Muitas de suas cláusulas, no entanto, foram impostas, mediante convênios bilaterais, a países como o Brasil.
O governo brasileiro de então [FHC], já cooptado pelo Consenso de Washington, abriu, sem reciprocidade, o mercado interno aos estrangeiros.
Desnacionalizou empresas estatais estratégicas – em troca de moedas podres e com financiamento público – e estimulou, direta e indiretamente, a transferência de grande parte do parque industrial privado ao controle externo.
Os Estados Unidos, capitães da globalização neoliberal, não desarmaram os seus instrumentos de defesa econômica, como é o caso do CFIUS.
Desde 1950, e dentro dos marcos da Guerra Fria, a legislação [dos EUA] confere ao Executivo o direito de vetar a entrada de capitais externos, seja para a aquisição de empresas nacionais, seja para a fusão com companhias domésticas.
A idéia é a de proteger as corporações nacionais e garantir a segurança do país. O Comitê Norte-Americano impediu, em 2006, que a empresa estatal portuária de Dubai, que havia adquirido a Oriental Steam Navigation Co., com sede em Londres, assumisse as operações de terminais nos maiores portos americanos, entre eles os de Nova York e de Baltimore.
Da mesma forma, vetou a compra da empresa de petróleo californiana Unacol pela chinesa CNOOC, e, no início deste ano, proibiu a participação da chinesa Huawei na 3Com – uma das maiores empresas americanas de componentes eletrônicos para informática – tudo em nome da segurança nacional.
Na Alemanha, conforme matéria divulgada pelo Financial Times, o projeto é de vetar participação estrangeira superior a 25% – também em nome da segurança nacional. Com a decisão, o governo da senhora Merkel estimula atos semelhantes nos outros países do continente, e assegura para o seu país a hegemonia dentro do bloco.
A notícia do protecionismo explícito da Alemanha nos chega quando o governo venezuelano é atacado por todos os lados pelo fato de haver encampado a Siderúrgica Sidor – da qual a Usiminas é acionista minoritária.
O presidente Chávez sabe que, com isso, dificultará a sua entrada no Mercosul, e terá que contornar problemas diplomáticos nas negociações para o ressarcimento aos investidores estrangeiros, mas a soberania de seu gesto não pode ser contestada.
O Brasil era, no início da parolagem neoliberal, o único país em desenvolvimento que poderia ter posto freios ao novo colonialismo, porque dispunha de mercado interno e produção industrial suficiente para assegurar sua autonomia.
Ao contrário, foi aquele cujos dirigentes demonstraram maior entusiasmo ao aderir ao novo Renascimento, como o chefe de governo [FHC] se referiu à globalização.
A emersão da China – que fez de seu imenso mercado uma arapuca de ouro – mudou a paisagem.
O preço elevado das commodities fez com que os países emergentes – entre eles, o Brasil – acumulassem saldos comerciais e dispusessem de capitais a serem investidos fora de seu território.
Os fundos soberanos, ou seja, saldos internacionais em poder dos Estados, começaram a ser usados em empresas dos países centrais – e são essas inversões que eles querem proibir.
Sua globalização foi projetada como um meio de recolonizar o mundo, mediante o capital financeiro. A situação lhes era favorável, sobretudo depois da queda do sistema soviético.
Mas como os seus formuladores eram economistas, e a economia é a ciência do acaso, não puderam prever que a teoria de Deng-Xiaoping sobre as cores do gato fizesse emergir o gigantesco mercado asiático, e, com ele, a recuperação da Rússia e o fortalecimento do Brasil.
O que é bom para os Estados Unidos, conforme disse o senhor Juracy Magalhães, é bom também para o Brasil. Por exemplo: a defesa do interesse nacional.
Em lugar de tantas "agências reguladoras", que surgiram para beneficiar os capitais de fora, convinha-nos uma só: a Agência Nacional de Controle dos Investimentos Estrangeiros no Brasil.
Essa seria a grande tarefa do Senado da República, que hoje se limita a divertir-se com o senador Mão Santa.”
O PETRÓLEO BRASILEIRO E O NEOLIBERALISMO DE FHC/PSDB
Li hoje o muito bom artigo, abaixo transcrito, no blog “de um sem-mídia” que consta da nossa lista “recomendamos”. Não percebi, no texto do blog, a fonte original do artigo, que vale a pena ler. Ele é oportuno em face das recentes notícias de novas descobertas de petróleo no Brasil. Transcrevo:
“A hipocrisia dos países do G7 aparece mais uma vez com a decisão do governo alemão em não permitir que empresas estrangeiras possam ter mais de 25% do capital quando da compra de empresas alemãs.
Pregam o neoliberalismo só para os países emergentes, porém, para consumo interno, se defendem com "unhas e dentes". Quando encontram um presidente entreguista como o FHC no Brasil ou o Menen na Argentina, subservientes ao Consenso de Washington, "deitam e rolam".
As agências reguladoras criadas no governo tucano, só servem para proteger os interesses estrangeiros, sendo o maior exemplo, a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Tal agência instituiu os leilões das nossas áreas promissoras em petróleo e gás no momento em que as principais nações do mundo procuram poupar as suas reservas de petróleo.
Até a Arábia Saudita, que possui as maiores reservas mundiais, está fazendo esforços para recuperar suas reservas. Isto porque estamos nos aproximando do nível máximo de produção de petróleo e gás. (alguns estudos estimam que o pico de produção seja atingido em 2010).
Esta preocupação com relação à oferta se dá no momento em que a entrada da China no mercado ajuda a entender os aumentos significativos do consumo mundial de petróleo.
Explica, também, a ocupação do Iraque pelos americanos, já que esse país possui a terceira maior reserva mundial desse produto. Não é por acaso que o preço do petróleo passou de U$ 30/barril em 2004, para mais de U$ 100, no início do corrente ano. Nunca mais o petróleo será um produto barato.
Os leilões acima citados permitem que empresas multinacionais possam adquirir grandes áreas das bacias sedimentares pesquisadas pela Petrobrás.
O pior é que pelos artigos 26 e 60 da Lei 9478/97, através da qual o FHC iniciou o processo de privatização da Petrobrás, as empresas estrangeiras podem exportar o petróleo extraído do subsolo nacional.
O mais correto seria, como acontece em outros países, que estas empresas fossem obrigadas a vender o petróleo extraído para a Petrobrás. Esta é que deveria avaliar a necessidade ou não da exportação do produto, de acordo com o interesse estratégico do nosso país.
Isto evitaria o que aconteceu ao México que foi pressionado a exportar seu petróleo pelos Estados Unidos e para este país (o México se transformou no segundo fornecedor para o mercado americano, só perdendo para a Arábia Saudita).
Esta pressão ocorreu em função do empréstimo concedido pelo FMI aos mexicanos. Com isso, o México que em 1990 tinha reservas de petróleo ao redor de 57 bilhões de barris, viu estas reservas caírem para 13 bilhões recentemente.
No Brasil, a permissão dada às empresas estrangeiras de exportar veio atender à sede de lucro a qualquer custo, com prejuízo dos interesses nacionais, objetivando atender às imposições dos acionistas internacionais.
Estes compraram ações da Petrobrás em outro ato de alienação do nosso patrimônio, executado pelo governo tucano. Este [FHC], mandou o Sr. Armínio Fraga num final de semana à Nova Iorque, para negociar a venda de ações da Petrobrás, os famosos ADRs (American Depositary Receipt).
Como conseqüência, quase 50% destas ações está hoje nas mãos de estrangeiros, que vivem pressionando a empresa para que siga políticas de seu interesse, como por exemplo, os leilões de grandes áreas das bacias sedimentares pesquisadas pela Petrobrás.
A força dos acionistas estrangeiros é tão grande, que estes conseguiram nomear como diretor da ANP [subordina-se ao Diretor-Geral], nada mais nada menos, o Sr. Nelson Narciso, oriundo da empresa americana Halliburton, empresa esta que está ganhando milhões de dólares atuando no Iraque ocupado.
Quer dizer, colocaram a raposa para tomar conta do galinheiro, pois cabe ao Sr. Narciso decidir sobre os leilões.”
“A hipocrisia dos países do G7 aparece mais uma vez com a decisão do governo alemão em não permitir que empresas estrangeiras possam ter mais de 25% do capital quando da compra de empresas alemãs.
Pregam o neoliberalismo só para os países emergentes, porém, para consumo interno, se defendem com "unhas e dentes". Quando encontram um presidente entreguista como o FHC no Brasil ou o Menen na Argentina, subservientes ao Consenso de Washington, "deitam e rolam".
As agências reguladoras criadas no governo tucano, só servem para proteger os interesses estrangeiros, sendo o maior exemplo, a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Tal agência instituiu os leilões das nossas áreas promissoras em petróleo e gás no momento em que as principais nações do mundo procuram poupar as suas reservas de petróleo.
Até a Arábia Saudita, que possui as maiores reservas mundiais, está fazendo esforços para recuperar suas reservas. Isto porque estamos nos aproximando do nível máximo de produção de petróleo e gás. (alguns estudos estimam que o pico de produção seja atingido em 2010).
Esta preocupação com relação à oferta se dá no momento em que a entrada da China no mercado ajuda a entender os aumentos significativos do consumo mundial de petróleo.
Explica, também, a ocupação do Iraque pelos americanos, já que esse país possui a terceira maior reserva mundial desse produto. Não é por acaso que o preço do petróleo passou de U$ 30/barril em 2004, para mais de U$ 100, no início do corrente ano. Nunca mais o petróleo será um produto barato.
Os leilões acima citados permitem que empresas multinacionais possam adquirir grandes áreas das bacias sedimentares pesquisadas pela Petrobrás.
O pior é que pelos artigos 26 e 60 da Lei 9478/97, através da qual o FHC iniciou o processo de privatização da Petrobrás, as empresas estrangeiras podem exportar o petróleo extraído do subsolo nacional.
O mais correto seria, como acontece em outros países, que estas empresas fossem obrigadas a vender o petróleo extraído para a Petrobrás. Esta é que deveria avaliar a necessidade ou não da exportação do produto, de acordo com o interesse estratégico do nosso país.
Isto evitaria o que aconteceu ao México que foi pressionado a exportar seu petróleo pelos Estados Unidos e para este país (o México se transformou no segundo fornecedor para o mercado americano, só perdendo para a Arábia Saudita).
Esta pressão ocorreu em função do empréstimo concedido pelo FMI aos mexicanos. Com isso, o México que em 1990 tinha reservas de petróleo ao redor de 57 bilhões de barris, viu estas reservas caírem para 13 bilhões recentemente.
No Brasil, a permissão dada às empresas estrangeiras de exportar veio atender à sede de lucro a qualquer custo, com prejuízo dos interesses nacionais, objetivando atender às imposições dos acionistas internacionais.
Estes compraram ações da Petrobrás em outro ato de alienação do nosso patrimônio, executado pelo governo tucano. Este [FHC], mandou o Sr. Armínio Fraga num final de semana à Nova Iorque, para negociar a venda de ações da Petrobrás, os famosos ADRs (American Depositary Receipt).
Como conseqüência, quase 50% destas ações está hoje nas mãos de estrangeiros, que vivem pressionando a empresa para que siga políticas de seu interesse, como por exemplo, os leilões de grandes áreas das bacias sedimentares pesquisadas pela Petrobrás.
A força dos acionistas estrangeiros é tão grande, que estes conseguiram nomear como diretor da ANP [subordina-se ao Diretor-Geral], nada mais nada menos, o Sr. Nelson Narciso, oriundo da empresa americana Halliburton, empresa esta que está ganhando milhões de dólares atuando no Iraque ocupado.
Quer dizer, colocaram a raposa para tomar conta do galinheiro, pois cabe ao Sr. Narciso decidir sobre os leilões.”
TUCANOS PREOCUPADOS – JUSTIÇA DE MÔNACO AUTORIZA EXTRADIÇÃO DE CACCIOLA
Lembro-me muito bem de uma entrevista do repórter Fábio Pannunzio, da TV Bandeirantes, com o ex-banqueiro Salvatore Cacciola já foragido na Itália.
Foi há uns quatro anos, em 11/11/2004. Foi bombástica. Cacciola explicitamente denunciou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Malan pelo envolvimento doloso no crime de vazamento antecipado para ele de notícia sigilosa, na longa entrevista transmitida no horário nobre do noticiário noturno daquela TV paulista.
Segundo Cacciola disse para as câmeras, FHC e Malan teriam antecipado, reservada e exclusivamente para ele, a decisão governamental de desvalorizar a moeda no dia seguinte. Aquilo deu um prejuízo superior a R$ 1,5 bilhão para o Banco Central e o correspondente ganho (ou não perda) para o banco de Cacciola.
Cacciola estava na Itália porque tem cidadania também italiana e, ao ser preso no Brasil, para lá fugiu com a ajuda do Ministro Marco Aurélio Mello.
O que me impressionou muitíssimo mais do que a confissão e a denúncia frente às câmeras da TV Band foi o dia seguinte. A TV Bandeirante e todos os jornais e demais redes de televisão esconderam completamente aquelas revelações. Nunca mais tocaram no fato daquela grave denúncia. Até hoje.
Agora pela manhã, li a notícia abaixo vinda de Mônaco pela Agência France Presse e aqui publicada pela Folha Online.
Certamente, os tucanopefelentos e a grande mídia devem estar muito preocupados.
Transcrevo:
“Justiça de Mônaco dá parecer favorável à extradição de Cacciola”
“A Justiça de Mônaco divulgou nesta terça-feira (15) um parecer favorável à extradição ao Brasil do banqueiro Salvatore Cacciola, informou o advogado do réu, Franck Michel, à France Presse.
Preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado, o ex-dono do banco Marka é procurado por desvio de fundos e gestão fraudulenta.
A decisão de extradição, para ser definitiva, precisa ser validada pelo príncipe Albert 2, que governa o Estado mediterrâneo.
Se isto acontecer, Michel pedirá um "adiamento da aplicação" da medida, para levar o caso ao Supremo Tribunal de Mônaco, que decide a respeito de litígios administrativos e constitucionais, informa o jornal "Mônaco-Matin".
Tradicionalmente, o príncipe nunca concedeu uma decisão contrária à do Tribunal de Apelações de Mônaco em processos de extradição.
Em 2005, o banqueiro foi condenado no Brasil em um julgamento à revelia a 13 anos de prisão por crimes financeiros.
Foragido do Brasil desde 2000, Cacciola foi preso pela Interpol em Mônaco. Desde então, o governo federal vem tentando a extradição dele para o Brasil.”
Foi há uns quatro anos, em 11/11/2004. Foi bombástica. Cacciola explicitamente denunciou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Malan pelo envolvimento doloso no crime de vazamento antecipado para ele de notícia sigilosa, na longa entrevista transmitida no horário nobre do noticiário noturno daquela TV paulista.
Segundo Cacciola disse para as câmeras, FHC e Malan teriam antecipado, reservada e exclusivamente para ele, a decisão governamental de desvalorizar a moeda no dia seguinte. Aquilo deu um prejuízo superior a R$ 1,5 bilhão para o Banco Central e o correspondente ganho (ou não perda) para o banco de Cacciola.
Cacciola estava na Itália porque tem cidadania também italiana e, ao ser preso no Brasil, para lá fugiu com a ajuda do Ministro Marco Aurélio Mello.
O que me impressionou muitíssimo mais do que a confissão e a denúncia frente às câmeras da TV Band foi o dia seguinte. A TV Bandeirante e todos os jornais e demais redes de televisão esconderam completamente aquelas revelações. Nunca mais tocaram no fato daquela grave denúncia. Até hoje.
Agora pela manhã, li a notícia abaixo vinda de Mônaco pela Agência France Presse e aqui publicada pela Folha Online.
Certamente, os tucanopefelentos e a grande mídia devem estar muito preocupados.
Transcrevo:
“Justiça de Mônaco dá parecer favorável à extradição de Cacciola”
“A Justiça de Mônaco divulgou nesta terça-feira (15) um parecer favorável à extradição ao Brasil do banqueiro Salvatore Cacciola, informou o advogado do réu, Franck Michel, à France Presse.
Preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado, o ex-dono do banco Marka é procurado por desvio de fundos e gestão fraudulenta.
A decisão de extradição, para ser definitiva, precisa ser validada pelo príncipe Albert 2, que governa o Estado mediterrâneo.
Se isto acontecer, Michel pedirá um "adiamento da aplicação" da medida, para levar o caso ao Supremo Tribunal de Mônaco, que decide a respeito de litígios administrativos e constitucionais, informa o jornal "Mônaco-Matin".
Tradicionalmente, o príncipe nunca concedeu uma decisão contrária à do Tribunal de Apelações de Mônaco em processos de extradição.
Em 2005, o banqueiro foi condenado no Brasil em um julgamento à revelia a 13 anos de prisão por crimes financeiros.
Foragido do Brasil desde 2000, Cacciola foi preso pela Interpol em Mônaco. Desde então, o governo federal vem tentando a extradição dele para o Brasil.”
terça-feira, 15 de abril de 2008
AUMENTO DOS MILITARES
Por meio do mecanismo “search engine” do contador “Histats.com”, verifiquei que muitos visitantes chegaram a este blog em busca de informação sobre esse assunto.
Para atendê-los, selecionei hoje a notícia abaixo, de Leonel Rocha, do Correio Braziliense, a que trouxe mais informação sobre o tema.
Transcrevo:
“DECISÃO SOBRE MILITARES”
“O reajuste dos salários dos militares da ativa, aposentados e pensionistas será definido amanhã durante reunião marcada entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, seu colega do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até ontem permanecia o impasse entre técnicos da área econômica e assessores das três forças armadas e da própria Defesa sobre qual percentual de aumento aplicar aos soldos. Em várias assembléias informais realizadas no último final de semana em vilas e quadras [de Brasília] com grande concentração de militares da ativa, um aumento de 56% pago em três anos era tido como certo.
O índice seria concedido em três parcelas anuais. A primeira, de 18%, seria aplicada aos soldos com efeito retroativo a primeiro de abril. As outras duas parcelas iguais de 15% incidiriam sobre os salários em abril do próximo ano e no mesmo mês em 2010.
O ministro Jobim já tinha admitido, há uma semana, que o governo iria parcelar a aplicação do reajuste a ser definido.
Os assessores de todas as áreas envolvidas nas simulações de gastos com o aumento ainda tentam encontrar uma saída jurídica para desvincular os reajustes de alguns benefícios hoje aplicados aos aposentados e pensionistas, para os da ativa. Segundo as contas do ministro Jobim, apenas um terço do pessoal fardado é de ativos. O restante está de pijama ou é pensionista.
Uma das simulações em estudo prevê uma gratificação de 15% já chamada de “compensação orgânica” para compensar a atividade insalubre do militar e paga exclusivamente aos fardados da ativa.
Também discute-se a volta do pagamento de anuênio ou qüinqüênio a partir do próximo ano.
O auxílio moradia também seria pago somente para quem está em atividade.
Outra hipótese em análise é a concessão de reajustes diferenciados por patente.”
MALDADES
Essa notícia acima contém esperanças para muitos.
Contudo, vejo nela algumas maldades. Fala, por exemplo, em diminuir relativamente os soldos e pensões para os aposentados.
Será que esse critério será adotado também para todos os aposentados das demais carreiras de Estado? Será que o Ministro Nelson Jobim, juiz aposentado do STF, vai ser penalizado também? Será que todos os aposentados do Judiciário e do Legislativo também sofrerão as mesmas restrições?
Ou é hipocrisia e escárnio, de economizar o dinheiro público dentro do velho princípio de “pimenta nos olhos dos outros não arde”?
RECORDANDO
Este blog já escreveu que os funcionários civis e militares devem agradecer à oposição no Senado, a Arthur Virgílio e a José Agripino Maia e outros, por não terem recebido aumento em janeiro retroativo a setembro de 2007, como já estava definido pelo Ministério da Defesa e pela área governamental.
A derrubada da CPMF no fim de dezembro retirou do governo grande quantidade de recursos que permitiriam os aumentos salariais, os novos concursos públicos e mais recursos para a saúde em 2008.
Toda a população foi enganada pela oposição e pela grande mídia na campanha pelo fim da CPMF. Eles somente tinham dois objetivos: enfraquecer o governo Lula e beneficiar os grandes movimentadores de dinheiro.
O fim da CPMF, que cobrava apenas 0,0038%, do valor movimentado nas contas bancárias, e o fim dos seus mecanismos de fiscalização e controle, significou para os pobres, que pouco movimentam dinheiro no banco, um ganho de uns R$ 100 a R$150 reais por ano no máximo, porém com a perda mensal de substancial aumento salarial que seria possível com a CPMF vigente.
Por outro lado, para os grandes sonegadores, os corruptos, os parlamentares, os juízes, os narcotraficantes, os artistas globais, os políticos, os grandes empresários, enfim, para aqueles que movimentam fortunas legalmente ou não, o fim da CPMF permitiu ganhos milionários em valores absolutos.
Esse grupo pressionou os seus representantes no Senado, os integrantes dos tradicionais partidos ‘conservadores’ de direita --o PSDB, DEM-PFL e o subserviente agregado PPS--, para derrubarem aquele imposto, o único que eles não conseguiam sonegar.
Em benefício desses mais ricos, os militares, os funcionários civis e os candidatos de concursos públicos foram grandemente prejudicados.
Para atendê-los, selecionei hoje a notícia abaixo, de Leonel Rocha, do Correio Braziliense, a que trouxe mais informação sobre o tema.
Transcrevo:
“DECISÃO SOBRE MILITARES”
“O reajuste dos salários dos militares da ativa, aposentados e pensionistas será definido amanhã durante reunião marcada entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, seu colega do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até ontem permanecia o impasse entre técnicos da área econômica e assessores das três forças armadas e da própria Defesa sobre qual percentual de aumento aplicar aos soldos. Em várias assembléias informais realizadas no último final de semana em vilas e quadras [de Brasília] com grande concentração de militares da ativa, um aumento de 56% pago em três anos era tido como certo.
O índice seria concedido em três parcelas anuais. A primeira, de 18%, seria aplicada aos soldos com efeito retroativo a primeiro de abril. As outras duas parcelas iguais de 15% incidiriam sobre os salários em abril do próximo ano e no mesmo mês em 2010.
O ministro Jobim já tinha admitido, há uma semana, que o governo iria parcelar a aplicação do reajuste a ser definido.
Os assessores de todas as áreas envolvidas nas simulações de gastos com o aumento ainda tentam encontrar uma saída jurídica para desvincular os reajustes de alguns benefícios hoje aplicados aos aposentados e pensionistas, para os da ativa. Segundo as contas do ministro Jobim, apenas um terço do pessoal fardado é de ativos. O restante está de pijama ou é pensionista.
Uma das simulações em estudo prevê uma gratificação de 15% já chamada de “compensação orgânica” para compensar a atividade insalubre do militar e paga exclusivamente aos fardados da ativa.
Também discute-se a volta do pagamento de anuênio ou qüinqüênio a partir do próximo ano.
O auxílio moradia também seria pago somente para quem está em atividade.
Outra hipótese em análise é a concessão de reajustes diferenciados por patente.”
MALDADES
Essa notícia acima contém esperanças para muitos.
Contudo, vejo nela algumas maldades. Fala, por exemplo, em diminuir relativamente os soldos e pensões para os aposentados.
Será que esse critério será adotado também para todos os aposentados das demais carreiras de Estado? Será que o Ministro Nelson Jobim, juiz aposentado do STF, vai ser penalizado também? Será que todos os aposentados do Judiciário e do Legislativo também sofrerão as mesmas restrições?
Ou é hipocrisia e escárnio, de economizar o dinheiro público dentro do velho princípio de “pimenta nos olhos dos outros não arde”?
RECORDANDO
Este blog já escreveu que os funcionários civis e militares devem agradecer à oposição no Senado, a Arthur Virgílio e a José Agripino Maia e outros, por não terem recebido aumento em janeiro retroativo a setembro de 2007, como já estava definido pelo Ministério da Defesa e pela área governamental.
A derrubada da CPMF no fim de dezembro retirou do governo grande quantidade de recursos que permitiriam os aumentos salariais, os novos concursos públicos e mais recursos para a saúde em 2008.
Toda a população foi enganada pela oposição e pela grande mídia na campanha pelo fim da CPMF. Eles somente tinham dois objetivos: enfraquecer o governo Lula e beneficiar os grandes movimentadores de dinheiro.
O fim da CPMF, que cobrava apenas 0,0038%, do valor movimentado nas contas bancárias, e o fim dos seus mecanismos de fiscalização e controle, significou para os pobres, que pouco movimentam dinheiro no banco, um ganho de uns R$ 100 a R$150 reais por ano no máximo, porém com a perda mensal de substancial aumento salarial que seria possível com a CPMF vigente.
Por outro lado, para os grandes sonegadores, os corruptos, os parlamentares, os juízes, os narcotraficantes, os artistas globais, os políticos, os grandes empresários, enfim, para aqueles que movimentam fortunas legalmente ou não, o fim da CPMF permitiu ganhos milionários em valores absolutos.
Esse grupo pressionou os seus representantes no Senado, os integrantes dos tradicionais partidos ‘conservadores’ de direita --o PSDB, DEM-PFL e o subserviente agregado PPS--, para derrubarem aquele imposto, o único que eles não conseguiam sonegar.
Em benefício desses mais ricos, os militares, os funcionários civis e os candidatos de concursos públicos foram grandemente prejudicados.
EUA NO IRAQUE – A INVASÃO DOS BÁRBAROS
Essa impressão nos vem após a leitura do artigo de Gladys Martinez López, do site espanhol “Diagonalperiodico.net”, postado hoje pelo blog “de um sem mídia” (ver “recomendamos”).
Reproduzo o texto do “Diagonal”, a seguir:
“UM MILHÃO DE LIVROS FORAM QUEIMADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL
"Um milhão de livros da Biblioteca Nacional e dez milhões de documentos do Arquivo Nacional, queimados; 15.000 objetos do Museu Arqueológico, desaparecidos; 10.000 sítios arqueológicos saqueados e 150.000 peças que neles se encontravam, roubadas.
A Biblioteca Corânica e a Casa da Sabedoria arderam, os museus arqueológicos de Mosul e Tikrit foram saqueados e 84% das instituições de educação superior foram destruidas ou saqueadas após a ocupação.
Entre as obras queimadas ou desaparecidas desde 2003 se encontram textos de Omar Jayyam, Avicenas, Averroes, peças das épocas babilônica, suméria, caldéia e assíria, peças com as primeiras formas de escrita…
Enquanto protegiam o Ministério do Petróleo e os oleodutos, as tropas de ocupação deixaram museus e sítios arqueológicos a mercê dos saqueadores que, em muitos casos, trabalham por pagamento de colecionadores internacionais. Além disso, muitos atos de vandalismo estão sendo protagonizados pelas tropas de ocupação que, entre outras coisas, roubaram peças nos asentamentos de Ur, destruido ruínas da antiga Babilônia e provocando danos irreparáveis ao palácio de Nabucodonosor.
Os EE UU nem sequer assinaram a Convenção de Haya para a proteção de bens culturais em caso de conflitos armados, de 1954.
A destruição do patrimônio cultural iraquiano durante a ocupação tem sido classificada já como um dos grandes “memoricídios” da história.
O Governo de Bush tem submetido o povo iraquiano à destruição cultural, acompanhada por uma política de propaganda sem precedentes, para apagar a memória coletiva dessa nação e ‘transculturizar’ a seus habitantes.
Fernando Báez, perito internacional em bibliotecas que verificou a destruição do patrimônio iraquiano após a ocupação, é quem explica que “os novos livros de História que são autorizados pelo Ministério da Educação iraquiano suprimiram qualquer referência negativa ao colonialismo inglês”. Báez denuncia também a política de censura contra intelectuais iraquianos aplicada diretamente pelos EE.UU, o que obrigou o fechamento de dez jornais.
Seguindo essa política de censura, os governos de ocupação têm perseguido a todo intelectual suspeito de haver participado do Partido Baaz e confiscado os livros escritos por baazistas, e “todo funcionário público das instituições culturais que não está de acordo com a presença de tropas dos EE.UU é despedido imediatamente ”, explica Báez.
Assassinato de intelectuais
“Uma vez escreveu Heinrich Heine que primeiro se queimam livros e logo se queimam homens. Isto tem sucedido no Iraque. O projeto do Pentágono de reconstrução cultural do Iraque inclui o assassinato de intelectuais nas mãos de grupos paramilitares iraquianos treinados pela CIA”, disse Báez.
Até o momento, a CEOSI* e o Tribunal de Bruxelas documentaram o assassinato de 286 docentes universitários e, segundo dados policiais iraquianos, o número de intelectuais assassinados desde 2003 supera o milhar, e muitos mil se viram obrigados a abandonar o país. As forças de ocupação, as tropas de segurança iraquianas, Israel e Iran são todos eles suspeitos da maioria desses assassinatos.
*CEOSI = Campanha Estatal Contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque (N.T.)".
Reproduzo o texto do “Diagonal”, a seguir:
“UM MILHÃO DE LIVROS FORAM QUEIMADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL
"Um milhão de livros da Biblioteca Nacional e dez milhões de documentos do Arquivo Nacional, queimados; 15.000 objetos do Museu Arqueológico, desaparecidos; 10.000 sítios arqueológicos saqueados e 150.000 peças que neles se encontravam, roubadas.
A Biblioteca Corânica e a Casa da Sabedoria arderam, os museus arqueológicos de Mosul e Tikrit foram saqueados e 84% das instituições de educação superior foram destruidas ou saqueadas após a ocupação.
Entre as obras queimadas ou desaparecidas desde 2003 se encontram textos de Omar Jayyam, Avicenas, Averroes, peças das épocas babilônica, suméria, caldéia e assíria, peças com as primeiras formas de escrita…
Enquanto protegiam o Ministério do Petróleo e os oleodutos, as tropas de ocupação deixaram museus e sítios arqueológicos a mercê dos saqueadores que, em muitos casos, trabalham por pagamento de colecionadores internacionais. Além disso, muitos atos de vandalismo estão sendo protagonizados pelas tropas de ocupação que, entre outras coisas, roubaram peças nos asentamentos de Ur, destruido ruínas da antiga Babilônia e provocando danos irreparáveis ao palácio de Nabucodonosor.
Os EE UU nem sequer assinaram a Convenção de Haya para a proteção de bens culturais em caso de conflitos armados, de 1954.
A destruição do patrimônio cultural iraquiano durante a ocupação tem sido classificada já como um dos grandes “memoricídios” da história.
O Governo de Bush tem submetido o povo iraquiano à destruição cultural, acompanhada por uma política de propaganda sem precedentes, para apagar a memória coletiva dessa nação e ‘transculturizar’ a seus habitantes.
Fernando Báez, perito internacional em bibliotecas que verificou a destruição do patrimônio iraquiano após a ocupação, é quem explica que “os novos livros de História que são autorizados pelo Ministério da Educação iraquiano suprimiram qualquer referência negativa ao colonialismo inglês”. Báez denuncia também a política de censura contra intelectuais iraquianos aplicada diretamente pelos EE.UU, o que obrigou o fechamento de dez jornais.
Seguindo essa política de censura, os governos de ocupação têm perseguido a todo intelectual suspeito de haver participado do Partido Baaz e confiscado os livros escritos por baazistas, e “todo funcionário público das instituições culturais que não está de acordo com a presença de tropas dos EE.UU é despedido imediatamente ”, explica Báez.
Assassinato de intelectuais
“Uma vez escreveu Heinrich Heine que primeiro se queimam livros e logo se queimam homens. Isto tem sucedido no Iraque. O projeto do Pentágono de reconstrução cultural do Iraque inclui o assassinato de intelectuais nas mãos de grupos paramilitares iraquianos treinados pela CIA”, disse Báez.
Até o momento, a CEOSI* e o Tribunal de Bruxelas documentaram o assassinato de 286 docentes universitários e, segundo dados policiais iraquianos, o número de intelectuais assassinados desde 2003 supera o milhar, e muitos mil se viram obrigados a abandonar o país. As forças de ocupação, as tropas de segurança iraquianas, Israel e Iran são todos eles suspeitos da maioria desses assassinatos.
*CEOSI = Campanha Estatal Contra a Ocupação e pela Soberania do Iraque (N.T.)".
A HERANÇA DO FAROL: A TREVA
Esse interessante artigo eu li ontem no blog do jornalista Paulo Henrique Amorim.
Ele denomina de “farol de Alexandria” o vaidoso e pretensioso ex-presidente FHC, a luz que ilumina, ou julga orientar, o PSDB, o PFL-DEM, o Brasil e o mundo.
Para acessar o referido blog, ver em “Recomendamos” o “Conversa Afiada, de PHA”.
Transcrevo o “Máximas e Mínimas 1068", extraído de uma entrevista recente de Delfim Netto:
"Ao chegar a seu fim melancólico, o Governo do Farol de Alexandria rodava com uma inflação anual de 30%.
Hoje, ronda os 4,5%.
As exportações com o Farol cresciam 4,5% ao ano.
No primeiro ano do Governo Lula, cresceram 22%.
Agora, crescem a 17%.
A dívida externa do Farol crescia 6,5% ao ano.
O Farol quebrou três vezes o Brasil e três vezes se ajoelhou nas escadarias no FMI.
Ano passado, o Brasil se tornou credor líquido – pagou tudo e sobrou um troco.
As reservas eram de US$ 17 bilhões – hoje são de US$ 193 bilhões.
Em tempo: hoje, segunda-feira, dia 14 de abril, o Farol se reúne em São Paulo – (no blog de PHA pode ser clicado o acesso para ler M&M sobre a ausência de Le Pen) – para debater o futuro da oposição do Brasil. Receberá Jorge Bornhausen, ACM Neto, Agripino Maia e Arthur Virgilio Cardoso. Só a reunião de Yalta reuniu, de uma só vez, tantos estadistas.
A História saberá registrar esse encontro como um dos marcos da República brasileira. O único perigo é os convidados ficarem presos no trânsito de São Paulo, essa obra prima de 13 anos de governos tucanos. A propósito, para ler o artigo de Marcos Cintra – “O custo econômico do congestionamento”, na Folha de hoje ver clique no blog de PHA).”
Ele denomina de “farol de Alexandria” o vaidoso e pretensioso ex-presidente FHC, a luz que ilumina, ou julga orientar, o PSDB, o PFL-DEM, o Brasil e o mundo.
Para acessar o referido blog, ver em “Recomendamos” o “Conversa Afiada, de PHA”.
Transcrevo o “Máximas e Mínimas 1068", extraído de uma entrevista recente de Delfim Netto:
"Ao chegar a seu fim melancólico, o Governo do Farol de Alexandria rodava com uma inflação anual de 30%.
Hoje, ronda os 4,5%.
As exportações com o Farol cresciam 4,5% ao ano.
No primeiro ano do Governo Lula, cresceram 22%.
Agora, crescem a 17%.
A dívida externa do Farol crescia 6,5% ao ano.
O Farol quebrou três vezes o Brasil e três vezes se ajoelhou nas escadarias no FMI.
Ano passado, o Brasil se tornou credor líquido – pagou tudo e sobrou um troco.
As reservas eram de US$ 17 bilhões – hoje são de US$ 193 bilhões.
Em tempo: hoje, segunda-feira, dia 14 de abril, o Farol se reúne em São Paulo – (no blog de PHA pode ser clicado o acesso para ler M&M sobre a ausência de Le Pen) – para debater o futuro da oposição do Brasil. Receberá Jorge Bornhausen, ACM Neto, Agripino Maia e Arthur Virgilio Cardoso. Só a reunião de Yalta reuniu, de uma só vez, tantos estadistas.
A História saberá registrar esse encontro como um dos marcos da República brasileira. O único perigo é os convidados ficarem presos no trânsito de São Paulo, essa obra prima de 13 anos de governos tucanos. A propósito, para ler o artigo de Marcos Cintra – “O custo econômico do congestionamento”, na Folha de hoje ver clique no blog de PHA).”
SORDIDEZ DA REVISTA ÉPOCA: ENVOLVE LULA COM O ASSASSINATO DE ISABELLA
O desespero da grande mídia e dos tucanopefelentos, ao verem que não conseguem derrubar a popularidade do governo Lula, leva-os cada vez mais ao destempero, à canalhice, a reportagens imorais e desumanas, aproveitando-se de uma grande tragédia em benefício, simples e vilmente, de mesquinhos objetivos político-partidários de retorno ao poder.
Dentro dessa mesma linha de atuação da imprensa, lembro do artigo do jornal Folha de São Paulo “O que ocorreu não foi acidente, foi crime”, escrito por Francisco Daudt, com chamada em primeira página da Folha de S. Paulo, em 19/07/2007.
Naquele dia, o articulista e o jornal levaram para o povo a sórdida mensagem de que foi o Presidente Lula o criminoso, o verdadeiro causador dos grandes acidentes aéreos que ocorreram no ano passado. Recordo aqui o primeiro parágrafo do artigo:
“Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.” E segue o artigo implicando Lula como o culpado pelos acidentes.
Todos os fatos e perícias técnicas nacionais e estrangeiras até hoje indicam que os principais causadores do acidente que derrubou o avião da GOL, matando todos os seus ocupantes, foram os pilotos norte-americanos do avião Legacy, que, por analogia, em síntese metafórica, entraram na contramão em uma autopista, tudo indica conscientemente, e seguiram em alta velocidade mudos e com os faróis (o transponder/TCAS) apagados, chocando-se de frente com o avião da GOL que vinha todo certo.
Quanto ao acidente em Congonhas, todas as investigações até agora apontam para imperfeição na programação do avião AIRBUS e para erro operacional dos pilotos, induzidos pela perigosa lógica dos computadores de bordo, que já causara dois acidentes semelhantes em outros países.
Hoje, chocado, vi no blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo, que bem demonstra a torpeza desumana que a imprensa adota na luta desesperada pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Aproveita-se de acontecimento trágico para ter benefício mesquinho. Este caso trata da Revista Época, das Organizações GLOBO.
Transcrevo:
“CONCEIÇÃO: "PARA ÉPOCA, LULA JOGOU ISABELLA DA JANELA"
“São dois assuntos pelos quais eu não tenho o menor apetite: o dossiê da Dilma e a menina Isabella. Não tenho qualquer condição de comentar, já que não sei do que se trata. Reproduzo o que escreveu a leitora Conceição Oliveira e deixo os comentários por conta de vocês:
“Para Época, Lula jogou Isabella da janela”
“Ao terminar de ler o artigo "Um corpo que cai" da redatora-chefe da revista Época, Ruth de Aquino, foi essa a conclusão que cheguei.
Foi o presidente Lula.
O artigo, risível, faz uma comparação esdrúxula entre o vazamento de dados do planalto e o assassinato da menina.
É o jornalismo piegas em ação, orquestrado para a classe média, público da revista.
O texto da redatora-chefe é um exemplo da canalhice, pior que a dos políticos, que envolve quem tem o poder do microfone e da caneta, sem nenhuma responsabilidade com o público ou a notícia.
Inacreditável que uma redatora-chefe de um grande veículo de comunicação use seu espaço para, com chavões, misturar alhos com bugalhos, tratando um assassinato e uma pendenga política como se fossem a mesma coisa.
Só vejo um objetivo nesta coluna: influenciar subliminarmente a opinião pública contra o governo, de forma maliciosa, e nada mais.
Este é o nível do jornalismo da revista. Faça como eu: não dê seu dinheiro para este tipo de revista. Se for assinante, você pode ser praticamente cúmplice dessa opinião arcaica e rasteira.
Ela se refere ao seguinte artigo, publicado pela revista Época:
(Ruth de Aquino, é redatora-chefe de ÉPOCA”)
“O sorriso de Isabella, os olhos castanhos de Isabella, as fotos no Orkut de Isabella abraçada à mãe e no colo do pai, o corpo de Isabella com marcas de asfixia, as cartas de despedida a Isabella escritas pelo pai e pela madrasta em papel com coraçãozinho. Só mesmo um crime pavoroso de classe média para derrubar das manchetes Lula e os fantasmas que rondam o país: o terceiro mandato, a farra dos sindicatos entregues a Deus e a ministra que sonhava ser dama de ferro, mas derrete no primeiro escândalo chinfrim. Dilma quem?
A morte covarde da menina de 5 anos, arremessada como um traste inútil pelo buraco tosco recortado na tela, hipnotizou o Brasil. Depois de assistir, na televisão, a mais detalhes sobre o crime, Brasília fica parecendo cenário de Casseta & Planeta, uma capital desconectada da realidade. Manchas de sangue, ameaças antigas do pai da menina, isso é concreto. No segundo bloco, entra a ficção: petistas acusam o senador tucano Álvaro Dias pelo vazamento dos gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso.
A oposição convoca Dilma para falar no Senado sobre o filho, o PAC. E Eremilda, aliás, Erenice, o braço direito da ministra, acusada de elaborar o dossiê, é poupada pela defesa feroz da ex-futura candidata de Lula à sucessão. Para o presidente, Dilma é vítima de chantagem política, e o tal dossiê não passa de "osso de galinha".
Que saia justa, ministra. Botam a senhora no palanque, afagada por todos. Depois tiram a senhora do palanque porque falta o bambolê que o ministro José Múcio lhe deu de presente.
Quem, diante da investigação sobre quem matou Isabella, quer saber da mãe do PAC? A mãe do momento é uma morena bonita, Ana Carolina, que pedia ao ex-marido aumento de pensão e perdeu a filha no fim de semana da guarda compartilhada. Mesmo sem confissão e provas, a turba culpa o pai e a madrasta, presos e algemados na quinta-feira. Havia medo de linchamento nos olhos dele e uma resignação dopada nos olhos dela.
O crime parece ser de fácil elucidação, com mais pistas que os roteiros engenhosos do mestre Hitchcock. Nos suspenses do inglês, há sempre uma janela indiscreta, uma vertigem, um corpo que cai. No enredo trágico de Isabella, há uma madrasta. Mãe e madrasta têm o mesmo nome, Ana Carolina. E são muito jovens. A diferença é que a segunda mulher de Alexandre Nardoni é Anna, com dois "n".
Na versão do pai de Isabella, um desafeto misterioso teria se infiltrado no apartamento sem arrombar e sem roubar e teria jogado Isabella pela janela. Na versão do governo Lula, um tucano misterioso teria se infiltrado no banco de dados do Planalto para pinçar o dossiê que não incrimina ninguém, só faz espuma. As duas versões parecem fantasiosas e inverossímeis. Mas só um dos casos tem real importância, e uma vítima de verdade. Uma menina inocente perdeu a vida, os sonhos, o futuro. O outro caso enriquece o folclore dos pouco inocentes e bobos da corte.
Lula aproveita a popularidade messiânica para liberar a gastança dos sindicatos. Com o veto à fiscalização, nenhum sindicato, ético ou podre, precisará prestar contas ao Tribunal de Contas da União. Vamos contribuir obrigatoriamente com R$ 1,2 bilhão por ano para que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continue rindo à toa da nossa cara.
Dilma, a ex-guerrilheira, não tem estômago para o vale-tudo político. Ela se indigna. Bem diferente da mãe de Isabella, que espanta pela serenidade: "Que a justiça seja feita". Na quinta-feira, telefonei para Ana Carolina. E ela própria atendeu. Ana Carolina tem só 23 anos. Foi mãe aos 18. Falou que as fotos e mensagens que tinha postado no Orkut mostram "como a vida com Isabella era maravilhosa".
Receava comentar qualquer coisa que pudesse ser usada contra ela. "Você viu o Alexandre e a mulher algemados? Eu estou acompanhando tudo pela TV."
Fiquei pasma. No lugar dela, eu nem estaria atendendo o telefone.”
Dentro dessa mesma linha de atuação da imprensa, lembro do artigo do jornal Folha de São Paulo “O que ocorreu não foi acidente, foi crime”, escrito por Francisco Daudt, com chamada em primeira página da Folha de S. Paulo, em 19/07/2007.
Naquele dia, o articulista e o jornal levaram para o povo a sórdida mensagem de que foi o Presidente Lula o criminoso, o verdadeiro causador dos grandes acidentes aéreos que ocorreram no ano passado. Recordo aqui o primeiro parágrafo do artigo:
“Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.” E segue o artigo implicando Lula como o culpado pelos acidentes.
Todos os fatos e perícias técnicas nacionais e estrangeiras até hoje indicam que os principais causadores do acidente que derrubou o avião da GOL, matando todos os seus ocupantes, foram os pilotos norte-americanos do avião Legacy, que, por analogia, em síntese metafórica, entraram na contramão em uma autopista, tudo indica conscientemente, e seguiram em alta velocidade mudos e com os faróis (o transponder/TCAS) apagados, chocando-se de frente com o avião da GOL que vinha todo certo.
Quanto ao acidente em Congonhas, todas as investigações até agora apontam para imperfeição na programação do avião AIRBUS e para erro operacional dos pilotos, induzidos pela perigosa lógica dos computadores de bordo, que já causara dois acidentes semelhantes em outros países.
Hoje, chocado, vi no blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, o seguinte artigo, que bem demonstra a torpeza desumana que a imprensa adota na luta desesperada pela volta do PSDB e DEM-PFL ao poder. Aproveita-se de acontecimento trágico para ter benefício mesquinho. Este caso trata da Revista Época, das Organizações GLOBO.
Transcrevo:
“CONCEIÇÃO: "PARA ÉPOCA, LULA JOGOU ISABELLA DA JANELA"
“São dois assuntos pelos quais eu não tenho o menor apetite: o dossiê da Dilma e a menina Isabella. Não tenho qualquer condição de comentar, já que não sei do que se trata. Reproduzo o que escreveu a leitora Conceição Oliveira e deixo os comentários por conta de vocês:
“Para Época, Lula jogou Isabella da janela”
“Ao terminar de ler o artigo "Um corpo que cai" da redatora-chefe da revista Época, Ruth de Aquino, foi essa a conclusão que cheguei.
Foi o presidente Lula.
O artigo, risível, faz uma comparação esdrúxula entre o vazamento de dados do planalto e o assassinato da menina.
É o jornalismo piegas em ação, orquestrado para a classe média, público da revista.
O texto da redatora-chefe é um exemplo da canalhice, pior que a dos políticos, que envolve quem tem o poder do microfone e da caneta, sem nenhuma responsabilidade com o público ou a notícia.
Inacreditável que uma redatora-chefe de um grande veículo de comunicação use seu espaço para, com chavões, misturar alhos com bugalhos, tratando um assassinato e uma pendenga política como se fossem a mesma coisa.
Só vejo um objetivo nesta coluna: influenciar subliminarmente a opinião pública contra o governo, de forma maliciosa, e nada mais.
Este é o nível do jornalismo da revista. Faça como eu: não dê seu dinheiro para este tipo de revista. Se for assinante, você pode ser praticamente cúmplice dessa opinião arcaica e rasteira.
Ela se refere ao seguinte artigo, publicado pela revista Época:
(Ruth de Aquino, é redatora-chefe de ÉPOCA”)
“O sorriso de Isabella, os olhos castanhos de Isabella, as fotos no Orkut de Isabella abraçada à mãe e no colo do pai, o corpo de Isabella com marcas de asfixia, as cartas de despedida a Isabella escritas pelo pai e pela madrasta em papel com coraçãozinho. Só mesmo um crime pavoroso de classe média para derrubar das manchetes Lula e os fantasmas que rondam o país: o terceiro mandato, a farra dos sindicatos entregues a Deus e a ministra que sonhava ser dama de ferro, mas derrete no primeiro escândalo chinfrim. Dilma quem?
A morte covarde da menina de 5 anos, arremessada como um traste inútil pelo buraco tosco recortado na tela, hipnotizou o Brasil. Depois de assistir, na televisão, a mais detalhes sobre o crime, Brasília fica parecendo cenário de Casseta & Planeta, uma capital desconectada da realidade. Manchas de sangue, ameaças antigas do pai da menina, isso é concreto. No segundo bloco, entra a ficção: petistas acusam o senador tucano Álvaro Dias pelo vazamento dos gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso.
A oposição convoca Dilma para falar no Senado sobre o filho, o PAC. E Eremilda, aliás, Erenice, o braço direito da ministra, acusada de elaborar o dossiê, é poupada pela defesa feroz da ex-futura candidata de Lula à sucessão. Para o presidente, Dilma é vítima de chantagem política, e o tal dossiê não passa de "osso de galinha".
Que saia justa, ministra. Botam a senhora no palanque, afagada por todos. Depois tiram a senhora do palanque porque falta o bambolê que o ministro José Múcio lhe deu de presente.
Quem, diante da investigação sobre quem matou Isabella, quer saber da mãe do PAC? A mãe do momento é uma morena bonita, Ana Carolina, que pedia ao ex-marido aumento de pensão e perdeu a filha no fim de semana da guarda compartilhada. Mesmo sem confissão e provas, a turba culpa o pai e a madrasta, presos e algemados na quinta-feira. Havia medo de linchamento nos olhos dele e uma resignação dopada nos olhos dela.
O crime parece ser de fácil elucidação, com mais pistas que os roteiros engenhosos do mestre Hitchcock. Nos suspenses do inglês, há sempre uma janela indiscreta, uma vertigem, um corpo que cai. No enredo trágico de Isabella, há uma madrasta. Mãe e madrasta têm o mesmo nome, Ana Carolina. E são muito jovens. A diferença é que a segunda mulher de Alexandre Nardoni é Anna, com dois "n".
Na versão do pai de Isabella, um desafeto misterioso teria se infiltrado no apartamento sem arrombar e sem roubar e teria jogado Isabella pela janela. Na versão do governo Lula, um tucano misterioso teria se infiltrado no banco de dados do Planalto para pinçar o dossiê que não incrimina ninguém, só faz espuma. As duas versões parecem fantasiosas e inverossímeis. Mas só um dos casos tem real importância, e uma vítima de verdade. Uma menina inocente perdeu a vida, os sonhos, o futuro. O outro caso enriquece o folclore dos pouco inocentes e bobos da corte.
Lula aproveita a popularidade messiânica para liberar a gastança dos sindicatos. Com o veto à fiscalização, nenhum sindicato, ético ou podre, precisará prestar contas ao Tribunal de Contas da União. Vamos contribuir obrigatoriamente com R$ 1,2 bilhão por ano para que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continue rindo à toa da nossa cara.
Dilma, a ex-guerrilheira, não tem estômago para o vale-tudo político. Ela se indigna. Bem diferente da mãe de Isabella, que espanta pela serenidade: "Que a justiça seja feita". Na quinta-feira, telefonei para Ana Carolina. E ela própria atendeu. Ana Carolina tem só 23 anos. Foi mãe aos 18. Falou que as fotos e mensagens que tinha postado no Orkut mostram "como a vida com Isabella era maravilhosa".
Receava comentar qualquer coisa que pudesse ser usada contra ela. "Você viu o Alexandre e a mulher algemados? Eu estou acompanhando tudo pela TV."
Fiquei pasma. No lugar dela, eu nem estaria atendendo o telefone.”
segunda-feira, 14 de abril de 2008
O BRASIL DESCOBRE A MAIOR RESERVA DE PETRÓLEO DO MUNDO, DOS ÚLTIMOS 30 ANOS
A “Folha Online publicou esta tarde uma impactante notícia. Trata-se da maior descoberta de reserva de petróleo feita no mundo nos últimos 30 anos. Seria, também, o terceiro maior campo do mundo na atualidade. É algo do Oriente Médio.
Transcrevo a notícia da Folha:
“Bloco ‘Carioca’ seria até 5 vezes maior que ‘Tupi’, diz diretor da ANP
“O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, disse nesta segunda-feira que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente).
Lima ressaltou que as informações são "oficiosas", mas oriundas de canais da Petrobras. O BM-S-9 é operado pelo consórcio Petrobras, que tem 45% do campo, a British Gas, com 30%, e Repsol, com 25%.
"Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade. É algo do Oriente Médio, mas nada está confirmado", afirmou Lima, referindo-se à região do planeta que tem as maiores reservas do mundo.
O diretor da ANP, que participou do 4º Seminário de Petróleo e Gás Natural promovido pela FGV, no Rio, explicou que o BM-S-9 fica a oeste de Tupi (BM-S-11), na Bacia de Santos.
Outra grande descoberta da Petrobras, o campo de Júpiter (BM-S-24) também fica na zona de influência do 'Carioca'. Eles ficam sob uma extensa camada de sal localizada até a 5.000 metros de profundidade.
Anunciado em novembro do ano passado, o megacampo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.
Para termos de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões boe (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP.
O Brasil ocupava até hoje [antes de 'Tupi' e 'Carioca'] o 17º lugar no ranking de países com maiores reservas de petróleo.”
Transcrevo a notícia da Folha:
“Bloco ‘Carioca’ seria até 5 vezes maior que ‘Tupi’, diz diretor da ANP
“O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, disse nesta segunda-feira que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente).
Lima ressaltou que as informações são "oficiosas", mas oriundas de canais da Petrobras. O BM-S-9 é operado pelo consórcio Petrobras, que tem 45% do campo, a British Gas, com 30%, e Repsol, com 25%.
"Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade. É algo do Oriente Médio, mas nada está confirmado", afirmou Lima, referindo-se à região do planeta que tem as maiores reservas do mundo.
O diretor da ANP, que participou do 4º Seminário de Petróleo e Gás Natural promovido pela FGV, no Rio, explicou que o BM-S-9 fica a oeste de Tupi (BM-S-11), na Bacia de Santos.
Outra grande descoberta da Petrobras, o campo de Júpiter (BM-S-24) também fica na zona de influência do 'Carioca'. Eles ficam sob uma extensa camada de sal localizada até a 5.000 metros de profundidade.
Anunciado em novembro do ano passado, o megacampo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.
Para termos de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões boe (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP.
O Brasil ocupava até hoje [antes de 'Tupi' e 'Carioca'] o 17º lugar no ranking de países com maiores reservas de petróleo.”
COMO A CHINA VÊ A VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS PELOS EUA
O “blog de um sem-mídia” publicou ontem um interessante artigo da Agência Carta Maior, de 28 de março último. Expõe um relatório oficial do governo chinês sobre a situação dos direitos humanos nos EUA em 2007.
A China publicou o “Registro dos Direitos Humanos nos Estados Unidos em 2007”, em resposta aos “Relatórios por Países sobre Práticas de Direitos Humanos em 2007”, emitidos na terça-feira (25/03/08) pelo Departamento de Estado norte-americano. O documento foi divulgado pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado, o gabinete chinês.
“Como em anos anteriores, o Departamento de Estado dos EUA lançou acusações sobre a situação dos direitos humanos em mais de 190 países e regiões, incluída a China, mas evitou fazer referência às violações dos direitos humanos em seu próprio país”, afirma o relatório.
O documento está dividido em sete partes: sobre o direito à vida, à propriedade e à segurança pessoal; sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelos órgãos judiciários e policiais; sobre os direitos civis e políticos; sobre os direitos econômicos, sociais e culturais; sobre a discriminação racial; sobre os direitos das mulheres e das crianças; e sobre as violações dos direitos humanos em outros países.
Como o relatório é muito longo, este blog selecionou somente alguns trechos. A reportagem completa pode ser lida no “blog de um sem-mídia” (ver “recomendamos”) ou no site www.cartamaior.com.br. Transcrevo a seguir os trechos esparsos selecionados, que dão uma boa idéia do conteúdo do documento chinês:
(...) A liberdade e os direitos dos cidadãos têm sido cada vez mais marginalizados nos Estados Unidos.
A Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos aprovaram a Lei para a Proteção da América, nos dias 3 e 4 de agosto de 2007. Esta lei permite que a administração norte-americana espie as conversações de suspeitos de terrorismo nos Estados Unidos sem precisar de uma autorização da justiça. Também permite que os serviços de inteligência mantenham sob vigilância eletrônica as comunicações digitais entre suspeitos de terrorismo fora dos Estados Unidos quando elas são transmitidas através desse país.
(...) A Verizon Communications, a segunda maior companhia de telecomunicações dos Estados Unidos, revelou que o FBI solicitou que a empresa proporcionasse informação para identificar não só as pessoas que fizeram uma ligação, mas todas as pessoas para as quais os clientes ligaram.
(...) As estatísticas mostram que a captura de informação e a vigilância eletrônica ilegal do governo têm colocado a informação pessoal sensível de milhões de pessoas em risco.
(...) Nos Estados Unidos, em torno de 30.000 pessoas morrem como conseqüência de feridas por arma de fogo a cada ano. O jornal USA Today informou, em 5 de dezembro de 2007, que os assassinatos com armas de fogo aumentaram 13% a partir do ano 2002.
(...) Os Estados Unidos contam com o maior número de armas de propriedade particular do mundo. As freqüentes violências com armas de fogo vêm provocando sérias ameaças à vida dos cidadãos e à segurança de suas propriedades. Estima-se que há 250 milhões de armas de fogo de propriedade privada nos Estados Unidos, o que significa que quase todos os cidadãos norte-americanos, inclusive os ex-criminosos com antecedentes por delitos graves e os menores, possuem armas.
(...) O direito dos trabalhadores de filiar-se a sindicatos vem sendo restrito nos Estados Unidos. Foi informado que o número de membros de sindicatos diminuiu em 326.000 em 2006, fazendo com que a porcentagem de empregados filiados a sindicatos caísse de 20%, em 1983, para os atuais 12%. A resistência dos patrões impediu que os 53% de trabalhadores não sindicalizados se incorporassem a um sindicato.
(...) Nos Estados Unidos, o dinheiro é o "leite materno" da política, enquanto as eleições são “jogos” de ricos, destacando a hipocrisia da democracia norte-americana, o que pode ser confirmado nas eleições presidenciais de 2008.
O “limiar financeiro” para participar nas eleições presidenciais dos Estados Unidos tem se tornado cada vez mais alto. Pelo menos 10 dos 20 candidatos dos grandes partidos que estão tentando a presidência nas eleições gerais de 2008 são milionários, de acordo com uma reportagem da agência EFE publicada no dia 18 de maio de 2007.
Por sua vez, a AFP informou em 15 de janeiro de 2007 que as eleições presidenciais de 2008 serão as mais caras da história. Os gastos da última campanha presidencial, em 2004, considerada em seu momento como a mais cara, foram de 693 milhões de dólares. Estima-se que os gastos totais deste ano chegarão a um bilhão de dólares, e a revista Fortune elevou recentemente sua projeção dos gastos totais para 3 bilhões.
(...) A administração norte-americana manipula a imprensa. No dia 23 de outubro de 2007 a Agência Federal de Emergência dos Estados Unidos concedeu uma coletiva de imprensa sobre os grandes incêndios na Califórnia. Nessa ocasião, um total de seis perguntas foram feitas durante 15 minutos e os membros da agência fizeram o papel de repórteres. A notícia foi transmitida pelas emissoras de televisão norte-americanas. Depois que o jornal The Washington Post revelou a farsa, a agência tentou defender-se por representar essa sessão de informação.
(...). Segundo estatísticas dadas a conhecer pelo Escritório do Censo dos EUA, em agosto de 2007, a taxa oficial de pobreza no país, em 2006, foi de 12,3%, o que significa que nesse ano 36,5 milhões de pessoas, ou 7,7 milhões de famílias viviam em condições de pobreza. Em outras palavras, quase um de cada oito cidadãos norte-americanos vive na pobreza. A taxa de pobreza no Mississipi foi tão alta que chegou aos 21,1%.
A riqueza do grupo mais rico dos Estados Unidos aumentou rapidamente no último ano, ampliando a diferença de renda entre ricos e pobres. A renda do 1% mais rico da população foi equivalente a 21,2% das rendas totais nacionais em 2005, sendo que em 2004 chegava a 19%. Por outro lado, a renda dos 50% mais pobres da população foi equivalente apenas a 12,8% das rendas totais nacionais, taxa que representou uma queda com respeito a 2004 de 13,4%.
(...) O índice de gastos com salários dos norte-americanos no Produto Interno Bruto caiu para o nível mais baixo desde que começou a ser registrado, em 1947. A renda média das famílias com membros em idade laboral sofreu uma queda contínua nos últimos cinco anos e hoje corresponde a 17% menos que cinco anos atrás.
(...) A discriminação racial é um problema social profundamente enraizado nos Estados Unidos. A população negra e outras minorias étnicas estão no nível inferior da escala social norte-americana.
(...) A proporção de afro-americanos e hispânicos que vivem na pobreza e não possuem seguro médico é muito mais elevada que a dos brancos. Em 2006, a taxa de pobreza entre os cidadãos de cor era de 24,3%, três vezes mais que a registrada entre a população branca, que era de 8,2%. Entre os hispânicos a porcentagem era de 20,6%, mais de duas vezes a taxa de pobreza entre os brancos.
(...) As estatísticas do Escritório do Censo dos Estados Unidos mostram que até o final de 2006, 815 de cada 100.000 negros estavam na prisão, enquanto a proporção para os hispânicos ficou em 283 e entre os brancos em 170.
(...) Nos Estados Unidos, a porcentagem de jovens condenados à prisão perpétua é muito diferente em função dos grupos étnicos. O índice de jovens negros que tinham sido condenados a prisão perpétua sem direito a liberdade condicional era dez vezes superior ao dos brancos. A desigualdade da proporção chegava a ser de até 20 vezes na Califórnia.
(...) Estima-se que nos Estados Unidos há 750.000 pessoas sem lar. A Califórnia tem uns 50.000 soldados reformados morando nas ruas.
(...) As condições das mulheres e das crianças nos Estados Unidos causam preocupação. As mulheres representam 51% da população norte-americana, mas somente 86 delas fazem parte do 110º Congresso desse país. As mulheres ocupam 16 das 100 cadeiras do Senado, 16%, e 70 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 16,1%. Até dezembro de 2007, somente 76 mulheres trabalhavam nos escritórios executivos do Estado, o que representava 24,1% do total.
(...) Em um relatório divulgado em 2007, a Anistia Internacional disse que nas prisões norte-americanas os guardas de sexo masculino estão autorizados a fazer revistas corporais em prisioneiras, além de observá-las enquanto tomam banho ou trocam de roupa. Na maioria dos estados, os guardas podem entrar nas celas das mulheres sem supervisão.
(...) O New York Times noticiou que muitas mulheres militares norte-americanas acantonadas no Iraque enfrentavam o duplo ataque dos traumas causados por abusos sexuais de seus próprios colegas e pelo fogo inimigo nos campos de batalha. Suzanne Swift foi repetidamente assediada e abusada sexualmente por seus comandantes. Quando tentava denunciar estes comandantes, recebeu uma ordem de transferência, junto com eles.
(...) De acordo com os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, em 2004 a taxa de mortalidade infantil dos Estados Unidos foi de sete por cada 1.000 crianças, e a taxa de mortalidade de crianças negras foi 2,5 vezes a dos brancos. A taxa de sobrevivência infantil dos Estados Unidos está muito abaixo da de outras nações desenvolvidas.
(...) As crianças norte-americanas não estão devidamente protegidas pelo sistema judiciário. Os Estados Unidos são um dos poucos países do mundo em que crianças são condenadas a pena de morte, e em alguns estados ainda não há idade limite para impor a pena capital. É o país em que mais crianças são sentenciadas a prisão perpétua em todo o mundo.
(...) Os Estados Unidos têm um notório recorde de pisar na soberania de outros países e de violar os direitos humanos em outras nações.
A invasão do Iraque por tropas norte-americanas produziu a maior tragédia de direitos humanos e o maior desastre humanitário do mundo moderno. Segundo informações, desde que começou a invasão, em 2003, 660.000 iraquianos morreram, entre os quais 99% eram civis. Isso representa uma média diária de 450 pessoas mortas.
De acordo com o jornal Los Angeles Times, o número de mortos civis no Iraque já passou de um milhão. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou que aproximadamente um milhão de iraquianos perderam suas moradias e que metade deles eram crianças. Havia 75.000 crianças vivendo em campos de refugiados ou abrigos provisórios. Aproximadamente 760.000 menores não podiam ir à escola.
(...) Os soldados norte-americanos assassinaram muitos civis inocentes durante a guerra contra o terrorismo no Afeganistão. O jornal The Washington Post informou, no dia 3 de maio de 2007, que as tropas dos Estados Unidos teriam chegado a matar até 51 civis em uma semana. Um grupo de direitos humanos afegão disse em um relatório que uma unidade da marinha norte-americana atirou indiscriminadamente contra transeuntes, passageiros de veículos privados, ônibus e táxis ao longo de uma faixa de 10 milhas (16 quilômetros) de estrada na província de Nangahar, no dia 4 de março de 2007, matando 12 civis, incluídos uma criança e três idosos.
(...) Os Estados Unidos têm muitas prisões secretas no mundo. Nelas, os prisioneiros são tratados de maneira desumana. “Prisão secreta” e “tortura de prisioneiros” passaram a ser sinônimos de “Estados Unidos”.
Em maio de 2007, o repórter especial da ONU sobre a proteção dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, disse, após sua visita aos Estados Unidos, que esse país já prendeu 700 pessoas no Afeganistão e outras 18.000 no Iraque por razões relacionadas com a luta contra o terrorismo.
O repórter especial expressou sua preocupação pelas condições dos presos na Baía de Guantánamo e em outras instalações secretas de detenção, pela ausência de proteção da justiça e de acesso a julgamentos justos para os suspeitos de terrorismo e pela transferência destes presos. Também expressou sua desilusão pelo fato do governo dos Estados Unidos não ter permitido que visitasse a Baia de Guantánamo e outros lugares secretos de detenção.
Além da Baía de Guantánamo, onde os prisioneiros têm sido submetidos a aterradoras torturas, os Estados Unidos também administravam instalações carcerárias secretas na Jordânia e na Etiópia, nas quais os detentos eram tratados com brutalidade.
De acordo com reportagens da imprensa, a CIA deteve centenas de suspeitos de Al Qaeda em um lugar secreto na Etiópia. Os detentos provinham de 19 países e incluíam mulheres e crianças, a menor das quais tinha sete meses.
Eles foram deportados ilegalmente para a Etiópia, onde foram mantidos em horríveis condições nas prisões lotadas, com até 12 detentos compartilhando uma cela de três metros quadrados. A comida era escassa e os abusos e torturas ocorriam corriqueiramente.
No dia 14 de dezembro de 2007, o jornal The Washington Times informou que a CIA torturava com freqüência os detentos suspeitos de terrorismo, utilizando a prática do "waterboarding" (simulação de afogamento) e a de simulação de execução.
As mulheres prisioneiras no Iraque com freqüência foram submetidas a humilhações. Reportagens de imprensa dizem que muitas delas foram vítimas da polícia iraquiana e das forças de ocupação. Os iraquianos afirmam que nunca, em nenhuma das guerras conhecidas desde a Idade Média, foram registradas tantas violações e crimes contra mulheres como durante a guerra do Iraque”.
A China publicou o “Registro dos Direitos Humanos nos Estados Unidos em 2007”, em resposta aos “Relatórios por Países sobre Práticas de Direitos Humanos em 2007”, emitidos na terça-feira (25/03/08) pelo Departamento de Estado norte-americano. O documento foi divulgado pelo Escritório de Informação do Conselho de Estado, o gabinete chinês.
“Como em anos anteriores, o Departamento de Estado dos EUA lançou acusações sobre a situação dos direitos humanos em mais de 190 países e regiões, incluída a China, mas evitou fazer referência às violações dos direitos humanos em seu próprio país”, afirma o relatório.
O documento está dividido em sete partes: sobre o direito à vida, à propriedade e à segurança pessoal; sobre as violações dos direitos humanos cometidas pelos órgãos judiciários e policiais; sobre os direitos civis e políticos; sobre os direitos econômicos, sociais e culturais; sobre a discriminação racial; sobre os direitos das mulheres e das crianças; e sobre as violações dos direitos humanos em outros países.
Como o relatório é muito longo, este blog selecionou somente alguns trechos. A reportagem completa pode ser lida no “blog de um sem-mídia” (ver “recomendamos”) ou no site www.cartamaior.com.br. Transcrevo a seguir os trechos esparsos selecionados, que dão uma boa idéia do conteúdo do documento chinês:
(...) A liberdade e os direitos dos cidadãos têm sido cada vez mais marginalizados nos Estados Unidos.
A Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos aprovaram a Lei para a Proteção da América, nos dias 3 e 4 de agosto de 2007. Esta lei permite que a administração norte-americana espie as conversações de suspeitos de terrorismo nos Estados Unidos sem precisar de uma autorização da justiça. Também permite que os serviços de inteligência mantenham sob vigilância eletrônica as comunicações digitais entre suspeitos de terrorismo fora dos Estados Unidos quando elas são transmitidas através desse país.
(...) A Verizon Communications, a segunda maior companhia de telecomunicações dos Estados Unidos, revelou que o FBI solicitou que a empresa proporcionasse informação para identificar não só as pessoas que fizeram uma ligação, mas todas as pessoas para as quais os clientes ligaram.
(...) As estatísticas mostram que a captura de informação e a vigilância eletrônica ilegal do governo têm colocado a informação pessoal sensível de milhões de pessoas em risco.
(...) Nos Estados Unidos, em torno de 30.000 pessoas morrem como conseqüência de feridas por arma de fogo a cada ano. O jornal USA Today informou, em 5 de dezembro de 2007, que os assassinatos com armas de fogo aumentaram 13% a partir do ano 2002.
(...) Os Estados Unidos contam com o maior número de armas de propriedade particular do mundo. As freqüentes violências com armas de fogo vêm provocando sérias ameaças à vida dos cidadãos e à segurança de suas propriedades. Estima-se que há 250 milhões de armas de fogo de propriedade privada nos Estados Unidos, o que significa que quase todos os cidadãos norte-americanos, inclusive os ex-criminosos com antecedentes por delitos graves e os menores, possuem armas.
(...) O direito dos trabalhadores de filiar-se a sindicatos vem sendo restrito nos Estados Unidos. Foi informado que o número de membros de sindicatos diminuiu em 326.000 em 2006, fazendo com que a porcentagem de empregados filiados a sindicatos caísse de 20%, em 1983, para os atuais 12%. A resistência dos patrões impediu que os 53% de trabalhadores não sindicalizados se incorporassem a um sindicato.
(...) Nos Estados Unidos, o dinheiro é o "leite materno" da política, enquanto as eleições são “jogos” de ricos, destacando a hipocrisia da democracia norte-americana, o que pode ser confirmado nas eleições presidenciais de 2008.
O “limiar financeiro” para participar nas eleições presidenciais dos Estados Unidos tem se tornado cada vez mais alto. Pelo menos 10 dos 20 candidatos dos grandes partidos que estão tentando a presidência nas eleições gerais de 2008 são milionários, de acordo com uma reportagem da agência EFE publicada no dia 18 de maio de 2007.
Por sua vez, a AFP informou em 15 de janeiro de 2007 que as eleições presidenciais de 2008 serão as mais caras da história. Os gastos da última campanha presidencial, em 2004, considerada em seu momento como a mais cara, foram de 693 milhões de dólares. Estima-se que os gastos totais deste ano chegarão a um bilhão de dólares, e a revista Fortune elevou recentemente sua projeção dos gastos totais para 3 bilhões.
(...) A administração norte-americana manipula a imprensa. No dia 23 de outubro de 2007 a Agência Federal de Emergência dos Estados Unidos concedeu uma coletiva de imprensa sobre os grandes incêndios na Califórnia. Nessa ocasião, um total de seis perguntas foram feitas durante 15 minutos e os membros da agência fizeram o papel de repórteres. A notícia foi transmitida pelas emissoras de televisão norte-americanas. Depois que o jornal The Washington Post revelou a farsa, a agência tentou defender-se por representar essa sessão de informação.
(...). Segundo estatísticas dadas a conhecer pelo Escritório do Censo dos EUA, em agosto de 2007, a taxa oficial de pobreza no país, em 2006, foi de 12,3%, o que significa que nesse ano 36,5 milhões de pessoas, ou 7,7 milhões de famílias viviam em condições de pobreza. Em outras palavras, quase um de cada oito cidadãos norte-americanos vive na pobreza. A taxa de pobreza no Mississipi foi tão alta que chegou aos 21,1%.
A riqueza do grupo mais rico dos Estados Unidos aumentou rapidamente no último ano, ampliando a diferença de renda entre ricos e pobres. A renda do 1% mais rico da população foi equivalente a 21,2% das rendas totais nacionais em 2005, sendo que em 2004 chegava a 19%. Por outro lado, a renda dos 50% mais pobres da população foi equivalente apenas a 12,8% das rendas totais nacionais, taxa que representou uma queda com respeito a 2004 de 13,4%.
(...) O índice de gastos com salários dos norte-americanos no Produto Interno Bruto caiu para o nível mais baixo desde que começou a ser registrado, em 1947. A renda média das famílias com membros em idade laboral sofreu uma queda contínua nos últimos cinco anos e hoje corresponde a 17% menos que cinco anos atrás.
(...) A discriminação racial é um problema social profundamente enraizado nos Estados Unidos. A população negra e outras minorias étnicas estão no nível inferior da escala social norte-americana.
(...) A proporção de afro-americanos e hispânicos que vivem na pobreza e não possuem seguro médico é muito mais elevada que a dos brancos. Em 2006, a taxa de pobreza entre os cidadãos de cor era de 24,3%, três vezes mais que a registrada entre a população branca, que era de 8,2%. Entre os hispânicos a porcentagem era de 20,6%, mais de duas vezes a taxa de pobreza entre os brancos.
(...) As estatísticas do Escritório do Censo dos Estados Unidos mostram que até o final de 2006, 815 de cada 100.000 negros estavam na prisão, enquanto a proporção para os hispânicos ficou em 283 e entre os brancos em 170.
(...) Nos Estados Unidos, a porcentagem de jovens condenados à prisão perpétua é muito diferente em função dos grupos étnicos. O índice de jovens negros que tinham sido condenados a prisão perpétua sem direito a liberdade condicional era dez vezes superior ao dos brancos. A desigualdade da proporção chegava a ser de até 20 vezes na Califórnia.
(...) Estima-se que nos Estados Unidos há 750.000 pessoas sem lar. A Califórnia tem uns 50.000 soldados reformados morando nas ruas.
(...) As condições das mulheres e das crianças nos Estados Unidos causam preocupação. As mulheres representam 51% da população norte-americana, mas somente 86 delas fazem parte do 110º Congresso desse país. As mulheres ocupam 16 das 100 cadeiras do Senado, 16%, e 70 das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 16,1%. Até dezembro de 2007, somente 76 mulheres trabalhavam nos escritórios executivos do Estado, o que representava 24,1% do total.
(...) Em um relatório divulgado em 2007, a Anistia Internacional disse que nas prisões norte-americanas os guardas de sexo masculino estão autorizados a fazer revistas corporais em prisioneiras, além de observá-las enquanto tomam banho ou trocam de roupa. Na maioria dos estados, os guardas podem entrar nas celas das mulheres sem supervisão.
(...) O New York Times noticiou que muitas mulheres militares norte-americanas acantonadas no Iraque enfrentavam o duplo ataque dos traumas causados por abusos sexuais de seus próprios colegas e pelo fogo inimigo nos campos de batalha. Suzanne Swift foi repetidamente assediada e abusada sexualmente por seus comandantes. Quando tentava denunciar estes comandantes, recebeu uma ordem de transferência, junto com eles.
(...) De acordo com os Centros para o Controle e a Prevenção de Doenças, em 2004 a taxa de mortalidade infantil dos Estados Unidos foi de sete por cada 1.000 crianças, e a taxa de mortalidade de crianças negras foi 2,5 vezes a dos brancos. A taxa de sobrevivência infantil dos Estados Unidos está muito abaixo da de outras nações desenvolvidas.
(...) As crianças norte-americanas não estão devidamente protegidas pelo sistema judiciário. Os Estados Unidos são um dos poucos países do mundo em que crianças são condenadas a pena de morte, e em alguns estados ainda não há idade limite para impor a pena capital. É o país em que mais crianças são sentenciadas a prisão perpétua em todo o mundo.
(...) Os Estados Unidos têm um notório recorde de pisar na soberania de outros países e de violar os direitos humanos em outras nações.
A invasão do Iraque por tropas norte-americanas produziu a maior tragédia de direitos humanos e o maior desastre humanitário do mundo moderno. Segundo informações, desde que começou a invasão, em 2003, 660.000 iraquianos morreram, entre os quais 99% eram civis. Isso representa uma média diária de 450 pessoas mortas.
De acordo com o jornal Los Angeles Times, o número de mortos civis no Iraque já passou de um milhão. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelou que aproximadamente um milhão de iraquianos perderam suas moradias e que metade deles eram crianças. Havia 75.000 crianças vivendo em campos de refugiados ou abrigos provisórios. Aproximadamente 760.000 menores não podiam ir à escola.
(...) Os soldados norte-americanos assassinaram muitos civis inocentes durante a guerra contra o terrorismo no Afeganistão. O jornal The Washington Post informou, no dia 3 de maio de 2007, que as tropas dos Estados Unidos teriam chegado a matar até 51 civis em uma semana. Um grupo de direitos humanos afegão disse em um relatório que uma unidade da marinha norte-americana atirou indiscriminadamente contra transeuntes, passageiros de veículos privados, ônibus e táxis ao longo de uma faixa de 10 milhas (16 quilômetros) de estrada na província de Nangahar, no dia 4 de março de 2007, matando 12 civis, incluídos uma criança e três idosos.
(...) Os Estados Unidos têm muitas prisões secretas no mundo. Nelas, os prisioneiros são tratados de maneira desumana. “Prisão secreta” e “tortura de prisioneiros” passaram a ser sinônimos de “Estados Unidos”.
Em maio de 2007, o repórter especial da ONU sobre a proteção dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, disse, após sua visita aos Estados Unidos, que esse país já prendeu 700 pessoas no Afeganistão e outras 18.000 no Iraque por razões relacionadas com a luta contra o terrorismo.
O repórter especial expressou sua preocupação pelas condições dos presos na Baía de Guantánamo e em outras instalações secretas de detenção, pela ausência de proteção da justiça e de acesso a julgamentos justos para os suspeitos de terrorismo e pela transferência destes presos. Também expressou sua desilusão pelo fato do governo dos Estados Unidos não ter permitido que visitasse a Baia de Guantánamo e outros lugares secretos de detenção.
Além da Baía de Guantánamo, onde os prisioneiros têm sido submetidos a aterradoras torturas, os Estados Unidos também administravam instalações carcerárias secretas na Jordânia e na Etiópia, nas quais os detentos eram tratados com brutalidade.
De acordo com reportagens da imprensa, a CIA deteve centenas de suspeitos de Al Qaeda em um lugar secreto na Etiópia. Os detentos provinham de 19 países e incluíam mulheres e crianças, a menor das quais tinha sete meses.
Eles foram deportados ilegalmente para a Etiópia, onde foram mantidos em horríveis condições nas prisões lotadas, com até 12 detentos compartilhando uma cela de três metros quadrados. A comida era escassa e os abusos e torturas ocorriam corriqueiramente.
No dia 14 de dezembro de 2007, o jornal The Washington Times informou que a CIA torturava com freqüência os detentos suspeitos de terrorismo, utilizando a prática do "waterboarding" (simulação de afogamento) e a de simulação de execução.
As mulheres prisioneiras no Iraque com freqüência foram submetidas a humilhações. Reportagens de imprensa dizem que muitas delas foram vítimas da polícia iraquiana e das forças de ocupação. Os iraquianos afirmam que nunca, em nenhuma das guerras conhecidas desde a Idade Média, foram registradas tantas violações e crimes contra mulheres como durante a guerra do Iraque”.
O BRASIL DA MÍDIA E O BRASIL REAL
O blog “Vi o mundo”, do jornalista Luiz Carlos Azenha, publicou hoje um bom artigo do Ministro da Justiça, Tarso Genro, que trata com muita clareza e propriedade um fato por demais conhecido: a manipulação da verdade pela grande mídia brasileira, por conta de interesses político-partidários e econômicos.
Vale a pena lê-lo:
“Em artigo publicado recentemente, o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, apresentou suas impressões sobre a atual situação brasileira.
Soares esteve no Brasil em fevereiro e percorreu três das mais importantes cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte e Brasília). Na ocasião, encontrou-se com o presidente Lula e com algumas de nossas mais expressivas lideranças oposicionistas - FHC, Aécio Neves e José Serra.
O líder português constatou a existência de duas "realidades" bem distintas: uma encontrada nas páginas de nossos principais jornais e nas imagens da TV (que parece retratar um país "à beira de um colapso"); e outra verificada no cotidiano dos brasileiros (que percebem que seu país "está a dar certo").
São dois "brasis" que não se comunicam e se estranham: um certo Brasil da mídia e o Brasil real.
De um lado, na mídia, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pelo otimismo e pela ascendente relevância do país no cenário mundial. É o Brasil, segundo Soares, da "inflação baixa" e "controlada", no qual o "emprego tem subido espetacularmente e a pobreza diminui de forma sensível".
Naquele primeiro Brasil, o governo Lula é retratado com ironia, agressividade e parece não ter orientado um espetacular aumento das reservas internacionais (US$ 162,9 bilhões nos últimos 12 meses) ou uma expansão recorde das exportações. E menos ainda parece ter algum mérito a passagem do Brasil à condição de credor no mercado internacional, resultado obtido pela atual equipe econômica.
A crise da dívida, deflagrada há quase três décadas, encerra-se sob o governo Lula sem que a maioria dos cronistas credite este fato ao acerto do presidente na condução da política macroeconômica. Para o ex-presidente Mário Soares, onde Stefan Zweig enxergava um "país de futuro", hoje é possível identificar uma "incontornável realidade" positiva.
Não se trata, por óbvio, de supor a existência um governo sem defeitos, mas sim de enfrentar um falso nivelamento, através do qual parte da mídia torna-se o centro de elaboração intelectual de um oposicionismo extremo.
Vejamos, então, alguns dos principais argumentos que circularam nos últimos dois anos, cuja síntese podemos organizar em alguns breves postulados:
De um lado, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pela ascendente relevância do país no cenário mundial.
1. "O Brasil vai bem porque o cenário internacional é favorável":
Acadêmicos e técnicos - das mais distintas vertentes ideológicas - são categóricos ao afirmar que o país nunca esteve tão preparado para enfrentar uma turbulência externa como agora. É um cenário decorrente diretamente da redução da vulnerabilidade externa e da ampliação de nossas reservas internacionais - resultado obtido pelo atual governo.
2. "A política internacional de Lula vai fracassar":
A postura do Brasil, não apenas no que se refere às relações com o G-8 ou com os EUA, mas também em relação aos demais países de nosso continente, nos situa em uma posição destacada de referência política na América Latina. A posição do Brasil, por exemplo, diante dos incidentes diplomáticos envolvendo o Equador e a Colômbia, bem como os resultados da última reunião do Conselho Permanente da OEA, confirmam o acerto da política externa brasileira, que transforma o país em peça-chave do equilíbrio regional e em importante interveniente no cenário global.
3. "Lula segue fazendo o mesmo que FHC na área econômica, por isto estabilizou a economia":
Este, sem dúvida alguma, é o mais visivelmente inverídico dos argumentos. A política de recuperação do valor real do salário mínimo, de reestruturação do setor público e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura e em políticas sociais posta em prática pelo atual governo levaria, segundo a ortodoxia neoliberal, à elevação da inflação, do desemprego e da informalidade nas relações trabalhistas.
Erro: de 2003 a novembro de 2007, foram criados no país 6,6 milhões de empregos com carteira assinada e o salário mínimo teve um aumento real de 46,7%.
O país cresce há 23 trimestres consecutivos. O atual desempenho do PIB só encontra paralelo nos anos do "milagre econômico" do regime militar, com a diferença fundamental, agora, de associar crescimento econômico com distribuição de renda e respeito às instituições democráticas.
4. "O governo Lula é conivente com a corrupção":
Omitem que o combate aos crimes de colarinho-branco teve um grande incremento no atual governo. Somente no ano de 2007, a Polícia Federal totalizou 457 capturas por suspeitas de improbidade, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de realizar outras 40 grandes operações.
É possível afirmar que o país jamais combateu a corrupção como agora. Dezenas de investigações e operações que buscam "pessoas" - e não "partidos" - em ações delituosas foram promovidas e estão em andamento, cumprindo orientação direta do presidente, de combater sem tréguas à corrupção.
Por fim, cumpre informar que a opinião de Mário Soares encontra eco em outras análises realizadas por diferentes órgãos da imprensa internacional.
A revista britânica "The Economist" há algumas semanas exaltou em suas páginas o sucesso do programa Bolsa Família.
Da mesma forma, o periódico londrino "Financial Times" dedicou-se, recentemente, a analisar o excelente momento econômico vivido pelo país.
O jornal "The Guardian" não poupou elogios ao governo Lula, recentemente.
Estas análises contrastam com artigos, veiculados no Brasil recentemente, que inclusive expressam "indignação" diante do fato de que beneficiários do Bolsa Família, com sua renda familiar, adquiram eletrodomésticos. Seria um consumismo absurdo!
Neste ritmo, provavelmente, nossos futuros historiadores terão de recorrer à imprensa internacional caso pretendam analisar, com alguma profundidade, o que sucede atualmente no país.
É forçoso reconhecer, no entanto, que somente a liberdade de imprensa nos salva da treva absoluta da desinformação, ainda que as luzes estejam hoje concentradas em alguns periódicos ou páginas e blogs na internet, e mesmo em poucos espaços da chamada grande mídia”.
Vale a pena lê-lo:
“Em artigo publicado recentemente, o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, apresentou suas impressões sobre a atual situação brasileira.
Soares esteve no Brasil em fevereiro e percorreu três das mais importantes cidades brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte e Brasília). Na ocasião, encontrou-se com o presidente Lula e com algumas de nossas mais expressivas lideranças oposicionistas - FHC, Aécio Neves e José Serra.
O líder português constatou a existência de duas "realidades" bem distintas: uma encontrada nas páginas de nossos principais jornais e nas imagens da TV (que parece retratar um país "à beira de um colapso"); e outra verificada no cotidiano dos brasileiros (que percebem que seu país "está a dar certo").
São dois "brasis" que não se comunicam e se estranham: um certo Brasil da mídia e o Brasil real.
De um lado, na mídia, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pelo otimismo e pela ascendente relevância do país no cenário mundial. É o Brasil, segundo Soares, da "inflação baixa" e "controlada", no qual o "emprego tem subido espetacularmente e a pobreza diminui de forma sensível".
Naquele primeiro Brasil, o governo Lula é retratado com ironia, agressividade e parece não ter orientado um espetacular aumento das reservas internacionais (US$ 162,9 bilhões nos últimos 12 meses) ou uma expansão recorde das exportações. E menos ainda parece ter algum mérito a passagem do Brasil à condição de credor no mercado internacional, resultado obtido pela atual equipe econômica.
A crise da dívida, deflagrada há quase três décadas, encerra-se sob o governo Lula sem que a maioria dos cronistas credite este fato ao acerto do presidente na condução da política macroeconômica. Para o ex-presidente Mário Soares, onde Stefan Zweig enxergava um "país de futuro", hoje é possível identificar uma "incontornável realidade" positiva.
Não se trata, por óbvio, de supor a existência um governo sem defeitos, mas sim de enfrentar um falso nivelamento, através do qual parte da mídia torna-se o centro de elaboração intelectual de um oposicionismo extremo.
Vejamos, então, alguns dos principais argumentos que circularam nos últimos dois anos, cuja síntese podemos organizar em alguns breves postulados:
De um lado, uma agenda de crise interminável e, de outro, o Brasil retratado pela ascendente relevância do país no cenário mundial.
1. "O Brasil vai bem porque o cenário internacional é favorável":
Acadêmicos e técnicos - das mais distintas vertentes ideológicas - são categóricos ao afirmar que o país nunca esteve tão preparado para enfrentar uma turbulência externa como agora. É um cenário decorrente diretamente da redução da vulnerabilidade externa e da ampliação de nossas reservas internacionais - resultado obtido pelo atual governo.
2. "A política internacional de Lula vai fracassar":
A postura do Brasil, não apenas no que se refere às relações com o G-8 ou com os EUA, mas também em relação aos demais países de nosso continente, nos situa em uma posição destacada de referência política na América Latina. A posição do Brasil, por exemplo, diante dos incidentes diplomáticos envolvendo o Equador e a Colômbia, bem como os resultados da última reunião do Conselho Permanente da OEA, confirmam o acerto da política externa brasileira, que transforma o país em peça-chave do equilíbrio regional e em importante interveniente no cenário global.
3. "Lula segue fazendo o mesmo que FHC na área econômica, por isto estabilizou a economia":
Este, sem dúvida alguma, é o mais visivelmente inverídico dos argumentos. A política de recuperação do valor real do salário mínimo, de reestruturação do setor público e a ampliação dos investimentos em infra-estrutura e em políticas sociais posta em prática pelo atual governo levaria, segundo a ortodoxia neoliberal, à elevação da inflação, do desemprego e da informalidade nas relações trabalhistas.
Erro: de 2003 a novembro de 2007, foram criados no país 6,6 milhões de empregos com carteira assinada e o salário mínimo teve um aumento real de 46,7%.
O país cresce há 23 trimestres consecutivos. O atual desempenho do PIB só encontra paralelo nos anos do "milagre econômico" do regime militar, com a diferença fundamental, agora, de associar crescimento econômico com distribuição de renda e respeito às instituições democráticas.
4. "O governo Lula é conivente com a corrupção":
Omitem que o combate aos crimes de colarinho-branco teve um grande incremento no atual governo. Somente no ano de 2007, a Polícia Federal totalizou 457 capturas por suspeitas de improbidade, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além de realizar outras 40 grandes operações.
É possível afirmar que o país jamais combateu a corrupção como agora. Dezenas de investigações e operações que buscam "pessoas" - e não "partidos" - em ações delituosas foram promovidas e estão em andamento, cumprindo orientação direta do presidente, de combater sem tréguas à corrupção.
Por fim, cumpre informar que a opinião de Mário Soares encontra eco em outras análises realizadas por diferentes órgãos da imprensa internacional.
A revista britânica "The Economist" há algumas semanas exaltou em suas páginas o sucesso do programa Bolsa Família.
Da mesma forma, o periódico londrino "Financial Times" dedicou-se, recentemente, a analisar o excelente momento econômico vivido pelo país.
O jornal "The Guardian" não poupou elogios ao governo Lula, recentemente.
Estas análises contrastam com artigos, veiculados no Brasil recentemente, que inclusive expressam "indignação" diante do fato de que beneficiários do Bolsa Família, com sua renda familiar, adquiram eletrodomésticos. Seria um consumismo absurdo!
Neste ritmo, provavelmente, nossos futuros historiadores terão de recorrer à imprensa internacional caso pretendam analisar, com alguma profundidade, o que sucede atualmente no país.
É forçoso reconhecer, no entanto, que somente a liberdade de imprensa nos salva da treva absoluta da desinformação, ainda que as luzes estejam hoje concentradas em alguns periódicos ou páginas e blogs na internet, e mesmo em poucos espaços da chamada grande mídia”.
AVALIAÇÕES DO PRESIDENTE DO BNDES
O jornal Folha de São Paulo publicou hoje uma ótima entrevista com o Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, em artigo de Valdo Cruz e Janaína Lage. Transcrevo a seguir a parte da matéria da Folha referente à entrevista:
FOLHA - Quais são os três principais entraves da economia brasileira?
LUCIANO COUTINHO - Nós temos um desafio importante que é sustentar o processo de expansão do investimento. É fundamental compatibilizar crescimento acelerado e estabilidade de preço, por meio da criação de oferta suficiente. Para isso, temos de elevar a capacidade de poupança e investimento da economia e sustentá-la. Esse é um desafio, não é um entrave.
Segundo desafio importante é fazer isso incorporando capacidade inovadora. É preciso transmitir e enraizar a inovação no sistema empresarial brasileiro de uma maneira muito mais forte e afirmativa.
Um terceiro desafio é melhorar a capacidade de planejamento, regulação e desenvolvimento institucional. É preciso retomar a capacidade de planejar e pensar o médio e o longo prazo. Algo que foi perdido por conta de vicissitudes do processo inflacionário que obscurecia a capacidade de olhar de longe.
FOLHA - Ainda é válida a regra de bolso citada por economistas de que, para termos expansão sustentável acima de 5%, só com taxa de investimento de 20% a 25% do PIB?
COUTINHO - Essa regra depende do grau de inovação e de produtividade. Você pode pensar numa faixa. Estou apenas relativizando, porque existe todo um debate a partir do qual se pensa na idéia de produto potencial e se diz “eu não posso crescer mais de tanto”…
FOLHA - Mas dá para crescer 5% com a atual taxa de investimento na casa dos 18%?
COUTINHO - Acho que dá para crescer. Para crescermos a 5%, 5,5%, temos que puxar a formação de capital para perto de 21%, 21,5% do PIB e mantê-la.
Se faço ganhos de produtividade mais firmes e mais sustentáveis, posso crescer não a 5%, mas a 5,5% ou 6%. É perfeitamente possível que o país possa crescer mais, sustentadamente. Tem de aumentar o esforço de poupança e investimento e sustentá-lo persistentemente ao longo do tempo.
FOLHA - Mas o problema hoje é que estamos numa velocidade de crescimento de 6%, o que estaria gerando pressões inflacionárias pelo aquecimento da demanda. Isso sinaliza que a taxa de investimento ainda não sustenta esse ritmo?
COUTINHO - As pressões inflacionárias têm vindo mais de fatores externos e acidentalidades. Veio de produtos agrícolas, entressafra e commodities por conta da excitação do preço no exterior. Os elementos internos de formação do preço não mostram excitação alarmante.
A formação de capital tem avançado fortemente. Um sintoma inequívoco do amadurecimento dos investimentos é que o nível de uso da capacidade industrial, que havia subido para 83% e tanto, caiu. Está cedendo nas últimas leituras e nossa percepção é que vai continuar caindo devagarinho.
A formação de capital na esmagadora maioria dos setores da indústria tem permitido evitar a formação de gargalos de inflação por conta de uso de capacidade estourado.
O nível de uso de capacidade está alto o suficiente para estimular o investimento e numa faixa ainda confortável para não produzir estresse inflacionário, daí o desafio de continuar mantendo a formação de capital em ascensão para criar capacidade de oferta.
Há uma arte de calibrar no curto prazo a demanda agregada, os estímulos fiscais e monetários da economia que não está na minha esfera. Toda a análise que fiz foi estrutural, não queira colocar na minha boca uma avaliação crítica à política macroeconômica. O BC e o Ministério da Fazenda têm de cuidar da inflação, da calibragem da economia para manter a estabilidade e o controle sobre as expectativas de inflação.
Tenho uma tarefa importante que é ajudar a sustentação do investimento, de tal maneira que não se formem pressões inflacionárias generalizadas.
Mantida a confiança e a sustentação do crescimento, em algum momento futuro o BNDES poderá repensar o seu perfil de financiar coisas que tipicamente o mercado não financia bem. Neste momento, o BNDES está sobrecarregado.
FOLHA - Neste momento o BNDES precisa atuar na função de manter essa taxa de investimento subindo para evitar gargalos inflacionários. Quais os setores que o senhor identifica em que o BNDES precisa atuar?
COUTINHO - Os setores-chave são os chamados de insumos de amplo uso industrial, os insumos básicos, porque eles têm um peso importante na formação de custos de vários setores.
FOLHA - Há uma grande dúvida se vocês terão condições de ter os recursos necessários, como para bancar as metas da política industrial. O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) disse que o banco terá até R$ 250 bilhões para financiá-la.
COUTINHO - Bom, acho que ele está incluindo nosso orçamento de R$ 80 bilhões nos próximos três anos. Não é uma conta discrepante. Conto com a ajuda do ministro Miguel Jorge para ajudar o banco a chegar nos duzentos e tantos bilhões de reais.
Existem mecanismos para chegar, mas não posso falar de mecanismos que ainda estão em
FOLHA - Quais são os três principais entraves da economia brasileira?
LUCIANO COUTINHO - Nós temos um desafio importante que é sustentar o processo de expansão do investimento. É fundamental compatibilizar crescimento acelerado e estabilidade de preço, por meio da criação de oferta suficiente. Para isso, temos de elevar a capacidade de poupança e investimento da economia e sustentá-la. Esse é um desafio, não é um entrave.
Segundo desafio importante é fazer isso incorporando capacidade inovadora. É preciso transmitir e enraizar a inovação no sistema empresarial brasileiro de uma maneira muito mais forte e afirmativa.
Um terceiro desafio é melhorar a capacidade de planejamento, regulação e desenvolvimento institucional. É preciso retomar a capacidade de planejar e pensar o médio e o longo prazo. Algo que foi perdido por conta de vicissitudes do processo inflacionário que obscurecia a capacidade de olhar de longe.
FOLHA - Ainda é válida a regra de bolso citada por economistas de que, para termos expansão sustentável acima de 5%, só com taxa de investimento de 20% a 25% do PIB?
COUTINHO - Essa regra depende do grau de inovação e de produtividade. Você pode pensar numa faixa. Estou apenas relativizando, porque existe todo um debate a partir do qual se pensa na idéia de produto potencial e se diz “eu não posso crescer mais de tanto”…
FOLHA - Mas dá para crescer 5% com a atual taxa de investimento na casa dos 18%?
COUTINHO - Acho que dá para crescer. Para crescermos a 5%, 5,5%, temos que puxar a formação de capital para perto de 21%, 21,5% do PIB e mantê-la.
Se faço ganhos de produtividade mais firmes e mais sustentáveis, posso crescer não a 5%, mas a 5,5% ou 6%. É perfeitamente possível que o país possa crescer mais, sustentadamente. Tem de aumentar o esforço de poupança e investimento e sustentá-lo persistentemente ao longo do tempo.
FOLHA - Mas o problema hoje é que estamos numa velocidade de crescimento de 6%, o que estaria gerando pressões inflacionárias pelo aquecimento da demanda. Isso sinaliza que a taxa de investimento ainda não sustenta esse ritmo?
COUTINHO - As pressões inflacionárias têm vindo mais de fatores externos e acidentalidades. Veio de produtos agrícolas, entressafra e commodities por conta da excitação do preço no exterior. Os elementos internos de formação do preço não mostram excitação alarmante.
A formação de capital tem avançado fortemente. Um sintoma inequívoco do amadurecimento dos investimentos é que o nível de uso da capacidade industrial, que havia subido para 83% e tanto, caiu. Está cedendo nas últimas leituras e nossa percepção é que vai continuar caindo devagarinho.
A formação de capital na esmagadora maioria dos setores da indústria tem permitido evitar a formação de gargalos de inflação por conta de uso de capacidade estourado.
O nível de uso de capacidade está alto o suficiente para estimular o investimento e numa faixa ainda confortável para não produzir estresse inflacionário, daí o desafio de continuar mantendo a formação de capital em ascensão para criar capacidade de oferta.
Há uma arte de calibrar no curto prazo a demanda agregada, os estímulos fiscais e monetários da economia que não está na minha esfera. Toda a análise que fiz foi estrutural, não queira colocar na minha boca uma avaliação crítica à política macroeconômica. O BC e o Ministério da Fazenda têm de cuidar da inflação, da calibragem da economia para manter a estabilidade e o controle sobre as expectativas de inflação.
Tenho uma tarefa importante que é ajudar a sustentação do investimento, de tal maneira que não se formem pressões inflacionárias generalizadas.
Mantida a confiança e a sustentação do crescimento, em algum momento futuro o BNDES poderá repensar o seu perfil de financiar coisas que tipicamente o mercado não financia bem. Neste momento, o BNDES está sobrecarregado.
FOLHA - Neste momento o BNDES precisa atuar na função de manter essa taxa de investimento subindo para evitar gargalos inflacionários. Quais os setores que o senhor identifica em que o BNDES precisa atuar?
COUTINHO - Os setores-chave são os chamados de insumos de amplo uso industrial, os insumos básicos, porque eles têm um peso importante na formação de custos de vários setores.
FOLHA - Há uma grande dúvida se vocês terão condições de ter os recursos necessários, como para bancar as metas da política industrial. O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) disse que o banco terá até R$ 250 bilhões para financiá-la.
COUTINHO - Bom, acho que ele está incluindo nosso orçamento de R$ 80 bilhões nos próximos três anos. Não é uma conta discrepante. Conto com a ajuda do ministro Miguel Jorge para ajudar o banco a chegar nos duzentos e tantos bilhões de reais.
Existem mecanismos para chegar, mas não posso falar de mecanismos que ainda estão em